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FACULDADE SATC – ENGENHARIA ECONÔMICA

Professor: Eng. Pascoal Meller Neto,Esp - Material Didático Cap. VII- 1 -2018

CAPÍTULO VII
ENGENHARIA ECONÔMICA
Depreciações

A IMPORTÂNCIA DA DEPRECIAÇÃO DOS ESTUDOS DE VIABILIDADE


ECONÔMICA E NA ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES

Antes de prosseguirmos com o assunto vamos diferenciar a depreciação contábil e a


depreciação técnica.

7.1 Depreciação Contábil

Até 2010 as exigências das legislações contábeis obrigavam o setor de


contabilidade a depreciar os ativos patrimoniais através de tabelas
independentemente se estes ativos estariam tecnicamente depreciados ou não.
No final daquele ano o conselho federal de contabilidade, verificando
corrigir esta discrepância e, porque não dizer incoerência, resolve alterar as
regras contábeis incluindo uma nova análise da depreciação dos ativos.

RESOLUÇÃO CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE

CFC Nº 1.177 DE 24.07.2009

Desta resolução, em síntese, se extrai para o nosso caso o que seque:

6. Os seguintes termos são usados nesta Norma, com os significados


especificados:

Valor contábil é o valor pelo qual um ativo é reconhecido após a dedução da


depreciação e da perda por redução ao valor recuperável acumuladas.

Custo é o montante de caixa ou equivalente de caixa pago ou o valor justo de


qualquer outro recurso dado para adquirir um ativo na data da sua aquisição
ou construção, ou ainda, se for o caso, o valor atribuído ao ativo quando
inicialmente reconhecido de acordo com as disposições específicas de outras
normas, como, por exemplo, a NBC T

19.15 - Pagamento Baseado em Ações.

Valor depreciável é o custo de um ativo ou outro valor que substitua o custo,


menos o seu valor residual.
Depreciação é a alocação sistemática do valor depreciável de um
ativo ao longo da sua vida útil.

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Valor residual de um ativo é o valor estimado que a entidade obteria com a


venda do ativo, após deduzir as despesas estimadas de venda, caso o ativo
já tivesse a idade e a condição esperadas para o fim de sua vida útil.

Vida útil é:
(a) o período de tempo durante o qual a entidade espera utilizar o ativo;
ou
(b) o número de unidades de produção ou de unidades semelhantes
que a entidade espera obter pela utilização do ativo.

Vários métodos de depreciação podem ser utilizados para apropriar


de forma sistemática o valor depreciável de um ativo ao longo da
sua vida útil. Tais métodos incluem o método da linha reta, o método dos
saldos decrescentes e o método de unidades produzidas. A depreciação pelo
método linear resulta em despesa constante durante a vida útil do ativo, caso
o seu valor residual não se altere. O método dos saldos decrescentes resulta
em despesa decrescente durante a vida útil. O método de unidades
produzidas resulta em despesa baseada no uso ou produção esperados. A
entidade seleciona o método que melhor reflita o padrão do consumo dos
benefícios econômicos futuros esperados incorporados no ativo. Esse método
é aplicado consistentemente entre períodos, a não ser que exista alteração
nesse padrão.

Agora, citaremos a depreciação técnica para efeitos de comparativo com a nova


resolução.
7.2 Conceitos de depreciação técnica

7.2.1 Segundo a norma ABNT: “A depreciação nada mais é que a decadência


no valor de um bem em função de modificações em seu estado ou qualidade. ”
(Fonte: ABNT 14653-1).
Há outros fatores também contribuem na depreciação de um bem, como por exemplo:

Decrepitude - desgaste de suas partes constitutivas, em consequência de seu


envelhecimento natural, em condições normais de utilização e manutenção.
Deterioração - desgaste de seus componentes em razão de uso ou manutenção
inadequada.
Mutilação - retirada de sistemas ou componentes originalmente existentes.
Obsoletismo - superação tecnológica ou funcional.

Depreciação inicial: Perda de valor de um bem em função da


descaracterização do bem como novo.

Tais fatores podem alterar tecnicamente a depreciação do bem em análise


mesmo antes do final de sua vida útil econômica.

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Sendo assim, se percebe que a depreciação leva em conta a relação


entre as vidas úteis e vidas transcorridas, portanto, para a identificação da
depreciação, devem ser considerados: a vida remanescente, a vida
transcorrida, os valores residuais, o estado de conservação ou a
obsolescência das máquinas e equipamentos que incorporam o projeto.

Calculando a depreciação: Há vários métodos da engenharia de avaliações


que identificam a perda do valor do bem, porém para fins de engenharia
econômica faremos a depreciação pelo método linear, ou seja:

 O preço de compra da máquina; (Verificar com o fabricante)


 A sua vida útil econômica, ou seja, a quantidade de anos durante
os quais ela consegue operar bem e seja viável mantê-la em
funcionamento;
 O seu valor residual, ou seja, por quanto pode ser vendida essa
máquina quando a sua vida útil chegar ao fim;

Valor residual no final do projeto.


