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EDIÇÃO 135

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Parnaíba, Janeiro de 2019 - Ano XII

COLETIVO CABAÇA: 10 ANOS Pág. 8

PERSONAGENS DA IMPRENSA:
PÁDUA MARQUES Pág. 4
A TRAJETÓRIA DO SPORT CLUB
FLAMENGO DE PARNAÍBA:
NOS ANOS DE 1928 A 1970 Pág. 5
JORNADAS:
LUANA DE ASSUNÇÃO Pág. 13
e muito mais
A
inda no ano passado, tivemos o
lançamento de Versos Retos de um
Poeta Torto, a mais recente obra do
professor e escritor Francisco Gerson Amorim
de Meneses. Nascido em Piracuruca, porém
residente em Parnaíba há bastante tempo,
é idealizador e mantenedor do site www.
piracuruca.com, que desde 1999 divulga a
exuberância de cenários, a pré - história, as
lendas e as curiosidades do Piauí.
F Gerson Meneses, como costuma
assinar seus textos, é também autor de Um
pouco sobre minha terra (2000), Aventura na
Pedra do Índio (2001), Aqui me tem de regresso
(2003) e Revista Ateneu (2003). Divulgador
cultural, o poeta concilia seus trabalhos no O inverno tomando chegada no sertão
campo da escrita com o oficio do magistério,
onde é professor de informática do IFPI, dentre Quando a cigarra cigarreia Com o pé do céu ficando bonito,
outras atividades na área educacional. Mestre e a rã começa a rapar a cuia, o toró vai aguando a plantação,
em Ciência da Computação e Doutorando o sertanejo diz aleluia mandioca, milho, arroz e feijão,
em Biotecnologia, Gerson nos brinda com e o corrupião corrupeia. mode colher o alimento bendito.
um livro que traz suas melhores inspirações O corisco de longe relampeia, O sertão vira mar, assim tá escrito,
sobre os lugares de memória, suas pesquisas vem roncando o trovão da saudade, cabeça d’água vem de repente
no campo da Arqueologia, o contato com a com aquela sonoridade e enche rio, açude e toda vertente.
Natureza e até mesmo os assuntos que dizem que faz a acauã se calar. Vaqueiro campeia e no rosto o sorriso,
respeito à amizade e ao amor. No prefácio, a Ciricora começa a cantar de dezembro a abril é o paraíso,
professora Renata Cristina da Cunha descreve e a alegria o peito invade. muita fartura na mesa da gente.
bem ao dizer: Gerson presenteia o leitor
com poemas encantadores, curiosos e até A lua tá virada pro mar, Marrecos voando sobre a lagoa,
mesmo provocativos, expondo com bastante dia de ano tá diferente gado berrando de felicidade,
sensibilidade e destreza, sua arte de contar com sua barra, o céu vem imponente, no mato, o verde é a tonalidade.
histórias. mandacarú na seca a florar Caseiro compra um vestido para patroa,
E a partir deste mês, teremos a e experiência da primavera a confirmar. pescador tira a corrente da canoa,
satisfação de termos textos inéditos de F Então sereneia na madrugada, é muito peixe depois da piracema.
Gerson Meneses numa coluna homônima à de manhã cupim de asa faz revoada Aqui no nordeste, acabou o problema
obra já mencionada. Um bom janeiro e fiquem e o aruá se gruda no mourão. e agora aqui despreocupado,
com Versos Retos de um Poeta Torto! A chuva enfim molha o sertão, no estilo martelo agalopado,
é o inverno tomando chegada. vou encerrando esse poema.

DO PIAGUÍ PARA O MUNDO

J
osué Calixto, 25 anos, fotógrafo, o cenário perfeito para um registro, disse – moda mais importante, conceituada e
escritor e colaborador deste impresso nos Josué, que estuda fotografia há 3 anos influente do mundo. Publicada desde 1892
desde a época de nossa primeira edição, e tem como principais inspirações, grandes pela Condé Nast Publications em 22 países.
em 2007, acaba de ter o primeiro trabalho no nomes como Sebastião Salgado, Cartier Mensalmente publica trabalhos de estilistas,
campo da fotografia a ganhar o Selo Vogue, Bresson, Robert Capa e também como escritores, fotógrafos e designers dentro de
na categoria Natureza. Trata-se de uma foto inspiração, Josué cita seu instrutor Adriano uma perspectiva sofisticada do mundo da
tirada na cidade do coqueiro, após uma Carvalho. moda, da beleza e da cultura pop.
tarde de chuva, as nuvens desfazendo, criou Vogue é a revista feminina de
https://www.vogue.it/photovogue/portfolio/?id=192413

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PERSONAGENS DA IMPRENSA: Adriana Martins de Araújo
PÁDUA MARQUES Escritora e jornalista

N
este mês, iremos dar ênfase a alguém preferi falar dos meus de casa. Pádua Marques dá um conselho aos
que valoriza muito o regionalismo Sobre suas referências, Pádua jovens escritores: escrever é uma questão de
local expressando os traços dos comenta: quando comecei a escrever hábito e persistência quem gosta de escrever,
momentos históricos e da realidade social crônicas em São Paulo, eu tinha como que escreva! Porque cada dia, é um dia
vivida dia a dia, como o modo de falar, referência Lourenço de Afé, um jornalista diferente e quanto mais você escreve, mais
vestir, comer, etc. que escrevia no jornal Diário Popular, e você se aperfeiçoa, corrige os erros. Noto que
Antônio de Pádua Marques Silva mais recente, no Piauí Altevir de Alencar. jovens de outras regiões do país como Rio
é produtor, jornalista, escritor e entusiasta O lugar preferido para compor seus grande do Norte, Paraíba, Sergipe, Bahia,
cultural na cidade de Parnaíba, onde nasceu escritos é no seu quarto, onde possui uma Pernambuco e Ceará valorizam as culturas
no dia 26 de maio de 1956. Sua mãe, biblioteca sortida. É muito rigoroso com populares, é muito comum se ver poetas com
Carmesina Marques Silva, teve 12 filhos, a questão da gramática, até porque sou de trabalhos que não tratam de uma região ao
mas apenas nove estão vivos. Seu pai é uma família de professores. O que espelha contrário desses artistas. O poeta de nossa
Antônio Cornélio da Silva. região ainda está muito preocupado em
Pádua começou a carreira de mostrar erudição de palavras que só a ele e
jornalista no ano de 1982 em São Paulo e a poucos faz sentido. Você raramente vê um
desde criança já tinha bastante facilidade poeta parnaibano narrando as riquezas de
com a escrita. No curso primário os nossa região, a poesia se perde no devaneio.
professores já elogiavam esse dom. Lançou Esse lamentável acaba contribuindo para
dois livros até o momento: Rua das Flores e que nossas raízes morram. Um exemplo muito
Gato Ladrão de Sebo e tem um grande sonho real e engraçado, é o Pano de Café! Qual é o
a realizar: lançar os outros seis livros que jovem, daqui a 10 anos, que vai saber o que
já estão escritos. Um fato curioso sobre sua é um pano de café, que serve para passar o
carreira de escritor: nasceu de aposta feita café, se não tem nada registrado! Então tudo
com o amigo José Luiz de Carvalho, onde suas ideias para compor os livros tem como isso tem que a literatura registrar, tanto em
apostamos quem escreveria primeiro um pano de fundo “o povo”, como vivem, livro, como em jornal.
livro. como são, de que gostam. Na crônica, Pádua Marques, antes de terminar
Participou, a convite do já uma coisa relevante que vai incomodar ou a entrevista, ainda fez um apelo sobre a
mencionado José Luiz de Carvalho e satisfazer ao leitor, provocando alguma importância do livro: como veículo de cultura
Francisco Carvalho, do jornal Correio do reação, seja revolta, surpresa, alegria: o e formação, deve ser mais valorizado. O livro
Povo, com a coluna Economia de Negócios, que venha causar reação, como disse Hélio é uma ferramenta que nos leva ao passado e
que, segundo Pádua: era o retrato do que Fernandes: “é muito triste você passar ao futuro.
seria essa descrição das pequenas e grandes a vida sem provocar nenhuma reação”... Pádua Marques retrata o cotidiano
empresas, o que seria uma pastelaria, Inclusive a vaia, é uma manifestação. O que simples das pessoas de uma forma engraçada,
lanchonete, oficina de costura... mostrando é terrível e incontornável é o silêncio dos possuindo muitos leitores que adoram essa
que o pequeno negócio pode ter uma vida e forma de escrever e eternizar histórias, e
um crescimento. dentre estes fãs, encontra-se esta pessoa que
Pádua diz que para escrever uma vos escreve.
história de sucesso, os ingredientes são:
enredo moderno, uma causa, um ideal, e Mais sobre Pádua Marques: é
que encabece um personagem que passe por membro da Academia de Letras da Região de
Sete Cidades, cadeira nº 28, e da Academia
provações, procurando sempre um herói para
Parnaibana de Letras de Parnaíba, cadeira
se espelhar; que seja uma narrativa curta,
nº 24. Dentre os veículos de comunicação
não causando enfado ao leitor e que passe
que já atuou ou atua: Meio Norte, O Dia,
essa ideia de o bem sempre a vencer o mal. Folha do Buriti, Correio do Povo, O Povo,
Sobre o amor que tem por sua Correio do Norte, Revistas Mambembe e
região: procuro sempre mostrar a região. Eu Histórica, TV Delta, TV Costa Norte, Terra
condeno o elitismo. Prefiro falar da minha que não produzem, dos que não provocam Norte, Tribuna do Litoral e Folha do Piauí.
aldeia (risos), porque quando falo da minha nenhuma emoção às pessoas, que passam Algumas curiosidades sobre o entrevistado:
aldeia, eu sei quem são todos os integrantes, sem fazer alguma coisa extraordinária que filme preferido é Amarcord, de Federico
porque a falsa erudição não leva a nada. muitas vezes são pessoas boas inteligentes Fellini, sua comida preferida é bife com
O discurso na Academia Parnaibana de e atraentes, que poderiam contribuir para arroz, sua cor é azul, uma música que
Letras, por exemplo, eu poderia falar de que a sociedade fosse muito melhor, mas se marcou foi Meu primeiro amor, de 1952.
autores ingleses, italianos e alemães, mas acomodam.

