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A autora

Nélia Rodrigues Del Bianco é jornalista formada pela Universidade Federal de


Goiás (UFG), doutora em Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP)
com estágio de pós-doutorado na Universidade de Sevilha-Espanha, mestre em
Comunicação pela Universidade de Brasilia (UnB) e especialista em Educação a
Distância pelo Senac-DF. É professora dos programas de pós-graduação em
Comunicação da UnB e UFG. Lecionou por mais de 20 anos nos cursos de
Jornalismo e Audiovisual da Faculdade de Comunicação da UnB. Na pós-
graduação orientou teses e dissertações e ministrou disciplinas sobre métodos e
técnicas de pesquisa e formatação de projetos de qualificação para mestrado e
doutorado. Na graduação foi orientadora de dezenas de trabalhos de conclusão de
curso, muitos deles premiados nacionalmente.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP

D331m Del Bianco, Nélia


Métodos e técnicas de pesquisa / Nélia Del Bianco –
Goiânia: NUTEC, 2016.
105 p. : il. - (Educação a distância Araguaia).

Possui bibliografia.

1. Metodologia do trabalho científico. 2. Educação a


distância – Metodologia. 3. Educação superior. I. Faculdade
Araguaia. II. Título.

CDU:
001.8(07)

Ficha catalográfica elaborada pela Bibliotecária Marta Claudino de


Moraes CRB-1928

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FACULDADE ARAGUAIA - FARA
1º Edição - 2016

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SUMÁRIO
UNIDADE II – O MÉTODO CIENTÍFICO E AS MODALIDADES DE PESQUISA

1. O método científico ..............................................................................................23


1.1 Modalidades de métodos científicos ..........................................................24
2. Modalidades de pesquisa ....................................................................................28
2.1 Modalidades de pesquisa quanto à abordagem .......................................29
2.1.1 Pesquisa qualitativa ..........................................................................29
2.1.2 Pesquisa quantitativa ........................................................................30
2.2 Modalidades de pesquisa quanto à natureza ............................................31
2.2.1 Básica ..............................................................................................31
2.2.2 Aplicada ...........................................................................................31
2.3 Modalidades de pesquisa quanto aos objetivos .........................................32
2.3.1 Pesquisa exploratória........................................................................32
2.3.2 Pesquisa descritiva............................................................................32
2.3.3. Pesquisa explicativa.........................................................................33
2.4 Modalidades de pesquisa quanto aos procedimentos................................33
2.4.1 Pesquisa bibliográfica ......................................................................33
2.4.2 Pesquisa documental .......................................................................34
2.4.3 Pesquisa experimental .....................................................................35
2.4.4 Pesquisa de campo ..........................................................................35
2.4.5 Pesquisa participante .......................................................................36
2.4.6 Pesquisa com survey .......................................................................36
3. Técnicas para coleta de dados .........................................................................37
3.1 Análise de conteúdo ..................................................................................39
3.2 Coleta documental ....................................................................................40
3.3 Entrevista ..................................................................................................41
3.4 Estudo de caso ..........................................................................................42
3.5 Experimento ..............................................................................................43
3.6 Levantamento bibliográfico .......................................................................44
3.7 Observação sistemática ............................................................................44
3.8 Observação participante ...........................................................................45
3.9 Questionário ..............................................................................................45
4. Revisão .............................................................................................................47
5. Atividade ...........................................................................................................49
6. Referências ......................................................................................................50

Lista de Quadros
Quadro 8 – Métodos científicos ...............................................................................27
Quadro 9 – Classificação das modalidades de pesquisa .........................................29
Quadro 10 – Técnicas de coleta de dados ...........................................................38

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UNIDADE II – O MÉTODO CIENTÍFICO E AS MODALIDADES DE PESQUISA

Objetivo: Discutir a natureza e princípios do método científico e as modalidades de


pesquisa com o propósito de oferecer ao pós-graduando instrumentos para
organizar as etapas metodológica da pesquisa.

1. O método científico

Elaborar e executar um projeto de pesquisa que resultará na monografia de


final de curso é o seu compromisso assumido quando o iniciou a pós-graduação.
Nessa etapa da disciplina “Métodos e Técnicas de Pesquisa” provavelmente já
escolheu o tema, definiu o problema e os objetivos de sua pesquisa. Chegou o
momento de você refletir sobre como pretende alcançar os resultados que
responderão à pergunta de sua pesquisa. Estamos falando do método científico.

De origem grega, methodos se refere ao caminho ou via, com etapas e


processos, a ser seguido para se atingir um determinado objetivo. O método científico
é uma maneira de resolver problemas ou de dar respostas de forma sistemática e
lógica, baseando-se nos princípios da ciência. Como afirma Lakatos e Marconi (2006,
p.81), “não há ciência sem o emprego de métodos científicos”. Como também não há
pesquisa sem escolha de um método que melhor se ajuste aos seus objetivos.

Na ciência, os métodos constituem os instrumentos básicos que ordenam de início


o pensamento em sistemas, traçam de modo ordenado a forma de proceder do
cientista ao longo de um percurso para alcançar um objetivo preestabelecido
(FERRARI, 1982, p. 19).

O método é o conjunto das atividades sistemáticas e racionais que permitem


alcançar o objetivo, conhecimentos válidos verdadeiros e explicação dos
fenômenos, traçando o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando as
decisões do cientista (LAKATOS; MARCONI, 2006, p.81).

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1.1 Modalidades de métodos científicos

Provavelmente você conhece a célebre expressão "penso, logo existo". A


origem da frase está na obra do filósofo francês René Descartes (1596 – 1650),
considerado o fundador da filosofia moderna. Ele chegou essa conclusão enquanto
buscava traçar uma metodologia para definir o que seria o ‘verdadeiro conhecimento’.

Imagem de Frans Hals [Domínio Público]

Para obter o conhecimento absoluto, irrefutável e inquestionável, Descartes


acreditava que seria possível fazê-lo somente pela razão. Sua estratégia consistia em
duvidar de tudo, inclusive da própria existência e do mundo que o rodeava. Para ele
duvidar é pensar, e por estar pensando, logo existia. A separação que fez entre sujeito
e objeto do conhecimento tornou-se fundamental para toda a filosofia moderna.

No clássico livro, Discurso do método, publicado em 1637, Descartes estava


disposto a encontrar uma base sólida para servir de alicerce a todo conhecimento e,
para isso, criou quatro regras para conduzir a razão em busca da verdade
(DESCARTES, 2001, p. 27-36):

a. A primeira regra é duvidar, não aceitar como verdadeiro qualquer coisa sem a
conhecer profundamente como tal. Dessa regra vem o alerta para evitar
qualquer precipitação e não incluir nos juízos de valor nada que se não
apresente claramente de modo a excluir toda a possibilidade de dúvida.

