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UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI

ADRIANO VINÍCIUS CARDOSO DE LIMA

FUNDAÇÕES EM ESTACAS METÁLICAS PARA


OBRAS RESIDENCIAIS

SÃO PAULO
2006
ADRIANO VINÍCIUS CARDOSO DE LIMA

FUNDAÇÕES EM ESTACAS METÁLICAS PARA


OBRAS RESIDENCIAIS

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado como exigência parcial
para a obtenção do título de Graduação
do Curso de Engenharia Civil da
Universidade Anhembi Morumbi.

Orientador: Profª Dra. Gisleine Coelho de Campos

SÃO PAULO
2006
ADRIANO VINÍCIUS CARDOSO DE LIMA

FUNDAÇÕES EM ESTACAS METÁLICAS PARA


OBRAS RESIDENCIAIS

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado como exigência parcial
para a obtenção do título de Graduação
do Curso de Engenharia Civil da
Universidade Anhembi Morumbi.

Trabalho em: 28 de Outubro de 2006.

_______________________________________________
Gisleine Coelho de Campos

_______________________________________________
Wilson Shoji Iyomasa
Comentários:_________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
Dedico este trabalho a toda minha família que sempre me apoiou, não só na
execução deste, mas como em todos os desafios de minha vida.

A minha namorada que teve paciência nas horas em que me prendi ao trabalho,
além de sua colaboração no próprio trabalho.

A todas as pessoas que de alguma forma colaboraram com o desenvolvimento do


trabalho, agregando conhecimento e maturidade para minha formação.

A minha orientadora, Profª Dr.ª Gisleine Coelho de Campos, que além de ter
colaborado durante o curso inteiro, mostrou sabedoria e competência nas diretrizes
passadas a mim.
AGRADECIMENTOS

Agradeço a HOCHTIEF do Brasil, por permitir que eu fizesse meu trabalho em sua
obra, e a todos que contribuíram de alguma forma com o desenvolvimento do
trabalho.

Ao Engº Sandro N. Rossette, por ter me orientado de forma clara e objetiva,


propiciando qualidade superior ao trabalho.
RESUMO

O presente estudo visa destacar a importância das estacas metálicas nos processos
de construção civil e, em especial, naqueles relacionados às grandes estruturas que
demandam cuidados específicos, em virtude das profundidades em que se
encontram as bases sólidas dos alicerces construtivos, da inconsistência de solos e
subsolos, ou ocorrência de construções de elevada estatura, ou pontes e viadutos.
Procura destacar, igualmente, a importância da utilização das chamadas estacas
tubadas, desde o processo inicial de sua fabricação, pelo uso de maquinários do tipo
calandra, processo de soldagem das partes até a sua instalação final, por inserção
em solo e agregação como estrutura final a suportar toda a pressão do processo
construtivo em andamento. São apresentadas ilustrações de todos os passos dos
processos de fabricação e integração das estacas metálicas como estrutura
construtiva, com ênfase na utilização de estacas tukbadas. Por fim, é apresentado
estudo de caso, abrangendo as diversas fases da aplicação do processo de estacas
tubadas, a saber: cravação, perfuração, colocação de armadura e concretagem, em
obra residencial na cidade de São Paulo.

Palavras Chave: estacas metálicas; estacas tubadas; fundações


ABSTRACT

The present study aims to enhance the importance of metallic profile piles in the
process of civil construction and, in special in those related to big structures that
require specific care, because of the depth of the foundations; the low resistance of
soils and subsoils; the constructions of elevated height; such as bridges and
viaducts. It intends to show, equally, the importance of the utilization of bended metal
sheet piles, since its initial manufacturing, with the use of machineries that bend steel
sheets, welding process of the parts up to its final assembling, by driving it in the soil
and aggregation as final structure to support all the pressure of the constructive
process in course. Illustrations are presented of all of the steps of the process of
manufacturing and integration of the metallic profile piles as constructive structure,
with emphasis in the use of bended metal sheet piles. Finally, it is presented a case
study, including the various phases of the application of the process of bended metal
sheet piles, which means: driving, drilling, placement of reinforcement and concrete
casting, in construction of a building in São Paulo city.

Key words: metallic profile piles; bended metal sheet piles; foundation
LISTA DE FIGURAS

Figura 5.1: Perfil I ......................................................................................................20


Figura 5.2: Perfis cravados em cortina......................................................................21
Figura 5.3: Cravação de estaca metálica ..................................................................22
Figura 5.4: Trilhos para fundações............................................................................23
Figura 5.5: Estaqueamento com estacas prancha ....................................................24
Figura 5.6: Execução de estacas prancha ................................................................24
Figura 5.7: Posicionamento de camisa de estaca tubada .........................................26
Figura 5.8: Local de execução das estacas tubadas.................................................27
Figura 5.9: Perfuração de pino em rocha de estaca tubada......................................28
Figura 5.10: Perfuratriz hidráulica .............................................................................28
Figura 5.11: Camisa metálica cravada e escavada...................................................29
Figura 5.12: Concretagem de estaca tubada ............................................................30
Figura 5.13: Bate-estacas .........................................................................................32
Figura 5.14: Cepo e Coxim do bate-estacas .............................................................32
Figura 5.15: Esquema de montagem de uma prova de carga estática .....................34
Figura 5.16: Medição de Nega ..................................................................................35
Figura 5.17: Transdutor de deformação específica e acelerômetro ..........................36
Figura 5.18: Analizador de sinal tipo PDA (Pile Driving Analyser).............................37
Figura 6.1: Perspectiva do Empreendimento ............................................................39
Figura 6.2: Foto aérea do Empreendimento 1...........................................................39
Figura 6.3: Foto aérea do Empreendimento 2...........................................................40
Figura 6.4: Escavação em corte do terreno...............................................................41
Figura 6.5: Descoberta de laje de concreto durante escavação................................41
Figura 6.6: Perfil de sondagem .................................................................................42
Figura 6.7: Croqui de projeto de fundações em estacas tubadas de uma torre .......43
Figura 6.8: Croqui de estaca tubada ........................................................................44
Figura 6.9: Módulo de estaca tubada .......................................................................45
Figura 6.10: Chapas de aço .....................................................................................46
Figura 6.11: Calandra................................................................................................47
Figura 6.12: Chapa de aço calandrada .....................................................................47
Figura 6.13: Tubos de aço soldados em módulo.......................................................48
Figura 6.14: Cravação da camisa metálica ...............................................................49
Figura 6.15: Hammer Grab........................................................................................50
Figura 6.16: Escavação do solo no interior da estaca...............................................50
Figura 6.17: Perfuratriz hidráulica Wirth ....................................................................51
Figura 6.18: Brocas de perfuratriz hidráulica Wirth ...................................................52
Figura 6.19: Circulação de água para retirada de maciços rochosos........................53
Figura 6.20: Tanques para decantação da água.......................................................53
Figura 6.21: Montagem de armação .........................................................................54
Figura 6.22: Içamento de armação............................................................................54
Figura 6.23: Armação dentro da estaca ....................................................................55
Figura 6.24: Bomba lança de concreto......................................................................56
Figura 6.25: Estaca tubada concretada.....................................................................56
LISTA DE TABELAS