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A TRAJETÓRIA DO SPORT CLUB FLAMENGO Por: José de Paulo Brito
DE PARNAÍBA: NOS ANOS DE 1928 A 1970 Historiador e escritor

INTRODUÇÃO com a história do começo do futebol em São Mantido por um grupo de


Paulo (SP) que segundo Oliveira Nascimento açougueiros do antigo matadouro da lendária
(2013, p. 23) em seu livro Parnaíba Terra do “Caatinga de Baixo” conhecida por “Curre” e
A partir das discussões levantadas Futebol, o mesmo descreve que foi o lugar do mercado público central, segundo Oliveira
pelo emprego assinalado, o presente texto no Brasil onde aportou a primeira bola desse Nascimento (2013, p. 104) assinala que em
se propõe abordar questões referentes à esporte. Portanto, versões de historiadores razão de seu campo de futebol está situado
memória de um dos clubes de futebol mais nos dão conta de que a prática esportiva na nas proximidades desse antigo matadouro no
popular da cidade de Parnaíba. Todavia, o que cidade, teve início por volta do ano de 1908, atual bairro Nova Parnaíba, ficou evidente
se questiona é a maneira pela qual abarcou- mas somente a partir de 1912 é que surgiram que o clube era conhecido como o time
se a complexidade do tema em diferentes os primeiros clubes de futebol. dos açougueiros. Esta denominação serviu
concepções históricas para se compreender Evidentemente, esse seria um marco de característica para se comentar que seus
outros fatores determinantes ao longo de sua inicial para que alguns adeptos desse esporte atletas se excediam em virilidade ao defender
história. bretão fundassem suas agremiações em as cores do clube. Ainda Nascimento (2013,
Contudo, diria o p. 104), assim define que o seu
autor, apesar das dificuldades estatuto foi publicado em 27 de
encontradas cujas fontes, outubro de 1936 enquanto que
poucas foram direcionadas sua diretoria era constituída
como também ignora das “por por várias personalidades
aqueles que preferindo assim parnaibana além do seu
ou preferiam morrer no silêncio presidente de honra o então
da memória”. Porém, evitou- comerciante Antônio João de
se sugerir ou dar indicativos Araújo.
exatamente para não criar Conforme João Maria
barreiras que em ditos e “não Madeira Basto (1988, p. 13)
ditos”, eis aqui a dimensão em seu livro Imagens Fugidias
no papel. De certa forma são assinala que mestre Aurélio
pesquisas memorísticas, mas de Aranha, velho barbeiro da Praça
cunho historiográfico. Para isso da Graça que como treinador,
teve como fundamento, alguns conduziu esse grande time de
fragmentos escritos readaptados outrora (grifo nosso). Sendo
como também relatos orais assim, Madeira Basto descreve
variados como bem frisa Neves apud Santos determinados locais da cidade. Embora tais ainda que o “Leão dos subúrbios” como era
(2004, p. 50): informações, muitas vezes têm fundamentos chamado, contava em seu esquadrão, atletas
A história oral é um procedimento metodológico controvérsias cuja memória em disputa é de primeira linha eram eles: Joãozinho,
que busca, pela construção de fontes e documentos, uma qualidade de produções históricas. Cassiano, Ferreira, Cansanção, Brasilino,
registro através de narrativas induzidas e estruturadas,
testemunhas versões e interpretações sobre a história
De acordo com Sousa Nascimento (2005, Mazinho, Muriçoca, Zé Mulher, Moacy,
em suas múltiplas dimensões factuais, temporais p. 152), não é nosso propósito a busca de Pepê, Cocada, Biná, Boinho, Cornélio,
espaciais conflituosas e consensuais não é portanto, uma única verdade já que existem “várias Cariri, Tote, Domingos do André e Toni.
um comprometimento da história vivida, mas sim o
registro de depoimentos sobre essa história vivida. verdades” assim também, como são as Na década de 1930, surge no
“memórias”. meio futebolístico parnaibano o então
Conforme Nascimento (2001, p. Entretanto, com o surgimento dos quadro do Comercial Ginasial resultado
53), a memória tem como uma de suas dois maiores clubes rivais os quais seria
de uma fusão em 1934 do qual passou
características fundamentais do processo o International Atletic Club e o outro o
reativo provocado no sujeito pela realidade. Parnahyba Sport Club todavia, não foi
a ser a equipe principal do Parnahyba
Ela se constitui e é personalizada a partir da diferente com o também Sport Club Flamengo Sport Club. Uma vitória entre muitas,
reação dos efeitos do impacto sobre o grupo fundado em 14 de outubro de 1928. Versões fez vibrar intensamente uma das maiores
ou indivíduo formando todo um imaginário populares afirmam que além do clube ter se assistências já vislumbrada no velho
que compõe uma referência permanente originado de um time suburbano denominado campo do International sobre o Militar
no futuro. Alguns indivíduos tratam dessa Luso, Carvalho (2001) por sua vez descreve futebol clube de Teresina por 2 X 0
memória com naturalidade, “outras não”. em síntese histórica I, que o mesmo surgiu ambos os tentos foram assinalados por
Vale destacar aqui que a iniciativa em uma localidade chamado de “Alto do Cariri (BASTO, 1988, p 13).
do futebol em Parnaíba, muito se compara Cemitério de sugestivo e poético nome”.

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Talvez
Foi quando você pegou minha mão, e junto à sua colocou em seu
peito. Ali, dentro daquela música que puxava nossos pés para o
passado, pude entender todos os poemas da humanidade.
Sem percebermos estávamos a um passo do céu.
Tudo se tornou tão frágil, que por alguns instantes me vi hesitante
em respirar. Tive medo de nos partirmos com um sopro. Era leve,
como se qualquer brisa pudesse nos desmanchar, e de alguma
forma, irônica ou não, desmanchamos.
Desde então comecei a analisar de maneira mais cuidadosa
como nós mensuramos o para sempre, e sobre como o tornamos
Pousam inacessível. Será que diante de tanto medo de nos conectarmos
uns com os outros, desencadeamos na história a incapacidade de durarmos?
Talvez ele seja simples, doce. Talvez o para sempre caiba nos segundos de uma música.
Teus olhos pousam em mim como pousa, Talvez, e só talvez, nós tenhamos sido para sempre.
ao crepúsculo, o Sol nos eucaliptos Para uma borboleta e suas meras 2 semanas de vida, fomos infindáveis. Para uma estrela
Pousam em mim como pousam e seus 10 milhões de anos, fomos resultado de alguns ponteiros do relógio. Para mim, nós
as borbotelas no purpúreo das orquídeas fomos a dança mais bonita desse mundo, e eu tenho certeza que nossa música nunca vai parar
Pousam nos meus olhos como pousassem de tocar para nós.
num oceano vasto e infinito Talvez o nunca caiba na dissertação do eterno. Talvez.
E pousam em mim em delicadeza tanta Com amor, Lívia.
que não amar se faz impossível. @_livia_pessoa

Teus olhos me acariciam, me deliciam, Improventos


me devoram em vontade por Sousa Filho & Levi Bento
Aquecem-me e entorpecem, Entre pensamentos abstratos
são as preces, se sempre rezasses Busco decifrar-me em algum momento
Mas, sim, rezam, e imploram, O que penso e o que sinto
por amor tanto e caridade Apenas entender a minha parte
Emudecem-se em retiro,
por timidez, desamor ou lealdade. Todavia, o vento que minha pele beija
Insiste em me manter refém
E se sobrarem de teus olhos qualquer Daquilo que outro (talvez) não almeja
resquício desse prazer sempre retido Enquanto, de verdade, meu ser deseja
Tu te morres em minha boca,
Ao suspirá-lo sereno, compreendo
em tuas mãos, se me habitares
E vivo cada momento intensamente
Dos meus suspiros e sussurros,
E buscando-me, encontro-me
minhas palavras, lentamente, te dedico Transpiração de viver paixão de repente
E em meu tão pávido peito,
alenta e deita a tua serenidade. Sem sereno nem chuva
Busco aspirar aquilo que não tenho
Se Ousasse Em minha ânsia, aspiro aquilo que aspiro
Saberia o que está do outro lado do muro Sem a mínima chance de hoje aspirá-lo
Saberia onde “a banda que passou” está
Porém, permito-me nesse tempo
Onde a beleza da capital se esconde.
O que tenho provado a cada instante
A satisfazer os sentimentos e egos
Se ousasse E a tê-los em mim , pelo menos enquanto tento
Saberia que não há nada mais simples que a Ousadia
Ser vizível ou invisível
Nada mais triste que a palavra “ faria...” Sendo sol, chuva ou vento
E nada mais falido que a covardia. De que vale tudo isso, amigo,
Se não temos (ou não tenho) esse momento?
Morgana Sales Jéssica Lima

