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Oitavo Dia

Ministros da Nova Aliança


Nesse tempo do Novo Testamento todo crente foi constituído um
ministro, um sacerdote do Senhor. O entendimento de que cada crente
é um sacerdote é um ponto muito importante na visão que praticamos.
Se perdermos essa verdade toda a prática da vida da igreja estará
comprometida.
Mas não basta saber que somos ministros, precisamos ainda realçar que
somos ministro do Novo Testamento. Existe uma grande diferença entre
ser um ministro da velha Aliança e um ministro da Nova Aliança.
Infelizmente é possível viver nos dias do Novo Testamento, mas ainda
liderar como um ministro da Velha Aliança. Infelizmente muitos ainda
misturam as duas alianças.
Em II Coríntios 3 Paulo faz um paralelo entre esses dois tipos de
ministros.
O qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da
letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica. E, se
o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de
glória, a ponto de os filhos de Israel não poderem fitar a face de Moisés,
por causa da glória do seu rosto, ainda que desvanecente, como não será
de maior glória o ministério do Espírito! Porque, se o ministério da
condenação foi glória, em muito maior proporção será glorioso o
ministério da justiça. Porquanto, na verdade, o que, outrora, foi
glorificado, neste respeito, já não resplandece, diante da atual
sobreexcelente glória. Porque, se o que se desvanecia teve sua glória,
muito mais glória tem o que é permanente. Tendo, pois, tal esperança,
servimo-nos de muita ousadia no falar. E não somos como Moisés, que
punha véu sobre a face, para que os filhos de Israel não atentassem na
terminação do que se desvanecia. Mas os sentidos deles se embotaram.
Pois até ao dia de hoje, quando fazem a leitura da antiga aliança, o
mesmo véu permanece, não lhes sendo revelado que, em Cristo, é
removido. Mas até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o
coração deles. Quando, porém, algum deles se converte ao Senhor, o véu
lhe é retirado. Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do
Senhor, aí há liberdade. E todos nós, com o rosto desvendado,
contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos
transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo
Senhor, o Espírito. II Cor. 3:6-18
Observe que paulo usa as palavras ministro e ministério várias vezes.
Vamos tomar cada uma dessas menções e entender o que significa
realmente ser um ministro do Novo Testamento.

