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Edson Rebouças Vasconcelos

ROTEIRO DE PROCEDIMENTOS E PROCESSOS ADMINISTRATIVOS

PRISÃO E AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE DE DELITO MILITAR (PAPFDM)

PRISÃO E AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE DE DELITO COMUM (PAPFDC)

INQUÉRITO POLICIAL MILITAR (IPM)

INQUÉRITO POLICIAL (IP)

TERMO CIRCUNSTANCIADO DE OCORRÊNCIA (TCO)

INQUÉRITO TÉCNICO (IT)

TERMO DE DESERÇÃO (TD)

SINDICÂNCIA MILITAR (SM)

ATESTADO DE ORIGEM (AO)

INQUÉRITO SANITÁRIO DE ORIGEM (ISO)

COMISSÃO DE MERITORIEDADE (CM)

PROCESSO REGULAR (PR)

CONSELHO DE JUSTIFICAÇÃO (CJ)

CONSELHO DE DISCIPLINA (CD)

PROCESSO ADMINISTRATIVO-DISCIPLINAR (PAD)

PROCEDIMENTO DISCIPLINAR (PD)

RECOLHIMENTO TRANSITÓRIO (RT)

NORMATIZAÇÕES COMPLEMENTARES (NC)

CONTÉM:

VASTA LEGISLAÇÃO FEDERAL APLICÁVEL

LEGISLAÇÃO MILITAR FEDERAL SUBSIDIÁRIA

COMPLETA LEGISLAÇÃO MILITAR ESTADUAL

EXTENSO GLOSSÁRIO COMPLEMENTAR

TEORIA RESUMIDA E SEQUENCIAL

COMPÊNDIO DOUTRINÁRIO E JURISPRUDENCIAL

CERCA DE 340 MODELOS PRÁTICOS

Edson Rebouças Vasconcelos

Tenente-Coronel da Ativa da Polícia Militar do Ceará Bacharel em Direito pela Universidade Regional do Cariri - URCA Especialista em Direito Público e Privado pela UNIGRANRIO Especialista em Segurança Pública pela PMRN Possuidor do Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais/PMCE Possuidor do Curso Superior de Polícia/PMRN Instrutor nos Cursos de Formação e de Habilitação de Oficiais e Praças Instrutor dos Alunos da Guarda Municipal de Fortaleza Autor, Có-autor e Organizador dos seguintes trabalhos :

1 – Manual de Otimização e Procedimento Policial 2 – Estudo das Leis e das Espécies de Atos Administrativos – Influência na Administração das Organizações Militares Estaduais 3 – Do Processo Regular Disciplinar e dos Procedimentos Incidentes 4 – Coletânea de Leis da Polícia Militar do Ceará

ROTEIRO DE PROCEDIMENTOS E PROCESSOS ADMINISTRATIVOS

CONTÉM VASTA LEGISLAÇÃO VIGENTE: FEDERAL (Constituição Federal de 1988, Código Penal Militar, Código de Processo Penal Militar, Código Penal, Código de Processo Penal, Código Civil, Código de Processo Civil, Jurisprudências e Súmulas) e ESTADUAL DO CEARÁ (Estatuto e Código Disciplinar dos Militares, Leis, Decretos, Regulamentos, Regimentos, Atos Normativos e Portarias), Compêndio Doutrinário e Jurisprudencial, DENTRE OUTRAS.

COM TEORIA RESUMIDA E SEQUENCIAL

COM CERCA DE 340 MODELOS PRÁTICOS

FORTALEZA – CEARÁ

Copyright c 2007 by Edson Rebouças Vasconcelos

Revisão/colaboração/comentários/apresentação Revisão jurídica, ortográfica e gramatical – José Carlos Teodoro da Silva – Defensor Público Estadual - Apresentação: Dr. Oscar d’Alva e Souza Filho – Procurador de Justiça – MP/CE, Editor da Revista Cearense Independente do Ministério Público e Diretor Geral da Escola Superior do Ministério Público no Estado do Ceará.

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS. Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, salvo pequenos trechos, mencionando-se as fontes, e modelos, a serem aplicados na execução dos procedimentos e dos processos corriqueiros. A violação dos direitos autorais é punível como crime (art. 184 e parágrafos do Código Penal Brasileiro) com pena de prisão e multa, busca e apreensão e indenizações diversas (artigos. 101 a 110 da lei nº 9. 610, de 19 de fevereiro de 1998 – Lei dos Direitos Autorais).

Editor Responsável: Edson Rebouças Vasconcelos Capa:

Editoração eletrônica:

Impressão e Acabamento:

VASCONCELOS, Edson Rebouças Roteiro de Procedimentos e Processos Administrativos - Edson Rebouças Vasconcelos – Fortaleza – Ceará: Gráfica e Editora RDS, 2007. páginas.

Inclui Referências Bibliográficas

Consulta, correção, sugestão e críticas: tc.edson@bol.com.br

Há uma dúvida se é melhor sermos amados do que temidos, ou vice-versa. Deve-se responder que gostaríamos de ter ambas as coisas, sermos amados e temidos; mas como é difícil juntar as duas coisas, se

tivermos que renunciar a uma delas, é muito mais seguro

sermos temidos do que amados (

em geral podemos dizer o seguinte: eles são ingratos, volúveis, simuladores e dissimuladores; eles furtam-se aos perigos e são ávidos de lucrar. Enquanto você fizer o bem para eles, são todos teus, oferecem-te seus próprios sangues, suas posses, suas vidas, seus filhos. Isso tudo até o momento que você não tem necessidade. Mas, quando você precisar, eles viram as costas.

pois, dos homens,

),

Nicolau Maquiavel

NOTA DO AUTOR

A diversidade de nossas idéias não provém de serem umas

mais racionais do que as outras, mas apenas que nos guiarmos pôr caminhos diferentes e de não considerarmos as mesmas coisas.

René Descartes

Aprenda a construir todas as suas estradas no hoje, porque

o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o

futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

William Shakspeare

Todos estes subsídios jurídicos e técnicos visam fomentar não somente o acervo dos militares e das organizações militares estaduais, para fins de estudos (pesquisa e conhecimentos), como também difundir no seio das Corporações Militares Estaduais de um modo em geral uma visão mais clarividente da realidade dos procedimentos e processos administrativos, através da aplicação da lei e de seus princípios, da irrestrita isenção na apuração dos fatos e na busca constante do aperfeiçoamento, da recapacitação, da atualização e da aplicação correta de todos os mecanismos apuratórios e coercitivos legais vigentes. Os tópicos e padrões aqui apresentados não são estanques, não tem o condão de esgotar as matérias, não são imodificáveis, muito menos, totalmente inéditos. Seria uma precipitação da parte deste colaborador afirmar que estamos encerrando os assuntos, dialéticos, observáveis sobre diversos aspectos e amplos por natureza.

Todas as obras e autores pesquisados deram, direta ou indiretamente, uma grande contribuição para a formatação deste trabalho. Alguns com modelos padrões já colocados em prática nas diversas organizações militares e civis no Brasil e, na sua grande maioria, adaptados a nossa realidade. Outros, por meio da apurada, seleta e apaixonante doutrina jurídica. No entanto, a luz dos regramentos jurídicos federais (Constituição Federal de 1988, Código Penal Militar, Código de Processo Penal Militar, Código Penal, Código de Processo Penal, Código Civil e Código de Processo Civil) dentre outras leis especiais e principalmente, estaduais do Ceará (Novo Estatuto e o Novo Código Disciplinar dos Militares, Leis, Decretos, Regulamentos e Portarias) além de outras diversas regulamentações internas e de interesse dos militares estaduais do Ceará,

passamos a pesquisar, coletar dados, adquirir livros e coletâneas, augurar diminuir o estágio da dúvida, tão comum ao homem, pela própria falibilidade humana que cada um indistinta e individualmente apresenta, na busca incansável pelo conhecimento e sua divulgação dentre esses militares. Destarte, resolvemos elaborar um trabalho de atualização jurídica, que era uma vontade, de idos de 1997, portanto, há uma década, para suprir uma grande lacuna existente no seio da Administração e dos militares estaduais, que trata de um estudo teórico e prático de vários dos procedimentos e processos administrativos que são realizados “interna e externa corporis”, por força legal, que envolvem diretamente as atividades administrativo-operacionais dos militares estaduais e que obedecem, num todo, pelo menos “a priori”, a um padrão definido. Porém, somente agora este trabalho está sendo realmente materializado, principalmente, pela possibilidade de atualização normativa (Estatuto, Código Disciplinar, Leis, Decretos, Regulamentos e Portarias) das Corporações Militares do Estado do Ceará, vociferada pelos Poderes Executivo e Legislativo Estadual, cuja vontade de torná-los atuais, passou por muitos projetos e durou cerca de 30 (trinta) anos para sua real efetivação. Para se ter uma idéia, o antigo Estatuto da Polícia Militar do Ceará datava de 20 de dezembro de 1976. Podemos afirmar com toda a segurança que vivenciamos um momento ímpar e de grandes conquistas de interesses coletivos. Más, muitas coisas ainda têm por fazer, inclusive, propor alterações nos regramentos jurídicos que não vem dando certo e que não atendem ao bem comum e geral e sugerirmos novos projetos de leis visando à plena afirmação de nossas conquistas. Aliados a tudo isso, a dificuldade que o militar estadual tem na sua operação administrativa hodierna, muitas vezes, sem fonte de consulta, sem o devido conhecimento das matérias, sem a certeza na aplicabilidade das novas leis, sem noção de onde buscar algumas das respostas para a formatação do procedimento ou do processo. Nesse diapasão, é comum percebermos os olhares desses militares estaduais que se entrecruzam na busca de quem realmente possa prestar uma informação palpável e segura. Por isso, estamos tentando aliar a teoria à prática. Visamos também, com uma grande amplitude, incentivar o estudo investigativo das temáticas na origem da carreira militar estadual, ou seja, nas escolas de formação de oficiais e praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar, dimensionando tais discussões para os demais cursos, tais como: Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais, Curso Superior de Polícia, Curso de Preparação de

Instrutores, Cursos de Habilitações à Sub-tenente, à Sargento e à Cabo, dentre outros cursos ou treinamentos que não obrigatoriamente, tenham que ser regulares. Para isso, seguimos o ensinamento do renomado jurista Léo da Silva Alves, que profetiza em uma de suas excepcionais obras: “Não há crime perfeito, há investigação imperfeita. A dúvida, portanto, não resulta da falta de provas, mas da falta de produção da prova” e “As academias de polícia dedicam, em regra, apenas 10 % do tempo ao estudo das técnicas de investigação. O resultado é a pobreza de raciocínio.”

Igualmente, não queremos aqui corroborar para o engessamento de tais modalidades por via de teorias e modelos utopicamente imodificáveis, suprimindo a capacidade individual e discricionária de cada encarregado ou responsável pelo procedimento ou processo, desejamos sim, que essas informações sejam lapidadas, discutidas e questionadas nas escolas de formação e nos demais quartéis, e que ao final, possam servir de premissa basilar para um procedimento ou um processo bem realizado, investigado, organizado, com conclusão coerente e obedecendo ao princípio maior expresso no art. 37 “caput” da Carta Magna vigente, o princípio da legalidade. Nos diversos capítulos, fomentados de teoria resumida e especialmente de modelos práticos, estes, que recorremos nas situações emergenciais, procuramos realizar de maneira didática uma auto-complementação, em que as partes dissecadas nos capítulos formam um todo encadeado, suprindo carências entre si. Explicamos essa tendência, tendo-se em vista, que muitos dos tópicos de um determinado assunto, citados em um capítulo, poderão servir de base ou de fundamento para respostas contidas em assuntos em um outro capítulo, e vive-versa, especialmente, as conceituações, que muitas vezes, somente encontramos em coletâneas ou dicionários jurídicos. Por isso, a necessidade de uma leitura integral do trabalho ora proposto, visando a aquilatação dos conhecimentos de forma dinâmica, intensa, integralizada e motivadora. Porém, nada impede que façamos consultas rápidas, momentâneas e dissipadoras de dúvidas que a toda hora surgem. Ressalte-se, também, que temos por objetivo lapidar, que cada organização policial ou bombeirística militar estadual, possa ser contemplada, para carga em seu acervo, de um exemplar do trabalho, para que, no recanto mais longínquo do Estado, um militar estadual, estando ou não a serviço, possa num momento de pesquisa, de dúvida, de descontração, de questionamento, de necessidade profissional, consultá-lo. Nesse prisma, desejamos que todos os militares estaduais no dia-a-dia político e jurídico da administração vociferem com consciência, responsabilidade e

conhecimento, todo o ordenamento legal aplicável às espécies. É a dinâmica cíclica do conhecimento que não pode parar, sob pena de fracassarmos. Esperamos que o trabalho alcance o fim proposto e que o acesso a leitura possa ser realizado pelos militares estaduais desde os grupamentos até os grandes comandos das corporações. Registre-se que o trabalho não se destina a jurista nem a doutores das ciências jurídicas, mas poderá merecer a atenção daqueles que necessitam de informações úteis e confiáveis. Finalmente, não poderíamos obter sucesso na elaboração deste roteiro, se é que assim podemos realmente conceituá-lo, para a consecução dos nossos objetivos, sem que fizéssemos as devidas referências e citações de autores e de suas obras, que estão devidamente elencadas em todo o trabalho, nos textos, nas notas de rodapés e nas referências bibliográficas, obedecendo-se ao disposto nos artigos 8º, inciso IV e 46, Inciso III, da lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1988 (Lei dos Direitos Autorais – LDA).

HOMENAGEM ESPECIAL

A DEUS A quem me dirijo humildemente, agradecendo por tudo que fiz, que pude fazer, que tenho feito e que possuo, inclusive, a minha vida, a minha família e as pessoas de boa-fé que me ajudaram e continuam me ajudando até hoje, as pessoas de bem que me rodeiam. Para isso, cito uns Salmos Bíblicos que considero um dos escritos mais fortes (Primeiro Livro – Salmo 7, p. 660):

) (

Senhor, ó meu Deus, é em vós que eu busco meu refúgio; salvai-me de todos os que me perseguem e livrai-me, para que o inimigo não me arrebate como um leão, e me dilacere sem que ninguém me livre. Senhor, ó meu Deus, se acaso fiz isso, se minhas mãos cometeram a iniqüidade, se fiz mal ao homem pacífico, se oprimi os que me perseguiam sem motivo, que o inimigo me persiga e me apanhe, que ele me pise vivo ao solo e atire minha honra ao pó. Levantai-vos, Senhor, na vossa cólera; erguei-vos contra o furror dos que me oprimem, erguei-vos para me defender numa causa que tomastes a vós. Que a assembléia das nações vos circunde; presidi-a de um trono elevado. O senhor é o juiz dos povos. Fazei-me justiça, Senhor, segundo o meu justo direito. Ponde fim à malícia dos ímpios e sustentai o direito, ó Deus de justiça, que sondais os corações e os rins. O meu escudo é Deus, ele salva os que têm o coração reto. Deus é um juiz íntegro, um Deus perpetuamente vingador. Se eles não se corrigem, ele afiará a espada, entesará o arco e visará. Contra os ímpios apresentará dardos mortíferos, lançará flechas inflamadas. Eis que o mau está em dores de parto, concebe a malícia e dá a luz a mentira. Abre um fosso profundo, mas cai no abismo por ele mesmo cavado. Sua malícia recairá em sua própria cabeça, e sua violência se voltará contra a sua fronte.

7. Apelo à Justiça de Deus

Eu, porém, glorificarei o Senhor por sua justiça, e salmodiarei ao nome do Senhor, o Altíssimo.

A Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e a Nossa Senhora Aparecida A quem também me dirijo humildemente, agradecendo as graças alcançadas. Para tanto, cito 2 (dois) salmos que minha mãe amada Maria Lúcia recita diariamente como milagrosos (Primeiro Livro, Salmos 22 e 120, p. 672 e 761):

) (

nada me faltará. Em verdes pastos ele me faz repousar. Conduz-me junto às águas refrescantes, restaura as forças de minha alma. Pelos caminhos retos ele me leva, por amor do seu nome. Ainda que eu atravessasse o vale escuro, nada temerei, pois estais comigo. Vosso bordão e vosso báculo são os meus amparos. Preparai para mim a mesa à vista de meus inimigos. Derramai o perfume sobre minha cabeça e transborda minha taça. A vossa bondade e misericórdia hão de seguir-me por todos os dias da minha vida. E habitarei a casa do senhor por longos dias. 120. Deus, guarda do seu povo. Para os montes levanto os olhos: de onde me virá socorro? O meu socorro virá do Senhor, criador do céu e da terra. Ele não permitirá que teus pés resvalem; não dormirá aquele que te guarda. Não há de dormir, nem adormecer o guarda de Israel. O Senhor é teu guarda, o senhor é teu abrigo, sempre ao teu lado. De dia, o sol não te fará mal; nem a lua durante a noite. O Senhor te resguardará de todo o mal; ele velará sobre tua alma. O Senhor guardará os teus passos, agora e para todo o sempre.

22. Deus, pastor dos homens. O Senhor é meu pastor,

APRESENTAÇÃO

É com inusitada satisfação que procedemos, presentemente, a apresentação da obra ROTEIRO DE PROCEDIMENTOS E PROCESSOS

ADMINISTRATIVOS de autoria do Tenente-Coronel Edson Rebouças Vasconcelos de nossa briosa e ativa Polícia Militar do Estado do Ceará.

