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© 1989 Janet Balaskas

Título original: New Active Birth: A Concise Guide to Natural Childbirth Sumdr1Ó
by Unwin Paperbacks, 1989 - Thorsons, 1991.

Tradução: Dr. Adailton Salvatore Meira Prólogo, 5


Revisão: Antonieta Canelas Prefácio - Sheila Hitzinger, 12
Diagramação: Eliane Alves de Oliveira
Capa: Carlos Guimarães
Introdução - Michel Odent, 14
Fotos: Anthea Sieveking /Ilustrações: Lucy Sue Laura Mckechnie Introdução à edição brasileira -Adailton Saivatore Meira 16
'
1. Oque é um Parto Ativo?, 19
2. Seu Corpo na Gravidez, 47
3. Exercícios de Yoga na Gravidez, 60
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE
4. Respiração, 120
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ 5. Massagem, 125
Bl44p 6. Trabalho de Parto e Parto, 134
2.ed. 7. Parto Dentro da Água, 198
Balaskas, Janet 8. Depois do Parto, 213
Parto ativo : guia prático para o parto natural/ Janet
Balaskas ; tradução Adailton Salvatore Meira. - 2.ed. - 9. Exercícios no Pós-Parto, 222
- São Paulo: Ground, 2012.
317p.: il.; 21cm 1O. Parto Ativo em Casa ou no Hospital, 231
Inclui bibliografia
11. Referências de A-Z, 280
ISBN 978-85-7187-045-1 Manifesto do Parto Ativo, 302
1. Parto (Obstetrícia). 2. Nascimento. 3. Naturopatia. 1. Título. Referências para o Manifesto do Parto Ativo, 306
08-3996 CDD: 618.45 Leituras Recomendadas, 308
CDU: 618.4 Lista de Referências, 31 O
12.09.08 16.09.08 008738 Índice, 313
O Parto Ativo no Brasil, 316
O Movimento Parto Ativo Brasil, 317

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Gr:J'/aria de agradeca a todas aJ· mães e suas famílias, CtljaS
Nina, minha primeira filha, nasceu em 1970. Participei de aulas
experiêmias tanto enriquoceram o lútllt!Údo deste livro.
de preparação para gestantes e contava com um parto natural. Per-
Também gostaria de agradecer àqueles que qjudaram a produzi-lo,
maneci no controle da situação até que as contrações ficaram mais
espeâalmente Anthea Sieveking, pelas Jotogrqfias, e toda a equipe da
fortes, quando não tive outro jeito a não ser me deitar, passivamente,
U11win Paperbaiks, por esta edifãO revisada.
semi-inclinada, nas últimas três horas. Felizmente não houve com-
Sou muito grata às minhas colegas de profissão Lol!J S tirk e Yvonne
plicações e consegui, com um esforço desmedido e ajuda de uma
Moore pela qjuda na implanta:::o do Curso de Treinamento para
episiotomia desnecessária, trazê-la ao mundo por mim mesma.
Professores de Parto Ativo; a Yehuc!J Gordon, Michel Odent e
Minha primeira experiência com a condução ativa do parto acon-
obstetriz.es* de vários hospitais de diversas âdades pelo pioneitismo,
teceu no nascimento da segunda filha, Kim. Durante a gravidez pra-
ussún como àsprefmoras de yoga Mina Semyon, Mary Stuart, I.A!J·
tiquei yoga e me sentia muito bem em algumas posturas, descobrin-
e John S tirk pelo toque de inspirafãO.
do com o decorrer da gravidez que algumas delas me traziam muitos
Sou prefundamente guita a Carol e Dliott por sua orientafàO e ao
benefícios. Estudando a história do parto, observei que algumas das
seu marido, Nonnan Stannard, pur .1ua energia positiva. Acima de
posturas de yoga, particularmente a posição de cócoras, foram usa-
litdv, gostaria de agradecer uos meus quatro filhos por terem me qjudado
das durante séculos como posições de parto. Um estudo da anato-
a descobrir a enorme alegria de dar à luz e ser mãe, e ao meu marido
rnia da pelve feminina mostrou que essas posturas relaxavam e "abri-
Kúth Brainin, pelo seu rminhoso apoio e incentivo.
am" o canal pélvico e eram as melhores posições para se esvaziar
algum conteúdo pélvico.
Assim, quando entr.ei em trabalho de parto, simplesmente come-
cei a seguir as instruções do curso de preparação e procurei ficar
tranqüila, deitada com o tronco um pouco mais elevado que os pés,
concentrando-me em algumas técnicas respiratórias. A evolução foi
lenta e as técnicas respiratórias mantinham-me calma e concentrada,
parecendo desviar minha atenção das contrações. Finalmente decidi
me levantar e tentar algumas das posições que havia treinado duran-
te a gravidez. A mudança na evolução foi drástica e comecei a perce-
·N. do T.: "MiJwife", no uri.giual, também signiGca enfermeira obstétric~, parteira. Na
ber, pela primeira vez, que é preciso que a parturiente se mova e se
EuropJ fazem curso superior com espenali.zaçãu em Obstetrícia (atualmente com Juraçào coloque de acordo com a gravidade para ajudar o corpo a se abrir
Je 4 ân,») e s:lu as profissionais que fazc-m a m~ior parte· dos partos normais, só chamando
o m.:d:co cm cic.u ,lc cumplicaçôcs.
ainda mais. Tomei consciência de que a posição de cócoras, e suas

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variações, era a posição lógica para todas as mulheres assumirem no Minhas experiências de parto não são tão incomuns. Desde 1978
momento de dar à luz e de que era a posição mais importante para eu preparo gestantes com aulas de yoga e mais de 80 por cento con-
ser exercitada durante a gravidez. Decidi, naquele momento, que seguiram ter seus filhos de maneira ativa e natural. Muitas delas nun-
iria aprimorar meu "ficar de cócoras" antes do meu próximo parto. ca tinham tido contato com a yoga e as idades variavam de 19 a 49
Durante o parto do meu filho Iasonas permaneci ativa; caminhan- anos. É muito bom observar como seus corpos respondem pronta-
do, ficando de cócoras e de joelhos, terminei dando à luz ajoelhada mente aos exercícios, como a flexibilidade melhora e como a saúde
de quatro. Foi uma experiência maravilhosa. Tive um senso de con- e a felicidade aumentam. No final da gravidez muitas delas tinham
trole inteiramente novo e soube instintivamente o que fazer. Poucas descoberto os instintos de dar à luz e da maternidade e aguardavam
horas após o parto já estava de pé e sem as dores que tive durante o parto com confiança. As experiências dessas mulheres aumenta-
uma semana ou duas depois dos outros partos, apesar de ele ter pe- ram minha convicção e conquistaram o apoio de obstetrizes, médi-
sado quase 4,5 quilos. Sentia-me surpreendentemente bem e em for- cos e obstetras.
ma depois do parto e não me senti cansada ou deprimida nos meses Muitas grávidas desfrutam dos benefícios da yoga a tal ponto que
que se segwram. voltam para sessões de yoga para mamães e bebês, duas ou três se-
Recentemente tive o quarto filho, também em casa. Theu pesou 5 manas após o parto. Isso ocorre não somente com as mães que tive-
quilos. Dessa vez tinha à minha disposição uma piscina portátil es- ram parto normal e sem nenhum problema, mas também com aque-
pecial para parto, no nosso quarto, projetada por meu marido, Keith. las que tiveram necessidade da ajuda de cesariana ou de fórceps.
O trabalho de parto foi intenso e assim que alcancei 5 centímetros Com o passar do tempo pude observar que o desempenho ativo
de dilatação entrei na piscina. A leveza da água fez com que eu pu- durante o trabalho de parto e a adoção de posições naturais, verti-
desse relaxar mais facilmente. Fui encorajada a me soltar sem restri- cais ou agachadas são o meio mais seguro, prazeroso, econômico e
ções e lembro que fiz muito barulho e atingi a dilatação total em sensato para a grande maioria das mulheres dar à luz. Não há inter-
pouco tempo. rupção da fisiologia normal do parto ou interferência com o equilí-
Michel Odent, o médico que nos acompanhava, sugeriu que eu brio hormonal e raramente acontecem depressão puerperal ou pro-
deixasse a banheira no momento do nascimento. Dado o tamanho blemas com a amamentação e com a recuperação da mãe.
do bebê, decidimos que seria melhor contar com a ajuda da gravida- A maioria dos partos, se bem conduzidos, deve transcorrer sem
de para o seu nascimento; assim, fiquei na posição de cócoras sus- complicação alguma. Nenhum equipamento especial é necessário e
tentada. Apesar do tamanho, Theu nasceu depois de duas contra- o parto pode acontecer tanto em um lugar muito simples como na
ções e, maravilhosamente, sem nenhuma ruptura. Os médicos certa- sala de parto de um hospital supersofisticado.
mente iriam considerar minha gravidez de alto risco. Tinha 42 anos, O Parto Ativo é natural e instintivo. É assim que uma parturiente
Rh negativo e sofrera cirurgia no útero 3 anos antes. Para mim estes vai se comportar se deixada à própria mercê. Meu objetivo, ao pre-
foram os verdadeiros motivos que me levaram a preferir ter meu parar uma gestante para o parto ativo, é ajudá-la a entrar em contato
bebê em casa, onde as condições para um parto normal são as me- com seu próprio instinto de parir.
lhores. O parto é basicamente uma função natural do organismo, que

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acabou resultando na proibição do Parto Ativo. Algumas grávidas
que estavam com partos iminentes ficaram muito aflitas e me telefo-
T Nossa função primordial desde então tem sido educacional, promo-
vendo palestras, conferências, "workshops" para pais e profissionais,
naram para expressar seus sentimentos. Senti-me responsável por assim como proporcionando subsídios para a formação de professores
ter apresentado o conceito para essas mulheres. Parecia completa- de Parto Ativo.
mente inadequado que elas tivessem que lutar, durante o trabalho de A utilização de posições verticais e a movimentação durante o
parto, pelo direito de dar à luz instintivamente. trabalho de parto não são privilégio deste quinhão do mundo, tendo
Assim, o Movimento pelo Parto Ativo foi fundado em abril de ocorrido mudanças simultaneamente em vários países durante a década
1982 e o Manifesto pelo Parto Ativo foi redigido (ver Capítulo 11). de 1980. O Movimento para o Parto Ativo agora é internacional e tem
A ocasião foi marcada por uma manifestação no domingo, 11 de ramos por todo o mundo, muitos deles apresentando grande sucesso
abril, a qual denominamos de "Comício pelos Direitos de Parir". em gerar mudanças. Esse movimento é conduzido inteiramente por
Originalmente, só planejávamos ficar de cócoras no saguão de en- mulheres que, como eu, redescobriram o parto por meio da própria
trada do hospital; mas em apenas três semanas foram tantas pessoas . experiência. São mulheres que optaram por abandonar a mesa obs-
que ofereceram seu apoio que terminamos indo ao "Hampstead tétrica e dar à luz instintivamente. Conseqüentemente, transmitem o
Heath" com uma multidão de 6.000 pessoas. O "Comício" foi um que aprenderam às outras e, com esse trabalho, estão criando uma
protesto contra os hospitais que negavam às mulheres o direito e a nova tradição de sabedoria feminina, auxiliando mulheres de todas as
liberdade de se movimentar durante o trabalho de parto e de dar à partes a recuperar sua autonomia enquanto gestantes.
luz na posição vertical, de cócoras ou de joelhos, apesar das eviden- É para essas mulheres que dedico este livro.*
cias sobre suas vantagens.
Além de Michel Odent, cujo trabalho na França foi apresentado
em um especial da BBC-2 e estava em Londres, também vieram par-
ticipar do comício Sheila I<itzinger, a jornalista Anna Ford e outros
simpatizantes do Parto Ativo. O acontecimento foi memorável, pro-
vocando uma mudança de atitude nos hospitais: a partir de então
eles se tornaram capazes de acomodar parturientes que tinham op-
tado pelo· Parto Ativo.
Graças a Deus, o Movimento para o Parto Ativo não precisou de
outras manifestações, pois hospitais da cidade de Londres e imedia-
ções, gradualmente se ajustaram ao clima de mudanças. Embora ain-
da haja um longo caminho a percorrer, os princípios do Parto Ativo
estão sendo postos mais amplamente em prática, na medida em que
nosso conhecimento da fisiologia normal do processo do parto au-
menta.
*Veja referência ao Movimento Parto Ativo Brasil na pg. 317.

