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Anatomia Sistêmica

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Anatomia Sistêmica
Copyright © 2014 Yendis Editora Ltda.
1ª edição
Todos os direitos reservados.

Diretora acadêmica: Simone Savarego


Coordenadora editorial: Rosiane Aparecida Marinho Botelho
Produção editorial: Yendis Editora
Projeto gráfico: Alexandre Ponzetto

As informações e as imagens são de responsabilidade dos autores.


Proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem a autorização escrita da Editora.
A Editora não se responsabiliza por eventuais danos causados pelo mau uso das informações contidas neste livro.

Impresso no Brasil
Printed in Brazil

Esse livro está catalogado na CIP.


Palavra a Abril Educação

Desenvolver uma geração de profissionais capazes de estar à frente de um mercado de trabalho


desafiador, que exige cada vez mais eficiência e competências comprovadas, é uma das preocupações
mais evidentes dos Governos Federal, Estaduais e Municipais, dos gestores de políticas públicas e dos
desenvolvedores de programas implementados.

Com o objetivo de conquistar esse desafio e contribuir para a formação de profissionais


competentes e eficazes, o Sistema etb de ensino técnico apresenta uma proposta de apoio ao
processo de ensino-aprendizagem, a partir de um material didático desenvolvido especificamente
para programas de formação profissional – Cursos Profissionalizantes de Nível Médio – na modalidade
Subsequente e Concomitante.

Abrangendo mais de 12 eixos de conhecimento e com mais de 50 coleções de “cadernos de


conteúdo”, o Sistema etb cobre mais de 90% das demandas de formação profissional por todo o
Brasil, contando com o endosso da Abril Educação, cuja trajetória bem-sucedida já atravessa cinco
décadas.

O Sistema etb tem ao seu dispor a experiência e a abrangência de um dos maiores expoentes no
setor educacional, com destaque para metodologias diferenciadas e recursos educacionais exclusivos
para a educação profissional.

A oferta de programas de formação profissional, baseada em um material didático de qualidade


e focado no desenvolvimento de habilidades e competências, associada à sequência de políticas
públicas que estimulam o investimento no setor da educação profissional compõem uma proposta
aos cidadãos para que consigam entrar no mercado de trabalho pela porta da frente, como convidados
a exercer suas atividades de maneira segura e eficiente em empresas que clamam por profissionais
diferenciados.

Este livro é mais um convite na direção da real compreensão da expressão SER PROFISSIONAL.
O objetivo deste curso é a formação de profissionais que não só tenham conhecimento profundo e
capacidade de resolver problemas, mas também sejam criativos, éticos e preocupados com ações e
processos sustentáveis.

A reunião de autores renomados na área do ensino fortalece o caráter criterioso e responsável dos
capítulos componentes desta obra, para que, com eles, o aluno esteja provido do material necessário
para iniciar sua carreira profissional, a qual será repleta de conquistas e outras lições.

Ivan Sartori
Diretor de Novos Negócios da Abril Educação Mantenedora do etb – Editora Técnica do Brasil
Autor(es)

Daniela Patricia Vaz

Mestranda em Reabilitação Vestibular pela Universidade Bandeirantes de São Paulo (Uniban).­


Especialista em Psicopedagogia pela Universidade­do Oeste Paulista. Especialista em Fisioterapia
Dermatofuncional pela Universidade Gama Filho. Fisioterapeuta pela Uniban. Docente das disciplinas
Anatomia e Fisiologia Humana do Centro de Ensino Método da Faculdade Método de São Paulo (Famesp).

Fernanda Jacques Calçado de Oliveira

Mestranda em Ensino em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Especialista em Formação Pedagógica e nas áreas de cardiologia, auditoria e pedagogia para saúde.
Graduada em Enfermagem e Obstetrícia pela Universidade Guarulhos (UnG). Coordenadora Pedagógica
no Colégio de Enfermagem Zumbi dos Palmares e na Escola de Enfermagem do Hospital do Coração –
Associação do Sanatório Sírio.
Sumário
Anatomia Sistêmica
Daniela Patricia Vaz e Fernanda Jazques Calçado de Oliveira

Conceitos................................................................................................................................................................7
Citologia..................................................................................................................................................................8
Tecidos.................................................................................................................................................................. 10
Variação Anatômica........................................................................................................................................ 12
Sistema Tegumentar....................................................................................................................................... 17
Sistema Muscular............................................................................................................................................. 23
Sistema Esquelético......................................................................................................................................... 27
Sistema Articular.............................................................................................................................................. 34
Sistema Cardiovascular.................................................................................................................................. 36
Sistema Linfático.............................................................................................................................................. 44
Sistema Endócrino........................................................................................................................................... 49
Sistema Respiratório....................................................................................................................................... 52
Sistema Digestório........................................................................................................................................... 56
Sistema Urinário............................................................................................................................................... 62
Sistema Reprodutores Masculino e Feminino...................................................................................... 65
Sistema Nervoso................................................................................................................................................71
Anatomia Sistêmica

Anatomia Sistêmica
Daniela Patricia Vaz e Fernanda Jazques Calçado de Oliveira

Conceitos

• Anatomia (anatome = cortar em partes): ciência que estuda a estrutura e suas relações.

• Anatomia humana: estuda a estrutura humana macroscopicamente.

• Anatomia microscópica: são as estruturas que só podem ser vistas com o auxílio de um
microscópio.

• Fisiologia humana: estudo das funções do corpo e suas partes.

• Fisiologia celular: estudo das atividades das células e suas partes.

• Posição anatômica: é a posição específica do corpo humano, ou seja, corpo ereto, olhar alinhado
ao horizonte, membros superiores posicionados lateralmente, com as palmas das mãos voltadas
para a frente e os pés apoiados no chão.

Figura 1 - Posição anatômica.

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Tabela 1 - Termos utilizados de acordo com a posição anatômica

Termos Direção anatômica


Superior, cefálica ou cranial Em direção à cabeça
Inferior ou caudal Em direção ao pé
Anterior ou ventral Na frente do corpo
Posterior ou dorsal No dorso do corpo
Medial Mais próximo da linha mediana do corpo
Lateral Lateral à linha mediana do corpo
Proximal Mais próximo do ponto de origem ou fixação
Distal Mais distante do ponto de origem ou fixação

Citologia

A célula é a unidade morfológica (estrutural) e metabólica (funcional) do corpo, podendo ser


chamada de unidade morfofuncional.

Componentes Químicos das Células

Componentes inorgânicos

• Água: é o componente químico mais abundante. Constitui 78% das células nervosas do homem,
40% das células ósseas e 94% do feto humano aos 3 meses.

• Sais minerais, que podem ser:

— insolúveis: compõem o “arcabouço” do esqueleto, como o fosfato de cálcio (CaPO4);

— solúveis: cálcio (Ca), ferro (Fe), fosfato (PO4).

São componentes orgânicos:

• Carboidratos ou açúcares: formados por carbono, hidrogênio e oxigênio. Por exemplo: glicose,
amido e glicogênio.

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Anatomia Sistêmica

Núcleo
Complexo golgiense

Retículo endoplasmático
Citoplasma não granuloso

Lisossomo

Retículo
Mitocôndria endoplasmático
granuloso

Membrana citoplas-
mática

Figura 2 - A célula e seus componentes.

• Lipídios ou gorduras: associação de ácidos graxos e álcool. Por exemplo: glicerídios (tecido
adiposo) e esteroides (colesterol, testosterona).

• Proteínas: são os componentes orgânicos mais abundantes na natureza, com as seguintes


funções: enzimática (lipase e amilase – enzimas digestivas), hormonal (insulina – pâncreas) e de
defesa (antígenos e anticorpos).

• Enzimas: consideradas uma diferenciação das proteínas.

• Ácidos nucleicos:

— DNA (ácido desoxirribonucleico): tem a função de duplicação.

— RNA (ácido ribonucleico): produzido pelo DNA, comanda a fabricação de enzimas e outras
proteínas.

• Vitaminas: podem ser lipossolúveis (solúveis em lipídios e gorduras) ou hidrossolúveis (solúveis


em água).

A célula é subdividida em:

• Membrana citoplasmática: função de proteção e filtragem de substâncias necessárias ao


desenvolvimento.

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• Citoplasma: conserva a vida da célula. Imersas no interior da célula, encontram­‑se as organelas,
como:

— lisossomos: responsáveis pela digestão celular, são ricos em enzimas;

— mitocôndrias: responsáveis por gerar energia, possuem DNA próprio;

— ribossomos: participam da elaboração das proteínas;

— complexo golgiense: tem a função de transporte de partículas para dentro e para fora do
núcleo celular.

• Núcleo: tem funções relativas ao crescimento e à reprodução celular, além de atividades


metabólicas. É o portador de fatores hereditários. Subdivide­‑se em:

— carioteca: estrutura que envolve o conteúdo nuclear;

— cariolinfa: massa incolor constituída de água e proteínas;

— cromatina: material genético resultante da associação entre proteínas e DNA;

— nucléolo: desprovido de membranas, está em contato direto com a cariolinfa.

