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SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA - SESI

EDUCAÇÃO BÁSICA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL – EBEP


DISCIPLINA: LITERATURA
PROFESSOR: RANIERE

Alessandra Maritsa Morais Menezes


Anikelly de Oliveira Duarte
Emile Rocha da Silva Paiva
Lara Gardênia Bezerra de Melo
Maria Clara Viana Batista
Maria Elissandra Areda da Silva

Dadaísmo

MOSSORÓ/RN
2019
1. O que é?
O Dadaísmo, ou simplesmente “Dadá”, foi um movimento artístico, pertencente às
vanguardas europeias do século XX, que propunha a antiarte, seu lema era: "a destruição
também é criação". Diferente de outros estilos artísticos que contemplavam a arte e a estética
pictórica, o Dadaísmo questionava qual era o objetivo da arte e o seu valor cultural. Foi
considerado o movimento propulsor das ideias surrealistas, de caráter ilógico e anti-
racionalista
Tristan Tzara (1896-1963) foi o fundador do movimento Dadaísta, em meados da
Primeira Guerra Mundial, junto aos artistas Hugo Ball (1886-1927) e Hans Arp (1886-1966).
Eles e outros artistas refugiados reuniram-se no Cabaret Voltaire em Zurique, Suíça, em 1916
para inaugurar a nova manifestação de arte, foi assim que aleatoriamente foi escolhido o nome
"dadaísmo" a partir do termo francês “dadá” que significa "cavalo de madeira", de forma a
simbolizar o caráter antirracional do movimento.
O movimento surgiu em um momento delicado, haja vista os acontecimentos
horrendos e absurdos que marcaram a guerra. O Dadaísmo foi uma forma de crítica e
contestação às consequências da Primeira Guerra Mundial, em especial ao que era
considerado arte na época.
2. Principais características
O dadaísmo é considerado um movimento antiartístico, uma vez que rompe com os
modelos tradicionais e clássicos, questionando a arte e buscando o caótico e a imperfeição.
Essa proposta de arte era irreverente e espontânea pautada na irracionalidade, na ironia, na
liberdade, no absurdo e no pessimismo. O seu espírito vanguardista e de protesto tinha o
intuito principal de chocar a burguesia da época e criticar a arte tradicionalista, a guerra e o
sistema.
Vários formatos de expressão (objetos do cotidiano, sons, fotografias, poesias,
músicas, jornais, etc.) eram usados na composição das obras de artes plásticas. Objetos
comuns do cotidiano eram apresentados de uma nova forma e dentro de um contexto artístico,
como uma crítica ao capitalismo e ao consumismo.
O movimento dadaísta se difundiu nas artes plásticas e também na literatura. Os
poetas dadaístas cultivavam a disposição aleatória das palavras. Dessa forma, era notória a
falta de lógica e irracionalidade, próprias do dadaísmo. Ocorria assim, a banalização das rimas
e da construção poética.
2.1 Dadaísmo no Brasil
No Brasil, o Dadaísmo abrangeu as artes plásticas e principalmente a literatura,
sendo representada por escritores e artistas dos primeiros anos do modernismo, que logo em
seus primeiros anos, buscava pelo arrojado e o polêmico. Num contexto assim, as ideias do
dadaísmo europeu serviram de grande influência para os artistas que viriam a se destacar.
Foi na literatura Modernista Brasileira onde o Dadaísmo mais se disseminou, com
escrita totalmente livre e abusando do uso de paródias. O escritor Manuel Bandeira
considerado o maior poeta lírico brasileiro do Modernismo mostrou muita influência Dadaísta
em suas obras, principalmente trabalhando no poema-piada.
O maior exemplo de referências Dadaístas na literatura foi Mario de Andrade um dos
precursores do Modernismo no Brasil. Em seus poemas apresentava críticas e principalmente
o ilógico, característica básica do Dadaísmo. No livro “Paulicéia Desvairada” se encontram
claros indícios dessa vanguarda, como no trecho a seguir.
Ode ao burguês

“Eu insulto o burgês! O burguês-níquel,

o burguês-burguês!

A digestão bem feita de São Paulo!

O homem-curva! o homem-nádegas!

O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,

é sempre um cauteloso pouco-a-pouco! (...)”