1. Ministros da letra ou ministros da nova aliança? - v. 6


O qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da
letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica. II Cor.
3:6
A primeira coisa que Paulo diz é que o ministério da nova aliança não é
um ministério da letra. O que significa ser ministro da letra? A palavra
letra aqui pode ter o sentido da palavra sem o Espírito. A letra seria a
palavra sem a revelação e a vida. Se tomarmos a palavra de Deus apenas
como um texto natural, sem oração ela não vai gerar vida em nós.
Esse certamente é um sentido correto, mas eu creio que há ainda outra
forma de entendermos o significado de sermos ministros da letra.
Certamente você já concluiu que a palavra letra aqui não se refere aos
caracteres que usamos para escrever as palavras. A palavra letra era uma
forma como antigamente as pessoas se referiam a uma dívida registrada
em cartório. A palavra letra usada em II Coríntios 3:6 poderia também
ser traduzida como a lei do Velho Testamento. Na verdade a palavra
“letra” ainda hoje é usada como sinônimo de nota promissória, carta de
fiança, declaração escrita de débito ou dívida. Não é por acaso que o
governo emite um documento chamado LTN, Letras do Tesouro
nacional. Quando você adquire uma LTN o governo passa a ser seu
devedor. Você passa a ter uma carta promissória chama de letra do
Tesouro.
A letra nada mais é que do que a cobrança. Nesse sentido então, pregar
a letra é pregar a dívida que as pessoas possuíam com Deus de acordo
com a lei. Isso significa que nós hoje não pregamos mais a lei do Velho
Testamento. Não estou dizendo que não podemos pregar o Velho
Testamento, pois eu mesmo sou professor de Velho Testamento. Mas
somente podemos pregá-lo se for para apontar para Cristo.
Como ministros do Novo Testamento nós não pregamos a dívida ou a
cobrança. Nós ministramos vida uns aos outros e não condenação e
cobrança. Muitos ainda acreditam que a condenação possui poder para
transformar as pessoas, mas a única coisa que colhemos da condenação
é a morte.
Pregar a letra é pregar que as pessoas estão em dívida com Deus. Mas
não é isso que diz o Novo Testamento. Em Colossenses 2:14 Paulo diz
que o Senhor Jesus cancelou o escrito de dívida, que era contra nós e que
constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu- o
inteiramente, encravando-o na cruz. Isso significa que agora, pois, não
há nenhum condenação para nós que estamos em Cristo. Nossa dívida
já foi paga.
Isso significa que ministramos o perdão e não a condenação.
Infelizmente ainda há alguns que se levantam na célula para condenar e
assim trazer morte sobre a reunião.
Dificilmente um pastor prega unicamente a lei, normalmente eles
pregam um tipo de mistura do Novo com o Velho Testamento. A mistura
é o grande problema.
Muitos misturam o evangelho da graça com a lei. Eles crêem que são
salvos pela graça, mas também acreditam que a comunhão com Deus
depende deles guardarem os mandamentos da lei. Acreditam que
somente aqueles que cumprem os mandamentos têm as suas orações
respondidas. Vivem como se não fossem justificados pelo sangue.
Quando um ministro da letra encontra um irmão que tem faltado às
reuniões, qual é a postura dele? Ele é um cobrador. “Irmão, você precisa
ter mais compromisso. A célula não cresce porque você é infiel.” Não é
uma ministração muito agradável. Mas será que não podemos exortar
mais o irmão? Claro que podemos, mas como ministros da nova aliança
e não da letra. Como faria um ministro da nova aliança. Ele abordaria o
irmão e lhe diria: “meu querido, você é membro do corpo de Cristo e
quando você se ausenta o corpo não está é completo. Sentimos a sua falta
porque estamos unidos num mesmo amor. Você recebeu um dom de
Deus para nos abençoar e quando você falta nós deixamos de ser
abençoados.” Veja como seria diferente. Não é simplesmente uma
questão de ser agradável, mas é ministrar Cristo.
O problema é que em nossa mente falar boas coisas é sinônimo de ser
um falso profeta. Eu falo a verdade que ninguém quer ouvir, afirmam
alguns. Mas esse era o ministro do Velho Testamento.
Você não foi chamado para dar bons conselhos, você foi chamado para
dar boas novas, boas notícias! Você é um ministro das boas notícias.
Uma grande perda para a igreja é quando interpretamos mal o nosso
papel. No cristianismo, o papel de um crente não é dizer às pessoas o
que é certo ou errado. Pelo contrário, é lembrá-las de quem elas são e
quem é Deus na vida delas.
O cristianismo não é um clube de moralidade! Não é uma religião que
você se junta para ditar o certo e o errado para os outros. Isso é ser
ministro da letra. A verdade é que o cristianismo é uma união com Deus
que procede inteiramente de que Ele fez por nós. Ele tomou o nosso
lugar morrendo na cruz, pagou a nossa dívida e nos ressuscitou como
uma nova criação.
Você pode achar que a exortação da lei é mais contundente, mas a
exortação da Nova Aliança é muito mais poderosa. Sendo você ministro
da nova aliança você precisa ter a palavra da Nova Aliança que é sempre
cheia de graça e de vida. Mas muitos acham que é um absurdo falar de
graça para quem está errado. Acreditam que têm de falar da condenação
da lei. Fale da graça porque é a bondade de Deus que conduz as pessoas
ao arrependimento (Rm. 2:4).
A palavra de Cristo é a mensagem do evangelho de que fomos perdoados
e justificados pelo sangue da Nova Aliança. A letra não pode transformar
ninguém, apenas trazer condenação e medo.
Como ministros da Nova Aliança precisamos ser cuidadosos para não
pregarmos para que as pessoas se sintam culpadas, mas perdoadas. Se
formos ministros da letra vamos pregar a condenação. Aquele que é
ministro da letra não tem uma palavra de esperança, mas apenas de
medo.

