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Matemática: Paiva

Manoel Paiva
Moderna
Página 1

Manoel Paiva
Licenciado em Matemática pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Santo André.
Mestre em Educação Matemática pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Professor
em escolas particulares por 29 anos.

MATEMÁTICA
PAIVA
2
Ensino Médio

Componente curricular: MATEMÁTICA

MANUAL DO PROFESSOR
3ª edição

São Paulo, 2015

Moderna
Página 2

Coordenação editorial: Fabio Martins de Leonardo, Mara Regina Garcia Gay

Edição de texto: Débora Regina Yogui, Everton José Luciano, Marcos Gasparetto de Oliveira, Patrícia Nakata

Assistência editorial: Adriana Soares Netto

Preparação de texto: Renato da Rocha

Gerência de design e produção gráfica: Sandra Botelho de Carvalho Homma

Coordenação de produção: Everson de Paula

Suporte administrativo editorial: Maria de Lourdes Rodrigues (coord.)

Coordenação de design e projetos visuais: Marta Cerqueira Leite

Projeto gráfico: Marta Cerqueira Leite, Otávio dos Santos, Rafael Mazzari

Capa: Mariza de Souza Porto

Foto: Micrografia de olho composto de inseto

© Science Faction/SuperStock/Glow Images

Coordenação de arte: Wilson Gazzoni Agostinho

Edição de arte: Denis Torquato

Editoração eletrônica: Formato Comunicação Ltda.

Edição de infografia: Luiz Iria, Priscilla Boffo, Otávio Cohen

Ilustrações de vinhetas: Otávio dos Santos

Coordenação de revisão: Adriana Bairrada

Revisão: Alessandra Abramo Félix, Fernanda Marcelino, Rita de Cássia Sam, Vânia Bruno

Coordenação de pesquisa iconográfica: Luciano Baneza Gabarron

Pesquisa iconográfica: Carol Böck, Junior Rozzo

Coordenação de bureau: Américo Jesus

Tratamento de imagens: Denise Feitoza Maciel, Marina M. Buzzinaro, Rubens M. Rodrigues

Pré-impressão: Alexandre Petreca, Everton L. de Oliveira, Fabio N. Precendo, Hélio P. de Souza Filho, Marcio H. Kamoto, Vitória Sousa

Coordenação de produção industrial: Viviane Pavani

Impressão e acabamento:

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Paiva, Manoel
Matemática : Paiva / Manoel Paiva . —
3. ed. — São Paulo : Moderna, 2015.

Obra em 3 v.
“Componente curricular : Matemática”.
Bibliografia.

1. Matemática (Ensino médio) I. Título.


15-01700
CDD-510.7
Índices para catálogo sistemático:
1. Matemática : Ensino médio 510.7

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Todos os direitos reservados

EDITORA MODERNA LTDA.


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São Paulo - SP - Brasil - CEP 03303-904
Vendas e Atendimento: Tel. (0_ _11) 2602-5510
Fax (0_ _11) 2790-1501

www.moderna.com.br

2016

Impresso no Brasil

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Conheça seu livro


Este livro foi elaborado para oferecer, de forma clara e objetiva, conteúdos matemáticos
fundamentais para o Ensino Médio.

A abertura estimula a reflexão sobre um problema contextualizado. Traz questões para avaliar os conhecimentos
prévios ou que poderão ser resolvidas após o estudo do capítulo.

Os Exercícios resolvidos acompanham a teoria ajudando na compreensão dos conceitos.


Os Exercícios propostos têm o objetivo de verificar o aprendizado, propondo uma aplicação mais imediata dos
conteúdos, além de algumas conexões com o cotidiano.
A seção Criando problemas tem o objetivo de incentivar a elaboração de problemas.

A seção Pré-requisitos para o capítulo seguinte propõe exercícios para rever conceitos importantes ao
desenvolvimento do capítulo seguinte.

Os Exercícios complementares oferecem questões de aprofundamento dos assuntos abordados.


A seção Trabalhando em equipe propõe uma das principais competências exigidas pelo mundo moderno, que é
saber trabalhar em equipe.
Dentro dessa seção temos dois itens: Análise da resolução, que possibilita a reflexão sobre erros comuns na
resolução de exercícios, além de mostrar sua correção; e Matemática sem fronteiras, que traz textos interessantes,
com situações que aplicam conceitos trabalhados no capítulo.

Ainda dentro da seção Trabalhando em equipe, em alguns capítulos temos a proposta de elaboração de uma
pesquisa, em geral, sobre temas do cotidiano, incentivando uma discussão entre os alunos.

Questões para reflexão são apresentadas com o objetivo de estimular os alunos a argumentar sobre os conteúdos
estudados. Na seção Conectado, são propostas atividades usando a internet.
Na seção Mentes brilhantes, são apresentados feitos de pessoas que revolucionaram a Matemática ou a Ciência em
sua época.

Há ainda as atividades com Calculadora, Pesquisa e Atividades que podem ser feitas em dupla ou em grupo.
Página 4

Sumário
Capítulo 1 Sequências 6
1 O conceito de sequência 7
2 Lei de formação de uma sequência 9
3 Progressão aritmética 12
4 Progressão geométrica 22
| Exercícios complementares 33
| Pré-requisitos para o Capítulo 2 35
| Trabalhando em equipe 37
Análise da resolução 37
Matemática sem fronteiras 38

Capítulo 2 Trigonometria no triângulo retângulo 39


1 A origem da Trigonometria 40
2 Razões trigonométricas no triângulo retângulo 40
| Exercícios complementares 50
| Pré-requisitos para o Capítulo 3 51
| Trabalhando em equipe 52
Análise da resolução 52
Matemática sem fronteiras 53

Capítulo 3 Circunferência trigonométrica: seno e cosseno 54


1 O radiano, unidade de medida de arco e de ângulo 55
2 Circunferência trigonométrica 58
3 Simetrias 63
4 Seno e cosseno de um arco trigonométrico 65
5 Redução ao 1 o quadrante 68
6 Relação fundamental da Trigonometria 71
7 Equações trigonométricas 73
| Exercícios complementares 77
| Pré-requisitos para o Capítulo 4 79
| Trabalhando em equipe 79
Análise da resolução 79
Matemática sem fronteiras 80

Capítulo 4 Outras razões trigonométricas e adição de arcos 81


1 Tangente de um arco trigonométrico 82
2 Redução ao 1º quadrante 86
3 Equações trigonométricas 88
4 Secante, cossecante e cotangente 90
5 Seno, cosseno e tangente da soma de arcos 91
6 Seno, cosseno e tangente do arco duplo 95
| Exercícios complementares 98
| Pré-requisitos para o Capítulo 5 101
| Trabalhando em equipe 102
Análise da resolução 102
Matemática sem fronteiras 102

Capítulo 5 Funções trigonométricas e resolução de triângulos 104


1 Funções trigonométricas 106
2 Gráfico da função f (x) = sen x 107
3 Gráfico da função g(x) = cos x 110
4 Movimentos periódicos 113
5 Resolução de triângulos 117
6 Cálculo da área de um triângulo 122
| Exercícios complementares 124
| Pré-requisitos para o Capítulo 6 125
| Trabalhando em equipe 126
Análise da resolução 126
Matemática sem fronteiras 126
Ciência e tecnologia 127

Capítulo 6 Os princípios da Análise combinatória 128


1 O que é Análise combinatória 130
2 O princípio fundamental da contagem 130
3 O princípio aditivo da contagem 134
4 Fatorial 137
| Exercícios complementares 140
| Pré-requisitos para o Capítulo 7 142
| Trabalhando em equipe 143
Análise da resolução 143
Matemática sem fronteiras 144
Cibercultura 145
Página 5

Capítulo 7 Agrupamentos e métodos de contagem 146


1 Classificação dos agrupamentos 147
2 Arranjos 148
3 Permutações 151
4 Combinação simples 158
| Exercícios complementares 163
| Pré-requisitos para o Capítulo 8 165
| Trabalhando em equipe 166
Análise da resolução 166
Matemática sem fronteiras 167

Capítulo 8 Geometria de posição e poliedros 168


1 O que há além do plano? 169
2 O universo da Geometria 169
3 Posições relativas entre duas retas 171
4 Determinação de um plano 172
5 Posições relativas entre reta e plano 174
6 Posições relativas entre dois planos 176
7 Perpendicularidade 178
8 Projeção ortogonal sobre um plano 183
9 Ângulos no espaço 185
10 Poliedros 188
11 Poliedros regulares 192
| Exercícios complementares 194
| Pré-requisitos para o Capítulo 9 197
| Trabalhando em equipe 197
Análise da resolução 197
Matemática sem fronteiras 198

Capítulo 9 Prismas e pirâmides 199


1 Prisma 200
2 Paralelepípedo reto-retângulo 203
3 Cubo 208
4 Volume de um prisma 210
5 Pirâmide 214
| Exercícios complementares 223
| Pré-requisitos para o Capítulo 10 227
| Trabalhando em equipe 228
Análise da resolução 228
Matemática sem fronteiras 229

Capítulo 10 Corpos redondos 230


1 Introdução 232
2 Cilindro 232
3 Cone circular 238
4 Esfera 246
| Exercícios complementares 255
| Trabalhando em equipe 257
Análise da resolução 257
Matemática sem fronteiras 258

Indicação de leituras complementares 259


Apêndice 260
Respostas 270
Lista de siglas 286
Bibliografia 287
Página 6

CAPÍTULO 1 – Sequências

GAIZKA IROZ/AFP

Ao iniciar a prática de uma atividade física, é fundamental tomar alguns cuidados, por exemplo: fazer uma avaliação médica para
verificar seu estado de saúde e procurar orientação com um profissional da área de educação física. Também é importante: escolher
locais arejados, bem ventilados; usar roupas leves, que permitam a troca de calor entre o corpo e o ambiente; e não exceder seus
limites para não causar lesões.

Além da teoria

Esta situação será retomada na página 21.

Na fase de preparação de um atleta para uma competição, o preparador físico estabeleceu que no
primeiro treino o atleta deveria correr 10 km e, em cada um dos treinos seguintes, deveria correr 2 km a
mais que no anterior.
1. Quantos quilômetros o atleta percorreu no segundo treino? E no sexto? 12 km; 20 km

2. Sabendo que a fase de preparação desse atleta foi composta de 12 treinos, como você calcularia o total
de quilômetros percorridos por ele nessa fase? Resposta pessoal; total: 252 km

Com os conteúdos abordados neste capítulo, você poderá resolver essa e outras situações que envolvem sequências.
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1 O conceito de sequência
Em 2013, o Brasil sediou a primeira edição da Copa do Mundo de vôlei de praia, o World Cup Final, que se
realizou na cidade de Campinas, em São Paulo. O Brasil foi campeão nas duas competições, feminina e
masculina, com as duplas Maria Elisa/Talita e Emanuel/Alison.

HELIO SUENAGA/ FIVB/GETTY IMAGES

Maria Elisa e Talita exibem a medalha de ouro.

HÉLIO SUENAGA/LATINCONTENT/GETTY IMAGES

Emanuel e Alison comemoram o título.

No vôlei masculino, a classificação final dos quatro primeiros colocados é descrita pela tabela a seguir.

Classificação da I Copa do Mundo de vôlei de praia masculino


Posição País
1

Brasil
2

Estados Unidos
3

Letônia
4

Alemanha

ILUSTRAÇÕES: ADILSON SECCO

Dados obtidos em: <www.fivb.org>. Acesso em: 1º maio 2014.

Observe que a classificação é apresentada associando-se cada número natural de 1 a 4 ao nome de um país.
Essa associação determina uma sequência, em que:

• o número 1 corresponde ao primeiro elemento da sequência;


• o número 2 corresponde ao segundo elemento da sequência;

• o número 3 corresponde ao terceiro elemento da sequência;

• o número 4 corresponde ao quarto elemento da sequência.

Vamos representar essa associação em um diagrama de flechas, indicando por A o conjunto de números
naturais de 1 a 4 e por B o conjunto dos países classificados nas quatro primeiras posições:

FAUSTINO

Note que cada elemento de A está associado a um único elemento de B. Dessa forma, temos uma função de A
em B. Essa situação é um exemplo de sequência finita, que definimos a seguir.

Sequência finita é toda função de domínio A = {1, 2, 3, ..., n}, com A ⊂ ℕ*, e contradomínio B, sendo B um
conjunto qualquer não vazio.
Página 8

Exemplos

a) Consideremos a função g descrita pelo diagrama:

FAUSTINO

Essa função descreve uma sequência finita, que pode ser representada simplesmente por:

2
(5, √7, √7, , 3, 3)
5

Observe que uma sequência pode ser representada por um conjunto cujos elementos obedecem a determinada
ordem.

Nessa forma de representação da sequência, os parênteses indicam que a ordem em que se apresentam os
elementos deve ser mantida, isto é, se trocarmos a ordem de pelo menos dois elementos distintos, obteremos
outra sequência, por exemplo:

2 2
(5, √7, √7, , 3, 3) ≠ (√7, 5, √7, , 3, 3)
5 5

b) Sendo A = {1, 2, 3, 4, ..., 40}, a função h: A → ℝ tal que h (n) = 3n2 − 1 representa a sequência finita (h(1), h(2),
h(3), ..., h(40)), em que:

h(1) = 3 ⋅ 1² − 1 = 2

h(2) = 3 ⋅ 2² − 1 = 11

h(3) = 3 ⋅ 3² − 1 = 26

h(4) = 3 ⋅ 4² − 1 = 47

h (40) = 3 ⋅ 40² − 1 = 4.799

Portanto, a sequência representada pela função h é: (2, 11, 26, 47, ..., 4.799)

Também podemos definir sequência infinita:

Sequência infinita é toda função de domínio ℕ* = {1, 2, 3, 4, ...} e contradomínio B, sendo B um conjunto
qualquer não vazio.

Exemplos

a) Seja a função f: ℕ ∗ → ℝ tal que f(n) = 2n. Essa função é a sequência infinita dos números naturais pares não
nulos e pode ser representada por: (2, 4, 6, 8, ...)

b) Seja a função g: ℕ ∗ → ℝ tal que g(n) = (−1)n. Essa é a sequência infinita: (−1, 1, −1, 1, ...)
Termos de uma sequência

Cada elemento de uma sequência também é chamado de termo da sequência. Em uma sequência, o termo que
ocupa a posição de número n é indicado pelo símbolo an, isto é:

a1 indica o primeiro termo da sequência;

a2 indica o segundo termo da sequência;

a3 indica o terceiro termo da sequência;

a4 indica o quarto termo da sequência;

an indica o n-ésimo termo da sequência.

Exemplo

Na sequência (7, 3, 8, 10, ...), temos: a1 = 7, a2 = 3, a = 8, a4 = 10, ...


Página 9

Notas:

1. Podemos nos referir a uma sequência (a1, a2, a3, ..., an, ...) abreviadamente por (𝑎𝑛 )𝑛 ∈ ℕ∗ ou, simplesmente,
(an).

2. Em uma sequência finita (a1, a2 , a3, ..., an), os termos a1 e a n são chamados de extremos da sequência. Dois
termos, ai e aj, são equidistantes dos extremos se, e somente se, a quantidade de termos que precedem ai é
igual à quantidade de termos que sucedem aj.

3. Um termo am é chamado de termo médio de uma sequência finita com número ímpar de termos se, e
somente se, a quantidade de termos que antecedem am é igual à quantidade de termos que o sucedem.

Por exemplo, na sequência (a1, a2, a3, a4, ..., a58, a59, a60, a61), os extremos são a1 e a61. Os termos a4 e a58 são
equidistantes dos extremos. E o termo médio da sequência é a31.

2 Lei de formação de uma sequência


Um conjunto de informações capazes de determinar todos os termos de uma sequência e a ordem em que se
apresentam é chamado de lei de formação da sequência.

Exemplos

𝑎 = 3
a) Seja (an) a sequência tal que: { 1
𝑎𝑛 + 1 = 4 + 𝑎𝑛

As informações a1 = 3 e an+1 = 4 + an, para todo número natural n não nulo, determinam todos os elementos da
sequência e a ordem em que se apresentam. Observe:

• o primeiro termo da sequência é 3, isto é, a1 = 3;

• na igualdade an+1 = 4 + an, atribuindo a n os valores 1, 2, 3, ..., obtemos os demais termos da sequência, isto é:

n = 1 ⇒ a2 = 4 + a1 = 4 + 3 = 7

n = 2 ⇒ a3 = 4 + a2 = 4 + 7 = 11

n = 3 ⇒ a4 = 4 + a3 = 4 + 11 = 15

n = 4 ⇒ a5 = 4 + a4 = 4 + 15 = 19

Portanto, a sequência é (3, 7, 11, 15, 19, ...).

b) Considere a sequência (an) tal que an = n2 − 1. Para determinar os termos dessa sequência, basta atribuir a n
os valores 1, 2, 3, 4, ... na igualdade an= n2 − 1. Observe:

n = 1 ⇒ a1 = 1² − 1 = 0

n = 2 ⇒ a2 = 2² − 1 = 3

n = 3 ⇒ a3 = 3² − 1 = 8

n = 4 ⇒ a4 = 4² − 1 = 15

Portanto, a sequência é (0, 3, 8, 15, ...).

c) A sequência dos números primos positivos, em ordem crescente, é (2, 3, 5, 7, 11, ...). Observe que a lei de
formação dessa sequência não foi expressa por uma equação, mas pela propriedade de que os números sejam
primos positivos e estejam em ordem crescente. Esse exemplo mostra que a lei de formação de uma sequência
pode não ser uma equação.
Página 10

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

1 Na sequência (5, −4, 8, √3 , 6, 6, 6, ...), identifique os termos a1, a2, a3, a4, a5 a6 e a7.

a1 = 5, a2 = −4, a3 = 8, a4 = √3, a5 = 6, a6 = 6 e 𝑎7 = 6

2 Represente na forma (a1, a2, a3, a4, ...) cada uma das sequências a seguir.

a) (an) tal que an= 2n + 5 (7, 9, 11, 13, ...)

b) (an) tal que an= n2 + n (2, 6, 12, 20, ...)

𝑛
c) (an) tal que an= 1 2 3 4
( , , , ,…)
𝑛+1 2 3 4 5

𝑎1 = 4
d) (an) tal que { (4, 9, 14, 19, …)
𝑎𝑛+1 = 5 + 𝑎𝑛

𝑎1 = 3
e) (an) tal que { 𝑎2 = 7 (3, 7, 4, 23, …)
𝑎𝑛 + 2 = 𝑎𝑛 + 1 − 𝑎𝑛

3 A soma dos n primeiros termos de uma sequência (a1, a2, a3, a4, ...) é dada por Sn= n2 + n, para todo número
natural n não nulo.

a) Calcule a soma dos dez primeiros termos da sequência. 110

b) Determine o primeiro termo da sequência. 2

c) Determine o 5º termo da sequência. 10

d) Determine o n-ésimo termo, an, da sequência. 2n

4 Todas as mesas de um restaurante são retangulares com 6 cadeiras em volta, conforme mostra a figura 1. Se
mais de 6 pessoas pretendem sentar-se juntas, então duas ou mais mesas são enfileiradas, conforme mostram
as figuras 2 e 3.

figura 1

figura 2

figura 3

FAUSTINO
a) Enfileirando-se 11 mesas, conforme as disposições mostradas nas figuras, quantas cadeiras serão colocadas
à sua volta? 46

b) Enfileirando-se n mesas, conforme as disposições mostradas ao lado, quantas cadeiras serão colocadas à
sua volta? 4n + 2

c) Em uma festa de fim de ano, 36 funcionários de uma empresa farão um almoço de confraternização nesse
restaurante. Qual é o número mínimo de mesas que deverão ser enfileiradas, conforme a disposição ao lado,
para que as pessoas se sentem juntas? 9 mesas

5 Um dado tem uma das faces apoiada no tampo de uma mesa; logo, se nos deslocarmos ao redor da mesa,
veremos apenas cinco de suas faces, conforme mostra a figura 1. Sobrepondo uma face de um segundo dado à
face superior do dado anterior, conforme a figura 2, verificamos que nove faces dos dados são visíveis.
Sobrepondo uma face de um terceiro dado à face superior do dado anterior, conforme a figura 3, verificamos
que treze faces dos dados são visíveis. Obedecendo a essa forma de empilhamento sobre a mesa:

GEORGE TUTUMI

a) quantas faces dos dados são visíveis em uma pilha de 8 dados? 33

b) quantas faces dos dados são visíveis em uma pilha de n dados? 4n + 1

c) quantos dados são necessários para formar uma pilha com exatamente 41 faces visíveis? 10

6 Um piano é formado por 52 teclas brancas que se sucedem, da esquerda para a direita, emitindo a sequência
de notas musicais: lá, si, dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, dó, ré, mi, fá, sol e assim sucessivamente. Qual é a nota da 47ª
tecla branca, da esquerda para a direita? mi

MAXIM GODKIN/SHUTTERSTOCK
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[ícone: trabalho em grupo] 7 O matemático italiano Leonardo de Pisa (aprox. 1180-1250), mais conhecido como
Fibonacci (ao lado em um retrato de 1200), propôs em sua obra Liber abaci (Livro dos cálculos), de 1202, o
problema a seguir, de grande repercussão, por ter aplicações em várias áreas do conhecimento, como
Economia, Biologia, Física etc.:

“Admitindo-se que cada casal de coelhos só procrie pela primeira vez aos dois meses, exatamente, após o seu
nascimento e que, a partir de então, gere um casal de filhotes a cada mês, quantos casais haverá ao final de
doze meses, partindo-se de um único casal de coelhos recém-nascidos?”

STEFANO BIANCHETTI/CORBIS/LATINSTOCK

A sequência (an), em que a n é o número de casais de coelhos no mês n, é conhecida como sequência de
Fibonacci. Agora, em duplas, resolvam os itens a seguir.

a) Representem os doze primeiros termos da sequência de Fibonacci. 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89, 144

b) Considerando infinita a sequência de Fibonacci, deem sua lei de formação.

𝑎1 = 𝑎2 = 1
{ , para todo n natural, com n ≥ 3
𝑎𝑛 = 𝑎𝑛 − 1 + 𝑎𝑛 − 2

𝑎𝑛 + 1
(Curiosidade: Na sequência (an) de Fibonacci, a razão tende ao número 1,61803..., quando n aumenta
𝑎𝑛
indefinidamente. Esse número é conhecido como número de ouro.)

Resolva os exercícios complementares 1 a 3.

CONECTADO

Pesquise na internet a relação do número de ouro com a natureza e as artes. Você vai se
surpreender!

Não deixe de assistir ao programa “Arte e matemática – O número de ouro”, disponível em:
<http://tvescola.mec.gov.br/tve/video?idItem=7253>. Acesso em: 14 abr. 2016.

Nesse programa é apresentada a razão áurea, a partir da qual se obtém uma equação polinomial
do 2º grau que tem como uma das raízes o número de ouro. Qual é essa equação?

Ver Suplemento com orientações para o professor.

MENTES BRILHANTES

A sequência de Titius

Em 1766, o astrônomo Johann Daniel Tietz, conhecido pelo nome latinizado de Titius (pronuncia-
se: Tícius), desenvolveu uma sequência em que cada termo an representa a distância, em unidade
astronômica (UA), entre o Sol e o n-ésimo planeta, contados a partir do mais próximo do Sol ao mais
distante, isto é, Mercúrio é o número 1, Vênus é o número 2, a Terra é o número 3 e assim por
diante. A lei de formação dessa sequência é:

Johann Daniel Tietz (1729-1796).

FÁBIO CORTEZ REIS

0,4, se 𝑛 = 1
a n= {
0,4 + 0,3 ⋅ 2𝑛−2 , se 𝑛 ≥ 2

Com exceção de Netuno e Plutão (planeta-anão), a margem de erro da distância entre o Sol e cada
um dos demais planetas, calculada por essa lei de formação, é menor que 5%.

Nota: A unidade astronômica (UA) é a distância média entre a Terra e o Sol, que é
aproximadamente 150.000.000 km.
Página 12

3 Progressão aritmética
Uma nova linha do metrô, ainda em construção, tinha 12 km no início de janeiro do ano passado. De lá para cá,
essa linha cresceu 0,5 km ao mês.

A sequência a seguir apresenta os comprimentos, em quilômetro, dessa linha do metrô, mês a mês, a partir do
início de janeiro do ano passado:

(12; 12,5; 13; 13,5; 14; 14,5; ...)

Essa sequência numérica é chamada de progressão aritmética, porque, adicionando a cada um de seus
termos uma mesma constante, obtemos o termo seguinte; nesse caso, adicionamos 0,5 a cada termo.

Podemos definir, de modo geral, que:

Progressão aritmética (P.A.) é toda sequência numérica em que cada termo, a partir do segundo, é igual à
soma do termo precedente (anterior) com uma constante r.

O número r é chamado de razão da progressão aritmética.

Construção da nova linha do metrô, em São Paulo. Foto de 2014.

RAFAEL ARBEX/ESTADÃO CONTEÚDO

Exemplos

a) A sequência (4, 9, 14, 19, 24, 29, 34, 39) é uma P.A. finita de razão r = 5.

b) (18, 10, 2, 26, 214, ...) é uma P.A. infinita de razão r = -8.

c) (4, 4, 4, 4, 4, ...) é uma P.A. infinita de razão r = 0.

Nota: Considere uma P.A. qualquer de razão r:

(a1, a2 , a3, a4 , ..., an, an + 1 , ...)

[entre cada termo há uma seta curva de um termo a outro com a indicação + r]

Observe que:

a2 − a1 = r

a3 − a2 = r

a4 − a3 = r
an + 1 − na = r

Ou seja, a diferença entre dois termos consecutivos quaisquer, 𝑎𝑛+1 − an, é constante e igual à razão r.

Classificação das progressões aritméticas

Podemos classificar as progressões aritméticas em crescente, decrescente ou constante.

• Crescente: uma P.A. é crescente quando cada termo, a partir do segundo, é maior que o antecedente. Para
que isso ocorra, é necessário e suficiente que ela tenha razão positiva.

Exemplo

(6, 10, 14, 18, ...) é uma P.A. crescente. Note que sua razão é positiva: r = 4

• Decrescente: uma P.A. é decrescente quando cada termo, a partir do segundo, é menor que o antecedente.
Para que isso ocorra, é necessário e suficiente que ela tenha razão negativa.

Exemplo

(13, 8, 3, −2, −7, ...) é uma P.A. decrescente. Note que sua razão é negativa: r = −5

• Constante: uma P.A. é constante quando todos os seus termos são iguais. Para que isso ocorra, é necessário e
suficiente que ela tenha razão nula.

Exemplo

𝟓 𝟓 𝟓 𝟓
( , , , , … ) é uma P.A. constante. Note que sua razão é nula: r = 0
2 2 2 2
Página 13

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

8 (Enem) O número mensal de passagens de uma determinada empresa aérea aumentou no ano passado nas
seguintes condições: em janeiro foram vendidas 33.000 passagens; em fevereiro, 34.500; em março, 36.000.
Esse padrão de crescimento se mantém para os meses subsequentes. Quantas passagens foram vendidas por
essa empresa em julho do ano passado? alternativa d

a) 38.000

b) 40.500

c) 41.000

d) 42.000

e) 48.000

9 Verifique se cada sequência é ou não uma progressão aritmética.

a) (a1, a2, a3, ..., a6) tal que an = 5n + 1, para todo n natural não nulo, com n ≤ 6

(6, 11, 16, 21, 26, 31) é P.A.

b) (a1, a2, a3, ..., a9) tal que an = n2, para todo n natural não nulo, com n ≤ 9

(1, 4, 9, 16, 25, 36, 49, 64, 81) não é P.A.

𝑛
c) (a1, a2, a3, ..., a8) tal que an = + 1, para todo n natural não nulo, com n ≤ 8
3

4 5 6 7 8 9 10 11
( , , , , , , , ) é P.A.
3 3 3 3 3 3 3 3

10 Classifique cada uma das seguintes progressões aritméticas em crescente, decrescente ou constante:

a) (an)n ∈ ℕ* tal que a n = 8 − 3n decrescente

𝑛2 −9
b) (an)n ∈ ℕ* tal que a n= − 𝑛 constante
𝑛+3

𝑎1 = 10
c) (an)n ∈ ℕ* tal que { crescente
𝑎𝑛+1 = 𝑎𝑛 + 8

11 Cada termo P.A. (x, y, 2x + 2) é a medida, em centímetro, de um lado de um triângulo cujo perímetro é 39 cm.
Qual é a medida do maior lado desse triângulo? 18 cm

Fórmula do termo geral de uma progressão aritmética

Voltando à situação apresentada no começo deste item, vimos que a P.A. (12; 12,5; 13; 13,5; 14; 14,5; ...)
apresenta os comprimentos, em quilômetro, mês a mês, de uma nova linha de metrô, ainda em construção, que
tinha 12 km no início de janeiro do ano passado.

Observe que podemos calcular o comprimento em cada mês de construção adicionando ao comprimento
inicial um número da forma k ∙ 0,5, com k ∈ ℕ. Por exemplo, para calcular o comprimento no mês de fevereiro,
basta efetuar 12 + 0,5, obtendo-se o segundo termo da P.A.; para calcular o comprimento no mês de março,
basta efetuar 12 + 2 ∙ 0,5, obtendo-se o terceiro termo da P.A.; e assim por diante.
De modo geral, numa progressão aritmética, um termo qualquer pode ser expresso em função da razão (r) e do
primeiro termo (a1) por uma fórmula matemática. Para entender essa fórmula, imagine uma escada que une
dois pisos de um edifício. Ao piso inferior, associamos um número a 1 que indica a altura desse piso em relação
ao nível do piso do andar térreo. Associamos aos patamares dos degraus as alturas a2, a3 , a4, a5 , ..., an, ..., em
relação ao nível do piso térreo, conforme mostra a figura a seguir.

FAUSTINO

Sendo r a altura de cada degrau, a sequência (a1 , a2, a3, a4 , a5, ..., an, ...) é uma P.A.

• Se uma pessoa estiver no patamar de altura a1, quantos degraus deverá subir para atingir o patamar de
altura a7?

Observando a figura, constatamos que a pessoa deverá subir 6 degraus (6r). Assim, a altura a7 é igual à soma a1
+ 6r.

• Generalizando, se uma pessoa estiver no patamar de altura a1, quantos degraus deverá subir para atingir o
patamar de altura an?

No patamar de altura a2, a pessoa terá subido 1 degrau; no de altura a3, terá subido 2 degraus; no de altura a4,
terá subido 3 degraus; e assim por diante. Ou seja:

a1= a1 + 0r

a2= a1 + 1r

a3= a1 + 2r

a4= a1 + 3r

Observando que, em cada igualdade, o coeficiente de r tem uma unidade a menos que o índice do termo à
esquerda da igualdade, concluímos que: 𝑎𝑛 = a1 + (n − 1)r
Página 14

De maneira geral:

Em uma P.A. (a1, a2, a3, a4, a5, ..., an, ...) de razão r, temos:

an= a1+ (n − 1)r

Essa identidade é chamada de fórmula do termo geral da P.A.

É possível representar o termo an de uma P.A. em função da razão r e de qualquer termo ak?

Sim, podemos representar: 𝑎𝑛 = 𝑎𝑘 + (n − k) ⋅ r

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
1 Determinar o 51º termo da P.A. (4, 10, 16, 22, ...).

Resolução

Devemos determinar o termo an = a1 + (n − 1)r dessa P.A. tal que: a1= 4, r = 6 e n = 51

Logo:

a51 = 4 + (51 − 1) ⋅ 6⇒ a51= 4 + 50 ⋅ 6 = 304

Concluímos, assim, que o 51º termo da P.A. é 304.

2 Obter a razão da P.A. (a1, a2, a3, ...) tal que a1= 7 e a5 = 8.

Resolução

Aplicando a fórmula do termo geral na= a1+ (n − 1)r da P.A. para n = 5, temos:

a5 = a1 + 4r ⇒ 8 = 7 + 4r

1
∴r=
4

1
Concluímos que a razão da P.A. é .
4

3 Determinar o número de termos da P.A. (2, 10, 18, ..., 250).

Resolução

Indicando por n o número de termos, devemos obter o valor de n na expressão an = a1 + (n − 1)r tal que: a1= 2,
an = 250 e r = 8

Logo:

250 = 2 + (n − 1) ⋅ 8 ⇒ 250 = 2 + 8n − 8

∴ 256 = 8n ⇒ n = 32
Concluímos, então, que a P.A. possui 32 termos.
4 Qual é a razão da P.A. (an) tal que a1+ a5 = 26 e a2 + a9= 46?

Resolução

Pela fórmula an = a1 + (n − 1)r, podemos representar os termos a5 , a2 e a9 por:

a5 = a1 + 4r

a2 = a1 + r

a9 = a1 + 8r

Assim:

𝑎 + 𝑎5 = 26 𝑎 + 𝑎1 + 4𝑟 = 26
{ 1 ⇒{ 1
𝑎2 + 𝑎9 = 46 𝑎1 + 𝑟 + 𝑎1 + 8𝑟 = 46

2𝑎 + 4𝑟 = 26
∴{ 1
2𝑎1 + 9𝑟 = 46

Subtraindo, membro a membro, essas igualdades, temos: −5r = −20 ⇒ r = 4

Concluímos, então, que a razão da P.A. é 4.

5 Percorrendo uma estrada no sentido crescente das marcas quilométricas, percebe-se o primeiro radar
(medidor de velocidade) no quilômetro 27.

A partir daí há um radar a cada 15 quilômetros. Quantos radares existem até o quilômetro 360 dessa estrada?

THEO FITZHUGH/SHUTTERSTOCK

Resolução

A sequência das marcas quilométricas onde existem radares, até o quilômetro 360, é a P.A. de primeiro termo
27, razão 15 e último termo 𝑎𝑛 :

(27, 42, 57, ..., an)

Como não sabemos, por enquanto, se 360 é um termo da P.A., devemos supor que an ≤ 360.

Pela fórmula do termo geral an = a1 + (n − 1)r, temos:

an ≤ 360 ⇒ 27 + (n − 1) ⋅ 15 ≤ 360

333
∴ (n − 1) ⋅ 15 ≤ 333 ⇒ n − 1 ≤
15

∴ n ≤ 23,2

Como n é um número natural, temos que o maior valor possível de n é 23.


Assim, concluímos que até o quilômetro 360 há 23 radares. (Nota: Essa resolução nos permite afirmar que 360
não pertence à P.A., pois na última desigualdade da resolução da inequação, n ≤ 23,2, o segundo membro não é
um número natural.)

6 Interpolar (inserir) 4 meios aritméticos entre 1 e 2, nessa ordem.

Resolução

Interpolar (ou inserir) 4 meios aritméticos entre 1 e 2, nessa ordem, significa determinar a P.A. de primeiro
termo 1 e último termo 2, havendo entre eles quatro outros termos, isto é:

(⏟
1, ⏟
_ ,_ ,_ ,_ , ⏟
2)
𝑎1 𝐦𝐞𝐢𝐨𝐬 𝐚𝐫𝐢𝐭𝐦é𝐭𝐢𝐜𝐨𝐬 𝑎6

Pela fórmula do termo geral an = a1+ (n − 1)r, temos:

a6 = a1 + 5r ⇒ 2 = 1 + 5r

1
∴r=
5

6 7 8 9
Logo, a P.A. é (1, , , , , 2).
5 5 5 5
Página 15

EXERCÍCIOS PROPOSTOS Faça as atividades no caderno.


12 Determine o 40º termo da P.A. (2, 13, 24, 35, ...). 431

13 Obtenha o n-ésimo termo, an, da P.A. (2, 8, 14, 20, ...). an= 6n − 4

14 Na P.A. (a1, a2, a3, ...) de razão r = 2 − k, temos que a11= 29k − 18, sendo k um número real. Determine a1 em
função de k. a1 = 39k − 38

15 Quantos termos tem a P.A. (3, 7, 11, ..., 99)? 25 termos

16 Interpole 6 meios aritméticos entre 2 e 10, nessa ordem. (2,


22 30 38 46 54 62
, , , , , , 10)
7 7 7 7 7 7

17 Determine a razão da P.A. (an), em que a2 + a3 = 11 e a4 + a7= 21. 3


5

18 Considerando a P.A. crescente (an) formada pelos múltiplos de 12 maiores que 2.000 e menores que 8.000,
determine:

a) o trigésimo termo dessa P.A.; 2.352

b) o número de termos dessa P.A. 500

19 Um prédio de apartamentos foi inaugurado no ano de 1971, quando houve a primeira reunião de
condomínio. Nessa reunião ficou estabelecido que, a contar daquela data, de 6 em 6 anos o edifício passaria
por obras de conservação. Supondo que essa determinação tenha sido cumprida até hoje e continue sendo,
responda:

a) Em que ano ocorreu a 1ª obra de conservação? 1977

b) Em que ano ocorreu a 7ª obra de conservação? 2013

c) Qual será o primeiro ano, depois de 2050, em que ocorrerá nova obra de conservação? 2055

20 Para participar da Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro, cujo percurso tem 21 km, um atleta
treinou em uma pista circular com 500 m de perímetro. No primeiro treino, o atleta deu 20 voltas na pista e em
cada um dos treinos seguintes deu uma volta a mais que no anterior. Esse atleta atingiu a distância exigida na
prova no:

CARLO WREDE/AGÊNCIA O DIA/ ESTADÃO CONTEÚDO

Corredores na Meia Maratona Internacional do Rio, Rio de Janeiro. Foto de 2014.

a) 24º treino.

b) 23º treino.

c) 22º treino.
d) 21º treino.

e) 20º treino.

alternativa b

[ícone: atividade em grupo] 21 Percorrendo uma rodovia desde o quilômetro 0, observa-se que o primeiro posto
da polícia rodoviária está localizado no quilômetro 20 e que, a partir daí, há postos da polícia rodoviária de 30
em 30 km.

a) Quantos postos da polícia rodoviária há desde o quilômetro 0 até o quilômetro 752 dessa rodovia? 25

b)Qual é a distância, em quilômetro, ao longo dessa rodovia entre a marca quilométrica 752 e o posto mais
próximo da polícia rodoviária? 12 km

Resolva os exercícios complementares 4 e 5.

CRIANDO PROBLEMAS

Inspirando-se nos exercícios propostos 19 a 21, elaborem e resolvam um problema sobre o termo
geral de uma P.A. que envolva uma situação do cotidiano. Resposta pessoal.

Propriedades das progressões aritméticas

P1. Em toda P.A. finita, a soma de dois termos equidistantes dos extremos é igual à soma dos extremos.

Demonstração

Seja a P.A. finita (a1, a2, a3, ..., ak, ak + 1, ..., an − k, ..., an) de razão r.

Os termos ak + 1 e an − k são equidistantes dos extremos, pois antes de ak + 1 existem k termos e depois de an − k
existem, também, k termos. Vamos demonstrar que: ak + 1 + an − k = a1 + an

De fato:
Página 16

Exemplo

P2. Uma sequência de três termos é P.A. se, e somente se, o termo médio é igual à média aritmética entre os
𝑎+𝑐
outros dois, isto é: (a, b, c) é P.A. ⇔ b =
2

Demonstração

Temos:

(a, b, c) é P.A.⇔ 𝑏 − 𝑎 = 𝑐 − 𝑏
{ 𝑎+𝑐
𝑏 − 𝑎 = 𝑐 − 𝑏⇔𝑏 =
2

𝑎+𝑐
Logo: (a, b, c) é P.A. ⇔ b =
2

Consequência

Temos, como consequência das propriedades P1 e P2:

Em uma P.A. com número ímpar de termos, o termo médio é a média aritmética entre os extremos.

Demonstração

Seja ak o termo médio de uma P.A. com número ímpar de termos:

(a1, a2, a3, ..., ak − 1, ak, ak + 1, ..., an)

Temos que a sequência (ak − 1, ak, ak + 1) também é uma P.A.; logo, por P2, temos:

𝑎𝑘−1 + 𝑎𝑘+1
ak = (I)
2

Mas os termos ak − 1 e ak + 1 são equidistantes dos extremos e, portanto, por P1, temos:

ak − 1 + ak + 1 = a1 + an (II)

Por (I) e (II), concluímos que:

𝑎1 + 𝑎𝑛
ak =
2

Exemplo
Página 17

EXERCÍCIO RESOLVIDO
7 Determinar o número x de modo que a sequência (x + 3, x − 1, 1 − 2x) seja uma P.A.

Resolução

𝑥+3+1−2𝑥
A sequência (x + 3, x − 1, 1 − 2x) é uma P.A. se, e somente se, x − 1 = , ou seja: 2x − 2 = −x + 4 ⇒ x = 2
2

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

22 Para o sorteio de uma rifa foram colocadas em uma urna 1.000 fichas numeradas de 1 a 1.000, cada ficha
contendo um único número natural. No momento do sorteio serão retiradas duas fichas da urna, e o resultado
do sorteio será a soma dos números dessas duas fichas. Para que esse resultado seja 1.533, quantos conjuntos
diferentes de duas fichas poderão ser sorteados? 234 conjuntos

23 Em uma P.A. finita, o termo médio é o quádruplo do primeiro termo. Sabendo que o último termo dessa P.A.
é 42, determine o primeiro termo. 6

24 Responda aos itens a seguir.

a) Determine o número real x de modo que a sequência (x + 3, 2x, 4x − 10) seja uma P.A.

x=7

b) Para que valor de y a sequência (y2 − 2, y + 5, 4y + 4) é uma P.A. crescente?

y=2

c) Existe algum número real t para o qual a sequência (t + 5, 2t + 1, 3t + 4) seja uma P.A.? Justifique sua
resposta.

Não, pois não é possível achar nenhum número real que satisfaça a propriedade P2 das progressões aritméticas.

[ícone: atividade em grupo] 25 Durante três segundos após a passagem por um ponto O de uma pista, um carro
de Fórmula 1 manteve a velocidade constante. Nesse período, a distância do veículo em relação ao ponto O, a
cada segundo, pode ser descrita pela tabela ao lado. Qual era a distância do automóvel em relação ao ponto O
ao final dos três segundos?

150 m

Prova de Fórmula 1, no Brasil, em 2015

HOCH ZWEI LIVEPIC/ACTION IMAGES/ REUTERS/LATINSTOCK

Se achar conveniente, explique que, como a velocidade é constante, as distâncias do veículo em relação ao ponto O nesses três primeiros
segundos formam uma P.A.
Tempo (segundo) Distância em relação ao ponto O (metro)

1 x + 20
2 3x + 10
3 4x + 30

Resolva o exercício complementar 6.

Representação genérica de uma progressão aritmética

Para agilizar a resolução de certos problemas, convém representar uma P.A. de maneira genérica. Mostramos a
seguir algumas dessas representações.

• A sequência (x, x + r, x + 2r) é uma P.A. de três termos e razão r, para quaisquer valores de x e r.

• A sequência (x − r, x, x + r) é uma P.A. de três termos e razão r, para quaisquer valores de x e r. Essa
representação é mais adequada quando se pretende determinar uma P.A. de três termos, conhecendo-se a
soma deles.

• A sequência (x, x + r, x + 2r, x + 3r) é uma P.A. de quatro termos e razão r, para quaisquer valores de x e r.

• A sequência (x − 3r, x − r, x + r, x + 3r) é uma P.A. de quatro termos e razão 2r, para quaisquer valores de x e r.
Essa representação é mais adequada quando se pretende determinar uma P.A. de quatro termos, conhecendo-
se a soma deles.
Página 18

EXERCÍCIO RESOLVIDO
8 Determinar a P.A. crescente de três termos, sabendo que a soma desses termos é 3 e o produto deles é −8.

Resolução

Quando se conhece a soma dos termos, a representação mais cômoda é (x − r, x, x + r). Pelo enunciado, temos:

x − r + x − x + r = 3 ⇒ 3x = 3

∴ x = 1 (I)

Também sabemos que:

(x − r) ⋅ x ⋅ (x + r) = −8 (II)

Substituindo (I) em (II), obtemos:

(1 − r) ⋅ 1 ⋅ (1 + r) = −8 ⇒ 1 − r2 = −8

∴ r2 = 9 ⇒ r ± 3

Como devemos ter uma P.A. crescente, só interessa a razão positiva, isto é, r = 3.

Assim, a P.A. procurada (x − r, x, x + r) é (−2, 1, 4).

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

26 Numa P.A. decrescente de três termos, a soma desses termos é 6 e o produto é 224. Determine a P.A.

(6, 2, –2)

27 Um automóvel percorreu 300 km para ir da cidade A à cidade D, passando pelas cidades B e C.


Considerando que as distâncias percorridas, em quilômetro, entre as cidades A e B, B e C, C e D formam uma
P.A., nessa ordem, calcule a distância entre as cidades B e C.

100 km

[ícone: atividade em grupo] 28 Dispondo em ordem crescente as medidas, em grau, dos três ângulos internos de
um triângulo, obtém-se uma P.A. Se a medida do maior ângulo interno desse triângulo tem 20° a mais que a
medida do menor, qual é a medida do menor ângulo interno desse triângulo?

50°

Soma dos n primeiros termos de uma progressão aritmética

No ano de 1785, em uma pequena escola do principado de Braunscheweig, na Alemanha, o professor Büttner
propôs a seus alunos que somassem os números naturais de 1 a 100. Apenas três minutos depois, um menino
de 8 anos de idade aproximou-se da mesa do professor e apresentou o resultado pedido. O professor,
assombrado, constatou que o resultado estava correto.
Carl Friedrich Gauss (pintura de 1840). Matemático, físico e astrônomo alemão de extraordinária capacidade intelectual. Realizou
importantes trabalhos em várias áreas do conhecimento, notadamente em Matemática.

MUSEU ESTATAL PUSHKIN DE BELAS ARTES, MOSCOU

Aquele menino viria a ser um dos maiores matemáticos de todos os tempos: Carl Friedrich Gauss (1777-1855).
O cálculo efetuado por Gauss foi simples e elegante; ele percebeu que:

• a soma do primeiro número com o último é: 1 + 100 = 101

• a soma do segundo número com o penúltimo é: 2 + 99 = 101

• a soma do terceiro número com o antepenúltimo é: 3 + 98 = 101

e assim por diante, ou seja, a soma de dois termos equidistantes dos extremos é igual à soma dos extremos,
que é 101:

Como no total são 50 somas iguais a 101, Gauss concluiu que:

1 + 2 + 3 + 4 + ... + 97 + 98 + 99 + 100 = 50 ⋅ 101 = 5.050


Página 19

Esse raciocínio pode ser generalizado para o cálculo da soma dos n primeiros termos de uma progressão
aritmética qualquer pelo teorema a seguir.

A soma Sn dos n primeiros termos da P.A. (a1, a2, a3, a4, a5, ..., an, ...) é dada por:

(𝒂𝟏 + 𝒂𝒏 ) ⋅ 𝒏
Sn =
𝟐

Demonstração

Vamos descrever a soma Sn duas vezes, do seguinte modo:

Sn = a1 + a2 + a3 + ... + an − 2 + an − 1 + an

Sn = an + an − 1+ an − 2 + ... + a3 + a2 + a1

Somando, membro a membro, essas igualdades, temos:

2Sn = (a1 + an) + (a2 + an − 1) + (a3 + an − 2) + … + (an − 2 + a3) + (an − 1 + a2) + (an + a1)

Observando que em cada expressão entre parênteses temos a soma dos extremos ou a soma de dois termos
equidistantes dos extremos, podemos escrever, pela propriedade P1:

2Sn = ⏟
(𝑎1 + 𝑎𝑛 ) + (𝑎1 + 𝑎𝑛 ) + (𝑎1 + 𝑎𝑛 ) + … + (𝑎1 + 𝑎𝑛 ) + (𝑎1 + 𝑎𝑛 ) + (𝑎1 + 𝑎𝑛 )
n parcelas igual a (𝑎1 +𝑎𝑛 )

∴ 2Sn = (a1+ an) ⋅ n

(𝒂𝟏 + 𝒂𝒏 ) ⋅ 𝒏
∴ Sn =
𝟐

Podemos interpretar geometricamente a fórmula da soma dos n primeiros termos de uma P.A. Considere n
retângulos de bases unitárias (de medida 1) cujas medidas das alturas formam a P.A. crescente (a1, a2, a3, a4,
a5, ..., an). Como a base de cada retângulo mede 1 unidade, as áreas desses retângulos são numericamente
iguais aos termos dessa P.A. Colocando lado a lado esses retângulos, com as alturas em ordem crescente,
obtemos a primeira figura a seguir.

Acima de cada retângulo, construímos outro tal que a soma de suas alturas seja igual a a1 + an, conforme
mostra a segunda figura.

FAUSTINO

A área da região verde, Sn = a1+ a2 + a3+ ... + an, é metade da área do retângulo ABCD, isto é:

(𝒂𝟏 + 𝒂𝒏 ) ⋅ 𝒏
Sn =
𝟐

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
9 Calcular a soma dos vinte primeiros termos da P.A. (3, 7, 11, 15, ...).

Resolução

(𝑎1 + 𝑎𝑛 ) ⋅ 𝑛
Aplicando a fórmula Sn= para n = 20, temos:
2

(𝑎1 + 𝑎20 ) ⋅ 20
𝑆20 =
2

Calculando a20 pela fórmula do termo geral, an = a1 + (n − 1)r, temos:

a20 = a1 + (20 − 1)r ⇒ a20 = 3 + 19 ⋅ 4 = 79

(3 + 79 ) ⋅ 20
Logo: S20 = 820
2
Página 20

10 Calcular a soma dos n primeiros termos da P.A. (6, 10, 14, 18, ...).

Resolução

Temos a1 = 6 e an = 6 + (n − 1) ⋅ 4, ou seja, an = 4n + 2.

(𝑎1 + 𝑎𝑛 ) ⋅ 𝑛
Pela fórmula Sn = , concluímos que:
2

(6 + 4𝑛 + 2 ) ⋅ 𝑛 (8 + 4𝑛) ⋅ 𝑛
Sn = = = 4n + 2n2
2 2

11 Uma escada de pedreiro será construída com degraus paralelos pregados em dois caibros, que serão os pés
da escada. Os comprimentos dos degraus formarão uma sequência decrescente de primeiro termo igual a 60
cm e último igual a 40 cm, e a distância entre dois degraus consecutivos quaisquer será constante.

Sabendo que serão usados 450 cm de sarrafo na construção de todos os degraus, calcular o número de degraus
que terá a escada.

Resolução

Esquematizando três degraus consecutivos quaisquer, de medidas a, b e c, em ordem decrescente, temos:

FAUSTINO

𝑎+𝑐
O degrau intermediário é base média de um trapézio e, portanto, b = .
2

Assim, deduzimos que a sequência decrescente dos comprimentos dos degraus da escada é uma progressão
aritmética de primeiro termo 60 cm e último 40 cm. Para calcular o número n de degraus, aplicamos a fórmula
da soma dos n primeiros termos da P.A., em que Sn = 450 cm, a1 = 60 cm e an = 40 cm:

(𝑎1 + 𝑎𝑛 )𝑛 (60 + 40)𝑛


Sn = ⇒ 450 = ⇒n=9
2 2

Logo, a escada terá nove degraus.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

29 Calcule a soma dos trinta primeiros termos da P.A. (–15, –11, –7, –3, ...).

1.290

30 Calcule a soma dos múltiplos positivos de 9 menores que 100.

594

31 Determine a soma de todos os números naturais que sejam múltiplos de 2 e 3, simultaneamente, e estejam
compreendidos entre 100 e 700.

39.900
32 Dada a P.A. (2, 7, 12, 17, ...), determine:

a) o n-ésimo termo, isto é, an;

5n − 3

b) a soma dos n primeiros termos.

5𝑛2 − 𝑛
2

33 Calcule a soma:

a) dos n primeiros números naturais ímpares;

n2

b) dos n primeiros números naturais pares;

n2 − n

c) dos n primeiros números naturais pares não nulos.

n2 + n

34 A meta de uma empresa para o próximo ano é que a receita no mês de janeiro seja de R$ 250.000,00 e que a
cada mês, a partir de fevereiro, a receita aumente em R$ 20.000,00 em relação ao mês anterior. Segundo essa
meta, qual é a receita prevista para o próximo ano?

R$ 4.320.000,00

35 (Enem) As projeções para a produção de arroz no período de 2012-2021, em uma determinada região
produtora, apontam para uma perspectiva de crescimento constante da produção anual. O quadro apresenta a
quantidade de arroz, em toneladas, que será produzida nos primeiros anos desse período, de acordo com essa
projeção.

Ano Projeção da produção (t)


2012 50,25
2013 51,50
2014 52,75
2015 54,00

A quantidade total de arroz, em toneladas, que deverá ser produzida no período de 2012 a 2021 será de:

a) 497,25

b) 500,85

c) 502,87

d) 558,75

e) 563,25

alternativa d
Página 21

36 No projeto de uma sala de cinema, um arquiteto desenhou a planta sob a forma de um trapézio isósceles,
com a tela sobre a base menor desse trapézio. As poltronas serão dispostas em 16 fileiras paralelas às bases do
trapézio, tendo 20 poltronas na primeira fileira. A partir da segunda, cada fileira terá 2 poltronas a mais que a
fileira anterior. Calcule o número de poltronas desse cinema.

560 poltronas

37 Qualquer dispositivo que resiste à passagem da corrente elétrica em um circuito é chamado de resistor.
Essa resistência pode ser medida em ohm, cujo símbolo é a letra grega Ω (ômega). Admitiremos sempre
medidas positivas para resistências.

ILUSTRAÇÃO: LIGIA DUQUE

SOMCHAI SOM/ SHUTTERSTOCK

EMILIO100/ SHUTTERSTOCK

As principais finalidades de um resistor são transformar energia elétrica em energia térmica, como no
chuveiro e na lâmpada, ou limitar a corrente elétrica, evitando curto-circuitos, como nos resistores-fusíveis.

Dos estudos de Física, sabemos que em uma associação em série de n resistores com resistências iguais a R1,
R2, R3, ..., Rn, respectivamente, a resistência equivalente, Req, é dada por: Req = R1 + R2 + R3+ ... + Rn

De acordo com essa informação, resolva o problema a seguir.

Em um circuito, n resistores estão ligados em série e suas respectivas resistências, medidas em ohm, estão em
progressão aritmética de razão 20 e primeiro termo igual a 100. Sabendo que a resistência equivalente dessa
associação é 3.600 Ω, calcule o número n de resistores associados.

15

Resolva os exercícios complementares 7 e 8.

CRIANDO PROBLEMAS

Inspirando-se nos exercícios propostos 34 a 37, elaborem e resolvam um problema sobre a soma
dos n primeiros termos de uma P.A. que envolva uma situação do cotidiano.

Resposta pessoal.

A progressão aritmética e a função afim

Na página de abertura deste capítulo, vimos que a fase de preparação de um atleta para uma competição foi
composta de 12 treinos, no primeiro dos quais ele correu 10 km e em cada um dos treinos seguintes correu 2
km a mais que no anterior. Assim, podemos representar as distâncias, em quilômetro, percorridas treino a
treino, pela progressão aritmética:

(10, 12, 14, 16, 18, 20, 22, 24, 26, 28, 30, 32)
A representação gráfica dessa P.A., cujo termo geral é an = 10 + (n − 1) ⋅ 2, ou seja, an = 8 + 2n, é formada pelos
pontos (n, an) do plano cartesiano:

FAUSTINO

Observe que:

n = 1 ⇒ (1, 10)

n = 2 ⇒ (2, 12)

n = 3 ⇒ (3, 14)

n= 4 ⇒ (4, 16)

n = 5 ⇒ (5, 18)

n = 12 ⇒ (12, 32)
Página 22

Observando que o termo geral an = 8 + 2n é identificado com a função afim y = 8 + 2x quando x assume apenas
valores naturais não nulos, concluímos que a representação gráfica da P.A. (10, 12, 14, 16, ..., 32) é formada por
pontos da reta de equação y = 8 + 2x.

Generalizando, consideremos a P.A. (a1, a2, a3, ..., an, ...) de razão não nula r, cujo termo geral é an = a1 + (n − 1) ⋅
r. A representação gráfica dessa P.A. é formada por pontos do gráfico da função afim y = a1 + (x − 1)r.

FAUSTINO

Dessa forma, algumas importantes propriedades da função afim podem ser aplicadas na resolução de
problemas que envolvem progressões aritméticas, como a constância da taxa de variação; isto é, dados dois
𝒂 −𝒂
termos, an e ak, de uma P.A., com n ≠ k, a taxa de variação 𝒏 𝒌 é constante.
𝒏−𝒌

4 Progressão geométrica
Problemas que envolvem grandezas que crescem ou decrescem através do produto por uma taxa constante
podem ser resolvidos com o auxílio da função exponencial, conforme estudamos no Capítulo 9 do Volume do
1º ano desta coleção.

Neste tópico, veremos que problemas como esses também podem ser resolvidos por meio de um tipo de
sequência chamada de progressão geométrica. Como exemplo, acompanhe a situação a seguir.

ASLYSUN/SHUTTERSTOCK

Um fundo de investimento oferece a taxa de juro constante de 10% ao ano, em regime de juro composto. Se um
capital de R$ 50.000,00 for aplicado nesse fundo durante 4 anos, obteremos o montante acumulado ao final de
cada ano do seguinte modo:

Capital inicial: 50.000

Montante ao final do 1º ano: 50.000 ⋅ 1,1 = 55.000


Montante ao final do 2º ano: 55.000 ⋅ 1,1 = 60.500

Montante ao final do 3º ano: 60.500 ⋅ 1,1 = 66.550

Montante ao final do 4º ano: 66.550 ⋅ 1,1 = 73.205

A sequência formada pelo capital inicial e pelos montantes acumulados ao final de cada um dos quatro anos é:
(50.000, 55.000, 60.500, 66.550, 73.205)

Note que cada termo, a partir do segundo, é igual ao produto do termo anterior pela constante 1,1. Por isso,
dizemos que essa sequência é uma progressão geométrica de razão 1,1. De maneira geral, definimos:

Progressão geométrica é toda sequência numérica em que cada termo, a partir do segundo, é igual ao
produto do termo anterior por uma constante q. O número q é chamado de razão da progressão geométrica.
Página 23

Exemplos

a) (1, 3, 9, 27, 81, 243) é uma progressão geométrica finita de razão q = 3.

b) (5, −10, 20, −40, 80, −160) é uma progressão geométrica finita de razão q = –2.

c) (7, 0, 0, 0, 0, ...) é uma progressão geométrica infinita de razão q = 0.

d) (0, 0, 0, 0, 0, ...) é uma progressão geométrica infinita de razão indeterminada.

e) O iodo-131, usado em medicina nuclear para exames de tireoide, possui a meia-vida de oito dias. Isso
𝒎
significa que a massa m de uma amostra de iodo-131 se reduz à metade ( ) decorridos oito dias. Por exemplo,
2
25 25
a progressão geométrica (100, 50, 25, , , … ) descreve a massa, em grama, de uma amostra de iodo-131 a
2 4
cada período de oito dias, a partir de uma amostra de 100 g.

BSIP/ASTIER/KEYSTONE BRASIL

O iodo-131 é utilizado para a realização de exames de cintilografia da tireoide. Imagem colorizada artificialmente.

Classificação das progressões geométricas

As progressões geométricas podem ser classificadas em crescente, decrescente, constante, oscilante ou quase
nula.

• Crescente: uma P.G. é crescente quando cada termo, a partir do segundo, é maior que o antecedente. Para
que isso ocorra, é necessário e suficiente que a1 > 0 e q > 1 ou a1 < 0 e 0 < q < 1.

Exemplos

a) (1, 2, 4, 8, ...) é uma P.G. crescente de razão q = 2.

𝟏 𝟏 𝟏.
b) (−2, −1, − , − , … ) é uma P.G. crescente de razão q =
2 4 2

• Decrescente: uma P.G. é decrescente quando cada termo, a partir do segundo, é menor que o antecedente.
Para que isso ocorra, é necessário e suficiente que a1 > 0 e 0 < q < 1 ou a1 < 0 e q > 1.

Exemplos

𝟑 3 𝟏
a) (12, 6, 3, , , … ) é uma P.G. decrescente de razão q = .
2 4 2

b) (−1, −3, −9, −27, ...) é uma P.G. decrescente de razão q = 3.

• Constante: uma P.G. é constante quando todos os seus termos são iguais. Para que isso ocorra, é necessário e
suficiente que sua razão seja 1 ou que todos os seus termos sejam nulos.
Exemplos

a) (6, 6, 6, 6, 6, ...) é uma P.G. constante de razão q = 1.

b) (0, 0, 0, 0, ...) é uma P.G. constante de razão indeterminada.

• Oscilante: uma P.G. é oscilante quando todos os seus termos são diferentes de zero e dois termos
consecutivos quaisquer têm sinais opostos. Para que isso ocorra, é necessário e suficiente que a1≠ 0 e q < 0.

Exemplos

a) (1, −2, 4, −8, 16, −32, ...) é uma P.G. oscilante de razão q = −2.

𝟏 𝟏 1
b) (−8, 4, −2, 1, − , , … ) é uma P.G. oscilante de razão q =− .
2 4 2

• Quase nula: uma P.G. é quase nula quando o primeiro termo é diferente de zero e os demais são iguais a
zero. Para que isso ocorra, é necessário e suficiente que a1≠ 0 e q = 0.

Exemplo

(4, 0, 0, 0, 0, 0, 0, ...) é uma P.G. quase nula.


Página 24

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

38 Verifique se as sequências abaixo são progressões geométricas.

a) (a1, a2, a3, a4, a5, a6) tal que an = 3 ⋅ 2n − 1, com n natural não nulo e n ≤ 6.

É P.G.

b) (a1, a2, a3, a4, a5) tal que an = (n − 1)2, com n natural não nulo e n ≤ 5.

Não é P.G.

c) (a1, a2, a3, a4, a5, a6) tal que na= 52 − n, com n natural não nulo e n ≤ 6.

É P.G.

d) (a1, a2, a3, a4) tal que an= (−1)n ⋅ 2n − 4 , com n natural não nulo e n ≤ 4.

É P.G.

39 Determine a razão da P.G. (an) tal que a38= 15 e a39 =5.

1
3

[ícone: atividade em grupo] 40 Estudos demográficos estimam que a população de certa cidade cresça 2% ao
ano, atingindo, no final de 2030, o total de 477.360 habitantes.

a) Considerando o período em que essa estimativa é válida, tem-se que a sequência crescente formada pelo
número de habitantes dessa cidade, ao final de cada ano, é uma P.G. Qual é a razão dessa P.G.? 1,02

b) Qual será o número de habitantes dessa cidade no final de 2029? 468.000

c) Se esse percentual de crescimento se mantiver, qual será a população no final de 2031? ≈ 486.907

Fórmula do termo geral de uma progressão geométrica

Retomando a situação apresentada na introdução do estudo das progressões geométricas, vimos que um fundo
de investimento oferece a taxa constante de 10% ao ano, em regime de juro composto. Assim, se um capital
inicial C for aplicado nesse fundo durante 4 anos, obteremos o montante acumulado ao final de cada ano de
aplicação do seguinte modo:

Capital inicial: C

Montante ao final do 1º ano: C ⋅ 1,1

Montante ao final do 2º ano: C ⋅ 1,1 ⋅ 1,1 = C ⋅ (1,1)2

Montante ao final do 3º ano: C ⋅ (1,1)2 ⋅ 1,1 = C ⋅ (1,1)3

Montante ao final do 4º ano: C ⋅ (1,1)3 ⋅ 1,1 = C ⋅ (1,1)4

A sequência formada pelo capital inicial e pelos montantes acumulados ao final dos 4 anos é:
(C; C ⋅ 1,1; C ⋅ (1,1)2; C ⋅ (1,1)3; C ⋅ (1,1)4)

Note, na P.G. formada, que qualquer termo pode ser representado pelo produto do primeiro termo C por uma
potência da razão 1,1, inclusive o primeiro termo, que pode ser representado por C ⋅ (1,1)0.

Podemos generalizar esse raciocínio para qualquer P.G., isto é, em toda progressão geométrica, um termo
qualquer pode ser expresso em função do primeiro termo e da razão da P.G. Para entender tal fórmula,
considere a P.G. cujo primeiro termo é a 1 e cuja razão é q:

(a1, ⏟
𝑎1 ⋅ 𝑞 , 𝑎⏟1 ⋅ 𝑞2 , 𝑎⏟1 ⋅ 𝑞3 , ⏟
𝑎1 ⋅ 𝑞4 , …,⏟
? , …)
𝑎2 𝑎3 𝑎4 𝑎5 𝑎𝑛

Observe que qualquer termo da P.G. é o produto do primeiro termo a1 por uma potência de q:

a1 = a1 ⋅ q0

a2 = a1 ⋅ q1

a3 = a1 ⋅ q2

a4 = a1 ⋅ q3

a5 = a1 ⋅ q4

an = ?

Observando que, em cada igualdade, o expoente de q tem uma unidade a menos que o índice do termo à
esquerda da igualdade, concluímos que: an = a1 ⋅ qn − 1 Ou seja:

Em uma P.G. (a1, a2, a3, …, an, …) de razão q, temos: an = a1 ⋅ qn − 1

Essa identidade é chamada de fórmula do termo geral da P.G.

É possível representar o termo an de uma P.G. em função da razão q e de qualquer termo ak?

Sim, pois em qualquer P.G. (an) de razão q temos: an ⋅ ak ⋅ qn − k


Página 25

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
12 Determinar o 13º termo da P.G. (64, 32, 16, ...).

Resolução

Devemos determinar o termo an = a ⋅ q n − 1 dessa P.G. tal que:

𝑎1 = 64.
1
{ 𝑞=
2
𝑛 = 13

Logo:

1 1 = 1 = 1
a13 = a ⋅ q12 = 64 ⋅ ( )12 = 26 ⋅
2 212 26 64

[ícone: calculadora] 13 Uma estimativa prevê um crescimento anual de 0,2% na população de uma cidade.
Supondo que essa estimativa esteja correta, calcular a população dessa cidade daqui a 14 anos, sabendo que a
população atual é de 480.000 habitantes.

Resolução

A sequência crescente das populações, ano a ano, dessa cidade, a partir do momento atual, é a progressão
geométrica (an) de razão 1,002 e primeiro termo 480.000. O termo a15 dessa P.G. é a população da cidade daqui
a 14 anos.

Pela fórmula do termo geral an = a ⋅ qn − 1, temos:

a15 = 480.000 ⋅ (1,002) 14

Com o auxílio de uma calculadora, obtemos: (1,002)14 ≈ 1,02837 e, portanto:

a15 ≈ 480.000 ⋅ 1,02837 ⇒ a15 ≈ 493.618

Logo, daqui a 14 anos a população da cidade será de 493.618 habitantes, aproximadamente.

14 Um estudo mostrou que a área desertificada de um município dobra a cada década e que atualmente essa
1
área representa do município. Se a conclusão desse estudo estiver correta e não for tomada nenhuma
1.024
providência, daqui a exatamente k décadas todo o município terá se transformado em deserto. Determinar k.

Caatinga na estiagem, sofrendo processo de desertificação, no Sertão do Seridó Carnaúba dos Dantas, Rio Grande do Norte. Foto de
2014.

ANDRÉ DIB/PULSAR IMAGENS

Resolução
Sendo A a área total do município, a sequência das áreas desertificadas desse município, década a década, a
partir do momento atual até a desertificação integral, é a progressão geométrica de razão 2, primeiro termo
𝐴
igual a e último termo A:
1.024

𝐴 𝐴 𝐴
( , , , … , 𝐴)
1.024 512 256

𝐴
Podemos afirmar que A pertence à P.G. porque pode ser representado como o produto de por uma
1.024
potência de expoente natural da razão 2.

O número n de termos dessa P.G. pode ser determinado pela fórmula do termo geral an = a1 ⋅ qn − 1, em que 𝑎𝑛 =
𝐴
A, a1= e q = 2, isto é:
1.024

𝐴
A= ⋅ 2n − 1 ⇒ 2n − 1 = 1.024
1.024

∴ 2n − 1 = 210 ⇒ n − 1= 10

∴ n = 11

O número k pedido é igual a n − 1, isto é, k = 10 e, portanto, daqui a dez décadas, ou 100 anos, toda a área do
município terá se desertificado.

15 Calcular a razão da P.G. (an) tal que a3+ a6 = 36 e a1+ a4= 144.

Resolução

Pela fórmula do termo geral an = a1 ⋅ qn − 1, temos: a3 = a1q2, a6 = a1q5 e a4 = a1q3; logo:

𝑎 + 𝑎6 = 36 𝑎 𝑞2 + 𝑎1 𝑞5 = 36
{ 3
𝑎1 + 𝑎4 = 144
⇒{ 1
𝑎1 + 𝑎1 𝑞3 = 144

Fatoramos o primeiro membro de cada uma das igualdades anteriores:

𝑎 𝑞2 (1 + 𝑞3 ) = 36
{ 1
𝑎1 (1 + 𝑞3 ) = 144

Dividimos, membro a membro, as duas igualdades anteriores:

𝑎1 𝑞 2 (1+𝑞 3 ) 36 1
= ⇒ q2 =
𝑎1 (1+𝑞 3 ) 144 4

1
∴q=±
2

Observe, portanto, que existem duas progressões geométricas que satisfazem as condições desse problema:
1 1
uma de razão positiva, q = , e outra de razão negativa, q = − .
2 2

16 Interpolar 5 meios geométricos entre 1 e 64, nessa ordem.

Resolução

Devemos determinar a P.G. de sete termos, com a1= 1 e a7 = 64.


Pela fórmula do termo geral an = a1 ⋅ qn − 1, temos:

a7 = a1q6 ⇒ 64 = 1 ⋅ q6

6
∴ q = ±√64 = ±2

Chegamos, portanto, a duas interpolações possíveis:

• para q = 2, temos a P.G. (1, 2, 4, 8, 16, 32, 64);

• para q = −2, temos a P.G. (1, −2, 4, 28, 16, −32, 64).
Página 26

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

41 Determine o 14º termo da P.G. (1.536, 768, 384, 192, ...). 16


3

42 Obtenha o n-ésimo termo (an) da P.G. (3, 6, 12, 24, ...). an = 3 ⋅ 2 n − 1

7
43 Considere a P.G., an, de razão q = √3 e a15 = 5. Determine a1. 9
5

2 4 8 16 32
44 Obtenha a P.G. (an) de termos não nulos e razão q = tal que 𝑎6 = 𝑎1 ⋅ 𝑎4 ( , , , ,…)
3 9 27 81 243

1
45 Quantos termos tem a P.G. (243, 81, 27, . . . , ) ?16 termos
310

46 Interpole 4 meios geométricos entre 1 e 7, nessa ordem.

5 5 5 5
(1, √7, √72, √73, √74, 7)

47 (Fuvest-SP) Numa progressão geométrica de 4 termos positivos, a soma dos dois primeiros vale 1 e a soma
dos dois últimos vale 9. Calcule o valor da razão da progressão. q = 3

48 Os pontos médios dos lados de um quadrado com 20 cm de lado são vértices de um segundo quadrado.
Os pontos médios dos lados desse segundo quadrado são vértices de um terceiro quadrado e assim
sucessivamente até o 15º quadrado. Qual é a medida do lado do 15º quadrado? 325 cm

49 Em uma placa de Petri (recipiente cilíndrico, achatado, de vidro ou plástico que os biólogos utilizam para a
cultura de células) foram colocados 300 micro-organismos. A partir desse momento, denominado instante
zero, observou-se a evolução da população durante todo o dia, constatando-se que o número de indivíduos
dobrou a cada 30 minutos.

SCIENCE PHOTO/SHUTTERSTOCK

a) Escreva os cinco primeiros termos da sequência crescente (an), em que a1 é o número inicial de indivíduos
da população de micro-organismos colocados na placa de Petri e cada termo an, com n ≥ 2, é o número de
indivíduos ao final de cada período de 30 minutos, a partir do instante zero.

(300, 600, 1.200, 2.400, 4.800)

b) Qual é a população de micro-organismos ao final de 3 horas, a partir do instante zero? 19.200 indivíduos

c) Qual é a população de micro-organismos ao final de k horas, com k ∈ ℕ*, a partir do instante zero?

300 ⋅ 22k
50 À zero hora de determinado dia, constatou-se que uma plantação de eucaliptos havia sido atacada por um
fungo. O gráfico de linha abaixo mostra o número de árvores contaminadas ao final do primeiro dia em que se
constatou a presença do fungo e o número de árvores contaminadas ao final de cada período de 5 dias
subsequentes.

EVOLUÇÃO DA CONTAMINAÇÃO DA PLANTAÇÃO DE EUCALIPTOS

FAUSTINO

Supondo que o padrão de crescimento do número de árvores contaminadas continue o mesmo observado no
gráfico e que não se tome nenhuma providência para controlar a doença:

a) quantas árvores estarão contaminadas ao final do 31º dia da constatação da doença? 6.400 árvores

b) em quantos dias, no mínimo, a partir da constatação da doença, todas as 102.400 árvores da plantação
estarão contaminadas? 51 dias

Resolva os exercícios complementares 9 e 10.

CRIANDO PROBLEMAS

[ícone: atividade em grupo] Inspirando-se nos exercícios propostos 49 e 50, elaborem e resolvam um
problema sobre o termo geral da P.G. que envolva uma situação do cotidiano.

Resposta pessoal.
Página 27

Propriedade das progressões geométricas

Uma sequência de três termos, em que o primeiro é diferente de zero, é uma P.G. se, e somente se, o quadrado
do termo médio é igual ao produto dos outros dois; isto é, sendo a ≠ 0, temos:

(a, b, c) é P.G. ⇔ b2 = ac

Demonstração

Vamos analisar cada uma das hipóteses: b ≠ 0 ou b = 0

• 1ª hipótese: b ≠ 0

𝑏 𝑐
(a, b, c) é P. G.⇔ =
𝑎 𝑏
Como a ≠ 0 e b ≠ 0, temos: { 𝑏 𝑐
= ⇔ 𝑏2 = 𝑎𝑐
𝑎 𝑏

Logo: (a, b, c) é P.G. ⇔ b2 = ac

• 2ª hipótese: b = 0

Como a ≠ 0 e b = 0, temos a sequência (a, 0, 0), que é uma P.G. de razão 0. Com o que constatamos que o
quadrado do termo médio é igual ao produto dos outros dois termos: 02 = a ⋅ 0

Logo: (a, b, c) é P.G. ⇔ b2 = ac

Consequência

Temos, como consequência imediata dessa propriedade:

Em uma P.G. com número ímpar de termos, o quadrado do termo médio é igual ao produto dos extremos.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
17 Determinar x de modo que a sequência (3, x + 2, 3x) seja uma P.G. crescente.

Resolução

A sequência de três termos tem o primeiro termo não nulo (3). Logo, essa sequência é P.G. se, e somente se, (x
+ 2)2 = 3 ⋅ 3x, ou seja:

x2 + 4x + 4 = 9x ⇒ x2 − 5x + 4 = 0

∆ = (−5)2 − 4 ⋅ 1 ⋅ 4 = 9

−(−5)± √9 (5 ± 3)
x− = ⇒ x = 4 ou x = 1
2⋅1 2

• Para x = 1, temos a P.G. (3, 1 + 2, 3 ⋅ 1), que é a P.G. constante (3, 3, 3).

• Para x = 4, temos a P.G. (3, 4 + 2, 3 ⋅ 4), que é a P.G. crescente (3, 6, 12).

Concluímos, então, que a sequência apresentada é P.G. crescente apenas para x = 4.


EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

51 Obtenha x para que a sequência (−1, x − 1, 4x − 1) seja uma P.G.

x = 0 ou x = −2

52 Determine x de modo que a sequência (x + 1, 3x − 2, 5x) seja uma P.G. crescente.

x=4

53 Para dois números positivos a e c, a sequência (a, 4, c) é P.A. e a sequência (c + 2, 4, a) é P.G. Determine a e c.
a=2ec=6

54 (PUC-RS) As medidas das alturas de três irmãos estão em progressão geométrica. Se o maior mede 1,68 m e
o de medida intermediária tem 1,60 m, então o menor mede, aproximadamente, em metros:

a) 1,42

b) 1,50

c) 1,52

d) 1,54

e) 1,85

alternativa c
Página 28

[ícone: atividade em grupo] 55 Uma substância radioativa tem decaimento percentual constante a cada ano. A
tabela abaixo descreve a massa dessa substância, em grama, no início dos anos 2015, 2016 e 2017, em que x é
um número real maior que 15.

Início do ano 2015 2016 2017


Massa (em grama) 4x − 60 2x − 60 x + 41

a) Qual era a massa dessa substância no início de 2015?

100 gramas

b) Considerando a continuidade desse decaimento, qual era a massa dessa substância no início de 2018?

72,9 gramas

Resolva os exercícios complementares 11 e 12.

Representação genérica de uma progressão geométrica

Como no estudo da P.A., é importante saber representar uma P.G. genericamente. Mostramos a seguir algumas
representações.

• A sequência (x, xq, xq2) é uma P.G. de três termos e razão q, para quaisquer valores de x e q.

𝒙
• A sequência ( , x, xq) é uma P.G. de três termos e razão q, para quaisquer valores de x e q, com q ≠ 0. Essa
𝒒
representação é mais adequada quando se pretende determinar uma P.G. de três termos, conhecendo o
produto deles.

• A sequência (x, xq, xq2, xq3) é uma P.G. de quatro termos e razão q2, para quaisquer valores de x e q.

𝒙 𝒙
• A sequência ( 𝟑 , , 𝑥𝑞, 𝑥𝑞3 ) é uma P.G. de quatro termos e razão q2, para quaisquer valores de x e q, com q ≠
𝒒 𝒒
0. Essa representação é mais adequada quando se pretende determinar uma P.G. de quatro termos,
conhecendo o produto deles.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
18 Determinar a P.G. de três termos, sabendo que o produto desses termos é 8 e que a soma do 2º com o 3º
termo é 10.

Resolução

𝑥
Quando se conhece o produto dos termos, a representação mais cômoda é ( , 𝑥, 𝑥𝑞).
𝑞

Pelo enunciado, temos:

𝑥
⋅ 𝑥 ⋅ 𝑥𝑞 = 8 ⇒ 𝑥 3 = 8
𝑞

∴ x = 2 (I)

Também sabemos que: x + xq = 10 (II)

Substituindo (I) em (II), obtemos: 2 + 2q = 10 ⇒ q = 4


𝑥 1
Assim, para x = 2 e q = 4, a P.G. ( , 𝑥, 𝑥𝑞) é igual a ( , 2, 8).
𝑞 2

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

56 Determine a P.G. crescente de três termos tal que a soma dos três termos é 14 e o produto deles é 64. (2, 4, 8)

57 Como já comentamos no exercício proposto 37, qualquer dispositivo que resiste à passagem da corrente
elétrica em um circuito é chamado de resistor. Essa resistência pode ser medida em ohm, cujo símbolo é a letra
grega Ω (ômega). Admitiremos sempre medidas positivas para resistências.

Dos estudos de Física, sabemos que em uma associação em paralelo de n resistores com resistências iguais a R,
1 1 1 1 1
R2, R3, ..., Rn, respectivamente, a resistência equivalente, Req, é dada por: = ,+ ,+ ,+ … +
𝑅𝑒𝑞 𝑅1 𝑅2 𝑅3 𝑅𝑛
Página 29

FAUSTINO

De acordo com essa informação, resolva o problema a seguir.

Em um circuito, três resistores estão ligados em paralelo, e suas respectivas resistências, medidas em
ohm (Ω), estão em progressão geométrica de razão 2.

Indicando por R a maior dessas resistências, obtenha uma equação que expresse a resistência
equivalente, Req, dessa associação, em função de R. Req = 𝑅7

Soma dos n primeiros termos de uma progressão geométrica

Em 2001, a produção de soja de um estado foi de 4 milhões de toneladas. A partir de então, a taxa anual de
crescimento na produção de soja desse estado tem sido constante, em 5%.

Prevendo que essa taxa anual de crescimento continue constante até 2030, os técnicos da Secretaria da
Agricultura estimaram o total de soja produzida nesse estado em 30 anos, de 2001 a 2030. Essa estimativa é a
soma dos termos da seguinte P.G. de 30 termos e razão 1,05: (4; 4,2; 4,41; ...; 4 ⋅ (1,05)28; 4 ⋅ (1,05)29), em que
cada termo representa a quantidade de soja produzida anualmente, em milhões de toneladas.

Mesmo dispondo de uma calculadora, os técnicos não somaram os termos um a um, pois o trabalho seria longo
e tedioso. Eles usaram a fórmula a seguir, que expressa a soma dos n primeiros termos de uma P.G. não
constante, em função do primeiro termo a1 e da razão q:

(1 − 𝑞 𝑛 )
Sn = a1 ⋅
1 −𝑞

Observe a simplicidade do cálculo, que obviamente não dispensa o uso da calculadora:

4 ⋅ [1 − (1,05)30 ]
S30= ≈ 265,8
1 − 1,05

Formalizamos esse procedimento pelo teorema:

A soma Sn dos n primeiros termos da P.G. não constante (a1, a2, a3, ..., an, ...) de razão q é dada por:

𝑎1 ⋅ (1 − 𝑞𝑛 )
𝑆𝑛 =
1 − 𝑞

Demonstração

Indicando por Sn a soma dos n primeiros termos da P.G. (a1, a2, a3, ..., an, ...), temos:

Sn= a1 + a2 + a3 + ... + an − 1 + an ou, ainda,


Sn= a1+ a1q + a1q2 + ... + a1 qn − 1 (I)

Multiplicando ambos os membros dessa igualdade pela razão q da P.G., obtemos:

qSn= a1q + a1q2 + a1q3 + ... + a1qn (II)


Subtraindo as igualdades (I) e (II), membro a membro, temos:

Sn− qSn = a1 − a1qn ⇒ Sn (1 − q) = a1(1 − qn)

Como q ≠ 1, pois a P.G. não é constante, podemos dividir ambos os membros dessa última igualdade por 1 – q,
concluindo:

𝑎1 ⋅ (1 − 𝑞𝑛 )
𝑆𝑛 =
1 − 𝑞

Em uma P.G. constante, como se calcula a soma dos n primeiros termos?

Em uma P.G. constante, todos os termos são iguais ao primeiro termo a1; logo, a soma Sn dos n primeiros termos desse tipo de P.G. é dada por
Sn = n ∙ a1.
Página 30

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
1 1
19 Calcular a soma dos onze primeiros termos da P.G. ( , , 1, 2, 4 … ).
4 2

Resolução

𝑎1 ⋅ (1 − 𝑞 𝑛 ) 1
Aplicamos a fórmula 𝑆𝑛 = para 𝑎1 = , 𝑞 = 2 e 𝑛 = 11:
1−𝑞 4

1 1
⋅ (1 − 211 ) ⋅ (−2.047)
𝑆11 = 4
=4
1−2 −1

2.047
∴ 𝑆11 =
4

20 Desde a sua fundação, uma empresa já pagou um total de R$ 46.410,00 em impostos. Sabendo que, a cada
ano, os impostos pagos têm aumentado 10% em relação ao ano anterior e que no primeiro ano de
funcionamento a empresa pagou R$ 10.000,00 em impostos, calcular o tempo de existência dessa empresa.

MARCELO JUSTO/ FOLHAPRESS

No Brasil, pagamos tributos municipais, estaduais e federais.

Resolução

A sequência dos impostos pagos por essa empresa, ano a ano, é uma progressão geométrica de primeiro termo
10.000 e razão 1,1. O tempo de existência da empresa, em ano, é o número n de termos dessa P.G., e pode ser
obtido pela fórmula da soma Sn de seus n primeiros termos, em que Sn = 46.410, a1 = 10.000 e q = 1,1, isto é:

10.000 ⋅ [1 − (1,1)𝑛 ] 1 − (1,1)𝑛


46.410 = ⇒ 4,641 =
1 − 1,1 − 0,1

∴ − 0,4641 = 1 − (1,1)n ⇒ (1,1)n = 1,4641

11 𝑛 14.641
∴( ) = ( )
10 10.000

Decompondo em fatores primos o número 14.641, obtemos 114 e, portanto:

11 𝑛 11 4
∴( ) =( ) ⇒n=4
10 10

Logo, a empresa tem quatro anos de existência.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

58 Calcule a soma dos:

a) 10 primeiros termos da P.G. (3, 6, 12, 24, ...); 3.069


1 1
b) 11 primeiros termos da P.G. (4, 2, 1, , , … ); 2.047
2 4 256

c) 50 primeiros termos da P.G. (5, –5, 5, –5, 5, ...); 0

d) 51 primeiros termos da P.G. (5, –5, 5, –5, 5, ...). 5

59 Em uma P.G. de razão 2, a soma dos oito primeiros termos é 765. Determine o primeiro termo dessa P.G. 3

60 A soma dos n primeiros termos da P.G. (5, 10, 20, 40, ...) é:

a) 2n − 5

b) 5 − 2n

c) 5(2n − 1)

d) 5(1 − 2n)

e) 5(2n − 5)

alternativa c

61 A soma dos n primeiros termos de uma P.G. é 12.285. Determine n sabendo que a1 = 3 e q = 2.

n = 12

62 Para iniciar seu negócio, um camelô comprou um lote de 10 canetas e vendeu todas. O dinheiro arrecadado
foi reinvestido na compra de um segundo lote, com o triplo de canetas do primeiro lote, que também foi
totalmente vendido. E assim por diante, ele reinvestiu o dinheiro da venda de cada lote comprando um novo
lote com o triplo de canetas do lote anterior.

a) Considerando como primeiro lote aquele com que o camelô iniciou seu negócio, calcule o número de canetas
do quinto lote vendido pelo camelô.

810 canetas
Página 31

b) Ao completar a venda do sexto lote, quantas canetas terá vendido o camelô desde que iniciou seu negócio?

3.640 canetas

c) Ao completar a venda do lote de número n, quantas canetas terá vendido o camelô desde que iniciou seu
negócio?

5(3n − 1)

[ícone: atividade em grupo] 63 Uma gravadora lançou no mercado um CD de música popular brasileira, e o
departamento de vendas fez uma pesquisa junto às distribuidoras para verificar o número de cópias vendidas.
Na primeira semana, foram vendidas 20 cópias; na segunda semana, a venda dobrou em relação à primeira; e,
na terceira, dobrou em relação à segunda semana. O diretor prevê que as vendas continuarão dobrando a cada
semana. Se essa previsão estiver certa:

a) em que semana serão vendidas 10.240 cópias?

10ª semana

b) até o final da semana indicada no item a, quantas cópias terão sido vendidas desde o lançamento do CD?

20.460 cópias

Resolva o exercício complementar 13.

CRIANDO PROBLEMAS

[ícone: atividade em grupo] Inspirando-se nos exercícios propostos 62 e 63, elaborem e resolvam um
problema sobre a soma dos n primeiros termos de uma P.G. que envolva uma situação do cotidiano.

Resposta pessoal.

Soma dos infinitos termos de uma progressão geométrica

Uma empresa reservou 1 milhão de reais para aplicar em obras sociais. No primeiro ano será aplicada a
metade dessa verba, e em cada ano seguinte será aplicada metade do que sobrou da verba no ano anterior. A
P.G. infinita a seguir representa os valores, em milhão de reais, aplicados ano a ano:

1 1 1 1 1
( , , , , ,…)
2 4 8 16 32

Observe que, a cada ano que passa, o total aplicado em obras sociais aumenta e se aproxima cada vez mais de 1
milhão de reais:

1 1 3
+ = = 0,75
2 4 4

1 1 1 7
+ + = = 0,875
2 4 8 8

1 1 1 1 15
+ + + = = 0,9375
2 4 8 16 16

1 1 1 1 1 31
+ + + + = = 0,96875
2 4 8 16 32 32


Por mais que adicionemos termos a essa P.G., jamais chegaremos à soma 1; porém, adicionando mais e mais
parcelas, vamos nos aproximar de 1 tanto quanto quisermos. Por isso, dizemos que 1 é o limite dessa soma.

Veremos, a seguir, que existe o limite da soma dos infinitos termos de qualquer P.G. cuja razão q obedeça à
condição: −1 < q < 1.

O limite (indicado por 𝑆∞ ) da soma dos infinitos termos de uma P.G. (a1, a2, a3, …), de razão q, com −1 < q < 1, é
dado por:

𝑎1
𝑆∞ =
1−𝑞

Vamos justificar essa fórmula a partir da soma Sn dos n primeiros termos da P.G., isto é:

𝑎1 (1 − 𝑞 𝑛 ) 𝑎1 − 𝑎1 𝑞 𝑛 𝑎1 𝑎1 𝑞 𝑛
Sn = ⇒ 𝑆𝑛 = ∴S= −
1−𝑞 1−𝑞 1−𝑞 1−𝑞

Quando o número n de termos aumenta indefinidamente (tende ao infinito), a potência qn se aproxima


indefinidamente de zero (tende a zero), pois o número q está entre −1 e 1.

𝑎1
Assim, a expressão Sn se aproxima indefinidamente de . Indicando esse limite por S∞, temos:
1−𝑞

𝑎1
S∞ =
1−𝑞

Notas:

1. Existe o limite da soma dos infinitos termos de uma P.G. de razão q se, e somente se, −1 < q < 1.

2. O limite da soma dos infinitos termos de uma P.G. é chamado, simplesmente, de soma dos infinitos termos
da P.G.
Página 32

EXERCÍCIO RESOLVIDO
5 5
21 Calcular a soma dos infinitos termos da P.G. (5, , , … )
2 4

Resolução

5 1
Calculando a razão da P.G., obtemos: q = : 5 ⇒ q =
2 2

1
Como −1 < < 1, então existe a soma S∞.
2

𝑎1
Pela fórmula S∞ = , concluímos que:
1−𝑞

5 5
S∞ = 1 ⇒ S∞ = 1 = 10
1−
2 2

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

64 Calcule a soma dos infinitos termos de cada uma das seguintes progressões geométricas:

1 1
a) (25, 5, 1, , ,…)
5 25

125
4

1 1 1 1
b) ( , , , − ,… )
2 4 8 16

1
3

c) (6; 0,6; 0,06; 0,006; ...)

20
3

d) (k5, k4, k3, k2, ...), sendo k uma constante real maior que 1.

𝑘6
𝑘 − 1

𝑥 𝑥
65 A soma dos infinitos termos da P.G. (𝑥, , , … ) é 5. Determine x.
2 4

5
x=
2

66 Na sequência de figuras a seguir, todos os quadriláteros são quadrados. O lado do primeiro quadrado
sombreado mede 4 cm, e cada quadrado sombreado, a partir da segunda figura, foi obtido unindo-se os pontos
médios dos lados opostos de cada quadrado sombreado da figura anterior.


Qual é a soma das áreas dos quadrados sombreados nas infinitas figuras?

32 cm2

67 Considere a sequência (A1B1C1, A2B2C2, A3B3C3, …), de infinitos triângulos, em que os vértices de cada
triângulo, a partir do segundo, são os pontos médios dos lados do triângulo precedente (conforme a figura).

Sendo 20 cm o perímetro do triângulo A1B1C1, calcule a soma dos perímetros desses infinitos triângulos.

