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WILLIE ALFREDO MAURER

Professor da Universidade Maekenzis

CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS
E FÍSICOS
COM 1233 EXERCÍCIOS

2.a E D IÇ Ã O

EDITORA EDGARD BLÜCHER LTDA.


CURSO DE CÁLCULO DIFERENQAL E INTEGRAL

(em 4 Volomee)

1 — Fundamentos Geométricos e Físicos

2 — Fundamentos Aritméticos e Topológicos

3 — Punções de Várias Variáveis e Aplicações

4 — Equações Diferenciais

2.^ edição

1.^ Reimpressão 1977

É proibida a reprodução total ou parcial


por quaisquer meios
sem autorização escrita da editora

EDITORA EDGARD BLUCHER LTDA.


0 1000 C a ix a P o s t a l 5450
E n d . T e l e g r á f ic o : B l u c h e r l iv r o
S ã o P a u l o — S P — B r a s il

Impresso no Brasil Printed in Brazil


Se, do ponto de vista da lógica Não vejo nenhum inconveniente
pura, esta disposição pode ser em que se proporcione ao estu­
criticada, advertimos simples­ dante aquêles recursos da mate­
mente que ela está em concor­ mática que o jísico mais, necessita
dância com a evolução histórica. e aprecia, antes de iniciá-lo no
formalismo rigoroso da matemá­
tica pura.
Ed. Goursat. H. A. Kramers

PREFÁCIO
Êste Curso de Cálculo Diferencial e Integral apresenta uma
edição refundida e ampliada de nossas Lições de Cálculo Infinitesimal
e do curso mimeografado de Cálculo que por vários anos ministramos
no 2.® ano da Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie. Não
obstante as substanciais modificações introduzidas na disposição e
extensão da matéria, a obra conserva o seu caráter predominante­
mente didático. Os 4 volumes que a compõem abrangem, em linhas
gerais, a matéria constante do programa de Cálculo de nossos cursos
básicos de 2 anos, ajustando-se cada volume, senávelmente, a um
semestre letivo de 5 a 6 aulas semanais.
Os dois primeiros volumes, em conjunto, tratam especificamente
da derivação e da integração das funções reais de uma variável real,
com especial atenção às aplicações.
Visando atender às implicações formativas e informativas do
curso e convencido de que não se pode prescindir do caráter ancilar
da matemática em um curso básico, julgamos de bom alvitre cindir,
na medida do possível, a matéria em dois estágios distintos, de modo
a prover o principiante, o quanto antes, dos indispensáveis recursos
de que necessita, logo de início, em cursos paralelos, sobretudo na
física.
O I volume corresponde, assim, a um curso introdutório de um
semestre, no qual se inicia o aluno no "modus operandi" do Cálculo
Infinitesimal através dos problemas da física e da geometria que
lhe deram origem e que, via de regra, dispensam delicadas sutilezas
de caráter puramente lógico e por demais abstrato. Nos três pri­
meiros capítulos passamos em revista as noções de variável, de função
e de limite que decorrem das noções de grandeza e sua medida e dos
processos infinitos a que dão lugar. Os dois capítulos subseqüentes
são dedicados aos problemas fundamentais do Cálculo e à técnica
de derivação e de integração das funções algébricas elementares e
suas aplicações geométricas e físicas imediatas. Nos capítulos 6 e
7 são introduzidas as funções transcendentes e sua derivação, seguidas
do estudo sucinto das curvas planas, sua representação paramétrica
e polar, e elementos essenciais da geometria diferencial. No capítulo
8 são expostas as regras e os métodos elementares da integração,
concebida como a operação inversa da derivação, conjuntamente com
suas aplicações geométricas e físicas. Mais de 1 200 exercícios com
respostas dos quais 120 inteiramente resolvidos, acompanham o texto.
Acreditamos que os 8 capítulos que integram o I volume apre­
sentam material superabundante para um curso semestral. Caberá
ao professor fazer uma seleção dos tópicos que melhor atendam aos
requisitos do curso e ao nível da classe.
O Volume II que tem caráter essencialmente supletivo, com­
preende uma revisão em profundidade e extensão dos princípios bá­
sicos e da técnica operatória do Cálculo, do ponto de vista da teoria
das funções.
Os dois volumes, concebidos como um todo, permitem uma
articulação assaz flexível da teoria e da prática de acordo com as
conveniências do curso.
O volume III compreende o estudo das funções rea^s de duas e
mais variáveis, derivadas parciais e integrais múltiplas, suas impli­
cações vetoriais e suas aplicações geométricas e físicas. O volume IV
e último é dedicado à teoria das equações diferenciais ordinárias,
com especial atenção às aplicações.
Não pretendemos , ter escrito um tratado isento de falhas ou
lacunas. Ao dá-lo a público moveu-nos o propósito único de prestar
um serviço, embora modesto, aos jovens que se iniciam na matemá­
tica superior visando torná-la menos rebarbativa e mais fecunda ao
principiante.
Ê com satisfação que deixamos consignado aqui um agradeci­
mento especial ao Dr. Edgard Blücher pelo empenho com que nos
induziu a publicar o Curso e, sobretudo, pelo esmêro com que se
houve na sua edição.

São Paulo, 13 de setembro de 1967


W. A. MAURER
ÍNDICE
CAPÍTULO 1
GRANDEZAS E NtJMEROS
1.1. Objeto do Cálculo Dijcrencial e Integral. 1.2. Grandezas e
números. 1.3. A operação de medir e os números fracionários.
1.4. Grandezas comensuráveis e incomensuráveis. 1.5. Medida
absoluta e relativa. 1.6. Números reais. 1.7. Correspoudência
entre o conjunto dos números reais e os j)ontos da reta. 1.8. Gran­
dezas constantes e variáveis. 1.9. Grandezas compostas e o
Cálculo Diferencial e Integral. 1.10. Grandezas escalares e
vetoriais.
CAPÍTULO 2
RELAÇÕES ENTRE GRANDEZAS E A NOÇÃO DE FUNÇÃO 9
2.1. Concepção física de variável. 2.2. Conceituação mate­
mática. 2.3. Variáveis contínuas c discretas. 2.4. Intervalo.
2.5. Concepção física de função. 2.6. Conceituação matemática.
2.7. Funções e seu campo de definição. Exemplos. 2.8. Funções
implícitas. 2.9. Valor local ou numérico de uma função. Exercícios.
CAPÍTULO 3
INTRODUÇÃO AOS PROCESSOS INFINITOS. LIMITES 26
3.1. Os processos infinitos. 3.2. Formação de uma sucessão. 3.3.
Sucessões convergentes. 3.4. Aproximações e limites. 3.5. Vizi­
nhança de um ponto. Ponto de acumulação. 3.6. Propriedade
fundamental dos infinitésimos. 3.7. J^^studo local de uma função.
3.8. Limite em um ponto. Continuidade. 3.9. Operações ra­
cionais com limites. 3.10. Formas indeterminadas. 3.11. Apli­
cações geométricas. Exercícios.
CAPÍTULO 4
RAZÃO DE VARIAÇÃO E A NOÇÃO DE DERIVADA.. . . 52
§1. Signijicado jísico e geométrico de derivada.......... 52
4.1. Grandezas compostas por quociente. 4.2. Concepção física
de derivada. Exercícios. 4.3. Significado geométrico de derivada.
4.4. Fórmula geral de derivação. 4.5. Símbolos. Exercícios.
§2. RegrckS práticas de derivação ................................... 68
4.6. Derivada de uma potência de x. Constantes. 4.7. Derivada
<le um polinómio inteiro. 4.8. Derivada de um produto. Fór­
mulas. 4.9. Derivada de um quociente. Fórmula. 4.10. Deri­
vada de uma função irracional. 4.11. Derivação de funções
compostas. Fórmulas. 4.12. Derivada de uma função implícita.
4.13. Funções inversas. Derivação. 4.14. Derivadas sucessivas.
Exercícios.
CAPITULO 5
GRANDEZAS COMPOSTAS POR PRODUTO.......... 89
§1. Cálculo de áreas e a noção de integral dejinida . . . 89
5.1. Áreas planas. 6.2. Definição construtiva de área. 5.3. Con­
cepção geométrica de integral. Exercícios.
§2. Diferencial e integrei indefinida ......................... 98
5.4. Diferencial de uma função. 6.5. Conexão entre integração
e derivação. 5.6. Integral definida e constante de integração.
6.7. Constante de integração e condições iniciais. 5.8. Primeiras
regras de integração. Exercícios.
§3. Inversão dos problemas fundamentais ................. 112
5.9. Problema da tangente. 5.10. Problema do movimento.
Exercícios.
§4. Aplicações geométricas da integral definida ........ 120
5.11. Sinal de uma área. 5.12. Área da região compreendida
entre duas curvas. Exercícios. 5.13. Volume da pirâmide. 5.14.
Sólidos de revolução. Exercícios.
§5. Aplicações físicas .................................................. 136
5.15. Trabalho de uma fôrça variável. 6.16. Representação
gráfica. Existência do limite. 5.17. Resultante das fôrças de
pressão sôbre uma parede. 5.18. Centro de pressão. 5.19. Centro
de gravidade. 5.20. Momento de inércia. Exercícios.

CAPiTULO 6
FUNÇÕES TRANSCENDENTES. DERIVADAS............. 159
§1. Funções trigonométricas ............... 159
6.1. Correspondência entre graus e radianos. 6.2. Gráfico de
y = sen x. 6.3. Gráfico de y = cos x. 6.4. Gráfico de y = tg x
e y — cotg X . 6.5. Gráficos de y = sec x e y = cosec x. 6.6.
Derivada de y = sen u. 6.7. Derivada de y = cos u. 6.8. Deri­
vadas de y = tg t< e y = cotg u. 6.9. Derivadas de y = sec u e
y = cosec u. 6.10. Ilustração física. Movimento harmónico.
Exercícios.
§2. Funções trigonométricas inversas ......................... 177
6.11. Introdução. 6.12. Campo de valôres das funções inversas.
6.13. Derivadas de y = arc sen u e y — arc cos u, sendo u =» / (af).
6.14. Derivadas de y = arctgw e y = arccotgu. 6.15. Deri­
vadas de y = arc sec n e y = arc cosec u. Exerdcios.
§3. Funções exponenciais e logarítmicas ........................... 184
6.16 Propriedades dos expoentes. 6.17. Gráfico da função
y = 2*. 6.18. Propriedades dos logaritmos. 6.19. Mudança de
base. 6.20. Gráfico da função y = logi x. 6.21. Função exponen­
cial. 6.22. Função logarítmica. 6.23. Número c. 6.24. Loga­
ritmos naturais. 6.25. Derivadas das funções logarítmicas.
6.26. Derivadas das funções exponenciais. Exercícios.
CAPÍTULO 7
APLICAÇÕES GEOMÉTRICAS E FÍSICAS
DAS DERIVADAS.................................................. 198
§1. Máximos e mínimos. Discussão geométrica........ 198
7.1. Funções crescentes e decrescentes. 7.2. Interpretação geomé­
trica. 7.3. Máximos e mínimos. 7.4. Interpretação geométrica.
7.5. Significado da 2.* derivada. 7.6. Ponto de inflexão. 7.7.
Aplicações geométricas e físicas. Exercícios.
§2. Tangente e normal. Relações métricas. Assintotas 221
7.8. Equações da tangente e da normal. 7.9. Relações métricas.
7.10. Angulo de interseção de duas curvas. 7.11. Assintotas.
Exercícios.
§3. Curvas em coordenadas polares............................. 236
7.12. Coordenadas polares. 7.13. Localização de um ponto no
plano. 7.14. Distância de dois pontos. 7.15. Equação da reta.
7.16. Equação do círculo. 7.17. Transformação de coordenadas.
Exercícios. 7.18. Declive da tangente. 7.19. Relações métricas.
7.20. Assintotas. Exercícios.
§4. Equações paramétricas ........................................... 255
7.21. Concepção física. 7.22. Curva lisa. 7.23. Declive da
tangente. 7.24. Equações paramétricas de algumas curvas
notáveis.
§5. Representação vetorial. Movimento curvilíneo . . . . 265
7.25. Vetor de posição. Funções vetoriais. 7.26. Componentes
cartesianas. 7.27. Movimento curvilíneo. 7.28. Comp>onentes
cartesianas da velocidade. 7.29. Componentes cartesianas da
aceleração. Exercícios. 7.30. Curvatura e raio de curvatura. 7.31.
Redução a coordenadas cartesianas. 7.32. Centro e círculo de
curvatura. 7.33. Aceleração. Componentes tangencial e nor­
mal. Exercícios.
CAPÍTULO 8
INTEGRAÇÃO. FÓRMULAS E MÉTODOS 292

§1. Formalização da integração .................................. 292


8.1. Derivadas e diferenciais. 8.2. Fórmulas de integração.
8.3. Justificação e aplicação das fórmulas I a X II (1.* série)
Exercícios. 8.4. Integrais quase imediatas. Exerdcios. 8.5. Integrais
condicionadas à racionalização ou decomposição. Exercícios.
§2. Integração por partes .......................................... 315
8.6. Integração da diferencial de um produto. 8.7. Integração
por recurrência. 8.8. Fórmula de Wallis. Exercícios.

§3. Racionalização ........................................................ 325


8.9. Racionalização trigonométrica. 8.10. Racionalização por
substituição algébrica. Exercícios.
§4. Integração de junções racionais............................. 332
8.11. Funções racionais. 8.12. Frações parciais. Exercícios.
§5. Aplicações geométricas e jísic a s............................. 340
8.13. Áreas em coordenadas polares. Exerdcios. 8.14. Compri­
mento de um arco. Definição construtiva. 8.15. Comprimento
em forma paramétrica. 8.16. Comprimento de um arco em
coordenadas polares. 8.17. Superfícies de revolução. 8.18. Cen­
tro de gravidade. Curvas e superfícies planas. 8.19. Teoremas
de Guldin. Exercícios.
CAPÍTULO 1

GRANDEZAS E NÚMEROS

1.1. O bjeto do Cálculo Diferencial e Integral


0 Cálculo Diferencial e Integral deve a sua origem a certos pro­
blemas práticos de Geometria c Mecânica — problema da tangente,
máximos e mínimos, velocidade e aceleração, áreas e volumes — pro­
blemas cuja essencia consiste em medir determinadas grandezas com­
postas por quociente ou por produto mediante uma operação carac­
terística: a passagem ao li7niic.
Esta operação, como de resto tôdti medida, se exprime em números
(reais). Podemos dizer, portanto, que à base do Cálculo Infinitesimal
em particular e da Análise Matemática de um modo geral se encontram,
do ponto de vista prático, a noção de grandeza e a operação de medir',
do ponto de vista teórico, a noção de número e as leisjormais que regem
as operações numéricas.

1.2. G randezas e Núm eros


A natureza nos proporciona as diversas categorias de grandezas
de que resultaram a elaboração e as sucessivas extensões do conceito
de número.
Partindo da noção intuitiva de unidade e pluralidade, fruto da
experiência, a elaboração dos números inteiros pode-se considerar um
fato tão natural como a linguagem. A operação de contar os objetos
de uma coleção ou os indivíduos de um grupo (grandezas discretas),
deu origem aos chamados números naturais (inteiros positivos):
1, 2, 3, 4, 5, . . .
Caracteriza as grandezas discretas o fato de possuírem uma uni­
dade natural, a saber, cada objeto do conjunto constitui uma unidade.
Acrescentando aos números naturais o número 0 (zero), formou-se
o que chamamos o conjunto dos números inteiros:
0, 1, 2, 3, 4, 5, . . .
2 CURSO DE CALCO LO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Ao3 números inteiros associou-se um sistema de numeração


(decimal), subordinado às chamadas operações aritméticas.

1.3. A Operação de Medir e os Números Fracionários

A existência de grandezas concretas que se nos apresentam como


contínuas (na acepção vulgar do têrmo), nas quais não se distingue
uma unidade natural, deu origem à operação já um tanto mais ela­
borada de medir.

Medir uma grandeza significa compará-la com outra da mesma


espécie tomada como unidade (arbitrária). Esta operação deu origem
aos números jracionários, uma vez que uma unidade arbitrária nem
sempre cabe exatamente um número inteiro de vêzes em uma grandeza
dada (primeira extensão do conceito de número).

Do ponto de vista formal, os números fracionários são, por assim


dizer, um subproduto da operação de dividir. Com efeito, definida
no conjunto dos números inteiros a divisão como operação inversa da
multiplicação, resulta que só excepcionalmente o quociente existe (na
forma de um número inteiro).

Para tornar possível sem restrição a operação de dividir (ex­


cluída a divisão por 0), foi necessário incluir as frações na categoria
de números.

1.4. Grandezas Comensuráveis e Incomensuráveis

Um progresso sensível na operação de medir consiste na determi­


nação de um submúltiplo comum à unidade prefixada e à grandeza
a medir. Quando um tal submúltiplo existe, dizemos que as duas são
comensuráveis. Em outras palavras, dizem-se comensuráveis duas gran­
dezas quando existe uma unidade, por pequena que seja, a qual cabe
exatamente um número inteiro de vêzes numa e noutra.
#•
Esta operação dá origem ao conceito de número racional (razão
de dois inteiros). Se duas grandezas da mesma espécie não admitem
um submúltiplo comum, por menor que seja, dizemos que elas são
incomensuráveis. Basta considerar um exemplo simples. Seja A BCD
um quadrado de lado A B = Im (Jig. 1.1). Quantas vêzes êste lado
cabe na diagonal AC 7 Se levamos o metro sôbre a diagonal fazendo
coincidir uma extremidade com A, a outra extremidade cairá em um
ponto interno M, além da metade da diagonal, o que mostra que a
diagonal mede 1 m e mais uma fração de metro.
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS

Se tomamos como nova unidade o decímetro, o lado conterá


agora 10 unidade {dm) e a diagonal medirá 14 dm e mais uma fração
c de decímetro; se tomamos como uni­
dade o centímetro, o lado terá 100 m e
a diagonal terá 141cm e, feita cuidado­
samente a medição, verificaremos que
resta ainda uma fração de centímetro.
Se tomamos o milímetro como unidade,
0 lado terá 1000 mm e a diagonal
1 414 mm. Por mais cuidadosa que seja
a medição, difícil nos será constatar um
resto nesta última medição, resto êste
^ que, no entanto, existe.

Êste resultado nos poderia levar a crer que o lado e a diagonal do


quadrado admitem um submúltiplo comum (o mm), o que é falso. A
prova disto, porém, não se pode obter por medição direta. Só
o cálculo baseado em relações geométricas prèviamente estabelecidas
{relação de Piiágoras) nos proporciona a prova de que êstes segmentos
são incomensuráveis.
Com efeito, a relação de Pitágoras aplicada ao triângulo retân­
gulo ABCj nos dá (chamado d a diagonal):
= lí + 12 = 1 4-1 = 2 ou d = v ^
Esta raiz, calculada de acôrdo com a regra de extração de raiz
conhecida da aritmética, expressa em forma decimal, dá uma fração
aperiódica ilimitada, isto é, por mais que se prolongue a operação,
jamais se chega a um resto nulo, o que equivale a dizer que por menores
que sejam os submúltiplos do metro que se tomem, sempre subsistirá
um resto. Como êste resultado não se pode exprimir por meio de um
número racional (inteiro ou razão de inteiros), (*) torna-se necessário

(*) Ba«ta proTar que ^~2 nSo pode ser igual a um número racional — . Suponhamos por
• A

um momento que ifuel a um a íraçSo irredutível — ; donde


A

- -3T
e» por contefuintep
nfi - ( 1)
identidade que noa dia que e conseqüentem ente m, deve ser par, digamos, m • 2pi m at daqui
resulta, substituindo na relaçSo (1) m por 2pi
4 p* * 2 A* ou 2 p* » A*
que exige outrossim, que a seja par. Ê ste resultado contradis a hipótese inicial de que — seja

uma fraç lo irredutível. Concluímos, assim, que pode ser um iiúmero racional.
4 CUBSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

ampliar ainda uma vez a noção de número, introduzindo os chamados


números irracionais (segunda extensão do conceito de número).
1.5. Medida Absoluta e Relativa
Há grandezas que se podem medir em dois sentidos contrários
a partir de uma origem prefixada arbitràriamente. Diremos relativa
uma tal medida, para distinguí-la da medida (absoluta), em que só
importa determinar o conteúdo de uma grandeza como, por exemplo,
os objetos ou indivíduos de um conjunto, o volume ou a massa de um
corpo, a quantidade de calor ou de eletricidade de um corpo, etc. .
A medida relativa só pode ser plenamente determinada por meio
de um número qualijicado. Há muitos modos de distinguir os dois
sentidos de medida de uma grandeza a partir de uma origem prefixada
ou de qualificar os números que os medem. Assim, os romanos con­
tavam as horas a partir do meio-dia, distinguindo-as em ante e post-
-meridiem; os historiadores se servem dos símbolos discriminativos,
A.C. e D.C. para qualificar as datas históricas; os geógrafos qualificam
as latitudes em N. e S. (norte e sul) e as longitudes em E. e O. (este e
oeste); o contador lança as suas contas-correntes em duas colunas
intituladas haver e deve; o físico constrói as suas escalas termomé-
tricas fixando como origem a temperatura do gelo fundente e a partir
desta distingue as temperaturas em positivas e negativas, etc. .
Esta última qualificação é a única expressa em linguagem mate­
mática (um número afetado de um sinal -}- ou -). Um número ao
qual se associa um sinal -f ou - se denomina um número relativo (ter­
ceira extensão do conceito de número).
Esta escolha não é fortuita. Do ponto de vista matemático, os
números relativos são um subproduto da subtração, isto é, foram
criados a fim de tornar sempre possível a equação
a;-|-a = 6 ou x = h -a
equação que no campo dos números absolutos só tem sentido quando
b ^ a (^ ).
A totalidade das frações próprias e impróprias positivas e nega­
tivas, constitui o conjunto dos números racionais.
Assimilamos aqui os inteiros a frações próprias de denominadçr
1, pôsto que
a
rr = a)*(
(*) Ê in te re s s a n te n o ta r q u e s 6 m u i ta r d ia m e n te os n ú m e ro s n e g a tiv o s fo ram re c o n h e c id o s
com o v e rd a d e iro s n ú m ero s. A ssim c q u e a in d a em m e ia d o s d o século X V I, S tifel c h a m a v a n ú m e ro s
absurdos os n ú m e ro s n e g a tiv o s, e D e sc a rte s, em su a G e o m e tria p u b lic a d a em 1637, d e n o m in a v a
ja ls a s a s raizes n e g a tiv a s de u m a equa<;ão.
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS

1.6. N úm eros Reais


Entendemos por números reais a totalidade dos números racionais
e irracionais. Em outras palavras, adstringindo-nos ao sistema de
numeração decimal, podemos dizer que o conjunto dos números reais
é constituído pela totalidade dos números inteiros e das frações deci­
mais limitadas e ilimitadas.
Deve-se notar que uma fração ordinária pode sempre ser repre­
sentada por uma fração decimal limitada (exata) ou por uma fração
decimal periódica simples ou composta (ilimitada). Um número irra­
cional, expresso em forma decimal, só pode dar lugar a uma fração
decimal aperiódica ilimitada.
1.7. Correspondência en tre o C onjunto dos Núm eros Reais e
os Pontos da R eta.
.
-f - 3 - 2-1 12 3 4
I I .1 I I I I I I I I I I I I I I 1 -1 ..------
B M 0u
ner. 1.2
Fixada sobre a reta uma origem arbitrária 0 (jig. 1.2) e escolhida
uma unidade de medida OU, podemos medir um segmento a partir
de O em dois sentidos opostos, que diremos positivo (à direita) e nega­
tivo (à esquerda). A reta assim elaborada recebe o nome de reta
orientada. Com a unidade prefixada OU, podemos assim estabeleeer
uma correspondência entre os segmentos da reta (de origem comum 0)
e os números inteiros (relativos), considerando positivos os segmentos
quando medidos à direita e negativos quando medidos à esquerda de
0. A um número inteiro positivo a faremos corresponder o ponto A,
à direita da origem, se OA = a O U ; a um número inteiro negativo
-h fazemos corresponder o ponto B à esquerda de 0, se OB = - h OU.
De um modo geral, ao número racional ± fazemos corres­
ponder o ponto M à direita ou à esquerda de 0, conforme seja ou
- o sinal da fração, se a enésima parte de OU cabe m vezes em OM.
Fazemos assim corresponder a cada número racional um ponto
da reta e um só. Mas, existirão ainda pontos da reta aos quais,
evidentemente, não corresponde nenhum número racional, como é
fácil verificar. Com efeito, se construímos um quadrado sobre OU
como lado {jig. 1.3), a sua diagonal OP será igual ao número irracional
\/2 . Rebatendo esta diagonal sobre o eixo orientado, o ponto P virá
cair em P', ao qual corresponderá, portanto, o segmento OP' = OP =
= \/2 y de modo que a P' vem corresponder o número \ / ^ Qíig não
6 racional.
CUESO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Fazendo corresponder assim a cada ponto da reta um número


racional ou irracional, estabelecemos uma correspondência biunívoca

n g . 1.3

entre o conjunto dos números reais e o conjunto dos pontos da reta,


a saber, a cada ponto da reta vem a corresponder um número real
e um só, e, vice-versa, a cada número real corresponde um ponto da
reta e um só.
A dois números iguais a e 5 (a = 6) corresponde o mesmo ponto
sôbre a reta orientada; se o < 6, a a corresponde um ponto à esquerda
do ponto imagem de 6 e, vice-versa, se a > 6, corresponde a a um
ponto à direita do ponto que corresponde a b.
O símbolo I a ( representa o valor absoluto ou módulo do número
relativo a e é igual a a se a > 0 e igual a - a se a < 0.
Assim, [51 = 5, I - 5 | = - ( - 5 ) = 5, | 4 - 7 | = 3.
1.8. G randezas C onstantes e Variáveis
Uma grandeza se nos apresenta como constante quando comparada
com uma mesma unidade, tem por medida sempre o mesmo número.
Contrastam com as grandezas constantes certas grandezas que
diremos variáveis, capazes de aumentar ou diminuir com o tempo,
isto é, capazes de assumir valôres distintos. Ilustremos com alguns
exemplos.
а) Se fôr fixo o conjunto de carteiras de uma sala de aula, di­
remos que êste conjunto é uma grandeza constante; o conjunto de
alunos que as ocupam é uma grandeza variável, pôsto que nem sempre
estejam presentes todos os alunos.
б) O filete de mercúrio de um termômetro é uma grandeza va­
riável em contraste com o tubo que o encerra, que se pode considerar
como uma grandeza constante.
c) A massa de um gás confinado em uma bomba fechada, é uma
grandeza constante; o seu volume, porém, é uma grandeza variável,
que depende da maior ou menor pressão exercida sôbre o êmbolo.
FUNDAMENTOS GEOMETEICOS E FÍSICOS

A apreciação das grandezas variáveis deu origem as noções mate­


máticas de variável e de junção (dependência entre variáveis).
1.9. G randezas Com postas e o Cálculo Diferencial e Integral
Certas grandezas que diremos compostas, se obtém como produto
ou como quociente de outras. São exemplos característicos as áreas
e os volumes em Geometria (compostas por produto), as velocidades,
acelerações e pressões em Física (compostas por quociente).
Quando supomos variáveis as grandezas que entram na formação
das grandezas compostas, só exocpcionalmente o cálculo destas últimas
se pode efetuar por meios elementares. A solução geral do problema,
como veremos, levou à instituição do Cálculo Integral (grandezas
compostas por produto) e do Cálculo Dijerencial (grandezas compostas
por quociente).
1.10. G randezas Escalares e Vetoriais
Do ponto de vista matemático, as grandezas físicas com que li­
damos no Cálculo, podem ser classificadas em duas categorias distintas.
Existem grandezas, como áreas, volumes, massas, tempo, as quais são
plenamente individuadas pelo número que exprime sua medida e as
dimensões que possuem. Tais grandezas são denominadas escalares.
Outras grandezas existem, como jôrças, deslocamentos, velocidades,
que, além do valor numérico, expressão de sua medida, possuem uma
direção, da qual não se pode prescindir ao fixar-lhes as leis de compo­
sição. Estas grandezas se dizem vetoriais e se representam* por vetores.
O que distingue essencialmente as grandezas vetoriais é o seu
comportamento em relação à operação de soma. Para somá-las, não
basta a adição de seus valôres numéricos, salvo quando dispostas na
mesma direção. Sua soma se efetua, como já tivemos ocasião de ver
no estudo das fôrças em Física, de acôrdo com a chamada regra do
paralelogramo.
Abstração feita do seu conteúdo concreto, damos o nome de vetor
a tôda grandeza dotada de módulo (valor numérico ou magnitude),
direção e sentido, cuja soma se efetua segundo a regra do paralelogramo.
De acôrdo com esta definição, podemos representar um vetor
por um segmento orientado ou flecha AB (Jig. 1.4), cujo comprimento
exprime, em uma escala dada, o módulo da grandeza representada,
sua posição indivídua a direção da grandeza e uma farpa indica seu
sentido. O ponto A se diz a origem e B o terminal do vetor AB. Quando
um vetor é representado por duas letras justapostas com uma flecha
sobreposta, subentende-se que a primeira indica a origem e a segunda
o terminal.
CURSO DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Normalmente, um vetor é representado por uma letra única,


com uma flecha sobreposta. Assim, o vetor A B pode ser representado
^ simplesmente por v.
O módulo do vetor v se representa
pelo símbolo aritmético de valor absoluto

ou, simplesmente por v, quando não houver


ambigüidade, ficando subentendido, neste
caso, que v é sempre um número não negativo.

Dois vetores a eb são iguais ou equipolentes quando têm o mesmo


módulo, mesma direção e mesmo sentido; escrevemos, neste caso:

O produto
ma
de um vetor a por um número ou escalar m é um vetor de mesma di­
reção que a e de módulo igual a m vezes o módulo de a. Se m > 0,
o vetor ma tem o mesmo sentido que o ; se w < 0, o vetor ma é diri­
gido em sentido contrário. Por exemplo, o vetor 3a é paralelo a a.
dirigido no mesmo sentido e 3 vêzes m aior; o vetor -2o é paralelo
a o, dirigido em sentido contrário e de módulo duplo (Jig. 1.5).
Em particular, °
—1.0 = —o e O.o = 0
3a
definem, respectivamente, o contrário de
—►
o e o vetor nulo. -2a

Fiq. 1 . 5
CAPiTULO 2

RELAÇÕES ENTRE GRANDEZAS


E A NOÇÃO DE FUNÇÃO
2.1. Concepção Fisica de Variável
A noção matemática de variável deriva, em última análise, da
apreciação das grandezas variáveis, isto é, das grandezas que assumem,
relativamente a uma unidade prefixada, valôres distintos no decorrer
do tempo. O próprio tempo é concebido como uma variável funda­
mental, cujo transcorrer medimos por meio do relógio.
Quando medimos uma temperatura com um termômetro de mer­
cúrio, partimos do pressuposto de que o tubo capilar se conserve
constante, e observamos a variação do comprimento do filete de mer­
cúrio aò longo de uma escala fixa, justaposta ao tubo e graduada em
graus centígrados ijig. 2.1).

Se representamos, simbòlicamente, por t o valor


da temperatura (expresso em graus), a cada posição
do terminal superior do filete de mercúrio, corres­
ponde à letra t um valor bem determinado, o que
equivale a dizer que t assume valôres distintos num
dado conjunto de números (no caso, representado
pela escala).

2.2. Conceituação Matemática


Abstraída de seu subtrato concreto, a letra t
representa uma variável dada no conjunto de núme­
ros assinalados na escala. Em outras palavras, a letra
t, concebida como símbolo matemático, é uma variável.
De um modo geral, definimos:
Uma letra x se diz uma variável (real), quando
está a individuar todos os elementos de um dado con­
junto de números reais.
ng. a.i
10 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

O conjunto dado constitui o conjunto de valôres permissíveis de


rr e se diz o seu campo de variação ou domínio.
É praxe representar as variáveis pelas últimas letras do alfabeto :
t, u, V, X, y, z ; quanto às primeiras : a, b, c, . . ., designam, comu-
mente, constantes. Para indicar um valor particular ou fixo de uma
variável, usa-sc também a própria letra, afetada de um índice. Assim,
Xo designa um determinado valor (constante) da variável x. Contudo,
deve-se advertir que estas convenções nada têm de absoluto.

2.3. Variáveis Contínuas e Discretas


Quando, ao passar de um valor real a a outro b, uma variável x
assume todos os valôres intermediários, dizemos que x é uma variável
contínua (Jig. 2.2).

rig. 2.2

Uma imagem concreta de uma tal variável contínua, constitui


ainda o filete de mercúrio do termômetro : ao dilatar-se, passa de lun
ponto da escala a outro, passando por todos os pontos intermcdiái ios.
Quando não é contínua, uma variável se diz descontínua, discreta,
ou ainda, progressiva.
Exemplo: Quando efetuamos uma divisão aproximada, o quo­
ciente, a cada nova aproximação, assume um nôvo valor, de modo que
podemos concebê-lo como uma variável, de vez que passa por um con­
junto de valôres distintos. Assim, o quociente a que dá lugar a divisão
de 7 por 9, adquire sucessivamente os valôres;
0,7 ; 0,77 ; 0,777 ;
Podemos dizer, portanto, que o quociente de 7 por 9 é uma variável
discreta q dada no conjunto de números :
w
Qi = 0,7, Qi = 0,77, Qz = 0,777, Qí = 0,7777,
2,4. Intervalo
Dá-se o nome de intervalo ao conjunto de todos os números reais
compreendidos entre dois números (reais) distintos dados. Se êstes
dois números são incluídos no conjunto, o intervalo é jechado; caso
contrário, dizemos que é aberto. Chamando a e ò os dois números,
escrevemos:
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 11

a ^ X^ 6 ou, simbòlicamente : [ a, í>]


para representar o intervalo fechado e
a <X< b ou (o, í>)
para representar o intervalo aberto.
Ao intervalo
a < ix < ^ h
corresponde na reta orientada o segmento AB (A k esquerda de B),
de abscissas a e b respectivamente (Jig. 2.3). Distinguiremos, gràfi-
camente, o intervalo fechado do intervalo aberto, representando os
extremos por dois traços verticais no primeiro caso e por dois pe­
quenos arcos voltados para fora no segundo (jig. 2A).

fechado

aberto
Fiçf* 2*3 H g. 2 .4

As vêzes consideram-se ainda intervalos semi-jechados ou semi-


-abertos, quando apenas um dos extremos é incluído no conjunto :
a ^x <b ou [ u, &)
(fechado à esquerda e aberto à direita);
a < X ^b ou («, 6]
(aberto à esquerda e fechado à direita).

2.5. Concepção Física de Função


Uma fórmula física, como sabemos, enuncia, em linguagem algé­
brica, uma lei de dependência quantitativa entre grandezas supostas
variáveis. Dizemos, neste caso, que uma grandeza, concebida como
variável dependente, é junção de outra que se apresenta como uma va­
riável independente.
Exemplo: Quando enunciamos a lei da queda livre por meio da
fórmula

(1)

onde g ae assume constante, estabelecemos uma relação de dependência


quantitativa entre os valôres de t assinalados em uma escala de se-
12 CUIÍSO DE CALCULO DlFIvRENCIAL E INTEGRAL

cundos no mostracior de um cronômetro e os valores correspondentes


(l'i distância vertical s percorrida pelo corpo cadente, assinalados em
uma escala graduada em metros ou centímetros {jig. 2.5).

Fig. 2 .5
u
A fórmula dada, como se vê, estabelece uma correspondência,
segundo uma lei determinada, entre dois conjuntos numéricos, a saber,
o conjunto dos valores permissíveis da variável t, assumidos em uma
escala de segundos, e os correspondentes valôres acessíveis da variável
5 , representados em uma escala métrica (provisão de valôres acessíveis).

2.6. Conceituaçâo Matemática


Abstração feita das implicações físicas do problema, podemos
resumir o exposto, dizendo que dar uma variável x significa dar o
conjunto dos seus valôres permissíveis, isto é, o seu domínio; dar
uma função de x, significa dar uma lei que associa a cada valor permis-
sível de x, um valor bem determinado de uma segunda variável y,
num conjunto ou provisão de valôres acessíveis. Daqui a definição:
Uma variável y se diz junção de outra variável x, dada m um do­
mínio D, quando a cada valor de x em D, corresponde, segundo uma
lei qualquer, um ou mais valôres de y.
Escrevemos simbôlicamente:
y =
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 13

que se lê : y igual a uma junção de x, ou, mais simplesmente : y igual


a j de X.
O conjunto de valôres que x pode adquirir, denomina-se o campo
de dejinição da função. A totalidade dos valôres de y què correspondem
aos valôres de x, constitui o campo de valôres o\i a provisão de valôres
da variável dependente y.
Se a cada a: em Z> corresponde um e mn único valor de y no seu
campo de valôres, a função é unívoca ou unijorme; caso contrário,
dizemos que ela é plurívoca ou multijorme.{*(*)
Outros símbolos de função, de uso corrente, são:
F, g, u, V, ç, <1^,-----
Ãs vezes usa-se a mesma letra para representar a variável depen­
dente e a função. Escrevemos, por exemplo:
u = u{x) e V = v(x) ou X = x{t) e y = y{t)
para indicar que u e v são funções de a:, ou a: e y são funções de <.(*•)
2.7. Funções e seu Campo de Definição. Exemplos.
Na apreciação de uma função, é de fundamental importância
precisar o seu campo de definição, isto é, quais os valôres permissíveis
da variável independente. Consideremos alguns exemplos caracterís­
ticos.
Exemplo jísico. A lei de Boyle-Mariotte
pv = k {k = const. positiva) (1)
estabelece a relação que intercede entre a pressão e o volume de um
gás perfeito, encerrado em um recipiente fechado, quando se mantém
constante a temperatura. Esta equação pode ser resolvida, indiferen­
temente, em V ou em p, a saber:
k_ k
v = ou p =— (2)
V V

No primeiro caso dizemos que o volume do gás é uma função da


pressão que suporta e escrevemos simbòlicamente :
V = j{p)
(*) C e rto s a u to r e s fazem q u e stã o de re s e rv a r a desígr^ação dc Ju n ç ã o k c o rre sp o n d ê n c ia
u n ív o ca. N e s te caso, tô d a fu n ^ a o é u n ív o ca ou u n ifo rm e p o r d e fin iç ã o e a d is tin ç ã o d eix a d e te r
se n tid o
(**) A rig o r, dev e-se d is tin g u ir e n tr e a v a riã v e l d e p e n d e n te y , q u e re p re se n ta v a lô re s do um
c e rto c o n ju n to d e n ú m ero s, e o sím b o lo d e fu n ç ã o J q u e e stá a re p re s e n ta r o e n u n c ia d o dc u m a lei
in te rc e d e n te e n tr e a s v a riá v e is jc e y . C o n tu d o , e s ta lib e rd a d e d e re p re s e n ta ç ã o , que n ão a c a rr e ta
n e n h u m in c o n v e n ie n te sério , é c o n sa g ra d a pelo uso, s o b re tu d o n a m e c â n ic a , o n d e , co n v e n c io n a l-
m e n te , se re p re se n ta m a s c o o rd e n a d a s de um p o n to m ó v el, c o n c e b id a s c o m o fu n çõ es d o tem po#
p e la s eq u açõ es x « x {t), y « y ( 0 c í ■■
14 CURSO DE CÁLCULO DIFEREXCTAL E INTEGRAL

onde p figura como variável independente, dada no conjunto dos


números positivos. Dizemos que a função é definida no intervalo
(aberto) (0, oo), ^sto é (*)
0 < P < 00
No segundo caso, dizemos que a pressão do gás sôbre as paredes
do recipiente em que está confinado é uma função do seu volume;
em símbolos,
V=M
onde V é, agora, a variável independente, dada no mesmo intervalo
(0, oo):
0 < V < 00
Representação grájica:
Representando, num sistema de eixos ortogonais, p em abscissas
e V em ordenadas e atribuindo uma série de valôres (positivos) a p,
podemos calcular os correspondentes valôres de v e representar cada
par de valôres assim obtido por um ponto no plano. Unindo os pontos
assim localizados por meio de um traço contínuo, obtemos uma curva
que é a representação grájica da lei de Boyle-Mariotte. {jig. 2.6.)
Convém observar que, do ponto de vista puramente matemático,
a equação (1) é válida ainda mesmo quando p o. v assumem valôres
negativos, pôsto que
(-p) (-i;) = fc > 0
Nestas condLções, abstraídas as variáveis de seu significado
físico, escrevemos a equação geral

F l g . 2 .9 n g . 2 .7

•d v e rtír Que» cin tratundo de um (d s reut, e lei ló ^ ▼Álida aprozimadaiiiente«


n am intcrTido reU tiTam ente pequeno^ dc extremos imprecisos.
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 15

a qual é apta a definir y como função x { y — kjx) para todo * ^ 0,


isto é, nos intervalos:
-00 < a;< 0 0 < a; < +QO
Dizemos que o ponto x — 0 é um ponto de descontinuidade da
função. Nas vizinhanças dêste ponto, o gráfico da equação apre­
senta uma lacuna, com um ramo à esquerda que se estende a -oo e
um ramo à direita que se estende a -j- oo. (jig, 2.7.)
Exemplo geométrico. A fórmula
A = icr* (x = const.) (3)
que exprime a área do círculo em função do raio, faz corresponder a
cada valor positivo de r um valor determinado da área A, isto é, A
é uma função de r, definida no intervalo (0, «>);
0 < r < 00
de modo que podemos escrever simbòlicamente:
A = j{r)
Do ponto de vista puramente algébrico, isto é, abstração feita
do significado geométrico das variáveis em jôgo, a fórmula (3) é
válida ainda mesmo quando r assume valôres negativos ou é nulo.
Se substituirmos r por x ^ A por y, obtemos a equação;
y = XX*
que define y como função de x no intervalo (-o®, + 00) e tem como
representação gráfica uma parábola (Jig. 2.8).

Exemplo algébrico. A fórmula


5 + 1)
(4)
16 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

que exprime, em forma concisa, a soma dos inteiros consecutivos de


1 até n, representa uma função da variável discreta n, cujos valores
permissíveis são unicamente números inteiros e positivos, isto é, S
é uma função de n definida no conjunto dos números naturais.
Funções trigonométricas.
As chamadas linhas trigonométricas de um arco, construídas
num círculo de raio unitário, são funções do arco, isto é, dependem dêste
arco segundo uma lei prescrita em cada caso.
De acordo com a convenção estabelecida em trigonometria, um
ângulo (medido em radianos) ou o arco que lhe corresponde no círculo
trigonométrico, pode assumir todos os valôres entre - <» e + J mas
apenas as funções
y = sen x y = COS X (5)
são definidas para todos os valôres do arco x, tomando para cada
valor dêste, um valor determinado e único no intervalo [-1 , + 1]
que é o campo de valôres da variável dependente y. A função
y = (6)
não é definida para os valôres de x que sejam múltiplos ímpares de
, isto é, para os números da forma
X
(2n + 1) 2- (com n inteiro)

pôsto que para êstes valôres a tangente venha a se tornar infinita.


Dizemos que a função tg a; é descontinua em tais pontos. Do mesmo
modo, a função
y = cotg X (7)
não é definida para os valôres de x que sejam múltiplos de x, isto é,
para os valôres nx (com n inteiro ou nulo), pôsto que para êstes valôres
a cotangente se torne infinita. Os valôres a: = nx são pontos de dcs-
continuidade da cotangente.
Equação da reta. A equação geral do l.° grau em duas variáveis
Ax + By + C = 0 {A, B, C = constantes) (8)
representa uma reta no plano cartesiano. Sempre que seja B ^ 0 ,
podemos resolver a equação (8) em y, a saber:
FUNDAMENTOS GEOMÉTBICOS E FÍSICOS 17

ou, fazendo

m = -
B
y = mx + h
A equação assim escrita define y como função de x em todo o
intervalo (-o°, + c») e recebe o nome de junção linear. A cada valor
(real) de x corresponde um e um único valor de y. Dizemos que a
equação (8) define implicitamente, y como função de x em todo o
plano cartesiano.
Equação do circulo. Seja o círculo de raio r = 5 e centro na
origem ; sua equação é :
+ y^ = 25 (9)
Resolvendo esta equação em y, temos:
y = ± y / 2 5 - x ‘^ (10)
llá dois fatos essenciais a considerar nesta relação. Em primeiro
lugar, para que y seja real é necessário que o radicando seja não-
-negativo, a saber :
25-x^ ^ 0 ou x^ ^ 2 5
o, portanto:
\ x \ -^5 ou ainda : -5 ^ x ^ + 5
ò que equivale a dizer quê a relação (10) só é válida (no campo real)
para valores de x compreendidos entre -5 e + 5, isto é, x tem como
campo de variação ou domínio o intervalo (fechado) [-5, + ó ]. Êste
intervalo constitui o campo de dejinição da função (ou das funções).
Doutra parte, em virtude do duplo sinal do radical, a cada valor
de X no intervalo [-5, + 5 ] correspondem dois valôres distintos de
y. Assim, para x = 3 é (fig. 2.9):
y = ± \ / 2 5 - 9 = ±y/Vò = ± 4

Fig. 2.9
i8 CURSO Dtí CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

A relação (10) nos proporciona, assim, dois valôres distintos


para cada valor da variável x. Dizemos, neste caso, que a função é
multijorme.
Em lugar desta função a dois valôres, podemos desdobrar a re­
lação (10) em duas funções distintas, tomando separadamente, o
radical positivo e o radical negativo :
y = + \/2 5 - © y = -\/2 5 -x ^
Obtemos, dêsse modo, duas funções uniformes, de modo que
tanto numa como na outra, a cada valor de x no intervalo [-5, 4-5],
corresponde um e um único valor de y. Ã primeira correspondem,
ünicamente, pontos acima do eixo dos x{y ^ 0), isto é, os pontos que
constituem a semicircunferencia superior; à segunda correspondem
únicamente pontos abaixo do eixo dos x (y ^ 0 ) , a saber, os pontos
que constituem a semicircunferencia inferior.
2.8. Funções im plícitas
Uma equação que envolve as variáveis x e y, sem que uma se
apresente resolvida ou explicitada em relação à outra, recebe o nome
de função implícita, definida na região do plano {x, y) em que faça
corresponder a cada valor de uma, um ou mais valôres da outra. Sim-
bòlicamente, escrevemos:
j{x, y) = 0 ( 1)
Se a cada valor de x, em um certo domínio, esta equação faz cor­
responder um único valor de y, dizemos que ela define implicitamente
y como função unijorme de x ; quando a cada valor de x vem a corres­
ponder mais do que um valor de y, dizemos que a equação (1)
define implicitamente y como função multijorme de x. Em ambos, os
casos subentende-se que exista uma função y = g{x) que substituída
na equação (1), a verifique idênticamente, a saber:
j[ X, g{x)] = Q
Assim, a equação do círculo (9) representa uma função implí­
cita
j{x, y) = -(- ^2 _ 25 = 0 (2)
que, no intervalo [-5, -f-5], define y como função multiforme de x :
y = ± -\/2ô —x^
Se destacamos o radical positivo do radical negativo, escrevendo
separadamente
y = 's /2 ò -x ‘^ e y = —\/2 5 -x *
FUNDAMENTOS (:EOM tTRI(’OS E FÍSICOS 19

temos duas funções uniformes de x distintas, definidas no mesmo inter­


valo [-5, + 5 ] ; a primeira admite unicamente valores não-negativos
{y ^ 0) e tem como imagem a semicircunfcrência superior ; a segunda
admite apenas valôres não-positivos {y ^ 0) e representa a semicircun-
ferência inferior.

2.9. Valor Local ou Numérico de u m a Função


Quando escrevemos a relação funcional
y = J(x)
fica subentendido que a expressão f(x) representa aquêle valor de y
que a lei representada pelo símbolo / faz corresponder ao valor assumido
por X no seu domínio. Para indicar que a a* se atribuiu um valor par­
ticular a, escrevemos simbòlicamente /(a). Ao número que resulta,
damos o nome de valor local ou numérico da função para x = a.
Exemplo. Seja achar os valôres numéricos da função
J(x) = 4x“ - 5a; + 3
para : a) a: = 1; li) x = -2 ; c) ar = 0 ; d) x — n.
Solução : Substituindo ar, na função dada, por 1, por -2, etc.,
obtemos sucessivamente:
a) /(l) = 4 . P - 5 . H - 3 = 4 - 5 d - 3 = 2
h) /(-2) = 4(-2)2 - 5(-2) d- 3 = 16 -f- 10 -f- 3 = 29
c) /(O) = 4 . 0 2 - 5 . 0 - 1 - 3 - = 3
d) /(n) = 4n^ - 5n + 3

E X E R C ÍC IO S
1. Se f(x) = x ^ - 3 x + 5
achar: /( l) , /(2), /( 3), /(O), / ( - 1).
Resp. 3, 3, 23, 5, 9.
2. Se <p(x) = 4x^ - 2x* + 4x + G
achar: ç ( - 1), ç(l), ç(0), ç(3).
Resp. - 4, 12, 6, 108.
3. Se F(x) = 6x^ - lOi* - 8x + 7

achar: F ( - 1), ' y )'

Resp-I
G 9.'>
-,-A \
/—
10 \ T - 2 3 .
■í 4
20 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

2x-3
4. Se f'(x) =
x+ 2
achar: /'(O), / ' ( - « . / ' ( - 1 ) / ' ( - Vã)-

Reap. - 5 .- 1 » .- ^ ^ *
2 9 2 - \2

1 - X»
5. Se /(x) =
1 + X»
achar; /(O), / ( - 1), /( - x ) , /(x - 1).
1 - X* 2 x -x »
Resp. 1, O,
1 + X* x^ - 2x + 2

6. Se /(x) = X* - 2x* - 3x + 1
achar: /(m + n) + /(m - n).
Resp. 2(m® - 2m* + 3mn* - 2n^ - 3m +• 1)

7. Se (f{z) =
1 -2z
1 + 2z>
achar: f ( ± ) , f ( - ± ) , f ( l )

afg 4- 2) n(n - 4)
Resp. 0,
a» + 2 ’ +8

8. Se /(x) = 2x* - 3x + 4
achar: /(x + h) -/(x ).
Resp. 2A‘ + 4hx - 3A

1 - X*
9. Se /(x) =
1 + X*

a c h a r : /( |) ,
+ bj
Resp. 6* - a* 2ah 2n
6* -f o* o* + n* + 1

10. Se <p(x) = X -)r —


X-

achar: ç ip(x - 1), ç '

X - 2x + 2 (2x - 2x 4- 1
Resp. — + X,
X x -1 x(x - 1)
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 21

r - 1
11. S e /(r )
r + 1

achar:/(r»), I / ( r ) | * , / r i \ , /[ /( r ) ] .
V ry /(r)

Ke«p. f l ü
r»+ 1 Vr + 1 / 1 + r r - 1

12. Se /(x) = 4x* - 3x + 2


achar: / <- + » .
h
Resp. 8a + 4A - 3.
13. Se /(x) = V®* “ 4
achar: / ( f _+ .
h
Resp. :EE±IEELdEII
h
14. Se /(x) ■= X* + 3 e ^(x) = 3x + 1
mostrar que:
/ ( l ) = Í7(l), /(2) = í7(2). / ( - 1) > gi- 1), /(O) > g m ,
15. Se ç(x) = 2x* - 3 e 4>(x) = x» + 3x - 5
achar os valôres para os quais ç(x) =
Resp. X = 1 e X == 2.

16. Se /(x) = 2 x(x -1),


2
verificar que /(x + 1) = /(x) + x.
17. Se f(v) = V* - 1 e g{v) = 1 - »
achar: f[g{v)] e g\f(v)\.
Resp. v{v - 2), 2 - v*.
e - 1
18. Se /(0 ) =
9 + 1
achar: ~
1 +/(«)/(-«)
Resp.
26
1-6*
19. S e /(r ) 1
1 + r*

achar: 2 /(r)-/(2 r), 2 / ( r ) + /

1 + 9r* - 4r« 3(4 + r* - r<)


Resp.
(1 + r»Xl + 4r*J 2(1 + r*)(4 + r*)
22 CUESO DE CALCULO DIFERENOiÀL E INTEGRAL

20. S e/(x ) = a:»-3x+ 5


achar: /(x + y), /(x) + f{y), f ( —^ .
Vy/ /(y)
Reep. X* + y* + 2xy - 3x - 3y + 5,
X* - 3xy -f- 5y* x* - 3x 4-5
x* + y » - 3 x - 3 y + 10,
y> ’ y» -3 y + 5

21. Se /(x) X+ a
X - a

achar:

Resp. 2g + ft 2a + b g + b - gb + a*
6 ^ 2o - b ’ o + 6 + gb - o*
1 + g« 1 + ab g + b + g»b
1 - 0 * ’ 1 - o b ’ g + b - o*b*

22. Se /(x) = X + _1
X

achar: /(2) + ~ , / (^2 - .


2 /

Resp.
10 6
23. Se /(x) = X*, verificar a identidade:
[/(« + &)]» + [/(a - b)]* = 2/(o*+b*) + 8/(ob).
24. Se /(x) 5= sen x
ach„: /(O), / ( J . ) . / ( ^ ) , / ( ^ )

Resp. 0, a/2 , 1, - 1 , - 1 .
2
25. Se /(x) = COS 2x

achar: /(O), / , / ( x ) , / ( - x).

Resp. 1, - 1 , 1, 1.
26. Se /(x) =» sen*2x

achar: /( ^ ) . / (« + - f )

Resp. 0, - i , 1, 4sen*a cos*a.


FUNDAMENTOS GEOMÉTKICCS E FÍSICOS 23

27. Se f(x) = sen x - tg x

acha. / ( ^ ) , y ( ^ ) , / ( 3 i ) .

Resp.
2 2 2
28. Se f(x) = sen x e g{x) = cos x, mostrar que:
im v + = 1
f(x + y) = f{x)g(y) + f(y)g(x),
g(x - y ) = g(x)g(y) + f(x)f(y),

29. Se f{x) = 2x yjl ~ x'^, verificar que:


/(sen a) = /(cos a) = sen 2a.
30. Se /(x) = X* + 1, verificar que:
/(tg á) = sec*a.
31. Se /(x) = tg 2x, verificar 'que:

f(x) =
2/
(I)
32. Se /(x) = tg X, verificar que:
+ f(x)
f(x)

33. Se /(x) = tg X, verificar que:

fia + m a - W =
1- m n‘
34. Se /(x) = sen x, verificar que:
/ ( a + P ) / ( a - ^ ) = [/(a )P -[/(^ )P
35. Se /(x) = cos x, verificar que:
/(3x) = 2/(4x) /(x) -/(5 x ).
36. Se /(x) = log X, verificar as seguintes relações:

a) /(x) + f ( y ) = /(xy);
Cl") ~
b) /(X*) = 2/(x);

37. Sc /(x) = c*, verificar que:


/(x) /(y ) * /(x + y).
24 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

1 _ 2
38. Se f(z) = log ------ , verificar que:
1+z
fip) + /( ? )
Vl +pgj

39. Se f{x) = log —í - , verificar que:


X -1
f(t + 1) + / ( 0 = log i + 1
t - 1

40. Se f{x) = logio(x + 6)


achar: /(95).
Resp. 2.

41. Se f{x) = 3 1-*


achar: / ( O ) ,/ ( l ) ,/( - 2 ) .
Resp. 3, 1, 27.
42. Se /(x) = X*

achar: /( l) , /( - 2 ) , .

Resp. 1, —
4 2
43. Re.solver as seguintes equações em y e em x respectivamente e verificar,
em cada caso, em que região do plano definem implicitamente y como função
(uniforme) de x e x como função de y (funções inversas uma da outra).
a) a x - b y + c = 0

Resp. y = — X + — em todo o plano


6 6

X = — y —S. e m to d o o p la n o
a a

b) - i. - 1 - 0
X y

bx
Resp. y = em todo o plano, salvo a reta x = a
a - X

X = .—^ — em todo o plano, salvo a reta y ^ - b


b+ y
c) y* - 2px »H 0
Resp. y =■ VZpx (1.® quadrante) ou y ■» - •>[2px (4.<> quadrante)

X = — para todo o valor de y.


2p
d) x^?/* - 1=0
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 25

Resp. y = para todo x jA 0


y = para todo y 9^ 0
e) ox® - hy^ - c = 0 (o, 6, c > 0)

- c
Resp. y = j /^ (semiplano superior);

=-)/^ - c (semiplano inferior);


excluída a região -

_ + ]c ^sem iplano à direita de x =

X= - j / ^ ( semiplano à esquerda de x
- íl)
f) xj/ - X® - a® = 0
Tj X® + a®
Resp. y = ---------- todo o plano, salvo x = 0.

X — i (y + Ví/* ~ 4o®) X > 0 e í/ ^ 2o;


2

X = — (y - Vy*-"4Õ®) X < 0 e y ^ 2o.


2
CAPiTULO 3

INTRODUÇÃO AOS PROCESSOS


INFINITOS. LIMITES
3.1. Os Processos Infinitos
Em aritmética, inventados os algarismos arábicos e constituído
o sistema dc numeração decimal, com suas regras de numeração falada
e escrita, tornou-se possível estender ilimitadamente a operação dc
contar.
Dado um número, grande que soja, é sempre possível conceber ou
escrever um outro número ainda maior. Dizemos, por isso, que o con­
junto dos números naturais é mjinito. Para representar esse infinito,
ou seja, o interminável matemático, usamos o símbolo oo que se le
injinito.
A rigor, os processos infinitos não têm fim, e consistem, em última
análise, numa repetição ilimitada dc uma determinada operação.
Embora esta operação seja materialmente irrealizável, o simples
conhecimento da lei a que obedece, conduz, freqüentcmente, a resul­
tados práticos de suma importância, sobretudo quando desta repetição
resultam aproximações gradativas a um valor limite, na forma de uma
sucessão convergente.

3.2. Formação de um a Sucessão.


Damos o nome de sucessõio a um conjunto de números racionais,
subordinado a uma lei de formação, de modo que a passagem dc cada
qual ao seu sucessor imediato se faça segundo a mesma lei. São exemplos
de sucessões:
^ 1 1 1 1
2 O 4 n
b) 0,3; 0,33; 0,333; 0,3333;
>4 1 ± ± 1 1
’ 2 ’ 4 ’ 8 ’ 16 ’ .............
FUNDAMENTOS OEOMÉTRTCOS E FÍSICOS 27

Na primeira, passamos dc iim elemento ao seu sucessor, acres­


centando a cada passagem 1 ao denominador ; na segunda a passagem
se faz acrescentando sucessivamente um 3 à direita do número anterior ;
na terceira cada número r('sulta da multiplicação do anterior ime­
diato por
Como os números de uma suc(‘Ssão se formam repetindo a mesma
lei de formação 1, 2, 3., 4, . . . n vezes, podemos associar a cada um
dêles, um número natural que indique o seu posto na sucessão. Assim,
no exemplo ò) acima, a cada fração podemos associar o inteiro que in­
dique o respectivo número dc casas decimais.
Simbòlicamente reiuesentamos uma sucessão por meio de uma
letra afetada de índices 1, 2, 3, . . . n :
••••j Ti
Como numa suce.ssão se mantém constante a lei dc passagem de
um elemento (número) ao seu sucessor imediato, conhecida esta lei,
podemos escrever quantos números da suce.ssão nos convenha. Di­
zemos, por isso, que uma sucessão é ilimitada ou injinita.
3.3. Sucessões Convergentes.
Se os números consecutivos de uma sucessão se aproximam de
modo regular, incessante, d(‘ um número fixo, sem contudo atingí-lo,
dizemos que a sucessão 6 convergente, e tem por limite esse número fixo.
Para nos certificarmos dc ciue uma sucessão é convergente e tem
um limite bem determinado, é preciso obter uma lei de aproximação
dos elementos consecutivos da suc(íssão à constante que serve de li­
mite. Em outras palavras, as diferenças entre a constante (limite)
e os números consecutivos da sucessão de\am d(?crescer regularmente,
tendendo a 0 segundo uma lei d(' formação bem determinada. Para
provar que o limite existe, importa descobrir esta lei de formação.
Quando os elementos dc uma succ.ssão vão crescendo em valor
numérico, ilimitadamente, a rigor, não existe limite e a sucessão se
diz divergente. Dizemos, neste caso, que a sucessão tende ao infinito
ou, por extensão, que tem limite oo. As.sim, os números naturais 1,
2, 3 , ........ n, . . . formam uma suc('ssão divergente cujo limite é oo.
Sc os números da sucessão são todos negíxtivos, mas crescem,
ilimitadamente, em valor absoluto, dizemos que o seu limite é -oo.
Exemplo jísico.
Ao extrair o ar de um recipiente fechado por meio de uma bomba
manual {jig. 3.1), a cada operação do êmbolo corresponde uma rare­
fação do ar confinado, d<‘ modo que a pressão interna vai diminuindo
28 CUESO DE CÁLCULO DIFEKENCIAL E INTEGEAL

gradativamente até que se reduza pràticamente a zero. Seja V o vo­


lume do recipiente e do tubo e v o volume do corpo da bom ba;

F l g . 3 .1

Se, aberta a torneira de comunicação T, tiramos o êmbolo para trás,


o ar que ocupava o volume V passa a ocupar o volume t; -f F, o que
acarreta uma diminuição da pressão. Chamando pi a nova pressão,
temos de acordo com a lei de Boyle-Mariotte :
V
pi{v + F) = poV ou pi = Po— ;— r (1 )
V -f' V
(para um gás confinado, à temperatura constante, o produto da pressão
pelo volume é constante).
Expelindo o ar da bomba e restabelecendo a comunicação com o
recipiente, repetimos a operação. O ar que ocupava o volume F à
pressão pi passa a ocupar o volume v + F sob uma nova pressão
P2, ligada a pi pela mesma fórmula:
F / F
P2ÍV + F) = piV ou P2 = P1 — --7 = Po , y)
V+ V

(visto que pi = po—


X V -t V /
Repetindo a operação e refazendo as considerações anteriores,
obtemos uma pressão pa, vinculada à pressão inicial po pela fórmula

De um modo geral, repetida a operação n vêzes, obtemos a pressão


Pu, cuja expressão é

P- = Po ( t ^ )
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 29

Estas pressões pi, p 2, ps, , p», formam uma sucessão decres­


cente, cujo limite é 0 . Suponhamos, por exemplo, que o recipiente
tenha uma capacidade de 6 litros e o corpo da bomba de 2 litros, e
seja a pressão inicial po = 76 cm de Hg. A pressão p» será:

Em particular. +
3
para n — í, pi == 76 . — = 57 cm de Hg

para n = 2 , pz = 76(-|-) = 7 6 ^ ^ ) = 42,75cm de Hg

para n = 3, ps = 7 6 (-|-y = 7 6 (|^ ) = 32,0625 cm de Hg

(—3 \j = 4,28 cm de Hg

3\
(—y = 0,000 000 000 4103 cm de Hg.

Dizemos, neste caso, que o limite da pressão, para n ilimita­


damente crescente, é zero e escrevemos simbolicamente
1 i m Pa = 0
n-^00
Exemplo geométrico.
Se, partindo de um quadrado inscrito em um círculo {jig. 3.2),
construímos uma sucessão de polígonos regulares por duplicação su­
cessiva do número de lados, os perímetros dos polígonos assim obtidos,
formam uma sucessão :
P 4, Pi, P i«, P 32, P mi • • •» P 2”, • • •
30 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

A intuição nos diz, e a geometria elementar nos permite provar


que esta sucessão de perímetros tem um limite que é o comprimento
da circunferência.
Representando por C o comprimento da circunferência, podemos
escrever simbòlicamente
1 im = C
n->oo
Exemplo aritmético.
Seja a sucessão
0,3; 0,33.; 0,333; (2)
Sabemos da aritmética que a periódica simples 0,3333 . . . . tem
como geratriz a fração ordinária 1/3, ou seja, resulta como quociente
aproximado por deficiência da divisão de 1 por 3. Com o crescer ili­
mitado do número de casas decimais, a sucessão (2 ) se aproxima
indefinidamente de 1/3. Podemos dizer, portanto, que 1/3 é o limite
da periódica simples 0,3333 . . . . quando aumentamos ilimitada­
mente o número de casas decimais. Em símbolos:

1 i m 0,3333 . . . =
n->oo n ca sa s ^

3.4. Aproximações e Limites. Infinitésim os.


Uma sucessão cujos elementos decrescem ilimitadamente (em
valor absoluto), tendo 0 por limite, recebe o nome de sucessão nula.
Formam uma sucessão nula, por exemplo, as diferenças entre as
aproximações sucessivas de um quociente variável e a sua geratriz
(limite).
Com efeito, consideremos ainda a sucessão
0,3 ; 0,33 ; 0,333 ; . . .
cujos elementos se aproximam sempre mais de 1/3. Formando as dife­
renças entre a constante 1/3 e as sucessivas aproximações por defi­
ciência do quociente q, concebido como uma variável dada no con­
junto (2 ), temos:

3 3 10 30 30

j j _- 31 n i i -- 1 i? 100-99 1
d 0,33
300 300
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 31

^
d, - J^ _ n0,333
o o o _- 1g ^333
^ _- 1.000 - 999
3.000 3.000
10.000 - 9.999
= i - 0,3333 = — —
3 ' 3 10.000 30.000 30.000
Estas diferenças di, dj, dz, . . . formam uma sucessão decrescente,
obedecendo a uma lei de formação perfeitamente determinada, a saber,
cada qual vale 1/10 da anterior imediata. Para melhor destacar esta
lei de formação, podemos escrever as diferenças, exprimindo os deno­
minadores sucessivos na forma de produtos de 3 pelas potências cres­
centes de 1 0 :

, _ i _ ____ 1 ^
dz =
30 3.10 ' 300 3.102» 3.000 3.10»’ ■
e de um modo geral:

dn —
3.10"
(observando que o expoente de 10 em cada denominador é igual ao
índice do d correspondente).
Representando genèricamente por d a diferença, concebida como
uma variável dada neste conjunto de números, podemos dizer que d
é uma variável que tende a 0 ou, o que é a mesma coisa, que tem 0
por limite.
Damos o nome genérico de injinilésimo a uma variável que tem
0 por limite (*).
O que caracteriza um infinitésimo é que êle pode sempre vir a
ser menor do que um número constante (positivo) de nossa livre es­
colha, tão pequeno quanto quisermos. Para representar um tal número
arbüràriamente pequmo, sem especificar-lhe o valor, usa-se, conven­
cionalmente, a letra grega e (epsilon). Representaremos, salvo menção
e^ líc ita em contrário, os infinitésimos pelas primeiras letras do alfa­
beto grego:
a, p, Y, . . . , ou, ainda, em certos casos, por h e k.
Para indicar que a é um infinitésimo, escrevemos simbolicamente :
Ia| < £
o que equivale a dizer que, tomada em valor absoluto, a variável a

O E m bora a noçSo de infinitésim o seja perfeitam ente dispensável na exposiçáo do C ál­


culo^ Ju8tifica>8e o seu emprègo em um curso de iniciação pela vantagem que apresenta de tra ta r
as operações de lim ites como igualdades, o que não seria possível sem o seu concurso.
32 CUBSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

poderá torDBT-se menor do que um número positivo e que podemos


pensar tão pequeno quanto quisermos.
Decorre do exposto que as expressões

4 - 0 ,3 3 3 . = a (variável evanescente ou infinitésimo)


O

4 - 0 ,3 3 3 . < e (constante arbitrária positiva)


ó
significam a mesma coisa e equivalem a dizer que o limite da perió­
dica simples 0,333 . . . é 1/3.
Ê oportuno insistir no fato de que e é apenas um instrumento
de prova que serve de elemento de aferição para os valôres assumidos
por uma variável a que decresce segundo uma certa lei. Devemos
constatar, em cada caso, se a lei de variação de a implica, obrigatò-
riamente, que a venha a ser e conservar-se menor do que e, qualquer
que seja o valor dêste e. A fim de melhor ilucidar o mecanismo de siia
manipulação, vamos atribuir a e um valor particular, por exemplo,
um milionésimo:

6=
10 0 0 0 0 0 10 «
Concebido a como uma variável dada no conjunto de valôres
dl, dj, dj, . . . , trata-se de verificar que a é um infinitésimo, ou seja,
que os seus valôres, a partir de certo pôsto, resultam todos menores
do que o e assim fixado. Basta, para tanto, determinar o mínimo
valor de n (inteiro) que satisfaz a desigualdade:
1
< e ou <
3.10* 3.10* 10*
Não é difícil perceber ou descobrir por tentativa que esta última
desigualdade se verifica para n = 6 e, com maior razão, para todo
n > 6.
Se ao invés de 1 / 10 * tivéssemos atribuído a e o valor

ou lOioo
101 »
ou outro valor ainda menor, o raciocínio seria o mesmo; no primeiro
caso, a desigualdade
1 1 1
< e ou <
3.10" ' ~ 3.10“ ' 101»
é satisfeita para w ^ 10 e, no segundo, para n ^ 100 .
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 33

3.5. Vizinhança de um Ponto. Ponto de Acumulação


Damos o nome de vizinhança ou entôrno de um número ou do ponto
que lhe corresponde na reta orientada, a todo intervalo aberto que
encerra no seu interior o referido número ou ponto.
Assim os intervalos abertos
(0,3 ; 0,4) (0,33; 0,34) (0,333; 0,334), etc.
são vizinhanças do número 1/3 ou do ponto que o representa sôbre
a reta.
Se fixamos uma destas vizinhanças, por exemplo :
. (0,333; 0,334)
podemos estar certos de que dentro desta caem infinitos números do
conjunto de aproximações quer por deficiência, quer por excesso. Di­
zemos, por isso, que o número 1/3 é um elemento ou ponto de acumu­
lação do conjunto de aproximações por deficiência como do conjunto
de aproximações por excesso.
Usando a linguagem geométrica, podemos dizer :
Um ponto é denominado 'ponto de acumulação de um conjunto
quando em uma sua vizinhança qualquer, caem sempre infinitos pontos
do conjunto.
3.6. Propriedade Fundamental dos Infinítcsimos.
Se a, ^ e Y são infinitésimos e a, 6 e c são constantes dadas (posi­
tivas ou negativas), também a soma
aa -|- 6^ -}- CY (1 )
é um infinitésimo.
Basta verificar que esta soma tende a zero conjuntamente com
a, ^ e Y, ou seja, que pode vir a ser menor, em valor absoluto, do que
um número positivo e, arbitràriamente pequeno. Com efeito, como
a, ^ e Y tendem a 0 por hipótese, dado um e > 0 , arbitràriamente
pequeno, é sempre possível que venham a verificar-se as desigualdades :

a <
3|a| ’ M < 3|6| 'I T' 'I < 31c|
Donde, tomando a soma (1 ) em valor absoluto elevando em conta
estas limitações, podemos escrever sucessivamente :
|aa-l-6^-l-CY |^ |aa |-f [ 6^ |-f- |cy |
substituindo a,
^ 0 Y par va-
< |a |^ r r - ^ + l 6 l^ r;V r+ " ' lôres majoran­
a 315 3 c tes
34 CURSO DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

6 S 6
= 3 " "í" 3 " (simplificando)

= e (reduzindo)
isto é,
\act + + cy I < e
como se tratava de estabelecer. A propriedade é válida para um número
finito qualquer de infinitésimos e se demonstra do mesmo modo.
3.7. Estudo Local de um a Função.
Dizemos que uma função y = j{x) é definida em um ponto o
do campo de variação de sua variável independente x, quando existe
e é finito o valor /(a). Diremos, neste caso, que a função tem valor
próprio em o. Se j{a) = ± ^ , diremos que a função adquire valor
impróprio em a. Se j{x) adquire em a uma expressão da forma
— -22. Q GO,
Q ) 00 J 00 - 00 etc.

diremos que ela é indeterminada nesse ponto.


Quando uma função possui valor impróprio ou adquire forma
indeterminada no ponto a, dizemos que ela não é definida nesse ponto,
ou ainda que ela é descontínua no ponto.
Exemplo. A função
*2 - 1
(x - l)(x - 2 )
é definida no ponto 0 (ou para x = 0), isto é, tem um valor próprio
em X = 0 , pôsto que
/(O) = ----- —
(0 - 1)(0 - 2) 2
tem valor impróprio no ponto x = 2 :
22-1
m = — = 00
(2 - 1)(2 - 2)
e assume forma indeterminada d o ponto z = 1:
1«-1 ^ ^
/(!) = (1 - 1)(2 - 1) “ 0

3.8. Limite em um Ponto. Continuidade.


No estudo local de uma função, é da máxima importância verificar
se a função tende a um limite determinado e único, quando x tende
a um ponto dado a do seu domínio.
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 35

Dizemos que uma constante L é o limite de uma junção j{x), para x


tendendo a um ponto a do seu campo de variação, quando a dijerença
j{x) - L é um injinitésimo com x - a. Simbòlicamente, escrevemos:
1i m j{x) — L
a
que se l ê : "limite de j de x, para x tendendo a a, igual a L. //
Exemplo. Seja verijicar que o limite da junção
x^-1
y(^) =
X- 1
no ponto X = 1 é igual a 2.
Solução. Observe-se, de início, que esta função não é definida
para x = 1, pôsto que
P- 1 £
/(l) = 1 - 1 0
Dizer que x tendo a 1 , equivale a supor que a diferença x - 1 é
um infinitésimo (3.4); rcpresentando-o por h, escrevemos:
x-1 = h ou a: = 1 A
Representando, anàlogamentc, por k a diferença j(x) - L, ou seja,
fazendo
1 x^-1
2 = k ou = 2 -\-k
a; - 1 x-1
devemos constatar que este k é um infinitésimo com h. Com efeito,
substituindo na última expressão x por 1 -{■ h resulta (invertendo
a igualdade) :
(1 + /^ ) ^ - l
2 -j” ^ ~
1 + h - 1

2h +
l + 2 h + h ^-X
h I desenvolvendo o quadrado e simplifi­
cando o denominador

(simplificando o numerador)
h
— 2 -f- h (efetuando a divisão)

Donde resulta;
k = h
36 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

isto é, k tende a 0 com h e é, portanto, como êste, um infinitésimo, de


modo que podemos escrever:

lim ----- 7 = 2
1 X- 1
Se a função /(x) é definida no ponto Xo e seu limite neste ponto
coincide com J{xo), dizemos que a função é continua em xa. Simbò-
licamente, escrevemos:
1 i m j{x) = /(xo)
Xo
Se fazemos x =» x©+ podemos ainda exprimir a continuidade
em forma equivalente:
1 i m /(xo 4 - /») =
0

o que, de resto, equivale a dizer que a diferença k == /(x© + h)-)(xo)


é um infinitésimo com h.
Exemplo. Seja verijicar o continuidade da junção

j{x) = j x * 4 - 2

no ponto X© = 2.
Solução. A função dada é definida no ponto x = x© = 2 , pôsto
que:

j(xo) = /(2) = j . 22 4- 2 = 3

Resta verificar que a diferença


k = /(x© 4 - h) -j(xo)
é um infinitésimo com h. O cálculo de /(x© 4- h) para x© = 2 , dá

/(x© 4“ h) = j{2 4 " ^) = •^(2 4“ hy 4 " 2

= ~ (4 4- 4A 4- + 2 (elevando ao quadrado)
4

1 4" ^ 4" -T- 4" 2 (efetuando á multiplicação)


4

. f t +- A* + 3 (reduzindo)
FUNDAMFJNTOS GEOMftTIÍICOS E FÍSICOS 37

Donde a diferença :
k = /(xo + h) -Kxo) = /(2 + h) -J(2)

= h + ^ h ^ + 3 -3
4

= A + 44'* '

ou seja, /C = /i + /i2
4
que é, ccrtamente, um infinitésimo com h, o que, de resto, se pode
confirmar, por via direta, atribuindo a h um conjunto de valôres decres­
centes, por exemplo, , 7^ > • • • e calculando os corres­
pondentes valôres de k. Assim,
^ 1 , , 1 , 1 / 1 \" 1 , 1 41 50 1
para - »e “ iq + 4 ( 10 / “ 10 400 “ 400 ^ 400 8

(substituindo o numerador 41 por 50 para obter uma fração majorante


e, ao mesmo ternpo, redutível);

para h = — , = JqÕ t (^ÍÕÒ^ "" ÍÕÕ 40000 ^

401 500
<
40 000 40 000 80’

1 1
para h = , é k = +
1.000 1.000 4 V 10 0 0 J 1.000 ^

1 4.001 5.000 1
4- <
4.000000 4 000000 4 000000 800

e assim por diante. Como se vê, os valôres de k vão decrescendo se­


gundo uma lei perfeitamente determinada com o decrescer dos valôres
de h. A jig. 3.3 ilustra, gràficamcnte, o exposto. No ponto x = 2
a ordenada da curva representativa da função

!/ = 4 X' + 2 ,
38 CUESO DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

tem o valor /( 2 ) = 3; quando passamos do ponto x = 2 ao ponto


X = 2 -{■ h, a ordenada adquire o valor

i(2 + A) = 3 + A + -I A*

isto é, cresce de um valor k = h h^. Quando se supõe h ten­


der a 0 , também k tende a 0 .