Tecidos

Tecidos são conjuntos de células que desempenham uma determinada função. São classificados em:
conjuntivo, muscular e nervoso.

O tecido conjuntivo é um tecido de sustentação, que serve para unir os órgãos e preencher os
espaços entre eles. Subdivide­‑se em:

• conjuntivo difuso: preenche os espaços entre os órgãos;

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Anatomia Sistêmica

M. trapézio
M. deltoide
M. infraespinhal

M. redondo menor

M. redondo maior M. tríceps braquial

M. braquial

M. extensores do
antebraço

Figura 3 - Músculos estriados esqueléticos do braço.

• conjuntivo elástico: apresenta elasticidade; pode ser encontrado nas paredes das artérias;

• conjuntivo fibroso: formado por fibras que unem um músculo a um osso;

• conjuntivo adiposo: formado por células gordurosas;

• conjuntivo cartilaginoso: de estrutura maleável, molda certas partes do corpo.

O tecido muscular é formado por células com capacidade de contração. Suas três variações são:

• não estriado: por exemplo, laringe;

• estriado esquelético: por exemplo, glúteos, deltoide e vasto lateral;

• estriado cardíaco: por exemplo, miocárdio.

O tecido nervoso é formado por células com capacidade de gerar e conduzir impulsos elétricos; é um
tecido exclusivo do sistema nervoso.

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Articulações

São uniões entre os ossos. Estão divididas em:

• Articulações móveis (ou sinoviais): apresentam movimentos extensos (joelho). São basicamente
formadas por cavidade articular (local de deslizamento entre um osso e outro); cápsula articular
(estrutura que envolve a articulação); membrana sinovial (estrutura que reveste internamente a
cápsula articular) e sinóvia (líquido produzido pela membrana sinovial, cuja função é lubrificar a
articulação e amortecer impactos).

• Articulações imóveis (fibrosas): não apresentam movimentos (representadas pelas suturas,


articulações que unem os ossos do crânio).

• Articulações semimóveis (cartilaginosas): apresentam movimentos pouco extensos


(articulações das vértebras).

Variação Anatômica

Normal

São diferenças morfológicas que aparecem na cor, na forma ou no tamanho, e se apresentam externa
ou internamente, sem trazer prejuízo funcional ao indivíduo.

Os fatores que podem levar a uma variação anatômica são:

• sexo;

• raça;

• idade;

• biotipo;

• evolução.

Anomalia

São variações anatômicas acentuadas que perturbam as funções normais, ou seja, trazem prejuízo
funcional aos indivíduos.

Monstruosidade

São anomalias acentuadas, geralmente incompatíveis à vida.

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Anatomia Sistêmica

Planos de Delimitação e Secção do Corpo Humano

Planos de delimitação são aqueles que limitam e nomeiam os lados do corpo humano:

• plano de delimitação superior ou cranial;

• plano de delimitação inferior ou podálico;

• plano de delimitação ventral ou anterior;

• plano de delimitação dorsal ou posterior;

• plano de delimitação lateral direito;

• plano de delimitação lateral esquerdo.

Planos de secção são aqueles planos que cortam os segmentos ou estruturas do corpo:

• plano de secção horizontal;

• plano de secção sagital;

• plano de secção transverso;

• plano de secção frontal.

Regiões de Demarcação do Abdome

O abdome é demarcado em nove quadrantes ou nove partes:

• hipocôndrio direito;

• epigástrio;

• hipocôndrio esquerdo;

• região lateral direita;

• região umbilical;

• região lateral esquerda;

• região inguinal direita;

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• hipogástrio;

• região inguinal esquerda.

Figura 4 - Planos de delimitação.

Plano de secção mediano Plano de secção sagital

Plano de secção
transversal

Figura 5 - Planos de secção.

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Anatomia Sistêmica

Plano de secção frontal ou coronal

Figura 6 - Plano de secção.

Posição Anatômica

A posição­‑padrão (universal) para o estudo de anatomia pressupõe o indivíduo em posição ortostática,


com os membros superiores (MMSS) estendidos ao longo do corpo, com as palmas das mãos voltadas
para a frente, os membros inferiores (MMII) unidos, com os pés também voltados para a frente e a
cabeça e o olhar dirigidos ao horizonte.

Divisão do Corpo Humano

O corpo humano é dividido em:

• cabeça (crânio e face);

• tronco (tórax e abdome);

• membros (superiores e inferiores).

Os MMSS e MMII unem­‑se ao tronco graças aos cíngulos (do membro superior e do membro inferior).

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A B C

D E F

G H I

Figura 7 - Regiões do abdome: (A) hipocôndrio direito; (B) epigástrio; (C) hipocôndrio esquerdo; (D) região lateral direita; (E) região
umbilical; (F) região lateral esquerda; (G) região inguinal direita; (H) hipogástrio; (I) região inguinal esquerda.

Cabeça

Face

Pescoço
Ombro

Tórax

Braço
Cotovelo

Antebraço
Abome
Pulso
Palma

Coxa

Joelho

Perna

Tornozelo

Figura 8 - Posição anatômica.

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Anatomia Sistêmica

Sistema Tegumentar

O sistema tegumentar é composto por pele (epiderme e derme), hipoderme (tela subcutânea),
glândulas anexas (sudoríparas, sebáceas e ceruminosas), pelos e unhas.

Pele

Está dividida em epiderme e derme e é considerada um dos maiores órgãos do corpo humano,
constituindo aproximadamente 20% do peso corporal. A pele reveste quase todo o corpo, com exceção
dos orifícios genitais e alimentares, olhos e superfícies mucosas genitais, que são formados pela
ectoderme.

Funções da Pele

• Revestimento e proteção (funciona como uma barreira entre o meio externo e o meio interno
corpóreo).

• Regulação da temperatura.

• Sensibilidade: tato, calor, frio e dor são captados pela pele através de receptores especializados:

— receptores de Krauser: frio;

— receptores de Ruffini: calor;

— discos de Merkel: tato e pressão;

— receptores de Vater­‑Pacini: pressão;

— receptores de Meissner: tato;

— terminações nervosas: principalmente dor.

• Permeabilidade cutânea.

Epiderme

Camada superficial da pele, que tem a função de proteção contra agentes externos, mas não é
uma camada seletiva. Possui uma variação em sua espessura, dependendo da região do corpo em que
estiver situada; na palma da mão, por exemplo, pode chegar a uma espessura de 1,5 mm, e na pálpebra,
a apenas 0,3 mm. A epiderme sofre um processo de constante renovação, que se apresenta como uma
sucessão de transformações ao longo de 28 dias. É dividida em cinco camadas:

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• córnea;

• lúcida;

• granulosa;

• espinhosa;

• basal.

Pelo

Epiderme
Glândula
sabácea
Músculo
Derme
eretor do
pelo
Glândula sudo-
Tecido celular
rípara
subcutâneo
Artéria
Veia

Figura 9 - Pele.

Camada
córnea
Epiderme

Derme

Tecido celular
subcutâneo

Figura 10 - Camadas da pele.

Estrato córneo

Camada granulosa

Camada espinhosa

Camada basal

Figura 11 - Camadas da epiderme.

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Anatomia Sistêmica

Estrato córneo

Camada de
transição

Camada granulosa

Camada espinhosa

Camada basal

Membrana basal

Figura 12 - Camada basal da epiderme.

Melanócitos

São células responsáveis pela produção de melanina (proteína), que proporciona o pigmento para a
pele. A cor da pele é dada pela combinação de melanina, caroteno e hemoglobina.

Queratinócitos

Células responsáveis pela produção de queratina (proteína de proteção).

Observação: queratina e melanina


formam a base da camada plástica da pele.

Camada espinhosa

As células da camada basal começam seus processos de renovação e perdem água, passando para a
camada espinhosa, que é formada por um preenchimento de melanina na queratina.

Camada granulosa

Formada por proteínas tingidas e grânulos de melanina, que fazem a proteção contra os raios UV.

Camada lúcida

Formada por células que produzem eleidina, substância graxa gordurosa responsável por lubrificar e
hidratar as estruturas. A camada lúcida está presente na pele da palma da mão e da planta do pé.

Camada córnea

Composto por células desidratadas (melanina sem água e corante sem água), o estrato córneo é
formado por células anucleadas rodeadas por queratina amolecida. É através dessa camada que ocorre
a absorção dos cosméticos.
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Derme

É a porção mais densa da pele, composta por substância fundamental amorfa (que proporciona
uma característica gelatinosa para a região), rica em carboidratos, vitaminas e enzimas e é o local onde
todos os elementos da derme (órgãos anexos) se alojam. A derme é uma camada de sustentação para a
epiderme (tecido conjuntivo), composta por colágeno e elastina, rica em fibroblastos que fabricam essas
proteínas para a sustentação do tecido. Está dividida em duas camadas:

• papilar: em contato com a epiderme;

• reticular: mais densa e em contato com o tecido celular subcutâneo (hipoderme).