40 cm

(Sugestão: O segmento 𝐴2 𝐶2 mede metade de 𝐵1 𝐶1 , pois, pelo caso L.A.L. de semelhança de triângulos, temos
1
△A1A2C2 ~ △A1B1C1, e a razão de semelhança é .
2

Repita esse raciocínio para os demais lados dos triângulos, a partir de A2B2C2.)

68 Determine a fração geratriz da dízima periódica D = 4,8888…

44
9

(Sugestão: D = 4 + ⏟
0,8 + 0,08 + 0,008 + 0,0008 + . . .)
P.G infinita de razão 0,1

[ícone atividade oral] 69 Um motorista de caminhão avista repentinamente uma grande pedra no meio da
estrada e aciona os freios a 100 m de distância da pedra. Após a freada, o veículo percorre 20 m no primeiro
1
segundo e, por mais alguns instantes, percorre, a cada segundo, da distância percorrida no segundo anterior.
4
Haverá o choque entre o caminhão e a pedra? Justifiquem sua resposta.

Não. Ver Suplemento com orientações para o professor.

Resolva o exercício complementar 14.


Página 33

A progressão geométrica e a função exponencial

A representação gráfica da P.G. (2, 4, 8, 16, ...), cujo termo geral é an = 2 ⋅ 2n − 1, ou seja, an = 2n, é formada pelos
pontos (n, an) do plano cartesiano.

Observando que o termo geral na = 2n é identificado com a função exponencial y = 2x quando x assume apenas
valores naturais não nulos, concluímos que a representação gráfica da P.G. (2, 4, 8, 16, ...) é formada por pontos
do gráfico da função exponencial y = 2x.

Observe que:

n = 1 ⇒ (1, 2)

n = 2 ⇒ (2, 4)

n = 3 ⇒ (3, 8)

n = 4 ⇒ (4, 16)

Generalizando, consideremos a P.G. não constante (a1, a2, a3, ..., an, ...) de razão positiva q. Seu termo geral, an =
𝑎
a1 ⋅ qn – 1, é equivalente a 𝑎𝑛 = 1 ⋅ qn e, portanto, a representação gráfica dessa P.G. é formada por pontos da
𝑞
𝒂𝟏
função y = ⋅ 𝒒𝒙 .
𝒒

Dessa maneira, algumas importantes propriedades da função exponencial podem ser aplicadas na resolução
de problemas que envolvam progressões geométricas.

EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES
Faça as atividades no caderno.

1 Com azulejos quadrados brancos e pretos, todos do mesmo tamanho, construímos os seguintes mosaicos:

A regra para construir esses mosaicos é a seguinte: inicialmente, formamos um quadrado com 1 azulejo branco
cercado por azulejos pretos; em seguida, outro quadrado, este com 4 azulejos brancos, também cercado por
azulejos pretos; e assim sucessivamente.

Considerando a sequência de mosaicos com número crescente de azulejos, responda às questões.


a) Quantos azulejos brancos terá o 15º mosaico dessa sequência?

225 azulejos brancos

b) Quantos azulejos brancos terá o n-ésimo mosaico dessa sequência?

n2 azulejos

c) Quantos azulejos pretos terá o 20º mosaico dessa sequência?

84 azulejos pretos

d) Quantos azulejos pretos terá o n-ésimo mosaico dessa sequência?

4n + 4 azulejos

2 (Enem) Uma pessoa decidiu depositar moedas de 1, 5, 10, 25 e 50 centavos em um cofre durante certo
tempo. Todo dia da semana ela depositava uma única moeda, sempre nesta ordem: 1, 5, 10, 25, 50, e,
novamente, 1, 5, 10, 25, 50, assim sucessivamente.

Se a primeira moeda foi depositada em uma segunda-feira, então essa pessoa conseguiu a quantia exata de R$
95,05 após depositar a moeda de:

a) 1 centavo no 679º dia, que caiu numa segunda-feira.

b) 5 centavos no 186º dia, que caiu numa quinta-feira.

c) 10 centavos no 188º dia, que caiu numa quinta-feira.

d) 25 centavos no 524º dia, que caiu num sábado.

e) 50 centavos no 535º dia, que caiu numa quinta-feira.

alternativa d

3 (Obmep) A, B, C, D, E, F, G e H são os fios de apoio que uma aranha usa para construir sua teia, conforme
mostra a figura. A aranha continua seu trabalho. Sobre qual fio de apoio estará o número 118? G

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

4 Um ano de número n é bissexto se, e somente se, obedece a uma das duas condições:

I. n é múltiplo de 400;

II. n é múltiplo de 4 e não é múltiplo de 100.

Por exemplo, o ano 2000 foi bissexto, pois 2000 é múltiplo de 400; o ano 2040 será bissexto, pois 2040 é
múltiplo de 4 e não é múltiplo de 100.

Quantos anos bissextos teve o século XX? 25


Página 34

[ícone: atividade em grupo] 5 Em todo dia útil, uma companhia aérea realiza 25 voos do aeroporto Santos
Dumont, no Rio de Janeiro, ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

O primeiro voo parte às 6 h 15 min e o último às 20 h 39 min.

Sabendo que o intervalo entre dois voos consecutivos é sempre o mesmo, respondam aos itens a seguir.

a) Calculem o intervalo, em minuto, entre dois voos consecutivos.

36 minutos

b) Em que horário decola o 23º voo?

19 h 27 min

c) Qual é o horário do primeiro voo, após as 16 h?

16 h 27 min

6 Resolva os itens a seguir, em que x, y e z são números reais.

a) Determine x de modo que a sequência (x − 1, 2x 2 − 1, 1 − 3x) seja uma P.A. crescente.

x = −1

b) Mostre que a sequência (4y + 7, y + 8, 9 − 2y) é P.A. para qualquer valor real de y.

Ver Suplemento com orientações para o professor.

c) Mostre que não existe valor real de z de modo que a sequência (5z − 1, 3z + 6, z + 9) seja P.A.

Ver Suplemento com orientações para o professor.

7 (UFU-MG) Dois ciclistas estão em fases distintas de preparação. O técnico desses atletas elabora um
planejamento de treinamento para ambos, estabelecendo o seguinte esquema:

• ciclista 1: iniciar o treinamento com 4 km de percurso e aumentar, a cada dia, 3 km a mais para serem
percorridos;

• ciclista 2: iniciar o treinamento com 25 km de percurso e aumentar, a cada dia, 2 km a mais para serem
percorridos.

Sabendo-se que esses ciclistas iniciam o treinamento no mesmo dia e que o término desse treinamento se dá
quando os atletas percorrem a mesma distância em um mesmo dia, pode-se afirmar que ao final do
treinamento o ciclista 1 percorre uma distância total, em km, de: alternativa a

a) 781

b) 714

c) 848

d) 915

alternativa a
8 No Brasil, os postos de saúde têm como principal objetivo oferecer um atendimento gratuito primário aos
pacientes. Os casos mais graves e/ou urgentes devem ser encaminhados diretamente a um pronto-
atendimento ou a um hospital, onde há recursos adequados para tais atendimentos.

Campanha de vacinação em Rio Branco (AC), em 2015.

TIAGO ARAÚJO/FOTOARENA

Desde a inauguração de um posto de saúde, o número de atendimentos mensais a pacientes aumentou em


progressão aritmética. No primeiro mês de funcionamento foram 430 atendimentos, no segundo, 450
atendimentos, e assim por diante.

a) Calcule o número de atendimentos realizados nesse posto durante o 16º mês de funcionamento.

730 atendimentos

b) Calcule o número total de atendimentos desde a inauguração do posto até o final do 16º mês de
funcionamento.

9.280 atendimentos

c) Calcule o número total de atendimentos, desde a inauguração do posto até o final do mês n de
funcionamento. Dê a resposta em função de n.

10n2 + 420n atendimentos

[ícone: calculadora] 9 No final do ano 2013, a população de uma cidade era de 358.000 habitantes. Segundo
uma previsão, a população dessa cidade deve crescer 1,8% ao ano até 2030. De acordo com essa estimativa,
qual deve ser o número de habitantes dessa cidade ao final de 2030?

484.836 habitantes

10 O termo “fractal” foi criado em 1975 por Benoit Mandelbrot, pesquisador da IBM e autor de trabalhos
pioneiros sobre fractais. A característica principal de um fractal é a repetição de padrões. Por exemplo,
partindo de um triângulo equilátero, dividimos cada lado em três partes iguais e desenhamos, externamente
ao triângulo original, um novo triângulo equilátero em que um dos lados é o segmento central obtido dessa
divisão; depois apagamos o segmento central. Repetimos esse procedimento para cada lado do polígono obtido
com o primeiro procedimento, e assim por diante. Consideremos todos os infinitos polígonos assim obtidos, de
modo que a sequência formada pelos números de lados seja crescente.

FAUSTINO

O número de lados do 6º polígono dessa sequência é:


a) 192

b) 768

c) 1.264

d) 2.288

e) 3.072

alternativa e

25
11 Mostre que a sequência (𝑥 − 2, 5, ) é P.G. para qualquer valor real de x, com x ≠ 2.
𝑥−2

Ver Suplemento com orientações para o professor.

12 (Fuvest-SP) Três números positivos, cuja soma é 30, estão em progressão aritmética. Somando-se,
respectivamente, 4, −4 e −9 ao primeiro, segundo e terceiro termos dessa progressão aritmética, obtemos três
números em progressão geométrica. Então, um dos termos da progressão aritmética é:

a) 9

b) 11

c) 12

d) 13

e) 15

alternativa c

13 Nos 14 dias de inscrição para um concurso público, o número diário de candidatos inscritos aumentou em
progressão geométrica. No primeiro dia foram feitas 3 inscrições, e no último, 24.576. Quantos candidatos se
inscreveram para esse concurso?

49.149 candidatos

14 (Ufes) O governo federal, ao efetuar a restituição de impostos, permite que os contribuintes consumam
mais. O gasto de cada contribuinte torna-se receita para outros contribuintes, que, por sua vez, fazem novos
gastos. Cada contribuinte poupa 10% de suas receitas, gastando todo o resto.

O valor global, em bilhões de reais, do consumo dos contribuintes a ser gerado por uma restituição de
impostos de 40 bilhões de reais é:

a) 36

b) 40

c) 180

d) 360

e) 450

alternativa d
Página 35

PRÉ-REQUISITOS PARA O CAPÍTULO 2


Faça as atividades no caderno.

Responda às questões a seguir, cuja finalidade é rever os principais conceitos necessários para o
desenvolvimento da teoria e das atividades do Capítulo 2.

1 Dois triângulos são semelhantes se, e somente se, existe uma correspondência biunívoca que associa os três
vértices de um dos triângulos aos três vértices do outro tal que:

• ângulos com vértices correspondentes são congruentes;

• lados opostos a vértices correspondentes são proporcionais.

𝐴̂ ≅ 𝐷
̂
𝐴𝐵 𝐵𝐶 𝐴𝐶
△ABC ∼ △DEF ⇔ {𝐵
̂ ≅ 𝐸̂ e 𝐷𝐸 = 𝐸𝐹 = 𝐷𝐹
𝐶̂ ≅ 𝐹̂

Ângulos com vértices correspondentes são chamados de ângulos correspondentes.

Lados opostos a vértices correspondentes são chamados de lados correspondentes.

De acordo com essas informações, classifique em verdadeira ou falsa as afirmações a seguir.

a) Se dois ângulos internos de um triângulo são, respectivamente, congruentes a dois ângulos internos de
outro triângulo, então esses triângulos são semelhantes.

verdadeira

b) Se os três lados de um triângulo são, respectiva mente, proporcionais aos três lados de outro triângulo,
então esses triângulos são semelhantes.

verdadeira

c) Se dois lados de um triângulo são, respectivamente, proporcionais a dois lados de outro triângulo, então
esses triângulos são semelhantes.

falsa

d) Se dois lados de um triângulo são, respectivamente, proporcionais a dois lados de outro triângulo e os
ângulos compreendidos por esses lados são congruentes, então esses triângulos são semelhantes.

verdadeira

̂ D e A𝐶̂ B são congruentes.


2 Determine a medida x do lado 𝐴𝐵 na figura a seguir, dado que os ângulos A𝐵

x=5
ILUSTRAÇÕES: ADILSON SECCO

3 Copie as frases no caderno, completando as lacunas de modo a tornar verdadeira cada uma das afirmações.

a) Triângulo retângulo é todo aquele que possui um ângulo interno de medida ____. 90°

b) Chamam-se catetos de um triângulo retângulo os lados que formam entre si um ângulo de medida ____. 90°

c) O maior lado de um triângulo retângulo é chamado de ____. hipotenusa

d) Segundo o teorema de Pitágoras, em todo triângulo retângulo o quadrado da medida da hipotenusa é igual à
____. soma dos quadrados das medidas dos catetos

4 As quatro teclas reproduzidas ao lado movimentam um ponto na tela de um computador. A cada digitação
das teclas ↑ ou, ↓ o ponto se movimenta verticalmente 6 mm, para cima ou para baixo, respectivamente; e a
cada digitação das teclas ← ou →, o ponto se movimenta horizontalmente 1,6 mm, para a esquerda ou para a
direita, respectivamente. Indicando por P a posição inicial do ponto na tela e por Q a posição do ponto após
digitar dez vezes a tecla → e duas vezes a tecla ↑, calcule a distância, em milímetro, entre os pontos P e Q.

20 mm

CHUNGKING/SHUTTERSTOCK
Página 36

5 Um triângulo é isósceles quando tem dois lados congruentes. Esse tipo de triângulo possui certas
propriedades que merecem destaque, devido à sua grande aplicação na resolução de problemas. Para facilitar
a compreensão dessas propriedades, convencionamos que, em um triângulo isósceles, o vértice comum aos
lados congruentes é chamado de vértice do triângulo isósceles, e o lado oposto a esse vértice é chamado de
base do triângulo isósceles. Copie as frases no caderno, completando as lacunas de modo a tornar verdadeira
cada afirmação, obtendo assim algumas dessas propriedades.

a) Os ângulos da ______ de um triângulo isósceles são congruentes. base

b) A mediana, a bissetriz e a ______ relativas à base do triângulo isósceles coincidem. altura

c) A mediatriz relativa à base de um triângulo isósceles contém a ______, a bissetriz e a altura relativas a essa
base. mediana

d) Se um triângulo possui dois ângulos internos congruentes, então os lados opostos a esses lados são ______.
congruentes

e) Se um triângulo possui dois lados congruentes, então os ângulos opostos a esses lados são ______. congruentes

6 No triângulo isósceles ABC abaixo, M é ponto médio do lado 𝐵𝐶. Calcule o comprimento da mediana 𝐴𝑀.

AM = 15

7 Em um plano, uma reta r é tangente a uma circunferência λ de centro O se, e somente se, ambas têm em
comum um único ponto T. Esse ponto é chamado ponto de tangência.

ILUSTRAÇÕES: ADILSON SECCO

Considerando essa definição, copie as frases no caderno, completando as lacunas de modo a tornar verdadeira
cada uma das afirmações.
a) A distância entre O e r é a medida do ______ da circunferência. raio

b) O raio 𝑂𝑇 forma com a reta r ângulos de medida ______. 90°

c) Se dois segmentos 𝐴𝐵 e 𝐴𝐶 são tangentes à circunferência nos pontos B e C, então a medida AB é ________ à
medida AC. igual

d) Se dois segmentos de reta 𝐴𝐵 e 𝐴𝐶 são tangentes à circunferência nos pontos B e C, então o centro O
pertence à bissetriz do ângulo ______. B𝐴̂C
Página 37

Trabalhando em equipe

“Ninguém é suficientemente sábio sozinho.” Titus Plautus (230 a.C.-180 a.C.), dramaturgo romano.

Uma das principais competências exigidas pelo mundo moderno é saber trabalhar em
equipe.

Essa competência resulta de algumas habilidades, de algum conhecimento e de certas


posturas e atitudes, como: modéstia, respeito, doação e dedicação. Trabalhar em equipe não
é fácil, pois um objetivo deve ser alcançado a partir de opiniões que nem sempre convergem;
por isso, é preciso exercitar essa prática. Nesta atividade, você exercitará essa forma de
trabalho. Componha uma equipe com alguns colegas e discutam as seções a seguir.

ANÁLISE DA RESOLUÇÃO
Nesta seção, vamos explorar determinados erros cometidos com frequência em alguns
tópicos de Matemática. Uma questão resolvida é apresentada, em que um erro é cometido.
Vocês devem apontar o erro e corrigir a resolução. Só leiam o comentário, na seção
Respostas, depois de ter tentado descobrir o erro e corrigi-lo.

Um aluno resolveu o exercício conforme a reprodução a seguir. Um erro foi cometido.


Apontem o erro e refaçam a resolução no caderno, corrigindo-a.

Exercício

Na seção Análise da resolução, vamos explorar determinados erros cometidos com frequência em alguns tópicos de Matemática.
Apresentaremos uma questão resolvida na qual um erro foi cometido. Os alunos deverão corrigir a resolução. Caso tenham dificuldades, sugira
que leiam o comentário na seção Respostas, no final do livro. Esta seção tem como objetivos: despertar o senso crítico, estimular a investigação
e levar a aprender com os erros.

𝑥2 + 𝑥3 + 𝑥4
Resolva, em ℝ, a equação x + + ... = 6 − 4x, em que o primeiro membro é a soma das infinitas parcelas
2 4 8
𝑥𝑛
da forma com n ∈ ℕ*.
2𝑛 −1

Resolução

𝑥2 𝑥3 𝑥4
𝑥 +⏟ + + +, … = 6 – 4𝑥
2 4 8
soma 𝑆∞ de uma P.G.

Cálculo da soma deS∞

𝑎1 = 𝑥
𝑥
razão: 𝑥 𝑥 2𝑥
2 𝑆∞ = = =
𝑥
𝑆∞ =
𝑎1 1 –2 2 − 𝑥 2 – 𝑥
1 – 𝑞} 2

Substituindo S∞ na equação inicial:

2𝑥 = 6 – 4x
2–𝑥
2x = (2 – x) (6 – 4x)

2x = 12 – 8x – 6x + 4x2

4x2 – 16x + 12 = 0

x2 – 4x + 3 = 0

∆ = (–4)2 – 4 · 1 · 3 = 16 – 12 = 4

–(–4)± √4 4±2
𝑥 = =
2⋅1 2

6
𝑥′ = 2 = 3

2
𝑥 ′′ = 2 = 1

Logo, S = {1, 3}.


O aluno esqueceu de considerar a condição de existência da soma dos infinitos termos de uma P.G.

𝑥
0<q<1⇒0< <1
2

∴0<x<2

Logo: x = 1
Página 38

Trabalhando em equipe

MATEMÁTICA SEM FRONTEIRAS

Plano de cargos e salários


Uma das responsabilidades do departamento de Recursos Humanos de uma empresa é estabelecer um plano
de cargos e salários. Para isso, um comitê formado pelos departamentos Administrativo e de Recursos
Humanos analisa os cargos considerando alguns atributos de cada função, chamados de fatores de avaliação,
aos quais são atribuídos pesos, de acordo com a importância de cada um.

Para cada fator de avaliação correspondem graus: I, II, III etc., em ordem crescente de importância. Por
exemplo, os graus referentes ao fator de avaliação “escolaridade” são:

I. Ensino fundamental completo

II. Ensino médio completo

III. Ensino superior completo

IV. Mestrado

V. Doutorado

VI. Pós-doutorado

Em seguida, são computados os totais de pontos, mínimo e máximo, que devem ser distribuídos aos graus.
Esses valores são arbitrários, mas é comum adotar-se como mínimo o valor 100 e como máximo um número
de 500 a 1.000. O total mínimo (100) é distribuído entre os fatores de avaliação, proporcionalmente aos pesos
(os valores assim obtidos preenchem a coluna correspondente ao grau I dos fatores de avaliação);
analogamente, o total máximo é distribuído entre os fatores de avaliação, proporcionalmente aos pesos (os
valores obtidos preenchem as células da tabela correspondentes ao último grau dos fatores).

Por exemplo, a tabela abaixo apresenta os fatores de avaliação referentes ao cargo de gerência e seus
respectivos pesos. Nela, adotou-se 100 como total mínimo de pontos e 500 como total máximo. Assim,
obtivemos os valores 19, 13, 13, 18, 14, 11 e 12 na coluna I da tabela e os valores 95, 65, 65, 90, 70, 55 e 60 nas
últimas células das linhas, respectivamente.

Cargo: Gerência Matriz para a conversão de graus em pontos


Total mínimo de pontos = 100 Total máximo de pontos = 500
Fatores de Ponderação I II III IV V VI
avaliação (pesos)
Escolaridade 19 19 95 ------
Conhecimento 13 13 65 ------ ------
específico
Responsabilidade 13 13 65
pelo patrimônio
Experiência 18 18 90 ------ ------ ------
Responsabilidade 14 14 70 ------
por contatos
Responsabilidade 11 11 55 ------
por supervisão
Complexidade 12 12 60 ------

Os números de pontos atribuídos aos graus intermediários, entre o primeiro e o último grau considerados para
cada fator, são obtidos por uma interpolação aritmética ou por uma interpolação geométrica entre o valor
mínimo e o valor máximo de cada fator.
Por meio de tabelas como essa, todos os funcionários da empresa são avaliados pelo mesmo critério, tornando
a avaliação mais justa, com o mínimo de subjetividade.

ATIVIDADES

Faça as atividades no caderno.

1 Copiem a tabela acima no caderno e preencham os espaços vazios de cada linha, empregando interpolações
aritméticas entre o valor mínimo e o máximo dos graus.

Ver Suplemento com orientações para o professor.

[ícone: calculadora] 2 Copiem essa tabela no caderno e preencham os espaços vazios de cada linha, empregando
interpolações geométricas entre o valor mínimo e o máximo dos graus.

Ver Suplemento com orientações para o professor.

[ícone: pesquisa] 3 Pesquisem na internet outra aplicação de Matemática na Gestão de Recursos Humanos. Não
é preciso resolver o(s) problema(s) encontrado(s), basta citar o endereço eletrônico e o assunto aplicado de
matemática.

Resposta pessoal.
Página 39

CAPÍTULO 2 - Trigonometria no triângulo


retângulo

Teleférico Laranjeiras, no Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Foto de 2013.

ELI PORFIRIO/ISUZU IMAGENS

Além da teoria

Um teleférico deve unir os topos A e B de dois morros de 108 m e 161 m de altura, respectivamente, em
relação ao terreno plano e horizontal de suas bases.

⃡ e o plano do terreno, como você calcularia a


Conhecendo a medida do ângulo α formado entre a reta 𝐴𝐵
distância entre os pontos A e B?
Ver Suplemento com orientações para o professor.

Neste capítulo, vamos aprender a relacionar as medidas dos lados com as medidas dos ângulos internos de um
triângulo retângulo, com o que será possível resolver problemas envolvendo ângulos e distâncias.
Página 40

1 A origem da Trigonometria

Problema 56 do papiro Rhind.

MUSEU BRITÂNICO, LONDRES

O termo Trigonometria (do grego trígónon, “triângulo”, e métron, “medida”) foi criado em 1595 pelo
matemático Bartholomeus Pitiscus para designar o ramo da Matemática que estuda as relações entre as
medidas dos lados e as medidas dos ângulos de um triângulo. Entretanto, a origem desse campo de estudo é
muito mais antiga.

O papiro Rhind, escrito no Egito por volta de 1650 a.C., apresenta um texto matemático com 85 problemas. O
de número 56, um dos mais antigos registros conhecidos sobre Trigonometria, trata da construção de
pirâmides, em que era essencial manter a mesma inclinação nas faces — requisito que levou os construtores a
manter constantes as razões entre as medidas dos lados dos triângulos retângulos, cujos catetos eram
determinados pela sobreposição de blocos de pedra. Atualmente, essas razões entre as medidas dos lados de
um triângulo retângulo são chamadas de razões trigonométricas.

2 Razões trigonométricas no triângulo retângulo


Dois triângulos são semelhantes quando os três ângulos internos de um deles são, respectivamente, congruentes
aos três ângulos internos do outro. Em consequência, as medidas dos lados de um desses triângulos são
proporcionais às medidas dos lados do outro.

HECTOR GOMEZ

Todos os triângulos retângulos que têm um ângulo agudo de medida a são semelhantes entre si.Veja alguns
desses triângulos na figura a seguir.

Da semelhança entre os triângulos OAB, OCD e OEF, temos:

𝐴𝐵 𝐶𝐷 𝐸𝐹 =
= = r1
𝑂𝐴 𝑂𝐶 𝑂𝐸

𝑂𝐵 𝑂𝐷 𝑂𝐹 =
= = r2
𝑂𝐴 𝑂𝐶 𝑂𝐸
𝐴𝐵 𝐶𝐷 𝐸𝐹
= = = r3
𝑂𝐵 𝑂𝐷 𝑂𝐹

As constantes r1 , r2 e r3 são razões trigonométricas chamadas, respectivamente, de seno de α (sen α),


cosseno de α (cos α) e tangente de α (tg α).

Como essas razões são as mesmas para todos os triângulos retângulos semelhantes entre si, podemos defini-
las com base em apenas um deles. Veja:

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

medida do cateto oposto a α 𝒃


sen α = =
medida da hipotenusa 𝒂

medida do cateto adjacente a α 𝒄


cos α = =
medida da hipotenusa 𝒂

medida do cateto oposto a α 𝒃


tg α = =
medida do cateto adjacente α 𝒄

Quando dizemos “cateto oposto a α”, estamos nos referindo ao “cateto oposto ao ângulo de medida a”. O mesmo vale
para o ”cateto adjacente a α “.
Página 41

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS

1 Com o auxílio de uma régua graduada e de um transferidor, calcular o valor aproximado de sen 42°, cos 42° e
tg 42°.

Resolução

Construímos um ângulo de 42° e traçamos uma perpendicular a um dos lados desse ângulo, conforme mostra a
figura a seguir.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Medindo com auxílio da régua os lados do triângulo ABO, obtemos:

AB = 1,5 cm; AO = 1,7 cm; BO = 2,2 cm

Assim, calculamos:

1,5
sen 42° = ≈ 0,7
2,2

1,7
cos 42° = ≈ 0,8
2,2

1,5
tg 42° = ≈ 0,9
1,7

Quando medimos um segmento de reta com uma régua graduada, cometemos, inevitavelmente, erros de
aproximação. Portanto, os resultados obtidos para sen 42°, cos 42° e tg 42° são valores aproximados. Existem
métodos mais eficientes para calcular esses valores, qualquer que seja a precisão desejada.

2 Sabendo que sen 36° = 0,58, cos 36° = 0,80 e tg 36° = 0,72, calcular o valor de x em cada figura.

a)

b)

c)
Nota:
Os valores das razões trigonométricas apresentados neste exercício são aproximados. Para simplificar os
enunciados e as resoluções, em outros exercícios também adotaremos valores aproximados como se fossem
valores exatos das razões trigonométricas.

Resolução

a) A razão trigonométrica aplicada deve ser a que relaciona os elementos:

• ângulo agudo (36°)

• hipotenusa (10)

• cateto oposto (x)

Tal razão é o seno. Assim, temos:

𝑥 𝑥 ∴ x = 5,8
sen 36° = ⇒ 0,58 =
10 10

Logo, x é igual a 5,8 cm.

b) As medidas relacionadas no triângulo retângulo são:

• ângulo agudo (36°)

• cateto adjacente (x)

• hipotenusa (5)

Dessa forma, a razão trigonométrica adequada é o cosseno. Assim, temos:

𝑥 𝑥∴x=4
cos 36° = ⇒ 0,80 =
5 5

Logo, x é igual a 4 m.

c) A razão trigonométrica que relaciona o ângulo agudo (36°), o cateto oposto (x) e o cateto adjacente (20) é a
tangente. Então, calculamos:

𝑥 𝑥 ∴ x = 14,40
tg 36° = ⇒ 0,72 =
20 20

Logo, o valor de x é 14,40 km.

3 A âncora de um barco pesqueiro, depois de lançada, atingiu o fundo do rio. Como a profundidade do rio nesse
ponto é menor que o comprimento da corda que prende a âncora ao barco, este se moveu 20 m em relação ao
ponto A, de onde foi lançada a âncora, esticando completamente a corda, que formou um ângulo agudo de
5
medida α com a superfície do rio tal que sen α = .
13

Calcular a profundidade do rio nesse ponto.


Resolução

No triângulo retângulo destacado na figura, observamos que 20 m é a medida do cateto adjacente ao ângulo
agudo de medida a e pretendemos calcular a medida x do cateto oposto a α; logo, a razão trigonométrica que
relaciona essas medidas é a tangente. Necessitamos, então, calcular tg α.

5
Como sen α = , deduzimos que existe um triângulo retângulo com um ângulo agudo de medida a tal que o
13
cateto oposto a esse ângulo mede 5 unidades e a hipotenusa mede 13 unidades:

Assim, a medida a do cateto adjacente a a pode ser obtida pelo teorema de Pitágoras:

a2 + 52 = 132 ⇒ a2 = 144

∴ a = 12

5
Assim, obtemos: tg α =
12

Retornando ao triângulo retângulo do enunciado do problema, temos:

5 𝑥 5
tg a = ⇒ =
12 20 12

∴ x ≈ 8,3

Portanto, a profundidade do rio é 8,3 m, aproximadamente.


Página 42

É possível relacionar as medidas dos ângulos internos com as medidas dos lados de um triângulo que não seja
retângulo? Ver Suplemento com orientações para o professor.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

1 Neste exercício, você vai calcular alguns valores aproximados de razões trigonométricas.

a) Com o auxílio de uma régua e de um transferidor, construa um triângulo retângulo com um ângulo de 35°.
Ver Suplemento com orientações para o professor.

b) Usando uma régua graduada, meça os lados do triângulo e calcule sen 35°, cos 35°, tg 35°, sen 55°, cos 55° e
tg 55°, com aproximação de duas casas decimais.

1. b) Resposta possível:

35° 55°
sen 0,57 0,82
cos 0,82 0,57
tg 0,70 1,43

Comentar com os alunos que os valores encontrados são aproximações.

2 Sabendo que sen 28° = 0,46, cos 28° = 0,88 e tg 28° = 0,53, calcule o valor de x em cada figura.

a)

3,52 cm

b)

2,3 cm

c)

5,3 dm

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO
3 Um engenheiro deve medir a largura de um rio. Para isso, fixa um ponto A na margem em que está e um

ponto B na margem oposta (conforme figura). Em seguida, ele se desloca 40 m perpendicularmente à reta 𝐴𝐵
até o ponto C e mede o ângulo A𝐶̂ B, obtendo 44°. Calcule a largura do rio.

(Dados: sen 44° = 0,69; cos 44° = 0,71; tg 44° = 0,96)

38,4 m

4 Retomando a situação da abertura deste capítulo, um teleférico deve unir os topos A e B de dois morros. Para
calcular a quantidade de cabos de aço necessária, um engenheiro mediu as alturas dos morros em relação a um
mesmo plano horizontal, obtendo 108 m e 161 m. Depois, mediu o ângulo que a reta𝐴𝐵⃡ forma com a
horizontal, obtendo 32°.

a) Faça um esquema da situação proposta no texto.

b) Calcule a distância entre os pontos A e B, sabendo que sen 32° = 0,53, cos 32° = 0,85 e tg 32° = 0,62.

100 m

[ícone: atividade em grupo] 5 Um helicóptero suspenso no ar, parado em um ponto B, é visto de dois pontos, A e
C, de um terreno plano e horizontal sob ângulos de medidas 58° e 61° com o terreno, respectivamente. Sabe-se
que os pontos A, B e C pertencem a um mesmo plano vertical e que a distância entre A e C é 68 m.

Considerando os valores da tabela a seguir, a altura h, em metro, em que se encontra o helicóptero em relação
ao terreno é:

ADILSON SECCO

58° 61°
sen 0,85 0,87
cos 0,53 0,48
tg 1,60 1,80

a) 60,1 m

b) 68,6 m
c) 57,6 m

d) 58,8 m

e) 55,5 m

alternativa c

Resolva os exercícios complementares 1 a 3.


Página 43

CRIANDO PROBLEMAS

[ícone: atividade em grupo] Inspirando-se nos exercícios propostos 3 a 5, elaborem e resolvam com o
auxílio de uma calculadora científica um problema sobre a trigonometria no triângulo retângulo
que envolva uma situação do cotidiano. Resposta pessoal.

MENTES BRILHANTES

A fibra óptica

Olhando para um objeto através de um tubo flexível e opaco, você só conseguirá vê-lo se o tubo
estiver com o formato reto e suas extremidades estiverem alinhadas com o objeto. Se o tubo estiver
curvado, você não verá o objeto, pois em meios transparentes e homogêneos a luz se propaga em
linha reta. Porém, é possível desviar a trajetória da luz, colocando um espelho na curva de modo
que a luz seja refletida para o seu olho.

ILUSTRAÇÕES: BRUNO MOTTA

Raciocinando desse modo, podemos fazer várias curvas no tubo e, por meio de uma composição de
espelhos, tornar possível a visualização do objeto. Esse é o princípio da fibra óptica, percorrida pela
luz através de reflexões sucessivas nas paredes da fibra, mesmo que ela apresente inúmeras curvas.

A transmissão da luz dentro da fibra é possível graças a uma diferença entre os índices de refração
do revestimento e do núcleo: o núcleo possui sempre um índice de refração mais elevado que o do
revestimento. Essa característica, aliada ao ângulo de incidência da luz, possibilita o fenômeno da
reflexão total, que ocorre sempre que a medida θ do ângulo de incidência seja tal que:

𝑛
sen θ > 𝑛𝑚𝑒𝑛𝑜𝑟
𝑚𝑎𝑖𝑜𝑟

propagação de luz em uma fibra óptica


ILUSTRAÇÃO: ADILSON SECCO

em que o numerador e o denominador da fração representam, respectivamente, o menor e o maior


índice de refração dos dois meios pelos quais a luz pode se propagar.

A fibra óptica foi inventada em 1952 pelo físico indiano Narinder Singh Kapany. Inicialmente,
Kapany achava que as aplicações de seu invento ficariam restritas à Medicina, no aperfeiçoamento
do endoscópio (instrumento utilizado para observar o interior do corpo humano); sua aplicação,
porém, vai muito além dessa área do conhecimento, sendo útil nas redes de comunicação
telefônicas, televisivas, computadorizadas etc.
Página 44

Relação entre o seno, o cosseno e a tangente de um ângulo agudo

Uma importante relação entre o seno, o cosseno e a tangente de um ângulo agudo é enunciada no teorema a
seguir.

𝒔𝒆𝒏 𝜶
Dado um ângulo agudo de medida α, tem-se: tg α =
𝒄𝒐𝒔 𝜶

Demonstração

Construímos um ângulo agudo de medida a e traçamos uma perpendicular a um dos lados do ângulo, obtendo
um triângulo retângulo com lados de medidas a, b e c, conforme a figura:

𝑏
𝒔𝒆𝒏 𝜶 𝒔𝒆𝒏 𝜶 𝑏
Calculando sen α e cos α e efetuando , concluímos que: = 𝑎𝑐 = = 𝑡𝑔 𝛼
𝒄𝒐𝒔 𝜶 𝒄𝒐𝒔 𝜶 𝑐
𝑎

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
4 Dados sen 40° = 0,64 e cos 40° = 0,76, determinar o valor de x na figura a seguir.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Resolução

𝑥
tg 40° =
10

Como temos os valores sen 40° = 0,64 e cos 40° 5 0,76, podemos determinar o valor de tg 40°:

𝑠𝑒𝑛 40° 0,64 ≈ 0,84


tg 40° 5 =
cos 40° 0,76

𝑥 ⇒ x = 8,4
Assim: 0,84 =
10

Logo, o valor de x é 8,4 m.

[ícone: calculadora] 5 Usando uma calculadora científica, explicar os procedimentos para calcular:

a) sen 22°;

b) a medida, em grau, do ângulo agudo cujo seno é igual a 0,7.

Resolução

Os procedimentos podem variar de uma calculadora para outra, dependendo da marca e do modelo usado.
Vamos exemplificar os procedimentos para um modelo de uma dessas marcas. Inicialmente, programe a
máquina para o cálculo da medida de ângulos em grau. Isso é feito pressionando a tecla “mode”. No visor
aparecerão estas opções:

Deg Rad Gra


1 2 3

Em seguida, pressione a tecla 1, correspondente a degree (grau em inglês). Assim, a calculadora está
programada conforme desejamos.
Página 45

a) Pressione as teclas na seguinte ordem: sin, 2, 2 e =

Há calculadoras em que se deve pressionar 2, 2, sin e =.

b) A tecla shift (que em inglês significa: troca, substituição, mudança, alteração) deve ser pressionada para
trocar a função da tecla. Por exemplo:

Se a função da tecla é o cálculo do seno, a tecla shift troca essa função para o cálculo do ângulo e vice-versa.
Pressione as teclas na seguinte ordem para obter a medida do ângulo agudo cujo seno é 0,7:

shift, sin–1, 0,., 7 e =

Relação entre o seno e o cosseno de ângulos complementares

Vamos lembrar o conceito de ângulos complementares.

Dois ângulos agudos de medidas α e β são complementares se, e somente se, α + β = 90°.

Dizemos também que as medidas α e β são complementares.

Neste tópico, vamos relacionar o seno e o cosseno de dois ângulos complementares por meio do seguinte
teorema:

Se α é a medida, em grau, de um ângulo agudo, então:

• sen α = cos (90° − α)

• cos α = sen (90° − α)

Observe que a e (90° − α) são medidas complementares.

Demonstração

Construímos um ângulo agudo de medida α e traçamos uma perpendicular a um dos lados do ângulo, obtendo
o triângulo retângulo com lados de medidas a, b e c, conforme a figura.

̂ é o complementar do ângulo 𝑩
Observe que o ângulo 𝑪 ̂ , pois:

̂ ) = 90° ⇒ m(𝑪
a + m(𝑪 ̂ ) = 90° − α

Assim:
𝒃
𝑠𝑒𝑛 𝛼 =
𝒂
𝒃} ⇒ sen 𝛼 = cos (90° − 𝛼)
𝑐𝑜𝑠 (90° − 𝛼) =
𝒂

𝒄
cos 𝛼 =
𝒂
𝒄} ⇒ cos α = sen (90° − α)
sen (90° − 𝛼) =
𝒂
Página 46

Desse modo, provamos que:

Se dois ângulos agudos são complementares, então o seno de um deles é igual ao cosseno do outro.

Exemplos

a) 30° é o complemento de 60°; logo: sen 30° = cos 60° e sen 60° = cos 30°

b) 12° é o complemento de 78°; logo: sen 12° = cos 78° e sen 78° = cos 12°

EXERCÍCIO RESOLVIDO
𝑠𝑒𝑛 23° +cos 67°
6 Sabendo que cos 23° = 0,92, calcular o valor da expressão: E =
4⋅ 𝑡𝑔 23°

Resolução

Como 23° é o complemento de 67°, temos cos 67° = sen 23°. Logo:

𝑠𝑒𝑛 23° + 𝑠𝑒𝑛 23° 2 𝑠𝑒𝑛 23° cos 23°


E= 𝑠𝑒𝑛 23° = 4 𝑠𝑒𝑛 23° = 2sen 23° ⋅
4⋅ 4𝑠𝑒𝑛 23°
𝑐𝑜𝑠 23° cos 23°

𝑐𝑜𝑠 23° 0,92


Ou seja: E = = = 0,46
2 2

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

6 Sabendo que sen 55° = 0,82 e cos 55° = 0,57, qual das alternativas apresenta a medida mais próxima de x?

ADILSON SECCO

a) 36 cm

b) 37 cm

c) 38 cm

d) 39 cm

e) 40 cm

alternativa d

7 Considerando sen 10° = 0,17 e sen 80° = 0,98, calcule cos 10°, cos 80°, tg 10° e tg 80°.

cos 10° = 0,98; cos 80° = 0,17; tg 10° = 0,17; tg 80° = 5,76
8 Na figura abaixo, as retas r e s formam entre si um ângulo de 37°, e o segmento 𝐴𝐵, contido em r, mede 18
cm.

rBA

Calcule a medida da projeção ortogonal do segmento 𝐴𝐵 sobre a reta s. (Dado: sen 53° = 0,79)

14,22 cm

9 Em um cinema, os olhos de um espectador estão no mesmo plano horizontal que contém a base da tela
vertical com 3,2 m de altura, conforme mostra a figura anterior. O espectador vê toda a extensão vertical da
15
tela sob um ângulo agudo de medida α tal que sen (90° − α) =
17

a) Calcule sen α, cos α e tg α.

8 15 8
sen α = ; cos α = ; tg α =
17 17 15

b) Calcule a distância entre os olhos do espectador e a base da tela.

6m

[ícone: atividade em grupo] 10 A partir de dois pontos, A e B, da margem reta de um cais, vê-se a proa C de um
navio ancorado tal que os ângulos C𝐴̂B e C𝐵̂A medem, respectivamente, 53° e 37°, conforme mostra a figura.
Calculem a distância entre o navio e o cais.

(Dados: AB = 200 m, sen 53° = 0,8 e cos 53° = 0,6)

96 m

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Resolva o exercício complementar 4.


Página 47

CONECTADO

PHOTO RESEARCHERS/GETTY IMAGES

Se fôssemos citar todos os campos do conhecimento nos quais a Trigonometria é aplicada,


certamente necessitaríamos de mais de uma página deste livro. Em vez disso, afirmamos que sua
aplicação se estende a todas as áreas técnico-científicas que relacionam medidas lineares e/ou
angulares. Por exemplo, no estudo da refração da luz, uma relação trigonométrica, conhecida como
Lei de Snell-Descartes, descreve o desvio angular na trajetória de um raio de luz que passa por dois
meios com diferentes índices de refração. Pesquise na internet (em sites confiáveis) informações
sobre essa lei e escreva um breve texto sobre o que você ler, ilustrando-o com um exemplo.

Ver Suplemento com orientações para o professor.

Ângulos notáveis

Para estudos posteriores de Trigonometria, convém conhecermos o seno, o cosseno e a tangente de alguns
ângulos. Pela facilidade das demonstrações, escolhemos os ângulos de medidas 30°, 45° e 60°, que
chamaremos de ângulos notáveis.

Ângulo de 45°

Vimos que a medida de cada diagonal de um quadrado de lado a é a √2 e que cada ângulo interno do quadrado
é dividido por uma diagonal em dois ângulos de 45°.

Assim, temos:

𝒂 = 𝟏 = √𝟐
sen 45° =
𝒂√2 √2 2

𝑎 = 𝟏 = √𝟐
cos 45° =
𝒂√2√2 2

𝒂
tg 45° = = 𝟏
𝒂

Ângulos de 30° e 60° Conforme já estudamos, a medida de cada altura de um triângulo equilátero de lado a
𝒂√3
é . Vimos que cada altura desse tipo de triângulo também é bissetriz interna e mediana.
2

Como cada ângulo interno do triângulo equilátero mede 60°, temos:


ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

𝒂
𝟏
sen 30° = 2
=
𝒂 2

𝒂√3
√3
cos 30° = 2
=
𝒂 2

𝑎
𝟏 √𝟑
tg 30° = 2
𝒂√3
= =
√3 3
2

Temos, ainda, que 60° é o complemento de 30°. Logo:

√𝟑
sen 60° = cos 30° =
2

1
cos 60° = sen 30° =
2

√3
𝑠𝑒𝑛 60°=
tg 60° = 2
1 = √3
cos 60°
2
Página 48

Podemos, então, montar a tabela a seguir, com os valores das razões trigonométricas dos ângulos notáveis.

Tabela trigonométrica dos ângulos notáveis


30° 45° 60°
sen 1 √2 √3
2 2 2
cos √3 √2 1
2 2 2
tg √3 1 √3
3

O seno de um ângulo é diretamente proporcional à medida do ângulo?

Ver Suplemento com orientações para o professor.

EXERCÍCIO RESOLVIDO

7 A base de um edifício está localizada em um terreno plano e horizontal. Para medir a altura desse edifício, um
engenheiro fixou-se em um ponto do terreno e mirou o topo do prédio sob um ângulo de 30° com o solo.
Depois, andou 50 metros em direção ao prédio e mirou novamente seu topo, mas, agora, sob um ângulo de 60°.
Desconsiderando a altura do engenheiro, calcular a altura do edifício.

Resolução

Primeiro, vamos fazer um esquema da situação:

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Indicando por h a altura do edifício, calculamos as medidas dos ângulos internos do triângulo ACD:

O triângulo ACD é isósceles, pois tem dois ângulos internos congruentes (30°); logo, os lados opostos a esses
ângulos são congruentes, isto é:

DA = DC = 50 m

Assim, do triângulo ABD, temos:

• ângulo agudo (60°);

• hipotenusa (50 m);

• cateto oposto (h).


Relacionando esses valores através do seno de 60°, concluímos que:

ℎ √3 ℎ
sen 60° = ⇒ =
50 2 50

∴ 2h = 50√3 ⇒ h = 25√3

Portanto, a altura do edifício é 25√3 m, ou seja, aproximadamente 43,3 m.


Página 49

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

11 Calcule o valor da expressão:

𝑠𝑒𝑛2 45° + 𝑐𝑜𝑠 4 60°


E=
𝑡𝑔4 60°

(Observação: Expressões do tipo senn α, cosn α e tgn α devem ser interpretadas como (sen α)n, (cos α)n e (tg α)n,
respectivamente.)

1
16

12 Sendo x = 10°, determine o valor da expressão:

3𝑥 15𝑥
𝑠𝑒𝑛 3𝑥+cos − 𝑠𝑒𝑛
E= 2
2 2
𝑡𝑔 6𝑥

(Observação: Expressões do tipo sen kx, cos kx e tg kx devem ser interpretadas como sen (kx), cos (kx) e tg (kx),
respectivamente.)

1
6

13 Em uma festa de São João, um foguete de vara foi lançado sob um ângulo de 60° com o terreno plano e
horizontal. Depois de percorrer 100 m em linha reta, ele explodiu. A que altura, em metro, em relação ao
terreno, ocorreu a explosão?

50√3 m

14 Os pontos A e B, extremos da popa e proa, respectivamente, de um veleiro de 12 m de comprimento são


presos ao topo D do mastro vertical CD por cabos esticados, conforme mostra a figura. Dado que os ângulos
D𝐴̂C e B𝐷
̂ C medem 45° e 30°, respectivamente, calcule:

a) a altura do mastro;

6(3 – √3) m ou, aproximadamente, 7,6 m

b)a medida do cabo AD.

6(3√2 – √6) m ou, aproximadamente, 10,76 m

15 (Enem) Para determinar a distância de um barco até a praia, um navegante utilizou o seguinte
procedimento: a partir de um ponto A, mediu o ângulo visual a fazendo mira em um ponto fixo P da praia.
Mantendo o barco no mesmo sentido, ele seguiu até um ponto B, de modo que fosse possível ver o mesmo
ponto P da praia, no entanto sob um ângulo visual 2α. A figura ilustra essa situação:
Suponha que o navegante tenha medido o ângulo α = 30° e, ao chegar ao ponto B, verificou que o barco havia
percorrido a distância AB = 2.000 m. Com base nesses dados e mantendo a mesma trajetória, a menor distância
do barco até o ponto fixo P será:

a) 1.000 m

b) 1.000√3 m

√3
c) 2.000 ⋅ 𝑚
3

d) 2.000 m

e) 2.000√3 m

alternativa b

16 Um balão meteorológico sobe verticalmente a partir de um ponto A do solo plano e horizontal. A 20 m de


altura, o balão é visto de um ponto B do chão sob um ângulo de 30° com o solo e, pouco depois, é visto do
mesmo ponto B sob um ângulo de 60° com o solo. Calcule a altura em que estava o balão quando foi visto sob o
ângulo de 60°.

60 m

[ícone: atividade em grupo] 17 Em plantas topográficas, uma curva de nível é uma linha imaginária formada por
todos os pontos de igual altitude da região representada. Por exemplo, a figura abaixo representa um morro
onde são destacadas as curvas de nível de 0 m, 30 m, 60 m e 90 m de altitude. A projeção ortogonal dessas
curvas em um plano paralelo aos planos das curvas de nível é chamada de mapa de curvas de nível. Para a
construção do mapa, adota-se uma escala conveniente e costuma-se espaçar igualmente as altitudes
representadas pelas curvas de nível. No exemplo abaixo elas foram espaçadas em 30 m.

90 m de altitude, 60 m de altitude, 30 m de altitude nível do mar, 0 m de altitude, 90, 60, 30, 0, mapa de curvas de nível

ILUSTRAÇÕES: ADILSON SECCO

De acordo com esses conceitos, considerem que uma montanha foi representada pelo mapa de curvas de nível
abaixo, em que as altitudes são dadas em metro. A e B representam pontos em curvas de nível diferentes. A
distância real entre eles é 300 m. Calculem a inclinação a, em relação ao plano horizontal, do segmento que une
os correspondentes dos pontos A e B na montanha, com 0° < 𝑎 < 90°.
ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

30°

Resolva os exercícios complementares 5 a 7.


Página 50

CRIANDO PROBLEMAS

[ícone: atividade em grupo] Inspirando-se nos exercícios propostos 13 a 17, elaborem e resolvam um
problema sobre a trigonometria no triângulo retângulo que relacione ângulos notáveis e envolva
uma situação do cotidiano. Resposta pessoal.

EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES
Faça as atividades no caderno.

Ver Suplemento com orientações para o professor.

[ícone: calculadora] [ícone: atividade em grupo] 1 Façam o que é pedido.

a) Expliquem os procedimentos exigidos por sua calculadora científica para o cálculo de:

I) cos 37°

II) tg 10°

b) Expliquem os procedimentos exigidos por sua calculadora científica para o cálculo da medida, em grau, do
ângulo agudo:

1;
I) cujo cosseno é
5

1.
II) cuja tangente é
3

[ícone: calculadora] 2 A escada de embarque de um avião tem 10 m de comprimento. Um passageiro que sobe
essa escada atinge o último degrau a 7 m de altura em relação à pista do aeroporto. Calcule a inclinação, em
grau, da escada em relação à pista. (Dê como inclinação a medida do ângulo agudo.)

≈ 44,4°

3 (FEI-SP) Um observador, do alto de uma torre vertical, de altura h, enxerga a linha do horizonte. Sabendo que
o raio visual forma com a vertical da torre um ângulo de medida u, determine, em função de h e θ, a medida do
raio da Terra.

(Sugestão: O raio é perpendicular à reta tangente no ponto de tangência.)


ℎ 𝑠𝑒𝑛𝜃
R=
1− 𝑠𝑒𝑛𝜃

4 Em uma quadra retangular de tênis, cada linha lateral mede 23 m. Uma diagonal dessa quadra forma um
ângulo agudo de medida a com cada linha lateral tal que cos α = 2 sen α. Calcule o perímetro da quadra.

69 m

5 (Fuvest-SP) Dois pontos, A e B, estão situados na margem de um rio e distantes 40 m um do outro. Um ponto
C, na outra margem do rio, está situado de tal modo que o ângulo C𝐴̂B mede 75° e o ângulo A𝐶̂ B mede 75°.
Determine a largura do rio.

a) 40 m

b) 20 m

c) 20√3 m

d) 30 m

e) 25 m

alternativa b

6 Por causa da grande distância entre o Sol e a Terra, os raios solares que incidem em nosso planeta podem ser
considerados paralelos. Em um momento em que os raios solares formam ângulos de 34° com o plano da
circunferência do equador terrestre, um prédio vertical de 60 m de altura projeta uma sombra de 20√3 m
sobre o terreno plano e horizontal que contém sua base. Admitindo que a Terra seja esférica e que o prédio
esteja ao norte do equador, podemos concluir que o prédio está localizado em um ponto de latitude:

a) 4° norte

b) 48° norte

c) 44° norte

d) 68° norte

e) 64° norte

alternativa e

7 (Enem) Ao morrer, o pai de João, Pedro e José deixou como herança um terreno retangular de 3 km × 2 km que
contém uma área de extração de ouro delimitada por um quarto de círculo de raio 1 km a partir do canto inferior
esquerdo da propriedade. Dado o maior valor da área de extração de ouro, os irmãos acordaram em repartir a
propriedade de modo que cada um ficasse com a terça parte da área de extração, conforme mostra a figura.
ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Em relação à partilha proposta, constata-se que a porcentagem da área do terreno que coube a João
corresponde, aproximadamente, a:

√3
(𝑐𝑜𝑛𝑠𝑖𝑑𝑒𝑟𝑒 = 0,58)
3

a) 50%

b) 43%

c) 37%

d) 33%

e) 19%

alternativa e
Página 51

PRÉ-REQUISITOS PARA O CAPÍTULO 3


Faça as atividades no caderno.

Responda às questões a seguir, cuja finalidade é rever os principais conceitos necessários para o
desenvolvimento da teoria e das atividades do Capítulo 3.

1 Faça um desenho ilustrando cada uma das definições e propriedades abaixo.

a) Todo ângulo cujo vértice é o centro C de uma circunferência é chamado de ângulo central dessa
circunferência.

Ver Suplemento com orientações para o professor.

b) A medida, em grau, de um arco de circunferência é igual à medida do ângulo central que o determina.

c) Todo ângulo cujo vértice pertence a uma circunferência e os lados são secantes a ela é chamado de ângulo
inscrito nessa circunferência.

d) Em uma circunferência, um ângulo inscrito e um ângulo central que determinam o mesmo arco são
chamados ângulos correspondentes nessa circunferência.

e) Um triângulo está inscrito em uma semicircunferência quando seus três vértices pertencem a ela e um de
seus lados é diâmetro da semicircunferência.

f ) Um triângulo é acutângulo quando possui todos os seus ângulos internos agudos.

g) Um triângulo é obtusângulo quando possui um ângulo interno obtuso.

h) Dois triângulos semelhantes são chamados de triângulos congruentes quando a razão de semelhança
entre eles é 1.

i) Uma circunferência se diz circunscrita a um polígono quando todos os vértices do polígono pertencem à
circunferência. Nesse caso, diz-se, também, que o polígono está inscrito na circunferência.

j) Uma circunferência se diz inscrita em um polígono quando todos os lados do polígono tangenciam a
circunferência. Nesse caso, diz-se, também, que o polígono está circunscrito à circunferência.

k) Um polígono convexo que possui todos os lados congruentes entre si e todos os ângulos internos
congruentes entre si é chamado de polígono regular.

l) Chama-se centro de um polígono regular o centro da circunferência inscrita (ou circunscrita) ao polígono.

m) Dois ângulos quaisquer formados por duas retas paralelas e uma transversal ou têm medidas iguais, ou são
suplementares.

2 A medida de um ângulo inscrito é metade da medida do ângulo central correspondente. Considerando essa
propriedade, determine as medidas α, β e θ dos ângulos inscritos A𝑉̂B, C𝑊 ⏜
̂ D e E𝑃̂F, abaixo, em que o arco 𝐸𝑃𝐹
é uma semicircunferência.

a)
a = 32°

b)

β = 50°

c)

ILUSTRAÇÕES: ADILSON SECCO

θ = 90°

3 Observando o item c do exercício anterior, podemos afirmar que todo triângulo inscrito em uma
semicircunferência é:

a) obtusângulo.

b) acutângulo.

c) retângulo.

d) isósceles.

e) escaleno.

alternativa c
Página 52

4 O comprimento c (perímetro) de uma circunferência de raio r é dado por c = 2πr, em que π é um número
irracional que vale, aproximadamente, 3,14. Considerando essa propriedade, resolva o exercício a seguir.

A circunferência máxima que está contida na superfície terrestre e divide o planeta nos hemisférios norte e sul
é chamada de linha do equador. Seu raio é 6.370 km.

a) Adotando π = 3,14, calcule o comprimento da linha do equador, em quilômetro.

≈ 40.003,6 km

b) Um navio percorreu um arco de 10° sobre a linha do equador. Calcule o comprimento, em quilômetro, do
trecho percorrido pelo navio.

≈ 1.111,2 km

Trabalhando em equipe

“Comprometimento individual a um esforço conjunto – isso é que faz um time funcionar, uma empresa funcionar,
uma sociedade funcionar, uma civilização funcionar.”

Vince Lombardi, primeiro treinador campeão do Super Bowl.

Componha uma equipe com alguns colegas e discutam as seções a seguir.

ANÁLISE DA RESOLUÇÃO
Um aluno resolveu o exercício conforme a reprodução a seguir. Um erro foi cometido.
Apontem o erro e refaçam a resolução no caderno, corrigindo-a.

Exercício

Calcule a medida x, em metro, do segmento 𝐷𝐸 da figura a seguir.

FAUSTINO

O aluno foi induzido, pela figura, a supor que o quadrilátero ABCE é um quadrado, o que não é verdade.

̂ B e C𝐵̂ D medem 30° cada um; portanto, o triângulo BCD é isósceles, com CB = CD = 50 m.
Resolução correta: Os ângulos C𝐷

Assim, no triângulo CDE temos:

𝐷𝐸 1 𝑥
sen 30° = ⇒ =
𝐶𝐷 2 50

∴ x = 25
Logo, a medida do segmento 𝐷𝐸 é 25 m.

Resolução

No triângulo CD temos:

tg 30° = 𝐶𝐸 =>
𝐷𝐸 √3 = 𝑥
3 50

∴ x = 503 3

50√ 3
Logo, a medida do segmento 𝐷𝐸 é 𝑚.
3
Página 53

MATEMÁTICA SEM FRONTEIRAS

Distância da Terra à Lua

Representação artística da Terra e do Sol vistos da Lua.

CHRIS BUTTLER/SCIENCE PHOTO LIBRARY/LATINSTOCK

Utilizando as relações trigonométricas, os astrônomos calculam as dimensões de corpos celestes e a distância


entre eles. Para exemplificar, mostraremos uma maneira de calcular a distância entre a Terra e a Lua e a
medida do raio desse satélite.

Suponhamos que em um observatório astronômico A a Lua seja vista no zênite, isto é, na vertical; no
observatório B, ela é vista na linha do horizonte, conforme representação esquemática abaixo.

Conhecendo a medida R do raio da Terra e a medida a do ângulo central A𝑶 ̂ B, que é igual à medida do ar com

𝑨𝑩, pode-se obter a distância entre a Terra e a Lua (AL) da maneira descrita abaixo.

𝑹 𝑹
cos α = ⇒ AL = −𝑅
𝑨𝑳 + 𝑹 cos 𝛼

Para o cálculo da medida r do raio da Lua, inicialmente medimos o ângulo β formado pelas duas retas
⃡ e 𝑨𝑻
tangentes 𝑨𝑻 ⃡ ′ a um círculo máximo do satélite, conforme a figura a seguir:

m(TâT’) = β
ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Sendo AL = d, do triângulo retângulo ACT, obtemos:

𝛽
𝛽 = 𝒓 ⇒ r = 𝒅 ⋅ 𝑠𝑒𝑛 2
sen 𝛽
2 𝒅+ 𝒓 1 − 𝑠𝑒𝑛
2

ATIVIDADE

Faça a atividade no caderno.

[ícone: calculadora] 1 O Sol é visto de um ponto da Terra sob um ângulo de 0,53° aproximadamente. Sabendo
que a distância da Terra ao Sol é algo em torno de 150.000.000 km, calculem uma medida aproximada do raio
do Sol.

≈ 693.000 km
Página 54

CAPÍTULO 3 - Circunferência trigonométrica:


seno e cosseno

Satélite Glory na órbita terrestre. Foto de 2011.

NASA

Além da teoria

Ao plano da órbita circular de um satélite ao redor da Terra é associado um sistema cartesiano cuja
unidade adotada nos eixos é o quilômetro, e a origem O é o centro da Terra e também da órbita,
conforme mostra o esquema abaixo, em que A(900, 0) e B são os pontos dessa órbita.
FAUSTINO

1. Quais são as coordenadas do ponto B para α = 30°?

(450√3, 450)

2. Sabendo que em determinado instante a posição do satélite é o ponto B(450, 450, √3), determine a
medida α do ângulo agudo A𝑂̂B.

60°

Observamos, pelos itens 1 e 2, que as coordenadas do ponto B são obtidas em função do raio da circunferência e da
medida α do ângulo central A𝑂̂B. Essa ideia será aplicada nas definições de seno e cosseno de um arco
trigonométrico.
Página 55

1 O radiano, unidade de medida de arco e de ângulo

No estudo da Geometria plana, é comum o uso do grau como unidade de medida de ângulo e de arco de
circunferência. Neste capítulo, estudaremos outra unidade para medir arco e ângulo: o radiano, definido a
seguir.

⏜ contido em uma circunferência de raio r e centro O tal que o comprimento do arco


Consideremos um arco 𝐴𝐵
⏜ seja igual a r.
𝐴𝐵

⏜ é 1 radiano (1 rad).
Dizemos que a medida do arco 𝐴𝐵

Lembre-se de que a circunferência corresponde a um arco de uma volta completa e por isso mede 360°, 1° equivale
a 60' e 1' equivale a 60".

Um radiano (1 rad) é a medida de um arco cujo comprimento é igual ao do raio da circunferência que o
contém.

Um ângulo A𝑂̂ B mede 1 rad se, e somente se, determinar em uma circunferência de centro O um arco de 1 rad.

Por uma figura de retórica denominada metonímia, admite-se chamar de raio da circunferência tanto o segmento
que une o centro a um ponto da circunferência quanto a medida desse segmento.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
⏜ , de 20 cm, contido na circunferência de raio 5 cm,
1 Determinar a medida, em radiano, do arco 𝐴𝑀𝐵
representados abaixo.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Resolução
Pela definição, nessa circunferência, cada arco de 1 rad tem 5 cm de comprimento. Assim, por meio de uma
⏜ :
regra de três, determinamos a medida x, em radiano, do arco 𝐴𝑀𝐵

20
Logo: x = rad = 4 rad
5

Dizer que o arco ⏜


𝑨𝑴𝑩 mede 4 rad é o mesmo que dizer que o comprimento do arco é o quádruplo do comprimento
do raio.
Página 56

A medida da circunferência em radiano

Sabemos que uma circunferência mede 360°. Qual é sua medida em radiano?

Para responder a essa pergunta, consideremos uma circunferência cujo raio tenha medida r. Como o
comprimento dessa circunferência é 2πr, podemos obter sua medida x, em radiano, por meio de uma regra de
três:

2𝜋𝑟
Logo: x = rad = 2π rad
𝑟

Assim, concluímos que:

A medida de uma circunferência é 2π rad.

Transformações de unidades

Dizemos que uma medida em radiano é equivalente a uma medida em grau se ambas são medidas de um
mesmo arco; por exemplo, 2π rad é equivalente a 360°, pois são medidas de um arco de uma volta completa.
Consequentemente, temos:

π rad é equivalente a 180°.

Essa equivalência nos permite transformar unidades, ou seja, tendo a medida de um arco em grau, podemos
obter a medida desse arco em radiano e vice-versa.

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
2 Determinar a medida, em radiano, equivalente a 150°.

Resolução

Lembrando que π rad é equivalente a 180°, basta resolver a regra de três:

150𝜋 5𝜋
x= radianos ⇒ x = rad
180 6

5𝜋
Logo, rad equivalem a 150°.
6

𝜋 rad.
3 Determinar a medida, em grau, equivalente a
3

Resolução
Medida em radiano

π 180

Medida em grau

𝜋
π x
3

𝜋
180 ⋅
x= 3
graus ⇒ x = 60°
𝜋

𝜋
Logo, 60° equivalem a rad.
3
Página 57

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

1 (Enem) Nos X-Games Brasil, em maio de 2004, o skatista brasileiro Sandro Dias, apelidado “Mineirinho”,
conseguiu realizar a manobra denominada “900”, na modalidade skate vertical, tornando-se o segundo atleta
no mundo a conseguir esse feito. A denominação “900” refere-se ao número de graus que o atleta gira no ar em
torno de seu próprio corpo, que, no caso, corresponde a:

a) uma volta completa.

b) uma volta e meia.

c) duas voltas completas.

d) duas voltas e meia.

e) cinco voltas completas.

alternativa d

2 Calcule a medida, em radiano, de um arco de 10 cm contido em uma circunferência com 2,5 cm de raio. 4 rad

3 Determine a medida, em radiano, equivalente a:

a) 30°

𝜋
rad
6

b) 120°

2𝜋
rad
3

c) 225°

5𝜋
rad
4

d) 300°

5𝜋
rad
3

e) 240°

4𝜋
3

f) 330°

11𝜋
6

4 Determine a medida, em grau, equivalente a:

𝜋
a) rad 45°
4
3𝜋
b rad 270°
2

c)
7𝜋
rad 210°
6

2𝜋
d) rad 72°
5

5𝜋
e) rad 300°
3

5 O disco de vinil é uma mídia desenvolvida no início da década de 1950 para a reprodução musical. Um dos
100 rpm
vários tipos de disco de vinil é o LP (Long Play), gravado para ser reproduzido a (rotações por minuto).
3

Ao ser reproduzido com essa especificação, qual é a velocidade de rotação de um LP em rad/s?

10𝜋
rad /s ou, aproximadamente, 3,5 rad/s
3

[ícone: atividade em grupo] 6 Supondo que a Terra seja esférica, toda circunferência contida na superfície
terrestre e em um plano perpendicular ao eixo de rotação do planeta é chamada de paralelo terrestre. O
paralelo cujo centro coincide com o centro da Terra é a linha do Equador, cujo raio é de 6.370 km, o mesmo
raio da Terra.

A linha do Equador passa pela cidade brasileira de Macapá, no Amapá. Ali existe um obelisco, no qual se
destaca o marco zero, localizado sobre um ponto P da linha do Equador.

Os cinco principais paralelos terrestres

ANDERSON DE ANDRADE PIMENTEL

Marco zero, na cidade de Macapá. Foto de 2014.

FABIO COLOMBINI

O movimento de rotação da Terra faz com que o ponto P gire em torno do eixo do planeta. Considerando o arco
de circunferência 𝐴𝐵⏜ descrito pelo ponto P em torno do eixo de rotação da Terra, durante 9 horas, respondam
aos itens a seguir.

⏜ em quilômetro e sua medida em grau e em radiano.


a) Calculem o comprimento do arco 𝐴𝐵

9.555𝜋 3𝜋
Comprimento: km ou, aproximadamente, 15.000 km; medida em grau: 135˚; medida em radiano: rad
2 4
b) Se um ponto Q da superfície terrestre não pertence ao Equador nem coincide com um dos polos, norte ou
sul, quantos radianos ele gira em torno do eixo do planeta em 9 horas?

3𝜋
rad
4

Resolva os exercícios complementares 1 a 3.

CRIANDO PROBLEMAS

[ícone: atividade em grupo] Inspirando-se nos exercícios propostos 5 e 6, elaborem e resolvam um


problema relacionando grau e radiano que envolva uma situação do cotidiano. Resposta pessoal.
Página 58

2 Circunferência trigonométrica
Em um triângulo retângulo, as razões trigonométricas seno, cosseno e tangente de um ângulo agudo não
dependem do tamanho do triângulo, mas da medida do ângulo. Por isso, na construção de uma tabela com
essas razões para vários ângulos, podemos considerar triângulos retângulos que tenham hipotenusas de
mesma medida e variar a medida do ângulo agudo. Assim, teremos tantos triângulos retângulos quantos
quisermos. Na figura ao lado, estão representados alguns desses triângulos.

ADILSON SECCO

Note que:

• os vértices B, C, D e E pertencem à mesma circunferência, cujo raio é a medida da hipotenusa dos triângulos;

• se adotarmos a medida da hipotenusa como unidade (1), o seno e o cosseno de um ângulo agudo de vértice O,
em cada um desses triângulos, serão, respectivamente, a medida do cateto oposto e a medida do cateto
adjacente a esse ângulo. Por exemplo, no triângulo retângulo BOB’, com m(B𝑂̂ B’) = α, temos:

𝐵𝐵′ = 𝐵𝐵’ =
sen α = BB'
𝑂𝐵 1

𝑂𝐵’ = 𝑂𝐵’
cos α = = OB’
𝑂𝐵 1

Ou seja, o seno e o cosseno de α são a medida do cateto oposto a α (BB’) e a medida do cateto adjacente a α
(OB’), respectivamente, quando a hipotenusa é adotada como unidade (1).

Essas ideias levaram os matemáticos a definir as razões trigonométricas em uma circunferência, chamada de
circunferência trigonométrica, na qual os conceitos de seno, cosseno e tangente são estendidos também
para ângulos não agudos.

Em um plano, considere uma circunferência de raio r unitário (r = 1), cujo centro coincide com a origem de um
sistema cartesiano ortogonal. Essa estrutura, com as convenções a seguir, é a circunferência trigonométrica.

ADILSON SECCO

• O ponto A(1, 0) é a origem dos arcos a serem medidos na circunferência.

• Se um arco for medido no sentido horário, então, ao valor absoluto dessa medida, será atribuído o sinal
negativo (−).
• Se um arco for medido no sentido anti-horário, então, ao valor absoluto dessa medida, será atribuído o sinal
positivo (+).

• Os eixos coordenados dividem o plano cartesiano em quatro regiões, chamadas de quadrantes (Q); esses
quadrantes são numerados no sentido anti-horário, a partir do ponto A, como mostra a figura.

• Os pontos dos eixos coordenados não pertencem a nenhum quadrante.

Arcos trigonométricos

Aos pontos da circunferência trigonométrica associamos medidas em grau ou em radiano. Cada medida
⏜.
associada a um ponto M qualquer indica a medida do arco 𝐴𝑀

Exemplos

ILUSTRAÇÕES FAUSTINO
Página 59

Arcos côngruos

Girando 30° no sentido anti-horário, a partir do ponto A da circunferência trigonométrica ao lado, paramos no
ponto M; logo, 30° é uma medida associada ao ponto M.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Quando a medida a estiver associada ao ponto M da circunferência trigonométrica, indicaremos: M(α)

Há, porém, infinitas outras medidas associadas ao ponto M. Por exemplo:

• Girando uma volta completa mais 30° no sentido anti-horário, a partir do ponto A, também paramos no ponto
M. Logo, 360° + 30°, isto é, 390°, também é uma medida associada ao ponto M.

• Girando 330° no sentido horário, a partir do ponto A, paramos no ponto M. Logo, –330° também é uma
medida associada ao ponto M.

Arcos trigonométricos que têm a mesma extremidade são chamados de arcos côngruos.

Se α e β são medidas de arcos côngruos, indicamos: α ≡ β (lê-se: “α é côngruo a β”).

Assim, no exemplo anterior, temos: 30° ≡ 390° ≡ –330°

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
4 Calcular as medidas x, em grau, associadas ao ponto B da circunferência trigonométrica abaixo, nas quatro
primeiras voltas positivas (0° ≤ x <1.440°).

Resolução
A medida em radiano associada ao ponto 𝛣 na 1ª volta positiva é 90°. Assim, as outras medidas associadas ao
ponto 𝛣 são:

• na 2ª volta positiva: 90° + 360° = 450°

• na 3ª volta positiva: 90° + 2 ∙ 360° = 810°

• na 4ª volta positiva: 90° + 3 ∙ 360° = 1.170°

Logo, as medidas dos arcos côngruos procuradas são: 90°, 450°, 810° e 1.170°.

5 Determinar as medidas x, em radiano, associadas ao ponto A’ da circunferência trigonométrica a seguir, nas


quatro primeiras voltas positivas (0 ≤ x < 8π).

Resolução

A medida em radiano associada ao ponto A’ na 1ª volta positiva é π. Assim, as outras medidas associadas ao ponto A’
são:

• na 2ª volta positiva: π + 2π = 3π

• na 3ª volta positiva: π + 2 ⋅ 2π = 5π

• na 4ª volta positiva: π + 3 ⋅ 2π = 7π

Logo, as medidas dos arcos côngruos procurados são: π, 3π, 5π e 7π.

Ao indicar a medida de um arco trigonométrico em radiano, não é preciso explicitar a unidade rad; basta escrever o
número real associado ao ponto extremo do arco. Explicaremos o porquê dessa convenção no item seguinte.
Página 60

6 Calcular a medida x do arco da 1ª volta positiva (0° ≤ x < 360°) que possui a mesma extremidade do arco de
1.140°.

Resolução

Basta desconsiderar do arco de 1.140° todas as voltas completas. Para isso, dividimos 1.140° por 360°:

Assim, 1.140° = 3 ⋅ 360° + 60°, ou seja, o arco de 1.140° tem três voltas completas mais 60°. Logo,
desconsiderando as voltas completas, obtemos a medida x do arco côngruo ao arco de 1.140° na 1ª volta
positiva: x = 60°

7 Determinar a medida x do arco da 1ª volta positiva (0 ≤ x < 2π) que possui a mesma extremidade dos arcos a
seguir.

17𝜋
a) rad
2

19
b) rad
3

Resolução

Como no exercício anterior, basta desconsiderar de cada arco todas as voltas completas. Para isso, vamos
transformar a medida de cada arco em uma soma de duas parcelas de modo que uma delas represente o total
de voltas completas contidas no arco, isto é:

17𝜋 = 16𝜋 + 𝜋 = 𝜋
a) 8𝜋
⏟ +
2 2 2 2
quatro voltas completas

17𝜋 ≡ 𝜋 𝜋
Desconsiderando as voltas completas, concluímos que . Assim, a medida x procurada é .
2 2 2

19𝜋 = 18𝜋 + 𝜋 = 𝜋
b) 6𝜋
⏟ +
3 3 3 3
três voltas completas

19𝜋 ≡ 𝜋 𝜋
Desconsiderando as voltas completas, concluímos que . Assim, a medida x procurada é .
3 3 3

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

⏜ é 50°. Determine todas as medidas x associadas à extremidade M


7 A medida de um arco trigonométrico 𝐴𝑀
em cada uma das condições.

a) 0° ≤ x < 1.080°

50°, 410° e 770°

b) −720° ≤ x < 0°

−310° e −670°

6𝜋
⏜é
8 A medida de um arco trigonométrico 𝐴𝑀 rad.
7
Encontre todas as medidas x associadas à extremidade M em cada uma das condições.

a) 0 ≤ x < 6π

6𝜋 20𝜋 34
rad, rad, π rad
7 7 7

b) −4π ≤ x < 0

8𝜋 22𝜋
− rad, − rad
7 7

9 Calcule a medida do arco trigonométrico, da 1ª volta positiva, côngruo ao arco de medida:

a) 2.923°

43°

b) −40°

320°

45𝜋
c) rad
11

𝜋
rad
11

38𝜋
d) rad
5

8𝜋
rad
5

𝜋
e) − rad
13

25𝜋
rad
13

10 O ponto M, representado abaixo, é extremidade de um arco trigonométrico de 2.040°.

Determine a medida x associada ao ponto M:

a) com 0° ≤ x < 360°, isto é, na 1ª volta do sentido positivo; 240°

b) com 360° ≤ x < 720°, isto é, na 2ª volta do sentido positivo; 600°

c) com 720° ≤ x < 1.080°, isto é, na 3ª volta do sentido positivo; 960°

d) com 2360° ≤ x > 0°, isto é, na 1ª volta do sentido negativo. −120°

11 O hexágono regular ABCDEF está inscrito na circunferência trigonométrica.


ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Determine as medidas x, em radiano, associadas:

a) aos vértices desse hexágono, com 0 ≤ x < 2π;

𝜋 2𝜋 4𝜋 5𝜋
0 rad, rad, rad, π rad, rad e rad
3 3 3 3

b) ao vértice C, com 2π < x < 6π;

8𝜋 14𝜋
rad e rad
3 3

c) ao vértice F, com −4π ≤ x < 0.

𝜋 7𝜋
− rad e rad − rad
3 3

12 Considere a zero hora do dia primeiro de determinado mês como o início do momento das medições dos
arcos descritos pelos ponteiros das horas e dos minutos de um relógio analógico.

MAKSYM BONDARCHUK/ SHUTTERSTOCK


Página 61

Responda às questões.

a) Qual é a medida, em grau, do arco descrito pela extremidade móvel do ponteiro dos minutos até a zero hora
do dia 5 do mês em questão? 34.560°

b) Qual é a medida, em grau, do arco descrito pela extremidade móvel do ponteiro das horas até a zero hora do
dia 5 do mês em questão? 2.880°

c) Seja a sequência crescente (an) cujos termos são as medidas, em grau, dos arcos descritos pela extremidade
móvel do ponteiro dos minutos em todos os instantes em que ele passou pelo número 3 do mostrador até a
zero hora do dia 2 do mês em questão. Qual é o termo geral dessa sequência? Qual é o último termo dessa
sequência? an = 90° + 360°(n − 1); último termo: 8.370°

d) Seja a sequência crescente (bn) cujos termos são as medidas, em grau, dos arcos descritos pela extremidade
móvel do ponteiro dos minutos em todos os instantes em que ele passou pelo número 3 ou pelo número 9 do
mostrador até a zero hora do dia 2 do mês em questão. Qual é o termo geral dessa sequência? Qual é o último
termo dessa sequência?

bn = 90° + 180°(n − 1); último termo: 8.550°

Resolva os exercícios complementares 4 e 5.

CRIANDO PROBLEMAS

[ícone: trabalho em grupo] Inspirando-se no exercício proposto 12, elaborem e resolvam um problema
sobre arcos circulares com medidas maiores que 360° que envolva uma situação do cotidiano.

Resposta pessoal.

Associando números reais aos pontos da circunferência trigonométrica

Vamos considerar a correspondência que associa cada medida em radiano ao número real que a representa.
Por exemplo, associamos à medida:

• 0 rad o número real 0;

• 1 rad o número real 1; π

𝜋 𝜋;
• rad o número real
2 2

• π rad o número real π;

• x rad o número real x.

Dessa forma, associamos a cada número real um ponto da circunferência trigonométrica:


Medidas em radiano associadas a pontos da circunferência trigonométrica

Números reais associados a pontos da circunferência trigonométrica

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO
Página 62

Note que a cada ponto da circunferência trigonométrica estão associados infinitos números reais. Por exemplo,
considerando as infinitas voltas que podemos girar nos dois sentidos, horário e anti-horário, o ponto A da
circunferência trigonométrica anterior é extremidade dos arcos de medidas:

..., –4π rad, −2π rad, 0 rad, 2π rad, 4π rad, 6π rad, 8π rad, ...

Logo, ao ponto A estão associados os infinitos números reais:

..., –4π, −2π, 0, 2π, 4π, 6π, 8π, ...

Observando que a diferença entre dois termos consecutivos quaisquer dessa sequência é 2π, podemos
representar todos esses números reais por:

x = 0 + k ⋅ 2π, com k ∈ ℤ, ou, simplesmente, x = k ⋅ 2π, com k ∈ ℤ

É importante ressaltar que existem infinitas expressões diferentes que podem representar os números reais
associados ao ponto A. Basta adicionar a qualquer termo da sequência (..., −4π, −2π, 0, 2π, 4π, 6π, 8π, ...) um
múltiplo de 2π; por exemplo: x = 6π + k ⋅ 2π, com k ∈ ℤ.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
8 Obter uma expressão que represente todos os números reais associados aos pontos A ou A9 da
circunferência trigonométrica a seguir.

FAUSTINO

Resolução

As medidas algébricas, em radiano, dos infinitos arcos com extremidades em A ou A’ são: ..., −π rad, 0 rad, π
rad, 2π rad, 3π rad, 4π rad, 5π rad, ...

Logo, os infinitos números reais associados a A ou A’ são: ..., −π, 0, π, 2π, 3π, 4π, 5π, ...

Observando que a diferença entre dois termos consecutivos quaisquer dessa sequência é π, podemos
representar todos esses números reais por:

x = 0 + kπ, com k ∈ ℤ, ou, simplesmente, x = kπ, com k ∈ ℤ

Qualquer expressão que represente a soma de um termo dessa sequência com um múltiplo de π pode ser dada
como resposta; por exemplo: x = π + kπ, com k ∈ ℤ.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

13 A circunferência trigonométrica abaixo está dividida em quatro arcos congruentes pelos pontos A, B, A' e B'.
FAUSTINO

Obtenham uma expressão que represente todos os números reais associados:

a) ao ponto A’; π + k ⋅ 2π, com k ∈ ℤ

b) ao ponto B; 𝜋2 + k ⋅ 2π, com k ∈ ℤ

c) aos pontos B ou B’; 𝜋2 + kπ, com k ∈ ℤ

d) aos pontos A, B, A’ ou B’. k ⋅ 𝜋2 , com k ∈ ℤ

14 Os polígonos inscritos nas circunferências trigonométricas abaixo são regulares.

ADILSON SECCO

Em relação à associação de números reais aos pontos da circunferência trigonométrica, obtenha uma
expressão que represente os infinitos números reais associados aos vértices do:

a) hexágono regular ABCDEF;

𝜋
k ⋅ , com k ∈ ℤ
3

b) triângulo equilátero MNP.

𝜋 2𝜋
+k⋅ , com k ∈ ℤ
3 3
Página 63

1
15 Exatamente às 13 horas, um usuário programou seu computador para salvar, a cada de hora, o trabalho
4
digitado. Qual das alternativas abaixo apresenta todos os horários em que a máquina efetuou o salvamento
depois das 13 horas até as 17 horas e 35 minutos?

ZADOROZHNYI VIKTOR/ SHUTTERSTOCK

𝑘
a) (13 + ) horas, com k ∈ ℤ e 1 ≤ k ≤ 18
4

𝑘
b) (13 + ) horas, com k ∈ ℤ e 1 ≤ k ≤ 16
4

𝑘
c) (13 + ) horas, com k ∈ ℤ e 1 ≤ k ≤ 12
15

𝑘
d) (13 + ) horas, com k ∈ ℤ e 1 ≤ k ≤ 20
20

3𝑘
e) (13 + ) horas, com k ∈ ℤ e 1 ≤ k ≤ 8
4

alternativa a

Resolva o exercício complementar 6.

3 Simetrias
É de grande utilidade saber relacionar medidas de arcos trigonométricos com extremidades simétricas em
relação a um dos eixos coordenados ou à origem do sistema cartesiano. Isso ajudará, mais adiante, a calcular
senos, cossenos, tangentes etc. desses arcos.

Consideremos, por exemplo, o ponto M da circunferência trigonométrica abaixo, associado à medida 30°. Pelo
ponto M, tracemos três retas: a perpendicular ao eixo das ordenadas, a que passa pela origem do sistema e a
perpendicular ao eixo das abscissas. Essas retas interceptam a circunferência nos pontos N, P e Q,
respectivamente.

Os pontos N, P e Q são chamados de simétricos (ou correspondentes) do ponto M. Determinemos as medidas x


(com 0° ≤ x < 360°) associadas a esses pontos:
ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

• Os ângulos N𝑂̂ E e M𝑂̂ F têm a mesma medida, pois os triângulos NOE e MOF são congruentes. Logo, o arco
trigonométrico 𝐴𝑁⏜ mede 180° − 30°, ou seja, 150°.


• Os ângulos P𝑂̂ E e M𝑂̂ F têm a mesma medida, pois são opostos pelo vértice. Logo, o arco trigonométrico 𝐴𝑃
mede 180° + 30°, ou seja, 210°.

• Os ângulos Q𝑂̂ F e M𝑂̂ F têm a mesma medida, pois os triângulos QOF e MOF são congruentes. Logo, o arco
trigonométrico 𝐴𝑄⏜ mede 360° − 30°, ou seja, 330°.
Página 64

Generalizando esses resultados:

Sendo α uma medida em grau

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Sendo α uma medida em radiano

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

EXERCÍCIO RESOLVIDO
𝜋
9 O ponto M da circunferência trigonométrica abaixo está associado à medida rad Determinar as medidas x
6
(com 0 ≤ x < 2π) associadas aos pontos N, P e Q.

Resolução

5𝜋 7𝜋 11𝜋
Logo: N ( ), P ( ) e Q ( )
6 6 6

EXERCÍCIOS PROPOSTOS Faça as atividades no caderno.


16 O ponto M, da circunferência trigonométrica abaixo, está associado à medida 21°. Quais são as medidas x
(com 0° ≤ x < 360°) associadas aos pontos N, P e Q?
(159°) (201°) (339°)

𝜋
17 O ponto M, da circunferência trigonométrica abaixo, está associado à medida rad. Calcule as medidas x
5
(com 0 ≤ x < 2π) associadas aos pontos N, P e Q.

4π 6𝜋 9𝜋
( ) ( ) ( )
5 5 5
Página 65

18 Nas circunferências trigonométricas abaixo, determine as medidas x (com 0° < x , 360°) associadas aos
vértices dos retângulos.

a)

(60°) (240°) (300°)

b)

(150°) (30°) (330°)

c)

(130°) (50°) (230°)

19 Nas circunferências trigonométricas abaixo, quais são os números reais x (com 0 < x , 2π) associados aos
vértices dos retângulos?

a)

2π 9𝜋 12𝜋
( ) ( ) ( )
7 7 7

b)

2π 𝜋 5𝜋
( ) ( ) ( )
3 3 3

c)

5π 7𝜋 𝜋
( ) ( ) ( )
6 6 6
4 Seno e cosseno de um arco trigonométrico
Com base na ideia de seno e cosseno de um ângulo agudo de um triângulo retângulo, vamos estender o
conceito de seno e cosseno para um arco trigonométrico.

A transição do triângulo retângulo para a circunferência trigonométrica pode ser compreendida ao


considerarmos um arco trigonométrico 𝐴𝑀 ⏜ de medida a, com 0° < α < 90°.

Como o raio da circunferência trigonométrica mede 1 e a medida do ângulo central M𝑂̂ A é igual à medida do
⏜, em grau ou radiano, temos no triângulo retângulo OMP:
arco 𝐴𝑀

𝑂𝑃
cos α = = OP
1

𝑃𝑀
sen α = = PM
1

Portanto, cos α e sen α são, respectivamente, a abscissa e a ordenada do ponto M.

Ampliamos esse conceito para qualquer arco trigonométrico pela definição a seguir.

⏜ de medida a, chamam-se cosseno e seno de α a abscissa e a ordenada do


Dado um arco trigonométrico 𝐴𝑀
ponto M, respectivamente.

cos α = abscissa de M

sen α = ordenada de M

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO
Página 66

Assim, na circunferência trigonométrica, podemos nos referir ao eixo das abscissas como eixo dos cossenos e
ao eixo das ordenadas como eixo dos senos.

Exemplo

Como o raio da circunferência trigonométrica é unitário (medida igual a 1), as coordenadas dos pontos A, B, A’
e B ’ são:

Então, pela definição de cosseno e seno, temos:

• cos 0° = 1 • sen 0° = 0

• cos 90° = 0 • sen 90° = 1

• cos 180° = −1 • sen 180° = 0

• cos 270° = 0 • sen 270° = −1

• cos 360° = 1 • sen 360° = 0

Observe que, como a circunferência trigonométrica tem raio unitário, temos, para qualquer arco de medida x:

−1 ≤ cos x ≤ 1

−1 ≤ sen x ≤ 1.

Variação de sinal do seno

Vimos que o seno de um arco trigonométrico é a ordenada da extremidade desse arco. Como os pontos de
ordenadas positivas são os do 1º e os do 2 º quadrante e os pontos de ordenadas negativas são os do 3º e os do
4º quadrante, temos o seguinte esquema de sinais para o seno:

Exemplo

Os arcos trigonométricos de 20°, 140°, 220° e 300° têm extremidades nos pontos C, D, E e F, respectivamente,
conforme mostra a figura:
ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO
Página 67

Observando que:

• C e D são pontos do 1º e do 2º quadrante e que sen 20° e sen 140° são as ordenadas desses pontos,
respectivamente, temos sen 20° e sen 140° positivos;

• E e F são pontos do 3º e do 4º quadrante e que sen 220° e sen 300° são as ordenadas desses pontos,
respectivamente, temos sen 220° e sen 300° negativos.

Variação de sinal do cosseno

Vimos que o cosseno de um arco trigonométrico é a abscissa da extremidade desse arco. Como os pontos de
abscissas positivas são os do 1º e os do 4º quadrante e os pontos de abscissas negativas são os do 2º e os do 3º
quadrante, temos o esquema ao lado de sinais para o cosseno.

FAUSTINO

Exemplo

Na figura do exemplo anterior, observando que:

• C e F são pontos do 1º e do 4º o quadrante e que cos 20° e cos 300° são as abscissas desses pontos,
respectivamente, temos cos 20° e cos 300° positivos;

• D e E são pontos do 2º o e do 3º o quadrante e que cos 140° e cos 220° são as abscissas desses pontos,
respectivamente, temos cos 140° e cos 220° negativos.

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
10 Calcular o valor da expressão:

𝑠𝑒𝑛 180° + 𝑐𝑜𝑠 180° − 𝑠𝑒𝑛 270°


E= 𝑠𝑒𝑛 90° + 𝑐𝑜𝑠 360°

Resolução

Com base nos valores de seno e cosseno na circunferência trigonométrica, temos:

𝑠𝑒𝑛 180° +cos 180° − 𝑠𝑒𝑛 270°


E= =
𝑠𝑒𝑛 90° +cos 360°

0 + (−1) − (−1) 0
= = =0
1 +1 2

11 Determinar o sinal do produto:

P = sen 56° ⋅ cos 123° ⋅ sen 199° ⋅ cos 301°

Resolução
Os arcos trigonométricos de medidas 56°, 123°, 199° e 301° têm extremidades no 1º, 2º, 3º e 4º quadrantes,
respectivamente. Logo, da variação dos sinais do seno e do cosseno na circunferência trigonométrica, temos:
sen 56° > 0, cos 123° < 0, sen 199° < 0 e cos 301° > 0 Logo, pela regra de sinais, concluímos que P > 0.

MENTES BRILHANTES

As origens da Trigonometria

Hiparco de Niceia.

FÁBIO CORTEZ REIS

Hiparco de Niceia (190 a.C.-120 a.C.), astrônomo e matemático grego, é considerado um dos
precursores da Trigonometria (embora na época essa ciência não tivesse ainda esse nome) por ter
sido o pioneiro na construção de uma tabela com valores das razões trigonométricas. Para isso,
utilizou a concepção babilônica da divisão da circunferência em 360 graus, a divisão do grau em 60
minutos e a divisão do minuto em 60 segundos. Com base nessa graduação, estabeleceu os
paralelos e os meridianos terrestres.

Entre suas muitas contribuições para a Astronomia, calculou a duração do ano terrestre, com
aproximação de 6 minutos e 30 segundos, criou o primeiro catálogo estelar, mediu o diâmetro
aparente do Sol e da Lua, descobriu a precessão dos equinócios, introduziu o conceito de grandeza
de uma estrela (hoje chamado de magnitude), calculou a distância da Terra à Lua e elaborou uma
tabela com eclipses para os 600 anos seguintes a partir daquela data.
Página 68

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

20 Observe a circunferência trigonométrica e calcule o que se pede.

a) cos 0 e sen 0 1 e 0

𝜋 𝜋
b) cos e sen 0e1
2 2

c) cos 𝜋 e sen 𝜋 − 1 e 0

3
d) cos 𝜋 e sen 0 e −1
2

e) cos 2 𝜋 e sen 2 𝜋 1 e 0

21 Calcule o valor numérico da expressão:

𝑠𝑒𝑛 𝑥 −cos 2𝑥+cos 3𝑥


E= , para x = 90° −2
𝑠𝑒𝑛 3𝑥 −cos 𝑥

[ícone: atividade em grupo] 22 Considerando que a variável x possa assumir qualquer valor no conjunto ℝ,
respondam às questões a seguir.

a) É possível a igualdade − + 3 sen x = 8? não

b) Para que valores reais de m é possível igualdade 2 + 3 sen x = m? − 1 ≤ m < 5

[ícone: atividade em grupo] 23 Uma partícula se move sobre uma circunferência de centro O e raio de 5
centímetros, no sentido anti-horário e com velocidade escalar constante, completando uma volta a cada 3
segundos. Um sistema cartesiano ortogonal de origem O é fixado no plano da trajetória dessa partícula, e a
unidade adotada nos eixos é o centímetro.

