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Por que a Igreja Primitiva se Reunia em Casas?

Por serem poucos...? Por serem perseguidos...? Por não terem recursos...?

“A dinâmica que fez da igreja primitiva uma comunidade de fé vital e efetiva têm suas
raízes nas casas. É uma noção errada concluir que o único motivo da comunidade apostólica
ter desenvolvido igrejas nos lares deveu-se ao fato de ser uma minoria perseguida e, por isso
mesmo, não poderia tornar-se pública em sua expressão institucional. Na verdade a igreja
primitiva foi um testemunho público, apesar de ser perseguida...

Paulo era fazedor de tendas e ele, sem dúvida, poderia ter construído algum tipo de tenda,
talvez utilizando o modelo do tabernáculo, no qual desenvolveria o seu ministério,
especialmente em Éfeso, onde permaneceu por dois anos. Aparentemente isso nunca lhe
ocorreu. Era algo inteiramente estranho para o modo como ele e os cristãos primitivos
pensavam a respeito da igreja. A igreja eram as pessoas... em primeiro lugar, em último e
sempre”(Dubois, Home Cell Groups and House Churches. p.64, 67)

O Plano de Ação Original da Igreja

“Ao compararmos as igrejas atuais à sua cópia original, fica flagrantemente evidente que
muitos desvios foram permitidos, os quais empobreceram a vida da igreja. Com o passar dos
séculos, a igreja foi gradualmente se afastando das provisões mais comuns que a tornaram
uma potência poderosa e dinâmica nos primeiros anos de existência e permitiu que distorções
terríveis a invadissem, fazendo-nos sofrer grandemente ainda hoje.

O Pensamento popular se apegou a um prédio como sendo o símbolo identificador da


igreja e a ênfase foi colocada em grandes e imponentes estruturas e sólidas catedrais. No
início, “trabalhar na igreja” significava utilizar um Dom ou exercer um ministério entre os
cristãos onde quer que estivessem. Mas, lentamente passou a se tornar uma atividade religiosa
dentro de um prédio...

Além disso, essa distorção resultou em uma igreja tristemente empobrecida, que tem tido
pouco impacto sobre o mundo e que se recolhe cada vez mais em um impotente isolamento.
Não há nada mais imprescindível do que voltar à dinâmica da igreja primitiva.
Não podemos continuar a defender nossas tradições engessadas que não abrem espaço
para este modelo neotestamentário. Os pastores, em particular, devem devolver às pessoas o
ministério que lhes foi tirado, com a melhor das intenções.” (Ray Stedman, A igreja corpo vivo
de Cristo. p. 78)

Na Idade Média:

No Período de Constantino

“No ano 313 A. D., o cristianismo se tornou uma religião nacional sob a liderança do imperador
romano Constantino. O cristianismo deixou de ser uma religião ilegal que adorava nas
catacumbas e nos lares para uma era de grande popularidade. Grandes catedrais em
Constantinopla, Belém e Roma começaram a ser construídas... As igrejas nos lares
desapareceram... resultando no declínio do crescimento numérico e espiritual”. (Home Cell
Groups and House Churches by Hadaway Dubose and Wright pp 42-43)

Os Valdenses

“Os valdenses que desejaram retornar ao modelo escriturístico de fé e prática... se reuniam em


adoração e companheirismo de maneira simples em seus modestos lares”. (Ibid., 45-46)

D. No Período da Reforma:

Gutemberg

Em 1456, a Bíblia de Gutemberg saiu do prelo. Pequenos grupos começaram a se reunir


novamente nos lares para estudar a Palavra.

Lutero

"Aqueles que seriamente querem ser cristãos e confessar o evangelho em obras e palavras
deveriam registrar seus nomes e se reunirem nos lares... No entanto, eu não posso e não
desejo estabelecer ou organizar tais congregações, porque ainda não tenho pessoas para isto.
Eu não vejo muitos que pedem por tal coisa.” (Parish Renewal at the Grassroots by Prior, p. 18)

Anabatistas

Os anabatistas que não tinham templos se reuniam nos lares para o culto e comunhão
espiritual.

E. Na Pós-Reforma:

João Wesley

“João Wesley pregou a milhares de pessoas ao ar livre... mas Wesley viu que não era suficiente
apenas pregar, ele teve de encontrar um meio de manter o céu no coração do seu povo. O
Senhor dirigiu Wesley a desenvolver as Classes Metodistas. Esses grupos que se reuniam nos
lares providenciavam: estudo da Bíblia, oração e companheirismo. Os grupos alcançavam o
máximo de 12 pessoas, e a partir daí se dividiam para iniciar novo grupo.”

Como era o Cristianismo Primitivo?

“É muito difícil vizualizarmos o cristianismo primitivo. Com toda certeza ele era muito
diferente do cristianismo hoje. Não havia prédios imponentes... não havia hierarquia... não
havia seminários teológicos... não havia faculdades cristãs... não havia escola sabatina... Não
havia corais... conjuntos... Havia apenas grupos pequenos de crentes... pequenas
comunidades...