Tabela 5.1: Classificação de Perfis e Trilhos.............................................................22


Tabela 5.2: Especificações técnicas das estacas prancha .......................................25
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO...................................................................................................13

2 OBJETIVOS.......................................................................................................15

2.1 Objetivo Geral........................................................................................................... 15

2.2 Objetivo Específico ................................................................................................. 15

3 MÉTODO DE TRABALHO ................................................................................16

4 JUSTIFICATIVA ................................................................................................17

5 FUNDAÇÕES EM ESTACAS METÁLICAS ......................................................18

5.1 Tipos de Estacas Metálicas .................................................................................. 20


5.1.1 Perfis I e H .......................................................................................................... 20
5.1.2 Trilhos .................................................................................................................. 23
5.1.3 Pranchas ............................................................................................................. 24
5.1.4 Estacas tubadas................................................................................................. 26

5.2 Cravação de estacas............................................................................................... 30


5.2.1 Cravação por prensagem ................................................................................. 30
5.2.2 Cravação por vibração ...................................................................................... 31
5.2.3 Cravação por percussão................................................................................... 31

5.3 Controle de cravação das estacas metálicas .................................................. 33


5.3.1 Prova de carga estática .................................................................................... 33
5.3.2 Nega..................................................................................................................... 34
5.3.3 Instrumentação dinâmica ................................................................................. 35
5.3.4 Repique ............................................................................................................... 37

6 ESTUDO DE CASO – ESTACAS TUBADAS ...................................................38

6.1 Descrição da Obra................................................................................................... 38


6.2 Características do Solo.......................................................................................... 40

6.3 Informações Técnicas ............................................................................................ 43


6.3.1 Diâmetros das camisas metálicas................................................................... 43
6.3.2 Comprimento das estacas................................................................................ 44
6.3.3 Material utilizado ................................................................................................ 44

6.4 Execução das estacas tubadas ........................................................................... 45


6.4.1 Cravação e escavação do Tubo Metálico (Camisa Metálica) .................... 46
6.4.2 Perfuração em Rocha ....................................................................................... 51
6.4.3 Colocação da Armadura ................................................................................... 54
6.4.4 Concretagem ...................................................................................................... 55

7 ANÁLISE ...........................................................................................................57

8 CONCLUSÕES..................................................................................................58

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.........................................................................59
13

1 INTRODUÇÃO

Na construção de qualquer tipo de obra, principalmente aquelas que requerem


fundações profundas e as que apresentam condições adversas na interação com o
solo, as estacas metálicas constituem-se em excelente solução.

O processo de cravação é fácil, rápido e extremamente eficiente. A logística é


também um aspecto altamente favorável, considerando-se que as peças são leves e
tem comprimentos padrão, facilitando o seu armazenamento.

As estacas metálicas podem ter comprimentos consideráveis, adequando-se de uma


maneira geral à variabilidade dos tipos de solo.

As estacas metálicas têm aplicação destacada como elementos de fundação, na


construção de estruturas industriais, edifícios, pontes, portos e viadutos. Também
está presente nas estruturas de contenção, tendo inúmeras vantagens, tais como
fácil cravação, alta resistência, versatilidade na formação de paredes de contenção e
integração com elementos construtivos complementares.

O trabalho trata de métodos e soluções para fundações em elementos metálicos. Foi


feito um estudo de caso, sobre as estacas tubadas, utilizadas em uma obra
residencial, solução pouco utilizada nesse tipo de obra, já que são usadas com
maior freqüência em obras de viadutos, pontes, obras marítimas, portos, obras de
grande porte em geral.

Em 1954, pela primeira vez no Brasil, foi implantada uma solução de fundação em
estacas metálicas. Tal solução foi utilizada, pois as condições de terreno dificultavam
a execução de sapatas ou outros tipos de fundação. A obra de um estacionamento
vertical, próxima ao largo São Francisco, possuía um terreno irregular de
aproximadamente 30 m de profundidade em desnível de mais de 18 m, em direção a
Avenida 23 de maio. O fato de ter que escavar mais de 18 metros para alcançar o
nível de execução das sapatas, fez com que a empresa Engenharia de Fundações
14

S.A, desenvolvesse o 1º projeto de fundações em estacas metálicas no Brasil. Os


Engenheiros Lauro Rios e Professor Victor Mello, imaginaram a solução de dois
perfis, sendo um soldado pelas abas, formando um caixão. Hoje a solução é
adotada de forma normal, na maioria dos casos de estaqueamento metálico. As
obras do metrô de São Paulo e do Rio adotaram a solução, a qual passou a ser
conhecida na época como Solução “Paulista” (ANDRADE, 1999).
15

2 OBJETIVOS

2.1 Objetivo Geral

Estudar os diversos tipos de estacas metálicas, para utilização em fundações, de


modo que sejam mostrados os pontos positivos e negativos, a fim de identificar os
melhores tipos, para diferentes situações.

2.2 Objetivo Específico

Além de estudar os diversos tipos de fundações utilizando-se estacas metálicas,


mostrar a utilização das estacas tubadas em obras residenciais, situação incomum,
já que geralmente a solução é aplicada em obras marítimas, pontes, viadutos, obras
de grande porte em geral.

