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1 Monitoria 2018

REVISÃO DO SEGUNDO BIMESTRE DE HISTÓRIA DO DIREITO

Ponto 2.1

PAOLO GROSSI: HISTÓRIA DO PENSAMENTO JURÍDICO

Pressupostos ordenadores: pressupostos teóricos e linhas arquitetônicas gerais em que a ordem jurídica
medieval será observada.

* HISTORICIDADE DO DIREITO: o caráter essencial do direito é a historicidade (não foi ‘sempre assim’) O
direito pertence ao relativo da história (mutabilidade, relatividade no tempo e espaço), à própria vida da
sociedade civil no seu devir.

Vai organizar seu estudo a partir da “experiência jurídica”: modo peculiar de viver o direito na história, de
percebê-lo, com determinados pressupostos culturais = mentalidade. Principal tarefa do historiador do
direito é perceber quando que ocorre essa mudança de paradigmas (insuficiência de estudar datas muito
marcadas – vai buscar “tempos mais reais”).

No âmbito histórico, se pode falar de experiência jurídica medieval e moderna. No âmbito positivo, é correto
identificar uma experiência jurídica de common law e outra de civil law.

Para que um fato se torne direito, precisa fixar as raízes naquele nível de fundação do devir histórico que são
os tempos profundos da história (entende-se por direito aquele conjunto de valores que uma sociedade
acredita que deve observar, e não a lei arbitrária ou ocasional.

Vai tratar do século V ao XV com coesão (não vai dividir em alta e baixa etc. se utilizam de materiais
diferentes, mas possuem a mesma finalidade construtiva).

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Pensamento século V – XI:

Influência platônica: idealista; o mundo perfeito é o mundo das ideias – mito da caverna. Isso vai ser
hegemônico na Idade Média, quando se trata da divisão entre corpo e alma.

Santo Agostinho: Cidade de Deus, onde tudo é perfeito/ Cidade dos Homens, onde tudo é imperfeito.
Só existe direito justo na Cidade de Deus, logo, a única lei justa e perfeita é a divina. Esta é a lei que
é diretamente revelada por Deus. Exemplo: lei revelada por Jesus do amor como caridade – vai
orientar o imaginário dessa primeira fase medieval; só vai se tornar incompatível no século XII, com
a revitalização do comércio. A lei humana é necessariamente injusta e imperfeita, porém, devemos
obedecê-las mesmo assim. A obediência às leis terrenas é feita pela exigência de manutenção da paz
e da ordem, pela sua utilidade. Obs.: função da lei na idade média é completamente diferente da que
se tem atualmente! As leis capitulares, do Império Carolíngio, por exemplo, tratavam deste amor
por caridade.

Isso muda no século XII, com a intensificação das feiras e do comércio. Há um resgate de Aristóteles e do
Direito Romano. Vai influenciar particularmente São Tomás de Aquino, que analisa a questão da realidade
empírica. É um dos principais autores que discutem o comportamento ético. Aristóteles classifica a ética do
sujeito a partir de suas atitudes: empirismo total! Sujeito é o que faz o que, quando e como deve ser feito, e
depois desfrutará de benefícios = liga a virtude à felicidade. Para ele, só a ética seria o caminho para a
felicidade. Este é um patamar que só o sujeito virtuoso alcança. Existe também o sujeito continente, que não
chega a ser ético, mas está no caminho. Ele sabe o que é certo, até o faz, mas vacila, pensa em não fazer o

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certo. O incontinente é o inverso: pensa, mas não resiste. Por último, tem-se o vicioso, que nem vacila antes
de cometer suas ações viciosas. Novamente, percebe-se a relação com a prática, com a realidade empírica!

Aristóteles acredita em uma relação com a natureza = ordem em que a natureza e o homem estão inseridos.
Isso independe da vontade humana! O mundo, portanto, é ordenado de forma natural (para ele, a escravidão
seria também natural; a natureza criou homens “superiores” e “inferiores”). No período, a aristocracia se
desenvolve e cria uma sociedade estamentária baseada nessa superioridade natural. Homem submetido à
natureza! Para Aristóteles, portanto, o direito natural é a fonte para o direito positivo. Logo, pode existir lei
humana, terrena, justa. Para isso, deve refletir a natureza. Exemplo: é por isso que a usura é vista como
antijurídica pois antinatural: não é natural que eu empresa a alguém cinquenta reais e esta pessoa me
devolva sessenta. Atentar contra as hierarquias também são vistas como equivocadas e não naturais.
Submissão do homem à natureza vai repercutir na ideia de direito natural, portanto, de direito, durante toda
a Idade Média.