O autor além de Oficial Superior de nossa PM/Ce é Bacharel em Direito

pela Universidade Regional do Cariri (URCA) e pós-graduado como Especialista em Direito Público e Privado pela Universidade do Grande Rio. Concluiu Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais na PM/Ce e Curso Superior de Polícia junto a Polícia Militar do Estado do Rio Grande do Norte. É um militar vocacionado pelas atividades gerais da caserna e como estudioso do Direito e amante da causa da justiça busca democratizar seus conhecimentos em atitudes engrandecedoras de seu caráter nobre e de sua querida Instituição Militar. A característica comum das instituições militares tem sido apontada historicamente como o apego canônico à lei e ao Direito. A observância aos regulamentos, estatutos, regramentos e ordenamentos, tudo isso revela uma atitude

rígida de respeito à ordem e a manutenção da paz social. Essa é, com certeza, a grande diferença das instituições militares com relação às demais instituições sociais, onde o elemento individualista e desagregador, quase sempre corrói o princípio da disciplina e acaba por promover o caos e a desordem. Sendo um militar de carreira e um jurista convicto, o autor tem a certeza moral de que, mesmo na rigidez da caserna, algumas condutas desagregadoras se efetivam e podem, se não forem de logo reprimidas pedagogicamente, constituir-se em maus exemplos e em óbices ao compromisso social da instituição militar. Por isso, o Ten-Cel Edson nos apresenta um eficiente ROTEITO DE PROCEDIMENTOS E PROCESSOS ADMINISTRATIVOS onde traz à baila importantes considerações práticas e doutrinárias nas mais diversas situações que os praças, Cabos, Sargentos, Subtenentes, Tenentes e Oficiais Superiores encontram no dia a dia disciplinar e na reivindicação legal de seus direitos e deveres.

O autor enriquece sua pesquisa com reflexões exemplares a partir do

exame do texto Constitucional de 1988 e suas Emendas, e ainda as disposições codificadas do CPP, do CPB, do CPM e dos Códigos Civis substantivo e adjetivo. Traz ainda ao cotejo da discussão jurídica o Estatuto e o Código dos militares, além de leis, decretos e regulamentos da vida da corporação castrense.

A obra sob apresentação é de inafastável importância e atualidade,

sobretudo porque é sintonizada com o espírito principiológico do Estado Democrático

de Direito, que permite ao operador do direito e ao próprio Administrador Público a aplicação do direito não apenas como um conjunto de regras frias e mecânicas, mas com uma destinação humanizante que busca um conteúdo material de justiça social.

O autor, além de militar e jurista é um homem de fé. Humilde, invoca de

logo a proteção do Legislador Maior (Deus) e sob esse parâmetro tem certeza de que poderá melhor honrar à sua Corporação e servir à Sociedade cearense.

A obra possui também grande extensão formal, pois trata de temas

específicos como a Prisão em Flagrante no CPP e no CPPM, das competências das

Justiças comuns, militar estadual e militar federal, das formalidades dos atos processuais e dos Modelos que devem ser seguidos pelos militares na elaboração de Portarias, Ofícios, Despachos, Guias, e comunicações protocolares com as suas autoridades judiciárias e do MP.

A densidade do trabalho se constata e se positiva também pela fecunda

relação de obras consultadas, conforme se vê na Bibliografia apresentada. Diga-se, mais que o autor é já conhecido e acatado no meio jurídico de nossa cidade e de nosso Estado, em face da publicação de obra similar, denominada “Do Processo Regular Disciplinar e dos Procedimentos Incidentes”, editada em 2006 e que tem recebido intenso reconhecimento. Acreditamos, pois, no inteiro sucesso desse lançamento editorial, ante sua forma e o seu conteúdo jurídico didático e atualizado e em face da indiscutível liderança e credibilidade intelectual e moral que tem o autor na comunidade jurídica do Estado do Ceará. Parabenizamos também à PM/Ce através de seu Comando Geral pela contribuição relevante que nos oferece, através de seu Oficial Superior Tenente Coronel Edson, militar e jurista que engrandece a corporação à qual dedica o melhor de seu valor físico e intelectual.

Oscar d’Alva e Souza Filho Procurador de Justiça do MP/CE Diretor da Escola Superior do Ministério Público do Ceará

SUMÁRIO

CAPÍTULO I PRISÃO E AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE DE DELITO MILITAR (PAPFDM)

I – Considerações Iniciais II - Atividade de Polícia Judiciária Militar

III

– Modalidades de Flagrante

1.

Próprio

2.

Impróprio ou quase-flagrante

3.

Presumido ou ficto

IV

– Princípios Constitucionais Aplicáveis

V – Sujeitos de Flagrante de Delito Militar e Competências

1. Sujeito ativo

2. Sujeito passivo

3. Crimes militares 1) Próprios 2) Impróprios

4. Competência da justiça militar federal e estadual

4.1 Jurisprudências

4.2 Dos tribunais militares

4.3 A reforma do judiciário

1) Formação dos conselhos 2) Atos disciplinares

VI – Formalidades na Elaboração do Auto de Prisão

1. Competência para a lavratura

2. Designação do escrivão

3. Inquirição do condutor, das testemunhas e do infrator

4. Recolhimento à prisão

5. Nota de culpa

6. Se houver envolvimento de menor

7. Preparação do relatório e remessa à autoridade competente

8. Liberdade provisória

9. Apresentação espontânea do militar estadual

10. Omissão de autoridade

11. Prisão não sujeita à administração militar

13.

Nulidades do auto de prisão

14. Emprego da força e uso de algemas

15. Considerações gerais e fases do flagrante

VII – Relação os Delitos Militares em Tempo de Paz

1. Dos crimes contra a segurança externa do país

2. Dos crimes contra a autoridade ou disciplina militar

3. Dos crimes contra o serviço militar e o dever militar

4. Dos crimes contra a pessoa

5. Dos crimes contra o patrimônio

6. Dos crimes contra a incolumidade pública

7. Dos crimes contra à administração pública

8. Dos crimes contra a administração da justiça militar

VIII – Modelos

1. Modelo de capa e autuação

2. Modelo de portaria

3. Modelo de termo de designação e compromisso do escrivão

4. Modelo de nota de ciência das garantias constitucionais do preso

5. Modelo de auto de prisão em flagrante de delito militar ocorrido em presença de

autoridade ou contra ela

6. Modelo de auto de prisão em flagrante delito realizado em hospital

7. Modelo de auto de resistência

8. Modelo de despacho de juntada de documentos

9. Modelo de despachos diversos

10. Modelo de atos do escrivão (recebimento e juntada)

11. Modelo de nota de culpa

12. Modelo de guia para recolhimento do preso

13. Modelo de ofício comunicando o juiz competente sobre a prisão

14. Modelo de ofício comunicando a esposa, pai, mãe ou irmão do autuado

15. Modelo de ofício de solicitação do extrato de assentamentos do autuado

16. Modelo de ofício de encaminhamento ao instituto médico legal para exame de

corpo de delito

17. Modelo de ofício ao diretor do instituto de criminalística, solicitando realização de

exame pericial

18. Modelos de atos do escrivão (certidão e conclusão)

19. Modelo de despachos diversos

20. Modelos de atos do escrivão (recebimento e juntada)

22.

Modelo de auto de exame de corpo de delito direto

23. Modelo de ofício de representação pela expedição de mandado de busca e apreensão

24. Modelo de auto de apreensão

25. Modelo de nomeação de peritos em crime contra o patrimônio

26. Modelo de notificação de peritos avaliadores

27. Modelo de auto de avaliação de coisa

28. Modelo de termo de restituição de objetos

29. Modelo de atos de escrivão (certidão e conclusão)

30. Modelo de portaria de relatório do flagrante

31. Modelo de termo encerramento e remessa

32. Modelo de ofício de remessa do auto de prisão em flagrante ao juízo militar

33. Modelo de ofício de comunicação do auto de prisão em flagrante ao promotor de

justiça do juízo militar

34. Modelo de requerimento de relaxamento da prisão em flagrante ou de liberdade

provisória

35. Modelo de termo de apresentação espontânea de militar estadual

CAPÍTULO II PRISÃO E AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE DE DELITO COMUM (PAPFDC)

I – Preâmbulo II – Modalidades de Flagrante

III – Flagrante Irregular

1) Anulação do flagrante por defeito de lavratura

2) Anulação do flagrante por não cabimento perante a lei

IV – Outras Formas de Flagrante Delito

1. Flagrante esperado

2. Flagrante postergado ou retardado

3. Flagrante preparado

4. Flagrante forjado

V – Prisão em Flagrante nos Crimes Permanentes, Continuados e Habituais

1.

Nos crimes permanentes

2.

Nos crimes continuados

3.

Nos crimes habituais

VI

– Sujeitos, Imunidades e Prerrogativas

2.

Imunidades

1) Imunidade diplomática 2) Imunidade parlamentar

3. Prerrogativa de função

1) Presidente da república 2) Chefe do executivo estadual 3) Secretários estaduais 4) Prefeitos 5) Magistrados (desembargadores e juízes) 6) Membros do ministério público (procuradores e promotores de justiça) 7) Defensores públicos 8) Advogados 9) Militares federais e estaduais

10) Integrantes da polícia judiciária federal e estadual (polícia civil e federal)

4. Maioridade penal – polêmicas

5. Outros casos contidos em leis especiais

6. Autoridades e pessoas que detêm o direito a prisão especial

VII – Formalidades e Fases do Auto de Prisão

VIII – Relação dos Delitos Comuns de Maior Potencial Ofensivo (Conforme o Código Penal)

1. Dos crimes contra a pessoa

2. Dos crimes contra o patrimônio

3. Dos crimes contra a propriedade imaterial

4. Dos crimes contra a organização do trabalho

5. Dos crimes contra o sentimento religioso e contra o respeito aos mortos

6. Dos crimes contra os costumes

7. Dos crimes contra a família

8. Dos crimes contra a incolumidade pública

9. Dos crimes contra a paz pública

10.Dos crimes contra a fé pública

11.Dos crimes contra a administração pública IX – Modelos

1. Modelo de autuação

2. Modelo de portaria de nomeação de escrivão

3. Modelo de termo de designação de compromisso do escrivão

5.

Modelo de auto de prisão em flagrante de delito comum – depoimento de

testemunha

6. Modelo de auto de prisão em flagrante de delito comum – interrogatório do

suspeito

7. Modelo de atos do escrivão (juntada e conclusão)

8. Modelo de despachos diversos

9. Modelo de atos do escrivão (recebimento e juntada)

10. Modelo de nota de culpa

11. Modelo de ofício de solicitação de exame pericial ao instituto de criminalística

12. Modelo de ofício de solicitação de exame pericial ao instituto médico legal

13. Modelo de solicitação de auto de exames periciais

14. Modelo de atos do escrivão (juntada, certidão e conclusão)

15. Modelo de relatório

16. Modelo de ofício comunicando a prisão a pessoa indicada pelo preso

17. Modelo de ofício de remessa do auto de prisão em flagrante delito

18. Modelo de requerimento de relaxamento da prisão em flagrante

CAPÍTULO III INQUÉRITO POLICIAL MILITAR (IPM)

I – Breves Comentários Sobre o IPM

II – Dos Procedimentos a Serem Adotados

1. Seqüência lógica dos atos administrativos

1) Medidas preliminares ao inquérito 2) Nomeação do escrivão 3) Ouvir o ofendido 4) Ouvir o indiciado 5) Ouvir as testemunhas 6) Proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e realizar acareações 7) Determinar e proceder a exame de corpo de delito 8) Determinar a avaliação de coisa subtraída, desviada, subtraída ou danificada 9) Proceder a buscas e apreensões 10) Proteção de testemunhas, peritos e ofendidos 11) Reconstituição dos fatos 12) Assistência de procurador para acompanhar o feito 13) Reunião de peças num só processar 14) Encerrar com minucioso relatório

2. Outras providências e formalidades 1) Incomunicabilidade do indiciado 2) Detenção e prisão preventiva do indiciado a) Da detenção b) Da prisão preventiva (1) Tratando-se de crime militar próprio (2) Tratando-se de crime militar impróprio 3) Prazos para terminação do IPM e pedido de prorrogação 4) Proibição do arquivamento do inquérito e devolução dos autos para novas diligências 5) Suficiência do auto de prisão e dispensa do inquérito 6) Tipificação penal 7) Detalhes processualísticos para evitar erros de elaboração (regras gerais) III – Conceituações Processuais Complementares 1) Arresto 2) Bens irrestituíveis 3) Carta precatória 4) Carta rogatória 5) Cifra negra 6) Coisa julgada 7) Coisa julgada formal 8) Coisa julgada material 9) Confissão 10) Correição parcial 11) Defensor dativo 12) Delação do crime 13) Habeas corpus 14) Hipoteca legal 15) Litispendência 16) Mandado de injunção 17) Mandado de prisão 18) Mandado de segurança 19) Notícia do crime 20) Penhora 21) Prisão civil 22) Prisão disciplinar 23) Prisão penal

24) Seqüestro 25) Sub júdice IV – Modelos

1.

Modelo de capa e autuação

2.

Modelo de portaria

3.

Modelo de termo de designação de escrivão

4.

Modelo de termo de compromisso de escrivão

6.

Modelo de despachos diversos

7.

Modelo de atos do escrivão (recebimento, juntada e carga dos autos)

8. Modelo de ofício comunicando o recebimento dos autos e da nomeação de

escrivão

9. Modelo de ofício ao diretor do instituto médico legal

10. Modelo de ofício ao diretor do instituto de criminalística

11. Modelo de ofício ao juiz das varas de execuções penais

12. Modelo de ofício ao diretor de pessoal da PM/BM solicitando os extratos da fé de

ofício ou resumo de assentamentos

13. Modelo de ofício ao procurador-geral de justiça solicitando promotor de justiça

para acompanhar as investigações

14. Modelo de ofício ao comandante da OPM/OBM comunicando a realização de

reconstituição dos fatos

15. Modelo de ofício ao juiz de direito do juízo militar representando pela busca e

apreensão

16. Modelo de ofício ao juiz de direito do juízo militar representando pela prisão

preventiva ou temporária do indiciado

17. Modelo de termo de declarações do ofendido

18. Modelo de termo de qualificação e interrogatório do indiciado

19. Modelo de termo de depoimento de testemunha

20. Modelo de termo de compromisso de curador

21. Modelo de atos do escrivão (autenticação, certidão e conclusão)

22. Modelo de despachos diversos

23. Modelo de atos do escrivão (recebimento, juntada e carga de autos)

24. Modelo de ofício a autoridade instauradora suscitando a exceção de suspeição ou

impedimento do encarregado com despacho da mesma autoridade

25. Modelo de termo de abertura de novo volume

26. Modelo de ofício ao comandante de OPM/OBM solicitando apresentação do

indiciado para reconhecimento

28.

Modelo de ofício a oficial para cumprir precatória

29. Modelo de termo de reconhecimento de pessoa ou coisa

30. Modelo de termo de acareação (espécie de reprodução simulada)

31. Modelo de termo de diligência

32. Modelo de ofício a autoridade delegante solicitando prorrogação de prazo

33. Modelo de auto de avaliação direta

34. Modelo de termo de reconstituição dos fatos em local de crime

35. Modelo de auto de busca e apreensão

36. Modelo de auto de reconhecimento de escrito

37. Modelo de auto de reconhecimento fotográfico

38. Modelo de atos do escrivão (autenticação, certidão e conclusão)

39. Modelo de relatório

40. Modelo de termo de encerramento e remessa

41. Modelo de oficio de remessa dos autos de IPM

42. Modelo de solução do IPM

43. Modelo de ofício de remessa dos autos ao juiz de direito do juízo militar

44. Modelo de requerimento de diligência no IPM

45. Modelo de requisição de instauração de IPM

46. Modelo de requerimento de instauração de IPM nos crimes de ação penal pública

incondicionada

47. Modelo de recurso contra indeferimento de instauração de IPM

48. Modelo de representação

49. Modelo de requerimento de instauração de IPM decorrente de sindicância militar

50. Modelo de pedido de arquivamento

51. Modelo de requerimento de revogação de prisão preventiva

52. Modelo de requerimento de liberdade provisória

CAPÍTULO IV INQUÉRITO POLICIAL (IP)

I – Notas Introdutórias II – Atribuições no Inquérito Policial 1. Competência investigatória 2. Outros tipos de inquéritos 1) Inquérito policial militar (IPM) 2) Inquérito judicial (IJ)

3) Inquérito civil (IC) 4) Inquérito realizado pelas comissões parlamentares de inquérito (CPI) 5) Inquérito contido no regimento interno do supremo tribunal federal (STF) 6) Inquérito contido na lei de organização nacional da magistratura (LONM)

7) Inquérito contido na lei de organização nacional do ministério público (LONMP) III – Elementos Identificadores do Inquérito Policial

1. Início do inquérito policial

1) No caso de ação pública incondicionada

2) Nio caso de ação pública condicionada 3) No caso de ação penal privada

2. Alguns detalhes importantes

1) No código penal 2) Na justiça federal e legislação extravagante 3) Prazos e indiciamento

IV – Procedimentos no Inquérito Policial, das Provas e Outras Perícias

1. No decorrer do procedimento 1) Inquérito policial 2) Indício 3) Prova testemunhal 4) Prova documental 5) Confissão

6) Suspeição 7) Arquivamento 8) Decisões 9) Envolvimento do juiz ou do promotor de justiça 10) Remessa do inquérito

2. Das perícias e outros exames

2.1 Da prova 1) Corpo de delito 2) Exame de corpo de delito 2.2 Outros exames periciais

3. Legislação a respeito de perícias 1) Disciplina legal 2) Corpo de delito 3) Realização de perícias 4) Intervenção dos peritos 5) Perícia contraditória

6) Laudos irregulares, falhos, omissos e nulos 7) Credibilidade da perícia 8) Peritos 9) Exames complementares

10) Lei n.º 8.862/94 (perícias e peritos oficiais)

4. Seqüência lógica do inquérito policial (peças)

V – Modelos

1. Modelo de boletim de ocorrência policial

2. Modelo de portaria de instauração de inquérito policial

3. Modelo de intimação para depoimento, declaração ou interrogatório

4. Modelo de carta precatória

5. Modelo de relatório

6. Modelo de requerimento de diligências no inquérito policial

7. Modelo de requisição de instauração de inquérito policial

8. Modelo de requerimento de instauração de inquérito policial nos crimes de ação

penal pública incondicionada

9. Modelo de recurso contra indeferimento de instauração de inquérito policial

10. Modelo de representação

11. Modelo de requerimento de instauração de inquérito policial nos crimes de ação

pública privada

12. Modelo de pedido de arquivamento

13. Modelo de requerimento de revogação de prisão preventiva

14. Modelo de requerimento de liberdade provisória sem fiança

15. Modelo de requerimento de liberdade provisória com fiança

CAPÍTULO V TERMO CIRCUNSTANCIADO DE OCORRÊNCIA (TCO)

I – Aplicação da Lei n.º 9.099/1995

1. Tópicos iniciais

2. Infrações penais de menor potencial ofensivo

1) Contravenções penais contidas em leis especiais 2) Código penal – tópicos sobre os delitos cujas penas máximas não sejam superior a dois anos

II – Foco do Nosso Estudo

1. Artigo 69 da lei n.º 9.099/95 – autoridade policial

3.

