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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ


Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes
Departamento de História

Teoria da História IV (HH 049)


Créditos: 04
Carga horária semestral: 60 h/aula Carga horária semanal: 04 h/aula
Professor: Clóvis Gruner

Ementa: Estudo das escolas históricas do século XX.

I - Objetivos
A disciplina busca analisar o conceito de tempo na construção do conhecimento
histórico; distinguir as construções utilizadas pelo historiador e pelo profissional da
história na produção do conhecimento histórico – fontes e procedimentos
metodológicos –; e problematizar as diferentes formas narrativas de construção do
passado pela história. A ênfase recairá, portanto, nas discussões em curso sobre as
relações entre o passado histórico e o passado prático e sobre a noção de história
pública. O objetivo é discutir as possibilidades e os usos da Teoria da História como
diagnóstico do presente e como ferramenta imprescindível ao Ensino de História.

II – Conteúdos
1-) Uma pergunta, algumas respostas: para que serve a teoria?
a-) Quem tem medo de teoria?
b-) Crer em qual história?
c-) A construção do arquivo

2-) Reconfigurações do tempo


a-) Contemporaneidade e aceleração temporal
b-) A hipótese e os limites do presentismo
c-) Atualismo: a história frente à atualidade do inteiramente novo
3-) História e narrativa, história como narrativa
a-) A história entre ciência e ficção: Michel de Certeau
b-) Tempo, história, narrativa: Paul Ricoeur
c-) A “virada linguística”: Hayden White

4-) Como conhecemos o passado


a-) História disciplinar e “cientificização” do passado
b-) Do passado histórico ao passado prático
c-) História pública e usos do passado