O estudo de caso trata do tipo de fundação adotada na execução das torres e


periferias do Condomínio Praça Villa Lobos. Uma das alternativas encontrada foi a
execução das fundações dos edifícios em estacas escavadas com lama betonítica.
Porém uma estaca prova no local da obra demonstrou limitações técnicas dos
equipamentos existentes no mercado, devido às profundidades e as características
do solo, tendo-se então adotado as estacas tubadas.

O trabalho mostra todo o processo de execução das estacas tubadas, desde sua
cravação até sua concretagem, assim como as características do solo existente,
características dos materiais utilizados e todos os problemas e dificuldades
encontrados no decorrer da obra.
16

3 MÉTODO DE TRABALHO

Foram utilizados diversos recursos para o desenvolvimento do trabalho: leitura e


absorção de conhecimentos proporcionados por livros técnicos, visando um maior
aprofundamento com relação aos aspectos teóricos e conceituais; consulta a
publicações especializadas e artigos técnicos; pesquisa na Internet para detecção
de casos similares de aplicação em obras compatíveis com o tema do trabalho,
assim como pesquisas de campo, fundamentais para a obtenção de detalhes
práticos e caracterização das situações reais relacionadas à obra; entrevistas com
profissionais especializados na área objeto do estudo. Estas últimas de extrema
importância para o estudo de caso relacionado à execução das estacas tubadas,
solução utilizada na obra residencial Condomínio Praça Villa Lobos.
17

4 JUSTIFICATIVA

O trabalho foi desenvolvido a fim de mostrar os benefícios e as desvantagens da


utilização de fundações metálicas em obras residenciais.

Existe uma situação diferenciada na obra em que foi feito o estudo de caso, que por
algumas particularidades de seu terreno, foram utilizadas soluções em estacas
metálicas. Com os problemas de solo encontrados no terreno, foram feitos testes
com outras soluções em fundações, utilizando-se nos testes outros tipos de estacas,
porém devido às características do terreno, procurou-se um método que pudesse
superar as dificuldades encontradas em campo, e trazer produtividade e segurança
à obra.

Depois de pesquisas e testes, a estaca tubada parecia ser a melhor solução, já que
atendia aos pré-requisitos exigidos para a execução da obra. Como sua utilização
geralmente é feita em obras marítimas de portos, pontes, viadutos e etc, a utilização
em uma obra residencial seria um desafio, já que os limites de horário e espaço
seria um problema a ser resolvido para o melhor desenvolvimento da obra, sabendo
que habitualmente, as obras marítimas e de infra-estrutura funcionam 24hs por dia, e
geralmente possuem espaço de sobra para a operação de seus equipamentos.

Sua grande capacidade de carga faz das estacas tubadas, uma excelente opção
para obras de grande porte, sendo o Condomínio Praça Villa Lobos, provavelmente,
o único caso até o momento no qual se utilizou a solução em uma obra predial.
18

5 FUNDAÇÕES EM ESTACAS METÁLICAS

As estacas metálicas são constituídas por peças de aço laminado ou soldado,


podendo ser perfis de seção I e H, chapas dobradas de seção circular, quadrada ou
retangular, ou até mesmo trilhos, que são muitas vezes fruto de reaproveitamento
quando perdem sua utilidade por desgaste nas linhas férreas.

As estacas de aço são excelentes elementos de fundação: são de fácil cravação,


possuem grande capacidade de carga e apreciável rigidez à flexão.

Em virtude do pequeno deslocamento do solo que as estacas de aço provocam


durante a cravação, além de se constituírem na melhor solução para atravessar
camadas resistentes intermediárias, podem ser cravadas, praticamente sem risco,
junto a fundações existentes.

Havendo ocorrência de solos muito adensáveis e sujeitos a ligeiras movimentações,


as estacas de aço, pelas pequenas superfícies de exposição que oferecem a essas
movimentações e pela grande rigidez à flexão, são as melhores soluções de
fundação.

A deterioração das estacas de aço é causada pela corrosão; a velocidade da


corrosão varia grandemente com a textura e composição do solo, com a
profundidade e com o teor de umidade. Em solos granulares, a velocidade da
corrosão pode ser próxima da velocidade na atmosfera livre enquanto que, em
argilas, a deficiência de oxigênio ocasiona condições próximas às da corrosão
submersa; solos contaminados por depósitos de carvão, aterros de cinzas, rejeitos
industriais, podem se tornar muito mais corrosivos (VARGAS, 1955).

As estacas de aço devem ser praticamente retilíneas e resistir à corrosão, pela


própria natureza do aço ou por tratamento adequado. Em geral, quando inteiramente
enterradas em terreno natural, independentemente da situação do lençol d’água, as
estacas metálicas dispensam tratamento especial. Havendo, porém, trecho
19

desenterrado ou imerso em aterro com materiais capazes de atacar o aço, é


obrigatório à proteção desse trecho com um encamisamento de concreto, ou outros
recursos adequados tais como pintura, proteção catódica, etc (VARGAS, 1955).

De acordo com a Norma Brasileira de Projeto e Execução de Fundações (NBR


6122), é exigido que as estacas metálicas enterradas tenham descontado uma
espessura de 1,5 mm de sua superfície em contato com o solo, resultando uma área
útil menor do que a área real do perfil. No caso dos trilhos usados, a redução de
peso não pode ser ultrapassada em 20% do teórico e nenhuma seção pode ter área
inferior a 40% da área do trilho novo.

A experiência brasileira em estacas metálicas é pouca, mas sabe-se que sua


corrosão ao longo do tempo é baixíssima. Em ambientes extremamente agressivos é
possível considerar uma corrosão de cerca de 5 mm em 100 anos. A corrosão é
mais rápida nos primeiros anos, depois estabiliza-se a situação. Enquanto a estaca
perde área da seção pelo desconto da superfície corroído, a rugosidade aumenta.

