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20/07/2019 Soluções Sem Contratação

Soluções Sem Contratação

Módulo II - Soluções Sem Contratação

Ao final deste Módulo, você será capaz de:

Reconhecer hipótese em que a não realização de licitação, ordinária ou especial, ou de sua


dispensa ou inexigibilidade, consiste na melhor alternativa para atender à necessidade pública no
caso concreto;
Contrastar as características inerentes às três aplicações distintas do instituto contrato de gestão;
Distinguir convênios de contratos de repasse e termos de execução descentralizada;
Descrever o que são consórcios públicos e suas principais características.

Apresentação

Agora que você aprendeu os conceitos gerais inerentes às contratações públicas, vamos estudar
mais sobre as soluções sem contratações.Na unidade I analisaremos casos de resolução interna de
necessidade pública, sem realização de contratação pública, e, em seguida, o instituto contrato de
gestão. Já na unidade II estudaremos os convênios, além dos contratos de repasse e termos de
execução descentralizada. Na unidade III, por sua vez, aprenderemos sobre os consórcios
públicos. Pronto para prosseguir na nossa jornada?

Unidade I - Resolução Interna e Contrato de Gestão

Resolução Interna

Na unidade I do módulo anterior abrimos nossa mente para as amplas opções de que dispomos aos
analisarmos como atender a uma necessidade pública no caso concreto. Naquela ocasião, focamos
em como todo o nosso curso está intimamente interligado. Uma mesma necessidade pública pode ser
atendida de várias formas distintas, de acordo com cada módulo que veremos a partir de
agora.Neste momento, focaremos na resolução interna. De fato, é comum o gestor público, ao se
deparar com uma necessidade pública, já partir de imediato para pensar qual é a melhor forma de

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contratação pública para atendê-la. No entanto, é imprescindível sempre, para que tomemos a
melhor decisão à ótica do cidadão, nos indagar se não seria possível e mais apropriado:

Este é o momento mais inovador e importante deste curso. Inovador porque o tema não costuma ser
objeto de discussão na prática dos gestores públicos e na doutrina e jurisprudência. Importante
porque constitui, ousamos dizer, a principal forma de evolução do País.Deveras, os cidadãos não se
sentem satisfeitos com o retorno obtido após o regular pagamento de seus tributos. Cobram, assim,
mais entregas e com melhor qualidade em todos os segmentos. Nessa linha, o gestor público, no afã
de atender, na medida do possível, a esse anseio, focam seus projetos em realizar contratações
públicas para mudar o status quo e oferecer mais entregas e de melhor qualidade.

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Realizar mais entregas, cada uma com mais qualidade, significa evoluir? É aí que muita gente bem-
intencionada se engana. Como vimos, o acréscimo de entregas, quantitativa ou qualitativamente, só
representa um ganho caso se dê em estrita consonância com a necessidade pública no caso
concreto. Caso contrário, representará, na verdade, um desperdício de recursos públicos, que
poderiam ser usados para atender outra necessidade ainda não atendida, complementar uma
necessidade ainda não atendida na proporção adequada ou até mesmo aplicá-los na amortização da
dívida pública ou, temporariamente, em investimentos rentáveis para aumentar a capacidade de
realizações públicas do Estado nos exercícios financeiros seguintes.

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Esse espírito pode ser demonstrado nos orçamentos públicos de cada ano. Em 2018, por exemplo,
as receitas públicas federais previstas foram de 3,5 trilhões de reais e cerca de metade foram
provenientes de operações de crédito e refinanciamento da dívida pública. Isso reduz ano a ano a
capacidade estatal de implementação de políticas públicas. Mas a pergunta é: como os cidadãos
reagiriam caso o País praticamente parasse por 4 anos para quitar esse excesso de endividamento?
De fato, a reação seria a pior possível. Essa é uma forma de demonstrar que a cultura dominante
entre cidadãos, servidores e políticos de realizar mais entregas, cada uma com mais qualidade, pode
ser bem danosa.Outra forma de demonstrar que realizar mais entregas, cada uma com mais
qualidade, pode ser um mau negócio é analisar se a necessidade pública poderia simplesmente não
ser realizada, considerado o custo-benefício, ou ser total ou parcialmente atendida com os recursos
humanos e materiais disponíveis. Esse será o foco desta unidade.

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Vamos, então, analisar um caso hipotético para aprendermos a optar pela resolução interna, sempre
que a necessidade pública indicar ser a opção mais vantajosa?Situação Prática: Você é servidor de
um órgão público que recentemente começou a somente produzir documentos e processos em
suporte nato digital. Nesse contexto, solicitaram-lhe a instrução de processo de contratação pública
para que uma empresa procedesse à digitalização dos documentos e processos em suporte físico,
arquivados e em tramitação, inserindo-os no sistema com os metadados correspondentes. O
fundamento era que a contratação se justificaria frente ao ganho de eficiência obtido e que o gasto
já estava previsto no orçamento do exercício e, caso não utilizado, seria perdido. Como você se
posicionaria?Nesse tipo de situação, é comum os gestores públicos manifestarem favoravelmente.
De fato, a não utilização do recurso poderia ensejar sua devolução à conta única do tesouro e a
consequente utilização por outra unidade e para outro fim no ano seguinte, passando a impressão
de ser algo negativo. Do outro lado, a proposta é usar o dinheiro para ganho de eficiência, o que
transmite a ideia de aumento de entregas, com maior qualidade, ou seja, de se tratar de um bom
negócio.No entanto, faz-se necessário uma análise mais analítica, considerando a real necessidade
e o contraste entre o custo da contratação e o efetivo benefício que será obtido. Nesse caso,
podemos realizar uma contratação pública, ou sua dispensa ou inexigibilidade (módulos III a V), ou
optar por uma das soluções sem contratação que veremos neste módulo.

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No escopo desta unidade, temos que pensar nas seguintes alternativas:


Atendimento Integral à Necessidade Pública por Resolução Interna
Quando se analisa o quantitativo total que se pretende digitalizar pode parecer impossível fazê-lo
diretamente, mesmo quando o órgão disponha dos recursos materiais necessários, com scanners
que digitalizam frente e verso automaticamente. Contudo, se cada unidade fizer um pouco, pode ser
mais viável do que parece. Por exemplo, se 500 pessoas digitalizassem 100 páginas por dia, já
teríamos 1 milhão de páginas digitalizadas em apenas 20 dias. Dependendo da realidade da
organização, seria possível aproveitar períodos de baixa demanda devido à sazonalidade e fazer 50
pessoas digitalizarem 1000 páginas, obtendo ao fim do período o mesmo quantitativo. É possível,
assim, evitar gastar recursos públicos mediante a otimização dos recursos humanos e materiais já
disponíveis.

