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O USO DE FATORES DE CRESCIMENTO EM PRODUTOS COSMÉTICOS PARA

TRATAMENTO DO ENVELHECIMENTO CUTÂNEO.

Benta Maria Ferreira da Silva1


Jocélia Maria Bolda2
Ana Júlia von Borell du Vernay França3

Resumo: O processo do envelhecimento pode provocar alterações psicológicas,


quanto à autoconfiança e a autoestima, interferindo na aceitação da real condição e das
relações interpessoais. A parte visível, que é o envelhecimento cutâneo, é tratada por
meio de aplicações tópicas, em que as substâncias agem diretamente sobre a pele.
Visando prevenir e combater os sinais do envelhecimento, as indústrias de cosméticos
estão sempre em busca de novos ativos e alta tecnologia para atender a demanda de
produtos. Consumidores cada vez mais esclarecidos, exigentes e preocupados com a
aparência, buscam profissionais qualificados na área que, para tanto, deverão estar
preparados quanto às alterações clínicas e histológicas no processo do envelhecimento
cutâneo e no conhecimento de novas tecnologias para combatê-las. A metodologia
utilizada para o presente trabalho foi descritiva bibliográfica, coletando dados de vários
estudiosos, onde consta que é possível produzir peptídeos mimetizadores de fatores de
crescimento através da engenharia genética, visando prevenir, retardar, combater e
atenuar as marcas do tempo. Este trabalho tem como objetivo descrever as
características dos fatores de crescimento na pele e sua aplicação em produtos
cosméticos usados no envelhecimento cutâneo. Esses peptídeos são capazes de
interagir com receptores na superfície das células da pele, emitindo um sinal que
atravessa a membrana celular e efetua um comando que estimula a resposta biológica,
promovendo um resultado mais rápido e significativo. Concluiu-se que o uso de fatores
de crescimento e peptídeos é uma forte tendência a ser explorada no desenvolvimento
de cosméticos.

Palavras-chaves: Pele. Envelhecimento Cutâneo. Fatores de Crescimento. Peptídeos.

1 INTRODUÇÃO

A pele humana é um órgão importante para a proteção de nosso corpo. Realiza


diversas atividades dinâmicas, como crescimento, reparo e manutenção das células

1
Acadêmica do Curso de Cosmetologia e Estética da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI,
Balneário Camboriú, Santa Catarina. E-mail: bentaferreira@hotmail.com
2
Acadêmica do Curso de Cosmetologia e Estética da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI,
Balneário Camboriú, Santa Catarina. E-mail: jocelia_bolda@hotmail.com
3
Orientadora, Professora do Curso de Cosmetologia e Estética da Universidade do Vale do Itajaí –
UNIVALI, Balneário Camboriú, Santa Catarina. E-mail: anajulia@univali.br
2

que a compõem. Com o envelhecimento, esses moduladores, conhecidos como fatores


de crescimento, diminuem e o resultado é uma resposta celular bem mais lenta do que
a promovida pela pele jovem.

As pessoas vêm se dedicando cada vez mais aos cuidados da pele, e os motivos para
isto foram se modificando ao longo dos tempos, de acordo com o nível de informação
que passaram a ter sobre o assunto, tornando-as mais exigentes. Estes cuidados com
a pele passaram a ser fator primordial especialmente para a auto-estima, nas relações
sociais e na qualidade de vida do ser humano.

É consenso que a maioria das pessoas sempre manifestou preocupação em ter a pele
com boa aparência e vitalidade, especialmente as mulheres. Esta tendência vem sendo
demonstrada, inclusive, pelo crescimento e desenvolvimento de novos métodos no
setor de produtos cosméticos e serviços estéticos. As pessoas estão dando preferência
a estes, em detrimento às cirurgias plásticas (RACCO, 2011).

O foco do trabalho dos profissionais das áreas cosmética e estética, conforme Harris
(2005) baseia-se na melhora do aspecto da pele e na prevenção de danos que possam
acelerar os processos de envelhecimento da mesma, como as condições climáticas e
ambientais, as situações patológicas e o estresse cotidiano.