Doutrina que reconhece o policial militar como autoridade policial

4.

Conclusões do autor

III

– Relação dos Crimes de Menor Potencial Ofensivo e das Contravenções

Definidas no Código Penal e Legislações Especiais

1. Decreto-lei n.º 2.848/1940 – Código Penal

1.1 Dos crimes contra a pessoa

1.2 Dos crimes contra a propriedade imaterial

1.3 Dos crimes contra a organização do trabalho

1.4 Dos crimes contra o sentimento religioso e contra o respeito aos mortos

1.5 Dos crimes contra os costumes

1.6 Dos crimes contra a família

1.7 Dos crimes contra a incolumidade pública

1.8 Dos crimes contra a paz pública

1.9 Dos crimes contra a fé pública

1.10 Dos crimes contra a administração pública

2. Decreto-lei n.º 3. 688/1941 (Lei das contravenções penais)

2.1 Das contravenções referentes à pessoa

2.2 Das contravenções referentes ao patrimônio

2.3 Das contravenções referentes à incolumidade pública

2.4 Das contravenções contra à paz pública

2.5 Das contravenções contra à fé pública

2.6 Das contravenções contra à organização do trabalho

2.7 Das contravenções contra à polícia de costumes

3. Decreto-lei n.º 6.259/1944 (Loterias)

4. Lei n.º 8.069/1990 (Estatuto da criança e do adolescente – ECA)

5. Lei n.º 8.078/1990 (Código de defesa do consumidor – CDC )

6. Lei n.º 9.503/1997 (Código de trânsito brasileiro – CTB)

7. Lei n.º 9.605/1998 (Meio ambiente)

8. Lei n.º 9.615/1998 (Lei do desporto/bingo)

9. Lei n.º 10.826/1998 (Estatuto do desarmamento)

10. Lei n.º 11.343/2006 (Nova lei antitóxicos)

IV – Providências Necessárias à Realização do TCO – Doutrina e Jurisprudência

V – Modelos

1. Modelo de formulário de capa de ocorrência e autuação

2. Modelo de termo circunstanciado de ocorrência

4.

Modelo de termo de compromisso e comparecimento

5. Modelo de boletim de ocorrência

6. Modelo de autos

7. Modelo de tombo e de vistas

8. Modelo de designação de audiência

9. Modelo de certidão

10. Modelo de termo de audiência preliminar

CAPÍTULO VI INQUÉRITO TÉCNICO (IT)

I – Conceituação

II – Tópicos Iniciais

III – Normas Procedimentais

1. Finalidade

2. Das formalidades do inquérito técnico

3. Procedimentos específicos do encarregado do inquérito técnico 1) Apuração de danos em material de armamento e munição 2) Apuração de danos em material de motomecanização 3) Apuração de danos em material permanente 4) Apuração de danos em material de comunicação

IV – Legislação de Trânsito Subsidiária

1) Conceito 2) Sistema nacional de trânsito 3) Órgãos normativos 4) Órgãos executivos 5) Órgãos rodoviários 6) Órgãos policiais 7) Juntas 8) Classificação da CNH 9) Classificação dos veículos 10) Do processo (crimes de trânsito)

V – 100 (Cem) Conceituações e Definições 1) Abalroamento 2) Acidente 3) Acordo 4) Acostamento

5) Alienação 6) Ampla defesa 7) Atropelamento 8) Avaliação 9) Automóvel 10) Autoridade de trânsito 11) Bem 12) Bicicleta 13) Bonde 14) Calçada 15) Caminhonete 16) Camioneta 17) Canteiro-central 18) Capotamento 19) Carro de mão 20) Carroça 21) Carga 22) Causa 23) Charrete 24) Choque 25) Ciclomotor 26) Colisão 27) Cobrança 28) Contraditório 29) Culpa 30) Dano 31) Dano de causa pessoal 32) Dano de causa técnica 33) Declaração 34) Descarga 35) Desmonte 36) Dispositivo de segurança 37) Dolo 38) Estrada 39) Extravio 40) Fiscalização 41) Força maior

42) Fortuito 43) Furto 44) Homologação de descarga 45) Imperícia 46) Imprudência 47) Incêndio 48) Indenização 49) Infração 50) Instauração 51) Laudo 52) Logística 53) Manobra 54) Manutenção corretiva 55) Manutenção de 1.º escalão 56) Manutenção de 2.º escalão 57) Manutenção de 3.º escalão 58) Manutenção de 4.º escalão 59) Manutenção de 5.º escalão 60) Material de 1.ª classe 61) Material de 2.ª classe 62) Material de 3.ª classe 63) Material de 4.ª classe 64) Material bélico 65) Material obsoleto 66) Material permanente 67) Microônibus 68) Motocicleta 69) Motoneta 70) Negligência 71) Nexo causal 72) Ônibus 73) Orçamento 74) Parecer técnico 75) Passarela 76) Patrulhamento 77) Peculato 78) Perda

79) Perícia 80) Perito 81) Pista 82) Policiamento ostensivo de trânsito 83) Portaria 84) Prejuízo 85) Prova 86) Queda 87) Recebimento 88) Recuperação 89) Reparação 90) Responsabilidade 91) Ressarcimento 92) Roubo 93) Soterramento 94) Submersão 95) Testemunha 96) Tombamento 97) Trailer 98) Via local 99) Via rural 100) Via urbana VI – Determinações do Comando-Geral

1. Vias de inquérito técnico

2. Formalidades legais

VII – Legislação do Exército Brasileiro – Complementar

1. Instruções para elaboração

2. Modelo auxiliar de relatório e solução

VIII – Modelos

1. Modelo de ofício de designação de instauração de inquérito técnico

2. Modelo de capa e autuação

3. Modelo de portaria

4. Modelo de termo de abertura

5. Modelo de ofício de inquirição de testemunha

6. Modelo de termo de depoimento

7. Modelo de ofício ao imputado concedendo o direito de defesa

9.

Modelo de ofício de encaminhamento dos autos à autoridade delegante

10. Modelo de despacho da autoridade delegante

11. Modelo de solução de inquérito técnico

CAPÍTULO VII TERMO DE DESERÇÃO (TD)

I – Da Deserção

1. Conceituação e fundamentação legal

2. Dos crimes

1) Deserção propriamente dita 2) Casos semelhantes 3) Deserção especial 4) Conserto para deserção

5) Deserção, após evasão ou fuga 6) Favorecimento a desertor 7) Omissão de oficial

3. Do insubmisso

II – Das Providências Elencadas no Código de Processo Penal Militar

1. Da processualística penal militar

2. Fases procedimentais e resumo seqüencial

3. Restauração dos autos

4. Orientações do comando-geral adjunto

III – Outros Pontos Relevantes – Doutrina e jurisprudência IV – Orientações Normativas Gerais

1. Da rotina após a consumação do delito de deserção

1.1. Das atribuições do comando-geral adjunto

1.2. Das atribuições da diretoria de pessoal

1.3. Das atribuições da diretoria de finanças

2. Da rotina após a apresentação espontânea ou captura do desertor

2.1. Da captura e da apresentação espontânea do desertor

2.2. Da lavratura do termo de captura e do termo de apresentação espontânea do

desertor

2.3. Das atribuições da diretoria do presídio militar

2.4. Das atribuições do presidente da junta militar de saúde

2.5. Das atribuições do comando-geral adjunto

3.

Disposições finais

V – Modelos

1. Modelo de capa e autuação

2. Modelo de parte de falta ao serviço (ausência ilegal)

3. Modelo de despachos diversos do comandante

4. Modelo de auto de inventário (bens da fazenda pública)

5. Modelo de auto de inventário (bens particulares)

6. Modelo de termo de depoimento de testemunha

7. Modelo de auto de consumação da deserção – parte acusatória

8. Modelo de termo de deserção

9. Modelo de notas para boletim – transcrição de termo de deserção, modelos de atos

de agregação e exclusão

10. Modelo de termo de captura por crime de deserção com despacho

11. Modelo de termo de apresentação espontânea com despacho

12. Modelo de inspeção de saúde feita pela junta militar de saúde

13. Modelo de notas para boletim – Modelos de atos de reinclusão ou reversão e de

declaração de incapacidade definitiva

14. Modelo de ofício de remessa dos autos do termo de deserção ao juiz do juizo

militar estadual

CAPÍTULO VIII SINDICÂNCIA MILITAR (SM)

I – Considerações Iniciais

II – Conceituação e Fundamentação

1.

Conceituação

2.

Fundamentação legal

III

– Da Processualística

1.

Terminologias e conceitos

1) Sindicante 2) Sindicado 3) Autoridade delegante 4) Prazos 5) Suspeição e substituição do sindicante 6) Contraditório e ampla defesa 7) Presença do acusado nas oitivas das testemunhas 8) Da retratação

2.

Seqüência de atos - fases

3. Providências da autoridade delegante ao solucionar o procedimento

1) Houve prática de transgressão disciplinar a punir 2) Indício de prática de crime de natureza militar 3) Indício de prática de crime de natureza comum 4) Inexistência de transgressão disciplinar a punir ou de indício de crime 5) Remessa a corregedoria-geral da SSPDS 6) Remessa dos autos ao juízo militar

7) Anulação de sindicância IV – Normas Gerais para a Elaboração de Sindicância no Âmbito da PMCE Portaria do Comando-Geral V – Modelos

1. Modelo de ofício de solicitação (determinação) de instauração de sindicância

2. Modelo de capa e autuação

3. Modelo de portaria de designação

4. Modelo de juntada de portaria e anexos

5. Modelo de despachos diversos

6. Modelo de notificação prévia do sindicado

7. Modelo de notificação prévia da vítima ou acusador

8. Modelo de termo de retratação

9. Modelo de juntada de documentos expedidos e recebidos

10. Modelo de ofício ao comandante do sindicado

11. Modelo de ofício de inquirição de testemunha

12. Modelo de carta precatória

13. Modelo de termo de depoimento de testemunha

14. Modelo de inquirição de sindicado

15. Modelo de ofício de substituição de sindicante

16. Modelo de termo de acareação

17. Modelo de termo de reconhecimento de pessoa

18. Modelo de termo de encerramento de instrução

19. Modelo de vista da sindicância

20. Modelo de requerimento de juntada de defesa

21. Modelo de ofício à autoridade delegante solicitando prorrogação de prazo

22. Modelo de atos (certidões)

23. Modelo de relatório de sindicância formal

24. Modelo de relatório de sindicância sumária

26.

Modelo de ofício de remessa de sindicância

27. Modelo de solução de sindicância

CAPÍTULO IX ATESTADO DE ORIGEM (AO) E INQUÉRITO SANITÁRIO DE ORIGEM (ISO)

I – Definição

II – Fundamentação – Portaria do Comando-Geral da PMCE III – Da Regulamentação da Junta Militar de Saúde

1. Da legalidade

2. Tópicos a serem regulamentados

IV – Modelos

1. Atestado de Origem (AO)

1) Modelo de capa e de autuação 2) Modelo de portaria 3) Modelo de declaração testemunhal

4) Modelo de parecer médico 5) Modelo de inspeção de saúde de controle 6) Modelo de exame de sanidade de paciente em ato de serviço 7) Modelo de relatório e parecer 8) Modelo de ofício de remessa com despacho de solução

2. Inquérito Sanitário de Origem (ISO)

1) Modelo de capa e de autuação 2) Modelo de portaria 3) Modelo de termo de declaração de paciente 4) modelo de termo de depoimento de testemunha 5) Modelo de inspeção de saúde de controle 6) Modelo de exame de sanidade de acidentado em ato de serviço 7) Modelo de ofício à autoridade delegante solicitando prorrogação de prazo 8) Modelo de relatório e parecer 9) Modelo de ofício de remessa com despacho de solução

CAPÍTULO X COMISSÃO DE MERITORIEDADE (CM)

I – Tópicos Iniciais

1. Do procedimento

3.

Dos benefícios ao militar estadual

II – Das Promoções (Fundamentação)

1. Promoção por ato de bravura 1) De oficiais 2) De praças

2. Promoção “post mortem” 1) De oficiais 2) De praças

III – Modelos

1. Modelo de capa e autuação

2. Modelo de portaria

3. Modelo de designação de escrivão

4. Modelo de termo de compromisso de escrivão

5. Modelo de recebimento

6. Modelo de despachos diversos

7. Modelo de juntada

8. Modelo de oitiva de testemunha

9. Modelo de conclusão

10. Modelo de relatório de promoção “post modem”

11. Modelo de relatório de promoção por bravura

12. Modelo de encerramento e remessa

13. Modelo de ofício de remessa

14. Modelos de atos de promoção

CAPÍTULO XI PROCESSO REGULAR (PR) – GÊNERO

I – Intróito II – Direito Administrativo-Disciplinar III – Fundamento do Processo Regular

1. Código Disciplinar (Lei n.º 13. 407/2003)

2. Conceito de direito disciplinar

3. Dos princípios informadores 1) legalidade objetiva 2) oficialidade 3) Formalismo moderado 4) Verdade material

5) Garantia de defesa

3. Princípios expressos no artigo 37, “caput” da CF/1988 e demais reconhecidos 1) legalidade 2) Impessoalidade 3) Moralidade 4) Publicidade 5) Eficiência 6) Motivação 7) Razoabilidade e proporcionalidade 8) Segurança jurídica 9) Gratuidade dos processos administrativos 10) Oficialidade 11) Supremacia do interesse público 12) “Nom bis in idem” 13) Boa-fé 14) Duplo grau de jurisdição 15) Fungibilidade recursal 16) Economia processual

5. Etapas do processo regular (sínteses) 1) Início do processo 2) Instrução probatória 3) Apresentação de defesa 4) Relatório 5) Decisão ou dispositivo 6) Recursos

6. Da processualística

1) Das sanções disciplinares 2) Das provas 3) Da reincidência 4) Dos recursos e da revisão 5) Da prescrição e da decadência 6) Das nulidades

7) Do direito constitucional de defesa 8) Da citação

a) Acusado que se recusa a receber o mandado

b) Citação militar

d)

Acusado que aparece após a citação por edital ou está preso

e) Citação por precatória

f) Citação circunduta

9) Da publicidade das audiências

a) Código de processo penal militar

b) Código de processo penal

c) Código de processo civil

10) Da contagem dos prazos

11) Da independência das instâncias 12) Dos incidentes processuais 13) Da Polêmica das licenças médicas 7. Roteiro conceitual para análise na formatação do processo regular

1) Acareação

2) Advocacia 3) Apreensão 4) Assentada 5) Autos 6) Autuação 7) Certidão 8) Circunscrição 9) Citação 10) Compromisso 11) Conclusão 12) Contradita 13) Confissão 14) Contrafé 15) Contumácia 16) Declarações 17) Decoro profissional 18) Deliberação

19) De ofício 20) Deontologia 21) Depoimento 23) Despacho 22) Direito 24) Edital 25) “Emendacio libeli

26) Ética 27) Exibição de coisas 28) Exteriorização de deveres para com a justiça 29) “Fac-simili” 30) Fungibilidade dos recursos 31) Habeas data 32) Impedimento 33) Incidente de falsidade 34) Interesse de agir 35) Interrogatório 36) Intimação 37) Juiz de direito 38) Juntada 39) Jurisdição 40) Lacuna ou obscuridade da lei 41) Lealdade 42) “Mutatio libeli” 43) Norma deontológica 44) Norma ontológica 45) Norma legal 46) Notificação 47) Partes 48) Pressupostos de validade 49) Pressupostos processuais 50) Presunção de veracidade 51) Promotor de justiça 52) Reconhecimento 53) Relatório 54) Reconstituição dos fatos 55) Reprodução simulada dos fatos 56) Restauração dos autos 57) Retratabilidade 58) Revelia 59) Saneamento do processo 60) Vistas

IV – Atribuições dos Membros da Comissão

1.

Do presidente da comissão

2. Dos membros da comissão

3. Do escrivão

4. Outras atribuições contidas na Lei n.º 13. 407/2003 1) Do comandante-geral 2) Do corregedor-geral 3) Do governador do estado

CAPÍTULO XII CONSELHO DE JUSTIFICAÇÃO (CJ) – ESPÉCIE

I Definição

II – Decorrências do Processo

1. Da submissão ao conselho

2. Do apuratório

3. Tópicos importantes sobre indignidade e incompatibilidade

III – Fundamentação (Lei n.º 13. 407/2003 – Código Disciplinar IV – Modelos

1. Modelo de capa e autuação

2. Modelo de nomeação do conselho de justificação

3. Modelo de portaria de instauração

4. Modelo de ofício de convocação dos membros do conselho de justificação

5. Modelo de ofício de convocação do acusado

6. Modelo de ata da sessão prévia

7. Modelo de termo de compromisso

8. Modelo de despachos diversos

9. Modelo de atos do Escrivão (recebimento e juntada)

10. Modelo de ofício de citação do acusado

11. Modelo de edital de citação

12. Modelo de termo de revelia

13. Modelo de incidente processual

14. Modelo de ofício ao diretor de pessoal

15. Modelo de atos do Escrivão (certidão e conclusão)

16. Modelo de termo de qualificação e interrogatório do acusado

17. Modelo de ofício de entrega de libelo acusatório ao acusatório

18. Modelo de despachos diversos

20.