Considerando que no instante inicial (t 5 0) a partícula passa pelo ponto (5, 0), respondam aos itens I e II a
seguir.

I. A função que expressa a abscissa da posição da partícula em cada instante t, em segundo, é:

5𝜋𝑡
a) f(t) = 3 cos
3

2𝜋𝑡
b) f(t) = 5 cos
3

3𝜋𝑡
c) f(t) = 3 cos
2

5𝜋𝑡
d) f(t) = 2 cos
3

3𝜋𝑡
e) f(t) = 5 cos
2

alternativa b

II. A função que expressa a ordenada da posição da partícula em cada instante t, em segundo, é:

5𝜋𝑡
a) g(t) = 2 sen
3
7𝜋𝑡
b) g(t) = sen
4

c) g(t) = sen2πt

2𝜋𝑡
d) g(t) = 5 sen
3

𝜋𝑡
e) g(t) = 5 sen
3

alternativa d

5 Redução ao 1º quadrante
No estudo da Trigonometria no triângulo retângulo, deduzimos a tabela trigonométrica dos ângulos notáveis.

Em razão da igualdade entre a medida do arco e a do ângulo central que determina esse arco na circunferência
trigonométrica, se consideramos 30°, 45° e 60° medidas de arcos trigonométricos, os valores dessa tabela
permanecem os mesmos.

O objetivo do estudo deste tópico é relacionar o seno e o cosseno de um arco do 2º, do 3º ou do 4º quadrante
com o seno e o cosseno do arco correspondente no 1º quadrante. Para exemplificar, utilizaremos a tabela dos
arcos notáveis.

Observe que ela apresenta senos e cossenos de alguns arcos do 1º quadrante. Vejamos como usar essa tabela
nos demais quadrantes acompanhando os exercícios resolvidos a seguir.

𝜋 𝜋 𝜋
30° ou 45° ou 60° ou
6 4 3
sen 1 √2 √3
2 2 2
cos √3 √2 1
2 2 2

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
12 Usando a tabela dos arcos notáveis, calcular sen 150° e cos 150°.

Resolução

A extremidade M do arco de 150° pertence ao 2º quadrante. Traçando por M a reta perpendicular ao eixo dos
senos, obtemos o ponto P, correspondente de M no1º quadrante, conforme a figura a seguir.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Os pontos M e P têm ordenadas iguais as abscissas opostas.

1 √3
Logo: sen 150° = sen 30° = e cos 150° = −cos 30° = −
2 2
Página 69

13 Usando a tabela dos arcos notáveis, calcular sen 240° e cos 240°.

Resolução

A extremidade M do arco de 240° pertence ao 3º quadrante. Traçando por M a reta que passa pelo centro da
circunferência, obtemos o ponto P, correspondente de M no 1º quadrante, conforme a figura a seguir.

Os pontos M e P têm ordenadas opostas e abscissas opostas.

√3 1
Portanto: sen 240° = −sen 60° = − e cos 240° = −cos 60° = −
2 2

14 Usando a tabela dos arcos notáveis, calcular sen 330° e cos 330°.

Resolução

A extremidade M do arco de 330° pertence ao 4º quadrante. Traçando por M a reta perpendicular ao eixo dos
cossenos, obtemos o ponto P, correspondente de M no 1º quadrante, conforme a figura a seguir.

Os pontos M e P têm ordenadas opostas e abscissas iguais. Logo:

1 √3
sen 330° = −sen 30° = − e cos 330° = cos 30° =
2 2

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

24 Consultando a tabela trigonométrica dos arcos notáveis, calcule:

a) sen 120° a) √3
2

b) cos 120° b) − 12

c) sen 210° c) − 12

d) cos 210° d) − √3
2

e) sen 300° e) − √3
2

f) cos 300° f ) 12
25 Em cada um dos itens a seguir, determine as coordenadas dos pontos assinalados.

a)

√3 1 √3 1 √3 1
a) N (− , ), P (− ,− ) eQ( ,− )
2 2 2 2 2 2

b)

√2 √2 √2 √2 √2 √2
b) M ( , ), N (− , )e Q( ,− )
2 2 2 2 2 2

c)

1 √3 1 √3 1 √3
c) M ( , ), N (− , )e P (− , − )
2 2 2 2 2 2

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO
Página 70

26 Consultando o exercício anterior, calcule o valor da expressão: 2

5𝜋 4𝜋
𝑠𝑒𝑛 − cos
E= 6
2 7𝜋
3
𝑠𝑒𝑛
4

27 Observando a figura, classifique cada uma das afirmações em verdadeira ou falsa.

a) sen (180° − α) = sen α verdadeira

b) sen (180° − α) = −sen α falsa

c) sen (180° + α) = sen α falsa

d) sen (180° + α) = −sen α verdadeira

e) sen (360° − α) = sen α falsa

f) sen (360° − α) = −sen α verdadeira

g) cos (180° − α) = cos α falsa

h) cos (180° − α) = −cos α verdadeira

i) cos (180° + α) = cos α falsa

j) cos (180° + α) = −cos α verdadeira

k) cos (360° − α) = cos α verdadeira

l) cos (360° − α) = −cos α falsa

(Observação: Mesmo que a extremidade do arco de medida α não esteja no 1º quadrante, as relações
anteriores que forem verdadeiras continuarão verdadeiras. Verifique!)

28 Observe que arcos trigonométricos de medidas opostas, α e −α, têm extremidades simétricas em relação ao
eixo das abscissas:
De acordo com essa conclusão, calcule:

a) cos (−30°) √3
2

𝜋
b) cos (− ) √2
2 4

c) sen (−60°) − √3
2

𝟐𝝅
d) sen (− ) − √3
𝟑 2

cos(180° + 𝑥)+ 𝑠𝑒𝑛 (180° + 𝑥)+ 𝑠𝑒𝑛 (180° − 𝑥)


29 Simplifique a expressão: E = , com cos x ≠ 0. E = −1
cos(360° − 𝑥)

[ícone: atividade em grupo] 30 Um satélite artificial gira em torno da Terra descrevendo uma circunferência
cujo centro O coincide com o centro da Terra.

BLEND IMAGES/COLIN ANDERSON/GETTY IMAGES

Ao plano da órbita desse satélite é associado um sistema cartesiano ortogonal de origem O, em que a unidade
adotada nos eixos é o quilômetro. Em relação a esse sistema, o satélite gira no sentido anti-horário e a função
4𝜋𝑡
f(t) = 300 cos expressa a abscissa da posição do satélite no instante t, em hora, em que t = 0 representa o
3
início da medição do tempo, conforme ilustra o esquema a seguir.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

a) Qual é a abscissa da posição do satélite 1,5 h após o início da medição de tempo? 300 km

b) Qual é a ordenada da posição do satélite 2,5 h após o início da medição do tempo? −150√3 km
c) Qual é a medida, em quilômetro, do raio da órbita do satélite? 300 km

d) Em quanto tempo o satélite completa uma volta ao redor da Terra? 1,5 h

Resolva os exercícios complementares 7 a 11.


Página 71

6 Relação fundamental da Trigonometria


Para qualquer arco trigonométrico de medida a, temos:

𝑠𝑒𝑛2 α + 𝑐𝑜𝑠2 α = 1

Vamos demonstrar apenas o caso em que a extremidade do arco de medida α é um ponto do 1º quadrante;
porém, é importante ressaltar que a relação continua verdadeira mesmo que essa extremidade não esteja no
1º quadrante.

Demonstração

Seja α a medida de um arco trigonométrico com extremidade no 1º quadrante, conforme mostra a figura
abaixo.

FAUSTINO

Aplicando o teorema de Pitágoras no triângulo OMP, temos: (𝑃𝑀)2 + (𝑂𝑃)2 =(𝑂𝑀)2

Sabemos que:

PM = sen α, OP = cos α e OM = 1 (raio)

Logo: 𝑠𝑒𝑛2 α + cos2 α = 1

Observe que, da relação fundamental da Trigonometria, obtemos:

𝑠𝑒𝑛2 α = 1 − cos² α e cos² α = 1 − 𝑠𝑒𝑛2 α

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
1 𝜋
15 Dado que sem α = , com < α < π, calcular o valor de cos α.
3 2

Resolução

1
𝑠𝑒𝑛2 α + cos² α = 1 ⇒ ( )² + cos² α = 1
3

1 8 2√2
∴ cos² α = 1 − = ⇒ cos α = ±
9 9 3

2√2
Como a é uma medida do 2º quadrante, concluímos que cos α = − .
3

3𝜋.
16 Determinar os valores de sen x e de cos x sabendo que sen x = 3 cos x e que π < x <
2

Resolução
sen 𝑥 = 3 cos 𝑥 (I)
{
sen² 𝑥 + cos² 𝑥 = 1 (II)

Substituindo (I) em (II), obtemos:

(3 cos x)² + cos² x = 1 ⇒ 10 cos² x = 1

1 1 √10
∴ cos² x = ⇒ cos x = ± =±
10 √10 10

√10
Como x é uma medida do 3º quadrante, temos: cos x = −
10

√10 3√10
Substituindo cos x por − em (I), obtemos: sen x = −
10 10

𝑚 √4𝑚 .
17 Determinar m, sendo m um número real, tal que sen β = e cos β =
6 3

Resolução

2
𝑚 2 √4𝑚
sen² β + cos² β = 1 ⇒ ( ) + ( ) =1
6 3

𝑚2 4𝑚
∴ + = 1 ⇒ m² + 16m − 36 = 0
36 9
Página 72

∆ = (16)2 − 4 ⋅ 1 ⋅ (−36) = 400

−16±√400 −16 ± 20
∴m= ⋅ 1= ⇒ m = 2 ou m = −18b
2∙1 2

√4𝑚
Observe que a igualdade cos β = é absurda para m = −18, pois no conjunto ℝ não existe raiz quadrada de
3
número negativo; logo, −18 não pode ser admitido como valor de m. Concluímos, então, que m = 2.

18 Resolver, em ℝ, a equação na variável x:

𝑥 2 − 2x + 𝑠𝑒𝑛2 α = 0

Resolução

Na variável x, a equação é do 2º grau. Então:

∆ = (−2)2 − 4 ⋅ 1 ⋅ 𝑠𝑒𝑛2 α =

= 4 − 4 𝑠𝑒𝑛2 α = 4 (1 − 𝑠𝑒𝑛2 α)

Pela relação fundamental, 𝑠𝑒𝑛2 α + cos² α = 1, temos cos² α = 1 − 𝑠𝑒𝑛2 α e, portanto, ∆ = 4 cos² α. Assim:

−(−2)± √4 𝑐𝑜𝑠² 𝛼 2 ± 2 cos 𝛼


x= = ⇒ x = 1 + cos α ou x = 1 − cos α
2⋅1 2

Concluímos, então, que o conjunto solução da equação é:

S = {1 + cos α, + 1 cos α}

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

4 𝜋 3
31 Dado que sen α = e < α < π, calcule o valor de cos α. −
5 2 5

1 3𝜋 2√2
32 Sendo cos x = − e π < x < , calcule o valor de sen x. −
3 2 3

3𝜋 2√5 √5
33 Determine sen β e cos β sabendo que sen β = 2 cos β e π < b < . sen β = − ; cos β = −
2 5 5

𝑚 √𝑚 + 1
34 Obtenha m, com m ∈ ℝ, tal que: sen x = e cos x = m=2
4 2

5
35 No triângulo ABC abaixo, o lado 𝐵𝐶 mede 6,5 cm e o ângulo A𝐵̂C é obtuso, com cos α = − .
13

FAUSTINO

a) Copie esse triângulo em seu caderno e desenhe a altura relativa ao lado 𝐴𝐵. Ver Suplemento com orientações para o
professor.
b) Calcule a medida h da altura que você desenhou no item a. 6 cm

36 Resolva, em ℝ, a equação na variável x: 𝑥 2 + −x + 𝑠𝑒𝑛2 a = 0

S = {−1 + cos α, −1 − cos α}

𝜋
37 Determine o valor do cos x, sabendo que 3 sen² x − 4 sen x + 1 = 0 e que 0 < x <
2√2
2 3

(Sugestão: Faça a mudança de variável sen x = y.)

𝜋
38 Sabendo que < x < π e que 4 cos² x + 5 sen x − 5 = 0, calcule o valor de sen x. 14
2

(Sugestão: Substitua cos2 x por 1 − sen² x.)

[ícone: atividade em grupo] 39 Uma rampa reta e plana, de 8 m de comprimento, une dois pisos de uma
5
garagem e forma um ângulo obtuso de medida α com o piso plano e horizontal inferior tal que cos α = − .
8
Calculem a altura do piso superior em relação ao inferior. √39 m ou, aproximadamente, 6,24 m

CRIANDO PROBLEMAS

[ícone: atividade em grupo] Inspirando-se no exercício proposto 39, elaborem e resolvam um problema
sobre a relação fundamental da Trigonometria que envolva uma situação do cotidiano. Resposta pessoal.
Página 73

7 Equações trigonométricas
Várias situações do cotidiano envolvem questões sobre distâncias e ângulos. Alguns desses problemas
necessitam da resolução de equações trigonométricas, como ilustra a situação a seguir.

Um engenheiro projetou uma rampa reta e plana, com 100 m de comprimento, que vai unir dois patamares
horizontais entre os quais há um desnível vertical de 50 m. Iniciada a construção a partir do patamar inferior, é
preciso determinar a inclinação da rampa, ou seja, a medida do ângulo agudo que deve ser mantida constante,
entre o plano da rampa e o plano horizontal, para que a construção termine exatamente no nível do patamar
superior.

Observe a seguir um esquema dessa situação.

ALEX ARGOZINO

Pelo triângulo formado, temos:

50 1
sen α = ⇒ sen α =
100 2

Como α é a medida de um ângulo agudo, concluímos que α = 30°.

1.
Note que, ao determinar o valor de a, obtivemos uma solução da equação sen α =
2

Equações do tipo sen x = k ou cos x = k, sendo k uma constante real, são chamadas de equações trigonométricas
imediatas.

Resolução de uma equação trigonométrica imediata

Resolver, em um universo U, uma equação do tipo sen x = k (ou cos x = k), sendo k uma constante real, significa
obter o conjunto solução S formado por todos os valores pertencentes a U que, atribuídos à variável x, tornam
verdadeira a sentença sen x = k (ou cos x = k).

Resolveremos esse tipo de equação pelo método gráfico e, para isso, vamos aplicar alguns tópicos vistos neste
capítulo, como a tabela trigonométrica dos arcos notáveis e as simetrias de pontos na circunferência
trigonométrica.

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
1
19 Resolver a equação sen x = para 0 ≤ x < 2π.
2

Resolução

1
Para determinar os pontos da circunferência trigonométrica que têm ordenada , considerando apenas a 1ª
2
volta positiva, adotamos o esquema ao lado.
FAUSTINO

1 𝜋 𝜋 5𝜋
Observe que os valores de x, com 0 ≤ x < 2π, para os quais sen x = são: x = ou x = π − =
2 6 6 6

𝜋 5𝜋
Logo: S = { , }
6 6
Página 74

1
20 Resolver a equação cos x = − para 0 ≤ x < 2π.
2

Resolução

1
Devemos determinar os pontos da circunferência trigonométrica que têm abscissa − considerando apenas a
2
1ª volta positiva.

Observe, na figura a seguir, que esses pontos pertencem ao 2º e ao 3º quadrantes e, portanto, as medidas dos
arcos com extremidades nesses pontos não estão na tabela dos arcos notáveis. Para usar a tabela, vamos
1
buscar no 1º quadrante um arco auxiliar, isto é, um arco cujo cosseno seja igual a .
2

𝜋 𝜋 1.
Nesse caso, o arco auxiliar é o arco de medida , pois cos =
3 3 2

Finalmente, pelas simetrias, transportamos o arco auxiliar para o 2º e o 3º quadrantes.

1 , são:
Assim, os valores de x, com 0 ≤ x < 2π, para os quais cos x = −
2

𝜋 2𝜋 𝜋 4𝜋
x=π− = ou x = π + =
3 3 3 3

2𝜋 4𝜋
Logo: S = { , }
3 3

21 Resolver a equação sen x = 1:

a) para 0 ≤ x < 2π;

b) em ℝ.

Resolução

a) Precisamos determinar os pontos da circunferência trigonométrica que têm ordenada igual a 1


considerando apenas a 1ª volta positiva. O único ponto que satisfaz essa condição é o ponto B, representado na
circunferência trigonométrica a seguir.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Assim, para 0 ≤ x < 2π, temos:


𝜋
sen x = 1 ⇒ x = sen π
2

𝜋
Logo: S = { }
2

b) No universo ℝ, o conjunto solução S da equação é formado pelos números reais associados ao ponto B nas
infinitas voltas da circunferência trigonométrica; logo:

𝜋
S = {x ∈ ℝ | x = + k ⋅ 2π, com k ∈ ℤ}
2

22 Resolver a equação cos x = 0:

a) para 0 ≤ x < 2π;

b) em ℝ.

Resolução

a) Precisamos determinar os pontos da circunferência trigonométrica que têm abscissa igual a zero
considerando apenas a 1ª volta positiva. Na circunferência trigonométrica ao lado, os pontos que têm abscissa
zero são B e B'.

𝜋 3𝜋
Portanto, os valores de x, com 0 ≤ x < 2π, para os quais cos x = 0, são: x = ou x = .
2 2

𝜋 3𝜋
Logo: S = { , }
2 2
Página 75

b) No universo ℝ, o conjunto solução S da equação é formado pelos números reais associados aos pontos B ou
B' nas infinitas voltas da circunferência trigonométrica; logo:

𝜋
S = {x ∈ ℝ| x = + k π, com k ∈ ℤ}
2

23 Resolver a equação 2 𝑠𝑒𝑛2 x + cos x − 1 = 0:

a) para 0 ≤ x < 2π;

b) em ℝ.

Resolução

a) Quando uma equação apresenta seno e cosseno, um recurso muito útil para transformá-la em uma equação
equivalente, que apresente somente seno ou somente cosseno, é aplicar uma destas identidades:

𝑠𝑒𝑛2 x = 1 − cos² x ou cos² x = 1 − 𝑠𝑒𝑛2 x

Na equação proposta, vamos substituir 𝑠𝑒𝑛2 x por (1 − cos² x), obtendo:

2 (1 − cos² x) + cos x − 1 = 0 ⇒ 2 − 2 cos² x + cos x − 1 = 0

∴ –2 cos² x + cos x + 1 = 0

Efetuamos a mudança de variável cos x = t:

−2𝑡 2 + t + 1 = 0

∆ = 12 −4 ⋅ (−2) ⋅ 1 = 9

−1 ± √9 −1 ± 3 1
∴t= = ⇒ t = 1 ou t = −
2 ⋅ (−2) −4 2

1.
Como cos x = t, temos cos x = 1 ou cos x = −
2

Resolvendo essas equações na 1ª volta positiva, obtemos:

• cos x = 1 ⇒ x = 0

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

1 2𝜋 4𝜋
• cos x = − ⇒ x = ou x =
2 3 3
2𝜋 4𝜋
Logo: S = 0, { , }
3 3

b) Observando que as raízes obtidas no item a estão associadas a pontos que dividem a circunferência
trigonométrica em três arcos congruentes, temos, no universo ℝ, o conjunto solução S da equação:

2𝜋
S = {x ∈ ℝ | x = k ∈ , com k ∈ ℤ}
3

Para cada valor do seno, há infinitas medidas de arcos trigonométricos que têm esse seno.

Por que a calculadora científica apresenta apenas um resultado?

Ver Suplemento com orientações para o professor.


Página 76

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

40 Resolva as equações a seguir para 0 < x < 2π.

√2
a) sen x = 𝜋 3𝜋
S={ , }
2 4 4

√2
b) cos x = − 3𝜋 5𝜋
S={ , }
2 4 4

1
c) cos x = S={ ,
𝜋 5𝜋
}
2 3 3

1
d) sen x = − S={
7𝜋 11𝜋
, }
2 6 6

e) cos x = 1 S = {0}

f ) sen x = 0 S = {0, π}

g) sen x = 3 S = ∅

h) cos x 5 −2 S = ∅

41 Determine o conjunto solução das equações a seguir para 0° ≤ x < 360°.

1
a) cos x = S = {60°, 300°}
2

√3
b) sen x = − S = {240°, 300°}
2

c) cos x = 1 S = {0°}

1
d) 𝑠𝑒𝑛2 x = S = {30°, 150°, 210°, 330°}
4

[ícone: atividade em grupo] 42 A propriedade do produto nulo, segundo a qual “o produto de números reais é
igual a zero se, e somente se, pelo menos um dos fatores é igual a zero”, é de grande utilidade na resolução de
certas equações. Aplicando essa propriedade, resolvam as equações a seguir para 0 < x , 2π.

a) sen x ⋅ cos x = 0 S = {0, 𝜋2 , 𝜋, 3𝜋


2
}

b) (2 sen x − 1) (2 cos x + √3) = 0 S = {𝜋6 , 5𝜋 7𝜋


, }
6 6

c) 2 ⋅ sen x ⋅ cos x + sen x = 0 S = {0, 2𝜋


3
4𝜋
, 𝜋, }
3

(Sugestão: Fatorem o primeiro membro.)

43 (Cesgranrio-RJ) O número de soluções da equação 𝑠𝑒𝑛2 x = 2 sen x, no intervalo [0, 2π], é:

a) 0

b) 1
c) 2

d) 3

e) 4

alternativa d

[ícone: atividade em grupo] 44 Equação polinomial é toda aquela que pode ser representada por um polinômio
igualado a zero. Certas equações trigonométricas podem ser resolvidas com o auxílio de uma equação
polinomial, bastando, para isso, uma mudança de variável. Resolvam as equações a seguir para 0 ≤ x < 2π.

a) 2 𝑠𝑒𝑛2 x 2 sen x − 1 = 0 S = {𝜋2 , 7𝜋


6
11𝜋
, }
6

(Façam a mudança de variá vel: sen x = y.)

b) cos2 x − 4 cos x + 3 = 0 S = {0}

(Façam a mudança de variável: cos x = y.)

c) 2 𝑠𝑒𝑛2 x + 3 cos x − 3 = 0 S = {0, 𝜋3 , 5𝜋


3
}

45 Um túnel de 300 m de comprimento será construído em linha reta, unindo dois pontos, A e B, da base de
uma montanha. Uma equipe fará a perfuração a partir de A, e outra equipe, a partir de B. Para determinar a
direção das perfurações de modo que os dois trechos escavados se encontrem, um engenheiro fixou um ponto
C no terreno próximo à montanha de modo que o ângulo A𝐶̂ B fosse reto e AC = 150 m. Qual deve ser a medida
do ângulo agudo que a direção dos dois trechos da perfuração deve formar com o lado 𝐴𝐶 do triângulo ABC
para que não haja desencontro desses trechos? 60°

FAUSTINO

46 Resolva as equações a seguir no universo ℝ.

√2
a) cos x = S = { 𝑥 ∈ ℝ ∣∣ 𝑥 =
𝜋
+ 𝑘 ⋅ 2𝜋 ou 𝑥 =
7𝜋
+ 𝑘 ⋅ 2𝜋, com 𝑘 ∈ ℤ }
2 4 4

b) sen x = 0 S = {𝑥 ∈ ℝ ∣ 𝑥 = 0 + 𝑘 ⋅ 𝜋, com 𝑘 ∈ ℤ}

c) sen x – cos2 x = 1 S = { 𝑥 𝜋 2
∈ ℝ ∣∣ 𝑥 = + 𝑘 ⋅ , com 𝑘 ∈ ℤ }
2 𝜋

1
d) 𝑠𝑒𝑛2 x = 𝜋 𝜋
S = { 𝑥 ∈ ℝ ∣∣ 𝑥 = + 𝑘 ⋅ , com 𝑘 ∈ ℤ }
2 4 2

Resolva os exercícios complementares 12 a 16.

1
Como eu resolvo a equação sen x = para 0° ≤ x < 360°?
4

Ver Suplemento com orientações para o professor.

CONECTADO
No século XVIII, o matemático e naturalista francês Georges-Louis Leclerc de Buffon (1707-1788)
propôs um método curioso para o cálculo do número π. A demonstração da validade do método é
fundamentada na Trigonometria. Pesquise na internet esse método e realize a experiência sugerida
por ele, constatando que, quanto maior o número de repetições do experimento, mais o resultado
se aproxima de π.

Ver Suplemento com orientações para o professor.


Página 77

EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES Faça as atividades no caderno.


1 (Enem) Em 20 de fevereiro de 2011 ocorreu a grande erupção do vulcão Bulusan nas Filipinas. A sua
localização geográfica no globo terrestre é dada pelo GPS (sigla em inglês para Sistema de Posicionamento
Global) com longitude de 124°3'0'' a leste do Meridiano de Greenwich. Dado: 1° equivale a 60' e 1' equivale a
60''.

PAVARIN, G. Galileu, fev. 2012 (adaptado).

A representação angular da localização do vulcão com relação a sua longitude na forma decimal é:

a) 124,02°

b) 124,05°

c) 124,20°

d) 124,30°

e) 124,50°

alternativa b

2 A Lua gira ao redor da Terra em uma órbita quase circular, com raio médio de 384.000 km, percorrendo
aproximadamente π 15 rad por dia (24 horas) para leste em relação ao Sol. Admitindo que essa órbita seja uma
circunferência, concluímos que a velocidade da Lua em volta da Terra é:

1.300𝜋
a) km/h
3

b) 25.600π km/h

c) 12.800π km/h

2.203𝜋
d) km/h
5

3.200𝜋
e) km/h
3

alternativa e

3 Uma correia faz girar duas polias de raios 4 cm e 12 cm.

BELT DRIVE/DREAMSTIME/ ISUZU IMAGENS

Quando a polia maior gira 240°, a menor gira:

7𝜋
a) rad
4

7𝜋
b) rad
6
4𝜋
c) rad
3

d) 4π rad

e) 6π rad

alternativa d

4 O octógono regular ABCDEFGH, abaixo, está inscrito na circunferência trigonométrica.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Determine as medidas x, em grau, associadas:

a) aos vértices desse octógono, com 0° ≤ x < 360°;

a) 0°, 45°, 90°, 135°, 180°, 225°, 270° e 315°

b) ao vértice F, com 360° ≤ x < 1.080°; 585° e 945°

c) ao vértice H, com –720° ≤ x < 0°. –45° e –405°

5 A saliência que se enrola ao longo do corpo de um parafuso, na formação da rosca, é chamada de filete. A
figura 1, abaixo, mostra um parafuso de corpo cilíndrico e rosca triangular; a figura 2 mostra um corte
longitudinal do parafuso, que é um perfil plano que contém o eixo do parafuso; e a figura 3 mostra uma parte
do corte longitudinal em uma escala maior. Como pode ser visto na figura 3, em qualquer corte longitudinal, os
pontos que estão à maior distância do corpo cilíndrico do parafuso são chamados de cristas da rosca; a
distância h entre uma crista e o corpo cilíndrico do parafuso é a altura do filete; a distância p entre duas cristas
consecutivas é chamada de passo da rosca; e o ângulo de medida α é chamado de ângulo do perfil da rosca.

figura 1: parafuso cilíndrico

figura 2: secção longitudinal

figura 3: secção longitudinal aumentada


a) Se a rosca de um parafuso cilíndrico tem 60° de ângulo de perfil e 1,86 mm de altura do filete, calcule a
medida, em mm, do passo dessa rosca. (Use a aproximação √3 ≈ 1,73.) ≈ 2,15 mm

b) Se, ao ser rosqueado em uma peça de metal, o parafuso citado no item a girar 2.700°, quantos milímetros
ele penetrará perpendicularmente na peça? ≈ 16,125 mm

6 Como vimos, cada ponto P da circunferência trigonométrica pode ser associado a infinitos números reais α,
em que α é a medida em radiano de um arco trigonométrico com extremidade em P. Assim, observando o
octógono regular inscrito na circunferência trigonométrica ao lado, dê uma expressão que represente os
infinitos números reais:

a) associados ao ponto B; 𝜋4 + k ⋅ 2π, com k ∈ ℤ

b) associados aos pontos B ou F; 𝜋4 + k ⋅ π, com k ∈ ℤ

c) associados aos vértices do octógono. k ⋅ 𝜋4, com k ∈ ℤ


Página 78

7 Com o auxílio da tabela trigonométrica dos arcos notáveis, calcule:

5𝜋
a) sen 1
6 2

4𝜋
b)sen −
√3
3 2

c) cos 300° 12

7𝜋
d) cos √2
4 2

8 Sendo f : ℝ → ℝ definida por f (x) = 2 sen x + sen 2x + cos 11x, calcule:

𝜋
a) f ( ) 2
2

b) f (π) −1

𝜋
c) f (− ) −1
6

𝑓(0)+ 𝑓 (2𝜋)
d) −1
3𝜋
𝑓( )
2

9 (UFPI) Resolvendo a expressão cos 27° + cos 120° + cos 207° − cos 300°, obtém-se:

a) 0

1
b)
2

1
c) −
2

d) 1

e) −1

alternativa e

10 A pirâmide de Quéops (século XXVI a.C.), a maior do Egito, tem como base um quadrado de 230 m de lado. A
reta que passa pelo centro da base e pelo ponto mais elevado (vértice) dessa pirâmide é perpendicular à base,
e o segmento de reta com extremos no vértice e no ponto médio de um lado da base forma com o plano da base
um ângulo obtuso de medida α tal que cos α = –0,6, aproximadamente. Calcule a medida, aproximada, da altura
dessa pirâmide. ≈ 153 m

FAUSTINO

11 Cada pneu traseiro de um trator tem raio de 0,9 m e cada pneu dianteiro tem raio de 0,4 m.

Calcule a distância entre os centros T e D de dois pneus de um mesmo lado do trator, sabendo que a reta 𝑇𝐷
2√6 .
forma um ângulo obtuso de medida α com o solo plano, de modo que cos a = – 2,5 m
5

GEORGE TUTUMI

[Sugestão: Obtenha cos (180° − α) e, em seguida, sen (180° − α).]

12 Resolva as equações a seguir para 0 ≤ x < 2π.

√3
a) sen x = S={ ,
𝜋 2𝜋
3 3
}
2

√3
b) cos x = – 5𝜋 7𝜋
S={ , }
2 6 6

c) sen x = −1 S = {3𝜋
2
}

1
d) cos² x = S={ ,
𝜋 3𝜋 5𝜋 7𝜋
, , }
2 4 4 4 4

13 Em um triângulo ABC, o lado 𝐴𝐶 mede 16 cm e a altura relativa ao lado 𝐵𝐶 mede 8 cm. A medida do ângulo
A𝐶̂ B é:

a) 60°

b) 60° ou 120°

c) 30°

d) 30° ou 150°

e) 45°

alternativa d

14 Resolva, no universo ℝ, a equação: 2 𝑠𝑒𝑛2 x − cos x − 1 = 0

𝜋 2𝜋
S = {𝑥 ∈ ℝ | 𝑥 = + 𝑘 ⋅ , com 𝑘 ∈ ℤ}
3 3

15 Ao observar a bola, antes do cabeceio, um jogador de futebol vê apenas uma fração F da superfície dela. Essa
fração pode ser calculada pela função:

1 − 𝑠𝑒𝑛 𝑥
F(x) =
2

em que x é metade da medida do ângulo sob o qual a bola é vista pelo cabeceador, conforme mostra o esquema
abaixo; C representa o centro da bola, e os raios visuais 𝑂𝐴 e 𝑂𝐵 são tangentes a ela.
FAUSTINO

1
a) Quando o cabeceador vê da superfície da bola, qual é a medida do ângulo sob o qual a bola é vista por ele?
4
60°

1
b) Quando o cabeceador vê da superfície da bola, qual é a medida do ângulo sob o qual a bola é vista por ele?
8
≈ 97,2°

7
c) Quando o cabeceador vê da superfície da bola, cujo diâmetro é 22 cm, qual é a distância entre o olho de
25
mira e a bola? 14 cm

16 Um ciclista pedalou durante 30 segundos a uma velocidade constante. Nesse período de tempo, a altura h
do eixo de um pedal, em relação à pista, pode ser descrita em função do tempo t, em segundo, pela função h(t)
= 16 − 6 sen (2πt), em que t = 0 representa o início desse período.

STEAMROLLER BLUES/SHUTTERSTOCK

a) Para que valores de t, a partir do início do período de tempo citado, a altura do eixo do pedal, em relação à
pista, foi de 16 cm?

𝑘
a) t = , com k ∈ {0, 1, 2, 3, ..., 60}
2

b) Para que valores de t, a partir do início do período de tempo citado, a altura do eixo do pedal, em relação à
pista, foi máxima?

3
b) t = + k, com k ∈ {0, 1, 2, 3, ..., 29}
4

c) No período citado, qual é o tempo necessário, em segundo, para que o pedal realize uma volta completa em
torno do eixo da coroa (roda dentada dianteira engrenada à corrente)?

c) 1 s
Página 79

PRÉ-REQUISITOS PARA O CAPÍTULO 4


Faça as atividades no caderno.

Responda às questões a seguir, cuja finalidade é rever os principais conceitos necessários para o
desenvolvimento da teoria e das atividades do Capítulo 4.

1 A figura abaixo mostra uma reta r tangenciando em A uma circunferência de centro O. Qual é a medida α, em
grau, do ângulo assinalado, formado por r e pelo raio 𝑂𝐴?

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

90º

2 Na figura abaixo, a reta r tangencia a circunferência trigonométrica no ponto A (1, 0). Observando que os
arcos trigonométricos 𝐴𝑀
⏜ e⏜
𝐴𝑁 medem 45° e 300°, respectivamente, determine as coordenadas dos pontos P e
Q.

P(1, 1); Q(1, − √3)

Trabalhando em equipe

“Uma instituição é como uma canção; não é formada por sons individuais, mas pelas relações entre eles.”

Peter Drucker (1909-2005), professor e consultor administrativo austríaco.

Componha uma equipe com alguns colegas e discutam as seções a seguir.

ANÁLISE DA RESOLUÇÃO
Um aluno resolveu o exercício conforme a reprodução a seguir. Um erro foi cometido.
Apontem o erro e refaçam a resolução no caderno, corrigindo-a.

Exercício

Resolva a equação sen 2x = 1 para 0 ≤ x < 2π.

Resolução
Substituindo 2x por α na equação, temos: sen α = 1

ELISA NIEVAS

𝜋
∴α=
2

Assim:
𝜋 𝜋
2x = ⇒ x =
2 4

𝜋
Logo: S = { }
4

O aluno cometeu um erro ao admitir que a é uma medida da primeira volta positiva da circunferência trigonométrica. Para determinar o
intervalo de variação de α, multiplicamos por 2 os membros da desigualdade 0 ≤ x < 2π, obtendo 0 ≤ 2x < 4π. Como α = 2x, concluímos que 0 ≤
a < 4π, ou seja, α é uma medida da primeira ou da segunda volta da circunferência trigonométrica.

Assim, temos:

𝜋 5𝜋
α= ou α = como α = 2x, concluímos que:
2 2

𝜋 5𝜋
2x = ou 2x = ⇒
2 4

𝜋 5𝜋
⇒ 𝑥= ou 𝑥 = .
4 4

𝜋 5𝜋
Logo: S ={ , }
4 4
Página 80

Trabalhando em equipe

MATEMÁTICA SEM FRONTEIRAS

Distâncias no sistema solar


O matemático e astrônomo grego Aristarco de Samos (310 a.C.-230 a.C.) foi, pelo que se sabe, o primeiro a
lançar a audaciosa hipótese heliocêntrica (o Sol no centro do sistema solar), antecipando-se em 1.700 anos ao
astrônomo polonês Nicolau Copérnico (1473-1543), que usou o sistema heliocêntrico para descrever os
movimentos dos corpos celestes.

Aristarco foi também pioneiro no cálculo de distâncias entre corpos celestes. Um dos problemas a que dedicou
especial atenção foi a determinação da distância entre a Terra e o Sol. Ele observou que, quando a Lua é
avistada da Terra em seu quarto crescente, os raios solares são perpendiculares à reta que passa pelos centros
da Terra e da Lua, conforme esta representação esquemática:

DAVID SUTHERLAND/PHOTOGRAPHERS CHOICE/ GETTY IMAGES

Além disso, Aristarco estimou a medida α do ângulo L𝑇̂S.

Com esse dado e conhecendo a distância d da Terra à Lua, podemos calcular a distância TS da Terra ao Sol da
seguinte maneira:

𝑑 ⇒ 𝑑
cos a = TS =
𝑇𝑆 cos 𝛼

Tendo a distância TS, podemos calcular outras distâncias no sistema solar. Por exemplo, se um planeta P tem
raio orbital menor que o da Terra e a medida do ângulo P𝑇̂S assume seu valor máximo β, então o ângulo T𝑃̂S é
reto, conforme esta representação esquemática:

PS: raio orbital do planeta


P TS: raio orbital do planeta Terra

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Esse cálculo fornece um valor muito próximo da realidade, pois as órbitas elípticas dos planetas, além de poderem
ser consideradas coplanares, são muito próximas de circunferência.

Assim, a distância entre o Sol e o planeta P (raio orbital do planeta P) é dada por:

𝑆𝑃
sen β = ⇒ SP = TS ⋅ sen β
𝑇𝑆

ATIVIDADES

Faça as atividades no caderno.

Dado que a distância entre a Terra e o Sol é de 150.000.000 km, aproximadamente, respondam aos itens a
seguir.

[ícone: calculadora] 1 O raio orbital do planeta Vênus (V) é menor que o da Terra (T). Sabendo que a distância
entre o Sol (S) e o planeta Vênus é de 108.204.000 km, calculem um valor aproximado da medida máxima que
assume o ângulo V𝑇̂S. ≈ 46,17°

[ícone: pesquisa] 2 Pesquisem na internet um método para o cálculo da distância entre o Sol e um planeta com
raio orbital maior que o raio da Terra. Redijam um texto explicando o método. Resposta pessoal.

[ícone: calculadora] 3 O raio orbital do planeta Marte (M) é maior que o da Terra (T). Calculem a distância
̂ T assume sua medida máxima,
aproximada entre o Sol (S) e o planeta Marte, sabendo que, quando o ângulo S𝑀
a medida do ângulo T𝑆̂M é 48,8°, aproximadamente. ≈ 227.721.000 km
Página 81

CAPÍTULO 4 - Outras razões trigonométricas e


adição de arcos

RMBROWN/ALAMY/GLOW IMAGES

Além da teoria

[ícone: calculadora] Em cada reservatório da foto, a escada tem uma inclinação constante e circunda meia-
volta (180°) do cilindro, cujo raio mede 3 m e a altura 8 m. Qual é a medida, em grau, do ângulo agudo de
inclinação da escada em relação ao terreno plano e horizontal ? (Adote π = 3,14.) ≈ 40,34

Neste capítulo, você aprofundará o estudo da Trigonometria e poderá resolver esse e outros problemas que
envolvem equações trigonométricas.
Página 82

1 Tangente de um arco trigonométrico


Assim como fizemos para o seno e o cosseno no capítulo anterior, vamos estender o conceito de tangente para
um arco trigonométrico tomando por base a ideia de tangente de um ângulo agudo de um triângulo retângulo.
Para compreender essa extensão, considere o arco trigonométrico 𝐴𝑀⏜de medida α, com 0° < α < 90°, e o eixo
real t de origem A, com a mesma direção e a mesma orientação do eixo Oy, conforme mostra a figura abaixo.
⏜, prolongamos o segmento 𝑂𝑀 até sua intersecção T com o eixo t.
Para determinar a tangente do arco 𝐴𝑀

No triângulo retângulo AOT, temos:

𝐴𝑇 𝐴𝑇
tg α = = = AT
𝐴𝑂 1

Note que a tangente pode assumir qualquer valor real.

Portanto, a tangente de α é a medida do segmento de reta 𝐴𝑇 contido no eixo real t, que será chamado, de
agora em diante, de eixo das tangentes. Ampliando essa ideia, vamos definir a tangente para qualquer arco
trigonométrico, cuja extremidade não pertença ao eixo das ordenadas.

⏜ de medida α, com M não pertencente ao eixo das ordenadas, chama-se


Dado um arco trigonométrico 𝐴𝑀
tangente de α a ordenada do ponto T, que é a intersecção da reta ⃡𝑂𝑀 com o eixo das tangentes.
Observe que o ponto M não pode coincidir com B nem com B’, pois os prolongamentos dos raios 𝑂𝐵 e 𝑂𝐵′ não
interceptam o eixo das tangentes. Por isso, dizemos que não existe tangente de um arco com extremidade em
B ou em B’; por exemplo, na 1ª volta da circunferência trigonométrica, não existe tg 90° nem tg 270°.

Exemplo

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Para determinar tg 0° e tg 180°, marcamos na circunferência trigonométrica os pontos associados a 0° e a


180°, conforme a figura ao lado.

Como as retas que passam por esses pontos e pelo centro da circunferência interceptam o eixo das tangentes
no ponto de ordenada zero, concluímos que:

tg 0° = 0 e tg 180° = 0
Página 83

Variação de sinal da tangente

Se um arco trigonométrico tiver a extremidade no 1º ou no 3º quadrante, o prolongamento do raio que passa


por essa extremidade interceptará o eixo das tangentes em um ponto T de ordenada positiva.

Se um arco trigonométrico tiver a extremidade no 2 ou no 4 quadrante, o prolongamento do raio que passa


o o

por essa extremidade interceptará o eixo das tangentes em um ponto S de ordenada negativa. tg tg

Ou seja, a tangente é positiva para os arcos do 1º e do 3º quadrantes e negativa para os arcos do 2º e do 4º


quadrantes. Em resumo, essa variação de sinal pode ser assim representada:

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Vimos que o menor valor que o seno e o cosseno assumem é −1 e que o maior valor deles é 1. Quais são o menor e o maior
valor que a tangente assume?

Observando o eixo real t das tangentes, na circunferência trigonométrica, constatamos que por qualquer ponto de t podemos traçar uma reta
passando pelo centro da circunferência. Isso significa que para qualquer número real existem arcos trigonométricos cuja tangente é esse
número, isto é, a tangente pode assumir qualquer valor em ℝ. Logo, não existem o menor nem o maior valor da tangente.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1 Classificar em verdadeira ou falsa cada uma das afirmações a seguir.

a) tg 65° > tg 50°

b) tg 140° < tg 110°

c) tg 50° ⋅ tg 310° < 0


13𝜋
𝑡𝑔
d) 18
16𝜋 <0
𝑡𝑔
9

9 Resolução

a) Verdadeira, pois, representando tg 65° e tg 50° no sistema trigonométrico, temos:

ADILSON SECCO

Como as tangentes de 50° e de 65° são positivas, concluímos que a de maior módulo é a maior das duas, isto é,
tg 65° > tg 50°.
Página 84

b) Falsa, pois, representando a tg 140° e a tg 110° no sistema trigonométrico, temos:

ADILSON SECCO

Como as tangentes de 110° e de 140° são negativas, concluímos que a de menor módulo é a maior das duas,
isto é, tg 140° > tg 110°.

c) Verdadeira, pois 50° pertence ao primeiro quadrante, onde a tangente é positiva, e 310° pertence ao quarto
quadrante, onde a tangente é negativa; logo, o produto tg 50° ⋅ tg 310° é negativo.

13𝜋 16𝜋
d) Falsa, pois pertence ao segundo quadrante, onde a tangente é negativa, e pertence ao quarto
18 9
13𝜋
𝑡𝑔
quadrante, onde a tangente também é negativa; logo, o quociente 18
16𝜋 é positivo.
𝑡𝑔
9

A tangente como razão do seno pelo cosseno

No estudo do triângulo retângulo, vimos que a tangente de um ângulo agudo pode ser obtida pela razão do
seno pelo cosseno desse ângulo. É possível generalizar esse fato para a tangente de qualquer arco
trigonométrico de medida α, com cos α ≠ 0.

𝑠𝑒𝑛 α
Se um arco trigonométrico tem medida α, com cos α ≠ 0, então: tg α =
cos α

Demonstração

Faremos a demonstração para arcos do 1º quadrante, deixando como exercício a demonstração para os demais
⏜ com extremidade em M no 1º quadrante, isto é, 0°
quadrantes. Seja α a medida de um arco trigonométrico 𝐴𝑀
⃡ , obtemos:
< α < 90°; traçando a reta 𝑂𝑀

FAUSTINO

Pelo caso A. A. de semelhança de triângulos, temos △OTA ~△OMP. Portanto:

𝐴𝑇 = 𝑃𝑀
𝑂𝐴 𝑂𝑃

Como AT = tg α, OA = 1, PM = sen α e OP = cos α, concluímos que:


𝛼 𝑠𝑒𝑛 𝛼
𝑡𝑔 =
1 cos 𝛼
Página 85

EXERCÍCIO RESOLVIDO
2 Dado que tg α = 3 e que 180° < a < 270°, determinar o valor de sen α e de cos α.

Lembre-se da relação fundamental da Trigonometria: 𝒔𝒆𝒏𝟐 α + cos² α = 1

Resolução

𝑠𝑒𝑛 𝛼
𝑡𝑔 𝛼 = 3 =3
{ ⇒{ cos 𝛼
𝑠𝑒𝑛2 𝛼 + 𝑐𝑜𝑠² 𝛼 = 1 𝑠𝑒𝑛 α + 𝑐𝑜𝑠 2 α = 1
2

𝑠𝑒𝑛 𝛼 = 3 𝑐𝑜𝑠 𝛼 (𝐼)


∴ sen {
𝑠𝑒𝑛2 𝛼 + 𝑐𝑜𝑠 2 𝛼 = 1 (𝐼𝐼)

Substituindo (I) em (II), obtemos:

(3 cos 𝛼)2 + cos² 𝛼 = 1 ⇒ 10 𝑐𝑜𝑠 2 α = 1

1 1 1
∴ cos² α = ⇒ cos α = ± √ =±
10 10 √10

√10
∴ cos α = ±
10

√10
Como a é uma medida do 3º quadrante (180° < α < 270°), seu cosseno é negativo: cos α = −
10

√10 3 √10
Substituindo em (I) cos α por − , obtemos: sem α = −
10 10

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

1 Determine, se existir:

a) tg π zero

b) tg 360° zero

c) tg 270° não existe

2 (UFF-RJ) Para 45° < θ < 90°, conclui-se que:

a) tg θ < sen θ < cos θ

b) cos θ < sen θ < tg θ

c) sen θ < cos θ < tg θ

d) cos θ < tg θ < sen θ

e) sen θ < tg θ < cos θ

alternativa b
3 Dado que tg α = −2 e π 2< α < π, calcule sen α e cos α.

√5 2√5
cos α = − ;sem α =
5 5

1
4 Dado que cos α = − e que 90° < α < 180°, calcule tg α.
3

−2√2

[ícone: atividade em grupo] 5 Para medir a altura AB de um paredão vertical cuja base está em um terreno plano
e horizontal, um alpinista fixou um ponto O do terreno, conforme a representação esquemática a seguir e
15
mediu o ângulo A𝑂̂ B e a distância OB. Sabendo que o ângulo A𝑂̂ B tem medida α, com sen α = e OB = 40 m,
17
qual é a altura AB? 75 m

FAUSTINO

Resolva o exercício complementar 1.

CRIANDO PROBLEMAS

[ícone: atividade em grupo] Inspirando-se no exercício proposto 5, elaborem e resolvam um problema


sobre a relação tg α = 𝑠𝑒𝑛 𝛼
cos 𝛼
que envolva uma situação do cotidiano.

Resposta pessoal.
Página 86

2 Redução ao 1º quadrante
O fato de a medida de um arco trigonométrico ter a mesma medida do ângulo central correspondente garante
que a tangente de um arco trigonométrico seja igual à tangente do ângulo central correspondente. Como
consequência, a tabela trigonométrica dos ângulos notáveis continua válida para arcos trigonométricos. Assim,
acrescentando os valores da tangente à tabela trigonométrica dos arcos notáveis, temos:

𝝅 𝝅 𝝅
30° ou 45° ou 60° ou
𝟔 𝟒 𝟑
sen 1 √2 √3
2 2 2
cos √3 √2 1
2 2 2
tg √3 1 √3
3

𝒔𝒆𝒏 𝜶
Obtemos a tangente pela identidade: tg α =
𝒄𝒐𝒔 𝜶

Conhecida a tangente de um arco trigonométrico do 1º quadrante, podemos calcular a tangente do


correspondente desse arco em qualquer quadrante, conforme veremos no exercício resolvido a seguir.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
3 Consultando a tabela trigonométrica dos arcos notáveis, determinar o valor de:

a) tg 120°

7𝜋
b) tg
6

c) tg 300°

Resolução

a) O correspondente, no 1º quadrante, da extremidade M do arco de 120° é o ponto P, extremidade do arco de


60°. Como os triângulos OTA e OT’A da figura são congruentes, os pontos T e T' têm ordenadas opostas. Assim,
concluímos que: tg 120° = −tg 60° = −√3

7𝜋 𝜋
b) O correspondente, no 1º quadrante, da extremidade M do arco de é o ponto P, extremidade do arco .
6 6
7𝜋 𝜋 7𝜋 𝜋 √3
Observe que a ordenada do ponto T da figura é simultaneamente tg e tg , isto é: tg = tg = .
6 6 6 6 3
ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

c) O correspondente, no 1º quadrante, da extremidade M do arco de 300° é o ponto P, extremidade do arco de


60°.

Como os triângulos OTA e OT'A da figura são congruentes, os pontos T e T' possuem ordenadas opostas.
Concluímos que: tg 300° = −tg 60° = −√3
Página 87

EXERCÍCIOS PROPOSTOS Faça as atividades no caderno.


6 Consultando a tabela trigonométrica dos arcos notáveis, determine:

a) tg 135° −1

5𝜋
b) tg −
√3
6 3

c) tg 225° 1

4𝜋
d) tg √3
3

e) tg 315° −1

11𝜋
f ) tg −
√3
6 3

tg2 3𝑥 + tg (𝑥 + 5°)
7 Calcule o valor numérico da expressão: E = , para x = 40°
tg 6𝑥 ⋅ tg (4𝑥 + 50°)

8 As figuras a seguir representam três polígonos regulares: hexágono, octógono e dodecágono, sendo α, β e θ
as medidas de seus ângulos centrais, respectivamente. [Nota: Ângulo central de um polígono regular é o ângulo
cujo vértice é o centro da circunferência circunscrita (ou inscrita) ao polígono e cujos lados passam por dois
vértices consecutivos do polígono.]

Calcule:

a) tg 17α −√3

b) tg 29β 1

c) tg 16θ −√3

9 Observando a figura abaixo, classifique em verdadeira ou falsa cada uma das afirmações.

a) tg (180° – α) = tg α falsa

b) tg (180° – α) = –tg α verdadeira


c) tg (180° + α) = tg α verdadeira

d) tg (180° + α) = –tg α falsa

e) tg (360° – α) = tg α falsa

f) tg (360° – α) = –tg α verdadeira

(Observação: Mesmo que a extremidade do arco de medida α não esteja no 1º quadrante, as relações
anteriores que forem verdadeiras continuarão verdadeiras. Verifique!)

10 Considerando as conclusões obtidas no exercício anterior, simplifique a expressão: 2

𝑡𝑔 (180° −α)− 𝑡𝑔 (180° + α)


E= , em que tg α ≠ 0
𝑡𝑔 (360° − α)

11 Uma praça de área 33.600 𝑚2 tem a forma de um paralelogramo ABCD, conforme mostra a figura, em que
AB = 280 m, α e β são as medidas, em grau, dos ângulos D𝐴̂B e A𝐷
̂ C, respectivamente, e tg α = −2,4.

a) Calcule tg β 2,4

b) Calcule tg (α + β) 0

c) Calcule tg (2α + β) 2,4

d) No ponto E do lado 𝐷𝐶, com 𝐴𝐸 perpendicular a 𝐷𝐶, há um posto de informações turísticas. Qual é a
distância entre esse posto e um turista parado no ponto D? 50 m

[ícone: atividade em grupo] 12 Dois arcos de medidas opostas quaisquer, α e –α, têm extremidades simétricas
em relação ao eixo dos cossenos.

Observando a figura, classifiquem em verdadeira ou falsa cada uma das afirmações.

a) tg (−α) = tg α falsa

b) tg (−α) = −tg α verdadeira

13 Considerando suas conclusões no exercício anterior, calculem:

𝜋
a) tg (− ) –1
4
b) tg (−120°) √3

c) tg (−300°) √3

14 Simplifique a expressão:

𝑡𝑔 (−α)+ 𝑠𝑒𝑛 (−α)+ 𝑠𝑒𝑛 (𝜋 − α)


E= , em que cos a ≠ 0. −1
𝑡𝑔 (𝑝 + α)+cos(−α)−cos(2𝜋 − α)

Resolva o exercício complementar 2.

CONECTADO

Pesquise na internet sobre as “identidades trigonométricas” e escreva um breve texto sobre o que
você ler, acompanhado de exemplos. Ver Suplemento com orientações para o professor.
Página 88

3 Equações trigonométricas

ALEX ARGOZINO

A escada magirus de um caminhão de bombeiros atinge um ponto de um edifício a 13 m de altura em relação


ao solo plano e horizontal. Sabe-se que a base dessa escada está a 3 m de altura em relação ao solo e a 10 m de
distância do edifício, conforme representação esquemática ao lado. Qual é a medida α do ângulo agudo que a
escada forma com um plano horizontal?

A medida α do ângulo agudo de inclinação da escada é tal que:

10
tg α = ⇒ tg α = 1
10

Como α é a medida de um ângulo agudo, concluímos que α = 45°.

Note que, ao determinar um valor de α, obtivemos uma solução da equação: tg α = 1

Equações do tipo tg x = k, sendo k uma constante real, são chamadas de equações trigonométricas
imediatas.

A resolução desse tipo de equação pode ser feita pelo método gráfico, como fizemos para o seno e o cosseno.
Para isso, precisaremos de resultados já vistos, como a tabela trigonométrica dos arcos notáveis e a simetria
dos arcos.

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
4 Resolver a equação tg x = 1, para 0 ≤ x < 2π.

Resolução

Marcamos no eixo das tangentes o ponto de ordenada igual a 1 e traçamos por ele a reta que passa pelo centro
da circunferência trigonométrica. Essa reta intercepta a circunferência em dois pontos, conforme a figura
abaixo, aos quais estão associadas as raízes da equação.
Assim, considerando apenas a 1ª volta positiva da circunferência, que é o universo da equação, temos:

𝜋 5𝜋
x = 4 ou x =
4 4

𝜋 5𝜋
Logo: S = { , }
4 4

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

5 Resolver a equação tg x = −1:

a) para 0 ≤ x < 2π;

b) em ℝ.

Resolução

a) Marcamos no eixo das tangentes o ponto de ordenada −1 e traçamos por ele a reta que passa pelo centro da
circunferência trigonométrica. Essa reta intercepta a circunferência em dois pontos, conforme a figura abaixo,
aos quais estão associadas as raízes da equação.

Como esses pontos estão fora do 1ª quadrante, devemos buscar o arco auxiliar nesse quadrante, de modo que
possamos usar a tabela trigonométrica dos arcos notáveis:

3𝜋 ou x = 7𝜋
Pelas simetrias, considerando o universo da equação, encontramos as soluções: x =
4 4

3𝜋 7𝜋
Logo: S = { , }
4 4
Página 89

b) No universo ℝ, o conjunto solução S da equação é formado pelos números reais associados aos pontos
obtidos no item a, nas infinitas voltas da circunferência trigonométrica; logo:

3𝜋
S = {𝑥 ∈ ℝ ∣ 𝑥 = + 𝑘𝜋, com 𝑘 ∈ ℤ}
4

6 Resolver a equação tg x = 0:

a) para 0 ≤ x < 2π;

b) em ℝ.

Resolução

a) Marcamos no eixo das tangentes o ponto P de ordenada zero e, em seguida, traçamos por P a reta que passa
pelo centro da circunferência trigonométrica. Essa reta intercepta a circunferência nos pontos A e A'.

FAUSTINO

Logo, no universo considerado, temos:

x = 0 ou x = π

Portanto: S = {0, π}

b) No universo ℝ, o conjunto solução S da equação é formado pelos números reais associados aos pontos
obtidos no item a, nas infinitas voltas da circunferência trigonométrica; logo:

S = {x ∈ ℝ ∣ x = kπ, com k ∈ ℤ}

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

15 Resolva as equações para 0 ≤ x < 2π.

a) tg x = √3 S = {𝜋3 , 4𝜋
3
}

√3
b) tg x = 𝜋 7𝜋
S={ , }
3 6 6

c) tg x = −√3 S = {2𝜋 5𝜋
, }
3 3

√3
d) tg x = − 5𝜋 11𝜋
S={ , }
3 6 6

16 Resolva, em ℝ, as equações dos itens b e c do exercício anterior.


𝜋
16. b) S = {𝑥 ∈ ℝ ∣ 𝑥 = + 𝑘𝜋, com 𝑘 ∈ ℤ}
6

2𝜋
c) S = {𝑥 ∈ ℝ ∣ 𝑥 = + 𝑘𝜋, com 𝑘 ∈ ℤ}
3

17 Resolva a equação sen x = cos x, para 0 ≤ x < 2π.

(Sugestão: Divida ambos os membros por cos x. Justifique por que essa divisão é permitida.)

𝜋 5𝜋
S={ , }
4 4

18 Obtenha o conjunto solução das equações a seguir, 0 ≤ x < 2π.

1
a) 𝑡𝑔2 𝑥 = S={ ,
𝜋 5𝜋 7𝜋 11𝜋
, , }
3 6 6 6 6

b) (𝑡𝑔2 𝑥 − 3)(𝑡𝑔4 𝑥 − 1) = 0 (Sugestão: Aplique a propriedade do produto nulo.)

𝜋 2𝜋 4𝜋 5𝜋 𝜋 3𝜋 5𝜋 7𝜋
S={ , , , , , , , }
3 3 3 3 4 4 4 4

c) 𝑡𝑔2 x − tg x = 0 (Sugestão: Fatore o primeiro membro e aplique a propriedade do produto nulo.)

𝜋 5𝜋
S = {0, 𝜋, , }
4 4

19 Resolva, em ℝ, as equações:

1 + 𝑡𝑔 𝑥 1
a) = tg x − S = { 𝑥 ∈ ℝ ∣∣ 𝑥 =
4
+ 𝑘𝜋, com 𝑘 ∈ ℤ }
4 2 𝜋

3 + 𝑡𝑔 𝑥
b) − 1 = tg x S = { 𝑥 ∈ ℝ ∣∣ 𝑥 =
𝜋
+ 𝑘𝜋 ou 𝑥 =
2𝜋
+ 𝑘𝜋, com 𝑘 ∈ ℤ }
𝑡𝑔 𝑥 3 3

20 Para suavizar o início e o fim de um trecho em aclive de uma estrada, um engenheiro projetou-os com
√3
bordas em arcos de circunferência de 20 m de comprimento e ângulo central de α rad tal que tg α = e0<α<
3
𝜋
, conforme a representação esquemática.
2

ALEX ARGOZINO

Calcule a medida do raio de curvatura desses arcos. (Nota: O raio de curvatura de um arco é o raio da
circunferência que contém esse arco.) 120
𝜋
m ≈ 38,2 m

Resolva o exercício complementar 3.

CRIANDO PROBLEMAS
[ícone: atividade em grupo] Inspirando-se na introdução deste item (escada magirus) e no exercício
proposto 20, elaborem e resolvam um problema sobre equações trigonométricas que envolva uma
situação do cotidiano. Resposta pessoal.
Página 90

MENTES BRILHANTES

O astrolábio

[...] descemos em terra, eu e o piloto do capitão-mor e o piloto de Sancho de Tovar; tomamos a altura do sol ao
meio-dia e achamos 56 graus, e a sombra era setentrional, pelo que, segundo as regras do astrolábio, julgamos
estar afastados da equinocial por 17°, e ter, por conseguinte, a altura do polo antártico em 17° [...]

Nesse trecho de uma carta ao Rei, o Mestre João Faras, médico e astrônomo da expedição de Pedro
Álvares Cabral, narra seu desembarque em Porto Seguro, na Bahia. Nota-se a citação do astrolábio,
um instrumento naval usado para medir a altura dos astros em relação à linha do horizonte, com o
que se determinava a latitude de um ponto sobre a superfície da Terra. Com base nessa latitude e
no raio da Terra, calculavam-se comprimentos de arcos sobre a esfera terrestre, por meio da
Trigonometria. Vale destacar que, na época das grandes navegações, ainda não havia um método
preciso para o cálculo da longitude.

O astrolábio se desenvolveu ao longo dos séculos, fundamentado em trabalhos de Hiparco de Niceia


(190 a.C.-120 a.C.), Cláudio Ptolomeu (90-168), Teão de Alexandria (335-395) e sua filha Hipátia de
Alexandria (350-415), Synesius de Cirene (373-414) e Abraão Zacuto (1450-1522).

4 Secante, cossecante e cotangente


No triângulo retângulo, estudamos três razões trigonométricas: o seno, o cosseno e a tangente, que revisamos
a seguir.

FAUSTINO

𝑚𝑒𝑑𝑖𝑑𝑎 𝑑𝑜 𝑐𝑎𝑡𝑒𝑡𝑜 𝑜𝑝𝑜𝑠𝑡𝑜 𝑎 α 𝑏


𝑠𝑒𝑛 𝛼 = =
𝑚𝑒𝑑𝑖𝑑𝑎 𝑑𝑎 ℎ𝑖𝑝𝑜𝑡𝑒𝑛𝑢𝑠𝑎 𝑎

𝑚𝑒𝑑𝑖𝑑𝑎 𝑑𝑜 𝑐𝑎𝑡𝑒𝑡𝑜 𝑎𝑑𝑗𝑎𝑐𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑎 α 𝑐


cos 𝛼 = =
𝑚𝑒𝑑𝑖𝑑𝑎 𝑑𝑎 ℎ𝑖𝑝𝑜𝑡𝑒𝑛𝑢𝑠𝑎 𝑎

𝑚𝑒𝑑𝑖𝑑𝑎 𝑑𝑜 𝑐𝑎𝑡𝑒𝑡𝑜 𝑜𝑝𝑜𝑠𝑡𝑜 𝑎 α 𝑏


tg α = =
𝑚𝑒𝑑𝑖𝑑𝑎 𝑑𝑜 𝑐𝑎𝑡𝑒𝑡𝑜 𝑎𝑑𝑗𝑎𝑐𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑎 α 𝑐

Se achar conveniente, ler com os alunos o texto “Conceitos e controvérsias” sobre a origem dos nomes das razões trigonométricas, que está no
Suplemento com orientações para o professor.

As recíprocas (inversas) dessas razões também são chamadas de razões trigonométricas e recebem nomes
especiais: a recíproca do seno é chamada de cossecante (cossec), a do cosseno é chamada de secante (sec) e a
da tangente é chamada de cotangente (cotg), ou seja:

𝑚𝑒𝑑𝑖𝑑𝑎 𝑑𝑎 ℎ𝑖𝑝𝑜𝑡𝑒𝑛𝑢𝑠𝑎 𝑎
cossec α = =
𝑚𝑒𝑑𝑖𝑑𝑎 𝑑𝑜 𝑐𝑎𝑡𝑒𝑡𝑜 𝑜𝑝𝑜𝑠𝑡𝑜 𝑎 α 𝑏

𝑚𝑒𝑑𝑖𝑑𝑎 𝑑𝑎 ℎ𝑖𝑝𝑜𝑡𝑒𝑛𝑢𝑠𝑎 𝑎
sec 𝛼 = =
𝑚𝑒𝑑𝑖𝑑𝑎 𝑑𝑜 𝑐𝑎𝑡𝑒𝑡𝑜 𝑎𝑑𝑗𝑎𝑐𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑎 α 𝑐

𝑚𝑒𝑑𝑖𝑑𝑎 𝑑𝑜 𝑐𝑎𝑡𝑒𝑡𝑜 𝑎𝑑𝑗𝑎𝑐𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑎 α 𝑐


𝑐𝑜𝑡𝑔 𝛼 = =
𝑚𝑒𝑑𝑖𝑑𝑎 𝑑𝑜 𝑐𝑎𝑡𝑒𝑡𝑜 𝑜𝑝𝑜𝑠𝑡𝑜 𝑎 α 𝑏
Generalizando, podemos definir as razões recíprocas do seno, cosseno e tangente de um arco trigonométrico
de medida a, desde que seja obedecida a condição de existência de cada razão, da seguinte maneira:

cos 𝛼
• cotg α = , para sen α ≠ 0
𝑠𝑒𝑛 𝛼

1
• sec α = , para cos α ≠ 0
cos 𝛼

1
• cossec α = 𝛼, para sen α ≠ 0
𝑠𝑒𝑛
Página 91

Observe que, pela definição de cotg α, se além de sen α ≠ 0 tivermos também cos α ≠ 0, então:

1
cotg α = 𝛼
𝑡𝑔

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
7 Calcular:

a) cotg 30°

b) sec 180°

c) cossec 90°

Resolução

√3
cos 30°
a) cotg 30° = = 2
1 = √3
sen 30°
2

1 1
b) sec 180° = = = −1
cos 180° −1

1 1
c) cossec 90° = = = 1
𝑠𝑒𝑛 90° 1

8 Resolver a equação sec x = 2 para 0 ≤ x < 2π.

FAUSTINO

Resolução

Condição de existência: cos x ≠ 0

1
sec x = 2 ⇒ = 2
cos 𝑥

1
∴ cos x =
2

𝜋 5𝜋
∴ x = ou x =
3 3

𝜋 5𝜋
Logo: S = { , }
3 3

7.

a) Se achar necessário, mostrar aos alunos outro modo de resolver:


1 1 3 3√3
cotg 30° = = √3
= = = √3
tg 30° √3 3
3

Existem as representações geométricas da secante, da cossecante e da cotangente em relação à circunferência


trigonométrica?

Assim como o seno, o cosseno e a tangente de um arco trigonométrico são representados em um eixo real, o mesmo pode ser feito com a
secante, a cossecante e a cotangente. Ver Suplemento com orientações para o professor.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

21 Calcule o valor numérico da expressão:

sec 60° + 𝑐𝑜𝑠𝑠𝑒𝑐 30° − 𝑐𝑜𝑡𝑔2 30°


E= 1
sec 0° + 𝑡𝑔 45° 2

3𝑥 𝜋.
22 Calcule o valor numérico da expressão E = 𝑐𝑜𝑠𝑠𝑒𝑐 𝑥 + sec 2 2𝑥 + 𝑐𝑜𝑡𝑔 , para x = 7
2 6

23 Resolva a equação cossec x = √2, para 0 ≤ x < 2π. S = {𝜋4 , 3𝜋


4
}

24 (UFMG) Determine todos os valores de x pertencentes ao intervalo ]0, π[ que satisfazem a equação 3 tg x +
2 cos x = 3 sec x. 𝜋6 e 5𝜋
6

𝜋
25 Sendo cossec x = 3 e < x < π, calcule tg x. − √2
2
4

3𝜋
26 Sabendo que cotg x = 2 e π, < x < , calcule cos x. − 2√5
2 5

𝑐𝑜𝑡𝑔 𝑥 − 1
27 (Uesc-BA) Obedecidas as condições de existência, a expressão é igual a: alternativa d
𝑐𝑜𝑠𝑠𝑒𝑐 𝑥

a) cos x − 1

b) sen x − 1

c) sen x − cos x

d) cos x − sen x

e) 1 − 𝑠𝑒𝑛2 𝑥

Resolva os exercícios complementares 4 e 5.

5 Seno, cosseno e tangente da soma de arcos


Um avião em trajetória retilínea, paralela a uma pista plana e horizontal, passa sucessivamente pelos pontos L,
M e N e é observado de um ponto P da pista tal que 𝑃𝐿 é perpendicular a 𝐿𝑀, LM = 500 m, MN = 700 m e o
ângulo L𝑃̂M mede 45°. Sendo a α medida do ângulo M𝑃̂N, vamos calcular tg α.
Página 92

Esquematizando a situação, temos:

ADILSON SECCO

̂ P) = m(L𝑃̂M ) = 45°, temos LP = LM = 500 m.


Como o triângulo PLM é isósceles, pois m(L𝑀

Assim, do triângulo PLN, deduzimos:

500 + 700 12
tg (45° + α) = ⇒ tg (45° +1 α) =
500 5

Observe que a continuidade dessa resolução depende do desenvolvimento da tangente da soma dos ângulos de
medidas 45° e α. Esse tipo de desenvolvimento é o objetivo deste tópico, em que vamos estudar importantes
identidades trigonométricas que envolvem o seno, o cosseno ou a tangente da soma de ângulos ou de arcos
trigonométricos.

Para entender a necessidade dessas identidades, vamos começar pela análise da sentença a seguir:

sen (a + b) 5 = sen a + sen b

Ela é verdadeira para quaisquer valores reais atribuídos às variáveis a e b?

𝜋
Vejamos o que acontece, por exemplo, ao atribuirmos às variáveis a e b os valores π e , respectivamente:
2

𝜋 𝜋
sen (𝜋 + ) = sen π + 𝑠𝑒𝑛 = 0 + 1
2 2

3𝜋
∴ sen ( ) = 1 (Falso!)
2

𝜋 3𝜋
Essa igualdade é falsa, pois sen (𝜋 + ) = sen ( ) = −1. Concluímos, então, que a sentença sen (a + b) = sen a +
2 2
sen b não é verdadeira para quaisquer números reais a e b.

Conclusões análogas são obtidas para o cosseno e a tangente.

A seguir, apresentamos seis identidades, chamadas de fórmulas de adição de arcos, que nos auxiliarão em
cálculos do seno, cosseno ou tangente da soma ou da diferença de arcos trigonométricos.

I. sen (a + b) = sen a ⋅ cos b + sen b ⋅ cos a

II. sen (a − b) = sen a ⋅ cos b − sen b ⋅ cos a

III. cos (a + b) = cos a ⋅ cos b − sen a ⋅ sen b

IV. cos (a − b) = cos a ⋅ cos b + sen a ⋅ sen b

𝑡𝑔 𝑎+𝑡𝑔 𝑏
V. tg (a + b) =
1 − 𝑡𝑔 𝑎 ⋅ 𝑡𝑔 𝑏

𝑡𝑔 𝑎 − 𝑡𝑔 𝑏
VI. tg (a − b) =
1+ 𝑡𝑔 𝑎 ⋅ 𝑡𝑔 𝑏
Nas identidades (V) e (VI) estão pressupostas as condições de existência.

Demonstração da identidade (I) no 1º quadrante

FAUSTINO

⏜ e 𝐴𝑁
Vamos considerar no 1º quadrante os arcos trigonométricos 𝐴𝑀 ⏜ , de medidas a e a + b, respectivamente, e
traçar as perpendiculares auxiliares mostradas na figura.
Página 93

Temos:

• P𝑂̂ T > S𝑅̂T, pois 𝑆𝑅 // 𝑂𝑃

̂ R > T𝑂̂ P, pois os triângulos TNR e TOP são semelhantes


• T𝑁

• Do triângulo ONR:

𝑅𝑁 𝑅𝑁
sen 𝑏 = = 𝑅𝑁 = sen b
𝑂𝑁 1
{ 𝑂𝑅 𝑂𝑅 ⇒{
cos 𝑏 = = 𝑂𝑅 = cos 𝑏
𝑂𝑁 1

• Do triângulo RUO:

𝑂𝑈 𝑂𝑈
sen a = = ⇒OU = sen a ⋅ cos b
𝑂𝑅 cos 𝑏

• Do triângulo RSN:

𝑆𝑁 𝑆𝑁
cos a = = ⇒ SN = sen b ⋅ cos a
𝑅𝑁 𝑠𝑒𝑛 𝑏

𝑂𝑉
Como UV = SN e sen (a + b) = = OV = OU + UV, concluímos que:
1

sen (a + b) = sen a ⋅ cos b + sen b ⋅ cos a

Demonstra-se que a identidade (I) é válida também para medidas a e b fora do 1º quadrante.

Demonstração da identidade (V)

Pela definição de tangente e pelas identidades (I) e (III), temos:

𝑠𝑒𝑛 (𝑎 + 𝑏) 𝑠𝑒𝑛 𝑎 ⋅ cos 𝑏 + 𝑠𝑒𝑛 𝑏 ⋅ cos 𝑎


tg (a + b) = =
cos(𝑎 + 𝑏) cos 𝑎 ⋅ cos 𝑏 − 𝑠𝑒𝑛 𝑎 ⋅ 𝑠𝑒𝑛 𝑏

Dividimos o numerador e o denominador dessa expressão por cos a ⋅ cos b (com cos a ⋅ cos b ≠ 0), obtendo:

𝑠𝑒𝑛 𝑎 ⋅ 𝑐𝑜𝑠 𝑏 𝑠𝑒𝑛 𝑏 ⋅ 𝑐𝑜𝑠 𝑎


+ 𝑡𝑔 𝑎 + 𝑡𝑔
tg (a + b) = 𝑐𝑜𝑠
𝑐𝑜𝑠 𝑎 ⋅ 𝑐𝑜𝑠 𝑏
𝑎 ⋅ 𝑐𝑜𝑠 𝑏
𝑐𝑜𝑠 𝑎 ⋅ 𝑐𝑜𝑠 𝑏
𝑠𝑒𝑛 𝑎 ⋅ 𝑠𝑒𝑛 𝑏 =
− 1 − 𝑡𝑔 𝑎 ⋅ 𝑡𝑔 𝑏
𝑐𝑜𝑠 𝑎 ⋅ 𝑐𝑜𝑠 𝑏 𝑐𝑜𝑠 𝑎 ⋅ 𝑐𝑜𝑠 𝑏

A demonstração da identidade (VI) é análoga à demonstração da identidade (V).

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
9 Calcular sen 75°.

Resolução

O arco de 75° é a soma dos arcos notáveis de 45° e 30°. Assim, temos:

sen 75° = sen (45° + 30°) = sen 45° ⋅ cos 30° + sen 30° ⋅ cos 45° =

√2 √3 1 √2 √6 √2 √6+ √2
= ⋅ + ⋅ = + =
2 2 2 2 4 4 4
10 Calcular cos 15°.

Resolução

O arco de 15° é a diferença entre os arcos notáveis de 45° e 30°. Então:

cos 15° = cos (45° − 30°) = cos 45° ⋅ cos 30° + sen 45° ⋅ sen 30° =

√2 √3 √2 1 √6 √2 √6+ √2
= ⋅ + ⋅ = + =
2 2 2 2 4 4 4

(Nota: Também poderíamos ter representado 15° como a diferença entre 60° e 45°.)

Observe que os valores obtidos nas questões 9 e 10 são iguais (sen 75° = cos 15°). Isso ocorreu porque os arcos
de 75° e 15° são complementares.

𝜋 𝜋
11 Resolver, para 0 ≤ x < 2π, a equação sen ( + 𝑥) + cos ( + 𝑥) = √3
3 6

Resolução

FAUSTINO

𝜋 𝜋
sen ( + 𝑥) + cos ( + 𝑥) = √3 ⇒
3 6

𝜋 𝜋 𝜋 𝜋
⇒ sen ⋅ cos x + sen x ⋅ cos + cos ⋅ cos x − sen ⋅ sen x = √3
3 3 6 6

√3 1 √3 1 √3
∴ ⋅ cos x + ∙ sen x + ⋅ cos x − ∙ sen x = √3 ⇒ 2 ⋅ ⋅ cos x = √3
2 2 2 2 2

∴ cos x = 1

Logo: S = {0}
Página 94

12 Calcular tg 105°.

Resolução

O arco de 105° é a soma dos arcos notáveis de 60° e 45°. Assim, temos:

𝑡𝑔 60° + 𝑡𝑔 45° √3+ 1 √3+ 1


tg 105° = tg (60° + 45°) = = =
1 − 𝑡𝑔 60° ⋅ 𝑡𝑔 45° 1 − √3⋅1 1 − √3

Racionalizando o denominador, concluímos que:

√3 + 1 √3 + 1 1 + √3
tg 105° = = ⋅ = − 2 − √3
1 − √3 1 − √3 1 + √3

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

28 Calcule:

a) cos 75° √6−4 √2

b) sen 15° √6−4 √2

5𝜋
c) tg 2 + √3
12

29 Calcule o valor de cada expressão.

a) sen 10° ⋅ cos 20° + sen 20° ⋅ cos 10° 12

b) cos 5° ⋅ cos 55° − sen 5° ⋅ sen 55° 12

𝜋 𝜋
𝑡𝑔 − 𝑡𝑔
c) 3
𝜋
12
𝜋 1
1 + 𝑡𝑔 ⋅ 𝑡𝑔
3 12

3 𝜋 𝜋
30 Sabendo que sen a = e que 0 < a < , calcule cos ( + 𝑎)
4 − 3√3
5 2 3 10

𝜋
1 + 𝑠𝑒𝑛 ( + 𝑥) ⋅ cos(𝜋 − 𝑥)
31 A expressão 2
3𝜋 , com sen x ≠ 0, é equivalente a: alternativa a
cos ( + 𝑥)
2

a) sen x

b) cos x

c) tg x

d) 𝑠𝑒𝑛2 x

e) cos² x

𝜋 𝜋 √2
32 Resolva a equação sen (𝑥 + ) + sen (𝑥 − ) = :
4 4 2

a) para 0 ≤ x < 2π; S = {𝜋6 , 5𝜋


6
}
b) em ℝ. S = {x ∈ ℝ ∣ x = 𝜋6 + 2kπ ou x = 5𝜋
6
+ 2kπ, com k ∈ ℤ}

𝜋
33 Sabendo que tg x = 3, calcule tg (𝑥 − ) 12
4

12
34 Dado que tg (45° 1 α) = , calcule tg α. (Nota: Ao resolver este exercício, você terá concluído a resolução do
5
problema que introduziu o tópico “Seno, cosseno e tangente da soma de arcos”, na página 91). tg α = 177

35 Duas vigas retas, AB e CB, escoram uma parede vertical, de modo que os pontos A e C do solo estão em uma
reta horizontal que passa por um ponto D da parede, conforme mostra a figura a seguir.

FAUSTINO

Calcule a soma das medidas α e β, em grau, dos ângulos agudos que as vigas formam com o solo. [Sugestão:
Inicie calculando tg (α + β).] α + β = 45°

36 (Ufal) No triângulo ABC, retângulo em B, o ponto D pertence ao lado 𝐴𝐵, BC = 27 cm e os ângulos D𝐴̂C e A𝐶̂ D
medem 45° e α, respectivamente, com tg α = 0,35.

A medida do segmento 𝐵𝐷 é: alternativa e

a) 8 √3 𝑐𝑚

17√3
b) 𝑐𝑚
2

c) 9 √3 𝑐𝑚

d) 12 𝑐𝑚

e) 13 𝑐𝑚

[ícone: atividade em grupo] 37 Em um museu de arte, um visitante observa, em uma parede vertical, um quadro
retangular de 2 m de altura. A base horizontal do quadro dista 2,70 m do piso, e os olhos do visitante estão a 1
m de distância da parede e a 1,70 m de altura em relação ao piso. Calculem a tangente do ângulo sob o qual o
visitante vê toda a extensão vertical do quadro.
ILUSTRAÇÕES: ADILSON SECCO

1
tg α =
2

Resolva os exercícios complementares 6 a 9.

CRIANDO PROBLEMAS

[ícone: atividade em grupo] Inspirando-se nos exercícios propostos 35 e 37, elaborem e resolvam um
problema sobre as fórmulas de adição de arcos que envolva uma situação do cotidiano. Resposta pessoal.
Página 95

6 Seno, cosseno e tangente do arco duplo


Para unir, por meio de uma rampa, dois pisos planos e horizontais com um desnível vertical de 5 m, há dois
projetos possíveis: em um deles, a rampa teria 13 m de comprimento, formando com o piso inferior um ângulo
agudo de medida α; no outro, a rampa formaria com o piso inferior um ângulo agudo de medida 2α, conforme
mostra o esquema ao lado. Qual seria o comprimento ℓ, em metro, da rampa menor?

Para resolver essa questão, observamos que, dos triângulos ABC e CBD, temos:

5
sen α =
13
{ 5
sen 2 α =

Note que a continuidade dessa resolução depende da relação entre sen α e sen 2 α. Esse tipo de relação é o
objetivo deste tópico, em que vamos estudar importantes identidades trigonométricas que envolvem o seno, o
cosseno ou a tangente do arco duplo.

Para iniciar esse estudo, vamos refletir sobre a questão a seguir.

Na função y = sen x, as medidas x dos arcos são diretamente proporcionais aos correspondentes valores y do
seno?

Em outras palavras, na função y = sen x, podemos afirmar que sen (kx) = k sen x para qualquer constante real
k?

Analisando um caso particular, vamos considerar um arco de 30° e um arco com o dobro dessa medida, isto é,
um arco de 60°, e comparar os senos desses dois arcos.

ILUSTRAÇÕES: ADILSON SECCO

√3 1
Observando que sen 60° = não é o dobro de sen 30° = , constatamos que:
2 2

sen (2 ⋅ 30°) ≠ 2 ⋅ sen 30°

Concluímos que, na função y = sen x, as medidas x dos arcos não são diretamente proporcionais aos
correspondentes valores y do seno.

A não proporcionalidade entre as medidas dos arcos e os correspondentes valores da função é uma
característica comum a todas as funções trigonométricas. Por isso, para cada uma delas, é necessário um
estudo dos arcos múltiplos: duplos, triplos, quádruplos etc. A seguir, apresentamos três importantes
identidades envolvendo arcos duplos.

I. sen 2x = 2 ⋅ sen x ⋅ cos x

II. cos 2x = cos² x − 𝑠𝑒𝑛2 x

2 𝑡𝑔 𝑥
III. tg 2x =
1 − 𝑡𝑔2 𝑥

Na identidade (III) estão pressupostas as condições de existência.

Demonstração

Substituindo 2x por x + x e aplicando as fórmulas de adição de arcos, temos:

I. sen 2x = 𝑠𝑒𝑛 (𝑥 + 𝑥) = 𝑠𝑒𝑛 𝑥 ⋅ cos 𝑥 + 𝑠𝑒𝑛 𝑥 ⋅ cos 𝑥 = 2 ⋅ 𝑠𝑒𝑛 𝑥 ⋅ cos 𝑥

II. cos 2x = cos(𝑥 + 𝑥) = cos 𝑥 ⋅ cos 𝑥 − 𝑠𝑒𝑛 𝑥 ⋅ 𝑠𝑒𝑛 𝑥 = 𝑐𝑜𝑠 2 𝑥 − 𝑠𝑒𝑛2

𝑡𝑔 𝑥 + 𝑡𝑔 𝑥 2 𝑡𝑔 𝑥
II. tg 2x = 𝑡𝑔 (𝑥 + 𝑥) = =
1 − 𝑡𝑔 𝑥 ⋅ 𝑡𝑔 𝑥 1−𝑡𝑔2 𝑥

Como consequências de (II), temos as identidades abaixo.

• cos 2x = 2 cos² x − 1

• cos 2x = 1 − 2 𝑠𝑒𝑛2 x
Página 96

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS

13 Sabendo que sen x = 35 e que 𝜋2 < x < π, calcular sen 2x.

Resolução

Sabemos que sen 2x = 2 ⋅ sen x ⋅ cos x; logo, para esse cálculo necessitamos do valor de cos x. Pela relação
fundamental da Trigonometria, 𝑠𝑒𝑛2 x + cos² x = 1, temos:

3 2 9 16
( ) + 𝑐𝑜𝑠 2 𝑥 = 1 ⇒ 𝑐𝑜𝑠 2 𝑥 = 1 − =
5 25 25

4
∴ cos x = ±
5

Como x é um arco do 2º quadrante, temos:

4
cos x = −
5

Assim:

3 4 24
sen 2x = 2 ⋅ (− ) = −
5 5 25

1
14 Sabendo que cos x = , calcular cos 2x.
3

Resolução

Sabemos que: cos 2x = cos² x − sen 2 x

Substituindo 𝑠𝑒𝑛2 x por (1 − cos² x), temos:

cos 2x = cos² x − (1 − cos² x) = 2 ⋅ cos² x − 1

Assim:

1 2 7
cos 2x = 2 ⋅ ( ) − 1 = −
3 9

15 Resolver, para 0 ≤ x < 2π, a equação sen 2x = 2 sen x.

Resolução

Substituímos sen 2x por 2 ⋅ sen x ⋅ cos x, obtendo:

2 ⋅ sen x ⋅ cos x = 2 ⋅ sen x ⇒ sen x ⋅ cos x = sen x

∴ sen x ⋅ cos x − sen x = 0 ⇒ sen x (cos x − 1) = 0

Pela propriedade do produto nulo, temos: sen x = 0 ou cos x = 1

• sen x = 0
Portanto:

x = 0 ou x = π

• cos x = 1

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Portanto:

x=0

Logo: S = {0, π}

16 Sendo tg x = 5, calcule tg 2x.

Resolução

2 ⋅ 𝑡𝑔 𝑥 2⋅5 10
tg 2x = = = −
1 − 𝑡𝑔2 𝑥 1 − 52 24

5
Portanto: tg 2x = −
12

Quais são as fórmulas de arco triplo?

sen 3x = 3 sen x − 4 sen3 𝑥

cos 3x − 4 cos³ x − 3 cos x

3 tg 𝑥 − 𝑡𝑔 3 𝑥
tg 3x =
1 − 3 𝑡𝑔 2 𝑥
Página 97

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

5 3𝜋
38 Sabendo que sen x = − e que π < x < , calcule sen 2x e cos 2x.
13 2

120 119
sen 2x = ; cos 2x =
169 169

39 Dado tg x = 3, calcule tg 2x. − 4


3

40 Sendo α a medida de um ângulo agudo, determine ℓ:

5
sen α =
13 169
{ 5 24
sen 2α =

(Nota: Ao resolver este exercício, você terá concluído a resolução do problema que introduziu o tópico “Seno,
cosseno e tangente do arco duplo”, na página 95.)

41 (Fuvest-SP) O valor de (tg 10° + cotg 10°) ⋅ sen 20° é: alternativa c

1
a)
2

b) 1

c) 2

5
d)
2

e) 4

𝑥 3
42 Calcule o valor do cos x, sabendo que cos = .
2 5

𝑥 7
[𝑆𝑢𝑔𝑒𝑠𝑡ã𝑜: cos 𝑥 = cos (2 ⋅ )] −
25
2

3 𝜋 𝑥 .√14
43 Sabendo que cos x = e que 0 < x < , calcule cos
4 2 2 4

44 Resolva as equações a seguir no intervalo [0, 2𝜋[.

a) sen 2x = cos x S = {𝜋6 , 𝜋2 , 5𝜋 3𝜋


, }
6 2

b) cos 2x = sen x S = {𝜋6 , 5𝜋 3𝜋


, }
6 2

c) tg 2x = –tg x S = {0, 𝜋3 , 2𝜋
3
4𝜋 5𝜋
, 𝜋, , }
3 3

45 Sabendo que tg α = 0,4, calcule a medida do segmento 𝐴𝐷 na figura a seguir. 3,15


(Sugestão: Use o teorema do ângulo externo de um triângulo.)

46 Um helicóptero, que decola verticalmente a partir de um ponto A de uma pista plana e horizontal, é
observado de um ponto B da pista, localizado a 28 m de A. Ao subir 21 m, até um ponto C, o helicóptero é visto
sob um ângulo de medida α com a pista; e, quando atinge um ponto D, é visto sob um ângulo de medida 2α,
conforme a representação esquemática a seguir. A que altura, em relação à pista, está o helicóptero ao atingir o
ponto D? 96 m

[ícone: atividade em grupo] 47 De um ponto P do espaço, um astronauta vê a Terra sob um ângulo de medida ,
conforme o esquema abaixo.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Admitindo que o raio da Terra meça 6.400 km e que cos θ = −0,62, conclui-se que o ponto P está, em relação à
superfície da Terra, a uma altura de aproximadamente: alternativa e

a) 300 km

b) 530 km

c) 580 km

d) 623 km

e) 711 km

Resolva os exercícios complementares 10 a 12.


CRIANDO PROBLEMAS

[ícone: atividade em grupo] Inspirando-se nos exercícios propostos 46 e 47, elaborem e resolvam um
problema sobre as fórmulas de arco duplo que envolva uma situação do cotidiano. Resposta pessoal.
Página 98

MENTES BRILHANTES

Os precursores dos logaritmos

Sextante astronômico do século XVI, usado para calcular distâncias.

STAPLETON COLLECTION/CORBIS/LATINSTOCK MUSEU NACIONAL MARÍTIMO, AMSTERDAM

Até o século XVI, o desenvolvimento da Astronomia esbarrava em cálculos longos e tediosos, como
o produto 961,26 ⋅ 99,756. Nessa época, os astrônomos passaram a usar algumas fórmulas
trigonométricas, introduzidas na Europa pelo astrônomo alemão Johannes Werner (1468-1528),
que transformam uma multiplicação em adição. Afinal, adicionar é, geralmente, mais rápido que
multiplicar. Uma dessas fórmulas é:

2 ⋅ cos x ⋅ cos y = cos (x + y) + cos (x − y)

Para calcular o produto 961,26 ⋅ 99,756, inicialmente se transformava cada fator em um número
menor que 1, para que pudesse representar o cosseno de um ângulo:

961,26 ⋅ 99,756 =

= (0,96126 ⋅ 1.000) ⋅ (0,99756 ⋅ 100) =

= 0,96126 ⋅ 0,99756 ⋅ 105

Em seguida, utilizando tabelas trigonométricas, chegava-se a 0,96126 5 cos 16° e 0,99756 5 cos 4°,
com o que se obtinha, em valores aproximados:

2 ⋅ 0,96126 ⋅ 0,99756 = 2 ⋅ cos 16° ⋅ cos 4° =

= cos (16° + 4°) + cos (16° − 4°) = cos 20° + cos 12°

cos 20° +cos 12° 0,9396 + 0,9781


∴ 0,96126 ⋅ 0,99756 = = = 0,95885
2 2

Finalmente: 961,26 ⋅ 99,756 = 0,96126 ⋅ 0,99756 ⋅ 105 = 0,95885 ⋅ 105 = 95.885


É importante ressaltar que a fórmula descrita não foi criação de Werner; ela já havia sido aplicada
pelo astrônomo egípcio Ibn-Yunus, seu provável criador, por volta do ano 1000.

Esses dois cientistas tiveram tanta relevância na Astronomia que seus nomes foram dados a
crateras lunares.

EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES
Faça as atividades no caderno.

