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MANUAL DA

CONSULTORA DE IMAGEM
TUDO QUE EU QUERIA TER OUVIDO ANTES
DE COMEÇAR NESTA PROFISSÃO

por Érica Minchin

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MANUAL DA
CONSULTORA DE IMAGEM
TUDO QUE EU QUERIA TER OUVIDO
ANTES DE COMEÇAR NESTA PROFISSÃO
Copyright © 2017 por Érica Minchin de Santiago Rocha
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida ou transmitida de
qualquer forma ou meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópias ou gravações sem a prévia
autorização da autora.

ISBN-13: 978-85-923728-1-1

Design de Capa
Fernando Campos

Edição
Gustavo Carneiro
Ao meu irmão, Rodrigo.
Este é mais um livro que só existe porque você não “me
deixou” fazer jornalismo.
Sumário

Introdução
1. A característica mais importante
Se você quer saber mais sobre…
2. O que te motiva?
Entendendo suas motivações
O que me motiva
Se você quer saber mais sobre…
3. Como se tornar uma consultora de imagem
O que estudar
Escolhendo um curso entre tantos
Preciso fazer faculdade para exercer a profissão?
Complementando o conhecimento básico
Além da sala de aula
Se você quer saber mais sobre…
4. Abordagem com o cliente
Por baixo dos panos
Mitos para passar longe
Perguntas pontuais
Se você quer saber mais sobre…
5. Em casa de ferreiro
O resto é sempre mais importante
É mais fácil cuidar do umbigo alheio
A sua melhor versão para aquela ocasião
6. Ganhando dinheiro
Possibilidades de trabalho
Estrutura de serviços
Como cobrar
Atraindo clientes
Se você quer saber mais sobre…
7. Sobre querer abraçar o mundo
O que é uma ameaça?
A mandioca sempre volta
Guerra de preços
Se você quer saber mais sobre…
8. Outros aprendizados importantes
Perdendo o medo
Aprendendo com o erro dos outros
Se você quer saber mais sobre…
9. Melhoria contínua
Feedback: o que é, onde vive e do que se alimenta
Conseguindo um bom depoimento
Se você quer saber mais sobre…
10. Saia da caixa!
Cursos essenciais
Outros cursos
Em resumo
11. O tal do consumo consciente
E o que nós temos a ver com isso?
Fique atenta ao futuro
Se você quer saber mais sobre…
12. Você é uma empresária
Olá, burocracia!
A cultura do faça você mesmo
Quando vale ter alguém para dividir a conta
Se você quer saber mais sobre…
13. Como organizar a vida e o trabalho
Organizando aspectos intangíveis
Arrumando a tralha
Controlando as distrações
Quando tudo parecer muito (ou pouco)…
Se você quer saber mais sobre…
14. Conclusão
Mais de Érica Minchin
Agradecimentos
Sobre a Autora
Introdução

Este livro é uma vontade antiga de colocar no mercado um guia que


realmente fosse útil pra quem está começando na consultoria de imagem. A
proposta não é montar um manual de estilo ou uma apostila sobre como fazer
análise de cores e medir tipos físicos, mas como de fato viver dessa profissão
tão nova.
Ele é a conversa que eu gostaria que alguém tivesse comigo quando
eu resolvi me tornar consultora de imagem e quando eu estava totalmente
perdida, mas continuei em frente simplesmente por acreditar que esse era o
meu caminho.
Eu quero tanto ajudar quem ainda tem dúvida se essa é realmente a
sua praia, dar uma luz para você que acabou de sair de um curso e não sabe
exatamente o que fazer agora e também abrir a discussão com quem é
“veterana” da consultoria, que talvez trabalhe com isso há mais tempo que
eu, mas nunca teve a oportunidade de debater alguns assuntos que trago aqui
e que são de extrema importância para qualquer pessoa do mercado.
Escrevo esse livro para as minhas alunas, para as minhas amigas da
área e para as colegas que aparecem na minha caixa de entrada de tempos em
tempos pedindo uma luz. Escrevo também para mim mesma, como uma
forma de organizar ideias.
Eu quero dialogar com você que entende que uma verdadeira
consultora de imagem, como vou falar adiante, é aquela que sabe que o
trabalho consiste em revelar pessoas e não em transformá-las em algo que
não são, apenas porque é bonito ou está na moda. É aquela que sabe que
assim como os seres humanos, essa é uma profissão mutável, que está em
frequente evolução. E, embora não seja um trabalho barato, não precisa ser
uma profissão elitizada.
Essa é a profissional que eu pretendo atingir e formar, não só com
este livro, mas em tudo que faço na minha vida.
Se você escolheu essa área porque detesta estudar ou só porque gosta
de roupas, talvez se sinta um pouco incomodada com o conteúdo que trago
aqui. Ainda assim, te convido a ler pelo menos até o segundo capítulo, em
que falo sobre as motivações para exercer essa profissão, antes de desistir
completamente da nossa conversa. Topa?

Este é um livro muito mais útil para consultoras de imagem do


que para personal stylists
Caso você esteja apenas tateando a área, mas não tenha estudado
formalmente ainda, precisa entender que consultora de imagem, de moda e
personal stylist são três profissões diferentes. A consultora de moda trabalha
para empresas (lojistas, shoppings e marcas), enquanto os outros dois
trabalham com pessoas.
No Brasil, até por uma questão de pouca educação de mercado, as
outras duas profissões são tratadas como se fossem uma só, mas nos Estados
Unidos, onde surgiram, há uma distinção muito clara. Principalmente por não
haver curso específico de personal stylist, apenas de Consultoria de Imagem.
A possibilidade do stylist atender individualmente geralmente é
abordada dentro do curso de fashion styling, que é originalmente voltado para
produção de catálogos, editoriais e desfiles, não como um curso inteiro
voltado pra isso. Mas, por algum motivo que me foge, quando essas
profissões chegaram aqui, a diferença parece ter se perdido.
Na prática, enquanto o consultor de imagem trata da essência da
pessoa e da aparência de cada cliente como uma ferramenta de comunicação
não-verbal, como se fosse uma área entre o vestuário e as relações públicas, o
personal stylist tem um trabalho muito mais voltado pra elaborar looks
diferentes e levar a moda pra vida de cada cliente.
Além disso, exceto em palestras de engajamento voltadas para o uso
da moda, o personal stylist não faz atendimento corporativo. É preciso uma
formação em consultoria de imagem para ter a visão ampla necessária para
elaborar o código de vestuário de uma empresa, por exemplo.
Precisei explicar isso porque, exceto por alguns capítulos sobre as
questões práticas de qualquer negócio, este é um livro voltado para
consultoras de imagem, já que aborda muitas questões sobre ética e
comportamento dentro desta profissão específica que nem sempre cabem no
trabalho da personal.
Manual do manual
Como toda boa sagitariana, sou uma curiosa por natureza. Meu
negócio é aprender, entender e descobrir novas formas de olhar para aquilo
que eu já conheço. Por isso, em boa parte desse livro você vai encontrar
várias referências que fogem do óbvio da consultoria de imagem.
É isso que me torna (no presente, porque é um exercício constante) a
profissional que eu sou e é isso que eu acredito que pode ajudar outras
pessoas a se tornarem boas profissionais também. Quando estou em sala de
aula, a coisa mais valiosa que acredito ensinar para as minhas alunas é o
poder de questionar. Isso vai muito além de teoria e técnicas e é isso que eu
pretendo te estimular a fazer aqui também, de alguma forma.
Seguindo essa linha de raciocínio, meu propósito, mais do que te
guiar, é proporcionar uma experiência. Por isso, eu sugiro que você busque
pelos conteúdos recomendados para aproveitar o que coloquei aqui de uma
forma mais completa.
Ao final dos capítulos principais, você vai encontrar várias
recomendações de TEDs, artigos e outros conteúdos disponíveis
gratuitamente na internet porque são bons e também porque são mais fáceis
de acessar e absorver. A ideia é introduzir os assuntos para gerar interesse e
te deixar livre para desenvolver o que trouxer algum sentido para a sua vida
depois - o que eu te ajudo também, na medida do possível, com sugestões de
livros e outros conteúdos mais aprofundados.
Esse livro é uma mistura de papo-amigo e incentivador com questões
práticas sobre como gerenciar seu negócio, ganhar dinheiro, estruturar
serviços e afins.
Como você vai entender melhor mais pra frente, eu não acredito em
concorrência como algo ruim. Então, mais do que qualquer outra coisa, o que
você tem em mãos é um convite pra que a gente possa se unir e fortalecer
essa profissão tão incrível que nos permite ajudar tantas pessoas.
Tenha uma ótima leitura e sinta-se à vontade para me procurar no
Twitter (@ericaminchin), Facebook (/ericaminchin.moda) e outras redes a
qualquer momento, para dividir suas impressões e compartilhar experiências
também!
Capítulo 1
A característica mais importante

Dominique Isbecque (junto com Lynne Marks), consultora pioneira e


uma das fundadoras da AICI, lista como habilidades e características
importantes para um consultora de imagem as seguintes (traduzidas
livremente por mim):

análise cromática, de linhas e corpo;


princípios do design; construção de guarda-roupa;
têxteis; técnicas de planejamento de guarda-roupa, de seleção e de
coordenação;
análise de custo e orçamento;
avaliação de estilo de vida;
tendências de moda e estilo de vida;
moda e outros recursos;
acessórios e técnicas de consultoria.

Entre tantas outras que vão de habilidades de comunicação até de


negociação e administração, todas essas características e habilidades são
essenciais. Mas não são absolutamente nada sozinhas.
Um dos maiores equívocos de quem pensa em trabalhar na área é
achar que o trabalho é o de construir looks bonitos ou “comprar o que tá na
moda”.
Primeiro porque bonito é imensamente relativo - o artista e visagista
Philip Hallawel tem uma visão bem interessante sobre a diferença entre
bonito e belo, aliás. Philip vê o bonito como algo padrão, “já o belo é aquilo
que, além de estar em harmonia, atrai”. Ou seja, a cliente precisa se ver no
espelho. A imagem pode ser linda, mas se ela não se encontrar na imagem
refletida, já era. E aí vem o segundo motivo, que é o fato de que tanto o
bonito, quanto o belo, são resultado de um trabalho de entendimento e
tradução da essência de alguém em imagens. E esse resultado a gente só
consegue encontrar quando trabalha a característica mais importante de todas,
porque une tudo isso: empatia.
De acordo com o bom e velho Michaelis, empatia sf (gr
empátheia) Psicol é a “projeção imaginária ou mental de um estado
subjetivo, quer afetivo, quer conato ou cognitivo, nos elementos de uma obra
de arte ou de um objeto natural, de modo que estes parecem imbuídos dele.
Na psicanálise, estado de espírito no qual uma pessoa se identifica com
outra, presumindo sentir o que esta está sentindo.”.
Algo como aquela história de se colocar no sapato do outro. Você
nunca vai sentir exatamente o que a pessoa sente, ainda que vivencie uma
situação parecida, mas pode se esforçar para entender de onde surgem as
necessidades dela.
A doutora Helen Riess, professora de psiquiatria na faculdade de
medicina de Harvard, classifica como a essência da empatia a nossa vontade
de sermos vistos, ouvidos e ter nossas necessidades respondidas pelos outros.
Olha só, isso não é só da sua cliente, mas você também tem essa necessidade,
assim como eu e como a pessoa que está sentada ao meu lado enquanto
trabalho, aquela que para atrás de você na fila do café e absolutamente todas
as que cruzam o nosso caminho.
Ela desenvolveu um treinamento em que coloca 7 pontos principais
para quem quer exercitar isso:

contato visual: é o primeiro indicador de que a gente foi notado por


alguém, mesmo que normas culturais variem.

expressão facial: porque é um mapa para emoções humanas, segundo a


Dra. Riess. Pensando na consultoria, como é a expressão da sua cliente
conforme responde cada uma das perguntas do seu questionário? Ela
sorri, parece espantada, atenta, entendiada…? E quando você propõe
determinado look?

postura: é importante porque nossa linguagem corporal reflete nas


nossas interações. Aqui vale ficar atenta se a cliente fica na defensiva e
fecha os braços ou se não os cruza e se mantém aberta e confortável para
a informação que você tá passando; se os ombros estão eretos ou se
denunciam uma certa retração, por exemplo, entre outros. Vale também
pensar na sua própria linguagem corporal quando interage com ela e
observar se o jeito que ela age com você tem a ver com o repertório dela
ou com uma indisposição causada pelo jeito como você se coloca.

afeto: a Dra. Riess explica que esse é o termo cientifico usado para
‘emoções expressadas’ e que se a gente tenta nomear as emoções
percebidas no outro em uma conversa, isso muda a forma como a gente
entende o que essa pessoa diz. Na consultoria, então, é interessante
tentar nomear as emoções que a cliente expressa pra poder ouvir de
maneira mais aprofundada o que ela diz e responder de uma forma mais
compreensiva.

tom de voz: ouça além das palavras: existe algo na entonação que
denuncia excitação, tristeza, indiferença etc? Vale também prestar
atenção na forma como você mesma fala.

ouvir a pessoa inteira: “pensar no contexto em que essa pessoa vive,


manter a sua curiosidade aberta e não julgar até que você realmente
entenda de onde essa pessoa vem” (de todos, creio que esse é o mais
importante para uma consultora de imagem).

como você responde: a gente responde automaticamente aos


sentimentos das outras pessoas a todo momento e que a gente acha que
só experimenta as nossas próprias emoções, mas a gente está
constantemente absorvendo - e espelhando - as emoções alheias.

Se você sente que o seu nível de empatia não é suficientemente alto,


vale lembrar que a repetição é o segredo para fixar qualquer aprendizado na
nossa cabeça. Eu não sou muito fã de decorebas, mas nesse caso acho uma
boa imprimir essa lista e grudar na porta do armário, da geladeira, de casa e
até tirar um print para deixar no fundo de tela do celular e do computador (e
onde mais for acessível) para que você decore esses fatores e possa repetir em
todas as suas interações. Não apenas profissionais.
Na consultoria, a empatia é importante não só na hora de propor cada
peça ou look, mas principalmente para pensar o como propor. Eu tento
exercitar a empatia no meu dia-a-dia de atendimentos e aulas lembrando que
as pessoas não são iguais. Algumas são mais abertas, outras mais retraídas,
outras são mais calmas, outras agitadas… Uma mesma frase pode ser dita e
percebida de diversas formas dependendo de quem fala e de quem ouve. Por
mais que você adore a filosofia do se responsabilizar apenas pelo que você
fala e não pelo que os outros entendem, ela precisa ser deixada para fora da
casa das suas clientes. Saber entender o lugar de cada pessoa que você atende
ao fazer uma crítica ou sugestão é essencial também para que ela tenha o
melhor aproveitamento da informação passada.
No best-seller “Como fazer amigos e influenciar pessoas”, antigo
(publicado em 1937!) mas citado como referência até hoje por diversos
especialistas que abordam assuntos que vão de relacionamentos humanos até
vendas, o autor Dale Carnegie fala sobre como a importância de colocar o
que o outro vai ganhar com o que estamos dizendo antes de qualquer outra
coisa. Isso serve tanto quando você está vendendo os seus serviços (você fala
o que a pessoa terá de resultado antes de falar o preço que terá de pagar por
isso) até quando está explicando porque concluiu que aquela blusa é a melhor
pra ela. Só que a pegadinha mora no seguinte: para realmente entender o que
a pessoa vai tirar disso, você precisa não só se interessar verdadeiramente por
ela (como o próprio Dale já fala), mas experimentar suas dores, tentar
enxergar o problema que encontra do ponto de vista em que ela está e não do
seu.
É claro que essa proposta, esse resultado que uma cliente recebe,
depende muito da informação que ela mesma entrega, do quanto se abre para
o consultor. E depende também da vontade do consultor em realmente ouvir e
focar apenas na informação que interessa para a cliente e não no seu próprio
gosto.
Se você já trabalha na área, espero que tenha percebido isso. Se não, é
hora de aprender: na prática, o trabalho é bem diferente do que vemos nesses
programas de televisão ditos de “consultoria de estilo”. Repare que, em
alguns, a “consultora” apenas replica o look que ela mesma está vestindo,
mudando algumas cores, sem realmente propor algo que tem a ver com a
cliente. Além do mais, é completamente inviável chegar na casa de alguém
que te pediu ajuda falando para jogar absolutamente tudo no lixo e começar
do zero, porque aquela pessoa “é um erro”. Você se sentiria animada em
cuidar da sua imagem ou resolver qualquer outra coisa que considere um
problema assim?
Quando a gente fala sobre empatia, também precisa ter o cuidado para
não associar isso com pena. Ter empatia não significa olhar o outro como se a
sua posição fosse melhor que a dele, mas deixar o seu próprio repertório de
lado e se abrir para perceber uma história que pode ser diferente da sua.
Um bom exemplo disso é a fala da escritora nigeriana Chimamanda
Adichie, em sua apresentação no TED, sobre o problema de se pensar
partindo apenas de uma única história, ainda que contada de maneiras
diferentes. Ela discorre, com exemplos de sua própria vida tanto enquanto
uma criança de classe média em seu pais, quanto como estudante africana nos
Estados Unidos, sobre o problema dos estereótipos, que nem sempre estão
errados, mas sempre são incompletos. Embora ela faça um paralelo sobre
relações de poder entre países (o que é um exercício extremo para quem quer
apenas entender essa questão no âmbito da consultoria), é uma referência a se
pensar.
Eu considero esses pontos importantes e te conto sobre isso para que
você pense em todas as concepções que surgem quando uma cliente entra em
contato com você e te conta brevemente sobre onde mora, o que faz da vida e
por quais motivos está procurando este serviço. E também nas histórias que
você escolhe para julgá-la e as que você negligencia por considerar apenas
versões diferentes, superficiais e incompletas, que se construíram apenas do
seu ponto de vista.
Outro valor da empatia na consultoria é que é ela que te ajuda a
entender se aquele é o melhor momento. Em muitos deles, você pode pensar
em uma imagem maravilhosa (seja a imagem completa ou apenas um cabelo,
uma saia, um vestido), que você sabe que vai funcionar perfeitamente para a
sua cliente, mas é um passo além da zona de conforto dela. Saber a hora de
propor cada coisa é essencial. Se a imagem inspira e reflete o nosso
comportamento, num loop infinito, quando a gente propõe uma ideia antes da
hora, a cliente não se reconhece e se sente retraída por aquela imagem, em
vez de impulsionada.
E se a gente pensar que a principal função do consultor é revelar uma
beleza, traduzir não só uma essência, mas o que funciona naquele
determinado momento da vida dela? Porque você pode se enganar achando
que a sua função é vestir pessoas, mas o que o profissional da nossa área faz é
isso: revela. Tipo a Fotóptica fazia com fotos, mas com gente, sabe?
Se essa é nossa função, como isso seria possível sem a
disponibilidade de se deixar em segundo plano e colocar a cliente em
primeiro?
Pois é.
Acontece que, com o tempo, a gente percebe uma coisa que já fez a
pesquisadora Brene Brown surtar: pra que a gente consiga se conectar de
verdade com alguém, pra ter essa disponibilidade de se colocar em segundo
plano que eu falei há pouco, a gente precisa se abrir, se tornar vulnerável.
Porque o ser humano é um bicho esquisito e, segundo ela, “a única coisa que
nos deixa de fora dessa conexão é o nosso medo de não merecer essa
conexão”. Ou seja, você se fecha e deixa de fazer o seu trabalho de uma
forma plena por puro medo de não merecer fazer isso.
Pesquisando pessoas que se conectam melhor com outras, ela
descobriu que quem lidava melhor com isso o fazia porque acreditavam que
merecia. Aprofundando, também descobriu que não é possível praticar
compaixão com outra pessoa sem praticar consigo mesma antes e sem
abraçar completamente a ideia da vulnerabilidade como algo necessário.
Porque vulnerabilidade até é o berço da vergonha, medo e nossa luta por
merecimento, mas também é onde, ela descobriu, nascem a alegria, a
criatividade, o pertencimento e o amor. E o problema é que a gente anestesia
a vulnerabilidade e que, quando a gente faz isso, porque acredita estar se
livrando de algo ruim, também está se livrando de tudo aquilo que é bom.
Não dá, por mais que a gente queira, pra selecionar sentimentos. E, de
cerejinha do bolo, a gente ainda finge que tudo o que a gente faz não afeta as
outras pessoas. Elimina a conexão, a empatia.
Então, da próxima vez que você estiver atendendo, permita-se
envolver na história da cliente. Não é dar pitaco, não é absorver aquele
problema pra si, mas se envolver e entender como você pode ajudar melhor
com o seu trabalho. E eu digo que você tem que se permitir porque para fazer
isso você precisa acreditar que merece e que é capaz.
Se você quer saber mais sobre…
Todas as habilidades e conhecimentos que a Dominique Isbecque
considera para um consultor de imagem:
Leia “The Perfect Fit -How to start an image consulting business”.
Escrito em parceria com Lynne Marks, o livro fala sobre os diversos aspectos
do trabalho de consultoria de imagem - inclusive, inspirou a publicação deste
livro que você lê agora. Além de ter sido feito para o mercado americano, não
tem alguns dos petelecos na orelha que a gente precisa levar antes mesmo de
começar a trabalhar com isso.

Empatia:
Dá uma olhada na apresentação no TEDx inteiro da Dra. Helen Riess,
que estudou a neurociência da empatia e desenvolveu um treinamento para
ampliar essa habilidade que já vem pré-instalada no nosso cérebro, até como
um mecanismo de sobrevivência. Apenas em inglês no
https://www.youtube.com/watch?v=baHrcC8B4WM
Na apresentação no TED do Sam Richards sobre empatia, ele faz um
experimento radical para realmente entender do que se trata e abrir a sua
cabeça para aplicar isso em todas as áreas da sua vida. Você pode assistir
aqui, com legendas em português:
https://www.ted.com/talks/sam_richards_a_radical_experiment_in_empathy?
language=pt-br

O perigo de só considerar nosso repertório e ponto de vista:


Assista ao papo inteiro da Chimamanda Ngozi Adichie, também no
TED (sim, eu amo) sobre o perigo de uma história única. Também em inglês,
com legendas em português, no
https://www.ted.com/talks/chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story?
language=pt-br
Aproveita o passeio pelo site do TED e dá uma olhada na
apresentação da Vernã Myers sobre como superar nossos viéses. Ela fala
muito sobre preconceitos raciais, mas a gente pode pensar nisso em todos os
outros aspectos que determinam como vemos e enxergamos outras pessoas,
não só por causa do aspecto físico (considerando raça, mas também peso e
estatura, por exemplo), mas pelo local que trabalham, onde vivem, sua
formação e todos os outros fatores que compõem sua vida:
https://www.ted.com/talks/verna_myers_how_to_overcome_our_biases_walk_boldly_tow
language=pt-br

Linguagem corporal
Leia o livro “Decifrar pessoas”, escrito por Jo-Ellan Dimitrius e
publicado no Brasil pela editora Campus.

Vulnerabilidade:
A palestra excelente da Brené Brown no TED:
https://www.ted.com/talks/brene_brown_on_vulnerability?language=pt-br
Capítulo 2
O que te motiva?

Motivação é um elemento-chave quando se escolhe a profissão. É o


que faz com que os resultados sejam percebidos e celebrados. É o que leva
adiante nos dias mais complicados também.
Por isso, a primeira pergunta que eu faço, tanto para as minhas
clientes ou para as minhas alunas é: “o que te traz aqui?”
Existem várias respostas, mas algumas se repetem com frequência.
No caso das alunas, são 3 - se alguma delas foi a única coisa que te fez pensar
em trabalhar nessa área, talvez seja a hora de repensar suas motivações.
Neste capítulo, listo essas 3 principais respostas, explico porque
talvez precisem ser repensadas e como transformar essa resposta em algo
realmente útil para a sua carreira.

Entendendo suas motivações


Algumas dessas 3 frases foi o que te levou para a consultoria?

a.“Eu adoro fazer compras”


Nem todo mundo tem paciência para fazer compras (inclusive
mulheres - e você vai se surpreender com a quantidade delas, se estiver
começando agora). Então, se você tiver um método para isso que vá além de
se lançar pelos corredores do shopping, sem rumo, até que alguma peça
muito bonita brote na sua frente, isso pode ser bem útil. Eu conheço
consultoras, inclusive, que não oferecem o serviço por não gostarem elas
mesmas da tarefa.
Você precisa lembrar sempre que um dos pilares da consultoria é que
a cliente tenha apenas aquilo que faz sentido em sua vida. Levá-la para
comprar por comprar ou porque é bonito só vai fazer com que continue com
um armário entulhado e nada funcional.
Se você tiver isso em mente, “gostar de fazer compras” pode se
tornar uma excelente habilidade profissional. E até um diferencial se você
gostar também de:

estruturar roteiros de compras de acordo com orçamentos e


objetivos específicos:

A menos que você trabalhe com o “1%” (da população, em que maior
parte da renda está concentrada), as sessões de personal shopper nem sempre
vão incluir uma visita até a Prada. Na maioria dos casos, você vai precisar
fazer um mix entre marcas mais caras, intermediárias e lojas de
departamento.
Estruturar o roteiro com esse mix é legal mesmo quando a cliente tem
grana, porque mais importante do que ter dinheiro é saber usá-lo de uma
forma inteligente.
Betty Halbreich, a pessoa que apenas inventou o cargo de personal
shopper dentro de lojas e centro de compras - e que há mais de 40 anos é a
responsável pelo departamento na Bergdorf Goodman, em Nova York -
escreveu no seu livro “Secrets from a Fashion Therapist”, que achava uma
besteira comprar determinadas peças em lojas caras, como a própria
Bergdorf.
Dois exemplos que ela dá no livro são camisetas básicas e it bags que
ficarão batidas demais para serem usadas na próxima temporada - nesse caso,
ela chega até a recomendar as versões falsificadas (!).
Estruturar roteiros de compras também tem a ver com tempo. É
igualmente importante otimizar o processo para que nem a cliente que está na
correria da vida deixe de comprar peças necessárias e nem você acabe
perdendo trabalho por cobrar caro demais por várias horas que podem ser
reduzidas (isso quando não trabalha muito mais de graça e acaba saindo no
prejuízo).

garimpar preciosidades no meio de uma pilha de opções nem


sempre relevantes:

Dependendo da época em que a cliente te contrata, fazer compras


pode virar uma tarefa de dificuldade acima do normal.
Dois casos específicos são a época de liquidação e começo de
coleção. Não considerei a época do Natal aqui porque ela consegue ser a
soma das outras duas com o agravante da muvuca, tornando a experiência
toda ainda mais complexa.
No primeiro caso, os preços estão maravilhosos, mas as opções de
tamanho e cor são bem limitadas. Quem nunca encontrou a blusa, mas
quando pediu o tamanho correto para a vendedora, ouviu a temível “é a
última”? Não sei vocês, mas o meu coração parte a cada vez que essa frase
entra pelos meus ouvidos.
Já no começo de coleção, os preços estão no seu auge, então 10 peças
que a cliente precisa facilmente viram 5 peças que ela pode comprar. Uma
solução que cria um bom mix de lojas é montar um roteiro com brechós e
outlets para melhorar essas possibilidades - nesse caso, lembre-se que além
da limitação de cor e tamanho, é preciso avaliar o estado das peças.
Garimpar preciosidades não tem a ver só com preço, mas também
possibilidades. Às vezes, a cliente pode encontrar uma única peça que sirva
como a “cola” que vai fazer com que o armário todo dela funcione, em vez de
lotar com mais 5 ou 10 peças que podem deixá-la mais perdida.
Em uma das minhas consultorias, comprei um shorts com uma cliente
que serviu tanto para levar blusas mais arrumadas para momentos mais
descontraídos, como para dar um ar mais sofisticado para as camisetas
básicas demais - por causa do modelo, cor e material, também poderá ser
usado nas 4 estações do ano. Sozinha, ela não teria nem olhado para o shorts
e ainda teria comprado várias outras peças que não trariam o mesmo
resultado. É exatamente essa diferença que justifica o nosso trabalho.

entender como as lojas funcionam:

Se você é uma compradora escolada, já deve ter percebido que uma


mesma rede pode cobrar preços diferentes pela mesma peça.
Eu mesma já levei uma cliente para dois shoppings diferentes em um
mesmo dia e a gente encontrou uma diferença de mais de R$40,00 em uma
peça que estava sendo vendida por uma loja de acessórios. Era época de
liquidação e, em um shopping voltado para marcas mais baratas e pontas de
estoque, havia uma promoção de 70% enquanto no outro, um shopping com
público alvo de melhores condições financeiras, o percentual de desconto era
bem menor (algo em torno de 20% menor). Isso pode acontecer porque as
lojas atendem públicos diferentes, porque uma loja teve um desempenho
melhor do que o outro ou por serem franquias e trabalharem com margens
diferentes em cada unidade.
É claro que se você morar em uma cidade grande como São Paulo e
descobrir que em um shopping na zona norte o preço das peças pode ser mais
barato do que um shopping na zona sul, você vai ter que considerar a região
em que a cliente mora/trabalha e as outras lojas que vai visitar com ela e tirar
uma média do que vale a pena - a diferença de preço entre as peças
compradas pode ser inferior à sua hora de trabalho, ao tempo que a cliente vai
perder e ao custo de deslocamento.
Além do preço, a qualidade e a disponibilidade das coleções também
mudam. Por exemplo, se você comprar em uma loja de departamentos para o
público B-C em um shopping de público A, vai encontrar uma diferença
gritante tanto na qualidade das peças (só vai o filé), quanto na disponibilidade
de tamanhos (o público principal do shopping compra menos nessas marcas).
Outra coisa que é legal ficar atenta é na distribuição de peças na loja e
na vitrine. É normal que se coloque uma peça-âncora junto de uma que quase
não vende, para impulsionar a venda. Ou então, uma peça mais cara junto de
outra mais barata, mas de melhor margem de lucro, por exemplo.

b. “Sempre gostei de moda!”


Se essa é a sua motivação, é legal estabelecer se você gosta de moda
ou se você gosta de ver imagens bonitas em revista. “Moda” é um universo
muito amplo e que vai muito além de uma roupa bacana.
Tenho reparado que conforme os anos passam, as profissionais que
optaram pelo caminho da consultoria de imagem passam a se importar cada
vez menos com a moda em si. Os desfiles não são mais obrigação e a leitura
de revistas e sites especializados é consideravelmente substituída pelos livros
que falam mais sobre questões aprofundadas, como o consumo consciente, as
raízes históricas de determinadas propostas e outras.
Isso acontece quando a gente começa a perceber que mais importante
do que saber qual é a “it bag” do momento, é saber o que representa e pra
quem ela serve. Qual proporção corporal será favorecida, que mensagem
comunica, quantas coisas consegue carregar, sua durabilidade, etc etc etc.
Esse movimento facilita o trabalho: se a gente foca na base, não
precisa se prender aos detalhes temporais e sobra mais tempo para criar
estratégias mais certeiras para as clientes.
Talvez tenha algo que a própria origem dos desfiles justifica: segundo
Estel Vilaseca, eles têm certa inspiração nos bailes aristocráticos, em que “as
damas e os cavalheiros corriam para sentar na primeira fila a fim de
observar os detalhes dos trajes usados pelos convidados. Olhar, observar e
julgar era um dos passatempos da alta sociedade”. E, né, o julgamento é a
primeira coisa que a gente tem que deixar de lado quando tá atendendo.
É claro que é importante uma pesquisa a cada começo de temporada
para saber quais são as principais propostas, uma navegada por um ou outro
site que compile referências e também aquela ronda em lojas para entender o
que cada uma disponibilizará nas suas araras. Isso vai facilitar o trabalho na
hora de fazer compras, inclusive. Mas você não sente mais aquela
necessidade de ver todas as fotos de todos os desfiles internacionais e
nacionais.
O que você, consultora, precisa saber são as macrotendências e o que
representarão e dirão do mundo e qual o seu contexto. Saber como usar a
moda para comunicar atualidade e não escravidão.
A maneira mais fácil de entender o contexto é ler jornal. Se você sabe
o que tá acontecendo no mundo, você consegue ter uma ideia de como isso
pode se traduzir nas araras, armários e ruas. Por exemplo, se nos últimos
tempos rola uma crise forte, é mais comum encontrar tons sóbrios do que
coloridos, porque o coletivo parte do princípio que é feio ostentar quando a
maioria das pessoas tá na bad. Isso aconteceu na primeira e na segunda
guerras mundiais, por exemplo. Em tempos de crise também é possível ver o
oposto: tudo fica mais colorido para levantar os ânimos, estimulando as
compras e movimentando a economia.
Até é legal saber das peças mais hype para identificar o que não vai
valer o investimento porque será massificado de uma forma tão absurda que
em meses ninguém mais vai querer lembrar que existiu, mas a gente não
precisa saber de todas as peças. Nem é possível prever isso.
Se prever o que especificamente vai estourar fosse fácil assim, as
próprias marcas não seriam vítimas do seu sistema, falindo a cada ano e
tendo sua relevância limitada aos estudiosos da indumentária, como disse o
Guillaume Erner ao desconstruir a ideia de que o que a gente usa/considera
“tendência” é ditado pelo mercado, em seu livro “Vítimas da Moda?”.

c. “Me visto super bem, as amigas sempre pedem ajuda!”


Vestir-se bem conta muito. Você é o seu principal cartão de visitas.
Você vende imagem e obviamente a sua precisa estar alinhadíssima com
aquilo que você pretende oferecer para as pessoas. Ninguém, em sã
consciência, contrataria uma pessoa que acredita se vestir mal.
Mas você precisa saber vestir os outros. Pessoas diferentes de você,
tanto de corpo, quanto de personalidade, quanto de rotina. Sim, elas vão te
procurar por sentir afinidade com aquilo que veem, mas elas não podem se
tornar suas réplicas. Por mais que algumas stylists bombadíssimas façam isso,
não quer dizer que elas estão fazendo um bom trabalho (daí a importância,
aliás, de saber distinguir consultoria de imagem de personal styling).
Toda imagem comunica algo diferente. Aquela blusa fica maravilhosa
em você porque interage com as linhas do seu rosto, corpo e cabelo de uma
forma a comunicar uma mensagem que está completamente alinhada com a
sua personalidade, mas nunca vai comunicar a mesma coisa quando você
colocar naquela cliente que tem características físicas e comportamento tão
distantes do seu. Acho que isso já ficou claro quando a gente discutiu sobre a
importância e os impactos da empatia nesse trabalho, né?