Modelo

(diligência)

de

termo

de

notificação

do

acusado

para

realização

de

perícia

21. Modelo de vistas dos autos ao advogado

22. Modelo de ata da 1.ª sessão

23. Modelo de atos do Escrivão (certidão e conclusão)

24. Modelo de termo de encerramento de volume

25. Modelo de termo de abertura de novo volume

26. Modelo de despachos diversos

27. Modelo de atos do Escrivão (recebimento e juntada)

28. Modelo de ofício de convocação de testemunha para depoimento

29. Modelo de ofício de convocação de testemunha PM/BM para depoimento

30. Modelo de ofício de mandado de Intimação para acareação

31. Modelo de termo de depoimento de testemunha

32. Modelo de vista dos autos ao advogado do acusado

33. Modelo de ata da 2.ª sessão

34. Modelo de atos do Escrivão (certidão e conclusão)

35. Modelo de despachos diversos

36. Modelo de atos do escrivão (recebimento e juntada)

37. Modelo de ofício ao advogado comunicando a data da sessão de julgamento

38. Modelo de atos do escrivão (certidão e conclusão)

39. Modelo da ata da sessão secreta de julgamento

40. Modelo de relatório final do conselho de justificação

41. Modelo de termo de encerramento

42. Modelo de ofício de remessa dos autos de conselho de justificação

43. Modelo de decisão do governador

CAPÍTULO XIII CONSELHO DE DISCIPLINA (CD) E PROCESSO ADMINISTRATIVO-DISCIPLINAR (PAD) – ESPÉCIES

I – Definição II – Dos Processos e das Competências III – Fundamentação (Lei n.º 13. 407/2003 – Código Disciplinar) IV – Modelos

1. Modelo de capa e autuação

2. Modelo de nomeação de conselho de disciplina ou PAD

4.

Modelo de ofício de convocação dos membros do conselho de disciplina ou PAD

5. Modelo de ofício de convocação de acusado

6. Modelo de ata da sessão prévia

7. Modelo de termo de compromisso

8. Modelo de despachos diversos

9. Modelo de atos do escrivão (recebimento e juntada)

10. Modelo de ofício de citação do acusado

11. Modelo de edital de citação

12. Modelo de termo de revelia

13. Modelo de incidente processual

14. Modelo de ofício ao diretor de pessoal

15. Modelo de atos do escrivão (certidão e conclusão)

16. Modelo de termo de qualificação e interrogatório do acusado

17. Modelo de ofício de entrega de libelo acusatório ao acusatório

18. Modelo de despachos diversos

19. Modelo de atos do escrivão (recebimento e juntada)

20. Modelo de vistas dos autos ao advogado do acusado

21. Modelo de notificação do acusado para realização de perícia (diligência)

22. Modelo de ata da 1.ª sessão

23. Modelo de atos do escrivão (certidão e conclusão)

24. Modelo de termo de encerramento de volume

25. Modelo de termo de abertura de novo volume

26. Modelo de despachos diversos

27. Modelo de atos do escrivão (recebimento e juntada)

28. Modelo de ofício de convocação de testemunha para depoimento

29. Modelo de ofício de convocação de testemunha PM/BM para depoimento

30. Modelo de ofício de mandado de intimação para acareação

31. Modelo de termo de depoimento de testemunha

32. Modelo de vista dos autos ao advogado do acusado

33. Modelo de ata da 2.ª sessão

34. Modelo de atos do escrivão (certidão e conclusão)

35. Modelo de despachos diversos

36. Modelo de atos do escrivão (recebimento e juntada)

37. Modelo de ofício ao advogado comunicando a data da sessão de julgamento

38. Modelo de atos do escrivão (certidão e conclusão)

40.

Modelo de relatório final do conselho de disciplina ou PAD

41. Modelo de termo de encerramento e remessa

42. Modelo de ofício de remessa dos autos de conselho de disciplina ou PAD ao

comandante-geral

43. Modelo de ofício de remessa dos autos de conselho de disciplina ou PAD ao

corregedor-geral

44. Modelo de solução do processo

CAPÍTULO XIV PROCEDIMENTO DISCIPLINAR (PD) – ESPÉCIE

I – Definição

1. Conceitos doutrinários

2. Seqüência do procedimento disciplinar 1) Comunicação disciplinar 2) Capa

3) Autuação 4) Contraditório e ampla defesa (manifestação preliminar) 5) Certeza da prática da transgressão disciplinar 6) Termo acusatório 7) Ciente do termo 8) Contraditório e ampla defesa (alegações finais) 9) Julgamento 10) Enquadramento disciplinar 11) Nota de culpa 12) Nota de solução e decisão administrativa 13) Notificação do punido da respectiva solução 14) Recurso de reconsideração de ato 15) Análise do recurso de reconsideração de ato 16) Recurso hierárquico 17) Análise do recurso hierárquico 18) Cumprimento da sanção disciplinar 19) Contagem do tempo 20) Representação 21) Análise da representação 22) Publicação dos atos administrativos

1) Revisão dos atos disciplinares 2) Conversão da punição 3) Recompensas

4. Cerceamento da liberdade – ilegalidade ou abuso de poder

5. Análise e julgamento de atos disciplinares pelo juízo militar – Emenda

Constitucional n.º 45/2004 II – Fundamentação (Lei n.º 13. 407/2003 – Código Disciplinar) III – Modelos

1. Modelo de capa e autuação

2. Modelo de ofício de comunicação disciplinar

3. Modelo de termo acusatório

4. Modelo de razões preliminares de defesa

5. Modelo de termo acusatório precedido de manifestação preliminar

6. Modelo de alegações finais de defesa

7. Modelo de decisão administrativa – enquadramento disciplinar – solução

8. Modelo de notificação do punido (nota de culpa)

9. Modelo de punição disciplinar (nota para boletim)

10. Modelo de procuração “AdJudicia”

11. Modelo de requerimento de pedido de reconsideração de ato

12. Modelo de despacho em requerimento de pedido de reconsideração de ato

13. Modelo de nota para boletim de despacho em reconsideração de ato

14. Modelo de requerimento de recurso hierárquico

15. Modelo de decisão em recurso hierárquico

16. Modelo de nota para boletim de despacho em pedido de recurso hierárquico

17. Modelo de nota para boletim de efeito suspensivo ao cumprimento de sanção

disciplinar tendo-se em vista a impetração de recurso reconsiderativo de ato ou

hierárquico

18. Modelo de representação

19. Modelo de decisão em representação

20. Modelo de pedido de revisão dos atos disciplinares

21. Modelo de despacho em pedido de revisão dos atos disciplinares

22. Modelo de pedido de conversão da permanência disciplinar

23. Modelo de recompensas militares estaduais (elogio, dispensa de serviço e

cancelamento de sanções

24. Modelo de mandado de segurança com pedido de liminar visando análise e

julgamento de ato disciplinar pelo juízo militar estadual

25.

Modelo de ação ordinária (inominada) visando análise e julgamento de ato

disciplinar pelo juízo militar estadual

CAPÍTULO XV RECOLHIMENTO TRANSITÓRIO

I – Considerações Preliminares

II – Conceito

III – Questionamentos

1. Requisitos para o recolhimento

2.

Controvérsias

IV

– Doutrina

V – Fundamentação

VI– Modelos

1. Modelo de capa de recolhimento transitório

2. Modelo de ordem de recolhimento transitório

3. Modelo de recolhimento transitório

4. Modelo de termo de garantias constitucionais

5. Modelo de nota de culpa

6. Modelo de ofício ao diretor do Instituto médico legal

7. Modelo de auto de exame de corpo de delito indireto realizado por autoridade

militar estadual

8. Modelo de ofício ao corregedor-geral ou juiz de direito e promotor de justiça do

juízo militar

9.

Modelo de ofício ao oficial-de-dia ou graduado a serviço

10.

Modelo

de

ofício ao comandante/chefe/diretor do recolhido ou autoridade

competente para imediata investigação e/ou instauração de procedimento disciplinar

11. Modelo de documento de liberação de PM/BM recolhido tendo-se em vista o

restabelecimento da situação de normalidade

12. Modelo de recurso em sede de recolhimento transitório

13. Modelo de decisão em sede de recurso de recolhimento transitório

14. Modelo de nota para boletim de liberação de PM/BM recolhido transitoriamente

CAPÍTULO XVI NORMATIZAÇÕES COMPLEMENTRES – FEDERAL E ESTADUAL (CEARÁ)

I – Constituição Federal de 1988

II – Constituição do Estado do Ceará de 1989

1.

Dos militares estaduais

2.

Da polícia militar

3.

Do corpo de bombeiros militar

III

– Estatuto dos Militares do Estado do Ceará (Lei n.º 13. 729/2006), Alterado

pela Lei n.º 13. 768/2006

IV – Portarias do Comando-Geral

1. Dos prazos para conclusão e prorrogação de procedimentos e processos no âmbito

da PMCE e de outras providências

2. Número de vias de autos de procedimentos administrativos

3. Regulamentação da reposição e do ressarcimento de produto extraviado, furtado,

roubado ou danificado, controlado pelo Exército Brasileiro, pertencente ao patrimônio

da PMCE

4. Normas regulamentares de apresentação pessoal

5. Licença para tratamento de saúde (LTS) – acompanhamento do comandante de

OPM

6. Portaria n.º 540/GC do secretário da segurança pública – proibição do uso de arma

de fogo

V – Leis, Decretos e Instrução Normativa Estaduais

1.

Leis

2.

Decretos e instrução normativa

VI

– Legislação Militar Federal (Exército Brasileiro)

1.

Leis

2.

Lei delegada

3.

Decretos-Lei

4.

Medidas provisórias

5.

Decretos

6.

Portarias

VII – Legislação dos Crimes, Contravenção e Responsabilidade Penal

1. Subsidiária

2. Relacionada

3. Complementar

VIII – 100 (Cem) Expressões e Terminologias Forenses Bastante Utilizadas nos Processos e Procedimentos – Do Latim para o Português em Ordem Alfabética

IX – Súmulas

2.

Superior Tribunal de Justiça (STJ)

3. Superior Tribunal Militar (STM)

REFERÊNCIAS

CAPÍTULO I

PRISÃO E AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE DE DELITO MILITAR

(PAPFDM)

É muito comum na labuta diária administrativo-operacional, o militar estadual se envolver em ocorrências que, em tese, se apresentam como crimes. No entanto, muitas vezes, permeiam dúvidas se o fato ali apresentado é crime de natureza militar ou comum, qual a autoridade competente para a realização do flagrante, de quem é a competência para o julgamento, quais as providências a serem adotadas, dentre outras situações, que no fervor do delito ou durante a sua investigação, geram dúvidas e podem causar sérios danos à apuração pela Administração e aos próprios militares estaduais envolvidos. Para tanto, importante realizarmos considerações a respeito da problemática como fito de dirimir essas dúvidas.

I – CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Não poderíamos iniciar este tema, sem antes frisarmos o que intitula a Carta Política vigente (Constituição da República Federativa do Brasil), promulgada em 5 de outubro de 1988, mais precisamente no artigo 5º, inciso LXI: “Ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei”. A lei maior elenca simplesmente duas formas de se tirar à liberdade da pessoa. A primeira é no caso de estar o indivíduo em estado de flagrância, ou seja, enquadrado nas proposituras dos artigos 244 do CPPM (Código de Processo Penal Militar) ou 302 do CPP (Código de Processo Penal). A segunda, nos casos de decretação de uma das espécies de prisão provisória (gênero), que podem ser: prisão preventiva, prisão temporária, prisão decorrente de sentença condenatória recorrível e prisão decorrente de sentença de pronúncia (espécies). Ressalte-se que a própria prisão em flagrante delito (única que não precisa de ordem de autoridade judiciária competente para se efetivar) configura uma espécie do gênero das prisões provisórias, esta, constituindo coerção processual e prolatada antes da condenação definitiva. Ao final o legislador constituinte faz duas exceções à regra, justamente quando trata da disciplina militar e dos crimes propriamente militares, que faremos comentários específicos mais adiante.

1

Inicialmente, trataremos apenas da prisão em flagrante referente ao delito militar, que está definido no Decreto-Lei nº 1.002, de 21 de outubro de 1969 – Código de Processo Penal Militar (CPPM). Frize-se, que quanto ao fundamento jurídico e a natureza jurídica da prisão em flagrante, devido à correspondência, pouco difere o flagrante delito de crime militar e o flagrante delito de crime comum, porém, alguns detalhes imprescindíveis devem ser delineados e esclarecidos, no intuito de se evitar confusões processuais na feitura do procedimento. Não obstante, as regras processuais da prisão e do auto de prisão em flagrante de delito militar serão as mesmas da prisão e do auto de prisão em flagrante de delito comum, no que lhe for aplicável.

II – ATIVIDADE DE POLÍCIA JUDICIÁRIA MILITAR

A atividade de polícia judiciária militar tem por condão a investigação de

crimes militares, tendo-se por base a Carta Maior da República, o Código Penal Militar e o Código de Processo Penal Militar. Segundo a Carta Política de 1988, em seu artigo 144, § 4.º, a competência para apuração de crimes é da Polícia Civil, exceto a competência de apurar as infrações penais militares.

A competência para o exercício da atividade de polícia judiciária militar está

descrita nos artigos 7.º e 8.º do Código de Processo Penal Militar. Para COSTA (2007,

p. 30), tratando do assunto:

O Código de Processo Penal Militar apresenta, em seu conteúdo, quatro procedimentos a serem elaborados quando do conhecimento de uma 'notitia criminis' pela autoridade de polícia judiciária militar, que são: 1) Auto de Prisão em Flagrante Delito; 2) Inquérito Policial Militar; 3) Termo de Deserção; 4) Termo de Insubmissão. 2

Cada um dos procedimentos acima referidos tem rito próprio e será instaurado obrigatoriamente de conformidade com a notícia do delito. A lei processual dirá como fazer. Inicialmente, estudaremos a Prisão e o Auto de Prisão em Flagrante de Delito Militar, para empós, dissecarmos nos capítulos seguintes sobre o Inquérito Policial Militar, o Termo de Deserção e o Termo de Insubmissão.

III – MODALIDADES DE FLAGRANTE

Vejamos o que prescreve o artigo 244 do Código de Processo Penal Militar:

Art. 244. Considera-se em flagrante delito aquele que:

a) está cometendo o crime;

b) acaba de cometê-lo;

c) é perseguido logo após o fato delituoso em situação que o faça acreditar ser ele o autor;

d) é encontrado, logo depois, com instrumentos, objetos,

material ou papéis que façam presumir a sua participação no fato delituoso. Parágrafo único. Nas infrações permanentes, considera-se o agente em flagrante delito enquanto não cessar a permanência.

Lecionam os autores que flagrante vem do latim “flagrans”, que quer dizer ardente, queimante, ou seja, a ardência, o fervor do delito, do crime. Hélio Tornaghi (1992, p. 48), faz a seguinte definição de prisão em flagrante: “Prender em flagrante é capturar alguém no momento em que comete o crime. O que é flagrante é o delito. A flagrância é uma qualidade da infração: o sujeito

preso ao perpetrar o crime.” Sendo assim, no que tange ao artigo 244 do Código de Processo Penal Militar, podemos dizer que são três os tipos de flagrantes:

1) Flagrante próprio - está cometendo o crime ou acaba de cometê-lo - alienas “a e b”, apresenta-se à situação de flagrância própria ou propriamente dita, ou seja, o agente é surpreendido no momento em que está cometendo o crime ou acaba de cometê-lo, situações fáticas em que podemos afirmar que aquele agente é de fato

o autor do crime; 2) Flagrante Impróprio ou quase-flagrante - é perseguido logo após o fato delituoso em situação que o faça acreditar ser ele o autor - alínea “c”, perpetua-se à situação de flagrância imprópria ou quase-flagrância, dá-se pelo simples fato de se acreditar que aquele agente é o autor do delito; 3) Flagrante presumido ou ficto - é encontrado, logo depois, com instrumentos, objetos, material ou papéis que façam presumir a sua participação no fato delituoso - alínea “d”, ocorre à flagrância presumida ou ficta, ou seja, todas as circunstâncias conduzem a uma presunção de que o agente é o autor do delito. Finalmente, no parágrafo único, trata dos crimes permanentes, ou seja, aqueles que se prolongam no tempo ou enquanto dura a modalidade criminosa (Ex:

crime de deserção).

é

3

Na doutrina vigente e dominante, podemos encontrar vários fundamentos para a prisão em flagrante, sendo que, os mais aceitos são:

a) a necessidade de satisfazer o anseio da justiça da opinião

pública, diminuindo a comoção social, e, por conseguinte,

mantendo a ordem social, fazendo com que a credibilidade do Estado, através de suas autoridades constituídas se mantenha;

b) como função acautelatória da prova, pois com a prisão em

flagrante, faz prova da autoria e da materialidade do delito

(justa causa). 4

IV – PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS APLICÁCEIS

A Constituição Federal (CF) de 1988 elencou no artigo 5º uma série de princípios e procedimentos indispensáveis ao fiel cumprimento do ato de prender, assegurando vários direitos individuais aos presos, quais sejam:

( )

II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;

III - ninguém será submetido à tortura nem a tratamento

desumano ou degradante;

XI - a casa é asilo inviolável do individuo, ninguém nela

podendo penetrar sem o consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial; XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena

sem prévia cominação legal;

XLIII - A lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de

graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como

crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitiram;

XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de

grupos armados, civis ou militares, contra a ordem

constitucional e o Estado Democrático;

XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física

e moral;

LIII

- ninguém será processado nem sentenciado senão pela

autoridade competente;

LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem

o devido processo legal;

LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por

meios ilícitos;

LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em

julgado de sentença penal condenatória;

LVIII - o civilmente identificado não será submetido à identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei;

LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre

serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à

família do preso ou à pessoa por ele indicada;

LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais

o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada à assistência

da família e de advogado; LVIV - o preso tem o direito à identificação dos responsáveis

por sua prisão ou por seu interrogatório policial; LV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária;

LVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a

lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança. 5

Mais dois pontos ainda se vislumbram como importantes:

a) comunicar a prisão ao Promotor de Justiça competente com a indicação do lugar onde se encontra o preso e cópia dos documentos comprobatórios da legalidade da prisão, tudo com fulcro no artigo 3.º da Lei Complementar Estadual n.º 9, de 23 de julho de 1998, que instituiu o controle externo da atividade policial pelo Ministério Público; b) Ressalte-se, finalmente, que a Lei n.º 11. 113, de 13 de maio de 2005, que modificou o artigo 304 do Código de Processo Penal não atingiu o artigo 245 do Código de

Processo Penal Militar. Tal dispositivo legal referiu-se apenas a atividade de policia judiciária comum (Polícias Federal e Civil) quando da prisão em flagrante de delito comum, relativa

à demora de lavratura do respectivo auto. Tal assunto será

tratado no capítulo seguinte e interessa bastante aos militares estaduais.

