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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ

LIVIA MEDEIROS MACEDO DA SILVA

VINICIUS PRATA GARCIA DA SILVA

ANÁLISE DA RELAÇÃO ENTRE DUREZA

ROCKWELL E RESISTÊNCIA À TRAÇÃO

Rio de Janeiro - RJ

2019
LIVIA MEDEIROS MACEDO DA SILVA

VINICIUS PRATA GARCIA DA SILVA

ANÁLISE DA RELAÇÃO ENTRE DUREZA

ROCKWELL E RESISTÊNCIA À TRAÇÃO

Trabalho de conclusão de curso, apresentado à


Universidade Estácio de Sá, como requisito
parcial, para obtenção do grau de bacharel em
Engenharia Mecânica, sob a orientação do
Professor Mestre Márcio Jardim de Oliveira.

Rio de Janeiro – RJ

2019
SILVA, Lívia Medeiros Macedo; SILVA, Vinícius Prata Garcia. Análise da relação entre
dureza Rockwell e resistência à tração. Orientador: Professor Mestre Márcio Jardim de
Oliveira. Rio de Janeiro: UNESA/ Universidade Estácio de Sá, 2019. Monografia para
Graduação em Engenharia Mecânica.

BANCA EXAMINADORA

_________________________________________________________________________

Orientador: Msc. Márcio Jardim de Oliveira – UNESA

_________________________________________________________________________

Convidado: Msc. Egildo Campelo da Silva – UNESA

_________________________________________________________________________

Professor da Disciplina: Msc. Ivan da Cunha Santos – UNESA

Aprovada em: ___/___/2019


DEDICATÓRIA

Dedicamos esse trabalho a Deus que nos


permitiu alcançar mais esse objetivo em
nossas vidas; aos nossos familiares sempre
nos incentivando na busca por novas
conquistas; e aos nossos amigos pelo carinho
e compreensão.
AGRADECIMENTOS

Foram anos de muita dedicação, noites mal dormidas, abdicação de reuniões


familiares, experiências únicas adquiridas, contato com um mundo cheio de descobertas e
aquele desejo imenso de concluir com êxito mais essa etapa.
Gostaríamos de agradecer primeiramente a Deus que nos sustentou para que
pudéssemos permanecer firmes em nossa decisão e seguir em frente em cada novo obstáculo
que nos era apresentado.
Com enorme carinho, agradecemos aos nossos familiares que sempre nos
incentivaram, depositaram confiança e alimentaram a certeza do nosso sucesso nessa
importante conquista.
Agradecemos aos nossos amigos por compreenderem cada momento de ausência, por
se fazerem presentes mesmo na distância, por nos motivarem, por acreditarem e,
principalmente, por terem empatia e compartilharem da nossa felicidade.
Aos professores pelos ensinamentos e experiências compartilhadas, em especial ao
nosso orientador Márcio Jardim de Oliveira, sempre disponível, paciente e entusiasmado em
colaborar com o seu melhor e, aos profissionais Maria Cecília (Gerente técnica do laboratório)
e Flávio (técnico do laboratório) da empresa MTC, por nos disponibilizarem seus
equipamentos, tempo e conhecimento.
“Não existem métodos fáceis para resolver problemas difíceis”.

René Descartes
RESUMO

A dureza, o limite de resistência à tração e o limite de escoamento são propriedades


mecânicas que refletem o comportamento da resistência elástica e plástica de um material
metálico, definidas como a resiliência e a tenacidade respectivamente. Essas propriedades são
muito utilizadas para caracterizar uma liga metálica, dimensionar e especificar peças para
equipamentos, sendo encontradas em certificados de qualidades que são gerados por
laboratórios de ensaios e análises químicas. Através deste trabalho será estudada a relação
entre as propriedades de diversas ligas ferrosas na expectativa de encontrar uma
proporcionalidade direta ou estatística, considerando como objeto para este fim o limite de
resistência à tração e limite de escoamento em Pascal e a escala C do método Rockwell de
dureza. Foram selecionados alguns tipos de aços com composições químicas variadas e com
dureza acima de 20 HRC, uma vez que esse valor é o início da escala avaliada. Os dados
foram extraídos dos certificados, tabelados e analisados graficamente e estaticamente através
da média da relação e de sua dispersão por meio do desvio padrão amostral. Nesse trabalho
proposto a dureza apresentou um comportamento gráfico semelhante ao limite de resistência à
tração, sendo possível o conhecimento de uma propriedade em função do resultado obtido da
outra. Foi constatada também uma proporcionalidade estatística entre o limite de resistência a
tração e o limite de escoamento.

Palavras-chave: Dureza. Método Rockwell. Resistência à tração. Propriedades mecânicas.


Proporcionalidade.
ABSTRACT

The hardness, the tensile strength limit and the yield limit are mechanical properties that
reflect the behavior of the elastic and plastic resistance of a metallic material, defined as
resilience and the tenacity, respectively. These properties are widely used to characterize a
metal alloy, to size and to specify parts for equipment, being found in certificates of qualities
that are generated by laboratories of tests and chemical analyzes. This work will study the
relationship between the properties of several ferrous alloys in the expectation of finding a
direct or statistical proportionality, considering as objective for this purpose the limit of
tensile strength and yield limit in Pascal and the C scale of the Rockwell method of hardness.
Some types of steels with various chemical compositions and with hardness above 20 HRC
were selected, since this value is the beginning of the scale evaluated. The data were extracted
from the certificates, tabulated and analyzed graphically and statically through the mean of
the relation and its dispersion by means of the sample standard deviation. In this proposed
work, the hardness presented a graphical behavior similar to the limit of tensile strength,
being possible the knowledge of one property in function of the result obtained from the other.
Statistical proportionality was also observed between the tensile strength limit and the yield
limit

Keywords: Hardness. Rockwell method. Tensile strength. Mechanical properties,


Proporcionality.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 – Escalas comparativas entre os métodos de durezas ............................................... 22


Figura 2 – Representação da indentação Brinell ..................................................................... 23
Figura 3 – Relação durezas X LRT para alguns materiais ...................................................... 25
Figura 4 – Representação da indentação Vickers .................................................................... 28
Figura 5 – Representação da indentação Knoop ...................................................................... 29
Figura 6 – Curva Tensão - Deformação .................................................................................. 31
Figura 7 – Gráfico com σe para deformação de 0,2% .............................. .............................. 32
.

Figura 8 – Curva de Gauss Amostral ...................................................................................... 34


Figura 9 – Durômetro de Medição de Dureza Rockwell C ................. .................................... 36
.

Figura 10 – Fases de aplicação de carga Rockwell ................................................................. 37


Figura 11 – Dimensões Padronizadas do Corpo de Prova ...................................................... 38
Figura 12 – Preparação do Corpo de Prova para Ensaio de Tração ........................................ 38
Figura 13 – Corpo de Prova Rosqueado à Máquina e com Extensômetro .............................. 39
Figura 14 – Corpo de Prova após Ruptura .............................................................................. 39
Figura 15 – Gráfico Tensão x Deformação gerado pelo software ........................................... 39
Figura 16 – Medição do corpo de prova após a ruptura .......................................................... 39
Figura 17 – Gráfico Dureza x Limite de Resistência à Tração ............................................... 45
Figura 18 – Gráfico Dureza x Limite de Escoamento ............................................................. 45
Figura 19 – Gráfico Limite de Escoamento x Limite de Resistência à Tração ....................... 46
Figura 20 – Curva de Gauss – Dureza x LRT ......................................................................... 46
Figura 21 – Curva de Gauss – Limite de Escoamento x LRT ................................................. 47
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Sistema de Designação AISI/SAE e SNU, e Faixas de Composição para Aços


Comuns ao Carbono e Vários de Baixa Liga .......................................................................... 19
Tabela 2 - Constantes ou graus de cargas para algumas aplicações ........................................ 24
Tabela 3 - Características das Escalas de Dureza Rockwell (adaptado de NBR NM 146-
1:1998 e ASTM E18:2007) ..................................................................................................... 27
Tabela 4 – Classificação dos Materiais ................................................................................... 35
Tabela 5 – Dados Coletados dos Certificados de Qualidade ................................................... 40
Tabela 6 – Média Aritmética das Propriedades Mecânicas ..................................................... 43
Tabela 7 – Relação entre as Propriedades Mecânicas ............................................................. 44
LISTA DE EQUAÇÕES

Equação 1 ................................................................................................................................. 21
Equação 2 ................................................................................................................................ 22
Equação 3 ................................................................................................................................ 23
Equação 4 ................................................................................................................................ 24
Equação 5 ................................................................................................................................ 25
Equação 6 ................................................................................................................................ 28
Equação 7 ................................................................................................................................ 29
Equação 8 ................................................................................................................................ 34
Equação 9 ................................................................................................................................ 34
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABENDI Associação Brasileira de Ensaios Não Destrutivos e Inspeção


ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas
AISI Instituto Americano de Ferro e Aço (American Iron and Steel Institute)
ASTM Sociedade Americana para Ensaios e Materiais (American Society For
Testing and Materials)
CCC Reticulado Cúbico de Corpo Centrado
LE Limite de Escoamento
LRT Limite de Resistência à Tração
MTC Materials Test Center Ltda
NBR Norma Brasileira
NM Associação Mercosul de Normalização
SAE Sociedade de Engenheiros Automotivos (Society of Automotive
Engineers)
SI Sistema Internacional de Unidades
SNU Sistema de Numeração Unificado (Unifield Numbering System)
UNESA Universidade Estácio de Sá
LISTA DE SÍMBOLOS

