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Tey Ss second yan angels Peparenet te Mons Unde tsi boone meee Ne Perc apdes ot Moonal i VST HG alta be beetle eng Vomdigie Pitan det NESP bet Mord Se. ras SPOS COa HOES tsar sp VE tt args tr tron 3 Nee wow editoramesp om br feu editors unesp.br CHP Brasil Catalogagdo na Fonte Stndicato Nactonal dos £ dhtores do Livros RI Hon Hume. David, 1711-1776 Investigagoes sobre © entendimento humano ¢ subre os principios da moral / David Hume; tradugio de Jose Oscar de Almenda Mar ques. Sto Paulos Editora UNESP, 2004 Vradugan de: Lnguiries Concernmg Human Understanding and Conccmng the Prunciples of Moral Anew ISBN 85 S130-5 20-8 1 Leorade vonhecmento. 2. Poca 4. Ciénca politica £ Pitalo. CdD 192 D4 LOY COUT 42 Apéndice I Sobre o sentimento moral 1 Seahipdtese precedente for aceita, serd facil agora decidir a questao de que partimos,' relativa aos princfpios gerais da moral. E embora tenhamos adiado a decisdo sobre essa ques- tio temendo que ela nos enredasse em especulagdes comple- xas e inadequadas ao discurso moral, podemos retomé-la agora e examinar em que medida a ragio ou 0 sentimento partici- pam das decisdes que envolvem louvor ou censura. 2 Como se supde que um dos principais fundamentos do louvor moral consiste na utilidade de alguma qualidade ou agio, é evidente que a razdo deve ter uma considerdvel partici- pago em todas as decisdes desse tipo, dado que s6 essa facul- dade pode nos informar sobre a tendéncia das qualidades e agGes e apontar suas conseqiiéncias benéficas para a socieda- de ou para seu possuidor. Em muitos casos, essa questao da margem a grandes controvérsias: dtividas podem aflorar, in- teresses conflitantes podem se manifestar, e pode ser preciso dar a preferéncia a um dos lados com base em percepgSes mui- 367 David Hume to sutis € uma preponderancia minima de utilidade. Isso se nota especialmente nas questGes que dizem respeito a Justiga como de fato é natural super, em vista do tipo de utilidade que acompanha essa virtude.* Se cada caso individual de jus- tiga fosse util 4 sociedade, como ocorre coma benevoléncia, a questao serta mais simples e raramente daria ensejo a grande ‘4 sd0 mui- las vezes pernictosos do ponto de vista de suas Primeiras ¢ controvérsia. Mas, como casos particulares de justic mais imediatas conseqiiéncias, e como a vantagem para a socie- dade resulta apenas da observancia da regra geral e da coope- ragio ¢ acordo de muitas Pessoas na mesma conduta imparcial, © caso se torna, aqur. mats complexo ¢ emaranhado. As varias circunstancias da vida social, as diversas conseqiiéncias de cada pritica. os diversos interesses que podem ser manifesta- dos, todas cssas consas muitas vezes geram diividas e tornam- se objetos de longas disputas ¢ averiguagies. O objetivo das leis civis é decidir todas as questées relativas a justiga; os de- bates dos juristas, as reflexdes dos politicos, os precedentes da histérta ¢ dos registros priblicos estio todos dirigidos para esse propésito. [ muitas vezes se requer uma razao ou julga- mento muito acurados para chegar 4 decisao correta, em meio a tio intrincadas diividas provenientes de utilidades opostas ou pouco definidas. Mas, embora a razio, quando plenamente assistida € de- senvolvida, seja suficiente para nos fazer reconhecer a ten- déncia til ou nociva de qualidades e agées, ela sozinha nao basta para produzir qualquer censura ou aprovacao moral. A utilidade é apenas a tendéncia a atingir um certo fim, ¢, se esse fim nos fosse de todo indiferente, deveriamos sentir a 2 Ver Apéndice 3. 