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COLÉGIO ESTADUAL PEDRO MACEDO – EMFP


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Disciplina: Comunicação e Educação em Segurança do Trabalho


Curso: Segurança do Trabalho - 1° Semestre – Noite – Subsequente
Professor: Márcio Luís Hassler

1º BIMESTRE
Metodologia Científica
Metodologia Científica é a ciência que "estuda os caminhos do saber", entendendo que
"método" representa caminho, "logia" significa estudo e "ciência", saber.
Os caminhos, ou seja, os métodos são procedimentos ou normas para a realização de
trabalhos acadêmicos, a fim de dar ordenamento aos assuntos pesquisados. O método é um
conjunto de procedimentos sistemáticos no qual os questionamentos são utilizados com critérios de
caráter científico, para termos fidedignidade dos dados, envolvendo princípios e normas que possam
orientar e possibilitar condições ao pesquisador, na realização de seus trabalhos, para que o
resultado seja confiável e tenha maior possibilidade de ser generalizado para outros casos.
Aprenderá a arte da leitura, da análise e interpretação de textos, para que não seja um aluno-
copista, que reproduz em suas pesquisas e trabalhos acadêmicos o que outros disseram, sem
nenhum juízo de valor, crítica ou apreciação, mas, sim, um aluno que analisa, interpreta e participa
ativamente do seu processo de aprendizagem.
Você sabia que o homem pré-histórico não conseguia entender os fenômenos da natureza,
por isso tinha reações de medo? Durante algum tempo foi assim, as gerações, ao se sucederem,
foram recebendo um mundo já trabalhado e adaptado, e as fases foram se modificando, passando
do medo à tentativa de encontrar explicações aos fenômenos da natureza, buscando respostas por
meio de crenças e magias, que também não foram suficientes. O ser humano evoluiu para a busca
de respostas através de caminhos que pudessem ser comprovados, nos quais pudesse refletir sobre
as experiências e transmitir a outros.
A necessidade de saber o porquê dos acontecimentos foi o impulso para a evolução do
homem e o surgimento da ciência.
Definição de ciência
Você deve ter percebido que o homem sentiu a necessidade de saber o porquê dos
acontecimentos e que, dessa forma, surgiu a ciência. Para entender melhor esse assunto, você
precisa compreender o que é ciência e, também, distinguir ciência e senso comum.
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Etimologicamente, ciência significa conhecimento. Mas, nem todos os tipos de conhecimento


pertencem à ciência, como o conhecimento vulgar.
Cervo e Bervian (2002, p. 16) afirmam que:
A ciência é um modo de compreender e analisar o mundo empírico, envolvendo o conjunto
de procedimentos e a busca do conhecimento científico através do uso da consciência
crítica que levará o pesquisador a distinguir o essencial do superficial e o principal do
secundário.

A ciência demonstra que é capaz de fornecer respostas dignas de confiança sujeitas a


críticas; é uma forma de entender, compreender os fenômenos que ocorrem. Na verdade, a ciência
é constituída pela observação sistemática dos fatos; por intermédio da análise e da experimentação,
extraímos resultados que passam a ser avaliados universalmente.
Quando faz referência à ciência, Oliveira (2002, p. 47) afirma que:
Trata-se do estudo, com critérios metodológicos, das relações existentes entre causa e
efeito de um fenômeno qualquer no qual o estudioso se propõe a demonstrar a verdade dos
fatos e suas aplicações práticas. É uma forma de conhecimento sistemático, dos
fenômenos da natureza, dos fenômenos sociais, dos fenômenos biológicos, matemáticos,
físicos e químicos, para se chegar a um conjunto de conclusões verdadeiras, lógicas,
exatas, demonstráveis por meio da pesquisa e dos testes.

Você pode perceber, com o autor, que os fenômenos de que os homens pré-históricos
sentiam medo passaram a ser explicados pelos estudos, por meio de critérios metodológicos. Veja a
importância da ciência como uma forma de conhecimento humano, objetivo, racional, sistemático,
geral, verificável e falível.
No conhecimento científico, o pensar deve ser sistemático, verificando uma hipótese (ou
conjunto de hipóteses), atribuindo o rigor na utilização de métodos científicos. Dessa forma, o
trabalho científico configura-se na produção elaborada a partir de questões específicas de estudo.
Segundo Galliano (1986, p. 26), “ao analisar um fato, o conhecimento científico não apenas
trata de explicá-lo, mas também busca descobrir suas relações com outros fatos e explicá-los.”
Senso Comum
Para entendermos melhor o senso comum e sabermos diferenciá-lo do conhecimento
científico, podemos nos apropriar da literatura que nos apresentam diversos autores, como Galliano
(1986), Cervo e Bervian (2002), Lakatos e Marconi (2003), Fachin (2003), entre outros, que definem
senso comum como algo que vem da experiência do dia-a-dia, os conhecimentos que se
desenvolvem a partir do cotidiano ou da necessidade.
O senso comum, enquanto conhecimento aprendido à luz das experiências e observações
imediatas do mundo circundante é uma forma de conhecimento que permanece no nível das
crenças vividas, segundo uma interpretação previamente estabelecida e adotada pelo grupo social.
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Leva a pensar de forma assistemática, sensitiva e subjetiva, sem atribuir o rigor e a utilização do
método científico.
É importante sabermos que do conhecimento do senso comum podemos desenvolver o
conhecimento científico, pois ditos populares podem gerar questões que, às vezes, levam à
pesquisa e à investigação científica, ou seja, aquilo a que o senso comum não responde, a ciência
pode responder.
Você pode entender melhor a diferença entre o senso comum e o conhecimento científico,
pensando nos tratamentos médicos. Muitos remédios foram utilizados, inicialmente, pelas comadres
ou pelos índios, uma vez que o conhecimento deles era advindo do senso comum, que também
chamamos de conhecimento vulgar.
Os remédios produzidos pelas comadres, pode ser aplicado um método científico, após ser
comprovada a eficácia dos métodos de cura; passam, então, a ser considerados um conhecimento
científico. Antes disso, não era válida a comprovação do senso comum, mesmo que já tivesse
curado diversas doenças, porque não havia passado pelo método científico.
Você pode associar isso à sua vida acadêmica. Muitas vezes, na realização de um trabalho
de estudos, com a investigação de um problema, você precisará aplicar os métodos científicos para
chegar a um resultado comprovado, não poderá ficar no “achismo” ou no “vou fazer assim porque
sempre deu certo”. Perceba, então, a importância da utilização dos métodos científicos na sua vida
acadêmica!
A natureza do conhecimento
Existem pelo menos quatro níveis de conhecimento fundamentais:
1. Empírico: é o conhecimento popular (vulgar), guiado somente pelo que adquirimos na vida
cotidiana ou ao acaso, servindo-nos da experiência do outro, às vezes ensinando, às vezes
aprendendo, num processo intenso de interação humana e social. É assistemático, está relacionado
com as crenças e os valores, faz parte de antigas tradições. Como exemplo de conhecimento
empírico, você já deve ter ouvido o dito popular de que tomar chá de macela, mais conhecida como
marcela, cura dor de estômago, mas ela precisa ser colhida na Sexta-feira Santa, antes do sol
nascer.
2. Científico: é o conhecimento real e sistemático, próximo ao exato, procurando conhecer
além do fenômeno em si, as causas e leis. Por meio da classificação, comparação, aplicação dos
métodos, análise e síntese, o pesquisador extrai do contexto social, ou do universo, princípios e leis
que estruturam um conhecimento rigorosamente válido e universal. Neste, são feitos
questionamentos e procuradas explicações sobre os fatos, através de procedimentos que possam
levar ao resultado com comprovação. Não é considerado algo pronto, acabado e definitivo, busca
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constantemente explicações, soluções, revisões e reavaliações de seus resultados, pois, segundo


Cervo e Bervian (2002), a ciência é um processo em construção.
Analisar o mesmo exemplo anterior no contexto científico poderia, mediante o estudo, verificar
a relação de causa e efeito e o princípio ativo que determina o desaparecimento do sintoma “dor de
estômago”, quando da ingestão do chá de macela.
3. Filosófico: procura conhecer a realidade em seu contexto universal, sem soluções
definitivas para a maioria das questões; busca constantemente o sentido da justificação e a
possibilidade de interpretação a respeito do homem e de sua existência concreta. A tarefa principal
da filosofia resume-se na reflexão.
A filosofia procura compreender a realidade em seu contexto universal. Não produz soluções
definitivas para grande número de questões, mas habilita o ser humano a fazer uso de suas
faculdades para entender melhor o sentido da vida, concretamente.
4. Teológico: é o estudo de questões referentes ao conhecimento da divindade, implicando
sempre em uma atitude de fé diante de revelações de um mistério ou sobrenatural, interpretados
como mensagem ou manifestação divina. Esse conhecimento está intimamente relacionado a um
Deus, seja este Jesus Cristo, Buda, Maomé, um ser invisível, ou qualquer entidade entendida como
ser supremo, dependendo da cultura de cada povo, com quem o ser humano se relaciona por
intermédio da fé religiosa.
Exemplo disso são os conhecimentos adquiridos e praticados pelos homens tendo como base
os textos da Bíblia Sagrada ou quaisquer outros livros sagrados.
Oliveira (2003, p. 37- 41), e Galliano (1986, p. 18-20), falam sobre as formas de
conhecimento:
Conhecimento vulgar ou popular: é utilizado por meio do senso comum, geralmente passado
de geração em geração, disseminado pela cultura baseada na imitação e experiência pessoal; é
empregado pela experiência pessoal do dia-a-dia, sem crítica.
Conhecimento filosófico: não é passível de observações sensoriais, utiliza o método racional,
no qual prevalece o método dedutivo antecedendo a experiência; não exige comparação
experimental, mas coerência lógica, a fim de procurar conclusões sobre o universo e as indagações
do espírito humano.
Conhecimento religioso ou teológico: é incontestável em suas verdades, por tratar de
revelações divinas; não é colocado à prova e nem pode ser verificado.
Conhecimento científico: por meio da ciência, busca um conhecimento sistematizado dos
fenômenos, obtido segundo determinado método, que aponta a verdade dos fatos experimentados e
sua aplicação prática.
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O conhecimento científico pode ser: contingente (hipóteses traduzem resultado através da


experimentação); sistemático (procedimento ordenado forma um sistema encadeado de ideias);
verificável (afirmações podem ser comprovadas); falível (novas proposições podem mudar as teorias
existentes); real (lida com o real, conforme ocorrência dos fatos).
Desenvolvimento Histórico do Método
Paralelamente ao desenvolvimento do conhecimento, esta sistematização das atividades
entendida como método, também passou a evoluir e se transformar. Galileu (1564-1642) foi um
precursores teóricos do método experimental, quando contradizendo os ensinamentos de
Aristóteles, preconizou que o conhecimento íntimo das coisas deveria ser substituído pelo
conhecimento de leis gerais que condicionam as ocorrências.
O método proposto por Galileu Galilei pode ser rotulado de indução experimental, pois é a
partir da observação de casos particulares que se propõe a chegar a uma lei geral. As etapas
propostas foram: observar os fenômenos, analisar seus elementos constitutivos visando estabelecer
relações quantitativas entre os mesmos, induzir hipóteses com base na análise preliminar, verificar
as hipóteses utilizando um procedimento experimental, generalizar o resultado alcançado para
situações similares, confirmar estas generalizações para se chegar a uma lei geral.
Observação dos Fenômenos

Análise das partes, estabelecendo relações quantitativas

Indução de Hipóteses

Verificação das Hipóteses (experimentação)

Generalização dos Resultados

Confirmação das Hipóteses

Estabelecimento de Leis Gerais
Portanto, Galileu sugeriu partir do particular para o geral (Indução), mas, com base na
experimentação (Indução Experimental).
Francis Bacon (1561-1626), contemporâneo de Galileu, destaca serem essenciais à
observação e a experimentação dos fenômenos reiterando que a verdade de uma afirmação só
poderá ser proporcionada pela experimentação.
Bacon propõe que sejam seguidos os passos:
 realização de experimentos sobre o problema para que se possa observar e registrar, de
forma sistemática, as informações coletadas;
 após a análise dos resultados experimentais devem ser formuladas as hipóteses que sugiram
explicações sobre as relações causais entre os fatos;
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 repetição dos experimentos em outros locais e ou por outros cientistas, com a finalidade de
acumular novos dados que servirão para a formulação de hipóteses (outras ou as mesmas já
formuladas);
 teste das hipóteses com nova repetição experimental. O grau de confirmação das hipóteses
depende da quantidade de evidências favoráveis;
 formulação de leis gerais para o fenômeno estudado fundamentadas nas evidências
experimentais obtidas com posterior generalização destas leis para os fenômenos similares
ao que foi estudado.
Nesta sequência experimental é possível aumentar a intensidade daquilo que se presume ser a
causa do fenômeno para verificar se a resposta se dá de maneira correspondente. É possível variar
a experiência aplicando a mesma causa a diferentes objetos ou aplicando um fator contrário à
suposta causa com a finalidade de verificar se o efeito contrário acontece.
Experimentação