3.9. Operações Racionais com Limites.


Se existem os limites de duas funções j{x) e g{x) para x tendendo
a o e são A e B respectivamente, a saber:
1 i m j{x) = A e I i m g{x) = B
X—
>a
valem as relações:
а) 1 i m [/(x) -f g{x) ] = 1 i m j(x) -1- 1 i m g(x)
x->-a x->-tf
б) 1 i m [/(x) - g{x) ] = 1 i m j{x) - 1 i m g{x)
X->- tf X->- tf
c) 1 i m [f(x)g{x) ] = 1 i m ){x) 1 i m g{x)
X->-tf X->-tf X->- tf
1 i m j(x)
(B ^O )
^ iV*". L^J “ H m g(x)
a
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 39

Dem. Dizer que A é o limite de /(x) para x tendendo a a, equi­


vale a dizer que a diferença entre j{x) e seu limite A é um infinitésimo;
representando-o por h, podemos escrever:
j{x) - A ^ h ou jf(x) = A h (a)
Do mesmo modo, representando por k a diferença entre a função
g{x) e seu limite B, tem os:
g{x) - B = k ou g{x) = B + k (6)
Somando membro a membro as relações (o) e (6), tem os:
= A -\-B -\-h i-k
Mas, de acôrdo com a propriedade fundamental dos infinitésimos,
a soma h-{- k de dois infinitésimos é um infinitésimo (3.5), de modo
que podemos dizer que a função j{x) -j- g(x) (soma de duas funções)
é igual à constante (A + B) (soma de duas constantes) mais um infi­
nitésimo {h + k). Donde resulta que a constante é o limite da função
e podemos escrever:
l i m [/(x)-f-g(x)] = A + B
JC->“ a

Mas, por hipótese, é A — limf(x) e B = limg(x), de modo que


podemos substituir A e J5 no segundo membro e escrever:
1 i m [/(x) -}- g(x) ] = 1 i m f(x) -h 1 i m g(x)
*-> • a x -> -a a

como se tratava de estabelecer.


Do mesmo modo demonstram-se a segunda e a terceira relações.
Subtraindo membro a membro a relação (6) de (a), tem os:
f(^) - g(^) = A - B + k - k
e como h - k é um infinitésimo, é lícito escrever:
1 i m [j{x) - g{x) ] = A - B
x -> - a
= 1 i m j{x) - l i m g{x)
x -> - a x -> - a

(visto que A = lim/(x) e B — lim g{x).


Se multiplicarmos membro a membro as relações (a) e (6), vem :
j{x) g{x) = ( A h ) (B k)
= A B + A k -\-B h -\-h k
onde o trinômio A k Bh hk é um infinitésimo com h e k. Donde,
passando ao lim ite:
1 i m [j{x) g{x) ] = AB
X-►a
= 1 i m /(x) . l i m g{x)
X -► a X a
4a CUESO DE CALCULO DIFEKENCIAL E INTEGRAL

Para demonstrar a última relação, dividimos membro a membro


a relação (o) por (6):
j{x) A + h
g \x) B k
Subtraindo aos dois membros desta igualdade a mesma fração AjB,
vem :
j(x) A A h A
" g{x) B ~ B + k ~ B
Bh - A k reduzindo o 2.*
membro e simpli­
~ B (5+fc) ( ficando
ou, transpondo a fração AfB ao 2.® membro :
)(x) A Bh - A k
g{x) ~ B B{B + k)
O numerador Bh - A k é um infinitésimo, ao passo que o denomi­
nador B{B + fc) = é um número finito (B ^ 0), pôsto que
tende a B^ quando k tende a 0. Portanto, a fração
B h -A k
B(B + k)
é um infinitésimo e podemos escrever:
r m 1 A
]- B
l i m j{x)
a

1 i m g{x)

3.10. Form as In d eterm in ad as.


Ocorre, freqüentemente, na prática, a necessidade de, não só
verificar que um número L é o limite da função em um ponto dado,
mas achar o valor dêsse limite, quando a função não é definida no refe­
rido ponto. Quando uma função racional
Kx)
F{x) =

se reduz à forma
00
— ou 00
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 41

|)ara um valor particular a de a: ou num ])ont.o x = a, n função, como


vimos, não é didinida nesse ]:>onto o dizemos que ela é indeterminada
para x = a. Outras formas indeterminadas são :
0 . 00 , 00 - 00 2 00

Ainda que não seja definida num ponto de indeterminação, uma


função pode admitir um limite em um tal ponto. Por exemplo, a função
- 6x + 9
j{x) =
X- 3
é indeterminada no ponto x = 3, pôsto que :
32- 6 - 3 + 9 0
K i) = 3 -3 ~ 0
l^xisto, porém, o limite da função neste ponto e é igual a 0 , como fàcil-
mente se verifica.
Se uma função y = F{x) assume uma forma indeterminada para
um certo valor a de a:, podemos, em muitos casos, transformar a função
em outra equivalente em todos os demais jíontos, mediante uma
simples operação algébrica, de modo que a nova exi)rcssão venha a
[íossuir um valor perfeitamente determinado no referido ponto. O
\'alor assim obtido, se assume como o valor da função dada no ponto
de indeterminação (descontinuidade superáví;!).
São característicos os seguintes casos elementares :
I caso. Se a função racional

F(x) =

se reduz à forma
£
0
para x — a {a finito c diferente de 0), isto é,
Kfi) ^ £
g{a) 0
l)asta dividir o munerador c o denominador da função por x - a tantas
vezes quantas fôr possível. Com efeito, seja/i(ar) o quociente de/(a:)
por a; - a e çiix) o quociente de g{x) por x - a q suponhamos que /i(a)
e í;i(a) não sejam simultâneamente nulos. Temos, neste caso :
/(-^) {x-a)jx{x) ji(x) ^ ^^
F{x) = —— = — 7- = — (parax ^ a)
g{x) (x-o)gi{x) gi{x)
42 CURSO DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

E passando ao limite :

1 i m F{x) = 1 i mK^) = l i m
= Q(a)
j:->- a x->- a cc-^a 9 i{x) gi{a)
onde Q(a) exprime o valor do quociente
h(a)
9i{à)
valor este quis nos proporciona o limite de F{x) em a.
Exemplo. Seja achar
,. 0:2-9

Solução. Esta função se reduz à forma indeterminada -q- para


a: = 3, o que mostra que tanto o numerador como o denominador é
divisível por a:- 3 (teorema da divisibilidade). Efetuando a divisão,
obtemos:
a;2-9
= a: + 3
a: - 3
Donde, passando ao limite :

1i m -----^ = l im (a:-|-3) = 3 + 3 = 6

I I caso. Se a função racional


f(x)
F(x) =
g{x)
se reduz à forma indeterminada ^ para a: = 0 , basta dividir o nume­
rador e o denominador pela menor potência de x quê figura na função.
Exemplo. Seja achar
-. a;* + 2x\
11 m
0 2x*‘ + 3a;2
Solução. Para a: = 0 esta função se reduz à forma ; divi­
dindo o numerador e o denominador por (menor potência de x que
ocorre na expressão), temos :
a:* + 2a:2 a: + 2
2a:^ + 3a:2 2x^ + 3
e passando ao limite
,. a:* + 2a:* ,. a; + 2 2
11 m - -T ■ ■■—r - r = 1 1 m
0 2x* + 3a:2 0 2a:2 + 3 3
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 43

I I I caso. Se a função racional

F(x) = m
g{x)
se reduz à forma indeterminada ^ para x tendendo ao oo, basta
dividir o numerador e o denominador pela maior potência de x que
figura na função.
Exemplo. Seja achar
2a:» + 5a; - 3
Sx* + 2x» + 5a:
Solução. Esta função se reduz a ^ para x^*- <» ; dividindo o
numerador e o denominador por x* (maior potência de x que ocorre
na expressão), temos :
2 .5 ^
— H—x "iV' X'r.4
2a*» + 5a: - 3 X ^ simplificando o
Zx* + 2a:» + 5a: 2 5 quociente

e passando ao lim ite:


2 5 3
2a:» + 5a:- 3 X x^} X* 0
= l i m ------ 2 —
3 a:* + 2 a:» + T = 1 = 0
jr->- 00
3 + *~r
x^ + TT
IV caso. Se uma função irracional adquire a forma oo - oo, pode
mos, em geral, suprimir a indeterminação, multiplicando-a e divi­
dindo-a convenientemente.
Exemplo. Seja achar
1 i m ^ /x { \/x 1 - \/x )
«->- 00
Solução. Para a: oo, esta função se reduz à forma indeter­
minada 00 (oo -o o ). Multiplicando-a e dividindo-a pela expressão
‘y/x -}- 1 -h \ / x temos :
r. /-. s /x { \/x -f 1 - \/x'){\/x -h 1 + \ / í )
\'X {\/x -i- 1 \/x ) ------- — ~ y~
\ / x -f- 1 + x-\r X~\~‘V ^
que é ainda indeterminada para a; oo, mas agora da forma s .
Dividindo o numerador e o denominador desta última expressão por
obtemos: 1

1+ - + 1
/ X
4A CUESO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

que, para x ^ oo, adquire o valor ^ . Donde,


\/x
1i m y/x{^x-\- \-\/x ) = 1 i m = 1i m
« \/x + H -\/x 2
+1
3.11. Aplicações Geométricas.
1. A razão entre um arco e sua corda não é definida para um
arco nulo, pôsto que, neste caso, também a corda é nula e a razão
assume a forma indeterminada:
arco nulo 0
corda nula 0
Não obstante, podemos provar que existe o limite desta razão quando
o arco tende a 0 e, precisamente :
O limite da razão de um arco de curva lisa evanescente(*) e sua
corda é igual a 1.
Dem. Sejam PNQ = a o arco e PMQ = c a corda que o subtende
(Jig. 3.4); seja R o ponto de encontro das tangentes ao arco em P
e Q respectivamente e a e ^ suas inclinações em relação à corda PMQ.
O arco a = PNQ é maior do que a corda c = PMQ e menor do que
a linha quebrada PR + R Q ; donde, as desigualdades :
c a PR RQ (1)
ou, dividindo por c (número positivo):
PR ~Y' RQ
i < i < (2)
c

Mas, a soma PR + RQ pode ser expressa em função da corda c :


baixando a perpendicular RM à corda, formamos os dois triângulos
retângulos PRM è QRM, nos quais valem as relações (fazendo PM =
■= p eM Q = g) :
PR ■= p sec a e RQ = q sec ^ í sec = Jup^temií^X
________ ^ ^ r y adjaccnO '/
(*) D izem o s q u e u m a c u rv a é lisa o u regular q ú a iu lo p o ssu i u m a ta n g e n te e u m a ú n ic a em
c a d a p o n to e a su a p osição ao longo d a c u rv a v a ria de m o d o c o n tín u o .
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 45

Somando, membro a membro, estas relações, vem :


PR+RQ = p sec a-\-q sec 0
= p sec a + (c -p )se c ^ (suhat. q = MQ = PQ - P M = c - p )
= p sec a + c sec sec ^ (efetuando a multiplicação)
* = csec ^+2?(sec a -s c c (reagrupando e fatorando em p)
Substituindo em (2 ), vem :
^ ^ o ^ c sec ^ + 7)(sec a - sec 0)
c c
ou, desdobrando o último membro e simplificando por c :
(I 7)
1 < — < sec ^ + — (sec a - sec S)
c c
Fazendo tender a 0 o arco a, tendem a 0 com êle, em particular,
os ângulos a e de modo que as secantes respectivas tendem a 1
(lembrando que sec 0 = 1 ); donde :

1 ^ 1im — ^ 1im sec ^ + —(sec a - sec I


a 0 ^ a 0 L ^ Jj

»]
= 1
Como o limite de a/c deve ser, ao mesmo tempo, maior ou igual a 1
e menor ou igual a 1 , só pode ser igual a 1 ; donde

lim - = 1
a 0 ^

Convém notar que a fração p/c não é determinada no limite, do


vez que também p e c tendem a 0 com o arco ; mas, quakiuer que seja
o seu valor, será sempre um número menor do que 1 , sendo p uma parte
de c, de modo que sua multiplicação por 0 só pode dar um produto
nulo,
2, Corolário. Uma conseqüência imediata desta relação, é que
o limite da razão de sen x e arco x, qutindo êste arco tende a 0 , é
igual a 1 . Em símbolos :
,. sen X
11 m ------- = 1
X 0 X
Seja (Jig. 3.5): AB = x e BM = sen x
46 CUKSO DE CÁLCULO DIFEEENCIAL E INTEGEAL

Prolongando BM, obtemos M B' = BM e À B ' = A B = x, e, por con­


seguinte : arco BB' = 2x e corda BB' = 2 sen x, de modo que po­
demos escrever:
,. sen X . . 2 sen X
l i m -----= l i m (multiplicando dividendo e divisor por 2)
* -> -0 X *-> -0 2x

= 11 1• m „—. = 11 ^lim corda lim arco


b B' arco corda = 0

3. Seja determinar o comprimento da circunferência de raio r,


concebida como o limite de uma sucessão de polígonos regulares ins­
critos, cada qual obtido por duplicação do número de lados do seu
predecessor imediato. Se partimos do quadrado inscrito, obtemos a
sucessão de polígonos de
4, 8 , 16, 32, 64, 128, . . . . lados
Bepresentando por h e Pn, respectivamente, os comprimentos
do lado e do perímetro de um polígono genérico da sucessão, podemos
escrever
Pn = n Zn (1)
onde n é uma variável, ilimitadamente crescente, dada no conjunto
de números 4, 8 , 16, 32, 64, 128, . .. Como o comprimento h dos lados
vai diminuindo e tende a 0 com o crescer ilimitado de n, a relação
apresenta, no limite, a forma indeterminada oo . o.
A fim de superar esta indeterminação aparente, consideremos um
polígono genérico da sucessão e seja A B = h (jig. 3.6) a representação
de um de seus lados (os demais foram omitidos na figura). Ao lado AB
corresponde um ângulo central AOB = — radianos, visto que os
FUNDAMENTOS GEOMÉTEICOS E FÍSICOS 47

vértices do polígono decompõem a circunferência em n arcos iguais.


O raio OC, perpendicular à corda ABj divide ao meio o arco A B em
TC
(7 e a corda A B em M, de modo que o ângulo central AOC = — n
.
No triângulo retângulo OMA, tem os:
c

A M = r sen — ^aen A OM =
n \ OA /
e, por conseguinte:

In = A B = 2 A M = 2 r sen
n
Como o polígono tem n lados, o perímetro será:

Pu = n In = n2r sen
n
TC
Multiplicando e dividindo o último membro por —
n , o que não
altera o seu valor, resulta:
TC X
sen — sen —
T> * « n ^ n
Pu = — . n . 2 r ................ — 2xr -------------- (simplificando)
n X JL
n n
T1T
Fazendo n tender a oo, a fração — tende a 0 e, de acôrdo com
o exemplo anterior, a razão sen “ / tende a 1 , de modo que
48 CUESO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

podemos escrever:
%
sen
n
C = Ii m = 2 xr 1 i m ------ = 2 xr . 1 = 2 Tcr
n 00 n 00

n
que é o comprimento da circunferência.
EXERCÍCIOS
1. A divisão de 5 por 9 dá origem a uma periódica simples (aproximações por
deficiência) :
0,5555. . .
Mostrar que as diferenças entre 5/9 e as aproximações sucessivas
0,5 , 0,55 , 0,555 , 0,5555 , . . .
decrescem segundo uma lei determinada. Qual a expressão da diferença
quando tomamos n casas decimais?
2. Quantas casas decimais da periódica acima se devem tomar a fim de que difira
da fração 5/9 de uma quantidade menor do que 1 milionésimo? Quantas
aproximações existem que diferem de 5/9 de um valor menor do que 1 milio­
nésimo ?
3. Achar os quocientes aproximados por deficiência e por excesso de 3 dividido
por 7 até a 7.» casa decimal. Em cada aproximação determinar a diferença
entre a fração 3/7 e a aproximação por deficiência e a aproximação por excesso
resjjectivamente. Determinar ainda as diferenças entre as duas aproximações
em cada caso. Qual a lei de formação dessas diferenças?
4. Calcular a raiz quadrada de 2 aproximada por deficiência e por excesso até
a 7.* casa decimal. Na medida do possível, calcule as diferenças como no
caso anterior. Em que diferem os dois casos?
5. Representar sôbre, uma reta orientada, na medida do possível, as seguintes
sucessões de números:
a) 1 1 2 i 1

1 1 2 1 3 1 4 1
^ ’ 2 ’ 3’ 3 ’ 4 ’ 4 ’ 5 ’ 5 ’

c ) l - i 1 - J . l - i 1

Verifique em cada caso se os números da sucessão obedecem uma lei de


formação, de modo que seja possível escrever quantos números da sucessão
se deseje.
6. Mediante a lei de formação de uma sucessão, torna-se possível dizer qual a
expressão do n.»»o elemento (número). Escrever êste n.»»» elemento para cada
uma das sucessões acima.
7. £m cada uma das sucessões acima, dizer quais os dois inteiros mais próximos
entre os quais estão todos os elementos da sucessão.
8. Verifique a existência, em cada uma das sucessões de um número deter­
minado do qual vão se aproximando mais e mais (ilimitadamente) os números
da sucessão.
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 49

9. Se encontrar um tal número, forme a sucessão de diferenças entre êle e os


elementos da sucessão. Verifique se estas diferenças obedecem uma lei de
formação.
10. A quiles e a Tartaruga. Zcnão de Eléia, filósofo grego da era clássica, pretendia
negar a existência do movimento. Dentre os argumentos invocados nesse
sentido pelo filósofo, destaca-se o famoso paradoxo de Aquiles e da tartaruga
que, em linguagem moderna, pode ser enunciado como segue:
Uma tartaruga leva uma dianteira de 10 w = 100 dm sôbre Aquiles
e percorre 1 dm enquanto Aquiles percorre 100 dm. Segundo Zenão, Aquiles
jamais alcançará a tartaruga porque, argumenta o filósofo, enquanto Aquiles
percorre os 100 dm que o separam da tartaruga, esta se adianta de 1 dm;
enquanto Aquiles transpõe êste dm, a tartaruga avança de 0,1 dm; enquanto
Aquiles transpõe êste 0,1 dm, a tartaruga avança de 0,01 dm e assim por
diante, indefinidamente. Exprimir em forma decimal o resultado dêste racio­
cínio.
11. Prefixando um e positivo arbitràriamente pequeno, verificar a existência dos
seguintes limites:
a), lim 1,111.. . = b) lim 0,222... = ~
3 9

c) lim 1,666. .. = _ d) lim 0,8333... = ~


3 6

e) lim 0,272727.. . = —
11
Em particular, chamando n o número de casas decimais e fazendo
e = _ L _ _
1 000 000
determinar n de modo que seja | o - x | < e.
12. Achar o limite das variáveis definidas nos seguintes conjuntos:

3 ’ T ’ t .............

b) i . i L , ... Reip. I
2 4 8 16

c) 2 J L , 2 ~ , 2 ^ , . . . . Resp. 2
2 4 8

d) 1, - i - , J - , — L ,. Resp. 0
2 3 4

e) 1, - 1 , 1 , — , 1, — , 1, - i , . . . . Resp. 1
2 3 4 5
13. A soma dos n primeiros têrmos de uma progressão geométrica é dada pela
fórmula o(l - r")
Sn =
1 -r
onde a é o primeiro têrmo e r a razão. Verificar que o limite desta soma é
5 = —
1- r
quando r < 1 e n cresce ilimitadamente. Considerar o caso particular a -■ 7
50 CUESO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

e r = —O. . Tomando £ = 10~L determinar o número mínimo n de têrmos


10
a tomar para que se verifique a desigualdade - >Sn < e Resp. n = 12.
14. Se a, ^ e Y são variáveis definidas nos conjuntos
(1 J_ 1 JL 1 \
\1 5 ’ 150 ’ 1.500 ’ ■■7 ' \1 8 ’ 180 ’ 1.800 ’ / ®

( - i , -L. —1— I . • • I respectivamente, verificar que;


45 450 4.500 /
a) sua soma é um infinitésimo;
6) suas diferenças duas a duas são infinitésimas;
c) seu produto é um infinitésimo;
d) o produto de cada uma delas pela constante n = 500 é um infinitésimo.
S ugistão. A título de exemplo vamos provar a primeira. A soma a + ^ + y
passa pela sucessão de valôres:
13
«1 + + Yi 15 18 45 90 9.10
13
a j+ ^ í + Ya»
9.10*
1 13 13
ot» 4* Pt + Y» == +
1500 1800 4 500 9 000 9.10»

13
(Zn + Ph + Y“ ^
9.10“
Para n suficientemente grande, esta fração se torna arbitràriamente pequena,
isto é, tende a 0.
15. Se X, y e * são variáveis definidas nos conjuntos (0,2, 0,22, 0,222, ...), (0,5,
0,55, 0,555, . . . ) e (0,6, 0,66, 0,666, . . . ) respectivamente, verificar que;
13
а) o limite da soma é igual a — ;
9

б) o limite de w- x é — e o limite de z - x é — ;
3 9
20
c) o linüte do produto é — ;
243
2
d) o limite do quociente de x por j/ é — e o limite de z por x é 3.
5

Sugestão. Seja, por exemplo, verificar que a diferença z - x tem por limite JL.
9
Esta diferença passa pela sucessão de valôres:
dl - - Xj - 0,6 - 0,2 - 0,4 - 1

d, = » 0,66 - 0,22 - 0,44 = 44


100
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 61

444
d, = 2, - X, « 0,666 - 0,222 » 0,444
1000

Formando as diferenças entre a constante ~ e esta sucessão de diferen­


ças dj, d2, ds. temos:
““1 =
~■ í £ 4 4
9 10

90 9.10

)2 = _ -
44 4
100 900 9.10»
444
$3 = i -
1000 9 000 9.10»

9.10“
que tendem a 0 com o crescer de n.
16. Verificar que as sucessões
1
4
3
k' T ’ 4
1 1
0) 1 , f f
16

<*) 1 . - i , £
3
possuem um ponto de acumulação e dizer qual é.
R esp. a) 0; 6) 1; c) 0; d) 0.
17. Em cada uma das sucessões do exercício anterior, determinar uma vizinhança
com:
o) 8 = 0,01; 6) 8 = 0,001; c) 8 = 0,000001
Verificar, em cada caso, a partir de que índice n, todos os subsequentes ele­
mentos da sucessão caem no interior da vizinhança prefixada.
18. Quantos pontos de acumulação possui a sucessão
1 1 2 1 3 1 4 1 Resp. Dois: 0 e 1.
’ 2 ’ 3 ’ 3 ’ 4 ’ 4 ’ 5 ’ 5 ’
19. Determinar, caso exista, o limite de cada uma das seguintes sucessões:
o) 2 n - 1 b) 2 n - l C)
TO» - 1
d)
TO» 4-3
n 7i 1 2to 1 TO -

s 1
e) sen — ; /) COS
£
TO TO
R esp. a) 2; 6) 2; c) oo; d) 1; e) 0; /) 1 -
CAPiTULO 4

RAZÃO DE VARIAÇÃO E A NOÇÃO


DE DERIVADA

§1. Significado Físico e Geométrico de Derivada


4.1. Grandezas Compostas por Quociente.
Já tivemos ocasião de mencionar o fato (1.9) de que em muitas
questões práticas se nos apresentam grandezas compostas por quo­
ciente, as quais, concebidas como variáveis, nos levam à noção de
derivada.
Existem, efetivamente, inúmeros problemas de geometria e física
em que se exprime uma relação de dependência entre duas ou mais
variáveis, para as quais é de fundamental importância o conceito
de razão de variação entre estas variáveis em um ponto ou em um ins­
tante dado. São exemplos de grandezas assim constituídas, o declive
de uma estrada ou de uma reta, a velocidade e a aceleração de um
móvel, a queda de temperatura ao longo de uma barra aquecida em
uma extremidade, etc.
Seguindo a evolução histórica do Cálculo, vamos introduzir os
seus conceitos fundamentais, examinando os problemas que lhe deram
origem.

4.2. Concepção Física de Derivada.


O problema fundamental da cinemática consiste em determinar
a velocidade de um ponto móvel quando é conhecida a equação de seu
movimento, ou seja, o espaço cm função do tempo :
s = i (0
A noção de velocidade deriva da aja-eciação quantitativa do movi­
mento e exprime, de um modo geral, a razão de variação do espaço
em relação ao tempo. Quando esta razão é constante, o movimento
se diz unijormc e a velocidade se define como o espaço percorrido na
unidade de tempo. Se o móvel percorre um espaço s (metros) em t
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 53

segundos, a velocidade v é dada pelo quociente (razão de variação


constante):
s
^ ~ T
Quando, porém, a variação de s relativamonte a t não se conserva
constante, isto é, quando os espaços percorridos em tempos iguais
não são iguais, o movimento resulta variado e torna-se mister distin­
guir entre velocidade média e velocidade instantânea.
Se um automóvel gasta uma hora para fazer o percurso de 60 km,
a rigor, não podemos còncluir deste fato (pie a velocidade foi de 60 km/h.
O velocímetro nos permite constatar, com efeito, que a velocidade
do automóvel durante o trajeto, jiassa por variações freqüentcs, ora
crescentes, ora decrescentes. Nest(‘ caso só se pode falar em veloci­
dade média que é, por definição, o espaço total percorrido dividido
pelo tempo gasto em percorre-lo. Mas o velocímetro marca em cada
instante uma velocidade perfeitamente determinada a que se dá o
nome de velocidade instantânea.

F i g . 4 .1

De um modo geral, se um móvel oc.upa uma posição A de abscissa


Si, num instante ti, e outra posiçfio B d(' abscissa S‘>no instante U
(jig. 4.1), percorrendo o cspaço(*)
As = s >2 - si
no intervalo de tempc) A/ = t<2 -t\, dizimos que a sua velocidade
média no referido intervalo de tempo é :
As
y.n =
"ÃT
Partindo deste conceito de v('locidade média, podemos estabelecer
a noção matemática de velocidade instantânea, supondo que o inter­
valo de tempo Aí tenda a zíto. Quanto menor fôr o int(‘rvalo Aí,
tanto menor será o aumento da velocidade neste intervalo. E como
As tende a zero com Aí (o espaço percorrido 6 tanto menor quanto
menor fôr o intervalo de tempo correspondente), segue-se que o limite
da razão
As

(*) O sím bolo A j * q u e sc lè **delia s** re p re s e n ta um acréscim o ou in c re m e n to d a v ariév o l s e
ex p rim e a id é ia de d ife re n ç a e n tr e d o is v a lô re s d e s. A nao d e v e , p o rta n to , ser tr a ta d o coiiio um
fa to r ou c o e fic ie n te d e j-. A e x p ressão A«r é um to d o in s e p a rá v e l.
54 CURSO DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

quando Aí tende a 0 , exprinae a velocidade instantânea do naóvcl no


instante íi, o que se traduz simbòlicamente, escrevendo:
As _ ds
V= 1 i m
aí-m) Aí dl
Dada a função s = /(í) o quociente se diz a razão incre­
mental das variáveis s e í ou da função s em relação a í, e o símbolo
ds
dt
limite desta razão incremental, se diz a derivada da função s em relação
à variável independente í, ou, simplesmente, a derivada de s em t.
As
Aparentemente, o limite da razão increm ental-^ se reduz à for­
ma indeterminada ^ , pôsto que As tende a 0 conjuntamente com Aí.
ds
0 símbolo — está a indicar o resultado da superação desta indeter-
minação aparente.
Exemplo 1 . Ilustração numérica. A distância s, medida em cm,
])('i'corrida por um ponto material em í segundos, soja dada pela equação
5 = 5í^ (1 )
Achar : a) os espaços As percorridos nos intervalos de tempo Aí = ío-íi,
assumindo íi = 3s e fazendo sucessivameute Í2 = 4 s ; 3 ,ls ; 3,01s ;
3,001s; 3,0001s; 3,00001s;
h) as velocidades médias nos mesmos intervalos ;
c) a velocidade instantânea para í = 3s.
Solução. Atribuindo a í um acréscimo (arbiti’ário) Aí, o espaço
s sofrerá um acréscimo correspondente As, vinculado a Aí p('la equação
do movimento (1 ); cm outras palavras, a substituição de í por
í -f- Aí em (1 ), acarreta a substituição de s por s As, o que dá :
s d- As = 5(í -h Aí)2
= 5(í^ -f- 2í Aí -|- Aí^) (dosenvolvendo o quadrado)
= 5í^ -}- lOí Aí -f- 5Aí^ (efetuando a multiplicação por 5)
Subtraindo membro a membro a equação primitiva, a fim de obter
As, tem os:
s d* As = 5í^ d” lOíAí d~ 5 Aí"
S = 5 í2

As = lOíAí d- 5Aí‘"
que é a expressão do espaço percorrido no intervalo de tempo Aí.
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 55

Dividindo ambos os membros por Aí, obtemos a velocidade média


no mesmo intervalo :
As
Vm = lOí + 5 Aí
"ÃT
Para tx = 3s, fazendo sucessivamente
Aí = Í 2 - í i = 4 - 3 = 1 s ; Aí = 3,1 - 3 = 0 , 1 s ; Aí = 3,01 - 3 = 0,01s
Aí = 3,001 - 3 = 0 ,001 s ; Aí = 3,0001 - 3 = 0 ,0001 s ; Aí =
= 3,00001-3 = 0 ,00001s,
As
c calculando os valores correspondentes de As e , obtemos os
resultados que figuram no quadro abaixo :
In te rv a lo de te m p o E sp a ç o p e rc o rrid o V elo cid a d e m é d ia

At A j = 30 A / + 5 A /* - -4 3 “ 30 + S A I
At

= 4 - 5 == 1 A ^ = 30.1 + r>.U = 30 + 5 = 35 — - 30 + 5.1 = 35


A / - 3,1 - 3 = (U A y = 30(0,1) + 5(0,1)* = 3,05 — - 30 + 5 .0 ,1 = 3 0 ,5


At

A / = 3 , 0 1 - 5 = 0,01 A .r = .3 0 (0 ,0 1 )+ 5 (0 ,0 1 )* =0,.3005 = 3 0 + 5 .0 ,0 1 = 3 0 ,0 5
Al

A / = 3 ,0 0 1 -3 = 0 ,0 0 1 A y = 30(0,001) + 5(0,001)* =■ — = 30 + 5.0,001 =



= 0,030005 = 30,005

A t - 3,0001 - 3 =* A.r = 30(0,0001) + 5(0,0001)* = — = 30 + 6.0,0001 =


At
= 0,0001 = 0,00300005 = 30,0005

A / = 3,00001 - 3 = A y = 30(0,00001) + 5(0,00001)* = — = 3 0 ,00005



= 0,00001 = 0,0003000005

Êste quadro nos mostra os seguintes fatos :


o) o acréscimo do espaço As tende a 0 com A í;
h) a velocidade média se aproxima, segundo uma lei determi­
nada, do valor limite 30, à medida que Aí tende a 0 ;
c) a velocidade instantânea para í = 3s é :

y = 1i m = 30 (visto que õ A t - > - 0 com A t 0)


AOO
Exemplo 2 . Cálculo da velocidade na queda livre.
Seja determinar a velocidade adquirida por um corpo em queda
livre ao cabo de 5s, contados a partir do instante em que o corpo foi
56 CUESO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

abandonado. O espaço percorrido por um corpo em queda livre é


dado pela equação {lei de Galileu) :

(1 )
onde g = 9,8 m.s~^ é a aceleração da gravidade e t é o tempo de queda.
Para chegar ao limite que nos dá a velocidade instantânea, submetemos
a função dada (equação do movimento), às seguintes operações;
I. Atribuímos ao tempo t (variável independente) um acréscimo
At, o que acarreta um acréscimo As do espaço s (variável depen­
dente), o que dá a nova expressão de (1 ):

s -f As = (2)

(esta operação equivale a passar do ponto C, correspondente ao ins­


tante t ao ponto D, atingido no instante < + Aí {Jig. 4.2)). Desen­
volvendo o quadrado e abrindo os parênteses, obtemos sucessivamente :
“* \ 8 As = Al Aí^)

II. Isolamos As no primeiro membro,


subtraindo membro a membro a relação (1 )
<3 -At da relação (2 ):
4- -
s -h As = ^gAV^

B
77777777) s = ^gt""
2 ^
r ig . 4 .2

As = gtAi + 2 ^^^^
III. Dividimos os dois membros desta igualdade por At, a fim
As
de obter a razão incremental que exprime, como sabemos, a
At
velocidade média no intervalo de tempo A t :

A 8 _ gt A t ^ 2 ^^ ^
~Ãt ^ At At
1
= gt -h
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 57

IV. Passamos ao limite, fazendo At tender a 0, o que nos dá a


velocidade instantânea, correspondente ao tempo t :
1' t /o\
" = 1 ;™ -ÃT = * = ®
(o termo Ai^>~0 com At). Para t = 5s, lembrando que g = 9,S m.s~^
tem os:
V = 9 ,8 X 5 = 49 m.s~^
que é a velocidade procurada.
Exemplo 3. Aceleração. 2 .* derivada.
Seguindo a mesma ordem de idéias, podemos definir a aceleração
média num intervalo de tempo At.
Seja Ví a velocidade de um móvel num instante h e V2 a sua velo­
cidade em outro instante t^. Chama-se aceleração média no intervalo
de tempo At = t^ - ti, a razão entre o acréscimo da velocidade
Av = Vi - Ví o o acréscimo de tempo At = ti - tii
Av
CLm
At
A aceleração no instante dado íi, será o limite desta razão incre­
mental quando Aí tende a 0 . E como Av tende a 0 com At, êste li-
mite é a derivada da velocidade v em relação ao tempo í (concebida
a velocidade como função do tem po):
Av dv
a = 1im
AHH) At dt
Consideremos a equação (3) que exprime a velocidade em função
do tempo. Submetendo-a às quatro operações que nos levam de
uma função (primitiva) à sua derivada, obtemos sucessivamente :
í dando os acréscimos A t e A v
I. V A- Av = g(t + Aí) 1 a < e V respectivamente
= qi + 0^1 (efetuando a multiplicação por g)
(subtraindo membro a membro
II. Av = gAt V = gt)

Av
III. (dividindo os 2 membros por A t)
At ~ ^
dv .. Av
IV. a = = 11 m —— == 9 (passando ao limite)
dl A/-M)
(o 2 .®membro é luna constante independente de At e permanece inal­
terada quando Aí->-0).
58 CUESO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Êste resultado foi obtido calculando a derivada da função v = gt


que, por sua vez, é a derivada ^ , da equação s = ~ e se diz,
por isso, a 2 * derivada do espaço em relação ao tem po; simbôlicamente,
escrevemos:
dv _ d / d s \ _ dh
a=
dt dt\dt) dt^
Exemplo 4. Velocidade e aceleração angulares.

Se um ponto P (Jig. 4.3) se move sôbre uma circunferência, o raio


OP descreve um ângulo AOP = 6 que é uma função do tempo, e po­
demos escrever:
e= m
onde o ângulo 6 é medido em radianos(*). Se, num intervalo de tempo
Aí o raio OP descreve o ângulo POQ = A 6, a razão
A6

exprime a velocidade angular média no intervalo de tempo Aí e o seu
limite, quando Aí tende a 0 , é por definição, a velocidade angular no
instante í. Representando por o) {ómega) esta velocidade angular,
escrevemos simbôlicamente:
A6
0) = 1 i m
Aí dt
isto é, a velocidade angular é a derivada do espaço angular em relação
ao tempo.
(*) O radiano é o arco igual, em com prim ento, ao raio da circunferência a Que pertence.
c 2%r
À circunferência inteira, corresponde, portanto, o Ângulo central: Q =» *— = 2X radiano^
r r
(número de vêzes que o raio cabe na própria circunferência). Em outras palavras, o ângulo de uma
volta com pleta mede 2X radianoa. 1 radiano equivale a
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 59

Anàlogamente, pode-se definir a aceleração angular média, niun


intervalo de tempo Aí pela razão
A(i)

(acréscimo da velocidade angular pelo tempo correspondente). O li­


mite desta razão incremental, quando Aí tende a 0 , é, por definição,
a aceleração angular (instantânea); representando-a por a, podemos
escrever:
kO)
a = 1im
A/-M) Aí dt dt^
(visto que a aceleração angular 6 a derivada da velocidade angular
que, por sua véz, é a derivada do espaço angular).

EXERCÍCIOS

1. A equação do movimento de uma esfera ao longo de um plano inclinado é


s = (s em metros e t em segundos). Achar a velocidade e a aceleração ao
cabo de 2 segundos.
Resp. V = a = 4m.s~^.

2. Um corpo cai livremente do alto de um edifício de 30m de altura e a equação


do seu movimento 6 y = 4,5<* (y cm m e t em s). Achar sua velocidade,
quando passa por uma janela a 1 2 m do solo.
Resp. V — 18m.s“*.
3. Um corpo é lançado do alto de um plano inclinado de 12m de comprimento
e seu movimento tem por equação x = 40í + 16í* (x em cm e t em s). Achar:
a) a velocidade ao cabo de 4s; h) a aceleração no mesmo instante; c) a
velocidade quando chega ao fim do plano.
Resp. o) V = 168cm.s~*; h) a = 32cw.s“*; c) v = 280cm.s~h
4. Um projétil é lançado verticalmente para cima, sendo a equação do seu
movimento h = 600í - 5í* {h em m q t em s). Achar: a) sua velocidade em
um instante í; 6 ) sua velocidade inicial ro; c) a velocidade ao cabo de 15s;
d) o tempo decorrido ao atingir a altura máxima; e) esta altura.
Resp. a) v = 600 - 10<; h) ro = 600w.s~‘; c) 450m.s~'; d) í = C0s; e) A= 18 000/ra
5. Uma esfera de marfim é lançada, de baixo para cima, em um plano inclinado,
sendo o espaço percorrido (em m), dado pela equação s = 12í - 0,4í*. Achar:
a) a velocidade e a aceleração no fim de 5 s; 6) o tempo que leva até parar.
Resp. a) V = 8m.s~^; a = 0 , 8 m.s~*; 6 ) í = 15s.

6. Um trem se aproxima de uma estação com um movimento retardado cuja


equação é s = 2 0 t - t y 2 (s em m e t em s), sendo o tempo contado a partir
do momento em que são acionados os freios. Achar: a) a velocidade que
tinha o trem ao ser freiado; b) a aceleração decrescente; c) o tempo que
leva para parar; d) a distância percorrida depois de freiado.
Resp. o) Vo = 20m.$~^; b) a = - Im.s"*; c) t = 2 0 s; d) s = 20 0 ?n.
60 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

7. Uma partícula percorre uma curva segundo a lei s = 10 (s em


c m Q t em ti). Achar: a) o instante em que a velocidade é nula; b) a ace­
leração nesse instante; c) o espaço percorrido até êsse instante.
Resp. a) t = Oet = 4s; b) a = 12cm.s~^e- 12cm.s~*; c) So = 10cm es = 42m .

8. O movimento de um ponto material tem por equação « = 2 -f <- 2í* -f U


(« em cm e í em «). Achar: a) a velocidade e a aceleração num instante l;
b) o espaço, a velocidade e a aceleração para t = 3s: c) os instantes em que
o movimento muda de sentido.
Resp. a) V 1 - 4 t + 3<*, a = 6í - 4; 6) 14cw, 16cm.s“*, 8cm.s~^; c) Is e l/3s.

9. Uma partícula se move segundo a equação s = U - d- 9< - 5 (s em cm e


t em *). Achar: a) o instante em que a aceleração é igual a 12cm.«“*; b) a
velocidade correspondente.
Resp. a) / = 4s; b) v = 9cm.s~*.

10. Uma partícula se move segundo a equação s = 4U - 3í* - 30<-f- 18 (s em


c m e t em s). Achar o momento em que a velocidade é igual a 30cm.s“^. Qual
a aceleração nesse instante?
Resp. í = 2,5s; a = 54cm;8~*.

11. Uma pedra é lançada verticalmente para cima de um terraço a 6m de altura


e cai no chão depois de atingir sua altura máxima. Dado o espaço em m e
o tempo em s, a equação do movimento é y = 2 5 t - -H 6. Achar: a) a
velocidade inicial; b) o tempo que corresponde à velocidade nula; c) a altura
máxima alcançada; d) o tempo que leva para atingir o solo; e) a velocidade
nesse instante.
Resp. a) Vo = 2 b m . s ~ \ b) t = 2,5s; c) h = 68,5m; c) 3,7s; e) v = 27m.s“*.

12. Duas partículas móveis, partindo do mesmo ponto no mesmo instante e


percorrendo a mesma trajetória, têm por equações
x i = 5 í* - 15í e Xt = 1 2 t - 4 i *
Achar: a) o tempo em que ambas têm a mesma velocidade; b) o instante
em que ambas ocupam a mesma posição; c) as suas velocidades nesse ins­
tante.
Resp. a ) t l,5s; 6) í = 0 e í = 3«; c) = 15cm.s“‘, Vi = - 12cm.s~^.

13. Duas partículas se deslocam sôbre a mesma reta segundo as leis (distâncias
em c m )
Xi = <* -H 12<* + 5 t e xi = 3U + 6í* - 7í
Achar as suas velocidades e posições quando as suas acelerações são iguais.
Resp. »i = 32cm.«~*; xi = 18cm; vt = 14cm.s~*, x» = 2cm

14. O movimento de um ponto material têm por equação (r em cm )


1- t
r =
t
Achar o instante em que a velocidade e a aceleração são numèricamente iguais.
Resp. < — 2«.
15. O movimento de uma partícula tem por equação
2 t-7
(s e m c m )
t + 1
FUNDAM ENT08 GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 61

a) Qual é a sua velocidade quando s = Irm? h) Qual a sua velocidade ini.


ciai? c) quais as acelerações correspondentes?
1 2
Resp. a) — cm.s~^; h) vo = 9cm.s“’; c) - 18cm.s~* e - — cm.s~*.
9 81
16. O ângulo (em radianos) descrito por um ponto em movimento circular 6
dado pela equação
e = 4< +
16
Achar a velocidade c a aceleração angulares. Qual é a velocidade angular
ao cabo de 40s?
T
>
Resp. ü> = — 4 + J-; a= = J-rd.s-*, (i) = 9rd.s *.
dt 8 df^ 8
17. O ângulo 0 descrito por um ponto em movimento circular é dado pela equação
0 = 4/3 _ 9^2 Achar a velocidade e a aceleração angulares no fim de 2s.
Quanto tempo leva para parar?
Resp. 0) = 1 2 rd.s“*; a = 30rd.s~*; t — l,5s.

18. Uma polia gira sôbre seu eixo, tendo o seu movimento por equação
0 = 80/-5/^(em rd). Quantas rotações dará antes de parar?
Resp. 50,95 rot.
19. Uma locomotiva cujas rodas motrizes tôm 1,80m de diâmetro, se põe em movi­
mento com uma aceleração constante de 0,36w.s~*. Achar a velocidade e a
aceleração angulares das rodas motrizes no fim de lOs.
Resp. (i) = 4rd.s~‘; a = 0,4r<i.s~*.
20. Uma polia de lOem de raio gira com movimento expresso pela equação
= - —— d" —
0
i t\
(0 em rd fi t em m in .)
16 32
Achar: a) a velocidadíi angular; h) o tempo que a polia leva para parar;
c) a aceleração nesse momento; d) a velocidade e a aceleração de uma correia
que liga a polia com uma segunda polia de 40cm de raio; e) a velocidade e
a aceleração angulares da segunda polia.
/® 1
Resp. a) (i) = - — ^— + — r d jm in (X = - —
.3/* rdjmin'^: 1
b) ---- m in ;
4 32 4 2

c) <x = - — rdlmin^; d) y = - ^!~-^^cmlmin, a = - 2ÈL. cmlmin^;


16 2 16 2
13 -\ 3/2
e) Ci)i = - _ _ + --- r d jm in , «i = ----- rdjm in*.
16 128 16
2 1. Um trem parte de uma estação, sendo o espaço percorrido dado pela equação
s = — 4- J L
* 12 900
(s em m e / em s).
Achar: a) a velocidade e a aceleração angulares das rodas motriz((s sendo o
seu diâmetro de 2 m; b) os seus valores para / = 1 2 s; c) o tempo que leva
62 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

o trem para atingir a sua velocidade máxima de 90fcm/A; d) a aceleração nesse


instante; e) o espaço percorrido nesse intervalo de tempo.
Resp. a) w = íL±^^rd.s-i, a = h) 2,A 8rd.s~\ 0,246rd.«-*;
300 150

c) lOOs; d) e) 1944,4m.
6
22. Um corpo de massa igual a lO kg está animado de um movimento cuja equação
é X = 7<* - 1 2 (em m). Achar a fôrça que atua sôbre o corpo.
Resp. / = m a = 140ÍV.

4.3. Significado Geométrico de Derivada.


O declive de uma reta é dado, como sabemos da Geometria Ana­
lítica, pela tangente trigonométrica do ângulo a {inclinação) que a
reta faz com o sentido positivo do eixo dos x. (Jig. 4.4). Represen­
tando por m o declive, escrevemos:
m = tg a (1)

Dados dois pontos da reta, A {xi, yi) e B {xz, podemos escrever


ainda
m = tg a = Vi - Vi (2)
Xz - Xi
Êste quociente da diferença das duas ordenadas pela diferença
das abscissas correspondentes, exprime a variação da ordenada em
relação à variação da abscissa quando passamos de um ponto qualquer
(^ 1) yi) dâ, reta, a outro (x2, y^) e se diz a razão incremental das coorde­
nadas X, y, relativa aos referidos pontos.
Se representamos estas diferenças pelos símbolos de incrementos,
fazendo
A x = X2 - X i e Ay = 2/2 - 2/1
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 63

podemos escrever mais simplesmente:


A?/
m = tg a = (3)
Ax
Dizemos ainda que a razão incremental exprime a razão de variação
das variáveis x c y, relativa ao intervalo Ax = x^-X i. No caso de
uma reta esta razão 6 constante, visto que é constante a inclinação
a e, conscqüentemente, tg a. Já o mesmo não sucede com um arco
de curva qualquer, cujo declive em um ponto dado 6, por definição,
o declive da tangente à curva nesse ponto. Assim, na fig. 4.5, o de­
clive da tangente no ponto Pi é mi = tg «i, no ponto P 2 é m 2= tg «2,
no ponto Pz é mz = tg aa, isto é, o declive da curva e, conseqüen-
temente, a razão incremental que o define, deixa de ser constante. A

y
1
^ l^y
1/
pjf.
./Jx ;
/ f\
X ' \
I lA
y\OL ..
/ 0 X • x-^^x X

rig . 4 . 6

fim de obter a razão incremental neste caso, partimos de uma secante


PQ (Jig. 4.6) e definimos a tangente cm P (e, portanto, o declive da
curva neste ponto), como a posição limite da secante PQ quando
o ponto Q, deslocado ao longo da curva, vem incidir sôbre o ponto
P. Se representamos as coordenadas de P e (J por (x, y) e (x -j- A x,
y A y ) respcctivamcnte, podemos exprimir o declive da secante
pela razão incremental

(1 )
(observando que no triângulo retângulo PQR é ângulo RPQ = a,
cateto P P = Ax e cateto PQ = Ay). Passando ao limite e represen­
tando por (p a inclinação da tangente em P, resulta:
Ay
tg ç = l i m t g a = l i m (2)
a->- ç Ajf-M) Ax
64 CURSO DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

que é O declive à tangente à curva no ponto P e, por conseguinte, a


('xpressão do declive da curva nesse ponto.
Se a curva é dada pela equação
y = /(^) (3 )
que define y como função de x, podemos calcular o declive da tangente
(caso exista e seja única), formando a razão incremental (1 ) de acordo
com a lei de variação de y em relação a x, enunciada na equação (3).
Com efeito, sendo
y = j{x) e y ^ y ^ j{x + Aa*)
(ordenadas da curva relativas aos pontos x e x àx), será :
Ay = j{x + Ax) -j{x) (subtraindo a l.“ da 2 .“)
que exprime Ay em função de A x; de modo que podemos ('s(*r('V('r,
de acôrdo com ( 1 ) :
Ay j(x Ax) - J(x)
tg a =
Ax Ax
(4 )
que relaciona o declive da secante à equação da curva, ou melhor,
à razão incremental da função/(x) no ponto x. Do ])onio de vista algé­
brico, o limite desta razão incremeidal, se existe, derine a derivada
de/(x) no ponto (genérico) x. Lembrando o síml)olo de derivada intro­
duzido em (4.2), escrevemos ;
dy Ay y(x-h Ax)-/(.r)
■— = 1 1 m —— = 11 m ------- ^----------- (“>)
íix Ax Ax^o Ax
Donde a conclusão : o declive da tangente a uma curva ('in um
ponto X , é dado pela derivada da equação da curva, calculada no
referido ponto.
Exemplo. Seja determinar a inclinação da tangente à curva dada
pela equação
y = 3 x -x ^
no ponto de ahscissa x = 1 .
FUXDAM KXTOS T .E O M k T H K ^ O S E F ÍSIC O S G5

Solução. S('jii P (Jig. 4.7) o ponto d(í (nufijônoia {de ahscissa x = 1)


e seja AB uma secante qiu' i>assa por P o. ('iiconti-a a curva em um
segundo ponto Q. Se re])r('S('nt:i,mos por (.r, y) e (x + Ax, y + Ay)
as coordenadas d(‘ P e Q rcspectivam('nte, a razão incremental da se­
cante será (de acôialo com a relação (4) da pág. an(('i ior) :
Ay _ j{x + Ax) -j(x )
Ax Ax
visto quo aqui é f{x) —
_ 3(.r -f- Ax) - (x + Ar)" - (3r - x^) = 3r - e, portanto,
Ax /(x + Ax) = 3(x + Ax)-
- (x + A x)^
_ 3a*+ 3 A.r- r - -2r_ A.r- Ar ---3r r -
= efetuando aa operações
indicadas uo numerador

_ 3Ar-2rAr-Ar^
(simidificando o numerador)
Ax
= 3 - 2 x - Ax (efetuando a divisão por Ax)

Passando ao limite, isto 6, calculando a derivada, obtemos o


declive da tangente num ponto genérico x :

tg ç = = 1i m = 1 i m (3 - 2r - Ar)

= 3 -2 r
Pm particidar, ]tara x = 1 , resulta :
tg 9 = 3 - 2 . 1 = 1 e ])ortanto, 9 = 45" (tg 45° = 1)
que é a inclinação jnocurada.

4.4. F órm ula Geral de Derivação.


Dada uma função y = j{x), o cálctdo de sua derivada dá lugar a
cpiatro operações essenciais que podem ser resumidas em uma fórmula
geral de derivação, como segue :
I. Dá-se à variável independente x vun acréscimo Ax 0 que acarreta
um acréscimo Ay da função y de modo que x se substitui por x Ax
e y poT y -\- Ay :
y + Ay = J(x + Ar)
II. Subtrai-se, membro a membro, a relação primitiva da relação
assim obtida, a fim de isolar Ay :
à y = j{x d- Ar) -j{x)
títí CUESO DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

III. Dividem-se ambos os membros por Aa* a fim de obter a razão


incremental:
j{x-\- l^x) - j{x)
Ax Ax
IV. Passa-se ao limite, fazendo Ax tender a 0 :
1 :_ ,• f(x + Aa:) -f(x )
dx A.r-x) Ax ajhk) Aa:
Êste limito, se existe, será a derivada da função J(a:).
Além dessas quatro operações essenciais, ocorrem, na prática,
como já tivemos ocasião de ver, coadas operações acessórias, indis­
pensáveis à superação da indetcrminação aparente, implícita na fór­
mula final.
4.5. Símbolos.
A expressão de derivada introduzida acima :
dy
dx
se deve a Leibniz e recebe também a designação de quociente dije-
rencial. São de uso corrente as notações equivalentes para representar
a derivada de y = j{x) (notação de Lagmnge) :
y' (leia y linha) ou j'(x) (leia j linha de x)
O símbolo
d
dx
pode ser concebido como um operador que aplicado a uma função y
de X dá a. sua derivada (mediante a execução das 4 operações emune-
radas acima), exata mente como o radical \/~ sobreposto a um número
significa a sua raiz quadrada. Nesta acepção, pode-se representar
ainda a derivada, simplesmente, por D (notação de Cauchy), escre­
vendo equivalentemente :

^ = Dy = y' ou Dj(x) = f(x )

Quando a variável independente não é x, ou quando pode haver


ambigüidade quanto à variável em relação à qual se deriva, atribui-sc
um afixo a D o u y' que indique de modo explícito essa variável. Assim,
escrevemos simbolicamente;
Dty, yt ou Duij e yJ
para representar as derivadas de y em relação a t ou. u.
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 67

dn
Os símbolos ^ , j ’{x) e y' denominam-se também coejicientes
diferenciais, pois, como veremos mais adiante, as derivadas aparecem
como coeficientes de expressões diferenciais.
EXERCÍCIOS
I. Efetuando as operações prescritas, derivar as seguintes funções:
1. y = -^x‘‘ - ò x + 3 Resp. y' = X - 5
2. y = 2 x®- X* Resp. y' = 6 x* - 2x
3. y = l/3(x* -t- 3x* - G) Resp. y' = X* + 2x
4. y = 5 + 2 x -4 x * - 12x» Resp. y' = 2 - 8 x - 36x®
5. y = 2x^ - x^ + 5 x - 8 Resp. y' = 8x3 _ 3^52 4 . 5

II. Nos seguintes exemplos, achar o declive da tangente à curva dada no ponto
indicado. Achar a inclinação (Angulo com o eixo dos x) da referida tangente.
Construir o gráfico da função c verificar o resultado.
1 . y = 2x«; X = 0,2 R(‘sp. tgç = 0,8; ç = 38”10'
2 . y = 2x3; ^ = 1 /2 Resp. tgq) = 3/2; ç = 56“19'
3. y = 3x3 _|_ 5 . a: = 1/3 Resp. tgcp = 2 ; <p = 63®27'
4. y = 3 - 2x; x = 0 Resp. tg 9 = -2 ; = 116“33'
5. y = 5 - 4 x®; x = 3/8 Resp. tgç = -3 ; 9 = 108'’2G'
6 . y = 5x^ - 1 ; x = - 1 /2 Resp. tgij) = - 5 /2 ; ç = 111°48'
7. y = 3x3 _ X= 1 Resp. tg<? = 0; ç = 0°
1
8. y= -2 a:* 3x; X = 2 Resp. tg<p = - 1; ç = 135°

9. y = — x3 -f- —x^x; x = - 3/2 Resp. tgç = 0,7; <p = 34°59'


5 3
III. Achar os pontos em que as seguintes curvas têm tangentes pai-alelas ao eixo
dos X. S u g .‘. Quando a tangente 6 paralela ao eixo dos x, o seu declive = 0;
portanto, os pontos procurados são as raízes da equação /'(x) = 0 .
1 . y = 2x* - 8 x + 5 Resp. X = 2
2. y = 6 x - x3 + 4 Resp. X = 3
3. y = 3x3 - 9x + 8 Resp. X = 3/2
4. y = X* - 27x 4- 10 Resp. X = ± 3
5. y = x3 - 6x3 _ i 5 jj _ g Resp. X = 5 e X = - 1
IV. Resolver as seguintes questões:
1 . Achar o ponto da curva 2y = x 3 - 3 x - 4 em que a tangente apresenta
um declive igual a 1 / 2 . Resp. (2 , - 3).
2. Achar o ponto da curva y = x* - 4x em que a tangente é paralela ao eixo
dos X. Qual o seu declive na origem?
Resp. (2, - 4); - 4.
3. Construir a curva y = x3 + 3. Pelo ponto (1,4) traçar uma secante
de modo que Ax = 1. Atribuir a Ax sucessivamente os valores 1/2,
1/5, 1/10, 1/100. Calcular o declive da secante em cada ca.so e mostrar
que os valores obtidos se aproximam, gradalivamente, do declive da
tangente no ponto (1,4).
68 CUESO DE CALCULO DIFEEENCIAL E INTEGBAL

4. Achar as inclinações das tangentes à curva y = x* + x — 2, nos pontos


em que esta corta os eixos dos x e dos y respectivamente.
Resp. 71° 34'; 108° 26'; 45°.
5. Achar os pontos em que a reta 3 x - y — 4 corta a parábola 2t/ = ** + 1
e determinar os ângulos que a mesma reta faz com as tangentes à curva
nos pontos achados.
Resp. (3,5); 0.
Sug.: O ângulo formado por duas retas 6 dado pela fórmula trigonométrica
tg 6 = tg (fi - tg
1 + tg Çl tg Ç2
onde Çi e Ç2 são as inclinações das retas sôbre o eixo dos x.

6. Achar as inclinações das tangentes às duas curvas y = 2x^ 0 y — 3x^ - 1


nos seus pontos de interseção. Determinar os ângulos que elas formam
entre ei.
Resp. 75°58'; 80°32'; 4°35' [para o ponto (1 ,2 )]; 1 0 1 °2 '; 99°28';
4°35' (para (- 1,2)].

§2. Regras Práticas de Derivação


4.6. Derivada de u m a Potência de x. C onstantes.
Seja derivar
y = ax" + h
onde a e 6 são constantes e o expoente n é um inteiro positivo.
Operando de acordo com a formalização exposta em (4.4), subme­
temos a função proposta às seguintes operações :

I
ao incremento A x = h{*) de x,
I. ^ -b A?/ = a(x + hy + b corresponde o incremento A?/
de y.
subtraindo membro a membro
II. At/ = a{x -j- h y - ax'^ a expr(ís.são primitiva da ex­
( pressão incrementada.
= o[(at -f- à )“ - x “] (l)ondo em evidência o fator á)
Operação acessória. O binômio ( x h ) " - x'" pode ser fatorado
de acordo com a fórmula algébrica ;
a “ - 6“ = (a - 6)(a“"^ -j- a°~^b a''~^b‘^ -f . . . -]- -f ;
com efeito, fazendo a = x h c b = x nesta relação, temos :
(x -r à)“ -r r “ = [(x -|- à) -rr][(a: + + (x -f h)"~'^x -f
+ (x hy~^x^ -b . . . -f (.r -j- h)x''~- -b
= h[{x -b + hy~‘^x ~b (a: + -b . . . +
-b (a; -b -b
(observando <iue ix -\- h) - x = h)
/* .1^ ..................
P a r a m a i o r s i m p l i c i d a d e g r á f i c a , u s a r e m o s n a s e x p r e s s õ e s a d e s e n v o l v e r a l e t r a /i p a r a
re p r e s e n ta r o in c re m e n to A x .
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 69

Substituindo em II e dividindo os 2 membros por Ax = h,


obtemos :
Aj/
III. = a[ (a: -f- * + (x + /i)“ *a; + (a: + /í)" ®a:* + . . . +
Aa:
+ (a; + a;”“2 + M
Passando ao limite, isto é, fazendo = h-=^Q, vem :

IV. ^ ' = 1i m lim (a[(x+^)““‘+(a:+^)“~^a:+(x+/i)“~*a:^4-

+ . . . + (a: + /i)a :“-2 + a;”-i]>


= a(a:“~' + a:““^a: + a;““*- a:^ + . . . + x.x''~^ + a;“"^)
= o(x"”^ + rc“~^ + a:““^ + . . . + a:““^ +
= 710. x'"~^ (existem n têrmos iguais a xQ-i)
Donde, a fórmula

y' = — {ax°^ h) = nax"" ^ (I)


dx
Êste resultado estabelece os seguintes fatos que podem ser assu­
midos como regras de derivação :
Regra 1. A derivada de uma potência {inteira e positiva) de x, se
obtém multiplicando a rejerida potência pelo seu expoente
e baixando de uma unidade êsse expoente.
Regra 2. Um coejiciente constante permanece na derivada.
Regra 3. Uma constante isolada desaparece na derivação, isto é,
a derivada de uma constante é 0.
Exemplo. A derivada de y = 3a:®-8 é
7/' = 5 . 3a:'^-i-0 = 15a:^

4.7. Derivada de u m Polinóm io Inteiro.


Seja derivar a função
y = x^ - 5x^ + 4a: - 8
Perfazendo as operações competentes, vem :
I. í/ + A 8, = (*+/.)=-5(x+ M '+ 4 ( x+A)-8
= x‘+3x%+3xh^+h’-5x^-10xh-5/t‘+4x+4k-8
II. Ay = 3a:'/i+3a:/í"+A^-10x/i-5/i^+ Ak (su b tra iiu lo )
70 CURSO DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

At/
III. = 3x2+3xA+;i2_i0x-5/i+4 (dividindo por h = Ax)
Ax

IV. y' = l i m 4 ^ = 3x2 -1 0 x + 4 (fazendo A -V 0 )


AarM) AX
Note-se, de passagem, que a derivada de 4x, em particular, se
reduz a 4, o que equivale a dizer que a fórmula (I) é válida mesmo
quando x é linear, isto é, para o expoente subentendido n = 1 , pôsto
que poderíamos escrever :

~ (4x) = 4 ^ (x^) = 1.4x^~^ = 4x® = 4 (x°= 1 )

A derivada do polinómio foi obtida submetendo cada termo, indi­


vidualmente, à incrementação, subtração, divisão e passagem ao li­
mite, e representa, por conseguinte, a soma das derivadas termo a
têrmo. Daqui a
Regra 4. A derivada de uma soma é igual d soma das derivadas
dos adendos.
De um modo geral, se y se compõe da soma de diversas funções
(deriváveis) de x, digamos
u = u{x), V = v(x) e tü = w{x)
de modo que seja
y =u V A- w
a sua derivada se compõe da soma das derivadas dessas funções.
Simbolicamente, escrevemos:
y' = u' + v' + w' (II)
Exemplo. Se na questão proposta, concebemos cada têrmo como
uma função de x em si, fazendo
tí = x"" V = 5x^ e tü = 4x - 8
e derivamos, vem :
u f —_ 3x2, -lOx w7 __
donde,
y' = u' v' -\- 'U)' = 3 x 2 _ 4
como obtivemos diretamente acima.
4.8. Derivada de um Produto. Fórm ulas.
Seja derivar y = (x^- l)( 3 x 2 2x - 1) ( 1)
l.° método. Efetuando a multiplicação, obtemos:
y = 3x^ -J- 2 x®- 4x2 - 2 x + 1
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 71

que é um polinómio inteiro em x e pode ser derivado têrmo a termo,


o que dá :
/ _
y 12 x® + 6a:* - 8a: - 2
2 .° método : Quando a multiplicação oferece dificuldade ou é
impossível, podemos recorrer a uma substituição e obter a derivada
do produto por intermédio de duas funções auxiliares. Com efeito,
se fazemos na questão proposta
u = 1 (2) V = 3x* + 2 x - 1 (3)
a relação (1 ) adquire a forma
y — uv (4)
onde y 6 ainda uma função de x, mas apenas indiretamente, por inter­
médio das funções u = u{x) e v = v{x). Para obter a derivada de y
em x, através das funções intermediárias u e v, procedemos como
segue :
I. Atribuindo a x em (2 ) e (3) o incremento h — Ax, u e v sofrerã
os incrementos correspondentes Aw e Aí;, o que dá :
M-f- Au = (x + /i)* - 1 (2 a) e í; + Aí; = 3 (x -\- hy + 2 (x h)~ l(3o)
== X* + 2xh - p /i* — 1 =3x*“l-6x/t-f-3/i*-f-2x-l-2/t—1 (d e s e n v o lv e n d o )

Doutra parte, a substituição de u por u -}- Aw e v por t; -p At;


cm (4), acarreta um incremento correspondente Ai/ de t/, de modo
que resulta :
2/ + Ay = (w -P Am)(í; + Av) (4a)
= uv uAv vàu-\-AuAv (e f e tu a n d o a m u ltip lic a ç ã o )

II. Subtraindo ordenadamente (2 ) de (2a), (3) de (3a) e (4) de


(4a), vem :
A m = 2xh + (26) Av = 6x^1 -P 3/i* + 2h (36)
e Ay = uAv -p vAu -p AuAv (46)
III. Dividindo as três relações assim obtidas por Ax = h (tendo
presente que o objetivo é achar y', derivada de y em x) :
Am Av
= 2x + 6 (2 c) = 6x -h 3/t -h 2 (3c)
Ax Ax
Ay Av . Au , Au .
= u -- - - - - - - - f- V H--- :— Av (4c)
Ax Ax Ax Ax
IV. Passando ao limite, (2 c) e (3c) dão as derivadas u' e v' de
u e v em x, a saber:
Au Av
m' = 1 i m = 2 x (2d) e t;' = 1 i m ■ = 6x + 2 (3d)
A.r-M) Ax Aj -M) Ax
72 CUESO DE CÁLCULO D IF E E E N C IA L E IN T E G R A L

e (4c) dá a derivada y' de y cm x :

y/ = 11 1• m —— = w 111 •m —----- h v i i m —-----h


. 111• ni Ií —— ac
\ \I
A x -M ) Ax->-0 A x -M ) A jt->-0 ' *

uv' -\-Vu'-\-u'Q
— A 0 comAx como se vê cm (3/>)
= uv' + vu'
Daqui a fórmula :

y
t _ A
dx
(uv) = uv' -j- vu' (III)

Em palavras:
Regra 5. A derivada do 'produto de duas junções (deriváveis) de
X , é a soma dos produtos de cada junção multiplicada
pela derivada da outra.
Assim, no exemplo acima, para w = 1 , v = 3o:^ + 2 t - 1 ,
w' = 2 a: e v' = 6a; + 2 a aplicação da fórmula dá :
y' = uv' + vu' = (a:^ - l)( 6a; + 2 ) + (3a;^ + 2 a: - l) 2 a:
= 12 a:®+ 6x®- 8a: - 2
como antes.
Por recorrência podemos formalizar a derivada de um produto
de três ou mais fatores. Seja
y = uvw (1 )
onde u, V e w são supostas funções deriváveis de x. Fazendo
z = uv (2 )
e substituindo em (1 ), vem :
y = zw (3)
que é um produto de dois fatores e se deriva, portanto, de acordo com
a fórmula ( I I I ) :
y' = zw' + wz' (4)
Doutra parte, também (2 ) se deriva segundo à mesma fórmula,
de modo q u e:
z' = uv' + vu' (5)
Introduzindo em (4) êste valor de z', conjuntamente com o valor
de 2 , dado em (2 ), vem :
y' = uvw' + w(uv' + vu')
= uvw' + wwv' + vwu'
isto é,
d
y* = T~ (uvw) = uvw' + wwv' + vwu' (Illa)
dx
FUNDAMENTOS GEOMÉTIÍICOS E FÍSICOS 73

Regra 5a. A derivada de um 'produto de três jatôres se compõe


de três têrmos ; em cada termo jiguram todos os jatôres
menos um, que é substituído pela sua derivada, repas­
sando todos os jatôres um por um.
A regra é válida para um número qualquer (finito) de fatores,
como veremos mais adiante.

4.9. Derivada de um Q uociente. Fórm ula.


1
Seja derivar y =
+ 1
Procedendo por incrementação direta, temos :
(x + á)2 - 1
I. y A- = (incrementando)
{x-\-hy + 1

a:* - 1 (subtraindo)
II. ày =
ix-\-hy-]-l x-^ + 1
(x ^ ~ -\-í)\(x -\-h Y -l l-(a-2- l ) í (a-+á) 2 + l ] (reduzindo as
frações)

4xh + 2h^ (simi)lificando o numera­


l)[(a: + á)--^+ 1 ] dor)

Ay 4a- 4- h.
III. (dividindo por A x = h)
Ax (a;2 + l;t(a; + á)’ + 1]
Ay 4x (fazendo A 0)
IV. ^' = 11 m
Aj -X) Aa: (a:2+l)(a-2+l)

_ 4a- (re<luzindo os fatôros iguais


+ 1)2 cio denominador)

Como no caso do produto, podemos formalizar a derivação de


um quociente, mediante a introdução de duas funções intermediárias.
Representando o numerador por u c o denominador por v, podemos
escrever:
u
y = — (1 )
V

onde u e V são funções de x : u = u{x) e v = v{x) (por exemplo, na


questão proposta, w = x*- 1 e v = x^ -j- 1 ).
74 CURSO DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Um incremento Ax = h da yariável independente x, acarreta


os incrementos Au e Av das funções intermediárias u e v e, através
destas, o incremento Ay de y, de modo que podemos efetuar as 4 ope­
rações como segue :
u -f- An
I. y + Ay =
y + Ay

u + Au n (subtraindo ( 1 ) membro a membro)


II. Ay =
y -f- Ay V

y(n-f- An)-n(y-f- Av) (reduzindo as frações)


y(y + Ay)

y A?í - n Av (simplificando o numerador)


y(y + Av)

Au Av
V —-----n-
III.
Ay
Ax
Ax Ax
y(y -j- Av)
{ dividindo por A*, incremento da
variável independente.

Au Av
V -u -
Ay Ax Ax (passando ao limite)
IV. = 1 i m —^ = 1im
A jt m ) Ax a * -m ) v { v -}- Av)

,. Au ,. Ay
y 11 m —:---- wn m
a .
t->-o Ax
1 i m yíy + Ay)
A-t-x) Ax
{ propriedades dos limites (n.« 3.8)
u e V são independentes de Ax.
AíX)
vu - nv no numerador: lim-^^ = u' e lim-^^ = v'
Ax Ax
{ no denominador; A v ->• 0 com A x
Daqui a fórmula geral;
, d / u\ vu' -u v '
(IV)
^ ~ dx W / “
Representando simplesmente por D a função do denominador e
por N a função do numerador, podemos escrever a fórmula simbólica ;

® P) (IVa)
d- x( \ —
D /) =
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 75

Assim, no exemplo da página anterior, se fizermos u = \


e V= + 1 é u' — 2x e v’ = 2x, e a fórmula dá :
{x^ + l)2x (x^ - l)2x
2/ =
+ 1 )^
2x^ -\- 2x - 2x^ + 2 x
(x^ + 1)2
4x
{x^ + l y
como obtivemos por cálculo direto.
Aplicação. Derivada de uma potência negativa.
Seja y — rc“" com n > 0. Podemos escrever:
1
y (propriedade dos expoentes)

e derivar como um quociente. Fazendo m = 1 e v = resulta w'= 0


(derivada de uma constante é 0) e v' = nx" ‘ ‘ (de acordo com (I))
Donde, substituindo em (IV ):

y' = = I f -1 )
dx^ d x \ x '" /

rg°0 -

-mx n—1 (potência de potência)


X
2n

= -na: n - l - 2 n
= -nx — n — 1
{ quociente de potências distintas
de mesma base
(simplificando o expoente)
onde, como se vê, o expoente primitivo passa a figurar como coeficiente
e o expoente se apresenta diminuído de uma unidade (em valor rela
tivo), o que está de acôrdo com a fórmula (I), isto é, esta é válida
inclusive para um expoente negativo.
Por exemplo, a derivada de y = 4x~* é
í/' = - 3 . 4 a :-» -» = - 3 . 4 a ;-» = - 1 2 x - »

4.10. Derivada de um a Função Irracional.


Seja derivar y = \/a:»-4a:
76 CUKSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Procedendo por incrementaçâo direta, obtemos


(atribuini
r
I. y +I ^Ay = \/{x-\-hY-A(x+h)
* I L\9 A, TTT (atribuindo
h = Ax)
a x o incremento

II. Ly = h)-y/x^-^x (subtraindo)

Aí/ \ / { x -\-h ) ( x - \- h ) - \ / X ^ -4 x
III. (dividindo por Ax = h)
Ax h
Operação acessória. A fim de superar a indeterminação que assume
e.sta expressão para h - ^ 0 , importa' racionalizar o numerador de
modo a obter um polinómio inteiro em h (simplificável com o divisor
h). Sendo o numerador um binômio irracional da forma \ / ã - y / b
e sabido que
( y[ã- ^[b){ ^fã + =a- b (1 )
vamos multiplicar o numerador e o denominador da expressão irra­
cional obtid<) , pela soma dos radicais presentes :
Ay _ ( \ / {x-^h)'^-A{x-\-h)-\/x'^-4x)(\/{x-\-hY-4{x-\rh)-\-^/x‘^-Ax)
h{\/x 4 - /i)^-4(a: + h) -f \/x'^ - ^x)
(x-\-h)--4(x-\-h)-(x^-4:x)
(de acordo com (1 ))
h(^{x-\-hy^-4:{x+h)}-
2x + h - 4: í .simplificando o numerador
V ix+ hy^^{x-yh) -HV'x--'-4a: \ e efetuando a divisão por h

i T r f I • Ay 2x 4
IV. = 11 m ---- .------ ,------- (fazendo h 0)
Ax ■\/x'^ - 4 x \ / x ' ^ - 4x

X - 2 I somando os radicais e simplifi-


■\/x'^-4:X ' cando por 2.
que 6 a derivada procurada.
4.11. Derivaçao de Funções Com postas. Fórm ulas.
Seja derivar a mesma função irracional y = \/x^ - 4x (1 )
mediante a introdução de uma variável intermediária w, fazendo
u — x'^’ - 4 x (2)
e, em decorrência,
y - \/u (3).
A derivada de y em x se obtém, neste caso, por composição das
derivadas das funções assim constituídas, calculadas separadamente.
Com efeito, atribuindo o incremento Ax = h a, x, seja Aw o incre-
FUNDAMENTOS GEOMÉTEICOS E FÍSICOS 77

mento correspondente de u em (2 ), e Ay o incremento de y que resulta


da substituição de u por u + Aw em (3); donde, sucessiva m ente:
I. y-l-A y= \/u-f Aw u-\- ò^u = (x-\-hy-^{x-{-h)

II. Ay = \ / m + Aw - 's/u Aw = 2xh h ^- Ah


Ay _ ^ /u + ^ u - ^ /u jdlT^pdl
III. -Z X -\-h 4 j,orAx = A)
Au Au I Au As;
(\/ud- A n -\/u )(Vu+"Ãu+
r<acionalizando
A u (\/u + Au + \/u ) {í
o numerador

e=— -------- — / simplificando <! dividindo por A u


v u + Au 4- Vw ^
Operação acessória. Multiplicando membro a membro as razões
incrementais
Ay Au
vem
Au Aa;
visto que
Ay Au _ Ay • Au _
Ay Au Ax A u . Ax
(2a;4-/i-4) "j ^ A y
A a; Vu+ Au + Vu ( Ax
Ay 2x-4 fazendo A x = A->-0 e obser­
IV. y' = l i m ,,
Aj ^ 0 Ax { vando que A u 0 com A x

x-2 somando os radicais no denomi­


\/ü { nador e simplificando por 2
x-2
(substituindo u pelo seu valor em x)
\/x ^ - Ã x
que é o mesmo resultado obtido acima.
Generalizando o exposto, sejam
y = /(u) (1 ) e u = g{x) (2 )
duas funções que definem y como função de x, através da variável
intermediária u. Diremos que y é uma junção de junção ou junção
composta de x, para aquêles valôres de x aos quais correspondem
valôres de u que verificam a relação y = /(u). Assim, no exemplo
acima, u é definido como função de x para todo x ( - o o < x < + oc)),
ao passo que y só é definido para os valôres de x aos quais corres­
pondem valôres não negativos de u, pôsto que para u < 0 , y se torna
imaginário.
78 CUESO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Supondo que as funções (1 ) e (2 ) sejam deriváveis e formando as


razões in crem en tais^ na primeira e ^ na segunda, tem os:

/fw + A m) - / ( m) Am g(x + Ax) - g(x)


Am Am A x Ax
Multiplicando membro a membro, vem :
A y _ / ( m 4* A m) ^ ( m) g(x-h Ax)-g(x)
^visto que
Ax Au Ax V A.U Ax A x/

ou, passando ao lim ite:


1 : „ / ( w + A?/)-/(m ) g(x-\- Ax)-g{x)
y' = 1 i m 1 T" = l i m -------- 1 -------- . 1 i m
Ax Au Ax-^0 Ax
(limite do produto igual ao produto dos limites)
= j^\u)g'{x)
Donde, a fórmula
y' = 2/»' M (V)
(derivada de y em u vêzes a derivada de u em x).
Como êste limite equivale a
du
Um ( - ^ — ^ ^
\ Au ' A x J du dx
podemos escrever em forma equivalente
dy _ dy du
(Vo)
dx du ' dx
Regra 6 . A derivada de y em relação a x, através de uma variável
intermediária u, é igual ao produto da derivada de y
em relação a u pela derivada de u em relação a x.
Exemplo. Seja y = 5m^- 2 m e m = x* + 1* Calcular a derivada
de y em x.
Solução. A primeira função nos dá y ,' = 10m - 2
e a segunda dá u' = 3x*
Substituindo em (V), temos:
y' = (10m - 2 ) . 3 x*
= [10(x* + 1) —2 ] 3x^ (visto que m = x* + 1)
= (lOx» + 10-2)3x» = (lOx* + 8)3x* = 6x2(5x» + 4)
Consequências.
a) Derivada de uma potência inteira de uma Junção de x. Em
particular, se y = J(u) — u ' e u = m(x), é
y j = Ju{u) = nu n—1 (de acôrdo com a fórmula I)
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 79

de modo que a fórmula V dá


y' = nw“ (VI)
Regra 7. A derivada de uma potência inteira de uma função de
X é igual ao produto do expoente pela junção afetada pelo
expoente primitivo diminuido de uma unidade e pela
derivada da função.
Exemplo. Seja calcular a derivada de y = (x* - 4a:)®
Solução. Fazendo u = x ^ -A x temos :
y = u^ e u' = 3a:* - 4
Donde, aplicando a fórmula VI, resulta :
y' = nu’‘~^. u' = 5u\Sx^ - 4)
= 5(a:® — 4 a :)^ (3 a :* — 4 ) (v is to q u e u = x * - 4 x )

Obs. : Poderíamos também escrever diretamente :

—{x^ - 4a:)* = 5(x® - 4a:)^—(a:* - 4a:) = 5(a:® - 4a:)^(3a:* - 4)


dx dx
b) Derivada de uma potência fracionária:
Seja y = u^^^r com u = u{x) {p e q inteiros)
Elevando os dois membros à potência q, vem :
y<i = y v ( v i s t o q u e (vpjoyi = VJ>)
onde y e u resultam assim, potências inteiras de funções de x (visto
que, por hipótese, u é função de x e y é função de x por intermédio
de u). Derivando ambos os membros em relação a a: de acôrdo com
a fórmula VI, obtemos:
qy^ ^y' =
ou, isolando y ' :
P“ 1
y' = ^ “ <1-1 u
Q y

E. yl> lyl <ly'


(visto que —^
y»-i /

(visto que y — típ/<i)


q

(simplificando os expoentes de u(*)

(*) A redaçSo das potências ui* * e se efetua, somando os expoentes como segue:
p _ 1 + ~ _ g(p - 1) + p (l - g) _ P g - g + P - P g ^ p - g ^ _I
g g g g g
80 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Oque equivale a dizer que a fórmula (VI), bem como (I), vale, igual­
mente, para uma potência fracionária.
Exemplo 1 . Seja y = Temos,
6/3-1^ _ _ /r2/3 (neste caso w = a:ew' = l)

Exemplo 2 . Seja derivar y = y/ix"^ - 1 )®


Reduzindo o radical à potência fracionária equivalente, temòs
y= Donde,
(aqui w = X* - 1 )
y = ^ (i* - !)•« = I (í* - 1 )’" - ' £ (u'= 2x)

= j( x ^ - iy '^ .2 x

= 3xy/x^ - 1
4.12. Derivada de um a Função ImpKcita.
Seja derivar a equação
3 x* -}- 4xy - 5y^ — 10
supondo que defina, implicitamente, y como função de x.
Procedendo como nos casos anteriores, temos:
I. Atribuindo a x um incremento ^ x = h, y sofrerá um incre­
mento correspondente (positivo ou negativo) Ay = k (para maior
simplicidade, fazemos Ax = h e Ay = k no desenvolvimento das ope­
rações) :
3(a; 4- h)^ + 4(x 4 - h){y + k ) - 5(y 4- k y = 10
ou, perfazendo as operações {operação acessória):
3a;*4-6x^-l-3Ã^4-4xy4-4a:/c4-4yÃ4-4ftfc - - lOyfc - = 10
II. Subtraindo membro a membro a equação primitiva da equação
assim modificada:
6xh 4- 4- 4xk 4- 4yk 4 - 4hk - lOyk - = 0
ou, isolando os têrmos em k no 1 .®membro e fatorando (pondo k em
evidência no 1 .® membro e A no 2 .®):
{4x 4- 4A - lOy - 5k)k = - (6x -4- 3 /1 4 - 4y)^
ou ainda, dividindo ambos os membros por 4x 4 - 4^ - lOy - 5fc :
(6a: 4- 3^ 4- 4y)^
Ay — k = - (viato que Ay = k)
4x -{■ 4 h - lOy - 6 /c
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 81

III. Dividindo por àx = h:


At/ _ k _ 6x + 3/i + 4t/
àx h 4a: + 4/i - lOt/ - 5/c
IV. Passando ao limite :
, ,. At/ ,. k 6x+4t/
t/ — 11 m —— = 1 1 m — (fc 0 com h)
aa-m ) à.x h-^o k 4tx-i0y

3a:+2íy
(simplificando por 2)
2 a; -5 y
que é a derivada procurada.
Regra prática. Na prática, podemos operar diretamente subme­
tendo cada têrmo ao operador de derivação ^ de acôrdo com a fór­
mula aplicável a cada caso. Podemos escrever sucessivamente:

^ (3a:* -|- Axy - 5y*) = 0 ^visto (1 0 ) = 0^


ax

(a derivada da soma é igual à soma das derivadas; coeficientes constantes perma­


necem naa derivadas).
6a: -h 4:{xy' + y) - lOyy' = 0
(derivando o 1 .®têrmo de acôrdo com a fórm. I; aplicando ao 2 .®têrmo a fórmula
do produto (III): — (uv) = uv' -f- vu' com u = x e v = y, de modo que u' = 1
dx
e v' = y' (visto que y se considera função de i); derivando o 3.® têrmo de acôrdo
com a fórmula (VI): (w“)= nu”~>M' (com u = y e n = 2 ).].
dx

Resolvendo a equação assim obtida em t/', resulta :


3a: -I- 2y
y' = -
2x - 5t/
como acima.