No início não havia nem mesmo um Novo Testamento. O próprio Novo Testamento não era
a causa destas comunidades, mas o resultado dela. Assim, os primeiros livros do Novo
Testamento foram cartas escritas para essas comunidade, por causa de suas dificuldade,
perigos e tentações. Tudo o que tinham era a comunhão; nada mais; nenhuma posição;
nenhum prestígio; sem honra... Os cristãos primitivos não eram pessoas de posição; mas havia
um poder secreto entre eles, e este poder secreto era resultado do modo pelo qual eram
membros uns dos outros.” (Elton Trueblood, The Youke of Christ. p. 25)

“Os nazarenos se encontravam nas casas uns dos outros dia após dia para uma refeição em
comum, durante a qual relembravam Jesus, com gratidão, enquanto partilhavam o pão e o
vinho. Nessas reuniões, aqueles que tinham estado com Jesus recontavam suas memórias e
introduziam os outros aos seus ensinamentos. Em público, proclamavam aos seus concidadãos
as boas novas do ato divino realizado por meio do Messias. A entrada nesta nova comunidade
acontecia solenemente pelo batismo “no nome do Senhor Jesus”; esse batismo os destacava
como sendo parte do seu povo. Eles se encontravam para orar em grupos e também
participavam das orações no templo. Nos primeiros dias eles vendiam suas propriedades e,
aqueles que estavam em necessidade, recebiam suprimento desse fundo comum. (F.F.Bruce,
The Spreading Flame. p. 74)

Os átrios de Senhor: o significado dos templos cristãos na história

http://www.mackenzie.br/7103.html

Alderi Souza de Matos

Uma característica de todas as religiões é a existência de “espaços sagrados”, ou seja, locais


estreitamente associados com a realização dos atos de culto, e que, por essa razão, adquirem
um valor especial para os seus fiéis. Isso se aplica tanto às religiões denominadas “primitivas”,
com suas práticas animistas (atribuição de valores espirituais a elementos da natureza), quanto
aos antigos cultos de povos mais evoluídos. Esse foi o caso dos gregos e dos romanos, com seus
belíssimos santuários, bem como dos egípcios e das civilizações pré-colombianas (como os
incas, os maias e os astecas), com suas monumentais pirâmides repletas de associações
místicas. As chamadas “religiões vivas”, isto é, as venerandas tradições religiosas que
sobrevivem até o presente, também são conhecidas pelo grande valor que atribuem aos seus
locais de culto. Alguns exemplos conhecidos são as colossais estátuas de Buda encontradas em
muitos pontos do Oriente, o Templo Dourado de Amritsar (da religião sikh, na Índia) e, entre os
muçulmanos, a tenda negra da Caaba, em Meca, e a Mesquita de Omar, em Jerusalém. Por
razões teológicas, históricas ou culturais, esses locais são altamente reverenciados pelos
adeptos dessas religiões.

1. O período bíblico

Nessa questão, a tradição judaico-cristã é bastante complexa, demonstrando diferentes


atitudes para com os seus espaços sagrados, ao longo da história. Segundo o Antigo
Testamento, Jeová, o Senhor, deu instruções precisas para a edificação de um santuário onde o
seu povo pudesse cultuá-lo de maneira especialmente significativa. Tanto o tabernáculo, ou
seja, a tenda portátil utilizada na época das peregrinações de Israel, quanto o magnífico templo
construído posteriormente por Salomão, representavam ao mesmo tempo a presença de Deus
no meio do seu povo e o mistério e a sublimidade do Ser Divino, simbolizados pelo Santo dos
Santos. Por cerca de um milênio o templo foi, ao lado da lei de Moisés, o centro da identidade
do judaísmo. São muitas as passagens, notadamente nos Salmos, que demonstram o grande
fascínio que a casa de Deus ou “os átrios do Senhor” exerciam sobre os israelitas piedosos (Sl
27.4; 65.4; 84.1-2,10; 134.1-2; Is 6.1-4). Destruído pelos babilônios, o templo foi reconstruído
sob a liderança de Zorobabel e grandemente aprimorado por Herodes, vários séculos depois.

Também havia no judaísmo a consciência de que Deus não podia ficar confinado a um edifício,
por especial que fosse (1 Rs 8.27; 2 Cr 6.18; Is 66.1-2), como Estêvão haveria de lembrar aos
judeus e Paulo aos atenienses (At 7.48-50; 17.24). Jesus expressou essas duas correntes de
tradição, por um lado reconhecendo e defendendo a santidade do templo, a “casa de oração”
(Mt 21.12-13), e por outro lado relativizando-o ao indicar que o mais importante no culto a
Deus não é o lugar em que ocorre, mas a maneira como é prestado – “em espírito e em
verdade” (Jo 4.21-24). Dois fatores que contribuíram para o declínio do valor relativo do
templo, tanto para os judeus como posteriormente para os cristãos, foram a sua destruição
pelos romanos, no ano 70 da era cristã, e a existência das sinagogas entre os judeus da
Diáspora. A sinagoga, um misto de centro comunitário, escola e local de culto, nunca teve a
tremenda importância simbólica e mística desfrutada pelo templo de Jerusalém, mas foi acima
de tudo uma resposta prática para uma nova conjuntura – a vida longe da Palestina.

2. Desdobramentos da igreja antiga

Os primeiros locais de culto utilizados pelos cristãos foram alguns recintos públicos e
preferencialmente residências particulares, as conhecidas igrejas domésticas mencionadas em
várias passagens do Novo Testamento (Rm 16.5,14-15; 1 Co 16.19; Cl 4.15; Fm 1.2). Não se
atribuía qualquer valor especial ou transcendente a esses lugares, mais ou menos como os
judeus faziam em relação às suas sinagogas. O mais importante não era a igreja como
instituição ou como espaço físico, mas o povo de Deus, a família da fé, o corpo de Cristo. Foi a
experiência da perseguição e do martírio que começou a alterar essa perspectiva. Os lugares
em que os heróis da fé deram a vida por amor a Cristo, ou nos quais os seus corpos foram
sepultados, passaram a ser altamente reverenciados pelos cristãos. Em algumas cidades, estes
passaram a reunir-se nesses locais ou perto dos mesmos, como foi o caso das famosas
catacumbas ou cemitérios subterrâneos de Roma, a partir da época de Nero. Por outro lado,
certos desdobramentos teológicos da igreja antiga levaram os cristãos a enfatizarem algumas
instituições do Antigo Testamento, tais como os conceitos de sacrifício, sacerdócio e templo.

