Você está na página 1de 126

UM

CORAÇÃO ARDENTE
por John Bevere
© 2016 Editora Luz às Nações
Coordenação Editorial | Equipe Edilan
Tradução e Revisão | Equipe Edilan

Copyright © 1999 por John Bevere, todos os direitos reservados. Originalmente publicado nos Estados Unidos com o título A Heart
Ablaze: Igniting a Passion for God, de John Bevere, por Thomas Nelson, uma divisão de HarperCollins Christian Publishing, Inc.
Tradução publicada por acordo com Thomas Nelson, uma divisão de HarperCollins Christian Publishing, Inc.
Publicado no Brasil pela Editora Luz às Nações, Rua Rancharia, 62, parte, — Itanhangá — Rio de Janeiro, Brasil CEP: 22753-070. Tel.
(21) 2490-2551. 1a edição brasileira: outubro de 2016. Todos os direitos reservados.
Nenhuma parte deste livro poderá ser reproduzida, armazenada em sistema de recuperação de dados ou transmitida por qualquer
forma ou meio — seja eletrônico, mecânico, fotocópia, gravação ou outro — sem a autorização prévia da editora.
Salvo indicação em contrário, todas as citações bíblicas foram extraídas da Bíblia Sagrada Nova Versão Internacional (NVI), Editora
Vida. As outras versões utilizadas são: A Mensagem (MSG), Almeida Corrigida e Revisada Fiel (ACF), SBB; Almeida Atualizada (AA),
SBB; Almeida Revista e Atualizada (ARA), SBB, A Bíblia Viva (ABV), Mundo Cristão e NTLH (Nova Tradução da Linguagem de Hoje),
SBB e Amplified Bible (AMP) (traduzida livremente).
Por favor, note que o estilo editorial da Edilan inicia com letra maiúscula alguns pronomes na Bíblia que se referem ao Pai, ao Filho e
ao Espírito Santo, e pode diferir do estilo editorial de outras editoras. Observe também que o nome “satanás” e outros relacionados
não iniciam com letra maiúscula. Escolhemos não reconhecê-lo, inclusive a ponto de violar as regras gramaticais.

www.edilan.com.br

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ

B467c Bevere, John, 1959-


Um coração ardente : acendendo o amor por Deus / John Bevere. - 1. ed. - Rio de
Janeiro : Luz às Nações, 2016.

3798Kb; ePUB
Tradução de: A heart ablaze : igniting a passion for God
ISBN 978-85-5929-009-7

1. Deus - Adoração e amor. 2. Oração - Cristianismo. 3. Fé. I. Título.


16-37060 CDD: 248.4
CDU: 27-583

DEDICO ESTE LIVRO A DOIS
HOMENS DE DEUS:

PRIMEIRO, AO PASTOR AL BRICE:

Você tem cuidado de mim e de Lisa como se fôssemos sua família.


Você tem reconhecido o ministério que Deus nos confiou como se Ele o tivesse confiado a você.
Você tem orado por nós como se estivesse orando pelas próprias necessidades. E tem mostrado
um amor sem interesses, como o amor que somente nosso Salvador pode dar.
E Jônatas fez um acordo de amizade com Davi, pois se tornara o seu melhor amigo.
1 Samuel 18:3

Obrigado, Al, por ser um verdadeiro amigo. São quase vinte anos de amizade, e ainda teremos
toda uma eternidade juntos!

SEGUNDO, AO SR. LORAN JOHNSON:

Você tem trabalhado comigo e com Lisa neste ministério sem esperar nada em troca.
Você tem se alegrado com nossas vitórias e orado diligentemente por nós durante os tempos de
necessidade.
Você tem nos amado como um pai.
O amigo ama em todos os momentos; é um irmão na adversidade.
Provérbios 17: 17

Obrigado, Loran, por ser um verdadeiro amigo.




SÚMARIO


Agradecimentos
Introdução
Uma Noite Inesquecível
O Propósito da Salvação
Tirando o Egito
A Glória do Senhor
A Passagem para a Montanha
Uma Divindade Controlável
Intenções ou Desejos?
Contracultura ou Subcultura
Graça Salvadora
Dias Difíceis
Ouro, Roupas e Colírio
Aqueles Que Eu Amo...
Fogo Santo Interior
E Verão a Sua Face
Sobre o Autor


AGRADECIMENTOS


Meu mais profundo agradecimento...
À minha esposa, Lisa. Obrigado por ser minha melhor amiga e apoiadora mais fiel, minha esposa e
a mãe dos nossos filhos. Você é verdadeiramente um presente de Deus para mim, e eu a valorizo e
estimo grandemente. Eu a amo, querida.
Aos nossos quatro filhos, Addison, Austin, Alexander e Arden. Vocês trouxeram grande alegria à
minha vida. Cada um de vocês é um tesouro especial. Obrigado por compartilharem comigo o
chamado de Deus e me encorajar a escrever e viajar.
Aos meus pais, John e Kay Bevere. Obrigado pelo estilo de vida de temor a Deus que vocês me
ensinaram a ter com seu exemplo. Vocês me amam não somente em palavras, mas também com suas
ações.
Ao pastor Al Brice, Loran Johnson, Rob Birbeck, Tony Stone e Steve Watson. Obrigado por
servirem em nossa equipe de aconselhamento nos escritórios do ministério nos Estados Unidos e na
Europa. O amor, a bondade e a sabedoria que vocês têm oferecido livremente têm tocado e
fortalecido nosso coração.
À equipe do John Bevere Ministries. Obrigado por seu apoio e fidelidade inabaláveis. Lisa e eu
amamos cada um de vocês.
A David e Pam Graham. Obrigado por seu apoio fiel e sincero em gerenciar as operações do nosso
escritório na Europa.
A Rory e Wendy Alec. Obrigado por crerem na mensagem que Deus tem colocado em nosso
coração. A amizade de vocês tem muito valor para nós.
A Victor Oliver, Rolf Zettersten e Michael Hyatt. Obrigado pelo encorajamento e pela fé na
mensagem que Deus tem feito arder em nosso coração.
A Brian Hampton. Obrigado por aplicar suas habilidades de edição neste projeto. Mas, acima de
tudo, obrigado por seu apoio.
A toda equipe da Thomas Nelson Publishers. Obrigado por apoiarem esta mensagem e pela ajuda
tão amável e profissional. Vocês são um grupo excelente para se trabalhar.
E, acima de tudo, minha sincera gratidão ao meu Senhor. As palavras não são suficientes para
reconhecer tudo o que tens feito por mim e pelo Teu povo. Eu Te amo mais do que sou capaz de
expressar.


INTRODUÇÃO


Este livro é uma jornada em direção à verdade. Muitos buscam a verdade, mas quando são
confrontados por ela, rejeitam, ignoram ou torcem a verdade em benefício próprio. Esse
comportamento tem criado problemas terríveis para nossa geração, resultando em uma sociedade
mergulhada no engano. Jesus advertiu repetidamente nossa geração exatamente sobre isso.
O engano constitui um grave problema porque aqueles que estão em suas garras acreditam que
estão andando na verdade. Paulo descreveu os últimos dias em sua carta a Timóteo: “Pois virá o
tempo em que não suportarão a sã doutrina; ao contrário, sentindo coceira nos ouvidos, juntarão
mestres para si mesmos, segundo os seus próprios desejos. Eles se recusarão a dar ouvidos à
verdade, voltando-se para os mitos” (2 Tm 4:3-4). Uma definição da palavra grega para mitos no
versículo 4 é “falsidade”. Se o que é falso for apresentado como verdade durante tempo suficiente,
muitos o defenderão com a própria vida.
Quando a verdade real é revelada por meio da Palavra de Deus, acaba sendo rejeitada como
heresia. Paulo advertiu que eles não dariam ouvidos à sã doutrina. Uma vez, ouvi um palestrante
dizer: “As doutrinas erradas ensinadas em nossas igrejas não são mensagens tiradas do catálogo
telefônico. São mensagens tiradas das Escrituras!”. Ele alertava para o fato de que essas doutrinas
são derivadas da Bíblia e, portanto, amplamente aceitas, embora sejam errôneas.
O autor de Provérbios previu essa situação e escreveu: “Existem... os que são puros aos seus
próprios olhos e que ainda não foram purificados da sua impureza” (Pv 30:11-12). Neste livro,
aprenderemos que somos nós essa geração.
Se a verdade fosse agradável ao nosso julgamento e fácil de ser abraçada, o mundo inteiro bateria
à sua porta e entraria por ela. No entanto, Jesus deixou claro que não é esse o caso: “Quem pratica o
mal odeia a luz e não se aproxima da luz, temendo que as suas obras sejam manifestas. Mas quem
pratica a verdade vem para a luz, para que se veja claramente que as suas obras são realizadas por
intermédio de Deus” (Jo 3:20-21). Somente aqueles que temem a Deus amam a verdade.
Os dias e tempos que vivemos hoje trazem com eles questões difíceis. Por que tantos na Igreja não
possuem essa paixão? Por que investimos milhões em mídia, edifícios, anúncios e inúmeras outras
formas de propagarmos o Evangelho, enquanto tantos na Igreja ainda lutam contra a luxúria e o
desejo pelos prazeres deste mundo? Por que mais de 80% dos convertidos acabam voltando para um
mundo de trevas? Como os pecadores podem declarar que tiveram uma experiência de novo
nascimento, mas não demonstrar nenhuma mudança? Creio que a resposta para todas essas
questões pode ser resumida de uma única maneira: a ausência do fogo e da paixão por Deus.
Se olharmos para aqueles que viveram antes de nós, poderemos ver claras diferenças. O que deu
a Moisés o desejo de buscar a Deus quando isso lhe custaria abrir mão de uma vida inteira de
realizações? Por que Jeremias, Isaías e tantos outros continuaram a proclamar as mesmas palavras
que lhes trouxeram perseguição e provações? Por que as pessoas da Igreja Primitiva foram capazes
de abrir mão de suas posses, seu conforto e até mesmo das próprias vidas por causa do Evangelho?
Que força a Igreja Primitiva tinha que capacitava seus membros a pregarem ousadamente diante da
ameaça de tortura e morte, enquanto a maior luta que muitas pessoas na Igreja de hoje enfrentam é
simplesmente superar uma autoimagem negativa? Novamente, a resposta é o fogo de Deus.
Nós precisamos do fogo de Deus, e ele está disponível a todo aquele que tem fome da verdade. O
fogo de Deus não vem sem um momento de confronto, mas creio que a maioria de nós já está farta
de tanta falsidade e pronta para mudanças. O medo de permanecermos o mesmo supera qualquer
dor que possamos sentir como consequência do encontro com a verdade. Aqueles que assumem essa
posição estão desesperados para ouvir o Senhor da glória. Eles estão prontos para vê-Lo
verdadeiramente glorificado em suas vidas.
Não importa em que ponto você esteja em sua caminhada com Deus, sempre há espaço para
receber mais do Seu fogo santo. Se você teme que o fogo esteja quase se apagando, tenha coragem
e esperança, pois Ele já prometeu que:

Não quebrará o caniço rachado,
Não apagará o pavio fumegante,
Até que leve à vitória a justiça.
Mateus 12:20

Que amor cheio de graça nosso Pai tem por nós! Oro para que este livro revele progressivamente
a verdadeira preocupação do Senhor com a nossa condição. Ele está mais preocupado com nossa
condição do que com nosso conforto, e nos ama o bastante para nos dizer o que precisamos ouvir.
Nunca estive tão empolgado com uma mensagem quanto agora, pois essas verdades têm me
tocado profundamente. Este projeto somente reforça a realização Daquele que é seu verdadeiro
Autor. Sou somente um vaso por meio do qual o Mestre tem propagado Sua mensagem. Quero ter o
cuidado de dar a Ele toda a glória por tudo o que Ele fizer por intermédio deste livro. Que ele possa
acender o santo fogo em sua vida, e que você nunca mais seja o mesmo. Antes de começarmos esta
jornada, vamos orar:
e
Pai, em nome de Jesus, à medida que eu ler este livro peço que Tu fales comigo pessoalmente
por meio do Teu Espírito. Não tenho medo da verdade. Eu a desejo. À medida que eu a
abraçar, faça com que o Teu fogo queime dentro do meu coração. Que a intensidade dela me
consuma, fazendo com que eu ame o que Tu amas e rejeite aquilo que Tu rejeitas. Durante a
leitura, abre os meus olhos para que eu veja Jesus mais claramente, como jamais vi. Eu
reconheço que Ele é a Palavra de Deus revelada e a Verdade. Eu Te agradeço
antecipadamente pela mudança que farás em minha vida por meio da Tua mensagem neste
livro. Amém.
e
CAPÍTULO 1
UMA NOITE INESQUECÍVEL

Deus acenderá em Seu povo uma paixão que


queima mais intensamente do que tudo que
jamais conhecemos antes.

E ra o quarto e último culto de uma série de encontros na Igreja Covenant Love Family, em
Fayetteville, Carolina do Norte. Aquela não era minha primeira vez ali, pois eu já havia
ministrado naquela igreja várias vezes antes. Os cultos sempre produziam maravilhosos frutos por
causa da fome e do amor genuíno que eles tinham por Deus.
Já era tarde, havia passado do horário em que um culto normal terminaria. Mesmo assim, eu
estava hesitante em terminar; eu me sentia no meio de um conflito. A mensagem havia sido clara e
breve, e o povo havia respondido com entusiasmo. Mas eu tinha a sensação de que ainda não era o
fim. Eu costumava terminar uma série de cultos com um sentimento de realização, especialmente
em uma igreja tão receptiva como a Covenant Love Family. Mas aquela era uma noite diferente.
Além da sensação de conflito, continuava ouvindo as palavras que o Espírito Santo havia
sussurrado ao meu coração quando eu estava no avião a caminho de Fayetteville: “Estes cultos
serão os mais poderosos que você já experimentou nessa igreja”.
Eu já havia estado nessa igreja cerca de sete ou oito vezes ao longo dos anos, e não hesitaria em
incluir aquelas ocasiões na minha lista dos cultos mais transformadores de todos. Eu me lembro de
haver pensado no avião: Isso já é querer demais.
Enquanto permanecia de pé na plataforma sentia-me confuso. Aqueles encontros não foram os
mais poderosos que já tive ali. Era difícil não compará-los com os atos significativos e os
testemunhos dos cultos anteriores. Eu lutava em meu interior contra a tentação de murmurar, mas
sabia que deveria manter o foco no culto que estava acontecendo diante de mim. Precisava
desesperadamente ouvir a voz de Deus.
Parecia que a presença de Deus estava pairando sobre o povo. Era quase como se Ele quisesse
descer sobre a congregação de uma forma forte e poderosa, mas de algum modo estivesse sendo
impedido. Havia grupos isolados de pessoas chorando aqui e ali, mas eu sabia que Deus queria
muito mais. Embora tivesse sentido uma atmosfera semelhante nas noites anteriores, eu tinha
certeza de que, na última noite, o Senhor iria nos honrar com a Sua presença restauradora, assim
como Ele havia feito no passado. Não teria outro culto. Por que Deus não está tocando estas pessoas
se eu sinto que Ele quer fazer isso? Eu continuava perguntando a mim mesmo.

Uma Revelação que Deu Direção

Então ouvi a doce e suave voz do Espírito Santo falar comigo. Ele me mostrou que algo estava
formando uma barreira nas igrejas daquela cidade, assim como havia uma barreira naquele culto.
Ela não deixava que as igrejas crescessem além de certo ponto. Quando chegavam a esse ponto, as
igrejas se dividiam ou se tornavam ineficazes e cheias de religiosidade.
Imediatamente após eu ter compartilhado essa revelação com a congregação, o pastor pulou para
frente e a confirmou. Ele havia feito estudos sobre a história atual e passada da cidade, e as
estatísticas estavam corretas. Enquanto ele falava, ouvi novamente a voz do Espírito Santo. Ele me
explicou como essa barreira poderia ser quebrada.
Quando terminou de falar, o pastor me devolveu o microfone. Eu disse: “Pessoal, Deus me mostrou
que um jejum de quarenta dias quebrará essa barreira”.
Quase podia ouvir os pensamentos do povo: Ficar quarenta dias sem comida?
Eu prossegui: “Não é necessariamente um jejum de comida, e na maioria dos casos não é uma
abstinência total de comida. É um jejum daquilo que o impede de buscar ao Senhor. Talvez seja
televisão, vídeos, jogos de computador, jornais, compras excessivas, conversas ao telefone, e assim
por diante”.
Esse é o verdadeiro jejum. Muitas vezes fazemos greve de fome para ouvir Deus, mas continuamos
vivendo nossas vidas de maneira ocupada e distraída. Esse não é o verdadeiro jejum, por isso nos
beneficiamos tão pouco quando fazemos isso. O verdadeiro jejum acontece quando nos abstemos
com o propósito de buscar a Deus de uma forma mais intensa.
O povo de Israel se abstinha de comida e perguntava ao Senhor: “Por que o Senhor não está
impressionado?” ou “Por que o Senhor nem mesmo nota o nosso esforço?”.
Deus lhes respondeu por intermédio do profeta Isaías: “A verdade é que nos dias de jejum vocês
cuidam dos seus negócios ... Será que vocês pensam que, quando jejuam assim, Eu vou ouvir as suas
orações?” (Is 58:3-4, NTLH).
Devolvi o microfone para o pastor, e ele imediatamente se comprometeu a fazer o jejum e pediu a
toda a congregação que fizesse o mesmo. Eles uniram seus corações para buscarem a Deus.
No dia seguinte, percebi que o domingo que viria quarenta dias após aquele culto estava vago em
minha agenda. Eu compartilhei a informação com o pastor, e ele respondeu: “Gostaria muito que
você estivesse aqui”.
Mantivemos contato ao longo das semanas seguintes. Já havia testemunhos extraordinários das
famílias que estavam jejuando. Estudantes que antes só tinham problemas na escola, agora viam
suas notas aumentando, chegando até mesmo a alcançar as notas máximas. Havia relatos de
crianças e adolescentes que estavam se tornando mais obedientes e respeitosas. As coisas
mundanas e o desejo por elas pareciam estar perdendo a atração e a influência sobre eles. As
mulheres compartilharam com empolgação que seus maridos pareciam homens diferentes. Pais
estavam liderando estudos bíblicos e orando com suas famílias. Relacionamentos estavam sendo
curados enquanto outras pessoas experimentavam cura física. Lares eram restaurados à medida que
o povo se achegava a Deus.
Também ouvi do pastor que os cultos estavam se tornando cada vez mais poderosos, com várias
pessoas novas vindo para o Reino de Deus. Praticamente todas as áreas estavam sendo afetadas
como resultado da obediência da igreja em dar ouvido à Palavra do Senhor.

Um Dia que Eu Nunca Esquecerei

Seis domingos mais tarde, em 3 de novembro de 1996, retornei àquela igreja para ministrar.
Aquele seria um dia que eu nunca mais esqueceria. Quando simplesmente entrei no templo para o
culto da manhã, notei que o ar estava denso, cheio de expectativa. A mensagem que ministrei da
Palavra de Deus foi recebida pelos corações e almas sedentos.
No encerramento do culto, o pastor exortou a congregação para que chegassem mais cedo para o
culto da noite, com a finalidade de prepararem seus corações em oração. Ele instruiu aos pais que
as crianças também assistiriam ao culto à noite juntamente com eles; ele queria que todas as faixas
etárias estivessem juntas naquela noite, com exceção daqueles com menos de seis anos. Eu nunca o
havia visto daquela forma antes. Ele repreendeu os pais: “Se vocês ou seus filhos perderem este
culto, vocês se arrependerão pelo resto de suas vidas”. O comentário dele me surpreendeu e até
mesmo me assustou um pouco, mas preferi não dizer nada, e fico feliz por não tê-lo feito.
Naquela noite, o auditório estava lotado, com aproximadamente mil e trezentas pessoas. Preguei
sobre o temor do Senhor, e a mensagem foi concluída por volta das nove da noite. O ensinamento foi
tão intenso, que daria para ouvir um alfinete caindo no chão toda vez que eu fazia uma pausa,
mesmo com todas as crianças ali dentro.
No fim da minha pregação, o dirigente de louvor conduziu a congregação em alguns cânticos de
adoração. Então ouvi o Espírito Santo sussurrar: “Eu quero ministrar a este povo. Por favor, permita-
Me fazê-lo”.
Percebi que, embora estivéssemos cantando músicas de adoração, aquele não era o
direcionamento que Ele desejava. Então, alertei o povo: “O Senhor acaba de falar ao meu coração.
Ele quer ministrar a nós, então vamos ficar quietos e nos concentrar Nele”.
Durante os dez a quinze minutos seguintes, podia-se ouvir várias pessoas chorando mansamente
na presença do Senhor. Aparentemente, tudo indicava que estava acontecendo o mesmo que
acontecera no culto de seis semanas atrás, porém eu sabia que algo diferente estava prestes a
acontecer.
Por volta de nove e quinze, a atmosfera tranquila mudou subitamente. Eu podia ouvir um som de
choro bem agudo vindo do fundo do auditório. Era fácil identificar esse choro como o das crianças.
Aproximadamente cento e cinquenta crianças, entre sete a doze anos, estavam sentadas com suas
professoras no fundo do auditório, do lado direito. Eu sabia que Deus as estava tocando. Eu as
convidei a ir à frente, dizendo: “As crianças; Deus está tocando as crianças. Quero que todas as
crianças que Deus está tocando venham para a frente do palco”.
Nunca esquecerei o que vi. Alguns de vocês podem pensar que o que compartilho aqui é um pouco
exagerado, e se eu não tivesse presenciado a cena, junto com as mil e duzentas testemunhas ali,
talvez concordasse com você. Francamente, não serei capaz de descrever fielmente a grandeza do
que Deus fez naquela noite, mas farei uma tentativa. Quero ressaltar que aquela era uma igreja
bastante conservadora. A maioria dos membros vinha de denominações que não costumavam
demonstrar as manifestações do poder de Deus, ou então não havia crescido na igreja, tendo sido
salva naquela igreja. O pastor era um ótimo mestre e não se deixava levar por extremismos,
sensacionalismo ou euforias.
Eu observei as crianças, a maioria com idade entre sete e nove anos, vindo em minha direção,
chorando incontrolavelmente. Muitas cobriam o rosto com as mãos. Outras sentiam dificuldade em
andar em linha reta. Ao chegarem ao palco, algumas caíram de joelhos, sem força para ficarem em
pé, mas a maioria caía como se seus joelhos desistissem completamente de sustentá-las. Elas caíram
por toda parte, algumas por cima de outras. Os obreiros da igreja, com lágrimas nos olhos, as
ajudaram. Dentro de minutos, eu vi cerca de cem crianças chorando e a maioria delas tremia
fortemente. Elas estavam imersas na presença manifesta do Senhor.
Essa manifestação não durou somente dois ou três minutos, mas continuou por cerca de uma
hora! Você pode pensar que ouvir tantas crianças chorando e clamando por um período longo fosse
provavelmente irritante, mas, na verdade, foi glorioso. A maioria dos adultos estava com os olhos
cheios de lágrimas, enquanto assistia ao que Deus estava fazendo na vida daquelas crianças. E, ao
mesmo tempo, eles estavam sendo profundamente tocados pela presença poderosa de Deus. Era
como se uma sucessão de ondas da presença de Deus viesse sobre aquele lugar, uma ainda mais
poderosa do que a outra. Quando parecia que as crianças não conseguiriam mais chorar, gritar ou
tremer, outra onda de Deus vinha e aumentava a intensidade a outro nível. Havia momentos em que
eu simplesmente só podia baixar minha cabeça sobre o púlpito por causa do peso da presença de
Deus.
Observei uma menina, que não parecia ter mais que sete anos de idade, sacudindo suas mãos
fortemente, como se elas estivessem pegando fogo. Seu rostinho estava completamente banhado
pelas lágrimas que ela derramava. Podia-se sentir a presença de Deus tão fortemente nessas
crianças que os obreiros pararam de tocá-las depois de ajudá-las inicialmente. Eles somente ficaram
parados, chorando e observando.
Vários adultos ajoelharam-se com o rosto em terra e ficaram imóveis. Outros assistiam pasmados
com os olhos cheios de lágrimas. Várias vezes eu olhei para trás de mim e vi o pastor com as mãos
sobre o rosto, chorando. Sua esposa estava em prantos na plataforma do coral.
Algum tempo depois, o pastor escreveu uma carta, descrevendo aquela noite, de acordo com seu
ponto de vista. Embora seja parecido com o meu, achei importante termos outra perspectiva.

Domingo, 3 de novembro de 1996, será um dia que nunca esquecerei. Eu creio que foi apenas uma pequena demonstração
do que Deus fará na Terra. John ministrou no culto noturno sobre o temor do Senhor e então declarou: “Precisamos deixar
que Jesus seja o mestre em todas as áreas da nossa vida e agora devemos nos render completamente a Ele como Senhor”.
Nós adoramos por mais um curto período, e então John disse: “Eu sinto que o Espírito Santo está Se movendo aqui agora”.
Nesse momento, ouvi soluços de crianças, jovens e adultos. Adultos começaram a aproximar-se do altar, chorando e
soluçando. John completou: “Deus está tocando as crianças e elas serão tocadas poderosamente pelo Senhor”. Ele então
encorajou as crianças que estavam sendo tocadas pela presença de Deus a irem à frente.
Vi as crianças correndo até o altar, chorando incontrolavelmente, incluindo meus três filhos e minha filha, e todos estavam
ajoelhados, com o rosto em terra, clamando e gritando por Jesus. Algumas delas tremiam fortemente e balançavam suas
mãos à medida que o fogo de Deus se movia em nosso meio. Aproximadamente cem crianças lotaram o altar, enquanto ondas
do Espírito de Deus se moviam no santuário. Eu assistia enquanto as crianças iam caindo uma por cima das outras, sem que
ninguém as tivesse tocado. Elas pareciam dominós. Por uma hora e meia [durou uma hora e quinze minutos, mas prefiro não
mudar o que ele escreveu], ficamos impregnados pela presença de Deus. Perto do fim do culto, pais e filhos se abraçavam e
choravam juntos enquanto Deus unia seus corações.
Um menino de dez anos de idade nos disse, enquanto estava deitado no chão, que viu raios
brilhantes de luz entrando pelo teto e caindo sobre todas as pessoas. Alguns adultos da
congregação e do coral repetiam a mesma coisa. Ninguém conseguiu deixar o prédio antes
das onze da noite. Crianças foram carregadas enquanto ainda choravam.
Tenho recebido testemunhos de famílias modificadas, crianças que hoje falam sobre Deus e
são obedientes, etc. Como pastor, eu verdadeiramente posso dizer que meu lar e meus filhos
são diferentes hoje.
Dr. Al Brice
Pastor titular da Igreja Covenant Love Family Fayetteville, Carolina do Norte

Chamou minha atenção o relato feito pelo jovem de dez anos que viu raios brilhantes de luz
descendo pelo teto. No livro de Habacuque lemos:

Senhor, ouvi falar da Tua fama;
tremo diante dos Teus atos, Senhor.
Realiza de novo, em nossa época,
as mesmas obras, faze-as conhecidas em nosso tempo;
em Tua ira, lembra-Te da misericórdia.
Deus veio de Temã,
o Santo veio do monte Parã. Pausa
Sua glória cobriu os Céus
e Seu louvor encheu a Terra.
Seu esplendor era como a luz do sol;
raios lampejavam de Sua mão,
onde se escondia o Seu poder.
Habacuque 3:2-4

Tenho certeza de que esse jovem não fazia ideia de que Habacuque havia escrito algo assim tanto
tempo atrás. Com nossos olhos, nós presenciamos o que Joel profetizou: “Os seus filhos e as suas
filhas profetizarão, os velhos terão sonhos, os jovens terão visões” (Jl 2:28). Esse menino de dez anos
de idade estava descrevendo uma visão similar a outra visão já descrita na Palavra de Deus sem que
ele tivesse conhecimento disso.
Outro garoto disse com ousadia: “Mamãe, o jejum não pode acabar”. Não somente suas palavras
eram proféticas, mas ele também verbalizou o desejo de inúmeras outras pessoas. Esses jovens
tinham experimentado a presença do Deus vivo, e suas vidas foram transformadas. Eles queriam
avançar e não parar mais.
Mais tarde naquela noite, a esposa do pastor compartilhou conosco alguns versículos que Deus
havia falado ao seu coração, a respeito do que havia acontecido:

“Agora, porém”, declara o Senhor, “voltem-se para Mim de todo o coração, com jejum,
lamento e pranto [até que cada impedimento for removido e os relacionamentos quebrados
forem restaurados]”. Rasguem o coração, e não as vestes.
Joel 2:12-13, AMP

Enquanto ela lia esses versículos, meu coração queimava dentro de mim. A frase “voltem-se para
Mim” parecia descrever a atitude daquela igreja. O povo estava determinado a buscar o coração de
Deus. Eles não queriam retroceder.
Deus nos instrui a rasgarmos os nossos corações e não as nossas vestes. Tenho visto cristãos e
igrejas que por sua aparência parecem ter tudo certo, mas mesmo assim não conseguem tocar o
coração de Deus como essa igreja o fez. A razão? Eles podem jejuar, podem ter encontros de oração,
podem se abster de certas coisas, fazendo-os parecerem ótimos com relação às suas “vestes”, mas
por dentro eles escondem corações desobedientes. Eles ainda vivem para o próprio prazer, em vez
de viverem a serviço dos outros. O Senhor está mais preocupado com nossa submissão interior do
que com nossa aparência exterior de cristandade. Joel continuou:

Toquem a trombeta em Sião,
decretem jejum santo,
convoquem uma assembleia sagrada.
Reúnam o povo,
consagrem a assembleia;
ajuntem os anciãos,
reúnam as crianças,
mesmo as que mamam no peito.
Até os recém-casados devem
deixar os seus aposentos.
Joel 2:15-16

O fogo em meu coração aumentava à medida que ela lia. Aqueles versículos descreviam
exatamente o que Deus havia instruído a igreja a fazer quarenta dias antes. Quando a palavra
profética foi proferida, todos deveriam buscar a Deus. Desde os líderes até as crianças, ninguém
estava isento. Continuando a série de versículos que ela leu:

E, depois disso,
derramarei do Meu Espírito sobre todos os povos.
Os seus filhos e as suas filhas profetizarão,
os velhos terão sonhos,
os jovens terão visões.
Até sobre os servos e as servas
derramarei do Meu Espírito naqueles dias.
Joel 2:28-29

“E, depois disso.” Já ouvi esse versículo ser citado repetidamente. Na verdade, desde que fui
salvo, tenho ouvido Joel 2:28-29 ser citado por cristãos e por pastores frequentemente. Fala-se sobre
filhos e filhas profetizando e tendo visões, juntamente com sinais e maravilhas do Espírito Santo,
porém a palavra “depois” geralmente é esquecida nas discussões e pregações. Se foi profetizado
que algo aconteceria “depois”, então é porque algo significativo precisa acontecer antes: a reação
da igreja ao som da trombeta, em se achegar a Deus.
Deus responde poderosamente quando nos achegamos a Ele. Precisamos nos achegar quando Ele
nos chamar. Outro elemento importante é o tempo. É aqui que muitos cristãos se perdem. Eu creio
que enquanto você lê este livro, perceberá que, embora cristãos tenham um convite permanente
para virem ao Senhor em oração e comunhão a todo instante, haverá momentos e tempos em que
Ele nos chamará para propósitos específicos. Durante esses momentos, o tempo é um fator crucial, e
se não respondermos, perderemos a bênção que Ele tem para nós.
O foco nesses períodos é a obediência e não a nossa vontade ou o nosso desejo. Deus Se agrada
mais em obediência do que em sacrifícios. Tenho visto igrejas jejuando regularmente e orando
durante horas, seus membros sacrificando horas de sono para preencher os horários de oração. Mas
isso não garante o poder nem a presença Dele. Muitas vezes tenho visto que falta a essas igrejas o
que a igreja da qual estou falando tinha em abundância. Elas têm a maneira de fazer; só não têm o
coração.
O mesmo acontece com as pessoas. Tenho visto muitos jejuarem e orarem religiosamente, mas
lhes faltam a liberdade, o poder e o conhecimento íntimo de Deus, que tenho visto em outros que
não se sacrificam tanto, mas simplesmente respondem à direção do Espírito de Deus.
Aquela igreja ouviu a voz de Deus chamando. No período seguinte de um ano e meio, eles
dobraram em tamanho. Na verdade, eles tinham acabado de construir o auditório no qual nos
encontramos naquela noite, e em seis meses tiveram de começar a planejar outra construção de um
espaço maior.
O pastor e eu conversamos frequentemente nos anos seguintes. Ele disse: “John, nosso segundo
culto de domingo de manhã, que começa às dez horas, continua acabando cerca de duas ou três da
tarde”. Um domingo ele ligou e me contou que teve de dizer ao povo: “Por favor, vão para suas
casas”. Ele contou que eles ficaram parados olhando para ele, sem querer ir embora.
Deus cumpriu Sua palavra. Aqueles cultos foram os mais poderosos que já havíamos presenciado.
Por meio da nossa cooperação com o Espírito Santo e nossa obediência à Sua direção, Ele fez a Sua
vontade. Três anos se passaram, e o pastor ainda ouve testemunhos sobre aquele culto. O fruto
permaneceu. Eu ministrei ali em várias ocasiões depois desse acontecimento, e tenho visto sempre
um aumento da paixão e da sede genuína por Deus.

Um Anúncio do Que Virá


Um ano antes, eu estava em Kuala Lumpur, na Malásia, ministrando na maior escola bíblica da
nação durante uma semana de cultos. No oitavo culto, houve uma experiência similar, mas durou
somente cerca de cinco a dez minutos. O Espírito de Deus caiu sobre os estudantes e muitos outros
que estavam ali. Esse foi outro culto que nunca esquecerei. Na manhã seguinte àquele culto,
enquanto orava, Deus falou comigo: “O que você viu ontem, você verá acontecendo em todos os
lugares, pois esse é um dos moveres finais do Meu Espírito que acontecerá na Igreja”. Ele me
mostrou como esse mover do Seu Espírito produziria frutos de verdadeira santidade na Igreja e a
prepararia para a grande colheita que está por vir. Deus acenderá em Seu povo um fogo intenso e
contínuo de paixão por Ele, como nunca vimos antes.
Não creio que você está segurando este livro em suas mãos por coincidência, ao contrário. Creio
que você o tem nas mãos para despertar sua sede e preparar seu coração para o que Deus está por
fazer. Nós precisamos nos preparar para Sua segunda vinda. O apóstolo João escreveu:
“Regozijemo-nos! Vamos alegrar-nos e dar-Lhe glória! Pois chegou a hora do casamento do
Cordeiro, e a Sua noiva já se aprontou” (Ap 19:7).
Nós somos a noiva de Cristo, e cabe a nós a tarefa crucial de nos prepararmos para estarmos
unidos a Ele. Quero enfatizar este ponto: cabe a nós nos prepararmos. Trata-se de uma integração
divina. Ele não faz tudo por nós; nós devemos responder à provisão Dele. Ele provê a graça e nós
buscamos o fogo. Ele não está voltando para uma Igreja manchada e corrompida pelo mundo. Ele
retornará para uma noiva pura, cujo coração queima com verdadeira santidade.
CAPÍTULO 2
O PROPÓSITO DA SALVAÇÃO

Deus, que criou o universo e tudo que nele há,


expressa Seu desejo de habitar em nós e entre nós.

F requentemente ouço líderes usando a palavra visitação quando descrevem um encontro com a
presença de Deus, quer seja em uma experiência conjunta, como em um culto na igreja, assim
como o culto descrito no capítulo anterior; ou em uma experiência individual. Contudo, o desejo do
Senhor não é uma visitação; em vez disso, Ele deseja uma habitação. Deixe-me ilustrar a diferença:
eu tenho vizinhos que são ótimos amigos, e em inúmeras ocasiões vou à casa deles para visitá-los
por algum tempo. Mas, assim que a visita termina, eu retorno para minha casa, que é meu lugar de
habitação. Uma das maiores promessas que o Senhor deixou para nós, cristãos, é esta:

Habitarei com eles
E entre eles andarei;
Serei o seu Deus,
E eles serão o Meu povo.
2 Coríntios 6:16

Que declaração! Deus, que criou o universo e tudo que nele há, expressa Sua intenção de habitar
em nós e entre nós. Em concordância com essa promessa, Paulo nos diz: “Nele vocês também estão
sendo edificados juntos, para se tornarem morada de Deus por Seu Espírito” (Ef 2:22). Essas são as
promessas de Deus para nós. Entretanto, cada promessa na Bíblia é condicional, e se a condição não
for cumprida, então a promessa não se cumpre, não por infidelidade da parte de Deus, mas da nossa
parte. É impossível Deus mentir, mas não é impossível que o homem anule a Sua palavra (ver
Marcos 7:13) ao ignorá-la ou distorcê-la. Isso também inclui a promessa de Deus de habitar em
nosso meio.
Paulo continua:

“Saiam do meio deles
E separem-se”, diz o Senhor.
“Não toquem em coisas impuras,
E Eu os receberei.”
2 Coríntios 6:17

A condição é que nós saiamos do sistema do mundo. Se cumprirmos essa condição, Deus diz que
nos receberá. Da mesma forma, se não nos separarmos, Ele não nos receberá. Por que Ele não nos
receberá? Para responder a essa questão, precisamos entender que Deus é pura luz e que Nele não
há trevas. Trevas não podem habitar na presença da pura luz.
À medida que avançarmos nessa leitura, veremos que a luz de Deus fala da Sua santidade. A
Bíblia não diz que Deus tem santidade; ela diz que Ele é santo (ver Levítico 19:2). O sistema do
mundo é de trevas e aqueles que são atraídos pelas trevas não podem habitar na luz.
Deus declara: “Consagrem-se, porém, e sejam santos, porque Eu Sou o Senhor, o Deus de vocês”
(Lv 20:7). A atitude de nos consagrarmos significa recusar um relacionamento com o mundo. Tiago
claramente exortou-nos na nova aliança: “Se o objetivo de vocês é desfrutar o prazer pecaminoso do
mundo perdido, vocês não podem ser também amigos de Deus” (Tg 4:4, ABV). Em uma outra
tradução a advertência é ainda mais direta: “Quem quer ser amigo do mundo faz-se inimigo de
Deus” (Tg 4:4, NVI).
Pedro enfatizou o desejo de Deus por um povo puro ao escrever: “Mas agora, sejam santos em
tudo quanto fizerem, tal como é santo o Senhor, que os convidou para serem seus filhos. O próprio
Senhor disse: ‘Vocês têm de ser santos, pois Eu Sou santo’” (1 Pe 1:15-16, ABV). Ser santo não é
uma opção. Deus não habitará em nós ou entre nós se falharmos em dar ouvidos à Sua condição de
nos separarmos do sistema do mundo. Uma versão contemporânea da Bíblia diz:

“Então, deixem de lado a corrupção e as parcerias,
deixem tudo, de uma vez por todas”, diz Deus.
“Não se associem com os que irão mergulhá-los na sujeira.
Quero todos vocês para Mim.”
2 Coríntios 6:17, A Mensagem

A magnitude das promessas de Deus em ser nosso Pai e habitar em nós e entre nós torna ainda
mais importante observarmos cuidadosamente a condição que Ele exige. Considerando a seriedade
dessa condição, Paulo declarou: “Amados, visto que temos essas promessas, purifiquemo-nos de
tudo o que contamina o corpo e o espírito, aperfeiçoando a santidade no temor de Deus” (2 Co 7:1).
Esses versículos têm tanto significado que livros e mais livros poderiam ser escritos sobre eles.
Mas o entendimento da maioria dos cristãos sobre o que está sendo dito é limitado. Muitos não
compreendem sua totalidade porque não entendem o contexto. Paulo está citando o que Deus
dissera a Israel no Antigo Testamento e, ao fazer isso, ele também estava deixando claro que Seu
desejo para nós não mudou no Novo Testamento. Precisamos entender as situações e os eventos que
levaram a esses versículos. Quando nós entendemos o contexto, as palavras têm o impacto espiritual
que Deus deseja que tenham.
Pense sobre um filme no qual o escritor, o diretor e os atores montaram cuidadosamente um
enredo que se desencadeia até uma cena de clímax no fim. Muitas coisas aconteceram antes disso e,
após ouvir toda a dramatização que levou ao clímax, você fica maravilhado. Se você tivesse ouvido o
ator falando a mesma frase final sem ver toda a dramatização, ela teria pouco ou nenhum impacto.
Eu vivi isso quando era mais jovem. Entrei na sala da nossa casa quando minhas irmãs e meus
pais estavam assistindo a um filme. Eles haviam sido cativados pela história e não queriam ser
interrompidos. A maioria nem percebeu quando eu entrei. Olhei para a tela no momento em que o
ator fez uma declaração um tanto dramática. Minhas irmãs começaram a chorar. Mas aquela
declaração teve pouco significado para mim. Pensei: O que há de tão emocionante nessa fala? Eu
não estava a par dos acontecimentos; mas as mesmas palavras tocaram minhas irmãs e provocaram
nelas uma emoção profunda.
O mesmo princípio se aplica aqui. Muitos cristãos chegam a essas palavras de clímax vindas da
boca de Deus e as leem diretamente, porque eles não têm o entendimento da construção dramática
anterior a tais palavras. Para realmente experimentarmos o impacto do que Deus está nos dizendo,
precisamos entender o roteiro da história ou do drama que levou a tais declarações. Isso levará
alguns capítulos para se desenvolver. Para começarmos, precisamos ir ao livro de Êxodo.

Vou Ver Isso de Perto

O livro de Êxodo inicia com os descendentes de Abraão em cativeiro. Eles já haviam estado no
Egito por quase quatrocentos anos. O começo da estada deles ali fora favorável, mas o tempo passou
e eles se tornaram escravos, sendo brutalmente maltratados.
Moisés, um homem nascido de uma hebreia, escapou daquele duro tratamento; ele foi levado à
casa do faraó quando bebê e criado como seu neto. Quando tinha a idade de quarenta anos,
contudo, Moisés foi forçado a fugir para outra terra por causa da ira do faraó, devido à sua lealdade
ao seu próprio povo, os hebreus.
Quarenta anos mais tarde, após a fuga do Egito, enquanto estava no deserto apascentando as
ovelhas de seu sogro, Deus se revelou a Moisés. A revelação aconteceu no Monte Sinai, o qual é
chamado de Horebe, a Montanha de Deus. O Senhor apareceu a ele em uma chama de fogo que saía
do meio de uma sarça. Quando Moisés viu que a sarça se queimava, mas não se consumia, ele disse:
“‘Por que a sarça não se queima? Vou ver isso de perto’. O Senhor viu que ele se aproximava para
observar. E então, do meio da sarça Deus o chamou” (Êx 3:3-4).
Foi somente após Moisés ter se voltado para se aproximar da presença do Senhor que alguma
coisa entre ele e Deus aconteceu. A partir do momento em que Deus viu que Moisés deixou seu
interesse pessoal para se aproximar Dele, o Senhor o chamou para começar a revelar-Se a Moisés,
por intermédio da Sua palavra. Se Moisés tivesse negligenciado aquela cena como algo que não era
digno de atenção, Deus provavelmente teria Se afastado sem lhe dizer nada. Somos admoestados no
Novo Testamento: “Aproximem-se de Deus, e Ele Se aproximará de vocês!” (Tg 4:8).
Quem deve se aproximar primeiro? Nós ou Deus? Deus nos chama, mas somente quando nos
aproximamos de Deus é que Ele Se aproxima com o propósito de Se revelar a nós. Essa é a
mensagem deste livro. Na verdade, esse é o alvo do nosso destino.