368 Uma investigacao sobre os principios da moral mesma indiferenga em relacdo aos meios. E Preciso que um sentimento venha a manifestar-se aqui, para estabelecer a prefe- réncia pelas tendéncias titeis sobre as nocivas. Esse sentimen- to s6 pode ser uma apreciagao da felicidade dos seres huma- nos e uma indignagio perante sua desgraga, j4 que esses sio os diferentes fins que a virtude e 0 vicio tém tendéncia a pro- mover. Aqui, portanto, a razdo nos informa sobre as diversas tendéncias das agoes, e a benevoléncia faz uma distingio em fa- vor das que sio titeis e benéficas. Essa repartigao entre as faculdades do entendimento e do sentimento em todas as decisdes morais parece clara pela hi- potese precedente. Vou supor, porém, que essa hipotese é fal- Sa; nesse caso, sera preciso buscar alguma outra teoria satisfa- t6ria, e eu me aventuro a afirmar que nao se encontrard ne- nhuma enquanto supusermos que a razio é a tinica fonte da moral. Para prova-lo, ser4 conveniente ponderar as cinco con- sideragdes que se seguem. 1.E facil para uma hipétese falsa preservar alguma aparén- cia de veracidade quando se atém exclusivamente a tépicos gerais, faz uso de termos indefinidos e emprega analogias em vez de exemplos concretos. Isso é particularmente notavel no tipo de filosofia que atribui o reconhecimento de todas as distingdes morais apenas a razdo, sem 0 concurso do senti- mento. E impossfvel que essa hipétese venha a tornar-se mi- nimamente inteligivel em qualquer caso particular, por mais plausivel que parega em discursos e palavreados genéricos. Examine-se, por exemplo, 0 ato condenivel da ingratidao, que corre sempre que observamos, de um lado, uma boa vontade expressa € reconhecida, acompanhada da prestagio de bons setvigos, e, de outro, a retribuigdo com hostilidade ou indife- renga, acompanhada de desservigo ou omissao. Dissequem-se 369 Fee eee oe eo CC David Hume todas essas circunstancias, e examine-se apenas pel. pe! que consiste o demérito ou a culpa: jamais se cheoars jane ara 9 quer resultado ou conclusio. Baraa qual. a razo em A razio julga ou sobre questoes de fato ou sobre relagées, P 5 ‘ » Per- guntemo-nos entao, em primeiro lugar, onde estd o fat 0 : " ue aqui consideramos condendvel; procuremos : aponti-lo, deter- minar 0 momento de sua ocorréncia, descrever sua naturez; a ou esséncia, explicar o sentido ou faculdade que o apreende, Ele reside na mente da pessoa que é ingrata; esta, portanto, deve senti-lo, deve ter consciéncia dele. Mas nada existe em sua mente exceto a paixao da hostilidade ou uma absoluta in- diferenga, e nao se pode dizer destas que sejam atos condeni- veis sempre e em qualquer circunstancia. S6 0 sio quando dirigidas contra pessoas que anteriormente expressaram e demonstraram boa vontade para conosco. Em conseqiiéncia, podemos inferir que 0 ato moralmente condendvel da ingrati- dio nao consiste em nenhum fato particular e individual, mas decorre de um complexo de circunstancias que, a0 se apresen” tarem ao espectador, provocam © sentimento de censura, em razio da peculiar estrutura e organizagio de sua mente. Alguém poderia considerar falaciosa essa ae 0 que é moralmente condenivel nao constitui, na a le, um fato particular, cuja realidade nos seria assegurada pel 5 ela razi mas um conjunto de relagées morais descobertas p' Fines azio as verdades da 8 quals yon- a 1aZ40, jo, do mesmo modo que descobrimos pelar metria ou da algebra. Mas quais sao essas se fala? No exemplo apresentado, yejo inicial tade e os préstimos de uma pessoa, ¢ vejo em lidade ¢ os desservigos de outra. Ha, pols, a lagdo de