Embora não se tenha descoberto nenhum templo, isto é, edifício destinado especificamente
para o culto cristão, anterior a meados do terceiro século, é certo que bem antes disso os
cristãos tinham espaços sagrados grandemente reverenciados. Um importante ponto de
transição nesse processo evolutivo foi o impacto causado pelo imperador Constantino, o
primeiro líder do Império Romano a identificar-se com a nova religião. Ele não só concedeu
plena liberdade religiosa aos cristãos, como engrandeceu a igreja e seus líderes de várias
maneiras. Em Roma e outras cidades imperiais, várias basílicas (edifícios públicos romanos),
algumas muito grandes e majestosas, foram transformadas em templos cristãos, sendo
dedicadas aos mais diversos mártires, agora vistos como santos. Constantino também
construiu a Basílica de São Pedro no local tradicional do martírio do apóstolo e, na Palestina, a
Igreja da Natividade, em Belém, e a Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém.

Muitos desses templos, grandes ou pequenos, destacavam-se pela presença de relíquias, ou


seja, objetos relacionados com Cristo, Maria e os santos (um pedaço da cruz, os ossos de um
mártir, etc.), o que os tornava especialmente atraentes como centros de peregrinação.
Concomitantemente, a nova posição de poder e esplendor da igreja gerou uma progressiva
elaboração do culto, surgindo uma liturgia complexa e impressionante. Os templos e outros
locais sagrados adquiriram uma conotação profundamente mística e até mágica, apelando
fortemente à mente e às emoções através dos sentidos: o impacto visual da arquitetura, o
impacto olfativo do incenso e das velas, o impacto auditivo da liturgia e da música sacra. Em
cada detalhe, os templos cristãos refletiam os novos entendimentos da fé, como a crescente
separação entre o clero e os leigos, aquele ocupando a abside, onde ficava o altar, e estes a
nave do santuário. Eventualmente, na igreja oriental ou grega, uma parede completa passou a
separar os dois grupos, denominada iconóstase.

3. O apogeu da cristandade

A Idade Média foi o período em que o poder da Igreja Católica Romana atingiu o seu ponto
culminante. A enorme ascendência da igreja sobre todas as áreas da vida e sua estreita
associação com o estado produziram na Europa o fenômeno conhecido como “cristandade”,
uma sociedade caracterizada por grande uniformidade política e religiosa, sob a liderança dos
soberanos e dos papas. Um marco importante foi o pontificado de Inocêncio III (1198-1216),
tido como o mais poderoso de todos os pontífices, visto ter imposto a sua autoridade até
mesmo sobre reis destacados da época. Essa situação não poderia deixar de refletir-se na
arquitetura eclesiástica. A magnificência da igreja e o poder dos seus bispos expressaram-se
em templos cada vez mais suntuosos e em uma liturgia altamente sofisticada.

Foi esse o período das magníficas catedrais góticas, que substituíram gradativamente as
pesadas estruturas em estilo romanesco, com suas paredes lisas, suas torres quadradas e sua
aparência de fortalezas. Externamente, as catedrais impressionavam pelo tamanho e
imponência, pela grande altura das torres pontiagudas e pela riqueza de adornos na forma de
estátuas, rosáceas e muitos outros recursos estéticos. Eram verdadeiras declarações teológicas
em forma de pedra, simbolizando a majestade de Deus e a glória da sua igreja. No seu interior,
elas se destacavam pela beleza dos seus vitrais multicoloridos, pelos seus grandes tesouros de
pedras e metais preciosos e pela importância de suas relíquias, muitas delas abrigadas em
belíssimos relicários. Alguns exemplos bem conhecidos são as catedrais de Notre Dame, Reims,
Chartres e Colônia, construídas nos séculos doze e treze.

Essa preocupação quase obsessiva com o aspecto material e visível da religião teve as suas
vantagens e desvantagens. No aspecto positivo, foi uma afirmação da beleza e da bondade da
criação divina e da realidade da encarnação de Cristo. Todavia, também produziu uma
espiritualidade mágica e supersticiosa que obscurecia a centralidade do Deus triúno na
devoção cristã. O próprio santuário, suas imagens, suas relíquias e sua liturgia podiam se tornar
mais importantes para o cristão comum do que o relacionamento pessoal e direto com Deus.
Os meios (as representações materiais) tendiam a tornar-se mais importantes do que os fins,
ou seja, as realidades transcendentes para as quais eles apontavam.

4. A Reforma e o período moderno

O protestantismo, com seu princípio básico de “sola Scriptura” (a centralidade das Escrituras) e
seu conseqüente questionamento das convicções e práticas calcadas na tradição, porém
carentes de sustentação bíblica, fatalmente teria de reconsiderar a questão do significado do
espaço sagrado. O retorno a formas de culto mais simples, como as da igreja neotestamentária,
e a firme rejeição de qualquer ato de devoção que não fosse dirigido à Trindade, levaram a
uma redefinição radical da arquitetura religiosa. Em várias partes da Europa, os templos
católicos herdados pelos reformados tiveram suas imagens e altares removidos, e foi eliminada
a existência de espaços separados para o clero e para os leigos. Na cidade de Zurique, o
reformador Ulrico Zuínglio ordenou que fossem caiadas as paredes das igrejas até então
decoradas com pinturas religiosas. No seu zelo, alguns indivíduos e grupos, especialmente na
Suíça e no sul da Alemanha, cometeram atos de “iconoclasmo”, destruindo uma grande
quantidade de arte sacra com base no segundo mandamento (Êx 20.4-5).

Todavia, no hemisfério norte, a maior parte das denominações protestantes históricas


(luteranos, presbiterianos, anglicanos, episcopais, metodistas e outros) manteve um
considerável interesse pela arquitetura e pela arte religiosa, como se pode observar nos belos
templos dessas confissões existentes na Europa e nos Estados Unidos. Foram os grupos mais
contestadores, como, por exemplo, os anabatistas, os quacres e mais tarde os pentecostais,
que passaram a utilizar templos deliberadamente simples e despojados. Porém, tanto no caso
dos primeiros quanto dos últimos, o santuário nunca chegou a ter a importância e o
simbolismo místico que possui nas tradições católica e ortodoxa.