HRC Dureza Rockwell na escala C


Fe Ferro
C Carbono
Ni Níquel
Cr Cromo
Mo Molibdênio
S Enxofre
P Fósforo
Mn Manganês
V Vanádio
Si Silício
γ Fase austenita – diagrama ferro-carbono
α Fase ferrítica - diagrama ferro-carbono
H Dureza
Fmáx Carga predefinida
Ac Área de contato
kg Quilograma
P Carga de impressão (N) para Brinell
N Newton
S Área da calota esférica (mm²)
mm Milímetro
HB Dureza Brinell
D Diâmetro do penetrador (mm)
d Diâmetro médio da impressão (mm) para Brinell
HBS Dureza Brinell com esfera de aço
HBW Dureza Brinell com esfera de tungstênio
kgf Quilograma-força
σu Limite de resistência à tração (MPa)
c Constante experimental
HRB Dureza Rockwell na escala B
Psi Pound force per square inch
LISTA DE SÍMBOLOS

MPa Megapascal
N Penetrador de diamante para Rockwell
T Penetrador de aço esférico
HR Dureza Rockwell
P Carga (kgf) para Vickers e Knoop
d Comprimento da diagonal da impressão (mm) para Vickers
sen Seno
HV Dureza Vickers
Sp Área projetada da impressão (mm²)
L Comprimento da diagonal maior (mm)
HK Dureza Knoop
Ksi Igual a 1000 psi
M Tensão máxima
F Fratura do material
σe Limite de escoamento (tensão de escoamento)
σp Tensão proporcional (limite de proporcionalidade)
σeL Tensão de escoamento inferior
σeH Tensão de escoamento superior
Ɛ=n Deformação padrão
σen Limite n de escoamento
𝑥̅ Média aritmética
Ʃ Somatório
xi Valor de cada elemento
n Número de elementos
s Desvio padrão
in Polegada
SUMÁRIO

1 – INTRODUÇÃO.................................................................................................................. 15
1.1 - Considerações Iniciais......................... ............................................................................ 15
.

1.2 - Justificativa ...................................................................................................................... 16


1.3 - Problema de Pesquisa ...................................................................................................... 16
1.4 - Objetivo Geral ................................................................................................................. 16
1.5 - Objetivos Específicos ...................................................................................................... 16
1.6 - Metodologia ..................................................................................................................... 17
1.7 - Limitações da Pesquisa ................................. .................................................................. 17
.

2 - REFERENCIAL TEÓRICO................................................... ........................................ 18


.

2.1 - Ligas Metálicas ................................................................................................................ 18


2.1.1 - Ligas Ferrosas de Aço Carbono ................................................................................ 18
2.1.2 - Ligas Ferrosas de Aço Inoxidável ............................................................................. 20
2.2 - Métodos de Ensaio de Dureza ................................................................. ....................... 20
.

2.2.1 - Dureza Mohs ............................................................................................................. 21


2.2.2 - Dureza Brinell ........................................................................................................... 22
2.2.3 - Dureza Rockwell ....................................................................................................... 26
2.2.4 - Dureza Vickers .......................................................................................................... 27
2.2.5 - Dureza Knoop ........................................................................................................... 29
2.3 - Propriedades Mecânicas .................................................................................................. 30
2.3.1 - Dureza ....................................................................................................................... 30
2.3.2 - Limite de Resistência à Tração ................................................................................. 30
2.3.3 - Limite de Escoamento ............................................................................................... 31
2.3.4 - Influência dos Elementos Químicos........................................................................... 32
2.3.5 - Gráfico de Gauss ....................................................................................................... 33

3 - MATERIAIS E MÉTODOS................................................ .......................................... 35


.

3.1 - Materiais .......................................................................................................................... 35


3.2 - Parâmetros do Estudo .................................................................................... ................. 36
.

3.3 - Metodologia dos Ensaios................................................................................................. 36


3.3.1 - Ensaio de Dureza Rockwell C ................................................................................... 36
3.3.2 - Ensaio de Tração ....................................................................................................... 38

4 - RESULTADOS E DISCUSSÃO ......................................................................................40


4.1 – Coleta de Dados ................................................................................................................40
4.2 - Análise Gráfica .................................................................................................................43

5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................................48
5.1 – Conclusão ........................................................................................................................48

6 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................... 49


15

1 INTRODUÇÃO

1.1 Considerações Iniciais

Através de experimentos e ensaios ou por teorias matemáticas e analíticas são


estabelecidas as distribuições de tensões em corpos submetidos a esforços. É fundamental o
conhecimento das relações entre as propriedades mecânicas e a microestrutura dos materiais
para melhor entendimento do comportamento dessas tensões.
Por meio da deformação de um elemento submetido a uma força aplicada é possível
compreender o seu comportamento e assim definir as propriedades mecânicas que
representam a sua capacidade de absorção, transmissão e resistência à carga a qual foi exposto
sem se romper ou apresentar variações indesejáveis. As propriedades conhecidas e muito
importantes para aplicação em projetos mecânicos é a dureza, a resistência mecânica, a
ductilidade e a tenacidade, as quais possibilitam a avaliação da interação entre os materiais e
caracterizam o tipo de deformação presente, podendo ser elástica ou plástica. (GARCIA,
SPIM e SANTOS, 2015).
Em laboratórios são realizados experimentos que reproduzem de forma mais exata
possível as condições de trabalho, a fim de se verificar as propriedades dos materiais. Devem
ser levadas em consideração as condições do ambiente, o tempo de aplicação da carga, bem
como sua intensidade. (CHIAVERINI,1986)
Uma propriedade mecânica importante é a dureza que representa a capacidade de um
material em resistir a uma deformação plástica localizada. O método Rockwell é muito
utilizado para quantificar essa propriedade, uma vez que possui simples execução, não exige
muitas habilidades do operador e possui menores possibilidades de erros. (CALLISTER, 2011)
O presente trabalho aborda uma análise para uma possível relação de
proporcionalidade entre a dureza Rockwell C e as propriedades oriundas do ensaio de tração,
tais como: limite de resistência à tração (LRT) e limite de escoamento (LE).
A motivação para esta pesquisa surgiu da necessidade de obter uma propriedade
através da determinação de outra, tornando mais prático e econômico o que atualmente é
atingido por meio de dois ensaios distintos.
16

1.2 Justificativa

Para identificação e análise de uma liga metálica específica é necessária a utilização de


ensaios mecânicos, tais como tração e dureza e também, a verificação da composição química.
Em determinadas situações na indústria, como a manutenção de uma máquina ou a
execução de projetos com baixo fator de segurança, é inevitável o conhecimento de algumas
propriedades, dentre elas a dureza, o limite de resistência à tração e o limite de escoamento de
um material para um bom dimensionamento de uma peça de reposição ou para outros fins.

Para a obtenção do LRT e do LE é necessária a preparação de corpos de prova, que


nem sempre se dispõe de matéria-prima suficiente e, de equipamentos específicos, o que
consequentemente resulta em um alto custo e maior tempo para execução do ensaio.

1.3 Problema de Pesquisa

O tema abordado surgiu da necessidade de tornar mais ágil, prático e econômico a


obtenção da resistência mecânica em função da dureza e vice-versa, reduzindo a necessidade
de ensaios e tornando possível a determinação desses valores através de uma simples relação
estatística entre elas.

1.4 Objetivo Geral

Determinar para algumas ligas metálicas ferrosas uma relação de proporcionalidade


entre o método de medição de dureza Rockwell C e os resultados obtidos nos ensaios de
resistência à tração.

1.5 Objetivos Específicos

 Extrair dos certificados de qualidade de uma empresa metal-mecânica os valores


encontrados para os ensaios de tração e dureza e consolidar em uma tabela;
 Confrontar os resultados das medições dos ensaios de dureza com os de resistência à
tração e limite de escoamento;
 Concluir uma possível relação e a sua amplitude entre os valores obtidos de dureza,
limite de resistência à tração e limite de escoamento para os aços acima de 20 HRC.
17

1.6 Metodologia

Foram selecionadas e avaliadas 26 ligas metálicas que apresentaram distinção em sua


composição química e também possuíam resultados superiores a 20 HRC para o ensaio de
dureza.
Posteriormente foi criada uma planilha consolidando os valores dos ensaios de dureza
e resistência à tração encontrados nos certificados de qualidade, a fim de estabelecer
parâmetros de proporcionalidade entre essas propriedades e tornar possível a determinação de
uma apenas com os resultados obtidos para a outra, sem a necessidade de realização de mais
ensaios.