contrariedade. Sera que é essa relagao | condendvel? Suponha-se, entertanto, que algu' as relagdes das Jmente a boa vom seguida a hosti- uma te- 0 ato e estess 37° 8 9 Uma investigacao sobre os princfpios da moral trou hostilidade contra mim, ou realizou atos que me preju- dicaram, € que eu, em contrapartida, fiquei indiferente a essa pessoa ou prestei-lhe um bom servico. HA aqui a mesma rela- cao de contrariedade, e, contudo, esse meu comportamento é freqiientemente muito clogiavel. Por mais que se torga e re- torga o exemplo, jamais se conseguira estabelecer a moralida- de sobre uma relagio, mas sera sempre necessério recorrer As decisdes do sentimento. Quando se afirma que dois mais trés é igual A metade de dez, compreendo perfcitamente essa relagio de igualdade. Concebo que, se dez tor dividido em duas partes, uma com o mesmo numero de unidades que a outra, ¢ se qualquer uma dessas partes for comparada com dois adicionado a trés, ela conterd tantas unidades quanto esse ntimero composto. Mas, quando se extrai disso uma comparagao com as relagdes mo- rais, confesso que sou completamente incapaz de compreen- dé-la. Um ato moralmente condendvel, como a ingratidio, é um objeto complicado. Consis a a moralidade em uma re- lagio entre suas partes? Como? De que maneira? Se tentar- mos especificar a relacio ¢ ser mais explicitos e detalhados em nossas proposigées, chegaremos facilmente a constatar sua falsidade. Nao, diz alguém: a moralidade consiste nas relagdes entre as agGes e a regra do direito, e essas ages sao denominadas boas ou ms conforme concordem ou discordem dessa regra. Mas 0 que éa regra do direito? Em que ela consiste? Como é estabelecida? Pela razio, dir-se-4: a razo examina as relagdes morais das ages. De sorte que as relagdes morais sao deter- minadas pela comparagio da ago com uma regra, € essa Tegra, por sua vez, é determinada considerando-se as telagoes morais dos objetos. Nao € este um belo espécime de raciocinio? 37! Soe David Hume 10 Tudo isso é metafisica, pode-se exclam nada mais é necessdrio para levantar uma falsidade. E verdade, eu tespondo, aqui hé sica, mas ela esta toda do lado de quem pi obscura que jamais pode ser tornada inteligivel nem se conei liar com qualquer caso ou exemplo particulares. Em contra- partida, a hipdtese que adotamos é clara, Ela afirma que a moralidade é determinada pelo sentimento, e define a virtude como qualquer acéo ou qualidade mental que comunica ao espectador um sentimento agraddvel de aprovacao; ¢ o vicio como o seu contré- ar. E isso 4 basta; forte Presungio de certamente metafj. TOPoe uma hipstese rio. Passamos entao a examinar uma simples questio de fato, a saber, quais agdes tém essa influéncia. Consideramos todas as circunstanctas em que essas agdes concordam e esforga- mo-nos para extrair daj algumas observagées gerais relativas a esses sentimentos. Quem quiser chamar isso de metafisica, e encontrar aqui algo de obscuro, deve concluir que suas incli- nagées intelectuais ndo sao adequadas as ciéncias morais. iW 2. Quando um homem, em qualquer ocasiao, delibera so- bre sua propria conduta (por exemplo, se deveria auxiliar um irmio ou um benfeitor em uma emergéncia particular), ele deve considerar essas distintas relagdes, juntamente com to- das as circunstancias e situagées particulares das pessoas en- volvidas, a fim de determinar qual é 0 mais elevado dever ou obrigagio; do mesmo modo que, para determinar as Ear gdes entre as linhas de um triangulo qualquer, € a examinar a natureza daquela figura e as relagGes que suas A te é fas, nao obstan versas partes mantém