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HISTÓRIA DA

ARTE
ROTEIRO SUBSIDIÁRIO
TERCEIRA SÉRIE DO ENSINO MÉDIO

ORGANIZAÇÃO: J. ANDRÉ DE AZEVEDO


Professor J. André de Azevedo. Colégio Global 2011 2

UMUARAMA, 2012
I. CONCEITO DE ARTE 1
1. Definição de Arte

Por Arte podemos definir a criação humana com valores estéticos (beleza, equilíbrio,
harmonia, revolta, etc.), a qual sintetiza as emoções, a história, os sentimentos e a cultura.
Trata-se de um conjunto de procedimentos utilizados para realizar obras e nos quais
aplicamos nossos conhecimentos.
Apresenta-se sob variadas formas como: arte plástica, música, escultura, cinema, teatro,
dança, arquitetura, etc.
Pode ser vista ou percebida pelo ser humano de três maneiras: visualizada, ouvida ou
mistas (audiovisuais).
Hoje alguns tipos de arte permitem que o apreciador participe da obra de arte, constituindo-
o protagonista.

2. Quem faz Arte?

O homem criou objetos para satisfazer suas necessidades práticas, como as ferramentas
para cavar a terra e os utensílios de cozinha. Outros objetos são criados por serem interessantes
ou possuírem um caráter instrutivo. O homem cria a arte como meio de vida, para que o mundo
saiba o que pensa, para divulgar as suas crenças (ou as de outros), para estimular e distrair a si
mesmo e aos outros, para explorar novas formas de olhar e interpretar objetos e cenas.

3. Por que o mundo necessita de Arte?

O perguntar-se sobre o porquê fazemos Arte e para que a usamos é aquilo que chamamos
de função da arte e esta pode ser:

 Decorativa;
 Naturalista;
 Utilitária
 Explicativa;
 Clínica;
 Explorativa.

4. Como entendemos a Arte?

O que vemos quando admiramos uma obra de arte depende da nossa experiência e
conhecimentos, da nossa disposição, imaginação e daquilo que o artista pretendeu mostrar.

5. O que é estilo? Por que rotulamos os estilos de Arte?

Estilo trata-se da maneira como o trabalho se mostra depois de o artista ter tomado suas
decisões. Cada artista possui um estilo único.

6. Como conseguimos ver as transformações do mundo através da Arte?

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http://www.artesbr.hpg.ig.com.br/Educacao/11/index_hpg.html, acesso aos 12/01/2010.
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No tocante ao mundo artístico, é possível verificar o estilo, a época, o local e a técnica
empregados na obra de arte; podemos “dialogar”dialogando com a obra de arte e assim entender
as mudanças ocorridas nas sociedades.

7. Como as idéias se espalham pelo mundo?

Exploradores, comerciantes, vendedores e artistas costumam apresentar às pessoas idéias


de outras culturas. Os progressos na tecnologia também difundiram técnicas e teorias. Elas se
espalham:

 Pela arqueologia: quando se descobrem objetos de outras civilizações;


 Pela fotografia: a arte passou a ser reproduzida e, nos anos 1890, muitas das revistas
internacionais de arte já tinham fotos;
 Pelo rádio e televisão: o rádio foi inventado em 1895 e a televisão em 1926, permitindo
que as idéias fossem transmitidas por todo o mundo rapidamente, os estilos de arte podem
ser observados, as teorias debatidas e as técnicas compartilhadas;
 Pela imprensa (inventada por Johann Guttenberg por volta de 1450): os livros de arte
podiam ser impressos e distribuídos em grande quantidade;
 Pela internet: alguns artistas colocam suas obras em exposição e podemos pesquisá-las,
bem como saber sobre outros estilos.
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II. TEORIAS DA ARTE 2


Introdução: É possível falar de uma teoria da Arte?

As teorias da Arte têm por objetivo explicar a natureza da obra de arte em geral. Alguns
críticos consideram essa tarefa inevitavelmente fadada ao fracasso. Segundo eles, a arte é um
fenômeno demasiado diversificado para que possa ser encontrada uma essência comum a todas
as suas manifestações, o que equivale a dizer que não podemos encontrar condições necessárias
e suficientes para a sua identificação, ou seja, condições que, uma vez presentes, nos garantam
que estamos diante de obras de arte.
O que há de comum, afinal, entre o teto da capela Sistina e as caixas de presente? Muito
pouco. Essa objeção toma uma forma articulada na sugestão, feita por Morris Weitz, de que o
conceito de arte não pode ser definido em termos de condições necessárias e suficientes por se
tratar de um conceito caracterizado pelo que Wittgenstein chamava de semelhanças de família,
tal como os conceitos de jogo, número e religião. Tais conceitos parecem possuir uma essência
comum a todas as suas aplicações, mas na realidade apresentam apenas semelhanças parciais
entre uma e outra aplicação, nada possuindo de relevante que seja comum a todas as aplicações.
As similaridades entre as aplicações são, em uma metáfora de Wittgenstein, como as cerdas
trançadas de um mesmo fio, que apenas parecem percorrer toda a sua extensão.
Essa objeção pode bem ter a sua importância. Mas é necessário notar que a noção de
semelhanças de família, se interpretada como exigindo apenas que os objetos de aplicação do
conceito possuam semelhanças quaisquer entre si, é incoerente. Qualquer coisa é, em algum
aspecto, semelhante a qualquer outra coisa. Como já se notou, o edifício do Empire State e um
alfinete são semelhantes no tocante ao fato de serem feitos de material inorgânico e de serem
pontudos, o que não nos qualifica a dizer que o Empire State é um alfinete. Se as semelhanças
não forem, por algum critério, limitadas, conceitos com semelhanças de família tornam-se
ilimitadamente aplicáveis, perdendo a sua função classificatória e deixando de fazer qualquer
sentido. Um meio de delimitar as semelhanças sem fazer apelo a uma essência comum consiste
em estabelecer um paradigma, que consiste um uma série de propriedades para a aplicação do
conceito, e no estabelecimento de uma regra criterial, exigindo uma compartilhamento mínimo
entre as propriedades de um objeto e as propriedades descritas no paradigma. Dessa forma, dois
objetos podem não possuir nenhuma propriedade comum e mesmo assim compartilharem
suficientemente das propriedades descritas no paradigma para cairem sob o mesmo conceito.
Esse poderia ser o caso, por exemplo, do conceito de religião.
Contudo, se nós considerarmos as coisas dessa maneira, as teorias da arte voltam a fazer
sentido, se não como teorias que visam estabelecer condições necessárias e suficientes ou
essências comuns, ao menos como teorias que devem estabelecer o paradigma daquilo que
chamamos de arte, além das margens de similaridade entre o objeto e o paradigma a serem
requeridas para que ele possa ser chamado de obra de arte. O importante passa a ser que essas
teorias sejam capazes de iluminar dimensões importantes da obra de arte, as quais constituem o
paradigma, além das relações sistemáticas eventualmente existentes entre elas.
Mas há uma outra maneira (não necessariamente conflitante com a que acabamos de
expor) de se abordar a questão. Um conceito com aplicações muito diversificadas pode ser muitas
vezes analisado como um conceito formado por subconceitos variadamente assemelhados entre
si. Sendo assim, mesmo que certo conceito geral não possua uma essência comum às suas
aplicações, isso não significa que os subconceitos que o constituem, se considerados
individualmente, não possuam essências comuns a suas aplicações ainda mais específicas. Além
disso, há subconceitos que são mais fundamentais e que importa mais analisar. Considere, por
exemplo, o conceito de verdade, que se subdivide em dois subconceitos, o da verdade como

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http://criticanarede.com/html/est_tarte.html, acesso aos 12/01/2010.
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antônimo da falsidade, e da verdade como antônimo da mentira - o primeiro é certamente mais
fundamental, só vindo associado ao segundo pelo fato de mentirosos dizerem coisas falsas.
Se assim for, uma teoria da arte pode esclarecer a essência comum ao que pertence a uma
espécie importante de arte, sendo essa uma tarefa mais relevante do que a de estabelecer uma
regra criterial capaz de delimitar nossas aplicações da palavra "arte" em circunstâncias nas quais
a busca de uma essência comum revelou-se uma miragem.
No que se segue queremos expor e discutir brevemente algumas teorias mais influentes
acerca da natureza da arte em algumas de suas variantes, em busca do que possa parecer mais
esclarecedor.

1. Representacionalismo

O representacionalismo é a mais antiga concepção sobre a natureza da arte, sugerindo


que a sua função é a de representar alguma coisa. Platão e Aristóteles concebiam a arte
como imitação ou mímese, ou seja, uma representação naturalista da realidade. Assim, a pintura
imita a natureza, o drama imita a ação humana.
Essa concepção já era problemática na Antiguidade. A música instrumental, por exemplo,
não parece imitar coisa alguma. E a pintura moderna tornou essa concepção ainda menos
plausível. Um quadro que intenta copiar a realidade é chamado pejorativamente de Trompe D'oeil
e geralmente visto como alguma coisa sem valor estético. Esse juízo não pode ser generalizado.
A série dos autorretratos de Rembrandt, nos quais ele, honesta e corajosamente, retrata a sua
própria decadência, são obras de arte. Mas grande parte da pintura, da literatura, quase toda a
música, não são certamente cópias literais de coisa alguma.
Uma segunda versão do representacionalismo é o representativismo, que é a teoria
representacional propriamente dita. A obra de arte não precisa ser uma cópia ou imitação da
realidade, ou seja, uma representação naturalista; ela pode ser uma representação puramente
convencional ou simbólica. Assim, um quadro cubista, embora pareça muito pouco com aquilo
que representa, não deixa por isso de ser considerado uma obra de arte. Essa versão do
representativismo é, mesmo assim, insuficiente. O que dizer da pintura realmente abstrata, como
o Número 32 de Pollock, ou de objetos achados, como o pissoir de Marcel Duchamp (intitulado A
Fonte), ou de músicas puramente orquestrais como a Sétima Sinfonia de Beethoven?
Convencionalmente, essas obras não simbolizam nada.
A terceira versão do representativismo é o que já foi chamado de neo-
representacionalismo. Nessa versão não é mais exigido que a obra de arte represente nada,
mas que seja sobre algo, que possua um tema, um assunto, um significado, que nos diga algo de
alguma coisa. Mais tecnicamente: uma obra de arte precisa ter algum conteúdo semântico.
Com efeito, toda obra de arte admite ser interpretada, e se ela admite ser interpretada é porque
ela nos diz algo, e se ela nos diz algo é porque possui algum conteúdo semântico. Esse conteúdo
semântico não costuma ser convencionalmente estabelecido, o que o torna aberto, polissêmico.
Mesmo uma obra de arte que pretenda ser sem significado algum paradoxalmente acaba por
tematizar algo, qual seja, a sua ausência de significado; ela significa a ausência de significado.
Uma objeção possível seria a seguinte: se uma música apenas exprime um sentimento, por
exemplo, a tristeza, ela não pode ser sobre o sentimento que exprime, sendo errado dizer que ela
possui conteúdo semântico. Mas essa objeção não é convincente. Se alguém bate com a cabeça
na porta de um armário e diz "Ai!", esse proferimento possui função expressiva, ele exprime
espontaneamente a sensação de dor. Mas nem por isso a palavra proferida deixa de ter uma
referência, pois ela é sobre a dor que a pessoa sente, sendo este o seu conteúdo semântico. O
mesmo talvez possa ser dito da música: o fato dela exprimir um sentimento não impede que ela
seja sobre o sentimento que ela exprime.
Pode ser que a teoria neo-representacional da arte seja aplicável a toda e qualquer
manifestação artística. Mesmo assim, ela é bastante pobre como meio de esclarecer o que é arte,
pois o que ela oferece é apenas uma condição necessária e não uma condição suficiente para a
identificação da obra de arte, posto que muita coisa que possui conteúdo semântico não é arte.
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Tudo o que escrevi nos parágrafos acima, por exemplo, possui conteúdo semântico, mas
obviamente não é arte.

2. Formalismo

Segundo as teorias formalistas, o que caracteriza a obra de arte é a sua forma e não o
seu caráter representativo. Um paradigma do formalismo é a teoria proposta por Clive Bell em
1914 com o objetivo de defender o neo-impressionismo de pintores como Paul Cézanne. Para
Bell, o que caracteriza as artes plásticas e talvez a música é a presença da forma significante. O
conceito de forma significante é simples, não podendo ser definido. Mas na pintura ele resulta da
combinação de formas, linhas e cores. Considere, por exemplo, a Composição em Vermelho,
Amarelo e Azul de Mondrian. O que faz a singularidade dessa pintura é a inesperada harmonia
entre as cores puras, as formas e dimensões de seus retângulos, o que deve constituir uma forma
significante. Característico da forma significante é que ela produz uma emoção estética em
pessoas com sensibilidade para a arte.
A teoria da forma significante foi útil como defesa da pintura abstrata ou semi-abstrata
surgida desde o final do século XIX. Mas ela possui defeitos sérios. Para Bell a representação e o
contexto não possuem relevância. Mas não é difícil encontrarmos exemplos de obras de arte nas
quais o elemento representacional ou o contexto são importantes. Considere os autorretratos de
Rembrandt, ou ainda, o quadro de Géricault, A Jangada do Meduza. A composição do quadro é
importante, mas o que ele representa também. Nele estão retratados alguns náufragos à beira da
morte, em uma jangada perdida no oceano, no momento em que é divisada a salvação. A pintura
foi inspirada por um acontecimento verídico. Sentimos que esse quadro potencializa o drama e a
esperança humanos para além da simples representação naturalista de um acontecimento. Certo
é que não é só a composição, mas também o conteúdo simbólico que aqui se somam na
produção do sentimentos estético.
A dificuldade maior com a teoria de Bell consiste, no entanto, em sua falta de conteúdo.
Para a questão "O que é forma significante?", a melhor resposta parece ser: aquela que tende a
produzir no auditório um sentimento estético. À pergunta "O que é o sentimento estético?", a
resposta parece ser: aquele que é produzido pela forma significante. A teoria beira a vacuidade e
a circularidade.

3. Teoria Institucional

A teoria institucional da arte surgiu na década de sessenta, tendo sido sustentada por
George Dickie. Essa teoria enfatiza a importância da comunidade de conhecedores de arte na
definição e ampliação dos limites daquilo que pode ser chamado de arte. Dickie define a obra de
arte como um artefato que possui um conjunto de aspectos que lhe conferem o status de
candidato à apreciação das pessoas da instituição do mundo da arte. A importância disso pode
ser ilustrada pela obra de Alfred Wallis. Wallis era um marinheiro que nada entendia de arte e
que, aos 70 anos, após a morte da esposa, decidiu pintar barcos na madeira para afugentar a
solidão. Casualmente, dois pintores de passagem pelo lugar gostaram de suas telas e o
descobriram como artista. Como resultado, as obras de Wallis podem ser hoje vistas em vários
museus ingleses. Como disse um crítico, Wallis tornou-se um artista sem sequer saber que era.
Há duas objeções principais à teoria institucional. A primeira é que ou os entendidos em
arte decidem o que deve ser considerado uma obra de arte com base em razões ou o fazem
arbitrariamente. Se eles o fazem com base em razões, essas razões constituem uma teoria da
arte que não é a teoria institucional. Assim, alguém poderá dizer que os quadros de Wallis
apresentam excelentes combinações de cores aliada à simplicidade formal. Mas essa é uma
maneira de dizer, por exemplo, que eles possuem forma significante. Nesse caso a teoria
institucional colapsa em outras concepções acerca do que é a arte. Suponhamos agora que os
entendidos em arte decidam o que deve ser considerado obra de arte arbitrariamente. Ora, nesse
caso não fica claro porque devemos dar qualquer importância à arte. Uma objeção adicional seria
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a de que a teoria institucional é viciosamente circular. Obras de arte são definidas como objetos
que são aceitos como tais pelas pessoas que entendem de arte; e as pessoas que entendem de
arte são definidas como as que aceitam certos objetos como sendo obras de arte.

4. Teoria expressivista

Segundo as teorias expressivistas, a arte é expressão de emoções. As teorias


expressivistas da arte são mais novas, embora sinais dela já pudessem ser encontrados na
Antiguidade, como na teoria aristotélica da função catártica da obra de arte como purgação das
emoções. Para o expressivista, a arte é, para o mundo interior das emoções, como a ciência para
o mundo exterior. A ciência tem como objeto eventos físicos enquanto a arte tem como objeto as
emoções humanas que ela exprime.
Uma versão ingênua da teoria expressivista é tipicamente atribuída a Leon Tolstoi. Primeiro
o artista precisa ter um sentimento: Tolstoi foi à guerra e voltou cheio de sentimentos. Ele produz
então uma obra de arte destinada a expressá-los: Guerra e Paz. Por sua vez, a obra evoca no
leitor os mesmos sentimentos que o artista teve ao passar pela guerra. O esquema é simples:
emoções no artista - obra de arte - mesmas emoções no auditório. A obra de arte é apenas
um veículo de transmissão de emoções. Essa versão do expressivismo é ingênua porque não é
capaz de distinguir a obra de arte de qualquer coisa que transmita um sentimento. Uma notícia de
jornal sobre a guerra pode ter profundo efeito emocional, mas isso não a torna uma obra de arte.
Se uma pessoa está se afogando em um rio e grita por socorro, ela expressa um sentimento de
desespero pela asfixia, enquanto a pessoa que o ouve entende muito bem o que ela está
sentindo. Mas isso não faz de seus gritos obras de arte!
Há, no entanto, versões mais sofisticadas do expressivismo, a melhor delas sendo, talvez,
a do filósofo inglês R. G. Collingwood em seu livro The Principles of Arts. O que esse filósofo
quis fazer foi desenvolver uma teoria da grande arte, da arte séria, por ele chamada de arte
própria (art proper) e que ele distingue da má arte, que se encontra a serviço do que ele chama
de corrupção da consciência ou daquilo que passa por arte sem realmente sê-lo, a arte "assim
chamada" (so called). A arte assim chamada, por sua vez, pode ser, para Collingwood, de dois
tipos: a arte como mágica e como entretenimento. A arte como mágica é a que tem uma função
utilitária. Um hino patriótico, por exemplo, pode ter a função de incitar sentimentos cívicos nas
pessoas. A arte como entretenimento é a que tem uma função hedonista. Um filme de horror de
má qualidade, por exemplo, objetiva produzir na audiência certas emoções canalizadas, que nada
fazem no sentido de ampliar a consciência emocional do espectador e no final podem mesmo
produzir um sentimento de frustração e tédio. Seria pedante negar que a arte como
entretenimento possa ter um lugar. Mas uma sociedade em que as pessoas acreditam que o
único objetivo da existência humana é a diversão é, para Collingwood, uma sociedade inferior ou
decadente. Finalmente, nada impede que a arte própria venha misturada com a arte mágica ou
com a arte como entretenimento. A cantata Meine Seufzer Meine Tränen, de Bach, e a trilogia A
Crucificação Rósea, de Henry Miller, exemplificam, respectivamente, uma e outra coisa. O que
essas distinções nos sugerem é que, embora não possamos encontrar uma essência relevante do
conceito de arte em geral, dividindo-se esse conceito em seus subconceitos, podemos distinguir o
subconceito mais relevante, o de arte própria, e se formos capazes de analisar a sua essência,
talvez em termos de condições necessárias e suficientes, já teremos tudo o que buscamos.
Para Collingwood, que era uma pessoa com experiência pessoal da criação artística, ao
contrário do expressivismo ingênuo, antes do artista produzir a sua obra ele ainda não possui a
emoção estética que a sua obra produzirá na audiência e em si mesmo. O que ele possui é uma
"excitação emocional", um sentimento indefinido e incompreensível. Na medida em que ele utiliza
a sua imaginação e pensamento planejando e produzindo a obra de arte, ele consegue
reconhecer melhor a natureza de suas emoções, defini-las, refiná-las, clarificá-las e articulá-las
em sua relação com seus objetos. Essas emoções assim clarificadas são, por sua vez,
imaginativamente reconhecidas enquanto tais pela audiência capaz de apreciar a obra de arte.
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Podemos considerar como exemplo o painel de Picasso intitulado Guernica. A cidade de
Guernica foi criminosamente bombardeada pelos nazistas para efeito de experiência militar.
Tendo sido informado acerca disso, o artista, movido por emoções, pintou Guernica. Mas as
emoções que o painel suscita em nós e no próprio pintor foram transformadas. Elas são emoções
estéticas, muito superiores à emoção bruta que cada um de nós poderia ter, digamos, ao ler em
um jornal sobre o bombardeio de Guernica. Podemos sintetizar essa teoria no seguinte esquema:

Para Collingwood a imaginação e o pensamento são, na produção artística, no mínimo tão


importantes quanto a expressão de emoções. É pela imaginação que o artista refina e articula os
seus sentimentos e é também pela imaginação que o auditório interpreta e compreende os
sentimentos expressos na obra de arte. Como resultado, a obra de arte é capaz de produzir no
auditório e no próprio artista uma compreensão maior de seus próprios sentimentos e, com isso,
uma ampliação e regeneração de seu autoconhecimento e consciência.
É nessa ampliação e regeneração da consciência que Collingwood vê a função da arte.
Nossas emoções frequentemente deixam de ser associadas a certas ideias, posto que tais
associações nos desagradam e assustam. O resultado disso é o que Collingwood chama de
corrupção da consciência, a qual pode se estender a toda uma sociedade, fazendo com que ela
entre em decadência. A arte verdadeira, por promover uma compreensão mais autêntica de nossa
vida emocional, serve de medicina contra a corrupção da consciência. Como escreve
Collingwood, a arte não é uma luxúria, e a má arte não é tolerável, pois "conhecer a nós mesmos
é a fundação de toda a vida que se desenvolve além do nível de experiência meramente físico.
Uma consciência verdadeira dá ao intelecto uma fundação firme; uma consciência corrompida
força o intelecto a construir sobre areia movediça." Por isso o artista deve ser um profeta,

...não no sentido de prever coisas que virão, mas no sentido de que ele conta à sua audiência, sob
o risco do desagradá-la, os segredos de seus próprios corações. A razão pela qual ela precisa dele
é que nenhuma comunidade conhece o seu próprio coração; e por falhar em conhecê-lo, uma
comunidade engana-se a si mesma sobre uma matéria em relação a qual a ignorância significa
morte... A arte é a medicina comunitária para a pior doença de mente, que é a corrupção da
consciência.