1.7 Limitações da Pesquisa

Este trabalho tomará como análise o método de dureza Rockwell C e a resistência à


tração por serem mais empregados em cálculos de projetos. Porém não serão abordados, nesta
análise, resultados para os métodos Mohs, Brinell, Vickers, Knoop, Rockwell A, B, D, E, F,
G, H, K, L, M, P, R, S, V e dureza superficial por serem pouco utilizados no segmento
industrial; materiais como ligas metálicas não ferrosas e ligas metálicas com dureza abaixo de
20 HRC também não serão abordadas.
18

2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 Ligas Metálicas

São definidas pelo elemento metálico que apresenta maior percentual em sua
composição e são normalmente divididas em duas classes: ferrosas e não ferrosas.
As ligas ferrosas apresentam o ferro (Fe) como principal constituinte tendo como
exemplo os aços carbono, aços-liga e ferros fundidos. Já as ligas não ferrosas ocorrem o
oposto, em que o ferro não aparece como o principal elemento, é o caso das ligas de alumínio,
cobre, níquel, titânio e outras. (SHACKELFORD, 2008)

2.1.1 Ligas Ferrosas de Aço Carbono

Os aços são ligas de ferro-carbono e também podem apresentar em sua composição


outros elementos de liga em consideráveis teores. Os aços são classificados em baixo, médio
ou elevado carbono, de acordo com a sua concentração. Inferior a 1,0% de carbono as
propriedades mecânicas são facilmente influenciadas. Os aços comuns possuem carbono,
manganês e concentrações residuais de impurezas, porém existem subclasses que são
definidas pela presença dos outros elementos de liga acrescentados em concentrações
determinadas com a finalidade de modificar propriedades específicas. (CALLISTER, 2011)

 Aços com baixo teor de carbono: possuem a concentração do carbono abaixo de 0,25%
e não são tratáveis termicamente, suas resistências são modificadas por meio de
trabalhos a frio. As microestruturas contém a ferrita e a perlita, que resultam em ligas
relativamente fracas e moles, em contra partida apresentam bastante ductilidade,
tenacidade, usinabilidade e soldabilidade, tendo baixo custo de produção. (LOPES,
2016)

 Aços com médio teor de carbono: possuem concentrações de carbono entre 0,25% e
0,60%. São ligas tratadas termicamente para melhorar as propriedades mecânicas e as
microestruturas mais comuns de se obter são: perlita e a martensita revenida, na qual
esta última é adquirida através do tratamento térmico de têmpera seguido de
revenimento. Os aços de médio carbono possui baixa capacidade de endurecimento,
porém podem ter sucesso em tratamentos térmicos somente em seções pequenas e com
taxas de resfriamento elevada. O cromo, o níquel e o molibdênio podem melhorar a
19

capacidade desses aços em responder aos tratamentos térmicos, possibilitando maior


resistência mecânica que os aços de baixo carbono, entretanto tem a sua ductilidade e
tenacidade reduzidas. (CALLISTER, 2011)
A designação dos aços de médio teor de carbono com elementos de liga estão
representadas na Tabela 1.

Tabela 1 – Sistema de designação AISI/SAE e SNU, e faixas de composição para aços comuns ao carbono
e vários de baixa liga

Fonte: CALLISTER (2011, p.400)


a
A concentração de carbono, em porcentagem em peso vezes 100, é inserida em lugar de “xx” para cada aço
específico.
b
Exceto para as ligas 13xx, a concentração de manganês é sempre inferior a 1,00%p.
Exceto para as ligas 12xx, a concentração de fósforo é sempre inferior a 0,35%p.
Exceto para as ligas 11xx e 12xx, a concentração de enxofre é sempre inferior a 0,04%p.
Exceto para as ligas 92xx, a concentração de silício varia sempre entre 0,15 e 0,35%p .

 Aços com elevado teor de carbono: possuem concentração de carbono entre 0,60% e
1,40%. Devido ao acréscimo de carbono, são mais duros e resistentes, todavia são
menos dúcteis do que os aços de baixo e médio carbono. São muitos resistente ao
desgaste e a abrasão e, para esta característica, são endurecidos e revenidos através de
tratamentos térmicos. Esses aços são aplicados para fabricação de ferramentas e
matrizes para forjamento e com a adição de cromo, vanádio, tungstênio e molibdênio,
podem ter a dureza, a resistência ao desgaste e à abrasão aumentada, devido à
formação de compostos à base de carbetos. (LOPES, 2016)
20

2.1.2 Ligas Ferrosas de Aço Inoxidável

Os aços inoxidáveis possuem alta capacidade de resistência à corrosão em diversas


condições ambientais. O elemento principal para adquirir essa característica é o cromo em
concentração de pelo menos 10%. Outros elementos como o níquel e o molibdênio também
podem contribuir para aumentar essa propriedade. (CHIAVERINI, 1986)
São classificados de acordo com a predominância da microestrutura, podendo ser
martensítica, ferrítica, e austenítica, no entanto em alguns casos encontra-se a ferrítica e a
austenítica simultaneamente, e são designados como aços inoxidáveis duplex.
(SHACKELFORD, 2008)
O tipo martensítico é tratável termicamente com a finalidade de obter como
microconstituinte a martensita. A Adição de alguns elementos de liga em percentuais
significativos resulta em grandes alterações no diagrama de fases do ferro – carbeto de ferro.
Os aços inoxidáveis do tipo austeníticos, possuem como microconstituinte a fase da austenita,
ou fase γ mesmo em temperatura ambiente. Os aços inoxidáveis do tipo ferríticos, encontram-
se no campo da fase ferrita, ou fase α (CCC). Os aços inoxidáveis ferríticos e austeníticos têm
suas propriedades de resistência mecânica e dureza aumentadas através de processos de
deformação a frio, uma vez que o tratamento térmico é ineficiente a esses tipos de aços.
Dentre os aços inoxidáveis, os austeníticos apresentam maior resistência à corrosão por ter
elevados teores de cromo e adição de níquel. Os austeníticos se diferenciam dos demais não
somente pela resistência à corrosão, mas também por não serem magnéticos, enquanto os
ferríticos e martensíticos podem ser induzidos por forças magnéticas. (SHACKELFORD,
2008)

2.2 Métodos de Ensaio de Dureza

Por proporcionar às indústrias a obtenção de dados quantitativos que definem a


resistência à deformação plástica, o ensaio de dureza é fortemente empregado em
componentes elétricos, mecânicos, vidros e laminados e, também, é utilizado pós-tratamentos
superficiais para verificação dos resultados desejados. (GARCIA, SPIM e SANTOS, 2015)
Os resultados de dureza podem variar em função da temperatura, condições da
superfície e tratamentos aplicados ao material, tais como tratamentos térmicos, termoquímicos,
mecânicos.
21

Os ensaios que através de uma pré-carga determinada comprimem penetradores com


formas padronizadas sobre a superfície de um material, ocasionando primeiramente uma
deformação reversível e em seguida uma deformação plástica, constituem os métodos mais
utilizados em engenharia. A dureza é obtida pela medição da marca ou profundidade que se
observa na superfície do material ensaiado e, por meio de uma correlação existente entre as
dimensões encontradas e valores numéricos estabelecidos de dureza é possível determinar o
resultado do ensaio. A tensão que o penetrador precisa para superar a resistência superficial
do material define a correlação mencionada anteriormente. (SHACKELFORD, 2008)
De acordo com a maneira com que são executados, os ensaios de dureza podem ser
classificados em três tipos: por rebote, por penetração e por risco. (PADILHA, 2007)
Existem normas técnicas que regulamentam os ensaios de indentação, sendo a ASTM
E10-10 ativa para a dureza Brinell, a ASTM E18-08b para Rockwell em suas diversas escalas
e ASTM E384-11 para Vickers e Knoop. Para que seja feita a conversão entre os valores
encontrados para os variados métodos de ensaio foi criada a norma ASTM E140-07. (SCHÖN,
2013)
Segundo Schön (2013), a dureza, H, é determinada pelo quociente entre a força
aplicada (Fmáx) sobre um penetrador rígido e a área de contato (Ac) impressa na superfície da
amostra após a indentação, conforme definido na Equação 1:

Fmáx
𝐻= (1)
Ac

O aspecto mais crítico a ser considerado para alguns tipos de ensaio é a definição da
área de contato. No caso da dureza Rockwell ela é estimada pela diferença de profundidade
do penetrador sob a carga e com a carga retirada, após a aplicação de uma pré-carga. Para os
ensaios Brinell, Vickers e Knoop medem-se as dimensões lineares das impressões e a Ac é
determinada por similaridade geométrica (SCHÖN, 2013)

2.2.1 Dureza Mohs

Também denominada de "dureza por riscamento", é usualmente descrita pela escala


Mohs que apresenta uma correlação entre nomes de minerais e valores numéricos de 1 a 10,
sendo que materiais com "número Mohs" superiores são capazes de riscar a superfície de
materiais em que esses valores são inferiores. (CHIAVERINI, 1986)
22

A Figura 1 mostra a escala Mohs comparada com diferentes materiais e as durezas


obtidas por outros métodos de ensaio. (SCHÖN, 2013)

Figura 1 – Escalas comparativas entre os métodos de durezas

Fonte: GARCIA, SPIM e SANTOS (2015, p.117)

2.2.2 Dureza Brinell

Foi o primeiro ensaio de penetração, proposto inicialmente por James A. Brinell em


1901, que foi padronizado e reconhecido industrialmente. É realizado comprimindo-se uma
esfera padronizada, geralmente metálica, sobre a superfície do material ensaiado.
(CHIAVERINI, 1986)
A dureza Brinell é expressa pelo quociente da carga normal P (N) aplicada sobre a
área S (mm²) da superfície côncava (calota esférica) após a retirada da força, sendo detalhada
na Equação 2: (CHIAVERINI, 1986)

P
Dureza = (2)
S

Uma vez que a dureza está relacionada à tensão é possível estabelecer relações entre
ela e outras propriedades mecânicas dos materiais. Inserindo a medida do diâmetro da calota
23

esférica d, o diâmetro do penetrador e a carga aplicada na Equação 3 obtém-se o valor da


dureza Brinell, e a representação do ensaio pode ser observado na Figura 2: (CHIAVERINI,
1986)
2𝑃
𝐻𝐵 = 0,102. (3)
𝜋. 𝐷. (𝐷 − √𝐷² − 𝑑²)

HB = Dureza em Brinell
P = Carga (N)
D = diâmetro do penetrador (mm)
d = diâmetro médio da impressão (mm)
0,102 = fator de conversão para carga (N) no SI, já que inicialmente o ensaio foi
proposto em kgf.

