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EXCELENTISSIMO (A) SENHOR (A) DOUTOR (A) JUIZ (A) DE DIREITO DO 2º JUIZADO
ESPECIAL CIVEL DA COMARCA DE IMPERATRIZ, ESTADO DO MARANHÃO.

MAURIVAM DE SOUSA SILVA, brasileiro, casado, pedreiro, portador do RG


0844196975 SSP/MA e CPF 944.107.983-91, residente e domiciliado na Rua Mendes Sá, nº
105, Planalto, CEP: 65.927-000 em Davinópolis, MA, por meio de seu advogado e bastante
procurador, Dr. Thiago Ferreira Mascarenhas, OAB-MA 12.253, com escritório profissional
na Rua Godofredo Viana, 714, Centro, CEP: 65.900-100, nesta cidade de Imperatriz, MA, onde
receberá intimações, vem, respeitosamente perante Vossa Excelência, propor a presente

________________________________________________________________________________________________

AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE CLAUSULA CONTRATUAL C/C RESCISÃO


CONTRATUAL C/C TUTELA DE URGÊNCIA, DEVOLUÇÃO DE PARCELAS JÁ PAGAS

________________________________________________________________________________________________

em face de LOTEAMENTO RESIDENCIAL IMPERATRIZ LTDA (LOTEAMENTO CIDADE


NOVA), pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob número: 18.072.911/0001-
90, sediada na Rodovia BR 010 – KM 242, Nº 01, Quadra 2, Lotes 4, 5 e 6 (antes da Barreira
da Policia Militar, sentido Gov. Edison Lobão)– CEP: 65.927-000, em Davinópolis, MA, pelas
razões fáticas e jurídicas, que passa a expor:

PRELIMINARMENTE

_______________________________________________________________________________________
Dr. Thiago Ferreira Mascarenhas . Advogado - OAB|MA 12.253
Rua Godofredo Viana, 714, Centro - CEP: 65.900-100 – Imperatriz, MA
Fone: (99) 98145-9213 / 99132-7985 - e-mail: mascarenhas.adv@hotmail.com
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DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA

O Autor, atualmente não possui condições de promover a presente ação,


arcando com às custas processuais e honorários advocatícios sem prejuízo do próprio
sustento e de sua família, conforme termo de carência jurídica (documento anexo).

Por tais motivos, requer lhe sejam deferidos os benefícios da justiça


gratuita, com escopo no inciso LXXIV, do art. 5º CF/88 e na lei 1.060/50, com alterações
introduzidas pela Lei 7.510/86 em combinação com o art. 98 do NCPC.

1 – DOS FATOS

No dia 19/10/2014 (dezenove de outubro de dois mile quatorze), o Autor


celebrou com a Ré, contrato particular de compromisso de compra e venda nº 51098, de
um imóvel, localizado no Loteamento Residencial Cidade Nova, na RUA 37, QUADRA 55,
LOTE 28, com área correspondente a 204,00 m² (duzentos e quatro metros quadradros), por
meio do contrato de nº 51098, conforme faz prova nos autos (contrato anexo), tendo pago
R$ 971,86 (novecentos e setenta e um reais e oitenta e seis centavos) a titulo de taxa de
corretagem e pactuado o restante do valor restante do imóvel, em 180 (cento e oitenta)
prestações no valor de R$ 143,98 (cento e quarenta e três reais e noventa e oito
centavos) cada, com reajuste anual nos termos apresentadosno contrato.

Ocorreu que em virtude da forte crise ora vivenciada em nosso pais, o


Requerente perdeu grande parte de seu poder aquisitivo, estando neste momento
impossibilitado de arcar com as prestações do objeto do contrato acima apresentado. Até a
data da propositura da presente demanda o Promovente já pagou à Promovida 23(vinte e
tres) parcelas, que corrigidas e atualizadas somam o montante de R$ 4.147,29 (quatro mil,
cento e quarenta e sete reais e vinte e nove centavos).

Ressaltando o que foi apresentado acima, o Autor não tem mais interesse
na continuidade do contrato, pelas dificuldades financeiras pelas quais tem passado,
restando inviável o pagamento das parcelas restante por parte deste.

