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Normas e classificacao de datacenters

Book · March 2017

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Mauro Fazion Filho


Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul)
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Universidade do Sul de Santa Catarina

Normas e
classificação de
datacenters

Autor
Mauro Faccioni Filho
Créditos

Universidade do Sul de Santa Catarina – Unisul


Reitor
Sebastião Salésio Herdt
Vice-Reitor
Mauri Luiz Heerdt
Pró-Reitor de Ensino, de Pesquisa e de Extensão
Mauri Luiz Heerdt
Pró-Reitor de Desenvolvimento Institucional
Luciano Rodrigues Marcelino
Pró-Reitor de Operações e Serviços Acadêmicos
Valter Alves Schmitz Neto

Diretor do Campus Universitário de Tubarão


Heitor Wensing Júnior
Diretor do Campus Universitário da Grande Florianópolis
Hércules Nunes de Araújo
Diretor do Campus Universitário UnisulVirtual
Fabiano Ceretta

Campus Universitário UnisulVirtual


Diretor
Fabiano Ceretta

Unidade de Articulação Acadêmica (UnA) – Ciências Sociais, Direito, Negócios e Serviços


Amanda Pizzolo (coordenadora)
Unidade de Articulação Acadêmica (UnA) – Educação, Humanidades e Artes
Felipe Felisbino (coordenador)
Unidade de Articulação Acadêmica (UnA) – Produção, Construção e Agroindústria
Anelise Leal Vieira Cubas (coordenadora)
Unidade de Articulação Acadêmica (UnA) – Saúde e Bem-estar Social
Aureo dos Santos (coordenador)

Gerente de Operações e Serviços Acadêmicos


Moacir Heerdt
Gerente de Ensino, Pesquisa e Extensão
Roberto Iunskovski
Gerente de Desenho, Desenvolvimento e Produção de Recursos Didáticos
Márcia Loch
Gerente de Prospecção Mercadológica
Eliza Bianchini Dallanhol
Mauro Faccioni Filho

Normas e
classificação de
datacenters
Livro Digital

Designer instrucional
Marina Melhado Gomes da Silva

UnisulVirtual
Palhoça, 2017
Copyright © Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por
UnisulVirtual 2017 qualquer meio sem a prévia autorização desta instituição.

Livro Digital

Professor conteudista
Mauro Faccioni Filho

Designer instrucional
Marina Melhado Gomes da Silva

Projeto gráfico e capa


Equipe UnisulVirtual

Diagramação
Marina Righetto e Frederico Trilha

Revisão
Contextuar

e-ISBN
978-85-506-0164-9

F12
Faccioni Filho, Mauro
Normas e classificação de datacenters : livro digital / Mauro Faccioni
Filho ; design instrucional Marina Melhado Gomes da Silva. – Palhoça :
UnisulVirtual, 2017.
61 p. : il. ; 28 cm.

Inclui bibliografia.
e-ISBN 978-85-506-0164-9

1. Sistemas de recuperação da informação - Administração - Normas.


2. Sistemas de informação gerencial - Normas. I. Silva, Marina Melhado
Gomes da. II. Título.
CDD (21. ed.) 658.4038

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul


Sumário

Apresentação | 5

Normas e classificação de datacenters − ISO/IEC 24764:2010 | 19

Normas e classificação de datacenters − ANSI/TIA-942-A | 31

Normas e classificação de datacenters − ANSI/BICSI 002 | 47

Considerações finais | 59

Conteudista | 61
Apresentação

Este livro apresenta as principais normas internacionais sobre datacenters, e fazemos isso
discutindo os seus detalhes com o Prof. Dr. Paulo Marin. São quatro entrevistas, que abordam,
respectivamente, a norma brasileira NBR14565 e três normas internacionais: ISO/IEC
24764:2010, ANSI/TIA-942-A e ANSI/BICSI 002.

No livro sobre “Conceitos e infraestrutura de datacenters” (Unisul Virtual, 2016), escrevi


algumas notas sobre o Prof. Dr. Paulo Marin, que gostaria de repetir aqui, pois nessas notas
ressalto sua participação como membro ativo na redação das normas, tanto a brasileira
quanto as internacionais.

Ambos estudamos engenharia elétrica na mesma época, fizemos mestrado e doutorado também
na mesma época, antes de nos conhecermos, no final dos anos 1990 em alguns eventos sobre
cabeamento estruturado promovidos pela BICSI. A partir de então nos tornamos grandes amigos e
desenvolvemos inúmeras parcerias juntos, sejam elas relacionadas à tecnologia, à educação ou a
tantas outras atividades que a amizade nos leva. Em todo esse tempo vi muitas de suas conquistas
no campo da tecnologia, em especial a da infraestrutura de rede de dados, que o levou a ser premiado
nos Estados Unidos com o “2014 Harry J. Pfister Award for Excellence in the Telecommunications
Industry”, concedido pela University of South Florida – College of Engineering/USA, por suas
contribuições e serviço à indústria de ICT (Information and Communications Technology). Foi um
prêmio muito importante, obtido justamente no país que desenvolve tais tecnologias.

Paulo Marin é graduado, mestre e doutor em engenharia elétrica, tendo se especializado em


infraestrutura de telecomunicações, redes e ambientes de missão crítica. Seus conhecimentos
abrangem teorias de interferência eletromagnética e propagação de sinais. No Brasil, ele atua
como coordenador do comitê da Associação Brasileira de Normas Técnicas, CE 003:046.005
ABNT, que é responsável pelas normas de cabeamento estruturado para edifícios comerciais,
datacenters, residências, indústrias, bem como caminhos e espaços para cabeamento
estruturado em edifícios. Nos Estados Unidos atua como coordenador do comitê ANSI/BICSI
005 (segurança eletrônica) e participa do comitê ANSI/BICSI 002, responsável pela norma
norte-americana de infraestrutura para datacenters. É membro do IEEE e da BICSI e autor de
vários livros técnicos nas áreas de cabeamento estruturado e infraestrutura para datacenters.
Neste livro, as quatro entrevistas que fizemos com o Dr. Paulo Marin foram organizadas de
acordo com os seguintes temas:
1. Normas e classificação de datacenters – NBR14565
2. Normas e classificação de datacenters – ISO/IEC 24764:2010
3. Normas e classificação de datacenters – ANSI/TIA-942-A
4. Normas e classificação de datacenters – ANSI/BICSI 002

Essas entrevistas abordam as especificidades de cada norma e também seus pontos em


comum. Veremos que a norma brasileira está intimamente associada à ISO/IEC, e também se
mencionará o caso das “standards” do Uptime Institute, que, apesar de serem usadas pelo
mercado, não são normas oficiais.

Esperamos que essas conversas técnicas sejam não só uma excelente introdução às normas
de datacenters, como também uma contribuição ao seu alcance e evolução no mercado
brasileiro de tecnologia.

Bons estudos!
Prof. Mauro Faccioni Filho.
Normas e classificação de
datacenters - NBR14565 1

Apresentação da entrevista

A norma NBR 14565 faz parte do conjunto de normas da ABNT – Associação Brasileira de
Normas Técnicas, órgão fundado em 1940 e que é responsável pela normalização técnica no
Brasil. É uma entidade privada, sem fins lucrativos, de utilidade pública. O desenvolvimento
tecnológico brasileiro depende das normas e recomendações da ABNT, e a NBR14565 é
dedicada ao cabeamento predial e aos datacenters.

Nessa primeira entrevista com o Prof. Paulo, dividimos as perguntas em temas. Inicialmente,
abordamos a história e o desenvolvimento da norma NBR 14565, para, em seguida, conhecer
sua estrutura e como aborda a topologia do datacenter. Questiono sobre a classificação
dos datacenters, que é um tópico muito discutido entre projetistas e instaladores. A seguir,
tratamos das características da infraestrutura, tais como energia, ar condicionado e sistemas
complementares. Concluímos questionando sobre a abrangência, especificidades e
obrigatoriedade da norma para o mercado brasileiro.

Pergunta 01:

Neste primeiro artigo vamos tratar da norma brasileira de datacenters, a NBR 14565.
Gostaria que, inicialmente, nos falasse um pouco da história dessa norma e seu
vínculo com a ABNT, sobre sua evolução, qual a versão atual, bem como seus futuros
desenvolvimentos.

Resposta:

Eu coordeno a comissão de estudo (CE) da ABNT, a CE 003:046.005 responsável pelo


desenvolvimento de várias normas, entre elas a ABNT NBR 14565:2013 (Cabeamento
estruturado para edifícios comerciais e datacenters).

A ABNT NBR 14565 foi publicada em sua primeira edição no ano 2000. Seu título, na ocasião,
era “Projeto básico para elaboração de projetos de cabeamento de telecomunicações para
rede interna estruturada”. Esta versão da ABNT NBR 14565 não foi bem recebida pelo
mercado em geral por ser um documento mal elaborado e inconsistente. Ainda, ele foi
desenvolvido em desacordo com as regras da ABNT, pois era baseado em algumas normas
norte-americanas, o que é ilegal no sistema ISO, do qual a ABNT participa. Algum tempo
depois, por volta de 2003, a CE foi reativada e eu fui eleito coordenador.

1.  FACCIONI FILHO, Mauro. Normas e classificação de datacenters. Palhoça: UnisulVirtual, 2017
Universidade do Sul de Santa Catarina

Como a ABNT faz parte do sistema ISO (internacional) de normalização, quando uma
comissão de estudo (CE) da ABNT se reúne para iniciar um novo projeto de norma há duas
situações possíveis:

1. Uma norma pode ser desenvolvida do rascunho, ou seja, sem utilizar qualquer
outra como referência.
2. Uma norma pode ser desenvolvida a partir de uma referência ISO que se aplica
ao que se deseja especificar com o novo projeto de norma.

Quando uma nova norma é desenvolvida com base em outra, esta deve ser necessariamente
uma norma ISO, IEC ou ISO/IEC. Nesse caso, há ainda outras duas situações possíveis:

a. A norma utilizada como referência pode ser traduzida integralmente e dará


origem a uma norma ISO ABNT, mantendo o código da norma original.
b. A norma utilizada como referência pode ser adotada parcialmente e ainda
modificada. Nesse caso, a nova norma terá um código novo atribuído pela ABNT
após concluído e aprovado o projeto de norma. Caso seja uma revisão, o código
original é mantido, o título é alterado e seu conteúdo é atualizado.

As normas preparadas pela CE 003:046.005, que desenvolve normas de cabeamento


estruturado, enquadram-se na situação “b”, acima. Portanto, a primeira revisão da ABNT
NBR 14565:2000 foi publicada como ABNT NBR 14565:2007 e teve seu título alterado
para “Cabeamento de telecomunicações para edifícios comerciais”. Ela passou a usar
como referência a norma ISO/IEC 11801 (Information technology: Generic cabling systems
for customer premises). A partir daí, passamos a desenvolver outras normas dentro da CE
003:046.005 e a revisá-las frequentemente. Entre as regras da ISO está a revisão periódica das
normas, ou seja, a cada cinco anos, as normas precisam passar por uma revisão.

Assim, a ABNT NBR 14565:2007 passou por um novo ciclo de revisão, que gerou a ABNT
NBR 14565:2012. Nesta revisão, seu conteúdo foi expandido e ela passou a especificar
cabeamento estruturado para edifícios comerciais e datacenters. Embora a ABNT NBR
14565:2012 tenha como principal objetivo especificar cabeamento estruturado para edifícios
comerciais e datacenters, seu Anexo F (Melhores práticas para projeto e instalação de
datacenters) traz recomendações gerais sobre a infraestrutura de datacenters de forma ampla,
ou seja, abordando aspectos como infraestrutura predial, distribuição elétrica, climatização,
monitoramento da infraestrutura do datacenter (DCIM), classificações em tiers, etc. A parte
que cobre datacenters é baseada na ISO/IEC 24764 (Information technology: Generic cabling
systems for datacenters).

Um pouco mais tarde, em 2013, fizemos uma emenda à ABNT NBR 14565:2012 para correção
de algumas tabelas e atualização de informações. A emenda foi incorporada à norma e gerou
a ABNT NBR 14565:2013, revisão vigente desta norma.

Para finalizar o histórico de desenvolvimento da ABNT NBR 14565, em 2016 ela passou
por mais uma revisão. Nesta revisão decidimos separar os conteúdos de cabeamento
estruturado para edifícios comerciais e cabeamento estruturado para datacenters em duas
normas específicas. A revisão foi concluída ainda em 2016, sendo que o documento está
em fase de Consulta Nacional e será publicado ainda no primeiro trimestre de 2017 como
ABNT NBR 14565:2017 (Cabeamento estruturado para edifícios comerciais). Uma nova
norma, cujo código ainda não foi atribuído, será publicada também neste trimestre de 2017,
trazendo especificações e recomendações para cabeamento estruturado em datacenters. Por
enquanto, a ABNT NBR 14565:2013 é a versão vigente da norma e eu vou me referir a ela ao
longo desta entrevista.

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Normas e classificação de datacenters - NBR14565

Com a publicação das novas normas, ou seja, a ABNT NBR 14565:2017 e a nova norma para
cabeamento estruturado para datacenters, eu passarei a coordenação da CE 003:046.005
para o novo coordenador, eleito em dezembro da ano passado. Por estar fora do país e sem
condições de continuar coordenando esse trabalho à distância, decidi deixar o cargo. Afinal de
contas, foram quase quatorze anos à frente da CE.

Pergunta 02

Qual é a estrutura da norma, como os itens são divididos em seu texto?

Resposta:

A ABNT NBR 14565:2013 (Cabeamento estruturado para edifícios comerciais e data centers)
está dividida em prefácio, escopo, scope (que a tradução do escopo para o inglês), 12 seções
e 6 anexos, a saber:

Prefácio
Escopo
Scope
Seção 2: Referências normativas
Seção 3: Termos, definições, símbolos e abreviaturas
Seção 4: Requisitos gerais
Seção 5: Estrutura do sistema de cabeamento
Seção 6: Desempenho do cabeamento balanceado
Seção 7: Implementação do cabeamento estruturado
Seção 8: Desempenho do cabeamento óptico
Seção 9: Requisitos dos cabos
Seção 10: Requisitos do hardware de conexão
Seção 11: Práticas de blindagem
Seção 12: Gerenciamento
Seção 13: Patch cords
Anexo A: Desempenho do enlace permanente e enlace do CP
Anexo B: Procedimentos de ensaio
Anexo C: Características eletromagnéticas
Anexo D: Aplicações suportadas
Anexo E: Enlace permanente e canal classe F/categoria 7 com duas conexões
Anexo F: Melhores práticas de para projeto e instalação da infraestrutura de datacenters
Bibliografia

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Algumas seções são comuns a todas as normas ISO e ABNT NBR. Por exemplo, todas as
normas trazem como introdução um prefácio, um escopo (que explica o objetivo da norma)
e um scope (que é basicamente a tradução do escopo, em inglês). A Seção 2 (referências
normativas) traz uma relação de normas que, necessariamente, complementa a norma em
questão. Em outras palavras, as normas relacionadas na Seção 2 devem ser consultadas pelo
projetista em algumas situações para complementar as especificações da norma em questão.
A Seção 3 traz termos, definições, símbolos e abreviaturas utilizadas ao longo da norma. A
Seção 4 apresenta os requisitos gerais da norma, e a partir da Seção 5 as especificações e
recomendações que se aplicam ao objeto da norma são apresentadas.