Figura 2 – Representação da indentação Brinell

Fonte: adaptado de www.edisciplinas.usp.br

Apesar de a dureza Brinell expressar unidades de carga e área é comum à utilização


somente do número encontrado seguido do símbolo HB que indica as iniciais das palavras
“hardness Brinell”. Conforme a norma NBR NM-187-1 também pode aparecer HBS (esfera
de aço) e HBW (esfera de carboneto de tungstênio), sendo a última letra o tipo de ponta
utilizada no ensaio, no entanto a ASTM E10: 2007a só aceita a utilização de HBW. (GARCIA,
SPIM e SANTOS, 2015)
É necessário conhecer determinadas características do corpo de prova como o material,
o tamanho, a espessura e a estrutura interna para que seja definida a carga e realizada a
escolha do diâmetro da esfera que é normalizado em 10 mm, 5 mm, 2,5 mm, 2,0 mm e 1,0
24

mm conforme a norma NBR NM-187-1:1999. (GARCIA, SPIM e SANTOS, 2015;


CHIAVERINI, 1986)
O grau de carga ou constante do material garante que seja mantido o ângulo de 136º
entre as tangentes da calota esférica da impressão, tal método foi desenvolvido devido ao fato
da escolha da carga depender do material a ser ensaiado. Essa condição é atendida para d1/D1
= d2/D2, desde que o grau de carga seja constante ou atenda a Equação 4: (GARCIA, SPIM e
SANTOS, 2015)
P
𝑐𝑜𝑛𝑠𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑜𝑢 𝑔𝑟𝑎𝑢 𝑑𝑒 𝑐𝑎𝑟𝑔𝑎 = (4)

A Tabela 2 expõe as principais constantes ou graus de carga empregados nos mais


conhecidos materiais de engenharia.

Tabela 2 - Constante ou graus de cargas para algumas aplicações

Constante
ou grau de Materiais Exemplos
carga
30 Metais ferrosos e não Aços, ferros fundidos, níquel e ligas, cobalto e ligas,
ferrosos resistentes ligas de titânio
15 Somente para carga de Titânio e ligas, bem como materiais não tão duros e
1500kgf ligas leves (somente NBR NM-187-1)
10 Metais ferrosos dúcteis e Ferros Fundidos, ligas de alumínio, ligas de cobre:
maioria dos não ferrosos latões, bronzes, ligas de magnésio, zinco
5 Metais não ferrosos moles Metais puros alumínios, magnésio, cobre, zinco
2,5 Metais moles Ligas de estanho, chumbo, antimônio, berílio, lítio

1,25 Metais mais moles Metais puros berílio e lítio ou metais moles
1 Metais muito moles Metais puros estanho, chumbo, antimônio
Fonte: GARCIA, SPIM e SANTOS (2015, p.122)

Caso o diâmetro médio da calota esférica (d) não estiver compreendido entre 24% e 60%
do diâmetro da esfera (D) utilizada, será necessário determinar outra constante para o material
e estabelecer a nova carga para realização e validação do ensaio. (GARCIA, SPIM e
SANTOS, 2015)
Para minimizar leituras erradas e resultados imprecisos, a verificação do diâmetro da
impressão formada deve ser medida através de um microscópio ou uma lupa graduada com
precisão centesimal (0,01 mm) e são necessárias duas leituras uma a 90º da outra. O resultado
só será válido quando a diferença entre os diâmetros for no máximo 0,1 mm. (CALLISTER,
2011)
25

A existência de relações que permitam converter dureza em tensão é útil em situações


em que é necessária uma estimativa da resistência de um material e não se dispõe de uma
máquina de ensaio de tração, ou quando a situação é inversa. Existem relações experimentais
que, embora não sejam necessariamente precisas, constituem ferramentas úteis nesse sentido,
como a relação entre dureza Brinell e limite de resistência à tração, de acordo com a equação
5, e também pode ser verificado na Figura 3. (CHIAVERINI, 1986)

𝜎𝑢 = 𝑐. 𝐻𝐵 (5)

σu – limite de resistência à tração (MPa);


c – constante experimental

Figura 3 – Relação Durezas X LRT para alguns materiais

Fonte: GARCIA, SPIM e SANTOS (2015, p.127)

Para durezas Brinell maiores que 380 HB, a relação não deve ser aplicada, pois a
dureza passa a crescer mais rapidamente do que o limite de resistência à tração. De qualquer
forma, é importante ressaltar que os valores determinados pela Equação 5 são considerados
apenas valores aproximados, devendo ser indicado os valores de dureza adotados. (GARCIA,
SPIM e SANTOS, 2015)
26

2.2.3 Dureza Rockwell

O método possui esse nome por ter sido proposto pela indústria americana Rockwell
em 1922. É o modelo mais usado para medir a propriedade, na qual, utiliza a profundidade da
impressão produzida pelo penetrador quando submetido a uma força aplicada em duas etapas,
sendo em primeiro a pré-carga, em que são aplicados 98N (10kgf) com a finalidade de
eliminar efeitos superficiais, ajudar na fixação do corpo de prova, eliminar folgas do sistema e
produzir pequena deformação para reduzir erros devido a recuperação elástica do material e,
em segundo, tem-se a carga total com intensidade de 589N (60kgf); 981N (100kgf) e 1471N
(150kgf). A dureza Rockwell é classificada como comum ou para medição de dureza
superficial, em que dependem da intensidade da pré-carga e da carga. (CHIAVERINI, 1986)
O penetrador varia com o tipo e dimensão de acordo com a escala, consiste em cone
de diamante com ângulo de 120º ou em ponta esférica de aço endurecido ou carboneto de
tungstênio, com diâmetros de 1,59mm (1/16”), 3,17mm (1/8”), 6,35mm (1/4”) e 12,7 (1/2”).
O ensaio Rockwell é normatizado pela ASTM E18, que recomenda a utilização das esferas de
metal duro somente para espessuras finas e materiais muito moles. (CALLISTER, 2011)
Diferentemente dos outros métodos que necessitam de medições da impressão e
cálculos para determinar o valor da dureza, nesse método a leitura é realizada diretamente na
escala do equipamento e é uma correlação com a profundidade da penetração após a retirada
da carga total e mantendo-se somente a pré-carga. (CHIAVERINI, 1986)
O método Rockwell possui diversas escalas que se diferenciam pela carga aplicada e
tipo de penetrador, sendo as escalas comuns A, B, C, D, E, F, G, H, K, L, M, P, R, S e V; e as
superficiais 15N ou 15T, 30N ou 30T e 45N ou 45T; na qual N é penetrador de diamante e T
penetrador de aço esférico de 1,59 mm. A Tabela 3 mostra as diversas escalas para a dureza
Rockwell, que dependem do tipo de penetrador e da carga aplicada, atendendo aos mais
variados tipos de materiais. O valor da dureza Rockwell é designado pelo símbolo HR
seguido do tipo de escala e precedido do valor encontrado. (GARCIA, SPIM e SANTOS,
2015)
27

Tabela 3 - Características das escalas de dureza Rockwell (adaptado de NBR NM 146-1:1998e ASTM
E18:2007)
Faixa de
Carga Leitura na
Escala Penetrador Aplicações típicas indicação
(kgf) escala
(HR)
C Diamante 150 Vermelha Materiais duros, como aços temperados, 20 - 68
ferramentas, especiais

D Diamante 100 Vermelha Aços endurecidos com reduzida espessura 40,1 - 76,9
ou camada superficial
A Diamante 60 Vermelha Aços temperados superficialmente ou 60,5 - 85,6
revestidos, metal duro

B Esfera 1,59 mm 100 Preta Aços não temperados, ferros fundidos, 81,7 - 100
algumas ligas não ferrosas

F Esfera 1,59 mm 60 Preta Ligas de cobre, de alumínio, de zinco, de -


magnésio, metais moles
G Esfera 1,59 mm 150 Preta Bronzes com fósforo, ferros fundidos -
maleáveis, ligas de berílio

H Esfera 3,17 mm 60 Preta Alumínio e suas ligas, zinco e suas ligas, -


chumbo, abrasivos

E Esfera 3,17 mm 100 Preta Ferros fundidos, ligas de alumínio e -


magnésio, metais moles e plástico
K Esfera 3,17 mm 150 Preta Metais de baixa dureza e plásticos -
L Esfera 6,35 mm 60 Preta Mesma Rockwell K, borracha e plástico -

M Esfera 6,35 mm 100 Preta Mesma Rockwell K e L, madeira e plástico -

P Esfera 6,35 mm 150 Preta Mesma Rockwell K,L e M -

R Esfera 12,7 mm 60 Preta Mesma Rockwell K, L e M, plástico -

S Esfera 12,7 mm 100 Preta Mesma Rockwell K, L e M -

V Esfera 12,7 mm 150 Preta Mesma Rockwell K, L, M, P e R ou S -

Fonte: ADAPTADO DE GARCIA, SPIM e SANTOS (2015, p.131e 132)

2.2.4 Dureza Vickers

Método idealizado por Smith e Sandland em 1925 e fabricado pela Companhia


Vickers – Armstrong Ltda. da qual se originou o nome Vickers. É um método que relaciona a
carga com a área causada pela penetração do penetrador de diamante com formato de
pirâmide de base quadrada e ângulo na ponta entre faces de 136º, conforme a Figura 4,
28

possuindo uma proximidade com o método Brinell. O ensaio contém uma escala única e se
aplica a qualquer material metálico, com dureza elevada, espessuras muito finas, corpos
irregulares e pequenos, o que o torna um ensaio de dureza universal. (GARCIA, SPIM e
SANTOS, 2015)

Figura 4 – Representação da indentação Vickers

Fonte: site www.rijeza.com.br/dureza-vickers

A forma geométrica deixada pelo penetrador após a retirada da carga é um losango


regular, cujas diagonais são medidas por meio de um microscópio com precisão de 0,01mm
agregado ao durômetro. A média das duas diagonais é utilizada para o cálculo da dureza
através da Equação 6. (CHIAVERINI, 1986)