* Historicizar o direito medieval

Hoje, direito = Estado. Fonte do direito é a Lei, e o único sujeito capaz de criar a lei é o Estado. A isso, Grossi
vai chamar de absolutismo jurídico. Tudo isso é montado a partir de uma série de mitologias da
modernidade. A primeira é a ideia de que a lei é a vontade geral. Raciocínio que nem sempre é plausível! A
outra questão é o próprio Estado. Também denuncia a suposta “neutralidade” do aparato estatal. O estado
é uma entidade política, que age de acordo com o interesse de quem o comanda. Esse direito de hoje, Grossi
vai chamar de direito como poder. Vem de cima para baixo. Grossi, logo, é bastante crítico desse controle
estatista do direito = é muito crítico ao direito contemporâneo, que se distanciou da sociedade.

Na Idade Média, o direito não era esse = daí a importância de relativizar, pois muitos, como não acham esse
modelo de direito moderno no contexto medieval, dizem que este não existia no período. Na realidade, este
existia sim, e era um direito que se manifestava não como poder, mas como ordem. Criado pela sociedade,
que se autorregula. De baixo para cima! Perspectiva do Grossi: resgatar o direito medieval. (às vezes ele
exagera – não vai falar dos problemas medievais, não menciona a violência, a hierarquia e a desigualdade!).

Fontes do direito: ambiente medieval era de pluralismo jurídico = várias fontes do direito, diferentemente
do moderno, onde há a redução destas para somente a lei.

Características contextuais do período:

1ª: relação com a natureza = o homem medieval se sente pertencente à natureza, e submetido às regras da
mesma. Não se tem um controle razoável sobre a natureza. Regra é o campo não cultivado, e os que são,
possuem formas precárias de cultivo. Gera necessariamente um baixo controle da natureza, estabelecendo
como regra a fome (isso Grossi não fala pois não fala dos aspectos negativos; se limita a falar da
incontrolabilidade da natureza). Isso vai ficar evidente na própria religiosidade = incontável existência de
cultos pagãos para aumentar a fertilidade (benandantes etc.). Por isso, o direito que ordena esse mundo é
um direito externo ao homem, que vem da natureza. É dito = iuris dictio! Não crio o direito, apenas digo
como a natureza ordena o mundo. Ponto chave de análise entre pré-modernidade e modernidade: a
modernidade é o período onde há o controle da natureza, que exige necessariamente uma separação do
homem do mundo natural = revolução industrial no século XVIII. Homem se coloca como alguém que vai
controlar esse mundo natural. Keith Thomas: O homem e o mundo natural.

Antes da modernidade, as coisas tinham direitos! Direitos subjetivos são ideais modernos que só são
permitidos a partir dessa diferenciação entre homem (racional) e natureza (irracional).

2ª característica: sociedade corporativa = formada por corpos, que tem autonomia para dizer o direito. Cada
pequeno grupo social pode dizer o direito que está presente na natureza. Particularismo jurídico. A norma

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particular derroga a norma geral. Exemplo: pároco é regulado antes pelo direito canônico do que pelo régio.
Casuísmo = cada caso é um caso! Coletivismo. É impensável para a idade média a ideia de individualismo. Só
há identidade no coletivo. Identidade é dada pelos grupos.

Pontos principais:

a. Direito medieval = ordem. Autotutela! O sujeito da ordenação é aquele que é ordenado.


Norma brota das raízes do social. Não é um comando, é uma vontade organizativa
consensuada.
b. Múltiplos ordenamentos: não se tem uma lógica legislativa, mas se têm muitas normas!
Casuísmo = não existem modelos, existem casos, que em determinadas localidades criam
padrões. Direito medieval é profundamente costumeiro. O que se pratica é o que vira direito.
Costume é a grande fonte do direito. Tudo é muito efetivo, vem muito de baixo. Varia de
local para local.
c. Leveza do político = na Idade Média, a política não interfere muito na sociedade. Vazio
político, que se dá pela inexistência de Estado. Ninguém tem no período a pretensão de
controle político-jurídico. As regras têm como fonte o social.
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A hipótese romaniana é um instrumento apto a nos fornecer um projeto teórico de sustentação capaz de
organizar o complexo universo medieval, desde que o historiador-jurista não continue a se deixar dominar
por alguns modelos que o circundam, modelos esses vinculados a uma intensa ideologia jurídica – a ideologia
burguesa – e apartados da constituição político-jurídica medieval. Convém tomar conhecimento da “fratura”
.

Portanto: uma experiência jurídica para múltiplos ordenamentos jurídicos, uma profusão de autonomias,
mas não de soberanias.

Método: trabalha muito com fontes secundárias, sem uma preocupação com as fontes primárias, como fazia
a historiografia tradicional.