A quantidade de seções e anexos de uma determinada norma dependem apenas de sua


estrutura e conteúdo; nem todas as normas têm a mesma quantidade de seções e anexos.
Outro aspecto importante comum a todas as normas (independentemente de sua origem)
é que elas trazem especificações e recomendações. As especificações são os aspectos
normativos das normas, ou seja, o que deve ser necessariamente observado e adotado
quando tal norma é utilizada como referência. As recomendações são sugestões e não
precisam ser adotadas; apenas ajudam o projetista na definição de seus critérios de projeto.

Pergunta 03:

Qual o conceito dado a datacenter na NBR14565? Há um framework ou modelo geral


de topologia?

Resposta:

O objeto da ABNT NBR 14565:2013 é, de fato, cabeamento estruturado. Em outras palavras,


ela especifica topologias de cabeamento estruturado para edifícios comerciais e datacenters,
elementos funcionais, meios físicos reconhecidos, técnicas de projeto, etc; de forma direta ou
via referências.

De qualquer forma, ela traz oito anexos distribuídos entre normativos (especificações) e
informativos (recomendações). Entre eles, o Anexo F (melhores práticas de projeto e instalação
de infraestrutura para datacenters) aborda aspectos gerais da infraestrutura de datacenters,
além de cabeamento estruturado. Embora o Anexo F seja informativo, ou seja, não tem
como objetivo trazer especificações, ele é uma parte bastante importante da ABNT NBR
14565:2013.

Portanto, conforme abordado no Anexo F, o datacenter é composto por alguns componentes


(espaços) inter-relacionados, conforme mostrado na Figura 1.

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Normas e classificação de datacenters - NBR14565

Figura 1 – Componentes de um datacenter e como se relacionam entre si

Entrada de Entrada de
telecomunicações energia

Sala de Salas de
telecomunicações energia UPS/geradores

Automação
Incêndio Sala de computadores
Monitoramento

Sala de operação Sala de ar-condicionado


de rede

Fonte: ABNT NBR 14565:2013.

Conforme mostrado na Figura 1, o datacenter é composto por espaços que podem ser
definidos como espaços essenciais e espaços de suporte. Os espaços essenciais são aqueles
que sempre existirão qualquer seja o porte e a aplicação do datacenter, como por exemplo,
sala de computadores, de operação da rede (incluindo segurança e monitoramento), de
telecomunicações e de energia.

Os espaços de suporte são aqueles que têm como objetivo complementar a operação,
como por exemplo, doca de carga e descarga, sala de impressão, sala para armazenamento
de material crítico, sala para armazenamento de mídia, suporte técnico, espaço para
cadastramento e testes de equipamentos, etc.

Ainda, com base no esquema da Figura 1, um datacenter pode ser entendido como um
espaço dentro de um edifício dedicado a abrigar a sala de computadores (que abriga os
equipamentos críticos de TI, o “cérebro” do datacenter) e os espaços que garantem sua
operação com alto grau de disponibilidade.

Pergunta 04

A NBR 14565 faz algum tipo de classificação de datacenters? Que classificação é


essa e os que diferencia os diferentes “tipos” ou “níveis”? Como se dá a questão da
redundância?

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Resposta:

A ABNT NBR 14565:2013 não estabelece classificações de infraestrutura de datacenters,


porém adota o sistema de classificações desenvolvido pelo The Uptime Institute, em quatro
níveis (ou tiers):

•• Tier I: datacenter básico;


•• Tier II: datacenter com componentes redundantes;
•• Tier III: datacenter com manutenção e operação simultânea;
•• Tier IV: datacenter tolerante a falhas.

Datacenter Tier I: básico

Um datacenter Tier I tem infraestrutura mínima necessária para suportar a carga crítica de
TI, porém sem qualquer redundância. Se usarmos o sistema elétrico como referência, isso
significa que há apenas um grupo motor-gerador e apenas um sistema UPS.

Datacenter Tier II: com componentes redundantes

Um datacenter Tier II possui, além do básico, componentes redundantes. Por exemplo,


tomando o sistema elétrico como referência, isso significa ter um grupo motor-gerador
adicional e um módulo ou sistema UPS adicional (em relação ao mínimo necessário).

Datacenter Tier III: com manutenção e operação simultâneas (concomitantes)

Um datacenter Tier III possui, além de componentes redundantes, caminhos alternativos para
atender às cargas críticas de TI. Por exemplo, há um ramo de distribuição elétrica principal e
um ramo alternativo redundante. Este, entretanto, não é mantido energizado.

Datacenter Tier IV: tolerante a falhas (automaticamente)

Um datacenter Tier IV possui componentes redundantes e ramos alternativos (redundantes)


para atender às cargas críticas de TI. A principal diferença entre um datacenter Tier III e Tier IV
é que, no caso do último, os ramos alternativos são mantidos energizados.

Pergunta 05:

Como a NBR 14565 trata a questão da energia? Quais suas recomendações ou


modelos?

Resposta:

O Anexo F da ABNT NBR 14565:2013 aborda também a distribuição elétrica para a sala
de computadores. Para a alimentação de racks e gabinetes, há uma recomendação de no
mínimo dois circuitos elétricos com potência de 5 kVA (sendo um circuito reserva). A potência
recomendada por rack ou gabinete é de 15 kVA. Cada um dos circuitos deve ser alimentado
por um quadro de distribuição independente.

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Normas e classificação de datacenters - NBR14565

Toda a distribuição elétrica para a sala de computadores deve ser dedicada, ou seja, exclusiva
para os equipamentos críticos de TI, não podendo ser compartilhada com a distribuição
elétrica para equipamentos não críticos. A ABNT NBR 14565:2013 recomenda que cada
equipamento crítico de TI tenha fonte de alimentação dupla. Outras recomendações são:

a. o quadro de alimentação principal deve ser equipado com chave de


transferência que permita sua alimentação a partir da concessionária e do grupo
motor-gerador;
b. os grupos motor-geradores devem ser dimensionados para suportar a carga
total do datacenter (carga crítica de TI e outras cargas);
c. os grupos motor-gerador devem ser abastecidos por tanques de combustível
com capacidade para suportar as cargas por 24h;
d. os grupos motor-gerador devem ser acionados por meio de chaves de
transferência automática (ATS/QTA);
e. o sistema UPS deve ser dimensionado para suportar a carga crítica de TI, no
mínimo;
f. a autonomia do sistema UPS recomendada é de 15 minutos;
g. os circuitos de alimentação de ventiladores dos gabinetes da sala de
computadores devem ser independentes dos circuitos para alimentação de
cargas críticas.

Especial atenção deve ser dispensada ao sistema, conforme a seguir:

•• deve ser do tipo dupla conversão (on-line) e trifásico;


•• as baterias devem ser seladas;
•• deve ter by-pass;
•• a variação máxima da tensão de entrada deve ser +15 % a – 15 %, 60 Hz +/- 6 %.

Para mais detalhes sobre as especificações dos sistemas elétricos, a ABNT NBR 14565:2013
remete à ABNT NBR 5410.

Pergunta 06:

Quanto a questões ambientais (ar condicionado, ventilação), como esta norma se


posiciona?

Resposta:

Novamente, a referência aqui é o Anexo F. A ABNT NBR 14565:2013 traz recomendações


sobre climatização da sala de computadores em datacenters. As recomendações mais
relevantes sobre esse subsistema são as seguintes:

•• equipamentos de ar-condicionado de precisão devem ser utilizados (equipamentos


de ar-condicionado de conforto, como aqueles utilizados em escritórios ou
residências, não são recomendados para a climatização de datacenters;

13
Universidade do Sul de Santa Catarina

•• os equipamentos de ar-condicionado para a climatização da sala de


computadores devem ser dedicados a elas;
•• o sistema de climatização da sala de computadores deve operar
ininterruptamente;
•• o sistema de climatização da sala de computadores deve ser projetado e
instalado para atender à classificação tier pretendida para a infraestrutura do
datacenter.

Com relação aos parâmetros ambientais para a climatização da sala de computadores, a


ABNT NBR 14565:2013 recomenda que sejam adotadas as especificações da ASHRAE, T.C.
9.9, conforme descrição no Quadro 1.

Quadro 1 – Parâmetros ambientais para a climatização da sala de computadores

Faixa de Taxa de Umidade Ponto de


temperatura troca relativa do condensação
Norma operacional máxima ar máximo Altitude

ASHRAE TC 9.9 Bulbo seco: 5° C/h 60% 15° C 3.050 m

18 a 27° C
Fonte: ASHRAE T.C. 9.9.

A temperatura do ar ambiente, em qualquer ponto no interior da sala de computadores, deve


estar entre 18oC e 27oC. A umidade relativa do ar deve ser no mínimo de 30% e no máximo
de 60%. A temperatura máxima do ponto de condensação deve estar entre 5,5oC e 15oC,
dependendo da umidade relativa do ar. A máxima variação de temperatura do ar ambiente é
de 5oC em uma hora.

De forma diferente de outras normas, a ABNT NBR 14565:2013 recomenda que as medições
da temperatura sejam feitas no interior e no topo do gabinete em sua parte traseira, a cada 3
m ao longo da linha central dos corredores frios; a temperatura máxima encontrada deve ser
de 27oC. As medições de temperatura devem ser feitas com todos os equipamentos da sala
de computadores em operação.

Embora alguns técnicos e autores utilizem o termo ar condicionado para datacenters, eu


prefiro utilizar o termo climatização. Enquanto ar condicionado normalmente está associado
apenas à temperatura, climatização tem um significado mais amplo, ou seja, envolve
temperatura e umidade relativa do ar. Os equipamentos de climatização de precisão para
datacenters controlam ambos, temperatura e umidade relativa do ar.

A ABNT NBR 14565:2013 recomenda a conformação de corredores frios e quentes e insuflação


de ar frio sob o piso elevado e também overhead (diretamente nos corredores frios por meio
de dutos aéreos de ar). Em casos específicos, pode ser necessário o uso de equipamentos de
umidificação ou desumidificação de ar para climatizar a sala de computadores.

O sistema de climatização da sala de computadores pode ser baseado em unidades


CRAC (Computer Room Air Conditioner) ou CRAH (Computer Room Air Handler), e deve
ser alimentado pelos grupos motor-geradores utilizados no sistema elétrico do datacenter.
Em casos em que isso não for possível, recomenda-se que o sistema de climatização seja
conectado aos geradores do edifício no qual o datacenter se encontra.

14
Normas e classificação de datacenters - NBR14565

Pergunta 07:

A respeito da infraestrutura, cabeamento, automação e segurança, quais as


recomendações da NBR 14565? Há alguma citação referente a container ou sala-
cofre? Fala algo sobre DCIM?

Resposta:

A ABNT NBR 14565:2013 especifica um sistema de cabeamento estruturado para datacenters.


Esta é a parte da norma que traz especificações, ou seja, informações que devem,
necessariamente, ser seguidas quando esta norma é utilizada como referência para o projeto
do sistema de cabeamento do datacenter. A parte da ABNT NBR 14565:2013 que especifica
cabeamento estruturado para datacenters é baseada na norma ISO/IEC 24764 (Information
technology - generic cabling for datacenters). A Figura 2 mostra a topologia do cabeamento
estruturado para datacenters, conforme definida na ABNT NBR 14565:2013.

Figura 2 – Topologia de cabeamento estruturado para datacenters

Sala de
equipamentos/
telecomunicações
Data center
Distribuidor
EF (CD, BD, FD)
ENI MD ZD EO
LPD

Fonte: ABNT NBR 14565:2013.

A segurança abordada na ABNT NBR 14565:2013 é relacionada à segurança patrimonial. O


tema é abordado na forma de recomendações no Anexo F da norma, e cobre basicamente as
seguintes:

•• uso de sistemas de vigilância eletrônica de todo datacenter e a gravação das


imagens em local seguro;
•• controle de acesso a todos os espaços críticos com pelo menos dois parâmetros,
por exemplo, cartão e senha, cartão e biometria, biometria e senha, etc.;
•• eclusa para acesso ao datacenter.

Há também, no Anexo F, uma seção que trata de recomendações quanto à proteção contra
incêndio, que também está relacionada, em algum grau, à segurança do datacenter.

Esta norma não aborda sala-cofre e nem datacenters em containers. Isso não significa que
ela não reconhece esse tipo de infraestrutura para abrigar os sistemas e subsistemas de
datacenters, e sim que está fora de sua cobertura. Em outras palavras, desde que todas as

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Universidade do Sul de Santa Catarina

especificações da norma e algumas recomendações mais relevantes com relação a uma ou


algumas práticas de projeto sejam observadas, um datacenter pode ser implementado em
uma sala-cofre ou em um container e estar em conformidade com a ABNT NBR 14565:2013.

O tema monitoramento é tratado de forma mais abrangente no Anexo F da norma


e recomenda, sem mencionar diretamente o termo DCIM, a adoção de sistemas de
monitoramento da infraestrutura de datacenters (DCIM, Data Center Infrastructure Monitoiring).

A recomendação é reunir, em uma plataforma única, todos os sensores, atuadores, câmeras


do circuito fechado de TV, etc., para permitir ao gerente de facilities do datacenter o
acompanhamento da operação e do status de cada parâmetro monitorado. O monitoramento
do datacenter deve ser feito 24x7x365 e deve oferecer facilidades de monitoramento
e controle remotamente. De acordo com a ABNT NBR 14565:2013, os sistemas de
monitoramento e automação remota do datacenter podem conter os seguintes subsistemas:

•• monitoramento dos sistemas de energia;


•• automação dos sistemas de energia com capacidade de operar circuitos gerais e
individuais;
•• monitoramento da qualidade do ar quanto a umidade, poeira, fumaça, etc;
•• monitoramento da temperatura no ambiente;
•• monitoramento e detecção de água em casos de vazamento, infiltração ou
inundação;
•• monitoramento e controle de acesso a cada dependência do datacenter, bem
como monitoramento individual de portas de gabinetes;
•• monitoramento dos acessos por imagem dos ambientes (CFTV);
•• monitoramento das conexões físicas de cabos, etc.

Pergunta 08:

A abrangência da NBR é nacional? É obrigatória ou apenas recomenda


procedimentos para datacenters?

Resposta:

Quanto à cobertura nacional, sim; trata-se de uma norma brasileira, portanto válida
oficialmente em todo o território nacional. Quanto à obrigatoriedade de sua adoção, esta é
uma questão um tanto complexa. Uma norma é desenvolvida por iniciativa voluntária e sua
adoção ou aplicação é também voluntária. Ainda, uma norma, por si só, não tem força de lei.
A exceção é quando uma NR (Norma Regulamentadora), que tem força de lei, remete a outras
normas NBR que, no contexto da NR, passa a ter força de lei também.

