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Traduzido de:

BLACKWELL’S FIVE­MINUTE VETERINARY CONSULT CLINICAL COMPANION: SMALL ANIMAL DERMATOLOGY Copyright © 2011 by Blackwell Publishing Ltd. All Rights Reserved.

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Capa: Bruno Sales Produção digital: Geethik Projeto gráfico: Editora Guanabara Koogan

Ficha catalográfica

R362d

2. ed. Rhodes, Karen Helton Dermatologia em pequenos animais / Karen Helton Rhodes ; Alexander H. Werner ; tradução Idilia Vanzellotti.

­ 2. ed. ­ São Paulo : Santos, 2014. il. Tradução de: Small animal dermatology ISBN 978­85­412­0441­5

1. Dermatologia veterinária ­ Manuais, guias, etc. 2. Medicina veterinária de pequenos animais ­ Medicina veterinária de pequenos animais. I. Werner, Alexander H. II. Título.

14­10125

CDD: 636.08965 CDU: 636.09:616.5

Dedicatória

Este texto é dedicado a:

Steven, em gratidão por seu apoio contínuo em cada empreendimento. Cameron, que pode continuar a explorar seu talento e sua maestria na expressão escrita. Meus pais, Anne e Bill, em agradecimento pela dádiva da educação. E, como sempre, Authur I. Hurvitz, que, mesmo ausente, continua sendo meu mentor, amigo e inspirador.

Karen Helton Rhodes

Rita Werner, que sempre acreditou em mim e foi a primeira autora da nossa família, e também a meus mentores, que ainda acreditam no meu trabalho. Meus irmãos, que sempre tiveram fé em mim, e Mike, que ainda confia em mim. E meus filhos, Jacob e Gregory, que terão fé em mim novamente, quando não forem mais adolescentes.

Alexander H. Werner

Prefácio

Espero que este livro seja um recurso importante em sua prática clínica. Ele não pretende substituir as obras mais abrangentes sobre dermatologia em pequenos animais, mas complementar sua biblioteca com uma fonte rápida de consulta clínica sobre os distúrbios dermatológicos mais comuns.

Esta segunda edição – uma compilação totalmente nova de informações – está disposta em formato um pouco diferente da anterior, mantendo­se, porém, o uso dos bullets, que tanto facilitam a localização dos assuntos. Além disso, mais de 500 fotografias coloridas ilustram as descrições clínicas abordadas no livro. Alguns capítulos da primeira edição – a qual consistia em resumos extraídos de Blackwell’s Five­Minute Veterinary Consult: Canine and Feline – foram mantidos e atualizados, embora a maioria tenha sido completamente substituída, o que faz desta edição um novo texto. Acredito que, desse modo, o leitor encontrará informações atuais e de relevância clínica. Dou as boas­vindas a Alexander Werner como coautor na compilação deste livro. Sua experiência clínica, aliada à minha, garante à obra perspectivas mais diversificadas. Karen Rosenthal – cuja perícia e amizade são, como sempre, inestimáveis – também colaborou na produção desta edição, como autora da seção sobre animais exóticos. Agradeço a ambos a ajuda neste projeto.

Karen Helton Rhodes

Agradecimentos

Partes de capítulos da 1ª edição desta obra foram fornecidas pelo material de apoio Five­Minute Veterinary Consult: Canine and Feline, dos seguintes autores:

Albert H. Ahn Stephen C. Barr Karin M. Beale Ellen N. Behrend Karen L. Campbell Edward G. Clark Ellen C. Codner Paul A. Cuddon Elizabeth A. Curry ­ Galvin David Duclos Robyn E. Elmslie Carol S. Foil Sharon F. Grace Elizabeth Goldman John G. Gordon Joanne C. Graham W. Dunbar Gram Deborah Greco Jean Swingle Greek Nita Kay Gulbas Steven R. Hansen Keith A. Hnilica Johnny D. Hoskins Richard J. Joseph Robert J. Kemppainen Peter P. Kintzer Karen Ann Kuhl Suzette M. Leclerc Alfred M. Legendre Steven A. Levy Dawn Elaine Logas John MacDonald Kenneth V. Mason Linda Medleau Linda Messinger Daniel O. Morris K. Marcia Murphy

Gary D. Norsworthy James O. Noxon Allan J. Paul Kenneth M. Rassnick Lloyd M. Reedy Keith P. Richter Wayne Stewart Rosenkrantz Karen L. Rosenthal Fred W. Scott Kevin Shanley Francis W. K. Smith Jr. Paul W. Snyder Margaret S. Swartout Sheila M. Torres John W. Tyler Alexander H. Werner J. Paul Woods Karen M. Young Anthony Yu

Sumário

Seção 1 Fundamentos

1 Descrição e Terminologia da Lesãox

2 Citologia Prática

3 Cultura Diagnóstica e Identificação de Bactérias e Fungos

4 Obtenção de Biopsia Diagnóstica

5 Diferenciais entre as Lesões e Regiões do Corpo

6 Zoonose

Seção 2 Dermatite Alérgica e por Hipersensibilidade

7

Dermatite Atópica

8

Dermatite por Contato

9

Complexo do Granuloma Eosinofílico

10

Reações Alimentares Adversas

Seção 3 Dermatoses Endócrinas

11 Hiperadrenocorticismo Canino

12 Hiperadrenocorticismo Felino/Síndrome da Fragilidade Cutânea

13 Hipotireoidismo

14 Alopecia Não Inflamatória

Seção 4 Distúrbios Imunológicos e Autoimunes

15 Dermatomiosite Canina Familiar

16 Lúpus Eritematoso Discoide e Sistêmico

17 Erupção Medicamentosa, Eritema Multiforme e Necrólise Epidérmica Tóxica

18 Adenite Sebácea Granulomatosa

19 Paniculite

20 Complexo do Pênfigo e Penfigoide Bolhoso

21 Dermatoses Granulomatosas Nodulares Estéreis

23

Vasculite

Seção 5 Dermatoses Infecciosas

24 Foliculite Bacteriana e Piodermite Emergente Resistente

25 Dermatofitose

26 Micoses Intermediárias e Profundas

27 Leishmaniose | Dermatite por Protozoário

28 Dermatite por Malassezia

29 Infecções Bacterianas

30 Nocardiose

31 Dermatoses Virais

Seção 6 Neoplasias, Dermatoses Cutâneas e Paraneoplásicas

32 Dermatoses Actínicas

33 Síndromes Pré­Neoplásicas e Paraneoplásicas Caninas

34 Tumores Cutâneos e dos Folículos Pilosos Comuns

35 Linfoma Epiteliotrópico

36 Síndromes Paraneoplásicas Felinas

37 Histiocitose

38 Tumores de Mastócitos

Seção 7 Distúrbios Parasitários

39 Picadas e Ferroadas de Insetos

40 Demodicose Canina e Felina

41 Ácaros Sarcoptídeos | Sarcoptes, Cheyletiella, Notoedres e Otodectes

Seção 8 Tópicos Selecionados

42 Acnes | Canina e Felina

43 Fístulas Perineais | Distúrbios das Bolsas Adanais

44 Dermatoses Comportamentais e Autoinfligidas

45 Distúrbios da Queratinização

46 Otite Externa, Média e Interna

47 Pododermatite e Distúrbios das Unhas

48 Dermatite Necrolítica Superficial

Seção 9 Dermatologia de Animais Exóticos

49 Furão

50 Cobaia ou Porquinho­da­índia

51 Hamster

53

Camundongos e Ratos

54 Coelhos

Apêndice A Tratamento Clínico de Doenças Cutâneas Inflamatórias Pruriginosas

Apêndice B Genodermatoses Caninas e Predisposição Racial a Dermatoses

Apêndice C Formulário de Fármacos

Leitura Sugerida

Índice Alfabético

Fundamentos

Seção 1

Capítulo 1

Descrição e Terminologia da Lesão

Alexander H. Werner

Panorama

A definição e a organização de lesões dermatológicas são indispensáveis para o diagnóstico e o monitoramento dos pacientes

Do padrão macroscópico ao tipo específico de lesão, deve surgir um quadro geral

A comprovação concisa ao se registrarem a anamnese e os achados físicos permite a elaboração de uma lista de diagnóstico diferencial que leve ao diagnóstico definitivo

Exemplo de descrição de caso de dermatite alérgica a pulgas: mancha de alopecia na região dorsal lombossacra, com pápulas, crosta, escoriações e liquenificação.

Terminologia dermatológica

Para a pelagem:

Brilhante

Fosca

Oleosa

Seca

Quebradiça

Espessa

Rala (alopecia parcial)

Ausente (alopecia)

Cor

Alterações generalizadas do normal

Associada a pelos de cor específica

Distribuição das lesões:

Simétrica ou assimétrica

Regional (exemplos):

Pés

Face

Pavilhão auricular

Parte dorsal do focinho

Plano nasal

Mucosa

Junção mucocutânea

Coxim plantar

Dorsal

Ventral

Tronco

Abdominal

Cabeça

Pescoço

Cauda

Extremidade (membro)

Padrão:

Difuso

Generalizado

Focal

Localizado

Manchado

Regional.

Características clínicas Lesões primárias versus secundárias

As lesões primárias desenvolvem­se diretamente a partir do processo mórbido:

Descamação: acúmulo fino de queratinócitos; também definida como fina, grosseira, oleosa, seca, aderente ou solta (Figura 1.1)

Crosta: acúmulo espesso de células com exsudato seco de soro, sangue, pus ou medicações (Figura 1.2)

Cilindro folicular: acúmulo de material folicular acima do nível dos óstios foliculares; pode estar aderido à haste do pelo

Comedão: folículo piloso dilatado, bloqueado por restos sebáceos e epidérmicos; quando os óstios foliculares ficam abertos ao ar, esses restos escurecem, formando uma “cabeça preta” (Figura 1.3)

Lesões com menos de 1 cm de diâmetro:

Mácula: alteração não palpável na cor da pele; maior ou menor pigmentação, hemorragia ou eritema (Figura

1.4)

Pápula: elevação sólida da pele (Figura 1.5)

1.4) ■ Pápula: elevação sólida da pele (Figura 1.5) ■ Figura 1.1 Descamação – acúmulo grosseiro

Figura 1.1 Descamação – acúmulo grosseiro de queratinócitos.

■ Figura 1.2 Crosta – acúmulo de exsudato seco no plano nasal. ■ Figura 1.3

Figura 1.2 Crosta – acúmulo de exsudato seco no plano nasal.

1.2 Crosta – acúmulo de exsudato seco no plano nasal. ■ Figura 1.3 Comedão – folículo

Figura 1.3 Comedão – folículo piloso dilatado bloqueado por restos epidérmicos.

Vesícula: lesão cheia de líquido celular, dentro da epiderme ou logo abaixo dela (Figura 1.6)

Pústula: lesão cheia de líquido acelular, dentro da epiderme ou logo abaixo dela; o líquido quase sempre contém neutrófilos, mas também pode conter eosinófilos (Figura 1.7)

Nódulo: elevação sólida da pele, que se estende para as camadas mais profundas (Figura 1.8)

Lesões com mais de 1 cm de diâmetro:

Mancha: alteração não palpável na cor da pele; mácula grande (Figura 1.9)

Placa: elevação achatada, palpável e sólida; pápula grande (Figura 1.10)

Vergão: acúmulo temporário de líquido na derme, que cria uma área elevada bem demarcada (Figura 1.11)

Bolha: grande acúmulo de líquido que, em geral, estende­se para a derme (Figura 1.12)

Abscesso: acúmulo muito grande de líquido celular que se estende profundamente para a derme e os tecidos subcutâneos

Cisto: cavidade revestida por epitélio, com líquido ou material semissólido, em geral logo abaixo da epiderme (Figura 1.13)

Tumor: massa grande que pode envolver a pele e tecidos mais profundos (Figura 1.14)

Alteração na pigmentação:

Hiperpigmentação: aumento na pigmentação cutânea

Hipopigmentação: diminuição na pigmentação cutânea

Leucodermia: pele branca

Leucotriquia: pelagem branca.

Leucodermia: pele branca ■ Leucotriquia: pelagem branca. ■ Figura 1.4 Mácula – alteração não palpável na

Figura 1.4 Mácula – alteração não palpável na cor da pele.

1.4 Mácula – alteração não palpável na cor da pele. ■ Figura 1.5 Pápula – elevação

Figura 1.5 Pápula – elevação sólida da pele (pessoa com lesões da escabiose canina).

■ Figura 1.6 Vesícula – lesão cheia de líquido acelular (pênfigo foliáceo). ■ Figura 1.7

Figura 1.6 Vesícula – lesão cheia de líquido acelular (pênfigo foliáceo).

– lesão cheia de líquido acelular (pênfigo foliáceo). ■ Figura 1.7 Pústula – lesão cheia de

Figura 1.7 Pústula – lesão cheia de líquido celular.

■ Figura 1.8 Nódulo – elevação sólida da pele que se estende para camadas profundas

Figura 1.8 Nódulo – elevação sólida da pele que se estende para camadas profundas (nódulos fibropruriginosos).

estende para camadas profundas (nódulos fibropruriginosos). ■ Figura 1.9 Mancha – lesão grande de alteração

Figura 1.9 Mancha – lesão grande de alteração não palpável na cor da pele (linfoma epiteliotrópico).

■ Figura 1.10 Placa – elevação achatada palpável e sólida (lipídio). ■ Figura 1.11 Vergão

Figura 1.10 Placa – elevação achatada palpável e sólida (lipídio).

– elevação achatada palpável e sólida (lipídio). ■ Figura 1.11 Vergão – acúmulo temporário de

Figura 1.11 Vergão – acúmulo temporário de líquido.

■ Figura 1.12 Bolha – grande acúmulo de líquido que, em geral, estende­se para a

Figura 1.12 Bolha – grande acúmulo de líquido que, em geral, estende­se para a derme.

de líquido que, em geral, estende­se para a derme. ■ Figura 1.13 Cisto – cavidade revestida

Figura 1.13 Cisto – cavidade revestida por epitélio cheia de líquido (cisto apócrino).

■ Figura 1.14 Tumor – massa grande que pode envolver a pele e tecidos mais

Figura 1.14 Tumor – massa grande que pode envolver a pele e tecidos mais profundos (plasmocitoma).

As lesões secundárias desenvolvem­se a partir de lesões primárias – mais frequentemente induzidas pelo paciente ou pelo ambiente.

Colarete epidérmico: acúmulo anular de escamas, resultante do aumento de vesícula ou pústula rompida (Figura

1.15)

Escoriação: erosão linear com eritema e crostas resultantes de autotraumatismo

Liquenificação: espessamento da pele com acentuação do padrão cutâneo normal, causado por inflamação crônica e autotraumatismo (Figura 1.16)

Erosão: defeito na pele que não penetra a junção dermoepidérmica (Figura 1.17)

Úlcera: defeito na pele que penetra a junção dermoepidérmica (Figura 1.18)

Fissura: defeito linear que penetra a epiderme até a derme (Figura 1.19)

Fístula: lesão profunda, que em geral drena (Figura 1.20)

Escara: área de tecido fibroso que substituiu a pele normal; geralmente é palpável como defeito mais fino ou deprimido (Figura 1.21).

