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UNIMAIS – FACULDADE EDUCA MAIS

WELINTON CUNHA MAGALHÃES

RESISTÊNCIA A SEGURANÇA DO TRABALHADOR EM


FACE DA QUESTÃO DO USO OBRIGATÓRIO DO EPI.

Ponta Grossa
2019
WELINTON CUNHA MAGALHÃES

RESISTÊNCIA A SEGURANÇA DO TRABALHADOR EM


FACE DA QUESTÃO DO USO OBRIGATÓRIO DO EPI.

Monografia apresentada como exigência


parcial para a obtenção do titulo de
Engenheiro de Segurança do Trabalho,
apresentada a Banca Examinadora da
Faculdade Educa Mais, sob a orientação do
Prof. Roger Abdala.

Ponta Grossa
2019
TERMO DE APROVAÇÃO

A monografia intitulada: RESISTÊNCIA A SEGURANÇA DO TRABALHADOR EM


FACE DA QUESTÃO DO USO OBRIGATÓRIO DO EPI, apresentada por
WELINTON CUNHA MAGALHÃES como exigência parcial para a obtenção do titulo de
Engenheiro de Segurança do Trabalho á Banca Examinadora da UNIMAIS - Faculdade
Educa Mais, obteve nota ______ , para aprovação.

BANCA EXAMINADORA

Prof. Roger Abdala (UNIMAIS)


ORIENTADOR
O conhecimento da verdade é a intenção mais elevada da ciência e
considera-se mais uma fatalidade do que intenção se na procura da luz
provocar algum perigo ou ameaça. Não é que o homem de hoje seja
mais capaz de cometer maldades do que os antigos ou os primitivos. A
diferença reside apenas no fato de hoje ele possuir em suas mãos
meios incomparavelmente mais poderosos para afirmar a sua maldade.
Embora sua consciência se tenha ampliado e diferenciado, sua
qualidade moral ficou para trás, não acompanhando o passo. Esse é o
grande problema com que nos defrontamos. Somente a razão não
chega mais a ser suficiente.

(Carl Gustav Jung, 1939).


RESUMO

O presente trabalho de conclusão de curso requisito obrigatório para conclusão do Curso


de Engenharia e Segurança do Trabalho, da UNIMAIS - Faculdade Educa Mais, tem como
objetivo identificar quais são os principais motivos que levam os trabalhadores a rejeitarem
e em certos pontos a deixarem de usar os Equipamentos de Proteção Individual (EPI´s)
durante a execução de suas atividades. A partir do conhecimento destes fatores, ações
poderão ser tomadas para minimizar as possibilidades, por parte dos trabalhadores, de
rejeição e descaso do uso de EPI e assim evitar acidentes durante a execução do trabalho.
Para a realização deste estudo foram feitas pesquisas bibliográficas em veículos
especializados disponíveis, que indicam o uso de EPI pelos trabalhadores. Constatou-se
que os programas de gestão da segurança ainda são falhos em muitos setores de trabalho,
não só por questões sócio-culturais dos trabalhadores, mas também pela falta de programas
mais ativos, como treinamentos constantes para a conscientização dos trabalhadores sobre
a importância destes equipamentos exigidos por lei e também uma questão complicadora a
dúvida de que o Equipamento de Proteção Individual (EPI) é capaz de elidir plenamente a
nocividade dos agentes aos quais o trabalhador está exposto sob pena de sujeita-lo a
doenças e sequelas definitivas em decorrência dos longos anos exposto a agentes nocivos.

Palavras-chaves: Equipamento de Proteção Individual (EPI). Programas de gestão de


segurança. Eficácia.
ABSTRACT

The present work of completion of the compulsory requirement for the conclusion of the
Course of Engineering and Work Safety, of UNIMAIS - Faculdade Educamais, in
agreement with the Candido Mendes University, aims to identify the main reasons that
cause workers to reject and at certain points to stop using Personal Protective Equipment
(PPE) during the execution of their activities. Based on the knowledge of these factors,
actions can be taken to minimize the possibilities for workers to reject and disregard the
use of PPE and thus avoid accidents during the execution of the work. For the
accomplishment of this study bibliographical researches were done in available specialized
vehicles, that indicate the use of EPI by the workers. It was found that safety management
programs are still flawed in many sectors of work, not only because of workers 'socio-
cultural issues, but also because of the lack of more active programs, such as constant
trainings to raise workers' awareness of the importance of these programs. equipment is
required by law and also a complicating question is the fact that the Personal Protective
Equipment (PPE) is capable of completely eliminating the harmfulness of the agents to
which the worker is exposed under penalty of subjecting him to definitive diseases and
sequels as a result of years exposed to harmful agents.

