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Terceiro Dia

Precisamos ativar o corpo


O grande desafio e a maior missão de cada ministro é a edificação da
Casa de Deus. Mas essa edificação passa pela ativação de cada santo.
Se somos um corpo devemos ativar o membro paralisado; se somos
uma casa precisamos levar cada servo a usar o seu talento, se somos
uma família devemos sair e buscar o filho pródigo.
A Palavra de Deus não nos fala de proporções, mas o bom senso e a
experiência nos mostram que os membros de cinco talentos são
poucos. São realmente poucos os membros do nosso corpo que são
multiuso. A nossa boca é um bom exemplo de orgão multiuso. Ela pode
ser usada para comer, sorrir, assobiar, beijar, cantar e muito mais
coisas. É um membro com muitos talentos, mas a maior parte dos
membros do corpo possui apenas uma função. Os mebros de dois
talentos seriam uma grande proporção, mas certamente a maioria dos
membros possuem apenas um talento.
Se a maioria dos membros são os de um talento isso significa que a
maior parte do nosso tempo precisa ser investida neles. Se eles são
maioria isso também significa que a a vitalidade ou a apatia de uma
igreja depende deles.
O problema é que normalmente os membros de um talento não são
muito ativos e participantes, na verdade eles costumam mesmo enterrar
o próprio talento. Isso produz um problema, pois o nosso alvo é levar o
corpo a funcionar.
O Desafio é ativar cada membro
Todas as vezes na história em que o corpo de Cristo foi ativado, ali
aconteceu uma revolução, um mover do Espírito. O mover de Deus
pode começar com um homem, mas nunca fica restrito a ele. Deus
levanta alguns para que eles sejam usados para levantar o resto do
corpo. Gostamos de ouvir a história de grandes homens do passado,
mas eles somente foram grandes por que foram capazes de mobilizar
o corpo. O que os fez grande não foi o tanto que fizeram, mas o quanto
conseguiram levar outros a fazerem.
O maior desafio do líder é trabalhar para que o Corpo seja ativado.
Precisamos ativar o corpo porque muitos membros estão paralisados,
muitos servos enterraram seu talento. Essa geração somente será
conquistada se os servos de um talento se levantarem.
Só podemos dizer que a igreja acontece de forma prática quando os de
um talento saem para negociá-lo. Só há corpo quando cada membro
funciona. Quando um membro funciona por cinco, temos aí um único
membro que se faz passar pelo corpo e isso é uma aberração.
O grande desafio de um líder não é mobilizar os de cinco talentos. Na
verdade esses servos nem precisam de alguém para liderá-los. Os
servos de cinco talentos já são envolvidos e comprometidos coma
igreja. O desafio são os de um talento, se falhamos em ativá-los a nossa
liderança terá fracassado.
Uma célula pode se multiplicar com o trabalho de apenas um membro,
mas não será um corpo se apenas um membro funcionar.
Nosso trabalho tem dois aspectos: ganhar essa geração e edificar o
Corpo de Cristo. Creio firmemente que se edificarmos o Corpo
naturalmente a nossa geração será conquistada. Quando o corpo está
bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa
cooperação de cada parte, ele efetua o seu próprio aumento para a
edificação de si mesmo em amor (Ef. 4:16).
Temos a missão de ganhar a nossa geração, mas o nosso raciocínio é
que uma vez que a missão está sendo feita não importa se muitos ou
poucos estão trabalhando. Essa ten sido a nossa mentalidade,
queremos fazer a obra de Deus mesmo que apenas uns poucos
vencedores se prontifiquem. Mas isso é um engano. O alvo não é
apenas realizar uma obra, o alvo é ativar o Corpo.
Infelizmente seguimos uma visão natural quando se trata de alcançar a
missão da Igreja. Pensamos que precisamos apenas de alguns servos
supertalentosos e algum dinheiro. Nossa visão natural limitada é usar a
televisão e outros meios de comunicação para ganhar o país num dia,
mas a visão de Deus é que a obra deve ser feita através do corpo.
Não creio em mídias, creio no corpo. Não sou contra usar as mídias,
sou a favor de ativar o corpo. O trabalho prioritário é levar o Corpo a
funcionar. Uma vez que o corpo funcione facilmente podemos ganhar a
nossa geração.
O alvo primordial da célula não é realmente a multiplicação, mas é ser
igreja, ser um corpo. Evidentemente queremos e devemos nos
multiplicar, mas ser igreja vem muito antes. Quando somos igreja de
maneira prática e saudável a multiplicação acontece de forma
espontânea.
Quando a célula é igreja não precisamos, por exemplo, falar muito sobre
consolidação, porque os novos convertidos serão espontaneamente
envolvidos pelos irmãos na vida do corpo. Quando somos família os
filhos são naturalmente amados e supridos. Numa família saudável os
irmãos cuidam uns dos outros, do mesmo modo numa igreja saudável
haverá um sentimento de cuidado mútuo por sermos irmãos.
Quando a célula é igreja não precisamos enfatizar o discipulado pois
aprendemos a nos submeter a todos os irmãos e, pela exortações de
todos somos ensinados e transformados. Se o discipulado for apenas
um sistema eclesiástico ele se torna uma terrível ferramenta de
manipulação e controle, mas os filhos mais velhos ensinam os mais
novos e os mais novos sempre querem imitar os irmãos mais velhos.
Quando a célula é igreja teremos amor e aceitação e os novos
convertidos serão curados nas angústias de alma.
Quando a célula é igreja ela certamente vai se multiplicar pois um corpo
saudável sempre cresce e se multiplica.
Quando a célula é igreja ela pratica o mais poderoso tipo de
evangelismo, o evangelismo por meio da comunhão do corpo que
expressa o amor entre os membros. As pessoas são atraídas quando
há amor entre os irmãos.
Quando a célula é igreja cada membro funciona de acordo com a sua
capacidade. Somente somos corpo quando todos os membros
funcionam. Se apenas alguns funcionam temos uma aberração do
corpo. Se nos contentamos em ver apenas os irmãos mais talentosos
funcionando na célula estamos negando a realidade espiritual do corpo.
Portanto o nosso maior desafio é levar cada célula a ser uma
microigreja. A célula deve ser igreja antes de qualquer coisa. E para
sermos igreja a principal necessidade é que todos os membros
funcionem. Cada membro precisa ser ativado.
Como ativar o membro do corpo
1. Lembre-se que todo membro possui pelo menos um talento
O princípio básico é que não existe servo que não tenha recebido pelo
menos um talento. Na Casa de Deus ninguém pode desculpar-se
dizendo que não recebeu talento algum. Todos os filhos são servos e
todo servo recebeu um talento. Todo salvo é membro do corpo e se é
membro ele possui um dom.
Nos manuais de liderança a direção é se concentrar nas pessoas que
respondem de deixar de lado as demais. Pode parecer pragmático e
eficiente, mas não é o espírito de Cristo. Precisamos investir em todos
os membros do corpo. Não existem membros inúteis e nem membros
descartáveis. Todos receberam pelo menos um talento e, portanto,
devem ser mobilizados.