Comentários

Os achados do exame devem ser registrados de maneira organizada e consistente; as descrições devem fornecer um “quadro” claro da condição dermatológica prévia durante exames subsequentes

Os achados devem ser organizados a partir do quadro “maior” para o “menor”

A identificação correta de lesões específicas e o entendimento da maneira como se desenvolvem proporcionam informação fisiopatológica indispensável

Muitas dermatoses têm aspectos patognomônicos que, quando correlacionados com os sinais e a anamnese, podem fornecer uma apropriada e limitada lista de diagnósticos diferenciais

Como alternativa, muitas dermatoses compartilham achados físicos semelhantes; o registro acurado das descrições pode permitir que o clínico desenvolva um plano conciso para o diagnóstico e o tratamento de pacientes com doença dermatológica.

■ Figura 1.15 Colarete epidérmico – acúmulo anular de escamas. ■ Figura 1.16 Liquenificação –

Figura 1.15 Colarete epidérmico – acúmulo anular de escamas.

1.15 Colarete epidérmico – acúmulo anular de escamas. ■ Figura 1.16 Liquenificação – espessamento da pele

Figura 1.16 Liquenificação – espessamento da pele com acentuação do padrão normal (seborreia primária).

■ Figura 1.17 Erosão – defeito na pele que não penetra a junção dermoepidérmica (pênfigo).

Figura 1.17 Erosão – defeito na pele que não penetra a junção dermoepidérmica (pênfigo).

que não penetra a junção dermoepidérmica (pênfigo). ■ Figura 1.18 Úlcera: defeito na pele que penetra

Figura 1.18 Úlcera: defeito na pele que penetra a junção dermoepidérmica.

■ Figura 1.19 Fissura – defeito linear que penetra a epiderme (paniculite). ■ Figura 1.20

Figura 1.19 Fissura – defeito linear que penetra a epiderme (paniculite).

– defeito linear que penetra a epiderme (paniculite). ■ Figura 1.20 Fístula – lesão profunda, em

Figura 1.20 Fístula – lesão profunda, em geral com drenagem (fístula metatarsiana).

■ Figura 1.21 Escara – área de tecido fibroso que substitui a pele normal (reação

Figura 1.21 Escara – área de tecido fibroso que substitui a pele normal (reação a vacinação).

Capítulo 2

Citologia Prática

Karen Helton Rhodes

Panorama

A citologia cutânea é um recurso diagnóstico essencial. Amostras devem ser obtidas em praticamente todos os casos dermatológicos. Os aspectos técnicos da coleta de amostras e a preparação de lâminas têm valor crítico na interpretação. Raspados cutâneos e tricogramas, swabs/esfregaços óticos, esfregaços por impressão direta, aspirado com agulha fina e amostras preparadas a partir de fita adesiva são as técnicas citológicas mais frequentemente empregadas em dermatologia.

Raspados cutâneos Amostra super cial

Em geral, é a amostra usada para diagnosticar infestações por Sarcoptes, Notoedres, Cheyletiella, Demodex gatoi, Demodex cornei e Otodectes. Deve­se:

Selecionar a pele com lesão

Colocar uma pequena quantidade de óleo mineral em uma lâmina de microscopia

Usar lâmina de bisturi nº 10 ou espátula

Aplicar uma pequena quantidade de óleo mineral na lâmina ou diretamente na pele selecionada com lesão

Raspar a área na direção do crescimento do pelo e transferir o material obtido para a lâmina

Escolher vários locais para obter amostras e, nos casos de infestação por Sarcoptes, obter amostra de uma grande área superficial

Certos locais de amostragem podem ser preferíveis, dependendo do diagnóstico clínico suspeito, isto é, margens do pavilhão auricular e cotovelos no caso de Sarcoptes/linha média dorsal ou pontos focais de alopecia no caso de demodicose

Examinar a lâmina ao microscópio sob objetiva de 10H. Às vezes, é válido baixar o condensador do microscópio para obter mais contraste

Observar a proporção de ácaros vivos e mortos e de ovos, formas jovens e adultas presentes (Figura 2.1).

Raspados cutâneos Amostra profunda

É a amostra usada geralmente para diagnosticar infestações por Demodex canis, Demodex injai, Demodex cati.

A técnica é a mesma empregada para o raspado superficial, exceto por uma etapa extra a mais:

Após a colocação inicial do material na lâmina, espremer o local entre o polegar e o indicador, o que inicia um corrimento capilar; raspar a área outra vez para coletar mais material e colocá­lo na lâmina preparada

■ Figura 2.1 Ácaros Sarcoptes scabiei e ovos encontrados no raspado de pele superficial da

Figura 2.1 Ácaros Sarcoptes scabiei e ovos encontrados no raspado de pele superficial da margem da orelha.

Teoricamente, essa pressão força os ácaros na direção da superfície dos folículos pilosos

Examinar a lâmina ao microscópio sob objetiva de 10H. Às vezes, é válido baixar o condensador do microscópio para obter mais contraste (Figura 2.2)

Observar a proporção de ácaros vivos e mortos e de ovos, formas jovens e adultas presentes

Cuidado: edema e tumefação, em geral vistos na pododemodicose, podem dificultar a detecção dos ácaros; obter amostras das margens das lesões.

Tricogramas Tufos de pelos

Os tricogramas geralmente são usados como adjuntos para outros tipos de amostras ou quando são obtidas amostras perioculares. Deve­se:

Colocar uma pequena quantidade de óleo mineral em lâmina de microscopia

Retirar uma pequena amostra de pelos da pele com lesão e/ou da periferia da lesão com pinça hemostática e colocar diretamente no óleo mineral; os ácaros do gênero Demodex podem ser vistos aglomerados em torno do bulbo capilar dos pelos extraídos

Examinar a lâmina ao microscópio sob objetiva de 10×. Às vezes, é válido baixar o condensador do microscópio para obter mais contraste.

Swabs Esfregaços cutâneos

Em geral, usam­se swabs óticos para diagnosticar a proliferação bacteriana e de levedura, podendo ajudar em outros diagnósticos diferenciais (neoplasia, distúrbios da queratinização, ácaros, infecções fúngicas). É necessário que a citologia ótica seja realizada em todos os casos de otite e sempre que forem reexaminados. Deve­se:

Obter a amostra para citologia posicionando um swab com algodão na ponta na junção do canal vertical com o horizontal (em ângulo aproximado de 75° – ter cuidado ao retificar o canal para evitar perfurar o tímpano)

■ Figura 2.2 Demodex canis . Raspado cutâneo. Observar os estágios diferentes do ácaro, incluindo

Figura 2.2 Demodex canis. Raspado cutâneo. Observar os estágios diferentes do ácaro, incluindo um ovo.

Passar a amostra para uma lâmina de microscopia com movimento giratório; formar as letras D e E para identificar cada orelha e colocar ambas as amostras na mesma lâmina

Fixar a amostra com calor passando a lâmina sobre uma chama por 2 a 3 segundos

Usar o corante de Romanowsky (corante de Wright modificado) para enxaguar levemente a lâmina, com cuidado para não deslocar a amostra

De início, examinar a lâmina ao microscópio sob objetiva de 10H para identificar o melhor campo para observação; em seguida, usar aumento de 40H, 100H ou imersão em óleo para identificar os organismos e/ou a população celular (Tabela 2.1).

Observar o seguinte:

1. Células inflamatórias degeneram com infecção, embora permaneçam intactas com doença cutânea imunomediada

2. Células acantolíticas podem estar presentes em grande número e proporcionar informação diagnóstica (p. ex., pênfigo foliáceo)

3. Se observar grande número de células epiteliais com poucas bactérias, considerar um distúrbio da queratinização ou hipotireoidismo

4. Lembrar que os queratinócitos podem ter grânulos de melanina

5. Lembrar que o cerume normal não se cora.

6. Neutrófilos sem bactérias podem indicar uma reação de hipersensibilidade a medicações colocadas no canal auditivo (p. ex., neomicina, propilenoglicol).

Tabela 2.1 Escala arbitrária para quantificar bactérias/leveduras (canal externo).

Escala de bactérias

Por campo de grande aumento (400H)

0

Nenhuma

1

Menos de 1 a 2 organismos

2

2 a 5 organismos

3

5 a 20 organismos

4

Mais de 20 organismos

Escala de levedura

Por campo de grande aumento (400H)

0

Nenhum

1

Menos de 1 organismo

2

1a5

3

5 a 10

4

Mais de 10

Esfregaços por impressão direta Preparação de Tzanck

Tais esfregaços geralmente são usados para diagnosticar a proliferação de Malassezia ou avaliar úlceras e placas:

Pressionar a lâmina de microscopia diretamente sobre a superfície da pele várias vezes no mesmo local (método mais usado se a superfície da pele estiver oleosa) (Figuras 2.3 e 2.4) ou pressionar a lâmina sobre a superfície de corte de um espécime de biopsia ou diretamente sobre uma placa/úlcera/erosão (Figura 2.5 A e B)

Se obtiver a amostra da superfície de corte de um espécime de biopsia, retirar com cuidado o excesso de sangue da superfície com um pedaço de gaze seco antes de fazer a impressão e, então, deixar que a lâmina seque ao ar antes de corar

Fixar ao calor as amostras obtidas de uma superfície oleosa antes de corar, salvo se utilizar lâminas aderentes

Também é possível coletar amostras para a identificação de leveduras com swab de algodão ou espátula (especialmente em áreas sensíveis, como as regiões perivulvar e perianal) e girá­lo(a) sobre a lâmina ou via raspado cutâneo superficial (sem o uso de óleo mineral) (Figura 2.6)

Obter amostras de crostas e colaretes epidérmicos removendo delicadamente a superfície ou as margens da lesão com uma agulha estéril e imprimindo a superfície subjacente sobre a lâmina de microscopia

Para quantificar leveduras, empregar a mesma escala arbitrária que utilizou com o swab ótico (Tabela 2.1).

Aspirado com agulha na

agulha de vez em quando). Liberar sempre a pressão negativa antes de retirar a agulha da lesão, de modo que a amostra colhida permaneça na agulha ou no canhão dela

a amostra colhida permaneça na agulha ou no canhão dela ■ Figura 2.3 Esfregaço por impressão

Figura 2.3 Esfregaço por impressão para detectar levedura em um cão com dermatite por Malassezia. Observar o uso da luva de látex para evitar imprimir as impressões digitais no verso da lâmina. (Cortesia dos Drs. J. Noxon e E. Goldman.)

verso da lâmina. (Cortesia dos Drs. J. Noxon e E. Goldman.) ■ Figura 2.4 Espécime citológico

Figura 2.4 Espécime citológico (imersão em óleo, 1.000×) de um paciente com pododermatite por Malassezia. (Cortesia dos Drs. J. Noxon e E. Goldman.)

■ Figura 2.5 A. Paciente felino com numerosas crostas e pústulas na cabeça. B .

Figura 2.5 A. Paciente felino com numerosas crostas e pústulas na cabeça. B. Citologia deste gato. Observar os numerosos neutrófilos sem agentes infecciosos e inúmeras células acantofílicas, que são queratinócitos sem as inserções celulares em outras células epiteliais. Esta lâmina é fortemente sugestiva de pênfigo foliáceo. (Cortesia dos Drs. J. Noxon e E. Goldman.)

■ Figura 2.6 Lâminas de citologia da orelha, do espaço interdigital etc. são feitas girando­se

Figura 2.6 Lâminas de citologia da orelha, do espaço interdigital etc. são feitas girando­se o aplicador com ponta de algodão na lâmina. (Cortesia dos Drs. J. Noxon e E. Goldman.)

Retirar a agulha da seringa, encher a seringa com ar, recolocar a agulha na seringa e expelir a amostra sobre uma lâmina de microscopia limpa

Obter amostras de lesões pequenas (p. ex., pústulas) simplesmente gotejando álcool sobre a superfície da lesão, deixando secar ao ar, lancetando a lesão com agulha estéril e recolhendo o conteúdo com ela para colocar em lâmina de microscopia (Figura 2.7 A e B).

Preparação com ta adesiva

Em geral é usada para identificar ácaros (Cheyletiella) e leveduras; uma fita adesiva transparente é melhor. Como preparar:

Para identificação de Malassezia, pressionar o lado aderente da fita contra a área suspeita múltiplas vezes; a fita é processada com o corante de Romanowsky, mas sem a primeira solução de álcool (luz azul), que dissolveria o adesivo. Em seguida, pressionar a fita (com o lado aderente para baixo) sobre uma lâmina de microscopia (Figura 2.8)

Para identificação de Cheyletiella, aplicar a fita em múltiplos locais (colhendo o máximo de escamas possível) e, então, pressioná­la diretamente (com o lado aderente para baixo) sobre uma lâmina de microscopia (Figura

2.9).

Comentários

1. Para a realização da impressão direta, pressionar com força a amostra sobre a superfície da lâmina para obter maior aderência

2. A fixação pelo calor deve ser breve – não “cozinhar” a lâmina

3. O processo de corar deve ser leve, para evitar deslocar o material da lâmina (imergir a lâmina em cada fixador/corante e manter pelo tempo apropriado em vez de repetir o processo)

■ Figura 2.7 A. Pústula de um paciente canino. B . Citologia do mesmo paciente

Figura 2.7 A. Pústula de um paciente canino. B. Citologia do mesmo paciente mostrando cocos em um dos neutrófilos, o que significa piodermite. (Cortesia dos Drs. J. Noxon e E. Goldman.)

paciente mostrando cocos em um dos neutrófilos, o que significa piodermite. (Cortesia dos Drs. J. Noxon

Figura 2.8 Lâminas de microscopia com adesivo vêm com papel sobre a parte aderente, que pode ser retirado

antes do uso. (Cortesia dos Drs. J. Noxon e E. Goldman.)

antes do uso. (Cortesia dos Drs. J. Noxon e E. Goldman.) ■ Figura 2.9 Cheyletiella yasguri

Figura 2.9 Cheyletiella yasguri (cão).

4. Deve­se ter cuidado ao enxaguar a lâmina (baixa pressão)

5. A manutenção do corante é importante para evitar artefatos – trocar o corante como parte da rotina (semanalmente ou quando contaminado)

6. Os organismos ficarão mais nítidos com o uso de óleo de imersão (p. ex., 1.000H) ou colocando­se uma gota de óleo de imersão sobre uma lâmina e cobrindo­a com lamínula ao usar objetiva seca (p. ex., 400×)

7. Salvar sempre a lâmina aplicando uma pequena quantidade de meio de montagem (p. ex., Permount ® ) e cobrir com lamínula.