1 Uma escada em espiral será construída em torno de um reservatório cilíndrico de 15 m de altura, dando
exatamente uma volta ao redor do reservatório, desde um ponto da base inferior até um ponto da base
superior. O engenheiro responsável pelo projeto calculou que a inclinação da escada em relação ao plano
3 𝜋
horizontal deve ser α, em toda a sua extensão, com sen α = e 0 < α <
5 2

FAUSTINO

Calcule a medida do raio da base do reservatório.

(Dica: Planificando a superfície lateral de um cilindro, obtém-se um retângulo.) 10


𝑝
m ou, aproximadamente, 3,18 m
Página 99

[ícone: calculadora] 2 Usando uma calculadora científica, Lucas obteve tg 33° = 0,649407593 e tg 213° =
0,649407593. Como o visor dessa calculadora mostra apenas dez dígitos, Lucas ficou em dúvida se essas
tangentes são mesmo iguais ou apresentam diferença nas próximas casas decimais, não mostradas no visor.
Como Lucas poderia esclarecer essa dúvida? Sabemos que tg (180° + α) = tg α; logo: tg 213° = tg (180° + 33°) = tg 33°

PETER JORDAN/ALAMY/ GLOW IMAGES

[ícone: calculadora] 3 Uma haste rígida com 15 cm de comprimento liga o ponto P do extremo móvel de um
pistão a um ponto Q da borda de uma peça circular de centro O e raio 5 cm. O movimento de vai e vem do
pistão faz o ponto Q girar em torno de O, como sugere o esquema abaixo. Em um instante em que a medida do
ângulo P𝑄̂ O é 90°, qual é a medida, em grau, do ângulo Q𝑃̂O? 18,435°

4 Um submarino, a 90 m de profundidade, detecta à sua frente dois navios sob ângulos de medidas α e β com a
1 13
horizontal, conforme a representação esquemática a seguir, de modo que cotg α = e sec β = . Calcule a
6 12
distância entre os navios. 201 m

[ícone: calculadora] 5 No instante em que observamos a Lua em quarto crescente, os raios solares são
perpendiculares à reta que passa pelo centro da Terra e pelo centro da Lua, conforme mostra o esquema
abaixo.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO
Lua em quarto crescente

OLIVIER SAUZEREAU/BIOSPHOTO/AFP

Considerando que no momento da observação a distância da Terra ao Sol seja 1,5 ⋅ 108 km e que a medida α do
ângulo agudo formado pelas direções Terra-Lua e Terra-Sol seja tal que sec α = 390,625, calcule a distância da
Terra à Lua. 384.000 km

6 Nos itens a seguir, faça o que se pede.

𝜋 12 𝜋 7√2
a) Se x + y = , sen x = e < x < π, calcule cos y.
4 13 2 26

𝜋 √3 𝜋 √6− 3
b) Se α − β = , cos α = e 0 < α < , calcule sen β .
3 3 2 6

𝜋 2√3
c) Se a + b = e tg a = 3√3 , calcule tg b.−
6 3

𝜋
7 (Fuvest-SP) Sejam x e y números reais positivos tais que x + y = .
2

1
Sabendo-se que sen (y − x) = , o valor de 𝑡𝑔2 y − 𝑡𝑔2 x é igual a: alternativa a
3

3
a)
2

5
b)
4

1
c)
2

1
d)
4

1
e)
8
Página 100

[ícone: calculadora] 8 Na figura ao lado, os triângulos ABC e ABD estão inscritos na circunferência de diâmetro
𝐴𝐵. Dado que AD = 2 cm, DB = 14 cm e AC = BC, calcule a medida a, em grau, do ângulo C𝐴̂D. 36,87°

9 Uma placa de aço tem a forma de um triângulo isósceles, ABC, retângulo em B. Para construir uma escultura
com essa placa, um artista pretende cortá-la a partir do vértice A, separando-a em dois triângulos de mesma
área, conforme mostram as figuras a seguir.

Qual deve ser a tangente do menor ângulo interno do triângulo ADC ? 13

̂
10 No quadrilátero ABCD a seguir, os ângulos D𝐴C e C𝐴̂B têm medidas iguais.

⃡ . 4,8 cm
Sabendo que AD = 5 cm e DC = 3 cm, calcule a distância do ponto D à reta 𝐴𝐵

11 (Ufes) Uma pessoa, quando situada a 300 metros de uma torre, avista o topo da torre sob um ângulo a em
relação à horizontal. Quando está a 100 metros da torre, ela vê o topo da torre sob um ângulo 2α (veja a
representação esquemática). O nível dos olhos dessa pessoa está a 1,6 metro da horizontal em que está situada
a base da torre.

a) Determine o valor de α. α = 30º

b) Determine a altura dessa torre. (100√3 + 1,6) m ou, aproximadamente, 174,8 m

12 No instante em que um poste vertical de 4,5 m de altura projetava, sob a luz do Sol, uma sombra de 6 m de
comprimento em um terreno plano e horizontal, um caminhão bateu levemente no poste, inclinando-o de
modo que sua sombra passou a medir 4,5 m de comprimento, mantendo a mesma direção da sombra anterior,
conforme a representação esquemática abaixo. Sabendo que, pela grande distância entre a Terra e o Sol, os
raios solares que atingem nosso planeta podem ser considerados paralelos, calcule a distância entre o topo do
poste inclinado e o terreno plano e horizontal. 4,32 m

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO
Página 101

PRÉ-REQUISITOS PARA O CAPÍTULO 5


Faça as atividades no caderno. Lembre-se: Não escreva no livro!

Responda às questões a seguir, cuja finalidade é rever os principais conceitos necessários para o
desenvolvimento da teoria e das atividades do Capítulo 5.

1 Copie a circunferência trigonométrica abaixo no caderno, completando cada par ordenado com a coordenada
que falta.

• Observando a figura, calcule o valor de cada uma das seguintes expressões:

𝑠𝑒𝑛2 60° +cos 120° − 𝑠𝑒𝑛 210°


a) E = −
3
𝑐𝑜𝑠 2 240° + 𝑠𝑒𝑛 330° +cos 180° 5

𝜋 2𝜋
𝑠𝑒𝑛 − cos − 𝑠𝑒𝑛 𝜋
b) F = 4
3𝜋
3
11𝜋 𝜋− 1
𝑐𝑜𝑠 + 𝑠𝑒𝑛 + cos
4 6 2

2 Em relação ao sistema de eixos xOy da circunferência trigonométrica, todos os pontos do eixo das tangentes
têm abscissa 1. Copie a figura abaixo no caderno e acrescente a ordenada que falta a cada ponto assinalado no
eixo das tangentes.

• Observando a figura, calcule o valor de cada uma das seguintes expressões:


𝑡𝑔 60° + 𝑡𝑔 150° − 𝑡𝑔 180°
a) E = 1
𝑡𝑔 210° − 𝑡𝑔 300° 2

𝜋 2𝜋
𝑡𝑔 + 𝑡𝑔 + 𝑡𝑔 0
b) F = 6
3𝜋
3
4𝜋 11𝜋 4 −2√3
𝑡𝑔 − 𝑡𝑔 − 𝑡𝑔
4 3 6
3 A figura mostra os triângulos ABC e ABD inscritos na circunferência de diâmetro 𝐴𝐶. Calcule a medida, em
grau, do ângulo B𝐴̂C.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

4 Em um triângulo ABC tem-se que BC = 8 cm, AC = 10 cm e a altura relativa ao lado 𝐵𝐶 mede 5 cm.

a) Calcule a área desse triângulo.

b) Calcule a medida da altura relativa ao lado 𝐴𝐶.


Página 102

Trabalhando em equipe

“Não se pode conhecer 'muitos' sem o 'um'.” Platão (427 a.C.-347 a.C.), filósofo grego.

Componha uma equipe com alguns colegas e discutam as seções a seguir.

ANÁLISE DA RESOLUÇÃO
Um aluno resolveu o exercício conforme a reprodução a seguir. Um erro foi cometido.
Apontem o erro e refaçam a resolução no caderno, corrigindo-a.

Exercício

Resolva a equação sen 2x = cos x, para 0 ≤ x < 2π .

Resolução

sen 2x = cos x => 2 sen x ⋅ cos x = cos x

Dividindo por cos x ambos os membros dessa equação, temos:


1
2 sen x = 1 => sen x = 2

ELISA NIEVAS

𝜋 5𝜋 𝜋 5𝜋
Logo, x = 6 ou x = ; portanto, S = {6 , }.
6 6

Ao dividir por cos x ambos os membros, o aluno admitiu que cos x ≠ 0 e, por isso, perdeu a possibilidade de cos x ser igual a zero. Como
consequência, perdeu raízes da equação. Uma possível resolução correta é obtida por meio de uma equação equivalente com um dos membros
igual a zero. Observe:

sen 2x = cos x ⇒ 2 sen x cos x = cos x

∴ 2 sen x cos x − cos x = 0 ⇒ cos x (2 sen x − 1) = 0

Pela propriedade do produto nulo, temos:

1
cos x = 0 ou 2 sen x − 1 = 0 ⇒ cos x = 0 ou sen x =
2

Resolvendo essas equações, concluímos que:

𝜋 𝜋 𝜋 5𝜋
x = ou 𝑥 = 3 ou 𝑥 = ou 𝑥 =
2 2 6 6

𝜋 3𝜋 𝜋 5𝜋
Logo: S = { , , , }
2 2 6 6
MATEMÁTICA SEM FRONTEIRAS

O teodolito
Você já deve ter visto em grandes obras de construção de estradas, pontes, viadutos, barragens etc. um
engenheiro olhando através da luneta de um instrumento acoplado a um tripé. Esse instrumento óptico é o
teodolito, usado na Engenharia, Topografia, Agrimensura etc. para auxiliar em medições indiretas de grandes
distâncias ou alturas.

CANDYBOX PHOTOGRAPHY/ALAMY/GLOW IMAGES


Página 103

Apoiada no tripé, a luneta permite que um observador, O, mire um referencial, A, após o que o teodolito indica
a medida θ do ângulo agudo que o segmento 𝑂𝐴 forma com o plano horizontal.

PAULO MANZI

Para entender melhor esse mecanismo, você pode construir um teodolito caseiro, fixando um fio de prumo no
centro de um transferidor, conforme mostra a figura 1 abaixo. Com esse equipamento é possível realizar
medições de ângulos em relação a referenciais inacessíveis. Por exemplo, mirando o topo de um edifício na
mesma reta da linha de fé do transferidor, conforme mostra a figura 2 abaixo, observa-se que o fio de prumo
estaciona sobre um ponto da escala do transferidor. Considerando a medida associada a esse ponto, calcula-se
a medida do ângulo que a linha de fé forma com o terreno plano horizontal que contém a base do edifício.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

ATIVIDADES

Faça as atividades no caderno.

1 Quando o observador mirou o topo do edifício, conforme mostrado na figura 2, qual era a medida do ângulo
que a reta suporte da linha de fé formava com o terreno plano e horizontal que contém a base do edifício? 40°
[ícone: calculadora] 2 Se, na situação mostrada na figura 2, o olho de mira do observador estava a 1,73 m de
altura em relação ao terreno e a 50 m de distância do edifício, qual é a altura do edifício? ≈ 43,73 m
Página 104

CAPÍTULO 5-
Funções trigonométricas e
resolução de triângulos
Discotecagem

ILUSTRAÇÕES: LUCIANO VERONEZI

Um DJ (disc jockey) pode tocar por horas, sobrepondo o fim de uma música ao começo da outra, sem
pausas ou mudanças de ritmo. Para isso, ele controla o movimento periódico dos vinis nos toca-discos e,
consequentemente, a velocidade das batidas das músicas, sincronizando seus ritmos.

A música não pode parar

Basicamente, o equipamento de um DJ é composto de dois toca-discos e um mixer, que permite que duas músicas
sejam sincronizadas e tocadas simultaneamente. Assim, o DJ consegue misturar os sons das músicas, passando de
uma para outra sem interromper a batida, mantendo o agito da festa.

Os picos do gráfico são as batidas da música, como uma percussão pulsando periodicamente. Um dos jeitos de contar
esse ritmo é em batidas por minuto (bpm).

1 O gráfico representa um trecho de cinco segundos de uma música. O som do disco amarelo agita o público com uma
música de 144 bpm, um ritmo bem intenso. Pelos fones, só o DJ ouve o disco azul, com a música que vai entrar em
seguida. O ritmo original dela é menor, 120 bpm.

2 Com o pitch do toca-discos em que 2 está o disco azul, o DJ aumenta a rotação do aparelho, acelerando o ritmo da
música até as mesmas 144 bpm da música ouvida pelo público.
3 Igualadas as bpm das músicas, na hora certa o DJ pode deixar o som do disco azul ir para as caixas, sobrepondo-o
ao do disco amarelo e trocando-os sem pausas.

Além da teoria

1. Se uma música tem 15 batidas a cada 10 segundos, qual é sua velocidade em bpm? 90 bpm

2. Você conhece outras situações que envolvem movimentos periódicos? Cite pelo menos uma.

Resposta pessoal.

Glossário

Pitch: Controle deslizante que altera a velocidade de rotação do toca-discos.

Toca-discos: Trata-se dos aparelhos tradicionais para discos de vinil, mas existem equipamentos que permitem
discotecar com arquivos digitais de CDs ou direto do computador.

Crossfader: Equipamento que altera o volume da música, permitindo que o DJ passe o som de um toca-discos para
outro ou mande o som dos dois juntos para as caixas.

ILUSTRAÇÕES: LUCIANO VERONEZI


Página 105
Página 106

1 Funções trigonométricas
Considere um ponto P marcado na borda de uma roda-gigante que, do ponto de vista de um observador, gira
no sentido anti-horário a uma velocidade escalar constante, completando uma volta em 8 minutos.

LIGIA DUQUE

A altura h do ponto P, em relação ao terreno plano e horizontal, varia em função do tempo t. Sendo 20 m a
medida do raio da roda-gigante, 3 m a menor altura do ponto P em relação ao terreno e t = 0 um instante em
que o ponto P esteja à menor altura, o gráfico dessa função pode ser obtido marcando-se no plano cartesiano
os pontos (t, h), com t em minuto e h em metro. A figura 1 mostra o gráfico de quando o ponto P gira uma volta
completa, e a figura 2, de quando P gira três voltas completas.

Figura 1
Figura 2

ILUSTRAÇÕES: ADILSON SECCO

Observe que o gráfico se repete a cada volta concluída pelo ponto P. Isso ocorre porque P realiza o mesmo
movimento em intervalos de tempos iguais. As funções que melhor modelam esse tipo de movimento são as
funções trigonométricas seno e cosseno, que estudaremos neste item. Por exemplo, o movimento do ponto P
𝜋𝑡
pode ser representado pela função h (t) = 23 − 20 cos .
4

A seguir, definimos as funções seno e cosseno.


Página 107

Definições

A cada número real x podemos associar um único sen x e um único cos x.

Esses fatos nos permitem definir as funções trigonométricas f(x) = sen x e g(x) = cos x.

D(f) = ℝ

Im(f) = {y ∈ ℝ | −1 ≤ y ≤ 1}

D(g) = ℝ

Im(g) = {y ∈ ℝ | −1 ≤ y ≤ 1}

2 Gráfico da função f(x) = sen x


A seguir, temos o gráfico da função f(x) = sen x.
ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

D(f) = ℝ

Im(f) = {y ∈ ℝ |– 1 ≤ y ≤ 1}
Página 108

Observe que o gráfico é obtido pela repetição da figura determinada quando x assume todos os valores de uma
volta completa da circunferência trigonométrica; por isso, dizemos que essa função é periódica e que seu
período é 2π.

Utilizando a linguagem precisa, dizemos que a função f(x) = sen x é periódica porque existe pelo menos um
número real positivo p que satisfaz a condição sen (x + p) = sen x, para qualquer x real. Por exemplo:

sen (x + 2π) = sen x

sen (x + 4π) = sen x

sen (x + 6π) = sen x

etc.

O menor número positivo p que satisfaz essa condição é chamado de período da função f(x) = sen x; esse
número é 2π.

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
1 Esboçar o gráfico da função f(x) = 3 sen x.

Resolução

Para esboçar o gráfico, construímos uma tabela, atribuindo à variável x alguns valores e calculando os
𝜋 3𝜋
correspondentes valores de y. Para facilitar, atribuímos a x os valores 0, , π, e 2π.
2 2

Aqui, atribuímos a x somente valores positivos, mas poderíamos ter atribuído valores negativos, já que o domínio
da função seno é ℝ.

x y = 3 sen x
0 0
𝜋 3
2
π 0
3𝜋 −3
2
2π 0

𝝅
Veja como se calcula o valor de y quando x = :
𝟐

y = 3 ⋅ sen x

𝝅
y = 3 ⋅ sen
𝟐

y=3⋅1

y=3

𝜋 3𝜋
Marcando no plano cartesiano os pontos (0, 0), ( , 3), (𝜋, 0), ( , −3) e (2𝜋, 0), temos:
2 2
O gráfico da função passa por esses cinco pontos e tem o seguinte traçado:

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Devemos entender que esse traçado é apenas uma parte do gráfico que deve ser imaginado ao longo de todo o eixo
das abscissas, repetindo a figura obtida quando x assume os valores de uma volta da circunferência trigonométrica.

D(f) = ℝ

Im(f) = {y ∈ ℝ ∣ −3 ≤ y ≤ 3}

p = 2π
Página 109

2 Esboçar o gráfico da função g(x) = 3 + 2 sen x.

Resolução

x y
0 3
𝜋 5
2
π 3
3𝜋 1
2
2π 3

Veja como se calcula o valor de y quando:

x = π:

y = 3 + 2 sen x

y = 3 + 2 sen π

y = 3+ 2 ∙ 0

y=3

D(g) = ℝ; Im(g) = {y ∈ ℝ | 1 ≤ y ≤ 5}; p = 2π

3 Esboçar o gráfico da função h(x) = sen 2x.

Resolução

Quando o arco da função seno for da forma ax + b, com a ≠ 0 e a ≠ 1 ou a = 1 e b ≠ 0, construímos uma tabela
com três colunas: a primeira para o arco (ax + b), a segunda para valores de x e a terceira para valores de y.

𝜋
Para obter o gráfico correspondente a um período da função y = sen 2x, atribuímos ao arco 2x os valores 0, ,
2
3𝜋
π, e 2π e, em seguida, determinamos os valores correspondentes de x e y.
2

2x x y
0 0 0
π 𝜋 1
2 4
π 𝜋 0
2
3𝜋 3𝜋 −1
2 4
2π π 0

Veja como se calcula o valor de y quando:

𝟑𝝅
x= 𝟒
:

y = sen 2x

𝟑𝝅
y = sen (𝟐 ⋅ )
𝟒

𝟑𝝅
y = sen
𝟐

y=−1

D(h) = ℝ; Im(h) = {y ∈ ℝ | −1 ≤ y ≤ 1}; p = π

𝜋
4 Esboçar o gráfico da função g(x) = sen ( − 𝑥).
2

Resolução

𝝅
−x x y
𝟐
0 𝜋 0
2
𝜋 0 1
2
π 𝜋 0

2
3𝜋 −π −1
2
2π 3𝜋 0

2

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

D(g) = ℝ; Im(g) = {y ∈ ℝ | −1 ≤ y ≤ 1}; p = 2π

Veja como se calcula o valor de y quando x = −π:

𝝅
y = sen ( − 𝒙)
𝟐

𝝅
y = sen ( − (−𝝅))
𝟐

𝟑𝝅
y = sen
𝟐

y = −1

5 Determinar os valores reais de m de modo que exista a igualdade sen x = 5m – 1.

Resolução

Sabemos que −1 ≤ sen x ≤ 1.


Logo: −1 ≤ 5m − 1 ≤ 1

Adicionando 1 a cada membro dessa dupla desigualdade, obtemos: 0 ≤ 5m ≤ 2

2
Dividindo por 5 os membros dessa última desigualdade, concluímos que: 0 ≤ m ≤
5

2
Portanto, a igualdade sen x = 5m − 1 só existe se m ∈ ℝ e 0 ≤ m ≤ .
5
Página 110

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

1 Esboce o gráfico de cada uma das seguintes funções, determinando seu domínio, conjunto imagem e período:

Ver Suplemento com orientações para o professor.

a) f(x) = 4 sen x

b) z(x) = − 4 sen x

c) g(x) = sen 4x

𝑥
d) h(x) = 3 sen
2

𝜋
e) v(x) = 3 sen (𝑥 − )
3

f) t(x) = −4 + 2 sen x

g) r(x) = | sen x |

h) s(x) = 1 + | sen 2x |

2 Qual é o máximo valor da função f(x) = 4 + 5 sen x? 9

3 Sabendo que o valor mínimo da função f(x) = k + sen 5x é –3:

a) determine o número real k; −2

b) determine o valor máximo de f. −1

4 Faça o que se pede.

a) Obtenha os valores reais de m de modo que exista a igualdade sen x = 6m − 5. 23 ≤ m ≤ 1

b) Determine os valores reais de k para que a equação cos x = 2 − 4k, na variável x não admita solução. k >
3 1
ou k <
4 4

c) Encontre os valores reais de p para que a equação cos² x = 4p + 6, na variável x, admita solução.− 32 ≤ 𝑝 ≤ −
5
4

[ícone: atividade em grupo] 5 Em uma ilha, certo tipo de vegetação é abundante em determinadas épocas do ano
e escassa em outras. A área S, em quilômetro quadrado, ocupada por essa vegetação na ilha, ao longo do ano,
pode ser expressa por meio da função:

𝜋𝑡,
S(t) = 100 + 50 sen
6

em que t = 1, t = 2, t = 3, ..., t = 12 representam o final dos meses de janeiro, fevereiro, março, ... e dezembro,
respectivamente.

a) Qual é a área da ilha ocupada por essa vegetação ao final do mês de junho? 100 km2

b) Ao longo do ano, qual é a maior área da ilha ocupada por essa vegetação? 150 km2
c) Em que mês essa vegetação atinge a maior área? março

d) Ao longo do ano, qual é a menor área da ilha ocupada por essa vegetação? 50 km2

e) Em que mês essa vegetação atinge a menor área? setembro

f ) Em que meses do ano a área ocupada por essa vegetação é de 125 𝑘𝑚2 ? janeiro e maio

3 Gráfico da função g(x) = cos x


𝜋 𝜋 𝜋
Observando que sen ( − 𝑥) = sen ⋅ cos x – sen x ⋅ cos = 1 ⋅ cos x − sen x ⋅ 0 = cos x, concluímos que o
2 2 2
𝜋
gráfico da função g(x) = cos x é o gráfico da função g(x) = sen ( − 𝑥) construído no exercício resolvido 4, ou
2
seja:

D(g) =ℝ; Im(g) = {y ∈ ℝ | −1 ≤ y ≤ 1}; p = 2π

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
6 Esboçar o gráfico da função f(x) = 2 cos x.

Resolução

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

x y
0 2
𝜋 0
2
π −2
3𝜋 0
2
2π 2

D(f) = ℝ; Im(f) = {y ∈ ℝ | −2 ≤ y ≤ 2}; p = 2π


Página 111

7 Esboçar o gráfico da função f (x) = 3 cos 2x.

FAUSTINO

D(f) = ℝ; Im(f) = {y ∈ ℝ | −3 ≤ y ≤ 3}; p = π

Resolução

2x x y
0 0 3
𝜋 𝜋 0
2 4
π 𝜋 −3
2
3𝜋 3𝜋 0
2 4
2π π 3

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

Ver Suplemento com orientações para o professor.

6 Esboce o gráfico de cada uma das funções a seguir, determinando seu domínio, conjunto imagem e período.

a) f(x) = 4 cos x

b) g(x) = −4 cos x

c) h(x) = 3 + 4 cos x

d) v(x) = cos 4x

𝜋
e) z(x) = cos (𝑥 − )
4

f) t(x) = | cos x |

g) r(x) = 2 + | cos 2x |

7 Qual é o valor mínimo da função f(x) = 1 + 4 cos x? −3

[ícone: trabalho em grupo] 8 (UFC) Determine o menor valor real positivo de x para o qual a função real de
𝜋
variável real definida por f(x) = 7 − cos (𝑥 + ) atinge seu valor máximo.2𝜋
3 3
−1 + 3 cos 𝑥
[ícone: atividade em grupo] 9 Considerem, no universo dos números reais, a equação = m na incógnita
2
x. Para que valores reais de m essa equação possui raiz no terceiro quadrante?

1
−2 < m < −
2

Resolva os exercícios complementares 1 a 3.

Período das funções seno e cosseno

Obtemos o período da função y = a + b ⋅ sen (mx + q) ou da função y = a + b ⋅ cos (mx + q), em que a, b, m e q são
números reais, com b ≠ 0 e m ≠ 0, fazendo a medida (mx + q) assumir todos os valores reais associados a uma
volta completa da circunferência trigonométrica. Por exemplo, quando essa medida assume os valores de 0 a
2π, temos:

0 ≤ mx + q ≤ 2π ⇒ −q ≤ mx ≤ 2π − q

(I) Se m > 0:

𝑞 2𝜋−𝑞
−q ≤ mx ≤ 2π − q ⇒ − ≤x≤
𝑚 𝑚

Assim, o período p da função é a diferença entre o maior e o menor valor obtido para x, nessa ordem, isto é:

2𝜋−𝑞 𝑞 2𝜋
p= − (− ) ⇒ p =
𝑚 𝑚 𝑚

(II) Se m < 0:

𝑞 2𝜋−𝑞
−q ≤ mx ≤ 2π − q ⇒ − ≥x≥
𝑚 𝑚

Calculando o período p, temos:

𝑞 2𝜋 − 𝑞 2𝜋
p=− − ⇒p−
𝑚 𝑚 𝑚

2𝜋
Por (I) e (II), concluímos que: p =
∣𝑚|
Página 112

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
8 Determinar o período das funções:

a) y = 3 sen 2x

b) y = 2 + 6 cos (−4x)

𝑥
c) y = 2 sen
3

𝜋
d) y = 3 − 4 cos (𝜋 𝑥 + )
5

Resolução

2𝜋 2𝜋
a) p = = = 𝜋
∣2| 2

2𝜋 2𝜋 𝜋
b) p = = =
|−4| 4 2

2𝜋 2𝜋
c) p = 1 = 1 = 6𝜋
| | 3
3

2𝜋 2𝜋
d) p = = = 2
|𝜋| 𝜋

9 A London Eye, também conhecida como Millennium Wheel (Roda do Milênio), é uma das maiores rodas-
gigantes do mundo. Podemos descrever seu movimento de giro por meio de uma função trigonométrica. Por
exemplo, considerando um extremo A de um diâmetro horizontal, podemos descrever o movimento desse
𝜋𝑡
ponto por meio da função f(t) = 71 + 64 sen , em que f(t) é a altura, em metro, do ponto A em relação ao
15
terreno no instante t, em minuto, a partir do início da medição do tempo (t = 0).

a) Qual é a altura máxima atingida pelo ponto A?

b) Em quantos minutos a roda dá uma volta completa?

Resolução

a) A altura máxima atingida pelo ponto A é o valor máximo da função f. Para calcular esse valor, vamos
determinar o conjunto imagem de f.

Temos:

𝜋𝑡
−1 ≤ sen ≤1
5

Multiplicando os membros dessa igualdade por 64, chegamos a:

𝜋𝑡
−64 ≤ 64 sen ≤ 64
15

Adicionando 71 aos membros da desigualdade, obtemos:

𝜋𝑡
71 − 64 ≤ 71 + 64 sen ≤ 71 + 64 ⇒ 7 ≤ f(t) ≤ 135
15

Portanto, a altura máxima atingida pelo ponto A é 135 m.


b) O tempo necessário para o ponto A girar uma volta completa é o período p da função f, ou seja:

2𝜋 2𝜋
p= 𝜋 = 𝜋 = 30
| | 15
15

Logo, a roda completa uma volta em 30 minutos.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

10 (Fuvest-SP) A figura a seguir mostra parte do gráfico da função: alternativa b

a) sen x

𝑥
b) 2 sen
2

c) 2 sen x

d) 2 sen 2x

e) sen 2x

𝑥
11 O perfil de uma telha ondulada, representada na figura abaixo, pode ser descrito pela função f(x) = 5 cos ,
2
em que os valores absolutos de x e f(x) indicam medidas em centímetro.

Calcule as medidas h e d indicadas na figura, considerando que A e B são cristas de ondas. h = 10 cm; d = 4π cm ≈
12,56 cm

[ícone: atividade em grupo] 12 Um estudo do departamento de planejamento de uma indústria revelou que as
vendas de seu produto, em unidades diárias, variaram nos 365 dias do ano anterior do seguinte modo: no
primeiro dia do ano, as vendas estiveram no patamar mínimo, que foi de 30.000 unidades; no 183º dia do ano,
o dia central, as vendas atingiram o patamar máximo de 90.000 unidades; e, no 365º o dia do ano, voltaram ao
patamar mínimo. Para programar a produção, os técnicos representaram em um plano cartesiano os pontos
cuja abscissa é o número do dia do ano anterior, de 1 a 365, e a ordenada é o número de unidades vendidas no
respectivo dia. Em seguida, aproximaram esses pontos pelo gráfico abaixo, que representa a função f(x) = a + b
cos (mx + q), cujos valores mínimo e máximo coincidem com os patamares mínimo e máximo de vendas do
produto. Determinem os números a, b, m e q, sabendo que são todos positivos e q é o menor possível. a = 60.000,
𝜋 181𝜋
b = 30.000, m = eq =
182 182
ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Resolva o exercício complementar 4.


Página 113

4 Movimentos periódicos
Quando um móvel repete o mesmo movimento consecutivamente em intervalos de tempo iguais, dizemos que
ele realiza um movimento periódico. O tempo necessário para a realização de cada um desses movimentos
recebe o nome de período (p); e o número de movimentos realizados em determinada unidade de tempo é
chamado de frequência (F) do movimento.

Exemplos

a) Se um pêndulo realiza uma oscilação completa a cada 2 segundos, dizemos que ele realiza um movimento
1
periódico de período p = 2 s e frequência F = oscilação por segundo.
2

𝟏
Observe que o período é o inverso da frequência, ou seja, p =
𝑭

A figura abaixo mostra o pêndulo partindo de A, indo até B e voltando ao ponto A. Essa trajetória de ida e volta
é uma oscilação completa do pêndulo.

GEORGE TUTUMI

b) O fenômeno de elevação e abaixamento das águas do mar recebe o nome de maré. O maior e o menor nível
das águas do mar são chamados, respectivamente, de maré alta e maré baixa. O tempo decorrente entre duas
marés altas consecutivas (ou entre duas marés baixas consecutivas) é de 12 horas, aproximadamente. Esse
1
movimento das águas é periódico, de período p = 12 h e frequência F = oscilação por hora.
12

A rigor, o período das marés é de 12 h 26 min.

KEN BIGGS/THE IMAGE BANK/ GETTY IMAGES

As marés são provocadas pela força gravitacional da Lua e, secundariamente, pela do Sol sobre a Terra.

O movimento periódico e as funções trigonométricas

As funções trigonométricas são periódicas, isto é, repetem-se em intervalos consecutivos e de mesmo


comprimento. As funções f(x) = sen x e g(x) = cos x, por exemplo, repetem-se a cada volta completa na
circunferência trigonométrica. Por isso, essas funções são utilizadas para descrever fenômenos periódicos,
como o movimento das marés, a propagação de ondas, o movimento dos planetas, o batimento cardíaco, as
estações do ano etc.

O chamado movimento periódico circular é fundamental para entender a relação entre as funções
trigonométricas e os movimentos periódicos.

Exemplo
No plano cartesiano, considere uma circunferência de 10 cm de raio, centrada na origem do sistema, e um
ponto P girando sobre essa circunferência no sentido anti-horário, com velocidade constante de 80 rotações
por minuto. Vamos descrever o movimento desse ponto por meio de uma função trigonométrica.

Abreviamos “rotações por minuto” por rpm.

FAUSTINO.

Por descrever o mesmo movimento em intervalos consecutivos e de mesma duração, o movimento desse
1
ponto é periódico, de frequência F = 80 rpm e período p = min, pois esse é o tempo que o ponto leva para
80
completar uma volta na circunferência.

Para descrever o movimento do ponto, precisamos determinar a medida α do arco 𝐴𝑃 ⏜ em função do tempo t,
considerando como instante zero um instante em que P passe pelo ponto A. Para isso, montamos a regra de
três:
Página 114

Considere um momento em que P esteja no 1º quadrante. Como o raio mede 10 cm, temos, pelo triângulo OPM
a seguir:

𝑥
cos α =
10
⇒ x = 10 cos α = 10 cos (160πt)
𝑦
sen α = ⇒ y = 10 sen α = 10 sen (160πt)
10

Podemos generalizar essas relações para os outros quadrantes e descrever o movimento do ponto P, em
função do tempo t, em minuto, por meio de:

• sua abscissa: f(t) = 10 cos (160πt) ou

• sua ordenada: g(t) = 10 sen (160πt)

Associando um movimento circular a um movimento periódico

Muitas vezes, o movimento periódico não se associa explicitamente a uma circunferência, mas, com uma
pequena dose de imaginação, conseguimos relacionar o fenômeno com um movimento circular.

Exemplo

Considere um pistão em movimento periódico tal que seu percurso seja 20 cm e o trajeto de ida e volta (40
cm) seja realizado 80 vezes por minuto. Vamos imaginar uma circunferência de diâmetro 20 cm, com o centro
na origem de um sistema cartesiano, de modo que, quando um ponto P gira na circunferência, uma haste rígida
MP acompanha o movimento do pistão, conforme a figura abaixo.

STEPHEN DOREY/ALAMY/GLOW IMAGES

O pistão de um motor é uma peça cilíndrica metálica deslizante que recebe um movimento de vaivém no interior de um cilindro de
motor de combustão interna.

Observe que o diâmetro da circunferência deve ser igual ao comprimento do percurso do pistão.
ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Assim, usando os cálculos do exemplo anterior e admitindo que a velocidade de P seja constante, podemos
descrever o movimento do pistão pelo movimento do ponto P, em função do tempo t, em minuto:

• pela abscissa do ponto P: f(t) = 10 cos (160πt) ou

• pela ordenada do ponto P: g(t) = 10 sen (160πt)

Extrapolando esse raciocínio, é possível descrever o movimento das marés por meio de uma função
trigonométrica, como se o mar fosse um imenso pistão que sobe e desce. Enfim, qualquer movimento
periódico, como o movimento de um pêndulo, a propagação de ondas, o movimento dos braços de uma pessoa
durante uma caminhada, os batimentos cardíacos etc., pode ser descrito por uma função trigonométrica.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
10 Em uma região, em determinado dia, a amplitude das marés é 1,4 m, e o intervalo de tempo entre duas
marés altas consecutivas (ou entre duas marés baixas consecutivas) é 12 horas. Sabendo que uma maré alta
ocorre às 3 h, descrever, por meio de uma função trigonométrica, o movimento das marés nessa região em
função do horário t, em hora, nesse dia.
Página 115

A amplitude das marés é a diferença entre os níveis da maré alta e da maré baixa. Ela varia dependendo da posição
da Lua.

Resolução

Imaginemos, em um plano vertical, uma circunferência acima do nível do mar e uma haste rígida ligando um
ponto P da circunferência a um ponto do nível do mar, no prolongamento do eixo Oy, conforme mostra a
figura:

O subir e descer da maré, que lembra o movimento de um imenso pistão, provoca um movimento circular do
ponto P. Supondo esse movimento com velocidade constante e no sentido anti-horário, vamos calcular a
⏜ , em função do tempo t, em hora, em que t = 0 corresponda a um instante em que P passou
medida a do arco 𝐴𝑃
pelo ponto A:

Medida do arco (rad) Tempo (h)

2π 12

α t

𝜋𝑡
⇒α= rad
6

Note que, como o intervalo entre duas marés altas consecutivas é 12 horas, o ponto P deve demorar 12 horas para
percorrer toda a circunferência.

Assim, podemos descrever o movimento da maré nesse dia, em função do tempo t, em hora (0 ≤ t ≤ 24):

𝜋𝑡
• pela ordenada do ponto P: f (t) = 0,7 sen ou
6

𝜋𝑡
• pela abscissa do ponto P: g (t) = 0,7 cos
6

Notas:

𝜋𝑡 𝜋𝑡 é dado por p = 2𝜋
1. O período p da função f(t) = 0,7 sen ou da função g(t) = 0,7 cos 𝜋 = 12
6 6
6

Esse período, no contexto do problema, chamado de período das marés, é o tempo, em hora, transcorrido entre
duas marés altas (ou duas marés baixas) consecutivas.

𝜋𝑡
2. O gráfico da função f(t) = 0,7 sen , para 0 ≤ t ≤ 24, é:
6
ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Interpretando esse gráfico no contexto do problema, concluímos, por exemplo, que:

• à zero hora, a maré estava em seu nível médio;

• às 3 h e às 15 h, a maré estava em seu nível máximo, 0,7 m acima do nível médio;

• às 9 h e às 21 h, a maré estava em seu nível mínimo, 0,7 m abaixo do nível médio.

3. A amplitude da maré varia de acordo com a posição da Lua em relação ao Sol e à Terra. Nessa questão,
admitimos que a amplitude da maré calculada com quaisquer marés alta e baixa de um mesmo dia seja a
mesma, o que é muito próximo da realidade, pois a variação da posição da Lua em relação ao Sol e à Terra é
pequena em 24 horas.

4. O enunciado fornece que uma maré alta ocorre às 3 h. Usamos essa informação ao adotar o sentido anti-
horário e a posição do ponto P no instante zero. Se adotássemos o sentido horário, nessa mesma posição
inicial, às 3 h ocorreria uma maré baixa.
Página 116

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

13 No plano cartesiano, considere uma circunferência de 7 cm de raio, centrada na origem do sistema, e um


ponto P girando sobre essa circunferência, no sentido anti - horário, com velocidade constante de 30 rpm. Esse
1
ponto descreve uma volta completa na circunferência a cada min. Por descrever o mesmo movimento em
30
intervalos consecutivos e de igual duração, dizemos que o movimento desse ponto é periódico.

FAUSTINO

Como vimos, movimentos periódicos podem ser descritos por funções trigonométricas. Considerando que no
instante zero o ponto P esteja no ponto A(7, 0), a abscissa e a ordenada do ponto P, em função do tempo t, em
minuto, são dadas, respectivamente, por: alternativa d

a) f(t) = 7 cos (6πt) e g(t) = 7 sen (6πt)

𝜋𝑡 𝜋𝑡
b) f(t) = 7 cos e g(t) = 7 sen
6 6

𝜋𝑡 𝜋𝑡
c) f(t) = 7 cos e g(t) = 7 sen
60 60

d) f(t) = 7 cos (60πt) e g(t) = 7 sen (60πt)

e) f(t) = 7 cos (πt) e g(t) = 7 sen (πt)

14 Um pistão realiza um movimento periódico no interior de um cilindro, percorrendo 16 cm na subida e 16


cm na descida, de modo que cada oscilação completa, de 32 cm (subida e descida), é realizada pelo pistão em
1
min.
60

Considerando que no instante zero o pistão está subindo e que sua cabeça (tampa) está a 8 cm da base inferior
do cilindro, a função que descreve a altura f(t), atingida pela cabeça do pistão em relação à base inferior, em
função do tempo t, em minuto, é: alternativa d

a) f(t) = 8 cos (60πt)

b) f(t) = 16 cos (60πt)

c) f(t) = 8 cos (120πt)

d) f(t) = 8 sen (120πt)

𝜋𝑡
e) f(t) = 16 cos ( )
60

15 Em uma região, em determinado dia, a amplitude da maré é 2,6 m, e o intervalo de tempo entre duas marés
altas consecutivas (ou entre duas marés baixas consecutivas) é 12 horas. Sabendo que uma maré alta ocorre às
5 h, descreva, por meio de uma função trigonométrica, o movimento das marés nessa região em função do
horário t, em hora, durante um dia. (Suponha que a amplitude seja constante nesse dia.)
𝜋(𝑡 − 2)
f(t) = 1,3 sen
6

GEORGE TUTUMI

[ícone: atividade em grupo] 16 (Enem) Considere um ponto P em uma circunferência de raio r no plano
cartesiano. Seja Q a projeção ortogonal de P sobre o eixo x, como mostra a figura, e suponha que o ponto P
percorra, no sentido anti-horário, uma distância d ≤ r sobre a circunferência.

ADILSON SECCO

Então, o ponto Q percorrerá, no eixo x, uma distância dada por: alternativa b

𝑑
a) r (1 − sen )
𝑟

𝑑
b) r (1 − cos )
𝑟

𝑑
c) r (1 − tg )
𝑟

𝑟
d) r sen ( )
𝑑

𝑟
e) r cos ( )
𝑑

Resolva o exercício complementar 5.

CRIANDO PROBLEMAS

[ícone: atividade em grupo] Inspirando-se nos exercícios propostos 14 a 16, elaborem e resolvam um
problema sobre fenômenos periódicos que envolva uma situação do cotidiano. Resposta pessoal.
Página 117

Quais são os gráficos das funções tangente, cotangente, secante e cossecante?

Ver Suplemento com orientações para o professor.

CONECTADO

Digitando em um site de busca o termo “Winplot”, você terá acesso ao programa gratuito Winplot
para a construção de gráficos matemáticos. Instale-o em seu computador e recorra a ele quando
estiver estudando as funções. Isso o ajudará muito.

Com o auxílio do Winplot, faça o que se pede:

a) Construa o gráfico da função y = sen x e, no mesmo plano cartesiano (na mesma tela), construa o
gráfico da função y = b sen x, atribuindo a b qualquer valor real não nulo e diferente de 1. Que
transformação ocorreu do primeiro gráfico para o segundo?

b) Construa o gráfico da função y = cos x e, no mesmo plano cartesiano (na mesma tela), construa o
gráfico da função y = a + cos x, atribuindo a a qualquer valor real não nulo. Que transformação
ocorreu do primeiro gráfico para o segundo?

c) Construa o gráfico da função y = sen x e, no mesmo plano cartesiano (na mesma tela), construa o
gráfico da função y = sen (kx), atribuindo a k qualquer valor real não nulo e diferente de 1. Que
transformação ocorreu do primeiro gráfico para o segundo?

d) Tente generalizar suas observações dos itens anteriores.

Ver Suplemento com orientações para o professor.

MENTES BRILHANTES

A descoberta do efeito estufa

O matemático e físico francês Jean-Baptiste Joseph Fourier (1768-1830) desenvolveu um dos mais
importantes trabalhos da Termodinâmica sobre a propagação de calor. Os aspectos matemáticos
desse trabalho fundamentam-se na decomposição de funções periódicas em séries trigonométricas,
que ficaram conhecidas como séries de Fourier.

Na década de 1820, os estudos de Fourier levaram-no a considerar que a atmosfera da Terra


poderia agir como um isolante que impediria a perda de calor do planeta. Essa hipótese de Fourier
é reconhecida como a primeira citação do que atualmente é definido como “efeito estufa”.

Joseph Fourier.

FÁBIO CORTEZ REIS


5 Resolução de triângulos
Sobre um ponto material P, são aplicadas apenas duas forças 𝐹1 e 𝐹2 , de intensidades 5 N e 3 N,
respectivamente, conforme mostra a figura abaixo.

ADILSON SECCO

Qual é a intensidade da força resultante 𝐹 que atua sobre esse ponto?

Para resolver esse problema clássico da Dinâmica, lembramos que o vetor resultante 𝐹 tem origem P e é
representado pela diagonal do paralelogramo do qual 𝐹1 e 𝐹2 são lados consecutivos.
Página 118

Assim, para calcular a intensidade de 𝐹, que indicamos por ∣𝐹∣, devemos calcular a medida do lado 𝑃𝐿 do
triângulo PQL a seguir.

ILUSTRAÇÕES: ADILSON SECCO

Deparamos aqui com um problema que relaciona as medidas dos lados com a medida de um ângulo interno de
um triângulo não retângulo (no caso, o triângulo PQL). Estudar esse tipo de relação é o objetivo deste item.

Embora as razões trigonométricas sejam definidas apenas em triângulos retângulos, é possível aplicá-las em
situações que envolvam triângulos não retângulos, considerando que podemos tanto decompor um triângulo
não retângulo em dois triângulos retângulos quanto compor triângulos retângulos a partir de um triângulo não
retângulo.

Exemplos

a)

O triângulo não retângulo ABC pode ser decomposto nos triângulos retângulos HBC e HAC.

b)

Com o triângulo não retângulo ABC, podemos compor os triângulos retângulos HBC e HBA.

Pelos processos de composição ou decomposição mostrados nesses exemplos, podemos relacionar as medidas
dos ângulos internos com as medidas dos lados de um triângulo não retângulo por meio das razões
trigonométricas, como comprovam os teoremas a seguir.

Lei dos cossenos

Sejam a, b e c as medidas dos lados de um triângulo e a α medida do ângulo oposto ao lado de medida a.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Nos três casos acima, vale a relação: 𝑎2 = 𝑏 + 𝑐2 − 2bc ⋅ cos α


2

Demonstração
Demonstraremos apenas o caso em que α < 90°.

Sejam:

• 𝐶𝐻 a altura relativa ao lado 𝐴𝐵;

• 𝐴𝐻 a projeção ortogonal do lado 𝐴𝐶 sobre o lado 𝐴𝐵;

• 𝐵𝐻 a projeção ortogonal do lado 𝐵𝐶 sobre o lado 𝐴𝐵.


Página 119

Aplicando o teorema de Pitágoras nos triângulos retângulos HBC e HAC, temos:

ℎ2 + (𝑐 − 𝑚)2 = 𝑎2 (I)

ℎ2 + 𝑚2 = 𝑏 2 (II)

Subtraindo membro a membro as igualdades (I) e (II), obtemos:

(𝑐 − 𝑚)2 − 𝑚2 = 𝑎2 − 𝑏 2 ⇒ 𝑐 − 2𝑐𝑚 + 𝑚2 − 𝑚2 = 𝑎2 − 𝑏 2

∴ 𝑎2 = 𝑏 2 + 𝑐 2 − 2𝑐𝑚 (III)

𝑚
Do triângulo HAC, temos: cos α = ⇒ m = b ⋅ cos α (IV)
𝑏

Substituindo (IV) em (III), encontramos, finalmente:

𝑎2 = 𝑏 2 + 𝑐 2 − 2cb ⋅ cos α

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
11 Determinar o valor de x na figura abaixo.

Resolução

Aplicando a lei dos cossenos, temos: 𝑥 2 = 32 + 82 − 2 ⋅ 3 ⋅ 8 ⋅ cos 60° ⇒

1
⇒ 𝑥 2 = 9 + 64 − 48 ⋅
2

∴ x2 = 49 ⇒ x = 7

12 Determinar o valor de x na figura abaixo.

Resolução

Aplicando a lei dos cossenos, temos: 𝑥 2 = 22 + 42 − 2 ⋅ 2 ⋅ 4 ⋅ cos 120° ⇒

1
⇒ 𝑥 2 = 4 + 16 − 16 ⋅ (− )
2

∴ 𝑥 2 = 28 ⇒ x = 2√7

13 Determinar o valor do cos α na figura abaixo.


Resolução

Aplicando a lei dos cossenos, temos: 62 = 32 + 42 − 2 ⋅ 3 ⋅ 4 ⋅ cos α ⇒

⇒ 36 = 9 + 16 − 24 cos α

11
∴ 24 cos α = −11 ⇒ cos α = −
24

Conhecendo as medidas dos lados de um triângulo, é possível calcular a medida dos ângulos internos desse triângulo?

Ver Suplemento com orientações para o professor.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

17 Calcule a medida x indicada nas figuras abaixo.

a)

7 cm

b)

14 m

18 Retomando a situação da página 117, sabemos que, sobre um ponto material P, são aplicadas apenas duas
forças, 𝐹1 e 𝐹2 , de intensidades |𝐹1 | = 5 N e |𝐹2 | = 3 N, conforme mostra a figura abaixo.

Calcule a intensidade da força resultante que atua sobre esse ponto. 7 N

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO
Página 120

19 Os lados de um triângulo medem 4 cm, 5 cm e 7 cm.

a) Calcule o cosseno do maior ângulo interno desse triângulo. − 15

b) O maior ângulo interno desse triângulo é agudo, reto ou obtuso? Justifique sua resposta.

Obtuso, pois, pelo item a, o cosseno desse ângulo é negativo.

[ícone: atividade em grupo] 20 Em uma bicicleta, a distância entre o ponto A no eixo da roda traseira e o ponto B
no eixo da coroa é 40 cm, e a distância entre o ponto B e o ponto P no eixo do pedal é 20 cm.

Durante a pedalagem, a distância d, entre os pontos A e P, varia em função da medida a do ângulo A𝐵̂P.

PAULO MANZI

a) Obtenham uma equação que expresse d em função de α.

d = 20√5 − 4 cos α

b) Determinem os valores máximo e mínimo da função d, obtida no item a.

valor máximo: 60 cm;

valor mínimo: 20 cm

c) Descrevam as posições relativas dos pontos A, B e P nos instantes em que a função d, obtida no item

a, assume seus valores máximo e mínimo.

Quando a função d assume seu valor máximo, os três pontos estão alinhados, com B entre A e P. Quando ela assume seu valor mínimo, os três
pontos também estão alinhados, com P entre A e B.

Resolva o exercício complementar 6.

CRIANDO PROBLEMAS

[ícone: atividade em grupo] Inspirando-se nos exercícios propostos 18 e 20, elaborem e resolvam um
problema sobre a lei dos cossenos que envolva uma situação do cotidiano. Resposta pessoal.

Lei dos senos


ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Sendo AB = c, AC = b e BC = a as medidas dos lados de um triângulo ABC, temos:

𝑎 𝑏 𝑐
= = = 2R
sen 𝐴̂ sen 𝐵̂ sen 𝐶̂

em que R é o raio da circunferência circunscrita ao triângulo.

Demonstração

Demonstraremos apenas o caso em que o centro O da circunferência circunscrita é interior ao triângulo.

Sendo 𝐵𝐷 um diâmetro dessa circunferência, o ângulo D𝐴̂B é reto, pois está inscrito em uma
̂=
semicircunferência. Assim, temos: sen 𝐷
𝑐
2𝑅

̂ e 𝐶̂ são congruentes, pois estão inscritos na mesma circunferência e determinam o mesmo


Porém, os ângulos 𝐷
̂ = sen 𝐶̂ =
arco. Logo, temos: sen 𝐷
𝑐
2𝑅
⇒ 2R =
𝑐
sen 𝐶̂

𝑏
Traçando por A um diâmetro 𝐴𝐷′, temos, de maneira análoga: 2R =
sen 𝐵̂

𝑎
Traçando por C um diâmetro 𝐶𝐷′′, temos, de maneira análoga: 2R =
sen 𝐴̂

𝑎 𝑏 𝑐
Portanto: = = = 2R
sen 𝐴̂ sen 𝐵̂ sen 𝐶̂
Página 121

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
14 Determinar a medida x na figura.

Resolução

Aplicando a lei dos senos, temos:

𝑥 10 𝑥 10
= ⇒1 = √2
sen 30° sen 45°
2 2

∴ x = 5√2

15 Calcular a medida R do raio da circunferência circunscrita ao triângulo ABC abaixo.

Resolução

Pela lei dos senos, a razão entre a medida de um lado do triângulo e o seno do ângulo oposto a esse lado é igual
ao diâmetro da circunferência circunscrita ao triângulo. Logo:

9 9
= 2𝑅 ⇒ √3
= 2R
sen 60°
2

∴ R = 3√3

16 Dois pontos, A e B, estão localizados na margem de um lago, conforme mostra a figura.

Para calcular a distância entre esses pontos, um topógrafo caminhou em linha reta 250 m a partir de A até um
ponto C, com m(B𝐴 ̂C) = 75°. Depois, mediu o ângulo A𝐶̂B, obtendo 60°. Com esses dados, obteve a distância AB.
Qual é essa distância em metro?

Resolução

A soma das medidas dos ângulos internos de um triângulo qualquer é 180°; logo, no triângulo ABC, deduzimos
que A𝐵̂C mede 45°. Sendo x a distância, em metro, entre os pontos A e B, temos o esquema:
Pela lei dos senos, concluímos que:

𝑥 250 𝑥 250
= ⇒
√3
= √2
sen 60° sen 45°
2 2

∴x = 250√3
√2
⇒ x = 125√6

A distância AB é 125√6 m ou, aproximadamente, 306 m.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

21 Determine a medida x na figura. 3√2

22 (Ufes) No triângulo ABC da figura a seguir, o cosseno do ângulo obtuso a é igual a: alternativa d

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

1
a)
9

1
b) −
2

√3
c) −
2

√5
d) −
3

√5
e)
2

23 Dois rios são retos nas proximidades do ponto A de confluência de ambos. Pela construção de um canal, o
curso do rio afluente deve ser desviado, ligando, em linha reta, um ponto B a um ponto C, conforme mostra a
figura a seguir.
̂C) = 120°, m(A𝐵̂C) = 15° e BA = 800 m, calcule o comprimento do canal a ser construído de
Sabendo que m(B𝐴
B a C.

400√6 m ou, aproximadamente, 980 m


Página 122

24 (Vunesp) Na figura os pontos A, B e C estão sobre uma circunferência de raio 1 cm e o ângulo A𝐶̂ B mede 45°.
Nessas condições, o comprimento da corda AB, em cm, vale: alternativa a

a) √2

1+ √2
b)
2

√2
c)
2

1+√2
d)
4

e) √2 − 1

Resolva o exercício complementar 7.

CRIANDO PROBLEMAS

[ícone: atividade em grupo] Inspirando-se no exercício proposto 23, elaborem e resolvam um problema
sobre a lei dos senos que envolva uma situação do cotidiano. Resposta pessoal.

6 Cálculo da área de um triângulo


Já estudamos o cálculo da área de um triângulo como a metade do produto da medida da base pela medida da
altura relativa a essa base. Neste item, o cálculo dessa área será feito em função das medidas de dois lados e da
medida do ângulo determinado por eles. O teorema a seguir mostra como isso é feito.

̂ P) = α, é dada por:
A área A de um triângulo MNP, em que NM = a, NP 5 b e m(M𝑁

1
A = ab ⋅ sen α
2

Demonstração

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO
Seja h a medida da altura relativa ao lado 𝑁𝑃.

Assim, a área A desse triângulo é dada por:

𝑏ℎ
A= (I)
2


No triângulo MNQ, temos sen α = ou, ainda:
𝑎

h = α ⋅ sen α (II)

Substituindo (II) em (I), obtemos a área do triângulo em função de a, b e α:

𝑏𝑎 ⋅sen 𝛼 1
A= ⇒ A ab ⋅ sen α
2 2

Nota: Este teorema continua válido para α > 90° ou a = 90°. Verifique!
Página 123

EXERCÍCIO RESOLVIDO
17 Calcular a área de cada um dos triângulos.

a)

b)

Resolução

1 1 1
a) 𝐴 = ⋅ 4 ⋅ 5 ⋅ sen 30 ° = ⋅ 4 ⋅ 5 ⋅ ⇒ 𝐴 = 5 𝑐𝑚2
2 2 2

1 1 √3
b) 𝐴 = ⋅ 6 ⋅ 8 ⋅ sen 120 ° = ⋅ 6 ⋅ 8 ⋅ ⇒ 𝐴 = 12√3𝑐𝑚2
2 2 2

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno. Lembre-se: Não escreva no livro!

25 Calcule a área de cada um dos triângulos.

a)

15 cm2

b)

5 cm2

26 Em um triângulo ABC de área 20 𝑐𝑚2 , tem-se que AB = 8 cm e AC = 10 cm. Calcule a medida do ângulo B𝐴̂C.
30° ou 150°

[ícone: atividade em grupo] 27 Toda corda de um círculo divide-o em duas partes chamadas de “segmentos
circulares”. Calculem a área do segmento circular laranja-escuro no círculo de centro O a seguir. 3(4𝜋 – 3√3) cm2
ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO.

(Sugestão: Subtraiam da área do setor circular AOBM a área do triângulo AOB.)

Resolva os exercícios complementares 8 e 9.


Página 124

EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES
Faça as atividades no caderno.

1 No plano cartesiano xOy, em que a unidade adotada nos eixos Ox e Oy é o metro, um arquiteto projetou uma
calçada a ser construída na orla reta de uma praia. No piso serão desenhadas ondas representadas entre os
gráficos das funções f(x) = 4 sen x e g(x) = 3 + 4 sen x. O gráfico de f tangenciará uma margem da calçada, e o de
g tangenciará a outra margem, conforme mostra a figura. Calcule a largura h da calçada, em metro. 11 m

FAUSTINO

2 Determine o conjunto imagem das funções:

a) f(x) = 5 +1 cos² x − sen² x Im(f) = {y ∈ ℝ ∣ 4 ≤ y ≤ 6}

b) g(x) = sen x ⋅ cos x Im(g) = {y ∈ ℝ ∣ −


1
2
1
≤ y ≤ }
2

3 A partir da zero hora de cada dia, a pressão p, em bar, de uma caldeira é controlada automaticamente,
variando com o tempo t, em hora, de acordo com a função:

(𝑡 − 1)𝜋
p(t) = 300 + 200 sen
2

a) Qual é a pressão máxima dessa caldeira, em bar? 500 bars

b) Qual é o primeiro horário, a partir da zero hora, em que a caldeira atinge a pressão máxima? 2 h

c) Qual é a pressão mínima dessa caldeira, em bar? 100 bars

d) Qual é o primeiro horário, após as 14 horas, em que a caldeira atinge a pressão mínima? 16 h

(Nota: Bar é uma unidade de pressão que equivale, aproximadamente, à pressão atmosférica, que é de 1,01325
bar.)

4 Na abertura deste capítulo, você viu que a velocidade de uma música pode ser medida em bpm (batidas por
minuto). Considere a figura abaixo, em que os picos do gráfico são as batidas de uma música.

ADILSON SECCO

I. Qual é a velocidade dessa música, em bpm? 120 bpm

II. Qual é o período desse gráfico? 12

III. Qual das funções abaixo pode representar aproximadamente esse gráfico, supondo que os picos dele têm
ordenada 1? alternativa d
a) f(t) = sen t

b) f(t) = cos t

c) f(t) = sen (2πt)

d) f(t) = ∣sen (2πt)∣

e) f(t) = ∣cos (2πt)∣

5 A senoide a seguir descreve o movimento vertical de uma rolha em um tanque de água no qual são
produzidas ondas com cristas sucessivas distantes 0,2 m uma da outra. Os valores absolutos das ordenadas y,
em centímetro, representam a distância entre a rolha e a superfície da água em seu nível de repouso, e a
abscissa t representa o tempo, em segundo.

ADILSON SECCO

a) Qual é a velocidade de propagação das ondas, em metro por segundo? 0,1 m/s

b) No intervalo de 0 a 4 s, em que instantes a velocidade da rolha é nula? 0,5 s; 1,5 s; 2,5 s; 3,5 s

c) Obtenha uma equação que expresse y em função de t. y = sen (πt)

[ícone: calculadora] 6 Cada haste de um compasso tem 10 cm de comprimento, e a abertura entre elas varia de
0° a 140°.

FAUSTINO

a) Para cada medida θ, em grau, do ângulo de abertura entre as hastes, fica determinada uma única distância d,
em centímetro, entre as pontas do compasso. Obtenha a lei de associação que expressa a distância d em função
de θ. d = 10 √2(1 – cos θ)

b) Qual é a distância, em centímetro, entre as pontas do compasso quando o ângulo de abertura entre as hastes
é 120°? 10√3 cm ou, aproximadamente, 17,3 cm

c) Qual é a máxima distância, em centímetro, entre as pontas do compasso? aproximadamente 18,8 cm

7 (Vunesp) Para calcular a distância entre duas árvores situadas nas margens opostas de um rio, nos pontos A
e B, um observador que se encontra junto de A afasta-se 20 m da margem, na direção da reta 𝐴𝐵 ⃡ , até o ponto C,
e depois caminha em linha reta até o ponto D, a 40 m de C, do qual ainda pode ver as árvores.
FAUSTINO
Página 125

Tendo verificado que os ângulos D𝐶̂ B e B𝐷


̂ C medem, respectivamente, cerca de 20° e 130°, que valor ele
encontrou para a distância entre as árvores, se usou a aproximação sen 130° = 0,76? 40,8 m

[ícone: calculadora] 8 Para medir a área de um terreno plano com a forma de um quadrilátero convexo ABCD,
um topógrafo posicionou seu teodolito no vértice A e mediu os ângulos B𝐴̂C e C𝐴̂D e os segmentos 𝐴𝐵, 𝐴𝐶𝑒 𝐴𝐷,
obtendo, respectivamente, 38°, 65°, 860 m, 900 m e 980 m. Qual é a área desse terreno? ≈ 637.943,13 m2

ADILSON SECCO

9 Calcule a área do segmento circular AMB contido no círculo abaixo, de centro O e raio igual a 8
112𝜋
cm. (16 +
3
) cm
2

FAUSTINO

PRÉ-REQUISITOS PARA O CAPÍTULO 6


Faça as atividades no caderno.

Responda às questões a seguir, cuja finalidade é rever os principais conceitos necessários para o
desenvolvimento da teoria e das atividades do Capítulo 6.

1 A figura ao lado mostra a página de um caderno quadriculado, em que a medida do lado de cada quadrícula é
u.

a) Quantas quadrículas de lado u compõem essa página? 500

b) Se o caderno possui 100 páginas e todas elas têm o mesmo número de quadrículas de lado u, quantas dessas
quadrículas compõem o caderno? 50.000
FAUSTINO

2 Em um restaurante há dois salões, A e B. No salão A existem exatamente 20 mesas, e cada uma é rodeada por
precisamente 4 cadeiras; no salão B há exatamente 15 mesas, e cada uma é rodeada por precisamente 6
cadeiras. Quantas cadeiras há nos dois salões juntos? 170

3 Dos 30 alunos de uma sala, 20 têm mais de 16 anos e 15 têm menos de 18 anos. Quantos alunos têm mais de
16 e menos de 18 anos? 5 alunos

4 Com as letras A, B e C:

a) forme todas as sequências possíveis de duas letras distintas; AB, BA, AC, CA, BC, CB

b) forme todas as sequências possíveis de três letras distintas. ABC, ACB, BAC, BCA, CAB, CBA

5 Quais são os subconjuntos de dois elementos do conjunto A = {4, 6, 7, 9}? {4,6}, {4,7}, {4,9}, {6,7}, {6,9}, {7,9}
Página 126

Trabalhando em equipe

“O ingrediente mais importante na fórmula do sucesso é saber como se dar bem com as pessoas.”

Theodore Roosevelt, ex-presidente dos Estados Unidos.

Componha uma equipe com alguns colegas e discutam as seções a seguir.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

ANÁLISE DA RESOLUÇÃO
Um aluno resolveu o exercício conforme a reprodução a seguir. Um erro foi cometido.
Apontem o erro e refaçam a resolução no caderno, corrigindo-a.

Exercício

O raio da circunferência circunscrita a um triângulo ABC tem o mesmo comprimento do lado 𝐴𝐵. Calcule a
medida, em grau, do ângulo A𝐶̂ B.

Resolução

ELISA NIEVAS

• O é o centro da circunferência

• r é o raio da circunferência circunscrita ao triângulo ABC

• α é a medida do ângulo A𝐶
̂B

O triângulo AOB é equilátero; por isso, cada um de seus ângulos internos mede 60°.

Como a medida de um ângulo inscrito em uma circunferência é metade da medida


do ângulo central correspondente, temos:

𝑚 (𝐴𝑂̂ 𝐵) 60°
α= = => α = 30°
2 2

O aluno não considerou outra medida possível para o ângulo


𝑟
𝐴𝐶̂ B, que ocorre para outra posição do triângulo ABC. Essa outra possibilidade se revelaria, naturalmente, se fosse aplicada a lei dos senos: =
sen 𝛼
1
2r ⇒ sen α = .
2

Resolvendo essa equação para 0° < α < 180°, pois α é medida de um ângulo interno de um triângulo, concluímos que α = 30° ou α = 150°.
Observe as possíveis posições do triângulo ABC:

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

MATEMÁTICA SEM FRONTEIRAS

O ciclo respiratório
O ciclo respiratório é constituído de uma inspiração e da expiração consecutiva. A inspiração, em que ocorre a
entrada de ar nos pulmões, é causada pela contração da musculatura do diafragma e dos músculos intercostais.
O diafragma desloca-se para baixo e as costelas elevam-se, provocando o aumento da caixa torácica, com
consequente redução da pressão interna em relação à externa, promovendo a entrada do ar nos pulmões. A
expiração, em que ocorre a saída de ar dos pulmões, é causada pelo relaxamento da musculatura do diafragma
e dos músculos intercostais. O diafragma desloca-se para cima e as costelas abaixam, diminuindo o volume da
caixa torácica, com consequente aumento da pressão interna, forçando o ar a sair dos pulmões.

ILUSTRAÇÕES: LIGIA DUQUE


Página 127

Em uma situação de repouso, um jovem adulto e saudável inspira e expira 500 mL de ar a cada ciclo
respiratório, em um período de 5 segundos. O pulmão nunca fica completamente sem ar; mesmo após a
expiração, um volume residual de 1.200 mL de ar permanece nos pulmões. Esses volumes são valores médios,
pois podem variar de uma pessoa para outra.

Por ser um movimento periódico, o ciclo respiratório pode ser descrito por uma função trigonométrica.

ATIVIDADES

Faça as atividades no caderno.

Assumindo como padrão os valores apresentados nesse texto, façam o que se pede nas questões a seguir.

1 Adotando a função cosseno como modelo, obtenham uma equação V(t) = a + b cos (mt), com {a, b, m} ⊂ ℝ, em
que V(t) expressa o volume, em mililitro, de ar nos pulmões em função do tempo t, em segundo, considerando t
= 0 um instante em que a quantidade de ar nos pulmões seja apenas o volume residual. V(t) = 1.450 − 250 cos 2𝜋𝑡
5

2 De acordo com a função obtida no exercício anterior, calculem o volume, em mililitro, de ar nos pulmões no
5 s.
instante t = 1.325 mL
6

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

O escritor Mark Twain (1835-1910) nasceu e morreu em duas passagens do cometa Halley pela Terra.

FRANCES BENJAMIN JOHNSTON/THE GRANGER COLLECTION/GLOW IMAGES

Em um intervalo de 5 segundos, o que pode acontecer?

Na abertura deste capítulo, vimos que 5 segundos é o tempo suficiente para um DJ sincronizar uma música
com a seguinte. Na seção trabalhando em equipe, item Matemática sem fronteiras, vimos que o ciclo
respiratório de um jovem adulto e saudável dura 5 segundos.

Que tal você e seu grupo pesquisarem agora o que mais pode acontecer periodicamente em um intervalo de 5
segundos ou em outro período de t unidade de tempo?

Justificativa

Pesquisar fenômenos periódicos, além de permitir o conhecimento do fenômeno em si, pode desenvolver a
habilidade de mensurar o que Einstein chamou de quarta dimensão: o tempo.

Objetivo

Perceber que fenômenos periódicos podem ocorrer em diversos campos do conhecimento humano.
Apresentação

Exposição oral com auxílio de materiais de multimídia ou de cartazes com tabelas, gráficos e fotos ou
ilustrações. Ou, ainda, representação contextualizada do fenômeno.

Questões para pensar em grupo

1. O que caracteriza um fenômeno periódico?

A repetição do mesmo movimento consecutivamente em intervalos de tempo iguais.

2. Além da música e da respiração, onde mais encontramos fenômenos periódicos? Exemplos de resposta: nas marés,
em relógios etc.

3. Ao longo da história, que instrumentos foram usados para medir intervalos de tempo? A pulsação arterial
pode ser usada para medir um intervalo de tempo? Exemplos de resposta: clepsidra, ampulheta, relógio de Sol, relógio de vela;
não, pois não é um fenômeno periódico.

4. Quais são os períodos de rotação e de translação da Terra? E quais são os períodos de translação dos outros
corpos do Sistema Solar? E as marés, são periódicas? 23 h 56 min; aproximadamente 365 dias; Mercúrio: 88 dias; Vênus:
aproximadamente 225 dias; Marte: 687 dias; Júpiter: 11,86 anos; Saturno: 29,46 anos; Urano: 84 anos; Netuno: aproximadamente 165 anos;
sim, as marés são periódicas.

Organização do trabalho

• escrevam as etapas necessárias para o desenvolvimento desse trabalho e as distribuam entre os


componentes do grupo.

• façam um cronograma para a realização do trabalho que contemple o prazo estabelecido.


Página 128

CAPÍTULO 6 - Os princípios da Análise


combinatória

ILUSTRAÇÕES: CIRO MACCORD

As piores senhas do mundo


Para acessar tudo o que se tem de importante na internet – seja o e-mail, seja o perfil no site de
relacionamento, seja a conta do banco – é preciso ter uma senha secreta. Mas algumas senhas não são tão
secretas assim.

As 20 senhas mais fáceis

No fim de 2009, um hacker aproveitou um defeito em um site comercial e colocou na internet as senhas de 32 milhões
de clientes da empresa, mostrando que as mesmas sequências apareciam milhares de vezes.

Isso é típico de quem tem preguiça: ter como senha a palavra “senha”.

São as primeiras teclas do teclado. Usar caracteres de teclas vizinhas é uma estratégia que não engana
ninguém.

Essa senha lidera a lista das mais fracas. Só no site invadido pelo hacker, era usada por mais de 290 mil
pessoas.

Note que nenhuma dessas senhas contém caracteres especiais, como &?*%.
Página 129

Além da teoria

Ver sugestões para o desenvolvimento do infográfico no Suplemento com orientações para o professor.

1. Você considera suas senhas seguras? Resposta pessoal

2. De acordo com o infográfico, qual é o número aproximado de usuários que utilizam a senha
123456789? ≈ 75.000

3. Quantas senhas de três caracteres podemos formar com os caracteres %, $ e @, sem repetição? 6

Como criar uma senha forte

Use muitas letras

Usando todas as letras do teclado, uma senha com quinze caracteres é 5.429.503.678.976 vezes mais difícil de
quebrar que uma senha com seis caracteres.

308.915.776 possibilidades

1.677.259.342.285.725.925.376 possibilidades

Esta lista de senhas também é um gráfico

A altura dos caracteres que representam cada senha é proporcional ao número de clientes que a usava.

200.000

20.000

Utilize maiúsculas, minúsculas, números e símbolos

Quanto maior for a variedade de caracteres da senha, mais difícil será quebrá-la.

Há 10.000.000.000 de senhas diferentes formadas por dez caracteres numéricos.

Com apenas letras minúsculas, existem 141.167.095.653.376 possibilidades de senhas com dez caracteres.

Com todo o teclado, incluindo maiúsculas, minúsculas e caracteres especiais, podem-se criar
53.861.511.409.489.970.176 senhas diferentes com dez caracteres.

Use frases secretas

Escolha uma frase ou um trecho de música ou poema do qual você possa se lembrar.

Mais vale um pássaro na mão que dois voando + Vl 1 p $ $ r n M q 2 V n d

Crie sua senha com um critério que você não esqueça, como dispensar as vogais, trocar determinadas palavras e
letras por números e caracteres especiais etc.

+Vl1p$$rnMq2Vnd

A sétima sequência mais usada é o nome do site que teve sua segurança quebrada, ideia tão fraca quanto a de
quem usa o próprio nome como senha – ou o nome da mãe, do cachorro etc.

Com quinze caracteres de todas as variedades, essa seria uma excelente senha, se ainda fosse secreta.
Página 130
1 O que é Análise combinatória
Em qualquer ramo de atuação, a contagem faz parte do cotidiano das pessoas. Por isso, dedicamos este
capítulo a seu estudo. Para entender a necessidade de estudarmos a contagem, tente responder às perguntas
abaixo.

PAULO MANZI LC MOREIRA/FUTURA PRESS

• Quantas placas diferentes de automóveis, formadas por três letras e quatro algarismos, podem existir?

• De quantas maneiras diferentes você pode escolher seis entre sessenta números em um jogo?

• Quantos números de telefone de oito dígitos podem existir?

• Em uma classe de quarenta alunos, quantas são as possíveis escolhas para dois representantes de sala?

Como você pode perceber, contar não é sempre um processo simples. Em muitas situações, contar unidades
uma a uma, que é o processo elementar, mostra-se inviável, sendo necessário estabelecer métodos de
contagem que permitam chegar aos resultados mais rapidamente. Obter esses métodos é o objetivo principal
da Análise combinatória.

2 O princípio fundamental da contagem


A Análise combinatória é alicerçada no princípio fundamental da contagem, também conhecido como princípio
multiplicativo da contagem. Intuitivamente, você já conhece esse princípio e já o aplica no cotidiano. Veja duas
situações a seguir.

Situação 1

DELFIM MARTINS/PULSAR IMAGENS

Em determinada eleição realizada no Brasil, cada eleitor votou para presidente da República e para
governador de seu estado. Suponha que havia três candidatos à presidência da República e dois candidatos ao
governo do Maranhão. De quantas maneiras diferentes cada eleitor maranhense pôde votar nessa eleição,
supondo que o voto não seja nulo nem em branco?
Indicando por P1, P2 e P3 os candidatos à presidência e por G1 e G2 os candidatos ao governo, as opções de cada
eleitor maranhense podem ser resumidas na matriz destacada (em vermelho) a seguir:

Governo
Presidência 𝐺1 𝐺2
𝑷𝟏 (𝑃1, 𝐺1 ) (𝑃1, 𝐺2 )
𝑷𝟐 (𝑃2, 𝐺1 ) (𝑃2, 𝐺2 )
𝑷𝟑 (𝑃3, 𝐺1 ) (𝑃3, 𝐺2 )

Nota: Matriz é uma tabela retangular cujos elementos são dispostos em linhas e colunas.
Página 131

Essa matriz, chamada de matriz das possibilidades, tem 3 linhas por 2 colunas; logo, seu número de
elementos é dado pelo produto:


3 ⋅ ⏟
2 =6
número de opções para a presidência número de opções para o governo

Concluímos, então, que cada eleitor maranhense teve seis opções de voto.

Essa resolução nos ajuda a entender o princípio fundamental da contagem aplicado para dois experimentos:

Se um experimento E pode apresentar n resultados distintos e, independente da escolha do experimento E, um


experimento F pode apresentar k resultados distintos, então o número de resultados distintos que pode
apresentar o experimento composto de E e F, nessa ordem, é dado pelo produto: n ⋅ k

Situação 2

Considerando as hipóteses do problema anterior, imagine que, além de votar para presidente e governador,
cada eleitor maranhense teve de votar também para prefeito. Admita que havia quatro candidatos à prefeitura
da capital São Luís. De quantas maneiras diferentes cada eleitor pôde votar nessa eleição, supondo que o voto
não seja nulo nem em branco?

Indicando por 𝑃1 , 𝑃2 𝑒 𝑃3 os candidatos à presidência, por G1 e G2 os candidatos ao governo e por R1, R2, R3 e R4
os candidatos à prefeitura, as opções de cada eleitor são-luisense podem ser resumidas na matriz destacada
(em vermelho) a seguir:

Prefeitura
(Presidência, Governo) R1 R2 R3 R4
(P1, G1) (P1, G1, R1) (P1, G1, R2) (P1, G1, R3) (P1, G1, R4)
(P1, G2) (P1, G2, R1) (P1, G2, R2) (P1, G2, R3) (P1, G2, R4)
(P2, G1) (P2, G1, R1) (P2, G1, R2) (P2, G1, R3) (P2, G1, R4)
(P2, G2) (P2, G2, R1) (P2, G2, R2) (P2, G2, R3) (P2, G2, R4)
(P3, G1) (P3, G1, R1) (P3, G1, R2) (P3, G1, R3) (P3, G1, R4)
(P3, G2) (P3, G2, R1) (P3, G2, R2) (P3, G2, R3) (P3, G2, R4)

Essa matriz é formada por 6 linhas e 4 colunas; logo, seu número de elementos é dado pelo produto:


6 ⋅ ⏟
4 = 24
"número de opções para a presidência e o governo" "número de opções para a prefeitura"

Ou, ainda:


3 ⋅ ⏟
2 ⋅ ⏟
4 = 24
"número de opções para a presidência" "número de opções para o governo" "número de opções para a prefeitura"

Concluímos, então, que cada eleitor teve 24 opções de voto.

Essa resolução nos ajuda a entender o princípio fundamental da contagem aplicado para mais de dois
experimentos:

Se os experimentos E1, E2, E3, ..., Ek podem apresentar n1, n2, n3, ..., nk resultados distintos e de escolhas
independente dos anteriores, respectivamente, então o número de resultados distintos que o experimento
composto de E1, E2, E3, ... e Ek pode apresentar, nessa ordem, é dado pelo produto: n1 ⋅ n2 ⋅ n3 ⋅ ... ⋅ nk
Página 132

Aplicando a linguagem dos conjuntos, esse princípio também pode ser enunciado da seguinte forma:

Sendo A1, A2, A3, ..., Ak conjuntos não vazios, o número de escolhas diferentes de um elemento de A1, um de A2,
um de A3, ... e um de Ak, nessa ordem, é dado pelo produto: n(A1) ⋅ n(A2) ⋅ n(A3) ⋅ ... ⋅ n(Ak)

Nota:

O símbolo n(A) representa o número de elementos do conjunto A.

Por que no enunciado do princípio fundamental da contagem é destacada a ordem dos experimentos? Ao aplicar o princípio
fundamental da contagem, calculamos o número de sequências que podem ser formadas com os elementos disponíveis; portanto,
consideramos a ordem desses elementos.

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
1 Uma loja de roupas femininas vende quatro modelos de calça jeans. Cada calça pode ter uma das cores: preta,
marrom ou azul.

SERRALHEIRO

Quantas opções de escolha terá uma consumidora interessada em comprar uma calça jeans nessa loja?

Resolução

Consideremos o esquema abaixo, em que cada casa (quadrinho) representa uma escolha da consumidora:

modelo cor

Para a primeira casa, existem quatro possibilidades de escolha e, para a segunda, três possibilidades:


𝒎𝒐𝒅𝒆𝒍𝒐 𝒄𝒐𝒓

4 3

Pelo princípio fundamental da contagem, o número de escolhas é dado pelo produto 4 ⋅ 3, ou seja, a
consumidora tem 12 opções de escolha.

2 Quantos números naturais de três algarismos podem ser representados com os algarismos 2, 3, 4, 7, 8 e 9?

Resolução

No esquema a seguir, as casas, da esquerda para a direita, representam as centenas, as dezenas e as unidades,
respectivamente.

centenas dezenas unidades

Como não há restrição no enunciado, pode haver repetição de algarismos, ou seja, podemos considerar
números como 477 e 999. Logo, para preencher cada uma das casas existem seis possibilidades de escolha,
pois podemos preenchê-la com qualquer um dos algarismos 2, 3, 4, 7, 8 e 9.

𝒄𝒆𝒏𝒕𝒆𝒏𝒂𝒔 ⏟
𝒅𝒆𝒛𝒆𝒏𝒂𝒔 ⏟
𝒖𝒏𝒊𝒅𝒂𝒅𝒆𝒔
𝟔 𝟔 𝟔

Logo, pelo princípio fundamental da contagem, o total de números que podem ser representados é dado pelo
produto 6 ⋅ 6 ⋅ 6. Ou seja, nas condições enunciadas, é possível representar 216 números.

3 Quantos números naturais de três algarismos distintos podem ser representados com os algarismos 2, 3, 4, 7,
8 e 9?

Resolução

No esquema abaixo, cada casa pode ser preenchida com um dos algarismos 2, 3, 4, 7, 8 ou 9, sem repetição de
algarismos.

centenas dezenas unidades

• O número de possibilidades de preenchimento da primeira casa é 6.

• O número de possibilidades de preenchimento da segunda casa é 5, pois um algarismo já foi usado na


primeira casa e não pode ser repetido.

• O número de possibilidades de preenchimento da terceira casa é 4, pois os dois algarismos usados nas casas
anteriores não podem ser repetidos.


𝒄𝒆𝒏𝒕𝒆𝒏𝒂𝒔 ⏟
𝒅𝒆𝒛𝒆𝒏𝒂𝒔 ⏟
𝒖𝒏𝒊𝒅𝒂𝒅𝒆𝒔
6 𝟓 𝟒

Logo, pelo princípio fundamental da contagem, o total de números que podem ser representados é dado pelo
produto 6 ⋅ 5 ⋅ 4. Ou seja, nas condições enunciadas, é possível representar 120 números.
Página 133

No Ensino Fundamental, aprendi a calcular o número de divisores naturais de um número natural não nulo. Esse cálculo
pode ser feito pelo princípio fundamental da contagem?

Sim, o cálculo do número de divisores naturais de um número natural não nulo pode ser feito pelo princípio fundamental da contagem. Por
exemplo, para calcular o número de divisores naturais de 2.592, decompomos esse número em fatores primos, obtendo: 2 5 ⋅ 34. Logo, qualquer
divisor natural desse número é da forma 2m ⋅ 3p, em que m e p são números naturais, com 0 ≤ m ≤ 5 e 0 ≤ p ≤ 4.

Portanto, há 6 possibilidades para m e 5 possibilidades para p. Assim, pelo princípio fundamental da contagem, multiplicando esses números
de possibilidades, 6 ⋅ 5, obtemos o número de divisores naturais de 2.592. Concluímos, então, que o número 2.592 tem 30 divisores naturais.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

Aplicando o princípio fundamental da contagem, responda aos itens a seguir.

1 A figura abaixo representa as poltronas de um cinema, distribuídas em fileiras com o mesmo número de
poltronas em cada uma.

FAUSTINO

a) Quantas poltronas há nesse cinema? 320

b) Em determinada sessão desse cinema, em que todos os ingressos foram vendidos, houve uma promoção:
cada ingresso comprado dava direito a duas barras de chocolate. Qual o total de barras distribuídas aos
espectadores nessa sessão? 640

2 Em um ginásio de esportes, os lugares destinados aos espectadores são separados em quatro setores, com a
mesma quantidade de cadeiras em cada um: azul, laranja, amarelo e verde. Em cada setor, cada cadeira é
identificada por uma das 26 letras do alfabeto, seguida de um dos números naturais de 1 a 45. O bilhete de
ingresso ao ginásio apresenta uma sequência com uma cor, uma letra e um número. Assim, por exemplo, a
informação azul, G, 38 indica: setor azul, fila G, cadeira 38. Quantas cadeiras são destinadas aos espectadores
se o total de cadeiras é igual ao total de possibilidades de identificação? 4.680

3 Com os algarismos 1, 2, 3, 4, 5 e 6, determine:

a) quantos números naturais de quatro algarismos podem ser representados; 1.296

b) quantos números naturais de quatro algarismos distintos podem ser representados. 360

[ícone: atividade em grupo] 4 Com o auxílio do esquema abaixo, respondam:

milhares centenas dezenas unidades


a) Quantos números naturais de quatro algarismos podem ser representados com os algarismos 0, 4, 5, 7 e 9?
(Sugestão: Lembrem-se de que, para o número ter quatro algarismos, o algarismo dos milhares não pode ser
zero.) 500

b) Quantos números naturais de quatro algarismos distintos podem ser representados com os algarismos 0, 4,
5, 7 e 9? 96

5 Com os algarismos 1, 3, 4, 5, 7 e 9:

a) quantos números naturais pares de quatro algarismos podem ser representados? 216

b) quantos números naturais pares de quatro algarismos distintos podem ser representados? 60

6 Doze equipes de voleibol disputam um campeonato. De quantas maneiras diferentes pode ocorrer a
classificação das três primeiras colocadas, se não pode haver empate em nenhuma das colocações? 1.320

7 (Enem) Estima-se que haja, no Acre, 209 espécies de mamíferos, distribuídas conforme a tabela abaixo.

Grupos taxonômicos Número de espécies


Artiodáctilos 4
Carnívoros 18
Cetáceos 2
Quirópteros 103
Lagomorfos 1
Marsupiais 16
Perissodáctilos 1
Primatas 20
Roedores 33
Sirênios 1
Edentados 10
Total 209

T&C Amazônia, ano 1, n. 3, dez. 2003.

Deseja-se realizar um estudo comparativo entre três dessas espécies de mamíferos — uma do grupo Cetáceos,
outra do grupo Primatas e a terceira do grupo Roedores. O número de conjuntos distintos que podem ser
formados com essas espécies para esse estudo é igual a: alternativa a

a) 1.320

b) 2.090

c) 5.845

d) 6.600

e) 7.245
Página 134

8 Qualquer símbolo utilizado na escrita de uma linguagem é chamado de caractere; por exemplo: letras,
algarismos, sinais de pontuação, sinais de acentuação, sinais especiais etc. Em computação, cada caractere é
representado por uma sequência de 8 bits, e cada bit pode assumir dois estados, representados por 0 ou 1; por
exemplo, a sequência 01000111 representa a letra G. Assim, o número máximo de caracteres que podem ser
representados por todas as sequências de 8 bits é: alternativa e

a) 16

b) 32

c) 64

d) 128

e) 256

9 Um hacker sabe que a senha de acesso a um arquivo secreto é um número natural de cinco algarismos
distintos e não nulos. Com o objetivo de acessar esse arquivo, o hacker programou o computador para testar,
como senha, todos os números naturais nessas condições. O computador vai testar esses números um a um,
demorando 5 segundos em cada tentativa. O tempo máximo para que o arquivo seja aberto será: alternativa c

a) 12 h 30 min

b) 11 h 15 min 36 s

c) 21 h

d) 12 h 26 min

e) 7 h

10 No Brasil, as placas de automóvel são formadas por uma sequência de três letras seguida de outra de quatro
algarismos, como no exemplo:

RICARDO MARQUES/FUTURA PRESS

a) Quantas placas diferentes podem ser formadas com as letras A, B, C e D e com os algarismos 1, 2, 3, 4 e 5?
40.000

b) Quantas placas diferentes podem ser formadas com as letras A, B, C e D e com os algarismos 1, 2, 3, 4 e 5
sem repetir letra nem algarismo? 2.880

c) Quantas placas diferentes podem ser formadas, com pelo menos um algarismo não nulo, empregando-se as
26 letras do alfabeto e os 10 algarismos do sistema decimal? 175.742.424

Resolva os exercícios complementares 1 a 8.

CRIANDO PROBLEMAS
[ícone: atividade em grupo] Inspirando-se nos exercícios propostos 1 a 10, elaborem e resolvam um
problema sobre o princípio multiplicativo da contagem que envolva uma situação do cotidiano.

Resposta pessoal.

CONECTADO

Estudamos o princípio fundamental da contagem a partir da matriz das possibilidades, porém há


outras maneiras interessantes de estudá-lo. Uma delas utiliza um dispositivo chamado diagrama
de árvore. Pesquise na internet a aplicação do diagrama de árvore no estudo do princípio
fundamental da contagem e escreva um breve texto sobre o que você ler, acompanhado de
exemplos. Ver Suplemento com orientações para o professor.

3 O princípio aditivo da contagem


Alguns resultados da teoria dos conjuntos têm importantes aplicações na Análise combinatória. Um deles é o
cálculo do número de elementos da união de dois conjuntos finitos, que usaremos para resolver o problema
proposto a seguir.

Uma pesquisa feita com um grupo de internautas, sobre os sites de vendas A e B, revelou que, dos
entrevistados:

• todos conhecem pelo menos um dos dois sites;

• 40 conhecem os dois sites;

• 82 conhecem o site A;

• 64 conhecem o site B.
Página 135

Quantas pessoas foram entrevistadas?

Usando diagramas, indicaremos por A e B os conjuntos das pessoas que conhecem os sites A e B,
respectivamente.

• Como 40 pessoas conhecem os dois sites, para nos orientar, vamos escrever o número 40 na intersecção dos
conjuntos A e B:

• Sabemos que 82 pessoas conhecem o site A, e 40 delas já estão indicadas na intersecção dos conjuntos A e B.
Logo, faltam 42 pessoas para completar o conjunto A:

• Como 64 pessoas conhecem o site B e 40 delas já estão indicadas na intersecção de A e B, concluímos que
faltam 24 pessoas para completar o conjunto B:

Finalmente, como todos os entrevistados conhecem pelo menos um dos sites, concluímos que o número de
pessoas entrevistadas é: 42 + 40 + 24 = 106

Note que o número total de entrevistados não corresponde à soma do número de pessoas que conhecem o site
A (82) com o número de pessoas que conhecem o site B (64), pois, nessa soma, as pessoas que conhecem os
dois sites estão sendo contadas duas vezes.

Por isso, o total de pessoas entrevistadas poderia ser calculado adicionando-se o número de elementos de A ao
número de elementos de B e subtraindo-se dessa soma o número de elementos da intersecção de A e B, ou seja:
82 + 64 − 40 = 106

Esse exemplo ajuda a entender o seguinte teorema:

Sendo A e B conjuntos finitos, o número de elementos da união de A e B é dado por:

n(A ∪ B) = n(A) + n(B) − n(A ∩ B)

O símbolo n( ) representa o número de elementos do conjunto indicado entre parênteses.

Também podemos interpretar esse teorema com o auxílio de um diagrama:

Para contar os elementos de A ∪ B, vamos primeiro considerar os elementos de A:


A região hachurada representa os elementos do conjunto A.

Em seguida, contamos os elementos de B:

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

A região hachurada em azul representa os elementos do conjunto B.


Página 136

Observe que a intersecção de A e B foi contada duas vezes: uma vez quando contamos os elementos de A, e
outra vez ao contarmos os elementos de B. Para corrigir esse “erro”, devemos subtrair da contagem o número
de elementos de A ∩ B, isto é:

n(A ∪ B) = n(A) + n(B) − n(A ∩ B)

Nota: Se A e B são conjuntos disjuntos, isto é, A ∩ B = ∅, temos:

FAUSTINO

Então: n(A ∪ B) = n(A) + n(B)

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
4 Mensalmente, um colégio oferece aos alunos duas palestras para orientação profissional. No mês passado, a
primeira foi sobre Estatística, e a segunda, sobre Economia. Todos os alunos de uma classe assistiram a pelo
menos uma das palestras e, entre eles, 18 assistiram à primeira, 23 assistiram à segunda e 8 assistiram às duas
palestras. Quantos alunos há nessa classe?

Resolução

Sendo:

• A o conjunto dos alunos que assistiram à primeira palestra, então n(A) = 18;

• B o conjunto dos alunos que assistiram à segunda palestra, então n(B) = 23;

• A ∩ B o conjunto dos alunos que assistiram às duas palestras, então n(A ∩ B) = 8.

O conjunto A ∪ B é definido por:

A ∪ B = {x | x ∈ A ou x ∈ B}

Assim, A ∪ B é o conjunto dos alunos que assistiram à primeira ou à segunda palestra, isto é, todos os alunos
da classe. Pelo teorema anterior, esse total é dado por:

n(A ∪ B) = n(A) + n(B) − n(A ∩ B)

∴ n(A ∪ B) = 18 + 23 − 8 = 33

Logo, a classe é formada por 33 alunos.

5 Quantos números naturais de três ou quatro algarismos distintos podem ser formados com os alga rismos 4,
5, 6, 7, 8 e 9?