Uma questão importante é que no sistema público, em licitações públicas, sempre que alguma
norma é utilizada como referência, ela deve ser, necessariamente, uma norma ABNT NBR. No
caso de não haver uma norma brasileira específica, somente uma norma ISO (internacional)
pode ser utilizada como referência. Outras normas (norte-americanas, europeias, etc.) não
podem ser utilizadas em substituição; em casos em que isso acontece o edital fica suscetível
à impugnação, o que costuma acontecer com alguma frequência.

16
Normas e classificação de datacenters - NBR14565

De qualquer forma, a adoção de uma norma é sempre uma boa prática. As normas oferecem
especificações e recomendações úteis aos projetistas, instaladores, etc., e também podem ser
um respaldo legal, quando utilizadas de forma adequada. Embora uma norma não tenha força
de lei, em disputas que envolvem clientes e fornecedores o código de defesa do consumidor
pode conferir esse status a uma norma, tanto a favor do fornecedor quanto do consumidor.

Pergunta 09:

A NBR 14565 tem algum tópico especial ou exclusivo? Qual sua visão pessoal sobre
ela, em termos de qualidade e abrangência?

Resposta:

Eu considero que a ABNT NBR 14565:2013, no que diz respeito à sua cobertura para
datacenters, tem um anexo muito importante, que é o Anexo F, discutido em questões
anteriores. Embora seja um anexo informativo (que traz recomendações), ele complementa
esta norma de forma muito apropriada. Portanto, considero que este é o tópico exclusivo da
ABNT NBR 14565:2013.

Em termos de qualidade e abrangência, vejo esta norma como um documento relevante e


indispensável para o projetista de cabeamento estruturado, bem como infraestrutura em geral
para datacenters. O documento foi produzido por um grupo de profissionais competente e
dedicado e que, acima de tudo, prezou pela precisão dos temas tratados e de sua aderência
às melhores práticas de projeto e instalação adotadas internacionalmente. Como toda norma,
ela se trata de um documento “vivo”, dinâmico e que precisa ser mantido atualizado para
preservar sua cobertura, bem como sua qualidade.

Referências
ABNT. Norma ABNT NBR 14565: 2013. Cabeamento estruturado para edifícios comerciais e
datacenters.

ASHRAE TC-9.9: Design Considerations for Data and Communications Equipment


Centers. Ashrae, 2008.

17
Normas e classificação de
datacenters − ISO/IEC 24764:2010 1

Apresentação da entrevista

A norma ISO/IEC 24764 é oriunda da International Organization for Standardization (ISO),


organização fundada em 1947 e com presença em 246 países, sendo que o Brasil é membro
desde sua fundação. Já a International Electrotechnical Commission (IEC), fundada em
1906, é a organização internacional responsável pela padronização de tecnologias elétricas,
eletrônicas e relacionadas e, juntamente com a ISO, desenvolve alguns padrões, tais como a
norma 24764:2010, que estudaremos nesta entrevista.

Abordaremos inicialmente a história e a evolução da norma, sua estrutura e a topologia


que utiliza para definir o datacenter, especialmente para o cabeamento, que é o foco do
documento. Questionaremos se ela define algum tipo de classificação de datacenters e, a
seguir, trataremos dos diversos subsistemas. Um questionamento específico é feito sobre
o cabeamento estruturado e suas especificações técnicas. Por fim, discorreremos sobre a
abrangência e a obrigatoriedade de aplicação da norma.

Entrevista

Pergunta 01:

Nesta entrevista, vamos tratar da norma internacional relacionada a datacenters, a


ISO/IEC 24764. Gostaria que nos falasse um pouco sobre a história dessa norma, sua
evolução, qual a versão atual e os futuros desenvolvimentos.

Resposta:

A norma ISO/IEC 24764:2010 especifica um sistema de cabeamento genérico que suporta


uma ampla gama de serviços de comunicações para uso em datacenters e cobre cabeamento
metálico e óptico. A ISO/IEC 24764 utiliza como base a norma ISO/IEC 11801, que é a norma
de cabeamento estruturado genérico, ou seja, que não se aplica a um ambiente (ou segmento)
em particular. Ela especifica cabeamento estruturado para datacenters diretamente, ou por
meio de outras referências (normas).

A ISO/IEC 24764 foi publicada em 30 de abril de 2010 com o objetivo de complementar o


conjunto de normas ISO/IEC de cabeamento estruturado. Em 04 de agosto de 2014, ela recebeu
sua primeira emenda, a Emenda 1, cujo objetivo principal foi introduzir um novo elemento
funcional à topologia do cabeamento estruturado, o distribuidor intermediário (ID). Portanto, ao
especificar esta norma, o projetista deve utilizar a notação ISO/IEC 24764:2010/Amd. 1:2014.

1.  FACCIONI FILHO, Mauro. Normas e classificação de datacenters. Palhoça: UnisulVirtual, 2017
Universidade do Sul de Santa Catarina

Com relação a novos desenvolvimentos, temos novidades na ISO. A denominação das


normas de cabeamento estruturado mudará em algum momento neste ano de 2017. A
previsão é que a nova série de normas começasse a ser publicada no início de 2017.
Como é comum no universo da normatização, algum atraso é esperado. É importante
explicar, também, que essas normas não terão somente a denominação alterada, mas serão
atualizadas. A nova estrutura será a seguinte:

1. a ISO/IEC 11801-1 (Tecnologia da informação – cabeamento genérico nas


dependências do cliente – Parte 1: requisitos gerais) substituirá a ISO/IEC 11801
Edição 2.2;
2. a ISO/IEC 11801-2 (Tecnologia da informação – cabeamento genérico nas
dependências do cliente – Parte 2: escritórios comerciais) será nova e terá como
cobertura o cabeamento estruturado para edifícios comerciais;
3. a ISO/IEC 11801-3 (Tecnologia da informação – cabeamento genérico nas
dependências do cliente – Parte 3: instalações industriais) substituirá a ISO/IEC
24702:2006/Amd. 1:2009;
4. a ISO/IEC 11801-4 (Tecnologia da informação – cabeamento genérico nas
dependências do cliente – Parte 4: residências individuais) substituirá a ISO/IEC
15018:2004/Amd. 1:2009);
5. a ISO/IEC 11801-5 (Tecnologia da informação – cabeamento genérico
nas dependências do cliente – Parte 5: datacenters) substituirá a ISO/IEC
24764:2010/Amd. 1:2014;
6. a ISO/IEC 11801-6 (Tecnologia da informação – cabeamento genérico nas
dependências do cliente – Parte 6: serviços distribuídos em edifícios) será nova
e terá como objeto a especificação de uma infraestrutura de cabeamento para a
automação e o controle em edifícios.

Portanto, em breve, teremos uma nova série de normas internacionais que terão validade em
todos os países e as regiões que participam do sistema ISO de normalização, como é o caso
do Brasil.

Pergunta 02:

Já no título, vemos que essa norma tem foco em cabeamento: “Generic cabling
A grafia data centres está systems for data centres”. Qual é a estrutura da norma e
correta nesta referência como os itens são divididos em seu texto?
(inglês britânico).

Resposta:

De fato, esta norma já traz em seu título a sua cobertura, ou seja, cabeamento estruturado
para datacenters. Ao contrário da ABNT NBR 14565:2013 que, além de cabeamento
estruturado, também aborda outros aspectos da infraestrutura de datacenters, mesmo que em
caráter de recomendação, a ISO/IEC 24764 trata somente de cabeamento estruturado para
datacenters. Ela está organizada em dez seções e dois anexos, conforme a seguir.

20
Normas e classificação de datacenters − ISO/IEC 24764:2010

Introdução

1. Escopo
2. Referências normativas
3. Termos, definições e abreviaturas
4. Conformidade
5. Estrutura do sistema de cabeamento genérico
6. Desempenho do canal
7. Implementações de referência
8. Requisitos de cabos
9. Requisitos do hardware de conexão
10. Requisitos de patch cords e jumpers
Anexo A (normativo): limites de desempenho de enlaces

Anexo B (informativo): uso de hardware de conexão de alta densidade em cabeamento óptico

Podemos observar que a estrutura da ABNT NBR 14565:2013 e da ISO/IEC 24764 é


basicamente a mesma, ou seja, ambas têm basicamente as mesmas seções. Na verdade,
todas as normas produzidas por organizações que participam do sistema ISO de normalização
seguem um mesmo modelo, inclusive as normas desenvolvidas pela ANSI/TIA.

No caso da ISO/IEC 24764, essencialmente todas as seções são normativas, ou seja, trazem
especificações. Embora todas as seções e partes de uma norma sejam importantes e sirvam
para orientar o projetista, a Seção 5 é a que traz especificações mais relevantes de como o
cabeamento deve ser projetado. Veremos mais detalhes sobre isso nas próximas questões.

Pergunta 03:

Qual o conceito dado a datacenter na ISO/IEC 24764? Há um framework ou modelo


geral de topologia?

Resposta:

A ISO/IEC 24764 não traz informações gerais sobre a estrutura ou infraestrutura de


datacenters; como discutido anteriormente, ela somente especifica cabeamento estruturado
para datacenters. No entanto, ela traz uma topologia de cabeamento estruturado, conforme
mostrado na Figura 1.

21
Universidade do Sul de Santa Catarina

Figura 1 – Topologia de cabeamento estruturado para datacenters

Fonte: ISO/IEC 24764:2010/Amd. 1:2014.

A topologia de cabeamento apresentada na Figura 1 inclui o distribuidor intermediário (ID),


elemento funcional que foi introduzido com a publicação da Emenda 1 da ISO/IEC 24764, em
2014. Até então, sem a presença do distribuidor intermediário, a distribuição do cabeamento
do datacenter era prevista somente dentro de um único edifício, em uma única localidade.
A introdução do ID permite a conformação de um backbone de campus (subsistema
compreendido entre o distribuidor principal (MD) e o distribuidor intermediário (ID), quando o
MD estiver em um edifício e o ID, em outro, dentro de um mesmo campus.

Portanto, o cabeamento estruturado de um datacenter pode estender-se entre dois ou mais


edifícios; um deles abrigará o MD e cada edifício que estiver conectado à mesma rede, um
ID. O que é muito importante que o projetista tenha em mente é que, independentemente da
quantidade de edifícios conectados em uma mesma rede física, eles devem estar em um mesmo
campus. Em outras palavras, a cobertura de um sistema de cabeamento estruturado é sempre de
uma rede local ou, mais especificamente, de uma rede de campus, Campus Area Network (CAN).

Portanto, com base na ISO/IEC 24764, o cabeamento estruturado do datacenter é composto


pelos seguintes elementos funcionais:

a. interface de acesso à rede (ENI);


b. subsistema de cabeamento de acesso à rede;
c. distribuidor principal (MD);
d. subsistema de cabeamento de distribuição principal (subsistema de backbone);
e. distribuidor intermediário (ID);
f. subsistema de cabeamento de distribuição intermediária;
g. distribuidor de zona (ZD);
h. subsistema de cabeamento de distribuição de zona (subsistema de cabeamento
horizontal);
i. ponto de conexão local (LDP);
j. cabeamento do equipamento;
k. tomada de equipamentos (EO).

22
Normas e classificação de datacenters − ISO/IEC 24764:2010

É importante destacar, ainda, que o que dificulta um pouco a aplicação direta desta norma é
a sua nomenclatura. Por exemplo, o subsistema de cabeamento de backbone é denominado
“subsistema de cabeamento de distribuição principal”, e o subsistema de cabeamento
horizontal chama-se “subsistema de cabeamento de distribuição de zona”. Essa nomenclatura
não é amigável ao projetista de cabeamento, o qual está familiarizado com subsistemas de
cabeamento de backbone e cabeamento horizontal. Por esse motivo, na norma brasileira, nós
mantivemos os termos backbone e cabeamento horizontal, mesmo adotando a nomenclatura
distribuidor de zona (ZD), para o equivalente ao distribuidor de piso em um sistema de
cabeamento estruturado em edifícios comerciais.
Ainda de acordo com a topologia apresentada na Figura 1, o cabeamento do datacenter pode
ser conectado ao cabeamento estruturado do edifício quando o datacenter for implementado
em um edifício com mais usuários.

Pergunta 04:

A ISO/IEC 24764 faz algum tipo de classificação de datacenters?

Resposta:

Não, a ISO/IEC 24764 não faz qualquer menção a um sistema de classificação de datacenters,
nem como especificação, nem como recomendação.
No entanto, por tratar-se de uma norma de cabeamento para ambientes de missão crítica, ela
apresenta uma topologia de redundância do cabeamento em sua seção 5.7.2, considerando
distribuidores, cabeamento e caminhos redundantes, conforme mostrado na Figura 2.

Figura 2 – Conexão de elementos funcionais para obter redundância

Fonte: ISO/IEC 24764:2010/Amd. 1:2014.

Conforme mostrado na Figura 2, a ISO/IEC 24764 especifica uma topologia de cabeamento com
redundância com o propósito de garantir a continuidade da conexão do equipamento ativo da
sala de computadores (equipamento crítico de TI) à rede do datacenter, mesmo em casos de

23
Universidade do Sul de Santa Catarina

falha da infraestrutura de cabeamento. Essa topologia também pode ser utilizada para assegurar
a conexão do equipamento crítico de TI à rede em casos de falhas em equipamentos, tais como
switches, placas de redes etc. Nesses casos, equipamentos redundantes devem ser previstos
nos distribuidores, além dos componentes e caminhos do cabeamento estruturado.

A redundância em nível de equipamento crítico de TI, por meio da topologia proposta


na Figura 2, é obtida pela instalação de duas tomadas de equipamento (EO) para cada
equipamento. Dessa maneira, os equipamentos críticos de TI devem ter sempre duas portas
(pelo menos) para conexão à rede, sendo que ambas devem estar habilitadas e fisicamente
conectadas às EO.

Pergunta 05:

A ISO/IEC 24764 trata da questão da energia? E de outros tópicos, tais como ar


condicionado, segurança, automação, infraestrutura?

Resposta:

Não, esses temas não são tratados na ISO/IEC 24764. A única seção que traz alguma
informação relacionada ao sistema elétrico é a seção 5.8 (aterramento e equipotencialização)
e, mesmo assim, remete à norma ISO/IEC 14763-2 (2012).

Pergunta 06:

Por tratar-se de uma norma focada em cabeamento, o que nos pode passar sobre esse tema?

Resposta:

A ISO/IEC 24764 (2010) traz uma cobertura bastante completa com relação às especificações
e recomendações de cabeamento estruturado para datacenters. Ela também oferece alguma
orientação sobre a localização dos elementos funcionais do cabeamento estruturado do
datacenter na infraestrutura (edificação) que o abriga, como mostra a Figura 3.