O Propósito da Libertação de Deus

Deus Se revelou a Moisés e lhe disse para levar Sua palavra ao faraó, para que ele deixasse Seu
povo ir. A despeito da obstinação e força do faraó, Deus libertou os descendentes de Abraão com
Sua mão poderosa de milagres, sinais e prodígios.
A libertação de Israel da escravidão egípcia está relacionada com nossa libertação da escravidão
do pecado no Novo Testamento. O Egito é uma tipologia do sistema do mundo, e Israel uma tipologia
da Igreja. Quando nascemos de novo, somos libertos do sistema de tirania e opressão do mundo.
Para onde Moisés e os filhos de Israel se dirigiram após terem sido libertos? Quando faço essa
pergunta para o público nos cultos, as pessoas geralmente respondem: “Para a terra prometida”.
Mas isso não é verdade. Ele estava indo para o Monte Horebe, também conhecido como Monte
Sinai. As palavras de Deus para o faraó, por meio de Moisés, foram: “Deixe ir o Meu povo, para
prestar-Me culto no deserto” (ver Êxodo 7:16; 8:1, 20; 9:1, 13; 10:3). Como Moisés levaria o povo à
terra prometida sem antes conhecer o Prometedor? O Senhor não desejava isso para o Seu povo. Se
eles fossem para a terra prometida sem a revelação de Deus, eles fariam dali um lugar de idolatria.
Isso é o que tem acontecido na Igreja com muitas pessoas que foram salvas nos últimos vinte e
cinco anos. A ênfase tem estado em comunicar às pessoas as promessas e provisões de Deus, em vez
de falar de Seu caráter e natureza, na tentativa de fazer com que as pessoas se aproximem Dele.
Nossas mensagens têm atraído as pessoas a um nível de vida melhor, acompanhado da segurança
eterna, em vez de comunicar a elas o propósito de conhecer e servir ao Senhor da glória. Muitos
pastores são cuidadosos em entregar uma palavra positiva que atrairá multidões; eles evitam uma
mensagem forte, exortativa, que trará as mudanças que precisamos para ter um encontro face a
face com um Deus santo.
O encontro com Deus no Sinai mudou Moisés, e ele sabia que uma experiência similar era
essencial para o povo. Se Moisés não tivesse encontrado com o Senhor na sarça ardente, ele estaria
ainda tentando tirar o povo da escravidão com suas próprias forças, que foi exatamente o que ele
tentou fazer anos antes e, como consequência, acabou tendo de fugir do faraó.
Muitos têm sido salvos em razão das mensagens proclamadas por pastores cuja motivação está no
próprio chamado, em vez de na revelação de Deus. Se temos um chamado em nossa vida, mas não
permitimos que Deus nos leve para o deserto, para que ali Ele Se revele a nós, buscaremos a
libertação para as pessoas somente pela motivação de vê-las libertas. Mas nós precisamos libertá-las
com o propósito de que elas venham a conhecer Aquele para o qual fomos criados.
No livro de Atos, nós lemos que:

Moisés foi instruído em toda a ciência dos egípcios; e era poderoso em suas palavras e obras.
E, quando completou a idade de quarenta anos, veio-lhe ao coração ir visitar seus irmãos, os
filhos de Israel. E, vendo maltratado um deles, o defendeu, e vingou o ofendido, matando o
egípcio. E ele cuidava que seus irmãos entenderiam que Deus lhes havia de dar a liberdade
pela sua mão; mas eles não entenderam.
Atos 7:22-25, ACF

Moisés viu o sofrimento e desejava aliviá-lo. Ele também sabia que era chamado para libertar o
povo de Deus. Isso estava em seu coração. Mas sem a revelação de Deus, ele não estaria preparado
para liderar e alcançar seu destino. Uma liderança sem o propósito correto pode ser mais perigosa
do que não haver liderança nenhuma. Moisés era um líder, ele tinha um propósito, mas seu
propósito estava incompleto. Sem a revelação de Deus, ele os levaria no máximo a uma terra de
provisão, mas sem o propósito real da liberdade: o conhecimento íntimo de Deus. É por isso que
Deus levou Moisés para as partes mais distantes do deserto, para aquietar o coração dele do mundo
que havia deixado. No deserto ele poderia responder com desejo à revelação de Deus. Essa
preparação permitiu que ele dissesse: “Vou ver isso de perto...”.
Nós precisamos entender que nem todo “bom ministério” é um “ministério verdadeiro”. Aos
quarenta anos de idade, a vontade de Moisés em ver seu povo livre era boa, mas não era um
ministério verdadeiro. Eva foi atraída pelo lado “bom” da árvore do conhecimento do bem e do mal,
não pelo lado mal. Quando ela viu que “a árvore parecia agradável ao paladar, era atraente aos
olhos e, além disso, desejável para dela se obter discernimento, tomou do seu fruto e comeu-o” (Gn
3:6). Ela foi tentada a ser como Deus. Existe muita coisa que parece ser boa, e assemelha-se a algo
que vem de Deus, porém vai contra Seu caráter e Sua natureza. Somente quando temos
conhecimento íntimo Dele é que podemos verdadeiramente discernir o que é bom.

“OS TROUXE PARA JUNTO DE MIM”

Moisés conduziu o povo de Deus para fora do Egito para que adorasse a Deus no deserto. Mas eles
não foram imediatamente para o Sinai. Levou três meses para que se fizesse a jornada que poderia
ter sido feita em uns dez ou onze dias. Por que Deus fez isso? A resposta é simples e não é diferente
da situação que aconteceu com Moisés: Deus queria dar ao povo tempo para acalmar o coração, a
fim de que pudesse receber a revelação de Deus assim como Moisés recebeu.
Assim que eles chegaram ao pé do Monte Sinai, Moisés deixou o povo e subiu para onde a
presença de Deus estava. Então o Senhor o chamou da montanha, dizendo: “Assim falarás à casa de
Jacó, e anunciarás aos filhos de Israel...” (Êx 19:3, ACF).
Antes de continuarmos a ler mais do que Deus disse a Moisés, preciso ressaltar para quem a
mensagem era direcionada. Não era somente para Arão e seus filhos. Não era somente para os
filhos de Levi. A mensagem de Deus era para toda a nação de Israel. Era para todas as pessoas que
haviam sido libertas do Egito, da menor até a maior das tribos, famílias e pessoas.
Agora, ouça a mensagem de Deus: “Vocês viram o que fiz ao Egito e como os transportei sobre
asas de águias e os trouxe para junto de Mim” (Êx 19:4). A frase “os trouxe para junto de Mim” fala
sobre o verdadeiro motivo de você ter sido criado! O motivo pelo qual Deus trouxe você à vida e
percorreu um longo caminho para salvá-lo, foi para trazer você para perto Dele!
Nós vemos essa intenção desde o início da humanidade. Por que Deus colocou o homem no
Jardim? Adão não foi criado para que tivesse um ministério internacional de libertação. Ele não foi
colocado no Jardim para construir pontes ou arranha-céus. Não, ele foi colocado no Jardim para
andar em comunhão com o Deus vivo. Daquela comunhão poderiam surgir os arranha-céus ou
ministérios, mas esse não era o propósito de Deus para a existência do homem.
Nos sete primeiros anos após eu ter sido salvo, frequentei e depois passei a trabalhar para uma
igreja grande que enfatizava as promessas de Deus e Suas provisões. Era uma igreja evangelística
com uma paixão por alcançar o mundo com as boas-novas do Evangelho, mas o Evangelho pregado
ali destacava mais os benefícios do Reino do que a glória de se conhecer a Deus. Pessoas saíam de
várias partes do mundo para ir até essa congregação, pois ela era bem conhecida
internacionalmente. O zelo do líder em ver pessoas sendo salvas era contagiante. Muitos daqueles
que trabalhavam no ministério de alcance internacional da igreja tinham grande paixão pelo
ministério, e eu certamente era um deles.
Naqueles primeiros anos da minha associação àquela igreja, eu levantava cada manhã e orava até
por uma hora e meia antes de ir para o trabalho. Eu pedia a Deus para que me usasse para alcançar
os perdidos que estavam morrendo sem Cristo, para curar os enfermos. Eu pedia pelas nações e
pela libertação dos oprimidos. Eu sempre orava fervorosamente, até que, em uma manhã, ouvi o
Senhor dizer ao meu coração: “John, suas orações estão incorretas”.
Pensei comigo mesmo: Essa não pode ser a voz de Deus. Isso só pode ser o inimigo. Mas mesmo
assim eu sabia que era a voz do Senhor. Eu estava desconcertado:
— Senhor, como podes me dizer isso? Estou orando pelo povo que precisa ser salvo, curado e
liberto. Este é o Teu desejo!.
Mas Deus viu por trás das minhas palavras. Ele viu quão pouco eu sabia sobre Sua verdadeira
natureza, e sem isso Ele sabia que eu não poderia tirar pessoas da escravidão, ao contrário, esse
ministério acabaria me levando e levando a outros a uma outra escravidão de idolatria, dentro do
contexto da igreja.
Ele me disse:
— John, o alvo do Cristianismo não é o ministério. Você pode expulsar demônios, curar enfermos,
levar pessoas à salvação, mas mesmo assim acabar no inferno. —e acrescentou:
—Judas deixou seu trabalho para Me seguir, ele curou enfermos, ressuscitou mortos, expulsou
demônios, e mesmo assim ele está no inferno.
Aquelas palavras ficaram cravadas em meu coração.
Nós temos de lembrar que quando os apóstolos saíram com o poder para curar enfermos,
ressuscitar mortos e expulsar demônios, Judas estava entre eles (ver Mateus 10:1-8).
Eu rapidamente perguntei:
—Então, qual é o alvo do Cristianismo?.
Ele imediatamente respondeu:
—Conhecer-Me intimamente!
Então me lembrei de que Paulo havia dito que considerava todas as coisas como perda, se
comparadas a “conhecer Cristo” (Fp 3:10).
O Senhor sussurrou ao meu coração:
— A partir desse relacionamento é que vai surgir o verdadeiro ministério.
Daniel confirmou isso ao dizer: “mas o povo que conhece ao seu Deus se tornará forte e fará
proezas” (Dn 11:32, ACF).
Jesus disse que “se um cego conduzir outro cego, ambos cairão num buraco” (Mt 15:14). Isso é
verdade para aqueles que querem trazer libertação a outros cativos, sem que antes tenham os
próprios olhos abertos para ver o Senhor. É por isso que Paulo orou tão intensamente para que os
olhos do nosso entendimento fossem iluminados pelo conhecimento Dele (ver Efésios 1:18). É
quando estamos na Sua luz que nós podemos ver (ver Salmos 36:9). Sem a revelação Dele somos
cegos. Aqueles que não O conhecem intimamente podem até ter boas intenções, mas sem a
revelação de Deus, acabarão levando outros para o mesmo buraco para o qual eles próprios estão
indo.
Isso aconteceu durante meus primeiros anos de Cristianismo. O pastor mantinha seus olhos mais
sobre as bênçãos da aliança do que sobre o Abençoador. Ele tinha um estilo de vida de alto nível,
que foi conquistado por ele crer e agir com base nas promessas da aliança com Deus, mas era vazio
da revelação do caráter do Senhor. Então, ele começou a ir por caminhos errados. Certo dia ele se
colocou diante da congregação e disse que não queria mais viver com sua esposa, que era a mãe de
seus filhos. Ele então disse que quem não aprovasse, poderia sair da igreja. Aquele pastor se casou
com um uma mulher jovem, cheia de energia e ambiciosa, que também estava no ministério. Ela se
tornou um grande laço em sua vida. Sua igreja definhou, indo de milhares para centenas de
membros, deixando muitas pessoas à deriva e fora da igreja. Mais tarde ele acabou se divorciando
novamente e vendendo o espaço da igreja para a cidade.
Moisés sabia o que havia transformado sua vida: seu encontro e sua comunhão íntima com o Deus
vivo. Ele sabia para onde deveria conduzir o povo. Não era diretamente para as promessas: era em
direção ao Único que podia verdadeiramente satisfazê-los. Ele reconheceu o propósito para o qual
havia sido criado e viu a necessidade de buscar o coração de Deus. E o coração de Deus não seria
revelado em Suas bênçãos, mas sim em ouvir Suas palavras face a face.
CAPÍTULO 3
TIRANDO O EGITO

Nossa responsabilidade como Igreja tem sido a de nos


consagrarmos durante esses dois mil anos passados,em
preparação para a Sua vinda!

O propósito de Deus em retirar os filhos de Israel da escravidão egípcia foi o de trazê-los para Si
mesmo, para que Ele pudesse habitar entre eles. Nós vemos isso nas Suas palavras a Moisés:
“Saberão que Eu sou o Senhor, o seu Deus, que os tirou do Egito para habitar no meio deles” (Êx
29:46). Lembre-se de que Ele não estava querendo a visitação, mas a habitação.
Agora, considere as palavras de Pedro no Novo Testamento (leia-as cuidadosamente): “À medida
que se aproximam Dele, a pedra viva — rejeitada pelos homens, mas escolhida por Deus e preciosa
para Ele — vocês também estão sendo utilizados como pedras vivas na edificação de uma casa
espiritual para serem sacerdócio santo, oferecendo sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus, por
meio de Jesus Cristo” (1 Pe 2:4-5). Deus deseja um lugar de habitação, o qual Pedro chamou de Sua
casa espiritual. Nós somos pedras vivas desse edifício no qual o Próprio Deus deseja habitar.
Pedro relaciona nossa missão como casa de habitação de Deus com o sacerdócio. Por que ele
relaciona as duas coisas? Como seres humanos, somente sacerdotes podiam se apresentar diante de
Deus sem serem consumidos sob julgamento. Das inúmeras definições de um sacerdote, a que está
acima de todas é que o sacerdote é o único que pode se aproximar de Deus para ministrar diante
Dele (ver Ezequiel 44:13, 15). Aproximar-se de Deus é certamente um requerimento para sermos o
Seu lugar de habitação. Precisamos ser capazes de permanecer de pé diante da Sua santa e
poderosa presença.
Voltando a 1 Pedro, lemos:

Pelo que também na Escritura se contém:
Eis que ponho em Sião
A Pedra Principal da esquina, eleita e preciosa;
E quem Nela crer não será confundido.
E assim para vós, os que credes, é preciosa,
Mas, para os rebeldes,
A pedra que os edificadores reprovaram,
Essa foi a principal da esquina;
E uma pedra de tropeço e rocha de escândalo,
Para aqueles que tropeçam na palavra, sendo desobediente;
Para o que também foram destinados.
1 Pedro 2:6-8, ARC

Uma expressão peculiar aparece nesses versículos: “E assim para vós, os que credes... mas, para
os rebeldes...”. Ele contrasta a expressão os que credes com a palavra rebeldes. Nós não fazemos
isso hoje. Atualmente, a palavra “crente” não tem nada a ver com obediência ou rebeldia. É por isso
que muitos dentro da Igreja não enfatizam a obediência. Contudo, nos dias do Novo Testamento, os
escritores se referiam muito a esse tema. Crer não somente significa reconhecer a existência de
Deus, mas também obedecer-Lhe. Em outras palavras, se você cresse, você obedeceria; e a
evidência de não crer era uma vida de desobediência, também chamada de rebeldia. Paulo escreveu
sobre Jesus: “... e, uma vez aperfeiçoado, tornou-Se a fonte da salvação eterna para todos os que
Lhe obedecem” (Hb 5:9).
Obediência é um elemento essencial da salvação. O Próprio Jesus disse que multidões creriam
Nele e O chamariam de Senhor, e até fariam milagres em Seu nome, mas seriam rejeitados e não
entrariam no Reino de Deus, porque não faziam ou obedeciam à vontade de Deus (ver Mateus 7:21).

Um Sacerdócio Real Chamado para a Sua Maravilhosa Luz


Os filhos de Israel tropeçaram ou falharam em cumprir aquilo para o qual foram chamados; eles
foram desobedientes à palavra que lhes fora dita. Mas, então, Pedro continua nos dizendo: “Vocês,
porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as
grandezas Daquele que os chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz” (1 Pe 2:9).
Nós somos sacerdócio real e nação santa. Deus é o Rei; Ele é a realeza. Portanto, aqueles que se
aproximam para ministrar diante Dele devem ser sacerdotes reais, pois somente a realeza pode
ministrar e ter comunhão com a realeza!
Aqueles que são Seus sacerdotes foram chamados das trevas para a Sua maravilhosa luz — não
somente luz, mas maravilhosa luz! Nós temos nos familiarizado com certas palavras e diminuído seu
real valor quando as usamos para descrever a grandeza de Deus. Maravilhoso é certamente uma
dessas palavras.
Eu fiz um estudo sobre estas três palavras: maravilhoso, grandioso e esplêndido. Na Bíblia, essas
palavras são quase sempre usadas para descrever Deus, Seus atributos ou Seus atos. Pense nisto:
maravilhoso — “cheio de maravilha”; grandioso — “cheio de grandeza”; esplêndido — “cheio de
esplendor”. Jesus é de fato chamado de Maravilhoso (ver Isaías 9:6). Mas hoje as pessoas usam
essas palavras para descrever situações comuns. Elas gostam de um filme e dizem: “Foi
maravilhoso” ou “foi esplêndido”. Quando ficam impressionadas com um atleta, elas dizem: “Ele é
impressionante”. E quando um pregador se levanta em frente a essas pessoas e diz: “Deus é
impressionante”, pelo fato de já terem ouvido essas palavras, repetidas vezes, para descrever um
jogador de basquete profissional considerado um dos melhores, elas não têm a mínima condição de
entender o impacto do que ele está dizendo. Eu oro para que este livro mude isso!
Quando Pedro diz que fomos chamados das trevas para a Sua maravilhosa luz, ele está usando
uma palavra muito poderosa para comunicar a grandeza da natureza de Deus. Pois Deus é absoluta
luz e Nele não há treva alguma. Essa grandiosa luz retrata a Sua glória, a qual a natureza humana é
incapaz de suportar.
Novamente, assim como em 2 Coríntios 6, nós não entendemos completamente o impacto dessa
afirmação porque não entendemos o contexto. Voltemos a Êxodo para dar continuidade à nossa
missão de descobrir a extensão da promessa de Deus de habitar entre o Seu povo e dentro dele.

Precisamos Lavar Nossas Vestes

No capítulo anterior, nós aprendemos que Moisés havia liderado os filhos de Israel para fora do
Egito, o que para nós hoje é uma tipologia da nossa libertação das garras do mundo. Do Egito ele
conduziu o povo para a Montanha de Deus, chamada de Sinai. Ele os deixou ao pé do monte e subiu
para se encontrar com Deus, onde O ouviu dizer:

Vós tendes visto o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre asas de águias, e vos trouxe a
Mim; Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a Minha voz e guardardes a Minha aliança,
então sereis a Minha propriedade peculiar dentre todos os povos, porque toda a Terra é
Minha. E vós Me sereis um reino sacerdotal e o povo santo. Estas são as palavras que falarás
aos filhos de Israel.
Êxodo 19:4-6, ACF

Agora nós sabemos de onde as palavras de Pedro vieram. Elas foram originalmente faladas aos
filhos de Israel. Deus não falou essas palavras somente a Arão e a seus filhos. Ele não falou essas
palavras somente para a tribo de Levi. Ele disse a toda a nação, cada homem, mulher e criança
hebreia: “Vós Me sereis um reino sacerdotal”. Você consegue perceber que Ele queria que todos
entrassem em Sua presença, assim como Moisés o fez?

E o Senhor disse a Moisés: “Vá ao povo e consagre-o hoje e amanhã. Eles deverão lavar as
suas vestes e estar prontos no terceiro dia, porque nesse dia o Senhor descerá sobre o monte
Sinai, à vista de todo o povo”.
Êxodo 19:10-11

Nós precisamos examinar cuidadosamente o significado desses dois versículos. Primeiramente,


todo esse cenário é profético, e não somente se aplicou a eles, mas é a palavra de Deus para nós
também. Deus disse a Moisés que após dois dias Ele viria ao povo. Nesse período de tempo, Moisés
deveria consagrá-los, o que envolvia a lavagem das vestes.
Nós lemos em 2 Pedro 3:8: “Não se esqueçam disto, amados: para o Senhor um dia é como mil
anos, e mil anos como um dia”. E o salmista escreveu: “Porque mil anos são aos Teus olhos como o
dia de ontem que passou” (Sl 90:4, ACF). Apenas um dia de Deus é como mil anos nossos. Então,
quantos anos há desde que Jesus ressuscitou dos mortos? A resposta é quase dois dias; nós estamos
bem no fim do segundo dia. Historiadores indicam que Jesus ressuscitou dos mortos por volta do
ano 28 ou 29 d.C. Estamos muito perto da Sua volta de acordo com o relógio profético! Nós
imediatamente vemos a correlação entre o que Deus disse a Israel e o que Ele está dizendo a nós.
Nossa responsabilidade como Igreja tem sido a de nos consagrarmos durante esses dois mil anos
passados, em preparação para a Sua vinda!
O que significa consagrar? Raramente ouvimos esse termo hoje em dia. Consagrar significa
“santificar”, e santificar significa “separar-se”. Um bom exemplo seria o de uma mulher escolhida
para ser a esposa de um rei. Ela seria trazida ao palácio, onde os eunucos do rei cuidariam dela. A
responsabilidade dos eunucos seria prepará-la para o rei. Ela não mais viveria como uma mulher
normal, pois seria consagrada, santificada e separada para ser esposa do rei. Contudo, se ela fizesse
sua parte, a santificação seria um preço pequeno comparado aos benefícios que ela receberia. Ela
desfrutaria de privilégios íntimos com o rei que ninguém mais poderia desfrutar. Tudo o que ele
tinha seria dela. Em troca, o que o rei esperaria dela? Ela deveria ser dele, somente dele. Esse
exemplo ilustra perfeitamente o que Deus quis dizer quando declarou: “Sejam santos, pois Eu, o
SENHOR, Sou santo. E Eu os separei dos outros povos para que vocês sejam somente Meus” (Lv
20:26, NTLH).
Deus estava dizendo algo a Israel ao declarar que o povo deveria se consagrar a Ele: “Eu os tirei
do Egito. Agora, tirem o Egito de dentro de vocês. Isso os preparará para a Minha vinda no começo
do terceiro dia”. Ele declarou: “Eles deverão lavar as suas vestes”. As vestes do povo ainda tinham
resíduos do Egito nelas.
Ainda hoje, Deus nos diz: “Eu tenho tirado vocês do mundo, agora, retirem o mundo de dentro de
vocês! Isso os preparará para a Minha vinda no início do terceiro milênio”. Nós devemos nos livrar
das sujeiras do mundo lavando nossas vestes. Lembre-se das palavras de Paulo: “Ora, amados, pois
que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda a imundícia da carne e do espírito,
aperfeiçoando a santificação no temor de Deus” (2 Co 7:1, ACF).
Paulo nos diz para limparmos nossas vestes tanto na carne quanto no espírito, assim como Moisés
disse aos filhos de Israel para lavarem suas vestes físicas. Eu quero deixar algo bem claro aqui: nós
devemos nos lavar. Não é algo que devemos deixar para Deus fazer! Paulo não disse: “E o sangue de
Jesus os limpará de toda imundícia, tanto na carne quanto no espírito, portanto somente creia no
Seu amor”. O sangue de Jesus purifica de todos os pecados? A resposta é um inquestionável sim!
Mas, como veremos na Palavra de Deus, nós temos de fazer a nossa parte nesse processo de
limpeza.

Dois Erros Extremos

Durante os últimos cem anos têm havido dois extremos na Igreja com relação à santificação e à
santidade. O primeiro enfatiza a santidade como um processo extremamente exterior. Se uma
mulher usa maquiagem, ela não é santa. Se ela usa um vestido acima do joelho, ela não é pura. Bem,
uma mulher pode usar um vestido longo até o pé, prender os cabelos em um coque e não usar
nenhuma maquiagem, e mesmo assim ter um espírito sedutor visível em seus olhos! Um homem
pode se gabar de nunca ter cometido adultério ou nunca ter se divorciado de sua esposa, mas
mesmo assim cobiçar todas as mulheres que passam por ele. Isso não é santidade. Esse extremo se
concentra somente na carne, e santidade não é uma obra da carne. Essa noção levou muitas pessoas
na Igreja a um comportamento legalista.
O segundo extremo, que tem ganhado destaque nas últimas décadas, é a crença de que nós não
temos a responsabilidade de nos separar do mundo. A ideia é que os cristãos não são diferentes das
pessoas do mundo, com exceção do fato de que eles foram perdoados. Recentemente, um artista
evangélico muito popular comentou: “Cristãos procuram conselheiros, cristãos têm problemas de
família e cristãos viram alcoólatras. A única diferença entre cristãos e não cristãos é simplesmente
nossa fé no nosso Deus Criador, que nos ama e nos ajuda a cada dia”. Esse tipo de pensamento tem
origem nos nossos ensinamentos que têm nos absolvido da responsabilidade de nos limparmos do
mundo. Mas isso vai diretamente contra o que a Bíblia ensina. Pedro exorta: “Mas agora, sejam
santos em tudo quanto fizerem, tal como é santo o Senhor, que os convidou para serem Seus filhos”
(1 Pe 1:15, ABV).
A verdade está no meio desses dois extremos. Existe uma cooperação entre humanidade e
Divindade quando se trata de santidade. Jesus é a nossa santificação (ver 1 Coríntios 1:30). Porém,
“a vontade de Deus é que vocês sejam santificados: abstenham-se da imoralidade sexual. Cada um
saiba controlar o seu próprio corpo de maneira santa e honrosa... Porque Deus não nos chamou para
a impureza, mas para a santidade” (1 Ts 4:3-7). Jesus provê a graça para a nossa santificação, mas
nós precisamos cooperar nos limpando por meio do poder dessa graça. Dessa maneira, somos
capazes de estar no mundo, mas não sermos do mundo.

Para Que Vivamos em Sua Presença

Deus disse a Moisés para santificar o povo. Eles deveriam se preparar, porque no terceiro dia, o
Senhor viria sobre todos no Monte Sinai, à vista de todo o povo! Deus vir à vista de todo o povo
significava que Ele viria em Sua glória! O profeta Oseias também nos dá um calendário de dois mil
anos de preparação para Sua gloriosa vinda. Ele clamou:

Venham, voltemos para o Senhor.
Ele nos despedaçou, mas nos trará cura;
Ele nos feriu, mas sarará nossas feridas.
Depois de dois dias Ele nos dará vida novamente;
Ao terceiro dia nos restaurará,
Para que vivamos em Sua presença.
Oseias 6:1-2

Depois de dois dias, dois mil anos, Ele nos dará vida novamente, e no terceiro milênio Ele nos
restaurará para que vivamos em Sua presença. Esse terceiro milênio é o milénio do Reino de Cristo
(é quando Cristo virá à Terra para reinar mil anos com Seu corpo glorificado [ver Apocalipse 20:4]).
Oseias continuou falando sobre a Sua vinda:

Conheçamos o Senhor;
Esforcemo-nos por conhecê-Lo.
Tão certo como nasce o sol, Ele aparecerá...
Oseias 6:3

Sua vinda é tão certa quanto a alvorada. A manhã, ou o nascer do sol, vem em determinado
momento todos dos dias. Não há nada que você possa fazer para mudar esse momento,
absolutamente nada! Ele vem, quer você esteja preparado ou não. A vinda de Jesus, em Sua glória,
está estabelecida, e nada mudará esse momento. A questão é: estaremos preparados? Os filhos de
Israel acreditavam estar, mas será que estavam mesmo? Eles nunca haviam visto a glória de Deus
antes. Eles viram grandes sinais e maravilhas e amaram seus benefícios, mas a Sua glória seria a
mesma coisa? Você poderia estar confortável em uma atmosfera de milagres, mas ainda assim estar
despreparado para a Sua glória? Prossigamos para descobrir.
CAPÍTULO 4
A GLÓRIA DO SENHOR

A glória de Deus é tudo aquilo que faz Deus ser Deus.


Todas as Suas características, autoridade, poder e
sabedoria — literalmente, todo o esplendor imensurável
e a magnitude de Deus.

D ois dias separavam o povo de Israel da glória de Deus. Eles estavam prontos? Eles
consideraram a advertência de Deus para se prepararem com seriedade ou acharam que, já
que haviam visto Seu poder milagroso agindo para libertá-los tantas vezes seguidas, Sua aparição
não seria diferente? O que mais poderia haver? E além do mais, todas as manifestações haviam sido
favoráveis a eles. Por que Sua aparição seria diferente? O tempo diria. Será que alguém além de
Moisés pensava que talvez eles tivessem passado a considerar sua relação com o Deus Santo íntima
ou familiar demais?
Dois dias se passaram. A manhã estava a ponto de raiar no terceiro dia. A atmosfera parecia
singularmente quieta. A assustadora calmaria antes da invasão do Todo-Poderoso era quase
intimidante. A Criação estava mais ciente Daquele que entraria no cenário do que o próprio povo de
Deus.
A luz da manhã estava nascendo, mas não era um nascer do sol típico. De repente, uma nuvem
escura desceu do nada. A simples visão da nuvem já era suficientemente terrível, mas precedendo
sua aparição ainda houve o soar muito alto de uma trombeta. Ela soava cada vez mais alto! O que
poderia causar um som tão intenso?
Assim que a nuvem desceu à montanha, dela saíram raios de luz brilhantes e rugidos de trovões.
O trovejar constante era diferente de tudo o que o povo já havia ouvido. Eles vinham acompanhados
de relâmpagos tão brilhantes que o sol parecia ter perdido sua intensidade. Os filhos de Israel
tremeram de medo. “O espetáculo era tão terrível que até Moisés disse: ‘Estou apavorado e
trêmulo!’” (Hb 12:21).
Apesar de seu medo, Moisés assumiu seu papel de liderança:

Moisés levou o povo para fora do acampamento, para encontrar-se com Deus, e eles ficaram
ao pé do monte. O monte Sinai estava coberto de fumaça, pois o Senhor tinha descido sobre
ele em chamas de fogo. Dele subia fumaça como que de uma fornalha; todo o monte tremia
violentamente, e o som da trombeta era cada vez mais forte. Então Moisés falou, e Deus lhe
respondeu com um trovão.
Êxodo 19:17-19

A Criação Revela Sua Grandeza

Aquele que desceu na montanha é Aquele que planejou e criou o universo. Aquele que colocou as
estrelas em seus lugares com os próprios dedos. Aquele que com conhecimento e sabedoria
estabeleceu os fundamentos da Terra. Aquele que é eterno e sem fim!
Durante anos eu tenho me preocupado com o fato de que temos perdido a visão da grandiosidade
Daquele a quem nós servimos. Isaías fala frequentemente sobre a grandeza e a majestade de Deus.
O profeta questiona:

Será que vocês não sabem?
Nunca ouviram falar?
Não lhes contaram desde a antiguidade?

Isaías está perplexo com o porquê de Israel ter perdido de vista a grandeza de Deus. Ele declara:

Ele Se assenta no Seu trono, acima da cúpula da Terra,
cujos habitantes são pequenos como gafanhotos.
Ele estende os Céus como um forro,
e os arma como uma tenda para neles habitar...
“Com quem vocês vão Me comparar?
Quem se assemelha a Mim?”, pergunta o Santo.
Ergam os olhos e olhem para as alturas.
Quem criou tudo isso?
Aquele que põe em marcha cada estrela do Seu exército
celestial,
e a todas chama pelo nome.
Tão grande é o Seu poder e tão imensa a Sua força,
que nenhuma delas deixa de comparecer!
Isaías 40:21-26

Deus criou os Céus com Suas mãos ao estender o universo como um forro. E Ele foi capaz de
medir o universo com a palma de Sua mão (ver Isaías 40:12)! Pense nisto: com a distância do Seu
polegar ao Seu dedo mínimo, Deus mediu o comprimento, a largura e a profundidade do universo!
Você já parou para pensar no tamanho do universo? Isso está além da nossa capacidade mental.
Talvez, se tentarmos ter uma pequena ideia da vastidão do universo, nós chegaremos um milímetro
mais perto da Sua glória. Cientistas estimam que existam bilhões de galáxias no universo, cada uma
contendo bilhões de estrelas. O tamanho dessas galáxias é relativamente pequeno se comparado à
distância entre elas.
Nosso sol está localizado em uma dessas galáxias. Quando olha para o céu à noite, você não vê o
universo inteiro, somente uma minúscula galáxia na qual vivemos, chamada Via Láctea. E você vê
somente uma parte dela, pois a maioria das estrelas nessa pequenina galáxia está longe demais para
ser vista a olho nu.
Então, comecemos apenas com a galáxia na qual vivemos. A estrela que está mais perto — outra
além do sol — está a 4,3 anos-luz. Você deve estar pensando: O que significa anos-luz? É
simplesmente a distância que a luz viaja em um ano. A luz viaja a uma velocidade de uns 300 mil
quilômetros por segundo. Isso significa cerca de 1.080.000.000 quilômetros por hora. Compare isso
à velocidade dos aviões, que voam aproximadamente a oitocentos quilômetros por hora. Como você
pode ver, a luz é bem veloz!
Para lhe dar uma ideia do quão rápido é, vamos assumir que você pudesse voar em um avião
jumbo até o sol. Quando eu fui para a Ásia, que é do outro lado do mundo em relação a onde eu
moro, levei aproximadamente vinte e três horas. Se eu pegasse o mesmo avião, sem nenhuma
parada, até o nosso sol, levaria cerca de vinte e um anos! Pense em como vinte e um anos são
longos, pense em todo esse tempo. Agora, imagine-se passando vinte e um anos dentro de um avião
somente para chegar ao nosso sol. Para aqueles que preferem dirigir, talvez levasse cerca de
duzentos anos, não incluindo paradas para reabastecer ou descansar. Quanto tempo a luz leva para
viajar até a Terra? A resposta é: meros oito minutos e vinte segundos.
Deixemos o sol e consideremos a estrela mais próxima. Nós já sabemos que ela está a cerca de 4,3
anos-luz. Se nós construíssemos um modelo em escala da Terra, do sol e da estrela mais próxima, o
resultado seria o seguinte: em proporção, a Terra se reduziria ao tamanho de um grão de pimenta, e
o sol seria do tamanho de uma bola de vinte centímetros de diâmetro. De acordo com essa escala de
medidas, a distância da Terra ao sol seria de quase vinte e quatro metros. Mas lembre-se de que
para atravessar essa distância de vinte e quatro metros, um avião na mesma escala levaria mais de
vinte e um anos.
Assim, se essa é a proporção da Terra em relação ao sol, você consegue imaginar a que distância a
estrela mais próxima estaria da nossa Terra de grão de pimenta? Você pensaria em mil metros, dois
mil metros ou talvez três mil metros? Nem sequer chega perto disso. Nossa estrela mais próxima
estaria 6,4 mil quilômetros distante do grão de pimenta! Isso significa que se você colocar a Terra
de grão de pimenta em Miami, na Flórida, o sol estaria a uma distância de vinte e quatro metros, e a
estrela mais próxima, em nosso modelo em escala, seria posicionada depois da cidade de Seattle, em
Washington, no oceano Pacífico, mais de mil e quinhentos quilômetros dentro do mar! Para alcançar
essa estrela mais próxima em um avião, levaria aproximadamente 51 bilhões de anos, sem parar!
Mas a luz dessa estrela viaja até a Terra em apenas 4,3 anos!
A maioria das estrelas que você vê à noite, a olho nu, está cerca de cem a mil anos-luz de
distância. Contudo, você pode ver umas poucas estrelas, a olho nu, que estão à distância de quatro
mil anos-luz (lembre-se de que essas nem sequer são as estrelas mais distantes em nossa pequenina
galáxia). Não irei tentar calcular a quantidade de tempo que levaríamos de avião para alcançar uma
dessas estrelas. Mas quando você olha uma dessas estrelas que está a quatro mil anos-luz de
distância, na verdade você vê a luz que saiu delas no tempo em que Abraão casou-se com Sara, e
essa luz tem viajado a uma velocidade de 1.080.000.000 quilômetros por hora, sem reduzir a
velocidade ou parar desde então, e somente agora está chegando à Terra!
Essas são as estrelas da nossa pequenina galáxia, a Via Láctea. Nós não nos aventuramos ainda
em examinar os outros bilhões de galáxias. E não se esqueça de que existe um quase imensurável e
vasto espaço entre elas. Por exemplo, uma galáxia vizinha muito próxima é chamada de Andrômeda.
Sua distância de nós é de aproximadamente 2,3 milhões de anos-luz. Pense nisto. Seria necessário
que a luz viajasse a velocidade de 1.080 milhões de quilômetros por hora por mais de dois milhões
de anos para sair daquela galáxia e chegar à Terra! E essa é a galáxia mais próxima de nós. Existem
bilhões de outras. Será que já chegamos ao limite da nossa compreensão?
Isaías declara que Deus mediu esse vasto universo com a distância de Seu polegar ao Seu dedo
mínimo! Salomão, movido pelo Espírito de Deus, declarou: “Mas será possível que Deus habite na
Terra? Os Céus, mesmo os mais altos Céus, não podem conter-Te” (1 Rs 8:27). Você está tendo um
relance de Quem desceu naquela montanha.

Com Quem Vocês Vão Me Comparar?

Talvez devamos falar de outras coisas que são pequenas para Deus. Isaías diz que Ele pesou os
montes em Sua própria balança e colocou as colinas nos pratos da balança. Ele mediu toda a água
dos oceanos, mares, lagos, rios e açudes com a palma de Sua mão. É Ele quem ordena os mares
para que não ultrapassem seus limites (ver Isaías 40:12).
Você já refletiu sobre o poder dos mares? Se um meteoro de um quilômetro e meio caísse no
oceano Pacífico, a algumas centenas de quilômetros de distância de Los Angeles, na Califórnia, ele
criaria uma onda grande o suficiente para matar todos os habitantes e destruir a estrutura da costa
oeste inteira dos Estados Unidos, desde San Diego até Anchorage, no Alasca! Essa onda continuaria
ao longo do oceano e destruiria vários países asiáticos também. Ainda assim, essa onda não seria tão
alta quanto a profundidade do oceano Pacífico. Então, o que aconteceria se toda a água do oceano
fosse liberada sobre a raça humana? Existe um grande poder nos oceanos do mundo, mas Deus
pesou cada gota dessas águas na palma de Sua mão!

As Pequenas Coisas São Maravilhosas

Ele fez grandiosas obras de enorme tamanho e proporção, e o Seu detalhamento é igualmente
assustador. Cientistas têm gasto anos e enormes montantes de dinheiro para estudar o
funcionamento do mundo natural. E eles ainda têm somente uma pequena parcela da sabedoria que
foi aplicada por Deus na criação do mundo natural. Muitas questões ainda permanecem sem
respostas.
Todas as formas de vida têm por base as células. As células são os blocos de construção do corpo
humano, das plantas, dos animais e de tudo o que vive. O corpo humano, que em si mesmo é uma
maravilha da engenharia, contém cerca de 100.000.000.000.000 de células — (você consegue ler
esse número?) — dentre as quais há uma variedade imensa. Em Sua sabedoria, Deus designou essas
células para desempenharem tarefas específicas. Elas crescem, se multiplicam e, finalmente,
morrem na hora certa.
Embora invisíveis a olho nu, as células não são as menores partículas conhecidas pelo homem.
Elas são constituídas por um grande número de estruturas menores, chamadas moléculas, que por
sua vez são compostas de estruturas menores ainda — chamadas de elementos — e dentro dos
elementos ainda podem ser encontradas estruturas ainda mais minúsculas, chamadas de átomos.
Os átomos são tão pequenos, que o ponto no fim desta frase contém mais de um bilhão deles.
Ainda assim, um átomo é composto quase completamente de espaço vazio. O que resta do átomo é
formado de prótons, nêutrons e elétrons. Os prótons e nêutrons estão agrupados em um núcleo
minúsculo e extremamente denso, bem no centro do átomo. Pequenos feixes de energia chamados
de elétrons vibram ao redor desse núcleo à velocidade da luz. Eles são o núcleo dos blocos de
construção que mantêm todas as coisas unidas.
Então, onde o átomo adquire sua energia? E que força mantém unidas suas partículas
energéticas? Os cientistas chamam isso de energia atômica. Esse é apenas um termo científico para
descrever o que eles não conseguem explicar, pois Deus já disse que Ele está “sustentando todas as
coisas por Sua palavra poderosa” (Hb 1:3). E nós lemos que: “Nele tudo subsiste” (Cl 1:17).
Pare e reflita sobre isso por apenas um momento. Esse é o glorioso Criador a que nem sequer o
universo pode conter. O universo é medido com a palma de Sua mão; contudo, Ele é tão minucioso
nos Seus desígnios em relação à pequenina Terra e Suas criaturas, que deixa a ciência moderna
confusa mesmo após anos de estudo.
É claro que muitos livros podem ser escritos sobre as maravilhas e a sabedoria da Criação de
Deus. Esse não é meu objetivo aqui. Meu propósito é despertar espanto e admiração pelas obras das
mãos de Deus, porque elas proclamam Sua magnífica glória!

Quem É Esse que Obscurece o Meu Conselho?