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A MORTE COMEÇA PELOS SAPATOS Josieliton Sousa Bernardo
Historiador e Escritor
Gita Fuhrmannova que se conheceram no torturados até mesmo pela estética de seus
Lager de Auschwitz-Birkenau, conforme o trajes, conforme explica Levi sobre o sapato
livro O Tatuador de Auschwitz (2018) da de madeira. Sem mencionar as práticas
escritora Heather Morris. Dessa forma, é de torturas mais cruéis que levavam a
preciso que o historiador problematize as morte imediata, como as câmaras de gás, o
ideias, a memória e a narrativa, uma vez crematório e os fuzilamentos! A tortura do
que é possível um diálogo entre História e sapato de madeira pode ser problematizado
Literatura a partir da contribuição teórica do a luz do conceito de Poder simbólico4 de
historiador Raymond Williams. Pierre Bourdieu. É importante compreender

M

Para outros judeus, o Holocausto como um simples utensílio estético e
orte, pesadelo, tortura e dor! não teve uma perspectiva romântica assim, necessário no cotidiano das pessoas – o
Amor? Olhar estas palavras de como nas narrativas de Rosa e Isaac, Lale sapato – se transformou num instrumento
perto, nos lembra da literatura e Gita. Para muitos judeus o Holocausto de tortura nazista.
ultra-romântica alemã do século XVII de foi real, não literário ou imaginário. Algo Dessa forma, os nazistas torturavam
Johann Wolfgang von Goethe e Friedrich palpável e material, por isso preferem os judeus não apenas de forma visível nos
Schiller. O movimento Sturm und Drang Lager por meio de maus-tratos físicos:
(tempestade e ímpeto) se caracterizou pela espancamentos, trabalho intenso e fome,
dor, suplício, temor e suicídio. É o que mas também de forma simbólica, por
mostra a obra clássica “Os Sofrimentos obrigarem os judeus a torturar seu próprio
do Jovem Werther” de Goethe (1774). corpo. Comentando a frase de Levi “a morte
Séculos depois essas palavras também começa pelos sapatos”, Denis Avey (2012,
caracterizaram o horror dos Judeus nos p. 177. Grifo nosso) disse:
campos de concentração nazista durante a
Primo Levi escreveu tempos depois de sua estada
Segunda Guerra Mundial (1939-1945). em Auschwitz III-Monowitz. Isso era verdade nos
Segundo Primo Levi (1988, p. 38) campos de concentração, onde a esfoladura provocada
“a morte começa pelos sapatos”. Seria essa pelos tamancos de madeira rústica causava o inchaço
e a inflamação dos pés, desanimando as pessoas,
uma metáfora romântica da morte nos Lager esquecer a memória frágil e velha, preferem trazendo-lhes debilitação, surras e morte, e era
(campos de concentração)? Possivelmente ignorar a lembrança e driblar a dor. Porque verdade fora de lá, na neve.
não! É importante compreender que o sapato lembrar do ocorrido é humilhante, desumano
simboliza o processo de civilização humano1,
Todo ano, 27 de janeiro é
e traumático, conforme aponta o judeu comemorado e lembrado como o dia das
mas que dentro dos Lager representou a sobrevivente de Auschwitz, Miklos Nyiszli
descivilização: a tortura dos judeus. Na obra vítimas do Holocausto. Nesse ano de
(1974). Na entrevista que fizemos ao judeu 2019 não queremos apenas lembrar por
é Isto um Homem? (1988) de Primo Levi, suíço M. Rappaport em 20172, vimos como é
judeu italiano sobrevivente de Auschwitz- lembrar, numa espécie de culto ao passado
difícil para uma vítima falar do Holocausto, (GAGNEBIN, 2006), mas lembrar de
Birkenau, é relatado não apenas a tragédia, porque é traumático.
o massacre e a tortura. Ele vai muito além Auschwitz de forma consciente para que o
Nessa perspectiva, a metáfora do Shoah não venha a se repetir.
disso, por descrever temas subjetivos, como sapato ganha um sentido mais real, palpável
sentimentos, saudade e o cotidiano dentro e material, porque o sapato de madeira Mais amor!
do Lager, Levi (1988, p. 145): usado pelos judeus e outras vítimas3 eram
Pensava em muitas coisas, todas tão longínquas: um instrumento de tortura, conforme explica REFERÊNCIAS:
no meu trabalho, no fim da guerra, no bem e no Levi (1988, p. 32-33):
mal, na natureza das coisas e nas leis que regem Avey, Denis. O homem que venceu Auschwitz:
as ações humanas e também nas montanhas, em Eles se revelaram, para a maioria de nós, verdadeiros uma história real sobre a Segunda Grande Guerra.
cantar, no amor, na música, na poesia. Tinha uma instrumentos de tortura que, após umas horas de
tradução Vania Cury. 2.ed. São Paulo: Gol, 2012.
imensa, arraigada, tola confiança na benevolência do marcha, criam feridas dolorosas, sujeitas a infecção
destino; matar, morrer pareciam-me coisas estranhas, na certa. A gente, então caminha como se tivesse
BERNARDO, Josieliton Sousa. Uma desumana
literárias. Os meus dias eram alegres e tristes, mas uma bola de ferro amarrada no pé (daí, a estranha sociedade civilizada, por Josieliton Sousa Bernardo.
eu tinha saudade de todos eles, todos eram cheios, andadura do exército de fantasmas que a cada noite O Piaguí Virtual. Parnaíba, 2018. Disponível em:
positivos, o futuro estava à minha frente como um volta em formação de marcha); sempre chega por <> Acesso em: 29 de dezembro de 2018.
tesouro. último, e sempre apanha; se perseguido, não consegue BERNARDO, Josieliton Sousa; SOARES, Shamália
fugir; seus pés incham e, quanto mais incham, mais Gayl de Sousa. Perseguição Nazista às Testemunhas
É possível falar de amor no contexto insuportável torna-se o atrito com a madeira e a lona de Jeová: fragmentos perdidos na história. In:
dos sapatos [...].
do horror nazista? Paradoxalmente sim! OLIVEIRA, Luciano Silva; LUCAS, Jean Oliveira;
Existem memórias documentadas sobre DAMASCENO, Deuzanira Rodrigues. (Org.).
Observa-se que os judeus eram Parnaíba sob múltiplos olhares: pesquisa e desafios
aventuras de casais e relacionamentos historiográficos. Parnaíba: Sieart, 2018.
2 BERNARDO, Josieliton Sousa. Uma desumana
amorosos no contexto do Holocausto, sociedade civilizada, por Josieliton Sousa BOURDIEU, P. O poder simbólico. Rio de Janeiro:
como a narrativa de Rosa e Isaac Blum, Bernardo. O Piaguí Virtual. Parnaíba, 2018. Bertrand Brasil S.A, 1989.
casal que se conheceram na adolescência, Disponível em: <https://www.opiaguivirtual. GAGNEBIN, Jeanne Marie. O que significa elaborar
com.br/uma-desumana-sociedade-civilizada- o Passado? In. _____. Lembrar Esquecer Escrever.
mas quando a Segunda Guerra Mundial por-josieliton-sousa-bernardo/> Acesso em: 29 São Paulo: Ed. 34, 2006, pp. 97- 106.
“estourou” não deixaram o relacionamento de dezembro de 2018.
3 Deficientes Físicos, Homossexuais, Eslavos, Ciganos e
LEVI, Primo. É isto um homem? tradução Luigi Dei
acabar conforme entrevista do The New Testemunhas de Jeová foram vítimas do Holocausto. Cf. Re. Rio de Janeiro: Rocco, 1988.
York Times em 15 de fevereiro de 2017. BERNARDO, Josieliton Sousa; SOARES, Shamália Gayl 4 “O poder simbólico é, com efeito, esse poder invisível o
A história romântica de Lale Sokolov e de Sousa. Perseguição Nazista às Testemunhas de Jeová: qual só pode ser exercido com a cumplicidade daqueles que
fragmentos perdidos na história. In: OLIVEIRA, Luciano não querem saber que lhe estão sujeitos ou mesmo que o
Silva; LUCAS, Jean Oliveira; DAMASCENO, Deuzanira exercem” (BOURDIEU, 1989, p. 7).
1 No contexto da colonização o historiador Sidney Chalhoub Rodrigues. (Org.). Parnaíba sob múltiplos olhares:
(1990) descreve a relação do sapato com a liberdade. pesquisa e desafios historiográficos. Parnaíba: Sieart, 2018.
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Especial 10 ANOS DE HISTÓRIA:
SEBRAE/Parnaíba, alguns grupos desistiram e produção cultural do Salão do Livro de Parnaíba
os demais se fundiram no, ate então, Cabaça (SALIPA), colaborando por 4 edições. No
Produções. Pois, com o tempo percebemos que mesmo ano, produzimos o solo “A origem”,
somar com aqueles que sonham como a gente texto de Cosmo Dias, coreografado por Marcos
nos tornava mais fortes. Bentos (CE), que nos levou a participar de
Ao longo dos anos colecionamos grandes festivais. Entre outros destaques, a
prêmios e resultados. inserção nos principais festivais do estado da
Em 2008 abrimos as portas de nossa época, como o Festival Pipoca com Guaraná,
primeira sede, a Casa Cabaça, com apoio da Março de Artes Cênicas e Teatro para Todos.
Copal (Cooperativa de Artesanato de Parnaíba). Ainda em 2012 estreamos o infantil autoral
O local sediava os ensaios do elenco e os famosos
Cafés Cabaça, uma espécie de miscelânea
cultural que abrigava as produções dos jovens
artistas solo ou em grupos, da região litorânea.
No mesmo ano tivemos a estréia de “Pandora”,
inspirado no mito grego – surge assim nosso
primeiro espetáculo de dança contemporânea.
Em 2009 e 2010 fomos aprovados no
Edital Fundação Kellong/Aliança Mandu, o que
viabilizou a estruturação física e a montagem
de grandes clássicos do repertório de nosso
grupo, como o infantil “Eu chovo, tu choves,