Key-words: Personal Protective Equipment (PPE). Safety management programs.


Effectiveness.
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO................................................................................................................08
1.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS.................................................................................... .08
1.2 OBJETIVOS...................................................................................................................09
1.2.1 OBJETIVO GERAL....................................................................................................09
1.2.2 OBJETIVOS ESPECIFICOS......................................................................................09
2. METODOLOGIA............................................................................................................10
2.1 TIPO DE PESQUISA.....................................................................................................10
2.2 UNIVERSO E PROCEDIMENTOS DA COLETA DE DADOS DA PESQUISA......10
3. RESULTADO E DISCUSSÃO........................................................................................11
3.1 ANÁLISE PRÁTICA DO USO OBRIGATÓRIO DE EPI E
SEUS INCONVENIENTES................................................................................................11
3.2 COMO É ABORDADO O ASSUNTO DESEMPENHO DOS EPI´S
ENTRE TRABALHADORES E EMPRESAS....................................................................12
3.3 QUESTÕES FORA AMBIENTE DE TRABALHO QUE INTERFEREM
NA CONSCIENTIZAÇÃO DO USO DO EPI....................................................................14
3.4 DISCUSSÃO..................................................................................................................16
4. CONSIDERAÇOES FINAIS...........................................................................................17
5. REFERÊNCIAS...............................................................................................................20
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1- INTRODUÇÃO

1.1- CONSIDERAÇÕES INICIAIS

O sofrimento no trabalho constitui-se uma das consequências da insistência do ser


humano em viver em um ambiente que lhe é adverso. A relação do homem com o trabalho
nunca foi fácil, até mesmo a etimologia da palavra denota algo penoso e, até mesmo,
indesejado (“tripalium”, instrumento de tortura feito com três paus).
O equipamento de proteção individual (EPI), um dos itens de segurança do
trabalho, tem seu uso banalizado não só pela falta de conhecimento das normas e
legislações, mas também pela falta de um enraizamento de uma conscientização de que seu
uso habitual leva a uma segurança direta durante o período de trabalho, uma qualidade de
vida melhor a longo prazo fora do trabalho e também nos anos subsequentes a
aposentadoria, evitando possíveis sequelas das atividades laborais.
Poucos percebem a complexidade que envolve a escolha do EPI, assim sendo,
ocasionam problemas de aceitação por parte dos trabalhadores e gastos desnecessários às
empresas. A qualidade e ergonomia desses equipamentos também são fundamentais para o
bom desempenho das funções dos trabalhadores, além das instruções corretas de uso. Os
equipamentos de proteção individual (EPI`s) têm a finalidade de proteger o trabalhador dos
riscos à sua saúde e segurança individual, porém devem ser empregados apenas quando da
impossibilidade de um controle mais efetivo que levaria à eliminação de riscos de
acidentes no meio ambiente de trabalho (Camila D’Andrea, 2014).
O fato é que, quando não ajustados os EPI’s aos usuários, podem gerar desconfortos
e em alguns casos, inviabilizar a adesão de seu uso. A Norma Regulamentadora, NR-6 no
item 6, considera EPI “todo dispositivo ou produto, de uso individual utilizado pelo
trabalhador, destinado à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde no
trabalho”. Essa NR nos itens 6.3 e 6.4 normatiza que a empresa é obrigada a fornecer aos
empregados, gratuitamente, EPI adequado ao risco e as peculiaridades de cada atividade
profissional, cabendo ao empregado o seu uso. Portanto, com relação ao EPI, deve-se ter
um olhar atento e considerar o que os trabalhadores referem acerca da adequação desses
equipamentos para si, visando minimizar o seu possível sofrimento (Vangelina L. M.,
Flávia B. G. e Selma P. C. S., 2014).
Com base na preocupação com a saúde do trabalhador, que pode estar expressando
algumas queixas atribuídas aos incômodos provocados pelos EPI`s, ocasionando provável
sofrimento é que se pensou nessa pesquisa. Nota-se que, os trabalhadores expostos às
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situações que podem ocasionar sofrimento, procuram realizar ações visando reduzir tais
circunstâncias de incômodos. Tais ações permitem ao trabalhador modificar algo na
tentativa de adaptações, sendo mobilizado a realizar ajustes para melhor desenvolver suas
tarefas.
Com relação à perspectiva do sofrimento no trabalho, de acordo com Dejours
(1993) os sofrimentos insuspeitos não se apresentam de uma maneira harmônica, eles estão
associados a fatores históricos, laborativos e àqueles favoráveis ou não para a vida do
trabalhador, relacionados à própria vida humana e ao trabalho. São discriminados como: a)
sofrimento singular (dimensão diacrônica): é herdado da história psíquica de cada
indivíduo; b) sofrimento atual (dimensão sincrônica): ocorre quando há o reencontro do
sujeito com o trabalho; c) sofrimento criativo: quando o sujeito produz soluções favoráveis
para sua vida, especialmente, para sua saúde; e d) sofrimento patogênico: é ao contrário do
sofrimento criativo, ou seja, quando o indivíduo produz soluções desfavoráveis para sua
vida e que estão relacionados à sua saúde. Para efeito desse trabalho, foi utilizado o
sofrimento criativo em que os sujeitos criam estratégias defensivas para se proteger dos
possíveis sofrimentos no trabalho relacionados à sua inadequação.
Para o trabalhador devido ao desconforto, a dúvida de sua eficácia e em certos
casos por provocar dificuldades na realização de certas tarefas leva o mesmo a tomar o
caminho mais fácil, o de não uso do EPI, principalmente em momentos onde a fiscalização
é falha ou deficiente.

