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CURSO PREPARATÓRIO

Concurso para
JUIZ FEDERAL
Prova escrita

Alexandre Rossato da S. Avila


2016
Direito Ambiental
Prof. Gabriel Wedy
Professor Gabriel Wedy
Doutorando e Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul [Laude Acadêmico]. Estágio
Doutoral no Sabin Center for Climate Change Law da Columbia
Law School- New York (EUA)
Juiz Federal
Visiting Scholar pela Columbia Law School- New York (EUA)
Estágio Doutoral no Sabin Center for Climate Change Law da
Columbia Law School
Ex-Presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil-
AJUFE
Autor, entre outros, do livro “O princípio constitucional da
precaução como instrumento de tutela da saúde pública e do
meio ambiente”.
Biossegurança. Modificação
dos genes pelo homem e
meio ambiente.
A Lei 11.105/2005, regulamentada pelo Decreto
5591/2005, segue as diretivas do Protocolo de
Cartagena sobre Biossegurança. O Decreto
estabelece normas de tutela e instrumentos de
fiscalização de atividades que envolvam os
organismos geneticamente modificados- OGM.
A lei estabelece normas de segurança e
mecanismos de fiscalização sobre a construção, o
cultivo, a produção, a manipulação, o transporte, a
transferência, a importação, a exportação, o
armazenamento, a pesquisa, a comercialização, o
consumo, a liberação no meio ambiente e o descarte
de organismos geneticamente modificados – OGM e
seus derivados
A lei tem como diretrizes o estímulo ao avanço
científico na área de biossegurança e biotecnologia,
a proteção à vida e à saúde humana, animal e
vegetal, e a observância do princípio da precaução
para a proteção do meio ambiente.
Aprofundando o tema, o STF, ao julgar improcedente a
ADI 3510, causou polêmica ao declarar constitucional a
pesquisa com células-tronco. Desse modo, a
integralidade do art. 5º da Lei 11.105/2005 (Lei de
Biossegurança) foi considerada compatível com o texto
da Constituição. BRASIL. Supremo Tribunal Federal. ADI
n. 3510. Relator: Ministro Carlos Britto. Diário da Justiça da União, 29
maio 2008. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/inteiroTeor/
pesquisarInteiroTeor.asp>. Acesso em: 02 nov. 2014.
Na decisão, constou expressamente que não existe
violação do direito à vida nas pesquisas com células-
tronco embrionárias para fins terapêuticos e, tampouco,
aborto. Foram reconhecidas normas constitucionais
conformadoras do direito fundamental a uma vida digna,
notadamente o direito à saúde e ao planejamento familiar.
A pesquisa científica com células-tronco embrionárias,
segundo o STF, objetiva o enfrentamento e a “cura de
patologias e traumatismos que severamente limitam,
atormentam, infelicitam, desesperam e não raras vezes
degradam a vida de expressivo contingente populacional
(ilustrativamente, atrofias espinhais progressivas,
distrofias musculares, a esclerose múltipla e a lateral
amiotrófica, as neuropatias e as doenças do neurônio
motor)”.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. ADI n. 3510. Relator: Ministro Carlos Britto. Diário da
Justiça da União, 29 maio 2008. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/inteiroTeor/
pesquisarInteiroTeor.asp>. Acesso em: 02 nov. 2014.
No voto do Ministro Celso de Mello, restou consignado que
“não houve ofensas ao direito à vida e à dignidade da pessoa
humana, pois a pesquisa com células-tronco embrionárias
significa a celebração solidária da vida e alento aos que se
acham à margem do exercício concreto e inalienável dos
direitos à felicidade e do viver com dignidade”.

BRASIL. Supremo Tribunal Federal. ADI n. 3510. Relator: Ministro Carlos Britto. Diário
da Justiça da União, 29 maio 2008. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/inteiroTeor/
pesquisarInteiroTeor.asp>. Acesso em: 02 nov. 2014.
Os Ministros entenderam que a opção do casal por um
processo in vitro de fecundação artificial de óvulos, também
prevista na Lei impugnada, “é implícito direito de idêntica matriz
constitucional, sem acarretar para esse casal o dever jurídico do
aproveitamento reprodutivo de todos os embriões eventualmente
formados e que se revelem geneticamente viáveis”.

