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UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

DEPARTAMENTO DE ODONTOCLÍNICA
FACULDADE DE ODONTOLOGIA
DISCIPLINA DE RADIOLOGIA III

LESÕES TERAUMÁTICAS DENTOMAXILO FACIAIS

FRATURAS: REPRESENTAÇÃO RADIOGRÁFICA NOS DENTES,

NOS MAXILARES E NOS OSSOS DA FACE.

FRATURA DENTÁRIA

DEFINIÇÃO: É uma solução de continuidade dos tecidos duros do dente.

ETIOLOGIA:

Espontânea - Ocorre durante a mastigação.

Traumáticas- Como consequência de aplicação de forças externas:

 Golpes;
 Quedas;
 Acidentes automobilísticos;
 Práticas esportivas...
 Ou mesmo traumatismo operatório durante o tratamento dentário ou
cirúrgico.
OCORRÊNCIA:

Quase 90% das fraturas, localizam-se nos dentes anteriores da maxila; em


pessoas jovens.

A maioria das lesões traumáticas envolvem o arco superior especialmente


os incisivos centrais, embora os incisivos laterais superiores e incisivos
inferiores são envolvidos com menor frequência. As crianças com incisivos
protrusivos, como nas mal oclusões classe II em desenvolvimento, tem 3
vezes mais possibilidade de sofrer traumatismos dentais que os outros com
transpasse horizontal normal entre os incisivos.
Cuidados para que não ocorram fraturas!!!

Recomenda-se a utilização de dispositivos de proteção, incluindo placas


intra-orais, aos quais auxiliam na distribuição de forças de impacto, desta
forma reduzindo o risco de lesão severa. O uso de cinto de segurança é
essencial, pois, nos acidentes de carro, quando as crianças desprovidas de
segurança podem sofrer diversas fraturas, o uso de capacete ao andar de
bicicleta....

CARACTERÍSTICAS RADIOGRÁFICAS:

O exame radiográfico é de fundamental importância como complementar de


diagnóstico. De acordo com a avaliação do exame clínico serão
determinadas as áreas a serem radiograficamente examinadas. Esse
exame serve para vários propósitos: para revelar o estado de formação
radicular e o número de injúrias que afetaram a porção radicular e
estruturas periodontal. Assim muitas fraturas radiculares são reveladas por
exames radiográficos. Deslocamento de dente é facilmente diagnosticado
nas radiografias. Na extrusão há um aumento do espaço do ligamento
periodontal, enquanto nos dentes intruídos ocorre um desaparecimento
deste espaço.

As radiografias periapicais devem ser realizadas para identificar :

A linha da fratura;
A relação fratura/câmara pulpar;
Extensão da exposição e fase de desenvolvimento da raiz;
Visualizar complicações como fraturas radiculares;
Determinar, posteriormente, se ocorreram alterações periapicais.

É importante que seja enfatizado a necessidade de reexames para


controle radiográfico. Muitas mudanças patológicas não são evidentes de
imediato nas radiografias. Depois de três semanas, é possível identificar
regiões periapicais radiolúcidas por necrose pulpar. Pode-se notar a reação
radicular inflamatória. Depois de 6 a 7 semanas, podemos reconhecer a
reação de reimplante ou anquilose, atenção, é importante salientar o
cuidado com o reimplante de dente decíduo, não deve ser realizado devido
ao risco de sofrer anquilose. Por tanto, existe um fundamento racional e
adequado para se planejar tomadas radiograficas pós-operatórias 1 e 60
dias depois da lesão
CLASSIFICAÇÃO DAS FRATURAS DENTÁRIAS:

Localização: Coronária
Radicular
Corono-radicular

Direção: Transversal
Oblíqua
Longitudinal

Exame Clínico:

Teste de vitalidade pulpar: Teste Elétrico


Teste Térmico

Para observar o traço de fratura na coroa dentária: Teste de Transiluminação

FRATURA CORONÁRIA

Fratura de Esmalte sem exposição pulpar;


Fratura de Esmalte sem exposição pulpar com Rizogênese incompleta
(observar a continuação da Rizogênese e o fechamento do ápice radicular)
Fratura de Esmalte e Dentina sem exposição pulpar
Fratura de Esmalte e Dentina com exposição pulpar com Rizogênese
incompleta (o tratamento é estabelecido de forma a permitir a preservação
de uma polpa com vitalidade, sem inflamação, protegida por ponte
dentinária na área previamente exposta, permitindo, portanto, a continuação
da rizogênese e o fechamento do ápice radicular. Tal fato simplificará o
tratamento de canal radicular, se este for necessário. A apicogênese poderá
ser obtida através do uso do Ca(OH)2 no capeamento pulpar ou na
pulpotomia. Este tratamento é indicado mesmo nos casos de
deslocamento.)