Formulação de Hipóteses

Repetição

Testagem das Hipóteses

Formulação de Generalizações e
Leis
Portanto, na base do método proposto por Bacon referido como "método das coincidências
constantes", está a constatação de que um fenômeno depende, para sua ocorrência, de uma causa
necessária e suficiente, em cuja ausência o fenômeno não ocorrerá.
Descartes (1596-1650) propõe um processo que se afasta em essência dos anteriores. Em
vez de usar inferência indutiva, utiliza a inferência dedutiva (do geral para o particular). A certeza
somente poderá ser alcançada pela razão. As quatro regras clássicas de seu método são:
 não aceitar jamais como verdadeiro uma coisa que não se reconheça evidentemente como
verdadeira, abolindo a precipitação, o preconceito e os juízos subjetivos (EVIDÊNCIA); dividir
as dificuldades em tantas partes quantas for possível e necessário para resolvê-las
(ANÁLISE);
 conduzir ordenadamente o pensamento, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis
de conhecer até culminar com os objetos mais complexos, em uma sequência natural de
complexidade crescente (SÍNTESE);
 realizar sempre discriminações e enumerações as mais completas e revisões as mais gerais,
de forma a se ter certeza de nada haver sido omitido (ENUMERAÇÃO).
No caso das ciências factuais a análise e a síntese podem ser realizadas sobre os fatos e sobre
os seres ou coisas materiais ou espirituais. A análise pode ser entendida como o procedimento que
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permite decompor o todo em suas partes constituintes, indo do mais para o menos complicado. Já
com a síntese é feita a reconstituição do todo, após a análise preliminar (do simples para o
complexo). Em ambos deve haver um procedimento gradual sem a omissão de etapas
intermediárias. Nas ciências naturais a análise sempre precede a síntese.
Conceito Atual de Método
Eis como vários autores definiram o Método Científico:
“Método é o caminho pelo qual se chega a determinado resultado, ainda que esse caminho
não tenha sido fixado de antemão de modo refletido e deliberado.” (HEGENBERG, 2002).
“Método é uma forma de selecionar técnicas, uma forma de avaliar alternativas para ação
científica. Métodos são regras de escolha; técnicas são as próprias escolhas.” (ACKOFF, 2006).
“Método é a forma de proceder ao longo de um caminho. Na ciência os métodos constituem
os instrumentos básicos que ordenam o pensamento em sistemas, traçam de modo ordenado a
maneira de proceder do cientista ao longo de um percurso para alcançar um objetivo.” (TRUJILLO,
2008).
“Método é a ordem que se deve impor aos diferentes processos necessários para atingir um
determinado fim. É o caminho a seguir para chegar à verdade nas ciências.” (JOLIVET, 2007).
“Método, em sentido geral, é a ordem que se deve impor aos diferentes processos
necessários para atingir um dado fim ou um resultado desejado. Nas ciências, entende-se por
método o conjunto de processos que o espírito humano deve empregar na investigação e
demonstração da verdade.” (CERVO e BERVIAN, 2006).
“Método é o conjunto coerente de procedimentos racionais ou prático - racionais que orienta o
pensamento para o alcance de conhecimentos válidos.” (NÉRICI, 2012).
“Método é um procedimento regular, explícito e passível de ser repetido para conseguir algo
material ou conceitual. Método científico é um conjunto de procedimentos por meio dos quais são
propostos os problemas científicos e, a seguir, são colocadas à prova as hipóteses científicas.”
(BUNGE, 2012).
Na verdade, não existe divergência entre os diversos conceitos apresentados. Do ponto de
vista científico o método engloba a execução de operações ordenadas, de natureza mental e
material, cuja finalidade é a obtenção da verdade ou do conhecimento de um fenômeno ou de um
objeto. Para se chegar a este fim é necessário propor e testar hipóteses. O conjunto dessas
atividades ordenadas constitui o método científico que, com maior segurança e economia permite
alcançar o conhecimento científico.
O método científico é o arcabouço teórico da investigação que, para ter forma científica deve
enfocar um determinado problema explicitando-o de forma precisa e objetiva (tema da pesquisa),
utilizar todos os conhecimentos válidos sobre o assunto (revisão da literatura) e todo o instrumental
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disponível para a resolução do problema (material e técnicas), propor hipóteses que sejam testáveis
e que sejam relevantes, conduzir um experimento que permita refutar ou não a hipótese proposta
mediante a coleta minuciosa de dados e análise adequada, interrelacionar e discutir os resultados
obtidos em face do que a literatura apresenta e finalmente, apresentar ao público o trabalho
desenvolvido.
Método dedutivo: O método dedutivo, de acordo com o entendimento clássico, é o método que
parte do geral e, a seguir, desce ao particular. A partir de princípios, leis ou teorias consideradas
verdadeiras e indiscutíveis, prediz a ocorrência de casos particulares com base na lógica. Parte de
princípios reconhecidos como verdadeiros e indiscutíveis e possibilita chegar a conclusões de
maneira puramente formal, isto é, em virtude unicamente de sua lógica.
Método proposto pelos racionalistas Descartes, Spinoza e Leibniz pressupõe que só a razão é
capaz de levar ao conhecimento verdadeiro. O raciocínio dedutivo tem o objetivo de explicar o
conteúdo das premissas. Por intermédio de uma cadeia de raciocínio em ordem descendente, de
análise do geral para o particular, chega a uma conclusão. Usa o silogismo, a construção lógica
para, a partir de duas premissas, retirar uma terceira logicamente decorrente das duas primeiras,
denominada de conclusão. Veja um clássico exemplo de raciocínio dedutivo a seguir:
Todo homem é mortal .......................................................................... (premissa maior)
Pedro é homem .................................................................................... (premissa menor)
Logo, Pedro é mortal ..................................................................................... (conclusão)
O método dedutivo encontra ampla aplicação em ciências como a Física e a Matemática,
cujos princípios podem ser enunciados como leis. Já nas ciências sociais, o uso desse método é
bem mais restrito, em virtude da dificuldade para obter argumentos gerais, cuja veracidade não
possa ser colocada em dúvida.
Mesmo do ponto de vista puramente lógico, são apresentadas várias objeções ao método
dedutivo. Uma delas é a de que o raciocínio dedutivo é essencialmente tautológico, ou seja, permite
concluir, de forma diferente, a mesma coisa. Esse argumento pode ser verificado no exemplo
apresentado. Quando aceitamos que todo homem é mortal, colocar o caso particular de Pedro nada
adiciona, pois essa característica já foi adicionada na premissa maior.
Outra objeção ao método dedutivo refere-se ao caráter apriorístico de seu raciocínio. De fato,
partir de uma afirmação geral significa supor um conhecimento prévio. Como é que podemos afirmar
que todo homem é mortal? Esse conhecimento não pode derivar da observação repetida de casos
particulares, pois isso seria indução. A afirmação de que todo homem é mortal foi previamente
adotada e não pode ser colocada em dúvida. Por isso, os críticos do método dedutivo argumentam
que esse raciocínio se assemelha ao adotado pelos teólogos, que partem de posições dogmáticas.
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Método indutivo
É um método responsável pela generalização, isto é, partimos de algo particular para uma
questão mais ampla, mais geral. Para Lakatos e Marconi (2007, p. 86),
Indução é um processo mental por intermédio do qual, partindo de dados particulares,
suficientemente constatados, infere-se uma verdade geral ou universal, não contida nas
partes examinadas. Portanto, o objetivo dos argumentos indutivos é levar a conclusões cujo
conteúdo é muito mais amplo do que o das premissas nas quais se basearam.

Essa generalização não ocorre mediante escolhas a priori das respostas, visto que essas
devem ser repetidas, geralmente com base na experimentação. Isso significa que a indução parte de
um fenômeno para chegar a uma lei geral por meio da observação e de experimentação, visando a
investigar a relação existente entre dois fenômenos para se generalizar. Temos, então, que o
método indutivo procede inversamente ao dedutivo: parte do particular e coloca a generalização
como um produto posterior do trabalho de coleta de dados particulares.
No raciocínio indutivo, a generalização deriva de observações de casos da realidade
concreta. As constatações particulares levam à elaboração de generalizações. Entre as críticas ao
método indutivo, a mais contundente é aquela que questiona a passagem (generalização) do que é
constatado em alguns casos (particular) para todos os casos semelhantes (geral).
Nesse método, partimos da observação de fatos ou fenômenos cujas causas desejamos
conhecer. A seguir, procuramos compará-los com a finalidade de descobrir as relações existentes
entre eles. Por fim, procedemos à generalização, com base na relação verificada entre os fatos ou
fenômenos. Consideremos, por exemplo:
Antônio é mortal.
João é mortal.
Paulo é mortal.
Carlos é mortal.
Ora, Antônio, João, Paulo ... e Carlos são homens.
Logo, (todos) os homens são mortais.
As conclusões obtidas por meio da indução correspondem a uma verdade não contida nas
premissas consideradas,
[...] diferentemente do que ocorre com a dedução. Assim, se por meio da dedução chega-se
a conclusões verdadeiras, já que baseadas em premissas igualmente verdadeiras, por meio
da indução chega-se a conclusões que são apenas prováveis. (GIL, 2008, p. 11).

O raciocínio indutivo influenciou significativamente o pensamento científico.


Desde o aparecimento no Novum organum, de Francis Bacon (1561- 1626), o método
indutivo passou a ser visto como o método por excelência das ciências naturais. Com o
advento do positivismo, sua importância foi reforçada e passou a ser proposto também
como o método mais adequado para investigação nas ciências sociais. (GIL, 2008, p. 11).
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Nesse sentido não há como deixar de reconhecer e destacar a importância do método


indutivo na constituição das ciências sociais. Surgiu e serviu para que os estudiosos da sociedade
abandonassem a postura especulativa e se inclinassem a adotar a observação como procedimento
indispensável para atingir o conhecimento científico. Devido à sua influência é que foram definidas
técnicas de coleta de dados e elaborados instrumentos capazes de mensurar os fenômenos sociais.
Tanto o método indutivo quanto o dedutivo concordam com o fato de que o fim da
investigação é a formulação de leis para descrever, explicar e prever a realidade; as discordâncias
estão na origem do processo e na forma de proceder. Enquanto os adeptos do método indutivo
(empiristas) partem da observação para depois formular as hipóteses, os praticantes do método
dedutivo têm como inicial o problema (ou a lacuna) e as hipóteses que serão testadas pela
observação e pela experiência.
Argumentos dedutivos e indutivos: dois exemplos servem para ilustrar a diferença entre argumentos
dedutivos e indutivos:
Dedutivo: Indutivo:
Todo mamífero tem um coração. Todos os cães que foram observados tinham um coração.
Ora, todos os cães são mamíferos. Logo, todos os cães têm um coração.
Logo, todos os cães têm um coração.
Dedutivos Indutivos
I. Se todas as premissas são verdadeiras, a conclusão I. Se todas as premissas são verdadeiras, a conclusão é provavelmente
deve ser verdadeira. verdadeira, mas não necessariamente verdadeira.
II. Toda a informação ou o conteúdo fatual da conclusão II. A conclusão encerra informação que não estava, nem implicitamente,
já estava, pelo menos implicitamente, nas premissas. nas premissas.

Dessa forma:
a) Característica I. No argumento dedutivo, para que a conclusão “todos os cães têm um
coração” fosse falsa, uma das ou as duas premissas teriam de ser falsas: ou nem todos os cães são
mamíferos ou nem todos os mamíferos têm um coração. Por outro lado, no argumento indutivo, é
possível que a premissa seja um cão sem coração não é garantia de que todos os cães tenham um
coração.
b) Característica II. Quando a conclusão do argumento dedutivo afirma que todos os cães têm
um coração, está dizendo alguma coisa que, na verdade, já tinha sido dita nas premissas; portanto,
como todo argumento dedutivo, reformula ou enuncia, de modo explícito, a informação já contida
nas premissas. Dessa forma, se a conclusão, a rigor, não diz mais que as premissas, ela tem de ser
verdadeira, se as premissas o forem. Por sua vez, no argumento indutivo, a premissa refere-se
apenas aos cães já observados, ao passo que a conclusão diz respeito a cães ainda não
observados; portanto, a conclusão enuncia algo não contido na premissa. É por esse motivo que a
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conclusão pode ser falsa, pois pode ser falso o conteúdo adicional que encerra, mesmo que a
premissa seja verdadeira.
Esses dois tipos de argumentos têm finalidades distintas: o dedutivo tem o propósito de
explicar o conteúdo das premissas; o indutivo tem o objetivo de ampliar o alcance dos
conhecimentos. Analisando isso sob outro enfoque, podemos dizer que os argumentos dedutivos ou
estão corretos ou incorretos, ou as premissas sustentam, de modo completo, a conclusão ou,
quando a forma é logicamente incorreta, não a sustentam de forma alguma; portanto, não há
graduações intermediárias.
Contrariamente, os argumentos indutivos admitem diferentes graus de força, dependendo
da capacidade das premissas de sustentarem a conclusão. Resumindo, os argumentos
indutivos aumentam o conteúdo das premissas, com sacrifício da precisão, ao passo que os
argumentos dedutivos sacrificam a ampliação do conteúdo, para atingir a “certeza”.
(LAKATOS; MARCONI, 2007, p. 92).