Figura 3 – Exemplo de localização dos elementos funcionais do cabeamento estruturado do datacenter na infraestrutura
predial

Fonte: ISO/IEC 24764:2010/Amd. 1:2014.

24
Normas e classificação de datacenters − ISO/IEC 24764:2010

Em geral, as normas de cabeamento remetem o projetista a outras normas, quando o assunto


é localização dos elementos funcionais na infraestrutura predial.

Embora a ISO/IEC 24764 utilize a ISO/IEC 11801:2002/Amd.1:2008/Cor. 1/2:2002/Amd.2:2010


(cabeamento genérico de telecomunicações nas dependências do cliente) como base para
cabeamento estruturado, ela traz especificações bastante detalhadas sobre o cabeamento
estruturado em datacenters, cobrindo desde a topologia de cabeamento estruturado,
passando por modelos de testes, desempenho do canal, requisitos de cabos, requisitos de
hardware de conexão, bem como requisitos para patch cords e jumpers.

Pergunta 07:

A abrangência da ISO/IEC 24764 é internacional? É obrigatória ou apenas


recomenda procedimentos para datacenters?

Resposta:

Sim, como toda norma produzida no sistema ISO, ela é aplicada em todos os países e/ou nas
regiões cujos organismos locais de normalização participam do sistema. De qualquer forma,
como acontece no Brasil, as normas locais (quando disponíveis, adequadas e vigentes) sempre
têm prioridade em relação a outras referências normativas, inclusive normas internacionais.

Pergunta 08:

Qual a sua visão pessoal sobre a ISO/IEC 24764 em termos de qualidade e


abrangência?

Resposta:

A ISO/IEC 24764 (2010) tem uma cobertura de cabeamento estruturado para datacenters
que eu considero completa. Aproveito para apresentar, a seguir, alguns pontos de particular
relevância para o projetista.

Escolha do cabo balanceado

A ISO/IEC 24764 remete o projetista à norma ISO/IEC 11801 para especificações de cabos. De
qualquer forma, há uma recomendação que o cabo balanceado do datacenter seja, no mínimo,
Categoria 6A (500 MHz). Cabos de categorias com desempenho superior também são reconhecidos.

Escolha do cabo de acesso à rede

Como os serviços disponibilizados na ENI normalmente não requerem largura de banda muito
grande, a ISO/IEC 24764 reconhece cabos Categoria 5e (100 MHz) e superiores para esse
subsistema de cabeamento.

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Escolha do cabo óptico

A ISO/IEC 24764 remete à ISO/IEC 11801:2002/Amd.1:2008/Cor. 1/2:2002/Amd.2:2010 para


a escolha de cabos ópticos. Em termos gerais, recomenda-se que o cabo óptico multimodo
seja, no mínimo, OM-3. Cabos multimodo OM-4 são recomendados para o subsistema
de cabeamento de distribuição de zona (cabeamento horizontal), o que oferece uma boa
capacidade para crescimento, uma vez que esses cabos suportam aplicações entre 1 Gb/s e
100 Gb/s. O Quadro 1 traz as especificações de ambos os cabos.

Quadro 1 – Características das fibras ópticas multimodo OM-3 e OM-4 otimizadas para transmissão laser

Classificação Largura de banda modal efetiva (850 nm) MHz.km Núcleo μm

OM3 2.000 50/125


OM4 4.700 50/125

Fonte: ISO/IEC 24764:2010/Amd.1:2014.

Escolha do hardware de conexão balanceado

A ISO/IEC 24764 reconhece as tomadas e os conectores de oito vias (quatro pares),


comumente utilizados em sistemas de cabeamento estruturado em edifícios comerciais.
Geralmente, as normas não se referem a marcas registradas. De qualquer forma, a ISO/IEC
24764 reconhece os conectores e as tomadas RJ 45 e IEC 60603-7 (GG 45 e TERA), conforme
mostrado na Figura 4.

Figura 4 – Padrões de conectores e tomadas reconhecidos pela ISO/IEC 24764

1 2 3 4 5 6 7 8 1 2 7 8

1 2 3 4 5 6 7 8 9
6 3 4 5 6 3 4 5

(a) RJ 45 (b) GG 45 (c) TERA


Fonte: ISO/IEC 24764:2010/Amd.1:2014.

Escolha do hardware de conexão

A ISO/IEC 24764 reconhece basicamente dois tipos de hardware de conexão para


cabeamento óptico:

a. conectores LC (simplex e duplex, padrão IEC 61754-20) para a conexão de


cabos com uma ou duas fibras ópticas monomodo;
b. conectores LC (simplex e duplex, padrão IEC 61754-20) para a conexão de
cabos com uma ou duas fibras ópticas multimodo;

26
Normas e classificação de datacenters − ISO/IEC 24764:2010

c. conectores com capacidade para múltiplas fibras ópticas (MPO, padrão


IEC 61754-7); neste caso, a ISO/IEC 24764 remete à ISO/IEC 14763-2 para
especificações sobre a polarização (mecânica) das fibras nos conectores.

A Figura 5 mostra os tipos de conectores reconhecidos pela norma ISO/IEC 24764.

Figura 5 – Tipos de conectores ópticos reconhecidos pela ISO/IEC 24764

(a) Conector LC duplex (IEC 61754-20)

(b) Conector MPO para até 12 fibras (IEC 61754-7)

(c) Conector MPO para até 24 fibras (IEC 61754-7)

Fonte: ISO/IEC 24764:2010/Amd.1:2014.

Apenas como informação complementar, há, no mercado, conectores MPO (multi-fiber


connector) com até 72 fibras. No entanto, as normas vigentes somente reconhecem os
conectores com capacidade para até 24 fibras.

É comum, ainda, encontrar a sigla MTP usada em substituição à MPO. Embora elas não
tenham exatamente o mesmo significado, podem ser utilizadas de forma intercambiável.
Formalmente falando, MPO é o padrão de conexão (IEC 61754-7), enquanto MTP é uma
marca registrada de um conector padrão MPO.

Apenas como curiosidade, o padrão MPO é também especificado na TIA-604-5-D.

Pergunta 09:

Há, em sua opinião, uma parte em especial da ISO/IEC 24764 que gostaria de
destacar?

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Universidade do Sul de Santa Catarina

Resposta:

Sim, em particular o Anexo B (uso de hardware de conexão com alta densidade em


cabeamento óptico). Trata-se de um anexo informativo que traz modelos de conexões em
cabeamento óptico para ambientes com altas densidades de conexões.

Em outras palavras, este anexo mostra, de forma bastante prática, onde podem ser utilizados
os conectores MPO e os cordões fan-out no cabeamento do datacenter. Um conector MPO,
como discutido na questão anterior, conecta segmentos de cabos ópticos com múltiplas
fibras entre dois distribuidores. Esses cabos terminados com conectores MPO em ambas as
extremidades são também conhecidos como cabos trunking.

O uso de cabos trunking traz os seguintes benefícios à instalação:

a. elimina (ou minimiza) os serviços de terminação de cabos em campo;


b. aumenta a confiabilidade da instalação e melhora seu desempenho, pois esses
cabos são montados e testados em fábrica;
c. reduz o tempo de instalação, pois é necessária apenas a conexão dos
conectores MPO ao hardware de conexão do distribuidor, normalmente um
cassete que recebe conexões MPO (múltiplas) e entrega conexões individuais
(normalmente, LC).

Os cordões fan-out são segmentos de cabos (frequentemente, com comprimentos menores


do que os cabos, porém não necessariamente) que têm um conector MPO em uma de suas
extremidades e vários conectores individuais (que podem ser configurados em grupos duplex)
na outra. Os cordões fan-out são usualmente montados nos distribuidores em configuração
muito similar aos tradicionais distribuidores ópticos com pig tails e emendas ópticas.

A Figura 6 mostra um esquema comumente utilizado em cabeamento de datacenters com o


uso de cabos trunking e cordões fan-out.

Figura 6 – Exemplo de esquema de distribuição de cabeamento óptico com alta densidade em datacenters

Fonte: ISO/IEC 24764:2010/Amd.1:2014.

No esquema apresentado na Figura 6, o segmento de cabo terminado com conectores MPO


em cada extremidade (representado como “H” na figura) é o cabo trunking. Os cordões fan-out
são aqueles utilizados nos distribuidores em ambas as extremidades do canal; identificados
na figura como “transition assembly”. Os cordões fan-out, nesta configuração, são geralmente
montados dentro do distribuidor óptico (hardware de conexão, bastidor) e, então, conectados
aos equipamentos ativos ópticos (EQP) por meio de patch cords ópticos, identificados na
figura como “equipment cords”.

28
Normas e classificação de datacenters − ISO/IEC 24764:2010

Referências
ISO/IEC 24764:2010. Information technology: generic cabling systems for data centres /
Amendment 1: 2014.

ISO/IEC 14763-2:2012. Information technology: implementation and operation of customer


premises cabling − Part 2: Planning and installation.

ISO/IEC 11801:2002/Amd.1:2008/Cor. 1/2:2002/Amd.2:2010. Information technology: generic


cabling for customer premises. Esta norma é também conhecida como ISO/IEC 11801 Ed.2.2
Information technology: generic cabling for customer premises.

29
Normas e classificação de
datacenters − ANSI/TIA-942-A 1

Apresentação da entrevista

O ANSI, American National Standards Institute, é uma organização de normas americana,


privada e sem fins lucrativos. Por meio de voluntários, cuida de normas para produtos,
serviços, processos e sistemas para aplicação nos Estados Unidos, e que também se
relaciona com órgãos internacionais visando à integração de padrões. Está sediada em
Washington e realiza a acreditação e certificação de normas de outros órgãos e institutos,
tais como a TIA - Telecommunications Industry Association. Assim, as normas ANSI/TIA são
baseadas em trabalhos voluntários e consensuais das áreas cobertas pelas tecnologias da
informação e telecomunicações, que criam e desenvolvem normas como a de datacenter,
objeto desta entrevista.

Aqui, discutimos o surgimento e a evolução da ANSI/TIA-942-A, seus vínculos e como


estão sendo preparadas as novas versões. Verificamos o tratamento dado aos conceitos
de datacenter e sua topologia, e que classificação é adotada pela norma. São debatidas
as recomendações quanto à infraestrutura elétrica, de ar condicionado, de cabeamento,
automação e segurança. Por ser uma norma americana, perguntamos sobre sua
abrangência internacional e como se aplica no Brasil, assim como tópicos especiais e outros
procedimentos recomendados.

Entrevista

Pergunta 01:

Nesta entrevista vamos tratar da norma americana de datacenters, a ANSI/TIA-


942-A. Pode discorrer um pouco sobre a história dessa norma, seu vínculo com
outras normas internacionais, sua evolução e versão atual, bem como seus futuros
desenvolvimentos?

Resposta:

A norma norte-americana ANSI/TIA-942-A (Telecommunications infrastructure standard for


datacenters, ou seja, infraestrutura de telecomunicações para datacenters) é a revisão da
ANSI/TIA-942, publicada, inicialmente, em abril de 2005. A revisão atual foi publicada em
agosto de 2012. Outros três documentos que complementam esta norma foram publicados:

a. ANSI/TIA-942-1:2008 (Datacenter coaxial cabling specifications and applications


distance, especificações e aplicações de cabeamento coaxial para datacenters):
este documento foi mais tarde incorporado à ANSI/TIA-942-A;

1.  FACCIONI FILHO, Mauro. Normas e classificação de datacenters. Palhoça: UnisulVirtual, 2017
Universidade do Sul de Santa Catarina

b. ANSI/TIA-942-2:2010 (Telecommunications infrastructure standard for


datacenters, Addendum 2 – Additional media and guidelines for datacenters,
infraestrutura de telecomunicações para datacenters, Adendo 2 – meios
físicos adicionais e diretrizes para datacenters): este documento foi mais tarde
incorporado à ANSI/TIA-942-A;
c. ANSI/TIA-942-A-1:2013 (Telecommunications infrastructure standard for
datacenters, Addendum 1 – cabling guidelines for datacenter fabrics,
infraestrutura de telecomunicações para datacenters, Adendo 1 – diretrizes de
cabeamento para datacenter fabrics 2): este é o primeiro adendo da norma ANSI/
TIA-942 e continua vigente.

A ANSI/TIA-942-A é parte de um conjunto de normas norte-americanas de cabeamento


estruturado desenvolvidas pela TIA, que organiza suas normas em três grupos:

i. normas comuns;
ii. normas para edifícios;
iii. normas de componentes.

A ANSI/TIA-942-A faz parte do grupo de normas para edifícios, nesse caso, edifícios que
abrigam datacenters. Para citar exemplos, a norma ANSI/TIA-568.0 pertence ao grupo de
normas comuns, a ANSI/TIA-568.C-1 pertence ao grupo de normas para edifícios e a norma
ANSI/TIA-568.C-2, ao grupo de normas de componentes.

Portanto, a aplicação da ANSI/TIA-942-A pode ser complementar a outras normas e outras


normas podem ser complementares a ela. Por exemplo, a ANSI/TIA-942-A remete à ANSI/
TIA-568-C.0 quando especifica a topologia do sistema de cabeamento estruturado para
datacenters, e à ANSI/TIA-568-C.3 para referências quanto a componentes ópticos.

Embora muitas normas ANSI/TIA sejam baseadas em outras normas ISO/IEC, esta norma não
tem vínculos com normas internacionais (ISO). Quanto a desenvolvimentos futuros, não há
ainda qualquer sinal de uma nova revisão a caminho neste momento.

Pergunta 02:

Qual é a estrutura da norma ANSI/TIA-942-A, ou seja, como os itens são divididos em


seu texto?

Resposta:

Embora a ANSI/TIA-942-A seja uma norma de infraestrutura de telecomunicações para


datacenters, sua cobertura vai além de cabeamento estruturado. Ela é organizada em nove
seções e oito anexos, conforme a seguir:

2.  Fabrics, termo técnico associado à tecnologia de switching, é o layout de como conexões são feitas em uma matriz de
switches e servidores.

32
Normas e classificação de datacenters - NBR14565

1. Escopo
2. Referências normativas
3. Definição de termos, abreviaturas e unidades de medida
4. Visão geral de projeto do datacenter
5. Infraestrutura do sistema de cabeamento estruturado
6. Espaços de telecomunicações e topologias
7. Sistemas de cabeamento
8. Caminhos de cabos
9. Redundância
Anexo A (informativo): Considerações de projeto do cabeamento

Anexo B (informativo): Informação para o provedor de acesso

Anexo C (informativo): Coordenação com outros engenheiros

Anexo D (informativo): Considerações dos espaços

Anexo E (informativo): Seleção do site e considerações de projeto do edifício

Anexo F (informativo): Classificação da infraestrutura do datacenter em tiers

Anexo G (informativo): Exemplos de projeto de datacenters

Anexo H (informativo): Bibliografia

Eu gostaria de chamar a atenção do leitor para alguns pontos relacionados à estrutura desta
norma, como, por exemplo, suas partes iniciais, em especial as três primeiras seções. Note
que elas são similares às três primeiras seções das normas ABNT/NBR 14565:2013 e ISO/
IEC 24764:2010/Amd. 1:2014. Isso acontece porque tanto a ABNT quanto a TIA seguem o
modelo de estrutura de normas estabelecido pela ISO. O que é muito bom para o projetista é
que, atualmente, as normas desenvolvidas por diferentes organismos normalizadores (sobre
um mesmo tema) estão cada vez mais alinhadas, ou seja, há uma tendência de convergência e
isso vem se consolidando desde os últimos dez anos, aproximadamente. No passado, normas
desenvolvidas por diferentes organismos normalizadores, sobre um mesmo tema, eram muitas
vezes concorrentes e conflitantes.