Agora você pode entender melhor como Jó se sentiu depois que, após pronunciar questionamentos
e declarações tolas aos ouvidos de Deus, o próprio Deus apareceu para ele em um redemoinho de
vento, e disse:

Quem é esse que obscurece o Meu conselho com palavras sem conhecimento? Prepare-se
como simples homem; vou fazer-lhe perguntas, e você Me responderá.
Onde você estava quando lancei os alicerces da Terra? Responda-Me, se é que você sabe
tanto. Quem marcou os limites das suas dimensões? Talvez você saiba! E quem estendeu
sobre ela a linha de medir? E os seus fundamentos, sobre o que foram postos? E quem
colocou sua pedra de esquina...
Quem represou o mar pondo-lhe portas, quando ele irrompeu do ventre materno, quando o
vesti de nuvens e em densas trevas o envolvi, quando fixei os seus limites e lhe coloquei
portas e barreiras, quando Eu lhe disse: “Até aqui você pode vir, além deste ponto não; aqui
faço parar suas ondas orgulhosas”?
Você já deu ordens à manhã ou mostrou à alvorada o seu lugar, para que ela apanhasse a
Terra pelas pontas e sacudisse dela os ímpios?...
As portas da morte lhe foram mostradas? Você viu as portas das densas trevas? Você faz ideia
de quão imensas são as áreas da Terra? Fale-me, se é que você sabe.
Como se vai ao lugar onde mora a luz? E onde está a residência das trevas? Poderá você
conduzi-las ao lugar que lhes pertence? Conhece o caminho da habitação delas?...
Acaso você entrou nos reservatórios de neve, já viu os depósitos de saraiva, que Eu guardo
para os períodos de tribulação, para os dias de guerra e de combate? Qual o caminho por
onde se repartem os relâmpagos? Onde é que os ventos orientais são distribuídos sobre a
Terra?
Quem é que abre um canal para a chuva torrencial, e um caminho para a tempestade
trovejante, para fazer chover na terra em que não vive nenhum homem, no deserto onde não
há ninguém...
Você pode amarrar as lindas Plêiades? Pode afrouxar as cordas do Órion? Pode fazer surgir
no tempo certo as constelações ou fazer sair a Ursa com seus filhotes? Você conhece as leis
dos Céus? Você pode determinar o domínio de Deus sobre a Terra?
Você é capaz de levantar a voz até as nuvens e cobrir-se com uma inundação? É você que
envia os relâmpagos, e eles lhe dizem: “Aqui estamos”?
Jó 38:2-35

Quando Deus terminou de falar, um Jó diferente clamou:



Meus ouvidos já tinham ouvido a Teu respeito,
Mas agora os meus olhos Te viram.
Por isso menosprezo a mim mesmo
E me arrependo no pó e na cinza.
Jó 42:5-6
Antes da provação de Jó, Deus disse que ninguém era como ele em todo o planeta. O Senhor
declarou que ele era reto e íntegro, que temia a Deus e se desviava do mal. Jó tinha não somente
ouvido as palavras de Deus, mas também as havia ensinado a sua família e seus amigos. Mesmo
assim, quando ele viu Deus, clamou por misericórdia, pois perto de um Deus santo ele seria, na
melhor das hipóteses, um homem imperfeito.
Isaías foi um homem fiel e temente a Deus, mas quando contemplou o Senhor em uma visão, ele
clamou: “Ai de mim! Estou perdido! Pois sou um homem de lábios impuros...” (Is 6:5). A glória de
Deus revela nossa absoluta necessidade da Sua graça, pois sem ela estaremos eternamente
condenados. Deus é muito maior do que possamos imaginar. Ele é tão grande, que os anjos que
estão ao redor do Seu trono ao longo dos séculos, ainda clamam em temor: “Santo, Santo, Santo!”.
Esse é Aquele que desceu naquela montanha em Sua glória perante Israel.

Luz Inacessível

Agora vamos pensar a respeito do que é a glória do Senhor. Algumas pessoas na Igreja já
descreveram a glória de Deus como uma nuvem, ou uma manifestação similar, e os cristãos
costumam dizer: “A glória do Senhor desceu naquele culto”. Mas essa afirmação limita e obscurece
o conselho de Deus com palavras sem conhecimento (ver Jó 38:2).
Primeiro, a glória de Deus não é uma nuvem. Você pode perguntar: “Então por que uma nuvem é
mencionada quase toda vez que a glória de Deus era manifesta na Bíblia?”. Deus precisa Se
esconder em uma nuvem, pois Ele é magnífico demais para ser contemplado. Se uma nuvem não
cobrisse a Sua face, toda carne ao Seu redor seria consumida e morreria instantaneamente. Quando
Moisés pediu para ver a glória de Deus, a resposta do Senhor foi firme: “Você não poderá ver a
Minha face, porque ninguém poderá ver-Me e continuar vivo” (Êx 33:20).
A carne humana não pode suportar a presença do Santo Senhor em Sua glória. Ele é fogo
consumidor e Nele não há treva alguma (ver Hebreus 12:29; 1 João 1:5). Paulo escreve sobre Jesus:
“Ele é o Bendito e Único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, o Único que é imortal e
habita em luz inacessível, a Quem ninguém viu nem pode ver” (1 Tm 6:15-16).
Essa luz é diferente de tudo que já se viu na Terra. Um amigo meu é pastor no Estado do Alabama.
Há alguns anos ele estava em uma igreja em construção. Houve um acidente e alguns materiais de
construção pesados caíram sobre ele, quebrando-lhe o crânio, o pescoço e a coluna. Os paramédicos
disseram que ele estava morto quando chegaram ao local, e o cobriram.
Eu estava jogando golfe com ele alguns anos atrás, quando lhe pedi que me contasse sua
experiência com Jesus. Eu estraguei o jogo dele, pois ele chorou sem parar desde o décimo quarto
buraco até o décimo oitavo buraco, enquanto me contava a história.
Ele disse:
— John, eu vi uma grande luz a certa distância de mim, e fui em direção a ela rapidamente.
Quanto mais perto eu me achegava, mais intensa a luz se tornava. A luz era tão brilhante e tão
branca, que é impossível compará-la a qualquer coisa que eu consiga descrever. Era tão brilhante
que eu mal podia olhar. Por causa da intensidade da luz eu não podia ver as feições de Jesus, mas
sabia que era Ele.
— Tudo o que eu conseguia ver era uma luz brilhante quase que inacessível. O que mais me
chamava atenção era Sua santidade. O fogo parecia revelar isso. Eu tinha certa consciência de que
todas as células do meu ser estavam expostas a Ele. Senti como se a luz do Seu ser estivesse me
limpando. À medida que essa luz me limpava, comecei a ver Seus traços, primeiro vi os Seus olhos.
Aqueles olhos eram fortes e penetrantes, mas mesmo assim cheios de amor.
Finalmente Jesus lhe mostrou que sua obra na Terra não estava terminada, e que ele deveria
voltar. Ele já havia sido declarado como morto e coberto pelos paramédicos. Quando retornou ao
corpo e começou a se movimentar debaixo do lençol, ele deixou aterrorizados todos os que estavam
por perto. Hoje, ele é um homem que tem amor e zelo pela oração e tem um estilo de vida de grande
temor a Deus.
Paulo diz que Jesus habita em luz inacessível, a qual nenhum homem pode ver. O salmista declara
que o Senhor Se cobre de luz como se fossem Suas vestes (ver Salmos 104:2; meu amigo pastor
pôde ver o Senhor porque não estava em seu corpo físico). Paulo experimentou uma medida dessa
luz inacessível a caminho para Damasco. Ele relatou ao rei Agripa: “Por volta do meio-dia, ó rei,
estando eu a caminho, vi uma luz do Céu, mais resplandecente que o sol, brilhando ao meu redor”
(At 26:13).
Paulo não viu a face de Jesus; viu somente uma luz que emanava Dele, que brilhava mais do que o
sol em pleno meio-dia no Oriente Médio. Eu vivi na Flórida por doze anos, que é chamado de o
Estado do Sol. Lá, eu nunca tive de usar óculos de sol. Contudo, quando viajei para o Oriente Médio,
tive de usá-los. Nessa região, o sol parece muito mais forte, por ter um clima mais seco, desértico. O
sol não era tão forte às oito ou nove da manhã, mas de onze até duas da tarde, era muito forte.
Mesmo assim, Paulo disse que a luz de Jesus brilhava ainda mais! Nós ensinamos aos nossos filhos a
não olharem para o sol porque sua luz é muito forte para os nossos olhos. Imagine se tentarmos
olhar para o sol do meio-dia em nossa própria região. Seria difícil, a menos que houvesse nuvens o
cobrindo. A glória do Senhor excede em muito esse brilho.
Ambos, Joel e Isaías, enfatizaram que nos últimos dias a glória do Senhor seria revelada, e o sol se
tornaria em trevas:

Vejam! O dia do Senhor está perto...
As estrelas do Céu e as suas constelações
Não mostrarão a sua luz.
O sol nascente escurecerá,
E a lua não fará brilhar a sua luz.
Isaías 13:9-10

Quando nós andamos em noite clara, o que podemos ver? Estrelas em todo lugar. Mas quando o
sol aparece de manhã, o que acontece? Não há mais nenhuma estrela! As estrelas esperam o sol
desaparecer para voltarem para o céu? Não. A glória das estrelas tem um nível, mas a glória do sol
tem um nível imensamente superior. Quando o sol sai, por ser muito mais brilhante do que as
estrelas, ele as escurece. Quando Jesus retornar, por Sua glória ser muito maior do que a do sol, Ele
escurecerá o sol de forma que não mais o veremos, mesmo que ele ainda esteja brilhando! Aleluia!
A glória do Senhor sobreporá a todas as outras luzes. Ele é perfeito e Se veste de luz. É por isso
que em Sua segunda vinda os homens de toda a Terra:

Fugirão para as cavernas das rochas
E para os buracos da Terra,
Por causa do terror que vem do Senhor
E do esplendor da Sua majestade.
Isaías 2:19

Tudo o que Faz Deus Ser Deus

O que é a glória do Senhor? Para responder, voltemos ao pedido de Moisés para ver a glória de
Deus: “Então disse Moisés: ‘Peço-Te que me mostres a Tua glória’” (Êx 33:18).
A palavra no hebraico para “glória” é kabowd. Ela é definida pelo dicionário Bíblico de Strong
como “o peso de algo, mas somente de modo figurado em um bom sentido”. Sua definição também
fala sobre esplendor, abundância e honra. Moisés estava pedindo: “Deixa que eu Te vejo em toda o
Seu esplendor”. Leia com atenção a resposta de Deus: “Eu farei passar toda a Minha bondade por
diante de ti, e proclamarei o nome do SENHOR diante de ti” (Êx 33:19, ACF).
Após Moisés ter pedido para ver toda Sua glória, Deus Se referiu a ela como “toda a Minha
bondade”. A palavra em hebraico para “bondade” é tuwb, que significa “bom, no sentido mais
amplo”. Em outras palavras, nada é retido.
Deus continuou: “proclamarei o nome do SENHOR diante de ti”. Antes que um rei entre na sala do
trono, os servos anunciam seu nome. As trombetas soam, e então ele entra na sala do trono em todo
o seu esplendor. A grandeza do rei é revelada, e na corte não há nenhuma dúvida de quem é o rei.
Contudo, se o monarca estivesse usando roupas normais e andando em uma cidade de sua nação
sem seus servos, talvez as pessoas passassem por ele sem ao menos o reconhecer. Resumindo, foi
exatamente isso que Deus fez por Moisés. Ele estava dizendo: “Eu proclamarei Meu nome e passarei
diante de você com todo o Meu esplendor”.
A glória do Senhor é revelada na face de Jesus Cristo (ver 2 Coríntios 4:6). Muitos dizem ter
contemplado visões de Jesus e visto a Sua face. Isso é bastante possível, mas não em toda a Sua
glória. Paulo escreveu: “Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas,
então, veremos face a face” (1 Co 13:12). Sua glória é coberta como em um reflexo obscuro, pois
nenhum homem é capaz de olhar para Sua glória e permanecer vivo.
Os discípulos olharam para a face de Jesus após Sua ressurreição dos mortos, mas Ele não revelou
abertamente a Sua glória. Algumas pessoas viram o Senhor, mesmo no Antigo Testamento, mas Ele
não Se revelou em Sua glória. O Senhor apareceu para Abraão nos carvalhos de Manre, mas não em
Sua glória (ver Gênesis 18:1-2). Jacó lutou com Deus, mas não em Sua glória (ver Gênesis 32:24-30).
Josué olhou para a face do Senhor antes de invadir Jericó (ver Josué 5:13-15). O Senhor apareceu
a ele como um homem de guerra. Josué não O reconheceu, pois perguntou quem Ele era: “Você é
por nós, ou por nossos inimigos?” (v. 13). O Senhor respondeu que Ele era o Comandante do
exército do Senhor e que Josué deveria retirar as sandálias dos pés, pois o lugar onde ele pisava era
santo. Lembre-se do exemplo do rei, não em sua glória, mas vestindo roupas comuns em uma rua do
seu reino. As pessoas poderiam passar por ele sem reconhecer sua identidade. Isso retrata o que
aconteceu com Josué.
O mesmo é verdade em relação aos acontecimentos após a Ressurreição. Maria Madalena foi a
primeira pessoa com a qual Jesus falou, mas ela pensou que Ele fosse o jardineiro (ver João 20:15-
16). Os discípulos comeram peixe com Jesus na praia (ver João 21:9-13). Dois discípulos andaram
com Jesus no caminho para Emaús, “mas os olhos deles foram impedidos de reconhecê-Lo” (Lc
24:16). Todos eles viram Sua face porque Ele não revelou abertamente a Sua glória.
Por outro lado, João, o apóstolo, viu o Senhor no Espírito e teve um encontro totalmente diferente
daquele em que ele comeu peixe na praia com Jesus, pois João O viu em Sua glória. Ele descreveu
Jesus:

Um semelhante ao Filho do Homem, vestido até aos pés de uma roupa comprida, e cingido
pelos peitos com um cinto de ouro. E a Sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca,
como a neve, e os Seus olhos como chama de fogo; E os Seus pés, semelhantes a latão
reluzente, como se tivessem sido refinados numa fornalha, e a Sua voz como a voz de muitas
águas... o Seu rosto era como o sol, quando na sua força resplandece. E eu, quando vi, caí a
Seus pés como morto.
Apocalipse 1:13-17, ACF

“Seu rosto era como o sol, quando na sua força resplandece”. Como João pôde olhar para Ele? Ele
estava no Espírito.
A glória do Senhor é tudo aquilo que faz Deus ser Deus. Todas as Suas características, Sua
autoridade, Seu poder e Sua sabedoria — literalmente, todo o esplendor imensurável e a magnitude
de Deus. Nada é escondido ou encoberto. Esse é Aquele que desceu naquela montanha no terceiro
dia.
Israel estava preparado? Como esse povo reagia a Sua glória? E nós, estaremos preparados no
terceiro milênio? Como reagiremos à vinda da Sua glória?
CAPÍTULO 5
A Passagem para a Montanha

Deus está nos chamando para a Sua


montanha, para que O conheçamos intimamente.
A passagem para essa montanha é a santidade que
nasce de um coração temente a Deus.

M uitos dos filhos de Israel provavelmente pensaram que estavam prontos para a terceira
manhã. Eles tinham visto o poder libertador de Deus trabalhando em seu favor inúmeras
vezes. Mas eles nunca tinham visto a Sua glória revelada. A resposta deles foi como eles imaginaram
que seria?

Vendo-se o povo diante dos trovões e dos relâmpagos, e do som da trombeta e do monte
fumegando, todos tremeram assustados. Ficaram a distância e disseram a Moisés: “Fala tu
mesmo conosco, e ouviremos. Mas que Deus não fale conosco, para que não morramos”.
Êxodo 20:18-19

O povo tremeu e ficou a distância. Eles não queriam ouvir a voz audível de Deus nem desejavam
permanecer de pé na Sua gloriosa presença. Os filhos de Israel tinham visto alguns dos maiores
milagres que qualquer geração presenciou. Quantos pregadores você já viu abrindo um lago, para
não falar de um mar? Quantos pregadores oram o suficiente para que caia pão dos Céus para
alimentar três milhões de pessoas? Estudiosos estimam que o maná necessário para alimentar
aquele povo era suficiente para encher os vagões de dois trens, cada um com cento e dez vagões!

Retirando-se da Sua glória

O povo não era tão diferente da nossa Igreja Moderna. Com relação à salvação, eles saíram do
Egito, o que tipifica a experiência do novo nascimento. Com relação à libertação, eles
experimentaram a libertação de seus opressores. Nesse mesmo aspecto, “Ele nos resgatou do
domínio das trevas e nos transportou para o Reino do Seu Filho amado” (Cl 1:13). Com relação aos
milagres, eles viram os benefícios dos milagres de Deus, assim como muitos veem hoje na Igreja.
E quanto à prosperidade? Eles experimentaram a riqueza do ímpio que Deus acumula para o
justo: “Ele tirou de lá Israel, que saiu cheio de prata e ouro” (Sl 105:37).
E o que dizer da cura? A Bíblia registra: “Todos eram fortes e cheios de saúde” (Sl 105:37, NTLH).
Moisés deixou o Egito com três milhões de pessoas fortes e saudáveis. Você consegue imaginar uma
cidade com três milhões de habitantes sem que ninguém estivesse doente ou no hospital? Os
israelitas haviam sofrido durante quatrocentos anos. Imagine os milagres e as curas que
aconteceram quando eles comeram do cordeiro pascal!
O povo não desconhecia a salvação, a cura, o milagre nem o poder libertador de Deus. Eles
celebravam com entusiasmo quando Deus Se movia miraculosamente em favor deles. Eles
dançavam e louvavam a Deus como nós fazemos na Igreja hoje (Êx 15:1,20). Então é interessante
notarmos que eles se achegavam às Suas manifestações miraculosas porque se beneficiavam delas,
mas se afastaram e estremeceram quando Sua glória foi revelada.
Por que o povo se sentia confortável e até mesmo entusiasmado na atmosfera de milagres, mas se
sentiu desconfortável a ponto de se retirar na presença da Sua glória? Porque na atmosfera de
milagres eles podiam esconder o pecado.
Uma multidão dirá a Jesus: “‘Senhor, Senhor, não profetizamos em Teu nome? Em Teu nome não
expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?’ Então Eu lhes direi claramente: ‘Nunca os
conheci. Afastem-se de Mim vocês, que praticam o mal!’” (Mt 7:22-23). A multidão estava
familiarizada com os sinais e prodígios de Deus, e alguns até mesmo os realizavam, mas durante
todo esse tempo eles mantiveram pecados escondidos em suas vidas. Mas ninguém pode esconder
pecados quando está na presença da Sua glória, pois a Sua luz expõe todas as coisas.
Jesus nos diz no Novo Testamento:

Meus amigos: Não tenham medo dos que matam o corpo e depois nada mais podem fazer.
Mas Eu lhes mostrarei a quem vocês devem temer: temam Aquele que, depois de matar o
corpo, tem poder para lançar no inferno. Sim, Eu lhes digo, Esse vocês devem temer.
Lucas 12:4-5

Por que Jesus disse isso? A razão aparece nos versículos que antecedem a exortação para
temermos a Deus: “Não há nada escondido que não venha a ser descoberto, ou oculto que não venha
a ser conhecido. O que vocês disseram nas trevas será ouvido à luz do dia” (Lc 12:2-3).
Nós podemos viver com pecados escondidos quando estamos envoltos pela atmosfera do
miraculoso, mas o pecado não se esconde na luz da Sua glória revelada! Adão e Eva se esconderam
da glória do Senhor no Jardim do Éden após terem desobedecido. Houve um tempo em que andavam
com Ele qundo soprava a brisa do dia (ver Gênesis 2-3). Jesus explica: “Quem pratica o mal odeia a
luz e não se aproxima da luz, temendo que as suas obras sejam manifestas” (Jo 3:20).
Moisés incitou o povo: “‘Não tenham medo! Deus veio prová-los, para que o temor de Deus esteja
em vocês e os livre de pecar’. Mas o povo permaneceu a distância, ao passo que Moisés aproximou-
se da nuvem escura em que Deus Se encontrava” (Êx 20:20-21).
Você deve estar pensando: Moisés se aproximou da nuvem escura, e não à luz. Lembre-se de que
Deus é tão brilhante que Ele precisa Se cobrir com uma nuvem escura. Moisés se aproximou à luz
de Deus, enquanto o povo se retirou. Alguns versículos de Deuteronômio mostram a reação do povo:
“O Senhor, o nosso Deus, mostrou-nos Sua glória e Sua majestade, e nós ouvimos a Sua voz vinda de
dentro do fogo” (Dt 5:24). Você pode imaginar o que aconteceria se a nuvem não fosse espessa e
escura? Sua face era tão brilhante que eles O descreveram como um fogo consumidor, embora Ele
estivesse coberto por uma nuvem espessa e escura!
Moisés rapidamente advertiu o povo: “Não tenham medo”, encorajando-o a voltar à presença de
Deus, de onde a vida verdadeira emanava. Ele disse ao povo que Deus viera para testá-lo. Por que
Deus nos testa? Para ver o que há em nós? Não, Ele já sabe. Ele nos testa para que nós saibamos o
que há em nossos corações. Os filhos de Israel precisava reconhecer se eles temiam ou não a Deus.
Se eles temessem a Deus, não pecariam. O pecado é o resultado que surge todas as vezes que nos
afastamos Dele.
Moisés disse: “Não tenham medo”, e então enfatizou que o Senhor viera “para que o temor de
Deus esteja em vocês”. Ele claramente estabeleceu a diferença entre ter medo de Deus e temer a
Deus. Moisés temia a Deus, mas o povo amava a si mesmo. Temer a Deus é amá-Lo acima de todas
as coisas! É o desejo de obedecer a Deus mesmo quando parece mais vantajoso realizar o próprio
desejo e desobedecer à Sua Palavra. Aqueles que amam a si mesmos não podem temer a Deus. Esta
é uma verdade comprovada: se não temermos a Deus, teremos medo Dele e da revelação da Sua
glória, e nos retrairemos diante dela. Lembre-se de que o povo se afastou da glória do Senhor, mas
Moisés se aproximou a ela.
O livro de Deuteronômio registra o que aconteceu anos depois, com a geração posterior antes que
entrou na terra prometida. Ele revela um ponto que Êxodo não nos mostra. Moisés lembrou ao povo
o que aconteceu quando a glória de Deus se manifestou na nuvem escura. Eles pediram a Moisés:
“Aproxime-se você, Moisés, e ouça tudo o que o Senhor, o nosso Deus, disser; você nos relatará tudo
o que o Senhor, o nosso Deus, lhe disser. Nós ouviremos e obedeceremos” (Dt 5:27).
Eles queriam que Moisés ouvisse por eles, e prometeram ouvir tudo que Deus dissesse por meio
dele. Assim, eles poderiam continuar em contato com Deus, mas sem ter de lidar com as trevas e os
pecados escondidos em seus corações. Boas intenções nem sempre produzem resultados corretos,
pois essa nação tentou esse caminho durante mil e quinhentos anos, mas isso não lhe deu a
capacidade de andar nos caminhos de Deus.
Quantos de nós somos como eles? Recebemos a Palavra de Deus por intermédio de outros, mas
nós mesmos nos afastamos da montanha de Deus? Será que temos medo de ouvir Sua voz que expõe
a condição do nosso coração? Será que nossa preocupação é que, se chegarmos perto demais,
alguma coisa que preferiríamos que continuasse em segredo possa ser revelada? Se isso continuar
em segredo, não teremos de confrontá-lo, e nós nunca queremos confrontar algo de que ainda
gostamos.

A Hora Mais Obscura Deles


Moisés ficou desapontado com a resposta de Israel. Ele não podia entender a falta de sede da
presença de Deus que eles tinham. Como eles podiam ser tão tolos? Como podiam ser tão cegos?
Por que alguém recusaria ter um encontro com o Deus vivo?
Moisés trouxe sua profunda preocupação perante o Senhor na esperança de uma solução. Mas
ouça o que aconteceu entre ele e o Senhor: “O Senhor ouviu quando vocês me falaram e me disse:
‘Ouvi o que este povo lhe disse, e eles têm razão em tudo o que disseram” (Dt 5:28).
Moisés deve ter ficado espantado com a resposta de Deus. Ele certamente pensou: O quê? Eles
estavam certos? Será que pelo menos uma vez eles estavam certos? Ele deve ter clamado em seu
coração a Deus: “Por que eles não podem vir até a Sua presença, como Tu desejas que eles façam?”
Antes de Moisés terminar, Deus respondeu, e nós podemos sentir a tristeza em Suas palavras:
“Quem dera eles tivessem sempre no coração esta disposição para temer-Me e para obedecer a
todos os Meus mandamentos. Assim tudo iria bem com eles e com seus descendentes para sempre!”
(Dt 5:29).
O Senhor queria que eles viessem à Sua montanha santa para contemplá-Lo. Ele queria revelar-Se
a eles, mas faltava-lhes o que é necessário para habitar em Sua presença: santo temor. Agora, nós
podemos realmente sentir a tristeza de Deus quando Ele diz a Moisés: “Vá, diga-lhes que voltem às
suas tendas” (Dt 5:30).
Que momento tão decepcionante! Essa foi a hora mais obscura deles! Muitos pensam que a pior
hora deles foi quando eles apresentaram um relatório negativo que os deixou de fora da terra
prometida, ou quando eles construíram um bezerro de ouro. Não, meus amigos, essa foi a pior hora
deles. Se eles tivessem santificado seus corações, teriam sido capazes de entrar na presença
gloriosa de Deus. Então o bezerro de ouro e o relatório negativo que os privou de entrar na terra
prometida nunca teriam acontecido.
Isso acontece ainda hoje. A pior hora de um homem não é quando ele vai para cama com uma
mulher que não é sua esposa ou rouba dinheiro de seu patrão. É quando ele recusa o convite do
Senhor de deixar os desejos deste mundo e ir até o recôndito do Rei para ter comunhão com Ele. Se
tivessem se aproximado a Ele, nada daquilo teria acontecido.
A pior hora de um jovem não é quando ele fica bêbado ou drogado. Não é quando ele é preso por
roubo. É quando Deus o chama para se aproximar, mas manter sua popularidade entre os amigos
sobrepõe-se ao convite do Rei. Externamente, não parece ser algo tão obscuro, mas todo o Céu
chora quando o chamado de Deus é ignorado.
Deus disse aos filhos de Israel para que voltassem a suas tendas, mas Ele disse àquele que O
temia: “Tu, porém, fica-te aqui comigo, Eu te direi todos os mandamentos” (Dt 5:31, ARA).
Moisés podia permanecer com Deus e ouvir Suas palavras por causa de seu temor ao Senhor.
Qualquer outra pessoa poderia ter ficado ali também, se tivesse se limpado da imundícia do Egito
com o temor do Senhor. Moisés lhes disse mais tarde: “O Senhor falou com você face a face, do meio
do fogo, no monte. Naquela ocasião eu fiquei entre o Senhor e você para declarar-lhe a palavra do
Senhor, porque você teve medo do fogo e não subiu o monte” (Dt 5:4-5).
Eles acreditavam que não conseguiriam ver seus corações expostos à luz da Sua glória, então se
retiraram para um lugar em que se sentiriam seguros. Se eles tivessem decidido se aproximar, a luz
de Deus teria simplesmente curado o que fosse revelado, mas eles amavam a condição em que
estavam e não queriam mudar.
Vamos dar um passo atrás e olhar para o quadro completo a partir da perspectiva de Deus. Deus
fez coisas indescritíveis para libertar Seu povo do cativeiro da escravidão através de milagres, sinais
e maravilhas. A Bíblia conta que Ele fez tudo isso com forte mão e com braço estendido. Ele
cuidadosamente os guiou e os preparou para o Seu propósito principal, que era trazê-los para Si
mesmo. Ele disse a cada um deles que Seu desejo era que eles fossem sacerdotes diante Dele e que
Ele habitaria entre eles, que Ele seria seu Deus, e que eles seriam o Seu povo escolhido. Que plano
amoroso Ele arquitetou! Mas quando Ele os trouxe para Si mesmo, todos eles fugiram!
Quando Ele se tornou Pai? Quando Jesus nasceu? Não! Ele sempre teve um coração paterno. Você
pode imaginar como o coração de Deus ficou, quando Ele cuidadosamente guiou o povo até Si
Próprio, para Se revelar a eles, e todos eles fugiram? Foi de partir o coração!

Um Relance da Glória
Agora que vimos a partir do registro de Deuteronômio a razão pela qual o povo se retirou,
voltemos para a cena em que Deus desceu sobre a montanha. Assim que o povo se retraiu, Deus
determinou que se iniciasse o sacerdócio. Ele selecionaria um homem que viria até Sua gloriosa
presença em favor do povo. Ele escolheu Arão para que fosse esse sacerdote. Depois de escolher
Arão, “o Senhor respondeu [a Moisés]: ‘Desça e depois torne a subir, acompanhado de Arão (Êx
19:24).
No entanto, Arão não se aproximou da presença de Deus. Em vez disso, ele permaneceu a
distância juntamente com o povo (Êx 20:21).
Deus veio novamente a Moisés e disse: “‘Subam o monte para encontrar-se com o Senhor, você e
Arão, Nadabe e Abiú, e setenta autoridades de Israel. Adorem à distância. Somente Moisés se
aproximará do Senhor; os outros não. O povo também não subirá com ele’” (Êx 24:1-2).
Deus chamou Arão, seus filhos e os líderes de Israel, entre os quais estava Josué. Deus não
chamou Arão para ir até o cume do monte; ele deveria ir a um lugar da montanha acima do
acampamento. Ele já havia se retirado da presença de Deus uma vez porque não temeu ao Senhor,
portanto, ele só seria capaz de adorar de longe. Muitos hoje adoram ao Senhor de longe, porque isso
é seguro. Essas pessoas evitam santificar seus corações, mas satisfazem a necessidade interior de
adorar ao Senhor.
Em sua adoração, esses homens viram o Deus de Israel: “E viram o Deus de Israel, sob cujos pés
havia algo semelhante a um pavimento de safira, como o Céu em seu esplendor” (Êx 24:10). Um
comentário de Matthew Henry diz algo que eu creio que aconteceu:

Eles viram o Deus de Israel (v. 10), isto é, eles tiveram algum tipo de relance da glória de
Deus, em luz e fogo, embora nunca tenham visto algo semelhante. Eles viram o lugar onde o
Deus de Israel estava (de acordo com a Septuaginta), e o compararam com algo que tinha
alguma semelhança, mas não era bem isso. Seja lá o que for que eles tenham visto,
certamente foi algo do qual não se poderia fazer nenhum desenho ou imagem, mas mesmo
assim os satisfez suficientemente e os assegurou de que Deus certamente estava presente ali.

Os homens tiveram um relance, mas eles não tiveram permissão para entrar na presença gloriosa
de Deus. O temor a Deus que Moisés tinha foi a chave para que ele fosse convidado a se aproximar
da presença do Senhor. Deus o convidou: “Suba o monte, venha até Mim, e fique aqui” (Êx 24:12).
Oh, como eu amo o que Deus disse a Moisés! Esse é o lugar secreto onde Deus revela Seus
pensamentos mais íntimos e Seus caminhos. Esse é o lugar onde Seus tesouros são encontrados.
Isaías nos anuncia:

O Senhor é exaltado, pois habita no alto...
Ele será o firme fundamento nos tempos a que você pertence,
Uma grande riqueza de salvação, sabedoria e conhecimento;
O temor do Senhor é a chave desse tesouro.
Isaías 33:5-6

Há uma chave que abre o tesouro de conhecer a Deus. Nós lemos que “Ele revelou os Seus planos
a Moisés e deixou que o povo de Israel visse os Seus feitos poderosos” (Sl 103:7, NTLH). Moisés
conheceu os caminhos de Deus; ele os aprendeu na montanha. O restante do povo somente pôde
conhecer a Deus pelos milagres e feitos que Ele operou em suas vidas. Ah, quantos hoje conhecem o
Senhor somente pelos milagres que Ele tem feito em suas vidas? Eles podem ter experimentado
cura física, necessidades supridas, reviravoltas financeiras ou terem tido outros pedidos concedidos.
Mas essas pessoas não foram até a montanha para aprender os caminhos de Deus, pois elas desejam
o que este mundo pode lhes oferecer. Elas não temem ao Senhor.
Deus está nos chamando para Sua montanha, para que O conheçamos intimamente. A passagem
para essa montanha é a santidade, que nasce de um coração que teme a Deus. Ele claramente nos
diz: “O Senhor confia os Seus segredos aos que O temem, e os leva a conhecer a Sua aliança” (Sl
25:14).
CAPÍTULO 6
UMA DIVINDADE CONTROLÁVEL

Se subir à montanha, você é mudado.


Se permanecer ao pé dela, como Arão fez,
a imagem que você tem de Deus é que muda.

O que acontece quando o povo ao qual Deus libertou do mundo aprende a viver satisfeito longe
da presença Dele? Neste capítulo, descobriremos o resultado trágico desse afastamento.

Espere Até Que Nós Voltemos

Deus enviou o povo de volta para suas tendas no acampamento ao pé da montanha. Moisés, Arão e
os setenta líderes subiram até certo ponto para adorarem de longe. Após algum tempo de adoração,
Deus disse a Moisés que somente ele se aproximasse do cume da montanha, onde Ele estava.
Moisés escolheu Josué para ir um pouco mais longe com ele, mas deu uma diretriz precisa para Arão
e os demais líderes: “Esperem-nos aqui, até que retornemos” (Êx 24:14). Então Moisés foi para o
cume da montanha para o meio da nuvem e ficou lá por quarenta dias e quarenta noites. Josué
esperou em algum outro lugar entre onde os líderes estavam e o cume, onde Moisés estava. E o
povo estava no acampamento, bem mais abaixo, ao pé da montanha.
Como vimos antes, Deus originalmente havia requisitado que Arão subisse com Moisés. Por que
ele não foi? Ele achou mais confortável ficar na presença do povo do que na presença de Deus.
Como eu sei disso? Por causa das inúmeras vezes em que ele se afastou da glória do Senhor. Na
próxima vez que Arão é mencionado, o que aconteceu enquanto Moisés ainda está na montanha
durante os quarenta dias, ele está de volta ao acampamento, e os demais líderes estão com ele!
O acampamento retrata familiaridade. É a Igreja que foi liberta do Egito (do mundo) e está ao pé
da montanha de Deus, mas longe o suficiente da Sua presença para que seus corações não sejam
expostos. Chamo isso de familiaridade porque não era um retorno ao Egito, e aparentava todas as
maneiras de servir e caminhar com Deus, mas, na realidade estava longe do coração do Pai. Arão
retrocedeu. Quantas pessoas não fazem o mesmo hoje?

Mudando a Imagem de Deus

Podemos ver na vida de Arão o que acontece quando alguém que foi liberto do mundo pelo poder
de Deus escolhe não andar na presença Dele. Vamos ver o desenrolar dessa história trágica.

O povo, ao ver que Moisés demorava a descer do monte, juntou-se ao redor de Arão e lhe
disse: “Venha, faça para nós deuses que nos conduzam, pois a esse Moisés, o homem que nos
tirou do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu”.
Êxodo 32:1

Moisés estava na montanha há um bom tempo. Não havia nenhuma atividade próxima ao pé da
montanha, então o povo fez o que pessoas religiosas sempre fazem quando Deus parece não estar
agindo: eles se juntam para fazer uma reunião. Embora essas reuniões sejam realizadas em nome do
Senhor, elas sempre produzem o que é extremamente contra o coração de Deus, como veremos.
O povo se ajuntou e foi a Arão, o homem que inicialmente deveria estar com Moisés, mas não
estava. Ele deveria estar em um nível que lhe havia sido determinado e esperar por Moisés, mas
também não o fez. Por que o povo foi até esse homem? Porque ele lhes daria o que queriam!
Arão tinha o dom chamado liderança. A liderança é um dom de Deus (ver Romanos 12:8). Esse
dom traz algumas qualidades, e uma delas é a de atrair pessoas como um ímã. E essa qualidade
sempre atrairá pessoas, quer esse líder tenha estado na montanha ou não! Isso explica como um
homem pode ter uma igreja de cinco mil pessoas e Deus simplesmente não aparecer nela! Ele usa os
dons dados por Deus para realizar os desejos do povo, e não os de Deus. Esse homem não foi à
montanha para ouvir de Deus, mas mesmo assim possui muitos seguidores como resultado do dom
que tem! É um pensamento preocupante, não?
O povo pressionou Arão: “Venha, faça para nós deuses que nos conduzam, pois a esse Moisés, o
homem que nos tirou do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu”. Eles não disseram: “Quanto a
esse Deus, não sabemos o que Lhe aconteceu”. Na verdade, eles queriam desqualificar ou
desmerecer Moisés.
Ao estudar o que o povo disse na língua original, algumas vezes penso que os tradutores ficaram
um pouco nervosos com relação ao significado verdadeiro da palavra em português, e decidiram
usar a palavra deuses. A palavra em hebraico para “deuses” é elohiym. Essa palavra é encontrada
aproximadamente 2.250 vezes no Antigo Testamento. Cerca de duas mil vezes se referem ao Deus
Todo-Poderoso, ao qual servimos. Ela ocorre trinta e duas vezes em Gênesis 1. Por exemplo, no
primeiro versículo temos: “No princípio Deus [elohiym] criou os Céus e a Terra” (v. l). Nesse
versículo, elohiym é traduzida como “Deus”. E todas as outras vezes que a palavra “Deus” aparece
no capítulo, a palavra no original é elohiym.
Aproximadamente 250 vezes no Antigo Testamento, elohiym é usada para descrever um falso
deus. Nós sempre temos de ler o contexto para entender a referência.
Arão disse a eles: “Tirem os brincos de ouro de suas mulheres, de seus filhos e de suas filhas e
tragam-nos a mim” (Êx 32:2). Todo o povo tirou os brincos e trouxe a Arão. “Ele os recebeu e os
fundiu, transformando tudo num ídolo, que modelou com uma ferramenta própria, dando-lhe a
forma de um bezerro” (Êx 32:4). Nesse versículo, a palavra “modelou” é a palavra em hebraico
yatsar. Ela significa “moldar em formato de algo” (Dicionário de Strong).
A partir do momento que ele moldou o ouro em um bezerro, todo o povo se ajuntou, “Eis aí o seu
deus, ó Israel, que tirou vocês do Egito!” (Êx 32:4). A palavra hebraica para “deus” é novamente
elohiym. Você provavelmente está começando a entender o que está acontecendo.
“Vendo isso, Arão edificou um altar diante do bezerro e anunciou: ‘Amanhã haverá uma festa
dedicada ao Senhor’” (Êx 32:5). A palavra em hebraico para “Senhor” aqui é Jeová ou Yahweh.
Yahweh, a palavra mais sagrada do Antigo Testamento, é o nome próprio do único e verdadeiro
Deus. Ela nunca é usada para descrever ou dar nome a falsos deuses. A palavra é tão sagrada, que
os escribas hebreus se recusavam a escrevê-la completamente. Eles tiravam as vogais e escreviam
YHWH. Essa forma de escrita é chamada da tetragrama sagrado, as quatro letras indizíveis. Era o
nome não mencionado, o nome santo guardado da profanidade na vida de Israel.
Em essência, Arão e os filhos de Israel fizeram um bezerro de ouro, apontaram para ele e
disseram: “Contemplai Yahweh, o único verdadeiro Deus, que nos tirou da terra do Egito”. Eles não
disseram: “Contemplai Baal, que nos trouxe da terra do Egito”. Nem atribuíram a libertação deles a
nenhum outro falso deus. Eles chamaram esse bezerro pelo nome do Senhor, reduzindo Sua glória
ao nível de uma imagem de um bezerro dourado. Eles reconheceram que Yahweh os salvou e os
libertou do Egito; eles não negaram o poder de Deus. Eles reduziram a glória Dele!

“SURGIU ESSE BEZERRO!”

Enquanto isso, Moisés estava na montanha com Deus, sem qualquer conhecimento das atividades
do povo. Deus o ordenou: “Desça, porque o seu povo, que você tirou do Egito, corrompeu-se” (Êx
32:7). A ira de Deus estava bem intensa nesse ponto. Ele os chamou de “seu povo” e não de “Meu
povo”.
Deus disse que o povo “corrompeu-se”. A palavra corromper literalmente significa “decair”.
Quando nós brincamos de igreja ao pé da montanha de Deus, iremos acabar decaindo, pois tudo que
se distancia do coração Dele certamente irá se deteriorar.
Mais tarde, Deus disse sobre Israel:

O Meu povo cometeu dois crimes:
Eles Me abandonaram, a Mim, a Fonte de Água Viva;
E cavaram as suas próprias cisternas, cisternas rachadas
que não retêm água.
Jeremias 2:13

Ele é a Fonte da Vida. Se tentarmos nos segurar ao que Ele nos deu no passado e brincarmos de
igreja em um lugar que está distante do Seu coração, nós iremos retroceder e nos perder. Foi por
isso que Jesus enfatizou: “Se alguém quiser acompanhar-Me, negue-se a si mesmo, tome
diariamente a sua cruz e siga-Me” (Lc 9:23). Nós precisamos ir até a montanha diariamente!
Moisés desceu da montanha. Quando ele entrou no acampamento e viu o bezerro, sua ira se
acendeu. Ele questionou Arão: “Que lhe fez esse povo para que você o levasse a tão grande
pecado?” (Êx 32:21).
Arão se defendeu: “Não te enfureças, meu senhor; tu bem sabes como esse povo é propenso para
o mal. Eles me disseram: ‘Faça para nós deuses [elohiym] que nos conduzam, pois não sabemos o
que aconteceu com esse Moisés, o homem que nos tirou do Egito’”. O que ele falou era a verdade,
mas ele acrescentou: “Então eu lhes disse: ‘Quem tiver enfeites de ouro, traga-os para mim’. O povo
trouxe-me o ouro, eu o joguei no fogo e surgiu esse bezerro!” (Êx 32:22-24).
“Surgiu esse bezerro!” Você consegue acreditar que ele disse isso? Nós lemos antes que ele
trabalhou o ouro com uma ferramenta própria! Ele mentiu. Uma coisa é mentir quando Deus não
está irado, outra coisa é mentir quando a ira Dele já está acesa.
Eu orei sobre isso: “Senhor, não que eu quisesse que ele fosse julgado, mas não entendo. Como ele
conseguiu escapar com essa mentira mais lavada sem que a terra se abrisse para engoli-lo? Parece
que o Senhor não fez nada a respeito”.
A resposta do Senhor causou um grande impacto em minha vida e fez nascer a visão para este
livro. O que Ele me falou abriu um entendimento totalmente novo para o que tem acontecido nas
igrejas hoje. Deus disse: “John, Arão não subiu até o topo da montanha. Ele não me contemplou nem
habitou ali como Moisés fez. Portanto, a imagem interna que ele tinha de Mim era a que foi moldada
pela sociedade na qual ele cresceu. E foi isso que saiu de dentro dele”.
Arão havia passado todo o tempo de sua vida, até aquele período, cerca de oitenta anos, no Egito.
Ele foi criado lá; seus pais nasceram e morreram nesse lugar. Ele estava cercado pela cultura
egípcia, e o Egito tinha muitos objetos de culto. Pelo fato de não ter subido até a montanha e não ter
tido comunhão com Deus, nem O ter contemplado, como Moisés fez, para Arão, a imagem de
Yahweh foi forjada pela sociedade na qual ele cresceu. Arão olhou para o Senhor de longe, e viu os
pés de Deus. Mas ele não entrou na presença Dele, como Moisés fez.
Jesus falou sobre “ver” o Reino e “entrar” no Reino (ver João 3:3-5). Nós temos de nascer de novo,
o que significa sermos libertos do mundo, para ver o Reino. Mas não podemos parar por aí; fomos
chamados para entrar. Paulo disse a homens e mulheres que já eram salvos das cidades de Listra,
Icônio e Antioquia: “É necessário que passemos por muitas tribulações para entrarmos no Reino de
Deus” (At 14:22). Deus prepara as pessoas já salvas para o que elas terão de enfrentar para entrar
no Reino.
Arão foi liberto do Egito, o que simboliza o nascer de novo, mas ele não conhecia Deus
intimamente. Ele brincou de igreja ao pé da montanha, o que resultou em uma redução da imagem
de Deus ao que ele havia absorvido da sociedade.