BRASIL. Supremo Tribunal Federal. ADI n. 3510. Relator: Ministro Carlos Britto. Diário
da Justiça da União, 29 maio 2008. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/inteiroTeor/
pesquisarInteiroTeor.asp>. Acesso em: 02 nov. 2014.
Consta no acórdão outra referência ao princípio da
dignidade da pessoa humana na linha de que tal
princípio “opera por modo binário, o que propicia a base
constitucional para um casal de adultos recorrer a
técnicas de reprodução assistida que incluam a
fertilização artificial ou in vitro. De uma parte, para
aquinhoar o casal com o direito público subjetivo à
‘liberdade’ (preâmbulo da Constituição e seu art. 5º), aqui
entendida como autonomia de vontade.
De outra banda, para contemplar os porvindouros
componentes da unidade familiar, se por eles optar o casal, com
planejadas condições de bem-estar e assistência físico-afetiva
(art. 226 da CF)”. Assim, o planejamento familiar, “fruto da livre
decisão do casal”, é “fundado nos princípios da dignidade da
pessoa humana e da paternidade responsável (art. 226, § 7º da
CF/88)”.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. ADI n. 3510. Relator: Ministro Carlos Britto. Diário da Justiça da União, 29 maio 2008. Disponível em:
<http://www.stf.jus.br/portal/inteiroTeor/
pesquisarInteiroTeor.asp>. Acesso em: 02 nov. 2014.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. ADI n. 3510. Relator: Ministro Carlos Britto. Diário da Justiça da União, 29 maio 2008. Disponível em:
<http://www.stf.jus.br/portal/inteiroTeor/
pesquisarInteiroTeor.asp>. Acesso em: 02 nov. 2014.
De acordo com o Ministro Joaquim Barbosa,
igualmente, “a decisão por uma descendência ou filiação
exprime um tipo de autonomia de vontade individual que a
própria Constituição rotula como direito ao planejamento
familiar, fundamentado este nos princípios igualmente
constitucionais da dignidade da pessoa humana e da
paternidade responsável”.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. ADI n. 3510. Relator: Ministro Carlos Britto. Diário da Justiça da
União, 29 maio 2008. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/inteiroTeor/
pesquisarInteiroTeor.asp>. Acesso em: 02 nov. 2014.
No acórdão, restou reconhecido o direito
constitucional à liberdade de expressão científica e a
lei de biossegurança como densificação dessa
liberdade.
...o termo ‘ciência’, enquanto atividade individual, faz parte do
catálogo dos direitos fundamentais da pessoa humana (inc. IX do
art. 5º da CF). E a liberdade de expressão se afigura como
clássico direito constitucional-civil ou genuíno direito de
personalidade. Assim merece o máximo de proteção jurídica, até
como signo de vida coletiva civilizada. Tão qualificadora do
indivíduo e da sociedade é essa vocação para os misteres da
ciência que o Magno Texto Federal abre todo um autonomizado
capítulo para prestigiá-la por modo superlativo (capítulo de nº IV
do título VIII).
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. ADI n. 3510. Relator: Ministro Carlos Britto. Diário da Justiça da União, 29 maio 2008.
Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/inteiroTeor/
pesquisarInteiroTeor.asp>. Acesso em: 02 nov. 2014.
A Ministra Carmem Lúcia referiu no seu voto, afastando
qualquer dúvida, que “a dignidade da pessoa humana,
prevista na Constituição Federal, dota o bloco normativo,
posto no art. 5º da Lei 11.105/2005, do necessário
fundamento para dele afastar qualquer invalidade jurídica”.
Para o STF, o art. 5º da Lei de Biossegurança, além de
não violar o princípio da dignidade da pessoa humana
quando permite a fertilização de embriões in vitro e a
pesquisa em células-tronco para fins terapêuticos, acaba
sendo uma manifestação de tal princípio, porquanto
permite o planejamento familiar e a proteção dos direitos
fundamentais à vida e à saúde.
O princípio da dignidade da pessoa humana, nessa
decisão, acabou sendo aplicado concomitantemente
com outros direitos fundamentais de primeira
dimensão, como o direito à vida, e de segunda, como
o direito à saúde.
O princípio da dignidade da pessoa humana, nessa decisão,
acabou sendo aplicado concomitantemente com outros
direitos fundamentais de primeira dimensão, como o direito
à vida, e de segunda, como o direito à saúde. O princípio,
como demonstrado na decisão, é mais do que mero norte
hermenêutico na aplicação e na ponderação dos direitos
fundamentais previstos na Constituição.
O princípip é um balizador que evita uma aplicação
desproporcional e excessiva do princípio da precaução na
pretensa tutela dos direitos à vida e à saúde quando
confrontados com importantes pesquisas científicas com
células-tronco, que podem salvar milhares de vidas e, também,
permitir que casais celebrem o direito à vida com as
fertilizações in vitro, realizando, desse modo, um racional
planejamento familiar tutelado pelo próprio texto constitucional.
Michael Sandel refere que “em vez de banir as pesquisas com
células-tronco embrionárias e a clonagem para fins de pesquisa,
deveríamos pemitir sua continuidade sob regulações que
englobem as restrições morais adequadas ao mistério da vida
humana. Tais regulações deveriam incluir a proibição da
clonagem humana para fins de reprodução; limites razoáveis à
extensão de tempo que um embrião pode ser cultivado em
laboratório; exigências para emitir licenças para clínicas de
fertilidade;
...restrições quanto à transformação de óvulos e
espermatozoides em comodities e criação de um banco de
células-tronco para evitar que os interesses de patentes
monopolizem o acesso à pesquisa com células-tronco. Essas
medidas, ao que me parece, oferecem as melhores esperanças
para evitar o uso descontrolado da vida humana incipiente e
tornar o progresso da biomedicina uma benção para a saúde,
não mais um episódio da erosão de nossas sensibilidades
humanas”. (SANDEL, Michael. The case against perfection.
Cambridge: Harvard University Press, 2007. p. 134.)
ADMINISTRATIVO – MANDADO DE SEGURANÇA –
PLANTIO DE OGM (ORGANISMOS GENETICAMENTE
MODIFICADOS) – LEI 10.814/03. 1. O propósito do Estado
do Paraná de instaurar competência concorrente com a
União para legislar sobre o cultivo dos transgênicos foi
obstado pelo STF, que suspendeu, em decisão liminar, os
efeitos do Lei Estadual 14.162/03. 2. As informações
técnicas sobre o plantio de transgênicos, concentradas no
Ministério da Agricultura, não podem ser repassadas ao
Estado, por ausência de previsão legal. 3. Mandado de
segurança denegado. ..EMEN:
(MS 200302325071, ELIANA CALMON, STJ - PRIMEIRA SEÇÃO, DJ
DATA:14/08/2006 PG:00250 ..DTPB:.)
ORGANISMOS GENETICAMENTE MODIFICADOS - OMG.
EXIGÊNCIA DE REGISTRO ESPECIAL TEMPORÁRIO -
RET.APLICAÇÃO RESTRITA AOS PRODUTOS QUE
SERVEM DE MATÉRIA-PRIMA PARA PRODUÇÃO DE
AGROTÓXICOS.1. O art. 39 da Lei 11.105/2005 estabelece
que "não se aplica aos OGM e seus derivados o disposto na
Lei nº 7.802, de 11 de julho de 1989, e suas alterações,
exceto para os casos em que eles sejam desenvolvidos
para servir de matéria-prima para a produção de
agrotóxicos”.(AgInt no REsp 1432520/DF, Rel. Ministro
SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 27/09/2016,
DJe 04/10/2016)
ADMINISTRATIVO. INFRAÇÃO AMBIENTAL. PLANTIO DE
TRANSGÊNICOS. ZONA DE AMORTECIMENTO. PARQUE NACIONAL DO
IGUAÇU. LEI Nº 11.460/2007. REDUÇÃO DA MULTA. COMPOSIÇÃO
AMIGÁVEL. REDUÇÃO DO DANO. IMPOSSIBILIDADE. 1. A plantação dos
organismos geneticamente modificados estava sendo realizada na zona
de amortecimento do Parque Nacional do Iguaçu, como, inclusive,
certificado no auto de infração e afirmado pelo próprio autor. 2. A
conduta perpetrada pelo autor (produzir organismos geneticamente
modificados em zona de amortecimento de unidade de conservação -
Parque Nacional do Iguaçu), não deixou de ser infração ambiental pois,
embora revogado o art. 11 da Lei nº 10.814/2003, o art. 2º da nova Lei nº
11.460/2007 continua a proibir a referida conduta caso não cumpridos os
requisitos por ele estabelecidos.
3. Demonstrada que a conduta perpetrada pelo demandante
continua sendo vedada pelo ordenamento jurídico,
improcede o seu pleito de nulidade do auto de infração. 4.
Não se verifica abusividade na multa aplicada, pois foi
fixada obedecendo aos parâmetros legais fixados para as
infrações de natureza grave, e aos padrões de razoabilidade
e proporcionalidade em relação à infração. (AC
200770050024999, MARGA INGE BARTH TESSLER, TRF4 -
QUARTA TURMA, D.E. 29/03/2010.)
Não há falar em negativa de vigência ao art. 7º da Lei
n.11.460/2007, pois, apesar de ter revogado o art. 11 da Lei
n.11.814/2003, tal diploma legal continuou considerando
vedada a conduta praticada, qual seja, o plantio de OGM em
zona de amortecimento de unidade de conservação
ambiental, sem que houvesse previsão no plano de manejo.