4.13. Funções Inversas. Derivação.


De um modo geral, quando duas variáveis x e y estão ligadas entre
si mediante uma relação de dependência, pode-se dizer indiferente-
mente, em muitos casos, que y é uma função de a:; y — j( x ) ; ou que
82 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

X 6 uma função de y; x — g{y). Esta segunda se diz a inversa da


primeira que se dirá a função original ou direta. Assim, se -}- y^—r^
podemos escrever indiferentemente :
y = ± \/r'^ - x^ ou X = ± \/r^ - y^

relações que definem duas funções multijormes, sendo a segunda a


inversa da primeira, respeitada a ordem dos sinais. Para evitar ambi-
güidade, importa, neste caso, desdobrar cada uma das funções multi­
formes em duas funções unijormes, escrevendo separadamente :
y = \/r^ - x'^ cuja inversa é x = + \/r^ - y^
e y = - \ / r ^ - x'^ que tem como inversa x = - y/r^ - y^
São ainda exemplos de funções inversas :
Í~Ã
a) A = xr* e r = </--- (inversa uniforme)

h) y = 2\/x~ e x = y' (inversa uniforme)

c y = x^ = ± V íT (inversa multiforme)

Neste último caso, consideramos, separadamente, as duas funções


inversas (uniformes):
a; = + V y e X = - \ / y

A primeira terá como provisão de valores acessíveis o intervalo


(0 ^ a r < - f o o ) e a segunda, o intervalo (- <» < x ^ 0); em outras
palavras, x = -\~ y/y é definida como inversa de y = apenas para
valôres de a; ^ 0 , e a segunda apenas para valôres de a: ^ 0 .
Se as funções y = j{x) e sua inversa x = g{y) são funções uni­
formes e deriváveis, isto é, a primeira comporta derivação de y em r
e a segunda de x em y, as suas derivadas são o recíproco uma da outra.
Com efeito, entre os incrementos Ax e Ay subsiste a identidade algé­
brica
Ax 1
Ay Ay
Ax
Se as funções são deriváveis, existem, por hipótese, os limites
dessas razões incrementais (que definem as respectivas derivadas);
donde,
dx .. Ax ,. 1 1 1
7- = li m — = 1 i rn ( A y - > ~ 0 com Ax)
dy Av-o Ay Ay ,. Ay dy
■— li m —
Ax Ax ox
FUNDAMENTOS GEOMÉTEICOS E FÍSICOS 83

Daqui a f órmüla :
dx _ \
(VII)
dy d^
ou dx

Çy'(y) = (Vlla)

Exemplo : Seja achar a derivada de y = 2y/x, calculando a deri­

vada de sua inversa X =


y"

Solução. Derivando a inversa, temos :

d y ~ 4: 2
De (VII) tiramos :
dy _ 1 1__ 2
dx dx y y
dy 2
_ _2 _______ 1
= {visto que y =2^fx).
2 \/x \/x
4.14. Derivadas Sucessivas.
Se y = j{x) é uma função derivável no seu campo de definição, a
sua derivada
y' = f(x)
é, normalmente, ainda uma função de x no mesmo domínio, a qual
pode, por sua vez, possuir uma derivada. Assim, a função
y = 5x^ - 4x^ + lOx
tem por derivada
dy
= y' = 15x2 _ 83. _j_ 10
dx
a qual é ainda uma função de x e pode ser derivada como a primitiva
d fdyy
£ = { y y = 30x - 8
dx \dxJ
\dx ^
A derivada da derivada assim obtida é ainda uma função de x
e se diz a derivada de 2.^ ordem ou, simplesmente, a derivada segunda
da primitiva /(x ); dizemos, neste caso, que y' — j'{x) é a derivada de
84 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

1 .* ordem ou a 1 .® derivada de J(x). Conforme o símbolo usado para


representar esta última, escrevemos para a segunda :
dhf
y" ou y \ x )
dx^
Se também a 2 .® dcriv^ada possui uma derivada, ésta se dirá a
derivada de 3.® ordem ou o 3.“ derivada da primitiva y = J(x) e sc repre­
senta,, como antes, por um dos símbolos :
dhf
y"’ ou J"'(x)
dx^
Chegamos assim à noção de derivadas sucessivas ou de ordem su­
perior de uma função dada. Se ^ = j{xi) é n vezes derivável cm seu
campo de definição, representaremos a sua derivada de ordem n por
um qualquer dos símbolos :
d°y
ou (x)

Exemplo 1 . Derivados sucessivas de


y = 5a:®- 8a:®-j- 4a: - 3
Solução. Temos y' = 15a:®- 16a: -j- 4
y" = 30a: - 16
y = 30
y(iv) = 0
tôdas as demais são idênticamente nulas.
Exemplo 2 . Seja achar a derivada de ordem n da junção
1
2/ = X- (x¥^0)

Solução. Escrevendo y = x~^ e derivando sucessivamente de


acordo com a jórmula I, vem :
y' = - la:“ ®
y" = 1 .2 a:-®
y"' = - 1.2.ZX-*
yay) = 1.2.3.4a:"®
y(“) = (-l)"nía:-(“+i)
Observando que : l.°) o expoente de x é, numèricamente, igual
à ordem da derivada mais u m ; 2 .°) o coeficiente é o i)roduto d o s
inteiros consecutivos de 1 até o número que indica a ordem da d(MÍ-
vada ; 3.") o sinal é positivo para as derivadas de ordem par e m'gativo
pará as derivadas de ordem ímpar. Se n é par, (- 1 )“ será positivo ;
se n é ímpar, (- 1 )“ é negativo, como convém.
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 85

EXERCÍCIOS
Achar as derivadas das seguintes funções:
I. 1. j/ = 6x3/2 II. 1. y = III. 1. y = 2x-3

2. y — 10x3/3 2. y = 2. y = - r
3x3
4
3. y = 2x3/4 3. y = 3. y =
5 \/i^
4. s = 4/3^3 4. y = 12^8x3 4. y = J
2x-3
5. V = — U»/3 5. y 5
4

IV. 1. y = x3-5x3 + 3x3-7x + 9 y j, / 2 + 3x


2. y = —X* - ix * + 5x - 1 2. y = (3x - 4)4/3
3 2

3. y = 1 0 ^ - - ^ 3. y = v/x3 - 5
VX
4. y = 9x3/3 _ 2x4/3 + 6x*/3 + _ i _ 4. y = (5x - 3x3)~3/3
X3/4
8 12
5. y = -^/x® + 5. y = -^(6 + 5x + 2x3 - 7x3)2
-Vx* -</x^

VI. 1. y = (2x + 3 ) ( l - x + x3) VII. 1. y = 1 - X


1+X

2. y — X Võx + 4 2. y = x3 + X - 5
X* - 2x + 6
X* - 1
3. y = X*Vy - 4x3 3. y =
x3 - 1
X
4. y = (x* - 1)-^! + 3x 4. y =
( l 6 - x ‘-)3/2

+ X*
5. y = (x* - 1)(1 - 2x)(l - 3x3) y=
l/f - íT
j

VIII. Achar as derivadas das seguintes funções de funções:

1. y = 4t; - 6i>3 e t; = 3x - 5 2. y = 4 z ^ - 6 2 + 9 e z = x3 + 7
2t - 6/3 . «3 1
3. y = . e < = 8 - 3x* 4. y = ------- e u = —
5<3 u ^ -1 X
. i; - 1 X» - 1
6. y = ------ e t; =
V+ 1 X* + 1
86 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

IX, Miscelânea.

11. y = ( o » '* - x » / í ) 3 / í
1. . - / 4 +

12.
2. Va* - I*/
'-T
13. !- = ( v r + - ^ )
3. y = (x~* + 4)(a:-3 - 3)
4. y = V® + 1 + V2a: - 3
a; ^
5. y
X - V 4 - X*
15. y = 2 -^x»/» + xV»)
1
+
6. y í 16. y = | / l +
1
1 - T 1
17. y = ------- , ;
0 4" V 4 + z
V- f X+- 11
X

18. y = (x + 2 )» (x - 2 )í
8. y = (x + a)“ (x - 6 )“
X + 1 a + \/ir
9. y «=
Vx* + 2x + 4

10 . y »= - - ~ ^ + 1
3í»
RESPOSTAS

I. 1 ) 9 x*/*; 2) ; 3) —1 — ; 4) - í » / » ; 5) Çí»'».
,.3 /i 2x 1'^

II. 1) 1 ^ . 2) 3) 4) i5 ; 6)

III. 1) -6 X -: 2) 3) - 4) 1/ 2 ; 6) -

10 2
IV. 1) 4x»-15x* + 6 x -7 ; 2 ) 4 x * - x + 5; 3) 4-
3-^/x^ '
3 16 36 81
4) 16x«» ^,y«» 5) 5 - ^ +' 5 - ; ^ õx»-^?
------- 2x - 2Í5 - 6x1
V. 1) ; 2) 4-C^^x^; 3) — . - ; 4) — ;
2 V2 + 3x ' ^ ' Í3-^(x=*
Í .* / í í :2 _- .(IIÍ
5)* ’’ 3-^(õx - 3x*)‘ ’
.q.»v

2(5 4- 4x -2 1 x«)
5)
3-^6 + 5x + 2x* - 7x* *
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 87

15x + 8 6r(3 - 2x) IOt» + 3o-* - I


VI. 1) 6x^ + 2 x - l ; 2) — - ■; 3) ■ ■; 4)
2 Vôx + 4 +3xj* ’
5) 2 (15x< - 6 x« - 6 x* + 4x - 1).

VII. I) ; 2) - + 2 ')
(x + 1 )* (X* - 2 x + 0 )' (x ^ + X + 1)=» ’

2(8 + xn 2.T
4) 5)
•V(16 - x^)^ ’ V(1 + - X*)*
12.r(27x<- 144x» + 193).
VIII. 1) 12(16-9x); 2) 4x(4x* + 25); 3)
5(8 - 3x")"
2x
4) ----------- , 5)
(1 - 2xU*

IX. (Miscelânea).
1
1) - ; 2) - ; 3) -3x-\2x-=' + 1 );
(í* - 1 )*
2x* f q .

1 -4 2/3_3/;í _ i
4) +■ 5) 6)
2^|x + L 3-^(2x-3)* \*4 - x^ (x - V4 -X-) (í-l)=*

7) — 8) (x+a)«»-Kx-?>)“~*[(w+n)x+am- 6n]; 9) ■■■■—■3


(x + 1 )'V3:‘‘- l (x^+2x+4)'*^*
1 / i/í-xV* 4o ^x
10) 11) 12) -
Ví* + 1 ' ' 4 (a* + X»)*'

13) l ( ^ / ^ + ■ ^ ' ) ^ ; 14) - l/iZ f 16) 2 ( 1 + 2 x);


3(1 + x )2 yK 11 +
+*x ’

16) - y ^ 17) - ,------; ■■ f = t; l») (x+2)*(x-2)(5x-2);


4 V x ( I + a/ x) V 4 + x2(x + V4 + x » i
a 0 *'+ o Vo/* - X*
19) 20 )
Vã:(a - V®)*’ X* “ 3:^

Resolver os seguintes problemas:


1. Achar o declive e a equação da tangente ao círculo x* + y* = 25 no ponto
de abscissa x = 3, sabendo que o ponto está no 4.® quadrante.
3
Resp. m = — ; 3x - 4y = 25.

2. Achar os pontos da curva y = x* - 6 x* + 7x em que a tangente à curva é


paralela à reta 5x + y - 3 = 0.
Resp. (2 , - 2 ).
88 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

3. Achar os declives e as equações das tangentes à parábola t/* = 4a: - 8 no ponto


Resp. a) P (3 , 2) e x - y - l = 0; b) P(3, - 2 ) e x + 2/ - l = 0.
4. Achar a equação da tangente à elipse 6* x* + = o* 6* num ponto dado
(xo, yo).
Resp. b^xox + a* yo y = a* 6*.
5. Achar a equação da tangente à hipérbole 6®x®- a ^ y ^ = o* 6* no ponto (xo, j/o)-
Considerar, em particular, o caso em que o ponto de contacto se desloca ao
infinito (assintota).

Resp. 6* Xo X - a* yo y = o* 6* Assintotas: y = ± — x.
a
6. Achar o ângulo sob o qual se encontram as curvas xy = 12 e x* - y* = 7 no
1.® quadrante (Sug. O ângulo sob o qual duas curvas se cortam, é o ângulo
formado pelas tangentes às curvas no ponto de interseção).
Resp. ç = 90®.
CAPÍTULO 5

GRANDEZAS COMPOSTAS
POR PRODUTO

§ 1. Cálculo de Âreas e a Noção de Integral Definida


5.1. Áreas Planas.
Os problemas que deram origem ao Cálculo Integral são, de
certo modo, independentes do Cálculo Diferencial e, historicamente,
o precederam de muito. O seu germe se pode fazer remontar ao mé­
todo de exaustão de Arquimedes, método que o grande sábio empre­
gava no cálculo de áreas.
A essência do Cálculo Integral, como veremos, consiste, em últi­
ma análise, em efetuar uma soma de infinitos adendos infinitesimais
e se presta, por isso mesmo, ao cálculo de grandezas compostas por
produto quando, pela natureza da questão, um dos fatores deve ser
(lonsiderado evanescente. São exemplos de grandezas com])ostas por
produto: áreas e volumes em geometria; espaço percorrido por um
móvel e trabalho realizado por uma força em física.
Vamos aqui limitar o nosso estudo ao problema do cálculo da
área de uma figura plana e estabelecer a sua conexão íntima com a
noção de integral.
Conhecemos da geometria elementar a noção de área e como se
obtêm as' áreas de certas figuras regulares como o retângulo, o para­
lelogramo, o triângulo, o trapézio, os polígonos regulares, o círculo e
Kuas partes. Assim, definida a unidade de área — superfície do qua­
drado de lado unitário — deduzimos a expressão da área do retân­
gulo como produto de suas dimensões:
A = ah {a = altura, 6 = base)
Conhecida a área do retângulo, obtemos sucessivamente por
('qüidecomposição e por equivalência áreas mais complicadas: a
área do paralelogramo é ainda o produto da base pela altura, a área
do triângulo é o semi-produto da base pela altura, a área do polígono
r(‘gular é o semi-produto de perímetro pelo apótema. A área do cír-
90 CUESO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

culo, cuja avaliação já constitui um problema bastante complicado,


se obtém mediante uma passagem ao limite, duplicando indefinida-
mente o número de lados do um polígono regular inscrito, de modo
que o seu perímetro se aproxime, ilimitadamente, da circunferência
e o seu apótema acal)c por se confundir com o raio. Tôdas estas figu­
ras, como se ve, constituem grandezas compostas por produto e suas
áreas são deduzidas de modo direto ou indireto da área do retângulo.

5.2. Definição Construtiva de Área.


Consideremos a região plana A A 'B 'B compreendida entre a
curva AB, de equação y = /(x), o eixo dos x e as ordímadas x = a
e X = b (Jig. 5.1), e suponhamos que /(.r) seja uma função uniforme,
contínua e positiva em [a,h] (o arco de curva AB esteja inteiramente
acima do eixo dos x). Decompondo o intervalo [a,5] em n subintíx-
valos quaisquer mediante a intercalação, cm ordem crescente, dos
pontos X \ , X 2 , X z , . . . , x»_i (por extensão representaremos o ponto
inicial a por xo e o terminal b por x„), sejam
hl = x i - Xo, hi = x<t~ x i, hz = Xz~ Xz, . . ., hn = Xu- Xn - i
as amplitudes dos subirrtervalos formados. Em cada subintervalo cons­
truímos o retângulo inscrito e o retângulo circunscrito, tendo por bas(í a
amplitude do subintervalo e por altura, repectivamente, a menor e a
maior ordenada da curva nesse subintervalo (isto é, o menor e o maior
valor de /(x) no subintervalo.)

Representando por ri, r z , . . . , r» os retângulos inscritos e


por mi, mz, lUz, . . ., lUn as menores ordenadas nos subintervalos de
amplitude Ai, h i , hz, h a respectivamente, as áreas dos retângulos
serão dadas pelos produtos:
ri = m ihi. Ti = iriihs, rz = mzhz, . . . , r» = m^ha
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 91

Anàlogamente, representando por Ri, Ri, R z , , Rn os retân­


gulos circunscritos e por Mi, Mz, Mz, . . ., Mn as maiores ordenadas
nos mesmos subintervalos, obtemos as áreas dos retângulos circuns­
critos:
R\ — M ihi, R i ~ M ihi, Rz — Mzhz, • • • > Rn — Mnhn
Somando os retângulos inscritos e representando por Si, a soma,
temos:

Sn = ^ w i hi = m i h i
(=i
niihi mzhz rrinhx (1 )
que diremos a soma injerior relativa à decomposição efetuada. So­
mando os retângulos circunscritos, obtemos a soma superior relativa
à mesma decomposição:
n
Sn = J^M ihi = M ih i + M ih i + Mzhz -{ -...-h M n h n ( 2)
1= 1
Se, a seguir, supomos n ilimitadamente crescente, de modo que
tôdas as amplitudes ht tendam a 0, isto é, se aumentamos sempre
mais o número de subintervalos e, com êles, o número de retângulos
correspondentes, a área dos retângulos inscritos vai aumentando ao
passo que a área dos retângulos circunscritos vai diminuindo, conver­
gindo ambas a um limite comum que se dirá a área da superfície

Para mostrar que as somas inferiores são crescentes e as somas


superiores são decrescentes, basta considerar um subintervalo gené­
rico de amplitude ht e decompô-lo em dois novos subintervalos, me­
diante a intercalação de um ponto intermediário x'; construindo os
retângulos inscritos e circunscritos de bases
hl' = x '~ x i- i e hl" = x i - x '
obtemos em lugar de ri os retângulos n ' e n " cuja área é maior do
que a área de ri {jig. 5.2):
ri + r " > n

F i g . S .2
92 CUESO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

O retângulo circunscrito Ri é substituído, por sua vez, pelos retân­


gulos circunscritos Ri' e Ri" cuja área conjunta é menor do que a
área de Ri
Ri' -b Ri" < Ri
Mediante a introdução do ponto x', o intervalo [o, h] passa a
ter rí- -f- 1 subintervalos, e as somas inferior e superior correspondentes
são:
Sn+i = ri-|-r2+ r3-f ...-fri'-l-n "-l-...-j-rn^ ri-t-r2+ r3-l--..+ ri-f-...-|-rn = 5n
e /Sn+ 1 = Ri “b R 2 “b R 3 “b • • -“b Ri' ~b Ru = R\ ~b Ri ~b
”b Rz + . . . "b “b . • . ~b -fín = ^n,
isto é,
S n+ 1 > S n e S n+ 1 < S n
Como este fato se repete toda vez que intercalamos um novo
ponto de divisão entre os primitivos, podemos estar certos de que
aumentando o número de subintervalos, as somas inferiores corres­
pondentes vão crescendo mais e mais ao mesmo tempo que as somas
superiores vão decrescendo. Mas, por mais que cresçam, as somas
inferiores jamais poderão superar as somas superiores, e estas, por
sua vez, jamais poderão vir a ser menores do que aquelas.
Posto isso, resta provar que as duas somas tendem a um valor
comum quando fazemos n tender a «>. Com efeito, subtraindo
membro a membro (1) de (2), temos (pondo em evidência 0 fator
comum hi em cada coluna):
Su-Sn = (M i-m \)hi-\-{M 2 -'m 2)h2 -\-{Mz-mz)h 3 -{-.. (3)
Se a função /(a*) é contínua em [a, h] , as ordenadas M ie nu repre­
sentam em cada subintervalo Xí - X í - i = hi o maior e o menor valor
atingido por j{x). Se, por exemplo, no subintervalo = h,
a função assume o seu valor mínimo no ponto Çe o seu valor máximo
no ponto ^ h com | | < h, (visto que os dois pontos pertencem
ao subintervalo), de modo que seja (Jig. 5.3):
TTii = j(k) e

Mj =f (^+h)
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 93

a diferença
k = = M , - m , = j { ^ + h)-j {k)
é um infinitésimo com h e êste, por sua vez, é um infinitésimo quando
fazemos tender a 0 todos os h i . Podemos dizer, por conseguinte, que
para n suficientemente grande, tôdas as diferenças M i - m i virão a
ser menores do que um e > 0 arbitràriamente pequeno (3.4), isto é,
Mi-mi < e
Supondo esta condição veriíiçada, e substituindo em (3) os bi­
nômios M i - m i pela constante majorante e, vem:
S u ~ Sn s h l “f* £ ^ 2 H " “H • • • ~f" ^ h n

— -f - ^ 2 “h ~1“ • • . “ f" h a )

= e(Ò —o) (fatorando)


n

onde h - a = ^ h i é uma constante determinada; vale dizer que a


. =1
diferença S n - S n pode vir a ser menor do que uma constante arbitrà­
riamente pequena e, portanto, tem por limite 0 :
1i m ( S n - S n ) = 0
n->-oo

ou, abrindo os parênteses (o limite da diferença é igual à diferença dos


limites) e fazendo a transposição:
1 i m Sn = 1i m <Sn = A (4)
n->-oo nr>^Q0

representando por A a área da figura AA'B'B, definida como êste li­


mite comum.
5.3. Concepção Geométrica de Integral.
Dada a função uniforme y = j(x) contínua, positiva e confinada(*)
no intervalo [a, h], e decomposto êste intervalo em n subintervalos
quaisquer como acima (jig. 5.1), tomemos em cada subintervalo

(*) A fu n ç ã o / { x ) SC d iz c o n fin a d a n o in te rv a lo [upb] q u a n d o to d o s o s seu s v a lô re s e stã o c o m ­


p re e n d id o s e n tr e um e x tre m o in fe rio r m e um e x tre m o su p e rio r M , a s a b e r /n ^ / ( x ) ^ M.
94 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

x i - x i - i = hi um ponto qualquer Çi, de modo que o valor da função


neste ponto, /(Çi), verifique a relação (Jig. 5.4):
wii =
sendo mi e Mi os extremos inferior e superior da função no referido
subintervalo.
Multiplicando esta dupla desigualdade por hi (número positivo),
temos :
rmhi ^ M ih i
Geomètricamente os produtos j{ ^i)hi representam retângulos com­
preendidos entre os retângulos inscritos e circunscritos.
Fazendo i = 1 , 2 , 3 , . . . , n e somando membro a membro, vem :
n n n

rrnhi ^ E /( ^ i) /i, Mihi


i= l <=*1 i=l
n

OU, «. s S /(Çi)Ai S S . (em virtude de (1) e (2) da pág. 91).


.= 1
Bepresentando por / « a soma dos produtos que diremos
uma sorna intermediária relativa à decomposição efetuada, escrevemos :
n

Su ^Sn (visto que /„ = ^ /(^ i)A i)

Quando fazemos n tender a «», as somas s» e Sn tendem a um li­


mite comum que será, outrossim, o limite das somas intermediárias
In, sempre compreendidas entre aquelas. Êste limite comum, conce­
bido, especificamente, como o limite das somas intermediárias 7» se
diz a integral dejinida da função j{x), estendida ao intervalo [a, 6].
Simbôlicamente, escrevemos:

1im ,) .,i ‘ = / ■ j{x)d X (VIII)


n-^00 L^’=i J a ^ a

que se lê "integral de j{x) estendida ao intervalo [o, h ] As letras a e b


apostas ao símbolo de integração se dizem respectivamente, o limite
injerior e superior da integral. O símbolo f
representa um S alongado
e lembra a operação de soma implícita na definição de integral. A
supressão dos índices no integrando se deve interpretar como a con­
versão de uma variação progressiva (por saltos) em uma variação
contínua.
Comparando êste resultado com a relação (4) do número anterior,
vê-se que a integral definida estendida ao intervalo [a, 6] exprime a
FUNDAMENTOS GEOMSTRICOS E FÍSICOS 95

área da região compreendida entre a curva y = j{x), o eixo dos x e


as ordenadas correspondentes aos extremos do intervalo.

Exemplo 1 . Calcular a área delimitada pela curva y= ~ x^ e o


4
eixo dos X 710 intervalo [0, 6 ,] (jig. 5.5).

Solução. A fim de obter uma soma


n

1=1
redutível a uma fiSrmula elimiintar conhecida, fazemos uma decom­
posição do intervalo [0 , 6 ] em subintervalos todos iguais de amiili-
tude h, de modo (pic
6-0 6
hl = ho = hz = . . . = ha — h =
n n
Doutra ]>art(í, uma vez que a localização dos pontos nos sub­
intervalos é indifennite, tomamos esses pontos na extremidade da di­
reita em cada subintcrvalo de modo a exprimir as abscissas cm função
de h, a saber :
^1 = h, ^2 = 2 /i, ^3 = 3/i, . . . , ^a = nh

Como, no caso presente, 6 j(x) = ^ x ^ obtemos a sucessão :


4

/(;.)=/w = -f /(çí) = m ) = j ;
}{%.)= Knh) = ^ ( n h y
96 CURSO DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Daqui, podemos formar a som a:


2 /(iiM . = + . . . +/(io)/»a
(visto que
= ~ h \h -h l(2 h y h + j{S h y h + ... -\-j{nh yh h i = h)

= -^(1 + 22 -f- 32 + . . . + n ^)h^ 1


(pondo em evidência
fórmula da soma dos qua­
n(n + l)( 2 n + 1 )
1 6» drados de 1 a n e pôsto
4 ■ 6 rr 6
que
^ h= —
n
(n + l)(2n + 1)
= 9. (simplificando as frações)
n"
Passando ao limite, resulta:
(n + l)( 2 n + 1 )
1i m
n->QO [■
n" ]
= 9 1 i m f 1 + ■— J | 2 + — J / (transformando, a fim de su-
n -* » ^ y \ . y \ inde terminação)
perar a indetermin

que é a área procurada.


Exemplo 2 . Achar a área compreendida entre a curva y = á x - x ^
e 0 eixo dos x, acima desse eixo (Jig. 5.6).
Solução. A curva corta o eixo dos x, nos pontos de ordenada
y = 0 , isto é, 4a: - = 0,
que dá a: = 0 e a: = 4. Decompomos o intervalo [0, 4] novamente
em n subintervalos iguais de amplitude h, de modo que
4 - 0 _ j4
hl — h^ — ^3 = . . . — ha = h —
n n
Nestas condições, as abscissas dos pontos de divisão tomam os
valores :
a:i = h, X2 = 2 h, X3 = Sh, . . ., Xa = nh
Ainda com o propósito de obter uma série facilmente somável,
tomamos os valores /(^i) da função relativa a cada subintervalo, não
cm um ponto interno qualquer, mas em um dos extremos, por exemplo,
no extremo da direita, de modo que os produtos /(^i)Ãi resultam:
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 97

K^i)hi = J(h)h = (4/j - h^)h =


Ji^2)h2 =J(2h)h = [ i.2 h -(2 h y ] h ^ 4.2h^-2^h^
j(^z)h3 =j{Zh)h = [‘í M - ( Z h y ] h = 4.3/i2-32/i3
J{^n)hn = j{nh)h = [4n/i - (nh)^]h = 4nh^ -n^h^
Somando em coluna os produtos da 1 .* coluna e os binô­
mios em h da última, e pondo em evidência o fator comum de
uma parte e o fator comum de outra, vem :
n
£ = i.h%l + 2 + 3 + . .. + n ) - h ^ l + 2 ^ + 3 * + .. . + n^)
1-1
4^ n(n + 1) 4® n (n + l)(2 n + l) /
=4 visto que h =
2 n® 6 \
w + 1 32 (w.+1)(2ti+ 1 ) reduzindo os coeficientes
= 32 . e simplificando as frações
n I por n

expressões

Passando ao limite, obtemos a área :


/ . 1 \ 3 2 ,.
= 32.1 i m (1 + - )
n -»oo t = i fl->00 V 71 /

32 . /'
= 32 - - . 2 ( 1 0 com 7i->“ oc
3 Vn )
3

EXERCÍCIOS
(Em todos os exemplos construir a figura).
1. Achar a área limitada pela curva y = 2x + S, o eixo dos a: e as ordenadas
por a: = 1 e a: = 4.
Resp. 24.
2. Achar a área limitada pela curva 2?/ = x -f 2 e o eixo dos x no intervalo [0,5]
Resp. 11— .
4

«(n+ 1)
(*) L e m b ra n d o q u e a som a d o s in te iro s d e 1 a n v a le ----- ■■■ e a so m a d e seu s qua-
n(n -f 1) (2/1 -1-1) 2
d ra d o s é --------------------
98 CURSO DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

3. Achar a área limitada pela parábola y = — e o eixo dos x no intervalo [0,2].


2
Resp. 4/3
4. Achar a área limitada pela parábola cúbica y = x* e o eixo dos x no inter­
valo [0,4].
Resp. 04
5. Achar a área limitada pela curva y = np intervalo [0,9].
Resp. 36
6. Achar a área limitada pela curva y = x* -f- 4 e a reta y = 5.
Resp. 1—
3
7. Achar a área limitada pela curva y = 4 - x* e o eixo dos x.
Resp. 32/3
S. Achar a área limitada pela curva y = 5 x - x * - 6 e o eixo dos x.
Resp. 1/0
9. Achar a área limitada pela curva y = 2x* - x* no intervalo [0,3].
Resp. 4^

10. Achar a área limitada pela curva y = 5 + 4x - x*, o eixo dos x e a ordenada
do ponto máximo.
Resp. 18
11. Achar a área limitada pela curva y = x’ - 3x -f- 3, o eixo dos x e as ordenada.s
dos pontos máximo e mínimo.
Resp. 6
12. Achar a área limitada pela curva y = 2x* + 3x* -f- 2, o eixo dos x e as orde­
nadas dos pontos máximo e mínimo.
Resp. 2,5

§2. Diferencial e Integral Indefinida

5.4. Diferencial de uma í^unção.

A noção do intogi-al que acaba de ser introduzida por via cons­


trutiva, como limite de uma soma dc infinitos adendos cvanescentes,
está em estreita conc.Kão com a noção de derivada anteriormente
expost^.. Em termos mais precisos: a integração se pode conceber
como a operação inversa da derivação (ou da diferenciação). A fim
de estabelecer esta conexão entre as duas operações, podemos nos
valer do significado geométrico de integral.
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 99

Seja y =■j{x) uma função contínua no intervalo [a, h] repre­


sentada nesse intervalo pela curva A B (Jig. 5.7).

Consideremos um ponto qualquer P do intervalo, de abscissa


OP = X e seja PM = j(x) a ordenada da curva relativa a esse ponto.
A área da figura A A 'P M resulta assim uma função de x, visto que a
cada valor de x, pu da posição da ordenada PM, corresponde uma área
perfeitamente determinada. Representando por F{x) esta área, po­
demos escrever:
área A A 'P M = F{x)
Se a X atribuímos um incremento PQ = à.x = h e traçamos a
ordenada QN = j(x -f /i), a área passa a ser :
área AA'QN = F{x + A)
isto é, a um incremento Ax = ^ da abscissa x (variável independente),
corresponde um incremento da área representado pelo trapézio mis-
tilíneo MPQNy a saber:
área MPQN = área AA'QN ~ área A A 'P M = F{x + h ) ~ F(x) (1 )
Supondo que a função j(x) seja crescente no intervalo PQ(*),
e construindo os retângulos inscrito e circunscrito MPQN' e M'PQN
de base comum Ax = h e alturas PM = j{x) e QN = j{x h) respec-
tivamente, obtemos:
área MPQN' = J{x)h e área M'PQN = j{x -|- h)h (2 )
Doutra parte, a área do trapézio mistilíneo MPQN está com­
preendida entre as duas anteriores, ou se ja :
área MPQN' ^ área MPQN < área M'PQN
O S e a funçS o fòsse d e c re s c e n te a re la ç ã o c o n tin u a r ia v á lid a , m a s o se n tid o d a s d e sig u a l­
d a d e s a e sta b e le c e r se ria in v e r tid o .
100 CÜRSO DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

OU, tendo presente as expressões (1) e (2) :


j{x)h ^ F{x + A) - F{x) ^ j i x + h)h
Dividindo tudo pelo incremento (positivo) h, temos :
,, , _ F (x + h )-F {x)
j{x) ^ ------------------ ^ j { x + h) (3)
Como j{x) é contínua por hipótese, podemos escrever :
j{x + h )-j(x ) = T} ou j{x + A) = j{x) + T)
onde T) é um infinitósimo com A; donde, substituindo (\sta expressão
de j{x + A) em (3), vem :

J{x) ^ ------------------ ^J{x) + r;

Esta^ dupla desigualdade nos assegura que a razão incremental


de F{x)
F{x + h) - F(x)
h
permanece compreendida entre j{x) e /(r) + y). Como sabemos (4.4),
o limite desta razão incremental, se existe, 6 a derivada da função
F(x). Passando ao limite, escrevemos :
tf \ ^ 1 1• m F(x
f(x) + h) - F(x) ^ 1 1 m rr/
------------------- [f(x)^ +. r,J1
A-tO A-*0
(o 1.® membro é independente de A).
E como, por hipótese, y) tende a 0 com A, este limite existe efeti­
vamente, isto é, existe a derivada F'(x) de F(x) e é igual a J(x), a saber :
rv, X àF , . „ F(x + h) - F(x) ,, ,
^ = ~dxT r = *'
A-^o ---------z--------
A ---
Se representamos, simplesmente, por AE o incremento da função
F(x -f- A) - F{x) correspondente ao incremento A.r = h de x, podemos
escrever ainda :
dF ,. AF ^
-z— = 1 1 m —-— = F (x)
Ax^o
o que equivale a dizer que a razão incremental
AF
Ax
(concebida como uma variável), difere de seu limite no ponto .r, de
um infinitésimo yj, isto é,
AF
• = F'{x) -f- Tj (onde Y
) 0 com Ax)
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 101

Multiplicando os dois membros desta igualdade por Ax, vem :


AF = F'{x) Aa; + iQAa;
Esta relação nos mostra que o incremento AF da função se compõe
de dois adendos distintos: o primeiro, proporcional ao incremento
Aa; da variável independente, se diz a parte principal do incremento
AF da função ; o segundo se caracteriza por tender a 0 mesmo quando
dividido por Aa:, e se diz o têrmo complementar{*).
Damos o nome de dijerencial da função à parte principal de seu
incremento, isto é, ao têrmo proporcional ao incremento da variável
independente e escrevemos:
dF = F'(x)Ax
Em particular, se fazemos F{x) — x, isto é, fazemos a função
coincidir com a variável independente, temos:
F'{x) = 1
c, portanto,
dF = 1 . Aa: ou dF = Ax
o como, neste caso, F = x, podemos substituir no 1.® membro F por
X , o que dá:
dx = Ax
ou seja, a diferencial da variável independente coincide com o incre­
mento da mesma variável; donde resulta lícito escrever:
dF = F'(x)dx (IX)
substituindo o incremento da variável independente pela sua dife­
rencial. Na prática, conhecida a derivada, obtém-se a diferencial
multiplicando, simplesmente, a derivada pela diferencial da variável
independente. Em virtude do papel que a derivada F'(x) desempenha
nesta relação, dá-se-lhe também o nome de coejiciente diferencial.

5.5. Conexão en tre Integração e Derivação.

De acôrdo cora a fórmula VIII, a área F(x) é dada pela integral


de /(x) estendida ao intervalo [a, x\ ou seja :

F(x) = 1 i m 2 = J j{^)dx (VlIIa)


n -*cc L. = l Ja a
que exprime a integral como uma função de x (a cada valor do limite
superior, a integral assume um valor bem determinado).

(*) O i z c i n )s (pie um in fin ité sim o ^ é d a m e sm a o rd e m q u e u m in fin ité s im o d a d o « q u a n d o


n l i m i t e d a r a z ã o /3/a é um n ú m e ro fin ito k =4= 0 , isto é. Hm ff/a = k =f=0. S e lim fi/a^ =* k 4= 0 d iz e ­
m o s <i'«e /8 ó u m i n f i n i t é s i m o de 2» o rd e m e m re la ç ã o a ot; e a ss im p o r d ia n te .
102 CURSO DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Mas, como acabamos de ver no número anterior, a derivada de


F{x) se identifica com j{x), a saber,
F'(x) = j{x)
de modo que podemos substituir na integral VIII», /(a:) por F'{x) o
que dá
X

F{x) = fF '{x )d x (VIIIò)


a
X
o que equivale a dizer que o símbolo y* pode ser concebido como
a
um operador que aplicado à diferencial (ou à derivada) F'{x)dx de uma
função F{x) dá esta função. Em outras palavras, êste operador define
a integração como operação inversa da diferenciação ou da derivação
(pôsto que a diferencial de uma função é, simplesmente, sua derivada
multiplicada pela diferencial da variável independente).
Vice-versa, podemos escrever:

f 'W = | { F ( x ) } = H / w ] = F% )

isto c, a derivação é a operação inversa da integração.


5.6. Integral Indefinida e Constante de Integração.
A integral concebida como função do seu limite superior (ou como
função de x), difere em um particular da integral dejinida, anterior­
mente introduzida. Esta última, estendida a um intervalo bem deter­
minado [a, 6] se reduz, como vimos, a uma constante, isto é, a um
número.
Ao definir a integral de uma função j{x) como a função F{x)
cuja derivada F\x) é igual à função integranda /(x), importa ter pre­
sente que tôdas as funções que só diferem entre si de uma constante
aditiva, possuem a mesma derivada. Assim, se C é uma constante,
a função
F{x) -f C
possui a mesma derivada F'{x) que a função F{x), visto que a derivada
de uma constante é nula. Decorre desse fato que não basta conhecer
a derivada e saber integrá-la a fim de precisar se a função que lhe deu
origem possuia ou não uma constante isolada. Daqui a conclusão :
quando conhecida a derivada F \x) = j{x), nos propomos a obter,
por integração, a função F(x), esta só pode ser determinada a menos
de uma constante aditiva. A existência de uma tal constante e o seu
valor, quando existe, dependem, como veremos, de condições iniciais
a serem j)rescritas em cada caso específico.
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 103

Do exposto resulta que a integral (VlIIa) assume a forma mais


geral
X

j} { x )d x = F(x) + C (X)

onde C é uma constante arbitrária a que se dá o nome de constante de


integração. A função F{x) se diz a primitiva a menos de uma cons­
tante arbitrária da função integranda j{x) = F'{x). Dá-se o nome de
integral indejinida de j{x) à expressão
X

j{x)dx
f
ou à sua equivalente F{x) C. Na prática, concebida a integral inde­
finida como a operação inversa da derivação, omitimos os afixos
inferior e superior, e escrevemos simplesmente
f J{x)dx = F{x) + C (Xo)

5.7. Constante de Integração e Condições Iniciais.


A fim de dar uma interpretação adequada da constante de inte­
gração, vamos retomar o problema da área (Jig. 5.8) e a integral inde­
finida (X ):
ã

j{x)dx = F{x) + C (1)


I
104 CURSO DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Como já vimos, a integral


X

j'j(x)dx
exprime a área AA'PM , ou seja, a área da região confinada pela curva
y = /(a?) e o eixo dos x no intervalo [o, x]. Quanto a F(x), representa
ainda uma área; mas acrescida da constante arbitrária C, não repre­
senta necessàriamente a área A A 'P M (isso só se dá quando C = 0).
Se em (X) fazemos x — a, isto é, reduzimos a 0 o intervalo de inte­
gração, também a área correspondente se reduz a 0 e podemos escrever :
a

/.f{x)dx = F{a) -b C = 0 (2)

Note-se que não é necessário substituir x por a na função inte-


granda J{x), visto que o valor da integral não depende da letra que
desempenha o papel de variável independente, mas únicamente á&jorma
da função j{x) (ou da curva AB) e dos limites de integração. Assim,
a integral proposta poderia ser escrita
X

j{t)dt
I

e o resultado seria ainda F{x) + C.


A relação (2 ) nos permite determinar a constante C de acôrdo
com a natureza do problema ou de suas condições iniciais. Resol­
vendo-a em C, tem os:
C = -F (a )
Geomètricamente interpretada a função F{x) representa, como
sabemos, a área compreendida entre a curva y = j(x) e o eixo dos x
num intervalo prefixado. O número F(à) exprime, portanto, a área
OCAA', limitada pela curva e o eixo dos x entre o eixo dos y (ordenada
na origem) e a ordenada A A ' correspondente à abscissa x = a. Levando
este valor de C à relação (1 ), resulta:
X

y*j(x)dx = F{x) - F{a)


a

Se agora fazemos x = b nesta relação, temos :


b
J j(x)dx = F(b) - F{a) (XI)
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 105

que nos diz que a integral definida se reduz a um número (diferença


entre as duas constantes F(i>) e F{a)). Em outras palavras :
A integral dejinida d^ uma junção j{x) é o número que se obtém
substituindo na 'primitiva F{x) (calculada a menos de uma constante
arbitrária), a variável independenie x pelos limites superior e injcrior
respectivamente e subtraindo o segundo valor do primeiro.

5.8. Primeiras Regras de Integração.

Concebida a integração como operação inversa da diferenciação,


o nosso problema consistirá em obter uma função y = j(x) (a menos
de uma constante aditiva), conhecida a sua derivada ^ — j'(^) ou a
sua diferencial dy = j'(x)dx ; em símbolos :
f j'(x)dx = J(x) + C
ou y = j(x) + C (sendo por definição fdij =y)

1 . Integração de uma potência


Como vimos, para derivar uma potência de x, basta multiplicar
esta potência pelo próprio expoente e diminuir êste expoente de uma
unidade, e para obter a diferencial correspondente basta multiplicar
êste resultado por dx.
(iv
Exemplo 1 . Se y = é — = òx* e dy = 5x*dx
(JLJU

d'1!
Exemplo 2 . Se y = x’^ é t = mx'^~^ e dy = mx”'~Hx
dx

dy
Exemplo 3. Se y = c — = (n + l)a*” e dy = (n l)x '‘dx

Por inversão das implicações da regra acima, podemos formular


a regra de integração de uma potência de x :
Para integrar uma potência de x, isto é, para passar da dijerencial
conhecida à junção primitiva, basta aumentar de 1 o expoente de x, e
dividir a junção (potência de x) pelo expoente assim aumentado.
Aplicando esta regra às diferenciais que acabamos de obter, temos :

a) fl5x^X — ~—;—7“
4+ 1
C — ~~z------ f* (7 = X* C
106 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

m-l+l ma:"
mx’^ Hx = + C = + C = a:“ + C
m - l + l m
(n + l)a:"+i
c) J { n - \- \) x ''d x = + (7 = a:"+» + C
n+ 1
Anàlogamente integramos as seguintes funções :
/ 3-3+1 3-4
x\lx = ---------h C' = “T— h C*
O "7“ 1 4

/ r a:^'2+i
\/a-c/a- = t x^''kix = 'Tj------ + C =
4 + 1

= -ja :’'’ + C = -j a/ ? + C

^/t* /* ^ 2rl ^ 1
/ p = j a:-\ü- = J - : p 7 + C = 4 5 -4 C = - - + C
X

De um modo geral, vale a fórmula:


• n 4"1
x"dx — + e (n^-l) (XII)
I n+ 1
para todo exclusão feita do n = -1. Para este valor particular do
expoente, a fórmula não ó aplicável, como fàcilmente se verifica por
via direta :
X -1 + 1
a: =
/
= 00
-1 +1 0
que 6 um resultado ilmório. Veremos mais tarde como se integra êstc
caso excepcional.
2. Integração de uma potência de uma junção de x
Esta fórmula é válida ainda quando o integrando se compõe de
uma Junção x à potência n e da diferencial dessa função, ou seja,

/ u^dn = + C (Xlla)
J n + 1
8 (íja n - u ix); neste caso c

= u\x) e portanto, du — u'(x)dx


FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 107

<le modo que o integrando deve conter, necessàriamente, como fatôres


a função elevada a n, a derivada da função (base da potência) e a dife­
rencial da variável independente x, a saber,

j'u '^d u = j* W (^)] (^)

Exemplo 1 . Calcular a integral J* { x - S y d x


Solução. Representando x - S por u, isto é, fazendo u = x - 3 ,
temos :
du d . .

ou, multiplicando por dx : du = d(x - 3) = dx


o que nos mostra que dx 6 a diferencial da base x - 3 e, portanto, a
integral proposta c da forma u^^du a pode ser integrada diretamente :

/
Verijicação. Sc representamos i)or y a função obtida,
(.r - 3)®
y = + C
e derivamos, vem :
dy d í(a:-3)^
+ C1\ =
dx dx t 3 J = -3 dx^
s y + ^ (C)
dx

= -^3(a:-3)2-^ ta:-3)
O djX {s =“)
= (1-3)^
Donde, a diferencial: dy = (x - 3ydx
(jue é o integrando proposto.
Obs.: Quando o expoente é inteiro e positivo, pode-se também
<l(‘senvolver a expressão e integrar termo a termo de acordo com a
n'gra de integração de um polinómio (jóimuila (XIII) da pág. 109).
Exemplo 2 . Calcular a integral / V x - õ dx
Solução. Exprimindo o radical em forma de uma potência equi­
valente, temos :
- 5 = {x -
108 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Fazendo, como antes, u = x - 5, verificamos ainda aqui que


du = d(x -5 ) = dx; donde, aplicando a fórmula :

J V i n , d x = j ( x - 5)‘" d i = “ T

i +'
(verifique o resultado, derivando a função achada).
Exemplo 3. Calcular a integral (x^-9)V* 2x dx
Solução. Fazendo, como nos exemplos anteriores, u = x ^ - 9, tra­
ta-se de verificar se o conjunto de fatôres 2xdx da função potenciada,
exprime a diferencial da base x ^ -9 . Derivando u = x^-9 vem
^ = 2x e, portanto, du = d{x^ - 9) = 2xdx, o que mostra que a in­
tegral proposta é da forma J* du e pode ser calculada por meio da
fórmula acima :
(j.2_q\2iz+i 3
{x^-9yi^2xdx = — ------ -\- C = - (x ^ -9 Y ‘^ -h C
/
T+ '
Note-se que os fatôres 2 a: dx os quais, em conjunto, fazem às vêze.s
da diferencial du, deixam de figurar na primitiva obtida. (Verifique
o resultado por derivação)
x^ dx
/ /t:-----
(8 - x^y
Solução. Exprimindo o denominador em uma potência negativa
equivalente, podemos dar ao integrando a forma de um produto ;
x^dx ,
/
(8 ^
Fazendo w == 8 - x® resta verificar se os fatôres x^ dx da função
potenciada (8 - x®)"^ coincidem com a diferencial du quando u — 8 - x®;
diferenciando esta expressão, obtemos:
du = d {S - x^) = - 3x^ dx
Comparando êste resultado com a expressão x^ dx do integrando,
constatamos que lhe falta o coeficiente -3 para se identificar com
du, tirado de w = 8 - x®. Esta deficiência pode ser suprida, atribuindo
à expressão X®dx do integrando o coeficiente -3, tendo o cuidado de
multiplicar, ao mesmo tempo, a integral pelo seu recíproco - o qu<‘,
FUNDAMENTOS GEOMÉTBICOS E FÍSICOS 109

evidentemente, não altera o valor da integral, pôsto que (-3) = 1.


Temos, portanto:

f (8^V )2 ^ J
que é da forma u ’‘ du e pode ser integrada diretamente (sendo
= (8 -rc®) ^ c du = -Sx^dx). Donde,

J (8 ^ « = - j j - 3 ■ - -2 + i
+ C =

_ i (8 - X')-- 1 ,
3 ■ - 1 ^ ^ 3(8-a;3) ^ ^

(verifique o resultado por derivação).

Ohs. : Sempre que se torne necessário, pode-se introduzir um


fator constante em uma diferencial a fim de torná-la integrável, con­
tanto que se tenha o cuidado de dividir o resultado ou a integral por
esta constante. Um tal artiíício, porém, jamais se pode fazer com
a variável (de integração). Importa insistir no fato de que a jórmula
X lla só é aplicável quando, ao lado da potência figura no inte­
grando a diferencial da ba.se du ou esta diferencial a menos de um coe­
ficiente constante. Quando isto não se dá, teremos que recorrer a
outros processos de integração, como veremos.

2 . Coeficiente constante
Um coeficiente constante da diferencial subsiste na integração,
isto é, equivale a um coeficiente da integral. Se a é uma constante,
vale :

au" du = a I w“ du = a —;—- -j- C = — ;—- -|- C


J n -f- 1 n -|- 1
o que é uma conseqüência imediata do fato de que um coeficiente
constante da primitiva permanece na derivada.

3. Integração de um polinómio
A integração de uma soma do diferenciais se efetua integrando,
separadamente, cada adendo. Simbolicamente, escrevemos :

j' (du dv -\- dw) = J du J" dw (XIII)


110 CUBSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Esta propriedade é uma conseqüência da definição da integração


como operação inversa da diferenciação. Se «, t; e to são funções dife­
renciáveis de X, vale a relação:
d . , . . du , dv , dw
- i u + v + w) = _ + _ + _

ou, passando às diferenciais (suprimindo o divisor dx) :


d{u + V -\- w) = d u d v dw
Donde, invertendo a igualdade e integrando os dois membros,
vem :
^ {du dv dw) = J* d{u + v + to)

= U V w { integração como operação in­


versa da diferenciação
- f d u + f dv -f- (visto que fd u = u, etc.)

como se tratava de provar.


Exemplo. Seja calcular a integral {ax^ hx c)dx
Podemos escrever sucessivamente:
{ax^ hx c) dx = ax^dx -f- bxdx + J* cdx + C

= aJ* x^dx + &J * xdx + c J * d x + (7

ax® . 6x^
+ -}- cx C

EXERCÍCIOS

Integrar as seguintes funções e verificar, em cada caso, o resultado por deri­


vação (as respostas foram reunidas no fim da série de exercícios).

1.- Jxdx; 2. J ‘^xdx; 3. J'ôx^dx; 4. J x ^ ‘^dx; 5.

6. J kv-^.*^dv; 7. J x -^ '^ d x ; 8. J r ^ d t; 9. J 2 ^ dx;

10. j ^ td t) 11. j{x-\)dx; 12. J{4-Zx)dx; 13. /(»■ - 9) dx;

14. y*(3x* - 4x + 5) dx; 15. J x \x -\)d x ; 16. Jx (4x - Zx*) dx;


FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 111

17. / ( 2 i + 3)* dt) 18. J (2t + 3) td(; 19. f (x 3) (2 x - 1 ) dx;

20. 2 1. /*— ;
J í»
22. f
^ 4x»
23.
J pM

f0~^) f
27 ^ VT+xdx; 28. y* yj'ò-2xdx; 29. j" V4x + ldx; 30. *-x* xdx;

31
/ ^+ 1
J V2x* + 9xM x; 33. J (x» + l)»«x»d x;

34. J* 4(x* + 3x + 2)»/*(2x + 3) dx; 35. J 9/* + 10 <»;

/(x*+l)*
^Wr /* 4rdr
37. / - 7 = ; 38. /
d -^8-r»
(x +1)
/• vx + 1) ax
d Va:'+2x
dx /* dx
,-----^ ; 39. / “ 7 = ; 40. /
Va^++ 1l ’
d Vx
/• dx
d -V1-2X
ç (2x 4- 3)dx
41. /*
J (2v - p")*
42. — - —— ; 43.
d (1 + 2x)»
f xH x

d V5p“+ T i ’
f
• J ->/.(«* + 3x)»‘

R espostas. (Por simplicidade omitimos na resposta a constante de integração


cuja existência fica subentendida).

1. J.X*; 2. i-x*; 3. 2x*; 4. —x»«; 5. -L ; 6. --------— ; 7. ~ x*'»;


2 3

8. - 9. — ^ i / ^ 10. — V ^ ; 11- — - x; 12. 4 x - . ^ ; 13. — - 9 x ;


t 5 3 2 2 3

14. x ’-2x*+5x; 15. ll(3 x -4 ); IG. J í l - J ! íl; 17. J -(2 /+ 3 ) 18.


12 3 4 0 3 2

19. J ^ + Í í l - 3 x ; 20. 1 - Í - a/ x»; 21. - - 1 - ; 22. - _ 1 _ ; 2 3 .------ L _ ;


3 2 3 5 2t^ ’ 8x^ 0,4»®>‘ '

24. + 1^ ; 25. x - 3 ^ + 3 ^ 26. l y f ^ - 2 ^ ,


2
27. ~ V (i + x)»;

28. - lV (3-2x)»; 29. Íi(4x+1)<^- 30. - 31. 1 -|-2íi/*;


3 16 3 9

32. - Í ( 2x » + 9)«"- 33. _ L (x 34. 1 )5/2; 34. £ (x * + 3 x + 2 )f/3 ; 35. .2.(<* + 10)««;
9 15 3 4

~ nr- V- r r :r 37. - 3 (8 -r*)*^3. 33. Vx>* + 2x; 39. 2 ^ [ ^ + T ; 40.


2(x=‘+ l)

1
41. ; 42. - ; 43. 1 a/5x»+7; 44.
2 p(p - 2) 4(l+2x)2 15 3 Vx* + 3x)» ■
112 CUESO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

§3. Inversão dos Problemas Fundamentais

5.9. Problem a da T angente.

Ao tratar dos problemas fundamentais do Cálculo Diferencial,


vimos que a derivada de uma função exprime em linguagem algébrica
o declive da curva em um ponto qualquer. Sob o ponto de vista geo­
métrico, integrar uma função (derivada), significa, portanto, deter­
minar a curva quando se conhece o seu declive em cada ponto. Mas
êste problema, ao contrário do problema direto, não tem uma solução
única, pôsto que existam infinitas curvas que apresentam o mesmo
declive para um dado valor de x (Jig. 5.9) e só se distinguem pelos
valôres que assumem as ordenadas correspondentes. Esta indeter-
minação geométrica tem o seu equivalente algébrico na constante de
integração. A cada valor particular da constante arbitrária C, corres­
ponde uma curva perfeitamente determinada. A integração nos for­
nece assim uma infinidade de curvas da mesma espécie, uma família
de curvas, que só se distinguem pela sua posição. Para obter uma
curva determinada da família é necessário introduzir no problema
as condições iniciais que permitam fixar o valor particular de C.

F i g . 5 .9

Exemplo. Achar a equação da jamiliá de curvas cujo declive é


igual a 4a;. Achar, em particular, a curva da JamUia que; a) passa pela
origem; b) passa pelo ponto (2,3).
Solução. O declive sendo expresso pela derivada da equação da
curva, tem os;

ou dy = 4arda;
dx
Fi:-\DAME\T('KS (íKOM HTEÍCO^ E FÍSICOS 113

Intoiímndo esta equação, vem:

y — ^ 4.rí/.r = 2.r- + C

<lLie 6 a equação procurada.


o) Se a curva passa pela ori,íí<‘m, a sua equação deve ser identica­
mente satisfeita pelas coordenadas (0,0) <lêste ponto. Donde,
0 = 2 . 0 ®+ C ou C= 0
A equação se reduz, portanto, à forma simplificada :
y = 2x^
h) Se impomos a condição de que a curva deve passar pelo ponto
(2 , 3 ) achamos o valor de C que convém ao caso, substituindo na in-
t (‘gral achada x e y pelas coordenadas do ponto, o que dá : 3 = 2 .2 ^ -|- C
ou 3 = 8 -f- C e, portanto, C = - 5. Substituindo êste valor de C
na equação da família de curvas, temos a equação particular:
y = 2x^ - 5.
que corresponde â curva da família que passa pelo ponto dado.
A fim de tornar manifesto o caráter de soma implícito na inte­
gração, vejamos como se pode resolver êste problema, concebendo
a curva a achar, como resultante da justaposição ou soma de infinitos
infinitésimos. Trata-se, no caso presente, de achar a equação da curva,
// = /(^)> sabendo que ela passa por um ponto dado e tem um declive
variável:
dy .
m = tg « = = te

isto é, valendo em cada ponto o quádruplo da abscissa do mesmo


ponto.
Tomando, ao acaso, um ponto A do plano (a fim de dar conta,
oportunamente, das condições iniciais) e representando por (o, yò)
as suas coordenadas, isto é, fixando um ponto a do eixo dos z e su­
pondo que seja yo a ordenada da curva relativa a êsse ponto, desta­
camos um intervalo arbitrário [o, x] do eixo dos a; e o subdividimos
em n subintervalos quaisquer, mediante a intercalação dos pontos
ara . . . , ar«_i (por extensão, representamos a por Zo e x por Xu),
de modo que sejam
— X\ x^f X2 aTi, /13 —
" x^ x^y hm Xn ar»—
I
as amplitudes dêsses subintervalos (Jig. 5.10).
114 CUESO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Consideremos um subintervalo genérico hi = x i - x i . \ e seja


Ayi o incremento de y correspondente ao incremento ki de x ; temos :
Ayi = 4x^h^
Fazendo t = 1, 2, 3, . . ., n e somando todos os incrementos assim
numerados, vem :
n n
S ^ 4xihi
<=i <=i
Acrescentando à ordenada inicial yo a soma dêsses incrementos,
ou melhor, o seu limite, obtemos a ordenada y correspondente ao ponto
genérico x, de modo que podemos escrever:

2/ = í/o + 1 i m £
n->oo í= l
Ayi = yo 4-11 i m
n -^ o o
r^
4xihi
L . / = !
I
A fim de calcular êste último limite, particularizamos a divisão
do intervalo (a, x], fazendo todos os subintervalos iguais entre si, a
saber: x-a
hl = hi = hs = . . . = hn = h =
n
o que equivale a dizer que os pontos de divisão terão por abscissas :
X\ — a h, X2 = a + 2A, = o + 3/i, . . . , x» = a +
Com êstes dados, podemos escrever sucessivamente :
y = yo+l i m [~V 4a-i/uT

= yo~}“l i m|^4(Xi/li-|“^2^2"f‘^3^3~l“ (desenvolvendo a soma)


FUNDAMENTOS GEOMÉTEICOS E FÍSICOS 115

= + l1ii m /4 [”(0 -t- h)h + (a + 2h)h +


n->oo I L

4" (g *4“ SK)h 4“ . . . 4“ (a 4“ nh)h Jj j- (substituindo)

~ y o 4" l i n \ * | 4 | üh 4" 4” o,h 4 “ 4* oh 4*


n->oo
1*1 (efetuando as multipli-
+ 3A* + . . . + OÃ + í cações)

( r N 1* 1
4 I nai^+(14-2-}-34- . . . + 7i)h^ I I-
L “*‘*1
reduzindo os n têrmos
ah q fatorando 08 têr-
mos em
substituindo h por----
x-a n ( n + l) (x-a)* n
= y o + liim |4 |^ n a . n e a soma de 1 a n por
fi n" ]) n(n + 1)

^ 'y o + l i m |4 j^ o (x -a ) + | (simplificando por n)

= yo + 4 |^a(x - a )+ -a)* J ^

= yo + 4o(x - o) + 2(x - o)^


= yo + 2x* - 2a^
Em particular, se a curva passa pela origem, podemos assumir
a = 0 e yo = 0 ; donde, y = 2x*; se a curva passa pelo ponto (2,3),
assumimos a = 2 e yo = 3, o que dá y = 2x* - 5 como acima.
5.10. P roblem a do M ovim ento.
Êste problema, como o anterior, é suscetível de inversão ime­
diata, uma vez que se tenha presente a definição de velocidade :
ds\ . _ / dv dh \
(
t
" “ dT) ® aceleraçao
Dada a aceleração, podemos achar a velocidade integrando a
equação : dv = adt.
Conhecida a velocidade em função do tempo t, podemos achar o
espaço 8 integrando a equação:
ds = vdt
Como no problema anterior, a constante de integração é determinada
pelas condições particulares impostas ao problema.
116 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Exemplo : Um corpo é lançado do alto de uma torre de 60 m de altura


verticalmente para cima com uma velocidade inicial de 14 m.s~^. Achar :
a) as equações da velocidade e do espaço ; b) a altura máxima atingida
pelo corpo; c) o tempo que leva o corpo para atingir o solo.
Solução, a) Sob a ação da gravidade, o corpo sofre uma decele-
ração constante (aceleração negativa) g = 9,8 m.s~^. E como a ace­
leração é a derivada da velocidade em função do tempo, podemos
escrever:

= -g ou dv = -g d t
dt
Integrando esta equação diferencial, tem os:
v = J - gdt = - g J dt =-gt-\-Ci

onde o tempo t é contado a partir do instante em que o corpo é pro­


jetado no espaço. A constante Ci pode ser determinada pelos dados do
problema. Fazendo í = 0 na equação v = - gt Ci, resulta: v = Ci,
o que significa que Ci se identifica com a velocidade com que o corpo
é lançado, isto é, exprime a velocidade inicial do corpo. Representando
por vq esta velocidade iniqial e substituindo Ci por este nôvo símbolo
na equação acima, temos: v — - gt vq, o u como se prefere escrever :
V = vo-gt. (1)
Sendo agora, podemos substituir em (1), v por esta de­
rivada, obtendo a equação diferencial
ds
ou ds = (t»o- gt) dt

onde Vo e g são constantes. Integrando novamente, vem:

s = J*(fo - gt)dt = vodt-Jgtdt = v o ^ d t-g ^ tdt = vot- ^gt^A-Ci. (2)

A constante C2 é determinada, como Ci, pelas condições iniciais do


problema. Para < = 0, vem : s = C2, o que mostra que C2 repre­
senta um espaço inicial, que se costuma representar por so. Subs­
tituindo em (2) Ci por so, temos :

s = vd - ^ gt^ -{■ So ou, como se prefere escrever:

s = So + Voí - y gU
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 117

No nosso caso, So = 60 t>o = 14 e g = 9,8 ; donde,


a = 60 + 14<-4,9í* (3)
h) A altura máxima se obtém fazendo em (1) t> => 0, ou também
derivando (3) e igualando a derivada a 0 :

Substituindo em (3), achamos s = 70 tn.

c) Para atingir o solo, o corpo cai de 70 m sem velocidade inicial^


sendo o tempo de queda obtido por meio da equação 70 = 4,9<*,
que dá: < = 3,78 s. O tempo total será portanto, êste tempo mais
0 tempo de ascenção:

y = 1,42 isto é, P = 3,78 + 1,42 * 5,2 s.

EXERCÍCIOS

Nos seguintes exemplos achar a equação geral da fam ília de curvas cujos
declives são dados. Achar em cada caso a curva particular que passa pelo ponto
dado.

1. ^ = 4x, (3,8) Resp. y = 2x* - 10


dx

2. = - 3i. (2,-5) Resp. y = - — X* + 1


dx 2

3. = - 2x, (2,0) Resp. y = 4 - X*


dx

4. ^ = 4 -2 x , (1,5) Resp. y = 4 í - X* + 2
dx

5. ^ = 3x*-3, (-2,1) Resp. y =* X* - 3x + 3


dx

6. = 3 x * - 2 i- 2 , (0,0) Resp. y == X* - X* - 2x
dx

7. ^ = 3 x » - 2 x - l , (1,-2) Resp. y = x*-x*-x-l


dx

8. ^ = 4x* - 6x + 4, (2,6) Resp. y *» x^ - 3x* + 4x - 6


dx
118 CUESO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

dy _ \
9x* + ^ , (0,0) Resp. 1 81
V * •
dx 2 10 2

10. áü - - V , (4,3) Resp. y “


dx 2 V® X*

(0,-2) Resp. 3 y - 2 1 - V(9 - X*)*


dx

^ =1 (-1,-3) Resp. 3 y > x » « -8


dx 9
13. Achar a equação da curva que tem um declive constante igual s 1/2 e passa
pelo ponto (2,-4). Resp. 2y •* x - 10
14. Achar a equação da curva cuja tangente em um ponto qualquer tem um
declive numèricamente igual à abscissa do mesmo ponto, sabendo que a curva
passa pelo ponto (2,4).
Resp. 2y =» X* + 4
15. Achar a equação da curva qUe passa pela origem, sabendo que o declive de
sua tangente em um ponto qualquer é numèricamente igual ao quadrado
da abscissa do mesmo ponto.
Resp. Zy = x*
16. Achar a equação da curva que passa pelo ponto (2,6), sabendo que o declive
de sua tangente em um ponto qualquer é igual ao triplo da abscissa do mesmo
ponto.
Resp. 2 y — 3x*
17. Achar a equação da curva que passa pelo ponto (2,3), sabendo que o declivt
de sua tangente em um ponto qualquer é igual a 1 - x*.
Resp. 4y = 20 + 4x - x*
18. Achar a equação da curva que passa pelo ponto (3,2), sabendo que o declivè
de sua tangente em um ponto qualquer é igual ao duplo da abscissa do mesmo
ponto menos 3.
Resp. y = X* - 3x + 2
19. Achar a equação da curva que passa pelo ponto (3,9), sabendo que o declive
de sua tangente em um ponto qualquer é igual ao quadrado da abscissa do
mesmo ponto mais 4.
Resp. 3y = X* + 12x — 36
20. Achar a equação da curva que passa pelo ponto (1, -1), sabendo que ò declive
de sua tangente em um ponto qualquer é igual ao triplo do quadrado da
ordenada do mesmo ponto.

Resp. = —í —
y
2 -3 x
21. Achar a equação da curva que passa pelo ponto (3,4), sabendo que o declive
da tangente num ponto qualquer é igual a - — .
y
Resp. X* + y* = 25
22. Achar a equação da curva que passa pelo ponto (3,2) e que intercepta a fa­
mília de hipérboles x y — C sob ângulo reto.
Resp. x ^ - y ^ — b
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 119

23. Achar a equação da curva cuja 2.* derivada é igual a ~ , sabendo que a
curva passa pelos pontos (3,2) e (6, -4).
Resp. Zy — 2x* - 24o; + 60
24. Achar a equação da curva cuja 2.* derivada é igual a 4, sabendo que a curva
passa pelo ponto (2,6) e que a sua tangente neste ponto tem por equação
y “ 3x.
8ug. £fetuam-se duas integrações sucessivas. A relação proposta se expri­

me pela equação =4, que se pode escrever — ( ^ J = 4 ou d f — =■4dx.


dx' dx \ d x / \d x /
Integrando esta diferencial, obtemos a 1.* derivada:
^ m 4x + Cl, que posta em forma diferencial e integrada, nos dá a equação
dx
procurada y = 2x* + Ci x 4- Ci. As duas constantes Ci e Cj, se determinam
pelas duas condições impostas ao problema.
Resp. y = 2x* - 5x + 8
25. Achar a equação da curva cuja 2.» derivada é igual a 6x, sabendo que a curva
passa pelos pontos (1, -3) e (-2,5).
Resp. 3y = 3x* - 17x -j- 5
26. Achar a equação da curva cuja 2.* derivada é igual a 12x, sabendo que a curva
passa pelo ponto (-1,0) e que a sua tangente neste ponto tem por equação
y = X - 3. Resp. y == 2x* - 5x - 3

27. Achar a equação da curva cuja 2.* derivada é igual a -L , sabendo que a
X*
curva passa pelo ponto (1,4) e tem por tangente neste ponto a reta 2y=3x+2.
Resp. 2y = -L + 4x + 3
X

28. Achar a equação da curva cuja 2.» derivada é igual a 4x, sabendo que a curva
passa pelo ponto (1,4), e a sua tangente neste ponto tem uma inclinação de
45® sôbre o eixo dos x.
Resp. 3y = 2x® - 3x 4* 13
29. De uma altura de 120m. deixa-se cair um bago de chumbo. Achar a sua
velocidade e sua distância do chão no fim de 4s. [g = 9,8].
Resp. 39,2m.s~‘ e 41,6m.
Observação: Neste exemplo e nos seguintes o aluno, deve partir dos dados
do problema e estabelecer por integração as fórmulas da velocidade e do es­
paço interpretando em cada caso as constantes de integração de acôrdo com
08 dados. Esboçar um gráfico.
30. De um balcão a lOm. acima do solo, lança-se uma flecha de aço verticalmente
para cima, com uma velocidade inicial de 20m.s~*. Achar: a) a altura má­
xima atingida pela flecha; 6) sua velocidade e sua distância do chão ao cabo
de 3«. (y = 10].
Resp. a) 30 m. 6) -10m.«~^ e 25m.
31. Um móvel se desloca com uma velocidade i; = 8 0 - 10<m.s“*. Achar a dis­
tância percorrida até o momento em que a velocidade é nula.
Resp. 320 m.
120 CUESO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

32. A velocidade de um ponto material em movimento retilíneo é proporcional


ao quadrado do tempo e é igual a 4Sdm.s~^ no fim de 2 s. A cW o espaço
percorrido ao cabo de 5».
Resp. 50 m.
33. Um projétil é lançado verticalmente para cima com uma velocidade inicial
de 600 visando um avião que voa a 6 000 m. do altura com uma velo­
cidade de 450 k m f k . Quantos segundos antes do avião passar sôbre o canhão
deve ser lançado o projétil a fim de atingí-lo ? [í? = 9].
Resp. 10,9 $.
34. üm avião voando a 2 000 m. de altura com uma velocidade de 180 km/h.
deixa cair uma bomba. Achar as velocidades componentes e a distância
horizontal percorrida ao atingir o chão.
Resp. Vx—50 m.s~ ‘ Vy = 197,96 m.s~ *.
X =s 1010 m.

35. Uma partícula se desloca com uma aceleração igual a {St + 2) cm.s~*. No
instante < = 0, a partícula se acha a 5 cm. da origem e quando < = 1 s., a
sua velocidade é lOcm.s"*. Que posição ocupa no mesmo instante?
Resp. 13 cm. da origem
36. A velocidade angular de um volante é (») = 0,01/* Qual o número de
rotações nos primeiros 15 s. ?
Resp. 1,95
37. Uma polia tem uma velocidade angular o) » 0,001/* Quanto tempo gastf
para dar a primeira volta?
Resp. 12,6 s.
38. A velocidade angular de uma polia é ü> = (80 - 10/) s~*. Quantas voltas dará
antes de parar?
Resp. 50,9 voltas
39. Uma polia gira com uma velocidade angular tú = 0,001/s“*. a) Quantas
rotações dará cm 3 min. ? 6) Quanto tempo gasta para dar 100 rotações ?
Resp. a) 309,4 rot. b) 123,5 s.

40. Uma caixa dágua cilíndrica de 70 dm* de base, está provida de um orifício
de 5 cm* do seção praticado na parede lateral. .A água escoa com uma velo­
cidade V = onde ^ = 9,8 e ^ é a altura do nível dágua acima do ori­
fício. Quanto tempo leva para que o nível baixe de 4 0 dm a 10 dm?
Resp. 10 mtn. 32 8.

§4. Aplicações Geométricas da Integral Definida


5.11. Sinal de uma Área.
O sinal da integral J{x) dx

bem como do somatório


2/(^0 Ax.
cujo limite exprime a área limitada pela curva y = j{x) e o eixo dos
X, no intervalo [o, 61 depende dos sinais dos dois fatôres j{x) e dx
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 121

no primeiro caso, e /(^i) e Aa:i no segundo. Êstes dois fatores podem


ser positivos ou negativos, a saber, j{x) ou /(^i) que exprimem a or­
denada de um ponto da curva, são positivos quando a área considerada
se acha acima do eixo dos x, e negativos quando abaixo deste eixo;
quanto a dx ou Axi são positivos quando medidos de a para 6, no
sentido do eixo dos x, ou seja, no sentido de x crescente, e negativos
quando medidos em sentido contrário, de b para a.
Para interpretar êste fato, podemos associar à noção de área
uma convenção de sinais, de modo que a fórmula obtida seja sempre
válida.
Por convenção será 'positiva a área quando, supondo o seu contorno
percorrido por um observador, êste conserva sempre a superfície con­
finada à sua esquerda.