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1 função procriativa.
Estamos agora iniciando a descoberta dos efeitos destrutivos,
algumas vezes de longa duração, na relação entre a mãe, seu bebê e
sua família, de se tratar as parturientes simplesmente como se fos-
sem contêineres que precisam ser esvaziadas dos seus conteúdos e
Aqui está uma importante voz que clama nos desertos do parto. de se concentrar a atenção em um bando de músculos e em um canal
Janet Balaskas fala àquelas mulheres que querem crescer na consci- de parto, no lugar de tratar e cuidar da pessoa dentro da qual o Útero
ência de si mesmas e usar seus corpos ativamente durante o trabalho e a vagina estão contidos.
de parto. Nas suas aulas de preparação, Janet Balaskas preconiza ati- A "ligação mãe-filho"* está na moda hoje em dia. Vários hospi-
vidade e não passividade, movimentação e não estagnação, e o direi- tais dedicam um tempo especial para essa ligação e devem existir
to de a parturiente escolher a posição, qualquer que seja, que achar poucos obstetras e obstetrizes que não consideram importante esse
confortável durante o trabalho de parto e o parto propriamente dito. vínculo. Mas tudo o que acontece após o parto é conseqüência do
O ensinamento deste livro é revolucionário, embora já seja anti- que aconteceu antes. Esse elo de ligação deve ser espontâneo e tran-
go. Em várias partes do mundo, e através da história conhecida, a qüilo, ou pode ser virtualmente impossibilitado pelo tipo de atmos-
mulher tem escolhido posições verticais para dar à luz: nós, ociden- fera no parto e pela atenção que a mulher recebe como um ser e não
tais, somos os únicos que tivemos essa extraordinária noção de que meramente como uma primípara, uma primigesta idosa, uma pelve,
uma mulher deve se deitar com as pernas para cima para trazer seu um útero que se contrai ou um colo que se dilata.
bebê ao mundo. O modo como nossas mulheres dão à luz é importante para to-
Mas auxiliar mulheres a se levantar é muito mais do que ajudá-las dos nós pois tem tudo a ver com o tipo de sociedade dentro da qual
a encontrar uma posição confortável. É transformá-las de parturien- queremos viver, a importância da chegada de um novo ser e o
tes passivas em ativas. É desafiar o todo da visão obstétrica que a surgimento de uma nova família.
sociedade ocidental tem do parto, baseada na suposição de que o Quando tomamos~ responsabilidade de escolher entre alternati-
parto é um acontecimento médico e que, portanto, deveria ser con- vas, baseados no que acreditamos ser correto, tomamos a responsa-
duzido dentro de um ambiente de cuidado intensivo. A gravidez bilidade pela qualidade da sociedade que nós, e nossos filhos, vamos
como um todo é vista como uma condição patológica que somente viver.
termina com o parto. O obstetra ultra-tecnologista moderno con-
duz ativamente o trabalho de parto com toda a tecnologia do Sheila K.itzinger
ultra-som, monitoração eletrônica contínua do feto e solução
parenteral de oxitocina. Muitos obstetras nunca tiveram a oportuni-
dade de ver um parto verdadeiramente natural. Transformar o pro-
cesso de trazer uma nova vida ao mundo em outro onde a mulher se
torna simplesmente um corpo sobre a mesa de parto em lugar de *N.do T. : "Bonding' ', no original.
uma parturiente ativa é uma degradação da condição da mulher na

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tuições médicas.
/ntroduqão Grávidas e parturientes sao chamadas "pacientes". Pode-se in-
cluir ainda a formação das parteiras modernas, que são treinadas
em unidades obstétricas; não são mais mães ajudando outras mu-
O conceito de "parto ativo" é uma pedra fundamental na história lheres a se tornarem mães também. Quando um recém-nascido
do parto. Colocar essas duas palavras juntas foi, por si mesmo, um não é saudável, a responsabilidade é da instituição médica. O con-
toque de gênio: "parto ativo" cobre uma gama enorme de significa- ceito de "parto ativo" foi introduzido por mulheres que querem ter
dos, em rúveis diferentes e complementares. de volta o controle e a responsabilidade do parto. Mulheres que
O primeiro rúvel pode ser descrito como muscular. Ao se dar consideram as instituições médicas como recurso para situações
uma olhada em algumas fotos de "partos ativos" pode-se notar que definidas. Que desafio polêmico em tempos onde os efeitos
no fim do trabalho de parto, quando o bebê está quase nascendo, colaterais negativos da obstetrícia são cada vez mais conhecidos!
muitas parturientes estão na posição vertical, agarrando-se em algo · O dia em que Janet disse pela primeira vez "parto ativo" talvez
ou em alguém, dobrando o corpo para a frente apoiadas em algo, ou tenha sido o mais importante na história da obstetrícia na Europa ...
em posição de cócoras sustentada, ou de joelhos... desde o dia em que o médico francês Mauriceau assumiu o comando
Em um segundo rúvel, penetramos mais profundamente no pro- desse acontecimento e colocou a mulher em trabalho de parto deitada.
cesso fisiológico do nascimento. O parto é antes de mais nada um
processo mental. Quando uma mulher está dando à luz por si mes- Michel Odent
ma, a parte ativa do seu cérebro é a parte primitiva. Essa é a parte
que temos em comum com todos os mamíferas, a parte que secreta
os hormônios necessários. Uma mulher dá à luz ativamente quando
ela é capaz de secretar seus próprios hormônios, ou, em outras pala-
vras, quando ela não precisa da ajuda de hormônios sintéticos
parenterais, ou qualquer outro tipo de intervenção médica. A ativi-
dade da parte primitiva do cérebro implica uma redação das inibi-
ções vindas do "novo" cérebro, o neocórtex. Os fatores que podem
perturbar esse processo cerebral, essa mudança de rúvel de consci-
ência, não são facilmente eliminados do contexto das unidades obs-
tétricas modernas: privacidade, penumbra, silêncio e ao mesmo tem-
po, a presença de uma pessoa experiente.
Em um terceiro rúvel, "parto ativo" refere-se à atitude que a socie-
dade tem como um todo em relação ao parto. Na nossa sociedade o
parto está completamente sob controle e responsabilidade das insti-

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não é fácil!". O que aconteceu com o parto? Por que uma mudança
/ntrodução à {;dçao tão profunda em toda a sociedade em tão pouco tempo (duas ou três
décadas)? Por que tanto medo?
O que aconteceu com o parto vaginal (não usei a expressão parto
Bra5"1/e/ra normal porque ultimamente o normal está se tornando, no Brasil,
nascer por via abdominal)? Somos os campeões mundiais de cesari-
O parto, uma experiência fundamental, profunda e marcante, deixa anas. Quais seriam as justificativas desse fenômeno? Mais segurança
cicatrizes, em todos os sentidos, na vida das mulheres e, às vezes, para os nascimentos? Será que Deus errou na criação e esqueceu de
influencia indiretamente toda a família. De certa maneira, o nasci- colocar um zíper no abdome das mulheres?
m ento sela a relação que vai existir entre a mãe e a criança para o A mulher moderna tem perdido contato com suas raízes, envol-
resto da vida, dá o matiz do eixo de transferência e contra-transfe- vida em ganhar um lugar ao sol. Pouco ou nada recebe via tradição -
rência, influenciando a postura que o novo ser terá em relação à · a velha transmissão oral de mãe para filha - substituída pela infor-
vida. mação fornecida pelos meios de comunicação, que passam uma men-
O parto pode deixar um saldo positivo ou negativo. Por um lado, sagem distorcida de mulher. Falta tempo para escutar o corpo falar.
pode ser uma oportunidade de a mulher que dá à luz ter vivências A cólica menstrual, em vez de ser considerada um aviso de que algo
que vão dignificá-la, de crescer perante ela mesma e ser mais mulher não anda bem em sua vida (estresse, correria, alimentação inadequa-
ainda. Alguns dizem que o parto pode ser uma experiência que vai, da etc.), é vista como algo que incomoda e que deve ser eliminado.
de certa maneira, "limpar" as experiências negativas relacionadas a Só isso. E assim por diante. D issociação.
sexualidade, bloqueios, traumas, abortos etc.. São vivências que vão Para as mulheres que nunca ficaram grávidas, Janet Balaskas trou-
fortalecer o "eu interior". Em minutos a mulher pode reviver seu xe do baú de suas experiências - não só como mãe de quatro filhos
próprio na~cimento e a complexa relação com sua mãe. Em nenhum em momentos totalmente diversos, mas de sua caminhada como
momento o instinto profundo de fêmea fala tão alto. Ela se transfor- mulher que sempre buscou harmonia - uma série de sugestões, con-
ma, não dá para segurar... o marido que já acompanhou a esposa selhos, algumas dicas, exercícios, posturas e informações que podem
durante o trabalho de parto sabe do que estou falando: "É outra ajudar a clarear esse assunto um tanto nebuloso que é o parto. Para
pessoa". Orna outra mulher aflora naquele momento. as que já estão grávidas, Parto A tivo é um manual valioso de como se
Pode também ser uma experiência inodora, ou que deixa marcas preparar para uma nova experiência em que a parturiente é a pessoa
negativas, sofrimentos, solidão, medo de fic ar grávida outra vez, in- mais importante, onde ela conjuga o verbo na primeira pessoa do
segurança, depressão pós-parto, lembranças que fazem chorar, além singular, atriz e estrela, um parto ativo. As mulheres que pensam em
das próprias cicatrizes corporais. engravidar vão aprender como deixar seu corpo mais saudável e pron-
Infelizmente nem todas as mulheres têm o privilégio de vivenciar to para conceber e dar à luz de uma maneira plena.
o lado positivo dessa experiência, e quando encontram outra grávida O movimento iniciado por Janet na Inglaterra, que obteve a ade-
limitam-se a fazer lamúrias e agouros, do tipo "você vai ver como são e a participação de mães e mulheres em geral, conseguiu muitos

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resultados positivos. Mudanças. O Sistema de Saúde Britânico pro-
picia um atendimento gratuito para todas as grávidas inglesas. Há
/.O Que é um Parto At/vo .?
cerca de três anos, se alguma grávida quisesse ter um parto aqi,iático
tinha que ser uma empreitada particular, paga, e geralmente domici-
liar. Atualmente, depois de muitas "batalhas", mais de 20 hospitais Com o desenvolvimento acelerado da obstetrícia moderna nos
do Sistema de Saúde Britânico já possuem banheiras especiais para últimos trezentos anos, as mulheres perderam contato com sua ca-
parto dentro da água. Eles tiveram que ceder. Eu mesmo tive opor- pacidade de parir. Praticamente esquecemos como um parto fisioló-
tunidade de presenciar ª· inauguração da banheira da Maternidade gico natural se desenrola.
do Hospital da Universidade de Oxford, em 1990, um centro de O Parto Ativo não é uma novidade. É simplesmente um modo
referência de boa obstetrícia, não só para a Inglaterra, mas para todo conveniente de se descrever um trabalho de parto e um parto nor-
o mundo. A mobilização é a única maneira de se conseguir ampliar mais e o modo como uma parturiente se comporta quando segue
os direitos. seus próprios instintos e a lógica fisiológica do seu corpo. É uma
Com o Parto Ativo, Janet Balaskas vem preencher uma lacuna na maneira de dizer que ela realmente está no controle do seu corpo
literatura brasileira no que tange à preparação global para vivenciar o durante o processo do parto, e que não é o objeto de uma "condu-
parto, e não somente os famosos exercícios de respiração, que ela ção ativa" do parto pela equipe obstétrica.
nem mesmo aborda. Ao se decidir pelo Parto A tivo você estará reconquistanto seu
Mergulhe nessa vivência. Ouse experimentar.. . e boa sorte! poder fundamental como parturiente, como mãe e também como
mulher. Também estará dando ao seu bebê o melhor modo de co-
Adailton Salvatore Meira meçar a vida e uma transição segura entre o útero e o mundo. Caso
alguma dificuldade ou complicação inesperada aconteça, você estará
livre para fazer uso de toda tecnologia da obstetrícia moderna, sa-
bendo que deu o melhor de você e também sabendo que foi uma
escolha sua e que a intervenção foi realmente necessária. Desse modo,
mesmo o parto mais difícil pode ser uma experiência positiva.
A preparação para um Parto Ativo diminuirá a probabilidade da
ocorrência de complicações na gravidez, assegurando que você che-
gue ao parto em ótimas condições de saúde, além de melhorar e
apressar sua recuperação, independente do que tenha acontecido.
Se você dá à luz ativamente vai querer se movimentar livremente
durante o início do primeiro período* do trabalho de parto, esco-
lhendo posições verticais confortáveis tais como ficar em pé, cami-

*N. do T. : Primeiro período ou de dilatação do colo.