Um Jesus Diferente?

No Novo Testamento, Paulo trata desse assunto:



Pois desde a Criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, Seu eterno poder e Sua
natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas
criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis; porque, tendo conhecido a Deus, não
O glorificaram como Deus, nem Lhe renderam graças.
Romanos 1:20-21

Eles não O glorificaram como Deus. Em outras palavras, eles conheciam a Deus, mas não Lhe
davam a honra que Ele merece. Os filhos de Israel reconheceram a libertação de Yahweh, mas não
Lhe deram a honra, a reverência e a glória que Lhe eram devidas. Bem, as coisas não mudaram
muito. Paulo continuou, falando acerca das pessoas que viviam nos tempos do Antigo Testamento:

E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível,
e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis.
Romanos 1:23

A imagem gloriosa do único e verdadeiro Deus é reduzida a imagens de insetos, pássaros, animais
e homens mortais. Por acaso nossa cultura ocidental adora pássaros, quadrúpedes e répteis?
Certamente não! Se criássemos uma imagem de um bezerro de ouro e colocássemos na fachada da
nossa casa, as pessoas provavelmente ririam e diriam: “Derreta isso, faça algumas joias e venda-
as!”.
O que nossa cultura adora? A resposta é o eu, que é o homem corruptível! O povo de Israel estava
cercado por uma sociedade que adorava imagens de animais e insetos. A Igreja Moderna está
cercada por uma cultura que adora o próprio eu, ou seja, o homem corruptível. Quando Arão e o
povo se retiraram da gloriosa presença de Deus, a imagem de Deus foi formada a partir do que o
Egito adorava: um animal. Hoje, quando cristãos se retirem da montanha de Deus, a imagem que
eles têm de Deus é formada pelo que a nossa sociedade adora: o eu ou homem corruptível.
Um pensamento que não consigo evitar tem estado em minha mente há alguns anos: nós temos
servido a Jesus a partir da imagem que criamos Dele. Nós O chamamos de Senhor; nós
reconhecemos o Seu poder salvador, curador e libertador. Mas nosso Jesus é o mesmo que está
assentado à direita da Majestade nos Céus, ou é um Jesus que temos feito de acordo mais com a
imagem que nós temos, e ainda assim o chamamos de Senhor?

Uma Divindade Controlável

Idolatria é uma forma muito conveniente de adoração. Um ídolo dá a seu criador aquilo que ele
quer — os desejos do próprio coração, pelo fato de ter sido ele quem o criou. E, ao mesmo tempo,
satisfaz a necessidade interna de adorar a um ser maior. Se o criador do ídolo tem desejo por
prazeres sexuais, então o ídolo lhe dará ordenanças que gratificarão esses desejos. O Senhor deixou
isso claro quando disse por meio de Isaías: “Quem é que modela um deus e funde uma imagem, que
de nada lhe serve?” (Is 44:10).
Vamos considerar essa motivação em relação ao que Israel fez, voltando ao ponto em que Arão
criou o bezerro de ouro. Ele e o povo olharam para o bezerro e o consideram como a imagem de
Yahweh, o qual os havia libertado do Egito. “Na manhã seguinte, ofereceram holocaustos e
sacrifícios de comunhão. O povo se assentou para comer e beber, e levantou-se para se entregar à
farra” (Êx 32:6).
No dia seguinte eles foram para o culto da igreja ao pé da montanha de Deus. Eles declararam o
amor e a grandeza de Yahweh. Eles trouxeram ofertas, cantaram hinos e pregaram seus sermões. O
Yahweh deles lhes deu uma mensagem que eles amaram ouvir, pois satisfazia os desejos deles. Eles
se assentaram para comer, e depois se levantaram para se divertir. O divertimento deles era de
satisfazer os desejos da sua carne. Quando Moisés chegou até eles, eles estavam desenfreados (ver
Êxodo 32:25).
Esse cenário nos dá um grande entendimento da raiz da idolatria, que é a rebelião. E a Palavra de
Deus afirma isto: “Porque a rebelião é como... iniquidade e idolatria” (1 Sm 15:23, ACF).
Tudo o que os egípcios tinham de fazer era construir um bezerro e chamá-lo por algum nome, e
ele lhes daria o que sabiam em seus corações ser contra os desejos do Criador. (Todos os homens
conhecem os desejos Dele, pois Paulo diz: “Deus, entretanto, mostra do Céu a sua ira contra todos
os homens pecadores, maldosos, que repelem a verdade. Pois a verdade sobre Deus é revelada entre
eles instintivamente; Deus pôs esse conhecimento em seus corações ” [Rm 1:18-19, ABV]).
Para os israelitas que saíram do Egito, o conceito básico é o mesmo, mas devemos observar uma
pequena modificação. Os israelitas sabiam o nome de Yahweh e já haviam sido tocados pelo Seu
poder. Se eles não quisessem abrir mão de seus caminhos rebeldes para tomarem os caminhos do
Senhor, então uma maneira de satisfazerem tanto a sua consciência quanto seus apetites, era criar
uma imagem representando Yahweh, que lhes desse o que eles desejavam. Isso foi feito muito
sutilmente, sem que eles estivessem plenamente conscientes disso.
Paulo advertiu a Igreja de Corinto:

O que receio, e quero evitar, é que assim como a serpente enganou Eva com astúcia, a mente
de vocês seja corrompida e se desvie da sua sincera e pura devoção a Cristo. Pois, se alguém
lhes vem pregando um Jesus que não é Aquele que pregamos, ou se vocês acolhem um
espírito diferente do que acolheram ou um Evangelho diferente do que aceitaram, vocês o
toleram com facilidade.
2 Coríntios 11:3-4
Gosto de uma versão contemporânea do versículo quatro: “Porque vocês suportam com alegria
qualquer um que chega e anuncia um Jesus diferente daquele que nós anunciamos. E aceitam um
espírito e um evangelho completamente diferentes do Espírito de Deus e do Evangelho que
receberam de nós” (NTLH).
Se nós ainda desejamos o estilo de vida do mundo, o qual é diferente do modelo de autoridade de
Deus, podemos estar seguindo-o inconscientemente ao servirmos ao “nosso Jesus”, cuja vontade
está em concordância com nossos próprios desejos. Sem percebermos, nós temos uma espécie de
divindade controlável! Trata-se de um engano sutil, e não de uma mentira descarada.
Em nosso engano nos confortamos em dizer “Jesus é meu amigo”, ou “Deus conhece meu
coração”. É verdade que Deus entende nosso coração muito mais do que podemos entender a nós
mesmos. Mas geralmente, quando fazemos esse comentário, queremos nos justificar de ações que
contradizem a aliança com Ele. O fato é que isso é rebelião. Nossos lábios O honram, mas nosso
temor a Ele foi aprendido de acordo com os preceitos dos homens: “O Senhor diz: ‘Esse povo se
aproxima de Mim com a boca e Me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim. A
adoração que Me prestam é feita só de regras ensinadas por homens’” (Is 29:13).
Filtramos a Palavra e os mandamentos de Deus através do nosso modo de pensar influenciado
pela cultura. A imagem que temos da Sua glória é formada pelas nossas percepções limitadas em
vez de ser formada pela Sua verdadeira imagem revelada por meio da Sua Palavra viva na
montanha.

Um Contraste Claro Entre


Duas Pessoas na Igreja

Permita-me dar a você alguns exemplos. Uma mulher me ligou e confessou que estava em um
relacionamento de adultério com um homem de sua igreja. Seu esposo não era cristão e era
verbalmente (não fisicamente) abusivo com ela em relação à sua fé. Em outras palavras, ele a
perseguia.
Ela e o outro homem interromperam o relacionamento. Seus “amigos cristãos” a aconselharam a
se divorciar do esposo e se casar com esse belo homem cristão que a amava, porque Deus a chamou
para a paz. Minha pergunta é: a que “Jesus” esses amigos dela servem? Certamente não é Àquele
que está assentado à direita de Deus. A imagem que têm Dele foi moldada pela sociedade, porque a
sociedade é inclinada ao divórcio. Muitos do que se divorciaram não planejaram isso. Eles desejam
uma vida feliz com base em seus interesses egoístas. A aliança que fizeram com seus cônjuges é
significante apenas quando não interfere em sua felicidade.
A mulher perguntou minha opinião sobre sua situação. Na verdade, tudo que ela buscava era a
permissão de um líder para concretizar a decisão que já havia tomado. Seu esposo não havia sido
moralmente infiel; eu disse a ela que Deus odeia o divórcio porque ele dilacera o espírito das
pessoas e as cobre com violência (ver Malaquias 2:16) De acordo com o Novo Testamento, o Senhor
ordena que a esposa não se separe do marido, e se ela se separar, não deve se casar de novo (ver 1
Coríntios 7:10-11). A mulher me ouviu, apenas mentalmente, porém mais tarde recebi a notícia de
que ela havia se divorciado do esposo e se casado com o outro homem. Ela deve estar feliz, mas o
povo ao pé da montanha também estava, até Moisés descer!
Por outro lado, conheci muitas mulheres tementes a Deus que continuaram casadas com homens
não cristãos, porque elas tinham o coração de Deus. Elas não estavam buscando prazeres; estavam
buscando servir. Muitos dos esposos acabaram sendo salvos por causa do estilo de vida temente a
Deus de suas esposas. Devo acrescentar que alguns foram salvos após anos de oração de suas
esposas e por elas serem um testemunho vivo diante deles.
Uma situação diferente envolveu outra mulher que irradia o caráter de Deus. Após vários anos de
casamento, ela descobriu que seu esposo era homossexual. Por dez anos ela viveu uma vida
terrivelmente difícil. Ele foi preso uma vez por convidar um policial disfarçado para relações
sexuais, e o filho mais velho do casal recebeu a ligação informando que o pai estava na cadeia.
A esposa orou constantemente por ele. Quando a caminhada parecia muito difícil, ela perguntou
ao Senhor se devia se divorciar dele. O Senhor respondeu: “Você tem bons motivos para se divorciar
dele, e se você escolher fazer isso, Eu a abençoarei. Mas se você permanecer e lutar em oração por
ele, Eu o trarei de volta e você será duplamente abençoada”. (Não estou dizendo que Deus sempre
diria isso em uma situação moralmente infiel.) Ela escolheu permanecer e lutar, e isso levou algum
tempo. Seu esposo foi gloriosamente liberto e está livre há quinze anos. Agora, ele é um pastor
muito compassivo e dedicado. Eu preguei na igreja deles, e devo dizer que ela é uma das mulheres
mais tementes a Deus que já conheci.
Qual das mulheres foi à montanha para ser transformada? Uma se divorciou do marido por
acreditar que Jesus queria que ela tivesse paz, ainda que a Palavra de Deus claramente mostrasse
que o desejo de Deus para ela era permanecer com ele. A outra tinha fundamentos bíblicos para se
divorciar, mas escolheu abrir mão de seus direitos para lutar pela vida de seu esposo. Jesus abriu
mão de Seus direitos para vir a esta Terra e morrer por nós! Qual das mulheres tinha mais o coração
de Deus? Por quê? Ela subiu a montanha!
Uma das duas coisas irá acontecer na vida de um crente: ou ele irá se conformar à imagem de
Jesus permitindo que a Palavra de Deus, falada na presença do Senhor, o mude, ou ele irá conformar
Jesus à imagem do que o seu coração dita. Se você for à montanha, você muda. Se permanecer ao
pé da montanha, como Arão fez, a imagem de Deus em você é que muda.
Quando Moisés desceu do monte após quarenta dias e quarenta noites com Deus, ele estava
transformado e sua face brilhava: “Ao descer do monte Sinai com as duas tábuas da Aliança nas
mãos, Moisés não sabia que o seu rosto resplandecia por ter conversado com o Senhor” (Êx 34:29).
A mulher que lutou por seu marido não tem consciência de sua pureza. Todas as vezes que eu falo
com ela, ela revela como Deus está trabalhando em sua vida para transformá-la. Ela não sabe o
quanto resplandece. O mesmo é verdade para todos os que vivem em verdadeira santidade. A Bíblia
declara: “Os que olham para Ele estão radiantes” (Sl 34:5). Aqueles que são capazes de olhar para
Ele são aqueles que removeram os desejos do Egito de seus corações. Eles têm somente um desejo:
conhecer o Senhor da glória. Agora, então, precisamos olhar para nós mesmos e nos perguntar: “O
Jesus que nós servimos é Aquele que está assentado à direita da Majestade, ou é um Jesus diferente,
que foi moldado de acordo com os desejos da sociedade na qual vivemos?”.
CAPÍTULO 7
INTENÇÕES OU DESEJOS?

Precisamos colocar nossos desejos em submissão à Cruz.

T udo o que abordamos até agora é uma grande introdução à palavra conformar. O Dicionário de
Webster a define como “reduzir à semelhança em maneiras, opiniões e qualidades morais”. A
palavra de Deus instrui: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela
renovação da sua mente” (Rm 12:2).
Para entendermos melhor o que o Espírito de Deus está comunicando, vamos ao texto original.
“Conformar” nesse versículo é a palavra grega suschematizo. A definição de seu significado dá uma
ideia ainda melhor para essa palavra. O Dicionário de Strong a define como “amoldar de maneira
similar, isto é, conformar ao mesmo padrão (figurativamente)”. O Dicionário de Vine também define
a palavra como “moldar ou dar forma a algo como outro”. Ambos os dicionários enfatizam o
pensamento de moldar uma coisa para deixá-la semelhante à outra.
Arão “moldou” o ouro que lhe foi dado na forma de um bezerro. A atitude exterior foi somente um
reflexo do que estava em seu interior. As influências do Egito, das quais ele obviamente não havia se
limpado, estavam forjadas em sua alma. O que estava dentro dele se manifestou no exterior. Ele
havia sido conformado de acordo com o Egito e, como vimos no capítulo anterior, é visível que ele
não desejou se aproximar da presença gloriosa de Deus para ser transformado, como Moisés o foi. E
o povo seguiu o exemplo de Arão. Deus disse sobre eles:

As suas impudicícias, que trouxe do Egito, não as deixou; porque com ela [Israel] se deitaram
na sua mocidade, e eles apalparam os seios da sua virgindade e derramaram sobre ela a sua
impudicícia.
Ezequiel 23:8, ACF

De acordo como o dicionário, a palavra impudicícia significa simplesmente “desejo”. A Bíblia na


versão Amplificada ressalta esse significado: “Eles derramaram sobre ela seus desejos pecaminosos”
(tradução livre). O desejo é o fator motivador para os seres humanos. Nós sempre o seguiremos.

Desejos e Intenções Não São a Mesma Coisa

Desejos e intenções são duas coisas diferentes, embora muitos creiam que seja a mesma coisa.
Você pode ter intenções muito boas, mas elas podem não ser seus desejos verdadeiros. Várias
pessoas já me disseram que queriam se afastar das influências do mundo e se aproximar de Deus,
mas não é isso que fazem. Elas não estão em contato com seus desejos verdadeiros, pois Tiago
declara que “cada um, porém, é tentado pelo próprio mau desejo, sendo por este arrastado e
seduzido” (Tg 1:14). O desejo é um caminho que uma pessoa seguirá, não importando quão boa sua
intenção venha a ser. Por essa razão, Tiago continua dizendo: “Meus amados irmãos, não se deixem
enganar” (Tg 1:16). (É claro que existe um aspecto positivo no desejo, mas, nesse caso, estamos
lidando com o lado negativo.)
Foi um comediante, e não Deus, quem disse: “O diabo me fez fazer isto”. O diabo não pode fazer
um cristão fazer nada. Ele somente pode seduzir, mas você não pode ser seduzido por algo que não
deseja. Se oferecessem uma trilha de cocaína ou algumas bolinhas de LSD para os cristãos, a
maioria não hesitaria em recusar, pois eles não têm desejo por isso; portanto, eles não podem ser
seduzidos. Contudo, muitos cristãos, assim como Israel, não exterminaram os desejos que o sistema
do mundo lhes transmitiu quando eles ainda não eram salvos. Por essa razão, eles são facilmente
seduzidos por essas coisas.
Nós precisamos trazer nossos desejos em submissão à Cruz: “Os que pertencem a Cristo Jesus
crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos” (Gl 5:24). Não é algo que Deus faz por
nós; é algo que nós precisamos fazer! Nós não podemos fazer isso sem a graça de Deus, mas,
mesmo assim, somos nós quem devemos fazê-lo! Nós podemos ser seduzidos por qualquer desejo
errado que ainda não foi colocado sob a Cruz. Se não deixarmos de lado nossos desejos pelas coisas
do mundo, então poderemos facilmente escorregar de volta para os seus caminhos, assim como fez
Israel. Por essa razão, Paulo confessa: “o mundo foi crucificado para mim, e eu para o mundo” (Gl
6:14).
Após eu ter pregado uma mensagem de arrependimento em uma igreja da Califórnia, o pastor me
levou para almoçar e compartilhou um testemunho pessoal. Quando ele foi salvo, deixou para trás
muitos pecados que o prendiam. Contudo, ele não conseguia largar o hábito de fumar dois maços de
cigarros por dia. Ele disse: “John, eu fiz tudo o que a Bíblia me manda fazer para me livrar desse
vício. Orei, jejuei, confessei a Palavra e pedi a outros que orassem por mim. Na verdade, respondi a
todos os chamados ao altar para receber oração de cada um dos pastores convidados que vieram
ministrar em nossa igreja. Eu confessei meu vício e pedi a eles que orassem pela minha libertação.
Eu fiz isso durante dois anos”.
Após dois anos de luta, ele levou um amigo para um culto evangelístico em sua igreja. Seu amigo
não era salvo, e ele também era viciado em cigarro e fumava uns dois maços por dia. Naquela noite,
seu amigo respondeu ao chamado da salvação, e quando o evangelista orou por ele, ele foi
gloriosamente salvo e instantaneamente liberto do vício do cigarro.
O pastor continuou: “John, eu fiquei feliz pelo meu amigo, mas muito triste com Deus. Levei meu
amigo para sua casa e expressei minha felicidade com relação à sua salvação da melhor maneira
que pude. Depois fui para casa e disse a Deus o quão triste estava. Eu sentei na sala da minha casa
e disse: ‘Deus, eu jejuei, orei, me humilhei diante da minha igreja e de todos os pastores que vieram
à nossa igreja, mas o Senhor não me libertou. Nesta noite eu levei meu amigo, e o Senhor o salvou e
o libertou instantaneamente do vício do cigarro. Por que o Senhor não me libertou?’.”
Então ele me contou: “John, quando eu disse isso, Deus me respondeu de forma audível. Se eu O
ouvi com meus ouvidos internos ou externos eu não sei, mas eu sei que foi Ele. Quando perguntei a
Ele: ‘Deus... por que o Senhor não me libertou?’ eu O ouvi dizer firmemente: ‘Porque você ainda
gosta disso!’.”
O pastor continuou: “Eu olhei para o cigarro que estava em minha mão e joguei fora, e nunca mais
toquei em um desde então!”.
Durante aqueles dois anos o pastor disse a si mesmo e aos outros o quanto queria ser liberto, mas
esse não era seu desejo verdadeiro, somente sua intenção. É por isso que ele era tão facilmente
levado ao que dizia não querer. Então Deus expôs seus desejos verdadeiros. Assim que ele se
arrependeu desse desejo, colocando-o debaixo da Cruz, a graça de Deus pôde libertá-lo. A libertação
foi um processo de cooperação entre ele e Deus.
Esse exemplo se aplica diretamente a Israel e os padrões, caminhos e maneiras de ser do mundo
que estão dentro da Igreja de hoje. Lembre-se de que Israel é uma tipologia da Igreja. Deus disse
que Israel não havia deixado a prostituição que começou no Egito durante a mocidade, quando ela
se deitou com homens que apalparam os seios da sua virgindade e derramaram sobre ela o seu
desejo. O povo poderia ter aberto mão disso, como Moisés, mas eles não queriam fazê-lo.

O Desejo do Mundo

De todos os que foram libertos do Egito, Moisés era o que estivera mais emaranhado em seus
caminhos. Ele foi criado na casa do faraó, foi ensinado segundo a sabedoria egípcia e todos os seus
amigos eram egípcios. Os outros homens e mulheres hebreus pelo menos estavam rodeados pela
própria comunidade dentro do Egito. Eles eram maltratados pela sociedade, mas Moisés era bem
tratado em razão de seus tesouros e sua sabedoria. Eles não haviam se envolvido com todo o
sistema no nível em que Moisés havia se envolvido. Então, se alguém pudesse dizer o quão difícil foi
para se libertar dos desejos do Egito, esse alguém seria Moisés. Mesmo assim, ele não tinha desejo
nenhum por nada do Egito, enquanto os filhos de Israel continuavam circulando ao redor dessas
coisas.
Hoje, nós suavizamos a mensagem da Cruz para aqueles que vêm de Hollywood, dos esportes
profissionais, da vida pública ou de outra área da vida extremamente emaranhado com o sistema do
mundo. Nós fazemos concessões para eles e os justificamos por suas maneiras e seus caminhos
segundo os do mundo. Quando fazemos isso, estamos cooperando para o mal deles, e não para o
bem. Quando pregamos um Evangelho mais suave para eles, nós bloqueamos seu caminho até a
montanha do Senhor. Eles começam com empolgação, mas gradualmente passam a circular de volta
para o mundo. E quando não voltam para ele totalmente, eles criam um “Jesus” que não tem nada a
ver com Aquele que está assentado à direita de Deus. Eles podem confessar que são salvos e que
desejam conhecer o Senhor, mas não estão em contato com seus desejos verdadeiros. O desejo
verdadeiro deles é o sistema do mundo. Eles são cristãos declarados conformados com o mundo.
Israel confessava o desejo de conhecer a Deus e de andar com Ele. Como você se lembra dos
capítulos anteriores, antes que o Senhor revelasse a Sua glória ao povo na montanha, Ele disse a
Moisés que informasse ao povo que o Senhor os havia trazido para Si. Se eles obedecessem à Sua
voz e guardassem os Seus mandamentos, seriam para Ele um reino de sacerdotes. Moisés desceu da
montanha para informar as condições de Deus para o povo. Aqui está a resposta deles:

Moisés voltou, convocou as autoridades do povo e lhes expôs tudo o que o Senhor havia-lhe
mandado falar. O povo todo respondeu unânime: “Faremos tudo o que o Senhor ordenou”. E
Moisés levou ao Senhor a resposta do povo.
Êxodo 19:7-8

A resposta deles foi sincera, mas sabemos o que aconteceu. Eles retrocederam, e a glória do
Senhor foi mudada em seus corações e suas mentes. Eles falaram de suas intenções e não de seus
desejos. Eles não conheciam seus desejos verdadeiros, os desejos do Egito, os quais os impediriam
de se aproximar a Deus.

Um Exemplo de Dois Grupos Dentro da Igreja

Por que o povo de Israel, que estava menos entrelaçado com o sistema do Egito do que Moisés,
sempre se movia de volta para ele, enquanto Moisés não mostrava nenhum desejo de ter nada
daquilo de volta? Por que aquele que estava mais emaranhado com o mundo se interessava menos
por ele?
Se examinarmos os dois, encontraremos a diferença. E também teremos uma imagem bem clara
de dois grupos distintos de pessoas que existem na Igreja hoje, sendo que Moisés representa um
grupo e os filhos de Israel, o outro. Nós veremos por que muitos na Igreja hoje se conformam ao
mundo, enquanto outros, embora muitas vezes tenham vindo de um passado muito mais
emaranhado com a escravidão do mundo, não têm nenhum desejo de retornar a ele.
Durante séculos, os filhos de Israel oraram e pediram libertação de seus opressores egípcios. Eles
queriam retornar para a terra da promessa. Deus enviou o seu libertador, Moisés. O Senhor disse a
Moisés: “Desci para livrá-los das mãos dos egípcios e tirá-los daqui para uma terra boa e vasta, onde
há leite e mel com fartura” (Êx 3:8). Deus então lhe deu Suas palavras e sinais para que o faraó
deixasse Seu povo ir.
Moisés entrou novamente no Egito pela primeira vez em quarenta anos para levar a Palavra de
Deus ao faraó. Contudo, ele foi primeiro ao povo de Israel e lhes proclamou a mensagem de
libertação do Senhor. Quando eles ouviram as notícias, a Bíblia relata: “e eles creram. Quando o
povo soube que o Senhor decidira vir em seu auxílio, tendo visto a sua opressão, curvou-se em
adoração” (Êx 4:3).
Você pode imaginar os sentimentos naquele encontro? Eles haviam sido escravos durante toda a
vida. Seus pais, avós e bisavós haviam sido escravos. A promessa de libertação e de uma terra
própria havia sido esperada por cerca de quatrocentos anos. (Como ponto de referência, os Estados
Unidos têm somente uns duzentos e cinquenta anos de existência). E agora eles estavam olhando
para o seu libertador.
O povo experimentou uma alegria contagiante. Eles viram os sinais que Moisés fez e creram
entusiasmados naquele anúncio. Eu posso ouvi-los chorando, gritando e bradando: “Que notícia
maravilhosa! Finalmente aconteceu! Deus irá nos libertar!”. O louvor e a ação de graças deles os
levaram a inclinar suas cabeças e adorarem a Deus.
Moisés saiu daquele ambiente e foi ao faraó, e proclamou a mesma mensagem do Senhor. Ele
ordenou que o faraó deixasse “Seu povo ir”. Mas o faraó respondeu aumentando ainda mais o
sofrimento do povo. A palha não mais seria providenciada para os incontáveis tijolos que os
israelitas produziam por dia. Eles teriam de trabalhar de dia e colher de noite. O número total de
tijolos não seria diminuído, embora a palha não lhes fosse mais oferecida. A Palavra de Deus sobre a
liberdade havia aumentado a adversidade e o sofrimento deles.
A atitude dos filhos de Israel começou a mudar. Eles reclamaram e disseram a Moisés: “Deixe-nos
em paz e pare de falar com o faraó; você está tornando nossa vida ainda mais difícil”. Esses eram os
mesmos que haviam adorado a Deus alguns dias antes, quando Moisés trouxera a notícia.
Quando Deus finalmente os libertou do Egito, o coração do faraó se endureceu novamente, e ele
foi atrás dos israelitas no deserto com seus melhores cavalos e cavaleiros. Vendo que estavam sendo
perseguidos pelos egípcios e estavam presos diante do Mar Vermelho, os hebreus novamente
murmuraram: “Não é esta a palavra que te falamos no Egito, dizendo: Deixa-nos, que sirvamos aos
egípcios? Pois que melhor nos fora servir aos egípcios, do que morrermos no deserto” (Êx 14:12).
“Pois que melhor nos fora...”
Na verdade, eles estavam dizendo: “Por que nós fazemos o que você diz que Deus mandou,
quando isso está somente tornando nossas vidas mais miseráveis? Nós estamos piores, e não
melhores”. Eles eram rápidos em comparar o estilo de vida anterior com sua condição atual. Sempre
que algo não saía bem, os israelitas queriam voltar. Eles desejavam qualquer coisa que parecesse
trazer melhores resultados mais do que desejavam cumprir a vontade de Deus. Ai, como eles
precisavam do verdadeiro desejo por Deus, em vez do amor pelas próprias vidas!
Deus dividiu o mar, e os filhos de Israel o cruzaram a pés secos e viram seus opressores se
afogando. Eles creram e celebraram a bondade de Deus dançando e louvando perante Ele: “Então
Miriã, a profetisa, irmã de Arão, pegou um tamborim e todas as mulheres a seguiram, tocando
tamborins e dançando” (Êx 15:20). Você pode imaginar um milhão de mulheres dançando e tocando
tamborins? Que culto de louvor!
Eles eram crentes firmes e nada poderia atraí-los a voltar atrás. Eles estavam certos de que nunca
mais duvidariam da bondade de Deus! Mas eles não conheciam seus corações — suas intenções,
sim, mas não seus desejos. Outro teste surgiria e novamente exporia a infidelidade deles. Três dias
mais tarde eles murmuraram, pois não queriam água amarga, mas doce (ver Êxodo 15:22-25). Seus
pensamentos já estavam retornando para todas as coisas que eles tinham no Egito e que não tinham
no deserto de Deus.
Alguns dias mais se passaram, e os filhos de Israel murmuraram pela falta de comida: “Quem dera
a mão do Senhor nos tivesse matado no Egito!” (Êx 16:3). Eles incluíram Deus nas suas
murmurações sobre a própria vontade Dele. Que atitude religiosa! Você pode ver a hipocrisia deles?
O mesmo comportamento continuou até alcançar seu ponto máximo quando Deus os levou ao
deserto de Parã. Lá o Senhor instruiu Moisés a enviar doze líderes de cada tribo, para que
investigassem a terra que Ele havia prometido. Os líderes foram a Canaã e ficaram ali por quarenta
dias, e dez deles trouxeram de volta um relatório muito ruim: “Não podemos atacar aquele povo; é
mais forte do que nós” (Nm 13:31).
Embora um líder, Calebe, tenha discordado firmemente dos outros (com o apoio de Josué), a
congregação deu ouvidos ao relatório negativo e chorou e murmurou durante toda a noite: “Por que
o Senhor está nos trazendo para esta terra? Só para nos deixar cair à espada? Nossas mulheres e
nossos filhos serão tomados como despojo de guerra. Não seria melhor voltar para o Egito?” (Nm
14:3). Eles murmuravam sempre que encontravam situações que não os agradavam. Enquanto as
coisas estavam boas para eles, eles cumpriam a Palavra de Deus e pareciam desejá-Lo. Mas se a
obediência significasse ir em uma direção que não agradava sua carne, os israelitas murmuravam.
“Não seria melhor?” — essas palavras nos dão uma imagem clara de seus corações. “Pois a boca fala
do que está cheio o coração” (Mt 12:34). O que era sua motivação principal ficou evidente por meio
de seu comportamento e das palavras faladas sob pressão: as motivações eram eles mesmos. O foco
deles estava em suas próprias vidas, não no coração de Deus.

Um Foco Diferente

Moisés era bem diferente. Após ter se tornado grande no Egito, ele escolheu sofrer com o povo de
Deus em vez de desfrutar dos benefícios do Egito. Os filhos de Israel não escolheram as suas
aflições, mas Moisés foi presenteado com o melhor de tudo que o mundo podia oferecer, e recusou
tudo aquilo: “Por amor de Cristo, considerou sua desonra uma riqueza maior do que os tesouros do
Egito, porque contemplava a sua recompensa” (Hb 11:26).
Tendo rapidamente esquecido a opressão que sofrera, o povo de Israel queria retornar ao Egito (o
mundo). Eles somente se lembravam das coisas que lhes davam prazer lá, as quais faltavam no
deserto da provação de Deus. Moisés, por outro lado, escolheu as dificuldades “porque contemplava
a sua recompensa”.
O que era aquela recompensa? A resposta é encontrada quando Deus o presenteia com uma oferta
de que daria a ele e ao povo a promessa que esperaram por quatrocentos anos: a terra prometida.
(Isso aconteceu antes da saída dos líderes para espionar a terra. O povo estava ainda procurando
ansiosamente pela terra.)
O Senhor disse a Moisés:

Saia deste lugar, com o povo que você tirou do Egito, e vá para a terra que prometi com
juramento a Abraão, a Isaque e a Jacó, dizendo: Eu a darei a seus descendentes. Mandarei à
sua frente um anjo e expulsarei os cananeus, os amorreus, os hititas, os ferezeus, os heveus e
os jebuseus.
Êxodo 33:1-2

A promessa que eles tanto esperavam estava diante deles. Após quatrocentos anos em uma terra
estrangeira, a oferta de uma terra próspera havia sido colocada diante do líder. Mas havia uma
condição. Deus continuou: “Vão para a terra onde há leite e mel com fartura. Mas Eu não irei com
vocês, pois vocês são um povo obstinado, e Eu poderia destruí-los no caminho” (Êx 33:3).
Deus disse a Moisés para levar o povo para a terra que Ele havia prometido, a terra pela qual
esperaram quatrocentos anos para possuir. Deus até mesmo prometeu a Moisés que enviaria um
anjo para ir adiante deles, embora Ele mesmo não os acompanhasse.
Moisés rapidamente respondeu: “Se não fores conosco, não nos envies” (Êx 33:15). Moisés não
hesitou ou vacilou em responder. Ele preferiria permanecer no deserto, lugar de tanto desconforto,
com a presença de Deus, do que ir para uma terra de vinhas, árvores frutíferas e casas bonitas, mas
sem a presença de Deus.
Fico feliz que a opção de entrar na terra prometida sem Deus não foi dada aos filhos de Israel.
Eles continuamente murmuravam por causa das dificuldades encontradas e preferiam retornar. E se
eles voltariam para o Egito mesmo sem Deus, certamente teriam ido felizes com o anjo para sua
própria terra. A recompensa deles era qualquer coisa que os beneficiasse mais. (É assim que o
mundo vive também, interessado em “o que é melhor para mim?”.)
Para Moisés, a promessa não significava nada sem a presença de Deus. Ele recusou a oferta de
Deus porque, embora tê-la aceitado resultaria em uma vida muito mais confortável, seria vazia
daquilo pelo qual seu coração batia. Ele desejava acima de tudo conhecer a Deus: “Se me vês com
agrado, revela-me os Teus propósitos, para que eu Te conheça” (Êx 33:13).
Ele não pediu por terra, prosperidade, honra ou qualquer outra coisa tangível. Ele teve tudo isso
no Egito e percebeu que essas coisas não traziam satisfação verdadeira. Imediatamente depois de
recusar a oferta da terra prometida sem a presença de Deus, seu coração clamou: “Peço-Te que me
mostres a Tua glória” (Êx 33:18).
Moisés tomou uma firme decisão. Ele perseguiu a recompensa de conhecer a Deus. Abster-se do
mundo não significa um preço tão grande assim em comparação com a recompensa da glória de
Deus. Pelo fato de haver decidido abandonar as recompensas do sistema do mundo, ele foi capaz de
se achegar a Deus na montanha. O povo, contudo, não podia se aproximar de um Deus de santidade.
Os desejos do Egito ainda habitavam dentro deles. Eles não haviam se separado do mundo em seus
corações, o que resultou na incapacidade deles em separar o que era do mundo e o que era de Deus.
Se você deseja tanto o mundo quanto um relacionamento íntimo com Deus, a imagem que você
tem de Deus começa a ficar distorcida. Você não O conhece verdadeiramente; você conhece um
Jesus diferente. O povo de Israel queria a libertação de Deus, mas eles desejavam o Egito também. É
por isso que o povo “não abandonou a prostituição iniciada no Egito” (Ez 23:8). Eles estavam
conformados aos padrões do mundo, os desejos do Egito estavam dentro deles. Embora o forte
poder de libertação de Deus os tenha tirado do Egito, eles não tomaram a decisão de tirar o Egito de
dentro deles.

A Motivação Principal para a Vida

O fator que distinguia Moisés do povo de Israel era sua motivação interior de viver. Moisés queria
Deus e pagaria alegremente qualquer preço para conhecê-Lo. O povo de Israel queria o que era
melhor para eles. Se eles fossem beneficiados ao andarem no caminho de Deus, então eles
alegremente o fariam, mas se não fossem, eles passavam a se mover de volta para os que lhes
parecia ser melhor. Conhecer os caminhos de Deus sempre resultará no melhor para nós, pois Deus
é o perfeito amor. Contudo, muitas vezes esse conhecimento não é evidente aos nossos sentidos
naturais.
Moisés amava a Deus por quem Ele era; Israel amava a Deus pelo que Ele podia fazer por eles. Se
o que Deus estava fazendo não supria os desejos deles, eles se moviam em direção ao que lhes
parecia melhor. A visão que Israel tinha da vida não era diferente do principal fator motivador do
mundo. João declarou: “Pois tudo o que há no mundo — a cobiça [desejo] da carne, a cobiça [desejo]
dos olhos e a ostentação dos bens — não provém do Pai, mas do mundo” (1 Jo 2:16).
Aqueles que estão no mundo desejam aquilo que lhes agrada e satisfaz seus sentidos ou status.
Era assim que Israel vivia, e se obedecer a Deus mostrasse benefícios imediatos, eles alegremente
obedeciam.
Moisés e Israel ilustram perfeitamente os dois grupos de pessoas que constituem a Igreja de hoje.
Essa diferença fundamental é a linha que divide a Igreja, a qual revela os adoradores genuínos e
aqueles que professam Jesus como Senhor, mas são egoístas.
Agora nós podemos entender mais claramente as palavras de Jesus no Novo Testamento:

Então Ele chamou a multidão e os discípulos e disse: “Se alguém quiser acompanhar-Me,
negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Pois quem quiser salvar a sua vida, a
perderá; mas quem perder a sua vida por Minha causa e pelo Evangelho, a salvará”.
Marcos 8:34-35

A Cruz representa a morte completa dos nossos desejos e das nossas vontades. Aqueles que
abraçam a Cruz confiam que Deus é fiel, justo e o Criador e Mestre amoroso. Eles sabem que toda a
vida procede Dele, e fora Dele não há vida verdadeira.
Moisés enxergou o quadro maior; Israel podia ver somente a si mesmo. Moisés entendeu que Deus
é Santo e para se aproximar Dele é necessário abrir mão completamente do mundo e de sua própria
forma. Ele entendeu que ao negar a si mesmo, ganharia o conhecimento de Deus. Paulo também
enxergou o quadro maior, e podemos vemos sua principal motivação de viver nestes comentários a
duas igrejas:

Quanto a mim, não permita Deus que eu me gabe de coisa alguma, a não ser da Cruz de
nosso Senhor Jesus Cristo. Por causa dessa Cruz meu interesse por todas as coisas atraentes
do mundo já foi morto há muito tempo, e o interesse do mundo em mim também há muito
está morto.
Gálatas 6:14, ABV

Mas o que para mim era lucro, passei a considerar como perda, por causa de Cristo. Mais do
que isso, considero tudo como perda, comparado com a suprema grandeza do conhecimento
de Cristo Jesus, meu Senhor, por quem perdi todas as coisas. Eu as considero como esterco
para poder ganhar Cristo.
Filipenses 3:7-8

Paulo não estava enganado. Ele não tinha desejo pelo mundo. O preço de abandonar os prazeres e
benefícios não era nada comparado com a grandeza sublime de conhecer e andar com Aquele que é
a própria Vida.
CAPÍTULO 8
CONTRACULTURA OU SUBCULTURA?

Nós não devemos imitar os padrões


e as maneiras do mundo
nem agir como o povo deste mundo.

O povo não pôde suportar a manifestação de Deus no topo de Sua montanha. Antes da glória de
Deus ser revelada, o povo professava desejá-Lo, mas isso não era verdade. Em seus corações,
eles não haviam se separado do Egito; não tinham abandonado seus desejos pelas coisas do Egito.
Mas quando lhes foi oferecido “Deus” em uma embalagem similar aos modos de viver e padrões de
Egito, foi maravilhoso, eles pensaram, pois poderiam ter Deus e ao mesmo tempo seu desejo
verdadeiro: o Egito. Eles poderiam permanecer conformados aos padrões do Egito e aos de Yahweh
também!
Inúmeros padrões e maneiras de viver são moldados pelo espírito do mundo (satanás é chamado
de “príncipe do poder do ar” [Ef 2:2], e “deus desta era” [2 Co 4:4]). Se nós não escolhermos
abandoná-los, em troca da recompensa de nos achegarmos à presença de Deus, nós continuaremos
a constantemente nos mover de volta às influências do espírito que governa o mundo. Mas Deus
ordena: “Não procedam como se procede no Egito, onde vocês moraram... Não sigam as suas
práticas” (Lv 18:3).
Nós não devemos imitar os padrões e as práticas de vida do mundo nem agir como o povo deste
mundo. Paulo reforça esse ponto: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se
pela renovação da sua mente” (Rm 12:2).
O Reino de Deus e o curso deste mundo correm em duas direções opostas. Não existe harmonia
entre os dois, como Jesus advertiu: “Se o mundo os odeia, tenham em mente que antes Me odiou. Se
vocês pertencessem ao mundo, ele os amaria como se fossem dele. Todavia, vocês não são do
mundo, mas Eu os escolhi, tirando-os do mundo; por isso o mundo os odeia” (Jo 15:18-19).
Jesus nos escolheu e nos retirou do padrão de vida do mundo, e Ele explica que é por isso que o
mundo nos odeia. Mas será que ele realmente nos odeia? É quase como se a Igreja tivesse passado
décadas tentando provar que as palavras de Jesus aqui estavam equivocadas. Nós temos nos
esforçado ao máximo para nos encaixar. Nós temos inconscientemente crido que podemos ter a
aprovação de Jesus e a do mundo também! Mas Jesus diz que o mundo somente nos amaria se nós
pertencêssemos a ele. Então, será que temos lutado para pertencer a um lugar no qual, na verdade,
não deveríamos nos encaixar?