À medida que as igrejas protestantes se difundiram nos demais continentes, ocorreram


algumas situações peculiares. Por um lado, houve a tendência de reproduzir nas novas nações
alcançadas os modelos, inclusive arquitetônicos e estéticos, das igrejas de origem, sem se
atentar para as peculiaridades da cultura local. Foi somente mais tarde, no século 20, com o
processo de nacionalização ou indigenização de muitas dessas igrejas, que os seus templos
passaram a manifestar as preferências e sensibilidades locais. Em países como o Brasil, a
posição da Igreja Católica como religião oficial, e ao mesmo tempo o desejo de atrair
imigrantes europeus, fez com que os legisladores autorizassem os protestantes a construir os
seus santuários, contanto que não tivessem forma exterior de igrejas. Isso contribuiu para o
empobrecimento arquitetônico e artístico dos templos evangélicos, em grande parte
monótonos e pouco atraentes.

Em conclusão, as atitudes dos cristãos em relação aos seus locais de culto têm variado
grandemente ao longo da história, indo desde o “templocentrismo”, que considera o santuário
como um lugar dotado de virtudes especiais, até o desinteresse pelos espaços religiosos em si
mesmos, valorizando-se apenas as atividades neles realizadas. Não há como negar a
importância psicológica e espiritual dos lugares em que as pessoas têm uma experiência
especialmente profunda do sagrado. À luz das Escrituras, importa que a atitude em relação a
esses locais seja equilibrada, valorizando-se o belo, o estético e o simbólico, mas evitando-se
transformá-lo num fim em si mesmo. Desde uma perspectiva protestante, o templo pode ser
considerado “santo” no sentido bíblico de “separado do uso comum” e destinado para o
Senhor. Deve ser funcional e prático, visando o que realmente importa, a centralidade do Deus
triúno e do culto a ele, mas não há nada que impeça que seja também agradável aos olhos e
expresse a beleza da criação divina.

Perguntas para reflexão:


1. No Antigo Testamento, Deus deu instruções detalhadas sobre a edificação de um rico
santuário para o seu culto. Por que Cristo não fez o mesmo com os seus seguidores?

2. Em que aspectos a estética de um templo favorece o culto a Deus e em que aspectos pode
prejudicá-lo?

3. Certos cristãos, no afã de evitar qualquer sugestão de idolatria ou superstição, evitam utilizar
em seus templos quaisquer símbolos ou expressões artísticas? Isso é correto? Por quê?

4. A preferência dos protestantes por templos simples e sem adornos é saudável e


teologicamente justificável?

5. Nos Estados Unidos e na Europa, os templos protestantes têm arquitetura e decoração


elaboradas (por exemplo, o uso de vitrais).Quais as razões pelas quais os protestantes
brasileiros evitam isso? Essas razões são legítimas?

Sugestões bibliográficas:

NOLL, S.F. Tabernáculo, templo. Em ELWELL, Walter A. (Ed.). Enciclopédia histórico-teológica da


igreja cristã. São Paulo: Vida Nova, 1988-1990. Vol. III, p. 429-432.

PASTRO, Cláudio. Arte sacra: o espaço sagrado hoje. São Paulo: Loyola, 1993.

VOLKMANN, Martin. Jesus e o templo: uma leitura sociológica de Mc 11.15-19. Porto Alegre:
Sinodal, 1992.

É certo que, a rigor, podem querer pensar nesse local mais como uma casa de reunião (como
os puritanos) que como uma igreja. Mas, se chamarem o prédio de “igreja”, creio que Deus vai
entender.

E, no caso de pensarem, sem nenhuma superstição: “Posso adorar a Deus em todo o lugar
onde estiver, mas este é o único lugar onde o adoro com o Corpo de Cristo, onde recebo as
ministrações (sacramentos ou ordenanças, como quiser) e celebro a ressurreição, o dia do
Senhor e, portanto devemos separá-lo de algum modo”, isso também não será um impulso
ruim.
Além do mais, muitos prédios eclesiásticos são usados praticamente todas as noites da
semana. É certo que um prédio custa dinheiro e exige esforço para ser mantido, mas estudos
bíblicos, classes de discipulado, almoços festivos, encontros de casais, eventos esportivos,
classes de idiomas, EBD e centenas de outras coisas acontecem naquele prédio o tempo todo
exatamente porque isso não funcionaria na casa de alguma pessoa.

Por fim, não critico quem adora a Deus em sua casa ou em outra, ou em um trem ou praça, nas
ruas ou em qualquer outro local. É uma forma, mas não é a forma. Grupos pequenos são úteis
e fazem parte da vida da igreja. São complementares as duas formas, seja em lares, seja no
templo, seja em grupos pequenos, seja de forma congregacional. Não são excludentes.

Mas, critico sim essa história de retorno ao que era correto e bíblico. Não creio que Deus
abandonou a igreja nesse dois mil anos e permitiu que ela se desviasse da Sua vontade. Penso
que Deus é que direcionou a Sua Igreja (e aqui me refiro "as igrejas" pois elas formam a Igreja)
a prosseguir e o Espírito Santo a conduziu até hoje. Ela não é perfeita (não me refiro a seitas,
mas igrejas) e não será antes da glorificação, mas "até aqui nos ajudou o Senhor".

Há algumas revoluções que precisamos realizar, mas não nessa questão.

No ano 312, com a institucionalização do cristianismo, a Igreja começou a perder seu equilíbrio
entre a celebração e a célula. A Igreja deixou de reunir-se como comunidade de Cristo nas
casas e começou a construir templos dedicados ao culto cristão. Esses locais se transformaram
depois nas grandes catedrais. A Igreja perdeu sua ênfase no trabalho de todos os crentes,
deixando-o somente para os “sacerdotes”, “líderes”, “pastores”.