Resolução

Sendo A o conjunto dos números naturais de três algarismos distintos formados pelos algarismos 4, 5, 6, 7, 8 e
9, calculamos n(A):

n(A) = 6 ⋅ 5 ⋅ 4 = 120
Sendo B o conjunto dos números naturais de quatro algarismos distintos formados pelos algarismos 4, 5, 6, 7,
8 e 9, calculamos n(B):

n(B) = 6 ⋅ 5 ⋅ 4 ⋅ 3 = 360

Para concluir, devemos calcular o número de elementos que pertencem a A ou a B, ou seja, n(A ∪ B). Como A e
B são disjuntos, isto é, A ∩ B = ∅, temos:

n(A ∪ B) = n(A) + n(B)

∴ n(A ∪ B) = 120 + 360 = 480

Logo, podem ser formados 480 números nas condições enunciadas.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

11 Faça o que se pede.

a) Dois conjuntos, A e B, são tais que n(A) = 18, n(B) = 15 e n(A ∩ B) = 6. Determine o número de elementos de
A ∪ B. 27

b) Dois conjuntos, C e D, são tais que n(C ∪ D) = 28, n(C) = 17 e n(D) = 20. Determine o número de elementos
de C ∩ D. 9

12 No Brasil, as placas dos veículos são formadas por sequências de 3 letras seguidas de 4 algarismos.
Dispondo das letras A, B, C, D, E, F e U e dos algarismos 1, 2, 3, 4, 5 e 6, determine o número de placas que
podem ser confeccionadas de modo que as 3 letras sejam vogais ou que as 3 sejam consoantes. 117.936

13 Um instituto de medicina do sono realizou um estudo com uma amostra de 80 moradores de grandes
centros urbanos. A pesquisa revelou que 56 deles dormiam menos de quatro horas por noite e 28 dormiam
mais de duas horas por noite. Quantas pessoas da amostra dormiam mais de duas e menos de quatro horas por
noite? 4

Homem passando por exame de polissonografia, que pode revelar disfunções como apneia do sono, ronco, insônia, hipersonia etc.

PHANIE/BURGUER/DIOMEDIA
Página 137

14 Calcule a quantidade de números naturais compreendidos entre 300 e 3.000 que podemos representar
utilizando somente os algarismos 1, 2, 3, 5, 7 e 8, de modo que não figurem algarismos repetidos em um
mesmo número. (Sugestão: Separe a resolução em dois casos.) 200

15 Quantos números naturais maiores que 4.500 e de quatro algarismos distintos podemos representar com
os algarismos 2, 3, 4, 5, 6 e 7? 216

[ícone: atividade em grupo] 16 Quantos números naturais pares, de quatro algarismos distintos, podem ser
formados com os alga rismos 0, 1, 2, 4, 5, 7 e 9? 320

[ícone: atividade em grupo] 17 (Ufes) Em um grupo de 60 mulheres e 40 homens existem exatamente 25


mulheres e 12 homens que tocam algum instrumento musical. De quantas maneiras podemos formar uma
dupla de um homem e uma mulher de modo que pelo menos uma das pessoas da dupla toque algum
instrumento? alternativa d

a) 300

b) 720

c) 1.000

d) 1.420

e) 1.720

Resolva os exercícios complementares 9 a 12.

CRIANDO PROBLEMAS

[ícone: atividade em grupo] Inspirando-se nos exercícios propostos 12, 13 e 17, elaborem e resolvam
um problema sobre o princípio aditivo da contagem que envolva uma situação do cotidiano.

Resposta pessoal.

4 Fatorial
Como vimos nos exercícios anteriores, a multiplicação de números naturais consecutivos é muito frequente na
Análise combinatória, e algumas dessas multiplicações envolvem muitos fatores. Por exemplo, a quantidade de
números naturais de sete algarismos distintos que podem ser formados com os sete algarismos 1, 3, 4, 5, 6, 8 e
9 é dada por:

7⋅6⋅5⋅4⋅3⋅2⋅1

Para simplificar as operações com expressões desse tipo, adotaremos o símbolo n!, que indica o produto dos
números naturais consecutivos n, n − 1, n − 2, ..., 1, com n ≥ 2. No nosso exemplo, temos:

7! = 7 ⋅ 6 ⋅ 5 ⋅ 4 ⋅ 3 ⋅ 2 ⋅ 1

Essa notação ajuda muito em problemas que envolvem cálculos trabalhosos, porque permite simplificar
expressões e apresentar resoluções extensas de maneira abreviada. Definimos:

O símbolo n! é lido como “n fatorial” ou “fatorial de n”.

Seja n um número natural, com n ≥ 2. Define-se o fatorial de n, representado por n!, como o produto dos
números naturais consecutivos n, n − 1, n − 2, ..., 1. Isto é:
n! = n ⋅ (n − 1) ⋅ (n − 2) ⋅ ... ⋅ 1

Exemplos

a) 2! = 2 ⋅ 1 = 2

b) 3! = 3 ⋅ 2 ⋅ 1 = 6

c) 4! = 4 ⋅ 3 ⋅ 2 ⋅ 1 = 24

d) 5! = 5 ⋅ 4 ⋅ 3 ⋅ 2 ⋅ 1 = 120

Propriedade fundamental dos fatoriais

Na igualdade 6! = 6 ⋅ 5 ⋅ 4 ⋅ 3 ⋅ 2 ⋅ 1, observamos que o produto 5 ⋅ 4 ⋅ 3 ⋅ 2 ⋅ 1 pode ser substituído por 5! e,


portanto:

6! = 6 ⋅ ⏟
5 ⋅ 4 ⋅ 3 ⋅ 2 ⋅ 1 ⇒ 6! = 6 ⋅ 5!
"5!"

Podemos generalizar esse resultado para qualquer número natural n, com n > 3, da seguinte maneira:

n! = n ⋅ (n − 1)!
Página 138

Essa propriedade é conhecida como propriedade fundamental dos fatoriais.

Exemplos

a) 9! = 9 ⋅ 8!

b) 10! = 10 ⋅ 9!

c) 10! = 10 ⋅ 9 ⋅ 8!

d) 10! = 10 ⋅ 9 ⋅ 8 ⋅ 7!

Extensão da definição de fatorial

É necessário definir fatorial de zero (0!) e fatorial de um (1!), pois zero e um também fazem parte de
contagens. Para garantir a coerência entre as definições desses “novos” fatoriais e a definição de fatorial de um
número natural maior que 1, vamos admitir que possa ser ampliada a validade da propriedade fundamental
dos fatoriais, que, por enquanto, foi restrita para n natural, com n ≥ 3:

n! = n ⋅ (n − 1)!

• Para definir 1! de modo que a propriedade continue válida, devemos admitir, para n = 2:

2! = 2 ⋅ (2 − 1)! ⇒ 2! = 2 ⋅ 1!

Como 2! = 2 ⋅ 1, concluímos que:

2 ⋅ 1 = 2 ⋅ 1! ⇒ 1 = 1!

Assim, a propriedade fundamental dos fatoriais poderá ser aplicada para n = 2 se definirmos:

1! = 1

• Analogamente, para definir 0! de modo que a propriedade fundamental continue válida, devemos admitir,
para n = 1:

1! = 1 ⋅ (1 − 1)! ⇒ 1! = 1 ⋅ 0!

1 = 1 ⋅ 0! ⇒ 1 = 0!

Como já definimos 1! = 1, concluímos que a propriedade fundamental dos fatoriais pode ser aplicada para n = 1
sob a definição:

0! = 1

Com essas duas “novas” definições, 1! = 1 e 0! = 1, admitimos que a propriedade fundamental dos fatoriais
pode ser aplicada para qualquer número natural não nulo n.

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
6 Simplificar as frações:

10!
a)
9!
8!
b)
10!

10! ⋅ 4!
c)
8! ⋅ 6!

𝑛!
d) (𝑛
− 2!)

(𝑛 − 3)!
e) (𝑛
− 1)!

Resolução

10! 10 ⋅ 9!
a) = = 10
9! 9!

8! = 8! 1 1
b) = =
10! 10 ⋅ 9 ⋅ 8! 10 ⋅ 9 90

10! ⋅ 4! 10 ⋅ 9 ⋅ 8! ⋅ 4! 90
c) = = =3
8! ⋅ 6! 8! ⋅ 6 ⋅ 5 ⋅ 4! 30

d) Vamos decompor em fatores decrescentes o maior entre os fatoriais apresentados na fração.

Como n! ≥ (n − 2)!, para qualquer número natural n, com n ≥ 2, decompomos n!:

𝑛! 𝑛 ∙ (𝑛 − 1) ⋅ (𝑛 − 2)!
(𝑛 − 2)!
= 𝑛 ⋅ (𝑛 − 2)!
= 𝑛2 − 𝑛

e) Vamos decompor em fatores decrescentes o maior entre os fatoriais (n − 1)! e (n − 3)!.

Observando que (n − 1)! > (n − 3)!, para qualquer número natural n, com n ≥ 3, decompomos (n – 1)!:

(𝑛−1)! (𝑛 − 3)! 1
= (𝑛 =
(𝑛−1)! − 1)⋅ (𝑛 − 2)⋅ (𝑛 − 3)! 𝑛2 − 3𝑛 + 2
Página 139

(𝑛 + 1)!
7 Resolver a equação = 20.
(𝑛 − 1)!

Resolução

Para simplificar a fração, vamos decompor em fatores decrescentes o maior entre os fatoriais:

(𝑛 + 1)! (𝑛 + 1)⋅ 𝑛 ⋅ (𝑛 − 1)!


(𝑛 − 1)!
= 20 ⇒ ∴ (𝑛 − 1)!
= 20

n2 + n − 20 = 0

Resolvendo essa equação, encontramos n = 4 ou n = −5.

Verificação

Lembramos que só se define fatorial para número natural. Assim, devemos verificar se, para esses valores de n,
existem os fatoriais apresentados na equação.

Para n = 4, temos:

(4 + 1)! 5!
(4 − 1)!
= 20 ⇒ = 20
3!

Como ambos os fatoriais existem (5! e 3!), concluímos que 4 é raiz da equação.

Para n = −5, temos:

(−5 + 1)! (−4)!


(−5 − 1)!
= 20 ⇒ ! = 20 (absurdo!)
−6

Como não existem os fatoriais (−4)! e (−6)!, concluímos que −5 não é raiz da equação.

Logo: S = {4}

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

18 Calcule:

a) 7! 5.040

b) 3! ⋅ 2! 12

c) 4! − 2! 22

0!
d) 1
3! 6

19 Classifique no caderno em verdadeira ou falsa cada uma das afirmações a seguir.

a) 3! + 2! = 5! falsa

b) 3! ⋅ 2! = 6! falsa

c) 4! + 4! = 2 ⋅ 4! verdadeira
d) n! = n(n − 1)(n − 2)!, para todo n ∈ ℕ e n ≥ 2 verdadeira

e) n! = n(n − 1)(n − 2)!, para todo n ∈ ℕ* falsa

20 Simplifique as frações.

6!
a) 120
3!

5! ⋅ 8!
b) 40
4! ⋅ 7!

𝑛!
c) (𝑛 n
− 1)!

𝑛!
d) (𝑛 1
+ 2)! 𝑛2 + 3𝑛 + 2

21 Resolva as equações.

(𝑛 + 2)!
a) = 12 S = {2}
𝑛!

(𝑛 − 2)! 1
b) (𝑛 = S = {6}
− 1)! 5

(𝑛 + 1)!+ 𝑛! 1
c) (𝑛 + 2)!
= S = {27}
28

22 Determine o número n tal que n! = 28 ⋅ 34 ⋅ 52 ⋅ 7. n = 10

[ícone: atividade em grupo] 23 Com n consoantes distintas e as vogais A, E, I e O, pretende-se formar uma
sequência que contenha todas essas letras, sem repeti-las, e na qual o primeiro e o último elementos sejam
vogais. O total de sequências diferentes que podem ser formadas é: alternativa d

a) (n − 2)!

b) 2(n − 4)!

c) n!

d) 12(n + 2)!

e) 6(n − 3)!

Resolva os exercícios complementares 13 a 15.

MENTES BRILHANTES

O problema básico da telefonia

Nos primeiros anos do século XX, o matemático dinamarquês Agner Krarup Erlang, quando
trabalhava na central telefônica de Copenhague, resolveu um importante problema relacionado ao
desempenho de centrais telefônicas. Erlang estimou o provável percentual de ligações que não se
completariam em função do congestionamento da central. A conclusão de Erlang foi a de que esse
percentual era dado, aproximadamente, por:
Página 140

𝑑𝐿
c= 𝐿!
𝑑 𝑑2 𝑑3 𝑑𝐿
1+ + + + ⋯ +
1! 2! 3! 𝐿!

em que:

• L era o número de canais disponibilizados pela central aos usuários;

• d era a demanda da central, expressa em horas de ligações solicitadas a cada hora. Por exemplo, se
a central tivesse 50 canais e cada canal recebesse, em média, 4 ligações por hora, e cada ligação
demorasse, em média, 3 minutos, em cada hora seriam demandados 50 ⋅ 4 ⋅ 3 minutos de ligações,
ou seja, 600 minutos ou, ainda, 10 horas; assim, a demanda d seria 10 horas de ligações a cada hora;

• c era o provável percentual de chamadas que não seriam completadas por causa do
congestionamento da central.

Os resultados dos estudos de Erlang ainda são utilizados em projetos de centrais telefônicas.

EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES
Faça as atividades no caderno. Lembre-se: Não escreva no livro!

1 (Enem) O diretor de uma escola convidou os 280 alunos de terceiro ano a participarem de uma brincadeira.
Suponha que existem 5 objetos e 6 personagens numa casa de 9 cômodos; um dos personagens esconde um
dos objetos em um dos cômodos da casa. O objetivo da brincadeira é adivinhar qual objeto foi escondido por
qual personagem e em qual cômodo da casa o objeto foi escondido. Todos os alunos decidiram participar. A
cada vez um aluno é sorteado e dá a sua resposta. As respostas devem ser sempre distintas das anteriores, e
um mesmo aluno não pode ser sorteado mais de uma vez. Se a resposta do aluno estiver correta, ele é
declarado vencedor e a brincadeira é encerrada.

O diretor sabe que algum aluno acertará a resposta porque há: alternativa a

a) 10 alunos a mais do que possíveis respostas distintas.

b) 20 alunos a mais do que possíveis respostas distintas.

c) 119 alunos a mais do que possíveis respostas distintas.

d) 260 alunos a mais do que possíveis respostas distintas.

e) 270 alunos a mais do que possíveis respostas distintas.

2 Suponha que o número da linha dos telefones celulares de um estado fosse composto de oito dígitos e que o
primeiro da esquerda só pudesse ser um dos dígitos 5, 6, 7, 8 ou 9, não havendo nenhuma restrição para os
demais dígitos. Para aumentar o número de linhas, decidiu-se que o número de cada linha passaria a ter nove
dígitos e que o primeiro da esquerda seria o dígito 9, não havendo nenhuma restrição para os demais dígitos.

a) Qual seria o número máximo possível de linhas antes do acréscimo do nono dígito? 50.000.000

b) Qual seria o número máximo de linhas após o acréscimo do nono dígito? 100.000.000

3 Uma urna contém seis bolas de cores diferentes entre si, sendo uma delas vermelha. Retiram-se quatro bolas
dessa urna, uma de cada vez e sem reposição. Considerando a ordem de retirada, quantas sequências de cores
são possíveis de modo que a primeira bola retirada não seja vermelha? 300
4 (Enem) João mora na cidade A e precisa visitar cinco clientes, localizados em cidades diferentes da sua. Cada
trajeto possível pode ser representado por uma sequência de 7 letras. Por exemplo, o trajeto ABCDEFA
informa que ele sairá da cidade A, visitando as cidades B, C, D, E e F, nesta ordem, voltando para a cidade A.
Além disso, o número indicado entre as letras informa o custo do deslocamento entre as cidades. A figura
mostra o custo de deslocamento entre cada uma das cidades.

FAUSTINO

Como João quer economizar, ele precisa determinar qual o trajeto de menor custo para visitar os cinco
clientes. Examinando a figura, percebe que precisa considerar somente parte das sequências, pois os trajetos
ABCDEFA e AFEDCBA têm o mesmo custo.

Ele gasta 1 min 30 s para examinar uma sequência e descartar sua simétrica, conforme apresentado. O tempo
mínimo necessário para João verificar todas as sequências possíveis no problema é de: alternativa b

a) 60 min

b) 90 min

c) 120 min

d) 180 min

e) 360 min
Página 141

5 Na escrita braile, cada caractere (letra, algarismo, sinal de pontuação etc.) é representado em uma célula
retangular na qual há de 1 a 6 pontos em alto-relevo, distribuídos em três linhas e duas colunas, conforme
mostra a figura a seguir, que representa as 26 letras do alfabeto.

Página impressa na linguagem braile.

FAUSTINO TERRY VINE/GETTY IMAGES

Qual é o número total de caracteres que podem ser representados no sistema braile? 63

(Dica: Lembre-se de que nesse sistema os seis pontos em baixo-relevo não representam um caractere.)

[ícone: atividade em grupo] [ícone: calculadora] 6 Em nosso dia a dia utilizamos senhas em várias situações,
como em contas de e-mail, em cartões de crédito, em sites de compras etc. Uma senha é uma sequência de
caracteres numéricos, literais ou especiais como %, &, :, # etc., ou uma mescla deles.

Na abertura deste capítulo, vimos que algumas senhas são “mais fortes” do que outras, isto é, são mais difíceis
de ser desvendadas por pessoas que não as conhecem. A “força” da senha depende do número de caracteres e
do tipo de caractere utilizado.

Suponham que o teclado de um computador apresente 68 caracteres, representados por letras, algarismos e
outros caracteres especiais, conforme mostra a figura.

CIRO MACCORD

Para comprar um smartphone em um site, cada uma das amigas, Jéssica e Fernanda, deve formar uma senha
com 6 caracteres. Jéssica pretende escolher, aleatoriamente, 6 caracteres distintos no teclado acima. Já
Fernanda pretende escolher, aleatoriamente, 6 caracteres entre as letras e os algarismos desse teclado, não
necessariamente distintos. Elas usarão apenas letras minúsculas.

a) Quantas senhas diferentes Jéssica pode formar? 78.806.407.680 senhas

b) Quantas senhas diferentes Fernanda pode formar? 2.176.782.336 senhas


c) Suponham que senhas que têm pelo menos um caractere especial são “mais fortes” do que qualquer senha
formada apenas por letras e algarismos. Das senhas que podem ser formadas por Jéssica, quantas são “mais
fortes” que as de Fernanda? 77.403.997.440 senhas

7 Em uma prova de atletismo, disputada por nove corredores, os três primeiros colocados serão classificados
para a próxima fase do torneio, não sendo admitido empate. Sabendo que apenas quatro brasileiros participam
dessa prova e considerando apenas os três primeiros colocados, quantos resultados possíveis classificam pelo
menos um brasileiro para a próxima fase? 444

8 (Uespi) Num debate entre candidatos a governador de certo estado compareceram 7 candidatos, sendo 4
homens e 3 mulheres. A organização do evento resolveu que os candidatos ficariam lado a lado, numa
disposição não circular e que os homens não ficariam juntos um do outro e sim em posição alternada com as
mulheres.

Para isso, em cada um dos sete locais a serem ocupados pelos candidatos, foi colocado o nome do seu
respectivo ocupante. Nessas condições é correto afirmar que o número de maneiras diferentes de esses
candidatos serem arrumados em seus respectivos locais no debate é de: alternativa d

a) 121

b) 124

c) 136

d) 144

e) 169

9 Trinta pacientes hipertensos submeteram-se a um teste de esforço. Ao final do teste, o médico assinalou ao
lado do nome de cada um, em uma lista, a letra S ou a letra D ou a sequência SD, conforme o paciente tenha
apresentado variação acentuada na pressão sistólica ou diastólica ou nas duas, respectivamente. Sabendo que
todos os pacientes tiveram uma dessas classificações e que foram assinaladas 18 letras S e 20 letras D, quantos
pacientes tiveram a classificação SD? 8

10 (UFBA) Para abrir um cofre eletrônico deve-se digitar uma sequência formada por quatro algarismos
distintos, sendo o valor do primeiro o triplo do valor do segundo. Uma pessoa que desconhece essa sequência
pretende abrir o cofre. O maior número possível de sequências que ela deve digitar é: alternativa e

a) 170

b) 240

c) 180

d) 280

e) 168

11 No Brasil, as placas de automóvel são formadas por três letras seguidas de quatro algarismos. Considerando
que se disponha apenas das letras A, B, C, D e E e dos algarismos 1, 2, 3, 4, 5 e 6, determine o número de placas
diferentes que podem ser confeccionadas de modo que seja usada apenas uma vogal entre as letras e não seja
permitida a repetição de letra nem de algarismo. 12.960
Página 142

[ícone: atividade em grupo] 12 (Uerj) Uma grade retangular é montada com 15 tubos de 40 cm na posição
vertical e com 16 tubos de 50 cm na horizontal. Para esse tipo de montagem, são utilizados encaixes nas
extremidades dos tubos, como ilustrado abaixo:

FAUSTINO

Se a altura de uma grade como essa é igual ao comprimento de x tubos, e a largura equivale ao comprimento de
y tubos, a expressão que representa o número total de tubos usados é: alternativa d

a) x2 + y2 + x + y − 1

b) xy + x + y + 1

c) xy + 2x + 2y

d) 2xy + x + y

13 (FURRN) O conjunto solução da equação

(𝑥 + 2)! 𝑥!
= (𝑥 é: alternativa a
3! ⋅ 𝑥! − 1)!

a) {1, 2}

b) {0, 3}

c) {1, 3}

d) {2, 3}

e) {0, 2}

14 (FEI-SP) Se (n + 4)! + (n + 3)! = 15(n + 2)!, então: alternativa e

a) n = 4

b) n = 3

c) n = 2

d) n = 1

e) n = 0

15 O hodômetro de um automóvel apresenta uma sequência de oito quadrinhos. Nos cinco primeiros é
representado o número de quilômetros rodados e nos últimos é representado o número de metros rodados.
Por exemplo, o registro:
0 1 2 7 5 0 3 4

indica 1.275,034 km.

SERGIO ANTONIO ENRIQUEZ NISTAL

Desde o momento em que esse veículo sai da fábrica com o hodômetro “zerado”

0 0 0 0 0 0 0 0

até o momento em que é registrada a marca

9 9 9 9 9 9 9 9

todos os quadrinhos apresentam os algarismos 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 ou 9. O total de números com pelo menos


dois algarismos iguais que podem ser lidos nesse hodômetro é: alternativa a

10!
a) 108 −
2

b) 10!

c) 9 ⋅ 107

d) 9 ⋅ (107 − 9!)

e) 108

PRÉ-REQUISITOS PARA O CAPÍTULO 7


Faça as atividades no caderno.

Responda às questões a seguir, cuja finalidade é rever os principais conceitos necessários para o
desenvolvimento da teoria e das atividades do Capítulo 7.

1 Qualquer produto de números naturais consecutivos e não nulos pode ser representado por meio de
fatoriais. Por exemplo, para representar a expressão 9 ⋅ 8 ⋅ 7 ⋅ 6 por meio de fatoriais, basta multiplicar e ao
mesmo tempo dividir a expressão por 5!, obtendo:

9 ⋅ 8 ⋅ 7 ⋅ 6 ⋅ 5! 9!
9⋅8⋅7⋅6= =
5! 5!

Aplicando essa ideia, represente por meio de fatoriais os seguintes produtos:

a) 10 ⋅ 9 ⋅ 8 ⋅ 7 10!
6!

b) n(n − 1)(n − 2), em que n é um número natural maior que 2. (𝑛 𝑛!


− 3)!

𝑛!
2 Calcule o valor da expressão para:
(𝑛 – 𝑝)!

a) n = 5 e p = 2 20
b) n = 6 e p = 3 120

𝑛!
3 Calcule o valor da expressão para:
𝑝! ⋅ (𝑛 – 𝑝)!

a) n = 7 e p = 4 35

b) n = 10 e p = 8 45
Página 143

Trabalhando em equipe

“Algo somente é impossível até que alguém duvide e acabe provando o contrário.”

Albert Einsten, físico alemão, criador da teoria da relatividade.

Componha uma equipe com alguns colegas e discutam as seções a seguir.

ANÁLISE DA RESOLUÇÃO
Um aluno resolveu o exercício conforme a reprodução a seguir. Um erro foi cometido.
Apontem o erro e refaçam a resolução no caderno, corrigindo-a.

Exercício

Um internauta pretende formar uma sequência de quatro algarismos, distintos ou não, escolhidos entre 1, 2, 3,
4 e 5, para adotar como senha de acesso a um arquivo pessoal. Como o dia 2 de janeiro é a data de seu
aniversário, ele estabeleceu o critério de que a senha não pode apresentar os algarismos 2 e 1 juntos e nessa
ordem, pois, segundo recomendações de criptógrafos, não é seguro adotar datas de aniversário em senhas.
Quantas senhas ele pode formar?

Resolução

1°) O total de senhas de quatro algarismos, sem levar em consideração a restrição,


é:

5 ⋅ 5 ⋅ 5 ⋅ 5 = 625 = Número de possibilidades

2°) Temos três casos possíveis de senhas que não podem ser formadas (com 2 e 1
juntos, nesta ordem):

• 2 e 1 nas duas primeiras posições:

1 · 1 · 5 · 5 = 25 = Número de possibilidades

• 2 e 1 na segunda e terceira posições:

5 · 1 · 1 · 5 = 25 = Número de possibilidades
• 2 e 1 na terceira e quarta posições:

5 · 5 · 1 · 1 = 25 = Número de possibilidades

Total de senhas que não podem ser usadas: 25 + 25 + 25 = 75

3°) Então, o número de senhas diferentes que o internauta pode formar é:

⏟ –
625 75
⏟ = 550
"total" "senhas que não podem ser usadas"

Ao calcular o número N de senhas que não podem ser formadas, o aluno cometeu um erro, pois a senha 2121 foi contada duas vezes: no
primeiro e no terceiro casos. Observe:

Assim, o N de senhas que não podem ser formadas é dado por: N = 75 − 1 = 74

Logo, número de senhas distintas que o internauta pode formar é: 625 − 74 = 551
Página 144

Trabalhando em equipe

MATEMÁTICA SEM FRONTEIRAS

O ácido desoxirribonucleico (DNA)


No século XIX, o cientista suíço Johann Friedrich Miescher isolou de um núcleo celular uma substância que
denominou ácido nucleico. Mais tarde, no século XX, os cientistas Oswald Theodore Avery, Colin M. MacLeod e
Maclyn MacCarty descobriram que um dos ácidos nucleicos, o DNA (ácido desoxirribonucleico), é o
responsável pela transmissão da herança biológica entre os seres vivos, à exceção de muitos vírus, em que esse
papel é desempenhado por outro ácido.

O DNA é uma molécula em forma de dupla-hélice que lembra uma escada torcida. Os “degraus” ligam bases
nitrogenadas representadas por A (adenina), T (timina), C (citosina) e G (guanina). Esses “degraus”, chamados
de pontes de hidrogênio, ligam as bases apenas do seguinte modo: A-T, T-A, C-G e G-C, como no fragmento de
DNA representado no esquema abaixo.

FAUSTINO

Essas ligações formam sequências de pares ordenados de bases, sem limite teórico de extensão. Cada uma
dessas sequências determina a individualidade e as diferenças entre os seres vivos. A sequência do DNA é uma
herança genética, ou seja, é transmitida de um organismo para seus descendentes.

Testes de paternidade, por exemplo, podem ser realizados por meio do DNA. Processos químicos permitem
comparar a sequência do DNA de um suposto pai com a de um suposto filho. Como metade do DNA de uma
pessoa é herdada do pai e a outra metade da mãe, se a sequência do suposto filho tem metade de seu DNA igual
à do suposto pai, está provada a paternidade.

ATIVIDADES

Faça as atividades no caderno.

1 O fragmento de DNA representado na figura acima pode ser descrito pela sequência de pares ordenados A-T,
C-G, T-A, G-C, A-T, C-G, T-A, G-C. Sabendo que dois fragmentos de DNA são iguais se, e somente se, as
sequências que o descrevem são iguais, determinem uma sequência que descreva um fragmento de DNA
diferente do representado na figura acima. Resposta pessoal.

2 Um cientista deseja sintetizar um fragmento de DNA com 8 pares ordenados de bases, de modo que dois
pares consecutivos não sejam iguais, como o fragmento da figura acima. Quantos fragmentos diferentes podem
ser obtidos? 8.748
Página 145

CIBERCULTURA
A escolha de uma senha e da técnica para memorizá-la pode causar problemas irreversíveis. Há algum tempo,
foram criados games que estimulam o subconsciente da pessoa a memorizar senhas de até 30 caracteres sem
que ela as conheça por completo. Aplicativos que embaralham e camuflam o cursor na tela do computador
também foram desenvolvidos para confundir olhos bisbilhoteiros.

A inviolabilidade da comunicação entre pessoas, entre entidades civis ou militares e entre governos é um
direito imprescindível. Mensagens secretas interceptadas e decifradas mudaram o rumo da história.

Agora, você e seus colegas de grupo pesquisarão formas e instrumentos criptográficos criados e usados ao
longo da história até os dias de hoje.

Qual desses cursores é o verdadeiro?

PAULO MANZI

Justificativa

A segurança, pessoal ou de um sistema, e a garantia da privacidade são itens cada vez mais importantes, pois o
mundo real vive no mundo virtual e este adentra e se confunde com aquele, exigindo a sofisticação das chaves
de acesso.

Objetivo

Busca de técnicas criptográficas e formas de elaboração e memorização de senhas.

Apresentação

Painel com mensagem codificada ou senha, em cartaz ou mídia eletrônica, para ser decifrada em aula, por meio
de alguma dica.

Questões para pensar em grupo

1. O que é mais importante para a inviolabilidade de uma senha: a forma da sua elaboração ou seu resguardo?
Ou ambos?

2. Uma senha pode ser elaborada com uma imagem?

3. Elaborar mensagem ou senha? Quais dicas devem ser elaboradas para decifrar a mensagem ou a senha, de
modo que essas dicas não sejam nem inócuas e nem muito reveladoras?

Organização do trabalho
• Escrevam as etapas necessárias para o desenvolvimento desse trabalho e as distribuam entre os
componentes do grupo.

• Façam um cronograma para a realização do trabalho que contemple o prazo estabelecido.

• Não se esqueçam de indicar as fontes de pesquisa e a data de acesso.


Página 146

CAPÍTULO 7 - Agrupamentos e métodos de


contagem
Neste capítulo, você aprenderá métodos de contagem.

Gruta do Lago Azul, Bonito, Mato Grosso do Sul. Foto de 2015.

PIERRE DUARTE/FOLHAPRESS

Além da teoria

Neste exercício, espera-se que os alunos percebam - que a ordem em que são escolhidas as pessoas não altera a formação do grupo. Por
exemplo, o grupo formado por A e B é o mesmo formado por B e A.
Por razões ambientais, a visita a uma caverna só é permitida a duas pessoas de cada vez. Sabendo que o
grupo que deseja fazer a visita é formado por seis pessoas, responda à questão: de quantos modos
podemos formar a primeira dupla que entrará na caverna? 15
Página 147

1 Classificação dos agrupamentos


Qualquer reunião de elementos que formam um todo é um agrupamento. Os alunos de sua sala constituem um
agrupamento de pessoas, a palavra escrita é um agrupamento de letras, uma molécula é um agrupamento de
átomos, a representação escrita de um número é um agrupamento de algarismos etc.

Agrupamento de átomos na molécula de gás metano (CH4).

ADILSON SECCO

A Análise combinatória identifica dois tipos de agrupamento: os arranjos e as combinações, apresentados a


seguir.

• Arranjos são agrupamentos em que se considera a ordem dos elementos; qualquer mudança na ordem de
elementos distintos altera o agrupamento. Por exemplo, ao representar números naturais de três algarismos
distintos escolhidos entre os algarismos 2, 4, 6, 7 e 8, estaremos arranjando esses cinco algarismos três a três.
Esses números são chamados de arranjos de algarismos porque, mudando a ordem dos algarismos em um
desses números, obtemos outro número:

246 ≠ 426

"números diferentes"

• Combinações são agrupamentos em que não se considera a ordem dos elementos; mudanças na ordem
dos elementos não alteram o agrupamento. Por exemplo, os alunos Carlos, Pedro, Luíza e Carol candidataram-
se a representantes de sua sala, e cada colega votou em três deles para eleger uma comissão em que qualquer
um dos eleitos teria a mesma função. Se um aluno votou em Carlos, Luíza e Carol, e outro votou em Carol,
Carlos e Luíza, ambos votaram na mesma comissão, pois a ordem dos elementos não altera o grupo escolhido.
Por isso, dizemos que as possíveis comissões que podem ser eleitas são as combinações dos quatro candidatos
escolhidos três a três.

𝐶𝑎𝑟𝑙𝑜𝑠, 𝐿𝑢í𝑧𝑎, 𝐶𝑎𝑟𝑜𝑙 − 𝐶𝑎𝑟𝑜𝑙, 𝐶𝑎𝑟𝑙𝑜𝑠, 𝐿𝑢í𝑧𝑎



"comissões iguais"

Qualquer um desses dois tipos de agrupamento, arranjo ou combinação, é chamado de agrupamento simples,
quando não são permitidas repetições de elementos, ou de agrupamento completo, quando são permitidas
repetições de elementos. Os exemplos acima são agrupamentos simples.

EXERCÍCIO PROPOSTO
Faça a atividade no caderno.

1 Classifique cada um dos agrupamentos sugeridos a seguir em arranjo ou combinação.

a) Escolher seis dos sessenta números para uma aposta de um jogo. combinação

b) Indicar possíveis classificações dos quatro primeiros colocados no Campeonato Brasileiro de Futebol. arranjo

c) Eleger uma comissão de dois alunos para representantes de sala, em que ambos terão o mesmo cargo.
combinação
d) Formar um número de telefone com oito algarismos distintos. arranjo

e) Eleger uma comissão de dois alunos em que um será o porta-voz da classe e o outro será o secretário. arranjo

f) Escolher três vértices de um cubo para formar triângulos. combinação


Página 148

2 Arranjos
Arranjos simples

Com os elementos do conjunto I = {a, b, c, d}, vamos formar todas as sequências possíveis de três elementos
distintos:

(a, b, c) (a, b, d) (a, c, d) (b, c, d)

(a, c, b) (a, d, b) (a, d, c) (b, d, c)

(b, a, c) (b, a, d) (c, a, d) (c, b, d)

(b, c, a) (b, d, a) (c, d, a) (c, d, b)

(c, a, b) (d, a, b) (d, a, c) (d, c, b)

(c, b, a) (d, b, a) (d, c, a) (d, b, c)

Essas sequências são chamadas de arranjos simples dos quatro elementos do conjunto I tomados três a três.
Isto é, um arranjo simples de três elementos de I é qualquer sequência formada por três elementos distintos
de I. Observe que dois arranjos simples quaisquer se diferenciam pela ordem ou pela natureza dos elementos
que os compõem:

• (a, b, c) ≠ (b, c, a), pois diferem pela ordem dos elementos;

• (a, b, c) ≠ (a, b, d), pois diferem pela natureza dos elementos (elementos diferentes).

Contando as sequências acima, constatamos que o número de arranjos simples dos quatro elementos de I
tomados três a três é 24. Indicamos esse fato por A4, 3 = 24. Esse número pode ser calculado pelo princípio
fundamental da contagem:

A4, 3 é lido como “número de arranjos simples de quatro elementos tomados três a três”.

Logo: A 4, 3 = 4 ⋅ 3 ⋅ 2 = 24

Definição

Dados os n elementos distintos do conjunto I = {a1, a2, a3, ..., an}, chama-se arranjo simples de p elementos de I
toda sequência formada por p elementos distintos de I com p ∈ ℕ* e p ≤ n.

Cálculo do número de arranjos simples

Sendo I = {a1, a2, a3, ..., an} um conjunto formado por n elementos e p um número natural não nulo tal que p ≤ n,
o número de arranjos simples dos n elementos de I tomados p a p, que indicaremos por An, p, pode ser calculado
pelo princípio fundamental da contagem:
Assim:

An, p = n ⋅ (n − 1) ⋅ (n − 2) ⋅ (n − 3) ⋅ ... ⋅ [n − (p − 1)]

ou, ainda:

An, p = n ⋅ (n − 1) ⋅ (n − 2) ⋅ (n − 3) ⋅ ... ⋅ (n − p + 1)

Aplicando o conceito de fatorial, podemos apresentar essa fórmula de maneira mais simples. Para entender a
transformação que será feita, vejamos antes um caso particular.

Na igualdade A7, 3 = 7 ⋅ 6 ⋅ 5, multiplicando e, ao mesmo tempo, dividindo o 2º membro por 4!, obtemos:

4! = 7 ⋅ 6 ⋅ 5 ⋅ 4! 7!
A7, 3 = 7 ⋅ 6 ⋅ 5 ⋅ =
4! 4! 4!

7!
Note, portanto, que o número A7, 3 pode ser expresso com fatoriais por (7 .
− 3)!
Página 149

Agora, vamos generalizar esse procedimento para a fórmula obtida anteriormente:

An, p = n ⋅ (n − 1) ⋅ (n − 2) ⋅ (n − 3) ⋅ ... ⋅ (n − p + 1)

Multiplicando e, ao mesmo tempo, dividindo o 2º membro dessa igualdade por (n − p)!, temos:

(𝑛 − 𝑝)!
An, p = n ⋅ (n − 1) ⋅ (n − 2) ⋅ (n − 3) ⋅ ... ⋅ (n − p + 1) ⋅ (𝑛 ⇒
− 𝑝)!

(𝑛 − 1) ⋅ (𝑛 − 2) ⋅ (𝑛 − 3) ⋅ … ⋅ (𝑛 − 𝑝 + 1) ⋅ (𝑛 − 𝑝)!
⇒ An, p = (𝑛 − 𝑝)!

Portanto, podemos escrever:

𝑛!
An, p = (𝑛
− 𝑝)!

Daqui em diante, podemos aplicar essa fórmula para o cálculo de An, p. Na maioria das situações, porém, é
preferível aplicar o princípio fundamental da contagem em vez da fórmula.

Particularidades

𝑛!
Estende-se a fórmula A n, p = (𝑛 para n = 0 ou p = 0.
− 𝑝)!

Exemplos

7! 7! = 1
a) A7, 0 = (7 =
− 0)! 7!

0! 0! = 1
b) A0, 0 = (0 =
− 0)! 0!

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
1 Aplicando o princípio fundamental da contagem, calcular A6, 4.

Resolução

A expressão A6, 4 indica o número de sequências diferentes, de quatro elementos distintos, que podem ser
formadas com seis elementos distintos. Calculando o número possível de distribuições dos seis elementos
distintos em quatro casas, sem repetição, temos:

Logo, pelo princípio fundamental da contagem, concluímos que:

A6, 4 = 6 ⋅ 5 ⋅ 4 ⋅ 3 = 360

2 Cinco jogadores de futebol, A, B, C, D e E, concorrem a um dos títulos de 1º, 2º ou 3º, melhor jogador do
Campeonato Brasileiro. De quantas maneiras diferentes esses títulos podem ser distribuídos?
BOHBEH/SHUTTERSTOCK

Resolução

Observando que as possibilidades de escolha dos três melhores jogadores são os arranjos simples dos
elementos

A, B, C, D e E tomados três a três, basta calcular A5, 3:

Assim: A 5, 3 = 5 ⋅ 4 ⋅ 3 = 60

Logo, os títulos podem ser distribuídos de sessenta maneiras diferentes.

Note que também poderíamos aplicar a fórmula

𝒏!
An, p = (𝒏 :
− 𝒑)!

𝟓! 𝟓! = 𝟓 ⋅ 𝟒 ⋅ 𝟑 ⋅ 𝟐!
A5, 3 = (𝟓 = = 60
− 𝟑)! 𝟐! 𝟐!

𝑛!
3 Aplicando a fórmula An, p = , calcular:
(𝑛 − 𝑝)!

a) A6, 4

b) A9, 3

c) A5, 5

Resolução

6! 6! = 6 ⋅ 5 ⋅ 4 ⋅ 3 ⋅ 2!
a) A6, 4 = (6 = = 360
− 4)! 2! 2!

9! 9 9 ⋅ 8 ∙ 7 ∙ 6!
b) A 9, 3 = (9 = = = 504
− 3)! 6! 6!

5! 5! = 5 ∙ 4 ∙ 3 ∙ 2 ∙ 1
c) A5, 5 = (5 = 120
− 5)! 0! 1
Página 150

4 Dois prêmios diferentes serão sorteados entre n pessoas, com n ≥ 2. Sabendo que há exatamente 3n + 5
maneiras diferentes de serem distribuídos os prêmios, determinar o número de pessoas que participam do
sorteio.

Resolução

Nesse caso, cada agrupamento de duas pessoas representa um arranjo, pois os prêmios distribuídos são
diferentes. Assim, o valor de n é determinado pela equação:

An, 2 = 3n + 5, com n ∈ ℕ e n ≥ 2

𝑛!
Logo: n! An, 2 = 3n + 5 ⇒ = (𝑛 3n + 5
− 2)!

(𝑛 − 1)(𝑛 − 2)!
∴n (𝑛 − 2)!
= 3n + 5 ⇒ 𝑛2 − n = 3n + 5

∴ 𝑛2 − 4n − 5 = 0

Resolvendo essa equação do 2º grau, obtemos n = −1 ou n = 5.

Apenas n = 5 satisfaz a condição de existência; logo, cinco pessoas participam do sorteio.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

2 Aplicando o princípio fundamental da contagem, calcule:

a) A6, 3 120

b) A10, 2 90

c) A7, 7 5.040

𝑛!
3 Aplicando a fórmula An, p = , calcule:
(𝑛 − 𝑝)!

a) A10, 3 720

b) A6, 2 30

c) A8, 4 1.680

4 Quando havia exatamente vinte quartos vagos em um hotel, chegaram dez hóspedes. O número de maneiras
diferentes com que esses hóspedes podem ser distribuídos nos quartos de modo que cada quarto seja ocupado
por um único hóspede é: alternativa d

a) A10, 10

b) A20, 20

c) A20, 2

d) A20, 10
e) A10, 2

5 (Enem) Uma família composta por sete pessoas adultas, após decidir o itinerário de sua viagem, consultou o
site de uma empresa aérea e constatou que o voo para a data escolhida estava quase lotado. Na figura,
disponibilizada pelo site, as poltronas ocupadas estão marcadas com X e as únicas poltronas disponíveis são as
mostradas em branco.

Disponível em: <www.gebh.net>. Acesso em: 30 out. 2013 (adaptado).

FAUSTINO

O número de formas distintas de se acomodar a família nesse voo é calculado por alternativa a

9!
a)
2!

9!
b)
7! ⋅ 2!

c) 7!

d)
5!
2!
⋅ 4!
5! 4!
e) ⋅
4! 3!

6 Resolva as equações a seguir.

a) An, 2 = 20 S = {5}

b) An, 2 = An − 2, 2 + 14 S = {5}

c) An, 3 = 3(n − 1) S = {3}

[ícone: atividade em grupo] 7 Duas pessoas sobem em um ônibus onde há n lugares vagos, com n ≥ 2. Sabendo
que essas pessoas podem ocupar dois lugares de n + 8 maneiras diferentes, calculem o número n de lugares
vagos. 4

Resolva os exercícios complementares 1 e 2.

CRIANDO PROBLEMAS

[ícone: atividade em grupo] Inspirando-se nos exercícios propostos 4, 5 e 7, elaborem e resolvam um


problema sobre arranjos simples que envolva uma situação do cotidiano. Resposta pessoal.
Página 151

MENTES BRILHANTES

O cubo mágico

Ernő Rubik é professor do Departamento de Design Interior da Academia de Artes Aplicadas e


Ofícios em Budapeste, Hungria. Em 1974, ele criou o cubo mágico, que se tornou o puzzle mais
conhecido do mundo.

POPARTIC/SHUTTERSTOCK

É possível atingir o impressionante número de 43.252.003.274.489.856.000 arranjos diferentes


com as peças desse cubo. Se fosse formado um arranjo por segundo com essas peças, o tempo
necessário para formar todos os arranjos possíveis seria cerca de 1.400 trilhões de anos, o que
equivale a mais de 100 vezes a idade do Universo!

Vários estudos acadêmicos tiveram como objeto buscar a solução ótima desse puzzle, até que, em
2010, foi demonstrado que a solução ótima é obtida com no máximo 20 movimentos.

3 Permutações
Exatamente oito veleiros participam de uma regata. As tabelas 1 e 2, abaixo, mostram a classificação dos
veleiros em um instante t1 da prova e em um instante posterior t2, respectivamente.

Tabela 1
Classificação no instante t1
Classificação Veleiros
1º A
2º B
3º C
4º D
5º E
6º F
7º G
8º H
Tabela 2
Classificação no instante t2
Classificação Veleiros
1º B
2º C
3º A
4º E
5º H
6º F
7º D
8º G
Competidores na Extreme Sailing Series, na Turquia. Foto de 2012.

EVRENKALINBACAK/SHUTTERSTOCK

Observe que do instante t1 para o instante t2 houve uma alteração na ordem das colocações dos veleiros; por
isso, dizemos que houve uma permutação na sequência das colocações.

A palavra permutar significa “trocar entre si”. Esse é exatamente o significado que define o próximo tipo de
agrupamento que estudaremos: a permutação, um tipo particular de arranjo.

Permutações simples

Ao formar os números naturais de três algarismos distintos com os algarismos 2, 7 e 9, estamos formando os
arranjos simples desses três algarismos tomados três a três. Observe:

279 729 927

297 792 972


Página 152

Dois quaisquer desses arranjos se diferenciam apenas pela ordem dos elementos componentes, e não pela
natureza dos elementos, já que todos esses arranjos possuem os mesmos elementos: 2, 7 e 9. Por isso, dizemos
que cada um desses arranjos é uma permutação simples dos algarismos 2, 7 e 9.

Definição

Dados os n elementos distintos do conjunto I = {a1, a2, a3, ..., an}, chama-se permutação simples dos n elementos
de I todo arranjo simples desses n elementos tomados n a n.

Exemplos

a) Três candidatos, A, B e C, disputaram uma eleição e não houve empate em nenhuma das posições.
Considerando o resultado a sequência 1º, 2º e 3º colocados, os possíveis resultados desse pleito são todas as
permutações das letras A, B e C:

ABC BAC CAB

ACB BCA CBA

Indicando por P3 esse número de permutações, temos P3 = 6.

b) Em um torneio quadrangular de futebol, com os times T1, T2, T3 e T4, não houve empate no número de
pontos da classificação final. As possíveis classificações dos times ao final do torneio são todas as permutações
de T1, T2, T3 e T4. Para calcular o número total dessas permutações, podemos aplicar o princípio fundamental
da contagem:

Indicando por P4 o número de todas as permutações possíveis, temos:

P 4 = 4 ⋅ 3 ⋅ 2 ⋅ 1 = 4! = 24

Esse número de permutações é o número de arranjos simples dos quatro elementos tomados quatro a quatro.
Veja:

4! 4! 4⋅3⋅2⋅1
P 4 = A 4, 4 = (4 = = = 24
− 4)! 0! 1

Cálculo do número de permutações simples

Seja I = {a1, a2, a3, ..., an} um conjunto formado por n elementos. O número de permutações simples dos n
elementos de I, que indicaremos por Pn, é igual ao número de arranjos simples desses n elementos tomados n a
n, isto é:

𝑛! 𝑛! 𝑛!
Pn = An, n = (𝑛 − 𝑛)! = 0! = 1

Portanto:

Pn = n!
Página 153

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
5 Dez CDs diferentes — seis de música clássica e quatro de música popular — devem ser colocados lado a lado
em um porta-CDs.

BETO CELLI

Em quantas sequências diferentes esses discos podem ser dispostos de modo que os de música clássica fiquem
juntos e os de música popular também fiquem juntos?

Resolução

Como os CDs de mesmo estilo devem ficar juntos, temos duas opções:

(I) CDs de música clássica à esquerda dos de música popular:

Pelo princípio multiplicativo, temos:

6 ⋅ 5 ⋅ 4 ⋅ 3 ⋅ 2 ⋅ 1 ⋅ 4 ⋅ 3 ⋅ 2 ⋅ 1 = P6 ∙ P4 = 6! ⋅ 4!

(II) CDs de música clássica à direita dos de música popular:

Pelo princípio multiplicativo, temos:

4 ⋅ 3 ⋅ 2 ⋅ 1⋅ 6 ⋅ 5 ⋅ 4 ⋅ 3 ⋅ 2 ⋅ 1 = P4 ⋅ P6 = 4! ⋅ 6!

Temos, então, como total de possibilidades:

6! ⋅ 4! + 4! ⋅ 6! = 17.280 + 17.280 = 34.560

Portanto, os CDs podem ser dispostos em 34.560 sequências diferentes.

6 Considerando a palavra CADERNO:

a) quantos anagramas podemos formar?

b) quantos anagramas começam por C?


c) quantos anagramas começam por C e terminam por O?

d) quantos anagramas começam por vogal?

e) quantos anagramas terminam por consoante?

f) quantos anagramas começam por vogal e terminam por consoante?

g) quantos anagramas apresentam as letras C, A e D juntas e nessa ordem?

h) quantos anagramas apresentam as letras C, A e D juntas e em qualquer ordem?

Resolução

a) Um anagrama da palavra CADERNO é a própria palavra ou qualquer outro agrupamento que se obtém
trocando a ordem de suas letras; por exemplo, ONERCAD. Assim, o número de anagramas da palavra
CADERNO é igual ao número de permutações simples de sete letras distintas, isto é:

P 7 = 7! = 5.040

b) Fixando a letra C na primeira posição, sobram seis letras para serem distribuídas nas seis posições
posteriores.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Logo, há 720 anagramas que começam por C.

c) Fixando as letras C e O na primeira e na sétima posição, respectivamente, sobram cinco letras para serem
distribuídas nas cinco posições intermediárias:

Portanto, há 120 anagramas que começam por C e terminam por O.

d) Há três possibilidades para o preenchimento da primeira posição: A, E ou O. Para cada vogal fixada na
primeira posição, sobram seis letras para serem distribuídas nas posições posteriores:

Assim, há 2.160 anagramas que começam por vogal.

e) Há quatro possibilidades para o preenchimento da última (sétima) posição: C, D, R ou N. Para cada


consoante fixada na sétima posição, sobram seis letras para serem distribuídas nas seis posições anteriores:

Assim, há 2.880 anagramas que terminam por consoante.


f) Há três possibilidades para o preenchimento da primeira posição e quatro possibilidades para o
preenchimento da última (sétima). Fixadas uma vogal e uma consoante na primeira e na sétima posição,
respectivamente, sobram cinco letras para serem distribuídas nas posições intermediárias:

Há, portanto, 1.440 anagramas que começam por vogal e terminam por consoante.
Página 154

g) Vamos resolver este item de dois modos.

1º modo

As letras C, A e D podem ocupar, respectivamente, as seguintes posições: primeira, segunda e terceira;


segunda, terceira e quarta; terceira, quarta e quinta; quarta, quinta e sexta; quinta, sexta e sétima.

Analisemos cada caso:

Assim, temos:

P4+ P4 + P4+ P4 + P4 = 5 ⋅ P4= 5 ⋅ 4! = 5! = 120

Ou seja, 120 anagramas apresentam as letras C, A e D juntas e nessa ordem.

2º modo Observando o primeiro modo, percebemos que o bloco CAD atuou como um único elemento nas
permutações. Assim, podemos resolver esse problema calculando o número de permutações dos cinco
elementos CAD, E, R, N e O, isto é, considerando o bloco CAD um único elemento.

Temos, assim: P 5 = 5! = 120

h) Nesse caso, um bloco composto das letras C, A e D pode ter P 3 = 3! = 6 formas diferentes:

CAD, CDA, DCA, DAC, ADC e ACD

Para cada um desses seis blocos, podemos formar P5 = 5! = 120 anagramas, conforme vimos no item g. Logo,
com os seis blocos podemos formar 6 ⋅ 120 = 720 anagramas. Ou seja, o número de anagramas que apresentam
as letras C, A e D juntas é: P3 ⋅ P5 = 6 ⋅ 120 = 720

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

8 (Cesgranrio-RJ) Um fiscal do Ministério do Trabalho faz uma visita mensal a cada uma das cinco empresas de
construção civil existentes no município. Para evitar que os donos dessas empresas saibam quando o fiscal as
inspecionará, ele varia a ordem de suas visitas. De quantas formas diferentes esse fiscal pode estabelecer, em
cada mês, a sequência de visitas a essas empresas? alternativa b

a) 180
b) 120

c) 100

d) 48

e) 24

9 No instante da abertura de uma repartição pública, as n pessoas que esperavam foram orientadas a formar
uma fila indiana no balcão de atendimento. Sabendo que, em relação à sequência de pessoas, podem ser
formadas 720 filas diferentes, determine o valor de n. n = 6

10 Com a palavra FUTEBOL:

a) quantos anagramas podemos formar? 5.040

b) quantos anagramas começam por E? 720

c) quantos anagramas começam por E e terminam em T? 120

d) quantos anagramas começam por vogal? 2.160

e) quantos anagramas terminam em consoante? 2.880

f) quantos anagramas começam por vogal e terminam em consoante? 1.440

g) quantos anagramas apresentam as 3 vogais juntas e em ordem alfabética? 120

h) quantos anagramas apresentam as 3 vogais juntas em qualquer ordem? 720

i) quantos anagramas não apresentam as 3 vogais juntas? 4.320

11 Ao criar um software, o programador resolveu atribuir- -lhe, como chave de instalação, uma sequência de
doze caracteres distintos.

Sabendo que os caracteres utilizados serão 1, 2, 3, 4, 5, 6, A, C, D, F, G e H, de modo que não apareçam juntos
dois algarismos nem duas letras, o número possível de chaves de instalação é: alternativa e

a) 12!

b) (12!)2

c) 2 ⋅ 12!

d) (6!)2

e) 2 ⋅ (6!)2

[ícone: atividade em grupo] 12 O grêmio estudantil de um colégio planeja promover uma Semana do Cinema.
Para isso, foram escolhidos 7 filmes diferentes, e será exibido um por dia. Exatamente três desses filmes são
brasileiros e serão exibidos nos três primeiros dias. Sob essa condição, o número de maneiras diferentes de
estabelecer a sequência de filmes nessa semana é: alternativa d

a) 7!

b) 5!

c) 3! + 4!
d) 3! ⋅ 4!

e) 3! ⋅ 5!

Resolva os exercícios complementares 3 a 6.


Página 155

CRIANDO PROBLEMAS

[ícone: atividade em grupo] Inspirando-se nos exercícios dessa série, elaborem e resolvam um
problema sobre permutações simples que envolva uma situação do cotidiano. Resposta pessoal.

CONECTADO

Pesquise na internet o que são permutações circulares e escreva um texto a respeito, ilustrando-o
com um exemplo. Ver Suplemento com orientações para o professor.

Permutações com elementos repetidos

MONITOR: GEORGE M PHOTOGRAPHY/SHUTTERSTOCK

CAFÉ: WICHY/SHUTTERSTOCK

Uma emissora de TV deve transmitir, durante o dia, propagandas, A, B e C, de três marcas diferentes de café. A
propaganda A deve ser exibida exatamente três vezes ao dia; a propaganda B, exatamente duas vezes; e a C,
apenas uma vez. Assim, uma sequência possível dessas propagandas, durante o dia, pode ser:

(A, B, A, C, A, B)

Para obter uma sequência diferente dessa, deve-se alterar a ordem de termos distintos. Outra sequência
possível é, então:

(B, A, A, C, A, B)

Observe que as sequências que podem ser formadas possuem termos repetidos e, portanto, quaisquer duas
delas se diferenciam apenas pela ordem dos termos distintos, já que todas possuem os mesmos termos, com o
mesmo número de repetições cada um. Por isso, elas são chamadas de permutações com elementos
repetidos.

Neste item, estudaremos esse tipo de agrupamento.

Cálculo do número de permutações com elementos repetidos

Em vários cálculos combinatórios, temos de calcular o número de permutações de n elementos, nem todos
distintos. Para entender esse tipo de cálculo, convém analisar as questões dos exemplos a seguir.

Exemplos

a) Quantos anagramas podemos formar com a palavra BALA? Se as quatro letras que compõem essa palavra
fossem distintas entre si, teríamos 4! anagramas. Mas a palavra não se altera quando permutamos as letras
iguais; por isso, concluímos que o número de anagramas dessa palavra é menor que 4!. Um raciocínio possível
para o cálculo desse número de anagramas é considerar as letras iguais como elementos diferentes. Para nos
orientar, colorimos as letras iguais com cores diferentes, obtendo:

BALA
VORTEXDIGITAL/SHUTTERSTOCK

Assim, podemos formar 4! = 24 permutações com esses elementos “distintos”. São elas:

BALA BAAL LABA AABL AALB ALBA

BALA BAAL LABA AABL AALB ALBA

BLAA LBAA LAAB ABAL ABLA ALAB

BLAA LBAA LAAB ABAL ABLA ALAB


Página 156

Porém, se as cores nessas 24 permutações forem eliminadas, poderemos formar doze grupos com dois
anagramas iguais em cada um. Observe:

BALA BAAL LABA AABL AALB ALBA

BALA BAAL LABA AABL AALB ALBA


BLAA LBAA LAAB ABAL ABLA ALAB

BLAA LBAA LAAB ABAL ABLA ALAB

Como cada grupo representa um único anagrama, o número de grupos formados é o número de anagramas da
palavra BALA. Concluindo, o número de anagramas da palavra BALA é obtido dividindo-se o número de
permutações das letras, consideradas elementos distintos, pelo fatorial do número de letras iguais. Ou seja:

4! 24
= = 12
2! 2

b) Quantos anagramas podemos formar com a palavra BAIANA?

Raciocinando como no exemplo anterior, o número de anagramas da palavra BAIANA é obtido dividindo-se o
número de permutações das letras, consideradas elementos distintos, pelo fatorial do número de letras iguais,
isto é:

6 ⋅ 5 ⋅ 4 ⋅ 3!
6!/3! = = 120
3!

c) Quantos anagramas podemos formar com a palavra BATATA?

Nesse caso, temos duas letras diferentes que se repetem: A e T. Assim como no primeiro exemplo, vamos
trabalhar com as letras iguais como se fossem elementos distintos, usando cores diferentes:

BATATA

Podemos formar, então, 6! = 720 permutações com esses elementos distintos. Ao escrever as 720 permutações,
podemos agrupá-las de modo que, ao eliminar as cores, todas as permutações em cada agrupamento
representem o mesmo anagrama.

Por exemplo, um dos agrupamentos com todas as permutações que representam o anagrama BATATA é:

BATATA
BATATA
BATATA
BATATA
BATATA
BATATA
BATATA
BATATA
BATATA
BATATA
BATATA
BATATA
BATATA}

Essas permutações foram obtidas permutando-se, entre si, as letras iguais da palavra BATATA. Como na
palavra há três letras “A” e duas letras “T”, podemos permutar as letras iguais entre si de 3! ⋅ 2! maneiras, isto
é, de 12 maneiras. De modo análogo, concluímos que cada agrupamento contém doze permutações que
representam um mesmo anagrama. Assim, as 720 permutações podem ser separadas em grupos de doze
anagramas iguais. Então, o número de grupos formados é o número de anagramas da palavra BATATA:

720 = 60
12
Concluindo, o número de anagramas da palavra BATATA é obtido dividindo-se o número de permutações das
letras, consideradas elementos distintos, pelo produto dos fatoriais dos números de letras iguais, isto é:

6! 720
= = 60
3! ⋅ 2! 12
Página 157

Generalização

O raciocínio aplicado nos exemplos anteriores pode ser generalizado, conforme veremos a seguir.
Consideremos n elementos, entre os quais o elemento a1 comparece n1 vezes, o elemento a2 comparece n2
vezes, ..., o elemento ak comparece nk vezes:

𝑎1, 𝑎1, . . . , 𝑎1,


⏟ 𝑎2, 𝑎2, . . . , 𝑎2,
⏟ 𝑎𝑘, 𝑎𝑘, . . . , 𝑎𝑘

n1 elementos iguais a a1 n2 elementos iguais a a2 nk elementos iguais a ak

sendo a1, a2, ... e ak distintos entre si e n1 + n2 + n3 + ... + nk = n.

(𝑛1 ,𝑛2 ,𝑛3 ,…,𝑛𝑘 )


O número de permutações desses n elementos, que indicaremos por 𝑃𝑛 , é dado por:

(𝑛1 ,𝑛2 ,𝑛3 ,…,𝑛𝑘 ) 𝑛!


𝑃𝑛 =
𝑛1 ! ∙ 𝑛2 ! ∙ 𝑛3 ! ∙… ∙ 𝑛𝑘 !

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
7 Considerando a palavra PANTANAL:

a) quantos anagramas podemos formar?

b) quantos anagramas começam pela letra A?

Resolução

a) A palavra apresenta um total de 8 letras, com 3 letras “A”, 2 letras “N”, 1 letra “P”, 1 letra “T” e 1 letra “L”.
Assim, o número de anagramas é:

(3, 2, 1, 1, 1) 8!
𝑃8 =
3! ⋅ 2! ⋅ 1! ⋅ 1! ⋅ 1!

Para simplificar a notação, indicamos esse número por:

(3,2) 8!
𝑃8 =
3! ⋅ 2!

Isto é, não indicamos nos parênteses as letras que aparecem uma única vez na palavra.

Então, o número de anagramas da palavra PANTANAL é:

(3,2) 8! 8 ⋅ 7 ⋅ 6 ⋅ 5 ⋅ 4 ⋅ 3!
𝑃8 = = = 3.360
3! ⋅ 2! 3! ⋅ 2 ⋅ 1

b) Fixando uma letra A na primeira posição, sobram as letras P, N, T, A, N, A e L, que devem ser distribuídas
nas sete posições posteriores:

(2,2) 7!
𝑃7 = = 1.260
2! ⋅ 2!

Logo, há 1.260 anagramas que começam por “A”.


8 A figura a seguir representa um conjunto de quarteirões de uma cidade, sendo a parte cinza a representação
das ruas.

Um motorista localizado no ponto A pretende chegar ao ponto B deslocando-se sempre para o norte ou para o
leste. Quantos caminhos diferentes ele pode percorrer de A até B se o tráfego é permitido para qualquer
caminho escolhido?

Resolução

Para que o motorista se desloque de A até B nas condições enunciadas, ele deve percorrer três quadras para o
norte e quatro para o leste. Um caminho possível é:

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Indicando por N o deslocamento de cada quadra para o norte e por L o deslocamento de cada quadra para o
leste, o número de caminhos diferentes que podem ser percorridos é igual ao número de permutações das sete
letras: N, N, N, L, L, L, L, isto é:

(3,4) 7! = 35
𝑃7 =
4! ⋅ 3!
Página 158

No item b do exercício resolvido 7, não deveríamos multiplicar por 3 o resultado 1.260, visto que a letra A aparece três vezes
na palavra PANTANAL?

Não, pois, se substituirmos o “A” da primeira posição por outro “A” da palavra, obteremos os mesmos anagramas.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

13 Calcule o número de anagramas de cada uma das palavras:

a) CAMISA 360

b) ENFEITE 840

c) SOSSEGO 420

d) ASSESSORA 7.560

14 Com a palavra AVARIA:

a) quantos anagramas podemos formar? 120

b) quantos anagramas começam por A? 60

c) quantos anagramas começam por vogal? 80

d) quantos anagramas começam por consoante? 40

e) quantos anagramas começam por vogal e terminam em consoante? 32

f) quantos anagramas apresentam as consoantes juntas e em ordem alfabética? 20

g) quantos anagramas apresentam as consoantes juntas em qualquer ordem? 40

15 Um experimento consiste em lançar cinco vezes uma moeda e considerar como resultado a sequência
formada pelas faces voltadas para cima no 1º, 2º, 3º, 4º e 5º lançamentos.

a) Indicando por C e K as faces cara e coroa, respectivamente, uma sequência com três caras e duas coroas que
pode ser obtida é: CCKCK. Quantas sequências diferentes com três caras e duas coroas podem ser obtidas? 10

b) Quantas sequências diferentes com pelo menos três caras podem ser obtidas? 16

c) Quantas sequências diferentes com pelo menos uma cara podem ser obtidas? 31

16 Um sistema cartesiano foi associado a uma região plana de modo que o eixo Ox está orientado de oeste para
leste, o eixo Oy está orientado de sul para norte, e a unidade adotada nos eixos é o quilômetro.

a) Pedro deve caminhar do ponto O(0, 0) até A(5, 4), deslocando-se 1 quilômetro de cada vez para o norte ou
para o leste. Um caminho possível nessas condições está representado no sistema abaixo. Quantos caminhos
diferentes Pedro pode percorrer de O até A? 126
FAUSTINO

b) Luís deve caminhar de O(0, 0) até B(6, 5), passando por C(4, 3), deslocando-se 1 quilômetro de cada vez
para o norte ou para o leste.

Quantos caminhos diferentes Luís pode percorrer? 210

Resolva os exercícios complementares 7 a 10.

4 Combinação simples
Em um torneio quadrangular de futebol, cada uma das equipes participantes, A, B, C e D, enfrentará cada uma
das outras uma única vez. Para determinar o número de jogos desse torneio, devemos observar que, ao
representar qualquer um deles, não consideramos a ordem das equipes; por exemplo, o jogo em que a equipe
A enfrenta a equipe B é o mesmo em que a equipe B enfrenta a equipe A.

𝐴 versus 𝐵
⏟ 𝐵 versus 𝐴
mesmo jogo

PCRUCIATTI/SHUTTERSTOCK

Podemos, então, representar cada jogo por meio de um conjunto cujos elementos são as duas equipes em
confronto, pois, em um conjunto, a ordem dos elementos não é considerada.
Página 159

Assim, o número de jogos desse torneio é o número de subconjuntos de 2 elementos do conjunto I = {A, B, C,
D}, que são:

{A, B} {A, C} {A, D}

{B, C} {B, D} {C, D}

Esses subconjuntos são chamados de combinações simples dos 4 elementos de I tomados 2 a 2. Ou seja,
uma combinação simples de 2 elementos de I é qualquer subconjunto de I formado por 2 elementos.

Observe que duas combinações simples quaisquer se diferenciam apenas pela natureza dos elementos, e não
pela ordem desses elementos. Por exemplo:

• {A, B} ≠ {A, C}, pois diferem pela natureza dos elementos;

• {A, B} = {B, A}, pois a ordem dos elementos não altera a combinação.

Essas considerações ajudam a entender a definição a seguir.

Definição

Dados os n elementos distintos do conjunto I = {a1, a2, a3, ..., an}, chama-se combinação simples de p elementos
de I todo subconjunto de I formado por p elementos com {n, p} ⊂ ℕ e p ≤ n.

Exemplo

FAUSTINO

Considerando os cinco pontos distintos, A, B, C, D e E, da circunferência ao lado, vamos escolher três pontos
quaisquer para serem vértices de um triângulo. As possibilidades de escolha são:

ABC ABD ABE ACD ACE

ADE BCD BCE BDE CDE

Note que a ordem dos pontos não altera a representação do triângulo; por exemplo, ABC = BCA. Assim, essas
representações são combinações dos cinco pontos tomados três a três. Essas combinações são simples, pois
não há repetição de elemento em uma mesma combinação.

Cálculo do número de combinações simples de n elementos distintos tomados p a p

Indicaremos por C n, p o número de combinações simples de n elementos distintos tomados p a p. Para efetuar
esse cálculo, vamos relacionar o número de combinações simples com o número de arranjos simples de n
elementos tomados p a p. Para isso, consideremos as duas situações a seguir.

Situação 1

Entre quatro candidatos, a, b, c e d, devem ser escolhidos três para ocupar três vagas distintas: programador,
analista de sistemas e supervisor do departamento de informática de uma empresa. Como os candidatos são
igualmente capazes, a escolha será feita por sorteio. Quantas escolhas diferentes podem ser feitas?
Considerando que o primeiro sorteio seja para a vaga de programador, o segundo, para analista de sistemas, e
o terceiro, para supervisor, temos as possibilidades:

Sorteios
1º 2º 3º
a b c
a c b
b a c
b c a
c a b
c b a

Sorteios
1º 2º 3º
a b d
a d b
b a d
b d a
d a b
d b a

Sorteios
1º 2º 3º
a c d
a d c
c a d
c d a
d a c
d c a

Sorteios
1º 2º 3º
b c d
b d c
c b d
c d b
d b c
d c b

Portanto, temos 24 possibilidades de escolha. Essas 24 possibilidades são todos os arranjos simples dos quatro
elementos de I = {a, b, c, d} tomados três a três, que representamos por: A 4, 3

Situação 2

Entre quatro candidatos, a, b, c e d, devem ser escolhidos três para ocupar três vagas de programador no
departamento de informática de uma empresa. Como os candidatos são igualmente capazes, a escolha será
feita por sorteio. Quantas escolhas diferentes podem ser feitas?
Página 160

Como os cargos dos profissionais escolhidos são idênticos, não devemos considerar a ordem dos candidatos
sorteados. Assim, as únicas escolhas possíveis são:

{a, b, c}

{a, b, d}

{a, c, d}

{b, c, d}

Portanto, temos quatro possibilidades de escolha. Essas quatro possibilidades são todas as combinações
simples dos quatro elementos de I = {a, b, c, d} tomados três a três, que representamos por C 4, 3.

Comparando as situações

Note que os elementos que compõem cada escolha possível da situação 2 formam seis escolhas possíveis na
situação 1. Por exemplo, com {a, b, c}, obtido na situação 2, podemos formar as seis escolhas possíveis da
primeira tabela da situação 1.

Assim, podemos relacionar o número de combinações simples dos quatro elementos de I = {a, b, c, d} tomados
três a três com o número de arranjos simples dos quatro elementos tomados três a três:

Concluímos que cada uma das quatro combinações de três elementos de I gera 3! arranjos desses elementos.
Logo, multiplicando 3! por C4, 3, obtemos A4, 3 , isto é:

3! ⋅ C4, 3 = A4, 3

Generalizando o raciocínio para os números naturais n e p, com n ≥ p, obtemos a fórmula para o cálculo de Cn, p,
conforme segue:

𝑛!
𝐴𝑛𝑝 (𝑛 − 𝑝)!
p! ⋅ Cn, p = An, p ⇒ Cn, p = =
𝑝! 𝑝!

Portanto:

𝑛!
Cn, p=
𝑝!(𝑛 − 𝑝)!

EXERCÍCIO RESOLVIDO
9 Calcular:

a) C7, 5

b) C4, 4

c) C4, 0

d) C0, 0

Resolução

𝑛!
Aplicando a fórmula Cn, p = , temos:
𝑝!(𝑛 − 𝑝)!

7! 7! 7 ⋅ 6 ⋅ 5! = 21
a) C7, 5 = = =
5!(7 − 5)! 5! ⋅ 2! 5! ⋅ 2 ⋅ 1

4! 4! 4!
b) C4, 4 = = = =1
4!(4 − 4)! 4! ⋅ 0! 4! ⋅ 1

4! 4! 4!
c) C4, 0 = = = =1
0!(4 − 0)! 0! ⋅ 4! 1 ⋅ 4!

0! 0! 1
d) C0, 0 = = = =1
0!(0 − 0)! 0! ⋅ 0! 1⋅1
Página 161

Critério diferenciador entre arranjo e combinação

Ao deparar com um problema que envolva agrupamentos de qualquer tipo de elemento, devemos antes de
tudo verificar se os agrupamentos em questão são arranjos ou combinações. Para isso, formamos um dos
agrupamentos sugeridos pelo problema, com pelo menos dois elementos distintos, e mudamos a ordem dos
elementos distintos do agrupamento formado.

• Se, com essa mudança, obtemos um agrupamento diferente do original, então esses agrupamentos são
arranjos.

• Se, com essa mudança, obtemos um agrupamento igual ao original, então esses agrupamentos são
combinações.

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
10 Entre oito policiais, serão escolhidos cinco para garantir a segurança pessoal de um senador da República
durante um evento. Quantos grupos de segurança diferentes podem ser formados se os escolhidos terão
funções idênticas?

Resolução

Como as funções são idênticas, a ordem dos elementos componentes não altera o grupo de segurança; logo,
cada um dos grupos possíveis é uma combinação de pessoas. Assim, o número possível de grupos que podem
ser formados é C8, 5, isto é:

8! 8! 8 ⋅ 7 ⋅ 6 ⋅ 5! = 56
C8, 5 = = =
5!(8 − 5)! 5! ⋅ 3! 5! ⋅ 3 ⋅ 2 ⋅ 1

11 Dispondo de cinco modelos homens e seis mulheres, pretende-se escolher um grupo de três homens e
quatro mulheres para um desfile de moda. De quantos modos diferentes o grupo pode ser formado?

Resolução

Devem ser escolhidos três homens entre cinco e quatro mulheres entre seis. Pelo princípio fundamental da
contagem, o número de grupos diferentes que podem ser formados é dado pelo produto C5, 3 ⋅ C6, 4, isto é:

5! 6! 5! 6! 5 ⋅ 4 ⋅ 3! 6 ⋅ 5 ⋅ 4!
C5, 3 ⋅ C6, 4 = ⋅ = ⋅ = ⋅ = 10 ⋅ 15 = 150
3!(5 − 3)! 4!(6 − 4)! 3! ⋅ 2! 4! ⋅ 2! 3! ⋅ 2 ⋅ 1 4! ⋅ 2 ⋅ 1

12 Cinco pontos distintos, A, B, C, D e E, pertencem a uma reta r, e quatro pontos distintos, F, G, H e I, pertencem
a uma reta s, sendo r e s paralelas distintas, conforme mostra a figura:

FAUSTINO

a) Quantas retas distintas ficam determinadas por esses nove pontos?

b) Quantos triângulos distintos ficam determinados por esses nove pontos?

Resolução

a) Vamos resolver este item de dois modos.

1º modo
Uma reta fica determinada por dois pontos distintos; logo, qualquer combinação desses nove pontos tomados
dois a dois determina uma reta. Mas entre essas combinações há retas coincidentes, por exemplo 𝐴𝐵⃡ e 𝐴𝐶
⃡ .
Assim, o cálculo do número de retas distintas pode ser feito subtraindo de todas as combinações dos nove
pontos dois a dois as combinações dos pontos colineares dois a dois e adicionando 2, que são as próprias retas
r e s, isto é:

𝐶9 ,2 − 𝐶
⏟5 ,2 − 𝐶
⏟4 ,2 + ⏟
2 = 36 − 10 − 6 + 2 = 22
combinações de pontos de r combinações de pontos de s retas r e s

2º modo

Além das retas r e s, uma reta fica determinada por um dos cinco pontos destacados em r e um dos quatro
pontos destacados em s. Assim, o número de retas, nas condições enunciadas, é dado por:


2 + 𝐶
⏟5 ,1 ⋅ 𝐶
⏟4 ,1 = 2 + 5 ⋅ 4 = 22
retas r e s escolhas de um ponto em r escolhas de um ponto em s
Página 162

b) Um triângulo fica determinado por três pontos não colineares. Assim, algumas das combinações dos nove
pontos tomados três a três determinam triângulos, e outras não. Por exemplo, a combinação ABF determina
um triângulo, enquanto a combinação ABC não determina um triângulo. Podemos resolver este item de dois
modos.

1 o modo

O número de triângulos é a diferença entre o número de combinações dos nove pontos três a três e o total de
combinações dos pontos colineares três a três (pontos que não determinam triângulos). Isto é:

𝐶9 ,3 − 𝐶⏟5 ,3 − 𝐶
⏟4 ,3 = 84 − 10 − 4 = 70
combinações de pontos de r combinações de pontos de s

2º modo

Um triângulo fica determinado se escolhemos dois pontos em uma das retas e um ponto na outra. Assim,
temos duas opções de escolha:

• 2 pontos em r e 1 ponto em s:

𝐶5 ,2 ⋅ 𝐶4 ,1 = 10 ⋅ 4 = 40

• 1 ponto em r e 2 pontos em s:

𝐶5 ,1 ⋅ 𝐶4 ,2 = 5 ⋅ 6 = 30

Logo, o número de triângulos é 40 + 30 = 70.

Existem combinações com repetição? Ver Suplemento com orientações para o professor.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

17 Considere sete pontos distintos, A, B, C, D, E, F e G, de uma circunferência, conforme a figura a seguir.

a) Quantas retas ficam determinadas por esses pontos? 21

b) Quantos triângulos ficam determinados por esses pontos? 35

c) Quantos quadriláteros convexos ficam deter minados por esses pontos? 35

d) Quantos pentágonos convexos ficam determinados por esses pontos? 21

e) De todos os pentágonos convexos determinados por esses pontos, quantos têm como vértice o ponto A? 15

f) De todos os pentágonos convexos determinados por esses pontos, quantos têm como lado o segmento 𝐴𝐵?
10
18 As retas r e s representadas abaixo são paralelas.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

a) Quantas retas ficam determinadas pelos dez pontos distintos A, B, C, D, E, F, G, H, I e J? 26

b) Quantos triângulos ficam determinados por esses dez pontos distintos? 96

c) De todos os triângulos determinados por esses dez pontos distintos, quantos têm como vértice o ponto H? 33

d) De todos os triângulos determinados por esses dez pontos distintos, quantos têm um lado contido na reta r?
60

e) Quantos quadriláteros convexos ficam determinados por esses dez pontos distintos? 90

19 Uma comissão de 4 alunos será escolhida por votação entre 7 candidatos, sendo um deles de nome Cláudio.
Todos os membros da comissão eleita terão funções idênticas.

a) Quantas comissões diferentes podem ser eleitas? 35

b) Quantas comissões diferentes podem ser eleitas de modo que Cláudio seja um dos eleitos? 20

c) Quantas comissões diferentes podem ser eleitas de modo que Cláudio não seja eleito? 15
Página 163

[ícone: atividade em grupo] 20 Cada uma das dez equipes que disputam um campeonato de futebol enfrenta
cada uma das demais uma única vez. Quantos jogos compõem esse campeonato? 45

[ícone: atividade em grupo] 21 (Fuvest-SP) Numa primeira fase de um campeonato de xadrez cada jogador joga
uma única vez contra todos os demais. Nessa fase foram realizados 78 jogos. Quantos eram os jogadores?
alternativa d

a) 10

b) 11

c) 12

d) 13

e) 14

22 Considere o polígono convexo ABCDEFG representado abaixo.

ADILSON SECCO

a) Quantos segmentos de reta têm extremos em 2 vértices distintos do polígono? 21

b) Quantos dos segmentos de reta obtidos no item anterior são diagonais do polígono ABCDEFG? 14

23 Quantas diagonais possui um polígono convexo de 10 vértices? 35

24 José e Anita fazem parte de um grupo de dez pessoas, sete das quais serão escolhidas para formar um júri
em que todos os jurados terão funções idênticas. Do total de júris que podem ser formados:

a) quantos contêm José e Anita? 56

b) quantos não contêm José nem Anita? 8

c) quantos contêm Anita e não contêm José? 28

25 Uma equipe formada por dois arquitetos e por três engenheiros será escolhida entre cinco arquitetos e seis
engenheiros. De quantas maneiras diferentes essa equipe pode ser formada? 200

26 De um grupo com quatro pediatras, cinco reumatologistas e seis ortopedistas, deve ser escolhida uma
equipe com três especialistas de cada área. O número de equipes diferentes que podem ser escolhidas é:
alternativa d

a) 360

b) 720

c) 640

d) 800
e) 680

Resolva os exercícios complementares 11 a 16.

CRIANDO PROBLEMAS

[ícone: atividade em grupo] Inspirando-se nos exercícios dessa série, elaborem e resolvam um
problema sobre combinações simples que envolva uma situação do cotidiano. Resposta pessoal.

EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES
Faça as atividades no caderno.

1 Com todas as vogais, a, e, i, o, u, e as consoantes b, c, d, f, g, h, serão formadas sequências de sete letras


distintas de modo que três sejam vogais e estejam juntas e as demais sejam consoantes e também estejam
juntas. O número de sequências é dado por: alternativa a

a) 2 ⋅ A5, 3 ⋅ A6, 4

b) A5, 3 ⋅ A6, 4

c) A11, 7

d) A5, 3 + A6, 4

e) A5, 3 + 2 ⋅ A6, 4

2 (UFMG) A equação An, 2 + A(n + 1), 2 = 18: alternativa c

a) possui infinitas raízes distintas;

b) possui duas raízes distintas;

c) possui uma única raiz;

d) não possui raiz.

3 Seis pessoas embarcam em um ônibus onde há exatamente seis lugares vagos. De quantas maneiras
diferentes essas pessoas podem se distribuir nesses lugares? 720
Página 164

4 Ao concluir suas lições do dia, um estudante deve guardar na estante 8 livros: Matemática, Física, Química,
História, Geografia, Biologia, Português e Inglês, um ao lado do outro.

a) Em quantas sequências diferentes esses livros podem ser dispostos na prateleira da estante? 40.320

b) Em quantas sequências diferentes esses livros podem ser dispostos na prateleira da estante de modo que
nos extremos fiquem os livros de História e Geografia? 1.440

c) Em quantas sequências diferentes esses livros podem ser dispostos na prateleira da estante de modo que os
livros de Matemática, Física e Química fiquem juntos e nessa ordem? 720

d) Em quantas sequências diferentes esses livros podem ser dispostos na prateleira da estante de modo que os
livros de Matemática, Física e Química fiquem juntos em qualquer ordem? 4.320

e) Em quantas sequências diferentes esses livros podem ser dispostos na prateleira da estante de modo que
não fiquem juntos os 3 livros de exatas (Matemática, Física e Química)? 36.000

5 (Enem) O setor de recursos humanos de uma empresa vai realizar uma entrevista com 120 candidatos a uma
vaga de contador. Por sorteio, eles pretendem atribuir a cada candidato um número, colocar a lista de números
em ordem numérica crescente e usá-la para convocar os interessados. Acontece que, por um defeito do
computador, foram gerados números com 5 algarismos distintos e, em nenhum deles, apareceram dígitos
pares. Em razão disso, a ordem de chamada do candidato que tiver recebido o número 75.913 é: alternativa e

a) 24

b) 31

c) 32

d) 88

e) 89

6 Calcule o número de anagramas da palavra CLUBE que apresentam as vogais em ordem alfabética, juntas ou
não.

(Sugestão: Pense na seguinte questão: há mais anagramas que apresentam o U antes do E ou há mais
anagramas que apresentam o E antes do U?) 60

7 Considerando a palavra GARGANTA:

a) quantos anagramas podemos formar? 3.360

b) quantos anagramas começam por G? 840

c) quantos anagramas começam e terminam por G? 120

d) quantos anagramas começam por consoante? 2.100

e) quantos anagramas terminam por vogal? 1.260

f) quantos anagramas começam por consoante e terminam por vogal? 900

8 As embalagens dos vários produtos vendidos por uma empresa apresentam uma sequência formada por
barras verticais: quatro com 1,5 mm de largura, três com 0,5 mm de largura e duas com 0,25 mm de largura,
como na figura abaixo.
FAUSTINO

Cada sequência de barras indica o preço de um produto. Quantos preços diferentes podem ser indicados nesse
sistema de códigos? 1.260

9 (UCDB-MS) O número de permutações das letras da palavra AMIGA nas quais não aparece o grupo AA é:
alternativa a

a) 36

b) 24

c) 60

d) 120

e) 54

10 Cada vez que uma das teclas ↑ ou → é acionada no teclado de um computador, o cursor se desloca uma
unidade u na tela, para cima ou para a direita, respectivamente. Associa-se um sistema cartesiano de eixos à
tela, conforme mostra a figura abaixo, com a unidade u em cada eixo. Se, em relação a esse sistema cartesiano,
o cursor está no ponto A(9, 8), quantas sequências diferentes de digitação das teclas ↑ ou → levam o cursor
para o ponto B(20, 12)? 1.365

FAUSTINO

11 (Enem) Doze times se inscreveram em um torneio de futebol amador. O jogo de abertura do torneio foi
escolhido da seguinte forma: primeiro foram sorteados 4 times para compor o Grupo A. Em seguida, entre os
times do Grupo A, foram sorteados 2 times para realizar o jogo de abertura do torneio, sendo que o primeiro
deles jogaria em seu próprio campo, e o segundo seria o time visitante.

A quantidade total de escolhas possíveis para o Grupo A e a quantidade total de escolhas dos times do jogo de
abertura podem ser calculadas através de: alternativa a

a) uma combinação e um arranjo, respectivamente.

b) um arranjo e uma combinação, respectivamente.

c) um arranjo e uma permutação, respectivamente.

d) duas combinações.

e) dois arranjos.

12 (UEL-PR) Na formação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), cada partido indica um certo
número de membros, de acordo com o tamanho de sua representação no Congresso Nacional. Faltam apenas
dois partidos para indicar seus membros. O partido A tem 40 deputados e deve indicar 3 membros, enquanto o
partido B tem 15 deputados e deve indicar 1 membro. Indique no caderno a alternativa que apresenta o
número de possibilidades diferentes para a composição dos membros desses dois partidos nessa CPI. alternativa
c

a) 55

b) (40 − 3) ⋅ (15 − 1)

40!
c) ⋅ 15
37! ⋅ 3!

d) 40 ⋅ 39 ⋅ 38 ⋅ 15

e) 40! ⋅ 37! ⋅ 15!

13 (Uerj) Todas as n capitais de um país estão interligadas por estradas pavimentadas, de acordo com o
seguinte critério: uma única estrada liga cada duas capitais.

Com a criação de duas novas capitais, foi necessária a construção de mais 21 estradas pavimentadas para que
todas as capitais continuassem ligadas de acordo com o mesmo critério.

Determine o número n de capitais, que existiam inicialmente nesse país. 10 capitais


Página 165

14 Em um porta-moedas há exatamente uma moeda de R$ 0,05, uma de R$ 0,10, uma de R$ 0,25, uma de R$
0,50 e uma moeda de R$ 1,00.

RICARDO SIWIEC

a) Quantos valores monetários diferentes podem ser formados com apenas duas dessas moedas? 10

b) Quantos valores monetários diferentes podem ser formados com duas ou mais dessas moedas? 26

[ícone: calculadora] 15 A Mega-Sena é uma modalidade de jogo de apostas em que são sorteados 6 números
entre os números inteiros de 01 a 60. O cartão de apostas que tiver assinalado os números sorteados é
premiado. Quantos resultados diferentes pode ter o sorteio da Mega-Sena? 50.063.860

16 Um grupo de exploradores será composto de três arqueólogos e dois geógrafos escolhidos entre seis
arqueólogos e seis geógrafos. Quantas formações diferentes pode ter o grupo? 300

PRÉ-REQUISITOS PARA O CAPÍTULO 8


Faça as atividades no caderno.

Responda às questões a seguir, cuja finalidade é rever os principais conceitos necessários para o
desenvolvimento da teoria e das atividades do Capítulo 8.

1 Dizemos que:

• Qualquer segmento de reta tem dimensão 1, porque sua extensão é caracterizada por apenas uma direção: o
comprimento.

• Qualquer retângulo tem dimensão 2, porque sua extensão é caracterizada por exatamente duas direções: o
comprimento e a largura.

• Qualquer bloco retangular (um tijolo, por exemplo) tem dimensão 3, porque sua extensão é caracterizada por
exatamente três direções: comprimento, largura e altura.

• Um ponto, por sua vez, tem dimensão zero, pois não tem comprimento nem largura nem altura. (Alguns
autores consideram que o ponto não tem dimensão, no sentido de que ele não tem comprimento nem largura
nem altura.)

No Capítulo 8, estudaremos o espaço de três dimensões, que pode ser modelado pelo espaço de todo o
Universo em que vivemos. Uma figura muito importante que veremos é o bloco retangular, também chamado
de paralelepípedo reto-retângulo, que tem a forma de um tijolo ou de uma caixa de sapatos (o tijolo modela
melhor, porque o bloco retangular é uma figura maciça). Os retângulos não coplanares que dispostos lado a
lado compõem a superfície desse bloco são chamados de faces do paralelepípedo; cada lado de uma face é
chamado de aresta do paralelepípedo; e cada vértice de uma face é chamado de vértice do paralelepípedo.
FAUSTINO

a) Dê outros exemplos de objetos que têm a forma de um paralelepípedo reto-retângulo. Respostas possíveis: livro,
caixa de fósforos, caixa de leite longa vida, baú de caminhão etc.

b) Quantas faces, quantas arestas e quantos vértices tem o paralelepípedo reto-retângulo? 6 faces, 12 arestas e 8
vértices

c) Desenhe um paralelepípedo reto-retângulo e destaque duas arestas contidas em uma mesma face e duas
que não estejam contidas em uma mesma face. Ver Suplemento com orientações para o professor.

d) Desenhe um paralelepípedo reto-retângulo e destaque duas arestas contidas em um mesmo plano e duas
que não estejam contidas em um mesmo plano. Ver Suplemento com orientações para o professor.

e) Desenhe um paralelepípedo reto-retângulo e destaque um segmento de reta contido em uma das faces e que
tenha como extremos dois vértices não consecutivos dessa face (esse segmento é chamado de diagonal de
uma face). Ver Suplemento com orientações para o professor.

f) Desenhe um paralelepípedo reto-retângulo e destaque um segmento de reta que tenha como extremos dois
vértices do paralelepípedo que não pertençam a uma mesma face (esse segmento é chamado de diagonal do
paralelepípedo). Ver Suplemento com orientações para o professor.
Página 166

2 Faça um desenho geométrico que represente: Ver Suplemento com orientações para o professor.

a) um mastro vertical a um terreno retangular horizontal;

b) a corda esticada de um varal, presa a uma mesma altura de duas varas verticais a um terreno retangular
horizontal;

c) os fios elétricos esticados e presos a uma mesma altura de dois postes verticais a um terreno retangular
horizontal;

d) um muro retangular e vertical sobre um terreno retangular horizontal;

e) uma rampa ligando dois pisos horizontais;

f) uma bola de futebol suspensa no ar, após ter sido alçada de um campo retangular horizontal;

g) uma vara reta parcialmente mergulhada em uma piscina retangular, obliquamente à superfície da água.

Trabalhando em equipe

“A lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que
nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos.”

Mahatma Gandhi (1869-1948), líder do movimento pela independência da Índia.

Componha uma equipe com alguns colegas e discutam as seções a seguir.

ANÁLISE DA RESOLUÇÃO
Um aluno resolveu o exercício conforme a reprodução a seguir. Um erro foi cometido.
Apontem o erro e refaçam a resolução no caderno, corrigindo-a.

Exercício

Quantos anagramas da palavra DESAFIO começam por vogal ou terminam por consoante?

Resolução

1º) Anagramas que começam por vogal:

4 · 6! = 4 · 720 = 2.880

2º) Anagramas que terminam por consoante:


6! · 3 = 720 · 3 = 2.160
O conjunto A dos anagramas da palavra DESAFIO que começam por vogal e o conjunto B dos anagramas dessa palavra que terminam por
consoante não são disjuntos, isto é, a intersecção deles não é vazia; por exemplo, o anagrama EDAFIOS pertence aos dois conjuntos. Por isso,
ao somar o número de anagramas que começam por vogal com o número de anagramas que terminam por consoante, o aluno contou duas
vezes cada elemento da intersecção de A e B.