umas com as outras. M a i 4 entre eles: essa aparente similaridade entre os dois casos, hi a é raciocin: no fundo, uma extrema diferenga. Alguém que aii nsidera as varias fere teo- ricamente sobre triangulos e cfrculos co’ figura ein gdes dadas e conhecidas entre as partes dessa fig EP ea 12 Una investigacao sobre os principios da moral daf alguma relagao desconhecida que é dependente das primei- ras. No caso das deliberagdes morais, entretanto, devemos es- tar familiarizados de antemio com todos os objetos e todas as relagdes que mantém uns com os outros, e determinar, a partir de uma consideracio do todo, nossa escolha ou aprova- gio. Nio ha nenhum fato novo a ser averiguado, nenhuma nova relagao a descobrir. Supde-se que todos os aspectos do caso esto diante de nossos olhos antes de podermos emi qualquer juizo de censura ou aprovagio. Se alguma circuns- tincia relevante for ainda desconhecida ou duvidosa, temos inicialmente de empregat nossas faculdades intelectuais ou investigativas para determiné-Ia e suspender por esse perfodo toda decisdo ou sentimento morais. Enquanto ignorarmos se um homem foi ou nfo um agressor, como poderemos deter- minar se quem 0 matou é culpado ou inocente? Tao logo, po- rém, se conhegam todas as circunstancias ¢ todas as relagdes, o entendimento nao tem mais lugar para agir, nem qualquer abjeto sobre o qual pudesse se aplicar. A aprovacio ou censu- ra que se segue nao pode ser obra do entendimento, mas do coragio, ¢ nao é uma proposi¢io ou afirmagio especulativa mento ou sensacio. Nas investigagoes do partir de relag6es e circunstancias ‘0 desconhecido. Nas decisées mas um ativo senti entendimento inferimos, a conhecidas, algo novo e até enta morais, todas as circunstancias ¢ rela ea mente, a partir da contemplagio do u desagrado, es- des devem ser previa- mente conhecidas, todo, sente alguma nova impressio de afeto 0 tima ou reptidio, aprovagao ou recriminagao. le diferenca entre um erro de faro e um pela qual um deles € costumeira- Quando matou Laio, Edipo a vitima e, com base Disto provém a grand de direito, e também a razao mente criminoso, € nao o outro. ignorava sua relagio de parentesco com 373 13 David Hume nas ee ae de maneira inocente e involunt4- ria uma opiniio eure a agdo que cometera. Nero, no entanto, ao matar Agripina, tinha conhecimento Prévio de to- das as relagdes entre ele e aquela pessoa, e de todas as circuns- tancias ligadas ao caso, mas‘a motivagao de vinganga, ou te- mor, ou interesse, prevaleceu em seu barbaro coragio sobre os sentimentos de dever e humanidade. E quando expressa- mos contra ele um reptidio ao qual ele mesmo, em pouco tempo, tornou-se insensivel, nao é porque percebemos algu- ma relagao que ele ignorava, mas porque a retiddo de nossas disposigées nos faz experimentar sentimentos que nio podiam afeté-lo, embrutecido como estava pela adulagio e por uma longa perseveranga na pratica dos crimes mais gigantescos. E nesses sentimentos, portanto, e nao na descoberta de qual- quer espécie de relagdes, que consistem todas as determina- ges morais. Antes de pretendermos tomar qualquer decisio desse tipo, tudo que se relaciona ao objeto ou 4 agio deve ser conhecido e verificado. E nada mais resta de nossa parte se- nao experimentar um sentimento de censura ou aprovacio, com base no qual declaramos a agio ofensiva ou virtuosa. 