O objetivo principal da teorização de Grossi é fazer uma crítica ao modelo de direito ocidental que possuímos
na atualidade – direito visto como algo que vem “do alto e de longe”. Quer propor um retorno do direito ao
que considera como seu lugar de origem: o seio da sociedade. Para construir tal raciocínio, vai contrapor o
direito visto como ordem – corpos sociais que se autorregulam - com o direito visto como poder – direito
estatizado pós-revoluções burguesas. É por isso que Grossi traz o ordenamento jurídico medieval em pauta:
é exemplo chave de um direito duradouro visto como ordem, não como poder. Para o autor, o ambiente
medieval é plural e complexo, quiçá contraditório.

Pontinhos para ter em mente ao ler o texto:

1. Direito medieval = direito como ordem


2. Direito medieval = particularista (varia de localidade a localidade)
No direito medieval, efetividade (factualidade) > validade. Principal fonte do direito é o costume!

Grossi confere uma dimensão jurídica à Idade Média. Existiam várias leis, vários direitos! Não é por que não
vinha do Estado que não existia. Vai utilizar isso para se contrapor ao nosso direito (como ordem – idade
média / como comando – atual), à lógica contemporânea. Usa a história como crítica e elemento de reflexão
para o mundo contemporâneo.

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Entretanto, a análise de Grossi também traz problemas. Ele acaba usando chaves excessivamente
maniqueístas para tratar do direito como poder e do direito como ordem. Coloca todas as características
positivas no ‘como ordem’ e todas as mazelas no contemporâneo. O direito como ordem na Idade Média
muito provavelmente não eliminou o uso de um direito como poder por membros daquela sociedade. Ele
pegou um método e o jogou na história medieval – cai no problema do rigor do método sobre os objetos. Ao
fazer isso, não aborda temas como, por exemplo, a violência – na época, esta era parte da estrutura- (a
produção agrícola não era suficiente para gerar riqueza para o senhor feudal; a guerra cumpria esse papel!),
nem a hierarquia. Justificativa do exagero: está combatendo, é um texto de embate, pecando pelo excesso.
Quer vender uma imagem positiva da Idade Média.

GEORGES DUBY – GUERREIROS E CAMPONESES

CONTEXTO HISTÓRICO:

▪ Escola dos Annales – 3º geração: Georges Duby (porém, é importante lembrar que muitos defendem
que não há mais uma Escola nessa 3º Geração devido à intensa fragmentação em termos de temas,
métodos, etc.)
▪ História das mentalidades – estudo dos imaginários que condicionam determinadas práticas sociais.
No caso de Duby, o historiador estudará a respeito da Idade Média em todas as suas facetas.

IDADE MÉDIA:

1. ECONOMIA
▪ A principal função dos nobres, no medievo, era chefiar o exército. Por isso, Duby não chama a
nobreza de nobres, mas de guerreiros – reforçando o importante papel da violência para a circulação
de bens e estrutura social da época.
▪ Na Idade Média, a regra é passar fome. Portanto, os senhores feudais não tinham como acumular
excedentes suficientes para vende-los e, assim, enriquecer. A exploração da terra só servia para a
subsistência dos feudos! Dessa forma, não será a partir da terra que os senhores feudais acumularão
riquezas.
▪ Mas, então o que faz com que os senhores feudais acumulem riquezas, nessa época? As guerras (a
civilização medieval surgirá da guerra e viverá através dela).
▪ Pilhar (saquear) e oferecer são duas faces da mesma moeda, pois as guerras fazem com que os
senhores feudais tenham a obrigação de oferecer aquilo que foi pilhado, dividindo com a população
(lógica coletiva). Mesmo sendo uma sociedade que passa fome, ao invés de estocar os alimentos e
guardar as riquezas para que rendessem, os medievais gastavam tudo de uma vez só. A lógica de
estocar/guardar/vender a um preço maior é uma lógica do capitalismo, não do medievo. Isso fez com
que a desigualdade, durante a Idade Média, fosse muito menor do que a que encontramos no mundo
burguês capitalista.
▪ A prática costumeira da pilhagem fez com que os nobres da Idade Média ajudassem os mais
necessitados. Essa era a ideia da dádiva, do dom, ou seja, não era uma simples troca, mas grandes
circulações coletivas na forma de dádivas e concessões feitas por grupos que tinham obrigações
mútuas – generosidade obrigatória. Contudo, o principal fator limitador dessa generosidade era a
escassez de recursos. Às vezes, ser generoso com os outros era impossível, uma vez que pouco se
tinha para si mesmo.
▪ Com as pilhagens, a regra era a distribuição e as festividades – gastando quase todos os recursos que
conseguiram em 3 ou 4 dias. Percebe-se, então, que a lógica medieval é do imediatismo, a civilização
medieval não vive pensando no futuro – pensar no futuro é algo típico da modernidade. A sociedade