O correto teria sido fazer:

n(A ∪ B) = n(A) + n(B) − n(A ∩ B)

Calculando n(A ∩ B), isto é, o número de anagramas que começam por vogal e terminam por consoante, temos:

n(A ∩ B) = 4 ⋅ 5! ⋅ 3 = 1.440

Assim, podemos calcular n(A ∪ B), isto é, o número de anagramas que começam por vogal ou terminam por consoante, dado por:

n(A ∪ B) = n(A) + n(B) − n(A ∩ B) = 2.880 + 2.160 − 1.440 ⇒ n(A ∪ B) = 3.600

Logo, o número de anagramas da palavra DESAFIO que começam por vogal ou


terminam por consoante é dado por: 2.880 + 2.160 = 5.040
Página 167

MATEMÁTICA SEM FRONTEIRAS

A criptografia
Em sua obra A vida dos doze Césares, o historiador romano Suetônio relata como Júlio César (100-44 a.C.) se
comunicava com seus generais:

“Se tivesse qualquer coisa confidencial a dizer, ele escrevia cifrado, isto é, mudando a ordem das letras do
alfabeto, para que nenhuma palavra pudesse ser compreendida. Se alguém desejasse decifrar a mensagem e
entender seu significado, deveria substituir a quarta letra do alfabeto, a saber 'D', por 'A', e assim por diante
com as outras”.

No alfabeto atual, a correspondência entre as letras, segundo o algoritmo de César, é:

Embora não tenha sido o primeiro a utilizar mensagens cifradas, pois há registros dessa prática em hieróglifos
egípcios datados de 1900 a.C., o nome de Júlio César ficou associado a essa forma de comunicação. Hoje,
quando citamos o “Código de César”, estamos nos referindo a uma forma de codificação de textos em que cada
letra é substituída por outra que, na ordem alfabética, é deslocada um número fixo de vezes.

Desde os primeiros registros até os dias atuais, as mensagens cifradas foram se tornando cada vez mais
necessárias, ultrapassando os limites da esfera militar e passando a fazer parte do cotidiano das pessoas, por
meio das senhas bancárias, senhas de segurança para e-mails ou arquivos confidenciais, códigos de barras etc.
– os quais, por sua vez, têm origem na linguagem digital, que cifra caracteres, transformando-os em sequências
de bits (dígitos 0 ou 1).

A forma codificada de comunicação escrita atingiu tal importância, que motivou o nascimento de uma nova
ciência, a Criptografia, que estuda os princípios e as técnicas de codificação e decodificação da escrita e de
outras formas de mensagens gráficas.

A marca-d'água nas cédulas de dinheiro é um recurso da Esteganografia, ramo da Criptografia dedicado ao estudo dos meios e
métodos de ocultação de mensagens.

BANCO CENTRAL DO BRASIL

ATIVIDADES

Faça as atividades no caderno.

1 Considerando o alfabeto atual, decodifiquem a mensagem abaixo – que poderia ter sido enviada por Júlio
César a seus generais – de acordo com o código descrito no texto acima pelo historiador Suetônio. Avancem contra
os gauleses.

DYDQFHP FRQWUD RV JDXOHVHV


2 Um bit (binary digit) é cada um dos impulsos elétricos identificados pelo computador: um deles é
representado pelo dígito 1, e o outro, pelo dígito 0 (zero). Um byte (binary term) é um conjunto de 8 bits
quaisquer; por exemplo, no sistema de códigos ASCII, o byte 01000110 representa a letra F. Quantos bytes
podem ser representados com três dígitos iguais a 1 e os demais iguais a zero? 56
Página 168

CAPÍTULO 8 - Geometria de posição e poliedros

RICK RUDNICKI/LONELY PLANET IMAGES/GETTY IMAGES

Além da teoria

Ver Suplemento com orientações para o professor.

Se as paredes, o teto e o piso de sua sala de aula são retangulares, como da foto, muitas das ideias que
vamos estudar neste capítulo podem ser visualizadas concretamente nessa sala. Por exemplo, os planos
do teto e do piso são paralelos; o plano de uma parede é perpendicular ao plano do piso; a intersecção do
plano de uma parede com o plano do piso é uma reta. Esses conceitos serão definidos ao longo do
capítulo; nesta introdução queremos que você use apenas a intuição e a imaginação para responder às
perguntas a seguir.

1. Que paredes da sala da foto representam planos paralelos?


2. Considerando apenas os planos das paredes, do teto e do piso da sala da foto e as retas determinadas
pelas intersecções de dois planos não paralelos, localize na sala:

a) duas retas paralelas distintas;

b) duas retas concorrentes;

c) duas retas não paralelas e não concorrentes;

d) uma reta paralela a um plano.

Neste capítulo, vamos estudar as figuras geométricas, quanto à sua forma e sua posição em relação a outra figura no
espaço tridimensional.
Página 169

1 O que há além do plano?


Ao olhar à nossa volta, observamos objetos das mais variadas formas, como a superfície do tampo de uma
mesa, uma laranja, uma vela etc.

CREATIVE CROP/ GETTY IMAGES

CREATIVE CROP/ GETTY IMAGES

VKSTUDIO/ALAMY/ GLOW IMAGES

Em relação à Geometria, podemos classificar essas formas em duas categorias: plana e não plana. A superfície
do tampo da mesa é plana, enquanto as formas da laranja e da vela são não planas.

A Geometria plana, que estudamos até aqui, é a ferramenta básica para o estudo das figuras não planas:
através de secções (cortes) nessas figuras, podemos obter figuras planas. Por exemplo, ao cortar uma laranja
com uma faca, obtemos uma secção circular; ao cortar uma vela, paralelamente ao pavio, obtemos uma secção
retangular.

HERA FOOD/ALAMY/GLOW IMAGES

PAULO MANZI
Assim, as propriedades das figuras planas podem ser aplicadas no estudo das figuras não planas, conforme
veremos neste capítulo.

2 O universo da Geometria
A Geometria de posição estuda as figuras geométricas quanto à sua forma e sua posição, e a Geometria métrica
as estuda em relação às suas medidas.

Destacaremos os conceitos fundamentais da Geometria de posição, necessários ao desenvolvimento da


Geometria métrica, que é nosso objetivo maior. Vamos rever algumas noções e notações.

A reta e suas partes

A figura a seguir representa um bloco com todas as faces retangulares; seu nome é paralelepípedo reto-
retângulo (uma caixa de sapatos tem essa forma). Observe nesse bloco as representações e as notações de
ponto, reta, semirreta e segmento de reta:

FAUSTINO
Página 170

Um importante postulado da Geometria afirma que: “Dois pontos distintos determinam uma reta”; por isso, a
⃡ ou 𝐴𝐸
reta s da figura da página anterior pode ser indicada também por 𝐸𝐴 ⃡ .
Todo ponto C pertencente a uma reta r divide-a em duas partes. A reunião de {C} com qualquer uma dessas
partes é chamada de semirreta de origem C. A semirreta de origem C que passa por B é simbolizada por 𝐶𝐵.

Notas:

1. Denomina-se postulado toda proposição que é adotada como verdadeira mas não pode ser demonstrada.
Não é possível demonstrar um postulado, porque ele é uma das verdades iniciais da teoria e, portanto, não há
recursos suficientes para demonstrá-lo.

2. Ao usar o termo “determina” em Matemática, estamos garantindo a existência e a unicidade do objeto


determinado. Assim, o postulado acima poderia ser enunciado da seguinte maneira: “Existe uma única reta que
passa, simultaneamente, por dois pontos distintos”.

3. Quando um ponto pertence a uma reta, dizemos que a reta passa pelo ponto.

O plano e suas partes

Considere novamente o paralelepípedo reto-retângulo. Cada uma de suas faces é parte de um plano que
continua infinitamente além dos limites dessa face. Usamos letras gregas para nomear os planos, como α (alfa),
β (beta) e γ (gama).

O plano α do fundo da caixa deve ser imaginado além dos limites da caixa.

FAUSTINO

Quando um ponto pertence a um plano, dizemos que o plano passa pelo ponto.

Toda reta r contida em um plano α divide-o em duas regiões. A reunião da reta r com qualquer uma dessas
regiões é chamada de semiplano de origem r.

FAUSTINO

Quando uma reta está contida em um plano, dizemos que o plano passa pela reta.

Figuras planas e figuras não planas r

• Ao desenharmos qualquer figura no piso plano de uma sala, todos os pontos do desenho pertencerão a um
mesmo plano; por isso, dizemos que essa figura é plana.
SERRALHEIRO

Uma figura é plana quando todos os seus pontos pertencem a um mesmo plano.

• Observando um lápis sobre o piso plano da sala, constatamos que muitos de seus pontos tocam o piso e
muitos não tocam, isto é, os pontos do lápis não pertencem a um mesmo plano; por isso, dizemos que o lápis é
uma figura não plana.

JESADAPHORN/ SHUTTERSTOCK

Uma figura é não plana quando seus pontos não pertencem todos a um mesmo plano.

Nota: Duas figuras geométricas são coplanares quando todos os seus pontos pertencem a um mesmo plano.
Página 171

O espaço e suas partes

Usamos frequentemente a palavra espaço em afirmações que fazemos no nosso cotidiano: “Abram um espaço
para eu me sentar”; “Há muito espaço nesta sala” etc.

Embora haja relação entre os significados dessa palavra empregados no cotidiano e seu significado
geométrico, o conceito de espaço em Geometria é mais abrangente. Poderíamos adotar como modelo do
espaço geométrico o conjunto de todos os lugares: um lugar aqui na Terra, na Lua, onde for, faz parte do
espaço. A definição geométrica é a seguinte:

Espaço é o conjunto de todos os pontos.

Todo plano α divide o espaço em duas regiões. A reunião do plano α com qualquer uma dessas regiões é
chamada de semiespaço de origem α.

O conjunto E formado pelos pontos do plano α e pelos pontos “acima” de α é um semiespaço de origem α.

3 Posições relativas entre duas retas


Para visualizar as figuras espaciais, usaremos, frequentemente, o paralelepípedo reto-retângulo (bloco
retangular) representado a seguir.

Para representar retas e planos no espaço, você pode desenhar antes um paralelepípedo reto-retângulo e nele destacar as retas e os
planos que precisa desenhar.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Duas retas coplanares podem ter duas posições relativas possíveis: paralelas (distintas ou coincidentes) ou
concorrentes. No espaço, duas retas podem ter uma terceira posição relativa: elas podem ser reversas.
Acompanhe a seguir as definições.

Retas paralelas

Duas retas são paralelas se, e somente se, são coplanares e não têm ponto comum ou são coincidentes.

Usamos o símbolo // para indicar o paralelismo.


r e s são retas paralelas distintas (r // s e r ≢ s)

Os símbolos ≡ e ≢ são lidos como “coincide” e “não coincide”, respectivamente.

r e s são retas paralelas coincidentes (r // s e r ≡ s)

Exemplos

No paralelepípedo representado acima:

⃡ e 𝐸𝐹
a) As retas 𝐻𝐺 ⃡ // 𝐸𝐹
⃡ são paralelas distintas (𝐻𝐺 ⃡ ≢ 𝐸𝐹
⃡ e 𝐻𝐺 ⃡ ).

⃡ são paralelas coincidentes (r // 𝐻𝐺


b) As retas r e 𝐻𝐺 ⃡ e r ≡ 𝐻𝐺
⃡ ).
Página 172

Retas concorrentes

Duas retas são concorrentes se, e somente se, têm um único ponto em comum.

Exemplo

⃡ e 𝐸𝐹
No paralelepípedo representado na página anterior, as retas 𝐴𝐸 ⃡ são concorrentes (concorrem no ponto
E).

r e s são concorrentes

Retas reversas

Duas retas são reversas se, e somente se, não são coplanares.

Em outras palavras, duas retas são reversas se, e somente se, não existe um plano que contenha as duas
simultaneamente.

Exemplos

Para visualizar, observe os paralelepípedos reto-retângulos abaixo.

⃡ ⃡
As retas 𝐴𝐵 e 𝐶𝐷 são reversas, pois não existe um plano que contenha ambas ao mesmo tempo.

⃡ ⃡
As retas 𝐸𝐹 e 𝐺𝐻 não são reversas, pois existe um plano a que as contém: é o plano do retângulo EFGH.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

1 Como as figuras geométricas são conjuntos de pontos, adotamos na Geometria a linguagem dos conjuntos.
Dizemos, por exemplo, que um ponto pertence a uma reta, que um segmento de reta está contido em uma reta,
que a intersecção de dois planos não paralelos é uma reta etc. Nesta atividade vamos exercitar essa linguagem.
Na reta r, representada abaixo, são dados quatro pontos distintos A, B, C e D.
Em relação a essa figura, classifique em verdadeira ou falsa cada uma das afirmações.

a) 𝐴𝐶 ∪ 𝐶𝐷 = 𝐴𝐷 verdadeira

b) 𝐴𝐶 ∩ 𝐵𝐷 = 𝐴𝐷 falsa

c) A ∈ 𝐴𝐵 verdadeira

d) B ∉ 𝐴𝐶 falsa

e) 𝐵𝐴 ∪ 𝐵𝐷 = r verdadeira

f) 𝐵𝐷 ∩ 𝐶𝐴 = 𝐵𝐶 verdadeira

g) D ∉ 𝐴𝐵 falsa

2 Classifique no caderno em verdadeira ou falsa cada uma das afirmações.

a) Se r e s são retas paralelas, então r ∩ s = ∅. falsa

b) Se r e s são retas paralelas distintas, então r ∩ s = ∅. verdadeira

c) Duas retas concorrentes têm um único ponto em comum. verdadeira

d) Se r e s são retas com um ponto em comum, então r e s são concorrentes. falsa

e) Se r e s são retas que têm dois pontos distintos em comum, então r // s. verdadeira

f) Se r e s são retas coincidentes, então elas têm um único ponto comum. falsa

g) Se r e s são retas coincidentes, então elas têm um ponto comum. verdadeira

Comentar com os alunos que “ter um ponto em comum” não significa “ter um único ponto em comum”. Ou seja, dizer que duas retas têm um
ponto em comum não exclui a possibilidade de elas terem mais de um ponto em comum.

4 Determinação de um plano
Um plano pode ser determinado por meio de um dos quatro casos fundamentais a seguir.

Três pontos não colineares determinam um plano.

O plano determinado por três pontos não colineares A, B e C é indicado por pl(ABC).

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO
Página 173

Uma reta e um ponto que não pertence a ela determinam um plano.

O plano determinado por uma reta r e um ponto P que não pertence a r é indicado por pl(r, P ).

α a ≡ pl(r, P)

Duas retas concorrentes determinam um plano.

O plano determinado por duas retas concorrentes r e s é indicado por pl( r, s).

α a ≡ pl(r, s)

Duas retas paralelas distintas determinam um plano.

O plano determinado por duas retas paralelas distintas r e s é indicado por pl(r, s).

α a ≡ pl(r, s)

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1 É comum utilizar um tripé para dar estabilidade a um objeto. Por exemplo, o cavalete de um pintor não pode
balançar quando o pincel toca a tela. Explicar por que o tripé não balança mesmo que esteja apoiado em um
piso irregular.

DORLING KINDERSLEY/ GETTY IMAGES

Resolução

Três pontos não colineares determinam um plano. Assim, os pontos de apoio do tripé no piso estão em um
mesmo plano, por isso dão estabilidade ao tripé.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.
3 A figura abaixo representa uma sala de aula com a forma de um paralelepípedo reto-retângulo ABCDEFGH.

ROGÉRIO LOURENÇO

Classifique cada uma das afirmações a seguir em verdadeira ou falsa.

⃡ // 𝐷𝐶
a) 𝐴𝐵 ⃡ verdadeira

⃡ // 𝐻𝐺
b) 𝐶𝐷 ⃡ verdadeira

⃡ // ⃡𝐹𝐺 falsa
c) 𝐸𝐹

⃡ e ⃡𝐹𝐺 são concorrentes. verdadeira


d) 𝐸𝐹

⃡ e 𝐻𝐸
e) 𝐶𝐵 ⃡ são reversas. falsa

⃡ e 𝐻𝐸
f) Existe um plano que contém 𝐶𝐵 ⃡ . verdadeira

⃡ e 𝐻𝐸
g ) 𝐶𝐹 ⃡ são reversas. verdadeira

h)⃡ ⃡ são concorrentes. verdadeira


𝐷𝐵 e 𝐴𝐶

i)⃡ ⃡ são coplanares. falsa


𝐷𝐵 e 𝐻𝐹

j ) D ∈ pl(ABC) verdadeira

k ) F ∉ pl(HEG) falsa

⃡ e 𝐴𝐶
l ) 𝐸𝐺 ⃡ são reversas. verdadeira
4 Para cada um dos itens a seguir, copie em seu caderno o paralelepípedo reto-retângulo representado abaixo.

FAUSTINO

Em seguida, desenhe no paralelepípedo um triângulo contido no plano determinado: Ver Suplemento com orientações
para o professor.

a) pelos pontos A, B e C;
b) pelas retas ⃡ ⃡ ;
𝐷𝐵 e 𝐸𝐺

c) pelas retas ⃡ ⃡ ;
𝐵𝐹 e 𝐶𝐺

⃡ e pelo ponto F.
d) pela reta 𝐴𝐵

5 Classifique cada uma das afirmações a seguir em verdadeira ou falsa.

a) Três pontos distintos determinam um plano. falsa

b) Os vértices de um triângulo determinam um plano. verdadeira

c) Dados uma reta r e um ponto P, existe um único plano que contém r e passa por P. falsa

d) Dados uma reta r e um ponto P, com P ∉ r, existe um único plano que contém r e passa por P. verdadeira

e) Duas retas quaisquer determinam um plano. falsa

f) Se r e s são retas concorrentes, então existe um único plano que contém ambas. verdadeira
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g) Se r e s são retas paralelas, então existe um único plano que contém r e s. falsa

h) Se r e s são retas paralelas distintas, então existe um único plano que contém ambas. verdadeira

i) Se r e s são retas coplanares, então essas retas são concorrentes ou paralelas. verdadeira

j) Se duas retas são concorrentes ou paralelas, então elas são coplanares. verdadeira

k) Três retas paralelas entre si são coplanares. falsa

l) Três retas paralelas entre si podem ser coplanares. verdadeira

m) Se r, s e t são retas distintas que concorrem em um mesmo ponto, então essas retas são coplanares. falsa

n) Duas retas concorrentes e um ponto que não pertence a nenhuma delas são coplanares. falsa

[ícone: trabalho em grupo] 6 Para a construção de um contrapiso horizontal, um pedreiro fixou três taliscas
(pedaços de cerâmica ou madeira) em posições não colineares do piso ainda desnivelado. Em seguida,
sobrepôs uma régua de alumínio perfeitamente reta a cada par de taliscas, ajustando-as com a ajuda de um
nível de bolha, de modo que cada par de taliscas ficasse em uma reta horizontal. Depois de seca a massa que
fixava as taliscas, o pedreiro preencheu a região com argamassa. Finalmente, retirou o excesso de argamassa
com o auxílio da régua de alumínio, passando-a por duas taliscas de cada vez, deixando a superfície lisa. Dessa
forma, o pedreiro concluiu que o contrapiso era plano e horizontal.

Utilizando uma ou mais proposições estudadas na Geometria espacial, expliquem por que a conclusão do
pedreiro é verdadeira.

Três pontos não colineares determinam um plano. Além disso, como as direções da régua sobre duas taliscas quaisquer eram horizontais, o
plano do contrapiso é horizontal.

SERRALHEIRO

CRIANDO PROBLEMAS

Inspirando-se no exercício proposto 6, elaborem e resolvam um problema sobre a determinação de


um plano que envolva uma situação do cotidiano. Resposta pessoal.

5 Posições relativas entre reta e plano


Insistimos na importância do paralelepípedo reto-retângulo para as representações de figuras espaciais. Mais
uma vez recorremos a ele para descrever as posições relativas entre uma reta e um plano.

Observe as retas r e s representadas na figura ao lado.


ROGÉRIO LOURENÇO

• Todos os pontos da reta r pertencem ao plano do teto da sala. Por isso, dizemos que r está contida no plano
do teto. (Lembre-se de que a reta e o plano C continuam infinitamente além dos limites do paralelepípedo.)

• A reta r não tem ponto em comum com o plano do piso. Por isso, dizemos G que a reta r é paralela ao plano do
piso.

• A reta s tem um único ponto em comum, D, com o plano do teto. Por isso, dizemos que a reta s é secante ao
plano do teto em D. (Note que s também F é secante ao plano do piso, no ponto E.)

Essas representações nos ajudam a entender as três posições relativas possíveis entre uma reta e um plano no
espaço, que definimos a seguir.

Reta contida em um plano

Se uma reta r está contida em um plano α, então dizemos que o plano α passa pela reta r.

Uma reta r está contida em um plano α se, e somente se, todos os pontos de r pertencem ao plano α.

r⊂α⇔r∩α=r

FAUSTINO

Admite-se como postulado: “Se dois pontos distintos de uma reta r pertencem a um plano a, então todos os
pontos da reta r pertencem ao plano a, isto é, r ⊂ α ”.
Página 175

Reta paralela a um plano

Uma reta r é paralela a um plano a se, e somente se, r e a não têm nenhum ponto em comum. Ou seja:

r // α ⇔ r ∩ α = ∅

⃡ é paralela a α.
Dizemos que um segmento 𝑨𝑩 é paralelo a um plano a se, e somente se, a reta 𝑨𝑩

Reta secante (ou concorrente) a um plano

Uma reta r é secante (ou concorrente) a um plano a se, e somente se, r e a têm um único ponto em comum.

Se r é secante a α, podemos dizer, também, que r e α são secantes.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

EXERCÍCIO RESOLVIDO
2 Após o término da construção do contrapiso de uma sala, um engenheiro conferiu a qualidade do trabalho
colocando uma régua perfeitamente reta em duas direções diferentes. Assim, constatou que, em ambas as
direções, a régua ficava totalmente encostada no contrapiso. Repetindo esse procedimento em várias regiões
da sala, o engenheiro concluiu que o contrapiso era plano.

Utilizando uma ou mais proposições estudadas na Geometria espacial, explicar por que a conclusão do
engenheiro é verdadeira.

FERNANDO FAVORETTO

Resolução

Observando que, em cada posição, todos os pontos da régua tocam o piso, conclui-se que esses pontos tocados
pela régua são colineares e, portanto, também coplanares. Além disso, a régua foi colocada em direções
distintas, isto é, segundo retas concorrentes. Como retas concorrentes determinam um plano, o engenheiro
pôde concluir que o contrapiso é plano.

EXERCÍCIO PROPOSTO
Faça a atividade no caderno.

7 Os vértices M, N e P de um paralelepípedo reto-retângulo não pertencem a uma mesma face. Assim, é


verdade que: alternativa e

a) qualquer reta que contenha uma aresta desse paralelepípedo é secante ao plano determinado pelos pontos
M, N e P.

b) qualquer reta que contenha uma aresta desse paralelepípedo é paralela ao plano determinado pelos pontos
M, N e P.

c) qualquer reta que contenha uma aresta desse paralelepípedo está contida no plano determinado pelos
pontos M, N e P.

d) existe uma única reta que contém uma aresta desse paralelepípedo e é paralela ao plano determinado pelos
pontos M, N e P.

e) existe mais de uma reta que contém uma aresta desse paralelepípedo e é paralela ao plano determinado
pelos pontos M, N e P.
Página 176

6 Posições relativas entre dois planos


Cada uma das salas de aula representadas abaixo tem a forma de um paralelepípedo reto-retângulo.

ROGÉRIO LOURENÇO

Note que:

• o plano do teto não tem ponto comum com o plano do piso; por isso, dizemos que esses planos são paralelos
distintos;

• o plano do teto de uma sala e o plano do teto da outra é o mesmo; por isso, dizemos que esses planos são
coincidentes (ou paralelos coincidentes);

• o plano do teto e o plano de uma parede têm em comum uma única reta; por isso, dizemos que esses planos
são secantes.

Essas observações ilustram as possíveis posições relativas entre dois planos, definidas a seguir.

Planos paralelos

Dois planos são paralelos se, e somente se, não têm ponto em comum ou têm todos os seus pontos em comum.

α e β são planos paralelos distintos.

(α // β e α ≢ β ⇔ a α ∩ = ∅)

α e b são planos paralelos coincidentes.

(α ≡ β ⇔ α ∩ β = α = β)

Planos secantes

Dois planos são secantes se, e somente se, têm uma única reta em comum.
ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

α β a e b são planos secantes

Nota:

BRUNO MOTTA

É importante visualizar planos secantes em outras situações, além do paralelepípedo, pois lá há uma
particularidade (o ângulo reto) que não é necessária em planos secantes. Por exemplo, as capas de um livro
semiaberto representam planos secantes.
Página 177

EXERCÍCIO RESOLVIDO
3 Demonstrar o teorema:

Se dois planos distintos, α e β, são paralelos, então toda reta r contida em α é paralela a β.

Resolução

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Como α ∩ β = ∅ e r está contida em α, concluímos que r ∩ β = ∅, ou seja, r é paralela a β.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

8 Classifique no caderno em verdadeira ou falsa cada uma das afirmações abaixo.

a) Dois planos que possuem uma única reta em comum são secantes. verdadeira

b) Dois planos que possuem uma reta em comum são secantes. falsa

c) A intersecção de dois planos pode ser um segmento de reta. falsa

d) Três planos podem ter um único ponto em comum. verdadeira

e) Se duas retas, r e s, têm um único ponto em comum e r está contida em um plano α, então s e α têm um único
ponto em comum. falsa

f) Existem infinitos planos que passam por um mesmo ponto. verdadeira

g) Se α e β são planos paralelos distintos e r e s são retas tais que r ⊂ α e s ⊂ β, então r é paralela a s ou r é
reversa a s. verdadeira

h) Se α, β e γ são planos tais que α // β e β // γ, então α // γ verdadeira

[ícone: atividade em grupo] 9 (Mackenzie-SP) Sejam as afirmações:

I. Se um plano é paralelo a uma reta, qualquer reta do plano é reversa à reta dada.

II. Se dois planos são secantes, então qualquer reta de um deles é concorrente com o outro.

III. Se dois planos são secantes, então uma reta de um deles pode ser concorrente com uma reta do outro.

IV. Se duas retas não têm ponto comum, então elas são paralelas.

O número de afirmações verdadeiras é: alternativa b


a) 0

b) 1

c) 2

d) 3

e) 4

10 Para verificar se duas lajes planas de um edifício são paralelas, um engenheiro colocou um nível de bolha
em uma posição 𝐴𝐵 sobre uma laje e em uma posição 𝐶𝐷 sobre a outra, constatando que as retas 𝐴𝐵 ⃡ e 𝐶𝐷
⃡ são
horizontais. Isso é suficiente para garantir que as lajes são paralelas? Por quê? Não, pois uma reta não determina um
plano.

DAN KOSMAYER/ SHUTTERSTOCK

CRIANDO PROBLEMAS

[ícone: atividade em grupo] Inspirando-se no exercício proposto 10, elaborem e resolvam um problema
sobre as posições relativas de dois planos que envolva uma situação do cotidiano. Resposta pessoal.
Página 178

CONECTADO

Digitando em um site de busca o termo “GeoGebra”, você terá acesso ao programa gratuito
GeoGebra, aplicativo de Matemática Dinâmica que combina Geometria e Álgebra. Instale-o em seu
computador. A partir de então, recorra sempre a esse programa quando estiver estudando
Geometria. Isso o ajudará muito.

Usando o GeoGebra, faça as construções a seguir na tela do computador.

a) Represente um ponto P e uma reta r, com P ∉ r. Em seguida, desenhe a reta s que passa por P e é
paralela a r.

b) Represente um paralelepípedo reto-retângulo ABCDEFGH e desenhe três retas paralelas


distintas que contenham, respectivamente, três arestas do paralelepípedo. Essas retas são
coplanares? Justifique sua resposta.

c) Represente um paralelepípedo reto-retângulo ABCDEFGH, em que 𝐴𝐶 e 𝐸𝐺 sejam diagonais não


⃡ e 𝐸𝐺
coplanares de duas faces paralelas do paralelepípedo. Em seguida, desenhe as retas 𝐴𝐶 ⃡ . Qual é
a posição relativa dessas retas?

d) Represente um ponto P e um plano a, com P ∉ α. Em seguida, desenhe uma reta r que passa por P e é
paralela a α.

e) Represente dois planos secantes, desenhando a reta t comum a eles.

f) Represente dois planos paralelos distintos.

Ver Suplemento com orientações para o professor.

7 Perpendicularidade
A palavra latina perpendicularis, que significa “o que está a prumo”, deu origem à palavra portuguesa
perpendicular, que significa “o que se intercepta em ângulo reto”. A perpendicularidade pode ocorrer entre
duas retas, entre uma reta e um plano ou entre dois planos, conforme veremos a seguir.

Retas perpendiculares

Duas retas, r e s, são perpendiculares se, e somente se, são concorrentes e determinam um ângulo reto entre
si.

Note que, se duas retas formam um ângulo reto entre si, então elas formam quatro ângulos retos.

Se r e s são perpendiculares, indicamos: r ⊥ s ou s ⊥ r

Ainda definimos:

• Duas linhas retas quaisquer (segmentos de reta ou semirretas) são perpendiculares se, e somente se, são
concorrentes e estão contidas em retas perpendiculares.
• Duas retas concorrentes não perpendiculares entre si são chamadas de retas oblíquas entre si.

Retas ortogonais

As retas r e s representadas na figura abaixo são reversas, e a reta t é perpendicular a r e paralela a s. Sob essas
condições, dizemos que as retas r e s são ortogonais.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO
Página 179

Genericamente, definimos:

Duas retas, r e s, são ortogonais quando são reversas e existe uma reta perpendicular a uma delas e paralela à
outra.

Observe o modelo a seguir, que ilustra essa definição.

Na sala com a forma de paralelepípedo reto-retângulo, representada na figura, as retas r e s são ortogonais,
pois elas são reversas, e a reta r' é paralela a r e é perpendicular a s.

PAULO MANZI

Notas:

1. Dizemos que duas retas formam ângulo reto entre si quando elas são perpendiculares ou ortogonais.

2. Há autores que definem duas retas ortogonais como “retas que formam ângulos retos entre si”. Segundo essa
definição, retas perpendiculares também são ortogonais. Preferimos adotar a definição que exige, além da
formação do ângulo reto, que as retas ortogonais sejam reversas. Desse modo, retas perpendiculares são
necessariamente coplanares e retas ortogonais são necessariamente reversas.

Reta perpendicular a um plano

Uma reta r é perpendicular a um plano α se, e somente se, r é secante a α e todas as retas do plano α que
concorrem com r são perpendiculares a r.

Indicamos que r é perpendicular a α por: r ⊥ α ou α ⊥ r r

FAUSTINO

É aconselhável variar os modelos para visualização das figuras espaciais.

Você pode visualizar uma reta perpendicular a um plano observando, por exemplo, um lustre preso por uma
haste ao teto plano e horizontal de uma sala.

Essa haste representa uma reta perpendicular ao plano do teto.


HELENE ROGERS/ALAMY/GLOW IMAGES
Página 180

Teorema

Se uma reta é perpendicular a duas retas concorrentes de um plano, então ela é perpendicular ao plano.

Exemplo

⃡ é perpendicular ao plano a, pois 𝐴𝐸


No paralelepípedo reto-retângulo representado abaixo, a reta 𝐴𝐸 ⃡ é
⃡ e 𝐴𝐷
perpendicular às retas concorrentes 𝐴𝐵 ⃡ , contidas em α.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
4 Três pontos distintos, A, B e C, pertencem a uma circunferência de diâmetro 𝐴𝐵 contida em um plano α. Um
ponto D, não pertencente a α, é tal que a reta ⃡𝐶𝐷 é perpendicular a α. Nessas condições, conclui-se que:

⃡ ⊥ pl(ABD)
a) 𝐶𝐵

⃡ ⊥α
b) 𝐷𝐴

c) ⃡
𝐷𝐵 ⊥ α

⃡ ⊥ pl(ACD)
d) 𝐶𝐵

⃡ ⊥ pl(ABD)
e) 𝐶𝐷

Resolução

⃡ é perpendicular a α, temos, por definição de reta perpendicular a um plano, que 𝐶𝐷


Como 𝐶𝐷 ⃡ é perpendicular a
⃡ ⊥ 𝐶𝐴
qualquer reta contida em α que passe por C; portanto, 𝐶𝐷 ⃡ e 𝐶𝐷
⃡ ⊥ 𝐶𝐵
⃡ . Além disso, o ângulo A𝐶̂B é reto,
pois o triângulo ACB está inscrito em uma semicircunferência de diâmetro 𝐴𝐵.

Uma possível representação dessa situação é mostrada no esquema:


ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

⃡ é perpendicular às retas concorrentes 𝐶𝐷


Assim, temos que a reta 𝐶𝐵 ⃡ e 𝐶𝐴
⃡ , com o que concluímos, de acordo
⃡ é perpendicular ao plano pl(ACD).
com o teorema anterior, que 𝐶𝐵

Portanto, a alternativa d é a correta.


Página 181

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

11 Lembrando que todas as faces de um cubo são quadrados, classifique no caderno em verdadeira ou falsa
cada uma das afirmações a seguir, referentes ao cubo ABCDEFGH representado pela figura a seguir.

FAUSTINO

⃡ é perpendicular à reta 𝐶𝐷
a) A reta 𝐶𝐵 ⃡ . verdadeira

⃡ é perpendicular à reta ⃡𝐵𝐹. falsa


b) A reta 𝐶𝐵

⃡ é ortogonal à reta 𝐷𝐻
c) A reta 𝐶𝐵 ⃡ . falsa

⃡ . verdadeira
⃡ é ortogonal à reta 𝐷𝐻
d) A reta 𝐵𝐹

e) A reta ⃡ ⃡ . verdadeira
𝐵𝐹 forma ângulo reto com a reta 𝐷𝐻

⃡ é perpendicular ao plano pl(CDE). verdadeira


f) A reta 𝐶𝐵

⃡ é perpendicular ao plano pl(FGH). falsa


g ) A reta 𝐶𝐺

[ícone: atividade em grupo] 12 Para fixar uma haste perpendicular à superfície plana de uma peça de madeira,
um marceneiro usou dois esquadros em posições diferentes, encostados na haste e na superfície plana da peça
de madeira, como mostra a figura. Se uma reta r é perpendicular a duas retas concorrentes de um plano α, então r é perpendicular a
α.

SERRALHEIRO

A perpendicularidade da haste em relação ao plano fica garantida por qual teorema da Geometria?

Planos perpendiculares

Dois planos são perpendiculares se, e somente se, um deles contém uma reta perpendicular ao outro.
Indicamos que um plano α é perpendicular a um plano β por: α ⊥ β

FAUSTINO
Página 182

Para visualizar concretamente a perpendicularidade entre planos, podemos recorrer ao paralelepípedo reto-
retângulo, porém é importante visualizá-la em outras situações. Por exemplo, observe uma porta presa ao eixo
de rotação r. O plano α representado pela porta, em qualquer posição, é perpendicular ao plano β do piso, pois
contém a reta r, que é perpendicular a β.

BRUNO MOTTA

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

13 A sala de aula representada na figura abaixo tem a forma de um paralelepípedo reto-retângulo. Os planos α,
β, θ e λ são os planos do teto, do piso, da parede que contém a janela e da parede que contém a porta,
respectivamente. E as retas r, s, t, u e v são retas que contêm intersecções entre teto e parede ou entre piso e
parede ou entre paredes.

PAULO MANZI

Classifique cada uma das afirmações a seguir em verdadeira ou falsa.

a) θ é perpendicular a α. verdadeira

b) θ é perpendicular a β. verdadeira

c) α é perpendicular a β. falsa

d) u é paralela a β. verdadeira

e) u é paralela a α. falsa

f) α é paralelo a β. verdadeira

g) α é perpendicular a pl(s, t). verdadeira


h) r e t são reversas. verdadeira

i) r é ortogonal a t. verdadeira

j) r e u são reversas. falsa

k) t é perpendicular a β. verdadeira

l) r e v são paralelas. verdadeira

m) pl(r, v) é perpendicular a pl(s, t). verdadeira

n) pl(u, s) ≢ pl(s, t). falsa

14 A figura abaixo representa um paralelepípedo reto-retângulo ABCDEFGH. O plano a que contém o


quadrilátero ACHF é perpendicular ao plano b que contém a base ABCD do paralelepípedo? Por quê?

PAULO MANZI

Como todas as faces do paralelepípedo são retângulos, temos que os ângulos F𝐴̂B e F𝐴̂D são retos. Logo, a reta ⃡𝐴𝐹 é perpendicular a duas retas
⃡ e 𝐴𝐷
concorrentes, 𝐴𝐵 ⃡ , do plano β, com o que concluímos que 𝐴𝐹
⃡ ⊥ β. O plano α do retângulo ACHF contém a reta 𝐴𝐹 ⃡ , perpendicular a β; logo,
pela definição de planos perpendiculares, concluímos que a ⊥ β.

15 Para verificar se uma parede está sendo construída corretamente na vertical, um pedreiro aproxima um fio
de prumo a uma pequena distância da parede e observa se essa distância se mantém ao longo do fio.
Intuitivamente, o pedreiro está aplicando a seguinte proposição: “Se uma reta r é perpendicular a um plano b,
então todo plano a paralelo à reta r é perpendicular ao plano β”. Explique, entre os objetos envolvidos nos
procedimentos do pedreiro, quais representam os planos a e β e a reta r.

FAUSTINO FERNANDO FAVORETTO/CRIAR IMAGEM

O fio do prumo representa a reta r; a parede representa o plano α, paralelo a r; e um plano horizontal qualquer representa o plano β, que
poderá ser o plano do piso, se este for horizontal.

Resolva os exercícios complementares 1 a 3.


Página 183

8 Projeção ortogonal sobre um plano


Ao ser iluminada pelo Sol, uma bola de futebol projeta uma sombra sobre o campo. Se os raios solares são
oblíquos ao plano do campo, a sombra é chamada de projeção oblíqua da bola sobre o campo; se os raios
solares são perpendiculares ao plano do campo, a sombra é chamada de projeção ortogonal da bola sobre o
campo.

Os raios solares são oblíquos ao plano do campo; por isso, as sombras das bolas são chamadas de projeções oblíquas das bolas sobre
esse plano. (Representação esquemática.)

Os raios solares são perpendiculares ao plano do campo: por isso, as sombras das bolas são chamadas de projeções ortogonais das
bolas sobre esse plano. (Representação esquemática.)

ILUSTRAÇÕES: PAULO MANZI

Nesse exemplo, escolhemos o Sol como fonte de luz porque os raios solares podem ser considerados paralelos,
o que modela adequadamente as definições a seguir.

A projeção ortogonal de um ponto P sobre um plano α é o ponto P' tal que P' pertence a α e 𝑃𝑃 ⊥ α.

A projeção ortogonal de uma figura geométrica sobre um plano é o conjunto das projeções ortogonais de todos
os pontos da figura sobre esse plano.

Exemplos

a) Na figura, o quadrilátero MNPQ representa as projeções ortogonais de todos os pontos do paralelepípedo


ABCDEFGH sobre o plano a. Assim, esse quadrilátero é a projeção ortogonal do paralelepípedo sobre o plano α.
ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO
Página 184

b) Na figura, A ∉ α e B ∉ α. A projeção ortogonal do segmento 𝐴𝐵 sobre o plano a é o segmento 𝐴′ 𝐵′ :

c) Na figura, A ∈ α e B ∉ α. A projeção ortogonal do segmento 𝐴𝐵 sobre o plano α é o segmento 𝐴𝐵′ .

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

EXERCÍCIO PROPOSTO
Faça a atividade no caderno.

16 (Enem) O acesso entre os dois andares de uma casa é feito através de uma escada circular (escada caracol),
representada na figura. Os cinco pontos A, B, C, D, E sobre o corrimão estão igualmente espaçados, e os pontos
P, A e E estão em uma mesma reta. Nessa escada, uma pessoa caminha deslizando a mão sobre o corrimão do
ponto A até o ponto D.

A figura que melhor representa a projeção ortogonal, sobre o piso da casa (plano), do caminho percorrido pela
mão da pessoa é: alternativa c

a)

b)
c)

d)

e)

Resolva o exercício complementar 4.


Página 185

CRIANDO PROBLEMAS

[ícone: atividade em grupo] Inspirando-se no exercício proposto 16, elaborem e resolvam um problema
sobre projeção ortogonal que envolva uma situação do cotidiano. Resposta pessoal.

9 Ângulos no espaço
Ângulos entre duas retas reversas

As retas r e s representadas na figura abaixo são reversas, e a reta r' concorre com s e é paralela a r.

Nessas condições, dizemos que:

• a medida 40° de um ângulo agudo formado por r' e s é também a medida de um ângulo agudo formado por r e
s;

• a medida 140° de um ângulo obtuso formado por r' e s é também a medida de um ângulo obtuso formado por
r e s.

Genericamente, definimos:

Os ângulos formados por duas retas reversas r e s são definidos como os ângulos formados pelas retas r' e s,
em que r' é qualquer reta paralela a r e concorrente com s.

Note que, quando os ângulos entre duas retas reversas são retos, as retas são ortogonais.

Ângulos entre reta e plano

Sejam r uma reta secante a um plano α, com r não perpendicular a α, e r' a projeção ortogonal de r sobre a. Os
ângulos formados por r e a são aqueles formados por r e r'.

Se uma reta s é paralela a um plano β ou está contida em β, então o ângulo formado por ambos é nulo, isto é, mede
0°.

As retas r e r' formam entre si dois ângulos agudos opostos pelo vértice e dois ângulos obtusos opostos pelo vértice. Esses também
são os ângulos formados por r e α. Na figura ao lado, está destacado o ângulo agudo B𝐴̂B', formado por r e α.

Exemplo
Uma reta r é secante a um plano α em um ponto A. Sendo B um ponto de r e B' a projeção ortogonal de B sobre
α tal que BA = 10 cm e BB' = 5 cm, vamos calcular a medida θ de um ângulo agudo que a reta r forma com o
⃡ é a projeção ortogonal de r sobre α, temos:
plano α. Observando que a reta 𝐴𝐵′

5
{
𝐴 sen θ= 10 = 12 ⇒ θ = 30°
0° < θ < 90°

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Concluímos, então, que um ângulo agudo formado por r e α mede 30°.


Página 186

Ângulos entre dois planos

Seja t a reta comum a dois planos secantes, α e β, e sejam as retas r e s, contidas em α e β, respectivamente, com
r ⊥ t e s ⊥ t. Os ângulos formados por α e β são aqueles formados por r e s.

Notas:

1. As retas r e s não precisam ser, necessariamente, concorrentes; podem ser reversas.

2. O ângulo formado por dois planos paralelos é o ângulo nulo.

Exemplo

Sejam dois planos secantes (α e β), a reta r (comum aos planos), um ponto A de α, o ponto A' (que é a projeção
⃡ ⊥ r, BA = 8 cm e BA' = 4 cm.
⃡ ⊥ r, 𝐵𝐴′
ortogonal de A sobre β) e um ponto B da reta r. Consideremos, ainda, 𝐵𝐴
Nessas condições, vamos calcular a medida de um ângulo agudo formado pelos planos α e β.

Sendo θ a medida do ângulo A𝐵̂A', temos, do triângulo ABA':

𝐵𝐴′ 4 1
{cos θ = 𝐵𝐴 = 8 = 2 ⇒ θ = 60°
0° < θ < 90°

Concluímos, então, que um ângulo agudo formado pelos planos α e β mede 60°.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

̂ E) = 40°.
17 No paralelepípedo reto-retângulo abaixo, temos m(D𝐻

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO
⃡ e ⃡𝐵𝐹. 80°
a) Calcule a medida de um ângulo agudo formado pelas retas reversas 𝐷𝐻

⃡ ? 𝐴𝐷
b) Entre as retas que contêm as arestas desse paralelepípedo, quais são ortogonais a 𝐵𝐺 ⃡ 𝐷𝐶
⃡ , 𝐻𝐸
⃡ e ⃡𝐸𝐹

18 Uma reta r é secante a um plano α em um ponto A. Um segmento de reta 𝐴𝐵, contido em r, mede 8 cm e a
projeção ortogonal desse segmento sobre α mede 4 √3 cm. Calcule a medida de um ângulo agudo formado pela
reta r e pelo plano α. 30°

19 Segundo os padrões estabelecidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a medida
máxima do ângulo entre o plano de um telhado e o plano horizontal é 19,8°, quando as telhas são de cerâmica.

A figura a seguir representa um telhado de cerâmica com duas águas retangulares ADEF eBCEF, em que A, B, C
e D pertencem a um mesmo plano horizontal. Abaixo do telhado é fixado um ponto Q. Sendo α = pl(ADE) e β =
pl(BCE), têm-se as projeções do ponto Q sobre α e β são Q' e Q'', respectivamente, com o ângulo Q'𝑄̂ Q'' medindo
40°.
Página 187

a) Calcule a medida de um ângulo obtuso formado pelos planos α e β. 140°

b) Esse telhado obedece aos padrões estabelecidos pela ABNT? Justifique sua resposta. Ver Suplemento com
orientações para o professor.

20 Definição: A distância entre duas figuras geométricas é a medida do menor segmento de reta que liga uma
figura à outra. Por exemplo:

• A medida d é a distância entre os pontos A e B.

• A medida d é a distância entre o ponto P e a reta r.

• A medida d é a distância entre as retas paralelas r e s.

• A medida d é a distância entre o ponto P e o plano α.

• A medida d é a distância entre os planos paralelos α e β.

De acordo com essa definição, resolva o problema a seguir.


Dados um plano α e os pontos M e P, com M ∈ α e P ∉ α, tal que a distância entre P e α é 15 cm e a distância
entre P e M é 30 cm, calcule a medida de um ângulo agudo formado entre a reta 𝑃𝑀⃡ e o plano α. 30°

21 Um ponto A, pertencente a um plano α, e um ponto B, com B ∉ α, são tais que 𝐴𝐵 mede 6 cm e a reta 𝐴𝐵 ⃡
forma com a um ângulo de 30°.

Calcule:

a) a medida da projeção ortogonal de 𝐴𝐵 sobre α; 3√3 cm

b) a distância do ponto B ao plano α. 3 cm

[ícone: atividade em grupo] 22 A distância d entre duas retas reversas r e s é a distância entre um ponto A
qualquer de r e o plano a que contém s e é paralelo a r, ou seja, d = AA’, em que A’ é projeção ortogonal de A
sobre α.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Observando que o plano β determinado por r e A' é perpendicular a α, seja P a intersecção entre β e s. Traçando
o segmento 𝑃𝑄, com Q ∈ r e 𝑃𝑄 // 𝐴𝐴′ , temos que PQ = 𝐴𝐴′ . Assim, podemos definir, também, a distância entre
as retas reversas r e s como a medida do segmento 𝑃𝑄, perpendicular às duas retas.

De acordo com essa definição, resolvam o problema a seguir. Considerando as retas r e s que contêm,
respectivamente, duas arestas reversas de um paralelepípedo reto-retângulo com 20 cm de comprimento, 10
cm de largura e 8 cm de altura, indiquem a afirmação verdadeira. alternativa e

a) A distância entre r e s pode ser menor que 8 cm.

b) A distância entre r e s pode ser maior que 20 cm.

c) A distância entre r e s pode ser uma medida x, em centímetro, com 8 < x < 10.

d) A distância entre r e s pode ser uma medida y, em centímetro, com 10 < y < 20.

e) A distância entre r e s é uma das medidas: 20 cm, 10 cm ou 8 cm.

Resolva os exercícios complementares 5 a 7.


Página 188

10 Poliedros
Você já observou como é formada a superfície de uma bola de futebol como a da foto à esquerda?

São várias peças poligonais costuradas lado a lado. O formato arredondado dessas peças deve-se à pressão
interna do ar. Sem essa pressão interna, a superfície se assemelharia ao formato da figura a seguir.

IAKOV FILIMONOV/ SHUTTERSTOCK

A reunião dessa superfície com seu interior é um exemplo de poliedro.

Para definir poliedro, consideremos um conjunto G obtido pela reunião de n polígonos, com n ≥ 4, tais que:

I. quaisquer dois desses polígonos que tenham um lado em comum não são coplanares;

II. cada lado de qualquer um desses polígonos é lado de dois e apenas dois deles.

O conjunto G é chamado de superfície poliédrica fechada. Essa superfície separa o espaço em duas regiões,
sendo uma delas limitada.

A reunião da superfície G com essa região limitada do espaço é chamada de poliedro.

Observe alguns exemplos de poliedros:


Os poliedros que têm maior importância na Geometria são os convexos, definidos a seguir.

Poliedro convexo
Polígono convexo foi definido no volume do 1º ano desta coleção. Se achar necessário, relembrar a definição antes de trabalhar o conceito de
poliedro convexo.

Consideremos um conjunto G obtido pela reunião de n polígonos convexos, com n ≥ 4, tais que:

I. não há dois desses polígonos contidos em um mesmo plano;

II. cada lado de qualquer um desses polígonos é lado de dois e somente dois deles;

III. o plano a que contém qualquer um desses polígonos deixa os demais contidos em um mesmo semiespaço
de origem α.

Poliedro convexo é a reunião do conjunto G com a porção do espaço limitada por ele.

Exemplos

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO
Página 189

Elementos de um poliedro convexo

• O conjunto G é chamado de superfície do poliedro convexo.

• Os polígonos não coplanares que formam a superfície G são chamados de faces do poliedro convexo.

• Cada lado de uma face qualquer é chamado de aresta do poliedro convexo.

• Cada vértice de uma face qualquer é chamado de vértice do poliedro convexo.

• Diagonal de uma face é qualquer diagonal do polígono que constitui essa face.

• Diagonal do poliedro é qualquer segmento de reta cujos extremos são dois vértices que não pertencem a
uma mesma face.

• A porção do espaço cuja superfície é a reunião dos ângulos das faces que têm um mesmo vértice em comum é
chamada de ângulo poliédrico.

Exemplo

O polígono HIJK é uma das seis faces do poliedro.

O segmento 𝐽𝑀 é uma das doze arestas do poliedro.

O ponto J é um dos oito vértices do poliedro.

O segmento 𝐼𝑀 é uma diagonal da face INMJ.

O segmento 𝐻𝑀 é uma diagonal do poliedro.

A reunião das seis faces é a superfície do poliedro.

A porção do espaço limitada pelos ângulos I𝐽̂M, K𝐽̂I e K𝐽̂M é um ângulo poliédrico.

Notas:

1. Existem poliedros não convexos, como o poliedro da figura ao lado. Ele não é convexo porque o plano a que
contém a face ABCD não deixa as demais faces em um mesmo semiespaço de origem a, ou porque a face
ADHGFE não é um polígono convexo.

2. Toda superfície fechada S separa o espaço em duas regiões, sendo uma delas limitada. A reunião da
superfície S com essa região limitada é chamada de sólido geométrico. Assim, um poliedro é um sólido
geométrico.
3. Ângulos poliédricos com 3, 4, 5, ... arestas são chamados, respectivamente, de ângulos triédricos,
tetraédricos, pentaédricos, ...

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Uma secção transversal de um ângulo poliédrico é o polígono obtido pela intersecção do ângulo com um plano
que intercepta todas as arestas do ângulo.

Um ângulo poliédrico de vértice V é regular quando uma secção transversal cujos vértices equidistam de V é
um polígono regular.
Página 190

Nomenclatura

Veja, na tabela a seguir, os nomes dos poliedros que têm de 4 a 20 faces.

Número de faces Nome do poliedro


4 tetraedro
5 pentaedro
6 hexaedro
7 heptaedro
8 octaedro
9 eneaedro
10 decaedro
11 undecaedro
12 dodecaedro
13 tridecaedro
14 tetradecaedro
15 pentadecaedro
16 hexadecaedro
17 heptadecaedro
18 octadecaedro
19 eneadecaedro
20 icosaedro

Para poliedros com mais de 20 faces, não adotaremos nomenclatura especial. Vamos nos referir a eles explicitando
o número de faces. A título de curiosidade, porém, é interessante saber que para eles também existe uma
nomenclatura; por exemplo, um heptacosaedro é um poliedro de 27 faces, e um octacontaedro é um poliedro de 80
faces.

Exemplos

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
5 Um octaedro convexo possui todas as faces triangulares. Quantas arestas tem esse poliedro?

Resolução
O poliedro possui 8 faces, e cada face possui 3 arestas. Multiplicando o número de faces pelo número de
arestas de cada uma, obtemos 24, que é o dobro do número de arestas do poliedro; isso ocorre porque cada
aresta é lado de exatamente duas faces; portanto, nesse cálculo, cada aresta foi contada duas vezes. Assim, o
número A de arestas do poliedro é dado por:

8⋅3
A= = 12
2

6 Um poliedro convexo é constituído por 20 ângulos triédricos. Quantas arestas tem esse poliedro?

Resolução

O poliedro possui 20 vértices, e de cada vértice partem 3 arestas. Multiplicando o número de vértices pelo
número de arestas que partem de cada um deles, obtemos 60, que é o dobro do número de arestas do poliedro;
isso ocorre porque cada aresta une exatamente dois vértices do poliedro e, portanto, nesse cálculo, cada aresta
foi contada duas vezes.

Assim, o número A de arestas do poliedro é dado por:

20 ⋅ 3
A= = 30
2

7 Um poliedro convexo é constituído por 6 ângulos triédricos e 4 ângulos tetraédricos. Quantas arestas possui
esse poliedro?

Resolução

Sejam:

• o produto do número de ângulos triédricos pelo número de arestas de cada um: 6 ⋅ 3

• o produto do número de ângulos tetraédricos pelo número de arestas de cada um: 4 ⋅ 4

Adicionando os resultados dos itens acima, obtemos 34, que é o dobro do número de arestas do poliedro, pois
cada aresta une exatamente dois vértices do poliedro. Portanto, nesse cálculo, cada aresta foi contada duas
vezes.

Assim, o número A de aresta do poliedro é dado por:

6⋅3+4⋅4
A= = 17
2
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Relação de Euler

Observe os polígonos convexos a seguir.

O triângulo possui três lados e três vértices, o quadrilátero possui quatro lados e quatro vértices, e o
pentágono possui cinco lados e cinco vértices. A relação que se observa entre o número de lados e o número de
vértices desses polígonos pode ser generalizada para qualquer polígono convexo: o número de lados é igual ao
número de vértices.

Uma questão natural que poderia surgir neste momento é se haverá uma relação constante entre o número de
vértices, o número de arestas e o número de faces de um poliedro convexo. A resposta a essa questão foi dada
pelo matemático suíço Leonhard Euler (1707-1783), que demonstrou o teorema enunciado abaixo.

Leonhard Euler.

FÁBIO CORTEZ REIS

Em todo poliedro convexo vale a relação:

V − A + F = 2,

em que V, A e F representam os números de vértices, arestas e faces do poliedro, respectivamente.

Exemplos

a) No poliedro convexo representado abaixo, V = 8, A = 12 e F = 6. Assim:

V − A + F = 8 − 12 + 6 = 2

b) No poliedro convexo representado abaixo, V = 9, A = 16 e F = 9. Assim:

V − A + F = 9 − 16 + 9 = 2

Existe algum poliedro para o qual não vale a relação de Euler?


Ver Suplemento com orientações para o professor.

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
8 Um poliedro convexo é constituído por 25 arestas e 15 faces. Quantos vértices possui esse poliedro?

Resolução

A relação de Euler, V − A + F = 2, vale para qualquer poliedro convexo. Como A = 25 e F = 15, temos:

V − A + F = 2 ⇒ V − 25 + 15 = 2

∴ V = 12

Logo, o poliedro possui 12 vértices.

9 Um poliedro convexo é constituído por 20 arestas, e seu número de vértices é igual ao número de faces.
Quantas faces formam esse poliedro?

Resolução

O poliedro é convexo; logo, vale a relação de Euler, V − A + F = 2. Como A = 20 e V = F, temos:

V − A + F = 2 ⇒ F − 20 + F = 2

∴ F = 11

Logo, o poliedro possui 11 faces.

10 O buckminsterfullereno é uma estrutura formada por átomos de carbono distribuídos nos vértices de um
poliedro convexo de 12 faces pentagonais e 20 hexagonais, havendo em cada vértice um único átomo. Quantos
átomos compõem o buckminsterfullereno?

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Resolução

Os números F e A de faces e arestas, respectivamente, desse poliedro são dados por:

12 ⋅ 5 + 20 ⋅ 6
F = 12 + 20 = 32 e A = = 90
2

Pela relação de Euler, V − A + F = 2, calculamos o número V de vértices desse poliedro:

V − 90 + 32 = 2 ⇒ V = 60

Como em cada vértice do poliedro há um único átomo, concluímos que o buckminsterfullereno é composto de
60 átomos.
Página 192

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

23 Um dodecaedro convexo possui todas as faces pentagonais. Quantas arestas esse poliedro tem? 30

24 Um poliedro convexo é constituído por três faces triangulares, cinco quadrangulares e sete pentagonais.
Quantas arestas possui esse poliedro? 32

25 Sabendo que um poliedro convexo é constituído por doze ângulos triédricos (ângulos de três arestas),
determine quantas arestas esse poliedro tem. 18

26 Um poliedro convexo é constituído por cinco ângulos triédricos, cinco ângulos tetraédricos (quatro arestas)
e um ângulo pentaédrico (cinco arestas). Quantas arestas tem esse poliedro? 20

27 (PUC-MG) Um poliedro convexo tem 3 faces pentagonais e algumas faces triangulares. Qual o número de
faces desse poliedro, sabendo-se que o número de arestas é o quádruplo do número de faces triangulares?
alternativa d

a) 4

b) 3

c) 5

d) 6

e) 8

28 Qual é o número de faces de um poliedro convexo constituído por 16 vértices e 24 arestas? 10

29 (UFPA) Um poliedro convexo tem 6 faces e 8 vértices. O número de arestas desse poliedro é: alternativa d

a) 6

b) 8

c) 10

d) 12

e) 14

30 O número de faces de um poliedro convexo é igual ao número de vértices. Sabendo que esse poliedro é
constituído por dez arestas, determine quantos vértices ele possui. 6

31 O número de arestas de um octaedro convexo é o dobro do número de vértices. Quantas arestas possui esse
poliedro? 12

32 (UFPE) O poliedro convexo ilustrado ao lado tem 32 faces, sendo 20 faces triangulares e 12 faces
pentagonais. Quantos são os seus vértices? 30
ADILSON SECCO

[ícone: atividade em grupo] 33 Com 30 varetas retas de ferro, um artista construiu uma estrutura poliédrica
convexa em que cada vareta representa uma aresta. Em alguns vértices há exatamente 3 extremidades de
varetas soldadas entre si, e em cada um dos demais vértices há exatamente 4 extremidades soldadas entre si,
não ficando nenhuma extremidade solta. Sabendo que o número de vértices com 4 arestas cada é o maior
possível, respondam:

BRUNO MOTTA

a) Quantos vértices de cada tipo compõem a estrutura? 4 ângulos triédricos e 12 ângulos tetraédricos

b) Quantas faces compõem o poliedro? 16 faces

Resolva os exercícios complementares 8 a 10.

11 Poliedros regulares
Um poliedro convexo é regular se, e somente se, são satisfeitas as seguintes condições:

I. todas as suas faces são polígonos regulares e congruentes entre si;

II. todos os ângulos poliédricos são regulares e congruentes entre si.

Intuitivamente, dois ângulos poliédricos são congruentes se é possível “encaixar” um no outro, de modo que o
vértice e as arestas de um deles coincidam, respectivamente, com o vértice e as arestas do outro.

Exemplos

a) Em um tetraedro regular:

• todas as faces são triângulos regulares (triângulos equiláteros) congruentes entre si;

• todos os ângulos triédricos são regulares e congruentes entre si.


FAUSTINO
Página 193

b) Em um hexaedro regular (ou cubo):

• todas as faces são quadradas e congruentes entre si;

• todos os ângulos triédricos são regulares e congruentes entre si.

Por que a condição I (todas as suas faces são polígonos regulares e congruentes entre si) não é suficiente para que o poliedro
convexo seja regular? Ver Suplemento com orientações para o professor.

Existem exatamente cinco classes de poliedros regulares. As cinco figuras a seguir mostram um exemplo de
cada uma dessas classes.

tetraedro regular

hexaedro regular

octaedro regular

dodecaedro regular
icosaedro regular

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

34 Os centros das faces de um poliedro regular qualquer são vértices de outro poliedro regular. Qual é o
poliedro regular cujos vértices são os centros das faces de um octaedro regular? hexaedro regular

35 Os centros das faces de um hexaedro regular (cubo) de aresta 10 cm são vértices de um octaedro regular.
Calcule a medida de uma aresta desse octaedro. 5√2 cm

36 Cada aresta de um icosaedro regular mede 6 cm. Calcule a área da superfície desse icosaedro. (Nota: A área
da superfície de um poliedro é a soma das áreas de todas as faces.) 180√3 cm2

[ícone: atividade em grupo] 37 (Fuvest-SP) Em um tetraedro regular de aresta a, a distância entre os pontos
médios de duas arestas não adjacentes é igual a: alternativa d

a) a √3

b) a √2

𝑎√3
c)
2

𝑎√2
d)
2

𝑎√2
e)
4

38 No exercício anterior, a medida obtida é a distância entre duas arestas reversas do tetraedro regular? Por
quê? Sim, pois o segmento 𝑀𝑁 é perpendicular a 𝐴𝐵 e a 𝐶𝐷, visto que o triângulo ANB é isósceles de base 𝐴𝐵, e o triângulo CDM é isósceles de
base 𝐶𝐷.

Resolva o exercício complementar 11.


Página 194

MENTES BRILHANTES

Geometrias não euclidianas

Qual é o caminho mais curto entre dois pontos? Qual é a soma das medidas dos ângulos internos de
um triângulo?

É claro que se estivermos tratando da Geometria euclidiana, estudada até aqui, o caminho mais
curto entre dois pontos é o segmento de reta com extremos nesses pontos, e a soma das medidas
dos ângulos internos de um triângulo é 180°. Porém, se estivermos tratando de uma geometria
cujas figuras estão contidas em uma superfície esférica, o caminho mais curto entre dois pontos é
um arco com extremos nesses pontos e contido em uma circunferência máxima da superfície
esférica (figura 1), e a soma das medidas dos ângulos internos de um triângulo (esférico) é maior
que 180° (figura 2). Esse exemplo mostra a possibilidade da existência de outra geometria além da
euclidiana.

Figura 1

Figura 2

ILUSTRAÇÕES: ADILSON SECCO

Durante muito tempo discutiu-se se o postulado das paralelas da Geometria euclidiana “Dada uma
reta r e um ponto A, existe uma única reta que passa por A e é paralela a r” era mesmo um postulado
ou era um teorema, isto é, se poderia ser demonstrado a partir dos postulados anteriores. Concluiu-
se que Euclides estava certo: era mesmo um postulado. Essa discussão, entretanto, não foi
improdutiva, pois no final do século XVIII e início do século XIX alguns matemáticos, como o alemão
Johann Carl Friedrich Gauss (1777-1855), perceberam que esse postulado era independente dos
demais, isto é, ele poderia ser substituído por outro sem interferência nos demais. Essa ideia fez
nascerem outras geometrias não euclidianas, como as dos matemáticos Nikolai Ivanovich
Lobachevsky (1792-1856), russo; János Bolyai (1802-1860), húngaro; e Georg Friedrich Bernhard
Riemann (1826-1866), alemão. Os modelos que representam as várias geometrias são diferentes
entre si; por exemplo, o modelo para uma das geometrias não euclidianas pode ser o conjunto das
figuras construídas sobre uma superfície esférica, como nas figuras acima.

EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES
Faça as atividades no caderno.

1 Considere o paralelepípedo reto-retângulo a seguir. Classifique no caderno em verdadeira ou falsa cada uma
das afirmações abaixo.
FAUSTINO

⃡ // 𝐷𝐶
a) 𝐴𝐵 ⃡ verdadeira

⃡ // 𝐻𝐺
b) 𝐷𝐶 ⃡ verdadeira

⃡ e 𝐻𝐸
c) 𝐶𝐵 ⃡ são reversas. falsa

⃡ e 𝐻𝐸
d) 𝐶𝐹 ⃡ são reversas. verdadeira

e) ⃡ ⃡ são concorrentes.verdadeira
𝐷𝐵 e 𝐴𝐶

⃡ e 𝐸𝐹
f) 𝐴𝐵 ⃡ são coplanares. verdadeira

⃡ // pl(FGH) verdadeira
g) 𝐴𝐵

⃡ ⊂ pl(FGB) falsa
h) 𝐸𝐹

⃡ é secante ao plano pl(HGF). falsa


i) 𝐴𝐷

j) O plano pl(ABC ) é secante ao plano pl(HGB). verdadeira

k) pl(ABC ) // pl(HEF ) verdadeira

⃡ . falsa
l ) A reta comum aos planos pl(BGF) e pl(ABC) é 𝐶𝐹

⃡ é perpendicular a 𝐵𝐺
m) 𝐵𝐶 ⃡ . verdadeira

⃡ forma ângulo reto com 𝐵𝐺


n) 𝐵𝐶 ⃡ . verdadeira

⃡ é perpendicular a 𝐶𝐹
o) 𝐸𝐶 ⃡ . falsa

⃡ é perpendicular ao plano pl(BGF). verdadeira


p) 𝐷𝐶

q) pl(CBG) ⊥ pl(ABC) verdadeira


Página 195

2 (Cesesp-PE) Uma, e uma só, das alternativas abaixo é falsa. Identifique-a. alternativa e

a) Por um ponto P de uma reta r do espaço passam infinitas retas perpendiculares a r.

b) Se duas retas do espaço são concorrentes, elas determinam o plano que as contém.

c) Duas retas do espaço determinam um plano se, e somente se, elas são concorrentes ou paralelas distintas.

d) Se três retas não coplanares têm um único ponto em comum, elas determinam três planos.

e) Cinco pontos não coplanares determinam, no máximo, três planos.

3 (FEI-SP) São dadas as proposições:

I. Uma reta é perpendicular a um plano quando ela é perpendicular a todas as retas desse plano.

II. Se dois planos distintos são paralelos, então toda reta contida em um dos planos é paralela ao outro plano.

III. Se uma reta é perpendicular a duas retas concorrentes, então ela é perpendicular ao plano que as contém.

É correto afirmar que: alternativa e

a) I, II, e III são verdadeiras.

b) I, II, e III são falsas.

c) Apenas II é verdadeira.

d) Apenas III é verdadeira.

e) Apenas II e III são verdadeiras.

4 (Enem) Gangorra é um brinquedo que consiste de uma tábua longa e estreita equilibrada e fixada no seu
ponto central (pivô). Nesse brinquedo, duas pessoas sentam-se nas extremidades e, alternadamente,
impulsionam-se para cima fazendo descer a extremidade oposta, realizando assim o movimento de gangorra.

Considere a gangorra representada na figura, em que os pontos A e B são equidistantes do pivô.

ILUSTRAÇÕES: ADILSON SECCO

A projeção ortogonal da trajetória dos pontos A e B, sobre o plano do chão da gangorra, quando esta se
encontra em movimento é: alternativa b

a)

b)
c)

d)

e)

5 Três pontos não colineares A, B e C pertencem a um plano a, com BC = 12 √3 cm e AB = AC = 9 √2 cm. Um


⃡ é perpendicular a a e AD = 3 √6 cm. A figura abaixo destaca os triângulos ABC e BCD.
ponto D é tal que 𝐴𝐷

FAUSTINO

a) Calcule a medida de um ângulo agudo que a reta ⃡


𝐵𝐷 forma com o plano α. 30°

b) Calcule a medida de um ângulo agudo que o plano pl(BCD) forma com o plano α.45°
Página 196

√5
6 (Fuvest-SP) O ângulo θ formado por dois planos α e β é tal que tg θ = . O ponto P pertence a α e a distância
5
de P a β vale 1. Então a distância de P à reta intersecção de α e β é igual a: alternativa c

a) √3

b) √5

c) √6

d) √7

e) √8

[ícone: calculadora] 7 A figura abaixo representa o interior de uma sala. As duas paredes retangulares ABEF e
BCDE são perpendiculares ao plano do piso e formam entre si um ângulo de 120°. Dado que AF = 4 m, AB = 3 m
e BC = 5 m, calcule a medida do ângulo F𝐵̂C. aproximadamente 107,46°

8 (Enem) Para o modelo de um troféu foi escolhido um poliedro P, obtido a partir de cortes nos vértices de um
cubo. Com um corte plano em cada um dos cantos do cubo, retira-se o canto, que é um tetraedro de arestas
menores do que metade da aresta do cubo. Cada face do poliedro P, então, é pintada usando uma cor distinta
das demais faces. Com base nas informações, qual é a quantidade de cores que serão utilizadas na pintura das
faces do troféu? alternativa c

a) 6

b) 8

c) 14

d) 24

e) 30

9 Um lapidador planeja dar a forma de um poliedro convexo a uma pedra preciosa, de modo que o poliedro
tenha 20 arestas e todas as faces tenham o mesmo número de arestas. Para otimizar a reflexão interna da luz e
sua posterior saída pela face plana superior, o profissional concluiu que a pedra, depois de lapidada na forma
planejada, deve ter o máximo possível de faces. Quantos vértices terá a pedra lapidada? 12

10 Uma bola de futebol é formada por 20 faces hexagonais e 12 pentagonais, todas com lados congruentes
entre si. Para costurar essas faces lado a lado, formando a superfície de um poliedro convexo, gastam-se 15 cm
de linha em cada aresta do poliedro. Quantos metros de linha são necessários para costurar inteiramente cada
bola? 13,5 m
ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

[ícone: atividade em grupo] 11 Neste exercício, vocês farão um estudo dos poliedros regulares quanto aos seus
números de faces, vértices e arestas.

a) Desenhem em uma folha de cartolina cada uma das figuras apresentadas nas páginas 260, 264 e 267 a 269.
Recortando, dobrando e colando, montem cada um dos poliedros regulares.

(Tenham em mente que cada uma dessas figuras montadas representa a superfície do poliedro, pois o poliedro
é uma figura maciça, ou seja, é a reunião da superfície com seu interior.)

b) Com base nos poliedros regulares construídos no item a, copiem a tabela abaixo no caderno, substituindo as
letras a, b, c, ..., y pelos respectivos valores numéricos.

Poliedros regulares
Nome Número de Número de Número de Número de arestas Número de arestas
faces (F) vértices (V) arestas (A) por face (n) por vértice (m)
Tetraedro a4 f4 k6 p3 u3
Hexaedro b6 g8 l 12 q4 v3
Octaedro c8 h6 m 12 r3 w4
Dodecaedro d 12 i 20 n 30 s5 x3
Icosaedro e 20 j 12 o 30 t3 y5
Página 197

PRÉ-REQUISITOS PARA O CAPÍTULO 9


Faça as atividades no caderno.

Responda às questões a seguir, cuja finalidade é rever os principais conceitos necessários para o
desenvolvimento da teoria e das atividades do Capítulo 9.

ADILSON SECCO

1 A figura ao lado representa um paralelepípedo reto-retângulo ABCDEFGH em que as faces ADEF e BCHG são
quadrados.

⃡ e 𝐶𝐺
a) Calcule a medida de um ângulo formado pelas retas concorrentes 𝐵𝐻 ⃡ . 90°

⃡ e 𝐶𝐺
b) Calcule a medida de um ângulo formado pelas retas reversas 𝐴𝐸 ⃡ . 90°
2 Calcule a área de um:

a) retângulo com 120 m de comprimento por 70 m de largura; 8.400 m2

b) quadrado com 10 cm de lado; 100 cm2

c) triângulo equilátero com 6 dm de lado; 9√3 dm2

d) hexágono regular com 4 cm de lado. 24√3 cm2

3 Em um trapézio isósceles, os lados medem 5 cm, 5 cm, 6 cm e 12 cm. Calcule:

a) a altura desse trapézio; 4 cm

b) a área desse trapézio. 36 cm2

4 Um trapézio retângulo tem 300 cm2 de área e lados não paralelos com 15 cm e 17 cm de comprimento.
Calcule a medida da base menor desse trapézio. 16 cm

5 Em um losango com 13 cm de lado, a diagonal maior mede 24 cm. Calcule a área desse losango.

120 cm2

Trabalhando em equipe

“É preciso substituir um pensamento que isola e separa por um pensamento que distingue e une.”

Edgar Morin, antropólogo, sociólogo e filósofo francês.

Componha uma equipe com alguns colegas e discutam as seções a seguir.


ANÁLISE DA RESOLUÇÃO
Um aluno resolveu o exercício conforme a reprodução a seguir. Um erro foi cometido.
Apontem o erro e refaçam a resolução no caderno, corrigindo-a.

FAUSTINO

Exercício

Calcule o número de diagonais do dodecaedro convexo representado ao lado.

Resolução

Como o dodecaedro possui 20 vértices e 30 arestas, seu número D de diagonais é


dado por:

20! 20 · 19 · 18!
D = 𝐶20 ,2 – 30 = 2! · 18! – 30 = – 30 = 160
2 · 1 · 18!

Logo, o dodecaedro possui 160 diagonais.


O aluno esqueceu de desconsiderar as diagonais das faces do poliedro.

Resolução correta:

Vamos subtrair de 𝐶20 ,2 (total de segmentos de reta determinados pelos vértices do dodecaedro) o número de arestas (30) e o número de
diagonais das faces.

O número de diagonais das faces é: 12(𝐶5,2 − 5) = 60

Logo, o número de diagonais do poliedro é dado por: 𝐶20,2 − 30 − 60 = 100


Página 198

Trabalhando em equipe

MATEMÁTICA SEM FRONTEIRAS

Geometria molecular
Em Química, aprendemos que toda matéria é formada por átomos e que todo átomo tem um núcleo, em torno
do qual “orbitam” os elétrons. Também aprendemos que esses átomos podem se ligar por meio de um
compartilhamento de elétrons, formando uma molécula.

Mas onde entra a Matemática?

Cada molécula tem uma forma geométrica determinada pela disposição dos núcleos dos átomos que a
compõem.

Podemos prever essa forma por meio de uma teoria criada em 1957 pelo químico canadense Ronald James
Gillespie, chamada de Teoria de Repulsão dos Pares Eletrônicos de Valência. Segundo essa teoria, cria-se uma
zona de repulsão em torno dos elétrons compartilhados pelos átomos que formam a molécula, fazendo que os
átomos em torno do átomo central se afastem o máximo possível, para assim garantir maior estabilidade.

Pesquisadora utilizando um microscópio em laboratório.

MARK HARMEL/GETTY IMAGES

De acordo com essa teoria, temos, por exemplo:

representação da molécula de três átomos

• Se uma molécula possui apenas dois átomos iguais em torno do átomo central, eles ficariam em posições
simétricas em relação a esse átomo. Essa forma é chamada de disposição linear.
representação da molécula de quatro átomos

• Se uma molécula possui apenas três átomos iguais em torno do átomo central, eles ficariam nos vértices de
um triângulo equilátero, tendo o átomo central como centro do triângulo. Essa forma é chamada de disposição
trigonal plana.

representação da molécula de cinco átomos

• Se uma molécula possui apenas quatro átomos iguais em torno do átomo central, eles ficariam nos vértices
de um tetraedro regular, tendo o átomo central como centro desse tetraedro. Essa forma é chamada de
disposição tetraédrica.

Assim, com alguns procedimentos simples da Teoria de Repulsão dos Pares Eletrônicos de Valência e o auxílio
de alguns conceitos de Geometria, podemos determinar a geometria das moléculas.

ATIVIDADE

Faça a atividade no caderno.

1 O hexafluoreto de enxofre é um composto químico inorgânico cuja geometria molecular apresenta os centros
de seis átomos de flúor (representados pela letra F) nos vértices de um octaedro regular cujo centro coincide
com o centro de um átomo de enxofre (representado por S). A ligação entre esses átomos é esquematizada
pela figura ao lado.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

a) Qual é a medida do ângulo entre dois segmentos não colineares que representam as ligações desses
átomos? 90°

b) Sabendo que a distância entre o centro de cada átomo de flúor e o centro do átomo de enxofre é r, calculem,
em função de r, a menor distância entre os centros de dois átomos de flúor. r √2
Página 199

CAPÍTULO 9 - Prismas e pirâmides

CELSO PUPO/FOTOARENA

Além da teoria

A maioria dos edifícios tem a forma de prisma, alguns de base retangular como o edifício da foto, sede do
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro (foto de 2013). Esse
tipo de prisma é chamado de paralelepípedo reto-retângulo, como já vimos no capítulo anterior.

a) Se um prédio tem a forma de um paralelepípedo reto-retângulo com 100 m de altura e base quadrada
com 40 m de lado, qual é o volume desse prédio, em metros cúbicos? 160.000 m³

b) Com o auxílio de uma calculadora, determine a maior medida que pode ter um segmento de reta com
extremos em dois vértices do paralelepípedo representado pelo prédio citado no item a. aproximadamente
114,89 m
c) Há prédios com a forma de prisma de base hexagonal, como a Torre Espelhada da Estação Cabo
Branco, em João Pessoa, na Paraíba. Pesquise na internet sobre essa torre e desenhe em seu caderno um
prisma com sua forma.

FAUSTINO

Neste capítulo, você vai aprender a calcular comprimentos, áreas e volumes relacionados a dois tipos particulares de
poliedros: o prisma e a pirâmide.
Página 200

1 Prisma
Iniciamos este capítulo com o estudo do prisma, que é um poliedro com duas bases paralelas e congruentes de
tal modo que as arestas que as unem são paralelas entre si.

Isaac Newton utilizou um prisma de cristal de bases triangulares, como o da foto, para decompor a luz solar nas cores do arco-íris.

MATTHIAS KULKA/CORBIS/LATINSTOCK

Os prismas são os poliedros encontrados com mais frequência no dia a dia. Basta observar à sua volta e você
verá dezenas de objetos com a forma deles, como nos exemplos das fotos a seguir: edifícios, calçamentos de
ruas e calçadas, colmeias, móveis etc.

PETER DURANT/ARCAID/CORBIS/LATINSTOCK

RICHARD LEVINE/ALAMY/GLOW IMAGES


RALPH A. CLEVENGER/CORBIS/LATINSTOCK

TED DAYTON PHOTOGRAPHY/BEATEWORKS/CORBIS/LATINSTOCK

Para o estudo desse tipo de poliedro necessitamos de uma definição precisa, apresentada abaixo.

FAUSTINO

Sejam dois planos paralelos distintos α e β, uma reta r secante a esses planos e um polígono convexo A1, A2, A3...
An contido em a. Consideremos todos os segmentos de reta paralelos a r, de modo que cada um deles tenha um
extremo pertencente ao polígono e o outro extremo pertencente a β.
A reunião de todos esses segmentos de reta é um poliedro chamado prisma convexo limitado ou,
simplesmente, prisma. r

Lembre-se de que um polígono é uma superfície plana e não apenas a linha formada pelos lados. Assim, o prisma é
uma figura geométrica maciça (formada pela superfície e por seu interior).
Página 201

Elementos de um prisma

Observando o prisma ao lado, temos:

• os polígonos A1 A2 A3... An e B1 B2 B3... Bn são chamados de bases do prisma;

• as demais faces, exceto as bases, são chamadas de faces laterais do prisma; por exemplo, A1 B1 B2 A2, A2 B2 B3
A3 etc.;

• os vértices das faces são chamados de vértices do prisma; por exemplo, A1, A2, ...,B1, B2, ...;

• os lados das bases são chamados de arestas das bases do prisma; por exemplo, 𝐴1 𝐴2 , 𝐴2 𝐴3 , ..., 𝐵1 𝐵2 , ...;

• as demais arestas, exceto as das bases, são chamadas de arestas laterais do prisma; por exemplo, 𝐴1 𝐵1 ,
𝐴2 𝐵2 , 𝐴3 𝐵3 , ...;

• a distância entre os planos das bases é chamada de altura do prisma;

• todo segmento de reta cujos extremos são vértices que não pertencem a uma mesma face do prisma é
chamado de diagonal do prisma; por exemplo, 𝐵1 𝐴4 .

EXERCÍCIO PROPOSTO
Faça a atividade no caderno.

[ícone: atividade em grupo] 1 Junte-se a um colega e desenhem em uma folha de cartolina cada uma das figuras
apresentadas nas páginas 263 a 266. Recortando, dobrando e colando, montem cada um dos prismas e
identifiquem os elementos: bases, arestas, faces etc., em cada um deles.

Tenha em mente que cada uma dessas figuras montadas representa a superfície do prisma, pois o prisma é uma
figura maciça, ou seja, é a reunião da superfície com seu interior.

Espera-se que com este exercício os alunos possam ter um melhor entendimento dos prismas e de seus elementos.

Secção transversal de um prisma

Uma secção transversal de um prisma é qualquer intersecção não vazia do prisma com um plano paralelo às
suas bases.
Nomenclatura

Um prisma é classificado de acordo com o número de arestas de sua base:

prisma triangular

prisma quadrangular

prisma pentagonal

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

e assim por diante.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

[ícone: atividade em grupo] 2 Observando os prismas montados para o exercício proposto 1, imaginem uma
secção transversal em cada prisma. No que se refere à forma e ao tamanho, que relação existe entre uma
secção transversal e cada base do respectivo prisma? Espera-se que os alunos percebam que toda secção transversal de um
prisma é um polígono congruente às suas bases. Então, no prisma I teremos como secção transversal um triângulo, no prisma II teremos um
quadrado, no prisma III, um retângulo, e no prisma IV, um hexágono.

3 Dê o nome de cada prisma montado para o exercício proposto 1.

prisma I: prisma triangular; prisma II e prisma III: prisma quadrangular; prisma IV: prisma hexagonal.
Página 202

Prisma reto e prisma oblíquo

Um prisma é reto se, e somente se, suas arestas laterais são perpendiculares aos planos das bases. Um prisma
que não é reto é chamado de prisma oblíquo.

prisma pentagonal reto

prisma triangular oblíquo

Note que em todo prisma reto a medida de uma aresta lateral é a própria altura do prisma.

Prisma regular

Um prisma é regular se, e somente se, é reto e suas bases são polígonos regulares.

prisma hexagonal regular: prisma reto com bases hexagonais regulares

Note que em todo prisma regular as faces laterais são retangulares e congruentes entre si.

Áreas de um prisma

A soma das áreas de todas as faces laterais do prisma é denominada área lateral do prisma. A soma da área
lateral com as áreas das duas bases é chamada de área total do prisma.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1 Em um prisma triangular regular, cada aresta lateral mede 8 cm e cada aresta da base mede 4 cm.

Calcular:
a) a área de uma face lateral;

b) a área de uma base;

c) a área lateral;

d) a área total.

Resolução

a) Cada face lateral do prisma é um retângulo com 4 cm de base e 8 cm de altura. Logo, a área A f de uma face
lateral é dada por:

Af = (4 ⋅ 8) cm2 = 32 cm2

b) Cada base do prisma é um triângulo equilátero com 4 cm de lado.

𝑎√3
Lembrando que a medida h da altura de um triângulo equilátero de lado a é dada por h = , temos:
2

4√3
h= 𝑐𝑚 = 2√3 cm
2

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Portanto, a área B de uma base é dada por:

4 ⋅ 2√3
B= cm2 = 4√3 𝑐𝑚2
2

c) A área lateral Aℓ é dada por:

Aℓ = 3 ⋅ A f = 3 ⋅ 32 cm2 = 96 cm2

d) A área total AT é dada por:

A T = Aℓ + 2B = (96 + 2 ⋅ 4√3) cm2 =

= 8 (12 + √3) cm2


Página 203

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

4 Cada aresta lateral de um prisma hexagonal regular mede 12 dm, e cada aresta da base mede 8 dm. Calcule
desse prisma:

a) a área de uma face lateral; 96 dm2

b) a área de uma base; 96√3 dm2

c) a área lateral; 576 dm2

d) a área total. 192 (3 + √3) dm2

5 Cada uma das bases de um prisma reto com 10 cm de altura é um trapézio isósceles com lados de 5 cm, 5 cm,
6 cm e 12 cm.

Calcule desse prisma:

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

a) a área lateral; Aℓ = 280 cm2

b) a área total. AT = 352 cm2

[ícone: atividade em grupo] 6 O interior de uma sala tem a forma de um prisma reto com 3 m de altura e bases
retangulares (teto e piso) com 6 m de comprimento por 5 m de largura. Nas paredes, há duas portas
retangulares de 1,3 m por 2 m e uma janela retangular de 2,5 m por 1,8 m. Para pintar as paredes e o teto
dessa sala, exceto as portas e a janela, um pintor estimou que eram necessárias duas demãos de tinta. Se o
rendimento de uma lata de 18 L de tinta equivale a uma demão de uma superfície de 250 m 2, conclui-se que o
percentual da tinta dessa lata usado na pintura da sala, segundo a estimativa do pintor, será de: alternativa b

a) 58,32%

b) 69,04%

c) 45,98%

d) 39%

e) 39,65%
(Nota: Demão é cada camada de tinta aplicada na superfície.)

7 (Enem) As torres Puerta de Europa são duas torres inclinadas uma contra a outra, construídas numa avenida
de Madri, na Espanha. A inclinação das torres é de 15º com a vertical e elas têm, cada uma, uma altura de 114
m (a altura é indicada na figura como o segmento 𝐴𝐵). Estas torres são um bom exemplo de um prisma oblíquo
de base quadrada e uma delas pode ser observada na imagem.

Utilizando 0,26 como valor aproximado para a tangente de 15º e duas casas decimais nas operações, descobre-
se que a área da base desse prédio ocupa na avenida um espaço: alternativa e

Disponível em: www.flickr.com. Acesso em: 27 mar. 2012.

REPRODUÇÃO

a) menor que 100 m2.

b) entre 100 m2 e 300 m2.

c) entre 300 m2 e 500 m2.

d) entre 500 m2 e 700 m2.

e) maior que 700 m2.

Resolva o exercício complementar 1.

2 Paralelepípedo reto-retângulo
O que há em comum entre a forma dos blocos de concreto utilizados na pavimentação de ruas, a do baú de um
caminhão e a de um dado, como nos exemplos das fotos abaixo?

VAIVIRGA/SHUTTERSTOCK
ANDREY PAVLOV/SHUTTERSTOCK

DAVID STUART PRODUCTIONS/ SHUTTERSTOCK

Todos esses objetos têm a forma de um prisma reto de base retangular. Esse tipo de prisma é chamado de
paralelepípedo reto-retângulo ou bloco retangular.
Página 204

Definimos:

Paralelepípedo é todo prisma cujas bases são paralelogramos.

Um paralelepípedo é reto se suas arestas laterais são perpendiculares às bases. Um paralelepípedo que não é
reto chama-se paralelepípedo oblíquo.

Paralelepípedo reto-retângulo é todo prisma reto cujas bases são retângulos.

Exemplos

Medida da diagonal de um paralelepípedo reto-retângulo

Consideremos um paralelepípedo reto-retângulo cujas dimensões — comprimento, largura e altura — são as


medidas a, b e c. Sendo d e D as medidas de uma diagonal da base e de uma diagonal do paralelepípedo,
respectivamente, temos:
Aplicando o teorema de Pitágoras aos triângulos A1A8A6 e A5A8A6, temos:

D2 = d2 + c2 (I)

d2 = a2 + b2 (II)

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Substituindo (II) em (I), obtemos:

D2 = a2 + b2 + c2

Assim, concluímos que:

D = √𝑎2 + 𝑏 2 + 𝑐 2
Página 205

EXERCÍCIO RESOLVIDO
2 As dimensões — comprimento, largura e altura — de um paralelepípedo reto-retângulo são 20 cm, 12 cm e 9
cm. Calcular a medida de uma diagonal desse paralelepípedo.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Professor, enfatize que esse resultado pode ser obtido pelo teorema de Pitágoras. A fórmula do cálculo da diagonal apenas agiliza a resolução.

Resolução

Sendo D a medida de uma diagonal desse paralelepípedo, temos: D = √202 + 122 + 92 cm = √625 cm = 25
cm

Área total de um paralelepípedo reto-retângulo

Consideremos um paralelepípedo reto-retângulo cujas dimensões — comprimento, largura e altura — são as


medidas a, b e c.

Entre as faces do paralelepípedo, temos dois retângulos de área ab, dois de área ac e dois de área bc. A área
total AT desse paralelepípedo é a soma das áreas de suas seis faces:

AT = 2ab + 2ac + 2bc

Portanto:

AT = 2(ab + ac + bc)

Estabelecidas duas faces paralelas como bases de um paralelepípedo, a soma das áreas das demais faces é a área lateral do
paralelepípedo.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
3 Calcular a área total de um paralelepípedo reto-retângulo cujas dimensões — comprimento, largura e altura
— são 8 dm, 6 dm e 3 dm.

Resolução

A área total A T desse paralelepípedo é dada por:


AT = 2(8 ⋅ 6 + 8 ⋅ 3 + 6 ⋅ 3) dm2 = 2 ⋅ 90 dm2 = 180 dm2

Unidades de volume

Consideremos um cubo (hexaedro regular) com 1 cm de aresta. A porção do espaço ocupada por esse cubo é
uma unidade de volume definida como 1 cm3.

De maneira análoga, definem-se 1 mm3, 1 dm3, 1 m3, 1 dam3, 1 hm3 e 1 km3 como a porção do espaço ocupada
por cubos com arestas de 1 mm, 1 dm, 1 m, 1 dam,1 hm e 1 km, respectivamente. Essas unidades podem ser
representadas na escala a seguir.

𝑘𝑚3 ℎ𝑚3 𝑑𝑎𝑚3 𝑚3 𝑑𝑚3 𝑐𝑚3 𝑚𝑚3

Lê-se:

mm3 – milímetro cúbico

cm3 – centímetro cúbico

dm3 – decímetro cúbico

m3 – metro cúbico

dam3 – decâmetro cúbico

hm3 – hectômetro cúbico

km3 – quilômetro cúbico


Página 206

Cada unidade dessa escala vale 1.000 vezes a unidade imediatamente à sua direita. Para entender o porquê
dessa relação, vamos dividir um cubo de 1 m de aresta em cubinhos de 1 dm de aresta, conforme a figura
abaixo.

Assim, observamos que o metro cúbico foi dividido em 1.000 decímetros cúbicos, com o que concluímos:

1 m3 = 1.000 dm3

Repetindo o raciocínio para as demais unidades da escala, concluímos também que:

1 km3 = 1.000 hm3

1 hm3 = 1.000 dam3

1 dam3 = 1.000 m3

1 dm3 = 1.000 cm3

1 cm3 = 1.000 mm3

Outra unidade de volume (ou capacidade) muito usada é o litro (L), definido como 1 dm3 .

1 L = 1 dm3

Os múltiplos do litro são o decalitro (daL), o hectolitro (hL) e o quilolitro (kL); e os submúltiplos são o decilitro
(dL), o centilitro (cL) e o mililitro (mL). Essas unidades podem ser dispostas na escala a seguir, em que cada
unidade vale dez vezes a unidade imediatamente à sua direita.

