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Geografia E.E.E.P Júlia Giffoni PREPARATÓRIO PARA O ENEM

Geografia

E.E.E.P Júlia Giffoni

PREPARATÓRIO PARA O ENEM

ASSUNTO: O BRASIL RURAL

1.

CONCEITOS

 

São

as

formas,

 

materialização

no

espaço

CIDADE

CIDADE CAMPO produto das relações

CAMPO

produto

das

relações

sociais,

econômicas,

 

políticas,

 

culturais

transformando o espaço.

 

Modo

de

vida;

relações

URBANO

URBANO RURAL sociais, econômicas,

RURAL

sociais,

econômicas,

 

políticas,

culturais

que

produzem

 

ou

são

produzidos pelo espaço.

2. ESTRUTURA AGRÁRIA BRASILEIRA

Definição: Forma de acesso e exploração da terra, indicando a relação entre proprietários e não proprietários, a forma como as culturas se distribuem pela superfície (morfologia agrária) e como a população se distribui e se relaciona com os meios de transporte e comunicação. Estrutura Fundiária é o modo como as propriedades ou estabelecimentos rurais estão socialmente distribuídos.

3. CONCENTRAÇÃO DE TERRAS NO BRASIL

1530 1820 REGIME DAS SESMARIAS

Eram lotes de terra menor, que eram doadas a um sesmeiro com o intuito de principalmente tornar a terra produtiva. O sesmeiro tinha então a partir do recebimento do lote, a obrigação de cultivar a terra por um prazo de cinco anos, tornando-a produtiva e pagando os devidos impostos à Coroa.

BRASIL COLONIAL ----> CAPITANIAS HEREDITÁRIAS (sistema político- administrativo)

CAPITANIAS HEREDITÁRIAS (sistema político- administrativo) OFICIALMENTE Não foi respeitado - Tamanho do território

OFICIALMENTE

(sistema político- administrativo) OFICIALMENTE Não foi respeitado - Tamanho do território e difícil
(sistema político- administrativo) OFICIALMENTE Não foi respeitado - Tamanho do território e difícil

Não foi respeitado - Tamanho do território e difícil controle Domínio (Governo Português) tem o poder de dispor sobre a terra (vender, doar, usar, etc.).

POSSE (Donatário) não tem o poder de dispor sobre a área (ex: venda-lá)

Grandes glebas (nobres e burguesias)não tem o poder de dispor sobre a área (ex: venda-lá) Distribuição desigual Posse ilegal (sujeitos

Distribuição desigual

Grandes glebas (nobres e burguesias) Distribuição desigual Posse ilegal (sujeitos sem recursos) – terras menos

Posse ilegal (sujeitos sem recursos) terras menos valorizadas, mas que sofriam assédio da expansão das sesmarias.

Duas alternativas

LATIFÚNDIO

BASE DO SISTEMA COLONIAL

Duas alternativas LATIFÚNDIO – BASE DO SISTEMA COLONIAL Migrarem para outras áreas Tornarem FOREIROS 1 do
Duas alternativas LATIFÚNDIO – BASE DO SISTEMA COLONIAL Migrarem para outras áreas Tornarem FOREIROS 1 do
Duas alternativas LATIFÚNDIO – BASE DO SISTEMA COLONIAL Migrarem para outras áreas Tornarem FOREIROS 1 do

Migrarem para outras áreas Tornarem FOREIROS 1 do senhor

para outras áreas Tornarem FOREIROS 1 do senhor 1 CONCEITO ---> FORAR- significa alugar a Terra

1 CONCEITO ---> FORAR- significa alugar a Terra ==> FOREIRO = ARRENDATÁRIO - pessoa que faz um contrato para ter o direito de seu uso e sua exploração durante certo tempo. O pagamento é feito em dinheiro, em produto ou em trabalho, ou as duas ou três juntas.

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1820 - FIM DAS SESMARIAS

POSSE LIVRE DOS POSSEIROS

--> REGIME DA

(sem legislação fundiária) - AUGE

1850 - LEI DAS TERRAS

Extinguia o regime de acesso à terra através da posse (ocupação pura e simples)

A terra adquirida através da COMPRA - nos leilões (hastas públicas e pagamento a vista).

O dinheiro obtido serviu para o custeio de viagem dos colonos estrangeiros (transição da mão-de-obra).

CONSTITUIÇÃO DE 1891 - LEGISLAÇÃO DAS TERRAS PÚBLICAS ===>PASSA PARA OS ESTADOS

DAS TERRAS PÚBLICAS ===>PASSA PARA OS ESTADOS + FÁCIL A EXPANSÃO DOS LATIFÚNDIOS = MANIPULAÇÃO DO

+ FÁCIL A EXPANSÃO DOS LATIFÚNDIOS

=

MANIPULAÇÃO DO PODER POLÍTICO - REDE

DE RELAÇÕES

= MANIPULAÇÃO DO PODER POLÍTICO - REDE DE RELAÇÕES CORONELISMO OLIGARQUIAS 4. 4. SISTEMAS AGRÁRIOS OU

CORONELISMO

OLIGARQUIAS

4. 4. SISTEMAS AGRÁRIOS OU AGROSSISTEMAS

OLIGARQUIAS 4. 4. SISTEMAS AGRÁRIOS OU AGROSSISTEMAS Agropecuária extensiva – é praticada em grandes áreas

Agropecuária extensiva é praticada em grandes áreas (a terra é o fator decisivo) com pouco capital, geralmente utilizando mão-de-obra reduzida ou pouca especializada.

Agropecuária intensiva utiliza grande mecanização e mão-de-obra qualificada com domínio do capital.