O que me motiva
Nem sempre eu tive essa visão tão clara. Das 3 respostas, eu sempre
estive mais para o lado do “eu gosto de moda”, mesmo que a minha pegada
nunca tenha sido acompanhar fervorosamente todos os desfiles e revistas.
Eu gosto da estética da coisa, do belo, das possibilidades. Mas,
conforme os anos foram passando, eu descobri que eu gosto do que se
esconde por trás disso - não à toa, fui parar em um curso de pós-graduação
em Sociopsicologia.
Eu gosto da história, do que cada tecido, cada forma, cada cor e cada
textura representa. Seja num contexto social, político e até econômico, mas
principalmente, individual.
Eu gosto das entrelinhas. De transformar o subjetivo em concreto. De
despir minhas clientes de tantas informações externas desnecessárias (use
isso!, compre aquilo!, fuja daquele outro!) e vesti-las de si mesmas. Revelá-
las. Fazer isso de um jeito que conte pro mundo de sua alegria, de sua
espontaneidade, generosidade, ousadia, coragem e o que mais de interessante
elas tiverem para acrescentar.
Depois de anos trabalhando, percebi que eu gosto mesmo quando vejo
aquela cliente que se escondia atrás da calça jeans, tênis e moletom preto
ostentando uma bolsa laranja que escolhemos juntas, e me falando que a peça
nem parece tão colorida assim depois de poucos dias de uso. De tão
acostumada que está ficando, de tanto sentido que aquilo fez na vida dela ao
assumir quem realmente é.
Me motiva ouvir daquela cliente que me procurou desesperada porque
se olhar no espelho era um martírio, mas que agora ela se encontra nele,
finalmente - especialmente quando nem tinha um espelho de corpo inteiro até
que eu explicasse a importância dele para o nosso trabalho juntas.
Ou da outra que comprava compulsivamente, inclusive cores
diferentes das mesmas peças e tinha armários repletos em 3 cômodos
diferentes da casa, contar que agora tem apenas um armário de duas portas e
isso não só basta, como se sente plena.
Eu gosto das possibilidades. De ver que o ser humano é mutável e que
a gente pode ser tantas coisas, as nossas melhores versões para cada momento
da vida, mas sem se distanciar da nossa essência.
Eu gosto das pessoas. De conhecer histórias incríveis, gente
inspiradora, mulheres e homens que têm algo a me acrescentar e que me
tiram da minha zona de conforto, me desafiam e tornam a minha vida muito
mais rica.
Isso é o que me motiva. É encontrar a pessoa que vai dar vida para
aquela blusa maravilhosa que eu vi na arara, não o contrário.
É claro que a sua motivação não precisa ser a mesma que a minha,
mas precisa ir além do seu lado consumista, de um movimento efêmero ou do
seu ego. Porque no fim do dia, você vai fazer a diferença na vida de muitas
pessoas!
Se você quer saber mais sobre…
Como a moda funciona:
Leia “Inventando Moda”, da Doris Treptow. O livro é focado em
planejamento de coleções, mas ela dá um belíssimo panorama de como o
mercado e as tendências funcionam.
Por falar em tendências, no livro “A moda”, que a Erika Palomino
escreveu para a série “Folha Explica”, ela também dá um panorama legal
sobre o último século. Além de baratinho, é o típico livro que você consegue
ler em menos de 1 hora.
Outro clássico é o livro “Engrenagens da moda”, da Daniela Dwyer,
em que ela cobre a parte mais business do mercado e explora sobre as
funções de cada profisisonal da área de moda.
Se tiver afim de uma leitura mais aprofundada, corre para o
“Império do Efêmero”, do Gilles Lipovetsky. Uma leitura necessária para
todo mundo que trabalha com moda, roupas ou consultoria.
Uma recomendação menos comum, mas igualmente boa, é o livro
“Vítimas da Moda? Como a criamos, por que a seguimos”, do Guillaume
Erner.

Desfiles de moda:
Leia o livro “Como fazer um desfile de moda”, da editora de moda e
analista de tendências Estel Vilaseca. Traduzido e publicado no Brasil pelo
SENAC, o livro é bem completo e didático.

Betty Halbreich, seu trabalho e suas dicas:


Você pode seguir a sequência em que os livros foram publicados ou
não - eu mesma li ao contrário.
“Secrets of a Fashion Therapist: what you can learn behind the
dressing room door” é o primeiro livro dela e uma espécie de guia de estilo.
Embora Betty tenha receios com a área e não tenha estudado consultoria de
imagem (o seu conhecimento pré-Bergdorf vem do fato de ter nascido e
casado na alta sociedade americana em uma época em que as mulheres
matavam seu tempo fazendo compras), vale muito a leitura. Infelizmente, não
foi publicado no Brasil mas está à venda em e-book.
“Um brinde a isso - uma vida dedicada ao estilo” é a sua biografia,
publicada recentemente. Explora bastante da sua história de vida, infância,
casamento, depressão e até tentativa de suicídio, antes de construir sua
carreira inspiradora, mas fala também do seu relacionamento com clientes e
de como o departamento de personal shopper foi criado.

Como funciona a moda no varejo - o outro lado da moeda:


Leia “Comprador de Moda”, do Eduardo Ferreira Costa, publicado
pelo SENAC. O livro é voltado para compradores de moda dentro do varejo,
então dá pra entender qual é a lógica que as empresas seguem para
determinar o que será vendido em uma coleção e como os preços, descontos
etc funcionam para criar mais estratégias para o seu trabalho de personal
shopper.
Se você fala/entende inglês, outro livro interessante para entender o
lado de quem vende é o “Store design and Visual merchandising - creating
store space that encourages buying” de Claus Ebster e Marion Garaus,
publicado pela Business Expert.
Capítulo 3
Como se tornar uma consultora de imagem

Se você abriu este livro por se interessar pela área, mas não sabe
exatamente por onde começar, este capítulo foi especialmente pensado para
você.
Antes de se enfiar no primeiro curso que aparecer, é legal saber que
planejamento é fundamental.
Aqui eu não me refiro apenas ao planejamento financeiro (cursos,
livros e materiais dessa área não são baratos), mas também ao planejamento
do seu tempo. Ainda que faça cursos intensivos, você vai precisar de tempo
para estudar, aprofundar essas informações e, principalmente, para praticar.
O tempo para ter o retorno de investimento depende de inúmeros
fatores, mas vale considerar que uma empresa leva pelo menos 2 anos para se
estabelecer. Por ser uma profissão recente, a demora na área de consultoria de
imagem, mais especificamente, pode ser de 3 a 5 anos.
Um bom jeito de começar é trabalhando em meio período,
conciliando com outras atividades (já que vai precisar atender em horários
alternativos, de qualquer forma) e aumentar sua disponibilidade aos poucos.
Caso resolva se dedicar a isso em tempo integral logo de cara, é legal
fazer aquela poupança de emergência para os meses mais fracos, até que o
seu negócio comece a pegar tração.
Deu pra perceber que estabelecer metas e ter perseverança e
paciência para atingi-las é a chave para ser bem sucedido, né? Um consultor
de imagem é um profissional autônomo e seu sucesso depende unicamente do
seu esforço.

O que estudar
Tendo isso em mente, nunca é demais lembrar que tanto o personal
stylist quanto o consultor de imagem trabalham, em primeiro lugar, com
pessoas. Por isso, o primeiro passo é entender sobre as características físicas
(corpos, proporções, rostos, cabelos e cores) e “psicológicas” (preferências,
estilo de vida, gostos).
Se você quiser aprofundar seus estudos além do trabalho de personal
stylist e seguir pelo viés da consultoria de imagem, saiba que esta envolve
mais comunicação não-verbal do que moda. A moda é importante, mas é
apenas um suporte que oferece as ferramentas necessárias para que o
consultor construa a imagem mais adequada para seu cliente. Ou seja,
conhecer tendências e propostas de moda é relevante, mas mais importante é
entender de linguagem visual. É saber exatamente o que cada cor, forma,
textura, linha e proporção comunicam.
Lembre-se: o ser humano é extremamente visual. Antes de aprender a
ler e escrever, a gente aprende a ver. Ainda na pré-escola, nosso
desenvolvimento é incentivado e estimulado por meio de imagens.
Aliado ao estudo de estilos e linguagem visual, também estão os
códigos de vestuário, que tanto a consultora quanto a personal stylist estudam
– o que sugerir para cada ocasião, quais os melhores materiais, acabamentos,
complementos e tipos de trajes.
Depois que você aprende a lidar com as características individuais,
com a linguagem visual e com os códigos para estudar o cliente e definir
estratégias específicas, é importante conhecer sobre materiais, modelagens,
acabamentos de vestuário e acessórios e entender os porquês de cada
proposta trazida pela moda.
Também é importante conhecer alguns processos, como edição,
organização e planejamento de guarda-roupa e compras, montagem de
lookbooks e o planejamento de malas eficientes.
Um curso de consultoria de imagem deve cobrir pelo menos o básico
sobre cada um desses aspectos, porque esse é o conteúdo essencial para se
tornar um profissional da área, mas pode (e deve) ser complementado com
especializações extras que vão depender da sua área de atuação.

Escolhendo um curso entre tantos


Conforme o mercado cresce, mais opções de cursos aparecem. O lado
bom é que você tem a chance de escolher aquele que faz mais sentido para o
seu perfil, mas também pode dificultar o início da sua trajetória se você tiver
dificuldade de escolher.
Em 1º lugar, leia atentamente as informações do site, que deve conter
a duração, conteúdo e metodologia. Não hesite em fazer perguntas. Se você
conseguir entrar em contato com o professor, melhor ainda!
Você deve se informar sobre os seguintes aspectos:

estrutura do curso

Por não ser uma profissão regulamentada, as cargas horárias e


estruturas variam consideravelmente. É possível encontrar desde cursos que
duram meses, acontecem por módulos (e que não seguem uma ordem
específica) e em salas cheias, até cursos intensivos que duram dias e são
individuais.
Todos possuem os seus prós e contras, por isso o mais importante
aqui é entender o seu ritmo de aprendizado. Você funciona melhor em uma
sala cheia, em que diversas experiências são trocadas, e possui
disponibilidade para frequentar as aulas por meses ou prefere seguir o seu
próprio ritmo, tendo a atenção do professor só para si e ainda não
comprometer tanto da sua agenda?

metodologia de ensino

Aqui vale considerar se o conteúdo é passado de forma


essencialmente teórica, ou se envolve exercícios práticos, ainda que com
clientes fictícios.
Os cronogramas também variam bastante. Vale checar se o curso
possui uma estrutura linear ou se não segue uma ordem específica - em
alguns cursos, quem se matricula entra automaticamente na turma e pega o
conteúdo que estiver sendo dado naquele momento, por exemplo.

como é o material de apoio?

Vale verificar se o curso é apostilado, se tem algum tipo de ficha de


apoio que possa ser usada como referência depois e o que está incluso no
preço da matrícula. Os materiais de análise cromática, por exemplo, são
vendidos separadamente, mas é legal verificar se existe algum tipo de
material usado pelo menos para consulta.
Alguns cursos dão apenas uma lista de livros recomendados e alguns
resumos, outros incluem apostilas mais completas e até livros de apoio no
material básico, mas isso varia muito.
Em geral, quanto mais informação melhor, mas isso também impacta
no custo do curso. É preciso entender o que faz sentido pra você e o que vai
servir apenas pra ocupar espaço na sua estante, se você não for dessas
pessoas que cria hábito de consultar os materiais de forma recorrente.

métodos de avaliação

O aluno desenvolve alguma espécie de projeto de conclusão de curso?


Existe algum apoio após o término das aulas?
Tudo isso vai impactar no quanto a informação é absorvida e será
utilizada mais pra frente. É importante entender a teoria e até praticar em sala
de aula na medida do possível, mas é bacana quando existe um apoio após o
curso para que você consiga dar os primeiros passos. Afinal, por mais
completo que sejam os exercícios em sala, quando você estiver sozinha com a
primeira cliente ainda vai ser um ambiente diferente.

conhecimento do professor

Avaliar a formação e a experiência do docente é essencial, mas


também é importante buscar por artigos de sua autoria, matérias em que foi
referência e qualquer material do gênero, para investigar se a informação
passada é coerente.
Também é bacana fazer isso para ver se a forma como essa pessoa
coloca as informações e os seus valores dialogam com o seu próprio jeito de
se comunicar e de absorver as informações que te passam.

Preciso fazer faculdade para exercer a profissão?


Essa é uma pergunta recorrente entre quem pensa em trabalhar com
consultoria. A faculdade de moda é válida porque vai garantir uma ótima
base para o consultor de imagem. Em geral, na faculdade de moda você já
aprenderá sobre a história da moda, tecnologia têxtil, técnicas de modelagem
e confecção, e outros assuntos que são indispensáveis para a formação de um
bom repertório.
Dependendo do curso escolhido (a ênfase de um curso de moda pode
variar de gestão comercial a design), você ainda desenvolverá competências
indispensáveis, como as administrativas.
Porém, como os conceitos de imagem pessoal (estilos universais,
linguagem visual, tipo físico e análise cromática) não fazem parte da grade
obrigatória de um curso de moda, geralmente não são abordados ou são
pouco explorados nestes cursos. Ou seja, mesmo que você seja graduada em
moda, ainda precisará fazer cursos de extensão e especialização em
consultoria de imagem para exercer um bom trabalho.
Esse foi o caminho que eu fiz. Comecei a estudar o assunto sozinha
(em livros e sites), antes mesmo da faculdade, e depois de graduada fui para
Nova York me especializar na área em cursos presenciais no Fashion Institute
of Technology. Quando voltei para o Brasil, complementei a minha formação
com o curso de Visagismo e sigo me atualizando por meio de livros e novos
cursos, sempre que possível.

Complementando o conhecimento básico


Embora em um curso de consultoria de imagem a gente entenda pelo
menos o básico sobre história da moda e uso dos materiais, por exemplo, é
interessante aprofundar o conhecimento em disciplinas complementares que
vão ajudar no dia-a-dia da consultoria. Como eu já tinha adiantado, algumas
especializações vão depender da sua área de atuação (se você quiser juntar
com organização ou maquiagem, por exemplo, é legal fazer cursos
específicos pra isso), mas existem cursos que são úteis para qualquer
consultor, não importa o nicho.
Aqui eu listo os que considero mais importantes:

história da moda

Na moda, nada acontece por acaso. Compreender de onde viemos e


para onde vamos é imprescindível. Mas o mais fascinante é ver que estudar
história da moda e entender a escolha das ombreiras femininas nos anos 80, o
uso dos espartilhos em séculos passados e até estudar a trajetória da calça
jeans são jeitos muito gostosos de ganhar fluência em linguagem visual. A
maior referência na área é o João Braga, mas outros bons profissionais estão
espalhados pelo país.

corte/modelagem e costura

Mesmo que trabalho manual não seja exatamente o seu forte, é


interessante frequentar um cursinho básico sobre o assunto para aprender
como as roupas são feitas. Esse conhecimento vai ser importante porque você
vai aprender o que pode e não pode ser modificado numa roupa, como avaliar
o caimento e também a verificar a qualidade e a durabilidade dos
acabamentos.
Existem várias escolas também, mas o SENAI e o SENAC costumam
oferecer cursos mais voltados para quem pretende se profissionalizar em
costura e modelagem. Então você vai aprender, por exemplo, como máquinas
industriais funcionam. Esses cursos costumam ser mais longos e técnicos, o
que significa que embora sejam a melhor opção porque você vai aprender a
avaliar o que encontra nas lojas, vão tomar mais tempo.
Já o SESI, em algumas regiões, oferece o curso de corte e costura – a
versão para quem quer aprender a costurar em casa, para si. Esse ainda é útil
para consultores de imagem porque é bem simplificado sem deixar de
oferecer conceitos que podem ser aproveitados na consultoria. O problema é
que as máquinas usadas são as caseiras e geralmente cursos de “corte e
costura” oferecem um método adaptado de modelagem, por meio de placas e
moldes prontos, como os de revistas - mas para quem quer ter apenas uma
noção, já vale bem a pena.

tecnologia têxtil

Conhecer a diferença entre as fibras, os processos de fiação,


tecelagem e malharia pode ser mais importante para quem trabalha com
desenvolvimento de produtos, mas não deixa de ser um bom apoio para um
consultor de imagem, já que isso vai ajudar a definir quais são os melhores
investimentos para cada cliente, de acordo com as suas atividades e
orçamentos.
Isso é especialmente importante caso queira atuar como personal
styler (o que cria roupas para clientes específicos, em vez de buscar em loja o
produto pronto) ou desenvolver uniformes para empresas de diversos setores.
Fora da grade das faculdades de moda, estes são um pouco mais difíceis de
encontrar. Para quem pretende estudar em Nova York, o Fashion Institute of
Technology oferece dois cursos fantásticos sobre o tema: Fabrication –
Everything you need to know e Advanced Fabrication.

visagismo

Nesse caso, eu recomendo apenas o curso de Visagismo do Philip


Hallawel, que inventou uma metodologia tão profunda de se trabalhar a
linguagem visual partindo dos estudos da face que é bacana aprender na
fonte. Recentemente, seu método também foi reconhecido como científico
pela USP.
O visagismo não vai te ajudar apenas a reconhecer a necessidade de
um corte de cabelo ou de outro tipo de intervenção estética, mas a trabalhar
as roupas que você sugere de uma forma muito mais aprofundada e completa.
No meu caso, o visagismo também foi especialmente útil para
aprender a lidar com cada cliente de uma maneira mais personalizada.
Consigo identificar com mais facilidade as pessoas que se interessam por
curiosidades, as mais pragmáticas, as céticas, as ansiosas e por aí vai. Isso me
ajuda muito na hora de pensar em como fazer cada recomendação.

Além da sala de aula


Antes e depois de fazer faculdade e cursos de especialização, eu
sempre li muitos livros e pesquisei informação em todos os sites que pude
para complementar meu repertório. Continuo fazendo isso até hoje e mesmo
depois desse tempo (conte aí uns 17 anos desde que comecei a estudar), ainda
encontro novos aprendizados todos os dias.
Mas por mais que eu adore ler e adore o ambiente escolar, não dá pra
dispensar a prática. Eu só consigo melhorar e reforçar o meu conhecimento
quando eu estou atendendo e lembro da informação que li em algum livro ou
que vi nas salas de aula. Por isso, ter algumas “cobaias” no começo é tão
importante, mas existem outras formas de exercitar.
Com o passar dos anos, se você torna um hábito pensar em imagem
como uma linguagem, acaba fazendo algumas coisas automaticamente.
Estilos, por exemplo, podem ser analisados em fotos, nas pessoas que andam
pelas ruas e que cruzam conosco a todo momento nos lugares que
frequentamos. Não perca essa oportunidade de observar e associar com
aquilo que você estudou formal ou informalmente.
A tecnologia se desenvolveu maravilhosamente e hoje existem
ferramentas como o Pinterest, que te ajudam a organizar informações de
forma bem visual. Você pode criar murais de apoio para os seus estudos
classificando estilos, tipos físicos, cartelas de cores, trajes e materiais, por
exemplo. As pastas de links salvos do Instagram também podem ser
organizadas como guias de referência. Se você for mais do tipo “old school”,
também pode fazer uma pasta física com recortes de revistas e anotações.
Quando visitar uma loja, tente exercitar seus conhecimentos
analisando as informações contidas ali. Público-alvo, estratégias usadas,
ocasiões em que aquelas peças são interessantes e por aí vai. Aproveite cada
oportunidade que tiver, não apenas os momentos com clientes reais, para
exercitar cada coisa que estudar.
Isso vale para quando já tiver anos de prática, também. Mesmo
quando a minha agenda está repleta de atendimentos, continuo exercitando os
meus conhecimentos e tentando identificar onde eles podem melhorar.
Se você quiser saber mais sobre…
A minha experiência no Fashion Institute of Technology
Em 2016, quando estive em NY mais uma vez, gravei alguns vídeos
pela cidade. Entre eles, um contando da minha experiência com o FIT - a
escola em que estudei em 2009 e 2013. Você pode acessá-los por aqui:
https://youtu.be/gID0hHPY82Q

Os cursos do FIT
Reserve um tempo (e talvez um pouco de paciência) para navegar
pelo site oficial.
Não se deixe enganar pela organização do site (que melhorou bastante
nos últimos tempos) ou por alguma burocracia desnecessária. Embora ainda
foque em um ensino muito mais tradicional, como as ferramentas clássicas da
consultoria, a escola ainda é uma das mais renomadas do mundo. O link é:
http://fitnyc.edu/.

Os meus cursos de formação profissional


Há alguns anos, ministro cursos de formação para quem quer entrar
na área e módulos avançados para profissionais. Você pode conhecer mais do
meu trabalho com consultoras de imagem pelo link:
http://www.ericaminchin.com/formacao/

Visagismo
Como contei no capítulo, a metodologia que eu estudei, uso e
recomendo é a do Philip Hallawell. Você pode conhecer mais sobre o que é o
visagismo e saber o cronograma de cursos em: http://visagismo.com.br/

Costura e modelagem
Pela internet, você vai encontrar muitos sites e canais interessantes.
Um dos sites mais antigos e bacanas é o SuperZiper, que mostra
diversas técnicas diferentes. http://superziper.com.br/
Se você se interessa por costura criativa e quer pegar afinidade com a
costura antes de se aprofundar em um curso mais técnico, que pode te ajudar
mais no trabalho, vale acompanhar também o trabalho d’A Costureirinha. O
canal dela é https://www.youtube.com/user/acostureirinha

Tecnologia têxtil
Mesmo antes de fazer um curso específico sobre o assunto, você pode
aprender um bocado por meio de livros. O que eu considero mais fácil e
ainda bem completo é o Tecidos, Histórias e Tramas, da Dinah Bueno
Pezzolo. Publicado no Brasil pela editora SENAC.
Capítulo 4
Abordagem com o cliente

A maioria dos cursos é bem mais focada em técnicas de avaliação e


estratégias de imagem do que no atendimento em si (e mesmo quando não
são, a gente entra buscando isso). Então, é bem comum que as dúvidas que
batem na hora de atender sejam mais de como lidar com as clientes do que
sobre como aplicar a teoria. Isso aconteceu comigo, com amigas, colegas e
até com algumas alunas, antes que eu me desse conta dessa falha. E
provavelmente acontece/ceu/cerá com você também.
Depois de quebrar a cabeça pra entender o motivo, eu concluí que
essa enxurrada de dúvidas na verdade é um sintoma e mais uma prova de que
a gente precisa voltar para aquela tecla tão importante da empatia. E também
pra minha palavra favorita neste trabalho: “depende”.
É um sintoma porque mostra uma vontade de enfiar todo mundo em
caixinhas e seguir a vida, porque assim é muito mais fácil, mas não existem
receitas prontas. Quando a gente está com dificuldade de lidar com a cliente é
porque está procurando uma receita certa e esquecendo que é mais importante
entender os ingredientes do que encontrar um resultado pronto. Até porque se
essas caixinhas realmente existissem, não haveria a necessidade de um
serviço tão personalizado.
E “depende” justamente porque ninguém é igual. Você pode atender
duas clientes com o mesmo tipo físico, estilos e cartela de cores, mas as
propostas que vai colocar pra elas podem ser completamente diferentes. As
rotinas não são iguais, a maneira como se percebem é diferente, assim como
seus temperamentos, suas experiências e todas aquelas sutilezas que fazem
com que todo mundo tenha algo de só seu pra trazer pro mundo. E, ainda que
a gente conseguisse encontrar duas pessoas que tenham até as vidas tão
similares que as propostas seriam parecidas, o jeito como a gente vai colocar
cada sugestão também pode mudar. Isso porque nem gêmeos “idênticos” são
totalmente iguais em seu estilo.
Pensar que “tudo depende” pode parecer que vai deixar o trabalho
mais complexo, mas na verdade é o contrário. É no depende que mora a base
de argumentação. Quando você usa a empatia e aprofunda a sua investigação
pra entender o que a cliente tá contando além das palavras, fica muito mais
fácil de entender e lidar com essas necessidades dela e com os “ingredientes”
da consultoria.

Por baixo dos panos


Essa vontade de aprofundar foi um dos motivos que me levaram a
procurar uma pós-graduação em Sociopsicologia. A roupa, o cabelo e a
maquiagem são só ferramentas. O que a gente lida, na verdade, é com o
comportamento, com o que é comunicado e o impacto dessas mensagens no
receptor. É com a forma que o indivíduo se relaciona em sociedade e consigo
mesmo.
E se a imagem inspira, porque define como o outro vai agir conosco, e
reflete, porque a gente também absorve todas essas informações que projeta -
a gente não pode tratá-la como algo tão superficial assim. Para ilustrar, retirei
dois trechos do meu trabalho de conclusão de curso (sobre as contribuições
da teoria psicanalítica para a consultoria de imagem), em que analiso alguns
depoimentos do livro Worn Stories e também a aparência como um sintoma.

Entendendo as relações com peças específicas


No livro Worn Stories, a artista Emily Spivack trata a roupa como um
“dispositivo de storytelling” (2014, pos. 126 de 2107) e reúne relatos curiosos
sobre as peças favoritas tanto de pessoas desconhecidas, como de artistas
renomados, como Marina Abramovic, Ela argumenta que “as roupas que nos
protegem, que nos fazem rir, que servem como um uniforme, que nos ajudam
a reforçar nossa identidade ou aspirações, que nós vestimos para nos lembrar
de alguém – em todas essas estão codificadas as histórias das nossas vidas”
(2014, pos. 138 de 2107).
Um desses exemplos é a camisa selecionada por Gerta Gerwirg, atriz
e cineasta. A camisa pertenceu a um rapaz por quem teve uma paixonite
platônica. Embora o rapaz nunca tenha correspondido da mesma forma e
nunca tenha ocorrido nenhum envolvimento físico entre os dois, ele deixou a
camisa sobre a cama dela, como um sinal de que ele sabia da atração dela por
ele. Gerta conclui a história contando que sempre usa a camisa quando
escreve, porque isso faz com que ela sinta que tem um segredo. Ela ainda
argumenta:
“quando você escreve, é bom ter um segredo, porque de certa
forma você tem. Você tem que nutrir o segredo até que outras
pessoas saibam sobre ele. Talvez, usar a camisa me conecte
com uma parte do meu eu mais jovem que era incrivelmente
emocional e vívido e esses sentimentos, combinados com esse
senso de ter um segredo, é como eu gosto de me sentir quando
escrevo. (GERWIG; apud SPIVACK, 2014, pos 205 de 2107)
Outro exemplo curioso dessa relação de itens que fogem do código de
vestuário esperado em um determinado armário é o do diretor e roteirista
Jonathan Levine. Sua peça escolhida é uma camiseta de um jogador do New
York Knicks que, para ele
“representava um paradigma de masculinidade e um tipo de
assinatura de raiva injustificada, mal concebida e imediata
com a qual eu, um rapaz judeu de 23 anos do Upper East Side,
me identificava completamente. (LEVINE; apud SPIVACK,
2014, pos. 697 de 2107).
Apesar de ser péssimo no basquete e ainda ter um problema no joelho
que o impossibilitava de jogar, Levine conta que comprou a camisa e se
identificava com o jogador de qualquer forma. Passou a usá-la em eventos
importantes nos quais teve sucesso, o que fez com que identificasse a camisa
como um amuleto, até uma situação profissional em que foi um fracasso e
parou de acreditar na camisa como um amuleto da sorte. Atualmente, Levine
declara:
“Então eu acredito que toda a coisa de “peça de roupa da
sorte” é meio tola. Eu gostava desta camisa por causa da
forma como ela me fazia sentir e por causa do que aquilo
representava, não porque tinha poderes mágicos
Considerando apenas o aspecto prático da consultoria, a abordagem
comum seria: se isto não está dentro da linguagem que você precisa usar, não
deveria estar em seu armário. Mas, como tirar a relação que uma escritora
tinha com aquela peça que remetia a um momento de sua vida e fazia parte de
um ritual ou ignorar a pista de uma peça de roupa que, aparentemente, não
tem nada a ver com a personalidade e necessidade de uma pessoa, sem
investigar os motivos pelos quais ela se sentia bem naquilo mesmo assim?
Se o amor é uma forma de narcisismo, afirmação feita por Freud e
explicada por Geraldino ao colocar que “quando namoramos, nos
apaixonamos, nos casamos, não amamos o outro propriamente, mas aquilo
que é nosso e que vemos no outro” (2014, p.82), não caberia investigar, no
primeiro caso, por exemplo, qual a parte de Gerta ela via no outro e,
especificamente, naquela camisa- e que ela sentia necessidade de resgatar em
seu ritual de escrita? Ou, no segundo caso, o que aquela camiseta, daquele
jogador específico, poderia dizer do ideal de Eu de Levine? Das regras
morais e identitárias pelas quais se rege?

Estilo/aparência como manifestação sintomática


Ao longo de anos de trabalho e, posteriormente, da minha pós-
graduação, me ocorreu a possibilidade do estilo, no que diz respeito à
aparência/moda/vestuário, ser entendido como sintoma que aparece no campo
social, como distingue Sidi Askofaré:
(...)sintomas que aparecem no campo social ou se se prefere
dos fenômenos sociais que podem ser analisados, decifrados e
mesmo tratados como sintomas: greves, religião, desemprego,
guerras, motins, revoltas, etc...(...) (1997, p.182).
Isto me pareceu coerente tanto quanto no que diz respeito apenas ao
sujeito, como no coletivo.
A gente pode pensar no coletivo, inclusive com o exemplo dos Punks
e dos Sappeurs. Mas neste trabalho de conclusão de curso, eu me limitei ao
individual, levantando o exemplo do jovem de família tradicional que usa os
cabelos longos, barbas, tatuagens, roupas desbotadas, piercings e outros
símbolos que contrariam as crenças de sua família conservadora. Ou da
funcionária que, apesar do uniforme e do código de vestuário rígido da
empresa, usa elementos pontuais para reafirmar sua identidade, como unhas
coloridas em um ambiente que não as permite, ou um enfeite de cabelo,
brincos e outros acessórios que demonstrem uma tentativa de reduzir sua
alienação, reassegurando para si e para seus interlocutores que não é apenas
um número, apesar do uniforme impor a ideia de que a identidade da
corporação é maior e mais importante do que a daqueles que a compõem.
Também da pessoa que, tentando resgatar ou sair de um relacionamento,
passa a investir em elementos que remetam a uma postura mais sensual e
reafirmar a sua posição como objeto de desejo. Enfim, as manifestações da
aparência como uma forma de ir contra um ambiente em que se insere, de
denunciar uma insatisfação com ele, de se rebelar contra uma suposta
tentativa de opressão.
Da mesma forma que considero essencial o entendimento de itens
específicos do armário de uma cliente que não dizem respeito ao código
visual que faz sentido dentro dos objetivos aos que se propõe, que identificam
como seu eu ideal, também considero necessária a investigação do que
motiva essas espécies de rebeliões e o que isso diz de seu ideal de Eu. Neste
caso, a consultora precisa considerar que, embora não seja capacitada para
entender o sintoma, não pode desprezar a manifestação sintomática e
simplesmente colocar a cliente dentro de um padrão estético mais adequado
ao ambiente em que se insere, fazendo com que deixe de se reconhecer em
sua própria imagem.