(REsp 1220843/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS,


SEGUNDA TURMA, julgado em 16/04/2015, DJe
22/04/2015)
AGROTÓXICOS
Proteção química das culturas e meio ambiente.

A produção e o cultivo de alimentos para atender


uma população mundial de 7,2 bilhões de pessoas, que
está em crescimento, restam cada vez mais
incrementados na busca do aumento da produção
alimentar. Com este objetivo, agrotóxicos e outros
produtos químicos são empregados no processo de
cultivo e produção colocando em risco produtores,
comerciantes e consumidores.
Se por um lado a população necessita de uma
alimentação em quantidade e qualidade
adequadas, a ser adquirida por um preço
acessível, por outro esta sofre riscos gerados
pelo emprego de agrotóxicos nestas culturas.
Na busca da solução deste dilema, o direito internacional e
os países procuram regular o emprego de agrotóxicos no
processo produtivo com a adoção de medidas preventivas
e de responsabilização administrativa, civil e penal
daqueles agentes econômicos integrados ao referido
processo que são potenciais causadores de danos à saúde
pública e ao meio ambiente.
A pesquisa, a experimentação, a produção, a
embalagem e rotulagem, o transporte, o
armazenamento, a comercialização, a propaganda
comercial, a utilização, a importação, a exportação, o
destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a
classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de
agrotóxicos, seus componentes e afins, são regidos
pela Lei 7.802/1989 e pelo Decreto n 4.074/2002.
Deixou-se, finalmente, o uso do termo “defensivo
agrícola”, que, segundo Machado, distorcia o conceito e
cuja denominação fugia da linha da terminologia
internacional, que é “pesticida” ou “praguicida”. Ainda
que o Brasil não tenha inserido na nomenclatura oficial
o termo “pesticida”, a acolhida do termo “agrotóxico” já
coloca em relevo a presença de produto perigoso.
MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito Ambiental
brasileiro. 24. ed. São Paulo: Malheiros, 2016. p. 578.
De acordo com a Lei, agrotóxicos e afins são os produtos
e os agentes de processos físicos, químicos ou
biológicos, destinados ao uso nos setores de produção,
no armazenamento e beneficiamento de produtos
agrícolas, nas pastagens, na proteção de florestas,
nativas ou implantadas, e de outros ecossistemas e
também de ambientes urbanos, hídricos e industriais, cuja
finalidade seja alterar a composição da flora ou da fauna,
a fim de preservá-las da ação danosa de seres vivos
considerados nocivos;
e as substâncias e produtos, empregados como
desfolhantes, dessecantes, estimuladores e inibidores
de crescimento. Componentes, são os princípios ativos,
os produtos técnicos, suas matérias-primas, os
ingredientes inertes e aditivos usados na fabricação de
agrotóxicos e afins.

