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DEMOCRACIA E A JUSTIÇA ELEITORAL

MÓDULO I – A DEMOCRACIA E A JUSTIÇA ELEITORAL

Conteúdo: Luiz Felipe de Casrilevitz Rebuelta Neves

Revisão: Alessandro Rodrigues da Costa


Caroline Sant’ Ana

1 – INTRODUÇÃO

Ao escrever um texto, o jornalista deve sempre se lembrar da narrativa dos


acontecimentos, a fim de informar ao leitor o que, onde, como e quando o fato ocorreu,
além de expor, se possível, as versões de todas as partes envolvidas.
Entretanto, uma resposta direta a estes questionamentos levaria à padronização
dos textos, o que, por sua vez, configuraria uma leitura monótona. Por isso, é importante
que o jornalista tenha bagagem cultural, a fim de rechear a matéria ao relacionar os fatos
descritos ao contexto histórico, político, econômico ou social e ao instigar a reflexão no
leitor em vez de simplesmente informá-lo a respeito do ocorrido.
Nesse sentido, o jornalista designado para cobrir o processo eleitoral deve ter
alguma noção, ao menos básica, do funcionamento da Justiça Eleitoral, da história
política do país e da formação do sistema, bem como dos trabalhos realizados quando
da preparação das eleições.
Assim, o Tribunal Superior Eleitoral abre um canal com a imprensa, de modo a
construir, de forma conjunta, o conhecimento necessário para uma cobertura mais
aprofundada sobre o pleito.

1.1 Titularidade do Poder

“Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos
ou diretamente, nos termos desta Constituição.”
O trecho acima transcrito é o parágrafo único do art. 1° da Constituição da
República Federativa do Brasil de 1988. Ao se observar tal sentença, resta claro que o
titular do poder é o povo brasileiro. Entretanto, o exercício desse poder é feito por meio
de representantes eleitos, que são vereadores, prefeitos, deputados estaduais e distritais,
governadores, senadores e o presidente da república.
O fato de o poder emanar do povo também revela a opção pela forma de governo
republicana – o nome oficial de nosso país é República Federativa do Brasil –, haja
vista que república significa “coisa pública ou coisa do povo”1.
Ou seja, o Brasil é do povo brasileiro e por ele deve ser bem cuidado. Dessa
forma, a Constituição Federal possibilita ao cidadão brasileiro o uso de diversos
instrumentos para “cuidar bem de nosso país“; são as ferramentas de participação
democrática. Encontra-se entre elas o sufrágio universal pelo voto direto e secreto,
sendo essa a principal forma do exercício da soberania popular e da democracia no
Estado democrático de direito.

1.2 Democracia e Estado democrático de direito

A democracia, numa definição mais simplória, é o exercício do governo pelo


povo. Norberto Bobbio ensina que “na teoria política contemporânea, mais em
prevalência nos países de tradição democrático-liberal, as definições de democracia
tendem a resolver-se e a esgotar-se num elenco mais ou menos amplo de regras de jogo,
ou, como também se diz, de ‘procedimentos universais’”.
O cientista político italiano elenca como regras inerentes à democracia: (i) o
órgão político máximo, a quem é assinalada a função legislativa, deve ser composto de
membros direta ou indiretamente eleitos pelo povo, em eleições de primeiro ou segundo
grau; (ii) deverá haver, junto do supremo órgão legislativo, outras instituições com
dirigentes eleitos, como os órgãos da administração local ou o chefe de Estado, como
acontece na República; (iii) todos os cidadãos que tenham atingido a maioridade, sem
distinção de raça, de religião, de censo e possivelmente de sexo, devem ser eleitores;
(iv) todos os eleitores devem ter voto igual; (v) todos os eleitores devem ser livres para
votar segundo a própria opinião, formada o mais livremente possível, isto é, numa

1
Sugestão de leitura: verbete República. Bobbio, Norberto, 1909 – Dicionário de Política. Vol. 2. Pág.
1.107.
disputa livre de partidos políticos que lutam pela formação de uma representação
nacional; (vi) devem ser livres também quanto a ter alternativas reais (o que exclui
como democrática qualquer eleição de lista única ou bloqueada); (vii) o princípio da
maioria numérica vale tanto para as eleições dos representantes quanto para as decisões
do órgão político supremo (podem ser estabelecidas várias formas de maioria segundo
critérios de oportunidade não definidos de uma vez para sempre); (viii) nenhuma
decisão tomada por maioria deve limitar os direitos da minoria, de um modo especial o
direito de tornar-se maioria, em paridade de condições; (ix) o órgão do governo deve
gozar de confiança do Parlamento ou do chefe do Poder Executivo, eleito, por sua vez,
pelo povo.
Bobbio destaca, porém, que “todas essas regras estabelecem como se deve
chegar à decisão política, e não o que decidir”.
O que é importante extrair destes ensinamentos é que a nossa Constituição, bem
como a legislação eleitoral vigente, alinha-se a tais regras da democracia, o que acarreta
a constituição do Estado democrático de direito, designado como uma situação jurídica
ou um sistema institucional no qual todos, do simples indivíduo até a potência pública,
estão submetidos ao respeito do direito. O estado democrático de direito é, assim,
vinculado ao respeito da hierarquia das normas e dos direitos fundamentais. Em outras
palavras, é aquele no qual os mandatários políticos (na democracia: os eleitos) estão
subordinados às leis promulgadas.
Destarte, ao escrever uma matéria ou, até mesmo, participar de uma entrevista, é
importante que o jornalista relembre sempre as regras democráticas elencadas por
Bobbio, pois qualquer ato do Executivo, Legislativo ou Judiciário que destoe de tal
orientação poderá ser o início de um caminho autoritário e ditatorial.
Nesse sentido, nota-se que o Direito Eleitoral evoluiu ao longo do tempo,
acompanhando os relevantes fatos históricos dos movimentos sociais, políticos e
econômicos nos mais de 500 anos desde a conquista do Brasil, garantindo a construção
do Estado democrático de direito.