No intuito de resolver a situação amigavelmente, o Autor buscou à Ré


informando quanto ao seu interesse em receber o que já havia pago referente ao contrato,
recebendo o que lhe é de direito, não obstante a Ré não lhe deu margem para receber

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nenhum valor a título de restituição, ficando em evidente prejuízo o Promovente, o que


desde então tem lhe causado sérios transtornos de ordem financeira e moral.

Desta maneira não restam alternativas ao Autor a não ser a busca das
vias judiciais para a rescisão do contrato e a satisfação de seu direito.

2 – DO DIREITO

2. i – CONFIGURAÇÃO DA RELAÇÃO DE CONSUMO

Inicialmente, convém destacar que entre o Autor e a Ré emerge uma


inegável relação de consumo, vejamos:

Art. 2º Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou


utiliza produtos ou serviço como destinatário final.

Art. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada,


nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que
desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção,
transformação, importação, exportação, distribuição ou
comercialização de produtos ou prestação de serviços.

§ 1° (…)

§ 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo,


mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira,
de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter
trabalhista.

Por esse ângulo, responsabilidade da Ré é objetiva.

Nesse contexto, imperiosa a responsabilização da


Requerida, independentemente da existência da culpa, nos termos do que estipula
o Código de Defesa do Consumidor.

Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da


existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos
consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem
como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição
e riscos.

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2. ii – DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA

No contexto da presente demanda, há evidente direito a inversão do


ônus da prova ante a verossimilhança das alegações, conforme disposto no artigo 6º do
Código de Defesa do Consumidor.

Art. 6º São direitos básicos do consumidor: VIII – a facilitação da defesa


de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor,
no processo civil, quando a critério do juiz, for verossímil a alegação ou
quando for ele hipossuficiente, seguindo as regras ordinárias de
expectativas.

Desse modo, cabe ao Requerido demonstrar provas em contrário ao que


foi exposto pelo Promovente. Resta informar ainda que as provas seguem em anexo. Assim,
as demais provas que se acharem necessárias para resolução da lide, deverão ser observadas
o exposto na citação acima, pois se trata de princípios básicos do consumidor.

2.iii - DA RESCISÃO CONTRATUAL

O Promovente objetiva a rescisão do contrato ora entabulado com o


Promovido, quanto a esta conduta é necessário destacar que a Lei 8.7078/90, em seu art.
51, veda expressamente ao fornecedor de produtos ou serviços a subtração do consumidor
da possibilidade do reembolso de quantias pagas, vejamos:

Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais
relativas ao fornecimento de produtos e serviços que:

(...)

II - subtraiam ao consumidor a opção de reembolso da quantia já paga,


nos casos previstos neste código;

Cumpre-nos destacar a faculdade do compromissário/promitente


comprador o pedido de distrato do contrato de compromisso/promessa de compra e venda
de imovel adquirido junto a empreendimentos imobiliários, que se amolda ao caso aqui
tratado, nos termos da legisção vigente, art. 53 da Lei 8.078/90, vejamos:

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Lei. 8.078/90

(...)

Art. 53. Nos contratos de compra e venda de móveis ou imóveis


mediante pagamento em prestações, bem como nas alienações
fiduciárias em garantia, consideram-se nulas de pleno direito as
cláusulas que estabeleçam a perda total das prestações pagas em
benefício do credor que, em razão do inadimplemento, pleitear a
resolução do contrato e a retomada do produto alienado.

De acordo com a previsão supra, vê- se que o promitente vendedor deve


proceder com a devolução das quantias paga, sendo considera nula a cláusula que a veda o
seu recebimento pelo promissário comprador que desiste do contrato. Trata o artigo supra
da vedação ao enriquecimento sem causa, pois se houver a retomada do produto alienado,
este poderá novamente ser comercializado, não se justificando a retenção integral das
prestações já pagas.