3. Essa doutrina ficard ainda mais evidente se comparar- mos a beleza moral com a beleza natural, 4 qual ela em muitos i fs » a aspectos se assemelha estreitamente. E da proporgao, arran) 4 ae e posigio das partes que toda beleza natural depende, mas 4 : Pee 7 ada ria absurdo inferir disso que a percepgao da beleza, como act inteiramente n2 verdade em problemas geométricos, consiste intetram 6 i ntendi- percepcao de relagdes e se realiza integralmente pelo € mento ou pelas faculdades intelectuais. Em todas as 6 inv! nosso intelecto parte de relagdes conhecidas para 1! . isa ivas a0 as desconhecidas. Mas, em todas as decisoes relativa eae odas de antemao P’ ciéncias, estigat gos- to ou A beleza exterior, as relagdes estao t 374 ity 15 16 Uma tnvectigagdo sobre os princtpios da moral tentes ao olhar. ea partir daf passamos a experimentar um sentimento de satishagio ou desagrado, conforme a natureza do objeto ¢ a disposigio de nossos drgios dos sentidos. Euclides explicou completamente todas as propriedades do efreulo, mas em nenhuma proposigio disse sequer uma palavra sobre sua beleza. A razao é evidente: a beleza nao é uma propriedade do circulo, nao reside em nenhuma parte da linha cujas partes sao eqitidistantes de um centro comum, mas € apenas 0 efeito que essa figura produz sobre a mente, cuja peculiar estrutura ou organizagao a torna suscetivel de tais sentimentos. Em vao a procurarfamos no circulo, ou a buscarfamos, por meio dos sentidos ou do raciocinio mate- mitico, em qualquer das propriedades dessa figura. Oucamos Palladio e Perrault,* quando explicam todas as partes e proporgées de uma coluna. Eles falam da cornija e do friso, da base e da cimalha, do fuste e da arquitrave, ¢ forne- cem a descrigao ea posigio de cada um desses elementos. No entanto, se lhes pedfssemos a descrigéo ¢ a posigio de sua be- leza, eles prontamente replicariam que a beleza nao é nenhu- ma das partes ou elementos da coluna, mas algo que resulta do todo, quando essa figura complexa se apresenta a um espi- rito inteligente, suscetivel dessas sensagdes mais refinadas. Até que aparega um tal espectador, hd somente uma forma com tais ¢ tais proporgdes e dimensées; sua beleza e elegancia surgem apenas dos sentimentos desse espectador. Ougamos ainda Cicero, quando retrata os crimes de um Verres ou um Catilina. F forgoso reconhecer que também a * Andrea Palladio, arquiteto italiano (1518-1580) arquiteto francés (1613-1688). (N. T.) wide Perrault, 375 ee a 17 18 David Hume torpeza moral resulta de uma contemplagio do to. este se apresenta a um ser cujos Srgios tém um. trutura e conformagio. O orador pode retrata célera, a insoléncia ea selvageri do, quando 2 Particular eg. t,de um lado, a a; de outro, a mansid: frimento, a mAgoa € a inocéncia. Mas, se nao sentimo: em nos a indignagio ou compaixao a p 40, 0 so- Ss Crescer artir desse complexo ar-Ihe em que consiste a 40 veementemente declama, Em que momento, ou em qual ob: mente a existir? de circunstancias, seria vio Pergunt ofensa ou torpeza contra a qual t jeto, cla comegou primeira- © que foi feito dela alguns meses depois, quando os estados de espirito ¢ os pensamentos de todos os atores envolvidos estavam extintos ou totalmente modifica- dos? Nenhuma resposta satistatéria a essas questées pode ser dada a partir da hipotese abstrata da moral, e devemos por fim reconhecer que a ofensa ou imoralidade nao é um fato ou relagao particular que pudesse ser objeto do entendimento, mas surge inteiramente do sentimento de desaprovagio que, pela estrutura da natureza humana, inevitavelmente experi- mentamos quando contemplamos a crueldade e a perfidia. 