III - Bibliografia
ALMEIDA, Juniele; ROVAI, Marta (orgs.). Introdução à história pública. São
Paulo: Letra e Voz, 2011.
AVILA. Arthur Lima de. Indisciplinando a historiografia: do passado histórico ao
passado prático, da crise à crítica. In.: Revista Maracanan. Rio de Janeiro, n. 18,
jan/jun. 2018, pp. 35-49.
BENTIVOGLIO, Julio; AVELAR, Alexandre de Sá (orgs.). Afirmação da história
como ciência no século XX: de Arlette Farge a Robert Mandrou. Petrópolis:
Vozes, 2016.
BOUTIER, Jean; JULIA, Dominique (orgs.). Passados recompostos: campos e
canteiros da história. Rio de Janeiro: UFRJ/FGV, 1998.
CARR, Edward H. Que é história? Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
CERTEAU, Michel de. História e psicanálise: entre ciência e ficção. Belo
Horizonte: Autêntica: 2011.
CHAKRABARTY, Dipesh. O clima da história. Sopro 91, julho/2013.
FREITAS, Artur; KAMINSKI; Rosane (orgs.). História e arte: encontros
disciplinares. São Paulo: Intermeios, 2013.
GALLAGHER, Catherine; GREENBLATT, Stephen. A prática do novo
historicismo. Bauru: Edusc, 2005.
GORDON, LEWIS. Decadência disciplinar e de(s)colonização do conhecimento.
Epistemologias do Sul. Foz do Iguaçu, vol. 1, nr. 1, 2017.
HARTOG, François. Crer em história. Belo Horizonte: Autêntica, 2017.
HARTOG, François. Regimes de historicidade: presentismo e experiências do
tempo. Belo Horizonte: Autêntica, 2013.
HARTOG, François. Evidência da história – o que os historiadores veem. Belo
Horizonte: Autêntica, 2011.
HUTCHEON, Linda. Poética do Pós-Modernismo. Rio de Janeiro: Imago, 1991.
HUNT, Lynn (org.). A nova história cultural. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
JAMESON, Fredric. O fim da temporalidade. ArtCultura, Uberlândia, v. 13, jan.-
jun. 2011.
JENKINS, Keith. A história repensada. São Paulo: Contexto, 1999.
KLEINBERG, Ethan; SCOTT, Joan; WILDER, Gary. Theses on theory and history.
Disponível em: http://theoryrevolt.com/. Texto em português, com tradução de André
de Lemos Freixo, disponível em: https://bit.ly/2P7hpnX
KOSELLECK, Reinhart. Estratos do tempo: estudos sobre história. Rio de Janeiro:
Contraponto/PUC-Rio, 2014.
KOSELLECK, Reinhart. Futuro passado: contribuição à semântica dos tempos
históricos. Rio de Janeiro: Contraponto/PUC-Rio, 2006.
LEMOS, Igor. Sobre história pública e ensino de história. EBR – Educação Básica
Revista, vol. 3, n. 2, 2017.
MALERBA, Jurandir (org.). História & narrativa: a ciência e a arte da escrita
histórica. Petrópolis: Vozes, 2016.
MALERBA, Jurandir. Acadêmicos na berlinda ou como cada um escreve a história?
Uma reflexão sobre o embate entre historiadores acadêmicos e não acadêmicos no
Brasil à luz dos debates sobre Public History. In.: História da historiografia. Ouro
Preto, número 15, agosto/2014, pp. 27-50.
MALERBA, Jurandir. (org.). A história escrita: teoria e história da historiografia.
São Paulo: Contexto, 2009.
MUNSLOW, Alun. Descontruindo a história. Petrópolis: Vozes, 2009.
NICOLAZZI, Fernando. Muito além das virtudes epistêmicas. O historiador público
em um mundo não linear. In.: Revista Maracanan. Rio de Janeiro, n. 18, jan/jun.
2018, pp. 18-34.
OLIVEIRA, Maria da Glória de. Os sons do silêncio: interpelações feministas
decoloniais à história da historiografia. História da historiografia. Ouro Preto,
número 28, set-dez./2018.
PEREIRA, Mateus; ARAÚJO, Valdei. Atualismo 1.0: como a ideia de atualização
mudou o século XXI. Vitória: Milfontes/Mariana: Editora da SBTHH, 2019.
PEREIRA, Nilton; RODRIGUES, Maria Cristina. BNCC e o passado prático.
Arquivos Analíticos de Políticas Educativas, vol. 26, n. 107, set./2018.
REIS, José Carlos. História & teoria: historicismo, modernidade, temporalidade
e verdade. Rio de Janeiro: FGV, 2003.
RICOEUR, Paul. Tempo e narrativa. Campinas: Papirus, 1997, 3 v.
SALOMON, Marlon (org.). Saber dos arquivos. Goiânia: Edições Ricochete, 2011.
SARLO, Beatriz. Tempo passado: cultura da memória e guinada subjetiva. São
Paulo: Companhia das Letras; Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2007.
SETH, Sanjay. Razão ou raciocínio? Clio ou Shiva? In.: História da historiografia.
Ouro Preto, número 11, abril/2013, pp. 173-189.
TURIN, Rodrigo. Entre o passado disciplinar e os passados práticos: figurações do
historiador na crise das humanidades. Tempo. Niterói, vol. 24, n. 2, mai-ago./2018.
VASCONCELOS, José. Quem tem medo de teoria? A ameaça do pós-
modernismo na historiografia americana. São Paulo: Annablume, 2005.
VEYNE, Paul. Como se escreve a História. Brasília: UnB, 1982.
WHITE, Hayden. O passado prático. ArtCultura. Uberlândia, v. 20, n. 37, jul-dez.
2018.
WHITE, Hayden. Trópicos do discurso: Ensaios sobre a crítica da cultura. São
Paulo: Edusp, 2001.

IV – Metodologia de aula
Os encontros serão desenvolvidos por meio de aulas expositivas e apresentação e
discussão dos textos elencados, a serem combinados e distribuídos com os alunos.

V – Avaliação
a-) Deverão ser confeccionados trabalhados de sistematização de leitura de duas
unidades. Os relatórios, entre quatro e seis laudas, podem ser escritos em equipes de
até três integrantes.
Serão avaliados: Domínio sobre as abordagens estudadas e capacidade de estabelecer
relações entre os autores. Cada relatório valerá no máximo 20 pontos.

b-) Os discentes deverão elaborar, em equipe, um material didático articulando os


conteúdos da disciplina ao Ensino de História.
Serão avaliados: Coerência entre o conteúdo da disciplina e sua estruturação em
recursos didáticos que tenham uma linguagem coerente ao período proposto. O
trabalho valerá no máximo 60 pontos.

c-) Avaliação individual e escrita. Será realizada uma avaliação ao final do semestre,
sem consulta aos textos.
Serão avaliados: Domínio do conteúdo selecionado, ideia central dos textos e
capacidade de estabelecer relações entre os autores. A avaliação valerá no máximo
100 pontos.

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