θ
2. P. sen (2) P (6)
HV = = 1,8544.
d² d²

P = carga (kgf.)
d = comprimento da diagonal da impressão (mm)
θ = 136º

A representação da dureza é formada pelo valor calculado seguido pelo símbolo HV e


da carga aplicada e pelo tempo de aplicação da carga quando for diferente dos determinados
pela norma ASTM E92 que são 10 a 15 segundos para materiais duros e 30 a 60 segundos
para materiais moles. (GARCIA, SPIM e SANTOS, 2015)
29

2.2.5 Dureza Knoop

A microdureza Knoop é muito semelhante ao método Vickers, foi desenvolvida em


1939, utilizando-se um penetrador de diamante em forma de pirâmide alongada, formando na
ponta os ângulos de 172º 30’ e 130º entre as faces opostas (Figura 5). O valor da microdureza
Knoop é o resultado da divisão, através da Equação 7, da carga aplicada pela área da
impressão formada após a retirada da carga que se apresenta como um losango, em que a
diagonal maior e menor possuem uma relação de 7:1. (CHIAVERINI, 1986)

Figura 5 – Representação da indentação Knoop

Fonte: site www.cimm.com.br

P 14,229. P
𝐻𝐾 = = (7)
Sp L²

P = carga aplicada (kgf)


Sp = área projetada da impressão (mm²)
L = comprimento da diagonal maior (mm)

A área da impressão obtida no ensaio Knoop é cerca de 15% da área para uma dureza
correspondente no ensaio Vickers e a profundidade da impressão é menor que a metade. A
profundidade da impressão é cerca de 1/30 da diagonal maior. Por ser um método de
microdureza, possui cargas abaixo de 1kgf, o que permite a verificação da propriedade em
materiais frágeis como o vidro e espessuras muito finas como camadas eletrodepositadas e
30

películas de tinta. O valor da dureza Knoop é apresentado pelo símbolo HK seguido da carga
aplicada e precedido do valor encontrado. (GARCIA, SPIM e SANTOS, 2015)

2.3 Propriedades Mecânicas

Para atender aplicações específicas é comum os materiais serem analisados e


escolhidos de acordo com as características mecânicas necessárias e para isso são realizados
ensaios em laboratórios que procuram reproduzir com maior exatidão possível às condições
de trabalho em que o material será submetido e consequentemente analisar e quantificar as
suas propriedades mecânicas. (CALLISTER, 2011)
As propriedades como resistência, a dureza, a ductilidade e a rigidez se referem ao
comportamento mecânico do material em relação a sua resposta ou deformação a uma carga
ou força que esteja sendo aplicada.
Segundo Callister (2011), as propriedades despertam a curiosidade de muitas pessoas,
tornando necessária a utilização de técnicas de ensaio padronizadas a fim de se obter uma
consistência na maneira como os testes e ensaios são realizados. Essa padronização acontece
por meio de sociedades profissionais que estabelecem e publicam normas como, por exemplo,
a Sociedade Americana para Ensaios e Materiais (ASTM), nos Estados Unidos.

2.3.1 Dureza

A resistência que um material apresenta ao risco ou a formação de uma marca


permanente, quando submetido a um esforço por outro material ou por marcadores
padronizados, é determinada como dureza. (GARCIA, SPIM e SANTOS, 2015)
A dureza também pode ser definida pela capacidade que uma superfície apresenta ao
ser indentada por um penetrador agudo em um ensaio de penetração, podendo ser fortemente
relacionada à plasticidade. Materiais resistentes em um ensaio de tração normalmente
apresentam maior dureza, enquanto materiais mais dúcteis apresentam dureza baixa. (SCHÖN,
2013)

2.3.2 Limite de Resistência à Tração

O limite de resistência à tração, LRT determinado na unidade MPa ou Ksi, é a tensão


encontrada no ponto máxima da curva do gráfico tensão-deformação de engenharia, tendo seu
31

valor indicado no eixo vertical (Figura 6). Este corresponde à tensão máxima em que uma
estrutura deve ser submetida, pois se a carga aplicada permanecer, o elemento sofrerá uma
fratura. Até esse valor de tensão, a deformação é uniforme ao longo do comprimento útil do
corpo de prova, no entanto, mantendo-se aplicada a carga, o corpo de prova começa a
apresentar uma redução drástica, formando uma pequena constrição, denominada de
empescoçamento, onde toda deformação será concentrada nesse estreitamento que resultará
em fratura. (CALLISTER, 2011)

Figura 6 – Curva Tensão - Deformação

LRT
Tensão

Deformação

Fonte: CALLISTER (2011, p.143)

2.3.3 Limite de Escoamento

Limite de escoamento ou tensão de escoamento - σe – definida como a tensão final da


deformação elástica e de início da deformação plástica da curva do gráfico tensão-deformação.
Pode ser considerada igual à tensão proporcional (σe ≡ σp). Em alguns materiais, a passagem
da região elástica para a plástica acontecerá com pequenas variações da tensão, em que se
definem as tensões máximas e mínimas da flutuação (σeL – tensão de escoamento inferior e
σeH – tensão de escoamento superior). (GARCIA, SPIM e SANTOS, 2015)
Tensão proporcional ou limite de proporcionalidade - σp – é o nível de tensão máximo
em que a curva do gráfico apresenta uma relação linear e proporcional entre tensão e
deformação, definindo o limite do comportamento elástico do corpo de prova. Após este
limite, os materiais apresentam uma pequena deformação elástica, porém de forma oscilatória,
32

dando seguimento ao escoamento e resultando em deformações permanentes, entrando na


região plástica. (GARCIA, SPIM e SANTOS, 2015)
Na curva tensão-deformação conforme Figura 7, foi convencionada uma deformação
padrão que corresponde ao limite de escoamento, devido ao fato de em alguns casos ser
impreciso o ponto onde o gráfico perde a sua linearidade e inicia a curva determinando o
escoamento. O ponto que determina esse fato é chamado de limite n de escoamento (σen), na
qual para as ligas de aço em geral n = 0,2% (Ɛ = 0,002). (SHACKELFORD, 2008)

Figura 7 – Gráfico com σe para deformação de 0,2%

Fonte: GARCIA, SPIM e SANTOS (2015, p.21)

2.3.4 Influência dos Elementos Químicos

Os aços são compostos basicamente de ferro e carbono, porém com o acréscimo de


outros elementos metálicos dá-se origem a diversos tipos de ligas ferrosas, tais como: aço liga,
aço inoxidável, aço ferramenta, aço mola, entre outros. A adição desses elementos em
concentrações determinadas permite modificações nas propriedades mecânicas, físicas e
químicas dos aços. Seguem alguns elementos mais comuns nas ligas de aço de modo geral.
Fósforo (P): contribui para o aumento da resistência a tração e dureza nos aços e
juntamente ao enxofre estabelece uma melhora da resistência a corrosão e um aumento da
usinabilidade, porém reduz a ductilidade e a soldabilidade e, para os aços de alto carbono
pode ser nocivo por conta da fragilidade a frio. (ABENDI, 2013)
33

Silício (Si): apresenta-se nos aços entre 0,05% e 0,30%. Promove um ligeiro aumento
da dureza, da resistência mecânica e da resistência a corrosão, contudo afeta a capacidade de
soldagem dos aços. (BOTELHO, 2011)
Manganês (Mn): encontrado em praticamente todo aço comercial, o manganês reduz a
soldabilidade dos aços, porém contribui para o aumento da resistência mecânica, fadiga e à
corrosão e ainda influencia positivamente a tenacidade, também contribui para a elevação da
dureza e afeta a capacidade de usinagem. (ABENDI, 2013 e BOTELHO, 2011)
Carbono (C): é o determinador da temperatura de transição. Sua concentração altera a
dureza diretamente proporcional, ou seja, quanto maior for o seu percentual, maior será a
dureza e consequentemente reduzirá a tenacidade, a ductilidade e a soldabilidade. (ABENDI,
2013)
Níquel (Ni): é um elemento presente em diversos tipos de aços inoxidáveis, sua adição
eleva a resistência mecânica, à corrosão e aumenta a tenacidade, por outro lado, prejudica a
soldabilidade dos aços. (BOTELHO, 2011)
Cromo (Cr): é um elemento de liga principal nos aços inoxidáveis, apresentando-se em
teores superiores a 11%. Melhora o comportamento dos aços em temperaturas elevadas, a
resistência mecânica, a resistência à corrosão e também a resistência à abrasão, impactando
negativamente na soldabilidade dos aços. (ABENDI, 2013)
Molibdênio (Mo): contribui para um melhor comportamento dos aços em temperaturas
elevadas, proporciona um aumento no limite de escoamento, na resistência à abrasão e
também na soldabilidade. (ABENDI, 2013)

2.3.5 Gráfico de Gauss

Nos séculos XVIII e XIX, Foi desenvolvida uma função densidade de probabilidade
que representava de forma estatística erros experimentais obtidos em medições físicas. Em
todo processo de mensuração haverá uma margem de erro proveniente de diversas fontes,
como variação de temperatura, tempo, umidade e até mesmo algumas imperceptíveis. Esses
erros podem ser representados em uma função densidade de probabilidade denominada como
distribuição normal ou gaussiana, representada pela curva de Gauss.
A curva de Gauss é definida por dois parâmetros, uma é a média aritmética e outra o
desvio padrão que determinam a simetria da curva e a amplitude ou largura respectivamente,
segundo as Equações 8 e 9.
34

∑ xi
x̅ = (8)
n

∑(xi − x̅ )²
𝑠=√ (9)
n−1

Onde:
𝑥̅ = média aritmética
Ʃ = somatório
xi = valor de cada elemento
n = número de elementos
s = desvio padrão

A área total sob a curva compreende 100% dos resultados obtidos, logo a média mais a
variação de uma unidade do desvio padrão definirá uma probabilidade do resultado
encontrado estar dentro do intervalo definido pelos valores dos parâmetros, conforme Figura 8.