Capítulo 3

Cultura Diagnóstica e Identi cação de Bactérias e Fungos

Alexander H. Werner

Panorama

A cultura de lesões dermatológicas para dermatófitos é sempre apropriada

As amostras devem ser submetidas a cultura se forem identificados organismos fúngicos (não Malassezia spp.) na epiderme ou em exsudatos da orelha

Em geral, não há necessidade de cultura bacteriana e teste de sensibilidade para o tratamento rotineiro de foliculite bacteriana em cães

Cultura bacteriana e teste de sensibilidade estão indicados quando os casos não respondem à escolha do antibiótico adequado

A cultura bacteriana e o teste de sensibilidade são apropriados se forem identificados bastonetes bacterianos na epiderme ou em exsudatos da orelha.

Cultura e identi cação de dermató tos

Meios de cultura

Meios de cultura para teste dermatófito: ágar­dextrose de Sabouraud modificado pelo acréscimo de antimicrobianos para desestimular o crescimento de não dermatófitos, e fenol vermelho como indicador de pH

Ágar­dextrose de Sabouraud ou meio de esporulação rápida: tipos de ágar usados para estimular o desenvolvimento de conídios para a identificação de dermatófitos

O meio de cultura para teste dermatófito retarda o desenvolvimento de conídios; produtos com uma combinação de tipos de ágar são recomendados

Placas contendo meios possibilitam melhor acesso para a inoculação de amostras do que frascos de vidro (tubos de ensaio) pequenos

Deve­se incubar as culturas à temperatura ambiente (24,4 a 26,6°C), afastadas/protegidas de luz ultravioleta, para que se evite seu ressecamento; um pequeno recipiente alimentador para armazenagem pode funcionar como incubadora informal.

Coleta da amostra

Tufo de pelos (Figuras 3.1 e 3.2). Deve­se:

Remover pelos da periferia de lesões com pinça estéril

Escolher os pelos sob lâmpada de Wood para aumentar o índice de sucesso

Pressionar delicadamente as amostras sobre o meio para teste

Escova de dentes (Figura 3.3):

Amostras de lesões grandes ou mal demarcadas podem ser coletadas com escova de dentes estéril

Escovar os pelos na direção contrária à de seu crescimento para estimular a retirada de hastes pilosas frágeis (infectadas)

Pressionar as cerdas delicadamente sobre os meios de teste – não é preciso transferir uma grande quantidade de restos.

não é preciso transferir uma grande quantidade de restos. ■ Figura 3.1 Haste de pelo infectado

Figura 3.1 Haste de pelo infectado com hifas de Microsporum gypseum.

Haste de pelo infectado com hifas de Microsporum gypseum . ■ Figura 3.2 Fluorescência positiva à

Figura 3.2 Fluorescência positiva à lâmpada de Wood. Observar a coloração brilhante das hastes dos pelos na cabeça.

■ Figura 3.3 Técnica com a escova de dentes para inocular meios. Observar os rastros

Figura 3.3 Técnica com a escova de dentes para inocular meios. Observar os rastros produzidos pela pressão leve da escova sobre o meio.

Crescimento e identi cação da colônia

Ver Figuras 3.4 a 3.6.

Monitorar as placas de cultura quanto à alteração na cor e ao crescimento de colônias diariamente

Observar o crescimento por até 28 dias

A cor do meio de cultura para teste dermatófilo muda de amarelo para vermelho antes ou ao mesmo tempo que ocorre o crescimento macroscópico da colônia

As colônias de dermatófitos são de cor branca, creme ou levemente bronzeadas, mas não pigmentadas

As colônias podem ser cotonosas, lanosas ou pulverulentas.

Identi cação de fungos

Transferir as colônias para uma lâmina de microscopia usando fita adesiva transparente ou alça estéril

O corante azul de lactofenol algodão é o mais recomendado para se acentuar a aparência de hifas e conídios, embora qualquer corante escuro seja suficiente para isso (Figura 3.7)

Examinar as lâminas em busca de hifas, macroconídios e/ou microconídios para identificação (Figuras 3.8 a

3.10)

Microsporum canis, Microsporum gypseum e Trichophyton mentagrophytes são os dermatófitos isolados mais comuns de lesões de cães; Microsporum canis é o isolado mais comum em gatos

As colônias que não puderem ser identificadas devem ser enviadas a um laboratório de referência para identificação; consultá­lo antes de enviar as amostras.

Cultura bacteriana

Para cultura bacteriana, deve­se:

Enviar as amostras a um laboratório de referência experiente nesse tipo de cultura, na identificação e no teste de sensibilidade com organismos bacterianos de significado veterinário

■ Figura 3.4 Microsporum canis . A cor do meio muda em excesso de acordo

Figura 3.4 Microsporum canis. A cor do meio muda em excesso de acordo com o tamanho da colônia.

do meio muda em excesso de acordo com o tamanho da colônia. ■ Figura 3.5 Microsporum

Figura 3.5 Microsporum gypseum. As colônias não pigmentadas são lanosas.

■ Figura 3.6 Trichophyton mentagrophytes . Colônia pulverulenta de cor creme. ■ Figura 3.7 Amostra

Figura 3.6 Trichophyton mentagrophytes. Colônia pulverulenta de cor creme.

mentagrophytes . Colônia pulverulenta de cor creme. ■ Figura 3.7 Amostra em fita de colônia para

Figura 3.7 Amostra em fita de colônia para identificação com corante azul de lactofenol algodão.

■ Figura 3.8 Macroconídios de Microsporum canis . ■ Figura 3.9 Macroconídios de Microsporum gypseum

Figura 3.8 Macroconídios de Microsporum canis.

■ Figura 3.8 Macroconídios de Microsporum canis . ■ Figura 3.9 Macroconídios de Microsporum gypseum .

Figura 3.9 Macroconídios de Microsporum gypseum.

■ Figura 3.10 Microconídios de Trichophyton mentagrophytes . ■ Informar ao laboratório se houver suspeita

Figura 3.10 Microconídios de Trichophyton mentagrophytes.

Informar ao laboratório se houver suspeita de organismo incomum ou zoonótico; obter informação a respeito das preferências do laboratório para submeter as amostras suspeitas de terem estafilococos resistentes à meticilina

Obter amostras de lesões superficiais usando swabs estéreis

O excesso de restos que pode contaminar os resultados deve ser delicadamente retirado com uma compressa de gaze embebida em álcool; não esfregar as lesões com soluções antissépticas antes de coletar a amostra

As amostras dos canais auditivos externo e médio para cultura bacteriana, identificação e teste de sensibilidade são discutidas adiante e no Capítulo 46.

Amostras de lesões super ciais

Aplicar swab estéril diretamente na lesão (Figura 3.11)

Coletar a amostra do interior de uma lesão utilizando aspirado com agulha e aplicar um swab estéril (Figura

3.12)

Podem ser coletadas amostras:

De exsudatos superficiais

Sob crostas e escamas

Da periferia de colaretes epidérmicos

De pústulas lancetadas.

Amostras obtidas de tecido

Usar técnica de biopsia estéril

Colocar a amostra de tecido em gaze estéril e remover a epiderme com bisturi (a epiderme pode ser submetida com tecido adicional a exame histopatológico)

Colocar a derme restante e o tecido subcutâneo em recipiente estéril; se for previsto tempo prolongado de transporte, deve­se acrescentar uma pequena quantidade de solução fisiológica ao recipiente para que se evite a desidratação do tecido.

Obtenção de amostras do canal auditivo

Indicada no caso de infecção persistente

Indicada quando são identificados bastonetes bacterianos em amostras de citologia

■ Figura 3.11 Obtenção de amostra para cultura bacteriana diretamente de uma prega cutânea. ■

Figura 3.11 Obtenção de amostra para cultura bacteriana diretamente de uma prega cutânea.

para cultura bacteriana diretamente de uma prega cutânea. ■ Figura 3.12 Obtenção de amostra para cultura

Figura 3.12 Obtenção de amostra para cultura bacteriana e citologia de uma pústula.

As amostras obtidas do canal auditivo externo proximal e distal, da orelha média, bem como de cada orelha, podem ser diferentes; pode ser necessário submeter amostras de cada um desses locais para a avaliação acurada de otite externa e média, em especial se os resultados da citologia demonstrarem populações de organismos

As amostras do canal horizontal podem ser obtidas protegendo­se um swab estéril com a cobertura de um cateter espinal durante a inserção através do canal vertical

Pode­se inserir uma agulha espinal ou cateter estéril através da membrana timpânica para que se obtenha amostra de líquido do interior da bolha timpânica (Figura 3.13).

■ Figura 3.13 Inserção do cateter estéril através do tímpano para coletar uma amostra para

Figura 3.13 Inserção do cateter estéril através do tímpano para coletar uma amostra para cultura e citologia. Observar o cateter penetrando na membrana timpânica no quadrante superior direito.

Capítulo 4

Obtenção de Biopsia Diagnóstica

Karen Helton Rhodes

Panorama

A biopsia de pele é um dos recursos diagnósticos disponíveis mais importantes. Três fatores são fundamentais para

se obter uma biopsia diagnóstica: a escolha do local, a manipulação do tecido e um bom dermatopatologista. Há vários dermatopatologistas capacitados em laboratórios comerciais e privados. O(s) dermatologista(s) local(is)

pode(m) fornecer nomes e a localização dos laboratórios. A escolha e a manipulação do tecido são da responsabilidade do veterinário que obtém a amostra.

A decisão de fazer biopsia

São muitos os distúrbios cutâneos para os quais a biopsia é o único recurso diagnóstico útil. A biopsia é igualmente importante no que parece ser um “caso clássico” em que a terapia convencional continua a falhar. As “regras” seguintes aplicam­se a tal decisão.

Quando fazer a biopsia

1. Lesões persistentes

2. Qualquer distúrbio neoplásico ou com suspeita de ser neoplásico

3. Quaisquer dermatoses descamativas

4. Dermatose vesicular

5. Alopecias não diagnosticadas

6. Quaisquer dermatoses incomuns.

Escolha do local

Costuma ser difícil decidir de que área fazer biopsia. Somos ensinados a obter amostra da periferia da lesão, de

modo que tanto áreas normais como anormais fiquem disponíveis para inspeção. Em muitos casos, isso é um problema e pode levar a corte inadequado quando apenas uma pequena parte da patologia estiver presente no tecido.

É mais produtivo escolher lesões representativas e submeter vários pedaços de pele a avaliação. A maioria dos

laboratórios permite que, pelo mesmo preço, os clínicos enviem até quatro ou cinco cortes de pele, uma vez que

múltiplos cortes ajudam o patologista a chegar a um diagnóstico. Lembrar­se de que, se a lesão for no plano nasal,

o corte tem de ser dessa área, não da pele em volta. Embora a área sangre muito ao ser cortada, cicatriza com

facilidade e fibrose mínima, além de aumentar a probabilidade de um diagnóstico acurado. As “regras” seguintes

aplicam­se a tal decisão.

Local da biopsia

1. Escolher várias lesões representativas, porque representam os diversos estágios do mesmo distúrbio ou problemas múltiplos

2. Incluir lesões que se caracterizem por descamação, formação de crosta, eritema, erosão, ulceração etc. (Figura 4.1 A–C)

3. Nem sempre é necessário fazer biopsia da margem de uma lesão, embora a amostra obtida do centro de uma úlcera raramente seja diagnóstica

obtida do centro de uma úlcera raramente seja diagnóstica ■ Figura 4.1A Gato com 10 anos

Figura 4.1A Gato com 10 anos de idade e história de dermatose progressiva, erosiva e ulcerativa que não responde ao tratamento, além de prurido discreto a moderado.

ao tratamento, além de prurido discreto a moderado. ■ Figura 4.1B Vista do ventre do mesmo

Figura 4.1B Vista do ventre do mesmo gato, revelando áreas multifocais de erosões, ulcerações e raras lesões em forma de placas associadas a eritema generalizado.

em forma de placas associadas a eritema generalizado. ■ Figura 4.1C Pastor­Alemão com 8 anos de

Figura 4.1C Pastor­Alemão com 8 anos de idade e dermatose ulcerativa e crostosa não pruriginosa.

4.

Pústulas e vesículas não devem ser biopsiadas pela técnica de punção, porque o movimento de torção rompe ou remove a parte superior (“teto”) da lesão e rompe a arquitetura da amostra; essas lesões devem ser excisadas em sua totalidade

5. É melhor excisar úlceras ou lesões profundas que estejam drenando, em vez de puncionálas, porque o movimento de torção pode separar o tecido patológico daquele mais normal, deixando indícios importantes para trás (i. e., vasculite, paniculite etc.)

6. Não temer a biopsia do coxim plantar ou do plano nasal – é mais fácil fechar locais de onde são retiradas amostras em cunha do que aqueles de onde são obtidas amostras por punção

7. Lesões com crostas são bons locais para biopsia. Se a crosta se separar da lesão durante a obtenção da amostra, não se esquecer de incluí­la em frasco contendo formalina e de fazer uma anotação para o patologista solicitando o “corte na crosta”

8. Áreas muito descamadas em geral são bons locais diagnósticos.

Técnica de biopsia

Um dos aspectos mais importantes a lembrar é que os locais de biopsias cutâneas não devem ser escovados nem limpos, porque isso removeria indícios diagnósticos. Em geral, veterinários acham difícil cortar através de crostas e descamação sem escovar a área. A maioria das biopsias cutâneas pode ser feita com anestesia local via injeção de lidocaína na região subcutânea (Figura 4.2 A e B). Alguns animais irascíveis podem necessitar de um sedativo. Evitar punções de 2 e 4 mm, porque os cortes são muito pequenos para uma amostra de bom tamanho. As “regras” seguintes aplicam­se a tal decisão.

As “regras” seguintes aplicam­se a tal decisão. ■ Figura 4.2A Biopsia cutânea revelando exocitose

Figura 4.2A Biopsia cutânea revelando exocitose epidérmica linfocítica, que confirma o diagnóstico de linfoma epidermotrófico.

■ Figura 4.2B Biopsia cutânea indicando a etiologia do pênfigo vulgar. Observar a fenda da

Figura 4.2B Biopsia cutânea indicando a etiologia do pênfigo vulgar. Observar a fenda da epiderme deixando as células do estrato basal ao longo da base da vesícula (aspecto de “lápide”).

Como fazer a biopsia

1. Nunca escovar ou limpar a área antes da excisão – a crosta da superfície pode conter as alterações patológicas necessárias para estabelecer o diagnóstico

2. Usar a lâmina de bisturi para obter uma amostra de biopsia em forma de cunha ou elíptica ao seccionar o nariz, o coxim plantar, vesículas, bolhas ou lesões profundas (vasculite, paniculite etc.)