3. Principais nomes
3.1 Tristan Tzara
Samuel Rosenstock, mais conhecido pelo pseudônimo de Tristan Tzara, foi um
importante poeta romeno-francês do século XX. É considerado um dos principais
representantes e um dos precursores do Dadaísmo, no campo da Literatura. Foi também
dramaturgo, diretor de cinema, crítico literário e de arte e jornalista. Tzara também se
aproximou, em suas obras, de outros movimentos literários como o Surrealismo e o
Simbolismo. Grande parte de suas obras foi caracterizada pelo ideal de antiarte (uma das
principais características do Dadaísmo).
3.2 Hugo Ball
Foi um poeta, escritor e filósofo alemão. Foi um dos principais artistas do Dadaísmo
e escreveu o Manifesto Dadaísta, sendo considerado por muitos teóricos o inventor da poesia
fonética.
3.3 Marcel Duchamp
Foi um pintor, escultor, poeta francês e um dos precursores da arte conceitual.
Cidadão dos Estados Unidos a partir de 1955, e inventor dos ready made.
Seu modo de vida boêmio e paixão pelos jogos de xadrez, dos quais participou em
torneios, podem ser vistos ao longo de sua carreira artística, na qual temos obras de inspiração
romântica e expressionista, até aquelas de natureza cubista e futurista. Não obstante,
Duchamp era contra a “arte retiniana”, ou seja, aquela arte que agrada à vista.
4. Reconhecendo características nas obras
4.1 A Fonte, Marcel Duchamp, 1917
O item bizarro exemplifica a noção de se tirar um objeto comum de seu cenário
habitual para colocá-lo num contexto novo e incomum, desafiando as definições tradicionais
da arte de forma sarcástica e irônica. A inversão física do objeto corresponde a inversão de
seu sentido. O objetivo de Duchamp foi causar esta provocação entre as pessoas,
contradizendo o que grande parte da sociedade considerava ser uma arte.

4.2 Para fazer um poema dadaísta, Tristan Tzara


Tristan Tzara foi questionado sobre como escrever poemas dadaístas e resolveu criar
uma simples receita para tal fim. De forma ilógica, rompendo com todos os padrões de um
poema tradicional e usando da metalinguagem, descreveu como executar tal tarefa.
Para fazer um poema dadaísta
Pegue um jornal
Pegue a tesoura.
Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema.
Recorte o artigo.
Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco.
Agite suavemente.
Tire em seguida cada pedaço um após o outro.
Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.
O poema se parecerá com você.
E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público.

4.3 L.H.O.O.Q., Marcel Duchamp, 1919


Como em uma brincadeira de criança, sarcasticamente, Duchamp irreverencia o
maior ícone do Renascimento, a Mona Lisa (1503-1506) de Leonardo da Vinci, exposta no
Museu do Louvre. Em 1919, desenha bigode e cavanhaque sobre um cartão postal da
Gioconda, comprado na loja de presentes do museu. Intitula sua obra L.H.O.O.Q., que se lê
foneticamente em francês: "elle a chaud au culle" ["ela tem fogo no rabo"]. Através da
contradição da releitura da obra, Duchamp combate a arte institucionalizada.
REFERÊNCIAS

DE PAULA, Joy. Os 7 principais artistas do dadaísmo que você precisa conhecer!


Dsiponível em: <https://arteref.com/diversos/os-7-principais-artistas-do-dadaismo/>. Acesso
em: 04 de março de 2019.

DIANA, Daniela. Dadaísmo. Disponível em: <https://www.todamateria.com.br/dadaismo/>.


Acesso em: 04 de março de 2019.

EBA/UFMG. Marcel Duchamp. Disponível em:


<https://www.eba.ufmg.br/museologia/duchamp/index.html>. Acesso em: 04 de março de
2019.

MARTINS, Simone R.; IMBROISI, Margaret H. DADAÍSMO. Disponível em:


<https://www.historiadasartes.com/nomundo/arte-seculo-20/dadaismo/>. Acesso em: 04 de
março de 2019.

TANCREDI, Silvia. Dadaísmo. Disponível em:


<https://brasilescola.uol.com.br/artes/dadaismo.htm>. Acesso em: 04 de março de 2019.

TELES, Gilberto. Tristan Tzara. Disponível em:


<https://www.suapesquisa.com/artesliteratura/tristan_tzara.htm>. Acesso em: 04 de março de
2019.

TURCI, Égon. A FONTE – DUCHAMP. Disponível em:


<https://egonturci.wordpress.com/2012/09/10/a-fonte/>. Acesso em: 04 de março de 2019.

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