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• A questão das posições no parto
nhar, sentar-se, ajoelhar-se ou se agachar. Entre as contrações vai
encontrar maneiras de descansar nessas posições, confortavelmente Um número crescente de mulheres, obstetrizes, enfermeiras, obs-
apoiada em travesseiros ou almofadas. Ao aproximar-se do período tetras e instrutores de gestantes está questionando as posições que
expulsivo ou segundo período, durante o qual seu filho vai nascer, caracterizam as modernas práticas de parto e condução do trabalho
você pede ainda fazer uso de posições verticais, as mais confortáveis de parto, e o papel passivo, orientado, requerido das mulheres pelo
ou práticas. No período final, ou parto propriamente dito, você vai atendimento obstétrico contemporâneo. O que é mais criticado, es-
utilizar uma posição expulsiva natural (geralmente amparada ou sus- pecificamente, é o uso quase exclusivo de posições horizontais
tentada), tal como acocorada ou ajoelhada. (recumbentes) para o parto, conhecidas como posição supina, de
Um Parto Ativo é instintivo. Baseia-se em dar à luz de modo na- litotomia ou decúbito dorsal. Há evidências mais que suficientes de
tural e espontâneo por meio de sua própria vontade e determinação, que as posições verticais (ajoelhada, sentada, em pé ou acocorada)
tendo a completa liberdade de usar seu corpo como bem escolher e trazem mais vantagens tanto para a mãe quanto para a criança.
seguir suas solicitações. O Parto Ativo é urna atitude mental. Envol- A posição assumida e a movimentação durante o trabalho de par-
ve aceitação e crença na função natural e na natureza involuntária do to constituem um campo de importância fundamental, que foi prati-
processo do parto, tanto quanto uma atitude ou posicionamento camente negligenciado pelos assistentes que conduzem o trabalho
apropriado do seu corpo. de parto e, portanto, também pelos instrutores de gestantes. A esco-
Não é meramente algo que é extraido ou descarregado pela vag1- lha da posição determina a formação de obstetrizes e médicos. De-
1.a, onde os atendentes controlam a situação e você não passa de termina também a abordagem que terão e o tipo de ambiente onde a
uma paciente passiva. O Parto Ativo é mais confortável, seguro e parturiente vai ter suas contrações e seu filho. Pode também deter-
eficaz do que um parto passivo, o que é confirmado por vários estu- minar o sucesso do parto e a qualidade da experiência tanto para a
dos cienúíicos comparando mulheres ativas durante o trabalho de mãe quanto para o bebê.
parto com aquelas que se deitam passivamente (ver Lista de Refe-
rências). Prática ocidental moderna
Algumas mulhert'.s, deixadas à própria mercê, vão instintivamen-
te saber o que fazer durante o trabalho de parto, mas muitas de nós, A prática obstétrica no mundo moderno é geralmente considera-
n:io tendo exemplos a seguir, precisam ser conscientizadas sobre a da como um procedimento médico, quando não cirúrgico. Até há
possibilidade do uso das várias posições verticais a fim de descobrir pouco tempo, a norma em vários hospitais tem sido (e freqüente-
nossos insti::itos. Para que isso ocorra, basta praticar as posições e mente ainda é) colocar você, quando em trabalho de parto, deitada
movimentos que são mais apropriados e confortáveis durante a gra- em uma cama, muito bem apoiada por travesseiros em uma posição
semi-inclinada, onde monitores, soros ou anestésicos podem ser
videz. Os exercícios apresentados neste livro, baseados na YºEª para
a grnvidez, vão conduzi-la aos seus próprios instintos para o traba- convenientemente aplicados. Mais tarde, pouco antes de o bebê nas-
lho de parto e para o parto, e p?.ralelamente vão cultivar os procedi- cer, você será transferida para urna sala de parto e colocada em uma
rn.entos corporais adequados e naturais para uma gravidez saudável. mesa de parto, onde fórceps, vácuo extrator *, episiotomia ou cesa-
*N. do T: Pequena ampola de silicone que adere à cabeça do bebê por pressão negt:iva,"pouco
usada no Brasil, mas cada vez mais comum na Europa.

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riana são técnicas que poderão ser utilizadas ou, quando muito, seu Ninguém pode negar os enormes benefícios relativos a seguran-
bebê pode ser convenientemente "nascido" pelos seus assistentes. ça que a moderna obstetrícia oferece quando ocorrem problemas
Em muitos hospitais a escolha da posição do parto já está previa- que podem comprometer a vida da mãe ou do bebê, ou de ambos.
mente determinada pelo estilo de atendimento obstétrico e proce- No entanto, a grande maioria dos trabalhos de parto tem chance de
dimentos de rotina. Geralmente, o treinamento de obstetrizes e transcorrer sem complicações, e está claro que o bom senso na con-
médicos tem como base a posição recumbente em rotinas obstétri- dução do trabalho de parto foi completamente eclipsado pela apli-
cas, pelos seguintes motivos: cação de rotina da intervenção obstétrica ao trabalho de parto nor-
• O controle contínuo dos batimentos cardíacos fetais, das contra- mal, resultando em um número crescente de partos fórceps e opera-
ções uterinas e outros dados vitais durante o trabalho de parto e o ções cesananas.
uso de monitores cardíacos eletrônicos foram todos projetados Em muitos países do Primeiro Mundo a maioria dos bebês nasce
para uso na posição recumbente. Paradoxalmente, esses procedi- sob fórceps, indução, ou ambos, e a taxa de cesarianas chega a alcan-
mentos em geral le:vam ao sofrimento fetal que eles objetivavam çar altos índices, como 30%*. Nos Estados Unidos, aproximada-
detectar, por requererem a posição supina para seu emprego (1). mente um em cada quatro partos (25%) termina em cesariana, o que
• As obstetrizes são geralmente treinadas para fazer toques vaginais reflete um aumento de 400% nos últimos 20 anos (2). Em alguns
periódicos com a mãe deitada de costas. Quando o parto é ativo hospitais, chegamos a ter um terço de cesarianas, e em alguns gran-
não há tanta necessidade de toques vaginais, pois o progresso do des hospitais de ensino as taxas atingem 60%.
parto pode ser avaliado pelo comportamento da mãe. Quando um Entre outras razões, a rigorosa insistência em colocar as parturi-
exame interno é considerado essencial, pode muito bem ser feito entes na posição deitada contribui largamente para esses índices.
com a mãe na posição vertical. Cria-se um círculo vicioso quando começamos a intervir no proces-
• O uso de sedativos, ocitócicos*, analgésicos e analgesia durante o so natural: a possibilidade de complicações aumenta, como também
trabalho de parto e durante o parto. Se a mãe não estiver deitada é aumenta a necessidade de anestesia e de intervenções médicas. Quan-
menos provável que precise de alívio das dores ou indução. do uma parturiente é .imobilizada e obrigada a ficar em decúbito
• O uso de fórceps e/ ou episiotomia para o parto, ou a necessidade dorsal, o processo natural é perturbado e aumenta a chance de com-
da obstetriz rotineiramente "controlar" o parto ou "proteger" o plicações.
períneo. Essas práticas geralmente não são necessárias no Parto
Ativo. O que está errado com a condução obstétrica do parto?
Quando tais práticas são rotineiramente empregadas, o trabalho
de parto e o parto são vistos como situações potencialmente patoló- Dar à luz pode, e é o que geralmente acontece, envolver horas de
gicas, nas quais os profissionais que atendem o parto e seus intenso trabalho de parto e altos níveis de dor, de esforços e de
maquinários detêm o controle, e não mais a própria parturiente ou resistência de sua parte. Naturalmente a perspectiva não é nada agra-
seus instintos e seu corpo biológico. dável e provavelmente você vai chegar ao fim da gestação com medo
e apreensiva quanto ao que está para acontecer.
*N.clo T.: Hormônio artificial que desencadeia contrações de parto. *N do T.: No Brasil, os índices são ainda maiores.

22 23
i'·
Para muitas mulheres a perspectiva de um parto sem dor, sem incluem-se também os anestésicos regionais, tais como os usados
esforços e conduzido pode, à primeira vista, ser uma proposta atra- nas peridurais (4).
ente. Afinal, você pode perguntar: Por que sofrer desnecessariamen- O sistema nervoso central do bebê é formado e se desenvolve
te quando temos à disposição os medicamentos e a tecnologia mo- rapidamente nos últimos meses da gestação, durante o parto e du-
derna para facilitar o parto e torná-lo mais rápido e indolor? rante a infância, e é suscetível aos efeitos das drogas administradas
Lamentavelmente a coisa não é tão simples como parece. Cada no momento· do parto e no pós-parto. É só lembrar a tragédia da
tipo de intervenção obstétrica tem seus efeitos colaterais para a mãe talidomida para tomarmos consciência de que os testes de qualidade
e para o bebê, e mesmo alguns efeitos sutis ou de lenga duração dessas medicações são muitas vezes precários. É sempre bom lem-
podem não ser aparentes. Quando a ajuda é realmente necessária os brar que a suscetibilidade dos bebês às drogas e seus efeitos variam
benefícios da intervenção ultrapassam os riscos. No entanto, o uso de uma criança para outra e, em ocasiões de real necessidade, o uso
rotineiro da condução obstétrica tende a complicar o parto desne- mínimo e ponderado da medicação é geralmente benéfico. Porém,
cessariamente. durante os pré-natais e nos hospitais, as mães geralmente não são
Doris Haire, no seu livro The Cultural Warping ef Chi!dbirth* (3), informadas sobre os efeitos indesejados ou colaterais envolvidos na
escreveu um excelente relatório sobre a Obstetrícia americana, país utilização de certos medicamentos e são levadas a acreditar que não
onde a alta tecnologia do parto é a norma e está mais profundamen- existem riscos envolvidos.
te arraigada do que a maioria dos países, que agora serve de modelo Vamos tomar como exemplo certas medicações mais utilizadas
para países em desenvolvimento, onde as práticas obstétricas tradi- no trabalho de parto e no parto e seus efeitos colaterais mais usuais.
cionais estão em extinção. Omiti propositadamente as complicações mais severas e raras, mas
Haire ressalta que a taxa de mortalidade infantil dos Estados os interessados poderão consultar a Lista de Referências das pesquisas.
Unidos está entre as mais elevadas do mundo. Há também uma con-
tundente incidência de distúrbios neurológicos· nas crianças ameri- A PROMESSA DE TIRAR A DOR
canas, os quais, segundo essa autora, podem ser em grande parte
Dolantina
atribuídos às "práticas anti-fisiológicas que se tornaram parte do aten-
É um hipnoanalgésico usado para remover a dor, geralmente ad-
dimento_obstétrico americano*. Haire ainda enumera uma signifi-
ministrado por via intramuscular. Para algumas mulheres torna a dor
cativa lista de literatura científica e pesquisas para fundamentar suas
do parto mais suportável e para outras, faz com que percam o con-
observações (ver Leituras Recomendadas).
trole. Pode provocar alguns efeitos colaterais para a mãe, tais como
Sabemos, desde a década de 1960, que todas as medicações obs-
náusea ou vertigem, e diminui a freqüência e a capacidade respirató-
tétricas usadas nas mães, seja para aliviar as náuseas, induzir o traba-
rias, reduzindo, dessa forma, o aporte de oxigênio para o bebê. Ge-
lho de parto, aliviar as dores ou como anestesia, cruzam a placenta e
ralmente a Dolantina é associada a sedativos para reduzir náuseas, os
alteram o meio uterino onde vive o bebê, alcançando a circulação
quais também causam sonolência e entram na corrente sangüínea do
sangüínea fetal e portanto o cérebro do bebê em segundos ou minu-
bebê.
tos. Ao contrário do que é informado para muitas mulheres, aí
É do conhecimento comum, hoje em dia, que a Dolantina pode
*N. do T: "A Perversão Cultural do Parto".