5. SISTEMAS OU MODOS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA

do capital. 5. SISTEMAS OU MODOS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA 5.1 Agricultura Tradicional 5.1.1 - Agricultura de
do capital. 5. SISTEMAS OU MODOS DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA 5.1 Agricultura Tradicional 5.1.1 - Agricultura de

5.1 Agricultura Tradicional

5.1.1 - Agricultura de subsistência: atende as necessidades básicas de consumo alimentar dos agricultores e suas famílias, ainda é praticada em regiões muito pobres do planeta (principalmente na África e na América Latina), onde os agricultores não têm capitais nem meios técnicos disponíveis (adubos,

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máquinas, etc.). O excedente da produção pode abastecer centros urbanos.

5.1.2 Agricultura itinerante: o agricultor ateia fogo à

mata (queimada técnica chamada coivara ) para limpar o terreno e proceder a semeadura da terra. O não emprego de adubos e de outros recursos técnicos, bem como a ação das chuvas (enxurradas), acarreta o esgotamento precoce do solo e o seu conseqüente abandono em busca de outra área, no qual todo o processo se repete (rotação de terras). Caracterizada pelo cultivo de alguns produtos de subsistência, como a mandioca, o milho, o inhame etc., a agricultura intinerante ocorre atualmente na América Latina e África.

5.1.4 - Agricultura de Jardinagem: É praticada no sudeste da Ásia (Ásia das Monções), uma região superpovoada caracterizada por verões quente e superúmidos. Outras características:

Predomínio de técnicas de adubação e de irrigação. É utilizada também a técnica de terraceamento : são feitos terraços artificiais (aplainamento em degraus de superfícies inclinadas, interrompendo um declive) para que ocorra a retenção de água e de sedimentos (evita a erosão laminar).

Intenso trabalho manual (braçal) nas fases de adubação, plantio e colheita, bem como na construção de diques, terraços, canais de irrigação, etc.

Inundação natural ou artificial das áreas;

Utilização intensiva do solo;

Grande emprego de adubos orgânicos e reduzido uso de máquinas.

Produção de arroz e alguns vegetais.

 

5.1.5

Transumante: Criação de animais em áreas

áridas e semi-áridas, cujo pastoreiro é nômade na

busca de água para o rebanho.

5.1.6 - Agricultura mediterrânea: Uma prática milenar que se concentra ao redor do mar Mediterrâneo para a produção de azeite, cereais, especiaria e vinho.

5.2 AGRICULTURA MODERNA

Tecnologia avançada, com o emprego de tratores e máquinas variadas, adubos químicos (fertilizantes) e agrotóxicos (defensivos agrícolas), técnicas para corrigir os solos, sementes e animais selecionados

resultantes de pesquisa genéticas irrigação, quando necessária (usando técnicas mais avançadas). •Existem vários tipos de agricultura moderna – agricultura de precisão (usa técnicas de geoprocessamento chip para controlar o gado, SIG e implantação de GPS nas colheitadeiras para monitorar as necessidades específicas de cada parcela do solo); adubos, sementes.

específicas de cada parcela do solo); adubos, sementes. AGRONEGÓCIO OU AGROBUSINESS (negócios agrícolas) O

AGRONEGÓCIO OU AGROBUSINESS (negócios agrícolas) O agronegócio é formado por um conjunto de atividades interdependentes que têm em seu centro a agropecuária.

--> O agronegócio deve ser entendido como um processo, na produção agropecuária intensiva é utilizado uma série de tecnologias e biotecnologias para alcançar níveis elevados de produtividade, para isso é necessário que alguém ou uma empresa forneça tais elementos ---> Diante disso, podemos citar vários setores da economia que faz parte do agronegócio, como bancos que fornecem créditos, indústria de insumos agrícolas (fertilizantes, herbicidas, inseticidas, sementes selecionadas para plantio entre outros), indústria de tratores e peças, lojas veterinárias e laboratórios que fornecem vacinas e rações para a pecuária de corte e leiteira, isso na primeira etapa produtiva. ---> Posteriormente a esse processo são agregados novos integrantes do agronegócio que correspondem às agroindústrias responsáveis pelo processamento da matéria-prima oriunda da agropecuária. Dessa forma, estão articulados três setores de atividade econômica: primário (agropecuária e extração vegetal); secundário (indústria); terciário (distribuição e comercialização).

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AGROINDÚSTRIA

A agroindústria faz parte do agronegócio, sendo basicamente o setor que transforma ou processa matérias -primas agropecuárias em produtos elaborados, adicionando valor ao produto. Juntamente com o setor de distribuição da produção para o consumidor final constitui o agregado III do agronegócio. Designa toda uma cadeia ou sistema integrado de produções adubos, fertilizantes, cereais, máquinas agrícolas, criações que dependem umas das outras. Referem-se especificamente às indústrias cuja produção tem por base um produto agrícola indústrias de cigarros, baseados no cultivo do fumo; indústria de bebidas, que utiliza a cana-de-açúcar, uva, cevada; indústrias de óleos comestíveis (oliva, soja); indústrias de lacticínios (leite)

REVOLUÇÃO VERDE Modernização nasceu com a Revolução Industrial aplicação dos métodos industriais, em particular a mecanização e a produção em grande escala, no campo. Após a 2°GM entre 1966-1967 foi aplicada a revolução verde que reduziu o problema da fome na Índia, Paquistão e China. Consistiu no desenvolvimento de variedades de cereais de porte baixo, de alta produtividade com baixa relação entre palha e grãos (cruzamentos e plantas plantas híbridas); uso de química na agricultura nitrogênio, fósforo, potássio incorporadas na adubação do solo)

1) A Revolução Verde tinha o objetivo de acabar com a fome do mundo pós-2ºGM, ela conseguiu alcançar isso?

a fome do mundo pós-2ºGM, ela conseguiu alcançar isso? A Revolução Verde, não eliminou a fome

A Revolução Verde, não eliminou a fome e até aumentou em algumas regiões. A verdade é que houve uma sensível diminuição da fome e da subnutrição nas áreas da revolução verde, como no sul, sudeste e leste da Ásia. A fome aumentou apenas onde as regiões do globo onde essa revolução não foi adotada: África e na América Latina

FOME

é

um

problema

das

condicionantes

econômicas e sociais (alimentos são mercadorias), não são problemas técnicos.