FRATURA RADICULAR

São divididas em verticais ou longitudinais, oblíquas e horizontais ou


transversais. As fraturas verticais são menos frequentes nos traumas,
podendo ser em decorrência da colocação de pino intracanal, muito
desfavorável, com prognóstico duvidoso. As oblíquas e transversais podem
localizar-se no terço cervical, médio e apical.
O tratamento é determinado pelo nível da linha de fratura e sua relação com
o sulco gengival. Quanto mais cervical a fratura maior a dificuldade de
manter o fragmento coronário, mas, é uma fratura favorável.

Quando existe comunicação com o sulco gengival ou a fratura se encontra


acima da crista óssea, uma possibilidade é a remoção do fragmento
coronário e, a extrusão ortodôntica do fragmento apical.

Quanto mais apical for a fratura, mais favorável. Quanto mais próximo ao
terço médio for a fratura radicular será considerada desfavorável e o
prognóstico duvidoso.

Fratura radicular simples, composta e cominutiva (é aquela que exibe


múltiplos fragmentos)

SE O RAIO CENTRAL INCIDIR NA MESMA DIREÇÃO DO TRAÇO DA


FRATURA, OBSERVAMOS UMA LINHA RADIOLÚCIDA.

SE O RAIO CENTRAL NÃO INCIDIR NA MESMA DIREÇÃO DO TRAÇO


DA FRATURA, OBSERVAMOS MAIS DE UMA LINHA RADIOLÚCIDA.
Trauma no dente decíduo pode causar injúria no dente permanente .

As lesões traumáticas nos dentes decíduos anteriores são comuns e esta


frequência é progressiva à medida que a criança, aprendendo a andar e a
correr, apresenta sua coordenação e sua capacidade de decisão
parcialmente desenvolvidas. As lesões traumáticas devem ser consideradas
sempre como um caso de emergência, e devem ser tratadas
imediatamente, para evitar a dor e melhorar o prognóstico. A sua incidência
varia de 4% a 30%. A causa mais comum é devido a quedas.

A estreita proximidade das duas dentições expõe o dente permanente às


lesões traumáticas, ocorridas ao decíduo correspondente, provocando
diferentes possibilidades de distúrbios locais. Muitas vezes, quando um
trauma sobre o dente decíduo provoca intrusão acentuada, pode lesar a
estrutura dentária do permanente, causando uma hipoplasia, mas, é
necessário avisar aos pais que somente torna-se visível após a erupção.
Nos casos de intrusão mais severa do dente decíduo, poderá haver um
deslocamento da coroa do dente permanente, provocando uma dilaceração,
pois a raiz continua crescendo no mesmo sentido; surge, então, uma
angulação entre a coroa e a raiz, o que, na maioria dos casos, impede a
erupção do dente permanente.

 O processo de reparação no local da fratura radicular pode ser dividido


em quatro categorias:
a) cura com tecido mineralizado;
b) interposição de tecido conjuntivo;
c) cura com tecido ósseo e conjuntivo
d) interposição de tecido de granulação.

O tipo de cura depende de fatores como: proximidade, reposicionamento e


fixação dos fragmentos, estágio do desenvolvimento radicular, além da
ausência de infecção. Embora a cicatrização por uma união com tecido duro
seja mais adequada, a interposição de tecido conjuntivo, também, é
aceitável. Algumas complicações podem interferir no prognóstico, como a
necrose da polpa do fragmento coronário ou de ambos os fragmentos, a
calcificação da cavidade pulpar, a reabsorção radicular externa ou interna e,
a perda de osso marginal de suporte entre outras.

O procedimento inicial é a contenção do fragmento móvel aos dentes


adjacentes usando-se resina composta ou cimento de ionômero de vidro ou
fixar com fio de aço. Se a extensão cervical da fratura não está abaixo do
sulco gengival é possível realizar-se a restauração direta ou a colagem do
fragmento.
As imagens a seguir são de Fratura?

Sombra do lábio superior

Sutura intermaxilar

Atrição patológica

Canais nutrícius
RADIOLOGIA EM CIRURGIA E TRAUMATOLOGIA
BUCO-MAXILO-FACIAL

FRATURA NOS MAXILARES E NOS OSSOS DA FACE

EXAME RADIOGRÁFICO

A exploração radiográfica nos pacientes traumatizados de face é


indispensável ,porém, sempre é um exame complementar e não dispensa em
hipótese alguma , o exame clínico prévio.

Número de radiografias necessárias para verificar uma fratura nos


maxilares e nos ossos da face:

Normalmente duas incidências, formando um ângulo reto (90°) entre si.

ETIOLOGIA

Vida civil TRAUMÁTICAS Guerra

PATOLÓGICAS

OCORRÊNCIA:

Em ordem de frequência os ossos mais comumente envolvidos nas lesões


traumáticas da face são :

a mandíbula, o maxilar e o zigomático (ou malar)

Classificação em relação ao traço de fratura:

1. Simples – traço único em um segmento ósseo, dois fragmentos.


2. Composta – dois ou mais traços de fratura em um segmento, três ou
quatro fragmentos ou mais
3. Complexa – vários segmentos ósseos fraturados, podem ser todos
simples e/ou compostos
4. Cominutiva – vários fragmentos ósseos, não se consegue contar os
fragmentos. Nessa fratura, o osso é estilhaçado ou esmagado no local
do impacto.
5. “Galho verde”, incompleta ou livro aberto – geralmente ocorre nas
suturas ósseas em crianças, porque ainda não estão completamente
consolidadas.

