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A quem interessa tornar o Coaf


fraco e inútil?
4-5 minutes

O Iluminismo trouxe para a civilização um conjunto de


novas concepções que redefiniram os eixos de
preocupação universal, as relações e as instituições,
enaltecendo a transparência, elevando o humanismo,
estruturando as bases do Direito Penal e construindo a
nova ideia de cidadania.

O ex-Estado Absolutista estruturou os cânones


republicanos, evoluiu, surgiriam novos e complexos
desafios para que sejam cumpridas as promessas
democráticas, especialmente oriundas da globalização, que
atingiu relações humanas, sociais e econômicas.

Alcançou crimes do colarinho branco, como a corrupção e


a lavagem de dinheiro, bem como o crime organizado em
geral, a exemplo do tráfico de drogas e pessoas e o
terrorismo, demandando a solidificação da cooperação
internacional anticrime, visto que o delito pode ocorrer num
país e seu produto circula na velocidade de um clique pelo
mundo.

Exemplos significativos do movimento internacional

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anticorrupção são as Convenções de Mérida, da OCDE e


de Palermo, assim como a criação do Gafi – Grupo de
Ação Financeira Internacional, em 1989, do qual o Brasil e
mais 34 países fazem parte e que emite recomendações
cruciais para prevenção e combate ao crime organizado no
mundo.

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) é


o organismo brasileiro que monitora movimentações
financeiras com um único fim – reportar suspeitas de
práticas criminosas à única Instituição incumbida de
investigar e agir concretamente – o Ministério Público (MP),
que, conforme entendimento consolidado no Supremo
Tribunal Federal (STF) e compromisso assumido
internacionalmente no Estatuto de Roma perante o mundo,
tem poder de investigação criminal independente. Se o
Coaf não informa as irregularidades detectadas ao MP ou
se o MP não age, ocorre crime de prevaricação.

No entanto, na contramão do movimento internacional, na


condição de plantonista, o presidente do STF, afrontando
entendimento que sempre prevaleceu na Corte, decidiu que
o fluxo Coaf-MP deve ser interrompido em todos os casos,
o que prejudica a prevenção e o combate ao crime
organizado e acarreta impunidade, gerando risco de
expulsão do Gafi e de não admissão à OCDE.

A PGR, na defesa da ordem jurídica, nos termos da


Constituição, acaba de questionar a decisão via embargos
de declaração, que serão apreciados pelo próprio ministro
e é fácil perceber que o fluxo analisado pelo Coaf

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(movimentações financeiras), de fiscalização necessária,


totalmente legítima e legal, somente é notificado ao MP
quando há suspeita concreta. Caso contrário, de que
serviria o Coaf (que foi estranhamente transferido pelo
Congresso Nacional do Ministério da Justiça para o da
Fazenda)? Colecionador de informações para guardar em
gavetas inúteis?

A situação em foco não pode ser confundida com as


hipóteses das suspeitas não detectadas pelo órgão, que
devem sempre demandar pedido judicial de quebra de
sigilo. Pensamento contrário, embasado em suposto
garantismo, em verdade acaba enaltecendo e premiando a
lógica da opacidade e impunidade e dá margem à
pergunta: a quem interessa tornar o Coaf fraco e inútil?

* Roberto Livianu, promotor de Justiça em São Paulo desde


1992, doutor em Direito pela USP, idealizador e presidente
do Instituto Não Aceito Corrupção

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