A
primeira edição deste ano do Piaguí ele chove”, de livre inspiração na obra de Silvia “Vaquerim in Dreams”, texto de Ricky Costa.
começa realizando uma retrospectiva Ortof, “A Posse do Prefeito”, texto Ricky Costa, Em 2013 o registro fica pela montagem
de uma das companhias de teatro mais teatro de Mamulengo, e obras de dança Pretinha, do clássico Sitio do Pica-pau Amarelo, de
proeminentes de nossa cidade e de nosso estado, Espanhola, Dualidade e Mangaio. No mesmo Monteiro Lobato, que ficou em cartaz por 5
o Coletivo Cabaça. Temos o prazer de abrir ano, com espírito empreendedor, lançamos a anos. 2013 também foi o ano do XVII Festival
espaço para que o grupo possa mostrar um promoção de dois festivais amadores: Vitrine de Dança de Teresina, no qual fomos premiados
tanto de seu percurso durante seus 10 anos de Mostra de Dança do Litoral e Mostra Maroca de em duas categorias: Melhor Solo de dança-
história e para tal ninguém melhor que o diretor Teatro Infantil. Ambos, nesses dez anos, tiveram teatro; e 2º lugar para Melhor Conjunto de
e fundador do grupo, Rick Costa. Venham três edições de sucesso, sendo suspensos para o dança-teatro. Outro trabalho foi a produção
conosco desvendar parte dos segredos desta realinhamento das propostas do grupo. do Projeto “Dançando onde o povo está”, em
Cabaça: Em 2011, o chamado ano furacão, Parnaíba/PI, uma realização Ponto de Equilíbrio
Nós do Coletivo Cabaça completamos nosso elenco se fragmenta. Chegavam novos (Teresina-PI). Estreamos ainda o espetáculo de
em 2018 dez anos de atuação nos palcos e nas integrantes provocando uma diminuição na dança-teatro “A Ribeirinha”, inspirado no livro
ruas. Trazemos conosco o conceito de valorizar quantidade de nossos eventos e nos forçando “Beira Rio, Beira Vida”, do parnaibano Assis
em nossos trabalhos o nordeste brasileiro. a reavaliarmos a melhor maneira de como Brasil. Logo em seguida, tivemos em destaque
Defendemos, enquanto companhia artística, continuar com nossas atividades. Fora cogitado a Oficina de Teatro de Bonecos com o Mestre
que não limitamos nosso trabalho a questões naquele momento a paralisação de nossas Griô Afonso Miguel e encerramos o ano com
folclóricas ou populares, mas à mistura de ações. Porém, depois desse tropeço/desafio, o projeto Dramaturgia em Cena (SESC) – com
encenações que põem em cena literatura, arte, a leitura do texto “Joaquim e as Estrelas”, de
política e território. Renata Mizhari e o Intercâmbio - Solos e Duos,
O nome cabaça, elemento típico com o coreógrafo Valdemar Santos.
do sertão piauiense, vem do fruto em que os Em 2014 estreamos “A Caixa de
vaqueiros levam para suas jornadas de trabalho o Vinicius”, com roteiro de Rick Costa, inspirado
mais necessário para seu ofício, como sementes, na obra infantil de Vinicius de Moraes em
água, comida, etc. Assim, enquanto artistas, comemoração ao centenário do poeta. Com
levamos em nossa Cabaça nossas linguagens esse espetáculo surgem as primeiras indicações
mais elementares: teatro, dança, artes visuais, ao Troféu Melhores do Teatro Piauiense.
circo, literatura e política. São dez anos de Fomos indicados em 5 categorias: ATOR/
atuação em conjunto, mas separados nosso ATRIZ REVELAÇÃO ( RICK COSTA e
elenco tem integrantes com mais de 30 anos ERIKA JAMP); MELHOR CENÓGRAFO
de carreira, como, por exemplo, a coreógrafa (RICK COSTA); MELHOR ESPETÁCULO
baiana radicada em Parnaíba, Eugênia Castelo E GRUPO DESTAQUE. Tendo conquistado o
Branco. nos fortalecemos, nascendo assim o espetáculo prêmio a atriz Erika Jamp, como atriz revelação.
O Coletivo Cabaça surgiu com o “Persona”, uma produção intermunicipal entre No mesmo ano, lançamos o Projeto Escola-
nome Cabaça Produções. Na sua gênese, já os diretores Nário França, Eugênia Castelo Casa Cabaça. Assim, passamos a ser o primeiro
apontava o desejo de trabalhar não só com a Branco e Rick Costa, o último radicado na grupo, até então, com equipamento de formação
promoção de espetáculo, mas também com capital do Piauí na mesma época, eu que vos teço e produção cultural sem incentivo financeiro e o
a formação de artistas e plateias. Em 2008, este texto. Em seguida estreamos “Vassouras, único grupo de teatro e dança a oferecer formação
cinco grupos amadores decidiram iniciar um travessuras e outras bruxarias”, inspirado na e produção em Parnaíba, dado que persistiu até
projeto de legalização em pessoa jurídica, obra “A bruxinha que era boa”, de Maria Clara 2018. Estreamos, ainda, o espetáculo de rua
profissionalizando o circuito cultural do litoral Machado. “Cortejo brincante de cirandas”, a obra mais
do Piauí. Entre eles: Teatro Fulanos d’ tal, Em 2012, um dos anos mais pungentes, apresentada na historia do nosso grupo. Com
Grupo de dança Zabelê, Reciclando Sonhos potencializamos nossas produções com o ela, fizemos turnê pelo nordeste, constando hoje
Artes Visuais - todos de Parnaíba; Grupo Maná espetáculo “Mandu - O guerreiro Ladino”, com mais de 200 sessões apresentadas, estando
de Dança - Luís Correia; e Teatro da Lokinha texto do dramaturgo Benjamim Santos, escrito na quarta versão de elenco.
- Ilha Grande de Santa Isabel. Após um ano de carinhosa e especificamente para nosso grupo. Em 2015 tivemos a nova era. Ano em
pesquisa, incubação como empresa apoiada pelo Assumimos, também, a Coordenação de que, numa estratégia de marketing, mudamos
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ESMIUÇANDO A CABAÇA.
de casa, adotamos uma nova identidade visual: “Casa Lennon”, do ator, diretor e dramaturgo contribuição e solidez à cultura piauiense,
COLETIVO CABAÇA, assinada pelo design Rodrigo Serra Albuquerque; e “A rosa”, de conferido pela principal casa de espetáculo
gráfico e artista plástico Tupy Neto. Então Déborah Radassi. Quanto às atividades de do estado, o Teatro 4 de Setembro. Ainda em
aprovados no edital de Incentivo à Cultura da formação e eventos, promovemos workshops 2018, eu, Diretor e fundador do grupo, recebo
Prefeitura de Parnaíba, abrimos nova sede, e participamos de ações com Fernanda Veiga do Governo do Estado do Piauí a Insígnia do
O Galpão. Remontamos grandes sucessos do e sua JAM; cenas literárias como Prof. Wagner Mérito Renascença – a mais alta honraria do
repertório, como “Mandu”, “A Ribeirinha” e José; Tupyniqueer, Coletivo Cabaça; Festival Estado pela contribuição à cultura piauiense.
“Os que bebem como os cães”. Iniciamos a turnê Internacional Lusófono; Palco Giratório; e
Cortejo Brincante pelo nordeste e consolidamos Caravana do Humor. Assim, encerramos o ano Nosso trabalho enquanto Coletivo
uma parceria com o Parnaíba Shopping, em sendo premiados como GRUPO DESTAQUE Cabaça, consequentemente do Espaço Balaio,
que desde a sua inauguração desenvolvemos no troféu “Os Melhores do Teatro Piauiense”,
atividades artísticas, pedagógicas e culturais. recebendo indicações, ainda, nas categorias de
Em 2016 tivemos o ano da tempestade. melhor dramaturgo e melhor trilha sonora. E
Com tantas demandas de trabalho ficamos para finalizarmos as atividades do ano estreamos
sobrecarregados, somando-se a isso a falta de o espetáculo “Entre Cães e Ratos”, baseado na
incentivos financeiros, assim sofremos nosso obra “Os que bebem como os cães”, de Assis
segundo tropeço. Cogitamos o fechamento do Brasil.
coletivo pela segunda vez. Parte de nossos Podemos definir 2018 como o ano da
fundadores saiu do grupo, um elenco jovem consolidação e pesquisa. O Coletivo Cabaça e
proveniente das oficinas de formação ofertadas o Espaço Balaio consolidaram-se como único
surge e um novo conceito administrativo é espaço aberto e democrático a todos os artistas
estabelecido. A nova proposta não engessa do litoral e do estado, em suas múltiplas obras
o elenco em um único grupo específico e e formações. Iniciamos o ano com o Conexão instiga os artistas a buscarem inovações
adota o perfil de montagens de produção. Os Balaio, num intercâmbio com o Projeto e fortalecer conceitos para qualificar suas
Redemoinho de Dança Contemporânea e a obras. Entre as principais dificuldades
Escola de dança do Estado - Lenir Argento. para o crescimento do Teatro no Piauí,
Depois vem a aprovação no edital RETORCAR consequentemente em Parnaíba, está a formação
do Sesc Avenida em formação com Djalma dos artistas. O estado não possui curso superior
Thuller (BA), nascendo assim o espetáculo em artes cênicas, apenas um curso técnico de
“Anjo Desconfigurado”, de Ricky Costa e 2 anos na capital que não supre a necessidade
Fábio Crazy. Recebemos também a residência que temos. Hoje, três cidades são pólos e
artística, Criação Corporal, provocada por Zé concentram a produção teatral: Teresina,
Reis (DF/PI) e os recitais com os violinistas Parnaíba e Floriano - que buscam uma formação
Cristiano Braga e o Italiano Davide Tomasi. autodidata alimentada pelo desejo de fazer teatro
Para fechar o ano com chave de ouro, em uma de qualidade. Porém, com pouca referência
época que o Brasil sofre golpes políticos e o técnica, limitamo-nos, por bastante tempo,
fechamento de espaços culturais, fortalecemos a quadro que começa a se transformar, sobretudo
cena político-cultural da cidade com a “Trilogia em Parnaíba com as formações que ofertamos,
artistas transitam em vários grupos da cidade, da Violência”, reunindo nossas principais às estéticas abordadas comumente na região.
oxigenando as referências e encarando novos obras: “Somos todos Catirina”, “Entre Cães e Ainda nessa seara, a falta de leis de incentivos e
desafios em relação à rotina na pesquisa artística. Ratos” e “Anjo Desconfigurado”. Fechamos editais de fomento dificulta a produção em larga
No mesmo ano fechamos o Galpão do Coletivo o ano com indicações à melhor ator e melhor escala, mas não nos impede enquanto artistas de
Cabaça e nos concentramos nas apresentações direção no Festival Nacional de Teatro, com desempenharmos nosso ofício.
relativas ao repertório da programação de premiações para Rick Costa como Melhor Nós, os criadores do Coletivo
nossos parceiros, Sesc e Parnaíba Shopping. Direção de Espetáculo Adulto. Houve destaque Cabaça, mesmo nos dedicando às artes cênicas,
Contudo, seguimos o ano ainda com as estreias também para a formação da nossa quinta estamos sempre buscando formação como um
de “Somos Todos Catirina”, texto autoral e “O turma de iniciação teatral, lançando novos todo. No grupo há integrantes formados em
Pequeno Príncipe”, do escritor Antoine de Saint- artistas para o teatro brasileiro. Encerramos o diferentes áreas, como, por exemplo, Letras,
Exupéry, o que nos conferiu a participação no ano com 6 indicações ao principal prêmio de Pedagogia, Dança, Enfermagem, Moda,
Festival Nacional de Teatro em Floriano. reconhecimento das artes cênicas do estado do Arquitetura, História, Teologia, Filosofia,
2017, ano fênix, ressurgimos mais Inglês e agimos de modo que esses saberes
fortes. Depois de um período sabático, nós se encontrem em prol do Teatro. No
do Coletivo Cabaça começamos o ano de âmbito financeiro não nos limitamos aos
muitos desafios abrindo o Espaço Balaio, espetáculos, desdobramo-nos na realização
centro cultural privado, sede do grupo e de cursos, consultorias, produções e ações
empreendimento estruturado com loja, articuladas envolvendo diferentes formas e
ateliê, acervo, galeria, sala de ensaio e sala projetos artísticos.
de espetáculo. Fechamos parcerias com Para o futuro as palavras de
os principais artistas de teatro do Piauí, ordem já foram definidas: pesquisa e
numa programação sistemática, entre sustentabilidade. Entre vários projetos
eles: Coletivo Piauí das Artes; Performer que estão em construção temos o objetivo
Fernanda Silva; o coreógrafo DatanIzaka em de realizarmos turnês de cunho Nacional
sua obra “Permanência”; o cineclube com a e Internacional como nossos principais
Drag Queen cinéfila, Frida Evolet. Participamos Piauí, O troféu os Melhores do teatro Piauiense, anseios.
também do VI Simpósio Internacional de nas categorias: melhor ator, melhor espetáculo, Já temos o respeito e reconhecimento
Performance Wolshn e Hart de Voz. Estreamos melhor iluminação, melhor cenário, melhor atriz no nosso estado, queremos agora mostrar nosso
a comedia “O Testamento da cachorra”, da e grupo destaque. Conquistando o prêmio como trabalho Brasil a fora.
Trupe Sketch de Teatro; o espetáculo “As Grupo Destaque pela segunda vez. Vencendo
malditas”, Carlos Anchieta produções (THE); também o Troféu do Ano Chiquinha Lira, pela RICK COSTA
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2008 - Em 2008, cinco grupos amadores decidiram iniciar um Eugênia Castelo Branco:
projeto de legalização em pessoa jurídica.
• Incubação como empresa apoiada pelo SEBRAE/Parnaíba. “Persona” foi um marco porque só foi apresentada uma vez.
• Estréia de “Pandora”, inspirado no mito grego. Resolvemos então fazer trabalhos de duos e solos, nem todo
mundo podia dispor de tempo para esse trabalho. Daí, eu
2009 - 2010 - Foram aprovados no Edital Fundação Kellong/ junto do professor Nário e do Alfenes que já havia trabalhado
Aliança Mandu; No mesmo ano promoção de dois festivais comigo em duos desenvolvidos a partir de músicas de um
amadores: Vitrine Mostra de Dança do Litoral e Mostra Maroca parceiraço nosso que é o Teófilo, optamos por fazer esse tipo
de Teatro Infantil. de trabalho, toda música que eu quis usar eu chegava pra ele e
dizia: vou coreografar uma música sua de presente. Ele nunca
2011 - O elenco se fragmenta nasce o espetáculo “Persona”. me cobrou os direitos autorais e eu sempre digo isso porque
Em seguida estrearam “Vassouras, travessuras e outras eu respeito muito ele como artista e nossa parceria. Para a
bruxarias”, inspirado na obra “A bruxinha que era boa”, de apresentação do espetáculo tinha texto/performance, dança
Maria Clara Machado. contemporânea e solo do Rick. Foi a última vez que eu dancei
em cena.
2012 - O espetáculo “Mandu - O guerreiro Ladino”, texto do
dramaturgo Benjamim Santos. O grupo assme a coordenação O segundo momento do Mandu contou com toda uma
de produção cultural do Salão do Livro de Parnaíba (SALIPA). releitura coreográfica com o apoio do professor Nário, tinha
Inserção nos principais festivais do estado. uma dualidade de texto, o diálogo, diferente do primeiro e
teve também a exposição dramatizada.
2013 - O registro fica pela montagem do clássico Sitio do Pica-
pau Amarelo, de Monteiro Lobato. O Cabaça veio fazer um marco muito importante de levar
Premiados em duas categorias XVII Festival de Dança de principalmente o teatro a sério em Parnaíba, a gente tem que
Teresina. Projeto Dramaturgia em Cena (SESC) – com a leitura ver o espectador como um cliente. E nós queremos vender o
do texto “Joaquim e as Estrelas”, de Renata Mizhari. nosso produto, uma peça, uma apresentação, então a gente
procurou ter essa primazia de fazer as coisas grandiosas,
2014 - Estrearam “A Caixa de Vinicius”, com roteiro de Rick grandiosas no sentido de bem feito, com amor, pensando em
Costa, inspirado na obra infantil de Vinicius de Moraes. quem vai assistir.
Primeiras indicações ao Troféu Melhores do Teatro Piauiense.
Lançam o Projeto Escola-Casa Cabaça. Para eu ser verdadeiro no que eu faço, eu preciso dominar
Estrearam o espetáculo de rua “Cortejo brincante de cirandas”. aquilo. Nem sempre eu tenho que fazer uma peça comercial
só porque eu preciso de dinheiro, eu tenho que valorizar toda
2015 - Adotaram uma nova identidade visual: COLETIVO a história do teatro, do engajamento da cultura com a política.
CABAÇA; Foram aprovados no edital de Incentivo à Cultura O teatro só é efêmero se você deixar.
da Prefeitura de Parnaíba e abrem nova sede, O Galpão. Iniciam
a turnê Cortejo Brincante pelo nordeste. Abraão:

2016 - Fecharam o Galpão do Coletivo Cabaça. A formação é o que difere o amadorismo ou o que é feito por
Concentraram-se nas apresentações relativas ao repertório da brincadeira ou hobby de algo profissional.
programação do Sesc e do Parnaíba Shopping.
As estreias de “Somos Todos Catirina”, texto autoral e “O O meu primeiro contato com um espetáculo do Cabaça foi
Pequeno Príncipe”, do escritor Antoine de Saint-Exupéry. o “Somos todos Catirina” em um ensaio. E quando eu vi
Participação no Festival Nacional de Teatro em Floriano. aquilo eu fiquei muito tocado e não parecia que eu veria aqui
algo assim, eu não esperava ver algo tão grande, bem feito,
sensível, atual e necessário quanto “O Catirina”.
2017 - Abriram o Espaço Balaio; Fecharam parcerias com
os principais artistas de teatro do Piauí. Participaram do VI Hirlan:
Simpósio Internacional de Performance Wolshn e Hart de
Voz. Promoveram workshops; Premiados como GRUPO Sobre “Mandu”, nós conseguimos o texto e a aprovação do
DESTAQUE no troféu “Os Melhores do Teatro Piauiense”; Benjamim para o espetáculo, fomos criando uma identidade
Estrearam o espetáculo “Entre Cães e Ratos”, baseado na obra e ele foi percebendo isso, talvez seja por esse motivo que
“Os que bebem como os cães”, de Assis Brasil. tenhamos firmado essa parceria.
2018 - O Coletivo Cabaça e o Espaço Balaio consolidaram-se A respeito do funcionamento do coletivo enquanto associação,
como único espaço aberto para todos os artistas do litoral e do essa é a nossa profissão e toda profissão é digna do seu
estado; 6 indicações ao principal prêmio de reconhecimento das salário; ou digna do salário que deveria ter... para os outros
artes cênicas do estado do Piauí, O troféu os Melhores do teatro grupos foi um pouco difícil entender que aqui funciona como
Piauiense. toda e qualquer empresa. Esses mesmos grupos procuraram
Diretor e fundador do grupo, recebe do Governo do Estado do informações sobre ação e produção justamente para entender
Piauí a Insígnia do Mérito Renascença. que dá para ganhar bem se souber produzir bem.