Hoje o consumo do setor cosmético passou de item de luxo a uma necessidade. O


Brasil é considerado o terceiro país que consome mais produtos cosméticos no mundo
(ABIHPEC, 2011). Cientes disto, os cientistas da área cosmética passaram a se
empenhar mais no estudo da aplicação de novos princípios ativos e tratamentos de alta
tecnologia, oferecendo uma nova perspectiva para a indústria de cosméticos.

Dentre esta nova tecnologia, destacam-se os peptídeos mimetizadores do fator de


crescimento, visando prevenir, retardar, combater e atenuar as marcas do tempo. Estes
peptídeos são capazes de interagir com receptores na superfície das células da pele,
emitindo um sinal que atravessa a membrana celular e efetua um comando que
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estimula uma resposta biológica, a qual pode ser útil no combate aos sinais do
envelhecimento cutâneo. Quando colocados em contato com a pele madura, os
peptídeos poderão enviar respostas celulares que finalizarão em um processo de
reparo no tecido alterado (RACCO, 2011)

Evidenciando este cenário, o presente trabalho tem como objetivo descrever as


características dos fatores de crescimento na pele e sua aplicação no envelhecimento
cutâneo.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 Pele e suas Funções

A pele é um dos maiores órgãos do corpo humano e desempenha várias funções.


Segundo Scotti e Velasco (2003, p. 49), ela é responsável pela “regulação térmica,
retenção de água, proteção aos microorganismos, produção de melanina, estimulação
sobre glândulas, regeneração celular, entre outras”.

Recobrindo todo o nosso corpo, a pele apresenta uma camada denominada epiderme,
responsável pela proteção contra atritos. Ela é composta por diversas células, sendo
que 80% destas são queratinócitos, os quais se renovam continuamente para formar a
camada mais externa, o estrato córneo (SCOTTI; VELASCO, 2003; PEYREFITTE,
1998).

Na epiderme encontram-se também as células de Langerhans e os melanócitos. Harris


(2005, p.24), diz que as células de Langerhans “são processadoras de antígenos,
responsáveis pelo desenvolvimento de reações de sensibilização e alergias cutâneas
por contato”. Já os melanócitos são células responsáveis pela produção de melanina,
que têm como função proteger a pele dos raios UV.
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Na derme encontra-se um tecido conjuntivo denso composto por células, como os


fibroblastos, e por macromoléculas sintetizadas por eles, que constituem a matriz
extracelular (MEC). Segundo estudos de Obagi (2004) e Scotti e Velasco (2003), essas
macromoléculas são formadas basicamente por colágeno, elastina, glicosaminoglicanas
e glicoproteínas de estrutura.

A atividade metabólica da derme é controlada por diversos mediadores extracelulares,


como as citoquinas e os hormônios, promovendo dessa forma a síntese das principais
proteínas da pele e a manutenção da estrutura da matriz extracelular. Sua integridade é
de grande importância para a estrutura do tecido conjuntivo, pois o desequilíbrio da
matriz extracelular causa alterações na resistência, sustentação e flexibilidade da pele
(SCOTTI; VELASCO, 2003).

2.2 O Envelhecimento Cutâneo

Atualmente, considerando o aumento da expectativa de vida das pessoas, a população


idosa tem procurado recursos para melhorar a aparência e reverter os sinais de
envelhecimento. Por este motivo, estima-se que futuramente haverá uma busca ainda
maior por consultas a esteticistas, dermatologistas e cirurgiões plásticos. Estes
profissionais deverão estar atualizados quanto às alterações clínicas e histológicas
próprias do processo de envelhecimento cutâneo (GILCHREST; KRUTMANN, 2007).

O envelhecimento cutâneo é um fenômeno biológico complexo e acontece por dois


fatores: genético (cronoenvelhecimento ou envelhecimento intrínseco) e ambiental
(fotoenvelhecimento, envelhecimento extrínseco ou envelhecimento actínico). De
acordo com Gilchrest e Krutmann (2007, p. 15), é
[...] um processo resultante do desgaste e da senescência das células que, por
fim, termina em perda da viabilidade e morte, é afetado por um programa
genético e também pelos danos ambientais e endógenos cumulativos que
ocorrem ao longo de toda a vida do organismo.

Portanto, a conservação da pele é determinada pelos fatores acima citados, conforme


definem Harris (2005) e Scotti e Velasco (2003):
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intrínsecos: como hereditariedade, raça, hormônios e patologias;


extrínsecos: como a exposição solar (sem dúvida, o fator mais estudado), a
umidade, temperatura, poluição ambiental e tabagismo.

