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BREVÍSSIMAS

REFLEXÕES
NA PRIMEIRA
CARTA DE JOÃO

Pr. Eli da Rocha Silva

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CAPÍTULO 1

(v.1) O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o
que contemplamos e as nossas mãos apalparam, a respeito do Verbo da vida

1. João nos traz à lembrança os primeiros versículos do evangelho que leva o seu
nome como autor: “No princípio era o Verbo” (v.1). Aqui temos a afirmação
que o Verbo, conhecido historicamente como Jesus, já estava antes de todas as
coisas.
2. O escritor elenca as prerrogativas do apostolado (Atos 1.21-22): “O que
ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas
mãos apalparam”.
3. “O Verbo da vida”. Nele todas as coisas foram criadas (João 1.3; Col. 1.16). O
Verbo que se manifesta em carne, é o mesmo que dá vida e faz com que todas as
coisas passem a existir.

(v.2) (pois a vida foi manifestada, e nós a temos visto, e dela testificamos, e vos
anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai, e a nós foi manifestada);

1. “A vida foi manifestada”. Stott em seu comentário escreve: “O Eterno penetrou


no tempo e foi manifestado aos homens” (pg.52).
2. Tendo vivido bastante (cerca de 100 anos), João passa a testemunhar do que ele
mesmo viu a outro plenário, outra geração, outros novos discípulos, por volta
dos anos ‘85 e 100 d.C’ (NIBB).
3. A proclamação evangélica de João tinha a força do testemunho de quem esteve
com o Verbo manifestado em carne (João viu, sentiu, apalpou e esteve ao pé da
cruz). O centro da sua anunciação era a vida eterna disponibilizada pelo Pai.

(v.3) sim, o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que vós também tenhais
comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus
Cristo.

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1. Os anunciadores precisam ser fiéis quando da transmissão do evangelho: “O que
vimos e ouvimos, isso vos anunciamos”. Não podemos mudar uma vírgula da
mensagem evangélica que deve pregada.
2. O propósito da pregação evangélica: “Para que vós também tenhais comunhão
conosco”. A mensagem evangélica não é exclusivista, mas inclusivista. A
mensagem é para pessoas de todas as épocas; a mensagem traz para a comunhão
aqueles que estavam fora.
3. A comunhão que João propõe aos seus leitores não se reflete apenas em
encontros de confraternização e de mesas abastecidas, que rapidamente caem no
esquecimento, mas de participação nas coisas relacionadas ao Pai e ao Filho, tais
como arrependimento, fé, salvação e posse da vida eterna.

(v.4) Estas coisas vos escrevemos, para que o nosso gozo seja completo.

1. As informações anteriores, e as que virão, têm um fim a ser alcançado: “Para


que o nosso (vosso) gozo seja completo”. Não era do feitio de João escrever
como alguém que praticava um hobby, um passatempo, mas sim, com um fim
almejado: a comunicação da vida eterna e a comunhão.
2. O conhecimento de Cristo através do evangelho traz aos seus ouvintes alegria
plena. Isso é o resultado da comunhão que passamos a desfrutar com o Pai e o
Filho, na iluminação do Espírito Santo.
3. A alegria plena não é resultado das coisas que conseguimos na vida. Alguém
pode perder tudo, mas não perder a alegria que é fruto do Espírito (1 Ts 1.6).
4. O gozo, ao qual João se refere, é fruto de uma vida dedicada a Deus, pois não foi
sem sofrimento que os crentes de sua época vivenciaram a fé. O próprio João se
viu privado da comunhão dos crentes quando preso na ilha de Patmos.

(v.5) E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e
nele não há trevas nenhumas.

1. O apóstolo não formulou uma mensagem propriamente sua, mas se reservou a


transmitir o que havia ouvido.

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2. A mensagem que anunciou foi a que Deus é luz. João fala acerca de algo
essencial de Deus; uma expressão de Si mesmo. Sendo luz, de Deus emana luz,
não pode vir Dele algo diferente da luz: “Nele não há trevas nenhumas”.
3. Ao escrever o Evangelho, João descreve Jesus como a luz que veio iluminar a
todo homem (1.6-9).
4. O próprio Jesus diz de si mesmo: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não
andará em trevas; pelo contrário, terá a luz da vida” (João 8.12).

Capítulo 1. 6-10

Acho interessante a forma que João escreve a sua carta, quando ele usa de modo
insistente a palavra‘se’. Das suas variadas aplicações, duas são as mais conhecidas: 1)
Pronome Reflexivo: A palavra se será pronome reflexivo quando indicar que o sujeito
pratica a ação sobre si mesmo. Nesse caso, o verbo concordará com o sujeito. Ex. A
menina machucou-se ao cair do brinquedo. As meninas machucaram-se; 2) Conjunção
Subordinativa Condicional: A palavra se será conjunção subordinativa condicional,
quando iniciar oração subordinada adverbial condicional, ou seja, quando iniciar
oração que funcione como adjunto adverbial de condição. Ex. Tudo estaria resolvido,
se ele tivesse devolvido o dinheiro (Internet).

(v.6) Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos nas trevas, mentimos, e
não praticamos a verdade;

1. Tendo escrito a sua carta para que seus leitores viessem à comunhão, João leva-
os a compreender que dizer não é tudo, mas sim o tipo de comportamento que
devem ter.
2. Tendo ensinado que em Deus não há treva alguma (v.5), quem nela andar está
fora da comunhão; e mais, não passa de um mentiroso, porque não pratica a
verdade. Em síntese, aquele que assim procede engana-se a si mesmo.
3. O conceito de Jesus para quem anda nas trevas, é a prática às escondidas das
coisas que são reprovadas se praticadas diante da luz (João 3-19-21).

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(v.7) mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os
outros, e o sangue de Jesus seu Filho nos purifica de todo pecado.

1. “Deus é luz” (v.5). Sendo luz, Ele mesmo está na luz, e consequentemente,
aqueles que com Ele estão desfrutam da Sua luz.
2. O apóstolo elenca os resultados positivos de estarmos na luz: 1) temos
comunhão uns com os outros. A comunhão que temos entre nós na igreja é
resultado imediato da comunhão que temos com Deus (v.3); a falta de comunhão
entre nós pode denunciar que não temos a Deus; e,
3. 2) Quando andamos na luz somos purificados pelo sangue de Jesus, o Filho; a
purificação é completa, é irrestrita: “de todo pecado”. Nem pecadinhos, nem
pecadões, se assim podemos classificar o pecado, mas de todo e qualquer
pecado; inclusive a falta de comunhão entre os irmãos.

(v.8) Se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos, e a
verdade não está em nós.

1. Muitos anos antes de João e de seus leitores, o próprio Davi conceituou o pecado
como uma herança: “Eu nasci em iniqüidade, em pecado minha mãe me
concebeu” (Sl 51.5). Então, dizer ‘não temos pecado nenhum’ não de extrema
ignorância; pelo menos o rei Davi diria isso.
2. “Enganamo-nos a nós mesmos”. Esta expressão joanina nos lembra outra: ‘Me
engana que eu gosto’. Tem gente que gosta de viver assim, enganando e sendo
enganado. O perigo é que todo aquele que passa a acreditar em sua mentira,
passa ensiná-la aos outros como se fosse uma verdade.
3. “A verdade não está em nós”. Se a verdade não está em nós, corremos o risco
de estarmos sem Cristo, pois Ele mesmo disse: “Eu sou...a verdade”. Pessoas
vazias da verdade insistem em levar uma vida de mentiras.

(v.9) Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os
pecados e nos purificar de toda injustiça.

1. João precisava trabalhar muito com aqueles que tinham a mentalidade do


versículo anterior. Como alguém que diz não ter pecado vai confessar alguma

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coisa? É claro que João, com aquele jeito paizão de ser, soube conduzir as
pessoas à reflexão.
2. João teve que explicar o que é pecado; teve que dizer mais do que dizemos às
pessoas dos nossos dias; que pecado é errar o alvo, e mais nada, paramos por aí.
É que muitas vezes falamos docemente sobre o pecado (medo de ofender o
pecador); aí, não convencemos ninguém! (E ainda atrapalhamos o Espírito Santo
a quem foi dada a tarefa do convencimento – João 16.8,9).
3. Depois de conscientizados do pecado, aquele que o confessar, terá da parte de
Deus, que é fiel e justo, o perdão dos pecados e a purificação de toda injustiça.
Citando Stott: perdão (o débito é quitado); purificação (a mancha é removida).

(v.10) Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua
palavra não está em nós.

1. Devemos entender que este versículo não se trata de mera repetição do verso
oito, mas sim, de outro conceito bíblico-teológico; lá, a lembrança do pecado
como uma herança maldita; aqui, o resultado da herança, os juros; lá, a causa;
aqui, a conseqüência.
2. João nos ensina a termos cuidado sobre o que pensamos de nós mesmos. É
possível que, mesmo carregados de pecados, alguém ache que não pecou, porque
nunca matou, nunca roubou, nunca adulterou, nunca isso ou nunca...qualquer
outro erro. Se João escrevia a fim de que eles conhecessem o evangelho, é certo
que já haviam cometido pecado, mesmo que não soubessem alistá-los.
3. Se dissermos que não temos, ou que não cometemos pecado, fazemo-lo
mentiroso, pois está escrito que todos pecaram (Rm 3.23 e outros).
4. “E a sua palavra não está em nós”. Repito o que disse no item 3 do verso 8: ‘Se
a palavra não está em nós, corremos o risco de estarmos sem Cristo, pois Ele é a
Palavra que encarnou para estar entre nós (João 1.14).

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CAPÍTULO 2. 1,2

(v.1) Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém
pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo.