1.3 História das Eleições no Brasil

Ao longo dos anos, é comum verificar que o início do período eleitoral tem o
poder de ressuscitar críticos que restam adormecidos durante dois anos, mas que
“recarregam suas energias” por um breve intervalo de tempo, apenas para atacar o
processo eleitoral brasileiro. E um dos pontos mais atacados é a administração das
eleições pela Justiça Eleitoral.
Uns defendem que o pleito deveria ser organizado por uma comissão
independente, outros dizem que deveria ser um órgão do Executivo2 em vez do
Judiciário; isso porque trazem como premissa que quem administra não pode julgar o
administrado.
Esta última premissa, entretanto, é falha, pois os integrantes do Poder Judiciário
são os agentes políticos que gozam de maior independência em nosso país, haja vista
suas garantias de vitaliciedade e inamovibilidade – ou seja, não precisam tentar
reeleger-se para seus cargos de temos em tempos, realizando alianças ou promessas aos
eleitores, e não podem ser removidos de suas funções caso desagradem algum interesse
escuso; somente serão afastados mediante decisão judicial transitada em julgado.
Já a ideia de comissão independente é impraticável por inexistir a possibilidade
de algo completamente independente. Em primeiro lugar, os membros de tal comissão
devem ser indicados por alguém. Quem os indicaria: o presidente da república? O
Congresso? Os partidos políticos? Em segundo, são necessários recursos financeiros
para organizar executar a Eleição: ainda que o pleito custe em torno de R$ 3,00 por
eleitor, as dimensões de nosso país e a quantidade de eleitores faz com que o valor final
seja uma quantia considerável. E de onde viriam recursos a serem destinados a tal
comissão independente? Isto teria de ser negociado com o Executivo ou com o
Legislativo?
De qualquer modo, a organização do pleito pelo Poder Judiciário,
especificamente pela Justiça Eleitoral, está funcionando, sendo a melhor medida para o
exercício pleno da democracia. E, como é de costume dizer em nosso país, em time que
está ganhando não se mexe.
Ao longo da história do Brasil, podemos observar diversos fenômenos políticos:
vimos um governo monárquico tornar-se republicano, o Estado unitário reorganizar-se
em uma Federação e o voto, antes reservado a cidadãos livres e que detinham posses,
tornar-se universal. Entretanto, esse processo evolutivo sofreu algumas interrupções

2
O processo eleitoral brasileiro já esteve a cargo do poder executivo, durante a chamada “República
Velha”, que durou de 1889 até a sua derrubada pela Revolução de 30, liderada por Getulio Vargas, que
tinha a simpatia de grande parte da população, justamente por ter como bandeira a derrubada da
influência política nos resultados das urnas.
Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/governo/2010/09/historia>.
com a ascensão de regimes autoritários e antidemocráticos. Tais movimentos, muitas
vezes de origem diversa, mas que sempre “pregavam” o bem do povo, tiveram algo a
mais em comum: a extinção ou a redução da competência da Justiça Eleitoral.
Onde existiu autoritarismo, houve o esvaziamento da Justiça Eleitoral. Seja
durante o Estado Novo, na ditadura Vargas, ou o regime militar, com rotineira
modificação das regras eleitorais por meio de Atos Institucionais.
Essa constatação histórica revela o quão importante é a administração do
processo eleitoral por parte do Judiciário como parte isenta e imparcial frente à captação
de votos e à busca pelo domínio do poder que se observa ao longo da disputa nas
eleições.
Colacionamos, abaixo, um resumo da história das eleições em nosso país. O
texto foi elaborado pela historiadora da Justiça Eleitoral Anne Cajado e publicado nos
sites do TSE e no portal Brasil.

