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Da união das divindades marinhas Fórcis - conhecido como o

‘Grisalho’, habitante da parte remota do Ocidente - e Ceto nasceram


as Gréias – criaturas detentoras de um único olho e de um só dente,
dividido entre elas – e as três Górgonas, deusas gregas de intensa
beleza. Eram elas Esteno, ‘a forte’, Euríale, ‘a que corre o mundo’,
e Medusa, ‘a ladina’, das quais somente esta era mortal.

Estátua de Perseu segurando a cabeça da Medusa. Benvenuto Cellini, 1545. Foto: kubais /
Shutterstock.com

Suas faces detinham extrema formosura, os corpos eram esbeltos, e


elas portavam delicadas asas douradas dobradas sobre os ombros.
Não por acaso Poseidon, deus do Mar, se encantou com Medusa ao
encontrá-la envolta por flores primaveris. Ambos fazem amor em um
templo dedicado a Atena, despertando a fúria desta deusa, a qual
decide punir as Górgonas, transmutando-as em terríveis e
monstruosas criaturas. Seus cabelos são substituídos por serpentes
com presas afiadas, suas mãos agora são de bronze, a pele é
semelhante a de um lagarto, a língua rodeada por presas de javali, e
seus olhos adquirem o poder de petrificar quem os mire. Medusa é a
mais pavorosa.

Temidas pelos mortais e pelos deuses, elas se refugiam na terra


paterna, tornando-se vizinhas do reino noturno, governado por Nix, a
divindade da Noite. São protegidas pelas irmãs mais velhas, as
Gréias. Na caverna habitada por elas era comum encontrar seres
vivos convertidos em pedra, por terem ousado olhar para elas. Elas
são vistas como entidades responsáveis pela proteção do limiar dos
mistérios ancestrais. Alguns estudiosos acreditam que as antigas
sacerdotisas utilizavam máscaras de Górgonas para distanciarem de
si os não iniciados em seus segredos.

O herói Perseu é uma figura posteriormente inserida pela mitologia


grega. Ele recebe a tarefa de matar Medusa, com o objetivo de
entregar ao rei Polidete sua cabeça, para que este a presenteie ao rei
de Pisa, Énomao, que assim lhe concederá a mão de sua filha,
Hipodâmia. Ajudado por Atena e por algumas ninfas africanas, ele
recebe um elmo que o torna invisível, um escudo de bronze para
poder mirar a Górgona sem ser petrificado e um par de sandálias
aladas, que lhe permitem maior leveza e mobilidade. Assim ele vence
os obstáculos e obtém a prenda desejada, a qual é protegida numa
bolsa envolta em magia, a qual preserva Perseu e outros do olhar
petrificador, que preserva seu poder mesmo depois da morte da
divindade.

Quando a cabeça da Medusa é cortada, nascem de seu pescoço


Pégaso, o cavalo alado, e Crisaor, filhos de Poseidon. O sangue da
deusa é presenteado a Esculápio, divindade portadora do dom da
cura, fundador da Medicina, o que revela o poder igualmente positivo
e curador da Górgona, não apenas destrutivo; isto lhe confere um
certo equilíbrio. Perseu faz da cabeça de Medusa uma arma, derrota
assim o gigante titã que o ameaça, e imobiliza o rei Polidete e sua
corte, entregando a cabeça monstruosa para Atena, que a transforma
em tótem, o qual a protege contra seus adversários e contra toda
maldade.

‘Medusa’ também significa ‘sabedoria feminina’, e seu simbolismo foi


transportado da Líbia, onde as amazonas a cultuavam como a Deusa
Serpente, a Atena desta região, para a Grécia, onde ela ganha outras
conotações e é apartada de Atena, transformada pelos gregos em
inimiga da Górgona.

Fontes
http://pt.wikipedia.org/wiki/Medusa_(mitologia)
http://www.rosanevolpatto.trd.br/medusa.htm