Vejamos que o legislador constituinte é bastante intransigente no tocante a preservação e proteção dos valores morais do indivíduo, principalmente, partindo-se da premissa maior de que o dogma é a liberdade. Qualquer ofensa a esses princípios constitui ato abusivo, que poderá vislumbrar e resultar sanções administrativa, cível e penal ao agente causador.

V

SUJEITOS

COMPETÊNCIAS

DE

FLAGRANTE

DE

DELITO

MILITAR

E

Para ser preso em flagrante por cometimento de delito militar é necessário que o agente cometa crime tipificado na lei nº 1.001, de 21 de outubro de 1969 - Código Penal Militar (CPM). Para tanto, necessário conhecermos os sujeitos ativos e passivos dessa nomenclatura.

1. Sujeito ativo O art. 243 do Código de Processo Penal Militar dispõe que: “Qualquer pessoa poderá e os militares deverão prender quem for insubmisso ou desertor, ou seja, encontrado em flagrante delito”. Aqui se explicita a obrigatoriedade para os militares prenderem em flagrante delito, tanto o civil como o militar, facultando essa possibilidade a qualquer pessoa.

Na nossa ótica, exceção à regra ocorre diante das autoridades elencadas nos artigo 127 e 144 da Constituição Federal de 1988, pois tanto o juiz, como o Promotor de Justiça, além daquelas autoridades responsáveis pela Segurança Pública, mesmo sendo pessoas do povo (civis), diante das competências constitucionais próprias de cada autoridade, tem a obrigação (dever) de prender qualquer pessoa que tenha cometido crime militar e esteja em estado de flagrância.

2. Sujeito passivo A doutrina tem conceituado crime militar como: “a violação do dever militar ou da integridade das organizações militares, conforme previsão e definição da legislação penal militar, independentemente da qualidade civil ou militar de seu agente”.

Já Plácido e Silva define como (1996, p. 587): “Todo o delito ou infração prevista e punida pela lei penal militar”. 6

Importante o elenco de incisos do artigo 9º do Código Penal Militar, para entendermos o que são sujeitos passivos:

Art. 9.º Consideram-se crimes militares em tempo de paz:

I - os crimes de que trata este Código, quando definidos de modo diverso na lei penal comum, ou nela não previstos, qualquer que seja o agente, salvo disposição especial;

II - os crimes previstos neste Código, embora também o sejam com igual definição na lei comum, quando praticados:

a) por militar em situação de atividade ou assemelhado, contra

militar na mesma situação ou assemelhado;

b) por militar em situação de atividade ou assemelhado, em

lugar sujeito à administração militar, contra militar da reserva, ou reformado, ou assemelhado, ou civil;

c) por militar em serviço ou atuando em razão da função, em

comissão de natureza militar, ou em formatura, ainda que fora

do lugar sujeito à administração militar contra militar da reserva, ou reformado ou civil;

d) por militar, durante o período de manobras ou exercício,

contra militar da reserva, ou reformado, ou assemelhado, ou civil;

e) por militar em situação de atividade, ou assemelhado,

contra o patrimônio sob a administração militar, ou a ordem administrativa militar;

f) REVOGADO;

III – os crimes praticados por militar da reserva, ou reformados, ou por civil, contra as instituições militares, considerando como tais não só os compreendidos no inciso I, como os do inciso II, nos seguintes casos:

a) contra o patrimônio sob a administração militar, ou contra a

ordem administrativa militar;

b) em lugar sujeito à administração militar contra militar em

situação de atividade ou assemelhado, ou contra funcionário de Ministério Militar, no exercício da função inerente ao cargo;

c) contra militar em formatura, ou durante o período de

prontidão, vigilância, observação, exploração, exercício, acampamento, acantonamento ou manobra;

d)

ainda fora do lugar sujeito à administração militar, contra

militar em função de natureza militar, ou no desempenho de serviço de vigilância, garantia e preservação da ordem pública,

administrativa ou judiciária, quando legalmente requisitado para aquele fim, ou a obediência à determinação legal superior. Parágrafo único. Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a vida e praticados contra civil, serão de competência da Justiça Comum (Acrescentado pela Lei n.º 9.299, de 7/8/1996). 7

Segundo ensina LOUREIRO NETO (2000, p. 41-42), em seu estudo de

Direito Penal Militar, militar pratica crime militar nas seguintes situações:

a) por militar em serviço de qualquer natureza;

b) por militar de folga, mas em situação de atividade, ou seja,

no serviço ativo.

( ) Militar inativo ou civil pratica crime militar:

a) contra militar em serviço;

b) contra militar em situação de atividade em lugar sujeito a

administração militar ou contra funcionário de Ministério ou da

Justiça Militar, no exercício de função inerente a seu cargo;

c) contra o patrimônio sob a administração militar ou contra a

ordem administrativa militar. 8

Devemos conceituar algumas terminologias do Direito Militar para facilitar o entendimento. Conforme LOUREIRO NETO (2000, p. 36):

1) Militar em situação de atividade

pleno exercício de suas funções; 2) Militar da reserva – é aquele que deixa o serviço ativo;

3)

desligado do serviço ativo;

4)

serviço ativo. 9

– é o militar da ativa, no

Militar

reformado

é

aquele

que

foi

definitivamente

Situação de inatividade – militar sujeito à reversão ao

Segundo o magistério de LOBÃO (2004, p. 106), citando Pontes de Miranda, assemelhado :

É quem se assemelha, se aproxima, quem, na forma da legislação imperial e no início da República, não sendo combatente, não usando farda, nem tendo posto ou graduação gozava de direitos, vantagens e prerrogativas de militar. Como ensina Pontes de Miranda, a natureza das funções não importa – o que importa é a subordinação, a disciplina. 10

3. Crimes militares Desta forma, podemos explicitar que os crimes militares se dividem em:

1) Próprios - São aqueles que somente estão previstos no Código Penal Militar, mais precisamente no inciso I do artigo 9º.

Segundo Jorge César de Assis (Revista Direito Militar: 2001):

“ crime militar próprio é aquele que só está previsto no

Código Penal Militar e só pode ser praticado por militar, exceção feita ao de INSUBMISSÃO, que apesar de só estar previsto no Código Penal Militar (artigo 183), só pode ser cometido por civil.” 11

2) Impróprios – São aqueles que existem previsão tanto na legislação penal militar, no inciso II do artigo 9º, como na legislação penal comum. As situações expostas no inciso III do art. 9º do Código Penal Militar enfocam que o civil, o militar da reserva e o militar reformado só cometerão crimes militares próprios ou impróprios, se enquadrados naqueles casos.

HIDEJALMA MUCCIO (2000, p. 157), em seu curso de processo penal

enfoca que:

São chamados crimes propriamente militares, os que não guardam nenhuma equivalência com aqueles tipificados no Código Penal Comum. É dessa natureza o crime contra a segurança externa do país, contra a autoridade militar e o dever militar, contra a administração militar e contra o serviço militar. Exemplo: a Deserção. Os crimes impropriamente militares são os que apresentam muita similitude com aqueles previstos no Código Penal comum. Em suma, são os crimes definidos no Código Penal Comum e no Código Penal Militar, e isso ocorre de forma mais

acentuada no tocante aos crimes contra a pessoa, a liberdade,

a honra e o patrimônio. 12

4. Competência da justiça militar federal e estadual

A Justiça Militar é uma justiça especial. Não se trata de foro excepcional,

mas especial. Assim, há um Código Penal Militar, que define os crimes militares e um Código de Processo Penal Militar que se aplica na composição das lides de natureza

penal militar. 13 Um, o primeiro, diz o que fazer. Outro, o segundo, como fazer.

O Código Penal Militar define os crimes de competência da Justiça Militar.

O Código de Processo Penal Militar estabelece as normas processuais para o julgamento dos crimes militares. Está também em vigência a Lei de Organização Judiciária Militar (LOJM),

instituída pelo Decreto-lei nº 1.003, de 21 de outubro de 1969, que traz, também, farta matéria de direito processual penal militar.

O artigo 122 da Constituição Federal explicita como é composta a Justiça

Militar Federal: I - Superior Tribunal Militar e II - Tribunais e Juízes Militares instituídos

por lei.

A Justiça Militar Estadual tem sua definição no artigo 124 da mesma Carta Política aludindo que:

Art. 124. À Justiça Militar compete processar e julgar os crimes militares definidos em lei. Parágrafo único. A lei disporá sobre a organização, o funcionamento e a competência da Justiça Militar.

O artigo 125, § 4º da CF, informa que:

Art. 125 ( ) § 4.º Compete à Justiça Militar estadual processar e julgar os policiais militares e bombeiros militares nos crimes militares, definidos em lei, cabendo ao tribunal competente decidir sobre

a perda do posto e da patente dos oficiais e da graduação das praças. 14

MIRABETE (2003, p. 170), em seu estudo de Processo Penal enfatiza que:

Compete à Justiça Militar processar e julgar os crimes militares definidos em lei (art. 124). Os crimes militares estão definidos no Código Penal Militar (Decreto-Lei nº 1.001, de 21-10-69). Foram excluídos da competência da Justiça Militar os crimes definidos na Lei de Segurança Nacional (Lei nº 7.170, de 14-

12-83). Com a nova redação que foi dada ao art. 9º, do CPM pela lei nº 9.299, de 7-8-96, os crimes militares dolosos contra a vida cometidos contra civil também passaram a ser da competência da justiça comum. 15

4.1 Jurisprudências Para entendermos todo esse ordenamento jurídico em matéria de competência para processamento e julgamento de delitos, apresentamos a seguinte regra majoritária na doutrina e na jurisprudência atual:

1) tratando-se de crime militar da competência da Justiça Federal, poderá o civil, também, ser por ela processado. Em se tratando de Justiça Militar estadual, é diferente. Ela processa e julga, apenas, os militares estaduais nos crimes militares; 2) a Justiça Militar estadual, em nenhuma hipótese, pode processar e julgar civis. É o que está estabelecido no artigo 125, § 4º da Constituição Federal de 1988; 3) de acordo com a lei n.º 9.299, de 7 de agosto de 1996, crime militar praticado por militar, ainda que não em serviço, mas utilizando armamento de propriedade militar, a competência para processar e julgar este crime é da Justiça Comum;

4) militar que mesmo estando em atividade, pratica crime doloso contra a vida (Homicídio doloso - art. 205 do CPM; instigação, indução ou auxílio ao suicídio – art. 207 do CPM; Genocídio – art. 208 do CPM) contra civil, será julgado pela Justiça Comum. Aqui se deve observar que a competência para a investigação continua sendo da Polícia Judiciária Militar, eis que a Lei Federal nº 9.299/96, somente deslocou a competência para a Justiça Comum, para o processo e julgamento. Daí entendermos, que os crimes continuam sendo militares, apuráveis de acordo com o estabelecido na legislação processual penal militar vigente; 5) compete a Justiça Militar processar e julgar policial militar de corporação estadual, ainda que o delito tenha sido praticado em outra unidade federativa (súmula 78 do STJ); 6) se um militar estadual cometer um crime militar e um comum, a separação dos processos é de rigor, em face da incompetência absoluta da Justiça Militar Estadual de julgar outros crimes que não os militares e para julgar outras pessoas que não os integrantes das corporações militares estaduais. Em se tratando da Justiça Militar Federal, nada impede que possa julgar um civil; 7) os militares estaduais (oficiais e praças) no exercício de função policial civil não são considerados militares para efeitos penais, ou seja, na hipótese de um

16

militar exercer as funções de um policial civil e venha a cometer crime, será julgado perante a Justiça Comum (Sumula nº 297 do STF). 17

4.2 Dos tribunais militares

De acordo com o § 3º do artigo 125 da Constituição Federal de 1988:

A lei estadual poderá criar, mediante proposta do Tribunal de Justiça, a Justiça Militar estadual, constituída, em primeiro grau, pelos Conselhos de Justiça, em segundo, pelo próprio Tribunal de Justiça, ou por Tribunal de Justiça Militar nos Estados em que o efetivo da Polícia Militar seja superior a vinte mil integrantes. 18

No Estado do Ceará, se contar os efetivos da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar (ativo e inativo) já dispomos de um efetivo superior a vinte mil integrantes. No entanto, os processos ainda são julgados em primeira instância no Juízo Militar Estadual, com recurso em nível de segundo grau para o próprio Tribunal de Justiça estadual, e não para um Tribunal Militar estadual (Especial), que ainda não foi criado.

Desse modo, existem Estados da Federação em que o órgão de 2º grau da Justiça Militar estadual é o próprio Tribunal de Justiça, enquanto outros, um Tribunal Especial, como é o caso dos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul. A Lei n.º 8.457, de 4 de setembro de 1992, que organiza a Justiça Militar da União e regula o funcionamento de seus serviços auxiliares, estabelece que os Conselhos de Justiça (Especial e Permanente) são órgãos dessa justiça.

19

4.3 A reforma do judiciário

É de grande importância frisar que a Emenda Constitucional n.º 45 (Reforma do Judiciário) 20 passou a denominar a Auditoria Militar de Juízo Militar e o

Juiz Auditor de Juiz de Direito do Juízo Militar. A Lei n.º 12. 342, de 28 de julho de 1994 (Código de Divisão e Organização Judiciária do Estado do Ceará) estabelecia também as anteriores denominações.

1) Formação dos conselhos O Conselho Especial de Justiça é formado pelo Juiz de Direito do Juízo Militar, que agora é o presidente do Conselho, e por mais 3 (três) oficiais de posto superior ao do acusado, todos sorteados entre os oficiais aptos em serviço, destinado a processar e julgar oficiais acusados de crimes militares.

Já no que tange ao Conselho Permanente de Justiça, é formado pelo Juiz de Direito do Juízo Militar, por 1 (um) oficial superior e por mais 3 (três) oficiais do posto de capitão ou tenente, visando julgar as praças acusadas de crimes militares. Ainda, o Juiz de Direito do Juízo Militar, no âmbito da Justiça Militar Estadual, é competente para julgar os crimes militares, monocraticamente, cometidos contra civis, dispensando a participação dos conselhos de Justiça Especial ou Permanente, ressalvada a competência do Júri, nos crimes dolosos contra a vida, e de forma colegiada, os demais crimes militares. 21

2) Atos disciplinares À justiça militar estadual, agora, em face das mudanças constitucionais, tem o poder de processar e julgar as ações judiciais contra atos disciplinares militares. O militar estadual após ter sido submetido a rigoroso procedimento disciplinar e, em sendo provado a sua culpa ou o seu dolo, poderá recorrer da decisão administrativa levando-a ao crivo do Poder Judiciário Militar. Tal alteração está introduzida pela Emenda Constitucional n.º 45/2004 no § 4.º do artigo 125, da Constituição Federal de 1988: “A competência para processar e julgar os atos disciplinares militares e, ainda, os crimes militares, excetuados os de competência do júri, quando a vítima for civil”. 22

VI – FORMALIDADES NA ELABORAÇÃO E FEITURA DO AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE DE DELITO MILITAR

1. Competência para a lavratura

O artigo 245 do Código de Processo Penal Militar elenca claramente quem são as autoridades competentes para a lavratura do auto: 1) Comandante, que se estende pelo próprio conceito ao chefe ou diretor; 2) Oficial de dia, de serviço ou de quarto, ou autoridade correspondente; ou 3) Autoridade judiciária. Para a doutrina de SARAIVA (1999, p. 73-74):

23

Se a prisão for efetuada no interior da Organização Militar não há nenhuma dúvida de que o comandante da referida unidade é a autoridade responsável pela confecção do Auto de Prisão em Flagrante. 24

No entanto, quando a prisão for efetuada em lugar não sujeito à administração militar, o preso deverá ser apresentado ao comandante militar mais próximo ou à autoridade civil, por inteligência do artigo 250 do Código de Processo Penal Militar. Porém, nesse último caso, quanto a autoridade civil, o militar detém a

prerrogativa de ser mantido na delegacia somente durante o tempo necessário para a lavratura do auto, cabendo aquela autoridade providenciar imediata remoção do autuado ao Comando de Unidade Militar mais próximo. Ressalte-se que o oficial-de-dia, de serviço ou de quarto, ou correspondente, são também autoridades para a lavratura do Auto de Prisão em Flagrante de Delito Militar. A continuação do artigo 245 anteriormente citado, trata da chamada delegação de exercício de poder de polícia realizado diretamente pela lei, uma vez que o oficial-de-dia é o representante do comandante da unidade. Um detalhe importante e que a própria jurisprudência castrense tem aceitado, é que o conceito de autoridade competente a presidir o Auto de Prisão em Flagrante de Delito Militar é ampliativo, alcançando qualquer oficial que tenha função na unidade da lavratura. Segundo ensina LIMA (Revista de Direito Militar: 1998):

25

Quanto à autoridade que pode e deve presidir o Auto de Prisão em Flagrante, consoante dispõe o artigo 245 do CPPM, não há dúvida que o oficial de serviço ou tenente tem essa atribuição legal, todavia mister se faz a verificação de seus atos pela autoridade de Polícia Judiciária Militar originária. É o que se deflui da regra do artigo 7º e seus parágrafos. 26

Por fim, a autoridade judiciária referida no final do artigo 245 é o Juiz de Direito do Juízo Militar. Porém, não é muito comum tal autoridade proceder ao referido auto, ficando reservada tal incumbência na prisão em flagrante no caso estipulado no artigo 249 do Código de Processo Penal Militar, quando o delito é praticado na sua presença.

Um dos detalhes que deve ser bem observado quanto à lavratura do auto de prisão em flagrante é que obrigatoriamente o encarregado deverá ser mais antigo do que o autuado, em obediência aos princípios constitucionais da hierarquia e da disciplina.

2. Designação do escrivão O Artigo 245, em seu § 4º do Código de Processo Penal Militar, exige que quando o preso for oficial o escrivão a ser designado deve ser também oficial, mesmo que seja de posto hierarquicamente inferior. No caso das praças essa obrigatoriedade é mitigada.