24 25
deprimir o sistema respiratório do bebê e comprometer o irúcio da
Todos esses fatores contribuem para a diminuição da quantidade
respiração espontânea após o parto, determinando a necessidade de
de sangue que entra e sai do útero, aumentando a possibilidade de
reanimação do bebê (5).
sofrimento fetal (falta de oxigênio). Algumas vezes, os músculos
Às vezes podem permanecer vestígios no sistema respiratório do
pélvicos tornam-se flácidos e não ajudam na rotação do bebê na
bebê após o parto, de modo que, além da adaptação à vida fora do
maneira usual (acrescentando-se a desvantagem de não se contar com
útero, o sistema vai ter o acréscimo do fardo da desintoxicação (6).
a ajuda da gravidade).
Esses vestígios podem também deprimir o reflexo de sucção do bebê.
Uma peridural pode também inibir a capacidade da mãe de fazer
E como a droga permanece no bebê durante semanas, pode afetar o
força e de expulsar o bebê do seu corpo espontaneamente, aumen-
irúcio da amamentação e o estabelecimento da ligação mãe-filho (7).
tando o risco de fórceps ou cesariana.
Peridural Quando mulheres dão à luz ativamente, com a ajuda de uma
É conhecida como uma anestesia regional, com a injeção do anes- obstetriz, a taxa de utilização de fórceps raramente passa dos 5% e
tésico dentro do espaço peridural, entre duas vértebras lombares na os medicamentos são usados somente em casos de sofrimento ine-
região inferior da coluna. Quando produz o efeito desejado, deter- vitável ou quando há risco de vida. Contrastando com esses dados,
mina um bloqueio dos impulsos dolorosos, acarretando insensibili- em países como os Estados Unidos a incidência de partos fórceps
dade à dor da cintura para baixo. pode alcançar, de acordo com Doris Haire, taxas de até 65% em
Apesar de os efeitos das drogas usadas nas peridurais sobre o alguns hospitais. Um parto fórceps desnecessário pode ser traumáti-
bebê não serem os mesmos que os da Dolantina, sabemos que elas co para ambos, mãe e filho, e pode ocasionalmente resultar em pre-
entram na circulação do bebê e alcançam os tecidos cerebrais em juízo ou lesão para o bebê (8).
poucos minutos (6). Efeitos imediatos e a longo prazo no desenvol- Embora o alívio completo das dores que uma peridural proporcio-
vimento neurológico do bebê são relativamente desconhecidos e na às vezes seja indispensável, é importante, para bons resultados,
ainda estão sob pesquisa, apesar do uso indiscriminado dessa forma ponderar essa vantagem em função dos riscos potenciais, que são
de analgesia em todo o mundo. consideráveis. Eventualmente o preço de algumas horas de confor-
Efeitos colaterais para a mãe, tais como cefaléias intensas após o to pode ser um bebê afetado e até resultar em um parto complicado
parto, pedem acontecer ocasionalmente (causados por arranhadelas (9-12).
acidentais da membrana que envolve a medula vertebral pela ponta Não seria melhor, então, nessa longa jornada, usar seu corpo para
da agulha), e a queda da pressão sangüínea materna é comum. liberar, minimizar e transformar a dor do parto e experimentar uma
A peridural certamente aumenta a necessidade da intervenção banheira com água morna ou um chuveiro, que são meios eficazes e
obstétrica. Como, obviamente, a parturiente vai ficar imóvel e deita- totalmente inócuos de aliviar a dor? Se realmente uma peridural é
da, as contrações tendem a ser menos eficientes e o trabalho de par- necessária, então seu uso pode ser núnimo, reduzindo, assim, os ris-
to é geralmente mais arrastado e pode necessitar dos estímulos arti- cos esperados.
ficiais de uma infusão parenteral de ocitócico.

26
27
ACELERANDO O TRABALHO DE PARTO
~
'~f.:

% tagem natural na indução rotineira* das gestações que "passaran: da


data" e a falha de indução geralmente termina em uma cesariana
Indução
A indução pode ser usada para iniciar um trabalho de parto ou (15-18). , . . ' .
Não seria melhor deixar essa opção como últuna mstanaa e des-
para aumentar as contrações existentes. A maneira usual de se indu-
cobrir como variar a posição para estimular contrações, ou como
zir um parto é pela introdução de uma solução parenteral contendo
melhorar 0 meio onde o parto ocorre para que a mãe possa secretar
Syntocinon, um poderoso hormônio sintético, em uma veia do bra-
seus próprios hormônios naturais? Aprender como permitir o flo-
ço da mãe.
rescer da fisiologia normal sem atrapalhá-la é o melhor meio para
Em geral, quando o útero se contrai, os vasos sangüíneos que
garantir que a mãe vai secretar seus próprios hormônios.
levam sangue para a placenta ficam temporariamente estreitados. No
período entre as contrações o sangue é armazenado na placenta para
O parto e a história da obstetrícia
manter um suprimento constante para o bebê durante as contrações.
As contrações induzidas pelo Syntocinon, se comparadas às do par- Estudos da história mostram o uso prevalente de posições verti-
to espontâneo, tendem a ser mais duradouras, mais intensas e mais cais (ajoelhada, agachada, em pé ou sentada), com muitas variações e
próximas umas das outras. Os períodos de constrição são portanto
vários meios de suporte.
maiores que os costumeiros; o total de aporte de oxigênio para o Voltando-se milhares de anos, encontram-se evidências das posi-
bebê é reduzido e, por conseguinte, aumenta-se a possibilidade de ções que as mulheres assumiam no parto. A cabeça de um alfinete de
sofrimento fetal. Doris Haire escreveu em Drogas no Parto e Trabalho prata do Luristão, no Irã, primeiro milênio a.C., revela uma mãe de
de Parto: 'Y1 situação é algo parecida com segurar uma criança embai- cócoras. Os restos de uma estátua de barro de 5750 a.C. de um san-
xo da água e permitir que venha à superfície para suspirar mas não tuário de Çatal Hüyük, uma cidade da Era do Cobre (calcolítica), na
para respirar". Turquia, mostram uma deusa dando à luz na mesma posição, assim
Estima-se que a incidência de icterícia neonatal em bebês que como uma imagem asteca em pedra, de 21,6 cm, simbolizando a
foram induzidos é mais elevada (13-14). fertilidade no Méxic~. Um relevo em Monte Builders, leste de
Além disso, as contrações mais intensas começam logo depois de '
Arkansas EUA de uma cultura pré-colombiana de data desconheci-
se inicia~ o soro, não ocorrendo um aumento gradual na intensida- ' '
da mostra uma mulher de cócoras com as mãos nas coxas. O hieró-
de, como acontece em um parto espontâneo. Isso normalmente im- '
glifo egípcio que significa "parto" é a figura de uma mulher de cócoras.
plica que vai ser mais difícil para a mãe lidar com a dor dessas con- Um relevo no templo de Kom Ombo, uma cidade do Alto Nilo,
trações mais intensas e que vai ser maior a necessidade de alívio; Egito, mostra uma mulher dando à luz de joelhos. Um parto nessa
assim, o bebê acabará tendo o efeito combinado dos analgésicos e mesma posição pode ser visto em um entalhe em mármore encon-
das drogas usadas para indução. trado em Esparta, datando de 500 a.C. Na China antiga e no Japão,
Com todos esses riscos, provavelmente será necessária uma era costume dar à luz de joelhos sobre uma esteira de palha. Todas
monitoração contínua; assim, temos o início de uma bola de neve, essas cenas é claro descrevem somente o momento do parto, po-
onde uma intervenção leva a outra. ' '
*N. do T.: Na Europa é bem mais comum a indução do parto em gestações que passam
Alguns estudos mostraram que não há evidência de qualquer van- do termo.
29
28
....
A primeira mulher que a História registra como tendo deitado
rém posições usadas durant~ o trabalho de parto também podem ser
para dar à luz foi Madame de Montespan, amante de Luís XIV, que
encontradas.
pariu em uma posição recumbente para que ele pudesse assistir o
No Antigo Testamento, Êxodo, capítulo I, versículo 16, temos:
parto por detrás de uma cortina. Depois, em meados do século XVII,
"Quando vós fizerdes o ofício de parteira para as mulheres
na França, dois irmãos chamados Chamberlain inventaram o fór-
hebréias, e as virdes sentadas em banquinhos ...".
ceps. A melhor posição para se aplicar um fórceps é com a mulher
Um vaso de Corinto tem o desenho de uma mulher em trabalho
deitada. Essa invenção foi guardada a sete chaves pelos Chamberlain,
de parto sentada em uma cadeira de parto. Um relevo da Grécia
que faziam seus partos cobertos por um lençol escuro; a moda para
antiga e um baixo relevo romano em mármore mostram ambos, uma
as mulheres distintas de dar à luz deitadas tornou-se firmemente
grávida dando à luz em um banquinho sustentada por duas ajudan-
enraizada e o médico tomou o lugar da parteira nas salas de parto.
tes. O banquinho de parto foi também recomendado por Sorano
No mesmo século, François Mauriceau tornou-se uma figura de des-
para trabalhos de parto não complicados no início do século II e por
taque no cenário obstétrico francês. Ele condenava o uso das cadei-
vários escritores que se seguiram. Foi descrito como, tendo "o for-
ras de parto e advogava o parto na cama, em decúbito dorsal. Com o
mato de um banquinho de barbeiro, porém com uma abertura ein
crescimento da popularidade do fórceps a cadeira de parto perdeu
forma de lua crescente no assento por onde a criança possa cair".
terreno e por volta do final do século XVIII, quase já não se falava
Os primeiros banquinhos de parto podem ter sido feitos de pedra
mais dela.
ou de cepos de madeira, desenvolvendo-se com o tempo em cadei-
No século XIX, a Rainha Vitória foi a primeira mulher na Ingla-
ras mais complexas, ajustáveis e com variados dispositivos.
terra a usar clorofórmio durante o parto. O parto sob anestesia esta-
Existem também muitos exemplos de parturientes em diversas
beleceu ainda mais o parto na posição deitada de costas ou de lado.
posições perpendiculares à terra sem a ajuda de banquinhos e sem-
As posições de parto que mais facilmente prestavam-se à conveniên-
pre sustentadas por uma ou mais auxiliares enquanto a parteira rece-
cia dos atendentes que realizavam tais procedimentos tornaram-se a
be o bebê.
única escolha, e a prática de confinar a mulher na cama a maior parte
do tempo do trabalho de parto e depois sobre uma mesa obstétrica
Da cadeira de parto à cama e à mesa de parto
foi difundida por todo o Ocidente.
Nó mundo ocidental a cadeira ou banquinho de parto permane- Essa prática tornou-se tão comum que a palavra em inglês
ceu como parte indispensável do equipamento de muitas parteiras "confinement" é normalmente usada para significar o processo do
até a metade do século XVIII . As famílias ricas tinham seus próprios parto.
banquinhos de parto, enquanto entre as mais pobres, o banquinho A cadeira de parto cedera lugar à cama e às mesas de parto dos
era transportado de uma casa para a outra. Os banquinhos de parto séculos XIX e XX. As parturientes jaziam de costas, uma posição
da realeza eram talhados e enfeitados com pedras preciosas. Dese- que as tornava passivas e controláveis; embora isso oferecesse uma
nhos holandeses, alemães, franceses e chineses do século XVI mos- esplêndida vista àquele que fazia o parto, estava em total desacordo
tram o grande uso das cadeiras de parto, que ainda hoje são usadas com a força da gravidade e com a sensação de independência que
por algumas mulheres egípcias.
31
30
f ª
mostram as vantagens fisiológicas do parto na posição vertical ou
advém natural e instintivamente do dar à luz ativamente, sobre os
agachada.Certos princípios de física são aplicáveis ao parto, que são
próprios pés. negados ou anulados quando uma parturiente faz seu filho vir ao
Evidências etnológicas mun~o na po_sição ~orizontal. A influência facilitadora da posição
de cocaras foi tambem radiograficamente confirmada nos anos 30.
As tribos primitivas adotavam várias posições de parto segundo Foi demonstrado que a superfície da área do corte transversal do
seus próprios costumes mas, muito importante, seguindo seus ins- canal d_e ~arta.pode aumentar em até 30% quando uma mulher passa
tintos. Cerca de quarenta posições foram documentadas e suas van- da pos1çao deitada para a posição de cócoras (19). É já estamos há
tagens foram muito discutidas. Mulheres de diferentes tribos fica- quase 20 anos do dia em que Scott e Kerr demonstraram as desvan-
vam de cócoras, de joelhos, em pé, inclinadas, sentavam ou se deita- tagens de ter o peso do útero gravídico sobre a parte posterior do
vam com o ventre para baixo; então, também, assumiam diferentes abdome. Na posição supina, o peso do útero gravídico reduz 0 fluxo
posições em diferentes períodos do trabalho de parto e em partos san~neo placentário pela compressão da grande artéria que sai do
difíceis. coraçao (aorta_ descendente) e da grande veia que leva 0 sangue de
O dr. G .]. Englemann, ~m seu livro Labour Among Primitive Peoples*, volta ao coraçao (veia cava inferior). Esse é um fato clínico de im-
escrito em 1883, foi um dos primeiros a investigar as diversas posi- pacto, que não deveria ser ignorado pelas pessoas envolvidas em um
ções assumidas durante o parto e o trabalho de parto pelos povos parto (20).
antigos, e concluiu que as quatro principais posições eram: de cóco- Diversos estudos recentes comprovaram as nítidas vantagens que
ras, de joelhos (incluindo ajoelhada de quatro e a genupeitural), em . uma mulher tem quando caminha, ou faz variações da posição ereta,
pé e a semi-recumbente. d~ante o trabalho de parto. Os poucos, e são realmente poucos, que
Os etnólogos confirmam inteiramente as evidências dos histori- n~o e~contraram qualquer vantagem concluem que definitivamente
adores. Qualquer que seja a raça ou tribo analisada (africana, ameri- na_o ha desvantagens em se estar ativa e usufruir das posições verti-
cana, asiática ou outra), as mesmas posições verticais sempre predo- cais durante o parto.
minaram com grande variedade dos meios de apoio. Calcula-se que a Grande parte dos e~tudos estabeleceu um grupo controle e um
grande maioria das mulheres de todo o mundo ainda hoje, durante o de es~do. Isso geralmente implica que o grupo controle permaneça
parto e o trabalho de parto, assume posições verticais ou agachadas na honzontal ou em alguma posição recumbente na cama e que 0
e geralmente com algum apoio. grupo ~e estudo assuma posturas verticais (como sentada, de cóco-
ras'. de JOel~os ou caminhando). Porém outros estudos, que parecem
Evidências recentes mais convincentes, usaram as parturientes como controles, pedin-
d~-lhes que alternassem posições horizontais e verticais a cada 30
Nas últimas décadas, a crescente desilusão com a aplicação roti-
mmu~os durante o primeiro e o segundo períodos do parto. Essa
neira da alta tecnologia obstétrica fez com que pesquisadores de todo
maneua alternante de avaliar o efeito da posição durante 0 parto e 0
o mundo começassem a explorar a fisiologia normal do parto. Evi-
trabalho de parto revela resultados positivos similares em favor das
dências documentadas, disponíveis nos últimos cinqüenta anos,
*N. do T.: " O Trabalho de Parto entre as Tribos Primitivas".
33
32
posições verticais e ativas.
Resultados da pesquisa moderna
Durante a década de 1970 muitos estudos foram realizados em
diferentes partes do mundo. Em 1977 um estudo na Maternidade de Essas são as vantagens referidas em vários estudos de se deambular
Birmingham comparou um grupo de parturientes que deambulou e permanecer na vertical:
durante as contrações com outro que permaneceu na horizontal pra- 1. Maior intensidade (força) das contrações uterinas.
ticamente durante todo o trabalho de parto. Os resultados mostra- 2. Contrações mais regulares e freqüentes.
ram que a duração do trabalho de parto foi significativamente mais 3. Processo de dilatação ou abertura do colo (o orifício de
curta, a necessidade de analgésicos foi muito menor e a incidência saída do útero) mais eficiente.
de variações patológicas dos batimentos cardíacos fetais foi acentu- 4. Relaxamento mais profundo entre as contrações.
adamente menor no grupo deambulante do que no recumbente. O 5. Pressão muito maior exercida pela cabeça fetal no colo
grupo que caminhou também vivenciou contrações menos doloro- durante o período de repouso, ou seja, entre as contrações
sas e se sentiu mais confortável dessa maneira. Concluiu-se convin- uterinas.
centemente que deambular durante o trabalho de parto, particular- 6. Menor duração do primeiro e do segundo períodos do
mente no início, deve ser encorajado (21). trabalho de parto (alguns estudos comparativos revelaram que
O dr. Roberto Caldeyro-Barcia, na América Latina, organizou um o grupo ativo foi abreviado em mais de 40%.
estudo de colaboração envolvendo duas grandes maternidades. Fo- 7. Maior disposição, menor estresse e menor dor, resultando em
ram comparadas as posições verticais (sentada e em pé) e as hori- menor necessidade de analgésicos.
zontais (deitada de costas e de lado). Também foi comparada sua 8. Menor incidência de sofrimento fetal durante o parto e melho-
influência para o parto e para as condições do recém-nascido (22). res condições do recém-nascido.
Em 1972, nos Estados Unidos, o dr. Isaac N. Mitie, do Estado de 9. As mulheres sentiram que estavam dando sua quota de
Indiana, comparou mulheres no segundo período do parto, sendo participação no parto e se sentiram aliviadas do tédio e da
metade deitada e a outra metade em posições sentadas (23). O dr. degradação de es~arem deitadas e conectadas a algum aparelho.
Yuen Chou Lui liderou um estudo com 60 mulheres em trabalho de
parto ~m 2 hospitais, sendo um em Nova York e outro em Washing- Por que o Parto Ativo é melhor?
ton (24).
Esses são alguns dos muitos estudos que mostraram vantagens O que explica o fato de as mulheres terem partos mais fáceis
evidentes e definidas de se deambular e de se assumir posições ver- quando se movimentam ou assumem posições verticais? Segundo o
ticais durante o parto. Vários estudos confirmaram que as contra- boni senso e estudos recentes essas são as vantagens, para a mãe e
ções uterinas são mais intensas e eficientes para a dilatação do colo. para o bebê, que advêm das posições verticais:
Mesmo esses estudos tendo sido realizados em ambientes hospitala- 1. O peso da gravidade, ou seja, a força exercida para baixo pela
res que poderiam ser melhorados, os resultados já foram impressio- gravidade da Terra, coopera com as contrações uterinas e es-
nantes somente com a mudança da atitude em relação à postura. forços expulsivos. É mais fácil para qualquer objeto cair em
direção à superfície da Terra do que deslizar paralelamente (Lei