A Igreja Primitiva Comparada à Atual

Tenho lido bastante sobre a Igreja Primitiva, principalmente sobre a Igreja dos séculos segundo e
terceiro, e tenho descoberto uma grande diferença entre elas e nós. A característica mais marcante
das igrejas desse período é seu modo de viver separado. Não se pode encontrar maneiras de ser,
métodos e caminhos do mundo entre elas. Elas eram completamente diferentes da sociedade que as
cercava, pois viviam sob um conjunto de princípios e valores totalmente diferente. A Palavra de
Deus verdadeiramente as moldava.
Os relatos sobre os fiéis dos primeiros tempos feitos por não cristãos dizem que os cristãos que
viviam na comunidade eram como visitantes, que embora vivessem na carne, eles não viviam
segundo a carne. Eles obedeciam às leis prescritas, mas, ao mesmo tempo, eles ultrapassavam o que
a lei exigia com seu modo de vida. Tinham pouco interesse em prazeres, esporte e diversão. Eles
amavam a todos os homens, mas também eram perseguidos por todos eles. Eram desonrados, mas,
nessa mesma desonra, eram glorificados. E aqueles que os odiavam eram incapazes de descrever a
razão de seu ódio.
Nos dias atuais, aqueles que nos odeiam não têm de procurar muito tempo para encontrar razões
válidas para seu ódio. Esses relatos sobre os cristãos primitivos podem ser aplicados somente a um
pequeno segmento da Igreja de hoje. Nós temos visto inúmeros escândalos em todos os níveis do
ministério. Esses incidentes trágicos têm ocorrido por causa dos nossos desejos egoístas. Não
somente líderes, mas muitos nas igrejas vivem uma vida materialista em busca dos prazeres e
tesouros deste mundo. Nós não paramos para refletir no fato de que estamos na fila para assistir aos
mesmos filmes, divertimentos e prazeres que o mundo persegue.
Cipriano era um romano muito rico que entregou a vida a Jesus, aos quarenta anos. Ele estava tão
feliz por ter encontrado a Cristo que vendeu todos os seus pertences e deu todo o dinheiro aos
necessitados. Depois ele se tornou um obreiro da Igreja. Cipriano escreveu:

A única tranquilidade confiante e pacífica, a única segurança que é sólida, firme e que nunca
muda, é esta: um homem se desviar das distrações deste mundo e ancorar-se firmemente no
solo da salvação, e levantar seus olhos da Terra para o Céu (a montanha de Deus)...
Aquele que é maior do que o mundo não pode ansiar nada nem desejar nada deste mundo.
Carta de Cipriano a Donato, século 14

Os cristãos primitivos criam que este mundo e o próximo eram inimigos; portanto, não podemos
ser amigos dos dois. Tiago afirma sem meias-palavras: “Adúlteros, vocês não sabem que a amizade
com o mundo é inimizade com Deus? Quem quer ser amigo do mundo faz-se inimigo de Deus” (Tg
4:4).
Por que ele chama de adúlteros os cristãos que querem ser amigos deste mundo? Um adúltero
tem aliança com um, mas busca relacionamento com outro. Nós, como cristãos, temos uma aliança
com Deus, então por que desejamos possuir os padrões, modos de ser e caminhos do mundo? Será
que não somos diferentes de Israel, que não podia abrir mão dos desejos do Egito pelo privilégio de
conhecer a Deus?

Contracultura ou Subcultura?

A Igreja Primitiva era uma contracultura. Hoje, a maioria das igrejas são uma subcultura. Qual é a
diferença? Uma contracultura é um grupo de pessoas cujo estilo de vida rejeita ou se opõe aos
valores e padrões de comportamento dominantes na sociedade. Um conjunto de leis completamente
diferentes governa suas vidas. A Igreja Primitiva demonstrava isso. Pedro diz aos primeiros
convertidos: “Salvem-se desta geração corrompida!” (At 2:40). A versão da Bíblia A Mensagem
reforça o significado das palavras de Pedro: “Saiam enquanto podem! Saiam desta cultura doente e
vazia!”.
Uma subcultura, por outro lado, é um grupo distinto de pessoas que ainda é parte de uma cultura
total existente. Embora haja alguma característica diferente nas pessoas desse grupo, ele ainda está
conectado ao restante da sociedade. A Igreja de hoje se enquadra nessa descrição. Nós temos
nossos rótulos de “nascido de novo” ou “salvos”. Nós nos afiliamos a grupos ou círculos específicos:
evangélicos, pentecostais, carismáticos, denominacionais, e por aí vai. Mas estamos muito bem
presos à sociedade.
Nossa sociedade engloba pessoas com estilos de vida muito diferentes. Se desenhássemos um
gráfico dos estilos de vida dos norte-americanos, teríamos, em um extremo, liberais; e em outro
extremo, conservadores, com muitas variações entre os dois extremos. No extremo liberal,
encontramos pessoas como estrelas do rock, celebridades e outros que vestem roupas incomuns,
sendo que alguns até vestem o que o sexo oposto veste. Essas pessoas vivem uma vida
excepcionalmente anormal, tendo atitudes indecentes, tanto particular quanto publicamente. Alguns
pintam seus cabelos de preto e branqueiam a pele. Outros vivem uma vida pervertida. Nós os
consideramos um segmento extremo da sociedade, ao qual a maioria na Igreja nunca busca imitar.
Do outro lado, temos os norte-americanos conservadores. Aqueles homens e mulheres que vivem
aquilo que chamamos de vida normal. Embora esse segmento da sociedade veja a si mesmo como
“bom”, ele está perfeitamente ligado ao restante da cultura, que anda sob a influência do príncipe
do poder do ar. Ás vezes o “bom” é o pior inimigo de Deus. Lembre-se de que a escolha de Eva, que
parecia ser boa, era totalmente contra o caminho de Deus.
Em vez de nós, cristãos, vivermos uma vida totalmente separada, com base na autoridade
governamental do Reino de Deus, muitos de nós vivemos uma vida igual, que não difere em nada da
vida dos não cristãos conservadores. Nós dizemos que não somos deste mundo, mas para muitos de
nós isso é uma teoria, e não uma realidade. Pelo fato de estarmos conectados, à medida que as
linhas que delimitam a sociedade se movem, nós nos movemos com ela.
A Palavra de Deus instrui os cristãos: “Afastem-se de toda forma de mal” (1 Ts 5:22). E somos
exortados do seguinte modo: “Não participem dos prazeres indignos do mal e das trevas mas, ao
invés disso, denunciem publicamente e reprovem esses prazeres. Seria vergonhoso até mencionar
aqui esses prazeres das trevas aos quais os ímpios se entregam” (Ef 5:11-12, ABV). Mas será que
temos dado ouvidos a essas advertências?
Hoje a indústria cinematográfica estabelece uma classificação para os filmes. A maioria dos
cristãos, até os conservadores, não pensa nada sobre ver filmes de classificação doze anos, desde
que o filme não contenha obscenidade ou nudez excessiva. Contudo, muitos desses filmes, embora
não tenham essas características, são cheios de desrespeito, ira, ódio, violência ou relacionamentos
extraconjugais. Muitos cristãos assistem a tais comportamentos ímpios sem pensar duas vezes.
Vamos escolher um desses filmes de classificação doze anos e mostrá-lo para pessoas da década
de 1940. Qual seria a reação delas? A maioria teria ficado horrorizada com o conteúdo! O que
aconteceu? As linhas divisórias conservadoras foram se movendo aos poucos, e a Igreja foi se
movendo juntamente com elas. O que teria assustado os cristãos nos Estados Unidos dos anos 1940
é considerado normal pela maioria dos cristãos da Igreja de hoje. Nós temos sido governados pelo
Reino de Deus ou temos sido influenciados pelos desejos do Egito?
Os meios e padrões do Reino de Deus são consistentes, pois Deus não muda. A Bíblia declara que
não há sombra de variação Nele. Quando Deus nos ordena evitarmos toda forma de mal, e diz que é
vergonhoso o simplesmente falar sobre coisas que os ímpios fazem, por que nós formamos filas e
pagamos para ver tais atitudes, modos de ser e padrões que foram moldados segundo a geração
perversa na qual vivemos? Um amigo me disse que estava em um período de profunda oração
quando ele ouviu o Senhor entristecido perguntando: “Por que Meu povo se entretém com as
mesmas coisas que colocaram aqueles pregos em Minhas mãos?”.
Será que a indústria do entretenimento tem discernimento? Os executivos e aqueles que tomam
decisões conhecem os frutos que Deus procura em Seu povo? Então, por que nós acreditamos nas
classificações da indústria e não no discernimento? Será que Deus mudou com o passar dos anos e
Se acomodou às tendências desta geração? Certamente não! Se os padrões de Deus não mudaram,
por que a maioria dos padrões dos cristãos mudou? Nós estamos ligados à cultura, e não ao Reino,
com nosso estilo de vida. Nós não abandonamos os desejos do Egito. Esse padrão é evidente em
todas as áreas da nossa vida: modo de vestir, cortes de cabelo, no modo como lidamos com dinheiro
e negócios, perspectiva política, etc.
O povo da Igreja Primitiva era capaz de rejeitar atitudes, padrões e entretenimentos que não eram
de Deus, porque a cultura deles era conformada segundo o Reino de Deus. Eles eram uma igreja
sedenta, que desejava conhecer seu Redentor mais do que desejava conforto e prazeres. Os enlaces
da cultura não tinham poder sobre a maioria deles; por causa da paixão que tinham pelo Senhor. O
custo de abandonar essas coisas não se comparava com a recompensa de conhecer o Redentor. Eles
não somente reconheciam isso, mas viviam isso também. O estilo de vida produzia uma disciplina
saudável entre eles.
Diferentemente de algumas denominações e grupos que surgiram depois, a Igreja Primitiva
geralmente não tentava criar leis para a santidade através de regras excessivas e regulamentos.
Eles dependiam da doutrina sã, da direção genuína do Espírito, do exemplo de temeridade a Deus e
um firme compromisso de servi-Lo. Igrejas que dependem de regulamentos extremos para promover
a santidade, geralmente acabam gerando legalistas religiosos. A Igreja Primitiva enfatizava a
importância de um coração transformado, o qual produzia um estilo de vida santo. Maneirismos
externos eram considerados inúteis se não revelassem o que estava acontecendo no interior da
pessoa.

Estamos Provocando o Ciúme do Senhor?

Hoje, temos convidado o mundo para entrar em nossos lares através da televisão, dos vídeos, das
revistas e dos jornais, e por aí em diante. Muitas vezes tenho chorado ao ver pôsteres de atletas,
fotos de estrelas do cinema penduradas nas paredes dos quartos de crianças, e revistas das estrelas
de Hollywood e ídolos da sociedade nas casas de cristãos. Por que temos idolatrado esses homens e
mulheres venerados pela sociedade?
Falando sobre ídolos, Paulo disse: “Vocês não podem beber do cálice do Senhor e do cálice dos
demônios; não podem participar da mesa do Senhor e da mesa dos demônios. Porventura
provocaremos o ciúme do Senhor?” (1 Co 10:21-22). Por que estamos tão interessados no que
interessa ao mundo?
Durante anos minha família tem tido contato com um lutador profissional famoso. Sua família foi
tocada profundamente por Deus de muitas maneiras. A mãe, o filho e um parente foram salvos. O
lutador também ouviu o Evangelho através de nós; ele sabe que há um preço a ser pago para seguir
a Jesus e não quer deixar tudo para segui-Lo. Em certo sentido, eu respeito sua honestidade, pois
hoje muitos na Igreja dizem que abandonam tudo para seguir Jesus, mas não cumprem a palavra.
Eu tenho usado esse lutador como uma analogia quando falo sobre força espiritual em minhas
mensagens. Relato esse exemplo em conferências e igrejas ao redor do país. Meu coração quase se
parte quando pessoas vêm até a mim com entusiasmo dizendo que sabem de quem estou falando.
Quando isso acontece, tenho vontade de gritar: “Por que você deveria saber quem ele é? Por que
você tem assistido a isso?”. Pelo risco de parecer legalista, eu deixo de falar. Talvez eu devesse falar.
Eu me preocupo bastante com ele, mas não consigo assistir-lhe na televisão, pois o ato que ele
pratica é cheio de escuridão. Eu penso: como um cristão pode assistir a isso regularmente? Onde
está o zelo pela presença de Deus?

Um Chamado A Despertar

Algum tempo atrás recebi um chamado para despertar que acendeu minha paixão por esta
mensagem. Eu havia ministrado em uma igreja sobre buscar a Deus. O culto poderoso tocou
profundamente muitas pessoas.
No dia seguinte, foi um dia de descanso para mim. Eu estava viajando com minha esposa e meus
filhos, e naquele momento já estávamos fora de casa há algum tempo. O pastor convidou todos os
líderes para um momento de comunhão. Nós comemos, conversamos, e a maior parte da conversa
foi sobre o toque de Deus naquele culto do dia anterior. Após a refeição, decidimos assistir a um
filme. Alguém ali tinha o vídeo de um filme muito popular. Eu achava que o ator principal era muito
talentoso e, embora fosse classificado para doze anos, eu disse que queria assistir.
No começo do filme havia uma forte cena de assassinato. Fiquei perturbado com aquilo, mas
decidi continuar assistindo. Embora o filme não tivesse mais assassinatos, aconteceram muitas
lutas, ódio, ira, raiva e engano. À medida que eu assistia, sentia preocupação em meu coração. Eu
continuava pensando no que havíamos falado sobre as coisas de Deus, sentindo luz e vida, e agora
nós estávamos nos abrindo para as trevas. Senti que estava sendo uma péssima testemunha.
Então um dos meus filhos entrou na sala no momento em que o ator relembrava a cena do crime.
Meu filho ficou horrorizado. Ele correu até o quarto e ficou tão perturbado, que ele e seu irmão mais
velho foram até minha esposa (que havia saído dali no começo do filme) buscando conforto. Ele não
podia entender como seu pai podia assistir a tal filme. Ele perguntou: “Mamãe, aquele filme é
realmente para doze anos? Por que Papai está assistindo àquilo?”.
Quando o filme acabou, eu me senti violado. Sabia que tinha feito uma tolice. Eu me despedi dos
líderes. Aquela foi a última vez que os vi naquela viagem. Que maneira de me despedir! Pedi
desculpas à minha esposa, que me contou sobre o comentário do nosso filho. Eu me desculpei com
eles no dia seguinte e disse-lhes o quão errado eu estava. Eu tinha pecado contra Deus, contra eles
e contra aqueles líderes. Eles foram graciosos e me perdoaram, mas continuaram ainda processando
o que havia acontecido.
Em outra cidade, nós ficamos hospedados com um casal muito abençoado que eram nossos
amigos muito íntimos. Quando eu fui salvo, no final dos anos 1970, eles foram meus mentores. Ele
era um dos pesquisadores da Universidade de Purdue. Ele já levou muitos a Deus e tem ajudado
estudantes a crescerem no Senhor. Ele ama conversar sobre as coisas do Reino.
Meu filho contou a esse casal sobre o filme que eu havia assistido na casa de um pastor. Minha
esposa mais tarde me contou que ele havia feito isso. Eles eram tão puros que me senti
envergonhado e profundamente triste por meus velhos amigos ficarem sabendo o que eu havia feito.
Imediatamente fui ao Senhor em oração. Deus falou comigo de maneira a não deixar dúvidas, e
me mostrou que aquilo era um chamado para que eu despertasse. Se eu fiquei tão preocupado ao
saber que aquele casal ouvira sobre o que eu tinha feito, como eu imaginava que Deus Se sentiu
quando eu submeti a mim mesmo, que sou templo do Espírito, a tão grandes trevas? Fui tomado de
arrependimento. Graças a Deus, Ele é gracioso e misericordioso em perdoar!

Uma Revelação Esclarecedora


O Senhor usou esse incidente para me mostrar a Sua verdade acerca da nossa responsabilidade
de nos separarmos do mundo. Sua revelação, como sempre, reformulou minha maneira de pensar e
viver. Dias depois, na mesma semana, o Senhor usou a vida de Ló, sobrinho de Abrão, para ilustrar
ainda mais essa verdade.
Deus disse a Abrão para deixar seus pais, seus parentes e a casa de seu pai, pois Ele faria de
Abrão uma grande nação e o abençoaria. Abrão partiu, e seu sobrinho Ló foi com ele. A partida
deles é uma analogia da salvação, assim como a saída de Moisés e Israel do Egito. Abrão deixou sua
casa por causa da revelação de Deus; mas Ló, não. Abrão tinha as mesmas motivações de Moisés,
enquanto Ló se parecia muito mais com o povo de Israel.
O resultado da partida de Ló, junto com Abrão, era que ele participaria das bênçãos de Deus.
Abrão prosperou e era rico em gado, prata e ouro (Gn 13:2). E Ló, “que acompanhava Abrão,
também possuía rebanhos e tendas” (Gn 13:5). Contudo, sempre que alguém busca benefícios
próprios e segue alguém que busca Deus, um conflito acontecerá, pois a carne sempre resistirá e
finalmente contenderá contra o espírito. E então sabemos que “... surgiu uma desavença entre os
pastores dos rebanhos de Abrão e os de Ló” (Gn 13:7). Sendo alguém segundo o coração de Deus,
Abrão disse a seu sobrinho:

Não haja desavença entre mim e você, ou entre os seus pastores e os meus; afinal somos
irmãos! Aí está a terra inteira diante de você. Vamos separar-nos. Se você for para a
esquerda, irei para a direita; se for para a direita, irei para a esquerda.
Gênesis 13:8-9

O coração de Abrão era segundo o coração de Deus. Seu interesse em ganho pessoal não era
maior que a força que movia sua vida. O que o mundo poderia oferecer não lhe importava, porque
“ele esperava a cidade que tem alicerces, cujo Arquiteto e Edificador é Deus” (Hb 11:10). Seus olhos
estavam postos sobre o que é eterno, portanto escolher a melhor terra não era o que importava para
ele.
Aqueles que foram salvos, mas que lhes falta uma paixão por Deus, como os filhos de Israel,
buscarão seus melhores interesses no sistema do mundo, pois é onde a recompensa deles está.
Abrão deu preferência a Ló ao dar-lhe a escolha da terra.

Olhou então Ló e viu todo o vale do Jordão, todo ele bem irrigado, até Zoar; era como o
jardim do Senhor, como a terra do Egito. Isto se deu antes de o Senhor destruir Sodoma e
Gomorra. Ló escolheu todo o vale do Jordão e partiu em direção ao leste. Assim os dois se
separaram: Abrão ficou na terra de Canaã, mas Ló mudou seu acampamento para um lugar
próximo a Sodoma.
Gênesis 13:10-12

A terra que Ló escolheu era bem convidativa. Ele podia ver prosperidade e conforto esperando por
ele naquelas planícies. Ele estava familiarizado com o território, pois já havia passado por aquela
área antes (ver Gênesis 13:3). Ele provavelmente sabia que “os homens de Sodoma eram
extremamente perversos e pecadores contra o Senhor” (Gn 13:13). Talvez isso explique a “olhada”
que ele deu. Eu imagino que ele tenha pesado na balança a bênção da terra e a iniquidade que a
acompanhava. Mas seu desejo por uma “boa vida” era mais forte do que o amor por Deus, que era o
que Abrão tinha. Portanto, Ló ignorou a iniquidade da terra. Ele provavelmente pensou que poderia
permanecer não influenciado por tudo aquilo.
Creio que ele “mudou seu acampamento para um lugar próximo a Sodoma” para se desviar do
centro da sociedade ímpia. Ele comportou-se como muitos cristãos hoje, pensando: eu posso me
envolver um pouco com o sistema do mundo, longe desses segmentos perversos, e não me deixar ser
sugado por ele. Esses são pensamentos no mínimo tolos! O mundo possui uma força atrativa em si
chamada sedução, e se você tiver algum desejo por ganho egoísta, ele o atrairá, assim como um ímã
atrai certos metais, e não atrai outros.
As intenções de Ló podem ter sido boas em ficar afastado da cidade de Sodoma, porém, mais
tarde, ele já não morava mais em um acampamento perto da cidade. Ele havia se mudado para uma
casa dentro das portas da cidade de Sodoma! (ver Gênesis 19:1-3) Ele foi atraído a ela. Eu tenho
certeza de que os benefícios o atraíram, mas lemos no Novo Testamento que sua alma justa foi
influenciada pela conduta iníqua dos ímpios: “Pois, vivendo entre eles, todos os dias aquele justo
[Ló] se atormentava em sua alma justa por causa das maldades que via e ouvia” (2 Pe 2:8).
Eu nunca me esquecerei do que Deus me revelou naquela semana. As palavras “as maldades que
via e ouvia” saltaram aos meus olhos. Ao ver e ouvir suas obras iníquas, Ló atormentou sua alma
justa.
Você deve estar pensando: Eu vejo e ouço maldades todos os dias. Eu as vejo e ouço no trabalho,
na escola, na rua. Como posso me privar de atormentar minha alma? O Senhor me mostrou a chave.
Quando você vai ao trabalho, à escola ou a qualquer outro lugar para exercer suas atividades diárias
necessárias, você está indo para seu campo missionário. Deus o está enviando como luz para o meio
das trevas. Você pode alcançar pessoas ali testemunhando da ressurreição de Jesus, pessoas que
talvez nunca pisarão em um culto evangélico. Ao ver suas maldades, sua alma não será
atormentada.
Ló, por outro lado, escolheu habitar entre os iníquos para o próprio benefício e prazer. Quando
você, como cristão, escolhe assistir a um vídeo cheio de maldades, ler uma revista banhada pelo
espírito do mundo ou escolhe ir a um lugar de diversão e entretenimento que possui obras iníquas
em si, você escolhe atormentar sua alma. Mas, pior que isso, você na verdade abandona o privilégio
de poder se aproximar à montanha do Senhor.

Onde Encontramos Descanso


para Nossas Almas?

Você pode protestar: “Mas Jesus foi capaz de comer com pecadores”. Sim, é verdade. Ele se
encontrava com eles para alcançá-los, algo que nós devemos fazer. Mas Ele não foi lá para Se
entreter ou relaxar. Você pode perguntar: “Então, onde um cristão pode ir para descansar?”. Jesus ia
para lugares desertos (ver Marcos 6:31). Isso significa um lugar longe do sistema do mundo.
Meu lugar favorito para descanso costumava ser a praia. Mas agora eu raramente encontro uma
praia calma. Na maioria das praias, pessoas desfilam com seus corpos quase nus, com o espírito de
sedução em ação. (Imagino o quanto as roupas indecentes e minúsculas de hoje teriam assustado
outros na década de 1940. Elas teriam chocado e assustado até mesmo os não crentes
conservadores! Eu não estou tentando de forma alguma ser legalista ou antiquado, mas me
pergunto se estamos conectados como subcultura mais do que nós mesmos percebemos.) Em vez de
ir a praias, eu vou para as montanhas, lugares muito arborizados ou regiões de lagos para férias.
Nessas áreas eu posso ficar longe do sistema do mundo e verdadeiramente descansar minha alma.
Por que alguns cristãos precisam se divertir ou buscar descanso em lugares onde o modo de ser e
os padrões do mundo são mais evidentes? Estamos tentando ficar longe da presença de Deus para
descansar ou vamos nos acalmar para poder desfrutar Sua presença tão maravilhosa? Será que não
percebemos que a promessa da Sua presença espera por aqueles que se separam e se achegam a
Ele?1

1Alguns dos meus comentários neste capítulo foram inspirados nos capítulos 3 e 4 do livro de David W. Bercot, Will The Real Heretics
Please Stand Up? (Os verdadeiros heréticos poderiam, por favor, ficar de pé?) (Tyler, TX.: Scroll Publishing, 1989).
CAPÍTULO 9
GRAÇA SALVADORA

Graça é definida como a capacidade de viver


livre da iniquidade e dos desejos do mundo.
É a essência do poder de viver uma
vida de santidade diante de Deus.

O Antigo Testamento certamente não contém passagens ultrapassadas. Ao contrário, Jesus disse:
“Não pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir” (Mt 5:17).
Como podemos saber o que Jesus cumpriu ou ainda cumpre sem entender essa Lei? Agora que
desenvolvemos um entendimento do Antigo Testamento e do desejo de Deus de habitar entre o Seu
povo, voltemos à declaração de Paulo na Nova Aliança:

Não se ponham em jugo desigual com descrentes. Pois o que têm em comum a justiça e a
maldade? Ou que comunhão pode ter a luz com as trevas? Que harmonia entre Cristo e
Belial? Que há de comum entre o crente e o descrente? Que acordo há entre o templo de
Deus e os ídolos? Pois somos santuário do Deus vivo. Como disse Deus:
“Habitarei com eles
E entre eles andarei;
Serei o seu Deus,
E eles serão o Meu povo”.
2 Coríntios 6:14-16

Deus faz três promessas distintas. Primeiro, Ele habitará no nosso meio e andará entre nós.
Segundo, Ele será o nosso Deus. Terceiro, nós seremos o Seu povo. Essas são as Suas promessas,
mas elas não se originaram no Novo Testamento. Paulo simplesmente repete o que o Senhor disse a
Israel; Seus desejos para nós são os mesmos. Em uma ocasião, Suas palavras exatas a Israel foram:
“Andarei entre vocês e serei o seu Deus, e vocês serão o Meu povo” (Lv 26:12). Esse tem sido Seu
desejo desde o início.
Como aprendemos, Ele está falando sobre Seus desejos de habitar entre nós em Sua glória. O
Espírito Santo, por meio do apóstolo Paulo, reafirma as mesmas palavras aos cristãos do Novo
Testamento. Ainda assim, como foi para Israel, existe uma condição:

Portanto, “saiam do meio deles
E separem-se”, diz o Senhor.
“Não toquem em coisas impuras,
E Eu os receberei
E lhes serei Pai, e vocês serão Meus filhos e Minhas filhas”,
Diz o Senhor Todo-Poderoso.
2 Coríntios 6:17-18

A condição não é diferente daquela dada a Moisés e aos filhos de Israel. Nós devemos nos separar
do sistema do mundo. Se obedecermos, Deus nos receberá e Se revelará a nós! Mas se não nos
separarmos, nosso destino será pior do que o destino dos hebreus.
Deus disse a Moisés para que consagrasse o povo. Ser consagrado a Ele lhes permitiria
contemplar a glória do Pai. Nós recebemos a mesma instrução de nos separamos. Parafraseando,
Deus está dizendo: “Eu os livrei do mundo. Agora, retirem o mundo de dentro de vocês!”. Obedecer
a esse mandamento nos preparará para a glória do Senhor.
Moisés instruiu Israel a “lavar suas vestes”. Eles deveriam se limpar da iniquidade do Egito. A
mesma coisa nos é dita: “Amados, visto que temos essas promessas, purifiquemo-nos de tudo o que
contamina o corpo e o espírito, aperfeiçoando a santidade no temor de Deus” (2 Co 7:1).
Nós devemos aperfeiçoar a santidade ao nos limparmos das impurezas da carne e do espírito do
mundo, que ainda estão em nós. Assim como foi com Israel, devemos nos lavar da imundície do
mundo e tirá-la de nós. Paulo não nos diz: “Deus os limpará”, ou “o sangue de Jesus dará conta de
limpar vocês”. O significado é ainda mais claro na linguagem original. A palavra grega para a
expressão “aperfeiçoando” é epiteleo. O Dicionário Grego de Thayer define a palavra como “tomar
sobre si a obrigação de terminar, aperfeiçoar, executar ou completar algo”. Isso coloca sobre nós a
responsabilidade de iniciar o processo de limpeza e cuidar para que sejamos purificados.
É claro, nunca poderíamos fazer isso sem a graça de Deus, pois a graça do Senhor nos concede a
capacidade de fazer o que Sua verdade exige. Ela nos dá poder para obedecermos às Palavras de
Deus. Isso explica por que Paulo diz:

Como cooperadores de Deus, insistimos com vocês para não receberem em vão a graça de
Deus.
2 Coríntios 6:1

Receber algo em vão seria como não usar o que recebeu em seu potencial pleno. Digamos que eu
viva em uma montanha vulcânica. É anunciado que o vulcão entrará em erupção nas próximas vinte
e quatro horas. Sem meios de transporte, eu não poderia escapar, pois não chegaria longe o
suficiente da montanha se saísse a pé, em um período de vinte e quatro horas. Sem um automóvel
eu estaria condenado. Ao ver minha necessidade, uma pessoa generosa e amável bate à minha porta
e oferece-me um carro, coloca as chaves em minhas mãos e diz: “O carro é seu, agora você está
salvo”.
Eu me alegro porque fui salvo. Pelo fato de estar sem dinheiro, nunca teria comprado um carro.
Essa pessoa voluntariamente me deu um automóvel que me levará a um lugar seguro.
Cheio de entusiasmo, ligo para meus amigos e digo: “Eu fui salvo! Não vou mais morrer! Uma
pessoa muito compassiva me deu um carro para escapar do desastre. Não é maravilhoso?”. Então eu
procuro meus mapas, e até leio um livro para aprender a dirigir melhor.
Entretanto, durante as vinte e quatro horas seguintes, eu permaneço dentro da casa. Eu não entro
no carro para escapar. Assim, o vulcão entra em erupção e eu sou aniquilado pela destruição. O
presente que me traria vida foi providenciado, mas eu somente celebrei e não segui nenhuma ação.
Mais tarde, todos aqueles que sabiam do meu problema e do que eu havia ganhado, diriam: “Ele
ganhou um carro em vão!”.
Da mesma forma, receber a graça de Deus em vão significa que Ele nos deu poder para andar em
liberdade dos esquemas deste mundo através da santidade, mas não fizemos uso dela.

Uma Graça Antibíblica

Um pensamento enganador está presente na Igreja de hoje. Esse pensamento foi concebido e
propagado por ensinamentos desequilibrados sobre a graça. Frequentemente, refere-se à graça
para desculpar ou encobrir uma vida mundana. Falando mais claramente, ela é usada como uma
justificativa para uma maneira de viver egoísta e carnal. Muitos grupos cristãos têm enfatizado
excessivamente a bondade do Senhor e negligenciado Sua santidade e Sua justiça. Esse
desequilíbrio tem feito com que muitos tenham um entendimento deturpado sobre a graça de Deus.
Assim, muitos acabam recebendo-a em vão.
A graça de Deus não é uma mera cobertura. Sim, ela nos cobre, mas vai além disso: ela nos
capacita e nos dá poder para viver uma vida de obediência. No sermão da montanha (ver Mateus 5),
Jesus repete as palavras: “Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados... mas Eu lhes digo...”
(vv. 21-22). Esse padrão continua até o final do capítulo por mais quatro vezes (vv. 27-28, 31-32,33-
34, 43-44). O que Jesus está fazendo? Ele cita a exigência da Lei de Moisés: “Vocês ouviram o que
foi dito...”. E então Ele introduz o que Deus busca no crente que está debaixo da Nova Aliança: “Mas
Eu lhes digo...”. Ele contrasta a Lei Mosaica com a graça e a verdade.
João diz: “Pois a Lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por intermédio
de Jesus Cristo” (Jo 1:17). Jesus introduz a dimensão da graça que transmite a capacidade de Deus
dentro de nós, que nos liberta da fórmula morta da Lei. A Lei consiste em comportamento exterior,
enquanto a graça é a transformação interior.
Muitas vezes eu ouço cristãos e pastores reclamarem sobre as duras exigências da Lei, e então
expressarem seu alívio por estarem sob a graça, com uma vida não tão rígida. Bem, eu também me
alegro grandemente porque não vivo sob a Lei. Mas não porque, agora, descobri que os padrões de
santidade de Deus se tornaram mais permissivos. O oposto é que é verdadeiro. Foi porque eu
acredito que o nível que Ele impõe sob a graça é maior ainda!
Vejamos melhor a comparação de Jesus no Sermão da Montanha:

Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e, Quem matar será réu de juízo. Eu, porém,
vos digo que todo aquele que se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e quem
disser a seu irmão: Raca, será réu diante do sinédrio; e quem lhe disser: Tolo, será réu do
fogo do inferno.
Mateus 5:21,22, AA

A palavra Raca significa “cabeça oca”. Era um termo de repreensão muito usado entre os judeus
nos tempos de Cristo. Se alguém se irasse a ponto de chamar seu irmão de tolo, Jesus disse que ele
seria sujeito ao inferno. A palavra Tolo também significa “sem Deus”. “Diz tolo em seu coração:
‘Deus não existe’” (Sl 14:1). Chamar um irmão de tolo era uma acusação séria. Ninguém poderia
dizer isso sem que sua ira já não tivesse se transformado em ódio. Dizer “Raca” ou “Tolo”, é
comparável a alguém dizer hoje: “eu odeio você”.
No Antigo Testamento, uma pessoa era culpada por homicídio se tirasse a vida física. Sob a graça
do Novo Testamento, Deus iguala o ódio a um irmão à seriedade de se cometer homocídio: “Quem
odeia seu irmão é assassino, e vocês sabem que nenhum assassino tem a vida eterna em si mesmo”
(1 Jo 3:15).
Sob a Lei, você precisa passar a faca em alguém para ser culpado. Sob a graça, se você recusar
perdoar seu irmão ou permitir que a ira ou qualquer forma de ódio reine em seu coração, é evidente
que a graça de Deus não habita em você ou que você a negligenciou, portanto, recebeu a graça em
vão. Então, será que Jesus descreve a graça como justificativa ou Ele a revela como Seu poder que
nos capacita a viver uma vida santa?
Aqui está outra comparação que Jesus fez:

Vocês ouviram o que foi dito: “Não adulterarás”. Mas Eu lhes digo: Qualquer que olhar para
uma mulher e desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração.
Mateus 5:27-28

Um julgamento de culpa, na Aliança Antiga, acontecia quando alguém cometia o ato de adultério
físico. Em contraste, sob a Nova Aliança, Deus considera um homem em adultério quando ele
meramente olha para uma mulher com desejo em seu coração. Sob a Lei, você teria de praticar o ato
para ser culpado; sob a graça, tudo o que é necessário é que você simplesmente queira fazer isso!
Por acaso parece a graça que tem sido vivida e ensinada em nosso meio? Será que isso soa como
uma grande cobertura, ou como a capacidade dada por Deus para se viver uma vida santa?
Se a graça é uma mera cobertura, então pareceria que Jesus contradisse a graça que Ele veio dar.
Mas isso não é verdade: “Porque a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens. Ela
nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver de maneira sensata, justa e
piedosa nesta era presente” (Tt 2:11-12). A graça é definida como a capacidade de viver livre da
iniquidade e dos desejos do mundo. É a essência do poder de viver uma vida de santidade perante
Deus.
O escritor de Hebreus nos exorta a “retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus
agradavelmente, com reverência e piedade” (Hb 12:28, ACF). Novamente, graça é definida nesse
versículo não como uma cobertura, mas como uma força que nos permite servir a Deus de modo
agradável. A graça que recebemos em vão resulta em um coração não transformado, voltado para as
impurezas do mundo. Portanto, o fruto da santidade é a prova da nossa salvação.

Salvo por Obras?

Algumas pessoas podem argumentar: “Mas a Bíblia diz: ‘Nós fomos salvos pela graça por meio da
fé, não por nossas próprias obras; isso é um dom de Deus’” (Ef 2:8-9, paráfrase do autor).
Sim, isso é verdade. É impossível viver uma vida digna de herdar o Reino de Deus pela própria
força, pois todos nós pecamos e falhamos em viver de acordo com o padrão justo de Deus. Ninguém
nunca será capaz de permanecer diante de Deus e dizer que suas obras, atos caridosos ou vida
correta lhe deram o direito de herdar o Seu Reino. Todos nós transgredimos e merecemos o lago de
fogo eternamente.
A resposta de Deus para nossas falhas é a dádiva da salvação por meio do dom da Sua graça! Uma
dádiva não pode ser conquistada. Romanos 4:4 nos diz: “Ora, o salário do homem que trabalha não é
considerado como favor, mas como dívida”. Você não pode viver uma vida correta o suficiente para
merecer ou comprar a graça. Você poderia dedicar toda a vida a sacrifícios e obras de caridade, mas
ainda assim não conseguiria merecê-la. É uma dádiva, e você somente a recebe por meio da fé em
Jesus.
Vamos completar o estudo e não parar por aqui. Lembre-se do exemplo da pessoa ameaçada pela
explosão de uma montanha vulcânica, a quem foi dado um carro de presente. O carro não poderia
ter sido comprado; em nosso exemplo, a pessoa não tinha dinheiro para isso. Mesmo assim, quando
recebeu o presente, ela não usou seu potencial pleno. Suas ações ou obras em dirigir para longe
daquela área a teriam salvado. Do mesmo modo, nenhum de nós poderia comprar nossa própria
graça. Ela foi dada a nós como uma dádiva, pela qual nunca poderíamos pagar. Mas precisamos usar
todo o seu potencial.
É por isso que Tiago disse aos fiéis: “Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de
obras, está morta” (Tg 2:17). Tiago não está contradizendo Paulo. Ele está detalhando e
esclarecendo a mensagem de Paulo. Ele está salientando que, assim como nosso amigo poderia ter
sido salvo se tivesse dirigido o carro, da mesma forma a graça, sem as obras correspondentes, não
tem efeito. Ela teria sido recebida em vão.
Ele continua: “Mas alguém dirá: ‘Você tem fé; eu tenho obras’. Mostre-me a sua fé sem obras, e eu
lhe mostrarei a minha fé pelas obras” (Tg 2:18). Tiago diz que uma vida de santidade é a evidência
de que a pessoa recebeu a dádiva da graça de Deus por meio da fé. A graça, portanto, fornece o
desejo de obedecer e a capacidade de obedecer. É por isso que Paulo diz: “Fiel é esta palavra, e
quero que você afirme categoricamente essas coisas, para que os que creem em Deus se empenhem
na prática de boas obras” (Tt 3:8). Alguém que diz ser cristão e constantemente desobedece à
Palavra de Deus, não recebeu verdadeiramente a graça de Deus, ou a recebeu em vão.
Tiago enfatiza: “Vejam que uma pessoa é justificada por obras, e não apenas pela fé” (Tg 2:24).
Uau, que declaração! Eu me atrevo a dizer que poucos fiéis evangélicos ou carismáticos estão
cientes de que esse versículo existe na Bíblia.
Há pouco tempo, iniciei a pregação de uma mensagem com a leitura isolada desse versículo. O
auditório ficou bem quieto após eu ter feito a leitura. O povo estava tão acostumado com mensagens
que não exigem obras, que levou alguns minutos para que eles digerissem o significado do versículo.
E, claro, em seguida eu o li em seu contexto, mas os corações estavam abertos e a atenção deles já
havia sido captada.
Tiago dá início a esse comentário usando Abraão, o pai da fé, como exemplo:

Não foi Abraão, nosso antepassado, justificado por obras, quando ofereceu seu filho Isaque
sobre o altar? Você pode ver que tanto a fé como as obras estavam atuando juntas, e a fé foi
aperfeiçoada pelas obras. Cumpriu-se assim a Escritura que diz: “Abraão creu em Deus, e isso
lhe foi creditado como justiça”.
Tiago 2:21-23

O Que Jesus Busca em Nós

Há pouco tempo, enquanto eu estava em oração, o Senhor falou comigo e fez afirmações tão
contrárias ao que tem sido ensinado em nossas igrejas, que me assustaram. Na verdade, eu
questionei se aquela havia sido de fato a voz de Deus. Mas identifiquei na Bíblia o que Ele me disse.
Antes de compartilhar com você essas afirmações, preciso descrever qual era o assunto em
questão. No início do livro de Apocalipse, Jesus dá sete mensagens diferentes para sete igrejas.
Essas são igrejas históricas, mas Deus nunca teria colocado essas mensagens em Sua Palavra se
elas não tivessem uma aplicação profética. Em outras palavras, as mensagens se aplicam a nós
ainda hoje.
O primeiro comentário que o Senhor compartilhou comigo em oração foi: “John, você notou que as
primeiras palavras que saíram da Minha boca em todas as cartas às sete igrejas no livro de
Apocalipse foram ‘conheço as tuas obras’”? Encontrei as seguintes falas de Jesus no livro de
Apocalipse:

Primeira Igreja: “Escreve ao anjo da igreja que está em Éfeso... Conheço as tuas obras” (Ap
2:1-2, ACF).
Segunda Igreja: “E ao anjo da igreja em Esmirna, escreve... Conheço as tuas obras” (Ap
2:8-9, ACF).
Terceira Igreja: “E ao anjo da igreja que está em Pérgamo escreve... Conheço as tuas obras”
(Ap 2:12-13, ACF).
Quarta Igreja: “E ao anjo da igreja de Tiatira escreve... Eu conheço as tuas obras” (Ap
12:18-19, ACF).
Quinta Igreja: “E ao anjo da igreja que está em Sardes escreve... Conheço as tuas obras”
(Ap 3:1, ACF).
Sexta Igreja: “E ao anjo da igreja que está em Filadélfia escreve... Conheço as tuas obras”
(Ap 3:7-8, ACF).
Sétima Igreja: “E ao anjo da igreja que está em Laodiceia escreve... Conheço as tuas obras”
(Ap 3:14-15).

“Conheço as tuas obras” são as primeiras palavras que saíram de Sua boca para todas as sete
igrejas. Eu pensei: Será que nos distanciamos tanto do que Jesus enfatiza e do que Ele procura em
nós?
Enquanto eu ponderava sobre isso ouvi o Senhor me dizer a segunda afirmação, que foi a que me
assustou: “Você notou que Eu nunca disse para nenhuma das igrejas: ‘Conheço os seus corações’”?
Eu me lembrei de quantas vezes estava sentado em uma reunião ou em um encontro para
aconselhamento com um cristão, que estava vivendo uma vida impura ou mundana, e o ouvi dizer a
seguinte frase com a maior convicção de inocência: “Bem, Deus conhece meu coração!”.
Jesus não está olhando para nossas intenções, nossos desejos ou nosso conhecimento do que é
certo. Ele está olhando para nossas obras! Será que estamos permitindo que a graça de Deus
produza em nós uma vida santa ou temos recebido essa graça em vão?

Um Mal Entendido da Palavra “Crer”

Uma das razões pela qual temos nos desviado para tão longe do verdadeiro significado da graça
são nossos ensinamentos incorretos sobre a palavra crer. Nos dias de hoje, essa palavra está
reduzida a um reconhecimento mental. Multidões fizeram a oração de arrependimento porque
acreditaram que Jesus existe e foram tocadas emocionalmente por mensagens não confrontadoras
que não incluíam um chamado ao arrependimento. Mas elas não deixaram seu estilo de vida de
buscar o que o mundo busca. Continuam vivendo para si mesmas, confiando na salvação intelectual
ou emocional, que não é verdadeira.
Na Bíblia, crer significa não somente reconhecer a existência de Jesus, mas também obedecer à
Sua vontade e à Sua Palavra. Em Hebreus 5:9 lemos: “E, uma vez aperfeiçoado, tornou-Se a Fonte
da salvação eterna para todos os que Lhe obedecem”. Crer é obedecer. A prova da fé de Abraão
estava ligada aos seus atos de obediência. Dando ouvidos ao chamado de santificação, ele deixou
sua família, seus amigos e sua nação. Depois ofereceu o que lhe era mais precioso: seu filho.
Absolutamente nada, nem mesmo seu filho, significava mais para ele do que obedecer a Deus. Essa
é a fé verdadeira. É por isso que ele foi honrado como o “pai de nós todos” (Rm 4:16). Será que
vemos essa fé evidente na Igreja de hoje? Como pudemos ser tão enganados?
Simplesmente dizer que você tem fé não prova sua salvação. Como a fé pode ser real sem que haja
atos de obediência correspondentes a ela, os quais produzem a verdadeira santidade? Vamos ouvir
novamente as palavras de Tiago: “Vejam que uma pessoa é justificada por obras, e não apenas pela
fé”.