Além dos aspectos já citados, pode ser destacado ainda:

• Ótima interação com a superestrutura;


• Alta eficiência de cravação em solos de difícil penetração;
• Menor peso em relação a outros tipos de estacas, para idênticas cargas de
serviço;
• Facilidade de transporte e manuseio;
• Permite as mais diversas composições;
• Cravação por meio de diversos tipos de martelo: Queda livre, diesel, simples
e duplo efeito, vibratório, pneumático, a vapor e hidráulico;
• Possibilidade de cravação sob altas tensões compressivas de choque;
• Permite controle abrangente durante a execução;
• Solução competitiva.
20

As estacas metálicas não possuem limitação de profundidade, geralmente elas


possuem 12 m de comprimento e são emendadas com a utilização de solda. As
sobras podem ser usadas como emendas ou vendidas para reuso. Os tipos mais
usados são perfis: H, I ou tubos.

Durante o processo de cravação das estacas metálicas, um dos maiores problemas


é o barulho gerado pelo bate-estaca, porém podem ser cravadas sem causar
grandes vibrações, comparadas a cravação de estacas pré-moldadas de Concreto.

5.1 Tipos de Estacas Metálicas

A seguir são mostrados os tipos existentes de estacas metálicas, suas


características e aplicações como elementos de fundação.

5.1.1 Perfis I e H

Entre as estacas de aço mais utilizadas, as mais comuns são as constituídas por
perfis de aço I e H (Figura 5.1). Embora os perfis usados para estacas devam ser os
empregados em colunas, também poderão ser usados os desenhados para vigas,
pois a questão de flambagem em estacas é de pequena importância (VARGAS,
1955).

Figura 5.1 – Perfil I – (GERDAU-SP, 2006).


21

Essas estacas (Figura 5.2) podem ser cravadas até profundidades muito grandes,
com o fim de transferir a carga para um substrato profundo, firme, que é muitas
vezes constituído por rocha. As estacas de aço são consideradas ideais no caso de
pontes sobre rios extremamente largos e pouco profundos, sujeitos às grandes
enchentes, quando é necessário que a fundação obstrua o leito do rio o menos
possível (VARGAS, 1955).

Figura 5.2 – Perfis cravados em cortina (HOCHTIEF do Brasil, 2006).

Os perfis laminados em seção H foram desenhados para estacas nas quais a


espessura da alma é aproximadamente igual à das flanges (Tabela 5.1). As estacas
de seção H de aço devem ser sempre cravadas até, pelo menos, uma penetração
média, nos últimos 10 golpes de 50 cm, sob uma energia de cravação mínima de
250 Kg/cm² por golpe (Figura 5.3). Para penetrações maiores, acima de 40 m de
profundidade, não é econômico o uso dos perfis de aço (VARGAS, 1955).
22

Figura 5.3 - Cravação de estaca metálica (HOCHTIEF do Brasil, 2006).

Tabela 5.1 – Classificação de Perfis e Trilhos

Fonte: Companhia Siderúrgica Nacional, 2006


23

5.1.2 Trilhos

A carga admissível deverá ser considerada com uma redução de 25% em relação às
estacas de seção equivalente (Tabela 5.1), compostas de perfis metálicos. A seção
da estaca de trilho considerada deverá ser a menor existente ao longo da mesma,
caso os trilhos já tenham sido utilizados em ferrovias, e sua resistência já não é igual
a uma peça nova.

As estacas compostas de trilhos (Figura 5.4) não devem se constituir em primeira


opção de utilização de estacas metálicas e, na hipótese de ser necessária a análise
de um projeto com tal solução de fundação, deve ser considerada que:

Figura 5.4 – Trilhos para fundações (PANFER, 2006).

• Os trilhos oferecidos são em via de regra, peças usadas, em diferentes


estágios de corrosão e, às vezes, não atendendo, até aos limites de
consideração de estacas retilíneas, isto é, raio de curvatura maior que 400
metros;

• Na mesma seção transversal, as características do aço não são uniformes em


todo o perfil: o boleto, de aço endurecido, apresenta-se martelado,
desgastado e fadigado.
24

5.1.3 Pranchas

As estacas pranchas (Figura 5.5), apresentam campo de atuação na execução de


obras temporárias como valas para redes de água, esgoto e galerias, ou obras
definitivas como contenções, arrimos de pontes e viadutos, canais a céu aberto e
passagens urbanas rebaixadas (PENA LUZ, 2004).

Figura 5.5 - Estaqueamento com estacas prancha (VPA Construções, 2006)

As estacas pranchas são perfis que permitem um auto-acoplamento de várias peças


sucessivas com encaixes do tipo “macho-fêmea” (Figura 5.6). São fornecidas com
qualquer comprimento (Tabela 5.2) e apresentam saliências enrijecidas.

Figura 5.6 – Execução de estacas prancha (VPA Construções, 2006)


25

Tabela 5.2 - Especificações Técnicas das Estacas-Prancha

Comprimento 4,00 m 5,00 m 6,00 m

Fabricante - ARMCO ARMCO

Área por estaca 1,6 m² 2,00 m² 2,4 m²

Peso por peça 130 kg 190 kg 230 kg

Largura útil 40 cm 40 cm 40cm

Perímetro 75 cm 79 cm 79 cm

Espessura 4,5 mm 6,3 mm 6,3 mm

Reforço Cabeça 15 mm 15 mm 15 mm
Fonte: VPA Construções, 2006

Podem ser combinadas com outras técnicas de contenção como pranchas de


madeira, e apresentam as seguintes vantagens:

• Elevado reaproveitamento
• Obtenção de contenções impermeáveis
• Execução rápida
• Execução em obras temporárias e definitivas
• Atingem grandes profundidades
• Custo médio a alto

Apresentam algumas desvantagens:

• Difícil cravação em locais com interferências no subsolo


• Difícil transporte e içamento em áreas urbanas congestionadas
• Causam barulho e trepidação devido à cravação
• Necessidade de proteção anticorrosiva
26

5.1.4 Estacas tubadas

As estacas tubadas são formadas de chapas de aço (Figura 5.7), que calandradas
para atender um determinado diâmetro, servem como contenção das paredes de
solo que ficaram após a escavação da estaca, assim como parte do elemento
resistivo da estaca, que em conjunto com uma armação adequada, formam uma
estaca bastante utilizada em obras de grande porte como portos e viadutos, que em
geral necessitam de um elemento que resista a grandes cargas aplicadas.