Mitos pra passar bem longe


Já que a gente não pode sair enfiando todo mundo em caixinhas até
que não se reconheçam mais, vamos falar sobre alguns mitos idiotas dos
quais a gente precisa aprender a passar longe?

a. Só salto alto é elegante


Tá cheio de profissionais por aí querendo forçar as clientes a usarem
saltos, mesmo quando não levam o menor jeito para isso, porque “alonga,
afina e parece mais elegante”. Concordo que o salto pode, sim, melhorar a
postura, alongar as pernas e garantir um resultado mais sofisticado. Mas que
tal pensar que se a gente depende dele para garantir que a cliente pareça mais
“arrumada”, é porque talvez seja hora de voltar para a teoria e ler mais sobre
linguagem visual e ilusões de ótica?
Primeiro porque vale questionar de onde vem este conceito de
elegância (o feminismo pode te ajudar a entender um pouco disso). E também
porque, mesmo partindo deste conceito antigo, não tem nada mais
deselegante do que ver aquela mulher que não sabe andar de salto virando os
pés pelas ruas. Ou a outra que fica sentada com cara de triste, durante a festa
inteira, porque não consegue ficar de pé.
Sem contar as muitas mulheres que deixam de aproveitar por causa
disso e simplesmente largam o salto embaixo da mesa e vão sujar os pés na
pista… Se o salto é o que define a elegância e ele foi parar sob a mesa, por
qual motivo insistir nele?
Mais fácil aceitar que não dá pra enfiar nenhuma dessas mulheres, e
tantas outras, na caixinha do “use salto”.
Se isso ainda não te convence, recomendo uma busca no google por
duas das maiores referências de estilo de todos os tempos: Audrey Hepburn e
Jackie Kennedy/Onassis. Ambas viviam de sapatilhas e ninguém nunca
discutiu suas posições nas listas de “ícones da moda” e “mais elegantes” -
Jacqueline, inclusive, recepcionava bailes de gala na Casa Branca sem salto
algum.

b. Roupas masculinas são indispensáveis para transmitir autoridade


Oh, really? Eu poderia repetir a história toda do impacto que a
imagem tem no nosso comportamento, mas vou apenas te propor um
exercício: procure uma solução para aquela mulher extremamente romântica
que se sente super insegura em um terninho, porque simplesmente não se
reconhece no espelho e acaba não mostrando todo o seu potencial.
Volto a repetir: o nosso trabalho é ensinar pessoas a encontrarem suas
essências e adaptarem seus estilos para cada ambiente, ou seja, a encontrar
suas melhores versões para cada ambiente que frequentarem.
Antes de mudar totalmente o armário da cliente, pense em como
adaptar aquilo que ela tem ali. Como remixar as peças e fazer coordenações
que sejam delicadas, mas também firmes? A gente pode mexer em cor,
estampa, estrutura e uma série de coisas para atingir esses resultados sem ter
que enfiar todo mundo num terninho preto com uma camisa branca - cores
que nem ficam bem em uma porção de gente.

c. Se tava vestindo, tava pedindo


Esse é um assunto muito, muito sério.
Sim, eu acabei de falar, neste mesmo capítulo, que a imagem fala e
sobre como quando a gente se veste acaba determinando como os outros
agirão com a gente.
Mas veja bem, a gente determina com relação ao nível de
receptividade, também, se a pessoa nos percebe mais amigável ou mais na
defensiva, mesmo bruta. Isso é determinado se a gente conta, pela aparência,
se é mais criativona ou ponderada, se gosta de se destacar ou ter um papel de
maior observação, se se permite novas interações ou não… E, tá, dentre as
coisas que a gente conta pro outro, a gente fala sobre a nossa relação com o
corpo e a sexualidade também. A gente fala se a gente se permite se amar
mais, se a gente quer valorizar isso, se a gente quer chamar a atenção pela
beleza ou se o ponto principal é o conteúdo.
Mas, sabe o que a nossa imagem não fala, exceto por alguns
momentos em que isso foi acordado verbalmente?
“Eu quero ser destratada, agredida, violada” (de forma física ou
psicológica).
Se uma mulher usa uma saia mais curta ou um decote pronunciado
(ou ambos), ela quer, sim, mostrar pros outros essas partes que ela gosta tanto
em si mesma. É assim que ela se vê bonita – e, afinal, quem não quer se ver
bonito e se sentir desejado, né?
Aliás, se ela aparecer nua por aí, isso pode significar, sim, que se
sente plenamente confortável com o próprio corpo, que se sente bonita, que
se vê sensual e até que gosta de ser admirada. Mesmo assim, a menos que
uma mulher diga, explicitamente, que busca o interesse e o toque de um
cara, isso não dá a ele o direito de invadir o espaço dela.
Tanto essa ideia de que “olha o que ela tava usando” é absurda que,
se você passar alguns segundos no “But What Was She Wearing” (tumblr
que documenta a roupa que as mulheres usavam quando foram assediadas),
vai ver que a maioria das mulheres estava com o corpo muitíssimo bem
escondido quando foram desrespeitadas. Ou seja, como cantava Wilson
Simonal:“nem vem que não tem”.
Seja em texto, conversa com cliente, aula ou workshop, eu sempre
falo sobre como os elementos do estilo sexy precisam ser dosados (ou
retirados) nos ambientes profissionais em que o conteúdo é primordial. Isso
porque existem situações para tudo nessa vida e em algumas o que a gente
tem pra contar pros outros é mais importante do que as formas do nosso
corpo. No trabalho, por exemplo, o tempo que a gente passou estudando e
adquirindo experiência precisa vir primeiro do que o tempo que a gente
passou na academia ou o resultado daquela plástica nos seios.
Quando uma cliente fala que quer um relacionamento mais produtivo
e duradouro, mas sente que só se relaciona com gente de interesses
passageiros e superficiais, também rola uma recomendação de pensar em
formas menos óbvias de ser sensual, em jeitos de colocar pro outro que se
sentir bela é uma preocupação, mas tem tantas outras coisas que sustentam
seu corpitcho. O ponto aqui não é fazer com que a mulher vire uma freira e
esqueça sua sexualidade, nem que quando ela usa um decote ela tá gritando
para o mundo que quer sexo. O ponto é que ela quer que outras tantas
qualidades sejam percebidas e valorizadas.
Quando ela vai conhecer os sogrões, a gente também desaconselha
alguns modelitos e a lista de situações segue. Da mesma forma que a gente
desaconselha que uma mulher use um terninho corporativo se ela só quiser
sensualizar na balada e encontrar alguém pra curtir algumas horas. É uma
questão de adequação de necessidades e objetivos, apenas isso.
Vale lembrar que, como o Freud e o Lacan já cantaram a bola, o que
move a gente é o desejo. O Lacan, aliás, já falava que esse desejo aí nem é
nosso. É o desejo do Outro (o ambiente em que a gente se insere, a cultura
que nos é imposta, o modo, por quem e no meio de quais fomos criados, etc.
– ou seja, aquele/aquilo pelo qual fomos constituídos, porque a gente sempre
se constitui pelo Outro, até quem acredita nessas abobrinhas de “tá pedindo”
aí). Resumindo: meio que todo mundo deseja estar na posição de desejado.
Só que, pelo menos no meu breve contato com a teoria psicanalítica, eu não
vi nem o Freud, nem o Lacan e nem ninguém falando que o que move a gente
é a vontade de ser assediado.
E, olha, trabalhando com imagem, a gente vê que todo mundo
encontra uma forma de expressar isso. Tanto a menina que usa saia curtinha,
quanto aquele cara que se fecha em um casacão de couro. Eu já conheci
(inclusive alunas e clientes) mulheres que faziam parte de círculos religiosos
com várias restrições de vestuário, que têm aquela concepção de feminino
como recatado e submisso, e adivinha?
Analisando seus estilos predominantes, várias delas tinham como
estilo principal o sexy. Veja bem: o modo de vida partia da ideia de recato,
pudor e conservadorismo. Nada de decotes, nada de coisas curtas, nada de
roupa de “periguete que tá querendo” e, ainda assim, vários elementos que
projetavam que a sensualidade era algo extremamente valorizado em suas
personalidades. Elas também queriam se colocar na posição de desejadas.
Isso também era importante pra elas.

d. Pra se vestir bem, tem que ser magrinha/gostosa/ter o corpo “perfeito”


Na época em que comecei a escrever este livro, uma amiga que
também forma consultoras me contou que ouviu a seguinte pergunta em sala:
“Posso falar pra emagrecer?”
Passado o choque, me lembrei de ter escutado coisas similares, ainda
que de forma menos direta, em minhas salas também. E ainda de ter lido a
respeito em supostos “guias de estilo” bem famosos.
A resposta poderia ser bem curta: não, você não pode. Mas gosto de
convidar a reflexão, então vamos aos argumentos…
O primeiro motivo é porque é a roupa que tem que vestir a pessoa,
não o contrário. Em segundo lugar, porque por mais que a moda vigente na
sociedade tente te fazer acreditar: dá pra ser feliz e belíssima sem ser magra,
sim.
Mas eu entendo completamente esse tipo de questionamento, porque a
esmagadora maioria dos artigos sobre moda e imagem dá dicas de como
“alongar e afinar” a silhueta, disfarçar o quadril, camuflar o busto cheio e
por aí vai. Ignorando completamente as necessidades de comunicação de uma
pessoa, como ela se vê e qual o seu objetivo na vida.
Curioso é que em alguns livros americanos de consultoria (Looking
Good e The Pocket Stylist, só pra listar 2) o considerado corpo perfeito é o
triangular invertido, em que o busto e os ombros são valorizados e as pernas e
bumbum mais finos são exaltados - o que mudou depois de Beyonce, J-lo e
afins. Da primeira vez que estive em NY a estudo, também aprendi sobre esse
objetivo de harmonia corporal.
Enquanto no Brasil, a silhueta ampulheta reina como proporção
considerada ideal entre as consultoras, depois de anos vendo a história do
bumbum como preferência nacional.
Se a cliente expressar vontade real de emagrecer e por um acaso você
puder indicar uma nutricionista de confiança, isso até faz algum sentido. Mas
essa vontade nunca parte de você. Mesmo porque, na consultoria, a gente
trabalha com o que tem hoje.
Esse é outro ponto a se pensar, aliás. Particularmente, nem atendo
pessoas que estejam em fase real de emagrecimento, porque sei que as
necessidades e a maneira como a gente se vê muda muitas vezes ao longo
desse período.
Isso também vale para alisar cabelo, colocar silicone e qualquer outra
intervenção do gênero. Deixar seus preconceitos de lado pode não ser fácil,
mas questioná-los e desconstruí-los é extremamente compensador.
Uma das coisas mais fantásticas da consultoria é que ela te força a ver
beleza em todos os lugares, mesmo quando a própria cliente não vê.
Especialmente quando a cliente não vê.

Perguntas pontuais
Como falei no começo desse capítulo, as dúvidas mais frequentes que
escuto de alunas e colegas são com relação ao jeito de atender e como se
portar com a cliente. Por isso, para finalizar, vou listar as que considero mais
gritantes ou que são bem recorrentes por aqui.

a. Como fazer quando a cliente até entende o que você tá falando, mas
não aceita/adota?
Aqui entra um componente importante que não é tão falado em toda
sala de aula, mas que deveria, que é o timing pra colocar cada proposta. Por
exemplo, chega uma cliente com o discurso de que precisa parecer mais
adulta, mas ela não consegue abandonar aquela quantidade insana de babados
que povoam o seu armário. Por mais que ela veja necessidade de mudar isso,
ela se sente protegida de alguma forma por aquelas informações e não vai se
livrar delas facilmente. Você sabe que, objetivamente, pode ser melhor
reduzir esses babados aí, mas na prática não é bem assim que vai funcionar.
Você simplesmente não pode arrancar alguém da zona de conforto de forma
tão brusca. Aí vem o seu trabalho de entender como adaptar isso sem abrir
mão do objetivo, e nem prejudicar a cliente também. Requer muito jogo de
cintura, mas faz parte.
O jogo começa quando a gente entende que, apesar de ver todos
aqueles programas de “transformação” na TV, este é um trabalho de lapidar,
de revelar essências e não de mudar completamente a pessoa da noite pro dia.
Se a gente faz isso, atropela o processo e ela se retrai, em vez de se abrir
mais. Aí é importante usar tanto da empatia, quanto de outra coisa importante
que a gente não pode desconsiderar: a intuição.
Tem gente que acha que intuição é uma coisa mística, mas nada mais
é do que usar de mecanismos inconscientes, em sua grande maioria baseados
nas nossas experiências - exatamente como os que a gente considera para
trabalhar a aparência como mensagem. O Malcolm Gladwell chama isso de
“pensar sem estar pensando” e, no livro Blink, explica com exemplos
variados, baseados em pesquisas das áreas da psicologia e de economia
comportamental, como aquela impressão rápida nem sempre atrapalha e pode
ser tão importante quanto uma pilha de dados para analisar.
A sua intuição também pode ser usada para, em vez de tentar
convencer a cliente a usar uma determinada proposta antes da hora, tentar
entender o que essa relutância está te contando. Encontrar motivos pelos
quais ela se sente tão protegida por esses velhos padrões e o que você
realmente pode fazer por isso. O que isso te conta?

b. E quando a cliente questiona tudo?


Recentemente, uma colega me perguntou como eu lidava com clientes
que questionavam minhas propostas. Confesso que não me lembro de ter
passado por isso. Lembro de me perguntarem se cabia tal coisa que não
coloquei no dossiê ou se daria pra misturar de uma forma diferente as peças.
Dúvidas normais, mas não me lembro de alguém que contradissesse as
minhas sugestões.
Em princípio, pensei que isso era pura sorte, porque nunca descarto a
possibilidade de que isso aconteça um dia, mas depois pensei que não me
lembro de ter acontecido provavelmente porque sempre procuro me blindar
pela quantidade de informações, tanto na hora de entender quem é a cliente
quanto na hora em que estou montando meu dossiê, editando um armário ou
montando looks. Procuro sempre deixar claro pra cliente por quais motivos
sugeri X e não Y, e também aqueles momentos em que estou propositalmente
ampliando a sua zona de conforto. Ou seja, a informação certa é sempre
minha melhor amiga. Mesmo quando eu acho que aquilo vai parecer arroz-e-
feijão, eu procuro argumentar quando sinto que para a cliente parece uma
tarte tartin.
Outra coisa que eu faço sempre é me lembrar que eu não tenho bola
de cristal e não estou, nem preciso estar certa de cara, então não tenho
problemas em testar e refazer testes quando estou com dúvidas. Eu vejo
muita consultora apavorada achando que tem que acertar tudo logo de cara e
só assim vai ser uma boa profissional, especialmente com coisas mais
difíceis, como análise cromática. Acontece que as pessoas são caixinhas de
surpresa e a gente nunca vai encontrar o que precisa se não se abrir pra essas
possibilidades todas.
Depois de anos de trabalho, delimitei o meu processo de atendimento
e acho extremamente importante (por fatores que a gente vai discutir em
outro capítulo) que a gente defina um. Mas se o trabalho é com pessoas
totalmente diferentes, eu preciso ter certa flexibilidade.
Às vezes, sinto a necessidade de inverter a ordem das etapas porque
faz mais sentido para uma cliente, em outras crio exercícios novos no meio
do caminho, porque sinto que é aquilo que vai ajudar a trazer mais resultados.
Se a gente se abre pra todas essas possibilidades e aceita o fato de que toda
cliente é um aprendizado novo pra quem a atende também, fica muito mais
fácil aprender a lidar com elas.
(Aqui eu vou abrir um parênteses, com uma pegada meio hippie-
povo-de-humanas-vendendo-miçanga-na-praia, mas tenho um motivo. Toda
vez em que eu estou atendendo ou elaborando um material de cliente, eu faço
um exercício de autocura chamado Ho’oponopono. Pode parecer esquisito
se você não acredita em energia como eu acredito, mas é algo que me coloca
no mindset certo e me dá a humildade e confiança que preciso pra fazer o
melhor trabalho que puder.
O Ho’oponopono é uma prática de reconciliação e perdão e meio que
parte do princípio de que tudo pelo que você passa tem algum motivo, mas
que pode se curar e libertar deles. Não vou me alongar aqui, mas, seguindo
essa lógica, eu acredito que cada cliente me procura com uma dor específica
para qual a aparência é só um sintoma.
Eu acredito que cada pessoa me procura por algum motivo menos
racional do que “acompanhou meu trabalho e respondeu aos meus esforços
de marketing”, então eu faço uma das práticas do Ho’oponopono, que é de
pedir pra que eu consiga encontrar as ferramentas pra ajudar essa pessoa da
melhor forma que eu puder. Assim como eu o fiz enquanto escrevia esse livro
para você que está lendo agora.
Em tempo: eu não tô te contando isso porque acho que você tem que
fazer também! Conto porque eu acho que esse é um dos motivos pelos quais
eu consigo me abrir mais para o meu trabalho. Não a questão de energia em
si, o que só contribui porque eu acredito nela, mas pelo fato de me colocar
no estado certo. Porque eu acredito que o conhecimento teórico e a
argumentação me ajudam, assim como o timing, a intuição e a empatia, mas
esse exercício também faz parte do que funciona pra mim e achei injusto não
compartilhar para que você soubesse todos os ingredientes que uso. E
também para que pudesse pensar no seu repertório e no que dele pode servir
por aí.)
Com ou sem Ho’oponopono, eu sei que às vezes é difícil. Mas se a
cliente está questionando tudo o que você propôs, em vez de ficar brava com
ela ou se culpar por não ter atingido o resultado que queria, respire e procure
pelo que pode estar errado. É bem possível que algo esteja faltando aí - como
era o caso da minha colega, que não tinha percebido um estilo importante na
mistura da cliente. De onde eu vejo, é melhor refazer quando não se tem
certeza do que entregar algo que tá errado e ficar combatendo isso. Se a
cliente não está convencida, ainda por cima, ela não vai aproveitar o resto do
seu trabalho - o que é ruim para ambas.
O que me leva a outro ponto importante: a utilidade de errar
Antes de partir pra próxima pergunta, terei que levantar uma
polêmica: existe uma cultura do “estar sempre certo” que é extremamente
prejudicial. Acertar é bom, acertar incentiva a continuar e faz com que as
pessoas tenham motivos pra nos contratar, mas errar também tem o seu
valor!
Essa cultura é ruim por vários fatores. O primeiro deles é que acertar
sempre pode construir uma segurança que cega e, como no caso citado acima,
faz com que a gente queira se colocar como melhor que as clientes quando
apenas temos um conhecimento diferente.
Sabe aquela insegurança que trava e não deixa a gente sair do lugar?
Estar sempre super segura pode fazer com que a gente saia atropelando todo
mundo - e tome um capote muito maior por não ter visto aquele buraco
enorme na estrada.
O equilíbrio mora em aceitar que ambos têm seu propósito. A
segurança que te move, mas não em excesso, e a insegurança que te lembra
que você não é perfeita e que está tudo bem.
Quando dou exercícios, minhas alunas sempre comentam sobre o
medo de estarem errando. Eu não me canso de repetir que é ótimo quando
elas erram em sala ou nos seus primeiros atendimentos supervisionados. A
justificativa é também o segundo motivo pelo qual a “cultura do acerto” é
péssima: a gente aprende muito mais quando erra do que quando acerta.
Dando um exemplo que pode parecer besta, mas que ilustra bem o
que quero dizer: se eu te pergunto quanto é 3 + 1 e você me diz 4 sem nem
pensar, a vida segue e beleza. Mas se você me fala 3, a gente tem a
oportunidade de desconstruir a conta e descobrir por qual motivo 3+1=4 e
todas as outras possibilidades, como 2+2, 1+1+2, 5-1 e por aí vai.
Levando para o trabalho, se você montou um look e ele não tá
batendo com a teoria toda logo de cara, consegue voltar e desconstruir até
entender se foi uma linha mal posicionada, uma combinação de cores que não
harmonizou com a cliente e até descobrir que algo simples, como um levantar
de mangas, faz uma diferença absurda na busca pelo melhor resultado. É essa
prática que surge do erro que te faz corrigir erros futuros muito mais
facilmente, inclusive. Imagina acertar sempre e, de repente, errar
grotescamente? Você não vai nem saber por onde começar.

c. Como lidar com clientes super inseguras?


Acredito que a esta altura do campeonato já tenha ficado claro que o
problema sempre é muito mais profundo do que simplesmente não saber o
que vestir/como se colocar, né?
Por isso, acho tão importante perguntar para a cliente o que motiva a
procura pelo serviço antes mesmo de fechar o atendimento. A imagem
impacta no nosso comportamento e ajuda a acelerar processos, mas a gente
precisa saber exatamente onde pode mexer ou não. Mesmo tendo estudado
psicanálise, não me sentia devidamente capacitada para lidar com algumas
questões.
Com o passar do tempo, acabei acrescentando uma formação em uma
terapia alternativa que me habilita a lidar com isso - e também remodelei a
minha metodologia de trabalho, mas ainda analiso cada caso e reconheço as
minhas limitações (e quereres também!).
De forma geral, o que recomendo é que se a cliente já tiver feito uma
terapia ou pelo menos um coaching pra determinar os objetivos dela, tudo
bem. Dá pra seguir em frente com a consultoria.
Mas você vai precisar redobrar o jogo de cintura para descobrir novas
formas de quebrar a insegurança. E aí rola desde propor exercícios extra-
consultoria, para que visualizem ainda mais as possibilidades, até alguma
coisa não muito ortodoxa, como a experiência que contarei a seguir.
Em meus atendimentos, já propus pra clientes que passassem 30 dias
usando acessórios todos os dias, pra se acostumarem com a ideia antes de
gastar uma fortuna em um colar novo que poderia ficar parado na gaveta, ou
provar 3 blusas diferentes todas as vezes que usassem uma calça que
consideram particularmente difícil, mas que gostam e está totalmente dentro
do propósito… Coisas práticas e óbvias. Mas também já dancei funks de
letras bizarras antes de um lookbook com outra, que gostava de coisas
engraçadas e precisava se soltar para entrar no clima das fotos.
Obviamente, não faço isso com todo mundo, mas essa era uma cliente
que não tinha nem espelho em casa até fazer a consultoria - e um pouco de
humor às vezes é útil nesses casos mais tensos. O feeling é tudo nessa hora e
a gente só exercita e entende o que faz sentido pra cada uma quando se abre
pra essa possibilidade de sair um pouco dos processos pré-estabelecidos.
Se você quer saber mais sobre…
Como a imagem inspira e reflete:
Assista ao TED da Amy Cuddy, psicóloga social de Harvard, que tem
um estudo excelente sobre como a sua linguagem corporal pode moldar quem
você é. Disponível em inglês, com legendas em português, no
https://www.ted.com/talks/amy_cuddy_your_body_language_shapes_who_you_are?
language=pt-br
Procure o estudo da Joy V. Peluchette e Katherine Karl sobre o
impacto das roupas no nosso trabalho. ”The impact of workplace attire on
employee self-perceptions”, disponível em inglês no
http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/hrdq.1208/abstract
Leia o livro “Moda e Inconsciente - o olhar de uma psicanalista” da
Pascale Navarri, publicado no Brasil pela editora SENAC e o já citado “Worn
Stories” da Emily Spivack (disponível apenas em inglês, mas com e-book
vendido pela amazon).

As teorias de Freud e Lacan (e também sobre o conceito de desejo do


segundo):
Leia o livro as “12 lições sobre Freud e Lacan”, que é quase um
“psicanálise for dummies”, de autoria do Geraldino Alves Ferreira Netto e
publicado pela editora Pontes.
Também vale dar uma olhada no artigo excelente do Cleison
Guimarães, no Psicosaber. http://psicosaber.wordpress.com/2009/07/07/o-
desejo-e-a-essencia-da-realidade/

“A arte de pensar sem estar pensando”:


Leia o livro “Blink”, do Malcolm Gladwell. Traduzido e publicado no
Brasil pela Editora Rocco. Ou pelo menos dá uma busca pelo resumo dos
conceitos.

Ho’oponopono:
Baixe o e-book gratuito no http://www.hooponopono.ws/
Capítulo 5
Em casa de ferreiro

Tanto para quem está começando, quanto para quem já atua há algum
tempo, rola uma dúvida bem comum: como se vestir para atender?
Se você já se sentiu a pior consultora do mundo e quase abandonou a
carreira por se sentir uma fraude, já que não consegue aplicar a própria teoria
em si mesma, eu venho aqui para te contar um segredo que muita gente
jamais admitiria em sã consciência: toda consultora já passou por isso um
dia.
Pode ser até que passe novamente, já que todo mundo tem momentos
de mudanças na vida que fazem com que a gente questione absolutamente
tudo, incluindo o armário.
Sim, mesmo aquela que chegou no primeiro dia de aula falando que
resolveu ser consultora porque todo mundo dizia que ela se veste muito bem!
A Carol Davidson, uma das minhas professoras no Fashion Institute
of Technology, vivia repetindo: “toda consultora precisa de uma
consultora”. Ela não chegou a aprofundar o assunto nas aulas que fiz com
ela, mas depois de um tempo internalizando essa questão, eu finalmente
entendi o que ela queria dizer.

O resto é sempre mais importante.


Essa foi a primeira razão que consegui encontrar para o conselho da
Carol.
Na correria do dia-a-dia e na necessidade de garantir o “leitinho das
crianças”, a gente acaba não parando pra aplicar na gente o que ensina para
os outros.
O lance é que pra realmente fazer isso, é preciso sentar e fazer o
próprio atendimento de cabo a rabo: questionário, edição de armário numa
tacada só e até montagem de dossiê e lookbook. Aliás, ficam aqui os meus
parabéns se você pode dizer que realmente sentou e montou pra si
exatamente o mesmo dossiê que monta para as suas clientes!
É claro que a gente acaba absorvendo e aplicando uma coisa ou outra
no cotidiano, na hora das compras e de compor um look, mas fazer todo o
processo é justamente o que ajuda a manter o foco. E quando finalmente
sobra tempo, ou a gente esquece ou dá uma baita preguiça.
Convenhamos, a menos que a situação esteja bem crítica e você tenha
muita disposição, é isso o que acontece: se você tem 40h pra gastar em si,
você provavelmente encaixa uma cliente nova na agenda (e garante mais
algumas contas ao final do mês), ou vai tomar aquela cerveja com os amigos,
ver um filme, ler um livro e descansar, porque você também merece um
descanso.
Sem contar as desculpas… você diz que não pode medir seu tipo
físico sozinha, analisar suas cores e que é difícil se fotografar . Mesmo que
tenha alguém na sua casa ou até uma amiga que possa tirar as suas medidas.
Mesmo que exista uma coisa chamada espelho e que até câmera de celular
tenha timer, controle, tripé e “pau de selfie”.
Aí você promete que vai fazer no próximo feriado, nas férias ou até
distribuir esse tempo em algumas semanas. Mas a vida segue e você só
lembra disso nos momentos de desespero - bem aqueles em que vai atender
uma cliente toda especial, dessas que muda a nossa trajetória de trabalho
porque pode indicar muita gente, e entra em pânico.

É mais fácil cuidar do umbigo alheio


Esse é outro motivo importante. Olhar pra si é, desculpe-me pelo
termo, bem foda. Por isso mesmo a gente precisa de um olhar externo e
confiável.
Imagina um psicanalista tentando se analisar sozinho? Ainda que para
ele seja mais fácil do que para uma pessoa que não estudou bulhufas sobre o
assunto, vai rolar uma limitação do próprio inconsciente que ignora seu
beijinho no ombro, recalca1 legal e boicota o processo todo. E apesar da
consultoria não ser análise e em geral ser bem menos profunda, ainda envolve
autoconhecimento - um prato cheio pra acontecer dessas situações também.
Some aí a questão do repertório: a gente é tão acostumada a olhar para
aquele armário todo santo dia com as mesmas neuras, que acaba precisando
de alguém com um olhar externo, que não tenha o nosso ponto cego, para dar
aquele twist na coisa toda.
O melhor exemplo de ponto cego que eu consigo imaginar aconteceu
com uma aluna.
No meu curso completo de formação, eu sempre simulo um lookbook
para que aprendam o processo e também abram um pouco a cabeça quando a
gente mexe nas peças que elas já têm e levam pra aula. Uma vez dei aula pra
uma querida que tinha uma boa experiência com styling (ela não tinha
formação em consultoria, mas por anos fez um trabalho bem próximo do
personal styling), era bem consciente do próprio estilo e era toda modernosa,
ousada, vanguardista. O que as revistas de moda amam chamar de edgy.
Cheguei na aula já comentando com ela que explicaria mais sobre o
processo do que ensinaria a montar looks muito diferentes, já que ela já tinha
essa experiência e era bem ousada com os próprios looks, então eu achava
que não acrescentaria muitas coisas. Ainda assim, consegui propor várias
coordenações com as peças dela que me pareciam óbvias e faziam super
sentido para a sua personalidade, mas que ela nunca tinha imaginado antes.
Isso provavelmente estava no seu ponto cego.
Por esse motivo, se você não tem uma sócia, sugiro que você procure
alguém com quem sinta afinidade e que tenha um entendimento similar da
profissão para confiar a ela o trabalho de definir estratégias para a sua
imagem. Pode ser em conjunto, claro, mas vai ser muito mais fácil com
alguém usando um método pra tirar daí aquilo que tá escondido e é tão
necessário para encontrar a sua identidade visual.

A sua melhor versão para aquela ocasião


Respondendo a pergunta que abriu esse capítulo de uma forma bem
mais direta e que vai funcionar independentemente de fazer uma consultoria:
vista a sua versão adaptada para a personalidade da cliente.
Por exemplo, eu tenho um lado bem criativo, colorido e solto, ao
mesmo tempo que eu gosto de liberar a força do meu lado dramático em
alguns momentos. Acontece que muitas das minhas clientes me contratam
por estarem totalmente perdidas e sentirem medo de ousar - eu já atendi
pessoas tão retraídas e traumatizadas com as questões da própria aparência
que chamam a consultoria de “tratamento”.
Por isso eu jamais me vestiria de “Érica no seu melhor” para atender
pela primeira vez uma pessoa com esses traumas. No mínimo, teria que rolar
uma adaptação ao que uma pessoa com esse perfil espera de mim e da
consultoria.
Primeiro porque eu não quero que ela pense que, porque eu tenho uma
calça pink, ela, que só tem calças jeans e blusas pretas, vai acabar vestida da
mesma forma ousada de uma hora pra outra - uma forma que nunca vai
conseguir manter sozinha.
Segundo, e principalmente, porque não se trata de mim. É claro que
eu não vou usar um uniforme tradicional e caretinha, se ela espera alguém
que se destaque de alguma forma, que “tenha estilo”. Mas eu não posso me
vestir de uma forma tão diferente que o meu discurso cale o dela.
Aqui a gente volta para a velha história de como é bom que você se
vista bem, isso é importante, mas não é você que tem o foco naquele
momento.
Na prática, vale bater um papo com a cliente pelo telefone ou
vídeoconferência pra sacar um pouco de como ela é antes de encontrá-la
pessoalmente. Qual a profissão dela? O que motivou a fazer a consultoria
agora? O que ela te conta, nas entrelinhas, sobre o que ela pensa de moda e
imagem? É uma pessoa que te procurou pra saber das “últimas tendências”
ou é uma advogada que precisa parecer mais madura e confiante no trabalho?
A primeira vai esperar que você se coloque com um pouco mais de
ousadia, já a segunda provavelmente espera alguém mais alinhado,
sofisticado e atemporal, por exemplo.
É claro que você não tem que se anular - mesmo porque dificilmente
uma cliente vai te contratar do nada, sem olhar fotos e vídeos em que você
apareça, pra sacar se você tem um estilo muito distante do dela. Mas esse
ainda é um cuidado importante para facilitar o atendimento.
Lembre-se do fundamento do nosso trabalho: imagem é comunicação
e quando a nossa primeira impressão não é a esperada, a gente vai ter que
gastar uma bela energia para provar o contrário e se alinhar com as
expectativas da cliente. Na maioria das vezes, a gente nunca vai se alinhar
totalmente.
E imagina passar por todo um processo de consultoria tentando
alinhar a primeira impressão que a cliente teve de você com a expectativa que
ela tinha pro serviço? É uma eterna brincadeira de gato e rato: ela procurando
a justificativa para o desconforto que sentiu, mas não sabia exatamente como
explicar (o velho “o santo não bateu”) e você tentando fazer com que veja
quais as propostas que mais se adequam ao que ela listou como objetivo.
Então, quando estiver se arrumando pra encontrar sua próxima
cliente, comece se questionando sobre como você se sente naquele dia e
como precisa ser percebida antes mesmo de abrir as portas do seu armário.
Capítulo 6
Ganhando dinheiro

Mesmo quando a gente é excelente na nossa profissão, ainda tem que


aprender sobre uma parte importantíssima pra fazer a grana entrar: vendas.
Olha, eu não sou a maior fã disso aí, não. Vou ser bem sincera e
assumir que eu já disse muitas vezes que sou uma péssima vendedora. Só
comecei a mudar quando percebi que isso acontecia por causa de toda uma
família de crenças limitantes (aquelas coisas em que você acredita piamente,
mesmo que não sejam verdade, e te impedem de avançar na vida) e resolvi
me livrar delas.
Eu amo o meu trabalho, eu tenho confiança no que eu faço (sei que
sempre posso melhorar, mas reconheço o meu potencial) e adoraria que as
pessoas simplesmente chegassem até mim e comprassem o meu serviço sem
que eu tivesse que lidar com a minha timidez pra fazer networking, convencê-
las do meu valor e blábláblá… Fadiga!
Mas a verdade é que a gente tem que desenvolver essa parte, sim! Ela
é importante e sem ela a gente não pode trabalhar com o que realmente gosta.
As pessoas não possuem bola de cristal e elas não vão te contratar sem que
você conte para elas sobre o que faz e dê a elas um ótimo motivo para
começarem o processo de consultoria.
Não se esqueça que, ainda que valha cada centavo, o que oferecemos
não é um serviço barato. E mais do que pelo seu currículo (que uma cliente
padrão não vai ter lá muita base para analisar), você está sendo contratada por
afinidade. Pelo quanto essa pessoa se reconhece no seu discurso, na sua
maneira de lidar com ela e naquilo que você oferece.
Ninguém compra nada por precisar. A gente compra por querer - o
desejo até cria as necessidades. Do contrário, poderíamos simplesmente
comer arroz, feijão e bife todos os dias, sem nunca comer qualquer outra
comida, porque o arroz, o feijão e a carne supririam a nossa necessidade de
alimento (para algumas pessoas, nem a carne!). Também não teríamos tantas
marcas oferecendo cada uma dessas coisas.
Esse ato horrível
O problema é que pra muita gente ganhar dinheiro é feio. Pra uma
parcela igualmente enorme, ganhar dinheiro é até sinônimo de picaretagem.
Essas mesmas pessoas também acham que vendedores são chatos, ficam
empurrando coisas que não precisamos, são mentirosos e uma série de outros
argumentos que eu também acreditava - consciente ou inconscientemente.
Lembra que eu falei de crenças limitantes?
Primeiro que isso não é verdade. Ganhar dinheiro só é feio quando
você precisa fazer isso explorando e tirando vantagem do outro. Vender
também não é enganar - se fosse assim, máscaras não caíriam para quem
mente.
E mesmo que fosse, lembre-se de como tudo tem seu lado B.
Por pior que seja a sua visão sobre “vendas”, você provavelmente irá
concordar comigo que é justamente ela que faz com que o seu trabalho
alcance muito mais gente e cumpra aquele objetivo nobre de ajudar as
pessoas.
Outro ponto é que a venda vai muito além do ato de convencer
pessoas a comprar. Ela começa na descoberta das suas possibilidades, passa
pela forma como decide estruturar isso até chegar na precificação e
divulgação.

Comece pelo significado


Mas, antes de continuar essa linha de raciocínio e até de sair por aí
devorando livros e fazendo cursos sobre técnicas de vendas, você precisa
olhar pra dentro.
Ganhar dinheiro é relativo. O dinheiro em si é só uma moeda de troca,
mas os motivos para ganhar (ou deixar de) variam de pessoa pra pessoa. O
filósofo John Armstrong conta que dinheiro pode significar uma série de
coisas, entre elas “status, segurança, sucesso, vingança, salvação,
superioridade moral e até culpa”, só pra começar a lista.
Segundo ele, não adianta ficar fazendo planilha atrás de planilha se
você não for até a raiz do problema e se entender com ela. Isso quer dizer que
é preciso não só encontrar o significado que você dá pro dinheiro, mas os
seus objetivos (comprar uma casa, viajar, pagar a escola dos filhos etc). É
preciso encontrar quais outros ingredientes, além do cash, você precisa pra
obter essas coisas e, principalmente, o quanto o dinheiro realmente contribui
para que sejam conquistadas.
Por exemplo: eu gosto de viajar. Um dos principais motivos pelos
quais eu quero ganhar dinheiro é a minha vontade de conhecer o máximo que
puder deste mundão-de-meu-deus (objetivo). Além da bufunfa pra pagar pela
viagem, eu preciso de tempo e de disposição pra fazer isso (ingredientes).
Se uma razão implícita fosse o status que viajar pode trazer, eu
precisaria ficar num hotel maravilhoso, no melhor bairro da cidade. Mas se
for só pra conhecer, um hostel mil vezes mais barato pode servir. Ou até uma
troca de casas, em que eu não preciso gastar um centavo a mais com
hospedagem além do que já gasto com a minha própria moradia
(contribuição).
O inconsciente é um bichinho esquisito, como já conversamos antes, e
fazer esse e os outros exercícios de investigação que o John propõe no livro
“Como se preocupar menos com dinheiro” é bem surpreendente. Que tal
anotar pelo menos os seus objetivos, os ingredientes e a importância do
dinheiro antes de partir para a próxima etapa deste capítulo?
Você pode baixar um material de apoio para este livro em
http://www.ericaminchin.com/manual-workbook

Possibilidades de trabalho
Agora que você entendeu a importância de reconhecer como funciona
a sua relação louca com o dinheiro, a gente já pode falar de uma forma mais
objetiva, né?
Como eu já tinha cantado a bola, o processo de vendas começa no
momento em que você reconhece as oportunidades.
As básicas para quem estuda consultoria de imagem são consultoria
individual, em grupo (palestras, workshops) e consultoria corporativa.
Cada uma delas pode ser estruturada de várias formas, mas
basicamente envolvem criar (ou dar ferramentas para que a pessoa crie)
estratégias visuais de acordo com as necessidades individuais e sociais de
uma pessoa ou empresa. Eu vou discutir como estruturá-las mais adiante
neste mesmo capítulo,
Já as consultorias em grupo podem acontecer em formatos de
palestras e workshops em que um ou mais temas relacionados à aparência
podem ser discutidos (tipo físico, estilo, acessórios, cores, guarda-roupa
corporativo etc.).
Ainda que você tenha uma boa rede de contatos e isso ajude bastante,
esse é um recurso que pode se esgotar com alguma facilidade. Então, uma
coisa que vai alavancar o seu trabalho é o seu diferencial. E isso você só
encontra quando olha para outras habilidades extra-consultoria de imagem.
Embora o mundo seja bem grande e dificilmente o mercado de
consultoria vá se saturar tão cedo, já que esse é um trabalho bem
personalizado e pouco escalável, encontrar o seu “oceano azul” é importante
para que a tarefa de se estabelecer no mercado se torne mais fácil.
O conceito de Oceano Azul foi criado pelos autores W. Chan Kim e
Renée Mauborgne, que acreditam que se você simplesmente tenta copiar os
seus concorrentes em vez de olhar para o que pode acrescentar de diferente,
basicamente vai navegar em um oceano vermelho de sangue onde os tubarões
ficam atacando uns aos outros e ninguém progride. “Em um oceano azul, a
competição é irrelevante, porque as regras do jogo estão esperando para
serem criadas”.
Segundo os autores, você pode começar investigando o seu oceano
azul ao se fazer 4 perguntas importantes sobre o mercado em que atua:

Quais os fatores que a indústria negligencia que poderiam ser


eliminados?
Quais os fatores que poderiam ser reduzidos para bem abaixo dos
padrões da indústria?
Quais fatores deveriam ser ampliados para bem acima dos padrões?
Quais fatores poderiam ser criados e que a indústria nunca
ofereceu?