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medieval só pensa no presente, no agora. Eles não se acham sujeitos do próprio futuro, pois, para
eles, esse futuro está apenas nas mãos de Deus.
▪ Com a cristianização, as guerras passaram a ser reguladas. Depois da 1 onda de cristianização, com
Carlos Magno, as guerras passam a ser menos exclusivamente violentas. A guerra começa a ser
substituída por acordos de paz comprados – antecipação de saques. Por exemplo, ao invés de um
reino forte atacar o fraco, o fraco paga um tributo para que o mais forte não o ataque.
▪ Isso reforça que a sociedade medieval era uma sociedade de cultura da guerra, uma sociedade de
guerreiros. São eles que vão trazer riquezas ao território, fazendo da guerra a principal atividade
econômica medieval. Portanto, quem mandava era quem tinha armas e espadas. A violência era
endêmica nessa sociedade. A brutalidade dos ataques era a regra. É uma sociedade em guerra
constante. E, por isso, para um camponês, é absolutamente fundamental que ele tenha proteção do
senhor. Isso quebra a visão romântica de Paolo Grossi – de autorregulação, harmonia – pois quem
tem mais força tem mais vantagem.

2. IGREJA

▪ O homem medieval usa os artifícios religiosos para controlar o incontrolável – por meio de bênçãos.

▪ A Igreja acaba acumulando riquezas, mesmo que doassem bastante.

▪ A prática da generosidade foi muito influenciada pelo pensamento cristão, como, por exemplo, pela
“Lei do Amor” que traz Santo Agostinho. A partir dela, defende-se a ideia de amar o próximo como
a ti mesmo. Disso advêm as noções de caridade, doação, fazer e viver pelo outro.
▪ Os guerreiros são as figuras mais importantes daquela sociedade. A sua imagem é construída sob um
tipo ideal, alimentado pela própria literatura medieval – por isso, as histórias de cavalaria ficaram
tão famosas, enaltecendo o cavalheiro. É importante ressaltar que, de acordo com esse ideal
cavalheiresco, os guerreiros deveriam ter seus valores orientados pelas virtudes morais cristãs. O
nobre deveria ser benevolente e caridoso.

3. HÁBITOS

▪ Alimentos: o trigo vai ser a base elementar da dieta europeia, não só em Roma, mas na Idade Média
e até a Primeira Modernidade. Outros alimentos: vinho, azeite, etc.
▪ Luxos: cavalos, comida (em especial carne), roupas.

▪ Arquitetura: palácios que vieram dos romanos (em cidades como Verona, Lucca, Roma, Toledo, etc.).
A regra não é só o feudo. As cidades continuam, os palácios continuam. O que se perdem são as
técnicas arquitetônicas, pois os bárbaros não vão ter técnicas de construção. O principal elemento
arquitetônico dos romanos é o arco; dos gregos, as colunas. Porém, o arco romano vai se perder. Um
grande problema na primeira fase da Idade Média século V ao XI vai ser a sustentação. O estilo
românico vai ser caracterizado pelas Igrejas baixas, com paredes grossas e tetos grossos para a
sustentação, o que vai dificultar a colocação de janelas – por isso serão Igrejas escuras. Depois, surge
o arco ogival, que permitiu a ascensão do estilo gótico e que mudou completamente a arquitetura
medieval.

▪ Nem todos vão se ruralizar, portanto. Muitos bárbaros vão usar a cidade romana. As cidades não
morreram, elas assumem um aspecto rural, mas permanecem como centro da vida política. Os
bárbaros aspiravam viver como os romanos e queriam manter essa tradição. Assim, os bárbaros vão
se romanizar, adquirindo alguns hábitos romanos – como a própria cristianização. Exemplo curioso
disso é a mudança do dia santo do Sábado (último dia da semana) para o Domingo (Sunday = dia do

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Deus sol – deus romano).

4. MOEDA
▪ Prata/ouro: circulação pequena, mas ainda existem.
▪ Havia moedas em circulação, porém não eram cunhadas em todo o lado.
▪ Havia a ausência de moeda de baixo valor, por falta de interesse dos governantes de as cunharem,
já que não contribuíam para seu prestígio (lembrar: a emissão de moedas era um assunto de Estado.
A moeda era uma instituição de ordem pública, emanando do personagem da majestade).