R g . 5 .1 1

Assim formulada, esta convenção al^rangi^ todos os casos que


podem ocorrer. Fazendo OA = a, OB = b, OC = c e OD = d (fig.
5.11), resulta desta convenção que integrando no sentido crescente
de X , de A a no intervalo [a, b] e de (7 a D no intervalo [c, d], a área
6 positiva acima do eixo dos x e negativa abaixo dêste eixo (dx positivo
no sentido de percurso ABN M A para a 1.* a CDQPC para a 2.“).
Pode-se verificar fàcilmente que invertendo os limites de inte­
gração, a integral muda de sinal :
fl ~ f [ Í^A)dx
Com efeito, chamando F(x) a primitiva, temos para a integral do 2.®
membro :
m d x = [ F{x) I = F(b) - F(a)
122 CUBSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Quanto a do 1.® membro, será:

j\j{ x ) d x = F{x) = F{a) - F{h) = - [F(6) - F(a)] = ~ i{x)dx

Obs. : Resulta do exposto que não se pode calcular mediante


uma única integral estendida ao intervalo, a área limitada pela curva,
quando esta corta o eixo dos x no interior do intervalo. Torna-se
necessário, em tais casos, decompor o intervalo pelo ponto de inter­
seção da curva com o eixo dos x e integrar em cada intervalo parcial
separadamente. A área total será a soma dos valôres absolutos das
integrais definidas assim obtidas.

Exemplo 1. Seja avaliar a área limitada péla curva


y -f- 3a:®- 6a:® = 0 de a: = 0 até x = 2 (fig. 5.12).
Solução. Pondo a equação
dada em forma explícita,
tem os:
y=j{x) = 6x®-3x®.
A área procurada será
obtida calculando a inte­
gral
A = ^ j{x)dx =

= ^ ^ (6x® - Sx^)dx =

A expressão entre (‘oh^hetes c FÇr), c a ár('a procurada será :

A = F{b) - F{a) = ( 2 .2 ®- - ( 2.0 - = (16-12)-(0) = 4.

Exemplo 2. Seja ainda calcular a área limitada pela curva


y = x®-6x®-f- l l x - 6 e 0 eixo dos x no intervalo [1,3].

Solução. Esta curva corta o eixo dos x nos pontos 1, 2 e 3. Para


constatá-lo, basta pesquisar as raízes da equação x®- 6x® + llx - 6 = 0
(que se obtém fazendo y = 0), o que se pode fazer por divisão sintética.
Resulta assim que parte da superfície limitada pela cmva e o eixo dos
FUNDAMENTOS GEOMÉTEICX)S E FÍSICOS 123

X no intervalo [1,3] se
acha acima dêsse eixo e
a outra abaixo (jig. 5.13).
De modo que integrando
da esquerda para a direita,
a área da primeira será po­
sitiva e a da segunda nega­
tiva. Designando por A i
e A 2 essas áreas, temos :
A l = jfi + l l x - Q)dx =

- ■ f
-2x* -1-
llx^
J
*12
6x = (4 -1 6 + 2 2 - 1 2 ) - ( - | - 2 + Ü - 6 )

llx*
■ / {x* - 6x^ + llx - 6)dx
- [ t
2xH
- I-
A área total será a soma dos valôres absolutos destas duas áreas:

M . I + \A ,\ = i + l = l

5.12. Ãrea da Região Compreendida entre duas Curvas.


Consideremos a região ACDB, compreendida entre as curvas
y = e 2/ = e as ordenadas x = a e x = h (para distinguir
as ordenadas y referentes a uma e a outra curva, convém escrever
2/2 = )(x) e = g{x)). (Jig. 5.14). Suponhamos que /(x) e g(x) sejam
funções contínuas de x e j{x) > g{x) no intervalo o ^ x ^ 6 .
124 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Representando por A a área da região assim delimitada, podemos


escrever sucessivamente:
A = área ACDB = área AA'B'B-âresL CA'B'D =
“ (fórmula VIII)

= ^ 1^j{x) — J dx (fórmula XIII)


que nos dá a área procurada.
A diferencial da área pode ser composta diretamente, concebendo
a região constituída de infinitas faixas elementares, normais ao inter­
valo de integração, de espessura infinitesimal dx e altura j/a-j/i, ou
seja
dA - iy z -y i) dx = \J{x) - g{x)] dx
como acima.
FíTu certos casos, as condições do problema aconselham a inte­
gração em um intervalo do eixo dos y, o que exige a composição de
uma diferencial em dy multiplicada por uma função de y. Conside­
remos a propósito, a região CPQD {jig. 5.15), limitada pela curva
y = J{x), o eixo dos y e as retas y = c e y = d (paralelas ao eixo dos
x). Integrando no intervalo [o, 5] do eixo dos x, obtemos a área da
região PABQ, de modo que a área procurada só poderá ser obtida
por via indireta, subtraindo do retângulo OBQD, as áreas da região
PABQ e do retângulo OAPC.

Para obter a área da região CPQD por integração direta, podemos


supô-la constituída de faixas elementares de espessura dy e com­
primento X, de modo que a diferencial da área tem por expressão
dA = xdy
FUNDAMENTOS GEOMÉTKICOS E FÍSICOS 125

Donde, integrando de c a d, a área:


A = J X dy

Para o cálculo efetivo desta integral importa que a equação da


curva PQ seja dada ou possa ser posta na forma x = g{y), isto é,
seja apta a exprimir x em função (uniforme) de y.
Exemplo. Calcular a área da região conjinada, no l.° quadrante,
pela parábola y = o eixo dos y e a reta y = 4: (Jig. 5.16).
4

Solução. 4 equação da curva, resolvida em x, dá :


X = ± 2 y/y {y > 0)
função multiforme, definida em tôda a região acima do eixo dos x.
Restringindo o campo de valores acessíveis de x ao 1.® quadrante, a
saber, a; ^ 0, obtemos a função uniforme
a' = 2 ^ /y
como inversa da função y = - r . Daqui a diferencial da área:
4
dA = 2 ^ /y dy
Integrando no intervalo [0,4], temos :

4 = / * 2 V ^ d y = 2 f l y''-‘ dy = 2
126 CUESO DE CÁLCULO DIFEEENCIAL E INTEGBAL

Í[,3«|=|[4«-0«1 = 1.8 = 1

Observação. O mesmo resultado obteríamos integrando —x^dx no


intervalo [0,4] do eixo dos x e subtraindo o resultado da área do
retângulo OA PD.
EXERCÍCIOS
Em todos os exemplos construir a figura.
1. Achar a área limitada pela curva j/ = 2x + 3, o eixo do.s x e as ordenadas
X — I e X = 4.
Resp. 24
2. Achar a área limitada pela curva 2 t/ = x + 2 c o eixo dos x no intervalo (0,5).

Resp. 11-1-
4

3. Achar a área limitada peda curva y = 2x e o eixo dos x no intervalo (-4,4).


Resp. 32
4. Achar a equação da reta ptdos pontos (2, -3) e (6,5). Achar a área limitada
por esta reta, o eixo dos x e as ordenadas dos referidos pontos.

Resp. 2 x - y - 7 = 0; 8 —
2

5. Achar a área limitada pela curva 2x - 3 y = 12 e o eixo dos x no intervalo


(0 , 10).

Resp. 17 JL
3

6. Achar a área do triângulo formado pelas retas 3y = 2x + 6, 2 y = x - 5 e


o eixo dos X.
Resp. 64

^2
7. Achar a área limitada pela parábola y = ---- e o eixo doa x no intervalo
2
(0,2).

Resp.

8. Achar a área limitada pela parábola cúbica y = x’ e o eixo dos x, no inter­


valo (0,4).
R (ísp. 64

9. Achar a área limitada pela parábola cúbica y = x ’ e o eixo dos x, no inter­


valo (-3,4).
Resp. 84,25
10. Achar a área compreendida entre a parábola y" = 3x e a reta x = 3.
Resn. 12
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 127

11. Achar a área limitada pela parábola y ' = 3x no intervalo (2,9).


Resp. 55,59
12. Achar a área limitada pela curva y = no intervalo (0,9).
Resp. 36
13. Achar a área limitada pela curva y = 3x®'* no intervalo (2,3). Achar ainda
a área limitada pela mesma curva, o eixo doa y e as abscissas que correspondem
às ordenadas x = 2 e x ■= 3.
Resp. 11,92 e 17,88
14. Achar a área limitada pela curva p = 8?;“**®no intervalo (1,5).
Resp. 11 apr.
15. Achar a área limitada pela curva y = x*-3x e o eixo dos x no intervalo
(1,3).
Resp. 3—
3
16. Achar a área compreendida entre a curva y = x* + 4 e a reta y = 5.
Resp. 1—
3
17. Achar a área limitada pela curva y = x* - 9 e o eixo dos x no intervalo (-3,3).
Resp. 36
18. Achar a área limitada pela curva y = 4 - x* e o eixo dos x.
Resp.
3
19. Achar a área limitada pela curva y = 5 x - x * - 6 e o eixo dos x.
Resp. —
6

20. Achar a área limitada pela curva y = 3x* - 8x 4- 4 e o eixo dos x.


Resp. 1 5
27
21. Achar a área limitada pela curva y = x* - 4x e o eixo dos x.
Resp. 8
22. Achar a área limitada pela curva y = 2x* - x*, no intervalo (0,3).
Resp. 4^

23. Achar a área limitada pela curva y = lOx* - 41x + 21 e o eixo dos x. Achar
ainda a área limitada pela mesma curva e os eixos de coordenadas.
Resp. 40,65 e 5,94
24. .^cliar a área lir.iita<la pela curva y = 5 + 4x -x*, o eixo dos x e a ordena­
da do ponto milximo.
Resp. 18
128 CUBSO DE CALCULO DIFEBENCIAL E INTEGBAL

25. Achar a área limitada pela curva y = ar*- 3* + 3, o eixo dos x e as ordena-
das dos pontos máximo e ndnimo.
B.esp. 6
26. Achar a área limitada pela curva y = 2x* + 3x* + 2 e as ordenadas dos pontos
máximo e mínimo.
Resp. 2,5
27. Achar a área compreendida entre a parábola y = x* - 1 e a reta y =• x + 6.
Resp. 20,83
28. O declive da tangente a uma curva em um ponto qualquer x é 2x - 3, e a curva
passa pelo ponto (3,2). Achar a equação da curva e a área limitada por ela
e o eixo dos x no intervalo (2,4).
Resp. y => X* - 3x 2, —
3
29. O declive da tangente a uma curva em um ponto qualquer x é 3 x * -4 x - 1
e a ordenada na origem é igual a 2. Achar a área limitada pela curva e o
eixo dos X.
1
Resp. 3^2

30. A 2.* derivada da equação de uma curva tem por expressão 6(x - 1). A curva
passa pelo ponto (2,5) e a sua tangente neste ponto tem um declive igual a
- 9. Achar; o) a área limitada pela curva, o eixo dos x e as ordenadas dos
pontos de máximo e mínimo; 6) a área limitada pela curva, o eixo dos x,
o eixo dos y e & ordenada do ponto de inflexão.
Resp. o) 64 b) 21,75.

31. Achar os pontos de interseção das curvas y* = 4x e x* = 4y. Achar a área


compreendida entre as duas curvas.
Resp. (0,0) e (4,4); 1
O
32. Achar a área compreendida entre as curvas y = 2x* -f 1 e y = x* + 5.
2
Resp. 10"^

33. Achar a área comi)reendida entie as curvas y = 4x* e y = x* + 12.


Resp. 32
34. Achar a área compreendida entre as curvas y = 2x - x* e y =■ 2x* - x*.
Resp. 1/2
35. Achar a área limitada pela curva x^'* -f- y*'* = o*'* e os eixos de coorde­
nadas.
Resp. —
6
FUNDAMENTOS GEOMÉTEICOS E FÍSICOS 129

5.13. Volume da Pirâmide.


Seja achar o volume de uma pirâmide ABCD (Jig. 5.17) de altura
OD = H e base ABC cuja área seja igual a B.
Decompomos a altura OD em n partes iguais de amplitude
mediante a intercalação dos pontos cujas abscissas medidas a partir
do vértice sejam
Xi = h, Xi = 2h, Xz = 3/i, . . . , Xd = nh=H. (1)
Ao vértice D fazemos corresponder a abscissa Xo = 0. Pelos pontos de
divisão assim determinados tiramos planos paralelos à base, os quais
decompõem a pirâmide em n troncos de pirâmide EFGE'F'G' de al­
tura h e bases 6i_i (menor) e 6» (maior).
D Xo-O
=h
X2=2h
x^ =3h

— Xu t b^_^=area

Xn =nh

H g . 5 .1 7

Os volumes dos troncos assim determinados estão compreendidos


entre os volumes dos prismas retos de mesma altura h e bases 6i_i
e 6i respectivamente, que diremos simplesmente prismas inscritos e
circunscritos relativos à decomposição efetuada (Jig. 5.176).
Representando por AFl(^ = 1, 2, 3, . . ., n) os volumes dêsses
troncos, podemos escrever:
hi.ih ^ ^V^ ^ b i h ( 2)

visto que : volume do prisma inscrito = base menor X altura e volume


do prisma circunscrito = base maior X altura.
Fazendo nesta relação i sucessivamente igual 1, 2, 3, . . ., n e
somando, temos :

AFi (2a)
;=1
130 CURSO BE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

OU, observando que a soma dos troncos S A F» dá o volume V da


pirâmide e representando por s« e S» as somas dos prismas inscritos
e circunscritos:
V (2b)

Resta provar que estas somas dos prismas inscritos e circuns­


critos tendem ao mesmo limite quando fazemos n tender a oo, Para
tanto, vamos escrever as somas desenvolvidas :
n
Sn = h i^ ih = hoh 4“ hih “1“ • • • ~f” bn--ih
1-1
n
jSn = hih = h ih -f" h j i *4" b%h -f- . . . 4- 6»/^
«-1
Subtraindo membro a membro a 1.* da 2.®, vem :
a 5a —
- b ub “ boh
— Bh (visto que bo = 0 e ba = B)

= B .S - ^visto que h =
n
Para n tendendo a oo o 2.® membro desta relação tende a 0, visto que
B e H são constantes; donde,

1 i m (>Sn-s„) = 1 i m jB . — = 0 ou I i m s n = lim/Sn
n -^00 n->oo ^ n-^oo n-^oo

Daqui resulta:

V = l i mSn = lim#Sn = l i m
n— ►
OO n-^oo [É M I = (3)

onde b deve ser expresso em função de x (distância ao vértice).


Se a; é a distância da base EFG ao vértice D, podemos escrever,
de acôrdo com uma conhecida propriedade das pirâmides (as áreas d(‘
duas seções planas paralelas estão entre si como os quadrados de suas
distâncias ao vértice):

B IF
donde tiram os:
B
b = (4)

para x definido no intervalo [0, H ].


FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 131

Substituindo em (3), podemos escrever sucessivamente :


B
xHx
-r
B pondo em evidência as cons­
xHx
W r { tantes
(integral de uma potência)
~ L Jo
_ B r IP
L 3 3 J { substituindo pelos limites de in­
tegração, (fórmula XI)

(simplificando)

que é o volume procurado.


5.14. Sólidos de Revolução.
Seja /4J5 um arco de curva cuja equação y = J(x) define y como
função contínua de x no intervalo [a, h] e suponhamos que a curva
não corte o eixo dos x no referido intervalo (Jig. 5.18). Se o arco AB
gira em tôrno do eixo dos x, a superfície delimitada pela curva c o
eixo dos X no intervalo [a, h ] , gera um sólido que recebe o nome de
sólido de revolução.

Decompondo o intervalo [a, b] em n subintervalos iguais de


amplitude h, mediante a intercalação dos pontos Xi, Xt, Xz, . . . , Xn_i
132 CUBSO DE CALCULO DIPEEENCIAL E INTEGRAL

{por extensão : xo — a e Xn = h), construímos os correspondentes re­


tângulos inscritos e circunscritos, os quais, ao girar em tôrno de Ox,
geram cilindros de espessura h e bases de raios iguais respectivamente
à menor e à maior ordenada da curva em cada subintervalo. Êstes
cilindros serão denominados simplesmente cilindros inscritos e circuns­
critos relativos à decomposição efetuada.
Se a curva é monótona em [a, 6], por exemplo, crescente, a menor
ordenada em cada subintervalo é a ordenada da esquerda yi_i e a
maior é a da direita yi.
Os volumes dos cilindros assim gerados são respectivamente {área
do círculo da base X altura):
AFi'= â e AFi"=xí/|2â
O volume AFi gerado pelo trapézio mistilíneo CDEF, está compre­
endido entre êstes dois, a saber :
AFi' â AFi ^ AFi" ou %yh.i h ^ AFi ^ r y t ^ h
Fazendo, nesta dupla desigualdade, sucessivamente i = 1, 2, 3, . .. ,
n e somando membro a membro, temos :
n n n

^ %y^i-\ h AFi = ^ xyi^ h


/ «■1 i= i <= 1
ou, representando por So e 5n as somas dos cilindros inscritos e circuns­
critos respectivamente e observando que S AFi dá o volume F do
sólido :
S, < F < 5a (1)
Resta provar que s» e 5„ tendem ao mesmo limite para n tendendo a
00. Com, efeito, desenvolvendo as somas, temos :
n
Sa = ^ % y\-ih = â -f â . -f xy*a-i h
e

5n = £ X â = Tcyi^h-\- Xí/2* â -|- xy^^h xy^^ h


/=!
Subtraindo membro a membro a 1.“ da 2.*, vem :
5 n Sn “ X y 1% Xyo^ h *
= X (j/n* ~ yo^) h (fa to r a n d o )

= x([/(6)]2-[/(a)]*} h (visto que yo = f(a) q y^ = f{b)


b -a {I v is t o q u e h = I
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 133

Como a, b, J(a) e /(5) são constantes, o 2.® membro tende a 0 quando


n tende a oo j donde,
1i m ((S n - Sn) = 0 ou 1i m Sn = 1i m (S n
n -^0 0 n->oo n-^oo

Em virtude de (1), este limite comum dá o volume V do sólido e po­


demos escrever :

F = 1 i m (Sn = 1i m j^ á j = dx
n -^ c o n-->co |_ / = 1 ^ a

Exemplo. Seja achar o volume do elipsóide de revolução gerado pela


rotação da elipse
9x^ + = 144
em torno do eixo dos x (Jiq. 5.19).
Solução. A elipse corta o eixo dos x nos pontos (-4,0) e (+4,0)
o que se acha faz('iido y = 0 na equação proi>osta e achando os valores
correspondentes de x.
Por razões de simetria, para obter o volume procurado, basta
calcular o volume gerado pelo arco AB no 1.® quadrante e duplicar,
isto ó, integiar a diferencial y'^dx no intervalo [0,4], multiplicando o
coeficiente por 2.

F i g . 5 .1 9

A fim de efetuar a integração é necessário que a função integranda


seja expressa em x, variável de integração representada pela diferencial
dx. Para tanto, basta resolver c m a equação da curva, o que d á:
9.r2
2/2 = 9 -
16
134 CUBSO DE CALCULO DIFEEENCIAL E INTEGEAL

Donde, substituindo na integral, vem :


9a:* \ (volume relativo ao intervalo [0, 4],
~ 16 duplicado.)
0 ^

— 2% ^ 9 ^ dx —— J * ^ (passando à integração têrmo a têrmo)

— 2 x ^ 9^ a:J - — ^ (efetuando as integrações)

9 64 \
( 9(4 ~ ) (substituindo pelos limites de integração)

= 2x (36 - 12) = 48x (simplificando)

EXERCÍCIOS

1. Achar o volume gerado pela rotação da parábola y* = 4x em tôrno do eixo


dos X, compreendido no intervalo [0,4].
Resp. 32
2. Achar o volume gerado pela rotação do semicírculo de equação a:* + y* = 25
em tôrno do eixo dos x.
500x
Resp.

3. Achar o volume do cone gerado pela rotação da superfície compreendida


entre a reta y = 3a: + 5 e os eixos de coordenadas.

Resp. X

4. Achar o volume gerado pela rotação em tôrno do eixo dos x, da superfície


limitada por êste eixo e a curva 2y* = x® no intervalo [0,4].
Resp. 32 X
5. Achar o volume gerado pela rotação em tôrno do eixo dos x, da superfície
limitada pela parábola y = 4x - x* e o eixo dos x.
128 X
Resp.
3
6. Achar o volume gerado pela rotação em tôrno do eixo dos x do triângulo
formado pelas retas x = 6, 2y = x e o eixo dos x.
Resp. 18 X
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 135

7. Achar o volume do tronco de cone gerado pela rotação em tôrno do eixo dos
X, do trapézio limitado peloa eixos de coordenadas e as retas 2y = z + 16
e z = 4.
976x
Resp.

8. Achar o volume gerado pela rotação da superfície limitada pela curva zy = 4


e a reta z + y = 5 em tôrno do eixo dos z.
Resp. 9 X
9. Achar o volume gerado pela superfície limitada pela hipérbole z* - y* = 9,
o eixo dos z e a reta z = 6, ao girar em tôrno do eixo dos z.
Resp. 36 X

10. Achar o volume gerado pela rotação em tôrno do eixo dos z da superfície
limitada pela curva y = z^^^o eixo dos z e a reta z = 2.
128x
Resp.

11. Achar o volume gerado pela superfície limitada pelos dois círculos z*+y* = 16
e z* + y* = 8z, e o eixo dos z quando a superfície gira em tôrno dêste
eixo.
Resp.
3
12. Achar por integração o volume da esfera de raio r.
T>
Resp. xr 4xr*
K= —

13. Achar o volume do segmento esférico de uma base e altura h.

Resp. F = 1 % h\Zr - h)
3
14. Achar o volume do tronco de cone de altura h e raios r e R.

Resp. F = 4- t^HR^ + lír -f r*)


3
15. Achar o volume do tronco de pirâmide de altura h e bases b e B.

Resp. V = l h { B + b +
ò
16. Achar o volume gerado pela superfície limitada por uma volta da curva
y* = 4z* - z® ao girar em tôrno do eixo dos z.

Resp. 64 X

17. Achar o volume gerado pela rotação da curva y = z® em tôrno do eixo dos
y, compreendido entre a origem e y = 4.
Resp. 8x
136 CURSO DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

18. Achar o volume gerado pela rotação em tôrno do eixo dos y da superfície
compreendida entre as curvas y = e = x.
3x
Resp.
10

19. Achar o volume gerado pela rotação da hipérbole - y* = 4 em tôrno do eixo


dos y, compreendido entre o hiperbolóide de revolução e o cilindro de raio =
= 4, tendo o eixo dos y por eixo.
Resp. 32 V
20. Achar o volume gerado pela rotação da curva 25y* = z*(10 - x) em tôrno
do eixo dos x.
Resp. 200 X

§ 5. Aplicações Físicas
5.15. T rabalho de u m a Força Variável.
O trabalho mecâüico, como sabemos da física, é uma grandeza
composta por produto e, precisamente, o produto da intensidade da
força pelo caminho percorrido.
Quando a força F se conserva constante ao longo do deslocamento
s e ambos coincidem em direção, o trabalho T é dado pelo produto
T = Fs (1)
Se a força e o deslocamento têm direções distintas, formando
entre si um ângulo constante 0, o trabalho é igual ao produto da pro­
jeção da força sobre o deslocamento (jig. 5.20) e temos :
T = Fs COS 0 ( 2)

1— ^—

H g . 5 .2 0

Sendo a força e o deslocamento grandezas vetoriais, podemos


•—► —►
exprimir o trabalho como o produto escalar dos vetores F e s, escre­
vendo simbolicamente
T = F .s (3)
Quando a intensidade da fôrça F é variável, o cálculo do trabalho
se faz mediante a decomposição do caminho percorrido em intervalos
elementares ou injinitesimais, de modo que em cada um dêstes a fôrça
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 137

se pode considerar sensivelmente constante. Em outras palavras, for­


mulamos o problema como se a força variasse por saltos ao passar de
um deslocamento elementar ao seguinte, e a seguir, passamos ao limite
restaurando a continuidade da variação da fôrça.
Seja A B = s = b - a o caminho percorrido pela fôrça variável
F (jig. 5.21). Decompomos AB em n partes que representaremos por
Asi, A«2, Asa, Asi
respectivamente. Sejam
F1, F 2, Fz, . . . » FI

A-- 1-
Ol---^
I -ê-----i-
'n.0

n g . 5.21

as intensidades (sensivelmente constantes) da fôrça F nos sucessivos


deslocamentos Asi, Asz, Asz, . . . . 0 trabalho elementar da fôrça
ao efetuar o deslocamento Asi é :
A Ti = Fi A si
Anàlogamente, para os demais deslocamentos:
A T 2 — F 2 As2, AT z ~ Fz ASzy . . . , ATn ~ Fn Asn
Somando êstes trabalhos elementares, obtemos o trabalho total
(aproximado, visto que estamos considerando a variação da fôrça
descontínua). Representando-o por Tn temos :

= £ ATi = t^F iA si
1 = 1 1 = 1

Se passamos ao limite, fazendo n tender a 00 obtemos o trabalho


total T efetivamente realizado :
n

T = 1i m Fi Asi
n-^oo 1= 1
Êste limite, quando existe, se reduz à integral definida de F con­
cebida como função de s, estendida ao intervalo AB = h -a , a saber :

T = lii m r L Fi
-►00 L <= A
Asi 1 f^Fds = (4)
138 CURSO DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

5.16. Representação Gráfica. Existência do Limite.

Se a fôrça variável F é dada como função contínua do espaço


s pela equação
F = F{s)
podemos representar o gráfico desta equação em um sistema de refe­
rência, representando s em abscissas e F em ordenadas, e dar uma
interpretação geométrica do trabalho efetuado, que se presta a funda­
mentar convenientemente o exposto.

Suponhamos que a força variável F percorra o caminho s = b - a


e seja crescente neste intervalo (Jig. 5.22). Seja AB o gráfico da equação
F = F{s) no intervalo [a, 6]. Decompondo [a, h] em n partes de
amplitudes
As i, A « 2, A sj, ... As.,
sejam
Fo < F l < F2 < Fz < . . . < Fn-l
os valôres de F ao iniciar o percurso dos sucessivos subi ntervalos Asi,
As2, A«3 . . . . Quanto a. Fn = F seja o valor final (máximo) de F.
Quando a fôrça percorre o primeiro subintervalo Asi, passa do valor
Fo ao valor F i; se neste percurso a fôrça se conservasse constante e
igual a Fo, o trabalho efetuado seria:
(numèricamente igual à área do
ATi' = Fo Asi retângulo inscrito)
Doutra parte, supondo que êsse intervalo Asi fôsse percorrido
pela fôrça com o valor constante Fi, o trabalho seria:
(nuinòricamente igual à área do
A T /' = Fi A si retângulo circunscrito)
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 139

Se, portanto, consideramos em cada deslocamento elementar Asi,


o menor valor da fôrça (representado pela ordenada da esquerda),
tem os:

Ttf = ATi' = ^^F i^iA si — FoAsi-\-FiAs2~hF2As3-{-...-\-Fu-iAsa


í=i ;=i
(soma dos retângulos inscritos).
Se tomamos, em cada subintervalo, o maior valor da fôrça (repre­
sentado pela ordenada da direita), resulta :
n n
Tn" = E ATi'^ = Y ,F iA si= F iA si+ F 2 As 2+FzAsz-\-... + F„As„
í =1 i-í
(soma dos retângulos circunscritos).
Se aumentamos indefinidamente o número de subintervalos, de
modo que as amplitudes de todos êles tendam a 0, isto é, se supomos
os deslocamentos Asi infinitesimais, os dois somatórios tendem a
um limite comum, numèricamente igual à área limitada pela curva
F — F{s) no intervalo [a, h] e nos proporciona o valor do trabalho
efetuado pela fôrça variável F no percurso s = h - a .
Coe4 efeito, subtraindo membro a membro a primeira relação da
segunda, resulta:
Tn"-Tn'=^(Fr-Fo)Asi-\-{F2-Fi)As 2 -\-{Fz-F2)Asz + . . . + (F»-F._i)As„
Quando os deslocamentos elementares Asi tendem a 0 (fazendo
n tender a oo ), acabam todos por se tornar menores do que um ^ > 0,
arbitràriamente pequeno, de modo que podemos escrever (visto que
Asi < h e Fn = F ) :
T ” - Tn' < (Fi - Fo)h + {F2 - F,)h + {Fz - F í)A + •. • + (Fu-Fn.i)h
= {F —Fò)h (simplificando)
Como F -F o é uma constante e h é arbitràriamente pequeno,
resulta arbitràriamente pequelia a diferença Tn" - Tn isto é.
lim(T„"-T„0 = 0
ou seja: fi—
^00
limr„" = l i m r „ ' = r =
n-^00 n->oo a
J Fds

Exemplo 1. Uma mola elástica tem um comprimento natural de


20 cm. Soh a ação de uma jôrça de 10 newtons a mola
sojre uma distensão de 2,bem. Achar o trabalho dis-
pendido em distendê-la de 2b cm a 30 cm. (fig. 5.23).
140 CURSO DE CALCULO DIFf:EEXCIAL E INTEGRAL

Solução. Segundo a lei dc Hooke é


F = kà" (a)
onde k é uma constante de proporcnonalidade (constante da mola)
e a: é o alongamento sofrido sob a ação da fôiça F (ou a fôrça de res­
tauração da mola). A fim de determinar k, dispomos da condição
inicial de que uma fôrça de 10 newtons imprime à mola um alonga­
mento de 2,5 cm ; donde, substituindo cm (a), vem :
10
10 = fc . 2,5 ou k = = ^Ncm ^
2,5
Introduzindo êste valor de k em (a), temos :
F = 4a- (6)
Substituindo esta expressão de F em (4) e fazendo a = 5 o 6 = 10
(tomando a origem na extremidade da mola na sua configuração
natural), resulta :
/ lO /»10 r
^xdx = ^ J xdx = 4: 1^— J =

= 2(10^-5-) = 15ÚNcm = l,5joules


Exemplo 2. Um cilindro provido do um êmbolo contém, inicialmente
4 litros de ar à pressão de 5 atmosjeras (5 kgjlcm^).
O ar se expande, adiabàticamcnte, segundo a lei de
Poisson
= Jc (a)

passando a ocupar um volume de 8 litros. Achar o


trabalho ejetuado pelo ar ao se expandir.
Solução. Seja S a seção do cilindro (<árca do embolo) e dx um
deslocamento elementar do êmbolo (Jig. 5.24); na diferencial do tra­
balho
dT = Fdx
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 141

podemos substituir F por pS {pressão X área), o que dá;


dT = pSdx

Mas,

V ~ ® ^ d x = dv (elemento de volume)

donde,
dl' = kv~^’*^dv (h)
A constante k podo sor determinada a partir das condições iniciais,
lembrando (luc a pr(‘ssão é de 5at — 5 kgjlc7n^ — 500 kgjldm^ quando
o volume é igual a 4 lilms = 4 dm^; donde, substituindo em (a) temos:
k = 500.4 = 3.531 (aproximadamente)
Introduzindo esto valor em (b) e integrando entre 4 e 8, obtemos
sucessivamente :
^8 --
T = 3531 J j i-' «/d' = 353l
L -0,41 0,41 L J
3531 3531 X 0,1401
-(0,4203 - 0,5004) -
0,41 ' ’ ’ ^ 0,41
= 1.206,57 kgj . dm = 120.057 kgm.
5.17. R esu ltan te das Forças de Pressão sobre u m a Parede.
Consideremos uma seção retangular AliCD, de largura I e altura
h, de uma parede vcatical, represando um líquido de densidade p
142 CUBSO DE CALCJULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

(Jig. 5.25). A pressão em um ponto à profundidade y, abstração feita


da pressão atmosférica, é
P = pgy

nível Hvre do líquido


----------1---
D ____ 1
y.
y»-b

n g . 5.2S

onde gr é a aceleração da gravidade (g = 9,8m .s~^). As fôrças de


pressão exercidas sôbre o retângulo possuem uma resultante F que
importa calcular. Escolhendo um sistema de referência com o eixo
dos X coincidente com o nível livre do líquido e o eixo dos y em posição
vertical e dirigido para baixo, decompomos o retângulo em n faixas
horizontais de espessuras
Ai/i, At/2, Aya, . . . , Ay.
e comprimento Z, de modo que suas áreas são respectivamente:
AAi = ZAyi, AA2, = ZAys, AA3 = ZAya, •- •, AA. = ZAy.
Se, em cada faixa, medimos a distância ao nível livre do líquido
a partir da borda inferior, obtemos um valor aproximado por excesso
da fôrça exercida sôbre uma faixa genérica da área AAi ; represen­
tando-a por AFi', tem os:
AFi' = pi'A A i = çglyiAyi (presaão X área)
(visto que pi' = çgyiAyi é a pressão na margem mais profunda da faixa).

Se, doutra parte, tomamos em cada faixa a distância a partir


da borda superior, obtemos um valor dá fôrça aproximado por deji’-
ciência^ digamos AFi',' de modo que
AFi" = p ”AAi — pyZyi_iAyi
(visto que p i ” = ç g y t - i A s i é a pressão na margem superior da faixa).
FUNDAMENTOS GEOMÉTEICOS E FÍSICOS 143

Efetuando as somas relativas às duas hipóteses, isto é, fazendo


i = 1, 2, 3, . . . , n e somando, obtemos as somas aproximadas :

F' = Aí/i = çgl £ 2/»Ayi (por excesso)

e F" = 2 çgiyi-iàyi = çgiY/y^-i^y^ (por deficiência)


í- l 4 =1

Importa provar, antes de mais nada, que estas duas soihas têm
um limite comum quando, com o crescer ilimitado de n, as espessuras
Ayi de tôdas as faixas tendem a 0.
Com efeito, subtraindo membro a membro a segunda da primeira,
podemos escrever:

F '-F " = ày>

= pgí[(yi-yo)Ayi+(y2-i/i)Aí/2+(í/3-í/2)A2/3+. • .+(y«-2/n_i) At/J


Seja tj = máx Ayi o maior dos subintervalos àyi, de modo que
para todo índice t, seja
Ayi ^ TJ (TJ = número positivo);
substituindo em todos os produtos o fator Ay» por tj, vem :
F ' - F " < çgl[{yi-yò)ri + ( y i - y i h + (2/3-2/2)tj+ . . . + (2/«-yn_i)Tj]
pondo em evidência o fator comum
“ Pg^ (y^ 2fo)'’Q \{ TJ e simplificando
= p^í(6 —o) tj (visto que í/o = a e 2/» •“ &)
Como ç , l e h - a são constantes e tj é arbitràriamente pequeno, resulta
que
1 i m (F' - F") = 0 ou 1 i m F ' = 1 i m F "
n-^-oo n-^00

como se tratava de provar.


Consequentemente, podemos escrever:
r rt
F= pyZliml
J ^ y i^ y i
A-^oo
= ç g lj ydyI
Ja tf

Efetuando esta integração, obtemos sucessivamente:

F = fy a y = M f )= . V
144 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

(b ~ o)(6 -}- o)
= çgl (fatorando o numerador)
2

b+ a
= ç>gl {b- a) .
2
6+ a
onde l(b - a) = Ih é a, área do retângulo e é a distância do seu
baricentro ao nível livre do líquido. Representando por A a área Ih
6 4- a
e por y a distância podemos escrever ainda :
F = çgAy
ou seja : a resultante das forças de pressão do liquido sôhre uma parede
vertical é igual ao produto da densidade do liquido pela área da parede
e pela distância do baricentro desta área ao nivel livre do liquido.
Esta relação é válida qualquer que seja a forma e a posição da
parede.
Em toda questão proposta, importa estabelecer uma função inte­
grável em que figure uma área elementar (diferencial) e a sua distância
ao nível livre do líquido.
5.18. C entro de Pressão,
Dá-se o nome de centro de pressão ao ponto de aplicação da resul­
tante F das fôrças de pressão que o líquido exerce sôbre a parede.

À M D

n g . 5 .2 6

Consideremos a parede ABCD (jig. 5.26) e seja P o centro de


pressão e á a sua distância ao nível livre do líquido. Decompondo a
parede em faixas horizontais de espessura Ay>, a força exercida sôbre
uma faixa genérica será, como vimos,
^F i = çglyi^yx
Cada uma destas fôrças tem um momento em relação a um eixo
AD coincidente com o nível li\Te do líquido, que será:
AMí = yiàFi = pghjrAyi
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 145

A resultante F aplicada em P tem em relação ao mesmo eixo, por mo­


mento o produto F . h que em condições de equilíbrio, é igual à soma
dos momentos Ailfi de todas as forças APi quando se supõe as espes­
suras A?/i infinitesimais, isto é, quando se faz o número n de faixas
tender ao infinito :
n n n

Fh = l i m ^ AMi = 1i m ^ yiLFi = 1 i m ç>glyi^ Ay»


n->oo i= i n->>oo 1 = 1 / =1
Chamando h a altura da parede, êste último limite nos dá a in­
tegral definida

= f oPgly^ dy= çgl [ '‘^ 1 = 99^


h.2
a força F será, de acordo com o exposto acima, igual a çgl —Já . Donde,

Ml7 — ç>gi
h=
F ^ “ ■3 '*
9gl 2

o que mostra que o centro de pressão de um retângulo fica a 2/3 da


altura a partir da superfície livre do líquido.
Exemplo. Um triângulo de 6 dm de hase e 10 dm de. altura está
mergulhado nágua, sendo que a hase coincide com 0 nível dágua. Achar
a resultante das jôrças de pressão sôhre uma jace do triângulo e a posição
do centro de pressão.

H g . 5.27

Solução. Seja ABC o triângulo dado (jig. 5.27); podemos supô-lo


decomposto em faixas horizontais de espessura infinitesimal dx e área
146 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

dS — ydx, chamando y o comprimento (variável) de uma faixa gené­


rica. Uma tal faixa estará sujeita à força dF = ç>gxdS = çgxydx onde
p é a densidade do líquido e a: a distância (variável) da faixa considerada
ao nível dágua. Donde,
lO
O /xydx

Para integrar esta expressão temos que eliminar y em função de x.


Os dois triângulos semelhantes ABC e DEC nos dão a proporção :
DE CN y _ 10-x
AB ~ CM b “ 10
donde,
3(10 - x)
y =

Substituindo na integral estabelecida e lembrando que no sistema


técnico é, para a água, pgr = 1 kgjjdm^ temos,
3 /»io 3 r T*
dx = —J (lOx - x^)dx = — g -J =
0 ^
= 100 kgj [(1 kgjll dm^ X 100 dm^ — 100 kgj)]
Para obter o centro de pressão temos que formular uma relação
de momentos entre as fôrças aplicadas, tomando AB como eixo. O
momento da fôrça dF relativo a este eixo, será
3 (10—x) 3
dM — xdF = xçgxydy = çgx^ydx = ç>gx^ •— -—- dx = — (lOa:^ - x^)dx
o 5

já que y = —- - -- e çg = 1. Chamando h o braço da resultante em

relação ao eixo AB, tem os:

Fh = I
0
dM = T I (lOx^ -x^) dx= —I — ;-------— I = 500
5 [ _ i 4 j ^
Lembrando agora que F = 100 kgj, temos :
100 h = 500 ; donde, h = 5 dm

5.19. Centro de Gravidade.


Dado no plano um sistema discreto de pontos materiais Pi, Pi, ...
Pt,, de massas mi, Mí , . . . , m» e coordenadas {xi, yi), {Xi,y^, . . . ,
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 147

(x„, 2/n) o centro de gravidade ou baricentro do sistema é dado, como


sabemos da física, pelo ponto G de coordenadas {x, y) definidas pelas
relações :
n
^ miXi E , miyi
<•=1
X = n

mi
i= i 7 -1

onde os produtos mixt e mii/i são os momentos das massas em relação


aos eixos dos y e dos x respectivamente.
Quando se trata de obter o centro de gravidade de um sólido
cuja massa se apresenta como um todo contínuo, torna-se necessário
decompô-la em massas elementares adequadamente dispostas em re­
lação aos eixos de referência e proceder a uma passagem ao limite e,
conseqüentemente, a uma integração.
Consideremos um corpo homogêneo cuja massa está uniforme­
mente distribuída por tôda a superfície ou por todo o volume, conforme
se trate de uma figura plana, cuja espessura pode ser desprezada, ou
de uma figura espacial.

Imaginemos o corpo decomposto em n faixas retangulares paralelas


ao eixo dos y, de massas Ami, à vi 2, . . . , Am» (Jig. 5.28). Cha­
mando p a densidade do corpo, podemos escrever para cada fai^Ca
Awi = çASi ou Ami = pAFi
= 1, 2, 3, . . . , w)
conforme se trate de uma figura plana ou espacial. É evidente, por
razões de simetria, que o centro de gravidade de cada faixa retangular
inscrita está no ponto médio desta faixa. Chamando xi as abscissas
dos centros de gravidade das massas Awu e a: a abscissa do centro
148 CUI?yO DK CAL('1:L () DIFK U K X C IA L E INTEGRAL

n
de gravidade da figura formada pela totalidade de faixas ^ Amt,
i= 1
e tomando os seus momentos em relação ao eixo dos y, temos :
x (A m i + Am2 + Amj -f- . . . + Awn) = X iA rrii + x^Am^ + XzAmz +
-f- . . . -}- XnAtfla
ou, simbòlicamente:
n n
X ^ A n ii = ^ X iA m i
<= 1 í =1
Passando ao limite, isto é, fazendo o número de faixas n tender
ao infinito, temos:

a:. 1 i m ^ Ami = 1 i m ^ xiAnu


n->oo I= 1 n-^oo i ~ 1
que dá
xdm

segundo a definição de integral definida. Daqui tiramos :


_ xdm
X = ( 1)
fa
Onde dm = çdS, se a figura é plana, ou dm = ç>dV se a figura é es­
pacial. Substituindo estas expressões em (1) e suprimindo o fator
constante p nos 2 termos da fração, obtemos segundo o caso :

X =
(2)
f çds P f d.S f dS
J a J ü. J a.

f^ p d v r xdV
J a J a
ou X = (3)
dV
Jf a Jr a

Expressões análogas podemos obter para a ordenada y do centro de


gravidade, imaginando o corpo decomposto em faixas paralelas ao
eixo dos X (Jig. 5.29).
Efetuando as mesmas operações que no caso anterior, obtemos
as fórmulas

~ J*
y = ~ úd— ^»
~ ^y =
S—
-iTi
/*J ou
— r
y = "-----
/ ^ dm j dS
s y ^
FUNDAMENTOS GEOMÉTEICOS E FÍSICOS 149

Dois casos particulares merecem consideração à parte. 1.®) Quando


a área da figura (ou o seu volume) é conhecida, podemos escrever dire­
tamente
-
X = J a
f xdS
ç.

y = J c
f ydS —
0\1 X = J a
f xdV
e
— f ydV
V = J «____

2.®) Quando se trata de uma área limitada por uma curva dada e o
eixo dos X (jig. 5.30), podemos obter a ordenada y do centro de gra­
vidade mais fàcilmente mediante as seguintes considerações. Decom­
pondo a figura em faixas retangulares paralelas ao eixo dos y, à área
de uma dada faixa Awi será A^Si = yi Aa:i, e a ordenada de seu
centro de gravidade será ; de modo que neste caso, podemos es-
crever

y .^ yi . Aa-i = ^ ~ : y. ^Xi

ou, passando ao limite.

- i f , í ''*
y Ç ydx = y J*** y^dx, donde, y = b
ydx / (2a)

Exemplo 1. Seja achar o centro de gravidade da área limitada pela


curva y = á x - x"^ e o eixo dos x no 1.® quadrante.

Solução. A curva dada corta o eixo dos x nos pontos de abscissas


e 4 (jig. 5.30). A área limitada é

S = ydx = fl(4 x-x^)d x = - ^ ]^ = 3 2 - f = f


150 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Para achar a abscissa x do centro de gravidade temos que calcular


ainda o numerador;

xdS = ^ \ y d x — J ‘^x(4cx-x^) dx= ^ (4x^-x^)dx =

[ 4a:® x^ 64
”T " " T J o^ T
Donde,

X= = 2
82
3
o que era de se prever por razões de simetria. Para achar a ordenada
y basta calcular o numerador de (2a) :

y^dx = V r ~ ^"^Ydx = — r (16a:^ - + x^)dx =

= i r i ^ - 2 z « 4 - ^ T = ?56
a L 3 5 J„ 15

Donde, 256
15
y =
32 J

Exemplo 2. Achar o centro de gravidade do sólido gerado pela ro­


tação em tôrno do eixo dos x, da área limitada pela
parábola y = ápx e o eixo dos x no intervalo {0,h).
FUNDAMENTOS GEOMÉTEICOS E FÍSICOS 151

Solução. Por razões de simetria (jig. 5.31), o centro de gravidade


está, evidentemente, sôbre o eixo dos x. Basta, por conseguinte, achar
a sua abscissa x. O volume do sólido será:

V = —X y^dx = x J ^ ip x d x = 4xp J^^xdx—2%h*p

Tlq. 5.31

Quanto ao numerador de (3), temos :


b 4
/ xdV = J xyHx = X J ^ 4px^dx = 4pi: J ^xH x = —

Donde, 4
X = -------------- =: ---- L
2xáV 3 "

Exemplo 3. Achar o centro de gravidade da. pirâmide de base B


e altura h.

Solução. Consideremos a pirâmide decomposta em faixas prismá­


ticas paralelas à base (jig. 5.32). O centro de gravidade de cada faixa
está sôbre o segmento DO que une o vértice ao centro de gravidade
da base, a uma distância x do vértice.
Seja A'B'C' luna destas faixas de base 6 e espessura d x ; o seu
volume será dV = bdx.
152 CURSO DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Doutra parte, vale na pirâmide a relação


b _

~B ~~hF

donde,

h=

Substituindo êste valor de ò


na expressão do volume, te­
mos :

dV = . xMx
5 • 32
que, integrando, dá:
Bh
F= -í = § r fiT - —
L ^ Jo " ' 3
Doutra parte, o numerador dá:

x~dx =

A! Bh^
4
Donde, Bh^
X=
Bh = 1^

o que mostra que o centro de gravidade fica aos 3/4 da altura a partir
do vértice ou a 1/4 a partir da base.

5.20. Momento de Inércia.


Define-se, em física, o momento de inércia de um sistema de pontos
materiais wi, m^, . . . , Wn, relativamente a um eixo dado, como a soma
dos produtos onde ri, r^, . . . , Vu são as distâncias das massas
ao referido eixo:
n

I = m iT i^ -b W2r2* + m sr-i^ + ...+ m ^ r j^ = ^ miri^


i=i
FUNDAMENTOS GEOMÉTEICOS E FÍSICOS 153

Quando o sistema de pontos materiais se apresenta na forma de


uma distribuição contínua de massa, podemos decompor o corpo,
como no caso anterior, em n elementos de massas Ami suficientemente
pequenos e adequadamente dispostos, de modo que seja lícito escrever,
sem êrro apreciável:
A7i = ri^Awii
onde ri é a distância do elemento Ami ao eixo prefixado.
Somando êstes produtos, obtemos um momento de inércia apro­
ximado :
n n
7n =X) = ^ri*Arm=ri®Ami-f-r2*Am2+r3’Am8 -f • • • + rn^Am,
4=1 4-1
Passando ao limite, isto é, fazendo n crescer ilimitadamente, de
modo que todos os elementos de massa sejam evanescentes, resulta,
como nos casos anteriores:
n rb
7 = lim ^ n ^ A m i = / r^dm
n-^ CO L •/a
onde a, h e dm são determinados, em cada caso, de acôrdo com os
dados do problema proposto.
Exemplo. Achar o momento de inércia de um disco de raio R :
a) em relação ao eixo pelo seu centro; b) em relação a um diâmetro.
Solução, a) Podemos considerar o disco formado por coroas con­
cêntricas de espessura infinitesimal dr e de área dS = 2xrdr ( a coroa
distendida daria um retângulo de comprimento 2‘jcr e altura dr). Fa­
zendo abstração da massa, podemos escrever:
b R R R r R*
7= r^dm = J* r^ .d S = J* . 2xrdr = 2%J* r*dr = 2x j |=
a 0 0 0 ^
que é o momento de inércia procurado;
h) Para obter o momento de inércia em relação a um diâmetro,
podemos referir o disco a um sistema de coordenadas com a origem
no centro. Temos para um ponto P do disco à distância r do centro :
a;2 -j- = r^. Multiplicando por dm e integrando :
J xHm y'^dm = rHm

ou, chamando 7,, o momento de inércia em relação ao eixo dos x{f y^dm),
I r , o momento de inércia em relação ao eixo dos y ifx H m ) e 7o 0

momento de inércia em relação ao centro 0 :


I r 7o
154 CUBSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Para o caso em aprêço, h = 7*, pôsto que a distribuição da massa é


a mesma em relação a qualquer diâmetro; donde,

27y = 27x ~ 7o ou 7y = 7» • 7o

Daqui concluímos que


j. 1 y 1 y 1 %R*

e x e r c í c i o s

1. Achar o centro de gravidade do Bemicfrculo de raio r.


Resp. r =
3x

2. Dada a equação da elipse •—- + -í—. = 1 e a sua área S = % Sib, achar o



centro de gravidade da semi-elipse acima do eixo dos x.
Resp. X = 0, y =
3x

3. Achar o centro de gravidade da área limitada pelas retas y = 2x, y — - 2x


e z = 6. ^ _
Resp. X = 4, y = 0
4. Achar o centro de gravidade da área compreendida entre o quadrante de
um círculo de 10 cm. de raio e o quadrado circunscrito.
Resp. X — y = 7,766
6. Achar o centro de gravidade da área limitada p>ela parábola y* = 4px e a
ordenada no foco, no 1.® quadrante.
— 3 3
Resp. x = ^ p , y = ~ P
5 4

6. Achar o centro de gravidade do triângulo y = 4x, y = 0 e x = 6.


Resp. X = 4, y = 8
7. Achar o centro de gravidade da área limitada pelas curvas 2y = x* e y = x*.
T
>
Resp. -X = —
3 , -y = — 3
10 70

8. Achar o centro de gravidade da área limitada pelas parábolas y* * 4x ©


4y.
Resp. -X =9— ,- y 9
= —
5 5
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 155

9. Achar o centro de gravidade do cone reto de raio r e altura h.

Reap, X= —A
4

10. Achar o centro de gravidade da pirâmide reta cuja base é um quadrado de


4 dm de lado e cuja altura mede 12 dm.
Resp. X = 3 dm da base

11. Achar o centro de gravidade do segmento esférico de altura h numa esfera


de raio r.

Resp. 7 = ~
4(3r - h)

12. Achar o centro de gravidade da área limitada pela parábola y = x* e a reta


3y = 4x.
T5 - 2 - 32
Re»p.

13. Achar o centro de gravidade do volume gerado pela rotação em tôrno do eixo
dos X da área do problema anterior.

Resp. X= —
6

14. Uma prancha de 2 cm de espessura e 168 cm de comprimento, fem uma lar­


gura uniformemente decrescente de 10 cm numa extremidade a 4 cm na outra.
Achar o seu centro de gravidade.
Resp. 72 cm da extremidade mais larga.

15. Achar o momento de inércia da área do problema 8, em relação ao eixo dosx.


768
Resp.
35

16. Achar o momento de inércia de um fio de comprimento I e massa M, ao


girar em tôrno de um eixo pela sua extremidade, e perpendicular a êle.

Resp. I =
Mn

17. Achar o momento de inércia de um retângulo de lados a e b que gira em


tôrno do lado 6.

Resp. I —
Ma'

18. Achar o momento de inércia de um cone reto de altura h e raio r que gira
em tôrno do seu eixo.

Resp. I — — M r'
10
156 CUESO DE CÁLCULO DIFEEENCIAL E INTEGEAL

19. Achar o momento de inércia da esfera de raio r referido a um diâmetro.

Resp. I = ~ ? ¥ lL
5

20. Achar o momento de inércia do cilindro de raio a, ao girar em tôrno do seu


eixo.

Resp. I = M —
2

21. Achar o momento de inércia do tronco de cone de altura h, ao girar sôbre


seu eixo.

Resp. I =
10(.iB* - r*)

22. Achar o momento de inércia do sólido gerado pela rotação em tôrno do eixo
dos X, da área limitada no 1.® quadrante pelas curvas ay* = x ’ e x = 2a.

Resp. I = 1^ Ma*

23. Achar o momento de inércia do sólido gerado pela rotação em tôrno do eixo
dos X da área limitada no 1.® quadrante por êste eixo e a curva y* = 16 - 4x.

Resp. I ^ — M
3

24. Achar o momento de inércia de um cilindro oco de raios interno e externo


r e R respectivamente, ao girar em tôrno do seu eixo.
Resp. / = — M{R* + r*)
2
25. Um volante tem um aro de raio menor igual a 25 cm e raio maior igual a
30 cm que pesa 49 Icgf e gira à razão de 40 rotações por minuto. Achar; a) o
seu raio de inércia; 6) sua energia cinética de rotação. Sug. O raio de inércia
ou de giro é uma distância k definida pela relação I = k*M, isto é, o mo­
mento de inércia do corpo com a massa distribuída como se acha efetivamente,
é o mesmo que teria se tôda sua massa estivesse concentrada à distância k
do eixo de rotação.

A energia cinética de rotação é expressa pela fórmula E = — w*/, ond(j


2
(i) é a velocidade angular.
Resp. a) 27,5 cm b) 3,32 kgm

26. Um volante maciço tem 40 cm de diâmetro e 7,5 cm de espessura, sendo a sua


densidade 7,2. Que potência média desenvolve o volante se a sua veloci­
dade angular passa de 20 a 10 rot/s. em meio minuto ?
Resp. TF =» 0,18 C.F.
Nos seguintes exemplos calcular a resultante das fôrças de pressão sôbre
a parede indicada. Achar ainda, em cada caso, o centro de pressão.
27. Uma comporta retangular de 27 dm de largura e 36 dm de profundidade.
Resp. 17496 kg/ 24 dm
FUNDAMENTOS GEOMÉTEICOS E FÍSICOS 157

28. Um triângulo retângulo isósceles, sabendo que os catetos medem 15 dm e um


déles coincide com o nível dágua.
Resp. 562,5 k g f 7,5 dm
29. Um triângulo isósceles de 49 dm de base e 15 dm de altura, coincidindo a base
com o nível dágua.
Resp. 1 500 k g f 7,5 dm
30. Uma comporta de forma trapezoidal isósceles de 2 m de altura, 2 m de base
menor e 3 m de base maior, esta última coincidindo com o nível dágua.
Resp. 4666,67 k g f 12,85 dm
31. Uma comporta trapezoidal isósceles de 2 m de altura, de 2 m de base no fundo
e 3 m de base no alto, achando-se a água a 1 m de altura.
Resp. 1083,33 k g f 6,538 dm
32. Um triângulo de 6 dm de base e 3 dm de altura, mergulhado verticalmente
nágua de modo que o vértice superior fique a 2 dm do nível dágua e a base
seja paralela ao mesmo nível.
Resp. 36 k g f 10/3 dm
33. A face de um açude de 2 m de largura, que tem um declive de 4/3, atingindo
a água uma altura de, 0,8 m.
Resp. 800 k g f — dm da base
3
34. Um setor parabólico de eixo vertical, achando-se o vértice a 1,4 m de profun­
didade e tendo 3 m de largura à altura do nível dágua.
Resp. 1 568 k g f 8 dm do nível dá­
gua
35. Uma caixa dágua tem por base um quadrado de 3 dm de lado e 1,8 m de al­
tura. Achar: a) a fôrça total da água sôbre cada parede; b) a posição do
centro de pressão; c) o trabalho necessário para esvaziar a caixa por meio de
uma bomba colocada na sua embocadura.
Resp. o) 4 860 k g f b) 1,2 m c) 14 580 kgm
36. Por meio de um guindaste eleva-se um tambor de areia de 800 k g f a 20 m
de altura. Durante a ascenção se perdem 100 kg de areia que escoam unifor­
memente por um orifício praticado no tambor. Achar o trabalho efetuado.
Resp. 15 000 kgm
37. Sabendo que para distender de 2 cm uma mola se necessita uma fôrça de
4 kgf, achar o trabalho efetuado em distendê-la de 20 cm a partir de seu
comprimento normal.
Resp. 4 kgm
38. A intensidade de campo (fôrça por unidade de carga) à distância r de uma
carga Q, é dada pela fórmula E — . Se Q = *f 300 u e s, achar o tra-
r*
balho efetuado em deslocar uma carga de 20 « r j de ri = 30 cm e r* « 10 cm
da carga dada Q.
Resp. 400 ergs
158 CUKSO DE CALCULO DIFEEENCIAL E INTEGRAL

39. Um polo magnético M é fixo e vale + 200 unidaden de polo. Que trabalho
é efetuado ao transportar um segundo polo m = 4- 30 unidades de um ponto
a 6 cm do polo fixo, a outro a 2 cm do mesmo polo ?
Resp. 2 000 ergs
40. Uma corrente uniforme de 15 m e 225 k g f de pêso, está suspensa por uma
extremidade a um sarilho. Qual o trabalho necessário para enrolar a cor­
rente?
Resp. 1687,5 kgm
41. Um cilindro provido de um êmbolo encerra 100 cm* de ar à pressão de duas
atmosfèras. Achar o trabalho efetuado quando o ar passa a ocupar um vo­
lume duplo, sabendo que êle se expande segundo a lei p v = k.
Resp. 16,517 kgm
42. Achar o trabalho efetuado em encher uma cisterna hemisférica de 1 m de raio
Resp. 12 250 kgm
43. Achar o trabalho efetuado para esvaziar uma cisterna em forma de um cone
invertido de 1,2 m de altura e 0,8 m de diâmetro da base.
Resp. 241,152 kgm .
CAPÍTULO 6

FUNÇÕES TRANSCENDENTES.
DERIVADAS
§1. Funções Trigonométricas
6.1. Correspondência entre Graus e Radianos.
O radiano é o ângulo central que subtende um arco igual em com­
primento ao raio (jig. 6.1).
Resulta imediatamente da de­
finição que esta unidade cabe tan­
tas vezes num ângulo de um giro
completo, quantas o raio cabe na
própria circunferência, isto é.
£ 2 %R
—2 T
R ~~R~

Em outras palavras, o ângulo


de um giro completo (360®) mede
2x radianos, e podemos escrever:
2 % rd = 360® riff. 1.1
No quadro abaixo damos os valores cotrespondentes em graus
e radianos de alguns ângulos notáveis.

ângulos
em 360° 180° 90° 60° 45* 30* 1* n.*
graus

ângulos
em 2x x/3 x/4 x/6 X nx
X x/2
180 180
radianos
160 CUESO DE CALCULO DIPEEENCIAL E INTEGEAL

6.2. Gráfico de y = sen x.


A função y = senrc pode ser representada gràficamente medi­
ante um sistema de coordenadas cartesianas, representando sôbre
o eixo dos X, os valôres do ângulo x em uma escala conveniente e os
valôres correspondentes de sen x sôbre o eixo dos y também em escala
conveniente, que não precisa ser a mesma em que são representados
os valôres de x. Atribuindo uma série de valôres a x, de 30 em 30
graus por exemplo, e calculando os correspondentes valôres de y,
obtemos:
para X=0 y = sen 0 = 0
X = x/6 = 30° y = sen 30° = 0,5

ty X = x/3 = 60° y = sen 60° = = 0,866


yy X = x/2 = 90° 2
X = 2 x /3 = 120° y = sen 90° = 1
X = 5x/6 = 150° ?/ = sen 120° = sen 60° = 0,866
y = sen 150° = sen 30° = 0,5
X = X = 180' y = sen 180° = 0
7x = 210°
X = y = sen 210° = - sen 30° = -0,5
6
4x = 240° y = sen 240° = -sen 60° = -0,866
X =
3
3x = 270°
X = y = sen 270° = -1
~2~

5x = 300°
X = y = sen 300°=-sen 60° = -0,86
3

X =
líx = 330° y = sen 330° = -sen 30° = -0,5
X = 2x = 360° y — sen 360° = 0
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 161

O quadro abaixo resume o resultado dêstes cálculos.


X y = Ben X
radianos graus

0 0“ 0
x/6 30» 0,5
x/3 60» 0,866
x/2 90» 1
2x
120» 0,866
3
5x 150» 0,5
6
X 180» 0
7x 210» -0,5
6
4x 240» -0,866
3
3x 270» -1
2
5x 300» -0,866
3
llx 330» —
0,5
6
2x 360» 0

Levando os valôres do arco x sôbre-o eixo dos x e os correspon­


dentes valôres do seno sôbre o eixo dos y obtemos uma sucessão de
pontos O, A, B, C, Z>, eíc., que unidos por meio de um traço contínuo
nos dão a curva representada na jig. 6.2.
Continuando a atribuir valôres a x superiores a 360®, obtemos
uma reprodução da curva construída, a qual se repete na mesma
forma para cada intervalo de 360®.
Atribuindo a x valôres intermediários aos valôres que figuram
no quadro acima e na figura, por exemplo, de 10® em 10®, e achando
os correspondentes valôres de sen x (ou j/), obtemos uma sucessão
de pontos mais próximos uns dos outros, os quais se distribuem, como
aqueles sôbre a curva traçada. A curva representativa do sen recebe
o nome de senóide.
162 CUESO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

6.3. Gráfico de y = cos x.


Análoga representação se pode dar à função y — cos x. Dando
a a: os mesmos valôres que no quadro dá pág. 161 e achando os
correspondentes valôres de y, obtemos o quadro abaixo:

Construindo os pontos correspon­


dentes a êstes pares de valôres e unindo X y = cos X
os pontos por meio de um traço contí­
nuo, obtemos a curva representativa da
função y = cos X (Jig. 6.3). 0° 1
30“ 0,860
6.4. Gráfico de 60“ 0,5
90“ 0
y = tg X e y = cotg x. 120“ 0,5
Atribuindo a x, nestas funções, uma 150“ -0,866
180“ -1
série de valôres como acima, e calcu­ 210“ -0,866
lando os correspondentes valôres de tg x 240“ -0,5
c cotg X, obtemos o quadro da página 270“ 0
164. 300“ 0,5
330“ 0,866
360“ 1
Construindo os gráficos respectivos,
obtemos em ambos uma sucessão de
ramos que se estendem ao infinito (Jigs,
6.4 e 6.5.)
A tangente se estende a + «> quando x se aproxima de x/2 ou
90“ à esquerda, e a - oo quando x se aproxima dêste ponto à direita.
o mesmo fato se reproduz no ponto e, de um modo geral, para
todo X que seja igual a um múltiplo impar de x/2, isto é, para todo
valor de X = (2n -f- 1) — .
FUNDAMENTOS GEOMÉTBICOS E FÍSICOS 163

Êstes pontos se dizem pontos de descontinuidade da tangente.

A cotangente, por sua vez, começa em -f «> quando x — 0,


passa por 0 quando x — x/2 e se estende a - QO quando x se apro­
xima de X à esquerda. Â direita dêste ponto a cotangente recomeça
em + 00, passando novamente por 0 em e se estende a - oo
quando x se aproxima de 2x à esquerda. De um modo geral, a cotan­
gente apresenta pontos de descontinuidade para todo x que seja múl­
tiplo inteiro de x.
164 CUBSO DE CALCJÜLO DIFEEENCIAL E INTEGRAL

X tg X coíg X

0° 0 00

30“ 0,577 1,732

60“ 1,732 0,577

90“ =fc 00 0

120“ -1,732 -0,577

150“ -0,577 -1,732

180“ 0 zh 00

210“ 0,577 1,732

0 240“ 1,732 0,577

270“ rh 00 0

300“ -1,732 -0,577

330“ -0,577 -1,752

360“ 0 - 00
F U N D A M E N T O S G E O M S T B IC O S E F Í S I O O S 1 6 5

6.5. G ráficos d e y = sec x e y = cosec x.


Procedendo como nos casos anteriores, obtemos o quadro abaixo
e os correspondentes gráficos, (jig. 6.6. e 6.7)

X sec X cosec X
0» 1 CO

30“ 1,155 2
60“ 2 1,155
90“ ± 00 1
120“ -2 1,155
150“ -1,155 2
180“ -1 ± 00

210“ -1,155 -2
240“ -2 -1,155
270“ db 00 -1
300“ 2 -1,155
330“ 1,155 -2
360“ 1 - 00

1 1 9 . 6 .7
166 CUBSO DE CÁLCULO DIFEEENCIAL E INTEGEAL

Estas duas funções podem assumir todo e qualquer valor acima


de + 1 e abaixo de - 1 , mas não podem assumir nenhum valor com­
preendido no intervalo (- 1, + 1). A secante apresenta pontos de
descontinuidade para x = para x = e de um modo geral
para todo x que seja múltiplo impar de isto é, para valôres de x da
forma (2n + 1)

A co-secante, por sua vez, tem como pontos de descontinuidade,


os pontos 0, X, 2x, enfim todo x = n% com n inteiro.

6.6. Derivada de y = sen u.


Seja um arco A B = u (em radianos) cujo seno é BM = y (jig. 6.8).

F i g . 6 .8

1.* operação: Atribuindo ao arco u um acréscimo A m , y (que


é o seno de m), sofre um acréscimo correspondente DC = A^/, e a
função assume a nova form a:
?/ + Ay = s e n (m A m)

2.* operação: Subtraindo membro a membro a expressão primi­


tiva desta nova expressão resulta :
Ay «= sen (m + A m) - sen u
FUNDAMENTOS GEOMÊTEICOS E FÍSICOS 167

Operação acessória: Antes de passar às operações seguintes torna-se


necessário transformar 0 segundo ínembro(*)
em produto mediante a fórmula:
, „ , A + B A-B
sen A - sen 5 = 2 cos---- -— - sen —- —
2 2
Fazendo A = w + Aw e 5 = w e substituindo nesta fórmula, teremos í
/ , . . - w + Aw -h u w + Aw - u
sen (m + Aw) - sen u — 2 co s------- -------- sen-------- --------

^ 2w -f- Aw Aw
= 2 c o s ----- -— sen — ~

Aw Aw
= 2 cos(zí d--- — ) sen —

2w ------
-|- Aw = ---
2w +, ---- , A«
A « = M-j------
( 2 2 2 2 )
Portanto : / Aw \ Aw
Ay = 2 cos Cw H----^ Isen—^

3.“ operação : Dividindo tudo por Aw:


Aw \ Aw
2 cos ( w H---- — I sen - y
Ay
Aw Aw
, Aw \ Aw
( (dividindo o numerador
Aw e o denominador por 2)

Aw
/ , Aw \
= cos^w -f — y
Aw

(para dividir um produto por um nümero basta dividir um dos


fatôres por êste número).

0 S e p a ssássem o s d ir e ta m e n te à d iv is ã o p o r / \ u e a o lim ite (fa z e n d o te ría m o s:


, . Ay . . se n (a -h A a ) - sen u s e n a - sen u 0
1 1 m —- =»I I m ---------A-----
u
--- - ----------- = 77
A « -0 A » -0 0 0
q u e é in d e te rm in a d o
168 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

operação: Passando ao limite, isto é, fazendo Aw-M) e lem­


brando que (3.11):
,. sen Am/2
l i m —:—rr— = 1
Att-O Auj2

tem os:
dy ,. Ay
—= 11 m -T— = COS u
dU

Se w é uma função de x, u = u(x), temos (4.11, fórmula V a):


dy dy du du
dx du " dx ^ dx

(substituindo nesta fórmula ~ pela sua expressão cos u)

D onde:

í (sen u) = COS M fí (XIV)


dx dx

Exemplo: Seja derivar


y = sen (3aj* - 5)
Solução: Aqui

M = 3a:2 - 5 e ^ = 6x
dx
donde

~ = COS w ^ = COS (3a:^ - 5). 6a; = 6a; cos (3a;* - 5)


dx dx

Observações: 1.®) Também poderiamos escrever diretamente:

^ [sen (3a;* - 5)] = cos (3a;* - 5) ~ (3a;* - 5) = 6a; cos (3x* - 5)


CLX dX

2.®) Um fator que multiplica uma função trigonométrica deve-se


colocar à esquerda desta para evitar que se confunda eventualmente
com um fator de arco. Por isso, escrevemos:
6a; cos (3a;* - 5) e não cos (3a:* - 5) 6a;
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 169

6.7. Derivada de y = cos u.


Esta derivada pode ser obtida mediante a fórmula anterior,
convertendo o cos u no seno de seu complemento.

Seja AOC = u (Jig. 6.9) e BOC = 90®- u = u o seu com­


plemento. Como se vê na
figura ao lado ;
cos u — OM = NC =
= sen )

e
sen u CM = ON =
cos - u)

A derivada do cos w
será portanto, igual à de­
rivada de sen ( ~ ^ ^ e:
podemos escrever :

(v i» („ < |U o A (i-„ )= o -l)

Mas,

cos ( ^ - w) = >scn u e - cos - u) = - sen u


2i 2i
donde:
dy d
•r- = — (cos u) = - sen u
du du
Sendo u uma função de x, obtemos ^ , substituindo na fór-
ó/u
mula de função de função (Va) o valor de ^ que acabamos de o b ter:
d , . du
— (cos u) = - sen u ~ (XV)

Observação : Esta derivada poderia ser obtida por via direta como
a anterior. Procure obtê-la como exercício.
170 CUBSO DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

6.8. Derivadas de y = tg u e y = cotg u.


sen u
Para obter a derivada da tgw, basta lembrar que tgu = COS u
e derivar como um quociente por meio da fórmula IV),

COS u ^ (sen w) - sen u f- (cos u)


sen u \ du_____________ OM_______
du du d u \ COS u y ~ cos*w

COS u. COS u - sen u ( - sen v)


cos*u

cos^w + sen*M _
cos^w

(visto que sen* u + cos* u = 1)


COS^M

= sec^ u (visto que = sec u)


cos u

Sendo u uma função de x, temos :


dy dy du „ du
T = : r ■ 1- = «ec^M — (sendo = sec* u)
dx du dx dx du

Donde

£ (tg « ) = s e c ^ f (XVI)

Anàlogamente se obtém a derivada da cotgM, fazendo


cosw
cotg u =
senw

tem os:
dy d , ^ . d y cosu\
T~ = JT (cotg w) = -- ( 1=
du du du y sen u J

sen u ^ (cos m) - cosw (sen w)


du du
sen^tt
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 171

sen u (- sen v) - cos u. cos u senhi + cos^w


= -cosec-^M
sen*w se^w sen*M
Donde, como antes
du
^ (cotg u) - cosec^ u — (XVII)
dx

6.9. Derivadas de y = sec u e y = cosec u.


Para obter a derivada de 2/ = sec u, basta substituir sec u por

cos u
e derivar como um quociente:

cos W~ (1) - ^ (cos u)


d.u du
^ = -(s e c w ) = - í — ^ =
du du^ ’ d u \c o s u J coshi
cos u. 0-1 (sen v) sen u
coshi cos^u

sen u
(desdobrando cos^w cm
cos u cos u cos u. cos u)
= tg u sec u
Donde, sendo u uma função de x:
d , du
— (sec w) = tg Msec u — (XVIII)
CLjí/ Cv^
Do mesmo modo obtemos a derivada áe y = cosec u fazendo
cosec u = sen u
e derivando como quociente :

sen M^ (1) - 1. (sen u)


du du
dy d, . d/ 1 \
:du
r = J~
du (cosecw) du = T- ui / -j =
Vsen sen^u

sen u. 0-cos u _ cos 21


sen^M sen^w

cos u
sen u sen u
- cotg u cosec u
172 CUESO DE CALCULO DIFEEENCIAL E INTEGEAL

Donde, como an tes:


d , . . du
— (cosec M) = - cotg u cosec u — (XIX)
aoo cf/Ou
Exemplos:
d d
1. ^ (cotg 5ar-) = -cosec^õa;* ^ (5x*) = (-cosec^5a:^) 10a:

= - 10a: cosec^Sa:^

2. — (sec \ / z M J = tg \/a:M sec \/a:‘^-l — (V z M ) =


ÍZX

= (tg \/x'^-i scc \Z rM ) ^ =

a* tg \/x ^ - 1 sec Vx" ~ 1


\/x'^ - 1
6.10. Ilu strarão Física. M ovimento Harm ônico.
Consideremos um ponto P
que se desloca com movimento
uniforme sôbre uma circun­
ferência de raio a (Jig. 6.10).
Enquanto o ponto P percorre
a circunferência, o ponto M,
projeção ortogonal de P sôbre
o diâmetro A A', percorre êste
diâmetro de A para A' e de
A ' para A, executando assim
um movimento periódico.
A distância OM = x (dis­
tância do ponto variável M ao
centro O) chama-se elongação e
pode ser expressa em função do
ângulo 6 e do raio a. Com efeito,
no triângulo retângulo O P M :
X = a COS 0 (1 )
Chamando w a velocidade angular do ponto P e T o seu período (tempo
2tc
de uma rotação, temos como é sabido da física elementar, iú = —‘
O ângulo descrito num instante t (variável) será:
- .
6 — .t
FUNDAMENTOS GEOMÉTBICOS E KSIOOS 173

onde 2x e T são constantes. Substituindo esta e;xpressão de 6 em (1)


obtemos a equação do movimento do ponto M :
2 X .
X = a COS — . t

equação que exprime a elongação z em função do tempo t. Quando


o COS — t atinge o seu valor máximo 1 é a; = a que é a elongação má­
xima e recebe o nome de amplitude do movimento.
Sendo x um espaço e t um tempo, a derivada dxjdt nos dá a velo­
cidade do movimento :
dx 2x . 2x 2x 2x .
V = - a sen y = - - y a sen — <
dt
Derivando mais uma vez, obtemos a aceleração:

y = dvldt = d^xldi^ = - ^ a COS =

4x® 2x .
= ------- f T a COS — <

Mas, lembrando que x = a c o s ^ / e w = podemos substituir


estas expressões na fórmula da aceleração que acabamos de obter.
R esulta:
Y = - (ú^x ou d^xjdt^ = - (li^x
Esta equação exprime a propriedade característica do movimento
harmônico simples e nos mostra que em cada instante a aceleração é
proporcional à elongação. O sinal - indica que uma é oposta à outra.
Exemplo : Uma partícula vihra com movimento harmônico de equação
X = 6 COS 5 X í (x em cm e í em seg.).

Achar : a) a amplitude ; 6) o período ; c) o frequência; d) a posição^


a velocidade e a aceleração ao cabo de 21S de segundo.
Solução : a) quando cos 5 x í = 1 (valor máximo, a elongação x atinge
o seu valor máximo = 6 que é a amplitude.
Donde : a = 6cm
b) identificado o coeficiente de t da equação dada com o
mesmo coeficiente da fórmula da elongação, temos :
5x = 2 x /r ; donde : T = 2/5 s
174 CUBSO DE CALCULO DIFEBENCIAL E INTEGBAL

c) a freqüência é :
n = IjT = 5l2 oscilações por segundo
d) fazendo t = 2/3 na equação proposta, achamos a elongação,
ou seja, a posição correspondente a êste instante :
X — 6 COS 5x . 2/3 = 6 cos 600® =
= 6 COS 240® = 6 ( - C O S 60®) = ® ~ 3
(visto que 600® = 360® -f 240® = uma volta completa 4- 240")
A velocidade é dada pela derivada da equação da elongação :
V = dxidt = - 6 sen 5x t. 5x =
= —30x sen 5xí
Para t = 2/3

V = - 30x sen 5x . —- = - 30x sen 600® =


O

= - 30x (-sen 60®) = - 30x ( -

= 15 ^ /z cmjs
Derivando novamonte, obtemos a aceleração:
dv d^x
= —30x (cos 5 X í)- 5x = - 150 x®cos 5 x í
dt'^
= - 25 x^ (6 cos 5 X 0 = “ 25 x^a:
Para a; = - 3 resulta :
Y = - 25 x2(-3) = 75 x^cm/s^

EXERClCIOS
Derivar as seguintes funções:
f). y — cos®.
I. l . y — sen 3x

2. 2/ = cos x/2 7. y = sen ~^2L


5
3. y = sen x® 8. y = cos -yjx

4. y = 5 cos 2x® 9. y = i cos^ 2x

5. y = 10 sen — t 10. y = sen® x®


4
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 175

II. 1. y =* cotg 4 z 7. y = cotg®(5x - 1)


2. y = 2 t g 3x/4
3. í/ = 10 tg(5x»-6) 8. „ . i

4. y = ^ cotg (3x* - 9)
9.
5. y - - 24tg
3x>
x -1
10. y » - 8 cotg*
6. y = tg* ^2x

III. 1. y = se c(3 x -7 )
7. y — 2 cosec* i
2. y = cosec (4x + 3) 3
3. y = sec ( x - 3 x ) 8. y = 3 cosec4
4. y = sec (1 - 2x*)
1
9. y = — sec f —^—
1 /^
5. y = V3 cosec 5 • õ
1
6. y = — sec* 3x 10. y =
3 V sec X

IV. M iscelânea'
1. X = a(0 - sen 9) 12. y = X cos (1 - X*)

2. y = Vsen 3x 13. y = sen*x cos*x


14. y = tg(ax+6)cotg(ox+c)
3. y = X* se n .í .
2
15. y - =JLx* - J-xsenx - —cosx
4. y *= x*tg*x 4 2 2

5. y = JL (sec 2x + tg 2x)-x 16. y


2

6. y “ JLx - — sen (2 - 4x) 1


17. y
2 8 1 + COS X
7. y = sec*2x + tg 2x sen 2x
18. y
8. y *= sen mx cos nx 1 + cos 2x
9. y**sen(ax4-6)cos(ax-6) 1 ~ cos X
19. y
10. y =» COS* X cos 2x 1 -f cos X

sec X + tg X
11. y = JL sec* 3 x -— sec 3x 20. y
^ 9 3 sec X - tg x
176 CUESO DE CÁLCULO DIFERENCIAL

sen* X 1 - f g en X
21. 23. y =
1 - cos 2x X COS X

1 - COR X 24. y =
22. y = r'-;--------
1 + cos X 2tg 2x

RESPOSTAS

1. 3 COS 3x;
1
2. - — sen — ;
X 3. 2xcoso:*; 4. - 30x*.sen2x* ;
2 2
K 1 - X . X ^ 6X 2x « sen V*
6. — COS — 6. - sen — cos* —; 7. cos —— í*; 8. - ;
2 4 3 3 2 5 2 ^2
9 , - 2 sen 2x cos®2a:; 10. 4x sen 2x*;

II. 1. -4 cosecHx; 2. —sec* —; 3. lOOx sec*(5x*-6); 4. - ± cosec*(3x»-9);


2 4 2

6 .4 tg (2 x -^ ),e o .(2 x -.|-);

Q 3x* tg*
8. ----- . . —X* sec*. —®* ;
7, - 25 cotg^ (5x - 1) cosec* (j5x - 1);
20 6 6

9. -2xtg* — ■— V —Icosec*
\ 2 4 x \ 2 4 ' 8 3-

III. 1. 3sec(3x-7)tg(3x-7) 2. -4cosec(4x+3)cotg(4x+3) 3. -3sec(x-3x)tg(x-3x).

4. - 4x sec (1 - 2x*) tg (1 - 2x*); 6. - —V cosec cotg


2 ’ x-3

6. 2 sec*3xtg 3x; 7 . - 2 cosec* — cotg —;


3 3
6x ^ a/ x » - 1 a/ x * - 1
8. - r " cosec* —-------- cotg -----------
a/ x » - 1 2 2

a/ x + 1 . a /x + 1 tg X
sec -I— :— tg -i:— :— 10.
50 Vx + 1 2 aTsec X

IV. M iscelânea’.
3 COS 3x ^ ^
1, a(l-cos0); 2. — ■■■■ ■; 3. 2xsen — + ----cos —; 4. 2xtgx(xsec*x+tgx);
2 V sen 3x 2 2 2
5. tg 2x(sec 2x + tg 2x) - 1; 6. cos*(l - 2x); 7. 2 sec* 2x(2tg 2x + 1);
8. m cos mx cos nx - sen mx sen nx; 9. a cos 2ox;
sen 2x(l - 3 cos*x) 4x* sen (l-x*)+cos (1-x*)
10. ----- r "■ ----- ; 11. tg* 3x sec 3x; 12. --------
V cos 2x 2 a/*
FUNDAMENTOS GEOM.ÉTK1COS E FÍSICOS 177

13. 8 en * i C08 x(S cos^x - 2 sen* a:).