Cumpre ainda enfatizar que os valores referentes ao reeembolso devem ser


pagos acrescidos de correção monétária, cabendo ao empreendimento descontar apenas
taxas administrativas em percentual já pacificado, e, inclusive recentemente sumulado pelo
STJ, vejamos:

Súmula 543 - STJ

Na hipótese de resolução de contrato de promessa de compra e venda


de imóvel submetido ao Código de Defesa do Consumidor, deve
ocorrer a imediata restituição das parcelas pagas pelo promitente
comprador - integralmente, em caso de culpa exclusiva do promitente
vendedor/construtor, ou parcialmente, caso tenha sido o comprador
quem deu causa ao desfazimento.

Não obstante, vejamos demais jurisprudências relacionadas ao caso em tela:

JUIZADO ESPECIAL. PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL.


DISTRATO. SÚMULA 543 DO STJ. VALOR RAZOÁVEL DA MULTA
RESCISÓRIA. INDENIZAÇÃO DE BENFEITORIA. AUSÊNCIA DE
IMPUGNAÇÃO DO LAUDO DE AVALIAÇAO NO MOMENTO
OPORTUNO. PRECLUSÃO. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO
CONHECIDO E DESPROVIDO. 1. Nos termos da Súmula 543 do

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Superior Tribunal de Justiça, "na hipótese de resolução de contrato de


promessa de compra e venda de imóvel submetido ao Código de
Defesa do Consumidor, deve ocorrer a imediata restituição das
parcelas pagas pelo promitente comprador - integralmente, em caso
de culpa exclusiva do promitente vendedor/construtor, ou
parcialmente, caso tenha sido o comprador quem deu causa ao
desfazimento". Cabível, portanto, na hipótese, a restituição parcial das
parcelas pagas pelo promitente comprador, quando este dá causa ao
desfazimento por inadimplemento contratual. 2. A fixação da multa
rescisória em 15% das parcelas pagas pelo devedor afigura-se razoável
e suficiente para ressarcir a empresa vendedora de eventuais prejuízos
decorrentes do desfazimento do negócio, até porque não demonstrou
perdas superiores. 3. Comprovado a construção de benfeitoria útil no
imóvel, cuja avaliação ocorreu conforme Certidão de fls. 69/71, da qual
o réu quedou-se inerte (fl. 83), não há que se falar em ausência de
provas ou má-fé do comprador para afastar o dever de indenizar o
valor apurado. Preclusão. 4. Sentença mantida pelos próprios
fundamentos. Recurso conhecido e desprovido. Custas e honorários
advocatícios, fixados em 15% sobre o valor da condenação pelo
recorrente. 5. Julgamento nos moldes do art. 46 da Lei nº 9.099/95.

(TJ-DF - ACJ: 20140210036982, Relator: LUÍS GUSTAVO B. DE OLIVEIRA,


Data de Julgamento: 25/09/2015, 1ª Turma Recursal dos Juizados
Especiais do Distrito Federal, Data de Publicação: Publicado no DJE :
05/10/2015 . Pág.: 392)

RESCISÃO CONTRATUAL. Compromisso de compra e venda de


unidade habitacional. Construtora que não tem previsão de entrega do
imóvel pactuado. Inadimplência absoluta caracterizada. Aplicabilidade
do CDC. Falta de prazo de entrega do imóvel compromissado que fere
o Direito e a Moral. Fato incontroverso. Inteligência do art. 334, III do
CPC. Restituição integral dos valores pagos pelos promitentes-
compradores. Aplicabilidade da Súmula 543 do STJ. Incidência da pena
convencional prevista para a hipótese de atraso na entrega do imóvel
negociado. HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. Fixação em 15% do valor
da condenação. Ausência de fatores legais à redução. Recurso
desprovido.