Assim, quando James Joyce, sob o personagem de Stephen Dedalus, em O Retrato do


Artista Quando Jovem, afirmou que a sua intenção como artista seria a de forjar, no âmago de sua
alma, a incriada consciência de sua raça, e que as únicas armas que ele se permitiria usar para
isso seriam silêncio, exílio e sutileza, ele estava manifestando poeticamente o mesmo ponto que
Collingwood buscou articular filosoficamente anos mais tarde.
A teoria de Collingwood é, ou assim me parece, a que mais se aproxima do intento de
definir a espécie mais relevante de arte. Ela chega próximo de estabelecer condições suficientes
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para a definição de arte própria, ou seja, das condições que constituem a essência comum à arte
no sentido da palavra que realmente importa considerar. Queremos fazer algumas considerações
adicionais.
A primeira é sobre a enorme variedade de emoções de grande complexidade e sutileza
cuja existência é sugerida por uma teoria como a de Collingwood. O sentimento de alegria e
regozijo produzido pelo Magnificat Anima Mea de Bach é diferente do sentimento de alegria da
dança dos camponeses em Don Giovanni, de Mozart, o qual é ainda muito diferente da alegria
produzida pela música Camisa Listrada, cantada por Carmen Miranda. O sentimento evocado
pela interpretação de Björling de uma ária de Puchini, por sua vez, é mais profundo e sutil do que
o produzido pela interpretação de Caruso, embora sem a modulada (e por vezes excessivamente
sentimental) suavidade do canto de Beniamino Gigli.
Essa tese pode parecer controversa: não haveria um limite muito mais estreito para a
variedade das emoções? Afinal, como poderia ser notado, o movimento final do Bolero de Ravel
pode ser uma explosão de gozo, mas também pode ser uma explosão de cólera. Como decidir?
Uma resposta seria que como a linguagem carece de símbolos capazes de designar a enorme
variedade de estados emotivos únicos, temos a impressão de que eles não existem. O mesmo
acontece, por exemplo, com as sensações. Ficamos surpresos quando vemos que provadores de
vinhos conseguem adivinhar a marca de um vinho pelo gosto, odor, aspecto. Sendo assim
também com os sentimentos, torna-se compreensível que a arte seja capaz de refinar e ampliar o
nosso universo emocional.
Refletindo essa maneira de ver, Susanne Langer concluiu que a função essencialmente
pedagógica da arte é a de educação do sentimento:

A maioria das pessoas anda tão imbuida da idéia de que o sentimento é uma amorfa excitação,
totalmente orgânica, em homens como em animais, que a idéia de educar o sentimento, de
desenvolver-lhe o raio de ação e a qualidade, se lhes afigura fantástica, se não absurda. De minha
parte creio que constitui realmente o próprio cerne da educação pessoal.

O que acabamos de fornecer são condições necessárias, embora ainda insuficientes para
explicar o fenômeno estético, dado que em geral elas também se aplicam a outros efeitos do
processo primário, como o sonho e o devaneio. A passagem para a condição suficiente na
explicação da grande arte se dá pela relação desses sentimentos com a verdade, ou seja, pelo
fato de que a universalidade sensivelmente expressa que havíamos mencionado no início é apta
a aproximar-nos da verdade. Essa seria a paráfrase mais aproximada da sugestão alusiva de
Collingwood. As emoções estéticas elevam e ampliam a consciência humana porque, sendo
multiplamente associáveis a representações, são capazes de favorecer a associação e ordenação
verídica das inúmeras representações que a elas se podem associar. E quando isso acontece,
elas são emoções pertencentes à arte própria.
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III. HISTÓRIA DA ARTE 3


INTRODUÇÃO

Os historiadores de arte, críticos e estudiosos classificam os períodos, estilos ou


movimentos artísticos separadamente, para facilitar o entendimento das produções artísticas.
Não há coincidência com a linha do tempo histórica, pois, a partir de 1848, consideramos o
início da Arte Moderna e o movimento Pop Art o início da Arte Pós-Moderna. Porém, optamos por
apresentar a arte por meio da linha do tempo histórica, por considerarmos ser mais didática.

1. PRÉ-HISTÓRIA

1.1 ARTE PRÉ-HISTÓRICA

Um dos períodos mais fascinantes da história humana é a Pré-História. Esse período não
foi registrado por nenhum documento escrito, pois é exatamente a época anterior à escrita. Tudo
o que sabemos dos homens que viveram nesse tempo é o resultado da pesquisa de
antropólogos, historiadores e dos estudos da moderna ciência arqueológica, que reconstituíram a
cultura do homem.

Divisão da Pré-História:

 Paleolítico: a principal característica dos desenhos da Idade da Pedra Lascada é o


naturalismo. O artista pintava os seres, um animal, por exemplo, do modo como o via de
uma determinada perspectiva, reproduzindo a natureza tal qual sua vista captava.
Atualmente, a explicação mais aceita é que essa arte era realizada por caçadores e que
fazia parte do processo de magia por meio do qual se procurava interferir na captura de
animais, ou seja, o pintor-caçador do Paleolítico supunha ter poder sobre o animal desde
que possuísse a sua imagem. Acreditava que poderia matar o animal verdadeiro desde que
o representasse ferido mortalmente num desenho. Utilizavam as pinturas rupestres, isto é,
feitas em rochedos e paredes de cavernas. O homem deste período era nômade e os
artistas do Paleolítico Superior realizaram também trabalhos em escultura. Mas, tanto na
pintura quanto na escultura, nota-se a ausência de figuras masculinas. Predominam figuras
femininas, com a cabeça surgindo como prolongamento do pescoço, seios volumosos,
ventre saltado e grandes nádegas. Destaca-se: Vênus de Willendorf.
 Paleolítico inferior: aproximadamente 5.000.000 a 25.000 a.C.; primeiros hominídios;
caça e coleta; controle do fogo; instrumentos de pedra e pedra lascada, madeira e
ossos: facas, machados.
 Paleolítico superior: instrumentos de marfim, ossos, madeira e pedra: machado, arco e
flecha, lançador de dardos, anzol e linha; desenvolvimento da pintura e da escultura.
 Neolítico: a fixação do homem da Idade da Pedra Polida garantida pelo cultivo da terra e
pela manutenção de manadas ocasionou um aumento rápido da população e o
desenvolvimento das primeiras instituições, como família e a divisão do trabalho. Assim, o
homem do Neolítico desenvolveu a técnica de tecer panos, de fabricar cerâmicas e
construiu as primeiras moradias, constituindo-se os primeiros arquitetos do mundo.
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http://www.historiadaarte.com.br/linha_do_tempo.htm, acesso aos 12/01/2010.
Professor J. André de Azevedo. Colégio Global 2011 11
Conseguiu, ainda, produzir o fogo através do atrito e deu início ao trabalho com metais.
Todas essas conquistas técnicas tiveram um forte reflexo na arte. O homem, que se tornara
um camponês, não precisava mais ter os sentidos apurados do caçador do Paleolítico e o
seu poder de observação foi substituído pela abstração e racionalização. Como
consequência surge um estilo simplificador e geometrizante, sinais e figuras que sugerem
do que reproduzem os seres. Os próprios temas da arte mudaram: começaram as
representações da vida coletiva. Além de desenhos e pinturas, o artista do Neolítico
produziu uma cerâmica que revela sua preocupação com a beleza e não apenas com a
utilidade do objeto, também esculturas de metal. Desse período temos as construções
denominadas dolmens. Consistem em duas ou mais pedras grandes fincadas
verticalmente no chão, como se fossem paredes, e uma grande pedra era colocada
horizontalmente sobre elas, parecendo um teto. E o menir, que era monumento megalítico
que consiste num único bloco de pedra fincado no solo em sentido vertical. O Santuário de
Stonehenge, no sul da Inglaterra, pode ser considerado uma das primeiras obras da
arquitetura que a História registra. Ele apresenta um enorme círculo de pedras erguidas a
intervalos regulares, que sustentam traves horizontais, rodeando outros dois círculos
interiores. No centro do último está um bloco semelhante a um altar. O conjunto está
orientado para o ponto do horizonte onde nasce o Sol no dia do solstício de verão, indício
de que se destinava às práticas rituais de um culto solar. Lembrando que as pedras eram
colocadas umas sobre as outras sem a união de nenhuma argamassa.

1.2 STONEHENGE

Os maciços arcos de pedra da Planície de Salisbury aguardam o nascer do sol como vem
fazendo, dia após dia, há 4 mil anos. Erguem-se em silêncio vigilante com a cor escura em
contraste com o céu cinzento. Stonehenge pode ser a maior maravilha do mundo pré-histórico.
Com certeza, é um de seus maiores mistérios. O círculo foi deliberadamente alinhado com o
nascer do sol do solstício de verão, o amanhecer do dia mais longo do ano. Como poderiam os
homens primitivos ter colocado aqueles gigantescos blocos de pedra, pesando até 50 toneladas
cada um, em suas atuais posições? E por que fizeram isso?
Na Idade Média, o monumento de Stonehenge era explicado pelo poder da magia: Merlin,
mago da corte do Rei Arthur, invocara as forças das enormes pedras da Irlanda. No século XIX,
as pessoas estavam presas à idéia dos druidas sem atentar para o fato de que aqueles antigos
sacerdotes celtas faziam os cultos em bosques de carvalhos sagrados e não em templos de
pedra. Sacerdotes barbados em vestimentas brancas celebrando o solstício de verão em
Stonehenge constituem sua imagem mais duradoura.
O astrônomo Fred Hoyle declarou que Stonehenge é um computador pré-histórico,
programado para prever os eclipses do sol e da lua.
Ninguém sabe exatamente o que é Stonehenge. No entanto, hoje temos conhecimento de
quando foi construído - e como. Recente estudo feito pela Associação Arqueológica de Wessex
resolve as discussões sobre a idade de Stonehenge. Tudo começou logo após o ano 3000 a.C,
numa área circular delimitada por pequena encosta com grande fosso externo. "No ano 2600 a.C.
enormes pedras retangulares foram trazidas das Montanhas Preseli, situadas a cerca de 217
quilômetros dali", diz Andrew Lawson, diretor da Associação.
O anel externo e a arcada interna foram feitos de blocos de arenito provenientes das
Planícies MarIborough, situadas 40 quilômetros ao norte. Os maiores dolmens da arcada interna,
chamados de trilithons, são constituídos por dois pilares denominados megálitos e uma pedra
colocada sobre o topo. Os megálitos têm aproximadamente sete metros de altura e pesam até 50
toneladas. Acredita-se que foram construídos por volta do ano 2400 a.C.
Quando prepararam as pedras, os criadores de Stonehenge fizeram pequena elevação no
meio das colunas, técnica que na Grécia, 1.500 anos mais tarde, seria chamada de êntase.
Contrariando o efeito de distorção da paisagem, a êntase faz a aresta de uma coluna parecer
perfeitamente reta.
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Entretanto, a descoberta mais intrigante da Associação é que o tempo de construção de
Stonehenge talvez tenha sido bem menor do que se imaginava: "O monumento poderia ser
construído em uma geração, com potencial humano e gerenciamento ágil”. Isso é incrível! O
transporte e a edificação de 40 blocos de rocha, com outro bloco de 10 toneladas colocado sobre
eles, é obra que mesmo hoje seria de tirar o ânimo de qualquer um. Que força bruta foi
necessária para colocar aquelas pedras na posição, sem guindastes ou roldanas?
Há três verões, num campo não muito distante de Stonehenge, certo grupo de entusiastas
liderado pelo engenheiro Mark Whitby e pelo arqueólogo Julian Richards mostrou como os arcos
podem ter sido construídos. Whitby coordenou uma operação onde réplicas das pedras - duas
colunas de 45 toneladas e uma viga transversal de 10 toneladas, feitas de concreto - foram
puxadas sobre trilhos de madeira besuntados com sebo. Uma versão do sistema em que os
grandes navios, com as quilhas lubrificadas, são lançados ao mar sobre trilhos. Os grandes
blocos de pedra foram puxados colina acima por 130 soldados, bombeiros e estudantes usando
quase 150 metros de corda.
A força bruta, no entanto, não foi suficiente para erguer as pedras. Para alcançar seu
objetivo, Whitby teve de pensar como os construtores originais. "Esses rapazes da Idade da
Pedra eram engenhosos", admite Whitby. Uma dica importante foi o formato do buraco onde fica a
coluna maior. Ele era vertical, com um dos lados fortemente inclinado. Whitby construiu uma
rampa perto do buraco e mandou que puxassem a enorme pedra sobre ela, até que a terça parte
da pedra se projetasse sobre o buraco. Pesados fragmentos de rocha foram colocados sobre o
bloco de pedra e empurrados para sua extremidade. Momentos depois, o peso desses
fragmentos fez o imenso bloco se inclinar e cair dentro do buraco abaixo dele.
Uma vez erguido o segundo bloco, a viga transversal foi arrastada sobre a rampa mais
íngreme. Os três blocos se adaptaram de maneira impecável e formaram a perfeita arcada do
século 20. Whitby acredita ter solucionado o problema. "Com 140 pessoas, eu poderia construir
Stonehenge em menos de 20 anos.”
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2. IDADE ANTIGA
2.1 ARTE EGÍPICIA
Uma das principais civilizações da Antiguidade foi a que se desenvolveu no Egito. Era uma
civilização já bastante complexa em sua organização social e riquíssima em suas realizações
culturais.
A religião invadiu toda a vida egípcia, interpretando o universo, justificando sua
organização social e política, determinando o papel de cada classe social e, consequentemente,
orientando toda a produção artística desse povo.
Além de crer em deuses que poderiam interferir na história humana, os egípcios
acreditavam também numa vida após a morte e achavam que essa vida era mais importante do
que a que viviam no presente.
O fundamento ideológico da arte egípcia é a glorificação dos deuses e do rei defunto
divinizado, para o qual se erguiam templos funerários e túmulos grandiosos.
2.1.1 Arquitetura
As pirâmides do deserto de Gizé são as obras arquitetônicas mais famosas e foram
construídas por importantes reis do Antigo Império: Quéops, Quéfren e Miquerinos. Junto a
essas três pirâmides está a esfinge mais conhecida do Egito, que representa o faraó Quéfren,
mas a ação erosiva do vento e das areias do deserto deram-lhe, ao longo dos séculos, um
aspecto enigmático e misterioso.
As características gerais da arquitetura egípcia são: solidez e durabilidade; sentimento de
eternidade; aspecto misterioso e impenetrável.
As pirâmides tinham base quadrangular, eram feitas com pedras que pesavam cerca de
vinte toneladas e mediam dez metros de largura, além de serem admiravelmente lapidadas. A
porta da frente da pirâmide voltava-se para a estrela polar, a fim de que seu influxo se
concentrasse sobre a múmia. O interior era um verdadeiro labirinto que ia dar na câmara
funerária, local onde estava a múmia do faraó e seus pertences.
Os templos mais significativos são: Carnac e Luxor, ambos dedicados ao deus Amon. Os
monumentos mais expressivos da arte egípcia são os túmulos e os templos. Divididos em três
categorias:
 Pirâmide: túmulo real, destinado ao faraó;
 Mastaba: túmulo para a nobreza;
 Hipogeu: túmulo destinado à gente do povo.
Os tipos de colunas dos templos egípcios são divididos conforme seu capitel:
 Palmiforme: flores de palmeira;
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 Papiriforme: flores de papiro;
 Lotiforme: flor de lótus.
2.1.2 Escultura
Os escultores egípcios representavam os faraós e os deuses em posição serena, quase
sempre de frente, sem demonstrar nenhuma emoção. Pretendiam, com isso, traduzir, na pedra,
uma ilusão de imortalidade. Com esse objetivo, ainda, exageravam frequentemente as proporções
do corpo humano, dando às figuras representadas uma impressão de força e de majestade.
Os Usciabtis eram figuras funerárias em miniatura, geralmente esmaltadas de azul e
verde, destinadas a substituir o faraó morto nos trabalhos mais ingratos no além, muitas vezes
coberto de inscrições.
Os baixos-relevos egípcios, que eram quase sempre pintados, foram também expressão da
qualidade superior atingida pelos artistas em seu trabalho. Recobriam colunas e paredes, dando
um encanto todo especial às construções. Os próprios hieróglifos eram transcritos, muitas vezes,
em baixo-relevo.
2.1.3 Pintura
A decoração colorida era um poderoso elemento de complementação das atitudes
religiosas. Suas características gerais são:
 Ausência de três dimensões;
 Ignorância da profundidade;
 Colorido a tinta lisa, sem claro-escuro e sem indicação do relevo;
 Lei da Frontalidade, que determinava que o tronco da pessoa fosse representado sempre
de frente, enquanto sua cabeça, suas pernas e seus pés eram vistos de perfil.
Quanto à hierarquia na pintura: eram representadas maiores as pessoas com maior
importância no reino, ou seja, nesta ordem de grandeza: o rei, a mulher do rei, o sacerdote, os
soldados e o povo. As figuras femininas eram pintadas em ocre, enquanto que as masculinas
pintadas de vermelho.
Os egípcios escreviam usando desenhos, não utilizavam letras como nós. Desenvolveram
três formas de escrita:
 Hieróglifos: considerados a escrita sagrada;
 Hierática: uma escrita mais simples, utilizada pela nobreza e pelos sacerdotes;
 Demótica: a escrita popular.
A principal literatura egípcia era o Livro dos Mortos, ou seja, um rolo de papiro com rituais
funerários que era posto no sarcófago do faraó morto; era ilustrado com cenas muito vivas, que
acompanham o texto com singular eficácia. Formado de tramas de fibras do tronco de papiro, as
quais eram batidas e prensadas, transformando-se em folhas.
2.1.4 Para seu conhecimento
 Hieróglifos: foram decifrados por Champolion, que descobriu o seu significado em 1822;
isso se deu na Pedra de Rosetta, que foi encontrada na cidade do mesmo nome, no Delta
do Nilo.
 Mumificação: a) eram retirados o cérebro, os intestinos e outros órgãos vitais e colocados
num vaso de pedra chamado Canopo; b) nas cavidades do corpo eram colocadas resinas
aromáticas e perfumes; c) as incisões eram costuradas e o corpo mergulhado num tanque
com nitrato de potássio; d) após 70 dias o corpo era lavado e enrolado numa bandagem de
algodão, embebida em betume, que servia como impermeabilização.
 Quando a Grande Barragem de Assuã foi concluída, em 1970, dezenas de construções
antigas do sul do país foram, literalmente, por água abaixo, engolidas pelo Lago Nasser.
Entre as raras exceções desse drama do deserto estão os templos erguidos pelo faraó
Ramsés II, em Abu Simbel. Em 1964, uma faraônica operação coordenada pela Unesco
com recursos de vários países - um total de 40 milhões de dólares - removeu pedra por
pedra e transferiu templos e estátuas para um local 61 metros acima da posição original,
longe da margem do lago. O maior deles é o Grande Templo de Ramsés II, encravado na
montanha de pedra com suas estátuas do faraó de 20 metros de altura. Além de salvar
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este valioso patrimônio, a obra prestou uma homenagem ao mais famoso e empreendedor
de todos os faraós.
 Queóps é a maior das três pirâmides; tinha originalmente 146 metros de altura (um prédio
de 48 andares). Nove metros já se foram, graças principalmente à ação corrosiva da
poluição vinda do Cairo. Para erguê-la, foram precisos cerca de 2 milhões de blocos de
pedras e o trabalho de cem mil homens, durante vinte anos.

2.2 ARTE GREGA


Enquanto a arte egípcia é uma arte ligada ao espírito, a arte grega liga-se à inteligência,
pois os seus reis não eram deuses, mas seres inteligentes e justos que se dedicavam ao bem
estar do povo. A arte grega volta-se para o gozo da vida presente. Contemplando a natureza, o
artista se empolga pela vida e tenta, através da arte, exprimir suas manifestações. Na sua
constante busca da perfeição, o artista grego cria uma arte de elaboração intelectual em que
predominam o ritmo, o equilíbrio, a harmonia ideal. A cultura grega possui as seguintes
características: racionalismo; amor pela beleza; interesse pelo homem e a democracia.
2.2.1 Arquitetura
As edificações que despertaram maior interesse são os templos. A característica mais
evidente dos templos gregos é a simetria entre o pórtico de entrada e o dos fundos. O templo era
construído sobre uma base de três degraus. O degrau mais elevado chamava-se estilóbata e
sobre ele eram erguidas as colunas. As colunas sustentavam um entablamento horizontal
formado por três partes: a arquitrave, o friso e a cornija. As colunas e entablamento eram
construídos segundo os modelos da ordem dórica, jônica e coríntia.
 Ordem Dórica: era simples e maciça. O fuste da coluna era monolítico e grosso. O capitel
era uma almofada de pedra. Nascida do sentir do povo grego, nela se expressa o
pensamento. Sendo a mais antiga das ordens arquitetônicas gregas, a ordem dórica, por
sua simplicidade e severidade, empresta uma idéia de solidez e imponência.
 Ordem Jônica: representava a graça e o feminino. A coluna apresentava fuste mais
delgado e não se firmava diretamente sobre o estilóbata, mas sobre uma base decorada. O
capitel era formado por duas espirais unidas por duas curvas. A ordem dórica traduz a
forma do homem e a ordem jônica traduz a forma da mulher.
 Ordem Coríntia: o capitel era formado com folhas de acanto e quatro espirais simétricas,
muito usado no lugar do capitel jônico, de modo a variar e enriquecer aquela ordem.
Sugere luxo e ostentação.
Os principais monumentos da arquitetura grega:
 Templos, dos quais o mais importante é o Partenon de Atenas. Na Acrópole, também, se
encontram as Cariátides (local onde se homenageavam as mulheres de Caria).
 Teatros, que eram construídos em lugares abertos (encosta) e que compunham de três
partes: a skene, ou cena, para os atores; a konistra, ou orquestra, para o coro; o koilon, ou
arquibancada, para os espectadores. Um exemplo típico é o Teatro de Epidauro, construído
no séc. IV a.C. ao ar livre, composto por 55 degraus divididos em duas ordens e calculados
de acordo com uma inclinação perfeita. Chegava a acomodar cerca de 14.000
espectadores e tornou-se famoso por sua acústica perfeita.
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 Ginásios, edifícios destinados à cultura física.
 Praça – Agora, onde os gregos se reuniam para discutir os mais variados assuntos.
2.2.2 Pintura
A pintura grega encontra-se na arte cerâmica. Os vasos gregos são também conhecidos
não só pelo equilíbrio de sua forma, mas também pela harmonia entre o desenho, as cores e o
espaço utilizado para a ornamentação. Além de servir para rituais religiosos, esses vasos eram
usados para armazenar, entre outras coisas, água, vinho, azeite e mantimentos. Por isso, a sua
forma correspondia à função para que fossem destinados:
 Ânfora: vasilha em forma de coração, com o gargalo largo ornado com duas asas;
 Hidra (derivado de ydor, água): tinha três asas, uma vertical para segurar enquanto corria a
água e duas para levantar;
 Cratera: tinha a boca muito larga, com o corpo em forma de um sino invertido; servia para
misturar água com o vinho (os gregos nunca bebiam vinho puro).
As pinturas dos vasos representavam pessoas em suas atividades diárias e cenas da
mitologia grega. A pintura grega se divide em três grupos: a) figuras negras sobre o fundo
vermelho; b) figuras vermelhas sobre o fundo negro; c) figuras vermelhas sobre o fundo branco. O
maior pintor de figuras negras foi Exéquias.

2.2.3 Escultura
A estatuária grega representa os mais altos padrões já atingidos pelo homem. Na
escultura, o antropomorfismo (esculturas de formas humanas) foi insuperável. As estátuas
adquiriram, além do equilíbrio e perfeição das formas, o movimento.
No Período Arcaico os gregos começaram a esculpir, em mármores, grandes figuras de
homens. Primeiramente aparecem esculturas simétricas, em rigorosa posição frontal, com o peso
do corpo igualmente distribuído sobre as duas pernas. Esse tipo de estátua é chamado Kouros
(palavra grega que significa homem jovem).
No Período Clássico passou-se a procurar movimento nas estátuas; para isto se começou
a usar o bronze, que era mais resistente do que o mármore, podendo fixar o movimento sem se
quebrar. Surge o nu feminino, pois no período arcaico as figuras de mulher eram esculpidas
sempre vestidas.
No Período Helenístico podemos observar o crescente naturalismo; os seres humanos
não eram representados apenas de acordo com a idade e a personalidade, mas também segundo
as emoções e o estado de espírito de um momento. O grande desafio e a grande conquista da
escultura do período helenístico foram a representação não de uma figura apenas, mas de grupos
de figuras que mantivessem a sugestão de mobilidade e fossem bonitos de todos os ângulos que
pudessem ser observados.
Os principais mestres da escultura clássica grega são:
 Praxíteles: celebrado pela graça das suas esculturas, pela lânguida pose em “S” (Hermes
com Dionísio menino); foi o primeiro artista que esculpiu o nu feminino.
 Policleto (autor de Doríforo): condutor da lança, criou padrões de beleza e equilíbrio
através do tamanho das estátuas que deveriam ter sete vezes e meia o tamanho da
cabeça.
 Fídias: talvez o mais famoso de todos; autor de Zeus Olímpico, sua obra-prima, e Ateneia.
Realizou toda a decoração em baixorrelevo do templo Partenon: as esculturas dos
frontões, métopas e frisos.
 Lisipo: representava os homens “tal como se veem” e “não como são” (verdadeiros
retratos). Foi Lisipo que introduziu a proporção ideal do corpo humano com a medida de
oito vezes a cabeças.
 Miron (autor do Discóbolo): homem arremessando o disco.
2.2.3 Para seu conhecimento
 Mitologia: Zeus: senhor dos céus; Ateneia: deusa da guerra; Afrodite: deusa do amor;
Apolo: deus das artes e da beleza; Posseidon: deus das águas; etc.
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 Olimpíadas: realizavam-se em Olímpia, a cada 4 anos, em honra a Zeus. Os primeiros
jogos começaram em 776 a.C. As festas olímpicas serviam de base para marcar o tempo.
 Teatro: foi criada a comédia e a tragédia. Entre as mais famosas: Édipo Rei, de Sófocles.
 Música: significa a arte das musas; entre os gregos a lira era o instrumento nacional.