1. A preocupação de João foi escrever para que os crentes não pecassem; ele falou do
perigo de dizermos que não pecamos ou que não temos pecado, pois assim estaríamos
fazendo Deus mentiroso; e o seu cuidado era justamente evitar essa falha na vida dos
seus leitores. O caminho da vida cristã excelente é o fato de não pecarmos. O desejo de
João é um só: “Eu vos escrevo para que não pequeis”.
2. Mas o pecado por ser uma realidade no mundo, podia também tornar-se realidade na
vida do crente. E aí, o crente deve cair em desespero, desistir da vida cristã, pois acha
que o pecado é maior que ele? Qual atitude tomar?
3. João tem o que cuidado de instruir os seus leitores, os seus filhos na fé, que não
tomem uma atitude que possa levá-los a um perigo maior. Caso alguém pecasse, o que
fazer? João mesmo instruiu quanto ao que deve ser feito: “Mas, se todavia alguém
pecar”. Se por um descuido, ou até mesmo por auto-suficiência, alguém pecar por
acreditar que não peca, João diz que: “Temos um Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo,
o justo”.
4. Mas é bom salientarmos que João não está estimulando ou dando a liberdade para
que alguém peque. Na verdade, o pecado pode acontecer como um acidente no percurso
da vida cristã.
5. Ninguém deve abusar do fato de ter o Advogado junto ao Pai, e assim, viver uma
vida sem luta contra o pecado. Ninguém deve ser Pecadeiro, isto é, aquele que vive na
prática e alguns até da prática do pecado (Ver John Langston)

(v.2) E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas
também pelos de todo o mundo.

1. “Ele é a propiciação pelos nossos pecados”. Propiciação: Sacrifício que afasta a ira
divina (Nota rodapé da NIBB). O Advogado é também Aquele que foi oferecido pelos
pecadores.
2. João Batista, a respeito de Jesus disse: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do
mundo” (João 1.29). Jesus é Aquele que foi oferecido para remoção do pecado, e por

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conseguinte, o afastamento da ira de Deus sobre o pecador. Tendo sido Jesus oferecido
em favor dos pecadores, estes foram por Ele justificados (Rm 4.25-5.1).
3. Jesus foi oferecido de uma vez por todas, não havendo a necessidade de quaisquer
outros sacrifícios para estamos bem com Deus (Rm 5.1 – temos paz com Deus). A
apresentação de Jesus como o Cordeiro suficiente diante de Deus, tem um efeito
continuado, isto é, para os crentes dos dias de João (dos nossos), para todos que viessem
a ser crentes (mas também pelos pecados de todo mundo). Aqui nos encaixamos muito
bem!
4. Ao dizer de todo mundo, João não estava ensinando que todos recebiam
automaticamente os benefícios de terem tal Advogado, mas que este estava à disposição
de todos que quisessem buscá-Lo (Pesquisem sobre UNIVERSALISMO: Teoria de que
todos serão salvos um dia).

CAPÍTULO 2. 3-6

(v.3) E nisto sabemos que o conhecemos: se guardamos os seus mandamentos.

1. O teste final e definitivo (BA) para sabermos se o conhecemos de fato é a guarda


dos seus mandamentos. O simples fato de alguém dizer que o conhece não muda
muita coisa; o que vale mesmo é o testemunho através da prática do que Ele
ensinou.
2. O próprio crente pode fazer a sua autoavaliação a partir do que sabe quanto a
guarda da palavra de Deus. Fazendo assim, ele não correrá o risco de enganar-se
a si mesmo.
3. Jesus tinha real interesse que seus seguidores observassem os seus
mandamentos, a ponto de dizer: “Se guardardes os meus mandamentos,
permanecereis no meu amor” (João 15.10a).

(v.4) Aquele que diz: Eu o conheço, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e
nele não está a verdade;

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1. Como dizer é fácil, é possível que muitos digam que conhecem ao Senhor, mas
em seguida, as suas ações demonstram o quanto estão enganados. E pior, o
quanto querem enganar.
2. Repetimos o que já foi dito: o teste final desse conhecimento de Cristo é a
guarda dos seus andamentos.
3. João adjetiva de mentiroso aquele que diz conhecer ao Senhor, mas não guarda
os seus mandamentos. O termo grego é pseutes, que significa falso. João
também diz: “e nele não está a verdade”; a falta da verdade desqualifica
alguém para ser verdadeiro.

(v.5) mas qualquer que guarda a sua palavra, nele realmente se tem aperfeiçoado o
amor de Deus. E nisto sabemos que estamos nele;

1. João faz a contraposição, o contraste entre aquele que diz conhecer a Cristo, mas
não guarda os seus mandamentos, com qualquer que guarda a sua palavra.
2. Enquanto o primeiro é falso e não tem nele a verdade, o segundo, nele realmente
se tem aperfeiçoado o amor de Deus.
3. Sabemos que estamos em Cristo, quando o amor de Deus é em nós aperfeiçoado.
Sendo Deus amor, nada podemos fazer em relação a Ele, mas é o Seu amor nos
leva a uma condição de plenitude, de completo enchimento.
4. Cito Stott que diz: “O verdadeiro amor a Deus se expressa, não em linguagem
sentimental ou em experiência mística, mas na obediência moral. A prova de
amor é a lealdade” (Com. 1ª Carta).

(v.6) aquele que diz estar nele, também deve andar como ele andou.

1. São duas situações: 1) Sabemos que estamos Nele, e 2) Dizemos que estamos
Nele. O primeiro caso é um assentimento pessoal: sei que estou, sinto que estou
Nele; o segundo caso é a exposição da minha conclusão pessoal: sei que estou
Nele, por isso falo.
2. “Andar como ele andou”. Mas o que digo aos outros deve ser demonstrado
pelas minhas ações; a minha fala deve ser ratificada pela minha conduta. A
minha conduta deve ser orientada pela conduta do próprio Cristo.

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3. Paulo nos dá a fórmula da conduta de Cristo: “Tende em vós aquele sentimento
que houve também em Cristo Jesus” (Fp 2.5). ‘A conformidade do cristão deve
ser com o exemplo de Cristo’ (Stott). Aliás, só se é cristão por causa dessa
conformidade. Podemos escrever a cláusula assim: Conformidade com Cristo
(Stott); não conformidade com o mundo (Paulo).

CAPÍTULO 2. 7-11

(v.7) Amados, não vos escrevo mandamento novo, mas um mandamento antigo, que
tendes desde o princípio. Este mandamento antigo é a palavra que ouvistes.

1. João dá aos seus leitores um tratamento afetuoso, íntimo, que mostrava de fato o
que ele sentia por aqueles crentes; ele os chama de “Amados”. Muitas pessoas
têm, por viverem o ambiente da igreja, de chamar alguns irmãos de amados.
2. O apóstolo não estava escrevendo a respeito de nenhum mandamento novo, mas
antigo; os seus leitores tinham, ou já conheciam desde o princípio da fé cristã;
eles aprenderam o mandamento do amor; mas o amor era tão antigo, a ponto de
remontar ao princípio de todas as coisas.
3. O mandamento do amor foi ensinado pelo próprio Jesus aos seus primeiros
discípulos (João 15.12). Em certo sentido, o mandamento que João leva os seus
leitores a refletirem, era novo para eles, mas ao mesmo antigo para o apóstolo,
pois fora ensinado pelo próprio Jesus. Em outras palavras, diríamos que João
não inovou, mas trouxe à memória dos novos crentes, aquilo que ele mesmo
recebera.

(v.8) Contudo é um novo mandamento que vos escrevo, o qual é verdadeiro nele e em
vós; porque as trevas vão passando, e já brilha a verdadeira luz.

1. O mandamento é novo na forma como deve ser aplicado e praticado na igreja. O


mandamento é verdadeiro, é factual, na Cabeça (Nele) e no corpo (em vós). A
igreja deve vivenciar esse novo mandamento (mas antigo) que é o amor.

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2. O mundo que vivia em trevas viu brilhar a luz, e esta luz é o próprio Cristo (João
1.4-9). A que veio ao mundo vai brilhando de forma individual em cada crente,
pois o achegar-se para a luz é decisão pessoal (João 3.19-21).

(v.9) Aquele que diz estar na luz, e odeia a seu irmão, até agora está nas trevas.

1. A vida na igreja é muito mais que um discurso; alguns podem dizer e até achar
que estão na luz, mas é o trato com o irmão quem definirá se estão ou não na
luz.
2. Se o ódio é o perverso inverso do amor, o crente odiento é tudo, menos crente.
Ele pode ser chamado de crente por ser membro de uma igreja local, mas por ser
odiento, está de fato nas trevas, logo, está sem Cristo.
3. Não consigo pensar que haja crentes odientos na igreja.

(v.10) Aquele que ama a seu irmão permanece na luz, e nele não há tropeço.

1. A prática ou não do amor parece ser o indicador de quem é mesmo crente ou


incrédulo.
2. Quem ama permanece em Cristo, pois Ele é a luz que veio ao mundo.
3. Quem está em Cristo ‘anda bem’ por estar na luz, e não é motivo de tropeço ou
escândalo para o seu irmão.

(v.11) Mas aquele que odeia a seu irmão está nas trevas, e anda nas trevas, e não sabe
para onde vai; porque as trevas lhe cegaram os olhos.

1. Aquele que aprendeu a respeito do amor, mas que não consegue praticá-lo, por
viver uma vida de ódio “está nas trevas, e anda nas trevas, e não sabe para
onde vai”.
2. Nós falamos em ódio, que é uma palavra bastante pesada, pois o próprio João a
usou, mas existem crentes rancorosos, de ‘cara’ virada, intolerante sem domínio
próprio.

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3. Em síntese, podemos dizer que há muitos crentes que, por viverem mais as obras
da carne, não conseguem produzir o fruto do Espírito.

CAPÍTULO 2. 12-17

(v.12) Filhinhos, eu vos escrevo, porque os vossos pecados são perdoados, por causa
do seu nome.
(v.13) Pais, eu vos escrevo, porque conheceis aquele que existe desde o princípio.
Jovens, eu vos escrevo, porque tendes vencido o Maligno.
(v.14) Filhinhos, eu vos escrevi, porque conheceis o Pai. Pais, eu vos escrevi, porque
conheceis aquele que existe desde o princípio. Jovens, eu vos escrevi, porque sois
fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o Maligno.