Os exemplos inicialmente citados mostram as características e a diferença entre os


argumentos dedutivos e indutivos, mas não expressam sua real importância para a ciência. Dois
exemplos ilustram sua aplicação significativa para o conhecimento científico.
O Método Hipotético
A proposta de Método Hipotético coube a Popper, que o define um método que procura uma
solução, através de tentativas (conjecturas, hipóteses, teorias) e eliminação de erros. Esse método
pode ser chamado de “método de tentativas e eliminação de erros”.
Conjecturas ou
conhecimento → Problema → Hipóteses → Falseamento
prévio
Este esquema denominado Hipotético é admitido, pela maioria, como logicamente válido e
tem o grande mérito de simplificar muitos aspectos do método científico. Portanto, a base da
metodologia científica se assenta em reunir observações e hipóteses ou fatos e ideias. O processo é
cíclico e evolui por meio do aperfeiçoamento das técnicas usadas para realizar observações e do
reexame das hipóteses. O aperfeiçoamento das observações pode ser conseguido com
experimentos previamente planejados que utilizem os meios técnicos mais modernos e eficientes.
As hipóteses se aperfeiçoam quando se tornam mais simples, quantitativas e gerais. No entanto, é
preciso deixar claro que estes aperfeiçoamentos não levam a verdade absoluta, mas a
conhecimentos progressivamente melhor fundamentados das ciências factuais, mais especialmente,
das ciências biológicas.
Vamos analisar a seguinte descoberta: No início do Séc. XX, W. M. Bayliss e E. H. Starling,
descobriram que o pâncreas libera enzimas digestivas no momento em que o alimento passa do
estômago para o intestino delgado. Mas, qual seria o mecanismo que estimularia esta liberação?
Foram formuladas duas hipóteses para a explicação:
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I) o estímulo é transmitido das paredes do duodeno ao pâncreas por um agente químico do


sangue;
II) os alimentos que entram no duodeno estimulam nervos que transmitem o impulso ao SNC
que envia estímulos ao pâncreas para a liberação do suco digestivo.
Sendo verdadeira a primeira hipótese bastaria a presença do agente químico para provocar
secreção. Bayliss e Starling, abriram o abdome de um animal anestesiado, removeram todos os
nervos duodenais e cortaram as ligações nervosas com o pâncreas. Injetaram, a seguir, ácido
hidroclorídrico no duodeno e verificaram que o pâncreas liberava suco digestivo como na condição
normal. Concluíram, assim, pela validade de (I) e, consequentemente, pela negação de (II).
Popper propõe 3 etapas para o método hipotético-dedutivo:
1 - Problema - formulação de uma ou mais hipóteses a partir das teorias existentes;
2 - Solução - dedução de consequências na forma de proposições;
3 - Testes de falseamento - tentativas de refutação ou aceitação das hipóteses.
Portanto, o método hipotético consiste na construção de conjecturas (hipóteses) que devem
ser submetidas a testes, os mais diversos possíveis, à crítica intersubjetiva, ao controle mútuo pela
discussão crítica, à publicidade (sujeitando o assunto a novas críticas) e ao confronto com os fatos,
para verificar quais são as hipóteses que persistem como válidas resistindo as tentativas de
falseamento, sem o que seriam refutadas. É um método de tentativas e eliminação de erros, que não
leva à certeza, pois o conhecimento absolutamente certo e demonstrável não é alcançado.
É plenamente aceito pelos pesquisadores que não se pode postular o conhecimento como
pronto e acabado, pois isto contraria a característica básica da ciência que é a de contínuo
aperfeiçoamento por meio de alterações na teoria e na área de métodos e técnicas de investigação.
O método hipotético-dedutivo propõe inferir consequências preditivas das hipóteses, com o teste, a
seguir, dessas inferências preditivas, com base em experimentos. É dada ênfase para a tentativa de
falseamento das hipóteses, para a descoberta de erros, com vistas a progressiva tentativa de
aproximação da verdade.
Método dialético
O conceito de dialética é bastante antigo. Platão o utilizou no sentido de arte do diálogo. Na
Antiguidade e na Idade Média, o termo era utilizado para significar simplesmente lógica. O método
dialético, que atingiu seu auge com Hegel, depois reformulado por Marx, busca interpretar a
realidade partindo do pressuposto de que todos os fenômenos apresentam características
contraditórias organicamente unidas e indissolúveis.
Na dialética proposta por Hegel, as contradições transcendem-se, dando origem a novas
contradições que passam a requerer solução. Empregado em pesquisa qualitativa, é um método de
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interpretação dinâmica e totalizante da realidade, pois considera que os fatos não podem ser
relevados fora de um contexto social, político, econômico etc.
A Ação Recíproca informa que o mundo não pode ser entendido como um conjunto de
“coisas”, mas como um conjunto de processos, em que as coisas estão em constante mudança,
sempre em vias de se transformar: O fim de um processo é sempre o começo de outro. As coisas e
os acontecimentos existem como um todo, ligados entre si, dependentes uns dos outros.
Na Mudança Dialética, a transformação ocorre por meio de contradições. Em determinado
momento, há mudança qualitativa, pois as mudanças das coisas não podem ser sempre
quantitativas. Por outro lado, como tudo está em movimento, tudo tem “duas faces” (quantitativa e
qualitativa, positiva e negativa, velha e nova), uma se transformando na outra; a luta desses
contraditórios é o conteúdo do processo de desenvolvimento.
Em síntese, o método dialético parte da premissa de que, na natureza, tudo se relaciona,
transforma-se e há sempre uma contradição inerente a cada fenômeno. Nesse tipo de método, para
conhecer determinado fenômeno ou objeto, o pesquisador precisa estudá-lo em todos os seus
aspectos, suas relações e conexões, sem tratar o conhecimento como algo rígido, já que tudo no
mundo está sempre em constante mudança.
Assim, como a dialética privilegia as mudanças qualitativas, opõe-se naturalmente a qualquer
modo de pensar em que a ordem quantitativa se torne norma. Desse modo, as pesquisas
fundamentadas no método dialético distinguem-se claramente das pesquisas desenvolvidas
segundo a visão positivista, que enfatiza os procedimentos quantitativos.
Método fenomenológico
O método fenomenológico, tal como foi apresentado por Edmund Husserl (1859-1938),
propõe-se a estabelecer uma base segura, liberta de proposições, para todas as ciências. Para
Husserl, as certezas positivas que permeiam o discurso das ciências empíricas são “ingênuas”. A
suprema fonte de todas as afirmações racionais é a „consciência doadora originária. Daí a primeira e
fundamental regra do método fenomenológico: “avançar para as próprias coisas.” Por coisa
entendemos simplesmente o dado, o fenômeno, aquilo que é visto se encontre atrás do fenômeno;
só visa o dado, sem querer decidir se esse dado é uma realidade ou uma aparência.
O método fenomenológico não é dedutivo nem empírico. Consiste em mostrar o que é dado e
em esclarecer esse dado. Não explica mediante leis nem deduz a partir de princípios, mas considera
imediatamente o que está presente à consciência: o objeto. Consequentemente, tem uma tendência
orientada totalmente para o objeto. Ou seja, o método fenomenológico limita-se aos aspectos
essenciais e intrínsecos do fenômeno, sem lançar mão de deduções ou empirismos, buscando
compreendê-lo por meio da intuição, visando apenas o dado, o fenômeno, não importando sua
natureza real ou fictícia.
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O que é Pesquisa
Nos cursos, em todos os níveis, exigimos, da parte do estudante, alguma atividade de pesquisa.
Esta, efetivamente, tem sido quase sempre mal compreendida quanto à sua natureza e à finalidade
por parte de alguns alunos e professores. Muito do que chamamos de pesquisa não passa de
simples compilação ou cópia de algumas informações desordenadas ou opiniões várias sobre
determinado assunto e, o que é pior, não referenciadas devidamente. Pesquisa é entendida tanto
como procedimento de fabricação do conhecimento, quanto como procedimento de aprendizagem
(princípio científico e educativo), sendo parte integrante de todo processo reconstrutivo de
conhecimento.
A finalidade da pesquisa é resolver problemas e solucionar dúvidas, mediante a utilização de
procedimentos científicos e a partir de interrogações formuladas em relação a pontos ou fatos que
permanecem obscuros e necessitam de explicações plausíveis e respostas que venham a elucidá-
las. Para isso, há vários tipos de razões para eleger uma pesquisa específica são evidenciadas na
determinação do pesquisador em realizá-la, entre as quais, as intelectuais, baseadas na vontade de
ampliar o saber sobre o assunto escolhido, atendendo ao desejo quase que genérico do ser humano
de conhecer-se a si mesmo e a realidade circundante.
Nessa jornada chega-se a um conhecimento novo ou totalmente novo, isto é, ele pode aprender algo
que ignorava anteriormente, porém já conhecido por outro, ou chegar a dados desconhecidos por
todos. Pela pesquisa, chega-se a uma maior precisão teórica sobre os fenômenos ou problemas da
realidade.
A pesquisa científica é a realização de um estudo planejado, sendo o método de abordagem do
problema o que caracteriza o aspecto científico da investigação. Sua finalidade é descobrir
respostas para questões mediante a aplicação do método científico. A pesquisa sempre parte de um
problema, de uma interrogação, uma situação para a qual o repertório de conhecimento disponível
não gera resposta adequada. Para solucionar esse problema, são levantadas hipóteses que podem
ser confirmadas ou refutadas pela pesquisa. Portanto, toda pesquisa se baseia em uma teoria que
serve como ponto de partida para a investigação. No entanto, lembre-se de que essa é uma avenida
de mão dupla: a pesquisa pode, algumas vezes, gerar insumos para o surgimento de novas teorias,
que, para serem válidas, devem se apoiar em fatos observados e provados. Além disso, até mesmo
a investigação surgida da necessidade de resolver problemas práticos pode levar à descoberta de
princípios básicos.
Os critérios para a classificação dos tipos de pesquisa variam de acordo com o enfoque dado, os
interesses, os campos, as metodologias, as situações e os objetos de estudo.
O que é pesquisa? Essa pergunta pode ser respondida de muitas formas.
15

Pesquisar significa, de forma bem simples, procurar respostas para indagações propostas. Podemos
dizer que, basicamente, pesquisar é buscar conhecimento. Nós pesquisamos a todo momento, em
nosso cotidiano, mas, certamente, não o fazemos sempre de modo científico.
Assim, pesquisar, num sentido amplo, é procurar uma informação que não sabemos e que
precisamos saber. Consultar livros e revistas, verificar documentos, conversar com pessoas,
fazendo perguntas para obter respostas, são formas de pesquisa, considerada como sinônimo de
busca, de investigação e indagação. Esse sentido amplo de pesquisa se opõe ao conceito de
pesquisa como tratamento de investigação científica que tem por objetivo comprovar uma hipótese
levantada, através do uso de processos científicos. Vendo por um prisma mais filosófico, considera-
se a pesquisa como atividade básica da Ciência na sua indagação e construção da realidade. É a
pesquisa que alimenta a atividade de ensino e a atualiza frente à realidade do mundo. Portanto,
embora seja uma prática teórica, a pesquisa vincula pensamento e ação.
Pesquisar cientificamente significa realizarmos essa busca de conhecimentos, apoiando-nos em
procedimentos capazes de dar confiabilidade aos resultados. A natureza da questão que dá origem
ao processo de pesquisa varia. O processo pode ser desencadeado por uma dificuldade, sentida na
prática profissional, por um fato para o qual não conseguimos explicações, pela consciência de que
conhecemos mal alguma situação ou, ainda, pelo interesse em criarmos condições de prever a
ocorrência de determinados fenômenos.
Mas, o que é realmente uma pesquisa? A pesquisa pode ser considerada um procedimento formal
com método de pensamento reflexivo que requer um tratamento científico e se constitui no caminho
para se conhecer a realidade ou para descobrir verdades parciais. Significa muito mais do que
apenas procurar a verdade, mas descobrir respostas para perguntas ou soluções para os problemas
levantados através do emprego de métodos científicos.
Para os iniciantes em pesquisa, o mais importante deve ser a ênfase, a preocupação na aplicação
do método científico do que propriamente a ênfase nos resultados obtidos. O objetivo dos
principiantes deve ser a aprendizagem quanto à forma de percorrer as fases do método científico e à
operacionalização de técnicas de investigação. À medida que o pesquisador amplia o seu
amadurecimento na utilização de procedimentos científicos, torna-se mais hábil e capaz de realizar
pesquisas.
A pesquisa pode ainda ter um caráter pragmático, sendo dessa forma considerado um processo
formal e sistemático de desenvolvimento do método científico. O objetivo fundamental da pesquisa é
descobrir respostas para problemas mediante o emprego de procedimentos científicos. Pesquisa é,
portanto, um conjunto de ações, propostas para encontrar a solução para um problema, as quais
têm por base procedimentos racionais e sistemáticos.
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A pesquisa é realizada quando temos um problema e não temos informações para solucioná-lo. A
pesquisa procura respostas! Podemos encontrá-las ou não. As chances de sucesso certamente
aumentam à medida que enfocarmos a pesquisa como um processo e não como uma simples coleta
de dados.
As pesquisas devem contribuir para a formação de uma consciência crítica ou um espírito científico
do pesquisador. O estudante, apoiando-se em observações, análise e deduções interpretadas,
através de uma reflexão crítica, vai, paulatinamente, formando o seu espírito científico, o qual não é
inato. Sua edificação e seu aprimoramento são conquistas que o universitário vai obtendo ao longo
de seus estudos, da realização de pesquisas e da elaboração de trabalhos acadêmicos. Todo
trabalho de pesquisa requer: imaginação criadora, iniciativa, persistência, originalidade e dedicação
do pesquisador.
Pesquisar também é planejar. É antever toda a série de passos que devem ser dados para
chegarmos a uma resposta segura sobre a questão que deu origem à pesquisa. Esses passos ou
etapas devem ser percorridos dentro do contexto de uma avaliação precisa das condições de
realização do trabalho, a saber:
a) tempo disponível para sua realização;
b) espaço onde será realizado;
c) recursos materiais necessários;
d) recursos humanos disponíveis.