“Nem Todo Aquele Que Me Diz: ‘Senhor, Senhor’”

Nós conhecemos um verdadeiro cristão não pelo que ele professa, mas por seu “fruto... que leva à
santidade” (Rm 6:22). Jesus esclarece isso ao dizer: “Assim, pelos seus frutos vocês os
reconhecerão! Nem todo aquele que Me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos Céus, mas
apenas aquele que faz a vontade de Meu Pai que está nos Céus” (Mt 7:20-21).
Permita-me colocar essas palavras de maneira mais moderna: “Você saberá quem é um cristão e
quem não é, não pelo que a pessoa professa, mas por sua submissão à vontade do Pai. Nem todo
aquele que diz: ‘Eu sou cristão’ e ‘Jesus é meu Senhor’, entrará nos Céus, mas somente aqueles que
obedecem à vontade do Meu Pai”.
Jesus novamente diz: “Muitos Me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em Teu
nome? Em Teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres? Então Eu lhes
direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de Mim vocês, que praticam o mal! ” (Mt 7:22- 23).
Na nossa linguagem moderna: “Um grande número de pessoas Me confessará como Senhor e
orará a oração de arrependimento. Muitos deles se considerarão ‘pentecostais’. Sim, mesmo aqueles
que fizerem milagres e expulsarem demônios em Meu nome, ficarão surpresos com o que
acontecerá naquele dia. Eles esperam entrar no Reino dos Céus, mas somente Me ouvirão dizer:
‘Afastem-se de Mim, os que não obedeceram à vontade de Meu Pai’.”
Essas não são minhas considerações ou minhas palavras. Não é prazeroso pensar que muitos que
proclamam o senhorio de Cristo terão acesso negado ao Reino dos Céus. Sim, até mesmo os que
expulsaram demônios e fizeram milagres em Nome Dele!
Alguns comentaristas tentaram argumentar que Jesus Se referia aos que não acreditavam Nele.
Contudo, essa interpretação é incorreta, pois aqueles que nunca professaram a salvação em nome
de Jesus não podem realizar obras sobrenaturais em nome Dele. Um exemplo de alguns que
tentaram fazer isso está em Atos. Os sete filhos de Ceva tentaram invocar o nome do Senhor sobre
alguns que tinham espíritos malignos dizendo: “Em nome de Jesus, a quem Paulo prega, eu lhes
ordeno que saiam!” (At 19:13). O espírito maligno que estava no homem respondeu: “‘Jesus, eu
conheço, Paulo, eu sei quem é; mas vocês, quem são?’. Então o endemoninhado saltou sobre eles e
os dominou, espancando-os com tamanha violência que eles fugiram da casa nus e feridos” (At
19:13-16).
No fim dos anos 1980, enquanto estava em oração, recebi uma visão espiritual. Vi uma multidão
de pessoas, grande demais para ser numerada, de uma grandeza que eu nunca havia visto antes. O
grupo estava amontoado em frente às portas celestiais, aguardando para entrar e esperando ouvir
do Mestre: “Venham, benditos de Meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado
desde a criação do mundo” (Mt 25:34). Mas, em vez disso, eles ouviram o Mestre dizer: “Nunca os
conheci. Afastem-se de Mim” (Mt 7:23).
Você pode questionar: “Se Jesus disse que nunca os conheceu, como eles puderam expulsar
demônios e fazer milagres em nome Dele?”. A resposta é que essas pessoas se achegam a Jesus por
causa dos benefícios da salvação. Embora O tenham aceitado para serem salvas, assim como os
filhos de Israel, elas não buscaram conhecer o coração de Deus; somente buscam Sua provisão.
Buscam a Deus para benefício próprio; seu culto tem motivação egoísta, não é motivado pelo amor.
Na declaração de Jesus: “Nunca os conheci”, a palavra conhecer vem do grego ginosko. No Novo
Testamento ela é usada para descrever a relação sexual entre homem e mulher (ver Mateus 1:25);
portanto representa intimidade. Jesus está, na verdade, dizendo: “Eu nunca os conheci
intimamente”. Moisés conheceu intimamente a Deus, mas Israel somente O conheceu pelos milagres
que Ele fez em suas vidas. Não é diferente de hoje.
Nós lemos em 1 Coríntios 8:3: “Mas quem ama a Deus, este é conhecido por Deus”. Aqui a palavra
conhecido é a mesma palavra grega ginosko. Deus conhece intimamente aqueles que O amam. Eles
abrem mão de suas vidas por causa Dele (ver João 15:13). Somente aqueles que fazem isso podem
obedecer à Palavra de Deus. Jesus ressalta essa verdade: “Aquele que não Me ama não obedece às
Minhas palavras” (Jo 14:24).
A verdadeira evidência do amor por Jesus não é o que é dito, mas o que é vivido. João explica:

Sabemos que O conhecemos, se obedecemos aos Seus mandamentos. Aquele que diz: “Eu O
conheço”, mas não obedece aos Seus mandamentos, é mentiroso [está enganado], e a
verdade não está nele. Mas, se alguém obedece à Sua palavra, nele verdadeiramente o amor
de Deus está aperfeiçoado. Desta forma sabemos que estamos Nele.
1 João 2:3-5 (grifo do autor)

Judas se achegou a Jesus. Ele parecia amá-Lo e deixou tudo para segui-Lo. Judas permaneceu com
Jesus durante perseguições, não O deixando mesmo quando outros discípulos o deixaram (Jo 6:66).
Ele expulsou demônios, curou enfermos e pregou o Evangelho. Sim, está escrito que “reunindo os
Doze, Jesus deu-lhes poder e autoridade para expulsar todos os demônios e curar doenças, e os
enviou a pregar o Reino de Deus e a curar os enfermos” (Lc 9:1-2). O versículo não fala de apenas
onze discípulos. Está escrito doze; portanto, Judas estava incluído.
Contudo, as intenções de Judas não estavam certas desde o início. Ele nunca se arrependia de
seus caminhos egoístas. Seu caráter é revelado na frase: “O que me darão se eu...” (Mt 26:15). Ele
mentiu e enganou para ganhar vantagem (ver Mateus 26:25), ele pegou o dinheiro da tesouraria do
ministério de Jesus para uso pessoal (ver João 12:4-6), e a lista de desonestidades continua. Ele
nunca conheceu Jesus, embora tenha andado três anos e meio em Sua companhia!
Quantos são como Judas hoje? Eles fizeram sacrifícios por causa do ministério, pregaram o
Evangelho e talvez até operaram nos dons do Espírito, mas não O conhecem intimamente. Todo esse
trabalho é realizado a partir de motivações egoístas.
Jesus perguntou: “Por que vocês Me chamam ‘Senhor, Senhor’ e não fazem o que Eu digo?” (Lc
6:46). “Senhor” nesse versículo vem da palavra grega kurios. O Dicionário Grego de Strong define
essa palavra como “supremo em autoridade ou mestre”. Jesus explica que muitos O confessariam
como Senhor, mas Ele não é a suprema autoridade para eles. Eles vivem de maneira não condizente
com o que confessam, obedecem à vontade de Deus quando ela não está em conflito com os desejos
de seu coração. Se a vontade de Deus está em uma direção diferente do que desejam, eles escolhem
um caminho próprio, mas ainda assim chamam Jesus de “Senhor”.
Frequentemente o sucesso no ministério é medido meramente por números. Essa mentalidade
tem feito com que muitos façam o que for preciso para encher seus altares de “convertidos” e suas
igrejas de “membros”. Para conseguir isso, essas pessoas têm pregado Jesus como Salvador, mas
não como Senhor. A mensagem implícita tem sido: “Venha até Jesus e receba salvação, paz, amor,
alegria, prosperidade, sucesso, saúde e tudo o mais!”. Sim, Jesus é o cumprimento de todas essas
promessas, mas os benefícios têm sido tão enfatizados, que o Evangelho puro foi reduzido a uma
resposta para todos os problemas da vida, juntamente com uma garantia de entrada no Céu.
Esse tipo de pregação apenas atrai os pecadores. Eles ouvem uma mensagem sobre vir a Deus
vazia de arrependimento: “Dê a Deus uma chance. Ele lhe dará amor, paz e alegria!”. Ao fazermos
isso, estamos distorcendo o arrependimento para ganharmos um “convertido”. Os convertidos se
juntam à Igreja, mas de que tipo eles são? Jesus confrontou os pastores dos tempos em que viveu:
“Vocês... percorrem terra e mar para fazer um convertido e, quando conseguem, vocês o tornam
duas vezes mais filho do inferno do que vocês” (Mt 23:15). Convertidos são facilmente
arrebanhados, mas são eles homens e mulheres com corações que seguem a Deus ou às promessas?
Nós temos visto a diferença entre Moisés e os filhos de Israel.
Jesus deixou claro à multidão: “Então Ele chamou a multidão e os discípulos e disse: Se alguém
quiser acompanhar-Me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Pois quem quiser salvar a
sua vida, a perderá; mas quem perder a sua vida por Minha causa e pelo Evangelho, a salvará” (Mc
8:34-35). Tudo o que você deve fazer é “querer” salvar sua vida, e você a perderá. Ele não disse: “Se
alguém quiser perder sua vida por amor de Mim”. O simples “querer” perder a própria vida não é
suficiente. Jesus não está procurando por boas intenções.
O jovem rico queria apaixonadamente ser salvo. Ele veio correndo a Jesus e se ajoelhou perante
Ele suplicando pela vida eterna. Mas seu desejo emocional não era suficiente. Jesus disse a ele:
“Falta-lhe uma coisa” (ver Marcos 10:17-22). O jovem rico se afastou quando percebeu o preço da
Cruz. Ao menos podemos respeitar sua honestidade!
Milhares que não estão na Igreja receberiam alegremente os benefícios da salvação, se eles
simplesmente pudessem manter o controle de suas vidas. De alguma forma eles parecem perceber o
que muitos na Igreja não estão cientes: é necessário se pagar um preço para seguir a Deus. Eles são
honestos com Deus; eles não querem pagar esse preço. Por outro lado, existem aqueles que estão
enganados. Eles vão à igreja, chamam Jesus de “Senhor” e declaram submissão a Seu senhorio,
enquanto, na realidade, não se submeteram.

Duas Mensagens Diferentes

Espero que você tenha visto a diferença entre a graça que Jesus prega e a que nós temos crido. A
mensagem dos dias de hoje geralmente diz: “Creia em Jesus, ore a oração do arrependimento,
confesse-O como seu Salvador, e então você entrará no Reino dos Céus”. Existe pouca menção a
negar-se a si mesmo e ao mundo. Depois, quando as pessoas passam a fazer parte da igreja, pouco é
dito sobre o poder que a graça nos dá para vivermos vidas santas.
Após as pessoas terem se convertido e sido ensinadas dessa maneira, acreditam que qualquer
modo de viver impuro ou desobediência serão cobertos pela mal compreendida graça de Deus. Será
que essa situação é a razão para a falta do fogo de Deus e do Seu poder em nossas igrejas?
Espero que você ouça esta mensagem no espírito em que ela deve ser recebida. Eu amo o povo de
Deus e desejo que ele prospere tanto quanto prospera sua alma. Portanto, sinto-me impelido em
proclamar a verdade de Deus. Eu sei que doutrinas e ensinamentos podem moldar a vida e a crença
de um indivíduo. Meu coração se parte por causa das multidões nas igrejas que têm sido levadas a
uma vida morna, ausente do fogo de Deus.
Paulo instruiu a Timóteo: “Atente bem para a sua própria vida e para a doutrina, perseverando
nesses deveres, pois, agindo assim, você salvará tanto a si mesmo quanto aos que o ouvem” (1 Tm
4:16). Nós precisamos dar ouvidos a essa advertência. A verdade distorcida pode parecer boa, e até
mesmo apela para nossos sentidos e nossa razão, mas nos levará ao engano.
A verdade da Palavra de Deus irá alimentá-lo e fortalecê-lo. Ela o treinará para discernir entre o
pensamento correto e o incorreto. A verdade distorcida o desqualificará. É por isso que Deus nos
admoesta a dar atenção completa à Sua palavra, para que possamos compreendê-la corretamente.
Este capítulo produz ao mesmo tempo advertência e encorajamento. A advertência: não permita que
doutrinas incorretas sobre a graça o desqualifiquem, por recebê-la em vão. O encorajamento: existe
força para viver uma vida de santidade por intermédio da graça de Deus. Que a graça do Senhor
Jesus Cristo esteja com você.
CAPÍTULO 10
DIAS DIFÍCEIS

A partir deste amor por Ele é que vem o


fogo que alimenta sua paixão.
Eles se deleitam em obedecer a Ele.

Esforcem-se... para serem santos; sem santidade


ninguém verá o Senhor. Cuidem que ninguém
se exclua da graça de Deus...
— Hebreus 12:14-15

S em santidade ninguém verá ao Senhor. Será que temos crido nessas palavras, ou elas têm sido
para nós apenas uma boa citação da Bíblia? Será que a Igreja as vê como mandamento ou
meramente uma declaração de motivação poética que nos ajuda a desejá-la como um alvo de estilo
de vida, que certamente é inatingível nestes dias? E o que o escritor de Hebreus queria dizer com
“cuidem que ninguém se exclua da graça de Deus”? Como alguém poderia se excluir da graça de
Deus, que tem sido pregada nas igrejas nesses últimos vinte e cinco anos? Será que isso seria
somente uma declaração “exagerada” de Deus para nos fazer temer e nos manter longe de
problemas? Está claro que não!

Cristãos Que Não Foram Transformados

Como eu disse no capítulo anterior, para muitas pessoas, a graça representa uma grande
cobertura, que tem praticamente absolvido os cristãos de qualquer responsabilidade de andar em
obediência e santidade. Mas essa crença tem novamente provado estar em contradição com a Bíblia
quando comparada a esse versículo, pois alguém ser excluído da graça de Deus significa não andar
em seu potencial completo. Significa receber a dádiva de Deus em vão ao permanecer sem ser
transformado.
Paulo previu esse acontecimento, de que, nos últimos dias, inúmeros cristãos permaneceriam os
mesmos, sem mudar. Ao descrever esses dias, ele disse que seriam “dias difíceis”. É interessante
ouvi-lo dizer isso em relação aos nossos dias de liberdade religiosa, enquanto ele foi apedrejado,
afligido com chicotes, preso, algemado e açoitado por causa de sua firme posição em favor do
Evangelho. Mesmo assim ele escreveu que nossos dias seriam difíceis, pois muitos que se dizem
cristãos amariam a si mesmos e ao dinheiro, e buscariam mais aos prazeres do que a Deus. Alguns
seriam orgulhosos; outros ingratos; outros, ainda, não perdoariam. Entre os cristãos haveria aqueles
que seriam desobedientes e impuros, e muitos que não teriam domínio próprio. Outros seriam
obstinados.
Paulo diz que esses homens e mulheres teriam a aparência de cristãos: “parecerão ser seguidores
da nossa religião, mas com as suas ações negarão o verdadeiro poder dela” (2 Tm 3:5, NTLH). Eles
não permitiriam que o poder da graça os transformasse de pessoas que amam dinheiro e prazeres,
em pessoas que amam a Deus e ao povo. Permaneceriam impuros e receberiam a graça de Deus em
vão.
Ele então continua dizendo que esses “cristãos” “estão sempre aprendendo, e jamais conseguem
chegar ao conhecimento da verdade” (v. 7). Hoje, nós temos mais ensinamentos cristãos do que em
qualquer época da história e mais que em outros países. Muito dinheiro tem sido gasto para difundir
o Evangelho por meio de livros, mensagens em áudio, vídeos, programas de televisão via satélite,
sem mencionar inúmeros cultos de igrejas e conferências. Mas, ainda assim, temos cultivado uma
igreja mundana, que não se separou dos desejos do Egito. Paulo não descreve seus dias de
perseguição física como difíceis, mas sim os nossos dias de mundanismo na Igreja!
Almoçando com um amigo pastor, ouvi sobre sua viagem a uma nação da África, que é
predominante muçulmana. Atualmente eles torturam e matam cristãos nessa região. Ele me contou
que conheceu homens que haviam sido torturados, mas que ainda assim tinham paixão por pregar o
Evangelho a seus conterrâneos. Quando meu amigo ia pregar para os cristãos, todos os dias, ele
passava dirigindo em frente à forca usada para assassinar cristãos. Ele disse: “John, eu gostaria de
saber quantos norte-americanos continuariam a pregar o Evangelho se eles passassem diariamente
em frente ao lugar onde poderiam um dia ser enforcados por causa de sua crença”. Então, ele fez
um comentário que se alinha com o que Paulo disse: “John, existe algo nos Estados Unidos que nós
não temos aqui, que é liberdade religiosa. Mas aqui nós temos liberdade espiritual. Algo que não
existe nos Estados Unidos”.
De acordo com Paulo, os últimos dias não seriam difíceis por causa da perseguição aos santos,
mas sim por causa do mundanismo na Igreja. Será que nós estamos usando nossa liberdade de
maneira incorreta?
Em uma conferência na qual eu era um dos palestrantes, sentei em uma mesa, em frente a uma
pastora que acabara de retornar de uma visita a um país comunista na Ásia. A perseguição na região
era tão severa que os fiéis tinham de se encontrar em segredo. O pastor que organizava os cultos e
seus líderes já haviam sido presos inúmeras vezes. Na prisão, eles continuavam a pregar o
Evangelho para os criminosos, e muitos eram salvos. As autoridades ficavam tão iradas que os
colocavam em uma cela isolada. O pastor já havia sido preso mais de cem vezes e tinha passado
mais de dez anos na prisão.
Eles fizeram seus cultos sem serem perturbados, até o último. A polícia acabou descobrindo o
lugar onde se encontravam, e se não estivessem em alerta, eles teriam sido presos. Antes de se
despedirem, concordaram em se encontrar em um lugar remoto, na manhã seguinte, antes de a
pastora os deixar e voltar a seu país. Na manhã seguinte eles apareceram e pediram oração. A
pastora me disse: “John, senti que eles que deveriam ter orado por mim, e não eu por eles. Mas eu
sabia que Deus honraria a fé deles”. No fim desse culto, o pastor começou a chorar. Quando ela
perguntou a razão, ele respondeu que estava preocupado com o povo. Com lágrimas nos olhos, ele
disse:
— Eu temo a nossa liberdade.
A ministra ficou perplexa.
— Por que você teme a liberdade? — ela perguntou. — Você tem sido perseguido, caçado e preso
muitas vezes. Pense em todas as coisas que você poderia fazer se você e seu povo fossem livres!
Ele continuou:
— Eu temo que estas pessoas se tornem materialistas e mundanas quando tiverem liberdade, e se
desviem como outros fizeram em tantas igrejas ocidentais.
Como ela poderia argumentar com ele, vendo sua pura devoção a Deus e ao povo de que ele
cuidava? Seria essa a dedicação típica que ela havia encontrado no mundo ocidental? Nós vemos
esses santos que são perseguidos como os que vivem dias difíceis, mas quem, de acordo com a
Bíblia, está vivendo tempos difíceis? Paulo diz que somos nós, que temos liberdade religiosa e
mundanismo na Igreja.
A liberdade religiosa não nos faz mundanos, embora crie uma atmosfera que cultive os desejos já
existentes em nós, que nos fazem desviar. Nosso verdadeiro problema, assim como foi anteriormente
com Israel, é a nossa falta de desejo pela glória de Deus. Assim como aconteceu com Israel, esse
problema é originado por nossa atração pelos prazeres e apetites carnais.

A Mensagem de Jesus à Sua Igreja nos Últimos dias

No capítulo anterior, abordamos brevemente as sete cartas às igrejas históricas do livro de


Apocalipse, que tinham em si mensagens proféticas. Muitos teólogos concordam que as sete igrejas
representam um padrão cronológico da Igreja de uma forma geral, progredindo da Igreja Primitiva
dos primeiros séculos, até a Igreja que antecede a segunda vinda do Senhor.
Embora não conheçamos a hora da segunda vinda do Senhor, Jesus disse que saberíamos a
estação. Muitos estudiosos concordam que estamos vivendo na estação do Seu retorno. Portanto, a
exortação à última igreja, Laodiceia, se aplica profeticamente a nós: “E ao anjo da igreja que está
em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a Testemunha Fiel e Verdadeira, o Princípio da criação de
Deus” (Ap 3:14, ACF).
Jesus chama a Si mesmo de Testemunha Fiel e Verdadeira. “Fiel” significa que Ele é constante.
“Verdadeira” significa que Ele fala somente a verdade, mesmo que ela não seja prazerosa. “Fiel” e
“Verdadeira” significa que Ele será constantemente verdadeiro, independentemente da reação ou da
pressão.
Uma testemunha falsa mentirá e bajulará. Ela lhe dirá somente aquilo que você deseja ouvir, à
custa do que você na verdade precisaria ouvir. Um homem de negócios querendo seu dinheiro lhe
tratará bem e lhe dirá exatamente o que você quer ouvir. Mas o propósito dele é se aproveitar de
você. Como Igreja, temos abraçado pastores que nos têm dito somente o que queremos ouvir.
Queremos ouvir somente coisas boas e maravilhosas, e negligenciamos a verdade que precisamos
ouvir.
Jesus conforta e edifica, mas não deixa de nos dizer a verdade. Ele ama e perdoa, mas também
exorta e corrige! Observe Suas palavras: “Conheço as suas obras, sei que você não é frio nem
quente” (Ap 3:15).
Ele diz “obras” e não “intenções”. O caminho para o inferno é pavimentado por boas intenções.
Como Ele conhece a condição das igrejas? A resposta é clara: por suas obras ou ações.
As ações de pessoas frias são aquelas que claramente desobedecem a Deus. Elas não fingem ser
alguém que não são; elas estão perdidas e sabem disso. Elas sabem que não estão servindo a Deus.
Elas servem a outros deuses como seu dinheiro, seus negócios e a si mesmas. Elas vivem para o
prazer do momento, em farra e desordem. É a vida do pecador e daquele que admite estar desviado.
Do outro lado, estão aqueles que são considerados quentes, os que são consumidos pela paixão
por Deus. Eles se purificam para que possam se achegar bem perto da presença Dele. Santidade é o
desejo dessas pessoas; sem isso elas sabem que não podem ver o Senhor. Jesus é o centro de seus
corações e de suas vidas. O amor que essas pessoas têm por Ele origina o fogo que alimenta essa
paixão. Elas se deleitam em obedecer-Lhe. Elas também reconhecem sua verdadeira condição.
Jesus adverte que a Igreja dos últimos tempos estaria em uma condição que não é fria nem
quente. Então Ele diz: “Melhor seria que você fosse frio ou quente!” (Ap 3:15).
O significado dessa frase me incomodou durante anos. Por que Jesus disse para a Igreja, “Melhor
seria que você fosse frio ou quente”? Por que Ele não disse: “Melhor seria que você fosse quente”?
Ele nunca fala de maneira desonesta ou exagerada, então isso significa que a sua condição atual
(morna) é pior do que ser frio. Como um pecador ou desviado assumido pode estar em melhor
condição do que esses “cristãos da Igreja”?
Ele responde na declaração seguinte: “Assim, porque você é morno, não é frio nem quente, estou
a ponto de vomitá-lo da Minha boca” (Ap 3:16). Pessoas mornas são quentes demais para serem frias
e frias demais para serem consideradas quentes. Elas são quentes o suficiente para se misturar com
os quentes e ficarem despercebidas, e são frias o suficiente para se misturarem com os frios e
ficarem também despercebidas. Pessoas mornas se tornam como aqueles que estiverem ao seu
redor. Ao redor dos seguidores de Jesus, elas se misturam a eles. Conhecem a Bíblia, cantam as
músicas e falam como devem falar.
Ao redor dos seguidores do mundo, podem até não beber ou fumar, mas pensam e conduzem suas
vidas de maneira mundana, isto é, egoísta. Obedecem a Deus somente quando isso lhes é prazeroso
ou lhes traz benefícios. Mas, na verdade, são motivados pelos próprios interesses.
Jesus disse: “estou a ponto de vomitá-lo da Minha boca”. Por que ele escolhe essa analogia tão
vívida? Nós vomitamos o que o corpo não consegue assimilar. Um dia, há anos, durante um almoço,
dois de meus filhos pediram um hambúrguer. Depois de uma hora, ambos vomitaram o almoço, pois
havia sido feito com uma carne estragada. O corpo deles rejeitou a comida, pois seria prejudicial se
a assimilassem. O hambúrguer “ruim” parecia exatamente como os hambúrgueres “bons” que eles
já haviam comido inúmeras vezes antes. Jesus, na verdade, está dizendo: “Eu vomitarei do Meu
Corpo aqueles que dizem que pertencem a Mim, mas que, na verdade, não Me pertencem”.
Nem o frio nem o quente estão enganados com relação ao seu relacionamento com Deus, mas os
mornos estão enganados. Eles pensam que a condição deles é algo que realmente não é. Acham que
pertencem a Jesus. É por isso que eles são piores do que se fossem pecadores assumidos. Pecadores
sabem que não estão servindo a Deus; por isso eles são mais fáceis de serem alcançados. Pessoas
mornas acham que estão servindo a Deus. Elas confessam sua salvação, mas estão fora da graça de
Deus que professam. Elas são mais difíceis de serem convencidas.
Se as pessoas acham que estão salvas, elas não veem necessidade de salvação. Jesus entra em
detalhes sobre a verdadeira condição dessas pessoas: “Você diz: ‘Estou rico, adquiri riquezas e não
preciso de nada’. Não reconhece, porém, que é miserável, digno de compaixão, pobre, cego, e que
está nu” (Ap 3:17).
As pessoas dessa igreja se gloriavam em serem abastadas e não precisarem de nada. Elas se
confortavam com o que pensavam que eram as bênçãos de Deus. Essa poderia ser uma imagem das
nossas igrejas? Será que temos usado nossa liberdade e nossa riqueza para intensificar nosso culto
a Deus? Ou temos permitido que essa liberdade e essa riqueza nos enganem? Acredito que a maioria
das igrejas ocidentais se encaixa na segunda opção.
Contudo, tenho encontrado pessoas fiéis nas igrejas ocidentais que possuem uma verdadeira
paixão por Deus e que buscam se santificar. Elas são a minoria, e não a maioria. Essas pessoas são
verdadeiros soldados, que conhecem o campo de batalha e seu inimigo. A paixão que elas possuem é
visível através de suas obras, e não somente por suas palavras.
Jesus declara aos que são mornos na Igreja: “Dou-lhe este conselho: Compre de Mim ouro
refinado no fogo, e você se tornará rico; compre roupas brancas e vista-se para cobrir a sua
vergonhosa nudez; e compre colírio para ungir os seus olhos e poder enxergar” (Ap 3:18).
Ele enfatiza que devemos comprar algo Dele, algo que obviamente não é obtido simplesmente por
meio do reconhecimento do Seu senhorio. Lembre-se, a igreja professava a salvação em Seu Nome.
Mas lhes faltava algo que os verdadeiros cristãos deveriam possuir. Mas como compramos algo de
Jesus?
Deus nos diz em Provérbios 23:23 (ACF): “Compra a verdade, e não a vendas”. Por intermédio de
Isaías, o profeta, Ele diz:

Venham, todos vocês que estão com sede,
Venham às águas;
E vocês que não possuem dinheiro algum,
Venham, comprem e comam!
Isaías 55:1

Assim como na fala de Jesus, o foco está em comprar algo pelo qual o dinheiro não pode pagar.
Jesus fala do Reino dos Céus aos Seus discípulos: “O Reino dos Céus também é como um
negociante que procura pérolas preciosas. Encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu
tudo o que tinha e a comprou” (Mt 13:45-46). Para comprar essa pérola tão cara, que representa o
Reino, foi necessário vender tudo para ter o suficiente para pagar por ela. Em outras palavras, dê
sua vida completamente para servir a Ele e à Sua causa, sem reter nada para si mesmo; viva
completamente para Deus. Paulo diz isso do seguinte modo: “E Ele morreu por todos para que
aqueles que vivem já não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que por eles morreu e
ressuscitou” (2 Co 5:15).

A Prudente e a Insensata

Algumas das parábolas de Jesus ilustram esse ponto. Uma delas é encontrada nos primeiros doze
versículos de Mateus 25. O Reino dos Céus é comparado a dez virgens que tomaram suas candeias e
saíram para encontrar o Noivo, Jesus. Todas elas eram virgens, e todas elas o chamavam de
“Senhor”. Todas elas tinham suas candeias, que simbolizam a luz, representando aqueles que
receberam a dádiva da vida eterna. Todas elas esperavam ir com Ele em Sua segunda vinda. Ele não
está falando sobre pessoas que nunca ouviram o Evangelho ou nunca reconheceram crer Nele. Em
outras palavras, Jesus não está falando sobre os frios!
Das dez virgens, cinco eram prudentes e cinco eram insensatas. A proporção é significativa. Jesus
está falando de uma porção considerável da Igreja.
O que distingue as prudentes das insensatas? As insensatas tinham somente as candeias. As
prudentes tinham vasilhas que continham grande quantidade de azeite, para manter continuamente
suas candeias acesas. À meia-noite ouviu-se o clamor de que o Noivo chegara e as virgens deveriam
encontrar-se com Ele. Mas as candeias das virgens insensatas estavam se apagando. Elas
imediatamente disseram às prudentes: “Deem-nos um pouco do seu óleo, pois as nossas candeias
estão se apagando” (v. 8).
As prudentes disseram: “Não, para que não nos falte a nós e a vós outras! Ide, antes, aos que o
vendem e comprai-o” (v. 9, ARA).
Eu já ouvi diferentes pastores falando sobre essa parábola, mas ainda sentia que não havia
compreendido seu verdadeiro sentido. Então, uma manhã, enquanto estava em um lugar retirado,
em oração, eu fervorosamente clamei: “Senhor, por favor, ajuda-me a entender essa parábola!”.
Naquele mesmo dia, Deus mostrou-me que a frase-chave dessa parábola estava nas palavras das
virgens prudentes às virgens insensatas: “Ide, antes, aos que o vendem e comprai-o”. Imagine isto:
dez virgens, cinco prudentes e cinco insensatas, entram em uma loja. As insensatas vão até o balcão,
tiram algum dinheiro e dizem ao vendedor: “Dá-me uma destas candeias. Eu quero ser salva. Eu não
quero ir para o inferno. Eu quero a bênção de Deus”. Cada uma delas deixa o lugar com uma
candeia queimando e diz: “Graças a Deus, estou salva!”.
As virgens prudentes vão até o vendedor, tiram de seus bolsos tudo o que têm. Elas liquidaram
tudo o que tinham, trouxeram o dinheiro que guardavam e investiram. Elas dizem ao vendedor: “Isto
representa tudo o que eu possuo, cada centavo que tenho. Eu não tenho nada além disso. Por favor,
dá-me uma candeia, e use cada centavo restante para comprar todo o azeite que eu puder pagar”.
Cada uma delas deixa a loja com uma candeia e com uma grande quantidade de azeite para
alimentar a candeia.
A diferença é que as prudentes deram suas vidas inteiras e as insensatas deram somente o que
era necessário para serem salvas. Elas reservaram para si uma parte de suas vidas. Embora elas
tenham saído com suas candeias acesas, e a luz delas pudesse ser vista, não demoraria a chegar ao
fim. Nessa parábola, as lâmpadas começariam a apagar à meia-noite. Na hora mais obscura, quando
a tribulação alcançou o nível mais intenso, elas não puderam mais continuar. É por isso que Jesus
frequentemente diz: “Aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mt 24:13).
As virgens insensatas imediatamente saíram para comprar mais azeite, mas enquanto elas
estavam fora, o Noivo chegou. As prudentes estavam prontas e entraram com Ele para as bodas, e
as portas foram fechadas. Ao retornarem, as virgens insensatas clamaram: “Senhor! Senhor! Abra a
porta para nós!” (v. 11). Mas Ele respondeu, dizendo: “A verdade é que não as conheço!” (v. 12).
Novamente, o Senhor diz: “Eu não os conheço” àqueles que confessam Seu senhorio. Os mornos
não entregaram suas vidas completamente. Estas palavras de Jesus certamente se aplicaram a eles:
“E quem não toma a sua cruz e não Me segue, não é digno de Mim” (Mt 10:38).
Por que nós cremos em um Evangelho que nos dá provisões vindas do poder da ressurreição, mas
sem a Cruz? Esse Evangelho tem nos levado a um estado de mornidão. Ele tem roubado de nós o
fogo de Deus que precisamos ter queimando em nosso coração. Será que temos procurado entre os
mortos por Aquele que vive? Será que temos nos esquecido de Suas palavras, que tão claramente
nos dizem: “Pois quem põe os seus próprios interesses em primeiro lugar nunca terá a vida
verdadeira; mas quem esquece a si mesmo por Minha causa terá a vida verdadeira” (Mt 16:25,
NTLH)?
CAPÍTULO 11
Ouro, ROUPAS E COLÍRIO

O processo de santificação é um esforço cooperativo


entre Deus e nós.

Dou-lhe este conselho: Compre de Mim ouro refinado


no fogo, e você se tornará rico; compre roupas brancas e
vista-se para cobrir a sua vergonhosa nudez; e compre
colírio para ungir os seus olhos e poder enxergar.
Apocalipse 3:18

J esus aconselha àqueles que não possuem um coração ardente por Ele a comprarem três coisas:
ouro, roupas brancas e colírio para os olhos. Vamos examinar cada uma dessas coisas
separadamente.

Ouro Refinado no Fogo

O profeta Malaquias nos diz que nos últimos dias o Senhor viria à Sua Igreja como um fogo que
refina: “Ele Se assentará como um refinador e purificador de prata; purificará os levitas e os
refinará como ouro e prata. Assim trarão ao Senhor ofertas com justiça” (Ml 3:3).
A palavra levitas se refere profeticamente ao “sacerdócio real” (1 Pedro 2:9) que, como
abordamos anteriormente, é a Igreja. O profeta não tinha as terminologias do Novo Testamento. Ele
não era capaz de dizer: “Ele purificará os cristãos”, porque esses termos ainda não haviam sido
criados. Deus compara esse refinamento com o processo de refinamento do ouro e da prata, então,
precisamos entender as características do ouro e da prata e como eles são refinados. Jesus focou o
ouro, portanto nós nos concentraremos nele também.
O ouro é amplamente distribuído na natureza, mas sempre em pequenas quantidades. Raramente
o ouro é encontrado em seu estado puro. Em sua forma mais pura, o ouro é maleável, macio e livre
de corrosões e de outras substâncias. Quando o ouro se mistura com outros metais (por exemplo,
ferro, cobre ou níquel), ele se torna mais duro, menos maleável e mais corrosível. Essa mistura é
chamada de liga. Quanto maior for a porcentagem de cobre, ferro, níquel ou outro metal, mais duro
o ouro se torna. Da mesma forma, quanto menor for a porcentagem da liga, mais macio e maleável é
o ouro.
Imediatamente percebemos o paralelo que Jesus estabeleceu: um coração puro diante de Deus é
como o ouro puro que foi refinado. Um coração puro é macio, tenro e maleável. Paulo adverte que o
coração é endurecido pelo engano do pecado (ver Hebreus 3:13). O pecado, que é o mesmo que a
desobediência aos caminhos de Deus ou à Sua autoridade, é a substância adicionada, que
transforma nosso ouro puro em liga, endurecendo o coração. Essa falta de maleabilidade cria uma
perda de sensibilidade que nos impede de ouvir a Sua voz. Infelizmente, um número muito grande
de pessoas na Igreja tem aparência de santidade, mas sem um coração maleável. Seus corações não
mais queimam por Jesus. Seu amor incandescente por Deus foi substituído por um amor próprio frio,
que busca somente o próprio prazer, conforto e benefício. O seu ‘temor a Deus’ é um meio de
benefício pessoal (ver 1 Timóteo 6:5), eles buscam somente os benefícios das promessas e excluem
Aquele que faz a promessa. Enganados, eles se deleitam com o mundo, esperando também
receberem o Céu. Eles são mornos dentro da Igreja. Contudo, Tiago admoesta que o verdadeiro e
puro cristianismo é “não se deixar corromper pelo mundo” (Tg 1:27). Jesus está voltando para uma
Igreja que é pura, sem ruga, sem mácula, mancha ou qualquer impureza (ver Efésios 5:27), uma
Igreja cujo coração não foi contaminado pelo sistema do mundo!
Outra característica do ouro é sua resistência à corrosão. Embora outros materiais se manchem
como resultado das mudanças atmosféricas, as mudanças da atmosfera não fazem com que o ouro
puro fique manchado. O latão (uma liga amarelada de cobre e zinco), embora se pareça com o ouro,
não se comporta como o ouro. O latão se mancha facilmente. Ele tem a aparência do ouro, mas não
possui suas características. Quanto maior for a porcentagem de substâncias estranhas no ouro, mais
suscetível ele é à corrupção e corrosão.
Nos dias de hoje, o sistema do mundo tem contaminado a Igreja. Nós temos sido infiltrados por
seus modos de vida, e temos sido manchados. Na igreja ocidental nossos valores são poluídos pelo
mundanismo. Temos buscado nossos apetites carnais e os chamamos de bênçãos de Deus. Ao pensar
que estamos ricos com essas bênçãos, tornamo-nos insensíveis e não percebemos nossa necessidade
de purificação.
Malaquias mostra que Jesus refinará Sua Igreja, limpando-a da influência do mundo, assim como
se refina o ouro. No processo de refinação, o ouro moído é então misturado com uma substância
chamada fundente. Os dois são colocados em uma fornalha e derretidos com a intensidade do fogo.
As impurezas são atraídas pelo fundente e sobem à superfície. O ouro, que é mais pesado,
permanece no fundo. As impurezas ou escórias (tais como cobre, ferro, zinco junto ao fundente) são
então removidas.
Observe o que Deus diz através de Isaías, o profeta: “Veja, Eu refinei você, embora não como
prata [ou ouro]; Eu o provei na fornalha da aflição” (Is 48:10). A fornalha que Ele usa para nos
refinar é a aflição, o sofrimento, os problemas, e não uma fornalha literal, de fogo físico, como
aquele em que o ouro e a prata são refinados. Pedro afirma isso ao dizer:

Nisso vocês exultam, ainda que agora, por um pouco de tempo, devam ser entristecidos por
todo tipo de provação. Assim acontece para que fique comprovado que a fé que vocês têm,
muito mais valiosa do que o ouro que perece, mesmo que refinado pelo fogo, é genuína e
resultará em louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo for revelado.
1 Pedro 1:6-7

O fogo do Senhor, que refina, são as provações e tribulações. Seu calor destaca as impurezas,
separando-as do caráter de Deus em nossas vidas.
Cresci em uma igreja denominacional que ensinava que tudo que era preciso para ser salvo era
aspergir água sobre sua cabeça quando criança, frequentar os cultos e seguir as leis da igreja.
Quando eu fui salvo em minha fraternidade, na época em que cursava a faculdade em 1979,
imediatamente comecei a frequentar uma igreja independente que enfatizava as bênçãos de Deus. A
santificação não era ensinada nessa igreja nem na igreja denominacional que eu frequentara no
passado.
Em 1985, Deus começou a lidar comigo em oração sobre a necessidade de pureza, o que criou
uma sede em minha vida. Eu pedia a Deus apaixonadamente para que purificasse minha vida. Após
alguns meses Ele respondeu. Em dezembro daquele ano, Ele me disse que iria me ensinar como
negar a mim mesmo, tomar a minha cruz e segui-Lo. Ele me mostrou que faria um trabalho de
santificação em minha vida.
Animado, eu disse à minha esposa: “Deus vai remover de mim toda impureza”. Continuei dizendo
a ela todas as coisas que Deus iria tirar de mim. A maioria delas eram excessos relacionados à gula
por certos alimentos, muito tempo de televisão e excesso de foco nos prazeres. Porém, durante os
três meses que se seguiram, nada aconteceu. Na verdade, as coisas pioraram. Era como se eu
tivesse me tornado duas vezes mais carnal.
Eu perguntei ao Senhor:
— Por que esses maus hábitos estão piorando e não melhorando?
Ele respondeu:
— Filho, Eu disse que iria purificá-lo. Você tem tentado fazer isso com sua própria força. Agora, Eu
farei isso da Minha maneira.
Daquele ponto em diante, passei por provações intensas, às quais nunca havia experimentado! E
no meio de tudo aquilo, Deus parecia estar a milhões de quilômetros de distância, embora não
estivesse. Defeitos em minha personalidade que antes ficavam escondidos vieram à superfície, e a
raiz de todos esses defeitos podia ser resumida em uma só palavra: egoísmo! Eu era rude e duro
com os mais próximos de mim. Às vezes gritava com minha esposa e meus filhos sem motivo. Eu
murmurava sobre quase tudo. Eu não era uma companhia agradável. Não demonstrava amor por
minha família, meus amigos e meu pastor, e os tratava como se eles fossem a razão da angústia na
minha alma. Eles começaram a me evitar por causa da minha atitude e do meu comportamento.
Finalmente, clamei ao Senhor:
— De onde toda essa ira está vindo? Ela não estava aqui antes!
Ele me mostrou na Bíblia Sua Palavra sobre purificação, em seguida respondeu minha pergunta:
— Filho, quando eles purificam o ouro, o colocam em uma fornalha muito quente, e intensificam o
calor para que ele se torne líquido. Uma vez feito isso, as impurezas aparecem na superfície.
Ele me levou a olhar para minha aliança de casamento de ouro. Ela possui quatorze quilates de
ouro, o que significa que quatorze de vinte e quatro partes da aliança eram de ouro, porém dez
partes eram de outros metais. Isso significa que aproximadamente 60% dessa aliança era de ouro.
Então Ele me fez as seguintes perguntas que mudaram minha vida:
— Esse anel parece ser de ouro puro para você?
Eu respondi:
— Sim.
Ele retrucou:
— Mas ele não é de ouro puro, é?
Eu respondi:
— Não, Senhor.
Ele continuou:
— Você não pode ver as impurezas do ouro antes que ele seja colocado no fogo, mas isso não
significa que elas não estejam lá.
Eu respondi, dizendo:
— Sim, Senhor.
Então, Ele fez uma declaração que impactou meu coração como uma bomba:
— Quando Eu coloco Meu fogo sobre você, essas impurezas vêm à tona; embora estivessem
despercebidas a seus olhos, elas eram visíveis a Mim. Agora a escolha é sua; sua reação ao que for
exposto é que determinará seu futuro. Você pode permanecer irado, culpar sua esposa, seus amigos,
seu pastor ou as pessoas com as quais você trabalha por sua condição. Você pode permitir que as
impurezas permaneçam, dando justificativas para seu comportamento. Mais tarde, quando as
provações diminuírem, elas se esconderão novamente. Ou você pode ver sua condição como ela é,
arrepender-se, pedir perdão, e Eu, com as Minhas Mãos, removerei essas impurezas de sua vida.
Deus não as removerá contra nossa vontade. Paulo sabia disso e nos advertiu: “Amados, visto que
temos essas promessas, purifiquemo-nos de tudo o que contamina o corpo e o espírito,
aperfeiçoando a santidade no temor de Deus” (2 Co 7:1). E ele escreveu a Timóteo sobre esse
assunto:

“Afaste-se da iniquidade todo aquele que confessa o Nome do Senhor”. Numa grande casa há
vasos não apenas de ouro e prata, mas também de madeira e barro; alguns para fins
honrosos, outros para fins desonrosos. Se alguém se purificar dessas coisas, será vaso para
honra, santificado, útil para o Senhor e preparado para toda boa obra.
2 Timóteo 2:19-21

O processo de santificação é um esforço cooperativo entre Deus e nós. Ele providencia a graça,
mas nós precisamos querer e pedir por Sua purificação. Então, quando Ele começa o processo, nós
precisamos cooperar por meio de humildade e obediência. Na minha vida, eu podia ver somente os
meus excessos externos como o mau hábito de comer demais, ver televisão demais, muita diversão,
e assim por diante. Mas Deus podia ver as raízes mais profundas, e depois que Ele tratou delas, as
outras coisas se alinharam. A purificação é um processo constante, contínuo e muitas vezes
doloroso, mas sabendo o que é produzido como resultado, devemos dar boas-vindas a esse processo.
Outra característica do ouro em seu estado mais puro é a transparência: “A rua principal da
cidade era de ouro puro, como vidro transparente” (Ap 21:21). Quando é purificado pelo fogo das
tribulações, você se torna transparente! Um recipiente transparente não traz nenhuma glória para
si mesmo, e sim glorifica o que contém em seu interior. Quanto mais somos refinados, mais
claramente o mundo pode ver Jesus em nós. Aleluia!
Davi, que tinha um coração segundo o coração de Deus, clamou: “Quem pode discernir os
próprios erros? Absolve-me dos que desconheço!” (Sl 19:12). Que esse seja o nosso clamor. Se
pedirmos a Deus para purificar nossos corações, Ele irá remover as impurezas que estão ocultas aos
nossos olhos. Deus conhece nossos pensamentos e nossas intenções mais íntimas, até mesmo
aqueles que nós desconhecemos. Ao sermos refinados, serão fortalecidas as coisas boas que temos,
e serão removidas as coisas que nos prejudicam ou nos enfraquecem. Por essa razão, Jesus
aconselha a Igreja dos nossos dias a comprar Dele ouro refinado no fogo para que nos
enriqueçamos, não com aquilo que o mundo busca, mas com o que dura eternamente.