Para não me estender muito e fugir do propósito deste livro, vou falar
apenas do último ponto. Pensa comigo: o que você tem para oferecer que
ninguém nesse mercado oferece ainda ou que até oferece, mas não tem a
mesma facilidade que você?
Eu sei. A primeira coisa que vai acontecer imediatamente depois que
você pensar em como pode inovar é o pensamento "mas alguém já fez isso".
Existem alguns tipos de meditação em que você simplesmente observa os
seus pensamentos, então siga esse princípio quando esse “alguém já fez”
aparecer: deixa vir, deixa ir. Não discute, não alimenta. Segue teu instinto.
Certa vez, vi a Elizabeth Gilbert (autora dos best sellers "Comer,
Rezar, Amar", "Comprometida”, “A Grande Magia” e outros livros) falando
sobre isso e ela defendeu que, realmente, se a gente for considerar todos os
anos desse mundo, a nossa ideia provavelmente já foi feita.
Mas, e aí é a sacada dela: isso ainda não foi feito por você. Se você
mostrar a mesma ideia pra pessoas diferentes, mesmo que seja realmente
inovadora, cada pessoa vai falar que claramente rolou essa referência aqui, ou
foi inspirado naquele outro livro e naquele filme ali... Porque, segundo a
Gilbert, a gente tá emprestando dos outros o tempo inteiro. Ela inclusive usa
Shakespeare como exemplo de alguém que emprestou histórias para criar as
suas e hoje milhares de autores ainda emprestam ideias dele também.
O que não quer dizer que por isso você pode copiar fielmente o
trabalho alheio, tá? Isso, aliás, é um desrespeito com todo o seu repertório
que será desperdiçado em função de uma visão totalmente diferente.
Inclusive, eu sou uma grande defensora de creditar cada uma das ideias que
constituem a sua metodologia ou as coisas nas quais você se baseia!
Mas o ponto aqui é que você apenas perca o medo do "isso já existe".
Existe, e daí? Já existiu sob o seu ponto de vista?
Faça como a própria Elizabeth Gilbert diz: adicione algo a essa pilha.
Algumas são bem fáceis de achar, especialmente se você veio de
outra área antes de fazer consultoria - uma jornalista, por exemplo, tem
ferramentas que ajudarão a elaborar textos mais atraentes, uma maquiadora
pode complementar seu trabalho ensinando a cliente a se maquiar muito bem
sozinha, uma personal organizer pode redistribuir as peças no armário de um
jeito que facilite ainda mais a vida da cliente e por aí vai.
Uma aluna minha tinha uma experiência legal em Recursos Humanos,
inclusive na área de treinamentos. Essa é uma belíssima porta de entrada para
quem quer trabalhar com consultoria corporativa, definindo o código de
vestuário da empresa, criando um manual de boas práticas, treinando
funcionários e até atendendo individualmente os executivos mais
importantes. Não é exatamente um oceano azul no sentido da inovação ainda,
mas é um adianto para se estabelecer nesse mercado.
Além dessas habilidades, comece a investigar também que outras
características você usa na sua vida e que não adquiriu em cursos, mas podem
ser utilizadas no seu cotidiano (lidar com pessoas difíceis, falar em público,
tornar o complicado em algo mais simples, reduzir custos, encontrar marcas
ainda desconhecidas…).
Mais um campo essencial para se observar em busca das
oportunidades é o ambiente em que você vive e as pessoas que te rodeiam.
Outra aluna era casada com um florista especializado em casamentos.
Além da porta aberta para uma parceria, ela já tinha a experiência com esse
público, ajudava o marido, o que tornava esse um ótimo nicho para trabalhar.
Seus serviços poderiam incluir a consultoria nos trajes da noiva e das
madrinhas, a definição do traje da festa, um workshop que tornasse o “chá de
cozinha” diferente e até a consultoria para a agora esposa que já não se
reconheceria mais no mesmo armário depois de dar esse passo tão impactante
(ou que precisava reduzir o armário quando tivesse menos espaço na casa
nova).
Você também pode partir das coisas que você gosta, mas que ainda
não se tornaram um conhecimento técnico, e ir atrás de cursos que te ajudem.
Como fez a Marcele Folgati, uma das minhas coaches e beta tester no projeto
deste livro, que tornou-se minha aluna de consultoria para fazer disso um
diferencial do seu serviço de coaching.
As possibilidades são imensas e eu poderia escrever mais um livro
inteiro só com esses exemplos. Mas como a ideia é que você encontre o seu
diferencial, em vez de copiar o de outras pessoas, vou te propor um exercício
antes do próximo tópico:
Faça uma tabela de 4 colunas, como a que coloquei abaixo, e
preencha com as experiências que você já possui, as suas características mais
importantes (aqui vale fazer um exercício de feedback com as pessoas que te
conhecem, perguntando quais são as principais características que elas
usariam pra te descrever), tudo aquilo que você gosta na vida e todos os seus
outros recursos (locais que frequenta, pessoas que conhece, amigos pessoais,
etc.).
Experiências/Habilidades Características Gostos Outros recursos

Essa tabela também faz parte do seu workbook e pode ser baixada
pelo http://www.ericaminchin.com/manual-workbook!
A ideia é fazer no esquema brainstorm, sem se preocupar em conectar
nada ainda. Então vale colocar até aquelas coisas que você acha que são mais
distantes. Depois que você tiver preenchido tudo, comece a tentar conectar
essas coisas.
Por exemplo, a única experiência fora da área de moda/consultoria
que eu tenho é um bico de check-in de passageiros de navio. O plano era usar
meu tempo livre, treinar meu inglês e juntar dinheiro pra viajar, mas hoje eu
vejo que eu aprendi muito sobre atendimento ao cliente, sobre processos e até
desenvolvi o meu jogo de cintura por causa disso.
Eu também sou uma xereta por natureza e adoro saber sobre os mais
variados assuntos, porque acredito que todo conhecimento pode ser aplicado.
Essa característica foi essencial pra me ajudar a escrever um livro sobre a
minha profissão em que o que eu menos cito são as referências dentro da
minha área, a encontrar afinidade com as minhas clientes (e estabelecer uma
relação mais próxima com elas) e também a orientar melhor minhas alunas
para o mercado de trabalho.
Em determinado momento da vida, essa característica também me
ajudou a reformular completamente os meus atendimentos e criar uma
metodologia exclusiva, que rendeu um conjunto de cursos e formatos de
atendimento ainda inéditos no mercado.
Pensa com carinho, que eu tenho certeza que dá pra fazer uma lista
boa aí!

Estrutura de serviços
Depois que você encontrou os seus diferenciais e possibilidades de
trabalho, é hora de partir para a estrutura de serviços. Como o diferencial é
pra ser uma coisa só sua e eu não tenho o poder da vidência, eu vou dar
exemplos orientados só para o trabalho de consultoria, mas o ideal é que
sejam adaptadas de acordo com cada realidade, ok?
Embora o princípio da consultoria seja o da personalização, ter uma
metodologia de trabalho é indispensável pra facilitar a sua vida e te deixar
livre pra focar no que realmente interessa. Claro que ela pode ser elástica,
você pode adaptar aqui ou ali quando sentir necessidade, mas deixar tudo
muito solto e flexível pode atrapalhar a sua rotina de atendimento e até te
fazer perder dinheiro no meio da bagunça.
Acredite, eu só estou escrevendo esse capítulo porque apanhei muito
com isso até chegar no ponto em que a coisa fluísse direito.

Serviços avulsos
Uma das opções é vender os serviços separadamente (análise de
estilo, análise de tipo físico, cores, lookbook, compras etc) e dar um desconto
no pacote. A maioria das consultoras faz isso no começo porque é um meio
de ganhar dinheiro, construir experiência e converter uma compradora em
cliente oferecendo outros serviços maiores quando ela já as conhece. São
ótimos prós a se considerar.
Particularmente, não achei que funcionou pra mim ainda porque eu
vejo a consultoria como um grande quebra-cabeça e trabalhar as peças
isoladamente faz com que alguém saia perdendo. A cliente perde porque a
informação vai muito incompleta. E eu mesma perco porque acabo
entregando tudo e cobrando por uma parte só.
Também não me vejo editando um armário, elaborando um lookbook
ou fazendo compras sem ter analisando a cliente muito bem antes.
Mas essa sou eu e isso não quer dizer que o mesmo vai acontecer com
você. E nem que eu não vá mudar de ideia em outro momento, veja só!

Pacotes
No meu começo, eu perdia muito tempo customizando o atendimento.
Se você me pedisse um orçamento, eu conversaria com você pra entender
suas necessidades, faria uma proposta específica para o seu caso e ainda me
colocaria à disposição para adaptar o que fosse necessário.
Acontece que isso me deixava ansiosa e atrapalhava o meu
desempenho. Eu tinha que quebrar a cabeça pensando em quais seriam as
melhores formas de atender, em como elaborar a proposta, como cobrar e
ainda como comunicar isso de um jeito que fizesse sentido e provasse o meu
valor.
Como se não bastasse essa angústia toda, eu ainda perdia cliente. Sim,
isso é um problema quando você oferece muitas possibilidades e deixa a
pessoa na dúvida. O que acontece é que a dúvida faz com que a maioria das
pessoas empurre a decisão para outro dia.
Esse é um ponto especialmente importante de se considerar em uma
área na qual o trabalho é baseado em facilitar a vida das pessoas.
Um dia, comecei a estudar áreas “irmãs”, pra entender como esse
povo precificava e fazia o marketing dos seus serviços, e percebi que pacotes
eram recorrentes. Então eu voltei para as propostas que já tinha feito na vida
e notei as etapas que se repetiam em todas, porque sem elas eu não conseguia
trabalhar, e criei dois pacotes: um para quem tinha menos tempo e verba, mas
ainda precisava de ajuda, e outro para quem queria se beneficiar com todo o
processo.
O pacote à distância surgiu por último, com uma demanda de pedidos
que recebia de lugares em que eu nem sempre tinha uma colega conhecida
para recomendar.
Isso facilitou a minha vida e me deu mais tempo e disposição pra
focar em ações que realmente me trazem resultados.
Hoje, ainda converso com todas as interessadas antes de fechar um
contrato. Mas o propósito da conversa é de entender se essa é a melhor hora
da consultoria e de explicar também o que elas podem esperar deste processo.
Não tem ansiedade, não tem angústia e tem muito mais segurança na hora da
venda.
Eu ainda me permito inverter etapas quando julgo necessário, ou
ampliar uma e reduzir o tempo de outra, mas a estrutura que me guia é a
mesma.
A escolha pelos processos é como se a gente tivesse um armário cheio
de peças e não soubesse o que fazer com elas ou um armário menor, mas que
nos representa, facilita nossa vida e ainda rende mais possibilidades, sabe?

Organize
Independente do tipo de estrutura pelo qual optar, o que eu
recomendo de antemão é que você tenha uma tabela de serviços muito bem
definida. Faça essa tabela considerando os preços de cada serviço, os
descontos possíveis, o que cada um inclui e até como informar isso pra
cliente, para que ela não contrate uma coisa achando que vai ganhar outra.
Além disso, é legal estruturar como você vai realizar cada serviço. Por
exemplo, quando a gente fala da etapa de compras, algumas profissionais
preferem ir antes e fazer uma pré-seleção, enquanto outras vão na hora com a
cliente. Ainda existem as que pegam as peças em consignação e levam até a
casa ou trabalho da pessoa.
Dossiês e seus conteúdos também variam, assim como as estruturas
de atendimento - tem gente que manda questionário antes, tem gente que
responde com a cliente na hora, tem gente que faz um dia só pra investigar
estilo, rotina e personalidade e outro para as análises físicas.
Não existe uma fórmula certa pra todo mundo, mas é importante que
você tenha tudo isso detalhado de um jeito que funcione pra você. Considere,
por exemplo, que se você faz a pré-seleção das compras, o seu tempo de
trabalho aumenta, mas o tempo com a cliente diminui porque ele pode ser
otimizado.
Lembre-se também que se você divide uma etapa em dois encontros,
vai facilitar a vida de quem tem menos tempo para etapas longas, mas vai
aumentar os seus custos de atendimento (além do gasto com transporte, o
tempo de deslocamento pode até te impossibilitar de atender outra pessoa no
mesmo dia).
Para ajudar, vale fazer um mapa mental listando todas as etapas que
você oferece, a duração, como esse processo funciona e o que inclui. Dessa
forma, é mais fácil formar um pacote depois e também estipular preços.
Por exemplo, vamos supor que você faça a sua etapa investigativa em
dois encontros. Preencha “investigação” em uma caixinha e “dois encontros
de 2h” em uma caixinha para a duração. Em processos, você vai colocar
exatamente o que acontece nessa parte - se você manda o questionário antes,
se responde na hora, qual é o modelo de questionário que usa, o que avalia e
em que ordem. Se quiser ser mais específica, vale colocar o tempo que cada
uma dessas etapas leva (exemplo: responder questionário com a cliente - 1h;
análise cromática - 30 min).

Como cobrar?
Antes de mais nada, anote tudo. Absolutamente todo e qualquer gasto
que você tenha para trabalhar: do lápis que você usa para responder o
questionário e fazer anotações da consulta, passando pela cartela de cores que
você entrega até a mensalidade da contabilidade. Calcule, principalmente, o
tempo que você leva para executar cada trabalho (não só o tempo com a
cliente, que você colocou no exercício anterior, mas também o tempo médio
de deslocamento, o tempo falando ao telefone, respondendo e-mail, tirando
dúvidas fora do horário de atendimento, etc).
Se eu te contar o tanto de dinheiro que eu estava perdendo, mesmo
quando não estava no vermelho, você não acredita. Depois de contratar uma
consultoria financeira, descobri, entre outras coisas, que estava cobrando
R$650,00 por um trabalho que me custava R$1.500.
Bom, né?
Isso considerando que eu vim de uma faculdade em que eu tive tantas
aulas de gestão, inclusive contabilidade, quanto de moda. E fiz vários cursos
voltados para a área administrativa, durante e após a graduação. Eu até
aplicava esses conceitos quando trabalhava com produtos, mas eu
simplesmente não queria sentar e fazer isso com serviços. Achava que era
algo muito mais difícil de se fazer usando “o método tradicional” e que eu
não conseguiria.
Olha lá a tal da crença limitante de novo!
No próprio mercado, ninguém fala muito sobre isso. Não existem
tabelas. Existe uma estimativa por hora, mas também a recomendação básica
de estudar a região em que você atua e ver o quanto outras pessoas cobram (a
maioria não revela), comparar a sua experiência e formação e assim estipular
o seu preço.
Assim fica bem difícil e o mercado só sai perdendo.
Então eu apenas peguei o valor da minha região, cobrei o que eu
achava justo, porém não abusivo, e fui seguindo. Por anos, até que eu
comecei a ter contas maiores e me senti ainda mais pressionada quando o
dinheiro não rolava do jeito que eu precisava e busquei ajuda.
O que a Simone Rossin, minha consultora financeira na época, e eu
fizemos foi levantar os custos que impactam em todos os serviços - fixos
(hospedagem de site, contadora, servidor de e-mail, etc) e variáveis (material,
publicidade, equipamentos, etc). Depois, olhamos para os que só existiam se
houvesse venda (por exemplo, os impostos variam de acordo com o preço,
nos cursos de formação existe um custo de impressão de apostila e por aí
vai).
Para fazer isso, ela bolou um sistema de controle de gastos e
acompanhou por um tempo até identificar os principais grupos, rotinas,
entender as médias de gastos com os custos variáveis e por aí vai. A gente
também estipulou um salário para mim (na época eu ainda não tinha um
sócio), o que entrou nesses custos fixos mensais.
Então, ela dividiu todos os custos que impactam em todos os meus
serviços, incluindo o meu salário, pela quantidade de horas que o meu mês
deveria ter e chegou no valor da hora de trabalho da minha consultoria. E
porque, além da hora, cada serviço também tem seus custos específicos, ela
criou uma tabela de precificação para cada um deles - em que eu pude ver o
custo mínimo de cada opção e quantos de cada precisam ser vendidos por
mês para que a empresa fique no azul.
Essa planilha também foi ótima porque me permitiu abandonar
opções que só sugavam meu tempo e me faziam perder dinheiro e também a
entender qual o limite da minha capacidade - eu amava sair enfiando todo
mundo na minha agenda sempre que tivesse um horário disponível e depois
me lembrava que eu precisava de coisas básicas, tipo… dormir.
Se isso tudo parece muito complexo pra você, procure ajuda também.
E já te adianto: é um processo. Para conseguir equiparar os números,
eu precisei criar uma estratégia para aumentar o preço a médio prazo e uma
que minimizasse o prejuízo a curto prazo.
Quando comecei a escrever este livro, em 2015, eu tinha acabado de
fazer a consultoria. Estou revisando em 2017 e só agora consegui atingir os
preços corretos.

Você precisa saber o próprio valor


Outro ponto importante é que simplesmente anotar esses números
num papel não resolve - lembra que a nossa relação com o dinheiro é mais
profunda?
Existem dois tipos de pessoas nessa área: as que trabalham porque
sentem prazer em ajudar o outro e as que querem ganhar dinheiro. O ideal é
encontrar o meio do caminho, até porque pra ganhar dinheiro você precisa
trabalhar bastante, mas também precisa descansar. Então não se iluda.
Eu me enquadrava mais no primeiro grupo e por isso acabei
desmerecendo meu próprio trabalho quando, ao calcular meu preço de venda,
considerava como salário/lucro o que sobrava depois que eu pagava as contas
para o negócio existir (contadora, imposto, internet, telefone, etc). O
problema aqui é que não só você precisa considerar o seu tempo, até porque
vai ter que trabalhar loucamente até que sobre algum “lucro” para poder
viver, como também precisa calcular para futuros investimentos.
Em algum momento, você vai precisar fazer novos cursos, comprar
livros (oi!), frequentar eventos, etc. A melhoria contínua também precisa ser
planejada.
Aliás, falando em valor, vale prestar atenção em todas aquelas vezes
em que você pechinchou até tirar alguém do sério. Eu sei, eu também adoro
economizar e entendo que às vezes é importante. Mas a gente precisa lembrar
que do mesmo jeito que preço não é sinônimo de qualidade, não é porque não
dá pra pagar por algo (ou rolam outras prioridades) que essa impossibilidade
reduz o valor do produto ou serviço. Quando a gente diminui o trabalho
alheio, acaba desvalorizando o nosso também - dinheiro é só um meio pelo
qual a gente troca as nossas próprias habilidades pra depois trocar pela dos
outros, lembra?

Não dá para viver só de consultoria?


Em 2013, eu ainda trabalhava com produção de moda, especialmente
de desfiles para um shopping, e resolvi fazer mais dois cursos voltados para o
assunto em Nova York. Um de planejamento de eventos em moda e o outro
de styling.
Os dois eram com a mesma professora e, ao chegar no segundo curso,
fiquei surpresa quando ela anunciou pra sala “ouçam o que ela tem para
dizer, porque ela consegue viver disso no país dela. Eu não recomendo que
ninguém viva de styling ou consultoria de imagem como trabalho full time”.
Isso no país que inventou essas profissões e em um curso que formava
pessoas para - veja!- trabalhar com isso.
Ao contrário dela, eu até recomendo o trabalho de consultoria de
imagem para todo mundo que entende o propósito da profissão, mas sempre
procuro deixar claro que você vai ter que diversificar.
Seja dividindo seus serviços (consultoria de estilo, de tipo físico, de
cores), seja dando workshops para pequenos grupos, atendendo empresas,
dando palestras em lojas ou até unindo a consultoria aos conhecimentos de
outra área para criar uma proposta de trabalho nova (o que eu fazia nos meus
trabalhos de styling). Pelo menos no começo.
Segundo o SEBRAE, uma empresa normal demora pelo menos dois
anos para se estabelecer. A esmagadora maioria abre falência antes de
completar esse período, mesmo em mercados já estabelecidos. A consultoria
é um mercado relativamente novo e, ao entrar nele, você vai assumir a
posição, também, de educadora dos seus clientes. Por isso, a estimativa é de
uns 3 a 5 anos para começar a dar retorno.
Claro que dependendo da sua rede de contatos isso pode ser reduzido
consideravelmente, mas não é bom ignorar essa possibilidade.
Além de diversificar, uma boa saída pra quem não quer virar
estatística é se programar para fazer isso nas horas vagas (noites e finais de
semana) até ter estabilidade para deixar o emprego em período integral e
assumir a profissão por completo.

Diversifique mas não se perca


Colocar todos os ovos numa mesma cesta é problemático, mas colocar
um ovo em uma dúzia de cestas diferentes também não dá lá muito certo.
Se você não for uma pessoa “multipotencial” (e ainda que seja, se a
sua comunicação não for muito coesa), pode acabar confundindo seus
clientes e fazendo que eles deixem de te procurar por nem saber o que você é
de fato capaz de entregar. E também pode ficar perdidinha, deixando de
evoluir em uma coisa por ter que perder tempo pra aprender várias diferentes
de uma vez.
O que funcionou pra mim foi eliminar as coisas que eu sinto que
mesmo que seja capacitada e tenha experiência, não fazem sentido na minha
vida e passar a desdobrar um mesmo conhecimento, que eu amo mais que
tudo, em pacotes diferentes. Ou seja, eu não trabalho mais com criação ou
desenvolvimento de produtos, e também cortei os trabalhos de produção e
styling, mas faço consultoria individual, em grupo, corporativa, formo
consultoras e ainda produzo conteúdo relacionado ao tema.
O assunto é o mesmo, eu só embalo de um jeito que faça mais sentido
pra cada pessoa com quem eu lido. Dependendo, ainda consigo juntar um ou
outro interesse extra - como é o caso deste livro, em que eu libero meu
conhecimento de gestora e empreendedora, além do meu conhecimento em
consultoria.
O que não quer dizer que eu joguei todas as minhas outras
experiências fora, eu só direcionei para o que faz sentido na minha vida hoje.
A minha habilidade como stylist é usada nos lookbooks das minhas clientes, o
conhecimento de modelagem e criação eu uso na hora de editar o armário e
sugerir ajustes, o que eu sei sobre desenvolvimento de produto uso pra avaliar
custo-benefício das peças e tudo isso e mais um pouco acaba servindo pra
que eu possa situar as minhas alunas sobre a amplitude da área de moda,
todos os mercados que envolve e como elas podem procurar aquilo em que
sentem maior afinidade.
Agora é um bom momento de voltar lá nos exercícios que você fez de
identificar as oportunidades e dar uma pensada no que é possível pra você
também!

Dando “truque” no material pra reduzir custos


Um dos motivos para que você anote absolutamente tudo o que o
trabalho consome (do material ao tempo) é pra identificar os desperdícios. É
bem fácil se deixar levar e sair enfiando qualquer coisa no cartão da empresa,
mas se não tiver cliente pra pagar por isso depois, não faz o menor sentido.
Assim como não faz sentido que ele pague por algo que não é essencial para
a execução do serviço.
Isso não significa que você tem que ir lá na coluna de preço,
identificar a coisa mais cara e procurar por uma alternativa que corte esse
custo pela metade, independente de qual custo for, heim? Mas que você tem
que avaliar o benefício também.
Vamos supor que você está gastando R$500,00 com a hospedagem do
seu site, mas o tráfego que ele gera não justifica um pacote mais elaborado e
por isso você pode procurar uma opção mais simples e cortar o custo aí. Isso
é bem ok.
Agora vamos supor que você gasta R$110,00 na cartela de cores que
entrega para a sua cliente e resolve que isso é muito caro e vai imprimir
sozinha, num couchê A4, a mesma cartela.
A cor é um dos pilares da consultoria. Apesar de R$110 não ser
necessariamente barato, é de graça se você pensar que a cor não vai mudar e
que essa cartela vai durar para sempre. Vai durar mais do que aquela calça de
R$500,00 ou o sapato de R$300 que você sugeriu que a sua cliente
comprasse.
Além disso, a cartela que você imprime na sua casa não sai nunca, em
tempo algum, com as cores certas de cada grupo. A configuração do
computador, da tinta, a qualidade do papel… Tudo isso muda tanto que você
pode imprimir duas vezes a mesma cartela, no mesmo papel, e ainda ver
diferença. Você pode conversar com qualquer pessoa que trabalhe em gráfica
que vão te explicar isso. Ou testar sozinha pra entender o que eu tô falando -
e perder uma fortuna muito maior em tempo e recursos até conseguir ajustar a
sua impressora.
Por mais óbvio que isso pareça, é bem comum ver gente não só
querendo economizar imprimindo cartela da internet, como também ver gente
vendendo cartela em .JPG pra que você imprima sozinha em casa. Eu não
quero fazer o Dale Carnegie às avessas e lançar o “Como fazer inimigos e
irritar pessoas”, mas isso me cheira a picaretagem.
E existem fornecedores incríveis que possuem aplicativos de celular
com as suas cartelas de cores, mas eles mesmos alertam sobre como esse não
é o ideal, já que a cor das imagens pode mudar de acordo com a tela, o brilho
e até a iluminação do ambiente onde a pessoa se encontra.
Escolha direito. Se você não vai ter o tempo, a grana e a paciência pra
desenvolver o material adequado, procure fornecedoras que entreguem
cartelas prontas em material bom e confiável. Avalie. Compare. Corte custo
em todo o resto, se precisar, mas não em um material tão importante.
Lembra a lógica do guarda-roupa, de investir mais na base e menos no
supérfluo?

Atraindo clientes
Sabe aquela história de “faça um bom trabalho e os clientes
aparecerão”? Então… ela é verdade, mas as pessoas esquecem de dizer que
os esforços de marketing também fazem parte desse bom trabalho.
Lembre-se que os clientes não possuem bola de cristal. Você precisa
contar pra eles que você existe e o que pode fazer para ajudá-los.

Estabeleça objetivos
Sair sem rumo pelas ruas é uma delícia quando você tem um dia
ocioso para simplesmente curtir, mas não funciona da mesma forma quando a
gente fala da nossa própria vida, né?
No livro “Faça Acontecer”, a Sheryl Sandberg dedica todo um
capítulo ao tema e ela defende que você não tem que fazer um mapa
meticuloso para planejar toda a sua vida, mas que tem que ter um objetivo
maior que te guie - ainda que ele mude depois. Eu concordo plenamente, mas
acho que um mapinha mais detalhado é excelente quando a gente fala de
médio e longo prazo.
Já vi esse exercício em três lugares diferentes (fiz com as minhas duas
coaches, inclusive para esse livro, e a Dominique Isbecque e a Lynne Marks
também ensinam a fazer no Perfect Fit) e em cada lugar tinha um nome
diferente. Então, eu resolvi dar um nome também e chamar de “mapa
napoleônico, só que ao contrário” - porque consiste na estratégia do “dividir
para conquistar”, mas feita de trás pra frente.
Basicamente, você vai pegar um objetivo na sua vida e colocar a etapa
que sinaliza que você o concretizou - pode ser publicar um livro, pode ser
aumentar suas vendas em X reais ou o que você quiser. Daí você vai fazendo
isso ao contrário.
Por exemplo, eu fiz o mapa para esse livro. Ele começou com o
objetivo de ajudar profissionais e interessadas em consultoria a realmente
realizarem os seus sonhos e estimular a melhoria do mercado.
Para isso, “livro à venda” seria a etapa final. Para ter o livro sendo
vendido, eu precisava lançá-lo. Pra lançar, eu precisava definir a plataforma
que usaria. E também o layout. E criar o conteúdo. Que dependia de definir o
assunto e objetivos. E por aí vai.
É importante que você estipule datas para cada etapa e também
estratégias para conquistá-las individualmente. As estratégias vão mudar de
acordo com o que você precisa - a Flávia Adura me ajudou a tirar meu
primeiro curso online do papel e também a descobrir formas de viver da
minha paixão sem comprometer minha qualidade de vida, então a gente
pensou bastante em métricas financeiras e planos pessoais. Já a Marcele
Folgati, meu apoio para este livro, me fez listar recursos diversos que eu tinha
para executar, especificamente a tarefa de escrever o livro e as estratégias e
ações necessárias para cumprir cada etapa na sua data.
Esse mapa é legal porque te ajuda a respirar. Quando você pega uma
tarefa monstruosa - tipo escrever um livro ou montar um curso! - é muito
fácil se deixar desesperar porque “vai dar muito trabalho e não há tempo pra
isso”. Até que três anos se passam (meu caso com o curso e de certa forma
com esse livro) e você vê que, né, foi burra porque dava bem pra ter
começado antes e feito um pouquinho por vez.
Quando você olha o mapinha todo dividido em pedaços bem
pequenos e inocentes, é mais difícil adiar. Você fica quase com vergonha.
Embora o objetivo aqui seja o de discutir ações que ajudem a atingir
uma meta mais ampla: estabelecer seu negócio e atrair clientes de uma forma
geral, você vai ver que isso pode ser feito de várias formas e é o mapa que vai
te ajudar a definir qual delas é a mais interessante para o seu caso.
Então sente-se aí e defina uma meta para os próximos meses que
sinalize que você atraiu mais clientes (por exemplo, vender X consultorias
por mês). Depois, você pensará em como vai fazer isso usando as
oportunidades que encontrou nesse livro (pode ser atender um público
específico, entrar em um novo nicho). Por último, é hora de pegar essas
estratégias de divulgação aqui abaixo e procurar entender qual se enquadra
mais no seu caso, para bolar um roteiro que funcione pra você.
Cold call
A tal da ligação fria ainda é relativamente útil quando você pretende
fazer novos negócios com empresas, tipo oferecer consultoria corporativa,
treinamentos e palestras, mas não funciona tão bem assim com clientes
individuais - imagina que coisa mais esquisita alguém te ligando, do nada,
pra perguntar se você não quer dar um tapa no seu armário?
Para fazer isso, você tem que ter um bom roteiro, que vai usar para
falar com a pessoa com poder de decisão, depois de algumas tentativas de
encontrá-la. Não só a pessoa certa, mas as empresas que podem se interessar
por esse tipo de serviço também - e fica mais fácil fazer isso quando você
começa com um segmento específico. Ou seja, você vai ter que começar
definindo um público-alvo (olha mapa ao contrário aí).
No meio do caminho, vale fazer uma busca marota no LinkedIn para
descobrir os seus amigos que tenham conexões em comum com pessoas do
seu interesse e que possam fazer uma apresentação. Assim a ligação (ou e-
mail) não fica tão fria assim.
Esse tipo de tarefa pode ser feita por você mesma (isso vai te custar
tempo e disposição) ou você pode contratar um representante
comercial/novos negócios (o que vai te custar um fixo + comissão,
provavelmente).

Parcerias
O bom e velho “boca-a-boca” ainda é, disparado, a melhor forma de
conseguir clientes. Uma pessoa que viu seu serviço e falou de você aqui,
outra que te contratou e contou pra amiga ali, aquela que te conheceu num
evento no meio do caminho e lembrou quando precisava… Mas quando a
gente está começando, demora um pouco mais, e um jeito de fazer isso de
uma forma mais abrangente é formando parcerias.
As formas de parceria variam muito, mas você pode fazer parceria
para um evento ou uma ação pontual – como, por exemplo, encontrar uma
loja que tenha um público similar ao seu e dar uma consultoria para ser
sorteada, ou oferecer uma palestra e desconto para as clientes. Também pode
encontrar profissionais que ofereçam serviços complementares e criar um
pacote em conjunto, oferecer um desconto ou até uma comissão por clientes
que recomendarem - pense em maquiadores, personal organizers, coaches e
afins.
Algumas pessoas pensam que “ok, isso vai ser de graça porque só vai
tomar o meu tempo”, mas você também deve calcular o custo por benefício.
Seu tempo vale e o seu conhecimento também. Do contrário você não teria
uma carreira, certo?
Então você precisa colocar no papel quanto custaria uma palestra (ou
a ação que pensou) se você fosse cobrar por ela e comparar com o retorno,
em serviços vendidos depois, que essa palestra pode te trazer. Se não for
igual ou superior, não vale a pena.
O mesmo vale para os descontos. Qual o limite do desconto que não
vai te deixar no vermelho? Muita gente pensa que assim dá pra vender no
volume e isso compensar, mas às vezes o volume também traz prejuízos.
É importante revisar os seus valores para ver se a parceria não entra
em conflito com algum deles - eu, por exemplo, não aceito comissão de loja e
prefiro converter isso em desconto para as minhas clientes, mas isso é uma
decisão pessoal.

Assessoria de imprensa
Entre outras coisas, assessorias ajudam a se posicionar na mídia como
especialista em um assunto específico, o que cria autoridade.
Não é um investimento baixo, especialmente se for um serviço fixo,
mas pode ser feito pontualmente - o que é bem útil quando você precisa
lançar um serviço novo ou fazer reposicionamento. Obviamente, a construção
de autoridade e de awareness é um trabalho que exige consistência, então
você precisa considerar isso na hora de contratar apenas um job.
O retorno desse investimento é muito mais subjetivo, especialmente
se for feito de forma não-recorrente. Dá para vender consultoria para alguém
que te viu no jornal, mas esse tipo de investimento te traz mais
reconhecimento a longo prazo do que converte clientes a curto prazo. Ele
ajuda a fazer com que o mundo saiba que você existe - e da maneira certa.
Além de prospectar veículos com sugestões de pautas em que você
pode ser a referência, assessores de imprensa também podem te dar um
treinamento de mídia, ajudando a definir a melhor forma de se colocar
perante a câmera, o discurso mais alinhado ao que você precisa, etc.
Embora seja meio difícil fazer “assessoria de si mesma”, hoje em dia
é muito mais fácil chegar até os jornalistas sem esse intermediário, com
plataformas como o antigo Ajude um Repórter, por exemplo, em que os
jornalistas publicam as suas pautas e as fontes que estão procurando e você
pode entrar em contato se oferecendo para ajudar, e o Dino, em que você
publica seu próprio release.