1. O escritor usa dois tempos para o verbo: presente (eu vos escrevo) e passado (eu
vos escrevi) (vv.12-14). Talvez com a mesma idéia, quando nós colocamos em
nossas cartas, estudos e reflexões, a expressão ‘conforme acima’. É bem possível
que João esteja se referindo ao que escrevera até o versículo onze
2. Quem são os filhinhos, pais e jovens referidos por João? Alguns comentaristas
entendem que João não se referia à idade cronológica, mas aos possíveis
estágios da vida cristã. Stott cita que Agostinho favorecia essa ideia, e assim
escreve: “Os filhinhos são os recém-nascidos em Cristo; os jovens são cristãos
mais desenvolvidos, fortes e vitoriosos na luta espiritual; enquanto que os pais
possuem profundidade e a estabilidade da experiência cristã amadurecida”.
3. E preciso observar que João usa duas expressões gregas para filhinhos. No verso
12, ele usa teknia, que “salienta a associação natural entre a criança e seu pai”
(Stott) (Ver Mateus 21.28); usa também paidia (v.14), que “se refere à
menoridade da criança como alguém sob disciplina” (Stott) (Ver Mateus
19.13,14).
4. v.12,14 a - João escreve aos filhinhos que tiveram os pecados perdoados pelo
nome de Jesus, e que por meio de Jesus também passaram a conhecer o Pai
(João 14.7).

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5. Os pais representavam o segundo grupo de discípulos, a dos mais
experimentados, amadurecidos na fé, aqueles que conheciam a Deus, o Eterno
(v.13 a).
6. Os jovens, como o terceiro grupo de discípulos, representavam aqueles que, já
instruídos na palavra que neles permanecia, eram fortes o suficiente para
vencerem o maligno pela própria palavra.

(v.15) Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o
mundo, o amor do Pai não está nele;

1. João trata de duas coisas irreconciliáveis: o amor ao mundo e o amor a Deus.


Aqueles que nasceram de novo, que eram os discípulos, a quem João escrevia,
deviam saber a quem direcionar o seu amor.
2. “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo”. Mais à frente, João vai
dizer que o mundo jaz no maligno, e aqueles que amam o mundo e o que há
nele, não tem como ter comunhão com o Pai.
3. Aquele que optar pelo mundo, o amor do Pai não está nele, logo, está perdido e
sem Deus no mundo.

(v.16) porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência


dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo.

1. João faz uma lista das coisas que há no mundo que não convêm àqueles que
professam o nome de Deus. O desejo da carne é a inclinação natural para o erro
(Gl 5.16); o desejo dos olhos é “a tendência para deixar-se cativar pela exibição
externa das coisas..., Eva viu a árvore..., Acã viu a capa babilônica... e Davi viu
Bate-Seba” (Stott cita Dodd).
2. “A soberba da vida = alazoneía tou bíou”. Alazoneía= pretensão, arrogância,
fanfarronice. Deriva de alazon= orgulhoso, pedante, jactancioso (Ver Rm 1.30;
2 Tm 3.2). O que o fanfarrão quer mesmo é impressionar.
3. Uma vida de arrogância, de ostentação e de vaidade extremada. Cito apenas
Champlin: “Existe aquela paixão egoísta de viver acima dos outros e com
conforto e lazer excessivos. Essa paixão conduz a várias formas de ostentação,
de impropriedades nas vestimentas e na maneira de viver”.

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4. O apóstolo termina dizendo que todas essas coisas que há no mundo,...,não
procede do Pai, mas procede do mundo. Quem pratica as coisas próprias do
sistema do mundo é mundano. Paulo nos orienta a não nos conformarmos com
este mundo (Rm 12.2).

(v.17) Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a
vontade de Deus permanece eternamente.

1. Por que canalizar tanto esforço e tempo com o que é passageiro? Por mais que o
homem corra de um lado para outro, a fim de construir riquezas, ele passará.
Jesus conta a parábola de um homem que armazenou muito bens, mas ao fim da
vida foi-lhe perguntado: “o que tens preparado, para quem será?” (Lc 12.22).
2. Quantos exemplos, de pessoas que levaram a vida em luxo e prazer, mas que o
seu final foi apenas desgraça. Jesus nos dá outro exemplo, quando conta a
parábola do rico e de Lázaro (Lc 16.19ss).
3. Na parábola do rico e de Lázaro, vemos claramente as duas situações abordadas
por João: “o mundo passa”: o rico e o seu luxo passaram; “aquele, porém, que
faz a vontade de Deus permanece para sempre”: Lázaro.

CAPÍTULO 2. 18-23

(v.18) Filhinhos, esta é a última hora; e, conforme ouvistes que vem o anticristo, já
muitos anticristos se têm levantado; por onde conhecemos que é a última hora.

1. Alguns autores concordam que havia uma expectativa da iminência da volta do


Senhor, isto é, já no fim do primeiro século (Ver Rm 13.11).
2. Quando escreveu aos Tessalonicenses a sua segunda carta, Paulo disse que eles
não deviam deixar-se enganar, “supondo tenha chegado o dia do Senhor” (2.2);
um dos sinais da vinda do Senhor está em 2.3. Paulo escreveu a sua carta em 51
d.C.
3. Tendo João escrito a sua primeira carta em 90 d.C, com certeza o cenário
político já não era o mesmo do tempo de Paulo.

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4. João sentiu na própria pele (Ap. 1.9) o ódio daqueles que eram anticristos, e por
conseguinte, anticristãos. O próprio Jesus alertou os seus discípulos de que
estariam expostos às atividades anticristãs daqueles que odeiam o evangelho
(João 17.6-26).

(v.19) Saíram dentre nós, mas não eram dos nossos; porque, se fossem dos nossos,
teriam permanecido conosco; mas todos eles saíram para que se manifestasse que
não são dos nossos.

1. É possível que os anticristos (v.18) se levantaram e saíram da própria


comunidade cristã.
2. Quando saíram da comunidade cristã, os falsos crentes puderam ser vistos como
na verdade eram, pois a máscara da falsa piedade caiu.
3. A saída do grupo de falsos crentes (joio) possibilitou que, de modo muito mais
visível, os verdadeiros crentes (trigo) professassem a Jesus como seu Senhor e
Cristo.

(v.20) Ora, vós tendes a unção da parte do Santo, e todos tendes conhecimento.

1. A Bíblia de Estudo Vida traz a seguinte nota: “Aqui, a unção do Espírito Santo
significa um tipo de certificado. A nossa unção sugere que estamos completos
em Cristo. Essa unção também dá a entender uma contínua presença e
ministério interno do Espírito, protegendo-nos de falsos mestres e líderes e
auxiliando-nos a discernir entre o certo e o errado”.
2. Hoje há muita confusão em relação ao assunto ‘unção’. Tem muitos crentes
rogando unção; mas, a qual unção eles estão se referindo? O recebimento do
Espírito, sendo ato único e definitivo, acontece quando, pelo convencimento do
próprio Espírito, reconhecemos nossos pecados e confessando-os, aceitamos o
sacrifício e o senhorio de Cristo.
3. Os benefícios de termos o Espírito, entre muitos, são: o selo (Ef 1.13), o
dinamismo (Atos 1.8) o fruto (Gálatas 5.22ss) e os dons (Romanos 12.6-8; 1 Co
12 e 14 e Efésios 4.11).

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(v.21) Não vos escrevi porque não soubésseis a verdade, mas porque a sabeis, e porque
nenhuma mentira vem da verdade.

1. João não teve a intenção de dar um ensino novo, mas reforçar na mente e
coração da comunidade de crentes, as coisas que eles já sabiam.
2. O problema principal na igreja era a infiltração dos falsos ensinos, das heresias.
Homens que se diziam cristãos, e tinham até cadeira de mestres na comunidade,
quiseram implantar a heresia do gnosticismo e do docetismo.
3. Gnosticismo: “Gnósticos acreditam que a matéria é essencialmente perversa e
que o espírito é bom. Como resultado dessa pressuposição, os Gnósticos
acreditam que qualquer coisa feita no corpo, até mesmo o pior dos pecados, não
tem valor algum porque vida verdadeira existe no reino espiritual apenas
(Internet)”. Diziam que: “o conhecimento e superior à virtude” (Bíblia
Anotada).
4. Docetismo: “Jesus já existia como homem quando o "espírito de Cristo" veio
controlá-lo, não houve verdadeira encarnação de Cristo, nem o Cristo sofreu ou
morreu, tão somente o Cristo Divino apossou-se de Jesus, quando de seu
batismo, e o abandonou quando de sua morte na cruz. O homem Jesus em
sentido algum seria Deus, mas tão-somente um homem um pouco melhor e mais
sábio do que os demais” (Internet).

(v.22) Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Esse mesmo é
o anticristo, esse que nega o Pai e o Filho.

1. A falsa doutrina ensinava ser inconcebível a possibilidade do Jesus, homem, ser


o Cristo, sendo este divino.
2. Os falsos mestres eram a continuidade da semente da dúvida plantada pelo
diabo: “Se é o Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães”
(Mat. 4.3). Satanás falhou em sua tentação, mas mesmo assim conseguiu
implantar a dúvida e a mentira.

16
(v.23) Qualquer que nega o Filho, também não tem o Pai; aquele que confessa o Filho,
tem também o Pai.

1. A negação do Filho é abrir mão do Pai; confessar o Filho, é ter também o Pai;
qualquer exclusão de Um leva o indivíduo a não ter Nenhum.
2. Jesus mesmo se encarregou de explicar o estreito relacionamento Dele com o
Pai, quando Filipe lhe pede que lhes mostre o Pai (João 14.8-11).

CAPÍTULO 2. 24-29

(v.24) Portanto, o que desde o princípio ouvistes, permaneça em vós. Se em vós


permanecer o que desde o princípio ouvistes, também vós permanecereis no Filho e
no Pai.

1. João não quer passar pela mesma tristeza de Paulo, quando este, reprova o
comportamento dos crentes da Galácia, por terem se desviado tão depressa do
verdadeiro Evangelho (Gl 1.1-9).
2. Os ensinos que os crentes receberam no princípio da fé, quando foram
convertidos pela ação do Espírito Santo, deviam permanecer neles; eles
receberam o mesmo ensino dos primeiros crentes (Atos 2.42), e nesse ensino
deviam permanecer.
3. O Evangelho de Cristo, pregado pelos apóstolos e evangelistas, permanecendo
nos crentes, significa que eles conservam a comunhão com o Filho e com o Pai.
Mas o contrário disso também é verdade: aquele que deixar o evangelho deixa
também o Filho e o Pai. De vez em quando a igreja, infelizmente, precisa
desligar do seu rol aqueles que abandonaram o evangelho.

(v.25) E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna.