Em 1517, Martinho Lutero liderou a Reforma, provocando uma transformação na teologia,


porém, deixou intacta a estrutura da Igreja. Posteriormente os Anabatistas adicionaram à
transformação teológica a transformação das estruturas na igreja.

Perseguidos por Católicos e Protestantes os Anabatistas voltaram a reunir-se em grupos


pequenos. Mais tarde os Puritanos seguiram a tradição de reunir-se em grupos pequenos.

Em 1738, inspirado pelos Morávios, João Wesley começou a organizar seus “clubes santos”.
Estes eram grupos pequenos onde os crentes se reuniam para orar, estudar a Bíblia e animar
uns aos outros. Para Wesley, converter-se e não participar de um grupo pequeno, não valia
muito.
No fim de sua vida Wesley tinha conseguido abrir 10.000 células com uma participação média
de 100.000 pessoas.

UM NOVO MODISMO, OU O RETORNO ÀS PRÁTICAS PRIMITIVAS DA IGREJA?

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Até o início do quarto século com a ascensão ao trono romano do imperador Constantino (312
a 337 d/C), a Igreja cristã reunia-se exclusivamente nas casas de seus membros. A adoção de
um templo para reunião de cristãos foi uma invenção megalomaníaca de Constantino,
posterior ao início do quarto século. Veja o que dizem três dos mais credenciados historiadores
eclesiológicos da atualidade:

Em Historical Approach to Evangelical Worship (Uma Abordagem Histórica da Adoração


Evangélica), página 103 e em History of the Christian Church (História da Igreja Cristã): Volume
3, página 542, SCHAFF escreve: “Depois da cristandade ser reconhecida pelo estado e
autorizada a ter propriedades (pós-Constantino), ela passou a erigir templos de adoração em
todas as partes do Império Romano. Provavelmente havia mais edifícios deste tipo no século IV
do que houve em qualquer período da história, exceto talvez, no século XIX nos Estados
Unidos...”. Em To Preach or Not to Preach? (Com ou Sem Propósitos de Oração), página 29,
NORRINGTON diz que: "Na medida em que os Bispos dos séculos IV e V cresciam em riqueza,
eles canalizaram tais riquezas através de um elaborado programa de construção de templos de
Igrejas". Em Early Christians Speak (O Falar dos cristãos Modernos), página 74, FERGUSON
afirma que: "Até a ascensão de Constantino não encontramos nenhum edifício especialmente
construído para a reunião da igreja, ela se reunia em casas simples ou casas adaptadas; após a
ascensão de Constantino, as construções começaram: primeiro simples salões, depois basílicas
e finalmente grandes catedrais foram erigidas".

Existem na Bíblia um grande número de versículos que mostram claramente a igreja se


reunindo na casa de um de seus membros, e nenhuma só referência a uma reunião da Igreja
acontecendo num templo, numa sinagoga ou em algum outro local especialmente construído
para esta finalidade.

Veja por exemplo os dois primeiros versículos da carta escrita por Paulo ao seu cooperador
Filemon, está claramente escrito que a Igreja se reunia na casa deste irmão. Igualmente, em
Colossenses 4:15, Paulo manda uma saudação à irmã Ninfa, em cuja casa se hospedava a Igreja
de Laodicéia.

Os exegetas nos contam que a carta que Paulo escreveu aos Romanos, ele a escreveu enquanto
estava na cidade de Corinto e por isto, em Romanos 16:23, ele envia aos irmãos de Roma uma
saudação do irmão Gaio, que além de o estar hospedando naquela data, também era o
hospedeiro de toda a Igreja de Corinto. Devido a este fato é que falando aos irmãos em
1Coríntios 14:23, ele traz uma direção de como proceder, quando a Igreja toda estivesse
reunida no mesmo lugar (neste caso, a casa do irmão Gaio).

Preste bastante atenção em cada palavra dos seguintes textos bíblicos: Atos 12:2; Atos 21:8-14;
Atos 16:40; Atos 20:17-20 e Tito 1:7-11. Porque você acha que em todos estes textos,
associados à casa dos irmãos, há pessoas: congregadas, orando, profetizando, confortando uns
aos outros e ensinando? Logicamente, por se tratar das atividades cotidianas da Igreja, que se
reunia, exatamente nestas casas mencionadas.

O casal Áquila e Priscila sempre cooperaram com o ministério de Paulo, e também eram
missionários que migravam levando o evangelho. A Bíblia menciona por duas vezes que em
cidades diferentes, onde eles se encontravam, eles hospedavam a Igreja do local em suas
casas. Confira isto lendo: 1Coríntios 16:19 e Romanos 16:3-5.

Um caso muito especial é o caso de Jerusalém, uma das metrópoles da época. A Bíblia diz que
em Jerusalém os cristãos primitivos partiam o pão (a principal reunião da Igreja) de casa em
casa (Atos 2:46), eles também ensinavam (outra importante reunião da Igreja) de casa em casa
(Atos 5:42). Quando Saulo começou a perseguir esta igreja, com o propósito de prender os
cristãos (Atos 8:3), ele entrava de casa em casa (porque era aí que os cristãos se reuniam). Os
historiadores mencionados no início do estudo, nos contam que Jerusalém, durante o primeiro
século, teve centenas de casas onde os cristãos se reuniam. Nestes dois primeiros textos,
também é mencionado que os cristãos iam ao templo Judaico. Será que eles iam lá para a
reunião da Igreja? Lógico que não! Você acha que os Sacerdotes que os ameaçavam (Atos 4:15-
21), os espancavam (Atos 5:40) e os levavam para o cárcere (Atos 4:1-3 e Atos 5:17-18) por
ensinar no nome de Jesus; iam ceder o templo Judaico para a reunião da Igreja? É irracional
pensar desta forma. Eles se reuniam apenas no Pórtico de Salomão (Atos 5:12), que era uma
parte do átrio exterior do templo. Esta parte era aberta também aos gentios e um local de
frequentes debates e muito comércio (Mateus 21:12). Os Apóstolos iam lá com propósitos
evangelísticos, conforme a Bíblia nos mostra (Atos 2: 40-41 e Atos 4:4). Que em Jerusalém os
cristão se reuniam de casa em casa (isto é nas casas de seus próprios membros) é um fato
bíblico e históricamente comprovado.