14. a[sec*(aa:+&) cotg (ox+ c) - tg(oa:+6) cosec*(ax+c)]; 15. x sen* — ;


2/
2
sen X 2 sen X
16. tg* x/2; 17. 18. sec* x; 19
(1 + COS x)*’ (1 + COS x)*

20 . 2 B e c x _. 2 ] .- ^ c o s .x ; 22. ----- 1----- ; 23. (1 +senx) Cx-cosx).


(sec x -tg x)*’ V2 1 + COS X
2 cosec* 4x
24. -
V cotg 4x’

§2. Funções Trigonométricas Inversas


6.11. Introdução
Se a: é o seno de um arco (ou ângulo) y, isto é, se a; = sen y, po­
demos definir a função inversa, dizendo que y éo arco ciijo seno é x,
o que equivale a supor o seno
CM = X (Jig. 6.11) como variá­
vel independente e o arco
AC = y como variável depen­
dente.
Para exprimir esta nova
função, inversa da primeira
X = sen y, escrevemos :
y = arc sen x
que se lê "y igual a arco sen x tf
e significa que y é o arco cujo
seno é x. Assim, se sen
sen V
D
== ^
eíc.,podemos escre-
X X
ver inversamente = arc sen 1, - ^ = arc sen etc..

Anàlogamente escrevem*se as inversas das demais funções;


y = arc cos x ,y = arc tg x, etc..

6.12. Campo de Valores das Funções Inversas.


As funções inversas assim introduzidas assumem infinitos valô-
res para um dado valor de x no intervalo [-1, + !]•
178 CUESO DE CÁLCULO DIFEKENCIAL E INTEGRAL

Para que o valor de y seja


único, é necessário restringir os
possíveis valores em que a
função seja sempre monótona
crescente ou descrescente. Para
a função y = arc sen x, este
resultado se consegue, limitan­
do y ao intervalo ~ ^ J
(Jig. 6.12). Do mesmo modo,
para as demais funções:
y = arc cos x (0 < y ^ x)
1/ = arc tg a: ( - <y <
y = arc cotg x {0 < y < %)
y = arc sec a: (0 - ^ y ^ -~

e Y < y ^Tz)
í~>“
y = arc cosec ^ ( - - j = 2/ < 0

e 0 < 2/ ^ y )

6.13. Derivadas de y = arc sen u e


y = arc cos u, sendo u = f(x).

Dada a função y — arc sen u, podemos escrever a sua inversa


u = sen y

Derivando esta função (considerando u a variável dependente


e y a. variável independente) temos:
dii
= cos y
dy

Aplicando a fórmula de funções inversas (4.13, VII) podemos


escrever : ^ = i = 1
du du cos y
dy
FUNDAMENTOS GEOMÉTEICOS E FÍSICOS 179

Mas, da Trigonometria sabemos que cos y = \/l-sen^i/ (para -


- — ^ y = -r, COS y > 0), e como no nosso caso, u == sen y, podemos
escrever cos y = y /\ - u^, donde,
dy 1 1
du coay
dy
Sendo agora u função de x, podemos achar CLjC
aplicando a fór-
mula de função de função (4.11, Va):
dy dy du 1 du
dx du ' dx _ ^ 2 ■dx

( substituindo nesta fórmula — pelo seu valor obtido acima j .

Daqui a fórmula.
da J

du
dx
^ (arc sen m) = (XX)
.............
Exemplo : Seja y = arc sen (3a:* - 5)

Solução, : Neste caso u = Sxl~ 5 e ^dx = Qx


Donde,
^ _ _____Qx _ _______ _________________________
6a:
V'l-(3a:*-5)* ~ V l-(9x^-30x*+25) ~ v"30a;*-9x*-24
Ohs. Poderiamos também escrever diretam ente:

£
Qx
l^arc sen(3a:*-5)J =
dx -(3a;* - 5)* V3Õz*^^9z*^
Procedendo do mesmo modo, podemos obter a derivada de
y s= arc cos u :
1.®) U = cos y (passando à função direta)
du
2.®) —sen y = — \ / l —cos*y = —\ / Í —w* (derivando e substituindo)

S.o) ^ =
du
i
djÀ
______r À =
\/l- ^
(passando à inversa)

dy
180 CUESO DE CÁLCULO DIFEEENCIAL E INTEGEAL

4 o) —^y _ 1 (Substituindo em Va)


' ^ dx du dx x /T -iiF
Donde,
du
dx
~ (are COS u ) = - (XXI)
dx vT^
Observe-se que as derivadas de arc sen u e arc cos u são iguais
e só diferem quanto ao sinal.

6.14. Derivadas de y = arc tg u e y = arc cotg u.


1. ®) Se y = arc tg w, é w = tg y (passando à função direta)
du
2. ®) r- = secV = tg^y + 1 = w* + 1' (substituindo sec*j/ por
dy tg*í/-hl e tg*y por u')

3,.) dy ^ i ^ (passando à inversa)


du du M* + 1
dy

40 ) ^ = ^ ^ = 1 âAi
(aplicando V a)
dx d u ' dx -h 1 dx
Donde,
du
d
— (arc tg u) = --------- (XXII)
dx -I- 1
Do mesmo modo obtemos a derivada de y = arc cotg u.
Neste caso é w = cotg y, donde
du
T = -cosec^y e
dy

1
du cosecV cotg^y + 1 + 1
(substituindo cosec*j/ por cotg*M + 1 e cotg y por v).
Daqui, como antes:
du
(XXIII)
FUNDAMENTOS QEOMÉTBIOOS E PÍSIOOS 181

6.16. D erivadas d e y = are sec u e y = are cosec u .


Se y = are sec u é u = sec y e ~ = sec y ig y
Donde, passando à inversa:
^ = 1- = 1
du du sec y tg y
dy
Mas, sec y = w e tg y = \/sec*y - 1 = - 1
Substituindo êstes valôres de sec y e tg y na derivada acima, temos:
^ _ 1
dw Uy/u^ - 1
Enfim, sendo u função de x substituindo em (Va):
dy dy du 1 du
dx du ' dx uy/u^ - 1 da:
ou seja
du
dx
“ (arc sec w) = (XXIV)
dx U y/U

Ohs. : Como sec y e tg y têm o mesmo sinal no 1.® e no 2.® qua­


drantes, a derivada é sempre positiva.
Da mesma forma obtemos a derivada de y = arc cosec u :
1.®) Neste caso é m = cosec y c ~ = - cosec y cotg y

2..) ^ = i = ----------- 1--------


du du cosec y cotg y ( p a s s a n d o à in v e rs a )
dy

( v is to q u é cosec* y =
cosec y \/cosec* y - 1 ■» co tg * y + 1)

1
(v is to q u e cosec y — u )
Uy/u^^- 1
3.®) Donde, substituindo em (Va)
du
d dx
T (arc cosec u) = - ,------ (XXV)
dx uy/u^ - 1
182 CÜB80 DE ClIiCÜLO DIPEEENCIAL E INTEGBAL

Ohsr. Como cosec y e cotg y têm o mesmo sinal no 1.® e no 4®.


quadrantes, o produto cosec y cotg y é sempre positivo, e a derivada
resulta negativa.
Exemplo 1
d
r - (arc COS x n ------------- / (neste caso u «» x*)
dx y/l-{x^y^
Exemplo 2:

- c * ^ ^ pôsto que ..
í (arc sec - -^ — 7 )
^ v '1 ^
-1

^ (l-í2)-l/2 (_2<)

-1 + <2
v í—
-í2 r V iT í Í2

(1-Í2) l-<2
V i-í"
\ / t^ 2 l-<2

EXERCÍCIOS
Achar as derivadas das seguintes funções;

1. y = arc sen 6. y = arc cos


a v r+
2. y = arc tg a x*
3. y = arc cos 3/ 7. y = arc sec
4. y ** arc cotg(x* - 1) 8. y = arc tg V®* - 1
5. y = arc cotg — 9. y = arc sec V®* + 2x + 2
X
FUNDAMENTOS GEOMÉTEICOS E FÍSICOS 183

1- X 20. y = Vl - 4x* arc sen 2x


10. y * arc sen
1+x
21. y = — X Va*-x* 4* arc sen —
11. y arc cosec(x* + 2x) 2 2 a

X 22. y = sen x arc sen x


12. y = arc tg
Vi -•
23. y = arc tg(sec x + tg x)
a
13. y = arc sec 24. y = arc cotg(x*-x+l)-arc cotg(x-l)
Va* - X*
arc COS 3x
1 - X 25. y =
14. y = arc cotg Vl - 9x*
1+ X

X ,1 2
15. y = arc sen 26. y = V®* - 4 - 2arc cos —
Va* + X*
3a*x - X* X 3x-2 +arc
, . 3x-12
16. y = arc tg 27. y = arc tg^— cotg------
a* - 3ox* 5 6x+l

X o6 sen x - c o s x
17. y = arc cotg 28. y = arc sen
bx - a

3x 29. y = arc tg
18. y = arc cosec 2 + VxM-4
x -1

1
19. y = X arc sec — 30. y = V2ax-x*+a arc cos
X

RESPOSTAS
2ax -3 -2 t
1. ; 3. ; 4. 5.
Va* - X*’ a*x< + 1 Vl - 9/* x‘ -2x*+2 1 + X*

1 -2x 1 -1
6. 7. 8. 0. ; 10.
1 + X*' X V^* ~ 1 X* “l” “1“ 2 (14- x) ^^x ’
2x + 2 1 1
11. ; 12. 13. 14.
(x* + 2x) Vx'* + 4x* + 4x- - l ’ VT x^ Va*-x* ’ 1 4- X»'
a 3ffl a 1
15. 16. 17. 18
X* + a* a* + X* ft* “h X* X VSx* 4- 2x-l
X •Ix arc sen 2x
19. arc cos x - 20. 2 21. Va* - X*;
V T ^*’ Vl -4x*"” ’
sen X
22. —r- ---- - 4- cos X arc sen x; 23. 24.
V1 - X* X* 4- l'
184 CURSO DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGBAL

25. 9x arc cob 3a: - 3 Vl - 9i*. 26. Va:* - 4 , 27. 0;


(l-9a:*)*'* ’

28.
sen X + COB x
V~3 + sen 2 x ’
29.
a:* + 4
30. - y 2a-xi/m
§3. Funções Exponenciais e Logarítmicas
6.16. Propriedades dos Expoentes.
São conhecidas da álgebra as propriedades dos expoentes (racio­
nais) :
I cfm.a» = o’"'*'”
II (am)n = (jmn
III (aò)“ = a“6“

IV

Em particular, por extensão:


= a a® = 1
6.17. Gráfico da Função y = 2’'.
Atribuindo a x uma série de valôres convenientes e calculando
os correspondentes valôres de y, obtemos o quadro abaixo.

X y

0 1
1 2
2 4
3 8
4 16
-1 1/2
-2 1/4
-3 1/8
1/2 1,4
-1/2 0,7
+ <» + <»
- 00 0
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 185

Localizando em um sistema de referência cartesiano (jig. 6.13)


traçado numa folha de papel quadriculado ou milimetrado, os pontos
(0,1), (1,2), 2,4), etc., e unindo êstes pontos por meio de um traço con-
ttouo, obtemos o gráfico da função dada. Para obter uma configu­
ração mais nítida da curva é recomendável, calcular ainda um certo
ntímero de valores intermediários.
6.18. Propriedades dos Logaritmos.
"Vimos na álgebra em que consiste um sistema de logaritmos
e quais as suas propriedades fundamentais.
Chama-se logaritmo de um número x na base 6 (6 > 0), o expo­
ente que se deve atribuir a 6 para obter o número x. Em símbolos:
Be X = y = logx
São válidas para qualquer sistema de logaritmos as seguintes
propriedades:
I. log(M N) = log M 4 - log N
M
II. = log M — log N
III. log “ = n log M

IV. log = — log M


n

6.19. Mudança de Base.


As vêzes é conveniente e mesmo necessário sobretudo em mate­
mática superior, passar de um sistema de logaritmos a outro. Seja
y — logbX ou X=
Tomando logaritmos na base a dos dois membros desta última igual­
dade, temos :
log.x = log.(60 = ylog . 6 (III propriedade)
Mas,
y = logb X ;

donde, substituindo na relação anterior, resulta:


log.a; = logba:log.b
Enfim, isolando logb x, temos :
logaX
lo g b X = (1)
log.ò
186 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

6.20. Gráfico da Função y = Iog2 x.


Esta função tem como inversa a exponencial
a: = 2 ^
Atribuindo a í/ a série de valores que no quadro anterior atri-
buimos a x, obtemos para x os valores que no referido quadro cor­
respondem a y :
y X

0 1
1 2
2 4
3 8
4 16
-1 1/2
-2 1/4
-3 1/8
1/2 1,4
-1/2 0,7
+ 00 + 00
- 00 0

Localizando os pontos ( 1 ,0), (2 , 1 ), (4,2), etc., e unindo estes


pontos por um traço contínuo, obtemos a curva representativa da
função (jig. 6.14).

6.21. Função Exponencial.


Se a é uma constante positiva diferente de 1 (o > 0 e a ^ 1 ),
e a: é uma variável real, a potência a* é também uma variável e se
diz uma junção exponencial. Representando-a por y, temos :
y a*
onde a é a base da exponencial, o expoente a; é a variável indepen­
dente e y é a variável dependente.
A função exponencial é definida para todo valor real de x
( -0 0 < a; < 00); além disso, é uniforme e monótona para qual­
quer valor positivo entre 0 e -f- oo.
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 187

6.22. Função Logarítmica.


A função logarítmica é, por definição, a inversa da função expo­
nencial. Se a; é definida como função de y por ni(‘io da r(‘lação expo­
nencial
X= com 6 > 0 e =7^ 1
a relação inversa
y = lügb X
define y como junção logarítmica de x, no campo dos nilmeros i)osi-
tivos (0 < rc < 00).
A função logarítmica, como a função exjionencial é uniforme
e monótona crescente no .seu campo de definição.
6.23. N úm ero e.
A expre.ssão

11 m ( 1)
fl—00 (■ * U
que desempenha em Análise um papel i)r(‘i)onderanle, s(‘ repre.senta
simbolicamente p(‘la letra c (*).
Para n = oo a expressão ( 1 ) assume a ft)rma indeterminada :
00 00

= (1 + 0) = 1
(■
^ =)
 primeira vista j)ode parec(‘r (pie êst(í re.sultado 1 *, d<‘vc se redu­
zir a 1, visto que toda potência tl<‘ 1 é igual a 1. Contudo, deve-se
ter presente que oo não sendo n(;nlium número, não (!sta sujiãto às
regras de operações com números. I*] que tal não .se dá efetivamente,
se pode ver diretamente. Atribuindo a n uma suc(íssão de valores
inteiros e crescentes:

para n = 1, temos : = ^1 + = 1 + 1= 2

para n = 2 , temos: «2 = ^ 1 + = l - + 2 .1 . - ^ + ^ Y ^ 2 +-^

para n = 3, temos: Cz = = P + 3 . l--4 ' +


=(■ * U O
3 1 1
+ 3 .1 = 2 - 1 -------1---- -
^ 3 27
O Em homenagem ao grande matemático suiço Leonardo Euler (1707-1783)
188 CUESO DE CALCULO D IF E E E X C IA L E IN T E G E A L

para n = 4, temos : €4 = = 1^+4 . + 6.P

- ■ ( tJ - 0 ) '-
= 2 + —+ i + - i
^ 8 ^ 16 04
e assim por diante. Como sc ve, a sucessão
Cl, <?2 , €z, C4 , . . .

vai crescendo com o crescer de n, mas este crescimento vai se tor­


nando cada vez menos sensível o que faz supor que a sucessão Cn 6
convergente. Assim é realmente e o nosso problema consiste em
prová-lo.
A fim de estabelecer a convergência desta sucessão, vamos escre­
ver o seu têrmo geral c„ de acôrdo com a clássica fórmula do binômio
(para n inteiro e positivo):

(a + by = a“ + n a “- ' 6 + +

_l_ «(«-!) 0 -2 ) «O -D 0 -2 ) (»-3) ^

Fazendo nesta fórmula a = 1 e 6 = —, temos :


n

Co = Ó 1 + - 4 = + + i- * /a y +
ny n 1 .2 \^n J
I n (n -l)
1.2.3 © '
n(n-l) (n-2) (n-3) /' 1\
+
1 . 2 . 3 .4

1 n(n-l) (n- 2 )
= l + n . i + i ^ +
n 1.2 n" 1.2.3 n“
n(n-l) (n-2) (n-3)
1.2. 3.4 n 4 “b • • •
1
+
^ ^ ^ ^ 1.2 * n ^ 1 . 2 .3 ' n ‘^
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 189

1 (n - 1 ) (n - 2 ) (n - 3)
+ 1 . 2 . 3. 4 ' n“ + ...
(pcírmutando os denominadores das frações cujo produto está indicado no 2 °
membro e simplificando por n).
As frações
(n~ 1) ( n - 2 ) (n - l ) ( n - 2) (n - 3) ^
-------- --------, ------------- ----------- , etc.
n*
podem ser decompostas em produtos
n -1 n -2 n-1 n -2 n -3
, etc.
n n n n n
e cada uma destas, por sua vez, pode-se decompor em uma expressão
mista:
n - l _ n 1 ^ 1 n - 2 _ n 2 _ ^ 2
n n 71 n^ n n n n *
de modo que podemos escrever:

+ Bk04)('-3(-l)+-
Assim preparada a expressão, podemos passar ao limite fazendo n
tender a oo. Obtemos sucessivamente:

lim Cn = lim Od ) = 2 -— ~ ( l - ^ -|-


n-.oo n->oo >• n / 1 ♦ 2V 00/

+ x4ã04) 0-1) +
+ TèT0-^)0-l)0-l)+ •
= 2 = ^ ( l - 0 ) + . ^ ( l - 0 ) ( l - 0 ) +

1
+ ( l - 0) ( l - 0 ) ( l - 0 ) d - . . .
1.2.3.4

= 2 + - ^ + ^ + - ^
^ 1 . 2 ^ 1.2.3 ^ 1.2.3.4 + . . .
190 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Pela própria lei de formação, vê-se imediatamente que os têrmos


seguintes seriam
_ J __________ ?____
1 .2 .3 .4 .5 ’ 1.2.3.4.5. 6 ’ '
Para calcular efetivamente êste limite com a aproximação dese­
jada, observe-se que os dois primeiros têrmos valem 1 , o 3.® vale a
metade do 2 .®

(i-2 = *■” ( v k = à ) ■ 3 -’ “

vale 1/4 do 4.® ^ 2 3^ ' ^ assim por diante.

Tomando os 10 primeiros têrmos desta série e fazendo a sua


soma, obtemos um valor suficientemente aproximado dêsse lim ite:
1 .® têrmo 1,000000
2 .® n 1,000000
3.® n 0,500000 (1/2 do 2 .0)
4.® // 0,166667 (1/3 do 3 .0)
5.® // 0,041667 (1/4 do 4 .0)
6 .® tt 0,008333 (1/5 do 5.®)
7.® n 0,001389 (1/6 do 6.®)
8 .® n 0,000198 (1/7 do 7.®)
9.” ff 0,000025 (1/8 do 8.®)
1 0 .® ff * 0,000002 (1/9 do 9.®)
2,718281
Donde
e = 2,718281
Representando por n\ (n jatorial) o produto dos inteiros conse­
cutivos de 1 até n, isto é, n! = 1. 2, 3. 4 .. .w, podemos escrever msiis
simplesmente:

e = li m (1 + — — TT *õT "õT TT "TT ••

Êste limite, como se vê, foi estabelecido na suposição de que n


tende a 00 através de valôres exclusivamente inteiros e positivos.
Resta provar que a expressão obtida continua válida mesmo
quando n tende a 00 através de qualquer sucessão ilimitadamente
crescente.
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 191

Seja X um número qualquer compreendido entre n e n + 1 , isto é :


n < X < n+1
Será naturalmente:

1 + < 1 + A < 1 + -
w +1 X n
e por conseguinte:

71+ 1 / A X

A primeira, multiplicada e dividida por


1
1 +
n + 1’
se pode escrever :

e a últim a:

Donde,

Fazendo x tender a oo, também n e n + 1 tendem a oo, e temos:

l l ” { ( ^ + 7 T t) " '‘ • ( ‘ + T ^ i ) } ® (‘ + 7 ) =

sll-I! { 0 + 7 ) ‘ 0 + 7 ) )
OU

e : 1 ^ 1im Yl + ^ e . 1
jr -► 00 ' X /
visto que

li m ( 1 + - ttt) = ( i + —) = 1 e
n -^ c» ^ /I 1“ n-*" 00 ^ TI ^

lim ( 1 + —^ ) = 1 i m (1 = i-) = e
n + 1 -► 00 ^ TI 1“ 1 / n -> 00 ^ TI /
192 CUKSO DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Donde,
lim (l+ i ) ‘ =
.^ -o o V X f

Suponhamos, enfim, que seja x negativo e representemos por


m o módulo de x :
m = |x I - m = - \x\
Donde,

(reduzindo a expressão mista)


V m/ \ m /

(def. de expoente
jm - K , \m - 1 / negativo)
V m /

(m - 1 4~ 1 \
(artifício: somando e subtraindo 1
m- 1 / ao numerador)

ím -1 , 1 \ “
= I ----- 7 ~r ------ 7 J (desdobrando em duas fra-
Vm - 1 m - 1/ ç5eg)

= 0 + -V )' visto que m -


( m

= f l H----------7^ • d----------7^ (desdobrando a po-


V w —1 / ' 7(1— 1 / tência m em m - 1 e 1)
Passando ao limite, podemos escrever:

lim ( l — i - ) = lim , r ^ l H ----- í— ) ( iH ----- ^ ) 1


V m / |_V 1 7 1 -1 / V m - l/J

= li m ( l + \ li m ( l + ^ —) = c.l = e.
V 7 7 1 -1 / ^ 77Í ~ 1 /

como antes.
6.24. Logaritmos Naturais.
No Cálculo e nas suas aplicações toma-se de preferência o número
e como base dos logaritmos, visto que uma tal escolha reduza as fór­
mulas em que ocorrem logaritmos à sua expressão mais simples.
Os logaritmos na base e se denominam logaritiTios naturais, nepe-
riauos ou hiperbólicos, e se representam pelos simbolos log.iV ou InN,
ou simplesmente IgN, quando não há possibilidade de confusão.
FUNDAMENTOS GEOMÈTEICOS E FÍSICOS 193

A conversão dc logaritmos da base 10 à base e e vice-versa, se


faz por meio da fórmula (1) do n.° 6.19.
Fazendo a = 10 e 6 = e, temos :
IffioN
InN =
Igmfi
1
Mas: Igioc = Igio2,718281 = 0,4343 = 2,3026
Igioe 0,4343
D onde: In N = 2,3026 Zgio N
e Igio N = 0,4343 In N
6.25. Derivadas das Funções Logarítm icas.
Seja ^ = log.w onde u é função de x.
I. Damos a u lun acréscimo A m, o que acarreta um acréscimo
Ay de ^ :
y 4- A y = l o g a ( M + A m)

II. Subtraímos membro a membro a igualdade primitiva desta


nova igualdade :
A y = l o g . (m + A m ) - lo g « M

Operação acessória : Aplicamos ao 2° membro a II propr. dos


logaritmos
u 4- A u _ » Am_ 2^
Ay = log. ^ = lpg. u u u u /
M V
\ M /

III. Dividimos os dois membros por Am

Ay 1 , / _ Am
Am = - £ r - '° 8- 0 +^)
Operação acessória: A fim de contornar a indeterminação que
resultaria se passássemos diretamente ao limite, perfazemos um arti­
fício multiplicando e dividindo o 2 .®membro por u e passando o fator
—~ a expoente do binômio { III propr. dos log.), temos :
Au
U
Ay M Am \ _ 1
log. ( 1+ = -M log. (\ i + AMí ) a«
Am M
m Am M / M

IV. Passamos ao limite :


dy
= 1i m - ^ = — 1 i m lo g . ) Au = — lo g . e
du Au->-0 A m M A m-»0 \ u ' u
194 CUESO DE CALCULO DIPEEENCIAL E INTEGRAL

Au
(observando que para Aw —> 0 o têrmo u
0 e o expoente
u
Au
-> 00 , de modo que:

1im f = 1 i m ^ 1 + '—^ = «)
A «-^ 0 ^ f n->oo ^ 'fl ^

Sendo u = J{x), obtemos ^ , recorrendo à fórmula {Va) :


(jLJO
dy _ dy du _ I . dw
dx du ' dx u dx
Donde,

|( l o g . « ) = Llog.^.f (XXVI)

Em particular, se y = In u, teremos (visto que Ine = 1 ) :


d ,, , 1 du
(XXVIa)
= ü iü
Exemplo 1 . Seja derivar y = log, (x® + 3)

Solução. Nesse caso ~ d" ^ P ^ ~ 2 x, donde:

dy 1 1 o 2 a: ,

O mesmo resultado obteríamos, diretamente :

^ [lo g .(rr^ + 3 )l = =

2x
Ioga e
x'^ + 3

Exemplo 2 . Seja ainda derivar y = In \ / x ’^- 1

Solução. Neste caso, u = \/x'^-l e 2 a:=


dx Z ^ a:^—1
donde,
dy _ 1 X____ X
dx ~ y/x^ - 1 ' x^^-l
FUNDAMENTOS GEOMÉTEICOS E FÍSICOS 195

6.26. Derivadas das Funções Exponenciais.


Seja y = a'‘ (a constante positiva e u = j{x)).
Tomando logaritmos naturais aos dois membros, temos :
In y = In a'" = u ln a
Isolando u e lembrando que Ina é constante:
In y 1 ^ du 1 1 1
u — In y e -r~ =
Zn a In a dy Ina ' y yln a
Passando à inversa:
dy I J „ ;
“T— = — = y Ina = a Ina (visto que y = a>*)
du du
dy
Enfim, sendo u uma função de x, tem os:
dy _ d ^ d ^ _ u 7 du
dx du ‘ dx ^ ^ ^ dx
Donde a fórm ula:
d . , , du
^ (a -) = aUna ^ (XXVII)

Em particular, se y = e'', é a = e e Ine = 1; donde:

(XXVIIa)

Exemplos.
d Cu ''' 't—
^—
1. :r -( a ““ ) = o*“ I n a ^ (mx) = a“^lna .m = mx = ' m o“ * In a
ax dx

2 . ^ (e**) = ^ (x^) = .2 x = 2x
Gm/ (tX

3. A («.*-) 'gx — (x'^)4-x'“ — (c*) (aplicando a fórmula do pro-


dx dx duto)

= e* . + x)

= ^ ( x In x) = I]^x -íln
In xx-\-ln
+ ln x í w ] =

= In a-J = e*'" (1 + In x)
196 CUBSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

EXERCÍCIOS

Derivar as seguintes funções:


I. 1. y “ In 3x* VI. 1. y = a**
2. y — In(2x + 3) i»+i
2. y = 10
3. 1/ «■ I n x *
3. y = 10“'*
4. y Zn-L A ^ 4~x^
X* 4. y = a^
6. y ln*x 5. y

II. 1. y ' In V®*- 16 VII. 1. y =


X-1 2. y —
2. y In
X + 1
3. y = a ‘“ *
+x , (l-/)/(l 4/)
3. y In
|/H X
4. y
5. y =
l/x«
4. y In
y X * 4- <»* VIII. 1. y
e*- e-*
e* 4- e-*
■\/ x 4~ 4 + 2 2. y = (3x + 1 )6 -“
6. y In
V® + 4 - 2 3. y «= x*e-**
4. y = c * a r c tg x
III. 1. y logio(3x + 2)
5. y = 2e“ * sen x
2. y logio(3+7x - 9x»)
log* V l 6 - x * IX . (Revisão).
3. y
1. y = Zn(x + V®* - o*)
4. y logio V®* + 4
3x + l 2. y JL Zn ^ ~ COS X
5. y logio 2 1 4 - COS X
X 4- 3
_2 L
In sen X 3. t = /e ~ X,
IV. 1. y
4. y — ln { ln ">[x)
2. y ■■ ín sec*x
5. y *» xe«
3. y — ln(sec X 4* tg x)
1 4- BOP ® 6. y * x arc tg - Zn (x*4-4)
4. y - I n A
1 - sen X

~ COS X 7. y Z n ?íi£ JL l
6. y tg X 4- 2
‘■ ' ã 1 4* COS X aro ten
8. y 6
V. 1. y - 9. y
2. y e~ 10. y ■ Zn
Ví* 4- 9 - í
3. y e' 2
11. y — arc sen
4. y e-V* et* 4 - c
5- y
e (5 **+ 4 )
12. y . ten>2x
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 197

RESPOSTAS

2 . 3Zn®x
1. 2/x; 2. 3. 3/x; 4. -2/x; 5.
2x+ 3’
2 . 1 . 2a*x 2
1. * : 2. 3. 4. 5.
x»-16 1 1 X* - a* X V® + 4 ’
__ ^ 7 - 27x* X
III. 1. logioa; 2. logioe; 3. - .log.«;
ix -|- 2 3 + 7x - 9x« 16x*
r 8
X» + 4 3x» + lüx + 3 '

IV. 1. cotg x; 2. -2tgx; 3. sec x; 4 ^ 5. cosec x;


COS x ’

V. 1. 3e**; 2. -2xe-*’;
® 4. 3. 5. 6xe3«* + 4;
2 Vx X»

VI. 1. 2g**Zn g; 2. Zn 10 . 10**+»; 3. -2Z Zn 10. lO-i*;


- x ln a ,/7^2- 5. /n g
4. - = = r . a ^ ’
4 - X* (1 - x2)*/2

VII. 1. .earc.tg *• 2. g t« ■*logaSec*x; 3.


1+ X X
2 (1+0/a-í)
4. -------- e 5. - sen^x e
(1 - 0 ^

4 . 2 . - 9xe-í*; 3. 2xe-**(l-x2);
VIII. 1.
(ex + e-«)»’

4.
e* + e*arctg x; 5. 2e~*(cos x -se n x).
1 + X»

IX. (Revisão). 1. 2. —i —; 4. -----7 ^;


-y/x* - g*’ sen X L 2 x ln y /x

X 6
6. e«(x + l); 6. arc tg A - 7. ----------------, 8. arc sen e*;
2 4 + 5 sen 2x 1-

2 2
9. a*c*(l + In o); 10. ^7 = = = ; 11. - 12. 2sen4x. e80“*2x
Vz* + 9 ’ e« + e-*'
CAPITULO 7

APLICAÇÕES GEOMÉTRICAS E
FÍSICAS DAS DERIVADAS
§1. Máximos e Mínimos. Discussão Geométrica.
7.1. Funções Crescentes e Decrescentes.
Uma função y = J(x) se diz crcaccnte om um ponto xo, so existi'
uma vizinhança dêstc ponto tal (lue jiara todo x desta vizinhança
seja
/(^) > /(•To) quando x > Xo
e j{x) < J{xo) quando x < x»
Do mesmo modo, uma função y = j(x) sc diz dccremmie noponto
aio, se existe uma vizinhança de xo tal que para todo x desta vizinhança
seja
j(x) < /(aio) quando ai > aio
e /(ai) > /(aio) quando ai < a*o
Quandouma função é crescente (ou decrescente) em todos os
pontos de um intervalo (a, h) ela se diz monótona crescente ou sim­
plesmente crescente (ou decrescente) neste intervalo.
7.2. Interp retação G eom étrica.
Estas definições são ilustradas geomètricamente na jig. 7.1.
Seja P um ponto da curva representativa da função y = /(ai) e seja
aio a abscissa de P. A ordenada correspondente será ya = /(aio). Na
jig. 7.1a, a tôda abscissa ai numa vizinhança esquerda de aio, com's-
ponde uma ordenada j(x) < /(aio) e a tôda abscissa x em uma vizi­
nhança direita de aio, corresponde uma ordenada j(x) > /(aio).
N a/i^. 7.1 6, se observa o contrário : a tôda abscissa ai em um;i
vizinhança esquerda de aio, corresponde uma ordenada /(ai) > /(aio)
a tôda abscissa ai em uma vizinhança direita de aio, corresponde uma
ordenada /(a*) < /(aio).
O declive da tangente à curva em um ponto em ipie esta 6 cres­
cente é positivo, pôsto que o ângulo a que ela faz com o eixo dos a’,
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FíSIOOS 109

seja neste caso sempre agudo e para a < 90® é tg a > 0 {jig. 7.1a),
enquanto que o declive é negativo nos pontos em que a curva é decres­
cente, já que, neste caso, o ângulo a é sempre obtuso e tga < 0 (Jig. 7.16).

Em linguagem algébrica êste fato significa que a derivada da função


é positiva quando a função é crescente e negativa quando a função
é decrescente. De resto, pode-se verificar êste fato diretamente. Com
efeito, num ponto em que a função é crescente, a um acréscimo Ax
de X, corresponde um acréscimo 'positivo Ay de y, isto é, a ordenada
y ou j{x), sofre um aumento, de modo que a razão Ayl Ax é positiva,
bem como o seu limite ax ~ .
Num ponto em que a função é decrescente, um acréscimo Ax
de X, acarreta um acréscimo negativo Ay de y, isto é, a ordenada y
dim in ui de uma quantidade Ay, de modo que a razão Ayl Ax é nega­
tiva, bem como o seu limite ^ .

7.3. Máximos e M ínim os.


Diz-se que uma função y = j(x) passa por um máximo (relativo)
num ponto 2:0, quando se pode determinar uma vizinhança de Xo, tal
que para todo x distinto de Xo desta vizinhança, seja
/(x) <j{xo)
Anàlogamente, uma função y = j(x) passa por um mínimo (rela­
tivo) num ponto Xo, quando nas mesmas circunstâncias da definição
anterior, seja
y(x) > /(xo)
Os pontos máximo c mínimo de uma função recebem 0 nome gené­
rico de extremos.
200 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

7.4. Interpretação Geométrica.


Quando uma curva passa por um máximo, como em A e C {jig. 7.2),
a ordenada correspondente é maior do que as demais ordenadas de
uma certa vizinhança dos pontos A e C(*), e quando uma curva passa
por um mínimo como em B e D, a. ordenada correspondente é menor
do que as demais ordenadas de uma certa vizinhança dos pontos
B e D.

Atendo-nos a curvas lisas, a tangente nos pontos extremos sempre


é paralela ao eixo dos x, isto é, o ângulo a é nulo e, conseqüentemente,
nestes p>ontos é
tg a = 0
Mas, como o declive da curva (tg a) num ponto é expresso algè-
bricamente pela derivada da equação da curva no referido ponto,
resulta que nos pontos extremos (máximos e mínimos) é
í/' = 0
e como esta derivada é, em geral, uma fimção de x, igualando-a
a zero, obtemos uma equação que resolvida nos dá as abscissas dos
pontos extremos.
Exemplo 1 . Seja determinar os extremos da junção
y = 4a; - ou j{x) = ^ x - x ^
Solução. Derivando, achamos
y' = A - 2x ou j\x ) = 4i-2x
(*) AiMirentemcnie a ordenada em ^ é menor do que as suas vizinhas k direita e k esquerda.
Recorde-se, porém, que as ordenadas s2o negativas abaixo do eixo dos x, e que dentre dois números
negativos é maior o de menor valor absoluto.
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 201

e igualando esta função derivada a zero, obtemos a equação;


4 - 2 a; = 0
que resolvida em x, dá
X —2
que é a abscissa do extremo (único) da função dada. Construindo
o gráfico, verifica-se fàcilmente que se trata de um máximo (jig. 7 .3 ).

n g . 7.4

Observação. Para obter a ordenada PM = /(xo) do extremo, basta


substituir na função dada, x pelo seu valor neste ponto:
PM = J{2) = 4 . 2 - 2 2 = 4
Exemplo 2 . Seja determinar os extremos da junção
5 ^2

Solução. A sua derivada é


j'{x) = x^ - x-%
Igualando esta derivada a zero, obtemos a equação:
X* - a; - 6 = 0
que resolvida em x nos dá as abscissas dos extremos, que são as raízes
Xi = 2 e X2 = 3 desta equação do 2.® grau.
Construindo a curva (jig. 7.4), verificamos que a função passa
por um máximo no ponto de abscissa x = - 2, e por um mínimo no
ponto de abscissa x = 3.
Existe, porém, um processo algébrico para verificar diretaments
se um extremo é um máximo ou um mínimo.
202 CURSO DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

7.5. Significado de 2 .“ Derivada.


Quando uma curva lisa passa por um máximo, a inclinação da
tangente (ângulo ç), passa, de forma contínua, pelas seguintes variações
(Jig. 7.5):

ç < 90° nos pontos vizinhos anteriores ao máximo;


9 = 0 no ponto máximo ;
ç > 90° nos pontos vizinhos posteriores ao máximo, o que significa
que, sendo xo a abscissa de um ponto máximo,
y'(.r) = tg 9 é positiva para todo x dc uma vizinhança esquerda de Xo;
J'(x) = tg 9 = 0 para x = xo;
j'(x) = tg 9 6 negativa para todo x de uma vizinhança direita de Xq.
Como SC vê, j'(x) passa por valores decrescentes (+ , 0 , -)(*)
quando j(x) passa por um máximo, isto é, j'(x) é uma função decres-
(*) A fig u ra ab a ix o ilu s tra e ste fa to . Q u a n d o u m a fu n ção (re p re s e n ia d a em o rd e n a d a s)
p a ssa d e v a lô rc s p o sitiv o s a 0 e a v a lo re s n e g a tiv o s, p a ra v a lo re s c re sc e n te s de x, a fu n ç ã o é d e c re s­
c e n te e o seu d ecliv e é n e g a tiv o . S e a g o ra a fu n ção à re p re s e n ta d a p o r o seu d ec liv e será
d a d o pela su a d e riv a d a / " ( x ) q u e d e v e rá ser n e g a tiv a .
FUNDAMENTOS GEOMÉTBICOS E FÍSICOS 203

cerUe numa vizinhança de aro e a sua derivada j"{x) deve ser negativa
neste ponto (7.2):
Í"(aro) < 0
Assim, no exemplo 2 da pág. 2 0 1 , a 2 .“ derivada é
r'{x) = 2 x - i
Substituindo nesta expressão x pelo seu valor no ponto de má­
ximo (ari = - 2 ), obtemos:
/"(-2) = 2(-2) - 1 = - 5
que é um número negativo, o que está de acordo com a discussão
acima.
Anàlogamente, podemos verificar que num ponto de mínimo,
a 2 .* derivada assume um valor positivo. Neste caso a tangente à
curva faz com o eixo dos x um ângulo (jig. 7.6):

f > 90® nos pontos que precedem o mínimo


9 s= 0 neste ponto
9 < 90® nos pontos que seguem o mínimo, o que significa que, sendo
a abscissa de mu ponto mínimo,
fipc) = tg 9 é negativa para todo x de uma vizinhança esquerda de xo;
j'(x) = tg 9 = 0 para x = xo
f( x ) = tg 9 é positiva para todo x de uma vizinhança direita de Xo,
isto é, /'(x) passa por valôres crescentes (-, 0 , + ) quando /(x) passa
204 CUBSO DE CALCULO DIFEEENCIAL E INTEGRAL

por um mínimo e é, portanto, uma função crescente numa vizinhança


de Xo, de modo que a sua derivada j"{x) é positiva neste ponto (7 .2 ):
/" (xo) > 0

Assim, no exemplo anterior, para x = 3 (ponto de mínimo da


curva), tem os:
j"{x) = 2 . 3 - 1 = 5 (número positivo)

7.6. Ponto de Inflexão.


Quando uma curva passa dc uma concavidade a outra, há entre
as duas um ponto P em que a tangente à curva a corta no ponto de
contacto (jigs. 7.7 e 7 .8 ). Êste ponto recebe o nome de ponto de in­
flexão. Num ponto de inflexão a 2 .“ derivada da função é nula :
r(xo) = 0
chamando xo a abscissa do ponto de inflexão.
FUNDAMENTOS GEOMÉTEICOS E FÍSICOS 205

Com efeito, quando uma curva passa de uma concavidade voltada


para baixo a outra voltada para cima {jig. 7.7), o ângulo ç decresce
quando o ponto de contacto se aproxima do ponto de inflexão do lado
esquerdo, e cresce quando o ponto de contacto se afasta do ponto
de inflexão do lado direito.
De modo que j'(x) = tg ç é decrescente numa vizinhança esquerda
de íPo e crescente numa vizinhança direita dêste ponto.
Sendo j'{z) contínua neste ponto, hipótese que admitimos em
tôda esta discussão, deve passar por um extremo quando de decres­
cente passa a ser crescente, e a sua derivada j"(x) se anula neste ponto
(7.5). Se a curva passa de uma concavidade voltada para cima a outra
voltada para baixo (Jig. 7.8), 9 cresce quando o ponto de contacto
se aproxima do ponto de inflexão do lado esquerdo, e decresce quando
o ponto de contacto se afasta do ponto de inflexão do lado direito.
De modo que J'(x) = tg 9 é crescente numa vizinhança esquerda
de Xo e decrescente numa vizinhança direita dêste ponto.
Regra. Para obter os pontos de injlexão de uma curva, hasta igualar
a sua 2 ,* derivada f'(x ) a zero (se ela é uma junção de x), e resolver a
equação resultante, ils raizes dessa equação nos dão as abscissas dos
rejeridos pontos.
So a 2 .® derivada fôr constante ou idênticamente nula, a curva
não tem pontos de inflexão.
Assim, no exemplo acima,
2/" = 4

A função y = 4x - X® é destituída de pontos de inflexão, como,


de resto, se pode verificar no seu gráfico (jig. 7.3).
Quanto ao exemplo 2 , igualando a zero a 2 .®derivada
f ’(x) = 2 a ; - l = 0
e resolvendo a equação 2 a; - 1 = 0 , obtemos a; = 1 /2 o que significa
que a curva em aprêço possui um ponto de inflexão no ponto de abs-
cissa X = 1 /2 .
Para achar a ordenada correspondente, basta substituir êste valor
de a; na função d a d a :
206 CUESO DE CÁLCULO DIPEEENCIAL E INTEGBAL

7.7. Aplicações Geométricas e Físicas.


Exemplo 1. Em uma jôlha de jlandres quadrada ABCD de lado í,
suprimem-se quatro triângulos isósceles iguais, tendo
por hase os lados da jôlha e os vértices dispostos de
sorte que, unidos ordenadamente, jormem um quadrado
MNPQ. As quatro pontas que ficam, são dobradas de
modo a formar as faces laterais de uma pirâmide,
tendo por hase aquêle quadrado. Determinar a altura
dos triângulos suprimidos para que a pirâmide assim
formada tenha volume máximo. Qual a altura da pirâ­
mide f
Solução. Seja A B M um dos triângulos suprimidos, FM — x sua
altura e A M = BM = a os lados iguais (fig. 7.9a). Dobradas as
pontas, obtemos a pirâmide MNPQR (Jig. 7.96) de aresta lateral
a = A M = RM e altura RO = H. Se representamos por B a área
da base, o volume da pirâmide terá por expressão :

V = jB H ( 1)

raj (b)
Flg. 7.9

A fim de estabelecer a que valor da altura a; dos triângulos isós­


celes destacados corresponde o volume máximo da pirâmide, temos
que exprimir o volume em função de íc e derivar a função F = f{x)
assim obtida; o máximo de V corresponde ao valor ou a um dos va-
lôres de x que anulam a derivada de V em x. Importa, portanto, ex­
primir B e H em função de x.
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 207

a) Cálculo de B. Representando por d a diagonal da base, pode­


mos escrever: , .,
(visto que FG = M F
i M P +, Pr.^
G =
I = FG = d 2x a: + d + ar)
OU, resolvendo em d :
d = l-2 x (2 )
A área da base será (semi-produto das diagonais) :
B = I r f í = i (1 - 2xy (3)

h) Cálculo de H. No triângulo retângulo MRO (jig. 7.96), temos

( mã = a e MO = ^ M P = y ) '

H = OR = j / a 2 - ^ (3a)

Doutra parte, no triângulo retângulo AMF (jig. 7.9o), podemos

exprimir a em função de í e x = Z/2 ^ :

“ (i) +
Substituindo este valor de o- (‘onjuntamente com o valor de d,
tirado de (2), na expressão de H (‘m (3o), vem :
F ^ (l-2x)^
H = + ^ ------:—
= \/ix (.simplificando)
Introduzindo em ( 1 ) os valôres de B e H assim calculados em
função de x, resulta ;

F = ^.\(l-2 xys/lx =
desdobrando ■yflx em vr,
^[x e exprimindo ^Jx em
potência fracionária equi­
= ^ ( l - 2 x ) ^ x ^ ’^
O valente.
Mantendo o coeficiente constante em evidência e derivando o
produto dos fatores em x, temos :
dV _ y/~l
^ ^2(l-2x){-2)x^‘^d-(l-2x)^^ =
dx
x/Z -Sx(l-2x)d-(l-2x)^‘
(simplificando c reduzindo
6 2\/^ ao mesmo denominador)
208 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Para que esta derivada seja nula, deve ser nulo o numerador da
fração, a saber:
-%x{l - 2x) + (Z- 2xY = 0
ou, fatorando:
{l-2x){l-\0x) = 0
Daqui as raízes:
I I
^ ~ 2 10
^ “

Pela natureza do problema, verifica-se imediatamente que a 1 .*


corresponde a um mínimo de F, posto que substituída em (3), dá
B = 0 e, portanto, F = 0 . A altura procurada será, portanto,
I
^ “ 10
Quanto à altura da pirâmide, será:
^ |/ 7 ^ iVTÕ
H = y/lx = 10 = 10

Exemplo 2. Em uma bobina de seção circular de raio r, deve-se


introduzir um núcleo de jerro cuja seção tem a jorma
de uma cruz de braços de igual espessura (jig. 7.10).
Determinar as dimensões do núcleo para que ocupe o
máximo volume.
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 209

Solução. Representando por A B = 2 x a largura e por BC = y


o comprimento de um dos 4 braços iguais, a área da seção será
S — 2x .2x -{■ A: .2 x . y = 4a;^ + ^xy ( 1)
(um quadrado CDEF de lado = 2x e 4 braços retangulares ABCD de dimensões
2x e y).

A fim de simplificar a questão, vamos exprimir as variáveis x


e y em função de um argumento único, ç construindo o triângulo
retângulo OBM, sendo M o ponto médio de AB, de modo q u e:
MB X
sen q) = • = — e, portanto, x = r sen ç (2)
OB

OM ON + N M X y CF
(pôsto que ON = ■X e
COS ç =
OB
MN = BC = y)
Donde,
X y = r COS ç e y = r COS ç - X
= r COS ( f - r sen ç> (3)
Substituindo estes valores de x e y em (1 ), vem :
S — 4r%en^<p - Sr sen ç(r cos ( f - r sen 9)
= Sr^ sen ç cos 9 —4r" sen* 9 (multiplicando e reduzindo)
lembrando que sen 29 =
1 - cos 29
= 4r* sen 29 - 4r*. 1 -c o s
= 2sen 9cos 9 e sen ^9 = — ------
29

— 2 r *(2 sen 29 + cos 29 - 1 ) (simplificando)

que exprime a área da seção do núcleo em função do raio r (constante),


da seção da bobina e da variável independente 9 . Derivando em 9
resulta :

= 2r*(4 cos 2 9 - 2 sen 29)

= 4r*(2 cos 29 - sen 29 )


Igualando a 0 esta derivada, obtemos a equação trigonométrica:
2 cos 29 - sen 29 = 0
que dá :
tg 29 = 2
210 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Conhecida a tg 2 ^, podemos achar cos 2 ç, resolvendo a equação :


\ / l - cos^ 2 (p 2cp _ V 1 -
= 2 pôsto quo tg 2ç) = sen
^ pôf
COS 2 ç COS 2 ^ COS2 9 )
o que dá;
COS 29 ç = -L = —
v/5

Recorrendo às fórmulas que relacionam sen ç e cos ? ao cos2cp


obtemos :
^
sen ç = ^ |/ 5_ ^ ^ ^''0 2770 =0,526
cos ç = ] / ^ ± ^ = = v^ 6 = 00,850
,

As dimensões serão, portanto :


largura = 2r = 2rsen 9 = 2.0,526r = l,052r
comprimento = y = r(cos 9 - sen 9) = r(0,850 - 0,520) = 0,324r.

EXERCÍCIOS
l . “ série.
Aohar os pontos dc máximos e mínimos e os pontos do inflexão das seguintes
funções. Construir o gráfico.
1. t 2 Rosp. Mín. na origem

2. t/ = X* - 4x Rosp. Mín. (2, -4)


3. í/ = X* - 4x 4- 4 Rosp. Mín. (2, 0)
4. y = X* - 6x 4- 5 Resp. Mín. (3, -4)
5. y = X* 4- 7x - 18 Resp. Mín (-7/2, - 121/4)
6. y = 28 4- 3x - X Resp. Máx. (3/2, 121/4)
7. y = X* + 6x* - 15x Resp. Máx. (-5, 100); Mín. (1, -8);
Inf. (-2, 46)
8. y = X®- 3x* + 3x Resp. Inf. (1, 1)
9. y = X®- 3x + 3 Resp. Máx. (-1,5): Mín. (1,1); Inf. (0,3)
10. y = x< - 8x® + 2 Resp. Máx. (0, 2); Mín. (2, -14);

Mín. (-2, -14); Inf. ( ± ^ , -

11. y = X* - 6x» 4- 12x - 8 Resp. Inf. (2, 0)


12. y = 3x® - 2x* - 5x + 1 Resp. Máx. (-5/9, 643/243); Mín. (1, -7);
Inf. (2/9, -43/243)
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 211

13. y =? 2a:» - 2a:» - 36 Resp. Máx. pa.ru x = -2, 1; Min. para x = 2,8;
Inf. para x = 1/3
14. y — X* - 2x» + 40 Resp. Má.x. X = 0; Mín. x = r t 1;
Inf. X = db
3
15. y = X * - 2a:* + 5x» 2 Resp. Mín. X = 0
16. ?/ = X* + 48/x Resp. Má.x. X = -2; Mín. a: = 2
17. y = 2x» + 32/x Resp. Mín. x = 2; Inf. x = -2-v^
18. y = — + — Resp. Máx. X = 2; Mín. x = 2/3
X 1 -X Inf. X = 2, 7
19. y = V 2 5 ^ Resp. Máx. (0,5); Mín. (0, -5)
20. y = — V9-X» Resp. Máx. (0,2); Mín. (0, -2)
3
2.* Série. Aplicações geométricas.
1. Com 64 palitos construir um retângulo que tenha área máxima.
Resp. Quadrado com 16 palitos de lado.
2. Com uma fôlha de flandres de 30 cíJi. de largura, construir uma calha de
seção retangular de capacidade máxima.
Resp. base = 15 cw., altura = 7,5 cm.
3. Qual o setor de perímetro dado P = 36 cm., que tem área máxima?
Resp. raio = 9 cm, arco = 18 c?n.
4. Qual o setor de área dada /S = 64 cm» que tem o menor perímetro ?
Resp. raio = 8 cm.
5. Achar as dimensões do retângulo de área dada S = 144 c?n» que tem o menor
perímetro ?
Resp. base = altura = 1 2 cm.
6. Um fazendeiro dispõe de arame para fazer uma cêrea de 240 m. e deseja
cercar uma faixa de terra com frente para um rio do margens retilíneas.
Que dimensões deve dar ao cercado para que a área seja máxima?
Resp. comprimento = 120 m., largura = 60 m.
7. De um ponto da hipotenusa de um triângulo retângulo, baixam-se perpendi­
culares sôbre os cate tos. Determinar a posição do ponto de modo que o
retângulo obtido seja máximo.
Résp. No ponto médio.
8. Um terreno tem a forma de um triângulo retângulo cujos catetos medem
18 m e 30 m respectivamente. Deseja-se construir um edifício retangular
com frente sôbre o maior cateto de modo que a área recoberta seja máxima.
Quais são as dimensões que se lhe devem dar? '
Resp. . frente = 15 m, largura = 9 m.
9. A soma das bases e da altura de um trapézio é igual a 40 cm e uma das
bases excede a outra de 8 cm. Achar as dimensões que dão a área máxima.
Resp. 6, 14 e 20 cm.
212 CURSO DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

10. Inscrever em um triânp;ulo i.só.scolo.s de 15 cw de lado e 10 cm de base, o re­


tângulo de área má.\ima.
Resp. base = 5 cm, altura = 5 cm

11. Num triângulo de lOcin de altura e 14 rm de base, inscrever o retângulo


de área máxima, que tem um lado sôbre a ba.^e do triângulo.
Resp. base = 7 cm, altura = 5 cm.
12. Uma caixa dágua retangular de 2 m de comprimento deve ser colocada
debaixo de um telhado cuja seção é um triângulo isósceles de 3,60 m de
base e 1,80 m de altura. As hordas later.ais da emhocadur.a da caixa devem
ter uma d'stância vertical de 20 cm. do telhado. Quais as dimensões que se
devem dar à caixa para que a capacidade seja máxima e qual é esta capa­
cidade ?
Resp. largura = 1,60 m, altura 0,80 m, volume = 2 560 litros.
13. Uma caixa de papelão sem tampa deve ser feita com um quadrado de 24 cm
dc lado, suprimindo quadradinhos iguais no.s quatro cantos e dobrando
as saliências de modo a formar as paredes. Achar o lado dos quadradinhos
suprimidos para que a capacidade da caixa seja máxima.
Resp. 4 cm.
14. Uma caixa de fôlha dc flandres, .sem tampa, deve ser construída com um
retângulo de 18 cm por 24 cm, suprimindo qu.adradinhos iguais nos quatro
cantos e dobrando as saliências de mo(io a formar as paredes. Achar o
volume da caixa de capacidade máxima.
Resp. volume = 655 cm^ apr.
15. Uma cisterna aberta no alto deve .ser construída com 648 dm' de fôlha de
flandres. Quais devem ser as dimensões para que sua capacidade .seja má­
xima, sendo a base um retângulo cujos lados estão entre si na razão dc 3
para 2.
Resp. 18 dm, 12 dm e 7,2 dm.
16. Uma caixa com tampa tem uma capacidade de 512 dm*. Sendo a base qua­
drada, quais são as dimensões para que a área total seja mínima?
Resp. lado da base = altura = 8 dm.
17. Uma caLxa retangular deve ter uma capacidadi de 540 litros e base qua­
drada. O custo do material é de NCr$ 0,03 por dm* para o fundo, NCr$ 0,1 por
dm* para as faces e NCr$ 0,02 por dm* para a tampa. Achar as dimensões para
que o custo seja mínimo.
Resp. Lado da ba.se = 6 dm, altura = 1 5 dm.
18. A um retângulo cujos lados medem 12 cm e 16 cm respectivamente, circuns­
crever o losango de área mínima, de modo que suas diagonais sejam media-
trizes dos lados do retângulo.
Resp. Ârea = 384 cm*.
19. Quais são as dimensões a dar a uma lata cilíndrica de 1 litro de capacidade
para que o custo seja mínimo?

Resp. a) Sem tampa r b) com tampa r


- 0 - Y 2%
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 213

20. Um cilindro sem tampa deve ter uma capacidade dc 500 cm’ e o fundo deve
ter uma espessura 3 vêzes maior do que a parede. Achar as dimensões mais
econômicas.
3y--------
Resp. r — '
f 3x
21. Numa esfera de raio R — 2Q cm, inscrever um cilindro de volume máximo.
Resp. r = h = 4R aT3
3
22. De uma esfera de metal de 3 cm de raio extrair um cone reto de modo que
a perda de material seja mínima.
Resp. r = 2 ^ = 4 cm.
23. Achar o cilindro de máximo volume que se pode inscrever num cone reto de
9 cm de altura e 12 cm de diâmetro.
Resp. r = 4 cm, h = Z cm.
24. Achar o retângulo de área máxima que se pode inscrever em um círculo de
6 cm de raio.
Resp. Quadrado de lado = r -y[2 = G cm.
25. Qual o maior triângulo isósceles qu(> se pode inscrever num círculo de raio
dado R .
Resp. Triângulo equilátero de lado = R
26. O perímetro de um triângulo isósceles é igual a 30 cm. Achar a área máxima.
Resp. área = 43,3 cm’.
27. De todos os retângulos de perímetro dado P = 48 cm, qual o que tem a
menor diagonal?
Resp. Quadrado de lado = 12 cm.
28. Qual é o maior triângulo retângulo que .se pode inscrever num semicírculo
de 24 cm de raio.
Resp. Triângulo isósceles de área = 57G cm’.
29. Achar o triângulo de área máxima que se obtém num círculo de 10 cm de raio,
unindo os extremos de uma corda ao centro.
Resp. Area = 50 cm’.
30. Que relação deve existir entre a base 5 = 18 cm e a soma dos outros dois
lados, (s = 48 cm, de um triângulo, a fim de que a área seja máxima?
Resp. Triângulo isósceles de lado = 24 cm.
3.» Série. Aplicações físic a s.
1. O momento fletor de uma viga à distância x de uma extremidade é dado
pela fórmula M = . ^ q x ( l - x), onde q é & carga por unidade de comprimento
2
e 1 é O comprimento da viga. Achar o momento fletor máximo.
Resp. I e
.1. M = .2 ! 1 .
2 8
214 CUBSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

2. A potência transmitida por uma correia c dada pela fórmula


p ,.2 \
( Tv - — —j , onde k ê um coeficiente de proporcionalidade, T a ten­
são máxima admissível para a correia, P o peso por unidade de compri­
mento, g aceleração da gravidadí' (>v a velocidad(‘. Acliar a v(‘locidude que cor­
responde à potência máxima.
Resp.
2P
3. A resistência de flexão de uma vijra 6 dada p(‘la fórmula R = kry^ onde k
é uma constante de proi)orcioMali(lad(>, x ó a lar><ura (* // é a altura da viga.
Quais as dimensões da viga de máxima r(‘sist ência (pK* se pode'extrair de uma
tora de Gü cm de diâmetro?
Resp. X = 20 y = 20

4. A resistência d(' uma viga é projiorcioiml à largura e ao cubo da allura. Achar


a viga de máxima resistência que se pod(‘ tirar de um tronco (l(> jxiroba de
80 a n de diâmetro.
Resp. largura = 40 cm, altura = 00,23 cm.
5. A potência W em watts fornecula a um circuito externo ]>or uma bateria de
resi.stência r ohms (* força eletromotriz E volts, quando a corrente é i am­
peres, ó da<la pela fórmula IK = E i - r i - . Sendo E = IS volts <• r = lõQ,
achar a corrente quií dá a potência máxima.
Resp. i = 0,0 amp.
6. Dadas n = 10 pilhas ú ( \í. e. m. c = 1,2 volts e resistência interna r = 2Q,
dispô-las cm .agrup.amento misto, de modo (pie ligando-as a uma resistência
externa de R = õl2 a corrente siqa máxima. Eng.: num agrupamento misto.
FUNDAMENTOS GEOxMÉTRICOS E FÍSICOS 215

er-
a corrente é dada pela fórmula I = , onde X é o número de ele­
rr‘
mentos em série. n
Resp. n = b elementos cm serie, 7 = 5 amj).
Em um transformador de /. e. m. eonstanto E = \ 800 volts, a perda cons­
tante de potência 6 de P = 360 watt.s. A resislcncia interna é de r = 20íi.
Para que corrente i o rendimento R do transformador é máxima?
potência útil Wu
Sug. R = W m = E i c \Vm = E i - r p - P.
potência motora \Vm
Resp. t = 3 V2 amp. R = 90%.

8. Um tanque a rés do chão está cheio dágua até uma altura de 140 cm. A
que profundidade deve ser praticado um orifício lateral para que um jato
dágua tenha alcance máximo? Sug.: vel. horizontal v = '\j2yz, queda ver­
tical e (fig. 7.11)
Resp. z = 70 cm.
9. A intensidade de iluminação varia na razão inversa do quadrado da distância
da fonte luminosa. Duas lâmpadas de 64 c 125 velas respectivamente estão
a 180 cm uma da outra. Achar o ponto entre as duas lâmpadas em que a ilu­
minação é mínima.
Resp. a 80 cm da menor.
10. Uma estrada de ferro c uma estrada de rodagem se cruzam em ângulo reto.
No momento em que um automóvel com uma velocidade de 54 km /h passa
sôbre a via férrea, um expresso com uma velocidade de 72 km jh passa por
uma estação a 3 km , aproximando-se do cruzamento. Achar a distância mí­
nima entre os dois móveis.
Resp. 1 800 m.
11. Um farol se acha localizado a 9 k m da costa, suposta retilínea, e uma cidade
na costa se acha a 15 k m do farol. Em que ponto da costa deve atracar o
faroleiro para chegar à cidade no mínimo tempo possível, sabendo que êle
rema à razão de 3 km /h e caminha à razão de 5 km/h. 7
Resp. a 5,â5 km . da cidade.

/
N/
\/
£ B
n « . 7.11
216 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

12. Uma usina elétrica está situada à margem de um rio de 1 200 m de largura e
deve fornecer energia a uma fábrica localizada na margem oposta a 5 k m
mais abaixo ao longo do rio. Achar o meio mais econômico de construir a
linha de transmissão, supondo que o custo é de NCr$ 1,30 por metro no leito
do rio e NCr$ 0,50 à superfície da terra.
Resp. 1 300 m nágua e 4 500 m em terra.
13. Duas cidades C e D devem ser abastecidas com água de uma bomba ünica
instalada à margem de um rio A B . A distância A B = 12 km , A C = 9 k m
e B D = 15 km: Achar o ponto F em que deve ser colocada a bomba a fim
de que a soma das distâncias a. C e D seja mínima, (fig. 7.12)
Resp. A E = 4,5 k m , B E = 7,5 k m

EXERCÍCIOS SUPLEMENTARES

Achar os pontos de máximos e mínimos das seguintes funções:

_ Inx 3
1. Resp. Máx. x = e 5. y = e * -4x - 1 Resp. Máx. x = -l.
^ IT 2
_ X
2. Resp. Mín. X = e 6. y = X» Resp. Mín. x = —
^ Inx e
1
3. y = x e ^ Resp. Mín. x = - \ 7. y = X* Resp. Máx. x = e

4. y = xe~^ Resp. Máx. x = l Resp. Máx. x = —


e

Achar os pontos de máximos e mínimos das seguintes funções no intervalo


(0, 2x).
X r, 5x
sen X + COS x Resp. XTJ.XXJ. U/ —“ ■■ -
4
2 sen X + cos x Resp. 63026'; Mín. X = 243026
■X .
3tg X- 4x Resp. Mín. x = -
T ’ 6
X
8 sen X- tg X Resp. Mín. X =
' T ’ 3

sen X sen (a - x) a ,
Mín. X a- X
Resp. = ----------
~T’ 2
sen 2x + cos*x Resp.
Mín. X = 148017' e x = 328ol7'
sen X X 5x
7. y Resp.
1 + tgx "T “ 4“

8. V
€F
Resp. X 5x
sen X T T"
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 217

Resolver as seguintes questões.

Em um quadrado de lado a inscrever o retângulo de lados paralelos às dia­


gonais e de área máxima.
Resp. Quadrado de lado = a V2
~2~
2. Deformar um arame de 30 cm de comprimento de modo a formar um triân­
gulo isósceles de área máxima.
Resp. Triângulo equilátero de lado = 10 cm.
3. Achar o retângulo de área máxima que se pode inscrever na elipse
6 *x*-|-a*y* == 0 *6 *.

Resp. Lados: x = 6 V2
y=
Determinar a base e a altura do triângulo isósceles de área máxima que se
pode inscrever na elipse tomando a base paralela ao
eixo maior da elipse.
Resp. base = o VS; altura = — h.
2
5. No semicírculo de raio r, inscrever o trapézio isósceles de área máxima.
Resp. base menor = r; altura = ^ .
2
6. Sôbre a linha dos centros O1O2 = 30 cm de dois círculos de raios 8 cm
e Tj= 12 cm, tomar o ponto P de tal modo que tirando dêste ponto as tan­
gentes P T i e P T i a soma dos segmentos P T i e P T í seja máxima.
Resp. OiF = 1 2 cm e O2P = 18 cm.

7. A um círculo de raio r circunscrever o losango de área mínima.


Resp. Quadrado de lado = 2 r.
8. Dada a parábola de equação j/® = 2px e um ponto Po da parábola, de coorde­
nadas O A = Xo e A P o = yo, inscrever no semi-segmento parabólico O A Po
o retângulo de área máxima que tenha a base sôbre o eixo Ox e um vértice
P sôbre a parábola.

Resp. Base = -—Xo.


3
9. No interior de um ângulo reto é dado um ponto P cujas distâncias aos lados
do ângulo são, respectivamente, o e 6 . Pelo ponto P traçar uma reta tal
que:
а) a área do triângulo formado pela reta e os lados do ângulo reto seja mínima;
б) a soma dos segmentos que a reta determina sôbre os lados seja mínima;
c) o comprimento do segmento da reta, compreendido entre os dois lados,
seja mínimo.
Resp. a) catetos iguais a 2 a e 2 &respectivamente; h) soma dos catetos ■■
“ ( Vã -b Vã)*; c) comprimento = (a*^* -f- 6 *'*).*/*
10. Sôbre a suj)erfície de um cubo de aresta a, determinar o caminho mais cuíto
que une um vértice ao vértice diametralmente oposto.
Sug.i O caminho se compõe de dois segmentos traçados em duas faces adja­
centes e concorrentes em um ponto P da aresta comum às duas faces.
Resp. P é o ponto médio da aresta comum.
218 CURHO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

11. Cortar um tetraedro por um plano paralelo a duas arestas opostas (reversas)
de modo que a seção, que é um paralelogramo, tenha área máxima.
Resp. O plano que divide ao meio as 4 arestas restantes.
12. Em um hemisfério de raio R, inscrever o cone reto com o vértice no centro
da esfera que tenha volume máximo.
Rosp. r =
R Vh
h =
n ^Í3
3 3
13. D(‘tenninar as dimen.sõe.s de uma pirâmide reta de base quadrada c volume
dado V para que a área total seja mínima.

Resp. lado da base = ^ ^ altura = -^ òV .

14. Com 4 varas de 4m construir uma barraca em forma de pirâmide de base


quadrada de modo que sua capacidade seja máxima.
Resp. lado = altura = .

15. Determinar as dimen.sõcs a dar à .seção do um canal de área dada S, a fim


de reduzir ao mínimo o material ('mprcigado na constituição do fundo e das
paredes, na supo.sição de (pie a sua forma .seja; a) retangular; 6) trape­
zoidal isésc(‘les; c) de um retângulo sobreposto a um semicírculo.
_ ] / S sen g ,
Resp. a) Base = V2S altura = ■ h) altura
2 » 2 - COS a ’
2 (1 -- COS t) S' sen <x (a = inclinação das paredes sô-
ba.se =
sen a COS OC

1/ S i!St 1
bre O plano horizontal) c) b.ase = 2r = \ — — —
base. altura = —
* 4 + X 2
16 Com 4 tál)uas do largura = a, construir um escoadouro de modo que duas cons­
tituam as par(;d(ís laterais, em posição vertical, e as outras duas igualmente
inclinadas relativamente ao plano horizontal, formem o fundo. Determinar
o ângulo de inclinação a entre estas duas para que a seção resulte máxima.
Resp. a = 137°3'.
17. Um canal de largura a desemboca perpcndicularmente em outro canal de
largura h. Supondo retilínc^as as pared(;s dos dois canais, determinar o com­
primento máximo que pode ter uma tora para que passe flutuando de
um a outro.
Resp. comprimento = (o^'® -b
18. O tempo que leva um coípo em percorrer sem atrito um plano inclinado de
inclinação a e base h é dado pela fórmula
4h
sen 2 a í:g
Determinar a de modo que i seja mínimo.
Resp. a = 45®.
19. Duas forças P = 9 k g t e Q = 12 k g t fazem entre si um ângulo a = 60°.
Achar a direção em que a soma de suas componentes 6 máxima.
Resp. A direção que faz com a fôrça P um ângulo de 34°43'’.
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS J19

20. Uma carga Q 6 arrastada sôhrc um plano horizonlal por meio elo uma fôr(,-a
F. Se o coeficiente de atrito é [jl = 0,24, qual deve sor a inclinação da força
para que seu efeito seja máximo?
Resp. 13"30'.
21. Num triângulo isóscoles os lados iguais medem a cm. Qual d(!vo sor o âtigulo
compreendido entre estes dois lados para que a área soja máxima?
Resp. 90“.
22. Um lado de um triângulo modo a cm e o ângulo oposto mod(í 40". (^uais
devem ser os outros ângulos j)ara que a án>a seqa máxima?
Resp. 70".
23. Qual é o ângulo central de um setor cinnilar de perímetro dado p, a fim d(!
que a área seja máxima?
Resp. 2 r d — 115". apr.
24. Se um ))roj6fil é lançado sob um ângulo dc elevação 0, sôhrc um plano incli­
nado de inclinação a, o alcance do tiro ó «lado pola equação:
X=
2í.’o* son(0 - (x) COS 6
(j oos^ a
Achar o valor dc 0 (jue dá o aloaiK^e máximo.
Resp. 0 = .
2 4
25. A distância x percorrida pelo êmbolo P (fig. 7.13) quando a manivela OB
descrever um ângulo 0 a partir do seu ponto morto, 6 dada pola (Hiuaçâo:
X = r (1 - COS 0) -f (1 - COS 2 0)
4a

onde r é o comprimento da manivela e a o comprimento da biela A B . Se


r = 2 dm e a = 7 dm, achar os valôres dc 0 e x que correspondem à velo­
cidade máxima.
Resp. 0 = 75"31' e x = 1,768 dw.
26. Um cone reto tem uma geratriz dada a ^ 6 cm. Achar: a) o ângulo do vér­
tice que corresponde ao volume máximo; b) este volume.
Resp. a) 70"32'; b) 8 Vh”'^ CffP-
220 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

27. Um raio de luz paBaa de um ponto A no ar a um ponto C na água, tendo


uma velocidade vi no primeiro meio e Vt no segundo. Verificar que o tempo
de percurso é mínimo quando
sen a _ Vi
sen ^ Vi

Sug.: Com os dados da fig. 7.14 fàcilmente se estabelecem as duas equações


^ _ g sec <x _j_ b sec &
e atg a X òtg P = c
V\ V*

onde t é o tempo e a, b, c são constantes. Acha-se a derivada doc


dí^
numa e noutra destas equações, eliminando-a em seguida das equações obtidas.
28. Um barco a vela deve se dirigir para L, com um vento que sopra do N N O
(22°30' com a linha N S ), com uma velocidade v' = 15m/s. Que inclinação
(relativa à direção OE) se deve dar à vela para que a velocidade seja máxima?
Qual é esta velocidade (fig. 7.15)?
Re.sp. (f = 56°15' V = 10,386 m/s.:

H g. 7.15
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 221

29. Uma partícula de massa unitária se desloca em linha reta segundo a equação
a; = 6 - 5 sen* ^ (x em cm e í em seg). Achar: o) o primeiro instante em
2
que a velocidade é máxima; b) o primeiro instante em que a velocidade é
zero; c) a máxima distância do ponto de equilíbrio; d) a fôrça que age sôbre
a partícula.
Resp. a) t = 1/2 s; b) t = 0; c) 6; d) f = (7 - 2x).

30. Uma partícula se desloca sôbre uma reta segundo a equação


X = 24 COS St - 10 sen St (x em dm e t em «.).
Achar o período e a aceleração máxima.
Resp. e 234 dmjs*.

31. Uma corrente alternada tem por equação i = 3,2 s e n ^ l 2 0 x í . Com


que velocidade varia a corrente quanto t = 0,016 «?
Resp. - 1 146 amp/s.
32. Uma corrente elétrica composta de duas correntes alternadas tem por equação:
t = 10 sen lOOí + 5 sen 200í.
Achar: o) o período de cada componente; 6) o período da corrente composta;
c) o máximo e o mínimo de i. Esboçar um gráfico da função.
Resp. o) x/50 x/100; b) x/50; c) 15 V3 15 Vs

33. Um pêso P, suspenso por meio de um fio elástico, oscila verticalmente se­
gundo a equação
y = S COS 2í -|- 4 sen 2t
onde j/ é a distância do pêso à sua posição de equilíbrio no instante t. Achar:
o) o período; b) a amplitude (o máximo e o mínimo afastamento de P de
sua posição de equilíbrio).
Resp. a) T = %; 6) 5 e - 5 .