Atendimento Parcial à Necessidade Pública por Resolução Interna


Pode não ser possível atender toda a demanda por resolução interna tempestivamente. Isso não
quer dizer, entretanto, que se deva realizar contratação pública para a sua integralidade. Pode-se
dividir parte do objeto para ser efetivada internamente e parte para ser alvo da contratação.
Poderíamos, por exemplo, separar os documentos e processos potencialmente sigilosos ou pessoais
para serem atendidos por resolução interna, realizando a contratação pública para atender ao
restante dos documentos e processos. Além da economia decorrente da não contratação do
quantitativo atendido por resolução interna, o órgão público teria uma melhor garantia contra a
divulgação ou o acesso não autorizado desses documentos e processos bem como conseguiria
contratar o mesmo quantitativo por valor inferior, devido à redução do risco do objeto.

Não Atendimento Parcial à Necessidade Pública


Pode ser que, ainda que possível, a melhor opção seja atender apenas a parcela da necessidade
pública cujo custo compense o benefício obtido, sacrificando o atendimento da parte residual na qual
essa relação seja prejudicial. Seria o caso, por exemplo, de, mesmo podendo, não se atender à
demanda quanto aos documentos e processos arquivados, atendendo-se por resolução interna ou
contratação pública a demanda quanto aos documentos e processos em tramitação. Isso porque o
custo de atender aos arquivados é equivalente (ou até maior) que o de atender aos em tramitação,
enquanto que o benefício destes é significativamente superior ao daqueles.

Não Atendimento Integral à Necessidade Pública


É possível que, considerados os custos de se atender à demanda mediante contratação pública ou o
ônus da mobilização de recursos humanos e materiais para essa finalidade, constate-se que o
benefício a ser obtido não se justifica e, assim, a melhor opção é simplesmente não atender à
necessidade pública. Deveras, como todos os novos documentos e processos serão produzidos em
suporte digital, a representatividade dos físicos cairia a cada ano. O ganho de eficiência seria
insuficiente para justificar o correspondente custo e o problema, na prática, resolver-se-ia por si só.

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Contrato de Gestão

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Pode ser que a melhor alternativa para atender à necessidade pública no caso concreto não seja por
resolução interna ou contratação pública, e sim por intermédio de fomento a outro órgão ou entidade
públicos ou a organizações privadas sem fins lucrativos. É aí que entra o novo instrumento do
contrato de gestão, que veremos até o fim da unidade.O contrato de gestão corresponde a um dos
modernos institutos criados no intuito de substituir disfunções burocráticas por práticas gerenciais
focadas no cidadão. Para tanto, ele possui aplicações diversas, que chegam a parecer se tratar de
outro instituto. Há, inclusive, algumas falhas técnicas em sua concepção que suscitam críticas dos
especialistas no tema. Contudo, sua contribuição foi positiva para o ordenamento jurídico.Para obter
um panorama geral sobre as três aplicações do contrato de gestão, assista ao seguinte vídeo:

Play VideoVamos, então, estudar com mais detalhes as três aplicações distintas dos contratos de
gestão?

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Para Órgãos e Entidades Públicas

A primeira aplicação que veremos para o contrato de gestão é aquela de previsão constitucional,
inserida pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998, que, promovendo a denominada reforma
administrativa, inseriu o seguinte dispositivo na Carta Magna:Constituição FederalArt. 37 (...)-------
-----------------------------------------------------------------------------------------§ 8º A autonomia gerencial,
orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da administração direta e indireta poderá ser
ampliada mediante contrato, a ser firmado entre seus administradores e o poder público, que tenha
por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre:I
- o prazo de duração do contrato;II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos,
obrigações e responsabilidade dos dirigentes; III - a remuneração do pessoal.O objetivo desta
aplicação do contrato de gestão é ampliar a autonomia do órgão ou entidade em contrapartida à
fixação de metas de desempenho. Assim, busca-se conferir os meios para que a unidade consiga

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aumentar sua eficiência, obtendo melhores resultados a custos inferiores.O constituinte derivado não
foi, contudo, tecnicamente preciso ao denominar o instituto de contrato. De fato, nesse contexto, não
seria possível contratar órgãos, já que, por constituírem meras repartições internas de competências,
não possuem personalidade jurídica, e, assim, não podem exprimir vontade para encarregar-se de
direitos ou contrair obrigações. Do outro lado, no caso de entidades administrativas, o ajuste seria
mais uma espécie de convênio do que um contrato propriamente dito, devido ao interesse mútuo – e
não divergentes – das partes no objeto da avença.Ademais, a norma é classificada como de eficácia
limitada e, portanto, somente é cabível a adoção do instituto para esse fim após a edição da
correspondente lei regulamentadora. Essa lei disporá, dentre outros temas, sobre o prazo de
duração do contrato, a remuneração do pessoal e os controles e critérios de avaliação de
desempenho, direitos, obrigações e responsabilidade dos dirigentes. Assim, somente quando essa
lei se encontrar em vigor é que será viável um “contrato” ampliar a autonomia conferida pela lei de
regência da unidade, porque, na verdade, aquela prevaleceria sobre esta na vigência do contrato de
gestão celebrado.

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Para Agências Executivas

A segunda aplicação está de certa forma contida na primeira, pois trata de contrato de gestão
celebrado para ampliar a autonomia de autarquia ou fundação que possua em andamento um plano
estratégico para reestruturá-la ou desenvolvê-la. A incoerência que perdura até hoje se deu por a
Lei nº 9.649/98 ter sido editada uma semana antes da Emenda Constitucional nº 19. Assim,
permanecem válidas as críticas tecidas na análise da primeira aplicação do instituto.Veja abaixo
como o tema foi tratado na norma reguladora:Lei nº 9.649/98Art. 51. O Poder Executivo poderá
qualificar como Agência Executiva a autarquia ou fundação que tenha cumprido os seguintes
requisitos:I - ter um plano estratégico de reestruturação e de desenvolvimento institucional em
andamento;II - ter celebrado Contrato de Gestão com o respectivo Ministério supervisor.§ 1º A
qualificação como Agência Executiva será feita em ato do Presidente da República.§ 2º O Poder
Executivo editará medidas de organização administrativa específicas para as Agências Executivas,
visando assegurar a sua autonomia de gestão, bem como a disponibilidade de recursos
orçamentários e financeiros para o cumprimento dos objetivos e metas definidos nos Contratos de
Gestão.Art. 52. Os planos estratégicos de reestruturação e de desenvolvimento institucional
definirão diretrizes, políticas e medidas voltadas para a racionalização de estruturas e do quadro de
servidores, a revisão dos processos de trabalho, o desenvolvimento dos recursos humanos e o
fortalecimento da identidade institucional da Agência Executiva.§ 1º Os Contratos de Gestão das
Agências Executivas serão celebrados com periodicidade mínima de um ano e estabelecerão os
objetivos, metas e respectivos indicadores de desempenho da entidade, bem como os recursos
necessários e os critérios e instrumentos para a avaliação do seu cumprimento. § 2º O Poder
Executivo definirá os critérios e procedimentos para a elaboração e o acompanhamento dos
Contratos de Gestão e dos programas estratégicos de reestruturação e de desenvolvimento
institucional das Agências Executivas.Vale ressaltar, ainda, uma importante consequência inerente à
qualificação de autarquia ou fundação como agência executiva. Trata-se da possibilidade de

