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A GERAÇÃO DO FIM

A nossa grande pergunta orientadora é: A geração pós-moderna é a geração do fim dos tempos?
Live 1: Características da geração pós-moderna.
Live 2: Características da geração do fim conforme as Escrituras.

1. CARACTERÍSTICA DA GERAÇÃO PÓS-MODERNA OU GERAÇÃO JORNADA NAS


ESTRELAS: A NOVA GERAÇÃO

1.1. Conceito de Pós-Modernismo: É um deslocamento de paradigma (de modelo) ou um


deslocamento cultural que surgiu de uma reação contrária à atitude mental moderna no
âmbito da própria modernidade que, por sua vez, resultou da mentalidade racionalista e
cientificista do movimento Iluminista.

1.2. Características: Embora a lista, abaixo, oferecida pela teóloga feminista Sellie Mcfague possa
refletir sua simpatia pessoal, fazendo com que mencione determinados pontos em lugar de
outros, ela é útil para que se possa ter uma noção preliminar do estado de espírito pós-
moderno. Assim sendo, a feminista menciona os seguintes pontos:

a) Uma maior valorização da natureza;


b) Um reconhecimento da importância da linguaguem;
c) Uma admiração refinada pela tecnologia;
d) Uma aceitação do desafio que outras religiões colocam para a tradição judaico-cristã;
e) Uma sensibilidade apocalíptica;
f) Uma sensação de deslocamento do homem branco ocidental;
g) A ascensão dos despossuídos em virtude de sexo, raça ou classe;
h) E a conscientização crescente da interdependência radical da via em todos os níveis e de
todos os modos imagináveis. (MCFAGUE, 1982 apud GRENZ, 1997)

A respeito destas características, podem ser feitos os seguintes comentários. No geral,


mormente no que se referem às características atitudinais com relação à natureza, à linguagem,
à aceitação de religiões de outras matrizes, ao deslocamento do homem branco, à ascenção dos
despossuídos e à interdependência radical, parece evidente a influência do pensamento marxista
fomentado pelo gramscismo ou pelo marxismo cultural que deu origem a chamada nova
esquerda. Outrossim, a utilização de artigos indefinidos na menção de cada uma das
características sugere que as realidades efetivas que deram ensejo a todas elas já existiam e que,
portanto, o que houve foi uma nova compreensão ou um novo olhar lançado sobre estas
realidades e imposto pela mentalidade pós-moderna. Em outras palavras, uma nova perspectiva
que distorceu ou reorientou ideologicamente as mesmas.
Especificamente, uma a uma, pode-se verificar que a característica do item “a” é o
supedâneo, fundamento ou base que sustenta e explica ou justifica a inversão de valores
observada, hodiernamente, no tratamento especial dispensado aos chamados animais inferiores
ao posso que o ser humano – considerado pela “mitologia” cristã, como a coroa da criação - é
visto como o grande vilão que ameaça o planeta e todas a formas de vida nele presentes. Quanto

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ao item “b”, ele, por sua vez, sustenta a impressão pós-moderna de que todo o conhecimento
humano é formado apenas de narrativas distintas entre si, não existindo, portanto, uma
metanarrativa que dê conta ou que consiga harmonizar todas elas a partir de pontos ou de uma
estrutura em comum. Dizendo de outro modo, para mentalidade pós-moderna, não há verdade
absoluta e as “verdades” da experiência humana, representadas pelas diversas narrativas, como
um todo seriam apenas opiniões e ilusões úteis para a convivência humana relativamente
pacífica. Em relação ao item “c”, ele rememora a intenção mais recente da ciência
contemporânea no sentido de aperfeiçoar a natureza humana por meio do hibridismo com as
novas tecnologias mediante o implante de chips no corpo e substituição de membros por
máquinas sofisticadas, além do desenvolvimento da inteligência artificial.
O item “d”, por sua vez, evidencia que a sociedade pós-moderna é uma sociedade que,
além de acolher os fenômenos ditos sobrenaturais, ela é religiosamente sincretista. Ou seja, ela
aceita e promove a mescla, conveniente a cada grupo ou indivíduo, de suas crenças espirituais
extraídas de religiões das mais diversas matrizes e essencialmente irreconciliáveis. Por outro lado,
esta atitude poderia ser um tiro contra a mentalidade pós-moderna na medida que os indivíduos
pudessem discernir pontos ou mesmo uma estrutura comum a todas as religiões. O item “e”
refere-se à sensação de vulnerabilidade típica da geração pós-moderna que aguça sua
consciência crescente para a necessidade de uma interdependência radical mencionada no item
“h”. Este item, talvez esteja relacionado à crítica realizada pelo Prof. Olavo na obra O Imbecil
Coletivo. Já o item “f” refere-se a uma espécie de racismo invertido que fomenta a depreciação
da etnia caucasiana ou branca por parte de todas as outras.
E, finalmente, o item “g”, no Brasil, por exemplo, manifesta-se na política de cotas e na
determinação legal do tratamento diferenciado ao homossexual cuja condição foi,
artificialmente, igualada ao fator racial ou étnico pelo STF.