2.3 ARTE ROMANA


A arte romana sofreu duas fortes influências: a da arte etrusca, popular e voltada para a
expressão da realidade vivida, e a da grega, orientada para a expressão de um ideal de beleza.
Um dos legados culturais mais importantes que os etruscos deixaram aos romanos foi o uso do
arco e da abóbada nas construções.
2.3.1 Arquitetura
As características gerais da arquitetura romana são:
 Busca do útil e imediato; senso de realismo;
 Grandeza material, realçando a idéia de força;
 Energia e sentimento;
 Predomínio do caráter sobre a beleza;
 Originais: urbanismo, vias de comunicação, anfiteatro, termas.
As construções eram de cinco espécies, de acordo com as funções:

 Religião (Templos): pouco se conhece deles. Os mais conhecidos são o templo de Júpiter
Stater, o de Saturno, o da Concórdia e o de César. O Panteão, construído em Roma
durante o reinado do Imperador Adriano, foi planejado para reunir a grande variedade de
deuses existentes em todo o Império; esse templo romano, com sua planta circular fechada
por uma cúpula, cria um local isolado do exterior onde o povo se reunia para o culto.
 Comércio e civismo (Basílica): a princípio destinada a operações comerciais e a atos
judiciários, a basílica servia para reuniões da bolsa, para tribunal e leitura de editos. Mais
tarde, já com o Cristianismo, passou a designar uma igreja com certos privilégios. A
basílica apresenta uma característica inconfundível: a planta retangular, (de quatro a cinco
mil metros) dividida em várias colunatas. Exemplo: a basílica Julia, iniciada no governo de
Júlio César, foi concluída no Império de Otávio Augusto.
 Higiene (Termas): constituídas de ginásio, piscina, pórticos e jardins, as termas eram o
centro social de Roma. As mais famosas são as termas de Caracala que, além de casas de
banho, eram centro de reuniões sociais e esportes.
 Divertimentos:
1. Circo: extremamente afeito aos divertimentos, os romanos inventaram o circo. Dos
jogos praticados temos: jogos circenses (corridas de carros); ginásios (incluídos
neles o pugilato); jogos de Tróia (aquele em que havia torneios a cavalo); jogos de
escravos (executados por cavaleiros conduzidos por escravos).
2. Teatro: imitado do teatro grego. O principal teatro é o de Marcelus. Tinha cenários
versáteis, giratórios e retiráveis.
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3. Anfiteatro: o povo romano apreciava muito as lutas dos gladiadores. Essas lutas
compunham um espetáculo que podia ser apreciado de qualquer ângulo. A palavra
anfiteatro significa teatro de um e de outro lado. Assim era o Coliseu, certamente o
mais belo dos anfiteatros romanos. Externamente o edifício era ornamentado por
esculturas, que ficavam dentro dos arcos, e por três andares com as ordens de
colunas gregas (de baixo para cima: ordem dórica, ordem jônica e ordem coríntia).
Essas colunas, na verdade, eram meias colunas, pois ficavam presas à estrutura
das arcadas. Portanto, não tinham a função de sustentar a construção, mas apenas
de ornamentá-la. Esse anfiteatro de enormes proporções chegava a acomodar
40.000 pessoas sentadas e mais de 5.000 em pé.
 Monumentos decorativos:
1. Arco de Triunfo: pórtico monumental feito em homenagem aos imperadores e generais
vitoriosos. O mais famoso deles é o arco de Tito, todo em mármore, construído no Fórum
Romano para comemorar a tomada de Jerusalém.
2. Coluna Triunfal: a mais famosa é a coluna de Trajano, com seu característico friso em
espiral, que possui a narrativa histórica dos feitos do Imperador em baixorrelevo no fuste.
Foi erguida por ordem do Senado para comemorar a vitória de Trajano sobre os dácios e
os partos.
3. Moradia: Casa (era construída ao redor de um pátio chamada Átrio).

2.3.2 Pintura

O mosaico foi muito utilizado na decoração dos muros e pisos da arquitetura em geral. A
maior parte das pinturas romanas que conhecemos hoje provém das cidades de Pompeia e
Herculano, que foram soterradas pela erupção do Vesúvio em 79 a.C. Os estudiosos da pintura
existente em Pompeia classificam a decoração das paredes internas dos edifícios em quatro
estilos.

 Primeiro estilo: recobrir as paredes de uma sala com uma camada de gesso pintado, que
dava impressão de placas de mármore.
 Segundo estilo: os artistas começaram então a pintar painéis que criavam a ilusão de
janelas abertas por onde eram vistas paisagens com animais, aves e pessoas, formando
um grande mural.
 Terceiro estilo: as representações fiéis da realidade valorizaram a delicadeza dos
pequenos detalhes.
 Quarto estilo: um painel de fundo vermelho, tendo ao centro uma pintura, geralmente
cópia de obra grega, imitando um cenário teatral.

2.3.3 Escultura
Os romanos eram grandes admiradores da arte grega, mas, por temperamento, eram muito
diferentes dos gregos. Por serem realistas e práticos, suas esculturas são uma representação fiel
das pessoas e não de um ideal de beleza humana, como fizeram os gregos. Retratavam os
imperadores e os homens da sociedade.
Mais realista que idealista, a estatuária romana teve seu maior êxito nos retratos. Com a
invasão dos bárbaros, as preocupações com as artes diminuíram e poucos monumentos foram
realizados pelo Estado. Era o começo da decadência do Império Romano que, no século V -
precisamente no ano de 476 - perde o domínio do seu vasto território do Ocidente para os
invasores germânicos.

2.3.4 Mosaico
Partidários de um profundo respeito pelo ambiente arquitetônico, adotando soluções de
clara matriz decorativa, os masaístas chegaram a resultados onde existe certa parte de estudo
direto da natureza. As cores vivas e a possibilidade de colocação sobre qualquer superfície e a
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duração dos materiais levaram a que os mosaicos viessem a prevalecer sobre a pintura. Nos
séculos seguintes, tornar-se-ão essenciais para medir a ampliação das primeiras igrejas cristãs.

2.4 ARTE BIZANTINA

O cristianismo não foi a única preocupação para o Império Romano nos primeiros séculos
de nossa era. Por volta do século IV começou a invasão dos povos bárbaros, que levou
Constantino a transferir a capital do Império para Bizâncio, cidade grega, depois nomeada por
Constantinopla. A mudança da capital foi um golpe de misericórdia para a já enfraquecida Roma;
facilitou a formação dos Reinos Bárbaros e possibilitou o aparecimento do primeiro estilo de arte
cristã: a Arte Bizantina.
Graças à sua localização (Constantinopla), a arte bizantina sofreu influências de Roma,
Grécia e do Oriente. A união de alguns elementos dessa cultura formou um estilo novo, rico tanto
na técnica como na cor. A arte bizantina está dirigida pela religião; ao clero cabia, além das suas
funções, organizarem também as artes, tornando os artistas meros executores. O regime era
teocrático e o imperador possuía poderes administrativos e espirituais; era o representante de
Deus, tanto que se convencionou representá-lo com uma auréola sobre a cabeça e, não raro,
encontrar um mosaico onde esteja juntamente com a esposa, ladeando a Virgem Maria e o
Menino Jesus.
O mosaico é expressão máxima da arte bizantina e não se destinava apenas a enfeitar
as paredes e abóbadas, mas instruir os fiéis, mostrando-lhes cenas da vida de Cristo, dos
profetas e dos vários imperadores. Plasticamente, o mosaico bizantino em nada se assemelha
aos mosaicos romanos; são confeccionados com técnicas diferentes e seguem convenções que
regem inclusive os afrescos. Neles, por exemplo, as pessoas são representadas de frente e
verticalizadas para criar certa espiritualidade; a perspectiva e o volume são ignorados e o dourado
é demasiadamente utilizado devido à associação com maior bem existente na terra: o ouro.
A arquitetura das igrejas foi a que recebeu maior atenção da arte bizantina; elas eram
planejadas sobre uma base circular, octogonal ou quadrada, com imensas cúpulas, criando-se
prédios enormes e espaçosos totalmente decorados.
A Igreja de Santa Sofia (Sofia = Sabedoria), na hoje Istambul, foi um dos maiores triunfos
da nova técnica bizantina, projetada pelos arquitetos Antêmio de Tralles e Isidoro de Mileto; ela
possui uma cúpula de 55 metros, apoiada em quatro arcos plenos. Tal método tornou a cúpula
extremamente elevada, sugerindo, por associação à abóbada celeste, sentimentos de
universalidade e poder absoluto. Apresenta pinturas nas paredes, colunas com capitel ricamente
decorado com mosaicos e o chão de mármore polido.
Toda essa atração por decoração, aliada à prevenção que os cristãos tinham contra a
estatuária, que lembrava de imediato o paganismo romano, afasta o gosto pela forma e,
consequentemente, a escultura não teve tanto destaque neste período. O que se encontra
restringe-se a baixos relevos acoplados à decoração.
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A arte bizantina teve seu grande apogeu no século VI, durante o reinado do Imperador
Justiniano. Porém, logo sucedeu-se um período de crise chamado de Iconoclastia, que constituía
na destruição de qualquer imagem santa devido ao conflito entre os imperadores e o clero.
A arte bizantina não se extinguiu em 1453, pois, durante a segunda metade do século XV e
boa parte do século XVI, a arte daquelas regiões, onde ainda florescia a ortodoxia grega,
permaneceu dentro da arte bizantina. E essa arte extravasou em muito os limites territoriais do
império, penetrando, por exemplo, nos países eslavos.

2.4.1 Um pouco mais sobre Santa Sofia

A verdadeira beleza de Santa Sofia, a maior igreja de Constantinopla, capital do Império


Bizantino, encontra-se no seu vasto interior. Um olhar mais atento permite ao visitante ver o
trabalho requintado dos artífices bizantinos no colorido resplandecente dos mosaicos, agora
restaurados; no mármore, profundamente talhado dos capitéis das colunas das naves laterais,
folhas de acantos envolvem o monograma de Justiniano e de sua mulher, Teodora. No alto, sobre
um solo de mármore, bordada em filigrama de sombras dos candelabros suspensos, resplandece
a grande cúpula. Embora a igreja tenha perdido a maior parte da decoração original de ouro e
prata, mosaicos e afrescos, há uma beleza natural na sua magnificência espacial e nos jogos de
sombra e luz - um claro-escuro admirável quando os raios de sol penetram e iluminam o seu
interior.

2.5 ARTE ISLÂMICA

No ano de 622 o profeta Maomé se exilou (hégira) na cidade de Yatrib e fundou aquela
que, desde então, se conhece como Medina (Madinat al-Nabi, cidade do profeta). De lá, sob a
orientação dos califas, sucessores do profeta, começou a rápida expansão do Islã até a Palestina,
Síria, Pérsia, Índia, Ásia Menor, Norte da África e Espanha. De origem nômade, os muçulmanos
demoraram certo tempo para estabelecer-se definitivamente e assentar as bases de uma estética
própria com a qual se identificassem. Ao fazer isso, inevitavelmente devem ter absorvido traços
estilísticos dos povos conquistados, que, no entanto, souberam adaptar muito bem ao seu modo
de pensar e sentir, transformando-os em seus próprios sinais de identidade. Foi assim que as
cúpulas bizantinas coroaram suas mesquitas e os esplêndidos tapetes persas, combinados com
os coloridos mosaicos, as decoraram. Aparentemente sensual, a arte islâmica foi na realidade,
desde seu início, conceitual e religiosa.
No âmbito sagrado evitou-se a arte figurativa, concentrando-se no geométrico e abstrato,
mais simbólico do que transcendental. A representação figurativa era considerada uma má
imitação de uma realidade fugaz e fictícia. Daí o emprego de formas como os arabescos,
resultado da combinação de traços ornamentais com caligrafia, que desempenham duas funções:
lembrar o verbo divino e alegrar a vista. As letras lavradas na parede lembram ao neófito que ele
contempla uma obra feita para Deus.
Na complexidade de sua análise, a arte islâmica se mostra, no início, como exclusividade
das classes altas e dos príncipes mecenas, que eram os únicos economicamente capazes de
construir mesquitas, mausoléus e mosteiros. No entanto, na função de governantes e guardiões
do povo e conscientes da importância da religião como base para a organização política e social,
eles realizavam suas obras para a comunidade de acordo com os preceitos muçulmanos: oração,
esmola, jejum e peregrinação.

2.5.1 Arquitetura

As mesquitas (locais de oração) foram construídas entre os séculos VI e VIII, seguindo o


modelo da casa de Maomé em Medina: uma planta quadrangular com um pátio voltado para o sul
e duas galerias com teto de palha e colunas de tronco de palmeira. A área de oração era coberta,
enquanto no pátio estavam as fontes para as abluções. A casa de Maomé era local de reuniões
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para oração, centro político, hospital e refúgio para os mais pobres. Essas funções foram
herdadas por mesquitas e alguns edifícios públicos. No entanto, a arquitetura sagrada não
manteve a simplicidade e a rusticidade dos materiais da casa do profeta, sendo exemplo disso as
obras dos primeiros califas: Basora e Kufa, no Iraque, a Cúpula da Roca, em Jerusalém, e a
Grande Mesquita de Damasco. Contudo, persistiu a preocupação com a preservação de certas
formas geométricas, como o quadrado e o cubo. O geômetra era tão importante quanto o
arquiteto. Na realidade, era ele quem realmente projetava o edifício, enquanto o segundo
controlava sua realização.
A cúpula de pendentes, que permite cobrir o quadrado com um círculo, foi um dos sistemas
mais utilizados na construção de mesquitas, embora não tenha existido um modelo comum. As
numerosas variações locais mantiveram a distribuição dos ambientes, mas nem sempre
conservaram sua forma. As mesquitas transferiram depois parte de suas funções aos edifícios
públicos: por exemplo, as escolas de teologia, semelhantes àquelas na forma. A construção de
palácios, castelos e demais edifícios públicos merece um capítulo à parte.
As residências dos emires constituíram uma arquitetura de segunda classe em relação às
mesquitas. Seus palácios eram planejados num estilo semelhante, pensados como um
microcosmo e constituíam o hábitat privativo do governante. Exemplo disso é o Alhambra, em
Granada. De planta quadrangular e cercado de muralhas sólidas, o palácio tinha aspecto de
fortaleza, embora se comunicasse com a mesquita por meio de pátios e jardins. O aposento mais
importante era o diwan ou sala do trono.
Outra das construções mais originais e representativas do Islã foi o minarete, uma espécie
de torre cilíndrica ou octogonal situada no exterior da mesquita a uma altura significativa, para que
a voz do almuadem ou muezim pudesse chegar até todos os fiéis, convidando-os à oração. A
Giralda, em Sevilha, era o antigo minarete da cidade. Outras construções representativas foram
os mausoléus ou monumentos funerários, semelhantes às mesquitas na forma e destinados a
santos e mártires.

2.5.2 Tapetes

Os tapetes e tecidos sempre tiveram um papel muito importante na cultura e na religião


islâmicas. Para começar, como povo nômade, esses eram os únicos materiais utilizados para
decorar o interior das tendas. À medida que foram se tornando sedentários, as sedas, brocados e
tapetes passaram a decorar palácios e castelos, além de cumprir uma função fundamental nas
mesquitas, já que o muçulmano, ao rezar, não deve ficar em contato com a terra.
Diferentemente da tecedura dos tecidos, a do tapete constitui uma unidade em si mesma.
Os fabricados antes do século XVI chamam-se arcaicos e possuem uma trama de 80 mil nós por
metro quadrado. Os mais valiosos são de origem persa e têm 40 mil nós por decímetro quadrado.
As oficinas mais importantes foram as de Shiraz, Tabriz e Isfahan, no Oriente, e Palermo, no
Ocidente. Entre os desenhos mais clássicos estão os de utensílios, de motivos florais, de caça,
com animais e plantas, e os geométricos, de decoração.

2.5.3 Pintura e Gráfica

As obras de pintura islâmica são representadas por afrescos e miniaturas. Das primeiras,
muito poucas chegaram até nossos dias em bom estado de conservação. Elas eram geralmente
usadas para decorar paredes de palácios ou de edifícios públicos e representavam cenas de caça
e da vida cotidiana da corte. Seu estilo era semelhante ao da pintura helênica, embora, segundo o
lugar, sofresse uma grande influência indiana, bizantina e inclusive chinesa.
A miniatura não foi usada, como no cristianismo, para ilustrar livros religiosos, mas, sim,
nas publicações de divulgação científica, para tornar mais claro o texto, e nas literárias, para
acompanhar a narração. O estilo era um tanto estático, esquematizado, muito parecido com o das
miniaturas bizantinas, com fundo dourado e ausência de perspectiva. O Corão era decorado com
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figuras geométricas muito precisas, a fim de marcar a organização do texto, por exemplo,
separando um capítulo de outro.
Estreitamente ligada à pintura, encontra-se a arte dos mosaicistas. Ela foi herdada de
Bizâncio e da Pérsia antiga, tornando-se uma das disciplinas mais importantes na decoração de
mesquitas e palácios, junto com a cerâmica. No início, as representações eram completamente
figurativas, semelhantes às antigas, mas paulatinamente foram se abstraindo, até se
transformarem em folhas e flores misturadas com letras desenhadas artisticamente, o que é
conhecido como arabesco.
Assim, complexos desenhos multicoloridos, calculados com base na simbologia numérica
islâmica, cobriam as paredes internas e externas dos edifícios, combinando com a decoração de
gesso das cúpulas. Caligrafias de incrível preciosidade e formas geométricas multiplicadas até o
infinito criaram superfícies de verdadeiro horror ao espaço vazio. A mesma função desempenhava
a cerâmica, mais utilizada a partir do século XII e que atingiu o esplendor na Espanha, onde foram
criadas peças de uso cotidiano.

3. IDADE MÉDIA

3.1 ARTE ROMÂNICA

Em 476, com a tomada de Roma pelos povos bárbaros, tem início o período histórico
conhecido por Idade Média. Na Idade Média a arte tem suas raízes na época conhecida como
Paleocristã, trazendo modificações no comportamento humano; com o cristianismo, a arte se
voltou para a valorização do espírito. Os valores da religião cristã vão impregnar todos os
aspectos da vida medieval. A concepção de mundo dominada pela figura de Deus, proposto pelo
cristianismo, é chamada de teocentrismo (teos = Deus). Deus é o centro do universo e a medida
de todas as coisas. A Igreja, como representante de Deus na Terra, tinha poderes ilimitados.

3.1.2 Arquitetura

No final dos séculos XI e XII, na Europa, surge a arte românica, cuja estrutura era
semelhante às construções dos antigos romanos.
As características mais significativas da arquitetura românica são:

 Abóbadas em substituição ao telhado das basílicas;


 Pilares maciços que sustentavam e das paredes espessas;
 Aberturas raras e estreitas usadas como janelas;
 Torres, que aparecem no cruzamento das naves ou na fachada;
 Arcos que são formados por 180 graus.

A primeira coisa que chama a atenção nas igrejas românicas é o seu tamanho. Elas são
sempre grandes e sólidas. Daí serem chamadas fortalezas de Deus. A explicação mais aceita
para as formas volumosas, estilizadas e duras dessas igrejas é o fato da arte românica não ser
fruto do gosto refinado da nobreza nem das idéias desenvolvidas nos centros urbanos, mas um
estilo essencialmente clerical. A arte desse período passa, assim a ser encarada como uma
extensão do serviço divino e uma oferenda à divindade.
A mais famosa é a Catedral de Pisa, sendo o edifício mais conhecido do seu conjunto o
campanário, que começou a ser construído em 1174, a conhecida Torre de Pisa, que se inclinou
porque, com o passar do tempo, o terreno cedeu.

3.1.3 Pintura e Escultura


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Numa época em que poucas pessoas sabiam ler, a Igreja recorria à pintura e à escultura
para narrar histórias bíblicas ou comunicar valores religiosos aos fiéis. Não podemos estudá-las
desassociadas da arquitetura. A pintura românica desenvolveu-se, sobretudo, nas grandes
decorações murais, através da técnica do afresco, que originalmente era uma técnica de pintar
sobre a parede úmida.
Os motivos usados pelos pintores eram de natureza religiosa. As características essenciais
da pintura românica foram a deformação e o colorismo. A deformação, na verdade, traduz os
sentimentos religiosos e a interpretação mística que os artistas faziam da realidade. A figura de
Cristo, por exemplo, é sempre maior do que as outras que o cercam. O colorismo realizou-se no
emprego de cores chapadas, sem preocupação com meios tons ou jogos de luz e sombra, pois
não havia a menor intenção de imitar a natureza.
Na porta, a área mais ocupada pelas esculturas era o tímpano, nome que recebe a parede
semicircular que fica logo abaixo dos arcos que arrematam o vão superior da porta. Imitação de
formas rudes, curtas ou alongadas, ausência de movimentos naturais.

3.1.4 Mosaico

A técnica da decoração com mosaico, isto é, pequeninas pedras, de vários formatos e


cores, que colocadas lado a lado vão formando o desenho, conheceu seu auge na época do
românico. Usado desde a Antiguidade, é originária do Oriente, onde a técnica bizantina utilizava o
azul e dourado, para representar o próprio céu.

3.2 ARTE GÓTICA

No século XII, entre os anos 1150 e 1500, tem início uma economia fundamentada no
comércio. Isso faz com que o centro da vida social se desloque do campo para a cidade e
apareça a burguesia urbana. No começo do século XII, a arquitetura predominante ainda é a
românica, mas já começaram a aparecer as primeiras mudanças que conduziram a uma
revolução profunda na arte de projetar e construir grandes edifícios.

3.2.1 Arquitetura

A primeira diferença que notamos entre a igreja gótica e a românica é a fachada. Enquanto,
de modo geral, a igreja românica apresenta um único portal, a igreja gótica tem três portais que
dão acesso às três naves do interior da igreja: a nave central e as duas naves laterais.
A arquitetura expressa a grandiosidade, a crença na existência de um Deus que vive num
plano superior; tudo se volta para o alto, projetando-se na direção do céu, como se vê nas pontas
agulhadas das torres de algumas igrejas góticas.
A rosácea é um elemento arquitetônico muito característico do estilo gótico e está presente
em quase todas as igrejas construídas entre os séculos XII e XIV.
Outros elementos característicos da arquitetura gótica são os arcos góticos ou ogivais e
os vitrais coloridíssimos, que filtram a luminosidade para o interior da igreja.
As catedrais góticas mais conhecidas são: Catedral de Notre Dame de Paris e a Catedral
de Notre Dame de Chartres.