MOMENTOS POSTERIORES

▪ Depois, há uma transferência para a sociedade absolutista. Devido a esse fato, há uma certa
desmilitarização e o início de uma política muito privada. A vantagem passa a estar dentro do palácio
e não mais nas guerras. A nobreza passa a ser cortesã e não mais guerreira.
▪ Observação do professor: é interessante perceber que na nossa sociedade burguesa capitalista
contemporânea a Guerra também vai ser importante para que haja o enriquecimento dos países e
para decisões políticas. (Livro: Confronto de Fundamentalismos, Tariq Ali).

CRÍTICA A KARL MARX A PARTIR DE GEORGES DUBY

▪ Marx afirma que os senhores feudais acumulavam riquezas através da exploração dos servos. Mas,
como vimos em Duby, o acúmulo de riquezas se dava através da guerra, e não da terra. Além disso,
a lógica era a da distribuição e da prática da generosidade.
▪ Marx tem uma lógica evolucionista, uma vez que afirma que ser um operário do século XIX é melhor
do que ser um servo na Idade Média – ideia de linearidade – dizendo que houve uma evolução na
condição do oprimido. Porém, estudos históricos demonstram que o servo medieval trabalhava
muito menos do que o proletariado no século XIX, principalmente porque o trabalho servil estava
ligado às condições da natureza. A partir disso, podemos questionar a lógica de Marx.
▪ Portanto, é possível dizer que Marx foi anacrônico, pois partiu de um espírito de época e olhou com
esse mesmo espírito a outros períodos da história.

JOHAN HUIZINGA – O OUTONO DA IDADE MÉDIA

NOBRE

▪ Vida virtuosa → amor/caridade

▪ Compaixão pelo pobre. Honra


▪ Cultivar as virtudes cristãs.

Ex.: em Portugal, é preferível que o príncipe seja amado do que temido, principalmente durante o período
da 1ª modernidade. O nobre vai ter legitimidade e será reconhecido como tal pelos outros se ele tiver uma
vida virtuosa, caso contrário será considerado um tirano.

VISÃO DO ROMANTISMO

❖ Exaltação do nobre, ideal cavaleiresco. Elementos éticos e estéticos.

❖ Imagem medieval pensada como estática.

❖ Deveres da nobreza se equiparam aos do Estado: proteção, defesa, manutenção do bem comum,
combate à violência.

❖ Qualidades (estereótipos) da nobreza: verdade, coragem, moralidade e generosidade.

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❖ A ética da época dizia que a verdadeira nobreza provinha apenas da virtude, pois todos são iguais
(aqui, fala-se em uma igualdade na morte, não na vida).

❖ A burguesia e os trabalhadores não eram diferenciados, eles compunham o Terceiro Estado (as
virtudes desse Terceiro Estado eram servis como, por exemplo, a humildade, o zelo, a obediência ao
rei e a docilidade diante dos nobres).

❖ Porém, por detrás da ética dos nobres, havia um certo desdém pelo Terceiro Estado.

❖ “Compaixão pelo povo pobre, que leva uma vida tão dura”. Aqui, verificamos um lamento
estereotipado e negativo. Mesmo com a compaixão pelo pobre, não é vista nenhuma intenção de
reforma da sociedade.

Desgraça do povo = fome, miséria, guerras.

A Confissão na Idade Média – Giu

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Fichamento do livro do Jean Delumeau

EXTENSO:

Conforme destaca são Tomás de Aquino, segundo narrativa de Delumeau, numerosos são
os conselhos de benevolência dados aos confessores, que não se devem mostrar severos, exigentes
e austeros, uma vez que tais atitudes calam o pecador. Por isso, devem-se mostrar o mais amáveis
possíveis, ainda que a natureza do pecado pareça exigir tal severidade, pois deseja-se estabelecer
certa confiança recíproca, uma pedagogia da amabilidade do confessor. É o que defende também
Santo Antonio, junto com o fato de as confissões serem também obtidas com sabedoria e destreza.
A maior parte dos responsáveis por trabalharem como confessores – e dos que escrevem
sobre isso – ratificam continuamente a necessidade de encorajar o fiel a falar por si só seus pecados,
especialmente por meio da conduta supracitada. Em “Conferências eclesiásticas da diocese de
Amiens sobre a penitência”, nota-se ainda mais explicitamente essa ideia de pedagogia da
benevolência, em que o confessor, a partir da paciência e doçura, encoraja o pecador a falar, de
forma que não se sinta envergonhado ou perturbado por uma demonstração de horror aos seus
pecados pelo confessor.
Para santo Afonso de Ligório, os bons confessores acolhem os pecadores no fundo de seu
coração e deleitam-se em salvá-los; afinal, o sacramento não é instituído para os devotos, e sim para
os pecadores. Reitera-se, assim, a ideia de benevolência e amabilidade que devem demonstrar os
confessores, que, consoante Aquino, precisam ser doces ao corrigir, prudentes ao instruir, caridosos
ao punir, afáveis ao interrogar, amáveis ao aconselhar, discretos ao impor a penitência, suaves ao
escutar e, por fim, benignos ao absolver.
Essa corrente espiritual e penitencial, vigente com especial relevância do século XIII ao
XVIII, coloca também uma tripla função do confessor: a de pai, de médico e de juiz, com insistência
voltada, entretanto, para uma imprescindível caridade. Comumente, nos séculos citados, recaia a
imagem de os missionários serem leões no púlpito e cordeiros no confessionário, o que é explicado
por são João Eudes como a ideia de pregar a palavra de Deus para fulminar os pecados na primeira
situação, assim como um coração com doçura onipotente na segunda.
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Segundo Guy de Montrocher, o confessor é “como um médico espiritual que acolhe um