2. Acredite no potencial de cada membro


Quase todas as nossas dificuldades na célula estão relacionadas com
os membros de um talento. São eles os crentes passivos que não
respondem aos apelos da liderança. Normalmente são apáticos e
negligenciam toda responsabilidade na vida da Igreja.
Mas mesmo assim nunca diga que um determinado irmão é inútil. Se
disser que esse ou aquele irmão é inútil, então você está destruindo a
vida da Igreja. Se disser que um irmão é inútil você estará afirmando
que o corpo de Cristo possui partes inúteis.
Células saudáveis são aquelas onde todos os membros são envolvidos.
Todos os irmãos são úteis, mesmo aqueles que parecem incapazes.
Quando isso acontece a vida de Deus se manifesta de forma clara e o
crescimento acontece rapidamente.
Nunca deixe um membro de lado porque você o considera menos
capaz. Fazer isso é ignorar a graça de Deus. Paulo disse que pela graça
de Deus somos o que somos e somente podemos ser usados por Deus
por causa da graça.
Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi
concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos
eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo. I Cor. 15:10
Em tempos recentes muitos adquiriram a visão de que devem fazer a
obra de Deus com excelência. Por causa desse conceito permitem que
apenas os mais talentosos trabalhem na igreja pois somente eles fazem
com excelência o trabalho. Essa é uma visão perigosa. A verdadeira
excelência é levar todo o corpo a funcionar e não simplesmente fazer
um trabalho de forma excepcional. Isso tem levado à profissionalização
de tudo na igreja.
Já temos revelação de que o clericalismo mata as funções do corpo e
por isso o temos rejeitado. O problema é que estabelecemos um novo
tipo de clericalismo quando trabalhamos apenas com os líderes e
disciuladores. Quando nos reunimos apenas com eles para treinamento
e quando dizemos que certas atividades na célula somente pode ser
desempenhada por eles. Querendo ou não estamos dizendo que eles
são melhores e mais santos. Estamos passando a mensagem que os
outros não são útreis para Deus. Creio que precisamos fazer o nosso
treinamento com todo o corpo. Ninguém pode ficart de fora. Se
excluímos alguns, estamos ainda com resquício de clericalismo
religioso. Nós até ensinamos que cada crente é um ministro, mas na
prática nós levantamos apenas alguns para ministrarem. Não estou
dizendo que não precisamos de líderes, o que estou dizendo é que
todos são líderes.
A verdade é que nos nós reunimos com os líderes, nos preocupamos
em motivá-los e os ajudamos a fazer o trabalho. Porém, não nos
importamos na prática se todos os membros estão envolvidos, o que
realmente nós queremos é que o trabalho seja feito. Se a célula crescer
e se multiplicar, nós não nos importamos se foi o resultado do trabalho
de apenas um membro. Precisamos avançar na prática da visão. O alvo
é ativar todo o corpo.