No tocante à trilogia da violência, é como um salto de


Equipe de reportagem: Daltro Paiva e Alexandre César; paraquedas, você vai saltar de um avião, naqueles segundos
Revisão de texto: Daltro Paiva; antes de pular em que você pensa se pula ou não, por um
Edição de comentários: Alexandre César. lado o paraquedas pode abrir e você consegue pousar
tranquilamente, e por outro, não, pode ser que dê errado, tem
Alexandre César Daltro Paiva sempre um risco... ou ainda, você pode escolher não pular,
Poeta, jornalista Poeta e psicólogo ficar no avião e dizer que não deu certo. Tenho essas três
opções, é mais ou menos esse sentimento em relação a esses
e cursa Letras formado pela UFPI
três espetáculos a serem abordados na atual configuração a
Português na UESPI. que o país se submete.

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QUASE POEMA...? Jefferson Portugal
Poeta e graduando em Filosofia
A Carvalho Filho

* Carvalho Filho e
Jefferson Portugal

Há muitos dias não tenho mais ânimo, paciência (saco) pra escrever uma linha sequer de seja o que for: poema ou prosa (que nunca
fiz esta, aliás) ou artigo de pensador tal ou qual ...
Estou sem força pra riscar o papel tão solitariamente (papel e eu) e depois digitá-lo no computador e decidir se é um poema ou coisa
parecida...
Há muitos (poucos) anos escrevo meus pensamentos e sensações do (e no) mundo! Escrevo e sempre os olho com ímpeto e logo
após: desânimo... rasgo-os, queimo-0s, deleto-os... pergunto-me qual o sentido de pôr esses sinais no papel ... (“Livros são papéis pintados
com tinta.” Diz Pessoa!)
Eu já vi que como escreveu Schmidt: “A poesia fugiu do mundo.
O amor fugiu do mundo –
Restam somente as casas,
Os bondes, os automóveis, as pessoas,
Os fios telegráficos estendidos,
No céu os anúncios luminosos.”
...a poesia terá mesmo desaparecido do mundo ou do coração (vazio?) dos homens? Porque se restam apenas as máquinas e a vida
apressada e o cinza do asfalto e mansões ao lado de casebres miseráveis, nos lembra Oswald que “A Poesia existe nos fatos.” E em sendo
assim ainda hoje e eternamente pode existir poesia mesmo entre robores (humanos?) nos artificialíssimos séculos vindouros? ...
Mas o próprio Schmidt conclui que mesmo a Poesia tendo fugido do mundo nos resta uma “necessidade de poesia, que é preciso
contentar” ...
Drummond pode ter escrito poemas a vida toda, mas, desconfiava se eram, de fato, poemas... “Impossível compor um poema a essa
altura da evolução da humanidade. / Impossível escrever um poema – uma linha que seja – de verdadeira poesia. / O último trovador morreu
em 1914. / Tinha um nome de que ninguém se lembra mais.” E Drummond talvez tenha durante toda a vida desconfiado da “verdadeira
poesia” ... “O tempo pobre, o poeta pobre / fundem-se no mesmo impasse.”
“Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.” (Reconhece isso Pessoa, novamente! Que se esqueceu de pôr aí a mulher também como melhor
que a maior poesia!) A mulher é sempre melhor que qualquer poema escrito de qualquer poesia sentida!
O “espanto poético” de que Gullar diz dar origem ao poema, o abandonou por alguns anos antes da partida desse poeta...e nunca
mais Gullar se espantou com a vida ao ponto de escrever 1 verso! ...
“A poesia sopra onde quer.” Sentencia Murilo Mendes.
E eu já nem sei se isto aqui é um franco desabafo bobo ou uma tentativa de exprimir em “versiprosa” meu desânimo ante ao que se
chama oficina poética, ao meu cansaço de muita coisa deste mundo, à minha descrença religiosa e descrença de boa parte da humanidade
(que caminha cada vez mais para barbarismos e extremismos em plena civilização globalizada!) ...
Não sei.
Não sei se ainda continuarei a me dar ao trabalho de pôr em papel meu lirismo... mas... “Todo escritor acredita na valia do que
escreve.
Si mostra é por vaidade. Si não mostra é por
vaidade também”, me assevera Mário de Andrade!
Leminski: “Escrevo apenas. / Tem que ter por quê?”
É... “Somente sou quando em verso.” Confidencia Thiago de Mello. E eu reconheço para mim essa confidência também! Somente
sou mais eu mesmo quando em poesia! (Será mesmo, ó deuses e diabos?!) Responda-me, Carvalho!
Talvez ser poeta seja esse conflito interno eterno entre o sentir a poesia dentro de si pulsando e, se afligir por não conseguir expressá-
la completamente e plenamente em arte!

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RUA| RESIDÊNCIA ARTÍSTICA ARTÉRIAS URBANAS Final
| O artista contemporâneo e o espaço dispositivo de poder: do organismo. Ou seja, devemos declarar guerra
contra nossos próprios órgãos para criar nosso corpo
urbano [...] para assinalar simplesmente, não o próprio sem órgãos dentro do nosso corpo com órgãos e viver