É na derme que se encontram os órgãos anexos da pele, os vasos sanguíneos e linfáticos, o músculo
eretor do pelo, os nervos e os órgãos sensoriais.

Órgãos Anexos

Glândulas sudoríparas

Localizadas na derme e responsáveis pela produção do suor, que tem como função regular a
temperatura da epiderme, por ser secretado diretamente nessa camada (camada córnea). O suor é
composto por água, sais e ureia.

As glândulas sudoríparas são divididas em:

• apócrinas: localizadas nas axilas, na região inguinal e no púbis (secretam substâncias com odor);

• écrinas: localizadas nas outras regiões.

Epiderme

Derme

Glândula
sudorípara

Tecido
celular subcutâneo

Figura 13 - Glândula sudorípara.

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Anatomia Sistêmica

Glândula sebácea

Responsável pela produção do sebo (substância graxa – lipídio), que é secretado no folículo piloso
e a partir dele conduzido até a camada córnea da epiderme (a glândula sebácea está fixada no folículo
piloso), além de ser responsável por lubrificar a camada superficial da pele.

O músculo eretor do pelo está fixado na camada basal e no folículo piloso, que é estimulado quando
se realiza uma contração.

Folículo piloso

É uma invaginação da epiderme (camada basal) na derme, onde são formados os pelos.

Glândula ceruminosa

Está localizada na derme do meato acústico interno (MAI) e realiza a produção do cerume, que tem
a função de proteger os tímpanos contra as agressões externas.

Pelo

Glândula
sebácea

Músculo eretor
do pelo

Folículo piloso

Figura 14 - Glândula sebácea e músculo eretor do pelo.

Vasos Sanguíneos, Linfáticos e Nervos da Derme

Os vasos sanguíneos e linfáticos localizados na derme são responsáveis pela vascularização (nutrição
e oxigenação) da epiderme. Os nervos e órgãos sensoriais também estão associados à epiderme.

Pelos

Formados a partir do folículo piloso por matérias­‑primas presentes nos alimentos que entram na
circulação sanguínea. Dessa forma, ocorre a formação da haste do pelo.

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Os pelos são estruturas formadas por células da epiderme queratinizadas que, por sofrerem diversos
processos de renovação e se multiplicarem constantemente, estão sempre empurrando as células mais
velhas para a camada mais superficial, onde morrem e, por acúmulo de queratina, essas células ficam
compactas, originando assim o pelo e as unhas.

Fases de crescimento do pelo

1. Anagênica ou anágena: fase de crescimento capilar (2 a 6 anos).

2. Catagênica ou catágena: fase de migração do pelo (algumas semanas).

3. Telogênica ou telógena: fase em que o pelo cai e outro depósito se forma para o nascimento de
um pelo novo (alguns meses).

Anagênica Catagênica Telogênica

Figura 15 - Fases de crescimento do pelo.

Manto Hidrolipídico

A combinação de suor, sebo, água e NMF (fator natural de hidratação da pele) forma o manto
hidrolipídico na porção epicutânea. Essa mistura é um hidratante natural, considerado um cosmético
perfeito da pele.

Tecido Celular Subcutâneo (Tela Subcutânea ou Hipoderme) – Triacilglicerol

Formado a partir da mesoderme, o tecido celular subcutâneo tem como função o preenchimento, a
proteção contra impactos e a reserva energética, além de ser um isolante térmico.

O tecido celular subcutâneo é formado por células de adipócitos e fibras e é um tecido vascularizado,
pois possui terminações nervosas que vêm dos músculos, ossos e órgãos e passam do tecido celular
subcutâneo para a derme.

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Anatomia Sistêmica

Epiderme

Derme

Hipoderme

Figura 16 - Localização do tecido celular subcutâneo (ou hipoderme).

Sistema Muscular

Sistema formado por células responsáveis pela contração e pelo relaxamento, que compõem o órgão
ativo do movimento. Pode­‑se encontrar três tipos de músculos:

• músculo liso (não estriado);

• músculo estriado cardíaco;

• músculo estriado esquelético.

Pode­‑se classificar os músculos como:

• músculos voluntários: são aqueles controlados de acordo com a vontade do indivíduo; sua
contração é voluntária;

• músculos involuntários: são aqueles que não podem ser controlados de acordo com a vontade
do indivíduo; sua contração depende da ação do sistema nervoso central.

Músculo estriado
cardíaco

Músculo estriado
esquelético

Músculo liso

Figura 17 - Tipos de músculos.

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Componentes do Músculo Estriado Esquelético

1. Tendão.

2. Ventre muscular.

3. Fáscia muscular.

Tendão

Ventre Muscular

Fáscia
Muscular

Figura 18 - Componentes musculares.

Propriedades Musculares

1. Contratilidade.

2. Elasticidade.

3. Tonicidade.

4. Excitabilidade.

Origem e Inserção

• Origem: ponto fixo que não se desloca com o movimento.

• Inserção: ponto móvel que se desloca com o movimento.

Contração Muscular

Na contração muscular, há um deslizamento da actina sobre um conjunto de filamentos de miosina


que dependem de ATP.

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Anatomia Sistêmica

Origem

Controle

Inserção

Figura 19 - Origem e inserção muscular.

Núcleo Miofibrila

Figura 20 - Fisiologia muscular.

Banda clara Banda escura Banda clara

Disco Z Linha M Disco Z

Figura 21 - Contração muscular.

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Nomenclatura Muscular

Frontal

Esternocleidomastoideo
Platisma Trapézio
Escaleno
Deltoide
Peitoral maior
Serrátil anterior
Bíceps braquial
Reto abdominal
Linha alba
Oblíquo do abdome
Flexores dos dedos

Sartório

Grácil
Quadríceps
Sartório

Gastrocnêmio Medial

Tibial anterior

Figura 22 - Músculos esqueléticos superficiais: vista anterior.

Occipital

Trapézio Deltoide

Tríceps braquial
Grande dorsal

Extensores dos
dedos
Glúteo

Bíceps femoral

Sóleo Gastrocnêmio medial


Gastrocnêmio lateral Tríceps sural

Tendão calcâneo

Figura 23 - Músculos esqueléticos superficiais: vista posterior.

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Anatomia Sistêmica

Frontal

Prócero
Temporal
Corrugador do supercílio
Orbicular do olho
Depressor do septo
Elevador da asa do nariz
Bucinador
Elevador do lábio
Masseter Zigomático menor
Orbicular da boca
Risório Zigomático maior
Depressor do lábio
Platisma Depressor do ângulo da boca

Mentuais

Temporal

Occipital

Esternocleidomastoideo

Trapézio

Figura 24 - Músculos da cabeça.

Sistema Esquelético

Osso

Órgão vivo vascularizado e inervado.

Esqueleto

Conjunto de 206 ossos interligados que formam o arcabouço (armadura) do corpo humano e são
classificados de acordo com o seu formato. Possui como funções:

• sistema de alavancas;

• proteção;

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• sustentação;

• produção;

• armazenamento.

Divisão do esqueleto

• Esqueleto axial;

• esqueleto apendicular.

Os cíngulos realizam a união do esqueleto apendicular ao esqueleto axial.

Estruturas Ósseas

• Epífise;

• diáfise;

• substância esponjosa;

• substância compacta;

• canal medular;

• medula óssea;

• periósteo;

• cartilagem epifisial.

Nomenclatura Óssea

Ossos dos membros superiores (MMSS)

• Mão:

— carpo;

— metacarpo;

— falanges.

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Anatomia Sistêmica

• Antebraço:

— rádio (lateral);

— ulna (medial).

• Braço:

— úmero.

• Cíngulo do membro superior:

— clavícula (anterior);

— escápula (posterior).

Ossos dos membros inferiores (MMII)

• Pé:

— tarso;

— metatarso;

— falanges.

• Perna:

— tíbia (medial);

— fíbula (lateral).

• Coxa:

— fêmur.

• Cíngulo do membro inferior:

— ílio (superior);

— ísquio (posteroinferior);

— púbis (anteroinferior).

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Ossos do tronco

Tórax

• Esterno:

— manúbrio;

— corpo;

— processo xifoide.
Cartilagem articular

Epífise Osso esponjoso

Metáfise
Osso compacto

Diáfise

Epífise

Figura 25 - Estruturas ósseas.

• Costelas: doze pares divididos em:

— verdadeiras (sete primeiros pares);

— falsas (oitavo, nono e décimo pares);

— flutuantes (décimo primeiro e décimo segundo pares).

Coluna Vertebral

É formada por 33 vértebras, divididas em cinco segmentos:

• cervicais (C1­‑C7);
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Anatomia Sistêmica

• torácicas (T1­‑T12);

• lombares (L1­‑L5);

• sacro (4­‑5 vértebras fundidas);

• cóccix (3­‑4 vértebras fundidas).