Ver Art. 2º da Lei 7.802/1989.


Os agrotóxicos, seus componentes e afins só poderão
ser produzidos, exportados, importados, comercializados
e utilizados, se previamente registrados em órgão federal,
de acordo com as diretrizes e exigências dos órgãos
federais responsáveis pelos setores da saúde, do meio
ambiente e da agricultura.
Ver Art. 3º da Lei 7.802/1989.
As pessoas físicas e jurídicas que sejam prestadoras
de serviços na aplicação de agrotóxicos, seus
componentes e afins, ou que os produzam, importem,
exportem ou comercializem, ficam obrigadas a promover
os seus registros nos órgãos competentes, do Estado ou
do Município, atendidas as diretrizes e exigências dos
órgãos federais responsáveis que atuam nas áreas da
saúde, do meio ambiente e da agricultura.
Ver Art. 4º da Lei 7.802/1989.
Possuem legitimidade para requerer o
cancelamento ou a impugnação, em nome próprio,
do registro de agrotóxicos e afins, arguindo prejuízos
ao meio ambiente, à saúde humana e dos animais, as
entidades de classe, representativas de profissões
ligadas ao setor; os partidos políticos, com
representação no Congresso Nacional; e as
entidades legalmente constituídas para defesa dos
interesses difusos relacionados à proteção do
consumidor, do meio ambiente e dos recursos
naturais.
Ver Art. 5º da Lei 7.802/1989.
A propaganda comercial de agrotóxicos, componentes
e afins, em qualquer meio de comunicação, conterá,
obrigatoriamente, clara advertência sobre os riscos do
produto à saúde dos homens, animais e ao meio
ambiente.
Ver Art. 8º da Lei 7.802/1989.
É competência da União legislar sobre a produção,
registro, comércio interestadual, exportação, importação,
transporte, classificação e controle tecnológico e
toxicológico; controlar e fiscalizar os estabelecimentos
de produção, importação e exportação;- analisar os
produtos agrotóxicos, seus componentes e afins,
nacionais e importados; controlar e fiscalizar a produção,
a exportação e a importação. Ver Art. 9º da Lei 7.802/1989.
Compete aos Estados e ao Distrito Federal, nos termos
dos arts. 23 e 24 da Constituição Federal, legislar sobre o
uso, a produção, o consumo, o comércio e o
armazenamento dos agrotóxicos, seus componentes e
afins, bem como fiscalizar o uso, o consumo, o comércio,
o armazenamento e o transporte interno. Cabe ao
Município legislar supletivamente sobre o uso e o
armazenamento dos agrotóxicos, seus componentes e
afins. Ver Art. 11 da Lei 7.802/1989.
A União, contudo, através dos órgãos
competentes, prestará o apoio necessário às ações
de controle e fiscalização, à Unidade da Federação
que não dispuser dos meios necessários.
Ver Art. 12 da Lei 7.802/1989.
Compete ao Poder Público a fiscalização da devolução
e destinação adequada de embalagens vazias de
agrotóxicos, seus componentes e afins, de produtos
apreendidos pela ação fiscalizadora e daqueles
impróprios para utilização ou em desuso; do
armazenamento, transporte, reciclagem, reutilização e
inutilização de embalagens vazias e produtos.

Ver Art. 12A da Lei 7.802/1989.


A venda de agrotóxicos e afins aos usuários será feita
através de receituário próprio, prescrito por profissionais
legalmente habilitados, salvo casos excepcionais que
forem previstos na regulamentação da Lei 7.802/1989.

Ver Art. 13 da Lei 7.802/1989.