1.2- OBJETIVOS

1.2.1- OBJETIVO GERAL

Entender os reais motivos pelos quais os trabalhadores não utilizam seus EPI`s no
período trabalhado e caracterizar a necessidade da adesão e adequação da utilização dos
equipamentos de proteção individual (EPI`s). Prevenindo futuros acidentes e afastamentos
de trabalho.

1.2.1- OBJETIVOS ESPECIFICOS

●. Analisar a relação dos Equipamentos de Proteção Individual utilizados nos períodos de


trabalho e os prováveis incômodos laborais mencionados pelos trabalhadores e suas
estratégias de defesas.
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●. Identificar as questões abordadas pelos trabalhadores para justificar o não uso dos
Equipamentos de Proteção Individual.
●. Avaliar o desempenho destes equipamentos e a relação entre os mesmos e seu usuário,
afim de considerar como deve ser abordado assunto entre os trabalhadores e empresas.
●. Analisar outras questões, fora ambiente de trabalho, as quais interferem na
conscientização do uso dos Equipamentos de Proteção Individual pelos trabalhadores.
●. Propor ações para a efetivação de uma consciência saudável em relação ao que o
trabalhador entende sobre a importância de usar o equipamento e o papel das empresas
neste assunto.

2- METODOLOGIA

2.1 TIPO DE PESQUISA

Vergara (2000), classifica os tipos de pesquisa quanto aos fins a que se destina e
quanto aos meios de investigação. Seguindo esta classificação a presente pesquisa
enquadra-se quanto ao tipo descritiva e aplicada. Descritiva porque expõe características de
determinado fenômeno. Aplicada porque é motivada pela necessidade de resolver
problemas reais, portanto, com finalidade prática.
Abordando uma discussão crítica de temas já conhecidos, propondo novos pontos
de vistas sobre o assunto e também argumentando e questionando sobre as evidências
divergentes.

2.2 UNIVERSO E PROCEDIMENTOS DA COLETA DE DADOS DA


PESQUISA

O universo a ser investigado compreenderá de modo geral todos os tipos de EPI`s


usados pelos trabalhadores em suas atividades laborais e incluindo também uma análise
global sobre a relutância destes trabalhadores no uso destes equipamentos, onde chega a
ser uma padronização do problema em todas as áreas laborais em relação ao desconforto
dos EPI`s.
Os procedimentos de coleta de dados da pesquisa foram através pesquisas
bibliográficas em veículos especializados disponíveis como, artigos publicados por
entidades competentes, estudos de caso por profissionais da área estudada, livros de
autores dedicados ao assunto, portais e sites especializados e portarias e leis dos órgãos
competentes das questões abordadas.
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3. RESULTADO E DISCUSSÃO

3.1 ANÁLISE PRÁTICA DO USO OBRIGATÓRIO DE EPI E SEUS


INCONVENIENTES.