3.2.2 Esculturas

As esculturas estão ligadas à arquitetura e se alongam para o alto, demonstrando


verticalidade, alongamento exagerado das formas; as feições são caracterizadas de formas a que
o fiel possa reconhecer facilmente a personagem representada, exercendo a função de ilustrar os
ensinamentos propostos pela Igreja.

3.2.3 Iluminura
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Iluminura é a ilustração sobre o pergaminho de livros manuscritos. O


desenvolvimento de tal gênero está ligado à difusão dos livros ilustrados, patrimônio quase
exclusivo dos mosteiros. No clima de fervor cultural que caracteriza a arte gótica, os manuscritos
também eram encomendados por particulares, aristocratas e burgueses. É precisamente por esta
razão que os grandes livros litúrgicos (a Bíblia e os Evangelhos) eram ilustrados pelos iluministas
góticos em formatos manejáveis.
Durante o século XII e até o século XV a arte ganhou forma de expressão também nos
objetos preciosos e nos ricos manuscritos ilustrados. Os copistas dedicavam-se à transcrição dos
textos sobre as páginas. Ao realizar essa tarefa, deixavam espaços para que os artistas fizessem
as ilustrações, os cabeçalhos, os títulos ou as letras maiúsculas com que se iniciavam um texto.
Da observação dos manuscritos ilustrados podemos tirar duas conclusões: a primeira é a
compreensão do caráter individualista que a arte da ilustração ganhava, pois se destinava aos
poucos possuidores das obras copiadas a segunda é que os artistas ilustradores do período
gótico tornaram-se tão habilidosos na representação do espaço tridimensional e na compreensão
analítica de uma cena, que seus trabalhos acabaram influenciando outros pintores.

3.2.4 Pintura

A pintura gótica desenvolveu-se nos séculos XII, XIII, XIV e início do século XV, quando
começou a ganhar novas características que prenunciam o Renascimento. Sua principal
particularidade foi a procura do realismo na representação dos seres que compunham as obras
pintadas; quase sempre tratando de temas religiosos, apresentava personagens de corpos pouco
volumosos, cobertos por muita roupa, com o olhar voltado para cima, em direção ao plano
celeste.
Os principais artistas na pintura gótica são os verdadeiros precursores da pintura do
Renascimento (Duocento):

 Giotto: a característica principal do seu trabalho foi a identificação da figura dos santos
com seres humanos de aparência bem comum. E esses santos, com ar de homem comum,
eram o mais importante das cenas que pintava, ocupando sempre posição de destaque na
pintura. Assim, a pintura de Giotto vem ao encontro de uma visão humanista do mundo,
que vai cada vez mais se firmando até ganhar plenitude no Renascimento. Obras
destacadas: Afrescos da Igreja de São Francisco de Assis (Itália) e Retiro de São Joaquim
entre os Pastores.
 Jan Van Eyck: procurava registrar nas suas pinturas os aspectos da vida urbana e da
sociedade de sua época. Nota-se em suas pinturas um cuidado com a perspectiva,
procurando mostrar os detalhes e as paisagens. Obras destacadas: O Casal Arnolfini e
Nossa Senhora do Chanceler Rolin.
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4. IDADE MODERNA
4.1 RENASCIMENTO
O termo Renascimento é comumente aplicado à civilização europeia que se desenvolveu
entre 1300 e 1650. Além de se reviver a antiga cultura greco-romana, ocorreu nesse período
muitos progressos e incontáveis realizações no campo das artes, da literatura e das ciências, que
superaram a herança clássica. O ideal do humanismo foi sem duvida o móvel desse progresso e
tornou-se o próprio espírito do Renascimento. Trata-se de uma volta deliberada, que propunha a
ressurreição consciente (o renascimento) do passado, considerado agora como fonte de
inspiração e modelo de civilização. Num sentido amplo, esse ideal pode ser entendido como a
valorização do homem (Humanismo) e da natureza, em oposição ao divino e ao sobrenatural,
conceitos que haviam impregnado a cultura da Idade Média.
São características gerais:
 Racionalidade  Ideal Humanista
 Dignidade do Ser Humano  Reutilização das artes greco-romana
 Rigor Científico

4.1.1 Arquitetura
Na arquitetura renascentista a ocupação do espaço pelo edifício baseia-se em relações
matemáticas estabelecidas de tal forma que o observador possa compreender a lei que o
organiza, de qualquer ponto em que se coloque. “Já não é o edifício que possui o homem, mas
este que, aprendendo a lei simples do espaço, possui o segredo do edifício” (Bruno Zevi)
Suas principais características são:
 Ordens Arquitetônicas
 Arcos de Volta-Perfeita
 Simplicidade na construção
 A escultura e a pintura se desprendem da arquitetura e passam a ser autônomas
 Construções; palácios, igrejas, vilas (casa de descanso fora da cidade), fortalezas (funções
militares)
O principal arquiteto renascentista foi Brunelleschi: é um exemplo de artista renascentista
completo, pois foi pintor, escultor e arquiteto, além de dominar conhecimentos de Matemática,
Geometria e de ser grande conhecedor da poesia de Dante. Foi como construtor, porém, que
realizou seus mais importantes trabalhos, entre eles a cúpula da catedral de Florença e a Capela
Pazzi.
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4.1.2 Pintura
Principais características:
 Perspectiva: arte de figura, no desenho ou pintura; as diversas distâncias e proporções
que têm entre si os objetos vistos à distância, segundo os princípios da matemática e da
geometria.
 Uso do claro-escuro: pintar algumas áreas iluminadas e outras na sombra; esse jogo de
contrastes reforça a sugestão de volume dos corpos.
 Realismo: os artistas do Renascimento não veem mais o homem como simples
observador do mundo que expressa a grandeza de Deus, mas como a expressão mais
grandiosa do próprio Deus. E o mundo é pensado como uma realidade a ser compreendida
cientificamente, e não apenas admirada.
 Inicia-se o uso da tela e da tinta a óleo.
 Tanto a pintura como a escultura, que antes apareciam quase que exclusivamente como
detalhes de obras arquitetônicas, tornam-se manifestações independentes.
 Surgimento de artistas com um estilo pessoal, diferente dos demais, já que o período é
marcado pelo ideal de liberdade e, consequentemente, pelo individualismo.
Os principais pintores foram:
 Botticelli: os temas de seus quadros foram escolhidos segundo a possibilidade que lhe
proporcionavam de expressar seu ideal de beleza. Para ele, a beleza estava associada
ao ideal cristão. Por isso, as figuras humanas de seus quadros são belas porque
manifestam a graça divina, e, ao mesmo tempo, melancólicas porque supõem que
perderam esse dom de Deus. Obras destacadas: A Primavera e O Nascimento de Vênus.
 Leonardo da Vinci: ele dominou com sabedoria um jogo expressivo de luz e sombra,
gerador de uma atmosfera que parte da realidade, mas estimula a imaginação do
observador. Foi possuidor de um espírito versátil que o tornou capaz de pesquisar e
realizar trabalhos em diversos campos do conhecimento humano. Obras destacadas: A
Virgem dos Rochedos e Monalisa.
 Michelangelo: entre 1508 e 1512 trabalhou na pintura do teto da Capela Sistina, no
Vaticano. Para essa capela, concebeu e realizou grande número de cenas do Antigo
Testamento. Dentre tantas que expressam a genialidade do artista, uma particularmente
representativa é a criação do homem. Obras destacadas: Teto da Capela Sistina e a
Sagrada Família
 Rafael: suas obras comunicam ao observador um sentimento de ordem e segurança, pois
os elementos que compõem seus quadros são dispostos em espaços amplo, claros e de
acordo com uma simetria equilibrada. Foi considerado grande pintor de “Madonas”. Obras
destacadas: A Escola de Atenas e Madona da Manhã.
4.1.3 Escultura
Em meados do século XV, com a volta dos papas de Avinhão para Roma, esta adquire o
seu prestígio. Protetores das artes, os papas deixam o palácio de Latrão e passam a residir no
Vaticano. Ali, grandes escultores se revelam; o maior deles é Michelângelo, que domina toda a
escultura italiana do século XVI. Algumas obras: Moisés, Davi (4,10m) e Pietá.
Outro grande escultor desse período foi Andrea del Verrochio. Trabalhou em ourivesaria e
esse fato acabou influenciando sua escultura. Obra destacada: Davi (1,26m) em bronze.
Principais características:
 Buscavam representar o homem tal como ele é na realidade
 Proporção da figura mantendo a sua relação com a realidade
 Profundidade e perspectiva
 Estudo do corpo e do caráter humano
O Renascimento Italiano se espalha pela Europa, trazendo novos artistas que
nacionalizaram as idéias italianas. São eles: Dürer, Hans Holbein, Bosch e Bruegel.
Para seu conhecimento
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 A Capela Sistina foi construída por ordem de Sisto IV (retangular 40 x 13 x 20 altura). E é
na própria Capela que se faz o Conclave: reunião com os cardeais após a morte do Papa
para proceder a eleição do próximo. Lareira que produz fumaça negra: o Papa ainda não
foi escolhido; fumaça branca: o Papa acaba de ser escolhido.
 Michelângelo dominou a escultura e o desenho do corpo humano maravilhosamente bem,
pois tendo dissecado cadáveres por muito tempo, assim como Leonardo da Vinci, sabia
exatamente a posição de cada músculo, cada tendão, cada veia.
 Além de pintor, Leonardo da Vinci, foi grande inventor. Dentre as suas invenções estão:
“Parafuso Aéreo”, primitiva versão do helicóptero, a ponte elevadiça, o escafandro, um
modelo de asa-delta, etc.
 Quando deparamos com o quadro da famosa MONALISA não conseguimos desgrudar os
olhos do seu olhar, parece que ele nos persegue. Por que acontece isso? Será que seus
olhos podem se mexer? Este quadro foi pintado pelo famoso artista e inventor italiano
Leonardo da Vinci (1452-1519) e truque que ele usou para dar esse efeito? Quando se
pinta uma pessoa olhando para frente (olhando diretamente para o espectador) tem-se a
impressão que o personagem do quadro fixa seu olhar em todos. Isso acontece porque os
quadros são lisos. Se olharmos para a Monalisa de um ou de outro lado estaremos vendo-
a sempre com os olhos e a ponta do nariz para frente e não poderemos ver o lado do seu
rosto. Aí está o truque em qualquer ângulo que se olhe a Monalisa a veremos sempre de
frente.
4.2 MANEIRISMO
Paralelamente ao renascimento clássico desenvolve-se em Roma, do ano de 1520 até por
volta de 1610, um movimento artístico afastado conscientemente do modelo da antiguidade
clássica: o maneirismo (maniera, em italiano, significa maneira). Uma evidente tendência para a
estilização exagerada e um capricho nos detalhes começa a ser sua marca, extrapolando assim
as rígidas linhas dos cânones clássicos.
Alguns historiadores o consideram uma transição entre o renascimento e o barroco,
enquanto outros preferem vê-lo como um estilo, propriamente dito. O certo, porém, é que o
maneirismo é uma consequência de um renascimento clássico que entra em decadência. Os
artistas se veem obrigados a partir em busca de elementos que lhes permitam renovar e
desenvolver todas as habilidades e técnicas adquiridas durante o renascimento.
Uma de suas fontes principais de inspiração é o espírito religioso reinante na Europa nesse
momento. Não só a Igreja, mas toda a Europa estava dividida após a Reforma de Lutero. Carlos
V, depois de derrotar as tropas do Sumo Pontífice, saqueia e destrói Roma. Reinam a desolação
e a incerteza. Os grandes impérios começam a se formar e o homem já não é a principal e única
medida do universo.
Pintores, arquitetos e escultores são impelidos a deixar Roma com destino a outras
cidades. Valendo-se dos mesmos elementos do renascimento, mas agora com um espírito
totalmente diferente, criam uma arte de labirintos, espirais e proporções estranhas, que são,
sem dúvida, a marca inconfundível do estilo maneirista. Mais adiante, essa arte acabaria
cultivada em todas as grandes cidades européias.
4.2.1 Arquitetura
A arquitetura maneirista dá prioridade à construção de igrejas de plano longitudinal, com
espaços mais longos do que largos, com a cúpula principal sobre o transepto, deixando de lado
as de plano centralizado, típicas do renascimento clássico. No entanto, pode-se dizer que as
verdadeiras mudanças que este novo estilo introduz refletem-se não somente na construção em
si, mas também na distribuição da luz e na decoração. Principais características:
Nas igrejas:
 Naves escuras, iluminadas apenas de ângulos diferentes; coros com escadas em espiral,
que, na maior parte das vezes, não levam a lugar nenhum, produzem uma atmosfera de
rara singularidade.
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 Guirlandas de frutas e flores, balaustradas, povoadas de figuras caprichosas são a
decoração mais característica desse estilo. Caracóis, conchas e volutas cobrem muros e
altares, lembrando uma exuberante selva de pedra que confunde a vista.
Nos ricos palácios e casas de campo:
 Formas convexas, que permitem o contraste entre luz e sombra prevalecem sobre o
quadrado disciplinado do renascimento.
 A decoração de interiores ricamente adornada e os afrescos das abóbadas coroam esse
caprichoso e refinado estilo, que, mais do que marcar a transição entre duas épocas,
expressa a necessidade de renovação.
São os principais representantes do período:
 Bartolomeu Ammanati (1511-1592): autor de vários projetos arquitetônicos por toda a
Itália, tais como: a construção do túmulo do conde de Montefeltro, o palácio dos Mantova, a
villa na Porta del Popolo, a fonte da Piazza della Signoria. Seu interesse pela arquitetura o
levou a estudar os tratados de Alberti e Brunelleschi, com base nos quais planejou uma
cidade ideal. De acordo com os preceitos dos jesuítas, que proibiam o nu nas obras de
arte, legou a eles todos os seus bens.
 Giorgio Vasari (1511-1574): Vasari é conhecido por sua obra literária Le Vite (As Vidas),
na qual, além de fazer um resumo da arte renascentista, apresenta um relato, às vezes
pouco fiel, mas muito interessante, sobre os grandes artistas da época, sem deixar de fazer
comentários mal intencionados e elogios exagerados. Sob a proteção de Aretino conseguiu
realizar uma de suas únicas obras significativas: os afrescos do palácio Cornaro. Vasari
também trabalhou em colaboração com Michelangelo em Roma, na década de 30. Suas
biografias, publicadas em 1550, fizeram tanto sucesso que se seguiram várias edições.
Passou os últimos dias de sua vida em Florença, dedicado à arquitetura.
 Palladio (1508-1580): o interesse que tinha pelas teorias de Vitrúvio se reflete na
totalidade de sua obra arquitetônica, cujo caráter é rigorosamente clássico e no qual a
clareza de linhas e a harmonia das proporções preponderam sobre o decorativo, reduzido
a uma expressão mínima. Somente dez anos depois iria se dedicar à arquitetura sacra em
Veneza, com a construção das igrejas San Giorgio Maggiore e Il Redentore. Não se pode
dizer que Palladio tenha sido um arquiteto tipicamente maneirista, no entanto, é um dos
mais importantes desse período. A obra de Palladio foi uma referência obrigatória para os
arquitetos ingleses e franceses do barroco.

4.2.2 Pintura
É na pintura que o espírito maneirista se manifesta em primeiro lugar. São os pintores da
segunda década do século XV que, afastados dos cânones renascentistas, criam esse novo
estilo, procurando deformar uma realidade que já não os satisfaz e tentando revalorizar a arte
pela própria arte.
Principais características:
 Composição em que uma multidão de figuras se comprime em espaços arquitetônicos
reduzidos. O resultado é a formação de planos paralelos, completamente irreais, e uma
atmosfera de tensão permanente.
 Nos corpos as formas esguias e alongadas substituem os membros bem torneados do
renascimento. Os músculos fazem agora contorções absolutamente impróprias para os
seres humanos.
 Rostos melancólicos e misteriosos surgem entre as vestes com cores brilhantes.
 A luz se detém sobre objetos e figuras, produzindo sombras inadmissíveis.
 Os verdadeiros protagonistas do quadro já não se posicionam no centro da perspectiva,
mas em algum ponto da arquitetura, onde o olho atento deve, não sem certa dificuldade,
encontrá-lo.
É considerado o principal artista:
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 El Greco (1541-1614): fundiu as formas iconográficas bizantinas com o desenho e o colorido
da pintura veneziana e a religiosidade espanhola. Na verdade, sua obra não foi totalmente
compreendida por seus contemporâneos. Nascido em Creta, acredita-se que começou como
pintor de ícones no convento de Santa Catarina, em Cândia. De acordo com documentos
existentes, no ano de 1567 emigrou para Veneza, onde começou a trabalhar no ateliê de
Ticiano, com quem realizou algumas obras. Depois de alguns anos de permanência em Madri
ele se estabeleceu na cidade de Toledo, onde trabalhou praticamente com exclusividade para
a corte de Filipe II, para os conventos locais e para a nobreza toledana. Entre suas obras mais
importantes estão O Enterro do Conde de Orgaz, a meio caminho entre o retrato e a
espiritualidade mística, Homem com a Mão no Peito, O Sonho de Filipe II e O Martírio de São
Maurício. Esta última lhe custou a expulsão da corte.
4.2.3 Escultura
Na escultura o maneirismo segue o caminho traçado por Michelangelo: às formas clássicas
soma-se o novo conceito intelectual da arte pela arte e o distanciamento da realidade. Em
resumo, repetem-se as características da arquitetura e da pintura. Não faltam as formas
caprichosas, as proporções estranhas, as superposições de planos, ou ainda o exagero nos
detalhes, elementos que criam essa atmosfera de tensão tão característica do espírito maneirista.
Principais características:
 A composição típica desse estilo apresenta um grupo de figuras dispostas umas sobre as
outras, num equilíbrio aparentemente frágil, as figuras são unidas por contorções extremadas
e exagerado alongamento dos músculos.
 O modo de enlaçar as figuras, atribuindo-lhes uma infinidade de posturas impossíveis, permite
que elas compartilhem a reduzida base que têm como cenário, isso sempre respeitando a
composição geral da peça e a graciosidade de todo o conjunto.
São os principais artistas:
 Bartolomeu Ammanati (1511-1592): realizou trabalhos em várias cidades italianas.
Decorou também o palácio dos Mantova e o túmulo do conde da cidade. Conheceu a
poetisa Laura Battiferi, com quem se casou, e juntos se mudaram para Roma a pedido do
papa Júlio II, que incumbiu-o da construção de sua villa na Porta del Popolo. Começaram
assim seus primeiros passos como arquiteto. No ano de 1555, com a morte do papa, voltou
para Florença, onde venceu um concurso para a construção da fonte da Piazza della
Signoria. Seu interesse pela arquitetura o levou a estudar os tratados de Alberti e
Brunelleschi, com base nos quais planejou uma cidade ideal. De acordo com os preceitos
dos jesuítas, que proibiam o nu nas obras de arte, legou a eles todos os seus bens.
 Giambologna (1529-1608): de origem flamenca, Giambologna deu seus primeiros passos
como escultor na oficina do francês Jacques Dubroecq. Poucos anos depois se mudou
para Roma, onde se supõe que teria colaborado com Michelangelo em muitas de suas
obras. Estabeleceu-se finalmente em Florença, na corte dos Medici. O Rapto das Sabinas,
Mercúrio, Baco e Os Pescadores estão entre as obras mais importantes desse período.
Participou também de um concurso na cidade de Bolonha, para o qual realizou uma de
suas mais célebres esculturas, A Fonte de Netuno.Trabalhou com igual maestria a pedra
calcária e o mármore e foi grande conhecedor da técnica de despejar os metais, como
demonstram suas esculturas de bronze. Giambologna está para o maneirismo como
Michelangelo está para o renascimento.
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4.3 BARROCO
A arte barroca originou-se na Itália (séc. XVII), mas não tardou a irradiar-se por outros países da
Europa e a chegar também ao continente americano, trazida pelos colonizadores portugueses e
espanhóis. As obras barrocas romperam o equilíbrio entre o sentimento e a razão ou entre a arte e a
ciência que os artistas renascentistas procuram realizar de forma muito consciente; na arte barroca
predominam as emoções e não o racionalismo da arte renascentista.
É uma época de conflitos espirituais e religiosos. O estilo barroco traduz a tentativa angustiante de
conciliar forças antagônicas: bem e mal, Deus e Diabo, céu e terra, pureza e pecado, alegria e tristeza,
paganismo e cristianismo, espírito e matéria.
Suas características gerais são:
 Emocional sobre o racional: seu propósito é impressionar os sentidos do observador, baseando-se
no princípio segundo o qual a fé deveria ser atingida através dos sentidos e da emoção e não
apenas pelo raciocínio.
 Busca de efeitos decorativos e visuais através de curvas, contracurvas, colunas retorcidas.
 Entrelaçamento entre a arquitetura e escultura.
 Violentos contrastes de luz e sombra.
 Pintura com efeitos ilusionistas, dando-nos às vezes a impressão de ver o céu, tal a aparência de
profundidade conseguida.
4.3.1 Pintura
Características da pintura barroca:
 Composição assimétrica, em diagonal: se revela num estilo grandioso, monumental, retorcido,
substituindo a unidade geométrica e o equilíbrio da arte renascentista.
 Acentuado contraste de claro-escuro (expressão dos sentimentos): era um recurso que visava
a intensificar a sensação de profundidade.
 Realista, abrangendo todas as camadas sociais.
 Escolha de cenas no seu momento de maior intensidade dramática.
Dentre os pintores barrocos italianos, destacaram-se:
 Caravaggio: o que melhor caracteriza a sua pintura é o modo revolucionário como usa a luz. Ela
não aparece como reflexo da luz solar, mas é criada intencionalmente pelo artista, para dirigir a
atenção do observador. Obra destacada: Vocação de São Mateus.
 Andrea Pozzo: realizou grandes composições de perspectiva nas pinturas dos tetos das igrejas
barrocas, causando a ilusão de que as paredes e colunas da igreja continuam no teto, e de que
este se abre para o céu, de onde santos e anjos convidam os homens para a santidade. Obra
destacada: A Glória de Santo Inácio.
Professor J. André de Azevedo. Colégio Global 2011 31
A Itália foi o centro irradiador do estilo barroco. Dentre os pintores mais representativos, de outros
países da Europa, temos:
 Velázquez: além de retratar as pessoas da corte espanhola do século XVII, procurou registrar em
seus quadros também os tipos populares do seu país, documentando o dia a dia do povo espanhol
num dado momento da história. Obra destacada: O Conde Duque de Olivares.
 Rubens: além de um colorista vibrante, se notabilizou por criar cenas que sugerem, a partir das
linhas contorcidas dos corpos e das pregas das roupas, um intenso movimento. Em seus quadros é
geralmente no vestuário que se localizam as cores quentes - o vermelho, o verde e o amarelo - que
contrabalançam a luminosidade da pele clara das figuras humanas. Obra destacada: O Jardim do
Amor.
 Rembrandt: o que dirige nossa atenção nos quadros deste pintor não é propriamente o contraste
entre luz e sombra, mas a gradação da claridade, os meios-tons, as penumbras que envolvem
áreas de luminosidade mais intensa. Obra destacada: Aula de Anatomia.
4.3.2 Escultura
Suas características são: o predomínio das linhas curvas, dos drapeados das vestes e do uso do
dourado; os gestos e os rostos das personagens revelam emoções violentas e atingem uma dramaticidade
desconhecida no Renascimento.
 Bernini: arquiteto, urbanista, decorador e escultor, algumas de suas obras serviram de elementos
decorativos das igrejas, como, por exemplo, o baldaquino e a cadeira de São Pedro, ambos na
Basílica de São Pedro, no Vaticano. Obra destacada: A Praça de São Pedro, Vaticano e o Êxtase
de Santa Teresa.
Para seu conhecimento
 Barroco: termo de origem espanhola ‘Barrueco’, aplicado para designar pérolas de forma irregular.
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4.4 ROCOCÓ
Rococó é o estilo artístico que surgiu na França como desdobramento do barroco, mais
leve e intimista que aquele e usado inicialmente em decoração de interiores. Desenvolveu-se na
Europa do século XVIII e da arquitetura disseminou-se para todas as artes. Vigoroso até o
advento da reação neoclássica, por volta de 1770, difundiu-se principalmente na parte católica da
Alemanha, na Prússia e em Portugal.
Os temas utilizados eram cenas eróticas ou galantes da vida cortesã (as fêtes galantes) e
da mitologia, pastorais, alusões ao teatro italiano da época, motivos religiosos e farta estilização
naturalista do mundo vegetal em ornatos e molduras.
O termo deriva do francês rocaille, que significa "embrechado", técnica de incrustação de
conchas e fragmentos de vidro, utilizadas originariamente na decoração de grutas artificiais. Na
França, o rococó é também chamado estilo Luís XV e Luís XVI.
Características gerais:
 Uso abundante de formas curvas e pela profusão de elementos decorativos, tais como
conchas, laços e flores.
 Possui leveza, caráter intimista, elegância, alegria, bizarro, frivolidade e exuberante.