34
35

1/
da Gravidade de Newton), de modo que é mecanicamente mais na pelve materna assim como o apoio direto da cabeça sobre o
tranqüilo, na hora do parto, expelir um bebê em direção à Terra colo do útero são facilitados, pois o estreito superior da pelve
do que empurrá-lo no sentido horizontal. Nas posições verti- está virado para a frente e o estreito inferior para baixo, produ-
cais, tais como em pé, de cócoras ou de joelhos, o corpo zindo um ângulo conveniente de descida. Durante cada contra-
gravídico está em harmonia com o sentido da força gravitacional. ção uterina o feto tem a tendência de se afundar na pelve ma-
Quando a mulher fica deitada seus esforços involuntários de terna.
fazer o bebê vir ao mundo espontaneamente são inibidos, au- 5. Há uma melhor circulação placentária, determinando melhor
mentando a necessidade de enérgicos esforços para empurrar o suprimento de oxigênio para o feto. Deitar-se de costas é uma
bebê "morro acima" ou a necessidade de uma extração a fór- posição que facilita a compressão dos grandes vasos abdomi-
ceps. O dr. Peter Dunn, conferencista sênior consultante em nais contra a coluna vertebral. A compressão da maior artéria
Saúde Infantil do Hospital Southmead em Bristol, escrevendo do coração (aorta descendente) pode levar ao sofrimento fetal
sobre a posição recumbente para o parto no periódico médico por diminuir a passagem de sangue para o útero e para a placen-
The Lance!, em 1976, observou: "Nenhum espécime animal ado- ta. A compressão da grande veia que traz o sangue de volta ao
ta tal postura desvantajosa durante um evento tão importante e coração (veia cava inferior) bloqueia esse fluxo, possibilitando
crítico" (25). a hipotensão e maior perda sangüínea materna.
2. O ângulo de incidência do útero, ou seja, o ângulo entre o eixo 6. Há menor compressão sobre os nervos pélvicos que derivam
longitudinal da coluna vertebral do feto e da coluna vertebral da parte inferior da coluna e do sacro, e menor resistência aos
da mãe, é menor na posição vertical, requerendo então menor e-sforços uterinos, portanto há menor dor.
esforço do útero. O útero é tracionado para a frente quando se 7. Durante a gravidez a flexibilidade das articulações pélvicas au-
contrai. Em uma posição vertical, onde a mãe pode dobrar-se menta pela ação dos hormônios que amolecem os ligamentos
para a frente, ela colabora com o útero, que vai trabalhar com que as unem. Na posição vertical, as articulações estão livres
menor resistência; se estiver deitada ou inclinada para trás, o para se expandir, mover e ajustar à forma da cabeça descenden-
útero terá que dispender mais energia contra a força pesante da te do bebê durante as contrações e o parto. Quando a movi-
gravidade (ver página 148). Um músculo que trabalha contra a mentação do sacro é possível, o estreito interior pélvico pode
gravidade tende a se estirar e doer mais facilmente; portanto, ser ampliado em 30% ou mais (na posição de cócoras) do que
inclinar o corpo para a frente é um eficiente meio de reduzir a quando o peso materno incide diretamente sobre ele e dificulta
dor e a necessidade de analgésicos. qualquer movimento (semi-inclinada). A articulação sacro-
3. No período entre as contrações, a manutenção de elevados ní- coccígea, que fica entre o sacro e o cóccix, também é amolecida
veis das pressões da parede abdominal, do diafragma e do polo e preparada para fletir para trás a fim de alargar o estreito infe-
cefálico coopera para o aumento da pressão sobre a cérvix rior da pelve quando o bebê estiver nascendo. Obviamente isso
uterina na fase de repouso. é impossível se a mãe estiver sentada sobre o cóccix (posição
4. A entrada da cabeça do bebê, ou pólo de apresentação, semi-inclinada).

36 37
S. Quando a mãe está na vertical existe menor pressão direta so-
bre as vértebras do pescoço do bebê enquanto passa sob o arco
Na posição de cócoras o pubiano e o pescoço se estende para trás durante o segundo
sacro fica livre e se move
para trás, aumentando o período (veja diagrama na página 53). Embora nenhum estudo
estreito inferior da pelve tenha sido empreendido até o momento, é fácil observar que
os bebês nascidos ativamente têm melhor controle da cabeça
imediatamente após o nascimento. Isso facilita o "reflexo de
sucção" para a amamentação e também acentua o desenvolvi-
Na posição semi-inclina-
da o sacro fica imóvel e mento motor após o nascimento.
estreita a abertura inferi- 9. As posições verticais facilitam a dequitação espontânea e com-
or da pelve
pleta da placenta e reduzem a necessidade de tração do cordão
umbilical e o risco de infecção pós-parto ou hemorragia (26).
10. A probabilidade de infecção é menor pois os líquidos
podem drenar mais facilmente quando a mãe está levantada e o
"represamento"* de sangue não ocorre.
11. Na posição vertical, os tecidos perineais podem se ex-
pandir livremente e se adaptar à cabeça fetal durante o parto, e
o risco de rotura é minimizado. Na posição semi-sentada ou
semi-inclinada o pólo cefálico incide diretamente no períneo,
que está imobilizado e não pode se expandir. Essa situação se-
ria ainda pior se a mãe estiver na posição de litotomia, com as
pernas para cima. ~sso determina uma separação das pernas mui-
Na posição semi-sen-
tada o peso da mãe to maior que a usual, o que contrai os tecidos perineais, aumen-
concentra-se sobre seu tando a necessidade de episiotomia. No Parto Ativo a episio-
cóccix e a capacidade
pélvica fica reduzida tomia raramente é indicada e em geral é feita numa emergência.

.' >h:pplicações
'::.~:~ -

J,:·,f ·.,: .Com base nos resultados das pesquisas, nos vários estudos até
·:~~{J~'c realizados e no instinto ancestral, pode-se prever que grandes
'.~JJ~,: ~udanças com respeito às posições no parto e trabalho de parto são

39
38
inevitáveis na condução do parto e na preparação das gestantes par<c Sua prontidão física e emocional para o parto e o autocontrole du-
o parto (27-30). rante a gravidez vão se tornar tão importantes quanto uma boa aten-
Como a alternância de posições ajuda a aumentar a força e a efi- ção médica durante o pré-natal.
cácia das contrações, permitir que a parturiente deambule e esteja
em pé no irúcio do trabalho de parto, especialmente se não houver Cócoras
complicações, parece racional e indicado. O instinto da mulher
Durante o trabalho de parto a possibilidade de mudar de posição
dita-lhe que não deve ficar parada. Ficar em pé, deambular e assumir
é mais importante que uma posição específica. É pouco provável
variadas posições - sentada, ajoelhada ou de cócoras - qualquer que
que qualquer gestante venha a eleger e permanecer em uma única
seja o meio de apoio dispotÚvel, determinam que o útero exerça
posição durante todo o trabalho de parto. No entanto, a posição de
maior pressão sobre o feto e, por sua vez, sobre o colo do útero. A
cócoras é a mais próxima das leis da natureza, sendo conhecida como
parturiente deveria ser guiada mais pelos seus instintos, seu bem-
a posição fisiológica. Uma posição é fisiologicamente eficaz quando:
estar e suas necessidades do que pelas conveniências hospitalares e
• não há compressão dos grandes vasos abdominais;
pela moda obstétrica. A liberdade do corpo é fundamental para se
• a pelve tem a possibilidade total de movimentação.
chegar às posições que tradicionalmente têm sido usadas para facili-
A posição de cócoras sustentada parece ser particularmente efi-
tar as contrações e o parto, e que irão ajudá-la a atingir o máximo de
caz no final do período expulsivo, isto é, quando o bebê está real-
bem-estar, relaxamento, naturalidade e controle.
mente nascendo.
Existe uma infinita gama de posições possíveis e sem uma ordem
A posição de cócoras determina:
cronológica constante. A regra traduz-se pela necessidade de buscar
• pressão máxima dentro da pelve;
a posição mais funcional, eficiente e confortável. A necessidade co-
• mínimo esforço muscular;
mum entre as parturientes de instintivamente variar a posição um
• relaxamento ótimo do períneo;
dia terá de ser universalmente reconhecida. Isso implica em uma
• oxigenação fetal ótima;
mudança na atitude na condução do parto, nas regras hospitalares
• um perfeito ângulo de descida em relação à gravidade.
em geral e na preparação pré-natal.
A posição de cócoras sustentada é essencial nos partos pélvicos,
A futura mamãe não precisa somente de conhecimentos sobre a
pois reduz o intervalo entre o nascimento do cordão umbilical e da
gravidez, as contrações, o parto, o crescimento e o desenvolvimento
cabeça.
dos bebês, mas também sobre a preparação física adequada no que
Outra posição útil é ajoelhar-se de quatro. O pólo de apresenta-
diz respeito aos efeitos de variar as posições verticais e à percepção
ção roda mais facilmente dentro da pelve quando a parturiente está
da tranqüilidade e do bem-estar dessa variação, para que possa ativa-
de quatro. Essa posição pode ser particularmente útil se o bebê esti-
mente e eficientemente se ajudar durante o trabalho de parto. A
ver em uma apresentação posterior ou se o parto evoluir muito rápido.
ênfase durante a gravidez deverá repousar sobre o desenvolvimento
Nenhuma das grávidas dos estudos recentes se preparou durante
da responsabilidade e da confiança no próprio corpo e no aprender
0 pré-natal para tirar proveito da tranqüilidade e do bem-estar da
a descobrir seu potencial instintivo para dar à luz e se tornar mãe.