A respeito dos Equipamentos de Proteção Individual, os mesmos somente vieram a


ser instituídos em 1978 através de Portaria e Norma Regulamentadora e, a partir de então,
vieram a ser regidos por inúmeras outras, visando sempre assegurar a manutenção da saúde
e condições de trabalho do trabalhador.
Será abordado um estudo de caso (Vangelina L. M., Flávia B. G. e Selma P. C. S.,
2014) realizado na UAN da Divisão de Alimentação e Nutrição (DAN) da UFF, localizada
no campus do Gragoatá, Niterói-Rio de Janeiro, Brasil. Para esse estudo, os EPI analisados
foram os utilizados na unidade: uniforme (conjunto de calça/saia e jaleco); calçado; luva;
máscara; capote térmico; avental e protetor auricular.
Foi constatado que os EPI`s causadores de mais incômodos nos trabalhadores
foram: luva; touca; avental; uniforme e calçado, nessa ordem, implicando em estratégias
defensivas. Na amostra de 40 participantes entrevistados 62,5% estão insatisfeitos com as
luvas oferecidas para o desempenho das tarefas. Com relação à touca, destaca-se que 50%
dos participantes mostraram descontentamentos em relação à touca ofertada pela empresa
contratada. Dos trabalhadores entrevistados 37,5% estão insatisfeitos com o avental
oferecido. Quanto ao uniforme, os relatos de incômodos foram detectados em 30% dos
participantes que mencionaram que o modelo de jaleco oferecido pela UFF como sendo
insatisfatório para o desempenho de suas tarefas. Em relação aos calçados 25% dos
trabalhadores entrevistados referiram incômodos produzidos pelos mesmos, 20%
apresentaram desconforto com o protetor auricular e 5% com o capote térmico e com a
máscara.
Considerando as luvas como exemplo de analise, pelo fato de que esta foi o item
que mais provocou reclamações e rejeições entre os entrevistados, em especial as luvas
emborrachadas e plásticas que rasgam com facilidade, com risco de soltar pedaços e se
perder o alimento. As declarações que se seguem exemplificam os incômodos com o uso
de luvas plásticas. [...] luva plástica me incomoda escorrega. [...] luva plástica não uso
parece luva de “pintar cabelo” acho necessário usar, mas esse tipo de luva. Em presença
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das dificuldades laborais, observaram-se mecanismos defensivos/criativos dos


trabalhadores relacionados aos EPI´s, utilizados na UAN, pela inexistência destes produtos
ou por inadequações. Assim, constataram-se aquisições de luvas de látex e luvas de
silicone pelos próprios trabalhadores do setor de pré-preparo de hortaliças, sendo o meio
encontrado por esses manipuladores de alimentos para reduzir o desconforto de ter que
utilizar outro tipo de luva não desejado por eles, durante suas tarefas, como foi o caso das
luvas plásticas. Quanto à luva emborrachada, foi constatado pouco costume de seu uso na
área de higienização de utensílios, sendo verificada a retirada de restos alimentares sem a
devida proteção, com exposição dos manipuladores a riscos biológicos. Não uso de EPI
luva emborrachada levando a negligência por parte do manipulador. O incômodo referente
ao desempenho da função com a luva emborrachada leva o trabalhador negligenciar o seu
uso, conforme verificado nas expressões abaixo, podendo prejudicar sua saúde: [...] luva
me incomoda executar minha tarefa entra água, por isso me incomoda. [...] atrapalha
trabalhar, pegar prato, tenho certa dificuldade. [...] tira uma certa agilidade ao serviço, com
comida gordurosa não dá para trabalhar com luva. Observou-se que as luvas
emborrachadas fornecidas no serviço não são apropriadas para a tarefa das áreas de
higienização, o ideal seria luvas caneladas com comprimento próximo ao cotovelo em
silicone ajustada ao braço do manipulador, de modo a impedir a entrada de água na luva
durante o processo de higienização dos utensílios e equipamentos. Os incômodos com o
uso de luvas, de modo geral, foram também referentes à inadequação do tamanho destes
EPI´s aos usuários, segundo os exemplos apontados nas seguintes falas: [...] o tamanho é
pequeno não cabe na minha mão teria que ser no tamanho médio ou grande. [...] só tinha
número pequeno o meu número é dez, só tinha o número oito ficava apertada. Outro fato a
ser considerado é que, nas atividades na área de pré-preparo de carnes, faz-se necessária à
utilização de luva de malha de aço, pelos magarefes. Assim, na observação foi constatada a
utilização de luvas emborrachadas sob a luva de malha de aço, no entanto, ao serem
indagados a respeito do uso de mais de uma luva, os trabalhadores mencionaram que era
para reduzir a friagem nas mãos provocada por carne congelada. Desse modo, essa também
foi considerada uma estratégia de defesa, por parte desses sujeitos.