(TJ-SP - APL: 40012201020138260066 SP 4001220-10.2013.8.26.0066,


Relator: Rômolo Russo, Data de Julgamento: 02/03/2016, 7ª Câmara de
Direito Privado, Data de Publicação: 02/03/2016)

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Recentemente o Superior Tribunal de Justiça, decidiu:

AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL. COMPROMISSO DE COMPRA E


VENDA DE IMÓVEL. DEVOLUÇÃO DAS PARCELAS PAGAS.
PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. RETENÇÃO PARCIAL. CLÁUSULA
PENAL. POSSIBILIDADE. RESTITUIÇÃO IMEDIATA, EM PARCELA
ÚNICA. Em se tratando de ação em que a parte pretende a restituição
das parcelas pagas, em decorrência do desfazimento de compromisso
de compra e venda de imóvel, por não haver transcorrido mais da
metade do antigo prazo previsto no Código Civil de 1916, aplica-se o
novo prazo estabelecido no art. 205 do Código Civil de 2002,
recomeçando a contagem da entrada em vigor desta legislação, ou
seja, de 11.01.2003, não tendo se operado a prescrição. - Em caso de
descumprimento de contrato de promessa de compra e venda de
imóvel, por culpa do promissário comprador, é razoável a retenção,
pelo promitente vendedor, de parte dos valores pagos, a título de
cláusula penal. - A restituição do valor despendido pelo comprador
deve ser feita de imediato e em parcela única. - Recurso provido em
parte. (TJ-MG; APCV 4373076-29.2008.8.13.0702; Uberlândia; Décima
Segunda Câmara Cível; Rel. Des. Alvimar de Ávila; Julg. 08/02/2012;
DJEMG 14/02/2012) CC, art. 205

No caso em comento o Consumidor/Autor, não tem interesse continuar


com o negócio, destacando-se que este vem passando por dificuldades financeiras, não
obtendo êxito em tentativas administrativas, conforme já demonstrado.

Enfatiza-se ainda que ainda aquele que se encontra inadimplente e


pretende receber o dinheiro de volta, deve ter devolvido o valor gasto no negócio. O valor
deve ser devolvido em parcela única, corrigida conforme os índices devidos, assim, nada de
devolução parcelada para o consumidor

É evidente que assim o seja, para evitar o enriquecimento sem causa do


promitente/compromissário vendedor, em detrimento do promissário comprador,
enriquecimento este vedado expressamente pelos arts. 884 e seguintes Código Civil de 2002.

Assim, cumpre demonstrar os valores atualizados dos cálculos, enfatizando


que até a data da propositura desta ação, foram quitadas 23 (vinte e três) parcelas (extrato
em anexo) que corrigidas e atualizadas somam o montante de R$ 4.147,29 (quatro mil,
cento e quarenta e sete reais e vinte e nove centavos).

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Desta maneira, conforme tudo já apresentado, assiste ao Autor o direito de


reembolsar o que pagou a Ré corrigidos e atualizados, conforme acima apresentado.

2.iv - DA TUTELA PROVISÓRIA ANTECIPADA

Destaca-se que a situação apresentada, traz fundado receio de dano de


difícil reparação, haja vista que o autor diante do atitude postergada pela Ré, está
impossibilitado de manejar seu patrimônio econômico aplicado neste negócio, e, como dito
veio ao judiciário por não dispor atualmente de condições para a manutenção do contrato
ora objeto desta ação. Desta forma, sente fundado receio de ter o seu nome incluso no
cadastro negativo, o que acarretará mais constrangimentos, principalmente por ser pessoa
honesta e cumprir fielmente suas obrigações, autorizando assim, consoante o disposto nos
arts. 300 e seguintes do NCPC, a concessão da ANTECIPAÇÃO DA TUTELA, de forma notificar
a Ré para que não inclua o nome da reclamante no registro de consumidores inadimplentes
(SPC e SERASA).

A antecipação de tutela tem como princípio estruturante o da Efetividade


da Prestação Jurisdicional e como princípios específicos os da Mitigação, da Necessidade, o
da Menor Restrição e o da Proporcionalidade, e tem por finalidade garantir a efetividade de
provimento em situações de urgência.