As responsabilidades administrativa, civil e penal pelos danos
causados à saúde das pessoas e ao meio ambiente, quando a
produção, comercialização, utilização, transporte e destinação de
embalagens vazias de agrotóxicos, seus componentes e afins,
não cumprirem o disposto na legislação pertinente, cabem: ao
profissional, quando comprovada receita errada, displicente ou
indevida;
ao usuário ou ao prestador de serviços, quando proceder
em desacordo com o receituário ou as recomendações do
fabricante e órgãos registrantes e sanitário-ambientais; ao
comerciante, quando efetuar venda sem o respectivo
receituário ou em desacordo com a receita ou
recomendações do fabricante e órgãos registrantes e
sanitário-ambientais; ao registrante que, por dolo ou por
culpa, omitir informações ou fornecer informações
incorretas;
ao produtor, quando produzir mercadorias em desacordo
com as especificações constantes do registro do produto, do
rótulo, da bula, do folheto e da propaganda, ou não der
destinação às embalagens vazias em conformidade com a
legislação pertinente; e ao empregador, quando não fornecer e
não fizer manutenção dos equipamentos adequados à proteção
da saúde dos trabalhadores ou dos equipamentos na
produção, distribuição e aplicação dos produtos.
Ver Art. 14 da Lei 7.802/1989.
Aquele que produzir, comercializar, transportar,
aplicar, prestar serviço, der destinação a resíduos e
embalagens vazias de agrotóxicos, seus
componentes e afins, em descumprimento às
exigências estabelecidas na legislação pertinente
estará sujeito à pena de reclusão, de dois a quatro
anos, além de multa.
O empregador, profissional responsável ou o prestador
de serviço, que deixar de promover as medidas
necessárias de proteção à saúde e ao meio ambiente,
estará sujeito à pena de reclusão de 2 (dois) a 4 (quatro)
anos, além de multa de 100 (cem) a 1.000 (mil) MVR. Em
caso de culpa, será punido com pena de reclusão de 1 (um)
a 3 (três) anos, além de multa de 50 (cinqüenta) a 500
(quinhentos) MVR.
Ver Art. 15 e Art. 16 da Lei 7.802/1989.
Sem prejuízo das responsabilidades civil e penal cabíveis, a
infração de disposições da Lei dos Agrotóxicos acarretará,
isolada ou cumulativamente, nos termos previstos em
regulamento, independente das medidas cautelares de
estabelecimento e apreensão do produto ou alimentos
contaminados, a aplicação das seguintes sanções:
advertência; multa de até 1000 (mil) vezes o Maior Valor de
Referência - MVR, aplicável em dobro em caso de
reincidência; condenação de produto; inutilização de
produto;
suspensão de autorização, registro ou licença; cancelamento
de autorização, registro ou licença; interdição temporária ou
definitiva de estabelecimento; destruição de vegetais, partes de
vegetais e alimentos, com resíduos acima do permitido;
destruição de vegetais, partes de vegetais e alimentos, nos
quais tenha havido aplicação de agrotóxicos de uso não
autorizado, a critério do órgão competente.
Ver Art. 17 da Lei 7.802/1989.
Após a conclusão do processo administrativo, os
agrotóxicos e afins, apreendidos como resultado da ação
fiscalizadora, serão inutilizados ou poderão ter outro
destino, a critério da autoridade competente. Os custos
referentes a quaisquer dos procedimentos mencionados
correrão por conta do infrator.
Ver Art. 18 da Lei 7.802/1989.
A responsabilidade objetiva da sociedade empresária
ficou caracterizada por envolver fabricação de produto
potencialmente lesivo a direitos alheios, como é a
produção de venenos, agrotóxicos, fungicidas e
herbicidas. (AGARESP 201500778862, MARCO AURÉLIO
BELLIZZE, STJ - TERCEIRA TURMA, DJE
DATA:06/06/2016 ..DTPB:.)
Direito Administrativo. 4. Responsabilidade civil do Estado.
Perigo de dano ambiental. Depósito de agrotóxicos em local
inapropriado. Periclitação da saúde pública e do ambiente. 5.
Ofensa meramente reflexa ao texto constitucional. Controvérsia
decidida com base nas legislações Federal e local. Incidência do
Enunciado 280 da Súmula desta Corte. Leis federais 6.938/81 e
7.802/89; Lei estadual 12.493/99. Precedentes. 6. Dever do
Estado de prevenção e reparação dos danos causados ao
ambiente. Acordão recorrido em conformidade com a
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Agravo regimental
a que se nega provimento.
(RE-AgR 559622, GILMAR MENDES, 06.08.2013. STF.)
"as empresas produtoras e comercializadoras de agrotóxicos,
seus componentes e afins, são responsáveis pela destinação
das embalagens vazias dos produtos por elas fabricados e
comercializados, após a devolução pelos usuários, e pela dos
produtos apreendidos pela ação fiscalizatória e dos impróprios
para utilização ou em desuso, com vistas à sua reutilização,
reciclagem ou inutilização, obedecidas as normas e instruções
dos órgãos registrantes e sanitário-ambientais competentes". 3.
O responsável pelo destino final das embalagens vazias de
agrotóxicos é o seu fabricante, ou, quando o produto não for
fabricado no país, o importador. (ROMS 200702416097, DENISE ARRUDA, STJ - PRIMEIRA
TURMA, DJE DATA:30/03/2009 RSTJ VOL.:00238 PG:00609 ..DTPB:.)
PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. TÉCNICOS AGRÍCOLAS DE NÍVEL
MÉDIO. EXPEDIÇÃO DE RECEITUÁRIO PARA VENDA DE AGROTÓXICOS.
HABILITAÇÃO LEGAL. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção do STJ firmou
orientação no sentido de que os técnicos agrícolas de segundo grau
possuem habilitação legal para expedir receitas de agrotóxicos. 2. Agravo
Regimental não provido. ..EMEN:
(AGRESP 201401308856, HERMAN BENJAMIN, STJ - SEGUNDA TURMA,
DJE DATA:25/09/2014 ..DTPB:.)
Produtos tóxicos. Controle. Transporte.
Amianto
A extração, industrialização, utilização,
comercialização e transporte do asbesto/amianto e dos
produtos que o contenham, bem como fibras naturais e
artificiais de qualquer origem para o mesmo fim são
disciplinadas pela Lei 9.055/1995 e pelo Decreto nº
2.350/1997.
Art. 2º O asbesto/amianto da variedade crisotila (asbesto
branco), do grupo dos minerais das serpentinas, e as demais
fibras, naturais e artificiais de qualquer origem, utilizadas
para o mesmo fim, serão extraídas, industrializadas,
utilizadas e comercializadas em consonância com as
disposições desta Lei.
É vedada em todo o território nacional a extração,
produção, industrialização, utilização e comercialização da
actinolita, amosita (asbesto marrom), antofilita, crocidolita
(amianto azul) e da tremolita, variedades minerais
pertencentes ao grupo dos anfibólios, bem como dos
produtos que contenham estas substâncias minerais; a
pulverização (spray) de todos os tipos de fibras, tanto de
asbesto/amianto da variedade crisotila como daquelas
naturais e artificiais referidas na Lei; e a venda a granel de
fibras em pó, tanto de asbesto/amianto da variedade
crisotila como daquelas naturais e artificiais igualmente
referidas no art. 2º da Lei .
Os órgãos competentes de controle de segurança,
higiene e medicina do trabalho desenvolverão programas
sistemáticos de fiscalização, monitoramento e controle dos
riscos de exposição ao asbesto/amianto da variedade
crisotila e às fibras naturais e artificiais referidas no art. 2º
da referida Lei, diretamente ou através de convênios com
instituições públicas ou privadas credenciadas para tal fim
pelo Poder Executivo.