40 41
posição de cócoras, ajoelhada, agachada e ajoelhada de quatro. ajoelhar-se de quatro, acocorar-se e se apoiar no marido ou na par-
teira para suporte físico. A água é considerada importante; assim, se
Os resultados poderiam ser melhores se os grupos de partos ver-
tiverem vontade, as parturientes podem tomar um banho quente ou
ticais tivessem os benefícios adicionais da preparação física. (Um
relaxar em uma pequena piscina que está à disposição. Prefere-se
estudo controle desse tipo ainda não foi empreendido.)
não usar medicamentos, nem romper a bolsa artificialmente. Várias
A maternidade ideal em Pithiviers, França mulheres adotam uma posição vertical para o parto, geralmente de
cócoras sustentada; outras dão à luz na cadeira de parto, no estrado
Michel Odent e colegas de trabalho criaram um lugar para as ou dentro da água. Com a posição de cócoras sustentada e o mínimo
mulheres estarem ativas durante o trabalho de parto na Maternidade de perturbação do reflexo expulsivo não há roturas perineais desne-
do Hospital Geral de Pithiviers, na França*. Lá, já há duas décadas, cessárias e as episiotornias não são freqüentes.
as parturientes têm a possibilidade de seguir seus instintos, cami- Após o parto, o banho do bebê e a dequitação da placenta, a mãe
nhar e tentar posições que sejam possíveis e confortáveis. Ele e seu caminha com seu marido e o recém-nascido de volta para seu quar-
corpo de obstetrizes, junto com as grávidas, descobriram muitos to. Dos mil partos ocorridos em Pithiviers em 1981, somente 8 be-
meios de apoio físico durante as contrações e o parto que se mostra- bês precisaràm de cuidados intensivos.
ram, durante os anos, de tremenda ajuda na facilitação do trabalho Essa é uma maternidade cuja instalação chega perto do ideal. Tem
de parto e especialmente do parto. Eles não usam monitoração fetal a segurança do parto hospitalar aliada à atmosfera descontraída de
contínua, Dolantina, peridural ou fórceps, as episiotornias não são uma sala de parto tranqüila e caseira. Está livre das limitações e re-
freqüentes e as induções são muito raras. Sua concepção obstétrica, gras frustrantes, das condutas de rotina hospitalares e baseia-se no
que era tentar não atrapalhar a fisiologia normal, é muito diferente entendimento do comportamento instintivo de uma mulher em tra-
da prática convencional baseada no controle. O ambiente, físico e balho de parto e suas necessidades. Possui uma filosofia de trabalho
humano, também é muito diferente - a sala de parto tem uma at- que propicia o parto ativo, fisiológico e com um término natural. O s
mosfera mais caseira do que hospitar. partejadores são famili~res à mãe e ficam à disposição durante todo
Nesse Serviço realiza-se por volta de 1.000 partos por ano. O o parto. Os pais participam e oferecem seu apoio. As mulheres po-
atendimento profissional é responsabilidade do dr. Odent e de 6 dem se mover e adotar a posição que acharem mais propícia e o uso
obstetrizes. Elas trabalham em pares por 48 horas seguidas de 4 dias de medicamentos e intervenções durante o parto é restrito.
de folga. A cada parturiente é dado um quarto durante toda sua esta- Se uma grande maioria de mulheres pode vivenciar um Parto Ati-
dia e há poucas regras. Com a progressão do trabalho de parto, a vo em Pithiviers de uma maneira segura e natural, por que não em
parturiente se encaminha à sala de parto onde há um estrado com outros lugares?
um colchão de casal com uns 20 centímetros de altura, muitas almo-
fadas e uma cadeira de parto de madeira. Ali ela é encorajada a per-
manecer ativa e mudar de posição quantas vezes quiser.
Muitas mulheres preferem deambular, sentar na cadeira de parto,
*N. do T.: Pequena cidade localizada a 1Oükm ao sul de Paris.

42 43
Resultados de 898 partos em Pithiviers, 1980 Em alguns lugares da Inglaterra, Europa, América do Norte e do
Sul, Austrália, Nova Zelândia e outros países, um número crescente
% por mil de mulheres, obstetras, obstetrizes e preparadores de gestantes está
* Mortalidade perinatal 8 10 ensinando e colocando em prática o Parto Ativo. Pequenos grupos
Cesarianas 44 5,0% estão brotando em diversos lugares difundindo suas mensagens de
Episiotomias 71 8,0% boca a boca. (Ver página 9 - Movimento pelo Parto Ativo). As mu-
Vácuo extrator 57 6,3% lheres que constituem tais grupos já tiveram a experiência de um
Extração manual de placenta 10 1,1% parto ativo sem medicamentos, episiotornias ou roturas. Preparam-se
Com cesariana anterior 26 2,9% para um parto ativo, tentam encontrar um preparador de gestantes
Partos vaginais nessas cesarianas 18 2,0% que as encorage nesse sentido e procuram médicos e obstetrizes,
** Transferência para UTI pediátrica 15 1,7% maternidades e funcionários preparados e que desejam assisti-las no
Fórceps o permanecerem ativas e assumirem posições verticais. Se você deseja
dar à luz ativamente será uma boa ajuda se conseguir manter contato
* Após 6 meses de gestação com um desses grupos de usuárias que se ajudam a dar à luz ativa e
** Icterícia severa, malformações e prematuros naturalmente. Caso isso não seja viável, procure convencer seu mé-
dico ou obstetriz, ou quem quer que seja, a tornar esse seu desejo
Michel Odent deixou a França em 1986 e atualmente vive em possível. O apoio do seu companheiro pode ser de grande valia. Se
Londres, onde continua seu trabalho, fazendo partos domiciliares. ele quiser se juntar a você durante a preparação para um Parto Ativo,
Existem agora muitas unidades similares à de Pithiviers e com resul- sua presença durante o parto pode contribuir grandemente para bons
tados que refletem o mesmo contraste extraordinário com os hospi- resultados.
tais onde a condução obstétrica ainda é rotina.
SUGESTÕES PARA O TRABALHO DE PARTO
A responsabilidade que lhe cabe
Durante o primeiro período do trabalho de parto, enquanto o colo
Se .a liberdade para se movimentar e assumir posições verticais está se dilatando, é melhor permanecer em pé e deambulando, ou ficar
faz sentido para você e você quer dar à luz ativamente, mas não tem .ajoelhada durante as contrações e descansar entre elas.
acesso a uma maternidade como Pithiviers, como lidar com essa si- Durante o período expulsivo, ficar em pé ou de joelhos com a parte
tuação? Você terá que tornar a possibilidade de um Parto Ativo sua superior do corpo dobrada para a frente durante as contrações ajuda a
própria responsabilidade; terá que preparar seu corpo para cultivar o completar a rotação da cabeça. No final do período expulsivo, a posição
alívio e bem-estar das posições verticais como também encontrar de cócoras sustentada parece ser a mais eficiente e agradável durante as
uma obstetriz, um médico ou obstetra (se deseja ter seu bebê em contrações expulsivas. A posição de cócoras, em particular cócoras sus-
casa ou no hospital) que concordará com sua decisão de dar à luz tentada, produz maior aumento da pressão na cavidade pélvica com um
ativamente sem as intervenções convencionais. mínimo esforço muscular e relaxamento ótimo.

44 45
Algumas mulheres preferem ter seu bebê ajoelhadas de quatro, parti-
cularmente quando o período expulsivo é muito curto. .. ~- /2. Seu Corpo na Grav/dez
Seria melhor conversar sobre essas idéias com sua parteira, seu médi-
co, ou com a obstetriz encarregada da enfermaria obstétrica, desde o
começo da gravidez, se possível. Enquanto estiver lendo este livro será
1
de grande valia separar os assuntos que são mais importantes para você
Os órgãos pélvicos
! !

de modo que vocês possam examiná-los juntos, e junte uma cópia das Seu útero está localizado bem no fundo da cavidade abdominal,
suas notas para tornar mais fácil a convivência com a obstetriz durante entre a bexiga (pela frente) e o reto (por trás). Esse conjunto forma
o parto. Quando o trabalho de parto começar, a presença de uma obstetriz
0 que costumamos chamar órgãos pélvicos. Sua cavidade abdominal
que seja entusiástica do Parto Ativo e natural e que já tenha tido experi- vai desde o diafragma, abaixo dos seus pulmões, até os músculos que
ências com posições verticais poderá ser de muita utilidade.
constituem o assoalho da sua pelve.

reto
'
i
útero
bexiga
osso púbico

vagina
coluna vertebral
Os órgãos pélvicos

assoalho pélvico

A cavidade abdominal
!
O útero não gravídico é um órgão muscular pequeno, oco,
piriforme (com a forma de uma pêra invertida), medindo aproxima-
damente 7,0 cm x 5,0 cm x 3,0 cm. Partindo de cada lado no topo do
Útero, ou fundo, saem dois canalículos, as tubas de Falópio ou trom-

46 47

..
= · y.t:~
pas, que terminam em projeções que se parecem com dedos, chama- A partir da vigésima semana o crescimento se interrompe e o
das fímbrias, que envolvem os dois ovários e vão captar o óvulo útero se expande basicamente porque as fibras são distendidas, no
maduro após a ovulação. A parte inferior, ou ósteo do útero, é co- crescimento do bebê. Bem no final da gestação, o segmento inferior
nhecida como cérvix ou colo, que se projeta dentro da vagina e vai do útero se distende vagarosamente. As paredes uterinas se tornam
se dilatar durante o trabalho de parto e pernútir a passagem da crian- mais delgadas e na segunda metade da gestação você pode sentir o
ça para o mundo. Durante a gravidez o colo permanece fechado e é corpo do bebê apenas colocando a mão na barriga. Seu útero se
selado com uma rolha de muco, o tampão. O colo mede de 3 a 4 cm torna mais oval e vai subindo no abdome à medida que a criança
de comprimento. cresce.
O útero é o principal órgão envolvido na gravidez e no parto. A À medida que o útero cresce sua posição varia. Com 12 semanas
fecundação ocorre em uma de suas trompas, implanta-se na cavida- 0
fundo do útero está praticamente no nível do estreito superior da
de uterina e, no momento oportuno, a criança é expelida através da pelve. Com 16 semanas, a parte superior atinge a metade do canú-
vagina para o mundo exterior. nho até o umbigo, que é atingido dentro de 2 ou 3 semanas. Com 36
O útero, durante as 40 semanas de gestação, cresce de tamanho semanas a parte mais alta do útero praticamente toca o diafragma, na
atingindo aproximadamente 30 cm x 23 cm x 23 cm. Seu peso vai de parte inferior do osso esterno. Durante as últimas semanas o ventre
100 gramas para 1.000 gramas no final da gestação e a quantidade de abaixa conforme o bebê se coloca em posição para nascer.
líquido que contém aumenta de 1/4 de colher de chá para quase um Seu útero é um órgão muscular com uma cavidade e consiste de
litró. uma rede de fibras e feixes musculares que se dispõem em todas as
direções: longitudinal, oblíqua e circular.
Durante a gravidez seu bebê se aloja dentro do útero conectado
com a placenta através do cordão umbilical; a placenta está aderida à

Os órgãos maternos

Durante as primeiras 16 semanas de gravidez, a expansão do úte-


ro acontece quase que inteiramente pelo crescimento dos seus pró-
12 semanas 20 semanas 40 semanas
11
prios tecidos respondendo ao estímulo hormonal. O útero assume
uma forma circular, as paredes se espessam e o bebê fica protegido, parede do seu útero e drena nutrição da corrente sangüínea para seu
como em um ninho, pelos ossos da pelve. Nessa época você vai co- filho e, simultaneamente, transfere os produtos de degradação para
meçar a sentir os movimentos de seu filho dentro do útero, que no você. Normalmente a placenta se implanta na porção superior e pos-
início serão difíceis de se perceber. terior do útero, porém podem ocorrer variações. O cordão umbilical

49
48
Na gestação a termo, no fmal da gravidez, a principal função do
é constituído de três vasos entrelaçados, duas veias que levam san-
útero é eliminar o seu conteúdo. Durante o trabalho de -parto, o úte-
gue oxigenado da placenta para o bebê e uma artéria que conduz 0
ro vai se contrair em intervalos regulares e gradualmente dilatar sua
sangue venoso de volta para a placenta.
base (colo) para permitir a passagem do bebê. Quando atingir a aber-
Seu bebê tem um sistema circulatório sangüíneo independente
tura total, o útero se contrai intensamente para expelir seu bebê e a
que irriga todo o organismo, atinge a placenta através do cordão
placenta, as membranas e todo seu conteúdo. (Placenta e membra-
umbilical e volta por ele mesmo. Depois do parto, quando seu filho
nas já fazem parte do "pós-parto".) Nas horas e semanas que se se-
estiver respirando independentemente, a placenta não é mais neces-
guem ao parto o útero continuará a se contrair ritmicamente, esti-
sária e vai se separar da parede do útero e sair através do colo. A
mulado pelos hormônios. A sucção do bebê no seio vai estimular a
placenta do seu bebê tem mais ou menos 1/3 do tamanho do seu
liberação desses hormônios que levam à contração. O útero vai len-
bebê e é envolta pelas membranas. Ela se parece com Um grande
tamente retornando à sua forma e tamanho originais e vai eliminar
pedaço de fígado. Se for examinado sobre uma superfície, podemos
todo o precioso sangue que o preenche, que foi usado para nutrir
ver que é urna rede de vasos, semelhante às raízes de urna árvore.
seu bebê. Ao fim da sexta semana pós-parto, seu útero vai estar como
Uma bolsa de membranas envolve seu bebê, a placenta e 0 cor-
era antes e terá completado sua missão.
dão e também contém aproximadamente um litro de líquido
amniótico (a água dentro da qual o bebê repousa). Essa "água" pro-
tege seu bebê de traumas ou infecções e é constantemente renovada
pelo seu organismo.