Redes sociais
Assim como a “cold call”, esse é um recurso que você pode tentar
usar sozinha (o que vai te tomar um bom tempo não só criando o conteúdo,
mas aprendendo a fazer com que tenha maior alcance) ou contratar alguém (o
que tem custo também, mas o retorno mais garantido).
Pois é. Apesar da maioria das pessoas hoje passar bastante tempo
navegando por essas redes, publicar profissionalmente não é a mesma coisa
que sair pinando coisas bonitas aleatoriamente ou contando sobre o seu dia
no seu blog ou twitter.
Antes de mais nada, é legal lembrar que qualidade não é quantidade -
não adianta comprar milhares de seguidores fantasmas que não se
converterão em serviços pagos. Algumas marcas fazem sorteios para
aumentar a base de seguidores reais, mas é bom olhar a legislação vigente pra
esse tipo de ação (atualmente, é necessário registro na Caixa Econômica).
Independente disso, você precisa encontrar a sua voz, descobrir a
linguagem do seu público e criar estratégias de posts que gerem identificação.
Se não individualmente, num contexto maior. Alguns profissionais ainda
defendem que todos os esforços precisam direcionar o cliente para o seu site.
Seja porque lá o cliente encontrará outras informações sobre o que você
oferece e se tornar mais propenso a contratá-la, seja porque o seu site é a
única rede que você controla, como defende a Marie Forleo.
Também é indispensável identificar em quais dessas redes o seu
público se faz mais presente. É legal criar a conta para não ter conflitos com o
seu nome/marca depois, mas isso não quer dizer que você precisa ser ativa no
LinkedIn, Youtube, Facebook, Twitter, Snapchat, Instagram, Pinterest e
qualquer outra rede que apareça.
Especialmente se você assumir isso enquanto não puder contratar
quem assuma . Mesmo com aplicativos que te ajudam a agendar posts para
cada uma dessas mídias, você ainda vai precisar planejar tudo isso e aí cadê
tempo para atender?
E mesmo que sejam as mesmas pessoas te assistindo, cada uma dessas
plataformas tem um formato e uma necessidade de publicação diferente.
Quem discute bem isso é o Gary Vaynerchuck, no “Nocaute!". O cara fez a
loja de vinhos da sua família bombar ao usar as redes sociais de maneira
inteligente e inusitada - ele fazia vídeos no Youtube dividindo seu
conhecimento sobre o assunto, mas de uma forma divertida que incluía até
harmonização de vinho com cereal matinal. Largou o negócio da família,
virou guru no assunto e hoje o mundo inteiro olha para as suas dicas como
referência de como usar as redes sociais para se posicionar legal no mercado.
Na hora de criar estratégias, também é preciso determinar se as suas
mídias serão monetizáveis ou se serão o seu investimento em marketing.
Algumas consultoras complementam suas rendas com publiposts, links
afiliados, anúncios nas barras laterais de seus sites e blogs e por aí vai - o que
é perfeitamente aceitável, desde que você deixe isso muito claro para quem te
acompanha.
E, pelo amor, não se esqueça de verificar a gramática. Você pode ter a
“voz” que for (eu por exemplo uso um tom bem mais informal, mesmo
quando falo de assuntos mais sérios), mas derrapar no básico do português
não dá.

Anúncios
As mídias convencionais - revista, televisão e outdoor - são bem
caras. Normalmente valem a pena só pra quem tem um negócio tão escalável
a ponto de gerar um volume exorbitante em vendas - o que não é o caso da
consultoria de imagem. Fora que anúncios nesses meios podem ser
associados com “massificação”, o que vai contra o princípio da
personalização do qual a nossa área parte.
Porém, com o surgimento de novas mídias, fazer anúncios não só
ficou mais acessível financeiramente e personalizável, como acaba sendo
quase uma obrigação.
Para que a gente não pague para as mídias sociais, essas empresas
precisam ganhar dinheiro de alguma outra forma. O que mais comum é
obrigar o usuários comerciais a impulsionar seus posts, ao diminuir quase que
completamente o alcance orgânico (olá, Facebook!).
Também é o tipo de coisa que você pode programar sozinha, mas um
profissional especializado vai usar estratégias que tragam um retorno muito
maior.
Além disso, não basta só impulsionar o seu post. É preciso uma
estratégia. Os principais mentores de marketing digital ensinam que você
precisa entregar algum valor para o seu público gratuitamente, fazer com que
ele conheça o seu trabalho e sinta afinidade antes de finalmente fazer a venda.
Isso pode ser feito de diversas formas: um e-book gratuito, vídeos no
youtube, newsletters, posts diversos nas redes sociais que surgem a cada dia
ou até no seu próprio blog.
Esse também é um trabalho que deve ser aperfeiçoado a cada dia,
conforme você mede os resultados. Do contrário, é jogar dinheiro fora -
acredite!
Se você quer saber mais sobre…
Crenças limitantes
Dá uma olhada no trabalho do Tony Robbins. Você pode começar
pelo TED excelente dele, aqui
https://www.ted.com/talks/tony_robbins_asks_why_we_do_what_we_do?
language=pt-br.

Como melhorar a sua relação com o dinheiro


Leia e faça os exercícios do livro verdinho“Como se preocupar menos com dinheiro”, escrito
pelo John Armostrong para a coleção da School of Life.

Autenticidade e essa história do “alguém já fez”


E mais muitos insights maravilhosos, veja a entrevista da Elizabeth
Gilbert para a Marie Forleo (em inglês e ainda sem legenda):
https://www.youtube.com/watch?v=HyUYa-BnjU8

Encontrar novas oportunidades


Estudo o livro “A estratégia do Oceano Azul”, dos professores W.
Chan Kim e Renée Mauborgne, traduzido e publicado no Brasil pela editora
Campus.
Se quiser aquecer com uma leitura menos técnica e mais inspiradora,
leia o livro “Oportunidades disfarçadas”, do Carlos Domingos, que publicou
pela Sextante.

Atrair clientes
Comece a acompanhar o trabalho do Gary Vaynerchuck agora! Para
saber especificamente de estratégias para mídias sociais, leia “Jab, Jab, Jab,
Right Hook”, No Brasil, foi publicado como Nocaute!.
Procure um método para não se perder em tantas informações. Eu
recomendo a B-School da Marie Forleo e o Decola!Lab da Espaçonave.
Esse é um assunto que rende, especialmente a questão de encontrar a
própria voz! Entre o momento em que escrevi esse livro e a publicação dele
se passaram dois anos - eu já tinha escrito tudo o que você leu por aqui, e
ainda sentia que poderia melhorar. Por isso, busquei cursos de
empreendedorismo voltado para criativos e negócios com propósito. Os
principais deles, que me ajudaram a reorganizar essas informações, foram
esses dois.
Ambos abrem suas inscrições apenas uma vez por ano, mas você pode
saber mais da B-school em: https://www.marieforleo.com/bschool/
E do Decola!LAB em www.decolalab.com.br
Capítulo 7
Sobre querer abraçar o mundo

Eu sei que não é legal começar um texto ou frase com uma negativa,
mas essa é necessária. Se você puder aproveitar um único conselho meu neste
livro, que seja esse: não queira abraçar o mundo.
Se o seu braço fosse grande assim, você provavelmente tropeçaria
nele, isso se não se desse um nó. Por isso, a gente precisa conversar sobre
essa coisa muito séria de achar que tem que atender tudo e todos. Eu sei que,
especialmente quando você está começando, dá aquela insegurança de não
conseguir trabalho para pagar as contas e todo mundo parece ter o poder de
“roubar” a cliente que você gostaria de atender. Apesar de tudo isso soar
como uma ameaçar ao seu negócio, a coisa não funciona dessa forma.
A pessoa que atua na mesma área que você não é sua inimiga. Ela
pode não ser sua melhor amiga do mundo e você pode nem admirar o
trabalho dela tanto assim, por achar que se esforça mais, tem mais conteúdo e
entrega melhor. Ela pode nem ser uma boa pessoa pelo seu ponto de vista
(acontece!), mas ela não é uma ameaça.
E, sim, vai ter gente que acha que ler Capricho na adolescência é uma
formação válida para trabalhar com consultoria, mas nem essa pessoa se
classifica como uma ameaça. Essa pessoa é um obstáculo para a área como
um todo, porque é um mercado relativamente novo e que precisa ser educado,
e é um dos motivos pelos quais a gente precisa se unir, mas não é uma
ameaça.
Aliás, aqui vale um parêntese. Se você analisar bem, nem um
obstáculo essa pessoa é realmente. É como comparar a galera que compra
Chanel falsificada com a galera que compra Chanel de verdade.
Simplesmente não é o mesmo público.

O que é ameaça?
Ameaça é aquilo que te paralisa, que te impossibilita. É você se deixar
levar pelo pensamento derrotista de que nunca vai conseguir porque essas
pessoas já estão atendendo “todo mundo” ou ignorar outras partes
importantes do seu trabalho porque elas não estão diretamente relacionadas
com estratégias de identidade visual (no meu caso, por exemplo, é a parte de
vendas, como eu já contei no capítulo 6).
E aí é isso: a gente precisa desenvolver técnicas para tornar tanto o
medo quanto essas outras coisas menos dolorosas. Porque travar uma batalha
de egos com todo mundo que trabalha na área é simplesmente… burro.
É burro porque o Brasil já é enorme, mas o mundo é bem imenso e
você não é onipresente. Também porque você não quer atender todo mundo -
você não tem tempo hábil para isso e também não teria afinidade com todas
as pessoas, o que tornaria o processo bem difícil.
A sua especialidade pode ser tirar as pessoas da caixinha ou ajudar
profissionais criativos a se expressarem sem grandes exageros, enquanto a
especialidade da sua colega pode ser a de criar imagens de alto impacto para
executivos. Estudando e sabendo se colocar no lugar do outro dá para atender
os dois casos, mas isso não quer dizer que você vai conseguir a mesma
qualidade nos dois.
E caso você atenda uma executiva que tenha um cargo importante em
uma indústria voltada para a criatividade, você e a sua colega poderiam
trabalhar juntas. Olha só!
Tudo depende da forma como você enxerga. De vez em quando, rola
uma picaretagem e isso deixa a gente com medo, mas a gente sempre pode
gastar o nosso tempo de uma forma mais produtiva do que apontando o dedo
pro coleguinha e imaginando como ele poderia ferrar com a nossa vida. E
mesmo que ele faça isso, criar impacto positivo ao nosso redor é bem
possível - seja porque a nossa ação inspirou outra pessoa a mudar o jeito dela
ou porque a gente simplesmente passou a focar no que é realmente
importante e ignorar a existência daquilo que não faz bem.
Sei que já bati nessa tecla (e farei novamente), mas definir o próprio
público é extremamente importante, até pra não enjoar do próprio trabalho.
Eu aqui não consigo atender gente que não tem uma paixão por fazer a
diferença no mundo (seja num trabalho remunerado ou voluntário), que não
acha importante estudar e se desenvolver e que só quer saber de estar na
moda e bonita para a balada.
Eu entendo essas pessoas e por isso não as recrimino, mas eu sou a
nerd, gosto de gente que mergulha em livros e filmes e, ainda por cima, sinto
que já passei dos meus tempos de balada. E por isso agradeço por todas as
outras consultoras que se entendem muito bem com gente assim e podem
ajudar essas pessoas de uma forma que eu jamais conseguiria em um milhão
de anos.
Em resumo, você tem motivos pra parar de encarar suas colegas como
uma ameaça, e para se unir a elas também:

É sempre bom ter alguém que te ajude a se desenvolver- trocar ideias


sobre teorias, cursos e livros, sobre a melhor forma de educar o
mercado, sobre como superar o obstáculo desta não ser uma profissão
regulamentada, entre tantas outras coisas.
Você não precisa deixar uma pessoa que não tem nada a ver com você
na mão ou, pior, aceitar por medo de dizer não e acabar magoando
alguém. Você pode propor que ela procure alguém muito mais adequada
para o caso dela. Sendo a escolha certa, ela vai entender que você não
estava “passando a bucha”, mas realmente se propondo a solucionar o
problema, ainda que a solução fosse não atendê-la.
Você poderia ter uma parceira em um trabalho muito grande ou em que
a especialidade dela fosse justamente o que você precisava para encantar
aquele cliente.
Por mais que outras pessoas se esforcem, ninguém vai te entender tão
bem quanto alguém que vivencia aquilo que você vivencia. E, às vezes,
você vai precisar desabafar com alguém que saiba o que você está
dizendo.

A mandioca sempre volta


A lista de motivos segue, mas você já entendeu meu ponto, né? Se
você não entendeu ainda, esse tópico é ainda mais importante: ética.
Voltando lá pro tio Michaelis, ele diz que essa palavrinha significa
“1 Parte da Filosofia que estuda os valores morais e os princípios ideais da
conduta humana. É ciência normativa que serve de base à filosofia
prática. 2 Conjunto de princípios morais que se devem observar no exercício
de uma profissão (…)”. Traduzindo para o bom e velho papo-reto: ética é não
querer crescer passando a perna no amiguinho, seja cliente ou colega de
trabalho.
Isso pode parecer meio óbvio, mas sacanagens são mais comuns do
que parecem.
Certa vez, uma amiga postou no Instagram que estava fechando uma
parceria com uma loja para, dias depois, descobrir que outra consultora foi
até lá e se disse amiga dela (elas mal se conheciam!) e pegou o trabalho que
já tinha até sido anunciado. Sacanagem da loja também, é claro, mas correr
atrás de gente que já está fechando negócio por não ter capacidade de
explorar outras opções que esse mercado enorme oferece é um tanto quanto
absurdo e a pior forma de construir uma carreira.
Esse é um dos exemplos mais explícitos, mas poderia contar muitas
outras histórias que ouvi e presenciei na mesma linha, infelizmente. As
disputas de ego nessa área são tão esquisitas que mesmo as pessoas que
podem nem ser sacanas são passíveis de uma derrapadinha quando encontram
na mentira uma proteção.
Em um dos meus workshops (para mulheres que não podem pagar por
uma consultoria, mas sentem necessidade de cuidar da própria imagem),
apareceu uma moça super fofa, contando que estudou moda e trabalhava com
isso, mas não tinha aprendido sobre consultoria na faculdade e sentia
dificuldade em olhar para o próprio armário. Daí que no dia seguinte eu
descobri, por acaso, que essa menina era consultora também! Não só havia se
formado com profissionais renomadas, como já atuava há alguns anos. Eu
fiquei super mal quando soube e fui bem clara com ela a respeito disso.
Ela me disse que queria mesmo fazer os meus workshops e que suas
dúvidas, tanto sobre o atendimento, quanto ao próprio estilo, eram bem reais.
Além disso, o trabalho andava exigindo que ela mesma montasse algumas
palestras e workshops e ela se sentia perdida e queria ver um exemplo de
como fazer. Mas achou que, se tivesse me contado a verdade logo de cara, eu
a impediria de participar.
De fato, meus workshops são para o público final e neles eu não
ensino ninguém a trabalhar na área, mas na época eu tinha uma política
diferente e não impediria uma colega de participar - ainda que achasse isso
um desperdício porque possuo cursos específicos para a formação e
desenvolvimento de consultoras, que seriam muito mais úteis para quem já
atua na área.
Nos meus cursos online, especialmente por ser uma das pioneiras
nesse formato no mercado, também não é diferente. Já tive consultoras na
turma e por um tempo nos sentimos obrigados a estabelecer a política de não
aceitar outras profissionais nesses formatos. Essa decisão veio porque
percebemos que algumas pessoas tinham a intenção de replicar a minha
metodologia sem a certificação adequada para isso e existe uma grande
diferença entre observar e ser formada. Seria até irresponsável se eu o
permitisse. De qualquer forma, passei a abrir exceções para consultoras
conhecidas e ex-alunas dos meus cursos profissionais - nem toda política
precisa ser tão limitada e não há nada que uma conversa sincera não resolva!
Além disso, como nos cursos online as coisas são mais automatizadas,
não temos um controle tão aprofundado assim. Então hoje a gente limita mais
quando pega alguém mentindo descaradamente e dá abertura para que quem
veio fazer benchmarking ou mesmo se confundiu na necessidade possa até
fazer a troca para outro curso ou mentoria que mais atenda o seu caso.
Teria sido muito mais proveitoso se aquela aluna do workshop e todas
as outras que não o fizeram abrissem o jogo desde o começo e a gente
pudesse trocar experiências sobre o mercado, discutir dúvidas e inclusive
metodologias para trabalhar a consultoria em grupo ou online. Tanto ela
quanto as outras atendem regiões distantes de mim e, além de não serem
minhas concorrentes diretas, poderiam se tornar ótimas parceiras, já que eu
vivo recebendo contatos de pessoas de outras regiões interessadas na
consultoria presencial e indicando profissionais em quem eu confio para
solucionar seus problemas.
Ainda que fosse na mesma região e essas pessoas montassem
exatamente os mesmos cursos, seus repertórios e experiências de vida (fora a
formação) são totalmente diferentes. Certamente essas pessoas não teriam a
mesma abordagem que eu pra tratar do tema. O que não quer dizer que seria
pior, apenas que teria outro resultado.
Além do que, a cópia pela cópia é uma queimação de filme
desnecessária quando o cliente percebe. E para quem é copiado, é sempre um
sinal de que está à frente do seu mercado, ou seja, não há uma perda real para
ele.
O problema é que atuamos em uma área em que a esmagadora
maioria das profissionais são mulheres e vivemos em uma sociedade
machista que ainda nos cria para vermos as outras como inimigas. Quando
você olha dessa forma, entende que o buraco é muito mais embaixo. Isso fica
bem claro quando a gente olha para o que aconteceu comigo, mas também
explica o que aconteceu com a minha amiga.
Pode não ser justo, mas tem fundamento. E pode não ser fácil - é uma
desconstrução diária - mas a gente precisa começar a fazer algo a respeito
dessa ideia de que competição é ruim e que mulheres precisam ser inimigas.
Mesmo porque aquilo que a gente não resolve dá um jeito de nos confrontar
novamente e, como dizia a mãe de outra amiga: “o mundo gira e a mandioca
sempre volta”.

Guerra de preços
Abro este assunto com uma confissão: eu não acompanho o trabalho
de outras consultoras brasileiras. Não a ponto de saber exatamente o que elas
cobram, quais os serviços, os passos que têm dado etc. Eu faço pesquisas às
vezes e hoje tenho um sócio que eventualmente traz essas informações para a
mesa, quando necessário, mas eu não sigo ninguém.
O principal motivo é que, além de simplesmente não dispor desse
tempo, não meço o meu trabalho pelo dos outros. Eu sei algumas práticas-
chave, acompanho o macro do mercado para entender como eu me encaixo
ou não ali, algumas questões de posicionamento, mas não me atento aos
mínimos detalhes de cada profissional.
Acontece que na época em que revisava este livro para a publicação,
eu recebi diversas notificações no meu Facebook que me trouxeram para uma
realidade que me deixou assustada. Ao ser indicada em posts de pessoas
procurando por consultorias em diversos grupos do Facebook, resolvi ler os
comentários de um deles notei um leilão de quem cobra menos.
Pode ser que você aí, lendo este livro agora, nem tenha começado a
sua formação em consultoria ainda, pode ser que só tenha dado alguns
passos, mas eu levei este assunto para a minha newsletter e trouxe para este
livro mesmo assim porque a reflexão é importante em qualquer momento da
vida.
Você sabe o quanto custa o seu trabalho? Quanto custa de verdade?
Como contei no capítulo passado, um dos processos mais longos por
qual passei profissionalmente foi o de me entender com a questão de
precificação. Deus sabe quantos cursos e processos eu fiz, alguns relatados
aqui, até me entender com essa questão.
Quando a gente gosta muito do que faz e trabalha com algo que
transforma a vida de outras pessoas, acaba achando que não tem que cobrar
tanto assim. Que trabalho e diversão não podem se misturar. E que para
ajudar o outro a gente não deveria ganhar dinheiro. Ou que para ter trabalho é
preciso cobrar menos do que o outro.
A gente quer simplesmente sair entregando tudo o que pode e não
pode para deixar a cliente feliz, e atender todas as clientes que puder, mas
sem colocar na ponta do lápis o quanto aquilo nos custa.
E aí esquece que para saber tudo o que se sabe, teve que estudar
muito. E que esse estudo não foi de graça.
A gente pensa em “caro” ou “barato” sem contar os custos mínimos
para se manter como empresária (impostos diversos, contabilidade, tarifas
bancárias) ou mesmo para ser descoberta pelos clientes (internet, espaço
físico, computador, celular, site, plataforma de e-mail, plataforma de
pagamento, designer, anúncios), depois para chegar até eles de fato (como
transporte e tempo de deslocamento) e uma série de outras coisas.
E eu sei que, muitas vezes, essa é uma falha do mercado. Preço é tabu
pra muita gente, como já conversamos aqui, além de ser sim algo bem
pessoal, mas muito do que se fala na maioria dos cursos é o quanto é cobrado
em média por hora. Foi assim que eu mesma aprendi, mas essa é uma métrica
bem defasada que rendeu um capítulo inteiro só disso, aliás.
O resultado é ter de encaixar muito mais gente do que é humanamente
possível atender com qualidade para pagar toda essa conta e aquela de ter de
lidar com a eterna sensação de que o dinheiro não vence. E de que todo
mundo é uma ameaça com a qual a gente precisa lutar com todas as forças.
Tipo hamster na rodinha.
É não ter tempo para sequer dormir, para respirar, para se recuperar
ou mesmo para processar novos aprendizados. Ou então sair lutando por aí
como se fosse um dos humanos que lutaram contra os white walkers de Game
of Thrones.
Por isso que há algum tempo, uma das coisas que eu falo para as
minhas alunas, ainda durante a formação, é que a coisa mais importante que
elas podem fazer antes de começar a atender é entender os custos que elas
terão para isso (varia de acordo com cada caso), entender quantas clientes
precisam atender para suprir isso e depois bater o martelo no preço, antes de
sair por aí participando desses leilões.
Por isso também que reformulei parte do meu curso de formação para
incluir uma aula extra só sobre esse assunto. E abri espaço na agenda para
mentorias de outras profissionais.
Por isso que eu escrevi um dos maiores capítulos desse livro com foco
na questão do valor e do preço. Para que elas e você não precisem fazer como
as consultoras que eu vi cobrando por um trabalho que vai demandar meses
da sua disponibilidade a um valor que provavelmente terminaria pagando
para trabalhar, se colocasse no papel só os gastos que um único atendimento
gera. E que desde o começo, quando é normal cobrar menos, tenham um
plano.
E eu sei que muita gente entra nessa área porque vê o quanto
consultoras mais experientes cobram e pensam “ah, é isso aí, vou ali cobrar
uma grana e é só o meu tempo, fazer umas comprinhas, montar uns looks e
boa!” e quando percebem que não é bem assim que a banda toca, desistem.
Felizmente esse número diminuiu no meu radar.
Já infelizmente, tenho visto mais do pessoal que desiste por
simplesmente não saber como cobrar ou como estruturar os seus modelos de
atendimento, por achar que tudo é uma batalha contra o mercado - e isso me
deixa triste.
Antigamente eu questionava se isso não era uma forma de sucatear a
profissão, mas eu realmente não acredito nisso. Cada um sabe a sua
necessidade e cada trabalho é diferente, então não tenho mais essa
preocupação. Tanto não tenho quanto indico ex-alunas para pessoas que
gostam do meu trabalho, mas encaram o preço como impedimento para um
atendimento individual.
O ponto aqui é: eu vejo muita gente sucateando a si mesma. Pessoas
com talento e um potencial incrível de transformar vidas deixando que isso
vá pelo ralo por má administração. Ou por essa crença na batalha.
Conto essa história para te lembrar que você não precisa fazer isso.
Você pode encontrar o seu valor sem precisar se sentir explorando ninguém
no meio do caminho. Sem precisar se sentir lutando contra todo o resto.
Você pode inclusive encontrar formas diferentes de ajudar as pessoas
e cumprir a sua missão sem que o preço seja impeditivo para nenhuma das
partes. Sem sentir que vai perder clientes por causa disso também.
O equilíbrio é possível.

Se você quer saber mais sobre…


Concorrência e cópias:
Dá uma olhada no TED da Johanna Blakley, sobre a cultura livre da
moda. Ela fala sobre como o Tom Ford encara as cópias das peças da marca
e, olha, é uma belíssima lição sobre como lidar concorrência ruim. Dá para
acessar nesse link aqui, em inglês, mas com legendas em português
https://www.ted.com/talks/johanna_blakley_lessons_from_fashion_s_free_culture?
language=pt-br

Como lidar com a concorrência:


Fonte boa a gente recomenda muitas vezes! Em um dos módulos do
seu curso Decola!LAB, a Rafaela Cappai fala sobre olhar para os seus
colegas como “co-petidores”, em vez de concorrentes. Ela ensina estratégias
bem interessante para lidar com eles e sair dessa vibração de escassez. O
curso acontece uma vez por ano e você pode acompanhar pelo
www.decolalab.com.br

Como sair da guerra de preços:


No Decola!LAB, e em vários vídeos do canal da Espaçonave no
Youtube, a Rafa também fala sobre a precarização do trabalho e formas de se
organizar para que você não precise sair por aí pagando para trabalhar. Você
pode conhecer o canal pelo: http://youtube.com/aespaconave
Se você fala inglês, outra fonte incrível para esse assunto é a Marie
Forleo, mentora da Cappai e minha também, que ensina sobre como construir
um negócio e uma vida que você ame de verdade. O site é
www.marieforleo.com.
Capítulo 8
Outros aprendizados importantes

Mais do que ensinar teoria, a primeira (e mais importante) coisa que


eu ensino em sala de aula é a questionar. Tudo, todos, e inclusive o que eu
mesma estou ensinando.
Hoje, a minha metodologia de trabalho é toda baseada nas perguntas.
Escrevi um livro inteirinho fundamentado nisso.
A culpa dessa obsessão pelo questionamento é toda do meu pai, que
brigava comigo porque eu tentava decorar a matéria para as provas, em vez
de entender. “Entender é mais importante do que decorar”, ele dizia. E eu,
adolescente contrariada, ficava meio brava, achando que isso era coisa de
gente mais velha e chata.
Aí eu virei essa pessoa mais velha. E chata.
Hoje eu agradeço por essa “pentelhação”, porque isso me permitiu
aprender e adaptar muito mais. Aliás, vou além: de onde eu vejo (e com isso
eu quero dizer que eu não descarto a possibilidade do seu processo mental ser
diferente), eu só consegui saber qualquer coisa de verdade quando consegui
explicar minimamente os conceitos por trás daquilo.
Aqui é importante saber que eu não estou te dizendo para
simplesmente contrariar a teoria. Mas aprofundar todas as possibilidades para
realmente entender o sentido por trás de cada ensinamento.
Por isso, eu não acho tão útil encontrar qual é a melhor peça pra quem
tem um quadril mais largo. Eu quero saber por que ela é a escolhida. Dessa
forma, eu posso ensinar à cliente os motivos que vão torná-la menos
dependente das minhas sugestões e capaz de encontrar alternativas possíveis
para adaptar aquelas coisas que não passariam nesse crivo - mas que ela
adora e que fazem parte do seu estilo.
Eu sei que nos programas de TV alguns pseudoconsultores jogam
tudo no lixo e simplesmente proíbem uma pessoa de usar aquilo que ela sente
que a representa, mas preciso frisar, novamente, que isso não deveria
acontecer nem ali.
Outro ponto que me faz valorizar o questionamento é que ele liberta.
Veja bem, eu nunca me dei bem com receitas. Nem na cozinha. Toda
vez que eu tento seguir uma receita, dá errado - eu tive a capacidade de
transformar um brigadeirão (aquele pudim de chocolate, cuja receita consiste
em enfiar meia dúzia de coisas no liquidificador, depois no forno e ser feliz)
em algo branco e azedo.
Porém, eu faço algo que eu chamo de moodfood que funciona que é
uma beleza. Tanto porque em vez de me prender ao que alguém escreve ali
no papel, eu entendi como os ingredientes podem ser trabalhados e parti dali,
mas também porque eu acredito piamente na história do “quem não
arrisca...”.
E essa é uma das partes mais importantes do processo - e é onde ele
começa a parecer paradoxal.
Apesar de todas as análises e ferramentas que a gente tem, a
consultoria ainda é uma área da criatividade.
Entender as pessoas? Super. Ajudá-las com seus objetivos? Mais
ainda.
Mas vai dizer que aquele prazer de quando você consegue olhar pra
uma peça de um jeito diferente, talvez até abstraindo sua função original, e
encontrar um uso que a cliente jamais pensaria sozinha não é uma das
maiores expressões do teu amor por essa área?
Depois que você tem um objetivo definido, um dos jeitos mais
gostosos (e fáceis) de trabalhar a imagem de alguém na parte prática da
consultoria é deixar a criatividade fluir. Seguir a intuição. Dependendo do seu
ponto de vista, pode até ser o ato de abrir aquele armário imenso e deixar que
as roupas nos contem como elas querem ser aproveitadas.
O lance é que, depois que o look tá pronto, a gente precisa começar a
desconstruir o processo, como se seguindo uma checklist mental: o que isso
comunica, quais os efeitos visuais, pra onde chama mais atenção etc. E aí
corrige aquilo que não tiver ficado bacana - substituindo a peça, fazendo um
truquezinho de styling ou simplesmente partindo do zero e criando outro
look.
Sim, criando outro look. A beleza da coisa é essa: enquanto você está
montando o lookbook, você sempre pode recomeçar. E aproveitar cada
oportunidade para aprender mais ao questionar os motivos daquilo ter dado
certo ou não.
Basicamente, em vez de um paradoxo, veja como um ciclo: você usa
a teoria pra alimentar a sua criatividade e depois usa a criatividade para testar
a sua teoria.

Perdendo o medo
A autora Elizabeth Gilbert abre seu livro sobre a magia da
criatividade falando exatamente sobre o medo. A gente precisa dele até como
mecanismo de defesa - mas só em alguns momentos.
Para outros, como quando a gente está criando, ela tem uma visão
bem interessante de como lidar: assuma o medo na sua vida, deixe que ele
entre no carro contigo, mas que fique claro que ele vai ficar no banco de trás
e não vai dar palpite, te tirar da sua rota, encostar em qualquer mapa ou
sequer tocar no rádio.
Eu não consigo prever um número, mas eu imagino que muitas de
vocês que estão lendo esse livro agora provavelmente fizeram 10 cursos de
consultoria e sequer começaram a atender, ou fizeram 10 cursos de
consultoria, estão na vigésima cliente não-pagante e passaram os últimos 3
anos pensando em quando vão poder largar o emprego pra viver disso. Se
algum desses é o seu caso, deixa te dar um pouquinho do meu tough love,
porque aparentemente você tá questionando justamente aquilo que não
deveria: a hora certa.
Em primeiro lugar, eu sou a primeira a falar que os estudos nunca
acabam, mas se você não atender, nunca vai absorver aquilo que foi colocado
em sala e todo o conhecimento que vier depois será desperdiçado.
Eu fui a um evento de desenvolvimento pessoal, em 2015, enquanto
escrevia este livro, e uma das falas dos palestrantes ficou bem marcada na
minha cabeça. O nome dele era Vitor Damásio, da área de marketing digital,
e ele contou que por anos ele foi o maior especialista nisso… do quarto dele.
Estudava o dia inteirinho, mas simplesmente não colocava em prática.
Então, quando ele se cansou de só estudar madrugadas afora e não ter
nenhum retorno, ele resolveu adotar a regra do 1 pra 1. A cada hora de
estudo, ele passa outra praticando.
Ou seja, pra encurtar o seu caminho antes que esse bode finalmente
apareça, se você fizer um curso de 30h, eu te sugiro passar pelo menos as
próximas 30h da sua vida praticando antes de se enfiar em outra sala de aula.
O que me leva ao segundo caso, para o qual eu não quero te
“promover”: no começo, você vai trabalhar de graça (faz parte do
investimento). Praticar em clientes “cobaias” é essencial para o processo de
aprendizagem, pra exercitar uma série de coisas ensinadas em sala de aula,
então é ok que você tenha entrado nessa disposta a atender gratuitamente
alguns parentes e amigos. Mas, pelo amor, faça isso com objetivos definidos.
Ao fazer, trabalhe não somente na aplicação da teoria e nos
resultados, mas na sua metodologia também. Questione-se se aquela é a
melhor abordagem para seus clientes ou se é possível fazer diferente pra
atingir outros resultados. Aproveita o tempo para se avaliar: dá pra mexer no
questionário? Tem alguma ordem das etapas que você sentiu que funciona
melhor pro seu público ou pra você? Qual método de análise física te traz
mais segurança?
O que você não pode fazer é ficar sentada no banco de trás, enquanto
o medo fica sentadinho ali no volante, sem nem ligar o raio do carro. Até
porque nenhuma dessas respostas que a prática com as cobaias te dá é
definitiva ou tira o seu direito de mudar de ideia amanhã. Faça o melhor que
você puder fazer hoje e siga em frente.
Quando você tiver atendido umas 3 ou 4 pessoas depois do seu curso,
já sentir mais segurança e tiver uma metodologia de atendimento esboçada,
comece a cobrar minimamente. Valores de iniciantes estão aí pra isso. Se
rolar muita resistência, faça isso nem que o pagamento venha em forma de
serviços, em vez de dinheiro. Mas cobre.
A sua educação custou algo - e vai continuar custando pra sempre. Eu
sei que já falei sobre isso no capítulo sobre ganhar dinheiro, mas não é
demais repetir: sempre vai ter um curso, de reciclagem que seja, ou um livro
e não dá pra ficar adquirindo isso se você não tiver um retorno do
investimento.
Além de tudo, cobrar vai te tornar mais responsável, te obrigar a dar
sempre o seu melhor, e vai fazer com que as pessoas que você atende
apreciem mais o processo também.
Aprendendo com o erro dos outros
Na pior das hipóteses, aprenda com os erros dos outros. Eles estão aí
para isso - inclusive os meus.
Eu escrevi todo esse livro entre outubro e dezembro de 2015, salvo
um ou outro parágrafo e este sub-capítulo aqui. Em 2015 escrevi, inclusive, o
trecho que você acabou de ler sobre o medo.
Pois bem. Acontece que em 2016 eu fiz 2 grandes cursos de
empreendedorismo e mais alguns de desenvolvimento pessoal e formações
em terapias alternativas que me fizeram reformular o meu negócio inteiro, o
que fez com que eu acreditasse que o conteúdo que eu havia escrito estava
completamente defasado e já não valia mais a pena lança-lo desta forma. Eu
teria que reescrevê-lo.
O fato é que eu não reli o livro para tirar essa conclusão. Eu apenas
confiei no meu julgamento, que foi feito sob o véu do medo. Medo de não
ajudar ninguém, medo de ser julgada, medo de uma série de outras coisas. No
final de 2016, eu resolvi lançar um outro livro, o Liberte o Seu Estilo, e achei
que fazia mais sentido esperar até que ele fosse lançado para colocar este
livro para jogo.
O que aconteceu foi que eu engavetei este manual por 2 anos - e ele já
tinha capa e tudo - e quando finalmente vim revisá-lo descobri que mesmo as
coisas novas que eu achei que tinha aprendido ao longo de 2016 já estavam
aqui. Escritinhas.
O livro era mais atual do que nunca e eu mal precisei mexer no texto
para atualizá-lo.
Ou seja, eu deixei que a autossabotagem rolasse solta e me privei de
um dos meus maiores objetivos, que é o de ajudar outras pessoas a
trabalharem nesta área tão incrível da Consultoria de Imagem.
Eu não vou dizer que me arrependo de ter engavetado este livro por 2
anos, porque além de acreditar que tudo tem o seu tempo certo eu continuei
passando os conhecimentos que descrevi aqui por meio dos meus cursos de
formação, mentorias e supervisão, mas eu não recomendo essa experiência
para ninguém.
Então, aprenda com o meu erro. Tire os seus projetos do papel.
Bote o seu conhecimento no mundo e colha os frutos do
desenvolvimento dele!
Se você quer saber mais sobre
Como perder o medo e explorar sua criatividade
Leia o livro “A grande magia: vida criativa sem medo”, da Elizabeth
Gilbert. Publicado no Brasil pela editora Objetiva.
Você também pode aproveitar e assistir o TED dela sobre o fracasso,
disponível em inglês (com legendas em português), aqui:
https://www.ted.com/talks/elizabeth_gilbert_success_failure_and_the_drive_to_keep_crea
language=pt-br

Como tirar o melhor proveito das suas clientes experimentais


Vale pensar em um processo de supervisão ou mentoria. Para
entender como os meus funcionam, acesse
http://www.ericaminchin.com/profissionais
Capítulo 9
Melhoria contínua

A essa altura do campeonato, se você está criando coragem pra


começar ou engatar de vez o seu negócio, espero que eu já tenha te
convencido da importância da prática. Seja com clientes cobaias, pagantes ou
mesmo analisando fotos do Pinterest nas horas vagas: tudo vale.
Mas mais importante que praticar, é praticar com o objetivo de
melhorar. Em alguns casos, a gente vai ter que analisar o nosso próprio
trabalho sozinha ou com o apoio de uma supervisão. Em outros,
especialmente depois que já se está atuando, pode contar com a melhor ajuda
possível, que é a da cliente.
Além da parte óbvia (é ela quem paga as contas e te permite passar a
sua vida fazendo o que você ama), ela pode te dizer como você pode atingir
os seus objetivos de crescimento com mais facilidade. Mesmo que não
consiga dizer isso diretamente.
Por isso, estabelecer um processo de feedback é indispensável para a
sua empresa.