Ver Art 4º da Lei 9055/1995.


As empresas que manipularem ou utilizarem materiais
contendo asbesto/amianto da variedade crisotila ou as fibras
naturais e artificiais referidas no art. 2º da Lei enviarão,
anualmente, ao Sistema Único de Saúde e aos sindicatos
representativos dos trabalhadores uma listagem dos seus
empregados, com indicação de setor, função, cargo, data de
nascimento, de admissão e de avaliação médica periódica,
acompanhada do diagnóstico resultante.
Todos os trabalhadores das empresas que lidam com o
asbesto/amianto da variedade crisotila e com as fibras
naturais e artificiais serão registrados e acompanhados por
serviços do Sistema Único de Saúde, devidamente
qualificados para esse fim, sem prejuízo das ações de
promoção, proteção e recuperação da saúde interna, de
responsabilidade das empresas.
Ver Art 5º da Lei 9055/1995.
Em todos os locais de trabalho onde os trabalhadores
estejam expostos ao asbesto/amianto da variedade
crisotila ou das fibras naturais ou artificiais deverão ser
observados os limites de tolerância fixados na legislação
pertinente e, na sua ausência, serão fixados com base
nos critérios de controle de exposição recomendados
por organismos nacionais ou internacionais,
reconhecidos cientificamente.
Outros critérios de controle da exposição dos trabalhadores
que não aqueles definidos pela legislação de Segurança e
Medicina do Trabalho deverão ser adotados nos acordos
assinados entre os sindicatos dos trabalhadores e os
empregadores. Os limites fixados deverão ser revisados
anualmente, procurando-se reduzir a exposição ao nível
mais baixo que seja razoavelmente exequível.
Ver Art 7º da Lei 9055/1995.
Ação direta de inconstitucionalidade. Lei estadual (RS) nº
12.427/2006. Restrições ao comércio de produtos agrícolas
importados no Estado. Competência privativa da União para
legislar sobre comércio exterior e interestadual (CF, art. 22, inciso
VIII). 1. É formalmente inconstitucional a lei estadual que cria
restrições à comercialização, à estocagem e ao trânsito de
produtos agrícolas importados no Estado, ainda que tenha por
objetivo a proteção da saúde dos consumidores diante do
possível uso indevido de agrotóxicos por outros países. A matéria
é predominantemente de comércio exterior e interestadual,
sendo, portanto, de competência privativa da União (CF, art. 22, inciso
VIII). 3. Ação direta julgada procedente.
(ADI 3813, DIAS TOFFOLI, STF.)
Norma estadual que proíbe a fabricação, ingresso,
comercialização e estocagem de amianto ou produtos à base
de amianto está em flagrante contraste com as disposições da
Lei federal nº 9.055/95 que expressamente autoriza, nos seus
termos, a extração, industrialização, utilização e comercialização
da crisotila. 7. Inconstitucionalidade aparente que autoriza o
deferimento da medida cautelar. 8. Medida liminar parcialmente
deferida para suspender a eficácia do artigo 1º, §§ 1º, 2º e 3º, do
art. 2º, do art. 3º, §§ 1º e 2º e do parágrafo único do art. 5º, todos
da Lei nº 2.210/01, do Estado do Mato Grosso do Sul, até
julgamento final da presente ação declaratória de
inconstitucionalidade. ADI- 2396 Ministra Ellen Gracie.
Ascarel
O Ascarel é regulado pela Portaria
Interministerial nº19/1981, que proibiu a produção
dessa substância, a fabricação do produto que o
contenha e todos tipo de uso e de comercialização
deste.
O objetivo da Portaria foi evitar a contaminação do
ambiente por bifenil policlorados - PCB's
(comercialmente conhecidos como Askarel, Aroclor,
Clophen, Phenoclor, Kanechlor e outros), devida aos
efeitos nocivos que esses compostos causam ao homem
e animais. De acordo com a portaria os mencionados
compostos provocam males, como lesões
dermatológicas acentuadas, alterações no fígado e rins,
alterações morfológicas nos dentes, alterações
psíquicas, perda da libido, efeitos teratogênicos e
cancerígenos.
As normas que regem a portaria determinam a
proibição em todo o Território Nacional, da
implantação de processos que tenham como finalidade
principal a produção de bifenil policlorados - PCB's; o
uso e a comercialização de bifenil policlorados -
PCB's, em todo o estado, puro ou mistura, em
qualquer concentração ou estado físico, nos seguintes
casos e prazos:
a) como fluído dielétrico nos transformadores novos,
encomendados a partir de 06 (seis) meses da data da
publicação da Portaria;
b) como fluído dielétrico nos capacitores novos,
encomendados depois de 20(vinte) meses da data da
publicação da Portaria;
c) como aditivo para tintas, plásticos, lubrificantes e óleo
de corte, fabricados a partir de 12 (doze) meses da data de
publicação da Portaria;
d) em outras aplicações, que não as acima citadas, a partir
de 24 ( vinte e quatro ) meses da data de publicação da
Portaria.
Os equipamentos de sistema elétrico, em operação
que usam bifenil policlorados - PCB's, como fluído
dielétrico, poderão continuar com este dielétrico, até
que seja necessário o seu esvaziamento, após o que
somente poderão ser preenchidos com outro que não
contenha PCB's.