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realização de obras, serviços e compras mediante contratação direta, valendo-se da aplicação em


dobro dos percentuais exigidos para a dispensa em razão do valor pelo art. 24, I, II e § 1º, da Lei nº
8.666/93 (20%, referente ao dobro de 10%), ou seja, quando o montante não ultrapassar R$
66.000,00, no caso de obras e serviços de engenharia, ou R$ 35.200,00, no caso de compras e
serviços comuns.

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Para Organizações Sociais

A última aplicação do contrato de gestão foi, na verdade, a pioneira, já que surgiu duas semanas
antes da Emenda Constitucional nº 19/98, que vimos na primeira aplicação. O objetivo, no entanto, é
diverso das demais aplicações: limita-se a autonomia de organização privada sem fins lucrativos
mediante a fixação de metas a serem atingidas, que usará, em contrapartida, recursos
orçamentários, financeiros, materiais ou humanos públicos.De fato, o contrato de gestão surgiu no
contexto histórico de se promover reformas para o Brasil se aproximar mais do modelo de
administração gerencial. Nesta aplicação, a ideia era promover a publicização, que, no contexto do
Programa Nacional de Publicização, correspondia à transferência de serviços não exclusivos do
Estado para a iniciativa privada sem fins lucrativos. Assim, a organização que celebrava o contrato
de gestão passava a se chamar Organização Social e absorvia a competência para a prestação de
serviço não exclusivo, anteriormente prestado por órgão ou entidade que fora para tanto extinto, de
modo a se ganhar maior eficiência no serviço público.Na prática, essa qualificação não costuma vir
acompanhada da anterior extinção de órgão ou entidade e consiste em ato discricionário do
Ministério da área pertinente à Organização Social. Para que o contrato de gestão seja assinado, é
necessário que a organização de personalidade jurídica de direito privado e sem fins lucrativos
destine-se ao ensino, à cultura, à saúde, à pesquisa científica, ao desenvolvimento tecnológico e à
preservação do meio ambiente. Clique e se familiarize com os requisitos à qualificação das
organizações sociais estabelecidos na primeira seção da norma.A Lei nº 9.637/98 dedica duas
seções para tratar do contrato de gestão e sua execução e fiscalização. Clique aqui para conhecer
melhor essas disposições.Clique na imagem abaixo para "saber mais" sobre o tema.

Há outros institutos de cooperação mais especializados que não veremos para não fugirmos do
escopo deste curso – as contratações públicas. É o caso, por exemplo, do termo de parceria,
regulado pela Lei nº 9.790/99. Há, outrossim, os termos de colaboração, termos de fomento e
acordos de cooperação, regulados pela Lei nº 13.019/14.

Unidade II - Convênio, Contrato de Repasse e Termo de Execução Descentralizada

Neste momento, veremos outras formas de atender à necessidade pública no caso concreto
mediante solução sem contratação – o convênio, o contrato de repasse e o termo de execução
descentralizada.No âmbito constitucional e legal, os institutos são geralmente referidos como
“convênios, acordos, ajustes e outros instrumentos congêneres”. No entanto, poucos sabem que
tanto a Constituição Federal quanto a Lei de Licitações e Contratos dedicam ao fim de suas

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disposições um artigo para dispor especialmente sobre o tema. Confira:Constituição Federal Art.
241 A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios disciplinarão por meio de lei os
consórcios públicos e os convênios de cooperação entre os entes federados, autorizando a gestão
associada de serviços públicos, bem como a transferência total ou parcial de encargos, serviços,
pessoal e bens essenciais à continuidade dos serviços transferidos.Lei nº
8.666/93Art. 116. Aplicam-se as disposições desta Lei, no que couber, aos convênios, acordos,
ajustes e outros instrumentos congêneres celebrados por órgãos e entidades da
Administração.§ 1º A celebração de convênio, acordo ou ajuste pelos órgãos ou entidades da
Administração Pública depende de prévia aprovação de competente plano de trabalho proposto pela
organização interessada, o qual deverá conter, no mínimo, as seguintes informações:I - identificação
do objeto a ser executado;II - metas a serem atingidas;III - etapas ou fases de execução;IV - plano
de aplicação dos recursos financeiros;V - cronograma de desembolso;VI - previsão de início e fim da
execução do objeto, bem assim da conclusão das etapas ou fases programadas;VII - se o ajuste
compreender obra ou serviço de engenharia, comprovação de que os recursos próprios para
complementar a execução do objeto estão devidamente assegurados, salvo se o custo total do
empreendimento recair sobre a entidade ou órgão descentralizador.§ 2º Assinado o convênio, a
entidade ou órgão repassador dará ciência do mesmo à Assembléia Legislativa ou à Câmara
Municipal respectiva.§ 3º As parcelas do convênio serão liberadas em estrita conformidade com o
plano de aplicação aprovado, exceto nos casos a seguir, em que as mesmas ficarão retidas até o
saneamento das impropriedades ocorrentes:I - quando não tiver havido comprovação da boa e
regular aplicação da parcela anteriormente recebida, na forma da legislação aplicável, inclusive
mediante procedimentos de fiscalização local, realizados periodicamente pela entidade ou órgão
descentralizador dos recursos ou pelo órgão competente do sistema de controle interno da
Administração Pública;II - quando verificado desvio de finalidade na aplicação dos recursos, atrasos
não justificados no cumprimento das etapas ou fases programadas, práticas atentatórias aos
princípios fundamentais de Administração Pública nas contratações e demais atos praticados na
execução do convênio, ou o inadimplemento do executor com relação a outras cláusulas conveniais
básicas;III - quando o executor deixar de adotar as medidas saneadoras apontadas pelo partícipe
repassador dos recursos ou por integrantes do respectivo sistema de controle interno.§ 4º Os saldos
de convênio, enquanto não utilizados, serão obrigatoriamente aplicados em cadernetas de poupança
de instituição financeira oficial se a previsão de seu uso for igual ou superior a um mês, ou em fundo
de aplicação financeira de curto prazo ou operação de mercado aberto lastreada em títulos da dívida
pública, quando a utilização dos mesmos verificar-se em prazos menores que um mês.§ 5º As
receitas financeiras auferidas na forma do parágrafo anterior serão obrigatoriamente computadas a
crédito do convênio e aplicadas, exclusivamente, no objeto de sua finalidade, devendo constar de
demonstrativo específico que integrará as prestações de contas do ajuste. § 6º Quando da
conclusão, denúncia, rescisão ou extinção do convênio, acordo ou ajuste, os saldos financeiros
remanescentes, inclusive os provenientes das receitas obtidas das aplicações financeiras realizadas,
serão devolvidos à entidade ou órgão repassador dos recursos, no prazo improrrogável de 30
(trinta) dias do evento, sob pena da imediata instauração de tomada de contas especial do
responsável, providenciada pela autoridade competente do órgão ou entidade titular dos recursos.
Vale ressaltar, assim, que aos convênios aplicam-se no que couber as disposições previstas na Lei