§2. Tangente e Nonnal. Relações Métricas. Assintotas


7.8. Equações da Tangente e da Normal.
Seja
y = Kx) (1)
a equação de uma curva AB {Jig. 7.16) e seja P(xo, t/o) um ponto da
curva. O declive da tangente P T k curva no ponto P é dado, como
sabemos, pelo valor que assume a derivada da equação da curva no
referido ponto; representando por y<j êsse valor, tem os:
m = tg 9 = yo' =
222 CUESO DE CALCULO DIFEEENCIAL E INTEGEAL

onde ç c a inclinação da tangente. Doutra parte, sabemos da geo­


metria analítica(*) que a equação da reta de declive m que passa
por um ponto dado (zo yò) é
y - y o = m{x - xo)
Donde resulta imediatamente, para m = yo':
y - y o = yo{x - xo) (2)
que é a equação da tangente à curva y = j{x) no ponto P{X(,, yo).
A normal à curva no ponto P(xo, yo) é, por definição, a perpendi­
cular à tangente neste ponto. Se representamos por m' o declive da
normal, temos, de acôrdo com a condição de perpendicularidade de
duas retas(**) :

m' = - - i - = - —
’m yo
Portanto, a equação da normal será:

y - y o ------- (3)
yo

M a iire r, L iço es d e G e o m e tria A n a lític a , p á g . 70


C*) Ib id e in , vá g . 37
FUNDAMENTOS GEOMÉTEICOS E FÍSICOS 223

Exemplo. Achar as equações da tangente e da normal à hipérbole


9a;^-16z/^ = 144 no ponto (5, 9/4) (Jig. 7.17).
Solução. Derivando a equação da curva como função implícita,
temos:

^ ^ ( 9 . v £ ( 1 6 y * ) = |( 1 4 4 )

OU 18x - 32yy' = 0
Donde, resolvendo em y ' :

y

=
_ .?£.
32y lòy

No ponto t ) esta derivada assume o valor :

9.5
yo
4
16-4
Substituindo em (2 ), conjuntamente com os valôres ajo = 5 e

2/0 = j , vem :

y- j = j( .x -5 )
OU, simplificando:
5x - 4y - 16 = 0
que é a equação da tangente.
Substituindo em (3), obtemos a equação da norm al:
q 1 9 4
y - T = -T^(^-5)
5/4
ou y -4 = -^(x -5 )
e simplificando :
16x + 20y - 125 = 0

7.9. Relações M étricas.


Entende-se por comprimentos da tangente e da qormal, respectiva­
mente, os segmentos P T da tangente e PN da normal, compreendidos
entre o ponto P da curva e o respectivo ponto de interseção com o
eixo dos X (Jig. 7.18). As respectivas projeções TM e M N sôbre o
eixo dos X, recebem o nome de subtangente e subnormal.
224 CUKSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Representando os comprimentos dêstes segmentos por o, b, p


e q respectivamente, podemos obter os seus valôres em função das
coordenadas (aro, yò) do ponto de contacto e do declive yo' da tangente,
observando que a tangente P T = a e a, normal PN = b são os catetos
do triângulo retângulo TN P e que a ordenada M P = yo é a altura
deste triângulo relativa à hipotenusa. Os cálculos podem ser efetuados
na seguinte ordem :
d) Cálculo da subtangente TM = p. No triângulo retângulo PTM ,
temos a relação trigonométrica:
, MP , yo
t8 í = TM 0“ yo =
Donde, resolvendo em p :

subtangente: p = (4)
yo
6) Cálculo da tangente P T = a. No mesmo triângulo PTM , po­
demos escrever de acôrdo com o teorema de Pitágoras:

a = PT = V tm ^ + PM^ = + yo^

(reduzindo ao mesmo denominador)


yo

Donde,
yo { fatorando o numerador e extraindo
fatOD
a raiz

2 /o \/l + yo^
Tangente : a = (5)
yo
c) Cálculo da subnormal M N = q. O ângulo agudo M P N do
triângulo retângulo PM N é igual ao ângulo P T M = ç do triângulo
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 225

TN P (lados dois a dois perpendiculares), de modo que vale, no tri­


ângulo PM N, a relação trigonométrica :
. MN , q
tg f = ou y. = -

Donde, resolvendo em q :
Suhnormál ’ q — yo yo (G)
d) Cálculo da normal P N = h. A normal 6 a hipotenusa do tri­
ângulo retângulo PM N, de modo que podemos escrever sucessiva-
mente:
PN = \/p M ^ -h MN'^ = Vyo~ + {y»yo)'^ = 2/o\/i +
isto é.
Normal: b = yoy/l + yo'^ (7)
Exemplo. Calcular os comprimentos da tangente, da normal,
da subtangente e da subnormal correspondentes à curva
a:^(6 - x)
y =
ib

r ig . 7.19

no ponto (2,1) {jig. 7.19).


Solução. Derivando a equação, temos :
, 2 j( 6 - x ) - a :“ 12.r-3j;‘^
^ “ 16 ~ IG
Para x = Xo = 2, resulta :
, 24-12 12 _ 3
“ 16 “ 10 4
Donde, introduzindo nas fórmulas estabelecidas, este valor de
yo' conjuntamente com yo = 1, v<*m :

yo\/l + I 5
a) tangente: a =
yo ■614: 3/4
226 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

h) norm al: h = yo \A + yo^ = | / l + ^

1 £
c) subtangente: p = Ml
yo 3/4 3
d) subnormal: q = y^yo' = 3/4.
7.10. Ângulo de Interseção de Duas Curvas.
O ângulo de interseção de duas curvas que se cortam em um
ponto P é, por definição, o ângulo formado pelas tangentes às curvas
no referido ponto.
Sejam (Jig. 7.20) y = /(x) e y — g(x) as equações de duas curvas
Cl e C2 que se cortam em um ponto P(xo,yo). Sejam <pi e <p2 as incli­
nações das tangentes PM e PN a Ci e C2 respectivamente, no ponto
de interseção. Representando por 0 o ângulo formado pelas duas
tangentes, podemos escrever:
6 = <f2“ <Pi

(no triângulo PM N o ângulo externo 92 é igual à soma dos ângulos


internos não adjacentes çi -f 6). Lembrando a expressão da tangente
da diferença de dois ângulos, tem os:
tg <P2 ~ tg (fi
tg 6 = tg (ç2 - <pi) = (1)
1 + tg <Pl tg Ç2
Mas tg çi é o declive mi da tangente à curva C\ de equação
y — K^)) cujo valor é dado pela derivada y' = j'(x) calculada no
ponto X = Xo; anàlogamente, tg 92 â o declive m 2 da tangente à curva
C2 e vale y' g'{xò). De modo que podemos escrever:
m2 - rrii
tg 0 = (2)
1 d- mim2
onde m\ = tg ç i = /'(xo) e m 2 = tg Ç2 = ?'(íTo).
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 227

Na prática, podemos atribuir um índice discriminativo a y, escre­


vendo, por exemplo,
yx = /(x) e ?/2 = g{x)
para representar C\ e C2 respectivamente. Com esta discriminação,
os declives podem ser es(*ritos :
■mi = yx = f'(x„) e m-. = y / = g'{xu)
Donde, substituindo em (2 ):
?/? - 7/1
t{ç 0 = (2 a)
1 + ViU/
onde fica subentendido (lue as derivadas yi' e y-/ são calculadas no
ponto X = Xo.
Conhecida a tangente, obtemos o ângulo com o auxílio de uma
tabela de funções naturais.
Observação. O sinal de (2 ) ou (2 a) depende da ordem em que são
dispostos os declives ?ni = y\ e m2 = y-í no numerador do 2 .° membro :
se y 2 - yx torna negativa a expressão, a disj)osição (X)ntrária yx - yn'
dará um número igual, porém, positivo. C.'onvcm lembrar que ao valor
positivo da tg 6 corres])onde o ângulo agudo formado pelas tangentes,
ao passo que ao víilor negativo corresponde o ângulo obtuso, suple­
mento daquêle (duas retas que sc cortam formam dois ângulos iguais,
opostos pelo vértice, e dois ângulos adjacentes suplementares). Na
prática, a fim d(‘ obter o ângulo agudo, basta dispor os declives yx'
e yi na fórmula (2 a) de modo que resulte positivo o valor de tg 6.
228 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Exemplo. Achar o ângulo jormado pelas curvas xy = 9 e = Sx


ijig. 7.21).
Solução. Resolvendo simultâneamente as equações, achamos o
ponto de interseção P(3,3). Escrevendo, para distinguir, xyi = 9
e y 2 ^ = dx e derivando como funções implícitas, temos :

£ = 0 e I (vr) = I (3^)

ou iji + xyi = 0 ou 2 t/2 y 2 = 3


Donde, resolvendo a primeira em yi e a segunda em y^
J_
?/i'/ = - —
?/i = - 11 y^ =
X 2?/j 2
visto que = j/a = 3 e a: = 3. Introduzindo estos valores em (2 a),
resulta:
— - ( - 1)
n 2 ^^ 3/2
tg 0 = --------- r = = 3
1/2

Donde 6 = arcig 3 = 71° 34'


7.11. Assintotas.
Uma reta se diz assintota de uma curva que se estende ao infinito,
quando a distância de um ponto da curva à reta tende a 0 , ao afastar-
-se o ponto ilimitadamente sobre a curva.
FUNDAMENTOS GEOMÉTEICOS E FÍSICOS 229

Na (Jig. 7.22) sejam :


A P um ramo da curva que se estende ao infinito;
CQ a posição da assintota;
PQ a distância do ponto P(x, y) à reta CQ {PQ perpendicular a CQ);
MP = y = j{x) a ordenada do ponto P da curva, correspondente à
abscissa OM = x ;
MU = y — px q B. ordenada da assintota, correspondente à mesma
abscissa x (representando-a por y a fim de distingui-Ia da orde­
nada y da curva, referente à mesma abscissa x).
O segmento PR da ordenada, compreendido entre a curva e a
reta pode, assim, ser expresso em função de x, pela diferença das
ordenadas, a saber:
y - y = J(x)-px-q (1)
De acôrdo com a definição de assintota, o segmento PQ tende a
0 quando P se desloca ao infinito ao longo da curva ou, o que é a
mesma coisa, quando fazemos x tender a oo.
Ê fácil verificar que, neste caso, também PR = y - y tende a
0. Com efeito, os triângulos retângulos PQR e CRM são semelhantes
(os ângulos em R são iguais como opostos pelo vértice), donde resulta
que o ângulo em P é igual ao ângulo (p em C e vale, no triângulo PQR,
a relação :

COS <p =
PQ ou PR = PQ
PR COS ç

TC
Para ç ^ , é cos ç 7 ^ 0 e, portanto, PR tende a 0 quando
PQ tende a 0 . Conseqüentemente, podemos escrever:
1 i m [/(a:) - p x - q\ = 1 i m PR = I i m PQ = 0 (2)
00

OU, escrevendo o trinômio em forma equivalente (multiplicando e


dividindo por x) :

1im = 1 i m [j{x) - p x - q ] = 0 (3)

Para que o produto do 1.® membro tenha limite 0 quando o fator


X tende a oc, terá que ser igual a 0 o limite do outro fator (trinômio)
a saber : ,

1i m
[J(x) (J1 = 0
(D
00 Lt " tJ
230 CUESO DE CALCULO DIFEEENCIAL E INTEGBAL

a
e como p é constante e 1 i m — = 0, resulta;

,11• m — = p
*-00 X (5)
que nos dá o declive da assintota. Determinado p, podemos obter
q em (2 ), desdobrando o limite e tendo presente que 1 i m g = g :
g = 1 i m U{x) - px] (6)
que dá a interseção com o eixo dos y.
Exemplo. Achar a assintota à curva
6x^
y =
2a;2 + X + 3
Solução, a) Cálculo de p. Neste caso é :
6a:» j(x) 6a:»
= 2a;» + a: + 3 e, portanto, X 2a:» + a; + 3
Donde, passando ao lim ite:
. 6a:» . 6
p = 11m = 1 1 m ------ ----- { dividindo num erador e
*—<0 2a: “j~ X "i“ 3 x—co ^ 1 j ___ denom inador por x*

h) Cálculo de q. Com p = 3, escrevemos:


I 6a:*
= 1im -3xJ
CO or-í-co |_2a:» + X -f* 3
j
1
r 6x *- 6x *-3x »-9x”j
= lim|
x->oo 1_ 2 x» + X + 3 J / reduzindo a expressão
\ m ista

=1imI
r -3 x » -9 x 11
(simplificando o num erador)
X->00 1L2X» + X - f 3 j 1

- 3 -—
X
= 1im í dividindo num erador e
x->co 1 denominador por
2+ X
- + -X»
4 J
3
2
FUNDAMENTOS GEOMÉTETCOS E FÍSICOS 231

Daqui a equação da assintota :

y = Zx-~ OU òx —2y = 3

Casos particulares.
Podemos conceber a assintota a uma curva como uma tangente
imprópria, que tem em comum com a curva um ponto no infinito.
Êste ponto pode ter abscissa infinita (x oo) e ordenada finita {y = b),
ou abscissa finita {x = à) e ordenada infinita {y-^<^), ou ainda,
abscissa e ordenada, ambas infinitas (x->-oo e y->- oo).
Daqui os três casos a considerar.
a) Assintotas paralelas ao eixo dos x. Se a curva tem uma assin­
tota paralela ao eixo dos x, a equação desta assintota 6 da forma y = h,
onde b é uma constante finita, e ao ponto impróprio da curva corres­
pondem as coordenadas x oo e y = b, o que equivale a dizer que
a equação da curva deve fazer corresponder o valor b a, y quando
X tende a oo.
b) Assintota paralela ao eixo dos y. Quando a curva possui uma
as.sintota paralela ao eixo dos y, a equação desta assintota assume
a forma x = a (constante finita), e o ponto impróprio da curva tem
por coordenadas x = a e o°, isto é, a equação da curva admite
o valor x = a para y ->• oo.
c) Assintotas obliquas. Quando a curva possui uma assintota
obliqua em relação aos eixos coordenados, a equação desta assintota
é da forma
y = px + q
de modo que ao ponto impróprio da curva correspondem coordenadas
x->-oo G y <x> ; o declive da assintota será dado, neste caso, pelo
limite da razão destas coordenadas, a saber :

p = lim m
X-CO V X

Se a curva é algébrica de ordem n e sua equação c da forma


(p(x, ^) = 0
(de grau n em x, y), podemos obter e.ss(‘ limite, dividindo prèviament(í
a equação por x”. Uma vez determinado p, achamos q, sul^stituindo
na equação da curva y por px -f- ç, o (juc dá
(f(x, px + q) = 0
232 CUBSO DE CÁLCULO DIFEEENCIAL E INTEGRAL

Esta equação deve ser satisfeita para um valor finito de q, quando


X tende a c» . Dividindo-a pela maior potência de x, depois de conve­
nientemente simplificada, e passando ao limite, obtemos o valor de
q procurado.
Exemplo 1 . Achar as assintotas da curva
2x-l
y = “T —

Solução. Reduzindo a fração à expressão mista equivalente, temos :

y = 2-i
X

que se reduz a. y = 2 quando fazemos x tender a oo, Vale dizer que


a curva possui uma assintota paralela ao eixo dos x, de equação y = 2
(jig. 7.23). Doutra parte, a mesma equação nos mostra que y tende
a - 00 quando supomos x tender a 0 ; isto é, a: = 0 (eixo dos y) é ainda
uma assintota da curva.
Exemplo 2. Achar as assintotas da curva
4:X^ - y ^ - S x áy =0
Solução.
a) Cálculo de p. Dividindo a equação por x^ (sendo a equação
do 2.° grau), resulta :
4- l l - l + i ^ - Í ^ = 0
X^ X x^
ou, formando a razão yjx :
0
\X / X X \ X / X^
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 233

Passando ao limite, na suposição de que y tenda a oo conjunta­


mente com Xf a razão yjx assume a forma indeterminada ^ . Resta
saber se a equação nos proporciona os meios de superar esta indeter-
minação aparente. Lembrando que o limite de uma soma é igual à
soma dos limites, podemos escrever:

4 - l i m ( ^ ) ' - l i m ( - ) -H l i m { - ( • ^ ) | - l i m =0
x->oo ^ X x-^oo ^ X ' X—
>00 I X ^ X ^ J X—
►eo X
Evidentemente,

1i m ( —) = 0 e lim = 0
x->» Var/ x-*<a ^ x^ /
Quanto ao penúltimo termo, limite de um produto, se desdobra
no produto dos lim ites:

00 Í7(f)|
I “
^ *i/ ^ I X~~^00 ( )7^
^ Jü j f —►00 (7 ) “ ®
^ Ju ^

sempre que 1i m{ylx) seja finito, posto que lim ájx = 0 . Nestas con­
dições, a equação se reduz a

4-lim (ií.V = 0 ou l i m m ' = 4

que nos dá o declive da assintota :

p = li m ( | - ) = ± 2

b) Cálculo de q. Destacando os dois valores de p, tem os:


l.°) Para p = 2, é y = 2x q
Introduzindo esta expressão de y na equação da curva, obtemos :
4x* - {2x + qY - 8a: + 4(2x + g) - 36 = 0
ou, efetuando os cálculos indicados e simplificando :
-4gx - -|- 4g - 36 = 0
Dividindo por x (maior potência de x presente), vem :

. 43- l Í + i l - § « _ 0
X X X
Fazendo x tender a 00, fica:
-4g * 0 ou g= 0
234 CUBSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Donde, a equação da assintota:


y = 2x
2 .®) Para p — -2, é y — -2x + q
que introduzido na equação da curva, d á :
4a;* - (-2a; + ç)* - 8a; + 4(-2a; + ç) - 36 = 0
ou, efetuando as operações e simplificando:
4ça; - ç* - 16a; + 4ç - 36 = 0
e dividindo por x :

4 ,.iL _ 1 6 + i i _ L 6 = o
X X X
Fazendo x tender a oo, resulta :
4g - 16 = 0 ou q —i
Donde, a equação da assintota:
y = -2x 4 -4 ou 2a; 4- 2/ = 4
A curva possui duas assintotas obliquas de equações
y = 2x e 2a;4-y = 4

EXERCÍCIOS
Achar as equações da tangente e da normal às seguintes curvas, no ponto
indicado:
1. y «« 35*-3x* + 2 x -7 ; X = 2 Resp. 2 x -j/ = 11; x + 2y + 12 = 0
2. V Vx; X = 4 Resp. x - 4 y + 4 = 0 ; 4x+2/-18 = 0
3. y X* . X « 1 Resp. 4 y - 5 x + 3 = 0; 1 0 y + 8 x - l 3 = 0
X + l'

4. y ox* a Tj
Ee,p. 3 V^x a +. 41
o* + X* 4
16
6. y X = 5 Resp. x + y-13 = 0 ; x - y + 3 = 0
Vx - 1 ’
6 . 4x» + 9y* = 40; ( - 1 ,2 ) Resp. 2x - 9 y + 2 0 = 0 ; 9x + 2y + 5 = 0

7. x * + y * -2 x + 4 y + 3 = 0 ; (2 , -3) Resp. x - y - 5 = 0; x + y + l = 0

8 . Achar os segmentos interceptados sôbre os eixos de coordenadas pela tan­


gente à curva Vx 4 Vy = Vo no ponto (xo, yo), e verificar quo sua soma
é constante.
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 235

Achar os ângulos de interseção dos seguintes pares de curvas;


9. = 9 - 6x e y* = 3a:® Resp. 0 = 51®
10. y* = Qx e a:* = a y Resp. 0 = 36®52'
11. y® = 4x e X®+ y* = 32 Resp. 0 = 108®26'
12. y® = 4x e y* = 5 - X Resp. 0 = 120®58'
13. X® + y* = 4 e X* + y* = 4x Resp. 0 = 60®
14. X® = Aay e y = ----------- Resp. 0 = 31®
X® + 4a»
15. X* -j- y» + 2x - 4y + 4 = 0 e
a:» + y » - x - y - 8 = 0 Resp. 0 = 71®32'
16. Verificar que as hipérboles xy = a e x» - y» = a» se cortam sob ângulo reto.
17. Verificar que a elipse x» + 4y» = 8 e a hipérbole x»-2y» = 4 se cortam
sob ângulo reto.
Achar os comprimentos da tangente, da normal, da subtangente e da sub-
normal das seguintes curvas, no ponto indicado:
18. y = X®; (-2,8) Resp. S^ÍI45; - -9 6
3 3

19. y = X* -f 3x + 2; (0,2) Resp. iVTÕ ; 2 V 1 Õ; 1 ; 6


20. y = 2x» - X®; (1,1) Resp. - V^; -1; 1 .
21. xy» = 18; (2,3) T>
Resp. K —
5; 15 ; - 4;
. - —9
4 4
22. y» = 4x»; (9,6) Resp. 6 V 1 Õ; 2 VÍÕ; 18; 2
23. y = (4,1) Resp. -L ^Í65; Í . Vêõ; 4/7; 7/4.
X*-12 7 4
24. Achar os comprimentos da subtangente e da subnormal à elipse 9x* + 4y*=36
no ponto X = 1, no 1.® quadrante.
Resp. 3; ~ .
25. Achar o comprimento da subtangente da cissóide

2a- X
em um ponto genérico (x, y). 2ax-x«
Resp.
3a - X

26. Achar o comprimento da normal à cateniria y ■= —í "a *1* *


ponto genérico (x, y) 2\® ' /
Resp. -*L.

27. Mostrar que no círculo x» + y* »= a» a normal é constante.


28. Mostrar que na parábola y» » 4ax a subnormal é constante.

29. Mostrar que a subtangente de espiral y » ae « é constante.


236 CUESO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

30. Mo.strar que o comprimento da tangente da tratriz

X = - y'^ + _£ Zn £-----~ é constante.


2 c 4- Vc* - t/*
Determinar as assintotas das seguintes curvas;
31. t/ = z* 4- 1 Resp. z = 0; z - 2j/ = 0
2z

32. y = Resp. z = y
z* + 3a*
33. y (z* -4 )-z * + 1 = 0 Resp. z = 2; z = -2; y = 1
34. y» = 4z* + 2z + 6 Resp. 4z — 2y + 1 = 0 ; 4 z + 2 y + l= 0

36- V’ - ^ Resp. z = 2o
2a -X

36. y = z ^ z + 1 Resp. z = 1; y = z + 1
z - 1
37. z* + 2/* = 3zt/ Resp. z + y + 1 = 0

38. z* - 3zy* = o* Resp. y = z; y = - z; z = 0


3 3
39. zj/* + z*y = a* Resp. z = 0; y = 0; z + y = 0
40. 6z* - 5xy + y* - j/ = 0 Resp. y = 2z - 2; y = 3z + 3
41. zy = z* - 1 + Znz Resp. z = 0; z - y = 0
42. 12z*-7zy-12y*+24z-7y-25 = 0 Resp. 4z+ 3y+ 4 = 0; 3z-4y+3 = 0
43. 2z*y - z*y* + zy* - y* - 4 = 0 Resp. y = 0; 2z - y - 2 = 0
44. X* + 6z* - 5z*y* + 4y* + 6 = 0 Resp. z - y - 1 = 0; z + y - 1 = 0
z - 2y + 4 = 0; z + 2y + 4 = 0.
45. z*y - zy* + zy + y* + z - y = C Resp. y = 0 ; z = l ; y = z + 2
46. y* - 5zy* + 8z*y - 4z* - 3y* +
+ 9zy - 6z* + 2y - 2z = 1 Resp. y= z; y= 2z4-l; y = 2z + 2.

§3. Curvas em Coordenadas Polares


7.12. Coordenadas Polares.
Além do sistema de coordenadas retilíneas usado até aqui, outros
sistemas de referência podem ser empregados. Dentre êstes, se destaca
pela sua importância sobretudo em matemática aplicada, o chamado
sistema de coordenadas polares. Como elementos de referência em
um tal sistema, tomamos um ponto fixo 0 do plano e uma semi-reta
OX do mesmo plano (Jig. 7.24). O ponto fixo se diz o polo e a semi-
reta OX o eixo polar do sistema.
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 237

Dado um ponto P do plano, resultam determinados o segmento


ou a distância OP = ç>, que se diz o j'aio vetor do ponto P, e o ângulo
XOP = 6 (a menos de múltiplos de 2 ic)(*), que se diz a amplitvde.
Vice-versa, dados os números p e 0, o primeiro designando uma dis­

tância de 0 e o segundo o ângulo que esta distância faz com a semi-


reta, OX, resulta determinado um único ponto do plano.Os números
p e 6 se dizem as coordenadas polares do ponto P. Ka prática, escreve-
se simplesmente P (p, 6), associando a esta representação uma con­
venção de ordem, isto é, assim escritos, o primeiro número repre­
senta sempre o raio vetor (distância) e o segundo a amplitude (ângulo).
A fim de obter os pontos do plano basta admitir que o raio vetor
p varia entre 0 e oo, e a amplitude 6 entre 0 e 2%.
Observação : Uma convenção equivalente a esta consiste em atribuir
a p valôres positivos e negativos, isto é, todo e qualquer valor de -oo a
H" Qo, e restringir o campo de variação de 6 ao intervalo 0 a x. Neste
caso, p quando negativo, deve ser medido sôbre a semi-reta oposta,
a que forma com OX o ângulo 0 {jig. 7.25).

n g . 7.25

(*) E sta locução significa quê o ângulo X O P pode ter mais do que uma determinAção, isto
é, 08 ângulos 0 / 2X + 0, 4X + 0 . . . 2k% + 0, tèm todos os mesmos lados O X c OP,
238 CURSO DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Nesta exposição, a não ser que se faça menção explícita cm con­


trário será sempre a primeira convenção que se subentende adotada.
Em particular, aos pontos do eixo polar OX corresponde amplitude
nula, 6 = 0.
Aos pontos da semi-reta oposta corresponde amplitude 6 = x.
Ao pK)lo corresponde raio vetor nulo p = 0 e amplitude indeterminada.
7.13. Localização de um Ponto no Plano.
Dados um raio vetor expresso em uma unidade de comprimento
e a amplitude correspondente em graus ou radianos, podemos localizar
no plano o ponto que tem êstes números como coordenadas polares.
Para maior comodidade podemos construir um sistema de circunfe-

3TT.

7.2$

rências com centro em 0 e raios iguais a 1, 2, 3, {jig. 7.26). Pelo centro


tiramos um certo número de raios que formam ângulos iguais (36 na
figura). Tomando um raio OX como eixo polar, medimos a partir
dêste os arcos que correspondem aos ângulos centrais construídos.
Com o auxílio desta figura torna-se fácil localizar um ponto no plano.
Seja, por exemplo, localizar o ponto de coordenadas (3, x/8). Sôbre
o raio que corresponde ao ângulo x/8, medimos uma distância igual a 3,
a partir de 0 (ponto P, na figura 7.26). O problema inverso é menos
simples. Dado um ponto M no plano (Jig. 7.26), a sua distância ao
ponto é única, OM = 5. Já o mesmo não se dá com a amplitude,
que pode ser 6 = x/3 ou este ângulo mais um múltiplo qualquer de
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 239

2x, isto é, um ângulo da forma 0 = x/3 + 2k%. Para que a um.ponto


dado M corresponda um par único de números, restringiremos a va­
riação da amplitude ao intervalo 0 ^ 6 ^ 2 x.

7.14. D istância de Dois P ontos.


Sejam dados dois pontos P \ e Pa de coordenadas polares
(pi, Oi) e (p2, 6a) respectivamente ijig. 7.27). A distância d = PiP*pode
ser obtida diretamente pela lei dos co-senos, uma vez que se conhecem
os lados OPi = pi e OPt = pa e o ângulo compreendido entre êles
( 6i~ 62). Podemos escrever :
d* = Px* + P2 ^ - 2 p ip 2 Cos ( 0 1 - 62 )

p,

H g. 7.27

OU extraindo a ra iz:

d= pi* + p2^- 2 pi p2 COS (61 - 62)


Exemplo : Seja achada a distância entre os pontos ijig. 7.28)

A ^5, x/3^ , P(3, x/6).


240 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Solução :

Pi = 5, P2 = 3 ; 0 1 - 6 2 = ~ - - ~ =

donde
á =3 32- 2 .3.5 COS 30°=\/25H -9-30.0,866= v ^ ^ = 2,83

7.15. Equação da Reta.


___Seja A B uma reta dada em posição genérica (Jig. 7.29); seja
OM = p a distância de 0 à reta e seja w o ângulo (constante) que esta
distância faz com o eixo polar. Seja enfim, P ( p, 0) um ponto corrente
da reta. Entre as coordenadas variáveis ( p, 0) e as coordenadas cons­
tantes (p, lú) existe uma relação constante que se obtém no triângulo
retângulo OPM.
Temos,
ÕM
COS MOP =
ou OP
V
COS (0 - w) = —‘
p
e daqui, pcos (0 - o) = p que é a equação procurada. Em particular :
а) se a reta é perpendicular ao eixo polar, <0 = 0, e a equação
se reduz a
p COS 0 = p (fig. 7.30o):
б) Se a reta é paralela ao eixo polar (jig. 7.30, 6) w = e

COS ^0- = sen 6 ou cos = sen 0, d on d e a eq u ação,

p sen 6 = p

(c)
n?» 7.90
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FtSIOOS 241

c) Se a reta passa pelo polo 6 é constante {jig. 7.30, c) e a equação


se reduz a, Q = k (k = constante).
Exemplo : Seja achada a equação polar da reta que jaz um ângulo
de 120° com o eixo polar e cuja distância ao polo é igual a 5.
Solução : Neste caso, é p = 5 e w + 90° = 120° (o ângulo externo
é igual à soma dos ângulos internos não adjacentes), donde
O) = 120°-90° = 30°. Donde a equação :

COS ( 6 - 30°) = 5 ou COS ( ^ ~ = 5

7,16. Equação do Círculo.


Seja dado um círculo de centro C e raio r, e sejam pi e 0i as coorde­
nadas polares do centro, isto é, C (pi, 0i), (jig. 7.31). Seja P (p, 0) um
ponto genérico da circunferência. Traçando os raios vetores OC e
OP e o raio CP da circunferência, formamos um triângulo OPC no
qual se pode exprimir o lado r em função dos outros dois lados p e
P i e do ângulo oposto 0 - 0i (lei dos co-seiios):

r2 = p2 -p p i 2 - 2 p i p COS ( 0 - 0i)
ou
p^ - 2 pi p COS (0 - 0i) + pi^ - = 0

que exprime uma relação constante entre as variáveis p e 0 e repre­


senta, portanto, a equação do círculo.
Em particular :
a) se o círculo passa pelo polo, pi = r (Jig. 7.32 o) e a equação
se reduz a :
p^ - 2r p COS (0 - 0i) r* - r* = 0
ou p* - 2rp COS (0 - 0i) = 0
242 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

(o) (b)

(c) ( d)
FÍ9. 7.32

OU ainda transpondo 2r pco? (0- Oi) ao 2. ’ memhro e simplificando


por p;
p = 2r COS (O-Oi)
6) se um diâmetro cai sobre o eixo polar e o polo na extremidade
esquerda do diâmetro {jig. 7.32 6), 6i = 0 e a equação se reduz a :
p = 2rcos 6
c) se o círculo é tangente ao eixo polar em 0 (jig. 7.32 c) resulta,
além de pi = r, 0i = x/2 e cos ( 6 - 0i) = cos (x/2 - 0) = sen 0 ; donde :
p = 2r sen 0
d) se o centro do círculo co incide com o polo (Jig. 7.32 d), p é
constante (p = r) e, portanto, independente de 0 e a equação assume
a forma simples p = r.
Exemplo: Seja escrever a equação do círculo de raio igual a 5,
sabendo que o centro está em :
a) (7,x/4); h) (3,0); c) (5, x/2); d) (5,x).
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FlSIOOS 243

Solução :
X
o) Neste caso, é pi = 7 e 0i = ; donde :

-2.7pcos ( e - + 4 9 -2 5 = 0

p2-14pcos (e - + 24 = 0

h) Segundo os dados é pi = 3 e 6 = 0, donde a equação


p^-2 .3 . p COS ( 6 - 0 ) + 9 - 2 5 = 0
ou p^ - 6p COS 6 = 16
X
c) Fazendo pi = 5 e 0i = , temos :

p2 - 2.5. p COS (6 - d- 25 - 25 = 0

ou p = 10 sen 6
ã) Temos pi = 5 e 6i = x e, portanto,
COS (6 - x) = - COS 6
donde:
p2-2.5.p(-cos 6) = 2 5 -2 5 = 0
ou p + 10 COS 6 = 0
7.17. T ransform ação de C oordenadas.
o) Passagem de coordenadas polares a cartesianas :
Seja dado um ponto do plano de coordenadas polares (p, 6)
244 CURSO DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

(Jig. 7.33). Tomando um sistema de coordenadas cartesianas retan­


gulares com origem no polo 0 e o semi-eixo positivo dos x coincidindo
com o eixo polar, podemos obter as coordenadas cartesianas de P
em função das coordenadas polares.
Com efeito, baixando a ordenada PM = y, formamos o triângulo
retângulo OPM, no q u a l:
OM X
COS 0 = —
OP P
OU X = P COS 0

PM
e sen 0 ==
OP P
ou y = p sen 0
que nos dão as expressões procuradas.
h) Passagem de coordenadas cartesianas a ‘polares: Na jig. 7.33,
p é a hipotenusa do triângulo retângulo cujos catetos são íc e y ; donde,
escrevendo a relação de Pitágoras, temos,
pí = X* + y2
ou p = \/x* + y*
que é a expressão do raio vetor em função das coordenadas carte­
sianas (ar, y). Doutra parte, no mesmo triângulo podemos escrever

OU, passando à função inversa:

0 = arc tg “
ar
que nos dá o ângulo polar em fimção de ar e y.
Exemplo: Seja exprimir em coordenadas cartesianas a curva de
equação polar
ç — a COS 2 6/cos 6
Solução: Lembrando que cos26 = cos*O-sen*0 e substituindo
na equação dada, tem os:
COS® 6 - sen* 6 sen 6 ,\
p = a . COS 6 -------- - . sen 0)
COS 0 " V COS 0 /
p = o (cos 0 - tg 0 sen 0)
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSIOOS 245

Mas
3 / 2 7 27
COS 0 = — , t g 0 = — e sen 0 = donde,
9 X 9
^/ ^ y y\ _a: 2- j ç / 2
p — CL I I — (t • '
\ p X ç/ px

ou
9'^x = a { x ^ - y ^ ) e como p* = + y^,
temos :
{x^ + y‘^)x = a (x^ - y^)
equação que resolvida em nos dá a expressão procurada
xHa -x )
y" = a+ X

EXERCiCIOS
1. Construir os pontos cujas coordenadas polares são:
a) (4, 75»); h) (5, 3z/2); c) (6,2 x/3);

d) (2 l , 215»): e) ( j ± , 10 x /7 ) .

2. Construir o triângulo cujos vértices são: (2, x/8), (3, 3x/4) e (1, 5x/4). Achar
o comprimento dos lados.
Resp. a = 4,19; b = 3,16; c = 2,58.
3. Achar a distância dos pares de pontos:
a) (3,60») e (4,150»); b) (9, x/6) e (5, x/2); c) (7, 45») e (3,300»).
Resp. a = 5; b = 7,8; c = 8,29.
4. Construir o gráfico das seguintes equações:
a) p = 5; 6) p = 4 cos0 ; c) p = 6 cos 0; d ) 9 = 10 sen20;
e) p = 5 (1 4- sen 0); / ) p cos 0 = 4; g) p(2 - cos 0) = 5.

5. Achar as equações polares das retas, dados:


a) 0 = 60», p = 6 Resp. p cos (0 - 60») = 6
51 0 = 150», p = 10 Resp. p cos (0 -1 5 0 ° ) = 10
c) 0 = 300», p = 5 Resp. p cos (0 - 300») = 5
6. Achar as equações polares das retas:
a) paralela ao eixo polar e passando por (8, 60»);
b) perpendicular ao eixo e passando por (6, 45»);
c) passando por (3,60°) e formando com o eixo um ângulo de 150».
Resp. o) p sen 0 = 4 V ?
b) 9 cos 0 = 3 V2
c) p cos (0 - 60») = 3.
246 CUESO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

7. Achar a equação do círculo nos seguintes casos:


o) temo centro em (4, x/5) e o raio igual a 6;
h) temo centro em (6, x/4) e o raio igual a 6;
c) tem o centro em (10,0®) e o raio igual a 10;
d) tem o centro em (8, 30®) e passa pelo ponto (6, 120®);
e) tem o centro em (4, 15®) e passa pelo ponto (5, 75®).
Resp. o) p* - 12 COS (6 - x/5) = 20
6) p = 12 COS (6 - x/4)
c) p = 20 COS 6
d) p*-1 6 cor (0-30®) = 36
e) p*-8cos (0-15®) = 5.
8. Exprimir em coordenadas cartesianas as seguintes equações polares:
o) p = 5 COS 0; 5) p ( 5 - cos 0) = 10; c) p = 2/(2 - cos 0).
Resp. o) X* + 2/* - 5a: = 0
b) 24x* + 25j/* - 20x - 100 = 0
c) 3x* + 4 j/* - 4x - 4 = 0.
9. Exprimir em coordenadas polares as seguintes equações:
a) X* + í/* - 4x - 4y = 0; Resp. a) p = 4 (cos 0 + sen 0)
b) = 8x; 6) p = 8 cosec 0 cotg 0
c) X* + y* - 3x = 0; c) p = 3 cos 0
d) tx* - y* = 9. d) p cos 2 0 = 8.
7.18. Declive da Tangente.
Seja p = y(0) a equação polar de uma curva AB e seja PQ a
tangente à curva em P (Jig. 7.34). Sejam p e 0 o raio vetor e o ângulo
polar do ponto P e ^ o ângulo formado entre o raio vetor e a tangente
em P. Trata-se de obter o declive da tangente PQ em relação ao eixo
polar OX.

rig . 7.34

No triângulo OPQ, o ângulo externo ç é igual à soma dos ângulos


internos não adjacentes 0 + 4' í donde,
tg 0 4- tg tj;
tg <p = tg (0 + <1») == 1 - tg 0 tg (1)
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 247

Conhecido o ângulo 6, resta determinar o ângulo 4^. Para tanto,


podemos recorrer às relações que intercedem entre o sistema polar e
um sistema cartesiano cuja origem coincide com o polo 0 e cujo semi-
eixo positivo Ox coincide com o eixo polar OX, a saber :
X = ç> C O S 6 e y = ç>sen 9 (2)
Doutra parte, referida a curva ao sistema cartesiano, o declive
da tangente é dado pela derivada de y em x :

(3)
a qual pode ser obtida em função de p e 0, diferenciando as relações
(2). Operando de acôrdo com a regra de derivação de um produto,
visto que os dois fatôres são variáveis, temos :
dx = d {ç COS 6) = COS 0 dp - p sen 0 d 0
dy = d ( p sen 9) = sen 0 d p -f p cos 0 d 0
(a diferencial de p é dp, a diferencial de cos 0 é -sen 0d0ea diferencial
de sen 9 é cos 0d0).
Dividindo membro a membro a 2.* pela 1.*, vem :
dy sen 0 d p p cos 0 d 9
dx cos 9 dp - p sen 0 d0
d0
tg 9 + p
dp í dividindo numerador e
^ t denominador poraenOd p
1 - p tg 0
dp
dy
Igualando esta expressão de com o seu valor tirado de (1),
(JLJü
através de (3), resulta :

tg 0 + p
dp _ tg 0 + tg 4^
1 - p tg 0 1 - tg 0 tg 'l'
dp
equação que resolvida em tg 4', dá :
dO
tg 'i' = p :atç-
248 CUESO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Dada a equação polar na forma p = /(6), passamos da derivada

aA sua inversa
• j
-r-*, escrevendo:
op d6 ’
dp dp \
— tg «1» = p ou p'tg = p (fazendo p' = I

e daqui

tgtp = - ^ (4)
P


Note-se que a derivada p' = não depende da posição do
eixo polar, o que se depreende do fato de que na sua expressão

p 'tg 4» = p ou p' =
tg 4í
não figura o ângulo ç que mede a inclinação da tangente em relação
a êsse eixo.
Introduzindo em (1) o valor de tg tirado de (4) e simplificando,
obtemos o valor de y' em coordenadas polares:
y ’ = ^ = P + f' tg ^ Í51
" p ' - p tg 6 ^’
que exprime o declive da tangente em relação ao eixo polar.
7.19. R elações Métricas.
Em coordenadas polares as relações segmentárias são referidas
a um eixo perpendicular ao raio vetor OP, passando pelo polo 0 (fto.
7.35).
Os comprimentos da tangente e da normal são os segmentos P T
e P N compreendidos entre o ponto de contato P e as respectivas inter­
seções T G N com êsse eixo e recebem a designação de tangente polar
e normal polar;
FUNDAMENTOvS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 249

suas projeções OT e ON sobre o eixo, são a subtangente polar e a sub-


normal polar, respectivamente.
No triângulo retângulo OPT, temos :
OT OT
tg =
OP
Donde, resolvendo em OT

Subtangente polar : OT = ç tg ^ = —p (6) (tg í


P
A relação de Pitágoras no mesmo triângulo retângulo nos dá a
tangente P T :

tangente polar: P T = ] / p“ +

P‘^ P'-+ P^ (reduzindo a exprcí^são mista)

= —r V^p- + p'- (simplificando)


p
Do mesmo modo, temos no triângulo retângulo OPN :

(viato que <|; O N P = '»i>)


Donde, ON
'

Suhnormal: ON = —= O
tg ^
ò =■ (S) (coUO = ? )
e apli(‘audo a relação de Pitágoras :
Normal: PN = + (9)
Exemplo. Achar os ângulos de interseção das curvas

Cr. p = (1) e e , : p= . (2)


1 -|- COS 0 2- COS 0
Achar ainda os comprimentos da tangente, da normal, da subtan­
gente e da subnormal da curva Ci.
Solução.
a) Interseções. Nos pontos d(' inters(',ção as duas curvas tem o
m(‘.smo raio vetor ; portanto, vale para estes pontos a equação trigo­
nométrica :

1 -j- cus 0 2 — COS 0


250 CUESO DE CALCULO DITEBENCIAL E INTEOBAL

que, simplificada, d á:
3 COS 6 = 0 ou COS 6 = 0
Esta equação admite as soluções 6 = e 6= no inter-
valo (0,2-jc). A êstes valôres de 6, corresponde o raio vetor comum
2 4
P = = 2
1+0 2-0
Os pontos de interseção são portanto : P ^ ®^
(/tg. 7.36). Por razões de simetria, basta considerar a interseção P.

6) Declive da tangente a Ci em P.
Derivando a equação (1 ), tem os:
dçi 2 sen 6
" = d ? “ (1 + COS 6)*

cujo valor no ponto 6 = — é :

o2 sen —
P' = = 2
(l + c o s ~ | )
Representando por çi a inclinação desta tangente, temos de
acôrdo com (5) do n.® 7.18:
p+ p' tg 6
tg <Pi = p -----
— ~7T2
p tg 6
FUNDAMENTOS GEOMÉTEICOS E FÍSICOS 251

TU
Como tg 6 se torna infinita para 6 = — , esta expressão assume
a forma indeterminada no ponto P. A fim de superar a indetermi-
nação ocorrente, dividimos, prèviamente, o numerador e o denominador
por tg 6 e passamos ao limite, fazendo 0

+ P'
tg çi = l i m tgO 0 + p^ = = - 1 = -1
0- p p 2
0 -^ 4 - i - - P
2 tg 0
(visto que p = 2 e p' = 2).
c) Declive da tangente a C2 em P. Derivando a equação (2 ), temos :
, dp -4 sen 0
P = d0 = - = - 1 (p ara 6 -
(2 - C OS 0)* 4
Representando por çz a inclinação desta tangente, temos (contor­
nando a indeterminação) :

+ P' 0-1 _ 1
tg í>2 = 1 i m
Õ~2~ ^ ® P' = -1)
0^~ P' - P
2 tg 0
ã) Ângulo de interseção. Representando por a o ângulo (agudo)
formado pelas duas tangentes, temos

tg a = tg - í.) = - tg n = 2 ^ = 3
1 “H t g Ç it g f z 1 -

valor ao qual corresponde o ângulo a = 71° 34' aprox.

e) Relações segmentárias. Como o raio vetor do ponto P é, no


caso presente, perpendicular ao eixo polar, os segmentos são deter­
minados em relação a êste eixo. Para a curva Ci, é p = 2 e p' = 2 .
Donde, substituindo, ordenadamente, nas fórmulas de (6) a (9):
p2 4
Subtangente polar : OT = —7 = = 2
P 2

Tangente polar : P T = —7 \/p ^ + p'^ = \/4 -h 4 = 2 \ / 2


P 2
Suhnormal polar : ON = p' = 2
Normal polar: P N = \/p* + p'* = 2 \/2 _
252 CURSO DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

7.20. Assintotas.
Seja AB uma curva de equação polar p = /(O), que se estende
ao 00, e seja a posição de sua assintota {jig. 7.37a). Trata-se
de determinar a sua direção, isto 6, a inclinação t do raio vetor do
ponto impróprio P» da curva (paralelo à assintota), e a distância
OM = p do polo à assintota.
a) Direção. Na {jig. 7.376), seja P um ponto da curva e RP a
tangente em P. Quando o ponto P sc afasta ilimitadamente, o ângulo
0. tende ao valor limite t {jig. 7.37a), que deve verificar, por conse­
guinte, a equação :
p = l i m /( 0 ) = o o ou l i m : ^ = 0 (1)
p-*oo p-»o» J\")

Os valôres de 0 que satisfazem êste limite dão as direções das


assintotas à curva.

6) Distância. Ainda na {jig. 7,376), o raio vetor OP, a tangcnt(í


RP e a normal OM formam um triângulo retângulo OPM, no qual
vale a relação trigonométrica :
V
sen = — ou p — ç>sen 4» ( 2)
P
Quando o ponto d(í tangéneia P se d('sIoca ao oo, o raio vetor
OP c a tangente RP se dispõem paralelamente e o ângulo t{>tende a 0,
de modo que sen tende a 0 quando p tende a oo. A distância p
será, por conseguinte, o limite de.ssa expressão para p tendendo a oc\
a saber :
p = 1i rn (p sen ó) (3)
p-Voo
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 253

ou ainda,
p = 1 i m [ p sen (t - 0)] (3a)
P->“00
pôsto que T - 6 tende a O conjuntamente com (Jig. 7.37Ò).
2v T
Exemplo. Achar as assintotas à curva p =
1 - 2 COS 0
2 ^/z
Solução. Aqui é /(0) = cujo limite é oo quando o
1 - 2 COS 0
ilenominador se reduz a 0, isto é, quando :
1 - 2 COS 0 = 0
Donde, c o st = 1/2 (valor de cos 0 que corresponde
assintota). à

TC
No intervalo (0, 2x), esta equação admite as soluções ti = e
O
5x
" ^ T •
A fim de obter p, vamos exprimir sen em função de 0 através
da relação
tg 'l' = ~T
P
Derivando a equação obtemos:
, -4 Ay3~sen 0
P = ( 1 - 2 COS 0)="

Levando este valor de p' conjuntamente com o valor de p à fór­


mula anterior, resulta :
2^/3
^ , 1 - 2 C OS 0 1 - 2 COS 0
tg Ó = -------7=-------- = -------------
-4y/3 sen 0 - 2 sen 0
( 1 - 2 COS 0)^

Conhecida a tangente, obtemos sen mediante a relação trigo-


uoinctrica :
1 - 2 COS 0
tg -2 sen 0
sen tj' = \ / l + tg 2 (p W ^ ( 1 - 2 COS 0 ) ^

' 4 sen^ 0
1 - 2 COS 0
(simplificando c omitindo o sinal -)
\/õ - 4 COS 0
254 CUKSO DE CALCULO DIEEEENCIAL E INTEGEAL

Donde, tomando p em valor absoluto:

P-«
2 y/s
p = 1 i m ( p sen tb) = 1i m | — :
1- 2 C O S 6
e-T l i - 2 C O S 0 v ^ - íc o s )
2 2 \/3
1
= lim
\/5 - 4 COS 6 \/5 - c o s t

*3C 5X
que dá para t = ti = e para t2 = —5— o mesmo valor
O O
2 \/3 2V^
p = -r r = = r = — = 2

EXERCiClOS
1. Achar os ângulos de interseção entre as curvas p = 2 e p* cos 20 = 2.
Resp. 60®.
2. Achar os ângulos de interseção das curvas p = 4 sen 0 e p = 4 cos 0.
Resp. 90®.
3. Achar os ângulos de interseção das curvas
. p = a(l + sen 0) e p = o(l - sen 0)
Resp. 90®.
4. Mostrar que as cardióides p = a(l + cos 0) e p = a(l - cos 0) se inter­
ceptam sob ângulo reto.
0
6. Mostrar que a reta p sen 0 = 2 intercepta a parábola p = sec*----sob um
ângulo de 45®. 2
6 6
6. Mostrar que as curvas p = 2 sec* — e p = 3 cosec* — se cortam em
ângulo reto. 2 2
0
7. Mostrar que, na espiral logarítmica p = c® , o ângulo tj; formado entre a
tangente e o raio vetor no ponto de contato é constante.
8. Verificar que, para a curva p^ = o®sen 30, a inclinação ç é o quádruplo
do ângulo polar 0.
0
9. Verificar que, para a curva p = sen* , a inclinação ç é o quádruplo do
ângulo tp, compreendido entre a tangente e o raio vetor no ponto de tan-
géncia.
10. Na lemniscata r* = a* cos 2 0, achar o ângulo t}», compreendido entre o 1 aio
vetor e a tangente no ponto cujo ângulo polar é 0 = — .
á\ X
6
Resp. tb = - JL .
6
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FtSIOOS 255

11. No círculo p = a sen 0, achar em função de 0, os ângulos (J; e <p.


Resp. ({; = 0 e q) = 2 6.
0
12. Mostrar que, na parábola p = a s e c * é <p + = x.
2
l.'I. Achar o.s comprimentos da tangente, da normal, da subtangente e da sub-

normal da curva p = o(l -f sen 8) no ponto de ângulo polar 6 = arc tg — .


3
27
Resp. — ^[TÕ a; — VTÕ a; — a; — a.
5 5 5 5
14. Achar os comprimentos da tangente, da normal, da subtangente e da sub-

normal do círculo p = 2a cos 0, no ponto cujo ângulo polar é 6 = —^ .


4
Resp. 2a; 2o; -o ~ ( i V2^

15. Achar o comprimento da subtangente da cardióide p = a (l - cos 0) no ponto


O^
de ângulo polar 6 = — 11..
3
T>
Resp. V3 o.
——
2

H». Mostrar que, para a espiral pO = a, o comprimento da subtangente é cons­


tante.
17. Achar as assintotas da espiral pO = a.
Resp. Paralela ao eixo polar à distância p == a.
18. Achar as assintotas à curva p cos 6 = a cos 2 0.
Resp. Perpendicular ao eixo polar, à esquerda do polo, à distância p = a.

§ 4. Equações Paramétricas
7.21. Concepção Física de Curva.
A noção intuitiva de curva remonta, em última análise, à apre­
ciação da trajetória descrita por um ponto em movimento. Como
ôství movimento transcorre no tempo, podemos considerar a posição
do referido ponto como função do tempo t. Se referimos o movimento,
sujx)sto plano, a um sistema cartesiano xOy, podemos eonceber as
(HX)rdenadas x e y como funções de t, e escrever :
X = x{t) y = y{i) (1)
que se dizem as equações 'paramétricas da trajetória ou da curva. "
lOliminando t entre estas duas equações, obtemos a equação
cartesiana da curva na forma :
y = K^y (2) ou F { x , y) = 0 (3)
25G CURSO DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Exemplo 1. Se um projétil P é lançado sob um ângulo a, o sua


posição rejerida a um sistema de coordenadas carte­
sianas pode ser expressa em junção do tempo como
parâmetro. Chamando Vo a velocidade inicial (cons­
tante) e (Xo ângulo de lançamento (fig. 7.38), as coorde­
nadas do projétil num instante t, são respectivamente

X = Vo cosa. t e y — Vo sena. I ~ ÇP

que .são as equaçõ('s paramétricas do movimento. Eliminando o parâ


metro t entre estas duas equações, obtemos :
gx^
y = xtg a
2vo^ cos^ a
que c da forma y = j(x) e representa a equação cartesiana da traje­
tória.
Exemplo 2. Se um ponto P(x, y) descreve uma circunjerência de
raio r (fig. 7.39), com velocidade angular constante
(0 = podemos representar a sua posição em junção
do espaço angular :
;r = /-GOs6 e y = r .sen G (5)
ou em junção do tempo t :
X = r COS wt e y ~ f wt (6) (vi.sto (]ue G= wi)
A circunferência é a totalidade dos pontos do plano, de coorde­
nadas (x, y) concebidas como função de G, definidas pelas equações
(5) no intervalo [0,2 x] ou seja, para
0 < G^ 2 x
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 257

OU, ainda, como funções de t, definidas pelas equações (6) no inter-


2 TC \
(pôsto que w — ~ ^ J > isto é, para
0
onde T representa o tempo de uma volta completa (período).

Note-s(‘, dc passagem, que uma curva pode ser representada por


um sistema de equações paramétricas, de diferentes modos, isto é,
a escolha do parâmetro é de todo arbitrária.
Se eliminamos o parâmetro 0 entre as equações (5) (basta elevar
ao quadrado, somar membro a membro e simplificar), obtemos :
ou x“^ -jr —0
que é a equação cartesiana da circunferência na forma implícita:
F(x, y) = 0
Do ponto de vista geométrico, uma curva assim concebida como
trajetória de um ponto em movimento, se nos apresenta como uma
curva Usa, dotada de uma tangente e uma única em cada ponto, cuja
posição varia de modo contínuo quando fazemos o ponto de contato
j)ercorrer a curva.
Algèbricamente, êste fato equivale a dizer que, dada a equação
na forma y = j(x), a sua derivada y' = j'(x), que exprime o declivc'
da tangente em (*ada ponto, deve ser contínua para tôda abscissa x
da curva.
258 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Partindo desta concepção intuitiva de curva, podemos formalizar


em têrmos mais precisos, a noção matemática de curva lisa.
7.22. Curva lis a .
Entendemos por curva lisa (plana) o lugar geométrico dos pontos
do plano cujas coordenadas {x, y) são definidas como funções deriváveis
X = x{t) e 2/ = y{t) ( 1)
de um parâmetro í, dado em um intervalo
to = t — tl
dotadas de derivadas
dy
~ = x'{t) = y \t)
dt dt
contínuas em [U, h] as quais não se anulem simultâneamente para
qualquer valor t dêsse intervalo.
Em particular, se valem simultâneamente as relações
x(to) = x{ti) e y(to) = y{ti)
isto é, se a função x(t) assume o mesmo valor nos extremos do intervalo
e o mesmo sucede com a função y(t), as equações (1) representam uma
curva jechada.
Assim, no exemplo 2 (pág. 256) as equações
X = r oos 9 e y = r sen 6
assumem, cada qual, o mesmo valor nos extremos do intervalo [0, 2x]
pôsto que
COS 0 = COS 2x = 1, sen 0 = sen 2x = 0 e r = cónst, e, portanto :
X = r COS 0 = r cos 2x = r
y — r sen 0 = r sen 2x = 0
A circunferência é uma curva fechada.

7.23. Declive da Tangente,


O declive da tangente a uma curva, como sabemos, é dado pela
derivada dyjdx da equação da curva quando esta define y como função
de X. Essa derivada pode ser obtida diretamente das equações para­
métricas :
X = x{t) e y ^ y(t) (1)
sem necessidade de reduzí-las, prèviamente, à forma y = J{x) mediante
a eliminação do parâmetro t. Com efeito, sejam Ax e Ay os incre­
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 259

mentos dc a: e ^ correspondentes a um incremento Aí de I nus equações


(1), de modo que:
Ax = x{t + Aí) - x(í) e Ay = y{i + Aí) - y(í)
Dividindo membro a membro a 2.* relação pela 1.*, temos :
Ay ^ y(í + Aí)-y(í)
Ax x(í + Aí) -x(í)
ou ainda, dividindo no 2.° membro, o numerador e o denominador
por A í:
y(í + Aí)-y(í)
Ay _ Aí
Ax x(í + Aí) -x(í)
Ãí
Passando ao limite, resulta :
y(í + Aí)-y(í) rty
1i m
I 1 m

lim Aí->-n Aí dt y' (í)


dx Ax-K) ^ 3; x(í H- Aí) -xfí) dx X' (í) ( 2)
1i m
A/-*0 Ãí dt
visto que, por hipótese, exist(>m as derivadas x'(í) c y'(í).
Representando por ç a inclinação da tangente, vale a relação
d?y y'(t)
(3)
~ d x ~ x'(í)
7.24. Equações Paramétricas de Algumas Curvas Notáveis
1. Elipse
Sejam dados dois círculos concêntricos (centro na origem de um
sistema cartesiano xOy), de raios OA = a, OB = 6 (a > 6). Seja OA
um raio qualquer do círculo maior, B o ponto em que êste raio corta
o círculo menor e 0 a sua inclinação (Jig. 7.40). Pelo ponto A tiramos
A M perpendicular ao eixo dos x e por B tiramos BC paralela a êste
eixo; A M e BC se cortam em um ponto P. Trata-se de determinar
o lugar geométrico de P e verificar que êste lugar é uma elipse de
semi-eixos a e b.
Sejam (x, y) as coordenadas de P.
a) No triângulo retângulo OAM , tem os:
OM = OA COS 6 ou X = acos 6 (vistoqueOAí = x e OA=a )
b) No triângulo retângulo OBN, temos :
DX7 nv> a 7. n (visto que íBA’ = P M = y
BN = OB COS"6 ou y = b sen 0 e OB = b)
cr t]
260 CUESO DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Estas equações x = a cos 6 e y = 6 sen 6, são as equações para­


métricas do lugar geométrico do pontb P. Para verificar que este

lugar é uma elipse isolamos cos 6 na primeira e sen 6 na segunda,


elevamos ao quadrado e somamos membro a membro;
COS^ 6 = —7*

sen* 9 =

COS*6 -}- sen* 6 = ~ -f = 1 (visto que cos* 6 - H s e n * 0 = 1)


o* 0*
que é a equação reduzida da elipse.
2. Ciclóide.
A ciclóide é a curva gerada por um ponto da circunferência de
um círculo que rola sem deslizar sobre uma reta fixa. Tomemos como
reta fixa o eixo dos x (Jig. 7.41) e suponhamos que o ponto P da cir­
cunferência que descreve a curva coincida inicialmente com a origem
do sistema de coordenadas. Seja PC = a o raio do círculo e 0 o ângulo
(variável) PCQ que o raio do ponto gerador faz com o raio normal
ao eixo dos x. Sejam, enfim, {x, y) as coordenadas do ponto P. Tra­
cemos P N perpendicular a CQ. Podemos escrever :
o) a; = OM = O Q -M Q = O Q -P N {MQ = PN)
Mas, OQ = arco PQ = a0(*) (admitindo que o círculo não deslize)
e PN = PC sen 0 = a sen 0 (no triângulo retângulo PCN) Donde,
substituindo na igualdade acima ;
x = o 0 - a sen 0 = a( 0 - sen 0)
(*) L e m b r a n d o q u e a rc o =■ raio . â n g u lo (m ed id o em r£).
FUNDAM ENTOS G E O M É T R IC O S E FÍSIC O S 261

b) y = PM = QN = QC - C N = a - a cos 0 = a(l - cos 6)


{QC = a e no triâiifrulo nT. P C N , C N — a cos G)
Portanto, as equações i)aramétricas da ciolóide são :
X = a(0 - sen 0) e y = a(l - cos 0)
l']liminando 0 destas duas equações, obtemos a equação cartesiana
da cielóide. Da segunda tiramos cos 0 :
a-y
cos 0 =
a

Donde, 0 = arc cos ( i - y


a

C s..n e = ± v T : : ^ = ± -J i - ( ^ ) ' ' = ±

Substituindo ôstes valores na primeira, temos :

X = a arc cos —- ± \/2ay - y'^


a
onde vale o sinal - quando 0 é um ângulo no primeiro ou no segundo
quadi-antes e + quando 0 é um ângulo no terceiro ou quarto qua­
drantes.
3. Epiciclóide.
A epiciclóide é a curva descrita por um ponto da circunferência de
um círculo que rola externamente, sem deslizar, sobre outro círculo
que se conserva fixo.
Tomemos o centro do círculo fixo como origem do sistema de
referência e o ponto A, interseção dêsse círculo com o eixo dos x,
como posição inicial do ponto gerador P {jig. 7.42). Sejam a = OB
o raio do círculo fixo, h = BC o raio do círculo móvel, 0 o ângulo
262 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

que faz a linha dos centros OC com o eixo dos x, ç o ângulo BCP que
faz o raio do ponto gerador com a linha dos centros e {x,y) as coorde­
nadas de P.

Observemos preliminarmente que, não havendo deslizamento, vale


a relação:
d6
arco A B = arco PB ou 0 6 = 6® e ç = *7—
0

visto que arco AB = a 6 e arco PB — h<f (arco = raio . ângulo). Doutra


parte, o ângulo CPQ é suplemento de 0 + ç (o prolongamento de PQ
encontra OC sob um ângulo 6 e por conseguinte : 6+(p-l-CPQ= 180°),
e
<10 fe0-j-<i0 (<i-l-í))0
e+ ç = 0 +
6 6 6
Pôsto isso, tem os:
a) x = OM = ON + N M ^ ON + PQ
Mas, no triângulo retângulo O C N :
ON = OC COS 0 = (a + 6)cos 0 (OC = a + 6)
e no triângulo retângulo CPQ:
(a + 6)0
PQ — CP COS CPQ = - 6 COS (0 + 9) = - 6 cos

(os ângulos CPQ e ( 0 + 9) sendo suplementares, seus co-senos são


iguais e têm sinais contrários).
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSIOOS 263

Substituindo na relação anterior ON e PQ pelos seus valôres, temos :


/• 4*
a: = (a I o) cos6a - 1o. cos-----r----
(a + 6)0

b) y = PM ^ QN = C N -C Q
Mas, no triângulo retângulo O C N :
CN = OC sen 6 = (o -j- 1>) sen 6
e no triângulo retângulo CPQ:

CQ = CP sen CPQ = h sen (6 + ç) = 6 sen


(a + 6)6
(os senos de ângulos suplementares são iguais).
Substituindo acima êstes valôres de CN e CQ, tem os:
/ I 7.\
y = (a 4-6) sen 6ú- 6j.sen (a -f- 6)9
— r------
0

Donde, as equações paramétricas da epiciclóide:


/ 4-I 6)
a; = (a iv\ cos a6 - 6iv cos —4*-----
6)0

(a 4- 6)0
e y = (a 4- 6) sen 6 - 6 sen
b
4. Caso particular. Cardiâide
Se os dois círculos são iguais, 6 = a, e as duas equações obtidas
acima, se reduzem a :
X = o(2 cos 9 - cos 2 6)
y = a(2 sen 6 - sen 2 0)

Fí9. 7.43
264 CUKSO DE CALCULO DIFEBENCIAL E INTEGRAL

A curva assim traçada lembra um coração e recebe o nome de cardiáide.


5. Hipociclóide.
A hipociclóide é a curva descrita por um ponto da circunferência
de um círculo que rola sem deslizar internamente a outro círculo que
se conserva fixo.
Tendo presente a dedução das equações paramétricas da epici-
clóide, e seguindo uma via análoga, obtemos as equações da hipo­
ciclóide (Jiff. 7.43), que sã o :
/ A lt (o - 6) 6
X = ( a - o ) COs6 - f 0 COS------ r-----
0

/ - rN
y — (a 6) sen A
6 -l6. sen (o
----- r—
6) 6
0
onde a = OB é o raio do círculo fixo e 6 = BC é o raio do círculo
móvel (a > 6).
6. Caso 'particular. Astráide.
Quando nas equações da hipociclóide, fazemos, em particular,
h = o/4, isto é, o raio do círculo gerador igual a 1/4 do raio do círculo
fixo, as referidas equações se reduzem a
^ . a
X — — COS 6 -f — COS 3 6
4 4
3o ^ a
e y = ~r ® — 4r sen 3 6
4
FUNDAMENTOS GEOMÉTEICOS E PÍSIOOS 265

Eliminando nestas equações cos36 e sen 3 6 por meio das rela­


ções trigonométricas
COS 36 = 4 COS* 6 - 3 cos 6
e sen36 = 3 sen 6 - 4 sen*6
e simplificando, obtemos
X = a cos*6 e y = a sen*6
que são as equações da astróide (Jig. 7.44).

§5. Representação Vetorial. Movimento Curvilíneo


7.25. V etor de Posição. Funções Vetoriais.
Quando um ponto P em movimento descreve uma curva plana
AB, a sua posição pode ser individuada por um vetor OP = r de
origem fixa 0 e terminal P (Jig. 7.45). O vetor OP se diz o veior de
posição do ponto P (em relação ao ponto fixo 0).

Quando P descreve a curva, segundo uma lei determinada, o


vetor r varia em módulo e direção e pode ser concebido como função
de um parâmetro (escalar) que pode ser o tempo t, medido a partir
de um instante dado, o arco s, percorrido sôbre a curva a partir de
um ponto inicial A, ou ainda, o ângulo 6 que assinala a sua direção
relativamente a um eixo fixò Ox. Escrevemos simbòlicamente, segundo
o caso:
266 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Estas relações se dizem junções vetoriais da variável escalar t,


s ou 0.
Se conhecemos as leis que intercedem entre r e o argumento de
uma parte, e entre 6 e o tempo t de outra, isto é, se são dadas as
equações
r = r(0) e 0 = j{t)
dizemos que r é uma função composta ou função de função de t (através
da variável intermediária 0).
Anàlogamente, as equações
r = r(s) e s = j(t)
definem r como função composta de t (através de s)
7.26. Componentes Cartesianas.
Quando se trata de referir grandezas vetoriais no plano a um
sistema de coordenadas retangulares, convencionamos, uma vez fi­
xada a i)Osição dos eixos, individuar a direção e o sentido positivo desses
eixos ix)r meio de dois vetores unitários ou versares jundamentais i e j,
o primeiro indicando a direção e o sentido positivo do eixo Ox e o segundo
a direção e o sentido positivo do eixo Oy. De acordo com esta repre­
sentação a tôda abscissa x corresponde um vetor de posição xi que
será positivo se ar > 0 e negativo se ar < 0 ; anàlogamente, a tôda
ordenada y corresponde o vetor de posição yj, positivo se y > 0 e
negativo se y < 0 .

Dado um ponto P(ar, y), seja OP r o seu vetor de posição


(Jig. 7.46); traçando a ordenada PM y, formamos o triângulo
FUNDAM ENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 267

retângulo OPM no qual vale a relação vetorial (soma dos vetores) :


OP — OM -J- M P ou r — xi yj
que é a expressão cartesiana do vetor de i ) O s i ç ã o r.
As coordenadas x e y se dizemas componentes cartesianas (escalares)
do vetor r, subentendido que as suas direções são individuadas pelos
versores i e j respectivamente.
Conhecidas as coordenadas (x, y) do ponto P, podemos calcular
o módulo e a direção do vetor r. Com efeito, no triângulo retângulo
OPM a relação de Pitágoras nos dá o m ódulo:
r = \/x* + y^ (r = |rl)
Conhecido o módulo, obtemos o ângulo 0 por meio de uma das
relações trigonométricas:
y
sen 6 = ou C O S 0 = —
r
Vice-versa, dado o módulo r e a direção (ângulo 0) do vetor r,
obtemos as coordenadas de P por meio das relações trigonométricas:
x = rc o s 0 e y = r sen 0
7.27. M ovimento Curvilíneo.
Se um ponto P se move sôbre uma curva AB, sua velocidade
tem em cada posição ou instante uma direção determinada, a saber,
268 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

a direção da tangente à trajetória no ponto que ocupa em cada ins­


tante. Esta direção é variável, isto é, muda de instante a instante.
Consideremos mn ponto P em movimento e seja A B a sua traje-
tória (jig. 7.47). Seja OP = r o vetor de posição do ponto P em re­
lação a um ponto fixo 0. Seja PP' o arco elementar percorrido pelo
ponto num intervalo de tempo Aí. Se representamos por Ar o vetor
deslocamento do ponto P ao passar à posição P ' (corda P P'), o vetor
de posição do ponto P ' será:
OP' = r -f- Ar (soma de vetores)

A velocidade média (vetorial) do ponto móvel relativa ao inter­


valo de tempo Aí é, por definição, o deslocamento elementar Ar
dividido pelo tempo Aí, gasto em efetuá-lo, a saber ;
Ar
Va =
~ÃT
Esta velocidade média é um vetor que tem a mesma direção que
o vetor Ar (divisão de um vetor por lun escalar Aí). Se representamos
“► —

o vetor Ar/Aí como uma dilatação do vetor Ar (maior do que êste),
é que normalmente podemos supor Aí um número menor do que 1,
o que dá um quociente maior do que Ar
Se fazemos tender a zero o intervalo de tempo Aí, o vetor Ar
tenderá a zero com êste, ao mesmo tempo que a sua direção tende
à posição da tangente no ponto P e com êle o vetor Ar/Aí de modo
que o limite será:
Ar dr
V = 1i m ( 1)
AÍ-*0 ~ÃT dt
que é a velocidade (vetorial) do ponto P no instante í.
Se medimos a trajetória a partir de uma origem dada A e repre­
sentamos por s o arco AP, podemos considerar o vetor de posição r
como uma função de s, ou melhor, uma função de í através de s (função
de função), a saber.
r = r(s) e s = s(í)
(r função de s e s função de í).
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICX)S E FÍSICOS 269

Se representamos por As o arco elementar PP' subtendido pela


corda Ar, podemos escrever a identidade:
Ar _ Ar As
à.t As ‘ Aí

(multiplicando e dividindo ^rJAt pelo mesmo número As).


Daqui, passando ao limite e lembrando que o limite de um pro­
duto é igual ao produto dos limites, temos :
- dr -. Ar , . Zls
V = — = 1 1m . 11 m
dt A/-0 As Aí
O primeiro limite do segundo membro é um vetor (quociente do
vetor Ar por um escalar As), cujo módulo tem valor 1 (razão entre
uma corda e o arco subtendido quando êste último tende a zero) e
cuja direção coincide com a tangente à curva em P. Êste limite define,
—►
portanto, um vcrsor tangente à trajetória em P e se representa por T.
O segundo limite nos dá a derivada do espaço em relação ao tempo
e representa a velocidade escalar, ou seja, o módulo da velocidade
vetorial. Donde a expressão :

(2)
dt dt
270 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Esta expressão da velocidade vetorial tem o mérito de destacar


de modo explícito os dois elementos que a caracterizam : O primeiro
fator indica o módulo em forma da derivada do espaço cm relação
ao temp)0 e o segundo fator indica a direção mediante um versor.
7.28. Componentes Cartesianas da Velocidade.
Seja ainda um ponto P que percorre uma curva AB no plano
—►

cartesiano xOy (Jig. 7.48); sejam (x, y) as coordenadas de P e r o seu


vetor de posição em relação à origem 0.
Introduzindo os versores fundamentais i e j, podemos escrever :
r = xi + yj (1)
Quando o ponto móvel passa de sua posição P a uma posição
vizinha P ' no intervalo de tempo At, o vetor r é incrementado de
Ar e as coordenadas (x, y) sofrem os acréscimos Ax e Ay respecti­
vamente.
O vetor de posição de P ', de coordenadas {x + Ax, y 4- Ay)
será, pois;
r -f Ar = (ar -f Ax)i + (y + Ay)j (2)
subtraindo membro a membro, desta relação, a relação (1), tem os:
Ar = Axi + Ayj (3)
Na (Jig. 7.48) esta relação é representada pelo triângulo retângulo
PQP'.
Dividindo ambos os membros por At, resulta :
Ar Ax Ay
~Ãt At i + At ''
(4)
O primeiro membro exprime a velocidade média relativa ao
intervalo de tempo At, do terminal do vetor de posição r, ou seja,
o deslocamento médio do ponto P sôbre a sua trajetória; o segundo
membro nos dá a velocidade média das coordenadas x e y no mesmo
intervalo de tempo. O triângulo retângulo PQP' sofreu uma dilatação
(se At < 1) de razão 1/Aí, o que dá um nôvo triângulo PQ 'P' seme­
lhante ao primeiro. Passando ao limite, as razões incrementais da
relação (4) se reduzem às derivadas correspondentes :
dr _ dx dy
dt dt ^ dt ^ (5)
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 271

Lembrando que a derivada é a velocidade vetorial v, temos :


^ dx T , dy T
(5a)

ou, representando por Vx e Vy as componentes da velocidade:
dx dy
V. =
~dt ® ^
As derivadas •— e nos proporcionam assim as componentes
da velocidade ao longo do eixo dos x e dos y respectivamente {jig. 7.49)

Nota. É convencional em mecânica repre.sentar a derivada de


primeira ordem de uma variável em t por um ponto sôbre a variável
(símbolo introduzido por Newton). Assim, as derivadas de x e y em
t se representam simplesmente por x e y, isto é.
dx dy
= X
dt dt = y
Do mesmo modo, para representar a derivada de segunda ordem
em t, sobrepõem-se dois pontos à variável:
dH ' d^y d^s
df^
= X,
~dF = y,
dt^
= s

Contudo, quando se trata de um vetor, representado por uma


letra com uma flecha superposta, para evitar complicações gráficas,
prefere-se conservar o simbolismo de Leibniz.
Podemos assim escrever a relação (5) de modo mais cômodo:

> ♦ ->• • ->
V = -rr = xi + yj m
dt
272 CUESO DE C Á L (n ;L O DIFKRKXCIAL E IN T E G R A L

Lembrando que o módulo da velocidade vetorial v é (7.26) (Jôr. 2):


dff
=s
'it
obtemos a relação escalar :
s= y x'^ 1/® (6)
7.29. Componentes Cartesianas da Aceleração.
A aceleração, concebida como variação instantânea da velocidade
é dada, como sabemos, pela derivada da velocidade em relação ao
tempo.’ Donde, derivando a relação (56):
-*• dv dh
- = xt■+ yj
Tt dt
isto é, a aceleração é um vetor cujas componentes cartesianas a. e
Oy são’ as derivadas de 2.® ordem das coordenadas do ponto móvel em
relação ao tempo :
Gx = X c tty = y

Quanto ao módulo, é a hipotenusa do triângulo retângulo PM N


(Jig. 7.50), ou seja :
o = v « N + ^ = V 7=TF (7)
Exemplo. Um ponto material percorre a parábola Qy = x^, com
velocidade de módulo constante v = b cm.s“^ Achar as componentes da
velocidade e da aceleração no ponto de ábscissa x = 4. Achar ainda o
módulo e a direção da aceleração no rejerido ponto.
Solução.
a) Componentes da velocidade. O vetor de posição de um ponto
genérico P{x, y) da trajetória pode ser e.xprcsso em função de x, pôsto
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 273

que, para os ix)ntos da curva, vale a relação:


1
V = — X2 .
^ ()

r = x% -\— - X- 2 ( 1)
b
Derivando em í, vem :
-* àr \ , d ( \ \ 1 dx 1
„ _ J_Lr-r-í I Visto q u e ----- 1 —r M = —X— = — cx I
^ ~ (ií ~ ^ ^ 3^ ^ á l \ ^ f K > d t 3 /
onde

X = Vj. e ~~ X X = Vy (2)
ó
Equacionando o módulo deste vetor com 5 (dado do problema),
obtemos :
1 , o = 5r ou
1/ , +, -:zX~X- X = —
-s/9 + 2^'
— (reaolvendo cm x)(3)

Em particular, para rr = 4 esta equação nos dá a componente


no i)onto indicado :
15 15 ,
Vr, = =
= — = 3 cm.s ^
X
\/9 + Ib
Quanto à componente Vy será, em virtude de (2) :
1 1
Vy = — X X = — . 4 . 3 = 4 cm.s ^
3 3
b) Componentes da aceleração. Derivando em t a equação (3),
temos ;
íbxx 15.4.3 36
ax — X = -
( 9 + ^ = - T 2 5 - = ■ 55 =
Quanto à componente ay, sc obtém derivando cm í a 2.“ das re­
lações (2) :
dVy d (\ \ 1 , 1 •• (derivada de produto)
O/y ---
dt

= i 9+ 1 = ? ^ = 1 OScPi.s
3 • ■* + 3 ■ 25/ 35 ’
274 CUESO DE CALCULO DIFEEENCIAL E INTEGRAL

c) Módulo e direção da aceleração. Conhecidas as componentes,


obtemos o módulo por meio da relação (7) da pág. 272.

“ = V Í7 + ^ = ]/ ( - i ) + (I) = I = l,8cm .s-

A direção, referida ao eixo Ox (Jig. 7.51), será:

. 36 I 9 __
— = '2 5 /l
Donde, a = 142® 40'

EXERCÍCIOS
Noa seguintes exemplos, achar Vx, Vy, ax, Oy, v e a no instante indicado. Eli­
minando t, achar a equação da trajetória e construir o gráfico (*).
1. X = 2í, y = 4í*-2, < = 2 [2, 14, 0, 8, 10 8, y = x*-2]

2. X = St, y = <= 1 1^8, -2 4 , 0, -32, 25,3; -32, y = x - Ç .J

3. x = 40<, y = 30<-16/*, í =l / 2
[ 40, 14, 0, -32,
14,0, - 32, 42,3; --32,
32, y = ^
4 lOOj

4. x = 2í*-4, y = t*-St^, t = 2 1^8, 0, 4, .32, 8, 32,2; y = ~ - 2x - I2 J

5. X = 2< -f- 1, y = <», < = 1 [2, 3, 0, 6, 3,6; 6, 8y = x» - 3x* -t- 3x - 1]

X 3/2
6. X = 8<*, y = <« -h 4, í = 4 I 64, 48, 16, 24, 80, 28,8, y =
[• 128 a/2 *•]
(*) A s respostas são dadas n a ordem en tre colch etes.
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS '275

7. X = Zt^, y = 9 t - P , t = 2 [l2, -3, 6, -12, 12,37; 13,4;

„= V Fx ( 3 - | ) ]
8. X t \ y = 4t-t3, t = 1 [ 2 , 1, 2, -6, 2,23; 6,3; y = V i(4 -x )]
9. X = 1- y = 2t, t = 2 [-4, 2, -2, O, 4,47; 2, y^ = 4 -4 x ]
1 , y=
10. x= ------ -1/4, -1,
1+ t ' 1L
11. Zt 3<* , , r 3 3
1— r, >y= 1----
+ í» + <r,»
» ^= 1 - -r -T'
x3 y 3 - 2,xy = o|
[5u^.: MultipIique-se a 1.» por t e iguale-se com a 2.»; vem xi = y.]
12. No ex. 1, achar o valor máximo ou mínimo da velocidade e o ponto corres­
pondente.
Resp. V = 2 (mín.), P(0, -2).
13. Mesma questão, para o ex. 3.
Resp. v = 40 (mír
“ ' 0 “ )
14. Mesma questão para o ex. 7.
Resp. í; = 9 em (0,0) (máx.); V= 6 em (3,8) (mín.);
V= 6 em (3, -8) (mín.).
15. Mesma questão para o exercício 8.
10(12- ^flÕj
Resp. v= 4 em (0,0) (máx.); v = 2,21 em
(?. 27 )
(mín.);

V= 2,21 em 10(12 - VuT)


(mín.).
0 -
27 )
16. Uma partícula se move sôbre a parábola y* = 8x com uma velocidade de
10 cTO.s“*. Achar as suas componentes ao longo dos eixos no ponto (2,4).
Resp. Vx = Vy = 7,07 c?n.s~K
17. Um móvel se desloca sôbre a parábola cübica y = x^, sendo a sua componente
Vx = 3cm.s~^. Achar: a) a componente Vy quando x = 2; 6) a velocidade
V no mesmo ponto.
Resp. a) Vy = 36 cm.s”*; b) v = 36,124

18. Um ponto material descreve a parábola y = x*-}-2x-|-3, sendo Vx = Zcm.s~^.


-\char Vy, Ox, e Oy quando x = 4.
Resp. Vy = 30 cm.s~^; Ox = 0; Oy = 2 cm.sr^.
X* , de modo que Wi= 8
19. Uma partícula se desloca sôbre a curva y = —
2
Achar Vy e v no ponto de ordenada y = 2 «e abscissa positiva.
Resp. t>y = 16 cm.s“ S v — 17,888
276 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

20. Uma partícula descreve a parábola y ,= 2a;* - x, crescendo a abscissa à razão


de 12 Achar: a) á velocidade com que cresce a ordenada quando
X = 2; b) & velocidade da partícula quando x = 4; c) em que ponto a orde­
nada e a abscissa crescem com a mesma velocidade.
Resp. o) 84 b) 180,4 c) x = 1/2.