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b. A segunda é a análise, consiste em dividir o problema em tantas partes quantas
forem necessárias para melhor resolvê-lo.
c. A terceira propõe pôr ordem nos pensamentos, começando pelos objetos mais
simples e mais fáceis de conhecer, para depois tentar gradativamente o
conhecimento dos mais complexos.
d. Por último, fazer sempre enumerações tão completas e revisões tão gerais
para que tenha a certeza de nada ter omitido.1
O método científico desenvolveu-se ao longo do tempo graças a contribuição
de dezenas de filósofos que buscaram uma forma de organizar o pensamento para se
chegar ao meio mais adequado de conhecer e controlar a natureza.

Descartes lançou as bases do movimento intelectual conhecido como


racionalismo cartesianismo que consistia em confiar de modo irrestrito na capacidade
cognitiva da razão. Antes dele, o filósofo inglês Francis Bacon (1561-1626) exerceu
grande influência nos paradigmas científicos ao defender o uso da experiência e do
método indutivo como critérios válidos para aceitar qualquer conhecimento. A indução
é um processo mental pelo qual partindo de dados particulares, suficientemente
constatados, infere-se uma verdade geral não contida nas partes examinados
(Lakatos; Marconi, 2006, p.83).

No início do século XX, o método indutivo foi contestado de forma vigorosa. O


filósofo austríaco Karl R. Popper (1902- 1994) considerava difícil a ciência progredir
da observação para a formulação de leis e teorias. A observação é sempre seletiva,
ilumina alguns aspectos, mas deixa outros de fora. “O conhecimento não começa com
percepções ou observações, nem com a coleta de dados ou fatos, mas com
problemas” afirmou Popper (1999, p.104) ao construir a abordagem hipotético-
dedutiva. Para ele, a ciência começa e termina com problemas e as teorias que
surgem da análise deles sempre serão provisórias. Os problemas de pesquisa
surgem, portanto, da contradição entre as teorias e o que a observação mostra. É uma
relação que guarda uma certa tensão entre saber e não saber; na contradição entre o
que se suponha saber e o que são os fatos na sua essência.

Outro ramo de abordagem clássica da ciência é o método dialético, um modo

1
Para saber mais, leia os textos do site Mundo dos Filósofos, disponível em
http://www.mundodosfilosofos.com.br/
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de pensar a realidade, de compreendê-la como essencialmente contraditória e em
permanente transformação. Explica Demo (1981, p. 88), que a dialética é a
metodologia mais conveniente para estudar a realidade social porque considera o
fenômeno histórico subjetivo. De origem grega, a palavra dialética quer dizer a arte do
diálogo, do debate, do raciocínio. É uma maneira de filosofar debatida ao longo de
décadas por filósofos, como Sócrates, Platão, Aristóteles, Friedrich Hegel, Karl Marx
e outros.

O método dialético parte de cinco categorias básicas de interpretação:


pressuposto de conflito social; a totalidade dialética; condições objetivas e subjetivas;
unidade dos contrários; teoria e prática.

Para Demo (1981, p 88-95), o conflito social é tomado como estrutura da


história, e como tal passa pela contradição da transformação social. O processo de
síntese e antítese da realidade constrói a base da totalidade da dialética. A dinâmica
da realidade social produz seu próprio contrário e assim as condições objetivas e
subjetiva de sua superação. A tese é a “realidade social historicamente
contextualizada” que “desenvolve dentro de si a (sua) dinâmica contrária, que a leva
a gestar as condições necessárias e suficientes para sua superação” (DEMO, 1981,
p.92). Este processo constitui a própria totalidade dialética, na produção contínua de
uma nova síntese (tese), que em conflito com sua antítese constituirá em um novo
processo de superação. O processo histórico-estrutural passa pelo reconhecimento
das condições objetivas e subjetivas na totalidade da dialética. Ambas condições
fazem parte do próprio dinamismo dialético, como um fenômeno regular. O conceito
de unidade de contrários é a marca mais profunda da dialética. Esse processo de
contrários caracteriza a totalidade histórica do conflito social, sendo a força que gera
a nova síntese pelas condições objetivas e subjetivas. Outra marca importante da
dialética crítica é “reconhecer a essencialidade da prática histórica, ao lado da teoria,
não aceitando a disjunção entre estudar problemas sociais e enfrentar problemas
sociais” (DEMO, 1981 p. 101).

No quadro abaixo, uma síntese sobre esses métodos clássicos de abordagem


dos objetos de pesquisa :

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Quadro 8 – Métodos científicos
FORMAS DE ABORDAGEM CARACTERÍSTICAS

Método Indutivo
 O conhecimento é baseado na experiência.
 Parte de dados particulares para inferir uma verdade
geral não contida nas partes examinadas.
 Fundamenta-se em premissas verdadeiras para se
chegar a conclusão que pode ser provavelmente
verdadeira.
 É aplicado em três etapas:
o observa atentamente os fenômenos;
o descobre a relação entre eles para depois
agrupá-los numa mesma espécie;
o generaliza a relação observada apresentando
uma classificação.
 Parte do particular para o geral.

Método Dedutivo
 Pressupõe a razão como única forma de chegar ao
conhecimento verdadeiro.
 Parte das teorias e leis para prever a ocorrência dos
fenômenos particulares.
 Considera que se todas as premissas são verdadeiras,
a conclusão deve ser verdadeira.

 Parte do geral para o particular.

Método Hipotético–dedutivo
 Busca a verdade eliminando tudo o que é falso.

 O ponto de partida não é a observação e sim um


problema.
 Para tentar explicar o problema, são formuladas
hipóteses; destas deduzem-se consequências que
deverão ser testadas ou falseadas. Falsear significa
tentar tornar falsas as consequências deduzidas das
hipóteses. Quando não se consegue derrubar a
hipótese, tem-se sua corroboração;
 Segue as seguintes etapas:
o Problemas
o Hipóteses
o Dedução de consequências observadas
o Tentativa de falseamento
o Corroboração

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Método Dialético
 Baseia-se na lógica interna da ação e nos métodos
que tornam claras a dinâmica e as contradições
internas dos fenômenos.
 Aceita como regra que tudo se relaciona, tudo se
transforma e se desenvolve. O fim de um processo,
por exemplo, pode ser o começo de outro.
 Especifica os pensamentos compreendidos num só
ato intelectual entre homem-natureza, entre reflexão-
ação e entre teoria-prática.
 Rejeita respostas fechadas e soluções prontas,
exigindo discussão em busca de um processo de
trabalho de aproximações sucessivas que possa
conduzir para uma verdade relativa.
 Entende que a realidade social não é determinada,
mas condicionada por diferentes fatores.
 Consagra a trilogia tese, antítese e síntese.