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de Licitações e Contratos. Frise-se, ainda, que é no Decreto nº 6.170/07 e na Portaria


Interministerial nº 424/2016 que os institutos são devidamente abordados. De fato, ainda que não
houvesse previsão constitucional ou legal específica sobre o tema, os institutos sob análise seriam
válidos, tendo em vista a inexistência de vedação em contrário e a diretriz de integração e
cooperação que se depreende da leitura sistêmica da Carta Magna e dos diplomas legais.

Animado para aprender sobre convênio, contrato de repasse e termo de execução descentralizada?
Então vamos lá!

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Convênio

Dos três ajustes que abordaremos nesta unidade, o convênio é, sem dúvida, o mais conhecido. Um
conceito sintético de convênios administrativos é abordado por Carvalho Filho (2017, p. 170),
segundo o qual constituem “ajustes firmados por pessoas administrativas entre si, ou entre estas e
entidades particulares, com vistas a ser alcançado determinado objetivo de interesse público”. Logo
em seguida, flexibiliza essa definição ao afirmar que “tem sido admitida a participação, como
pactuantes, de órgãos públicos despidos de personalidade jurídica”.Deveras, os ajustes convênios e
contratos diferenciam-se pelos interesses das partes envolvidas. Nestes o Estado almeja atender à
necessidade pública, o particular deseja auferir lucro e o contrato, via de regra precedido de
licitação, só pode ser rescindido nas hipóteses previstas na lei. Por sua vez, naqueles as partes
cooperam para o alcance dos interesses comuns e o convênio, que não depende de prévia licitação
ou autorização legislativa, pode ser denunciado a qualquer tempo, com uma das partes
abandonando a cooperação, que permanece em vigor se ainda remanescer ao menos dois
integrantes. Os convênios diferenciam-se, outrossim, dos consórcios públicos que veremos na última
unidade deste módulo, uma vez que nestes as partes formam uma pessoa jurídica autônoma e
naqueles (bem como nos contratos) essa constituição não ocorre.Podemos agora apresentar o
conceito mais analítico do Decreto nº 6.170/07:Decreto nº 6.170/07Art. 1º (...)§ 1º Para os efeitos
deste Decreto, considera-se: I - convênio - acordo, ajuste ou qualquer outro instrumento que
discipline a transferência de recursos financeiros de dotações consignadas nos Orçamentos Fiscal e
da Seguridade Social da União e tenha como partícipe, de um lado, órgão ou entidade da
administração pública federal, direta ou indireta, e, de outro lado, órgão ou entidade da
administração pública estadual, distrital ou municipal, direta ou indireta, ou ainda, entidades privadas
sem fins lucrativos, visando a execução de programa de governo, envolvendo a realização de
projeto, atividade, serviço, aquisição de bens ou evento de interesse recíproco, em regime de mútua
cooperação;

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Elementos

No convênio, o concedente transfere recursos financeiros para o convenente executar programa,


projeto, atividade ou evento pactuado em regime de mútua cooperação. Em alguns casos, há

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também a figura do interveniente, parte não integrante do ajuste que manifesta consentimento ou
assume obrigações em nome próprio.Em qualquer hipótese:

Nessa linha, o convenente, auxiliado ou não por interveniente, executa o objeto observando o
programa de trabalho. Geralmente, durante essa execução, é necessário modificar o convênio por
termo aditivo, sem alterar, no entanto, o objeto. Ademais, é indispensável acompanhar
concomitantemente a execução integral do objeto e o alcance dos resultados previstos, tanto do
ponto de vista técnico quanto financeiro, mediante adequada prestação de contas.Pode ocorrer de o
órgão ou entidade pública celebrar muitos convênios. Nesse caso, o concedente deve proceder à
seleção e à padronização dos objetos mais frequentes, prevendo critérios, como custo e
características, a serem seguidos no caso de vir a celebrar novo convênio com o mesmo objeto.
Além disso, o próprio concedente pode adquirir bens que possam ser padronizados para distribuí-los
aos convenentes.

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Características

A regra é cada organização pública com personalidade jurídica própria atuar em seu próprio âmbito
de atuação. Nesse contexto, o convênio pode ser celebrado entre órgãos públicos de um mesmo
Ente Político, entre órgãos públicos de uma mesma entidade pública ou entre órgãos ou entidades
públicas e entidades privadas sem fins lucrativos. Admite-se, contudo, mediante a celebração de
convênio, a execução, sob o regime de mútua cooperação, de programas:
de entidade da Administração Indireta por órgãos da Administração Direta;
de órgãos e entidades de uma Pessoa Política por outro Ente Político.

No caso de convênio celebrado com entidades privadas sem fins lucrativos, o concedente, visando à
eficácia do objeto, deve realizar previamente chamamento público para selecionar projetos ou
entidades, devendo estabelecer critérios objetivos para aferir a qualificação técnica e capacidade
operacional do convenente na gestão do ajuste. Ademais, a publicidade do chamamento público e de
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seu resultado deve ser garantida, mediante sua divulgação ao menos no Portal dos Convênios e na
primeira página do sítio oficial do concedente.Entretanto, a exigência de chamamento público pode
ser dispensada:
Para realizar programas de proteção a pessoas ameaçadas ou em situação que possa
comprometer sua segurança;
Se o projeto, atividade ou serviço objeto do ajuste já seja realizado adequadamente mediante
parceria com a mesma entidade há pelo menos 5 anos e cujas respectivas prestações de contas
tenham sido devidamente aprovadas; ou
Em emergência ou calamidade pública, quando a situação demandar a realização ou manutenção
do ajuste por até 180 dias ininterruptos, contados da ocorrência da emergência ou calamidade,
vedada a prorrogação da vigência do instrumento.