21. U m a partícula se desloca sôbre a hipérbole = 7 com uma velocidade


de 25cw.s"*. Achar as velocidades componentes Vx e Vy no ponto de abscissa
4 e ordenada positiva.
Resp. Vi = 15 cm.s“ S* Vy = 20 cm.s~>.

22. Uma partícula percorre a curva x^y = 8 com uma velocidade de 30 cm.s~ *.
Achar as velocidades componentes quando a abscissa e a ordenada são iguais
e positivas.
Resp. Vx = 6^|5cm.8~^; Vy = - 1 2 ^ j 5 c m . s ~ K

23. Um projétil é lançado no espaço descrevendo a parábola y = x -


4.000
com uma velocidade horizontal constante e igual a 100V2m.s~*. Achar:
a) a sua velocidade vertical quando x = lOOOm; 6) o ponto em que esta
velocidade é nula; c) a sua velocidade tangencial quando x = 3 000 m.
Resp. a) 50^f2m.s~^; b) x = 2 OOOm; c) 50^JTÕ m.s~^,

24. Um corpo desliza ao longo de um plano inclinado de 30", .sendo o espaço


percorrido dado pela equação s = 3/2í* (.s em m e t em seg). Achar a velo­
cidade vertical no fim de 4 s.
Resp. - 6 m . s ~ K
25. Um ponto material se move sòbre uma circunferência de 10 cm de raio sendo
o ângulo descrito expresso pela equação 6 = 4/*- 3/ radianos. Achar: a) a
vèlocidade e a aceleração angulares no fim de 2s; h) as componentes Vx e Vy
ao cabo de 1.*?.
Resp. a) (i) = 13 rd.s a = 8 rd.s *; b) Vx = -42,1 cm.s'
Vy = 27 cni.s~^.

26. Uma pista tem a forma de uma elipse cuja equação é 4x* + 9y* = 36 (x e
y em hm). Um ciclista a percorre em sentido horário com uma velocidade
de 8m.s~^. Achar: o) as velocidades componentes Vi e Vy no ponto de abs­
cissa 1,5 hm e ordenada positiva; b) com que velocidade varia a sua distância
do centro da pista no mesmo ponto.
Resp. a) Vx = 7,45 wí.s“S Vy = -25,86 m.s- b) -14,66 m.s~

27. Um trem percorre uma curva cuja equação é y = x* (em km), com uma
velocidade de 45 kmjh. O vértice da curva é tangente a um muro de 750md(;
comprimento no seu ponto médio. Supondo que os raios solares incidem
normalmente ao muro, achar a v(;locidade com que a sombra da locomotiva
se desloca sôbre o muro no momento em que atinge sua extremidade.
Resp. 36 kmjh.
28. Um ciclista percorre uma estrada curva com uma velocidade de 6m.s~'.
Um canal retilíneo (pu' corta a (‘strada <; urn muro perpendicular ao canal são
tomados como ei.xos de coordenadas. Referida a êste sistema a estrada tem
por eciuação 4x* - ?y* = 64 (ern Dw). Achar: a) com que velocidade se
desloca a sombra do ciclista sôbr(; o muro, ([uando êle se acha a 8 D m do canal.
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 277

supondo que os raios solares incidam noVmalmente ao muro; b) cdm que


velocidade se aproxima, no mesmo instante, do ponto de junção do muro
com o canal.
Resp. a) -Z O ^ km lh ) h) -25V^A:m/ã.
29. A posição de um ponto móvel no plano é dada pelas equações:
X — Z COS 2x< e y = sen 2x/. Achar o módulo e a direção da aceleração

no instante < = -Ls.


6
Resp. o = 4 Vd X*; a = .
6
30. Um ponto descreve a curva x = 8 - 8 sent e y = 4 cost. Achar a velocidade
e a aceleração para t = ~lLs. Obter a equação cartesiana da trajetória.
Resp. V = 4; a = 8; x* 4- 4y* = 16x.

7.30. Curvatura e Raio de Curvatura.


Seja AB a trajetória de um ponto P e representemos por s o
comprimento do arco A P (jig, 7.52). Ao passar da posição P à posição

vizinha P' o ponto móvel descreve um arco de curva elementar As.


Seja PQ a tangente à curva em P e P'Q a tangente em P '. Represen­
tando por <p a inclinação da tangente em P , podemos representar
por ç -|- A(p a inclinação da tangente em P ', dizendo que a inclinação
da tangente sofre um incremento Aç quando o ponto de contato
descreve um arco As. Tracemos, enfim, as perpendiculares PC e
P'C às tangentes em P e P '; o ângulo formado em C é igual a Aç
(no quadrilátero PQP'C, o ângulo em C é suplemento do ângulo
oposto formado em Q).
A maior ou menor variação do ângulo Aç em relação a um dado
acréscimo As do arco, indica uma curvatura mais ou menos acentuada
nas proximidades do ponto P.
278 CUBSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Chamamos de curvatura média fc« relativa a um arco elementar


As, à razão de variação do ângulo em relação à variação do arco s,
a saber :
A0
JCm
ÃT
o limite desta razão incremental quando o arco As tende a zero,
nos dá a derivada de 9 em relação ao arco s e é, por definição, a curva­
tura no ponto P ; escrevemos :
A<p d<p
fc = 11 m —-— = — ( 1)
As as
O recíproco da curvatura k se denomina o rato de curvatura no
mesmo ponto e se representa por R :
„ 1 ,. As ds
R = - 7— = 1 1 m —-— = —r- (2)
^ A«-^0
7.31. Redução a Coordenadas C artesianas.
Dada a equação da curva
y =
sejam {x, y) as coordenadas de P e (a: + Aa:, y + Ay) as coordenadas
de P ' (Jtg. 7.53), de modo que aos incrementos As do arco e Aç da
inclinação da tangente, correspondam os incrementos Ax e Ay de
X e y respectivamente.

Introduzindo o incremento Ax na razão incremental , cujo


limite define o raio de curvatura, podemos escrever a identidade:
As _ As Ax
A(f Ax ' A(p
FUNDAMENTOS aEOMÊTBICX)S E FíSIOOS 279

Estas razões incrementais têm por limites as derivadas de s em


relação a 2 e de em relação a ç, na pressuposição de que 8 seja funçã
de f porintermédio de z ; donde (4.11, F a ):
ds ótS' (jíz
dç dx dç
ou ainda
ds
H ^
(3)
dx

concebendo ambas as variáveis s e 9 como funções d e x e lembrando


a regra de derivação de funções inversas (4.13, V I I ) . Resta calcular
estas duas derivadas, relacionando-as à equação da curva.
o) Cdlculo de . Traçando P Q paralela ao eixo dos rc e a
corda P P ' = Ar (Jig. 7.53), temos, no triângulo retângulo P P 'Q , de
acôrdo com a relação de Pitágoras:
Ar* = Ax* 4* Ay*
Dividindo por A** e extraindo a raiz quadrada, vem :
Ar 1
(4)
Ax
Ag
Pôsto isto, introduzindo Ar na razão incremental Ax
podemos
escrever idênticamente:
As _ Aa Ar Aa
= +
Ax Ar ‘ Ax Ar
Donde passando ao limite :
da ,. Aa
— = lim — - = ± v T T T * (5)
dx

• i. que 11 1• m
visto ;— = 1w(i.r 3.11)
o 11Ne 111 •m —r— = ^y = 2//
A * -0 Ar A * -o Ax dx
b) C álcu lo d e . Sendo 9 a inclinação da tangente à curva cm
P , vale a relação
tg 9 *= y' (derivada da equação)

da qual tiramos por inversão:


9 = arc tg y '
280 CUBSO DE CALCULO DIFEEENCIAL E INTEGRAL

onde y' é função de x. Donde, derivando:

d(p ^ y" (6)


dx 1 + 2/'^ 1 + y/2
Substituindo em (3) os valôres de e obtidos em (5) e
(6), resulta
± x / T + 1y /2
R =
y
1 + y'^
ou, simplificando: ± (1 + ?/'2)3'2
R = (7)
7 '

que exprime o raio de curvatura em função das derivadas de 1.® e 2.“


ordem da equação da curva. Assumindo o raio de curvatura como
um número essencialmente positivo, convencionamos tomar, em cada
caso, o sinal da expressão irracional, de acordo com o sinal de y". Se
tomamos únicamente o sinal positivo do radical \ / l + y'^, tomando
y" em módulo, escrevendo :

R = (1 +
y

7.32. Centro e Círculo de Curvatura.


O raio de curvatura de uma curva em um ponto P{Xy y) 6 um
segmento PC = R da, normal à curva neste ponto, do lado côncavo
da curva (Jig. 7.54). O ponto C assim determinado se diz o centro de

curvatura da curva no ponto P. Conhecidas as coordenadas de P e o


raio de curvatura R, podemos obter as coordenadas do centro de curva­
tura. Com efeito, sejam a = OD e ^ = DC estas coordenadas ; i)elo
FUNDAM ENTOS G E O M É T R IC O S E FÍSIC O S 281

ponto P traçamos PN perj)cndicular a Z)C, formando o triângulo


retângulo PCN, cujo ângulo ('m C 6 igual a ç, de modo (jm' ])odemos
escrever :
a = OD ^ OM - MD = OM ~-PN ^ x ~ R sen ç
( visto (\iw, a in(‘iiOH do sinal,
V 1!T
= X- R
V 1 + y'‘ sen 9 = f— ---- 7- (' tg 9 = ?/■)
Vl -t- tg-9 /

!/'(I + 1/ ' - ) substituindo I t pelo seu valor (>in y' e \


=X-
y ( u", abstração feita do duplo sinal )

= X - y '( ] _ ± j n
y"
e ^ = z)c = z)iv + = M P + v e = 7/ + /e cos 9
(visto qu(‘, a mt^nos do sinal,
1
= y ^r R 1
x /T + V COS ? = ■----------- o
\ A+ íK r
t^ V =
)
1 + (substituindo 0 simpliíicando).
= ^ +
y"
Daqui as coordenadas do centro de curvatura;

Oi — X -
y"

1 + y'-
^ = 2/ + (s)
y"
Observação. Quando y" > 0, resulta ^ > y. isto é, o e(‘ulro d<‘
curvatura está acima do ponto P o a concavidad(' da curva ('stá vol­
tada para cima ; quando y " < 0 6 ‘^ < y e i i concavidade está voltada
j)ara baixo.
Damos o nome de círculo de curvatura ou circulo osculador da
curva no ponto P ao círculo de centro C{(x, (‘ raio R = CP. Resulta
imediatamente desta definição que a equação do círculo de curvatura é
(a:-a)2-t-(7/-&)==7e2 (0)

Exemplo. Achar o raio, o centro e o círculo de curral ura da curva


y- = x^^ {x -|- 3) 710 ponto (-2, 2) {jig. 7.55).
Solução. Resolvendo em 7j, isto é, extraindo a raiz (iuadiatl;i, ob­
temos :
?/ = + X (r + 3)'-'“
282 CURSO DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

De acordo com os dados do problema, y deve assumir o valor


positivo 2 quando x vale -2, o qiu‘. ovidentemente, só se verifica quando

tomamos o sinal negativo do 2.° membro; destacando a equação


y = -X {x 3)*'*
0 derivando duas vezes, temos :

!/' =- I (x+ j =- bx+


[< h 3)''=]
3( t + 2)
2{x +
1
+ 3)-'' - ( x + 2)~{x +
+ 4)
c y
2I■[ a; + 3 J 4(a-+3)3'2
4 (a -+ í

Para x = -2, resulta : i/ = 0 e y" = -3/2; donde,


à) cálculo <lo raio de curvatura :
(1 + 1 2
^ \y"\ m 3

h) Centro de curvatura :

a = X-
?/0 + ?/') = - 2 - 0 = - 2
y
1 + v'2 1 2 4
P= V+ ^ = 2 + ^ = 2-3 = 3
2
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 283

c) Equação do círculo de curvatura :


( 4\ 2 4
y -j) = -9

ou + 3^/2 4 - 12a: - 8y + 16 = 0

7.33. Aceleração. C om ponentes Tangencial e N orm al.

a) Versor tangente.
Seja P um ponto móvel, AB b. sua trajetória e T o versor tangente
em P (Jig. 7.56).

Decompondo o veri^or T em componentes PQ e QR paralela.s aos


eixos de coordenada.s, tem os:

T = PQ + QR (1)

Doutra parte, rcprosontaiido por ç a inclinação da tangente em P,


o ângulo QPR = cp e podemos escrever no triângulo retângulo PRQ :
PQ ou PQ = PR 9 = I 7 ’ I COS 9 = cos 9 ( | 7 ’ | = 1 )
COS Ç = COS
PR

QR
sen <p ou QR = PR sen 9 = | 7 ’ 1sen 9 = sen 9
PR
284 CUESO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Introduzindo os versores fundamentais i e j, temos :


PQ = cos<pf (vetor de módulo cos ç e direção i)
QR = seiKfj (vetor de módulo sen ç e direção j).
Donde, substituindo em (1), vem :

T = COS ç f 4- sen<p j (2)


que é a expressão cartesiana (no plano) do versor tangente. Ê fácil
verificar que o módulo dêsse vetor é efetivamente igual a 1.
Com efeito, temos :

I r I = -\/cos‘'^(p + sen^ç = 1

6) Derivada do versor tangente. Versor normal.

O versor T embora tenha m(klulo constante, 6 variável em di­


reção, isto é, ó uma função de ç, como r('sulta de (2), e este ângulo,
por sua vez, 6 função do tcmi)0 t. Podemos, por conseguinte, calcular
a derivada, do versor 7' cm relação ao tempo t, através de <p, concebida
como variável intermediária. Lembrando a fórmula da derivada de
uma função de função, se y = j{x) q x = g{í), temos ;

dy dy dx
dt dx (It
podemos (\screvcr :
dT dz> d d<^
_ = -s,.n , _ i + COS , - j - (COS ç) = -se n , — , etc.

c/;p
= (-sen ? i + COS çj) (fatorando)
dl

O vetor -sen ? i + cos çj ó ainda um versor, posto que seu módulo


seja igual a
\/(-sen ;p)^ + ( c o s q)'^ = \/se n “ ? + c o s ‘4 = 1

Êste versor é normal ao versor T :


.suas compon.ent('s
-sen ? c cos ç
FUNDAMENTOS GEOMÉTEICOS E FÍSICOS 285

são iguais, respectivamente, a

COS ^<p -f e sen ,

como se pode ver na (jig. 7.57), o n d e:

COS ^(p + = O N = -CM = -sen<f (AO D N = a OCM)

e sen ~ ~ <P

Representando por N êste versor, tem os:

- dT
^ = ( - s e n í ."_L
+ ^
cos„) ^

= COS i+ se n ^ t + J dç
dt

(3)
dt
Se agora considerarmos ç uma função de t, através da variável s (arco
medido a partir de uma origem A), isto é, se fazemos :
<p = /(s) e s = s(t)
podemos exprimir a derivada de <p em í, mediante a variável interme­
diária s e escrever:
d(p d^ ds
(derivada de funç&o de funçfto>
dt ds dt
286 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Mas a derivada de ç em s é a curvatura da trajetória no ponto P ou,


o que é a mesma coisa, o recíproco do raio de curvatura R (7.29(2)),
a saber,
^ = fc = i -
ds R
Donde,
d(pJL
dt R dt
âd)
Substituindo esta expressão de em (3), resulta :

dT
— ^ N (D
dt R dt
c) Componentes tangencial e normal da aceleraçcu).
Vimos que a velocidade vetorial é
** ds ^

Para achar a aceleração (vetorial), derivamos esta vclocidn(l(í cm re­


lação ao tem po:
dv = A ^ A
o=
dt dt \ d t )

(derivada de um produto).
d t\d t J ^ dt d t^ ^

^ dr
dt^ dt dt
dH 5- _}. A . J _ A . ^ (em virtude (4) acima)
dt^ ^ d t R d t

(wBto que ^ - .)
dt^ ^ R
Êste resultado nos mostra que a aceleração no movimento cu rv ilín eo ,
pode ser decomposta nas duas componentes P T e P N (Jig. 7 .5 S ) :
uma na direção da tangente, que se denomina por isso, acelera(;ão
tangencial e é representada por a t :
dh
at = ( 5)
dP
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSIOOS 287

a outra na direção da normal, a chamada aceleração normal ou centrí­


peta e se representa por a» ou o , :

CZD (6)
R
Como se vê, a componente tangencial da aceleração é, como no movi­
mento retilíneo, a segunda derivada do espaço s em relação ao tempo
t. Doutra parte, a aceleração normal é característica do movimento
curvilíneo, isto é, não pode existir no movimento retilíneo. Com efeito,
quando a trajetória é retilínea, o raio de curvatura R é infinito e a .

é nula.
e x e r c íc io s

Achar o raio de curvatura das seguintes curvas no ponto indicado.


1. y = i2 -2 x -3 ; P(l, Resp. P = 1/2
2. y = x^-4x*-18x; P(0, 0) Resp. P = 1/36

3. y = x3; P(x, y) Resp. P = 6x


(1 4- 9x«)»^*
Resp. P = 6x
4. y2 = x3; P(x, y)
(4x 4- 9x*)»/*
5. 6*x* 4- a*y* = o*6*; P(0, 6) Resp. P = 6/a*

6. y = — ; P(a, a) Resp. P = 3 a/ õ
2a - X 25a

7. X* - y* = o*; P(x, y) Resp. P =


(*» 4- y»)»'*
2SS CbKSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

8. xip = 4a* (2a - a-); P(2a, 0) Resp. R = 1/a

9. 7/2 = 3,2« + *• . 0) Resp. R = a/4


a - X

10. y = P{x, y) Reap. B =


ay

11. V = — fw » + P{x, 7j) Resp. R = a(cx/a _p g-


2V /

12. J.l/2 p yl/2 = q 1/2. P(j.^ y) Resp. ií = ----- ^ —


2(x + y P ‘^

13. -|_ y2/3 = q2/3. y) Resp. R = ^


3 {axyP>^
11. a:'' + 3j ^* = fl* P(a, 0) Resp. R = a/2

].'■). ar* + y* = 4xy; P(2, 2) Resp. R = ^


4
10. y(a-* + ?/*) = o(y* - x*); P(0, a) Resp. = a/4
17. x* + //*+2x*-4y+3x = 0 P(0, 0) Resp. R = 125/64
18. y* = x(x - 3)*; P(0, 0) Resp. R = 9/2

19. y = ^ - \ 1--Ç Resp. R = 4/3


4 4 ; m -d

20. X = a are cop - -yl^Zay-y^; P{x, y) Resp. R =


a 2 V2Õy
2 1 . Mostrar (pio, dadas as equações paramétricas x = ç(<) e y = da curva,
o raio do curvatura tem por expressão;
R =
22 . .Achar o raio de curvatura da curva
X = P -2t, y — 1 - 4t
no ponto / = 1. Resp. R = 8.
23. Achar o raio de curvatura da curva
X = I n t, y = í/t
no ponto t = \ Resp. R = 2
24. Achar o raio de curvatura da curva
X = asení, y = acosí
no ponto (ar, y) Resp. R = a
25. Achar o raio de curvatura da curva
X = asenf y = bcos2í
Tl
no ponto i = ---- Resp. R = (a^ +
3 •iab
FUNDAM ENTOS G1':OM k T R I C O S E F ÍS IC O S 289

26. Achar o raio de curvatura da curva


X = 2cos% y = 2 scrCí
no ponto (r, y) Rc.sp. R = 3 acn 2t
27. Mo.strar (juo, ciii um ponto qualquer da ciclóide,
X = <7(í-senD, y = a(l - cosí)
o raio de curvatura é o duplo da normal.
28. Mostrar que, dada a equação polar p = /(0 ) da curva, a diferencial do arco
tem por ('xj)ress.ão
ds = Vp* + d6
Siiy.: A ('.\ pressão cartesiana —1- = V l + í/'* pode ser desdobrada em ds =
dx

= |/ Í ~ + ~ j/" ^ ~ + dy'^] diferenciando


as fórmulas de transformação x = p cos 6 e y = p .sen 0, obtemos; dx —
= COS 0 r/o - p sen 0 dO e di/ = .sen 6 dp + p cos 6 d 0 que, .substituídas cm
■\dx'^ + dy'^ c simplificadas, se reduzem, sem dificuldade, à fórmula proposta.

29. Mostrar (pie, em (‘oordenadas polares, o raio de curvatura tem por expressão:
^ ^ (p2 ç>2)zn
p2 + 2p'^-pp"
Svg.: Vale a relação R = = ds/d 6^ d?/d 6 onde = Vp^ + p'^; doutra

parte, conhecemos as relações ç = 0 + <J^etg<P = resolvendo esta

última em t{^ = a r c tg -^ ^ e substituindo na anterior, obtemos q> =

= 0 + arc tg derivando em 0 e introduzindo o resultado, conjunta-

mente com a expressão de ds/d0, na fração obtemos a fórmula


dO / d0
enunciada.
Achar o raio de curvatura das seguintes curvas em coordenadas polares, no
ponto indicado.

30. p = 4 cos 20; 0 = JL Resp. 72 = 4


4

31. p = ---- 1— ; 0 = JL Resp. R = %a


1 - cos 0 3

32. p3 = a»sen30; P(p, 0) Resp. R = ac


3p*
33. p = 2a(l + cos 0); 0 = J L Resp. R = 4 V^a
2 3
290 CUBSO DE CALCULO D IF E R E N T IA L E IN T E G R A L

34. p2 = 0*008 2 0; P(p, 0) Resp. R = -í—


3 p
35. p = e«0; P(p, 0) Rosp. R = ç Vl 4- «-

36. p*cos20 = o*; P(p, 0) Resp. P =

Achar o centro de curvatura das seguintes curva.s no potito indicado:


37. x y = 4; P(2, 2) Resp. C(4, 4)
38. j/* - 2y = a:; P(0, 2) Resp. C(5/2, -3)

39. í/* = lOx - 6; P (l, 2) Resp. C ^34/5, - 8/25^

40. X = 3í, y = í* - 6; <= 1 Resp. C ( - 4/3 , 3/2^

41. X = 2(cos < + <sen l), y = 2(scn t - t cos t)\


t = % Resp. C(l, Vii)

42. x = 4cos% y = 4sen*i; t = Resp. C(0, 1).


2
43. Um ponto descreve a curva y* = 8x. Sabendo que a componente horizontal
da velocidade é t>x = 10cwi.s~‘, achar as componentes tangencial e normal
da aceleração no ponto (2, 4).
25 V 2 . da — 25 \ 2
Resp. ot

44. A trajetória de uma partícula tem por equação x y = 4. Sabendo que a


velocidade vertical é Vy = - 2 cm.s~^, achar aa componentes tangencial e
normal da aceleração no ponto (4, 1).
128 32
I^GSp. dt ~ r—
—• da ~ f■■■
Vl7 Vl7
45. As coordenadas de um ponto móvel são dadas em função do tempo, pelas
equações x = 3< e y = P - 2 . Achar as componentes tangencial e normal
da aceleração no instante i = 2s.
O g
Resp. a» = — ; a» = —
5 5
46. Um ponto descreve a curva cujas equações paramétricas são: x = 2/* - 4
e y= Achar as componentes tangencial e normal da aceleração no
instante t = 2a. Obter a equação cartesiana da trajetória.
Resp. at=4; an = 32; 4y=x*-8x-48
47. Um ponto se desloca sôbre a curva x = 3 cos 2t, y = 4 sen2^ Achar as com­
ponentes tangencial e normal da aceleração para t = 0.
Resp. at = 0; Un = 12
FUNDAM ENTOS G E O M É T R IC O S E F ÍS IC O S ’91

48 Um ponto percorre a ciclóido x = h ( t - s c n t ) , y = ft(l - c o s i ) . Mostrar que


o módulo da velocidade 6 constante. Achar as componente.s tangencial e
normal da aceleração.
Resp. at = b cos — ; = b sen
2 2
49. Um ponto percorre a cardióide p = o(l + cos 6) de modo que o seu raio vetor
tem uma velocidade angular o) = 2 revis. Achar as componentes tangencial
c normal da aceleração para 6 = x/2.
Ilesp. at = - 8 Cn= 24
50. Um ponto se desloca sôbre a curva ® = 6 - sen 0, y = 1 - cos 0, de modo
que 0 = Achar as componentes tangencial e normal da aceleração para
0 = X.
Resp. ot = 4-v^^^; Uo =
CAPÍTULO 8

INTEGRAÇÃO. FÓRMULAS E MÉTODOS


APLICAÇÕES
§1. Formalização da Integração
8.1. Derivadas e Diferenciais.
Concebida a integração como a operação inversa da diferenciação,
podemos estabelecer um conjunto de fórmulas e métodos aos (luais
se subordina a integração de determinados tipos específicos de funções.
Vamos considerar inicialmente certas integrais que diremos ime­
diatas ou redutíveis a imediatas, as quais se deduzem de modo mais
ou menos direto das fórmulas de derivação.
A guisa de introdução, damos abaixo uma lista destas fórmulas
de derivação e das correspondentes diferenciais.
DERIVADAS DIFERENCIAIS
I. ~ (c) = 0 (c = constante) dc = 0
dx

II. — (cx“) = cnx“~i (g = const.) d{cx’^) = cnx"~Hx


dx

III. i w - i d{x) * dx
dx

IV. ! ( « + . - « .) - Í1 + d{u -{• V - w) — du + dv - d w


dx dx dx dx

V. = (u = u(x)) d(u“) = nu'^~\iu


dx dx

VI. — (sen u) = COS w — [u * M(a;)] d(sen u) = cos udu


dx dx

d / \ du
VII. —(c08 ti) = -sen u — d(c03 u) = -sen udu
dx dx

VIII. —(tgu) sss sec*tí d(tgu) = sechidu


dx dx
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 29 3

IX. — (cotg u) = - cosec^u rf(cotg u) = - cosec^udu


dx dx

d f s . dv.
X. —(.SCO w) = sec utRU — C?(8CC u ) = scc u tg 7idu
dx dx

d , s , du
XI. — (cosec u) — - cosec u cotg u (/(cosec u) = - cosec u cotg wí/a
dx dx

ff duldx du.
XII. — (arc .«cn u) = ' 7 (/(arc sen u) =
dx í- u- ^] l-u'^
d duldx du
XIII. — (arc COS u) — - -■ . . . - (/(arc COS u) = -
dx VI - L-
d , „. duldx du
XIV. — (arc tg u) = (/(arc tg u) =
dx 1+ 1 + u'^
d , ^ . \ duldx du
XV. -- (arc cotg v ) = — — - (/(arc cotg u) = -
dx 1 + u- 1 -h u*
d duldx du
XVI. —(ar(í .s(‘c u) = ---- f' . -
- . <i(arc sec u) =
dx u y u '^ - 1 u Va'"' ~ 1
d , , duldx du
XVII. —(arc co.«;fto u) = - ----- , (/(arc cosec «) = -
dx u yu^ - 1 u Va* - 1

XVIII. ^(log«?/) = —logae — (/(logaa) = ÊlLXog^e


dx u dx a

XIX. A (lnu) = -L ^ d{lnu) = (/a


dx u dx a

d f .
XX. —(o'*) = a n, n a d—
u
(/(o") = aHnadu
dx dx

d y \ du
XXI. —(eu)= eu — á(eu) rx e"(/M
dx dx

8.2. Fórm ulas de Integração.


As seguintes integrais são conseqüência imediata ou quase ime­
diata das fórmulas de diferenciação resumidas acima e da definição
de integração (integral indefinida):
I. * série (Integrais imediatas)

I. J a du = a J du = au C

II. /
294 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

III. J* dx = X C

IV. J u^du = + C - 1)
w+ 1

du
IVa. J* u~Hu = J* = ín I w I + C

V. J* e^du = e" + C

VI. f a^^du *= -7^^----- h C


In aa
Ln

VII. J* sen udu ^ - cos u C

VIII. J* COS udu — sen u C

IX. J* sec^M du = tg u C

X. J* eosec‘^itdu = - cotg u C

XI. J* sec u tg vdu = sec w + C

XII. J* cosec w cotg udu = - cosec u C

2.» série (integrais quase imediatas)


X III. J* tg udu = - ín I COS u \-\- C = ín | sec m 1 + (7

XIV. J cotg udu = ln I sen u \ C = - ln \ cosec u \ C

XV. J" sec udu = ln\ sec w + tg w | + C

XVI. cosec u d u = ln\ cosec u - cotg u \ C


du Xn
XVII.
/
du
XVIII. = — arc t g ---- h C
fã + a a

X IX . S u \/u ^ - a ^ 1 arc s e c ^-----I1- r»


y---------i = —
« o
C7
FUNDAMENTOS GEOMÉTBICOS E FlSICOS 295

3.* série (Integrais condicionadas à racionalização ou decompo­


sição)
du
XX.
/ \/u “ + O " a
du
XXI. / = ln I “- ± - V 5 E 5 I + C
\/u ^ - a
du ü u
XXII
fã 2^ - u^2 ~ 2a
‘7“ Ia - u I ^

X X III./ = l ^ l + C
J u^ - 2a u-\- a
8.3. Justificação e Aplicação das Fórmulas I a XII (l.“ série)
I. Seja u uma função de x cuja derivada seja u' = f(x), de modo
que w = J* j{x)dx. Doutra parte,
d{au) = au'dx = aj{x)dx (visto que u' = /(x))

Integrando, resulta:

J* aj{x)dx = j d{au) = au = a ^ j{x)dx (aubst. n por //(x)dx)

Daqui a regra: um coejiciente constante da dijerenciat passa a


coejiciente da integral, isto é, um Jator constante pode ser removido de
um lado para outro do símbolo de integração sem alterar o valor da
integral.
II. Sejam u, v e w funções de x tais que :
u' = j(x), v' = ç(a;) e w' =
e portanto;

u =J^ u'dx = J" J{x)dx,v = J* v'dx = (f(x)dxew = J* w'dx = <3^{x)dx

(definição de integração).
Pôsto isso, temos sucessivamente :
u' = f{x),
/ + <s{x) - <Kx)] dx =J^ (u' v' - w')dx v' = <p(x) e
{ w' = 4*(*)
d(u -\-v-w) —u'dx-\-v'dx -
= J d{u -ír v -w ) - w'dx
= {u' -{■v'-w')dx
296 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

= u V —w (definição de integração)

“ S f ~ ^{z)dx + C
Posto que u' — j{x), v' = (p(x) e w' — tjí(a:)
Daqui a regra: Para integrar uma soma (algébrica), integra-se
cada têrmo e somam-se as integrais obtidas.
IIL Segue imediatamente do fato de que d(x + c) = dx.
IV. A diferencial de w“ é (Jórmula V) ;
£?(m“) = nu‘~^du
A operação inversa dá :

d(w“) = w” + C

o que nos mostra que para integrar uma potência n - 1 obtemos uma
potência n, o que equivale a dizer que se deve aumentar de uma uni­
dade o expoente (n - 1 + 1 = n ) ; doutra parte o fator n desapareceu,
o que equivale a dizer que a função foi dividida pelo nôvo expoente :
nu"in-l-f 1
= u
n- 1+ 1
Quanto à diferencial du, não figura no resultado.
Tendo em vista estas observações, a integração de w” dá
u n+1
u^du =
n+ 1 /
+ C (n ^ -1 )

o que, de resto, se pode verificar diferenciando a função obtida


u B+l-l
= (n + 1) du = w"du
n+ 1
IVa. Quando n = -1, a fórmula anterior falha. Neste caso,
podemos escrever :

J*u~^du = J * = In I w I + C(*)

visto que ln \u \ é a função cuja diferencial é duju (diferenciais, fórm.


XIX).
Note-se que não é necessário que u seja positivo para que esta
diferencial seja integrável, posto que para w < 0, resulta também
(*) D ev e-se a d v e r tir q u e n o c a m p o d o s q iim e ro s re a is n ã o e x iste o lo g a ritm o de u m n ú m e ro
n e g a tiv o ; d a q u i a n e cessid a d e d e e x p rim ir o re s u lta d o co m o lo g a ritm o d o m ó d u lo d a fu n ç ã o .
FUNDAM ENTOS G E O M É T R IC O S E FÍSIC O S 297

du < 0 e a razão duju será sempre positiva. Com efeito, seja v = | w |,


de modo que, para w < 0 seja ^^ = - | w j = -v c, portanto, du = -dv ;
donde.
dv
f í t ^ l n v = ln \u l
J u J -V j V

As demais fórmulas da primeira série (de V a XII) são simples inversões


de diferenciais que figuram na lista acima e se verificam diretamente
por diferenciação.

Exemplo 1. Integrar : J (3.r* - áa:"® + + bx~'')dx

Solução :

(3a:* - 4a:“ ^ + 8ar-/* + 5a:“^) dx = Z J* a:* da: -4 J* x~^dx + 8

4- 8 x‘^'^dx + 5 J* x~^dx + C

a ;2 /3 -K
+ 5lnx + C

= l/2a:® + 2a; ^ + 24/5a:*/® -f- SZna: + C

Exemplo 2. Integrar: J ‘ y/x'^ ~ 16 xdx

Solução : Começamos por converter o radical em uma potência


fracionária equivalente :

J* \/x - - 10 xdx = J* (a:* - 16)*^^a:da:

e verificamos sè o integrando é da forma u"du. Para isso, fazemos


n = x ^ -íQ (base da potência) e diferenciamos, o que d á :
du = 2a:da:
Êste resultado nos mostra que a parte xdx do integrando dado seria
a diferencial da base da potência (a:* - 16) se figurasse nele o fator 2.
Mas êste fator pode ser introduzido uma vez que se divida externa­
mente por 2 ; escrevemos, pois :

\/x~ - IQ xdx = 1/2 J* (a:* - 16)‘^^. 2a:da: = 1/2 J* u^t^i du

^ 1/ 2+ 1
= 1/2 . - ^ ^ 1 + C- = l/3u«/2 + C
1/2 + 1
= l/3(a:2 - 16) -f C (u = x^ - 16)
2í)8 CL-RSO DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Observação: Êste processo de verificação por substituição é de


aplicação freqüente e deve ser bem assimilado. A introdução de um
fator constante para completar a diferencial du é também um recurso
muito comum, devendo-se ter o cuidado de sempre neutralizar êste
fator, multiplicando externamente pelo seu recíproco, a fim de não
alterar o valor da integral.
Exemplo 3. Integrar : J* sen^3x cos 3a; dx
Solução : A função a integrar é ainda aqui, composta de uma po­
tência sen^3a; = (sen 3a:)^ e de um produto (cos Zxdx) que, abstração
feita de um fator constante, é a diferencial da base da potência (dife­
renciais, fórmula VI).
Fazendo, pois, u = sen 3a: e diferenciando, temos :
du = cos 3a:. 3dx
o que nos mostra que na parte cos 3a:í/x deve ser introduzido o fator
3 para que esta seja a diferencial da base da potência (sen 3a:). Escre­
vemos, por conseguinte:

J* .sen^3a: cos 3a'da: = 1/3 sen^3a: cos 3a:. Zdx = 1/3 J uHu

u 2+1
= 1/3 -b C = l/9w3 -b C = 1/9 sen^3a:-bC
2-b 1
Exemplo 4. Integrar J e^^^ xdx
Solução: Fazendo u = 3a;^ e diferenciando, achamos :
du = ^xdx
o que nos mostra que a parte xdx que multiplica a exponencial será
a diferencial do expoente uma vez que lhe juntemos o fator cons­
tante 6. Escrevemos, pois :

J* e^^^xdx=ljQ J*^®**. 6xdx=lj(} J e“dw = l/6 J*e“-bC = l/6 e®**-bC

EX E R C ÍC IO S
I. (.\hrir Os parênteses antes de integrar).

- 4x® - 9x -|- 5)dx 4. J (x5'í-3x3'2-6x’'* -h 4) dx

2.
/ (3 - 4x) X* dx

(2x - 1)* xdx 6.


FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E PISIOOB

II. (Dividir antes de integrar).


1. f í L i J d x 4.
Jx - 3

2. íflz iL U d x 5. rx* + v 7 » + 2
dx
%J X + 1 j
^ x*dx
3. ^3x« - 4x« + 2x* - 3 6.
/ X - 3 ^ J 3x + 1
III. (Introduzir a constante conveniente).
dx
6.
1. J (X* - 4)V* d z
/ 57^
3dx
. J ^ \x - 1 dx 7.
/ 5x + 2
zdx
A / 5 7 + 4 dx 8.
S3x -j“ 2
• xdx
. . / v i 3x» + 4xdx 9.
X» + 2

6.
^ dx
•/ \/5 x - 3
Ift r
® ' dr
•f X* 4- 2x
IV. (Introduzir a constante convcnie ite).
1. J *sen 3x dx 6. /* '+ '•«

2. 1 COS ~ d x y A;os 3 6 d 9
J 2 J l-+sen 3 6

3. ^ sec* 5x dx 8. J*e»'dz

4. ^ se c t* tg /* tdl Q C
J 1 +

5. ^ cosec* 4 6 d 0 10. r 2 - a 3 ^ dx

V. (Introduzir a constante conveniente 0 integrar co no potência)


1. J * COS* 3x sen 3xdx 3. ^ tg* 2x sec* 2xdx

2. J *\/sen X COS xdx


•/ (3x - sen 3.r;*

5. ^ sen 2x sen xdx Sug. sen 2x = 2 sen x cos x

1 sen*xcos‘ xdx
•r
Sug . : Dcsílobre cos‘ x em cos* cos x c .subst. cos*x = (l-sen*x)*.
300 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Ç COS* 4x dx
_ 1 + COS 2 x
7. Sug. COS* X
2

8. Ç tgxsec*xííx Sug. Desdobre sec* x em sec x sec* x.

9. Ç COS*X dx Sug. COS* X =. (cos* a:)* = ^' 1 +CO. 2 * y _

10. sen^x COS* xdx 1 - C08 2x ,


= 1 + COS 2 x .
1 Sug. sen*x = ------------
o e COS* X ------------------ , etc,
O '
VI. (Revisão)
.r< +1 (x - 3) dx
1.
f dx 11.
/ X* - tí® + 4
dx
2. = 2lnx) 12. ^ sen* xdx
f xLtix‘
{Sug. Inx^

In 2x dx
3 / 13. ^ tg* 2x sec* 2xdx

COS* X
u. f
•j( M - íW ò dx
\/se n X
dx

5. j tg» {2x ~ 1) dx Sug. tg*x = sec*x-l

6. ( e « + e-»^)Hx 15 ^ 10»»+* dx

7. J*eb+«a*>+«*da: 16 . ^ X 8en(x* + l)dx

/ > xdx
\/x ^ -9
17.
sec* xdx
f . 3tg X + 6
9. Jx^i\2x'^i^ - éyi^dx 18. ^ COS* xdx

^sec* 2xdx 19.


10. / ^ / ^ + CQS xdx
1+tg 2x
dx
20. ^Si tg. 1-cofi x = 2sen*.^^
-C08.C
RESPOSTAS
I. 1) ^ - X* - — + 5 x + C; 4) 2 x 7 /2 -^ x*/*-4x*'*+4x4-C ;
2 2 7 õ

2) x * - x * -j- C ; 5) - — -}-2lnv + —— + C ;
ÓX’^ ó
4t^ 7*2
3) X* - _ + _ + C; ü) — t \ / 2 t - ~ 2 \ / ^ + C;
3 2 3
FUXDAM ENTOS G E O M É T R IC O S E FÍSIC O S 301

II. 1) — Iti \x ~ S\ -]r C ] 3) + 51z +


4 3 2

2) + 2x + C;
+ 150 /n Ia- - 3 I + C ;
3

4) 2 V x + l v ^ + 5) ~ x -‘/2 + — + 4x1/* _|_ c ;


O 5 2
G) —X* - -i-x + -L/n(3x + l ) + C ;
y 27

III. 1) i . (x*-4)6/* + C ; 0) — /n [ 5x -* 3 I + C ;
5 5
2) ^ (4x - 1)4^3 _^C; 7) — In I 5x “h 2 I + C j
16 5

3) ± ( 3 x + 4)’''* + C; 8) -— X —— lu 1Sx -f- 2 j C}


3 y

4) i( 3 x * + 4)*/* + C; 9) 1Zn 1X* + 2 1+ C ;


Jj

5) - | V õ x - 3 + C; 10) Zn 1X* + 2x 1 + C ;
5 áL

1) - -Í- COS 3x + C ; 6) — X + — sen 2x + 0 ;


O 2 4

2) 2 sen _£. + C ; 7) i Zn 1 1 + sen 3 0 | + C ;


2 3

3) ~ tg 5x + C ; 8) i ^ » + C;
o 3

4) i sec í* + C ; 9) It í \ \ \ C\

p X ^n
5) - 14 cotg 4 0 + C; 10) — 2 a ^ -3o“3 + C;
Zno L J
1 2 1
1) - i COS* 3x + C ; 6) _sen*x - _sen*x+—sen*x + C
y 3 5 7

2) -f- (sen x)*/* + C ; 7) ^ X + — sen 8x + C';


ó 2 IG

3) ltg « 2 x + C; 8) — sec* X + C ;
3

4) ----------- 1-------- + C 9) -2.x + —sen2x+-^sen4x + C ;


3 (3x - sen 3x) 8 4 32

5) ^ sen* X + C ; 1 1 ^
10) — X - — sen 4x + C :
ò 2 32
302 CUBSO DE CALCULO DIFEEENCIAL E INTEGRAL

VI. (Revisão)
.3) ar| + C;
O
1) + C;
4) 2 v /l + C';
2) l / n | / « | x | 1+ C :
5) ^ tg (2x - 1) - 2 a- + C ;

c3«x ^ 3e«-3e' **
6) -a fL-^ -r " ] + C';
7) + C; 14) 2Y/sen x - ~ (aon x)*'* + C ;
c(l + Zn a)
1f)3x + 6
8) + C; 15) J 2 ----- + C ;
3/n 10

9) ~ (2x5« - 4)<^3 + C ; 10) - .1 co8(x2 + 1) + C;


40

10) ~Z n (1 H- tg2x) + C ; 17) 4 ^ « lt g ( a : + 2 ) H - C ;


Jé 0
11) l zn| x*- 6x + 4| + C; 1
18) —^acn*x - -I-sen*x+sen x + C :
2 5 3

12) ~ coa* X - COS X + C ; 19) 2 \/T sen ^ + C;



13) ^<g*3x + C; 20) - cotg + C;
y XJ

8.4. Integrais Quase Im ediatas.


1. Irúegrdção da Jórmiãa X I I I .
Temos:
f t g u d u =
*sen u du (substituindo tg « por

-sen u du
co.s u ( multiplicando duas vêzes por-1;^
(-!)(-!)= + )
1 J
d(cos h)
^visto que d(cos u) * - een u d v ^
- - Jr CO.S u

= - ín I COS u \ C ^integral da forma^ 2 ü =» In \u

ln |c09 u I Zn In 1-ln |aec u


= In I sec w I + C
Í e Zn 1 = 0)
Isec nl
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 303

2. Integração da Jôrmula X IV .
Temos como an tes:
*cos
COS udu
u du _ r íZ(sen u)
f cotg udu =
/
senw
sen u ~ j
= - l n \ cosec u \-\- C
sen u
= ln I sen u |+(7

3. Integração da jôrmulo X V .
Aqui torna-se necessário recorrer a um artifício, multiplicando
o integrando sec w pela fração
sec w + tg M
--------- ;— 7----- (com 8CCtt + tg M^ 0)
sec w 4- tg M
que, sendo igual a 1, não altera o valor da integral:
sec w + tg u
aec udu == y ^ c - du
sec u tg u
(efetuando a multiplicação por

/
sechi 4- sec u tg u
sec w 4- tg M
= In ( sec w 4- tg w l + C
du
1 8CCV, o numerador se torna a deri­
vada do denominador).
(fórmula IVa).

4. Integração da jórmula X V I
Procede-se anàlogamente, multiplicando cosec u por
cosec u - cotg u (com cosec u - cotg m 0)
cosec u - cotg u ( = 1)
cosec u - cotg u .
cosec u du = cosec u -------------- :---- du
- / cosec u - cotg u
cosechi - cosec u cotg u
du
- / cosec u - cotg u
= In I cosec u - cotg u \-\- C
(visto que d(cosec u - cotg u) = - cosec u cotg udu 4* cosec* u i u )
5. Integração da jórmula X V II.
Temos sucessivamente :
dx _ r ______ dw_____
/ - w* J \/aKl- u^la^) (pondo a* em evidência no radical)

_ ^ f du
~ ^J a/ 1 - (w/a)^
(extraindo a raiz de o*)
304 CUKSO DE CALCULO DIFEEENCIAL E INTEGEAL

Fazendo t = uja, é dt = duja e du = adt.


Substituindo ufa por te d u por adt, na expressão anterior, resulta :
du _ i_ r adi a
a_ fr dt _ f dt
/ V^l - t- « J v"i - ~J > /l -
dt
= arc sen t C ( pôsto que d(arc sen t) —

= arc sen uja + (7 (voltando a substituir í por u/a)

6. Integração da jórmula X V III.


Procedendo analogamente, temos :
du _ r ____ dii.
d?/. _ 1 fr du
/ a- + '■11 +(a/a)'4
j a^tl + {ii\ay y T + {ulay
Fazíuido como antes t = uja, resulta :
dt = duja e du = adt
Substituindo na última expressão acima uja por t e du por adt, vem :
du _ J_ r adt _ r dt _ J_ r dt
/ a^ + 0^ y 1 + <■' a‘^ J 1 V a J 1 V

~ ~ã tg < + C (pôsto que d(arc tg t) = d//(l + í*)

= — arc tg uja + C {t = uja)


a
7. Integração da Jórmula X IX .
Podemos escrever como antes :
du _ r ______dw________
du J_ /* du
/u^Ju^-- a^ J uy/a\u^ja^- 1) ^J u v iu iã y
du
if.
ula\/(ujay - 1
Fazendo t — uja, temos dt = duja e du = adt. Substituindo na ex­
pressão obtida, resulta :
du 1 r adt _ ^ r ^
/ u^u^ - a^ ~ «■'y t^/v - 1 y t v v - 1 «y t x /v ^ i
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 305

— arc sect + C (pÔsto que d(arc sec t = dtjt 1)


a

= — arc .soo uía + C (substituindo t por uja)


a
Exemplo 1. Seja integrar:
dx
/: V l6 - 9x2
Solução. Um exame comparativo parece indicar que esta inte­
gral se enquadra na fórmula XVII. Verifiquemos se efetivamente
assim é. Fazendo
= 16 ou 0 = 4 e u- = 9x^ ou u = 3x
e diferenciando esta última {du — 3dx), ob.servamos que o numerador
se identificaria com du caso figuras.se aí o coeficiente 3. Mas esta
constante pode ser introduzida uma vez que se divida externamente
pelo mesmo número. Escrevemos por conseguinte :
dx _ f Sdx 1 3x ,
/ \/l6 - ^J ^ _ _ = _ „ . e s e n - + C ,„ = 3 x e a =
- 4).
(Verifique a exatidão do resultado difer(‘n.ciando-o).
dx
Exemplo 2. Integrar
/ + Ga; -f- 13
Solução. Aparentemente esta integral não se enquadra em ne­
nhuma das fórmulas acima. Um pouco de álgebra nos mostra, porém,
que o trinômio do denominador pode ser decomposto conveniente-
mente de modo a assumir a forma -|- a^. Tomando a parte em a
dêsse trinômio (x^ -f- 6x), observaremos que esta parte mais uma cons­
tante conveniente forma um trinômio quadrado perfeito. Para achar
esta constante, basta lembrar que num trinômio quadrado perfeito
(o* + 2aò -j- 6*), o têrmo do meio é o duplo produto da raiz quadrada
do l.° pela raiz quadrada do 3.®. Em nosso caso, o têrmo do meio é
6x e a raiz do 1.® é x ; donde :
2x . 6 = 6x ou b = 3 e 6^ = 9
isto é, o trinômio x* + 6x + 9 é um quadrado perfeito : (x 3)®.
Desdobrando, portanto, o trinômio x^ + 6x -4- 13 em
x2 -H 6x + 9 4- 4 = (x -H 3)2 + 4
obtemos no denominador de nosso integrando uma expressão da forma
+ o*, onde :
a* = 4 ou 0 = 2, w* = (x -f 3)2 ou w = x -f- 3 c
du = d(x + 3) = dx.
306 CrUESO DE CALCULO DIFEEENCIAL E INTEGEAL

Donde,

I dx
x^ + Qx+ 13 = y + C
(fórm. XVIII)
(Verifique o resultado, diferenciando a resposta obtida).
Ohs. : Ê importante observar que, às vêzes, integrais que apa­
rentam certa analogia, se integram por métodos muito diversos.
Assim, se o numerador da integral proposta fôsse {x + 3)da; ao invés
de dx simplesmente, isto é, se fôsse proposta a integral
{x + ^)dx
/ -f- 6rc + 13
o processo de integração seria bem diferente. Observa-se, com efeito,
que neste caso o numerador multiplicado por uma constante conve­
niente é a diferencial do denominador. Fazendo
w = X®+ 6a; + 13,
obtemos:
du = (2x -|- 6)da; = 2(a: -f- 3) dx.
Multiplicando, portanto, o numerador por 2, temos uma integral
da forma

^ que dá ín | m | ; donde :
/
{x -f- 3) dx
/ x^ + Qx-\- 13
Se, em vez de (x 4- 3)dx, tivéssemos, por exemplo, (x + l)dx nenhum
dêstes métodos resolveria o problema, e teríamos que recorrer a um
artifício, decompondo convenientemente o numerador e desdobrando
a expressão proposta em duas.
Seja integrar:
(x -f- 1) dx
f
X* 4- 6a; -h 13
Fazendo : w = x* 4- 6x 4- 13, temos du = (2x 4- 6)dx. Multiplicando
e dividindo a nossa integral por 2, tem os:
(x 4- l)dx (2x 4- 2)dx
/ x^ 4- 6x 4- 13 -1 / X» 4- 6x 4- 13

1 (2x 4- 6 - 4)dx (subst. 2 por 6-4)


2J X* 4- 6x 4-13
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FISIOOS 307

L Ç l (2x + 6)dx 1 r 4áx


2 j X2 + 6x + 13 r/ a:^+6x+13
(desdobrando em duas integrais de modo que a 1.* seja integrável
como log. Quanto à 2.* dá, como vimos, um arc tg).
R esulta:
(x 4- Í)dx 1 (2x + 6)dx dx
/ íc* + 6x + 13 2 j X* + 6rc + 13 a:* + 6a: + 13

-^ n j a:* + 6a: + 13 ( - arc tg + C.


jj

E X E R C ÍC IO S

dx
1. 1 tg 3 x d x 13.
1 + 4x*

dx
2. ^ sec2 6 d 6 14.
/ '\ll-4 x *

dx
3. c o tg (5x - Z ) d x 16.
/ 2x^+1
dx
4. r c o sec (4 í - 1) d/ 16.
/ ® » -8 x + 2 5

dx
®/ ‘^(f V 4 - 25x»

dx dx

*/ s e n 3x
18 J
x \/9 x * - 4

dx
7. ^ xaec z*dx 19.
/ x y /^ x ^ - 25

g ^ coB*xdx dx

sen X
20.
/ (x - l ) \ / x = * - 2 x - 3

COS 2x<íx dx
* / sen X
8 1 ./
4 + X*

dx dx
10. 22 .
^ \ / l + COS 2x •/* V"4-x^
dx
11, J * (l- s e c 2 x ) * d x 23.
/ 9 + 4x*

se n 2 x _ cos 2x xdx
dx
- / ( se n X COS x ) 9 -h 4x*
308 CURSO DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

xrix r dx
25. 33.
/ (9 + 4x-^y^ J 2 x ‘‘ + 3x + 2
xdx ^ dx
2 6 ./ 34.
\ / y + 4X'' J \/7 + l ‘2 x - 4x
xdx .•» Z3x 4- 5) rfx
35. J X'' + X + 1
” s \ / 9 - 4x‘‘
fix Ç (2x. + 3) dx
28. / 36.
V^9 - 4x* J 4x* + 1
(Ir ( i -2x)dx
2 9 ./ 37.
x^ áz -t S J \/1 - 4x^
fíx xdx
30. 38.
/ v/2 + 3 x - 2x'" J x'^ - 2x 4- 5
dx ^ (2x - 7) dx
31. 39.
/ \/G x - x^' - 5 J \/3 -6 x -9 x '‘
dx xdx
32. 40.
/ \/íO x - 9x- J \ / 4x - x'^

RESPOSTAS

1) -L ín I eec 3i- \ + C ; 10) • ^ Zn I sec X + tg X I + C ;


ò \J2

2) In I sGc 20 -|-tg20| -[-Cj 11) x - ln |sec 2x+tg 2x |H--Ltg 2x + C ;


2 2

3) - i Znlsen(5x-3)1 + C; 12) /n I eec X + tg X I + C ;


5

4) —- Z» ! cosec (4Z- 1) - cotg (4Z- 1) | + C ; 13) ^ are tg 2x + C;


4

5) 2Zn |sec | + C; 14) -L arc sen 2x -j- C ;


2

6) ~ In I cosec 3x - cotg 3x | -f- C ; 15) ' ^ a r c t g \ / 2 c + C;


3 2

7) - i Zn I sec x* + tg x* | + C ; 16) arc tg + C;


2

8) Zn I cosec x - cotg x | + cos x + C ; 17) i - arc sen — -f- C ;


5 2

0) Zn 1 cosec x - cotg x | + 2eos x + C ; 18) -L arc sec + C;


2 2
FUNDAMENTOS GEOMÉTETCOS E FÍSICOS 509

19) Jijirc sec — + C ; 30) “ 7 =- arc sen —- + C ;


5 5 \/2 6

20) A arc sec + C; 31) arc sen ~—Ü + C ;

,jo \ 1
21) JL arc t g — + C ; 32) — arc senO------
x - 5 ,
+ C;
2 2 3 5
2 4x + 3
22) arc sen ^ + C ; 33) 7^ arc tg — ^ + C ;
2 VT ^/7

23) ^ arc tg ^ + C ; 34) _L arc sen + C;


6 o 2 4
3 7 2x + l
24) J- in I 9 + 4x* I + C ; 35) —~hi |x‘-t'x4'l 14"—.arctg "I*
8 2 3 V3

25) - + C; 36) -L l7i I 4x* 4- 1 1 + — arc tg 2 x 4- C ;


8(9 + 4x0 4 2

26) - l \ / 9 + 4x^ + C ; 37) — ai c son 2x 4- \/l~~4x^ + ^ J '

27) - J - \ / 9 - 4X-'' + C ; 38) i n |x*-2x4-5 | 4--:^rc t g í ^ 4- U;


4 2 2 2

28) — arc sen Hf + C ; 39) - 3-üx 9x'^ - ^ a r c sen Í L Í J 4- C;


2 3 9 9 2
2 2x 4- 3
29) ^ arctg ^ +C; 40) 2arc sen -—? - \/4 x - x^ 4- C'.

8.5. Integrais Condicionadas à Racionalização ou Decomposição.


1. Integração de X X e X X L
Estas duas fórmulas se integram mediante uma .substituição trigo­
nométrica que permita racionalizar a expressão a integrar e são, como
veremos mais adiante, um caso particular de um método geral de inte­
gração. A primeira
du
/:
pode ser racionalizada e integrada, fazendo w = a tg t, onde t é uma
variável auxiliar que eliminaremos uma vez efetuada a integração.
Substituindo êste valor de u no radical, re.sulta :
\/w*-|-a*=\/a*tg*í-l-a‘" =\/a^(tg^í-|-1) = \/a^secH (sec*í = tg’*í + l)
= a sec t.
310 CUESO DE CALCULO DIFEEENCIAL E INTEGEAL

Doutra parte, diferenciando a relação u = at gt , v em :


du = a sec^tdt
Substituindo na integral proposta êstes valôres de \/w* + a* e du,
tem os:
f du seoíHdt
f aseaHdt f i ^ x n
/ . ■= = / --------- - = / sec tóí = ín tg í + sec t\ C
J ^ ^2 J a sec t J
Mas,
, /--------- 1/ -v/u^ + õ*^
tg t = — (de u = a tg 0 e sec í = \/tg=^í + 1 = r — + 1 ---- -—
a
Substituindo êstes valôres de tg í e sec t, no resultado acima, temos
\/u ^ + + \/u ^ +
.. ■ = ln \---- f- j “I" C* = Zw + C
/
Para integrar a segunda
du
f: x/w* - ’
fazemos u = a sec t ; donde du = a sec t tg idt e
_ p o sec t tg idt _ f cí sec t tg idt
y/u^ - J ^/a^secH-a^ J \/a\si:
(sec^Z-1)
a sec t tg idt
{tgH = secH - 1)
- I x/o^tg* t

^ Qsec Z^g^ZdZ _ ^ s e c ZdZ =* Zn|sec Z+tg Z| + C

( substituindo, como antes, sec í = — , tg í = ——— — )


o ’ a y

2. Integração de X X I I e X X I I I .
Ainda estas duas se integram como caso particular de um método
geral que estudaremos mais tarde.
du
Seja, pois, integrar
/ '
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 311

O denominador o- - u^, sendo a diferença de dois quadrados,


pode ser fatorado : = {a u) { a - u ) .
A fração
1 1
u- - u ' {a u) {a - v)
cujo denominador c o produto do dois fatores primos, ])ode ser consi­
derado o resultado da soma de duas frações de denominadores a u
e a - u respectivamente, isto é, duas frações da forma :
A B
a+ M a-u
cujos numeradores se torna necessário determinai-.
Admitida esta hipótese, podemos escrever sucessivamente :
1 1 B Á (üt—ii) -}- w)
+
o" (a + w)(a - íí) a -f u a - u (a + u) {a - u)
(r(‘<luziiuio ;io mosmo denominador)
Sendo iguais as frações :
1 _ A(a - u) B(a + 7i)
{a d- u){a - n) {a + w) (a - u)
e tendo ambas o mesmo denominador, segue-se que são iguais os seus
numeradores:
1 = A(« - v) d- B(a d" w)
Ora, esta igualdade deve ser satisfeita qualquer que seja o valor de u.
Em particular, se m = -a, temos :
1 = A [a -(-a)] d- B{a~ a) ou 1 = 2aA ; donde A = ^
que nos dá o numerador da primeira fração.
Se fazemos u = a, re.suIta:
1 = A (a - a) d- B{a -}- «) = B. 2a ; donde B = ~
4ud
Determinados assim os numeradores A e B, podemos escrever:
1 1
2a 2a
d- d~
a d" w a - u 2a(a d- u) 2a(a - u)
1 . 1 (a - d- (a d- w)
(^verificação: 2Í(7 T 1 7 ) + 2a(a - a) 2a{a d“ w)(a - w)
2a -= _L _d
)
2a(a d- u){a - u) )
312 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Levando esta decomposição na integral proposta, obtemos:

f j ^
ãu
J a""' -
=
j
f (y2a(a 1-|- w)+ ^ —2a(aI - Au )J du
_ ^ f du _|_ ^
(desdobrando)
2oJ a - \ - u ~ 2aJ a - u

= ^ I n |a+M I - ^ l n \ a - u \ - \ - C (integrando)

= I? ^ | + C (II.* prop. dos log.)


2a a -u
De modo análogo estabelece-se a segunda fórmula :
du
= |í i z . “ | + c
/;
w* - a* 2a ' w-f-a
0)m efeito, podemos escrever sucessivamente
1 1 A B A(m + a) + B{u-a)
u^ - a* {u - a)(u -|-a) u - a w-l-a (u - à){u a)
Donde, identificando os numeradores :
1 = il(w o) -|- B{u - o)
Para u = a, resulta :

1 = A{a + a) + B{a -a ) = A .2a ou A = —


2a
Para u = -a :

1 = A(-a d- a) -f B{-a-a) = B{-2a) ou 5 = - ^


2a
e por conseguinte:
í_
1 2a 2a 1
+
u^ - a^ u - a u a 2a(u - a) 2a(u -p a)
Integrando :
/* — f f 1 1 \ __ L /* _
J u^ - a^ J y2a(w - a) 2a{u A- o )J ^ 2a u - a J
- ^ f l w - a |- ~ í n |w-|-ai-l-C = ^ ín I+ ^
2aJ M -fa 2a ‘ ' 2a ' 2a w-h a '
FUNDAMENTOS GEOMÉTEICOS E FÍSICOS 313

dx
Exemplo 1. Seja integrar
/ \ / ix^ - 9
Solução. Esta iotegral é visivelmente da forma XXL Fazendo
o* = 9 ou a = 3 e = ^x^ ou u = 2x, tem os:
du = 2dx (diferenciando =2x)
O que mostra que o coeficiente 2 deve ser introduzido no numerador
para que se identifique com du. Donde :
r dx f 2dx 1 , 2x + s / 4 x ^ ^
J -s/4a: 2 - 9 ”
/= = =
x/4x-^ - 9 2 3 I+ c

Exemplo 2. Integrar
da;
/: \/a:^ + 2a: + 2
" Solioção. O primeiro j)asso cornsiste cm adaptar o trinômio
+ 2a: + 2 à forma ou - a^. Dividindo o termo do meio
2a: pelo duplo da raiz do primeiro ( \/x ‘^ = x), obtemos 1, cujo qua­
drado completa com os dois primeiros termos, um trinômio quadrado
perfeito. Basta, portanto, decompor o último termo 2, escrevendo:
a:* -f 2a: -f- 2 = (a:2 -H 2a: -b 1) -t- 1 = (a: + 1)2 H- 1
D onde:
dx C dx
f s/x^ -b 2x -b 2 J f:
que é da forma XX, com a = 1, m = a: -b 1 e dw = dx.
Aplicando es.sa fórmula, resulta :
dx C dx
f f:
v/a:2 + 2a: -b 2 J ^/{x -b 1)' + 1
= In (a:-bl)+\/(a:-bl)2d-l +

-bC* = Z7i|a:-bl~b \ / - b 2a: -b ~2 | ~b C


Exemplo 3. Integrar
dx
/ a:2 -b 6a: - 7
Solução. Comecemos por transformar o denominador, formando
com os dois termos mais a constante conveniente, um quadrado per­
feito. Dividindo 6a: por 2a" (duplo da raiz quadrado do 1.” termo),
achamos 3, que elevado ao quadrado completa o trinômio procurado :
a:^ -b 6a: -b 9 - 7 - 9 = (a: -b 3)^ —16 (acrescentando e subtraindo 9).
314 CUESO DE CALCULO D IE E E E A X IA L E IN T E G R A L

D onde:
ãx dx 1 , , rr + 3 - 4
= m
/ x ^ + 6x - 7 ■ f (x + 3 )'-1 6 8 x+ 3+ 4

1 , , .r - 1
c — l + c-
8 'x + 7
(aplicando XXIII, com a = A, u = x - \ - Z a d u = dx).

EXERCÍCIOS

Ç dx xdx
‘ ■J 1 x ^ - 2 b j I (x2 4- 4)2-9
^ dx
2. ^ 14. ^r dx
I V 9a^ - 16 f x2 + 4x + 3
Ç dx ^ dx
1 4a:='-25 >=■ JI V a;2 + 2x + 7
£» dx Ç dx
16. j
J1 V4i=^+9 ' 4x2 _j_ 4^; _ g

Ç dx ^ COS X dx
N 1 3 - I2x^ ’ V l + scn2 X
Ç xdx f» dx
N 1 X* - 16 J’ x^ - Ax b

Ç dx Ç (8x - 1) dx
Jf 9x^-25 ‘“• J > 4x2 - 4x - 3
Ç dx
20. j r (x + 3) dx
Jf 9x2 25 f x 2 + 4 x -5
^ dx (x + 1) dx
ç
N 1 V 25+9x2 "'■ Jf V 2;2 + 4
^ dx ^ dx
10. J 22. J
f V 25 - 9x2 f yf 4x2 4_
^ xdx p (6x 4- 5) dx
23. J
” ■Jf V9 x2 - 2 5 f sJ\)X^ + 1
^ xdx ^ (x + 3) dx
1 9 x2-25 J1 4- 2x
rUXDAMENTOS GEOMÉTEICOS E FÍSICOS 315

RESPOSTAS

1) ( l / l O ) / n | í _ ^ | + C; 13) Í-/n I + C;
X+ 5 12 X* + 7

2) J_ Z n |3 Z ± v 5 H E ]6 |+ C ; 14) ^ í n | l ^ | + C ;
2 X+ ó
, X + 1 + ^/x^~+ ~2j^+^
3) L l n \ ^ --- + C ; 15) In I -------------------------------- \ + C ;
20 2x + 5

4) 1 t e | 2^ + V lx ^ ± l l | + C; 16) l í n | 1 H Í | + C ;
A o 12 X+ 2

5) JL zn|H L ±i| +C; 17) In I sen x + \ / 1 + sen^x | + C ;

6) -L /nl + C] 18) Zn I X - 2 + \/x=* - 4x H- 5 | + C;


16 X* + 4

7) i , Z n I ! í - Z J | + C ; 19) In I 4x*-4x-3 | + -Z n | |+ C ;
30 3x + 5 8 2x + l

8) JL arc tg + C; 20) i.Z n I x « + 4 x - 5 + i z n | |+C ;


15 5 2 6 x-{-5

3x + V 2 5 + ÕX»
9) ± l n + C; 21) + 3 Zn | ® ± v 5 í ± J | + C;
3

10) i .a r c s e n ^ í + C; 22) I z n | 4x+3+2x/ 4x'^+6xj .


3 5 2 3

11) 2 v 9x*-25 + C; 23) ^ i / 9 x * + 1 + i Z n I 3x +


3 3
+ V 9x» + 1 I + C ;
12) J .Z n |9 x » - 2 5 | + C;
18
24) \/x * + 2 x + 2 Z n |x+Í-|-V^®*+2x | + C ;

§ 2. Integração por Partes


8.6. Integração da Diferencial de um Produto.
A integração por partes é um processo de integração que nos
permite, em muitos casos, reduzir uma integral dada a outra mais sim­
ples, que se enquadre num tipo já conhecido. Em teoria, a integração
por partes resulta da integração da diferencial de um produto.
Sabemos efetivamente q u e ;
d{uv) = udv + vdu
316 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

A integração dos dois membros pode ser indicada simbolicamente,


escrevendo: r r á*
I d(uv) = J udv + I vdu

Mas, a integração do primeiro membro dá por definição :

J* d{uv) = uv

Donde: ^ *
j udv + J vdu = uv

ou isolando uma das integrais indicadas:

j udv = u v - j vdu (XVIII)

Se uma integral J* udv, não integrável diretamente, é tal que diferen­


ciando a parte finita u e integrando a diferencial dv, se obtenha uma
integral J* vdu que seja integrável por um procesvso já conhecido, po­
demos achar a integral dada J* udv.

Exemplo 1. Seja integrar ^ In x d x (x > 0)

Solução ; Esta integral não é imediata e não se enquadra em


nenhuma das fórmulas anteriormente estabelecidas.

Identificando esta integral com J* udv, façamos :

u = Inx e dv = dx
Diferenciando a primeira e integiando a segunda, temos :
du = dxlx e V—x

Formando com estas partes a integral Jvdu, obtemos imediatamente:

^ vdu = ^ X. ~ = ^dx —X

Doutra parte, conhecendo u e v, achamos o seu produto:


uv = Inx .x = x l n x
Daqui resulta com a fórmula (X V III):

In xd x = x ln x-x + C = x{lnx -1 ) -|- C


FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 317

Observação : Na prática dispomos os cálculos como segue

udv = u v - J" vdu

J Inx dx = ?
dx
identificando as partes u = hi x dn = (diferenciando)

dv = dx V = X (integrando)
e substituindo :

^ In X dx = X hl X - J ' x^~ = x In x - J" dx = x In x-x-\-C

Exemplo 2. Seja integrar J* -C' í^cn 2.r dx.

Solução ; Neste caso dispomos de 3 fatores (x^, sen 2x e dx), e


a escolha dos fatôres u e dv pode ser feita de diferentes modos.
Façamos u = x^ e dv = son2xdx. Usando a disposição jirática
como acima, tem os:

/ udv = uv - J “vdu

J* x^ sen 2x dx = ?

identificando u = x^ du = 2xdx (diferenciando)


1
as partes { dv = sen 2x dx ->~v = — COS 2.r (integrando)
D onde:

^ x ^ sen 2x dx = x- ^ cos 2.r^ - J " ^ ~ ^ ^ 2xdx =

= 2.r + J X COS 2.T dx

A ultima integral J ‘ x cos 2x dx 6 ainda do mesmo tipo que a integral


dada, porém mais simples, visto que x figura à primeira potência,
quando na primeira figurava ao quadrado. Assim sendo, pod('mos
submetê-la, por sua vez, à mesma fórmula d(‘ integração por parl('.s
fazendo u = x e dv = cos 2x dx. Donde, dif('i'enciari(lo a jnimeira
e integrando a segunda :
318 CUESO DE CALCULO DIFEEENCIAL E INTEGEAL

du — dx e = 4 sen 2x
Zi
E substituindo na fórmula de integração por partes:

J 'x COS 2xdx = x ^ sen 2x - J ' ~ sen


s( 2x dx =

X 1 /* X 1
= -T^sen 2x - f sen 2x dx = — sen 2x + cos 2x

Levando este valor da integral de x cos 2x dx na relação acima, temos:

a:*sen 2x dx = — — cos 2x + cos 2x dx =


/
x^ x 1
= -----— cos 2x + —sen 2x — cos 2x C
z z ^
Observação : É importante observar que a escolha inadequada
das partes u e dv pode levar a uma integral mais complicada. Assim,
se na questão dada tivéssemos feito u = sen 2or e dv = xHx, teríamos :
u = sen 2x du = 2 cos 2x dx
x*
dv = xHx V —
T
E portanto :

/ x“
^ sen 2x dx = — sen 2x -
O I / - ®cos 2x dx
onde a última integral J* x^ cos 2ar dx c mais complicada do que a in­
tegral proposta, de modo que a disposição dada às partes não resolve
a questão. Dois fatos importantes ressaltam do exemplo que acabamos
de tratar :
a) em muitos casos é necessário empregar o método repetidas
vezes até chegar à solução cabal da questão ;
h) o caminho adequado, no mais das vezes, só pode ser encontrado
por tentativa, de modo que só a prática nos pode dar a segu­
rança indispensável na aplicação do método.

Exemplo 3. Seja ainda integrar J* sec^x dx

Solução : Esta integral, apo.sar da sua simplicidade aparente.


FUNDAMENTOS GEOMÉTEICOS E FÍSICOS 319

nâo se enquadra em nenhum dos métodos estudados anteriormente.


Decompondo sec*a: em sec x . sec** x, temos :

J* sec^x dx = sec x. sec^x dx


seja :
w = sec a; du = sec x i g x d x
dv — sec^x dx V= tgx
Donde

J* sec^xdx = sec X sec-xdx = sec a; tg a: - J* sec x ig^xdx

=secxtgx- J sec x(sec^x -< l)dx (subst. tg*x por sec*a; - 1)

= s e c x t& x -J * sec*xdx + J* sec Xdc (abrindo os parênteses)

onde a integral

J* secxdx pode ser calculada e a integral -J*sec-xdx pode ser


transposta ao primeiro membro e somada com a integral de p artid a:

2 J* sec-xdx — sec X tg X + In | sec x + tg x |

Dividindo os dois membros pelo coeficiente 2 e acrescentando a


constante de integração, tem os:

sec-xdx = ~ scc x tg x + ~Zn [ sec x + tg x] + C


/ Zi

8.7. Integração por Recurrência.


A integração de uma potência inteira e positiva de sen x ou
COS X, pode ser obtida por diminuição gradativa do expoente, mediante
a aplicação repetida da integração por partes. Seja integrar

J* sen"xdx

Desdobrando sen”x em sen"“*xsenx, temos:

J* sen"x(ix = J* sen“~^x sen xdx

Fazendo u == sen““*x e dv = sen xdx, resulta:


dw = (n - l)sen“~*x cos xdx (diferenciando) e v = -cos x (integrando)
320 Cl,'RSO DE CATXULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

D o n d e , (a p lic a n d o a fó r m u la J * udv - J* vdu) :

J s e n " x d .r = ^ s e n " ~ ' i ’ s e n .n /.r = - s c ! r “ ’a ' c o s ^í^í'n"~~xcOH^xdx

= - s e n " “ ‘j : c o s j ' d - ( / í - l ) J*son''~-x(í-son-x)dx ( v is t o q u o cos*a: = l - s e n ^ i )

= -s e n J o c o s a ::d -(n -l) J* scn"~^xdx-(n-l) J* sen"xdx (d e sd o b r a n d o )

I s o la n d o as i n t e g r a i s d e sen " a-, t e m o s :

n J* scn^xdx = - son " " *J c o s x + (n - 1) J* nen'‘~^xdx (1 )

q u e f a z d e p e n d e r a i n t e g r a l d e s e n “a: d a i n t e g r a l d e s e n ”~^a:. T r a t a n d o
d o m esm o m odo a i n t e g r a l d e s e n ““ ^a:, f a z e m o s d e p e n d e r a i n t e g r a l
p r o p o s t a d a i n t e g r a ç ã o d e s e n ““ ^a: e a s s i m p o r d ia n te . Se n fô r par,
chegam os a um a ú ltim a in te g r a l d a fo r m a

J* se n " " " x d :r = J* aen^^xdx = J dx = x

Se n fô r impar, a ú lt im a in te g r a l se r á d a fo r m a

J s ( ‘n xdx = - COS X.