História da Eleições no Brasil

Durante o período imperial no Brasil, as eleições seguiam determinações


europeias e eram controladas por diferentes esferas de poder.
As primeiras eleições gerais no país foram realizadas em 1821 para escolher
deputados da corte de Lisboa, em uma época na qual a influência religiosa era
significativa.
Foi só em 1881 que a Lei Saraiva estabeleceu as primeiras eleições diretas.
Durante a chamada ‘República Velha’ (1889-1930), porém, os candidatos dependiam
da aprovação dos governadores e coronéis aliados, que asseguravam participação
regional controlando o voto aberto e a apuração.
A moralização do sistema eleitoral só começou a partir da Revolução de 1930,
que resultou na criação do primeiro Código Eleitoral do Brasil, em 1932. Naquele
momento, foi instaurada a Justiça Eleitoral, que regulou as eleições federais, estaduais
e municipais, criando infraestrutura para organizar a votação, apurar os votos e
proclamar os eleitos.
Foram introduzidos, nessa mesma época, o voto secreto e o voto feminino, além
do sistema de representação proporcional, em dois turnos simultâneos.
Em 1935, foi promulgado nosso segundo Código Eleitoral, durante o governo
Getúlio Vargas. Durante a ditadura do Estado Novo (1937-1945) varguista, a Justiça
Eleitoral foi extinta, os partidos políticos abolidos, as eleições livres suspensas, e a
eleição indireta para presidente da República, com mandato de seis anos, estabelecida.
A ‘nova ordem’ sofreu forte oposição da sociedade e, em 1945, Vargas
anunciou eleições gerais.

Primeiros passos democráticos


O sistema democrático brasileiro começou a se restabelecer durante o Governo
Dutra (1946-1951), com o decreto que ficou conhecido como Lei Agamenon, restituindo
a Justiça Eleitoral, o alistamento eleitoral e os pleitos.
Assim, o presidente e a Assembleia Nacional Constituinte de 1945 foram
empossados. A nova Constituição foi promulgada em 18 de setembro de 1946, e a
Câmara dos Deputados e o Senado passaram a funcionar como Poder Legislativo.
Em 1955, a Lei nº 2.250 criou a folha individual de votação, que teve como
principais mudanças a fixação do eleitor na mesma seção eleitoral e a abolição do uso
de título falso, entre outras fraudes.

Regime Militar
Na época conhecida como Regime Militar (1964-1985), a legislação eleitoral
ficou marcada pelos sucessivos atos institucionais. O período teve o seu processo
eleitoral adequado de acordo com os interesses do regime, que alterou a duração de
mandatos, cassou políticos e decretou eleições indiretas para presidente e
governadores.
Também foram instituídos o voto vinculado (obrigatoriedade de o eleitor só
votar em candidatos de um mesmo partido), as sublegendas e a alteração de cálculo do
número de deputados a serem eleitos na Câmara, sempre privilegiando os estados
aliados.
Em 13 de dezembro de 1968, o Ato Institucional Nº 5 (AI-5) suspendeu a
Constituição de 1967, ampliou os poderes do presidente da República e permitiu que
ele decretasse o fechamento do Congresso Nacional.
Com a Lei Falcão (Lei nº 6.339/76), a propaganda eleitoral foi restringida e o
debate político nos meios de comunicação, proibido.
A Emenda Constitucional nº 8 instituiu, em 1977, a figura do senador biônico,
que não passava pelo processo eleitoral comum, era eleito indiretamente por um
colégio eleitoral controlado pelos militares.

Redemocratização
Os atos institucionais e complementares impostos pelos militares foram
revogados pela Emenda Constitucional nº 11/78, que também modificou as exigências
para a organização dos partidos políticos.
A Emenda Constitucional nº 15 restabeleceu, em 19 de novembro de 1980, as
eleições diretas para governador e senador, além de eliminar a figura do senador
biônico.
A Lei nº 6.767 de 20 de dezembro de 1979 restabeleceu o pluripartidarismo,
marcando o início de uma nova abertura política. A sociedade mobilizou-se por
mudanças políticas e foi às ruas pedir a redemocratização do país. Durante o regime
de exceção, o primeiro presidente civil, Tancredo Neves, foi eleito indiretamente em
1985, por meio de um colégio eleitoral.

Nova Constituição
A Constituição de 1988 estipulou que um plebiscito definiria a forma (República
ou Monarquia) e o sistema de governo brasileiro (parlamentarismo ou
presidencialismo). Ficou decidido que o presidente, governadores e prefeitos das
cidades com mais de 200 mil eleitores fossem eleitos por maioria absoluta ou em dois
turnos.
O mandato presidencial seria de cinco anos, sem possibilidade de reeleição. E o
voto tornou-se obrigatório para os maiores de 18 anos e facultativos para idosos acima
de 70 anos e jovens de 16 e 17 anos.
Emendas constitucionais reduziram o mandato presidencial para quatro anos,
mas passaram a permitir a reeleição dos chefes do Executivo para um período
subsequente.
(Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/governo/2010/09/historia> Acessado em: 21 abril
2017).