2) Quais os impactos socioambientais a Revolução Verde provocou?

os impactos socioambientais a Revolução Verde provocou? Como impactos ambientais com o uso dos insumos químicos,

Como impactos ambientais com o uso dos insumos químicos, agrotóxico e transgênicos podem citar: novos fungos, bactérias, perda da biodiversidade, bem como são ambientes frágeis pouco estáveis por isso o permanente controle. Os impactos sociais: concentração de terras e não fixação do homem no campo (o que a jusante provocará impactos na cidade). Além disso, a agricultura moderna tende a ser direta ou indiretamente por empresas multinacionais (investem em pesquisas para criar novas modalidades de plantas, agrotóxicos, sementes transgênicas o que gera monopólio na produção, somado a finalidade que é a exportação, acaba resultando na elevação de preços dos alimentos.

CONFLITOS NO CAMPO

na elevação de preços dos alimentos. CONFLITOS NO CAMPO NORDESTE – CONTEXTO Baixa dos preços do

NORDESTE CONTEXTO

Baixa dos preços do açúcar

CAMPO NORDESTE – CONTEXTO Baixa dos preços do açúcar FORAR a Terra (Engenhos) Expulsão de muitos

FORAR a Terra (Engenhos)

Expulsão de

muitos foreiros

1945 – pós guerra preço do açúcar sobe pós guerra preço do açúcar sobe

o

Pernambuco Engenho da Galiléia (Zezé da Galiléia)

Resistência não sair da Terra

(Zezé da Galiléia) Resistência – não sair da Terra E.E.E.P JÚLIA GIFFONI – PREPARAÇÃO PARA O

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GIFFONI – Geografia Geral – Francisco Oliveira Redemocratização do Brasil José Sarney e o Plano Nacional

Redemocratização do Brasil José Sarney e o Plano Nacional de Reforma Agrária Meta 1,4 milhão de assentamento (famílias)

Agrária Meta – 1,4 milhão de assentamento (famílias) Realidade ===>82.690 (6%) Atuação do MST  Luta
Agrária Meta – 1,4 milhão de assentamento (famílias) Realidade ===>82.690 (6%) Atuação do MST  Luta

Realidade ===>82.690 (6%)

de assentamento (famílias) Realidade ===>82.690 (6%) Atuação do MST  Luta pelo uso social da terra

Atuação do MST Luta pelo uso social da terra Reforma Agrária Assistência Técnica a produção (incentivo as unidades familiares produtoras

GOVERNOFERNANDO HENRIQUE CARDOSO (FHC)

- Descentralizou o processo de condução da Reforma Agrária (Governo Federal para os Estados)

- Criminalizou as ocupações no campo

- Reforma agrária “amiga do mercado” – recebendo os financiamentos externos.

REFORMA AGRÁRIA

Podemos chamar de Reforma Agrária a reestruturação da distribuição de terras. Hoje o principal problema da questão agrária é a grande concentração de terra nas mãos de latifundiários ou "oligarcas" que são pessoas influentes, poderosas e ricas que dominam a maior parte de um território. A desigualdade na distribuição das terras também no Brasil é antes de tudo um processo histórico. Atualmente observamos um grande agravante, no decorrer dos tempos cada vez mais os grandes proprietários expulsam os pequenos proprietários e posseiros de forma violenta, faz com que o conflito pela terra ganhe proporções catastróficas como as várias

FORMAÇÃO DAS LIGAS

CAMPONESAS

- Luta contra o monopólio da terra e a exploração da

força de trabalho.

Atuação

da

terra e a exploração da força de trabalho. Atuação da Igreja Católica TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO Comunidades

Igreja

Católica

da força de trabalho. Atuação da Igreja Católica TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO Comunidades Eclesiais de Base

TEOLOGIA

DA

LIBERTAÇÃO

Comunidades Eclesiais de Base (CEB’s)

DA LIBERTAÇÃO Comunidades Eclesiais de Base (CEB’s) Comissão Pastoral da Terra -  (CNBB) Aumenta a

Comissão Pastoral da Terra -(CNBB)

Aumenta a politização e as lutas, no campo e na cidade por uma sociedade mais justa.

-

no campo e na cidade por uma sociedade mais justa. - - Atua na luta dos

- Atua na luta dos posseiros, dos peões, dos boias-frias

e acompanhando os conflitos no campo, denunciando- os e pressionando os governos e resolvê-los a contento.

JOÃO GOULART ---> Reformas de Base

a contento. JOÃO GOULART ---> Reformas de Base Reforma Agrária Consequência GOLPE DE 1964 Transformou os

Reforma Agrária

JOÃO GOULART ---> Reformas de Base Reforma Agrária Consequência GOLPE DE 1964 Transformou os sindicatos em

Consequência

---> Reformas de Base Reforma Agrária Consequência GOLPE DE 1964 Transformou os sindicatos em órgãos

GOLPE DE 1964 Transformou os sindicatos em órgãos assistencialistas Ligas camponesas considerada subversivas PROIBIDAS DE EXISTIR

Reforma agrária era um crime contra o modelo de sociedade brasileira que defendia

crime – contra o modelo de sociedade brasileira que defendia E.E.E.P JÚLIA GIFFONI – PREPARAÇÃO PARA

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tragédias que podemos citar aqui no Brasil, o massacre de Corumbiara e Eldorado dos Carajás. Geralmente os meios usados para estas expulsões são fraudulentos, como a prática da "grilagem", que consiste em um documento de posse da terra falso, onde os verdadeiros proprietários por desconhecimento das leis não reivindicaram o uso-capião de suas terras. E quando esta valorizada terra chega num grande latifundiário amparado por políticos e pessoas influentes de grande poder aquisitivo reclamando a posse da terra com documento forjado em cartório.