C om o a p lic a ç ã o , s e ja c a lc u la r a in te g r a l d e fin id a :

X/2

f
Ü
s e n " j ’ dx

Solução. A fó r m u la (1 ) n o s d á :

•k/2 ■
z /2 rj2
n^ if.on''xdx = | ^ - s e n ““ *.r c o s a : J + (a -1 ) ^ s o n “~ ^ r d x

0 0 0

M a s , a p a r t e j á i n t e g r a d a s e r e d u z a 0 p o s t o ( ( iie :

X /2

1^-sen ““‘a: COS a:J = - sen““’- ^ — (-sen”“‘0cos0) =

= - 1 .0 - ( - 0 .1 ) = 0
FUNDAMENTOS GEOMÉTEICOS E FÍSICOS 321

D onde:
X/2

J f
JC/2

n sen-xdx = (n-1) sen” ^xdx ou, dividindo por n:


0 0
TJ2
i.i. x/2

sen^jcdx = Viz Jl I scn"‘~‘^xdx (à)


/0 n J
ü
Fazendo nesta última relação sucessivamente a substituição de
n por n - 2, n - 4, . . . . , resultam as relações :
x/2 X/2

/ sen” ^xdx= ~—^


71-2J
‘*xdx (b)

x/2 x/2
n -5
*xdx = ^xdx (^)
A ’” "' n -4
x/2 X'2
Ií sen”-«^xdx
, = w—
-7: /r sen"“*cdx (d)

0 0

x/2 x/2 x/2


j sen^xdx = sen°o:da: = , (se n fôr par)
0 0 ü
X/2 x/2
sen^xdo: = sen xdx = •— . 1 (so n fôr ímpar)
O
0 0
Se em (a) substituímos a integral do 2° membro p(ilo seu valor
tirado de (6), a seguir este pelo seu valor tiiado de (e) e assim por
diante, resulta ;
x/2 X/2
f ^r\"xdx = -_1 . ^ f s('n" bv/.r
J n n- 2j
X'2
-1 n - 3 w -b y sen"'■®.ídX
n ' n~2 '7t-4J
0

n -3 n -5 3 1 X
n n -2 n -4 T ' 2 2
322 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

n -1 n- 3 n- 5 4 2'
OU
n n- 2 n- 4 • I (se 71 fôr ímpar) (2b)

As duas relações seguintes se deduzem imediatamente das relações


que acabamos de obter :
1

/ '(1 - x^)"dx = ^
3.5.7. . .(2n-l)(2n + 1)
(3a)

00

dx- , 1.3.5. . .(2 n -5 )(2 n -3 ) ^


m
/ (l.+a;2)'‘ 2.4.6. . .(2;í - 4)(2ri - 2) 2

Basta mudar a variável de integração e os limites coiTes])ondentes,


por meio da substituição x = cosí no l.° caso q x = ootg í no 2.®.
8.8. F órm ula de Wallis.
T.I2

Retomando a integral ücn"xdx e fazendo n = 2k e n =

= 2fc + 1 respectivamente, ol)temos, d(í acôi-do com (2a) e (26) do


número anterior, as duas relações segiiint{'s:
TT/2

I i \l = I .sen^i^rdx =
2k - 1 2/v - 3 2k - 5 3 1 x
2k 2k - 2 2/c - 4 4 2 2
(4o.)
X/2
2k 2/c - 2 2/c - 4 4 2
e / 2k-n = J ' üQxd^^^^xdx = :
2/v + I 2/c - 1 2/c - 3 5*3
(46)
(para maior simplicidade rcpr('S(‘ntamos estas integrais por l 2k c / 2kH-i).
Dividindo estas r('lações m('mbro a membro, obtemos :
2k (2/c + l)(2/c - 1) (2/c - 1)(2/v - 3) (2/c - Z)(2k - 5)
2k+i 2/c . 2/c ■(2/c - 2)(2/c - 2) ‘ (2/c - 4)(2/c - 4)
5 .3 3.1
(5)
4.42.2 2

Doutra parte, vale no intci valo ^0, a relação :

0 < sen^‘‘‘''‘2r ^ sen-'‘ar ^ sen^’'“*a: (visto que sen a; ^ 1)


FUNDAMENTOS GEOMÉTEICOS E FÍSICOS 323

X
Donde, integrando de 0 a
X /2 X /2 X /2

J 'fiÇ in ^ ^ x d x ^ J * sen^'‘“ ^a:drr o u / 2k + i ^ / 2k


0 0 0

Dividindo os 3 membros desta relação por / 2k+i, tem os:


lik ^
1< (6)
^2k +1 /2k +1

onde a última razão, de acordo com (46) se reduz a


2fc+l 1
ou 1+
2k 2k ’
quanto à 1.*, seu valor é dado pela relaçõx) (5); donde, substituindo
em (6):
{2k + l)(2k - 1) (2/c - l)(2k - 3) 5 .3 3 .4 X ^, 1
1
2/c . 2/c (2/c - 3)(2/c - 2) 4 .4 2 .2 2 - ^ 2/c
Se fazemos k tender a oo, o último membro desta relação se reduz
a 1 ; e como o l.° membro já é 1, resulta :
(2/r + l ) ( 2 / c - l ) 2 ( 2 / c - 3 ) 2 . . . 5 2 . 3 2 x
V JÍ! {2k.y . (2/c - 2)2(2/c - 4 ) 2 . . . 4 2 . 2 2 ' 2

X
ou, resolvendo em :

X . (2/c)2(2/c - 2)2(2/c - 4 )^ . . 4 2 . 2 2
2 “ (2/C+ l)(2/c - l)2(2/c - 3)2 . . . 5 2 . 3 2
ou ainda :
= 1 r 2 .4 ...(2 /f-4 )(2 fc -2 )(2 fc )l '
2 i.‘.« 2k + )L 3 . 5 . . . (2/c - 3)(2fc - 1) J ^’
que 6 a f(3rmula de Wallis.
Extraindo a raiz quadiada aos dois membros, podemos escreve’
ainda :
2 .4 . . . (2/c - 4)(2fc -2 ) .2 k
(7a)
1i m
/t -oo y/2/ c + 1 . 5 . . . (2/c - 3)(2/c - 1) -1 ^
324 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

E X E R C ÍC IO S

1. ^ l n \ 2 x - l \ d x 2. J* l n x * d x 3. ^ xín IX I áx

4. J* x ^ l n x d x 5. J* x“ In xdx 6. ^ ln*xdx

7. ^ arcaenxdx 8. ^ arc sen Sxdx 9. ^ arc tg 2xdx

10. y* arc I gax dx 11.


fI arc sec — dx 12. ^ x e ' * d x

13. ^ xe^^dx dx 15. ^ x*e**dx

IC3. J * x^a’‘ dx (o>0) 17. J * xcos2xdx 18. ^ xsec*2xdx

10. ^ X arc tg xdx 20. J * X* sen 2xdx 21. ^ e* sen xdx

22. ^ c '■i?vn Ztdt 23.


fI arc sen — dx
X
24. J* Zn(x+Võ«+x«)dx

/ xHx
25. ^ dx 26 . J * x \ J 1 + X dx
C 7 r^

28. ^ SQC^xdx 29. ^ e**sen6x(íx 30. ^ c**cos6xdx

RESPOSTAS

1. ín I 2x - 1 1- X + C ; 2. xZnx* - 2x + C ;

3. - l x 2 / n | x | - l x * + C; 4. JL x*/n I X [ - ~ 4- C ;
4 16

5. JIL, IXI - ——^ + C; 6. xZn* IX [ - 2xZn [ x | + 2x + C ;


n + 1 V 71 + 1 /

7. X arc sen x -f \X l - x*' + C ; 8. X arc sen x + 1 - 9x*' + C ;

9. X arc Ig 2x + |4x* + 1 1+ C ; 10. x arc tg ax - .iz n (l + a*x*) + C ;


2a
11. X arc COSx - \ / l - x ^ + 0 ; 12. -e-*(x + l) + C;

13. I e 2 » ( 2 x - 1 ) + C ; 14. e-* (1-2X-X») + C;


4
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 325

15. JL e**(2i*-2x + 1) + C; 16
4 Ina ln*a ln*a

17. ~ sen 2x + — coa 2x + C ; 18. 2 tg 2a?+ A {n I coa 2x I + C ;


2 4

19. (x* + 1) arc tg X — L x + C'; 20. - JL i\5082x+~T8cn2x+ 1 c o s2 x + C ;


2 2 2 2 4

21. e* (sen X - cosx) + C; Le-»(aen 3< + 3 cos 30/ -r


22. - 10 + C»
;

23. X arc sen JL-f/n |x + \ / x * - l | + C ; 24. xín | — V'^ -it.?.. | - \/x * + o * '+ C ;
X a

25. -II x \/a * -x * + o * a r csen Í l+C^> 26. — (3x - 2)(1 + x)*'* + C ;


2 \^ a / 15

27. - x * \ / T ^ ' - I (1 -x*)*^* + C ;

28. -L SCO*X tg X + — I (sec X tg X 4- I 8CCX + tg XI)l + C ;


4 8 1 f
e“* (a."e n h x - h c o s 5x) , ^. c**(o COS 6x 4- 6 se n bx) , ^ .
a* + 6* a* 4-5*

§ 3. Racionalização

8.9. - R acionalização Trigonom étrica*

Quando em um integrando ocorrem expressões irracionais da


forma
y/a^-u ^, y/u^-a^ ou y/u^ + o*
podemos racionalizá-las mediante a introdução de uma nova variável
através de uma função trigonométrica adequada.
Resta saber se o integrando assim obtido se enquadra em um
método de integração já conhecido. Se isto se der, efetuamos a inte­
gração, voltando a seguir à variável primitiva.
A racionalização preconizada pode ser feita por meio das duas
identidades trigonométricas conhecidas (Jig. 8.1):
o) sen*í cos*< = 1
6) secH = tg*í + 1
326 CUBSO DE CALCÜLO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Com efeito :
1. tomemos a 1.* expressão. Para que esta expressão seja real
é necessário que
a* - w* ^ 0 ou w* ^ a*;
donde,

—\ ou ainda -1 ^ â 1
a a

Assim sendo, podemos identificar esta fração com um seno, fa­


zendo :
u
— = sen i ou u = a sen t
a
E daqui, substituindo o radical:
\/a^-u^= \/a* - a^senH = \/a*(l - sen^í) = \/'a^oosH=acost ( 1)

2. A 2.* expressão \/u ^ - o* é real sômente quando


w ^ -a ^ ^ O ou M*
e, portanto,

—I ^ 1 isto é, — ^ -1 ou —^1
a a a
Podemos assim identificá-la com uma secante:
^ = sec í*
— ou u = aaect
a
e daqui, visto que igH = sec^í - 1 :
\ / u ^ - a® = \/o*sec*í-a* = y/a^oecH - 1) = \/a*tg*í = a tg t (2)
FUXDA^IEXTOS OEO^rI•:TI?I^OS E riST(X)S 327

3. A 3.* expressão \/u - + a ’ ó rcul pura tocio u re a l; podemos,


portanto, fazer tí = a tg / e substituir, visto que tg-/ + 1 = sec^/:
\/u'^ -t a* = y/aHg^ + 1) = y/n-sw-t = o sec t (3)
Exemplo. Seja integrar J \/9 -- a - dr
Solução. Neste caso o* = 9 e a = 3, Fazendo x = Z sen t, temos
dx = 3cos tóíe\/9-íc*=\/9-9sen*í = \/9(l-sen^Ô=\/9cos*í=3cos t
Substituindo na integral proposta êstes valores de \/9 - x ‘^ e
de dXf resulta :
/ = / 3 COS t* 3 cos 9 COS

^Bcndo COS*/ 1 + COS 2 A


^ J
= y ^co s 2tdt

g 9
” T2T ^+ "T
4 2í + C
Feita a integração por meio da variável auxiliar t, voltamos à
variável primitiva x, observando q u e :

sen í = “r- (pôsto que X = 3 sen t)


O
e, portanto,

t = are sen •—
O
Quanto a sen 2t, 6 :
sen 21 = 2 sen t cas t
= 2 sen (co» t = Vl - sen*/)

. . . 5 1 C (sen / = x/3)
9

= Xy/Q ~ X'^

Substituindo êstes valôres de i e sen 2i no resultado acima, temos;

J xHx = ~ are sen


v/9 - a:* x \/9 - x* + C
328 CUESO DE CÁLCULO DIFEEENCIAL E INTEGRAL

8.10. Racionalização por Substituição Algébrica.


Em muitos casos a racionalização dc uma função a integrar po­
de ser efetuada mediante uma substituição algébrica adequada.
Consideraremos aqui apenas dois casos particulares.
I caso. Quando na integral proposta figuram expressões irra­
cionais de X apenas.
Neste caso racionalizamos a função fazendo : x = i" onde n é
o mínimo múltiplo comum dos índices das raízes de x.
X dx
Exemplo : Seja integrar
-Vx- 1
Solução : Os índices das raízes são 2 e 3 e seu M.M.C. é 6 ; fa­
zemos, portanto, x = donde :
-\/x = ■s/t^ = e dx= Qt^dt
Substituindo estes valores na integral dada, vem :
\/x dx 6/® dt E t^ d t

^J ^J
= (>^ - \ - tj i~ ~)r ^ “b p ----- d l (efetuando a divisão)

= 6 — I— - — ]r I — In I ^ j IJ "b (integrando)

1
+ 1 1
_1 U i
[ _ ,7 „ + |J + C

II caso. Quando a integral contém um ou mais têrmos da forma


^/ax -{■ b, a racionalização resulta da substituição ax b = V'
X “(Ix

Solução : Fazendo x 2 = P, temos -y/x -b 2 = 'y/F = t


X= 2 e dx = 2ldl
Substituindo na integral dada estes valores, vem :
x^dx _ r ( - 2Y2ldt
/ x^^dx
\ / r “b 2 J
r{l^
- 2y ' iY -2 Y d t = 2y *
FUNDAM ENTOS G E O M É T E IC O S E F ÍS IC O S 329

— 2^ t * d l —8^ /“(//-j-8 ^ d t = ~~ “1“ 8í -j- (7

= ^(.r 4- 2 y ‘- - + 2)^'“ + S{x + 2)V2 -|- C (visto que <=


o 3 =(a:+2)í^2)

= " \/(x T W + sv 7T~2 + C

As vêzes íi substituição não racionaliza diretamente a função inte-


^mn<la, mas leva a uma expressão racionalizável por um processo já
(;onheci(k).

Exemplo: Seja integrar m dx

Solução : Podemos escrever :


X , I \ / x dx
dx =
1 0 X^- l J y^X - 1

Fazendo x - \ = temos :
^ / T ^ = t, .T = í- + 1 ou ^/x = y/t'^ + 1 e dx = 2tdt
Substituindo na integral proposta :

/| /Ã
Esta última expressão se racionaliza fazendo í = tg z o que dá :
dt = sec^zdz e y r + T = \ /tg h + 1 = y/sêch = sec z
Donde :

^ ^ ^ dt = 2J ' ^ • *5ec*z dz = 2J * sec*z dz

=2 secz . tgz + In |sec z + tgz |J + C

= sec z . tg z + Zn j sec z + tg z 1+ (7
_____ _____ (visto que tg z = t e
t \ ^ d - l “H Zn IZ -|- \ / - j - 1 I “b (7 sec x = + i)

= + ln \s 0 + I+ C (v is to a m l = j / p l
e -\P + 1 = y x )
330 CURSO DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

e x e r c íc io s

^ (Ix /• dx
1. 2.
J \/2 õ ~h 4x^
3.
J x*\/x^ - 3

4.
/
tM x

\/4 + x'^
5. rxJZIMdx G. J* \/x 3 - 30 dx

dx
7.
f (X* + 2)*'*
8. J * x ^ \ / x'3 - 9 dx 9. 1 x3-y/3x^- i dx

10. Ç x \ x ^ Jf syi'‘ dx 11
11.. 12.
J X-3
'?) - 4x-'' dx Ç Rx^dx ^ dx
13 . f '- íí 14. 15.
) (Ix^ + 9)3/3 */ ■yyx'^ + 2 x + 5
dx f dx /» dx
IC. /
\/4x'‘ -t- Üx
17.
J \ / 3 x^ - 2x + 3 38.
1 \ / 2x* + 4x - 7

19. dx (Sugestão: Racionalize primeiro)

dx
/ 3-1/2 _ jl/4
1 + xV<

(2x + 3)3'* + -y/x -J- 1

x \/x - 2
RESPOSTAS

1) 8 arc sen x/4 + 2 \ / l 6 - x* + C ; 2) -L ín | 2x + \/2 5 + 4x* ^+ C ;


2 2
3) a/ x* - 3/3x + C ; 4) >1( x* - 8 ) \ / 4 + X* + C;
«3
5) \ /x * - 25 - 5 arc sec x/5 -(- C ; 6) — x \/x * -3 6 - 18in |x + \/x * -3 6 |+ C ;
2
T.
7) + 0; 8) i , (x2 + 6)v/(a;*-9)3 + C;
2\/x* -r 2
1
9) (9x* + 2)(3x* - 1)3'* + C ; 10) -L (5x* - 16)(x* + 8)»/2 + c ;
135 35
FUNDAMENTOS GEOMÊTBIOOS E FISIOOS 831

11) - V 3 Z 5 a r c s e n £ . + C ; 12) Z n |z + V ? ri6 -V H Z H |+ C ;

2z* + 9 ^
1 Z ) - ( ± L ^ + C; 14) - + C ;
ISx» VAc»+9

15) Z n|z + l + \/* * + 2x + 5 | + C; 16) JLzn | 4 x + 3 + 2 \/4 x * + 6 i 1+ U ;


2

17) Zn |3 x - 1 + \ / 9 x *-6 x + 9 | + C ;

18) I 2x + 2 + V 4 x » + 8 X -1 4 | + C;

19) 2 Zn | x + y / x » + T | + C ;

20) - ÍL x » /* -Íj;< /s-x - 4íc*^ *-3iV »-3Z n | l- x » /3 | + C;


5 4 2
21) 2Zn| l + \ / x H - C ; 22) 8 i» /« -8 /n | 1 + x»/M + C;
23) 2 \/x " - 4 - y r + 4 Zn |\/x " + 1 1 + C ;

2 4 ) 2 x * ^ * - i i » ^ + - ^ x » » - 1 In I 2 x » / » * + 1 1 + C ;
2 2 4

25) JLx*/< - i-Z n 11 + x»/« I + C ;


3 3
26) X + 6 v ^ + 6 Zn |y / T - 1 1 + C ;

27) ^ (20x* - 12x + 9) -^(2x + 1)* + C ;

28) 2 V xT T + 2Zn ^ ^I + C;
y /x T l+2
29) i \ / 2 x + 3 - t - ' ^ Z n l ^ ^ . ± ^ . ~ y ^ l + C:
3^ ^ 9 'y /eT T T + y /ô
30) 2 \ / x + 1 - 2 Zn 11 + \ / x + 1 1 4- U ;
31) X + 2 + 4 \ / 7 T 2 + 4Zn |V * + 2 - 1 1 + C ;

32) 8 ^ C T 2 -8 Z n |l+ .^ ^ + ¥ H -C ; 3“3) + C;


v /2 x + 3

34) t ^ y ix + l) * -3 - ^ ^ r rr + 3 Zn 11 + + c ;
*2

35) 2 \/x - 2 + \ / J ã r c tg
332 CUBSO DE CALCULO DIFEEENCIAL E INTEGRAL

§4. Integração de Funções Racionais


8.11. Funções Racionais.
Seja dada uma função racional:
Kx)
<p(x) = >
F{x)
onde J(x) e F{x) são polinómios inteiros em x.
Se o numerador j(x) c dc grau igual ou superior ao denominador
F(x), podemos sempre dividir o primeiro pelo segundo, obtendo como
quociente uma função inteira ou mista da form a:

onde R{x) é de grau inferior a F{x).


A parte inteira da expressão mista, Q{x) ix)dc ser integrada dir(>-
tamente, de modo que a integração de qualquer função racional
j{x)IF{x) depende da possibilidade de integrar a função : R{x)'F[x)
cujo numerador seja de grau inferior ao denominador.
Exemplo : Seja integrar a junção
'x^ - 3a:^ ^ 2x - 5
dx
f x^ + 1
Solução. Dividindo o numerador pelo denominador, achamos :
x^ - Zx^ 4 - 2a;- 5 x -2
- = a; - 3 +
x^ + 1 x^ + 1
Substituindo na integral proposta, tem os:
fx^-Zx^-{-2x-o,
J — —*= 7 ® 1 J*=
= Jxãx-ZJdx + J ^ - i^ d x

Os dois primeiros termos podem ser integrados diretamente. Para


integrar a fração, torna-se necessário decompô-la em duas separando
os têrmos do numerador :
dx
+ 1

= a:* - 3a: 4- ~ b i! rc" -f- 1 I - 2arc tg .r 4" 0


FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 333

8.12. Frações Parciais.


A integração da função R(x)lF(x) depende em muitos casos da
possibilidade de decompor essa função em frações parciais por meio
da decomposição do seu denominador em fatôres primos, o que, de
resto, já tivemos ocasião de ver num caso particular (8.5(2)).
Examinaremos aqui os diversos casos que se apresentam, na
prática.
I caso: Quando os jatôres do denominador são todos lineares
não repelidos.
Para cada fator linear da forma ax + 6 do denominador, admi­
timos a existência de uma fração parcial da form a:

QX -\-h
onde A é um numerador a ser determinado. A determinação dos nume­
radores das frações parciais se faz mediante a identificação dos coefi­
cientes das potências iguais de dois polinôníios idênticos.
Exemplo. Seja integrar:
V + 5a:* + 4x2-20a^-27
dx
/■ x^ + Zx^ - 4x - 12
Solução. Como o numerador é de grau supeiior ao denominador,
começamos por dividir aquêle por êste, o que dá a expressão m ista:
2x » -3
ar + 2 + x ^ -j-Z x ^-á x -1 2

Fatorando o denominador (por agrupamento) achamos:


X* -f- 3x* - 4x - 12 = (x + 3)(x -f- 2){x - 2)
Donde resu lta:
2x2 _ 3 2 x 2 -3
X®-h 3x - 4x - 12 (x + 3)(x + 2)(x - 2)
e podemos escrever:
2 x 2 -3
+ -5 - + ^
(x. + 3)(x + 2)(x - 2) X -h 3 ^ x - l - 2
x -2
Admitimos que a fração dada provenha da soma de 3 frações
parciais cujos denominadores sejam respectivamente os fatôres primos
do denominador da fração d a d a ; os numeradores são constantes a
834 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

serem determinadas como segue. Reduzindo as frações parciais ao


mesmo denominador, tem os:
2a:*- 3 B
+
{x + 3)(a: + 2)(a: - 2 ) x - \ - Z ' x - { - 2+' x - 2

A (a; + 2)(a; - 2) + B{x + 3)(a: - 2) + d x + 3)(a; + 2)


{x + 3)(a: + 2)(a: - 2)
Como a primeira e última frações são iguais e têm o mesmo deno­
minador, os seus numeradores devem ser idênticos; donde,
2a:* - 3 = A{x + 2)(a: - 2) + B{x + Z){x - 2) + C{x + 3)(a: + 2)
Sendo uma identidade, esta igualdade deve ser satisfeita para
todo e qualquer valor de x. Poderíamos atribuir três valôres arbitrários
a a:, e resolver o sistema de três equações nas três incógnitas A, B e C
que resultaria.
Na prática, porém, a questão se simplifica escolhendo três valôres
convenientes de x de modo a anular um ou dois dos coeficientes das
incógnitas de cada vez. Assim, fazendo x = -3, anulam-se os coefi­
cientes de J5 e C, pôsto q u e:
2(-3)*- 3 = A(-3 + 2)(-3 - 2) + R(-3 + 3)(-3 -2 ) -|- C(-3 + 3)(-3+2)
ou : 15 = A (-l)(-5) -f- B . 0(-5) + C . 0(-l)
ou ainda : 15 = 5A ; donde, A = 3.
Do mesmo modo fazendo x = -2, anulam-se os coeficientes de
A e C:
2(-2)*- 3 = A(-2 + 2)(-2-2 ) + B{-2 + 3)(-2- 2 ) C{-2 + 3)(-2+2)
ou 5 = - 4R ; donde, B = -5/4.
Enfim, fazendo x = 2, anulam-se os coeficientes de A e R :
2.2* - 3 = A(2 + 2)(2 - 2) + B{2 -b 3)(2 - 2) -h C(2 -b 3)(2 -b 2)
ou 5 = 20 C ; donde C = 5/20 = 1/4.
Uma vez determinados os numeradores A, B e C, podemos subs­
tituí-los nas frações parciais :
5 1_
2a:*- 3 4- - 1 - 4- J L = ± 5 1
a:* -b 3a:* - 4a: - 12 a:-b3 x-b2 x-2 x-2 4(x -b 2) 4(x - 2)
D onde:

? ! -b 5a:* - 20x - 27 2x*- 3


a: + 2-b dx
/ "b 3a:* - 4x - 12 ■^ = /( X* -b 3x* - 4x - 12)
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 335

(a: 4- 2) + ^ ________^ + _ L _ 4
-/( X + 3 4(x + 2) 4(i — 2) J

dx
= + 2fd. + 3 - t / í T2 + t / ; ^ 2

= “1“ 2x —— l u \ x - { - 2 \ -{- ^ Z/i I X—2 1 -f- C


^ 4 4

= ~ x^ + 2a; + Zn I X + 3 I a; + 2 «/< + ín | a ;-2 + C

I , , „ , , , (x + 3)>(x-2)'«, , ^
= - x « + 2x + í» I I+ C

I I Caso : Quando os jatôres do denominador são todos lineares mas


eventualmente repetidos.

Se um fator linear do denominador ax h ocorre n vêzes, temos


que admitir a existência dc n frações parciais correspondentes, cujos
denominadores assumem a forma ax + h, {ax + hY, (ax + 6)®, . . . »
(ax 4* 6)“. Assim, se os fatores do denominador são (a; - 2)® e (a: 4- 1),
as frações parciais correspondentes serão :
B D
+ 4- 4-
x -2 ' (x-2Y (x-2Y x-\-l

Exemplo. Seja integrar :


dx
/ {x-2Y(x 4- 1)
Solução. Admitamos por hipótese, a decomposição :
1 B D
4~ 4- 4-
{X-2YÍX-Y 1\ X - 2 ' (a:-2)® ; (a:-2)® x 4-1

A ( x - 2Y(x 4- 1) 4- B(x - 2)(x 4- D 4- C(x 4- 1) 4- D(x - 2)®


(x-2)®(x4- 1)
Identificando os numeradores, temos :
1 = 4(x - 2Y(x 4- 1) 4- B(x - 2)(x 4- 1) 4- C(x 4- 1) 4- D(x - 2)»
Fazendo : x = 2, resulta 1 = 3C ; donde : C = 1/3
Fazendo : x = -1, resulta 1 = -9D ; donde ; D = -1/9
336 C U R SO DE CALCULO D IF E R E N C IA L E IN T E G R A L

Para determinar as duas incógnitas restantes, A e atribuímos


a X mais dois valores arbitrários, como sejam 0 e 1 :
Para a: = 0, temos 1 = 4 A - 2B + C - SD
Para x = 1, temos 1 = 2A-2B-\-2C-D
Mas, observando que C = 1/3 e Z) = -1/9, resulta daqui o sistema :
4.4 - 2 B = -2/9
2 A - 2 B = 2/9
que, resolvido, dá :
A = -8/9 e B = 1/9
Uma vez determinados os numeradores das frações parciais, subs­
tituímos e integramos :

J { x~ 2)3(x + 1 ) J \x - 2^ {x-2y^ {x-2y^ X+ i j

_ ^ f _L^ Z' 4. _L /*
'9 J ~ 2 ~ ^ '9 J (i xx --22)y2 ~ ^ z j (x-2)3 9J x+ l

= - ^ I n \x-2 \ ~^ y J ' -I*J ' {x-2)~H x x+1 l+ U

= - |- ! n |x - 2 | l { x - 2 ) - * - |í « |a ; + l | + C

1
8 Zn I X - 2 I 4-
x - 2 +' 2 (x -2 )‘
+ Zn 1 X - f 1 i I + C
1

= - i [ i « | ( x + i)(x - 2 )M + 2 ^ r ^ ] + c

I I I Caso : Quando 0 denominador contém um ou mais jatôres


quadráticos irredutíveis.
A cada fator quadrático irredutível da forma ax^ -|- 6x -f c, cor­
responde uma fração parcial da forma :
.4x + B
ax'“ + 6x + c
onde o numerador podo ser um binômio do primeiro grau em x,
visto que o denominador é do 2.” grau.
Exemplo. Seja integrar
d.r
/ x^ + 8
FUNDAMENTOS GEüMÉTKICOS E E ÍS JC O S 337

Solução : o denominador + 8 pode ser docomi)osto nos fatores


{x + 2){x^ - 2a: + 4); donde :
1 .1 Bx + r
+ 8 (a: + 2)(a:2 - 2a: + 4) “1
“ .77
a: + 2 a:- - 2a- + 4
^ (a:2 - 2a: + 4) + (Bx + C)(x + 2)
(a: + 2)(a:2 - 2x + 4)

e identificando os numeradores :
1 = A(x^- - 2a: + 4) + (Bx + C)(x + 2)
atribuindo a x valores particulares convenientes :

para x = -2, temos ; 1 = 12A ou ai = —


para x = 0, tem os: 1 = 4A + 2C ou C = 1/3 (visto que A = 1/12)
para a: = 1, tem os: 1 = 3^4 + 3(fí + C) ou ^ = -1/12
P ortanto:
- -ia- -4- 1 \
í dx = í í 12 12 3
0-3 4-
a:» + 8« V r -1- 9 + “7
a: + 2 a:'- - 2a: + 4

_ i jlL
1 í dx í 12^ 12 (substituindo 1/3 por 4/12)
^ 12J x+2~^J ' a:2 - 2a: + 4

-1 Í M - - 4)da:
“ Í2 ^^ ^ 12J x-^~ 2a- -f 4
(pondo cm evidencia -1/12)

= i /w I X + 2 I - i Zn |a:2 - 2a: -b 4 I -|- arc tg -f- C

= i j^Zn 1X -b 2 I - i Zn I - 2x + 4 1 + \/3~arc tg ^

i f x+ 2 ^ x - l “|
= ' V^x“= ^-2x-b4' + ^ ^ ^ ’"^^
Observação. Para integrar a última expressão :
1 r (x - 4)dx
12 J
X- - 2x -b 4
temos que recorrer a certos artifícios já empregados anteriormenlc.
338 CUIíSO DE CÁLn.LO 1)1 FKIU:\<’TAL E INTEGRAL

Em primeiro lugar procuramos obter uma integral cujo numerador


seja a diferencial do denominador que é (2a; - 2)dx. Para isso, multi­
plicamos o numerador por 2 (multiplicando ao mesmo tempo o coefi­
ciente externo por 1/2) e decom])omos a parte constante em duas
parcelas -2 e -6 :
1 r { x - 4)dr _ í r i 2 x - S)dx I r ( 2 x - 2 - 6)dx
12J 2x ++ 44
- 2a; 2AJ - 2x
2x ++ 44 “ 2 4 J x ^ - 2x + 4
1 r (x - 2)dx
2)dr 1 r --6dx
J J
24 x2 - 2x + 4 24 x* - 2x -|- 4 (desmembrando a fração)

dx
*«-2x + 4| + i y ^ - (dando ao denominador da
--24^ 1)^+3 2.», a forma u* + o*)

- - ik |x « - 2 x + 4 |+ j . ^ a r c í g ^

e x e r c í c i o s

I. II. III.
f dx r dx Ç 2dr
1.
J ( * l)(x - 3) Jf I»(x -1 ) • ■ J I x(x*-b2).
Ç (2x -b 3)dx Ç (2x -b l)dx Ç fx* - .3)dx
2.
J x(x - l)(x H- 2) J' x(x-2)* f (x + 2)(x*+ l)
Ç ix 4- 7)dx f (x* -b l)rfx 3.
^ ■dx
3.
J X» -b 2 x - 8 ® -J * (X -b 2)» f (x -b l)(x»-bx-b2)
Ç (1 -x*)dx 2x»dx (x*-x)dx
4. ^Ç
f
4.
J -b 4x -b 3 1 (x*-l)» f x« -b 3x* -b 2
Ç (4x*-3x-2)dx Ç (2x*-x + l)dx ^ (x*-x -b l)dx
5.
J x(x* - 4) f (X - 1)»(3 - X) * 'J I X» -b X -b 1

IV. (Reviisão)
r (3x - l)<íx ^ xdx Ç dx
1. 6. 11. ^
J (x-4)(2x+l)(x-l) * x«-4 1 (x* -b l)(x< -b x)
Ç x*dx Ç x*dx f (3x* + .3x -b 14)dx
2.
J x* + l N f (1-x*)» f 2x»+3x»-b2x -b 3

3.
^ (x* + 6x-8V ir 8. 1Ç (x* -b 2x* -b 2)dx 13. ,/• xdx
J X* -4x J1 x« -b 2x* -b 1 J1 xt-bl
(x - S)dx /• X dx 14. ^^ dx
^
4. J x> - 4x I (x-bl) (x»-b2x+3) 1 x*-16
ç (6x* -b 6x» - 7)dx 10. J I* (x - 5)dx ^ x*dx
5.
J 3 x » -2 x -l 1 X* -b »• - te J1 X* + 16
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 339

RESPOSTAS

I. 1) l / 2 Í n | ^ l + C5 2) Z n |- í i z l ^ L n - C ; 3) i . Z n |+ C ;
'x-1' ’ x n « + 2)‘/* ' ’ 2 x+é'

4) 4 x - ^ + ZnIx + l l - 1 4 / » I x + 3 I + C ; 6) i , i n | x(x+2)‘(x-2)* |+ C ;
2 12

II. 1) i . + í n | í ± i | + C; 2) i í n I-1^1 - — 5— + C ;
X X 4 x -2 ' 2 (x -2 )

3) - 4ín lx+21+C ; 4) x * + ln |(x*+1)*) - + C ;


X + 2 X* - 1

5) - - i - + 2 / n | x - l | - 4 Z n | x - 3 | + C.
X- i

III. 1 ) In I ; ^ I+ C; 2) -L ín |(x + 2)(x* + 1) | - A arc tg x + C’ ;


V ^ + 2 5 5

3) 2 Zn I I + v j are tg + C ;
4 X» + X + 2 14 ^ /7

4) 2 /n I ^ 1 -f \/2*arc tg —7 = - are tg x + C ;
2 X* + r ^
2 2x + 1
5) x - / n |x* + X + 1 i + ^ a r c tg + ^ t
IV. (Revisão)

1) n z n |x - 4 |- 2 z n l2 x + 1 | - l z n | x - l | + C;

1 1 3* + 1 1 2x-l
2) ~ X* -f- Zn I >■- areVtg
I — y—»i i-u — y— + (■ ;
2 3 \/x=* - X + 1 \ / 3 v3

3) Zn I í!ífL 2 1 1+ C ; 4) _ L . + 2 / n | ^ | + C ;
(X+ 2>» x-2 X

5) X* + 3x + ín |( x - l)(3x - l)»/3 |+ C ; 6) 2 z n | — ---- ^ | + C ;


8 x'^ + 2

^ 8> i i n k H l | + 2 a r c t g x + 5 ^ + C ;

9) - 2 z n I X + 1 1 4- 2 z n I X* + 2x + 3 I + 2 are tg + C;
2 4 2 2

10) 4 ^ « l ^ |- ~ í ^ k + 3 i - 2 z n |x - 2 |+ C ; 11)—2 — +Zn|- t 2 = | + C ;


6 15 ' 1 0 2(x»+l)

12) 2 Zn I ^ I + 3 are tg X + C ; 13) 2 are tg x* + C;


340 CUBSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

14) J-ln 1 I - J . are tg— + C ;


32 ' X + 2 16 2 ’

l„ I] - 2 \ / ^ + 4 II +, Y_f
15) ÍL: h, V ^ lI are
orn tg "V ^ +arc tg . I+ c.
!<'> x^+2V^x + 4 8 VF ^/2
Sng.: + IG = x^ + 8x* + 16 - 8*’- = (x* + 4 ) * - 8x* = (x* + 4 -\/E x) (x* +
+ 4 +^/8x)

§5. xYplicações Geométricas e Físicas


8.13. Areas em Coordenadas Polares.
Seja achar a área compreendida entre a curva A B de equação
polar
P=/(6)
(' os raio.s vetores ri e rz, aos quais correspondem os ângulos polares
a e 0 rc.spectivamente (Jíg. 8.2.).

Traçando os raio.s vetores pi, pz, pa . .. , pn = rz decompomos o


setor AOB em n .setores elementares de abertura A9i, A9z, A 63, . . . ,
AOn. Supondo, inicialmente que seja
7*1 = Po < pi < P2 < P3 < .. . < pi-i < pi < . . . < pn = Tz
formamos em cada .subdi\ isão o setor circular inscrito e o setor cir­
cular circunscrito. Consideremos o setor genérico MOP (jig. 8.3);
o setor circular inscrito MON de raio pi_i e ângulo central A6i, tem
por área (♦):

A /l/ =

(^) L e m b ra n d o q u e a á re a d o s e to r c ir c u la r ra io X a rc o e que o arco* p o r sua ves,


1 ^
é = raio X â n g u lo m e tíid o em ra d ía n o s; A =
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 341

anàlogamente, a área do setor circular POQ de raio p, e angulo central


A6i, é :

^ A i" =

Representando por Sn a soma dos n scdoivs circunscritos e por


Sn a soma dos correspondentes setores inscritos, temos ;

-S. = 1 ; A.A" = T ^ p , 2 á 0 , = T ( p r A O , + f . ^ A a , + -, =AOa+


<= 1 i-1
+ Pn-A6n)

s. = V A / l ' = ■iVp=,..AO, = -í(p„íAI)i+prAO,+ pí'A()a +


»-i ^ i-1 ^
+ . . . + P "n -1 A 6n)
Trata-se de provar que para 7i tendendo a oo e A Oi t('ndendo
a 0, as duas somas tendem ao m('smo limite, ou, o (pie é a mesma
coisa, que :
1 i m {Sn - s„) = 0

Com efeito, subtraindo membro a m(‘ml)ro a 2.“ soma da 1.*,


vem:

S .- s . = p ' , - , ) A 0 i = - i l í p i ^ - p.=)A0, +
Í“ 1
+ (P22- Pi2)A02+ ...+(p..2-p\-i)A0n]
ou, representando por h o máximo valor dos ângulos A0 í(A0 í ^ h ) ,
e substituindo :

5 .-S . = v K í ’* " ' + f f ’’ " + ■ ■■ +


t-1
+ (P“^ “ p"n-l)â]

= 7 r [ ( P l“ ~P0") + (p2‘ - pl^) + • • • + (p»‘ “ p"n-l)] ([íitoraiidu)


312 CUBSO DE CÁLCULO DIFEEENCIAL E INTEGEAL

(simplificando)

= j ( r2 ^ -r ,= )A (visto que po = ri e pn = ra)

Como ri e rg são constantes e, por hipótese, h tende a 0 quando


n tende a oo, podemos escrever :
1 im (<Su-Sn) = 0 ou l i ms o = l i m^ n
^-►QO n->oo
Êste limite comum se reduz ã integral definida da diferencial

~ p®d0 estendida ao ângulo a, e nos dá a área do setor AOB,



ou seja:

A = 1i m 5n = 1i m Sn = 1/2 1 i m V pi^AOi = ~ p^d0


n^co n->oo n->oo
a
Se os raios vetores são decrescentes no intervalo (a, ^), isto é, se
ri = po > pi > p2 > . . . > pn = r-2

as áreas dos setores inscritos passam a ser (Jig. 8.4) :

ypx^A0i, i p > ‘-^A02, . . . , -^pu^AOn

de modo que sua soma será :


I
Su = — £ ) pi“ A Oi ;
.2 i = l

ao passo que as áreas dos setores circunscritos serão :

|-pO*A01, ^P^n-lAO»
FUNDAMENTOS GEOMÉTBICOS E FÍSICOS 343

e sua soma se reduz a

jSn = — V P*l_lA6i

A diferença destas duas somas resulta, neste caso:

Sn-Sn = pi*)Aei (pi_i > pi)

e tem, evidentemente, o mesmo limite 0 quando n tende a oo.


Por decomposição estende-se êste resultado, sem dificuldade, ao
caso em que os raios vetores são crescentes em parte do setor e decres­
centes noutra.
Exemplo. Achar a área da região compreendida entre os círculos
p = a COS 0 e p = 2a cos 6 (J^g. 8.5).

Solução. Seja M N a parte de um setor elementar genérico de


abertura d 6, compreendida entre os dois círculos. Se representamos,
para distinguir, por pi e p2 os raios vetores relativos aos círculos menor
e maior respectivamente, podemos exprimir a área dA da faixa ele­
mentar M N como a diferença entre as áreas dos setores ON e OM,
a saber:

dA = Pi*)d6

A figura é simétrica em relação ao eixo polar, de modo que basta

calcular a área da parte acima dêste eixo, integrando de 0 a ®


344 CUBSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

duplicar :
X/2

(p2^- Pi^)d6

X/2

(4a^ cos^ 6 - a^cos^ 6)d 6


/
0
X/2
= 3a* / cos*6d0
/•
0
x/2
+ COS 2 6 1 + COS 20
= 3a* d0 ^visto que cos*6
)
-.x/2

[ 9+ -se n 2 0 j =
3xa*

EXERCiCIOS
Achar as áreas limitadas pelas seguintes curvas.
1. círculo p = a Resp. xo*
Resp.
XO'*
2. círculo p = a cos 0

3
3. Cardióide p = a (l - cos 0) Resp. - - xo*
2

4. Curva p = 1 + sen 6 Resp. -1- X


2

5. Laço menor da curva p = a(l +2cos6) Resp. JL a* (2x - 3 \/3 )


2

6. Um laço da curva p = o sen 20 Resp.


xo*
8
xo*
7. Um laço da curva p = o sen 30 Resp.
12

5x0*
8. Curva p = o sen* 0 Resp.
32
9. Um laço da curva p* = o* sen 0 Resp. o*
0
10. curva p = sen — • Resp. i + 1
2 2
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 345

11. curva p = o cos 0-1-6 sen 0 Resp.

12. curva p* = o* cos* 0-1-6* sen* 6 Resp.

13. um laço da curva p aaen n 0 Resp.


n
14. Ãrea limitada i>ela curva p — 2 a cos 36, exterior ao círculo p = a.

R e^. a ’ ( j .

1 5 . Area compreendida entre os círculos p = 4 cos 6 e p = 4 sen 0


Resp. 2 X - 4
16. Area interior à cardióide p = a (l + cos 0) e exterior ao círculo p = 2a cos 0

Resp.
xo*

0
17. Area do segmento parabólico compreendido entre a parábola p = osec* —
2
e a perpendicular ao eixo passando pelo foco.
Resp. 8o*/3

18. Area compreendida entre as curvas p = 1 + cos 0 e p = ^


— \ / 2 cos 0
2

Resp. JL (9 \/3 - 4x)


8

19. Area compreendida entre as cônicas

P = 1 - CO80
ã ® P = 1 + CO8 0 Resp. 21 ^

20. Area compreendida entre a parábola p sen* 6 = cos 6 e a reta p = sec 6


Resp. 4/3
21. Area limitada pela curva p* = 4 cos* 0 + sen* 6, entre o eixo polar e o raio

0 = JL Resp. 5x
2 8
22. Fazendo y = a sen 0, achar a área compreendida entre o eixo dos a; e a tratriz
X — a ln P ^ - \ / a * - j/*, 0 < y< o
V

xo*
Resp.
4
23. Passando a coordenadas polares achar a área limitada pola curva
y* = X* y*. Resp. x y / 2
346 CUBSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

24. Passando a coordenadas polares achar a área de um laço da curva —Zazy.


Resp. 3/2 a*
25. Passando a coordenadas polares achar a área de um laço da curva x*+ = 2a*xy.
Resp. xo?

8.14. C om prim ento de u m Arco. D efíníçSo C onstrutiva.


Seja A B um arco de curva plana ijig. 8.6). Tomando sôbre êste
arco uma sucessão de pontos em ordem crescente, Pi, Pj, Ps, • • Pn-i,

unimos cada ponto ao seu sucessor imediato por meio de um segmento


de modo a formar uma poligonal inscrita de lados
A P l , P \ P 2, P i P 2 , ........ P n - l B

Representando por
A^l, Aíj, AZ3, . . . , Aín
os comprimentos dêsses lados e por Sn a sua soma, temos :

= A í i -|- AÍ2 “h A í j - } - . . . + Ala = y^.Ali ( 1)


Mediante a intercalação sucessiva de novos pontos de divisão, aumen­
tamos ilimitadamente o número n de lados da poligonal de modo que,
ao mesmo tempo, tenda a 0 o maior dêsses lados ; se, nestas condições,
a soma s» tende a um limite determinado para n tendendo a qo , di­
zemos que o arco é retijicável e que êste limite mede o comprimento
8 do arco. Em símbolos :
8 = 1i m Sn = 1 i m ^ Ah (2)
n^oo 00 1-1
FUNDAMENTOS C.EOMÉTRICOS E FÍSICOS 347

Em particular, um arco de curva liso é retificável e seu comprimento


pode ser calculado quando conhecida a equação da curva.
Neste caso, como sabemos, a tangente ao arco de curva existe
e é única em cada ponto e sua posição varia de modo contínuo ao longo
da curva o que eciuivale a dizer, em linguagem algébrica, que a equação
da curva possui uma derivada contínua para todo x, abscissa do refe­
rido arco.

Seja y=j{x) a equação do arco liso AB seja a ^ x ^ h o intervalo


correspondente do eixo dos x (Jig. 8.7). Consideremos, em particular,
uma subdivisão Pi-iPi do arco e seja Ah a corda subtendida ; tra­
cemos as ordenadas M P i-i = yi-i = NPi = yi = j{x i) e o
segmento Pi-iQ, paralelo ao eixo dos x, de modo a formar o triângulo
retângulo Pi.iPiQ, de hipotenusa AZi e catetos
Pi-iQ = Axt = x i- x i^ i e QPi = Ayi = y i - y i - i
Dado que o arco Pi_iPi é parte de uma curva lisa, haverá um
ponto P do arco em que a tangente à curva é paralela à corda Pi_iPi.
Representando por a abscissa do ponto P, o declive da tangente
será dado pelo valor que assume a derivada da equação neste ponto,
a saber:
tg Ç = (a:i-i < Çí < Xi)
e, portanto, representando por a o ângulo QPi.iPi = <p, no triângulo
retângulo Pi-iPiQ, tem os:
A^
- = tg ct = m ò
Axi
ou, multiplicando por A xi:
(3)
348 CUESO DE CÁLCULO D T F E E L X C IA L E IN T E G R A L

Doutra parte, vale no mesmo triângulo a relação de Pitágoras :


M, = + (A?/,)‘ (4)
Substituindo nesta r('lação o valor d(' A ?/i tirado dc (3), vem:
A i, = v / ( A l , ) - ' + |f ( ç ,) A : n l»
_ I Ip / w O 2 (filt orando om (Aaa)* e extraindo
V u \soJ > quadrada.)

Substituindo esta exj)ressão de A/i em (1), resulta :


n ti
.% = V Aí, = V v L + l / í Õ T ' AI,
i-1 i=l
Passando ao limito, faz('ndo n tond('r a oo, esta soma se reduz à
integral
b

s = + l/'(:r)] ^ d x (5)

visto que J'{x) e, portanto, \ / l + [J'(^)J ó, por hipótese, contínua.


Lembrando que y' = j'(x), podemos escrever ainda mais simplesmente :
b

+ y'^ dx (5o)

8 .15. C om prim ento em Form a P aram étriea.


Se a curva é dada por meio das equações paramétricas
X = (p(0 o. y = (>(0 to ^ ii
que supomos funções contínuas do parâmetro t, no intervalo [ío, <i]
e dotadas de derivadas contínuas neste intervalo, temos :

dx = <f'{t)dt,dy = ^'{t)dt e /'(x) = ^ =


dx
Donde, substituindo cm (5):

ou, introduzindo o fator ç'(í) no radical e simplificando :

s = f y / W '{t)V
l + [f(<)]^ dt (6)
J <0
que é a fórmula do comprimento de um arco em forma paramétrica.
FUNDAMENTOS GEOMÉTBICX)S E FÍSICOS 349

E x em p lo 1. S e ja calcular o com prim en to d a circu njerên cia de ra io r.

Solução. Por razões de simetria, basta calcular o comprimento

do arco A B (Jig. 8.8) no 1." quadrante e quadruplicar (intervalo de


integração [0, r]). A equação do círculo é :
a;2 ^2 _ ^2 .
ou, resolvendo em y :
y — \/r ^ - (semicírculo superior)
Derivando, vem :

y’ =
Donde, substituindo esta derivada em (2a), integrando no 1.*^
quadrante e quadruplicando :

- i f )/i + dx
ü

(elevando ao quadrado)

, r ]/r2 - x ^ - \ - x ^
(reduzindo a expressão mista)
= v y ... "
350 CUBSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

(simplificando)
0
r

= 4r ^ = 4r [~arc sen —1 (fórmula XVII)


J y /j.2 _ 3j2 |_ rJq

= 4 r [arc sen I - arc sen 0 ] = 4r — = 2 xr

que é a fórmula conhecida.


E x e m p lo 2. S e ja a in d a calcu lar o com prim en to de u m arco de
ciclóide
a; = o(6 - sen 6), y = o(l - cos 6)
Solu ção. O arco da ciclóide é gerado, como sabemos, por um ponto
P de um círculo de raio o que rola sem deslizar sôbre o eixo Oa: (Jig.
8 .9) ; o parâmetro 0 varia, portanto, entre 0 e 2x.

Derivando em 6 as equações dadas, tem os:


dx dy
= o (l - COS 6) = a sen 0
dê dO
Donde, substituindo em (6):
2X

8 — ^ \/a % l - COS 0)* + o*sen*0 d 0


0
2X
- (passando a constante a
« / v / r r 2 C0 S 0 + COS*0 + sen*0 d0 para fora e desenvolvendo
o quadrado).
fundam entos g e o m é t r ic o s e f ís ic o s 351

2tc

= ~ 2cos 0 á 6 (visto que 8en*0+cos*6 = 1)


0
2X -------------

= aj lA sen ^ -^ d e ^visto que 1 - cos 6 = 2sen*


0
2X

= 2a J' sen
n
(extraindo a raiz quadrada)

L
= 4al -COS

= 4a [- cosx -
2Jo
(-COS 0)]
(ajustando a constante e integrando
segundo a fórmula VII)
= 4a(l + 1) = 8a.
8.16. C om prim ento de u m Arco em C oordenadas P olares.
Se a curva é dada em coordenadas polares, isto é, pela equaçáo
polar
P = /(O) ( 1)

podemos obter o comprimento de um arco A B correspondente aos


ângulos polares 6i e 02 (Jig. 8.10), recorrendo às fórmulas de trans­
formação de coordenadas cartesianas em polares, a saber:
X = ç COS 6 e y = 9 sen 6 (2)
Daqui, por diferenciação, tiram os:
d x = COS 0dp - psen ò d ò e d y — sen 0dp -f- p cos 6d 0 (3)
(diferenciando ambas as relações como produtos).
352 CUESO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Donde, dividindo membro a membro a segunda pela primeira


dy sen 0d p + p cos 6d 0
(4)
dx COS 6dp - p sen 0d 6

Substituindo em (5a) de 8 .14, y' e d x por seus valôres tirados de (4)


e de (3), e os limites de integração por 6i e 02 respectivamente, temos :
6*
sen 0dp + pcos 0d0\2
-/ iR
01 ^
COS 0d p - p sen 0d 0
1 (cos 0a p- psen 0o 0)

02

= / 'cos 0d p - p sen 0d 0)^ -f- (sen 0d p+ pcos 0d 0)^


01
(passando o binômio para dentro do radical e simplificando)
02

= J' 01
\/cos^ 0d p*+ p^^sen^ 0d 0*+sen* Od p*+ p*cos* 0d 0®

(desenvolvendo os quadrados e simplificando)


Ot
= ^ \/(cos^ 0-|-sen* 0)d p*+ (sen* 0 + cos^ 0) p*á 0^
01
(fatorando um binômio em dp* e o outro em p*d0*)
02
= / W p* + P^d 0* (visto que sen*0+cos*0 *= 1)
01

_ j \ / f y I 2 (multiplicando e dividindo o radi-


~ J cando por d 0* e extraindo a raiz dêste
01 último fator)
Daqui a fórmula

/•
= / \ / p * + p'*d0 (5)

subentendendo que a derivada de p é calculada em 0, isto é,

^
^ d0
E x em p lo . S e ja calcu lar o com prim en to d a ca rd ió id e (Jig. 8.11).
p = o(l - cos 0) (6)
FUNDAM ENTOS G E O M É T E IC O S E F ÍS IC O S 353

Solução. A derivada de p em 0 é :

? = —— = a sen 0
dO

Fig. 8.11

Substituindo conjuntamente este valor de p' com o valor de p tirado


de (6) em (5), vem (os limites de integrayâo são 0 e 2 z ):
2X

s=JVÕT-
h (1 - COS 6)^ + a ^ s e n ‘^ 0 d 6

2X

=J' a \ / ( l - COS 0)^ + sen^6 dO (pondo em evidência


extraindo a sua raiz)
e

2X

= a J ' \ / í -2cos0+.cos20+seir0d0 (de.senvolvendo o quadrado


do binômio)
2X

- 2 COS 0 d 0 (visto que cos^O + sen* 6 = 1)

2X

= se n ­ do visto que .1-COS 0 = 2sen*-


■í)
= 8a (como no exemplo anterior).
354 CUR«0 DE CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

8 . 17. Superfícies de Revolução.


Um arco (li.so) de curva plana que RÍra em tôrno de um eixo que
não o corta, gera uma superfície que recebe o nome de su p e rjíc ie de
revolução.

Seja AB um tal arco de curva dado no plano cartesiano xOy pela


equação
y = K ú (1)
e suponhamos que A B efetue um movimento de rotação completa
em tôrno do eixo Oa: {jig . 8.12).

Seja [a, b] o intervalo do eixo dos x em que é dado o arco A B .


Trata-se de definir e calcular a área da superfície de revolução assim
gerada.
Suponhamos A B decomposto em arcos elementares P Q = As e
representemos por A l a corda subtendida P Q . Esta corda gera a super­
fície lateral de um tronco de cone cuja geratriz é A h. Sejam {x, y ) as
coordenadas de P e (x -|- A x , y -f- A y ) as coordenadas de Q. A área
da superfície lateral do tronco de cone assim gerado é :
AA = + V + A»)
((órmula: A - 2 r ( r _ ) ^ _

= x(2y -}- A y) A y = T.[(r + R)g]


Dividindo ambos os membros desta última relação por A x
(observando que a área gerada é, como o arco, uma função de x definida
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 355

no intervalo [o, ò]), temos :

= - ,(/ «2 y +. ^Ay )\ —
Ax
Ml As
= %{2 y + A y) (dividindo e multiplicando
As Ax por âis)
PasSando ao limite, isto é, fazendo A x tender a 0, tendem a 0
com êle A y , A h e A s ; doutra parte, sabemos que o limite da razão

é 1: donde :
As

(lA ds
dx

ou, suprimindo nos dois membros a diferencial dx :


d A = 2 x y ds (2)
que é a diferencial da área da superfície de revolução.
A área da superfície gerada pelo arco A B será, por definição,
a integral desta diferencial estendida ao intervalo [a, 6], ou seja:
b
=2 rf yds (3)

A fim de efetuar a integração de (3), importa exprimir a diferencial


d s em função da variável independente x e sua diferencial dx , subs­
tituindo-a pela sua expressão (5a) de 8.14, a saber :
h

A = 2xJ ' y \/i -f y'^ d x (4)

E x e m p lo . C alcu lar a área d a su p e rjíc ie d a esjera de ra io r.

Podemos considerar a superfície da esfera como a super­


S olu ção.
fície de revolução gerada pela rotação da semicircunferência em tôrno
de um diâmetro (eixo dos x ). Por razões de simetria basta considerar
a superfície gerada pelo arco A B no 1.® quadrante (Jig. 8.13) e du­
plicar (intervalo de integração [0, r]).
Da equação do círculo
y^ — r®
tiram os:
y = y /r ^ - x '^ (arco acima do eixo Ox)
356 CUKSO DE CALCULO DIFEEENCIAL E INTEGEAL

e derivando

Daqui, introduzindo em (4) êstes valôres de y e y' conjuntamente


com 0 8 limites de integração 0, r e duplicando vem:

= 4X y * y'^2_a.2 dx
r ^ -x '^
r

= 4x ^ ^/r^ - X^ -{• X^ dx (efetuando o produto dos radicais)

= 4xr J/ dx (simplificando e extraindo a raiz de r*)


0

= 4xr 4xr*
[ * 1
que é a fórmula conhecida da área da superfície da esfera.
8.18. Centro de G ravidade. Curvas e S u p erfícies P lan as.
Já vimos (5.17) que as coordenadas do centro de gravidade de
uma distribuição contínua de massa no plano, são dadas pelas fórmulas:
__ ^x d m _ J ydm
X— r ® 2/= > (1)
J dm J dm
onde X e y são as coordenadas do elemento de massa dm.
FUNDAMENTOS GEOMÉTBICOS E FfSIOOS 357

Consideremos, em particular, um arco de curva homogêneo A B


de comprimento s, dotado de uma distribuição uniforme de massa
e seja a massa (constante) por unidade de comprimento, de modo
que a massa dm de um arco elementar ds será {jig. 8.14)
dm = gds

Nestas condições, as fórmulas ( 1 ) podem ser escritas:


— I xds — I yds
X = íi___ e y = 'L___ (2)

(suprimindo no numerador e no denominador o fator comum constante


e observando que ^ ds = s).

Dada a equação da curva


y = K^ )
a diferencial do arco tem por expressão
ds = \ / l + y'^dx
Substituindo em (2 ) e observando que as integrais em x que re­
sultam são estendidas ao intervalo [a, 6 ], temos:
_ f ^ x \/í + y'^ dx _ -Hy''^ dx
“=
X ® ----- e y = —^ (3)
s ~ s
onde fica subentendido que y' = j'{ x ) e y = j ( x ) .

Generalizando o exposto em (5.17), consideremos a superfície


plana A C D B , compreendida entre as curvas y i = ){x ) e y t — g(x),
no intervalo [a, 6 ] (representando, para disftinguir, por yi e yz as orde­
nadas das duas curvas) (Jig. 8.15).
358 CUESO DE CÁLCULO DIFEEENCIAL E INTEGEAL

Se supomos a superfície decomposta em faixas elementares, EFy


paralelas ao eixo dos y , de espessura d x e altura EF = y 2 - y i e repre­
sentamos por (i a massa por unidade de área, o elemento de massa
será:
d m = [i{y2 - y i)d x

e seu momento em relação ao eixo dos y tem por expressão


x d m = x iL ( y 2 - y i) d x
Donde, —
~ J
I xdm IJ a
x\í{y2 - ?/i) dx IJ a x{yo - yi)dx
X = (4)
S f a
(suprimindo nas duas integrais o fator constante e representando
por A a área da superfície).
A fim de obter a ordenada do centro de gravidade, deve-se notar
que o centro de gravidade da faixa genérica EF está no ponto médio
M da faixa, de modo que sua ordenada y vale a semi-soma das orde­
nadas 2 / 1 e 2 /2 : 4 .

y = '— íí—

^ ppôsto
ô que H M -EH = H F-M H ou y-yi=yr-y->- 2/ = - | (2/2 + yi)
)
Donde, substituindo na expressão de y em (1), vem:
2/1 + 2/2 2/1 + 2/2
dm 2 {y-.-yòdx ^j^^{yí^^\^)dx
_ /
y = (5)
^ dm
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 359

8 .19. Teorem as de G uldin.


Do exposto resultam duas conseqüências notáveis, conhecidas
como teoremas de G u ld in ou de P a p p m .
I T eorem a: A área d a s u p e r jid e de revolução gerada p o r u m
arco de curva A B que g ira em tòrn o de u m eixo do seu p la n o que não
o in tercep ta , é ig u a l ao produ to do com p rim en to do arco p e la d r c u n je -
rên cia d escrita pelo centro de gravidade do arco ao d a r a voUa com pleta
em tô rn o do rejerid o eixo (Jig. 8 .16).

D em .: A área A gerada pela rotação do arco AB em tôrno do eixo


dos X é dada pela fórmula (3) de 8.16:
b
A — 2% yds (1)
a
Doutra parte, multiplicando os dois membros da 2 .* das equações
(2 ) do n.® anterior, por 2 %s, resulta:
b
2 %ys = 2 tcJ* y d s (2)
a
Donde, em virtude da relação (1 ):
A = 2 %ys
como se tratava de estabelecer.
I I teorem a: O volum e de revolução gerado p ela rotação de u m a
J ig u ra p la n a que gira cm tôrno de u m eix o de seu p la n o que não a in te r­
cep ta , é ig u a l ao produ to da área d a jig u r a p ela circu n jerên cia , descrita
p e lo centro de gravidade d a re je rid a jig u r a (Jig. 8.17).

D em .: O volume do sólido de revolução gerado pela rotação,


em tòrno do eixo dos x, da superfície A C D B , compreendida entre as
360 CUBSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

curvas y\ = /(x ) e yj = g{x) no intervalo [a, h], têm por expressão;

V= W-yfldx (3)

(visto que o volume gerado por ACDB é igual à diferença entre os


b b
volumes Vt = njy2^dx e Vx= % J*yi*dx, gerados por AM NB
a a
e CM ND respectivamente (5.14).
Doutra parte, multiplicando os dois membros da relação (5) do
n.® anterior por 2 x A , resulta:
b
2xyA = “Jcj* - yi*) d x
a
ou seja, em virtude de (3):
V = 2% yA
como se tratava de provar.
E x em p lo . A ch a r o centro de gravidade da sem icircu n jerên cia e
do sem icircu lo de ra io r.
Solução. Se referimos o círculo a um sistema cartesiano tomando
o centro como origem e Ox como eixo de rotação, o centro de gravidado
de ambas as figuras estará, por razões de simetria, sôbre o eixo dos y
(Jig. 8.18), e, por conseguinte, é x = 0 .
Quanto à ordenada, basta fazer as seguintes considerações:
a) A semicircunferência A B A ', girando em tômo de um diâmetro
(eixo dos x) gera a superfície da esfera de raio r cuja área é A = i x r - .
FUNDAMENTOS GEGMÉTEIOOS E FÍSICOS 301

De acordo com o 1.® teorema de G v ld in , temos:


^ — 2r
4xr* = 2Tcyxr; donde, y = -----

• • • ^ *TCT*
b) O semicírculo de raio r, cuja área é ^4 = , girando em

torno de um diâmetro gera a esfera de volume ^ = "l* iw**- De acôrdo


com o 2,® teorema de Guldin, resulta:
4 ^ xr^ — 4r
Y icr® = 2%y — donde, y =

EXERCÍCIOS
Achar o comprimento dos arcos das seguintes curvas, no intervalo indicado.
1. 4j/ = z*; (0,4) Resp. 5,916
2. y» = (0,4) Resp. .^(10 ^JTÕ- 1)
27
3. (comprimento total) Resp. 6a

4. y = + e-/«); (0, o) Resp. -2—(e* - 1)


2
õ. X = 3í®, y = 2/*; (0 ^ < 3) Resp. 20 VlÕ - 2
(). X = 2 + 4 sen 0, y = 4-4c*osO;(0^6^';:) Resp. 8x
7. X = (‘Os^O, y = sen*0; (0 6 r/] x) Resp. 3/2

8. z = acos‘ 0, y = asen‘ 0: ^ 0 ^ 0 ^ Resp. ^ ^ [ 2 V^+/n(2+V^)l


362 CUBSO DE CALCULO D I P E B E to A L E INTEGRAL

9. * *= a (coB 6 -f 6 sen 6), y * a(sen 6 - Ocos 6); (o 2 « S

Resp. 9x*o
8
10. X = a(2cos 6 -COS26), y *= a(2sen 6 - sen20); (compr. total)
Resp. 16a

11. X = oln° ^ - V<**“ y*> (&=!/=<*) Resp. aZn—


a 6
12. p = a0; (0 < 0 < 2x) Resp. 21 a apr.
13. p = «0; ( 0 < 0 < 4 x ) Resp. ”^(«4x - 1 )
14. p = a (l + COS 0) (compr. total) Resp. 8a
0
15. p =» O COS* (compr. to tal) Resp. xa
3 2

16. X — e~* COS t, y ^ sen /; (0 ^ í ^ 2x) Resp. ~ e-2ic)


Achar a área das superfícies geradas pela rotação em tórno do eixo dos x
das seguintes curvas:
17. y = “j x ; ( 0 < x < 4 ) Resp. 15x

18. y = X*; ( 0 < x < 1 ) Resp. VÍÕ-1)

19. y* = 4x; ( 0 < x ^ 3 ) Resp. — X


3
20. X* + y* = r*; (-r ^ x ^ r) Resp. 4xr*
21. X* + y* = r*; xi + A Resp. 2xrA

22. X*'* + y*/* = a*/*; (0 < x < a) Resp. —xa*


5
■23. 9y* = x(x - 3); (0 < x < 3) Resp. 3x
24. X = a( 0 - sen 0), y = o(l - cos 0); ( 0 ^ 0 ^ 2x)
fi4
Resp. — xa*
3
25. y = senx; (0 ^ x ^ x) Resp. 2x[ V ^+(n(l+ V2)]

26. X = e*sen t, y — e‘cos <; ^0 ^ Resp. è-^^Tz {e - 2)

27. p* = 2a*cos20 (lemniscata) Resp. 4xa* (2 - V^)

28. 3x* 4- 4y* = 3a* (elipse) Resp. xo* 4 --^ ^


FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 363

29. j- + ■//* = 2«í/; {-a ^ x ^ a) Resp. ‘lic-a-

30. X = oZn"-t_2ÍEZ5 - ^ f ã ^ Reap. 2x0*.

e x e r c í c i o s d e r e v i s ã o

I. Calcular as seguintes integrais definidas.


dx
Resp. —
1.
/ -3 + 9 6

dx
2. Resp.
•Ir 0 — 4x -h 8 4

/ I xdx
0 V‘3 ■ -C*
Resp. 0,4142

4. \A x '^ -x * d x Resp. 8/3


J 0

r,. VT^ dx Resp. X

/ I
0 v f ^
xH x
Resp. 2/3

7 - 1 dx Resp. Vs - —
J I X 3

8. I x*e"*dx Resp. 2
f 0

■X/2
9. XCOS 2xdx Resp. -1/2
f

10. arc tg X dx Resp. — ( x - / n 4 )


4
•x/2 sen X dx
^Sug. fazer tg .^ = Resp. x ^ . L - A
11.
/ 2 + sen X
wlo
/ sen*(2x) dx Resp. —^
4

13. x*cos 2x dx Resp. - —X*


r 4

14. x*arc sen x dx Resp. - —


/: 6 9
X/4 xdx X - 2ln2
15.
/ 0 i + cos2x
Resp.
364 CÜBSO t)E CALCULO DIPEBENCIAL E INTEGBAu

x;a cC08 X dx
16.
/ 0 7 + cos2x
Resp. i- In 3
8
•z dx
17. f R » p .^
J 0 2 + COS z

/ Z'2
sen^z<íx Resp. 8/15

X/2 Resp. 2/35


/ seD*x co8*z dx

Reso. 7/15
20. sen x cos* 2x d x

II. Âplicações
1. Achar geométriccu.
a área limitada pela curva 9x* + I6y* 144
Resp. 12 X
2. Achar a área compreendida entre a curva V* + = Vo e os eixos de
coordenadas.

Resp. JLa*
6
3. Achar a área limitada pela curva y* * x* (x + 4).
Resp. 17,07
4. Achar a área limitada pela curva y »= senx no intervalo (0,2x).
Resp. 4
5. Achar a área limitada pela curva x*^* + y*'* ■= o*^*
~~ 3
Resp. .— xa*
8
6. Achar a área limitada pela curva (x* + y*)* “ 18xy
Resp. 9
7. Achar a área compreendida entre as curvas y » sen x, y « cos x e o eixo dor y.
Resp. V 2 - I

8. Achar a área compreendida entre as curvas x* + y* ** 16 e xy ^lT ô


Resp. 3,28
12
9 . Achar a área compreendida entre a curva y e a secante cujas

abscissas nos pontos de interseção jã o x >■> -3 e x « 4.


1
Resp. — (49 - 12x)

10. Achar a área compreendida entre as curvas y -> x*(x - 3) e y*+ 8y-16x+ 48 = 0
Resp. 17/12
FUNDAMENTOS GEOMÊTEICOS E FÍSICOS 365

11. Achar a área compreendida entre as curvas + 2/* = 12x e y* = 6x.


Resp. 6(3 TC+ 8)
12. Achar o volume gerado por uma revolução completa da curva y = sen x
em tôrno do eixo dos x no intervalo (0, tc).
Resp.
2
13. Achar o volume gerado por uma revolução completa da curva p = o(l+cos0)
em tôrno do eixo polar.
Resp.
3
14. Achar o volume gerado pela rotação da curva x* + o*y* = em tôrno do
eixo dos X.
tcL»
Resp.
20a*
15. Achar o volume do cone circular de altura h e raio da base igual a r.

Resp.

16. Achar o volume do segmento esférico de altura h.


1
Resp. -ixA*(3r-A)

17. Achar o volume gerado pela revolução de um arco da ciclóide x = o(0-sen 0),
y = a (l - COS 0) em tôrno do eixo dos x.
Resp. 5x*o*
18. Achar o volume gerado pela revolução do astróide x =» acos* 0, y=asen*0
em tôrno do eixo dos x.

Resp. ~ xa*
105
19. Achar o volume do toro gerado pela rotação do círculo z* + (y - 6)* = a*
(b > a), em tôrno do eixo dos x. Resp. 2x*a*5
20. Um segmento de círculo tem por base o lado do triângulo equilátero inscrito.
Calcular a área e o volume do sólido de revolução gerado pelo segmento ao
girar em tôrno da base.
Resp. 2xa* xa*

III. AplicaçOes fís ic a s.


1. Achar o centro de gravidade de um arco de círculo de raio r que subtende um
ângulo central 2a (tomando o eixo dos y como eixo de simetria).
r sen a
Resp. y =
a
366 CURSO DE OALCTJLO DIFERENCIAL E INTEGRAL

2. Adiar o centro de {ímvidade de um arco da cicl(3ide x = a(0 sen 0),


y = a(l - COS 0); ( 0 ^ 0 ^ 2x)
Resp. X = %a, y = - ^ a

3. Achar o centro de gravidade da cardióide p = a(l + cos 0).


Resp. a sôbre o eixo polar

4. Achar o centro de gravidade do arco de hipociclóide x*/* + = a*^*, si­


tuado no 1.° quadrante.
Resp. X = y = —
5
5. Resolver a mesma questão dadas as equações paramétricas x = a cos* 6 e
y = a sen* 6 da hipociclóide.
6. Achar o centro de gravidade da área do círculo x* -f- = 16, situada no
1.® quadrante.

R e s p /J « -, J l ' )
V 3x 3x /

7. Achar o centro de gravidade do quadrante da elipse = 1

Resp. T = 2,122, 1,697


8. Achar a ordenada do centro de gravidade da área limitada pela curva
TU
y = sen x no intervalo (0, %). Resp. —
8

9. Achar a altura (relativa à base) do centro de gravidade de um hemisfério de


24 cm de raio. Resp. 9 cm.
10. Achar o centro de gravidade da área compreendida entre o círculo x*+y*=» 100
e o quadrado de lados x = 0, y = 0, x = 10 e y = 10.
Resp. X — y = 7,766
11. Achar o centro de gravidade da área limitada por um ramo da ciclóide
X = o(0 - sen 0), y = a(l - cos 6); ( 0 ^ 6 ^ 2x)

Resp. X = xa; y = —
6

12. Achar o centro de gravidade do setor circular de raio r e ângulo central 2ot
(tomando como eixo de simetria o eixo dos y).
2r sen a
Resp. X = 0, y =

13. Achar o centro de gravidade da área compreendida entre a curva Vy = V«


e os eixos de cc-r(jenadas.
Resp. X == y = 1/5
FUNDAMENTOS GEOMÉTRICOS E FÍSICOS 367

14. Achar o centro de gravidade da área compreendida entre as curvas y —


e y = Resp. x = y = 9/20
15. Achar o centro de gravidade do cone circular reto de altura h a raio da base r.
Resp. - i h (da base)

16. Achar o momento de inércia da seção em forma de T (Fig. 8.19) em relação


à base (Sug. I = J*r*dm)

Resp. I
3

I.
n g . 8 .1 9 F I g . 8 .8 0

17. Achar o momento de inércia da seção em forma de L (Fig. 8.20) em relação


à base.
Resp. I » H m
3
18. Achar o momento de inércia da área do círculo de raio r em relação a um
diâmetro.
Resp. / - Mr»
4

19. Achar o momento de inércia da elipse 6^* + o*I/* ^ o*h* eni relação ao eixo
maior. v
Resp. / «s _ AÍ6*
368 CURSO DE CALCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

20. Achar o momento de inércia da área compreendida entre a parábola a y =


e a dupla ordenada no foco, em relação ao eixo dos y.
Resp. 7 = -L Ma*
4
21. Achar o momento de inércia da área compreendida entre a parábola y = 4x-x*
e o eixo dos x, em relação ao eixo dos y.
Resp. I = — M
5
22. Achar o momento de inércia da área compreendida entre um arco de curva
y = sen x e o eixo dos x em relação a êsse eixo.
Resp. I = 219 M
23. Achar o momento de inércia do sólido gerado pela rotação da superfície do
exercício anterior em tôrno do eixo dos x.
Resp. I = 3/8 Aí
24. Achar o momento de inércia de um volante cujo aro tem por raios ri e rj e
massa M , em relação ao seu eixo.
Resp. 7 = l/2AÍ(ri* + r^*)
25. Achar o momento de inércia do sólido gerado pela rotação do círculo
X* + { y - 6)* = a* (ft > a) em tôrno do eixo dos x, em relação a êsse eixo.

Resp. 7 = — x*o*í>(3a»+46*)
2

26. Achar a energia cinética de uma esfera homogênea de raio a e massa M que
gira cona velocidade angular w em tôrno de um diâmetro.
Resp. Má^
ÍNDICE ALFABÉTICO
Aceleração, 57, 283 — em forma paramétrica, 258
— angular, 68 Derivação, regras de, 68
— centrípeta, 287 — fórmula geral de, 65
— normal, 287 Derivada, definição, 66
— vetorial, 272 — concepção física, 52
Acumulação, ponto de, 30 — significado geométrico, 62
Ângulo de duas curvas, 226 Derivadas e diferenciais, 292
Aproximações e limites, 30 — sucessivas, 83
A q u iles e a tartaruga, 49 Diferencial, 101
Arco, comprimento de um, 346 — de um produto, 315
— em forma paramétrica, 348 Distância em coordenadas polares, 239
— em coordenadas polares, 341
Áreas planas, 89 Domínio, 10
— definição construtiva, 90
— em coordenadas polares, 340 e (número), 187
— sinal de, 120 Eixo polar, 236
Assintotas, 228 Elipse, equações paramétricas, 259
— em coordenadas polares, 252 Entôrno, 33
Astróide, 264 Equação da reta, 16
— em coordenadas polares, 240
Baricentro, 147 — do círculo, 17
B oyle-M ariotíe, lei de, 13 — em coordenadas polares, 241
Equações paramétricas, 255
Campo de definição
—- de uma função, 13 Fôrça de pressão, 141
— de valôres, 13 — trabalho de uma, 136
— de variação, 10 Formas indeterminadas, 40
Cardióide, 263 Frações parciais, 333
Centro de gravidade, 146, 356 Função, 12
— de pressão, 144 — composta, 77
Ciclóide, 260
Círculo osculador, 281 — contínua, 36
Coeficiente diferencial, 101 — crescente, 198
Comprimento da circimferência, 47 — decrescente, 198
— do um arco, 346 — descontínua, 34
— em coordenadas polares, 351 — indeterminada, 34
— em forma paramétrica, 348 — inversa, 81
Constante, grandeza, 6 — linear, 17
— de integração, 102 — monótona, 198
Curva fechada, 44, 258 — multiforme, 13
— lisa, 44, 258 — rmiforme, 13
Curvatura, 277 — vetorial, 215
— centro de, 280
— círculo de, 280 Funções exponenciais, 184, 186
— média, 278 — implícitas, 18
— raio de, 277
— derivação, 80
Declive da reta, 62 — logarítmicas, 184, 187
— da tangente em coordenadas po- — racionais, integração, 332
lares, 246 — trigonométricas, 16
G alileu,lei de, 56 Queda livre, lei da, 56
Grandezas, 2
— comensuráveis, 2 Racionalização algébrica, 328
— compostas por produtos, 7, 89 — trigonométrica, 325
— compostas por quociente, 7, 52 Radiano, 58
— escalares, 7 — e graus, 159
— incomensuráveis, 2 Raio de curvatura, 277
— variáveis, 6 — vetor, 237
— vetoriais, 7 Razão incremental, 62
(Juldin, teoremas de, 359 Recurrência, integração por, 319
Hipociclóide, 264 Reta orientada, 5
H ooke, lei de, 140 Sólido de revolução, 131
Infinitésimo, 31 Soma de vetores, 7
Infinito, 16 Somas inferiores, 91
Inflexão, ponto de, 204 — intermediárias, 94
Integral, concepção geométrica, 93 — superiores, 91
— definida, 94 Subnormal, 224
— indefinida, 98, 103 — polar, 249
Integração, regras de, 105 Subtangente, 224
Intervalo, 10 — polar, 249
— aberto e fechado, 11 Sucessão, 26
— semi-aberto, semi-fechado, 11 — convergente e divergente, 27
— nula, 30
Leibntz, 271 Superfícies <1(* revolução, 354
Limite de exaustão, 28 Tangente, 221, 224
— de um arco e sua cjprda, 44 — polar, 249
— e seu seno, 45 Transformação de coordenadas, 243
— de uma função, 35
— de uma periódica simples, 30 Valor local, 19
— de polígonos regulares inscritos. 2 9 — impróprio, 34
Limites, operações aritméticas, 38 — numérico, 19
Logaritmo patural, 192 — próprio, 34
Logaritmos, mudança de base, 185 Valôres, provisão de. 13
— propriedades, 185 Variável contínua, 10
— descontínua, 10
Máximo e mínimo, 199 — discreta, 6
Módulo, 6 — matemática, 9
— de um vetor, 7 — progressiva, 10
Momento de inércia, 152 Velocidade angular, 58
Movimento curvilíneo, 267 — instantânea, 53
— harmônico simples, 172 — média, 53
— vetorial, 268
N ewton, 271 Versor normal, 284
Normal, 222, 225, 249 — tangente, 269, 283
Números irracionais, 4 Versores fundamentais, 266
— racionais, 4 Vetor, 7
— reais, 5 i—- de posição, 265
Vizinhança, 33
P a p p u s, 359
iPirâmide, volume da, 129 W ailis, fórmula de, 322
P iíágoras, 3
Polo, 236 Zenão de Eléiá,: 49
Primitiva, 103

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