Visando a celeridade do procedimento, o legislador permitiu no § 5º do supradito artigo, que a autoridade responsável pelo auto, na falta ou impedimento do

escrivão ou das pessoas adredemente referidas, poderá designar qualquer pessoa idônea, que prestará compromisso legal.

3. Inquirição do condutor, das testemunhas e do infrator

De conformidade com o artigo 245 do Código de Processo Penal Militar

(CPPM) será obrigatoriamente obedecida esta ordem:

3.1. Condutor , que poderá ser a autoridade ou qualquer pessoa do povo que deu a voz de prisão e o conduziu até a autoridade competente para a lavratura;

3.2. As testemunhas , que para efeito do auto não são

indispensáveis. Porém, na falta delas, deverão presenciar e

assinarem o feito, pelo menos, duas testemunhas, que são denominadas testemunhas instrumentárias;

3.3. O infrator ou conduzido, ocasião em que serão

respeitados todos os seus direitos constitucionais já elencados neste trabalho. 27

Já se tem entendimento doutrinário de que o condutor é a pessoa que apresenta o preso à autoridade, não sendo necessário que tenha participado da prisão do infrator ou sido testemunha da prática do delito. Por conseguinte, a falta de testemunha não impedirá o auto de prisão em flagrante, que será assinado por duas pessoas idôneas e capazes, pelo menos, que hajam testemunhado a apresentação do preso à autoridade competente (§ 2.º do artigo 245 do Código de Processo Penal Militar).

4. Recolhimento à prisão

Depois da oitiva do condutor, testemunha e infrator, o encarregado mandará recolher o preso à prisão, providenciando a coleta de todo o material (materialidade) para fins de prova. Conforme o artigo 242 do Código de Processo Penal Militar, aos oficiais militares estaduais são conferidas a prerrogativa de prisão especial ou recolhidos a

quartel, à disposição da autoridade competente, antes de condenação irrecorrível, na seguinte forma, observadas as alterações da Lei n.º 10. 258, de 11 de julho de 2001, que alteraram o artigo 295 do Código de Processo Penal, mas extensivas às demais leis:

Art. 242. Serão recolhidos a quartel ou a prisão especial, à disposição da autoridade competente, quando sujeitos a prisão, antes de condenação irrecorrível:

) (

f) os oficiais das Forças Armadas, das Policiais Militares e dos Corpos de Bombeiros Militares, inclusive os da reserva, remunerada ou não, e os reformados;

) (

Parágrafo único. A prisão de praças especiais e de graduados atenderá aos respectivos graus de hierarquia. 28

Conforme prescreve o artigo 246 do Código de Processo Penal Militar, poderá, ainda, se for o caso, determinar o presidente do flagrante que seja providenciado o auto de exame de corpo de delito, à busca e apreensão de instrumento do crime e qualquer outra diligência necessária ao seu real esclarecimento. De imediato, tendo por base o artigo 345 do Código de Processo Penal Militar, o encarregado deverá formular, em três vias, os quesitos necessários à perícia dos objetos e instrumentos apreendidos, requisitando-os, com base no artigo 321 do supradito diploma legal, aos órgãos encarregados de proceder a exames, destinando as segunda e terceira vias para juntada nos documentos regulamentares do procedimento. Se ao contrário da hipótese prevista no artigo 246 do Código de Processo Penal Militar, a autoridade judiciária verificar a inexistência de infração penal militar ou a não participação da pessoa conduzida, relaxará a prisão. Em se tratando de infração penal comum, remeterá o preso à autoridade civil competente (inteligência do § 2º do artigo 247 do Código de Processo Penal Militar). Poderá também ser lavrado um Auto de Resistência, na conformidade do artigo 234 do Código de Processo Penal Militar. No ensinamento de Assis (2004, p. 105): “Tal procedimento é realizado pelo executor de uma prisão, quando se depara com resistência e necessita empregar força física para vencê-la”. 29

5. Nota de culpa Muitos dos militares fazem uma verdadeira confusão no que concerne à nota de culpa. Entendem alguns militares estaduais que se um infrator da lei penal que esteja em estado de flagrância não for preso ou capturado em 24 horas, estará livre do flagrante.

Na verdade, às 24 horas proferidas na lei são aquelas estabelecidas no “caput” do artigo 247 do Código de Processo Penal Militar, ocasião em que, dentro de 24 horas após a prisão, será dado ao preso nota de culpa assinada pela autoridade, com motivo da prisão, nome do condutor, das testemunhas e pelo ofendido. Da nota de culpa o preso passará recibo (§ 1.º do artigo 247 do Código de Processo Penal Militar) que será assinado por duas testemunhas. Caso não possa ou não queira assinar, o encarregado deverá colher a assinatura das testemunhas que comprovem o fato. Ressalte-se que a não apresentação da nota de culpa ao preso, segundo a doutrina dominante, não gera nulidade do feito, sendo considerada apenas uma irregularidade que poderá ser sanada. No entanto, poderá suscitar o relaxamento do flagrante. No que tange ao flagrante, enquanto a autoridade ou qualquer pessoa do povo estiver perseguindo o infrator, estiver no seu encalço ininterruptamente, mesmo que passem dias, meses ou anos, o estado de flagrância será mantido. Outro detalhe é o prazo para a lavratura do auto de prisão em flagrante. A doutrina dominante estabeleceu um prazo de 24 horas para a lavratura do flagrante estando o agente preso, ou seja, a confecção dos atos administrativos que materializam o feito.

A lei não fixa prazo para a lavratura do auto de prisão em flagrante. Todavia, o seu caráter de urgência, aliados aos entraves de cunho administrativo, levou os tribunais a optar por um prazo limite de 24 horas, tempo em que será fornecida ao indiciado a nota de culpa (TAMG – RT 683/347). 30

6. Se houver envolvimento de menor O artigo 50 do Código de Processo Penal Militar foi revogado pelo artigo 288 da Constituição Federal de 1988: “Art. 288. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeito as normas da legislação especial”. A legislação especial é o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Lei n.º 8.069/1990, publicada em 13 de junho de 1990. Quando uma criança (até 12 anos de idade incompletos) cometer um ato infracional será submetido a uma medida protetiva prevista no artigo 101 do ECA. Quando o ato infracional for praticado por adolescente (aquele entre 12 e 18 anos de idade), ser-lhe-á aplicada as medidas sócio-educaticas previstas no artigo 112 do ECA. Ressalte-se que a criança em hipótese alguma poderá ser conduzida para o Quartel ou Delegacia de Polícia, devendo-se acionar o Conselho Tutelar para as providências legais. Quando ao adolescente apreendido, deverá o mesmo ser

31

encaminhado a delegacia de polícia especializada, ou, se no município não tiver, a qualquer delegacia de polícia, para ser lavrado o flagrante de ato infracional. Ademais, conforme preceitua o § 1º do artigo 245 do Código de Processo Penal Militar, “em se tratando de menor inimputável, será apresentado, imediatamente, ao juiz de menores”. Por fim, para a realização de flagrante delito de maior de 18 e menor de 21 anos, deve ser nomeado curador especial.

7. Preparação do relatório e remessa à autoridade competente

O relatório é a materialização dos fatos formatado por uma narração escrita, acerca dos fatos apresentados à autoridade judiciária, com a discriminação de todos os seus aspectos ou elementos. Portanto, é uma exata relação do feito, em que o Juiz de Direito do Juízo Militar irá se basear para posterior pronunciamento e decisão.

No Código de Processo Penal Militar o relatório não está previsto legalmente. No entanto, pela premissa do direito costumeiro, é de boa aceitação a sua confecção para primado da organização e lisura do feito. O auto de prisão em flagrante de delito militar será encaminhado imediatamente ao Juiz de Direito do Juízo Militar, se não houver sido lavrado por autoridade judiciária, e, no máximo, dentro de cinco dias, se depender de diligência prevista no artigo 246 do Código de Processo Penal Militar, tudo, conforme preceitua o “caput” do artigo 251 do mesmo dispositivo legal. Desde então, o preso passará imediatamente à disposição da autoridade judiciária competente para conhecer do procedimento (parágrafo único do artigo 251 do Código de Processo Penal Militar). Observe-se que o auto poderá ser mandado ou devolvido à autoridade militar pelo Juiz de Direito do Juízo Militar ou a requerimento do Ministério Público, se novas diligências forem necessárias ao fiel esclarecimento do fato (artigo 252 do Código de Processo Penal Militar).

8. Liberdade provisória

O juiz

autos de prisão em

flagrante de delito militar, procederá de acordo com o artigo 253 do Código de

Processo Penal Militar:

de Direito do Juízo Militar, ao receber os

Art. 253. Quando o juiz verificar pelo auto de prisão em flagrante que o agente praticou o fato nas condições dos artigos 35, 38, observado o disposto no artigo 40, e dos artigos 39 e 42, do Código Penal Militar, poderá conceder ao

indiciado liberdade provisória, mediante termo de comparecimento a todos os atos do processo, sob pena de revogar a concessão. Grifo nosso. 32

Assim, de acordo com o Código Penal Militar (Parte Geral) e especialmente em relação ao tópico retro citado:

Erro de Direito

Art. 35. A pena pode ser atenuada ou substituída por outra menos grave quando o agente, salvo em se tratando de crime que atente contra o dever militar, supõe lícito o fato, por ignorância ou erro de interpretação da lei, se escusáveis.

Coação Irresistível e Obediência Hierárquica

Art. 38. Não é culpado quem comete crime:

a) sob coação irresistível ou que lhe suprima a faculdade de agir segundo a própria vontade; b) em estrita obediência hierárquica a ordem direta de superior hierárquico em matéria de serviço.

Estado de Necessidade como Excludente de Culpabilidade

Art. 39. Não é igualmente culpado quem, para proteger direito próprio ou de pessoa a quem está ligado por estritas relações de parentesco ou afeição, contra o perigo certo e atual, que não provocou, nem podia de outro modo evitar, sacrifica direito alheio, ainda quando superior ao direito protegido, desde que não lhe era razoavelmente exigível conduta diversa.

Coação Física ou Material

Art. 40. Nos crimes em que há violação de dever militar, o agente não pode invocar irresistível senão quando física ou material.

Exclusão de Crime

Art. 42. Não há crime quando o agente pratica o fato:

I – em estado de necessidade; II – em legítima defesa; III – em estrito cumprimento do dever legal;

IV – em exercício regular do direito. Parágrafo único. Não há igualmente crime quando o comandante de navio, aeronave ou praça de guerra, na iminência de perigo ou grave calamidade, compele os subalternos, por meios violentos, a executar serviços e manobras urgentes, para salvar a unidade ou vidas, ou evitar o desânimo, o terror, a desordem, a rendição, a revolta ou o saque. 33

O artigo 270 do Código de Processo Penal Militar elenca outras situações de concessão ou suspensão da liberdade provisória:

Art. 270. O indiciado ou acusado livrar-se-á solto no caso de infração a que não for cominada pena privativa de liberdade. Parágrafo único. Poderá livrar-se solto:

a) no caso de infração culposa, salvo se compreendida entre as previstas no Livro I, Título I, da Parte especial, do Código Penal Militar; b) no caso de infração punida com pena de detenção não superior a dois anos, salvo as previstas nos artigos 157, 160, 161, 162, 163, 164, 166, 173, 176, 178, 187, 192, 235, 299 e 302, do Código Penal Militar. Art. 271. A superveniência de qualquer dos motivos referidos no artigo 255 poderá determinar a suspensão da liberdade provisória, por despacho da autoridade que a concedeu, de ofício ou a requerimento do Ministério Público. 34

9. Apresentação espontânea do militar estadual Vislumbrando o artigo 243 do Código de Processo Penal Militar, percebemos que a prisão em flagrante delito somente deve ser imposta àquele “que seja encontrado em flagrante delito”. O militar a serviço que, cometendo determinado crime, toma a iniciativa de socorrer a vítima e acionar o comandante ou supervisor de policiamento da capital ou superior de serviço, para certificar a sua ação policial que resultou no cometimento do crime, implicando na sua apresentação espontânea, não pode ser preso em flagrante. Aqui o militar estadual não é encontrado e sim, apresenta-se espontaneamente. Ele deve anunciar que é o autor do delito e apresentar ao comandante do serviço todas as provas relativas ao fato (armas, objetos, papéis, etc.).

O que nos leva a entender tal ação é o fato de que, independentemente das circunstâncias que levam ao cometimento do delito, sob a proteção das excludentes de ilicitude ou não, o simples fato de o agente apresentar-se lhe garante o direito, dentre outras, o de ter a sua liberdade preservada até que o juiz aprecie sua situação jurídica e fática. Ocorrido o comparecimento espontâneo, somente o juiz competente pode deliberar sobre a medida judicial a adotar. Ao se apresentar, o militar garante imediatamente o conhecimento da autoria e da conduta, liminarmente. Assim, ocorrida à apresentação espontânea e lavrado o respectivo termo, estarão sendo observados os princípios da economia processual, da instrumentalidade do processo e do direito constitucionalmente garantido da liberdade de locomoção. Segundo magistério de TOURINHO FILHO (2001, p. 544):

Daí porque, não tendo havido prisão em flagrante do requerente, mas, sim, apresentação espontânea, roga, também por isso, a anulação do auto de prisão em flagrante como instrumento de coação cautelar e o relaxamento da prisão do requerente, com fundamento no artigo 5.º, LXV, da Constituição Federal. 35

Nesse sentido, a lição de MAGALHÃES NORONHA:

Apresentando-se, o acusado, nem por isso a autoridade poderá prendê-lo: deverá mandar lavrar o auto de apresentação, ouvi-lo-a e representará ao juiz quanto à necessidade de decretar a custódia preventiva. Inexiste prisão por apresentação. 36

Finalmente, aplicando-se o princípio da compatibilidade vertical das normas jurídicas (concepção de Hans Kelsen), e adequando o artigo 262 do Código de Processo Penal Militar ao inciso LXVI do artigo 5º da Constituição Federal de 1988, deve-se frisar que, apresentando-se espontaneamente o militar estadual, deve-se lavrar o termo competente, sendo os autos apresentado, em seguida, ao juiz de Direito do Juízo Militar, para as medidas legais cabíveis. 37

10. Omissão de autoridade Quando o fato for praticado em presença de autoridade, ou contra ela, no exercício de suas funções, deverá ela própria prender e autuar em flagrante o infrator, mencionando a circunstância (artigo 249 do Código de Processo Penal Militar).

A autoridade que presencia prática delituosa e não procede de maneira legal, evidencia uma conduta omissiva própria, e poderá incorrer em delitos previstos no Código Penal Militar: 1) Prevaricação, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal (artigo 319); 2) Condescendência Criminosa (artigo 322) ou 3) Inobservância de Lei, Regulamento ou Instrução (artigo 234).

11. Prisão não sujeita à administração militar

Quando a prisão em flagrante for efetuada em lugar não sujeita à administração militar, o auto poderá ser lavrado por autoridade civil, ou pela autoridade

militar do lugar mais próximo daquele em que ocorre a prisão (artigo 250 do Código de Processo Penal Militar), conforme já exposto em tópicos anteriores.

12. Competência nos crimes dolosos contra a vida

No caso de crimes dolosos contra a vida, exemplos do Código Penal Militar (artigo 205 – homicídio; artigo 207 – instigação, induzimento ou auxílio ao suicídio e artigo 208 – genocídio), praticados por militar contra civil, a competência para a

lavratura do flagrante é da autoridade militar estadual, nas circunstanciais elencadas no artigo 9.º do Código Penal Militar. A Lei federal n.º 9. 299/1996 (Lei Hélio Bicudo), que alterou o Código Penal Militar, apenas deslocou a competência para a justiça comum do seu processamento e julgamento. Para o eminente jurista COSTA, em Crime Militar (2005, p. 459):

38

A norma do parágrafo único inserido pela Lei n.º 9.299/96 no artigo 9.º do Código Penal Militar redefiniu os crimes dolosos contra a vida praticados por policiais militares contra civil, até então considerados de natureza militar como crimes comuns. Trata-se, entretanto, de redefinição restrita que não alcançou quaisquer outros ilícitos, ainda que decorrente de desclassificação, os quais permaneceram sob a jurisdição da Justiça Militar, que, sendo de extração constitucional (artigo 125, § 4.º da CF), não pode ser afastada, obviamente por efeito de conexão e nem, tampouco, pelas razões de política processual que inspiram as normas do Código de Processo Penal.” 39

O assunto é polêmico até os dias de hoje, especialmente, quanto a definição da competência para a instauração do Inquérito. No Estado do Ceará, o

Ministério Público Militar Estadual, expediu Recomendação Ministerial n.º 001, datada de 3 de agosto de 2005, ao Comando-Geral da Polícia Militar, nos seguintes termos:

Com relação ao poder de polícia judiciária militar outorgado à V.Sª, esse será exercido por si ou por delegação, somente na apuração de crime de natureza militar (“ex vi” dos artigos 8.º, alínea “a”, 9.º, “caput”, do Código de Ritos Penal Militar), sendo vedada a essa autoridade policial militar instaurar Inquéritos Policiais Militares em crimes cujo processo e julgamento são da competência da justiça comum estadual, como é exemplo, crime de homicídio praticado conta civil, abuso de autoridade, porte ilegal de armas, caso esta não seja patrimônio da corporação militar, crimes praticados contra criança ou adolescente, crimes contra a Administração Pública, etc, cuja inobservância dessa vedação se constitui ilicitude prevista no artigo 324, do Código Penal Militar.