Com o envelhecimento intrínseco, o processo de renovação dos queratinócitos torna-se


desacelerado, sendo um dos principais fatores para o afinamento da pele, causando os
primeiros sinais do envelhecimento cutâneo. A derme torna-se mais fina e a junção
dermoepidérmica se achata. Os fibroblastos são as primeiras células que sofrem com o
processo de envelhecimento intrínseco. Tornam-se menores, diminuindo a atividade
metabólica e sua proliferação, causando a degeneração de colágeno e elastina. Ocorre
também alargamento dos espaços intercelulares, diminuição quanto ao número e
atividade dos melanócitos e das células de Langerhans, tornando o organismo mais
suscetível à radiação ultravioleta. Em consequência, percebe-se flacidez,
aprofundamento das rugas de expressão, ressecamento e mudança na espessura
(OBAGI, 2004; SCOTTI; VELASCO, 2003; PRUNIÉRAS, 1994; HARRIS, 2005).

No envelhecimento extrínseco, Scotti e Velasco (2003) explicam que ocorre a


renovação cada vez mais deficiente dos queratinócitos e fibroblastos, a redução da
síntese de colágeno, em conjunto com a acentuação da atividade de metaloproteinases
(MMP), enzimas que degradam as proteínas da matriz extracelular. Estes fatores
provocam a diminuição da espessura da epiderme e da derme, a redução da
quantidade total de colágeno, o acúmulo anormal das fibras de elastina e o decréscimo
dos níveis de fatores de crescimento. De acordo com Obagi, (2004) e Kede; Andrade
(2009), a derme se apresenta espessa devido à massiva elastose, causada pelo sol;
resultando em uma pele áspera, amarelada, marcada por rugas profundas e manchas
pigmentadas.

Harris (2005) destaca que existem diferenças entre a pele cronoenvelhecida e


fotoenvelhecida. No entanto, a redução da expectativa de vida celular, a resposta
diminuída aos fatores de crescimento, a interrupção na síntese da matriz extracelular e
a elevação da atividade proteolítica são mudanças típicas do cronoenvelhecimento,
mas também são observadas mais acentuadamente no fotoenvelhecimento. Harris
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(2005, p.224) ressalta que “em decorrência dessas alterações, a pele envelhecida
torna-se mais fina, mais inflexível, menos tensa e menos elástica”. Portanto, segundo
Obagi (2004), é na derme que devem agir os procedimentos de rejuvenescimento para
correção de cicatrizes e rugas.

2.3 Fatores de Crescimento

Segundo Hilling (2010, p. 44), os fatores de crescimento humanos (HGF, sigla em


inglês para Human Growth Factors) são “proteínas produzidas pelos ribossomos de
muitos tipos diferentes de células, em todo o organismo, e se ligam a receptores na
superfície das células, inicialmente para ativar a proliferação e, ou, a diferenciação
celular”. Os fatores de crescimento, de acordo com Kede e Andrade (2009, p. 99), são
“proteínas reguladoras, mediadores biológicos naturais que atuam sobre os processos
de reparo e regeneração celular. Eles são encontrados em vários tecidos em fase de
cicatrização e/ou renovação celular”. Para Hilling (2010), os fatores de crescimento
agem como mensageiros químicos entre as células. São responsáveis por ativar e
desativar diversas atividades celulares; promover o aumento da taxa de crescimento
das células no organismo; contribuir com a divisão celular, com o crescimento de novas
células e vasos sanguíneos, com a produção e a distribuição de colágeno e elastina.

Portanto, fatores de crescimento são proteínas (citoquinas) produzidas por células do


tecido e são responsáveis pelo fenômeno conhecido como comunicação celular, a qual
depende do funcionamento dos sistemas nervoso, endócrino e imunitário que, de
acordo com Scotti e Velasco (2003), pode acontecer através da emissão de moléculas
mensageiras (neuromediadoras e hormônios), tendo como finalidade a célula alvo,
podendo estar próxima ou afastada das células emissoras e são as citoquinas que
fazem a comunicação para as células afastadas. Essa comunicação acontece por
reconhecimento específico do mensageiro pela célula receptora, através de seus
receptores celulares.