 O método pode ser utilizado em experiências práticas,


processos históricos, debates filosóficos ou análises
que acompanham um fato ou uma situação.

Fonte: adaptado a partir de Lakatos e Marconi (2006, p. 81-105) e Demo (1981, p. 89-1003)

Importante
O caminho a ser seguido para realizar uma pesquisa não é único. Há diferentes
trajetórias que podem ser utilizadas. Cada método tem uma perspectiva própria e
um conjunto de procedimentos que ajudam de modo mais apropriado no
conhecimento sobre realidade. A escolha por um deles será determinada pelas
exigências do seu objeto da pesquisa. Os métodos de abordagem mostrados nesta
unidade auxiliam você a identificar qual tipo de raciocínio lógico poderá empregar
na análise do seu problema de pesquisa.

2. Modalidades de pesquisa

Dos diferentes tipos de métodos derivam muitos tipos de pesquisas. Nesta


unidade foram reunidas as modalidades aplicadas com maior frequência nos campos
das Ciências Humanas e Ciências Sociais Aplicadas, conforme áreas de
conhecimento definidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e

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Tecnológico - CNP2. Para melhor entendimento foi adotado um sistema de
classificação de modalidades de pesquisa adaptado a partir de obras conceituadas de
pesquisadores como Gil (2002), Demo (1981), Chizzotti (1991) e Lakatos e Marconi
(2006):
Quadro 9 – Classificação das modalidades de pesquisa
CLASSIFICAÇÃO MODALIDADES

Quanto à abordagem Qualitativa e quantitativa

Quanto à natureza Básica e aplicada

Quanto aos objetivos Exploratória, descritiva e explicativa.

Quanto aos procedimentos Bibliográfica, documental, experimental,


pesquisa de campo, participante e pesquisa
com survey.

2.1 Modalidades de pesquisa quanto à abordagem

2.1.1 Pesquisa qualitativa

Definição: É a pesquisa que não se preocupa com representatividade numérica, mas


com o aprofundamento da compreensão sobre um grupo social, de uma organização,
um conjunto de empresas etc. Busca explicar o porquê das coisas, mas sem
quantificar valores e trocas simbólicas, nem submete fatos à prova. Está concentrada
na compreensão e explicação da dinâmica das relações sociais. Revela como as
coisas funcionam, identificando fatores chaves e relações. Oferece, além da
interpretação dos fatos que representa, o esforço de ultrapassar as fronteiras de um
caso particular, à procura de significado mais amplo.
Características: A descrição é a essência da investigação qualitativa e requer a
distinção entre ‘o que observar e anotar’ e ‘o que não anotar’, ‘o que é foco’ e ‘o que
é periférico’. A pesquisa não se resume a observar e descrever, mas enfatiza o
aspecto crítico do trabalho descritivo, portanto procura compreender e explicar.
Trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e

2Veja a lista de áreas de conhecimento do CNPq no endereço


http://www.cnpq.br/documents/10157/186158/TabeladeAreasdoConhecimento.pdf
15
atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos
e dos fenômenos (MINAYO, 2001, pg.13). Os acontecimentos e fatos observados não
são vistos como neutros, tampouco como fixos ou isolados. Eles se dão em contexto
de relações complexas e contraditórias. As pessoas que participam da pesquisa
qualitativa são reconhecidos como sujeitos que têm conhecimento de senso comum,
experiências e vivências que orientam suas ações individuais. E o pesquisador é um
sujeito “ativo descobridor das ações e das relações que se ocultam nas estruturas
sociais” (CHIZZOTTI,1991, p.80).
Aplicação: Pode ser utilizada para analisar uma situação social circunscrita; para dar
conta de preocupações de atores sociais vividas no cotidiano; para analisar
fenômenos transitórios que não podem ser explicados pela regularidade; ou para
entender uma ação coletiva. Aplicada inicialmente em estudos de Antropologia e
Sociologia, como contraponto à pesquisa quantitativa dominante, também alargou seu
campo de atuação para áreas como a Psicologia, Educação, Comunicação,
Administração entre outras.

2.1.2 Pesquisa quantitativa

Definição: Diferentemente da pesquisa qualitativa, os resultados da quantitativa


podem ser quantificados. Influenciada pelo positivismo, considera que a realidade só
pode ser compreendida com base na análise de dados brutos, recolhidos com ajuda
de instrumentos padronizados e neutros. Enfatiza a objetividade na coleta e análise
dos dados.
Características: Permite a mensuração estatística de opiniões, reações, hábitos e
atitudes em um universo, por meio de uma amostra estatística que seja representativa
de grande parcela da população. Os resultados são tomados como se constituíssem
um retrato real de toda a população alvo da pesquisa. Recorre à linguagem
matemática para descrever as causas de um fenômeno, as relações entre variáveis.
Aplicação: É adequado em pesquisas que exigem grandeza numérica, como , por
exemplo, para discutir índice de analfabetismo, desempenho escolar, situação
socioeconômica de determinado grupo social ou para avaliar programas de
intervenção social. Aplica-se, ainda, em pesquisas de opinião, pesquisa de intenção
de voto etc. Para se conseguir bons resultados, o instrumento de coleta de dados deve

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ter perguntas diretas e claras, além de uma abordagem teórica do problema
consistente que permita analisar e interpretar os dados corretamente. Requer o uso
de recursos e de técnicas estatísticas (percentagem, média, moda, mediana, desvio-
padrão, coeficiente de correlação, análise de regressão etc). Além disso requer
procedimentos de construção de amostragem para que se possa generalizar os
resultados. É possível combinar pesquisa qualitativa e quantitativa para recolher mais
informações do que se poderia conseguir usando cada modalidade isoladamente.

2.2 Modalidades de pesquisa quanto à natureza

2.2.1 Básica

Definição: Tem como objetivo gerar conhecimentos novos, úteis para o avanço da
ciência, sem aplicação prática prevista. Envolve verdades e interesses universais.
Procura a atualização de conhecimentos para uma nova tomada de posição.
Características: É caracterizada por ser realizada em grandes laboratórios de
pesquisa, grupos de pesquisadores que atuam com o objetivo de gerar conhecimento
novo.
Aplicação: Em geral investiga fenômenos físicos e seus fundamentos. Exemplo: o
desenvolvimento da mecânica quântica no início do século XX foi essencialmente
pesquisa básica; mais tarde esse mesmo conhecimento foi usado de forma aplicada
para desenvolver o início da microeletrônica. Muitas vezes um estudo é realizado para
aumentar a base de conhecimento científico. Exemplo: estudo sobre como o consumo
de cafeína impacta o cérebro.