Adiante, o “Parquet” Militar Estadual informa, que objetivando prevenir responsabilidade e evitar dispêndio ao Erário com a confecção de procedimentos administrativos dúplice (na esfera policial militar e na esfera policial civil), incidindo o princípio do “bis in idem”, é a presente para RECOMENDAR ao Comando Geral da Polícia Militar do Ceará a adoção das seguintes providências:

I – (

)

II – abster-se, também, de determinar a instauração de Inquéritos Policiais Militares em delitos que não se constituem crimes militares e cuja competência para o processo e

julgamento é da justiça comum estadual. III – proceder divulgação da presente RECOMENDAÇÃO MINISTERIAL no Boletim do Comando Geral da Polícia Militar do Ceará, para ciência de todas as Unidades Militares de nossa Unidade Federativa, para imediata observância legal. 40

A Corregedoria-Geral dos Órgãos de Segurança Pública do Estado do Ceará, seguindo a mesma premissa, expediu RECOMENDAÇÃO aos Órgãos da SSPDS, tudo publicado em Boletim do Comando-Geral da Polícia Militar do Ceará de n.º 004, de 5 de janeiro de 2006, no sentido de:

I – (

)

II

– Recomendar aos Comandantes-Gerais da Polícia Militar e

do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará que:

a) per si ou por delegação, se abstenham de realizarem auto de prisão em flagrante delito ou instaurar inquérito policial militar quando diante de notícias onde estejam presentes circunstâncias que indiquem crimes cujo processo e julgamento sejam de competência da Justiça Comum, devendo, portanto, encaminhar, imediatamente, a ocorrência

e as peças de informações até a autoridade policial civil no

território de suas respectivas circunscrições, para a imediata

lavratura do auto de prisão em flagrante delito ou, em caso de reclamação com indícios de cometimento de ilícito penal, de instauração de Inquérito Policial comum. 41

No entanto, pelo menos em relação ao inquérito, não foi esta a decisão e o posicionamento tomado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Corte Maior de nossa Justiça, Guardião da Constituição Federal, bem antes de tais recomendações (no ano de 1997), ao julgar medida cautelar em ação direta de inconstitucionalidade ajuizada pela Associação dos Delegados de Polícia do Brasil – ADEPOL contra a lei n.º 9.299/96 que, ao dar nova redação ao artigo 82 do Código Penal Militar, determina que “nos crimes dolosos contra a vida, praticados contra civil, a Justiça Militar encaminhará os autos do Inquérito Policial Militar à Justiça Comum”. Na ocasião o Supremo Tribunal Federal decidiu:

Afastando a tese da autora de que a apuração dos referidos crimes deveria ser feita em inquérito policial civil e não em inquérito policial militar, o Tribunal, por maioria, indeferiu a liminar por ausência de relevância na argüição de ofensa ao inciso IV, do § 1.º e ao § 4.º do artigo 144, da Constituição Federal, que atribuem às polícias federal e civil o exercício das funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares. Considerou-se que o dispositivo impugnado não impede a instauração paralela de inquérito pela polícia civil. Vencidos os ministros Celso de Mello, relator, Maurício Corrêa, Ilma Galvão e Sepúlveda Pertence. ADIN 1.494-DF, rel. orig. Min. Celso de Mello, rel. p/ ac. Min. Marco Aurélio, 9.4.97. 42

A decisão da Corte Suprema parece não deixar dúvidas de que a autoridade militar estadual é competente para instaurar inquérito policial militar. A lei é clara, senão vejamos:

1) Crime doloso contra a vida praticado por militar contra civil é julgado pelo júri popular; 2) Existe apenas um deslocamento de competência para julgamento, ou seja, da Justiça Militar para a Justiça Comum; 3) Compete a Justiça Militar remeter os autos de Inquérito Policial Militar para a Justiça Comum, o que garante a feitura do procedimento investigatório de natureza inquisitorial, ou seja, o Inquérito Policial Militar, pela Autoridade de Polícia Judiciária Militar; 4) É cediço que não há ilegalidade no artigo 82, § 2.º do Código de Processo Penal Militar com a redação dada pela Lei Federal n.º 9.299/96.

Sendo assim, entendemos que as recomendações adredemente vistas e citadas, apresentam-se como uma mitigação da atividade de polícia judiciária militar estadual, garantida por uma Lei Federal, plenamente em vigor. Não obstante, respeitando o entendimento Ministerial, logicamente preocupado com a situação do militar estadual poder submeter-se a dois procedimentos investigatórios (militar e civil), inclusive com a questão da economia processual, da duplicidade de procedimentos, não vemos, a luz do direito vigente, como abdicar de uma competência legal e constituída. Ensejo, na oportunidade, também discordar, de que a não observância das recomendações, por parte da autoridade de polícia judiciária militar, no caso específico do Inquérito, constitui ilicitude prevista no artigo 324, do Código Penal Militar. Portanto, para o “Parquet” Estadual, se a autoridade autuar em flagrante de delito militar ou instaurar Inquérito Policial Militar quando um militar estadual, em serviço, cometer crime doloso contra a vida, estará incidindo no crime militar tipificado como: “deixar, no exercício de função, de observar lei, regulamento ou instrução, dando causa direta à prática de ato prejudicial à administração militar”. Pergunto. Que lei não será observada? Qual seria o ato prejudicial à administração militar? Que causa direta ensejaria tal prática? Lembramos que só existe crime se o fato for típico e anti-jurídico. Para o Supremo Tribunal Federal, intérprete da Constituição Federal, o Inquérito Policial Militar poderá ser legalmente instaurado nesses casos. Caso semelhante ocorre, a título de exemplo, se um militar estadual em serviço cometer um crime de abuso de autoridade, estipulado em Lei especial (Lei n.º

4.898, de 9 de dezembro de 1965), a apuração do fato é feito pela Polícia Militar mas o processamento e o julgamento pela Justiça Comum. Para ratificar tal assertiva, lembramos a Súmula n.º 172 do Superior Tribunal de Justiça (STJ): “Compete à Justiça Comum processar e julgar militar por crime de abuso de autoridade, ainda que praticado em serviço”. Por fim, o assunto tem causado ainda hoje alguns transtornos de caráter jurídico-administrativo, incidindo em recursos por parte de alguns oficiais da Polícia Militar do Ceará, que designados por portarias para instaurarem Inquéritos Policiais Militares, argumentam a falta de competência, em virtude das citadas recomendações, publicadas em Boletim do Comando-Geral.

13. Nulidades do auto de prisão

Segundo prescreve o artigo 500, inciso IV do Código de Processo Penal Militar “por omissão de formalidade que constitua elemento essencial do processo”

poderá dá-se a nulidade do Auto de Prisão em Flagrante Delito Militar. Assim, têm entendido sistematicamente os Tribunais Militares. Com tudo isso, segundo ensina LOUREIRO NETO (2000, p. 90), em seu estudo de Processo Penal Militar, tem-se entendido que o auto estará nulo nos seguintes casos, muito embora possa ter valor como peça de informação:

a) falta de compromisso das testemunhas em dizer a verdade,

quando ouvidas no auto, conforme a última parte do artigo 352

do CPPM;

b) falta de compromisso também do condutor, a não ser que

figure como ofendido;

c) falta de assinatura de uma das pessoas ouvidas no auto e a

não-nomeação de curador ao preso menor de 21 anos; d) falta de testemunhas de apresentação do preso pelo

condutor à autoridade militar (artigo 245, § 2.º do CPPM);

e) quando o auto não contiver o depoimento do condutor e das

testemunhas do flagrante; f) o flagrante será nulo quando formalizada a prisão através do auto com inobservância das regras contidas no artigo 244 do CPPM. 43

14. Emprego da força e uso de algemas

O artigo 234, § 1.º do Código de Processo Penal Militar, assevera que: “O emprego de algemas deve ser evitado, desde que não haja perigo de fuga ou

agressão da parte do preso, e de modo algum será permitido, nos presos a que se refere o artigo 242.” Já o § 2.º do artigo 234 do CPPM, informa que: “O recurso do uso de armas só se justifica quando absolutamente necessário para vencer a resistência ou proteger a incolumidade do executor da prisão ou a de auxiliar seu”. O artigo 242 do Código de Processo Penal Militar especifica as autoridades que serão recolhidas a quartéis ou a prisão especial, à disposição da autoridade competente, quando sujeitos a prisão, antes de condenação irrecorrível:

a) os ministros de Estado;

b) os governadores ou interventores de Estado, ou Territórios,

o prefeito do Distrito Federal, seus respectivos secretários e

chefes de Polícia; c) os membros do Congresso Nacional, dos Conselhos da União e das Assembléias Legislativas dos Estados; d) os cidadãos inscritos no Livro de Mérito das ordens militares ou civis reconhecidas em lei;

e) os magistrados;

f) os oficiais das Forças Armadas, das Polícias e dos Corpos

de Bombeiros Militares, inclusive os da reserva, remunerada ou não, e os reformados;

g) os oficiais da marinha Mercante Nacional;

h) os diplomados por faculdade ou instituto superior de ensino

nacional; i) os Ministros do Tribunal de Contas; j) os ministros de confissão religiosa. 44

Segundo Marina Corrêa Xavier, em escrito na Tribuna do Brasil (2007), existem projetos de regulamentação federal sobre o assunto. Um deles é o de n.º 185/2004, do Senado Federal, que regulamenta o emprego de algemas e ainda ressalva que deve-se evitar a exposição dos presos à mídia, aos holofotes da política e à ignomínia perante à sociedade. Nesse projeto há também o diferencial de não abraçar o questionável sistema de privilégios do Código de Processo Penal Militar. Outro projeto tramita na Câmara dos Deputados, o qual se diferencia por dispensar o uso de algemas nos casos de réus primários, de cidadãos com bons antecedentes, dos detentos que não tentam fugir e quando não se tratar de prisão em flagrante. 45

Finalmente, a lição insculpida no Manual de Técnica Policial Militar (2002, p. 118) da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, o uso de algemas tem como objetivos primários CONTROLAR o suspeito/agente, prover SEGURANÇA aos policiais e suspeito/agente e REDUZIR o agravamento da ocorrência. O uso de

algemas em contraventores ou agentes de crimes mais simples é discricionário. Avalie

a situação, os riscos, as circunstâncias (

real necessidade de fazê-lo, pois se trata de situação bastante constrangedora. 46

contudo é preciso que o policial avalie a

),

15. Considerações gerais e fases do flagrante Para que o flagrante delito seja perfeitamente válido é necessária a oitiva e

a presença do conduzido no ato da lavratura. No entanto, essa regra tem exceções que deve gerar atenção especial ao encarregado do flagrante. É o que dizem os

autores:

1) caso em que o conduzido está gravemente ferido ou inconsciente, ou apresente ou simule problemas médicos, que o faça ser transportado a um leito de hospital – A autoridade encarregada do auto juntamente com o escrivão, condutor e testemunhas, devem se dirigir a uma das salas do hospital e, providenciar a lavratura, porém, deve nomear curador ao conduzido (pessoa em estado de inconsciência); 2) se um dos conduzidos for surdo, mudo ou surdo-mudo ou analfabeto e não tiver intérprete e nem quem entenda a sua mímica – a autoridade encarregada registra o fato mediante termo e justifica a impossibilidade de ouvir o conduzido naquela oportunidade; 3) se o conduzido for estrangeiro e desconhece totalmente o idioma nacional e não existe a possibilidade de se conseguir um intérprete – o encarregado deve utilizar-se do mesmo procedimento anterior; 4) se o conduzido estiver embriagado ou sob forte efeito de substância entorpecente – o encarregado deve lavrar o auto na presença de um Defensor Legal, justificando as circunstâncias que levaram a autoridade à não ouvir o conduzido. Tão logo cesse a causa determinante do impedimento, o acusado deverá ser ouvido, de preferência nas próximas 24 horas, em termo a parte nos autos. Ele também poderá ser ouvido em leito de hospital ou em qualquer outro local para onde tenha sido conduzido. Importante frisar que, sempre que o auto for realizado e se tornar impossível ou difícil de ouvir o conduzido dentro do prazo de até 5 (cinco) dias, tais circunstâncias deverão ser comunicadas ao Juiz de direito do Juízo Militar, bem como deverá ser certificado nos autos. No caso citado no subitem 2) supra, quanto a oitiva do surdo, mudo ou surdo-mudo é feita, conforme está descrito nos incisos I, II e III do artigo 192, e

47

artigos 193 e 195, da Lei n.º 10.792, de 1/12/03, que alterou a lei n.º 7.210, de 11/6/1984 (Lei de Execução Penal) e o Decreto-Lei n.º 3.689, de 3/10/1941 (Código de Processo Penal - CPP):

Art. 192. O interrogatório do mudo, do surdo e do surdo-mudo será feito pela forma seguinte:

I - ao surdo – serão apresentadas por escrito as perguntas, que ele responderá oralmente;

II - ao mudo – as perguntas serão feitas oralmente, respondendo-as por escrito;

III - ao surdo-mudo – as perguntas serão formuladas por

escrito e do mesmo modo dará as respostas. Parágrafo único. Caso o interrogado não saiba ler ou escrever, intervirá no ato, como intérprete e sob compromisso, pessoa habilitada a entendê-lo. Art. 193. Quando o interrogado não falar a língua nacional, o

interrogatório será feito por meio de intérprete. Art. 195. Se o interrogado não souber escrever, não puder ou não quiser assinar, tal fato será consignado em termo. 48

Ressalte-se que, vigora no ordenamento jurídico nacional, o princípio de que: a) morrendo o autor do fato punível, antes de ser iniciada a persecução penal, esta não mais se iniciará; b) se já iniciada a ação penal, tranca-se a relação processual, julgando-se extinta a punibilidade; c) Se depois de proferida sentença condenatória, esta não mais poderá ser executada. 5) Não esquecer de assegurar as garantias constitucionais dos presos elencadas no artigo 5.º da Constituição Federal de 1988 e anteriormente citados neste capítulo.

Em resumo, logo após a preservação das garantias constitucionais da pessoa presa, segundo a doutrina, pode-se conceituar o auto de prisão em flagrante de delito militar em ato complexo, dividido em fases:

1ª Fase:

A autoridade militar ouvirá a pessoa que conduz o preso (condutor) sobre os motivos da prisão e/ou suas circunstâncias (artigo 245 do Código de Processo Penal Militar). Entretanto, pode o condutor não ser o responsável pela prisão, não tendo presenciado o crime (por exemplo, o militar estadual requisitado por terceiro que efetua a prisão).

2ª Fase:

A autoridade militar ouve as testemunhas (artigo 245 do Código de Processo Penal Militar) – como testemunhas é mencionada no plural, é exigido o

número mínimo de duas, para a formação do procedimento, não obstante, entendimento jurisprudencial majoritário que vislumbra necessária apenas a presença de uma testemunha mais o condutor. 3ª Fase:

A autoridade militar ouve a vítima – esta é a pessoa que mais contribui para

a elucidação do fato, sendo indispensável sua oitiva, mesmo que tal providência não esteja mencionada no artigo. 4ª Fase:

A autoridade militar interroga o indiciado. Neste momento o ato é presidido

pela autoridade militar que cumpre os ditames legais dos artigos 302 a 306 do Código de Processo Penal Militar, inclusive no que tange ao inciso LXIII do artigo 5º da Constituição Federal de 1988 (direito constitucional ao silêncio).

5ª Fase:

O auto de prisão em flagrante de delito militar é assinado pela autoridade

militar, pelo condutor, pelas testemunhas e pelo indiciado (artigo 245 do Código de Processo Penal Militar). 6ª Fase:

A autoridade militar faz a comunicação da prisão ao Juiz de Direito do Juízo

Militar, com cópia do auto, expedindo a nota de culpa ao preso nos termos do artigo 247 do Código de Processo Penal Militar.

VII – RELAÇÃO DOS DELITOS MILITARES EM TEMPO DE PAZ (CONFORME O CÓDIGO PENAL MILITAR) Parte Especial do Código Penal Militar, citado por Miranda (1999, p. 41 a

108): 49

1. TITULO I – DOS CRIMES CONTRA A SEGURANÇA EXTERNA DO

PAIS

a) Hostilidade contra país estrangeiro – Art. 136. “caput” e §§ 1.º e 2.º;

b) Provocação a país estrangeiro – Art. 137. “caput”;

c) Ato de jurisdição indevida – Art. 138. “caput”;

d) Violação de território estrangeiro – Art. 139. “caput”;

e) Entendimento para empenhar o Brasil à neutralidade ou à guerra – Art.

140. “caput”;

f)

Entendimento para gerar conflito ou divergência com o Brasil – Art. 141.

“caput” e §§ 1.º e 2.º;

g) Tentativa contra a soberania do Brasil – Art. 142 e incisos;

h) Consecução de notícia, informação ou documento para fim de espionagem – Art. 143. “caput” e §§ 1.º e 2.º;

i) Revelação de notícia, informação ou documento – Art. 144. “caput” e §§

1.º ao 3.º;

j) Turbação de objeto de documento – Art. 145. “caput” e §§ 1.º e 2.º;

k) Penetração com o fim de espionagem – Art. 146. “caput” e parágrafo

único;

l) Desenho ou levantamento de plano ou planta de local militar ou de engenho de guerra – Art. 147. “caput”;

m) Sobrevôo em local interdito – Art. 148. “caput”.

2. TITULO II – DOS CRIMES CONTRA A AUTORIDADE OU DISCIPLINA

MILITAR

 

1)

Capítulo I – DO MOTIM E DA REVOLTA

a)

Motim – Art. 149 e parágrafo único;

b)

Organização de grupo para a prática de violência – Art. 150. “caput”;

c)

Omissão de lealdade militar – Art. 151. “caput”;

d)

Conspiração – Art. 152. “caput”.

2)

Capítulo II – DA ALICIAÇÃO E DO INCITAMENTO

a)

Aliciação para motim ou revolta – Art. 154. “caput”;

b)

Incitamento – Art. 155. “caput”;

c)

Apologia de fato criminoso ou do seu autor – Art. 156. “caput”.

3)

Capítulo III – DA VIOLÊNCIA CONTRA SUPERIOR OU MILITAR DE

SERVIÇO

 

a)

Violência contra superior – Art. 157. “caput” e §§ 1.º ao 5.º;

b)

Violência contra militar de serviço – Art. 158. “caput” e §§ 1.º ao 3.º e art.

159;

 

4)

Capítulo IV – DO DESRESPEITO A SUPERIOR E A SÍMBOLO

NACIONAL OU A FARDA

a)

Desrespeito a superior – Art. 160. “caput” e parágrafo único;

b)

Desrespeito a símbolo nacional – Art. 161. “caput”;

c)

Despojamento desprezível – Art. 162. “caput” e parágrafo único.

5)

Capítulo V – DA INSUBORDINAÇÃO

a) Recusa de obediência – Art. 163. “caput”;

b) Oposição à ordem de sentinela – Art. 164. “caput”;

c) Reunião ilícita – Art. 165. “caput”;

d) Publicação ou crítica indevida – Art. 166. “caput”.