Figura 5.7 – Posicionamento de camisa de estaca tubada (HOCHTIEF do Brasil, 2006)


27

Para sua execução, o local precisa ser espaçoso e com uma boa área de manobras,
justamente pelo fato de que o maquinário e as ferramentas de trabalho são de
grande porte, impossibilitando a utilização dessa solução em obras de pequeno
porte (Figura 5.8).

Figura 5.8 – Local de execução das estacas tubadas (HOCHTIEF do Brasil, 2004)
28

Além da escavação do fuste em solo natural, as estacas tubadas podem passar por
um processo de perfuração em rocha (Figura 5.9), executada por meio da utilização
de uma perfuratriz hidráulica (Figura 5.10), e o comprimento do pino irá variar de
acordo com a qualidade da rocha perfurada.

Figura 5.9 – Perfuração de pino em rocha de estaca tubada (HOCHTIEF do Brasil, 2006)

Figura 5.10 – Perfuratriz hidráulica (HOCHTIEF do Brasil, 2006)


29

A camisa de aço, com a mesma finalidade da de concreto armado, poderá ser


introduzida por cravação com bate-estacas, vibração ou equipamento com
movimento de vai e vem simultâneo, com força de cima para baixo.

A escavação interna poderá ser manual ou mecânica, feita à medida da penetração


do tubo ou de uma só vez, após a cravação total do mesmo (Figura 5.11). Caso
previsto, poderá ser executado um alargamento de base, com escavação manual
sob ar comprimido ou não.

Figura 5.11 –Camisa metálica cravada e escavada (HOCHTIEF do Brasil, 2005)

A camisa de aço deverá ser ancorada ou receber contrapeso para evitar sua subida
quando utilizado ar comprimido. Poderá ser recuperada à medida que for sendo
concretado o seu núcleo (Figura 5.12) ou posteriormente, se não considerado no
dimensionamento.
30

Figura 5.12 – Concretagem de estaca tubada (HOCHTIEF do Brasil, 2006)

5.2 Cravação de estacas

As estacas podem ser cravadas por prensagem, vibração ou até mesmo por
percussão. Quando se tem um terreno resistente, pode ser feito um furo prévio para
facilitar a entrada da estaca no solo; quando esse furo é profundo, pode ser utilizada
lama estabilizante.

5.2.1 Cravação por prensagem

A cravação por prensagem, no início era utilizada para reforços de fundações com a
utilização das estacas mega, porém hoje utiliza-se este método em obras em que é
necessário evitar vibrações e barulhos.
31

Outra característica deste método, é que em toda estaca cravada se realiza uma
prova de carga de até 1,5 vezes a carga de trabalho, ou seja, se a estaca esta
projetada para receber cargas de até 1000 Kg por exemplo, é realizado o ensaio
com cargas de 1500 Kg na estaca.

Para a cravação por prensagem utilizam-se macacos hidráulicos que reagem contra
uma plataforma com sobrecarga ou contra a própria estrutura. A cravação das
estacas por este método é feita aos pares e simetricamente em relação ao eixo do
pilar, enquanto as demais estacas do bloco permanecem incorporadas
provisoriamente para evitar giro do mesmo (VARGAS, 1955).

5.2.2 Cravação por vibração

O processo de cravação por vibração é feito utilizando-se um martelo, dotado de


garras para fixação à estaca, com massas excêntricas que ao girarem rapidamente
produzem uma vibração de alta freqüência que é transmitida à estaca. O martelo
não é apenas utilizado na cravação de estacas metálicas, como também na sua
remoção, quando são usadas em escoramentos provisórios. O seu uso hoje em dia
é bem restrito em função das vibrações transmitidas ao solo, assim como alguns
problemas operacionais (VARGAS, 1955).

5.2.3 Cravação por percussão

Utilizam-se pilões de queda livre ou automático, que também são chamados de


martelos diesel. Para o amortecimento dos golpes do pilão e a uniformização das
tensões, instala-se no topo da estaca um capacete dotado de “cepo” e “coxim”
(Figuras 5.13 e 5.14).
32

Figura 5.13 – Bate-estacas (HOCHTIEF do Brasil, 2006)

Figura 5.14 – Cepo e Coxim do bate-estacas ( 2006)


33

Nos martelos automáticos não é possível medir, de maneira direta, a altura de queda
do pistão. Os martelos automáticos são mais eficientes que a cravação com
martelos de queda livre, em virtude da maior freqüência de golpes aplicados à
estaca, o que faz com que a mesma esteja em contínuo movimento durante a
cravação (VARGAS, 1955).

As principais desvantagens são as liberações de gases provindas da queima de óleo


diesel e o barulho; isso faz com que sua utilização seja maior em regiões fora das
cidades e em obras industriais.

5.3 Controle de cravação das estacas metálicas

A seguir os mecanismos de controle usuais no campo para estacas metálicas.

5.3.1 Prova de carga estática

O método consiste em aplicar cargas à estaca medindo-se os recalques


correspondentes, conforme a Norma Brasileira – Estacas – Prova de carga estática
– Método de ensaio (NBR 12131).

De acordo com a NBR 6122/96, fixa-se em 1% o número de provas de cargas


estáticas de um conjunto de estacas com as mesmas características na obra,
respeitando-se o mínimo de uma prova de carga. Com a realização dessas provas,
permite-se reduzir o coeficiente de segurança global do estaqueamento de 2,0 para
1,6.
34

A NBR 6122 (1996) admite uma significativa redução em coeficientes de segurança


a serem adotados na obra caso tenham sido realizadas, “a priori”, provas de carga
em quantidade adequada. No entanto, a maioria dos ensaios é realizada para
verificação de desempenho de um elemento de fundação, quanto à ruptura e
recalque (Figura 5.15), ou seja, após a conclusão da cravação das estacas da obra.

Figura 5.15 – Esquema de montagem de uma prova de carga estática (FOÁ, 2001).

É conveniente ressaltar que alguns aspectos com influência no comportamento do


elemento de fundação podem não ser computados nos ensaios usuais como, por
exemplo, o histórico correto do carregamento.