3. Creia que a obra é feita pelo corpo e não por apenas alguns
membros
A questão que importa não é quanto trabalho conseguimos fazer
sozinhos, mas quantos de um talento conseguimos ativar.
É verdade que alguns são colunas e carregam mais peso que os
demais. Não podemos ignorar a importância das colunas. Aqueles que
são colunas são os que suportam maior pressão e se são removidos do
seu lugar uma parte da edificação pode até desmoronar. É indiscutível
que alguns são líderes e têm maior responsabilidade. No entanto o que
importa não é quanto peso você suporta, mas quantos de um talento
você consegue levantar para trabalhar.
Se você é o único que está ocupado durante todo o tempo, isso não é
igreja. Mas se você fica ocupado durante todo o tempo e também
consegue fazer com que os de um talento também trabalhem, então
teremos ali a igreja.
A obra do mundo é feita com os mais talentosos, mas a obra da Igreja
é feita com todo o corpo. A obra de Deus é feita com os de um talento.
Todo o processo no mundo é feito para triar-se e descobrir os mais
talentosos. Não há lugar para os menos talentosos. Mas na vida da
Igreja as coisas são diferentes. Precisamos acreditar de todo o coração
que em uma igreja todos os membros podem funcionar.
Acredite em cada membro de todo o coração. Faça-o trabalhar
persuadindo-o por todos os meios possíveis. Não o substitua, não o
despreze, não o julgue intratável e desqualificado. Se Deus está em paz
de chamá-los para ser parte do corpo, você precisa estar em paz
treinando-os para isso.
Hoje se pudermos fazer uma escolha talvez separemos um pequeno
grupo para servir, mas o Senhor diz que todos são servos. Se o Senhor
assim decretou, então devemos permitir que eles sirvam.
4. Rejeite toda visão natural da Igreja
O mundo será ganho pelo corpo, não pelos membros mais talentosos.
As portas do inferno não resistem o corpo, mas elas resistem quando
apenas alguns membros talentosos se levantam.
Não pense que o fato de termos muitos crentes num local ali temos a
igreja. Somente o corpo de Cristo é a igreja, e o corpo depende do
funcionamento de todos os membros. Se os membros estão
paralisados então não temos o corpo.
A igreja é simplesmente todos os de um talento servindo; a igreja
somente acontece se todo membro for ativado.
Essa é a revolução que veremos nesses dias. A estratégia do mundo é
colocar toda a ênfase sobre os mais talentosos. Mas essa não é a
ênfase de Deus. O mundo procura os mais talentosos, mas Deus
procura especialmente aqueles que não possuem valor para o mundo.
Creio que é exatamente essa a glória de Deus, fazer a sua obra por
intermédio daqueles que são considerados inúteis pelo mundo.
Em muitos lugares os pastores se tornaram verdadeiros headhunters,
caçadores de talento. Eles estão sempre a procura de algum talento
escondido. O problema é que se está escondido deve ser o membro de
um talento, pois somente eles enterram o talento.
Muitos seguem o padrão do mundo de procurar apenas os melhores.
Acreditam que somente os melhores farão o trabalho apropriado. Mas
não é essa a mentalidade do reino de Deus. O Senhor quer fazer a sua
obra com aqueles que não são capazes, para que o poder seja dEle e
a glória tributada a Ele no final.
Nesse sentido nós somos mesmo caçadores de talentos,
desenterradores de talentos. Os de cinco talentos normalmente nos
procuram, não precisamos ir atrás deles, mas os de um talento
precisam ser desenterrados.
Paulo diz que o Senhor escolheu as coisas humildes do mundo, e as
desprezadas, e aquelas que não são (I Cor. 1:28). Nós, porém,
escolhemos os mais sabidos, os mais inteligentes e capazes.
Precisamos abandonar a nossa forma natural de pensar e assumir a
maneira do Senhor.
É por isso que são tão poucos os talentosos entre nós, porque são
esses os que o Senhor chamou, os de um talento. O reino será
estabelecido por crentes de um talento. Quando esse usar o seu talento
combinado ao talento do outro vai formar uma força imbatível.
A igreja não é uma questão de ter um trabalho realizado, mas é uma
questão de ativar todos os membros de um talento. Não devemos