Ossos da cabeça

Crânio

• Frontal;

• parietal;

• occipital;

• temporal;

• esfenoide;

• etmoide.

Face

• Nasal;

• conchas nasais;

• vômer;

• maxila;

• palatino;

• zigomático;

• mandíbula;

• lacrimal.

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Clavícula

Escápula

Úmero
Fêmur

Rádio Patela

Tíbia

Ulna
Fíbula

Ossos
da mão
Ossos
do pé

Figura 26 - Ossos dos membros superiores e inferiores.

Clavícula

Escápula

Esterno Costelas
verdadeiras

Costelas
falsas

Costelas
flutuantes
Coluna vertebral

Figura 27 - Ossos do tórax.

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Anatomia Sistêmica

Região cervical

Região torácica

Região lombar

Região sacral

Região coccígea

Figura 28 - Ossos da coluna vertebral.

Parietal
Frontal

Esfenoide Temporal

Nasal
Zigomático Occipital
Maxila

Mandíbula

Figura 29 - Ossos do crânio.

Frontal

Parietal

Temporal
Nasal Esfenoide

Zigomático

Conchas nasais

Maxila

Mandíbula

Figura 30 - Ossos da face.

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Classificação Óssea

• Osso longo;

• osso curto;

• osso plano;

• osso irregular;

• osso pneumático;

• ossos sesamoide.

Sistema Articular

Definição

Articulações são uniões entre dois ou mais ossos que possibilitam o movimento, seja ele restrito ou
livre entre as peças ósseas.

O esqueleto possui três tipos de articulações, divididos de acordo com o tipo de movimento que as
conexões ósseas proporcionam, considerando o tipo de tecido que se interpõe às peças articuladas.

Tipos de Articulações

• Articulação fibrosa;

• articulação cartilagínea;

• articulação sinovial.

Articulação fibrosa

Possibilita o movimento restrito entre as peças ósseas. Na verdade ocorrem apenas vibrações entre
os ossos, porque entre eles o tecido existente é o conjuntivo fibroso. É formada por:

• suturas;

• sindesmoses;

• gonfose.

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Anatomia Sistêmica

Crânio

Maxila

Mandíbula

Clavícula

Escápula

Esterno

Úmero
Costelas

Coluna vertebral

Rádio

Ílio

Ulna
Sacro
Cóccix

Ísquio Carpo

Metacarpo

Falanges

Fêmur

Púbis

Patela

Tíbia

Fíbula

Tarso

Metatarso

Falanges

Figura 31 - Esqueleto.

35
Articulação cartilaginosa

Possibilita o movimento elástico entre as peças ósseas, e o tecido que se interpõe entre os ossos é
cartilaginoso (cartilagem). É formada por:

• sínfise;

• sincondrose.

Articulação sinovial

Possibilita livre movimento entre as peças ósseas e, para isso, possui as seguintes estruturas:

• cápsula articular;

• cavidade articular;

• cartilagem articular;

• disco articular;

• menisco articular.

Sistema Cardiovascular

Definição

O sistema cardiovascular é responsável pela condução do sangue, para que haja o transporte de:

• gases;

• nutrientes;

• resíduos metabólicos;

• hormônios;

• calor.

Além disso, cabem a ele a distribuição do mecanismo de defesa e a coagulação sanguínea.

Composição

O sistema cardiovascular é composto por:


36
Anatomia Sistêmica

• sangue: líquido viscoso que circula pelo organismo animal;

• coração: bomba contrátil propulsora que impulsiona o sangue para as artérias;

• artérias: vasos que conduzem o sangue do coração para os órgãos;

• veias: vasos que conduzem o sangue dos órgãos para o coração;

• vasos capilares: vasos microscópicos que proporcionam o metabolismo celular através da troca
de gases e nutrientes.

Figura 32 - Artérias.

Sangue

É composto por uma parte líquida, plasma e células sanguíneas (hemácias, leucócitos e plaquetas).

Artérias

Possuem paredes musculares grossas e calibre interno estreito. As artérias sofrem pressão do coração
e conduzem o sangue do coração para os órgãos do corpo.

Veias

Possuem paredes musculares largas (grossas) e calibre interno ou luz do vaso fina. As veias não
sofrem pressão do coração e não apresentam elasticidade. Para que não haja um refluxo do sangue, as
veias possuem válvulas.
Válvulas venosas

Seio das válvulas

Seio das válvulas

Figura 33 - Veias.

37
Válvulas abertas Válvulas fechadas

Figura 34 - Fluxo venoso.

Arteríolas Capilares

Artéria

Figura 35 - Árvore arterial.

Capilares sanguíneos

São vasos de calibre menor.

Coração

Bomba contrátil propulsora, ou seja, que impulsiona o sangue para que ocorra o transporte de
substâncias para os órgãos.

Forma

O coração possui a forma de um cone truncado, ou seja, sua base é mais larga e fica na porção
superior e seu ápice está na porção inferior e é mais estreito.

38
Anatomia Sistêmica

Figura 36 - Formato do coração.

Localização

Está situado na cavidade torácica, no mediastino (espaço entre os pulmões), superior ao diafragma,
mais à esquerda do plano mediano, e pesa em média de 250 a 400 g.

Figura 37 - Localização do coração.

Morfologia externa

É composto por um músculo estriado cardíaco, o miocárdio, e é envolvido externamente por uma
membrana chamada pericárdio e internamente pelo endocárdio.

Morfologia interna

O coração é um músculo oco que possui quatro câmaras cardíacas, quatro septos e quatro valvas.
São eles:

• átrio direito;

• átrio esquerdo;
39
• ventrículo direito;

• ventrículo esquerdo;

• septo interatrial;

• septo interventricular;

• septo atrioventricular direito;

• septo atrioventricular esquerdo;

• valva cardíaca direita (tricúspide);

• valva cardíaca esquerda (bicúspide ou mitral);

• valva do tronco pulmonar;

• valva da aorta.

Figura 38 - Morfologia externa do coração.

Vasos da base do coração

Vasos situados na porção superior do coração e que atuam diretamente na pequena e na grande
circulação:

• aorta;

40
Anatomia Sistêmica

• artérias pulmonares direita e esquerda;

• veias pulmonares direita e esquerda;

• veias cavas superior e inferior.

Fisiologia do coração

• Pequena circulação ou circulação pulmonar: é a circulação entre o coração e o pulmão, na


qual o sangue sai rico em gás carbônico do ventrículo direito pela artéria pulmonar, chega até os
pulmões, onde realiza uma hematose (troca gasosa), e retorna rico em oxigênio ao coração pelas
veias pulmonares direita e esquerda, no átrio esquerdo.

Aorta
Veia cava superior
Ramo da artéria pulmonar
Veias pulmonares

Átrio direito Átrio esquerdo


Valva aórtica
Valva pulmonar
Valva mitral ou
Valva tricúspide ou atrioventricular esquerda
atrioventricular direita
Ventrículo direito Ventrículo esquerdo
Cordas tendinosas
Septo
Músculo
Veia cava inferior
Aorta

Figura 39 - Morfologia interna do coração.

41
Capilares

Artéria aorta

Coração

Capilares

Figura 40 - Pequena circulação ou circulação pulmonar.

• Grande circulação ou circulação sistêmica: é a circulação entre o coração e todos os órgãos do


corpo, na qual o sangue sai rico em oxigênio do ventrículo esquerdo pela artéria aorta, vai para
todos os órgãos do corpo, realizando uma respiração celular, e retorna rico em gás carbônico ao
coração, pelas veias cavas superior e inferior.

42
Anatomia Sistêmica

Capilares

Coração

Capilares

Figura 41 - Grande circulação.

Movimentos cardíacos

O coração realiza dois tipos de movimentos:

• Sístole: contração das fibras musculocardíacas que ocorre em átrios e ventrículos, para que seja
realizado o esvaziamento das câmaras cardíacas.

• Diástole: relaxamento das fibras do músculo cardíaco, para que ocorra o enchimento das câmaras.

As circulações pulmonar e sistêmica ocorrem ao mesmo tempo, como demonstra o esquema a seguir:

A B

C D

Figura 42 - As fases da contração cardíaca: (A) diástole: enchimento das aurículas; (B) sístole auricular: enchimento dos ventrículos;
(C) sístole ventricular: contração dos ventrículos; (D) esvaziamento dos ventrículos.