Por oportuno vejamos o entendimento esposado por nossa doutrina:

“Quando a citação do réu puder tornar ineficaz a medida ou, também,


quando a urgência indicar a concessão imediata da tutela, o juiz poderá
fazê-la inaudita altera pars, que não constitui ofensa, mas sim limitação
imanente do contraditório, que fica diferido para momento posterior
do procedimento” (NELSON NERY JUNIOR E ROSA MARIA DE
ANDRADE NERY, Código de Processo Civil Comentado, São Paulo: RT,
2002, 6ª ed., p.614)

“A demora na resposta jurisdicional muitas vezes invalida toda a


eficácia prática da tutela e quase sempre representa uma grave
injustiça para quem depende da justiça estatal. Daí a necessidade de
mecanismos de aceleração do procedimento em juízo.” (HUMBERTO
THEODORO JUNIOR, in Curso de Processo Civil, Rio de Janeiro,
Forense, 2010, vol. II, ed. 45ª, p. 670).

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A Corte infraconstitucional há muito já consagrou o posicionamento, infra


citado:

"Ementa: Processual civil. Cautelar. Suspensão de medida


determinativa de inscrição do nome do devedor no SPC e SERASA.

I - Não demonstrado o perigo de dano para o credor, não há como


deferir seja determinada a inscrição do nome do devedor no SPC ou
SERASA, mormente quando este discute em ações aparelhadas os
valores 'sub judice', com eventual depósito ou caução do 'quantum'.
Precedentes do STJ.

II - Recurso conhecido e provido." (STJ- REsp nº 161.151-SC


(97/0093557-4), 3ª Turma, rel. Min. Waldemar Zveiter, pub. DJU
29.06.98).

Não obstante é ainda necessária a medida liminar para que seja a Ré


compelida efetuar a reembolsar ao autor os valores pretendidos na inicial, ante o evidente
enriquecimento sem causa caso continue de posse do montante econômico aqui tratado.

Nesta senda viável seria a antecipação para a restituição dos valores


liminarmente, ainda que necessária a garantia do juízo.

Não obstante seja outro o entendimento deste juízo, pleiteia o Autor para
que se digne em suspender a exigibilidade das parcelas vencidas e vincendas a partir do
mês de DEZEMBRO de 2016, tendo em vista que em razão do não pagamento das futuras
parcelas a Ré poderá vir a incluir o nome do Promovente nos cadastros restritivos.

2. iii – DA NULIDADE DAS CLAUSULAS 15ª E 16ª DO CONTRATO

Como disposto no CDC, ao consumidor é assegurado o direito de requerer


a decretação de nulidade de clausulas abusivas impostas leoninamente nos contratos de
adesão, qual se estuda no caso em tela.

No presente caso, as clausulas 15ª e 16 ª do contrato de compromisso de


compra e venda entabulado, constam clausulas excessivamente abusivas, onde o Consumir,

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parte mais fraca nesta relação em caso de rescisão contratual acaba que sem receber ou
rebendo uma infima quantia pelo que houver pago ao Promovido.

Ocorre que tais clausulas devem ser banidas destes contratos ante a
aplicação do principio da boa fé objetiva dos contratos, bem como pelo principio da
proteção contratual e da facilitação da defesa de seus direitos.

Vejamos abaixo a redação leonina das clausulas 15ª e 16ª do instrumento


contratual de adesão:

No que se refere a clausula supra requer-se desde já a decretação da


nulidade do PARAGRAFO 2º da clausula 15ª, para que não incida qualquer multa sobre a
rescisão contratual pretendida pelo Autor, por ser de direito seu.

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Neste sentido, vejamos:

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Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais
relativas ao fornecimento de produtos e serviços que:

(...)

II - subtraiam ao consumidor a opção de reembolso da quantia já paga,


nos casos previstos neste código;

Súmula 543 - STJ

Na hipótese de resolução de contrato de promessa de compra e venda


de imóvel submetido ao Código de Defesa do Consumidor, deve
ocorrer a imediata restituição das parcelas pagas pelo promitente
comprador - integralmente, em caso de culpa exclusiva do promitente
vendedor/construtor, ou parcialmente, caso tenha sido o comprador
quem deu causa ao desfazimento.