3. Ao fazer uma biopsia por punção, optar pelo tamanho de 6 mm

4. Ao fazer uma biopsia por punção, girar em uma direção apenas e não reutilizar o instrumento, porque a lâmina perde o fio com facilidade e pode lacerar o tecido durante o procedimento

5. Ao usar lidocaína, aplicar no compartimento subcutâneo, não por via intradérmica

6. Tentar não manipular o tecido com pinças (artefato por esmagamento), usando em vez disso uma agulha de calibre pequeno para tal (Figura 4.3)

7. Colocar a amostra imediatamente em formalina

8. Amostras pequenas ou finas podem ser colocadas em um pequeno pedaço de abaixador de língua com a parte pilosa para fora, de modo a evitar que se enrolem e então flutuem na formalina

9. Evitar o congelamento.

Lembrar de fornecer ao patologista a história abrangente e a descrição clínica das lesões (Tabelas 4.1 a 4.3). A autora costuma incluir uma cópia do pedido de encaminhamento com a requisição da biopsia. Tal pedido contém a anamnese, os sinais clínicos, os diagnósticos diferenciais considerados e um plano. O clínico e seu patologista devem formar uma equipe diagnóstica. Não é realista esperar que o patologista forneça respostas consistentes se não lhe enviarmos o tecido apropriado ou informação adequada.

■ Figura 4.3 Evitar usar pinças para manipular o tecido, porque em geral isso se

Figura 4.3 Evitar usar pinças para manipular o tecido, porque em geral isso se associa à formação de artefatos por esmagamento.

Tabela 4.1 Relatório dermato­histopatológico.

Descrição

Resumo das alterações histológicas notadas no tecido

Diagnóstico morfológico

Relata o padrão histológico geral reconhecido

Diagnóstico etiológico

Identifica um agente causador, se reconhecido (p. ex., bactéria, demodicose, fungo etc.)

Comentários

O patologista faz uma correlação entre as manifestações clínicas do caso (fornecidas pelo clínico) e os aspectos histopatológicos da biopsia. A informação do clínico é vital para uma conclusão válida

Tabela 4.2 Terminologia histopatológica comum.

Acantólise

Perda da aderência de queratinócitos (acantócitos); em geral, deve­se a doenças autoimunes

Acantose

Aumento da espessura da epiderme (hiperplasia epidérmica), em geral notada com inflamação crônica

Amiloide

Material hialino, amorfo, eosinofílico

Apoptose

Morte de queratinócitos individuais

Atrofia epidérmica

Epiderme fina; em geral, associada ao uso de corticosteroide

Bolhas

Espaços acelulares cheios de líquido dentro ou abaixo da epiderme (vesículas são bolhas menores)

Colagenólise

Colágeno desnaturado, homogêneo, eosinofílico; em geral, atrai mineralização

Corpúsculos de Civatte

Células apoptóticas no estrato basal da epiderme

Crosta

Acúmulo superficial de células epidérmicas, proteínas séricas, eritrócitos, leucócitos

Degeneração balonoide

Coilocitose, citoplasma intumescido sem vacuolização; característica de infecção viral

Degeneração hidrópica

Dano vacuolar ao estrato basal; frequentemente vista no LED

Degeneração reticular

Edema intraepidérmico multilocular com tumefação de queratinócitos; em geral vista na dermatite necrolítica superficial/síndrome hepatocutânea

Degeneração vacuolar

Edema intracelular

Depressão

Pequeno afundamento na superfície da epiderme

Desmoplasia

Fibroplasia induzida por neoplasia

Diapedese

Eritrócitos dentro dos espaços intercelulares da epiderme; implica perda da integridade vascular

Disqueratose

Queratinização prematura defeituosa; pode ser vista com neoplasia ou distúrbios de queratinização

Esclerose

Formação de escara

Espongiose

Edema intercelular epidérmico

Exocitose

Migração de células inflamatórias, eritrócitos ou ambos nos espaços intercelulares

Fendas

Espaços em forma de fenda dentro da epiderme ou junção dermoepidérmica; causadas por acantólise ou degeneração hidrópica de células basais ou mesmo artefatos de processamento

Fendas de colesterol

Parecem espaços transparentes em forma de espículas; em geral, vistas na

 

xantomatose, na paniculite e em cistos foliculares rompidos

Fibroplasia

Quantidades aumentadas de tecido fibroso

Fibrose

Fibroplasia avançada, estrias espessas paralelas de colágeno, características de dermatite acral da lambedura

Figuras em chama

Área de colágeno alterado, circundada por material eosinofílico, ver colagenólise; em geral, notadas nos granulomas eosinofílicos, também chamadas queratinização triquilêmica

Hiper e hipogranulose

Denota a espessura do estrato granuloso (p. ex., áreas de liquenificação revelam hipergranulose)

Hiperqueratose

Aumento da espessura da camada do estrato córneo da epiderme, em geral dividida em ortoqueratose (perda de núcleos) e paraqueratose (núcleos retidos), que ajuda a identificar uma etiologia (a dermatose que responde ao zinco caracteriza­se por paraqueratose)

Hipomelanose

Diminuição no pigmento; como vista no vitiligo

Incontinência pigmentar

Queda do pigmento melanina da epiderme para a derme e sua fagocitose por macrófagos; em geral vista no LED

Junção dermoepidérmica

Interface entre epiderme e derme

Melanose

Hiperpigmentação; vista na inflamação crônica

Microabscesso – de Munro

Acúmulo de neutrófilos dentro ou abaixo do estrato córneo; em geral visto na dermatose liquenoide psoriasiforme de Springers

Microabscesso – de Pautrier

Acúmulo de células linfoides anormais; em geral visto no linfoma epidermotrópico

Microabscesso – eosinofílico

Visto em casos de EGC, alergia, pênfigo complexo, Malassezia, foliculite eosinofílica etc.

Microabscesso – espongiforme Acúmulo de neutrófilos no estrato espinhoso, em geral visto na dermatite necrolítica supurativa superficial de Schnauzers

Mineralização distrófica

Depósitos de cálcio ao longo de fibras de colágeno

Mucinose

Quantidades aumentadas de material basofílico amorfo na derme; característica de pele normal do Shar­Pei e no hipotireoidismo

Necrólise

Necrose epidérmica coagulativa sem envolvimento dérmico e inflamação mínima; em geral vista com NET

Papilomatose

Proliferação epidérmica devido à infecção pelo papilomavírus, em geral exofítica, mas pode ser endofítica

Satelitose

Linfócitos citotóxicos circundando uma célula apoptótica; indica resposta imune mediada por célula

Zona limítrofe

Zona marginal de colágeno que separa a epiderme de uma alteração dérmica

subjacente; em geral vista nos distúrbios neoplásicos e granulomatosos

Tabela 4.3 Padrões histopatológicos em dermatologia.*

Perivascular

Interface

Vasculite

Dermatite intersticial

Nodular/difuso

Vesicular/pustular intraepidérmico

Vesicular/pustular subepidérmico

Foliculite/perifoliculite/furunculose

Paniculite

Dermatite fibrosante

Dermatopatia atrófica

*Usados na descrição morfológica no relatório.

Comentários

Siglas

EGC = enfermidade granulomatosa crônica

LED = lúpus eritematoso discoide

NET = necrólise epidérmica tóxica.

Capítulo 5

Diferenciais entre as Lesões e Regiões do Corpo

Karen Helton Rhodes

Panorama

As características e os padrões de lesões em geral podem ajudar a estreitar o diagnóstico diferencial quando se examina um paciente. A lista a seguir foi incluída como um recurso para ajudar na formulação do diagnóstico diferencial. É óbvia a inviabilidade de elaborar uma lista totalmente inclusiva e acurada, porque muitas doenças/condições têm sinais clínicos que se superpõem. O objetivo deste capítulo é funcionar como diretriz preliminar para algumas das dermatoses mais comuns.

Alopecia em manchas

Demodicose: geralmente acompanhada por hiperpigmentação, comedões, eritema, foliculite

Dermatofitose: associada a descamação e foliculite

Foliculite estafilocócica: pápulas, pústulas, crostas, colaretes epidérmicos, máculas hiperpigmentadas, individuais ou “disseminadas”

Reação a injeção: pode ser induração e/ou atrofia no local, geralmente associada à injeção de corticosteroide repositol

Vasculite induzida por vacina: a lesão pode ou não estar associada a eritema, em geral induzida pela vacina antirrábica, podendo ser observada 2 a 3 meses após a injeção

Alopecia areata: alopecia focal não inflamatória completa, ataque de linfócitos ao bulbo capilar

Esclerodermia localizada: mancha esclerótica lisa e brilhante

Adenite sebácea (raças de pelagem curta): áreas anulares a policíclicas, em geral associadas a descamação

Defluxo do anágeno: início súbito, evento estressante ou reação a medicação, não inflamatório

Carcinoma bowenoide: carcinoma escamocelular in situ; geralmente ocorre em gatos, com manchas descamativas pigmentadas, quase sempre na cabeça e na parte externa das orelhas (Figuras 5.1 a 5.5).

■ Figura 5.1 Demodicose caracterizada por manchas multifocais de alopecia parcial ou completa. ■ Figura

Figura 5.1 Demodicose caracterizada por manchas multifocais de alopecia parcial ou completa.

por manchas multifocais de alopecia parcial ou completa. ■ Figura 5.2 Demodicose generalizada causando

Figura 5.2 Demodicose generalizada causando eritrodermia grave, alopecia parcial ou completa e formação de crostas.

grave, alopecia parcial ou completa e formação de crostas. ■ Figura 5.3 Padrão mais típico de

Figura 5.3 Padrão mais típico de piodermite superficial, demonstrando manchas multifocais de alopecia (pápulas, pústulas, colaretes epidérmicos e máculas hiperpigmentadas).

■ Figura 5.4 A. Carcinoma escamocelular felino in situ (carcinoma bowenoide). Lesões ligeiramente descamativas e
■ Figura 5.4 A. Carcinoma escamocelular felino in situ (carcinoma bowenoide). Lesões ligeiramente descamativas e

Figura 5.4 A. Carcinoma escamocelular felino in situ (carcinoma bowenoide). Lesões ligeiramente descamativas e elevadas, pigmentadas, em geral passam despercebidas pelo proprietário até um estágio avançado. Notar as áreas de alopecia parcial com hiperpigmentação da região pré­auricular. B. Carcinoma escamocelular felino in situ. Vista mais próxima da região pré­auricular da Figura 5.4A.

B . Carcinoma escamocelular felino in situ . Vista mais próxima da região pré­auricular da Figura
■ Figura 5.5 A. Alopecia areata . Alopecia não inflamatória completa no padrão em manchas.

Figura 5.5 A. Alopecia areata. Alopecia não inflamatória completa no padrão em manchas. Notar as áreas de alopecia logo abaixo dos olhos e ao longo do nariz. B. Alopecia areata felina. Mancha não inflamatória de alopecia no tronco.

Alopecia em localização especí ca

Alopecia por tração: associada a presilhas ou elásticos usados nos pelos do dorso da cabeça

Alopecia após tosa: falha no crescimento de novos pelos após tosa

Melanodermia/alopecia do Yorkshire Terrier: alopecia e hiperpigmentação dos pavilhões auriculares, da ponte do nariz, às vezes da cauda e dos pés, em filhotes caninos e cães jovens

Alopecia simétrica do flanco: displasia folicular serpiginosa cíclica localizada no flanco, associada a hiperpigmentação e comedões

Displasia folicular de pelos negros: ocorre apenas nos pelos negros

Dermatomiosite: alopecia simétrica na face, na ponta da cauda, nos dedos, carpos, tarsos e pavilhões auriculares; em geral associada a eritema e fibrose; ocorre primariamente em Shelties

Alopecia dos pavilhões auriculares: miniaturização de pelos, periódica ou progressiva, comum em gatos Siameses e cães Dachshund

Calvície padrão em cães nas seguintes raças: Cão­D’água Português, Spaniel Americano, Greyhound, Whippet, Boston Terrier, Manchester Terrier, Chihuahua, Greyhound Italiana, Pinscher Miniatura

Alopecia da glândula da cauda (glândula supracaudal): localizada aproximadamente a 5 cm da base da cauda, ao longo da superfície dorsal (Figura 5.6).

Alopecia generalizada/difusa

■ Figura 5.6 Fêmea castrada de maltês de 3 anos de idade com mancha de

Figura 5.6 Fêmea castrada de maltês de 3 anos de idade com mancha de alopecia subsequente à vasculite induzida pela vacinação antirrábica.

à vasculite induzida pela vacinação antirrábica. ■ Figura 5.7 Sheltie de 8 anos de idade com

Figura 5.7 Sheltie de 8 anos de idade com piodermite superficial generalizada, demonstrando alopecia difusa e eritema.

generalizada, demonstrando alopecia difusa e eritema. ■ Figura 5.8 Dorso do tronco de um Poodle Padrão

Figura 5.8 Dorso do tronco de um Poodle Padrão demonstrando alopecia parcial difusa com indícios de adenite sebácea.

■ Figura 5.9 Hiperadrenocorticismo: alopecia e hiperpigmentação no tronco. ■ Figura 5.10 Cão de grande

Figura 5.9 Hiperadrenocorticismo: alopecia e hiperpigmentação no tronco.

alopecia e hiperpigmentação no tronco. ■ Figura 5.10 Cão de grande porte com

Figura 5.10 Cão de grande porte com hiperadrenocorticismo e piodermite superficial secundária.

no tronco. ■ Figura 5.10 Cão de grande porte com hiperadrenocorticismo e piodermite superficial secundária.

Figura 5.11 Dermatose responsiva ao hormônio do crescimento. Notar a predominância da alopecia em torno da região do pescoço, bem como na cauda e no períneo.

da região do pescoço, bem como na cauda e no períneo. ■ Figura 5.12 Lulu­da­Pomerânia macho

Figura 5.12 Lulu­da­Pomerânia macho não castrado de 5 anos de idade com desequilíbrio de hormônio sexual adrenal.

de idade com desequilíbrio de hormônio sexual adrenal. ■ Figura 5.13 Tumor da célula de Sertoli.

Figura 5.13 Tumor da célula de Sertoli. Notar a alopecia e a hipopigmentação associada.

■ Figura 5.14 Alopecia parcial a focalmente completa no tronco, associada a hipotireoidismo grave. (

Figura 5.14 Alopecia parcial a focalmente completa no tronco, associada a hipotireoidismo grave. (Nota: o hipotireoidismo frequentemente é “superdiagnosticado” como causa de alopecia canina.)

é “superdiagnosticado” como causa de alopecia canina.) ■ Figura 5.15 Cão mestiço de 12 anos de

Figura 5.15 Cão mestiço de 12 anos de idade com linfoma epidermotrófico. Notar as áreas de alopecia parcial a completa, com descamação maciça e placas eritematosas.