1.4 O Tribunal da Democracia e a administração do processo eleitoral


Como pudemos observar ao longo dos tópicos anteriores, os conceitos de povo,
poder, república e democracia estão intimamente ligados ao processo eleitoral, o que
demonstra sua relevância no cenário político brasileiro.
Para tanto, a administração das eleições deve ser realizada por um órgão isento
de pressões externas e imparcial em relação às correntes ideológicas e políticas que
disputam o pleito. Como dito anteriormente, os membros do Poder Judiciário possuem
prerrogativas que os protegem de tais pressões, tais como a vitaliciedade e a
inamovibilidade, além de serem proibidos de se filiarem a partidos políticos.
Além destes argumentos, há de se ressaltar que a atividade dos magistrados
brasileiros sempre foi pautada pela estabilização democrática de nosso país e, se
somarmos isso ao comprometimento visceral do servidores da Justiça Eleitoral que,
durante o período eleitoral, trabalham quase que 24 horas por dia, inclusive aos sábados,
domingos e feriados, temos a receita certa para o sucesso das eleições e de sua
administração pelo que podemos chamar, certamente, de Tribunais da Democracia,
contando com o TSE e os 27 TREs das unidades federativas.

1.5 Fontes principiológicas e normativas do Direito Eleitoral

O nosso país se classifica como um Estado de Direito, cujas atividades públicas


ou privadas devem observar o disposto em lei.
No processo eleitoral não é diferente: nada que ocorre durante o pleito é
arbitrário ou submetido a juízo de exceção. As ações realizadas pela Justiça Eleitoral na
administração da eleição têm fundamento integralmente legal.
Os princípios e normas que regem o Direito Eleitoral se encontram em fontes
diversas. No topo normativo, temos a Constituição Federal de 1988, seguida pelo
Código Eleitoral e pela Lei das Inelegibilidades, normas complementares à constituição.
Devem ser observadas também as leis ordinárias que regulamentam as eleições e a
criação e funcionamento dos partidos políticos e, por fim, as Resoluções do Tribunal
Superior Eleitoral, ao qual a própria constituição dotou de competência normativa para
instituir as regras que devem ser observadas no decorrer de cada eleição.
Por fim, cabe registrar, ainda, que os Tribunais da Democracia são os únicos
órgãos do Poder Judiciário que detêm atribuições consultivas.3

1.5.1 – Constituição Federal de 1988


A Constituição Federal de 1988 apresenta dois capítulos específicos com normas
referentes ao processo eleitoral. No capítulo IV do Título II (Direitos e Garantias
Fundamentais), temos os Direitos Políticos, e o capítulo V , traz normas sobre os
partidos políticos.
Além desses dois capítulos, diversas regras a serem aplicadas nas Eleições estão
“organizadamente espalhadas” pelo texto constitucional, conforme passaremos a
estudar.

Direitos Políticos (CF/1988, art. 14 a 16)

Eleição e voto
Este capítulo se inicia com aplicação dos ensinamentos de Norberto Bobbio
sobre democracia, ao dispor que “a soberania popular será exercida pelo sufrágio
universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos” (art. 14, caput).
Cabe fazer um parêntese nesse ponto para esclarecer cada palavra desse
comando constitucional. O exercício da soberania popular, como já vimos, é o exercício
do poder pelo povo, ainda que por meio de representantes, pois o poder emana do povo.
Portanto, um deputado, um senador, até mesmo o presidente da República só está no
exercício de tal função porque o povo assim o quis e o elegeu.
Tal soberania é exercida por meio de sufrágio universal. Isso quer dizer que
todos os cidadãos brasileiros podem votar, independentemente do sexo, cor, religião,
orientação sexual, etc. Esse voto deve se dar na forma direta, com o eleitor votando
exatamente no candidato que ele deseja para o exercício de determinada função. Essa
escolha deve ser secreta, pois, relembrando a lição de Bobbio, “todos os eleitores devem
ser livres em votar segundo a própria opinião formada o mais livremente possível”, ou
seja, sem a influência de qualquer pressão externa.

3
De acordo como o CE, art. 23, XII, são legitimados para formular consultas junto ao TSE as autoridades
com jurisdição federal ou o órgão nacional de partido. Já o disposto no art. 30, VIII, do mesmo diploma,
especifica que apenas as autoridades públicas ou partidos políticos podem formular consultas.
E, por fim, o voto tem valor igual para todos. Essa determinação é garantidora
do princípio da igualdade, sendo conhecida por uma expressão na língua inglesa “one
man, one vote”, que significa, um homem, um voto.