Figura 8 – Curva de Gauss amostral

Fonte: site www.voitto.com.br


35

3 MATERIAIS E MÉTODOS

3.1 Materiais

Foram escolhidas para análise 26 ligas ferrosas mais utilizadas dentro de uma empresa
metal-mecânica de fabricação de bombas hidráulicas, que apresentassem dureza igual ou
superior a 20 HRC. A Tabela 4 contém a listagem dos materiais analisados.

Tabela 4 – Classificação dos materiais


TIPO ESPECIFICAÇÃO EM NORMA QUANTIDADE
AÇO CARBONO ASTM A216 GR WCB 1
ASTM A193 GR B7 - SAE 4140 10
ASTM A193 GR B8M CL2 1
AÇO LIGA
ASTM A743 GR CA40 5
ASTM A743 GR CA15 1
FERRÍTICO ASTM A426 GR CPCA-15 10
ASTM A276 - AISI 410 2
ASTM A276 - AISI 420 4
MARTENSÍTICO ASTM A487 GR CA6NM A 10
ASTM A487 GR CA6NM B 8
ASTM A217 GR CA15 1
ASTM A276 GR F-316L 2
ASTM A276 - INOX GR 304 2
AUSTENÍTICO
ASTM A182 GR F-316L 2
ASTM A351 GR CF8M 1
ASTM A240 - DUPLEX S31803 4
ASTM A276 - DUPLEX S32760 10
ASTM A182 GR F55 S32760 3
ASTM 182 GR F51 S31803 3
ASTM A890 GR 5A 3
AUSTENÍTICO -
ASTM A890 GR 3A 1
FERRÍTICO
ASTM A479 - S32750 1
ASTM A995 GR 5A 4
ASTM A995 GR 3A 1
ASTM A995 GR CE3NM 3
AISI 329S GR F55 1
Fonte: AUTOR (2019)
36

3.2 Parâmetros do Estudo

Foram coletados, aleatoriamente, certificados de qualidade arquivados eletronicamente


na rede local de uma empresa multinacional.
Os certificados de qualidade contêm dados de composição química, propriedades
mecânicas obtidas dos ensaios de tração, metalografia, ensaio de dureza, tratamento térmico,
entre outros ensaios requeridos por norma e/ou para atender necessidades específicas.
Para cumprir com o objetivo deste trabalho foram extraídos dos certificados os
resultados encontrados para limite de resistência à tração, limite de escoamento, dureza e
teores percentuais dos elementos químicos que mais influenciam nas propriedades
mencionadas anteriormente.

3.3 Metodologia dos Ensaios

3.3.1 Ensaio de Dureza Rockwell C

Os ensaios de dureza foram realizados conforme norma ASTM E-18 seguindo os


procedimentos e parâmetros nela estabelecidos, a fim de se obter uma confiabilidade e
uniformidade dos resultados.
Os corpos de prova foram preparados e ensaiados utilizando-se durômetro Rockwell
do fabricante Wilson escala C, conforme Figura 9, em laboratórios especializados seguindo as
etapas descritas e conforme Figura 10:

Figura 9 - Durômetro de medição de dureza Rockwell C

Fonte: AUTOR (2019)


37

 Preparação superficial do corpo de prova consiste em uma superfície lisa,


acabada por lixamento ou esmerilhamento, não necessitando de polimento
como nos métodos Brinell, Vickers e Knoop, e livre de impurezas.
 Calibração da máquina com o padrão;
 Inserção do corpo de prova no local indicado em contato com o penetrador;
 Aplicação da pré-carga de 10 kgf com duração menor que 4 segundos em que o
ponteiro do mostrador da máquina coincida com o ponto básico de referência;
 Aplicação da carga principal de 150 kgf por período de 2 a 6 segundos;
 Retirada da carga principal e manutenção da pré-carga de 10 kgf;
 Leitura direta da medida no mostrador da máquina.

Figura 10 – Fases de aplicação de carga Rockwell

Fonte: site www.pt.slideshare.net

Durante a realização do ensaio verificou-se o bom assentamento e limpeza do suporte


e do penetrador; evitaram-se vibrações na bancada para que não impactasse na penetração do
indentador resultando em leituras inexatas; os corpos de prova foram limpos, secos, suas
superfícies posicionadas perpendicularmente ao penetrador e suas espessuras não inferior a 10
vezes a profundidade da impressão; e as penetrações foram realizadas com distância superior
a 2,5 vezes o diâmetro das indentações para as bordas do corpo de prova e 4 vezes entre as
impressões.
38

3.3.2 Ensaio de Tração

Para a realização dos ensaios de tração foram necessários, primeiramente, a


preparação dos corpos de prova conforme a norma ASTM A370, verificando as dimensões
(comprimento, largura, espessura) e a limpeza (Figura 11). Na sequência o corpo de prova
recebeu uma pintura com tinta removível em sua extensão útil e foram feitas três marcações
(Figura 12), que serviram de base para conferência de quanto o material se deformou antes de
se romper.

Figura 11 – Dimensões padronizadas do corpo de prova

Fonte: ASTM A370- 07a

Figura 12 – Preparação do corpo de prova para ensaio de tração

Fonte: AUTOR (2019)

Posteriormente o corpo de prova foi fixado na máquina universal de tração do


fabricante Losenhausenwerk (LOS) para início do teste de carga e junto a ele foi colocado um
extensômetro, instrumento necessário para verificação da deformação axial até o instante
exato que o material deixa de se deformar elasticamente indicando que o corpo de prova
atingiu o seu limite de escoamento, conforme Figura 13. Em seguida o extensômetro foi
retirado e a continuidade ao ensaio seguiu-se até a ruptura do corpo de prova (Figura 14).
39

Figura 13 – Corpo de prova rosqueado à máquina e Figura 14 – Corpo de prova após ruptura
com extensômetro

Fonte: AUTOR (2019) Fonte: AUTOR (2019)

Todo ensaio aconteceu ao mesmo tempo em que o gráfico tensão x deformação foi
sendo gerado, em uma interface eletrônica conforme Figura 15, com todos os parâmetros
importantes para a curva característica do material em análise e, posteriormente, foram
realizadas as medições para obtenção do alongamento percentual (Figura 16) e gerado o
relatório com as informações inerentes ao ensaio.

Figura 15 – Gráfico Tensão x Deformação gerado Figura 16 – Medição do corpo de prova após a
pelo software ruptura

Fonte: AUTOR (2019) Fonte: AUTOR (2019)


40

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1 Coleta de Dados

Para chegar ao objetivo proposto nesse trabalho, foram coletados de 94 certificados de


qualidade os resultados dureza, limite de resistência à tração, limite de escoamento e
composição química de 26 tipos de materiais distintos. Após a coleta de dados, estes foram
tabelados e organizados por cada tipo de material, conforme mostrado na Tabela 5.

Tabela 5 – Dados coletados dos certificados de qualidade


LRT LE
MATERIAL HRC C NI CR MO P MN SI
(MPA) (MPA)
ASTM A193 GR B7 - SAE 4140 28,0 951,47 806,68 0,410 0,020 0,91 0,152 0,016 0,801 0,245
ASTM A193 GR B7 - SAE 4140 29,0 1061,79 951,47 0,420 0,250 0,94 0,176 0,010 0,840 0,250
ASTM A193 GR B7 - SAE 4140 30,0 951,00 892,00 0,400 0,040 0,97 0,170 0,014 0,890 0,340
ASTM A193 GR B7 - SAE 4140 31,0 961,00 885,00 0,410 0,030 0,95 0,180 0,021 0,870 0,300
ASTM A193 GR B7 - SAE 4140 31,0 976,00 934,00 0,390 0,040 0,92 0,180 0,021 0,820 0,210
ASTM A193 GR B7 - SAE 4140 31,0 1061,79 951,47 0,400 0,050 0,93 0,180 0,019 0,810 0,280
ASTM A193 GR B7 - SAE 4140 32,0 979,00 820,47 0,400 0,000 1,02 0,180 0,016 0,848 0,250
ASTM A193 GR B7 - SAE 4140 32,0 1000,00 876,00 0,400 0,110 1,09 0,170 0,010 0,850 0,290
ASTM A193 GR B7 - SAE 4140 32,0 1006,63 903,21 0,420 0,020 1,02 0,225 0,009 0,950 0,260
ASTM A193 GR B7 - SAE 4140 32,0 1048,00 923,89 0,410 0,030 0,95 0,180 0,021 0,870 0,300
ASTM A240 - DUPLEX S31803 21,0 744,00 544,00 0,015 4,610 22,90 2,570 0,029 1,710 0,480
ASTM A240 - DUPLEX S31803 24,0 961,00 684,00 0,021 5,488 22,12 3,009 0,017 1,767 0,627
ASTM A240 - DUPLEX S31803 26,0 735,00 518,00 0,017 5,463 22,71 2,806 0,027 1,541 0,427
ASTM A240 - DUPLEX S31803 30,0 640,00 450,00 0,017 5,500 22,80 2,700 0,022 1,500 0,400
ASTM A276 - AISI 410 20,0 797,00 670,00 0,130 0,700 11,83 0,170 0,024 0,220 0,340
ASTM A276 - AISI 410 23,0 749,00 618,00 0,120 0,440 12,40 0,070 0,024 0,260 0,400
ASTM A276 - AISI 420 20,0 640,00 440,00 0,150 0,350 12,10 - 0,031 0,600 0,680
ASTM A276 - AISI 420 22,5 673,00 299,00 0,360 0,360 12,35 - 0,028 0,350 0,410
ASTM A276 - AISI 420 22,5 640,00 440,00 0,380 0,450 12,16 - 0,028 0,590 0,530
ASTM A276 - AISI 420 23,0 619,00 334,00 0,350 0,330 12,19 - 0,027 0,350 0,470
ASTM A276 - DUPLEX S32760 22,0 826,00 570,00 0,012 6,830 25,16 3,650 0,026 0,550 0,410
ASTM A276 - DUPLEX S32760 23,0 826,00 659,00 0,025 6,100 25,65 3,600 0,024 0,580 0,390
ASTM A276 - DUPLEX S32760 25,0 846,00 590,00 0,019 6,100 25,95 3,580 0,025 0,630 0,380
ASTM A276 - DUPLEX S32760 26,0 833,00 639,00 0,017 7,380 25,23 3,700 0,024 0,610 0,410
continua
41