2.2.2 Aplicada

Definição: Objetiva gerar conhecimentos para aplicação prática, dirigidos à solução


de problemas específicos. Envolve verdades e interesses locais.
Características: O investigador é movido pela necessidade de contribuir para fins
práticos, buscando soluções para problemas concretos. Pretende transformar em
ação concreta os resultados de seu trabalho.

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Aplicação: É importante para o desenvolvimento tecnológico nos campos da
eletrônica, tecnologia ambiental, engenharias em geral entre outras.

2.3 Modalidades de pesquisa quanto aos objetivos

2.3.1 Pesquisa exploratória

Definição: Tem como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar


conceitos, com vistas à formulação de problemas ou hipóteses pesquisáveis.
Apresenta menor grau de rigidez no planejamento da investigação.
Características: É caracterizada pela existência de poucos dados disponíveis, em que
se procura aprofundar e apurar ideias e a construção de hipóteses. Em geral é
aplicada quando o tema escolhido é pouco explorado e torna-se difícil sobre ele
formular hipóteses precisas e operacionalizáveis.

Aplicação: Na maioria dos casos, envolve levantamento bibliográfico; entrevistas com


pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado; ou análise
de exemplos que estimulem a compreensão sobre o tema (GIL, 2002, p. 41). O
produto final desse processo é um problema mais esclarecido, que possa ser
investigado mediante procedimentos sistematizados.

2.3.2 Pesquisa descritiva

Definição: É a modalidade que tem como objetivo descrever determinadas


características de um grupo, população ou fenômeno. É um tipo de investigação que
observa, registra, analisa e correlaciona fatos ou fenômenos variáveis sem manipulá-
los.

Características: Uma de suas características é a utilização de técnicas padronizadas


de coleta de dados. Busca essencialmente a enumeração e a ordenação de dados,
sem o objetivo de comprovar ou refutar hipóteses exploratórias (GIL, 2002, p.42). Não
emprega manipulação de variável independente, nem usa a escolha aleatória uma
vez que o objeto que se pretende descer está definido (DENCKER; CHUCID DA VIÁ,
2001, p.58)

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Aplicação: As pesquisas descritivas são, juntamente com as exploratórias, as mais
solicitadas por organizações como instituições educacionais, empresas comerciais,
partidos políticos etc (GIL, 2002).

2.3.3 Pesquisa explicativa

Definição: Tem como preocupação identificar fatores que determinam ou contribuem


para a ocorrência de fenômenos. Nessa modalidade, a pesquisa tem maior
aprofundamento ao explicar a razão, o porquê das coisas.

Características: Segundo Gil (2002, p. 43), uma pesquisa explicativa pode ser a
continuação de outra descritiva, a considerar que identificação dos fatores que
determinam um fenômeno social, por exemplo, exige que este esteja suficientemente
descrito e detalhado. Com frequência as pesquisas exploratórias e descritivas
constituem etapa prévia indispensável para que se possa obter explicações
científicas.

Aplicação: Nas ciências naturais, as pesquisas explicativas utilizam o método


experimental. Nas ciências sociais, recorre-se a outros métodos, sobretudo ao
observacional. Entretanto, nem sempre se torna possível a realização de pesquisas
rigidamente explicativas em ciências sociais (GIL, 2002).

2.4 Modalidades de pesquisa quanto aos procedimentos

2.4.1. Pesquisa Bibliográfica

Definição: É a modalidade que procura conhecer e analisar as contribuições culturais


ou científicas do passado, sobre um determinado assunto, tema ou problema. É
desenvolvida a partir de material já publicado como livros, artigos, periódicos, internet
e outros.
Características: Explica um problema a partir de referências teóricas publicadas. Exige
do pesquisador assumir uma atitude crítica durante a leitura de documentos, livros,
artigos científicos buscando delinear com clareza o referencial teórico a ser adotado,
seja na elaboração do plano de pesquisa, seja na seleção dos autores.

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Aplicação: A revisão bibliográfica faz parte de qualquer trabalho científico em qualquer
área do conhecimento. Para Gil (2002, p. 44), os exemplos mais característicos dessa
modalidade são estudos sobre investigações, sobre ideologias ou aqueles que se
propõem à análise das diversas posições de autores acerca de um problema. Requer
uma leitura atenta para identificar as ideias defendidas por cada autor, bem como
apontar as semelhanças e diferenças entre eles.

2.4.2 Pesquisa documental

Definição: É o tipo de pesquisa que trilha os mesmos caminhos da pesquisa


bibliográfica, não sendo fácil por vezes distingui-las. A pesquisa bibliográfica utiliza
fontes constituídas por material já elaborado como livros e artigos científicos
localizados em bibliotecas. A pesquisa documental recorre a fontes mais
diversificadas e dispersas, sem tratamento analítico, tais como tabelas estatísticas,
jornais, revistas, relatórios, documentos oficiais, cartas, filmes, fotografias, pinturas,
tapeçarias, relatórios de empresas, vídeos de programas de televisão, etc.
(FONSECA, 2002, p. 32).
Características: Em geral faz uso de fontes secundárias e primárias. As secundárias
constituem dados ou informações já reunidas e organizadas por terceiros como as da
mídia impressa ou audiovisual, relatórios técnicos etc. As fontes primárias são
documentos históricos, cartas pessoais, textos legais, registros de viagens,
documentos internos de uma empresa ou instituição entre outros.
Aplicação: O acesso aos documentos é uma questão importante nesse tipo de
pesquisa. As fontes secundárias podem ser facilmente localizadas, os dados já
existem e podem ser coletados até pela internet. A desvantagem é que o pesquisador
fica restrito aos limites das informações coletá-las originalmente. As fontes primárias
exigem acesso pessoal a acervos públicos ou privados como bibliotecas e museus.
Imagens históricas próprias de veículos de comunicação muitas vezes são cedidas
mediamente pagamento (MOREIRA in DUARTE; BARROS 2005, p. 271-273).
Algumas áreas do conhecimento usam mais esse tipo de pesquisa como História,
Medicina, Direito, Psicologia, Educação e Ciências Contábeis.

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2.4.3 Pesquisa experimental

Definição: É a modalidade de pesquisa que tem a experimentação como condição


necessária do conhecimento. Experimentar significa exercer controle sistemático
sobre as condições consideradas relevantes para o fenômeno analisado. O enfoque
da pesquisa dirige-se para as relações de causa e efeito. A busca dessas relações se
dá através da criação de situações artificiais de controle, denominadas de
experimentação.
Características: Caracteriza-se por controlar variáveis relacionadas com o objeto de
estudo, buscando estabelecer relações de causalidade entre as variáveis. Tem uma
metodologia própria e seu ponto de partida é sempre uma hipótese. Trabalha com
rigorosas técnicas de amostragem para aumentar a possibilidade de generalização
das descobertas realizadas com a experiência (DENCKER; CHUCID DA VIÁ, 2001,
p.56)
Aplicação: É realizada no laboratório ou no campo.