Alistamento e voto – obrigatório e facultativo


Na sequência, o art. 14 apresenta as regras para o alistamento eleitoral e o voto,
vejamos: (i) obrigatórios para os maiores de dezoito anos; (ii) facultativos para: a) os
analfabetos; b) os maiores de setenta anos; c) os maiores de dezesseis e menores de
dezoito anos.
Entretanto, não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e, durante o
período do serviço militar obrigatório, os conscritos.
Existe uma dúvida frequente em todas as eleições e que as assessorias de
imprensa da Justiça Eleitoral respondem sempre aos jornalistas na cobertura do
processo eleitoral: maiores de dezesseis anos e menores de dezoito que tiraram o título
de eleitor são obrigados a votar? A resposta é negativa: a norma constitucional em
questão (inciso II do § 1° do art. 14) diz que o alistamento e o voto são facultativos.
Desse modo, ainda que já alistado voluntariamente aos 16 anos, o exercício do seu
direito de votar ainda é uma faculdade; mesma regra dos analfabetos e maiores de 70
anos.

Condições de Elegibilidade
A Constituição Federal elenca ainda as condições de elegibilidade, ou seja,
requisitos que um cidadão deve preencher para que possa se tornar candidato e receber
votos na disputa eleitoral.
As condições de elegibilidade são: (i) a nacionalidade brasileira; (ii) o pleno
exercício dos direitos políticos; (iii) o alistamento eleitoral; (iv) o domicílio eleitoral na
circunscrição; (v) a filiação partidária; (vi) a idade mínima de: a) trinta e cinco anos para
Presidente e Vice-Presidente da República e Senador; b) trinta anos para Governador e Vice-
Governador de Estado e do Distrito Federal; c) vinte e um anos para Deputado Federal,
Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de paz; d) dezoito anos para
Vereador.
No tocante à exigência de filiação partidária, em regra, a exigência é de que o
cidadão, para requerer seu registro de candidatura, esteja filiado a partido político há
pelo menos seis meses antes do dia da eleição. Ou seja: nas eleições de 2018, o dia da
votação em primeiro turno será 7 de outubro de 2018; assim, aquele que quiser se
candidatar a um dos cargos em disputa deve estar filiado a um partido político em 7 de
abril de 2017.
Existem, porém, alguns prazos diferenciados para ocupantes de cargos que não
podem se filiar até a sua desincompatibilização (exemplo: membros do Poder Judiciário
e militares), bem como exceções para hipóteses de criação de novos partidos.

Causas de inelegibilidade
As hipóteses de inelegibilidade são vedações impostas em determinados casos, a
fim de evitar que a disputa eleitoral seja desigual, criando ou oportunizando uma
vantagem desproporcional a um dos candidatos, o que, segundo vimos nas regras
apresentadas por Bobbio, também seria uma afronta às regras da democracia.
Além da inelegibilidade dos analfabetos, dos inalistáveis (conscritos – durante o
período de serviço militar obrigatório – e estrangeiros), da vedação de uma segunda
reeleição para cargo executivo e da desincompatibilização de cargo executivo para
concorrer a quaisquer outros cargos proporcionais, a constituição apresenta a proibição
da eleição do cônjuge (marido, esposa, companheiro ou companheira) e dos parentes
consanguíneos (da própria família) ou afins (família do marido ou esposa, do
companheiro ou companheira), até o segundo grau (pai, mãe, filhos, irmãos, avós e
netos) ou por adoção, do chefe do Poder Executivo no território de sua jurisdição.
No caso do presidente da República, a inelegibilidade é em todo o território
nacional.
Em relação aos parentes de governador, em todo o Estado. E, se parente de
prefeito, o familiar não pode ser candidato no município.
A inelegibilidade pelo parentesco atingirá os familiares de quem haja substituído
o chefe do Poder Executivo dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular
de mandato eletivo e candidato à reeleição.
Essa vedação busca, claramente, evitar o uso da máquina pública pelo titular da
chefia do Poder Executivo em prol de seus familiares, desequilibrando a disputa e
afrontando os princípios democráticos.
Além dessa hipótese constitucional de inelegibilidade, a constituição dispõe que
uma lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua
cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício de
mandato considerada vida pregressa do candidato e a normalidade e legitimidade das
eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função,
cargo ou emprego na administração direta ou indireta.
Atendendo a este comando, foi editada a Lei Complementar nº 64/1990,
posteriormente modificada por meio de grande pressão popular pela Lei Complementar
nº 135/2009, que ficou conhecida como “Lei da Ficha Limpa”.

Reeleição
A possibilidade de reeleição também é uma regra constitucional. Ela não estava
presente no texto original, mas foi acrescida por meio da Emenda Constitucional 16 de
1997, a fim de permitir a reeleição do então presidente Fernando Henrique Cardoso.
Dessa forma, desde o pleito de 1998, o presidente da República, os governadores
de Estado e do Distrito Federal, os prefeitos e aqueles que os sucedam ou substituam no
curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período subsequente.
Um dos casos mais emblemáticos já julgados pela Justiça Eleitoral envolveu a
interpretação deste dispositivo que trata da reeleição: o então governador do Estado de
São Paulo, que havia sido eleito vice-governador, mas assumiu a titularidade do cargo
após o falecimento de Mário Covas, solicitou o seu registro de candidatura para se
eleger novamente governador. O caso será analisado na unidade 5 deste curso.