Lembre-se de que a capacidade de um recipiente é seu volume interno.

kL hL daL L dL cL mL

Volume de um paralelepípedo reto-retângulo

Adotando o centímetro cúbico como unidade, vamos medir o volume de um paralelepípedo reto-retângulo de
dimensões 5 cm, 3 cm e 4 cm.
Para esse cálculo, dividimos o paralelepípedo em cubinhos com 1 cm de aresta:

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Como obtivemos 4 camadas horizontais com 15 cubinhos em cada uma, concluímos que o volume do
paralelepípedo é igual ao volume de 60 cubinhos de aresta 1 cm. Portanto, o volume V do paralelepípedo pode
ser calculado pelo produto das três dimensões:

V = (5 ⋅ 3 ⋅ 4) cm3 = 60 cm3
Página 207

O volume V de um paralelepípedo reto- -retângulo de dimensões a, b e c é o produto das três dimensões:

V=a⋅b⋅c

Como se calcula o volume de um paralelepípedo que não seja reto-retângulo?

A distância entre as bases de um paralelepípedo qualquer é a altura H do paralelepípedo. Sendo B a área de uma base, o volume V é calculado
por:

V=B⋅H

Esse fato será justificado pelo princípio de Cavalieri no item 4 a seguir.

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
4 Uma caixa-d’água tem, internamente, a forma de um paralelepípedo reto-retângulo com 3 m de
comprimento, 2 m de largura e 1 m de altura. Calcular a capacidade dessa caixa-d’água em litro.

Resolução

O volume interno V da caixa-d’água é dado por:

V = (3 ⋅ 2 ⋅ 1) m3 = 6 m3

Como 1 L = 1 dm3 e 1 m3 = 1.000 dm3, temos:

V = 6.000 dm3 ⇒ V = 6.000 L

Logo, a capacidade da caixa-d’água, que é seu volume interno, é 6.000 L.

5 Calcular o volume V de um paralelepípedo reto-retângulo de área total 198 cm2 e de dimensões diretamente
proporcionais a 1, 2 e 3.

Resolução

Sejam a, b e c as medidas, em centímetro, das dimensões do paralelepípedo.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO
𝑎=𝑘
𝑎 𝑏 𝑐
Temos: = = = k ⇒ {𝑏 = 2𝑘
1 2 𝑎
𝑐 = 3𝑘

E, ainda: AT = 2(ab + ac + bc) e AT = 198 cm2

Assim, podemos escrever:

2(k ⋅ 2k + k ⋅ 3k + 2k ⋅ 3k) = 198 ⇒

⇒ 2(2k2 + 3k2 + 6k2) = 198

∴ 22k2 = 198 ⇒ k2 = 9

∴k=±3

O valor de k deve ser positivo, pois, do contrário, teríamos as dimensões do paralelepípedo representadas por
números negativos, o que é absurdo. Assim, temos: k = 3

Logo, as dimensões do paralelepípedo são 3 cm, 6 cm e 9 cm e, portanto, seu volume V é dado por:

V = (3 ⋅ 6 ⋅ 9) cm3 = 162 cm3


Página 208

3 Cubo
O cubo (hexaedro regular) é um paralelepípedo reto-retângulo cujas arestas têm todas a mesma medida a.
Para calcular a medida D de uma diagonal do cubo, a área total A T e o volume V, basta aplicar as fórmulas
correspondentes do paralelepípedo reto-retângulo, considerando as três dimensões iguais a a, isto é:

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

D = √𝑎2 + 𝑎2 + 𝑎2 = √3𝑎2 ⇒ D = a √3

AT = 2(a ⋅ a + a ⋅ a + a ⋅ a) ⇒ AT = 6a2

V = a ⋅ a ⋅ a ⇒ V = a3

EXERCÍCIO RESOLVIDO
6 Sabendo que uma diagonal de uma face de um cubo mede 5 √2 cm, calcular desse cubo:

Professor, enfatize que esses resultados podem ser obtidos pelo teorema de Pitágoras. As fórmulas apenas agilizam a resolução.

a) a medida de uma diagonal;

b) a área total;

c) o volume.

Resolução

a) Indicando por a a medida da aresta do cubo, podemos representá-lo conforme a figura abaixo.

Aplicando o teorema de Pitágoras no triângulo ABC, obtemos a medida da aresta:

a2 + a2 = (5 √2)2 ⇒ 2a2 = 50

∴a=5

Assim, a medida D da diagonal desse cubo é:

D = a √3 ⇒ D = 5 √3 cm

b) AT = 6a2 ⇒ AT = (6 ⋅ 52) cm2 = 150 cm2


c) V = a3 ⇒ V = 53 cm3 = 125 cm3

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

8 Calcule a medida de uma diagonal de um paralelepípedo reto-retângulo cujas dimensões são 6 dm, 4 dm e
2√3 dm. 8 dm

2
9 Em um paralelepípedo reto-retângulo com 15 cm de altura, o comprimento mede da altura, e a largura
3
4
mede do comprimento. Calcule desse paralelepípedo:
5

a) a área total; 700 cm2

b) o volume. 1.200 cm3

10 Em um paralelepípedo reto-retângulo, a largura mede o triplo da altura e o comprimento mede o quádruplo


da altura. Dado que uma diagonal desse paralelepípedo mede 2√26 cm, determine seu volume.96 cm3

11 Em um paralelepípedo reto-retângulo com 8 dm de comprimento, a largura mede o dobro da altura. Dado


que o volume desse paralelepípedo é 144 dm3, calcule sua área total. 180 dm2

12 Uma piscina tem a forma de um paralelepípedo reto-retângulo. O comprimento, a largura e a profundidade


dessa piscina, em metro, são diretamente proporcionais aos números 9, 4 e 1, respectivamente. Calcule cada
uma dessas dimensões, sabendo que a capacidade da piscina é de 288.000 litros. comprimento: 18 m; largura: 8 m;
altura: 2 m

13 (Enem) Uma fábrica de sorvetes utiliza embalagens plásticas no formato de paralelepípedo retangular reto.
Internamente, a embalagem tem 10 cm de altura e base de 20 cm por 10 cm. No processo de confecção do
sorvete, uma mistura é colocada na embalagem no estado líquido e, quando levada ao congelador, tem seu
volume aumentado em 25%, ficando com consistência cremosa.
Página 209

Inicialmente é colocada na embalagem uma mistura sabor chocolate com volume de 1.000 cm3 e, após essa
mistura ficar cremosa, será adicionada uma mistura sabor morango, de modo que, ao final do processo de
congelamento, a embalagem fique completamente preenchida com sorvete, sem transbordar. O volume
máximo, em cm3, da mistura sabor morango que deverá ser colocado na embalagem é: alternativa c

a) 450.

b) 500.

c) 600.

d) 750.

e) 1.000.

14 A área total de um cubo é 96 dm2. Calcule desse cubo:

a) a medida da diagonal; 4√3 dm

b) a área lateral; 64 dm2

c) o volume. 64 dm3

15 (Enem) Uma fábrica produz barras de chocolates no formato de paralelepípedos e de cubos, com o mesmo
volume. As arestas da barra de chocolate no formato de paralelepípedo medem 3 cm de largura, 18 cm de
comprimento e 4 cm de espessura.

Analisando as características das figuras geométricas descritas, a medida das arestas dos chocolates que têm o
formato de cubo é igual a: alternativa b

a) 5 cm

b) 6 cm

c) 12 cm

d) 24 cm

e) 25 cm

[ícone: atividade em grupo] 16 Para calcular a capacidade de um jarro de forma irregular, Paulo retirou água de
um aquário que tem a forma de um paralelepípedo reto-retângulo e encheu completamente o jarro.

Observando que o fundo do aquário tem 50 cm de comprimento por 30 cm de largura e que, após a retirada, o
nível da superfície da água desceu 2 cm, o rapaz concluiu, corretamente, que a capacidade do jarro é: alternativa a

SERRALHEIRO
a) 3 L

b) 0,3 L

c) 2 L

d) 2,8 L

e) 2,7 L

17 (USB-BA) Diminuindo-se de 1 unidade a medida de cada aresta de um cubo, o seu volume diminui 61
unidades. A área total desse cubo, em unidades de área, é igual a: alternativa c

a) 75

b) 96

c) 150

d) 294

e) 600

Resolva os exercícios complementares 2 a 9.

CRIANDO PROBLEMAS

Inspirando-se nos exercícios propostos 12, 13, 15 e 16, elaborem e resolvam um problema sobre o
volume de um paralelepípedo que envolva uma situação do cotidiano. Resposta pessoal.

CONECTADO

Em um desenho, para dar a ideia de uma estrada longa e reta, representamos suas margens por
traços que convergem para um mesmo ponto, chamado de ponto de fuga (PF).

FAUSTINO

Pesquise na internet informações sobre esse ponto. Escreva um breve texto sobre o que você
pesquisar, ilustrando-o com três desenhos de um paralelepípedo reto-retângulo: um deles com
apenas um ponto de fuga, outro com dois e o terceiro com três pontos de fuga.

Ver Suplemento com orientações para o professor.


Página 210

4 Volume de um prisma
Princípio de Cavalieri

As fotos abaixo mostram as mesmas moedas empilhadas de duas maneiras diferentes. Que relação existe entre
o volume da primeira pilha de moedas e o volume da segunda pilha?

BETO CELLI

É claro que as pilhas têm volumes iguais, pois o volume de cada pilha é a soma dos volumes das moedas que a
compõem, e as duas pilhas são formadas pelas mesmas moedas.

Essa ideia intuitiva foi transformada em uma importante proposição pelo matemático, professor da
Universidade de Bolonha (Itália), Bonaventura Cavalieri. A obra mais importante de Cavalieri, Geometria
indivisibilibus continuorum (Geometria dos indivisíveis contínuos), publicada em 1635, apresenta o princípio,
enunciado a seguir, para a comparação dos volumes de dois sólidos geométricos.

Bonaventura Cavalieri (1598-1647).

FÁBIO CORTEZ REIS

Sejam dois sólidos geométricos P1 e P2 e um plano α. Se qualquer plano β, paralelo a α, que intercepta um dos
sólidos também intercepta o outro e determina nesses sólidos secções de mesma área, então os sólidos P1 e P2
têm volumes iguais.

Entenda como sólido geométrico qualquer porção do espaço limitada por uma superfície fechada; por exemplo, um
prisma.

Para exemplificar, vejamos como se calcula o volume de um prisma qualquer, comparando-o com o volume de
um paralelepípedo reto-retângulo.

Cálculo do volume de um prisma

Consideremos, em um semiespaço de origem a, um paralelepípedo reto-retângulo e um prisma de mesma


altura H, cujas bases estão contidas em a e têm a mesma área B.
Note que qualquer plano β, paralelo a α, que intercepta um dos prismas também intercepta o outro.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO
Página 211

Como qualquer secção transversal de um prisma é congruente às suas bases, qualquer plano β, nas condições
anteriores, determina nesses prismas secções de mesma área. Assim, o princípio de Cavalieri nos garante que
os prismas têm volumes iguais.

Sendo m e n as dimensões da base do paralelepípedo, seu volume V é dado por V = mnH. Como a área B da base
desse paralelepípedo é B = mn, temos V = BH, que também é o volume do outro prisma.

Assim, concluímos que:

O volume de um prisma qualquer é igual ao produto da área de sua base por sua altura.

V=B⋅H

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
7 A base de um prisma é um quadrado de lado 6 cm. Cada aresta lateral desse prisma mede 8 cm e forma com
os planos das bases ângulos de 60°. Calcular o volume desse prisma.

Resolução

A área B da base do prisma é a área de um quadrado com 6 cm de lado; logo, B = 36 cm2 .

Para calcular a altura H desse prisma, vamos traçar por um dos vértices a reta r perpendicular aos planos das
bases, conforme mostra a figura a seguir.

Assim:

√3 = 𝐻
sen 60º = H 8 ⇒
2 8

∴ H = 4√3 cm

Calculando o volume V do prisma, que é dado por V = BH, temos:

V = (36 ⋅ 4√3) cm3 = 144√3 cm3

8 Em um prisma hexagonal regular, cada aresta da base mede 6 dm e cada aresta lateral mede 10 dm. Calcular
o volume desse prisma.
Resolução

Como todo prisma regular é reto, sua altura H é igual à medida de uma aresta lateral. Logo: H = 10 dm

Em todo prisma regular, as bases são polígonos regulares; portanto, cada base desse prisma é um hexágono
regular, conforme a figura abaixo.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO
Página 212

A medida h é a altura de um triângulo equilátero de lado 6 dm; logo:

6√3
h= dm = 3√3 dm
2

A área B da base do prisma é igual a seis vezes a área de um triângulo equilátero de lado 6 dm, ou seja:

6 ⋅ 3√3
B = (6 ⋅ ) dm2 = 54√3 dm2
2

Calculando o volume V do prisma, dado por V = BH, temos:

V = (54√3 ⋅ 10) dm3 = 540√3 dm3

9 Um tanque de lavar roupas tem, internamente, a forma e as dimensões descritas pela figura a seguir, em que
os pentágonos não convexos ABCDE e FGHIJ são congruentes e paralelos, e os segmentos 𝐴𝐹, 𝐸𝐽, 𝐷𝐼, 𝐶𝐻 e 𝐵𝐺
são paralelos entre si e perpendiculares aos planos dos pentágonos. Calcular a capacidade desse tanque em
litro.

Resolução

O plano que contém a face CDIH separa a figura em dois prismas: o paralelepípedo reto-retângulo ABCKFGHL e
o prisma triangular reto KDELIJ, como mostra a figura a seguir.

O volume V1 do paralelepípedo reto-retângulo ABCKFGHL é dado por:

V1 = (40 ⋅ 60 ⋅ 80) cm3 = 192.000 cm3

A base DEK do prisma KDELIJ é um triângulo retângulo cujos catetos 𝐾𝐷 e 𝐾𝐸 medem 40 cm e 30 cm,
respectivamente. Logo, o volume V2 do prisma KDELIJ é dado por:

40 ⋅ 30
V2 = ( ⋅ 80) cm3 = 48.000 cm3
2

Assim, o volume interno V do tanque é:

V = V1 + V2 = 240.000 cm3 ou, ainda, V = 240 dm3


Como cada 1 dm3 equivale a 1 L, concluímos que a capacidade do tanque é 240 L.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

18 Em um prisma cujas bases são losangos de diagonais 7 cm e 10 cm, as arestas laterais medem 20 cm e
formam ângulos de 45° com os planos das bases. Calcule desse prisma:

a) a altura; 10√2 cm

b) o volume. 350√2 cm3

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO
Página 213

19 Cada aresta lateral de um prisma reto mede 20 cm e sua base é um trapézio isósceles de lados com 15 cm,
15 cm, 6 cm e 24 cm. Calcule o volume desse prisma. 3.600 cm3

20 A figura abaixo representa a planificação da superfície de um prisma triangular. Calcule o volume desse
prisma. 6

21 A figura abaixo representa um prisma hexagonal regular de altura 8 dm, em que AB é a maior diagonal que
passa pelo vértice A, com AB = 10 dm. Calcule o volume desse prisma. 108√3 dm3

22 Um terreno com uma inclinação de 30° tem a forma de um retângulo ABCD com 40 m de comprimento por
20 m de largura, conforme o esquema abaixo.

O proprietário desse terreno pretende desaterrá-lo, tornando-o horizontal no nível de seu lado 𝐴𝐵. Qual das
alternativas abaixo apresenta a quantidade de metros cúbicos de terra que devem ser retirados, considerando
a aproximação √3 ≈ 1,7? alternativa b

a) 13.600 m3

b) 6.800 m3

c) 8.600 m3

d) 4.200 m3

e) 5.600 m3

23 Um recipiente tem internamente a forma de um cubo com 40 cm de aresta, e sua base está em um plano
horizontal. Esse recipiente, cheio de água, é inclinado em torno de uma aresta, que permanece na horizontal.
De acordo com as medidas indicadas na figura abaixo, quantos litros de água foram derramados com essa
inclinação? 6,4 L
ADILSON SECCO

[ícone: atividade em grupo] 24 (Ufes) A base de uma piscina de paredes verticais é formada por duas
plataformas retangulares horizontais, situadas em níveis diferentes, as quais correspondem à parte rasa e à
parte funda da piscina, além de uma rampa também retangular, interligando as plataformas, conforme mostra
a figura a seguir. A largura da piscina é de 5 m, as duas plataformas têm comprimento de 4 m e 6 m,
respectivamente, e o comprimento da piscina é 12 m. A água da piscina está em repouso, o nível de água na
parte rasa é 0,5 m e o nível da água na parte funda é 1,5 m.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Determine:

a) o volume da água na piscina, em litro; 65.000 L

b) o volume de água, em litro, que é necessário despejar na piscina para elevar o nível da água em 10 cm. 6.000 L

Resolva os exercícios complementares 10 a 14.

CRIANDO PROBLEMAS

[ícone: atividade em grupo] Inspirando-se nos exercícios propostos 22 a 24, elaborem e resolvam um
problema sobre o volume de um prisma que envolva uma situação do cotidiano. Resposta pessoal.
Página 214

5 Pirâmide
No terceiro milênio antes da Era Cristã, os egípcios construíram grandes monumentos para servir de tumbas
aos seus faraós. Esses monumentos têm a forma de um poliedro chamado pirâmide.

As três pirâmides de Gizé, construídas há mais de 4.500 anos para o sepultamento dos faraós Quéops, Quéfren e Miquerinos. Foto de
2012.

PHOTONONSTOP/DIOMEDIA

Por possuírem bases quadrangulares, as pirâmides egípcias são denominadas pirâmides quadrangulares. Na
Geometria, o conceito de pirâmide é mais amplo, conforme a definição a seguir.

FAUSTINO

Sejam um polígono convexo A1A2A3...An contido em um plano α e um ponto V, não pertencente a α.


Consideremos todos os segmentos de reta que possuem um extremo pertencente ao polígono e o outro
extremo em V.

A reunião de todos esses segmentos de reta é um poliedro chamado pirâmide convexa limitada ou,
simplesmente, pirâmide.

Elementos de uma pirâmide

Observando a pirâmide apresentada na definição acima, temos:

• o ponto V é chamado de vértice da pirâmide;

• o polígono A1A2A3...An é chamado de base da pirâmide, sendo A1, A2, A3, ... e An os vértices da base;

• as demais faces, exceto a base, são chamadas de faces laterais;

• os lados da base são chamados de arestas da base;


• as demais arestas, exceto as das bases, são chamadas de arestas laterais;

• a distância entre o vértice V e o plano da base é chamada de altura da pirâmide.

EXERCÍCIO PROPOSTO
Faça a atividade no caderno.

[ícone: atividade em grupo] 25 Junte-se a um colega e desenhem em uma folha de cartolina cada uma das figuras
apresentadas nas páginas 260 a 262. Recortando, dobrando e colando, montem cada uma das pirâmides e
identifiquem os elementos: base, arestas, faces etc., em cada uma delas.

Espera-se que com este exercício os alunos possam identificar uma pirâmide e seus elementos.

Tenha em mente que cada uma dessas figuras montadas representa a superfície da pirâmide, pois a pirâmide é uma
figura maciça, ou seja, é a reunião da superfície com seu interior.
Página 215

Secção transversal de uma pirâmide

Secção transversal de uma pirâmide é qualquer intersecção não vazia e não unitária da pirâmide com um
plano paralelo à sua base.

Qualquer secção transversal de uma pirâmide é um polígono semelhante à base.

Áreas de uma pirâmide

A soma das áreas de todas as faces laterais é chamada de área lateral da pirâmide.

A soma da área lateral com a área da base é denominada área total da pirâmide.

Nomenclatura

Uma pirâmide é classificada de acordo com o número de arestas da base:

pirâmide triangular

pirâmide quadrangular

e assim por diante.

Pirâmide regular

Uma pirâmide é regular se, e somente se, sua base é um polígono regular e a projeção ortogonal de seu vértice
sobre o plano da base é o centro dessa base.

Exemplos
pirâmide regular quadrangular (o ponto O é o centro do quadrado ABCD)

pirâmide regular hexagonal (o ponto O é o centro do hexágono regular ABCDEF)

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

O centro de um polígono regular é o centro da circunferência circunscrita (ou inscrita) nesse polígono.

Toda pirâmide regular triangular é um tetraedro regular?

Ver Suplemento com orientações para o professor.


Página 216

Apótema de uma pirâmide regular e apótema da base

Considere uma pirâmide regular e o ponto médio M de um dos lados de sua base.

• O segmento de reta que tem um extremo em M e o outro no vértice da pirâmide é chamado de apótema da
pirâmide.

• O segmento de reta que tem um extremo em M e o outro no centro da base é chamado de apótema da base.

Note que o apótema 𝑽𝑴 é a altura de um triângulo isósceles.

Relações entre os elementos de uma pirâmide regular

Em uma pirâmide regular, sejam:

• H a altura;

• n a medida do apótema da pirâmide;

• r a medida do apótema da base;

• b a medida de uma aresta da base;

• L a medida de uma aresta lateral;

• R o raio da circunferência circunscrita à base. Pelo teorema de Pitágoras, temos: b

• H2 + r2 = n2

𝑏 2
• n2 + ( ) = L2
2

• H2 + R2 = L2
EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
10 Em uma pirâmide regular hexagonal de altura 2√6 cm cada aresta da base mede 4 cm. Calcular a área
lateral 𝐴ℓ e a área total AT dessa pirâmide.

Resolução

Sejam n a medida do apótema da pirâmide e r a medida do apótema da base.

Aplicando o teorema de Pitágoras aos triângulos retângulos destacados nas figuras acima, temos:

2
(2√6) + r2 = n2 (I)

r2 + 22 = 42 ⇒ r = 2√3 (II)

Substituindo (II) em (I), obtemos:

2 2
(2√6) + (2√3) = n2 ⇒ 24 + 12 = n2

∴ n2 = 36 ⇒ n = 6

Assim, cada face lateral da pirâmide é um triângulo isósceles de base 4 cm e altura 6 cm:

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Sendo Af a área de uma face lateral, temos:

4⋅6
Af= cm2 = 12 cm2
2

A área lateral Aℓ dessa pirâmide é seis vezes a área de uma face lateral; portanto:

𝐴ℓ = (6 ⋅ 12) cm2 = 72 cm2


Página 217

A área B do hexágono regular que é base da pirâmide é seis vezes a área de um triângulo equilátero de lado 4
cm, ou seja:

4 ⋅ 2√3
B = (6 ⋅ ) cm2 ⇒ B = 24√3 cm2
2

Concluindo, a área total AT é a soma da área lateral Aℓ com a área B da base.

AT = (72 + 24√3) cm2 ⇒ AT = 24(3 + √3) cm2

11 Em uma pirâmide regular triangular, cada aresta lateral mede 13 cm e cada aresta da base, 10 cm.

Calcular:

a) a medida m do apótema da pirâmide;

b) a medida r do apótema da base da pirâmide;

c) a altura H da pirâmide.

Resolução

a) No triângulo VMA, temos:

m2 + 52 = 132 ⇒ m2 = 144

∴ m = 12 cm

b) A base dessa pirâmide é um triângulo equilátero de lado 10 cm; logo, a altura h desse triângulo é dada por:

10√3
h= cm = 5√3 cm
2

Lembrando que a medida r do apótema de um triângulo equilátero é a terça parte da medida da altura,
concluímos que:

ℎ ⇒ r = 5√3
r= cm
3 3

c) No triângulo VOM, temos: H 2 + r 2 = m2. Substituindo nessa equação os valores de m e r, obtidos nos itens a e
b, concluímos que:
2
5√3 407
H2 + ( ) = 122 ⇒ H2 =
3 3

407
∴H=√ cm
3

Volume da pirâmide

Nosso objetivo neste tópico é demonstrar que:

• ao decompor um prisma triangular em três pirâmides, conforme mostra a figura abaixo, o volume de cada
uma delas é a terça parte do volume do prisma;

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

• com base no volume da pirâmide triangular, conclui-se que o volume de uma pirâmide qualquer é a terça
parte do volume do prisma que tem a mesma base e a mesma altura da pirâmide.

Para demonstrar esses fatos, são necessárias duas propriedades, enunciadas a seguir.

P1. A razão entre as áreas de dois triângulos semelhantes é igual ao quadrado da razão de semelhança.

A propriedade P1 é válida para quaisquer figuras semelhantes, isto é, a razão entre as áreas de duas figuras
semelhantes é igual ao quadrado da razão de semelhança.
Página 218

Demonstração

Consideremos os triângulos semelhantes ABC e DEF tais que a razão de semelhança do primeiro para o
segundo seja k:

𝑎 𝑝
= = 𝑘
𝑑 𝑞

Calculando a razão da área A1 do primeiro triângulo para a área A2 do segundo, temos:

𝑎𝑝
𝐴1 𝑎𝑝 𝑎 𝑝
= 2
𝑑𝑞 = = ⋅ = 𝑘 ⋅ 𝑘 = 𝑘2
𝐴2 𝑑𝑞 𝑑 𝑞
2

P2. Duas pirâmides triangulares de mesma altura e bases de mesma área têm o mesmo volume.

Demonstração

As pirâmides triangulares representadas ao lado têm a mesma altura H e bases com a mesma área B, contidas
em um plano α. O plano β é paralelo a α e pode estar em qualquer posição, determinando nessas pirâmides os
triângulos de áreas S1 e S2.

Em cada pirâmide, a secção determinada pelo plano β é semelhante à base, e a razão de semelhança entre cada
secção e a base da respectiva pirâmide é o mesmo número k (pense no porquê dessas afirmações). Logo:

𝐵 𝐵
= k2 e = k2 ⇒ S1 = S2
𝑆1 𝑆2

Assim, pelo princípio de Cavalieri, concluímos que as duas pirâmides têm o mesmo volume.

Volume de uma pirâmide triangular

1
Vamos demonstrar que o volume de uma pirâmide triangular é do volume de um prisma que tem a mesma
3
base e a mesma altura da pirâmide. Para isso, basta provar que um prisma triangular pode ser decomposto em
três pirâmides triangulares de mesmo volume, conforme mostra a figura a seguir.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Essa decomposição de um prisma triangular em três pirâmides de mesmo volume é válida para qualquer tipo de prisma
triangular, regular ou não.
Página 219

Nomeando os vértices de um prisma triangular qualquer e, consequentemente, os correspondentes vértices


das pirâmides triangulares obtidas pela decomposição indicada na figura anterior, temos:

I. As pirâmides LMNP e PLQR têm volumes iguais, pois:

• △MNP ≅ △RLQ (são bases do prisma MNPLQR);

• a altura do prisma MNPLQR é também altura de cada uma dessas pirâmides em relação às bases MNP e RLQ.

Assim, as pirâmides LMNP e PLQR têm a mesma altura em relação às bases equivalentes MNP e RQL e,
portanto, possuem volumes iguais.

II. As pirâmides LRQP e LRMP têm volumes iguais, pois:

• 𝑅𝑃 é diagonal do paralelogramo MRQP e, portanto, △RPQ ≅ △RPM;

• suas alturas relativas às bases RPQ e RPM são iguais à distância do ponto L ao plano do paralelogramo MRQP.

Assim, as pirâmides LRQP e LRMP têm a mesma altura em relação às bases equivalentes RPQ e RPM e, portanto,
têm volumes iguais.

Por I e II, concluímos que as pirâmides LMNP, PLQR e LRMP possuem o mesmo volume V.

Demonstramos, desse modo, que o prisma triangular MNPLQR é composto de três pirâmides de volumes
iguais. Sendo H a altura do prisma e B a área de sua base, concluímos que o volume V de cada uma dessas
pirâmides é dado por:

1
V = ⋅ BH
3

Portanto:

1
O volume de uma pirâmide triangular é igual a do produto da área de sua base por sua altura.
3

Figuras planas equivalentes são figuras de áreas iguais.

Volume de uma pirâmide qualquer

Consideremos uma pirâmide de vértice L, base A1A2A3...An, altura H e área da base B, e seja P um ponto interior
à base. Essa pirâmide pode ser decomposta em n pirâmides triangulares, LA1A2P, LA2A3P, LA3A4P, ... e LAnA1P,
cujas áreas da base são B1, B2, B3, ... e Bn, respectivamente, conforme mostra a figura a seguir.
ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Note que todas essas pirâmides têm a mesma altura H e B1 + B2 + B3 + ... + Bn = B. Sendo V1, V2, V3, ... e Vn os
volumes dessas pirâmides triangulares, temos:

1 1 1 1
V1 = ⋅ B1H; V2 = ⋅ B2H; V3 = ⋅ B3H; ...; Vn = ⋅ BnH
3 3 3 3

Portanto:

1 1 1 1
V1 + V2 + V3 + ... + Vn = ⋅ B1H + ⋅ B2H + ⋅ B3H + ... + ⋅ BnH =
3 3 3 3

1 1
= ⋅ H ⋅ (B1 + B2 + B3 + ... + Bn) = ⋅ HB
3 3
Página 220

Como a soma V1 + V2 + V3 + ... + Vn é igual ao volume V da pirâmide, concluímos que:

1
V = ⋅ BH
3

Ou seja:

1
O volume de uma pirâmide qualquer é igual a do produto da área de sua base por sua altura.
3

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
12 Calcular o volume de uma pirâmide de altura 12 cm cuja base é um trapézio isósceles de lados 10 cm, 10 cm,
9 cm e 21 cm.

Resolução

Esquematizando a base da pirâmide, temos:

Aplicando o teorema de Pitágoras, obtemos a altura h do trapézio da base:

h2 + 62 = 102 ⇒ h2 = 64

∴ h = 8 cm

Assim, a área B da base da pirâmide é dada por:

(9 + 21)⋅ 8
B=[ ] cm2 = 120 cm2
2

Sendo H a altura da pirâmide, seu volume V é dado por

1
V = ⋅ BH; portanto:
3

1
V = ( ⋅ 120 ⋅ 12) cm3 = 480 cm3
3

13 Em uma pirâmide regular triangular cujo volume é 36√3 dm3, cada aresta da base mede 6√3 dm. Calcular a
área lateral dessa pirâmide.

Resolução

A base da pirâmide é um triângulo equilátero com 6√3 dm de lado; logo, a altura h desse triângulo é dada por:
6√3⋅ √3
h= dm = 9 dm
2

Calculando a área B da base da pirâmide, temos:

6√3 ⋅ 9
B= dm2 = 27√3 dm2
2

Indicando por H a medida, em decímetro, da altura da pirâmide, temos que o volume dessa pirâmide é
1
calculado por V = ⋅ B ⋅ H. Assim:
3

1 1
V = ⋅ B ⋅ H ⇒ 36√3 = ⋅ 27√3 ⋅ H
3 3

∴H=4

Lembrando que o apótema do triângulo equilátero é a terça parte da altura, calculamos a medida r do apótema
da base da pirâmide por:

9
r = dm = 3 dm
3

Indicando por n a medida, em decímetro, do apótema da pirâmide, esquematizamos:

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Pelo teorema de Pitágoras, temos:

n2 = 32 + 42 ⇒ n = 5

A área Af de uma face lateral da pirâmide é dada por:

6√3⋅ 5
Af = dm2 = 15√3 dm2
2

Concluímos, calculando a área lateral Aℓ da pirâmide:

Aℓ = 3 ⋅ Af ⇒ Aℓ = 45√3 dm2
Página 221

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

26 Em uma pirâmide regular quadrangular, cada aresta lateral mede 15 cm e cada aresta da base mede 18 cm.

FAUSTINO

Calcule:

a) a medida n do apótema da pirâmide; 12 cm

b) a medida r do apótema da base da pirâmide; 9 cm

c) a medida H da altura da pirâmide; 3√7 cm

d) a área lateral Aℓ da pirâmide; 432 cm2

e) a área B da base da pirâmide; 324 cm2

f) a área total A T da pirâmide; 756 cm2

g) o volume V da pirâmide. 324√7 cm3

27 Em uma pirâmide regular hexagonal, cada aresta lateral mede 13 cm e cada aresta da base mede 10 cm.

FAUSTINO

Calcule:

a) a medida m do apótema da pirâmide; 12 cm

b) a medida r do apótema da base da pirâmide; 5√3 cm

c) a altura H da pirâmide; √69 cm

d) a área lateral Aℓ da pirâmide; 360 cm2


e) a área B da base da pirâmide; 150√3 cm2

f) a área total AT da pirâmide; 30(12 + 5√3) cm2

g) o volume V da pirâmide. 150√23 cm3

28 Com uma folha quadrada de cartolina com 10 dm de lado, um estudante construiu a superfície lateral de
uma pirâmide quadrangular regular. Para isso, traçou os segmentos de reta que passam pelo centro V do
quadrado e encontram os lados nos pontos que distam 2 dm dos vértices. Em seguida, recortou a cartolina,
ficando apenas com as faces triangulares da pirâmide, conforme mostra a figura. Finalmente, montou a
superfície lateral da pirâmide. Qual é a altura da pirâmide que tem essa superfície lateral? 4 dm

ADILSON SECCO

29 Uma pirâmide de altura 8 dm tem como polígono da base um triângulo retângulo de catetos 2 dm e 4 dm.
Calcule o volume dessa pirâmide.323 dm2

30 Calcule o volume de uma pirâmide de altura 6 cm, cuja base é um triângulo isósceles de lados 13 cm, 13 cm
e 10 cm. 120 cm3

[ícone: atividade em grupo] 31 Um recipiente de vidro com a forma interna de um paralelepípedo reto-
retângulo ABCDEFGH, com EF = GC = 12 cm e FG = 9 cm, cuja base é o retângulo EFGH, contém certa quantidade
de água. Quando sua base está na posição horizontal, a superfície da água atinge a altura x, em relação à base
EFGH. Inclinando-se o recipiente, sem derramar, consegue-se formar com a superfície da água o triângulo CFH,
conforme mostra a figura a seguir. Determinem a medida x em centímetro. x = 2 cm

ADILSON SECCO

Resolva os exercícios complementares 15 a 21.

CRIANDO PROBLEMAS

[ícone: atividade em grupo] Inspirando-se nos exercícios propostos 28 e 31, elaborem e resolvam um
problema sobre o volume de uma pirâmide que envolva uma situação do cotidiano. Resposta pessoal.
Página 222

Tronco de pirâmide de bases paralelas

Consideremos um plano paralelo à base de uma pirâmide P separando-a em dois poliedros. Um desses
poliedros é uma pirâmide P' (semelhante à pirâmide P), e o outro, um tronco de pirâmide de bases
paralelas.

Como as pirâmides P e P' são semelhantes, a razão entre comprimentos correspondentes em P e P' é constante.

Note que o volume V tronco do tronco é igual à diferença entre os volumes VP e VP’ das pirâmides P e P',
respectivamente, isto é:

V tronco = VP − VP’

EXERCÍCIO RESOLVIDO
14 A altura de uma pirâmide regular quadrangular é 18 cm e cada aresta da base mede 12 cm. Um plano a,
paralelo à base e distante 9 cm do vértice, intercepta a pirâmide. Calcular o volume do tronco de pirâmide
assim determinado.

Resolução

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Os triângulos VAB e VDC são semelhantes.

18 = 6
Como os lados correspondentes são proporcionais, temos: ⇒ DC = 3 cm
9 𝐷𝐶

Portanto, a base menor do tronco é um quadrado de lado 6 cm.

O volume V tronco do tronco de pirâmide é a diferença entre o volume da pirâmide original e o da pirâmide
acima do plano α, isto é:
1 1
V tronco = ( ⋅ 122 ⋅ 18 − ⋅ 62 ⋅ 9) cm3 = 756 cm3
3 3
Página 223

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

32 Uma pirâmide hexagonal regular de altura 12 cm e aresta da base de 4 cm é seccionada por um plano
paralelo à base e distante 6 cm do vértice. Calcule o volume do tronco de pirâmide assim determinado. 84√3 cm3

FAUSTINO

[ícone: atividade em grupo] 33 Uma caixa-d’água tem a forma de um tronco de pirâmide quadrangular regular
de bases paralelas. Internamente, a base maior tem 6 m de lado, a menor tem 2 m de lado e a altura do tronco é
3 m.

A capacidade dessa caixa-d’água é: alternativa e

a) 48.000 L

b) 62.000 L

c) 36.000 L

d) 64.000 L

e) 52.000 L

(Sugestão: Prolonguem as arestas laterais do tronco da pirâmide, obtendo, assim, a pirâmide que contém esse
tronco.)

Resolva o exercício complementar 22.

MENTES BRILHANTES

O espaço absurdo de Escher

O artista holandês Maurits Cornelis Escher (1898-1972) explorou como ninguém as ilusões de
óptica geradas pelas representações gráficas de figuras geométricas espaciais. Por volta de 1940,
seus trabalhos passaram a ter um toque surrealista, especialmente desenhos de estranhos edifícios
em que se confundem as noções de espaço e posição, como no desenho a seguir, no qual pessoas
parecem subir escadas para terraços inferiores e descer para superiores.

Escher escreveu a respeito de sua obra: “Ao enfrentar com entusiasmo os enigmas que nos cercam,
ao considerar e analisar as observações que realizei, acabei na área da Matemática. Ainda que me
considere absolutamente carente de informação ou conhecimento das ciências exatas, quase
sempre pareço ter mais em comum com os matemáticos que com meus colegas artistas”.

Até hoje a obra de Escher intriga matemáticos e psicólogos da percepção visual.


© 2015 THE M.C. ESCHER COMPANY-THE NETHERLANDS. ALL RIGHTS RESERVED.

EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES
Faça as atividades no caderno.

1 Um bloco com 61,2 N de peso foi colocado sobre um piso plano e horizontal. Ele tem a forma de um prisma
regular hexagonal com arestas da base e lateral medindo 2√3 m e 6 m, respectivamente. Adotando a
aproximação √3 ≈ 1,7, responda às questões a seguir.

ADILSON SECCO

a) Se o bloco for apoiado sobre uma de suas bases, qual será a pressão, em Newton por metro quadrado
(N/m2), exercida pelo bloco sobre a região de contato? 𝑃𝐵 ≈ 2 N/m2
Página 224

b) Se o bloco for apoiado sobre uma face lateral, qual será a pressão, em N/m2, exercida pelo bloco sobre a
região de contato? 𝑃𝑓 ≈ 3 N/m2

ADILSON SECCO

[Nota: A unidade de pressão no Sistema Internacional (SI) é o N/m2 (Newton por metro quadrado), que
também pode ser chamada de pascal, cujo símbolo é Pa.]

2 (UFJF-MG) Cada uma das caixas retangulares representadas nas figuras abaixo tem 12 cm de comprimento, 4
cm de largura e 3 cm de altura e foram lacradas com uma fita adesiva preta.

ADILSON SECCO

Ordenando crescentemente as caixas pela quantidade de fita gasta em cada uma delas, obtém-se: alternativa e

a) caixa 1, caixa 2, caixa 3.

b) caixa 1, caixa 3, caixa 2.

c) caixa 3, caixa 1, caixa 2.

d) caixa 2, caixa 3, caixa 1.

e) caixa 3, caixa 2, caixa 1.

3 (Enem) Uma lata de tinta, com a forma de um paralelepípedo retangular reto, tem as dimensões, em
centímetros, mostrada na figura.

FAUSTINO

Será produzida uma nova lata, com os mesmos formato e volume, de tal modo que as dimensões de sua base
sejam 25% maiores que as da lata atual. Para obter a altura da nova lata, a altura da lata atual deve ser
reduzida em: alternativa d

a) 14,4%

b) 20,0%

c) 32,0%
d) 36,0%

e) 64,0%

4 (Enem) Um fazendeiro tem um depósito para armazenar leite formado por duas partes cúbicas que se
comunicam, como indicado na figura. A aresta da parte cúbica de baixo tem medida igual ao dobro da medida
da aresta da parte cúbica de cima. A torneira utilizada para encher o depósito tem vazão constante e levou 8
minutos para encher metade da parte de baixo.

FAUSTINO

Quantos minutos essa torneira levará para encher completamente o restante do depósito? alternativa b

a) 8

b) 10

c) 16

d) 18

e) 24

5 Quando uma pedra submerge completamente nas águas de um aquário, que tem forma de um paralelepípedo
reto-retângulo, o nível da superfície da água sobe 2,5 cm. Sabendo que, internamente, o fundo desse aquário
tem 50 cm de comprimento por 40 cm de largura, calcule o volume da pedra, em centímetro cúbico. 5.000 cm3

FAUSTINO

6 Um recipiente de vidro hermeticamente fechado, contendo água, tem, internamente, a forma de um


paralelepípedo reto-retângulo de dimensões 20 cm, 10 cm e 8 cm. Quando uma face de 20 cm por 10 cm está
apoiada sobre o tampo horizontal de uma mesa, a superfície da água dista 2 cm da face superior, conforme
mostra a figura. Quando uma face de dimensões 10 cm por 8 cm está apoiada sobre o tampo da mesa, qual é a
distância da superfície da água à face superior? 5 cm

ADILSON SECCO

7 Os profissionais que executam um projeto arquitetônico, industrial, mecânico etc. baseiam-se em desenhos
técnicos elaborados por outros profissionais que idealizaram o projeto. Por isso, esses desenhos devem
representar com exatidão todas as formas e medidas do objeto representado. A necessidade da padronização
de linguagem no desenho técnico motivou os matemáticos Gaspar Monge (1746-1818) e, alguns anos depois,
Gino Loria (1862-1954) a desenvolver um método que permitisse a representação gráfica, em um plano, de um
objeto tridimensional.

Para ter uma ideia do método Monge-Loria, considere três planos, α, β e γ, perpendiculares entre si e um
objeto qualquer que desejamos representar: por exemplo, um paralelepípedo reto-retângulo com cada face
paralela a um desses planos, conforme mostra a figura 1. Primeiro, consideramos as projeções ortogonais
desse paralelepípedo sobre os três planos (figura 2). Essas projeções rebatidas sobre o plano γ, conforme
mostra a figura 3, formam a representação do paralelepípedo pelo método Monge-Loria.
Página 225

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Observe que a partir da representação de Monge-Loria conhecemos a forma e as dimensões do objeto


representado. Mesmo que o objeto representado tenha formas complexas, essa representação é capaz de
descrevê-las precisamente. Supondo que na figura 3, acima, os retângulos A, B e C tenham respectivamente
áreas de 80 cm2, 24 cm2 e 30 cm2, calcule, do paralelepípedo representado na figura 1:

a) a área total; 268 cm2

b) as três dimensões: comprimento, largura e altura; 10 cm, 8 cm e 3 cm

c) o volume. 240 cm3

[ícone: calculadora] 8 No paralelepípedo reto-retângulo representado abaixo, calcule a medida do ângulo agudo
que a diagonal AG forma com o plano da base ABCD. aproximadamente 36,9°

FAUSTINO

9 (UFMG) O volume de uma caixa cúbica é 216 litros. A medida de sua diagonal, em centímetros, é: alternativa d

a) 0,8√3
b) 6

c) 60

d) 60√3

e) 900√3

10 Calcule o volume de um prisma regular cuja superfície planificada é apresentada a seguir. 240√3 cm3

ADILSON SECCO

11 (UEG-GO) Com uma folha de zinco retangular de dimensões 40 cm por 3 m, constrói-se uma calha na forma
“V”, conforme ilustra a figura abaixo.

FAUSTINO

Considerando que seja possível encher totalmente a calha de água, o volume da água acumulada, em m 3, é de:
alternativa a

a) 0,03√3

b) 0,04√3

c) 0,05√3

d) 0,06√3

e) 0,07√3

12 (UFRJ) Uma caixa sem tampa, completamente cheia de leite, tem a forma de um paralelepípedo retângulo de
dimensões internas a = 10 cm, b = 7 cm e c = 16 cm. Inclina-se a caixa de 60° em relação ao plano horizontal de
modo que apenas uma das menores arestas fique em contato com o plano, como mostra a figura. Qual o
volume do leite derramado? 350√3
3
cm3
ADILSON SECCO

13 (UFT-TO) Uma piscina retangular mede 6 m de largura por 12 m de comprimento e sua profundidade varia
de 1 m a 3 m. Nesta figura, está representada uma secção dessa piscina ao longo de seu comprimento:

FAUSTINO

Ela é revestida internamente, tanto nas laterais como no fundo, por azulejos quadrados, cujos lados medem,
cada um, 20 cm.

Em um determinado momento, essa piscina continha 133,2 m3 de água e, para torná-la própria para o uso,
adicionou-se à água um produto químico à razão de 20 g para cada 10.000 litros de água.
Página 226

Com base nessas informações, julgue os itens de a a e.

a) A área lateral interna dessa piscina é de 72 m2. verdadeiro

b) Para o revestimento do fundo dessa piscina, foram usados menos de 1.950 azulejos. verdadeiro

c) A profundidade da piscina, em seu ponto mais raso, nessa ocasião, era de 85 cm. verdadeiro

d) Na mesma ocasião, foram adicionados menos de 250 g do produto químico à água contida na piscina. falso

e) Para essa piscina ficar completamente cheia, será necessária a adição de 9.800 litros de água. falso

(Nota: Julgar os itens significa classificar cada um deles em verdadeiro ou falso.)

14 (Ibmec) Uma caçamba para recolher entulho, sem tampa, tem a forma de um prisma reto, conforme mostra
a figura, em que o quadrilátero ABCD é um trapézio isósceles.

Desprezando a espessura das paredes, as dimensões da caçamba, dadas em metro, são AB = 2, CD = 3,2, BC = 1
e CG = 1,5.

a) Calcule a capacidade dessa caçamba, em metro cúbico. 3,12 m3

b) As chapas de aço que compõem a caçamba devem ser protegidas com tinta anticorrosiva, tanto na parte
interna quanto na parte externa. Calcule a área a ser pintada, em metro quadrado. 20,32 m2

15 O pano de um guarda-sol armado tem a forma da superfície lateral de uma pirâmide octogonal regular de
aresta lateral 100 cm e aresta da base 56 cm. Calcule a área desse pano. 21.504 cm2

SERGIO PITAMITZ/CORBIS/LATINSTOCK

16 A figura abaixo representa um tetraedro regular ABCD de aresta 2√3 dm, em que M e N são pontos médios
das arestas 𝐴𝐵 e 𝐶𝐷, respectivamente.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO
a) Prove que o segmento 𝑀𝑁 é perpendicular às arestas 𝐴𝐵 e 𝐶𝐷. Ver Suplemento com orientações para o professor.

(Sugestão: Observe que os triângulos MCD e NAB são isósceles.)

⃡ e 𝐶𝐷
b) Calcule a distância, em decímetro, entre as retas reversas 𝐴𝐵 ⃡ . √6 dm
17 A parte emersa de um iceberg é, aproximadamente, uma pirâmide regular quadrangular com 1,6 km de
aresta da base e 0,6 km de altura. A densidade do gelo e da água na região permite concluir que 80% do iceberg
está submerso. Calcule, aproximadamente:

ALL CANADA PHOTOS/DIOMEDIA

a) o volume do iceberg; 2,56 km3

b) a área da superfície lateral da parte emersa do iceberg. 3,2 km2

18 (PUC-RS) Um cubo de aresta 2a é seccionado por um plano e a parte menor é retirada, restando a parte
representada pela figura ao lado. O volume do sólido que foi retirado do cubo é: alternativa a

𝑎3
a)
6

b) a3 − 3

𝑎3 √3
c)
6

𝑎3 √3
d)
12

8𝑎3
e)
3

19 (UFPE) Os quatro vértices de um tetraedro regular são vértices de um cubo (conforme a ilustração a
seguir). Qual fração do volume do cubo é ocupada pelo tetraedro? alternativa e
1
a)
5

1
b)
4

3
c)
5

1
d)
2

1
e)
3

20 (UFRGS-RS) Um octaedro tem seus vértices localizados nos centros das faces de um cubo de aresta 2. O
volume do octaedro é: alternativa b

2
a)
3

4
b)
3

c) 2

8
d)
3

10
e)
3
Página 227

21 O apótema da base de uma pirâmide triangular regular mede metade da medida do apótema da pirâmide.
Calcule o volume dessa pirâmide, sabendo que sua altura é 6 cm. 72√3 cm3

22 (Enem) Uma fábrica produz velas de parafina em forma de pirâmide quadrangular regular com 19 cm de
altura e 6 cm de aresta da base. Essas velas são formadas por 4 blocos de mesma altura – 3 troncos de
pirâmide de bases paralelas e 1 pirâmide na parte superior –, espaçados de 1 cm entre eles, sendo que a base
superior de cada bloco é igual à base inferior do bloco sobreposto, com uma haste de ferro passando pelo
centro de cada bloco, unindo-os, conforme a figura.

Se o dono da fábrica resolver diversificar o modelo, retirando a pirâmide da parte superior, que tem 1,5 cm de
aresta na base, mas mantendo o mesmo molde, quanto ele passará a gastar com parafina para fabricar uma
vela? alternativa b

a) 156 cm3

b) 189 cm3

c) 192 cm3

d) 216 cm3

e) 540 cm3

PRÉ-REQUISITOS PARA O CAPÍTULO 10


Faça as atividades no caderno.

Responda às questões a seguir, cuja finalidade é rever os principais conceitos necessários para o
desenvolvimento da teoria e das atividades do Capítulo 10.

1 Calcule:

a) a área de um retângulo com 8 cm de base e 5 cm de altura; 40 cm2

b) o comprimento de uma circunferência com 5 m de raio; 10π m

c) a área de um círculo com 3 dm de raio; 9π dm2

d) a área de um setor circular com 6 cm de raio e 40° de ângulo central; 4π cm2

e) o comprimento do arco do setor circular citado no item d. 4𝜋


3
cm

2 O que é um sólido geométrico? Dê exemplos.

Ver Suplemento com orientações para o professor.


3 Desenhe o sólido geométrico gerado por uma rotação de 360° do retângulo ABCD, representado abaixo, em
⃡ . O sólido assim obtido é chamado sólido de revolução. Ver Suplemento com orientações para o professor.
torno da reta 𝐶𝐷

4 (Enem) Assim como na relação entre o perfil de um corte de um torno e a peça torneada, sólidos de
revolução resultam da rotação de figuras planas em torno de um eixo. Girando-se as figuras a seguir em torno
da haste indicada obtêm-se os sólidos de revolução que estão na coluna da direita.

ILUSTRAÇÕES: ADILSON SECCO

A correspondência correta entre as figuras planas e os sólidos de revolução obtidos é: alternativa d

a) 1A, 2B, 3C, 4D, 5E.

b) 1B, 2C, 3D, 4E, 5A.

c) 1B, 2D, 3E, 4A, 5C.

d) 1D, 2E, 3A, 4B, 5C.

e) 1D, 2E, 3B, 4C, 5A.


Página 228

Trabalhando em equipe

“Toda Educação humana deve preparar cada um a viver para os outros.”

Auguste Comte (1798-1857), filósofo francês, fundador da Sociologia e do Positivismo.

Componha uma equipe com alguns colegas e discutam as seções a seguir.

ANÁLISE DA RESOLUÇÃO
Um aluno resolveu o exercício conforme a reprodução a seguir. Um erro foi cometido.
Apontem o erro e refaçam a resolução no caderno, corrigindo-a.

Exercício

A figura representa um prisma hexagonal regular de altura 10 dm e área lateral 240 dm 2. Calcule a distância
entre as retas reversas r e s que contêm, respectivamente, as arestas 𝐴𝐺 e 𝐶𝐷 desse prisma.

Resolução

Sendo x a medida, em decímetro, de uma aresta da base, temos:

6 ∙ x ∙ 10 = 240 ⇒ x = 4

Dividindo o hexágono regular em triângulos equiláteros:


ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Logo, a distância AD entre as retas reversas r e s é 8 dm.

Por definição, a distância entre duas retas reversas r e s é a medida do segmento de reta 𝑃𝑄, perpendicular a r e a s, com P ∈ r e Q ∈ s. Como o
segmento 𝐴𝐷 não é perpendicular a 𝐶𝐷, pois m(A𝐷 ̂ C) = 60°, temos que AD não é a distância entre as retas r e s.

Resolução correta:

Indicando por x a medida, em decímetro, de uma aresta da base do prisma, temos:

6 ⋅ x ⋅ 10 = 240 ⇒ x = 4

Logo, a medida do lado de cada base é 4 dm. Traçando a diagonal 𝐴𝐶 da base ABCDEF, temos:

• o triângulo ABC é isósceles, pois 𝐴𝐵 e 𝐵𝐶 são lados do hexágono regular;

• A𝐵̂ C mede 120°, pois é ângulo interno do hexágono regular;

• B𝐴̂C e B𝐶̂ A são congruentes e medem 30° cada um;

• A𝐶̂ D mede 90°, pois m(B𝐶̂ A) = 30° e m(B𝐶̂ D) = 120°.

FAUSTINO

Temos também que o segmento AC é perpendicular à aresta


𝐴𝐺, pois cada aresta lateral de um prisma reto é perpendicular às bases do prisma. Portanto, 𝐴𝐶 é perpendicular às duas retas reversas r e s;
logo, a medida AC é a distância entre essas retas. Aplicando a lei dos cossenos, temos:

1
(𝐴𝐶)2 = 42 + 42 − 2 ⋅ 4 ⋅ 4 ⋅ cos 120° ⇒ (𝐴𝐶)2 = 42 + 42 − 2 ⋅ 4 ⋅ 4 ⋅ (− )
2

∴ AC = 4√3

Logo, a distância entre as retas r e s é 4√3 dm.


Página 229

MATEMÁTICA SEM FRONTEIRAS

Os poliedros de Arquimedes
Entre seus incontáveis trabalhos, Arquimedes de Siracusa (cerca de 287 a.C.-212 a.C.) estudou os poliedros
convexos, não regulares, que possuem todas as faces regulares e todos os ângulos poliédricos congruentes;
esses poliedros são chamados de poliedros arquimedianos.

Existem treze tipos de poliedros arquimedianos. Um deles é obtido a partir de um cubo, retirando-se de cada
vértice uma pirâmide triangular regular, de modo que todas as arestas do sólido remanescente tenham a
mesma medida, conforme mostram as figuras a seguir.

Outro desses poliedros é obtido a partir de um icosaedro regular, retirando-se de cada vértice uma pirâmide
1
regular pentagonal cujas arestas laterais medem da aresta do icosaedro:
3

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

I DREAM STOCK/MASTERFILE/LATINSTOCK

Esse poliedro arquimediano teve um papel de destaque no século XX: em 1970, no Campeonato Mundial de
Futebol, usou-se pela primeira vez uma bola de futebol construída com base nesse poliedro; e em 1985 foi
descoberta uma nova forma de carbono, o buckminsterfullereno, cujos 60 átomos localizam-se nos vértices
desse poliedro arquimediano e as arestas representam as ligações químicas, conforme a figura a seguir.
Representação do carbono buckminsterfullereno.

J. BERNHOLC ET AL/NORTH CAROLINA STATE UNIVERSITY/SCIENCE PHOTO LIBRARY/LATINSTOCK

ATIVIDADES

Faça as atividades no caderno.

1 O primeiro poliedro arquimediano apresentado nesse texto, com seis faces octogonais e oito faces
triangulares, é chamado de cubo truncado. Quantas arestas e quantos vértices possui esse poliedro? arestas: 36;
vértices: 24

2 Se cada aresta do cubo que deu origem ao cubo truncado mede 6 dm, qual é o volume desse poliedro
arquimediano? 504(√2 − 1) dm3
Página 230

CAPÍTULO 10 - Corpos redondos

ILUSTRAÇÕES: SOUD

Os temas de ficção científica presentes em muitos filmes e seriados de TV sempre exerceram forte
atração sobre o público. O ataque de criaturas gigantes faz tanto sucesso que filmes como King Kong e O
ataque da mulher gigante tiveram mais de uma versão.

Ficção × Tecnologia

Mas será que os avanços científicos e tecnológicos possibilitarão a ampliação de animais ou pessoas? E, se isso for
possível algum dia, as proporções entre as partes do corpo serão mantidas?

Ampliando

Para entender como seria ampliar uma criatura, vamos imaginar a ampliação de um cubo.

Considere um cubo cuja aresta mede ℓ. A área a de uma de suas faces é ℓ2 e seu volume v é ℓ3.

L = 2ℓ

Considere esse cubo ampliado, com aresta medindo 2ℓ. Observe que o comprimento da aresta dobrou, mas a área e o
volume não dobraram.

A = 4a

A área da face do cubo ampliado é:


A = 2ℓ ⋅ 2ℓ = 4ℓ2

V = 8v

O volume do cubo ampliado é:

V = 2ℓ ⋅ 2ℓ ⋅ 2ℓ = 8 ℓ3

Esqueletos diferentes

A resistência de um osso é medida pela força aplicada por unidade de área. Quanto maior for a área da secção
transversal de um osso, maior será a massa suportada por ele. Assim, entendemos por que o diâmetro da perna de
um elefante é muito maior que o diâmetro da perna de uma pessoa.
Página 231

Além da teoria

Pelo infográfico, você aprendeu que a resistência de um corpo está relacionada à área de sua secção
transversal. Suponha que a perna de uma mulher tenha a forma de um cilindro de raio r e altura h. Essa
mulher foi ampliada, de modo que sua perna ficou com raio 3r.

1. Qual é a forma da secção transversal de um cilindro? Forma circular

2. Qual é a área da secção da perna da mulher antes de ser ampliada? E depois? Antes: πr2; depois: 9πr2

3. O que você acha que aconteceria com a massa da perna da mulher? Se o raio fosse triplicado, a massa da perna
seria multiplicada por 27.

É possível ampliar uma pessoa?

Imagine uma mulher com 1,60 metro de altura e 60 quilogramas de massa. Se sua altura aumentasse 10 vezes, sua
massa aumentaria 1.000 vezes. Será que seus ossos aguentariam 60.000 quilogramas? Com certeza não, pois a área
da secção transversal dos ossos aumentaria apenas 100 vezes, não suportando toda sua massa. Provavelmente, por
não suportar a própria massa, a mulher gigante cairia no chão com as pernas quebradas.
Página 232

1 Introdução
Ao observar um carro em movimento, testemunhamos a evolução de uma das maiores invenções humanas: a
roda. Ela não está presente apenas nos pneus, mas também no motor, de diferentes modos: nos eixos que
giram no interior de peças fixas, nas manivelas que giram movimentando os pistões, nas polias que giram
transmitindo movimento etc.

STEVE BOWER/SHUTTERSTOCK

Não só os automóveis dependem da roda: a maioria das máquinas não poderia existir sem ela. Mas como a
roda surgiu?

Provavelmente, isso teve início com a constatação de que objetos pesados, se colocados sobre troncos de
árvores, poderiam ser deslocados com mais facilidade.

DOMINGOS AQUINO

Muitas descobertas como essa basearam-se em propriedades físicas e geométricas dos objetos da natureza.

Neste capítulo, vamos estudar algumas formas geométricas arredondadas, começando pela forma do tronco de
árvore, chamada de forma cilíndrica.

2 Cilindro
Você provavelmente já notou analogias entre a forma de uma vela e a de um queijo, como mostram as fotos a
seguir.

AFRICA STUDIO/SHUTTERSTOCK
VOJTECHVLK/SHUTTERSTOCK

Ambos têm duas bases circulares paralelas e congruentes, e todos os seus pontos formam segmentos de reta
paralelos, com cada extremo em uma dessas duas bases. Por isso, dizemos que esses objetos têm a forma de
cilindro circular, figura que definiremos a seguir.

FAUSTINO

Sejam α e β dois planos paralelos distintos, uma reta s secante a esses planos e um círculo C de centro O
contido em α. Consideremos todos os segmentos de reta, paralelos a s, de modo que cada um deles tenha um
extremo pertencente ao círculo C e o outro extremo pertencente a β .

A reunião de todos esses segmentos de reta é um sólido chamado cilindro circular limitado ou, simplesmente,
cilindro.
Página 233

Elementos de um cilindro circular

Observando o cilindro apresentado na definição, nomeamos alguns elementos:

• os círculos C e C’, de centros O e O’, respectivamente, são chamados de bases do cilindro;

⃡ ’ é chamada de eixo do cilindro;


• a reta 𝑂𝑂

• o raio do círculo C é chamado de raio da base do cilindro;

• a distância entre as bases é chamada de altura do cilindro;

⃡ , com extremidades nas circunferências das bases, é chamado de


• todo segmento de reta, paralelo ao eixo 𝑂𝑂’
geratriz do cilindro.

Há outros tipos de cilindro (por exemplo, o de bases elípticas), mas trataremos apenas dos cilindros circulares. Por
comodidade, às vezes omitiremos a palavra circulares, chamando-os simplesmente de cilindros.

Secções de um cilindro

Toda intersecção não vazia de um cilindro com um plano paralelo às bases é chamada de secção transversal
do cilindro.

Qualquer secção transversal de um cilindro circular é um círculo congruente às bases.

Toda intersecção de um cilindro com um plano que passa pelos centros de suas bases é chamada de secção
meridiana do cilindro.

Cilindro circular reto e cilindro circular oblíquo


Cilindro circular reto é todo cilindro circular cujas geratrizes são perpendiculares às bases. Um cilindro
circular que não é reto é chamado de cilindro circular oblíquo.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Nas figuras, g é a medida da geratriz e h é a da altura. No cilindro circular reto, a medida das geratrizes coincide com
a altura.
Página 234

Nota:

O cilindro circular reto também é conhecido como cilindro de revolução, pois pode ser obtido por uma
revolução (rotação) de 360° de um retângulo em torno de um eixo que contém um de seus lados. Nesse caso, o
eixo do cilindro é chamado eixo de revolução.

FAUSTINO

Propriedade

Toda secção meridiana de um cilindro circular reto é um retângulo cuja base é o diâmetro da base do cilindro e
cuja altura é a altura do cilindro.

Cilindro equilátero

Todo cilindro circular reto cujas secções meridianas são quadradas é chamado de cilindro equilátero.

ILUSTRAÇÕES: ADILSON SECCO

Assim, no cilindro equilátero, a altura é igual ao diâmetro da base:

h = 2r

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

1 Cada geratriz de um cilindro circular oblíquo mede 10 cm e forma com os planos das bases ângulos de 60°.
Qual é a medida da altura desse cilindro? 5√3 cm

2 Calcule a área de uma secção meridiana de um cilindro equilátero cujo raio da base mede 3 dm. 36 dm2
Página 235

Área lateral e área total de um cilindro circular reto

Para entender melhor este tópico, vamos planificar a superfície de um cilindro circular reto. Para isso,
separamos as bases do cilindro e cortamos a superfície lateral sobre uma geratriz, obtendo dois círculos e um
retângulo, conforme a figura abaixo.

Observe que o comprimento do retângulo é o comprimento da circunferência da base do cilindro.

Note que a superfície de um cilindro circular reto de altura h e raio da base r é equivalente à reunião de um
retângulo, de dimensões 2πr e h, com dois círculos de raio r.

Área lateral

A área lateral Aℓ de um cilindro qualquer é a área da superfície formada pela reunião de todas as geratrizes do
cilindro.

Observando a planificação feita acima, concluímos que a área lateral Aℓ de um cilindro circular reto de altura h
e raio da base r é igual à área de um retângulo de altura h e base 2πr. Assim:

Aℓ = 2πrh

Lembre-se de que figuras planas equivalentes são figuras de áreas iguais.

Área total

A área total AT de um cilindro qualquer é a soma da área lateral Aℓ com as áreas das bases. No caso da
superfície do cilindro circular reto planificada que vimos acima, temos:

AT = 2πrh + πr2 + πr2 = 2πrh + 2πr2

Portanto:

AT = 2πr (h + r)

Volume de um cilindro circular

Consideremos um cilindro circular de altura h com raio da base r e um prisma de mesma altura h cuja base é
um quadrado de lado r√𝜋. Suponhamos que esses sólidos estejam em um mesmo semiespaço de origem em
um plano α e que suas bases estejam contidas em α.
ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Note que a área da base do cilindro, πr2, é igual à área da base do prisma, (r√𝜋)2 = πr2.
Página 236

Qualquer plano β, paralelo a α, que intercepta um desses sólidos também intercepta o outro e determina neles
secções transversais de mesma área πr2, pois cada secção é congruente à base do respectivo sólido. Assim, pelo
princípio de Cavalieri, esses sólidos têm volumes iguais. Como o volume do prisma é o produto da área da base
por sua altura, concluímos que:

O volume V de um cilindro circular qualquer é igual ao produto da área da base, πr2, pela altura h:

V = πr2 h

EXERCÍCIO RESOLVIDO
1 Em um cilindro circular reto de altura 7 cm, o raio da base mede 4 cm. Calcular desse cilindro:

a) a área B de uma base;

b) a área lateral Aℓ;

c) a área total AT;

d) a área ASM de uma secção meridiana;

e) o volume V.

Resolução

Veja abaixo a planificação da superfície do cilindro.

FAUSTINO

a) A área B de cada base é a área de um círculo de raio 4 cm:

B = π ⋅ 42 cm2 = 16 π cm2

b) A área lateral Aℓ é a área de um retângulo de comprimento 8π cm e altura 7 cm:

Aℓ = (8π ⋅ 7) cm2 = 56π cm2

c) A área total AT é a soma da área lateral com as áreas das duas bases:

AT = (56π + 2 ⋅ 16π) cm 2 = 88π cm2

d) A área ASM de uma secção meridiana do cilindro é a área de um retângulo de base 8 cm e altura 7 cm:

ASM = (8 ⋅ 7) cm2 = 56 cm2

e) O volume V é o produto da área da base pela altura do cilindro:


V = (16π ⋅ 7) cm3 = 112π cm3

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

3 Em um cilindro circular reto de altura 5 m, o raio da base mede 2 m. Calcule desse cilindro:

a) a área lateral Aℓ; 20π m2

b) a área B de uma base; 4π m2

c) a área total AT; 28π m2

d) a área A SM de uma secção meridiana; 20 m2

e) o volume V. 20π m3

4 Um cilindro equilátero tem 8 cm de altura. Calcule desse cilindro:

a) a área lateral Aℓ; 64π cm2

b) a área B de uma base; 16π cm2

c) a área total AT; 96π cm2

d) a área ASM de uma secção meridiana; 64 cm2

e) o volume V. 128π cm3

5 Uma secção meridiana de um cilindro equilátero tem 144 dm 2 de área. Calcule a área lateral, a área total e o
volume desse cilindro. 144π dm2; 216π dm2; 432π dm3

6 Um cilindro circular reto de raio da base 5 cm possui uma secção meridiana equivalente a uma de suas bases.
2
Calcule a área lateral, a área total e o volume desse cilindro. 25π2 cm2; 25π(π +2) cm2; 1252 𝜋 cm3

7 Uma fábrica de alimentos embala um de seus produtos em latas com a forma de um cilindro circular reto de
10 cm de altura. O rótulo de cada lata é confeccionado em papel e reveste totalmente a superfície lateral do
cilindro, sem haver sobreposição do papel. Se a área de um rótulo é 80p cm2, qual é a área total da superfície
dessa lata? 112π cm2

LIGIA DUQUE
Página 237

8 Vimos que o cilindro circular reto também é chamado de cilindro de revolução, pois pode ser obtido pela
revolução (rotação) de 360° de uma região retangular em torno de um de seus lados. Considerando a região
retangular na figura abaixo, calcule:

a) o volume do cilindro gerado pela revolução dessa região retangular em torno do lado 𝐴𝐷; 24π cm3

b) a área total do cilindro gerado pela revolução dessa região retangular em torno do lado 𝐴𝐵. 96π cm2

9 (Enem) Para resolver o problema de abastecimento de água foi decidida, numa reunião do condomínio, a
construção de uma nova cisterna. A cisterna atual tem formato cilíndrico, com 3 m de altura e 2 m de diâmetro,
e estimou-se que a nova cisterna deverá comportar 81 m3 de água, mantendo o formato cilíndrico e a altura da
atual. Após a inauguração da nova cisterna a antiga será desativada. Utilize 3,0 como aproximação para p. Qual
deve ser o aumento, em metros, no raio da cisterna para atingir o volume desejado? alternativa c

a) 0,5

b) 1,0

c) 2,0

d) 3,5

e) 8,0

10 Um cano cilíndrico de PVC tem 1 m de comprimento, 12 cm de raio interno e 13 cm de raio externo,


conforme mostra a figura.

Sabendo que a massa que compõe esse tubo é de 10,99 kg e adotando π = 3,14, pode-se concluir que a
densidade do PVC é: alternativa d

a) 2,3 g/cm3

b) 2,9 g/cm3

c) 1,8 g/cm3

d) 1,4 g/cm3

e) 0,9 g/cm3
11 Qualquer secção meridiana de um cilindro circular reto divide-o em dois sólidos chamados semicilindros
circulares retos. O raio da base e a altura do cilindro são, também, o raio da base e a altura de cada
semicilindro.

Considerando um semicilindro circular reto de altura 10 cm e raio da base 5 cm, calcule:

a) seu volume V; 125π cm3

b) sua área lateral Aℓ; 50(2 + π) cm2

c) sua área total AT. 25(4 + 3π) cm 2

12 Em um cilindro circular oblíquo, cada geratriz mede 6 cm a mais que a altura e forma ângulos de 30° com os
planos das bases de raio 5 cm, conforme mostra a figura.

Calcule o volume desse cilindro, em centímetro cúbico. 150π cm3

[ícone: atividade em grupo] 13 Definição: Um plano α que intercepta obliquamente todas as geratrizes de um
cilindro circular reto separa-o em dois sólidos chamados de troncos de cilindro reto com uma base circular
(a outra base de cada tronco é elíptica). Em cada um desses troncos, o menor segmento perpendicular à base
circular e com extremos nos contornos das bases é a geratriz menor do tronco, e o maior segmento nessas
condições é a geratriz maior do tronco. De acordo com essa definição, calculem o volume de um tronco de
cilindro reto com uma base circular de raio 4 cm, geratriz menor de 5 cm e geratriz maior de 9 cm. 112π cm3

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

(Sugestão: Imaginem outro tronco congruente a esse e coloque um sobre o outro, fazendo coincidir as bases
não circulares, de modo que se forme um cilindro.)

Resolva os exercícios complementares 1 a 3.

CRIANDO PROBLEMAS

[ícone: atividade em grupo] Inspirando-se nos exercícios propostos 7, 9 e 10, elaborem e resolvam um
problema sobre o cilindro circular reto que envolva uma situação do cotidiano. Resposta pessoal.
Página 238

3 Cone circular
Podemos descrever o formato de um tornado e o de uma pimenta-malagueta como alongados e afunilados.
Uma descrição equivalente é que eles têm, aproximadamente, a forma cônica.

MINERVA STUDIO/SHUTTERSTOCK

NENOV BROTHERS IMAGES/ SHUTTERSTOCK

Essa forma, tão frequente na natureza, também está presente nas construções humanas, desde uma simples
casquinha de sorvete até grandes estruturas de engenharia.

BINH THANH BUI/SHUTTERSTOCK

Catedral N. S. da Glória, Maringá, PR. Foto de 2011.

CARLOS GOLDGRUB/OPÇÃO BRASIL

Esses objetos lembram o cone circular, que é caracterizado por ter uma base circular e por todos os seus
pontos formarem segmentos de reta com um extremo nessa base e o outro extremo em um mesmo ponto V,
fora da base, conforme definimos a seguir.

Sejam um círculo C de centro O, contido em um plano α, e um ponto V não pertencente a α.


Consideremos todos os segmentos de reta que possuem um extremo pertencente ao círculo C e o outro no
ponto V.

A reunião de todos esses segmentos de reta é um sólido chamado cone circular limitado ou simplesmente cone
circular.

Elementos de um cone

Observando o cone apresentado na definição, nomeamos alguns elementos:

• o círculo C e o ponto V são chamados, respectivamente, de base e vértice do cone;

⃡ é chamada de eixo do cone;


• a reta 𝑂𝑉

• o raio do círculo C é chamado de raio da base do cone;

• a distância entre o vértice e o plano da base é chamada de altura do cone;

• todo segmento de reta cujos extremos são o ponto V e um ponto da circunferência da base é chamado de
geratriz do cone.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Há outros tipos de cone (por exemplo, o de base elíptica), mas trataremos apenas dos cones circulares. Por
comodidade, às vezes omitiremos a palavra circulares, chamando-os simplesmente de cones.
Página 239

Secções de um cone circular

Toda intersecção não vazia e não unitária de um cone com um plano paralelo à base é chamada de secção
transversal do cone.

Qualquer secção transversal de um cone circular é um círculo.

Toda intersecção de um cone com um plano que passa pelo vértice e pelo centro de sua base é chamada de
secção meridiana do cone.

Cone circular reto e cone circular oblíquo

Cone circular reto é todo cone circular cujo eixo é perpendicular ao plano da base. Um cone circular não reto é
chamado de cone circular oblíquo.

Nas figuras, g é a medida da geratriz e h é a da altura. Note que a altura do cone circular reto é a distância do vértice
até o centro da base.

Nota:

O cone circular reto também é conhecido como cone de revolução, pois pode ser obtido por uma revolução
(rotação) de 360° de um triângulo retângulo em torno de um dos catetos. Nesse caso, o eixo do cone é
chamado de eixo de revolução.
ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO
Página 240

Propriedade

Toda secção meridiana de um cone circular reto é um triângulo isósceles cuja base é o diâmetro da base do
cone e cuja altura é a altura do cone.

Cone equilátero

Todo cone circular reto cujas secções meridianas são triângulos equiláteros é chamado de cone equilátero.

ILUSTRAÇÕES: ADILSON SECCO

Em todo cone equilátero, a medida g de cada geratriz é igual ao diâmetro da base:

g = 2r

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

14 Em um cone circular oblíquo de vértice V, o segmento 𝐴𝐵 é um diâmetro da base e a geratriz 𝑉𝐴 é


perpendicular ao plano da base. Dado que VA = 8 cm e que AB = 6 cm, calcule a medida da geratriz 𝑉𝐵. 10 cm

15 Calcule o perímetro de uma secção meridiana de um cone equilátero cujo raio da base mede 2 dm. 12 dm

O cone circular reto e o teorema de Pitágoras

Consideremos um cone circular reto tal que o raio da base, a geratriz e a altura meçam r, g e h,
respectivamente, conforme mostra a figura abaixo.

FAUSTINO
Página 241

Pelo teorema de Pitágoras, temos:

g2 = r2 + h2

Área lateral e área total de um cone circular reto

Para entender melhor este tópico, vamos planificar a superfície de um cone circular reto. Para isso, separamos
a base do cone e cortamos a superfície lateral sobre uma geratriz, obtendo um círculo e um setor circular,
conforme mostra a figura abaixo.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Observe que o comprimento do arco do setor é o comprimento da circunferência da base do cone.

Note que a superfície de um cone circular reto com raio da base r e geratriz de medida g é equivalente à
reunião de um círculo de raio r com um setor circular de raio g e arco de comprimento 2πr.

Área lateral

A área lateral Aℓ de um cone qualquer é a área da superfície formada pela reunião de todas as geratrizes do
cone.

Observando a planificação feita acima, concluímos que a área lateral Aℓ de um cone circular reto de geratriz g e
raio da base r é igual à área de um setor circular de raio g e arco de medida 2πr. Como a área do setor é
proporcional ao comprimento de seu arco, podemos calcular Aℓ pela regra de três:

Então, concluímos que:

Aℓ = π rg

Área total

A área total AT de um cone qualquer é a soma da área lateral com a área da base. No caso do cone circular reto,
cuja superfície foi planificada acima, temos:

AT = πrg + πr2

Portanto:
AT= πr (g + r)
Página 242

Nota: A medida θ, em grau, do ângulo central do setor circular equivalente à superfície lateral do cone é obtida
pela regra de três:

Assim, concluímos que:

360° ∙ 𝑟
θ=
𝑔

2𝜋𝑟
Como 360° equivalem a 2π rad, podemos expressar a medida θ, em radiano, por θ = rad.
𝑔

Volume de um cone circular

Consideremos um cone circular de altura h com raio da base r e uma pirâmide com a mesma altura h, cuja base
é um quadrado de lado r√𝜋. Suponhamos que esses sólidos estejam em um mesmo semiespaço com origem em
um plano α e que suas bases estejam contidas em α, conforme mostra a figura:

ILUSTRAÇÃO: FAUSTINO

A área B da base do cone, B = πr2, é igual à área B’ da base da pirâmide, B’ = (r√𝜋)2 = πr2.

Todo plano β, paralelo a α, que determina uma secção de área β no cone determina também uma secção de
área b’ na pirâmide, de modo que:

𝑏 = 𝑑 2 𝑏′ 𝑑 2
( ) (I) e = ( ) (II),
𝐵 ℎ 𝐵 ℎ

em que d é a distância de β ao vértice do cone (ou ao vértice da pirâmide).

Por (I) e (II), temos:

𝑏 = 𝑏′
𝐵 𝐵′

Como B = B’, concluímos que b = b’.

Resumindo:

• o cone e a pirâmide têm bases equivalentes;


• todo plano b, paralelo a α, que secciona um dos sólidos também secciona o outro, determinando neles
secções transversais equivalentes.

Assim, pelo princípio de Cavalieri, os sólidos têm volumes iguais. O volume V da pirâmide, que é igual ao
volume do cone, é dado por:

1 1
V = ⋅ B’h ⇒ V = πr2 h
3 3
Página 243

Assim, concluímos que:

1
O volume V do cone circular é igual a do produto da área de sua base, πr2, por sua altura h:
3

1
V = πr2h
3

EXERCÍCIO RESOLVIDO
2 Um cone circular reto tem 9 cm de altura e 12 cm de raio da base. Calcular desse cone:

a) a área B da base;

b) a área lateral Aℓ;

c) a área total AT;

d) a medida θ, em grau, do ângulo central do setor circular equivalente à superfície lateral do cone;

e) a área ASM de uma secção meridiana;

f) o volume V.

Resolução

a) A área B da base é a área de um círculo de raio 12 cm:

B = π ⋅ 122 cm2 = 144π cm2

b) Pelo teorema de Pitágoras, temos:

g2 = 122 + 92 ⇒ g2 = 225

Logo: g = 15 cm

Representando no plano a superfície lateral e a base do cone, com as medidas indicadas em centímetro, temos:
A área lateral Aℓ é obtida pela regra de três:

Então, concluímos que:

24𝜋 ⋅ 225𝜋
Aℓ = ( ) cm2 = 180π cm2
30π

c) A área total AT é a soma da área lateral Aℓ com a área B da base:

AT = Aℓ + B ⇒

⇒ AT = (180π + 144π) cm2 = 324π cm2

d) A medida θ, em grau, é dada pela regra de três:

Portanto:

24 𝜋 ⋅ 360°
θ= ⇒
30𝜋

⇒ θ = 288°

e) Qualquer secção meridiana desse cone é um triângulo isósceles cuja base é o diâmetro da base do cone e
cuja altura é a mesma do cone. Observe:

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Logo, a área A SM de uma secção meridiana é dada por:

24 ⋅ 9
ASM = ( ) cm2 = 108 cm2
2

f) O volume V é a terça parte do produto da área da base pela altura do cone:

1
V = ( ⋅ 144𝜋 ⋅ 9) cm3 = 432π cm3
3
Página 244

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

16 Em um cone circular reto de altura 6 cm, o raio da base mede 8 cm. Calcule desse cone:

a) a área lateral Aℓ; 80π cm2

b) a área B da base; 64π cm2

c) a área total AT; 144π cm2

d) a medida θ do ângulo central do setor circular equivalente à superfície lateral do cone; 8𝜋


5
rad ou 288°

e) a área A SM de uma secção meridiana; 48 cm2

f) o volume V. 128 π cm3

17 Um cone equilátero tem 8 dm de diâmetro da base. Calcule desse cone:

a) a área lateral Aℓ; 32π dm2

b) a área B da base; 16π dm2

c) a área total AT; 48π dm2

d) a medida u do ângulo central do setor circular equivalente à superfície lateral do cone; π rad ou 180°

e) a área ASM de uma secção meridiana; 16√3 dm2

f) o volume V. 64𝜋√3
3
dm3

18 Uma secção meridiana de um cone equilátero tem 4√3 cm2 de área. Calcule a área lateral, a área total e o
volume desse cone. 8π cm2 12π cm2; 8𝜋√3
3
cm3

19 Uma indústria produz casquinhas para sorvete confeccionadas com biju na forma de cone circular reto.
Externamente, cada cone tem 6 cm de diâmetro da base e 12 cm de altura e, internamente, tem 5,4 cm de
diâmetro da base e 11 cm de altura. Calcule o volume de biju, em centímetro cúbico, que compõe cada casquinha.
9,27π cm3 ≈ 29,12 cm3

ILUSTRAÇÃO: FAUSTINO

20 Vimos que o cone circular reto também é chamado de cone de revolução, pois pode ser obtido pela
revolução (rotação) de 360° de um triângulo retângulo em torno de um dos catetos. Considerando o triângulo
a seguir, calcule:
ILUSTRAÇÃO: FAUSTINO

a) o volume do cone gerado pela revolução dessa região triangular em torno do cateto 𝐴𝐵; 320π cm3

b) a área total do cone gerado pela revolução dessa região triangular em torno do cateto 𝐵𝐶. 480π cm2

21 Um copo com o formato interno de um cone circular reto com 16 cm de altura e 8 cm de diâmetro da boca
contém certa quantidade de água. Colocando-o sobre uma mesa de modo que o eixo do cone fique na posição
vertical, constata-se que a água atinge 12 cm de altura, em relação ao vértice do cone, conforme mostra a
figura. Calcule o volume de água contida no copo, em mililitro. 36π mL

ADILSON SECCO

22 Um pedaço de cartolina possui a forma de um semicírculo de centro O e diâmetro 𝐴𝐵, com AB = 28 cm.
Colando 𝑂𝐵 em 𝑂𝐴, essa cartolina é transformada na superfície lateral de um chapéu cônico cuja base é
apoiada sobre o tampo plano e horizontal de uma mesa. Calcule a distância do bico do chapéu à mesa. 7√3 cm

Resolva o exercício complementar 4.

CRIANDO PROBLEMAS

[ícone: atividade em grupo] Inspirando-se nos exercícios propostos 19, 21 e 22, elaborem e resolvam
um problema sobre o cone circular reto que envolva uma situação do cotidiano. Resposta pessoal.
Página 245

Tronco de cone circular de bases paralelas

Neste subitem, estudaremos uma figura geométrica com a qual você vai identificar inúmeros objetos do dia a
dia, como um copo, uma rolha, um balde, a copa de um abajur etc.

AARON AMAT/SHUTTERSTOCK

HURST PHOTO/ SHUTTERSTOCK

MYLISA/SHUTTERSTOCK

GAMARUBA/SHUTTERSTOCK

Esses objetos têm o formato de um tronco de cone circular reto de bases paralelas, que definimos a seguir.

Considere um plano α paralelo à base de um cone circular C separando-o em dois sólidos. Um desses sólidos é
um cone C ’ e o outro é um tronco de cone circular de bases paralelas.
Note que o volume V tronco do tronco é igual à diferença entre os volumes VC e VC’ dos cones C e C ’,
respectivamente, isto é:

V tronco = VC − VC’

EXERCÍCIO RESOLVIDO
3 Seja um cone circular reto de altura 12 cm e raio da base 9 cm. Um plano α paralelo à base e distante 8 cm do
vértice separa o cone em dois sólidos. Calcular o volume do tronco de cone assim determinado.

Resolução

Esquematizando, temos:

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Da semelhança entre os triângulos VAB e VDC, temos:

12 = 9 ⇒ DC = 6
8 𝐷𝐶

Assim, já podemos calcular o volume V do tronco, dado pela diferença entre os volumes do cone original e do
cone acima do plano α:

1 1
V = ( ⋅ 𝜋 ⋅ 92 ⋅ 12 − ⋅ 𝜋 ⋅ 62 ⋅ 8) cm3 = 228π cm3
3 3
Página 246

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

23 Em um cone circular reto de 8 dm de altura, o raio da base mede 6 dm. Um plano, paralelo à base desse cone
e distante 4 dm de seu vértice, separa-o em dois sólidos.

FAUSTINO

Calcule, do tronco de cone assim determinado:

a) o volume; 84π dm3

b) a área lateral; 45π dm2

c) a área total. 90π dm2

[ícone: atividade em grupo] 24 Um reservatório de água tem a forma de um tronco de cone circular reto de
bases paralelas. Internamente, esse reservatório tem 6 m de altura e raios de 9 m e 3 m nas bases. Adotando p
= 3,14, calcule a capacidade desse reservatório em litro. 734.760 L

ADILSON SECCO

(Sugestão: Prolonguem as geratrizes do tronco para visualizar o cone que o contém.)

Resolva os exercícios complementares 5 e 6.

No exercício proposto 23, podemos dizer que o cone original é semelhante ao cone determinado acima do plano α? Dois cones
circulares retos são semelhantes quando uma secção meridiana de um deles é semelhante a uma secção meridiana do outro. Assim, se um
plano intercepta um cone circular reto C paralelamente à sua base, separando-o em dois sólidos, então um desses sólidos é um cone C'
semelhante a C.

4 Esfera
Há quem não conheça uma bola? Ela está presente desde muito cedo em nossa vida, das bolhas de sabão às
formas da natureza, passando, obviamente, pelas dezenas de jogos que podem ser praticados com ela.

PATRICK FOTO/SHUTTERSTOCK
AALTAIR/SHUTTERSTOCK

FERNANDO FAVORETTO/CRIAR IMAGEM

A atração pela forma esférica não é prerrogativa do homem moderno, pois desde a Antiguidade grega essa
forma é considerada padrão de equilíbrio e perfeição, como mostra a frase a seguir, creditada a Aristóteles
(384-322 a.C.):

“O céu deve ser necessariamente esférico, pois a esfera sendo gerada pela rotação do círculo é, de todos os
corpos, o mais perfeito”.

DREYER, J. L. E. A history of astronomy from Thales to Kepler. 2. ed. Nova York: Dover, 1953.

Além do fascínio estético, a forma esférica permitiu grandes invenções e descobertas. O próprio Aristóteles foi
um dos primeiros pensadores a defender a concepção esférica da Terra. Seus argumentos fundamentavam-se
no fato de a sombra da Terra sobre a Lua ser circular em um eclipse lunar.

Sombra da Terra projetada na superfície lunar durante eclipse.

ANDREW DARRINGTON/ALAMY/GLOW IMAGES


Página 247

Neste item estudaremos a esfera, seus elementos e suas propriedades. Acompanhe as definições a seguir.

Consideremos um ponto O e uma distância não nula R. Chama-se esfera de centro O e raio R o conjunto dos
pontos do espaço cujas distâncias ao ponto O sejam menores ou iguais a R.

Considerando a definição acima, temos:

• o conjunto dos pontos do espaço cujas distâncias ao ponto O são menores que R é chamado de interior da
esfera;

• o conjunto dos pontos do espaço cujas distâncias ao ponto O são iguais a R é chamado de superfície
esférica;

• o conjunto dos pontos do espaço cujas distâncias ao ponto O são maiores que R é chamado de exterior da
esfera.

Por essas definições, concluímos que a esfera é maciça enquanto a superfície esférica é apenas a “casca” da
esfera. Dois bons modelos para representar esses objetos, respectivamente, são:

Bolinhas de gude são maciças, sugerindo a ideia de esfera.

DAVE ROBERTSON/MASTERFILE/LATINSTOCK

Uma bolinha de pingue-pongue é oca, sugerindo a ideia de superfície esférica.

CN BOON/ALAMY/GLOW IMAGES

Posições relativas entre um plano e uma esfera

Plano secante a uma esfera

Um plano α é secante a uma esfera se, e somente se, ambos têm em comum infinitos pontos. Esses infinitos
pontos comuns formam um círculo chamado de secção plana da esfera.
Se o plano secante passa pelo centro da esfera, a secção plana é chamada de círculo máximo da esfera.

Sendo R a medida do raio da esfera, r a medida do raio de uma secção plana e d, com d > 0, a distância do plano
α ao centro O da esfera, temos, pelo teorema de Pitágoras:

R2 = d2 + r2

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO
Página 248

Plano tangente a uma esfera

Um plano α é tangente a uma esfera se, e somente se, ambos têm em comum um único ponto.

O raio da esfera é perpendicular ao plano tangente no ponto de contato.

Plano exterior a uma esfera

Um plano α é exterior a uma esfera se, e somente se, não existe ponto comum aos dois.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

EXERCÍCIO RESOLVIDO
4 Um plano α secciona uma esfera de raio 10 cm à distância de 6 cm de seu centro. Calcular a medida r do raio
da secção plana determinada por α nessa esfera.

Resolução

Pelo teorema de Pitágoras, temos: r2 + 62 = 102 ⇒ r2 = 64

∴ r =√64 ⇒ r = 8

Logo, o raio da secção plana mede 8 cm.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

25 A área da secção plana determinada por um plano a em uma esfera é 144π cm2. Dado que o raio da esfera
mede 13 cm, calcule:

a) a distância entre o plano a e o centro O da esfera; 5 cm

b) a maior distância possível entre o centro O' da secção plana e um ponto da esfera. 18 cm
26 Uma esfera de centro O e raio 17 cm é seccionada por um plano a distante 15 cm de O.

a) Calcule a área da secção plana determinada por a na esfera. 64π cm2

b) Calcule o perímetro da secção plana. 16π cm

c) Se 𝐴𝐵 é um diâmetro da secção plana e 𝐴𝐶 é um diâmetro da esfera, calcule a distância entre B e C. 30 cm

(Lembrete: A área A e o perímetro P de um círculo de raio r são dados por: A = πr2 e π = 2πr.)

[ícone: atividade em grupo] 27 (Enem) Uma empresa que fabrica esferas de aço, de 6 cm de raio, utiliza caixas
de madeira, na forma de um cubo, para transportá-las. Sabendo que a capacidade da caixa é de 13.824 cm3,
então o número máximo de esferas que podem ser transportadas em uma caixa é igual a: alternativa b

a) 4

b) 8

c) 16

d) 24

e) 32

Na seção Análise da resolução, no final do capítulo, é apresentado um método para o cálculo do raio da esfera inscrita em um
cone. Como é possível calcular o raio da esfera circunscrita àquele cone? Ver Suplemento com orientações para o professor.
Página 249

CONECTADO

Usando o GeoGebra, programa já instalado no computador (veja a atividade Conectado do capítulo


8, página 178), faça o que se pede. Ver Suplemento com orientações para o professor.

a) Represente um cilindro e uma de suas secções meridianas.

b) Represente um cilindro e uma de suas secções transversais.

c) Represente um cone e uma de suas secções meridianas.

d) Represente um cone e uma de suas secções transversais.

e) Represente a intersecção de uma esfera de centro O com um plano secante que não passe por O.

f) Represente uma esfera de centro O. Em seguida, desenhe um círculo máximo dessa esfera.

Volume de uma esfera

Para o cálculo do volume da esfera, utilizamos um sólido auxiliar chamado de anticlepsidra.

Esse sólido é obtido retirando-se de um cilindro equilátero de diâmetro 2R dois cones cujas bases coincidem
com as bases do cilindro e cujos vértices coincidem com o centro do cilindro.

Assim, o volume da anticlepsidra é igual à diferença entre o volume do cilindro equilátero de raio da base R e
o volume do sólido formado por dois cones circulares retos de altura R e raio da base R.