Tabela 5 – Dados coletados dos certificados de qualidade continuação


LRT LE
MATERIAL HRC C NI CR MO P MN SI
(MPA) (MPA)
ASTM A276 - DUPLEX S32760 26,0 812,00 580,00 0,015 6,860 25,18 3,590 0,019 0,550 0,390
ASTM A276 - DUPLEX S32760 26,0 826,00 570,00 0,012 6,830 25,16 3,650 0,026 0,550 0,410
ASTM A276 - DUPLEX S32760 27,0 844,00 620,00 0,022 7,380 25,55 3,620 0,024 0,600 0,420
ASTM A276 - DUPLEX S32760 27,0 843,00 619,00 0,025 7,400 25,65 3,440 0,024 0,600 0,390
ASTM A276 - DUPLEX S32760 27,0 825,00 605,00 0,017 7,380 25,23 3,700 0,024 0,610 0,410
ASTM A276 - DUPLEX S32760 32,0 895,00 550,00 0,025 7,280 25,75 3,560 0,022 0,590 0,400
ASTM A351 GR CF8M 20,0 654,10 354,60 0,070 9,220 18,18 2,100 0,035 1,050 1,020
ASTM A487 GR CA6NM A 23,0 858,00 720,00 0,023 3,990 12,71 0,570 0,030 0,670 0,970
ASTM A487 GR CA6NM A 25,0 855,00 730,00 0,047 3,910 12,52 0,580 0,033 0,650 0,860
ASTM A487 GR CA6NM A 27,0 861,00 706,00 0,045 3,950 12,71 0,530 0,032 0,690 0,840
ASTM A487 GR CA6NM A 27,0 862,00 706,00 0,045 3,950 12,71 0,530 0,032 0,690 0,840
ASTM A487 GR CA6NM A 27,0 832,00 694,00 0,037 4,000 12,63 0,537 0,029 0,649 0,845
ASTM A487 GR CA6NM A 27,0 830,00 675,00 0,029 4,350 12,29 0,510 0,028 0,700 0,730
ASTM A487 GR CA6NM A 27,5 835,00 693,00 0,039 3,890 12,16 0,530 0,031 0,730 0,840
ASTM A487 GR CA6NM A 28,0 823,00 724,00 0,038 3,830 12,35 0,530 0,033 0,680 0,970
ASTM A487 GR CA6NM A 28,0 881,00 701,00 0,055 3,900 12,32 0,510 0,026 0,790 0,870
ASTM A487 GR CA6NM A 28,0 862,00 704,00 0,038 3,840 12,33 0,540 0,028 0,650 0,750
ASTM A182 GR F-316L 21,0 740,00 572,00 0,018 10,140 16,68 2,030 0,030 1,800 0,350
ASTM A182 GR F-316L 22,5 637,00 491,00 0,021 10,200 16,81 2,050 0,028 1,820 0,360
ASTM A276 GR316L 23,0 784,00 594,00 0,024 10,050 16,65 2,020 0,043 0,800 0,310
ASTM A276 GR 316L 32,5 1073,00 897,00 0,015 10,140 16,16 2,070 0,033 1,390 0,430
AISI 329S GR F55 23,0 800,00 531,00 0,020 7,650 25,80 3,450 0,022 0,590 0,350
ASTM A182 GR F55 S32760 25,0 815,44 618,88 0,010 6,880 25,17 3,610 0,026 0,600 0,400
ASTM A182 GR F55 S32760 26,0 801,12 586,05 0,010 6,880 25,17 3,610 0,026 0,600 0,400
ASTM A182 GR F55 S32760 26,5 818,71 555,67 0,010 6,880 25,17 3,610 0,026 0,600 0,400
ASTM A182 GR F51 S31803 21,0 738,51 560,73 0,020 4,940 22,72 3,110 0,023 1,600 0,360
ASTM 182 GR F51 S31803 21,0 694,76 467,05 0,020 4,660 22,70 2,580 0,026 1,690 0,460
ASTM A182 GR F51 S31803 22,0 734,57 542,87 0,018 4,860 22,79 2,570 0,023 1,750 0,430
ASTM A216 GR WCB 20,0 601,70 198,20 0,200 0,013 0,12 0,002 0,019 0,750 0,440
ASTM A743 GR CA40 20,0 814,00 509,00 0,300 0,210 13,40 0,060 0,021 0,480 0,540
ASTM A743 GR CA40 24,0 722,00 511,00 0,280 0,220 12,50 0,210 0,022 0,460 0,600
ASTM A743 GR CA40 25,0 732,30 732,30 0,368 0,482 12,77 0,017 0,035 0,454 0,915
ASTM A743 GR CA40 32,0 969,52 803,54 0,206 0,190 13,46 0,260 0,023 0,800 0,810
ASTM A743 GR CA40 33,0 969,52 803,54 0,206 0,190 13,46 0,260 0,023 0,800 0,810
ASTM A487 GR CA6NM B 21,0 813,00 678,00 0,029 3,850 12,89 0,500 0,033 0,680 0,900
ASTM A487 GR CA6NM B 22,0 857,00 710,00 0,037 3,810 12,31 0,550 0,028 0,680 0,770
ASTM A487 GR CA6NM B 22,0 857,00 710,00 0,037 3,810 12,31 0,550 0,028 0,680 0,770
continua
42

Tabela 5 – Dados coletados dos certificados de qualidade continuação


LRT LE
MATERIAL HRC C NI CR MO P MN SI
(MPA) (MPA)
ASTM A487 GR CA6NM B 23,0 857,00 710,00 0,037 3,810 12,31 0,550 0,028 0,680 0,770
ASTM A487 GR CA6NM B 23,0 857,00 710,00 0,037 3,810 12,31 0,550 0,028 0,680 0,770
ASTM A487 GR CA6NM B 23,5 823,00 619,00 0,030 3,810 12,25 0,550 0,027 0,670 0,850
ASTM A487 GR CA6NM B 24,5 862,00 716,00 0,031 4,020 12,47 0,554 0,028 0,679 0,836
ASTM A487 GR CA6NM B 24,7 862,00 716,00 0,031 4,020 12,47 0,554 0,028 0,679 0,836
ASTM A995 GR 5A 22,5 778,00 666,00 0,030 7,730 24,98 4,040 0,021 1,150 0,640
ASTM A995 GR 5A 22,5 762,00 629,00 0,029 7,330 24,93 4,220 0,022 1,200 0,790
ASTM A995 GR 5A 23,0 762,00 629,00 0,029 7,330 24,93 4,220 0,022 1,200 0,790
ASTM A995 GR 5A 25,2 833,16 660,32 0,023 7,030 24,69 4,410 0,036 1,100 0,713
ASTM A890 GR 5A 22,0 811,10 691,30 0,028 6,980 25,48 4,300 0,035 1,060 0,720
ASTM A890 GR 5A 28,0 753,00 562,00 0,027 7,670 24,78 4,180 0,023 1,210 0,750
ASTM A890 GR 5A 23,0 840,21 596,50 0,026 7,870 24,26 4,100 0,024 0,849 0,404
ASTM A995 GR 3A 26,0 709,00 476,00 0,054 5,660 25,28 1,870 0,022 0,780 0,760
ASTM A890 GR 3A 28,0 786,18 607,51 0,058 5,970 24,50 2,030 0,017 0,930 0,980
ASTM A743 GR CA15 20,0 802,77 638,54 0,116 0,389 13,31 0,013 0,027 0,754 1,180
ASTM A426 GR CPCA-15 20,0 856,69 722,08 0,131 - 12,51 0,007 0,026 0,852 1,360
ASTM A426 GR CPCA-15 20,0 856,69 722,08 0,131 - 12,51 0,007 0,026 0,852 1,360
ASTM A426 GR CPCA-15 25,0 954,42 845,08 0,012 - 12,13 0,029 0,026 0,919 1,390
ASTM A426 GR CPCA-15 25,0 954,42 845,08 0,117 - 12,13 0,029 0,026 0,919 1,390
ASTM A426 GR CPCA-15 25,0 942,69 813,16 0,129 - 12,07 0,145 0,026 0,731 1,340
ASTM A426 GR CPCA-15 25,0 954,42 845,08 0,117 - 12,13 0,029 0,026 0,919 1,390
ASTM A426 GR CPCA-15 27,0 943,05 805,53 0,132 - 12,24 0,084 0,025 0,893 1,230
ASTM A426 GR CPCA-15 27,0 868,10 753,40 0,143 - 12,03 0,013 0,026 0,868 1,370
ASTM A426 GR CPCA-15 27,0 943,05 805,53 0,132 - 12,24 0,084 0,025 0,893 1,230
ASTM A426 GR CPCA-15 27,5 843,70 670,11 0,126 - 12,62 0,038 0,029 0,796 1,100
ASTM A217 GR CA15 22,5 620,00 450,00 0,130 0,146 12,54 0,000 0,023 0,572 0,860
ASTM A995 GR CE3NM 25,5 846,30 591,30 0,029 7,690 24,63 4,080 0,022 1,260 0,564
ASTM A995 GR CE3NM 26,5 820,80 586,20 0,028 7,720 24,62 4,190 0,023 0,822 0,387
ASTM A995 GR CE3NM 32,0 833,10 612,50 0,025 6,470 24,95 4,290 0,026 0,678 0,511
ASTM A193 B8M CL2 34,0 1074,17 1053,6 0,030 10,200 16,60 2,150 0,040 1,830 0,460
ASTM A276 – INOX GR 304 20,0 764,00 645,00 0,020 8,080 18,21 0,380 0,340 1,180 0,370
ASTM A276 – INOX GR 304 22,0 806,00 702,00 0,025 8,010 18,03 0,380 0,034 1,420 0,380
ASTM A479 - S32750 25,0 810,66 615,23 0,028 6,270 25,38 3,240 0,031 1,120 0,619
Fonte: AUTOR (2019)
43