17
1. “Como resultado dessa lealdade ao Filho e ao Pai e dessa comunhão com Eles,
gozaremos “a vida eterna” prometida. A terrível conseqüência da herética
negação do Filho era a perda da vida, bem como do Pai” (Stott).
2. Para os que permanecem no Evangelho (no Filho e no Pai) permanece a
promessa. O autor da carta aos Hebreus nos permite fazer a seguinte ponte com
o texto de João: “Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança: porque
fiel é o que prometeu... E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna”
(Hebreus 10.23 e 1 Jo 2.25).
(v.26) Estas coisas vos escrevo a respeito daqueles que vos querem enganar.

1. Tudo o que João escreveu até agora (e a continuidade da carta), tem como
objetivo, alertar os crentes do perigo de darem ouvidos aos falsos mestres.
2. Os falsos mestres, os falsos apóstolos, os falsos pastores ou qualquer um (até
anjos) que ensine algo diferente do evangelho de Cristo devem ser evitados.
3. João não diz que eles quiseram seduzir, e pararam porque não tiveram êxito, ele
diz: “querem vos seduzir”. Trata-se de uma atividade constante, continuada. E
hoje, o engano está muito mais facilitado de entrar sorrateiramente em nossas
casas: pela TV, pelo rádio, Internet e outros meios de comunicação.

(v.27) E quanto a vós, a unção que dele recebestes fica em vós, e não tendes
necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito
de todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como vos ensinou ela, assim
nele permanecei.

1. A unção é o próprio Espírito que recebemos (Ver Comentário Reflexão 7 sobre


o v.20).
2. João não está dizendo que devemos abrir mão dos verdadeiros mestres; pois
assim não havia necessidade de Cristo estabelecer na igreja apóstolos, profetas,
evangelistas, pastores e mestres (Ef 4.11).
3. O que devemos entender da sua afirmação, é que o próprio Espírito ilumina
aqueles que servem a Deus através da proclamação e do ensino do Evangelho de
Cristo.
4. “Permanecei nele”. Há uma indicação de permanência Nele, assim como Ele
mesmo disse, e João escreveu em seu Evangelho (João 15.1-10).

18
(v.28) E agora, filhinhos, permanecei nele; para que, quando ele se manifestar,
tenhamos confiança, e não fiquemos confundidos diante dele na sua vinda.

1. Tendo insistido para os crentes permanecerem Nele, João deixa algumas linhas
escatológicas para os seus leitores.
2. O Cristo pregado por João há de manifestar-se, e aqueles que permanecerem
Nele vão encontrá-Lo de cabeça erguida, com confiança.
3. Jesus se manifestará na sua vinda (parousia), e os que estiverem Nele não
ficarão envergonhados; estarão de pé diante do Senhor, ou estarão
reverentemente ajoelhados, para receberem-No ou serem por Ele recebidos
(ambas as coisas estarão acontecendo).
4. Os outros, aqueles que não permaneceram Nele, não terão a mesma confiança
dos crentes fiéis; ficarão confundidos, envergonhados e cairão em desgraça,
afastados para sempre do Senhor.

(v.29) Se sabeis que ele é justo, sabeis que todo aquele que pratica a justiça é nascido
dele.

1. Os crentes, leitores de João, e os crentes de todas as épocas, sabiam e sabem que


Deus é justo, e por sermos filhos de Deus, devemos refletir a sua imagem e
semelhança (Gn 1.26).
2. O que se espera dos crentes é a prática da justiça, do contrário, tal indivíduo não
pode dizer que é crente. Como está a nossa prática da justiça?
CAPÍTULO 3.1-6

Deus é Pai e é santo. Seus filhos são também santos


(Subdivisão Bíblia de Estudo Almeida)

19
(v.1) Vede que grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de
Deus; e nós o somos. Por isso o mundo não nos conhece; porque não conheceu a
ele.

1. O amor dedicado aos filhos naturais ‘parece’ não requerer nenhum tipo de
sacrifício, o que difere do amor dedicado aos filhos por adoção. Para filhos
naturais o amor nasce também de modo natural.
2. É insuperável e inexplicável o amor de Deus, nos dando o privilégio de
levarmos o seu nome, de sermos chamados de Seus filhos. Somos filhos gerados
pela natureza divina E preciso observar que João usa tékna no verso 1, que
“salienta a associação natural entre a criança e seu pai” (Stott) (Comentário
2.12).
3. Na segunda parte do versículo, João fala a respeito daqueles que não são
considerados filhos de Deus: “Por isso o mundo não nos conhece; porque não
conheceu a ele”. Não há respaldo para a afirmação que todos são filhos de Deus;
Jesus disse quem são os filhos (João 1.12).

(v.2) Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de
ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque
assim como é, o veremos.
1. Agora somos filhos, pois antes, quando éramos do mundo, não tínhamos
adquirido a condição de filhos de Deus. Mesmo sendo novas criaturas, ainda não
atingimos um estado ou algo que ainda seremos que não está reservado para este
tempo presente.
2. “Seremos semelhantes a ele”. Jesus mesmo nos dá uma indicação em João 17 e
Paulo em Romanos 8.17. Na verdade, seremos todos preparados para a vida
eterna (1 Co 15.50-53).

(v.3) E todo o que nele tem esta esperança, purifica-se a si mesmo, assim como ele é
puro.

1. Qual esperança João se refere? A esperança da sua manifestação (aparição) e a


de sermos como Ele mesmo é.

20
2. A esperança nos coloca em prontidão; a esperança nos faz saber que é exigida
uma vida de pureza, pois Aquele a quem a esperança nos direciona é puro.
3. Mesmo que não alcancemos aqui o que deveremos ser, a busca da vida pura,
santificada e íntima com Cristo deve ser buscada diariamente.

(v.4) Todo aquele que vive habitualmente no pecado também vive na rebeldia, pois o
pecado é rebeldia. “Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei,
porque o pecado é a transgressão da lei” (ARA).

1. Anteriormente, João falou de pureza, agora ele fala de pecado. A vida de filhos
de Deus não combina com a vida direcionada pelo mundo.
2. O pecador é por essência um transgressor, pois pecar é transgredir a lei; esteja
João se referindo ao AT ou ao que já existia circulando como NT, na verdade
pecar é transgredir (rejeitar) a expressa vontade de Deus.

(v.5) E bem sabeis que ele se manifestou para tirar os pecados; e nele não há pecado.
1. João reforça aos seus leitores, o que foi dito também por João Batista, o objetivo
da manifestação de Cristo: “Tirar os pecados”. João Batista falou a respeito de
Jesus: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (João 1.29).
2. “E nele não há pecado”. O cordeiro apresentado em favor do pecador deveria
ser sem defeito ou mancha (Ex 12.5; 1 Pd 1.19).

(v.6) Todo o que permanece nele não vive pecando; todo o que vive pecando não o viu
nem o conhece.

1. Como perceber a diferença entre o crente e o incrédulo? João define o crente


como aquele que não vive pecando porque permanece nele. Não é possível
combinar uma vida dedicada a Cristo e ao mesmo tempo ao mundo, ao pecado.
2. Literalmente o texto grego diz: “Todo aquele que nele está não peca”. Nota da
Bíblia de Estudo NVI: “João não está asseverando a perfeição impecável, mas
está explicando que a vida do crente não é caracterizada pelo pecado, mas pela
prática do que é certo”.

21
3. Mesmo que alguém diga que é cristão, mas se vive na prática do pecado, pelas
suas obras todos saberão que de fato não é.

CAPÍTULO 3.7-10

Os filhos de Deus e os filhos do Maligno


(Subdivisão Bíblia de Estudo Almeida)

v.7 - Filhinhos, não vos deixeis enganar por ninguém; aquele que pratica a justiça é
justo, assim como ele é justo.

1. O apelo de João aos crentes, de um modo geral os seus leitores, é o cuidado que
devem ter para não serem enganados. A aparência de piedade pode muitas vezes
levar alguém à prática do erro (O homem de Deus e o profeta velho 1 Rs 13). O
cristão devia agir com discernimento, pois aqueles que estavam entre eles se
apresentavam como crentes.
2. É possível que os crentes estivessem sendo atacados por falsos mestres que não
valorizavam a prática da justiça; uma espécie de relativismo ético (Relativismo
ético?) É a teoria segundo a qual os valores éticos - de bem e mal, correto e
incorreto, justo e injusto - variam de grupo étnico a grupo étnico, de classe
social a classe social, de contexto geográfico a contexto geográfico, de povo a
povo, de época a época, de religião a religião.
3. O cristão tem por obrigação praticar a justiça, porque serve ao Deus que é justo.
Não devemos, por sermos filhos de Deus, praticar algo que não expresse essa
nossa filiação. A justiça deve ser vista nas mínimas coisas.

v.8 - Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando
desde o princípio. Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do
diabo.

1. “Pratica o pecado”. João fala a respeito daqueles que vivem habitualmente no


pecado; daqueles que as mentes foram cauterizadas, e por isso, já não se sentem
incomodados em pecar; Langston chama o pecador habitual de pecadeiro, Sendo

22
o pecado uma transgressão, aquele que vive continuamente no pecado, vive
continuamente transgredindo.
2. Podemos dizer que existem aqueles que vivem continuamente em pecado, pois
sabem que vivem em pecado, mas não fazem nada para mudar o quadro;
Existem aqueles que saíram de uma situação de pecado, foram libertos pela
conversão a Cristo, mas que, vez por outra, cedem aos apelos do pecado (2.1).
3. João diz algo que ninguém gostaria de ouvir: “É do diabo”. Os filhos do diabo
expressam algo que lhes é característico, pois o diabo peca desde o princípio.
4. Cristo apareceu para anular as investidas do diabo. Mas Cristo não é um intruso,
diferente do diabo que é; Cristo anula as ações diabólicas da vida daqueles que
O buscam (temporalidade Lc 22.31,32); haverá um tempo em que o diabo terá
todas as suas possibilidades encerradas (atemporalidade, eternidade) (Ap.
20.10).

v.9 - Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que
permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido
de Deus.