2. COMPARAÇÃO ESQUEMÁTICA ENTRE A MENTALIDADE OU ESTADO DE ESPÍRITO


MODERNO E O PÓS-MODERNO

A leitura ou compreensão do quadro comparativo, esquematizado a seguir, remete ao


pensamento do Ap. Paulo quando no Aerópago1, em Atenas, discursou aos estóicos e epicureus.
Ele asseverou:

Deus assim procedeu para que a humanidade o buscasse e provavelmente, como que tateando, o
pudesse encontrar, ainda que, de fato, não esteja distante de cada um de nós: ‘Pois nele vivemos,
nos movimentamos e existimos’, como declararam alguns de vossos poetas: ‘Porquanto dele
também somos descendentes’. (Atos 17:27-28, grifo nosso)

Ou seja, partindo da doutrina de Cristo como referêncial supremo e da generosa suposição


de que tais pensadores trabalham sempre honestamente com os elementos da realidade, eles se a
assemelham a cegos que, a despeito de tatearem, a duras penas, conseguem, de alguma forma, chegar
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Areópago ("Colina de Ares") era a parte noroeste da Acrópole em Atenas e também o nome do próprio conselho que ali se
reunia. Além de supremo tribunal, o conselho também cuidou de assuntos como educação e ciência por algum tempo.Por volta
do ano 50 da era cristã, filósofos epicureus e estoicos que discutiam com o apóstolo Paulo o levaram ao Areópago para que lhes
contassem a respeito de sua nova doutrina. Ali ele proferiu seu famoso Discurso no Areópago.Pode ainda ser definido como o
tribunal de justiça ou conselho, célebre pela honestidade e retidão no juízo, que funcionava a céu aberto no outeiro de Marte,
antiga Atenas, desempenhando papel importante em política e assuntos religiosos.

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a algum lugar, isto é, de fato, logram realizar descobertas efetivas. Contudo, acertando em alguns pontos
e errando em muitos outros, seja em essência, seja em intensidade. Ou seja, tanto nos pensadores
modernos quanto pós-modernos - nos seus pressupostos ou suposições, pensamentos, reflexões,
investigações e resultados - é possível observar acertos os quais, contudo, logo são corrompidos por
exageros ou implicações exageradas. Como exemplo de um erro essencial, poderia ser citado o
relativismo da mentalidade pós-moderna em face da floresta tropical de teorias e conclusões
aparentemente díspares do racionalismo e cientificismo modernos ou das diversas culturas ao redor do
planeta. A despeito da evidente dificuldade de harmonizá-las, este erro, possivelmente, consiste numa
impressão superficial para não dizer desonesta em certos casos.

MODERNA PÓS-MODERNA
1. Elevação da humanidade ao centro da O mundo não possuiria centro ou referência alguma,
realidade; mas somente perspectivas distintas. O mundo é um
palco de duelos de textos visando o poder.
2. Elevação do indivíduo ao centro do mundo; Elevação da comunidade ou grupo como referencial de
ética e verdade.
3. Dominação da natureza através da descoberta Para M. Foucault, o conhecimento consiste apenas de
dos seus segredos (Francis Bacon); interpretações que são uma forma de nomear algo,
além de um tipo de violência. Esta, segundo ele, seria
uma praxe das instituições sociais. Desse modo, toda
afirmação de conhecimento seria um ato de poder. Ou
seja, seria uma imposição à realidade.
4. A dúvida sistemática como método filosófico Contrariando a teoria literária estruturalista, os
seguro para a obtenção da verdade (Decartes); desconstrucionistas afirmam que cada sociedade e
cultura possuem estruturas conceituais ou categorias
mentais (conceitos formais kantianos?!) distintas.
Portanto, o significado de um texto não estaria nele
mesmo, mas no diálogo que o intérprete estabelece
com ele a partir da perspectiva do seu conhecimento.
Tal como ocorreria com o texto, também ocorreria ao
mundo como um todo, não havendo assim nenhum
centro ou referência transcendente, imutável e eterno
para a realidade. Por isso, Derrida propõe o abandono
da “ontoteologia” e da “metafísica da presença” 2. Em
suma, o conhecimento seria apenas uma perspectiva
do eu.
5. Existência do ser pensante como verdade Para R. Rorty, a verdade não é a natureza reflexa da
fundamental e inegável para obter o mente ou da linguaguem, i. é, não haveria
conhecimento; correspondência entre as realidades interior e exterior
ao homem, visto que não existiria uma estrutura ou
padrão universal comum a ambos.
Consequentemente, a verdade não estaria na
correspondência entre uma afirmação e a realidade
nem na coerência interna entre afirmações de um
dircurso. Por isso, para ele, simplesmente, deveríamos
abandonar a busca pela verdade em favor da
interpretação. Esta declaração é uma negação
flagrante de Atos 17:26 e da chamada sequência
fibonacci, a saber, uma proporção universal encontrada
em todos os elementos da natureza.