43
Veias cavas superior e inferior  átrio direito
 valva tricúspide  ventrículo direito  artérias
pulmonares direita e esquerda  hematose  veias
pulmonares direita e esquerda  valva mitral 
ventrículo esquerdo  artéria aorta  órgãos do corpo

Condução cardíaca

As células do músculo cardíaco possuem estímulo espontâneo para contração de suas fibras. O
impulso elétrico é produzido pelo nó sinoatrial, localizado na porção superior do átrio direito, e se irradia
de maneira homogênea pelo miocárdio dos átrios e pelos feixes internodais até o nó atrioventricular,
localizado na porção inferomedial do átrio direito, onde o impulso elétrico é freado de uma maneira
quase imperceptível, para que os átrios se contraiam antes dos ventrículos. Logo após, o impulso é
conduzido até o fascículo atrioventricular (feixe de His), localizado no septo interventricular, e pelos
ramos subdendocárdicos (fibras de Purkinje), que o espalham até o miocárdio dos ventrículos, para que
ocorra a sístole ventricular.

Sistema Linfático

Definição

Realiza a manutenção do líquido tissular e é um sistema que auxilia a drenagem venosa, responsável
pela absorção de moléculas grandes, através da absorção do líquido intersticial sem a presença de um
órgão bombeador. Auxilia a maturação das células de defesa (linfócitos B e T) e a produção de anticorpos.
O sistema linfático remove o excesso de fluido do corpo e o devolve para o sistema cardiovascular.

Nó sinoatrial
Átrio esquerdo

Nó atrioventricular
Átrio direito

Fascículo atrioventricular

Ramo direito do fascículo

Ramo esquerdo do fascículo


Ventrículo direito

Ventrículo esquerdo

Figura 43 - Condução cardíaca.

44
Anatomia Sistêmica

Composição

• Capilares linfáticos;

• vasos linfáticos;

• troncos linfáticos;

• linfonodos;

• timo;

• baço;

• tonsila palatina.

Capilares linfáticos

Absorvem o líquido intersticial e conduzem a linfa até os capilares sanguíneos.

Vasos linfáticos

Compostos por válvulas que impedem o refluxo da linfa.

Linfonodos cervicais
Vasos linfáticos

Linfonodos axilares
Ducto torácico
Baço

Nódulos linfáticos

Figura 44 - Órgãos linfáticos, linfonodos e vasos linfáticos.

45
Linfa

Líquido intersticial absorvido pelo capilar linfático, rico em proteínas, água e eletrólitos, e que possui
uma composição parecida com a do plasma.

Troncos Linfáticos

Junção dos ductos torácicos e linfáticos direito e esquerdo.

Observação: a circulação linfática ocorre a partir


dos vasos menores, capilares linfáticos, para os vasos
linfáticos, onde se localizam os linfonodos, segue até os
ductos linfáticos e, então, até a corrente sanguínea.

Direção do fluxo

Válvula

Figura 45 - Capilar linfático.

Figura 46 - Vasos linfáticos.

46
Anatomia Sistêmica

Baço

Órgão linfoide localizado à esquerda do plano mediano entre o nono, o décimo e o décimo primeiro
par de costelas, funciona como um reservatório de sangue, além de possuir também a função de eliminar
as hemácias com mais de 60 dias (hemácias velhas).

Circulação
linfática
Circulação linfática central
periférica

Capilares
linfáticos Vasos linfáticos
Ductos linfáticos

Gânglios linfáticos

Figura 47 - Esquema da circulação linfática

Timo

Órgão linfoide que auxilia na maturação dos linfócitos T (células de defesa) que atuam atacando
micro­‑organismos específicos causadores de doenças para destruí­‑los, ajudando assim a defender o
organismo contra infecções. O timo é ativo em crianças e sofre uma atrofia gradativa após a puberdade
(mantendo ativa a sua função), conservando a homeostase corporal.

Tonsilas palatinas

Localizadas no istmo das fauces (porção posterior da boca), são formadas por tecido linfoide e
atuam como uma barreira de defesa das vias aéreas superiores.

47
Região drenada pelo
ducto linfático direito

Região drenada
pelo ducto torácico

Figura 48 - Regiões drenadas pelos ductos.

Linfonodos

Funcionam como filtros do sistema linfático para impedir a penetração de toxinas.

Principais linfonodos

• Pré­‑auriculares;

• pós­‑auriculares;

• cervicais;

• do tórax;

• axilares;

• do abdome;

• inguinais;

• poplíteos;

• tibiais anterior e posterior.

48
Anatomia Sistêmica

Esses gânglios são ligados por vasos linfáticos que têm um trajeto próprio, sempre da extremidade
para a região medial (caminho centrípeto), e seguem dos membros para a cisterna do quilo.
Folículos primários
e secundários

Paracórtex

Vaso linfático Medula


aferente

Córtex

Figura 49 - Linfonodo.

Figura 50 - Principais linfonodos.

Sistema Endócrino

Definição

Sistema composto por glândulas sem ductos, reponsáveis pela produção de hormônios. Essas
glândulas secretam os hormônios diretamente na corrente sanguínea. O equilíbrio homeostático
depende da ação dos hormônios.
49
Hormônio

Substância química que coloca o organismo em movimento, auxiliando as funções do sistema


nervoso central.

Ação dos hormônios

As células possuem receptores preparados para receber as substâncias químicas (hormônios). Cada
célula possui um tipo de receptor específico. Os hormônios são substâncias químicas lançadas pelas
glândulas na corrente sanguínea que, ao se ligarem aos receptores específicos, provocam um estímulo
químico para a célula (sem que seja necessário um estímulo de nervos periféricos).

O sistema endócrino é composto pelas seguintes glândulas:

• hipófise;

• tireoide;

• paratireoides;

• suprarrenal;
• pâncreas;
• ovários;
• testículos.
Hipófise
Glândula que auxilia o sistema nervoso em suas funções, produzindo diversos hormônios, dentre
eles:
• TSH: atua na tireoide, estimulando­‑a a produzir a tiroxina.
• LH: atua na produção de estrogênio, progesterona e testosterona.
• FSH: atua sobre a formação dos folículos ováricos e testiculares.
• GH: responsável pelo crescimento.
• Prolactina: estimula a produção de leite na glândula mamária.
• Oxitocina: estimula as contrações uterinas para o parto.
• ACTH: estimula a produção dos hormônios da glândula suprarrenal.

50
Anatomia Sistêmica

Tireoide

Glândula responsável pela produção de hormônios que regulam (controlam) o metabolismo corporal
(hormônio × metabolismo). São eles:
• T3;
• T4;
• calcitonina;
• tiroxina.

Paratireoides

Glândulas localizadas na porção posterior da tireoide que produzem o paratormônio, que regula a
quantidade de cálcio no sangue.

Pâncreas

Localizado à esquerda do plano mediano posterior ao estômago, responsável pela produção de


insulina e glucagon, que regulam as taxas de açúcar no sangue. A insulina atua na redução da taxa de
glicemia, e o glucagon, no aumento.

Suprarrenal

Localizada na margem superior de cada rim, a glândula suprarrenal atua na regulação do estresse e
da pressão arterial, além de ser responsável pela produção de:

• adrenalina;

• noradrenalina;

• corticosteroide.

Ovário

Gônada feminina responsável pela produção dos gametas (óvulos) e pela produção de estrogênio
que, somado ao LH, forma a progesterona.

51
Pineal

Hipófise

Tireoide

Paratireoide
Timo

Suprarrenais

Pâncreas

Ovários

Testículos

Figura 51 - Localização das glândulas endócrinas.

Testículo

Gônada masculina responsável pela produção dos gametas masculinos (espermatozoides) e pela
produção de testosterona.

Sistema Respiratório

Definição

O sistema respiratório tem a função de trazer o ar atmosférico para um local do corpo humano
onde possa ser absorvido de forma rápida pelo sangue. Também auxilia o desenvolvimento de sons,
tornando a vocalização compreensível, além de ajudar a manter o equilíbrio do pH sanguíneo, pela
eliminação de CO2.

Em geral, o sistema respiratório é dividido em: tecido respiratório – onde as trocas gasosas ocorrem –
e tubos condutores. Como a maior parte do sistema é formada por órgãos tubulares de condução de ar,
quando esta é realizada, capta corpos estranhos no muco, aquece o ar com o calor dos vasos sanguíneos
subjacentes e adiciona água ao ar, permitindo que o O2 se dissolva antes de ser absorvido pelo sangue.

Desse modo, o sistema respiratório é responsável pela condução do ar, ou seja, do O2 pelas vias
aéreas superiores até os sacos alveolares – ou alvéolos pulmonares –, onde ocorre a hematose (troca
gasosa), eliminando CO2.

52
Anatomia Sistêmica

Formado pelas vias condutoras e respiratórias, o sistema respiratório é composto, ainda, pelos
seguintes órgãos:

Nariz

O nariz está dividido em duas porções:

• porção externa do nariz: compreende uma estrutura triangular dividida em dorso (porção
superior), ápice (“ponta”) e base (ligada à face);

• nariz interno: tem seu início nas narinas, adentrando o vestíbulo no nariz, que é formado por
conchas nasais, meatos nasais, coanas e cílios nasais. Sua função é filtrar e aquecer o ar: quando
este passa das narinas para o vestíbulo do nariz, sofre uma turbulência graças às suas estruturas
internas e mantém contato maior com os vasos sanguíneos, ocorrendo, assim, seu aquecimento.
Os cílios, por sua vez, são responsáveis por filtrar o ar, capturando as impurezas.