1. Se como filhos de Deus, expressamos ao mundo essa santa paternidade, todo


aquele que vive na prática do pecado, expressa ao mundo o caráter da sua
filiação.
2. O pecado não deve ser considerado algo natural na vida dos filhos de Deus; caso
ocorra, deve ser considerado um grande desastre. Não pensemos em grandes
pecados, mas apenas em pecados. O pecado é uma ocorrência tão antinatural na
vida do crente, que os próprios incrédulos dizem assim: “Você como crente não
devia agir assim!”.
3. “O que permanece nele é a divina semente...é nascido de Deus”. O crente faz
parte de uma nova descendência, de uma nova semente, uma nova linhagem. A
vida cristã é uma geração espiritual; o cristão é gerado pela vontade de Deus.

v. 10 - Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo: todo aquele que não
pratica justiça não procede de Deus, nem aquele que não ama a seu irmão.

23
1. João expõe o que traduz a filiação divina e a diabólica: prática ou não da justiça,
amar ou não ao irmão.
2. A falta de justiça nós vemos todos os dias, e achamos o cúmulo quando isso
acontece; mas, parece que a falta de amor entre os irmãos nós não tratamos com
a mesma veemência, com a mesma indignação.
3. É inconcebível que alguém que seja de uma mesma semente não ame a seu
irmão; todos nós ficamos abismados quando lemos o relato de Caim e Abel.
Também devemos achar inconcebível que os nascidos da semente de Deus
(NIBB) não amem uns aos outros.

1 JOÃO 3.8B

I – APARECEU PORQUE FOI A VONTADE DE DEUS

1. A primeira coisa a destacarmos em relação à vinda ou aparecimento do Filho de


Deus é que foi da vontade do próprio Deus.
2. Isaías disse que foi da vontade do Senhor moê-lo, ou, agradou moê-lo (Is 53.10)
3. E Deus não tratou da morte do Filho como coisa sem importância. Pelo
contrário, foi da maior importância que o Filho se entregasse pela morte.
4. Em João 3.16, Jesus disse e João escreveu que Deus deu o Filho por amor ao
mundo. A salvação do mundo dependia da morte do Filho.
5. Assim, agradou a Deus entregá-lo em comissionamento de morte e resgate de
muitos.
6. Por mais que não compreendamos essa ação e vontade de Deus, e nunca a
compreenderemos, porque somos incapazes de compreendê-Lo. O próprio Isaias
escreveu a respeito de Deus e da parte de Deus (Ver Is 55.8, 9).
7. Humanamente falando, Jesus estava confortavelmente na glória, e não sendo
humano, não corria nenhum risco da dor e do sofrimento. A ideia da palavra
grega para manifestar, é tornar aparente, visível. Foi o que aconteceu com Jesus,
conforme podemos ver em Filipenses 2.5-8.

24
8. Mas, Deus quis que ele deixasse o “esplendor de sua glória, sabendo o destino
aqui”. E o homem de muitos amigos, pelo menos onze deles, “estava só e ferido
no Gólgota”.

II – APARECEU DE MODO SOBRENATURAL

1. Deus quis que o Seu Filho viesse ao mundo de um modo que deixasse a todos
em estupefação, e até, diríamos, deixar alguns com uma dose de incredulidade.
Ele escolheu que Ele viesse diferente de todas as crianças que já tinham nascido.
O Seu nascimento se revestiu do sobrenatural.
2. Ele escolhe que Jesus nasça de uma virgem, de uma moça que ainda não tinha
conhecido homem algum. No aspecto do relacionamento íntimo, José foi mesmo
o seu primeiro homem (Lc 1.34).
3. No aspecto da conceição, ou da concepção, ela “achou-se grávida do Espírito
Santo” (Mt 1.18). MacArthur escreveu: “Esse foi um ato criativo do Espírito
Santo, não o tipo de coabitação divino-humano visto algumas vezes na mitologia
pagã” (Exemplo: a concepção de Hércules).
4. Nesse ato criativo da parte de Deus aconteceu a encarnação do Logos. O teólogo
alemão Jürgen Moltmann escreveu: “Encarnação é o movimento no qual se
processa a união da natureza divina com a humana na uma pessoa do Deus-
homem. Essa união acontece pela absorção da natureza humana impessoal no
ventre de Maria por parte do Logos eterno, a segunda pessoa da Trindade, o
eterno Filho, na unidade e autonomia de sua pessoa e na comunhão de sua
natureza humana”.
5. Moltmann ainda ressalta que a natureza humana de Jesus é isenta de pecado
porque foi adquirida destituída de um “pai humano”; logo, o Logos não carregou
sobre si o prejuízo da natureza decaída comum em todos os homens.
6. A própria morte de Jesus marcou diferença com todas as outras mortes. Os que
morreram as suas mortes, morreram-na como consequência do salário do pecado
em todos Rm 3.23, 26). Jesus não; Ele morreu a nossa morte para vivermos Sua
vida.
7. Strong, outro teólogo, e esse batista, escreveu o seguinte a respeito de Jesus,
Deus-homem: “Livre tanto da depravação hereditária como do verdadeiro
pecado; como se demonstra do fato de nunca ter oferecido sacrifício, ou nunca

25
orar pelo perdão, ensinando a todos, a não ser ele, necessitavam do novo
nascimento, desafiava todos a argui-lo de um só pecado”.
8. Podemos dizer ainda a respeito de Jesus que Ele apareceu (Encarnação) e
desapareceu (Sua assunção física) de modo sobrenatural.

III - APARECEU PARA DESTRUIR AS OBRAS DO DIABO


5. Essa é a afirmação de João quando escreve a sua primeira carta para os crentes.
No verso sete, João disse que o ‘diabo vive pecando desde o princípio’. Talvez
refira-se ao princípio da ideia do pecado a partir de Adão; tendo como fundo o
tempo da compreensão humana.
6. Em vista desse fato, João diz que “quem pratica o pecado procede do diabo”. O
teólogo Matthew Henry escreveu o seguinte em relação ao que peca: “A sua
natureza pecaminosa é inspirada, concorda, e tem prazer nas festas, nos
interesses e no reino do diabo”.
7. É bom sabermos que a vitória sobre o diabo está fora do nosso campo de
atuação; não temos essa capacidade e nem habilidade por nós mesmos, por nossa
conta e risco. Quando os discípulos falharam na cura de um jovem possesso
Jesus lhes disse: “Mas esta casta de demônios não se expulsa senão pela oração
e pelo jejum” (Mateus 17.14-21).
8. Cristo apareceu para anular as investidas do diabo. Mas Cristo não é um intruso,
diferente do diabo que é. Cristo anula as ações diabólicas na vida daqueles que
O buscam, daqueles que escolhem andar com Ele (temporalidade Lc 22.31,32).
9. Tantas vezes aconteça de o inimigo nos assaltar, tantas vezes o Senhor há de nos
livrar. Pode acontecer que de vez ou outra fazermos como diz um hineto antigo:
“Tropeça aqui, cai acolá, mas de novo levanta e começa a cantar”.
10. As obras do diabo que Cristo veio por fim: “pecado, rebelião, tentação, domínio
do mundo, perseguição e acusação dos santos, instigação dos falsos mestres,
poder da morte” (MacArthur).
11. Haverá um tempo em que o diabo terá todas as suas possibilidades e poderes
encerrados. “Chegará o dia em que toda a atividade de Satanás cessará no
universo e ele será enviado para o inferno para sempre” (MacArthur”)
(atemporalidade, eternidade) (Ap. 20.10).

26
CAPÍTULO 3.11-18

O AMOR DOS IRMÃOS

(v.11) - Porque esta é a mensagem que ouvistes desde o princípio: que nos amemos uns
aos outros.

1. O amor é a expressão da comunhão, ou, a comunhão expressa que de fato há


amor entre os irmãos.
2. O que João quer deixar firmado nos corações e mentes dos crentes, é que a
mensagem que é desde o princípio, continua nova, não foi alterada, nada foi
modificado.
3. Se Jesus ensinou que devemos amar até os nossos inimigos (Mat 5.44), quanto
mais os nossos irmãos.

(v.12) - Não como Caim, que era do maligno, e matou a seu irmão. E por que causa o
matou? Porque as suas obras eram más e as de seu irmão justas.

1. Caim não nos serve como exemplo; a sua atitude demonstrou a quem ele
pertencia: era do maligno. Caim matou seu irmão Abel (fisicamente); alguns
crentes podem matar seu irmão espiritualmente através de falatórios, mexericos,
maledicência, fofocas e preferências.
2. Na comunidade dos crentes é inconcebível que os irmãos vivam se estapeando
(Soube de dois irmãos crentes que chegaram às vias de fato. Graças a Deus eles
se perdoaram e voltaram às boas).
3. No caso de Caim, é que ele era mesmo do maligno e as suas obras eram más e
as de se irmão justas. A maldade e a inveja fizeram de Caim um homicida.

(v.13) - Meus irmãos, não vos maravilheis, se o mundo vos odeia.

27
1. João procura aqui fazer uma relação com o que aconteceu no passado com o que
pode acontecer hoje. Assim como Caim, cujas obras eram más, odiou a seu
irmão Abel, que as obras eram justas, da mesma forma o mundo nos odeia.
2. Não devemos ficar admirados caso isso aconteça conosco; é próprio do mundo
odiar os que seguem a Cristo (João 15.18,19).

(v.14) - Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos.
Quem não ama a seu irmão permanece na morte.

1. O mundo viver da prática do ódio não é algo que deve nos deixar admirados,
porque isso é próprio dele.
2. João estabelece o amor como ‘aferimômetro’ da nossa passagem da morte para a
vida. Se alguém entre nós não ama a seu irmão, ainda permanece na morte;
portanto, esse tal irmão não pode estar entre os vivos.
3. Matthew Henry diz que o amor é a marca da nossa justificação e da nossa
transição de um estado de morte para o estado de vida.

(v.15) - Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida
tem a vida eterna permanecendo nele.

1. Talvez nenhum crente declare que odeia a seu irmão, mas as suas ações podem
denunciar o seu verdadeiro sentimento em relação a ele.
2. Incompatibilidade. Um estado permanente de ódio cria um obstáculo para um
estado de vida eterna permanente. Se fossem dois corpos, diríamos que, é
impossível dois corpos tomarem um mesmo espaço.
3. Parece-nos que João estabelece um limite para a irmandade, isto é, não são todos
que podem fazer parte da igreja, mas apenas aquele que ama declaradamente ao
seu irmão.

28
(v.16) - Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a
vida pelos irmãos.