4.4.1 Arquitetura

Durante o Iluminismo, entre 1700 e 1780, o rococó foi a principal corrente da arte e da
arquitetura pós-barroca. Nos primeiros anos do século XVIII o centro artístico da Europa
transferiu-se de Roma para Paris. Surgido na França com a obra do decorador Pierre Lepautre, o
rococó era a princípio apenas um novo estilo decorativo.
Principais características:

 Cores vivas foram substituídas por tons pastéis, a luz difusa inundou os interiores por meio
de numerosas janelas e o relevo abrupto das superfícies deu lugar a texturas suaves.
 A estrutura das construções ganhou leveza e o espaço interno foi unificado, com maior
graça e intimidade.

Principal Artista:

 Johann Michael Fischer (1692-1766): responsável pela abadia beneditina de Ottobeuren,


marco do rococó bávaro. Grande mestre do estilo rococó, responsável por vários edifícios
na Baviera. Restaurou dezenas de igrejas, mosteiros e palácios.

4.4.2 Escultura

Na escultura e na pintura da Europa oriental e central, ao contrário do que ocorreu na


arquitetura, não é possível traçar uma clara linha divisória entre o barroco e o rococó, quer
cronológica, quer estilisticamente. Mais do que nas peças esculpidas, é em sua disposição, dentro
da arquitetura, que se manifesta o espírito rococó. Os grandes grupos coordenados dão lugar a
figuras isoladas, cada uma com existência própria e individual, que dessa maneira contribuem
para o equilíbrio geral da decoração interior das igrejas.
Principais Artistas:
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 Johann Michael Feichtmayr (1709-1772): escultor alemão, membro de um grupo de
famílias de mestres da moldagem no estuque, distinguiu-se pela criação de santos e anjos
de grande tamanho, obras-primas dos interiores rococós.
 Ignaz Günther (1725-1775): escultor alemão, um dos maiores representantes do estilo
rococó na Alemanha. Suas esculturas eram em geral feitas em madeira e a seguir
policromadas. "Anunciação", "Anjo da guarda", "Pietà".

4.4.3 Pintura

Durante muito tempo o rococó francês ficou restrito às artes decorativas e teve pequeno
impacto na escultura e pintura francesas. No final do reinado de Luís XIV, em que se afirmou o
predomínio político e cultural da França sobre o resto da Europa, apareceram as primeiras
pinturas rococós sob influência da técnica de Rubens.
Principais Artistas:

 Antoine Watteau (1684-1721): as figuras e cenas de Watteau se converteram em modelos


de um estilo bastante copiado, que durante muito tempo obscureceu a verdadeira
contribuição do artista para a pintura do século XIX.
 François Boucher (1703-1770): as expressões ingênuas e maliciosas de suas numerosas
figuras de deusas e ninfas em trajes sugestivos e atitudes graciosas e sensuais não
evocavam a solenidade clássica, mas a alegre descontração do estilo rococó. Além dos
quadros de caráter mitológico, pintou, sempre com grande perfeição no desenho, alguns
retratos, paisagens ("O casario de Issei") e cenas de interior ("O pintor em seu estúdio").
 Jean-Honoré Fragonard (1732-1806): desenhista e retratista de talento, Fragonard
destacou-se principalmente como pintor do amor e da natureza, de cenas galantes em
paisagens idílicas. Foi um dos últimos expoentes do período rococó, caracterizado por uma
arte alegre e sensual, e um dos mais antigos precursores do impressionismo.
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5. IDADE CONTEMPORÂNEA

5.1 NEOCLASSICISMO

Nas duas últimas décadas do século XVIII e nas três primeiras do século XIX uma nova
tendência estética predominou nas criações dos artistas europeus. Trata-se do Neoclassicismo
(neo = novo), que expressou os valores próprios de uma nova e fortalecida burguesia, que
assumiu a direção da sociedade européia após a Revolução Francesa e principalmente com o
Império de Napoleão.
Principais características:

 Retorno ao passado, pela imitação dos modelos antigos greco-latinos.


 Academicismo nos temas e nas técnicas, isto é, sujeição aos modelos e às regras
ensinadas nas escolas ou academias de belas-artes.
 Arte entendida como imitação da natureza, num verdadeiro culto à teoria de Aristóteles.

5.1.1 Arquitetura

Tanto nas construções civis quanto nas religiosas, a arquitetura neoclássica seguiu o
modelo dos templos greco-romanos ou o das edificações do Renascimento italiano. Exemplos
dessa arquitetura: a igreja de Santa Genoveva, transformada depois no Panteão Nacional, em
Paris, e a Porta do Brandemburgo, em Berlim.

5.1.2 Pintura

A pintura desse período foi inspirada principalmente na escultura clássica grega e na


pintura renascentista italiana, sobretudo em Rafael, mestre inegável do equilíbrio da composição.
Características da pintura:

 Formalismo na composição, refletindo racionalismo dominante.


 Exatidão nos contornos
 Harmonia do colorido

Os maiores representantes da pintura neoclássica são, sem dúvida:

 Jacques-Louis David: foi considerado o pintor da Revolução Francesa, mais tarde, tornou-
se o pintor oficial do Império de Napoleão. Durante o governo de Napoleão, registrou fatos
históricos ligados à vida do imperador. Suas obras geralmente expressam um vibrante
realismo, mas algumas delas exprimem fortes emoções. Obra destacada: Bonaparte
atravessando os Alpes e Morte de Marat.
 Jean-Auguste-Dominique Ingres (1780-1867): o pintor foi uma espécie de cronista visual
da sociedade de seu tempo. Ingres acreditava qua a tarefa primordial da arte era produzir
quadros históricos. Ardoroso defensor da pureza das formas, ele afirmava, por exemplo,
que desenhar uma linha perfeita era muito mais importante do que colorir. “A pincelada
deve ser tão fina como a casca de uma cebola", repetia aos seus alunos. Sua obra
abrange, além de composições mitológicas e literárias, nus, retratos e paisagens, mas a
crítica moderna vê nos retratos e nus o seu trabalho mais admirável. Ingres soube registrar
a fisionomia da classe burguesa do seu tempo, principalmente no gosto pelo poder e na
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sua confiança na individualidade. Amante declarado da tradição. Ingres passou a vida
brigando contra a vanguarda artística francesa representada pelo pintor romântico Eugène
Delacroix, contudo foi Ingres, e não o retórico e inflamado Delacroix, o mais revolucionário
dos dois. A modernidade de Ingres está justamente na visão distanciada que tinha de sue
retratados, na recusa a produzir qualquer julgamento moral a respeito deles, numa época
em que se consumava o processo de aliança entre a nobreza e a burguesia. O detalhismo
também é uma das suas marcas registradas. Seus retratos são invariavelmente
enriquecidos com mantos aveludados, rendas, flores e jóias.

5.1.3 Para seu conhecimento

 Forte influência da arquitetura neoclássica foi a descoberta arqueológica das cidades


italianas de Pompéia e Herculano que, no ano de 79 a.C., foram cobertas pelas lavas do
vulcão Vesúvio. Diante daquelas construções, num erro de interpretação, os historiadores
de arte acreditavam que os edifícios gregos eram recobertos com mármore branco,
ocasionando a construção de tantos edifícios brancos. Exemplo: Casa Branca dos Estados
Unidos.

5.2 ROMANTISMO

O século XIX foi agitado por fortes mudanças sociais, políticas e culturais causadas por
acontecimentos do final do século XVIII que foram a Revolução Industrial que gerou novos
inventos com o objetivo de solucionar os problemas técnicos decorrentes do aumento de
produção, provocando a divisão do trabalho e o início da especialização da mão-de-obra, e pela
Revolução Francesa que lutava por uma sociedade mais harmônica, em que os direitos
individuais fossem respeitados, traduziu-se essa expectativa na Declaração dos Direitos do
Homem e do Cidadão. Do mesmo modo, a atividade artística tornou-se complexa.
Os artistas românticos procuraram se libertar das convenções acadêmicas em favor da
livre expressão da personalidade do artista.
Características gerais:
 A valorização dos sentimentos e da imaginação.
 O nacionalismo.
 A valorização da natureza como princípios da criação artística.
 Os sentimentos do presente tais como: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

5.2.1 Arquitetura e escultura

A escultura e a arquitetura registram pouca novidade. Observa-se, grosso modo, a


permanência do estilo anterior, o neoclássico. Vez por outra se retomou o estilo gótico da época
medieval, gerando o neogótico.
3.5.2.2 Pintura

Características da pintura:

 Aproximação das formas barrocas.


 Composição em diagonal, sugerindo instabilidade e dinamismo ao observador.
 Valorização das cores e do claro-escuro.
 Dramaticidade.

Temas da pintura:

 Fatos reais da história nacional e contemporânea da vida dos artistas.


Professor J. André de Azevedo. Colégio Global 2011 36
 Natureza revelando um dinamismo equivalente as emoções humanas.
 Mitologia Grega.

Principais artistas:

 Goya: Nasceu no pequeno povoado de Fuendetodos, Espanha, em 1746. Morreu em


Bordeaux, em 1828. Goya e sua mitologia, povoada por sonhos e pesadelos, seres
deformados, tons opressivos. Senhor absoluto da caricatura do seu tempo. Trabalhou
temas diversos: retratos de personalidades da corte espanhola e de pessoas do povo, os
horrores da guerra, a ação incompreensível de monstros, cenas históricas e as lutas pela
liberdade. Obra destacada: Os Fuzilamentos de 3 de maio de 1808.
 Turner: representou grandes movimentos da natureza, mas por meio do estudo da luz que
a natureza reflete, procurou descrever uma certa atmosfera da paisagem. Uma das
primeiras vezes que a arte registra a presença da máquina (locomotiva). Obras
destacadas: Chuva, Vapor e Velocidade e O Grande Canal, Veneza.
 Eugène Delacroix (1798-1863): suas obras apresentam forte comprometimento político e
o valor da pintura é assegurada pelo uso das cores, das luzes e das sombras, dando-nos a
sensação de grande movimentação. Representava assuntos abstratos personificando-os
(alegorias). Culto, dono de uma língua ferina, rico e namorador. Amigo do compositor
Frèderic Chopin, inimigo do romancista Honoré de Balzac, admirado pelo poeta Charles
Baudelaire e indiferente às demais celebridades de seu tempo, Delacroix tinha noção da
própria grandeza. "A principal qualidade de um quadro é ser uma festa para os olhos",
escreveu na derradeira nota de seus famosos diários, em 1963, menos de dois meses
antes de morrer. Nascido num momento crucial da História da França, aquele em que a
burguesia revolucionária colhia os frutos de seu triunfo sobre o monarquia dos reis Capeto,
o pintor viveu a maior parte da vida jovem e adulta num mundo que voltava aos poucos à
antiga ordem natural das coisas. Assistiu à ascensão e queda de Napoleão Bonaparte, a
restauração da dinastia dos Bourbon e, finalmente, a entronização do rei Luís Felipe, em
1830. Seu quadro mais conhecido A Liberdade Guiando o Povo, muitas vezes tomado
como um símbolo das lutas populares e republicanas, foi feito por inspiração do movimento
que levou Luís Felipe ao trono da França.

5.2.3 Para seu conhecimento

 A palavra romantismo designa uma maneira de se comportar, de agir, de interpretar a


realidade. O comportamento romântico caracteriza-se pelo sonho, por uma atitude emotiva
diante das coisas e esse comportamento pode ocorrer em qualquer tempo da história.
 Romantismo designa uma tendência geral da vida e da arte; portanto, nomeia um sistema,
um estilo delimitado no tempo.

5.3 REALISMO
Entre 1850 e 1900 surge nas artes européias, sobretudo na pintura francesa, uma nova
tendência estética chamada Realismo, que se desenvolveu ao lado da crescente industrialização
das sociedades. O homem europeu, que tinha aprendido a utilizar o conhecimento científico e a
técnica para interpretar e dominar a natureza, convenceu-se de que precisava ser realista,
inclusive em suas criações artísticas, deixando de lado as visões subjetivas e emotivas da
realidade.
São características gerais:
 O cientificismo.
 A valorização do objeto.
 O sóbrio e o minucioso.
 A expressão da realidade e dos aspectos descritivos.
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5.3.1 Arquitetura

Os arquitetos e engenheiros procuram responder adequadamente às novas necessidades


urbanas, criadas pela industrialização. As cidades não exigem mais ricos palácios e templos. Elas
precisam de fábricas, estações, ferroviárias, armazéns, lojas, bibliotecas, escolas, hospitais e
moradias, tanto para os operários quanto para a nova burguesia. Em 1889, Gustavo Eiffel levanta,
em Paris, a Torre Eiffel, hoje logotipo da "Cidade Luz".

5.3.2 Escultura
 Auguste Rodin: não se preocupou com a idealização da realidade. Ao contrário: procurou
recriar os seres tais como eles são. Além disso, os escultores preferiam os temas
contemporâneos, assumindo muitas vezes uma intenção política em suas obras. Sua
característica principal é a fixação do momento significativo de um gesto humano. Obras
destacadas: Balzac, Os Burgueses de Calais, O Beijo e O Pensador.

5.3.3 Pintura
Características da pintura:
 Representação da realidade com a mesma objetividade com que um cientista estuda um
fenômeno da natureza, ou seja, o pintor buscava representar o mundo de maneira
documental.
 Ao artista não cabe "melhorar" artisticamente a natureza, pois a beleza está na realidade
tal qual ela é.
 Revelação dos aspectos mais característicos e expressivos da realidade.

Temas da pintura:
 Politização: a arte passa a ser um meio para denunciar uma ordem social que consideram
injusta; a arte manifesta um protesto em favor dos oprimidos.
 Pintura social, denunciando as injustiças e as imensas desigualdades entre a miséria dos
trabalhadores e a opulência da burguesia. As pessoas das classes menos favorecidas - o
povo, em resumo - tornaram-se assunto freqüente da pintura realista. Os artistas
incorporavam a rudeza, a fealdade, a vulgaridade dos tipos que pintavam, elevando esses
tipos à categoria de heróis. Heróis que nada têm a ver com os idealizados heróis da pintura
romântica.

Principais pintores:
 Courbet: foi considerado o criador do realismo social na pintura, pois procurou retratar em
suas telas temas da vida cotidiana, principalmente das classes populares. Manifesta sua
simpatia particular pelos trabalhadores e pelos homens mais pobres da sociedade no
século XIX. Obra destacada: Moças Peneirando o Trigo.
 Jean-François Millet: sensível observador da vida campestre, criou uma obra realista na
qual o principal elemento é a ligação atávica do homem com a terra. Foi educado num
meio de profunda religiosidade e respeito pela natureza. Trabalhou na lavoura desde muito
cedo. Seus numerosos desenhos de paisagens influenciaram, mais tarde, Pissarro e Van
Gogh. É o caso, por exemplo, "Angelus".

5.3.4 Para seu conhecimento


 Courbet dizia: "Sou democrata, republicano, socialista, realista, amigo da verdade e
verdadeiro".
 A palavra realismo designa uma maneira de agir, de interpretar a realidade. Esse
comportamento caracteriza-se pela objetividade, por uma atitude racional das coisas pode
ocorrer em qualquer tempo da história.
Professor J. André de Azevedo. Colégio Global 2011 38
 O termo Realismo significa um estilo de época que predominou na segunda metade do
século XIX.

5.4 IMPRESSIONISMO

O Impressionismo foi um movimento artístico que revolucionou profundamente a pintura e deu


início às grandes tendências da arte do século XX. Havia algumas considerações gerais, muito mais
práticas do que teóricas, que os artistas seguiam em seus procedimentos técnicos para obter os resultados
que caracterizaram a pintura impressionista.
Principais características da pintura:
 A pintura deve registrar as tonalidades que os objetos adquirem ao refletir a luz solar num
determinado momento, pois as cores da natureza se modificam constantemente, dependendo da
incidência da luz do sol.
 As figuras não devem ter contornos nítidos, pois a linha é uma abstração do ser humano para
representar imagens.
 As sombras devem ser luminosas e coloridas, tal como é a impressão visual que nos causam, e
não escuras ou pretas, como os pintores costumavam representá-las no passado.
 Os contrastes de luz e sombra devem ser obtidos de acordo com a lei das cores complementares.
Assim, um amarelo próximo a um violeta produz uma impressão de luz e de sombra muito mais real
do que o claro-escuro tão valorizado pelos pintores barrocos.
 As cores e tonalidades não devem ser obtidas pela mistura das tintas na paleta do pintor. Pelo
contrário, devem ser puras e dissociadas nos quadros em pequenas pinceladas. É o observador
que, ao admirar a pintura, combina as várias cores, obtendo o resultado final. A mistura deixa,
portanto, de ser técnica para se óptica.
A primeira vez que o público teve contato com a obra dos impressionistas foi numa exposição
coletiva realizada em Paris, em abril de 1874. Mas o público e a crítica reagiram muito mal ao novo
movimento, pois ainda se mantinham fiéis aos princípios acadêmicos da pintura.

Principais artistas:
 Claude Monet: incessante pesquisador da luz e seus efeitos, pintou vários motivos em diversas
horas do dia, afim de estudar as mutações coloridas do ambiente com sua luminosidade. Obras
Destacadas: Mulheres no Jardim e a Catedral de Rouen em Pleno Sol.
 Auguste Renoir: foi o pintor impressionista que ganhou maior popularidade e chegou mesmo a ter
o reconhecimento da crítica, ainda em vida. Seus quadros manifestam otimismo, alegria e a intensa
movimentação da vida parisiense do fim do século XIX. Pintou o corpo feminino com formas puras
e isentas de erotismo e sensualidade, preferia os nus ao ar livre, as composições com personagens
do cotidiano, os retratos e as naturezas mortas. Obras Destacadas: Baile do Moulin de la Galette e
La Grenouillière.
 Edgar Degas: sua formação acadêmica e sua admiração por Ingres fizeram com que valorizasse o
desenho e não apenas a cor, que era a grande paixão do Impressionismo. Além disso, foi pintor de
poucas paisagens e cenas ao ar livre. Os ambientes de seus quadros são interiores e a luz é
artificial. Sua grande preocupação era flagrar um instante da vida das pessoas, aprender um
momento do movimento de um corpo ou da expressão de um rosto. Adorava o teatro de bailados.
Obra Destacada: O Ensaio.
 Seurat: Mestre no pontilhismo. Obra Destacada: Tarde de Domingo na Ilha Grande Jatte.
 No Brasil, destaca-se o pintor Eliseu Visconti, ele já não se preocupa mais em imitar modelos
clássicos; procura, decididamente, registrar os efeitos da luz solar nos objetivos e seres humanos
que retrata em suas telas. Ganhou uma viagem à Europa, onde teve contato com a obra dos
impressionistas. A influência que recebeu desses artistas foi tão grande que ele é considerado o
maior representante dessa tendência na pintura brasileira. Obra destacadas são: Trigal e
Maternidade.

5.4.1 Para seu conhecimento


Professor J. André de Azevedo. Colégio Global 2011 39

 O quadro Mulheres no Jardim, de Monet, foi pintado totalmente ao ar livre e sempre com a luz do
sol. São cenas do jardim da casa do artista.
 O movimento impressionista foi idealizado nas reuniões com seus principais pintores e elas
aconteciam no estúdio fotográfico de Nadar, na Rue de Capucines, Paris.