doente da alma” (p. 28). Dessa forma, atua amavelmente, ganhando a confiança do paciente para
lhe revelar a extensão de seu mal e a intensidade de sua dor. Caso o interlocutor não queira
confessar, usa-se o caminho do medo: o missionário incumbido da tarefa de extirpar os males do
pecador mostra a ele que Deus pune aqueles que não fazem penitência. Para que mais facilmente
confesse, o confessor não deve olhar de frente para o penitente, e sim deve desviar seu olhar, como
se lhe contassem uma história, induzindo-o calmamente por meio de uma tática, guiada por
verdadeira ternura.
Francisco Xavier, expert em confissões, coloca dois caminhos para poder fazer com que o
pecador confesse: a) mostrar que trabalha com almas muito mais criminosas e perdidas; e b) o mais
difícil em sua visão, usado em casos extremos, de expor suas próprias misérias para encorajar o
penitente. A última dessas formas cria um elo de afeição entre o padre e quem se confessa, pois
trabalha com a reciprocidade da relação – uma troca de pecados – e coloca as duas pessoas em nível
de igualdade.
Ademais, deve o confessor, por meio de perguntas indutivas, acompanhar o penitente e
fazer com que ele pouco a pouco exponha seu pecado, o que ocorreria especialmente em pecados
sexuais. Apesar da paciência e da benevolência, deve o confessor também fale, de forma a terminar
sempre sob o signo da clemência. A despedida deve ser feita com a maior doçura possível para
encorajar o pecador, mesmo que não haja a possibilidade de absolvição daquela vez, a retornar para
a confissão, uma vez que a eterna felicidade requer esforço.

TOPIFICADO (e muito mais resumido)

− Confessores: devem ser benevolentes, doces, amáveis, pacientes e prudentes, de forma a


encorajar o pecador a expor por si só seus pecados, de modo a criar uma relação de
confiança;
▪ Essa ideia vem especialmente de São Tomás de Aquino;
− Atitudes severas e reações de espanto repreendem, envergonham e perturbam o pecador,
que se cala;
− Tripla função do confessor: pai, médico e juiz, mas sempre caridoso;
− Confessor deve ser um “leão no púlpito e cordeiro no confessionário”;
− Ideia de médico espiritual, que é amável, embora aponte para a extensão do mal e a
intensidade de sua dor após ganhar a confiança do paciente;
− Caso não queira confessar: uso do medo (“você vai pro inferno”, “Deus pune” etc.) – mostra
um contrabalanceamento;
− Francisco Xavier → dois caminhos:
▪ Falar que trabalha com almas muito piores;
▪ Em casos extremos, expor seus próprios pecados para encorajar o paciente a partir
da criação de um elo de afeição entre o padre e quem confessa;
− Utilização de perguntas indutivas para conduzir o penitente em seu caminho;
− Falar no final, mas sempre terminando sob o signo da clemencia e caridade, para que os
pecadores sejam encorajados a seguir o bom caminho da confissão.
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Revisão (conteúdo + livro)