Pesquisa Científica
A ciência, desenvolvida por meio da pesquisa, é um conjunto de procedimentos sistemáticos,
baseados no raciocínio lógico, com o objetivo de encontrar soluções para os problemas propostos,
mediante o emprego de métodos científicos e definição de tipos de pesquisa.
A pesquisa objetiva a produção de novos conhecimentos por meio da utilização de procedimentos
científicos. Contribui para o trato dos problemas e processos do dia a dia nas mais diversas
atividades humanas, no ambiente do trabalho, nas ações comunitárias, no processo de formação e
outros. O conhecimento torna-se uma premissa para o desenvolvimento do ser humano e a
pesquisa como a consolidação da ciência.
A pesquisa, tanto para efeito científico como profissional, envolve a abertura de horizontes e a
apresentação de diretrizes fundamentais, que podem contribuir para o desenvolvimento do
conhecimento.
O desenvolvimento da pesquisa demanda investimentos governamentais, como também de
instituições privadas, em ciência e tecnologia e, ainda, de criatividade, rigor, conhecimento e
17

competência dos pesquisadores acadêmicos e/ou cientistas já consagrados. O pesquisador utiliza


conhecimentos teóricos e práticos.
É necessário ter habilidades para a utilização de técnicas de análise, entender os métodos
científicos e os procedimentos, com o objetivo de encontrar respostas para as perguntas formuladas.
O objetivo da pesquisa pode ser:
• Revisar e sintetizar o conhecimento existente;
• Investigar alguma situação ou problema existente;
• Fornecer soluções para um problema;
• Explorar e analisar questões mais gerais;
• Construir ou criar um novo procedimento ou sistema;
• Explicar um novo fenômeno;
• Gerar novo conhecimento;
• Uma combinação de quaisquer dos itens acima.
Os pesquisadores necessitam de métodos e procedimentos precisos, planejamento eficaz, critérios
e instrumentos adequados que passem confiança e credibilidade, tanto aos envolvidos quanto no
resultado do trabalho.
Portanto, é fundamental o estabelecimento de procedimentos de estudo em consonância com as
etapas de desenvolvimento da pesquisa.

Etapas da Pesquisa
Para o desenvolvimento adequado de uma pesquisa científica, é necessário planejamento
cuidadoso e investigação de acordo com as normas da metodologia científica, tanto aquela referente
à forma quanto a que se refere ao conteúdo.
O planejamento e a execução da pesquisa fazem parte de um procedimento sistematizado que
compreende etapas, conforme se expõe abaixo:
a) Delimitação do tema
b) Formulação do problema
c) Determinação de objetivos
d) Justificativa
e) Fundamentação teórica
f) Metodologia
g) Coleta de dados
h) Análise e discussão dos resultados
i) Considerações finais
j) Redação e apresentação da pesquisa
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Assim, é fundamental a apresentação das seguintes fases da pesquisa nos documentos técnico-
científicos:
a) Delimitação do tema: A escolha do tema da pesquisa geralmente é um momento de angústia
para o pesquisador. Este deve considerar alguns critérios:
• Conhecimento prévio de autores, temas, assuntos, matérias;
• Disponibilidade de tempo e de recursos para a pesquisa;
• Existência de bibliografia disponível no assunto;
• Possibilidade de orientação e supervisão adequada dentro do assunto;
• Relevância e fecundidade do assunto.
A definição do tema deverá ser guiada não apenas por razões intelectuais, mas também por
questões como a instituição, o nível de conhecimento e a perspectiva profissional.
b) Formulação do problema: O problema de uma pesquisa é algo a ser formulado pelo autor no
início de seu processo. A partir de uma visão global do contexto, deve surgir o problema a ser
pesquisado. Deve ser identificado claramente e delimitar os aspectos ou elementos que serão
abordados. Deve apresentar a situação-problema da pesquisa que não necessariamente será uma
limitação.
A palavra problema não significa uma dificuldade, um obstáculo real à ação ou à compreensão, mas
sim ao foco, ao assunto, ao tema específico delimitado e formulado pelo pesquisador para ser alvo
de seu estudo e de sua prática. Pode ser uma oportunidade percebida pelo aluno sobre uma
temática a ser pesquisada. Este é um dos primeiros itens elaborados em uma pesquisa.
Escrito na forma de uma pergunta a ser respondida ao longo da pesquisa, o problema deve referir-
se especificamente ao interesse a ser investigado pelo autor. Um trabalho de pesquisa deve
apresentar uma ou mais perguntas de pesquisa, que são os questionamentos que surgem
naturalmente a partir da descrição do problema.
c) Determinação de objetivos: Os objetivos de um projeto de estudos, de pesquisa, não
representam somente as intenções do autor, mas a possibilidade de obtenção de metas, resultados,
finalidades, que o trabalho deve atingir.
Do ponto de vista técnico, o objetivo deve sempre iniciar no infinitivo, representando a ação que se
quer atingir e concluir com o projeto, como: compreender, constatar, analisar, desenvolver,
capacitar, entre outros. Os objetivos classificam-se em objetivo geral e objetivos específicos.
O objetivo geral refere-se diretamente ao problema do trabalho. Inicia-se a frase do objetivo geral
com um verbo abrangente e na forma infinitiva, envolvendo o cenário pesquisado e uma
complementação que apresente a finalidade. Já os específicos podem ser considerados uma
apresentação pormenorizada e detalhada das ações para o alcance do objetivo geral. Também são
iniciados com verbos que admitam poucas interpretações e sempre no infinitivo.
19

O verbo utilizado no objetivo geral deve ser amplo e não deve ser o mesmo utilizado para um
objetivo específico do mesmo projeto, lembrando que, em um bom planejamento, assim como em
uma execução e desenvolvimento, é fundamental que se tenha de maneira clara, qual objetivo se
deseja alcançar.
d) Justificativa: Demonstra a relevância e necessidade do estudo do tema escolhido para o
trabalho. O autor deve informar ao seu leitor sobre a importância da discussão sobre o tema,
abordando sua visão de forma geral para a específica sobre o assunto tratado.
Em conjunto a isto, devem-se utilizar citações diretas e indiretas.
A abordagem da justificativa deve ser técnica e científica, argumentando a favor da motivação da
pesquisa ao mercado e à formação do pesquisador. Deve ser elaborada tendo em vista o seguinte:
• Por que se pretender realiza esta investigação? (Propósito ou intenção);
• Possibilidades (formação, experiência) no desenvolvimento desta;
• Importância do tema (utilidade ou necessidade da investigação).
O texto deverá convencer de que a pesquisa é importante, que tem um significado científico, uma
relevância social. Citar informações, se for o caso, de pesquisas já realizadas sobre o tema.
e) Fundamentação teórica: Esta fase da pesquisa apresenta o tema proposto, fundamentando-o
com uma revisão crítica de fontes de pesquisa relacionadas ao tema de forma ampla para depois
especificá-la. O aluno deve relacionar sua visão sobre o tema fundamentado aos acontecimentos
atuais e trabalhos já realizados na área, bem como opiniões de autores.
A fundamentação teórica, revisão da literatura ou revisão bibliográfica apresenta os conceitos
teóricos que nortearão o trabalho. O texto deve ser construído expressando as leituras e os diálogos
teóricos entre o pesquisador e os autores pesquisados. É necessário o cumprimento da Norma
Brasileira de Regulamentação (NBR) 10520, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
f) Metodologia: Para o desenvolvimento de qualquer pesquisa científica, é necessária a definição
dos procedimentos metodológicos. Assim, o pesquisador deve citar e explicar os tipos de pesquisa
que o estudo trata, justificando cada item de classificação e a relação com o tema e objetivos da
pesquisa. Deve-se fazer uso de citações para enriquecer a argumentação. Toda e qualquer fonte
deve ser referenciada.
g) Coleta de dados: Apresentar como foi organizada e operacionalizada a coleta dos dados relativa
ao processo de pesquisa. Todas as formas usadas de coleta devem ser mencionadas como:
levantamento bibliográfico (leituras especializadas), análise documental, questionários, entrevistas,
observação e outros, bem como onde foram coletadas (identificando o ambiente, a população e a
amostra para a pesquisa).
h) Análise e discussão dos resultados: O objetivo da análise é reunir as informações de forma
coerente e organizada, visando a responder o problema de pesquisa.
20

A interpretação proporciona um sentido mais amplo aos dados coletados, fazendo a relação entre
eles.
Esta etapa pode ser de caráter quantitativo ou qualitativo, utilizando várias técnicas para o
tratamento dos dados. É conveniente a realização de uma análise descritiva, apresentando uma
visão geral dos resultados, e, na sequência, análise dos dados cruzados, que possibilita perceber as
relações entre as categorias de informação, e da análise interpretativa.
A estatística, na análise e interpretação de dados, segundo Labes (1998), pode ser classificada
como: Estatística descritiva (descrição e análise sem inferências e conclusões) e Estatística indutiva
(inferências, conclusões, tomadas de decisão e previsões).
Assim, a pesquisa deve prezar pela necessidade de apresentação, formal e oficial, dos resultados
do estudo; explicitação dos objetivos, de metodologia e dos resultados; e prioridade à fidedignidade
na transmissão das descobertas feitas.
Todas as informações importantes constatadas na pesquisa devem ser apresentadas em forma de
texto ou de elementos de apoio ao texto, se for necessário, como figuras, quadros, gráficos e
tabelas. Pode-se apresentar um quadro compreendendo o período em que se realizaram as
atividades da pesquisa.
i) Considerações finais: Descreve-se, neste momento, uma síntese da análise, algumas
sugestões, tanto de pesquisa quanto em relação ao tema em questão. Pode-se, também, salientar a
contribuição e benefícios que o pesquisador propôs quando justificou a importância deste no estudo.
Os resultados deverão ser relacionados aos objetivos (geral e específicos) e aos possíveis
benefícios, bem como à importância do tema. Este tópico não deve apresentar assunto novo, como
também citações diretas ou indiretas.
j) Redação e apresentação da pesquisa: Esta última etapa da pesquisa não é elaborada no
término do estudo ou possui uma sequência de outras etapas, mas é uma preocupação geral que o
pesquisador precisa ter quando da produção científica.
O estilo de redação utilizado em pesquisas é chamado técnico-científico, diferindo do utilizado em
outros tipos de composição, como a literária, a jornalística, a publicitária. Aborda temática referente à
ciência, utilizando seu instrumental teórico e objetivando a discussão científica. Utiliza linguagem
técnica ou científica em seu nível padrão ou culto, respeitando as regras gramaticais.
Todo texto é formado por parágrafos e, por isso, a preocupação deve ser na sua elaboração e
harmonia das ideias. O parágrafo é formado por um conjunto de enunciados que devem convergir
para a produção de um sentido. A primeira frase de cada parágrafo, denominada tópico frasal, é
sempre muito importante, devendo ter uma palavra forte que possa ser explorada. A má definição
dificulta a redação.
21

Assim, devem-se evitar abstrações e lembrar que cada parágrafo deve explorar uma só ideia.
Explorar várias ideias ao mesmo tempo torna o texto confuso e sem coerência.
A construção de sentido no texto relaciona-se com a coesão e a coerência dele. Um texto coerente é
um conjunto harmônico, em que todas as partes se encaixam de maneira complementar, de modo
que nada haja de destoante, ilógico, contraditório, ou desconexo. Já o texto coeso é aquele em que
seus vários enunciados estão organicamente articulados entre si, em que há concatenação entre
eles.
O modelo de apresentação do documento deverá seguir as regras definidas para sua tipologia
(monografia, artigo científico e outros) e a instituição solicitante (universidade, revista científica,
evento e outros). A apresentação gráfica sugerida pela ABNT é a NBR 14724 para trabalhos técnico-
científicos de caráter monográfico.
Após os procedimentos de planejamento e execução, tem-se a divulgação dos resultados obtidos na
pesquisa. Assim, o pesquisador deve apresentá-los à comunidade.