5.5 EXPRESSIONISMO
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O Expressionismo é a arte do instinto, trata-se de uma pintura dramática,
subjetiva, “expressando” sentimentos humanos. Utilizando cores irreais, dá forma plástica ao
amor, ao ciúme, ao medo, à solidão, à miséria humana, à prostituição. Deforma-se a figura,
para ressaltar o sentimento.
Predominância dos valores emocionais sobre os intelectuais. Corrente artística
concentrada especialmente na Alemanha entre 1905 e 1930.
Principais características:
 Pesquisa no domínio psicológico.
 Cores resplandecentes, vibrantes, fundidas ou separadas.
 Dinamismo improvisado, abrupto, inesperado.
 Pasta grossa, martelada, áspera.
 Técnica violenta: o pincel ou espátula vai e vem, fazendo e refazendo, empastando ou
provocando explosões.
 Preferência pelo patético, trágico e sombrio.
Principais artistas:
 Paul Gauguin (1848-1903): depois de passar a infância no Peru, Gauguin voltou com
os pais para a França, mais precisamente para Orléans. Em 1887 entrou para a
marinha e mais tarde trabalhou na bolsa de valores. Aos 35 anos tomou a decisão mais
importante de sua vida: dedicar-se totalmente à pintura. Começou assim uma vida de
viagens e boemia, que resultou numa produção artística singular e determinante das
vanguardas do século XX. Sua obra, longe de poder ser enquadrada em algum
movimento, foi tão singular como a de seus amigos Van Gogh ou Cézanne. Apesar
disso, é verdade que teve seguidores e que pode ser considerado o fundador do grupo
Navis, que, mais do que um conceito artístico, representava uma forma de pensar a
pintura como filosofia de vida. Suas primeiras obras tentavam captar a simplicidade da
vida no campo, algo que ele consegue com a aplicação arbitrária das cores, em
oposição a qualquer naturalismo, como demonstra o seu famoso Cristo Amarelo. As
cores se estendem planas e puras sobre a superfície, quase decorativamente. No ano
de 1891, o pintor parte para o Taiti, em busca de novos temas, para se libertar dos
condicionamentos da Europa. Suas telas surgem carregadas da iconografia exótica do
lugar, e não faltam cenas que mostram um erotismo natural, fruto, segundo
conhecidos do pintor, de sua paixão pelas nativas. A cor adquire mais preponderância
representada pelos vermelhos intensos, amarelos, verdes e violetas. Quando voltou a
Paris, realizou uma exposição individual na galeria de Durand-Ruel, voltou ao Taiti,
mas fixou-se definitivamente na ilha Dominique. Obra Destacada: Jovens Taitianas com
Flores de Manga.
 Paul Cèzanne (1839-1906): sua tendência foi converter os elementos naturais em
figuras geométricas - como cilindros, cones e esferas - acentua-se cada vez mais, de tal
forma que se torna impossível para ele recriar a realidade segundo “impressões”
captadas pelos sentidos. Obras Destacadas: Castelo de Médan e Madame Cézanne
 Vicent Van Gogh (1853-1890): empenhou profundamente em recriar a beleza dos
seres humanos e da natureza através da cor, que para ele era o elemento fundamental
da pintura. Foi uma pessoa solitária. Interessou-se pelo trabalho de Gauguim,
principalmente pela sua decisão de simplificar as formas dos seres, reduzir os efeitos
de luz e usar zonas de cores bem definidas. Em 1888, deixou Paris e foi para Arles,
cidade do sul da França, onde passou a pintar ao ar livre. O sol intenso da região
mediterrânea interferiu em sua pintura, e ele libertou-se completamente de qualquer
naturalismo no emprego das cores, declarando-se um colorista arbitrário. Apaixonou-
se então pelas cores intensas e puras, sem nenhuma matização, pois elas tinham para
ele a função de representar emoções. Entretanto ele passou por várias crises nervosas
e, depois de internações e tratamentos médicos, dirigiu-se, em maio de 1890, para
Anvers, uma cidade tranqüila ao norte da França. Nessa época, em três meses apenas,
pintou cerca de oitenta telas com cores fortes e retorcidas. Em julho do mesmo ano,
ele suicidou-se, deixando uma obra plástica composta por 879 pinturas, 1756 desenhos
e dez gravuras. Enquanto viveu não foi reconhecido pelo público nem pelo críticos,
que não souberam ver em sua obra os primeiros passos em direção à arte moderna,
Professor J. André de Azevedo. Colégio Global 2011 41
nem compreender o esforço para libertar a beleza dos seres por meio de uma explosão
de cores. Obras Destacadas: Trigal com Corvos e Café à Noite.
 Toulouse-Lautrec (1864-1901): pintava temas pertencentes à vida noturna de Paris, e
também foi responsável pelos cartazes das artistas que se apresentavam no Moulin
Rouge. Boêmio, morreu jovem. Obra Destacada: Ivette Guilbert que Saúda o Público.
 Munch (1863-1944): foi um dos primeiros artistas do século XX que conseguiu
conceder às cores um valor simbólico e subjetivo, longe das representações realistas.
Seus quadros exerceram grande influência nos artistas do grupo Die Brücke, que
conheciam e admiravam sua obra. Nascido em Loten, Noruega, em 1863, Munch
iniciou sua formação na cidade de Oslo, no ateliê do pintor Krogh. Realizou uma
viagem a Paris, na qual conheceu Gauguin, Toulouse-Lautrec e Van Gogh. Em seu
regresso, foi convidado a participar da exposição da Associação de Berlim. Numa
segunda viagem a Paris, começou a se especializar em gravações e litografias,
realizando trabalhos para a Ópera. Em pouco tempo pôde se apresentar no Salão dos
Independentes. A partir de 1907, morou na Alemanha, onde, além de exposições,
realizou cenários. Passou seus últimos anos em Oslo, na Noruega. Uma de suas obras
mais importantes é O Grito (1889). O Grito é um exemplo dos temas que
sensibilizaram os artistas ligados a essa tendência. Nela a figura humana não
apresenta sua linhas reais mas contorce-se sob o efeito de suas emoções. As linhas
sinuosas do céu e da água, e a linha diagonal da ponte, conduzem o olhar do
observador para a boca da figura que se abre num grito perturbador. Perseguido pela
tragédia familiar, Munch foi um artista determinado a criar "pessoas vivas, que
respiram e sentem, sofrem e amam". Recusou o banal, as cenas interiores pacíficas,
comuns na sua época. A dor e o trágico permeiam seus quadros.
 Kirchner (1880-1938): foi um dos fundadores do grupo de pintura expressionista Die
Brücke. Influenciado pelo cubismo e fauvismo, o pintor alemão deu formas
geométricas às cores e despojou-as de sua função decorativa por meio de contrastes
agressivos, com o fim de manifestar sua verdadeira visão da realidade. Tendo
concluído seus estudos de arquitetura na cidade de Dresden, Kirchner continuou sua
formação na cidade de Munique. Pouco tempo depois reuniu-se com os pintores
Heckel e Schmidt-Rottluf em Berlim, com os quais, motivados pela leitura de
Nietzsche, fundou o grupo Die Brücke (A Ponte, numa referência à frase do escritor:
“...a ponte que conduz ao super-homem”). Veio então a época em que os pintores se
reuniam numa casa de veraneio em Moritzburg e se dedicavam apenas ao que mais
lhes interessava: pintar. Dessa época são os quadros mais ousados de paisagens e nus,
bem como cenas circenses e de variedades. Em 1914 Kirchner foi convocado para a
guerra, e um ano depois tentou o suicídio. Quando suas mãos se recuperaram do
ferimento, voltou a pintar ao ar livre, em sua casa ao pé dos Alpes. Quando finalmente
sua contribuição para a arte alemã foi reconhecida, foi nomeado membro da academia
de Berlim, em 1931, para seis anos mais tarde, durante o nazismo, ver sua obra ser
destruída e desprestigiada pelos órgãos de censura. Kirchner tentou mostrar em toda
a sua produção pictórica uma realidade de pesadelo e decadência. Sensivelmente
influenciado pelos desastres da guerra, seus quadros se transformaram num
amontoado neurótico de cores contrastantes e agressivas, produto de uma profunda
tristeza.No final de 1938 o pintor pôs fim à própria vida. Suas obras mais importantes
estão dispersas pelos museus de arte moderna mais importantes da Alemanha.
 Paul Klee (1879-1940): considerado um dos artistas mais originais do movimento
expressionista. Convencido de que a realidade artística era totalmente diferente da
observada na natureza, este pintor dedicou-se durante a toda sua carreira a buscar o
ponto de encontro entre realidade e espírito. A exemplo de Kandinski, Klee estudou
com o mestre Von Stuck em Munique. Depois de uma viagem pela Itália, entrou em
contato com os pintores da Nova Associação de Artistas e finalmente uniu-se ao grupo
de artistas do Der Blaue Reiter. Em 1912 viajou para Paris, onde se encontrou com
Delaunay, que seria de vital importância para suas obras posteriores. Klee escreveu:
"A cor, como a forma, pode expressar ritmo e movimento". Mas a grande descoberta
ocorreria dois anos depois, em sua primeira viagem a Túnis. As formas cúbicas da
arquitetura e os graciosos arabescos na terracota deixaram sua marca na obra do
Professor J. André de Azevedo. Colégio Global 2011 42
pintor. Iniciou uma fase de grande produtividade, com quadros de caráter quase
surrealista, criados, segundo o pintor, em cima de "matéria e sonhos". Entre eles
merecem ser mencionados Anatomia de Afrodite, Demônios, Flores Noturnas e Villa R.
Depois de lutar durante dois anos na Primeira Guerra, Klee juntou-se em 1924 ao
grupo Die vier Blauen, mas antes apresentou suas obras em Paris, na primeira
exposição dos surrealistas. Paralelamente, começou a trabalhar como professor em
Dusseldorf e mais tarde na escola da Bauhaus em Weimar. Em 1933, Klee emigrou
para a Suíça. Sua última exposição em vida aconteceu em Basiléia, em 1940. Além de
sua obra pictórica, Klee deixou vários trabalhos escritos que resumem seu pensamento
artístico.
 Amadeo Modigliani (1884-1920): iniciou sua formação como pintor no ateliê de
Micheli, em Livorno, sua cidade natal. Em 1902 entrou na Academia de Florença e um
ano mais tarde na de Veneza. Três anos depois mudou-se para Paris, onde teve aulas
na academia de Colarossi. Nessa cidade travou conhecimento com os pintores Utrillo,
Picasso e Braque. Em 1908 participou do Salão dos Independentes e lá conheceu Juan
Gris e Brancusi. Produziu então suas primeiras esculturas motivado pelas peças de
arte africana chegadas à França das colônias. Esse aspecto de máscara foi uma das
constantes nos seus retratos e nus sensuais. Modigliani teve em comum com os
cubistas e expressionistas o distanciamento das academias, a revalorização da cor e o
estudo das formas puras. Sua visão tão subjetiva dos seres humanos e a emotividade
de suas cores o aproximam mais do reduzido grupo de expressionistas franceses,
composto por Rouault e Soutine. Apesar disso, pode-se muito bem dizer que sua obra,
elegante, recatada e ao mesmo tempo misteriosa, pertence, juntamente com a dos
mestres Cézanne e Van Gogh, para citar alguns, à dos gênios solitários.

EXERCICIO DE FIXAÇÃO
1-Quanto as característica do Expressionismo analise os itens abaixo e marque a ÚNICA alternativa
INCORRETA.
a) ( ) Enquanto o Impressionismo se preocupava com as sensações de luz, os expressionistas tinham
como preocupação e objetivo retratar as emoções e angustias do homem.
b) ( ) O artista não representava apenas o que via, mas também o que ele sentia em relação ao fato
que estava sendo retratando.
c) ( ) Para os expressionistas representar o movimento era sempre o ideal.
d) ( ) Para alcançar seus objetivos os expressionistas chegavam a deformar as figuras.

2-Sobre o Expressionismo julgue os itens que se seguem em (C) para os certos e (E) para os errados:
1. ( ) O expressionismo foi um movimento em reação ao impressionismo, ou seja foi uma mudança no
estilo de arte.
2. ( ) Expressar as emoções humanas era uma das características do expressionismo.
3. ( ) Os expressionistas são considerados deformadores da realidade.
4. ( ) A pintura expressionista é considerada uma pintura bela por fugir às regras tradicionais de
equilíbrio da composição.

3-Marque a alternativa correta:


a- ( ) O Grito de Edvard Munch é uma obra otimista.
b- ( ) O Grito de Edvard Munch é uma obra perturbadora.
C ( ) O Grito de Edvard Munch é uma obra realista ao extremo.
d- ( ) O Grito de Edvard Munch é uma obra surreal.

4-Marque a alternativa correta:


a- ( ) Pontilhismo é característica expressionista.
b- ( ) Estudo dos sonhos é característica expressionista.
c- ( ) Ataque ao psicológico é característica expressionista.
d- ( ) Estudo da luz é uma característica expressionista.

5-O inicio do Século XX, trás consigo uma grande gama de vertentes artísticas que vão dominar toda a
produção artística da época. Entre 1904 e1905, na Alemanha, com um grupo chamado Die Bruche,
que significa A Ponte, tem início o movimento Expressionista. Quanto a este movimento e suas
características julgue os itens em CERTOS OU ERRADOS:
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1. ( ) A “sensação de luz e cor, não se importando com os sentimentos humanos e com a problemática
da sociedade moderna” são características marcantes deste movimento.
2. ( ) É inegável que o Expressionismo seja uma aceitação ao que fora o Impressionismo.
3. ( ) O Grito, de Van Gogh, é um grande exemplo deste marcante movimento
4. ( ) O Expressionismo procurou expressar as emoções humanas e interpretar as angústias que
caracterizaram psicologicamente o homem do inicio do século XX.

6- Com relação ao Expressionismo, torna-se falso afirmar que:


a) em oposição ao Impressionismo, o Expressionismo surge no final do século XIX.
b) no movimento mencionado (expressionismo), o artista tem a intenção de recriar o mundo e não
apenas a de absorvê-lo da mesma forma que é visto.
c) o artista expressionista se opõe à objetividade da imagem, destacando, a subjetividade da
expressão.
d) as obras de arte expressionistas não se preocupam com o estado psicológico de uma sociedade.
e) as obras de arte expressionistas, se preocupam com o estado psicológico de uma sociedade.

7- Abaixo temos uma obra característica do expressionismo. Comente sobre o movimento e suas
características, após citar o nome da obra e do artista.
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8- Assinale a opção que determina o surgimento do movimento Expressionista.


a) O período de guerras e os conflitos humanos fizeram com que os artistas se tornassem mais
introspectivos e expressassem suas emoções;
b) O período de guerras e os conflitos humanos fizeram com que os artistas se tornassem mais
tranquilos e captassem as impressões da realidade;
c) O período de guerras e os conflitos humanos fizeram com que os artistas se tornassem menos
introspectivos e desprezassem suas emoções;
d) Nenhuma das opções anteriores.

9-Marque a opção que difere o sentimento Impressionista do sentimento Expressionista.


a) Expressionismo: de dentro para fora e Impressionismo: de fora para dentro;
b) Expressionismo: de fora para dentro e Impressionismo: de dentro para fora;
c) Ambos possuem o mesmo significado;
d) Nenhum deles possuem os significados dispostos acima.
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5.6 FOVISMO
Em 1905, em Paris, no Salão de Outono, alguns artistas foram chamados de fauves (em português
significa feras), em virtude da intensidade com que usavam as cores puras, sem misturá-las ou matizá-las.
Quem lhes deu este nome foi o crítico Louis Vauxcelles, pois estavam expostas um conjunto de pinturas
modernas ao lado de uma estatueta renascentista.
Os princípios deste movimento artístico eram:
 Criar, em arte, não tem relação com o intelecto e nem com sentimentos.
 Criar é seguir os impulsos do instinto, as sensações primárias.
 A cor pura deve ser exaltada.
 As linhas e as cores devem nascer impulsivamente e traduzir as sensações elementares, no mesmo
estado de graça das crianças e dos selvagens.
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Características da pintura:
 Pincelada violente, espontânea e definitiva.
 Ausência de ar livre.
 Colorido brutal, pretendendo a sensação física da cor que é subjetiva, não correspondendo à
realidade.
 Uso exclusivo das cores puras, como saem das bisnagas.
 Pintura por manchas largas, formando grandes planos.
Principais Artistas:
 Maurice de Vlaminck (1876-1958): pintor francês, foi o mais autêntico fovista, dizia: "Quero
incendiar a Escola de Belas Artes com meus vermelhos e azuis." Adotou mais tarde estilo entre
expressionista e realista.
 André Derain (1880-1954): pintor francês, dizia: "As cores chegaram a ser para nós cartuchos de
dinamite." Por volta de 1900, ligou-se a Maurice de Vlaminck e a Matisse, com os quais se tornou
um dos principais pintores fovistas. Nessa fase, pintou figuras e paisagens em brilhantes cores
chapadas, recorrendo a traços impulsivos e a pinceladas descontínuas para obter suas composições
espontâneas. Após romper com o fovismo, em 1908, sofreu influências de Cézanne e depois do
cubismo. Na década de 1920, seus nus, retratos e naturezas-mortas haviam adquirido uma entonação
neoclássica, com o gradual desaparecimento da gestualidade espontânea das primeiras obras. Seu
estilo, desde então, não mudou.
 Henri Matisse (1869-1954): pintor francês, Nas suas pinturas ele não se preocupa como realismo,
tanto das figuras como das suas cores. O que interessa é a composição e não as figuras em si, como
de pessoas ou de naturezas-mortas. Abandonou assim a perspectiva, as técnicas do desenho e o efeito
de claro-escuro para tratar a cor como valor em si mesma. Dos pintores fovistas, que exploraram o
sensualismo das cores fortes, ele foi o único a evoluir para o equilíbrio entre a cor e o traço em
composições planas, sem profundidade. Foi, também, escultor, ilustrador e litógrafo.
 Raoul Dufy (1877-1953): pintor, gravador e decorador francês. Contrastes tonais e a geometrização
da forma caracterizaram sua obra. Impressionista a princípio, evoluiu gradativamente para o fovismo,
depois de travar contato com Matisse. Morreu um ano depois de receber o prêmio de pintura da
bienal de Veneza.

5.7 CUBISMO
Historicamente o Cubismo originou-se na obra de Cézanne, pois para ele a pintura deveria tratar as
formas da natureza como se fossem cones, esferas e cilindros. Entretanto, os cubistas foram mais longe do
que Cézanne. Passaram a representar os objetos com todas as suas partes num mesmo plano. É como se eles
estivessem abertos e apresentassem todos os seus lados no plano frontal em relação ao espectador. Na
verdade, essa atitude de decompor os objetos não tinha nenhum compromisso de fidelidade com a aparência
real das coisas.
O pintor cubista tenta representar os objetos em três dimensões, numa superfície plana, sob formas
geométricas, com o predomínio de linhas retas. Não representa, mas sugere a estrutura dos corpos ou
objetos. Representa-os como se movimentassem em torno deles, vendo-os sob todos os ângulos visuais, por
cima e por baixo, percebendo todos os planos e volumes.
Principais características:
 Geometrização das formas e volumes.
 Renúncia à perspectiva.
 O claro-escuro perde sua função.
 Representação do volume colorido sobre superfícies planas.
 Sensação de pintura escultórica.
 Cores austeras, do branco ao negro passando pelo cinza, por um ocre apagado ou um castanho suave.
O cubismo se divide em duas fases:
 Cubismo Analítico (1909): caracterizado pela desestruturação da obra em todos os seus elementos.
Decompondo a obra em partes, o artista registra todos os seus elementos em planos sucessivos e
superpostos, procurando a visão total da figura, examinado-a em todos os ângulos no mesmo
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instante, através da fragmentação dela. Essa fragmentação dos seres foi tão grande, que se tornou
impossível o reconhecimento de qualquer figura nas pinturas cubistas. A cor se reduz aos tons de
castanho, cinza e bege.
 Cubismo Sintético (1911): reagindo à excessiva fragmentação dos objetos e à destruição de sua
estrutura. Basicamente, essa tendência procurou tornar as figuras novamente reconhecíveis. Também
chamado de Colagem porque introduz letras, palavras, números, pedaços de madeira, vidro, metal e
até objetos inteiros nas pinturas. Essa inovação pode ser explicada pela intenção do artistas em criar
efeitos plásticos e de ultrapassar os limites das sensações visuais que a pintura sugere, despertando
também no observador as sensações táteis.

Principais artistas:
 Pablo Picasso (1881-1973): tendo vivido 92 anos e pintado desde muito jovem até próximo à sua
morte passou por diversas fases: a fase Azul, entre 1901-1904, que representa a tristeza e o
isolamento provocados pelo suicídio de Casagemas, seu amigo, são evidenciados pela monocromia e
também a representa a miséria e o desespero humanos; a fase Rosa, entre 1904-1907, o amor por
Fernande origina muitos desenhos sensuais e eróticos, com a paixão de Picasso pelo circo, iniciam-
se os ciclos dos saltimbancos e do arlequim. Depois de descobrir as artes primitivas e africana
compreende que o artista negro não pinta ou esculpi de acordo com as tendência de um determinado
movimento estético, mas com uma liberdade muito maior. Picasso desenvolveu uma verdadeira
revolução na arte. Em 1907, com a obra Les Demoiselles d’Avignon começa a elaborar a estética
cubista que, como vimos anteriormente, se fundamenta na destruição de harmonia clássica das
figuras e na decomposição da realidade, essa tela subverteu o sentido da arte moderna com a
declaração de guerra em 1914, chega ao fim a aventura cubista. Podemos destacar, também o mural
Guernica, que representa, com veemente indignação, o bombardeio da cidade espanhola de Guernica
pelos aliados alemães de Franco, em abril de 1937, responsável pela morte de grande parte da
população civil formada por crianças, mulheres e trabalhadores. "A obra de um artista é uma espécie
de diário. Quando o pintor, por ocasião de uma mostra, vê algumas de suas telas antigas novamente, é
como se ele estivesse reencontrando filhos pródigos - só que vestidos com túnica de ouro." Pablo
Picasso "A Arte não é a verdade. A Arte é uma mentira que nos ensina a compreender a verdade".
Pablo Picasso
 Georges Braque (1882-1963): foi um pintor e escultor francês que juntamente com Pablo Picasso
inventaram o Cubismo. Braque iniciou a sua ligação as cores, na empresa de pintura decorativa de
seu pai. A maior parte da sua adolescência foi passada em Le Havre, mas no ano de 1889, mudou-se
para Paris onde, em 1906, no Salão dos Independentes, expôs as suas primeiras obras no estilo de
formas simples e cores puras (fovismo). No Outono de 1907, conheceu Picasso com quem se deu
quase diariamente até que em 1914 devido a Grande Guerra se separaram. Braque foi mobilizado e
ferido na cabeça em 1915, tendo sido agraciado com a Cruz de Guerra e da Legião de Honra. Durante
dois anos, devido ao ferimento esteve afastado da pintura.

Dos artistas brasileiros destacamos:


 Tarsila do Amaral (1886 - 1973): apesar de não ter exposto na Semana de 22, colaborou
decisivamente para o desenvolvimento da arte moderna brasileira, pois produziu um conjunto de
obras indicadoras de novos rumos. Em 1923, a artista voltou à Europa, passou pela influência
impressionista e, a seguir, encontrou o cubismo. Nessa fase, ligou-se a importantes artistas do
modernismo europeu, tais como Fernand Léger, Picasso, De Chirico e Brancussi, entre outros. Em
1928, deu início a uma fase chamada Antropofágica. A ela pertence a tela Abaporu cujo nome,
segundo a artista é de origem indígena e significa “Antropófago”. Também usou de temática social
nos seus quadros como na tela Operários.
 Rego Monteiro (1899-1970): um dos primeiros artistas brasileiros a realizar uma obra dentro da
estética cubista. Estudou em Paris, depois da Semana de Arte Moderna, sua vida alternou-se entre a
França e o Brasil. Foi reconhecido também naquele país, tem seus quadros dentro do acervo de
alguns importantes museus.
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5.8 FUTURISMO
O primeiro manifesto foi publicado no Le Fígaro de Paris, em 22/02/1909, e nele, o poeta italiano
Marinetti, dizendo que "o esplendor do mundo enriqueceu-se com uma nova beleza: a beleza da velocidade.
Um automóvel de carreira é mais belo que a Vitória de Samotrácia". O segundo manifesto, de 1910, resultou
do encontro do poeta com os pintores Carlo Carra, Russolo, Severini, Boccioni e Giacomo Balla.
Os futuristas saúdam a era moderna, aderindo entusiasticamente à máquina. Para Balla, "é mais belo
um ferro elétrico que uma escultura". Para os futuristas, os objetos não se esgotam no contorno aparente e
seus aspectos se interpenetram continuamente a um só tempo, ou vários tempos num só espaço. O grupo
pretendia fortalecer a sociedade italiana através de uma pregação patriótica que incluía a aceitação e
exaltação da tecnologia.
O futurismo é a concretização desta pesquisa no espaço bidimensional. Procura-se neste estilo
expressar o movimento real, registrando a velocidade descrita pelas figuras em movimento no espaço. O
artista futurista não está interessado em pintar um automóvel, mas captar a forma plástica a velocidade
descrita por ele no espaço.
Principais artistas:
 Giacomo Balla: em sua obra o pintor italiano tentou endeusar os novos avanços científicos e
técnicos por meio de representações totalmente desnaturalizadas, embora sem chegar a uma total
abstração.Mesmo assim, mostrou grande preocupação com o dinamismo das formas, com a situação
da luz e a integração do espectro cromático. A formação acadêmica de Balla restringiu-se a um curso
noturno de desenho, de dois meses de duração, na Academia Albertina de Turim, sua cidade natal.
Em 1895 o pintor mudou-se para Roma, onde apresentou regularmente suas primeiras obras em todas
as exposições da Sociedade dos Amadores e Cultores das Belas-Artes. Cinco anos mais tarde, fez
uma viagem a Paris, onde entrou em contato com a obra dos impressionistas e neo-impressionistas e
participou de várias exposições. Na volta a Roma, conheceu Marinetti, Boccioni e Severini. Um ano
mais tarde, juntava-se a eles para assinar o Manifesto Técnico da Pintura Futurista. Preocupado,
como seus companheiros, em encontrar uma maneira de visualizar as teorias do movimento,
apresentou em 1912 seu primeiro quadro futurista intitulado Cão na Coleira ou Cão Atrelado.
Dissolvido o movimento, Balla retornou às suas pinturas realistas e se voltou para a escultura e a
cenografia. Embora em princípio Balla continuasse influenciado pelos divisionistas, não demorou a
encontrar uma maneira de se ajustar à nova linguagem do movimento a que pertencia. Um recurso
dos mais originais que ele usou para representar o dinamismo foi a simultaneidade, ou desintegração
das formas, numa repetição quase infinita, que permitia ao observador captar de uma só vez todas as
seqüências do movimento.
 Carlo Carra (1881-1966): junto com Giorgio De Chirico, ele se separaria finalmente do futurismo
para se dedicar àquilo que eles próprios dariam o nome de Pintura Metafísica. Enquanto ganhava seu
sustento como pintor-decorador freqüentava as aulas de pintura na Academia Brera, em Milão. Em
1900 fez sua primeira viagem a Paris, contratado para a decoração da Exposição Mundial. De lá
mudou-se para Londres. Ao voltar, retomou as aulas na Academia Brera e conheceu Boccioni e o
poeta Marinetti. Um ano mais tarde assinou o Primeiro Manifesto Futurista, redigido pelo poeta
italiano e publicado no jornal Le Figaro. Nessa época iniciou seus primeiros estudos e esboços de
Ritmo dos Objetos e Trens, por definição suas obras mais futuristas. Numa segunda viagem a Paris
entrou em contato com Apollinaire, Modigliani e Picasso. A partir desse momento começaram a
aparecer as referências cubistas em suas obras. Carrà não deixou de comparecer às exposições
futuristas de Paris, Londres e Berlim, mas já em 1915 separou-se definitivamente do grupo. Juntou-
se a Giorgio De Chirico e realizou sua primeira pintura metafísica. Em suas últimas obras retornou ao
cubismo.Publicou vários trabalhos, entre eles La Pittura Metafísica (1919) e La Mia Vita (1943),
pintor italiano. Representante do futurismo e mais tarde da pintura metafísica, influenciou a arte de
seu país nas décadas de 1920 e 1930.
 Umberto Boccioni (1882-1916): sua obra se manteve sob a influência do cubismo, mas incorporando
os conceitos de dinamismo e simultaneidade: formas e espaços que se movem ao mesmo tempo e em
direções contrárias. Nascido em Reggio di Calábria, Boccioni mudou-se ainda muito jovem para
Roma, onde estudou em diferentes academias. Logo fez amizade com os pintores Balla e Severini.
No início, mostrou-se interessado na pintura impressionista, principalmente na obra de Cézanne. Fez
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então algumas viagens a Paris, São Petersburgo e Milão. Ao voltar, entrou em contato com Carrà e
Marinetti e um ano depois se encontrava entre os autores do Manifesto Futurista de Pintura, do qual
foi um dos principais teóricos. Foi com a intenção de procurar as bases dessa nova estética que ele
viajou a Paris, onde se encontrou com Picasso e Braque. Ao retornar, publicou o Manifesto Técnico
da Pintura Futurista, no qual foram registrados os princípios teóricos da arte futurista: condenação do
passado, desprezo pela representação naturalista, indiferença em relação aos críticos de arte e
rejeição dos conceitos de harmonia e bom gosto aplicados à pintura. Em 1912, participou da primeira
exposição futurista. Suas obras ainda deixavam transparecer a preocupação do artista com os
conceitos propostos pelo cubismo. Os retratos deformados pelas superposições de planos ainda não
conseguiam expressar com clareza sua concepção teórica. Um ano mais tarde, com sua obra
Dinamismo de um Jogador de Futebol, Boccioni conseguiu finalmente fazer a representação do
movimento por meio de cores e planos desordenados, como num pseudofotograma. Durante a
Primeira Guerra Mundial, o pintor se alistou como voluntário e ao voltar publicou o livro Pittura,
Scultura Futurista, Dinâmico Plástico (Pintura, Escultura Futurista, Dinamismo Plástico). Morreu
dois anos depois, em 1916, na cidade de Verona.

5.9 PINTURA METAFÍSICA


A pintura deve criar uma impressão de mistério, através de associações pouco comuns de objetos
totalmente imprevistos, em arcadas e arquiteturas puras, idealizadas, muitas vezes com a inclusão de
estátuas, manequins, frutas, legumes, numa transfiguração toda especial, em curiosas perspectivas
divergentes. A pintura metafísica explora os efeitos de luzes misteriosas, sombras sedutoras e cores ricas e
profundas, de plástica despojada e escultural. Tem inspiração na Metafísica, ciência que estuda tudo quanto
se manifesta de maneira sobrenatural.
Principais Artistas:
 Giorgio De Chirico (1888-1978): pintor italiano, nascido na Grécia, principal representante da
"pintura metafísica", Giorgio De Chirico constitui um caso singular: poucas vezes um artista
alcançou tão rapidamente a fama para em seguida renegar o estilo que o celebrizara e cair em um
esquecimento quase absoluto. As suas obras retratam cenários arquitetônicos, solitários, irreais e
enigmáticos, onde colocava objetos heterogêneos para revelar um mundo onírico e subconsciente,
perpassado de inquietações metafísicas. Também usada nas suas obras manequins, nus ou vestidos à
moda clássica, enigmáticos e sem rosto, que pareciam simbolizar a estranheza do ser humano diante
do seu meio ambiente.
 Giorgio Morandi (1890-1964): pintor italiano. Notável por suas naturezas-mortas, em que buscava a
unidade das coisas do universo. Conferiu imobilidade e transparência de formas, recorte intimista e
atmosfera de luz cinza-clara às naturezas-mortas que pintou usando como modelos frascos, garrafas,
caixas e lâmpadas velhas.

5.10 DADAÍSMO
Formado em 1916 em Zurique por jovens franceses e alemães que, se tivessem permanecido em seus
respectivos países, teriam sido convocados para o serviço militar, o Dada foi um movimento de negação.
Durante a Primeira Guerra Mundial, artistas de várias nacionalidades, exilados na Suíça, eram contrários ao
envolvimento dos seus próprios países na guerra.
Fundaram um movimento literário para expressar suas decepções em relação a incapacidade da
ciências, religião, filosofia que se revelaram pouco eficazes em evitar a destruição da Europa. A palavra
Dada foi descoberta acidentalmente por Hugo Ball e por Tzara Tristan num dicionário alemão-francês. Dada
é uma palavra francesa que significa na linguagem infantil "cavalo de pau". Esse nome escolhido não fazia
sentido, assim como a arte que perdera todo o sentido diante da irracionalidade da guerra.
Sua proposta é que a arte ficasse solta das amarras racionalistas e fosse apenas o resultado do
automatismo psíquico, selecionado e combinando elementos por acaso. Sendo a negação total da cultura, o
Dadaísmo defende o absurdo, a incoerência, a desordem, o caos. Politicamente , firma-se como um protesto
contra uma civilização que não conseguiria evitar a guerra.
Professor J. André de Azevedo. Colégio Global 2011 49
Ready-Made significa confeccionado, pronto. Expressão criada em 1913 pelo artista francês Marcel
Duchamp para designar qualquer objeto manufaturado de consumo popular, tratado como objeto de arte por
opção do artista.
O fim do Dada como atividade de grupo ocorreu por volta de 1921.
Principais artistas:
 Marcel Duchamp (1887-1968): pintor e escultor francês, sua arte abriu caminho para movimentos
como a pop art e a op art das décadas de 1950 e 1960. Reinterpretou o cubismo a sua maneira,
interessando-se pelo movimento das formas. O experimentalismo e a provocação o conduziram a
idéias radicais em arte, antes do surgimento do grupo Dada (Zurique, 1916). Criou os ready-mades,
objetos escolhidos ao acaso, e que, após leve intervenção e receberem um título, adquiriam a
condição de objeto de arte. Em 1917 foi rejeitado ao enviar a uma mostra um urinol de louça que
chamou de "Fonte". Depois fez interferências (pintou bigodes na Mona Lisa, para demonstrar seu
desprezo pela arte tradicional), inventou mecanismos ópticos.
 François Picabia (1879-1953): pintor e escritor francês. Envolveu-se sucessivamente com os
principais movimentos estéticos do início do século XX, como cubismo, surrealismo e dadaísmo.
Colaborou com Tristan Tzara na revista Dada. Suas primeiras pinturas cubistas, eram mais próximas
de Léger do que de Picasso, são exuberantes nas cores e sugerem formas metálicas que se encaixam
umas nas outras. Formas e cores tornaram-se a seguir mais discretas, até que por volta de 1916 o
artista se concentrou nos engenhos mecânicos do dadaísmo, de índole satírica. Depois de 1927,
abandonou a abstração pura que praticara por anos e criou pinturas baseadas na figura humana, com a
superposição de formas lineares e transparentes.
 Max Ernest (1891-1976): pintor alemão, adepto do irracional e do onírico e do inconsciente, esteve
envolvido em outros movimentos artísticos, criando técnicas em pintura e escultura. No Dadaímo
contribuiu com colagens e fotomontagens, composições que sugerem a múltipla identidade dos
objetos por ele escolhidos para tema. Inventou técnicas como a decalcomania e o frottage, que
consiste em aplicar uma folha de papel sobre uma superfície rugosa, como a madeira de veios
salientes, e esfregar um lápis de cor ou grafita, de modo que o papel adquira o aspecto da superfície
posta debaixo dele. Como o artista não tinha controle sobre o quadro que estava criando, o frottage
também era considerado um método que dava acesso ao inconsciente.
 Man Ray (1890-1976): fotógrafo e pintor norte-americano, em 1915 conhece o pintor francês
Marcel Duchamp, com quem funda o grupo dadá nova-iorquino. Em 1921 contata com o movimento
surrealista na pintura. Trabalha como fotógrafo para financiar a pintura e, com a nova atividade,
desenvolve a sua arte, a raiografia, ou fotograma, criando imagens abstratas (obtidas sem o auxílio da
câmara) mas com a exposição à luz de objetos previamente dispersos sobre o papel fotográfico.

5.11 ABSTRACIONISMO GEOMÉTRICO


A arte abstrata tende a suprimir toda a relação entre a realidade e o quadro, entre as linhas e os
planos, as cores e a significação que esses elementos podem sugerir ao espírito. Quando a significação de um
quadro depende essencialmente da cor e da forma, quando o pintor rompe os últimos laços que ligam a sua
obra à realidade visível, ela passa a ser abstrata.
Abstracionismo Geométrico ou Formal: as formas e as cores devem ser organizadas de tal maneira
que a composição resultante seja apenas a expressão de uma concepção geométrica.
Neoplasticismo: seu criador e principal teórico foi Piet Mondrian. Onde as cores e as formas são
organizadas de maneira que a composição resulte apenas na expressão de uma concepção geométrica.
Resulta às linhas verticais e horizontais e às cores puras (vermelho, azul e amarelo). O ângulo reto é o
símbolo do movimento, sendo rigorosamente aplicado à arquitetura.
 Piet Mondrian (1872-1944): pintor holandês. Depois de haver participado da arte cubista, continua
simplificando suas formas até conseguir um resultado, baseado nas proporções matemáticas ideais,
entre as relações formais de um espaço estudado.O artista utiliza, como elemento de base, uma
superfície plana, retangular e as três cores primárias com um pouco de preto e branco. Essas
superfícies coloridas são distribuídas e justapostas buscando uma arte pura. Segundo Mondrian, cada
coisa, seja uma casa, seja uma árvore ou uma paisagem, possui uma essência que está por tráz de sua
aparência. E as coisas, em sua essência, estão em harmonia no universo. O papel do artista, para ele,
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seria revelar essa essência oculta e essa harmonia universal. Ele procura, pesquisa e consegue um
equilíbrio perfeito da composição, despojado de todo excesso da cor, da linha ou da forma. Em 1940,
Mondrian foi para Nova York, onde realizou a última fase de sua obra: desapareceram as barras
negras e o quadro ficou dividido em múltiplos retângulos de cores vivas. É a série dos quadros
boogie-woogie. Suprematismo, é uma pintura com base nas formas geométricas planas, sem qualquer
preocupação de representação. Os elementos principais são: retângulo, círculo, triângulo e a cruz. O
manifesto do Suprematismo, assinado por Malevitch e Maiakovski, poeta russo, foi um dos
principais integrantes do movimento futurista em seu país, defendia a supremacia da sensibilidade
sobre o próprio objeto. Mais racional que as obras abstratas de Kandisky e Paul Klee, reduz as
formas, à pureza geométrica do quadrado. Suas características são rígidas e se baseiam nas relações
formais e perceptivas entre a forma e a cor. Pesquisa os efeitos perceptivos do quadrado negro sobre
o campo branco, nas variações ambíguas de fundo e forma.
 Kazimir Malevitch (1878-1935): pintor russo. Fundador da corrente suprematista, que levou o
abstracionismo geométrico à simplicidade extrema. Foi o primeiro artista a usar elementos
geométricos abstratos. Procurou sempre elaborar composições puras e cerebrais, destituídas de toda
sensualidade. O "Quadro negro sobre fundo branco" constituiu uma ruptura radical com a arte da
época. Pintado entre 1913 e 1915, compõe-se apenas de dois quadrados, um dentro do outro, com os
lados paralelos aos da tela. A problemática dessa composição seria novamente abordada no "Quadro
branco sobre fundo branco" (1918), hoje no Museu de Arte Moderna de Nova York. Dizia que as
aparências exteriores da natureza não tinham para ele nenhum interesse, o essencial era a
sensibilidade, livre das impurezas que envolviam a representação do objeto, mais do que isso, que
envolviam a própria percepção do objeto. Os elementos de estética suprematista eram o retângulo, o
círculo, o quadrado e a cruz, os quais na pintura de Malevitch, denominada pelo espiritual, adquirem
um significado próximo do sagrado.

5.12 ABSTRACIONISMO SENSÍVEL


A arte abstrata tende a suprimir toda a relação entre a realidade e o quadro, entre as linhas e os
planos, as cores e a significação que esses elementos podem sugerir ao espírito. Quando a significação de um
quadro depende essencialmente da cor e da forma, quando o pintor rompe os últimos laços que ligam a sua
obra à realidade visível, ela passa a ser abstrata.
Abstracionismo Sensível ou Informal, predominam os sentimentos e emoções. As cores e as formas
são criadas livremente. Na Alemanha surge o movimento denominado "Der blaue Reiter" (O Cavaleiro Azul)
cujos fundadores são os Kandinsky, Franz Marc entre outros.
Uma arte abstrata, que coloca na cor e forma a sua expressividade maior. Estes artistas se
aprofundam em pesquisas cromáticas, conseguindo variações espaciais e formais na pintura, através das
tonalidades e matizes obtidos. Eles querem um expressionismo abstrato, sensível e emotivo.
Com a forma, a cor e alinha, o artista é livre para expressar seus sentimentos interiores, sem
relacioná-los a lembrança do mundo exterior. Estes elementos da composição devem Ter uma unidade e
harmonia, tal qual uma obra musical.
Principais Artistas:
 Franz Marc (1880-1916): pintor alemão, apaixonado pela arte dos povos primitivos, das crianças e
dos doentes mentais, o pintor alemão Marc escolheu como temas favoritos os estudos sobre animais,
conheceu Kandinsky, sob a influência deste, convenceu-se de que a essência dos seres se revela na
abstração. A admiração pelos futuristas italianos imprimiram nova dinâmica à obra de Marc, que
passou a empregar formas e massas de cores brilhantes próprias da pintura cubista. Os nazistas
destruíram várias de suas obras. As que restaram estão conservadas no Museu de Belas-Artes de
Liège, no Kunstmuseum, em Basiléia, na Städtische Galarie im Lembachhaus, em Munique, no
Walker Art Center, em Minneapolis, e no Guggenheim Museum, em Nova York.
 Wassily Kandinsky (1866-1944): pintor russo, antes do abstracionismo participou de vários
movimentos artísticos como impressionismo também atravessou uma curta fase fauve e
expressionista. Escreveu livros, como em 1911, Sobre o espiritual na arte, em que procurou apontar
correspondências simbólicas entre os impulsos interiores e a linguagem das formas e cores, e em
1926, Do ponto e da linha até a superfície, explicação mais técnica da construção e inventividade da
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sua arte. Dezenas de suas obras foram confiscadas pelos nazistas e várias delas expostas na mostra de
"Arte Degenerada".

5.13 GRAFISMO
Tachismo (de tache = mancha). Formado por manchas coloridas colocadas lado a lado em um certo
parâmetro ou limite, no mínimo o braço do artista. Também existe um tipo de abstrato informal formado por
manchas, porém, elas não possuem parâmetro definido pelo braço do artista como no Tachismo. São
manchas criadas impulsivamente com toda a liberdade ou efusão emocional do artista.Alguns dados são
importantes serem elencados:
 Grafismo é todo abstracionismo formado por uma grafia não cognificada.
 Orfismo tem ligação com a música. Principal artista: Sonia Delaunay.
 Raionismo formado por raios, estanques, deslizes e riscos com luminosidade. Principal artista:
Larionov/Gontcharova
 Action Painting ou pintura de ação gestual, criada por Jackson Pollock nos anos de 1947 a 1950 faz
parte da Arte Abstrata Americana. Em 1937, fundou-se nos Estados Unidos, a Sociedade dos Artistas
Abstratos. O abstracionismo cresce e se desenvolve nas Américas, chegando à criação de um estilo
original.

Características da Pintura:
 Compreensão da pintura como meio de emoções intensas.
 Execução cheia de violenta agressividade, espontaneidade e automatismo.
 Destruição dos meios tradicionais de execução - pincéis, trincha, espátulas, etc.
 Técnica: pintura direta na parede ou no chão, em telas enormes, utilizando tinta à óleo, pasta espessa
de areia, vidro moído.

Principal Artista:
 Jackson Pollock (1912-1956): pintor americano, introduziu nova modalidade na técnica, gotejando
(dripping) as tintas que escorrem de recipientes furados intencionalmente, numa execução veloz, com
gestos bruscos e impetuosos, borrifando, manchando, pintando a superfície escolhida com resultados
extraordinários e fantásticos, algumas vezes realizada diante do público. Desenvolveu pesquisas
sobre pintura aromática. Nos últimos trabalhos nessa linha, o artista usou materiais como pregos,
conchas e pedaços de tela, misturavam-se às camadas de tinta para dar relevo à textura. Usou
freqüentemente tintas industriais, muitas delas usadas na pintura de automóveis.
 WILLEM DE KOONING (1904-1997): nos anos 20 e 30, antes de atacar suas telas, o jovem De
Kooning, que abandonou a Holanda aos 22 anos a bordo de um cargueiro, começou a vida como
carpinteiro e pintor de paredes. De cultura européia, De Kooning herdaria o apreço ela arte figurativa,
tornando-se um admirador da obra de seu conterrâneo Rembrandt e do francês Cèzanne. Ao
contrário de seus colegas de vanguarda, que aboliram a representação figurativa de seus quadros. De
Konning fez das figuras femininas - a marca da diferença em seu trabalho. "Minha obra vive de
incluir as coisas, não de excluí-las", costumava afirmar. Ao final dos anos 40, junto com Jackson
Pollock, Arshile Gorky e Mark Rothko, revolucionaria a pintura americana, fundando a vanguarda
expressionista abstrata. Com seus borrões e respingos de tinta atirados contra ela a tela, Pollock, o
maior de todos, secundado por De Koonning e companhia, deslocou de Paris para Nova York a
capital mundial das artes. Diversamente dos expressionistas europeus, que no começo do século
converteram sua arte numa forma de panfletagem político-social, a vanguarda expressionista ianque
tratou de banir a política de seus quadros, preferindo expremir as misérias da condição humana nos
limites da existência individual. Morreu vítima do mal de Alzheimer em sua casa-ateliê em Long
Island, perto de Nova York.

5.14 ARTE CONCRETA


“A arte é apenas um substituto enquanto a beleza da vida for deficiente. Desaparecerá
proporcionalmente, à medida que a vida adquirir equilíbrio.” Piet Mondrian
Professor J. André de Azevedo. Colégio Global 2011 52
Em épocas passadas, quando o homem vivia em contato com a natureza, e quando ele mesmo era
mais natural que hoje, exprimia seu pensamento com traços, combinações repetitivas e desenhos
geométricos, que para ele simbolizava algo.
Em geral, assim foi no inicio das civilizações, como podemos comprovar se observarmos os
desenhos na arte cerâmica e nos outros utensílios de nossos índios.
Gradativamente, o homem foi desenvolvendo o interesse por representar o mundo visível, imitando a
natureza, e durante séculos este sistema foi sendo aperfeiçoado e adotado, principalmente na Arte Ocidental.
Esculturas, pinturas e gravuras, deviam ser imagens da realidade.
Entretanto, por uma série de razões históricas e estéticas, alguns artistas europeus no inicio do século
20, procuraram romper com todo um passado de arte figurativa, propondo uma nova maneira de
representação.
Para melhor entendimento da arte abstrata há duas tendências principais: uma mais lírica, subjetiva e
espiritual e outra mais intelectual, da regra, da geometria, embora as duas tenham em comum uma raiz
idealista e mística.
Da primeira, é preciso lembrar do pintor russo Wassily Kandinsky (1886-1944), que já em 1910 fazia
aquarelas abstratas. Para ele, toda forma tem um conteúdo, nela mesma, o artista se serve das formas como
teclas de um piano, ao tocá-las “põe vibração a alma humana”. Um quadro pode emocionar como a música
apenas pelas linhas, formas e cores, mas com autonomia do mundo visível, proporcionando liberdade de
interpretação e estímulo para a imaginação.
Da outra tendência, cujas idéias inspiram-se na perfeição das leis cientificas e matemáticas, podemos
citar o artista, também russo, Malevitch (1878-1935), que em 1913 declara que: “Para libertar a arte do peso
da subjetividade, me refugiei na forma do quadrado negro sobre um fundo branco, os críticos e o público se
queixaram.”
O expoente mais seguro do abstracionismo geométrico é Piet Mondrian, holandês (1872-1944), que
expõe “a mais pura representação do Universo”, restringindo-se a linhas verticais e horizontais, limitando as
cores para as primárias (azul, vermelho e amarelo) e não as cores como o branco e o preto.
Por volta de 1930, com o desenvolvimento do abstracionismo dizer “arte abstrata” era impróprio,
pois ela não abrangia representações tão diversas.
Assim, nesse mesmo ano, o artista holandês Theo Van Doesburg, declara que: “Pintura concreta e não
abstrata, pois nada é mais concreto, mais real que uma linha, uma cor, uma superfície... Uma mulher, uma
árvore, uma vaca, são concretos no estado natural, mas no estado de pintura são abstratos, ilusórios, vagos,
especulativos, ao passo que um plano é um plano, uma linha é uma linha, nem mais nem menos.”
O movimento concretista encontra precedentes imediatos nos holandeses Mondrian e Theo Van
Doesburg, que rejeitam a subjetividade e criam um idioma plástico universal. No movimento russo, o
construtivismo, que além de uma arte visual e abstrata, propõem um arte integrada à ciência, à técnica, à
transformação social. Na Bauhaus (Alemanha, 1919-1933), Escola Superior de Criação Industrial que leva a
arte para o design.
Seguidor das idéias de Theo Van Doesburg, Max Bill, nascido na Suíça, em 1908, dá continuidade ao
concretismo a partir de 1936. Sediado na Suíça, o movimento espalha-se pela América Latina, Argentina e,
posteriormente, Brasil e Alemanha.
Em 1950, o MASP (Museu de Arte de São Paulo) organiza uma exposição do conjunto das obras de
Max Bill – arquitetura, escultura e pintura –, que foi fundamental para o conhecimento da arte concreta no
Brasil.
5.14.1 Arte concreta no Brasil

A época da penetração e desenvolvimento da arte geométrica no Brasil coincide com a euforia de


desenvolvimento do pós-2ª Guerra Mundial, com a implantação de indústrias nacionais como a
automobilística, a criação da Petrobras, siderúrgicas, o crescimento das cidades e novos meios de
comunicação, como a televisão.
Importante lembrar que, no mesmo período, houve a criação do Museu de Arte de São Paulo
(MASP), em 1947, e do Museu de Arte Moderna (MAM), em 1948, que se empenharam em formar acervos
e promover exposições.
Professor J. André de Azevedo. Colégio Global 2011 53
Fundamental citar também a criação da I Bienal Internacional de São Paulo, em 1951, que divulgou
artistas nacionais e internacionais, proporcionando contato com diversas tendências internacionais. Na
mesma data, já se esboçava o movimento concreto, em São Paulo e no Rio de Janeiro.
O marco histórico na Arte Concreta no Brasil é o Grupo Ruptura, paulista, que apresenta um
manifesto em 1952, Manifesto Ruptura, lançado na exposição do MAM de São Paulo, e assinado por:
Waldemar Cordeiro, artista e portavoz do grupo, Sacilotto, Lothar Charoux, Anatol Wladyslaw, Kazmer
Féjer, Leopold Haar e Geraldo de Barros. Este grupo queria criar formas novas de princípios novos,
baseavam-se numa teoria rigorosa.
Em 1956 é realizada no MAM, São Paulo, a I Exposição Nacional de Arte Concreta, ocasião que é
lançado o Manifesto da Poesia Concreta (interação de conceber o poema como um todo matematicamente
planejado).
Neste momento, as divergências entre os grupos concretistas Frente (Rio) e Ruptura (São Paulo) vêm
à tona. Os artistas cariocas, sem abrir mão do vocabulário abstrato, querem liberdade de criação, sem o rigor
dos paulistas.
É o neoconcretismo, cujo manifesto aparece no catálogo da I Expo Neoconcreta (1959) com
trabalhos de Amílcar de Castro, Ferreira Gular, Franz Weissmann, Lygia Clark, Lygia Pape, Reinaldo Jardim
e Théon Spanudis.
Os elementos principais do concretismo são:
 Aspiração a uma linguagem de comunicação universal, com autonomia da arte com o mundo
exterior.
 Integração do trabalho de arte na produção industrial, crença na tecnologia.Função social, informação
a todos, aplicação em todas as áreas de comunicação visual, ao artista cabe contribuir de modo
abrangente para a socialização da boa forma, no design, na tipografia, etc.
 Utilização tanto no suporte como na matériaprima de materiais industrializados, produzidos em série,
como ferro, alumínio, tinta esmalte, etc.
 Baseiam-se no rigor geométrico, na matemática, que estrutura ritmos e relações.
 Eliminam o gesto, o sinal da mão. O desenho é preciso, feito com régua e compasso.