2.4.4 Pesquisa de campo

Definição: É o tipo de pesquisa que trabalha sobre dados ou fatos colhidos da própria
realidade. A coleta de dados se dá junto a pessoas, famílias, comunidades ou grupos
sociais. Não manipula variáveis, isto é, toma os dados como eles se apresentam na
natureza, procurando descobrir, com a precisão possível, a frequência com que o
fenômeno ocorre, sua relação e conexão com outros fenômenos, sua natureza e
características (FONSECA, 2002).
Características: Caracteriza-se pela utilização de anotação de todos os detalhes
observados no campo, desde o que se viu como as dúvidas e sentimentos
vivenciados pelo pesquisador em relação ao vivido, indicações de leituras
necessárias, correlação com outros fatos, etc. O propósito é buscar detalhes,
particularidade, atitudes, pontos de vista e preferências que as pessoas têm a respeito
de algum assunto.
Aplicação: Na pesquisa de campo é conveniente utilizar o “diário de bordo”. Pode ser
um simples caderno ou bloco de anotações onde se registra a memória dos fatos que
pode ser acessada a qualquer momento, sem falhas das lembranças. Nele deve

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conter todos os registros do seu dia em campo de pesquisa, todos os atropelos,
surpresas, situações que ajudaram ou travaram sua pesquisa naquele dia. Cada
momento é uma fotografia escrita para a construção de uma pesquisa com o maior
teor de riqueza possível.

2.4.5 Pesquisa participante

Definição: É a modalidade de pesquisa marcada pelo envolvimento e identificação do


pesquisador com as pessoas ou situações investigadas. É considerada uma
metodologia alternativa em relação a pesquisa tradicional que cultiva a neutralidade
científica. Tem como propósito fundamental a emancipação das pessoas ou de
comunidades, ou seja, auxilia a população envolvida a identificar por si mesma os
seus problemas, a realizar a análise crítica destes e a buscar as soluções adequadas
(THIOLLENT, 1988).

Características: É por natureza flexível e adapta-se a diferentes situações concretas,


conforme os objetivos perseguidos, os recursos disponíveis e o contexto sociopolítico
em que se desenvolve.

Aplicação: Para aplicação são necessários alguns requisitos. O compromisso do


pesquisador com a transformação social proposta e que irá devolver o conhecimento
adquirido a comunidade ou local estudado em linguagem que respeite suas tradições
culturais, de forma sistemática e organizada. É essencial que o pesquisador aprenda
a ouvir discursos em diferentes sintaxes, romper com a assimetria das relações sociais
e incorporar pessoas por mais humildes que sejam como seres ativos e pensantes
nos esforços de pesquisa.

2.4.6 Pesquisa com survey

Definição: É a pesquisa que busca informação a obtenção de dados ou informações


sobre as características ou as opiniões de determinado grupo de pessoas, indicado
como representante de uma população-alvo, utilizando um questionário como
instrumento de pesquisa (FONSECA, 2002, p. 33). Nessa modalidade, o objetivo é
produzir descrições quantitativas de uma população, fazendo uso de um instrumento
pré-definido.

22
Características: É a pesquisa que faz uso de métodos estatísticos. O tamanho da
amostra é estabelecido considerando o nível de confiança, usualmente de 95% e o
erro permitido não superior a 5%. Nessa modalidade, o respondente não é
identificável, portanto o sigilo é garantido.

Aplicação: O instrumento utilizado para a realização da survey pode ser, entre outros,
o questionário, tendo como estratégia de aplicação pessoalmente ou por sistema
online. Há várias empresas que oferecem sistemas de envio de questionário online,
sendo o mais popular o Google Pesquisa
(https://www.google.com.br/ads/searchads/). Na escolha da estratégia de aplicação
deve-se atentar para o custo, o tempo e para a forma que venha garantir uma taxa de
resposta aceitável para o estudo.

Importante
Na prática as pesquisas podem fazer uso de todos os tipos para esclarecer a
questão a ser investigada. O que define a adoção de uma ou outra modalidade são
os objetivos e finalidade da pesquisa. O pesquisador precisa conhecer todas os
tipos para fazer uso adequado. Na busca por resultados científicos, mais de um
tipo de condução metodológica pode ser compartilhado e utilizado.

3. Técnicas para coleta de dados

Pode-se afirmar que a modalidade de pesquisa representa para o


pesquisador os óculos que utiliza para ver o objeto, ou seja, a abordagem ou ponto
de vista irá analisa-lo. Já as técnicas de pesquisa são as ações, táticas e medidas
necessárias ao efetivo desenvolvimento da investigação. As técnicas constituem o
conjunto de processos e instrumentos elaborados para garantir o registro das
informações, o controle e a análise dos dados. Portanto, a técnica é a maneira
mais adequada de se vencerem as etapas indicadas pela modalidade de pesquisa.

23
Entenda
Ao conceber a etapa de coleta de dados leve em conta três questões:
O que coletar? – os dados a serem coletados precisam ser úteis para testar as
hipóteses e responder ao problema de pesquisa.
Com quem coletar? – Trata-se de conhecer e recortar o campo onde irá colher os
dados – espaço geográfico e social – dentro de um determinado período. Significa
buscar uma amostra representativa ou ilustrativa.
Como coletar? É essencial desenhar um instrumento que possa oferecer as
informações necessárias, como um questionário, um roteiro de entrevista. Para
assegurar que o instrumento criado funciona, faça um teste antes de ir a campo.

A fase da coleta de dados é por natureza sistemática e apoiada por técnicas.