5.3.2 Nega

A cravação de uma estaca é um fenômeno dinâmico e, portanto, além da resistência


estática do solo, há a mobilização da resistência dinâmica. Desta forma a carga de
trabalho obtida pelas fórmulas dinâmicas, deve ser feita dividindo-se a resistência à
cravação por um coeficiente de correção que fará o devido desconto da resistência
dinâmica (VELLOSO e LOPES, 2002).
35

O controle utilizando-se a nega, é mantido até hoje, apesar de outros processos


terem tido grandes avanços, o método continua sendo utilizado em praticamente
todas as obras. A nega, corresponde à penetração permanente da estaca causada
pela aplicação de um golpe do pilão; em geral é medida por uma série de dez
golpes.

Além da maneira de medição de nega descrita, pode-se prender uma folha de papel
ao fuste da estaca e no momento do golpe passar um lápis na horizontal, com o
auxílio de uma régua apoiada em pontos fora da estaca. Nesse caso, o lápis deixará
marcado no papel o movimento da estaca ao receber o golpe do martelo. Este
registro indicará a nega e o repique da estaca (Figura 5.16).

Figura 5.16 – Medição de Nega (2006)

5.3.3 Instrumentação dinâmica

O controle é feito pelo monitoramento das estacas, e seu uso vem aumentando, em
função da compatibilidade com os valores obtidos em provas de carga. A vantagem
do monitoramento é poder ensaiar grande quantidade de estacas em um curto
período de tempo, ao contrário das provas de cargas estáticas que levam mais
tempo e custam mais caro (VARGAS, 1955).
36

O monitoramento consiste em acoplar à estaca um par de transdutores de


deformação específica e um par de acelerômetros, posicionados diametralmente,
para compensar eventuais efeitos de flexão devido à excentricidade dos golpes do
martelo sobre a estaca.

Esses instrumentos estão ligados a analisadores que fazem a aquisição e


recolhimento dos dados por meio dos sinais enviados pelos transdutores de
deformação específica e acelerômetros (Figura 5.17). O primeiro destes
analisadores de sinais foi o Pile Driving Analyser (PDA) (Figura 5.18), disponível já
na década de 70. Posteriormente, vários pesquisadores e firmas de engenharia
desenvolveram equipamentos similares.

Atualmente estes sistemas evoluem muito rapidamente, acompanhando o progresso


da eletrônica e da informática aplicada, e permitem processamento em tempo real
de armazenamento e envio remoto de dados digitalizados (NIYAMA, 1988).

Figura 5.17 - Transdutor de deformação específica e acelerômetro acoplados a uma estaca.


37

Figura 5.18 - Analisador de sinal tipo PDA (Pile Driving Analyser)

5.3.4 Repique

O repique corresponde à parcela elástica do deslocamento de uma seção da estaca,


decorrente da aplicação de golpes do pilão. Este valor pode ser obtido por meio do
registro em folha de papel fixada na seção considerada da estaca, movendo-se com
um lápis, apoiado em régua fixa, lenta e continuamente durante o golpe do pilão.
38

6 ESTUDO DE CASO – ESTACAS TUBADAS

O local onde está sendo executada a obra escolhida para estudo nesse trabalho
apresenta condições adversas para a execução de fundações normais, uma vez que
o maciço terroso é formado, basicamente, de material proveniente de aterro, o
chamado "bota-fora", extremamente heterogêneo e de baixa capacidade resistente.

As estacas escavadas com camisa perdida são de grande diâmetro, com a base de
assentamento perfurada em rocha. Este processo, apesar de consagrado em obras
pesadas como pontes e portos, é pouco usado em fundações prediais, sendo a Obra
do Condomínio Praça Villa Lobos, provavelmente, o único caso no Brasil até o
momento.

6.1 Descrição da Obra

Localizada na Avenida das Nações Unidas, 4797, ao lado do Shopping Villa Lobos e
em frente ao Rio Pinheiros, encontra-se a obra do condomínio residencial Praça Villa
Lobos.

Em um terreno de 32.000m² e uma área construída de 120.000m², a obra residencial


de alto padrão é composta por: nove torres com vinte e cinco andares cada, dois
subsolos para garagens, estacionamento para visitantes no térreo, com clube no
subsolo e salão de festas independente no térreo, além de praça exclusiva de
10.000m² (Figura 6.1).
39

Figura 6.1 – Perspectiva do empreendimento (HOCHTIEF do Brasil, 2006).

Atualmente a obra encontra-se em execução, com todas as Torres em


desenvolvimento. Sua conclusão está prevista para fevereiro de 2008. As Figuras
6.2 e 6.3 mostram a situação atual da obra.

Figura 6.2 – Foto Aérea do Empreendimento 1 (HOCHTIEF do Brasil, 2006).


40

Figura 6.3 – Foto Aérea do Empreendimento 2 (HOCHTIEF do Brasil, 2006).

6.2 Características do Solo

O terreno em que se encontra a obra faz parte de uma região que era utilizada para
descarga de materiais provenientes do canal do Rio Pinheiros.

O material lançado na região, não se resume a apenas solo e água, mas também a
uma mistura de siltes, argilas, areias e outros materiais(Figura 6.4), fazendo da
região um aterro utilizado por obras da Av. Paulista e dos Jardins como bota-fora.
41

Figura 6.4 – Escavação em corte do terreno (HOCHTIEF do Brasil, 2006).

Na Figura 6.5 pode–se notar a presença de uma laje de concreto lançada no terreno
ainda quando era um bota-fora.

Figura 6.5 – Descoberta de laje de concreto durante escavação (HOCHTIEF do Brasil, 2006).
42

Na Figura 6.6, pode-se ver com mais detalhes, um perfil de sondagem do terreno.