N
mecanismo da relação entre poder, direito e verdade, de uma maneira mais plena com essa burla sistemática
as vivencias impregnadas do diário mas a intensidade da relação e sua constância, instituída dentro de nós mesmos.
a produção de símbolos é uma digamos isto: somos forçados a produzir a verdade
pelo poder que exige essa verdade e que necessita Com a criação de um corpo sem órgãos o corpo se
percepção capacitada pelo sentido dela para funcionar, temos de dizer a verdade, somos torna improdutivo em certos sentidos para se tornar
dado às formas, subjetividades ou ambas, em coagidos, somos condenados a confessar a verdade ou intensivo. Largamos a moral e entramos na ética da
especial quando se trata do homem em uma encontrá-la. (FOUCAULT, 1999, p. 29) lógica dos sentidos. As coisas tem novas maneiras de
fluidez.
cultura. Dessa forma como escrever a história
do homem se não por seus significados e No Brasil a inserção estética da arte
Você acorda e percebe está vivo, não é um instrumento,
significantes elaborados por estes aos seus urbana tem crescido nos últimos anos tanto
mas um conjunto de sensações, inclusive aquela que
símbolos? É possível? pela aparição constante em ações artísticas lhes fazem felizes da maneira que vocês são: seja
Compreender o homem individuais, em processos colaborativos ou relacionado a conhecimento, classe social, estilo,
por ações curadorias direcionada, o tema gênero, etnia. Você será do jeito que quiser dentro
contemporâneo nos invoca tocar no processo desse novo corpo que criou”. (GUALBERTO, 2018).
dessas construções de símbolos nos processos voltado as manifestações artísticas urbanas
indivíduo, coletivo e seu meio, seja pelos foi inicialmente muito marcada nas grandes O processo de construção e
símbolos-formas, símbolo-subjetividades, capitas do sudeste do país, e sua presença sedimentação da leitura acontece sempre
símbolos-formas-subjetividades elaborados em novos espaços do território tem se dado permeado do que chamamos de ‘piquenique’,
por processos, criatividade, consciência, principalmente pela difusão implementada por onde cada residente trás um come e bebe para
sensibilidade, cultura, etc.. museus e centros culturais voltados para a arte compartilhar enquanto se constrói a linha de
O artista contemporâneo tem buscado moderna e arte contemporânea, atendendo as raciocínio no alimento da imaginação. Nesse
estar sempre um passo à frente. Com um olhar metamorfoses do olhar. Como diz Rizzi no processo foi lançada a proposta do dispositivo
cuidadoso ele põe sua criatividade, engenho material educativo Olho Vivo: ‘fotografo cego’, onde os residentes de olhos
e empenho a serviço do desenvolvimento vendados disparavam comandos pela fala
O olhar cotidiano, fragmentado, superficial,
do seu objeto de arte ou em muitos casos na descontínuo, lacunar, característico da a fim de fazer com que os outros residentes
arte contemporânea o que vamos chamar contemporaneidade, é seletivo mas não reflexivo. A acompanhassem os comandos, na ausência do
experiência artística provoca a percepção, a ver em órgão olho, os órgãos da audição, do tato e do
de processo criativo, trazendo mudanças na profundidade, estimula o olhar cuidadoso, apreciativo,
produção e circulação simbólica, mais uma crítico e criador. (1998, p. 20) olfato deram vasão as demandas nas capações
vez temos aqui a presença do processo de de imagens
reificação. |RUA no Disparo #brecha: corpo, Após a ciranda de corpos sem órgãos,
O crescimento urbano é uma das memória e audiovisual foi apresentado o desenvolvimento de um
causas que intensifica a hibridação dessas novo dispositivo, a partir da experiência do
informações e cultura, não sendo apenas os Na construção desse disparo #brecha ‘fotografo cego’, pensar a construção de
meios de comunicação. Dessa forma foi e convidamos o arte-educador Fábio Lopes, um storyboard para construir um processo
é necessária uma revisão dos hábitos, uma professor do Instituto Federal do Piauí – audiovisual, para falar agora das casas sem
invenção de identidades coletivas recicladas IFPI e mestrando em arte, patrimônio e órgãos da região tombada de Parnaíba.
uma vez que a comunicação imaterial está museologia que utilizou o recurso audiovisual, Após a realização do roteiro coletivo,
interpenetrada também nos espaços urbanos, sensibilizando inicialmente através do conto do foram realizadas as gravações em dias de
na arte e comunicação. Nesse entremeio o residente Gualberto Júnior apontado pela mídia jogos do Brasil da Copa de 2018, onde o
artista ‘um passo à frente’, busca produzir social whatsapp no grupo da RUA em 10 de espaço urbano tombado da cidade de Parnaíba
provocações não só nos espaços urbanos, mas junho de 2018, contida na teoria desenvolvida apresentou os personagens no instinto da
provocar novos remix nas relações sociais. por Gilles Deleuze & Felix Guattari: andança da RUA na rua com o propósito de
Sobre poéticos disparos em meio ao caos e calmaria construir o curta metragem #brecha. E como
Um tipo diferente de mudança estrutural está
transformando as sociedades modernas do final do
da fritação imanente... ‘presente’ suscitando o antropólogo Marcel
século XX. Isso está fragmentando as paisagens Mauss no livro Ensaio sobre a Dádiva,
culturais de classe, gênero, sexualidade, etnia, raça e “Então, falando um pouco mais do conceito surgiram sequencialmente artistas na rua, em
nacionalidade, que no passado nos tinham fornecido Deleuzeano utilizado nos livros Mil-Platôs e Anti- sua maioria poetas e um músico, a rua da vida
sólidas localizações como sujeitos sociais. (HALL, Édipo, consiste numa prática, estilo de vida Nômade,
2001, p.9) real.
nós não podemos compreender o corpo sem órgãos,
e sim viver a sua infinitude de significados e A mostra do processo criativo do
Existem muitos símbolos cuja significantes contidos nessa teia existencial. Nosso curta metragem #brecha foi realizado no Bar
natureza e origem não são individuais, mas sim corpo em si trabalha como uma máquina que produz. Parnaíba, um espaço tombado dentro da região
O corpo acaba se tornando organismo, daí lhe dão
coletivos, passando a serem “representações utilidade, ele se insere em nossa sociedade realizando de entorno que reúne frequentadores a mais
coletivas”, e estas representações são dadas determinados fins a favor da ordem de sobreviver. O de quarenta anos, se tornando um espaço de
numa constituição ampla das sociedades órgão é sempre instrumento de algo para além dele inúmeras memórias.
mesmo, neste caso, o social. E assim nos tornamos
pelas relações de poderes como apontado fracos e infelizes...
Jaqueline Carvalho Bezerra
pelo filosofo Foucault, se dão pela forma Marciano Gualberto Andrade Nascimento Júnior
mais próxima da verdade, que demonstra um Assim meus caros nossos órgãos se tornam inimigos Flora Castelo Branco Rêgo

Imagem do curta metragem #brecha


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JORNADAS IV Leonardo Rodrigues da Silva
LUANA DE ASSUNÇÃO Historiador e Escritor
anos de atuação, mais de estudo são 10 Meus poemas e textos abordam
anos. Para mim, os musicais são minha solidão, gordofobia, depressão, cura do ser
principal atuação, é o que realmente amo por uma experiência com Deus e sentindo de
fazer, onde me sinto plena, coloco todos Vida através dessa mesma experiência.
meus sentimentos e tudo que estudei de Eu percebo há uma pouca leitura entre os
forma intensa e amável. O teatro e a música jovens, devido a pouco incentivo familiar,
sempre foram meus principais passos, mas cultural e político. Nossa juventude até
não deixando de escrever por prazer para vem crescendo para as artes, mas ainda
externar a arte que pulsa em mim. Minhas engatinha, temos poucos jovens ativos nas
principais influências são: práticas Viola áreas culturais de nossa cidade. Além de
Spolin, histórica Margot Berthold e de uma porcentagem baixíssima de produtores
forma pedagógica Tais Ferreira e Maria de artes. Também são poucos os que
Falkembach, Teresa Materiro e Beatriz consumem, deixando muitas vezes a arte
Ilari . Na poesia, pode parecer clichê, mas ´´elitizada´´ ou em roda de amigos.
Carlos Drummond de Andrade e Vinicius A cultura parnaibana está dividida,

C
de Moraes. primeiramente em grupos, os mais antigos e
onfesso que sou um peregrino e não Infelizmente, não vivo de arte. que já possuem um público alvo e os novos
canso de procurar estes artistas que Atualmente dedico-me ao estudo de Ciências que lutam por um espaço no meio. A cultura
são esquecidos pelo grande público Biológicas. Fora da atuação pedagógica e parnaibana é muito voltada a cultura, seja
e merecem um grande destaque. Eis aí mais na cultura e arte, exclusiva do ministério de essa local ou nacional, havendo sempre
um: artes Shalom missão Parnaíba. Ou seja. sou muitas mostras de danças típicas, exposição
Luana de Assunção, é uma jovem de exclusivamente estudante. de pinturas de artistas locais e teatro
24 anos, filha de Marize Sousa de Assunção Escrevo unicamente por prazer, gratuito e pago para todas as modalidades.
e José da Costa e Souza Filho, tendo como para saciar e esvaziar o mundo inteiro que Com toda certeza. Acreditando que
mãe de criação Maurília Sousa de Assunção, há dentro de mim, fazendo-me assim um ser minha arte vem com uma missão única e
nascida em Parnaíba em 26 de agosto de mais equilibrado e norteado. A escrita me santificadora de evangelizar não há como
1994, postulante da comunidade católica, mostra muito mais de mim do que muitas separa-la. Pois aquilo que eu sou em minha
atriz amadora, dançarina por prazer, cantora outras atitudes diárias. O processo criativo essência gera a minha arte. A religiosidade
amadora desde 3 anos e poeta desde os na escrita, não há muitos passos, pois como vem com uma marca de humor e misericórdia
12, é também pedagoga e graduanda de escrevo o que sinto e na intensidade que são para com o mundo atual, mostrando que nós
ciências biológicas. Sua atuação principal emitidos, me preocupo em ser verdadeira. artistas temos como dom e missão levar o
é em musicais, mas dança, canta e atua Geralmente poemas em estruturas de salvador por este meio, com risos, impactos
individualmente. Atualmente, e até o estrofes de 2 de 4 linhas, 2 de três linhas, e arte muita arte.
fechamento desta matéria, está fazendo o um de 5, 2 de três linhas e 2 de 4 linhas. A arte é o meio mais intenso de
musical da comunidade Shalom, Filho de Preocupando-me com a coesão e ortografia chegar a Deus, mostra a Deus e ser de Deus!
Deus Menino Meu, como Sara e Isabel. e com rima ou não. Nosso corpo, nossa expressão, Nossa voz,
Sou recém formada em pedagogia, Meus trabalhos culturais são mais inteligência e escrita pode ser nosso melhor
pela faculdade ISEPRO, campus Parnaíba, voltados para a arte sacra, então já realizei dom, mas também nossa melhor arma para
tendo como ação pedagógica a importância diversas apresentações teatrais com crianças amar, se dar e tudo tentar explicar. Hoje
do teatro e a música na educação infantil. e jovens. Fora da igreja, já fui monitora de vemos um meio artístico e cultural muito
Atualmente, sou graduanda na Universidade Karatê(dança e teatro japonês) e Teatro pelo para venda, muito superficial, mas não
Federal do Piauí. Comecei a fazer arte Programa Municipal Mais educação e Mais podemos nos assustar, a arte expõe aquilo
com apenas 3 anos de idade, na igreja, novo Educação. que o mundo vive e isso está cada dia mais
comecei cantando como anjinho de Nossa Tenho o projeto de escrever um livro com estampado. Onde arte se vende e não se
Senhora, logo após comecei a cantar em roteiro para sketch´s e apresentações sente, onde a beleza é mais importante
missas, dançar e atuar, sempre de forma completas sobre o amor e Deus. Os atuais que essência artística, podemos destacar a
sacra estando em ministérios na igreja e projetos estão mais voltados para os necessidade do verdadeiro artista, onde quer
escrevendo para externar tudo o que sentia musicais com estilo de rua. que seja chamado a estar, não importando
na fase de adolescência, e até hoje escrevo. Por eu não escrever para venda, sua modalidade, mas tendo como prioridade
Com o passar dos anos, comecei a tentar para lançamentos e ao público, eu quase a justa essência de ´´artar´´, de levar arte, de
montar bandas com os amigos, pequenas não levo em conta a crítica cultural, mesmo contagiar arte, de ser arte para seu público,
sketch e músicas, escrevendo assim um sabendo de sua importância e de toda uma seja ele igreja, secular, pago ou gratuito,
pouco mais de poemas em um diário, mas participação para discursões e colaboração levar uma qualidade de arte que vem da
músicas, espetáculos e sketch. Com o para a arte e cultura. Por não haver essa alma, que vem da vontade de ir além. Uma
passar do tempo iniciei alguns cursos de preocupação em aceitação, público ou dica, a melhor forma de ser artista é AMAR
teatro e música. O mais longo e completo exposição, eu ainda não levo como um o que SENTIR e FAZ.
foi o módulo iniciante no Sesc Avenida em grande peso em minha escritas e não
Parnaíba. Sendo assim, completando 21 acompanho semestralmente.