pensar que uma vez que o trabalho está sendo feito tudo estará bem.
Não é assim. O nosso trabalho é levar o corpo a funcionar.
Lembro-me alguns anos atrás de ser convidado para participar de um
grande projeto de evangelismo. Um grande ministério reuniu em São
Paulo pastores de todo o Brasil. A ideia era que um grande pregador
iria pregar em rede nacional num determinado dia e os pastores se
encarregariam de cuidar dos decididos. O princípio por detrás disso é
que a igreja não faz, então Deus teria de usar apenas um homem para
realizar a tarefa que seria de toda a igreja. Para esses irmãos o que
importa é ter a missão cumprida, mesmo que seja por um único homem.
Nem preciso dizer que não houve um grande resultado nesse projeto.
Deus não pode abençoar algo que simplesmente despreza o corpo. Um
único membro não fará o trabalho do corpo. Ainda hoje persiste a ideia
de que pelos meios de comunicaçlão podemos ganhar o mundo. Eu
preciso reafirmar que não sou contra a mídia, sou a favor do corpo. Não
sou contra usar a TV, sou a favor de ativar cada membro do corpo.
No dia em que todos os de um talento se levantarem então veremos
que o corpo de Cristo está entre nós, teremos a realidade da vida da
Igreja. Todo o nosso problema hoje é que temos procurado os de cinco
e os de dois talentos. Fazemos treinamento especial para eles e nos
esquecemos dos de um talento. Precisamos fazer o nosso treinamento
com toda a Igreja. Todo crente é ministro e precisa ser treinado.
Não adianta apenas pregar sobre o corpo, nós precisamos crer no corpo
de todo o nosso coração. É comum enviarmos pastores e eles depois
de algum tempo alcançam uma congregação de cinquenta irmãos. Mas
eles reclamam pedindo gente para ajudar, no entanto eles possuem
cinquenta irmãos com ele. Para ele aquele grupo não é a sua equipe,
mas apenas os irmãos que dão trabalho, os membros de um talento.
Mas esse pastor só acredita que a obra vai avançar se lhe for enviado
um líder super capaz que lidera cinco células e não depende dele para
nada. Nada de errado em ter tal líder de cinco talentos, o problema é
que perdemos a oportunidade de usar cinquenta de um talento.
5. Não desista dos que enterram o talento
Não me impressiona aquele pastor que consegue levantar os membros
de cinco talentos. Isso qualquer líder natural pode fazer. Até um líder
numa empresa é capaz de mobilizar os mais talentosos. O pastor que
faz isso não faz nada demais, mas quando ele consegue mobilizar os
menos talentosos, então ele provou a sua verdadeira liderança.
Os de um talento são realmente difíceis de se liderar. Constantemente
eles querem retroceder e enterrar o talento novamente. Não é mesmo
fácil ativar o membro de um talento. Normalmente eles não são cheios
de vida e vigor espiritual, mas são passivos e indiferentes. Precisamos
orar por eles e continuar insistindo.
É preciso dizer que além de apatia existe também muita indisposição e
preguiça. Precisamos vencer isso com oração, mas nunca pense que
um membro assim não tem jeito.
Normalmente as pessoas que enterram o talento justificam-se dizendo
que a igreja ou a liderança é muito exigente e severa. Dizem que não
conseguem corresponder às expectativas por isso enterram o talento.
Outros são tão tímidos que se escondem o tempo todo e há aqueles
que presumem que seu talento é tão pequeno que nem vale a pena
tentar fazer algo.
Ninguém disse que a tarefa seria fácil, mas devemos ter sempre em
mente que o nosso encargo é pela edificação do corpo. Se você falhar
em ativar os de um talento, a sua liderança fracassou completamente.
6. Mantenha a igreja na simplicidade
Quando o trabalho e a estrutura da igreja se torna complexa as pessoas
sentem receio de se envolver. Todos temos medo de fracassar e
quando o trabalho parece muito difícil então recuamos inseguros.
Aqueles membros de um talento se sentem intimidados diante de
estruturas complexas e treinamentos sofisticados. Precisamos dar-lhes
um treinamento simples para que eles possam ser úteis numa igreja
igualmente simples. Se passamos a ideia de que é necessário um
grande treinamento para ser usado por Deus, vamos inibir a maioria de
se envolver.