Desincompatibilização
Como já foi visto mais de uma vez até aqui, a disputa eleitoral deve ser
equânime, ou seja, nenhum candidato pode ter uma vantagem desproporcional em
relação a outro, sob pena de enfraquecimento das regras da democracia. Isto posto, a
Constituição Federal exige que, “para concorrerem a outros cargos, o Presidente da
República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal e os Prefeitos devem
renunciar aos respectivos mandatos até seis meses antes do pleito”.
Aqui também existe uma vontade do constituinte em coibir o uso da máquina
pública e evitar o abuso do poder político em prol da candidatura daquele que detinha a
chefia do poder Executivo nacional, regional ou local.

Militares
Esta questão não é muito usual, mas existe uma crescente tendência de policiais
militares e membros das forças armadas pleitearem seus registros de candidaturas nas
últimas eleições.
A constituição diz que o militar alistável é elegível, atendidas as seguintes
condições:
(i) se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se da atividade;
(ii) se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade superior
e, se eleito, passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade.

Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME)


A constituição prevê um instrumento para contestar, após a diplomação, o
mandato eletivo de quem se elegeu por meio de abuso de poder econômico, corrupção
ou fraude.
A ação tramitará em sigilo na Justiça Eleitoral e deve ser apresentada até 15 dias
após a diplomação, já com as provas da denúncia contra o candidato eleito e diplomado.
No caso de ausência de provas, o autor da ação poderá ser responsabilizado nas
esferas cível (dano moral) e criminal (calúnia, difamação ou injúria, por exemplo).

Perda e Suspensão dos Direitos Políticos


Não existe, em nosso país, possibilidade de cassação dos direitos políticos.
Portanto, é equivocado dizer que determinado político ou autoridade teve os direitos
políticos cassados. Esse erro é muito comum nos noticiários de rádio e TV, jornais e
revistas impressos e sites de notícias brasileiros.
A constituição permite apenas hipóteses de perda (permanente) ou suspensão
(temporária), que ocorrerão nos seguintes casos:

Perda dos direitos políticos:


(i) cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado;
(ii) incapacidade civil absoluta;

Suspensão dos direitos políticos:


(iii) condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos;
(iv) recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa
(exemplo: serviço militar, alistamento eleitoral, exercer o direito de votar, etc.);
(v) improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º.

Princípio da anterioridade anual da Lei Eleitoral


As eleições, em seu âmago, possuem a natureza de uma disputa entre candidatos.
E, como tal, têm suas regras. Essas normas que regulamentaram o pleito precisam ser de
conhecimento de todos os que pretendem candidatar-se, devendo se tornar públicas com
certa antecedência.
É certo que aquele que pretende ser candidato deve tomar o primeiro passo com
antecedência mínima de seis meses antes do pleito, filiando-se ao partido político pelo
qual pretende disputar um dos cargos eletivos em disputa nas eleições que ocorrerão no
ano seguinte.
Se existe tal exigência com antecedência, nada mais correto que a publicação das
regras ocorrer no mesmo período, a fim de que o pretenso candidato, antes de filiar-se,
possa saber se sua candidatura é viável e se preenche os requisitos que serão exigidos.
Dessa forma, o art. 16 da Constituição Federal determina que “a lei que alterar o
processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição
que ocorra até um ano da data de sua vigência”. Esse é o princípio da anterioridade
anual da lei eleitoral, muito debatido pelo TSE e, posteriormente, pelo STF, em relação
à aplicação da Lei da Ficha Limpa às Eleições 2010.
Com base nessa regra, mudanças nas regras eleitorais que alterem o processo
eleitoral, para serem aplicadas no pleito de 2018, por exemplo, devem ser publicadas até
o dia 7 de outubro de 2017. Se não, serão válidas somente para as eleições seguintes.

Dos Partidos Políticos


A Constituição Federal de 1988 destinou aos partidos políticos um capítulo
próprio, que traz normas gerais sobre a criação, prerrogativas e vedações impostas às
agremiações.
De início, o texto constitucional expressa que “é livre a criação, fusão,
incorporação e extinção de partidos políticos, resguardados a soberania nacional, o
regime democrático, o pluripartidarismo e os direitos fundamentais da pessoa humana”.
Porém, os partidos políticos precisam observar alguns preceitos elencados pela
CF/1988, quais sejam: (i) caráter nacional; (ii) proibição de recebimento de recursos
financeiros de entidade ou governo estrangeiros ou de subordinação a estes; (iii)
prestação de contas à Justiça Eleitoral; (iv) funcionamento parlamentar de acordo com a
lei.
Como prerrogativa, é assegurada aos partidos políticos autonomia para definir
sua estrutura interna, organização e funcionamento e para adotar os critérios de escolha
e o regime de suas coligações eleitorais, sem obrigatoriedade de vinculação entre as
candidaturas em âmbito nacional, estadual, distrital ou municipal, devendo seus
estatutos estabelecerem normas de disciplina e de fidelidade partidária.