Cavidade do nariz

Laringe

Traqueia

Ápice do pulmão esquerdo


Ápice do pulmão direito

Brônquio principal direito Brônquio principal esquerdo

Pulmão esquerdo

Pulmão direito
Incisura cardíaca

Mediastino médio

Diafragma

Figura 52 - Órgãos respiratórios.

Faringe

Tubo muscular que possui função respiratória e digestiva. É dividido em três porções:

53
• parte nasal da faringe;

• parte oral da faringe;

• parte laríngea da faringe.

Observação: o mecanismo de “tampa”,


formado pela glote e pela epiglote, separa o ar
do bolo alimentar. Quando a glote está aberta,
o ar é conduzido entre as pregas vocais para
a laringe; quando a epiglote fecha a glote, o
bolo alimentar é conduzido para o esôfago.

Laringe

É um tubo principalmente cartilaginoso, situado no plano mediano e anterior do pescoço que, além
de ser um órgão respiratório, é também um órgão fonador. É formado pelas seguintes estruturas:

• cartilagem tireóidea;

• cartilagem epiglote;

• membrana tíreo­‑hióidea;

• cartilagem cricóidea;

• membrana cricotireóidea;

• cartilagem aritenóidea;

• prega vestibular;

• prega ariepiglótica;

• prega interaritenóidea.

Traqueia

É um órgão constituído por “anéis” cartilaginosos incompletos em forma de “U”, conectados por
ligamentos anulares, em que a parede posterior é isenta de cartilagem, mas recoberta por uma camada
de membrana muscular lisa. A cartilagem traqueal confere a ela uma rigidez que impede colapsos e, ao
mesmo tempo, elasticidade e flexibilidade para movimentar­‑se.

54
Anatomia Sistêmica

Brônquios

No final da traqueia há uma bifurcação chamada carina, que a divide em duas partes, formando,
assim, os brônquios principais, que entrarão dentro dos pulmões, onde se ramificam em brônquios lobares
e, novamente, ramificam­‑se em brônquios segmentares. Estes dividem­‑se em diversas ramificações
chamadas bronquíolos e, no final de cada um destes, localizam­‑se os sacos alveolares ou alvéolos
pulmonares, formando, desse modo, a árvore brônquica.

Pulmões

Órgãos pares, em forma de cone, que apresentam uma porção superior chamada ápice e uma porção
inferior chamada base.

O pulmão direito é dividido em três partes:

• lobo superior;

• lobo médio;

• lobo inferior.

O pulmão esquerdo é dividido em duas partes:

• lobo superior;

• lobo inferior.

Fissura Lobo Lobo


horizontal superior superior
direito esquerdo

Fissura
Lobo oblíqua
Fissura médio
oblíqua
Lobo
inferior
Lobo
direito
inferior
esquerdo

Figura 53 - Divisão pulmonar.

Observação: no pulmão direito,


duas fissuras separam os lobos; no
pulmão esquerdo, apenas uma.

55
Pleuras

Cada pulmão está envolvido por uma membrana serosa formada por dois folhetos:

• pleura parietal: reveste a superfície do pulmão externamente;

• pleura visceral: reveste a superfície do pulmão internamente.

A cavidade pleural é um espaço existente entre as pleuras e que permite o livre deslizamento entre elas.

Pleura cervical Pleura cervical


(cúpula pleural)

Pleura costal
Pleura costal
Cavidade Face costal do
visceral pulmão esquerdo
revestida pela pleura
Pleura visceral
visceral

Pleura
diafragmática
Pleura Pleura
Recesso mediastinal diafragmática
costodiafragmático

Figura 54 - Pleuras.

Sistema Digestório

Definição

É um tubo longo, musculoso e especializado em digestão, de aproximadamente 9 metros de


comprimento, que vai desde a boca até o ânus, associado aos órgãos anexos que auxiliam na digestão.
A função desse sistema, além de realizar a digestão, é absorver os nutrientes e eliminar os resíduos
alimentares. O sistema digestório é composto pelos seguintes órgãos:

• boca;

• faringe;

• esôfago;

• estômago;

• intestino delgado;

• intestino grosso;

• reto;
56
Anatomia Sistêmica

• canal anal.

Os órgãos anexos que auxiliam a digestão são:

• glândulas salivares;

• fígado;

• vesícula biliar;

• pâncreas.

Digestão

É a transformação de macromoléculas em micromoléculas, pela ação de enzimas digestivas, para


que os nutrientes possam ser absorvidos.

Boca

A boca tem a função de triturar o alimento através da mastigação, empurrá­‑lo com a língua e
umedecê­‑lo com a saliva, formando o bolo alimentar. É composta pelas seguintes estruturas:

• Dentes: trituram e dilaceram os alimentos (são compostos por estruturas internas: dentina,
cemento e cavidade pulpar; e estruturas externas: esmalte, coroa, colo e raiz). A primeira dentição
ou dentição de leite é composta por 20 dentes, e a segunda dentição ou dentição permanente é
composta por 32 dentes.

• Gengiva: fixa os dentes.

• Língua: empurra os alimentos e proporciona o paladar.

• Glândulas salivares: responsáveis por produzir a saliva, que é uma enzima digestiva – conhecida
como amilase salivar ou ptialina – com a função de digerir o amido ainda na boca. Estão presentes
na cavidade bucal as glândulas:

— parótida: próxima à orelha;

— submandibular: abaixo da mandíbula;

— sublingual: abaixo da língua.

57
Faringe

Tubo muscular responsável por conduzir o bolo alimentar até o esôfago e conduzir o ar até a laringe.
Está dividida em:

• parte nasal (nasofaringe);

• parte oral (orofaringe);

• parte laríngea (laringofaringe).

Faringe
Boca

Laringe

Esôfago

Fígado
Estômago

Vesícula biliar Baço


Pâncreas

Intestino grosso
Intestino
delgado

Reto
Canal anal

Figura 55 - Sistema digestório.

Esôfago

Tubo muscular que conduz o bolo alimentar até o estômago através de movimentos peristálticos. O
esôfago está dividido em:

• porção cervical;

• porção torácica;

• porção abdominal.

58
Anatomia Sistêmica

Estômago

Porção alargada e especializada do tubo digestivo, localizada à esquerda do plano mediano, na


cavidade abdominal. Divide­‑se em:

• cárdia;

• fundo gástrico;

• corpo gástrico;

• piloro.

Observação: a cárdia e o piloro


são válvulas que abrem e fecham de
acordo com a necessidade.

Digestão no estômago

No estômago, a produção de secreções começa antes mesmo de o alimento chegar ao órgão.


Primeiramente, o estômago produz um muco que protege as paredes estomacais da ação do próprio
suco produzido por ele, chamado de suco gástrico – composto por água, ácido clorídrico e enzimas
digestivas (pepsina, lipase gástrica e renina).

O bolo alimentar pode ficar de 3 a 4 horas dentro do estômago.

Intestino delgado

Órgão muscular localizado na porção mediana da cavidade abdominal, com aproximadamente 6


metros de comprimento. Sua função é absorver os nutrientes que se encontram em micromoléculas e
conduzir, por meio de movimentos peristálticos, os resíduos alimentares e a água até o intestino grosso.
Está dividido em três porções:

• duodeno;

• jejuno;

• íleo.

59
Duodeno Estômago

Intestino
grosso

Intestino
delgado

Íleo

Jejuno

Figura 56 - Estômago, intestino delgado e intestino grosso.

Intestino grosso

Tubo muscular localizado na cavidade abdominal, responsável por absorver a água e conduzir, por
movimentos peristálticos, os resíduos alimentares para o meio externo, em forma de bolo fecal. Está
dividido em várias porções:

• ceco;

• cólon (cólon ascendente, flexura direita do cólon, cólon transverso, flexura esquerda do cólon,
cólon descendente, cólon sigmoide);

• reto;

• canal anal (incluindo o ânus).


Flexura esplênica
Flexura Cólon transverso
hepática

Cólon ascen-
dente Cólon descendente

Ceco Cólon sigmoide

Reto
Canal anal

Figura 57 - Intestino grosso.

60
Anatomia Sistêmica

Observação: a água é absorvida pelo


ceco, em cuja porção inferoposterior
está fixado o apêndice vermiforme.

Transformação do alimento

• Boca: bolo alimentar.

• Estômago: quimo.

• Intestino delgado: quilo.

• Intestino grosso: bolo fecal ou fezes.

Órgãos anexos

Glândulas que auxiliam a função digestória.

Pâncreas

É uma glândula anexa do sistema digestório, parecida com as glândulas salivares. Está localizado à
esquerda do plano mediano, posterior ao estômago, e divide­‑se em:

• cabeça;

• colo;

• corpo;

• cauda.