1. O amor é a representação da mortificação da nossa própria vontade. Jesus ao dar


a sua vida por nós estabeleceu como regra obedecer ao Pai até o fim.
2. A comparação a respeito de tudo o que já vimos a respeito de Caim é a seguinte:
Em Caim, o ódio tira a vida; em Cristo, o amor gera a vida.
3. Não sei em que sentido ‘devemos dar a vida pelos irmãos’, mas é certo que a
vida cristã é levada ao seu mais alto nível de comunhão quando vivemos em
função uns dos outros.

(v.17) - Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar
as suas entranhas, como estará nele o amor de Deus?

1. Aqui vemos a prática do amor na mais bela acepção da palavra: doação - todas
as coisas em função do outro.
2. Confesso que temos sido tomados por uma espécie de dureza de coração. Já não
atendemos as necessidades dos irmãos como antes. Talvez os aproveitadores têm
nos levado ao fechamento dos nossos corações.
3. Surge uma dúvida joanina! Como estará nele o amor de Deus? O amor é
demonstrado através de atitudes. Quem não tiver a competência de amar a seu
irmão não está habilitado para ser crente.

(v.18) - Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em
verdade.

1. O amor não deve ser apenas em palavras, mas também em ação (Tiago 2.15-17).
2. O amor deve ser a expressão da verdade através de ações práticas e não da boca
para fora com palavras vazias.

CAPÍTULO 3.19-24

1. A NTLH subdivide o texto com o seguinte título: Coragem diante de Deus.

29
2. John Stott em seu comentário de 1ª carta de João subdivide: vv.19,20 – O coração
que acusa e como devolver-lhe a segurança, e de 21-24 – O coração que não acusa e
suas bênçãos.

(v.19) - E nisto conhecemos que somos da verdade, e diante dele asseguraremos nossos
corações;
1. Não é um absurdo entendermos que João estava falando a respeito do amor, e
este, em ações, conforme o v. 18.
2. Há uma espécie de avaliação e confirmação pessoal do que somos; não pelo
que tentamos ser, mas pelo o que Deus mesmo nos ensina que somos: seus
filhos (João 1.12).
3. A consciência que nos diz que somos da verdade tranqüiliza os nossos
corações quando estamos diante de Deus (Ver NTLH). O próprio Paulo
ensina a Timóteo que esteja diante de Deus com um coração tranqüilo (2 Tm
2.15).
4. Ao cumprir-se o que Paulo diz a respeito de Jesus em Filipenses 2.10,11, não
haverá da parte do crente nenhuma dificuldade, nenhum medo e nada que o
deixe envergonhado.

(v.20) - Sabendo que, se o nosso coração nos condena, maior é Deus do que o nosso
coração, e conhece todas as coisas.

1. Stott escreve a respeito deste verso: 1) “Não é fácil determinar a construção


gramatical deste versículo” (ele está falando a respeito do texto grego); e, 2)
“Esta passagem (v.19,20) é um locus vexatissimus – tópico atormentadíssimo.
Seu sentido geral é claro, mas gramaticalmente é confuso”.
2. O coração que condena perceber claramente na pregação de Pedro aos judeus, e
a solução do impasse pela própria pregação (Atos 2.36-38).
3. Duas coisas são explicadas sobre a expressão, dentro do contexto, ”maior é
Deus que o nosso coração”: 1) Se o nosso coração nos condena, imaginem
Deus, que conhece todas as coisas, que nos vê como de fato somos; 2) Deus será
mais misericordioso conosco do que nós mesmos; significando, que o nosso
coração pode de alguma forma nos condenar, mas Deus que nos conhece
melhor, nos absolver. (Continua aberta a discussão!).

30
(v .21) - Amados, se o nosso coração não nos condena, temos confiança para com
Deus;

1. Este versículo parece ratificar a primeira explicação a respeito do verso 20. Lá o


coração que condena, nos deixa muito piores quando por Deus formos avaliados.
2. Quando o nosso coração (consciência) está livre de qualquer reprovação, ou de
algo que aponta contra nós mesmos (para Davi foi o seu pecado não
confessado), temos confiança de nos apresentarmos diante de Deus (2 Tm 2.15).

(v.22) - E qualquer coisa que lhe pedirmos, dele a receberemos, porque guardamos os
seus mandamentos, e fazemos o que é agradável à sua vista.

1. Para alguns este versículo parece dar a ideia de que podemos fazer de Deus uma
espécie de use e abuse (Antigo slogan da Matte Leão).
2. Os partidários do ‘abuse e use’ cristão criaram expressões como, reivindique,
não aceito, tome posse, determine e etc. O lamentável é que crentes, antes sérios
quanto à doutrina, entraram na onda.
3. Qualquer coisa que pedirmos a receberemos, disse João. Mas disse também que
tudo tem como base a guarda dos mandamentos do Senhor e uma vida agradável
diante Dele. Receberemos sim, mas tudo deve estar de acordo com a vontade de
Deus. Quem vive dessa forma não cairá no absurdo condenado por Tiago (4.1-
3).

(v.23) - E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e
nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento.

1. O acorde escrito por João, em forma de tríade é o seguinte: 1. Guardar o Seu


mandamento; 2. Crer no Filho e 3. Amor de uns pelos outros.
2. Essas coisas são inseparáveis, na falta de uma delas perde-se a essência e o
equilíbrio.

(v.24) - E aquele que guarda os seus mandamentos nele está, e ele nele. E nisto
conhecemos que ele está em nós, pelo Espírito que nos tem dado.

31
1. Obediência é a chave para permanecermos em Cristo.
2. Quem não tem o interesse em guardar os mandamentos do Senhor não tem por
que dizer que está Nele; se disser, os seus próprios frutos o desmentirão.
3. O Espírito Santo no crente confirma a cada dia que ele é filho de Deus e que
Cristo nele está (Rm 8.14-17).

CAPÍTULO 4.1-6

v.1 Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus;
porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo.

1. “Amados”. Expressão que caiu bem nos lábios de João, que ficou conhecido
como o apóstolo do amor. É uma expressão que alguns crentes gostam de usar
quando cumprimentam outros crentes. Mas não é de uso comum entre nós.
2. Primeiro apelo do apóstolo: “Não creiais a todo espírito”. Ou, “crédito” como na
ARA. Crer em qualquer ou todo espírito, era estar sujeito a uma orientação
errada a partir de espíritos demoníacos (1 Tm 4.1).
3. Segundo apelo: “Provai se os espíritos vêm de Deus”. Havendo a possibilidade
de se ministrar pelo espírito, era preciso prová-los para saber a sua origem, se
eles procedem de Deus (ARA). Hoje, a nossa avaliação é se o que se dizem
confere com a Bíblia (Atos 17.11).
4. Razão da advertência: “Muitos falsos profetas têm saído pelo mundo”. O falso
profeta é filho do diabo, pois ele é o pai da mentira. É preciso desmascarar o que
é falso. Havia problemas naqueles dias; e hoje temos os mesmos problemas.

v.2 Nisto conheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo
veio em carne é de Deus;

32
1. Naqueles dias, o modo de detectar o falso profeta era através de sua crença e
confissão. Os adeptos da teoria gnóstica diziam que Jesus não era de fato
humano, mas apenas parecia humano; não poderia o Filho de Deus existir em
carne humana, sendo esta maligna (McDowell).
2. Algo interessante que nem sempre falamos: Cristo veio em carne e nela
permaneceu após a ressurreição e glorificação (Ver Stott).
3. Todo profeta com argumentação gnóstica era um falso profeta e o seu espírito
profético não provinha de Deus.

v.3 e todo espírito que não confessa a Jesus não é de Deus; mas é o espírito do
anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que havia de vir; e agora já está no
mundo.

1. A confissão da encarnação do Filho era a base para a autenticação e


reconhecimento do espírito profético; quem não confessa a Jesus não era de
Deus.
2. João amplia o seu argumentando ao tratar do espírito do anticristo. Nos últimos
dias veremos a personificação do Anticristo.
3. Embora João diga que ele já está no mundo (o seu espírito), a sua ação será mais
acentuada e danosa quando estivermos próximos, ou nos dias do fim.

v.4 Filhinhos, vós sois de Deus, e já os tendes vencido; porque maior é aquele que
está em vós do que aquele que está no mundo.

1. A nota de consolo, animação e estímulo: “Vos sois de Deus, e já os tendes


vencido”. O Espírito que testifica com o nosso espírito que somos filhos de
Deus, nos capacita e nos encoraja na luta contra o erro.
2. “Maior é aquele que está em vós”. João, que estava com Jesus quando da oração
sacerdotal, lembra a todo crente que Deus, que nos livra do mal, nos defende
enquanto estamos no mundo.

33
3. Sabemos que o mundo jaz no maligno, mas o diabo não tem poder sobre os
filhos de Deus.

v.5 Eles são do mundo, por isso falam como quem é do mundo, e o mundo os ouve.

1. Novamente a lembrança da oração sacerdotal: “Eles são do mundo”. Jesus disse


a respeito dos discípulos (dos crentes): “Eles não são do mundo” (Jo 17.16).
2. Outra observação interessante, é que João diz que os que são do mundo (falsos
profetas) têm os seus ouvintes, isto é, as pessoas que ainda não têm a Cristo, por
isso continuam sendo do mundo.
3. Os que são chamados para serem de Cristo estão no mundo, mas não são do
mundo (Jo 17.14,15).

v.6 Nós somos de Deus; quem conhece a Deus nos ouve; quem não é de Deus não
nos ouve. Assim é que conhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro.

1. João expõe as nossas credenciais e pertencimento: “Nós somos de Deus”, ou,


“somos da parte de Deus”. Filiação, origem, comissão e representação estão aqui
em foco (Champlin).
2. Ele mostra o que nos une; há uma união de voz e discurso: “Quem conhece a
Deus nos ouve”. Como disse Jesus: “Eles ouvem a minha voz”.
3. O espírito da verdade e o espírito do erro estão no que se ensina. Os mestres da
parte de Deus falam baseados na Palavra; “os mestres inspirados por demônios
rejeitam a Palavra de Deus ou acrescentam elementos a ela” (MacArthur).
4. A pergunta: por qual espírito queremos ser conduzidos?