3.2 COMO É ABORDADO O ASUNTO: DESEMPENHO DOS EPI´S


ENTRE TRABALHADORES E EMPRESAS.
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Este assunto vem sendo estudado tentando antes conscientizar os dois lados das
consequências positivas para ambos. As dificuldades são as mais diversas, começando por
uma seleção de equipamentos precária e focada apenas no preço do EPI, e a falta de
conscientização do trabalhador sobre a importância de usar o equipamento. Também há
uma visão, por parte do trabalhador, de que acidentes só acontecem com os outros, nunca
com ele. Há, por último, a falta de cultura das empresas quanto ao desenvolvimento de
EPIs e à busca por equipamentos adequados ao trabalho que será realizado. O custo
financeiro de um acidente de trabalho ou de uma paralização por intervenção do Ministério
do Trabalho por risco grave e iminente é maior do que fazer segurança no trabalho. O custo
ainda é considerado um obstáculo para empresas pequenas, principalmente porque ele é,
erroneamente, computado como um custo possível de ser reduzido sempre que necessário.
Estudos realizados por Almeida, C.; Quevedo Filho, A.; Santos, J. (2005) sobre uso
de EPI´s na construção civil, mostra que por ter se destacado como um dos setores que
mais ocorre acidentes, as empresas da construção civil têm buscado diminuir estes índices
através de programas de conscientização dos trabalhadores com a própria segurança no
ambiente de trabalho. Segundo Montenegro, D.; Santana, M. (2012) além de orientações
sobre os equipamentos de trabalho e as atividades a serem exercidas, também são feitos
treinamentos sobre os EPIs para uma melhor compreensão por parte dos trabalhadores da
funcionalidade de tal equipamento. Estes treinamentos têm que ser constantes pois além da
rotatividade de funcionários, o grau de instrução destes é baixo. Portanto, quando a
empresa investe nos programas de treinamento, ela está valorizando seu funcionário e
consequentemente fazendo com que os mesmos tenham ações de prevenção aos acidentes
de trabalho.
A falta de conforto é um problema que só pode ser resolvido com diálogo. Na
maioria dos casos existem equipamentos de proteção individual que podem ser substituídos
por similares. Mas também há casos em que se deve conscientizar o trabalhador de que a
segurança que o equipamento traz é fundamental para o exercício de sua atividade.
O Diálogo Diário de Segurança (DDS) é um mecanismo de conscientização dos
profissionais, sobre a correta utilização dos equipamentos, o respeito às normas de
segurança e a prevenção de acidentes. Sendo diário é realizado antes do início da jornada
de trabalho, com duração entre 5 e 10 minutos, e conduzidos pelo líder da equipe, pelo
técnico ou engenheiro de segurança ou ainda por um profissional convidado. O ideal é que
os temas abordados sejam sempre inéditos e de interesse geral. O Diálogo Diário de
Segurança é uma ferramenta muito eficaz, mas que deve ser conduzida de forma objetiva
focando no que se deseja em matéria de segurança e nos riscos que o trabalhador estará
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exposto naquele dia. O DDS não deve ser muito extenso e precisa ter sempre a colaboração
dos trabalhadores. Sem isso, surtirá pouco ou nenhum efeito.
A DDS tem como objetivo melhorar a comunicação e a divulgação das
informações, propiciar um ambiente mais favorável para o comprometimento dos
trabalhadores, evidenciar as importâncias das medidas preventivas de segurança, abrir
espaço para o diálogo e proporcionar um ambiente mais saudável dentro da equipe. Sendo
assim um elemento importante não só para unir mais a equipe de trabalho como também
aproximar mais o entendimento dos problemas em relação ao uso e desempenho dos EPI´s
entre trabalhadores e as empresas.

3.3 QUESTÕES FORA AMBIENTE DE TRABALHO QUE INTERFEREM


NA CONSCIENTIZAÇÃO DO USO DO EPI.

Um dos problemas que vem sendo observado ao longo do tempo é o ponto em que
o trabalhador se aposenta e se depara com a incerteza da eficácia do uso do EPI durante a
sua vida laboral, assim sendo, com a instituição do Equipamento de Proteção Individual
inúmeros questionamentos passaram a existir no que tange ao requisito da nocividade das
atividades laborais para fins de reconhecimento de tempo especial.
Quando o trabalhador se depara com seus direitos no fim de suas atividades
laborais o mesmo começa a se questionar a respeito da lógica do uso do EPI devido a visão
da própria lei que o defende em razão destas questões ainda não bem claras.
Segundo João Ricardo Fahrion Nüske (2014) diante destes questionamentos,
sobrevém a linha de abordagem do presente tema, uma vez que, com a instituição e
aperfeiçoamento dos Equipamentos de Proteção Individual, algumas decisões passaram a
posicionar-se no sentido de que não estaria mais configurada nocividade suficiente ao
trabalhador. Não obstante a relevância das decisões proferidas faz-se necessária uma
abordagem mais aprofundada do tema, principalmente diante de entendimentos que
enfatizam o fato de que a utilização de Equipamento de Proteção Individual não é
suficiente para o afastamento completo da nocividade dos agentes aos quais o trabalhador é
exposto. Assim sendo, considerando o princípio previdenciário do in dubio pro misero, faz-
se necessário um aprofundamento do tema, principalmente no que se refere ao afastamento
da especialidade do período trabalhado tão somente pelo uso de Equipamento de Proteção
Individual. Desta forma, é plenamente viável que o Anexo IV do Decreto nº 3.048/99,
considere somente o agente nocivo para fins de fixação de tempo mínimo para obtenção do
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benefício de aposentadoria especial e, assim sendo, restou definido os limites de 15, 20 e