A política governamental não atende a necessidade

de reforma agrária, promete sempre novas saídas, desapropriações, fazem muitas propagandas mais até agora o problema só tem sido resolvido na base do

enfrentamento e resistência dos grupos como Sem-Terra.

A reforma agrária é vista por vários segmentos da

sociedade brasileira como uma necessidade, face aos vários problemas socioeconômicos do campo e da cidade. Entretanto, esse problema encontra-se fortemente interligado ao conjunto econômico, político e social do país

e de suas relações com o mercado externo; nenhuma alteração pode ser pensada isoladamente. Torna-se necessária a consideração das variáveis que afetam o conjunto da organização socioeconômica brasileira. Qualquer proposta para o problema agrário deve ser colocada em termos globais, considerando suas repercussões em outros campos.

A reforma agrária visa a aumentar a produtividade do

solo e do trabalho nas atividades rurais, garantindo ao homem do campo um padrão de vida decente. Além da

distribuição de terras, várias outras medidas devem ser tomadas, como assistência técnica, educação, financiamento do custeio e do equipamento, política de preços mínimos, infraestrutura de transporte, armazenagem, telefonia e eletrificação rural.

Conflitos pela Posse da Terra Nas duas últimas décadas, ocorreu uma intensificação nos conflitos pela posse da terra e a violência no campo. Essa violência é bem mais grave nas áreas de fronteiras agrícolas, isto é, áreas que estão sendo incorporadas ao sistema de produção agrícola do país (Amazônia, por exemplo). Os trabalhadores rurais, expulsos das antigas áreas agrícolas pelo grande capital, instalam-se como posseiros ou pequenos proprietários nas fronteiras agrícolas, áreas onde a terra é abundante, praticando uma agricultura de subsistência.

Posseiros X Grileiros O maior número de conflitos pela posse da terra envolve os posseiros e grileiros. Posseiros são trabalhadores rurais que ocupam um pedaço de terra sem possuir o título de propriedade, onde passam a praticar uma agricultura de subsistência utilizando o trabalho da própria família. Os grileiros são, geralmente, grandes empresas ou fazendeiros que se utilizam da força e da violência para se apropriar de terras devolutas ou terras trabalhadas por posseiros. Contratam jagunços (capangas) para "limpar" o terreno, ou seja, expulsar índios e posseiros que por ventura estejam ali fixados. Conseguem a documentação do imóvel (títulos de propriedade), muitas

vezes falsificadas, transformando a terra em objeto de especulação imobiliária ou instrumento de negócios. Os litígios pela posse da terra têm gerado uma verdadeira guerra no campo, palco de acentuada violência, causando a morte de muitas pessoas: índios, posseiros, religiosos, advogados, líderes sindicais, etc. Grande parte dos crimes são praticados por jagunços e assassinos de aluguel, contratados pelos grileiros, fazendeiros e grandes empresas e também por policiais a serviço dos latifundiários

QUADRO RURAL DO BRASIL

AGRICULTURA FAMILIAR E AGRONEGÓCIO

QUADRO RURAL DO BRASIL AGRICULTURA FAMILIAR E AGRONEGÓCIO E.E.E.P JÚLIA GIFFONI – PREPARAÇÃO PARA O ENEM
QUADRO RURAL DO BRASIL AGRICULTURA FAMILIAR E AGRONEGÓCIO E.E.E.P JÚLIA GIFFONI – PREPARAÇÃO PARA O ENEM

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E.E.E.P JÚLIA GIFFONI Geografia Geral Francisco Oliveira

GIFFONI – Geografia Geral – Francisco Oliveira MODELO PATRONAL Completa separação entre gestão e

MODELO PATRONAL

Completa separação entre gestão e trabalho.

Organização centralizada.

Ênfase na especialização.

Ênfase em práticas agrícolas padronizáveis.

Tecnolocias dirigidas a eliminação das decisões de “momento” e “terreno”

Gera empregos, renda excedente, exportáveis.

MODELO FAMILIAR

Trabalho e gestão intimamente relacionados.

Direção do processo produtivo assegurada diretamente pelos proprietários.

Ênfase na diversificação.

Ênfase na durabilidade dos recursos e na qualidade de vida.

Decisões imediatas, adequadas ao alto grau de imprevisibilidade do processo produtivo.

Alimentos básicos, ocupação soberana do território, preserva as tradicionais culturas do país.

Fonte: FAO/INCRA In: Informe Agronegócio. Brasília: Instituto Interamericano de cooperação para a agricultura, 2006, p. 72.

Interamericano de cooperação para a agricultura, 2006, p. 72. E.E.E.P JÚLIA GIFFONI – PREPARAÇÃO PARA O
Interamericano de cooperação para a agricultura, 2006, p. 72. E.E.E.P JÚLIA GIFFONI – PREPARAÇÃO PARA O
Interamericano de cooperação para a agricultura, 2006, p. 72. E.E.E.P JÚLIA GIFFONI – PREPARAÇÃO PARA O

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LEITURA COMPLEMENTAR

TEXTO 1

APOIO À AGRICULTURA FAMILIAR DÁ NOVO RUMO À POLÍTICA AGRÁRIA

Os conflitos fundiários e as dificuldades do poder público

para fazer uma verdadeira reforma agrária no País e transformar todos os acampamentos de sem-terras em assentamentos rurais sustentáveis, têm deixado em segundo plano do noticiário nacional um processo que poderá promover uma verdadeira revolução no meio rural brasileiro. Intervenções importantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) para alterar a política

agrícola do País, aumentando o peso da agricultura familiar

no

sistema produtivo nacional, estão sendo subestimadas

ou

focalizadas de maneira fragmentada, tornando difícil

entender onde o governo Lula quer chegar.