Nada é arbitrário. A escolha das técnicas se dá durante a elaboração do projeto
de pesquisa tão logo se define a abordagem metodológica da pesquisa. Veja no
quadro 10 que cada modalidade de investigação tem uma ou várias técnicas de
coleta de dados compatíveis com o tipo de abordagem. As técnicas se repetem
em algumas modalidades e podem ser usadas juntas, duas ou três, em uma
determinada abordagem a depender do objetivo da pesquisa e do tempo
disponível para realizar executar a coleta:

Quadro 10 – Técnicas de coleta de dados


Classificação Modalidades de pesquisa Técnicas coleta de dados

Quanto à abordagem Qualitativa Estudo de caso


Entrevista
Análise de conteúdo
Observação sistemática
Levantamento bibliográfico

Quantitativa Questionário

Quanto à natureza Básica Experimento

Aplicada Observação sistemática

Quanto aos objetivos Exploratória Questionário


Entrevista

Descritiva Questionário

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Observação sistemática

Explicativa Levantamento bibliográfico


Entrevista

Quanto aos procedimentos Bibliográfica Levantamento bibliográfico

Documental Coleta documental


Análise de conteúdo

Experimental Observação sistemática

Pesquisa de campo Observação sistemática


Questionário
Entrevista

Pesquisa participante Observação participante

Pesquisa com survey. Questionário

Fontes: Gil (2002), Demo (1981), Chizzotti (1991) e Lakatos e Marconi (2006)

3.1 Análise de conteúdo

A análise de conteúdo tem sido muito utilizada na análise de comunicações nas


ciências humanas e sociais. É um método mais comumente adotado no tratamento
de dados em pesquisas qualitativas.
Para Bardin, a análise de conteúdo constitui:
Um conjunto de técnicas de análise de comunicação visando a obter, por
procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das
mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de
conhecimentos relativos às condições de produção/recepção destas
mensagens (BARDIN, 1979, p.42).

Portanto, a análise de conteúdo trabalha com textos escritos como matérias de


jornais, documentos, discursos e pode ser usada para analisar programas de rádio e
TV e outros tipos de comunicação. Seu objetivo é revelar o que está escondido,
latente, ou subentendido na mensagem.
De acordo com Bardin (1979, p. 95-102), a análise de conteúdo pode ser
realizada em três etapas:

25
a. pré-análise: fase de organização e sistematização das ideias, em que ocorre
a escolha dos documentos/textos a serem analisados, a retomada das hipóteses e
dos objetivos iniciais da pesquisa em relação ao material coletado, e a elaboração de
indicadores que orientarão a interpretação final. É nessa fase que se faz uma leitura
geral para se constituir uma amostra do que é representativo e que será analisado em
profundidade.
b. exploração do material: trata-se da fase em que os dados brutos do material
são codificados para se alcançar o núcleo de compreensão do texto. A codificação
envolve recorte, contagem, classificação ou enumeração em função de regras
previamente formuladas.
c. tratamento dos resultados obtidos e interpretação: fase em que os dados
brutos são submetidos a operações estatísticas, a fim de se tornarem significativos e
válidos e de evidenciarem as informações obtidas. De posse dessas informações, o
investigador propõe inferências e faz categorizações que consistem na classificação
de elementos de acordo com semelhanças e diferenciação. Posteriormente, esses
dados são reagrupados em função de características comuns. Na sequência realiza
interpretações de acordo com o quadro teórico e os objetivos propostos para revelar
significados e sentidos.

3.2 Coleta documental

Em pesquisa documento é “qualquer informação sob forma de textos, imagens


sons, sinais contida em um suporte material (papel, madeira, tecido, pedra) fixados
por técnicas especiais como impressão, gravação, pintura, incrustação”
(CHIZZOTTI,1991, p.109). São fontes de documentos: arquivos públicos (documentos
oficiais, jurídicos, cartas, jornais, revistas, fotografias, registros de viagem, gravações
de áudio e vídeo, relatórios técnicos e outros); arquivos particulares (autobiografias,
correspondências, cartas, ofícios, atas e outros); fontes estatísticas (IBGE, IBOPE,
departamentos e institutos de estatísticas).
Numa pesquisa documental, é essencial organizar e classificar os documentos
a serem recolhidos considerando os objetivos da pesquisa. Esse trabalho envolve as
etapas de identificação, verificação e apreciação do documento. Moreira (in DUARTE;
BARROS 2005, p. 275) alerta para a necessidade de ficar atento a eventuais desvios

26
que se apresentam na aplicação da técnica. Corre-se o risco de ter acesso
documentos ilegíveis ou de origem não identificada que assegure sua veracidade. São
situações que podem interferir na análise e distorcer os resultados.
Em outras situações, como lembra Moreira (in DUARTE; BARROS 2005, p.
275), a técnica utiliza sistemas informatizados de busca de documentos . A consulta
a informações em centros de pesquisa, bibliotecas ou bancos de dados em países
variados amplia o acesso a informações, mas requer domínio de idiomas e saber
utilizar palavras chaves corretamente. Outra recomendação é contextualizar a origem
e a natureza dos documentos selecionadas para permitir sua correta análise.

3.3 Entrevista

A entrevista pode ser entendida como a técnica que envolve duas pessoas
numa situação "face a face", sendo que uma delas formula questões e a outra
responde (GIL, 2002, p.115). A técnica pode ser aplicável a um número maior de
pessoas, incluindo às que não sabem ler ou escrever.
Há três modalidades de entrevista: estruturada, semi-estruturada ou informal.
a. A estruturada ou padronizada tem perguntas pré-estabelecidas e, no caso de
vários entrevistados, repetidas com as mesmas palavras e na mesma ordem.
Há geralmente nesse tipo de entrevista um controle para as alternativas de
respostas.
b. A entrevista semi-estruturada parte de um roteiro inicial de perguntas pré-
estabelecidas, mas é possível que o pesquisador altere as perguntas
dependendo do que ocorrer durante a interação. Pode ser utilizada em
abordagem clínica, uma forma de obter informação no discurso livre do
entrevistado. Para aplicar a técnica, pressupõe-se que o entrevistado sabe se
comunicar com clareza sobre questões de suas experiências. É possível que o
entrevistado dê uma resposta incompleta ou obscura, o que forçaria uma nova
pergunta de esclarecimento. Nesse caso, o pesquisador deve ter cuidado para
não induzir as respostas, para isso faça indagações do tipo: “Você poderia falar
mais um pouco deste ponto?” ou “O que exatamente você quis dizer quando
falou em ....?” .

27
c. A entrevista informal ou assistemática não há estruturação prévia. Apenas
define o tema que se deseja discutir. Muitas vezes ocorrem casualmente, sem
marcação prévia de hora ou lugar. Em estudos que envolvem observações de
aula, frequentemente o pesquisador se reporta a conversas com os professores
à saída ou à entrada de seus curso.
De acordo com Antônio Gil (2002, p.117-118), a estratégia para a realização
de entrevistas deve ser considerada duas etapas fundamentais: a especificação dos
dados que se pretendem obter e a escolha e formulação das perguntas. Em relação
à primeira etapa, o autor aconselha não cometer o erro de colocar o problema de
maneira muito ampla. É preciso ser específico. Com relação à segunda etapa, convém
considerar os seguintes aspectos na hora de fazer o roteiro da entrevista:
a. Faça perguntas diretas – o que você acha de... ou indiretas quem você
conhece é favorável a...;
b. Transforme em perguntas aspectos realmente importantes para pesquisa;
c. Verifique se as pessoas a serem entrevistadas realmente possuem
conhecimentos suficientes para responder às perguntas;
d. Evite fazer perguntas que sugerem respostas e também aquelas que podem
provocar resistências, antagonismos ou ressentimentos;
e. Escolha palavras mais simples, claras e diretas para construir as perguntas;
f. Ordene as perguntas começando pelos aspectos mais simples e objetivos,
deixando para o final aqueles que exigem maior esforço mental para
resposta.