O concretismo conhece seu período mais ativo nos anos 50.


 Luiz Sacilotto (1924-2003): nasceu em Santo André, no ABC Paulista, em 1924, filho de imigrantes
italianos. Formou-se no Instituto Profissional Masculino, no Brás, onde estudou técnicas diversas
relacionadas às artes e ofícios, como desenho e pintura. Seu primeiro emprego, aos 17 anos, foi como
desenhista de letras de alta precisão. Durante muito tempo atuou como desenhista técnico, trabalhou
em escritórios de arquitetura e projetou esquadrias de alumínio para produção em série. Desenhava
nas horas vagas, e seu aprendizado veio principalmente pelo seu profundo interesse em artes plásticas
e pelas conversas com os amigos, também artistas. No início, seus trabalhos são figurativos.
Paisagens e retratos de tendência expressionista, mas a partir de 1947 realiza suas primeiras
experiências no domínio da abstração geométrica, sendo um dos pioneiros da arte concreta no País.
Participa de exposições em São Paulo e no Rio de Janeiro, e em 1951, com apenas 27 anos, participa
da I Bienal Internacional de São Paulo, estará presente ainda na II, III, IV, VI e VII Bienais
Internacionais de São Paulo. Em 1952, participa da XXVI Bienal de Veneza e, em dezembro do
mesmo ano, é um dos signatários do Manifesto do Grupo Ruptura, em São Paulo, e expõe com eles
no MAM, SP. Em 1956, participa da I Exposição Nacional e Arte Concreta em São Paulo e no ano
seguinte no Rio de Janeiro. Em 1960 está presente na Exposição Internacional de Arte Concreta,
organizada por Max Bill Zurique, na Suíça, que projeta nossos artistas internacionalmente. É
homenageado em 1968 com Sala Especial no I Salão de Arte Contemporânea de Santo André.
Interrompe temporariamente seu trabalho criativo, e dedica-se à sua própria empresa de esquadrias
metálicas. Recomeça com alguns estudos em guache e experimenta na década de 70 novas
linguagens, como a serigrafia. A serigrafia é uma técnica plana em gravura, utilizada na indústria e
feita com tinta gráfica, como silk em camisetas. Como figura central do concretismo continuou a
participar de exposições nacionais e internacionais, ganhou vários prêmios, retrospectivas e teve suas
obras expostas nos principais museus e coleções particulares. Sacilloto foi pintor, desenhista e
precursor da escultura de vanguarda. Desde a década de 50 conquistava e pensava o espaço
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tridimensional a partir de desdobramentos do plano, revelando a complexidade do simples. Usava
materiais industriais, como chapas de alumínio, de latão, de ferro, que ele cortava e dobrava, em
constantes variações. Sua obra reflete seu pensamento claro e ordenado. Faleceu no dia 9 de fevereiro
de 2003 no ABC paulista.

5.15 SURREALISMO
Nas duas primeiras décadas do século XX, os estudos psicanalíticos de Freud e as incertezas políticas
criaram um clima favorável para o desenvolvimento de uma arte que criticava a cultura européia e a frágil
condição humana diante de um mundo cada vez mais complexo. Surgem movimentos estéticos que
interferem de maneira fantasiosa na realidade.
O surrealismo foi por excelência a corrente artística moderna da representação do irracional e do
subconsciente. Suas origens devem ser buscadas no dadaísmo e na pintura metafísica de Giorgio De Chirico.
Este movimento artístico surge todas às vezes que a imaginação se manifesta livremente, sem o freio
do espírito crítico, o que vale é o impulso psíquico. Os surrealistas deixam o mundo real para penetrarem no
irreal, pois a emoção mais profunda do ser tem todas as possibilidades de se expressar apenas com a
aproximação do fantástico, no ponto onde a razão humana perde o controle.
A publicação do Manifesto do Surrealismo, assinado por André Breton em outubro de 1924, marcou
historicamente o nascimento do movimento. Nele se propunha a restauração dos sentimentos humanos e do
instinto como ponto de partida para uma nova linguagem artística. Para isso era preciso que o homem
tivesse uma visão totalmente introspectiva de si mesmo e encontrasse esse ponto do espírito no qual a
realidade interna e externa são percebidas totalmente isentas de contradições.
A livre associação e a análise dos sonhos, ambos métodos da psicanálise freudiana, transformaram-se
nos procedimentos básicos do surrealismo, embora aplicados a seu modo. Por meio do automatismo, ou seja,
qualquer forma de expressão em que a mente não exercesse nenhum tipo de controle, os surrealistas
tentavam plasmar, seja por meio de formas abstratas ou figurativas simbólicas, as imagens da realidade mais
profunda do ser humano: o subconsciente.
O Surrealismo apresenta relações com o Futurismo e o Dadaísmo. No entanto, se os dadaístas
propunham apenas a destruição, os surrealistas pregavam a destruição da sociedade em que viviam e a
criação de uma nova, a ser organizada em outras bases. Os surrealistas pretendiam, dessa forma, atingir uma
outra realidade, situada no plano do subconsciente e do inconsciente. A fantasia, os estados de tristeza e
melancolia exerceram grande atração sobre os surrealistas, e nesse aspecto eles se aproximam dos
românticos, embora sejam muito mais radicais.
Principais artistas:
 Salvador Dali: é, sem dúvida, o mais conhecido dos artistas surrealistas. Estudou em Barcelona e
depois em Madri, na Academia de San Fernando. Nessa época teve oportunidade de conhecer Lorca e
Buñuel. Suas primeiras obras são influenciadas pelo cubismo de Gris e pela pintura metafísica de
Giorgio De Chirico. Finalmente aderiu ao surrealismo, junto com seu amigo Luis Buñuel, cineasta.
Em 1924 o pintor foi expulso da Academia e começou a se interessar pela psicanálise de Freud, de
grande importância ao longo de toda a sua obra. Sua primeira viagem a Paris em 1927 foi
fundamental para sua carreira. Fez amizade com Picasso e Breton e se entusiasmou com a obra de
Tanguy e o maneirista Arcimboldo. O filme O Cão Andaluz, que fez com Buñuel, data de 1929. Ele
criou o conceito de “paranóia critica“ para referir-se à atitude de quem recusa a lógica que rege a
vida comum das pessoas .Segundo ele, é preciso “contribuir para o total descrédito da realidade”. No
final dos anos 30 foi várias vezes para a Itália a fim de estudar os grandes mestres. Instalou seu ateliê
em Roma, embora continuasse viajando. Depois de conhecer em Londres Sigmund Freud, fez uma
viagem para a América, onde publicou sua biografia A Vida Secreta de Salvador Dali (1942). Ao
voltar, se estabeleceu definitivamente em Port Lligat com Gala, sua mulher, ex-mulher do poeta e
amigo Paul Éluard. Desde 1970 até sua morte dedicou-se ao desenho e à construção de seu museu.
Além da pintura ele desenvolveu esculturas e desenho de jóias e móveis.
 Joan Miro: iniciou sua formação como pintor na escola de La Lonja, em Barcelona. Em 1912 entrou
para a escola de arte de Francisco Gali, onde conheceu a obra dos impressionistas e fauvistas
franceses. Nessa época, fez amizade com Picabia e pouco depois com Picasso e seus amigos cubistas,
em cujo grupo militou durante algum tempo. Em 1920 Miró instalou-se em Paris (embora no verão
Professor J. André de Azevedo. Colégio Global 2011 55
voltasse para Montroig), onde se formara um grupo de amigos pintores, entre os quais estavam
Masson, Leiris, Artaud e Lial. Dois anos depois adquiriu forma La masía, obra fundamental em seu
desenvolvimento estilístico posterior e na qual Miró demonstrou uma grande precisão gráfica. A
partir daí sua pintura mudou radicalmente. Breton falava dela como o máximo do surrealismo e se
permitiu destacar o artista como um dos grandes gênios solitários do século XX e da história da arte.
A famosa magia de Miró se manifesta nessas telas de traços nítidos e formas sinceras na aparência,
mas difíceis de serem elucidadas, embora se apresentem de forma amistosa ao observador. Miró
também se dedicou à cerâmica e à escultura, nas quais extravasou suas inquietações pictóricas.

5.15.1 Para seu conhecimento


 “O sonho não pode ser também aplicado à solução das questões fundamentais da vida?” (fragmento
do Manifesto do Surrealismo de André Breton, francês que lançou o movimento).
 No mesmo manifesto, Breton define Surrealismo: "Automatismo psíquico pelo qual alguém se
propõe a exprimir, seja verbalmente, seja por escrito, seja de qualquer outra maneira, o
funcionamento real do pensamento".

5.16 COBRA
Movimento artístico criado na Holanda, Sigla de Copenhague-Bruxelas-Amsterdam, grupo artístico
europeu que surgiu entre 1948 e 1951. Ligado esteticamente ao expressionismo figurativo, teve como
principais representantes Asger Jorn, Karel Appel e Pierre Alechinski. Assim como as obras de Jackson
Pollock essa pintura é gestual, livre, violenta na escolha de cores e texturas.
Principais Artistas:

 Pierre Alechinsky: pintor e gravador belga. Um dos mais jovens integrantes do grupo Cobra, marcou
sua obra pelo tachismo. Participou da XI Exposição Internacional do Surrealismo, em 1965.
 Asger Jorn: pintor dinamarquês. Sua obra é caracterizada pelo uso de cores vivas e formas
distorcidas. Sofreu influência dos pintores James Ensor e Paul Klee.
 Karel Appel: pintor holandês. Criador de uma obra vigorosa e colorida, caracterizada pela figuração
rude e simplificada. Realizou também esculturas em madeira e metal.

5.17 POP-ART
Movimento principalmente americano e britânico, sua denominação foi empregada pela primeira vez
em 1954, pelo crítico inglês Lawrence Alloway, para designar os produtos da cultura popular da civilização
ocidental, sobretudo os que eram provenientes dos Estados Unidos.
Com raízes no dadaísmo de Marcel Duchamp, o pop art começou a tomar forma no final da década
de 1950, quando alguns artistas, após estudar os símbolos e produtos do mundo da propaganda nos Estados
Unidos, passaram a transformá-los em tema de suas obras.
Representavam, assim, os componentes mais ostensivos da cultura popular, de poderosa influência na
vida cotidiana na segunda metade do século XX. Era a volta a uma arte figurativa, em oposição ao
expressionismo abstrato que dominava a cena estética desde o final da segunda guerra. Sua iconografia era a
da televisão, da fotografia, dos quadrinhos, do cinema e da publicidade.
Com o objetivo da crítica irônica do bombardeamento da sociedade pelos objetos de consumo, ela
operava com signos estéticos massificados da publicidade, quadrinhos, ilustrações e designam, usando como
materiais principais, tinta acrílica, ilustrações e designs, usando como materiais, usando como materiais
principais, tinta acrílica, poliéster, látex, produtos com cores intensas, brilhantes e vibrantes, reproduzindo
objetos do cotidiano em tamanho consideravelmente grande, transformando o real em hiper-real. Mas ao
mesmo tempo que produzia a crítica, a Pop Art se apoiava e necessitava dos objetivos de consumo, nos quais
se inspirava e muitas vezes o próprio aumento do consumo, como aconteceu por exemplo, com as Sopas
Campbell, de Andy Warhol, um dos principais artistas da Pop Art. Além disso, muito do que era considerado
brega, virou moda, e já que tanto o gosto, como a arte tem um determinado valor e significado conforme o
contexto histórico em que se realiza, a Pop Art proporcionou a transformação do que era considerado vulgar,
em refinado, e aproximou a arte das massas, desmitificando, já que se utilizava de objetos próprios delas, a
arte para poucos.
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Principais Artistas:

 Robert Rauschenberg (1925): depois das séries de superfícies brancas ou pretas reforçadas com
jornal amassado do início da década de 1950, Rauschenberg criou as pinturas "combinadas", com
garrafas de Coca-Cola, embalagens de produtos industrializados e pássaros empalhados. Por volta de
1962, adotou a técnica de impressão em silk-screen para aplicar imagens fotográficas a grandes
extensões da tela e unificava a composição por meio de grossas pinceladas de tinta. Esses trabalhos
tiveram como temas episódios da história americana moderna e da cultura popular.
 Roy Lichtenstein (1923-1997): seu interesse pelas histórias em quadrinhos como tema artístico
começou provavelmente com uma pintura do camundongo Mickey, que realizou em 1960 para os
filhos. Em seus quadros a óleo e tinta acrílica, ampliou as características das histórias em quadrinhos
e dos anúncios comerciais, e reproduziu a mão, com fidelidade, os procedimentos gráficos.
Empregou, por exemplo, uma técnica pontilhista para simular os pontos reticulados das historietas.
Cores brilhantes, planas e limitadas, delineadas por um traço negro, contribuíam para o intenso
impacto visual. Com essas obras, o artista pretendia oferecer uma reflexão sobre a linguagem e as
formas artísticas. Seus quadros, desvinculados do contexto de uma história, aparecem como imagens
frias, intelectuais, símbolos ambíguos do mundo moderno. O resultado é a combinação de arte
comercial e abstração.
 Andy Warhol (1927-1987): ele foi figura mais conhecida e mais controvertida do pop art, Warhol
mostrou sua concepção da produção mecânica da imagem em substituição ao trabalho manual numa
série de retratos de ídolos da música popular e do cinema, como Elvis Presley e Marilyn Monroe.
Warhol entendia as personalidades públicas como figuras impessoais e vazias, apesar da ascensão
social e da celebridade. Da mesma forma, e usando sobretudo a técnica de serigrafia, destacou a
impessoalidade do objeto produzido em massa para o consumo, como garrafas de Coca-Cola, as latas
de sopa Campbell, automóveis, crucifixos e dinheiro. Produziu filmes e discos de um grupo musical,
incentivou o trabalho de outros artistas e uma revista mensal.

5.17.1 No Brasil
A década de 60 foi de grande efervescência para as artes plásticas no pais. Os artistas brasileiros
também assimilaram os expedientes da pop art como o uso das impressões em silkscreen e as referências aos
gibis. Dentre os principais artistas estão Duke Lee, Baravelli, Fajardo, Nasser, Resende, De Tozzi, Aguilar e
Antonio Henrique Amaral.
A obra de Andy Warhol expunha uma visão irônica da cultura de massa. No Brasil, seu espírito foi
subvertido, pois, nosso pop usou da mesma linguagem, mas transformou-a em instrumento de denúncia
política e social.

5.18 OP-ART

A expressão “op-art” vem do inglês (optical art) e significa “arte óptica”. Defendia para arte "menos
expressão e mais visualização". Apesar do rigor com que é construída, simboliza um mundo precário e
instável, que se modifica a cada instante.
Apesar de ter ganhado força na metade da década de 1950, a Op Art passou por um desenvolvimento
relativamente lento. Ela não tem o ímpeto atual e o apelo emocional da Pop Art; em comparação, parece
excessivamente cerebral e sistemática, mais próxima das ciências do que das humanidades. Por outro lado,
suas possibilidades parecem ser tão ilimitadas quanto as da ciência e da tecnologia.
Principais artistas:

 Alexander Calder (1898-1976): criou os móbiles associando os retângulos coloridos das telas de
Mondrian à idéia do movimento. Os seus primeiros trabalhos eram movidos manualmente pelo
observador. Mas, depois de 1932, ele verificou que se mantivesse as formas suspensas, elas se
movimentariam pela simples ação das correntes de ar. Embora, os móbiles pareçam simples, sua
montagem é muito complexa, pois exige um sistema de peso e contrapeso muito bem estudado para
que o movimento tenha ritmo e sua duração se prolongue.
Professor J. André de Azevedo. Colégio Global 2011 57
 Victor Vassarely: criou a plástica cinética que se funda em pesquisas e experiências dos fenômenos
de percepção ótica. As suas composições se constituem de diferentes figuras geométricas, em preto e
branco ou coloridas. São engenhosamente combinadas, de modo que através de constantes excitações
ou acomodações retinianas provocam sensações de velocidade e sugestões de dinamismo, que se
modificam desde que o contemplador mude de posição. O geometrismo da composição, ao qual não
são estranhos efeitos luminosos, mesmo quando em preto e branco, parece obedecer a duas
finalidades. Sugerir facilidades de racionalização para a produção mecânica ou para a multiplicidade,
como diz o artista; por outro lado, solicitar ou exigir a participação ativa do contemplador para que a
composição se realize completamente como "obra aberta".

5.19 GRAFFITI
Definido por Norman Mailler como “uma rebelião tribal contra a opressora civilização industrial" e,
por outros, como "violação, anarquia social, destruição moral, vandalismo puro e simples", o Grafite saiu do
seu gueto - o metrô - e das ruas das galerias e museus de arte, instalando-se em coleções privadas e cobrindo
com seus rabiscos e signos os mais variados objetos de consumo.
A primeira grande exposição de Grafite foi realizada em 1975 no "Artist's Space", de Nova York,
com apresentação de Peter Schjeldahl, mas a consagração veio com a mostra "New York/New Wave"
organizada por Diego Cortez, em 1981, no PS 1, um dos principais espaços de vanguarda de Nova York.
Características gerais:
 Spray art - pixação de signos, palavras ou frases de humor rápido, existe a valorização do desenho.
 Stencil art - o grafiteiro utiliza um cartão com formas recortadas que, ao receber o jato de spray, só
deixa passar a tinta pelos orifícios determinados, valoriza-se a cor.
Principal artista: Jean Michel Basquiat (1960-1988): nascido no Haiti, iniciou sua carreira grafitando
as paredes e muros de Nova York. Seus grafites mostravam símbolos de variadas culturas, de obras famosas,
e principalmente ícones da cultura e consumo americanos, principalmente no contexto político e social. As
temáticas do seu trabalho refletem suas preocupações, como o genocídio, a opressão e o racismo. Com 21
anos participou da sua primeira coletiva em Nova York. Foi patrocinado por Andy Warhol (Pop Art), a partir
daí virou celebridade. Morreu prematuramente em virtude de depressão e drogas.
No Brasil, destacam-se os artistas: Alex Vallauri, Waldemar Zaidler e Carlos Matuck, também se
destacam artistas de vanguarda como: Os Gêmeos: Otávio e Gustavo, Boleta, Nunca, Nina, Speto, Tikka e T.
Freak.

5.20 INTERFERÊNCIA
Como a pintura já não é claramente definível e deixou de ser a única fornecedora de memoráveis
imagens visuais. Alguns artistas interferem na paisagem, colocam cortinas, guarda-sóis, embrulhos em locais
públicos.
Atualmente, ressaltamos Christo, o único artista que se destaca com suas interferências.

5.21 INSTALAÇÃO
São ampliações de ambientes que são transformados em cenários do tamanho de uma sala. É
utilizada a pintura, juntamente com a escultura e outros materiais, para ativar o espaço arquitetônico. O
espectador participa da obra, e não somente à aprecia.

5.22 ARTE NAÏF

É a arte da espontaneidade, da criatividade autêntica, do fazer artístico sem escola nem orientação,
portanto é instintiva e onde o artista expande seu universo particular. Claro que, como numa arte mais
intelectualizada, existem os realmente marcantes e outros nem tanto.
Art naïf (arte ingênua) é o estilo a que pertence a pintura de artistas sem formação sistemática. Trata-
se de um tipo de expressão que não se enquadra nos moldes acadêmicos, nem nas tendências modernistas,
nem tampouco no conceito de arte popular.
Esse isolamento situa o art naïf numa faixa próxima à da arte infantil, da arte do doente mental e da
arte primitiva, sem que, no entanto, se confunda com elas.
Professor J. André de Azevedo. Colégio Global 2011 58
Assim, o artista naïf é marcadamente individualista em suas manifestações mais puras, muito
embora, mesmo nesses casos, seja quase sempre possível descobrir-lhes a fonte de inspiração na iconografia
popular das ilustrações dos velhos livros, das folhinhas suburbanas ou das imagens de santos. Não se trata,
portanto, de uma criação totalmente subjetiva, sem nenhuma referência cultural.
O artista naïf não se preocupa em preservar as proporções naturais nem os dados anatômicos corretos
das figuras que representa.
Características gerais:
 Composição plana, bidimensional, tende à simetria e a linha é sempre figurativa
 Não existe perspectiva geométrica linear.
 Pinceladas contidas com muitas cores.

Principal Artista:
 Henri Rousseau (1844-1910): homem de pouca instrução geral e quase nenhuma formação em
pintura. Em sua primeira exposição foi acusado pela crítica de ignorar regras elementares de desenho,
composição e perspectiva, e de empregar as cores de modo arbitrário. Estreou com uma original
obra-prima, "Um dia de carnaval", no Salão dos Independentes. Criou exóticas paisagens de selva
que lembram tramas de sonho e parecem motivadas pelos sentimentos mais puros. Nos primeiros
anos do século XX, após despertar a admiração de Alfred Jarry, Guillaume Apollinaire, Pablo
Picasso, Robert Delaunay e outros intelectuais e artistas, seu trabalho foi reconhecido em Paris e
posteriormente influenciou o surrealismo.