■ Figura 5.16 Cocker Spaniel de 14 anos de idade com linfoma epidermotrófico. Notar a

Figura 5.16 Cocker Spaniel de 14 anos de idade com linfoma epidermotrófico. Notar a ausência de placas e nódulos. As lesões consistem em manchas multifocais de alopecia (a pelagem foi raspada), com escamas aderentes e eritema discreto.

foi raspada), com escamas aderentes e eritema discreto. ■ Figura 5.17 Distúrbio primário da queratinização,

Figura 5.17 Distúrbio primário da queratinização, com dermatite secundária por levedura no períneo e na região da cauda de um Cocker Spaniel de 6 anos de idade.

■ Figura 5.18 A. Linfoma epidermotrófico na parte ventral do abdome de um gato de
■ Figura 5.18 A. Linfoma epidermotrófico na parte ventral do abdome de um gato de

Figura 5.18 A. Linfoma epidermotrófico na parte ventral do abdome de um gato de 14 anos de idade demonstrando alopecia parcial e descamação aderente características das fases iniciais da doença. B. Linfoma epidermotrófico. Estágio avançado da doença demonstrando a fase de placa e nodular.

■ Figura 5.19 A. O hipertireoidismo felino em geral está associado a toalete excessiva, que
■ Figura 5.19 A. O hipertireoidismo felino em geral está associado a toalete excessiva, que

Figura 5.19 A. O hipertireoidismo felino em geral está associado a toalete excessiva, que pode levar a áreas focais de alopecia – conforme notado ao longo da face lateral dos membros anteriores. B. Hipertireoidismo felino. Este gato de 9 anos de idade não tinha outros sinais clínicos comumente reconhecidos como hipertireoidismo, além do hábito de fazer toalete em excesso. Notar a alopecia ao longo dos membros anteriores.

Adenite sebácea: associada a frenodermia (cilindros de queratina), descamação difusa, sempre afetando mais o dorso do que o ventre e envolvendo o dorso da cabeça

Síndrome de Cushing (típica e atípica): alopecia do tronco, comedões, alopecia da cauda (“cauda de rato”), pele atrófica, flebectasia, abdome protuberante, piodermite, hiperpigmentação, enrolamento das pontas das orelhas e fragilidade cutânea em gatos

Alopecia X: síndrome semelhante à hiperplasia adrenal, alopecia simétrica do tronco

Hipotireoidismo: “fácies trágica”/mixedema no cão, alopecia bilateral e simétrica do tronco e cervical

Hipertireoidismo: em gatos, pelagem desgrenhada com alopecia parcial, pelagem esparsa ao longo dos membros anteriores; pode simular OCD

Dermatoses responsivas ao hormônio do crescimento: alopecia simétrica do tronco com hiperpigmentação; em geral, a alopecia começa no pescoço

Hiperestrogenismo: alopecia simétrica rara do períneo, inguinal, das regiões do flanco; hiperplasia das glândulas mamárias e vulvar, cistos de ovário

Relacionada com o estro: fêmeas caninas não castradas, alopecia perineal e do flanco que pode progredir para generalizada, cíclica

Dermatoses responsivas à testosterona: alopecia progressiva do tronco de cães machos castrados

Tumor da célula de Sertoli: feminização masculina, ginecomastia, alopecia do períneo e da região genital

■ Tumor da célula de Sertoli: feminização masculina, ginecomastia, alopecia do períneo e da região genital
■ Tumor da célula de Sertoli: feminização masculina, ginecomastia, alopecia do períneo e da região genital
■ Figura 5.20 A e B . Hiperadrenocorticismo felino. Notar o abdome protuberante e a
■ Figura 5.20 A e B . Hiperadrenocorticismo felino. Notar o abdome protuberante e a
■ Figura 5.20 A e B . Hiperadrenocorticismo felino. Notar o abdome protuberante e a

Figura 5.20 A e B. Hiperadrenocorticismo felino. Notar o abdome protuberante e a alopecia parcial no tronco. C. Hiperadrenocorticismo felino. Notar o enrolamento da ponta das orelhas. D e E. Síndrome da fragilidade cutânea felina associada a hiperadrenocorticismo. Notar a grande área sem pelos no tronco e a facilidade com que a pele se solta. Em geral há dor mínima associada a essas lesões, o que pode ocorrer à manipulação rotineira. (Cortesia do Dr. Rod Rosychuck.)

Dermatose responsiva à castração: perda de pelos na área da coleira, no períneo, na parte caudomedial das

coxas, nos flancos

DM: alopecia parcial difusa; pode estar associada a dermatite miliar no gato

Alopecia com diluição da cor: adelgaçamento da pelagem, associado a foliculite, progressivo, em geral associado a pelagem azulada (comum em cães da raça Yorkshire Terrier, Doberman)

Displasia folicular: alopecia progressiva lenta (Irish Water Spaniels, Spinone Italiano)

Lipidose folicular: pontos vermelhos, cães jovens, Rottweilers

Alopecia congênita: Bichon Frisé, Beagle, Basset Hound, Buldogue Francês, Rottweiler, algumas raças selecionadas por esse distúrbio – Chinese Crested, cães mexicanos, Terrier Americano sem pelos, gatos das raças Abissínia e Sphinx

Defluxo do telógeno: associado a algum evento estressante (p. ex., prenhez)

Distúrbio da queratinização: associado a hiperqueratose e oleosidade excessiva, mais comum em Cocker Spaniels

Pênfigo: perda de pelos associada a descamação, formação de crostas, pústulas, eritema

Linfoma cutâneo: descamação e alopecia no estágio inicial; progride para placas, nódulos e ulceração, associados à despigmentação de mucosas

Hipotricose felina hereditária: distúrbio autossômico recessivo de gatos Siameses, Devon Rex, Burmeses, Birmaneses; pelagem fina esparsa

Devon Rex, Burmeses, Birmaneses; pelagem fina esparsa ■ Figura 5.21 Síndrome paraneoplásica associada a

Figura 5.21 Síndrome paraneoplásica associada a adenocarcinoma pancreático exócrino. Notar a hiperpigmentação e o aspecto brilhante da pele com alopecia. É comum a distribuição ventral predominante. (Cortesia da Dra. Karen Campbell.)

Alopecia felina universal: defeito hereditário, ausência completa de pelos primários, pelos secundários diminuídos, epiderme espessada, pele oleosa, ausência de vibrissas, penugem na ponta da cauda, entre os dedos e no escroto (Sphinx, Canadense sem pelos)

Alopecia felina simétrica: dermatite psicogênica ou alérgica é a etiologia mais comum

Timoma felino: dermatite esfoliativa, eritematosa, não pruriginosa; começa na cabeça e no pescoço, torna­se generalizada, acomete gatos idosos

Alopecia paraneoplásica felina: início agudo, rapidamente progressiva, alopecia completa ventral (também nos olhos, nariz e coxins plantares), pele lisa e brilhante, adenocarcinomas pancreáticos exócrinos e carcinomas do ducto biliar

Foliculite linfocítica mural felina: alopecia, descamação, hiperpigmentação, ± prurido pode ser padrão de reação ou síndrome paraneoplásica

Pseudopelada: ataque linfocitário sobre o istmo do folículo piloso, com alopecia resultante, não pruriginosa, não inflamatória

Alopecia mucinosa: mucinose da bainha externa da raiz do folículo piloso e da epiderme

Tricorrexe nodosa: traumatismo excessivo do pelo, tumefação focal da haste do pelo associada a dano cuticular.

Dermatoses esfoliativas/descamação

Dermatofitose: pode manifestar­se com qualquer apresentação clínica, comumente esfoliativa

Ectoparasitas: queiletielose, demodicose, escabiose (Figuras 5.22 a 5.30)

Timoma felino: eritema, face, pescoço; gatos idosos, não pruriginoso, esfoliativo

face, pescoço; gatos idosos, não pruriginoso, esfoliativo ■ Figura 5.22 A. Adenite sebácea felina, caracterizada
face, pescoço; gatos idosos, não pruriginoso, esfoliativo ■ Figura 5.22 A. Adenite sebácea felina, caracterizada

Figura 5.22 A. Adenite sebácea felina, caracterizada por escama aderente e alopecia parcial. B. Acúmulo de pigmento ao longo das margens palpebrais associado à adenite sebácea.

■ Figura 5.23 Dermatose responsiva à vitamina A, caracterizada por manchas multifocais de queratina em

Figura 5.23 Dermatose responsiva à vitamina A, caracterizada por manchas multifocais de queratina em excesso.

Distúrbios da queratinização: cilindros de queratina, hipercrescimento secundário de Malassezia

Dermatose responsiva à vitamina A: responde à suplementação nutricional; Cocker Spaniel, West, Dálmata, Labrador, Shar­Pei, Fox Terrier

Dermatose responsiva ao zinco: alopecia, descamação, crostas, eritema; periocular, pavilhões auriculares, lábios, raças do Alasca predispostas

Displasias foliculares: alopecia associada a hiperqueratose e pelos com morfologia anormal (estrutura/melanização)

Hiperqueratose nasodigital idiopática canina: acúmulo de escamas no plano nasal e nas margens dos coxins digitais, em geral assintomática

Adenite sebácea: cilindros difusos de queratina que unem os pelos à superfície da pele, afetando mais o dorso do corpo, inclusive a cabeça

Ictiose: distúrbio congênito grave da queratinização nas raças Golden Retriever, West Highland White Terrier, Cavalier King Charles Spaniel, Jack Russell, Norfolk Terrier, Yorkshire Terrier; escama muito aderente de piodermite secundária, prognóstico mau

Linfoma cutâneo: descamação é o primeiro sinal clínico do CTCL em muitos casos, em estágios, placas, nódulos; também associado a despigmentação

Queratose actínica: eritema e descamação

Dermatose liquenoide psoriasiforme:

Springer Spaniel e Pastor­Alemão são predispostos, face medial dos pavilhões auriculares e virilhas

Síndrome do comedão do Schnauzer: descamação e comedões ao longo do dorso do tronco

Dermatose da margem da orelha: Dachshund, idiopática, ± vasculite/vasculopatia, alopecia, fissuras, cilindros de queratina, incisuras

Paraqueratose nasal hereditária de Labrador: pode haver fissura e causar algum desconforto, em geral não sintomática, 6 aos 12 meses de idade

Dermatose necrolítica superficial: “síndrome hepatocutânea”; hiperqueratose, crostas, ulceração; pavilhões auriculares, face, junção mucocutânea, articulações, coxins plantares

Síndrome da face suja de gatos da raça Persa: eritematosa e esfoliativa, pruriginosa, acúmulo sebáceo

vermelho/marrom, em geral hipercrescimento de Malassezia, também identificada em gatos da raça Himalaia

Acne: felina e canina; variante de piodermite em cães; defeito da queratinização em gatos

piodermite em cães; defeito da queratinização em gatos ■ Figura 5.24 Poodle Padrão com adenite sebácea

Figura 5.24 Poodle Padrão com adenite sebácea granulomatosa generalizada demonstrando cilindros foliculares de queratina que efetivamente se interpõem entre o pelo e a pele, dando o aspecto clínico de alopecia.

entre o pelo e a pele, dando o aspecto clínico de alopecia. ■ Figura 5.25 Infestação

Figura 5.25 Infestação por Notoedres manifestando­se como distúrbio hiperqueratótico acentuado em um gato.

■ Figura 5.26 Escama aderente grave como resultado de dermatofitose crônica em um Yorkshire Terrier.

Figura 5.26 Escama aderente grave como resultado de dermatofitose crônica em um Yorkshire Terrier.

resultado de dermatofitose crônica em um Yorkshire Terrier. ■ Figura 5.27 Linfoma epidermotrófico em um Cocker

Figura 5.27 Linfoma epidermotrófico em um Cocker Spaniel. Notar as áreas de despigmentação e descamação difusa na pele tricotomizada deste cão.

■ Figura 5.28 Cocker Spaniel tosado para revelar as áreas multifocais de despigmentação e descamação

Figura 5.28 Cocker Spaniel tosado para revelar as áreas multifocais de despigmentação e descamação difusa características do linfoma cutâneo.

e descamação difusa características do linfoma cutâneo. ■ Figura 5.29 A região abdominal ventral deste gato

Figura 5.29 A região abdominal ventral deste gato com linfoma cutâneo revela placas eritematosas e ulcerações associadas à doença avançada.

■ Figura 5.30 Linfoma epidermotrófico em estágio terminal. Notar o eritema difuso, a alopecia, as

Figura 5.30 Linfoma epidermotrófico em estágio terminal. Notar o eritema difuso, a alopecia, as crostas e a despigmentação (em especial no plano nasal).

Dermatose lupoide hereditária de Pointer­ Alemão de pelo curto: esfoliativa, crostas e descamação; distribuição facial; cães jovens, intermitente.

Dermatoses com formação de crostas e erosivas/ulcerativas

Pênfigo foliáceo: em geral, mais crostoso que ulcerativo; ponte nasal, coxins plantares, apresentação inicial nos pavilhões auriculares, IMSD, medicamentoso (amitraz e metaflumizona), induzido por dermatófito

Pênfigo vulgar: ulcerativo com crosta aderente, pode haver lesões orais, IMSD

Penfigoide bolhoso: autoanticorpo direcionado contra a zona da membrana basal, ulcerativo, junções mucocutâneas geralmente acometidas

LED: deposição de imunocomplexo; plano nasal, pavilhões auriculares, coxins plantares; despigmentação

LES: doença multissistêmica, deposição de imunocomplexo visando às zonas da membrana basal (Figuras 5.31 a 5.42)

Dermatose lupoide hereditária de Pointer­ Alemão de pelo curto: eritema facial, crostas, descamação, cães jovens

Doença da aglutinina fria: pontas dos membros mais frequentemente acometidas; ulceração/necrose

Vasculite: idiopática, imunomediada, associada ao FeLV (necrose da ponta das orelhas e da cauda), associada a neoplasia, medicamentosa, relacionada com vacinação (antirrábica), hereditária – síndrome da poliarterite juvenil de Beagles, vasculite leucocitoclástica neutrofílica de Terriers Jack Russell, vasculopatia cutânea familiar do Pastor­alemão, vasculopatia cutânea e glomerular renal de Greyhounds, necrose trombovascular do pavilhão auricular do Dachshund, vasculite associada ao DM, vasculite associada a uremia, eosinofílica (por inseto), artrite reumatoide

Eritema multiforme: serpiginoso ou lesões “em olho de touro”; idiopático, induzido por vacinação ou medicamento, induzido pelo herpes­vírus em gatos

Necrólise epidérmica tóxica: necrose epidérmica confluente; idiopática, medicamentosa

Penfigoide da mucosa: doença bolhosa subepidérmica; cavidades bucal e nasal, pavilhões auriculares, ânus, olhos, genitália

Furunculose nasal eosinofílica: início agudo; picada de inseto/aranha?; alopecia, eritema, erosiva, nodular,± prurido/dor

Celulite canina juvenil: “garrotilho” dos filhotes de cães, granulomatosa estéril, pustular, erosiva, ulcerativa; face, pavilhões auriculares, linfonodos periféricos

Histiocitose cutânea: ponte nasal; mucosa nasal, tronco, membros; cães Montanheses de Berna e Golden

Retrievers são predispostos

Retrievers são predispostos ■ Figura 5.31 A. A xantomatose cutânea pode estar associada a um desequilíbrio
Retrievers são predispostos ■ Figura 5.31 A. A xantomatose cutânea pode estar associada a um desequilíbrio

Figura 5.31 A. A xantomatose cutânea pode estar associada a um desequilíbrio endócrino (cortisol, tireóideo, DM etc.) ou a hiperlipidemia idiopática. Este gato DSH macho não castrado de 10 anos de idade demonstra pequenos nódulos amarelo­rosados coalescentes e placas ao longo da parte ventral do tronco. B. Xantomatose cutânea associada a DM. Notar as lesões amarelo­rosadas lineares a papulares ao longo da região ventral desta gata castrada DSH de 7 anos de idade.