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Ainda quanto aos convênios celebrados com entidades privadas sem fins lucrativos, deve-se
destacar a necessidade de estas se cadastrarem previamente pela internet no SICONV (Sistema de
Gestão de Convênios e Contratos de Repasse). Esse registro é imprescindível para a celebração, a
liberação de recursos, o acompanhamento da execução e a prestação de contas do ajuste, além de
para a publicidade, já que o sistema é aberto ao público pela internet através do Portal dos
Convênios. Nele é apresentada, inclusive, a relação das entidades privadas sem fins lucrativos que
possuam convênios vigentes com a União ou cujas contas estejam pendentes de aprovação.Nesse
contexto, tem-se a prestação de contas, que se inicia concomitantemente com a liberação da
primeira parcela dos recursos financeiros, registrada pelo concedente no SICONV. Apresentada a
prestação de contas e a comprovação de resultados pelo convenente, o concedente:
Passo 1
Constatando irregularidade ou inadimplência, pode conceder até 45 dias para o convenente sanar a
irregularidade ou cumprir a obrigação;

Passo 2
Dispõe de 1 ano, prorrogável justificadamente por até igual período, para analisá-las e manifestar-se
conclusivamente, findo o qual (considerando o período de suspensão para diligência de saneamento
de irregularidade ou cumprimento de obrigação) a ausência de decisão sobre a aprovação da
prestação de contas pode resultar no registro de restrição contábil do órgão ou entidade pública
referente ao exercício em que ocorreu o fato

Passo 3
Após analisar a prestação de contas, pode manifestar-se conclusivamente pela: aprovação sem
ressalvas; aprovação com ressalvas, se evidenciada impropriedade ou outra falta de natureza formal
de que não resulte dano ao Erário; ou rejeição, com a determinação da imediata instauração de
tomada de contas especial.

Vale frisar que no convênio, devido ao regime de mútua cooperação, há contrapartida de ambas as
partes. Essa contrapartida, calculada sobre o valor total do objeto, pode ser atendida, alternativa ou
cumulativamente, por:
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Recursos financeiros, em qualquer caso, depositados:


Na conta bancária específica do convênio, em conformidade com os prazos estabelecidos no
cronograma de desembolso; ou
Nos cofres da União, na hipótese de o convênio ser executado por meio do SIAFI (Sistema
Integrado de Administração Financeira);
Bens ou serviços economicamente mensuráveis, no caso de entidades privadas sem fins
lucrativos, consoante a forma de aferição constante de cláusula do convênio.

Nessa linha, ao celebrar o convênio o concedente deve empenhar o valor total a ser transferido no
exercício. Se o convênio tiver vigência plurianual, o concedente também deve proceder ao registro
dos valores programados para cada exercício subsequente em conta contábil específica do SIAFI, o
que obrigará a consignação de crédito nos orçamentos seguintes para garantir a execução do
objeto.

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Vedações

A aplicabilidade do convênio é tão ampla que pode dar ensejo à interpretação de que seria cabível
em qualquer hipótese. Por isso, consoante o Decreto nº 6.170/07, art. 2º, c/c a Portaria
Interministerial 507/2011, art. 10, é importante termos em mente que não é possível a União celebrar
convênios:
Visando à realização de serviços ou obras a serem custeadas, total ou parcialmente, com
recursos externos sem a prévia contratação da operação de crédito externo;
Entre órgãos e entidades federais, já que, nesses casos, o instrumento adequado para tanto é o
termo de execução descentralizada, que veremos mais adiante;
Com pessoas físicas ou entidades privadas com fins lucrativos;
Com órgão ou entidade pública, ou entidade privada sem fins lucrativos:
Que esteja em mora, inadimplente com outro convênio celebrado com a União, ou
desatendendo exigência do referido decreto ou portaria interministerial;
Cujo objeto social não se relacione às características do programa ou que não disponham de
condições técnicas para executar o convênio;

Com órgãos ou entidades dos Estados, Distrito Federal e Municípios cujo valor seja inferior a 100
mil reais ou, se obra ou serviço de engenharia (exceto elaboração de projetos de engenharia) a
R$ 250 mil reais, permitindo-se, contudo:
O consorciamento entre os órgãos e entidades da administração pública direta e indireta dos
Estados, Distrito Federal e Municípios;
A celebração de convênios com objeto que englobe vários programas e ações federais a
serem executados de forma descentralizada;

Com entidades privadas sem fins lucrativos que:


Não comprovem ter desenvolvido, nos últimos três anos, atividades referentes à matéria objeto
do convênio; e

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Tenham como dirigente agente político de Poder ou do Ministério Público, tanto quanto
dirigente de órgão ou entidade da administração pública, de qualquer esfera governamental,
ou respectivo cônjuge ou companheiro, bem como parente em linha reta, colateral ou por
afinidade, até o 2º grau; ou
Tenham, em suas relações anteriores com a União, incorrido em pelo menos uma das
seguintes condutas:

Omissão no dever de prestar contas;


Descumprimento injustificado do objeto de convênios, contratos de repasse ou termos de
parceria;
Desvio de finalidade na aplicação dos recursos transferidos;
Ocorrência de dano ao Erário; ou
Prática de outros atos ilícitos na execução de convênios, contratos de repasse ou termos de
parceria.

Pág. 17

Contrato de Repasse

Embora seja tão importante quanto o convênio, o contrato de repasse não costuma ser devidamente
abordado pela doutrina. Assim, os poucos estudantes que já ouviram falar sobre o instituto não
costumam conseguir precisar ao certo do que se trata.Vamos começar a entendê-lo pelo conceito
previsto no Decreto nº 6.170/07?Decreto nº 6.170/07Art. 1º (...)§ 1º Para os efeitos deste Decreto,
considera-se:------------------------------------------------------------------------------------------------ II -
contrato de repasse - instrumento administrativo, de interesse recíproco, por meio do qual a
transferência dos recursos financeiros se processa por intermédio de instituição ou agente financeiro
público federal, que atua como mandatário da União;No contrato de repasse, o contratante pactua
com o contratado a execução de programa, projeto, atividade ou evento por meio de instituição
financeira pertencente ao Ente Federado contratante, denominada mandatária. Em alguns casos, há
também a figura do interveniente, parte não integrante do ajuste que manifesta consentimento ou
assume obrigações em nome próprio.Deveras, embora a norma não indique essa possibilidade por
ocasião de definição de interveniente, sua leitura sistemática permite essa dedução. Além disso, tal
como nos convênios, o contratante pode ser um órgão ou entidade pública e o contratado ou
interveniente, entidade privada sem fins lucrativos ou outro órgão ou entidade pública.Assim, a
principal diferença do contrato de repasse para o convênio é essa obrigatória intermediação pela
instituição financeira. Por isso, esse instrumento é recomendado para objetos de complexidade e
valores superiores, sendo necessário, no mínimo, realizar cotação prévia de preços no mercado
antes da celebração do contrato. Nessa linha, quando a ideia for executar programa de trabalho para
a realização de obra pública, o instrumento adequado será o contrato de repasse. Nesse caso, se
tanto o contratante quanto a mandatária não tiverem capacidade técnica para acompanhar a
aplicação dos recursos transferidos regularmente, esse acompanhamento deve ser efetivado por
outra instituição pública ou privada, na qualidade de interveniente. Do outro lado, quando o órgão ou
entidade pública tiver estrutura para acompanhar a execução do objeto, pode ser celebrado

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convênio.Por fim, vale destacar que a maior parte do que estudamos para o convênio também se
aplica para o contrato de repasse, considerada a similaridade entre os institutos.