Outro caso muito interessante refere-se a outra metrópole da época que era Roma. O apóstolo
Paulo ao escrever sua carta aos cristãos daquela cidade, saúda nominalmente um primeiro
grupo: “Áquila, Priscila bem como à Igreja que se reunia na casa deles” (Romanos 16:3-5). Ele
também saúda nominalmente um segundo grupo: “Asíncrito, Flegonte, Hermes, Pátrobas,
Hermas e os irmãos que se reúnem com eles” (Romanos 16:14). E saúda ainda nominalmente
um terceiro grupo: “Filólogo, Júlia, Nereu e sua irmã, Olimpas e todos os santos que se reúnem
com eles” (Romanos 16:15). Vemos que existiam em Roma, pelo menos três grupos distintos
de cristãos (que se reuniam em casas também distintas) por ocasião desta carta. O mais
interessante é que quando Paulo chega em Roma, ele não começa a se reunir em nenhum dos
locais já existentes. Ele começa um quarto grupo em uma casa que ele mesmo alugara (Atos
28:30-31). Porque isto? Será que Paulo não se dava bem com os outros três grupos de cristãos?
Amados devemos entender que casas são geralmente pequenas (comportando um grupo
pequeno de cristãos), e quando Paulo chegou em Roma provavelmente as outras três casas,
onde os cristãos se reuniam, já estavam no limite máximo de pessoas; assim ele normalmente
começou um quarto local para reunião de cristãos em sua própria casa.

Uma última explicação necessária, refere-se ao texto de Atos 20:8 onde é mencionado que os
irmãos estão reunidos num cenáculo. Muitos por desconhecerem o grego, confundem um
cenáculo com um templo, sinagoga ou algum outro tipo de “local mais próprio para reuniões,
do que uma casa”. A palavra grega para cenáculo é “huperoon”, e significa simplesmente uma
casa maior com um segundo pavimento. Veja isto claramente mostrado nos textos de Atos 1:13
(onde os cristãos estão reunidos num cenáculo, à espera do Espírito Santo) e Atos 2:2 (onde o
Espírito Santo ao ser derramado enche toda a casa onde eles ainda continuavam reunidos e
esperando por Ele). O cenáculo mencionado é apenas uma casa grande, com um pavimento
superior (comum aos mais ricos da época).

Visando refutar esta lógica bíblica de clareza impressionante, alguns teólogos modernos, com o
propósito de defender e sustentar o “denominacionalismo” tem feito três afirmações, que
passaremos a analisar à seguir:

Primeiramente afirmam que a Igreja realmente começou reunindo-se nas casas de seus
membros; mas que isto se deu exclusivamente por causa da perseguição imposta sobre ela;
que isto durou poucos anos e que as casas e as catacumbas foram apenas locais provisórios de
reunião visando fugir da perseguição. Tanto a Bíblia quanto a história desmentem estes
argumentos. Lucas disse em Atos 9:31, que: “A igreja, na verdade, tinha paz por toda a Judéia,
Galiléia e Samaria, edificando-se e caminhando no temor do Senhor, e, no conforto do Espírito
Santo, crescia em número”. Interessante notar que durante todo este período de paz, a Igreja
está se reunindo nas casas de seus membros (logo o motivo de reunir-se em casas não foi a
perseguição). A história também nos mostra que em termos cronológicos, a perseguição foi
esporádica nos primeiros séculos e não algo permanente. Durante as perseguições, realmente
os cristãos se refugiavam nas catacumbas, mas tão logo amainavam as perseguições, a Igreja
voltava a se reunir no ambiente determinado pelo Espírito Santo, ou seja as casas dos irmãos,
que a constituíam.

Seu segundo argumento é que tanto Jesus, quanto os apóstolos primitivos apoiavam a
“reunião numa sinagora”, visto que falavam e participavam de reuniões em tais lugares. Dizem
eles que o moderno templo (seja católico ou evangélico), é algo derivado da sinagora, e que
sendo assim, o fato de Jesus e os apóstolos tê-los freqüentado, credencia os templos atuais,
como locais de reunião da Igreja. Eles se esquecem que os Judeus haviam determinado,
conforme vemos em João 9:22 e João 12:42 que se alguém se tornasse cristão, deveria ser
expulso das sinagogas. Sinagora, é lugar de reunião de Judeus não de cristãos. Jesus e os
apóstolos primitivos eram Judeus, por isto participavam das reuniões dos Judeus. Da mesma
forma, que com relação ao templo de Jerusalém, os cristãos primitivos iam às sinagogas com
propósito evangelístico como vemos em Atos 14:1 e Atos 18:4. Não existe menção de uma só
“reunião da Igreja” acontecendo numa sinagora. Sinagora e templo são culturas cultura
judaicas ou pagãs, não fazem parte da Igreja e do cristianismo primitivo. Por entrarem lá os
cristãos primitivos não os estavam avalizando (como local para reunião da Igreja), e sim os
utilizando com propósitos específicos (1Coríntios 9:20-23).