Piodermite estafilocócica: superficial (crostosa) e profunda (ulcerativa)

Micoses profundas e intermediárias: esporotricose, blastomicose, criptococose, coccidioidomicose etc.

Micobacteriose atípica: predisposta por traumatismo, mais comum em felinos, nódulos ulcerativos com tratos fistulosos, tecido adiposo espessado

Actinomicetos bacterianos: Nocardia spp., Actinomyces spp., Streptomyces spp.

Pitiose: animais expostos a água estagnada, nódulos ulcerativos, prurido grave

Prototecose: algas saprófitas, água estagnada, junção mucocutânea ulcerativa, despigmentação

Pecilomicose: fungo saprófita semelhante a levedura; vegetação caída no solo; nódulos ulcerativos e otite

externa

Leishmaniose: parasitose por protozoário, doença zoonótica, esfoliativa, crostosa, dermatose ulcerativa

Varíola felina: rara, os gatos se infectam por mordedura, na Europa, há formação de pápulas ulceradas e nódulos

Dermatoses associadas ao FeLV e ao FIV: dermatose de célula gigante (ulcerativa, pruriginosa; face, pescoço, pavilhões auriculares) e vasculite pelo FeLV das pontas das orelhas e da cauda

Dermatoses associadas ao calicivírus felino: síndrome felina da dor orofacial (neuralgia do trigêmeo, prurido facial unilateral – Siamês e Birmanês)

Demodicose: casos generalizados graves tornam­se crostosos e ulcerativos

Ácaros sarcoptídeos: o prurido grave induz escoriação generalizada e formação de crostas

Hipersensibilidade a pulgas: tronco caudodorsal

Hipersensibilidade à picada de mosquitos em felinos: lesões faciais, eritematosas e nódulos ulcerativos

lesões faciais, eritematosas e nódulos ulcerativos ■ Figura 5.32 A dermatite alérgica felina é mais grave

Figura 5.32 A dermatite alérgica felina é mais grave na extensão da cabeça e na região do pescoço. Notar as escoriações ao longo do aspecto caudal dos pavilhões auriculares e na região do pescoço.

■ Figura 5.33 A. Cão mestiço de 8 anos de idade com pênfigo vulgar acometendo
■ Figura 5.33 A. Cão mestiço de 8 anos de idade com pênfigo vulgar acometendo

Figura 5.33 A. Cão mestiço de 8 anos de idade com pênfigo vulgar acometendo a mucosa oral e (B) o escroto.

■ Figura 5.34 Schnauzer miniatura de 5 anos de idade com necrólise epidérmica tóxica do

Figura 5.34 Schnauzer miniatura de 5 anos de idade com necrólise epidérmica tóxica do ventre induzida por trimetropina e sulfadiazina.

Pelodera e migração de ancilóstomos: eritema, ulceração; coxins plantares, ventre

Complexo do granuloma eosinofílico felino: úlcera indolente, granuloma linear, placa eosinofílica

Dermatite alérgica: o prurido grave predispõe o paciente a erosão, ulceração e formação de crostas

Dermatomiosite: dermatopatia isquêmica hereditária; face, orelhas, cauda; megaesôfago, doença/atrofia muscular, marcha trôpega

Epidermólise bolhosa adquirida: cães da raça Dinamarquesa; urticária, vesículas, úlceras – face, virilha, coxins plantares, junção mucocutânea da cavidade bucal

Astenia cutânea: hiperextensibilidade e fragilidade da pele; acomete cães e gatos; ulcerações e fibrose

Xantoma cutâneo: fendas de colesterol na derme; placas amarelo­rosadas de alopecia e nódulos que tendem a ulcerar, em geral associados a DM ou hiperlipidemia idiopática

Dermatose necrolítica superficial (síndrome hepatocutânea): dermatose ulcerativa hiperqueratótica associada a doença hepática e/ou glucagonoma pancreático

Calcinose cutânea: depósitos minerais no interior da derme, associados à degeneração do colágeno induzida pela administração de corticosteroide ou por hiperadrenocorticismo; prurido intenso, erosão, ulceração

Linfoma cutâneo de célula T: despigmentação, descamação, placas, nódulos e ulceração; lentamente progressiva; cães e gatos

Dermatose ulcerativa de Collies e Shelties: pode ser variante da dermatomiosite ou uma forma cutânea vesicular de LE; eritema serpiginoso com bolhas flácidas que ulceram; acomete virilhas, axilas, genitália, pavilhões auriculares, mucosa bucal e coxins plantares

Dermatose ulcerativa linear felina: lesão solitária sobre o pescoço e a região do ombro, com prurido intenso, refratária ao tratamento

Pododermatite plasmocitária felina: coxins metatarsianos e metacarpianos, com tumefação e esponjosa, ulcerativa; pode estar associada ao FIV

Paniculite nodular idiopática: nódulos subcutâneos e tratos de drenagem sobre o tronco; Dachshunds predispostos, com frequência o dorso é acometido mais gravemente, as lesões são estéreis, cicatrizam com a formação de crostas e fibrose

Eritema ab igne: lesão por calor radiante

Dermatite actínica: eritema e descamação que progride para nódulos/erosão/ulceração; pele pouco pigmentada

predisposta

Queimaduras solares, térmicas, químicas: eritema, descamação, erosão, ulceração, necrose

eritema, descamação, erosão, ulceração, necrose ■ Figura 5.35 Golden Retriever de 2 anos de idade com
eritema, descamação, erosão, ulceração, necrose ■ Figura 5.35 Golden Retriever de 2 anos de idade com

Figura 5.35 Golden Retriever de 2 anos de idade com (A) dermatite facial erosiva generalizada e (B) na virilha, causada por dermatose medicamentosa (cefalexina) semelhante ao pênfigo foliáceo.

■ Figura 5.36 Gato DSH macho castrado de 5 anos de idade com “úlcera do

Figura 5.36 Gato DSH macho castrado de 5 anos de idade com “úlcera do roedor” no lábio superior.

de idade com “úlcera do roedor” no lábio superior. ■ Figura 5.37 Gato DLH macho castrado

Figura 5.37 Gato DLH macho castrado de 3 anos de idade com o plano nasal ulcerado em decorrência de hipersensibilidade a picada de mosquito.

■ Figura 5.38 Pênfigo foliáceo demonstrando o padrão típico de acometimento cutâneo ao longo da

Figura 5.38 Pênfigo foliáceo demonstrando o padrão típico de acometimento cutâneo ao longo da ponte do nariz e na região periocular.

cutâneo ao longo da ponte do nariz e na região periocular. ■ Figura 5.39 Pápulas, pústulas,

Figura 5.39 Pápulas, pústulas, colaretes epidérmicos e mácula hiperpigmentada característica de pioderma superficial.

■ Figura 5.40 Pústula intacta no ventre de um cão com pênfigo foliáceo. ■ Figura

Figura 5.40 Pústula intacta no ventre de um cão com pênfigo foliáceo.

intacta no ventre de um cão com pênfigo foliáceo. ■ Figura 5.41 Pústulas e crostas representativas

Figura 5.41 Pústulas e crostas representativas do pênfigo foliáceo.

■ Figura 5.42 Cão mestiço com queimadura térmica no dorso, resultante de lesão por bolsa

Figura 5.42 Cão mestiço com queimadura térmica no dorso, resultante de lesão por bolsa de água quente.

Síndrome da mutilação acral em Springer Spaniel: ulceração grave das extremidades; neuropatia sensorial hereditária autoinduzida.

Anormalidades pigmentares

Leucodermia/leucotriquia (vitiligo) idiopática: pele e pelagem acometidas; Pastor­Belga, Pastor­Alemão, Doberman e Rottweiler predispostos; pode ser permanente ou intermitente

Síndrome uveodermatológica canina (semelhante à de Vogt­Koyanagi­Harada): panuveíte, leucodermia, leucotriquia, meningoencefalite; ataque imunomediado aos melanócitos; Husky e Akita são predispostos (Figuras 5.43 a 5.49)

Hipopigmentação nasal (nariz Dudley – permanente, nariz Snow – transitório): idiopática; textura em paralelepípedos do plano nasal mantida

■ Figura 5.43 Akita macho castrado com lúpus eritematoso discoide. ■ Figura 5.44 Labrador mestiço

Figura 5.43 Akita macho castrado com lúpus eritematoso discoide.

5.43 Akita macho castrado com lúpus eritematoso discoide. ■ Figura 5.44 Labrador mestiço de 3 anos

Figura 5.44 Labrador mestiço de 3 anos de idade com despigmentação progressiva com eritema associado e ulceração no plano nasal características de lúpus discoide.

■ Figura 5.45 Vista de perto da Figura 5.44. Lúpus eritematoso discoide. ■ Figura 5.46

Figura 5.45 Vista de perto da Figura 5.44. Lúpus eritematoso discoide.

Vista de perto da Figura 5.44. Lúpus eritematoso discoide. ■ Figura 5.46 Síndrome uveodermatológica (semelhante

Figura 5.46 Síndrome uveodermatológica (semelhante à de Vogt­Kayanagi­Harada). Notar o padrão característico de despigmentação e a ausência de inflamação associada, comum nas fases iniciais da doença.

■ Figura 5.47 Vitiligo (leucodermia/leucotriquia idiopática) – despigmentação progressiva sem inflamação. Casos

Figura 5.47 Vitiligo (leucodermia/leucotriquia idiopática) – despigmentação progressiva sem inflamação. Casos raros apresentam nova pigmentação espontânea.

Casos raros apresentam nova pigmentação espontânea. ■ Figura 5.48 Vitiligo. Notar a despigmentação nas

Figura 5.48 Vitiligo. Notar a despigmentação nas regiões da junção mucocutânea.

■ Figura 5.49 Linfoma cutâneo em um cão de 11 anos de idade com descamação

Figura 5.49 Linfoma cutâneo em um cão de 11 anos de idade com descamação generalizada e despigmentação do plano nasal.

Linfoma cutâneo de célula T (linfoma epidermotrópico): as junções mucocutâneas em geral são despigmentadas

LED: despigmentação e ulceração do plano nasal em geral são manifestações clínicas

LES, penfigoide bolhoso, pênfigo vulgar, pênfigo eritematoso: doenças imunomediadas que afetam a junção da região dermoepidérmica da pele (melanócito colateral)

Dermatomiosite: Collies e Shelties; dermatose com fibrose, megaesôfago, marcha trôpega, fraqueza muscular, despigmentação da pele e da pelagem

Alterações pigmentares medicamentosas: o cetoconazol induz um tom cinzento na pelagem

Lentigo: manchas assintomáticas de pigmento negro em cães idosos e gatos alaranjados; as lesões são máculas achatadas, hipermelanose

Hiperpigmentação pós­inflamatória: resposta normal da pele à inflamação, indicativa do processo de cicatrização

Alopecia com diluição da cor (alopecia mutante de cor): associada a pelagens azuladas ou castanho­claras

Melanoderma e alopecia de Yorkshire Terrier: alopecia, pelagem brilhante, melanoderma

Melanose macular: associada a neoplasia testicular

Síndrome de Chédiak­Higashi: gatos da raça Persa (azulados), tigres brancos, bovinos da raça Hereford,vison das Aleutas; macromelanossomos; fotofobia, imunodeficiência, distúrbios hemorrágicos

Albinismo oculocutâneo: gatos da raça Persa brancos com íris heterocromáticas e surdez

Síndrome da hematopoese canina cíclica do Grey Collie, neutropenia cíclica canina; nariz claro costuma ser diagnóstico; insuficiência hepática e renal; a maioria morre antes dos 2 dias de vida

Diluição da cor e degeneração cerebelar em cães Rodesianos com listra preta no dorso: pelagem azulada associada à degeneração das células de Purkinje; letal

Aurotriquia adquirida de Schnauzer Miniatura: adultos jovens, pelos dourados dispersos no tronco, causa desconhecida

Nevo/nevos: máculas e manchas hiperpigmentadas, não sintomáticos

Melanomas: tumores pigmentados.

Dermatoses das unhas e pregas ungueais Lista de diagnósticos diferenciais

A lista de diagnósticos diferenciais pode ser estreitada se o padrão de distribuição for considerado: simétrico vs. assimétrico. Em geral, problemas simétricos nas unhas (múltiplas ou dedos múltiplos) indicam etiologias imunomediadas, metabólicas, genéticas, nutricionais ou virais. A distribuição assimétrica (uma ou mais garras ou dedos) é mais provável para identificar infecções, traumatismo ou neoplasia. A categorização pela distribuição simétrica ou assimétrica é um tanto arbitrária, embora útil ao se formular uma lista de diagnósticos diferenciais.

Infecções bacterianas: em geral, secundárias a traumatismo

Infecções fúngicas: dermatófitos, Malassezia ,Candida, Blastomyces, Cryptococcus, geotricose, esporotricose

Doença parasitária: demodicose, dermatite por ancilóstomos, ascarídios (Figuras 5.50 a 5.54)

Doença causada por protozoário: leishmaniose

Doença viral: FeLV, FIV

Traumatismo: químico (fertilizantes, produtos de limpeza para o chão, sal), fístula arteriovenosa

Doenças imunomediadas: oncodistrofia lupoide, LES, pênfigo foliáceo, pênfigo vulgar, penfigoide bolhoso, vasculite, reações medicamentosas adversas, reações a vacinação, crioglobulinemia, placa eosinofílica (EGC)

Doenças metabólicas: hipotireoidismo (cães), hipertireoidismo (gatos), DM, hiperadrenocorticismo, dermatite necrolítica superficial, acromegalia (macroníquia e onicogripose)

Doenças genéticas: epidermólise bolhosa, dermatomiosite, seborreia, nevo epidérmico linear, anoníquia, garras supranumerárias, onicorrexe em Dachshund

Neoplasia: carcinoma escamocelular, adenocarcinoma broncogênico metastático, tumores mastocitários, melanoma, queratoacantoma, linfossarcoma, hemangiopericitoma, osteossarcoma, mixossarcoma

Diversos: deficiências, acrodermatite letal, dermatose responsiva ao zinco, coagulopatia intravascular disseminada, onicodistrofia idiopática, onicomadese idiopática, ergotismo, talotoxicose, pododermatite plasmocitária felina.

talotoxicose, pododermatite plasmocitária felina. ■ Figura 5.50 Pododermatite causada por foliculite

Figura 5.50 Pododermatite causada por foliculite bacteriana e furunculose com demodicose. Notar o envolvimento de todo o dedo, da região do leito ungueal e dos espaços interdigitais, com edema dos tecidos, alopecia, hiperqueratose e erosões focais e ulcerações.