25 anos de exposição a agentes nocivos para que se obtenha o benefício de aposentadoria
especial, desconsiderando-se o tempo de exposição a cada agente.
Não obstante esta padronização quanto ao tempo necessário para aposentadoria
especial de acordo com cada agente nocivo, ainda persiste no âmbito da jurisprudência
discussão a respeito da utilização dos Equipamentos de Proteção Individual. O
entendimento simulado no Tribunal Superior do Trabalho assegura que a eliminação da
insalubridade pela utilização de EPI exclui o direito aos respectivos adicionais, restando
definido, também, que o simples fornecimento, sem a comprovação de eliminação da
nocividade do agente, não exime automaticamente o pagamento de adicionais.
Nesse sentido, João Ricardo Fahrion Nüske (2014) afirma também que no aspecto
da jurisprudência resta presente certa obscuridade, de forma a impedir a concordância
plena com a interpretação simulada da justiça trabalhista. Isto porque o entendimento deixa
margem à interpretação que manifesta prejudicialidade ao trabalhador, uma vez que não
define se a eliminação da nocividade deve ocorrer de maneira plena ou específica para
aquele órgão do corpo humano diretamente atingido. Resta prejudicada a certeza, no caso
do ruído p.ex., se a eliminação da nocividade do ruído pela utilização de protetor auricular
é suficiente para afastar completamente a nocividade, ainda que persista a nocividade a
outros órgãos internos do corpo humano, que não são passíveis de neutralização pelo uso
de protetor auricular.
Não se trata de questão puramente de direito, mas sim da realidade fática de todos
trabalhadores brasileiros que laboram em condições especiais e que, por muitas vezes, têm
a falsa ideia de que estão plenamente segurados pela previdência brasileira quando na
verdade, atualmente, a mesma tende fortemente a relevar os danos que podem ser causados
aos trabalhadores ao negar-lhes o reconhecimento de determinado tempo especial,
relevando-se, assim, a própria proteção dos segurados quando na fase de sua vida em que
mais se faz necessária, isto é, no fim de sua vida laborativa. As consequências desta
tendência dos tribunais brasileiros e do próprio direito previdenciário de deixar de apreciar
o tempo especial à luz dos danos que podem ser causados ao segurado, pode vir a causar
consequências severas em outras áreas, em especial na saúde, uma vez que, ao negar o
afastamento do trabalho em um tempo inferior, sujeita-se ainda mais o cidadão a agentes
nocivos, debilitando ainda mais sua integridade física. Levando também o trabalhador a ter
uma falsa impressão de que o uso do EPI durante sua vida laboral não foi de grande
importância, já que o mesmo apesar de não oferecer uma proteção de 100%
comprovadamente reduz inúmeros riscos, passando essa falsa impressão também aos
16

outros companheiros ainda em atividade e consequentemente influenciando negativamente


na obrigatoriedade do uso do EPI. Infelizmente o reconhecimento de que o uso de EPI,
comprovadamente eficaz, porém sem analisar as inúmeras outras formas de nocividade do
mesmo agente, possa afastar a especialidade do tempo de serviço laborado, afasta o
instituto do direito previdenciário cada vez mais de seu princípio fundamental da dignidade
da pessoa humana, da proteção do trabalhador.
O instituto da aposentadoria especial e do reconhecimento de tempo de serviço
especial, como abordado, possui como objetivo assegurar ao trabalhador uma
aposentadoria em tempo reduzido, evitando maiores danos a sua saúde. Todavia, para que
se cumpra este objetivo determinado constitucionalmente faz-se necessário que se
modifique por completo o entendimento de que o Equipamento de Proteção Individual é
capaz de elidir plenamente a nocividade dos agentes aos quais o trabalhador está exposto
sob pena de sujeita-lo a doenças e sequelas definitivas em decorrência dos longos anos
exposto a agentes nocivos. Desta maneira com o objetivo de tirar as dúvidas referentes que
o EPI reduz o risco, mas não o elimina e que no fim de uma vida laboral esta exposição a
este risco reduzido, mas real possa ser reparado judicialmente.

