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Universidade de Caxias do Sul

Bacharelado em Psicologia

A vivência da morte na criança e o luto na infância

Acadêmica: Gabrielle Biondo

Caxias do Sul, 22 de novembro de 2018.


"A vivência da morte na criança e o luto na infância" é um artigo escrito em
2010 na cadeira de Psicologia Clínica e da Saúde do 3º ano de Licenciatura de
Psicologia da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologia, Lisboa, Portugal.
A ideia dos cinco autores (Ana Pedro, Andreia Catarino, Diogo Ventura, Fabiana
Ferreira e Helena Salsinha) foi trazer uma compreensão da vivência da morte e do luto
na criança, explicando como a criança internaliza a morte ao longo dos seus vários
estágios de desenvolvimento, como ela faz para gerir o sentimento de perda, como ela
pode vir a se comportar e a dificuldade de elaboração do luto com suas consequências.
Os autores salientaram que a experiência da perda e a dor em que dela resulta
são fenómenos inevitáveis da vida, mas que infelizmente a morte ainda é tratada como
tabu e com as crianças não seria diferente. Mas segundo Kübler-Ross (1991), as
reacções emocionais e comportamentais da criança perante a morte não são equivalentes
às dos adultos. A perda de um progenitor é diferentemente vivida consoante à idade e as
vivências prévias da criança com questões da morte e perda, uma vez que estas a
preparam psicologicamente para encarar situações desta natureza. Foi colocada a
importancia dos pais, educadores e psicólogos tomarem consciência de que privar as
crianças de esclarecimentos, impedi-las de viver o luto e elaborar internamente os
sentimentos que sentem após o desfazer de um vínculo afectivo significativo são
práticas negativas que podem trazer consequências graves. Um ponto importante datado
no artigo foi à diferença do “sentir o luto” em cada faixa etária, do começo da vida até a
idade ecolar. Observa-se que as pessoas acreditam que a criança é frágil para aguentar a
morte ou incapaz de compreendê-la, mas na verdade, tais erros não oferecem às crianças
uma oportunidade de amadurecer nem ganhar estratégias e capacidades psicológicas
para criar uma representação interna da morte como um acontecimento natural e
inevitável que, mesmo que cause forte sofrimento interno, é possível de ser
ultrapassado.

Shuchter & Zisook (1993 cit. por Hagman, 1996) afirmam que o luto é um
fenómeno natural que ocorre depois da perda de uma pessoa significativa, sendo um
processo individual, que varia de pessoa para pessoa, de momento para momento e que
envolve muitas dimensões do ser humano. Sendo assim, é importante deixar a criança
sentir o luto, sentir a perda, porem deve-se atentar a duração dessa dor. Pollock (1961,
cit. por Hagman, 1996) defende a tese de que o luto é uma resposta adaptativa à perda
de uma pessoa querida e que é um processo que permite garantir a sobrevivência face à
separação ou perda. A dor do luto passa, é natural que a criança ultrapasse essa fase,
mesmo que com sua ingenuidade ela vai evoluindo e aprendendo com a situação e logo
vai saber com “colocar a morte” como algo natural e inevitável.