■ Figura 5.51 Placa eosinofílica (complexo do granuloma eosinofílico felino) envolvendo os coxins digitais e

Figura 5.51 Placa eosinofílica (complexo do granuloma eosinofílico felino) envolvendo os coxins digitais e metacarpianos.

felino) envolvendo os coxins digitais e metacarpianos. ■ Figura 5.52 Pênfigo vulgar em um cão mestiço

Figura 5.52 Pênfigo vulgar em um cão mestiço de 9 anos de idade. Notar o grau acentuado de ulceração dos coxins plantares com hiperqueratose periférica e crostas.

■ Figura 5.53 Síndrome hepatocutânea em cão. Notar o grau acentuado de hiperqueratose confluente nos

Figura 5.53 Síndrome hepatocutânea em cão. Notar o grau acentuado de hiperqueratose confluente nos coxins plantares.

acentuado de hiperqueratose confluente nos coxins plantares. ■ Figura 5.54 Linfoma cutâneo acometendo os dedos de

Figura 5.54 Linfoma cutâneo acometendo os dedos de um gato. Não foram encontradas lesões em outras áreas do corpo.

Dermatoses nasais ou do plano nasal

LED: acomete primariamente a área nasal, despigmentação, exacerbado pela luz solar, perda da arquitetura em forma de paralelepípedos

LES: doença multissistêmica; face, nariz, junção mucocutânea, generalizada

Complexo do pênfigo: doença cutânea imunomediada, em geral mais crostosa que ulcerativa, despigmentação

variável; crostas nos coxins plantares são comuns

Penfigoide bolhoso: em geral, associado a crostas e despigmentação; comum na junção mucocutânea (Figuras 5.55 a 5.59)

comum na junção mucocutânea (Figuras 5.55 a 5.59) ■ Figura 5.55 Pênfigo eritematoso mostrando

Figura 5.55 Pênfigo eritematoso mostrando despigmentação discreta e eritema na junção do plano nasal com a ponte do nariz.

e eritema na junção do plano nasal com a ponte do nariz. ■ Figura 5.56 Síndrome

Figura 5.56 Síndrome uveodermatológica revelando uveíte, despigmentação, inflamação discreta e erosões/ulcerações focais.

■ Figura 5.57 Hipersensibilidade a comedouro de plástico em Shar­Pei. ■ Figura 5.58 Leucodermia/leucotriquia

Figura 5.57 Hipersensibilidade a comedouro de plástico em Shar­Pei.

5.57 Hipersensibilidade a comedouro de plástico em Shar­Pei. ■ Figura 5.58 Leucodermia/leucotriquia idiopática.

Figura 5.58 Leucodermia/leucotriquia idiopática.

■ Figura 5.59 Vesículas, erosões, úlceras e crostas em um cão com pênfigo vulgar. ■

Figura 5.59 Vesículas, erosões, úlceras e crostas em um cão com pênfigo vulgar.

Dermatose nasal solar: começa na junção pouco pigmentada do plano nasal com a ponte do nariz, por exposição maciça ao sol; é preciso excluir LED

Dermatite de contato: não comum; vasilha de borracha; ulceração rara, eritema e despigmentação do plano nasal anterior e dos lábios

Dermatomiosite: nasal, facial, de extremidades; fibrose com despigmentação/ulceração; polimiosite e megaesôfago podem ser vistos

Síndrome uveodermatológica: uveíte; despigmentação, ulceração do nariz, dos lábios e pálpebras

Dermatose responsiva ao zinco: hiperqueratose paraqueratótica; crostas no nariz, na face, nos coxins plantares, junção mucocutânea, pontos de pressão

Piodermite nasal: primariamente, partes com pelos – ponte do nariz, embora raramente a inflamação se estenda para o plano nasal

Vitiligo: despigmentação sem inflamação ou erosão/ulceração

Hipopigmentação nasal: nariz castanhoclaro ou bronzeado, pode ser sazonal, falha racial

Reação medicamentosa adversa: sensibilidade tópica (à neomicina) ou reação sistêmica

Linfoma cutâneo: despigmentação e induração associadas ao linfoma epidermotrópico

Histiocitose: infiltrados em geral acometem as narinas e os turbinados nasais, Montanhês de Berna predisposto

Hiperqueratose nasodigital idiopática: geralmente em cães idosos; plano nasal e coxins plantares marginais

Paraqueratose nasal hereditária: Labradores, cães jovens

Alergia: hipersensibilidade a picadas de mosquitos em gatos

Virais: herpes, calicivírus.

Nódulos e etiologia da drenagem sinusal

Bacteriana:

Furunculose secundária a Staphylococcus spp. é mais comum

Actinomyces/Nocardia

Micobactérias

Corpo estranho

Abscesso felino por micoplasma

Granulomas bacterianos

Displasia focal de anexos secundária a foliculite/furunculose crônica

Fúngica:

Granuloma de Majocchi – granuloma dermatofítico

Esporotricose

Eumicetoma

Feo­hifomicose

Zigomicose

Hialo­hifomicose

Criptococose

Coccidioidomicose

Blastomicose

Histoplasmose

Parasitária:

Demodicose

Leishmaniose

Dermatite rabdítica

Protistas, pitiose, prototecose

Viral:

Papilomas virais

Hipersensibilidade:

Urticária

Angioedema

Granuloma eosinofílico

Hipersensibilidade a picada de artrópode

Hipersensibilidade a picada de mosquitos (gato)

Vascular:

Fístula arteriovenosa

Vasculite

Trombose

Distúrbios da coagulação

Metabólica:

Xantomatose cutânea

Calcinose cutânea

Calcinose circunscrita

Amiloidose nodular cutânea

Diversas:

Paniculite nodular estéril

Paniculite traumática

Paniculite após injeção

Dermatite piogranulomatosa perianexial nodular estéril

Síndrome da celulite juvenil canina

Histiocitose reativa – cutânea/sistêmica

Dermatofibrose nodular do Pastor­Alemão

Hiperplasia sebácea nodular benigna

Sinal cutâneo

Nevos/hamartoma (colagenoso, vascular, folicular, sebáceo)

Displasia fibroanexial

Cisto/seio dermoide

Cistos (foliculares, epidérmicos, de inclusão)

Lipomatose

Cistomatose apócrina

Neoplasia:

Tumores de células arredondadas: mastocitomas, plasmocitomas, linfomas, histiocitomas, histiocitose maligna, sarcomas histiocíticos, tumores venéreos transmissíveis

Tumores melanocíticos: melanocitoma dérmico benigno, melanoma maligno

Origem epitelial: carcinoma escamocelular, papilomas escamosos, síndrome de Bowen (in situ), tumor de célula basal, queratoacantoma, epitelioma cornificante intracutâneo, tricoepitelioma, pilomatrixoma, adenomas e carcinomas de glândula sebácea/hepatoides/apócrinos/ceruminosos

Mesenquimal: hemangiopericitomas, schwannomas, fibroma/fibrossarcomas, mixossarcoma, hemangioma/hemangios­sarcomas, linfangiomas/linfangiossarcomas, lipomas/lipossarcomas, fibropapiloma (sarcoide felino), liomiossarcoma, dermatofibroma.

Comentários

Siglas

CTCL = linfoma cutâneo de células T

DM = diabetes melito

EGC = enfermidade granulomatosa cutânea

FeLV = vírus da leucemia felina

FIV = vírus da imunodeficiência felina

IMSD = doença cutânea imunomediada

LE = lúpus eritematoso

LED = lúpus eritematoso discoide

LES = lúpus eritematoso sistêmico

OCD = osteocondrite dissecante.

Capítulo 6

Zoonose

Alexander H. Werner

Panorama

A definição de zoonose pode ser ampla (qualquer doença compartilhada por animais e seres humanos) ou estreita (uma doença transmitida diretamente de animais para seres humanos)

A distinção pode ser confusa no caso de doenças que acometem a pele, em especial se estiverem incluídos vetores nessa categoria

É necessária ainda maior consideração se estiverem incluídos nesta categoria ectoparasitas de animais de estimação que possam causar irritação, mas não infestem seres humanos

As discussões recentes incluem o conceito de que genes que codificam a resistência a múltiplos fármacos podem ser transferidos das populações bacterianas dos animais de estimação para os seres humanos e vice­versa

Foram encontrados padrões semelhantes de resistência a fármacos em populações bacterianas residentes em seres humanos e animais no ambiente doméstico, o que se pode considerar de maneira superficial uma zoonose – a transferência de resistência a fármacos diretamente de um animal para um ser humano pode afetar (embora não cause) a doença em pessoas

As doenças zoonóticas e seus vetores variam muito de acordo com a região geográfica.

As listas apresentadas nas seções subsequentes não abrangem a totalidade e relacionam as doenças dermatológicas adquiridas com mais frequência diretamente de cães e gatos, aquelas transmitidas pelos ectoparasitas desses animais ou a dermatite causada por ectoparasitas deles (Figuras 6.1 a 6.3).

causada por ectoparasitas deles (Figuras 6.1 a 6.3). ■ Figura 6.1 Pápulas eritematosas da queiletielose no

Figura 6.1 Pápulas eritematosas da queiletielose no abdome.

■ Figura 6.2 Pápulas eritematosas e escoriadas da escabiose canina no antebraço. ■ Figura 6.3

Figura 6.2 Pápulas eritematosas e escoriadas da escabiose canina no antebraço.

eritematosas e escoriadas da escabiose canina no antebraço. ■ Figura 6.3 Lesão anular (em forma de

Figura 6.3 Lesão anular (em forma de anel) de expansão lenta (verme) de eritema e descamação causada por Microsporum canis.

Parasitas

Cheyletiella spp.

Sarcoptes scabiei

Otodectes cynotis

Leishmania

Notoedres cati

Ctenocephalides felis e canis

Pulex spp.

Echdinophaga gallinacea

Dipylidium caninum

Larva migrans cutânea:

Ancylostoma caninum

Ancylostoma braziliense

Uncinaria stenocephala.

Bactérias

Tuberculose

Dermatophilus congolensis

Streptococcus spp.

Staphylococcus spp.

Forma L/Mycoplasma spp.

Yersinia pestis

Brucella canis.

Fungos

Esporotricose

Criptococose

Blastomicose

Histoplasmose

Rinosporidiose

Aspergilose

Peniciliose

Prototecose

Coccidioides immitis

Malassezia pachydermatis

Dermatofitose:

Microsporum canis

Microsporum gypseum

Trichophyton mentagrophytes

Epidermophyton spp.

Vírus

Ortopoxvírus (vírus da varíola felina)

Parapoxvírus (dermatite pustular contagiosa viral).

Dermatite Alérgica e por Hipersensibilidade

Seção 2

Capítulo 7

Dermatite Atópica

Karen Helton Rhodes

Panorama

A dermatite atópica é uma predisposição à alergia a substâncias normalmente inócuas, como pólen (de gramíneas, sementes e árvores), mofo, ácaros da poeira doméstica, alérgenos epiteliais e outros alérgenos do ambiente.

Etiologia e siopatologia

Animais suscetíveis ficam sensibilizados aos alérgenos ambientais, produzindo IgE específica de cada alérgeno, que se liga aos locais receptores nos mastócitos cutâneos; a exposição adicional ao alérgeno (inalação e, mais importante, absorção cutânea) causa desgranulação de basófilos circulantes e mastócitos teciduais, um tipo de reação de hipersensibilidade imediata do tipo I, que resulta na liberação de histamina, heparina, enzimas proteolíticas, citocinas, quimiocinas e muitos outros mediadores químicos.

Também podem estar envolvidos anticorpos não IgE (IgGd) e uma reação de fase tardia (8 a 12 h)

Em cães: embora haja predisposição hereditária, o modo exato de herança é desconhecido, e outros fatores também podem ser importantes

Em felinos: não esclarecido

Princípio do limiar alérgico: fatores pruritogênicos podem diminuir o limiar individual de cada animal.

Identi cação e histórico

Em cães: verdadeira incidência desconhecida; estimada em 3 a 15% da população canina; relatada como a segunda doença cutânea alérgica mais comum

Em felinos: desconhecida; em geral, acredita­se que seja muito mais baixa do que em cães

Em cães: ocorre em qualquer raça, inclusive mestiços; devido à predisposição genética, pode ser reconhecida com mais frequência em certas raças ou famílias, o que pode variar geograficamente

Nos EUA (em cães): Boston Terrier, Cairn Terrier, Dálmata, Buldogue Inglês, Setter Irlandês, Lhasa Apso, Schnauzer Miniatura, Pug, Sealyham Terrier, Scottish Terrier, West Highland White Terrier, Fox Terrier Pelo­ de­Arame e Golden Retriever

Em cães: média etária de início de 1 a 3 anos; variação de 3 meses a 6 anos; os sinais podem ser tão brandos no primeiro ano que não são percebidos, mas em geral são progressivos e clinicamente aparentes antes dos 3 anos de idade

É provável que ambos os sexos sejam acometidos igualmente.

Achados à anamnese

Prurido facial, podálico, perineal ou axilar

Início precoce

Antecedentes familiares de atopia

Pode ser sazonal ou não sazonal

Infecções cutâneas ou auriculares recorrentes (proliferação bacteriana ou de levedura)

Resposta temporária a glicocorticoides

Agravamento progressivo dos sintomas com o tempo.

Características clínicas

Sinal principal: prurido (coceira, arranhadura, hábito de esfregar e lamber o corpo) (Figura 7.1)

Podem ocorrer lesões primárias, mas acredita­se que a maioria das alterações cutâneas seja provocada por traumatismo autoinduzido (Figura 7.2)

Áreas mais comumente acometidas: espaços interdigitais, dos carpos e tarsos, focinho, região periocular, axilas, virilha e pavilhões auriculares (Figura 7.3)

axilas, virilha e pavilhões auriculares (Figura 7.3) ■ Figura 7.1 Eritema acentuado, alopecia e escoriações

Figura 7.1 Eritema acentuado, alopecia e escoriações associados a hipersensibilidade a alérgeno ambiental.

■ Figura 7.2 Hipersensibilidade com subsequente alopecia autoinduzida. Notar a ausência de escoriações neste

Figura 7.2 Hipersensibilidade com subsequente alopecia autoinduzida. Notar a ausência de escoriações neste paciente.