3.4 DISCUSSÃO

A recusa do não uso do EPI ocorre principalmente quando o trabalhador apenas


recebe o equipamento de proteção individual sem qualquer instrução de como e por que
utilizar. Algumas vezes o EPI é desconfortável ou o ritmo de trabalho é diminuído pelo uso
do equipamento de proteção. Também ocorre de as chefias imediatas fazerem vista grossa
e em alguns casos até incentivam o trabalho sem EPI, por pensarem apenas na
produtividade, sem se preocupar com os riscos. Na verdade, essas pessoas não têm
conhecimento algum sobre Segurança no Trabalho.
Quem geralmente apresenta mais resistência é o pessoal mais velho, que é de um
tempo em que a cobrança pelo uso da proteção era pequena e os EPIs só eram utilizados
em empresas maiores. Esses profissionais trabalharam uma vida toda sem EPI, muitas
vezes sem sofrer acidentes. Por isso, têm a ilusão de que são imunes a doenças e acidentes
do trabalho. Outro fator que contribui bastante é a analogia que muitos fazem de que
realizam a mesma atividade em casa sem usar EPI. Então, por que precisariam utilizar EPI
quando estão realizando suas atividades profissionais? O que quase não é falado é que as
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atividades ditas caseiras, como cortar grama, fazer limpeza, subir em escadas altas etc.,
também deveriam ser feitas com o uso de equipamento de proteção adequado.
Podemos observar que as principais reclamações por parte dos trabalhadores são o
incomodo abordado acima e podemos acrescentar que onde maioria das pessoas vão
trabalhar com roupas normais tais como calça jeans, camiseta/camisa e tênis, peças do dia
a dia. Quando chegam ao seu local de trabalho precisam muitas vezes trocar o que estão
vestindo por macacão, capacete, botas de borracha, muitos profissionais acabam por se
sentir aborrecidos com isso. A higiene apesar dos equipamentos passarem por limpeza
industrial e garantir higienização, muitos profissionais não se sentem confortáveis por
exemplo em utilizar peças que foram usadas antes devido à grande rotatividade de uso dos
equipamentos. Esquecimento com a correria do dia a dia, as pessoas costumam chegar no
ambiente de trabalho e já iniciar suas atividades, isso contribui para que esqueçam de pegar
e usar seus equipamentos de segurança. Estado de conservação devido os equipamentos
serem usados por muitos profissionais, com o tempo acabam se desgastando e ficando
velhos, por causa da aparência e receio que estrague alguns profissionais oferecem uma
resistência a utilização. Cheiro em virtude da higienização industrial, as botas/roupas
acabam ficando com cheiro característico, muito forte para algumas pessoas, e isso faz
com que elas tentem evitar seu uso.
Apesar de todos esses pretextos, salientamos o quanto é importante fazer o uso dos
EPI's uma vez que eles garantem a segurança e saúde do trabalhador no decorrer de suas
atividades.