Feedback: o que é, onde vive e do que se alimenta?


Uma das traduções que os dicionários dão para essa palavra é
realimentação. Ou seja: você dá algo para o cliente e ele te alimenta de volta,
num ciclo infinito. Mas em vez de pensar nesse ciclo como algo que fica ali
girando ao redor de si, vamos pensar nele como uma roda? Conforme essa
informação vai e volta, é ela que vai movendo o seu negócio adiante.
A gente pode conseguir esse retorno de algumas formas, desde prestar
atenção nas interações ao longo da consultoria e fazer anotações num
caderninho (ou no bloco de notas do celular) do que o cliente pareceu sentir
falta ou simplesmente perguntar pra ela.
Embora eu ache que essa primeira tem um valor enorme, é sobre a
segunda que eu quero falar aqui. Pedir a opinião para a cliente é importante,
mas a gente também precisa ter um método pra isso.
Especialmente porque existem dois tipos de feedback: o que acontece
durante o atendimento, que permite que a gente ajuste o curso e melhore
aquele trabalho, e o que vem depois do atendimento, que vai beneficiar todo
o resto da nossa vida profissional.
Para ambos os casos, gosto muito da visão do designer e autor Paul
Jarvis: “a gente precisa ensinar o cliente a dar feedback”. Enquanto você
lida com os seus clientes o tempo todo, essa é a primeira ou a segunda vez
que eles lidam com alguém como você. Então, eles provavelmente não
saberão como criticar o seu trabalho. O melhor tipo de feedback para o Paul o
é descritivo e não o prescritivo.
Sendo ele designer, o exemplo que ele usa para essas distinções, e que
traduzi livremente, é “mude o azul para o verde” versus “esse azul é o
mesmo que o meu competidor usa. Como a gente pode fazer nossa paleta de
cores se destacar?”.
Trazendo para a consultoria, é interessante que a gente tente puxar da
cliente o que incomoda num look ou numa parte específica do atendimento:
se é a coordenação de cores e o que ela sente quando se olha, se é o caimento
ou o quê. “Eu não me sinto bem com esse look” versus “Me sinto mais
velha” ou “acho que essa peça me amplia o busto” etc.
Eu concordo com o Paul porque o trabalho fica mais direcionado
quando a cliente deixa claro o que funciona e não funciona pra ela, mas
também porque às vezes ela sente vergonha de dizer que não amou uma peça
ou look escolhida pela expert que ela mesma contratou.
Aí entra bem aquela questão que já falamos sobre ter empatia e sentir
o momento. Você pode achar um jeitinho mais delicado, mas precisa achar
um jeito. O meu jeitão é mais direto. Então, quando estou fazendo compras e
sinto que a pessoa não está 100% segura quanto a uma peça, pego como
exemplo outra peça ou look que tenha feito com que ela se achasse incrível e
já falo “Lembra dessa sensação? É ela que a gente tá procurando. Se for
menos que isso, a peça não sai da loja. Não é negociável”.
Não importa como você diga isso pra pessoa, o que importa é que
você consiga ensinar pra ela a importância de uma relação honesta entre
vocês duas - e isso só acontece quando a comunicação flui.
Sobre o feedback final, vale muito a pena já deixar um questionário
prontinho para mandar alguns dias depois que o processo terminar.
Neste, você precisa ser objetiva. Evite questionários longos ou
abstratos. Contando o campo de sugestões, 5 questões já formam um
questionário bem ok.
Outro aspecto interessante é a mensurabilidade. Por mais subjetivo
que esse tipo de trabalho seja, você sempre pode pedir para a pessoa dar uma
nota de 1 a 5, por exemplo, para a evolução da imagem dela com o processo
da consultoria.

Conseguindo um bom depoimento


Além do feedback, é bacana pedir o depoimento da cliente. A gente
pensa nele mais como ferramenta de marketing (você pode colocar no seu site
e isso dá a chamada prova social, que passa mais segurança para novas
clientes), mas ele também serve para identificar pontos onde você pode
melhorar - se a pessoa te dá uma resposta em que ela interpretou seu trabalho
de uma forma totalmente equivocada, já podemos identificar um ponto aí.
Se uma cliente me desse um depoimento falando que eu “a deixei na
moda”, por exemplo, teríamos um problema, já que o objetivo do meu
trabalho é que as pessoas vejam a moda apenas como uma ferramenta e não
como algo ao qual precisam se adaptar.
Assim como o Paul Jarvis quanto ao feedback, o estrategista em
marketing Sean D’Souza também acha que os clientes não sabem como dar
depoimentos. Segundo ele, um depoimento é uma história, precisa ter ritmo e
ele tem uma estrutura interessante para conseguir isso. São 6 perguntas
(traduzidas livremente e adaptadas para a consultoria):

Qual foi o obstáculo que teria te impedido de contratar esse serviço?

Segundo o Sean, sempre tem um obstáculo. Tempo, dinheiro,


confiança, falta de autoridade e por aí vai. Isso aqui é legal para saber onde
você pode melhorar o marketing do seu trabalho, mas, pra ele, traz um ângulo
único, diferente e dramático para a história.

O que você encontrou como resultado de contratar a consultoria?


Essa é importante porque já acaba com aquele obstáculo que outra
pessoa possa ter também.

Qual a parte específica que você mais gostou em todo o processo?

É preciso aprofundar. Se você simplesmente pergunta se a pessoa


gostou como um todo, ela vai dar uma resposta equivocada. Quando pede
para focar em um ponto só, a resposta fica bem detalhada.

Quais seriam os 3 outros benefícios sobre ele?

Depois que você conseguiu que o cliente seja específico, você pode
saber o que mais ele achou útil.

Você recomendaria pra alguém? Se sim, por quais motivos?

Essa pergunta é necessária porque quando a gente recomenda algo


para alguém, nossa integridade está em uso também.

Gostaria de acrescentar alguma coisa?

Nessa altura do campeonato, Sean acredita que a pessoa já disse tudo


o que queria dizer, mas nunca é demais dar a abertura.

Avaliando as respostas
Se tem uma visão comum que torna difícil qualquer análise de
feedback que não seja só elogioso, é a história de ver o trabalho como um
bebê.
Então, antes de mais nada, deixa eu te dar um ponto de vista
interessante sobre esse assunto: para a nossa amiga Elizabeth Gilbert, o mais
plausível seria que você fosse o bebê do seu trabalho e não o contrário.
Ela diz: “fui formada por tudo que já escrevi. Cada projeto me
amadureceu de uma maneira diferente. Sou a pessoa que sou hoje
precisamente graças ao que produzi e ao que minhas produções fizeram de
mim (…)”
E embora na consultoria a gente tenha toda a questão da empatia para
tentar produzir o look ou o dossiê da cliente da forma mais impessoal (no
sentido de que não tem o nosso gosto, mas o dela), ainda pode rolar um certo
apego sobre a informação que que a gente formulou. Considerando isso, não
poderia concordar mais com a visão da sra. Gilbert.
O meu trabalho não é o de produzir a cliente, é o de traduzir. A
informação vem toda dela e eu sou apenas uma ferramenta. Eu reconheço o
impacto da consultoria na vida de qualquer pessoa, por isso defendo que a
gente precisa ter mais responsabilidade ao exercer a profissão, mas cada
cliente minha me forma muito mais do que eu a elas. Mudam minhas visões,
meu jeito de lidar com o trabalho e me moldam como pessoa também.
Na hora de avaliar cada crítica ou sugestão, você tem que fazer um
exercício monstruoso de deixar o seu ego de fora dessa.
Sejamos francas: ouvir críticas não é nada gostoso. Por mais aberta a
isso que você seja, ninguém gosta de escutar onde tá errando, mas faz parte
do processo. Se eu atendesse hoje da mesma forma que atendia há cinco anos,
sem melhorar em um tantinho o meu trabalho, eu preferiria não atender mais.
Se ficar muito difícil lidar, pensa que não é exatamente pessoal. É
sobre o trabalho e às vezes não é nem sobre ele. E é por isso que deixar o ego
só no cantinho, observando, é tão importante - você vai ter que saber filtrar as
coisas.
O que normalmente faço é tentar dividir as críticas e sugestões em
mais ou menos três categorias: coisas que realmente faltaram no processo e
eu posso adicionar; coisas que faltaram por não fazerem muito sentido; coisas
que estavam lá, mas a cliente não percebeu.
Confesso que eu me esforço tanto para entregar a mais do que eu
vendo que eu raramente preciso das últimas categorias, mas nada é
impossível e eu estou bem longe de ser perfeita.
Por exemplo, enquanto escrevia esse livro, em 2015, eu tinha dois
formatos de atendimento presencial: um bem completo e um pocket. A
consultoria pocket não envolvia dossiê e eu deixava isso bem claro no meu
site, nos contatos com a cliente, no e-mail de confirmação e onde mais eu
puder. Até passo um bom tempo separando referências visuais pra mandar
pra cada cliente por e-mail, mas isso vai como um extra, não como algo que
está no contrato.
No entanto, já recebi retorno de cliente que adorou a consultoria
pocket e recomendaria para outras pessoas, mas no campo de sugestões
colocou que seria legal se tivesse um caderno com referências visuais - ou
seja, um dossiê.
Eu revisei mentalmente todas as nossas conversas presenciais,
resgatei todos os e-mails e até conversas por whatsapp, pra ver se eu tinha
pulado algo, e em todas as ocasiões eu tinha deixado bem claro a diferença
entre as duas. É claro que o feedback dela me foi útil e inclusive me fez rever
alguns processos, mas aquele não era um retorno necessariamente sobre o
meu trabalho, mas sobre a própria cliente que não se deu conta de que a sua
sugestão já existia, mas ela preferiu não contratar. Acontece.
Uma coisa que me ajuda a avaliar as respostas que não fazem tanto
sentido inicialmente é tentar entender o que fundamenta aquela fala da
pessoa. Como ela é, o histórico, o temperamento, o que eu aprendi sobre a
personalidade dela ao longo da consultoria e aí eu vejo qual é o meu pedaço
desse bolo.
(Aqui eu preciso fazer um parêntese, lembrando o que eu já falei lá
atrás: ideológica/espiritualmente, acredito que tudo o que me acontece é da
minha responsabilidade e, por incrível que pareça, pensar assim me ajuda a
analisar as situações mais friamente do que quando eu não olhava para o
mundo dessa forma. Então, mesmo que a cliente tenha deixado passar
alguma coisa ali e o feedback tenha sido muito mais dela do que meu, eu tive
alguma “culpa” pra ter recebido essa sugestão. O que não quer dizer que eu
vou remoer essa culpa como se eu tivesse cometido o erro mais grave do
mundo, mas que posso identificar, assumir, ajustar e seguir.
Se a sua visão da vida é diferente, apenas tente identificar os motivos
da cliente - um jeito diferente de lidar com o trabalho, um traço da
personalidade, alguma experiência de vida ou até o humor num momento
específico - e let it go. Você também pode bater um papo com a pessoa para
alinhar se realmente foi só uma sugestão porque havia esse campo no
formulário, ou se era uma insatisfação e se posicionar quanto ao que você
pensa que pode ter acontecido e como isso será resolvido.)
Em resumo, não deixa que o seu medo de ouvir qualquer coisa que
não seja um elogio te impeça de se tornar a melhor profissional que você
puder. Muita gente deixa de criar um questionário de avaliação do serviço por
causa disso (a maioria, aliás). Se você não criou o seu ainda, pensa em todas
as oportunidades perdidas de observar o seu negócio de outro ponto de vista e
encantar ainda mais as clientes que cruzam o seu caminho.
De tempos em tempos, reúna esses feedbacks e qualifique-os. Quais
são os mais recorrentes? Quais pontos de melhoria mais saltam aos seus
olhos? Faça uma lista.
Depois, avalie os principais e reflita sobre ações que você pode tomar
para cada um deles. É uma alteração simples ou mais complexa? Quanto
tempo vai demorar para colocar isso em prática? De quem depende? Seja
bem detalhista na resposta.
A próxima etapa é se perguntar qual delas traria o maior impacto para
o seu negócio. Você pode fazer isso medindo tanto o retorno desse esforço
quanto o efeito dele em todos os seus outros projetos.
No livro “A Única Coisa”, os autores Gary Keller e Jay Papasan
explicam sobre como uma pedra de dominó pode derrubar outra de até o
dobro do seu tamanho e como esse efeito pode ser aplicado aos negócios. É
sobre isso que a segunda métrica de decisão se trata.
Basicamente, você precisa escolher uma única tarefa que reduza o
esforço ou elimine completamente uma tarefa da sua lista. Analisando as
atitudes que você pode tomar, qual teria esse impacto em todo o resto?
O que você pode fazer hoje que vai facilitar a sua vida amanhã?
Por último, coloque na agenda. Como diz a Marie Forleo, se não está
na agenda, não existe. Além de definir o prazo para realizar essa tarefa, faça o
“mapa napoleônico só que ao contrário” e estipule datas para realizar todas
as etapas envolvidas nele!
Se você quer saber mais sobre…
Como educar os seus clientes para um melhor feedback
Assine a newsletter do Paul Jarvis. Quando me cadastrei, esse artigo
específico sobre o feedback foi enviado junto com outros highlitghts que
tinham rolado antes que eu conhecesse o trabalho dele, mas eventualmente
ele sempre toca no assunto. Você pode se cadastrar aqui:
https://pjrvs.com/signup/

Como conseguir o melhor depoimento


Leia o artigo completo do Sean D’Souza no CopyBlogger. Em inglês,
disponível aqui http://www.copyblogger.com/testimonials-part-2/.

Os motivos pelos quais o seu trabalho não é o seu bebê


Recomendo, novamente, o livro “A grande magia: vida criativa sem
medo”, da Elizabeth Gilbert. Publicado no Brasil pela editora Objetiva.

O efeito dominó nos negócios


Leia o livro “A Única Coisa”, de Gary Keller e Jay Papasan.
Publicado no Brasil pela Editora Novo Século.
Capítulo 10
Saia da caixa

Antes de começar, acho importante ressaltar que esse capítulo deve


ser lido com parcimônia. Se pintar qualquer sensação de FoMO (fear of
missing out ou o medo de estar perdendo algo), aquela impressão de que você
não pode continuar existindo enquanto não parar a sua vida pra colocar essas
próximas dicas em prática, pare imediatamente de ler este livro.
Levante-se daí, vá dar uma volta, pegue uma água, respire fundo e
acalme as ideias! Eu realmente recomendo que você faça algumas das coisas
sobre as quais vou falar adiante, mas isso não quer dizer que você tenha que
fazer pra ontem, ok?
Isto posto, a gente pode começar a discutir a importância de sair da
caixa.
Pois é. Frequentar bons cursos é obviamente importante
e complementá-los, especialmente com muita leitura e prática é
indispensável. Por isso, eu não sinto nem um pouco em te dizer isso: estudar
é recorrente. Não interessa a nossa idade e nem o tempo de
experiência, aprendizado nunca é demais.
Entre o momento em que eu escrevi esse livro e a revisão e
publicação dele, eu fiz mais de 10 cursos, dos mais variados temas. Isso em
um intervalo de 2 anos.

Cursos essenciais
Eu acredito que absolutamente qualquer experiência e conhecimento
são úteis em uma área tão multidisciplinar, mas se você precisa de uma
orientação, separei aqui algumas que eu considero essenciais e outras que eu
acho que podem ajudar a abrir caminhos. Começando pelos essenciais,
recomendo pelo menos esses 3:

a. Inglês
Muitas das minhas alunas perguntam se é preciso falar outro idioma
para trabalhar com consultoria. Eu sempre respondo que sim, pelo menos o
inglês.
Pode parecer estranho, porque você precisa de um público muito
específico pra precisar do inglês para atender (caso de quem pretende
trabalhar com clientes estrangeiros, ou como personal shopper em navios, por
exemplo), mas para se desenvolver como profissional é um conhecimento
indispensável.
Por mais que o mercado nacional tenha crescido, ainda encontramos
boa parte das bibliografias essenciais disponíveis apenas em inglês. Sem
contar que é interessante fazer pelo menos um curso no exterior, para ver
como o trabalho funciona em outros países e dar aquela reciclada básica. Isso
vale também para o francês e o italiano, mas como mesmo na França você
consegue encontrar cursos ministrados em inglês e porque a consultoria de
imagem nasceu nos Estados Unidos, não são tão necessários assim.

b. Empreendedorismo
A gente vai discutir isso melhor no capítulo 12, mas aqui no Brasil a
consultoria de imagem ainda é uma profissão essencialmente autônoma. Por
isso, ter noções básicas de planejamento estratégico, administração e finanças
são importantes para transformar sua habilidade em um negócio.
O SEBRAE possui cursos virtuais e presenciais gratuitos, ideais para
quem não tem a menor noção de nenhuma dessas coisas, mas você pode
encontrar esse tipo de conteúdo na Endeavor, FazInova e até escolas
tradicionais, como a FGV, que eventualmente abrem um curso voltado para o
tema.
Entre o momento em que escrevi o livro e publiquei, eu mesma fiz
mais 2 cursos sensacionais que já indiquei nos capítulos anteriores: o
Decola!LAB e a B-school da Marie Forleo.

c. Marketing
Esse é um assunto bem abrangente, mas é legal ler pelo menos um
livro ou fazer algum curso sobre branding ou marketing para serviços. Isso
vai te ajudar a levar o seu negócio pra outro nível, já que, como conversamos,
não tem essa de ser uma baita profissional se você não faz com que o mundo
saiba disso.
O mercado é bem vasto para ambos os assuntos, mas se você quer
começar pela leitura, sugiro “A estratégia do Oceano Azul”, que já indiquei
aqui, para marketing. Especificamente voltado para branding, gostei bastante
do Creative Personal Branding, do Jürguen Salenbacher e do Fortune Cookie
Principle, de Bernadette Jiwa.
A B-school e o Decola!LAB também se enquadram nessa categoria.

Outros cursos
Mesmo que você não pretenda sair da consultoria com foco em
vestuário no atendimento individual, também vale fazer outros cursos para
abrir a sua cabeça. Aqui a lista é imensa e sem limites. Depende apenas da
sua capacidade de unir ideias.
Para mim, alguns cursos foram especialmente úteis:

a. História da arte
É legal entender o universo visual de uma forma mais completa.
Como todas as coisas estão relacionadas, eu consigo entender o vestuário em
um contexto maior quando eu entendo também de artes, cinema, fotografia e
arquitetura. Não me aprofundei em nenhum desses tópicos ainda, mas
eventualmente faço um curso ou leio algum livro voltado para eles.
Esses cursos podem ser encontrados em museus, escolas
independentes e até em formatos livres em grandes faculdades. Para quem
procura ler pelo menos o básico, recomendo a série “Ismos para entender”, da
editora Globo.

b. Sociopsicologia
Por causa da relação do vestuário com o comportamento e também do
meu entendimento da consultoria como uma área de autoconhecimento, senti
necessidade de entender como o ser humano se relaciona consigo mesmo e
em sociedade.
Encontrei isso na minha pós-graduação, na FESPSP, que me deu uma
base em antropologia, sociologia e psicanálise, entre outros, mas existem
vários cursos livres que abordam esses temas - além de livros.
c. Marketing pessoal
A imagem é uma ferramenta importantíssima do marketing pessoal,
mas não só isso. Então, seja para melhorar o conteúdo que você transmite
para as clientes, e também a sua forma de se colocar pro mundo, é legal
entender um pouco sobre o assunto.
Além, disso, algumas noções de etiqueta são ultrapassadas, mas
dependendo do seu círculo social e da clientela que atende podem fazer
bastante sentido. Outro motivo para aprender esse tipo de orientação, se você
for do tipo rebelde, é para saber justamente onde e como rompe-las (já que
algumas são apenas resultado de uma sociedade opressora e precisam mesmo
mudar).
A Cláudia Matarazzo segue como referência importante e até mais
acessível da área, com muito conteúdo publicado e ministrando cursos
eventualmente. Além desses, um livro bem conceituado sobre o tema é o
“Etiqueta Social pronta para usar”, do Josué Lemos da Silveira.
No “Organização de Eventos”, da Cleuza Cesca, também é possível
encontrar algumas informações úteis.

d. Oratória
Aqui, não recomendo nenhum curso ou livro específico sobre o tema
porque ainda estão na minha lista de “a fazer”. Por enquanto, li apenas
alguns artigos e assisti alguns vídeos aleatoriamente.
Mas considero um conteúdo interessante porque servem tanto para
quem pretende ministrar workshops e palestras, quanto para quem quer
melhorar a comunicação verbal no atendimento individual.

Em resumo
Essa é apenas uma lista introdutória, para te ajudar a pensar fora da
caixa e buscar conhecimento em outras fontes.
Eu já passei por cursos de gerência de produto, vendas, desenho e até
de EFT e Thetahealing, que foi um dos que mais me marcou por enxergar de
outra forma as crenças limitantes e a investigação delas. Parei de contar, até
porque eu não faço mais currículo no método tradicional há um tempo, mas
da última vez eu já tinha passado de 30 cursos livres (sem contar a pós-
graduação e extensões).
Uma coisa que me ajuda a manter o ritmo (e não me deixar levar pelo
FoMO ou arruinar a minha conta bancária) é manter como meta a conclusão
de pelo menos um curso por ano. Eu sei que dá vontade de fazer tudo-ao-
mesmo-tempo-agora, mas isso é ruim até porque a gente precisa de um tempo
de maturação das novas ideias. Então essa foi uma estratégia que eu encontrei
que me acalmou e me ajudou a manter o foco sem precisar parar a vida. Um
passinho por vez é melhor do que passinho nenhum nunca, né?
Embora eu não use a maioria desse conteúdo extra diretamente no
meu trabalho, considero todos importantes para ter a visão que eu tenho do
meu atendimento e sei que cada um deles impacta nas minhas atitudes com
relação às clientes - o negrito no “eu tenho” é pra lembrar que isso foi o que
funcionou pra mim, mas você precisa pesquisar o que faz sentido pra você.
Esse é o ponto principal porque melhora minha compreensão, me
ajuda a lidar melhor com elas e ainda aumenta meu repertório (o que cria
proximidade), mas também me traz outras vantagens.
Expandir minha zona de conforto e sair do currículo padrão da
consultoria de imagem me permite entender melhor o mercado (de moda e o
comércio em geral), contextos sociais, políticos e econômicos e isso me ajuda
a tomar melhores decisões na hora de comprar um produto ou montar um
look para uma ocasião específica, por exemplo.
Capítulo 11
O tal do consumo consciente

Enquanto eu me preparava para escrever este capítulo, pintou no meu


feed do Facebook uma matéria sobre como a Europa anda se organizando pra
reduzir os desperdícios da indústria têxtil, outra sobre como o poliéster
reciclado está mudando o mundo da moda e mais uma sobre negócios
colaborativos transformando o consumo de moda. Isso tudo em um mesmo
dia e é só um pedacinho de toda movimentação que tá rolando nesse sentido.
Até a revisão e - finalmente - publicação desse livro, esses temas só se
multiplicaram.
Não é uma coincidência, é uma necessidade.
Poderia ser só porque a indústria têxtil emite dióxido de carbono
loucamente ou por causa das pessoas que são escravizadas em pleno 2015,
pra que você consiga pagar R$10,00 naquela blusa que vai para o lixo antes
que possa sequer descobrir o que é uma máquina de lavar.
Poderia ser por causa da quantidade absurda de ingredientes químicos
na produção de uma peça - começando pelos agrotóxicos, que matam muita
gente de câncer, passando pelos químicos necessários na fabricação das fibras
sintéticas e terminando pelos acabamentos.
E pela quantidade de lixo que a gente anda produzindo e que vai parar
em depósitos na Ásia. Ou também pelo desperdício de água, um item cada
vez mais valioso e escasso no mundo - sugiro uma pesquisada no Google
sobre quantos litros d’água são necessários para fabricar uma mísera peça de
roupa.
Mas como já deve ter ficado claro a essa altura do texto: é por tudo
isso e muito, muito mais.
E, não, o fast fashion não é a democratização da moda e quem
também cantou essa bola muitíssimo bem foi a filósofa Silvia Feola. Em um
artigo excelente para o Estadão, ela aponta que “quando incentivamos o fast
fashion enriquecemos apenas uma meia dúzia de grandes empresários, donos
de grandes marcas. Isso não é democratização do dinheiro.”. Entre outras
verdades.
Você pode pensar que a camisetinha mais barata é mais acessível para
quem tem pouco poder aquisitivo, mas o que essas empresas fazem é
monopolizar a produção da moda e matar as possibilidades de trabalho que
pequenos produtores regionais teriam, se não tivessem que competir com
uma empresa que precariza as condições de trabalho de toda uma rede para
maximizar os lucros.
Em resumo, quando a gente compra a camisetinha mais barata, a
gente está dando dinheiro para gente como o dono da Inditex - eleito o
homem mais rico do mundo pela Forbes em outubro de 2015, quando as
ações do grupo que controla a Zara tiveram grande alta, apesar de todos os
escândalos sobre as condições trabalhistas nos quais a Zara anda envolvida.
Infelizmente, não é só em marcas que têm o propósito de serem mais
baratas que isso acontece. No Brasil, por exemplo, marcas voltadas para
quem tem mais grana pra consumir, como a Le Lis Blanc e a M. Officer, já se
envolveram nesse tipo de escândalo.
É verdade que depois do slow food o movimento slow fashion acabou
se tornando uma consequência, e que marcas do mundo inteiro estão
substituindo o fashion (moda) por clothing (vestuário), mas há um longo
caminho a ser percorrido.

E o que nós temos a ver com isso?


Considerando que uma das principais funções da consultoria é mudar
a relação de consumo que nossos clientes têm com a moda, é nosso trabalho
pesquisar boas alternativas e educá-los sobre os impactos do consumo
desenfreado e impensado não apenas para seus bolsos e armários, mas para o
meio ambiente e a vida de pessoas que a gente nem conhece.
A boa notícia é que o assunto tem sido tão explorando nos últimos
anos que se educar a respeito é cada vez mais fácil.
Um dos meus pontos de partida favoritos é o livro “Eco Chic”, escrito
pela Mathilda Lee. Ela passa por toda a cadeia têxtil e explica impacto por
impacto daquela compra que a gente faz ignorando a procedência. O livro é
completo, bem escrito e traz uma lista de marcas bacanas e mais responsáveis
ao final (inclusive brasileiras, se você comprar a edição traduzida).
Para quem fala inglês, viaja bastante e inclusive recomenda ou
oferece algum tipo de serviço que envolve marcas estrangeiras para suas
clientes, o “Ecouterre” é de leitura obrigatória. O portal oferece informação
sobre consumo consciente, novas práticas, tendências e inspirações em moda
ecologicamente correta e sustentável - existe até uma seção de moda vegana.
Se você quer boa informação, mas dispõe de menos tempo pra
começar, uma boa introdução ao assunto é o documentário “True Cost”, que
tem como ponto de partida o desabamento do Rana Plaza, prédio que
abrigava uma série de confecções contratadas por gigantes da moda mundial,
em Bangladesh. Apesar de fazer isso de forma mais superficial (mas não
menos chocante), o documentário também vai além das questões trabalhistas
e mostra um pouco do lado ambiental.
Quanto mais informação, melhor o caminho. Mas existem as questões
práticas que a gente sempre pode aplicar no nosso dia-a-dia de trabalho.

a. Compre de quem faz


Comprar de artesãs/marcas menores/lojinhas de bairro sempre vai ser
mais interessante, ambiental e socialmente falando, do que comprar de
grandes redes. Além de valorizar o trabalho de uma pessoa e fortalecer a
economia regional (seja do bairro, da cidade, do estado ou do país), você fica
sabendo a procedência do produto e não corre risco de financiar o trabalho
escravo em lugar algum.
Outro ponto bacana dessa alternativa é a exclusividade. Como os
produtos são fabricados em pequena escala, dificilmente você encontrará
outras 2.832.983 pessoas vestindo a mesma roupa que você por aí.
O movimento surgiu por iniciativa da plataforma Tanlup, mas acabou
inspirando outras possibilidades, como um grupo no facebook voltado apenas
para a produção feita por mulheres.

b. Descubra a procedência
Comprar de grandes corporações pode não ser um problema, desde
que você acompanhe os passos daquela marca e procure se certificar, na
medida do possível, se os seus processos não agridem o meio ambiente e se
os funcionários são valorizados. Além da listona que o “Eco Chic” traz, vale
baixar o aplicativo Moda Livre que monitora as questões trabalhistas de
algumas das maiores marcas de moda nacionais.
Em escala global, o aplicativo “Good on You” também é bem útil
para rastrear marcas espalhadas principalmente pelo hemisfério norte.
Aliás, essa preocupação também vale para quando você compra de
empresas menores. Não adianta comprar de quem faz um trabalho belíssimo
sem questionar a procedência do material usado na produção.

c. Cuidado com aquilo que parece bom demais


Muito se fala sobre novas fibras sustentáveis, como o bambu, por
exemplo. Mas é preciso tomar cuidado porque às vezes o processo de
transformação desses materiais em fibras têxteis ainda é extremamente
poluente.
No caso do bambu, ele é considerado ecologicamente interessante
porque é fácil de replantar, o que é excelente já que o algodão, por exemplo,
tem muito mais limitações. O problema é que para transformar o bambu em
fibra que faz tecido, ele é transformado em um tipo de viscose - um processo
tão poluente e agressivo ao meio ambiente quanto o tingimento das roupas
que a gente usa, e que tem sua produção supercontrolada por conta disso.
É claro que conforme a tecnologia se desenvolve soluções para esses
problemas são encontradas, mas a gente precisa ficar de olho.

d. Transforme
Antes de se desfazer, tenha certeza de que a peça (sua ou da cliente)
não ganharia nova vida com uma transformação. Um bordado aqui, um
aplique ali, uma barra acolá. Grandes ou pequenas, as possibilidades são
infinitas. Frequentemente sugiro que clientes transformem vestidos em
blusas, blusas em saias ou calças em shorts e o resultado fica bem bacana!
Se você ou a cliente tiverem alguma inclinação para os trabalhos
manuais e conseguirem fazer sozinhas, legal. Existem movimentos no mundo
inteiro que estimulam a volta do conhecimento dos pequenos reparos dentro
de casa, além de oficinas de transformação de peças, como o projeto
“Reroupa” da estilista Gabriela Mazepa e d’ “A Costureirinha” Elisa Dantas,
que transformam calças em blusa, camisas em saias, camisetas em vestidos e
por aí vai.
Se essa não é sua praia, aquela costureira do bairro pode ser uma
excelente ajuda.

e. Reaproveite
Nem sempre uma mudança física é necessária para que a gente possa
aproveitar mais uma peça querida. Em muitos casos, basta olhar de um jeito
diferente para elas. Seja coordenando com uma cor que não tinha pensado,
ousando misturar com uma estampa ou acessório inusitado ou até pensando
em um outro jeito de vestir a peça.
Dá para transformar brinco em enfeite de sapato, vestir cardigã de
ponta-cabeça, blusa de trás pra frente, usar saia como blusa (sem alterar a
peça) e por aí vai. Tem que deixar a imaginação fluir.

f. Limite o armário da sua cliente


As amantes da Carrie (do seriado Sex and the City) que me
desculpem, mas de onde eu vejo, armário cheio é igual a pesadelo. Muitas
opções não rendem muitos looks porque dificultam a hora de planejar, não
deixam a gente visualizar o que realmente interessa e isso só aumenta a nossa
insatisfação.
Em vez de sair comprando loucamente, pergunte-se se aquela peça vai
mesmo funcionar com outras que a sua cliente tem ali e se ela faria falta na
vida. Se a resposta para a segunda pergunta for “não”, já sabe, né?
É bem comum que no meio das compras a gente encontre aquela
preciosidade em uma promoção imperdível, mas o nosso trabalho requer
sangue frio e planejamento estratégico pra superar essas tentações.

g. Recomende qualidade em vez de quantidade


O fast fashion deixou muita gente mal acostumada – sites que trazem
bugigangas da China, mais ainda.
E, assim: roupa é que nem opinião. Se você for cheia delas, é porque
algo certamente está sobrando; se mudar frequentemente parece que não faz
isso de maneira embasada.
Um dos caminhos mais rápidos para consumir de forma consciente (e
um dos motes da consultoria de imagem) é trocar volume por coerência. Em
vez de comprar aquelas 4 blusinhas de R$20,00 que vão se desfazer antes de
chegar na máquina e que sacrificaram muitas coisas para que pudessem
custar isso (incluindo vidas), vale mais a pena investir em uma de R$80,00 ou
R$100 que fica perfeita e vai durar muito.

h. Abra a cabeça
Porque não é um serviço barato, a consultoria individual acabou com
fama de elitizada. Por isso, muitas consultoras descartam logo de cara a
possibilidade de fazer compras em lugares alternativos, como feirinhas de
pequenos produtores e brechós.
Se você mostrar os benefícios para as suas clientes, elas ficarão felizes
em saber que é possível encontrar roupas com boa qualidade, sem gastar
muito e ainda garantir um resultado único.
É claro que aqui você precisa considerar as crenças de cada uma. Tem
gente que acha que roupa usada carrega energia ruim e não vai adotar a ideia
de jeito algum. Eu já acho que não tem energia melhor do que poupar a
natureza de mais um lixo, mas preciso respeitar quem pensa diferente.
Você vai precisar fazer um bom trabalho de pré-seleção e roteiro para
encontrar as peças mais legais, nos tamanhos corretos e em bom estado, mas
é super possível atingir um resultado bacana utilizando essas opções.
Além dos brechós e das feirinhas de pequenos produtores, rola
acompanhar em bazar de troca.