Modalidades da pesquisa
Uma das preocupações básicas dos pesquisadores, relacionada com as questões metodológicas de
suas pesquisas, é a explicação sobre as características específicas dos procedimentos adequados,
para a realização da pesquisa proposta. Podemos distinguir, pelo menos, quatro gêneros de
pesquisa, mas tendo em conta que nenhum tipo de pesquisa é auto suficiente, pois na prática,
mesclamos todos acentuando mais este ou aquele tipo de pesquisa.
1. Pesquisa teórica - Trata-se da pesquisa que é dedicada a reconstruir teoria, conceitos, ideias,
ideologias, polêmicas, tendo em vista, em termos imediatos, aprimorar fundamentos teóricos. Esse
tipo de pesquisa é orientada no sentido de reconstruir teorias, quadros de referência, condições
explicativas da realidade, polêmicas e discussões pertinentes. A pesquisa teórica não implica
imediata intervenção na realidade, mas nem por isso deixa de ser importante, pois seu papel é
decisivo na criação de condições para a intervenção. O conhecimento teórico adequado acarreta
rigor conceitual, análise acurada, desempenho lógico, argumentação diversificada, capacidade
explicativa.
2. Pesquisa metodológica - Refere-se ao tipo de pesquisa voltada para a inquirição de métodos e
procedimentos adotados como científicos. Faz parte da pesquisa metodológica o estudo dos
paradigmas, as crises da ciência, os métodos e as técnicas dominantes da produção científica.
3. Pesquisa empírica - É a pesquisa dedicada ao tratamento da face empírica e fatual da realidade;
produz e analisa dados, procedendo sempre pela via do controle empírico e fatual. A valorização
desse tipo de pesquisa é pela possibilidade que oferece de maior concretude às argumentações, por
mais tênue que possa ser a base fatual. O significado dos dados empíricos depende do referencial
22

teórico, mas estes dados agregam impacto pertinente, sobretudo no sentido de facilitarem a
aproximação prática.
4. Pesquisa prática - Trata-se da pesquisa ligada à práxis, ou seja, à prática histórica em termos de
conhecimento científico para fins explícitos de intervenção; não esconde a ideologia, mas sem
perder ó rigor metodológico. Alguns métodos qualitativos seguem esta direção, como por exemplo,
pesquisa participante, pesquisa-ação, onde via de regra, o pesquisador faz a devolução dos dados à
comunidade estudada para as possíveis intervenções.

Coleta de dados
Segundo Bandeira (2004) no projeto de pesquisa, o pesquisador deverá descrever detalhadamente
o método que usará para coletar seus dados. Basicamente ele pode adotar como método de coleta
de dados a utilização de documentos, a observação de comportamentos ou então a informação
dada pelo próprio sujeito, seja oralmente (entrevistas) ou de forma escrita (questionários auto
administrados). Abaixo discutiremos as técnicas de pesquisa que auxiliam na coleta de dados.
As técnicas são os procedimentos operacionais que servem de mediação prática para a
realização das pesquisas. Como tais, podem ser utilizadas em pesquisas conduzidas mediante
diferentes metodologias e fundadas em diferentes epistemologias. Mas, obviamente, precisam ser
compatíveis com os métodos adotados e com os paradigmas epistemológicos adotados.
As técnicas de pesquisa são as seguintes:
Documentação - É toda forma de registro e sistematização de dados, informações, colocando-os
em condições de análise por parte do pesquisador. Pode ser tomada em três sentidos fundamentais:
como técnica de coleta, de organização e conservação de documentos; como ciência que elabora
critérios para a coleta, organização, sistematização, conservação, difusão dos documentos; no
contexto da realização de uma pesquisa, é a técnica de identificação, levantamento, exploração de
documentos fontes do objeto pesquisado e registro das informações retiradas nessas fontes e que
serão utilizadas no desenvolvimento do trabalho.
Documento: em ciência, é todo objeto (livro, jornal, estátua, escultura, edifício, ferramenta, túmulo,
monumento, foto, filme, vídeo, disco, CD etc.) que se torna suporte material (pedra, madeira, metal,
papel, etc.) de uma informação (oral, escrita, gestual, visual, sonora etc.) que nele é fixada mediante
técnicas especiais (escritura, impressão, incrustração, pintura, escultura, construção etc.). Nessa
condição, transforma-se em fonte durável de informação sobre os fenômenos pesquisados.
Entrevista - Técnica de coleta de informações sobre um determinado assunto, diretamente
solicitadas aos sujeitos pesquisados. Trata-se, portanto, de uma interação entre pesquisador e
pesquisador e pesquisado. Muito utilizada nas pesquisas da área das Ciências Humanas. O
pesquisador visa aprender o que os sujeitos pensam, sabe, representam, fazem e argumentam.
23

Entrevistas não-diretivas - Por meio delas, colhem-se informações dos sujeitos a partir do seu
discurso livre. O entrevistador mantém-se em escuta atenta registrando todas as informações e só
intervindo discretamente para, eventualmente, estimular o depoente. De preferência, deve praticar
um diálogo descontraído, deixando o informante à vontade para expressar sem constrangimentos
suas representações.
Entrevistas estruturadas - São aquelas em que as questões são direcionadas e previamente
estabelecidas, com determinada articulação interna aproxima-se mais do questionário, embora sem
a impessoalidade deste. Com questões bem diretivas, obtém, do universo de sujeitos, respostas
também mais facilmente categorizáveis, sendo assim muito útil para o desenvolvimento de
levantamentos sociais.
História de vida - Coleta as informações da vida pessoal de um ou vários informantes. Pode
assumir formas variadas: autobiografia, memorial, crônicas, em que se possam expressar as
trajetórias pessoais do sujeito.
Observação - È todo procedimento que permite acesso aos fenômenos estudados. É etapa
imprescindível em qualquer tipo ou modalidade de pesquisa.
Questionário - Conjunto de questões, sistematicamente articuladas, que se destinam a levantar
informações escritas por parte dos sujeitos pesquisados, com vistas a conhecer a opinião dos
mesmos sobre os assuntos em estudo. As questões devem ser objetivas, de modo a suscitar
respostas igualmente objetivas, evitando provocar dúvidas, ambiguidades e respostas lacônicas.
Podem ser questões fechadas ou questões abertas. No primeiro caso, as respostas serão colhidas
dentre as opções predefinidas pelo pesquisador; no segundo, o sujeito pode elaborar as respostas,
com suas próprias palavras, a partir de sua elaboração pessoal. De modo geral, o questionário deve
ser previamente testado (pré-teste), mediante sua aplicação a um grupo pequeno, antes de sua
aplicação ao conjunto dos sujeitos a que se destina o que permite ao pesquisador avaliar e, se for o
caso, revisá-lo e ajustá-lo.
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2° BIMESTRE

Leitura
O que é ler
A leitura não é só um processo de decodificação de símbolos linguísticos, mas também de fato,
interpretar e compreender o que se lê e é também um processo interativo.
Há tempos pensou-se que leitura fosse uma decodificação de símbolos. Para o processo de
aprendizagem de leitura, não basta apenas reconhecer as palavras e juntá-las, dando significado à
palavra. Para que se consiga uma leitura sólida e prazerosa, é importante que a criança compreenda
a função da leitura e, especialmente, o porquê de ela querer aprender.Um dos fatores envolvidos na
dificuldade que um principiante encontra para chegar a ler é que os textos são muitas vezes difíceis
para eles. O que torna a leitura muitas vezes difícil é a falta de compreensão do léxico, o texto pode
não ter sido bem elaborado ou até mesmo a falta de conhecimento prévio do assunto o qual está
lendo.
A importância da leitura
Quem não possui o hábito da leitura, precisa desenvolvê-lo, pois é difícil uma formação de qualidade
sem muita leitura. O objetivo desta seção é apresentar algumas informações que venham a
despertar em você o gosto pela leitura e oportunizá-lo a fazer melhor proveito dela.
Como você costuma selecionar seu material de leitura?
O que você necessita saber é que, quando encontrar o material que julgar certo, primeiro precisa
fazer uma leitura de reconhecimento, olhar a capa e contracapa, o autor, as orelhas, o sumário
(neste, observe os títulos e subtítulos), as referências indicadas pelo autor (para ter uma noção mais
precisa sobre as bases em que o autor se apoiou), a introdução e o prefácio dos livros, para depois
ler.
Esses elementos podem dar uma ideia sobre o tema, e você poderá identificar se será útil para o
objetivo que pretende alcançar no seu estudo.
Uma dica importante: quando fizer leitura para pesquisa, anote os pontos principais em fichas de
leitura, bem como a fonte consultada. Não perca isso de vista, pois, se não tiver à mão a referência
do material utilizado, não poderá utilizar daquele conteúdo.
No livro, os dados estão contemplados, em uma ficha catalográfica, na segunda ou terceira folha,
nas revistas, estão na capa. Faça uma cópia desses dados ou anote, para referenciar ao final do
texto, quando for fazer os apontamentos.
A finalidade da leitura deve ser memorizar, apreender o conteúdo e formar um senso crítico sobre o
assunto. É preciso, antes de se fazer qualquer fundamentação, levar em consideração três regras
básicas para facilitar a aprendizagem:
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 atenção: capacidade de concentração em um só objeto, sabendo que, a atenção não pode se


manter fixa por longos períodos, sem perder sua eficácia, por isso um período de atenção
requer outro de descanso. Para prender a atenção, é ideal criar o máximo de interesse pelo
assunto estudado;
 memória: memorizar é reter ou compreender o que é mais significativo de um conteúdo, ao
inverso de ter decorado, o que só permite repetição. A memorização é possível a partir da
observação dos seguintes pontos: repetição, atenção, emoção, interesse e relacionamento
dos fatos com outros conteúdos, já retidos na memória;
 associação de ideias: é uma capacidade que possibilita ao indivíduo relacionar e evocar fatos
e ideias. É fácil observar quantos assuntos vêm à tona, por fatos e ideias relacionadas com
experiências anteriores dos interlocutores, na troca de palavras em uma conversa. Para
melhor aprendizagem, podemos usar dessa técnica, para associar o conteúdo.
Para adquirir o hábito da leitura, devemos reservar um tempo diário para ler, selecionar material e
local apropriado.
Aproveitamento da leitura
Com certeza, você já sabe que, mesmo com todo o avanço de tecnologias, a leitura é a melhor
forma para a aquisição do conhecimento. Por intermédio da leitura, podemos ampliar e aprofundar
conhecimento sobre determinado campo cultural ou científico, aumentar o vocabulário pessoal e, por
consequência, comunicar as ideias, de forma mais eficiente.
Para alcançar os resultados a que se propõe o leitor deverá levar em conta algumas regras:
 jamais realizar uma leitura de estudo sem um objetivo definido. Para que está lendo? Qual o
propósito da leitura?
 preste atenção no texto para haver entendimento, assimilação e apreensão das ideias
apresentadas pelo autor;
 caso haja palavras desconhecidas no texto, recorra ao dicionário, para se orientar;
 seja crítico, avaliando o texto lido. Distinga o que é verdadeiro, significativo e importante no
texto. Questione-se da validade do texto, tentando encontrar respostas para as questões:
Para que serve essa leitura? Como o autor está demonstrando o tema? Qual é a ideia
principal do texto? Posso aceitar o argumento do autor? O que estou aprendendo com esse
texto? Vale a pena continuar a leitura?
 analise as partes do texto e estabeleça relações entre elas, a fim de compreender a
organização do conteúdo;
 saiba fazer uma triagem do que esteja lendo e perceba a sua aplicabilidade no momento;
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 evite sublinhar um texto na primeira leitura, primeiramente, faça uma leitura de