(704,52) SONDAGEM S4A /0 2 /2 1 "

0,00
ATERRO DE ARGILA SILTO ARENOSA, COM CASCALHOS, VERMELHA
0,40 E CINZA

ATERRO DE AREIA FINA MUITO ARGILOSA, CINZA


3 1 1,20

1 2
silto arenosa

com cascalhos
1,5 3
ATERRO DE ARGILA SILTOSA,
com entulho, dura
08 30 4
700
15 05
C/ MATÉRIA ORGÂNICA, MUI-
3 5
TO MOLE A MOLE, CINZA E
2 6
CINZA ESCURA
2 7

4 8

8,80
N. A. com cascalhos
23 695 9
ATERRO DE AREIA FINA E MÉDIA ARGILOSA, MEDIANAMENTE COM-
9,51 PACTA A COMPACTA, CINZA E AMARELA
com detritos vegetais
9 01/09/03 10
10,40
ATERRO DE ARGILA SILTO ARENOSA, COM MATÉRIA ORGÂNICA, COM
CASCALHOS, MOLE, CINZA
4 11 11,30

5 12
pouco micácea

2 13 com cascalhos

ATERRO DE AREIA FINA AR-


3 690 14

GILOSA, COM MATÉRIA ORGÂ-


3 15
NICA, MOLE, CINZA
3 16
com cascalhos

5 17
fina e média muito argilosa

37 18 18,20

AREIA FINA POUCO ARGILOSA, COMPACTA, CINZA


18 685 19 19,30

22 20
SOLO RESIDUAL

SILTE ARENO ARGILOSO, COM FRAG-


23 21
MENTOS DE ROCHA, COMPACTO A
05 25 MUITO COMPACTO, CINZA
15 15
22
cinza e amarela

30
13
23
23,73
*
()

SOND. REVEST. AVANÇO A TRADO AVANÇO POR LAVAGEM


INÍCIO TÉRMINO
n-o m m m

S4A 29/08 02/09 11,60 0,00 a 9,00 9,45 a 23,73

*
() IMPENETRÁVEL À FERRAMENTA DE PERCUSSÃO.

Figura 6.6 – Perfil de sondagem (HOCHTIEF do Brasil, 2006).


43

6.3 Informações Técnicas

As características gerais da obra tais como materiais utilizados, comprimentos e


diâmetros das estacas são apresentados a seguir.

6.3.1 Diâmetros das camisas metálicas

As estacas tubadas, podem possuir diversos diâmetros de camisa, porém na obra


apresentada, são utilizados apenas: Φ150cm e Φ120cm, como mostra a Figura 6.7.

Diâmetro 1,20m
Diâmetro 1,50m

Figura 6.7 – Croqui de projeto de fundações em estacas tubadas de uma torre (HOCHTIEF do
Brasil, 2006).
44

6.3.2 Comprimento das estacas

Os comprimentos das estacas variam de acordo com as características do solo,


podendo ter comprimentos cravados em intervalos de 20 a 40 m de profundidade em
solo (1ª etapa), e de 8 a 15 m cravados em rocha (2ª etapa), como mostra a Figura
6.8.

Figura 6.8 – Croqui de estaca tubada (HOCHTIEF do Brasil, 2006).

6.3.3 Material utilizado

Para a confecção das camisas metálicas, são utilizadas chapas de aço de 6,3 e 9,5
mm, sendo que a cada módulo soldado, as espessuras se alternam (Figura 6.9), ou
seja, primeiro é soldado um tubo de 6,3 mm no tubo de 9,5 mm, e assim
sucessivamente.
45

Figura 6.9 – Módulo de estaca tubada (HOCHTIEF do Brasil, 2006).

O concreto utilizado nas estacas tem a seguinte composição:

• Consumo de cimento de 502Kg para cada m³ de concreto; Slump 20±2mm;


Brita 1; areia de quartzo

6.4 Execução das estacas tubadas

O processo executivo é composto por quatro fases que são mostradas a seguir.
46

6.4.1 Cravação e escavação do Tubo Metálico (Camisa Metálica)

Antes de iniciar-se o processo de cravação e escavação interna das camisas


metálicas, as mesmas passam por um processo de dobra, a fim de atingir o diâmetro
necessário para a formação da estaca tubada.

Com chapas de aço variando de 6,3 a 9,5mm de espessura (Figura 6.10), a


calandra, nome dado ao torno que produz as dobras nas chapas (Figura 6.11), inicia
o processo de calandragem de chapas, que não é nada menos do que transformar
chapas planas, em tubos de aço (Figura 6.12).

Figura 6.10 – Chapas de aço (HOCHTIEF do Brasil, 2005).


47

Figura 6.11 – Calandra (HOCHTIEF do Brasil, 2005).

Figura 6.12 – Chapa de aço calandrada (HOCHTIEF do Brasil, 2005).


48

Após as chapas serem calandradas, os tubos são soldados em módulos de


aproximadamente 7 m (Figura 6.13).

Figura 6.13 – Tubos de aço soldados em módulos (HOCHTIEF do Brasil, 2004).

Crava-se no terreno um módulo (tubo) metálico no diâmetro da estaca com o


emprego de martelo de queda livre, até que o mesmo atinja a região do topo da
rocha (Figura 6.14).
49

Figura 6.14 – Cravação da camisa metálica (HOCHTIEF do Brasil, 2005).

À medida que a camisa penetra no terreno, no interior do mesmo é feita à retirada do


solo com uma ferramenta de escavação denominada Hammer Grab (Figura 6.15).
50

Figura 6.15 – Hammer Grab (HOCHTIEF do Brasil, 2005).

Então, o processo de cravar e limpar, emendar e cravar repete-se até que a ponta
do tubo atinja a cota possível prevista em projeto. (Figura 6.16).

Figura 6.16 – Escavação do solo no interior da estaca (HOCHTIEF do Brasil, 2005).


51

6.4.2 Perfuração em Rocha

Estando o tubo metálico cravado até a cota da rocha, procede-se à escavação da


rocha com perfuratriz rotativa hidráulica tipo Wirth (Figura 6.17).

Figura 6.17 – Perfuratriz hidráulica Wirth (HOCHTIEF do Brasil, 2005).


52

A broca de grande diâmetro é formada por vários roletes com pontas de tungstênio,
conforme mostra a Figura 6.18.

Figura 6.18 – Brocas de perfuratriz hidráulica WIrth (HOCHTIEF do Brasil, 2005).

O tubo deve estar cheio de água para que o processo de perfuração possa ocorrer,
pois o sistema de limpeza dos detritos da perfuração da rocha é feito por circulação
de água (Figura 6.19).

Assim, enquanto a ferramenta de corte da rocha avança, a limpeza do furo é


procedida sem que para isto seja preciso remover a ferramenta do interior da
escavação e os resíduos são direcionados para tanques de água (Figura 6.20), nos
quais serão decantados para que a água possa ser reutilizada. No transcorrer da
perfuração é possível coletar o material perfurado, avaliar e comparar as
características do maciço rochoso com o descrito na sondagem e, assim, melhor
53

definir a profundidade a ser atingida pela estaca em função dos parâmetros


geotécnicos adotados em projeto.