FRATURA NOS MAXILARES E NOS OSSOS DA FACE

LOCALIZAÇÃO:

Mandibulares
Maxilares
Zigomáticas
Nariz
Órbitas

FRATURAS MANDIBULARES
LOCAIS DAS FRATURAS MANDIBULARES
RESPECTIVAS TOMADAS RADIOGRÁFICAS

FRATURAS DA MAXILA

LE FORT I – Transversal ou Horizontal da maxila


LE FORT II – Piramidal
LE FORT III – Disjunção craniofacial
Geralmente essas fraturas são bilaterais

DISJUNÇÃO INTERMAXILAR OU VERTICAL DA MAXILA


(ou Fratura de Lannelongue , Huet, Basserreau, Richet, Walther etc)

Fratura Horizontal da Maxila – Le Fort I – F. Guérin – Disjunção Dento-


Alveolar

Tomada radiográfica mais indicada em ordem crescente:


P. A. - Lateral Absoluta para Crânio ou Lateral Verdadeira; Water’s e T.C.

Trauma acima do lábio superior.

Traço da fratura: Acima do nível dos dentes, rebordo alveolar, parte das
paredes do seio maxilar e palato, parte inferior da apófise pterigoide do osso
esfenoide.

Radiografia de controle: PA de mandíbula


Fratura Piramidal da Maxila _ Le Fort II

Tomada radiográfica mais indicada em ordem crescente:

Water’s Waldron ou Mento Naso Modificada; Lateral do Crânio e TC

Trauma violento no 1/3 médio da face.

Traço da fratura: Ossos nasais, processo frontal do osso maxilar( apófise


frontal da maxila) , ossos lacrimais, rebordo orbitário inferior, assoalho de
órbita, inferiormente sutura zigomática-maxilar, parede lateral da maxila e
processo pterigoide do osso esfenoide, 10% do seio etmoidal e frontal.

Disjunção Craniofacial _ Le Fort III

Tomada radiográfica mais indicada em ordem crescente

Water’s Waldron ou Mento Naso Modificada e T.C.

Separa completamente o 1/3 médio da face do esqueleto do crânio.

Traço da fratura: Sutura fronto-nasal, paredes mediais da órbita e assoalho


orbitário, ossos lacrimais, sutura zigomática- frontal e zigomática-temporal,
parede posterior da maxila, inferiormente processo pterigoide do osso
esfenoide, seio esfenoidal, frontal e maxilar.

DISJUNÇÃO INTERMAXILAR OU VERTICAL DA MAXILA


(ou Fratura de Lannelongue , Huet, Basserreau, Richet, Walther etc)

Tomada radiográfica mais indicada: Hirtz

FRATURAS ZIGOMÁTICAS

Fratura do osso zigomático. Hirtz (Projeção submentovértice)


Fratura ou afundamento do arco zigomático ( Hirtz pouco penetrada).
FRATURA DOS OSSOS DO NARIZ

Ossos do nariz
Cartilagem

Incidência em perfil ou Lateral de face ou Lateral para ossos próprio


do nariz - visualização dos ossos próprio do nariz .

Water’s para avaliação do septo ósseo, pirâmide dorsal e paredes nasais


laterais.

FRATURA DO ASSOALHO ORBITÁRIO

Fratura em Blow Out


Fratura em Blow In Water’s Waldron

As fraturas de órbita podem ser do tipo “blow-out” ou “blow-in”, que significam


respectivamente a explosão do assoalho para o interior do seio maxilar ou para
dentro da própria cavidade orbital. Este tipo de fratura não é das mais
frequentes, porém de importante diagnóstico e tratamento pela sua relação
com o globo ocular.

Fratura em Blow out- As fraturas chamadas de blow out são aquelas que
acometem exclusivamente o assoalho e/ou a parede medial orbitária. Estas
fraturas ocorrem basicamente após grandes traumas sobre a região da órbita
ou zigomático. Os fragmentos ósseos e tecidos moles invaginam-se para o seio
maxilar.

Fratura em Blow in- São fraturas pouco comuns e surgem basicamente após
grandes impactos sobre o zigomático no sentido caudo-cranial( de baixo para
cima) ou de verdadeiras implosões

Alterações radiológicas nas fraturas do assoalho da órbita (observa-se


em ambas as fraturas, porém, é mais evidente na Fratura em Blow out)

 Sinal de “gota pendente”- conteúdo orbitário inferior (gordura e parte do


músculo reto inferior, podem herniar para o seio maxilar.
 Velamento do seio maxilar (imagem radiopaca).