reconhecimento e, em seguida, realize uma leitura reflexiva;
 elabore uma síntese, resumindo os aspectos essenciais, deixando de lado aquilo que é
secundário ou acessório, mantendo uma sequência lógica;
 busque saber a autenticidade do texto, verificando a autoria (quem escreveu?), época
(quando foi escrito?), local (onde?), se é documento original ou cópia, por que via chegou até
você? Analise a autoridade dos autores citados;
 verifique possíveis circunstâncias que levaram o autor à redação (por quê?), visando à
obtenção de uma explicação objetiva, lógica para o aparecimento do texto. (Geralmente,
encontramos na apresentação ou prefácio do livro);
 preste atenção nas palavras-chave, que indicam a ideia principal contida no texto.
Sujeito da leitura
Compreende-se que, ao longo da história, vem se modificando a concepção de leitura,
passando-se a compreendê-la como processo ativo do sujeito e instrumento da luta política contra a
alienação. Neste panorama, não se alterou apenas a concepção de leitura, mas também os
princípios de formação do sujeito leitor. Anteriormente ao surgimento de teorias que valorizavam os
contextos culturais na formação do indivíduo, defendia-se que alguns indivíduos nasciam hábeis
para determinadas funções, ao passo que outros se apresentavam inaptos para o desempenho das
mesmas atividades. Desconsideravam-se a sociogênese e, principalmente, a microgênese dos
indivíduos, recorrendo-se apenas às explicações inatistas e deterministas para corroborar as
diferenças individuais.
A Teoria Histórico Cultural, ao postular a formação do indivíduo para além de sua maturação
biológica, recorrendo à internalização dos signos histórico e culturalmente produzidos, através da
mediação, refuta a tese de que o indivíduo nasce geneticamente predisposto para ser um sujeito-
leitor. Todavia, coloca-se a seguinte questão: por que algumas pessoas gostam de ler, ao passo que
outras apresentam completa aversão a esta prática social?
Recentes estudos vêm sendo realizados na tentativa de desvendar alguns dos
questionamentos acerca da formação do leitor. Grotta (2000) analisou quatro histórias de sujeitos
leitores, buscando compreender como um sujeito constitui-se leitor e quais experiências são
significativas para a formação de sujeitos leitores. Seus dados indicam que os sujeitos investigados
tiveram acesso ao universo da leitura anteriormente à alfabetização, através da mediação dos
familiares que apresentavam a leitura de forma positivamente afetiva. Destacou-se, portanto, o papel
do outro, no processo de desenvolvimento da capacidade da leitura, bem como o acesso aos livros.
Condições de produção da leitura não se encerram no ambiente escolar, entretanto, são
decisivas e de grande influência na constituição do leitor. Também focalizando a formação do leitor,
27

Souza (2005) buscou investigar jovens que se caracterizavam como leitores de sucesso. Seus
dados revelaram que, além do contato desde a infância com os materiais de leitura, a qualidade da
mediação sujeito-objeto foi decisiva para o estabelecimento da relação positiva com a leitura. Nesta
pesquisa, a autora encontrou que a mediação da família foi decisiva para o processo de constituição
do leitor, pois foi a responsável por organizar e mediar os primeiros momentos de leitura do sujeito,
fazendo-o de forma positivamente afetiva, atenciosa entre outras características que, segundo os
sujeitos investigados, facilitaram o sucesso da relação com a leitura.
Como aproveitar a leitura - Os Processos de Leitura
O processo de leitura torna-se cada vez mais simples quando o leitor passa a ler continuamente,
pois, assim ele passará a conhecer o léxico (significa dicionário, é o conjunto dos vocábulos de uma
língua, dispostos em ordem alfabética e com as respectivas significações) e a semântica do texto
(um ramo da linguística que estuda o significado das palavras, frases e textos de uma língua.).
Na leitura alguns processos são ativados tais como:
1. Processo Neurofisiológico: A leitura é um ato concreto que recorre a faculdades definidas do
ser humano. Nenhuma leitura é possível sem um funcionamento do aparelho visual e das diversas
funcionalidades que o cérebro possui. Ler é antes de qualquer coisa uma percepção de identificação
e de memorização dos signos.
Diferentes estudos tentaram descrever com detalhes essas atividades. Mostraram que os olhos não
apreendem os signos individualmente e sim por pacotes, dessa maneira, é normal pular certas
palavras.
A visão possui uma sequência periférica, ou seja, a visão gravaria seis a sete signos mesmo que
pulando alguns não perderiam o sentido da frase.
O leitor decifra os signos quando no texto apresenta palavras breves, antigas, simples e
polissêmicas. Por outro lado a memória imediata oscila entre oito e dezesseis palavras. As frases
mais adaptadas são as curtas e as estruturadas.
Após o armazenamento de cinco a nove elementos a memória deverá dar espaço para
que outros elementos sejam apreendidos, assim o primeiro elemento que foi gravado
sairia da memória para que um novo armazenamento fosse feito. (KLEIMAN, 2004)
Quando um autor não respeita esses grandes princípios de legibilidade, todos os deslizes
semânticos tornam-se possíveis, assim, o texto lido já não é mais o texto escrito.
O ato de ler é subjetivo, ou seja, o leitor ler para si. Quando se diz que o texto escrito já não é mais o
texto lido significa que o cérebro e a memória imediata armazenaram um número significativo de
signos. O texto que estava escrito passou a ser outro texto depois de lido devido ao número de
armazenamentos das palavras.
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2. Processo Cognitivo: A compreensão de um texto é o processo de conhecimento que o leitor


adquire durante toda sua vida. Esse conhecimento ocorre mediante a interação com vários níveis de
conhecimento como o conhecimento linguístico, textual e conhecimento de mundo. Esse
conhecimento abarca o conhecimento que vamos acumulando em nossa memória ao longo de
nossa vida e que é explorado no entendimento dos textos lidos.
O conjunto de noções e conceitos sobre o texto que chamaremos de conhecimento textual, faz parte
do conhecimento prévio e desempenha um papel importante na compreensão do texto.
Conhecimento textual é um conjunto de conceitos a respeito de diversos tipos de textos que
exercem uma função de compreensão.
Nesse momento se faz importante a abordagem sobre conhecimento prévio. O processo de
compreensão expande-se, extrapola-lhe as possibilidades e prolonga-lhe o funcionamento do
contato com o texto propriamente dito.
Para se compreender um texto há procedimentos específicos de seleção e de informação.
 Observar títulos e subtítulos;
 Analisar ilustrações;
 Reconhecer os elementos importantes do texto;
 Reconhecer e sublinhar palavras-chave;
 Fazer intertextualidade;
 Tomar notas se achar necessário;
 Inferir o sentido de uma palavra ou expressão;
 Estabelecer relação entre partes de um texto e;
 Localizar informações explícitas no texto.
Todos esses processos podem ser bem trabalhados nas séries iniciais. Além disso, o conhecimento
prévio também é importante para a compreensão textual.
Conhecimento prévio é fazer inferências sobre o que você já sabe com o que está lendo.
3. Processo Afetivo: O papel das emoções na leitura está ligado aos três níveis básicos de leitura
como: níveis sensorial, emocional e racional. Cada um dos três corresponde a uma forma de
aproximação do texto. Esses níveis são inter-relacionados, senão simultâneos, mesmo um ou outro
sendo privilegiado, segundo as suas experiências e expectativas assim como, seus interesses.
3.1 Sentido sensorial: A leitura sensorial começa cedo e acompanha durante toda a vida do leitor.
Não importando o tipo de leitura se é minuciosa ou simultânea.
A leitura sensorial está ligada a visão, o tato, a audição, o olfato, podem também estarem ligados
aos aspectos lúdicos como: o jogo de cores, imagens sons, cheiros e dos gostos incita o prazer, a
busca que pode agradar ou trazer rejeições aos sentidos. A leitura sensorial vai mostrando ao leitor
o que lhe agrada ou não, mesmo sem as justificativas.
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3.2 Sentido emocional: O sentido emocional, lida com o subjetivismo e, o leitor passa a ser
envolvido pelo seu inconsciente. Na leitura emocional emerge a empatia, ou seja, se colocar do
outro lado e não pensar mais no que se sente ao ler e sim o que o texto provoca no leitor.
Quando uma criança ler um texto ela sente a curiosidade, é essa curiosidade que a motiva a ler
cada vez mais, o fato do desconhecido passar a ser conhecido e assim, passando para o lado da
empatia até mesmo de modo exagerado, pois, a criança consegue captar as emoções mais
profundamente que um adulto.
A maioria das vezes tem-se a semiconsciência de se estar lendo algo insignificante, sem
originalidade, ou até mesmo fora da realidade. Esse pensamento define uma ligação mais forte com
o inexplicável, por isso, muitas vezes o leitor sente-se inseguro e até mesmo chegando à
incapacidade de explicar o porquê de se prender a leitura.
3.3 Sentido racional: A leitura racional relaciona-se com as leituras sensoriais e emocionais
fazendo-se estabelecer uma ligação entre o leitor e o texto, trazendo uma reflexão e reordenação do
mundo objetivo, possibilitando a própria individualidade como o universo das relações sociais. A
leitura racional é uma leitura intelectual, pois, permite o questionamento das informações na qual
permite uma ampliação de conhecimentos. Ela também tende a ter uma visão mais longe. A visão
racional transforma um novo conhecimento ou em novas possibilidades acerca do texto lido.
4. Processo Simbólico: Os signos serão constituídos pela união do significante (imagem acústica)
e do significado (conceito do referente). Para tanto significado está relacionado com o significante
não podendo estar separados. O significante é um mediador, a matéria lhe é necessária, mas de
outro lado o significado também pode ser substituído por certa matéria: as palavras. Essa
materialidade do significante obriga a distinguir matéria de substância. Pode-se dizer que o
significante (substância) seria os sons, imagens, objetos, já para o significado (matéria) pode ser
definido como processo de significação. Para alguns estudiosos do assunto reconhecem dois
processos significativos no ato de ler: o processo sensorial ou fisiológico e o mental ou psicológico.
4.1 Processo sensorial: A leitura começa como processo sensorial. A sensação é a primeira
fase de toda percepção. Os primeiros estudos sobre leitura foram realizados pelos cientistas
Valentins, Javal, Ramare, Dodge e Muller no século passado que chegaram as seguintes
conclusões: Os olhos movem-se ao longo da linha no sentido esquerdo para a direita; Os
movimentos não são contínuos, mas de saltos e pausas.
4.2 Processo mental: Uma vez recebidos os estímulos, o leitor deve atribuir significados. O leitor
não vê o objeto, seus olhos estão em contato com uma palavra, ou melhor, em contato com os raios
luminosos que são refletidos pelas palavras lidas do modo impossível de enxergar o sentido.
Contudo, a pessoa que lê é capaz de dar significado as palavras.
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O leitor ao reconhecer o latido do cachorro, o troar do trovão, até mesmo o bater de uma porta, ele
somente as reconhece devido às operações mentais. Essas reações aos termos gráficos são
determinadas pelas experiências que teve com os fatos ocorridos que o símbolo representa.
Monroe descreve em seu livro Preparando para a Leitura que são quatro componentes que agem no
processo interpretativo da leitura: percepção, compreensão, reação e integração.
4.2.1 A percepção: Sensação e percepção são processos que se completam na transformação de
estímulos. A sensação pode ser definida como catação de um estímulo enquanto a percepção
consiste na interpretação do estímulo captado.
4.2.2 A compreensão: O reconhecimento da palavra deve acompanhar a compreensão de seu
significado. A palavra ganha sentido, sentido este que não se encontra no papel, mas sim, na mente
do leitor que ao reconhecê-la atribui significado de acordo com a sua experiência.
4.2.3 A reação: Além de ser intelectual pode ser também emocional. Ler é reagir, não basta que se
compreenda o sentido do trecho é necessário que o interprete, que o julgue, que o avalie.
4.2.4 A integração: A integração ocorre de duas formas: a integração total na experiência do leitor e
das partes lidas de um trecho. Se a primeira vez que você se encontra com o tema, formará opinião
sobre o que leu, daí por diante parte de suas vivências, fenômeno de integração.
Esses quatro componentes do processo mental precedidos do processo sensorial representam um
só ato a leitura. A leitura é mais que reconhecimento de símbolos gráficos, mas também o fato de
interpretação e compreensão tudo isso deve ser um processo interativo.
5. Processo Argumentativo: O processo argumentativo requer habilidade verbal muito concisa,
além da capacidade de lidar com as lógicas verbais. Vale lembrar também que é possível
argumentar falaciosamente, alcançando os objetivos estipulados.
Na verdade o que é argumentar? Argumentar está relacionado com as ideias, crenças, posturas
diante da vida social. A linguagem verbal e escrita procura convencer o leitor através dos processos
argumentativos. É sempre possível que o leitor ao analisar os textos aceitando ou não os
argumentos desenvolvidos pelo autor. A aceitação ou não leva o leitor a construir um sentido que
passa a fazer parte de seu universo cultural.