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Dentro das considerações que devem ser feitas a respeito da Igreja durante o medievo, é
uma tarefa importantíssima dar destaque para uma das mais valorizadas situações durante o
período: a confissão. Antes, porém, é preciso desenvolver o contexto histórico e trabalhar
especialmente com um evento: o Concílio de Latrão, de 1215.
Dentro do que foi colocado por esse Concílio de Latrão a figura da confissão se sobressai,
uma vez que nela reside um dos pilares que sustentam a autoridade eclesiástica para os assuntos
espirituais e porque foi colocada como obrigatória anualmente – o que incentiva a produção de
manuais de confissão. Como se sabe, o rito da confissão é em si, de uma maneira simplificada e
didática, uma prática de externar para alguém um erro perante Deus, os pecados que tenha
cometido como uma forma de se expurgar deles. Esse contato com Deus, porém, efetua-se através
de um confessor, que atua como uma espécie de ponte. A expurgação dos pecados, nesse contato,
é o objetivo principal.
Com a medida de obrigatoriedade, surgem problemas na confissão, todos interligados a
um grande despreparo clerical. Esse despreparo é fruto de um problema de acolhimento dos
pecadores nas paróquias, bem como o fardo que se tornou para os próprios confessores, que
deviam lidar com massas de penitentes. Dois problemas se sobressaem nesse contexto,
relacionados ao modo como os padres encaravam a situação: a pressa e o rigor.
Na primeira problemática, tem-se que os missionários incumbidos de realizar o ato
confessional agiam com excessiva pressa e desleixo com as massas de pecadores que iam à Igreja
buscar absolvição. Dessa forma, geralmente aborrecidos pela quantidade de confissões e por sua
extensão, agiam os confessores de modo a absolver escutando precária e rapidamente os fiéis.
Outrossim, alguns padres atuavam de forma excessivamente rigorosa, sendo demasiadamente
autoritários dentro do confessionário. Esse excessivo rigor – e a pressa e o desleixo –
desincentivavam os pecadores a procurarem os confessionários.
É nesse contexto que vem o Concílio de Latrão e, a partir de um trabalho com os manuais
e padres, busca-se alterar a perspectiva da confissão, retornando ao ideal almejado pela Igreja.
Como coloca Delumeau em seu livro, a confissão deveria ser um instrumento de benevolência e
caridade dos confessores para com os penitentes, uma vez que comportamentos austeros, ríspidos,
autoritários e excessivos afastavam os pecadores ao invés de aproximá-los e extirpá-los dos
pecados.
São Tomás de Aquino muito prega que o confessor precisa ser doce ao corrigir, prudente
ao instruir, caridoso ao punir, afável ao interrogar, amável ao aconselhar, discreto ao impor a
penitência, suave ao escutar e, por fim, benigno ao absolver. A ambígua figura do leão e do cordeiro
coloca-se aqui, nesse contexto: “o confessor deve ser um leão no púlpito, e um cordeiro no
confessionário”. Confessar implica em um ato de cativação do fiel, que se submete e entrega seus
pecados a outro como forma de tentar ao máximo tirá-los de si. Por isso, é necessária uma atitude
benevolente com o intuito de aproximar o pecador da Igreja, de fazer com que ele se sinta
confortável ao expor seus pecados para retirá-los.
Todavia, é pertinente retomar a ideia de corpos jurídicos medievais trazida por Grossi em
seu texto: cada sociedade age de uma maneira diferente por ser regida por seus próprios costumes.
Isso significa dizer que a confissão também representará e se mostrará de diferentes formas
dependendo da localidade em que se insere. Por mais que a função “geral”1 da confissão que seja

1
Não sei se é o termo mais adequado, então tomem cuidado, por favor!

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almejada e que perpasse as diferentes localidades seja a de cativar a humildade por meio de
paciência, doçura e clemência, cada lugar tem suas peculiaridades.
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Esquema

− Concílio de Latrão (1215):


▪ Separação de assuntos espirituais e temporais;
▪ Reforço da Igreja como autoridade eclesiástica para os assuntos especiais;
▪ Tornou a confissão anual obrigatória → criação de manuais para confessores;
− Confissão: expor pecados para conseguir o perdão de Deus por meio de um confessor;
− Problema da confissão: confessores:
▪ Despreparo do clero;
▪ Problema 1: pressa, desleixo;
▪ Problema 2: excessivo rigor;
− Confissão assume nova roupagem com o Concílio de Latrão → função de cativar por meio da
paciência, doçura e clemência;
− Ideias de São Tomás de Aquino do confessor;
− Cativar o fiel e salvá-lo de seus pecados → aproximação;
− CUIDADO! Noção de Grossi → sociedades diferentes, costumes diferentes, operação
casuística das situações. Contudo, função geral é a de cativar humildade por maio das
virtudes aquinianas que o confessor deveria ter;

