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Universidade Federal do ABC

Laboratório de Guiagem, Navegação e Controle


Problema de dois Corpos
Carlos Alberto da Silva Junior 11109214
Denis Cressembene da Rocha 11039014
Luís Filipe Martins Barros 21000315
Roger Viana da Silva 11031113
São Bernardo do Campo, 13 de junho de 2019

Resumo
O experimento teve como objetivo a obtenção da resolução do problema de dois corpos através de
método numérico na linguagem MATLAB, utilizando-se da ferramenta de resolução de equações
diferencias ordinárias ODE45. Sua aplicação para um período de interação gravitacional apresen-
tou resultados visualmente condizentes, já para ciquenta períodos de rotação efeitos de erro de
compilação numérica mostram dados que demonstam colapso eminente de órbita.

1 Introdução
1.1 Motivação
Atitude é o nome que se dá à orientação ou posição angular de um satélite ou aeronave. No caso de
um satélite em órbita, esta terá um sistema de coordenadas próprio enquanto a órbita do satélite
também pode ter um sistema de coordenadas. Para o caso citado, o objetivo é saber a orientação
de um sistema em relação ao outro para que seja possível utilizar de forma correta e eficiente os
instrumentos que o satélite carrega.
Devido às diversas situações que um satélite pode encontrar em sua órbita como tempestades so-
lares, variações no campo magnético, choques com partículas diversas, entre outros, é importante
saber onde o mesmo se encontra para que se possa atuar e manter seus instrumentos com as devidas
orientações. A modelagem por Problema de Dois Corpos é uma apurada previsão para a órbita de
um satélite que irá operar próximo a Terra. Esse modelo parte da Lei da Gravitação de Newton,
logo é um problema simples de ser entendido.
Em posse da posição do satélite será possível determinar quando outros sistemas do satélite devem
atuar para manter, por exemplo, suas antenas de captação de energia solar apontadas para o Sol
ou suas lentes de observação apontadas para a Terra. Logo, prever onde o satélite estará é de
fundamental importância para todos os sistemas embarcados e seus atuadores.

1.2 Fundamentação Teórica


Considere um sistema de coordenadas inercial, randomicamente posicionado, de forma que pos-
samos definir duas massas m1 e m2 , onde r1 e r2 seja, seus respectivos vetores de posição em
relação ao sistema de coordenadas [1], dessa forma definimos r como o vetor que une os as duas
massas. A força de atração gravitacional Fg que atua ao longo da linha que as une será dada por (1).
Gm1 m2
Fg = − r = m2 r̈2 (1)
r3

1
Em que G é a constante de gravitação universal.
Pelo princípio de ação e reação da 3o lei de Newton:
Gm1 m2
r = m1 r̈1
r3
Agora, subtraindo a segunda equação da primeira e isolando (r̈1 − r̈2 );
≡µ
z }| {
G(m1 + m2 ) µ
r̈ = r̈1 − r̈2 = − r = − 3r (2)
r3 r
Em que µ é o parâmetro gravitacional. Esta é a equação diferencial que governa o movimento de
m2 relativo a m1 .
Consideremos agora o momento angulas do corpo de massa m2 em relação ao corpo de massa m1 ,
conforme a definição de momento angular.

H2/1 = r × m2 ṙ

E se agora tomarmos o momento angular por unidade de massa, e restringirmos nossa análise aqui
ao objeto de massa m2 , de forma que h ≡ H2/1 /m2 teremos

h = r × ṙ (3)

Assim, conhecendo a equação do movimento presente em e também o momento angular obtido


em (3), realiza-se o produto vetorial entre estas expressões obtendo-se [2];
µ
r̈ × h = − r×h
r3
Desta maneira, considerando-se o sistema polar de coordenadas, e realizando as operações vetorias
obtem-se [2]:
d d  r r
(r × h) = µ −→ r × h − µ = C (4)
dt dt r r
Em que C é um vetor constante arbitrário de integração.
Agora aplicando o produto escalar com h na equação (4) se é obtido:

r ṙ × h
+e=
r µ
Em que e é o vetor excentricidade, paralelo ao plano da órbita e direcionado para o pericentro da
órbita.
Na última equação obtida,realizando o produto escalar com r e utilizando-se de identidades veto-
riais, conforme [2] chega-se na seguinte relação;

h2 h2
r+r·e= −→ r + re cos ν =
µ ν
Em que ν é o ângulo formado pelo vetor posição e pelo vetor excentricidade, também conhecido
como anomalia verdadeira. Em uma órbita elíptica, para ν − 0, m2 está posicionado no pericentro
da órbita (r = rp ) e para ν = π, m2 está posicionado no apocentro da órbita (r = ra ). Logo:
h2 1 h2 1
rp = ra =
ν 1+e ν 1−e
Seja a o semieixo maior da órbita tal que 2a = rp + ra . Somando as equações anteriores e isolando
o momento e o parâmetro gravitacional:

h2
= a(1 − e2 )
ν
Substituindo na equação do movimento e isolando r finalmente obtemos;

a(1 − e2 )
r(ν) = (5)
1 + e cos ν

2
A igualdade (5) permite calcular o comprimento do vetor posição em função da posição angular
do corpo, representado na equação pela anomalia verdadeira.
Estas informações trazem grandes pontos a respeito do problema, entretanto é também um dado
necessário uma expressão para se definir o período de rotação da referida órbita. Para isso voltemos
a relação (3), onde considerando a velocidade em coordenadas polares, ṙ = ṙr̂ + rθ̇θ̂.

h = rr̂ × (ṙr̂ + rθ̇θ̂) = r2 θ̇n̂ (6)

Com o versor n̂ perpendicular ao plano da órbita.