Objetivos na Leitura
A leitura uma hora ou outra acontece na vida desde que se queira realmente ler, caso contrário, uma
leitura sem um propósito não é necessariamente uma leitura.
Quando se lê por imposição, o leitor apenas exerce uma atividade mecânica que pouco tem a ver
com o significado e o sentido. Quando a leitura é desmotivada não conduz à aprendizagem e, assim
a leitura que foi feita acaba sendo esquecida.
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Quando se resolve ler algo, o leitor deve estabelecer um objetivo, ou seja, o que ele deseja saber
sobre o assunto. O objetivo da leitura é quem determina a forma de se ler:
 Por prazer em busca de diversão;
 Para obter informações gerais e esclarecimentos;
 Para obter informações precisas e exatas;
 Para desenvolver o intelecto;
 Seguir instruções;
 Para comunicar um texto a um auditório e;
 Revisão de textos.
Quando se lê um texto apenas por ler, empreende-se uma leitura do geral para o particular, ou seja,
superficial e rápida, chama-se leitura descendente Quando se procura uma palavra que chame a
atenção, dentro da leitura ela é dita como leitura ascendente, detalhada e esclarecida, que passa do
particular para o geral. Os objetivos na leitura são importantes para outro aspecto: o da formulação
de hipóteses.
As hipóteses fazem com que alguns aspectos desse processo se tornem possíveis: o
reconhecimento global e instantâneo de palavras não percebidas durante a leitura.
O estabelecimento de objetivos e formulação e de hipóteses são de natureza metacognitivo, isto é,
atividades de reflexão e controle sobre o próprio conhecimento.
Para tanto, a leitura é um ato importante em todos os níveis de aprendizagem que vai da
inicialização da alfabetização e nos diferentes graus de sua vida.

Tipos de leitura
1. Leitura de reconhecimento e pré-leitura: Reconhecimento ou prévia - leitura rápida cuja
finalidade é procurar um assunto de interesse ou verificar a existência de determinadas informações.
Faz-se olhando o índice ou sumário, verificando os títulos dos capítulos e suas subdivisões;
Exploratória ou pré-leitura - é a leitura de reconhecimento que examina a folha de rosto, os índices,
a bibliografia, as citações ao pé da página, o prefácio, a introdução e a conclusão. Tratando-se de
livro, a dica é percorrer o capítulo introdutório e o final; no caso de leitura de um capítulo, ler o
primeiro parágrafo. Quando for um artigo de revista ou jornal, geralmente, a ideia está contida no
título do artigo e subtítulos, que se apresentarem. Lembre que os primeiros parágrafos, em geral,
tratam dos dados mais importantes
2. Leitura seletiva - selecionar é eliminar o dispensável para nos fixarmos no que realmente nos
interessa; para tanto, é necessário definir critérios, ou seja, os objetivos do trabalho, pois somente os
dados que forneçam algum conteúdo sobre o problema da pesquisa que possam trazer uma
resposta é que devem ser selecionados;
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3. Leitura crítica ou reflexiva - supõe a capacidade de escolher as ideias principais e de diferenciá-


las entre si das secundárias. Dessa forma, diante da problemática de uma pesquisa, o estudante
precisa fazer reflexão por meio da análise, comparação, diferenciação, síntese e do julgamento,
levantando similaridades ou não, para formar sua ideia sobre o assunto. Nessa fase, também, você
deve ter visão global do assunto, passando para a análise das partes, chegando à síntese;
4. Leitura interpretativa - nessa fase, o pesquisador procura saber o que realmente o autor afirma e
que informações transmite para a solução dos problemas formulados na pesquisa. Chegando a essa
etapa, é o momento de procedermos à integração dos dados descobertos durante a leitura na
redação do trabalho de pesquisa.
5. Leitura crítica - avalia as informações do autor. Implica saber escolher e diferenciar as ideias
principais das secundárias hierarquizando-as pela ordem de importância. O propósito é obter de um
lado uma visão sincrética e global do texto, de outro, descobrir as intenções do autor. No primeiro
momento da fase crítica deve-se entender o que o autor quiz transmitir e, para tal, a análise e o
julgamento das ideias dele devem ser feitas em função de seus próprios propósitos, e não dos do
pesquisador; é no segundo momento que devemos com base na compreensão do que e do porquê
de suas proposições, retificar ou ratificar nossos próprios argumentos ou conclusões;
6. Leitura explicativa - leitura com o intuito de verificar os fundamentos da verdade enfocada pelo
autor (geralmente necessárias para a redação de monografias ou teses).

Como escolher um livro


Olhe o gênero do livro e veja se é de sua preferência: Essa dica é fundamental e muito importante.
Faça a seguinte pergunta para si mesmo: qual gênero literário que eu mais gosto? Romances,
Distopia, Policial, Suspense, Não-Ficção… Depois de pensar na resposta reflita: estou disposto a ler
um romance (exemplo) no momento? Depois de achar o gênero ideal que você mais queria ler no
momento fica mais fácil, basta começar a procurar os livros do tipo, assim você já elimina muitos.
Lembrando que é aconselhável que você dê uma pesquisada nos lançamentos, na lista dos mais
vendidos. Ou se você for em uma livraria dê uma andada e veja a parte dedicada aos lançamentos,
mais vendidos e os do gênero que você esteja a fim de ler.
Leia as informações que vêm nas contracapas, orelhas e notas sobre o autor: É um bom norte na
hora da decisão e pode instigar a curiosidade. Se guiar apenas por essas leituras pode ser um risco,
pois muitas vezes quem escreve a contracapa ou a orelha são outros escritores, pagos para isso.
Abra o livro e leia a primeira página: O propósito disso é se familiarizar com o estilo de escrita do
autor. Se está procurando uma leitura leve, leia e confira se a leitura é assim. Se quer um mistério, a
primeira página já vai te contar se vai ser dos bons.
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Olhe a editora: Pode parecer bobo, mas é muito importante ver a editora do livro. Dê preferência a
editoras confiáveis que contém uma boa diagramação e poucos ou inexistentes erros na revisão.
Geralmente essas editoras também sempre estão com um dos livros de seus catálogos na lista dos
mais vendidos.
Confira quem escreveu o livro: Todos os autores são bons desde que consigam prender a atenção
do leitor. Não tem como falar se um autor é bom ou ruim, mas sim determinar se ele é bem aceito ou
não pelos leitores que leem o estilo de livro de sua preferência. Portanto comece a ler obras de
escritores mais conhecidos e depois passe a ler dos outros que não têm tanto prestígio, mas que
nem por isso deixam de ser bons apenas podem não ser tão bons quanto os outros.
Busque informações na Internet: Procure por resenhas dos livros que você tenha interesse em ler,
olhe as avaliações desses títulos na Internet. Isso vai clarear muito a sua mente e ajudará a eliminar
o que não te interessou tanto depois de ler um pouco mais sobre do que se trata a narrativa.
Nunca julgue um livro pela capa: Um bom livro não é necessariamente aquele que possui uma capa
chamativa e bonita. Existe muitos livros excelentes que não possuem uma capa bacana. Essa dica
também é muito importante, pois muitos leitores compram um livro pela capa e acabam se
decepcionando depois e deixando a leitura de lado.

Análise de um texto
O que é a análise - ela trata de um exame que se faz de uma obra, de um escrito ou de qualquer
realidade susceptível de estudo intelectual. Para estudar um determinado texto, devemos fazê-lo
como um todo até adquirir uma visão global, para que possamos dominar e entender a mensagem
que o autor pretendia relatar quando escreveu. Os textos de estudos requerem reflexão por aqueles
que os estudam e, portanto, a leitura dos mesmos exige um método de abordagem. Devemos
compreender, analisar, interpretar e, para isso, temos que criar condições capazes de permitir a
compreensão, a análise, a síntese e a interpretação de seu conteúdo.
Analisar – decompor um texto completo em suas partes para melhor estudá-las.
Sintetizar – reconstituir o texto decomposto pela análise.
Interpretar – tomar uma posição própria a respeito das ideias enunciadas no texto, isto é, dialogar
com o autor.
Análise: Para analisamos um texto devemos fazer por etapas, possibilitando por fim, a
construção de um raciocínio global, obedecendo a algumas etapas de análises:
Análise Textual consiste em buscar informações a respeito do autor do texto, é a leitura
visando obter uma visão do todo, dirimindo todas as dúvidas possíveis, verificar o vocabulário, entre
outros, podendo ser finalizada com uma esquematização do texto. Para efetiva-la, inicialmente o
leitor deve ler o texto do começo ao fim, com o objetivo de uma primeira apresentação do
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pensamento do autor. Não há necessidade dessa leitura ser profunda. Trata-se apenas dos
primeiros contatos iniciais, quando se sugere que já sejam feitas anotações dos vocábulos
desconhecidos, pontos não entendidos em um primeiro momento, e todas as dúvidas que impeçam
a compreensão do pensamento do autor.
Após a leitura inicial, o leitor deve esclarecer as dúvidas assinaladas que, dirimidas, permitem que o
leitor passe a uma nova leitura, visando à compreensão do todo. Nesta segunda leitura, com todas
as dúvidas resolvidas, o leitor prepara um esquema provisório do que foi estudado, que facilitará a
interpretação das ideias e/ou fenômenos, na tentativa de descobrir conclusões a que o autor chegou.
É necessário o leitor relembrar que análise significa estudar um todo, dividindo em partes,
interpretando cada uma delas, para a compreensão do todo. Quando se faz análise de texto,
penetramos na ideia e no pensamento do autor que originou o texto. Para que o estudo do texto seja
completo, temos que decompô-lo em partes e, ao fazê-lo, estamos efetuando sua análise.
Análise Temática é o momento em que vamos nos perguntar se realmente compreendemos
a mensagem do autor do texto é a compreensão e apreensão do texto, que inclui: ideias, problemas,
processos de raciocínio e comparações Aqui devemos recuperar: O tema do texto; O problema que
o autor se coloca; A ideia central e as secundárias do texto. Isto é feito junto com o esquema do
texto. Nele, você irá indicar cada um dos itens acima, reconstruindo o raciocínio do autor do texto;
recuperando seu processo lógico. É através do raciocínio que o autor expõe, passo a passo, seu
pensamento e transmite a mensagem. O raciocínio, a argumentação, é o conjunto de ideias e
proposições logicamente encadeadas, mediante as quais o autor demonstra sua posição ou tese.
Estabelecer o raciocínio de uma unidade de leitura é o mesmo que reconstruir o processo lógico,
segundo o qual o texto deve ter sido estruturado: com efeito, o raciocínio é a estrutura lógica do
texto.
Finalmente, é com base na análise temática que se pode construir organograma lógico de uma
unidade: a apresentação geometrizada de um raciocínio.
Análise Interpretativa visa a interpretação mediante situações das ideias do autor, faz-se
uma leitura analítica, objetivando o amadurecimento intelectual. Interpretar, em sentido restrito é
tomar uma posição própria a respeito da ideias enunciadas, é superar a estrita mensagem do teto, é
ler nas entrelinhas, é forçar o autor a dialogar, é explorar toda fecundidade das ideias expostas,
enfim, dialogar com o autor.
No primeiro momento da interpretação, busca-se determinar até que ponto o autor conseguiu atingir,
de modo lógico, os objetivos que se propusera alcançar; pergunta-se até que ponto o raciocínio foi
eficaz na demonstração da tese proposta e até que ponto a conclusão a que chegou está realmente
fundada numa argumentação sólida e sem falhas, coerente com as suas premissas e com árias
tapas percorridas.
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Num segundo ponto de vista, formula-se um juízo crítico sobre o raciocínio em questão: até que
ponto o autor consegue uma colocação original, própria, pessoal, superando a pra retomada dos
textos de outros autores, até que ponto o tratamento dispensado por ele ao tema é profundo e não
superficial e meramente erudito; trata-se de se saber anda qual o alcance, ou seja, a relevância e a
contribuição específica do texto para o estudo do tema abordado.
Interpretação: Interpretar é tomar uma posição própria a respeito das ideias do autor, é ler nas
entrelinhas, é forçar o autor a um diálogo, é explorar as ideias expostas, é ter capacidade de
compreensão e crítica do texto. Interpretação é processo, num primeiro momento, de dizer o que o
autor disse, parafraseando o texto, resumindo-o; é reproduzir as ideias do texto. Num segundo
momento, entende-se interpretação como comentário, discussão das ideias do autor. A análise
interpretativa conduz o leitor a atuar como crítico do que o autor escreveu.
Para que haja uma boa leitura é indispensável que o leitor domine a língua, sendo capaz de
conhecer a língua padrão, conhecer as variantes da língua, gerar sequências linguísticas
gramaticais, produzir e compreender textos, enfim, desenvolver suas habilidades e competência
linguística, podendo assim interagir no mundo da leitura da forma madura e produtiva.
Para realizar a análise interpretativa de um texto devemos realizar os seguintes procedimentos:
 Reler o texto, assinalando ou anotando palavras ou expressões desconhecidas, valendo-se
de um dicionário para esclarecer seus significados;
 Não se deixe tomar pela subjetividade;
 Relacione as ideias do autor com o contexto filosófico e científico de sua época e de nossos
dias;
 Faça a leitura das “entrelinhas” a fim de inferir o que não está explícito no texto;
 Adote uma posição crítica, a mais objetiva possível, com relação ao texto. Essa posição tem
de estar fundamentada em argumentos válidos, lógicos e convincentes;
 Faça o resumo do que estudou;
 Discuta o resultado obtido no estudo.
 É preciso observar que a concepção da compreensão na leitura ampliou-se,
consideravelmente, nas últimas décadas no que diz respeito à participação do leitor. A atitude
do leitor frente ao texto, anteriormente vista como recepção passiva de mensagens, passou a
considerar o processamento mental de informação da compreensão e evoluiu para uma
perspectiva de interação entre o leitor e o texto.
 Ao finalizar a análise interpretativa, com certeza, o leitor terá adquirido conhecimento
qualitativo e quantitativo sobre o tema estudado.
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Problematização visa o levantamento do problema relevante, para a reflexão pessoal e