3.4 Estudo de caso

Trata-se da análise intensiva de uma situação particular, seja do passado ou


do presente, relacionada a indivíduos, grupos, instituições, empresas, comunidade.
Segundo um dos especialistas nessa técnica, Robert Yin (2010, p. 25) o estudo de
caso é uma averiguação baseada na experiência, ou seja, analisa um fenômeno
recente dentro de um argumento da vida real. O caso é tomado como unidade
significativa do todo e, por isso, suficiente para fundamentar um julgamento fidedigno
(CHIZZOTTI,1991, p.102)
Segundo Yin (2010, p. 25-26) são três os requisitos que levam o pesquisador

28
a optar por realizar um estudo de caso em comparação aos outros métodos:
a. A primeira condição é quanto ao tipo problema de pesquisa. Se as questões se
concentram nas perguntas “como” e “por que”, provavelmente leva-se a um
estudo de caso, por serem mais explicativas.
b. O segundo requisito é que o estudo de caso é preferido quando do exame dos
eventos contemporâneos, mas quando o caso não pode ser visto afastado do
seu contexto, o que impede o isolamento das variáveis para observação.
Apesar de ser voltado a fatos contemporâneos, a pesquisa não exclui a
avaliação do passado recente, contando para isso com técnicas da pesquisa
histórica. Porém, o estudo de caso adiciona duas fontes de evidência,
geralmente não disponíveis ao historiador: observação direta e entrevista.
c. A terceira condição refere-se a algo que o pesquisador tem pouco ou nenhum
controle, o que impede que seja utilizado um método experimental.
Para estudar um caso é necessário recorrer a técnicas de coleta de dados como
análise documental, entrevistas, observação direta ou observação participante (YIN,
2015, p.107). Significa reunir um conjunto comprobatório de informações em campo.
Os dados recolhidos permitem ao pesquisador fazer um relatório descritivo, narrativo
e analítico mostrando os múltiplos aspectos que envolvem aquele caso.

3.5 Experimento

É a técnica que utiliza algumas estratégias de experimentação como a


simulação e a modelização quando se trata de amostra finita de um universo, a
sondagem (CHIZZOTTI, 1991, p.52 ). Modelização é um termo utilizado quando a
ênfase é dada à programação do modelo, ao passo que a simulação se refere à
situação em que o modelo é uma ''caixa negra'', quer dizer, um sistema fechado, com
mecanismos de estrutura interna não abertos à observação, conhecendo-se apenas
valores de entrada (input) e valores de saída (output). Simulação e modelização são
operacionalizações em objetos ou a concretização de um modelo, de uma teoria da
realidade que se pretende explicar. O uso dessas estratégias pode empregar
máquinas, jogos, computador ou pessoas (CHIZZOTTI, 1991, p.66).

29
3.6 Levantamento bibliográfico

A técnica envolve abrange fontes bibliográficas sobre a temática estudada


desde jornais, revistas, livros, relatórios de pesquisas, monografias, teses,
dissertações livros e artigos científicos.
A pesquisa bibliográfica é o fundamento que ampara todo o plano de
investigação, pois é por meio desse referencial teórico que o investigador se atualiza
sobre o assunto indicado e aumenta seus conhecimentos teórico e intelectual. É
importante observar que a técnica deve induzir a uma abordagem reflexiva e crítica
sobre o assunto. Uma investigação não deve ser mera reunião do que já foi escrito
sobre certo tema, mas sim proporcionar a avaliação do assunto sob um enfoque novo
ou com uma abordagem diferenciada, levando a novas conclusões. O ideal é que
possa propiciar a avaliação de um tema sob um novo enfoque, levando a conclusões
inovadoras.
Lakatos e Marconi (2006, p. 43) afirmam que a pesquisa bibliográfica
compreende quatro fases distintas:
a. Identificação: fase de reconhecimento do assunto pertinente à problemática.
b. Localização: aquisição das informações necessárias.
c. Compilação: reunião de todas as informações publicadas por meio de xerox,
fichas, arquivo digital, filmagem, entre outras técnicas.
d. Fichamento: anotação dos dados, respeitando as normas científicas, bem
como inserindo as referências bibliográficas com todos os dados das obras
pesquisadas.

3.7 Observação sistemática

A observação sistemática faz uso dos sentidos na obtenção de dados da


realidade – ver, ouvir, examinar fatos ou fenômenos. É aquela em que o pesquisador
já tem pré-selecionado os aspectos da atividade do grupo que vai observar.
Geralmente é utilizada em uma descrição fechada para a verificação de hipóteses.
Muito usada na década de 70 e 80, a observação sistemática codifica o
comportamento do professor e dos alunos em ação na sala de aula a partir de
categorias pré-estabelecidas, por exemplo. Nesse tipo de observação,
frequentemente são usadas tabelas para enquadrar nas categorias as ações que são
30
detectadas em um espaço determinado de tempo, por exemplo de 3 em 3 minutos ou
de 5 em 5 minutos.
Para que se torne um instrumento válido precisa ser controlada e
sistemática, o que implica um planejamento cuidadoso. Portanto, a coleta de
dados deve:
a. ser estruturada, planejada e controlada;
b. fazer uso de instrumentos para coleta de dados;
c. responder a propósitos preestabelecidos;
d. o observador deve saber o que procura;
e. o observador deve ser objetivo, reconhecer possíveis erros e eliminar sua
influência sobre o que vê ou recolhe.

3.8 Observação participante

A observação participante é ativa, o pesquisador assume um papel dentro


da comunidade observada. Esse papel pode ser natural, quando o pesquisador é
membro da comunidade investigada, ou artificial, quando ele se integra à comunidade
para poder investigar. Nos dois casos ele partilha a vida cotidiana com os membros
do local. Trata-se de um estudo que se faz de forma não estruturado com o propósito
de maximizar as possibilidades de descoberta e verificação de proposições teóricas.
Para registrar o que é observado, o pesquisador faz um diário, também
conhecido como diário de bordo. É um relato sistemático geralmente escrito, mas que
pode também ser feito por meio da gravação em áudio ou vídeo. Ele é elaborado pelo
pesquisador ou pelos sujeitos participantes da pesquisa de forma isolada ou
interativamente – entre pesquisador e pesquisados ou apenas entre os últimos.
Essa técnica exige do pesquisador um registro cuidadoso para garantir a
“fiabilidade e pertinência dos dados e para eliminar impressões meramente emotivas,
deformações subjetivas e interpretações fluidas” (CHIZZOTTI, 1991, p. 91).