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Termo de Execução Descentralizada

O último instituto que veremos nesta unidade é o termo de execução descentralizada. Esse
instrumento, entretanto, não foi sempre conhecido por essa nomenclatura. De fato, passou a se
chamar dessa forma a partir de 2013, encontrando-se ainda desatualizada a Portaria Interministerial
do MP e CGU nº 507/2011, que ainda se refere ao ajuste através da denominação termo de
cooperação.Vamos iniciar novamente pelo conceito contido no Decreto nº 6.170/07?Decreto nº
6.170/07Art. 1º (...)§ 1º Para os efeitos deste Decreto, considera-se:-----------------------------------------
------------------------------------------------------- III - termo de execução descentralizada - instrumento por
meio do qual é ajustada a descentralização de crédito entre órgãos e/ou entidades integrantes dos
Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União, para execução de ações de interesse da
unidade orçamentária descentralizadora e consecução do objeto previsto no programa de trabalho,
respeitada fielmente a classificação funcional programática;No termo de execução descentralizada, a
unidade descentralizadora transfere dotação orçamentária e recursos financeiros para a unidade
descentralizada executar programa, projeto, atividade ou evento pactuado. A característica marcante
desse instituto é que ambas as unidades são órgãos ou entidades pertencentes ao mesmo Ente
Federado.Excluem-se, entretanto, da aplicação do instrumento as empresas estatais não
dependentes, organizações públicas com personalidade jurídica de direito privado que conseguem
se sustentar com a prestação de serviço público ou explorando atividade econômica, em ambos os
casos com finalidade lucrativa, e compõem o Orçamento de Investimento das Estatais.

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Nesse contexto, a celebração de termo de execução descentralizada deve atender à execução da


descrição da ação orçamentária prevista no programa de trabalho e pode ter as seguintes
conotações e finalidades:
Ressarcimento de despesas entre as unidades, admitida a dispensa da formalização do
instrumento para essa finalidade; ou
Delegação de competência para a unidade descentralizada promover a execução de programas,
atividades ou ações previstas no orçamento da unidade descentralizadora visando à:
Execução de programas, projetos e atividades de interesse recíproco, em regime de mútua
colaboração;
Realização de atividades específicas pela unidade descentralizada em benefício da unidade
descentralizadora dos recursos; ou
Execução de ações que se encontram organizadas em sistema e que são coordenadas e
supervisionadas por um órgão central.

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As Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs), incluídas as Instituições Federais de Ensino


Superior (IFES), podem celebrar convênios e contratos com fundações de apoio, instituídas com a
finalidade de apoiar projetos de ensino, pesquisa, extensão, desenvolvimento institucional,
científico e tecnológico e estímulo à inovação, inclusive na gestão administrativa e financeira
necessária à execução desses projetos, mediante a dispensa de licitação prevista no art. 24, XIII,
da Lei nº 8.666/93, que veremos com melhor profundidade no módulo V (contratação de
instituição brasileira incumbida regimental ou estatutariamente da pesquisa, do ensino ou do
desenvolvimento institucional, ou de instituição dedicada à recuperação social do preso). Clique
aqui para conhecer melhor a Lei nº 8.958/94, que regula a matéria

Unidade III - Consórcio Público

Vimos na unidade anterior que os convênios se diferenciam dos consórcios públicos por as partes
destes formarem uma pessoa jurídica autônoma e naqueles essa constituição não ocorrer. Pronto
para aprender mais sobre esse último instrumento?
Fundamento, Natureza e Atuação

Os consórcios públicos possuem uma peculiaridade quanto à sua fundamentação constitucional. Isso
porque o art. 241, que já estudamos na unidade anterior, afirma que o tema seria disciplinado por lei
própria de cada um dos Entes Federados. No entanto, como a constituição de consórcio público se
dá por contrato, o Poder Público optou por disciplinar o tema por intermédio da competência privativa
da União para legislar sobre normas gerais de licitação e contratação (art. 22, XXVII, da Constituição
Federal).Nessa linha, foi editada a Lei 11.107/05 para regulamentar o dispositivo constitucional,
estabelecendo normas gerais nacionais sobre o tema (isto é, aplicáveis a todos os Entes
Federativos). Em seguida, foi editado o Decreto nº 6.017/07 para esmiuçá-la. E é somente nesta que
se encontra a definição normativa de consórcio público:Decreto nº 6.017/07Art. 2º Para os fins
deste Decreto, consideram-se: I - consórcio público: pessoa jurídica formada exclusivamente por
entes da Federação, na forma da Lei nº 11.107, de 2005, para estabelecer relações de cooperação
federativa, inclusive a realização de objetivos de interesse comum, constituída como associação
pública, com personalidade jurídica de direito público e natureza autárquica, ou como pessoa jurídica
de direito privado sem fins econômicos;Assim, através do consórcio público se estabelece uma
relação de cooperação federativa, como a gestão associada de serviço público ou a realização de
objetivos de interesse comum, através da qual é formada uma pessoa jurídica composta apenas por
entes da Federação.

Pág. 21

Essa nova pessoa jurídica pode ter personalidade jurídica:


De Direito Público
Nesse caso, constituirá associação pública de natureza autárquica com a vigência das leis de
ratificação do protocolo de intenções (que veremos mais a diante), integrando a Administração
Indireta de todos os Entes consorciados.

De Direito Privado

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Nesse caso, constituirá sociedade privada sem fins econômicos, não integrante de Administração
Pública, com o atendimento dos requisitos da legislação civil, devendo, contudo, observar as normas
de direito público quanto à realização de licitação, celebração de contratos, prestação de contas e
admissão de seus empregados públicos regidos pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho.