As empresas usuárias de equipamentos elétricos
deverão considerar, nas especificações de novos
capacitores de potências, a aquisição de equipamentos que
não utilizam PCB's.
É terminantemente proibido o despejo de bifenil
policlorados - PCB's, ou produtos que contenham, quer
diretamente ou indiretamente, nos cursos de coleções
d'água ou locais expostos às intempéries.
Cabe aos órgãos estaduais do meio ambiente a
vigilância e fiscalização para cumprimento das normas
contidas na Portaria.
Mercúrio
O Decreto nº 97.507/1989 estabelece que é vedado o uso
de mercúrio na atividade de extração de ouro, exceto em
atividade licenciada pelo órgão ambiental competente. A
Resolução 357/2005 do Conama regulamenta a
concentração de mercúrio em águas doces, salobras e
salinas no território nacional.
É evidente o interesse nacional nas ações cujo objeto envolve
dano ambiental com possível poluição de lençol freático, extração
de substâncias potencialmente poluente (mercúrio), existência de
animais silvestres ameaçados de extinção. Presente a
verossimilhança do direito, pois foi constatado o risco de impacto
ambiental pelo IBAMA, ausente prova em contrário, ônus que
incumbia à agravante. . Risco de prejuízo irreparável que reside
na ineficácia do provimento jurisdicional após o decurso de longo
prazo até o julgamento final da ação, em que o empreendimento
prosseguiria degradando o meio ambiente. . Prequestionamento
quanto à legislação invocada estabelecido pelas razões de
decidir. . Agravo de instrumento improvido.
(AG 200404010444032, FERNANDO QUADROS DA SILVA, TRF4 - TERCEIRA TURMA, DJ 29/11/2006 PÁGINA: 873.)
Cloro
A produção de cloro pelo processo de eletrólise em todo o
território nacional sujeita-se às normas estabelecidas na Lei
9.976/2000. Ficam mantidas, nos termos desta Lei, as
tecnologias atualmente em uso no País para a produção de cloro
pelo processo de eletrólise, desde que observadas as seguintes
práticas pelas indústrias produtoras:
I – cumprimento da legislação de segurança, saúde no
trabalho e meio ambiente vigente;
II – análise de riscos com base em regulamentos e normas
legais vigentes;
III – plano interno de proteção à comunidade interna e externa
em situações de emergência;
IV – plano de proteção ambiental que inclua o registro das
emissões;
V – controle gerencial do mercúrio nas empresas que utilizem
tecnologia a mercúrio...
PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CONSELHO
REGIONAL DE QUÍMICA. CONTROLE E QUALIDADE DA ÁGUA DE
PISCINAS. CONDOMÍNIO RESIDENCIAL. ANOTAÇÃO DE FUNÇÃO
TÉCNICA. . Dispensável a presença de profissional habilitado junto ao
CRQ e expedição de Anotação de Função Técnica para o tratamento de
água de piscinas. . A fiscalização e o controle da qualidade da água,
incluindo os serviços de dosagem de cloro, ph e exames bacteriológicos
estão a cargo da autoridade sanitária local, que só autoriza o
funcionamento das piscinas após o controle por laboratórios por ela
indicados, o que torna desnecessária a presença do profissional. .
Sucumbência mantida. . Prequestionamento estabelecido pelas razões
de decidir. . Apelação improvida.
(AC 200272000098507, SILVIA MARIA GONÇALVES GORAIEB, TRF4 - TERCEIRA TURMA, D.E.
25/04/2007.
Pilhas e Baterias
A quantidade e limites do cádmio, chumbo e mercúrio
utilizados em baterias e pilhas comercializadas no Brasil,
assim como os critérios e padrões para o seu
gerenciamento ambiental deverão ser regulados de
acordo com a Resolução 401/2008 do Conama.
Nos materiais publicitários e nas embalagens de pilhas e
baterias, fabricadas no país ou importadas, deverão constar
de forma clara, visível e em língua portuguesa, a simbologia
indicativa da destinação adequada, as advertências sobre
os riscos à saúde humana e ao meio ambiente, bem como a
necessidade de, após seu uso, serem encaminhadas aos
revendedores ou à rede de assistência técnica autorizada.
Ver Art. 14 da Resolução 401/2008 do Conama.
Os fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes
destas pilhas e baterias, ou de produtos que as contenham
para seu funcionamento, serão incentivados, em parceria
com o poder público e sociedade civil, a promover
campanhas de educação ambiental, bem como pela
veiculação de informações sobre a responsabilidade pós-
consumo e por incentivos à participação do consumidor
neste processo.
Ver Art. 17 da Resolução 401/2008 do Conama.
Cuida-se de medida cautelar interposta por Energizer do
Brasil Ltda. para emprestar efeito suspensivo a recurso
especial interposto de acórdão prolatado em sede de
agravo de instrumento que manteve decisão concessiva de
tutela antecipada que compeliu a requerente a proceder a
destinação que entendesse mais adequada às pilhas e
baterias que importa e comercializa não podendo mais
despejá-las nos aterros sanitários, sob pena de multa
diária por dano ao meio ambiente.
Medida cautelar improcedente. Agravo regimental prejudicado. ..EMEN:
(MC 200700411297, JOSÉ DELGADO, STJ - PRIMEIRA TURMA, DJ
DATA:19/11/2007 PG:00184 ..DTPB:.)
Transporte de produtos tóxicos