Figura 6.19 – Circulação de água para retirada de maciços rochosos (HOCHTIEF do Brasil,
2005).

Figura 6.20 – Tanques para decantação da água (HOCHTIEF do Brasil, 2005).


54

6.4.3 Colocação da Armadura

Concluída a perfuração, a perfuratriz é retirada e a armadura tipo "Gaiola" (Figura


6.21), é içada pelo guindaste e instalada no furo (Figura 6.22).

Figura 6.21 – Montagem de armação (HOCHTIEF do Brasil, 2005).

Figura 6.22 – Içamento de armação (HOCHTIEF do Brasil, 2005).


55

E na Figura 6.23, a armação já está dentro da estaca aguardando a chegada do


concreto.

Figura 6.23 – Armação dentro da estaca (HOCHTIEF do Brasil, 2005).

6.4.4 Concretagem

A concretagem é submersa, ou seja, o interior da perfuração estando cheio de água,


procede-se ao lançamento do concreto utilizando-se do tubo tremier de concretagem
que está imerso no fundo da estaca e conforme o concreto é lançado, a água é
expulsa da estaca. Nas Figuras 6.24 e 6.25 pode-se ver respectivamente a bomba
do tipo lança preparando-se para a concretagem, e a estaca após a concretagem.
56

Figura 6.24 – Bomba lança de concreto (HOCHTIEF do Brasil, 2005).

Figura 6.25 – Estaca tubada concretada (HOCHTIEF do Brasil, 2005).


57

7 ANÁLISE

Estacas embutidas em rocha com camisa metálica permitem a aplicação de maiores


tensões de trabalho resultando numa maior capacidade de carga para um mesmo
diâmetro, se comparadas com estacas convencionais escavadas e, em alguns
casos, até a redução de seus quantitativos.

A utilização das camisas metálicas também contribui, estruturalmente, na


capacidade final da estaca e permite a redução do emprego da armadura (gaiola). A
metodologia aplicada não impõe limite para os comprimentos a serem perfurados,
podendo alcançar grandes profundidades em quaisquer tipos de rocha,
independentemente, de sua dureza.

Mesmo com grandes velocidades de avanço dessas perfurações, é possível garantir


a sua verticalidade, o que nem sempre ocorre, como por exemplo, em estacas
perfuradas com baldes ou ferramentas similares, além de não permitirem seu
avanço em rocha. O sistema de perfuração por circulação reversa garante a limpeza
do furo bem como a avaliação qualitativa do maciço que está sendo escavado.

A implantação e execução desta solução na obra, apenas foi possível devido ao


tamanho do terreno. A utilização de maquinário pesado e de grandes dimensões
exige uma logística de movimentação e remanejamento de equipamentos para se
evitar congestionamentos, ou até mesmo ociosidade de mão-de-obra e dos próprios
equipamentos.
58

8 CONCLUSÕES

Neste trabalho, destaca-se a importância da utilização de estacas metálicas nos


processos de construção civil, em especial nos chamados processos construtivos
complexos.

As estacas tubadas são uma boa solução, desde que se tenha espaço físico na
obra, para movimentação e operação dos equipamentos, assim como liberdade para
trabalhar sem horários definidos, pois geralmente obras com esta solução, trabalham
praticamente 24 horas por dia, o que não acontece com a obra Condomínio Praça
Villa Lobos, que possui acordo com a vizinhança de trabalho até às 19:00 horas, o
que leva a uma perda de produtividade grande, levando a execução das estacas a
um prazo mais extenso que o normal.

A grande capacidade de carga das estacas tubadas acaba sendo uma de suas
melhores características, sendo utilizadas em obras de grande porte que exigem
bastante de suas fundações, como é o caso do Condomínio Praça Villa Lobos.

Por fim, o esforço que procura-se desenvolver, no sentido de demonstrar a eficácia


da utilização deste meio e dos processos de sua integração na grande estrutura,
abordando, sempre que possível, as metodologias de fabricação e cravação em solo
e atendimento às normas técnicas pertinentes.
59

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABEF, Associação Brasileira de Empresas de Engenharia de Fundações e


Geotecnia. Manual de Especificações de Produtos e Procedimentos. São Paulo:
2 Ed.,1999

ANDRADE, Paulo. 1ª obra utilizando-se estacas metálicas no Brasil. São


Paulo,1999.Disponível em: <http://www.pauloandrade.com.br/publicacoes> Acesso
em: 22 jul.2006.

Companhia Siderúrgica Nacional, São Paulo, 2006. Disponível em:


<http://www.csn.com.br> Acesso em: 25 jul.2006.

FOÁ, Cotia, 2006. Disponível em: <http://www. www.foa.com.br> Acesso em: 25


jul.2006.

Gerdau. Perfis Laminados Aplicados como Estacas Metálicas, catálogo: São


Paulo,2006

HOCHTIEF do Brasil. Obra Condomínio Praça Villa Lobos. São Paulo, 2004.

HOCHTIEF do Brasil. Obra Condomínio Praça Villa Lobos. São Paulo, 2005.

HOCHTIEF do Brasil. Obra Condomínio Praça Villa Lobos. São Paulo, 2006.

NBR 12131. Estacas – Prova de carga estática, Associação Brasileira de Normas


Técnicas, Rio de Janeiro, 1991.

NBR 6122. Projeto e execução de fundações, Associação Brasileira de Normas


Técnicas, Rio de Janeiro, 1996.

PANFER, São Paulo, 2006. Disponível em: <http://www.panfer.com.br/trilhos.htm>


Acesso em: 25 jul.2006.
60

VARGAS, Milton. Manual do Engenheiro Globo, IV volume. Porto Alegre:


Globo,1955

VELLOSO, D. A., LOPES, F. R., 2002, Fundações. Vol. 2, 472 p., 1 ed., Rio de
Janeiro, Editora Coppe.

VPA Construções, estacas pranchas. São Paulo. Disponível em: <http://www.


vpaconstrucoes.com.br/index.php?action=aluguel>. Acesso em: 25 jul. 2006.