Pergunta 03:

Qual o conceito dado a datacenter na ANSI/TIA-942-A? Qual a topologia que adota?

Resposta:

Para começar, é importante enfatizar que o escopo da ANSI/TIA-942-A é a especificação


de requisitos mínimos para a infraestrutura de telecomunicações de datacenters e sala de
computadores para infraestruturas destinadas a um único usuário (empresa, denominado
enterprise nesse caso) e para infraestruturas destinadas a vários usuários (hosting). As
especificações e recomendações da ANSI/TIA-942-A aplicam-se a datacenters de diversos portes.

33
Universidade do Sul de Santa Catarina

De acordo com a ANSI/TIA-942-A, um datacenter é composto pela sala de computadores e


espaços correlatos (ou espaços de suporte), conforme mostrado na Figura 1.

Figura 1 – Datacenter mostrando seus principais espaços e como se relacionam

Limites da área do edifício

Edifício

Salas de
Escritório telecom para
central espaços fora
do datacenter

Datacenter
Pessoal de Entrada de Salas de
suporte do serviços serviço
datacenter mecânico e
elétrico

Centro de Salas de Estoque


operações telecom para e doca de
o datacenter carga e
descarga

Sala de computadores

Fonte: ANSI/TIA-942-A: 2012.

Basicamente, a ANSI/TIA-942-A parte do esquema da Figura 1 para especificar e recomendar


aspectos relacionados ao projeto da infraestrutura de telecomunicações de datacenters, o que
é detalhado em sua Seção 6 (espaços de telecomunicações para datacenters e topologias).

Entre os temas tratados na Seção 6, estão os seguintes:

a. estrutura do datacenter;
b. projeto de eficiência energética;
c. requisitos da sala de computadores;
d. projeto da edificação;
e. projeto ambiental;
f. ar condicionado e ventilação;
g. projeto elétrico;
h. proteção contra incêndio;

34
Normas e classificação de datacenters - NBR14565

i. requisitos dos espaços de entrada de serviços;


j. área de distribuição principal;
k. área de distribuição intermediária;
l. área de distribuição horizontal;
m. racks e gabinetes.

Embora a ANSI/TIA-942-A cubra uma variedade de sistemas, não somente o cabeamento


estruturado como as nomas ABNT NBR 14565:2013 e ISO/IEC 24764:2010/Amd.1:2014, toda
a discussão tem como objetivo especificar e recomendar uma infraestrutura física para os
sistemas de telecomunicações do datacenter.

Pergunta 04:

A ANSI/TIA-942-A tem uma classificação de datacenters bastante detalhada. Pode


nos explicar sucintamente?

Resposta:

A ANSI/TIA-942-A traz em sua Seção 4, item 4.3 (Tiering), informações sobre um modelo de
classificação em tiers para a infraestrutura do datacenter com base em sua redundância e
disponibilidade correspondente.

O sistema de classificação estabelecido pela ANSI/TIA-942-A, detalhado em seu Anexo F,


informativo (Datacenter infrastructure tiers), traz um esquema de classificação em níveis (tiers) que
sugere um conjunto limitado de passos no intuito de melhorar a confiabilidade do datacenter.

Na edição anterior desta norma (ANSI/TIA-942:2005), o esquema de classificação em tiers era


baseado no padrão do The Uptime Institute. Na revisão A, entretanto, o tratamento é diferente
e desvinculado dessas especificações.

De acordo com a ANSI/TIA-942-A, os seguintes sistemas entram em seu modelo de


classificação em tiers:

a. cabeamento (T);
b. elétrico (E);
c. construção civil (A);
d. mecânico (M).

Ainda, de acordo com a TIA-942-A, um datacenter pode ter diferentes classificações para
cada um de seus sistemas, como, por exemplo:

a. cabeamento: T1;
b. elétrico: E2;
c. construção civil: A3;
d. mecânico: M2.

35
Universidade do Sul de Santa Catarina

No exemplo acima, temos um datacenter com cabeamento Tier 1, sistema elétrico Tier 2,
construção civil (edificação) Tier 3 e sistema mecânico (ar condicionado) Tier 2. Portanto, um
datacenter com essas caraterísticas teria sua classificação reportada como:

•• T1E2A3M2

Segundo a ANSI/TIA-942-A, um datacenter somente recebe uma classificação única, por


exemplo Tier 3, se todos os seus sistemas forem classificados como Tier 3, individualmente.
Esta norma reconhece que, embora os datacenters sejam normalmente classificados com
base em seu sistema de menor classificação, em certas circunstâncias pode ser mais
interessante ter alguns sistemas com classificações maiores que outros. Por exemplo, um
datacenter pode requerer sistemas elétricos e mecânicos Tier 3, mas operar bem com um
cabeamento Tier 1 ou Tier 2 mantendo um nível de disponibilidade desejável.

A ‘TIA-942-A define, então, as seguintes classificações:

a. datacenter Tier 1: básico;


b. datacenter Tier 2: componentes redundantes;
c. datacenter Tier 3: manutenção concomitante à operação;
d. datacenter Tier 4: tolerante a falhas.

Para a determinação de sua classificação em tiers, a ANSI/TIA-942-A adota um esquema de


redundância com base no requisito básico “N” de cada sistema considerado e estabelece os
graus de redundância a seguir.

Básico (N)

Um datacenter com requisito “N” para cada sistema considerado é um datacenter sem qualquer
redundância, ou seja, é o mínimo que um datacenter deve ter para assegurar alguma disponibilidade.
Se usarmos o sistema elétrico como referência, teremos a concessionária, um gerador e um sistema
UPS. Um datacenter com requisito básico (N) é, portanto, um datacenter Tier 1 3.

Redundância N+1

Um datacenter com requisito “N+1” significa uma infraestrutura com, pelo menos, uma
redundância que pode ser em nível de componentes ou sistemas. Utilizando o sistema elétrico
como referência, teremos a concessionária, um gerador principal e um back-up (redundante),
além de um sistema (ou módulo) UPS e um sistema ou módulo back-up (redundante).

De acordo com a 942-A, é possível termos redundância N+n, ou seja, N+1, N+2, N+3 etc. Um
datacenter com requisito N+1, N+2 etc., é um datacenter com componentes redundantes e,
portanto, de classificação Tier 2 4.

3.  A Figura 4.3 do livro “Datacenters – Engenharia: Infraestrutura Física, Paulo Sérgio Marin, PM Books Editora, São Paulo/SP,
Brasil, 2016,” mostra um exemplo de sistema elétrico Tier 1.

4.  A Figura 4.4 do livro “Datacenters – Engenharia: Infraestrutura Física, Paulo Sérgio Marin, PM Books Editora, São Paulo/SP,
Brasil, 2016”, mostra um exemplo de sistema elétrico Tier 2.

36
Normas e classificação de datacenters - NBR14565

Redundância 2N

Um datacenter com requisito 2N tem, além do mínimo necessário para cada sistema, um
sistema completo adicional, ou seja, redundante. Para citar um exemplo com base no sistema
elétrico, teríamos dois sistemas elétricos idênticos, cada um com uma concessionária, um
gerador e um sistema UPS; ambos alimentando a mesma carga crítica de TI. Também é
possível, porém raro, termos redundância 3N, 4N, 5N etc. Um datacenter com redundância 2N
pode ser um datacenter de classificação Tier 3 ou Tier 4 5.

Redundância 2(N+1)

Um datacenter com requisito 2(N+1) tem uma infraestrutura duplicada em relação a um


datacenter com componentes redundantes. Neste caso, para o sistema elétrico, teríamos duas
infraestruturas projetadas com redundância “N+1”, ou seja, cada uma com uma concessionária,
dois geradores (o principal e seu back-up) e dois UPS (o principal e seu back-up) alimentando a
mesma carga. Um datacenter com redundância pode ter classificação Tier 3 ou Tier 4.

Pergunta 05:

Como a ANSI/TIA-942-A trata a questão da energia? Quais suas recomendações


nesse tema?

Resposta:

Com relação à energia elétrica, a ANSI/TIA-942-A traz uma seção cujo título é
“Recomendações de eficiência energética”, seção 6.3, item 6.3.1, que trata basicamente
de como melhorar a eficiência energética do datacenter. Já a seção 6.4, item 6.4.6, traz
recomendações sobre o projeto da distribuição elétrica em datacenters.

De acordo com a ANSI/TIA-942-A, a eficiência energética deve ser considerada no projeto


da infraestrutura de telecomunicações do datacenter. As recomendações da ‘942-A quanto à
eficiência energética aplicam-se ao projeto de:

•• cabeamento;
•• caminhos;
•• espaços.

Para os demais sistemas do datacenter, a ANSI/TIA-942-A recomenda os seguintes padrões e


normas:

a. ASHRAE, Best Practices for Datacom Facility Energy Efficiency, Second Edition
(2009);
b. ASHRAE, Design Considerations for Data and Communications Equipment
Centers, Second Edition (2009);

5.  As Figuras 4.5a e 4.6 do livro “Datacenters – Engenharia: Infraestrutura Física, Paulo Sérgio Marin, PM Books Editora, São
Paulo/SP, Brasil, 2016”, mostram exemplos de datacenters com infraestrutura 2(N+1).

37
Universidade do Sul de Santa Catarina

c. European Union, Best Practices for EU Code of Conduct on Data Centres,


Version 2.0 (2010);
d. European Union, Code of Conduct on Data Centres Energy Efficiency, Version 2.0
(2010).

Entre as recomendações da ANSI/TIA-942-A para melhorar a eficiência energética no projeto


da infraestrutura de telecomunicações estão o uso de distribuição aérea (overhead) para
cabeamento estruturado e a alimentação elétrica a outros sistemas sempre que possível. A
distribuição overhead reduz as perdas na climatização por haver, em geral, menos obstruções
e turbulência, como acontece quando o ar é insuflado sob o piso elevado.

Quando a infraestrutura de cabeamento é instalada sob o piso elevado que também é utilizado
para a insuflação de ar frio do sistema de climatização, a TIA-942-A recomenda o seguinte:

a. minimizar a quantidade de cabos que serão instalados sob o piso elevado;


b. selecionar cabos com diâmetros menores para minimizar o volume de cabos sob
o piso elevado;
c. projetar os caminhos de cabos sob os corredores quentes para evitar o bloqueio
das saídas de ar nos corredores frios;
d. projetar a distribuição de cabeamento de modo que as rotas dos cabos sejam
opostas ao sentido do fluxo de ar do sistema de climatização para minimizar
obstruções;
e. projetar os caminhos de forma adequada para permitir menor ocupação com os
cabos e mais espaço para a passagem do fluxo de ar.

No que diz respeito ao projeto elétrico, a ANSI/TIA-942-A traz algumas poucas considerações
(a título de recomendação) sobre a distribuição elétrica na sala de computadores. Entre elas
está a utilização de circuitos dedicados aos equipamentos críticos de TI e também a previsão
de tomadas elétricas para equipamentos de uso geral.

Os circuitos elétricos para os equipamentos críticos de TI e aqueles para os equipamentos


de uso geral devem ser derivados de quadros elétricos separados. As tomadas elétricas para
alimentar os equipamentos críticos de TI devem ser posicionadas de forma adequada e mais
próximas das localidades de instalação de racks e gabinetes, enquanto as tomadas de uso
geral devem ser instaladas a cada 3,65 m no perímetro do espaço.

Para atender aos equipamentos críticos de TI, devem ser sempre considerados dois circuitos
diferentes por rack ou gabinete e deve haver um sistema de back-up. Em outras palavras,
deve sempre haver geradores e sistemas UPS para garantir a operação ininterrupta dos
equipamentos críticos de TI do datacenter.

Para finalizar, a ANSI/TIA-942-A recomenda que o aterramento do datacenter seja


implementado conforme especificado na ANSI/TIA-607-B, que é uma norma ANSI/TIA de
aterramento e equalização de terras para sistemas de telecomunicações.

38
Normas e classificação de datacenters - NBR14565

Pergunta 06:

E quanto a questões ambientais, como essa norma se posiciona?

Resposta:

A ANSI/TIA-942-A traz algumas considerações sobre projeto ambiental em sua Seção 6, item
6.4.5. Não há muitos detalhes sobre esse tema na ‘TIA-942-A e ela remete o projetista a outras
normas para especificações mais detalhadas. De qualquer forma, ela aborda superficialmente
o ambiente operacional quanto a contaminantes, traz recomendações sobre HVAC (ventilação
e ar condicionado), parâmetros operacionais, operação contínua, operação em standby, fontes
de rádio, baterias e vibração. Vejamos a seguir, recomendações e referências sobre cada um
desses itens relacionados ao projeto ambiental.

Contaminantes

A ANSI/TIA-942-A recomenda que o ambiente operacional do datacenter seja implementado


em conformidade com os requisitos C1 (classificação ambiental), remetendo à ANSI/TIA-
568-C.0 (cabeamento genérico de telecomunicações em edifícios) para detalhes de projeto.

HVAC

A sala de computadores deve ter um sistema de ventilação e ar condicionado dedicado; caso


contrário, algumas autoridades locais não aceitarão o projeto e o datacenter não poderá operar.

Parâmetros ambientais

A temperatura e a umidade dentro da sala de computadores devem ser controladas conforme


especificações da norma ANSI/TIA-569-C (caminhos e espaços para cabeamento de
telecomunicações). A ANSI/TIA-569-C traz especificações de caminhos para a distribuição
de cabos e espaços para sistemas de cabeamento estruturado que podem ser aplicados
a datacenters. Esta norma define classes ambientais para espaços de telecomunicações
com base em seus requisitos de temperatura e umidade relativa do ar. Os datacenters são
classificados segundo as classes A1 a A4 da ASHRAE. Na prática, isso significa que os
seguintes parâmetros são adotados:

•• Temperatura: entre 18 e 27 °C, temperatura de bulbo seco;


•• Umidade relativa do ar máxima: 60%;
•• Ponto de condensação máximo: 15 °C;
•• Ponto de condensação mínimo: 5,5 °C;
•• Taxa de troca de ar máxima: 5 °C por hora.

39
Universidade do Sul de Santa Catarina

Operação contínua

O sistema HVAC deve operar ininterruptamente, ou seja, 24 horas por dia e 365 dias por ano.