Possui duas funções:

1. Endócrina: produz insulina e glucagon, que serão lançados na corrente sanguínea.

2. Exócrina: produz suco pancreático e lança­‑o no intestino delgado para auxiliar a função digestiva.
O suco pancreático é composto por:

— amilase pancreática: digere o amido;

— lipase pancreática: digere a gordura;

— tripsina e quimotripsina: digerem as proteínas.

61
Fígado

Maior glândula do corpo humano, localizada à direita do plano mediano, tem a função de produzir
a bile e lançá­‑la para ser armazenada na vesícula biliar, que irá lançar a bile no duodeno do intestino
delgado para digerir gorduras que não foram totalmente digeridas. Está dividido em:

• lobo quadrado;

• lobo caudado.

O fígado possui, ainda, as funções de metabolizar carboidratos, lipídios, proteínas e alguns


medicamentos, armazenar alguns tipos de vitaminas e formar a ureia.

Vesícula biliar

Órgão em forma de bolsa muscular que armazena a bile e está localizado à direita do plano mediano,
posteriormente ao fígado. O ducto responsável por conduzir a bile do fígado para a vesícula é o ducto
cístico, e o ducto que conduz a bile da vesícula para o duodeno é o ducto colédoco.

Sistema Urinário

O sistema urinário representa o caminho dos produtos do metabolismo e dos elementos químicos
não essenciais dissolvidos em água. Dele fazem parte os rins, os ureteres, a bexiga urinária e a uretra.
Suas funções, além de filtrar o sangue, separando dele a urina (excreções do metabolismo), são: manter
a homeostase corporal, manter o equilíbrio do pH e, através de glândulas endócrinas situadas na porção
superior de cada rim (glândulas suprarrenais), produzir hormônios.

Rins

Localizados na porção posterior da cavidade abdominal (porção retroperitonial), um à direita e o


outro à esquerda, estando o rim direito situado mais abaixo que o esquerdo, por causa da posição do
fígado. Os rins estão localizados entre as vértebras T12 e L3 e possuem o formato de um grão de feijão.

Estruturas externas dos rins

• Hilo renal: conjunto de estruturas que penetram nos rins (artérias intrarrenais, veias intrarrenais
e pelve renal).

• Seio renal: margem côncava medial do rim.

• Pelve renal: alargamento do ureter.

62
Anatomia Sistêmica

Estruturas internas dos rins

• Córtex renal;

• medula renal;

• pirâmides renais;

• colunas renais;

• cálices renais menores;

• cálices renais maiores;

• papila renal;

• néfron (unidade funcional do rim).

O rim funciona graças a pequenas unidades de processamento sanguíneo – os néfrons, que coletam
líquido do sangue através das cápsulas glomerulares (de Bowman). Substâncias úteis são reabsorvidas
pelo sangue à medida que o líquido passa através dos túbulos renais, e quando este chega ao ducto
coletor, contém somente resíduo (urina).

Ureteres

São tubos musculares que unem o rim à bexiga e também são um órgão par (um à direita e o outro à
esquerda), saindo de cada rim. Os ureteres são divididos em parte abdominal, parte pélvica e parte intramural.
Seu trajeto é inferoposterior e vai dos rins à bexiga urinária; e sua função é conduzir a urina nessa direção.

Glândula suprarrenal
Extremidade superior

Margem lateral

Seio renal
Face anterior
Artéria renal
Hilo renal Pelve renal
Veia renal

Ureter Extremidade inferior

Figura 58 - Rim, estruturas externas.

63
Papila renal

Pirâmide renal
Cálice menor

Cálice maior Papila renal

Pelve renal Néfron

Colunas renais

Ureter Medula renal

Córtex renal

Figura 59 - Secção coronal do rim, estruturas internas.

Bexiga Urinária

É uma bolsa muscular elástica situada posteriormente à sínfise púbica, funcionando como
reservatório de urina. Na base da bexiga existe o trígono da bexiga, que é uma área triangular
em cujas arestas alojam­‑se os óstios, local por onde penetram os ureteres e de onde se origina
a uretra.

À medida que a bexiga se enche de urina, ela aumenta de tamanho e desencadeia uma necessidade
consciente de urinar. Os dois músculos esfíncteres (anéis musculares) relaxam, a bexiga contrai­‑se
ritmicamente e a urina é expelida através da uretra.

Uretra

A uretra drena a bexiga e é consideravelmente mais longa no sexo masculino (20 cm) do
que no sexo feminino (4 cm). Constitui o último segmento do sistema urinário e sua função nos
indivíduos do sexo feminino é de apenas drenar a urina (realizar a micção) para o meio externo,
ao passo que nos do sexo masculino, além de drenar a urina (realizar a micção), serve também
como canal de ejaculação.

64
Anatomia Sistêmica

Rim esquerdo
Veia cava inferior

Aorta
Rim direito
Ureteres

Bexiga

Figura 60 - Ureteres.

Ureteres

Fundo

Corpo

Colo

Uretra

Figura 61 - Bexiga urinária.

Sistema Reprodutores Masculino e Feminino

Sistema Genital Masculino

Conceito

A função do sistema genital masculino é produzir células gaméticas masculinas (espermatozoides) para
a reprodução da espécie. Os órgãos responsáveis estão divididos em órgãos externos e órgãos internos.
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• Órgãos internos: testículos, epidídimo, ducto deferente, glândula seminal, ducto ejaculatório,
próstata e glândula bulbouretral.

• Órgãos externos: escroto e pênis.

Órgãos internos

Testículo

Órgão par, ovoide, com aproximadamente 5 cm no adulto. Cada testículo tem uma cápsula fibrosa
espessa, chamada túnica albugínea. É vascularizado pelas artérias testiculares e veias testiculares que
formam o plexo pampiniforme. Sua função é produzir as células gaméticas masculinas em seu interior,
chamadas de espermatozoides, e, para que isso ocorra, é necessária uma temperatura de 35 °C, que
é atingida pelo fato de essas células localizarem­‑se dentro dos testículos, que estão protegidos pelo
escroto e distante das cavidades corporais mais quentes.

Também é responsável pela secreção de um hormônio masculino – a testosterona.

Epidídimo

Sistema de tubos enovelados, por onde passam os espermatozoides quando estão na fase de
maturação. Localizado na face posterior dos testículos, o epidídimo é irrigado por ramos das artérias
testiculares e drenado pelo plexo pampiniforme.

Ducto deferente

É onde os espermatozoides ficam armazenados e depois são conduzidos até a glândula seminal. O
ducto deferente estende­‑se desde o epidídimo até a glândula seminal, e pode ser distinguido dos vasos
testiculares pela sua consistência firme, quando a parte superior do escroto é palpada.

Vesícula seminal

Localizada na porção posterior da bexiga urinária, tem a função de produzir um líquido alcalino e
espesso que ativa os espermatozoides. Estes, quando misturados, formam o sêmen.

Ducto ejaculatório

Tubo muscular que conduz o sêmen da vesícula seminal até a uretra.

Próstata

Glândula exclusivamente masculina, localizada abaixo da bexiga urinária, que tem a função de
produzir um líquido prostático parecido com o seminal, que ajuda a diminuir a viscosidade do sêmen. O
líquido prostático é claro e fluido, facilitando a ejaculação.
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Anatomia Sistêmica

Glândula bulbouretral

Localizada abaixo da próstata, na porção prostática da uretra, responsável por produzir uma secreção
que é liberada antes da ejaculação para lubrificar a glande do pênis e facilitar a penetração durante o
ato sexual.

Órgãos externos

Escroto

Bolsa muscular que recobre os testículos, a fim de protegê­‑los e manter sua temperatura adequada
para a produção de espermatozoides, que são as células gaméticas masculinas.

Pênis

Composto por um corpo livre, com uma raiz que se situa na região superficial do períneo. O tecido
erétil do pênis consiste em um par de corpos cavernosos, situados lado a lado, e um corpo esponjoso
mediano. No interior dos corpos cavernosos, há sangue e, quando há excesso deste, os espaços dos corpos
cavernosos são preenchidos e se incham, fazendo o pênis ficar distendido, resultando em uma ereção.
Ureter

Bexiga

Ducto deferente
Vesícula seminal

Próstata

Ramo do pênis
Corpo do pênis
Bulbo do pênis
Vasos testiculares

Ducto deferente
Epidídimo

Prepúcio do pênis Testículo


Glande do pênis
Escroto

Figura 62 - Sistema genital masculino.

Observações: para que aconteça uma ereção, é


necessário um bombeamento de sangue no tecido
erétil (corpos cavernosos e esponjosos), e isso ocorre
após um estímulo involuntário. Com isso, o pênis
aumenta de tamanho, eleva­‑se e fica rijo.
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A ejaculação ocorre quando esses estímulos aumentam, provocando contrações rítmicas dos
testículos, da próstata e da glândula seminal, levando o sêmen até a uretra, para que seja eliminado.