CASAMENTO E CONJUGALIDADE – G. DUBY

• A partir do século XI, há uma mudança no cenário medieval a partir do impacto do direito na
realidade predominantemente costumeira: estudos de resgate ao Direito Romano + Direito Natural
de Aristóteles = caracterizam o momento do Direito Comum Europeu ou Ius Commune. Porém,
mesmo com o início dessa lógica de "regulamentação", ainda havia a prevalência de uma realidade
colocada pelos costumes e, portanto, por uma diversidade de ordens.
→ O ius commune consiste num fenômeno de proporções globalizadas que abrange o continente europeu,
constantemente interagindo com as ordens jurídicas locais e instalando um ambiente de unidade e
uniformidade (universalidade) entre elas, ou seja, ele ultrapassa fronteiras físicas e étnicas e se instala
na mundividência medieval. Torna-se predominante como Direito a ser implementado, na tentativa de
legitimar o Império Cristão, que mantinha na estaticidade do mundo e do ser humano uma ordem
regida por uma teologia-política.
• Há também, nesse sentido, um aumento da regulação feita pela Igreja Católica, a partir da figura dos
bispos, no campo das relações conjugais e do casamento (campo de conflito entre moral eclesiástica
e moral profana). Inicia-se um processo de limitação e controle do direito costumeiro dos nobres, já
que estes eram alvos mais fáceis e tinham maior contato e influência da moral cristã e da própria
Igreja - regulação feita de CIMA PARA BAIXO! Os camponeses, em grande medida, continuaram por
um tempo maior com seus costumes pagãos.
• Anteriormente, não havia essa pretensão de controle da Igreja sobre os comportamentos conjugais,
tais decisões eram tomadas pelos chefes de família. Haviam três dimensões condenáveis pela Igreja
nesses momentos anteriores, da moral profana:
→ Ritos sexuais: ritos de passagem, principalmente dos meninos jovens;

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11 Monitoria 2018

→ Dissolução de matrimônio sem filhos homens: a própria ideia de dissolução é condenável, mas mais
ainda se motivada pela ausência de um primogênito!
→ Novo casamento com irmãs, primas, parentes da esposa falecida: visando manter as terras e a
herança - a endogamia era extremamente mal vista.
• Colocava-se em destaque, portanto, as seguintes questões principais:

INDISSOLUBILIDADE do casamento + EXOGAMIA (casamento proibido entre familiares) +


PROCRIAÇÃO (as finalidades de prazer eram condenadas).

• Importante destacar que o casamento eclesiástico era proibido - "dedicação sacra dos padres em
cultivar a alma não poderia ser obstada por preocupações mundanas, por isso seriam seres
hierarquicamente superiores na Terra". Porém, algo bastante difundido é que tal dimensão se liga
diretamente à ideia de não divisão das riquezas da Igreja.
• O incentivo ao casamento monogâmico e a proibição, sob pena de excomunhão, da dissolução do
mesmo está ligada a questões de manter a ordem e evitar a devassa, a promiscuidade, o pecado.
• Entretanto, por mais que houvesse essa tentativa de imposição de uma ordem cristã, de difusão de
um modelo de conjugalidade, a sociedade não estava em harmonia perfeita com o que a religião
ditava, portanto, essa nova ordem se constitui em apenas mais uma dentro do rol de diversas ordens
locais! A fonte do direito nesse período mantinha-se como sendo os COSTUMES!!!!
• De forma mais específica, a Igreja passou a desenvolver a ideia de realização feminina e de
localização do seu papel no âmbito privado e doméstico. Uma mulher é plenamente realizada se
cumpridas as esferas do matrimônio + maternidade, segundo o que é moralmente colocado. Utiliza-
se de duas histórias de santas, para defender esse ideal e para justificar a própria ideia do bom
casamento:
→ Ida de Bologna (Matrona): é filha de um duque (alta nobreza) e casa-se com Eustáquio, um
príncipe e governante de um pequeno reino europeu. Tem três filhos HOMENS, cumprindo assim a
finalidade última do casamento que é a procriação. É piedosa e discreta, sempre casta (valores
cristãos). Representa o exemplo de feminilidade a ser seguido e demonstra a REALIZAÇÃO da
mulher nas esferas colocadas anteriormente - especialmente em comparação com a figura da
Virgem Maria - vive-se para significar a maternidade!
→ Godelive (Mal Casada): pertencente à baixíssima nobreza e casa-se com um cavaleiro do príncipe.
Escolhida por impulso, por livre vontade individual, o que é mal visto, já que o casamento deveria
ser familiar e não por "paixão" + família da moça aceitou na medida em que foi oferecido um bom
DOTE (patrimônio), aqui reside a segunda crítica da Igreja: o dote não deve ser colocado como
único critério na escolha de um marido. Vive um martírio, é abandonada diversas vezes,
maltratada, e quando "tenta" fugir, é morta pelos criados domarido. Até o fim permaneceu
resignada e submetida, em prol da manutenção do casamento, por isso torna-se santa.
• Ambas as histórias tratam: do tema da indissolubilidade do casamento + da submissão das mulheres
aos seus maridos (a partir de um "substrato religioso" que legitima essa ideia e que faz com que
permaneçam nessa posição) + da realização da mulher no casamento e na maternidade + da imagem
exemplar da figura feminina.

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