Roupas Brancas

Após aconselhar essa igreja a comprar ouro refinando, Jesus a aconselha a comprar Dele roupas
brancas, para que a vergonha da sua nudez não seja revelada. Deus exorta Israel em termos
similares quando Isaías clama:

Desperte! Desperte, ó Sião!
Vista-se de força.
Vista suas roupas de esplendor,
ó Jerusalém, cidade santa.
Isaías 52:1

Sião é uma tipologia da Igreja. Deus não disse: “Eu a vestirei com suas roupas”; Ele disse: “Vista
suas roupas de esplendor”. De maneira semelhante, Paulo diz à Igreja: “Revistam-se do Senhor
Jesus Cristo, e não fiquem premeditando como satisfazer os desejos da carne” (Rm 13:14). Esses
apelos são feitos porque ninguém se achegará ao Senhor sem essas roupas brancas (ver Apocalipse
7:9). Contudo, o ponto-chave em todas as três passagens é que somos nós quem devemos vesti-las.
Novamente, Sua graça providencia para nós a capacidade de comprar essas roupas. Não
poderíamos providenciá-las por nós mesmos, porque todos os “nossos atos de justiça são como trapo
imundo” (Is 64:6). Mas, como o profeta diz:

É grande o meu prazer no Senhor!
Regozija-se a minha alma em meu Deus!
Pois Ele me vestiu com as vestes da salvação
E sobre mim pôs o manto da justiça,
Qual noivo que adorna a cabeça como um sacerdote,
Qual noiva que se enfeita com joias.
Isaías 61:10

O Senhor providencia as vestes de salvação e as joias; nós nunca poderíamos providenciar isso
para nós mesmos. Mas, novamente, essas provisões podem ser recebidas em vão. A noiva precisa
enfeitar a si mesma.
Considere este exemplo: uma mulher pobre é pedida em casamento pelo filho de um grande rei.
Ela não tem dinheiro e não tem condição alguma de conseguir recursos para se preparar para o
casamento. Ela tem apenas farrapos, e não terá sua entrada permitida na corte do rei se não estiver
usando a vestimenta apropriada. Em seu grande amor, o filho do rei dá a ela o necessário para
comprar um bonito vestido e joias para que ela use no dia da cerimônia. Mas ela não usa nada do
que recebeu para o casamento; ela gasta o dinheiro com seus próprios prazeres. É um insulto ao
grande rei e a seu filho quando ela aparece para o casamento sem as vestes apropriadas. A
capacidade de conseguir as vestes foi graciosamente dada a ela, mas ela recebeu a provisão em vão.
Ela não se preparou para o casamento.
Se ela tivesse usado o que ele lhe deu para comprar as vestes para o casamento, então ela se
orgulharia no rei. Ela teria declarado: “Ele me vestiu com este vestido de casamento”. Embora tenha
recebido um presente pela graça, ela seria capaz de vestir a si mesma. Teria sido algo dado
totalmente pela provisão do rei. Mas ela teria de se preparar ao comprar o traje e colocá-lo em si
mesma.
Esse exemplo relata muito bem nossa preparação para o retorno do Noivo. João descreve a cena
que viu e ouviu:

Regozijemo-nos! Vamos alegrar-nos e dar-Lhe glória! Pois chegou a hora do casamento do
Cordeiro, e a Sua noiva já se aprontou. Para vestir-se, foi-lhe dado linho fino, brilhante e
puro. O linho fino são os atos justos dos santos.
Apocalipse 19:7-8

A palavra grega para “atos de justiça” no versículo 8 é dikaioma. O Dicionário de Strong define
essa palavra como “um feito justo”. De acordo com o Dicionário de Vine, essa palavra significa “um
ato de justiça, uma expressão concreta de retidão”. Deus nos dá Sua graça para que possamos
produzir obras de justiça. De acordo com a Palavra de Deus, esses atos compram as roupas brancas
com as quais podemos nos vestir para as Bodas do Cordeiro. Mas será que temos recebido essa
graça em vão? Se são nossos atos de justiça que produzem nossas roupas para as Bodas, então
muitos de nós seremos encontrados praticamente nus! A maioria das igrejas ocidentais não possui
obras suficientes para uma minissaia, quanto mais para um vestido de casamento! Novamente, isso
explica e confirma o comentário de Tiago (colocado em forma de pergunta): “Insensato! Quer
certificar-se de que a fé sem obras é inútil?” (Tg 2:20). Será que perdemos de vista essa verdade na
igreja ocidental moderna?
Tiago dá dois exemplos que ilustram a verdadeira fé. Ele diz: “Não foi Abraão, nosso antepassado,
justificado por obras, quando ofereceu seu filho Isaque sobre o altar?” (v. 21). Alguns podem dizer:
“Pensei que fôssemos justificados pela fé”. Nós somos. Mas não pela fé e pela graça que têm sido
pregadas no mundo ocidental nas últimas décadas. A fé não é real, a menos que haja obras
correspondentes, e sem a graça de Deus não poderá haver atos correspondentes.
Tiago continua:

Você pode ver que tanto a fé como as obras estavam atuando juntas, e a fé foi aperfeiçoada
pelas obras. Cumpriu-se assim a Escritura que diz: “Abraão creu em Deus, e isso lhe foi
creditado como justiça”, e ele foi chamado amigo de Deus. Vejam que uma pessoa é
justificada por obras, e não apenas pela fé.
Tiago 2:21-24

Na segunda ilustração, Tiago escreve: “Caso semelhante é o de Raabe, a prostituta: não foi ela
justificada pelas obras, quando acolheu os espias e os fez sair por outro caminho? Assim como o
corpo sem espírito está morto, também a fé sem obras está morta” (Tg 2:25-26). Outra tradução diz:
“Assim também a fé sem ações está morta” (NTLH).
A fé não é fé de fato se não for acompanhada por obras. Nós podemos proclamar nossa fé, como a
Igreja de Laodiceia fez, mas será que temos as obras correspondentes que confirmam essa fé?
Vamos considerar duas parábolas que Jesus conta imediatamente após a parábola das dez virgens.
Lembre-se de que o ponto central na parábola das dez virgens é que as insensatas não entregaram
suas vidas por inteiro, mas ainda assim chamavam Jesus de “Senhor”. A entrada delas nas Bodas foi
negada.
A parábola seguinte é com relação a um homem rico que fez uma longa viagem. Esse homem rico
representa Jesus. Ele chamou todos os seus servos e lhes deu dinheiro para que investissem para ele
enquanto estivesse fora. Ele deu a eles quantidades diferentes, de acordo com a capacidade deles, e
então partiu. Dois dos servos trabalharam diligentemente e dobraram a quantidade que lhes foi
dada. O terceiro, que havia recebido menos, cavou um buraco no chão e escondeu o dinheiro que o
senhor lhe dera, para mantê-lo protegido. Ele não usou o que lhe foi dado; ele recebeu em vão.
Após um longo tempo, o senhor retornou de sua viagem e os chamou para que prestassem conta
do que haviam feito. O senhor elogiou e recompensou os dois primeiros servos, que trabalharam
diligentemente com o que lhes havia sido confiado. Então o servo que recebeu a menor quantia,
disse: “Senhor, sei que o senhor é um homem duro, que espera receber algo a troco de nada, por
isso fiquei com medo e escondi seu dinheiro na terra. Aqui está ele” (paráfrase do autor). O senhor
respondeu: “Servo mau e preguiçoso!” (Mt 25:26, AA).
Ele diz “servo”. Ele não usa palavras como ímpio, estrangeiro, forasteiro ou inimigo. Aqueles que
não receberam Sua graça é que são inimigos (ver Romanos 5:10). Aqueles que não foram salvos é
que são estrangeiros (ver Efésios 2:19). Aqueles que não creem em Deus é que são ímpios. Esse
homem não é chamado por nenhum desses nomes, mas de servo do senhor. Jesus deixou claro: “Pois
a quem tem, mais será dado, e terá em grande quantidade. Mas a quem não tem, até o que tem lhe
será tirado” (Mt 25:29).
O julgamento do senhor para seus três servos se fundamentou em como eles usaram o que lhes foi
dado. O julgamento não tinha nada a ver com o fato de crerem ou não que o mestre existia. É claro
que o terceiro servo acreditava que ele existia, pois havia recebido dele. Ele também sabia que o
senhor retornaria, pois escondeu o dinheiro para mantê-lo a salvo. Contudo, ele viveu com uma
atitude de ignorar a volta do Senhor. Ele não redimiu o tempo; ele não fez atos de justiça. O senhor
pronunciou o julgamento desse servo inútil: “E lancem fora o servo inútil, nas trevas, onde haverá
choro e ranger de dentes” (Mt 25:30).
Embora essa parábola fale de investir dinheiro e não de comprar vestes, o mesmo princípio se
aplica a ela: não houve atos de obediência. O julgamento pronunciado ao servo preguiçoso está
relacionado ao julgamento que Jesus deu à igreja de Laodiceia. Eles estavam nus, pois suas obras (e
não a crença na existência de Deus) eram mornas.
A parábola que Jesus conta em seguida está relacionada ao Último Julgamento, que acontecerá
quando Ele vier para julgar todos os povos. Ele os separará como um pastor separa ovelhas de
bodes.

Então o Rei dirá aos que estiverem à Sua direita: “Venham, benditos de Meu Pai! Recebam
como herança o Reino que lhes foi preparado desde a Criação do mundo. Pois Eu tive fome, e
vocês Me deram de comer; tive sede, e vocês Me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês Me
acolheram; necessitei de roupas, e vocês Me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de
Mim; estive preso, e vocês Me visitaram”. Então os justos lhe responderão: “Senhor, quando
Te vimos com fome e Te demos de comer, ou com sede e Te demos de beber? Quando Te
vimos como estrangeiro e Te acolhemos, ou necessitado de roupas e Te vestimos? Quando Te
vimos enfermo ou preso e fomos Te visitar?” O Rei responderá: “Digo-lhes a verdade: o que
vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a Mim o fizeram”.
Mateus 25:34-40

Jesus está Se referindo não somente aos enfermos, famintos ou presos fisicamente. Ele está
falando dos espiritualmente fracos também. Na maior parte de Seu ministério, Jesus cuidou dos
espiritualmente pobres. Ele deu de comer aos que tinham fome espiritual (ver Mateus 5:6). Ele deu
de beber aos que tinham sede espiritual (ver João 4:10). Aos doentes e aprisionados, Jesus disse:

O Espírito do Senhor está sobre Mim,
porque Ele Me ungiu
para pregar boas novas aos pobres.
Ele Me enviou para proclamar liberdade aos presos
e recuperação da vista aos cegos,
para libertar os oprimidos.
Lucas 4:18

Se Ele estivesse Se referindo somente a obras físicas nessa parábola, então os doze apóstolos não
teriam dito à Igreja: “Não é certo negligenciarmos o ministério da Palavra de Deus, a fim de servir
às mesas” (At 6:2). De maneira alguma essa afirmação implica desmerecer o cuidado com os pobres
ou doentes fisicamente; ambas as coisas são importantes.
O ponto-chave é fazer a obra de Jesus. Jesus é nosso Mestre e Senhor, mas Ele não veio para ser
servido ou viver Sua vida em prazeres. Ele veio para servir e dar a Sua vida em favor de muitos (ver
Mateus 20:28). Os santos justos que foram recompensados nessa parábola são os que deram a vida
em favor da obra de Jesus. Suas obras eram quentes, e não mornas.

Então Ele dirá aos que estiverem à Sua esquerda: “Malditos, apartem-se de Mim para o fogo
eterno, preparado para o diabo e os seus anjos. Pois Eu tive fome, e vocês não Me deram de
comer; tive sede, e nada Me deram para beber; fui estrangeiro, e vocês não Me acolheram;
necessitei de roupas, e vocês não Me vestiram; estive enfermo e preso, e vocês não Me
visitaram”. Eles também responderão: “Senhor, quando Te vimos com fome ou com sede ou
estrangeiro ou necessitado de roupas ou enfermo ou preso, e não Te ajudamos?”. Ele
responderá: “Digo-lhes a verdade: O que vocês deixaram de fazer a alguns destes mais
pequeninos, também a Mim deixaram de fazê-lo. E estes irão para o castigo eterno, mas os
justos para a vida eterna”.
Mateus 25:41-46

Nessa parábola, a única diferença entre os dois grupos é o que fizeram e o que não fizeram. Em
outras palavras, a única diferença foram as obras. Aqueles que receberam um galardão agiram na
graça que lhes fora dada e produziram obras de justiça. As pessoas que foram julgadas eram
formadas por dois grupos: aqueles que eram ímpios e os que eram servos, mas que não fizeram nada
com a graça que lhes foi dada. Eles não produziram atos de retidão; eles receberam a graça de Deus
em vão.
Ocasionalmente, faço perguntas durante minhas pregações em grandes congregações e ouço
respostas de partir o coração. Por exemplo, eu pedi às mães viúvas e solteiras que se levantassem —
e há muitas delas — e lhes perguntei: “As pessoas da igreja chegam até você no final do culto de
manhã e perguntam: ‘Você e seus filhos gostariam de vir à nossa casa para almoçar conosco? Nós
sabemos que seus filhos não têm um pai e precisam ver um exemplo de bom pai’”. A resposta mais
positiva que consegui ouvir até hoje foi de duas pessoas em uma congregação de quase mil pessoas.
Eu continuo: “Se sua máquina de lavar, ou outro eletrodoméstico importante em sua casa, quebra,
você telefona para alguém de uma das famílias da igreja e pede por ajuda e no mesmo dia esses
irmãos se oferecem para ajudar, certo?”. Elas olham para mim, espantadas, algumas com lágrimas
nos olhos, pois, sem saber, eu falei de uma situação que passaram. Novamente, nenhuma resposta
positiva. Outras questões de cuidado básico têm a mesma reação.
Eu enfatizo ao povo que esse cuidado e carinho não são responsabilidade dos pastores. A
responsabilidade deles é de “preparar os santos para a obra do ministério, para que o Corpo de
Cristo seja edificado” (Ef 4:12).
Então eu mudo de assunto e pergunto à toda a congregação: “Quantos de vocês ministram em
uma prisão pregando o Evangelho?”. Cinco a oito pessoas geralmente se levantam em uma grande
congregação. Quando eu pergunto: “Quantos de vocês visitam hospitais ou asilos?”. Recebo a
mesma resposta. Quando eu pergunto: “Quantos de vocês vão aos bairros marginalizados para levar
a Palavra de Deus às pessoas?”. Vejo a mesma reação. A razão para uma resposta tão pequena é
porque cerca de 80% da maioria das congregações vive basicamente em função de si mesmas e de
suas famílias. Mas os incrédulos é que fazem assim!
Por outro lado, quase todas as pessoas que não responderam certamente iriam a um culto
milagroso onde um “profeta” lhes diria que elas iriam prosperar nos negócios e ser bem-sucedidas
em seus ministérios. Elas dirigiriam milhares de quilômetros para receber “uma unção dobrada” ou
ir a um “culto de renovação”. Por quê? Na maioria das vezes não para ser mais útil para Jesus, e sim
para descobrir mais benefícios para si mesmas.
Recentemente assisti a um evangelista popular da televisão ensinando uma enorme multidão
sobre a unção. Ele compartilhou o preço da unção e o povo ouvia atentamente. Não era difícil
detectar a paixão que eles tinham pelo poder de Deus. Alguns olhavam para ele como se tivessem
fogo nos olhos. Contudo, eu senti um incômodo em meu espírito, o que foi confirmado quando um
homem colocou um cheque nas mãos desse evangelista. Era uma “oferta”. Eu me lembrei de Pedro,
quando lhe ofereceram dinheiro por causa da unção, no livro de Atos. Eu me senti aliviado ao ver
que o evangelista devolveu o cheque ao homem.
Imediatamente fui para um lugar mais silencioso para orar.
— Senhor — eu questionei — sinto um incômodo. Eu acho que sei o porquê, mas quero que o
Senhor me explique.
Sua doce e suave voz falou ao meu coração:
— John, eles têm paixão pelo Meu poder, mas pelas razões erradas. O poder pode fazer com que as
pessoas se sintam importantes. Ele lhes dá autoridade, valor ou lhes traz dinheiro. Eles o desejam
não para servir, mas para terem sucesso.
As palavras de Jesus à multidão no Dia do Julgamento vieram à minha mente. Eles professavam
Seu senhorio pelo fato de terem feito milagres, expulsado demônios e profetizado em Nome Dele.
Mas Jesus virou-se para eles e disse: “Afastem-se de Mim, vocês que não fazem a vontade do Meu
Pai” (Mt 7:21-23, paráfrase do autor).
O Senhor continuou:
— John, eles não disseram: “Senhor, Senhor, nós visitamos os que estavam na prisão em Teu
Nome, nós alimentamos os famintos e vestimos os nus em Teu Nome”.
Eu respondi:
— Não, Senhor, eles não disseram.
A partir disso eu pude ver dois grupos de pessoas, que constituem uma grande parte da Igreja.
Um grupo, o maior dos dois, vem para a igreja, mas vive sua vida buscando sucesso no mundo. O
outro grupo vem à igreja buscando sucesso em seus ministérios. Um terceiro grupo muito menor é
constituído por aqueles que buscam apaixonadamente agradar a Jesus, servindo Seu povo e
alcançando os perdidos, com corações puros!
Ai, povo de Deus, você pode ver os caminhos perigosos tomados pela igreja ocidental? Quando
muitos vêm às nossas igrejas, ouvem um sermão uma ou duas vezes por semana, e então vão para
casa para viverem em função de si mesmos no restante da semana, que tipo de vestes ele têm? É
como se a única forma de arrastar esses “crentes” para a igreja, além dos dias usuais, é dizer que
haverá uma bênção que os beneficiará de uma forma egoísta. Eles usam sua energia e seu esforço
em buscar ganho e recompensa próprios. A maioria dessas pessoas sabe as coisas certas a dizer e
parece ser amável, mas não está vivendo para o Mestre. O que eles farão no Dia do Julgamento,
quando forem chamados para prestar contas da graça que lhes foi dada? Estarão nus ou estarão
vestidos de atos de justiça e retidão?
Paulo clamou:

Por isso, temos o propósito de Lhe agradar, quer estejamos no corpo, quer o deixemos. Pois
todos nós devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba de
acordo com as obras praticadas por meio do corpo, quer sejam boas quer sejam más. Uma
vez que conhecemos o temor ao Senhor, procuramos persuadir os homens.
2 Coríntios 5:9-11

Será que temos considerado o temor do Senhor? Ou zombamos de Sua santidade ao ignorarmos o
Dia do Julgamento? Será que temos confiado em palavras vazias e sem nexo? Isso nos leva à terceira
coisa que Jesus aconselha aos mornos que comprem Dele.

Colírio para os Olhos

Após aconselhar à igreja para que compre ouro refinado e roupas brancas, Jesus os aconselha a
comprarem Dele colírio para os olhos, para que possam enxergar. O colírio é um umectante para os
olhos, composto por várias substâncias e aplicado com propósitos medicinais. A escola de medicina
de Laodiceia era famosa por causa de seu colírio.
Considerando que o povo da cidade estava familiarizado com colírio para os olhos, Jesus usou-o
para fazer a analogia de que aquela igreja precisava de cura para sua cegueira espiritual. Embora
essa seja uma igreja histórica, isso tem uma aplicação profética. Muitos teólogos acreditam que essa
fala se aplica ao período imediatamente anterior à volta de Jesus, que são os nossos dias. A igreja
alega que vê, mas Jesus identifica sua realidade e diz: “Não reconhece, porém, que é miserável,
digno de compaixão, pobre, cego, e que está nu” (Ap 3:17).
Paulo escreve aos cristãos: “Oro também para que os olhos do coração de vocês sejam iluminados”
(Ef 1:18). Ser iluminado é enxergar claramente. Nós precisamos ver ou enxergar da maneira que
Jesus vê. E somente podemos fazer isso ao passarmos tempo na presença Dele, ouvindo Sua palavra,
e servindo a Ele.
Esse princípio geral se aplica aos líderes naturais. Você aprende qual é a visão de um líder ao
servi-lo e passar tempo a seu lado. Minha esposa passou mais tempo comigo do que qualquer outra
pessoa que trabalha conosco em nosso ministério. Ela é uma mulher de Deus; ela se alegra em ser
minha esposa e em servir a Deus sob a minha autoridade. Ela é a pessoa que mais se dedica ao
trabalho em minha equipe. Já houve inúmeros incidentes em nosso ministério durante os quais os
membros da equipe precisavam de uma decisão enquanto eu estava ausente, e ela foi capaz de dar
uma diretriz correta em todas as vezes.
Moisés passou mais tempo na presença de Deus do que qualquer pessoa em seus dias: “Moisés
tinha cento e vinte anos de idade quando morreu; todavia, nem os seus olhos nem o seu vigor
tinham se enfraquecido” (Dt 34:7). Ele também se deleitou em servir a Deus mais do que qualquer
outra pessoa, e Deus o chamou de “Meu servo... fiel” (Nm 12:7).
O povo de Israel, por outro lado, não tinha essa paixão pela presença de Deus; eles desejavam
somente Suas bênçãos. Eles somente O serviriam se vissem os benefícios. Portanto, eles não viam as
coisas do modo como Deus as via.
Eles foram repetidamente corrigidos por causa de percepções errôneas. O problema chegou ao
auge quando os líderes entraram na terra prometida. Ao retornarem, dez dos líderes disseram à
congregação: “éramos aos nossos olhos como gafanhotos, e assim também éramos aos seus olhos”
(Nm 13:33, ACF).
Calebe e Josué viram a situação de forma diferente. Eles disseram ao povo: “Não sejam rebeldes
contra o Senhor. E não tenham medo do povo da terra, porque nós os devoraremos como se fossem
pão. A proteção deles se foi, mas o Senhor está conosco. Não tenham medo deles!” (Nm 14:9). Por
que esses homens eram tão diferentes quanto à maneira de ver a situação? Josué tinha paixão por
passar tempo com Deus. Josué foi o mais perto que lhe fora permitido subir à montanha (ver Êxodo
24:13).
Mais tarde, antes que o tabernáculo fosse construído, Moisés ergueu uma tenda longe do
acampamento e a chamou de tenda do encontro. Se alguém quisesse buscar ao Senhor, deveria ir
para fora do acampamento, até a tenda do encontro. Além de Moisés, a Bíblia não menciona mais
ninguém indo à tenda, a não ser Josué. Quando Moisés foi ao lugar de encontro, todos se levantaram
e ficaram de pé à porta de suas tendas e adoraram de longe. Eles o respeitavam por buscar a Deus,
mas não se achegavam mais perto, pois seus corações seriam revelados. Mas a Bíblia diz que
quando Moisés retornou ao acampamento, “Josué, filho de Num, que lhe servia como auxiliar, não se
afastava da tenda” (Êx 33:11).
Duas coisas são evidentes aqui. Primeira, Josué tinha paixão pela presença de Deus. Josué
permanecia ali, mesmo quando Moisés deixava a tenda. Segunda, Josué era o servidor de Moisés.
Ele, também, era um servo fiel do Senhor; seus atos correspondiam à sua fé. A percepção de Josué
era clara, pois ele passava tempo com Deus e produzia atos de justiça e retidão.
Hoje, algumas pessoas passam horas em oração, mas não são servidoras. Elas estão sempre
criando problemas em suas igrejas por causa de sua cegueira. Elas são pessoas superespirituais que
não produzem frutos verdadeiros para o Reino. Elas são cegas, pois não são pessoas que servem. É
necessário tanto passar tempo com o Senhor quanto ser um servidor.
Assim como a visão de Moisés era correta, a de Josué também. Ambos passavam tempo com Deus
e eram servos que mostravam atos de justiça. Os filhos de Israel se viam como gafanhotos, e diziam
que o inimigo também os via da mesma forma. Josué e Calebe disseram que a proteção e a força dos
inimigos haviam sido retiradas. Quem conseguiu ver corretamente? Quarenta anos mais tarde,
quando Josué enviou dois espiões à mesma terra, um dos habitantes disse aos espias:

Pois temos ouvido como o Senhor secou as águas do mar Vermelho perante vocês quando
saíram do Egito, e o que vocês fizeram a leste do Jordão com Seom e Ogue, os dois reis
amorreus que vocês aniquilaram. Quando soubemos disso, o povo desanimou-se
completamente, e por causa de vocês todos perderam a coragem, pois o Senhor, o seu Deus,
é Deus em cima nos Céus e embaixo na Terra.
Josué 2:10-11

Josué viu perfeitamente, enquanto a percepção dos outros líderes estava completamente
equivocada. Essa situação é semelhante à do servo preguiçoso, que recebeu a graça de seu senhor
em vão. Quando seu senhor retornou, o servo o viu como um homem duro, que esperava receber
algo do nada. A percepção dele estava completamente enganada. Provavelmente, sua percepção
errada cresceu e piorou à medida que ele não produzia as obras que seu senhor lhe havia ordenado
fazer.
Como mencionei antes, hoje existem dois grupos de pessoas na igreja, cuja visão é obscurecida;
eles não veem do modo como Jesus vê. O primeiro grupo inclui os que não buscam a Deus como
deveriam. Eles respeitam pregadores que buscam a Deus e trazem a mensagem dos Céus, mas não
vão para fora do acampamento para se encontrar com Jesus. Eles não deram a atenção necessária à
exortação: “vamos para perto de Jesus, fora do acampamento” (Hb 13:13, NTLH). As obras deles são
mornas.
O segundo grupo inclui aqueles que buscam a Jesus, mas não são pessoas que servem. Eles O
buscam por causa do que Ele pode fazer por eles. Falando francamente, eles geralmente são aqueles
que trazem mais dores de cabeça aos pastores tementes a Deus do que qualquer outro membro!
Eles têm um comportamento “religioso” ou “espiritual”, mas suas obras são mornas.
Ai, povo de Deus, nós não precisamos de reavivamento ou renovação na Igreja. Nós precisamos de
reforma! A renovação revigora o que já existe. A reforma traz uma mudança completa no que já
temos. Uma reforma é um chamado a uma mudança completa na maneira de ver e viver. Nós temos
acreditado por muito tempo em uma falsa graça que leva nossas igrejas a um estado de mornidão.
Você pode ensinar algo errado por tanto tempo que acaba crendo que é verdade. Então, quando a
verdade é dita, você a rejeita, chamando-a de extremo ou erro. A renovação, ou o reavivamento,
somente fortalecerá o que está errado em nossa percepção. Nossos olhos precisam ser abertos para
vermos como Ele vê! Como o salmista diz: “Na Tua luz, vemos a luz” (Sl 36:9, ARA).
CAPÍTULO 12
AQUELES QUE EU AMO...

Se quisermos ser como Jesus quando Ele retornar,


então um de nós vai ter de mudar.

C omo vimos no capítulo anterior, Jesus diz à igreja de Laodiceia para que compre Dele ouro
refinado pelo fogo, roupas brancas e colírios para os olhos. Depois disso, Ele diz: “Repreendo e
disciplino aqueles que Eu amo” (Ap 3:19).
É por causa do Seu amor que Ele nos repreende e disciplina. O escritor de Hebreus explicou
assim:

Meu filho, não despreze a disciplina do Senhor,
Nem se magoe com a Sua repreensão,
Pois o Senhor disciplina a quem ama,
E castiga todo aquele a quem aceita como filho.
Hebreus 12:5-6

Disciplinar significa “corrigir ou doutrinar”. Castigar significa “punir”. Na verdade, a palavra


grega para castigar é mastigoo. Essa palavra aparece somente sete vezes no Novo Testamento. Em
todas as outras locais a palavra significa castigar fisicamente com um chicote. Nosso Pai certamente
não usa um chicote para nos castigar; contudo, Sua disciplina pode ser severa. É por isso que o
escritor nos alerta a não desprezarmos a disciplina. Algumas vezes, quando estava sendo corrigido
por Ele, senti como se fosse morrer por causa da dor interior, mas, ao me submeter, o resultado
sempre foi para o meu bem e aumentou a chama da santidade dentro do meu coração.

Filhos de Deus

Mesmo os filhos de Deus mais dedicados precisam de correção. Embora Deus possa permitir que
outros continuem no erro ou no pecado não detectado, Ele não permitirá isso a Seus filhos e Suas
filhas. Assim como um pai sábio nunca iria ignorar as falhas dos próprios filhos, mesmo que venha a
fazer isso com os filhos de outros, assim o Senhor não permitirá que os Seus filhos continuem
naquilo que lhes trará ruína.
A permissão em continuar a pecar sem correção ou disciplina é um sinal alarmante do
afastamento de Deus. A Bíblia afirma claramente que aqueles que não experimentam Sua correção
são filhos ilegítimos; não são verdadeiros filhos e filhas de Deus. Eles podem chamá-Lo de Pai, mas
essa declaração tem origem em uma falsa conversão.
Eu tenho pregado mensagens fortes que vêm do coração de Deus, e posteriormente visto duas
reações completamente diferentes. Muitas vezes uma pessoa recebe a correção do Pai; enquanto
outra permanece intocada, pois não era um verdadeiro filho de Deus. Um incidente aconteceu em
uma família. Após eu ter pregado em um domingo de manhã, mais da metade da congregação
respondeu ao chamado de arrependimento ao altar no final. O pastor e sua esposa me levaram à
casa de um dos membros para almoçarmos após o culto. A dona da casa não parava de comentar
como Deus a havia corrigido através da Sua Palavra durante o culto. Seu semblante deixava
evidente que ela havia tido um encontro com o Senhor. O Espírito Santo a havia disciplinado
fortemente. Mas, durante a conversa, ela comentou comigo com um ar intrigado: “Minha filha falou
comigo após o culto: ‘Mãe, aquele homem fala alto, e a mensagem dele não fez sentido nenhum’”.
Eu havia percebido, quando entrei na casa, que a filha dela não era verdadeiramente salva. As
palavras de sua mãe simplesmente vieram a confirmar o que eu havia pensado antes. A mãe, que
amava ao Senhor profundamente, recebeu a disciplina, assim como a maioria dos que estavam lá
naquela manhã. Mas a filha, que se sentara ao seu lado durante o culto, permaneceu intocada —
embora obviamente houvesse insubordinação em sua vida. As palavras e o comportamento da jovem
confirmaram que ela não era uma verdadeira filha de Deus. Contudo, se eu tivesse perguntado à
filha se ela era cristã, ela teria respondido: “Sim”.
Deus disciplina os Seus. Seu primeiro desejo é falar-nos de forma suave através da Sua Palavra,
como no exemplo dessa mulher. Mas se nós não estamos ouvindo, Ele usará a aflição e a dificuldade
para trazer correção. O salmista declara:

Antes de ser castigado, eu andava desviado,
Mas agora obedeço à Tua Palavra...
Sei, Senhor, que as Tuas ordenanças são justas,
E que por Tua fidelidade me castigaste.
Salmos 119:67, 75

Paulo diz em relação à disciplina do Pai: “É por isso que muitos de vocês estão doentes e fracos, e
alguns já morreram. Se examinássemos primeiro a nossa consciência, nós não seríamos julgados
pelo Senhor. Mas somos julgados e castigados pelo Senhor, para não sermos condenados junto com
o mundo” (1 Co 11:30-32, NTLH).
Deus preferiria que déssemos ouvidos às Suas palavras de correção; mas não importa como Ele
nos corrige, o fato é que nenhum método é prazeroso quando isso acontece. O escritor de Hebreus
confirma: “Nenhuma disciplina parece ser motivo de alegria no momento, mas sim de tristeza”
(12:11). Deus está mais preocupado com nossa condição do que com nosso conforto. O escritor
observa que Deus nos corrige “para o nosso bem, para que participemos da Sua santidade” (v. 10).
O processo de santidade é o propósito da Sua correção.
O escritor continua: “Portanto, fortaleçam as mãos enfraquecidas e os joelhos vacilantes. Façam
caminhos retos para os seus pés, para que o manco não se desvie, antes, seja curado” (vv. 12-13). As
mãos simbolizam serviço ou as obras que produzimos para o Senhor. Os joelhos simbolizam nosso
caminhar ou a maneira que vivemos. Fortalecer é não adular; é falar a verdade em amor. Jesus não
estava enfraquecendo a igreja de Laodiceia com Suas palavras de advertência e correção. Ele estava
dando aquilo que reacenderia o fogo neles. Ele estava trazendo correção para que eles pudessem
compartilhar da Sua santidade. É claro, isso ocorreria somente se eles recebessem a correção.
Por que temos nos retirado e evitado fortalecer o fraco na Igreja? Por que não temos falado
mensagens na mesma maneira que Jesus falava? Por que a maioria das mensagens pregadas e
escritas nas igrejas ocidentais é sobre paz, prosperidade e felicidade, quando desesperadamente
precisamos ser confrontados pela verdade? Deus falou por intermédio de Jeremias sobre os
pregadores de seu tempo, os quais estavam suavizando as mensagens ao pregá-las para as pessoas
mornas:

Se estivessem estado no Meu conselho,
Então teriam feito o Meu povo ouvir as Minhas palavras,
E o teriam feito voltar do seu mau caminho,
E da maldade das suas ações.
Jeremias 23:22, ACF

Será que estamos conduzindo e voltando os corações do povo para a justiça e preparando nossa
geração para se encontrar face a face com um Deus santo, ou estamos acariciando seus ouvidos com
palavras que não chamam a uma mudança no sentido de temer a Deus?

Pacificador ou Apaziguador?

Nós lemos em Hebreus: “Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem
santidade ninguém verá o Senhor. Cuidem que ninguém se exclua da graça de Deus” (12:14-15). A
primeira coisa que o escritor declara é que devemos estar em paz com todos.
Jesus nunca disse: “Bem-aventurados os que mantêm a paz”. Ele disse: “Bem-aventurados os
pacificadores” (Mt 5:9).
Você pode perguntar: “Existe diferença?”.
Muita diferença! Uma pessoa que tenta manter a paz, tenta mantê-la a qualquer custo. Assim, ela
compromete a verdade para evitar o confronto. Um apaziguador, portanto, não trará as palavras do
coração de Deus para que haja mudança quando for necessário, como Jesus fez quando precisou
falar com a maioria das igrejas no livro de Apocalipse. Então as pessoas continuarão confortáveis
em sua atual condição, quando, na verdade, precisam de uma mudança que as faça temer ao Senhor.
Um pacificador, por outro lado, busca a verdadeira paz, e se for necessário, ele insistentemente
confronta as pessoas com a verdade ou a justiça, a fim de produzir a paz verdadeira. Um pacificador
ama a justiça e odeia o pecado. Ele não recua. Ele chama o pecado por seu verdadeiro nome:
pecado, e não de erro ou fraqueza. Sua repulsa pelo pecado vem do amor que ele tem por Deus e
por Seu povo. Seu desejo verdadeiro é que venha sobre o povo o que lhes é melhor, não
necessariamente o que lhes deixa feliz. Ele está mais preocupado em trazer o que irá lhes ajudar, e
não em ser popular ou agradável aos olhos deles. Ele não tem interesse em ter ganho pessoal. Ele se
deleita na verdadeira misericórdia e justiça. Ele ama a santidade: seu coração queima por ela, pois
seu coração queima por Deus!

Fortalecendo o Fraco para Possuir a Santidade

O escritor de Hebreus exorta aos leitores que possuam santidade, porque “sem santidade
ninguém verá o Senhor”. Anteriormente aprendemos que os filhos de Israel confessaram o desejo de
se aproximar de Deus, que, na verdade, não existia. Essa era a intenção, e não o verdadeiro desejo
deles. Eles não podiam se aproximar de Deus, como Moisés fez, pois não removeram os desejos que
o Egito havia transmitido a eles. Se eles tivessem se aproximado de Deus, suas impurezas seriam
reveladas, o que eles não queriam.
O escritor de Hebreus esclarece o que Deus tem dito a Seu povo através dos anos. Isaías escreveu
algo similar: “Fortaleçam as mãos cansadas, firmem os joelhos vacilantes” (Is 35:3).
Após as mãos e os joelhos serem fortalecidos, o profeta do Antigo Testamento anuncia que os
olhos dos cegos serão abertos e os ouvidos dos surdos se abrirão. O deserto se tornará terra
frutífera, tudo porque Seu povo foi fortalecido a andar em santidade! Isaías declara:

E ali haverá uma grande estrada, um caminho
Que será chamado Caminho de Santidade.
Os impuros não passarão por ele;
Servirá apenas aos que são do Caminho;
Os insensatos não o tomarão.
Isaías 35:8

Os caminhos de Deus são mais altos que os dos homens. Esse elevado caminho de santidade
simboliza o caminho da vida, o qual Jesus diz que é estreito (ver Mateus 7:13-14). Isso fala do
caminho mais elevado da santidade. Nós alcançamos esse caminho de santidade somente quando
estamos abertos para receber a correção do Pai.
De acordo com o profeta, o insensato não andará por ele. Um insensato é alguém que vê seus
próprios pensamentos e sua vida como um exemplo de sabedoria. Provérbios 12:15 diz que “o
caminho do insensato parece-lhe justo”. E novamente vemos em Provérbios que o insensato “é
impetuoso e irresponsável” (14:16). Provérbios 18:2 declara que “o tolo não tem prazer no
entendimento, mas sim em expor os seus pensamentos”. Um tolo ou insensato, portanto, está
enganado. Provérbios 14:8 diz que “a insensatez dos tolos é enganosa”.
Os membros da igreja de Laodiceia estavam enganados. Eles acreditavam que eram abençoados e
prósperos. Mas lhes faltavam as verdadeiras riquezas da vida: caráter, obras de justiça, a
capacidade de ver como Jesus vê. As palavras de repreensão, disciplina e correção de Jesus, embora
duras, os livrariam do caminho da insensatez e os dirigiria ao caminho da santidade. Ele estava
fortalecendo suas mãos cansadas e firmando seus joelhos vacilantes.