Fim da verticalização das coligações


Note-se que a prerrogativa para adotar os critérios de escolha e o regime de suas
coligações eleitorais, sem obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas em
âmbito nacional, estadual, distrital ou municipal corresponde ao fim da verticalização,
que obrigava as coligações municipais a seguirem as estaduais, que, por sua vez,
deveriam acompanhar a coligação nacional. Entretanto, essa exigência não existe mais,
de forma que o eleitor poderá ver a união, no mesmo palanque, de candidatos a
governador de partidos rivais na disputa nacional (eleição presidencial).

Fidelidade partidária
Outra questão bastante polêmica e que também tem origem neste dispositivo
constitucional é a fidelidade partidária. Em 2007, o TSE editou a Resolução nº 22.610,
que ainda é a única regulamentação sobre o tema. De acordo com o entendimento do
TSE, o filiado que se elegeu a cargo eletivo por uma determinada legenda só poderá
deixá-la se houver justa causa, com as seguintes hipóteses: (i) mudança substancial ou
desvio reiterado do programa partidário; (ii) grave discriminação política pessoal; e (iii)
mudança de partido efetuada durante o período de trinta dias que antecede o prazo de
filiação exigido em lei para concorrer à eleição, majoritária ou proporcional, ao término
do mandato vigente.

Registro no TSE
Os partidos políticos, após adquirirem personalidade jurídica, na forma da lei
civil, registrarão seus estatutos no Tribunal Superior Eleitoral.

Fundo Partidário e Propaganda Partidária


Os partidos políticos têm direito a recursos do fundo partidário e acesso gratuito
ao rádio e à televisão, na forma da lei.
O fundo partidário encontra-se regulamentado na Lei nº 9.096/1995 e será
analisado de forma mais aprofundada no item 1.5.5. Cabe adiantar apenas que sua
distribuição ocorre na proporção de: 5% por cento do total do Fundo Partidário
destacado para entrega, em partes iguais, a todos os partidos que tenham seus estatutos
registrados no Tribunal Superior Eleitoral e; 95% por cento do total do Fundo Partidário
distribuídos aos partidos que tenham preenchido as condições do art. 13, na proporção
dos votos obtidos na última eleição geral para a Câmara dos Deputados.
Uma alteração legislativa alterou os percentuais em para 1% e 99%, mas o STF
declarou a inconstitucionalidade da lei e manteve os percentuais de 5% e 95%, até o
julgamento do mérito da ação. A nova divisão diminuía o percentual a ser distribuído
entre os partidos chamados “nanicos”, o que acarretaria a extinção destas legendas.
Nesse ponto, é importante relembrarmos outra regra da democracia que nos foi
apresentada por Norberto Bobbio: “Nenhuma decisão tomada por maioria deve limitar
os direitos da minoria, de um modo especial o direito de tornar-se maioria, em paridade
de condições”.
Quanto ao acesso gratuito ao rádio e à televisão, a constituição está a tratar
exclusivamente da propaganda partidária, veiculada por meio de propaganda em blocos
e inserções.
A propaganda partidária destina-se a: (i) difundir os programas partidários; (ii)
transmitir mensagens aos filiados sobre a execução do programa partidário, dos eventos
com este relacionados e das atividades congressuais do partido; (iii) divulgar a posição
do partido em relação a temas político-comunitários; (iv) promover e difundir a
participação política feminina, dedicando às mulheres o tempo que será fixado pelo
órgão nacional de direção partidária, observado o mínimo de 10% do programa e das
inserções.
Tal propaganda se dá por meio de um espaço de 5 a 10 minutos em um dia a
cada semestre para todos os partidos registrados no TSE e mais 10 a 20 minutos de
inserções de 30 segundos a 1 minuto, também por semestre, dependendo do número de
deputados federais que a legenda possui. Ademais, a propaganda partidária não se
confunde com o horário eleitoral gratuito, também chamado de propaganda eleitoral, no
qual os candidatos em disputa nas eleições apresentam suas propostas de governo ou
legislativas e é veiculada somente durante o período eleitoral.

Vedação do uso paramilitar


Por fim, a constituição veda aos partidos políticos a utilização de organização
paramilitar. Uma organização paramilitar é uma associação de pessoas que se utilizam
de armas e, às vezes uniformizadas, com objetivos político-partidários, religiosos ou
ideológicos, que atuam paralelamente as forças policiais e militares de um país, agindo
às margens da lei.