Operação standby

O sistema HVAC da sala de computadores deve ser suportado pelo gerador back-up da sala.
Nestes casos, não há um sistema back-up de alimentação (gerador) dedicado ao sistema
HVAC da sala de computadores, e o gerador do edifício deve ser utilizado para esse fim.

Fontes de rádio

Por motivos de interferência eletromagnética potencial com os equipamentos críticos de TI em


operação na sala de computadores, o uso de alguns equipamentos que emitem ondas de rádio,
tais como telefones celulares, rádios portáteis etc., não é recomendado dentro desse espaço.

Baterias

A ANSI/TIA-942-A remete às especificações OSHA CFR 1926.441 para requisitos de


ventilação e contenção de vazamentos de substâncias químicas associados a baterias
utilizadas nos sistemas UPS de datacenters. Um requisito comum é que haja ventilação
forçada (o fluxo de ar costuma ser especificado) nos espaços que abrigam baterias.

Vibração

Para requisitos de vibração mecânica da estrutura, a ANSI/TIA-942-A remete à especificação


Telcordia GR-63-CORE.

Pergunta 07:

Quais são as recomendações sobre ar condicionado e sua implementação em


datacenters de acordo com essa norma?

Resposta:

A ANSI/TIA-942-A recomenda a conformação de corredores quentes e frios nas salas de


computadores em datacenters para um melhor desempenho do sistema de climatização. A
Figura 2 mostra um exemplo disso.

40
Normas e classificação de datacenters - NBR14565

Figura 2 – Conformação de corredores frios e quentes na sala de computadores

Fonte: ANSI/TIA-942-A: 2012.

Os equipamentos utilizados para a climatização da sala de computadores são normalmente


conhecidos como CRAC (Computer Room Air Conditioner) e, como o nome sugere, são instalados
dentro das salas de computadores. A quantidade de equipamentos dependerá da carga térmica
dissipada na sala e a posição de cada unidade CRAC dependerá das dimensões e geometria desse
espaço. A Figura 3 mostra um exemplo de uma sala de computadores com unidades CRAC instaladas.

Figura 3 – Unidades CRAC instaladas em uma sala de computadores

Fonte: ANSI/TIA-942-A: 2012.

41
Universidade do Sul de Santa Catarina

A Figura 3 mostra as posições das unidades CRAC na sala de computadores e também a


conformação de corredores frios e quentes nesse espaço.

Embora o mais comum seja o uso de unidades CRAC para a climatização de uma sala de
computadores em datacenters, equipamentos denominados CRAH (Computer Room Air
Handler) podem ser utilizados também. Ambos os equipamentos têm uma mesma aparência
externa; a diferença está em suas construções. A principal diferença é que uma unidade CRAC
é um equipamento de ar-condicionado completo, ou seja, ele tem a etapa de evaporação no
equipamento e o compressor também é instalado na unidade. A condensadora fica fora do
equipamento, da mesma forma que os equipamentos de ar-condicionado para uso residencial e
comercial. Já uma unidade CRAH tem o fan-coil (serpentina) instalado nela, porém o evaporador
e o compressor ficam fora dela. Os equipamentos CRAH operam normalmente com chillers de
água gelada e torre de resfriamento, como os sistemas de ar condicionado de grande porte.

Algumas recomendações da ANSI/TIA-942-A quanto ao sistema de climatização da sala de


computadores são as seguintes:

a. as unidades CRAC devem ser posicionadas de modo a maximizar o fluxo de ar


nos corredores frios;
b. as unidades CRAC combinadas devem ser dimensionadas para lidar com a
carga térmica total da sala de computadores;
c. cada unidade CRAC deve ser dimensionada para lidar com a carga térmica da
região onde está instalada na sala de computadores;
d. é recomendável que unidades CRAC redundantes sejam consideradas;
e. as unidades CRAC podem ser projetadas para operar a meia carga, ou seja,
unidades CRAC que lidam com uma determinada carga térmica de uma
determinada região da sala de computadores podem operar cada uma à meia carga
e simultaneamente, de modo a lidar com a carga térmica total daquela região; isso
pode ser uma técnica para maximizar a vida útil de cada unidade CRAC;
f. quando unidades CRAC operam à meia carga e em conjunto, na falha de uma
delas a outra deve assumir a carga total de climatização automaticamente;
g. o uso de placas perfuradas para a saída de ar frio insuflado sob o piso elevado é
preferido em relação a placas com grelhas;
h. o uso de grelhas prejudica o desempenho do sistema de climatização por
desequilibrar o fluxo de ar em um determinado corredor frio;
i. é recomendado que a área perfurada da porta dos gabinetes seja de, no mínimo,
67% para garantir um bom fluxo de ar para a climatização eletrônica.

Pergunta 08:

A respeito da infraestrutura, cabeamento, automação e segurança, quais as


recomendações da ANSI/TIA-942-A? Há alguma citação referente a container ou
sala-cofre? Fala algo sobre DCIM?

42
Normas e classificação de datacenters - NBR14565

Resposta:

A ANSI/TIA-942-A especifica uma topologia de cabeamento para o datacenter, conforme


mostrado na Figura 4.

Figura 4 – Topologia de cabeamento estruturado para datacenters

Fonte: ANSI/TIA-942-A: 2012.

Conforme mostrado na Figura 4, podemos identificar os seguintes elementos funcionais:

a. Área de distribuição principal (MDA);


b. Subsistema de cabeamento de backbone (backbone de campus);
c. Área de distribuição principal (IDA);
d. Subsistema de cabeamento de backbone (backbone de edifício);
e. Área de distribuição horizontal (HDA);
f. Subsistema de cabeamento horizontal;
g. Área de distribuição de zona (ZDA, opcional);
h. Área de distribuição de equipamento (EDA).

Conforme abordado em artigos anteriores, quando discutimos as normas ABNT NBR


14565:2013 e ISO/IEC 24764:2010/Amd. 1:2014, a distribuição do cabeamento estruturado
no datacenter, conforme especificado pela ANSI/TIA-942-A, segue uma mesma topologia de
distribuição. No entanto, a nomenclatura é um pouco diferente.

Aqui aproveito para destacar que, em termos de cabeamento estruturado, a principal diferença
entre a versão anterior desta norma (ANSI/TIA-942) e a atual (ANSI/TIA-942-A) foi a introdução
da área de distribuição intermediária (IDA) na topologia do cabeamento. Portanto, a cobertura
do cabeamento estruturado do datacenter passou de uma rede local (LAN) para uma rede de
campus (CAN), o que não era previsto na versão anterior desta norma.

43
Universidade do Sul de Santa Catarina

Em termos de meios de transmissão, a ANSI/TIA-942-A reconhece cabos de cobre e cabos


ópticos para ambos os subsistemas do cabeamento, backbone e horizontal. Os cabos de
cobre e fibras ópticas reconhecidos por esta norma são:

•• cabos balanceados de 4 pares, 100 ohms, categoria 6 ou categoria 6A, para os


quais recomenda-se a categoria 6A (500 MHz);
•• cabos multimodo otimizados para transmissão laser de 850 nm, 50/125 mm, OM3 ou
OM4, para os quais recomenda-se OM4;
•• cabos ópticos monomodo.

A ANSI/TIA-942-A remete às normas ANSI/TIA-568-C.2 para especificações sobre cabos


e hardware de conexão metálicos; e à ANSI/TIA-568-C.3, para especificações de cabos e
hardware de conexão em fibras ópticas.

Em algumas implementações específicas, cabos coaxiais são também reconhecidos. Nesses


casos, os cabos especificados são os tipos 734 e 735 que podem ser terminados em
conectores TNC ou BNC.

A ANSI/TIA-942-A reconhece o uso de cabos trunking ópticos e fan-out.

A topologia típica de distribuição de cabeamento em um datacenter básico, conforme a ANSI/


TIA-942-A é mostrada na Figura 5.

Quanto à segurança e automação, esta norma traz apenas algumas poucas recomendações,
porém sem entrar em detalhes. O mesmo acontece quanto à implementação de sistemas de
monitoramento da infraestrutura de datacenters (DCIM).

Para finalizar, a ANSI/TIA-942-A não traz qualquer menção à implementação de datacenters


em containers ou salas-cofre. Isso não quer dizer que esta norma não reconheça a
implementação de datacenters nesses ambientes; simplesmente ela não traz recomendações
e nem especificações quanto a isso.

Figura 5 – Exemplo de topologia de cabeamento em um datacenter básico

Fonte: ANSI/TIA-942-A: 2012.

Note que o esquema da Figura 5 mostra a localização dos distribuidores do cabeamento


estruturado dentro da sala de computadores.

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Normas e classificação de datacenters - NBR14565

Pergunta 09:

A abrangência da ANSI/TIA-942-A é internacional ou apenas americana? É


obrigatória ou apenas recomenda procedimentos para datacenters?

Resposta:

A ANSI/TIA-942-A é uma norma nacional norte-americana, ou seja, ela se tem valor normativo
em todo o território nacional dos Estados Unidos.

Embora ela seja bem aceita e utilizada como referência para o projeto da infraestrutura de
telecomunicações de datacenters em outros países, inclusive no Brasil, ela é uma norma local
e não tem abrangência internacional, como no caso de normas ISO/IEC.

Embora seja uma norma nacional norte-americana, a norma ANSI/TIA-942-A não é obrigatória.
Vale lembrar, da discussão da norma brasileira, que as normas são de desenvolvimento e
aplicação voluntários. Isso significa que o fato de existir uma norma não significa que ela
deve ser utilizada. De qualquer forma, como em discussões anteriores, o uso de uma norma
nacional como referência para um determinado projeto é sempre uma boa prática e pode
minimizar os efeitos de potenciais questões legais que envolvam o projeto.

Pergunta 10:

A ANSI/TIA-942-A tem algum tópico especial ou exclusivo? Qual sua visão pessoal
sobre ela, em termos de qualidade e abrangência?

Resposta:

A ANSI/TIA-942-A, em seu Anexo F (informativo), traz, sob meu ponto de vista, uma
ferramenta muito útil ao projetista para o projeto de um datacenter cujo objetivo é obter uma
determinada classificação em tiers.

Embora conflitante com as especificações do The Uptime Institute, a ANSI/TIA-942-A define


um sistema de classificação da infraestrutura de datacenters em quatro níveis (tiers), como já
discutido anteriormente, com base em quatro sistemas fundamentais de sua infraestrutura:

•• Telecomunicações (T);
•• Elétrico (E);
•• Construção (A);
•• Mecânico (M).

A forma como a ANSI/TIA-942-A apresenta as características de cada classificação também


é muito prática. Em outras palavras, a determinação de “N” como requisito básico para um
sistema ou componente da infraestrutura do datacenter e, a partir daí, seu incremento com
mais sistemas ou componentes (+1, +2, 2N, 3N etc.) para obter diferentes classificações torna
o projeto de determinados sistemas bastante prático e simples.

45
Universidade do Sul de Santa Catarina

Além disso, ela termina seu Anexo F com uma planilha no formato de check list que ajuda
o projetista a determinar as premissas de projeto para os sistemas fundamentais da
infraestrutura de seu datacenter. Para citar um exemplo, referente à construção do site, um
datacenter Tier 4 deve atender aos seguintes requisitos:

a. deve estar a mais de 91 metros de distância de uma área classificada como


sujeita à inundação, com base em seu registro dos últimos 100 anos;
b. deve estar a mais de 800 metros de costas ou rios;
c. o estacionamento para veículos de visitantes deve estar fisicamente separado
do estacionamento de funcionários do datacenter;
d. as paredes externas do edifício devem resistir a um evento de incêndio sem
propagar chamas por quatro horas, no mínimo;
e. o NOC deve estar fisicamente separado de outras áreas do datacenter e deve
ter acesso direto à sala de computadores;
f. áreas sanitárias e de refeições devem estar fisicamente separadas da sala de
computadores e não podem ser adjacentes a elas;
g. a largura dos corredores para instalação, reparos e remoção de UPS e baterias
deve ser de 1,2 metro, no mínimo; entre outras especificações.

Para finalizar, eu vejo esta norma com uma abrangência bastante ampla no que diz respeito
à infraestrutura de telecomunicações para datacenters, e de excelente qualidade. Trata-se de
uma norma bastante completa e que agrega valor ao projeto de infraestrutura de datacenters,
cobrindo mais que apenas cabeamento estruturado.

Referências
ANSI/TIA-942-A: 2012. Telecommunications infrastructure standard for datacenters.

ANSI/TIA-942-A-1: 2013 (Telecommunications infrastructure standard for datacenters,


Addendum 1 – cabling guidelines for datacenter fabrics, infraestrutura de telecomunicações
para datacenters, Adendo 1 – diretrizes de cabeamento para datacenter fabrics).

MARIN, Paulo Sérgio. Datacenters – Engenharia: Infraestrutura Física. São Paulo: PM Books
Editora, 2016.

46
Normas e classificação de
datacenters − ANSI/BICSI 002 1

Apresentação da entrevista

Como vimos na entrevista anterior, a ANSI faz a acreditação de normas de outras instituições,
como é o caso da norma ANSI/TIA-942-A, originada da BICSI. A BICSI teve origem no
desenvolvimento de normas de cabeamento e originalmente era denominada Building Industry
Consulting Service International, tendo sede em Tampa, estado da Flórida, Estados Unidos. Como
associação, tem membros em cerca de 100 países e seus documentos são amplamente adotados,
especialmente quando há a chancela da ANSI, como é o caso desta ANSI/BICSI 002, dedicada a
datacenters.

Nesta última entrevista, abordaremos a evolução da norma da BICSI e como aplicar o conceito
de datacenters, a topologia apresentada e seus vários tópicos. A questão da classificação de
datacenters, tão cara aos profissionais da área, é abordada, bem como características gerais
da infraestrutura (energia, ar condicionado, ventilação, cabeamento, automação e segurança).
Também pelo fato de ser uma norma americana, trataremos da questão da abrangência
internacional e sua obrigatoriedade, finalizando com tópicos especiais e especificidades da norma.

Entrevista

Pergunta 01:

Nesta última entrevista, vamos tratar da norma da BICSI, que é um órgão bastante
conhecido. Gostaria que nos falasse um pouco da história da ANSI/BICSI 002, sua
evolução e versão atual, bem como de futuros desenvolvimentos.

Resposta:

A BICSI é uma associação norte-americana com presença internacional. Há alguns anos, ela
passou a desenvolver padrões para cabeamento estruturado e, um pouco mais tarde, formou
uma divisão dentro da associação, responsável por normalização nacional e internacional, com o
objetivo de desenvolver normas nacionais alinhadas com as diretrizes da ISO. A partir de então,
as normas da BICSI passaram a ser reconhecidos pela ANSI e, portanto, obtiveram o status
de norma nacional (nos Estados Unidos). Embora a maioria de suas normas seja reconhecida
nos Estados Unidos, a ‘BICSI 002 tem tido uma boa aceitação por profissionais da área de
infraestrutura para datacenters em nível global. A adoção desta norma no Brasil, entretanto, não é
possível por questões legais. Como discutimos em outros artigos, as únicas normas reconhecidas
no Brasil são as próprias normas brasileiras (NBR) e as normas internacionais (ISO).