O transporte de produtos tóxicos é regulado especialmente pelo


Decreto nº 96.044/1988, que, segundo Machado, está “estribado
no sintético Decreto- lei 2.063/1983 e na Lei 8.092/1983. O
fracionamento do agrotóxico somente deve ser feito pelo
produtor”.
Durante as operações de carga, transporte, descarga,
transbordo, limpeza e descontaminação os veículos e
equipamentos utilizados no transporte de produto perigoso
deverão portar rótulos de risco e painéis de segurança
específicos, de acordo com as NBR-7500 e NBR- 8286.
Após as operações de limpeza e completa
descontaminação dos veículos e equipamentos, os rótulos
de risco e painéis de segurança serão retirados.
MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito Ambiental brasileiro.
24. ed. São Paulo: Malheiros, 2016. p. 612.
Ver Art. 2º do Decreto nº 96.044/1988.
EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. TAXA DE CONTROLE E
FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL (TCFA). TRIBUTO SUJEITO A
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ATIVIDADE DESENVOLVIDA
PELA EMBARGANTE. AUSÊNCIA DE REGULAR CONSTITUIÇÃO DO
CRÉDITO. 1. Segundo o pronunciamento do STF, a TCFA classifica-
se no conceito de taxa, restando superado, portanto, o
entendimento desta Corte que a enquadrava na categoria de
contribuição de intervenção no domínio econômico. 2. Segundo a
sistemática da Lei nº 6.938/1981, as pessoas físicas ou jurídicas
que se dedicam a atividades potencialmente poluidoras ou
utilizadoras de recursos naturais, mencionadas no anexo VIII da
Lei, são obrigadas a se cadastrar junto ao IBAMA e, uma vez
incluídas no Cadastro, tornam-se contribuintes da Taxa de
Controle e Fiscalização Ambiental, que devem recolher na data e
nos valores fixados pela Lei.
4. Em que pese exista informação no cadastro nacional
da pessoa jurídica no sentido de que os produtos
transportados não sejam perigosos, chega-se à
conclusão diversa ao se fazer a leitura do documento
apresentado pelo IBAMA. Nesse documento, é possível
verificar que houve transporte realizado pela apelada de
"nitrato duplo sodio potasio", o que configura, segundo o
referido documento, transporte de cargas perigosas. 5.
No caso em comento, a notificação enviada pelo IBAMA
apenas intima o contribuinte a recolher as importâncias
devidas, não oportunizando defesa ou qualquer forma de
impugnação.
6. A faltade menção ao prazo para impugnação constitui vício
formal no ato de lançamento, visto que suprime a ciência do
sujeito passivo quanto à possibilidade de defesa administrativa.
Considerando que o direito do contribuinte de apresentar defesa
e de instaurar o contraditório na via administrativa constitui
garantia constitucionalmente assegurada pelo art. 5º, inciso LV,
da CF, a falta de indicação do prazo para a defesa invalida a
notificação. 7. Mantida a procedência dos embargos, ainda que
por fundamentação diversa da adotada na r. sentença. 8.
Apelação improvida.
(AC 50092943220124047110, JOEL ILAN PACIORNIK, TRF4 -
PRIMEIRA TURMA, D.E. 28/05/2014.)
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Prova escrita

Alexandre Rossato da S. Avila


2016