Scotti e Velasco (2003, p.95) explicam que:


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Os queratinócitos são como antenas da pele e sinalizantes biológicos, enquanto


os fibroblastos sintetizam a maioria das estruturas de suporte da pele (colágeno
e elastina), e se estas estruturas da pele sofrerem danos, os queratinócitos são
os primeiros a apresentar alterações bioquímicas, mas como são os fibroblastos
que reparam o tecido danificado, portanto, é necessário o envio de mensageiros
entre os queratinócitos e os fibroblastos.

Esses mensageiros são os fatores de crescimento, que possuem papel importante na


comunicação entre as células, participando da divisão e do crescimento das células, de
novos vasos sanguíneos, bem como da produção e distribuição de colágeno e elastina.
(PHARMA SPECIAL, 2011).

O envelhecimento cutâneo sofre mudanças na composição, na estrutura e nos


processos bioquímicos da pele, alterando suas propriedades e funções. Na concepção
de Harris (2005), as células senescentes perdem a capacidade de se replicar devido à
redução de sinalizadores celulares, que seriam os responsáveis pelo processo de
mitose. Há também a diminuição de outros sinalizadores e moléculas efetoras, como o
Fator de Crescimento da Epiderme (Epidermal Growth Factor- EGF), citoquinas
(interleucinas, interferon, etc.), causando alterações funcionais nas células. As células
senescentes também não passam mais pelo processo apoptótico, que significa morte
programada. Em consequência, ocorre um aumento de células cujas funções estão
prejudicadas, comprometendo dessa maneira todo o tecido.

Através de revisão bibliográfica atualizada produzida por Gilchrest e Krutmann (2007),


as pesquisadoras ressaltam que o envelhecimento da pele é afetado pelas alterações
dos fatores de crescimento e dos hormônios que declinam com a idade. Entre eles,
podemos citar os hormônios sexuais, hormônios do crescimento, melatonina, cortisol,
tiroxina e fator I de crescimento que se assemelha à insulina. Diminui também a forma
ativa de vitamina D, que age na homeostasia do cálcio. Consequentemente, os níveis
das citoquinas, dos fibroblastos, do fator de crescimento derivado de plaquetas e fator
de crescimento epidérmico, entre outros, também são diminuídos.

Hilling (2010) em seus estudos verificou que os cientistas Stanley Cohen e Rita Levi-
Montalcini realizaram um trabalho em 1986, sobre o papel do fator de crescimento da
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epiderme e do nervo na biologia celular. Este trabalho serviu como base para as atuais
aplicações clínicas do HGFs no tratamento de condições da pele, na reversão de sinais
de envelhecimento e também na cicatrização de ferimentos na córnea dos olhos e na
pele.

A partir deste trabalho, Hilling (2010) relata que muitas pesquisas foram realizadas
sobre o conhecimento dos HGFs, incluindo o EGF, como também outros importantes
fatores de crescimento humano:
TGF-b (1-3) (fator transformador beta do crescimento): ajuda a estimular o
colágeno, inibir a divisão celular e permitir que as células encontrem
nutrientes;
PDFG (fator de crescimento derivado das plaquetas): contribui para ativar a
cicatrização de ferimentos, promover novo crescimento da pele, reduzir o
tecido cicatricial e a formar vasos sanguíneos mais fortes;
GM-CSF (fator estimulante de colônias de granulócitos e macrófagos): ajuda a
restaurar a resposta de glóbulos sanguíneos à decomposição da estrutura da
pele, combatendo infecções como acne; descoloração da pele como
hiperpigmentação e inflamações como rosácea;
Interleucinas (IL-3, IL-6-8): auxilia a melhorar as defesas naturais das células e
a resposta antiinflamatória;
EGF (fator de crescimento epidérmico): atua nas células epidérmicas,
endoteliais e fibroblastos; estimula a angiogênese, a proliferação celular e a
síntese de colágeno.

2.4 Aplicação Tópica de Fatores de Crescimento

Kede e Andrade (2009, p. 99) relatam que “o estudo do papel dos fatores de
crescimento na reparação de feridas cutâneas levou a pesquisas que demonstraram
resultados cosméticos e clínicos positivos através da aplicação tópica de fatores de
crescimento no tratamento do fotoenvelhecimento”.
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A partir de 1994, foram concedidas patentes de cosméticos com a tecnologia inicial de


HGFs, e os fatores de crescimento foram lançados na indústria de tratamento tópico da
pele. Hilling (2010, p. 44) comenta em seu estudo que “A Food and Drug Administration
(FDA) permite o uso de fatores de crescimento em cosméticos porque esses fatores
são encontrados naturalmente no organismo e agem localmente como substâncias
parácrinas e autócrinas, e não como substâncias endócrinas”.