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“Ontoteologia” é a tentativa de estabelecer descrições ontológicas da realidade. Enquanto a “metafísica da presença” se refere
à ideia de que algo transcendente está presente na realidade.

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6. O ser humano como uma substância pensante No coração da filosofia pós-moderna encontra-se o
ou racional e autônoma; pensamento de que tudo é diferente de tudo. Ou seja,
não existe identidade, harmonia ou correspondência
os elementos constituintes do universo. Acredita-se
que esta afirmação seria o fundamento da teoria ou
hipótese do multiverso, ou ainda, pode ser
interpretado como cinismo, impiedade e rebelião em
relação ao padrão divino.
7. O mundo físico como uma máquina cujas leis Abandono da busca pelo significado unificado da
podiam ser apreendidas pela mente humana; (o realidade objetiva.
mecanicismo de Isaac Newton (1643-1727))
8. Projeto Iluminista: “...revelar os segredos do
universo para por a natureza a serviço do
homem, criando assim um mundo melhor.”
Este projeto implica um gerenciamento ou
administração racionalista da vida por meio da
tecnologia para o aperfeiçoamento da
existência humana. (A crítica da obra O
Admirável Mundo Novo de Huxley se referiria a
este projeto?!)
9. Suposições epstemológicas3:
a. O conhecimento é preciso ou exato, objetivo e
bom;
b. O conhecimento é acessível à mente humana;
c. A razão como método de escrutínio e avaliação Não sendo a verdade ou o conhecimento algo exato ou
da realidade para a demonstração da correção preciso, coforme descrito pela mentalidade moderna e
do conhecimento; iluminista, há outros caminhos para “encontrá-lo” tais
como a intuição e as emoções. É o chamado holismo.
d. A objetividade advém da imparcialidade do Sendo o universo ou a realidade algo passível de
especialista que estaria situado numa posição relacionamento e pessoal, além de relativo,
privilegiada fora do fluxo da história. Esta indeterminado e participável, o conhecimento não
suposição resulta no status diferenciado do pode ser meramente objetivo. Estas afirmações são
especialista e divide o projeto científico sob também uma negação do universo mecanicista, regular
várias disciplinas e um só método; e compreensível de Newton.
e. A suposta bondade inerente do conhecimento A crença de que o conhecimento não é inerentemente
resultou na visão otimista do progresso bom resultou, contudo, num pessimismo corrosivo
inevitável, i. é, a ciência transmitida através da (desilução quanto a resolução dos problemas mundiais
educação libertará o homem da e da economia pessoal e consciência exacerbada da
vulnerabilidade à natureza e de toda fragilidade da vida a qual demanda a cooperação em
escravidão social; detrimento da conquista e da atitude imperialista). A
“mitologia” judaico-cristã a respeito da árvore do
conhecimento do bem e do mal e o Livro de Enoque que
refutam este otimismo. Em razão da condição decaída
do ser humano e da natureza como um todo (Gn.3), o
conhecimento nem sempre é usado para o bem ou, ele,
em si mesmo, pode ser um mal.
f. O otimismo e o racionalismo iluministas Assim como o de qualquer outro ser humano, o
promoveram a liberdade humana individual. trabalho do cientista é condicionado histórica e
Desse modo, o ideal moderno faz a apologia da culturalmente, além de incompleto. Portanto, não
autonomia do eu como sujeito existiria a figura iluminista do sábio desapaixonado e
autodeterminante e existente fora de autônomo. Daí ser não somente possível, mas também
qualquer tradição ou comunidade. viável, como demonstraram os cientistas criacionistas e

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Consiste no estudo filosófico e científico que trata dos problemas relacionados com a crença e o conhecimento, sua natureza e
limitações. A epistemologia estuda a origem, a estrutura, os métodos e a validade do conhecimento, sendo também conhecida
como teoria do conhecimento. Ela se relaciona com a metafísica, a lógica e a filosofia da ciência. É uma das principais áreas da
filosofia e compreende a possibilidade do conhecimento, ou seja, se é possível o ser humano alcançar o conhecimento total e
genuíno.