2. Ministros da morte ou ministros do Espírito? - v. 7


E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu
de glória, a ponto de os filhos de Israel não poderem fitar a face de
Moisés, por causa da glória do seu rosto, ainda que desvanecente. como
não será de maior glória o ministério do Espírito! II Cor. 3:7-8
Paulo diz que o ministério da morte foi gravado com letras em pedras.
Todos nós sabemos que somente a lei foi gravada em pedras, sendo
assim a lei é o ministério da morte. O ministro que prega a letra sempre
vai condenar as pessoas, mas aquele que tem o ministério do Espírito
sempre ministrará fé no coração das pessoas.
Segundo a lei tudo depende do homem e da sua obediência. Segundo a
graça tudo depende de Jesus e do que ele realizou na cruz. A lei exige
justiça; mas a graça concede justiça. A lei diz: “faça!” Mas a graça diz:
“Eu faço por você!” No Velho Testamento o homem era abençoado se
cumprisse a lei ( o que ninguém nunca conseguiu), mas no Novo
Testamento somos abençoados quando cremos na obra de Cristo.
Pregar a velha aliança produz morte. Paulo diz que a Velha Aliança é o
ministério da morte. A principal causa de morte nas igrejas é a pregação
da lei. A principal causa de um ambiente pesado na célula é porque os
irmãos ainda pregam a lei. Quando pregamos a lei o ambiente fica
pesado por causa da morte da condenação.
Quando pregamos condenação, sempre mostrando o quanto as pessoas
são falhas, nós enchemos a reunião de morte. Mas se ministramos a
graça, o Espírito pode agir livremente.
O conceito comum é que a reunião fica pesada por causa do pecado das
pessoas, mas a verdade é que se pregamos a graça as pessoas em pecado
logo conefessarão e experimentarão o perdão de Deus. Condenar o
pecado não libera vida, mas perdoá-lo, sim.
A lei é o ministério da morte, mas o ministério da Nova Aliança é do
Espírito. Paulo diz que onde está o Espírito ali há liberdade e vida. Mas
quantas vezes temos reuniões cheias de morte! A morte é algo difícil de
definir, mas fácil de perceber. Todos nós percebemos quando a reunião
está pesada e morta. E porque o ambiente está pesado? A primeira coisa
que lhev em à mente é que há pecado na reunião. Tem um Acã na
reunião. Assim você começa uma caça ao pecador.
Você começa exortando e dando dura no povo. Quando começamos o
louvor e o povo não canta, logo os exortamos perguntando: “ninguém
comeu feijão hoje não?” Como não funciona, ele começa a repreender o
espírito de preguiça. Se ele soubesse que ele é quem está matando a
reunião, as coisas seriam diferentes. Ao ministrar a lei ele ministrou na
verdade a morte.
Mas o que fazer quando chegamos numa reunião da célula e sabemos
que há pecado ali? Na Velha aliança o que se falava ao pecador? “A
maldição vai te alcançar!” Mas o que a Nova Aliança diz ao pecador? O
mesmo que Jesus disse para a mulher pega em adultério. Depois que
todos se foram o Senhor perguntou para ela: ninguém te condenou? Ela
disse: Ninguém, Senhor! Então, lhe disse Jesus: Nem eu tampouco te
condeno; vai e não peques mais” (Jo. 8:11). Essa é a mensagem da Nova
aliança. Você está se sentindo mal por causa do pecado? Eu quero lhe
dizer que eu teb entendo. Eu já fiquei mal muitas vezes por causa do
pecado. Mas hoje eu quero lhe dizer que o sangue de Jesus é maior que
o seu pecado. Isso traz vida para a sua reunião. Seja um ministro do
Novo Testamento.
Os maiores matadores de reunião são os ministros da letra. São eles que
chegam na reunião da célula com um espírito de condenação e cobrança.
Mas o ministro do Espírito não fala de condenação, mas de perdão. Não
fala de morte, mas de vida. Não fala da lei, mas da graça de Deus.
Quando você perceber que a reunião está pesada fale uma palavra da
nova aliança. Você verá a vida fluir no meio dos irmãos.