O bebê a termo do útero envolto


pelo líquido e pelas membranas,
com o cordão e a placenta

16

28 -t-+-.+--.L-
24 ---,H-4~4.
18-1H4-lo.L..L
16-t+Hf.,{....,c Os ossos pélvicos
14 --····· ·\f\-~+.,c:'\11/

disposição das fibras


/ A pelve é a parte do seu corpo mais diretamente envolvida com o
\ r
musculares uterinas
I parto. É o canal ósseo através do qual seu bebê passará para nascer.
Durante a gravidez seu corpo produz hormônios que vão "amole-
variação da altura
uterina cer" as articulações a fim de aumentar sua flexibilidade e cooperar
no parto do seu filho. Com a prática regular dos exercícios recomen-

51
50

·'

tê:
dados no próximo capítulo, você poderá atingir o máximo dessa flexi- / . ,.-::::::::::::-. \
bilidade natural e estar na melhor forma ffsica por ocasião do parto.
/
/i/ ~·"{'
.',
',.-~ ,·-:·\')
::
sacro / ' ::,
A pelve da mulher / ' :;;
f . ! );./_(
' ('.1 ,:-
\\ ~<-.:--·'
_e:» , 1

sínfise púbica
Sua pelve possui e ente um oco que forma um túnel
encurvado, talhado de modo a se acomodar à cabeça do bebê, quan-
do esta passar durante o trabalho de parto. Olhando a pelve de cima,
EXPERIMENTE FAZER O SEGUINTE:
você verá o estreito superior, onde o bebê vai se encaixar, pronto
a. Ajoelhe-se no chão e tateie sua pelve pela superfície do para nascer; e por baixo o estreito inferior, através do qual passará
corpo. Coloque suas mãos no quadril, localize as cristas ilíacas (as segundos antes de nascer.
duas protuberâncias nas laterais) e siga sua curvatura para trás com
os polegares. Perceba o sacro e ·o cóccix mais para baixo, e o osso O canal pélvico
estreito superior
púbico pela frente.
b. Sente-se sobre suas mãos e perceba seus dois ossos do bumbum.
c. Ajoelhe-se, e então levante um pé de modo que você fi-
que meio ajoelhada e meio de cócoras. Faça uma exploração da sua
sínfise púbica. Sinta sua curva que vai dos ossos da nádega até seu
osso púbico. A cabeça do seu bebê vai passar sob esse arco durante canal pélvico, com a ângulo de descida
o nascimento. estreito inferior forma de um túnel da cabeça do bebê

l -~\ j
-~- .

vista superior vista inferior


estreito superior e inferior

52
53
Sua pelve tem 4 articulações importantes fica de cócoras ou de joeihos, o sacro e o cóccix se levantam, deter-
minando a abertura e a expansão do estreito inferior. Dobrando-se
articulação sacroccígea { ; ~- , osso 11iaco 1
para trás ou recostando-se, temos o efeito de constrição do estreito
\ sacro inferior e o espaço se reduz em até 30%. Essa é uma das razões por
1
\ ) · ·que a pior posição para se dar à luz é a recumbente.
\~ !~ articulação sacroccígea
sínfise púbica 1 J

vista anterior vista lateral

articulação sacroilíaca ajoelhando-se de quatro (ali


articulção sacrococcígea
fours) o sacro se levanta e o
estreito inferior se alarga

cóccix

Ossos e articulações pélvicas


vista posterior

A sínfise púbica, na parte da frente, pode se abrir até 1 cm duran-


te o trabalho de parto para abrir caminho para a cabeça do bebê.
As duas articulações sacroilíacas encontram-se nas costas. Essas dobrando-se para trás o sacro
articula-se para dentro e diminui
articulações se expandem de um lado para o outro e também se o estreito inferior
movem como se girando em torno de um eixo* para aumentar a área
do canal pélvico e se adaptar à forma da cabeça do bebê que desce,
enquanto passa através dos ossos pélvicos. A articulação sacrococcígea fica entre o cóccix e o sacro. Essa
Q~ando você se dobra para a frente, o que ocorre quando você articulação se alarga durante a gravidez para que o cóccix se articule,
\ abrindo caminho para a passagem do bebê.
\ As articulações sacroilíacas As articulações pélvicas são mantidas juntas por ligamentos que
1
. 1
\ são como tiras de um fortíssimo elástico.
\ \
1
1
1 \
i Os ligamentos
\
\ /j pélvicos

vista posterior
*N.do T.: Pivot-like, no original. 55
54 .,~;·..
.
As fontes de força dessa parte do seu corpo são os músculos, que
estão inseridos nos ossos e determinam os movimentos das articula-
ções quando se contraem e relaxam. A musculatura pélvica inclui os
músculos das nádegas, dos quais provêm vigor e sustentação para a
coluna e para a metade superior do corpo, e é particularmente im-
portante durante a gravidez. Na base da sua pelve, inserido em torno
do estreito inferior, temos um feixe de músculos como um diafrag-
ma que forma o assoalho pélvico. Esses músculos contornam e for-
mam a base do ânus, da vagina e da uretra. Seguram todo o conteúdo Músculos que se ligam à bacia
_abdominal e seu bebê vai atravessá-los durante o parto.

Outros músculos que estão ligados à bacia são os músculos abdo-


minais, os das costas e os das pernas. Sua pelve sustenta e distribui o
peso da metade superior do seu corpo, e protege e mantém seu úte-
vista superior . ro e seu bebê.
vista
inferior
A correta flexão da bacia durante a gravidez é crucial para uma
boa postura e para carregar de forma segura o seu bebê, e ajudará a
O assoalho pélvico
assegurar um bom parto. Os exercícios para a gravidez baseiam-se
na pelve e incluem as grandes articulações do organismo.

Sua coluna vertebral durante a gravidez


O útero é um músculo potente, disposto como uma sacola, den-
tro do qual seu bebê vai se desenvolver. Está ligado aos ossos Sua coluna é constituída de uma pilha de vértebras ósseas que se
pélvicos por fortes liga estendem desde o cóccix ou cauda, na ponta, e inclui as vértebras
\
fundidas que formam o sacro (parede posterior da pelve), subindo
para a coluna vertebral, que começa com a primeira vértebra lombar
na porção inferior da coluna, e continua para cima até as vértebras
menores, que formam o pescoço e entre as vértebras existe um dis-
co esponjoso que atua absorvendo os choques e permite os movi-
mentos saudáveis da coluna.
A coluna tem uma curvatura natural e é capaz de uma ampla gama
O útero a termo - fortes liga- de movimentos. Uma coluna em perfeitas condições pode dobrar-se
mentos o ligam à bacia
para trás ou para a frente, contorcer-se ou pendular de um lado para
Í
56 57
o outro, ou pode combinar vários desses movimentos ao mesmo
fluidos orgânicos e sangue para garantir que a irrigação uterina e a
tempo. Sua coluna é a haste central do seu esqueleto, sustentando
lacentária sejam suficientes, assim como para o resto do seu organis-
seus órgãos internos, suas costelas, seus pulmões e sua cabeça. Abri-
~o. Seu coração vai trabalhar mais e sua respiração também vai se
ga sua medula e é a estrutura de sustentação do seu sistema nervoso
alterar. A fim de alimentar e manter bem seu bebê, todo seu corpo
autônomo. Controla os movimentos e mantém o peso do seu corpo
vai ser mais exigido do que o habitual.
balanceado. Sua coluna funciona o tempo todo, mesmo quando você
Com o progredir da gestação, o peso sobressalente que você car-
está dormindo.
rega pode complicar a prática de exercícios e treinamento da manei-
Durante a gestação sua coluna tem a função adicional de susten-
ra usual. Por isso mesmo, com o parto e a maternidade pela frente, é
tar seu útero em desenvolvimento e seu conteúdo. Conforme seu
importante manter-se ou melhorar sua forma de maneira correta.
bebê cresce, as curvas naturais da coluna vão se ajustar ao peso adi-
Exercícios não desgastantes e apropriados vão ajudá-la a manter seu
cional na parte anterior do seu corpo. Após o nascimento de seu
sistema cardiovascular em sua melhor forma e garantir que você res-
filho a coluna voltará à curvatura normal e terá que agüentar as inú-
' pire adequadamente e que o sangue que vai para o bebê seja bem
meras horas que você passará carregando o bebê.
oxigenado.
Uma coluna saudável deveria se adaptar facilmente às demandas
da gravidez e maternidade.

. Ç:? / \,
;?
\
r·~

j)
Não-grávida 'f f/
g 1
(. .f(11 ~
Grávida
i '\ A dinâmica da coluna se , ~
(
-(ti•~ altera segundo o aumento ~ f\))
/"?.~f/ do peso do útero ( q_$ (

No entanto, é freqüente não nos conscientizarmos de dese-


quihbrios latentes ou rigidez na coluna, e o esforço adicional da gra-
videz pode resultar em má postura e dor nas costas. A prática regular
dos exercícios apresentados no próximo capítulo ajudará a aliviar ou
diminuir suas dores lombares e a fortalecer sua coluna, além de aju-
dar a manter a flexibilidade.

Coração e pulmões
Durante a gestação há um aumento considerável do volume dos

58 59
de. Sem usar força ou sobrecarga de nenhum tipo, você pode apren-
3. bercíc10:; de 'foga der, com a ajuda da respiração, a retirar a tensão e a rigidez desneces-
sárias das articulações e músculos. Gradualmente, à medida que sua
postura melhora, você vai se sentir mais assentada e conectada com
na Gravidez a terra, e o corpo e a mente encontrarão equilibrio, unidade e estabi-
lidade. Como uma árvore que possui raízes bem fundadas na terra,
Durante os nove meses da gestação seu corpo terá que se acomo- um tronco estável e ramos que estão livres para balançar ao vento,
dar a grandes mudanças fisiológicas. Novas exigências surgirão nos seu corpo se tornará mais bem enraizado na base, onde contacta a
seus sistemas quando você respirar, digerir e excretar, não somente terra, permitindo leveza e liberdade na parte superior e um crescen-
para você mesma, mas também para o bebê que se desenvolve. te senso de calma e segurança interiores. Isso vai ajudá-la não so-
No irúcio da gravidez você terá que se adaptar às transformações mente durante a gravidez, mas se estenderá naturalmente para o tra-
hormonais, físicas e psicológicas, que são normais nessa época, e balho de parto, sem necessidade de aprender complicadas técnicas
pode precisar conviver com cansaço ou náuseas incômodas. Mais ou recordar mentalmente de algo.
tarde, na metade da gravidez, vai se sentir provavelmente mais con- Nos capítulos anteriores vimos como a fisiologia normal do pro-
fiante e desfrutar de uma sensação de vitalidade, saúde e bem-estar. cesso de parto pode ocorrer em melhores condições quando a posi-
Nessa época você vai querer se exercitar e usar seu corpo de uma ção do corpo está em harmonia com a gravidade. Cada vez que pra-
maneira que tire o máximo do seu potencial de transformação e que ticar os exercícios recomendados neste capítulo você estará aumen-
seja apropriada a gravidez. No final do embaraço, à medida que seu tando seu senso corporal instintivo, que continuará a ser seu guia
corpo se adapta ao peso que você carrega e que aumenta progressi- durante o trabalho de parto, tornando-a segura e confiante em seu
vamente, você poderá usufruir dos exercícios que protegem e forta- potencial e capacidade interiores.
lecem a coluna vertebral e exercitam o corpo inteiro sem sobrecar- Ficará mais fácil estar em contato com seus instintos primitivos e
gas. É o momento também de se preparar para o desafio das contra- se livrar do medo e .das tensões que podem inibir o processo
ções, parto e maternidade. involuntário do parto. Saberá como se concentrar e aceitar tanto a
A maior parte dos exercícios deste capítulo é derivada da hatha dor quanto a alteração do nível de consciência que ocorrem quando
yoga e são exercícios particularmente indicados para a gravidez. seu corpo se abre para dar à luz.
Poucos são adaptados da fisioterapia para fortalecer o corpo apro- A yoga pode ajudá-la a transpor os desafios e as transformações
priadamente e prevenir estresses. da gravidez e do parto desde o início, proporcionando maior per-
A yoga é um antigo sistema de exercícios originário da Índia e cepção de si mesma e maior consciência da presença do seu filho
atualmente é praticado em todo o mundo. É uma maneira de relaxar dentro do seu corpo. Você descobrirá, no silêncio da paz interior,
o corpo e também aquietar a mente e de encontrar seu equilibrio que é possível se comunicar com o bebê dentro do útero e tomar
interior. O mais importante é que a yoga, quando corretamente pra- consciência da forte ligação psíquica e emocional que existe entre
ticada, educa seu corpo a viver em harmonia com a força da gravida- vocês desde os primórdios da prenhez. A yoga é uma maneira de