E se analisamos uma seção infinitesimal da área da órbita do corpo em questão pode-se verificar
que dA = r2 dθ/2. Dessa forma, a partir de (6), e da Figura 1 conclui-se que

dA r2 θ̇ h
= = (7)
dt 2 2

Figura 1: Secção diferencial de área da órbita

Finalmente, integrando a última equação obtida e reescrevendo seu resultado em função da


excentricidade, momento e parâmetro orbital;
 3
4πab 2π h
T = = 2 √ (8)
h µ 1 − e2
Obtendo-se assim a lei de Kepler dos períodos.

1.2.1 Sistema Geocêntrico Inercial


Em aplicações do problema de dois corpos onde os objetos de interesse são a Terra e um referido
satélite, onde a massa do satélite é muito menor que a massa da Terra, podemos adotar como base
para nossos cálculos, o sistema geocêntrico inercial de coordenadas. A origem desse sistema está
no centro da Terra. O eixo x aponta para o equinócio vernal, o eixo z aponta para o Pólo Norte e
o eixo y é perpendicular aos dois. Esse sistema também pode ser chamado de Sistema Equatorial
Geocêntrico ou Sistema Inercial Terra-Centrado.

1.2.2 Modelo Terrestre WGS84


O WGS84 é um sistema de referência geodésico (Sistema de referência composto por uma figura
geométrica representativa da superfície terrestre, posicionada no espaço, permitindo a localização
única de cada ponto da superfície em função de suas coordenadas tridimensionais [3], definido
através de um elipsóide de referência), desenvolvido pelo U.S. Departament of Defense com objetivo
de fornecer o posicionamento e navegação por todo o mundo. É utilizado pelo sistema GPS para
referenciar as efemérides transmitidas, que são um conjunto de elementos que definem a trajetória
elipsoidal de cada satélite e são processados para indicar a posição do receptor.

2 Resolução Numérica
O problema de dois corpos é um dos únicos problemas em guiagem que apresentam solução analítica
se uma série de considerações forem aplicadas, entretanto o poder da resolução numérira possibilita
que tais soluções sejam também convertidas a simulações de seus resultados e, de maneira essencial,

3
possibilitar a resolução de problemas que não são passíveis de serem solucionados analiticamente.
No problema em questão, foi utilizado o software MATLAB para que fosse possível a resolução
da equação diferencial (2), com o uso do integrador numérico ODE45 e com as considerações de
sistema geocêntrico inercial 1.2.1. Posteriormente, com os dados retirados do programa, foram
apresentados simulações em R3 da orbita obtida para 50 períodos orbitais.

2.1 Construção do Código


O integrador ODE45 é um objeto tal que realiza os cálculos de equações diferenciais ordinárias de
ordem n, desde que as mesmas sejam expostas no programa por um vetor de n equações diferencias
de primeira ordem as quais existam expecificações das condições iniciais do problema analisado.
Sua forma geral é dada pela sintaxe [t,y] = ode45(função(ões) a ser(em) integrada(s), período de
tempo, condições iniciais).
O integrador ODE45 é baseado na fórmula de Runge-Kutta. Em análise numérica, os método de
Runge–Kutta formam uma família importante de métodos iterativos implícitos e explícitos para a
resolução numérica equações diferenciais ordinárias. O primeiro passo dessa forma é transformar
a equação (2) de segunda ordem e com três componentes, em duas equações diferenciais com três
componentes vetorias cada, de forma que tenhamos um total de seis variáveis a serem trabalhadas.
Sendo eles os três vetores de posição, e os três vetores de velocidade.

3 Resultados
3.1 Fluxograma

Figura 2: Fluxograma do código

4
3.2 Análise e Discussões
Com a comparação dos gráficos de 1 órbita e 50 órbitas, podemos perceber que o raio médio da
órbita diminuiu com o tempo. Isso reflete uma perda de energia orbital, com alteração de parâ-
metros orbitais como excentricidade e semieixo. Isso é possível em casos reais caso exista arrasto
atmosférico oferecendo resistência ao movimento do satélite. Entretanto, o modelo construído no
MatLab não leva em conta este tipo de efeito, o que significa que o método apresenta pequenos
erros de cálculo que vão se somando, ficando cada vez mais evidentes quanto maior a quantidade
de órbitas simuladas.

Figura 3: Órbita para um período

5
Figura 4: Órbita para para 50 períodos

4 Conclusão
Esta simumalção mostra como os meios computacionais podem se aproximar da realidade, mas em
muitas vezes não de maneira satisfatória. A aplicação de meios de correção de erro para os dados
obtidos, como um filtro de Kalman, poderia trazer maior noção da realidade física apresentada
para o problema de dois corpos

6
Referências
[1] J. Marion S. Thornton. Classical Dynamics of Particles and Systems. Thomson, 5th ed edition,
2004.
[2] Howard Curtis. Orbital Mechanics for Engineering Students. Butterworth-Heinemann, 1◦
edition, 2005.

7
Apêndice

Figura 5:

8
Figura 6:

Figura 7:

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