34
1 João 4.7-21 (DIVISÃO DAKE)

I – A PROVA MAIOR DO NOVO NASCIMENTO

v. 4:7 Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor é de Deus; e todo o que ama
é nascido de Deus e conhece a Deus.

1. Aqui o pensamento de que o cristão deve manifestar amor, e reforça-o com outra
de suas declarações duplas, que lhe são características apresentando a verdade
primeiro em sua forma positiva, todo aquele que ama é nascido de Deus e
conhece a Deus.

v. 4:8 Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor.

1. Depois em sua forma negativa, aquele que não ama não conhece a Deus (8). Não
pode haver dúvida de que o amor é da própria essência do caráter cristão, visto
como Deus é amor (8).
2. Uma declaração profunda (repetida no vers. 16) da natureza essencial de Deus,
porque significa muito mais do que a frase "Deus ama", embora que esta seja
verdadeira e importante. Implica que a natureza essencial de Deus é amor, e que,
por conseguinte, tudo quanto Ele faz é feito em amor.
3. Razões porque devemos amar aos outros (Dake) a) Para provar que somos de
Deus; b) Isto prova filiação; c) Porque Deus é amor e devemos imitá-lo como
seus filhos.

II – PROVA DO AMOR DE DEUS AOS HOMENS

v. 4:9 Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em que Deus enviou seu
Filho unigênito ao mundo, para que por meio dele vivamos.
v. 4:10 Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele
nos amou a nós, e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.

35
1. Este amor se manifestou (9), o grego fixa a atenção nessa manifestação singular
e decisiva da parte de Deus.
2. João está procurando esclarecer que o amor de Deus é algo que só se revelou em
sua plenitude na cruz, e conseqüentemente repele com ênfase a idéia de o nosso
mesquinho amor a Deus dar-nos o verdadeiro retrato do amor (10).
3. Verdadeiro amor é somente aquele que Deus tem por nós, isto é, em enviar Seu
Filho em propiciação por nossos pecados.
4. Dake: “Nosso amor a Deus não o induziu a dar seu Filho, mas foi o Seu próprio
amor para conosco”.

III – PROVA DE QUE ESTAMOS EM DEUS E O AMOR DELE ESTÁ EM NÓS

v. 4:11 Amados, se Deus assim nos amou, nós também devemos amar-nos uns aos
outros.
1. Mas, se Deus é amor, Seus filhos devem ser semelhantes a Ele, e João tira a
conclusão prática de que devem mostrar não amor a Deus, como se poderia
supor, mas amor fraternal (11),

v. 4:12 Ninguém jamais viu a Deus; e nos amamos uns aos outros, Deus permanece em
nós, e o seu amor é em nós aperfeiçoado.
v. 4:13 Nisto conhecemos que permanecemos nele, e ele em nós: por ele nos ter dado
do seu Espírito.

1. O qual é a evidência da presença de Deus em nós, e do fato de Seu amor ser


aperfeiçoado em nós, isto é, atingir seu alvo em nós (12; cfr. #1Jo 2.5).

36
2. A permanência íntima do Espírito em nós está estreitamento relacionada com
isto (13), porque, como Paulo lembra, o amor é o primeiro fruto do Espírito (#Gl
5.22).
3. A declaração de que ninguém jamais viu a Deus (12): João cita-a do seu
Evangelho (#Jo 1.18). O pensamento volta à consideração e é desenvolvido no
vers. 20, adiante.

v. 4:14 E nós temos visto, e testificamos que o Pai enviou seu Filho como Salvador do
mundo.

1. Aqui os leitores são lembrados da experiência pessoal e do testemunho dos


apóstolos.

v. 4:15 Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e
ele em Deus.

1. Ênfase na encarnação e confissão (v.3).

v. 4:16 E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem
permanece em amor, permanece em Deus, e Deus nele.

1. Sendo filhos de Deus, imitadores seus que somos, temos a certeza de


permacermos Nele.

v. 4:17 Nisto é aperfeiçoado em nós o amor, para que no dia do juízo tenhamos
confiança; porque, qual ele é, somos também nós neste mundo.

37
1. Aperfeiçoado: caminhando ou já chegada a plenitude do amor.
2. Quando estivermos diante do Pai, estaremos confiantes e na certeza do que
Cristo disse em João 3.15-19

IV – A VERDADEIRA NATUREZA DO AMOR

v. 4:18 No amor não há medo antes o perfeito amor lança fora o medo; porque o medo
envolve castigo; e quem tem medo não está aperfeiçoado no amor.

1. Seremos apresentados diante de Deus no último dia, plenos de confiança.


2. Somos filhos de Deus, logo, não há o que temer quando nos apresentarmos
diante Dele (2 Tm 2.15).

V – PROVA DO AMOR ENTRE OS IRMÃOS

v. 4:19 Nós amamos, porque ele nos amou primeiro.


v. 4:20 Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não
ama a seu irmão, ao qual viu, não pode amar a Deus, a quem não viu.
v. 4:21 E dele temos este mandamento, que quem ama a Deus ame também a seu
irmão.

1. Nós amamos porque ele nos amou primeiro (19). A iniciativa do amor sempre é
de Deus. O amor tem a sua origem em Deus.
2. Isto leva João, nos dois últimos versículos, de volta ao pensamento de que o
cristão é uma pessoa que manifesta amor por outros. Se diz amar a Deus, porém
odeia ao próximo, é mentiroso (20).
3. Amor a Deus e ódio ao homem são duas coisas incompatíveis (21).

38
1Jo 4.9-21 (DIVISÃO DAKE)

I – PROVA DO AMOR DE DEUS AOS HOMENS (vv 9,10)

5. Este amor se manifestou (9), o grego fixa a atenção nessa manifestação singular
e decisiva da parte de Deus.
6. João está procurando esclarecer que o amor de Deus é algo que só se revelou em
sua plenitude na cruz, e conseqüentemente repele com ênfase a idéia de o nosso
mesquinho amor a Deus dar-nos o verdadeiro retrato do amor (10).
7. Verdadeiro amor é somente aquele que Deus tem por nós, isto é, em enviar Seu
Filho em propiciação por nossos pecados.
8. Dake: “Nosso amor a Deus não o induziu a dar seu Filho, mas foi o Seu próprio
amor para conosco”.

II – PROVA DE QUE ESTAMOS EM DEUS E O AMOR DELE ESTÁ EM NÓS


(vv 11-17)

1. O qual é a evidência da presença de Deus em nós, e do fato de Seu amor ser


aperfeiçoado em nós, isto é, atingir seu alvo em nós (12; cfr. #1Jo 2.5).
2. A permanência íntima do Espírito em nós está estreitamente relacionada com
o que está no v.13, porque, como Paulo lembra, o amor é o primeiro fruto do
Espírito (#Gl 5.22).
3. A declaração de que ninguém jamais viu a Deus (12): João cita-a do seu
Evangelho (#Jo 1.18). O pensamento volta à consideração e é desenvolvido
no vers. 20, adiante.
4. Aqui os leitores são lembrados da experiência pessoal e do testemunho dos
apóstolos.
5. Ênfase na encarnação e confissão (v.3).
6. Sendo filhos de Deus, imitadores seus que somos, temos a certeza de
permacermos Nele.
7. Aperfeiçoado: caminhando ou já chegada a plenitude do amor.

39
8. Quando estivermos diante do Pai, estaremos confiantes e na certeza do que
Cristo disse em João 3.15-19

III – A VERDADEIRA NATUREZA DO AMOR (vv. 18-21).

3. Seremos apresentados diante de Deus no último dia, plenos de confiança.


4. Somos filhos de Deus, logo, não há o que temer quando nos apresentarmos
diante Dele (2 Tm 2.15).

(v. 4:19 Nós amamos, porque ele nos amou primeiro).

5. Nós amamos porque ele nos amou primeiro (19). A iniciativa do amor sempre é
de Deus. O amor tem a sua origem em Deus.
6. Isto leva João, nos dois últimos versículos, de volta ao pensamento de que o
cristão é uma pessoa que manifesta amor por outros. Se diz amar a Deus, porém
odeia ao próximo, é mentiroso (20).
7. Amor a Deus e ódio ao homem são duas coisas incompatíveis (21).

1 João 5.1-5

v.1 - Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, é o nascido de Deus; e todo aquele
que ama ao que o gerou, ama também ao que dele é nascido. Jo1:12;

1. “Crê”. Uma idéia de continuidade. A pessoa crê quando é confrontada com a


palavra (Atos 16.31), e continua crendo, o que é um aspecto da fidelidade (Fruto
do Espírito) e da perseverança (Atos 2.42).

40
2. Apenas o nascido de Deus não perde a crença de que Jesus é o Seu ungido; essa
unção tem por finalidade a missão de resgate dos homens perdidos, que são
trazidos a Deus através do Seu Cristo.
3. Na segunda parte do verso temos uma relação de amizade e amor que deve ser
demonstrada entre os irmãos. A base deste trecho são os versos 4.20,21.

v.2 - Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, se amamos a Deus e


guardamos os seus mandamentos.

1. A prova do amor entre os irmãos é o fato de amarmos a Deus (Cap. 4).


2. A prova do amor entre os filhos de Deus é a guarda dos Seus mandamentos, e
entre eles o maior, o amor (Veja João 15.10-14).
3. Há aqui a exaltação da unidade da família cristã através do amor; a família de
Deus é composta de pessoas que se amam, tendo o próprio Deus como a origem
e a factuação desse amor.
4. O amor entre os irmãos se torna realidade; não pode ser apenas um discurso
vazio e sem resultados práticos (“praticamos os seus mandamentos“ - ARA).
Quer demonstrado a Deus quer demonstrado ao homem, ágape é amor prático e
ativo (Stott).

v. 3 - Porque este é o amor de Deus, que guardemos os seus mandamentos; e os seus


mandamentos não são penosos; (Jo 14:15; Jo 15:10; Mt 11:29-30; [Mt 11:30])

1. Como vimos no evangelho de João, a demonstração do nosso amor para com


Deus está no fato de guardarmos os Seus mandamentos.
2. O que João faz na carta é reforçar o que Jesus ensinou no evangelho; ele apenas
reflete o que Jesus disse quando esteve entre eles, os discípulos.
3. Não é impossível guardar os mandamentos porque eles seguem um princípio
divino, de não colocar sobre nós um peso acima do que podemos suportar (1 Co

41
10.13). Assim, podemos ficar tranqüilos em relação à guarda dos mandamentos
do Senhor, porque eles não são penosos, dolorosos, pesados.
4. Quando Cristo nos convida para Si, Ele nos alivia de todo o peso e de toda carga
desnecessária.

v. 4 - porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que
vence o mundo: a nossa fé. (Jo 16:33)

1. Em tempos de crise nada como uma palavra de incentivo. Os dias dos crentes
nesse período talvez não fosse tão fácil preservar e proclamar a fé.