4.2 Análise Gráfica

Para a realização da análise foi calculada a média aritmética (Equação 8) para todos os
valores correspondentes às propriedades de cada material, dando origem a Tabela 6.

Tabela 6 – Média aritmética das propriedades mecânicas

Dureza LRT LE
Material
(HRC) (MPa) (MPa)

ASTM A193 B7 - 4140 31,1 1005,02 904,17


ASTM A240 DUPLEX - S31803 25,3 770,00 549,00
ASTM A276 AISI 410 21,5 773,00 644,00
ASTM A276 AISI 420 22,0 643,00 378,25
ASTM A276 DUPLEX S32760 26,1 837,60 600,20
ASTM A351 GR CF8M 20,0 654,10 354,60
ASTM A487 GR CA6NM A 26,8 849,90 705,30
ASTM A182 GR F-316L 21,8 688,50 531,50
ASTM A276 GR 316L 27,8 928,50 745,50
AISI 329S GR F55 23,0 800,00 531,00
ASTM A182 GR F55 25,8 811,76 586,87
ASTM A182 GR F51 21,3 722,61 523,55
ASTM A216 GR WCB 20,0 601,70 198,20
ASTM A743GR CA40 26,8 841,47 671,88
ASTM A487 GR CA6NM B 23,0 848,50 696,13
ASTM A995 GR 5A 23,3 783,79 646,08
ASTM A890 GR 5A 24,3 801,44 616,6
ASTM A995 GR 3A 26,0 709,00 476,00
ASTM A890 GR 3A 28,0 786,18 607,51
ASTM A743 GR CA15 20,0 802,77 638,54
ASTM A426 GR CPCA-15 24,9 911,72 782,71
ASTM A217 GR CA15 22,5 620,00 450,00
ASTM A995 GR CE3NM 28,0 833,40 596,67
ASTM A193 B8M CL2 34,0 1074,17 1053,59
ASTM A276 INOX GR 304 21,0 785,00 673,50
ASTM A479 - S32750 25,0 810,66 615,23

Fonte: AUTOR (2019)


44

Com base nos valores da Tabela 6 foi calculada a razão entre as propriedades: dureza
x LRT; limite de escoamento x dureza; e limite de escoamento x LRT conforme Tabela 7.

Tabela 7 – Relação entre as propriedades mecânicas


Dureza x Dureza x
Material LE X LRT
LRT LE
ASTM A193 B7 - 4140 32,30 29,06 0,90
ASTM A240 DUPLEX - S31803 30,50 21,74 0,71
ASTM A276 AISI 410 35,95 29,95 0,83
ASTM A276 AISI 420 29,23 17,19 0,59
ASTM A276 DUPLEX S32760 32,09 23,00 0,72
ASTM A351 GR CF8M 32,71 17,73 0,54
ASTM A487 GR CA6NM A 31,77 26,37 0,83
ASTM A182 GR F-316L 31,66 24,44 0,77
ASTM A276 GR 316L 33,46 26,86 0,80
AISI 329S GR F55 34,78 23,09 0,66
ASTM A182 GR F55 31,42 22,72 0,72
ASTM A182 GR F51 33,87 24,54 0,72
ASTM A216 GR WCB 30,09 9,91 0,33
ASTM A743GR CA40 31,40 25,07 0,80
ASTM A487 GR CA6NM B 36,95 30,32 0,82
ASTM A995 GR 5A 33,64 27,73 0,82
ASTM A890 GR 5A 32,98 25,37 0,77
ASTM A995 GR 3A 27,27 18,31 0,67
ASTM A890 GR 3A 28,08 21,70 0,77
ASTM A743 GR CA15 40,14 31,93 0,80
ASTM A426 GR CPCA-15 36,69 31,50 0,86
ASTM A217 GR CA15 27,56 20,00 0,73
ASTM A995 GR CE3NM 29,76 21,31 0,72
ASTM A193 B8M CL2 31,59 30,99 0,98
ASTM A276 INOX GR 304 37,38 32,07 0,86
ASTM A479 - S32750 32,43 24,61 0,76
Valor Mínimo 27,27 9,91 0,33
Valor Máximo 40,14 32,07 0,98
̅)
Média Aritmética (𝒙 32,53 24,52 0,75
Desvio Padrão Amostral (s) 3,13 5,34 0,13
Fonte: AUTOR (2019)
45

Após a obtenção dos resultados das relações entre as propriedades foram gerados os
gráficos comparativos para melhor verificação do comportamento e influência entre elas
conforme exposto nas Figuras de 17 a 19:

Figura 17 – Gráfico Dureza x Limite de Resistência à Tração

Dureza x LRT
35
33
31
29
27
Dureza (HRC) 25 Dureza x LRT
23 Linha média
21
19
17
15
500 600 700 800 900 1000 1100
LRT (Mpa)

Fonte: AUTOR (2019)

Figura 18 – Gráfico Dureza x Limite de Escoamento

Dureza x LE
35
33
31
29
27
LE x Dureza
Dureza (HRC) 25
23 Linha média
21
19
17
15
0 200 400 600 800 1000 1200
LE (MPa)

Fonte: AUTOR (2019)


46

Figura 19 – Gráfico Limite de Escoamento x Limite de Resistência à Tração

Limite de Escoamento x LRT


1400
1200
1000
LRT x LE
800
LE (MPa) Linha média
600
400
200
0
500 600 700 800 900 1000 1100 1200
LRT (MPa)

Fonte: AUTOR (2019)

Através da interpretação dos gráficos acima foi possível constatar uma relação média
de proporcionalidade entre as propriedades de dureza x LRT, dureza x LE e LRT x LE e com
base nisso foram gerados gráficos de distribuição normal (curva de sino ou gaussiana) para as
relações que apresentaram melhor tendência de proporção, dado nas Figuras 20 e 21:

Figura 20 – Curva de Gauss – Dureza x LRT

Dureza x LRT

20.00 25.00 30.00 35.00 40.00 45.00

Relação Dureza x LRT

Fonte: AUTOR (2019)


47

Figura 21 – Curva de Gauss – Limite de Escoamento x LRT

LE x LRT

0.20 0.40 0.60 0.80 1.00 1.20


Relação LE x LRT

Fonte: AUTOR (2019)


48

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

5.1 Conclusão

Conforme o objetivo exposto neste trabalho, após todo o levantamento e estudo das
informações extraídas dos certificados de qualidade, foi possível evidenciar através dos dados
e dos gráficos que não existe uma relação exata e direta entre as propriedades mecânicas.
Contudo, foi observado que os valores apresentam uma dada variação em torno de um valor
médio, havendo, portanto uma faixa estatística entre a dureza Rockwell C e o limite de
resistência à tração (LRT). Foi ainda constatado que o limite de escoamento também se
comportou dentro dos mesmos parâmetros quando comparado ao limite de resistência à tração
(LRT).
Com base na construção da linha média nos gráficos das Figuras 17, 18 e 19 foi
observado que há uma tendência no aumento do LRT e do limite de escoamento (LE) com o
aumento da dureza, bem como do limite de escoamento com o LRT.
Através das curvas de Gauss representadas nas Figuras 20 e 21, foram quantificadas
estatisticamente tais relações de proporcionalidade, em que para dureza x LRT, o valor do
LRT estará compreendido em um intervalo do valor da dureza vezes a média da relação mais
ou menos o desvio padrão, ou seja, LRT = 32,53 (± n 3,13) HRC e para LRT x LE o valor do
limite de escoamento estará no intervalo determinado pelo valor do LRT vezes a média da
relação mais ou menos o valor do desvio padrão, logo, LE = 0,75 (± n 0,13) LRT.
Para o valor de n = 1, ou seja, um desvio padrão, o resultado do LRT ou do LE de um
dado material terá a probabilidade de 68,26% do valor se encontrar dentro do intervalo
determinado, para n = 2 a probabilidade será 95,44% e para n=3 será 99,74%.
Com intuito de alcançar o valor dessas propriedades para certas situações, vale
ressaltar que através dos parâmetros estabelecidos pode-se determinar de forma aproximada o
LRT e o LE em domínio dos resultados confiáveis da dureza e do limite de resistência à
tração respectivamente.
49

6 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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