Notar a ausência de escoriações neste paciente. ■ Figura 7.3 Alopecia periocular grave, eritema e

Figura 7.3 Alopecia periocular grave, eritema e escoriações.

■ Figura 7.4 Alopecia parcial difusa com eritema e hipersensibilidade secundária a Malassezia associada a

Figura 7.4 Alopecia parcial difusa com eritema e hipersensibilidade secundária a Malassezia associada a aeroalérgenos ambientais.

Lesões: variam de nenhuma a pelos partidos ou descoloração salivar (coloração por porfirina) a eritema, erupções papulares, crostas, alopecia, hiperpigmentação, liquenificação, alterações por oleosidade excessiva ou ressecamento seborreico e hiperidrose (sudorese apócrina)

Infecções cutâneas bacterianas secundárias e por leveduras (comuns) (Figura 7.4)

Otite externa crônica recidivante

Pode ocorrer conjuntivite com blefarite secundária

Gatos: em geral presente com dermatite miliar, alopecia decorrente de toalete excessiva, escoriação facial, otite externa, placa eosinofílica (Figuras 7.5 a 7.9).

Diagnóstico diferencial

Hipersensibilidade alimentar: pode causar distribuição das lesões e achados idênticos ao exame físico, mas que não devem ser sazonais; pode ocorrer simultaneamente com atopia; a diferenciação é feita observando­se a resposta a uma dieta hipoalergênica

Hipersensibilidade a picada de pulga: causa mais comum de prurido sazonal em muitas regiões geográficas; pode ocorrer simultaneamente com atopia; a diferenciação é feita observando­se a distribuição das lesões, a resposta ao controle das pulgas e os resultados da imunoterapia com antígeno específico com base no teste cutâneo intradérmico

■ Figura 7.5 Alopecia felina simétrica. Notar a área bem demarcada de alopecia sem inflamação

Figura 7.5 Alopecia felina simétrica. Notar a área bem demarcada de alopecia sem inflamação associada.

área bem demarcada de alopecia sem inflamação associada. ■ Figura 7.6 Gato que lambeu excessivamente o

Figura 7.6 Gato que lambeu excessivamente o ventre, causando alopecia completa na área.

■ Figura 7.7 Áreas salpicadas de alopecia sem inflamação, resultante de dermatoses psicogênicas. ■ Figura

Figura 7.7 Áreas salpicadas de alopecia sem inflamação, resultante de dermatoses psicogênicas.

alopecia sem inflamação, resultante de dermatoses psicogênicas. ■ Figura 7.8 Placa eosinofílica em um gato adulto.

Figura 7.8 Placa eosinofílica em um gato adulto.

■ Figura 7.9 Placa eosinofílica revelando uma placa eritematosa elevada no tronco, com áreas de

Figura 7.9 Placa eosinofílica revelando uma placa eritematosa elevada no tronco, com áreas de escoriação secundária por prurido intenso.

Sarna sarcóptica: em geral ocorre em cães jovens ou livres; costuma causar prurido grave na parte ventral do tórax, lateral dos cotovelos e jarretes, margens dos pavilhões auriculares; múltiplos raspados cutâneos e/ou resposta completa a uma tentativa de tratamento acaricida estão indicados para excluir sarna sarcóptica

Piodermite secundária: em geral causada por Staphylococcus pseudointermedius; caracteriza­se por pápulas foliculares, pústulas, crostas e colaretes epidérmicos

Infecções secundárias por levedura: em geral causadas por Malassezia pachydermatis; caracterizam­se por eritema, descamação, crostas, oleosidade, liquenificação e odor muito fétido nas pregas cutâneas e áreas intertriginosas; a demonstração de numerosos brotos de levedura à citologia cutânea e a obtenção de uma resposta favorável ao tratamento antifúngico são diagnósticas

Dermatite por contato (alérgica ou irritante): pode causar eritema grave e prurido nos pés e áreas de pelagem fina na parte ventral do abdome; história de exposição a um sensibilizante ou irritante por contato conhecido, resposta a uma alteração do ambiente e o teste da mancha podem ser diagnósticos; acreditase que seja rara em cães e gatos.

Diagnóstico

Os critérios diagnósticos principais e menores para se estabelecer o diagnóstico são apresentados nas listas que se seguem (adaptadas de Willemse, 1986).

Critérios principais

Devem estar presentes pelo menos 3:

Prurido

Distribuição típica (facial, podálica, liquenificação ou superfícies flexoras da superfície articular do tarso e/ou extensoras da articulação do carpo)

Dermatite crônica ou recidivante

Predisposição racial ou antecedentes familiares.

Critérios menores

Devem estar presentes pelo menos 3:

Início dos sintomas antes dos 3 anos de idade

Conjuntivite bilateral

Eritema facial

Piodermite bacteriana

Hiperidrose

Reações positivas ao TCID

Elevação da IgE específica do alérgeno

Elevação da IgGd específica do alérgeno.

Identi cação das causas

Absorção pelo ar ou percutânea de pólen (de gramíneas, sementes e árvores)

Esporos de fungos (internos e externos)

Ácaros da poeira doméstica

Caspa de animais

Insetos (controversos).

Testes sorológicos para alergia

Testes para medir a quantidade de anticorpo IgE específico do antígeno no soro de pacientes estão disponíveis no comércio

Vantagens sobre o TCID: disponibilidade; não é preciso fazer a tricotomia de grandes áreas

Desvantagens: reações falso­positivas são frequentes; número limitado de alérgenos testados; validação do ensaio e controle de qualidade inconsistentes (podem variar de acordo com o laboratório); os dados laboratoriais atuais parecem ser mais confiáveis do que no passado

A confiabilidade e a reprodutibilidade variam de acordo com o laboratório ou o teste utilizados. Em geral, usados em conjunto com os resultados do teste cutâneo intradérmico para acentuar os achados.

TCID

Pequenas quantidades de alérgenos de teste são injetadas por via intradérmica, para medir a formação do vergão

É o método mais acurado para identificar alérgenos agressores quanto à possibilidade de evitá­los ou incluí­los em uma prescrição para imunoterapia

Às vezes é difícil interpretar os resultados em gatos, porque os vergões são relativamente pequenos.

Biopsia cutânea

A biopsia cutânea pode ajudar a excluir outros diagnósticos diferenciais; em geral, os resultados não são patognomônicos. As alterações dermato­histopatológicas incluem acantose, dermatite perivascular superficial mononuclear mista, metaplasia de glândula sebácea e pioderma superficial secundário.

Tratamento

A suplementação com AGE pode ser benéfica em alguns casos

Tratamentos tópicos (xampus) ajudam mecanicamente a remover alérgenos ambientais que podem contribuir para a exposição percutânea

Ver no Apêndice A o tratamento de doenças pruríticas.

Imunoterapia especí ca do alérgeno

Administração (em geral por injeções subcutâneas) de doses gradualmente crescentes dos alérgenos causais em pacientes acometidos, para tentar reduzir sua sensibilidade

Alérgenos selecionados com base nos resultados dos testes de alergia, histórico do paciente e conhecimento da flora localizada

Indicada quando se quer evitar ou reduzir a quantidade de corticoides necessária para controlar os sinais, quando estes duram mais de 4 a 6 meses por ano, ou quando as formas não esteroides de terapia são inefetivas

Reduz o prurido com sucesso em 60 a 80% dos cães e gatos

Resposta em geral lenta, na maioria das vezes requerendo 3 a 6 meses ou até 1 ano para induzir uma inibição competitiva.

Corticosteroides

Podem ser administrados para alívio a curto prazo e interromper o ciclo de prurido e arranhadura

A dosagem deve ser diminuída até a menor que controle adequadamente o prurido

As melhores opções são comprimidos de prednisona ou metilprednisolona (ambas na dose de 0,2 a 0,5 mg/kg VO a cada 48 h)

A reposição com corticosteroides injetáveis deve ser evitada em cães

Gatos podem precisar de tratamento com acetato de metilprednisolona (4 mg/kg SC ou IM).

Anti-histamínicos

Menos efetivos do que os corticosteroides

Podem agir sinergicamente com suplementos de ácidos graxos essenciais

O tratamento com corticosteroides em geral pode ser evitado ou administrado em dosagem reduzida quando empregado ao mesmo tempo.

Alternativas terapêuticas

Banhos frequentes em água fria com xampus antipruríticos podem ser benéficos

A suplementação com ácidos graxos essenciais ajuda alguns pacientes com prurido

Antidepressivos tricíclicos (doxepina ou amitriptilina, ambos na dose de 1 a 2 mg/kg VO a cada 12 h) têm sido administrados a cães como antipruriginosos, mas sua eficácia geral e modo de ação não estão esclarecidos.

Comentários

Doença frustrante tanto para o cliente como para o clínico

Controle versus a cura

Explicar a natureza progressiva da condição ao cliente

Informar o cliente que a atopia raramente remite e pode não ser curada

Informar o cliente que alguma forma de terapia pode ser necessária pelo resto da vida do animal

Examinar o paciente a cada 2 a 8 semanas quando for iniciado um novo curso de terapia

Monitorar o prurido, autotraumatismo, pioderma e possíveis reações medicamentosas adversas

Assim que for alcançado um nível aceitável de controle, examinar o paciente a cada 3 a 12 meses

Hemograma completo, perfil bioquímico sérico e urinálise são recomendados a cada 6 a 12 meses para pacientes sob tratamento crônico com corticosteroides

Se os alérgenos agressores forem identificados por testes de alergia, o proprietário deverá tomar providências para reduzir a exposição do animal o máximo possível

Minimizar outras fontes de prurido (p. ex., pulgas, hipersensibilidade alimentar e infecções cutâneas secundárias) pode reduzir bastante o nível de prurido, de modo a ser tolerado pelo animal

Pioderma secundário e dermatite alérgica concomitante a pulgas são comuns

Não é uma doença potencialmente fatal, a menos que o prurido intratável resulte em eutanásia

Se deixado sem tratamento, o prurido se agrava

Apenas casos raros resolvem­se espontaneamente.

Siglas

AGE = ácido graxo essencial

IgE = imunoglobulina E

IM = intramuscular

SC = subcutâneo

TCID = teste cutâneo intradérmico

VO = via oral.

Capítulo 8

Dermatite por Contato

Alexander H. Werner

Panorama

A DCI e a DAC são 2 síndromes fisiopatológicas raras e possivelmente diferentes, mas com sinais clínicos semelhantes.

Etiologia e siopatologia

A diferenciação entre DCI e DAC pode ser mais conceitual que prática

DCI: resulta de dano direto aos queratinócitos pela exposição a um determinado composto; os queratinócitos danificados induzem uma resposta inflamatória direcionada para a pele

DAC: classicamente considerada um evento do tipo IV (hipersensibilidade tardia) e imunológico que requer sensibilização e elicitação: as células de Langerhans interagem com antígenos que penetram na pele, levando à ativação de linfócitos T após nova exposição e à liberação de citocinas (mais notavelmente, FNT­a)

Relatos recentes dificultam a distinção entre DCI, DAC e dermatite atópica

Dermatite inflamatória: pode aumentar a penetração de antígenos através da pele, facilitando a ocorrência da DAC; há maior incidência de DAC em animais com atopia.

Identi cação e histórico

DCI

Ocorre em qualquer idade, como resultado direto da natureza irritante do composto agressor

Condição aguda: pode ocorrer após uma única exposição e manifestar­se em 24 h

Corticosteroides raramente são úteis

As lesões se resolvem em 1 a 2 dias após o afastamento do agente irritante.

DAC

Rara em animais jovens; a maioria dos animais é submetida à exposição crônica ao antígeno (meses a anos); extremamente rara em gatos, exceto quando expostos a inseticidas que contenham d­limoneno

Raças sob maior risco de DAC: Pastor­Alemão, Poodle, Fox Terrier Pelo­de­Arame, Scottish Terrier, West Highland White Terrier, Labrador e Golden Retriever

A hipersensibilidade requer meses a anos de exposição para desenvolver­se

A reexposição resulta no desenvolvimento de sinais clínicos 3 a 5 dias após a exposição; os sinais podem

persistir por várias semanas

Responde bem aos corticosteroides; o prurido retorna após interromper­se a administração, se o estímulo persistir

Hipossensibilização: pode não ser eficaz

Prognóstico: bom se o alérgeno for identificado e removido; mau se o alérgeno não for identificado, o que então pode requerer tratamento por toda a vida do animal.

Características clínicas

Localização determinada pelo contato com o antígeno; comumente limitada à pele glabra e às re giões em contato frequente com o solo (queixo, parte ventral do pescoço, área do esterno, parte ventral do abdome, região inguinal, períneo, escroto e re giões ventrais de contato da cauda e áreas interdigitais) (Figuras 8.1 e 8.2)

A pelagem espessa de cães é uma barreira eficaz contra contactantes; a eritrodermia extrema cessa abruptamente na linha dos pelos (Figura 8.3)

Eritema e tumefação no início, levando a pápulas e placas; ve sículas são incomuns

A exposição crônica acarreta liquenificação e hiperpigmentação

As reações a medicamentos tópicos (p. ex., preparações óticas) em geral são localizadas (Figuras 8.4 e 8.5)

Reações generalizadas, resultantes do uso de xampus ou inseticidas em spray, são menos comuns

Prurido: moderado a intenso

Incidência sazonal pode indicar um antígeno vegetal ou de ambiente externo

Substâncias agressoras relatadas: plantas, palha, serragem de cedro, tecidos, cobertores, tapetes, plásticos, borracha, couro, níquel, cobalto, concreto, sabões, detergentes, ceras para pisos, desodorizantes de tapetes e da caixa higiênica, herbicidas, fertilizantes, inseticidas (incluindo tratamentos antipulgas recentes), coleiras antipulgas, preparados tópicos (especialmente neomicina).

antipulgas, preparados tópicos (especialmente neomicina). ■ Figura 8.1 Dermatite por contato. Eritema na área

Figura 8.1 Dermatite por contato. Eritema na área glabra da axila.

■ Figura 8.2 Dermatite por contato em decorrência de exposição a plantas ■ Figura 8.3

Figura 8.2 Dermatite por contato em decorrência de exposição a plantas

por contato em decorrência de exposição a plantas ■ Figura 8.3 Dermatite por contato causada por

Figura 8.3 Dermatite por contato causada por protetor solar. Notar que o eritema cessa de maneira abrupta na linha dos pelos (margem tricotomizada).

■ Figura 8.4 Reação a contato com medicação tópica em um gato. ■ Figura 8.5

Figura 8.4 Reação a contato com medicação tópica em um gato.

8.4 Reação a contato com medicação tópica em um gato. ■ Figura 8.5 Dermatite por contato

Figura 8.5 Dermatite por contato devida à aplicação de uma pomada à base de esteroide na região do flanco.

Diagnóstico diferencial

Atopia

Alergia alimentar

Reação medicamentosa

Hipersensibilidade a parasitas ou infestação por eles

Picadas de insetos