A análise detalhada da proposta orçamentária para 2005 e

do projeto de revisão do Plano Plurianual de Investimentos

(PPA 2004/2007), que estão no Congresso, permite visualizar mais nitidamente essa direção. O governo está voltado para melhorar as condições de vida no campo, com investimentos que elevem a qualidade e produtividade da agricultura familiar, para aumentar a renda e criar ocupação massiva no meio rural, reduzindo o êxodo dos últimos 50

anos, de modo a evitar a pressão sobre o mercado trabalho urbano.

O caminho para isso é ampliar a produção de alimentos

com uma política agrícola que integre a agricultura familiar

e a agricultura organizada em bases empresarias,

conhecida como agronegócio. Essa integração era considerada impossível pelo governo anterior, que apostava em uma política voltada exclusivamente para o agronegócio, tal como fazem os países desenvolvidos. O financiamento da agricultura familiar era visto como política

social compensatória, pois não se acreditava na integração dos pequenos produtores à economia de mercado.

O governo petista tenta provar que essa integração é

possível e necessária. Pois, ao contrário dos países industrializados, que possuem entre 2% e 5% da população ocupada no campo, o Brasil ainda tem cerca de 20% de sua mão-de-obra no meio rural dos quais 70% trabalhando na agricultura familiar. E a criação de empregos no campo sai muito mais barata que na cidade. Além disso, os pequenos produtores são responsáveis por 40% da produção agropecuária nacional, sendo os principais abastecedores de alimentos do País.

Reforma

No entanto, o fortalecimento da agricultura familiar depende de políticas de crédito estáveis, assistência técnica, infra-

estrutura, escoamento, seguro, garantia de mercado e

preço e políticas sociais voltadas para aproximar a qualidade de vida no campo à das cidades (saúde,

agrária

não

é

política

social

educação, cultura, lazer, energia etc). “Não aceitamos que

a agricultura familiar seja tratada como braço social do

agronegócio. A reforma agrária faz parte de uma política de desenvolvimento”, sustenta Fábio Pereira, assessor especial do ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto.

Essa concepção, sustentada no programa de campanha do candidato Lula, orienta as ações do MDA desde o início do

governo petista. Mas, só agora o objetivo da política agrária

foi ratificado na prática, ao ser amparado pela proposta

orçamentária para o ano que vem. Os programas e atividades supervisionados pelo MDA deixaram de ser considerados parte das políticas sociais do governo e passaram a integrar a área de produção. Tendo em vista

que é no orçamento que um governo revela sua orientação

e suas prioridades, essa alteração mostra que, para o

governo Lula, a política agrária voltada para os pequenos agricultores tem a mesma dimensão que a política industrial e a de ciência e tecnologia.

Algumas informações sobre metas e aporte recursos

garimpadas no PPA 2004/2007 e na proposta orçamentária de 2005 confirmam essa orientação. A começar pelo Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar, o Pronaf, carro-chefe do MDA. O objetivo do governo é expandir as linhas de crédito para beneficiar o maior número possível de produtores. No caso dos assentados

da reforma agrária, a meta é elevar, até 2007, a taxa de

beneficiados de 50% para 77% do total de produtores

enquadrados nas condições exigidas pelo programa. O financiamento para os agricultores familiares mais pobres, com renda anual de até R$ 2 mil, atende hoje 17% da clientela. O PPA estima dobrar o índice nos próximos três anos. No caso dos produtores com renda familiar acima de

R$ 40 mil anual, o objetivo é aumentar o atendimento de

44% para 50%.

Mais crédito para os pequenos produtores Para alcançar essas metas, o governo tem ampliado significativamente a oferta de crédito aos agricultores familiares. Na safra 2002/2003, foram disponibilizados R$ 4 bilhões, mas só R$ 2,2 bilhões chegaram aos produtores. No ano passado, as linhas de crédito do Pronaf foram ampliadas para R$ 5,4 bilhões e o volume de empréstimos aumentou para R$ 4,5 bilhões. Para a safra que começou agora, já estão assegurados R$ 7 bilhões, o suficiente para

atender 1,8 milhão de famílias (450 mil a mais que na safra anterior) - e o presidente Lula avisou que não faltará dinheiro se a demanda for maior. Uma das dificuldades para que os recursos cheguem aos produtores é a inibição decorrente da falta de instrução para apresentar um projeto

ao banco, que também não estava preparado para atender

pequenos produtores, pois a orientação anterior era dar preferência aos agropecuaristas de grande porte.

O programa de abastecimento agroalimentar é outro

exemplo da nova orientação política. O objetivo desse programa é dar condições aos produtores para elevar a

produção nacional de alimentos. No PPA 2004/2007, a meta é aumentar a produção de grãos de 123 para 153

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milhões de toneladas por ano. Para isso, o governo mantém estoques reguladores que promovem o equilíbrio de preços, de modo a não deixar os produtores na mão perversa dos atravessadores, que aproveitam os períodos de excesso ou falta de produtos para lucrar ás custas de quem produz e quem consome. Apenas 0,5% das aquisições do governo vinha sendo adquirido da agricultura familiar. A meta do PPA é elevar essa participação para 8,4%. Em 2005, 100 mil famílias deverão ser beneficiadas com a compra de R$ 200 milhões em alimentos para abastecer programas sociais como o Fome Zero.