No entanto, há algumas limitações para a celebração do consórcio público. De fato, a União não
pode consorciar-se apenas com Municípios. Nesse caso, para que possa ser constituído, os Estados
nos quais estejam situados também precisam fazer parte do consórcio público. Analogamente, um
Estado também não pode consorciar-se somente com Município pertencente a Estado diverso.
Entretanto, pode ser constituído consórcio público só formado pelo Distrito Federal e por Municípios,
tendo em vista o caráter sui generis desse Ente ao possuir competências reservadas aos Estados e
Municípios.Destarte, figurando ou não a União como consorciada, a área de atuação do consórcio
público corresponde à soma dos territórios:
Dos Municípios (ou destes e do Distrito Federal): Quando constituído só por Municípios (ou
por estes e o DF) ou por um Estado e Municípios nele compreendidos;
Dos Estados (ou destes e do Distrito Federal): Quando constituído por dois ou mais Estados
ou por um ou mais Estados e o DF.

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Objetivos, Prerrogativas e Responsabilidades

Os entes da Federação ao consorciarem-se devem definir os objetivos do consórcio público,


observando os limites constitucionais. Para que consiga alcançá-los, o consórcio público pode valer-
se das seguintes prerrogativas:
Firmar convênios, contratos, acordos de qualquer natureza, podendo a União com ele celebrar
convênios visando viabilizar a descentralização e a prestação de políticas públicas em escalas
adequadas;
Receber auxílios, contribuições e subvenções sociais ou econômicas de outras entidades e
órgãos do governo;
Ser contratado pela Administração Pública Direta ou Indireta dos Entes consorciados,
dispensada a licitação, valendo-se do art. 24, XXVI, da Lei nº 8.666/93, que permite a
celebração de contrato de programa (que veremos mais a diante) com outro Ente, mediante
licitação dispensável, para prestar serviços públicos de forma associada;
Realizar obras, serviços e compras mediante contratação direta, valendo-se da aplicação em
dobro dos percentuais exigidos para a dispensa em razão do valor pelo art. 24, I, II e § 1º, da
Lei nº 8.666/93 (20%, referente ao dobro de 10%), ou seja, quando o montante não
ultrapassar R$ 66.000,00, no caso de obras e serviços de engenharia, ou R$ 35.200,00, no
caso de compras e serviços comuns;
Realizar licitação na modalidade concorrência, tomada de preços ou convite mediante valores
diferenciados para determinar o limite máximo correspondente, valendo-se da aplicação em
dobro, se formado por até três Entes da Federação, ou em triplo, se formado por número
maior, prevista no art. 23, I, II e § 8º, da Lei nº 8.666/93;

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Realizar licitação da qual decorra contrato administrativo celebrado por órgãos ou entidades
dos Entes consorciados, facultado à entidade interessada o acompanhamento do certame e da
execução do contrato, nos termos do art. 112, §§ 1º e 2º, da Lei nº 8.666/93;
Emitir documentos de cobrança ou exercer atividade de arrecadação de tarifas por prestação
de serviço ou uso ou outorga de uso de bem público administrado por ele ou, mediante
autorização específica, pelo ente da Federação consorciado;
Outorgar concessão, permissão ou autorização de obras ou serviços públicos, desde que
autorizado pelo contrato correspondente à sua constituição;
Receber cessão de servidores dos Entes consorciados ou os com eles conveniados, na forma
e condições da legislação de cada um;
Celebrar contrato de gestão ou termo de parceria, nas condições previstas no protocolo de
intenções (que estudaremos mais para a frente);
Receber doação, destinação ou cessão do uso de bens móveis ou imóveis, ou transferências
ou cessões de direitos operadas por força de gestão associada de serviços públicos, sendo
nula outro tipo de cláusula do contrato constitutivo que preveja contribuições financeiras ou
econômicas de Ente ao consórcio público;
Promover desapropriações e instituir servidões, nos termos de declaração de utilidade ou
necessidade pública, ou interesse social, realizada pelo Poder Público e do contrato
constitutivo, desde que o consórcio tenha personalidade jurídica de direito público.

Já no que concerne às responsabilidades, vale ressaltar que os Entes da Federação consorciados


respondem subsidiariamente pelas obrigações do consórcio público. Nesse caso, a associação
pública responde por si e só no caso de ter assumido obrigações maiores que seu patrimônio é que,
liquidado primeiro este, a Administração Direta pode ser demandada por obrigações remanescentes.
Já quanto aos dirigentes do consórcio público, frise-se que respondem pessoalmente pelas
obrigações por ele contraídas quando praticarem atos em desacordo com a lei, os estatutos ou as
decisões da assembleia geral.Ademais, constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão
ao erário, nos termos do art. 10, XIV e XV, da Lei nº 8.429/92, a celebração de:
Contrato ou outro instrumento que tenha por objeto a prestação de serviços públicos por meio
da gestão associada sem observar as formalidades previstas na lei;
Contrato de rateio de consórcio público sem suficiente e prévia dotação orçamentária ou sem
observar as formalidades previstas na lei.

Pág. 23

Constituição e Protocolo de Intenções

O procedimento de constituição de um consórcio público apresenta, basicamente, duas etapas:1)


Subscrição do Protocolo de Intenções: Cada Ente que pretende compor o consórcio público
subscreve o protocolo de intenções e procede à sua publicação na imprensa oficial;2) Celebração
do Contrato (Ratificação Legal do Protocolo de Intenções): Os Entes que subscreveram o
protocolo de intenções, ou, caso haja cláusula autorizativa neste sentido, uma parcela deles,
procedem à celebração do contrato, materializada pela ratificação, mediante lei, do protocolo de

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intenções, a qual:a. É dispensada para o Ente que, antes de subscrever o protocolo de intenções,
tenha disciplinado por lei sua participação no consórcio público;b. Pode ser realizada com reserva,
desde que aceita pelos demais Entes subscritores, hipótese em que implicará consorciamento parcial
ou condicional;c. Depende de homologação da assembleia geral do consórcio público quando
realizada 2 anos após a subscrição do protocolo de intenções.A organização e funcionamento dos
consórcios públicos são disciplinados pela Lei nº 11.107/05 e, no que não a contrariar, pela
legislação que rege as associações civis – o Código Civil (Lei nº 10.406/02). Já a organização e o
funcionamento de cada um de seus órgãos constitutivos são disciplinados nos estatutos do consórcio
público, cujas disposições deverão atender às cláusulas do seu contrato constitutivo, sob pena de
nulidade.O consórcio público possui uma assembleia geral, na qual é assegurado a cada Ente
consorciado um voto, admitida a definição pelo protocolo de intenções de quantidade diferenciada de
votos entre eles. O consórcio público possui, ainda, um representante legal, eleito entre os Chefes
do Poder Executivo dos Entes consorciados, na forma e para o mandato definidos no protocolo de
intenções. O consórcio público na área de saúde deve obedecer, outrossim, aos princípios, diretrizes
e normas do SUS (Sistema Único de Saúde).

