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A cura de um leproso

Mateus 8.1-4

Conta-se que um médico francês tinha um filho com uma doença


incurável. Pesquisas e mais pesquisas foram realizadas na tentativa de abolir
o sofrimento e a dor da família, mas sem sucesso algum. Juntas médicas de
toda a Europa dedicavam-se a buscar uma solução, um fim, uma cura para
aquela doença. Entretanto, a situação do jovem piorou e seu sofrimento se
intensificou. Não suportando mais ver o sofrimento do filho e na tentativa de
eliminar a aflição do jovem, pensando que talvez pudesse dar-lhe uma morte
menos dolorosa, o pai resolve aplicar a eutanásia, tirando a vida do seu
amado filho. Ao voltar do cemitério encontra em sua casa um telegrama de
um grande cientista da França que dizia: “acabamos de encontrar o remédio
que pode curar a enfermidade de seu filho”.

Uma pessoa vitimada pelas calamidades da vida, violentada pelos


amargos flagelos da enfermidade, que tem um encontro inesperado com o
sofrimento, não conhecendo a Cristo, só pode ter como companheiro, o
desespero. Contrastando com essa triste realidade, quando alguém se volta
para Deus e confia em seu imenso e incomparável amor, percebe que as
circunstâncias da vida não têm a palavra final e que Deus pode fazer cessar
as intempéries da vida, dando paz e consolo ao coração aflito.

O Texto Sagrado nos informa que certo homem fora acometido pela
doença mais destruidora e amarga de sua época, a lepra. E agora separado
de sua família, de seus amigos e da sociedade, ele vivia profundamente
torturado pela angústia trazida por este mal. A lepra era uma doença terrível!
A princípio apresentava manchas no corpo, depois insensibilidade, em
seguida corroía e destruía as extremidades do corpo, como pés e mãos, até
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que pelo agravamento de seus sintomas levava a uma morte dolorosa e
angustiante. E é nesse contexto que esse homem ouve falar de Jesus e
resolve procurá-lo, buscando solução para o seu problema. Ele reconhece
que somente Jesus é capaz de curá-lo, restaurando completamente sua vida.
Assim, ajoelha-se diante do Senhor numa atitude de profunda humilhação e
adoração, reconhecendo sua autoridade e poder, rogando que conforme sua
vontade, Jesus o purifique (02 ver).

Talvez, o que levou aquele homem a aproximar-se de Jesus foi o


desespero de saber que a cura da lepra era considerada tão difícil quanto
ressuscitar um morto ou quem sabe a solidão, pois havia na Lei uma série de
advertências quanto aos leprosos; dentre elas, havia uma determinação de
que o leproso deveria viver isolado da sociedade e quando por alguma razão
precisasse entrar em uma cidade ou aldeia, este teria que gritar “imundo,
imundo” (Levítico 13-14). Dessa forma, a pessoa vitimada pela lepra, vivia
isolada e consequentemente não podia servir a Deus no templo. Em outras
palavras, a lepra destruía o homem física, social e espiritualmente. Por isso,
ela é considerada como um tipo do pecado. Assim, quando alguém, em raros
casos, era curado, ao se apresentar ao sacerdote para o ritual de purificação,
precisava oferecer sacrifício pelo pecado (Levítico 14.1-13).

Note, no entanto, que esse ele vai até o lugar onde Jesus está e se
aproxima dele, quebrando a própria Lei. Se aproxima a ponto de poder ser
tocado pelo Senhor, que se compadece profundamente dele. Assim, ele
recebe o toque da vida; uma vez que o toque de Jesus o purifica e o restaura
física, emocional, social e espiritualmente (03). Ao tocar o leproso, o próprio
Jesus fica imundo; é como se estivesse dizendo: agora a sua lepra é minha.
E tal episódio aponta para uma verdade de proporções cósmicas. Indica o
fato de que Jesus é a solução enviada por Deus para o grande mal que
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acomete a humanidade: o pecado. Assim como Jesus tomou sobre si a lepra
daquele homem, ele toma sobre si o nosso pecado.

Não é difícil imaginar a alegria daquele homem. Uma emoção sem


ἐμβριμάομαι – Falar de modo bravo, duro

limites deve ter enchido seu coração. e uma vontade inexplicável de sair
gritando não mais “imundo, imundo”, mas fiquei limpo, purificado pelo poder
do eterno Filho de Deus. Entretanto, conforme Marcos 1.43, Jesus lhe faz
uma veemente advertência e o despede. Na verdade, no texto grego a
palavra traduzida como despede é ἐκβάλλω e significa expulsar, expelir.
Talvez, o Senhor tenha sido tão ríspido para mostrar àquele leproso que ele
não podia quebrar a Lei sem houvesse consequências. Isso parece claro na
ordem dada em seguida (44 ver). O testemunho exigido por Jesus naquele
momento não deve ser expresso por palavras, mas no cumprimento da Lei
da purificação, descrita em Levítico 14. Ao apresentar-se ao sacerdote, esse
homem estaria naturalmente testemunhando de Jesus.

Todavia, ele mais uma vez desobedece, causando assim, sérias


dificuldades ao ministério de Cristo (45 ver). A questão é que, por vezes,
acreditamos podemos fazer as coisas ao nosso modo, pois o fim justifica os
meios. Não obstante como expressa Calvino: “Deus só será corretamente
servido quando sua lei for obedecida. Não se deixa a cada um a liberdade de
codificar um sistema de religião ao sabor de sua própria inclinação, senão
que o padrão de piedade deve ser tomado da Palavra de Deus”.

Se queremos realmente servir a Deus e vencer o pecado, precisamos


obedecer a sua Palavra. Por vezes, as pessoas querem eliminar esse mal,
ou seja, o pecado; por suas próprias forças, dando um jeitinho de minimizar
seu impacto em suas vidas e não percebem que no máximo, o que
conseguem é mascarar seus efeitos. De maneira que, o que fica evidente é
que Jesus é a solução de Deus para o pecado do homem.
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Conclusão

Diante do exposto, e caminhando para o fim, precisamos ressaltar


algumas verdades desse texto.

 A lepra é um representante do pecado, pois:

 Torna-o o homem imundo.


 O separa da comunidade da fé.
 Mancha, insensibiliza e corrói partes importantes de seu ser. No
caso da lepra, pés e mãos. O pecado: a consciência, a fé e o
amor.
 Ele o afasta de Deus, promovendo por fim, a morte.

 Independentemente do tamanho, peso e imundície do nosso


pecado, Jesus tem poder para nos libertar.

 Uma vez que o resultado do pecado é a morte, devemos sem


demora nos apresentar ante àquele que pode, não apenas de
refrear seu poder destruidor, mas também reverter suas terríveis
consequências.

Talvez nossa vida seja um teatro; quem sabe estamos apresentando


diante das pessoas um personagem, a figura de alguém que é santo, puro e
exemplar, mas no fundo somos incapazes de satisfazer à mínima exigência
de santidade determinada por Deus. É hora de tirarmos nossas máscaras e
confessarmos a Deus nossas fraquezas e maldades. Nosso pecado.

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