O Caminho para o Monte Sião

Aqueles que hoje não dão ouvidos à correção perderão o único caminho que leva à Sua glória. A
santidade não vem facilmente. Existe a correção de ser refinado, purificado e limpo, mas todos esses
processos não produzem nenhum efeito se não houver arrependimento. Por essa razão, Jesus disse à
igreja de Laodiceia: “Por isso, seja diligente e arrependa-se” (Ap 3:19).
O verdadeiro arrependimento é a mudança da mente e da atitude com relação ao pecado e suas
causas, não somente com relação às consequências do pecado. Nós temos aprendido a nos
arrepender por causa das consequências do pecado, sem, contudo, abandonarmos sua natureza. Ser
diligente, como Jesus ordenou à igreja, é desejar incansavelmente a mudança da nossa condição
atual para Sua natureza gloriosa. Vamos diretamente ao ponto: se nós pretendemos ser como Jesus
quando Ele retornar (ver 1 Joao 3:2), então um de nós vai ter de mudar, e esse alguém não é Ele!
Somente por meio de Sua correção e disciplina seremos conformados segundo a imagem Dele.
Isaías diz que aqueles que não permanecerem insensatos e receberem a correção de Deus, serão
resgatados pelo Senhor e “voltarão. Entrarão em Sião com cantos de alegria; duradoura alegria
coroará sua cabeça” (Is 35:10). A referência a Sião é importante.
O escritor de Hebreus desenha uma imagem vívida: “Vocês não chegaram ao monte que se podia
tocar, e que estava em chamas, nem às trevas, à escuridão, nem à tempestade, ao soar da trombeta
e ao som de palavras tais, que os ouvintes rogaram que nada mais lhes fosse dito” (Hb 12:18-19).
Essa é a montanha sobre a qual falamos nos capítulos anteriores deste livro. Novamente ouvimos o
triste testemunho de que o povo de Deus implorou para que Ele parasse de falar. Eles rejeitaram
Sua correção, pois ela expunha seus corações. Que tolos!
Sofonias declara a respeito de Israel:

Não ouve a ninguém,
E não aceita correção.
Não confia no Senhor,
Não se aproxima do seu Deus.
Sofonias 3:2

Deus lamenta, dizendo: “Em vão castiguei os vossos filhos; eles não aceitaram a correção” (Jr
2:30, ACF). Se eles tivessem buscado santidade, estando abertos à correção e se arrependendo de
seus caminhos, então poderiam ter se achegado a Deus na montanha.
Nós agora temos a mesma oportunidade, embora não tenhamos de ir a uma montanha visível ou
palpável. Mas nós iremos a uma montanha diferente, da qual Isaías fala:
Mas vocês chegaram ao monte Sião... à cidade do Deus vivo.
Hebreus 12:22

Ele ainda está em uma montanha, mas não na montanha física chamada Sinai. É uma montanha
eterna e ainda mais real, chamada Sião. O único caminho é o caminho da santidade! Moisés andou
por esse caminho; ele renunciou ao Egito em seu coração e rapidamente recebeu as Palavras de
Deus, as quais incluíram correção. O povo de Israel implorou para que Deus não mais falasse, pois
eles não desejavam Sua Palavra, pois ela exporia seus corações e traria correção. À luz de suas
ações somos admoestados:

Cuidado! Não rejeitem Aquele que fala. Se os que se recusaram a ouvir Aquele que os
advertia na Terra não escaparam, quanto mais nós, se nos desviarmos Daquele que nos
adverte dos Céus?
Hebreus 12:25

Deus falou na Terra a partir do monte Sinai; hoje Ele fala da Sua montanha celestial chamada
Sião. Que assustadoras palavras de advertência ouvimos nessa exortação! Se o povo de Israel não
escapou quando Deus falou Sua palavra do monte Sinai, que deveria trazer disciplina e correção a
eles, muito menos nós escaparemos se falharmos em darmos ouvidos às palavras que também trarão
correção e disciplina, quando Ele falar do Monte Sião.
Os filhos de Israel não quiseram ouvir às palavras que Deus falou em meio a Sua glória, pois elas
teriam trazido à luz ao que poluía seus corações, e então, eles recuaram. Porém, mais tarde, quando
Moisés estava no monte, eles criaram um “Jeová” que lhes falaria através dos profetas somente
aquilo que queriam ouvir — palavras suaves que seriam agradáveis aos seus ouvidos e lhes
concederiam seus desejos carnais. Durante todo o tempo em que permaneceu no cume da
montanha, Moisés estava ouvindo a verdadeira Palavra do Senhor, que o transformou. Quando ele
desceu do monte, sua face brilhava por causa da radiante luz de Deus.
Para Moisés, as palavras de Deus significavam transformação. Para os filhos de Israel, Suas
palavras sacudiram a montanha e o chão sobre o qual pisavam, abalando-os ao ponto de recuarem.
O escritor de Hebreus continua:

Aquele cuja voz outrora abalou a Terra, agora promete: “Ainda uma vez abalarei não apenas a
Terra, mas também o Céu”. As palavras “ainda uma vez” indicam a remoção do que pode ser
abalado, isto é, coisas criadas, de forma que permaneça o que não pode ser abalado.
Hebreus 12:26-27

As palavras de correção de Jesus abalaram a igreja de Laodiceia. Eles estavam confortáveis em


seu cristianismo, tudo parecia estar bem, mas a verdadeira Palavra do Senhor abalou seus
fundamentos. Deus novamente abalará Sua igreja, e então as nações. O abalo remove o que não está
construído sobre um fundamento adequado. Ele remove o que está morto ou não é bom. Ele purifica,
a fim de que o que é puro e vivo permaneça. Os únicos que precisam temer o abalo de Deus são
aqueles que não temem o Senhor.
Isaías fala sobre isso:

Em Sião os pecadores estão aterrorizados;
O tremor se apodera dos ímpios:
“Quem de nós pode conviver com o fogo consumidor?”.
“Quem de nós pode conviver com a chama eterna?”.
Aquele que anda corretamente e fala o que é reto,
Que recusa o lucro injusto,
Cuja mão não aceita suborno,
Que tapa os ouvidos para as tramas de assassinatos
E fecha os olhos para não contemplar o mal,
É esse o homem que habitará nas alturas;
Seu refúgio será a fortaleza das rochas;
Terá suprimento de pão,
E água não lhe faltará.
Isaías 33:14-16

Ele não diz “os pecadores no Egito”, e sim os pecadores “em Sião”. Ele está se referindo aos que
estão na igreja e que não têm o temor do Senhor e não buscam santidade. Eles não estão seguros e
serão abalados. Esse terror somente tomará conta deles quando Deus revelar Sua glória! O fogo
consumidor e eterno se refere a Deus.
O escritor de Hebreus conclui o capítulo: “Por isso, recebendo nós um Reino inabalável,
retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor,
porque o nosso Deus é fogo consumidor’” (Hb 12:28-29, ARA). Nosso Deus é fogo consumidor!
Embora muitas passagens do Antigo Testamento tenham sido citadas neste livro, eu tenho, pela
graça de Deus, tentado trazer essa mensagem com base em passagens do Novo Testamento. Nosso
Deus é amor, mas também é fogo consumidor.
A descrição da Sua gloriosa presença não é algo para ser considerado levianamente, como muitos
de nós temos feito. Para confirmar Sua glória maravilhosa, o escritor de Hebreus comenta: “O
espetáculo era tão terrível que até Moisés disse: ‘Estou apavorado e trêmulo!’” (Hb 12:21). Isso
corresponde ao que o apóstolo João testemunhou quando viu Jesus: “Quando o vi, caí aos seus pés
como morto” (Ap 1:17).

Para que Sejamos Santos

Sim, Ele nos ama com um amor maior do que nossas mentes podem compreender. Mas esse amor
não diminui de modo algum Sua santidade. É por isso que o escritor de Hebreus nos diz:
“Retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor”
(Hb 12:28, ARA). Ai, como precisamos da graça de Deus para andarmos no temor do Senhor; para
que sejamos santos como Ele é santo (ver Levítico 19:2, Mateus 5:48, 1 Pedro 1:16)!
Como aprendemos, somente os que temem a Deus e buscam a santidade são capazes de habitar
em Sua gloriosa presença. Retornemos aos versículos que citamos no segundo capítulo deste livro:

Pois somos santuário do Deus vivo. Como disse Deus:
“Habitarei com eles
E entre eles andarei;
Serei o seu Deus, e eles serão o Meu povo”.
Portanto,
“Saiam do meio deles
E separem-se”, diz o Senhor.
“Não toquem em coisas impuras,
E Eu os receberei”
E lhes serei Pai,
E vocês serão Meus filhos e Minhas filhas”,
Diz o Senhor Todo-Poderoso.
Amados, visto que temos essas promessas, purifiquemo-nos de tudo o que contamina o corpo
e o espírito, aperfeiçoando a santidade no temor de Deus.
2 Coríntios 6:16-18; 7:1

Agora você conhece o contexto. Você não entrou nessa história no meio do clímax, perdendo o
contexto. Espero que o entendimento dessa história tenha se tornado claro para você. Seu coração
arderá de paixão se você desejar a glória de Deus mais do que qualquer outra coisa.
CAPÍTULO 13
FOGO SANTO INTERIOR

Somos chamados para sermos consumidos


com o fogo da Sua glória, assim como Moisés, Isaías,
Jeremias, João, Paulo e outros.

T odo o povo de Deus necessitou de Sua correção de uma forma ou de outra, desde os santos
profetas até os apóstolos do Novo Testamento. O mesmo acontece hoje. A chave, contudo, é o
que faremos com essa correção. O orgulho nos priva de recebermos a correção de Deus; então, nós
abrimos mão do benefício do processo de Sua santidade. Mas se nós nos humilharmos e aceitarmos
a Sua correção, seremos capazes de ouvir a voz Dele com mais nitidez e ver com maior clareza,
posicionando-nos para alcançar maior maturidade em nosso relacionamento com Deus. Habacuque
escreveu:

Sobre a minha guarda estarei,
E sobre a fortaleza me apresentarei
E vigiarei, para ver o que falará a mim,
E o que eu responderei quando eu for arguido.
Habacuque 2:1, ACF

Esse homem literalmente se posicionou para receber a correção de Deus sabendo que isso lhe
daria melhor visão e entendimento do coração e dos caminhos de Deus. Então ele seria um servo
ainda melhor.

No Ano em que Morreu o Rei Uzias

Isaías, também, estava em posição de aceitar o que o Senhor lhe diria. Ele relata: “No ano em que
o rei Uzias morreu, eu vi o Senhor assentado num trono alto e exaltado, e a aba de Sua veste enchia
o templo” (Is 6:1).
Há alguns anos, enquanto eu estava em oração com relação a esse trecho da Palavra de Deus, o
Senhor falou comigo. Eu estava meditando no fato de que Isaías viu o Senhor em Sua glória. Eu
pensei: a Igreja precisa ter uma nova visão de Jesus em Sua glória.
Então ouvi o Senhor dizer: “Não é assim que comecei este versículo”. Intrigado, retornei à minha
Bíblia e li: “No ano em que o rei Uzias morreu...”. O Senhor me parou e disse: “O rei Uzias teve de
morrer antes que Isaías tivesse uma visão de Mim!”. Ele continuou: “Antes que a Igreja tenha uma
nova visão de mim, Uzias precisa morrer!”.
Eu pensei: Quem é este homem, Uzias, e que relação ele tem com vermos Jesus? Procurei em uma
concordância, e encontrei diferentes referências a ele. Depois li os relatos sobre sua vida e então
descobri uma revelação significativa.
Uzias era um descendente do rei Davi. Ele foi coroado rei aos dezesseis anos de idade. No início,
ele buscava a Deus diligentemente. Você também o faria, se fosse instituído rei de uma nação aos
dezesseis anos. Provavelmente ele estava entusiasmado e humilde ao ver a magnitude daquela
tarefa. Está escrito: “Enquanto buscou o Senhor, Deus o fez prosperar” (2 Cr 26:5).
Pelo fato de que Uzias dependia completamente de Deus, ele foi grandemente abençoado. Ele
guerreou contra os filisteus, derrotando-os em várias cidades, assim como árabes, meunitas e
amonitas. A nação se tornou cada vez mais forte, tanto econômica quanto militarmente. O povo
prosperou sob a liderança dele.
Seu sucesso era resultado da graça de Deus em sua vida. Mas algo mudou. O excesso de confiança
substituiu a humildade: “Entretanto, depois que Uzias se tornou poderoso, o seu orgulho provocou a
sua queda. Ele foi infiel ao Senhor, o seu Deus, e entrou no templo do Senhor para queimar incenso
no altar de incenso” (2 Cr 26:16).
Não foi quando Uzias estava fraco, mas sim quando ele estava forte, que seu coração se encheu de
orgulho. Quando ele viu a prosperidade e o sucesso que acompanhavam seu domínio, seu coração
cessou de buscar ao Senhor. Ele podia fazer por si próprio; ele sabia como fazer. Suas realizações
cresceram, então ele achou que Deus abençoaria tudo o que fizesse; antes, ele era abençoado
porque humildemente buscava a Deus.
Isso não aconteceu da noite para o dia, e pode acontecer facilmente com qualquer um. Deus me
advertiu: “John, a maioria das pessoas do Reino que caíram geralmente não o fez em momentos
difíceis, e sim, em momentos de abundância”. Por quê? Porque quando nós alcançamos grandes
realizações, torna-se mais fácil perder de vista o fato de que Ele é quem nos tem dado todas as
coisas.
Muitas pessoas acabam caindo nesse padrão de ação. Quando são salvas, elas têm sede por
conhecer o Senhor e Seus caminhos. A humildade que possuem é evidente porque elas buscam a
Deus e confiam Nele para tudo. Elas chegam à igreja com sede em seus corações. “Senhor, eu quero
Te conhecer!”. Elas se submetem à autoridade direta de Deus e à autoridade delegada por Ele. Em
verdadeira humildade, elas recebem correção, não importa como ou quem Deus usa para corrigi-las.
Mas elas chegam a um ponto em que já acumularam conhecimento e se envaideceram por meio das
experiências e das realizações, então a atitude delas muda. Em vez de ler a Bíblia com a intenção de
pedir: “Senhor, revela-Te a Ti mesmo e os Teus caminhos a mim”, elas a usam para estabelecer
doutrinas e ler o que elas acreditam. Elas não mais ouvem a voz celestial de Deus na voz de seus
pastores; elas se sentam com os braços cruzados em uma atitude de “Vejamos o que ele sabe”. Elas
são especialistas em Bíblia, mas abriram mão de sua humildade e mansidão de coração. A graça de
Deus se esvai, pois o orgulho a substitui (ver Tiago 4:6).
Esse problema parece acontecer muito facilmente nas igrejas ocidentais, pois existem tantos
ensinamentos disponíveis a nós. Nós lemos em 1 Coríntios 8:1: “Sabemos que todos temos
conhecimento. O conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica”. O amor não busca os próprios
interesses, mas abandona sua vida pelo seu Mestre e por aqueles aos quais é chamado para servir. O
orgulho busca seus próprios interesses por trás de uma máscara de religião. Deus explicou que o
conhecimento adquirido sem amor resulta em orgulho.
Vamos fazer uma pergunta importante sobre o rei Uzias. Quando o orgulho entrou em seu
coração, ele se tornou mais religioso ou menos religioso? A resposta assustadora é que ele se tornou
mais religioso! Seu coração se ergueu e ele entrou no templo para adorar. O orgulho e o espírito
religioso andam de mãos dadas. Um espírito religioso pode fazer com que uma pessoa pense que é
humilde em razão de sua aparência de falsa espiritualidade. E a verdade é que ela é orgulhosa. Por
outro lado, o orgulho mantém uma pessoa algemada por um espírito religioso, pois ela é orgulhosa
demais para admitir que é! O orgulho fica bem camuflado na igreja porque ele se esconde atrás de
uma máscara religiosa, carismática, evangélica ou pentecostal.
Uzias foi então confrontado com a verdade:

O sumo sacerdote Azarias, e outros oitenta corajosos sacerdotes do Senhor, foram atrás dele.
Eles o enfrentaram e disseram: “Não é certo que você, Uzias, queime incenso ao Senhor. Isso
é tarefa dos sacerdotes, os descendentes de Arão consagrados para queimar incenso. Saia do
santuário, pois você foi infiel e não será honrado por Deus, o Senhor”.
2 Crônicas 26:17-18

Deus trouxe correção a Uzias por meio desses homens corajosos, e a resposta dele certamente
não foi santa: “Uzias, que estava com um incensário na mão, pronto para queimar o incenso, irritou-
se e indignou-se contra os sacerdotes; e na mesma hora, na presença deles, diante do altar de
incenso no templo do Senhor, surgiu lepra em sua testa” (2 Cr 26:19).
Uzias ficou irado. O orgulho sempre irá se justificar. A autodefesa sempre virá acompanhada da
ira. Uma pessoa orgulhosa culpa todo mundo enquanto se isenta. Uzias dirigiu sua ira aos
sacerdotes, mas o problema estava na verdade dentro dele mesmo. O orgulho o havia cegado! Em
vez de se humilhar para receber a correção de Deus através daqueles homens, ele permitiu que a ira
fosse combustível para o seu orgulho. Lepra surgiu em sua testa, onde todos podiam ver. A lepra,
nesse caso, era uma manifestação da condição interior dele, e sua fonte era o orgulho.
O mesmo é verdade hoje. A lepra no Antigo Testamento é um símbolo do pecado no Novo
Testamento. Muitas vezes o pecado externo não é nada mais do que uma manifestação do orgulho
que vem de dentro, que cega e impede que uma pessoa receba a correção de Deus.
Após ouvir o que Deus disse ao meu coração quando estava pesquisando sobre a vida de Uzias, eu
percebi que o orgulho nos cega e nos impede de ver Jesus. Nós precisamos vê-Lo, pois a Bíblia
declara que à medida que nós O contemplamos, somos transformados à Sua imagem: “E todos nós,
que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a Sua imagem estamos sendo
transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito” (2 Co 3:18).
Nós precisamos vê-Lo para que sejamos moldados conforme a imagem Dele, e assim receberemos
a capacidade de ver como Ele vê. O orgulho nos impede de vermos a Deus, cegando-nos e nos
colocando em uma arena perigosa de engano. O povo da igreja de Laodiceia pensava que era
espiritual, mas a correção do Senhor mostrou o contrário. Eles tinham uma forma de cristianismo,
mas lhes faltavam as obras de Jesus correspondentes a esse cristianismo.

Santo, Santo, Santo!

Isaías viu o Senhor em Sua glória. Nós sabemos que foi uma visão espiritual, pois nenhum homem
em seu corpo carnal veria a face de Deus e viveria. Quando Isaías viu o trono de Deus, ele não pôde
deixar de notar os anjos imensos, aos quais chamou de serafins. Ele escreveu que cada um deles
tinha seis asas, com duas delas cobrindo suas faces. E eles clamavam uns aos outros:

“Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos,
A terra inteira está cheia da Sua glória”.
Ao som das suas vozes os batentes das portas tremeram, e o templo ficou cheio de fumaça.
Isaías 6:3-4

Os anjos não estavam cantando um hino. Existe uma música que se baseia nesse versículo, mas
geralmente as pessoas a cantam com uma voz monótona. Não, esses seres angelicais estavam
respondendo ao que viam, até mesmo com suas faces cobertas. Cada momento em que outra faceta
da glória de Deus era revelada, eles clamavam: “Santo!”. Eles clamavam tão alto, que a arquitetura
dos Céus era abalada! É difícil imaginar a arquitetura da Terra sendo abalada por um barulho,
imagine então a dos Céus. Os anjos não estavam cantando músicas, pensando: Eu já estou aqui
perto do trono de Deus há trilhões de anos. Eu gostaria de ter um intervalo para visitar as outras
partes dos Céus. Não, eles não queriam estar em nenhum outro lugar, pois o Criador é muitas vezes
mais maravilhoso do que Sua criação. O salmista proclamou que preferiria estar à porta da casa de
Deus do que nas tendas dos ímpios, onde a presença de Deus não habita (ver Salmo 84).
Por que os anjos clamavam: “Santo, Santo, Santo”? Por que três vezes? Esse uso representa um
estilo literário encontrado nas formas de escrita hebraicas. A repetição é uma forma de ênfase.
Quando nós queremos enfatizar a importância de uma palavra ou frase, nós temos vários métodos
de fazê-lo. Nós podemos colocar em negrito, em itálico, sublinhar, usar maiúscula ou adicionar um
ponto de exclamação.
Um escritor judeu somente podia usar ênfase repetindo as palavras. Geralmente, suas palavras
eram repetidas duas vezes. Por exemplo, Jesus disse: “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor,
Senhor’, entrará no Reino dos Céus” (Mt 7:21). Jesus não disse “Senhor” duas vezes; mas sim,
colocou ênfase na palavra “Senhor”, algo que o escritor quis ressaltar.
Somente algumas referências na Bíblia são enfatizadas três vezes. Uma ocasião ocorre quando o
anjo pronunciou o julgamento contra aos habitantes da Terra no livro de Apocalipse: “Ai! Ai! Ai!” (Ap
8:13). A mensagem incluída nessas repetições é que os julgamentos que já haviam acontecido
tinham sido terríveis, mas o que estava por vir ia além da compreensão.
Contudo, somente uma vez na Bíblia um atributo de Deus é mencionado três vezes seguidas.
Esses anjos não estavam clamando: “Poderoso, Poderoso, Poderoso!”. Nem estavam dizendo: “Amor,
Amor, Amor!”. Nem mesmo: “Fiel, Fiel, Fiel!”. Sim, Deus é poderoso, Deus é amor, e Deus é fiel, mas
a característica que está acima de todas as outras é a Sua Santidade. É nessa santidade que
encontramos a maravilha de Sua pessoa e do fogo de Deus!

Ai de Mim!

Ao vê-lo, Isaías não disse: “Uau, aí está Ele!”. Em vez disso, ele disse:

Ai de mim! Estou perdido!
Pois sou um homem de lábios impuros
E vivo no meio de um povo de lábios impuros;
Os meus olhos viram o Rei,
O Senhor dos Exércitos!
Isaías 6:5

A palavra ai já perdeu força na linguagem de hoje. Essa é a palavra usada para pronunciar o maior
dos julgamentos de Deus. Como foi dito, quando o anjo pronunciou os “ais” sobre os habitantes da
Terra, na verdade ele estava dizendo: “O julgamento mais severo está prestes a vir sobre você”.
Jesus usou essa palavra com relação a Judas. A palavra é tão grave, que Ele disse: “Melhor lhe seria
não haver nascido” (Mc 14:21). Era algo raro um profeta pronunciar a palavra ai sobre a vida de
uma pessoa. O que é mais assustador é o fato de um homem de Deus, como Isaías, pronunciar essa
palavra sobre si mesmo!
Imediatamente após seu pronunciamento de julgamento sobre si mesmo, Isaías diz: “Estou
perdido!”. Estar perdido significa sem estrutura. Isaías estava diante de um Deus Santo. Pela
primeira vez em sua vida, ele realmente entendeu quem era Deus, e pela primeira vez em sua vida
ele realmente entendeu quem ele era.
Naquele momento único, toda sua autoestima se despedaçou. Toda confiança em si próprio e na
humanidade foi aniquilada. Se havia algum orgulho, ele não poderia mais ser encontrado. Isaías se
prostrou com o rosto em terra, na sala do trono. Cada fibra de seu ser tremia e estava exposta. Ele
procurou um lugar para se esconder, mas não pôde achar. Ele viu, mais do que nunca, sua extrema
necessidade de misericórdia e graça para que pudesse sobreviver, e ainda mais diante de um Deus
Santo, que é Senhor de tudo e de todos!

Limpeza, Culto e Clareza de Visão

Quando sentiu que não podia suportar nem mais um momento, Isaías descreve o que aconteceu
em seguida:

Logo um dos serafins voou até mim trazendo uma brasa viva, que havia tirado do altar com
uma tenaz. Com ela tocou a minha boca e disse:
“Veja, isto tocou os seus lábios;
Por isso, a sua culpa será removida,
E o seu pecado será perdoado”.
Isaías 6:6-7

Deus concede misericórdia e graça ao humilde. A brasa viva purificou e refinou Isaías. Após ser
purificado, ele ouviu a voz de Deus dizendo: “Quem enviarei? Quem irá por nós?” (Is 6:8).
Por haver sido purificado, ele pôde ouvir a voz do Senhor claramente: “Quem irá por nós?”. Em
outras palavras: “Quem produzirá atos de justiça e retidão?”. Isaías imediatamente respondeu: “Eis-
me aqui, envia-me!” (Is 6:8).
Isaías ouviu as palavras vindas do coração de Deus:

Vá, e diga a este povo [que era o Seu povo]:
“Estejam sempre ouvindo, mas nunca entendam;
Estejam sempre vendo, e jamais percebam”.
Isaías 6:9-10 (grifo do autor)

Incluindo no povo que Deus dizia ser cego e surdo, estavam os profetas e mestres das Escrituras.
Eles não estavam falando o que Deus estava dizendo, pois não podiam ouvir claramente.
Deus está falando, mas será que estamos realmente ouvindo? Esses versículos me lembram de
uma conversa com uma pessoa de Deus, um amigo meu. (Falei anteriormente sobre ele, o homem
que me discipulou na faculdade.) Ele me buscou no aeroporto quando viajei até o local em que ele
mora. Ele estava meditando e orando por horas antes da minha chegada. Ele me disse, chorando:
“John, Deus tem tanto para dizer, mas Ele não tem encontrado pessoas com quem possa falar”. Meu
coração ardia com suas palavras; eu sabia que eu estava longe de ser um embaixador do Senhor.
Imediatamente me lembrei de Isaías. Assim que ele foi purificado e refinado, a voz de Deus se
tornou mais clara e ele foi capaz de proclamar o coração de Deus, não somente os princípios. Eu
pensei: Não é que não existem pessoas que podem falar dos princípios verdadeiros da Palavra. A
verdadeira questão é: será que existem homens e mulheres que se separarão e se humilharão para
que o processo de purificação de Deus aconteça, para que ouçam perfeitamente o coração de Deus,
a fim de proclamá-Lo?

Ceando com Jesus

Voltemos à igreja de Laodiceia, que profeticamente nos representa. Jesus firmemente corrige a
igreja, e então lhe dá um conselho. “Seja diligente e arrependa-se”. Depende do povo. Ou deveria
dizer depende de nós? Será que daremos ouvidos à correção de Deus, ou seremos tão tolos quanto
os filhos de Israel?
Jesus continuou: “Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta,
entrarei e cearei com ele, e ele comigo” (Ap 3:20). Ai, ouça Suas palavras à Igreja dos Últimos Dias!
Ele diz ao povo que prega e ensina: “Se alguém ouvir a Minha voz...”. Será que isso não parte seu
coração? Será que temos sido tão impuros em nosso relacionamento com Ele devido ao nosso amor
por prazer e interesses pessoais, que não temos ouvido o Seu coração? Será que temos sido tão
influenciados pelo padrão do mundo e seus desejos que nos tornamos um povo que diz ouvir Sua
voz, quando, na verdade, está longe do clamor de Seu coração?
Lembre-se de que Jesus disse à igreja que comprasse ouro refinado, roupas brancas — que
representam os atos de justiça — e colírio, para que pudessem ver como Ele vê. Podemos ver esse
mesmo padrão no testemunho de Isaías. Quando se humilhou para receber a correção de Deus, ele
foi refinado. Após essa experiência, ele tinha paixão em produzir atos de justiça ou obras de
santidade. Em seguida, ele proclamou que o povo não estava vendo corretamente; eles estavam
cegos! Eles precisavam de colírio. Deus havia removido o véu dos olhos de Isaías através de sua
humildade, da correção e da purificação do Senhor, e também da disposição de Isaías em produzir
frutos de justiça.
Observe novamente as palavras de Jesus: “Se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei e
cearei com ele, e ele comigo”. Essa frase tem uma aplicação dupla. Sim, essa é a igreja anterior à
Sua Segunda Vinda, e, portanto se refere à volta de Jesus. Lucas registra palavras similares de
Jesus:

Estejam prontos para servir, e conservem acesas as suas candeias, como aqueles que
esperam seu senhor voltar de um banquete de casamento; para que, quando ele chegar e
bater, possam abrir-lhe a porta imediatamente. Felizes os servos cujo senhor os encontrar
vigiando, quando voltar. Eu lhes afirmo que ele se vestirá para servir, fará que se reclinem à
mesa, e virá servi-los.
Lucas 12:35-37

Nosso Mestre nos servirá, embora sejamos nós quem deveríamos servi-Lo eternamente. Ele é um
servo no sentido verdadeiro da palavra. Ele não tem nenhuma dívida para conosco, e sim, nós é
quem temos para com Ele, mas mesmo assim Ele deseja servir aos Seus fiéis. Ele nos servirá nas
bodas do Cordeiro.
Existe uma segunda aplicação. Quando Jesus disse: “entrarei e cearei com ele, e ele comigo”, Ele
não está falando somente das bodas do Cordeiro, mas sim de nos dar o verdadeiro maná, que é a
revelação de Si mesmo. Ele declara: “Eu sou o pão vivo que desceu do Céu” (Jo 6:51). Ele é a
Palavra viva de Deus, que nos sustenta (ver Deuteronômio 8:2-3).
Jeremias fala do mesmo tema da seguinte maneira:

Achando-se as Tuas palavras, logo as comi,
E a Tua palavra foi para mim o gozo e alegria do meu coração .
Jeremias 15:16, ACF

Jeremias foi alguém que, assim como Isaías, passou pelo processo de purificação de Deus. E, como
Moisés, ele não tinha nenhum desejo pelo sistema do mundo. Ele havia se separado para que
pudesse conhecer a Deus. Seu prazer era a Palavra de Deus; ela era seu alimento. Mas porque ele
pregava o coração de Deus para um povo que havia se desviado, Jeremias era perseguido:

Por isso a palavra do Senhor trouxe-me
insulto e censura o tempo todo.
Mas, se eu digo: “Não O mencionarei
nem mais falarei em Seu nome”,
É como se um fogo ardesse em meu coração,
um fogo dentro de mim.
Estou exausto tentando contê-lo;
já não posso mais!
Jeremias 20:8-9

João Batista foi outra pessoa que teve sede pela Palavra de Deus. Ele havia se separado do mundo
e da hipocrisia religiosa. Sua herança era ser treinado em Jerusalém com outros filhos de sacerdotes
para ser um líder. Ele abriu mão do que os homens haviam planejado para ele e obedeceu a Deus.
No deserto, a Palavra do Senhor veio a ele. Ele, também, foi alguém que comunicou aquilo que
estava no coração de Deus. Jesus disse sobre ele: “era uma candeia que queimava e irradiava luz, e
durante certo tempo vocês quiseram alegrar-se com a sua luz” (Jo 5:35).
Nós fomos chamados para arder com o fogo da glória de Deus, assim como Moisés, Isaías, João,
Paulo e tantos outros. Mas isso nunca acontecerá se nós não nos separarmos dos desejos do mundo.
Nós fomos chamados para viver como peregrinos e estrangeiros neste mundo. Nossa verdadeira
santificação virá somente quando estivermos com nossos corações ardendo pela Sua Palavra, a
ponto de ela ser nossa meditação durante todo o dia. Então o fogo de Deus arderá fortemente dentro
e sobre nós. Quando homens e mulheres se apaixonam, ninguém precisa dizer a eles: “Pense em seu
amado ou sua amada o dia inteiro”. Não é preciso, pois a cada momento livre eles estão pensando
naquele ou naquela que amam.
Malaquias viu dois tipos de pessoas na Igreja dos últimos dias. Ambos passaram pelo processo de
refinação, que já discutimos nos capítulos anteriores. O primeiro grupo irá reclamar, dizendo: “Que
benefício temos ao servir a Deus, se os ímpios se divertem mais do que nós? Nós servimos a Deus e
continuamos passando por provas e tribulações” (Ml 3:14-15, paráfrase do autor).
A declaração do segundo grupo é diferente:

Depois, aqueles que temiam o Senhor conversaram uns
com os outros,
E o Senhor os ouviu com atenção.
Foi escrito um livro como memorial na Sua presença
Acerca dos que temiam o Senhor
E honravam o Seu nome.
Malaquias 3:16

Eles amavam a Palavra de Deus e Seus caminhos mais do que qualquer tipo de sofrimento
pudesse ofuscar. Mas o profeta falou sobre o que irá acontecer:

“Pois certamente vem o dia,
Ardente como uma fornalha.
Todos os arrogantes e todos os malfeitores serão como palha,
E aquele dia, que está chegando, ateará fogo neles”,
Diz o Senhor dos Exércitos.
“Não sobrará raiz ou galho algum.
Mas para vocês que reverenciam o Meu Nome,
O Sol da Justiça Se levantará
Trazendo cura em Suas asas.
E vocês sairão
E saltarão como bezerros soltos do curral.
Depois esmagarão os ímpios,
Que serão como pó sob as solas dos seus pés,
No dia em que eu agir”,
Diz o Senhor dos Exércitos.
Malaquias 4:1-3

Ele não está falando do “Filho da Justiça”, mas do “Sol da Justiça”. O sol é uma bola maciça de
fogo. É assim que Jesus manifestará a Si mesmo nos últimos dias àqueles que O temem. Eles
meditarão em Sua palavra por causa do amor puro que têm pelos caminhos do Senhor. O fogo da
Sua glória se acenderá sobre eles e serão vistos pelos povos que habitam nas trevas. Como nunca
antes, uma colheita de almas se dará, como resultado da ministração desses cujas candeias estão
queimando e brilhando. Seus corações estarão ardentes por Sua Palavra, e nenhuma treva se
apoderará deles.
Nós vemos um vislumbre disso com dois dos discípulos de Jesus, após a Ressurreição do Senhor:

Naquele mesmo dia, dois deles estavam indo para um
povoado chamado Emaús, a onze quilômetros de Jerusalém.
No caminho, conversavam a respeito de tudo o que havia
acontecido. Enquanto conversavam e discutiam, o próprio
Jesus Se aproximou e começou a caminhar com eles.
Lucas 24:13-15

Uau! Eles estavam vivendo tempos difíceis, mas eles falavam das coisas de Deus. Ao falarem,
Jesus se aproximou. Quando conversamos sobre nosso temor e amor pelo Senhor, Ele se achega.
Após Jesus ter Se aproximado, veja o que aconteceu: “E começando por Moisés e todos os profetas,
explicou-lhes o que constava a respeito Dele em todas as Escrituras” (Lc 24:27).
Que banquete! Ai, como eu anseio ter uma maior revelação de Jesus! Ele é a satisfação dos
desejos da minha alma. Enquanto conversavam sobre o que haviam refletido, Jesus se aproximou e
abriu seus olhos, para que pudessem vê-Lo nas Escrituras: “Então os olhos deles foram abertos e O
reconheceram” (Lc 24:31). Ai, Pai, abra nossos olhos para vermos Jesus!
Eles perguntaram um ao outro: “Não estava queimando o nosso coração, enquanto Ele nos falava
no caminho e nos expunha as Escrituras?” (Lc 24:32). Quando foi que o coração de Moisés queimou
e sua face brilhou? Quando ele ouviu a Palavra de Deus na Sua presença. O que lhe deu capacidade
de ouvir a Palavra diante da Sua gloriosa presença? A decisão de Moisés de se separar do Egito e
obedecer Àquele a quem ele ansiava conhecer. Ele considerava a repreensão de Cristo mais valiosa
do que os tesouros do Egito, pois olhava para a recompensa. Ai, minha esperança é que um anseio
por Ele seja profundamente despertado dentro da sua alma!
CAPÍTULO 14
E VERÃO A SUA FACE

Eles se colocarão de pé diante Dele, livres das


manchas do mundo, com seus corações
acesos com um desejo santo.

N ossos melhores dias ainda estão por vir. Deus tem reservado um povo para Si. Eles ouvirão o
clamor do Seu coração e andarão em santidade diante Dele. Eles serão a verdadeira
personificação dos cristãos: aqueles que ouvem e obedecem à voz do Senhor sem duvidar. Eles se
colocarão de pé diante Dele, livres das manchas do mundo, com seus corações acesos com um
desejo santo. Assim como Ele tem ciúmes do Seu povo, o Seu povo terá ciúmes Dele. Por intermédio
do Seu povo, Ele revelará Sua glória ao mundo perdido e moribundo.
Na vida de Jacó, neto de Abraão, encontramos um prenúncio do que Deus fará para aqueles que O
honrarem. Deus disse a Jacó: “Suba a Betel e estabeleça-se lá, e faça um altar ao Deus” (Gn 35:1).
Betel significa “casa de Deus”. Em outra ocasião, Jacó havia encontrado com Deus ali. Deus o
convidou: “Jacó, aproxime-se de Mim, e Eu me aproximarei de você”. Jacó respondeu e deu
instruções aos que estavam em sua casa:

Livrem-se dos deuses estrangeiros que estão entre vocês, purifiquem-se e troquem de roupa.
Venham! Vamos subir a Betel, onde farei um altar ao Deus que me ouviu no dia da minha
angústia e que tem estado comigo por onde tenho andado.
Gênesis 35:2-3

Eles deveriam se livrar “dos deuses estrangeiros”. Lembre-se, um ídolo é para quem damos nossa
força e afeição, acima de Jesus. A idolatria da igreja de Laodiceia era a ambição deles, que lhes
roubou a paixão necessária para produzir frutos eternos (ver Colossenses 3:5). A instrução de Jacó
“purifiquem-se e troquem de roupa” reafirma a importância da pureza e da cobertura apropriada.
Jesus falou à igreja de Laodiceia de uma maneira similar.
Jacó e seu povo se achegaram a Deus: “Quando eles partiram, o terror de Deus caiu de tal
maneira sobre as cidades ao redor que ninguém ousou perseguir os filhos de Jacó” (Gn 35:5). O
temor do Senhor os cobriu a tal ponto que o terror se espalhou pelas cidades vizinhas por onde eles
passavam em sua jornada. Quando nós nos consagramos a Deus, a autoridade da Sua presença nos
acompanha e se torna evidente aos que nos rodeiam.

Entregue a Deus

Charles Finney era completamente entregue a Deus. Sua consagração estava acima de qualquer
outra coisa em sua vida. Era possível vê-la por meio das mensagens de pureza que ele pregava. Por
exemplo, certa vez ele visitou uma fábrica de aproximadamente três mil empregados. O proprietário
e a maioria dos funcionários não eram salvos. Finney tinha realizado uma cruzada na região, e uma
mulher o reconheceu e fez um comentário depreciativo. Imediatamente, a convicção de Deus caiu
sobre ela e se alastrou sobre todos os que pararam o serviço para consolá-la. Dentro de minutos,
toda a produção foi parada, enquanto os funcionários e o proprietário foram cativados pela pregação
da Palavra de Deus feita por Charles Finney. Em algumas horas a maioria deles foi salva. Finney
vestia a presença de Deus como uma roupa, e isso era evidente a todos os que estavam a seu redor,
quer fossem cristãos ou ímpios.
Por que a Igreja não tem tido a autoridade desse tipo de presença há várias décadas? Durante
tanto tempo o mundo tem insultado a Igreja e escarnecido dela, dizendo: “Onde está o seu Deus?”.
Se nós temos sofrido perseguição é por causa de nossos próprios defeitos e mundanismo. Mesmo
assim eu creio que Deus novamente terá um povo totalmente consagrado a Ele. Meu coração arde
por isso. O seu, não? O Senhor habitará entre eles e os cercará de uma forma evidente e poderosa.
Novamente o temor de Deus se apoderará de Seus filhos assim como nos dias da antiguidade.
Ao longo deste livro eu me referi a Moisés e aos filhos de Israel. A primeira geração não abriu mão
dos desejos do Egito. Contudo, a geração seguinte de hebreus vagou por desertos estéreis e se
consagrou ao Senhor. Foi a geração que seguiu Josué. No livro de Josué, encontramos somente um
incidente de desobediência e idolatria, que envolveu apenas uma família, e toda a nação se levantou
contra eles, em oposição (ver Josué 7).
Quando eles se prepararam para atravessar o rio Jordão e enfrentar seus inimigos, Moisés conta:

Ouça, ó Israel: Hoje você está atravessando o Jordão para entrar na terra e conquistar nações
maiores e mais poderosas do que você, as quais têm cidades grandes, com muros que vão até
o Céu. O povo é forte e alto. São enaquins! Você já ouviu falar deles e até conhece o que se
diz: “Quem é capaz de resistir aos enaquins?”. Esteja, hoje, certo de que o Senhor, o seu
Deus, Ele mesmo, vai adiante de você como fogo consumidor. Ele os exterminará e os
subjugará diante de você. E você os expulsará e os destruirá, como o Senhor lhe prometeu.
Deuteronômio 9:1-3

Será que somos uma geração como a de Josué? Estamos dispostos a andar em tal pureza a ponto
de Deus nos ungir para que o mundo não nos vença? Que essa seja a nossa oração!

Uma Igreja Vencedora

A Igreja Primitiva andava na gloriosa presença de Deus. A Igreja orava e os fundamentos se


abalavam. Ananias e Safira trouxeram uma oferta enganosa diante de Pedro e caíram mortos. A
presença de Deus era tão forte e evidente que a Bíblia diz:

Dos demais, ninguém ousava juntar-se a eles, embora o povo os tivesse em alto conceito. Em
número cada vez maior, homens e mulheres criam no Senhor e lhes eram acrescentados, de
modo que o povo também levava os doentes às ruas e os colocava em camas e macas, para
que pelo menos a sombra de Pedro se projetasse sobre alguns, enquanto ele passava.
Atos 5:13-15

O mesmo não acontece hoje. Os impostores facilmente se infiltram entre os verdadeiros porque
nos faltam o temor e o fogo de Deus. A morte do casal alertou a sociedade para que não brincasse
com Deus nem com Seu povo, e multidões se converteram (ver Atos 5:16). Aqueles que tinham sede
de Deus O reconheciam entre os cristãos, mas os hipócritas se afastavam com medo.
A Igreja Primitiva era uma igreja vencedora. Jesus prometeu à igreja de Laodiceia, que é tão
similar à Igreja de hoje: “Ao vencedor darei o direito de sentar-se comigo em Meu trono, assim como
Eu também venci e sentei-Me com Meu Pai em Seu trono” (Ap 3:21).
A igreja que recebeu a mais forte exortação no Apocalipse também recebeu a maior promessa. O
salmista pediu para que pudesse estar somente à porta da sala do trono de Deus. Mas Jesus fez um
convite não somente para entramos à sala, mas também para nos assentarmos com Ele em Seu
trono! Talvez possamos agora entender melhor as palavras de Paulo:

Se perseveramos,
Com Ele também reinaremos.
Se O negamos,
Ele também nos negará.
2 Timóteo 2:12

Como alguém que professa Jesus como seu Senhor pode negá-Lo? Nós encontramos a resposta
neste versículo: “Eles afirmam que conhecem a Deus, mas por seus atos O negam” (Tt 1:16).
Novamente vemos que as ações falam mais alto do que as confissões. Paulo nos encorajou: “Se
perseverarmos, com Ele também reinaremos”.
A santidade envolve um compromisso de correr até o fim. Nós temos a abençoada promessa que
Deus nos deu a Sua graça para perseverarmos e obtermos vitória! Esses são os vitoriosos, e Deus
promete a eles: “Eles verão a Sua face, e o Seu Nome estará em suas testas. Não haverá mais noite.
Eles não precisarão de luz de candeia, nem da luz do sol, pois o Senhor Deus os iluminará; e eles
reinarão para todo o sempre” (Ap 22:4-5).
Moisés desejou acima de tudo ver a face de Deus. Aqueles que vencerem verão Sua face ao reinar
com Ele para todo o sempre. Você está segurando este livro em suas mãos porque esse é o seu
desejo mais profundo, e é também o maior convite do Senhor. Abrace esse chamado, deixe que a
chama seja acesa e contemple-O. Que a graça do Senhor Jesus Cristo seja abundante sobre você.
Amém.


SOBRE O AUTOR



JOHN BEVERE e sua esposa Lisa são os fundadores do Messenger International. Pastor e autor de
bestsellers, John prega mensagens sobre a verdade sem concessões, com ousadia e paixão. Seu
desejo é apoiar a igreja local e oferecer recursos aos líderes independentemente de sua localidade,
idioma ou posição financeira. Com esse objetivo, seus materiais têm sido traduzidos para mais de
noventa idiomas, e milhões de exemplares têm sido distribuídos a pastores e líderes em todo o
mundo. Quando está em casa, John tenta convencer Lisa a jogar golfe e passa tempo com seus
quatro filhos, sua nora e seus netos.