Assim, no que se refere a clausula supra requer-se desde já a decretação da


nulidade do PARAGRAFO 1º, letras “A”, “A.1”, “C”, “D” e “E”, do PARAGRAFO 2º, do
PARAGRAFO 3º e do PARAGRAFO 5º, letras “A” e “B” para que não haja perca de
quaisquer valores pagos a titulo de intermediação imobiliária, por nao ser de conhecimento
do autor a contratação referida. Para que não incidam sobre a rescisão quaiquer multas
indenizatórias em face do promovido, para que não haja a perca de valores a titulo de
ressarcimento por despesas tributárias, administrativas etc, para que não haja pagamento
mensal de fruição em qualquer que seja o montante, e para que a devolução dos valores
seja efetuada em parcela unica conforme preve a legislação pertinente ao caso.

3 – DOS PEDIDOS

Diante do exposto requer a Vossa Excelência:

A) A citação da Requerida para querendo contestar a presente demanda


no prazo legal, sob pena de revelia;

B) A concessão do benefício da Justiça Gratuita, haja vista encontrar-se o


Autor atualmente impossibilitado financeiramente de arcar com as custas
do processo e honorários, conforme art.5º, LXXIV da CF e Lei 1.060/50 em
combinação com o art. 98 do NCPC;

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C) A concessão da tutela liminar para suspender a exigibilidade das parcelas


vincendas a partir de DEZEMBRO/2016, impedindo assim a inscrição do
nome do Autor em quaisquer bancos de dados negativos, caso já tenha sido
anotado, determine-se a exclusão, ou de outra sorte se digne em determinar
a respectiva sob pena e multa diária no valor de R$ 500,00 (quinhentos
reais);

E) A decretação da nulidade das cláusulas abusivas 15ª e 16ª do


compromisso de compra e venda. No que se refere a clausula 15ª (decima
quinta) desde já requer-se a decretação da nulidade do seu PARAGRAFO
2º, para que não incida qualquer multa sobre a rescisão contratual
pretendida pelo Autor, por ser de direito seu. No que se refere a clausula
16ª (decima sexta) requer-se desde já a decretação da nulidade do
PARAGRAFO 1º, letras “A”, “A.1”, “C”, “D” e “E”, do PARAGRAFO 2º,
do PARAGRAFO 3º e do PARAGRAFO 5º, letras “A” e “B” para que não
haja perca de quaisquer valores pagos a titulo de intermediação imobiliária,
por nao ser de conhecimento do autor a contratação referida. Para que não
incidam sobre a rescisão quaiquer multas indenizatórias em face do
promovido, para que não haja a perca de valores a titulo de ressarcimento
por despesas tributárias, administrativas etc, para que não haja pagamento
mensal de fruição em qualquer que seja o montante, e para que a devolução
dos valores seja efetuada em parcela unica conforme preve a legislação
pertinente ao caso.

F) O deferimento da inversão do ônus da prova em favor do Autor, nos


termos do artigo 6°, VII do CDC;

G) Nos termos do art. 319, VII do NCPC, seja realizada audiência de


conciliação ou mediação por ser de interesse do Autor;

H) A total procedência da presente ação para confirmar o pedido liminar e:

I.1) A decretação da rescisão do contrato firmado entre as partes, sem


qualquer ônus ao Autor com o consequente pagamento/devolução das
parcelas pagas pelo autor em parcela única;

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I.2) Condenar a requerida na devolução do valor pago pela Autora, corrigido


e atualizado, no importe de R$ 4.147,29 (quatro mil, cento e quarenta e
sete reais e vinte e nove centavos).

J) O Julgamento inteiramente procedente dos presentes pedidos;

Protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em


direito e cabíveis à espécie, em especial pelos documentos juntados.

Dá-se à causa o valor de R$ 4.147,29 (quatro mil, cento e quarenta


e sete reais e vinte e nove centavos)

Termos em que,

Pede deferimento.

Imperatriz, MA – 20 de janeiro de 2017.

THIAGO FERREIRA MASCARENHAS


ADVOGADO|OAB-MA 12.253

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Dr. Thiago Ferreira Mascarenhas . Advogado - OAB|MA 12.253
Rua Godofredo Viana, 714, Centro - CEP: 65.900-100 – Imperatriz, MA
Fone: (99) 98145-9213 / 99132-7985 - e-mail: mascarenhas.adv@hotmail.com

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