3. Ministros da condenação ou ministros da justiça? - v. 9


Porque, se o ministério da condenação foi glória, em muito maior
proporção será glorioso o ministério da justiça. II Cor. 3:9
Tudo sobre a lei tem a ver com você olhando para si mesmo. Mas tudo
sobre a graça tem a ver com você vendo a Jesus. Esse é o grande teste
para você saber se tem sido um ministro da lei ou um ministro da Nova
Aliança.
Uma maneira simples de avaliarmos que tipo de ministro somos é
observando se a nossa pregação leva as pessoas para elas mesmas ou
para Cristo. Se as estimulamos a serem introspectivas e olharem para a
própria performance, então pregamos a lei.
Vamos imaginar uma situação prática. Você vai ministrar a ceia na sua
célula. O que você faz? Você resolve refletir com os irmãos. Você pede
que eles fiquem de pé e fechem os olhos. Então você começa a perguntar:
“serão que você é digno de tomar esse cálice? Será que você tem sido fiel?
Ou será que você esqucido do Senhor e seguido o pecado?
Até esse momento, você está levando os irmãos a olharem para si
mesmos ou para Cristo. Eles estão apenas olhando para si de forma
introspectiva. O resultado inevitável será peso e morte. Eu sei que
muitos vão começar a chorar e a gritar, mas é apenas a sensação do peso
do pecado. Afinal quem pode se sentir digno ou que é completamente
fiel. Introspecção é morte.
Agora vamos imaginar essa mesma cena. Você vai celebrar a ceia e pede
para que os irmãos fechem os olhos. Você então começa a refletir com
eles. Veja agora a Cristo sobre a cruz. Ele está ali por causa de você,
porque ele te amou. Veja esse cálice, ele é o sinal de que todos os seus
pecados foram perdoados. Pegue esse pão, ele é o sinal de que pelas
pisaduras de Cristo você foi curado. Você pode chegar diante dele com
ousadia porque o sangue já te lavou.
Depois disso as pessoas vão sentir alívio e uma sensação de paz. Talvez
não tenha ninguém chorando, mas eles estão cheios de vida. E por que?
Porque eles olharam para Cristo. Não somos transformados por
olharmos para nós mesmos, mas nós somos transformados quando
olhamos para Cristo.

4. Ministros da manipulação ou ministros da liberdade? - v.


13, 4:1-2
Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há
liberdade. II Cor. 3:17
Primeiramente Paulo diz que Moisés colocava o véu para que ninguém
percebesse que a glória esta desvanecendo. Depois lemos em 4:2 Paulo
dizendo que ele não adulterava a Palavra de Deus. Isso nos mostra que
quando ministramos a lei corremos o risco de sermos manipuladores.
Existem quatro medos básicos em todo ser humano, e esses medos são
usados para manipulação:
a. Medo da punição - todo aquele que tem medo de punição vai tentar
encobrir o seu pecado o tempo todo. Eles farão de tudo para que as coisas
do seu interior não sejam manifestas. Mas em Cristo não temos de temer
a punição, pois uma vez que confessemos e nos arrependamos nossos
pecados são esquecidos.

b. Medo do fracasso - pessoas controladas por esse medo vão tentar


tomar a liderança o tempo todo. Eles podem até ser bem sucedidos por
um momento, mas não conseguem ter paz no coração. Seu foco é sempre
a doutrina correta e as coisas corretas, mas sempre tentam fazer essas
coisas na sua própria força. O que eles não sabem é que na Nova Aliança
nós ganhamos o desejo e o poder de fazer a vontade de Deus.

c. Medo da rejeição - o medo da rejeição faz com que as pessoas sejam


vulneráveis ao elogio, ao aplauso e a ficar conscientes de si mesmo o
tempo todo. Mas na Nova Aliança nossa aceitação não é baseada em
nossa performance, mas na obra de Cristo. Quando nos sentimos
completamente aceitos por Deus com base na justiça de Cristo o medo
da rejeição desaparece.

d. Medo da incapacidade - esse medo levas as pessoas a buscarem


desesperadamente títulos e posições. São pessoas que vivem
competindo e se enchendo de inúmeras atividades. Essas pessoas são
libertas quando entendem que na Nova Aliança nossa credibilidade está
baseada na capacidade de Deus em terminar a sua obra e não em nossa
capacidade própria.

5. Ministros do rosto vendado ou ministros da revelação? - v.


18
Somente o evangelho tem poder para transformar o homem, pelo
simples fato que somente a mensagem do evangelho tem poder para
gerar fé no coração.
Paulo diz que somos transformados apenas por contemplar a glória de
Deus. E como contemplamos a glória? Certamente cada vez que
pregamos estamos fazendo um quadro de Jesus diante dos irmãos. Se
eles conseguem contemplar o quadro que pintamos então eles são
transformados.
Mas se em vez de pintarmos um quadro vívido de Cristo nós pregamos a
lei, então não há transformação na vida dos irmãos. Sairão cheios de
culpa e condenação, mas não haverá nenhuma mudança de vida.
A lei pode trazer condenação, mas ela não tem poder para transformar
o homem. Somos habituados e pensar que a transformação é fruto do
nosso esforço e empenho, mas Paulo diz que somos transformados
apenas por contemplar o Senhor.
E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho,
a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua
própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito. II Cor. 3:18
Contemplar é algo que não exige esforço humano. Eu preciso apenas me
disciplinar para não ser distraído por outras coisas enquanto estou
contemplando.
Na Nova Aliança nós mostramos o Senhor em nossa pregação e quando
as pessoas o contemplam elas são transformadas.