6) Capítulo VI – DA USURPAÇÃO E DO EXCESSO OU ABUSO DE AUTORIDADE

a) Assunção de comando sem ordem ou autorização - Art. 167. “caput”;

b) Conservação ilegal de comando – Art. 168. “caput”;

c) Operação militar sem ordem superior – Art. 169. “caput” e parágrafo

único;

 

d) Ordem arbitrária de invasão – Art. 170. “caput”;

e) Uso indevido por militar de uniforme, distintivo ou insígnia – Art. 171.

“caput”;

f) Uso indevido de uniforme, distintivo ou insígnia militar por qualquer

pessoa – Art. 171. “caput”;

g) Abuso de requisitar militar – Art. 173. “caput”;

h) Rigor excessivo – Art. 174. “caput”;

i) Violência contra inferior – Art. 175. “caput” e parágrafo único;

j) Ofensa aviltante a inferior – Art. 176. “caput”.

 

7)

Capítulo VII – DA RESISTÊNCIA

 

a)

Resistência mediante ameaça ou violência – Art. 177. “caput” e §§ 1.º e

2.º.

 

8)

Capítulo

VIII

DA

FUGA,

EVASÃO,

ARREBATAMENTO

E

AMOTINAMENTO DE PRESOS

a) Fuga de preso ou internado – Art. 178. e §§ 1.º ao 3.º e Art. 179;

b) Evasão de preso ou internado – Art. 180. “caput”;

c) Arrebatamento de preso ou internado – Art. 181. “caput”;

d) Amotinamento – Art. 182. “caput” e parágrafo único.

3. TITULO III – DOS CRIMES CONTRA O SERVIÇO MILITAR E O DEVER

MILITAR

1) Capítulo I – DA INSUBMISSÃO

a) Insubmissão – Art. 183. “caput” e §§ 1.º e 2.º;

b) Criação ou simulação de incapacidade física – Art. 184. “caput”;

c) Substituição de convocado – Art. 185. “caput” e parágrafo único;

 

2)

Capítulo II – DA DESERÇÃO

a)

Deserção – Art. 187, 188, 189. “caput”;

b)

Deserção especial – Art. 190. “caput” e §§ 1.º ao 3.º;

c)

Concerto para a deserção – Art. 191 e incisos;

d)

Deserção por evasão ou fuga – Art. 192. “caput”;

e)

Favorecimento a desertor – Art. 193. “caput” e parágrafo único;

f)

Omissão de oficial – Art. 194. “caput”;

3)

Capítulo III – DO ABANDONO DE POSTO E DE OUTROS CRIMES EM

SERVIÇO

 

a)

Abandono de posto – Art. 195. “caput”;

b)

Descumprimento de missão – Art. 196. “caput” e §§ 1.º ao 3.º;

c)

Retenção indevida – Art. 197. “caput” e parágrafo único;

d)

Omissão de eficiência da força – Art. 198. “caput”;

e)

Omissão de providências para evitar danos – Art. 199. “caput” e

parágrafo único;

f) Omissão de providências para salvar comandados – Art. 200. “caput” e

parágrafo único;

g)

Omissão de socorro – Art. 201. “caput”;

h)

Embriaguez em serviço – Art. 202. “caput”;

i)

Dormir em serviço – Art. 203. “caput”.

4)

Capítulo IV – DO EXERCÍCIO DE COMÉRCIO

a)

Exercício de comércio oficial – Art. 204. “caput”.

4. TÍTULO IV – DOS CRIMES CONTRA A PESSOA

 

1)

Capítulo I – DO HOMICÍDIO

a)

Homicídio simples – Art. 205. “caput” e §§ 1.º e 2.º;

b)

Homicídio culposo – Art. 206. “caput” e §§ 1.º e 2.º;

c)

Provocação direta ou auxílio ao suicídio – Art. 207. “caput” e §§ 1.º ao

3.º;

 

2)

Capítulo II – DO GENOCÍDIO

a)

Genocídio – Art. 208. “caput” e parágrafo único.

3)

Capítulo III – DA LESÃO CORPORAL E DA RIXA

a)

Lesão leve – Art. 209. “caput” e §§ 1.º ao 6.º;

b)

Lesão culposa – Art. 210. “caput” e §§ 1.º e 2.º;

c)

Participação em rixa – Art. 211. “caput”.

2)

Capítulo IV – DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E DA SAÚDE

a)

Abandono de pessoa – Art. 212. “caput” e §§ 1.º e 2.º;

b)

Maus-tratos – Art. 213. “caput” e §§ 1.º e 2.º.

5)

Capítulo V – DOS CRIMES CONTRA A HONRA

a)

Calúnia – Art. 214. “caput” e §§ 1.º e 2.º;

b)

Difamação – Art. 215. “caput”;

c)

Injúria – Art. 216. “caput”;

d)

Injúria real – Art. 217. “caput”;

e)

Ofensa às Forças Armadas – Art. 219 e 220. “caput”;

f)

Equivocidade da ofensa – Art. 221. “caput”.

6)

Capítulo VI – DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE

a)

Constrangimento ilegal – Art. 222. “caput” e §§ 1.º ao 3.º;

b)

Ameaça – Art. 223. “caput” e parágrafo único;

c)

Desafia para duelo – Art. 224. “caput”;

d)

Seqüestro ou cárcere privado – Art. 225. “caput” e §§ 1.º ao 3.º;

e)

Violação de domicílio – Art. 226. “caput” e §§ 1.º ao 5;

f) Violação de correspondência – Art. 227. “caput” e §§ 1.º ao 4.º;

g) Divulgação de segredo – Art. 228. “caput”;

h) Violação de recato – Art. 229. “caput” e parágrafo único;

i) Violação de segredo profissional – Art. 230 e 231. “caput”.

7)

Capítulo VII – DOS CRIMES SEXUAIS

a)

Estupro – Art. 232. “caput”;

b)

Atentado violento ao pudor – Art. 233. caput”;

c)

Corrupção de menores – Art. 234. “caput”;

d)

Pederastia ou outro ato de libidinagem – Art. 235. “caput”;

8)

Capítulo VIII – DO ULTRAGE PÚBLICO AO PUDOR

a)

Ato obsceno – Art. 238. “caput” e parágrafo único;

b)

Escrito ou objeto obsceno – Art. 239. “caput”.

5. TITULO V – DOS CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO

1) Capítulo I – DO FURTO

a) Furto simples – Art. 240. “caput” e §§ 1.º ao 7.º; b) Furto de uso – Art. 241. “caput” e parágrafo único.

2) Capítulo II – DO ROUBO E DA EXTORSÃO

a) Roubo simples – Art. 242. “caput”;

b)

Roubo qualificado – Art. 242. § 2.º;

c)

Latrocínio – Art. 242. § 3.º;

d)

Extorsão simples – Art. 243. “caput” e §§ 1.º e 3.º;

e)

Extorsão mediante seqüestro – Art. 244. “caput”;

f)

Chantagem – Art. 245. “caput” e parágrafo único e Art. 246 e 247;

3)

Capítulo III – DA APROPRIAÇÃO INDÉBITA

a)

Apropriação indébita simples – Art. 248. “caput” e seus incisos;

b)

Apropriação de coisa havida acidentalmente – Art. 249. “caput” e

parágrafo único e Art. 250.

4)

Capítulo IV – DO ESTELIONATO E OUTRAS FRAUDES

a)

Estelionato – Art. 251. “caput” e seus parágrafos;

b)

Abuso de pessoa – Art. 252 e 253. “caput”.

5)

Capítulo V – DA RECPTAÇÃO

a)

Receptação – Art. 254. “caput” e parágrafo único;

b)

Receptação culposa – Art. 255. “caput” e parágrafo único e Art. 256.

6)

Capítulo VI – DA USURPAÇÃO

a)

Alteração de limites – Art. 257. “caput” e §§ 1.º e 2.º;

b)

Oposição, supressão ou alteração de marcas – Art. 258. “caput”.

7)

Capítulo VII – DO DANO

a)

Dano – Art. 259. “caput” (simples), Art. 260 (atenuado) e Art. 262

(qualificado);

b)

Outros danos – Art. 262, 263, 264, 265 e 266.

8)

Capítulo VIII – DA USURA

a)

Usura pecuniária – Art. 267. “caput” e §§ 1.º e 2.º.

6. TITULO VI – DOS CRIMES CONTRA A INCOLUMIDADE PÚBLICA

1) Capítulo I – DOS CRIMES DE PERIGO COMUM

a) Incêndio – Art. 268. “caput” e §§ 1.º e 2.º;

b) Explosão – Art. 269. “caput” e §§ 1.º ao 4.º;

c) Emprego de gás tóxico ou asfixiante – Art. 270. “caput”;

d) Abuso de radiação – Art. 271. “caput” e parágrafo único;

e) Inundação – Art. 272. “caput” e parágrafo único;

f) Perigo de inundação – Art. 273. “caput”;

g) Desabamento ou desmoronamento – Art. 274. “caput” e parágrafo único;

h)

Subtração, ocultação ou inutilização de material de socorro – Art. 275.

“caput”;

i) Fatos que expõem a perigo aparelhamento militar – Art. 276. “caput” e parágrafo único;

j) Difusão de epizootia ou praga vegetal – Art. 278. “caput” e parágrafo

único;

l) Embriaguez ao volante – Art. 279. “caput”;

m)

Perigo resultante de violação de regra de trânsito – Art. 280. “caput”;

n)

Fuga após acidente de trânsito – Art. 281. “caput” e parágrafo único.

2)

Capítulo II – DOS CRIMES CONTRA OS MEIOS DE TRANSPORTE E

DE COMUNICAÇÃO

a) Perigo de desastre ferroviário – Art. 28. “caput” e §§ 1.º ao 4.º;

b) Atentado contra transporte – Art. 283. “caput” e §§ 1.º e 2.º;

c) Atentado contra viatura ou outro meio de transporte – Art. 284. “caput” e

§§ 1.º e 2.º e Art. 285;

d) Arremesso de projétil – Art. 286. “caput” e parágrafo único;

e) Atentado contra serviço de utilidade militar – Art. 287. ”caput” e parágrafo

único;

f) Interrupção ou perturbação de serviço ou meio de comunicação – Art.

288. “caput” e Art. 289. “caput”.

3) Capítulo III – DOS CRIMES CONTRA A SAÚDE PÚBLICA

a) Tráfico, posse ou uso de entorpecente ou substância de efeito similar –

Art. 290. “caput” e §§ 1.º e 2.º;

b) Receita ilegal – Art. 291. “caput” e parágrafo único;

c) Epidemia – Art. 292. “caput” e §§ 1.º e 2.º;

d) Envenenamento com perigo extensivo – Art. 293. “caput” e §§ 1.º ao 3.º;

e) Corrupção ou poluição de água potável – Art. 294. “caput” e parágrafo

único;

f) Favorecimento de substância nociva – Art. 296. “caput” e parágrafo único;

g) Omissão de notificação de doença – Art. 297. “caput”.

7. TÍTULO VII – DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO MILITAR

1) Capítulo I – DO DESACATO E DA DESOBEDIÊNCIA

a) Desacato a superior – Art. 298. “caput” e parágrafo único;

b) Desacato a militar – Art. 299. “caput”;

c) Desacato a assemelhado ou funcionário – Art. 300. “caput”;

d)

Desobediência – Art. 301. “caput”;

e)

Ingresso clandestino – Art. 302. “caput”.

2)

Capítulo II – DO PECULATO

a)

Peculato – Art. 303. “caput” e §§ 1.º ao 4.º;

b)

Peculato mediante aproveitamento do erro de outrem – Art. 304. “caput”.

3)

Capítulo III – DA CONCUSSÃO, EXCESSO DE EXAÇÃO E DESVIO

a)

Concussão – Art. 305. “caput”;

b)

Excesso de exação – Art. 306. “caput”;

c)

Desvio – Art. 307. “caput”.

4)

Capítulo IV – DA CORRUPÇÃO

a)

Corrupção passiva – Art. 308. “caput” e §§ 1.º e 2.º;

b)

Corrupção ativa – Art. 309. “caput” e parágrafo único;

 

c)

Participação ilícita – Art. 310. “caput”.

5)

Capítulo V – DA FALSIDADE

a)

Falsidade de documento – Art. 311. “caput” §§ 1.º e 2.º;

 

b)

Falsidade ideológica – Art. 312. “caput”;

c)

Cheque sem fundos – Art. 313. “caput” e §§ 1.º e 2.º;

 

d)

Certidão ou atestado ideologicamente falso –

Art. 314.

“caput” e

parágrafo único;

 

e)

Uso de documento falso – Art. 315. “caput”;

f)

Supressão de documento – Art. 316. “caput”;

g)

Uso de documento pessoal alheio – Art. 317. “caput”;

h)

Falsa identidade – Art. 318. “caput”.

6)

Capítulo VI – DOS CRIMES CONTRA O DEVER FUNCIONAL

a)

Prevaricação – Art. 319. “caput”;

b)

Violação de dever funcional com fim de lucro – Art. 320. “caput”;

c)

Extravio, sonegação ou inutulização de livro ou documento – Art. 321.

“caput”;

 

d)

Condescendência criminosa – Art. 322. “caput”;

e)

Não inclusão de nome em lista – Art. 323. “caput”;

f)

Inobservância de lei, regulamento ou instrução – Art. 324. “caput”;

g)

Violação ou divulgação indevida de correspondência ou comunicação –

Art. 325. “caput” e parágrafo único;

h) Violação de sigilo funcional – Art. 326. “caput”;

j)

Obstáculo à hasta pública, concorrência ou tomada de preço – Art. 328.

“caput”;

k) Exercício funcional ilegal – Art. 329. “caput”;

l) Abandono de cargo – Art. 330. “caput” e §§ 1.º e 2.º;

m)

Aplicação ilegal de verba ou dinheiro – Art. 331. “caput”;

n)

Abuso de confiança ou boa-fé – Art. 332. “caput” e §§ 1.º e 2.º;

o)

Violência arbitrária – Art. 333. “caput”;

p)

Patrocínio indébito – Art. 334. “caput”.

7)

Capítulo VII – DOS CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR

CONTRA A ADMINISTRAÇÃO MILITAR

 

a)

Usurpação de função – Art. 335. “caput”;

b)

Tráfico de influência – Art. 336. “caput” e parágrafo único;

c)

Subtração ou inutilização de livro, processo ou documento – Art. 337.

“caput”;

 

d)

Inutilização de edital ou de sinal oficial – Art. 338. “caput”;

e)

Impedimento, perturbação ou fraude de concorrência – Art. 339. “caput”.

8)

Capítulo VIII – DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO DA

JUSTIÇA MILITAR

a) Recusa de função na Justiça Militar – Art. 340. “caput”;

b) Desacato – Art. 341. “caput”;

c) Coação – Art. 342. “caput”;

d) Denunciação caluniosa – Art. 343. “caput” e parágrafo único;

e) Comunicação falsa de crime – Art. 344. “caput”;

f) Auto-acusação falsa – Art. 345. “caput”;

g) Falso testemunho – Art. 346. “caput” e §§ 1.º e 2.º;

h) Corrupção ativa de testemunha, perito ou intérprete – Art. 347. “caput”;

i) Publicidade opressiva – Art. 348. “caput”;

j) Desobediência a decisão judicial – Art. 349. “caput” e §§ 1.º e 2.º;

k) Favorecimento pessoal – Art. 350. “caput” e §§ 1.º e 2.º;

l) Favorecimento real – Art. 351. “caput”;

m) Inutilização, sonegação ou descaminho de material probante – Art. 352.

“caput” e parágrafo único;

n) Exploração de prestígio – Art. 353. “caput” e parágrafo único e art. 354

“caput”.

VIII MODELOS

Segue relação de modelos indispensáveis para a formalização do Auto de Prisão em Flagrante de Delito Militar (PAPFDM). 50

1 - Modelo de Capa e Autuação

CABEÇALHO

AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE DE DELITO MILITAR

PRESIDENTE:

(Nome e matricula funcional)

CONDUTOR:

(Nome e matricula funcional)

ESCRIVÃO:

(Nome e matricula funcional)

CONDUZIDO (S):

(Nome e matricula funcional)

AUTUAÇÃO

Aos

dias do mês de

OPM/OBM

na cidade

(nome da circunscrição policial ou

, autuo as peças da presente prisão em flagrante de

do ano de

de

bombeirística militar)

delito militar, do que, para constar, lavrei o presente termo.

na

(Assinatura): Escrivão.

2 - Modelo de Portaria

CABEÇALHO

PORTARIA

horas, no presente o autor da

(OPM/OBM), na cidade de

prisão

(declinar a

infração penal ou contra quem foi cometida), fazendo-se acompanhar das

testemunhas

testemunhas, proceder como indica o § 2.º do artigo 245 do CPPM), determinei que fosse lavrado contra o indiciado o Competente Auto de Prisão em Flagrante de Delito

Militar, na forma do § 4.º do artigo 245 ou § 5.º do artigo 245 do CPPM, no caso de

(nome completo),

(nome completo com qualificação – não havendo

indiciado) no ato de cometer um delito

completo e matrícula do

Vindo a minha presença, hoje, às

, que disse ter preso

Estado do

,

(nome

ou contra

não ser militar a pessoa designada, para o que designo

para, sob o compromisso, exercer as funções de escrivão, procedendo do respectivo termo.

Local/data

(Assinatura): Presidente do Flagrante.

3 - Modelo de Termo de Designação e Compromisso de Escrivão

TERMO DE DESIGNAÇÃO E COMPROMISSO

Aos

no

(OPM/OBM ou o local onde será lavrado o Auto de Prisão em Flagrante

dias do mês

de

do

ano de

,

de Delito Militar), na cidade de

,

Estado do

,

onde me

encontrava. Eu,

(nome completo e posto ou graduação), fui designado

pelo senhor

completo e posto do presidente do flagrante) para servir de

Escrivão “ad hoc” na lavratura do Auto de Prisão em Flagrante, contra (nome completo do indiciado), o que faço, prestando por este termo um compromisso de bem e fielmente desempenhar as funções que me foram dadas; do que, para constar, lavrei este termo que assino com a referida Autoridade. Dou fé. Eu,

servindo de escrivão “