1.  FACCIONI FILHO, Mauro. Normas e classificação de datacenters. Palhoça: UnisulVirtual, 2017.
Universidade do Sul de Santa Catarina

A ANSI/BICSI 002-2014 é uma norma desenvolvida pelo subcomitê de normalização BICSI


002 (SC 002), do qual faço parte como voting member (membro oficial com direito a voto no
subcomitê), e teve sua primeira versão publicada em 2011. Ela é, sem dúvida, a norma que
traz a cobertura mais ampla sobre infraestrutura para datacenters. A BICSI a promove como
a “fundação global para o projeto de datacenters” e isso não se trata apenas de um slogan
promocional; é realmente verdade.

Em termos de desenvolvimentos futuros, a BICSI tem procurado manter o ciclo de revisão de


suas normas de acordo com os requisitos da ISO, ou seja, a cada cinco anos, no máximo. Como
a ANSI/BICSI 002 é um documento bastante completo, não há planos de alteração de conteúdo
(inclusões, exclusões, alterações etc.) para a próxima revisão, apenas atualização.

Pergunta 02:

Qual é a estrutura da norma ANSI/BICSI 002, como ela divide tópicos e subtópicos
em seu texto?

Resposta:

Conforme discutido anteriormente, a ANSI/BICSI 002-2014 é uma norma bastante completa


sobre infraestrutura de datacenters; ela tem 500 páginas, 17 seções e 8 apêndices distribuídos
da seguinte forma:

Introdução

1. Escopo
2. Documentos e padrões – referências normativas
3. Definições, abreviaturas e unidades de medida
4. Seleção do site
5. Planejamento de espaços
6. Arquitetura
7. Estrutura
8. Sistemas elétricos
9. Sistemas mecânicos
10. Proteção contra incêndio
11. Segurança
12. Gerenciamento do datacenter e sistemas do edifício
13. Cabeamento estruturado, infraestrutura, caminhos e espaços
14. Tecnologia da informação
15. Comissionamento
16. Manutenção do datacenter
Apêndice A − Processo de projeto (Informativo)
Apêndice B − Confiabilidade e disponibilidade (Informativo)

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Normas e classificação de datacenters - NBR14565

Apêndice C − Alinhamento da confiabilidade dos serviços do datacenter com a aplicação e os


sistemas de arquitetura (Informativo)
Apêndice D − Modelos de terceirização de serviços do datacenter (Informativo)
Apêndice E − Arquitetura “multidatacenter” (Informativo)
Apêndice F − Exemplos de documentação de testes (Informativo)
Apêndice G − Projeto para eficiência energética (Informativo)
Apêndice H − Documentos relacionados (Informativo)

Como o leitor pode notar, os primeiros capítulos ou as seções desta norma seguem a mesma
estrutura das normas ISO/IEC, ou seja, começam com uma introdução, um escopo, as
referências normativas e definições, abreviaturas e unidades de medida.

Além disso, como toda norma, ela tem partes normativas (que são especificações) e
informativas (que são recomendações) ao longo de todo o documento. Todos os seus
apêndices, entretanto, são informativos.

Pergunta 03:

Qual o conceito dado a datacenter na ANSI/BICSI 002? Qual a topologia?

Resposta:

A definição de datacenter, de acordo com a ANSI/BICSI 002-2014, é a seguinte: “Um data


center é um edifício ou porção de um edifício com a função primária de abrigar uma sala de
computadores e seus espaços de suporte.”

A ANSI/BICSI 002-2014 conceitua o datacenter da mesma forma que as demais normas


analisadas nos artigos anteriores (com exceção da ISO/IEC 24764), ou seja, ele é composto
pela sala de computadores (que é seu núcleo) e espaços de suporte associados.

Entre os espaços de suporte mais relevantes, a ‘BICSI 002-2014 considera os seguintes:

a. UPS, baterias e sistemas de alimentação em corrente contínua, quando presentes;


b. entrada de serviço elétrico principal e de emergência (quadros de distribuição elétrica);
c. chillers, tratamento de água, HVAC e bombas;
d. armazenamento e montagem de equipamentos;
e. áreas de segurança;
f. ponto de entrada e terminação dos provedores de serviços;
g. NOC: Centro de operação da rede;
h. escritórios geral e de suporte à operação;
i. doca para carga e descarga de equipamentos e materiais (pode haver duas: uma
protegida por sistemas de segurança mais críticos e outra com requisitos de
segurança menos críticos);

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Universidade do Sul de Santa Catarina

j. espaço de circulação geral (com requisitos de segurança menos restritivos);


k. espaço de circulação restrito a alguns empregados do datacenter (com
requisitos de segurança mais restritivos).

De acordo com a ANSI/BICSI 002-2014, o espaço que abriga os equipamentos críticos de TI


é denominado ambiente crítico do datacenter, que é o equivalente à sala de computadores,
conforme definido em outras normas de infraestrutura de datacenters.

Pergunta 04:

A ANSI/BICSI 002 faz classificações de datacenters bastante avançadas. Como são


essas classificações? Como se dá a questão da redundância?

Resposta:

A ANSI/BICSI 002 apresenta, em seu Anexo B informativo (Reliability and Availability, Confiabilidade
e Disponibilidade), cinco classificações de disponibilidade de infraestrutura de datacenters. Define,
dessa forma, cinco classes operacionais do site (entre F0 e F4), sendo F0 a classe mais baixa de
disponibilidade e F4, sua classe mais alta. A classe F0 permite que o site tenha até 400 horas de
manutenção planejada por ano, com a interrupção da operação durante essa atividade.
Datacenters classificados como F1 permitem entre 100 e 400 horas de manutenção por ano,
incluindo interrupção de operação, já aqueles classificados como F4 não permitem paradas
para manutenção em nenhum momento, garantindo, assim, máxima disponibilidade.
Datacenters classificados entre F0 e F2 podem ter suas operações interrompidas devido a
atividades de manutenção; já aqueles de classes F3 e F4 não permitem paradas para serviços
de manutenção, embora um datacenter F3 possa sofrer um serviço de manutenção sem a
parada da operação, enquanto todos os outros levam à parada. Nesse caso, permite-se que
um site F3 passe por até 49 horas de manutenção em um período de um ano, apesar de isso
raramente ocorrer de fato.
A seguir, apresentarei um resumo de cada classificação com suas principais características.

Datacenter classe F0

Possui infraestrutura básica para atendimento da carga crítica de TI sem a presença


de componentes ou subsistemas redundantes. Não há, necessariamente, sistemas de
alimentação elétrica de reserva (back-up), incluindo grupos geradores ou sistemas UPS.
Um datacenter classe F0 pode ter até 400 horas de manutenção por ano e apresenta uma
probabilidade de disponibilidade inferior a 99%.

Datacenter classe F1

Um datacenter classe F1 possui infraestrutura básica para atendimento da carga crítica de


TI sem a presença de componentes ou subsistemas redundantes. Não há, necessariamente,
sistemas de alimentação elétrica de reserva (back-up), incluindo grupos geradores ou sistemas
UPS. Estabilizadores de tensão, bem como dispositivos de proteção contra surtos (DPS), devem
ser considerados para melhorar a qualidade de energia elétrica e proteger os equipamentos
críticos de TI do datacenter. Datacenters classe F1 podem sofrer entre 100 e 400 horas de
manutenção por ano e apresentam uma probabilidade de disponibilidade de 99%.

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Normas e classificação de datacenters - NBR14565

A principal diferença entre um datacenter classe F0 e F1 é que este apresenta maior


confiabilidade do que o primeiro.

Datacenter classe F2
Um datacenter classe F2 oferece disponibilidade superior aos níveis de redundância de sites
classes F0 e F1. Datacenters classe F2 oferecem um risco moderado de parada por falhas
diversas e manutenção. Eles têm redundância para componentes críticos. No que se refere
à distribuição elétrica, há redundância para os sistemas com maior probabilidade de falhas
como módulos UPS, geradores e chaves de transferência automática. Referente ao sistema de
ar-condicionado, esses mesmos critérios quanto à redundância são aplicados.
Para garantir o nível de disponibilidade com os quais os sites classe F2 devem estar em
conformidade, recomenda-se o uso de equipamentos, componentes, subsistemas e sistemas
de melhor qualidade. Datacenters classe F2 devem ser capazes de operar com probabilidades
mais baixas de falhas ao longo de suas vidas úteis, podem ter entre 50 e 90 horas de
manutenção por ano e apresentam uma probabilidade de disponibilidade de 99,9%.

Datacenter classe F3
Um datacenter classe F3 tem infraestrutura com maior confiabilidade e capacidade de
manutenção, de modo a minimizar a parada do site devido a atividades planejadas e
acidentais. Ele tem componentes críticos e não críticos com alguma redundância.
O sistema de distribuição elétrica em sites classe F3 é crítico e deve garantir a alimentação
elétrica contínua das cargas críticas de TI, mesmo no caso de falhas de componentes ou
subsistemas importantes ou, ainda, quando estão fora de operação devido a serviços de
manutenção. Datacenters classe F3 devem ser projetados para suportar as cargas críticas
de TI durante a substituição de componentes e subsistemas do site, ou seja, devem permitir
manutenção e operação simultaneamente. Eles podem ter até 40 horas de manutenção por
ano e apresentam uma probabilidade de disponibilidade de 99,99%.

Datacenter classe F4
Um datacenter classe F4 possui infraestrutura projetada para garantir a operação contínua do
site mesmo durante atividades planejadas e imprevistas. Todos os pontos isolados de falhas 2
devem ser eliminados. Datacenters classe F4 têm muitas de suas atividades de monitoração
e controle automatizadas, de modo a garantir mais confiabilidade e disponibilidade (operação
contínua). Esses sites devem ter monitoramento 24x7x365 (em tempo integral). Sistemas
DCIM devem ser considerados.
Entre as principais características de datacenters classe F4, pode-se destacar as seguintes:

•• possuem redundância para todos os componentes e subsistemas críticos e não


críticos;
•• têm componentes redundantes, de modo que a confiabilidade e a disponibilidade
sejam garantidas mesmo em eventos de manutenção preventiva ou corretiva;
•• os sistemas do edifício no qual a sala de servidores é instalada devem ser
autossuficientes em eventos adversos;
•• datacenters classe F4 devem operar ininterruptamente e apresentar uma
probabilidade de disponibilidade de 99,999%.

2.  Ponto isolado de falha é definido como aquele que, se falhar, causará a falha geral do sistema.

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Pergunta 05:

Como a ANSI/BICSI 002 trata a questão da energia? Quais suas recomendações ou


seus modelos?

Resposta:

A Seção 9 (Sistemas Elétricos) da ANSI/BICSI 002-2014 explica a aplicação de redundância,


confiabilidade e classes de disponibilidade, conforme descrito em detalhes no Anexo B, aos
sistemas elétricos. Ela também oferece sugestões com base em métricas de desempenho
para cada classe.

A ANSI/BICSI 002-2014 apresenta os seguintes requisitos para o sistema elétrico de


datacenters com classificação F1 e superiores:

•• a infraestrutura elétrica deve ter uma fonte de energia alternativa (geradores, por
exemplo) com capacidade para suportar toda a crítica de TI do datacenter e os
sistemas mecânicos (ar condicionado);
•• deve ter um sistema UPS com capacidade para suportar a carga crítica de TI.

Em termos de redundâncias, as classificações são definidas conforme a seguir.

Datacenter básico (N): infraestrutura de distribuição elétrica que atende aos requisitos
mínimos para suportar a carga crítica de TI.

Datacenter com redundância “N+1”: iinfraestrutura de distribuição elétrica que possui uma
unidade, um módulo, caminho ou sistema adicional ao mínimo necessário para atender à
carga crítica de TI.

Datacenter com redundância “N+2”: infraestrutura de distribuição elétrica que possui duas
unidades, dois módulos, dois caminhos ou dois sistemas adicionais ao mínimo necessário
para atender à carga crítica de TI.

Datacenter com redundância “2N”: infraestrutura de distribuição elétrica que possui duas
unidades completas, dois caminhos ou dois sistemas para cada um requerido como mínimo.
A ANSI/BICSI 002-2014 refere-se a datacenters com redundância 2N como de tecnologia de
caminho duplo (dual-path topology).

Datacenter com redundância “Multi-N”:um datacenter com topologia “multi-N”, quando


implementado, é usado em sistemas de grande porte para aumentar a confiabilidade e a
disponibilidade do sistema elétrico do site.

A ANSI/BICSI 002-2014 apresenta as seguintes classificações para a infraestrutura elétrica,


conforme apresentado a seguir:

•• Classe F0 − Sistema elétrico com caminho único de distribuição e não possui


qualquer redundância.
•• Classe F1 − Sistema elétrico com caminho único de distribuição, não possui
redundância, mas possui sistemas, um gerador e um sistema UPS.

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Normas e classificação de datacenters - NBR14565

•• Classe F2 − Sistema elétrico com caminho único e componentes redundantes;


possui um único ramo de distribuição para alimentação da carga crítica de TI e
sistemas ou módulos redundantes (gerador principal e redundante, sistema UPS
principal e sistemas ou módulos redundantes etc.).
•• Classe F3 − Sistema elétrico com manutenção e operação simultâneas. O
sistema elétrico de datacenters F3 possui sistemas, módulos e componentes
redundantes e um ramo de distribuição alternativo para a carga crítica de TI (além
do principal). Em datacenters F3, o ramo alternativo de distribuição elétrica para
a carga crítica de TI não precisa ser mantido energizado.
•• Classe F4 − Sistema elétrico completamente tolerante a falhas. O sistema
elétrico de datacenters F4 possui sistemas, módulos e componentes
redundantes e um ramo de distribuição alternativo para a carga crítica de TI (além
do principal). Em datacenters F4, o ramo alternativo de distribuição elétrica para
a carga crítica de TI é mantido energizado.

Pergunta 06:

Quanto a questões ambientais (ar condicionado, ventilação), como esta norma


posiciona-se?

Resposta:

Em sua Seção 10 (Sistemas Mecânicos), a ANSI/BICSI 002-2014 traz algumas especificações


e recomendações sobre ar condicionado e ventilação (HVAC).

Para a climatização da sala de computadores, esta norma também remete ao padrão ASHRAE
T.C9.9, que estabelece os seguintes parâmetros ambientais:

•• Temperatura − Entre 18 e 27 °C, temperatura de bulbo seco.


•• Umidade relativa do ar máxima − 60%.
•• Ponto de condensação máximo − 15 °C.
•• Ponto de condensação mínimo − 5,5 °C.
•• Taxa de troca de ar máxima − 5 °C por hora.