discussão em grupo. Rever todo o texto para se ter elementos para reflexão pessoal e debate em
grupo. Os problemas podem situar-se no nível das três abordagens anteriores; desde problemas
textuais, os mais objetivos e concretos, até mais difíceis problemas de interpretação, todos
constituem elementos válidos para a reflexão individual ou em grupo. O debate e a reflexão são
essenciais à própria filosófica científica.
Devemos, portanto: Ler atentamente o texto e questioná-lo, procurando encontrar as respostas para
os questionamentos iniciais. Assinalar em uma folha de papel os termos, conceitos, ideias etc., que
deverão ser pesquisados após a leitura inicial. Fazer a segunda leitura e, a partir daí, sublinhar a
ideia principal, os pormenores mais significativos, enfim, os elementos básicos da unidade de leitura.
A prática possibilitará que o leitor perceba que raramente será necessário sublinhar uma oração
inteira. Quase sempre é uma palavra-chave que se apresenta como elemento essencial. Na
realidade, a regra fundamental é sublinhar apenas o que é importante para o estudo realizado, e
somente depois de estar seguro dessa importância. O correto é que, ao ler o sublinhado, seja
possível obter claramente o conteúdo do que foi lido.
Síntese Pessoal consiste na construção lógica de uma redação, baseada na problemática
levantada pelo texto. E por fim conclui valorizando a leitura analítica como responsável no
desenvolvimento de posturas lógicas na vida do estudante-leitor. A discussão da problemática
levantada pelo texto, bem como a reflexão a que ele conduz, devem levar o leitor a uma frase de
elaboração pessoal ou de síntese. Trata-se de uma etapa ligada antes à construção lógica de uma
redação do que à leitura como tal. De qualquer modo, a leitura bem feita deve possibilitar ao
estudioso progredir no desenvolvimento das ideias do autor, bem como daqueles elementos
relacionados com elas. Ademais, o trabalho de síntese pessoal é sempre exigido no contexto das
atividades didáticas, quer como tarefa específica, quer como parte de relatórios ou de roteiro de
seminários. Significa também valioso exercício de raciocínio garantia de amadurecimento intelectual.
Como a problematização, esta etapa se apoia na retomada de pontos abordados em todas as
etapas anteriores.
A leitura analítica serve de base para o resumo ou síntese do texto ou livro. Entende-se que é a
apresentação concisa dos pontos relevantes de um texto.
Esta é uma etapa que você só pode fazer se já tiver um bom acúmulo de leituras sobre o tema,
conhecendo bem o assunto, tendo lido outros autores sobre o que foi estudado e conhecendo as
críticas que se fazem àquele autor e àquelas ideias, após essa análise você pode começar a
problematizar o texto. Na prática, isso significa levantar e discutir problemas com relação à
mensagem do autor.
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Resumo: é a apresentação concisa dos pontos relevantes de um documento.


Tipos de resumo
Resumo crítico - é o resumo redigido por especialista com análise crítica de um documento.
Também chamado de resenha. Quando analisa apenas uma determinada edição entre várias,
denomina-se recensão.
Resumo indicativo - é aquele que indica apenas os pontos principais do documento, não
apresentando dados qualitativos, quantitativos etc. De modo geral, não dispensa a consulta ao
original.
Resumo informativo - informa ao leitor finalidades, metodologia, resultados e conclusões do
documento, de tal forma que este possa, inclusive, dispensar a consulta ao original. (Tipo aplicado
nos trabalhos científicos).
Extensão dos resumos:
a) de 150 a 500 palavras os de trabalhos acadêmicos (teses, dissertações e outros) e relatórios
técnico-científicos.
b) de 100 a 250 palavras os de artigos de periódicos
c) de 50 a 100 palavras os destinados a indicações breves
Observação: os resumos críticos, por suas características especiais, não estão sujeitos a limite de
palavras.

Pesquisa é um processo de investigação que se interessa em descobrir as relações existentes entre


os aspectos que envolvem os fatos, fenômenos, situações ou coisas. É um procedimento reflexivo
sistemático, controlado e crítico, que permite descobrir novos fatos ou dados, relações ou leis, em
qualquer campo do conhecimento. Pode ainda ser considerada um conjunto de atividades
orientadas para a busca de um determinado conhecimento. Para que a pesquisa receba o qualitativo
de “científica”, é necessário que seja desenvolvida de maneira organizada e sistemática, seguindo
um planejamento previamente estabelecido pelo pesquisador. É no planejamento da pesquisa que
se determina o caminho a ser percorrido na investigação do objeto de estudo.
A pesquisa científica se distingue, dessa forma, de qualquer outra modalidade de pesquisa
pelo método, pelas técnicas, por estar voltada para a realidade empírica, e pela forma de comunicar
o conhecimento obtido.

Tipos de pesquisa
A classificação dos tipos de pesquisa só é possível mediante o estabelecimento de um
critério. Se classificarmos as pesquisas levando em conta o nível de profundidade do estudo,
teremos três grandes grupos: pesquisa exploratória, pesquisa descritiva e pesquisa explicativa.
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Se classificarmos as pesquisas levando em conta os procedimentos utilizados para coleta de


dados teremos dois grandes grupos. No primeiro, as que se valem de fontes de papel: pesquisa
bibliográfica e documental e, no segundo, fontes de dados fornecidos por pessoas: experimental,
estudo de caso controle, levantamento e o estudo de caso e estudo de campo.
Os tipos de pesquisa segundo nível podem ser classificados em:
Pesquisa exploratória: O principal objetivo da pesquisa exploratória é proporcionar maior
familiaridade com o objeto de estudo. Muitas vezes o pesquisador não dispõe de conhecimento sufi
ciente para formular adequadamente um problema ou elaborar de forma mais precisa uma hipótese.
Nesse caso, é necessário desencadear um processo de investigação que identifique a natureza do
fenômeno e aponte as características essenciais das variáveis que se quer estudar.
Os problemas da pesquisa exploratória geralmente não apresentam relações entre variáveis.
O pesquisador apenas constata e estuda a frequência de uma variável. No exemplo, “qual o perfil
motor das crianças matriculadas na escola x”?, identifica-se apenas uma variável, no caso, perfil
motor. No campo da geografia, por exemplo, poderíamos fazer um levantamento do perfil etário de
uma determinada população. Neste caso, idade seria a variável em estudo.
O planejamento da pesquisa exploratória é bastante flexível e pode assumir caráter de
pesquisa bibliográfica, pesquisa documental, estudos de caso, levantamentos, etc. As técnicas de
pesquisas que podem ser utilizadas na pesquisa exploratória são: formulários, questionários,
entrevistas, fichas para registro de avaliações clínicas, leitura e documentação quando se tratar de
pesquisa bibliográfica.
Pesquisa descritiva: é aquela que analisa, observa, registra e correlaciona aspectos
(variáveis) que envolvem fatos ou fenômenos, sem manipulá-los. Os fenômenos humanos ou
naturais são investigados sem a interferência do pesquisador que apenas procura descobrir, com a
precisão possível, a frequência com que um fenômeno ocorre, sua relação e conexão com outros,
sua natureza e características.
A pesquisa descritiva pode aparecer sob diversos tipos: documental, estudos de campo,
levantamentos, etc., desde que se estude a correlação de, no mínimo, duas variáveis.
Podemos assinalar algumas características da pesquisa descritiva:
Espontaneidade – o pesquisador não interfere na realidade, apenas observa as variáveis que,
espontaneamente, estão vinculadas ao fenômeno;
Naturalidade – os fatos são estudados no seu habitat natural;
Amplo grau de generalização – as conclusões levam em conta o conjunto de variáveis que
podem estar correlacionadas com o objeto da investigação.
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As principais técnicas de coleta de dados geralmente utilizadas na pesquisa descritiva são:


formulários, entrevistas, questionários, fichas de registro para observação e coleta de dados em
documentos.
Algumas pesquisas descritivas vão além da simples identificação da existência de relações entre
variáveis, e permitem determinar a natureza dessa relação. Nesse caso, tem-se uma pesquisa
descritiva que se aproxima da explicativa. Há, porém, pesquisas que, embora definidas como
descritivas com base em seus objetivos, acabam servindo mais para proporcionar uma nova visão do
problema, o que as aproxima das pesquisas exploratórias. (GIL, 2002, p. 42).
Pesquisa explicativa: tem como preocupação fundamental identificar fatores que contribuem
ou agem como causa para a ocorrência de determinados fenômenos. É o tipo de pesquisa que
explica as razões ou os porquês das coisas.
Os cientistas não se limitam a descrever detalhadamente os fatos, tratam de encontrar as suas
causas, suas relações internas e suas relações com outros fatos. Seu objetivo é oferecer respostas
às indagações, aos porquês. Antigamente acreditava-se que explicar cientificamente era expor a
causa dos fatos. No entanto, hoje reconhece-se que a explicação causal é apenas um dos tipos de
explicação científica [...], (GALLIANO, 1979, p. 29).
A pesquisa explicativa pode aparecer sob a forma de pesquisa experimental e estudo de caso
controle.
Dependendo do tipo de procedimento utilizado para a coleta de dados, as pesquisas
classificam-se em:
 Pesquisa documental
 Pesquisa experimental
 Estudo de caso controle
 Levantamento
 Estudo de caso
 Estudo de campo
Pesquisa bibliográfica: é aquela que se desenvolve tentando explicar um problema a partir das
teorias publicadas em diversos tipos de fontes: livros, artigos, manuais, enciclopédias, anais, meios
eletrônicos, etc. A realização da pesquisa bibliográfica é fundamental para que se conheça e analise
as principais contribuições teóricas sobre um determinado tema ou assunto.
Koche (1997, p. 122) afirma que a pesquisa bibliográfica pode ser realizada com diferentes fins:
a) para ampliar o grau de conhecimentos em uma determinada área, capacitando o investigador a
compreender ou delimitar melhor um problema de pesquisa; b) para dominar o conhecimento
disponível e utilizá-lo como base ou fundamentação na construção de um modelo teórico explicativo
de um problema, isto é, como instrumento auxiliar para a construção e fundamentação de hipóteses;
c) para descrever ou sistematizar o estado da arte, daquele momento, pertinente a um determinado
tema ou problema.
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Ao analisar essas finalidades pode-se inferir que a pesquisa bibliográfica pode ser realizada
em nível de pesquisa exploratória, quando apenas se quer ter maiores conhecimentos ou uma certa
familiaridade sobre um assunto; oferecer informações mais precisas ao investigador no momento da
construção de problemas ou questões de pesquisa e fundamentar na análise e discussão de
resultados de pesquisas empíricas.
A pesquisa bibliográfica pode ser desenvolvida em diferentes etapas. Qualquer tentativa de
apresentar um modelo para o desenvolvimento de uma pesquisa bibliográfica deverá ser entendida
como arbitrária. Tanto é que os modelos apresentados pelos diversos autores diferem
significativamente entre si.
Você verá a seguir, um modelo de pesquisa bibliográfica que não deve ser entendido como
um modelo rigoroso e inflexível, mas que pode auxiliá-lo no momento de planejar uma pesquisa.
Veja então quais as etapas da pesquisa bibliográfica:
a) escolha do tema deve considerar os seguintes fatores: interesse pelo assunto, existência
de bibliografia especializada e familiaridade com o assunto;
b) delimitação do tema (é estabelecer a extensão e compreensão do assunto) e formulação
do problema (indica a especificidade do objeto e marca, propriamente, o início da investigação);
c) elaboração do plano de desenvolvimento da pesquisa (significa apresentar a estrutura
lógica das partes que compõem o assunto. São apresentados os desdobramentos temáticos
vinculados entre si e naturalmente integrados ao tema central. O plano de desenvolvimento é
apresentado na forma de divisões e subdivisões);
d) identificação, localização das fontes e obtenção do material (localizar as fontes que
poderão fornecer respostas adequadas ao que se propõe pesquisar);
e) leitura do material (para identificar as informações e os dados constantes do material
impresso; estabelecer relações entre as informações e os dados obtidos com o problema proposto e
analisar a consistência das informações e os dados apresentados pelos autores);
f) tomada de apontamentos (se faça o registro das informações provenientes da leitura);
g) redação do trabalho (de acordo com a ABNT, com os elementos pré-textuais que são
apresentados antes da introdução e, no seu conjunto, ajudam na identificação e utilização do
trabalho. Os elementos textuais compõem a estrutura do trabalho formando três partes logicamente
relacionadas: introdução, desenvolvimento e conclusão. Os elementos pós-textuais apresentam
informações que complementam o trabalho).