Fique atenta ao futuro


Além da nossa necessidade básica de proteger o corpo com as roupas
e de fazer uso delas para nos comunicarmos, a moda é uma das indústrias que
mais emprega no mundo e não dá pra simplesmente acabar com ela de um dia
pro outro.
Soluções precisam ser encontradas para os problemas que ela gera.
Por isso, novas tecnologias têxteis são pensadas todos os dias.
A gente vê isso na transformação de matérias-primas menos óbvias e
menos escassas em fibras têxteis, em processos de tratamento de matéria-
prima, e até na reciclagem daquilo que já está por aí.
Exemplos disso são o bambu, o couro e o poliéster, respectivamente.
O bambu, apesar dos pesares, ainda é interessante por causa da sua
capacidade de ser replantado.
No caso do couro, o processo não é tão novo assim, mas foi
transformado. Normalmente, o couro é curtido em cromo, mas existe uma
técnica bem antiga de fazer isso usando extrato de casca de árvore e outros
vegetais. O problema é que antigamente o couro curtido no vegetal ficava
duro e era usado pra fazer selagem, por exemplo. Mas agora existem
processos que garantem que o resultado seja super macio, como conta a
Matilda Lee no “Eco Chic”.
Há alguns anos, várias empresas, como o grupo Armani, investem na
reciclagem de poliéster usando roupas e até garrafas PET, que é útil para o
meio ambiente porque ajuda a resolver o problema do lixo não-biodegradável
e ainda tem um processo de produção menos agressivo do que o que usa a
matéria-prima virgem para criar a fibra do zero.
Eu sei que ele não é dos melhores materiais em termos de conforto,
mas é barato e também tem níveis de qualidade diferentes - o que torna
possível encontrar uma peça de poliéster legal, especialmente se tiver mistura
com outras fibras.
Outra coisa que vale ficar de olho é no trabalho de pessoas como a
designer Suzanne Lee, que cultiva a suas fibras a partir de kombucha (uma
espécie de chá). Esse ainda não é um processo escalável, mas o fato disso ser
possível só nos traz esperanças de que o mundo ainda tem chance de
melhorar, né?
Além das novas formas de fabricação, vale ficar atento aos novos
modelos de negócios - especialmente os colaborativos.
Enquanto escrevia este livro, a House of Fashion, em São Paulo,
lançava a “Roupateca’: uma biblioteca de roupas em que você pode escolher
uma quantidade de peças do acervo e usá-las por até 10 dias, mediante uma
assinatura. Logo depois, vi surgirem alternativas como a LucidBag e outros
projetos similares.
Essa é uma ótima opção para clientes que estão em fase de
emagrecimento, inventam mil desculpas para não repetir roupa ou estão
indecisas sobre adotar uma proposta de imagem específica, por exemplo.
É um pouco desesperador quando você começa a olhar o que cada
pedacinho de tecido pendurado no seu armário representa pro mundo e para
as gerações futuras, eu sei. É a típica coisa que você lê um pouco aqui, vê um
documentário ali, pesquisa uma matéria acolá e pede um cafuné e um abraço
de alguém querido entre um intervalo e outro, pra manter o coração batendo.
Mas também é a típica coisa que a gente não pode simplesmente
ignorar e esperar que passe. A gente precisa assumir as nossas
responsabilidades e fazer o que estiver dentro do nosso alcance para mudar.
Eu espero que esse capítulo tenha te dado uma pontinha de inspiração
para fazer a sua parte.
Se você quer saber mais sobre…
Como a Europa está se organizando pra reduzir os desperdícios da
indústria têxtil
Leia a matéria homônima que a Casa Tear Magazine fez sobre o
assunto. Você pode acessar nesse link aqui:
http://www.casatearmagazine.com.br/europa-se-organiza-para-reduzir-
desperdicios-da-industria-textil/

Como o poliéster reciclado está mudando o mundo da moda


Também vale ler o artigo excelente do Stylo Urbano, disponível em:
http://www.stylourbano.com.br/como-o-poliester-reciclado-esta-mudando-o-
mundo-da-moda/

Os motivos pelos quais o fast fashion não é a democratização da moda


Tem que ler a coluna completa da Silvia Feola, no Estadão. Aqui, oh:
http://brasil.estadao.com.br/blogs/cotidiano-transitivo/fast-fashion-nao-e-
democratizacao-da-moda/

A dimensão da riqueza do Amancio Ortega, da Zara


Chora com essa matéria do El País Brasil:
http://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/23/economia/1445595885_700753.html

Como está rolando o resgate de práticas artesanais na moda


Veja o artigo da Adriana Ferreira para a Folha de São Paulo, neste
link:http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2015/10/1694847-resgate-de-
praticas-artesanais-na-moda-veio-para-ficar.shtml

Todos os impactos de cada peça que está no seu armário (e no das suas
clientes) e como reduzir isso
Não deixa de ler o livro “Eco Chic”, da Matilda Lee, publicado no
Brasil pela Editora Larousse.
Também é legal começar pelo documentário “True Cost”, que você
pode saber por onde acessar no http://truecostmovie.com/.
Vale salvar os sites do Ecouterre e do ModeFica nos seus favoritos:
http://www.ecouterre.com/, http://www.modefica.com.br/, além de
acompanhar o movimento Fashion Revolution http://fashionrevolution.org/.

Como as grandes marcas nacionais estão tratando seus funcionários


Precisa baixar o app Moda Livre, da Reporter Brasil. Disponível
gratuitamente em versões para IOS e Android.
E em âmbito global, verificar o app Good on You. Também
disponível para os 2 sistemas operacionais.

Como encontrar novas formas de solucionar esses velhos problemas


Fique atenta aos projetos do Roupa Livre, liderado pela Mari Pelli.
Além dos eventos de troca (que inspiraram um aplicativo), oficinas de
Reroupa e outras, no site você encontra um Mapa da Mina colaborativo, com
indicação de costureiras, brechós e marcas bacanas do país e até espalhados
pelo mundo. Acessa aqui: http://www.roupalivre.com.br/
O trabalho da designer Suzanne Lee, que cultiva seus tecidos a partir
de uma espécie de chá, assista ao TED em que ela fala um pouco sobre suas
motivações e sobre o processo também. Disponível aqui, em inglês, mas com
legenda em português:
https://www.ted.com/talks/suzanne_lee_grow_your_own_clothes?
language=pt-br
O movimento “Compro de Quem Faz”, assista aos vídeos e leia o
manifesto disponível no site oficial: http://comprodequemfaz.com.br/. Se for
mulher, procure o grupo “Compro de Quem Faz - das Minas” no Facebook.
Capítulo 12
Você é uma empresária

Eu sei que é muito gostosinho montar looks e fazer compras, mas


você não vai ter compra para fazer ou look para montar se não entrar na sua
cabeça que, enquanto consultora você é uma empreendedora.
Talvez até uma empresária.
Desculpe pelo choque de realidade, mas é extremamente necessário
que a gente fale sobre isso. Então, antes de mais nada, repete aí comigo:
EU SOU UMA EMPREENDEDORA.
Por enquanto, uma pessoa que se forma em consultoria de imagem ou
personal stylist no Brasil trabalha por conta própria. No máximo, faz um
estágio ou um trabalho de assistente, mas para virar consultora você vai
acabar trabalhando sozinha. E isso quer dizer ter uma empresa. E
empreender.
A minha primeira coach, Flavia Adura, que me ajudou a tirar o
projeto antigo do curso online do papel, fala que pra viver da sua paixão é
preciso de autoconhecimento e coragem. Para ela é impossível descobrir sua
paixão sem antes ir lá no fundo, encontrar o que te faz feliz e o que
verdadeiramente te move.
Ela contou que uma das perguntas mais poderosas para responder essa
questão é “se dinheiro não fosse problema, o que você faria hoje e de
graça?”.
Essa pergunta é tão poderosa porque as pessoas se limitam por
crenças impostas pela sociedade (ou por si mesmas) de que viver da paixão
não dá dinheiro – ainda que quando a gente analise as pessoas que de fato
vivem da sua paixão, descubra que elas ganham o suficiente para acreditar
que aquela foi a sua melhor escolha. E descubra que podem até ganhar mais
do que quem não ama o que faz, já que seguir suas aptidões torna a
caminhada mais tranquila.
O que ela percebeu atendendo empreendedores é que eles cometem
alguns erros bem comuns, como não ter foco, não planejar, não entrar em
ação, desistir e ainda se paralisarem pelo medo.
Mas dá para solucionar isso depois que você encontra o seu objetivo.
Ela aconselha que você não dê nem um passo enquanto não encontrar o
objetivo, porque é impossível focar se você não sabe claramente aonde quer
chegar.
Esses erros podem ser solucionados meio que em cascata. A Flávia
fala que, depois que você define o foco, pode planejar e isso deve ser feito a
partir do objetivo mais audacioso que você possui e o prazo para atingi-lo.
Quando você tem esse prazo, você pode dividir em períodos de um ano e ir
preenchendo cada ano com as ações que você vai fazer para conquistar seu
objetivo final.
Então, por exemplo, você escreve o seu objetivo e o ano em que quer
realiza-lo, que digamos ser 2020. Em seguida você escreve o que estará
fazendo em 2019 e assim por diante, até chegar no seu momento atual. Você
vai desconstruindo até o momento em que fique claro o que você vai fazer
hoje para dar os primeiros passos. E aí você entra em ação!
Mais ou menos como a estratégia napoleônica só que ao contrário
sobre a qual contei há alguns capítulos.
Sobre a desistência, um dos argumentos comuns é relacionado ao
tempo que isso vai levar. Combativa, Flávia pergunta: “o tempo já não vai
passar de qualquer maneira, você querendo ou não?”.
A ideia aqui é focar na sensação de atingir o seu objetivo e pensar em
como será o máximo quando esse tempo passar e você tiver alcançado o que
queria. Isso, aliás, vai te ajudar com a parte do medo. Para a Flávia, o medo é
normal, a gente só não pode se paralisar por ele, e bastam apenas alguns
segundos de coragem para começar a agir, deixando-o pra trás.
Aqui eu ainda acrescento uma dica que já não me lembro mais onde
vi, mas é de começar construindo alguma coisa que vai te lembrar da sua
visão. Dizem que o Walt Disney, ao construir o parque da Flórida, fez com
que o projeto começasse a ser construído pelo castelo, para que as pessoas
pudessem lembrar-se da magia. Ele poderia ter começado por qualquer outro
lugar, mas escolheu o castelo porque essa visão serviria de inspiração mesmo
nos dias difíceis, em que todo o concreto, sujeira e drama da construção
ficassem especialmente puxados. O castelo seria um ícone que faria com que
todos os envolvidos tivessem uma visão do que viria ser o parque um dia.
Mas voltando para a Flávia, ela acredita que todo mundo pode
empreender, desde que você saiba que é isso o que você quer, porque vai
precisar desenvolver algumas competências (como precisaria caso optasse
pelo concurso público ou pelo emprego formal).
Se essa não é a sua pegada, não se preocupe! Eu, Érica, tô aqui pra te
dizer que não precisa se afastar totalmente dessa área que você gosta. Dá pra
usar os seus conhecimentos em consultoria de imagem para trabalhar em
outras áreas em que você será apenas a funcionária - você pode se formar em
moda e trabalhar com criação dentro de uma marca, por exemplo, ou virar
uma personal shopper fixa dentro de uma loja (uma vendedora
especializada).
Mas antes de determinar se isso é ou não pra você, eu sugiro que você
leia esse capítulo até o final, ok?
E mesmo estando um pouco na dúvida, repete comigo mais uma vez:
“eu sou uma empreendedora”. Repita isso sempre que precisar lembrar que
não são só as questões legais que isso envolve que importam (como os
impostos, por exemplo), mas também marketing, finanças, contratos e até
atendimento ao cliente.

Olá, burocracia!
Questões éticas à parte, ter um negócio formalizado não só te protege
de futuras dores de cabeça, como passa muito mais credibilidade para as suas
clientes. Sem contar que a sua vida flui lindamente quando você aceita isso e
começa a organizar seus processos.
Sim. A coisa toda é mais trabalhosa do que a gente gostaria, mas
menos problemática do que parece. Especialmente depois que você já passou
pelo passo mais difícil - de encontrar o seu diferencial, estipular os tipos de
cliente que vai atender e até entender a sua relação com o dinheiro, como a
gente viu no capítulo 6.
O que pega mais nessa etapa é a burocracia, mas para isso servem
outros especialistas.

Formalizando sua empresa


No Brasil, muitas consultoras abrem MEI por causa dos custos
menores e também pela história de que este formato dispensa o serviço de
contabilidade, mas não é bem assim que funciona.
Primeiro é bom entender que a atividade de consultoria de imagem
não entra em nenhuma categoria do MEI. Isso não é necessariamente um
problema, já que esta é uma profissão tão nova que ainda não entra em
categoria alguma das reconhecidas pelo governo.
Como não é reconhecida, você vai ter que procurar o seu diferencial
(e conversar com um contador) para estipular em qual atividade você vai se
enquadrar.
O problema específico do MEI é que esse tipo de enquadramento tem
uma limitação baixa de ganhos. Enquanto escrevia esse livro (entre 2015 e
2017), o teto era de R$60.000 por ano, o que dá uma média de R$5.000/mês.
Se você ainda está no comecinho e a consultoria é só um projeto que
você faz nas horas vagas até que tenha mais segurança para largar o resto,
R$5.000 por mês pode ser um valor razoável. Sendo assim, vale a pena
considerar o caminho da MEI.
Independentemente disso, recomendo que você já considere os custos
de contabilidade e de impostos que você terá quando mudar de categoria. Isso
precisa começar a ser planejado no seu preço, para que você tenha espaço
para fazer um aumento gradual dele. Do contrário, precisará aumentar tudo
muito bruscamente e abraçar o risco de perder clientes (ou sair no prejuízo
porque aumentou muito devagar e teve um gasto maior do que poderia).
Por outro lado, se a consultoria já é a sua fonte de renda e você
resolveu viver 100% dela, R$5.000 é um teto bem baixinho, já que uma
consultoria completa custa por volta deste valor e o seu objetivo certamente
vai ser vender mais do que um atendimento por mês, certo? Se isso acontecer,
você automaticamente será movida de categoria se ultrapassar o teto, tendo
que pagar mais impostos e contratar um escritório de contabilidade de
qualquer forma.
Outro ponto é que quem tem MEI não pode participar de outra
empresa como sócio ou titular e só pode contratar um empregado que receba
salário mínimo (ou piso da categoria). Se você for do tipo multipotencial e
resolver participar de vários negócios ao mesmo tempo, isso será um
impedimento.
Ao pesquisar, você vai perceber que existem vários tipos de empresa
(ME, MEI, EIRELI, SA), o que pode acabar confundindo a cabecinha de
quem nunca lidou com isso antes. Por isso, converse com um contador de
confiança. De preferência, converse com mais de um.
E leia sobre as suas obrigações como empresário mesmo assim! Eu
vou bater bastante nessa tecla porque ela já me bateu muito na cabeça.
Um bom contador vai te perguntar quais são as atividades principais
da empresa, a previsão de faturamento, localização e mais uma série de coisas
para entender o melhor enquadramento perante o governo. Também contam o
patrimônio, o tipo de responsabilidade, o capital e investimento necessários.
Se a empresa é individual ou uma sociedade, também faz toda a
diferença.
Na hora de contratar um escritório de contabilidade, é legal saber que
existe diferença entre serviços contábeis, fiscais e trabalhistas, e a contratação
de cada um (ou todos) depende da necessidade de cada empresa, mas isso
trará um impacto direto nos seus custos. Você precisa estabelecer isso tudo
direitinho com a pessoa ou escritório que irá prestar esse atendimento, tá?
Algumas empresas já possuem plataformas digitais que ajudam até a
fazer o controle do seu fluxo de caixa e a planejar seus movimentos com mais
facilidade. Lembra do nosso papo sobre precificação?
Como eu já tive vários problemas com serviços de contabilidade
nessa vida, a melhor dica que eu posso te dar é: se informe ao máximo antes
de contratar. Você pode pedir indicação para conhecidos e também
referências para o próprio escritório, mas o mais importante é se informar das
suas obrigações.
Eu sei que para quem tem o pezinho na área de humanas, lidar com
isso tudo é muito chato. Mas não dá para simplesmente largar uma parte tão
importante do seu negócio na mão de outras pessoas, sem ao menos entender
como cobrar que o serviço seja feito corretamente.
Isso é bem cansativo e a legislação brasileira pode ser bem complexa,
mas a informação vai te poupar muito dinheiro e dores de cabeça. Acredite!
Porque fechar uma empresa é um processo longo e complicado e
também porque a carga tributária do nosso país pode ser bem alta e
complexa, muitos contadores e até consultores de negócios desaconselham a
formalização da empresa. Esse é o típico conselho que é mais fácil passar do
que de cumprir, então eu suspeito de quem diz isso. Caso você venha a ter
algum problema, os custos serão todos seus.

Proteção legal
Ali no top 3 das “coisas que ninguém te fala quando você vai abrir
uma empresa de serviços” também figura a necessidade de um advogado.
Muita gente só pensa neles na hora de remediar algum problema, mas
como a legislação para serviços é um pouco mais nebulosa do que para
produtos, a máxima da prevenção ainda vale. Basicamente, trabalhar sem um
contrato ou qualquer coisa que valha legalmente para garantir seus direitos (e
os da cliente) é como fazer sexo sem camisinha com a primeira pessoa que
aparecer.
A Anna Carla Lourenço do Amaral, minha advogada, me contou de
seu professor que falava que até algo escrito num papel de pão faz valer as
vontades entre as partes, por isso “nada impede que a pessoa coloque no
papel do que se trata aquela relação seja de compra e venda ou prestação de
serviço, elencando as obrigações e direitos de cada parte, com ambas as
assinaturas”.
Porém, ela lembra que “o risco que se corre elaborando por conta
própria é deixar de contemplar algum aspecto jurídico que pode acarretar
na derrubada deste contrato numa possível ação judicial”.
Voltando para a minha analogia tosca do sexo sem camisinha com a
primeira pessoa que aparecer, é mais ou menos a mesma coisa que contar
com a pílula do dia seguinte. Ela te protege só de uma parte do problema,
mas não é 100% - e todo o resto ainda pode dar muito errado.
A revisão dos contratos é igualmente necessária. Não só porque o seu
negócio pode mudar, mas a legislação também muda. No caso do pequeno
negócio, a Anna Carla lembra que por isso é tão importante investir em
advocacia preventiva. Você pode se reunir com o seu advogado de tempos
em tempos para resolver questões pontuais e fazer as revisões que forem
necessárias nos seus contratos.
“Normalmente, as pessoas têm o costume de só procurar advogado
em caso de ação judicial, se estão sendo acionados por alguém ou se querem
fazê-lo, no caso de empresas eu acho isso um erro na medida em que, em
muitos casos, você gasta o valor de uma consulta e se previne contra uma
porção de dissabores”.
Eu sei que são muitos custos para se considerar (eu mesma fui
adotando cada uma dessas necessidades aos poucos), mas a gente não pode
esquecer deles pra sempre. Na pior das hipóteses, faça um planejamento pra
juntar dinheiro e investir nisso assim que possível, mas não deixe para o
“nunca mais”.

Cuidado com a cultura do “faça você mesmo”


Em tempos de Pinterest e YouTube, a cultura do “faça você mesmo”
pode trazer resultados assustadores. Ela é bem legal quando você quer fazer
uma comida diferente ou aprender alguma coisa de forma amadora. Mas
como tudo na vida, tem os seus limites.
Reparou que durante esse capítulo eu fui entrevistando pessoas para
trazer a informação mais útil e correta pra você? E que ao longo de todo o
livro eu fui citando livros, sites e outras referências?
Pois é. Eu fiz isso porque eu não sou (e nem preciso ser) detentora de
todo o conhecimento do universo.
Quando eu tenho as pessoas certas, eu tenho segurança naquilo que
está sendo feito e fico mais tranquila e disponível para pensar na minha
verdadeira vocação. Assim, a empresa se torna um veículo para que eu possa
fazer isso e não a minha função de existir.
Isso não vale só para a parte burocrática e obrigatória, vale para todo
o resto também. Se for um investimento que vai te trazer retorno, vale o
planejamento.
No meu caso, por exemplo, eu precisei investir em uma consultoria
financeira porque eu era super organizada com o meu dinheiro quando
trabalhava para os outros e recebia salário, mas no momento em que resolvi
abrir o meu próprio negócio, esse pedaço virou bagunça.
Ainda que a sua seja uma empresa de uma pessoa só, é crucial saber
separar os gastos pessoais dos profissionais. Os profissionais precisam ser
embutidos nos seus preços, como já conversamos, porque são contas que
precisam ser pagas pelos seus clientes (do contrário, a sua empresa não te
vale o prejuízo).
Uma vez, participei de um workshop de planejamento financeiro pelo
Itaú e o professor Antonio Carlos de Matos explicou que se você tem um
jardim florido na frente da sua empresa, que te demanda um serviço de
manutenção para aquilo, essa conta não é sua. É do seu cliente.
É claro que todos esses gastos precisam ser justificados e aí você
precisa analisar friamente o seu negócio, mas é muito mais difícil fazer isso
quando o imposto da sua empresa e a sua bolsa nova estão na mesma planilha
(se é que ela existe).
Outra coisa importante é que os gastos de uma empresa também
precisam de planejamento. A Simone Rossin, a consultora financeira que eu
já citei no capítulo de precificação, me ajudou a formular uma planilha de
acordo com os grupos de gastos que a minha empresa tem e o teto previsto
para cada um deles mensalmente. Deste jeito, eu tive um panorama de onde
posso investir e quando.
Eu demorei meses estudando essas possibilidades sozinha e nunca
cheguei a um modelo que me ajudasse de verdade. Quando chamei a Simone,
a gente levantou os meus gastos jurídicos e ela organizou de acordo com o
que fazia sentido para a minha empresa. Por muito tempo, só alimentei e
controlei a planilha e me sobrou muito mais tempo pra ganhar dinheiro de
fato - e zero esquentando a cabeça tentando entender por que o dinheiro
nunca é suficiente.
Mas esse tipo de trabalho requer disciplina. Ele dá preguiça,
especialmente porque no começo os números não são os mais estáveis, e
justamente por isso é importante que seja mantido porque qualquer desvio
pode atrapalhar todo o processo.
Claro que tudo depende da sua demanda, dos seus objetivos e do
tamanho da sua empresa. Mas pensando no custo do seu tempo não só para
executar uma tarefa, mas para estudar e aprender minimamente aquilo - além
do risco de fazer errado - dá pra pensar em uma série de serviços que podem
ser interessantes.
Alguns podem ser contratados de forma pontual, outros recorrente,
por isso é bacana ter um panorama da sua real necessidade.
Exemplos comuns são design gráfico, marketing, assessoria de
imprensa, arquitetura, planejamento de eventos, planejamento de conteúdo,
consultoria em SEO, fotografia e coaching.

Quando vale a pena ter alguém pra dividir a ajuda


Sociedades podem ser uma coisa meio tricky se você não souber
escolher bem quem vai te ajudar nessa jornada e como as obrigações serão
divididas, mas ainda são uma boa alternativa para quem não quer passar por
isso tudo de forma solitária.
Tanto a sua sócia pode ser consultora também, quanto alguém de
outra área - depende dos seus planos.
Quando a pessoa é da mesma área, é legal porque entende
perfeitamente de onde você vem, o que considera no trabalho e o que é
possível ou não realizar. Mas ter alguém de uma área que não seja a sua pode
ser importante para alavancar projetos que não dependem só do seu
conhecimento em consultoria, expandir sua atuação e por aí vai.
Por exemplo, duas consultoras podem ser sócias e uma ser excelente
em montagem de looks e compras e a outra ser melhor na fase de
investigação, definição de estratégias principais e elaboração de material. Ou
então você pode se tornar sócia de uma maquiadora ou uma organizer,
alguém que poderia ser apenas sua parceira, mas que pode te ajudar a tocar o
negócio e dividir as responsabilidades no dia-a-dia, ainda complementando o
que você faz.
Você pode até ter um sócio que seja responsável só pela parte
administrativa. Tudo depende do que você pretende e do que se julga capaz.
Antes de procurar alguém, só é legal pensar nos motivos para essa
parceria. A pessoa te complementa de alguma forma? É mais fácil quando as
responsabilidades são complementares e quando uma pessoa é boa numa
atividade que a outra não é tão boa assim, porque assim ninguém atropela
ninguém e não rola aquela competição egóica que só faz afundar o negócio.
Se você ainda não formalizou a sua empresa, sugiro que você
aproveite esse momento para elaborar um plano de ação com o que falta para
você fazer isso. Desde definir se vale a pena entrar em sociedade e quais os
seus objetivos com esse trabalho, até procurar um contador que te ajude a
encontrar o modelo de empresa mais adequado para o seu caso e uma
advogada que dê respaldo legal ao que você escolheu executar.
Se você quer saber mais sobre…
Como transformar sua paixão em negócio
Bate um papo com a Flavia Adura, você pode conhecer o trabalho
dela no http://flaviaadura.com/.

Empreendedorismo
Navegue pelo site do SEBRAE (http://www.sebrae.com.br) e faça os
vários cursos gratuitos disponíveis à distância ou em formato presencial
(entre eles, Aprender a Empreender).
Aproveita o navegador aberto e já abre o site da Endeavor em outra
aba. “Presente em mais de 18 países, e no Brasil desde o ano 2000, a
Endeavor atua em diversas frentes para alcançar o objetivo de construir um
Brasil não apenas com mais empreendedores, mas com empreendedores
melhores e mais conscientes do seu papel na sociedade”. Além de cursos e
conteúdos pagos, o site é repleto de conteúdo gratuito sobre diversas áreas.
No Brasil, você pode acessar o http://www.endeavor.org.br.
Se você for mulher, tiver empresa aberta e for correntista do Itau
(conta física ou jurídica) no Brasil, pode se cadastrar no portal do Itau
Mulher Empreendedora. Além da plataforma online ter uma série de
conteúdos gratuitos (vídeos, entrevistas, cursos, artigos e afins) de altíssima
qualidade, eles realizam encontros presenciais que estimulam o
desenvolvimento do empreendedorismo feminino no Brasil. Esses encontros
também são gratuitos e vão desde os cafés da manhã com palestras, passando
por workshops e até rodadas de negócios, em que o objetivo é o de conhecer
novas empreendedoras e vender seus serviços e formar parcerias. Cadastre-se
no http://www.imulherempreendedora.com.br

Constituição empresarial
Consulte o “Guia prático de formalização de empresas” do SEBRAE
no https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/guia-pratico-para-a-
formalizacao-de-
empresas,8f8a634e2ca62410VgnVCM100000b272010aRCRD
Se você estiver interessada em saber mais sobre MEIs, a melhor fonte
de informações é o Portal do Empreendedor, do próprio governo. A
explicação sobre abertura, registro e legalização de empresas está aqui:
http://www.portaldoempreendedor.gov.br/
Converse com um escritório de contabilidade de confiança.

Elaboração de contrato
Dá uma xeretada no portal JusBrasil, que organiza a informação
jurídica brasileira. A Anna Carla recomendou especialmente esse link aqui:
http://www.jusbrasil.com.br/topicos/1550434/contratos
Procure um bom advogado - certamente há algum na sua região e
rede de contatos.
Para conhecer o trabalho da Anna você pode acessar o
http://acla.adv.br/.
Capítulo 13
Como organizar a vida e o trabalho

Se a informação é a arma do negócio, a organização é como se fosse o


colete à prova de balas. É sempre melhor perder um tempinho a mais se
organizando do que partir para a ação sem ter nada minimamente planejado.
Nos momentos de sufoco com o tanto de coisa pra fazer, é a
organização que vai te ajudar a respirar fundo e colocar as ideias em prática.
E isso vale também para o seu negócio. Em tempos de lifestyle
business, a lógica é: ele precisa ser criado de acordo com o seu estilo de vida
e não o contrário. Nesse aspecto, a ajuda de um coach ou um mentor pode ser
extremamente importante.
Depois que você definiu como o seu negócio vai ser, a primeira coisa
é listar exatamente o que precisa ser organizado. Sua rotina de trabalho. Sua
empresa. Seus documentos. Seu cronograma.
Você precisa identificar o problema antes de pensar em uma solução
para ele. Parece óbvio, mas a maioria das pessoas ainda queima a largada. Eu
tenho usado cada vez mais mapas mentais para pensar nesse tipo de
informação, que é o tipo de coisa que você pode fazer na mão ou em um
aplicativo (aqui eu uso o Mindmeister).
Os mapas mentais me ajudam, inclusive, a aplicar a lógica d’A Única
Coisa, sobre a qual contei no Capítulo 9.

Organizando aspectos intangíveis


No caso das coisas intangíveis, como o tempo, tudo começa com um
bom calendário. Particularmente, gosto do Google Calendar. Não só a
interface é fácil de mexer, como ele permite o compartilhamento e a interação
com uma série de aplicativos- principalmente com os calendários nativos de
celulares e também com vários sistemas de agendamento (como o
youcanbook.me).
Além do calendário virtual, em que eu coloco absolutamente todos os
compromissos, eu tenho um calendário na minha parede, que eu atualizo com
post-its dos compromissos externos/mais importantes e uma lista de tarefas
no meu bloco de notas do celular. Tanto o calendário virtual quanto o físico
são codificados por cores, o que me ajuda a ver se tô gastando mais tempo
atendendo cliente ou passando muito tempo em reuniões, e a pensar em
estratégias pra mudar o que for necessário.
No geral, a forma como você gerencia o seu tempo depende do tipo
de pessoa que você é. Tem gente que marca hora para absolutamente todas as
coisas que tem para fazer no dia (as mais extremistas anotam até o horário do
banho e de escovar os dentes).
Eu ainda pretendo chegar em uma agenda mais completa (sem
extremismos), porque quem vive se enchendo de coisas para fazer precisa
mais ainda de estabilidade e controle do tempo, mas por enquanto tenho uma
dificuldade enorme em seguir rotinas muito rígidas. Então eu tento agendar
os compromissos mais importantes e deixo as rotinas não-urgentes mais
flexíveis.
Por exemplo: eu sei que preciso atualizar a planilha de gastos da
minha empresa uma vez por semana, mas se eu fizer isso em qualquer horário
entre sexta e domingo, sei que vou cumprir melhor do que se eu engessar
todas as manhãs de sexta. Por isso, em vez de colocar isso no calendário, eu
coloco na minha lista de tarefas semanais.
Para as tarefas diárias, semanais e listas de ideias, que eu quero voltar
em outro momento, ando apaixonada pelo Google Keep. Ele faz um monte de
coisas, mas é simples e bem bonitinho. Eu tentei diversos aplicativos de listas
de tarefas e sempre acabava voltando pro bloco de notas do meu celular, até
que comecei a usar o Google Keep e mudei pra ele porque, além de tudo, eu
consigo acessar as minhas notas do navegador também.
Nos últimos meses, enquanto revisava este livro, passei a testar o
sistema do Bullet Journal e parece que será bem útil, mas ainda não usei por
tempo suficiente para tirar uma conclusão.
Independente do sistema, a real é que não interessa o que você vai
usar, mas ter um lugar que você considera como “caixa de entrada” das suas
tarefas pode ser bem útil.
Quando os dias ficam mais cheios e tensos, eu também lanço mão do
método Kanban, para organizar e melhorar a minha produtividade.
Por ele, você organiza o que precisa fazer em 4 colunas: a de todas as
coisas, a das que precisa “fazer hoje”, a do que está “fazendo no momento” e
a do que “já foi feito”. Algumas pessoas usam também uma coluna de
“coisas que estão esperando ações externas” (se você mandar um material
para que um designer desenvolva uma arte, por exemplo), mas eu uso esse
método para quando estou trabalhando no computador.
Para esse método, gosto muito de usar Kanban Flow, porque ele
integra o Kanban com outro método que eu uso bastante, que é o Pomodoro.
Resumindo muito resumidamente (assim como fiz com o Kanban), no
Pomodoro você divide seu trabalho em intervalos de 25 minutos + 5 de
descanso. Quando eu preciso fazer algo muito longo, como elaborar um
dossiê de cliente, e fico com preguiça de começar mesmo depois de dividir
aquilo em nanotarefas, eu uso o timer do pomodoro no Kanban Flow ou no
Tomato Timer e me forço a focar só naquela tarefa por 25 minutos.
Geralmente, quando o timer apita me avisando do intervalo, eu já
estou focada e acabo não fazendo a pausa, mas eu tento não fazer mais de 50
minutos (2 pomodoros) sem um intervalinho para olhar e-mail, o Instagram,
beber uma água ou me distrair por alguns minutos de alguma outra forma.

Estabeleça processos
Não interessa o quão flexível e espontâneo você seja e precise ser,
estabelecer processos é essencial para livrar a sua cabeça de preocupações
desnecessárias. A galera que trabalha com organização profissional fala
muito sobre como cada coisa precisa ter o seu lugar, mas isso não vale só
para objetos.
A gente já falou da importância de estruturar os seus processos de
trabalho no capítulo 8, sobre precificação, mas isso vale para todas as rotinas
da sua empresa.
Por exemplo, apesar dos vários aplicativos de celular que até integram
com a conta bancária e organizam a planilha financeira automaticamente
(como o GuiaBolso), eu prefiro a boa e velha planilha do Excel pra fazer isso
- o que me impossibilita de atualizar os meus gastos assim que eles
acontecem. Então eu aprendi com a Simone Rossin a montar uma pastinha
com as notas de tudo o que eu compro e a processar isso (colocar na planilha)
uma vez por semana. Quando eu compro uma coisa, eu já sei que ela precisa
ir para a planilha, mas em vez de me preocupar se vou me esquecer daquilo
quando tiver acesso ao meu computador, eu coloco na pastinha e me livro
dessa informação até o momento em que eu realmente precise dela.
Eu faço isso para os gastos a processar, contas a pagar e para as notas
que preciso emitir. No caso das contas, eu estipulo um dia da semana para
programar pagamentos (cartão, contabilidade, impostos, etc) e fazer as
compras necessárias (de material e outras coisas pontuais). Já as notas, eu
deixo para emitir todas de uma vez no final do mês, quando já mando para a
contadora e para as clientes. No final do mês, eu também consolido o extrato
da minha conta bancária e envio para a contabilidade registrar no livro-caixa.
Desse jeito, a informação fica centralizada e eu só perco tempo uma
vez com sistemas bancários ou fiscais esquisitos.
Outro processo que eu criei foi uma “lista da procrastinação”, para
aquelas coisas mais chatinhas que eu preciso organizar, mas não tenho uma
urgência tão grande que eu precise bloquear uma tarde na minha agenda pra
isso- como os arquivos do computador e do HD externo.
Eu chamo de “lista da procrastinação” porque uso quando não
consigo produzir de jeito nenhum e preciso me distrair. Em vez de passar
uma tarde no Facebook, eu resolvo uma pendência não-urgente, mas ainda
importante, e mato dois problemas de uma vez.