2. Para João, quem nasceu de Deus está capacitado, pela fé, a vencer o mundo. E
vencer o mundo é, principalmente, preservar a fé (João 17.15).

3. João completa o pensamento dizendo que a vitória que vence é a fé. A vitória
não está baseada em sermos mais fortes ou menos fortes, mas em deixar que a
nossa fé faça todo o trabalho. Mas o campo de atuação da fé são os crentes.

4. É através da fé que vemos tanta gente sem condições de ser alguma coisa serem
transformados no que foram: heróis da fé (Hb 11).

5. Não são os planos, as estratégias e as grandes equipes e os grandes exércitos que


trouxeram vitórias para o povo de Deus, mas tão-somente, o fato de se deixarem
levar através da fé.

v. 5 - Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de
Deus?

1. Novamente podemos perceber João falando da nossa divina filiação. Fica muito
claro nos escritos joaninos o que ele pensava a respeito da fé e da vitória.

2. Para a proposta do Reino, a vitória estava vinculada à crença em Jesus. Muitos


não criam em Jesus como Filho de Deus porque, para eles, tal possibilidade era
um absurdo. Assim, a vitória ficou circunscrita aos que crêem.

42
3. A crença e a confissão que Jesus é o Filho de Deus nos habilita a sermos local
de permanência de Deus (Jo 14.23).

1 João 5.6-12

v.6 Este é aquele que veio por água e sangue, isto é, Jesus Cristo; não só pela água,
mas pela água e pelo sangue. E o Espírito é o que dá testemunho, porque o
Espírito é a verdade.

1. A confirmação do que João sabia a respeito de Jesus, pois fora sua testemunha.
“Água” - Com o seu batismo, Jesus cumpriu toda a justiça (Mt 3.13-15).
2. “Sangue” - Foi essencial uma morte expiatória, donde acrescentar com ênfase
não somente com água, mas com a água e com o sangue.
3. Espírito como testemunha (Mt 3.16, 17); “O Espírito é a verdade” (Jo 14.17;
16.13).

v.7 Porque três são os que dão testemunho:

Nota: A maior parte do vers. 7, como constava no antigo texto de Almeida, fica entre
parênteses na ARA, porque não foi escrito por João. Apareceu primeiro numa versão
latina trezentos anos depois da morte desse apóstolo, e não figurava em nenhum
manuscrito grego se não de mil anos depois. O que nele se declara é perfeitamente
verdadeiro, porém não demanda atenção em qualquer esforço por se compreender o
pensamento do apóstolo.

 A respeito da Trindade, ver nota na Bíblia de Estudo MacArthur

v.8 o Espírito, e a água, e o sangue; e estes três concordam.

1. O envio do Espírito e os fatos históricos do batismo e crucificação do Senhor


constituem um testemunho tríplice, da Pessoa de Cristo, que impressiona por sua
unidade.

43
2. “Unânimes num só propósito” (ARA). Há uma unidade de objetivos no que se
refere à atuação do Espírito e nos fatos que envolveram a Jesus, tanto o seu
batismo como a sua morte.
v.9 Se recebemos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é este, que de seu
Filho testificou –

 Uma vez que os três procedem de Deus, pode-se dizer que o testemunho é
testemunho de Deus (9), o qual deve ser preferido ao que os homens dizem.

v.10 Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não
crê, mentiroso o fez; porquanto não creu no testemunho que Deus de seu Filho
deu. –

 Contudo os que creem no Filho têm o testemunho em si (10); depositam sua


confiança no Filho, e de sua própria experiência têm prova de Sua divindade.
 Contrariamente, os que não dão crédito a Deus, fazem-nO mentiroso, porque por
essa atitude em face da evidência fornecida pelos atos de Deus na história e pela
experiência da Igreja, rejeitam "o testemunho que Deus dá acerca do seu Filho"
(10).

v.11 E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu
Filho.

 No vers. 11 o testemunho estabelece a continuidade do pensamento. O escritor,


portanto, leva esta seção a um final impressionante, resumindo o testemunho,
dando-lhe caracteristicamente um aspecto positivo e outro negativo. Vida eterna
é dom de Deus ao homem, e está intimamente associada ao Filho, estando
realmente no seu Filho (11).

v.12 Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.

 Por consequência, ter o Filho é ter a vida, ao passo que não ter o Filho quer dizer
inevitavelmente não ter a vida (12).

44
1 JOÃO 5.13-20

v.13 Estas coisas vos escrevo, a vós que credes no nome do Filho de Deus, para que
saibais que tendes a vida eterna.

1. Nas Bíblias ARC este verso faz parte da sessão anterior.


2. A carta serve para todos, mas trata de modo específico assuntos que se referem
aos salvos, aos crentes no nome do Filho de Deus.
3. Mesmo vivendo em um mundo de tantas contradições, cada crente deve saber
que tem a vida eterna; tem a vida eterna já aqui. Do outro lado, isto é, no céu, a
diferença é que continuamos com a vida eterna, mas em um corpo glorificado.

v.14 E esta é a confiança que temos nele, que se pedirmos alguma coisa segundo a
sua vontade, ele nos ouve.

1. A vida cristã é vivida em plena confiança em Deus; e é nessa confiança que nos
aproximamos de Dele e a Ele pedimos todas as coisas.
2. Mas como crentes que exercitam a maturidade, nos aproximamos Dele em
oração, sabendo que as coisas que Lhe pedimos devem estar consoantes à sua
vontade.
3. Quando oramos com a mente e o coração abertos, com a mente renovada (Rm
12.2), sabemos que Ele ouve as nossas orações e nos responde.

v.15 e, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que já alcançamos
as coisas que lhe temos pedido.

1. Por sabermos que Deus nos ouve quando oramos, somos tomados pela certeza
que o que pedimos já alcançamos.
2. No contexto da vida cristã, a primeira coisa que pedimos e imediatamente
alcançamos é a vida eterna. Não recebemos a vida eterna quando daqui partimos,
mas quando Cristo chega à nossa vida.

45
v.16 Se alguém vir seu irmão cometer um pecado que não é para morte, pedirá, e
Deus lhe dará a vida para aqueles que não pecam para a morte. Há pecado para
morte, e por esse não digo que ore.

1. João aqui vai tratar de um assunto de difícil compreensão: pecado que não é para
a morte e pecado para a morte.
2. O pecado para a morte é a rejeição deliberada de Cristo como Salvador.
3. O pecado para a morte é o pecado praticado pelos falsos mestres infiltrados na
igreja como anticristos.
4. Nota interessante de Matthew Henry, é que não podemos orar para que a
misericórdia da vida seja concedida aos que vivem no pecado (Talvez com a
ideia da oração em favor dos que morreram sem arrepender-se).
5. Infere-se também, que João poderia estar falando daqueles que pecaram contra o
Espírito Santo (Mat 12.30-32).

v.17 Toda injustiça é pecado; e há pecado que não é para a morte.

1. A injustiça coloca as pessoas contra Deus, pois este é chamado de Justo.


2. Também podemos pensar a respeito do pecado de injustiça, quando não
pagamos a outros o que lhes é devido. É possível que já tenhamos praticado este
pecado durante a nossa vida.
3. Temos a obrigação de orar sempre pelas pessoas, pelas más e pelas boas. Muito
mais pelos pecadores perdidos para que sejam salvos.

v.18 Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; antes o
guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca.

1. A certeza de João é a de que o salvo não tem interesse no pecado.


2. “O Maligno não lhe toca”. Os filhos de Deus são guardados pelo Filho de Deus
(João 10.28,29).

46
3. Os que são de Deus jamais serão do diabo. Significa dizer, que Deus não abre
mãos daqueles que são seus.

v.19 Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no Maligno.

1. “Sabemos”. Trata-se de um conhecimento absoluto baseado na verdade de Deus.


2. Duas certezas em João e que devem ser nossa também: “Somos de Deus”.
3. A outra certeza: “O mundo inteiro jaz no Maligno”. Não podemos esperar neste
mundo e deste mundo paz e santidade. Não podemos esperar que o mundo se
santifique porque esta não é a proposta do diabo.
4. O que devemos saber de fato é que por sermos de Deus, podemos viver num
mundo que jaz no maligno, mas sem sermos tocados por ele.

v.20 Sabemos também que já veio o Filho de Deus, e nos deu entendimento para
conhecermos aquele que é verdadeiro; e nós estamos naquele que é verdadeiro,
isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna.

1. João usa três palavras relacionadas à mente dos crentes: sabemos, entendimento
e conhecemos. Ele reforça o que é do nosso conhecimento: “Já veio o Filho de
Deus”.
2. E mais: “Nos deu entendimento para conhecermos aquele que é verdadeiro”. Em
um mundo cheio de falsos cristos, recebemos entendimento e discernimento para
não nos deixarmos enganar.
3. “Estamos naquele que é verdadeiro”. Enquanto os homens carnais correm de um
lado para o outro, os homens espirituais se apegam à verdade única: “Em Seu
Filho Jesus Cristo”.
4. Quem é Jesus? João responde: “Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (v.11).
A vida eterna está no Filho de Deus, sendo o Filho, Deus.

v.21 Filhinhos, guardai-vos dos ídolos.

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1. Se João estava escrevendo para crentes, por que essa preocupação? Certamente
os crentes não se deixavam levar a essa prática.
2. Champlin escreveu o seguinte: “Qualquer coisa a que um homem dê atenção, às
expensas das realidades espirituais, serve de ídolo para ele”.
3. Ainda Champlin: “A idolatria, literal ou figurada, pode ameaçar a igreja cristã,
embora esta assevere adorar exclusivamente a Deus. Que o verdadeiro Deus nos
seja suficiente – não aceitemos qualquer substituição feita pelo homem, feita por
nós mesmos”.

Pr. Eli da Rocha Silva

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