4. Coisas inanimadas podem manter entre si todas as mes- 36 is, mas nao mas relagdes que observamos entre agentes morals, we e, conseqiiente- podem jamais ser objetos de amor ou odi atone ivei éri i ma ar- mente, nao sao suscetiveis de mérito ou iniqiiidade. Ur j 6i origem vore nova que sobrepuja ¢ destréi aquela que the deu origen ao matar Agripi- esta exatamente na mesma situagio de Nero il e em relagoes, na; e se a moralidade consistisse simplesment seria sem diivida tio criminosa quanto ele. cee 5. Parece evidente que os fins iltimos das agoes i 5 pela razao, nao podem em nenhum caso ser explicados p boas entos € as alecs las faculdades inte- mas fe- . es da comendam-se inteiramente aos sentim humanidade, sem nenhuma dependéncia d 376 19 20 a Una investigagao sobre os principias da moral lectuais. Pergunte-se a um homem por que ele se exercita; ele responder que deseja manter sua satide. Se lhe for pergunta- do, entao, por que deseja a satide, ele prontamente dir que é porque a doenga é dolorosa. Mas, se a indagacao é levada adiante e pede-se uma razo pela qual ele tem aversio A dor, ser-lhe-4 impossivel fornecer alguma. Este é um fim tiltimo, e jamais se refere a qualquer outro objetivo. Talvez 4 segunda questao — por que deseja a satide — ele pudesse dar também a resposta que ela é necesséria para exer- cer suas ocupagées. Se perguntarmos por que se preocupa com isso, ele diré que é porque deseja obter dinheiro. E se quisermos saber por qué, a resposta serd que se trata de um meio para o prazer; e sera absurdo exigir alguma razao para além dessa. E impossivel que haja uma progressao in infinitum, e que sempre haja alguma coisa em vista da qual uma outra é desejada. Algo deve ser desejado por si mesmo, por causa de sua imediata conformidade ou concordancia com os senti- mentos e afecgdes humanos. Ora, como a virtude é um fim, e é desejavel por si mesma, sem retribuigio ou recompensa, meramente pela satisfagio imediata que proporciona, é preciso que haja algum senti- mento que ela toque, algum gosto ou sensagio interior, ou como se quiser chamé-lo, que distinga entre o bem e o mal morais, e que abrace o primeiro e rejeite 0 segundo. Assim, os distintos limites e atribuigdes da razao e do gosto sio facilmente determinados. A razio transmite 0 conheci- mento sobre o que é verdadeiro ou falso; 0 gosto fornece o sentimento de beleza e deformidade, de virtude e vicio. A pri- meira exibe os objetos tal como realmente existem na nature- za, sem acréscimo ou diminuigao; 0 segundo tem uma capaci- dade produtiva e, ao ornar ou macular todos os objetos natu- 377 David Hume rais com as cores que toma emprestadas do sentimento int nter- no, erige, de certo modo, uma nova criagio. A ra: fria e desinteressada, nio é um motivo para a agio, e a ago, e apen; as direciona o impulso recebido dos apetites e inclinagdes, mos- trando-nos os meios de atingir a felicidade ou evitar o sofri- mento. O gosto, como produz prazer ou dor e com isso cons- titui felicidade ou softimento, torna-se um motivo para a agio e € 0 principio ou impulso original do desejo e da voligao. A partir de circunstancias ¢ relagdes conhecidas ou supostas, a primeira nos conduz 4 descoberta das que sao ocultas ou desconhecidas. O segundo, quando todas as circunstancias e relacdes esto dispostas 4 nossa frente, faz-nos experimentar diante desse todo um novo sentimento de censura ou aprova- cao. A norma da razao, fundada na natureza das coisas, € etet- na e inflexfvel, até mesmo pela vontade do Ser Supremo. A a do gosto, originaria da estrutura e constituigao inter- ais, deriva-se em tiltima instancia daquela Von- utorgou a cada ser sua peculiar nacureza s e ordens de existéncia- norm: nas dos anim: tade Suprema, que © ¢ arranjou as diversas classe!