A comunicação parácrina ocorre entre células vizinhas, sem utilizar a circulação


sanguínea. Já a autócrina acontece quando uma célula secreta um mensageiro químico
para atuar em seus próprios receptores. A endócrina torna possível a ligação de células
distantes através de sinais químicos, sendo os hormônios as moléculas sinalizadoras,
que atingem a célula alvo através da circulação, de acordo com a figura 1.
(UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE, 2011).

Figura 1 - Secreção dos mensageiros químicos

Fonte: Universidade Federal Fluminense(2011)

Estudos científicos publicados pela Pharma Special (2011) mostram que Fitzpatrick
revisou os efeitos da aplicação tópica de fatores de crescimento na cura de ferimentos,
e seus potenciais usos em tratar pele com fotodano. O pesquisador utilizou uma mistura
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de múltiplos fatores de crescimento derivados de fibroblastos humanos e obteve


resultados cosméticos positivos, como o aumento da nova formação de colágeno e da
espessura epidermal e também melhora clínica.

Portanto, fatores de crescimento humano podem ser utilizados como princípio ativo em
produtos cosméticos. São produzidos através da inoculação de genes humanos em
bactérias como a E.coli. O produto secretado pela bactéria é filtrado e separado por
eletroforese, e este já é o fator de crescimento ativado. Para uma melhor absorção,
estas moléculas são nanoencapsuladas, conforme se observa na figura 2. (PHARMA
SPECIAL, 2011).

Figura 2 - Síntese dos Fatores de Crescimento

Fonte: PHARMA SPECIAL (2011)

Vários estudos foram realizados e, apesar dos resultados positivos, existem obstáculos
como os custos dos processos de bioengenharia empregados na obtenção dos HGFs
derivados de fontes humanas (HILLING, 2010).
Assim, a indústria química cosmética vem desenvolvendo, através da
engenharia genética, diferentes fatores de crescimento e seus peptídeos
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similares. Estes peptídeos mimetizadores de fatores de crescimento têm como


proposta apresentar efeitos similares aos fatores de crescimento endógenos.
(KEDE; ANDRADE, 2009, p. 99).

Perricone (2006, p.182-183) expõe os resultados de sua pesquisa a respeito da


aplicação tópica de peptídeos:
À medida que envelhecemos, a renovação celular diminui, nossa derme fica
menos espessa, em função da perda de colágeno e elastina, e experimentamos
uma redução de vasos sanguíneos importantes, que carregam nutrientes para a
membrana das células. Tudo isso pode ser melhorado significativamente com a
aplicação tópica de peptídeos. [...] Os resultados da aplicação tópica de
peptídeos são os mais expressivos que já vi em meus vinte anos de pesquisa.
As fórmulas tópicas à base de neuropeptídeos que desenvolvi contêm múltiplos
peptídeos; o meio é uma base especial, que permite que as moléculas
penetrem na pele, onde conseguem ativar receptores e assim, auferir o máximo
de benefícios.

Para Perricone (2006, p. 181), “talvez a maior revolução no cuidado da pele e no


rejuvenescimento em muitos anos seja o desenvolvimento de produtos tópicos à base
de peptídeos”.

Empresa que produz fatores de crescimento homólogos aos fatores de crescimento


humano, através de engenharia genética, garante que esses ativos quando
suplementados via exógena, as atividades celulares serão reativadas e o processo de
rejuvenescimento será bem mais acelerado (PHARMA SPECIAL, 2011).