3.9 Questionário

Entende-se por questionário um conjunto de questões que são respondidas por


escrito pelo pesquisado ( GIL, 2002, p. 114). O questionário compõe-se de um número

31
de questões elaboradas com o objetivo de investigar opiniões, crenças, valores e
vivências de um indivíduos ou de um conjunto deles. Essas questões são elaboradas
de acordo com os objetivos da pesquisa e podem ser fechadas, abertas ou
relacionadas.
As questões fechadas ou fixas oferecem um leque de alternativas para
resposta e o respondente escolhe dentre elas a que melhor represente sua situação
ou ponto de vista. Esse tipo de questionário limita o respondente às alternativas
apresentadas, mas deve lhe garantir uma alternativa para o enquadramento de sua
situação. Exemplo:
Com qual frequência é feita a gestão do aplicativo?
a. Diariamente
b. De 2 a 6 vezes por semana
c. Uma vez por semana
d. Esporadicamente
e. Nunca
As questões abertas apresentam um espaço em branco para que o
respondente possa escrever sua resposta livremente, sem precisar enquadrar-se em
uma alternativa apresentada.
Que tipo de mudanças sua emissora teve de fazer ao integrar-se ao projeto?
O questionário pode ser aplicado através de entrevista ou por meio de
formulários com perguntas feitas pelo pesquisador. Quando o questionário for auto-
aplicado, isto é, proposto por escrito aos sujeitos pesquisados, ele deve apresentar
instruções claras para seu correto preenchimento.
Ao elaborar um questionário, atenção para algumas regras práticas definidas
por Antônio Gil (2002, p.116-117):
a. as questões devem ser preferencialmente fechadas, mas com
alternativas suficientemente exaustivas para abrigar a ampla gama de
respostas possíveis;
b. devem ser incluídas apenas as perguntas relacionadas ao problema
proposto;
c. não devem ser incluídas perguntas cujas respostas possam ser obtidas
de forma mais precisa por outros procedimentos;
d. deve-se levar em conta as implicações da pergunta com os
procedimentos de tabulação e análise dos dados;
e. formular perguntas de maneira clara, concreta e precisa;
32
f. levar em consideração o nível de informação do entrevistado;
g. a pergunta deve possibilitar uma única interpretação;
h. a pergunta não deve sugerir respostas;
i. o número de perguntas deve ser limitado;
j. o questionário deve ser iniciado com as perguntas mais simples e
finalizado com as mais complexas;
k. convém evitar as perguntas que provoquem respostas defensivas,
estereotipadas ou socialmente indesejáveis, que acabam por encobrir
sua real percepção acerca do fato;
l. fazer apresentação gráfica do questionário bem organizada e de fácil
leitura. É necessário ter uma introdução que informe as razões para
realização da pesquisa e instruções sobre o correto preenchimento das
questões, preferencialmente com caracteres gráficos diferenciados.

4. Revisão

 As dificuldades de um pesquisador são quase sempre de ordem metodológica.


Muitas vezes não se sabe bem por onde começar. O método é peça fundamental
para a pesquisa científica, é uma maneira de resolver problemas ou dar respostas
de forma sistemática e lógica, baseando-se nos princípios da ciência. O método é
o procedimento regular, explícito e passível de ser repetido para se conseguir algo.
 Há quatro métodos básicos que indicam uma modalidade de caminho para a
pesquisa: indutivo, dedutivo, hipotético-dedutivo e dialético.
 Cada método tem uma perspectiva própria e um conjunto de procedimentos que
ajuda de modo mais apropriado no conhecimento sobre realidade. Os métodos de
abordagem auxiliam você a identificar qual tipo de raciocínio lógico poderá
empregar na análise do seu problema de pesquisa.
 Dos diferentes tipos de métodos derivam muitos tipos de pesquisas. Quanto à
abordagem, pode ser qualitativa e quantitativa; quanto à natureza, básica e
aplicada; quanto aos objetivos, exploratória, descritiva e explicativa; e quanto aos
procedimentos bibliográfica, documental, experimental, pesquisa de campo,
pesquisa participante, pesquisa com survey.

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 A modalidade de pesquisa representa para o pesquisador os óculos que utiliza
para ver o objeto, ou seja, a abordagem ou ponto de vista que irá analisá-lo. Já
as técnicas de pesquisa para coleta de dados são as ações, as táticas e as
medidas necessárias ao efetivo desenvolvimento da investigação. As técnicas
constituem o conjunto de processos e instrumentos elaborados para garantir o
registro das informações, o controle e a análise dos dados.

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5. Atividade (aplicação na prática )

1. Na unidade 1 foi solicitado a você a produção de um texto com alguns itens do seu
projeto de pesquisa:
a. Tema
b. Justificativa
c. Pergunta
d. Objetivo (geral e específicos)
Agora com base na sua proposta de pesquisa pense na metodologia que considera
mais adequadas para atingir seus objetivos. Como você faria a pesquisa? Com qual
abordagem? Que técnicas irá utilizar para recolher as informações em campo?
Selecione a modalidade de pesquisa que melhor poderá atender aos seus objetivos.
Depois indique pelo menos dois métodos de coletas de dados. Escreva um texto de
pelo menos duas páginas explicando as razões da escolha e como colocaria a
pesquisa em prática com base na modalidade e técnicas de coleta de dados
escolhidas.

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6. Referências

BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1979.

CHIZZOTTUI, Antônio. Pesquisa em ciências humanas e sociais. São Paulo: Cortez, 1991.

DENCKER, Ada de Freitas Maneti; CHUCID DA VIÁ, Sarah. Pesquisa empírica em ciências
humanas – com ênfase em comunicação. São Paulo: Futura, 2001.

DESCARTES, René. Discurso do método. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

FONSECA, J. J. S. Metodologia da pesquisa científica. Fortaleza: UEC, 2002. Apostila.

MINAYO, Maria Cecília de Souza. (Org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade.
Petrópolis: Vozes, 2001.

MOREIRA, Sonia Virgínia. Análise documental como método e como técnica. In DUARTE,
Jorge; BARROS, Antônio (Org.). Métodos e técnicas de pesquisa em comunicação. São
Paulo: Atlas, 2005.

POPPER, Karl. Lógica das Ciências Sociais. 2ª ed. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1999.

THIOLLENT, Michel. Metodologia da pesquisa-ação. São Paulo: Cortez & Autores


Associados, 1988.

YIN, Robert K. Estudo de caso – planejamento e métodos. Porto Alegre: Bookma, 2010
.

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