No caso da reforma agrária, houve ajustes nas metas do PPA para que fossem compatibilizadas com o Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA) aprovado pelo presidente no fim do ano passado. A previsão de recursos para a implantação de projetos de assentamentos rurais foi reforçada para acolher o aumento da estimativa de famílias assentadas de 195.818 para 391.522, beneficiando 90% dos trabalhadores sem-terra acampados hoje. O orçamento global do MDA proposto para 2005 (R$ 4,3 bilhões) é 63% maior que a previsão de gastos deste ano (R$ 2,6 bilhões).

O maior reforço foi na concessão de crédito para instalação

das famílias assentadas. Passou de R$ 322,4 milhões para R$ 1,4 bilhão. Parte desses recursos (R$ 888,1 milhões) vão para financiar despesas iniciais das 115 mil famílias que o MDA espera assentar este ano. A outra parte (R$ 549,3 milhões) vai para 71.130 famílias colocadas em assentamentos recuperados. O crédito fundiário para aquisição de imóveis rurais e investimentos básicos teve também ampliação significativa de R$ 340,5 milhões para R$ 427,2 milhões. Esses recursos do Fundo de Terras e da Reforma Agrária (Banco da Terra) serão usados para financiar 27.188 famílias que queiram comprar terras nas regiões onde já não existem mais latifúndios improdutivos ou o tamanho da propriedade não se enquadra nos limites passíveis de desapropriação.

Nas regiões onde ainda existem terras improdutivas, a previsão para o ano que vem é preparar a vistoria em 4,6 milhões de hectares (ha) e concluir o processo de obtenção de 1,3 milhão de ha. Para essas aquisições serão emitidos títulos da dívida agrária (TDAs) no valor de R$ 567 milhões. Outros R$ 188 milhões deverão ser gastos para indenizar as benfeitorias da propriedade das propriedades desapropriadas. Do total de desapropriações, 105 mil ha são áreas remanescentes de 60 quilombos, onde serão assentados os descendentes dos escravos que fundaram aquelas comunidades. Também está prevista a regularização fundiária de 111.379 imóveis rurais.

Assistência técnica e capacitação

A maior dificuldade para a integração da agricultura familiar

ao sistema produtivo, hoje, é a incapacidade dos pequenos produtores competirem com o agronegócio. Equipado com máquinas modernas, sementes de qualidade e estudos

técnicos que lhe garantem produtividade crescente, o grande produtor consegue entregar os alimentos na mesa do consumidor mais baratos do que os pequenos, mesmo que as distâncias a serem percorridas sejam

substancialmente maiores. O pequeno produtor foi abandonado pelas políticas públicas com a progressiva modernização do campo. Além da falta de crédito, negaram-lhe a assistência técnica e a capacitação para poder aumentar sua produtividade. Até as escolas de agronomia voltaram-se para o agronegócio, formando majoritariamente engenheiros especializados na monocultura ou vendedores de adubos e insumos para os grandes produtores.

O grande sinal de mudança desse modelo foi a vitória do MDA sobre o Ministério da Agricultura na disputa pelas verbas da assistência técnica e extensão rural, que estava decidida no processo de transição de governo, mas demorou para ser sacramentada. Com a mudança na supervisão dos programas relacionados, o volume de recursos para a assistência técnica teve aumentos substanciais. Mesmo com o ajuste fiscal do ano passado, foram gastos R$ 127 milhões, em 2003. Este ano, a previsão é de aplicar R$ 198 milhões e a estimativa para 2005 é de R$ 270 milhões na soma das ações voltadas para assistência técnica e extensão rural.

Para apoiar a política de desenvolvimento sustentado dos territórios rurais, serão capacitados 18 mil agentes no ano que vem. Mais 66 mil agricultores familiares deverão ser treinados para planejar e preparar melhor suas lavouras. Um novo programa foi criado para melhorar a qualificação dos agricultores e seus familiares. Estão previstos R$ 44,3 milhões para a Educação no Campo (Pronera). Não é só um programa de alfabetização e educação fundamental, como vinha sendo feito. Além de proporcionar educação básica para 74 mil jovens e adultos, o programa ajudará na formação, no ano que vem, de 6 mil profissionais de nível médio e 4 mil profissionais de nível superior para atender a reforma agrária e a agricultura familiar.

Ao mesmo tempo em que investe na qualificação do pequeno produtor, o governo está procurando apoiar projetos de integração produtiva, que possibilitem a redução de custos e agregação de valor aos produtos. O estímulo a esses projetos vai desde o apoio a 10 projetos para inovação tecnológica no semi-árido ao fomento de 100 projetos de diversificação econômica e agregação de valor na agricultura familiar. Incluindo também ajuda financeira de R$ 9,8 milhões para estimular a agroindustrialização, comercialização e formação de arranjos produtivos solidários, que beneficiarão quase 28 mil famílias assentadas. É a partir dessas iniciativas de inclusão dos pequenos produtores no mercado, somado ao crédito, à preservação da terra e às condições para melhorar a produção, que o governo Lula acredita estar começando uma verdadeira revolução no campo brasileiro.

Nelson Breve - 20/9/2004 Agência Carta Maior

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TEXTO 2

A QUEM INTERESSA O MODELO AGRÍCOLA DO AGRONEGÓCIO

A imprensa endeusa o agronegócio, sem destacar que ele proporciona apenas 500.000 empregos

Desde que o governo Lula assumiu o mandato, estranhamente a imprensa brasileira, de forma unânime,

tem se dedicado cotidianamente a pregar loas ao sucesso

do agronegócio.