Conforme descrito anteriormente, vários são os fatores de crescimento sintetizados pela


nossa pele. Estes apresentam distintas funções no processo de cicatrização e
renovação celular. Após estudos realizados pela Pharma Special (2011), seus
pesquisadores descrevem os resultados obtidos através da utilização de vários tipos de
fatores de crescimento e seus efeitos benéficos na pele. Quando usados para aplicação
em cosméticos, teremos disponíveis os seguintes ativos:

O Fator de Crescimento Epidermal (EGF) reduz e previne linhas de


expressão e rugas pela ativação de novas células, mantém a uniformidade
no tom da pele, devolvendo vitalidade e energia, auxilia na cicatrização e no
tratamento de manchas.
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O Fator de Crescimento Insulínico (IGF) estimula a mitose das células,


melhorando a aparência de rugas e marcas de expressão, aumenta a
produção de colágeno e elastina da pele e reduz manchas avermelhadas.
O Fator de Crescimento Fibroblástico Básico (bFGF) reduz e previne linhas
de expressão e rugas pela ativação de novas células da derme, repara
cicatrizes e escoriações, melhora a elasticidade da pele.
O Fator de Crescimento Fibroblástico Ácido (a FGF) melhora a elasticidade
da pele, induz a síntese de colágeno e elastina.
O Fator de Crescimento de Transformação (TGF-B3) induz a proliferação,
crescimento e a diferenciação celular, cura de ferimentos pela indução de
novas células, reduz rugas pelo estímulo à síntese de colágeno e elastina.

Na pele, os fatores de crescimento e peptídeos são responsáveis por iniciar o processo


de cicatrização (remodelação) substituir o tecido danificado, estimular a produção de
matriz extracelular (fibras e glicosaminoglicanas) e desta forma regenerar o tecido
(PHARMA SPECIAL, 2011).

Após pesquisas nos sites de algumas empresas de produtos cosméticos, lista-se na


sequencia alguns dos produtos disponíveis no mercado, que contem fatores de
crescimento:

Figura 3 - Complexo GF-Volumetry

Fonte: Lancôme Paris (2011)


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Figura 4 - Creme Facial Antissinais CICLOS Priorage 45+ FPS 15

Fonte: RACCO (2011)

Figura 5 - Fator de Crescimento Epidermal (EGF), Fator de Crescimento


Insulínico (IGF), Fator de Crescimento Vascular (VEGF)

Fonte: Bello Cuerpo (2011)


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Figura 6 - Fator de crescimento do fibroblasto (FGF)

Fonte: Alibaba.com(2011)

Figura 7 - Fator de Crescimento.Ação GFP = Grow Factor Peptides

Fonte: Dermáge (2011)

Figura 8 - Fator de Crescimento IGF.

Fonte: NatulePele (2011)


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Figura 9 - Fatores de Crescimento Epidérmico

Fonte: Mesoestetic (2011)

3 METODOLOGIA

O método utilizado para a elaboração do trabalho foi pesquisa tipo descritivo.

Na pesquisa tipo descritiva, que Barros e Lehfeld (2007) salientam que “não há
interferência do pesquisador, isto é, ele descreve o objeto da pesquisa. Procura
descobrir a frequência com que um fenômeno ocorre, sua natureza, características,
causas, relações e conexões com outros fenômenos”.

De acordo com Gil (2002), as características mais significativas das pesquisas


descritivas, “está na utilização de técnicas padronizadas de coletas de dados”,
proporcionando uma nova visão do problema.

Para a realização do presente trabalho foi utilizada a pesquisa descritiva bibliográfica


com material já produzido por vários estudiosos, assimilando os conceitos e explorando
os aspectos já publicados em livros da área, existentes nos acervos da Biblioteca da
UNIVALI de Balneário Camboriú, como também em artigos científicos, sites da Internet,
publicações periódicas e livros de referência informativa.
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4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste trabalho, apoiado por levantamento bibliográfico que inclui diversos


pesquisadores renomados da área de Cosmetologia, conclui-se que o uso de fatores de
crescimento para o reparo tecidual e a redução de sinais de envelhecimento é uma
forte tendência a ser explorada no mercado cosmético.

A chegada dos produtos e dos ativos baseados nos fatores de crescimento já marca um
novo momento na história da cosmetologia e dos cosméticos funcionais. A expectativa
é de que nos próximos anos sejam realizados estudos mais aprofundados relativos à
melhor utilização dos fatores de crescimento em produtos cosméticos.

O estudo dos fatores de crescimento em produtos cosméticos foi de grande valia para
nós como futuras Tecnólogas em Cosmetologia e Estética, em virtude do referente
assunto abordar uma nova tecnologia para tratamento do envelhecimento cutâneo.

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