4- CONSIDERAÇÕES FINAIS

Uma forma de incentivar o uso de EPIs entre os funcionários é através de


treinamentos internos. Desta maneira, o empregador garante que os colaboradores
conheçam melhor os equipamentos e saibam por que (e como) devem usá-los
corretamente. Esse tipo de treinamento pode ser comandado por empresas do segmento de
cursos ou palestras informativas, por exemplo, que contam com profissionais que sabem
transmitir as informações de maneira mais atrativa para a equipe. Lembrando que a Norma
Regulamentadora (mais especificamente a NR6) afirma que uma das obrigações do
empreendedor é fornecer treinamentos e cursos para informar o uso adequado dos
equipamentos, guarda e conservação.
A comunicação interna é fundamento quando o assunto são equipamentos de
proteção individual. Nesse quesito, campanhas dentro da empresa contam com grande
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alcance sobre os funcionários e podem incentivá-los a fazer o correto. Com essa ideia, vale
de tudo: Mensagens explícitas, espalhadas na forma de cartazes ou murais por toda a
empresa, ou algo mais discreto, com mensagens atrativas via e-mail. O importante é
oferecer informações interessantes às pessoas sobre o uso dos EPIs, para que haja uma
conscientização em torno da sua importância.
Se a empresa estiver passando por uma fase crítica, com alto índice de acidentes,
uma boa tática é convencer os trabalhadores através de incentivos. Um bom exemplo seria
definindo um período que deve ser cumprido sem a ocorrência de acidentes e oferecer uma
bonificação em troca, como uma folga, adicional financeiro ou uma festa para os
funcionários.
É fundamental que o técnico de segurança, com suas funções e seu conhecimento
sobre o uso de EPIs, aja como um líder, conferindo de perto as tarefas desempenhadas
pelos colaboradores. Dessa maneira, além de informar sobre o uso correto dos
equipamentos, o responsável também pode atualizar o mapa de risco ao realizar uma ronda
na produção.
As empresas devem investir em EPC (Equipamentos de Proteção Coletiva), de
acordo com a NR9, no item 9.3.5.2, as empresas devem priorizar a utilização do EPC,
colocando a adoção do EPI apenas em último caso. Como vimos no que diz a NR9, o EPC
apresenta maior eficiência que os EPI’S, não apresentando incômodo ao trabalhador, além
de ter a funcionalidade da proteção de toda a equipe. Entretanto, há atividades que exigem
a utilização do EPI e por esse motivo é que deve ser feita uma avaliação dos riscos para
determinar quais são os equipamentos de proteção necessários para cada setor e atividade.
Em relação ao benefício de aposentadoria com tempo reduzido não é admissível
que se considere a simples utilização do EPI como forma de subentender-se afastada a
nocividade dos agentes aos quais o trabalhador está exposto, sob pena de colocarmos o
mesmo em risco ao negar-lhe o benefício de aposentadoria com tempo reduzido. Para
tanto, no mínimo, faz-se necessária a realização de perícia técnica que possa afirmar,
categoricamente que há eliminação total da nocividade do agente, não somente com
relação à forma de contagio mais comum e direta, mas também com relação a todas as
formas de contágio e exposição, seja ela cutânea, digestiva ou respiratória. No caso do
ruído, por exemplo, deve verificar se as vibrações geradas pelo ruído não estariam afetando
os órgãos internos do trabalhador, bem como os outros possíveis efeitos nocivos causados.
Desta forma, sendo manifestamente necessária a realização de prova técnica, a fim
de comprovar o afastamento efetivo dos agentes nocivos do segurado, não é possível a
utilização das informações contidas no PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário) como
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base para análise da eficiência do EPI em afastar a nocividade dos agentes. Isto porque não
há no PPP informações suficientes para tanto, sendo necessária perícia técnica voltada
exclusivamente para este fim, que assegure que o trabalhador não se encontra exposto ao
agente nocivo de nenhuma forma.
Nesse contexto, a realização dessa pesquisa possibilitou a análise da relação entre
as necessidades dos trabalhadores relacionadas aos EPI que implicam na psicodinâmica do
trabalho, com vistas a reduzir os incômodos e sofrimentos dos sujeitos envolvidos com o
processo de produção. Os equipamentos de proteção individual devem ser mais adequados
com a real necessidade de quem efetivamente os utilizam, considerando as características
antropométricas dos trabalhadores e as tarefas por estes realizadas. Nesse sentido, as ações
pretendidas para a melhor condição de trabalho incluem a adequação do EPI ao trabalhador
e também perpassa pela proposta de redução do nível de adaptações ou táticas defensivas e
criativas elaboradas pelos estes com relação aos EPI, o que pode levar ao provável prazer
no trabalho, com trabalhadores mais satisfeitos.
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REFERÊNCIAS

1. Camila D’Andreia. ADESÃO DO USO DE EPI´S NA CONSTRUÇÃO CIVIL: Um


estudo de Caso, Curitiba, 2014.
2. Cláudio José Campolim de Almeida; Antônio Plens de Quevedo Filho; João Batista
Alves dos Santos. AS DIFICULDADE INICIAIS PARA O USO DE EQUIPAMENTOS
DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI) NA CONSTRUÇÃO CIVIL: Um Relato de Caso,
Tese Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho- Universidade de Ponta
Grossa, Ponta Grossa, 2005.
3. Dejours, c. Uma nova visão do sofrimento humano nas organizações. O indivíduo na
organização: dimensões esquecidas. São Paulo: Atlas, 1993.
4. Eliza Fioravante Pelloso e Francianne Baroni Zandonadi. CAUSAS DA RESISTÊNCIA
AO USO DO EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI): Um estudo de
caso, janeiro de 2012.
5. Fundacentro. Curso de Engenharia de Segurança do Trabalho. Volume 1. São Paulo:
Fundacentro, 1981.
6. ISC – Instituto Santa Catarina. https://www.institutosc.com.br/cursos/nr06)
7. João Ricardo Fahrion Nüske. A UTILIZAÇÃO DE EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO
INDIVIDUAL E A INCAPACIDADE DE ELIDIR A ESPECIALIDADE DO TEMPO DE
SERVIÇO: Artigo Cientifico, 2014.
8. Montenegro, Daiane Silva; Santana, Marcos Jorge Almeida. RESISTÊNCIA DO
OPERÁRIO AO USO DO EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. Disponível
em 13 de janeiro de 2012.
9. Portal do Ministério do Trabalho: Normas Regulamentadoras – NR4, NR6 e NR9.
10. Vangelina Lins Melo, Flávia Binato Gomes e Selma Petra Chaves Sá. IMPLICAÇÕES
DOS EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL NA PSICODINÂMICA DO
TRABALHO: Um estudo de caso. Revista de enfermagem, UFPE, Recife, junho de 2014.
11. Vergara, Sylvia Constant. PROJETOS E RELATÓRIOS DE PESQUISA EM
ADMINISTRAÇÃO. 3.ed. São Paulo: Atlas, 2000.

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