7. Dê espaço para erros na célula


Não espere que alguém cresça até ao ponto de não errar para só depois
liberá-lo para funcionar na célula. Um erro pequeno deve ser ignorado,
a menos que seja repetido excessivamente ou esteja causando
problemas no rebanho.
Corrigir a todo momento a cada pequeno erro torna as pessoas
inseguras de fazer qualquer coisa. Isso mata a iniciativa porque faz com
que seja mais seguro se omitir. Isso destrói a confiança e abafa a
criatividade.
O corpo de Cristo não é uma doutrina, é algo vivo. Somente quando
cada membro funciona é que temos o Corpo de Cristo. Somente onde
há um corpo é que temos a igreja. Não adianta apenas pregar sobre o
corpo, precisamos permitir que ele se expresse e demonstre as suas
funções. Não precisamos ter receio. Uma vez que é o corpo de Cristo
as funções aparecerão. Se de fato é o corpo de Cristo devemos
acreditar que ele pode funcionar.
Não devemos fazer o trabalho do Senhor tentando substituir os
membros, fazendo o trabalho no lugar deles com receio dos erros que
possam cometer ou mesmo tendo medo de que não façam com a
mesma excelência que você faria. Tememos que os de um talento
façam o trabalho com uma qualidade ruim. Mas devemos trabalhar para
treiná-los, e para isso precisamos ter paciência.
Lembre-se que a carne e os de um talento estão unidos. Sempre que
os de um talento se levantarem a carne virá junto. Evidentemente
devemos rejeitar e tratar com a carne, mas precisamos usar os de um
talento. O problema é que enterramos a carne e eles enterram o talento.
Trabalhar na carne é ruim, mas enterrar o talento é ainda pior.

8. Delegue responsabilidade a todos


Não há como ser ativado se não somos desafiados a fazer coisa
alguma. Busque discernimento, pois um mesmo trabalho pode trazer
esgotamento para alguns e tédio para outros. É preciso então perceber
os limites e a capacidade espiritual e natural de cada um.
Existem muitas coisas que precisam ser feitas numa célula. Envolva
cada irmão e aqueles que são um de talento envolva-os nas atividades
mais simples, mas nunca os deixe de lado. Precisamos permitir que
façam conforme sua capacidade limitada. Precisamos ter paciência
para esperar que aprendam.
Também devemos ter cuidado para não rotular o membro como alguém
que não tem jeito. Devemos usar de todos os meios para envolver o
membro de um talento.
Nem sempre os de um talento estarão aptos para as funções que mais
precisamos na Igreja. Normalmente eles se recusam a liderar, mas não
devemos desistir deles. Há muitas outras formas como eles podem
cooperar com o trabalho.
Na vida da Igreja já aprendemos que a coisa mais importante é gerar
filhos e não fazer coisas. No entanto, lembre-se que fazer coisas ainda
continua sendo necessário.
Em Marcos 14 nós temos um quadro simbólico da igreja. è uma casa
onde o Senhor está presente, mas nessa casa nós temos Simão, o
leproso, certamente alguém que tinha sido curado da lepra. Isso aponta
para todos os crentes que foram purificados do pecado. Tinha também
Lázaro, a quem o Senhor tinha ressuscitado do mortos. Isso mostra que
os crentes que ganharam uma nova vida. Mas além deles tinha ainda
Marta, que fazia a comida, e Maria que estava aos pés do Senhor. Marta
reclama que Maria não a estava ajudando e o Senhor diz que Maria
tinha escolhido a melhor parte. Mas o Senhor não disse que o aquilo
que Marta fazia não era importante. Ele não disse: “deixa a cozinha e
vem prra cá!”
Coisas precisam ser feitas na vida da Igreja. Todos precisamos ser
Marta e Maria ao mesmo tempo. Mas é certo que os membros de um
talento preferem fazer coisas na Igreja. Não fique tão preocupado com
isso. Dê espaço para todos.
Hoje temos diante de nós a visão de Deus para produzir uma revolução.
Que tipo de obra estamos fazendo? Há somente alguns que trabalham?
Há vários líderes talentosos que fazem todo o trabalho? Todos os
servos do Senhor tem um lugar nele? Nisso está o segredo do sucesso
do propósito divino. Se não pudermos resolver isso, não teremos a
igreja de forma viva e prática.