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Prêmio Sesc de Literatura abre inscrições para SESC PIAUÍ
edição 2019 www.pi.sesc.com.br

O
Prêmio Sesc de Literatura está com Prêmio Sesc foi criado em 2003 e
inscrições abertas para a edição 2019. ganhou importância por ser destinado
Os autores estreantes podem concorrer exclusivamente a novos autores,
nas categorias Romance ou Conto, com obras abrindo as portas do mercado
inéditas. Serão aceitos livros destinados ao editorial aos estreantes. O processo
público adulto e escritos por maiores de 18 anos. de curadoria e seleção das obras é
As inscrições gratuitas e feitas online vão até o criterioso e democrático. Os livros são
dia 14 de fevereiro. O edital com o regulamento inscritos pela internet, protegidos por
completo pode ser conferido em www.sesc.com. pseudônimos, ou seja, quem avalia os
br/portal/site/premiosesc. livros não sabe quem os escreveu.
O objetivo da premiação é identificar Na última edição os
novos escritores, cujas obras possuam qualidade vencedores foram a carioca Juliana Prêmio Sesc de Literatura também se destacaram
literária para edição e circulação nacional. Leite, na categoria Romance com “Entre as em outras importantes premiações. Entre eles
Os vencedores têm suas obras publicadas e mãos”, e Tobias Carvalho, gaúcho, ganhador da estão Franklin Carvalho, ganhador com o
distribuídas pela editora Record, com tiragem categoria Conto, com “As Coisas”. “Há quatro Romance “Céus e Terra”, em 2016, e vencedor do
inicial de 2 mil exemplares. “O Prêmio Sesc de anos, quando comecei a escrever esse romance, a Prêmio São Paulo de Literatura 2017; a paulista
Literatura promove uma renovação do mercado circunstância mais fabulosa que me ocorria, em Sheyla Smanioto Macedo, vencedora da edição
literário brasileiro ao oferecer uma oportunidade sonho mesmo, era ganhar o Prêmio Sesc”, declara 2015, com o Romance “Desesterro”, conquistou
para novos escritores. Desde a sua criação, já Juliana, que após a premiação do Sesc, ganhou o Prêmio Machado de Assis 2016. Marcos Peres,
teve mais de 12 mil livros inscritos e revelou o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de com “O Evangelho Segundo Hitler”, vencedor
27 novos autores”, afirma Henrique Rodrigues, Arte (APCA). Já Tobias reforça que “vencer o do Prêmio SP de Literatura 2014 na categoria
analista de literatura do Sesc. Prêmio Sesc foi a melhor maneira de começar a estreantes; e Debora Ferraz, autora do livro
Reconhecido como uma das mais carreira literária, com um aval importantíssimo”. “Enquanto Deus não está olhando”, vencedora
importantes premiações do gênero no país, o Nos últimos anos os vencedores do do Prêmio São Paulo de Literatura 2015.

Alunos da Orquestra Jovem do Sesc participam do 9º Festival


Internacional Sesc de Música
Esta 9ª edição caracteriza- jovens músicos uma excelente troca de saberes
se pela forte inserção dos Festivais e experiências. Nossa expectativa é a melhor
na Comunidade, com mais de 20 possível, pois estaremos expondo nossos alunos
apresentações levando música aos a novos horizontes, novas culturas. Essa troca
mais variados espaços da cidade, de conhecimento eles levarão para toda a vida”,
como hospitais, asilos, igrejas, praia e disse Samuel.
zona rural. Orquestra Jovem do Sesc
Um grupo de 12 alunos, sendo As atividades de música no Sesc
cinco do Sesc Ilhotas, em Teresina, promovem ações que ampliam o conhecimento
e sete do Centro Cultural Sesc e a sensibilidade em relação às artes e aos

E
Caixeiral, em Parnaíba, representará elementos que as constituem. Essas ações são
ntre os dias 14 e 25 de janeiro o Rio a Orquestra Jovem do Sesc Piauí no aulas de instrumentos musicais, conhecimento
Grande do Sul receberá novamente Festival, juntamente com jovens instrumentistas teórico, vivências de prática de repertório e
um dos maiores eventos de música de projetos de formação de orquestra realizados práticas de orquestra jovem, dentre outros, todos
de concerto da América Latina, o 9º Festival no Sesc Sergipe e Sesc Minas Gerais. Além ofertados pelo Programa de Comprometimento e
Internacional Sesc de Música. Durante duas da realização do concerto de abertura da série Gratuidade (PCG) da instituição.
semanas serão oferecidos, na cidade de Pelotas, Concertos Sesc Partituras 2019, os participantes Como forma de consolidar suas ações, o
60 espetáculos gratuitos, entre concertos, recitais terão a oportunidade de enriquecer seus Sesc mantém a Orquestra Jovem do Sesc (OJS),
e apresentações nas comunidades, além dos 24 conhecimentos participando de formações na qual os alunos participam, em média, durante
cursos disponíveis, que vão reunir cerca de 380 paralelas com professores internacionais. três a cinco anos. As vagas disponíveis para
alunos de estados e países diferentes. O grupo de jovens músicos embarca ingressar na Orquestra são sempre renovadas,
O corpo docente conta com 49 para Pelotas no dia 13/01, ficando na cidade até pois o objetivo é favorecer a formação de novos
professores, oriundos de 14 nacionalidades, o que o fim do Festival. Eles estarão acompanhados instrumentistas, por isso a denominação de
qualifica ainda mais o ensino pela diversidade e do maestro Wellington Emanuel e do técnico de “Orquestra Jovem”.
proporcionará um intercâmbio ímpar de culturas música do Sesc Ilhotas, Samuel Andrade. As belíssimas apresentações com os
e idiomas. A expectativa é reunir cerca de 500 “Esse Festival é um dos maiores da alunos e professores se mesclam nos palcos,
profissionais da música, entre professores, América Latina, reunindo alunos e professores emocionando o público, além de familiares e
estudantes, músicos e técnicos. do mundo todo, o que possibilitará aos nossos amigos dos músicos.

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O Piaguí XIIXII
| Ano - Nº135 |Janeiro
- Nº135 2019
| Janeiro 2019
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BURILANDO COM O EXÉRCITO Alberto S. Furtado
BRASILEIRO Escritor

Arimatea Pereira (Socó)

Tiro de Guerra 200 (verde que te quero farda) Parnaíba – Piauí

Comemoração do Dia da Bandeira - 19 de Novembro de 1953


À esquerda, sentados: Vespasiano Rocha Aguiar e Luiz Pereira de Albuquerque (Dalagoa); Ao centro: 3º Sargento Diogo, 3º
Sargento Noronha, Porta Bandeira TG -200 – Emiliano Santos Furtado, 3º Sargento Rui, 3º Sargento Libens

Profª Elizabeth Santos


Sede Provisória - Foto atual Furtado - Rainha do Tiro de
Avenida Presidente Getúlio Vargas, Centro. Guerra 200 Emiliano Santos Furtado

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O Piagüí

FICHA TÉCNICA: O PIAGUÍ


Contato: opiaguivirtual@gmail.com
98867-7406 / 99514-0902

Os textos assinados neste impresso


são de inteira responsabilidade de
seus autores.
Claucio Ciarlini Fabio Bezerra
Edição e Revisão: Diagramação e Arte:

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