Um terceiro argumento destes teólogos modernos, é que o significado da palavra grega da qual
veio nosso vocábulo Igreja, seria “os chamados para fora de suas casas”. Isto soa forte e
impressiona, devido a não temos conhecimento do grego. Assim engolimos tal afirmação,
como sendo um forte argumento. Entretanto o vocábulo grego “ekklesia”, do qual veio nossa
palavra “Igreja”, é composto de duas outras palavras, “ek + kaleim”. A palavra “Kaleim” significa
simplesmente “chamados” e o prefixo “ek” significa “para fora”. Então o significado de Igreja é
“os chamados para fora”. A palavra grega para casa é “oikos”, e não está presente no vocábulo
Eklesia (Igreja). Porque então traduzir Igreja como “os chamados para fora de suas casas”? Se
queremos aclarar a explicação do vocábulo, não seria mais lógico e bíblico dizer que a Igreja é o
conjunto dos “chamados para fora”, do sistema mundano e carnal criado e mantido pelo diabo.
Assim sendo, preferimos ficar com aquilo que a bíblia diz, pois tememos acrescentar algo à
Palavra de Deus (Apocalipse 22:18).

Os versículos e argumentos acima são mais que suficientes para provar a qualquer cristão
sincero, que não há comprovação bíblica e nem histórica (pelo menos até o início do quarto
século) para reuniões da Igreja em nenhum tipo de lugar que não sejam as próprias casas de
seus membros! Seria tão estranho para os cristãos primitivos se reunirem em templos, como é
estranho para alguns cristãos atuais reunirem-se em casas.

Más reunindo-se em tantos locais (casas) diferentes, em uma mesma cidade, isto não irá
produzir grande divisão entre os cristãos, quebrando assim a unidade da Igreja na cidade?

Tanto a Bíblia quanto a história desmentem este conceito, Reunir-se em várias casas (e nelas
partir o pão), foi a realidade da Igreja Primitiva, e nunca a dividiu. A Mesa (princípio de
comunhão) continuou única, apesar de estar presente em vários locais. O que divide não são
os muitos locais de reunião e sim algumas atitudes do coração de quem está se reunindo. Veja
isto: Marcos 7:21-23 - 1Coríntios 3:3-6 - Gálatas 2:6-10 - 1João 1:1-3.
Quando nos recusamos a ter comunhão (um anti-tipo da Mesa) com irmãos genuinamente
salvos, aí sim estamos dividindo o Corpo de Cristo. Aquele que Cristo aceitou, tem comigo
unidade de espírito, porque eu também fui aceito por Ele. Ainda que não tenhamos chegado à
unidade de fé, podemos ter comunhão. Veja isto em Efésios 4: 3-16. Esta postura realmente
divisiva, é vista claramente na conduta do Presbítero Diótrefes (3João 9-11); que desejando ter
a primazia (proeminência) entre os demais presbíteros, agia de maneira arbitrária e
intransigente, se recusando a receber na comunhão outros irmãos cujo pensamento diferia do
dele (incluindo entre estes o próprio apóstolo João); tentando impedir os demais irmãos da
Igreja de recebê-los e chegando até mesmo a ameaçá-los com a expulsão da igreja.

Finalizo esta reflexão com uma última pergunta. Se ao construir sua casa material (o
tabernáculo judaico), Deus deu um projeto preciso a Moisés e não permitiu nenhum acréscimo
a este projeto original (Êxodo 25:9), será que na construção da sua casa espiritual, que é a
Igreja (1Pedro 2:5), Deus permitiria tais acréscimos?

A pergunta correta não é porque nos reunirmos de casa em casa, já que isto faz parte do
projeto original de Deus, para sua Igreja. A pergunta correta a ser feita é, onde obtivemos
permissão para nos reunirmos de forma contrária ao projeto original. Se negligenciarmos este
ponto fundamental da reunião da Igreja, a negligência em outros pontos também virá, será
apenas uma questão de tempo (Lucas 16:10)!

I. A atitude dos cristãos para os templos (Voltar Aporta)

O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita
em templos feitos por mãos de homens. Atos 17:24.

As igrejas da Ásia vos saúdam. Saúdam-vos afetuosamente no Senhor Aqüila e Priscila, com a
igreja que está em sua casa. 1 Coríntios16:19.

O mesmo templo de Jerusalém, não o chamou Deus casa e morada porque o precisasse, senão
porque, atendendo vocês (os judeus) a Ele pelo menos ali, não se dessem à idolatria. Justino
Mártir (160 d.C.)

(Escrito por um crítico pagão do cristianismo) Vamos tratar de outro assunto. Os cristãos não
podem suportar a vista de templos, de altares nem de estátuas… Os persas compartilham esse
mesmo sentimento…” Sei de boa fonte que entre os per¬sas a lei não permite edificar altares,
templos, estátuas. Considera-se loucos a quem o fazem… O menosprezo dos cristãos para os
templos, as estátuas e os altares é como o signo e o sinal de reunião, misteriosa e secreta, que
entre si trocam. Celso (178 d.C.)

Valioso era o templo de abaixo (no Antigo Testamento), mas agora é sem valor, por causa do
Cristo de acima. Melitón de Sardis (190 d.C.)

A Palavra, proibindo todo sacrifício e a construção de templos, assinala que o não pode ser
contido por nenhuma coisa. Clemente de Alexandria (195 d.C.)

Nós não vamos aos templos (dos pagãos) nem de dia nem de noite. Tertuliano (197 d.C.)

(Os cristãos) menosprezam os templos como se fossem casas dos mortos. Marco Minucio Félix
(200 d.C.)

Por que (os cristãos) não têm altares, nem templos, nem estátuas conhecidas, por que nunca
falam em público nem se reúnem à vista de todos…? Marco Minucio Félix, citando a um pagão
antagonista (200 d.C.)

Pensas que ocultamos o que adoramos, porque não temos templos nem altares? Que imagem
de Deus vou modelar, quando, conquanto o consideras, o mesmo homem é imagem de Deus?
Que templo vou construir-lhe , se o mundo inteiro, que é obra sua, não pode contê-lo? E eu
mesmo, que como homem habito folgadamente vou encerrar a um ser tão majestoso dentro
de um pequeno templo? Marco Minucio Félix (200 d.C.)

Nós recusamos construir templos sem vida para o criador da vida. Orígenes (248 d.C.)