Por que essa campanha unificada, permanente, logo agora? Uma das explicações pode ser a influência

crescente dos neoliberais no governo Lula, representados pelos ministérios da Agricultura, ou melhor, da exportação agrícola, da Indústria e Sadia, e da área econômica. Outra explicação pode ser a tentativa de impedir que o governo

se anime a fazer uma reforma agrária massiva. E, assim,

pregam que o único caminho para resolver os problemas

da

pobreza e da falta de emprego no campo seria o modelo

do

agronegócio.

Ora, a pobreza, o desemprego e a desigualdade social que existem no meio rural brasileiro são justamente frutos de quinhentos anos de um modelo agrícola que privilegia as exportações, desde que por aqui chegaram os europeus e seus interesses.

20 milhões sem sapatos

A imprensa brasileira, monopolizada por sete grupos e

claramente vinculada aos interesses de classe dos grandes

proprietários e das empresas transnacionais exportadoras

de matérias-primas, faz o seu papel de propaganda. Mostra

todos os dias máquinas agrícolas novinhas, navios carregados e índices de exportação agrícola, como se isso fosse sinônimo de soluções econômicas e sociais. E esconde que no meio rural brasileiro temos 30 milhões que vivem em condições de pobreza absoluta, que 20 milhões nunca calçaram um par de sapatos, que 50 milhões de brasileiros passam fome todos os dias. Que 30 milhões de pessoas já não têm sequer seus dentes. Esquece de mostrar que apenas 8 por cento da população chega à universidade, e que, no Nordeste brasileiro, 60 por cento da população do meio rural é ainda analfabeta.

Esquece de dizer que no país de maior fronteira agrícola do mundo existem 4,5 milhões de famílias de trabalhadores sem terra!

Quais desses problemas o modelo do agronegócio resolve? Nenhum. Ao contrário, é justamente esse modelo agrícola que gerou tanta desigualdade, pobreza e desemprego. Porque o modelo agrícola do agronegócio é organizado para produzir dólares, e produtos que interessam aos europeus, aos asiáticos, não aos brasileiros. E por isso não produz comida, empregos e

justiça social. O agronegócio concentra. Leva para fora as riquezas produzidas aqui, em vez de distribuí-las.

Mas queria aproveitar a paciência de vocês para mostrar

que, mesmo do ponto de vista da lógica do capitalismo nacional, o modelo do agronegócio é irracional, ou burro,

se quiserem. Ou seja, esse modelo só interessa ao capital

internacional, e nem sequer ao desenvolvimento do

capitalismo brasileiro.

Vamos aos dados estatísticos, resultados desse modelo agrícola cantado em prosa e verso.

O Brasil tem aproximadamente 350 milhões de hectares

agricultáveis, que poderiam ser dedicados à lavoura. Mas, graças à concentração da propriedade da terra, cultivamos 50 milhões de hectares, apenas 14 por cento do que deveríamos cultivar. E essa área cultivada permanece estável desde 1985.

As fazendas modernas do agronegócio ocupam 75 por

cento dessa área cultivada, as melhores terras, para produzir apenas soja, algodão, cacau, laranja, café, cana- de-açúcar e eucalipto. E que interessam ao mercado externo. Imaginem se o povo brasileiro tivesse de colocar

na mesa apenas esses produtos!

E existe outra parcela de estabelecimentos agrícolas, que fazem parte desse modelo, piores ainda, pois se dedicam apenas à pecuária extensiva ou a especular com a renda

da terra. Segundo dados do INCRA, baseados em

declarações dos proprietários, existem no Brasil 54.761 imóveis rurais classificados como “grandes propriedades improdutivas”, portanto desapropriáveis, que somam nada menos que 120 milhões de hectares (uma Europa inteira parada

A falácia da modernidade

O Plano Nacional de Reforma Agrária aplicou a

conceituação da Lei Agrária e dividiu todas as propriedades

existentes entre pequenas (até 200 hectares, em média), médias (de 200 a 2.000 hectares) e grandes propriedades (acima de 2.000 hectares). E depois analisou o comportamento dos fatores de produção em relação a cada setor.

Em relação ao emprego, a pequena propriedade dá trabalho para 14 milhões de pessoas, a média para 1,8 milhão e a grande propriedade do agronegócio para apenas 500.000.

A famosa modernidade capitalista é uma falácia, 63 por

cento de toda a frota de tratores brasileiros é usado por

propriedades com menos de 200 hectares. E as propriedades acima de 1.000 hectares possuem apenas 36

por cento dos tratores. Ou seja, a tal grande propriedade

“moderna” não consegue nem ativar a indústria nacional de

tratores. Por essa razão é que faz vinte anos que a demanda de tratores não aumenta. A indústria está

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vendendo em torno de 50.000 tratores por ano, enquanto

no início da década de 80 chegou a vender 65.000.

Mas na hora de utilizar o crédito rural, dos bancos oficiais, com recursos públicos e taxas de juros diferenciadas, pode-se ver também os diferentes interesses. Na última safra (2003/04), a pequena propriedade teve acesso a 3 bilhões de reais, e a média e grande propriedade utilizaram 24 bilhões de reais do Banco do Brasil. E, o que é pior, apenas dez empresas transnacionais ligadas ao agronegócio pegaram no Banco do Brasil 4 bilhões de dinheiro público, brasileiro. Dez empresas transnacionais acessaram mais crédito do que todos os 4 milhões de famílias de pequenos agricultores. E ainda tem gente que acredita que as empresas transnacionais vêm aqui aplicar capital estrangeiro. Ao contrário, elas vêm acessar a nossa poupança nacional. Estamos financiando essas empresas estrangeiras, e a imprensa bate palmas!