1.5.1 Código Eleitoral


O Código Eleitoral vigente nos dias de hoje é de 1965 (Lei nº 4.737/1965) e, em
que pese ter sido aprovado como uma lei ordinária, foi recepcionado pela Constituição
Federal de 1988 com status de lei complementar.4 A única relevância em relação a essa
observação é de que a sua alteração demandaria um processo legislativo mais
dificultoso.
Ele trata de uma infinidade de temas que envolvem o processo eleitoral, mas que
também são disciplinados na lei das eleições no Estatuto dos partidos políticos.
Entretanto, para o objetivo desse curso, é importante ressaltar dois pontos cruciais que
somente são tratados no Código Eleitoral: a nulidade das eleições e os crimes eleitorais.

1.5.3 Lei Complementar nº 64/1990


A Lei Complementar nº 64/1990 é a norma que trata das causas de
inelegibilidade, dos prazos de desincompatibilização e da representação para abertura de
investigação judicial eleitoral para apurar uso indevido, desvio ou abuso do poder

4
Pode-se afirmar que apenas parte do Código Eleitoral foi recepcionada com status de lei complementar,
pois a Constituição Federal, em seu art. 121, exige a edição de lei complementar para tratar sobre
organização e competências da Justiça Eleitoral. Todos os artigos do Código Eleitoral que se refiram à
organização e às competências da Justiça Eleitoral têm status de lei complementar. Essa parte está
compreendida principalmente entre os arts. 12 a 41 do CE. O restante do Código Eleitoral foi
recepcionado com status de lei ordinária, pois, para tratar de Direito Eleitoral, em regra, basta a edição de
uma lei ordinária.
econômico ou do poder de autoridade, ou utilização indevida de veículos ou meios de
comunicação social, em benefício de candidato ou de partido político.

1.5.4 Lei nº 9.504/1997 (Lei das eleições)


As regras operacionais das Eleições estão dispostas na Lei nº 9.504/1997,
também conhecida como Lei das Eleições. Nelas são elencadas as regras aplicáveis a
todo o processo eleitoral, tais como: (i) coligações; (ii) Convenções para a Escolha de
Candidatos; (iii) Registro de Candidatos; (iv) Arrecadação e da Aplicação de Recursos
nas Campanhas Eleitorais; (v) Prestação de Contas; (vi) Pesquisas e Testes Pré-
Eleitorais; (vii) Propaganda Eleitoral em Geral; (viii) Propaganda Eleitoral na Imprensa,
Rádio, Televisão; (ix) Direito de Resposta; (x) Sistema Eletrônico de Votação e da
Totalização dos Votos; (xi) Fiscalização das Eleições; (xii) Condutas Vedadas aos
Agentes Públicos em Campanhas Eleitorais; entre outras disposições gerais, finais e
transitórias.

1.5.5 Lei nº 9.096/1995 (Lei do Partidos Políticos)

O funcionamento dos partidos políticos deve seguir as normas previstas na Lei


nº 9.096/1995. Nela, encontra-se as regras sobre: (i) criação e do registro dos partidos
políticos; (ii) funcionamento parlamentar; (iii) programa e estatuto; (iv) filiação
partidária; (v) fidelidade e da disciplina partidárias; (vi) fusão, incorporação e extinção
dos partidos políticos; (vi) finanças e contabilidade dos partidos; (vii) fundo partidário;
(viii) acesso gratuito ao rádio e à televisão.

1.5.6 Resoluções do Tribunal Superior Eleitoral


As Resoluções editadas pelo Tribunal Superior Eleitoral são normas aplicáveis
ao pleito, com a finalidade de regulamentar procedimentos previstos na Lei nº
9.504/1997.
Nas últimas eleições gerais, em 2014, o TSE editou as seguintes resoluções: (i)
Calendário eleitoral; (ii) modelos de lacres para as urnas, etiquetas de segurança e
envelopes com lacres de segurança e seu uso nas eleições; (iii) apuração de crimes
eleitorais; (iv) cerimônia de assinatura digital e fiscalização do sistema eletrônico de
votação, do registro digital do voto, da votação paralela e dos procedimentos de
segurança dos dados dos sistemas eleitorais; (v) representações, reclamações e pedidos
de direito de resposta; (vi) atos preparatórios para as eleições; (vii) pesquisas eleitorais;
(viii) propaganda eleitoral e condutas ilícitas em campanha eleitoral; (ix) escolha e o
registro de candidatos; (x) arrecadação e os gastos de recursos por partidos políticos,
candidatos e comitês financeiros e, ainda, sobre a prestação de contas nas eleições; e
(xi) utilização do horário gratuito de propaganda eleitoral reservado aos candidatos à
Eleição Presidencial.

Leitura sugerida
Verbete Democracia – Dicionário de
Política de Norberto Bobbio

Fórum
Analisando as regras da democracia elencadas por Norberto Bobbio, você
considera que o Brasil se constitui em Estado Democrático de Direito? Escreva um
texto de até 20 linhas sobre o tema.

Exercício:
Escreva breve artigo de opinião sobre a administração das eleições pela Justiça
Eleitoral (até 20 linhas).