Automatize o que puder


Automação é uma coisa belíssima para quem quer usar melhor o seu
tempo.
Eu não consigo usar para os meus gastos, mas eu uso para várias
formas de comunicação com clientes, por exemplo.
Para organizar todas as minhas listas de e-mail, eu uso o ConvertKit.
Para as redes sociais que eu atualizo sozinha, uso Latergram (agendador de
posts do Instagram), Jetpack (publica todos os posts do meu blog
automaticamente no Facebook, Twitter e no meu perfil do LinkedIn) e por aí
vai.
No e-mail, as ferramentas que eu mais uso são a “Canned Response”
e o Send Later. A canned salva respostas prontas e eu edito quando
necessário, Se você me perguntar sobre as consultorias, vai receber uma
resposta. Se perguntar sobre cursos, vai receber outra. Antigamente, eu perdia
um tempo absurdo escrevendo os mesmos e-mails ou buscando na caixa de
entrada algum já escrito para copiar, editar e colar, mas hoje eu aperto apenas
um botãozinho e a resposta esta lá, prontinha para que eu só preencha o
necessário.
Outra ferramenta que gosto muito para o e-mail é o plugin do Send
Later, que me permite responder e-mails fora do horário comercial, mas
enviá-los em um horário adequado para as clientes. Isso é importante tanto
para evitar que seus celulares apitem em momentos inapropriados, quando
para educá-las sobre os horários em que estou disponível.
Para organizar alguns agendamentos, eu testei plataformas como a
youcanbook.me, em que os clientes acessam a sua agenda e escolhem
sozinhos o horário em que preferem ser atendidos, mas não me adaptei. A
ideia pode ser interessante para quem quer evitar aquele vai e vem de e-mails
e ligações acertando a disponibilidade, mas eu ainda tenho muitas variáveis
na agenda para que isso funcione - e o serviço era todo em inglês (algumas
clientes e alunas não falam o idioma).

Arrumando a tralha
Eu não sei você, mas eu odeio tralha. Eu fico louca com uma pilha de
papéis, caixas e livros que só me fazem perder tempo procurando o que eu
realmente preciso, então eu sou um pouco extremista e parto do seguinte
pensamento: se você não está usando, descarte.
O problema é que quando você tem empresa, precisa manter uma
infinidade de documentos e alguns outros badulaques, que variam de acordo
com o que você faz.
Eu sei que a vontade é grande, mas não jogue tudo em uma gaveta
para nunca mais olhar. Quando você menos esperar, vai precisar achar aquele
papel, vai perder uma hora valiosa do seu dia procurando e ainda vai ficar
puta por encontrá-lo amassado.
Os documentos mais importantes eu dividi assim: 2 pastas simples e
5 pastas com 12 divisórias.
Na primeira pasta, eu coloquei os documentos importantes da
empresa (documentação da abertura, contrato social, registros e afins). Na
segunda pasta, eu coloco as declarações de imposto de renda, ordenadas por
ano.
Cada pasta com 12 divisórias representa um ano. E cada divisória
representa um mês, então nelas eu coloco todas as notas fiscais e
comprovantes de tudo o que foi gasto pela empresa (comprovante de
imposto, de transferência bancária pra pagar alguma conta, notas fiscais de
equipamentos e materiais, etc). São 5 pastas porque os recibos mais
específicos precisam ser guardados por apenas 5 anos, então quando uma
pasta completa 5 anos eu jogo o conteúdo dela fora e etiqueto como o ano
seguinte. Essas pastas se tornaram menos necessárias conforme as notas
fiscais passaram a ser emitidas eletronicamente, então eu mantenho
praticamente todos esses documentos apenas em versão digital.
Uma observação importante: eu não tenho nenhum bem no nome da
empresa, como imóvel ou carro, por exemplo, que exija que eu guarde isso
por mais tempo, o que poderia mudar a quantidade de pastas. Antes de
determinar o número de pastas é legal conversar com a sua contadora pra ver
por quanto tempo você precisa guardar cada coisa.
Eu também criei um sisteminha para organizar os materiais físicos das
clientes: clientes que estão em atendimento têm os seus questionários
colocados em pastas transparentes (dessas fininhas e sem fecho), em uma
gaveta. A documentação das clientes que já foram atendidas fica em pastas
vermelhinhas, em uma caixa que está aguardando uma próxima rodada de
procrastinação para que sejam escaneadas e descartadas de vez.

Controlando as distrações
Mesmo que a sua agenda de clientes esteja lotada, grandes são as
chances de que você ainda precise passar um tempo considerável no
computador (elaborando orçamentos, materiais, respondendo e-mails e
afins).
Acontece que apesar da tecnologia ter proporcionado coisas
maravilhosas, como o acesso a uma infinidade de informação, ela também
trouxe buracos negros demoníacos, que sugam a sua alma transformando
aquilo que parece ser apenas uma horinha em um dia inteiro.
Sim, eu estou falando das mídias sociais, dos blogs, dos sites tipo
Pinterest, dos vídeos recomendados do YouTube e todas aquelas outras
coisas que foram projetadas para te fazer abrir aba após aba até que o dia
acabe e o seu navegador trave, mas o seu trabalho não seja terminado. Tudo
isso por causa de uma maldiçãozinha da qual principalmente os millenials
sofrem, que se chama FoMO (Fear of Missing Out - o medo de perder
alguma coisa incrível se você não abrir aquela notícia ou olhar o seu
Instagram a cada 5 minutos).
Se autocontrole não é bem a sua praia, a tecnologia também
proporcionou ferramentas para lidar com isso, veja só! As minhas favoritas
são StayFocusd e o Newsfeed Eradicator. Ambas são extensões que você
instala no seu navegador.
A primeira serve para bloquear de vez ou limitar o tempo que você
passa em um site específico e roda tanto no Chrome, quanto no Firefox. Você
joga a URL e determina um tempo máximo de uso, que só pode ser mudado
depois de 24h - a não ser que seja para reduzir o número de horas/minutos
programadas ali. Quando você atingir esse tempo, ele bloqueia o site que
você usou e substitui por uma mensagenzinha te lembrando que você deveria
estar trabalhando.
Já o Newsfeed Eradicator só roda no Chrome e serve para bloquear o
feed do seu Facebook! Você ainda recebe notificações, pode deixar o seu chat
aberto, acessa grupos, páginas e lista de interesses, mas o seu feed não
aparece e não é atualizado a cada segundo com mais uma informação que só
vai te tirar o foco. Ele deixa apenas umas citações-tapa-na-cara que alternam
a cada F5.
Além disso, é uma boa desligar todas as notificações desnecessárias
do celular e deixá-lo nos modos “silencioso” e “não perturbe”, assim ele só
vibra quando recebe chamadas. Em momentos extremos, vale desligar o
aparelho e colocar num lugar distante, para evitar a vontadinha de boicotar o
trabalho.

Investigue
A história de procurar ajuda não vale só para estruturar o seu negócio,
mas para tirar ideias do papel também. Eu tenho um problema seríssimo de
adiar projetos nos quais eu não respondo para ninguém além de mim mesma.
Se você me contratar para dar uma palestra, uma aula ou uma
consultoria, não vou ter problema nenhum em entregar tudo no prazo (às
vezes antes). Mas eu demorei 3 anos até lançar o meu curso online e quase o
mesmo mesmo para lançar este livro - fora toda uma lista de outras ideias que
envolvem uma agenda bloqueada e a minha mão na massa.
Às vezes, eu até começo esses projetos quando o tempo e a inspiração
batem, mas eu acabo enfiando qualquer outra coisa na agenda se não tiver
alguém me cobrando. Não é uma característica muito bonita, nem exclusiva
minha, mas é um fato que eu fui obrigada a observar, aceitar e encontrar uma
forma de resolver.
Para isso, eu recomendo fortemente a contratação de um coach
também.
A Marcele Folgati, minha coach para o começo deste livro que você
está lendo agora, explica que o processo depende das necessidades de cada
coachee e é importante porque “em essência, ajuda a pessoa a ir de um
estado pro outro de forma estruturada e alinhada com os valores de vida”.
Pra mim, o que funciona mais é ter alguém para me cobrar e discutir o
progresso, mas no pacote essas profissionais resgatam a minha inspiração e
motivação com exercícios que me ajudam a manter o foco no resultado e
organizar ideias.
A Marcele contou que, segundo o Timothy Gallwey, um dos pais da
profissão, o coaching consiste em:

Ajudar pessoas a aprenderem como aprender e a pensarem por si


próprias.
Coaching promove aprendizado através da ação e da experiência
Clareza de objetivos e escolhas
Coaching inspira a auto-confiança: reduzindo a interferência de agentes
internos e externos para aumentar o potencial
Ajudar a superar crenças limitantes

Esse é um trabalho que vale todo o investimento, mas nem sempre a


grana tá disponível. Por isso, eu pedi que ela desse uma forcinha caso você
queira algum resultado, mas não possa passar pelo processo todo agora.
A dica dela pra quem não consegue tirar as ideias do papel é aquela
que eu já contei aqui sobre dividir os planos em pedacinhos pequenos. “Faça
para você mesma a pergunta: Qual o primeiro passo que devo dar em
direção a isso? Divida as suas ações e dê um passo por vez. E se ficar difícil
decidir o que fazer primeiro, existe a matriz da tríade do tempo do Christian
Barbosa. Com ela você consegue definir o que é urgente, importante e
circunstancial”.
Se mesmo assim você empacar lindamente, a sugestão é identificar os
motivos por trás disso. Com os coachees, ela usa uma ferramenta que
considera “muito poderosa, mas um pouco difícil de executar com
profundidade sozinha. É o modelo de tomada de decisões por perdas e
ganhos. Você tem que responder as perguntas na seguinte ordem:

1. O que eu ganho fazendo isso? (Prazer)


2. O que eu perco fazendo isso? (Dor)
3. O que eu ganho não conseguindo? (Sabotador)
4. O que eu perco não conseguindo? (Motivadores)

Ao final responda à seguinte pergunta: o que fazer para minimizar


perdas e manter ganhos?
Essa é uma ferramenta que ajuda a identificar seus motivadores e
sabotadores para o projeto que empacou aí no papel.”
Essa lógica das perdas e ganhos eu também aprendi estudando
algumas terapias alternativas, como o Thetahealing, e transformou a minha
vida e a minha forma de trabalhar. Nem sempre é fácil de se aplicar sozinha,
mas reforço a recomendação da Marcele porque essa é uma das ferramentas
mais poderosas que você pode utilizar na sua vida.

Quando tudo parecer muito (ou pouco)…


Por mais que você se organize e vá atrás, pode surgir um momento de
“desespero empreendedor”, em que você acredita com todas as suas forças
que nunca mais vai ter clientes de novo. Isso acontece por uma maré baixa ou
por puro medo injustificado mesmo. Pode acontecer até quando as coisas
estão dando super certo e o sucesso te apavora!
O lance é que quando essas coisas aparecem, você precisa ter algo que
te acalme. Saber uma ou outra técnica de respiração é sempre uma mão na
roda, mas o que funciona pra mim mesmo (e talvez funcione pra você
também) é manter uma lista de projetos em algum lugar acessível, como o
bloco de notas do seu celular ou uma página do Bullet Journal.
Antigamente, eu falava que essa lista tinha uma série de planos de
vida em cascata. Se o A desse errado, eu podia partir pro B, pro C ou para o
qual mais fosse que me possibilitasse sossegar em algum momento. Por pior
que a vida pareça, sempre tem algum momento em que as coisas ficam boas
de novo, se você se permite isso. Acredite, eu sei muito bem do que eu tô
falando.
Aí eu vi em algum lugar que ter plano B é presumir que o plano A vai
falhar - e que quando você faz isso, aciona algum mecanismo de autoboicote
inconsciente que já garante que falhe mesmo. Isso fez um sentido absurdo pra
mim, mas eu não queria abrir mão da minha lista que tanto me ajuda a focar,
então eu passei a chamar de “plano A1”, “plano A2”, “plano A3”…
Enumerando por ordem de execução (que eu mantenho flexível) e não mais
por segurança.
No meu caso, foi fácil elaborar isso porque eu vi que todos os planos
se conectavam de alguma forma por um bem maior, em vez de serem apenas
uma alternativa aleatória caso o que eu faço não dê certo. Aí que se amanhã
eu não tiver mesmo uma cliente de consultoria individual, por exemplo, eu
posso escrever um novo livro ou lançar aquele workshop específico, que vão,
inclusive, me ajudar a atrair mais clientes de consultoria.
Depois que eu passei a fazer isso, não só reduzi consideravelmente a
frequência desses surtos, como passei a trabalhar com mais foco e também a
colocar mais coisas em prática, independente das outras darem errado ou não.
Por exemplo, a minha agenda de cursos e atendimentos estava lotada pelos
próximos meses, mas eu ainda abri um espaço para escrever esse conteúdo (e
depois revisá-lo) para você.
O que me leva a outro ponto importantíssimo: é preciso se manter
otimista.
Por mais gostoso que reclamar pareça às vezes, ninguém vai pra
frente sem acreditar que coisas boas estão esperando. E eu nem estou falando
de lei da atração aqui.
Agora me diz uma coisa: dá pra acreditar em coisas boas se você
mantém o hábito de só olhar para os pontos negativos da sua vida?
Não, né? E também não dá pra olhar pro lado positivo se você não
cuida de si mesma.
Não interessa se você tira um dia inteiro ou apenas uma horinha, você
precisa de alguma atividade sua. Só sua.
Um ritual de inspiração. Coisas que façam parte da sua rotina e que
estejam lá com o propósito de te fazer melhor.
Todo livro sobre “sucesso” fala sobre a importância desses rituais.
Isso depende de cada um, mas você pode se surpreender com o efeito que a
sua alimentação ou a prática de exercícios físicos podem trazer na sua
produtividade, por exemplo.
Vale qualquer coisa que faça sentido pra você, mas que te ajude a
desacelerar e pensar em si por uma horinha que seja. Se você está sem ideia,
começa a considerar meditação, banhos relaxantes/energizantes, massagem,
diário de gratidão, exercícios físicos (que seja uma caminhadinha ou um
alongamento).
Você pode usar como gatilho uma coisa que você nem esperava.
Comigo, por exemplo, uma coisa que acabou funcionando sem querer foi a
acupuntura. Eu comecei o tratamento porque precisava trabalhar problemas
físicos e por meses isso virou a minha hora semanal de relaxamento. Se eu
não tivesse nenhum outro momento da semana para simplesmente olhar pro
teto e esvaziar a mente, eu sabia que durante aqueles momentos em que eu
ficava com as agulhas fazendo efeito, ia acabar fazendo isso.
Depois, substituí isso pelo meu momento da caminhada ou da corrida
matinal. A cada fase da vida, escolho uma nova atividade e a uso com esse
objetivo também.
Então, antes que você encerre este livro, eu quero te propor mais dois
exercícios:

1. Listar pelo menos 3 projetos futuros


2. Determinar um ritual diário ou pelo menos semanal, que vai te
ajudar a focar em si mesma e desligar.
Se você quiser saber mais sobre…
Os aplicativos e sites que recomendei:
Mapas mentais: http://mindmeister.com
Calendário: http://www.google.com/calendar
Agendar atendimentos de forma fácil: http://youcanbook.me
Bloco de notas bacaninha: http://www.google.com/keep
Aplicar a técnica do Kanban: http://www.kanbanflow.com
Aplicar a técnica do Pomodoro: http://tomato-timer.com
Organizar finanças: http://guiabolso.com.br
Organizar as comunicações por e-mail: http://www.convertkit.com
(use meu link de afiliada)
Agendar publicações no Instagram: https://app.later.com/
Agendar publicações do blog em formato wordpress para outras
redes: http://br.jetpack.me/
Determinar o tempo que você passa em redes sociais e sites
específicos: http://www.stayfocusd.com
Bloquear o feed do Facebook no google Chrome: http://news-feed-
eradicator.west.io/

Respostas pré-determinadas no Gmail:


O nome disso é Canned Response. Sugiro que dê uma olhada nesse
artigo que ensina a ativar e usar a ferramenta: http://pt.wikihow.com/Usar-
Respostas-Predeterminadas-no-Gmail

Como organizar suas finanças:


Bate um papo com a Simone Rossin. Você pode conhecer o trabalho
dela no http://www.bolsoeequilibrio.com.br/

Como tirar projetos do papel:


Procura a Marcele Folgati no marcele.folgati@gmail.com
Capítulo 14
Conclusão

Eu passei as últimas dezenas de milhares de palavras discorrendo


sobre cada aspecto do trabalho como consultora de imagem e te contando
absolutamente tudo que eu gostaria que alguém tivesse me contado antes que
eu iniciasse nesta profissão.
Sobre comportamento com o cliente, sobre estudos, sobre estrutura de
negócio, sobre olhar com mais paciência e carinho pra mim mesma e para o
próprio trabalho. A gente falou das questões práticas e cotidianas e tudo o
mais que eu consegui me lembrar nessa minha trajetória que, do meu ponto
de vista, está apenas começando.
Mas isso não quer dizer que encerramos por aqui. Acho que ficou
bem claro que entrar nessa área é assumir que tudo é um processo em
construção, né? Assim como este livro e todas as reflexões que ele levanta.
Tantas coisas mudaram do momento em que decidi escrever este livro
até a hora em que ele foi publicado – e eu tenho certeza que outras muitas se
transformaram por aí também, depois que ele chegou até você.
Por isso, antes de terminar, eu quero te convidar para acessar o
http://www.ericaminchin.com/manual-workbook e baixar as fichas de
exercícios que complementam esse livro e potencializar essas informações,
caso ainda não tenha feito isso.
Se você ainda estiver pensando em trabalhar na área, vai encontrar um
questionário que vai ajudá-la a tomar essa decisão. Se estiver iniciando ou já
for profissional há algum tempo, mas estiver em busca de melhorar os seus
serviços, vai encontrar um material para te ajudar a organizar isso!

Repensar. Reconhecer. Movimentar.


Pouco antes deste livro ser finalizado, resolvi fazer mais uma limpa
profunda na minha vida.
Pois é. Em meados de 2017, resolvemos nos mudar de continente e
aquela “geral”, que antes eu fazia de forma leve uma vez por mês, ganhou
uma proporção gigantesca. Especialmente quando eu comecei a ler um livro
chamado “Jogue fora 50 Coisas”.
Nessas de me dedicar ao processo, encarei até alguns “monstrinhos”
que há tempos andava fingindo que não via - como as fotos da infância e todo
o material que eu ainda guardava com o meu histórico de trabalho.
Talvez você tenha caído aqui por acaso e não conheça muito do meu
trabalho ainda, mas antes de me dedicar integralmente à consultoria de
imagem, eu trabalhei com criação e desenvolvimento de produtos, produção
de moda e styling (de catálogos, desfiles e afins) e tive uma micro marca de
acessórios (bolsas, em grande parte), entre outras coisas e não
necessariamente nessa ordem.
Registro na carteira eu só tive um. Mas já fiz uma porção de coisas
nessa vida de “trabalhar com moda” - que incluem até desenhar figurino
para uma ala de escola de samba!
Muitas delas rolaram em momentos paralelos, o que fez com que esse
volume aumentasse mais facilmente. E as lembranças físicas também.
Ainda que eu não descarte a possibilidade de voltar para qualquer
uma dessas atividades daqui a um tempo, eu desapeguei de muitas coisas nos
últimos anos. Doei máquinas de costura, tecidos, aviamentos, livros, bolsas-
piloto que não combinavam comigo. Guardei apenas algumas memórias que
considerava mais importantes, algumas ferramentas que pretendia manter
para uso pessoal e estava bem ok assim.
Ou melhor: guardava. Depois de ler o livro, pensei em como são
coisas que eu adoro e tenho muito orgulho, mas são fases que já deixaram de
me pertencer faz tempo.
Entre as reflexões propostas, a autora do “Jogue fora 50 coisas” te
orienta a fazer a velha pergunta sobre como é a sua vida hoje, a vida que você
tá construindo, e mandar embora tudo aquilo que não faz parte dessa visão.
Eu não tinha tantos objetos quanto já tive um dia – eram apenas cinco
gavetas e três caixas. Ainda assim, encontrei memórias consideráveis. Eu
demorei vários dias me dedicando a essa tarefa, e pelo menos uma semana
decidindo se ia encarar esse desapego todo, mas valeu a pena.
Entre as coisas que encontrei e remexi, estavam os questionários de
to-das as minhas clientes mais antigas. Desde a primeirona. E pra você ter
noção, quando eu comecei com a consultoria, não rolava nem smartphone. Eu
ia para lá e para cá com pilhas de revistas e catálogos pra fazer exercício de
referência visual.
Obrigada, tecnologia!!!
Foi bem gostoso ver o quanto o meu trabalho evoluiu, ver o quanto
algumas coisas que eu faço hoje de diferente já começaram a dar as caras lá
atrás, relembrar de como algumas clientes que eu ainda acompanho eram
antigamente e das que se entregaram à consultoria de tal forma que
transformaram as próprias vidas.
Foi um trabalho de redescobrimento e reafirmação do meu
compromisso com essa vocação que eu transformei em caminho profissional.
E foi tão intenso, gostoso e importante que eu resolvi compartilhar com quem
acompanha a minha newsletter para profissionais alguns insights que eu tive
ao revisitar tudo isso.
O retorno foi incrível e eu entendi que essa seria a conclusão perfeita
para te ajudar a terminar esse livro inspirada para agir!
Os próximos insights virão acompanhados de um exercício, então
para aquecer eu quero que você me tuíte ou dê um alô na página do Facebook
contando:
Que tipo de lembranças do seu histórico profissional você anda
guardando que não deixam que você trilhe o seu caminho na consultoria
de imagem de forma mais proveitosa?

Comece e confie
O primeiro insight pintou quando eu encontrei as minhas apostilas do
FIT, de quase uma década atrás.
Resumindo BASTANTE a minha história com a moda e com a
consultoria de imagem, desde 2001, quando eu ainda estava no colegial, eu
entrei numas de fazer cursos de desenho de moda, de corte e costura e de
estudar todos os livros que pudesse sobre o assunto. Entre o colegial e a
faculdade, eu fiquei dois anos fazendo cursos livres e freelando como estilista
para algumas marcas pequenas/em formação.
Lá pra 2005, entrei na faculdade de Gestão de Negócios da Moda e
comecei a entender que a moda tinha muitos outros caminhos – entre eles, a
consultoria de imagem. Eu comecei a estudar consultoria sozinha, já que essa
era uma temática toda muito nova, e a achar esse universo fascinante.
Ainda nessa época, comecei a aplicar esses conceitos a todos os
outros trabalhos. À primeira vista já entendi que eu queria fazer isso, mas
ficou como um plano muito a longo prazo.
Pois bem. Em 2009, fui pra Nova York pela primeira vez e fiz alguns
cursos de educação continuada no Fashion Institute of Technology. A maioria
relacionada à consultoria de imagem, para aprender de fato a profissão e
também organizar tudo aquilo que por anos eu estudava sozinha.
O plano era voltar pro Brasil, arrumar um emprego padrão em criação
e desenvolvimento de produto (áreas que eu trabalhava desde 2004), juntar
uma grana e, em uns 15 anos, assumir essa profissão.
Quando voltei, os empregos não rolaram tão fáceis assim. Fiz
algumas entrevistas furadas e estava quase desanimando, mas a consultoria e
freelas de styling começaram a aparecer de onde eu menos esperava!
Um atendimento aqui, uma palestra ali, um curso lá, algumas
produções de fotos e, quando eu vi, eu tinha parado completamente de
procurar qualquer emprego por pura falta de tempo ou interesse e estava
completamente focada em crescer a empresa.
Em poucos anos eu até estudei visagismo, fiz uma pós-graduação e
voltei pra Nova York para fazer mais dois cursos no FIT como frutos
exclusivos desse desenvolvimento.
Eu não vou dizer que não rolaram tempos penosos. Todo mundo
passa por eles na vida - e corre o risco de que esses períodos voltem a pintar
mesmo depois de muito chão. Uma das minhas motivações ao escrever este
livro foi a de ajudar outras profissionais ou interessadas a reduzir esses
problemas de percurso.
Mas eu simplesmente montei a minha grade e comecei a estudar
sabendo que ainda que eu trabalhasse com a consultoria muitos anos depois,
poderia aplicar aquele conhecimento em todas as outras coisas que eu já fazia
na época.
Ou seja, se você está namorando uma ideia, dê pelo menos o primeiro
passo.
Eu acreditei tanto nessa vocação, que ela acabou virando a minha vida
muito tempo antes da hora em que eu esperava me assumir de fato como
profissional da área.
Agora, me conta aí:
Que primeiro passo você anda adiando e que poderia desencadear
um mundo de realizações que você sabe lá no fundinho que almeja?

Conhecimento nunca é demais


Quando eu mandei embora as minhas apostilas da faculdade, da pós-
graduação e de vários outros cursos (incluindo os do FIT), fiz isso com a
certeza de que tudo o que estava ali tinha sido muito bem utilizado nos
últimos anos – e continuaria sendo.
Fiz com a certeza de que eu poderia liberar o espaço e que outros
conhecimentos iriam entrar.
Ao meu ver, a gente nunca para de estudar. Mesmo depois de tanto
chão, eu continuo a fazer pelo menos um curso por ano que eu vou usar no
meu trabalho. Como contei neste livro, nos últimos dois anos entre escrever e
publicá-lo, eu passei de 10.
Muitas vezes, esses nem são cursos de consultoria especificamente,
mas eu continuo a estudar porque acredito que eles trarão um outro olhar para
a minha atuação.
Um exemplo disso foi a pós em Sociopsicologia, sobre a qual eu já
contei um pouco aqui. Eu fui estudar antropologia, sociologia e psicanálise e
hoje vários dos conhecimentos que eu adquiri ali são indispensáveis para tudo
o que eu faço. São indispensáveis para que eu possa passar todo o meu
conhecimento de imagem e estilo adiante, para as consultoras que formo,
inclusive.
A ideia original, quando eu entrei na pós, era seguir para um mestrado
- o que acabou não acontecendo porque eu não achei orientador para o tema
que eu queria estudar. Depois disso, fui estudar outras coisas e esse plano
acabou saindo do meu radar.
De novo a vida me surpreendeu e, quando eu menos esperava, vi que
muito daquilo que eu estudei estava sendo de suma importância no meu dia-
a-dia com as clientes e com as alunas. Eu acabei reformulando
completamente o meu método no final de 2016 para acomodar oficialmente
essas novas habilidades.
A moral da história é que se você sente que precisa buscar um
conhecimento específico, mesmo que ele seja só o começo de um longo
plano, abrace a ideia. Abrace o chamado! Quando você menos esperar, ele
pode estar fazendo a diferença em qualquer caminho que você decidir seguir
depois – mesmo que não seja aquele que você traçou.
Antes de ler o último insight, pensa aí:
Que conhecimentos você anda sentindo que precisa buscar mas tem
medo de se perderem pela vida?

O arrependimento que dói mais!


Eu já percorri muitos caminhos, já abracei muitas ideias e já quebrei
muito a cara também nesse processo.
Já trabalhei com criação, desenvolvimento de produto, produção de
moda, styling, produção de conteúdo. Já tive uma pequena marca de bolsas e
acessórios artesanais e fiz tantas coisas que às vezes eu até me esqueço.
Isso inclusive ilustra bem o insight passado, porque frequentemente
eu me vejo usando coisas que eu só aprendi porque fazia bolsas de tecido
durante um atendimento com cliente, por exemplo, mas eu quero te contar
sobre outro aprendizado…
Em algumas dessas coisas eu era bem boa. Em outras, eu era só
esforçada. Talvez até meio ruim.
Às vezes, a gente faz algumas coisas pra sentir o terreno, em outras a
gente faz porque tá precisando mesmo. Todo mundo passa por isso.
Apesar de nova, eu sempre precisei trabalhar e correr atrás do meu
sonho. Meus pais morreram bem cedo e eu não herdei nenhuma fortuna.
Também não era de família bem relacionada e cheia dos contatos, o que nessa
área é sempre útil, mas como eu aprendi, não é o principal.
Se o esforço e a dedicação não fossem naturais em mim, eles teriam
que aparecer de qualquer jeito por aqui.
Mas também havia um agravante, que talvez você conheça: a minha
família nunca entendeu muito bem qual é que era essa “da moda” e eu tinha
que provar para mim mesma e pra eles, mesmo aos que apoiavam, que eu
sabia onde tinha que chegar.
O resumo da ópera é que eu sempre fiz muitas coisas, antes e além da
consultoria de imagem e da formação de outras consultoras.
Mas o lance é que mesmo as experiências que não foram tão legais
assim me ensinaram mais uma coisa valiosíssima: é muito melhor se
arrepender daquilo que foi feito do que daquilo que a gente deixou passar.
Eu sei. Essa frase soa meio batida, mas a gente só vê sentido nela
quando olha com carinho para o nosso passado.
Se você acha difícil compreender, sugiro que faça mais duas listas
antes de acabar esse livro. Uma com todas as coisas que você se arrepende de
ter feito e outra com as que se arrepende de ter deixado passar.
Eu aposto que a segunda lista é bem maior. Então, me conta nas redes
sociais!
Isso acontece porque a gente não tem controle sobre o desconhecido,
mas a gente tem controle daquilo que está acontecendo agora. De certa forma,
a gente tem algum controle também sobre o que já foi (se uma experiência é
ruim, é possível simplesmente não dar continuidade). Já o desconhecido
sempre vai ser uma longa história na nossa imaginação.
Eu compartilhei esses momentos tão pessoais de reflexão porque eu
tenho certeza que muita gente fica nesse plano das ideias sem ter a menor
noção de como tudo pode ser muito mais simples quando a gente se coloca
em movimento. Mesmo com todas as informações ao longo desse livro.
Espero que isso a tenha estimulado a se colocar em movimento!
Pronta para dar o próximo passo?
Se você quer saber mais sobre…
Como me contar dos seus processos com esse livro
Estou no Twitter e Instagram como @ericaminchin.
A minha página do Facebook pode ser encontrada pelo link:
http://facebook.com/ericaminchin.moda

Como baixar o material complementar


Acesse o meu site e preencha o formulário adequado para o seu perfil
(“pensando em entrar na área” ou “já atuante”). Você vai receber um
material em PDF e mais algumas informações, sempre atualizadas, de como
continuar melhorando o seu negócio.

O livro que inspirou as últimas reflexões


De autoria de Gail Blanke, o livro“Jogue Fora 50 Coisas”, vai te
inspirar a rever a vida como um todo. Mesmo me considerando uma
destralhadora profissional, me surpreendi com o tanto de coisas que ainda
guardava. No Brasil, foi publicado pela Ediouro.
Mas para entender melhor o que te espera, sugiro que leia o relato da
jornalista Liane Alves para a revista Vida Simples. Foi o que trouxe o livro
para o meu radar e me convenceu a entrar nessa. Está disponível aqui:
http://vidasimples.uol.com.br/noticias/experiencia/quando-o-desapego-e-na-
raca.phtml
Mais de Érica Minchin

“Liberte Seu Estilo: Como o autoconhecimento pode transformar


o seu armário” - EricaMinchin.com

“15 Passos para Desentulhar o Seu Armário: Como se livrar das


roupas que não fazem mais sentido e ser mais feliz com o que
funciona” - EricaMinchin.com
Agradecimentos

Agradeço ao meu marido Gustavo, sócio e parceiro de vida, que


acolhe pacientemente os meus questionamentos diários, que entende e
alimenta as minhas motivações e que segura a minha mão mesmo nos planos
mais ousados. *~
Ao meu irmão Rodrigo, sempre apoio e orgulho, que me ensinou que
o caminho mais fácil não vale a pena quando te afasta dos teus sonhos. Esse é
mais um livro que só existe porque você não me deixou cursar jornalismo. :)
À pupila, amiga querida e coach incrível, Marcele Folgati, que me
apoiou durante a primeira fase deste livro. Obrigada por me ajudar a filtrar e
organizar minhas prioridades. Seu auxílio foi essencial para que esse projeto
saísse do campo das ideias para o mundo real.
Aos tios e todos os familiares queridos, que sempre se certificaram
que amor não me faltasse - mesmo quando a vida abreviou a existência
daqueles que deveriam fazer isso por mim. Mesmo quando não entendiam os
meus caminhos!
Aos amigos que sempre apoiaram o meu trabalho, mesmo sem ter lá
muita certeza do porquê ele era tão importante para mim.
Aos professores, mestres e mentores de toda uma vida, que mais do
que despejar respostas, me convidaram a considerar as infinitas
possibilidades.
A cada uma das minhas clientes, que confiaram em mim ao longo
desses anos e me permitiram guiá-las em seus processos de reencontro com o
espelho.
Às minhas alunas e mentorandas por me escolherem para guiá-las por
essa profissão tão maravilhosa. Obrigada pela confiança - e por me encherem
de orgulho também!
A cada consultora que leu esse livro e se permitiu entrar nessa
conversa também.
Sobre a Autora

Como uma das mais atuantes consultoras de imagem hoje no Brasil,


Érica Minchin desenvolveu seu trabalho com o entendimento de que todas as
pessoas possuem um estilo, porém ele pode estar bloqueado por inúmeras
crenças e medos.
Sua metodologia é pautada especialmente pelo estudo aprofundado da
personalidade, temperamento e histórico de vida de suas clientes, em que ela
une suas múltiplas formações em moda, consultoria de imagem,
sociopsicologia, visagismo e outras técnicas alternativas.
Érica descobriu sua vocação ainda na infância, enquanto desenhava
roupas e se divertia criando looks para as bonecas.
Depois de frequentar os primeiros cursos de desenho de moda, costura
e modelagem, começou a enxergar um mundo de possibilidades como
profissional.
Após a graduação em Gestão de Negócios da Moda, continuou
estudando sem parar. Foi nessa trilha que se deparou com a Consultoria de
Imagem, enquanto frequentava o Fashion Institute of Technology, em Nova
York. Mergulhada nos livros se apaixonou ainda mais perdidamente por tudo
que conheceu.
Ao longo de seu trabalho como consultora, desenvolveu uma
metodologia própria para ajudar mulheres a se libertarem, desbloqueando
crenças que limitam o autoconhecimento e a expressão de quem realmente
são.
Ela acredita que a moda não precisa ser uma inimiga, futilidade ou
coisa de menininha despreocupada. Ninguém nasce sabendo transformar
todas essas opções em estilo, é um exercício de autoconhecimento. De se
libertar das imposições sociais e traduzir própria essência pra cada peça de
roupa e acessório que a gente veste.
Se você gostou de ler este livro

Manual da Consultora de Imagem


por favor deixe sua

AVALIAÇÃO

Significará muito para mim

Obrigada
Notas

1. o recalque pela psicanálise nada tem a ver com inveja e sim com “varrer
pra baixo do tapete” aquelas coisas que a gente não está a fim de ver!