O ponto de condensação de 5,5 °C corresponde à, aproximadamente, 44% de umidade relativa


do ar e à temperatura de 18 °C; e 25% de umidade relativa do ar corresponde à temperatura de 27
°C. O limite mais baixo de umidade relativa do ar é usado para controle da descarga eletrostática
(ESD). As condições apresentadas acima são consideradas ao nível do mar. Para outras altitudes,
o projetista deve considerar o aumento de 1 °C para cada 1.800 metros de elevação.

Conforme a ANSI/BICSI 002-2014, o projetista deve considerar o seguinte ao dimensionar o


sistema de NVAC do datacenter:

•• controle da temperatura e da umidade relativa do ar no ponto de tomada de ar


do equipamento crítico de TI;
•• controle de filtragem e ventilação;

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Universidade do Sul de Santa Catarina

•• necessidades especiais (se for o caso) de climatização de alguns equipamentos


críticos de TI;
•• estabelecimento de padrões de fluxo de ar para dissipação de ar quente dentro
da sala de computadores;
•• controle para evitar a recirculação de ar quente dentro da sala de computadores;
•• uso de máquinas e sistemas de climatização redundantes.

Quanto ao gerenciamento da carga térmica do datacenter, esta norma chama especial


atenção aos fatores abaixo que, individualmente, ou em conjunto, podem causar um impacto
significativo ao sistema de climatização e ao equipamento crítico de TI.

a. Tamanho da sala: o tamanho e o layout dda sala de computadores devem ser


levados em consideração no projeto do sistema de climatização do datacenter.
A distribuição da carga térmica no espaço e a localização das unidades CRAC
são fatores críticos para o bom desempenho do sistema de climatização na sala
de computadores.
b. Densidade geral de climatização: a densidade de calor pode ser considerada
em kW por m2, porém uma boa recomendação é que o projetista a considere
em kW (ou kVA) por rack ou gabinete. Uma observação importante é que a
carga térmica de projeto deve ser determinada com base na carga de projeto do
sistema de distribuição elétrica do datacenter e não com base nas informações
de “etiqueta” dos equipamentos críticos de TI.
c. Quantidade e capacidade de unidades CRAC para atender aos requisitos
do projeto: o projetista deve considerar a quantidade adequada de unidades
CRAC, bem como suas capacidades para lidar com a carga térmica da sala de
computadores. É importante considerar que a quantidade de unidades CRAC
deve levar em consideração a redundância, quando adequado. Em relação à
localização desses equipamentos, vai depender da distribuição de carga térmica
dentro da sala, pois a densidade térmica pode não ser distribuída uniformemente
no espaço (o mais comum na prática é que a carga térmica não seja distribuída
uniformemente no ambiente).
d. Localização da sala de computadores em relação aos espaços de suporte:
é recomendável que a sala de computadores esteja o mais próximo possível dos
espaços de suporte e, no que diz respeito à climatização, esteja próxima da sala
dos sistemas mecânicos. Isso facilita o gerenciamento dos serviços, agiliza a
manutenção e ajuda a economizar energia do sistema de climatização.
e. Pé direito da sala de computadores: o pé direito da sala de computadores
afeta diretamente o projeto de climatização desse espaço e deve ser uma
premissa de projeto do sistema de climatização.
f. Presença ou não de piso elevado: da mesma forma que o pé direito da sala,
a presença (ou ausência) de piso elevado também é fator determinante no
projeto de climatização da sala de computadores. Quando o piso elevado for
utilizado para a insuflação de ar frio do sistema de climatização e também para
o lançamento de cabos de sistemas elétricos, de cabeamento estruturado, entre
outros, o projetista deve dimensionar seu vão livre adequadamente.
g. Expansão futura: o projetista deve considerar algum fator de crescimento
para expansão futura da capacidade do sistema de climatização da sala de
computadores. Normalmente, o crescimento da carga térmica está limitado

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Normas e classificação de datacenters - NBR14565

pelas dimensões da sala e pela capacidade de crescimento em termos de


equipamentos críticos de TI. Outro parâmetro diretamente atrelado ao projeto
de sistema de climatização é a capacidade do sistema elétrico da sala de
computadores, normalmente dimensionado para suportar a carga crítica de TI
inicial, com algum fator de crescimento previamente determinado. O projetista
do sistema de climatização deve conhecer essas especificações.
h. Requisitos de confiabilidade: usualmente adotados para todo o datacenter, também
aplicam-se ao sistema de climatização; o projetista deve conhecer este parâmetro.
i. Clima local: é fator determinante no projeto do sistema de climatização da sala de
computadores. Em certos climas, técnicas como free cooling podem ser inviáveis,
enquanto em determinadas localidades pode ser uma boa abordagem de projeto
alinhada a outras práticas para melhoria da eficiência energética do site.

A ANSI/BICSI 002-2014 reconhece a conformação de corredores quentes e frios, assim como


outras normas que analisamos em artigos anteriores.

Pergunta 07:

A respeito de infraestrutura, cabeamento, automação e segurança, quais as recomendações


da ANSI/BICSI 002? Há citação referente a containers? Salas-cofre? DCIM?

Resposta:

A ANSI/BICSI 002-2014 aborda os seguintes sistemas dos datacenters:

a. automação e controle;
b. cabeamento estruturado;
c. segurança.

Automação e controle

Esta norma recomenda que a infraestrutura do datacenter seja monitorada constantemente


e sistemas de controle sejam utilizados. O controle pode ser iniciado manualmente e
operado automaticamente, ou iniciado e operado automaticamente por meio de sistemas de
monitoramento e controle automatizados.

O monitoramento constante da infraestrutura do datacenter permite que as respostas a


falhas e/ou ajustes de parâmetros em casos em que isso é necessário sejam feitos de
forma eficiente, ajudando a garantir a disponibilidade esperada do datacenter. Segundo a
ANSI/BICSI 002-2014, o monitoramento deve ser implementado para todas as classes de
disponibilidade, especialmente da classe F1 à F4.

Embora esta norma não faça qualquer menção à implantação de um sistema DCIM, o
monitoramento da infraestrutura de sistemas classes F3 e F4, conforme as recomendações da
norma, somente é possível por meio desses sistemas.

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Cabeamento estruturado

A ANSI/BICSI 002-2014 reconhece as topologias de cabeamento estruturado conforme


especificações das normas ANSI/TIA-942-A e ISO/IEC 24764:2010/Amd. 1:2014. Portanto, a
BICSI 002-2014 considera os seguintes elementos funcionais:

•• MDA: Área de Distribuição Principal;


•• IDA: Área de Distribuição Intermediária (opcional);
•• HDA: Área de Distribuição Horizontal;
•• ZDA: Área de Distribuição de Zona;
•• EDA: Área de Distribuição de Equipamentos.

Os subsistemas de cabeamento de backbone e horizontal, embora não listados acima, também


são elementos funcionais do cabeamento do datacenter, conforme especificações desta norma.

A Área de Distribuição Principal (MDA) abriga o distribuidor principal e os seguintes


equipamentos da rede:

•• roteadores core;
•• switches LAN core;
•• switches SAN core;
•• PBX;
•• T-3 (M13).

Um datacenter deve ter pelo menos um MDA.

A Área de Distribuição Intermediária (IDA) abriga o distribuidor intermediário e é responsável


por criar um segundo subsistema de backbone, quando o cabeamento do datacenter
estender-se a mais de um edifício. O IDA também pode ser utilizado para organizar diferentes
níveis de distribuição de cabeamento em salas de computadores muito grandes ou em vários
pavimentos de um mesmo edifício. O IDA, normalmente, contém equipamentos ativos, como
switches LAN e SAN.

A Área de Distribuição Horizontal (HDA) abriga o distribuidor horizontal, sendo normalmente


instalado dentro da sala de computadores. Ela abriga comumente os seguintes equipamentos:

•• switches LAN;
•• switches SAN;
•• switches KVM (keyboard, video, mouse).

A Área de Distribuição de Zona (ZDA) é um ponto de interconexão opcional dentro do


subsistema de cabeamento horizontal, localizado entre o HDA e a EDA, para permitir as
reconfigurações mais frequentes de distribuição do cabeamento para os equipamentos
“cliente” do datacenter. O ZDA não abriga equipamentos ativos.

A Área de Distribuição de Equipamentos (EDA) é o espaço que abriga as tomadas de


equipamentos às quais os equipamentos “cliente” do datacenter são conectados ao
cabeamento estruturado do cabeamento.

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Normas e classificação de datacenters - NBR14565

Em termos de meios físicos reconhecidos, a ANSI/BICSI 002-2014 especifica os mesmos


cabos que a ANSI/TIA-942-A, ou seja:

•• cabos balanceados de 4 pares, 100 ohms, categoria 6 ou categoria 6A,


recomenda-se a categoria 6A (500 MHz);
•• cabos multimodo otimizados para transmissão laser de 850 nm, 50/125 mm, OM3
ou OM4, recomenda-se OM4;
•• cabos ópticos monomodo.

A ANSI/BICSI 002-2014 recomenda que cabos ópticos OM4 sejam utilizados no subsistema
de cabeamento horizontal para canais nos quais os comprimentos excedam 100 metros.

Da mesma forma que outras normas, esta também reconhece os cabos coaxiais tipos 734 e
735 para circuitos E-1, E-3 e T-3.

Segurança

A ANSI/BICSI 002-2014 traz uma seção sobre segurança (Seção 12), na qual algumas
recomendações sobre segurança física e da informação são apresentadas. Em resumo,
ela recomenda que um plano de segurança física que ofereça segurança ao pessoal (staff)
do datacenter, aos prestadores de serviços e visitantes. Esse plano também estende-se a
equipamentos de rede, de telecomunicações, assim como aos espaços que os abrigam.

O plano de segurança física proposto por esta norma pode ser implementado por meio de
controle de acesso, vigilância eletrônica, proteção contra incêndio etc.

O plano de segurança da informação e cyber segurança, embora mencionados


superficialmente, não são objeto desta norma.

A cobertura da ANSI/BICSI 002-2014 não contempla especificações para contêineres, salas-


cofre e sistemas DCIM.

Pergunta 08:

A abrangência da ANSI/BICSI 002 é americana ou internacional? É obrigatória ou


apenas recomenda procedimentos para datacenters?

Resposta:

A ANSI/BICSI 002-2014 é uma norma nacional norte-americana, ou seja, ela tem valor
normativo em todo o território nacional dos Estados Unidos.

Embora ela seja bem aceita e utilizada como referência para o projeto da infraestrutura de
telecomunicações de datacenters em outros países, não sendo ainda muito conhecida no Brasil,
ela é uma norma local e não tem abrangência internacional, como no caso de normas ISO/IEC.

Como acontece com normas em geral, a ANSI/BICSI 002-2014, embora seja uma norma
nacional, não é obrigatória. Vale lembrar, da discussão da norma brasileira, que as normas
são de desenvolvimento e aplicação voluntárias. Isso significa que o fato de existir uma norma

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Universidade do Sul de Santa Catarina

não significa que ela deve ser utilizada. De qualquer forma, como em discussões anteriores, o
uso de uma norma nacional como referência para um determinado projeto é sempre uma boa
prática e pode minimizar os efeitos de potenciais questões legais que envolvam o projeto.

Pergunta 08:

A ANSI/BICSI 002 tem algum tópico especial ou exclusivo que a diferencie das outras
normas? Qual sua visão pessoal sobre a ANSI/BICSI 002 em termos de qualidade e
abrangência?

Resposta:

Em termos de abrangência, a ANSI/BICSI 002-2014 é a norma mais completa sobre


infraestrutura para datacenters disponível. Portanto, ela é a melhor de todas as normas e em
termos de qualidade também. Sob meu ponto de vista, é a norma que deveria fazer parte da
biblioteca de todo projetista de infraestrutura para datacenters.

Quanto a aspectos que a diferenciem das demais, além da cobertura muito detalhada dos
vários sistemas que compõem a infraestrutura de um datacenter, eu vejo de forma muito
positiva a abordagem apresentada nas seguintes seções e/ou subseções:

a. seção 15, item 15.1: recuperação de desastre;


b. seção 16: comissionamento;
c. anexo B: confiabilidade e disponibilidade.

Referências
ANSI/BICSI 002-2014: Data center design and implementation best practices (também
disponível em espanhol).

ANSI/TIA-942-A: 2012. Telecommunications infrastructure standard for data centers.

ISO/IEC 24764:2010/Amd. 1:2014 – Technology information – generic cabling for data centres.

58
Considerações finais

Para cobrir o assunto das normas nacionais e internacionais sobre datacenters, reunimos,
em quatro entrevistas com o Prof. Paulo Marin, membro participante da redação de boa parte
desses documentos, todos os tópicos relevantes sobre o assunto, com especial interesse
em classificação dos datacenters, abrangência nacional e internacional e características da
infraestrutura.

As entrevistas abrangem separadamente a norma brasileira, NBR14565, e as normas


internacionais ISO/IEC 24764:2010, ANSI/TIA-942-A e ANSI/BICSI 002, sendo essas duas
últimas originárias dos Estados Unidos e amplamente utilizadas em todo o mundo.

Esses diálogos representam uma grande e especializada abordagem do tema, pela qual
agradecemos ao Prof. Dr. Paulo Marin, com suas respostas especializadas e “up to date” com
o que de mais recente está sendo desenvolvido em todo o mundo da tecnologia. A todos
os estudantes desejamos um bom trabalho e ótimo aproveitamento, e ao Prof. Paulo, nosso
muito obrigado!
Conteudista

Mauro Faccioni Filho

Graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC),


em 1985. Mestrado e doutorado em Engenharia Elétrica pela UFSC, em 1997 e em 2001,
respectivamente. Durante a pesquisa do projeto de mestrado, em 1999, realizou estágio na
University of Nottingham, Inglaterra. Pós-Doutorado no tema “Social Network Analysis” pela
University of London, Queen Mary College, em 2006.

Na UFSC, foi colaborador em pesquisas de eletromagnetismo e modelagem numérica no


Laboratório Maglab, de 2001 a 2003. Diretor do Centro de Tecnologia em Automação e
Informática, CTAI/SENAI, de 2002 a 2004.

Em Literatura, publicou livros de poesia, Olhos cegos, Editora Letras Contemporâneas, 2004;
Duplo dublê, Editora Letras Contemporâneas, 2002; Helenos, Editora Letras Contemporâneas,
1998. Coeditor da Revista Babel, Poesia e Crítica, de 2000 a 2002.

Certificado ATD pelo Uptime Institute (USA) e membro do comitê CE-03:046.05, Norma 14565:2013
da ABNT. Recebeu, em 2012, pelo desenvolvimento da plataforma de software DataFaz DCIM, o
prêmio “Ideia para o Futuro & Conceitos de Design”, do DatacenterDynamics Awards.

Diretor e sócio-fundador das empresas Fazion Sistemas Ltda. (plataformas e aplicativos para
celulares) e Creare Fazion Ltda. (soluções de infraestrutura e automação para Data Centers).

Coordenador e professor de curso superior e de pós-graduação da Universidade do Sul de


Santa Catarina (UNISUL), na modalidade da educação a distância (UnisulVirtual).
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