Sobre a parte externa do pênis, existe uma dupla camada de pele de extensão variável denominada
prepúcio. O frênulo do prepúcio é uma prega mediana e inferior que passa de sua camada profunda para
as adjacências do óstio interno da uretra; a glande é a parte sensitiva que recobre os corpos cavernosos
e esponjosos na sua parte mediana, onde se encontra o óstio externo da uretra.

Sistema Genital Feminino

Conceito

Sistema responsável por produzir os gametas femininos (óvulos) e acoplar o embrião para o seu
desenvolvimento. Possui órgãos internos e externos.

• Órgãos internos: ovário, tuba uterina, útero e vagina.

• Órgãos externos ou vulva: composta por clitóris, glândulas vestibulares maiores e menor, monte
púbico, lábios maiores e menores, óstio da vagina e óstio da uretra.

Órgãos internos

Ovário

Responsável por produzir os gametas femininos ou óvulos ao final da puberdade. O ovário é um


órgão par, fixado pelo mesovário à face posterior do ligamento largo do útero, mas não revestido pelo
peritônio. Antes da primeira ovulação, os ovários são lisos e rosados, tornando­‑se rugosos e acinzentados
em virtude das cicatrizes deixadas pelas subsequentes ovulações.

Tuba uterina

Órgão par responsável por conduzir os óvulos, fecundados ou não, dos ovários até o útero. Está
subdividida em quatro partes:

• infundíbulo: é dotado de fímbrias, que são uma série de franjas irregulares;

• ampola: está entre o istmo e o infundíbulo, caracterizada como uma porção alargada;

• istmo: parede mais estreita da tuba;

• óstio uterino: região da tuba que se encontra dentro da tuba uterina.

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Anatomia Sistêmica

Útero

Órgão que aloja o embrião e no qual este se desenvolve até o nascimento, envolvido pelo ligamento
largo. Apresenta­‑se, em geral, na forma de uma pera invertida e nele se distinguem quatro paredes:

• fundo: região acima das tubas uterinas;

• corpo: comunica­‑se com as tubas uterinas e é a região principal, estendendo­‑se até o istmo;
Fundo do útero
Istmo da tuba Tuba uterina
uterina

Ampola

Ovário
Ligamento próprio
do útero
Corpo do útero
Infundíbulo
Útero

Istmo
Colo do útero

Vagina

Figura 63 - Sistema genital feminino.

• istmo: região de estreitamento do útero;

• colo: porção inferior do útero que se comunica com a vagina.

Como o útero sofre modificações com a gestação (aumenta seu tamanho muitas vezes), suas paredes
musculares são espessas.

Mamas

São órgãos anexos da pele e acessórios do sistema reprodutor feminino, formados por glândulas
cutâneas especializadas na produção de leite. As mamas estão localizadas na região anterior do tórax
sobre o músculo peitoral, entre o esterno e a borda axilar.

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Aréola

Mamilo

Pele

Figura 64 - Estruturas externas da mama.

Costelas

Músculo peitoral maior

Músculo peitoral menor

Lóbulos e glândulas

Ductos lactíferos
Abertura do ducto
lactífero

Tecido adiposo

Figura 65 - Estruturas internas da mama.

Elas existem em ambos os sexos, mas só se desenvolvem nas mulheres (desde o nascimento, após
alterações na puberdade, e especialmente durante o ciclo menstrual, a gravidez e a lactação).

Estruturas internas e externas

• Estruturas externas: pele, aréola e papila mamária.

• Estruturas internas: ligamentos suspensores da mama, tecido adiposo, tecido glandular, abertura
dos ductos lactíferos, estroma de tecido conjuntivo, lobos, ampola.
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Anatomia Sistêmica

Sistema Nervoso

O sistema nervoso tem como funções regular e coordenar as múltiplas atividades dos organismos e detectar
alterações nos meios interno e externo, além de ser responsável pelo estado de consciência. Uma das propriedades
das células é sua irritabilidade, razão pela qual os organismos ‘percebem’ os estímulos do ambiente externo e
interno, reagindo de maneiras diferentes. O sistema nervoso é capaz de perceber milhares de estímulos, transmiti-
los a diferentes partes do corpo e efetuar as respostas, agindo sobre o sistema muscular ou sobre as glândulas,
realizando movimentos e estimulando secreções. Ele é responsável, portanto, pela coordenação e integração das
funções de células, tecidos, órgãos e sistemas, para que funcionem de maneira harmoniosa e integrada.

Divisão do Sistema Nervoso

O sistema nervoso pode ser dividido de acordo com sua função ou mesmo de acordo com sua
localização:

• sistema nervoso central (SNC);

• sistema nervoso periférico (SNP).

O sistema nervoso central é a porção de recepção de estímulos e de comando desencadeador de


respostas. O sistema nervoso periférico é responsável por conduzir os estímulos, e é composto por vias
condutoras. O SNC é protegido pelo crânio e pela coluna vertebral, portanto está no esqueleto axial; o
SNP é livre por todo o corpo.

Sistema nervoso central

Toda a porção situada no crânio é chamada de encéfalo, e toda a porção protegida pela coluna
vertebral é chamada de medula espinhal.

Do encéfalo, emergem 12 pares de nervos cranianos, e da medula espinhal saem 31 pares de nervos
espinais. Esses nervos fazem parte do SNP.

Em um corte do SNC, pode­‑se observar a presença de áreas mais claras e áreas mais escuras, que
representam:

• substância branca: constituída por fibras nervosas;

• substância cinzenta: constituída por corpos neuronais.

Medula espinhal

Encontra­‑se no espaço medular, um canal formado pelos forames vertebrais, e a partir dela emergem
os nervos que formarão o sistema nervoso periférico. A medula termina em LI, aproximadamente, e a
partir daí segue­‑se até a cauda equina.
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Meninges

O encéfalo e a medula espinhal são envolvidos e protegidos por membranas de tecido conjuntivo
chamadas de meninges. Essas membranas são as seguintes:

• dura­‑máter;

• aracnoide­‑máter;

• pia­‑máter.

Líquido cerebroespinhal

Produzido nos ventrículos encefálicos laterais, no terceiro e no quarto ventrículos, e no plexo corióideo.
Esse líquido circula entre os ventrículos e no espaço subaracnóideo, servindo como amortecedor de
choques (proteção mecânica).

Encéfalo

É composto por:

• cérebro;

• tronco encefálico;

• cerebelo.

Cérebro

O cérebro está dividido em dois hemisférios (direito e esquerdo). Essas porções são divididas em
lobos, cuja denominação é feita de acordo com o osso mais próximo, ou seja:

• lobo frontal;

• lobo occipital;

• lobo temporal;

• lobo parietal;

• lobo insular.

Na superfície da região cerebral, temos sulcos e giros.

72
Anatomia Sistêmica

Tronco encefálico

É a porção posteroinferior do encéfalo que está dividida em mesencéfalo, ponte e bulbo.


Cérebro

Encéfalo
Cerebelo
Central Mesencéfalo
Tronco
encefálico Ponte

Medula Bulbo

Sistema
nervoso

Nervos

Periférico Gânglios

Terminações nervosas

Figura 66 - Divisão do sistema nervoso.

Cérebro

Corpo caloso

Mesencéfalo

Ponte Cerebelo

Bulbo

Figura 67 - Sistema nervoso central.

Cerebelo

Localizado na porção posterior do tronco encefálico. Está dividido em:

• arquicerebelo (lobo nodular);

• paleocerebelo (lobo anterior);

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• neocerebelo (lobo posterior).

Sistema nervoso periférico

É composto por:

• nervos: cordões formados por fibras nervosas unidas por um tecido conjuntivo e que têm como
função levar e trazer impulsos nervosos ao sistema nervoso central;

• gânglios: acúmulos de corpos neuronais que se apresentam como dilatações no percurso de um


nervo;

• terminações nervosas: extremidades das fibras nervosas motoras e sensitivas.

Nervos cranianos

Existem 12 pares de nervos cranianos que fazem conexão com o encéfalo. São eles:

• I: olfatório;

• II: óptico;

• III: oculomotor;

• IV: troclear;

• V: trigêmeo;

• VI: abducente;

• VII: facial;

• VIII: vestibulococlear;

• IX: glossofaríngeo;

• X: vago;

• XI: acessório;

• XII: hipoglosso.

74
Anatomia Sistêmica

Nervos espinais

Existem 31 pares de nervos que mantêm contato com a medula. Para cada segmento existe um
nome, de acordo com a região. Assim, a divisão é feita da seguinte maneira:

• oito pares de nervos cervicais;

• doze pares de nervos torácicos;

• cinco pares de nervos lombares;

• cinco pares de nervos sacrais;

• um par de nervos coccígeos.


Sensações
Memória Consciência do corpo
Fala
Armazenamento de
informações

Visão

Audição

Função respiratória

Atividades musculares
Equilíbrio emocional

Figura 68 - Funções do cérebro de acordo com a localização.

Suas anotações

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