 O valor residual do projeto geralmente é estimado em função do
tipo do material mais preponderante.
 PLÁSTICO E MATERIAIS NÃO NOBRES: 0,00%
 AÇO CARBONO: 10%
 AÇOS NOBRES E ESPECIAIS: (Ex: INOXIDÁVEL) 20%

INDEPENDENTE DO TIPO DE DEPRECIAÇÃO TEMOS QUE:

Depreciação total = 100% - XX% Valor Residual

7.3 TIPOS MAIS COMUNS DE DEPRECIAÇÃO

7.3.1 DEPRECIACÃO LINEAR: O bem perde a cada ano, a diferença do valor dele
como novo subtraído do valor residual, rateado (dividido) linearmente pela sua vida útil
econômica.
Exemplo sobre depreciação linear: Um determinado equipamento custa
novo R$ 5.000,00 e possui a sua vida útil econômica de 10 anos. Este
equipamento é fabricado praticamente quase em sua totalidade em aço carbono.
Este equipamento terá manutenção periódica e trabalhará em condições
normais. Qual a depreciação anual linear deste equipamento?

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Valor Novo= R$ 5.000,00


Valor residual= R$ 5.000,00 * 10% “aço carbono” = R$ 500,00
Depreciação total acumulada na vida do equipamento: (durante os 10 anos)

R$ 5.000,00 – R$ 500,00 = R$ 4.500,00

Depreciação linear: R$ 4.500,00/10 anos = R$ 450,00 anual e igual (linear)

7.3.2 DEPRECIAÇÃO ACELERADA INICIAL: O bem tem uma rápida perda dos
valores já no início de sua vida útil econômica, diminuindo gradativamente com o passar
dos anos atingindo ao final de sua vida o mesmo valor que a depreciação linear (com ou
sem residual).
A fórmula mais usual que corresponde a este tipo de aceleração é descrita abaixo:

(n - k +1)
D = (Vi - Vf) x ------------ x 2
n (n+1)

Onde:
D = Depreciação anual do bem, em R$/ano.
Vi = Valor inicial (de compra) do bem, em R$.
Vf = Valor final ou residual do bem no final de sua vida útil econômica, em R$ K
= Idade do bem. K=0 “zero” quando o bem é considerado novo (aquisição) n =
Vida útil econômica, em anos.

Exemplo sobre depreciação acelerada inicial:

Um bem novo custa R$ 300.000,00 tem uma vida útil econômica de 25 anos
possui um valor residual estimado em 20% do valor Vi (valor Inicial).
Qual seria a depreciação anual? Tem-se então que:

Para o ano 1 = R$18.461,54


2 = R$17.723,08
3 = R$16.984,62
.....
25 =R$ 738,46

** Façam os demais valores (lembre-se há uma função do MS Excel f= (SDA))

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7.3.3 DEPRECIAÇÃO DESACELERADA INICIAL: O bem tem uma lenta perda dos
valores no início de sua vida útil econômica, aumentado gradativamente com o passar
dos anos atingindo ao final de sua vida o mesmo valor que a depreciação linear (com ou
sem residual).

Seus cálculos são o inverso da acelerada inicial, ou seja, para o exemplo


acima;

Ano 1 = (ano 25) = R$ 738,46 e assim sucessivamente até o ano (n).


Ano 24 = R$ 17.723,08 ..... Ano 25 = R$ 18.461,54

7.4 ALTERAÇÃO DA VIDA ÚTIL ECONÔMICA POR TRATAMENTO DE


FATORES

FATORES – VUEA (Vida útil econômica ajustada): Alguns fatores devem


ser analisados visando verificar as condições de uso, manutenção, ambiente e
afins, elevando ou reduzindo a vida útil econômica do bem.
Partimos da premissa que é fato que bens de mesma idade, porém melhores
conservados, com manutenções periódicas, em ambientes não agressivos
certamente terão valores de mercado diferenciados que um bem idêntico,
de mesma idade, porém malconservado, com manutenção precária e
exposto a ambientes agressivos.
Percebemos então que alguns FATORES influenciam na depreciação do
bem, onde este tipo de depreciação trata os fatores gerando indicativos de
acréscimo ou decréscimo da vida útil econômica.

Exemplos de tratamento de dados por fatores


operacionais:

manutenção
manutenção

programadas
monitoradas

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Agressividade

EXEMPLO: Um equipamento tem sua vida útil econômica (VUE) estimada em


25 anos (em condições normais de uso e manutenção), porém trabalha em
manutenção corretiva (na base quebrou – consertou), trabalha no sub-solo de
uma mina de carvão e em 3 turnos de produção:

FATOR OPERACIONAL FOP = FM * FA * FS = (1,00 * 0,80 * 0,80) = 0,64

Tem-se que: Vida útil econômica ajustada (VUEA) deste bem = VUE * FOP VUEA = 25 anos
* 0,64 = 16 anos

IMPORTANTE: Por fim, somente após


efetuar-se os cálculos dos fatores pode-se
efetuar os cálculos de depreciação sempre
em relação à vida útil econômica ajustada
encontrada.
**Nota: Se o cálculo da vida útil econômica ajustada (anos) resultar em
valores decimais então se arredonda para o inteiro mais
próximo.

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