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IFG-Unidade de Formosa

Disciplina:
Professor:
Acadêmico(a):
Semestre:

CAPÍTULO 3:
“A JUVENTUDE NO CONTEXTO DO ENSINO DE SOCIOLOGIA: QUESTÕES E
DESAFIOS”

Por Juarez Tarcísio Dayrell

A abordagem pautada por Dayrell (2010) consiste na tentativa de


elucidar questões que remetem ao conceito de “condição juvenil”, em alusão ao
embate entre ensino de sociologia e a realidade social dos alunos.

Assim, existe uma dupla dimensão presente quando falamos em condição


juvenil. Refere-se ao modo como uma sociedade constitui e atribui
significado a esse momento do ciclo da vida, no contexto de uma
dimensão histórico geracional, mas também à sua situação, ou seja, o
modo como tal condição é vivida a partir dos diversos recortes referidos
às diferenças sociais – classe, gênero, etnia, etc (DAYRELL, 2010, p.68).

Sobre a explanação acima, abre-se um parêntese para correlacionar a


questão da diversidade social. No âmbito das ciências humanas, seja no campo da
sociologia e antropologia especificamente, o termo diversidade muitas vezes se
assemelha ao entendimento de um conjunto de identidades diversas, e para alguns
teóricos e diversidade é um fenômeno social em constante alteração.

Logo, tal entendimento reverbera na premissa da igualdade de direitos e


da necessidade de políticas públicas que deem fomento à educação voltada para
temas transversais e da prevenção de preconceitos variados. No tocante de estudo
e debates contemporâneos acerca da diversidade na escola, e da “condição
juvenil”, ressalta-se incessante necessidade de se compreender tal conceito, com
um viés voltado para o ideário de identidades e diferenças.
Haja vista, que a representatividade conceitual da diversidade, abarca o
entendimento de que as pessoas não pertencem a apenas uma coletividade, e sim
aos aspectos singulares e que requerem atenção.
O segundo fator preponderante, é analisar a diversidade social com base
na relação entre educação e cultura, tendo em vista que essa orientação resguarda
toda a gama de políticas públicas com enfoque na desigualdade e legitimação
identitárias.
A ideia da escola literal e sua concepção de local comum, ao longo de
todo o seu contexto, foi objeto de estudos e de intensas reformulações, com vistas
a viabilizar um sistema educacional pautado num currículo que atenda ás
necessidades e respeite as diversidades de cada aluno.
Em outras palavras a abordagem sobre a diversidade em âmbito
educacional, remete ao pressuposto de poder ofertar aos indivíduos o acesso à
escola, e mecanismo igualitários, respeitando as peculiaridades de cada um, sejam
elas condições culturais, de gêneros, religião, socioeconômicos.
Estes elementos de análise da diversidade, que serão objeto de
aprofundamento no tópico seguinte, destaca o papel do professor por ser essencial
na mediação entre os alunos, propiciando a transmissão de conteúdos de maneira
plural. Conforme as normativas do Conselho Nacional de Educação, postula-se
como função primordial do professor, a capacidade de desenvolver a consciência
do direito para que os indivíduos se percebessem em sua identidade, e por via,
reconheça seus direitos.

Adentrando especificamente na abordagem da condição juvenil no


Brasil, Dayrell (2010) destaca alguns fatores. O primeiro seria a questão da
condições de trabalho exploratório, ou das dificuldades que muitos jovens
enfrentam no contexto educacional. Essa dificuldade, se associa com a noção de
muitos jovens não terem a oportunidade de concluir os estágios de ensino, devido
a estarem trabalhando.

Além do mais, outro ponto relevante, é sobre a ideia de correlacionar o


processo educacional (técnico e profissionalizante) para o mercado de trabalho
formal. Diga-se de passagem, que o Ministério da Educação atualmente, destaca a
importância de ter um ensino de jovens, voltado para os multisaberes, vislumbrando
um futuro promissor para os jovens.
Ao mesmo tempo, os jovens se defrontam com a questão do desemprego.
Os indicadores sociais que medem a desocupação da força de trabalho
sugerem que a principal responsabilidade pela concentração de renda
pode ser atribuída ao desemprego. No que se refere à distribuição etária
do desemprego, as piores taxas de desocupação são encontradas no
segmento populacional juvenil, significando 9,8% do total da população
economicamente ativa. Em termos gerais, podemos dizer que as portas
do primeiro emprego foram fechadas para os jovens brasileiros, em
especial para aquela maioria de baixa escolaridade oriunda dos estratos
populares (DAYRELL, 2010, p.69)

Não somente a questão de aliar o ensino, ao mercado de trabalho para


os jovens, há o debate também, sobre a "sociabilidade", que para o autor, configura-
se como elemento chave para o processo de identitário e respeito às diversidades
destes jovens.
Há uma constatação bastante pertinente, do qual Dayrell (2010) ressalta
que os jovens “tendem a transformar os espaços físicos em espaços sociais, pela
produção de estruturas particulares de significados (p.73). Destaca-se também, os
processos de rupturas e continuidades, conceitos elementares no campo da
Sociologia, que concomitante a questão da condição juvenil, é necessário ter-se
um olhar para estas "mutações de socialização".
No ponto específico do capítulo, que aborda sobre a relação dos jovens,
perante a escola e o ensino de Sociologia, destaca a necessidade primordial da
formação adequada de professores. Segundo aspecto, está na identificação de
metodologias capazes de abarcar as diferentes perspectivas identitárias dos alunos
que compõem estes espaço social.
Por fim, as propostas da OCEM, ressalta a necessidade do ensino de
Sociologia, e das metodologias aplicadas, resguardarem a importância do exercício
de pesquisa por parte dos jovens. Em outras palavras, fazer com que eles
desenvolvam a capacidade de "inquietação" perante os temas relevantes da
sociedade contemporânea.

Referência Bibliográfica:

MORAES, A.; GUIMARÃES, E.. Metodologias de Ensino de Ciências Sociais:


relendo as OCEM-Sociologia. In: Sociologia:ensino médio / Coordenação Amaury
César Moraes. - Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica,
2010. 304 p.: il. (Coleção Explorando o Ensino; v. 15).

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