Primeiro (nossos perseguidores) afugentam-nos. E ainda que estivéssemos sós, perseguidos


por todos, e em perigo de ser mortos, guardamos nossas celebrações em tais tempos. E todo
lugar que tivesse sido a cena dos contínuos sofrimentos que aconteceram a alguns de nós,
chegou a ser um lugar para nossas reuniões solenes: fora um campo, um deserto, uma barca,
uma pousada ou uma prisão. Dionisio de Alexandria (262 d.C.)
Tinha certo homem em Frigia que queimou uma assembléia inteira de cristãos juntamente com
o lugar onde se reuniam. Lactâncio (304-313 d.C.)

Vocês dizem que nós não construímos templos nem adoramos suas imagens… Pois que honra e
dignidade podemos atribuí-los para elevá-los na mesma posição que a cabeça e Senhor do
universo… Talvez honramos (a Deus) com altares e construindo-lhe templos? Arnobio (305 d.C.)

Respondeu-lhes Jesus: Derribai este santuário, e em três dias o levantarei. Disseram, pois, os
judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este santuário, e tu o levantarás em três dias?
Mas ele falava do santuário do seu corpo. João 2:19-21.

E que consenso tem o santuário de Deus com ídolos? Pois nós somos santuário de Deus vivo,
como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o
meu povo. 2 Coríntios 6:16.

E, efetivamente, irmãos meus, tempero santo é para o Senhor a morada de nosso coração.
Barnabé (70-130 d.C.)

Pois inquiramos se existe um templo de Deus: Existe, certamente, ali onde Ele mesmo diz que o
tem de fazer e aperfeiçoar. Antes de acreditar em Deus, a morada de nosso coração era
corruptível e magra, como templo verdadeiramente edificado a mão, pois estava cheia de
idolatria e era casa de demônios, porque não fazíamos senão quanto era contrário a Deus. Mas
se edificaria no nome do Senhor. Atendam a que o templo do Senhor se edifique
gloriosamente. De que maneira? Aprendam-no. Depois de recebido o perdão dos pecados, e
por nossa esperança no nome do Senhor, fomos Atos novos, criados outra vez desde o
princípio. Pelo qual, Deus habita verdadeiramente em nós, na morada de nosso coração. De
que maneira? Porque em nós mora a palavra de sua fé, o apelo de sua promessa, a sabedoria
de suas justificativas, os mandamentos de sua doutrina; profetizando Ele mesmo em nós,
morando Ele em pessoa dentro de nós, abrindo-nos a porta do templo, isto é, nossa boca;
dando-nos penitência, introduz-nos a nós, que estávamos escravizados pela morte, no templo
incorruptível… Leste é templo espiritual (o homem) que se edifica para o Senhor. Barnabé (70-
130 d.C.)

Vocês são pedras de um templo, preparadas de antemão para um edifício de Deus o Pai, sendo
elevadas para o alto por meio do motor (instrumento) de Jesus Cristo, que é a cruz, e usando
como corda o Espírito Santo. Ignácio (105 d.C.)
Façamos todas as coisas considerando que Ele vive em nós, para que possamos ser seus
templos, e Ele mesmo possa estar em nós como nosso Deus. Ignácio (105 d.C.)

Mantenham sua carne como um templo de Deus; amem a união; evitem as divisões; sejam
imitadores de Jesus Cristo como Ele mesmo o era de seu Pai. Ignácio (105 d.C.)

E que ninguém entre vocês diga que esta carne não vai ser julgada nem levantar-se outra vez.
Entendam isto: Em que foram salvados? Em que recobraram a vista se não foi nesta carne? Por
tanto temos de guardar a carne como um templo de Deus; porque da mesma maneira que
foram chamados na carne, serão Juizos também na carne. Segunda de Clemente (150 d.C.)

Por isso diz que a carne criada é templo de Deus: “Não sabem que são templos de Deus e que
o Espírito de Deus habita em vocês? Se algum violasse o templo de Deus, Deus o destruirá;
porque o templo de Deus é sagrado, e este são vocês.” Abertamente chama templo ao corpo
no qual habita o Espírito. Bem como diz o Senhor: “Destruam este templo, e em três dias o
ressuscitarei. E isto o disse referindo-se a seu corpo.” Mas não só sabe que nossos corpos são
templos, senão que são templos de Cristo, como quando diz aos Coríntios: “Não sabem que
seus corpos são membros de Cristo? E tomarei os membros de Cristo para fazê-los membros de
uma prostituta?” Irineu (180 d.C.)

Por isso quer que nossa carne seja templo puro, para que o Espírito de Deus se deleite nele,
como o esposo na esposa. Irineu (180 d.C.)

A lei… já não mandará guardar um dia de repouso ao que todos os dias observa o Sabado, isto
é, ao que rende culto a Deus no templo de Deus que é o corpo do homem e pratica sempre a
justiça. Irineu (180 d.C.)

Nossos corpos são templos de Deus. Se alguém profana o templo de Deus com desejos lascivos
ou pecado será destruído; pois está atuando de modo ímpio com o verdadeiro templo. Falando
de templos neste sentido, o melhor e o mais excelente foi o corpo puro e santo de nosso
salvador Jesus Cristo… Ele lhes disse: “Destruam este templo e em três dias o levantarei. Isto
falava do templo de seu corpo.” Orígenes (248 d.C.)

Temos de portar-nos como templos de Deus, para que seja uma prova de que o Senhor habita
em nós. Cipriano (250 d.C.)
Constantino permitiu a destruição das igrejas que consistem simplesmente em paredes que
outra vez podem ser levantadas. Não obstante, preservou o verdadeiro templo de Deus que é o
corpo do homem. Lactâncio (304-313 d.C.)

A igreja, o verdadeiro templo de Deus, não consiste em paredes. Mais bem no coração e a fé
de homens que acreditam em Ele e são chamados fiéis. Lactâncio (304-313 d.C.)