Em termos dos resultados da produção, segundo o IBGE, a grande propriedade representa apenas 13,6 por cento de toda a produção, 29,6 por cento a média propriedade e 56,6 por cento de toda produção agropecuária nacional vem da agricultura familiar. E, por ramos de produção, é ainda mais claro a que interesses cada segmento defende. Mesmo na produção animal, a pequena propriedade representa 60 por cento de toda a produção, em função da produção de leite, de suínos e aves.

No quesito assalariados rurais, que é o símbolo do capitalismo, a média propriedade dá emprego para 1 milhão de pessoas, a grande propriedade para apenas 500.000. E, mesmo sendo familiar, a pequena propriedade dá emprego, além de aos seus familiares, para quase 1 milhão de assalariados rurais.

Desvio vem da colônia

O Brasil vem sendo vítima dessa política de estímulo às

exportações agrícolas desde o colonialismo. E todos sabem que esse modelo não desenvolveu nenhum país. Mesmo em termos de exportação, o país ganha quando exporta mercadorias, de origem industrial, com alto valor agregado. É por isso que a Embraer sozinha, com suas exportações de avião, representa a metade do valor de toda a exportação de soja! Ninguém se desenvolve exportando matérias-primas. E no caso brasileiro é ainda pior, pois quem está ganhando dinheiro com as

exportações agrícolas são as transnacionais, como a Monsanto, a Cargill, a Bunge, a ADM, que controlam o comércio agrícola mundial. Elas têm um lucro médio de 28 por cento sobre o valor exportado, sem produzir um grão sequer.

Se o Brasil quiser resolver os problemas de emprego, pobreza no meio rural e desigualdade social, certamente não será pelo caminho do agronegócio. Será pela reforma agrária, que é a democratização da propriedade da terra. Pela organização da produção agrícola através da agricultura familiar, e orientando a produção para alimentos destinados ao mercado interno, para o povo. Se todo o

povo brasileiro tivesse renda para se alimentar direito, haveria uma demanda nacional infinitamente superior ao que hoje é exportado. A solução é dar condições para o povo comprar comida.

Se a política não mudar, seguiremos tendo uma minoria ganhando muitos dólares, a pobreza aumentando, e o governo fazendo discurso para dizer que vai aumentar a bolsa-família para atender os famintos, que continuarão aumentando. Até que, um dia, o acúmulo dessas contradições gere uma nova e verdadeira política.

João Pedro Stedile Revista Caros Amigos junho de 2004

TAREFA DE CASA

01-(PUC 2006) Dentre os temas que são prioritários na pauta das discussões para a formalização da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), alguns são muito polêmicos, enquanto outros são consensos entre os Estados Unidos e os demais países do continente americano. Não pode ser considerado ponto de discórdia:

a) O emprego da biotecnologia para o aumento das produções agrárias.

b) A eliminação gradativa das barreiras alfandegárias.

c) A proteção à propriedade intelectual, relacionada às patentes.

d) Os subsídios da agricultura.

e) As sanções econômicas feitas a Cuba por todo o continente

02-(Mackenzie 2005) Entre as transformações mundiais impulsionadas pela atual Divisão Internacional do Trabalho, inclui-se a:

a) Modernização do setor terciário.

b) Retração tecnológica dos parques industriais.

c) Diminuição das áreas monocultoras de exportações.

d) Diminuição da população urbana.

e) Aumento das estatizações em setores estratégicos

03-(UFPI 2002) A utilização agrícola nas áreas de encostas de serras requer que o plantio seja efetuado em curvas de nível e terraceamento. Assinale a alternativa que indica corretamente algumas finalidades dessas técnicas.

a) Impedir a fixação de mudas e de sementes através da mecanização.

b) Reduzir o efeito da erosão e aumentar a infiltração hídrica

c) Implantar a irrigação e intensificar o intemperismo físico.

d) Recuperar a paisagem natural e as propriedades químicas do solo.

e) Intensificar o escoamento superficial e o rebaixamento do lençol freático.

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04-(UECE 2002.2) A produtividade agrícola depende da combinação de três fatores: trabalho (capital variável), terra (capital fixo) e instrumentos de trabalho (capital constante). A partir dessa conjugação, dizemos que o sistema agrícola é intensivo quando:

a) O fator TERRA e seus elementos naturais assumem maior importância

b) Para ampliar a produção só as áreas de cultivo são ampliadas.

c) Há emprego de máquinas em quantidade e qualidade.

d) Absorve mão-de-obra barata e pouco qualificada para reduzir custos.

05-(UECE) Constituem traços característicos da agricultura de subsistência:

a) Pequena propriedade, técnicas rudimentares, baixa produtividade, consumo local.

b) Média propriedade, técnicas rudimentares, alta produtividade, consumo urbano.

c) Pequena propriedade, técnicas avançadas, baixa produtividade, consumo urbano.

d) Grande propriedade, técnicas avançadas, alta produtividade, consumo local.

06 - (UECE) Uma região de pecuária extensiva bem caracterizada está mais relacionada com:

a) Baixa densidade demográfica e extensas propriedades.

b) Gado criado à solta e pequena utilização de mão-de- obra.

c) Presença de frigoríficos e curtumes

d) Todas as anteriores.

07 (UFES) “Executados, torturados e humilhados” (

“(

desaparecidos, 355 presos, 120 foram interrogados, 74 foram indiciados por desobediência e resistência.” Esses e outros conflitos, em vários locais do país, entre posseiros e “sem-terra”, policiais e fazendeiros têm sido notícia e representam a violência no campo. Aponte duas causas, ligadas à estrutura fundiária, para a violência no campo.

dez posseiros foram mortos, 125 feridos, nove estão

)

Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota. Madre Teresa de Calcutá

ANOTAÇÕES

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