Pág. 24

Contrato de Rateio

Contrato de rateio constitui o compromisso de os Entes consorciados fornecerem os recursos


financeiros necessários à realização de despesas do consórcio público. Assim, é o único instrumento
hábil para os Entes consorciados entregarem recursos ao consórcio.Nessa linha, o contrato de rateio
deve ser formalizado em cada ano, com prazo de vigência, em regra, até o final do exercício
financeiro. No entanto, quando só tiver por objeto projetos consistentes em programas e ações
contemplados no PPA (Plano Plurianual) ou a gestão associada de serviços públicos custeados por
tarifas, admite-se que a vigência do contrato de rateio exceda ao exercício financeiro.Nesse contexto,
a fiscalização do instrumento é exercida em dois âmbitos distintos:
Exigência de cumprimento das obrigações previstas no contrato de rateio por qualquer uma das
partes legítimas – Entes consorciados, isolados ou em conjunto, ou consórcio público –, de modo
que o Ente consorciado que não consignar, em sua lei orçamentária ou em créditos adicionais, as
dotações suficientes para suportar as despesas assumidas no contrato de rateio pode ser
suspenso do consórcio público e, persistindo a situação, excluído.
Obediência da execução de receitas e despesas do consórcio público às normas de direito
financeiro aplicáveis às entidades públicas, sem prejuízo da:

Vedação à aplicação dos recursos entregues por contrato de rateio em despesas genéricas,
inclusive transferências ou operações de crédito;
Obrigatoriedade de o consórcio público fornecer as informações necessárias à consolidação,
nas contas dos Entes consorciados, das despesas realizadas com os recursos entregues pelo
contrato de rateio, visando à contabilização nas contas de cada ente da Federação na
conformidade dos elementos econômicos e das atividades ou projetos atendidos, atendendo-
se, assim, os dispositivos da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101/2000);

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Sujeição do consórcio público à fiscalização contábil, operacional e patrimonial do Tribunal de


Contas competente para apreciar as contas do representante legal do consórcio e ao controle
externo exercido em razão de cada contrato de rateio.

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Contrato de Programa

O contrato de programa, por sua vez, constitui, no âmbito da prestação de serviços públicos por meio
de cooperação federativa, o instrumento que constitui e regula as obrigações entre Entes Políticos
ou entre estes e consórcio público. Assim, devem ser constituídas e reguladas pelo instrumento as
obrigações que um Ente Político constituir para com outra unidade da Federação ou para com
consórcio público no âmbito de gestão associada em que haja a prestação de serviços públicos ou a
transferência total ou parcial de encargos, serviços, pessoal ou de bens necessários à continuidade
dos serviços transferidos. Do outro lado, as obrigações cujo descumprimento não acarrete ônus,
inclusive financeiro, a Ente Político ou a consórcio público não devem ser objeto de contrato de
programa.Interessante é que o contrato de programa continua vigente mesmo quando extinto o
consórcio público ou o convênio que autorizou a gestão associada de serviços públicos. Ademais, o
contrato de programa pode ser celebrado por entidades de direito público ou privado integrantes da
Administração Indireta de Ente consorciado ou conveniados, desde que mediante previsão no
contrato de consórcio público ou no convênio de cooperação. Entretanto, o contrato celebrado é
automaticamente extinto se o contratado não mais integrar a Administração Indireta do Ente que
autorizou a gestão associada de serviços públicos por consórcio público ou convênio.Dessa forma, o
contrato de programa deve atender às seguintes exigências:
Atendimento à legislação de concessões e permissões de serviços públicos (principalmente a Lei
nº 8.987/95) e de regulação dos serviços a serem prestados (especialmente quanto ao cálculo
das tarifas);
Previsão de procedimentos que garantam a transparência da gestão econômica e financeira de
cada serviço em relação a cada um de seus titulares;
Vedação de se atribuir ao contratado o exercício de poderes de planejamento, regulação e
fiscalização dos serviços por ele próprio prestados, sendo nula a cláusula nesse sentido;
Quando a gestão associada originar a transferência total ou parcial de encargos, serviços,
pessoal e bens essenciais à continuidade dos serviços transferidos, previsão, sob pena de
nulidade, de cláusulas que estabeleçam:
Encargos transferidos e responsabilidade subsidiária da entidade transferidora;
Penalidades aplicáveis na inadimplência relativa aos encargos transferidos;
Momento de transferência dos serviços e deveres quanto a sua continuidade;
Indicação de quem arcará com o ônus e os passivos do pessoal transferido;
Identificação dos bens que terão apenas a sua gestão e administração transferidas e preço
dos que sejam efetivamente alienados ao contratado;
Procedimento para o levantamento, cadastro e avaliação dos bens reversíveis que vierem a
ser amortizados mediante receitas de tarifas ou outras emergentes da prestação dos serviços.

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Pág. 26

Retirada de Ente e Alteração ou Extinção do Consórcio

É possível que um ente da Federação se retire do consórcio público? Sim, mas a retirada depende
de ato formal de seu representante na assembleia geral, atendida a forma previamente disciplinada
em lei. Nesse caso, os bens que o consorciado em retirada tiver destinado ao consórcio público só
lhe serão revertidos ou retrocedidos se houver expressa previsão no contrato constitutivo ou
instrumento de transferência ou alienação.E a alteração ou extinção de contrato de consórcio
público, como funciona? Depende de instrumento aprovado pela assembleia geral, ratificado
mediante lei por todos os entes consorciados. Diferentemente do que vimos para a hipótese de
retirada, nessa situação, os bens, direitos, encargos e obrigações decorrentes da gestão associada
de serviços públicos custeados por tarifas são atribuídos aos titulares dos respectivos serviços.
Informação importante é que no contexto em análise os Entes consorciados respondem
solidariamente pelas obrigações remanescentes até que haja decisão que indique os responsáveis
por cada obrigação, sem prejuízo do direito de regresso em face dos Entes beneficiados ou dos que
deram causa à obrigação.Por fim, em ambos os casos, as obrigações já constituídas não são
prejudicadas. Nessa linha, os contratos de programa continuam vigentes e só são extintos após o
prévio pagamento das indenizações eventualmente devidas.Assista ao vídeo do Eduardo Tanaka
sobre consórcios públicos para melhor memorizar os principais pontos abordados neste módulo em
uma abordagem mais leve:

Conclusão

Parabéns! Você chegou ao final do Módulo II do curso Contratações Públicas. Como parte do
processo de aprendizagem, sugerimos que você releia este módulo e resolva os Exercícios de
Fixação. O resultado não influenciará sua nota final, mas é relevante para avaliar seu domínio do
conteúdo.Clique na imagem.

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