• O volume V1 do cilindro é V1 = πR2 ⋅ 2R, ou seja: V1 = 2πR3

1 2𝜋𝑅3
• O volume V2 do sólido formado pelos dois cones é V2 = 2 ( ⋅ 𝜋𝑅2 ⋅ 𝑅), ou seja: V2 =
3 3

Logo, o volume V da anticlepsidra é:

2𝜋𝑅3
V = V1 − V2 ⇒ V = 2πR3 −
3

4𝜋𝑅3
∴V=
3

Vamos demonstrar, agora, que o volume dessa anticlepsidra é igual ao volume de uma esfera de raio R. Para
isso, consideremos esses dois sólidos em um mesmo semiespaço de origem em um plano α de modo que a base
da anticlepsidra esteja contida em α e a esfera seja tangente a α:
ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Todo plano β, paralelo a α, que secciona a esfera secciona também a anticlepsidra. Se β passa pelo centro O da
esfera, então passa também pelo centro V da anticlepsidra e determina em ambos os sólidos secções de áreas
iguais a πR2, pois as duas secções são círculos de raio R.
Página 250

Suponhamos que β seccione esses sólidos à distância d, com d > 0, do centro da esfera (ou do centro da
anticlepsidra):

• Se r é o raio da secção determinada na esfera, então a área A1 dessa secção é: A1 = πr2

Observamos, pelo teorema de Pitágoras, que:

r2 + d2 = R2 ⇒ r2 = R2 − d2

Assim, podemos expressar a área A1 por: A1 =π(R2 − d2)

• A secção determinada pelo plano β na anticlepsidra é uma coroa circular:

Note que o raio interno dessa coroa é igual à distância d entre o plano β e o centro da anticlepsidra. Para
compreender essa afirmação, considere uma secção meridiana da anticlepsidra:

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

O triângulo VMN é isósceles; logo, o raio interno da coroa circular é igual a d. Assim, a área A2 dessa coroa é:

A2 = π (R2 − d2)

Observe que: A1 = A2

Resumindo, todo plano que secciona a esfera também secciona a anticlepsidra, determinando, em ambas,
secções de mesma área. Logo, pelo princípio de Cavalieri, a esfera tem o mesmo volume da anticlepsidra.
Assim:

O volume V de uma esfera de raio R é dado por:

4𝜋𝑅3
V=
3

Área da superfície esférica


Demonstra-se que:

A área A da superfície de uma esfera de raio R é dada por:

A = 4πR2
Página 251

EXERCÍCIO RESOLVIDO
5 Um plano α secciona uma esfera a 4 cm do centro O, determinando uma secção plana de raio 3 cm. Calcular o
volume dessa esfera e a área de sua superfície.

FAUSTINO

Resolução

Seja R a medida do raio da esfera. Pelo teorema de Pitágoras, temos:

R2 = 42 + 32 ⇒ R = 5 cm

Logo, o volume V da esfera e a área A de sua superfície são:

4𝜋 ⋅ 53 500𝜋
V= 𝑐𝑚3 ⇒ 𝑉 = cm3
3 3

A = 4π ⋅ 52 cm2 ⇒ A = 100π cm2

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

28 Uma esfera de centro O e raio 15 cm é seccionada por um plano α a 12 cm de O. Calcule:

a) a área da secção plana; 81π cm2

b) a área da superfície esférica; 900π cm2

c) o volume da esfera. 4.500π cm3

29 Um plano α secciona uma esfera a 3√3 cm do centro O, determinando uma secção plana de área 9π cm2.
Calcule o volume dessa esfera e a área de sua superfície. 288π cm3; 144π cm2

30 Um círculo máximo de uma esfera separa-a em duas partes. A reunião de cada uma dessas partes com o
círculo máximo é chamada de hemisfério ou semiesfera.

FAUSTINO
Calcule o volume e a área de um hemisfério de raio 3 cm. (Lembrete: Círculo máximo de uma esfera de centro O
é uma secção plana que passa por O.) 18π cm3; 27π cm2

31 Uma fundição transformou uma esfera maciça de ferro em oito esferas maciças de raio 5 cm. Qual é a
medida do raio da esfera original? 10 cm

32 A área da superfície de uma bola de basquetebol é 576π cm2 e o perímetro interno do aro da cesta é 45π cm.
Quanto por cento o diâmetro interno do aro é maior que o diâmetro da bola? 87,5% maior

[ícone: atividade em grupo] 33 Um vaso com água e fundo horizontal tem internamente a forma de um cilindro
circular reto com 6 cm de raio da base. Ao mergulhar no vaso uma esfera de aço com 6 cm de diâmetro, que
toca o fundo, observa- -se que a superfície da água tangencia a bola, conforme mostra a figura. Calculem a
altura da superfície da água, em relação ao fundo do vaso, antes de a esfera ser mergulhada. 5 cm

FAUSTINO

Resolva os exercícios complementares 7 a 9.

CRIANDO PROBLEMAS

[ícone: atividade em grupo] Inspirando-se nos exercícios propostos 31, 32 e 33, elaborem e resolvam
um problema sobre a esfera que envolva uma situação do cotidiano. Resposta pessoal.
Página 252

Esferas tangentes

Duas esferas são tangentes se, e somente se, suas superfícies têm um único ponto comum.

Propriedade

Se duas esferas de centros O e O’ são tangentes em um ponto T, então os pontos O, O’ e T são colineares.

EXERCÍCIO RESOLVIDO
FAUSTINO

6 Duas esferas tangentes exteriormente e tangentes a um plano α nos pontos A e B têm raios de medidas 9 cm
e 4 cm. Calcular a distância entre A e B.

Resolução

Considere um plano que passa pelos centros das esferas e pelos pontos A e B. Um esquema da secção obtida
pela intersecção desse plano com as esferas é mostrado na figura ao lado.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

No triângulo OO'M, temos:

(MO')2 + 52 = 132 ⇒ (MO')2 + 25 = 169

∴ (MO')2 = 144 ⇒ MO' = √144

∴ MO' = 12

Como MO' = AB, concluímos que AB é igual a 12 cm.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

34 Duas esferas tangentes entre si exteriormente e tangentes a um plano α têm raios 8 cm e 2 cm. Calcule a
distância entre os pontos de tangência, A e B, dessas esferas no plano α. 8 cm

[ícone: atividade em grupo] 35 (UFV-MG) Em um recipiente que tem a forma de um cilindro circular reto, com a
base horizontal de diâmetro 16 cm, são colocadas duas esferas de chumbo de raios iguais a 6 cm e 4 cm,
conforme ilustra a figura ao lado. A altura mínima, em cm, necessária para que um líquido colocado no
recipiente cubra totalmente as esferas é: alternativa b

a) 15

b) 18

c) 16

d) 19

e) 17

ADILSON SECCO

Resolva o exercício complementar 10.


Página 253

Fuso esférico e cunha esférica

Para poder definir fuso esférico e cunha esférica, é necessário o conceito de ângulo diedro. Dois semiplanos, p1
e p2, de mesma origem s separam o espaço em duas partes. A reunião desses semiplanos com cada uma dessas
partes é chamada de ângulo diedro de faces p1 e p2 e aresta s. A medida α do ângulo entre as faces é a medida
do ângulo diedro.

Considere um ângulo diedro de medida a, cuja aresta s passa pelo centro O de uma esfera de raio R:

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

• A parte da esfera contida nesse diedro é chamada de cunha esférica de raio R e ângulo diedro de medida α.

• A parte da superfície esférica contida nesse diedro é chamada de fuso esférico de raio R e ângulo diedro de
medida α.

Para visualizar melhor uma cunha e um fuso esférico, vamos imaginar dois cortes em uma laranja passando
pelo centro da fruta. O pedaço limitado por esses cortes lembra uma cunha esférica, e a casca contida nesse
pedaço dá a ideia de fuso esférico.

GEORGE TUTUMI

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
7 Calcular o volume de uma cunha esférica de raio 3 cm cujo ângulo diedro mede 40°.
Resolução

A razão entre o volume de uma esfera e a medida do ângulo diedro de uma volta completa (360° ou 2π rad) é
igual à razão entre o volume de uma cunha qualquer dessa esfera e a medida de seu ângulo diedro. Assim, o
volume V da cunha em questão pode ser calculado pela regra de três:

40 ⋅ 36𝜋
Então, concluímos que: V = cm3 = 4π cm3
360

𝜋
8 Calcular a área de um fuso esférico de raio 10 m cujo ângulo diedro mede rad.
5

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Resolução

A razão entre a área da superfície de uma esfera e a medida do ângulo diedro de uma volta completa (360° ou
2π rad) é igual à razão entre a área de um fuso qualquer dessa superfície e a medida de seu ângulo diedro.
Assim, a área A do fuso esférico em questão pode ser calculada pela regra de três:

Portanto:

𝜋
⋅ 400𝜋
A = (5 ) m2 = 40π m2
2𝜋
Página 254

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
Faça as atividades no caderno.

36 Calcule o volume de uma cunha esférica de raio 1 m cujo ângulo diedro mede 20°. 27 m3
2𝜋

3𝜋
37 Calcule o volume de uma cunha esférica de raio 2 cm cujo ângulo diedro mede rad. 2π cm3
8

38 Uma cunha esférica tem volume 6 π cm3 e ângulo diedro de 60°. Calcule a medida, em centímetro, do raio
dessa cunha esférica. 3 cm

39 Calcule a área de um fuso esférico de raio 5 m cujo ângulo diedro mede 80°.
200𝜋
m2
9

𝜋
40 Um fuso esférico tem área 12π m2 e ângulo diedro de rad. Calcule a medida do raio desse fuso. 6 m
6

ADILSON SECCO

[ícone: atividade em grupo] 41 Para um show de rock foi montado um palco plano e horizontal coberto por uma
estrutura em forma de fuso esférico, limitado por duas semicircunferências S1 e S2, com S1 contida no plano do
palco.

Dado que o raio do fuso é 20 m e que seu ângulo diedro é 120°, respondam às questões a seguir.

a) Em razão de dobras e sobreposições, a área da lona para a cobertura deve ter 10% a mais que a área do
fuso. Qual é a área dessa lona, em metro quadrado? 1.760
3
𝜋
m2

b) Qual é a medida do ângulo agudo entre o plano do palco e o plano que contém a semicircunferência S2? 60º

c) No ponto mais alto da semicircunferência S2 será instalado um canhão de luz. Qual é a altura desse ponto em
relação ao plano do palco? 10√3 m

Resolva os exercícios complementares 11 e 12.

MENTES BRILHANTES

As lentes e os espelhos esféricos

Uma secção plana de uma superfície esférica divide-a em duas partes denominadas calotas
esféricas. Um espelho esférico é aquele que tem sua superfície refletora, côncava ou convexa, com a
forma de uma calota esférica; e uma lente esférica é a que tem sua superfície composta de duas
calotas esféricas ou de uma calota esférica e uma parte plana.
A superfície refletora interna de uma concha de feijão é um espelho esférico côncavo.

JUNIOR ROZZO

A superfície refletora externa de uma concha de feijão é um espelho esférico convexo.

JUNIOR ROZZO

A lente de contato é uma lente esférica.

AFRICA STUDIO/SHUTTERSTOCK

As lentes e os espelhos — desde uma lente de contato ou um simples espelho de maquiagem até os
grandes telescópios astronômicos — são sistemas ópticos de grande importância em nossas vidas.
A evolução desses sistemas deve muito às contribuições de Carl Friedrich Gauss (1777-855), de
quem já falamos nesta obra. Gauss aplicou seus conhecimentos matemáticos em inúmeras áreas das
ciências. Suas pesquisas em Óptica foram marcantes no estudo das lentes e dos espelhos esféricos,
deduzindo importantes leis e equações que possibilitaram a construção de instrumentos ópticos de
alta definição de imagens.
Página 255

EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES
Faça as atividades no caderno.

1 A cobertura de um galpão é parte da superfície lateral de um cilindro circular reto de 10 m de raio e 20 m de


geratriz. Uma secção transversal do cilindro determina nessa cobertura um arco de 120°, conforme mostra a
figura abaixo.

ADILSON SECCO

A área dessa cobertura é: alternativa c

a) 300π m2

b) 400π m2

400𝜋
c) m2
3

325𝜋
d) m2
6

500𝜋
e) m2
6

2 Um dos processos de fabricação de panelas, bacias, formas e canecas de alumínio é o repuxo ou


embutimento, no qual uma chapa plana de alumínio é moldada sob a forma de um recipiente. As ferra mentas
que executam esse trabalho são basicamente uma prensa de punção e um molde. Na figura a seguir, vemos o
esquema de uma ferramenta de repuxo simples, utilizada para a fabricação de panelas cilíndricas.

ADILSON SECCO

Supondo que, na figura, a chapa circular de alumínio tenha 28 cm de raio e a profundidade da panela moldada
seja de 12 cm, calcule a capacidade da panela em litro. 9,6 L

3 Um copo cilíndrico reto, cujo diâmetro interno mede 6 cm e cuja altura interna mede 10 cm, contém certo
volume de água. Inclinando o máximo possível esse copo, sem derramar a água, obtemos a medida indicada na
figura abaixo.
FAUSTINO

Qual é o volume da água contida no copo? 81π cm3

4 (UFMG) Um reservatório de água tem a forma de um cone circular reto, de eixo vertical e vértice para baixo.
Quando o nível de água atinge a metade da altura do tanque, o volume ocupado é igual a π.

A capacidade do tanque é: alternativa e

a) 2π

8𝜋
b)
3

c) 4π

d) 6π

e) 8π

5 (Enem) Uma empresa precisa comprar uma tampa para o seu reservatório, que tem a forma de um tronco de
cone circular reto, conforme mostrado na figura.

ADILSON SECCO

Considere que a base do reservatório tenha raio r = 2√3 m e que sua lateral faça um ângulo de 60º com o solo.
Se a altura do reservatório é 12 m, a tampa a ser comprada deverá cobrir uma área de: alternativa b

a) 12π m2

b) 108π m2

c) (12 + 2√3)2 π m2

d) 300π m2

e) (24 + 2√3)2 π m2

6 Para a fabricação de um modelo de copa de abajur, é utilizada uma peça de tecido limitada por dois arcos
⏜ e 𝐶𝐷
circulares concêntricos, 𝐴𝐵 ⏜ , de comprimentos 18 π cm e 36 π cm, respectivamente, e por dois segmentos
de reta, 𝐴𝐶 e 𝐵𝐷, com 15 cm de comprimento cada um e contidos em retas que passam pelo centro dos arcos.
Essa peça de tecido é moldada na forma da superfície lateral de um tronco de cone, fazendo coincidir A com B e
C com D, conforme mostra a figura.
ADILSON SECCO

a) Calcule os raios das bases do tronco de cone. 9 cm e 18 cm

b) Calcule a altura do tronco de cone. 12 cm

c) Calcule a área de tecido usado na confecção dessa copa. 405π cm2


Página 256

[ícone: calculadora] 7 A densidade média da Terra é estimada em 5,5 g/cm3 e seu raio, em 6.370 km. Com base
nesses valores, calcule a massa, em quilograma, do nosso planeta. ≈ 5,94 ⋅ 1024 kg

8 (Enem) Uma empresa farmacêutica produz medicamentos em pílulas, cada uma na forma de um cilindro com
uma semiesfera com o mesmo raio do cilindro em cada uma de suas extremidades. Essas pílulas são moldadas
por uma máquina programada para que os cilindros tenham sempre 10 mm de comprimento, adequando o
raio de acordo com o volume desejado.

Um medicamento é produzido em pílulas com 5 mm de raio. Para facilitar a deglutição, deseja-se produzir esse
medicamento diminuindo o raio para 4 mm, e, por consequência, seu volume. Isso exige a reprogramação da
máquina que produz essas pílulas.

Use 3 como valor aproximado para π.

A redução do volume da pílula, em milímetros cúbicos, após a reprogramação da máquina, será igual a
alternativa e

a) 168.

b) 304.

c) 306.

d) 378.

e) 514.

9 Em um exame de sangue, o hematócrito (indicado por Ht ou Htc) é a razão percentual entre o volume
ocupado pelos glóbulos vermelhos e o volume total de sangue analisado. Os valores médios do Ht considerados
normais são diferentes segundo o sexo e a idade, variando de 42% a 52% nos homens e de 36% a 48% nas
mulheres. Em um exame laboratorial, o sangue de um paciente foi colocado em um tubo cilíndrico reto com o
fundo semiesférico. Internamente, esse tubo tem 120 mm de altura e 12 mm de diâmetro da boca. Com o tubo
na vertical, o sangue a ser analisado atingiu a altura de 102 mm em relação ao fundo, conforme mostra a figura
1. Depois de centrifugado, os componentes sanguíneos foram separados, e os glóbulos vermelhos, que sempre
se depositam no fundo, alcançaram 42 mm de altura em relação ao fundo, conforme mostra a figura 2. Qual foi
o Ht obtido nesse exame? 40%

10 Cinco bolas com o mesmo diâmetro de 20 cm foram empilhadas sobre um plano horizontal a da seguinte
maneira: as quatro primeiras tangenciam o plano, e seus centros são vértices de um quadrado com 20 cm de
lado; e a quinta bola tangencia cada uma das quatro primeiras, conforme mostra a figura. Calcule a altura dessa
pilha de bolas, em relação ao plano α. 10(√2 + 2) cm
ILUSTRAÇÃO: ANDRÉ VAZZIOS

11 Qual é o volume do sólido gerado pela rotação de 60° de um semicírculo de raio 3 cm em torno de seu
diâmetro? 6π cm3

12 De uma melancia com o formato de uma esfera de raio 15 cm retirou-se um pedaço em forma de cunha
esférica com ângulo diedro de 30°.

a) Calcule o volume desse pedaço. 375π cm3

b) Calcule a área do fuso esférico referente a esse pedaço. 75π cm2

c) Calcule a área total desse pedaço. 300π cm2

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO
Página 257

Trabalhando em equipe

“Se eu vi mais longe, foi por estar de pé sobre ombros de gigantes.” Isaac Newton, físico e matemático inglês.

Componha uma equipe com alguns colegas e discutam as seções a seguir.

ANÁLISE DA RESOLUÇÃO
Um aluno resolveu o exercício conforme a reprodução a seguir. Um erro foi cometido.
Apontem o erro e refaçam a resolução no caderno, corrigindo-a.

Exercício

Uma esfera tangencia a base e todas as geratrizes de um cone circular reto, conforme mostra a figura abaixo.
Dado que a altura e o raio da base do cone medem 120 cm e 50 cm, respectivamente, calculem a medida do
raio da esfera.

FAUSTINO

Resolução

Indicando por O e R o centro e a medida, em centímetro, do raio da esfera,


respectivamente, e por O' o centro da base do cone, esquematizamos:

ELISA NIEVAS

Pela semelhança dos triângulos AOB e AO'C, calculamos a medida R:


120 50
= => 120R = 6.000 – 50R
120 – 𝑅 𝑅
600
∴ 170R = 6.000 => R =
17

600
Logo, a medida do raio da esfera é cm.
17

Na resolução foi cometido um erro na montagem da proporção entre os lados correspondentes dos triângulos semelhantes. Para evitar esse
tipo de erro, é conveniente separar os triângulos semelhantes e assinalar os ângulos correspondentes congruentes:

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Pelo teorema de Pitágoras, calculamos AC:

(𝐴𝐶)2 = 502 + 1202 ⇒ 𝐴𝐶 = 130

Pela semelhança entre os triângulos AOB e ACO', calculamos a medida R:

𝐴𝐶 𝐶𝑂′ 130 50
= ⇒ =
𝐴𝑂 𝑂𝐵 120 − 𝑅 𝑅

∴ 130R = 6.000 − 50R ⇒ 180R = 6.000

100
∴R= cm
3

100
Logo, a medida do raio da esfera é cm ou, aproximadamente, 33,3 cm.
3
Página 258

Trabalhando em equipe

MATEMÁTICA SEM FRONTEIRAS

FERNANDO JOSÉ FERREIRA

Os fusos horários
Os meridianos e os paralelos terrestres são linhas imaginárias traçadas sobre a superfície da Terra. Os
paralelos são circunferências contidas em planos perpendiculares ao eixo de rotação do nosso planeta, e os
meridianos são semicircunferências com extremidades nos polos Norte e Sul. O maior paralelo terrestre é a
linha do Equador.

Para se estabelecerem os horários nos vários pontos da Terra, considerou-se que ela leva 24 horas para dar
uma volta completa (360°) em torno do seu eixo; portanto, ela gira 360°: 24 = 15° por hora. Assim, o planeta
foi dividido em 24 meridianos. O Greenwich é considerado o meridiano inicial, por isso é associado à medida
0°, conforme mostra a figura ao lado.

O intervalo de 7,5° a oeste a 7,5° a leste de cada meridiano é chamado de fuso horário, o que significa que,
nesse intervalo, o horário permanece o mesmo. No entanto, como se vê no mapa abaixo, as linhas que limitam
os fusos horários podem não ser semicircunferências, por causa das fronteiras dos vários países ou em virtude
de questões políticas.
SIMIELLI, Maria Elena. Geoatlas. São Paulo: Ática, 2012.

Comentar com os alunos que, por convenção cartográfica, todos os mapas devem ter a orientação norte, que indica a orientação do mapa.

ATIVIDADE Faça a atividade no caderno.

1 Considerando que em Greenwich são 12 h, respondam às questões.

a) Quais são os horários em dois pontos, A e B, localizados, respectivamente, a 65° e a 81° a leste de
Greenwich? 16 h e 17 h

b) Quais são os horários em dois pontos, C e D, localizados, respectivamente, a 93° e a 120° a oeste de
Greenwich? 6 h e 4 h
Página 259

Indicação de leituras complementares


Mania de matemática 2

Ian Stewart

Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009.

Se você embaralhar muitas vezes as cartas de um baralho, elas voltam à posição inicial? Esse livro traz
respostas para essa e outras questões matemáticas que, muitas vezes, aparecem no cotidiano e nos intrigam. O
autor propõe problemas e desafios e convida o leitor a refletir e a criar estratégias para resolvê-los. O livro traz
gráficos e comentários sobre as situações propostas. Uma leitura curiosa e divertida para todos os leitores.

REPRODUÇÃO

Alice no país dos enigmas

Raymond Smullyan

Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000.

Baseado nas personagens do livro Alice no país das maravilhas, de Lewis Carroll, o autor compõe histórias
curtas, cada uma com um problema a ser solucionado pelo leitor. São situações que envolvem lógica, dedução,
interpretação de texto e atenção a detalhes aparentemente sem importância, organizadas por grau de
dificuldade.

REPRODUÇÃO
20.000 léguas matemáticas

A. K. Dewdney

Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000.

Uma viagem à Grécia e a outros países traz ao leitor a discussão e a explicação de alguns dos grandes mistérios
matemáticos. Mas, além disso, garante diversão e conhecimentos gerais interessantes para os alunos de Ensino
Médio. Com um texto bem-humorado, o autor conduz seus estudos sobre teoremas, átomos, equações,
trigonometria e outros assuntos, cativando, informando e, ao mesmo tempo, levando o leitor a ampliar a
Matemática vista na escola e fora dela. Uma leitura que estimula a aprender, tirando dúvidas e divertindo.

REPRODUÇÃO
Página 260

Apêndice

Pirâmide I

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO
Página 261

Pirâmide II

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO
Página 262

Apêndice

Pirâmide III

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO
Página 263

Prisma I

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO
Página 264

Apêndice

Prisma II

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO
Página 265

Prisma III

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO
Página 266

Apêndice

Prisma IV

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO
Página 267

Poliedro de 8 faces (octaedro)

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO
Página 268

Apêndice

Poliedro de 12 faces (dodecaedro)

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO
Página 269

Poliedro de 20 faces (icosaedro)

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO
Página 270

Respostas
CAPÍTULO 1

Além da teoria

1. 12 km; 20 km

2. resposta pessoal; total: 252 km

Exercícios propostos

1 𝑎1 = 5; 𝑎2 = −4; 𝑎3 = 8; 𝑎4 = √3; 𝑎5 = 6; 𝑎6 = 6; 𝑎7 = 6

2 a) (7, 9, 11, 13, ...)

b) (2, 6, 12, 20, ...)

1 2 3 4
c) ( , , , , … )
2 3 4 5

d) (4, 9, 14, 19, ...)

e) (3, 7, 4, −3, ...)

3 a) 110

b) 2

c) 10

d) 2n

4 a) 46

b) 4n + 2

c) 9 mesas

5 a) 33

b) 4n + 1

c) 10

6 mi

7 a) 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89, 144

𝑎1 = 𝑎2 = 1
b) { , para todo n natural, com n ≥ 3
𝑎𝑛 = 𝑎𝑛−1 + 𝑎𝑛−2

Conectado

x2−x−1=0
8 alternativa d

9 a) (6, 11, 16, 21, 26, 31) é P.A.

b) (1, 4, 9, 16, 25, 36, 49, 64, 81) não é P.A.

4 5 6 7 8 9 10 11
c) ( , , , , , , , ) é P.A.
3 3 3 3 3 3 3 3

10 a) decrescente

b) constante

c) crescente

11 18 cm

Questões para reflexão

sim

12 431

13 an= 6n − 4

14 a1 = 39k − 38

15 25 termos

22 30 38 46 54 62
16 (2, , , , , , , 10)
7 7 7 7 7 7

𝟓
17
𝟑

18 a) 2.352

b) 500

19 a) 1977

b) 2013

c) 2055

20 alternativa b

21 a) 25

b) 12 km

Criando problemas

Resposta pessoal.

22 234 conjuntos

23 6
24 a) x = 7

b) y = 2

c) Não, pois não é possível achar nenhum número real que satisfaça a propriedade P2 das progressões aritméticas.

25 150 m

26 (6, 2, −2)

27 100 km

28 50°

29 1.290

30 594

31 39.900

32a) 5n − 3

𝟓𝒏𝟐 −𝒏
b)
𝟐

33 a) n 2

b) n2 − n

c) n2 + n

34 R$ 4.320.000,00

35 alternativa d

36 560 poltronas

37 15

Criando problemas

Resposta pessoal.

38 a) É P.G.

b) Não é P.G.

c) É P.G.

d) É P.G.

1
39
3

40 a) 1,02

b) 468.000

c) ≈ 486.907
Questões para reflexão

sim

3
41
16

42 an = 3 ⋅ 2n−1

5
43
9

4 8 16 32
44 ( , , , ,…)
9 27 81 243

45 16 termos

5 5 5 5
46 (1, √7, √72 , √73 , √74 , 7)

47 q = 3

5
48 cm
32

49 a) (300, 600, 1.200, 2.400, 4.800)

b) 19.200 indivíduos

c) 300 ⋅ 22k

50 a) 6.400 árvores

b) 51 dias

Criando problemas

Resposta pessoal.

51 x = 0 ou x = −2

52 x = 4

53 (a = 2 e c = 6)

54 alternativa c

55 a) 100 gramas

b) 72,9 gramas

56 (2, 4, 8)

𝑅
57 𝑅𝑒𝑞 =
7

Questões para reflexão

Em uma P.G. constante, todos os termos são iguais ao primeiro termo a1; logo, a soma Sn dos n primeiros termos desse tipo
de P.G. é dada por Sn = n ⋅ a1.
58 a) 3.069

2.047
b)
256

c) 0

d) 5

59 3

60 alternativa c

61 n = 12

62 a) 810 canetas

b) 3.640 canetas

c) 5(3n − 1)

63 a) 10ª semana

b) 20.460 cópias

Criando problemas

Resposta pessoal.

𝟏𝟐𝟓
64 a) 𝟒

1
b)
3
Página 271

20
c)
3

𝑘6
d)
𝑘 −1

5
65 𝑥 =
2

66 32 cm2

67 40 cm

44
68
9

69 Não, pois a distância percorrida pelo caminhão após a freada é de aproximadamente 26,66 m, que é menor do que 100 m,
distância inicial entre a pedra e o caminhão.

Exercícios complementares

1 a) 225 azulejos brancos

b) n2 azulejos

c) 84 azulejos pretos

d) 4n + 4 azulejos

2 alternativa d

3G

4 25

5 a) 36 minutos

b) 19 h 27 min

c) 16 h 27 min

6 a) x = −1

(4𝑦+7)+(9 −2𝑦)
b) y + 8 = ⇒ 2y + 16 = 2y + 16 ∴ 0 = 0 (Verdadeiro)
2

Logo, para qualquer valor de y, a sequência é uma P.A.

(5𝑧 −1)+(𝑧 + 9)
c) 3𝑧 + 6 = ⇒ 6z + 12 = 6𝑧 + 8 ∴ 12 = 8 (𝑓𝑎𝑙𝑠𝑜)
2

Logo, não existe valor real de z para a sequência ser uma P.A.

7 alternativa a

8 a) 730 atendimentos

b) 9.280 atendimentos
c) 10n2 + 420n atendimentos

9 484.836 habitantes

10 alternativa e

11 A sequência de três termos tem o primeiro termo não nulo, pois x = 2. Logo, essa sequência é P.G. se, e somente se:

25
52 = ( ) ⋅ (𝑥 − 2)⇒ 25 = 25
𝑥 −2

Concluímos, então, que a sequência apresentada é uma P.G. para qualquer número real x, com x ≠ 2.

12 alternativa c

13 49.149 candidatos

14 alternativa d

Pré-requisitos para o Capítulo 2

1 a) verdadeira

b) verdadeira

c) falsa

d) verdadeira

2x=5

3 a) 90°

b) 90°

c) hipotenusa

d) soma dos quadrados das medidas dos catetos

4 20 mm

5 a) base

b) altura

c) mediana

d) congruentes

e) congruentes

6 AM = 15

7 a) raio

b) 90°

c) igual
d) BÂC

Trabalhando em equipe

Análise da resolução

O aluno esqueceu de considerar a condição de existência da soma dos infinitos termos de uma P.G. Existirá essa soma se, e
somente se, a razão q da P.G. pertencer ao intervalo ]0, 1[. Testando cada valor encontrado para x, constatamos que apenas
para x = 1 a razão q satisfaz a condição de existência. Assim, o conjunto solução é S = {1}.

Matemática sem fronteiras

1 Os resultados com mais de uma casa decimal foram aproximados para uma casa decimal.

Cargo: Gerência Matriz para a conversão de graus em pontos


Total mínimo de pontos =100 Total máximo de pontos = 500
Fator de Ponderação I II III IV V VI
avaliação (peso)
Escolaridade 19 19 38 57 76 95 -
Conhecimento 13 13 30,3 47,6 65 - -
específico
Responsabilidade 13 13 23,4 33,8 44,2 54,6 65
pelo patrimônio
Experiência 18 18 54 90 - - -
Responsabilidade 14 14 28 42 56 70 -
por contatos
Responsabilidade 11 11 22 33 44 55 -
por supervisão
Complexidade 12 12 24 36 48 60 -
Página 272

Respostas

2 Os resultados com mais de uma casa decimal foram aproximados para uma casa decimal.

Cargo: Gerência Matriz para a conversão de graus em pontos


Total mínimo de pontos 100 Total máximo de pontos 500
Fator de Ponderação I II III IV V VI
avaliação (peso)
Escolaridade 19 19 28,4 42,5 63,5 95 -
Conhecimento 13 13 22,2 38,0 65 - -
específico
Responsabilidade 13 13 17,9 24,7 34,1 47,1 65
pelo patrimônio
Experiência 18 18 40,2 90 - - -
Responsabilidade 14 14 20,9 31,3 46,8 70 -
por contatos
Responsabilidade 11 11 16,4 24,6 36,8 55 -
por supervisão
Complexidade 12 12 17,9 26,8 40,1 60 -

3 Resposta pessoal. Por exemplo, no endereço <www.ipv.pt/millenium/Millenium24/4.pdf> (acesso em: 11 maio 2016) há
o trabalho “Um modelo matemático de gestão de Recursos Humanos”, que trata de otimização de custos.

CAPÍTULO 2

Além da teoria

Podemos construir um triângulo semelhante ao triângulo formado na situação, medir seus lados e obter AB por uma
proporção.

Exercícios propostos

1 a) Resposta possível:

b) Resposta possível:

35° 55°
sen 0,57 0,82
cos 0,82 0,57
tg 0,70 1,43

2 a) 3,52 cm

b) 2,3 cm

c) 5,3 dm

3 38,4 m

4 a)
ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

b) 100 m

5 alternativa c

Criando problemas

Resposta pessoal.

6 alternativa d

10° 80°

sen 0,17 0,98


cos 0,98 0,17
tg 0,17 5,76

8 14,22 cm

8 15 8
9 a) 𝑠𝑒𝑛 𝛼 = 17
, cos 𝛼 =
17
, tg 𝛼 =
15

b) 6 m

10 96 m

Conectado

Resposta pessoal.

Questões para reflexão

não

1
11
16

1
12
6

13 50√3 m

14 a)6(3 − √3) m ≈ 7,6 m

b) 6(3√2 − √6) m ≈ 10,76 m

15 alternativa b
16 60 m

17 30°

Criando problemas

Exercícios complementares

Resposta pessoal.

1 Uma possível sequência de teclas que podem ser digitadas é:

a) I. cos, 3, 7 e =

Obtendo, aproximadamente, 0,799

II. tan, 1, 0 e =

Obtendo, aproximadamente, 0,176

b) I. shift, cos −1 , (, 1, ÷, 5,) e =

Obtendo, aproximadamente, 78,46°

II. shift, 𝑡𝑔−1 , (, 1, ÷, 3,) e =

Obtendo, aproximadamente, 18,43°

Nota:

As calculadoras não adotam as mesmas convenções de cálculo; por isso, se sua calculadora acusar erro de sintaxe, é porque
ela adota outra convenção na sequência de teclas. Nesse caso, consulte o manual da calculadora. Por exemplo, em algumas
calculadoras, para calcular cos 30 devemos apertar 3…, primeiro depois a tecla 0, em seguida a tecla cos, e, finalmente, a tecla
=.

2 ≈ 44,4°

ℎ sen Θ
3𝑅= 1 −sen Θ

4 69 m
Página 273

5 alternativa b

6 alternativa e

7 alternativa e

Pré-requisitos para o Capítulo 3

1 a)

α é ângulo central.

b)

A medida, em grau, do arco de circunferência a é igual à medida do ângulo central αque o determina.

c)

α é ângulo inscrito.

d)

Os ângulos α e Β são correspondentes.

e)
𝐴𝐵 sendo o diâmetro e C pertencendo ao arco, implica o fato de o triângulo ABC estar inscrito na semicircunferência.

f)

O triângulo acutângulo tem todos seus ângulos internos agudos, ou seja, menores que 90°.

g)

O triângulo é obtusângulo quando possui um ângulo interno obtuso, ou seja, maior que 90°.

h)

𝐴𝐵 𝐵𝐶 𝐶𝐴
Δ𝐴𝐵𝐶 ≅ Δ𝐷𝐸𝐹 ⇔ = = =1
𝐷𝐸 𝐸𝐹 𝐹𝐷

i)

Como os vértices do polígono pertencem à circunferência, então a circunferência está circunscrita ao polígono.

j)

Uma circunferência está circunscrita a um polígono quando todos os lados do polígono tangenciam a circunferência.

k)
No polígono regular, todos os ângulos internos são congruentes entre si e todos os lados são congruentes entre si.

l)

O centro de um polígono regular é o centro C das circunferências inscrita e circunscrita ao polígono.

m)

Dois ângulos quaisquer formados por duas retas paralelas e uma transversal ou têm medidas iguais, ou são suplementares.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

a) α = 32°

b) β = 50°

c) Θ = 90°

3 alternativa c

4 a) ≈ 40.003,6 km

b) ≈ 1.111,2 km

Trabalhando em equipe

Análise da resolução

O aluno foi induzido, pela figura, a supor que o quadrilátero ABCE é um quadrado, o que não é verdade.

Resolução correta: Os ângulos C𝐵̂ D e C𝐷


̂ B medem 30° cada; portanto, o triângulo BCD é isósceles, com CB = CD = 50 m.
Assim, no triângulo CDE, temos:

𝐷𝐸 1 𝑥
sen 30° = = = ∴ 𝑥 = 25
𝐶𝐷 2 50
Logo, a medida do segmento 𝐷𝐸 é 25 m.
Página 274

Respostas

Matemática sem fronteiras

1 ≈ 693.000 km

CAPÍTULO 3

Além da teoria

1. (450√3, 450)

2. 60°

Exercícios propostos

1 alternativa d

2 4 rad

𝜋
3 a) 6 rad

2𝜋
b) rad
3

5𝜋
c) rad
4

5𝜋
d) rad
3

4𝜋
e)
3

11𝜋
f)
6

4 a) 45°

b) 270°

c) 210°

d) 72°

e) 300°

10𝜋
5 rad/s ou, aproximadamente, 3,5 rad/s
3

9.555𝜋 3𝜋
6 a) comprimento: 2
km ≈ 15.000 km; medida em grau: 135°; medida em radiano:
4
rad

3𝜋
b) rad
4

Criando problemas

Resposta pessoal.

7 a) 50°; 410° e 770°


b) −310° e −670°

6𝜋 20𝜋 34𝜋
8 a) 7
rad,
7
rad,
7
rad

8𝜋 20𝜋
b) − rad, −
7 7

9 a) 43°

b) 320°

𝜋
c) rad
11

8𝜋
d) rad
5

25𝜋
e) rad
13

10 a) 240°

b) 600°

c) 960°

d) −120°

𝜋 2𝜋 4𝜋 5𝜋
11 a) 0 rad, 3 rad, 3
rad, π rad,
3
rad e
3
rad

8𝜋 14𝜋
b) rad e rad
3 3

12 a) 34.560°

b) 2.880°

c) an = 90° + 360°(n − 1); último termo: 8.370°

d) bn = 90° + 180°(n − 1); último termo: 8.550°

Criando problemas

Resposta pessoal.

13 a) x = π + k ⋅ 2π, com k ∈ ℤ

𝜋
b) x = + k ⋅ 2π, com k ∈ ℤ
2

𝜋
c) x = + kπ, com k ∈ ℤ
2

𝑘𝜋
d) x = , com k ∈ ℤ
2

𝜋
𝟏𝟒 𝒂) 𝑘 ⋅ , 𝑐𝑜𝑚 𝑘 ∈ ℤ
3

𝜋 2𝜋
b) + k ⋅ , com k ∈ ℤ
3 3

15 alternativa a
16 N(159°), P(201°), Q(339°)

4𝜋 6𝜋 9𝜋
17 N( ), P( ), Q( )
5 5 5

18 a) M(60°), P(240°), Q(300°)

b) M(30°), N(150°), Q(330°)

c) M(50°), N(130°), P(230°)

2𝜋 9𝜋 12𝜋
19 a) M( ), P( ), Q( )
7 7 7

𝜋 2𝜋 5𝜋
b) M( ), N( ), Q( )
3 3 3

𝜋 5𝜋 7𝜋
c) M( ), N( ), P( )
6 6 6

20 a) 1 e 0

b) 0 e 1

c) −1 e 0

d) 0 e −1

e) 1 e 0

21 −2

22 a) não

b) −1 ≤ m ≤ 5

23 I. alternativa b

II. alternativa d

24 a) √3
2

1
b) −
2

1
c) −
2

√3
d) −
2

√3
e) −
2

1
f)
2

25

√3 1 √3 1 √3 1
a) N(− , ), P(− , − ) e Q( ,− )
2 2 2 2 2 2

√2 √2 √2 √2 √2 √2
b) M( , ), N(− , ) e Q( , − )
2 2 2 2 2 2
1 √3 1 √3 1 √3
b) M( , ), N(− , ) e Q(− , − )
2 2 2 2 2 2

26 2

27 a) verdadeira

b) falsa

c) falsa

d) verdadeira

e) falsa

f) verdadeira

g) falsa

h) verdadeira

i) falsa

j) verdadeira

k) verdadeira

l) falsa

28 a) √3
2

√2
b)
2

√3
c) −
2

√3
d) −
2

29 E = −1

30 a) 300 km

b) −150 √3 km

c) 300 km

d) 1,5 h

3
31 − 5

2√2
32 − 3

2√5 √5
33 sen β = − 5
; cos β = −
5

34 m = 2

35 a) O segmento 𝐶𝐻 representado abaixo é a altura relativa ao lado 𝐴𝐵.


ILUSTRAÇÃO: FAUSTINO

b) 6 cm

36 S = {−1 + cos α; −1 − cos α}

2√2
37 3

1
38 4

39 √39 m ou, aproximadamente, 6,24 m

Criando problemas

Resposta pessoal.

Questões para reflexão

Esse fato, que também ocorre para o cosseno e a tangente, é explicado pelas funções trigonométricas inversas, que
𝜋 𝜋 𝜋 𝜋
resumimos a seguir. Restringindo as funções seno, cosseno e tangente aos domínios [− , ], [0, π] e ] − , [,
2 2 2 2
respectivamente, obtemos as funções inversas do seno, do cosseno e da tangente restritas a esses domínios, chamadas de
arco seno, arco cosseno e arco tangente, respectivamente.
Página 275

Assim,

1 1 𝜋 𝜋 1 𝜋 1
• arcsen ( ) é o arco cujo seno é no domínio[− , ], ou seja, arcsen ( ) = ou, em grau, arcsen ( ) = 30°. Por isso, ao
2 2 2 2 2 6 2
digitar em uma calculadora a tecla [sin−1], depois um número do intervalo [–1, 1] e, finalmente, a tecla [=], surgirá no visor
1
uma única medida ângulo. Essa medida é o arcsen ( ).
2

1 1 1 2𝜋 1
• arccos (− ) é o arco cujo cosseno é − no domínio [0, π], ou seja arccos (− ) = , ou, em grau arccos (− ) = 120°.
2 2 2 3 2

𝜋 𝜋 𝜋
• arctg 1 é o arco cuja tangente é 1 no domínio ] − , [, ou seja, arctg 1 = ou, em grau, arctg 1 = 45°.
2 2 4

𝜋 3𝜋
40 a) S = { , }
4 4

3𝜋 5𝜋
b) S = { , }
4 4

𝜋 5𝜋
c) S = { , }
3 3

7𝜋 11𝜋
d) S = { , }
6 6

e) S = {0}

f) S = {0, π}

g) S = ∅

h) S = ∅

41 a) S = {60°, 300°}

b) S = {240°, 300°}

c) S = {0°}

d) S = {30°, 150°, 210°, 330°}

𝜋 3𝜋
42 a) 𝑆 = {0, 2 , 𝜋, 2 }

𝜋 5𝜋 7𝜋
b) 𝑆 = { , , }
6 6 6

2𝜋 4𝜋
c) 𝑆 = {0, , 𝜋, }
3 3

43 alternativa d

𝜋 7𝜋 11𝜋
44 a) 𝑆 = {2 , 6
,
6
}

b) S = {0}

𝜋 5𝜋
c) 𝑆 = {0, , }
3 3

45 60°
𝜋 7𝜋
46 a) S = {x ∈ ℝ | x = 4 + k ⋅ 2π ou x = 4
+ k ⋅ 2π, com k ∈ ℤ}

b) S = {x ∈ ℝ | x = 0 + k ⋅ π, com k ∈ ℤ}

𝜋
c) S = {x ∈ ℝ | x = + k ⋅ 2π, com k ∈ ℤ}
2

𝜋 𝜋
d) S = {x ∈ ℝ | x = + k ⋅ , com k ∈ ℤ}
4 2

Questões para reflexão

Na seção Questões para reflexão anterior, explicamos o que são as funções arco seno, arco cosseno e arco tangente.
Aplicando esses conceitos, vamos resolver essa questão de duas maneiras:

I. Usando a calculadora

1
Ao digitar em uma calculadora a tecla [sin–1], depois um número e, finalmente, a tecla =, surgirá no visor a medida
4
1 1
14,4775°, aproximadamente. Essa medida é o arcsen ( ), ou seja, é a medida do intervalo [−90°, 90°] cujo seno é . A outra
4 4
1
medida da primeira volta positiva que tem o seno igual a é dada por 180° − 14,4775° = 165,5225°.
4

Concluímos, então, que o conjunto solução S, com valores aproximados, é dado por: S = {14,4775°, 165,5225°}

II. Sem o uso da calculadora

1
Deixando indicado o arcsen ( ), temos:
4

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Concluímos, então, que o conjunto solução S é dado por

1 1
𝑆 = {arcsen ( ) , 180° − arcsen ( )}
4 4

Conectado

Resposta pessoal.

Exercícios complementares

1 alternativa b

2 alternativa e
3 alternativa d

4 a) 0°, 45°, 90°, 135°, 180°, 225°, 270°, 315°

b) 585° e 945°

c) −45° e −405°

5 a) ≈ 2,15 mm

b) ≈ 16,125 mm

𝜋
6 a) 4 + k ⋅ 2π, com k ∈ ℤ

𝜋
b) + k ⋅ π, com k ∈ ℤ
4

𝜋
c) k ⋅ , com k ∈ ℤ
4

1
7 a) 2

√3
b) −
2

1
c)
2

√2
d)
2

8 a) 2

b) −1

c) −1

d) −1

9 alternativa e

10 ≈ 153 m

11 2,5 m

𝜋 2𝜋
12 a) 𝑆 = {3 , 3 }

5𝜋 7𝜋
b) 𝑆 = { , }
6 6

3𝜋
c) 𝑆 = { }
2

𝜋 3𝜋 5𝜋 7𝜋
d) 𝑆 = { , , , }
4 4 4 4

13 alternativa d

𝜋 2𝜋
14 𝑆 = {𝑥 ∈ ℝ |𝑥 = 3 + 𝑘 ⋅ 3 , com 𝑘 ∈ ℤ}

15 a) 60°
b) ≈ 97,2°

c) 14 cm

𝑘
16 a) 𝑡 = 2, com k ∈ {0, 1, 2, 3, …, 60}

3 3
b) t = + 2 ⋅ k ⇒ t = + k, com k ∈ {0, 1, 2, 3, …, 29}
2 4

c) 1 s
Página 276

Respostas

Pré-requisitos para o Capítulo 4

1 90°

2 P(1, 1); Q(1, −√3)

Trabalhando em equipe

Análise da resolução

O aluno cometeu um erro ao admitir que α é uma medida da primeira volta positiva da circunferência trigonométrica. Para
determinar o intervalo de variação de α, multiplicamos por 2 os membros da desigualdade 0 ≤ x < 2π. Como α = 2x,
concluímos que 0 ≤ α < 4π, ou seja, α é uma medida da primeira ou da segunda volta da circunferência trigonométrica.
Assim, temos:

𝜋 5𝜋
α = ou α =
2 2

Como α = 2x, concluímos que:

𝜋 5𝜋 𝜋 5𝜋
2x = ou 2x = ⇒ x = ou x =
2 2 4 4

𝜋 5𝜋
Logo, S = { , }.
4 4

Matemática sem fronteiras

1 m (V𝑇̂S) ≈ 46,17°

2 Resposta pessoal.

3 ≈ 227.721.000 km

CAPÍTULO 4

Além da teoria

≈ 40,34

Questões para reflexão

Observando o eixo real t das tangentes, na circunferência trigonométrica, constatamos que por qualquer ponto de t podemos
traçar uma reta passando pelo centro da circunferência. Isso significa que para qualquer número real existem arcos
trigonométricos cuja tangente é esse número, isto é, a tangente pode assumir qualquer valor em ℝ. Logo, não existem o
menor nem o maior valor da tangente.

Exercícios propostos

1 a) zero

b) zero

c) não existe

2 alternativa b
2√5
3 cos α = − √5
5
; sen α =
5

4 −2√2

5 75 m

Criando problemas

Resposta pessoal.

6 a) −1

√3
b) −
3

c) 1

d) √3

e) −1

√3
f) −
3

74

8 a) −√3

b) 1

c) −√3

9 a) falsa

b) verdadeira

c) verdadeira

d) falsa

e) falsa

f) verdadeira

10 2

11 a) 2,4

b) 0

c) 2,4

d) 50 m

12 a) falsa

b) verdadeira

13 a) −1
b) √3

c) √3

14 −1

Conectado

Resposta pessoal.

𝜋 4𝜋
15 a) S = { 3 , 3 }

𝜋 7𝜋
b) S = { , }
6 6

c)
2𝜋 5𝜋
𝑆 = { , }
3 3

d)
5𝜋 11𝜋
𝑆 = { , }
6 6

𝜋
16 b) 𝑆 = {𝑥 ∈ ℝ |𝑥 = 6 + 𝑘𝜋, 𝑐𝑜𝑚 𝑘 ∈ ℤ}

2𝜋
c) 𝑆 = {𝑥 ∈ ℝ |𝑥 = + 𝑘𝜋, 𝑐𝑜𝑚 𝑘 ∈ ℤ}
3

𝜋 5𝜋
17 𝑆 = {4 , 6 }

𝜋 5𝜋 7𝜋 11𝜋
18 a) 𝑆 = {6 , 6
,
6
,
6
}

𝜋 2𝜋 4𝜋 5𝜋 𝜋 3𝜋 5𝜋 7𝜋
b) 𝑆 = { , , , , , , , }
3 3 3 3 4 4 4 4

𝜋 5𝜋
c) 𝑆 = {0, 𝜋, , }
4 4

𝜋
19 a) S = {x ∈ ℝ |x = 4 + kπ, com k ∈ ℤ }

𝜋 2𝜋
b) S = {x ∈ ℝ |x = + kπ ou x = + kπ, com k ∈ ℤ}
3 3

120
20 𝜋
𝑚 ≈ 38,2 𝑚

Criando problemas

Resposta pessoal.

Questões para reflexão

sim

1
21 2

22 7

𝜋 3𝜋
23 S = {4 , 4 }

𝜋 5𝜋
24 6 e 6

25 − √2
4
2√5
26 − 5

27 alternativa d

28 a) √6−√2
4

√6− √2
b)
4

c) 2 + √3

1
29 a) 2

1
b)
2

c) 1

4 −3√3
30 10

31 alternativa a

32 a) 𝑆 = {𝜋6 , 5𝜋
6
}

𝜋 5𝜋
b) S = {x ∈ ℝ |x = 6 + k ⋅ 2π ou x = 6
+ k ⋅ 2π, com k ∈ ℤ}

1
33 2

7
34 tg α =
17

35 a + β = 45°

36 alternativa e

1
37 tg α = 2

Criando problemas

Resposta pessoal.

Questões para reflexão

sen 3x = 3 sen x − 4 sen3 x

cos 3x = 4 cos3 x − 3 cos x

3 tg 𝑥−tg3 𝑥
tg 3x =
1 − 3 tg2 𝑥

120 119
38 sen 2x = 169; sen 2x = 169

39 − 34

169
40 24
41 alternativa c

42 − 257

43 √14
4
Página 277

𝜋 𝜋 5𝜋 3𝜋
44 a) 𝑆 = {6 , 2 , 6
,
2
}

𝜋 5𝜋 3𝜋
b) 𝑆 = { , , }
6 6 2

𝜋 2𝜋 4𝜋 5𝜋
c) 𝑆 = {0, , , 𝜋, , }
3 3 3 3

45 3,15

46 96 m

47 alternativa e

Criando problemas

Resposta pessoal.

Exercícios complementares

10
1 𝜋
m ou, aproximadamente, 3,18 m

2 Sabemos que tg (180° + α) = tg α; logo: tg 213° = tg (180° + 33°) = tg 33°

3 18,435°

4 201 m

5 384.000 km

7√2
6 a) 26

√6−3
b)
6

2√3
c) −
3

7 alternativa a

8 36,87°

1
93

10 4,8 cm

11 a) α = 30°

b) (100√3 + 1,6) m ≈ 174,8 m

12 4,32 m

Pré-requisitos para o Capítulo 5

1
𝟑
a) −
𝟓

b) –1

1
a)
2

b) 4−2√3

3 60°

a) 20 cm2

b) 4 cm

Trabalhando em equipe

Análise da resolução

Ao dividir por cos x ambos os membros, o aluno admitiu que cos x ≠ 0 e, por isso, perdeu a possibilidade de cos x ser igual a
zero. Como consequência, perdeu raízes da equação.

Resolução correta:

Vamos obter uma equação equivalente com um dos membros igual a zero:

sen 2x = cos x ⇒ 2 ⋅ sen x ⋅ cos x = cos x ∴ 2 ⋅ sen x ⋅ cos x − cos x = 0 ⇒ cos x (2 sen x −1) = 0

1
Pela propriedade do produto nulo, temos: cos x = 0 ou 2 sen x − 1 = 0 ⇒ cos x = 0 ou sen x =
2

Resolvendo essas equações, concluímos que:

𝜋 3𝜋 𝜋 5𝜋
x = ou x = ou x = ou x =
2 2 6 6
𝜋 3𝜋 𝜋 5𝜋
Logo: S = { , , , }
2 2 6 6

Matemática sem fronteiras

1 40°

2 ≈ 43,73 m

CAPÍTULO 5

Além da teoria

1. 90 bpm

2. Resposta pessoal.

Exercícios propostos

1 a)

D(f) = ℝ; Im(f) = [−4, 4]; p = 2π

b)

D(z) = ℝ; Im(z) = [−4, 4]; p = 2π

c)

𝜋
D(g) = ℝ; Im(g) = [−1, 1]; p =
2
d)

D(h) = ℝ; Im(h) = [−3, 3]; p = 4π

e)

D(v) = ℝ; Im(v) = [− 3, 3]; p = 2π

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO
Página 278

Respostas

f)

D(t) = ℝ; Im(t) = [−2, −6]; p = 2π

g)

D(r) = ℝ; Im(r) = [0, 1]; p = π

h)

𝜋
D(s) = ℝ; Im(s) = [1, 2]; p =
2

29

3 a) −2

b) −1

2
4 a) 3 ≤ m ≤ 1

3 1
b) k > ou k <
4 4

3 5
c) − ≤ p ≤ −
2 4

5 a) 100 km2

b) 150 km2

c) março

d) 50 km2
e) setembro

f) janeiro e maio

6 a)

D(f) = ℝ; Im(f) = [−4, 4]; p = 2π

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

b)

D(g) = ℝ; Im(g) = [−4, 4]; p = 2π

c)

𝜋
D(h) = ℝ; Im(h) = [−1, 7]; p =
2

d)

𝜋
D(v) = ℝ; Im(v) = [−1, 1]; p =
2
e)

D(z) = ℝ; Im(z) = [−1, 1]; p = 2π

f)

D(t) = ℝ; Im(t) = [0, 1]; p = π

g)

𝜋
D(r) = ℝ; Im(r) = [2, 3]; p =
2

7 −3

2𝜋
8 3

1
9 −2 < m < − 2

10 alternativa b

11 h = 10 cm; d = 4π cm ≈ 12,56 cm

𝜋 181𝜋
12 a = 60.000; b = 30.000; m = 182 e q = 182

13 alternativa d

14 alternativa d

𝜋(𝑡 − 2)
15 f(t) = 1,3 sen 6

16 alternativa b

Criando problemas

Resposta pessoal.

Questões para reflexão


Página 279

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Conectado

Resposta pessoal.

Questões para reflexão

sim

17 a) 7 cm

b) 14 m

18 7 N

1
19 a) − 5

0° < α < 180°


b) Sendo α a medida do maior ângulo interno do triângulo, temos: {
cos α < 0

Logo, o maior ângulo é obtuso.

20 a) d = 20 √5 − 4 𝑐𝑜𝑠 𝛼

b) valor máximo: 60 cm; valor mínimo: 20 cm

c) Quando a função d assume seu valor máximo, os três pontos estão alinhados, com B entre A e P. Quando ela assume seu
valor mínimo, os três pontos estão alinhados, com P entre A e B.

Criando problemas

Resposta pessoal.

21 3√2

22 alternativa d
23 400 √6m ≈ 980 m

24 alternativa a

Criando problemas

Resposta pessoal.

25 a) 15 cm3

b) 5 cm2

26 30° ou 150°

27 3(4π − 3√3) cm2

Exercícios complementares

1 11 m

2 a) Im(f) = { y ∈ ℝ | 4 ≤ y ≤ 6}

1 1
b) Im(g) = { y ∈ ℝ | − ≤ y ≤ }
2 2

3 a) 500 bars

b) 2 h

c) 100 bars

d) 16 h

4 I. 120 bpm 1

1
II.
2

III. alternativa d

5 a) 0,1 m/s

b) 0,5 s; 1,5 s; 2,5 s; 3,5 s

c) y = sen (πt)

6 a) d = 10√2(1 − 𝑐𝑜𝑠𝜃 )

b) 10√3 ou, aproximadamente, 17,3 cm

c) ≈ 18,8 cm

7 40,8 m

8 ≈ 637.943,13 m2

112𝜋
9 (16 + ) cm2
3

Pré-requisitos para o Capítulo 6


1 a) 500

b) 50.000

2 170

3 5 alunos

4 a) AB, BA, AC, CA, BC, CB

b) ABC, ACB, BAC, BCA, CAB, CBA

5 {4, 6}, {4, 7}, {4, 9}, {6, 7}, {6, 9}, {7, 9}

Trabalhando em equipe

Análise da resolução

Embora a argumentação do aluno esteja correta, a conclusão está incompleta, pois ele não considerou outra medida possível
para o ângulo A𝐶̂ B, que ocorre para outra posição do triângulo ABC. Essas duas possibilidades seriam facilmente
encontradas se fosse aplicada a lei dos senos:

𝑟 1
= 2𝑟 ⇒sen 𝛼 =
sen 𝛼 2

Resolvendo essa equação para 0° < α < 180°, pois α é medida de um ângulo interno de um triângulo, concluímos que α =
30° ou α = 150°. Ou seja, as possíveis posições do triângulo ABC são:

Matemática sem fronteiras

2𝜋𝑡
1 V(t) = 1.450 − 250 cos 5

2 1.325 mL

Ciência e tecnologia

1 A repetição do mesmo movimento consecutivamente em intervalos de tempo iguais.

2 Exemplos de resposta: nas marés, em relógios etc.


3 Exemplos de resposta: clepsidra, ampulheta, relógio de Sol, relógio de vela; não, pois não é um fenômeno periódico.

4 Rotação: 23 h 56 min; translação: aproximadamente 365 dias; Mercúrio: 88 dias; Vênus: aproximadamente 225 dias;
Marte: 687 dias; Júpiter: 11,86 anos; Saturno: 29,46 anos; Urano: 84 anos; Netuno: aproximadamente 165 anos; sim, as
marés são periódicas.

CAPÍTULO 6

Além da teoria

1. Resposta pessoal.

2. ≈ 75.000

3. 6

Questões para reflexão

Ao aplicar o princípio fundamental da contagem, calculamos o número de sequências que podem ser formadas com os
elementos disponíveis; portanto, consideramos a ordem desses elementos.
Página 280

Respostas

Questões para reflexão

sim

Exercícios propostos

1 a) 320

b) 640

2 4.680

3 a) 1.296

b) 360

4 a) 500

b) 96

5 a) 216

b) 60

6 1.320

7 alternativa a

8 alternativa e

9 alternativa c

10 a) 40.000

b) 2.880

c) 175.742.424

Criando problemas

Resposta pessoal.

Conectado

Resposta pessoal.

11 a) 27

b) 9

12 117.936

13 4
14 200

15 216

16 320

17 alternativa d

Criando problemas

Resposta pessoal.

18 a) 5.040

b) 12

c) 22

1
d)
6

19 a) falsa

b) falsa

c) verdadeira

d) verdadeira

e) falsa

20 a) 120

b) 40

c) n

1
d)
𝑛2 + 3𝑛 + 2

21 a) S = {2}

b) S = {6}

c) S = {27}

22 n = 10

23 alternativa d

Exercícios complementares

1 alternativa a

2 a) 50.000.000

b) 100.000.000

3 300
4 alternativa b

5 63

6 a) 78.806.407.680 senhas

b) 2.176.782.336 senhas

c) 77.403.997.440 senhas

7 444

8 alternativa d

98

10 alternativa e

11 12.960

12 alternativa d

13 alternativa a

14 alternativa e

15 alternativa a

Pré-requisitos para o Capítulo 7

10!
1 a)
6!

𝑛!
b) (𝑛
− 3)!

2 a) 20

b) 120

3 a) 35

b) 45

Trabalhando em equipe

Análise da resolução

Ao calcular o número N de senhas que não podem ser formadas, o aluno cometeu um erro, pois a senha 2121 foi contada
duas vezes: no primeiro e no terceiro caso. Observe:
Assim, o número N de senhas que não podem ser formadas é dado por: N = 75 − 1 = 74. Logo, o número de senhas distintas
que o internauta pode formar é: S = 625 − 74 = 551

Matemática sem fronteiras

1 Resposta pessoal.

2 8.748

Cibercultura

1 Resposta pessoal.

2 sim

3 Resposta pessoal.

CAPÍTULO 7

Além da teoria

15 modos

Exercícios propostos

1 a) combinação

b) arranjo

c) combinação

d) arranjo

e) arranjo

f) combinação

2 a) 120

b) 90

c) 5.040

3 a) 720

b) 30

c) 1.680

4 alternativa d

5 alternativa a
6 a) S = {5}

b) S = {5}

c) S = {3}

74
Página 281

Criando problemas

Resposta pessoal.

8 alternativa b

9n=6

10 a) 5.040

b) 720

c) 120

d) 2.160

e) 2.880

f ) 1.440

g) 120

h) 720

i) 4.320

11 alternativa e

12 alternativa d

Criando problemas

Resposta pessoal.

Conectado

Resposta pessoal.

Questões para reflexão

não

13 a) 360

b) 840

c) 420

d) 7.560

14 a) 120

b) 60

c) 80

d) 40
e) 32

f) 20

g) 40

15 a) 10

b) 16

c) 31

16 a) 126

b) 210

Questões para reflexão

sim

17 a) 21

b) 35

c) 35

d) 21

e) 15

f) 10

18 a) 26

b) 96

c) 33

d) 60

e) 90

19 a) 35

b) 20

c) 15

20 45

21 alternativa d

22 a) 21

b) 14

23 35

24 a) 56
b) 8

c) 28

25 200

26 alternativa d

Criando problemas

Resposta pessoal.

Exercícios complementares

1 alternativa a

2 alternativa c

3 720

4 a) 40.320

b) 1.440

c) 720

d) 4.320

e) 36.000

5 alternativa e

6 60

7 a) 3.360

b) 840

c) 120

d) 2.100

e) 1.260

f) 900

8 1.260

9 alternativa a

10 1.365

11 alternativa a

12 alternativa c

13 10 capitais
14 a) 10

b) 26

15 50.063.860

16 300

Pré-requisitos para o Capítulo 8

1 a) Respostas possíveis: livro, caixa de fósforos, caixa de leite longa vida, baú de caminhão etc.

b) 6 faces, 12 arestas e 8 vértices

c) Resposta pessoal.

d) Resposta pessoal.

e) Resposta pessoal.

f) Resposta pessoal.

2 Respostas pessoais.

Trabalhando em equipe

Análise da resolução

O conjunto A dos anagramas da palavra DESAFIO que começam por vogal e o conjunto B dos anagramas dessa palavra que
terminam por consoante não são disjuntos, isto é, a intersecção deles não é vazia; por exemplo, o anagrama EDAFIOS
pertence aos dois conjuntos. Por isso, ao somar o número de anagramas que começam por vogal com o número de
anagramas que terminam por consoante, o aluno contou duas vezes cada elemento da intersecção de A e B. O correto teria
sido fazer:

n(A ∪ B) = n(A) + n(B) − n(A ∩ B)

Calculando n(A ∩ B), isto é, o número de anagramas que começam por vogal e terminam por consoante, temos:

n(A ∩ B) = 4 ⋅ 5! ⋅ 3 = 1.440

Assim, podemos calcular n(A ∪ B), isto é, o número de anagramas que começam por vogal ou terminam por consoante, dado
por:

n(A ∪ B) = n(A) + n(B) − n(A ∩ B) = 2.880 + 2.160 − 1.440 ⇒ n(A ∪ B) = 3.600

Matemática sem fronteiras

1 Avancem contra os gauleses.

2 56

CAPÍTULO 8

Além da teoria
1. O plano da parede que das lousas é paralelo ao plano da parede do fundo da sala, e o plano da parede das janelas é
paralelo ao plano da parede que tem lousas e janela.

2. Respostas possíveis:

a) A intersecção do plano do teto com o plano da parede das janelas é uma reta r, e a intersecção do plano do teto com o
plano da parede que tem lousas e janela é uma reta s. Essas retas são paralelas distintas.

b) A intersecção do plano do teto com o plano da parede das janelas é uma reta r, e a intersecção do plano do teto com o
plano da parede das lousas é uma reta t. Essas retas são concorrentes.
Página 282

Respostas

c) A intersecção do plano da parede das lousas com o plano da parede das janelas é uma reta u, e a intersecção do plano do
teto com o plano da parede que tem lousa e janela é uma reta v. Essas retas não são paralelas nem concorrentes.

d) A intersecção do plano do teto com o plano de uma parede é uma reta paralela ao plano do piso.

Exercícios propostos

1 a) verdadeira

b) falsa

c) verdadeira

d) falsa

e) verdadeira

f) verdadeira

g) falsa

2 a) falsa

b) verdadeira

c) verdadeira

d) falsa

e) verdadeira

f) falsa

g) verdadeira

3 a) verdadeira

b) verdadeira

c) falsa

d) verdadeira

e) falsa

f) verdadeira

g) verdadeira

h) verdadeira

i) falsa

j) verdadeira
k) falsa

l) verdadeira

4 Respostas possíveis:

a)

b)

c)

d)

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

5 a) falsa

b) verdadeira

c) falsa

d) verdadeira

e) falsa

f) verdadeira

g) falsa

h) verdadeira

i) verdadeira
j) verdadeira

k) falsa

l) verdadeira

m) falsa

n) falsa

6 Três pontos não colineares determinam um plano. Além disso, como as direções da régua sobre duas taliscas quaisquer
eram horizontais, o plano do contrapiso é horizontal.

Criando problemas

Resposta pessoal.

7 alternativa e

8 a) verdadeira

b) falsa

c) falsa

d) verdadeira

e) falsa

f) verdadeira

g) verdadeira

h) verdadeira

9 alternativa b

10 Não, pois uma reta não determina um plano.

Criando problemas

Resposta pessoal.

Conectado

Resposta pessoal.

11 a) verdadeira

b) falsa

c) falsa

d) verdadeira

e) verdadeira

f) verdadeira
g) falsa

12 Se uma reta r é perpendicular a duas retas concorrentes de um plano α , então r é perpendicular a α.

13 a) verdadeira

b) verdadeira

c) falsa

d) verdadeira

e) falsa

f) verdadeira

g) verdadeira

h) verdadeira

i) verdadeira

j) falsa

k) verdadeira

l) verdadeira

m) verdadeira

n) falsa

⃡ é
14 Como todas as faces do paralelepípedo são retângulos, temos que os ângulos F𝐴̂B e F𝐴̂D não retos. Logo, a reta 𝐴𝐹
⃡ ⃡ ⃡
perpendicular a duas retas concorrentes, 𝐴𝐵 e 𝐴𝐷, do plano β, como o que concluímos que 𝐴𝐹 ⊥ β. O plano α do retângulo

ACHF contém a reta 𝐴𝐹, perpendicular a β; logo, pela definição de planos perpendiculares, concluímos que α ⊥ β.

15 O fio do prumo representa a reta r; a parede representa o plano α, paralelo a r; e um plano horizontal qualquer
representa o plano β, que poderá ser o plano do piso, se este for horizontal.

16 alternativa c

Criando problemas

Resposta pessoal.

17 a) 80°

⃡ ⃡ ⃡ ⃡
b) 𝐴𝐷, 𝐷𝐶, 𝐻𝐸 e 𝐸𝐹

18 30°

19 a) 140°

b) Os triângulos PQQ’ e PQQ’’ são congruentes (semelhantes com razão de semelhança igual a 1), logo os segmentos 𝑃𝑄′ e
𝑃𝑄′′ são congruentes, com o que concluímos que o segmento 𝑄’𝑄’’ é a projeção ortogonal da união dos segmentos 𝑃𝑄′ e 𝑃𝑄′′
sobre um plano horizontal.
Assim, a inclinação do telhado em relação ao plano horizontal é a medida y do ângulo P𝑄̂’Q’’. Como o triângulo PQ’Q’’ é
isósceles de base 𝑄’𝑄’’ , obtemos:
Página 283

y + y + 140° = 180° ⇒ y = 20°

Concluímos, então, que a inclinação de cada face do telhado é de 20° em relação a um plano horizontal; logo, o telhado não
obedece aos padrões estabelecidos pela ABTN.

20 30°

21 a) 3√3 cm

b) 3 cm

22 alternativa e

Questões para reflexão

sim

23 30

24 32

25 18

26 20

27 alternativa d

28 10

29 alternativa d

30 6

31 12

32 30

33 a) 4 ângulos triédricos e 12 ângulos tetraédricos

b) 16 faces

Questões para reflexão

As faces de um poliedro convexo podem ser polígonos regulares congruentes entre si, sem que o poliedro seja regular.

34 hexaedro regular

35 5√2 cm

36 180 √3 cm2

37 alternativa d

38 Sim, pois o segmento 𝑀𝑁 é perpendicular a 𝐴𝐵 e a 𝐶𝐷, visto que o triângulo ANB é isósceles de base 𝐴𝐵, e o triângulo
CDM é isósceles de base 𝐶𝐷.
Exercícios complementares

1 a) verdadeira

b) verdadeira

c) falsa

d) verdadeira

e) verdadeira

f) verdadeira

g) verdadeira

h) falsa

i) falsa

j) verdadeira

k) verdadeira

l) falsa

m) verdadeira

n) verdadeira

o) falsa

p) verdadeira

q) verdadeira

2 alternativa e

3 alternativa e

4 alternativa b

5 a) 30°

b) 45°

6 alternativa c

7 ≈107,46°

8 alternativa c

9 12

10 13,5 m

11 a) Construção de modelos.
b) a = 4; b = 6; c = 8; d = 12; e = 20; f = 4; g = 8; h = 6; i = 20; j = 12; k = 6; l = 12; m = 12; n = 30; o = 30; p = 3; q = 4; r = 3; s = 5;
t = 3; u = 3; v = 3; w = 4; x = 3; y = 5.

Pré-requisitos para o Capítulo 9

1 a) 90°

b) 90°

2 a) 8.400 m2

b) 100 cm2

c) 9√3 dm2

d) 24√3 cm2

3 a) 4 cm

b) 36 cm2

4 16 cm

5 120 cm2

Trabalhando em equipe

Análise da resolução

O resultado de C20, 2 é o total de segmentos de reta determinados pelos vértices do dodecaedro; portanto, esse resultado
representa o número de diagonais do dodecaedro mais o número de diagonais das faces mais o número de arestas. Ao
subtrair o número de arestas, 30, do resultado de C20, 2 , obtemos o número de diagonais do dodecaedro e de suas faces.
Assim, devemos subtrair do resultado encontrado pelo aluno, 160, o número de diagonais das faces, que é 12(C5, 2 − 5), ou
seja, 60. Logo, o número de diagonais do dodecaedro é dado por: 160 − 60 = 100

Matemática sem fronteiras

1 a) 90°

b) r√2

CAPÍTULO 9

Além da teoria

a) 160.000 m3

b) ≈ 114,89 m

c)

ILUSTRAÇÃO: FAUSTINO

Exercícios propostos

1 Construção de prismas.
2 Toda secção transversal de um prisma é um polígono congruente às suas bases. Então, no prisma I teremos como secção
transversal um triângulo, no prisma II teremos um quadrado, no prisma III, um retângulo, no prisma IV um hexágono.

3 prisma I: prisma triangular; prisma II e prisma III: prisma quadrangular; prisma IV: prisma hexagonal.

4 a) 96 dm2

b) 96√3 dm2

c) 576 dm2

d) 192(3 + √3) dm2

5 a) Aℓ = 280 cm2

b) AT = 352 cm2

6 alternativa b

7 alternativa e

Questões para reflexão

A distância entre as bases de um paralelepípedo qualquer e a altura H do paralelepípedo. Sendo B a área de uma base, o
volume V é calculado por: V = B ⋅ H

8 8 dm

9 a) 700 cm2

b) 1.200 cm3

10 96 cm3

11 180 dm2

12 comprimento: 18 m; largura: 8 m; altura: 2 m

13 alternativa c

14 a) 4√3 dm

b) 64 dm2

c) 64 dm3
Página 284

Respostas

15 alternativa b

16 alternativa a

17 alternativa c

Criando problemas

Resposta pessoal.

Conectado

Resposta pessoal.

18 a) 10√2 cm

b) 350√2 cm3

19 3.600 cm3

20 6

21 180√3 dm3

22 alternativa b

23 6,4 L

24 a) 65.000 L

b) 6.000 L

Criando problemas

Resposta pessoal.

25 Construção de pirâmides.

Questões para reflexão

não

26 a) 12 cm

b) 9 cm

c) 3√7 cm

d) 432 cm2

e) 324 cm2

f) 756 cm2
g) 324√7 cm3

27 a) 12 cm

b) 5√3 cm

c) √69 cm

d) 360 cm2

e) 150√3 cm2

f) 30 (12 + 5√3) cm2

g) 150√23 cm3

28 4 dm

32
29 3
dm3

30 120 cm3

31 x = 2 cm

Criando problemas

Resposta pessoal.

32 84√3 cm3

33 alternativa e

Exercícios complementares

1 a) PB ≈ 2 N/m2

b) Pf ≈ 3 N/m2

2 alternativa e

3 alternativa d

4 alternativa b

5 5.000 cm3

6 5 cm

7 a) 268 cm2

b) 10 cm, 8 cm e 3 cm

c) 240 cm3

8 ≈ 36,9°

9 alternativa d
10 240√3 cm3

11 alternativa a

350√3
12 3
cm3

13 a) verdadeiro

b) verdadeiro

c) verdadeiro

d) falso

e) falso

14 a) 3,12 m3

b) 20,32 m2

15 21.504 cm2

16 a) O segmento 𝑀𝑁 é mediana relativa à base do triângulo isósceles MCD; logo, 𝑀𝑁 também é altura relativa a essa base;
portanto, 𝑀𝑁 ⊥ 𝐶𝐷. Analogamente, o segmento 𝑀𝑁 é mediana relativa à base do triângulo isósceles NAB; logo, 𝑀𝑁 também
é altura relativa a essa base; portanto, 𝑀𝑁 ⊥ 𝐴𝐵. Concluímos, então, que o segmento 𝑀𝑁 é perpendicular às arestas de 𝐴𝐵 e
𝐶𝐷.

b) √6 dm

17 a) 2,56 km3

b) 3,2 km2

18 alternativa a

19 alternativa e

20 alternativa b

21 72 √3 cm3

22 alternativa b

Pré-requisitos para o Capítulo 10

1 a) 40 cm2

b) 10π m

c) 9π dm2

d) 4π cm2

4𝜋
e) cm
3

2 É qualquer figura tridimensional, maciça e limitada; ou, de modo equivalente, é qualquer porção tridimensional do espaço
limitada por uma superfície fechada. P
or exemplo, um paralelepípedo, um prisma hexagonal, uma pirâmide etc.

3 Ao girar o retângulo em torno da reta CD, obtém-se uma figura, que lembra um tronco de árvore, chamada cilindro
circular.

4 alternativa d

Trabalhando em equipe

Análise da resolução

Na resolução do aluno, AD não é a distância entre r e s, pois 𝐴𝐷 não é perpendicular a 𝐶𝐷.

Resolução correta:

Indicando por x a medida, em decímetro, de uma aresta da base do prisma, temos:

6 ⋅ x ⋅ 10 = 240 ⇒ x = 4

Logo, a medida do lado de cada base é 4 dm.

Traçando a diagonal 𝐴𝐶 da base ABCDEF, temos:

• O triângulo ABC é isósceles, pois 𝐴𝐵 e 𝐵𝐶 são lados do hexágono regular;

• A𝐵̂ C mede 120°, pois é ângulo interno do hexágono regular;

• B𝐴̂C e B𝐶̂ A são congruentes e medem 30° cada um;

• A𝐶̂ D mede 90°, pois m(B𝐶̂ A) = 30° e m(B𝐶̂ D) = 120°.

ILUSTRAÇÕES: FAUSTINO

Temos também que o segmento 𝐴𝐶 é perpendicular à aresta 𝐴𝐺, pois cada aresta lateral de um prisma reto é perpendicular
às bases do prisma. Portanto, 𝐴𝐶 é perpendicular às duas retas reversas r e s; logo, a medida AC é a distância entre essas
retas. Aplicando a lei dos cossenos, concluímos que:

1
(AC)2 = 42 + 42 − 2 ⋅ 4 ⋅ 4 ⋅ cos 120° ⇒ 42 + 4 2 − 2 ⋅ 4 ⋅ 4 ⋅ (− )
2

∴ AC = 4√3
Logo, a distância entre as retas r e s é 4√3 dm.
Página 285

Matemática sem fronteiras

1 a) arestas: 36; vértices: 24

b) 504(√2 − 1) dm3

CAPÍTULO 10

Além da teoria

1. forma circular

2. antes: πr2; depois: 9πr2

3. Se o raio fosse triplicado, a massa da perna seria multiplicada por 27.

Exercícios propostos

1 5√3 cm

2 36 dm2

3 a) 20π m2

b) 4π m2

c) 28π m2

d) 20 m2

e) 20π m3

4 a) 64π cm2

b) 16π cm2

c) 96π cm2

d) 64 cm2

e) 128π cm3

5 144π dm2; 216π dm2; 432π dm3

125𝜋2
6 25π2 cm2; 25π(π + 2) cm2 2
cm3

7 112π cm2

8 a) 24π cm3

b) 96π cm2

9 alternativa c

10 alternativa d
11 a) 125π cm3

b) 50(2 + π) cm2

c) 25(4 + 3π) cm2

12 150π cm3

13 112π cm3

Criando problemas

Resposta pessoal.

14 10 cm

15 12 dm

16 a) 80π cm2

b) 64 π cm2

c) 144 π cm 2

8𝜋
d) rad ou 288°
5

e) 48 cm2

f) 128π cm3

17 a) 32π dm2

b) 16π dm2

c) 48π dm2

d) π rad ou 180°

e) 16√3 dm2

64𝜋√3
f) dm3
3

8𝜋√3
18 8π cm2; 12π cm2; 3
cm3

19 9,27π cm3 ≈ 29,12 cm3

20 a) 320π cm3

b) 480π cm2

21 36π mL

22 7√3 cm

Criando problemas
Resposta pessoal.

23 a) 84π dm3

b) 45π dm2

c) 90π dm2

24 734.760 L

Questões para reflexão

sim

25 a) 5 cm

b) 18 cm

26 a) 64π cm2

b) 16π cm

c) 30 cm

27 alternativa b

Questões para reflexão

Conhecendo o raio da base e a altura de um cone circular reto, o cálculo do raio da esfera inscrita nesse cone pode ser feito
por semelhança de triângulos.

Conectado

Resposta pessoal.

28 a) 81π cm2

b) 900π cm2

c) 4.500π cm3

29 288π cm3; 144 cm2

30 18π cm3; 27π cm2

31 10 cm

32 87,5%

33 5 cm

Criando problemas

Resposta pessoal.

34 8 cm

35 alternativa b
2𝜋
36 27 m3

37 2π cm3

38 3 cm

200𝜋
39 9
m2

40 6 m

1.760
41 a) 3
m2

b) 60°

c) 10√3 m

Exercícios complementares

1 alternativa c

2 9,6 L

3 81π cm3

4 alternativa e

5 alternativa b

6 a) 9 cm e 18 cm

b) 12 cm

c) 405π cm2

7 ≈ 5,94 ⋅ 1024 kg

8 alternativa e

9 40%

10 10 (√2 + 2) cm

11 6π cm3

12 a) 375π cm3

b) 75π cm2

c) 300π cm2

Trabalhando em equipe

Análise da resolução

Na resolução foi cometido um erro na montagem da proporção entre os lados correspondentes dos triângulos semelhantes.
Para evitar esse tipo de erro, é conveniente separar os triângulos semelhantes e assinalar os ângulos correspondentes
congruentes:
ILUSTRAÇÃO: FAUSTINO

Pelo teorema de Pitágoras, calculamos AC:

(AC)2 = 502 + 1202 ⇒ AC = 130

Pela semelhança entre os triângulos AOB e ACO', calculamos a medida R:

𝐴𝐶 𝐶𝑂′ 130 50
= ⇒ =
𝐴𝑂 𝑂𝐵 120 − 𝑅 𝑅

∴ 130R = 6.000 − 50R

100
∴ 180R = 6.000 ⇒ R = cm
3

100
Logo, a medida do raio da esfera é cm ou, aproximadamente, 33,3 cm.
3

Matemática sem fronteiras

1 a) 16 h e 17 h

b) 6 h e 4 h
Página 286

Lista de siglas
Cesesp-PE Centro de Seleção ao Ensino Superior de Pernambuco

Cesgranrio-RJ Fundação Cesgranrio

Enem Exame Nacional do Ensino Médio

FEI-SP Faculdade de Engenharia Industrial

FURRN Fundação Universidade Regional do Rio Grande do Norte

Fuvest-SP Fundação Universitária para o Vestibular

Ibmec Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais

Mackenzie-SP Universidade Presbiteriana Mackenzie

Obmep Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas

PUC-MG Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

PUC-RS Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

UCDB-MS Universidade Católica Dom Bosco

UEG-GO Universidade Estadual de Goiás

UEL-PR Universidade Estadual de Londrina

Uerj Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Uesc-BA Universidade Estadual de Santa Cruz

Uespi Universidade Estadual do Piauí

Ufal Universidade Federal de Alagoas

UFBA Universidade Federal da Bahia

UFC Universidade Federal do Ceará

Ufes Universidade Federal do Espírito Santo

UFF-RJ Universidade Federal Fluminense

UFJF-MG Universidade Federal de Juiz de Fora

UFMG Universidade Federal de Minas Gerais

UFPA Universidade Federal do Pará


UFPE Universidade Federal de Pernambuco

UFPI Universidade Federal do Piauí

UFRGS-RS Universidade Federal do Rio Grande do Sul

UFRJ Universidade Federal do Rio de Janeiro

UFT-TO Universidade Federal do Tocantins

UFU-MG Universidade Federal de Uberlândia

UFV-MG Universidade Federal de Viçosa

USB-BA Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Vunesp Fundação para o Vestibular da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”
Página 287

Bibliografia
ADAS, M. Geografia. São Paulo: Moderna, 1999. v. 3.

AGUIAR, A. F. A. et al. Cálculo para ciências médicas e biológicas. São Paulo: Harbra, 1988.

BARBOSA, J. L. M. Geometria euclidiana plana. Rio de Janeiro: Sociedade Brasileira de Matemática, 1985.

BERLOQUIN, P. Cem jogos lógicos. Lisboa: Gradiva, 1991.

BOYER, C. B. História da Matemática. São Paulo: Edgard Blücher, 1974.

CÂNDIDO, S. L. Formas num mundo de formas. São Paulo: Moderna, 1997.

CARAÇA, B. de J. Conceitos fundamentais de Matemática. Lisboa: Brás Monteiro, 1951.

CARVALHO, T. M. Matemática para os cursos clássico e científico. São Paulo: Companhia Editora Nacional,
1946. v. 1, 2 e 3.

D'AMBROSIO, U. Da realidade à ação: reflexões sobre Educação e Matemática. Campinas, SP: Editora da
Unicamp, 1986.

DAVIS, P. J.; HERSH, R. A experiência matemática. São Paulo: Francisco Alves, 1986.

ENCICLOPÉDIA ENCARTA 2000. Microsoft.

EVES, H. Introdução à história da Matemática. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 1997.

GAMOW, G. Um, dois, três… infinito. Rio de Janeiro: Zahar, 1962.

GRANDE ENCICLOPÉDIA LAROUSSE CULTURAL. São Paulo: Nova Cultural, 1995.

HOGBEN, L. Maravilhas da Matemática. Porto Alegre: Globo, 1952.

IEZZI, G. et al. Fundamentos da Matemática elementar. São Paulo: Atual, 1977. v. 2 e 4.

IFRAH, G. História universal dos algarismos. Trad. Alberto Muñoz e Ana Beatriz Katinsky. Rio de Janeiro: Nova
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JOHNSON, D. A. et al. Matemática sem problemas. São Paulo: José Olympio, 1972.

KAPLAN, W. ; LEWIS, D. J. Cálculo e Álgebra linear. Rio de Janeiro: LTC & Editora da UnB, 1973. v. 3.

KARSON, P. A magia dos números. Porto Alegre: Globo, 1961.

KASNER, E. ; NEWMAN, J. Matemática e imaginação. Rio de Janeiro: Zahar, 1968.

LEME, R. A. da S. Curso de Estatística. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1969.

LESH, R. ; LANDAU, M. Aquisition of Mathematics concepts and process. Londres: Academic Press, 1983.

MIORIN, M. A. O ensino de Matemática: evolução e modernização. Campinas, SP: Faculdade de Educação da


Unicamp, 1995. (Tese de Doutorado)
Página 288

NOVA ENCICLOPÉDIA BARSA. São Paulo: Encyclopaedia Britannica do Brasil, 2000.

PENROSE, R. A mente nova do rei. Rio de Janeiro: Campus, 1991.

PERUZZO, T. M. ; CANTO, E. L. do. Química: na abordagem do cotidiano. São Paulo: Moderna, 1993.

RAMALHO JÚNIOR, F. et al. Os fundamentos da Física. São Paulo: Moderna, 1993.

REVISTA DO PROFESSOR DE MATEMÁTICA. São Paulo: Sociedade Brasileira de Matemática. Publicação


quadrimestral.

SCHOOL MATHEMATICS STUDY GROUP. Matemática: curso colegial. São Paulo: Edart, 1966.

SPIEGEL, M. R. Estatística. São Paulo: McGraw-Hill, 1961.

VERAS, L. L. Matemática aplicada à economia. São Paulo: Atlas, 1995.


Página 289

SUPLEMENTO COM ORIENTAÇÕES PARA O


PROFESSOR
Página 290

SUMÁRIO
Parte geral
A Matemática no Ensino Médio 291
A interdisciplinaridade e a Matemática 292
Apresentação da obra 293
Objetivos da obra 293
O trabalho com o livro 293
Avaliações e reflexões 294
Sugestões de leitura para o professor 296
Sugestões de leitura para o aluno 300
Atividades para o desenvolvimento do pensamento científico 301
Considerações sobre a organização do volume 306
Conteúdos e objetivos específicos dos capítulos 306

Parte específica

Sugestões para o desenvolvimento dos capítulos 310


Capítulo 1 Sequências 310
Capítulo 2 Trigonometria no triângulo retângulo 312
Capítulo 3 Circunferência trigonométrica: seno e cosseno 319
Capítulo 4 Outras razões trigonométricas e adição de arcos 321
Capítulo 5 Funções trigonométricas e resolução de triângulos 323
Capítulo 6 Os princípios da Análise combinatória 325
Capítulo 7 Agrupamentos e métodos de contagem 327
Capítulo 8 Geometria de posição e poliedros 328
Capítulo 9 Prismas e pirâmides 330
Capítulo 10 Corpos redondos 330
Sugestões para o desenvolvimento dos infográficos 332

Resolução de exercícios
Capítulo 1 Sequências 335
Capítulo 2 Trigonometria no triângulo retângulo 344
Capítulo 3 Circunferência trigonométrica: seno e cosseno 349
Capítulo 4 Outras razões trigonométricas e adição de arcos 360
Capítulo 5 Funções trigonométricas e resolução de triângulos 371
Capítulo 6 Os princípios da Análise combinatória 382
Capítulo 7 Agrupamentos e métodos de contagem 387
Capítulo 8 Geometria de posição e poliedros 394
Capítulo 9 Prismas e pirâmides 400
Capítulo 10 Corpos redondos 409
Página 291

PARTE GERAL
A Matemática no Ensino Médio
Para iniciar a abordagem sobre a Matemática no Ensino Médio, tomamos por base a apresentação do livro Ensino
Médio: ciência, cultura e trabalho, em que o ex-secretário de Educação Média e Tecnológica Antonio Ibañez Ruiz
descreve o início de seu trabalho nessa secretaria e destaca os problemas que caracterizam o Ensino Médio.

O ano de 2003 foi, para a política de Ensino Médio, um período de construção. Por princípio, a equipe que
assumiu a Secretaria de Educação Média e Tecnológica (Semtec) não iniciou mudanças sem, antes, equacionar
a problemática que constitui o Ensino Médio. Para isso, principiou uma discussão com a sociedade,
identificando os limites e as possibilidades de ação e, a partir de então, desenvolveu uma proposta política
consistente com as orientações de governo, respeitando a autonomia dos sistemas de ensino.

Os problemas que caracterizam o Ensino Médio foram assim definidos: a identidade dessa etapa de ensino,
expressa pelos objetivos de formação dos sujeitos individuais e coletivos que a vivenciam – os jovens; a
política curricular, a ser definida em coerência com uma concepção de conhecimentos associada às relações
político-pedagógicas que se instituem no interior da escola e entre a escola e a sociedade; a formação de
professores, valorizando esses sujeitos como construtores de conhecimentos e como profissionais eticamente
reconhecidos; a gestão democrática da escola, considerando sua singularidade como instituição e sujeito
social; o livro didático, visto como instrumento de sistematização e veiculação de saberes, virtuoso em seu
potencial de facilitar e ampliar o acesso ao conhecimento, porém restrito quanto à riqueza de iniciativas,
interpretação e criação que pode caracterizar a relação professor-aluno no confronto com o conhecimento.

FRIGOTTO, Gaudêncio; CIAVATTA, Maria (Org.). Ensino Médio: ciência, cultura e trabalho. Brasília: MEC; Semtec, 2004.

Como a discussão desses problemas é extensa e complexa, vamos nos deter, aqui, apenas ao início da reflexão sobre
dois dos problemas levantados na apresentação: a identidade do Ensino Médio e o livro didático.

O início do Ensino Médio é, para todos os alunos, e em todas as disciplinas, um momento de crescimento e de
desafios. O aluno que começa o Ensino Médio faz parte de um grande e heterogêneo grupo, que, de forma mais
intensa ou não, é pressionado por questões que não são recentes mas, nos dias de hoje, têm características
específicas, como o trabalho e/ou o prosseguimento dos estudos num mundo globalizado. Em seu estudo Juventude e
Ensino Médio: de costas para o futuro?, a pesquisadora Nísia Trindade Lima apresenta reflexões sobre esse sujeito: o
aluno do Ensino Médio.

Uma “onda jovem” desafia conhecimentos estabelecidos e modos de olhar para a sociedade brasileira. O termo
designa uma das mais importantes modificações na pirâmide etária nesse início do século XXI: a geração de 20
a 24 anos é uma das maiores de nossa história (MADEIRA, 1998, p. 430). Ao lado do fenômeno demográfico,
chama a atenção o fato de apenas 37% (aproximadamente 4 milhões) de adolescentes, jovens na faixa etária
de 15 a 17 anos, estarem cursando o Ensino Médio. Considerando-se o contingente de 1 milhão ainda cursando
o Ensino Fundamental ou frequentando cursos nas modalidades Educação de Jovens e Adultos e profissionais,
chega-se ao número de cerca de 5 milhões de jovens fora da escola (documento-base “Seminário Ensino
Médio: Construção Política”). Ora, a superação dessa característica excludente do sistema de ensino requer
uma melhor compreensão sobre os jovens brasileiros e o papel a ser representado pela escola para que se
assegure a todos o objetivo do Ensino Médio tal como prescrito na Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional: consolidar os conheci