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do design inteligente, a crítica do evolucionismo e a
proposta de um novo modelo para a ciência.
g. Antropologia universalista ou Pretensão A verdade consistiria em tudo quanto a comunidade
Transcendental do Eu definida pela afirmação considera como tal. Portanto, geralmente, a verdade
de que “somos todos humanos”. Consiste na consistiria em regras para o bem-estar da comunidade.
universalização do Eu iluminista kantiano com Sendo assim, não existiria verdade absoluta, mas
suas questões fundamentais ou conceitos apenas relativa à cada comunidade.
formais da mente que funcionariam com uma
espécie de grade ou filtro que organiza ou
classifica os dados brutos dos sentidos.

Em suma, como se pode depreender, claramente, do quadro comparativo, a sociedade


pós-moderna (ou poderíamos dizer infiltrada, adepta ou conformada ao marxismo cultural?!) é
comunitária ou coletivista e abandonou a procura por uma única e abrangente verdade,
estrutura universal ou metanarrativa supracultural e eterna. Neste ponto, é lícito questionar se
esta sociedade seria aquela criticada pela obra O Imbecil Coletivo do filósofo Olavo de Carvalho?
Esta é uma pergunta para os que já leram a obra.
Enfim, no primeiro capítulo do livro Pós-modernismo: um guia para entender a filosofia do
nosso tempo, seu autor, o falecido Dr. Stanley J. Grenz (1950 – 2005), a partir da série televisiva de
ficção científica de grande sucesso, Jornada nas Estrelas: A Nova Geração, extrai ainda outras
características do pós-modernismo ou ratifica as já mencionada acima.
Sendo assim, na diversidade da tripulação, composta por outras formas de vida inteligente
e avançada, representando outros rincões do universo, Grenz (1997) aponta para uma
universalidade mais ampla da estabelecida pela mentalidade moderna. Pois, enquanto Kant (1724
– 1804) propôs o Eu Transcendental caracterizado pelos conceitos formais universais, os
pensadores pós-modernos falam de naturezas distintas. Outrossim, estes pensadores também se
referem a uma nova ecologia da humanidade que, na série televisiva, em parceria com o universo
material em si mesmo e seus mais diversos habitantes e não somente a humanidade, estariam a
serviço da procura da verdade. Característica esta que remete ao animismo4 primitivo.
No personagem Data, um androide que se sente incompleto porque deseja ser um
humano, o autor ressalta a substituição do modelo ideal do homem moderno, racionalista e sem
emoções, representado, na versão original da série, pelo Dr. Spock. Portanto, ao substituir o
personagem da série original, Data, embora disponha de uma capacidade racional e intelectual
extraordinária e superior, ele não é mais o ideal transcendente humano iluminista e moderno
simbolizado pelo Dr. Spock. O personagem também remete aos avanços recentes da inteligência
artificial plasmados no androide Sofia entre outros inventos.
Como representante do conceito de holismo, Grenz (1997) menciona a personagem Tróia
cujas habilidades humanas da afetividade e intuição a capacita na identificação de sentimentos
ocultos dos demais tripulantes. Cumpre também esta função o personagem “Q”, um ser divino,
contudo, moralmente ambíguo em razão de atitudes tão contrastantes quanto a benevolência, o
cinismo e a autogratificação. Este personagem demonstra ainda o interesse da geração pós-
moderna pelo elemento sobrenatural da realidade e rememora os deuses antigos greco-
romanos.

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O animismo é a cosmovisão em que entidades não humanas possuem uma essência espiritual. O animismo é usado na
antropologia da religião como um termo para o sistema de crenças de alguns povos tribais indígenas, especialmente antes do
desenvolvimento de religiões organizadas.

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Enfim, na realidade pós-moderna, verificada na série televisiva em questão, o tempo nem
sempre é linear, a aparência nem sempre corresponde à realidade e o racional nem sempre é
confiável.