61
60
··•:-
~· dade de respirá-la, desfazê-la e liberá-la. É uma maneira fundamen-
passar um tempo com seu eu mais profundo e de vivenciar a energia
:~ tal de se intencionar o relaxamento, apresentando uma capacidade e
única e criativa do universo. Ajudará você a se conscientizar do mila-
·: Ulll potencial de transformação incríveis em qualquer situação, mas
gre da criação que está ocorrendo dentro e através do seu corpo, de
é particularmente adequada à gravidez.
maneira que possa prover e receber seu bebê em um espírito de amor
Enquanto algumas posturas de yoga envolvem urna combinação
e comemoração.
. complexa de movimentos que atuam em diferentes partes do orga-
nismo simultaneamente, urna simples flexão do corpo para a frente
Como funciona a yoga?
nos ajudará a compreender como funciona o princípio mecânico
Falando de uma maneira prática, a yoga oferece um sistema de fundamental dos exercícios de yoga.
exercícios que vai ajudar a recobrar uma série natural de movimen- Soltar o corpo para a frente é um exercício posicional que propi-
tos perdidos que seu corpo foi capacitado para fazer, em harmonia cia relaxamento passivo dos músculos tendinosos na parte posterior
com a força da gravidade, e a manter a forma (ver Leituras Reco- das pernas, enquanto o corpo está posicionado para permitir a máxi-
mendadas). ma movimentação da articulação coxofemoral em relação à gravidade.
Em nossa sociedade tecnológica moderna, muitas de nós somos
vítimas de uma epidemia oculta de rigidez muscular que inibe o po- EXPERIMENTE FAZER O SEGUINTE:
tencial de movimentação das articulações e desequilibra a postura
Coloque-se em posição ereta, com os pés paralelos separados apro-
em um grau maior ou menor, e nossos corpos acabam lutando con-
ximadamente 20 cm um do outro. Deposite o peso do seu corpo sobre
tra a gravidade mais do que coexistindo em harmonia com ela. Isso
os calcanhares enquanto expira, até sentir os pés bem no chão. Agora,
resulta na combinação de desequihbrios estruturais, tais como om-
sem fletir os joelhos, dobre o tronco para a frente, articulando ao nível
bros tesos, protrusão da cabeça e do pescoço, acentuação das curva-
· da bacia, sem dobrar a coluna.
turas da coluna, pelve presa, rigidez das pernas etc., e as inevitáveis
Permaneça assim por alguns segundos, respirando profundamente, e
cefaléias, dores lombares e outros tipos de dores e algias que as acom-
depois levante o corpo lêntamente.
panham.
Esse estado calamitoso é conseqüência dos estresses e sobrecar- Com certeza você sentiu um sensação de estiramento nos mús-
gas da .vida moderna, estilos de vida sedentários, perda de contato culos posteriores da perna enquanto o exercício os fez alongar e
com a natureza, deficiência de hábitos posturais e atividade tisica, e __, ,> relaxar. Você pode estar se perguntando por que isso foi dolorido já
a introjeção das emoções que tão comumente acontece nos dias de 1que os músculos estavam relaxados. A resposta é que faz tanto tem-
hoje. Muitas de nós, mesmo sem estarmos conscientes disso aca- / po que você não fazia esse movimento por completo que os múscu-
' los tendinosos da parte posterior da perna haviam encurtado e per-
bam carregando uma carga de tensão desnecessária, na verdade
inserida em nossos músculos e articulações. Sem sabermos, isso li- dido sua elasticidade, limitando sua capacidade de flexão.
mita os potenciais fisicos e mentais e nos separa do nosso eu instin- A natureza planejou seu corpo de modo que fosse possível
tivo. A yoga chega às raízes da tensão no corpo e nos dá a possibili- dobrá-lo como um canivete, com o estômago e o peito encostando

63
62
nas coxas e as palmas da mão tocando o chão em frente a você. É .As vantagens dos exercícios
claro que no final da gravidez isso só será possível com as pernas
À medida que seus músculos se tornam mais elástic os e
separadas para abrir espaço para sua barriga! (ver página 95). Nessa
as articulações mais livres, há uma melhora do equilíbrio do tônus
posição seus pés estão firmemente assentados no chão e a gravidade
muscular que sustenta e movimenta seu corpo. Os músculos tra-
puxa seu tronco para baixo, sendo que a articulação coxofemoral
balham em grupos - enquanto um grupo relaxa e se estende, o
funciona como uma dobradiça. Sua coluna deveria fcar completa-
outro encurta e se contrai. Equilibrando-se os grupos de ação
mente passiva e relaxada enquanto a frente do corpo se contrai e os
antagônica, suas juntas se articulam melhor e a postura melhora
músculos tendinosos se alongam e se estendem.
automaticamente. Isso garante que você carregue seu bebê corre-
A respiração diafragmática, enquanto você permanecer nessa
tamente e ajudará a prevenir dores lombares.
posição, possibilita a eliminação da "dureza" que você sente até que
consiga realizar o exercício com maior facilidade. "Cheguei a conclusão de que as maneiras mais cor!fórtáveis para descansar,
Provavelmente você vai descobrir, à medida que experimentar assistir televisão ou para ler eram: sentar no chão na posifàO da borboleta ou ficar
outros exercícios, que esse estado de tensão crônica está por todo de joelhos com o tronco dobrado para frente e apoiado sobre almofadas. Essa
seu corpo em variados graus, afetando algumas partes mais do que última era muito boa, espeàalmente quando estava com dor nas costas. "
outras. A maneira mais afetiva de se tornar mais relaxada e elástica é • A boa respiração depende da boa postura. Quando a bacia e a co-
começar a fazer os movimentos negligentes planejados pela própria luna vertebral estão em bom equilíbrio e os ombros relaxados,
natureza. É simplesmente uma questão de despender algum tempo seu tórax pode se expandir facilmente, não dificultando a respi-
por dia para praticá-los. Gradualmente os músculos rígidos vão se ração. Isso garante uma boa oxigenação sangüínea durante a ges-
alongar e recuperar a elasticidade, e as articulações se tornarão mais tação, tanto para você como para o bebê.
livres conforme a tensão for liberada. • À medida que for se familiarizando com os exercícios,
O programa de exercícios baseados na yoga, apresentado a se- você encontrará movimentos que vão aliviar os pequenos des-
guir, vai cultivar o relaxamento e a flexibilidade de uma maneira se- confortos da gravidez, tais como: asia, dor nas cadeiras ou nas
gura, passiva e sem sobrecargas, que contará com a ajuda da força da costelas, cãibras nas pernas ou cefaléias.
gravidade e do seu potencial natural para esses movimentos. A ges- • Sua circulação depende dos seus músculos. Os vasos sangüíneos
tação é uma oportunidade única e maravilhosa para se livrar das ten- percorrem seus músculos, que funcionam como bombas e tra-
sões habituais e permitir que seu corpo se torne mais flexível e rela- zem o sangue desde os pés de volta para o coração. Quando um
xado. músculo está tenso, o vaso sangüíneo que o atravessa fica aperta-
do e a circulação (e certamente, de maneira indireta, a circulação
'Nunca tinha me exercitado antes e achei algumas posições bem difíceis no
para seu bebê no útero) ficará reduzida. Os exercícios ajudam a
começo; mas, aos poucos, com a prática, tirei as ferrugens. Concentrei-me princi-
assegurar que o bebê esteja recebendo tudo que precisa para cres-
palmente em seis ou sete exercícios, que praticava todos os dias. "
cer forte e sadio. Os problemas decorrentes de uma circulação
deficitária - varizes, hemorróidas, ou retenção de líquidos (edema)

64 65
~~·.·
J

.
.
- serão prevenidos ou melhorados. A yoga tende a diminuir a uma situação como essa; assim, quando as contrações chegarem,
l
pressão arterial e freqüentemente pode ajudar a prevenir proble- você estará habituada com esse tipo de esforço. A yoga ensina a
mas associados com elevação da pressão (ver Capítulo 11). se deixar conduzir pelas forças corporais interiores. Essa é a me-
• A yoga ajuda a combater a fadiga. Se os músculos estão lhor maneira possível de se exercitar para o trabalho de parto e a
rígidos e os movimentos são limitados, o fluxo de energia fica /l~:·~· -
ajudará a lidar com a intensidade das sensações que emanarem do
bloqueado. Após uma sessão de exercícios você vai se sentir revi- ··~· seu útero contrátil.
gorada, reabastecida e mais disposta. Com o tempo isso vai au- ~:
_;,,,':·; ''Exercitando-me aprendi como estar jisica e emocionalmente em harmonia
mentar ainda mais e a gravidez pode ser um período durante o ,~-:-'. -

·~~{ t:tJfll as mudanças que levariam inevitavelmente ao nastimento do meu filho. Os


qual você se sentirá mais saúdavel e energética do que nunca.
_:;;,_~-~ 111SÍnamentos aprendidos me capacitaram a alcançar uma harmonia com meu
• As posições mais confortáveis durante a gravidez serão natural-
i;~:-- ~, mesmo quando as dores eram um fardo. Estava preparada fisica e intelec-
mente assumidas durante o trabalho de parto. Portanto, sem pre-
;;~X bltJ/mente para qualquer coisa que pudesse me acontecer e aguardei os aconteci-
cisar pensar muito sobre o assunto, você terá cultivado calma e
.}:· 111entos finais com excitação e coefianfa em mim mesma. "
bem-estar nas posições naturais de parto usadas por milhares de
mulheres durante séculos. Estará capacitada a se movimentar li- ~~{: · • Independente do que venha a acontecer durante o trabalho de
vre e instintivamente como uma mulher primitiva fazia - seu cor- ~~:::;, parto e o nascimento, mesmo se houver complicações, a práti-
po saberá o que fazer. A yoga a ajudará a estar mais profunda-
~; ;.:,:g;.!::::e,::;;:;:::,:;:~:~::·;::~;:d::
mente em contato com seu eu interior. Será mais fácil agir
involuntariamente e deixar-se levar pelas poderosas forças cor-
porais interiores durante o trabalho de parto.
''Quando as contrações ficaram muito fortes, qjoelhei-me na cama onde esta-
va e me debruçei sobre uma almofada grande e firme - pareceu-me ser uma
í exercíd~s Os
·:4k .INTRODUÇAO
·,"'..":.

posição natural a ser adotada pois eu a praticara diversas vezes no final da -'',>,, Escolha um período do· dia em que você possa ter uma hora só
gestação. " ,'.~; .~ você - logo no início da manhã ou antes de dormir. É melhor
';4 yoga capaátou-me a relaxar o máximo que podia entre as contrações, a _;/ não comer demais antes do período escolhido.
ficar de cócoras e a dar à luz em uma posição onde pude deixar acontecer." ...~-/ ~ Serão necessários um espaço acarpetado com uma parede livre,
~~s almofadas e uma banquetinha ou uma pilha de livros grandes.
• À medida que a rigidez diminui, você estará ajudando seu corpo
'}~· , Os exercícios estão dispostos em oito seqüências que incluem
a se tornar livre da dor. Você aprenderá a conviver com os des-
·- ~~exercícios básicos a serem praticados diariamente (estão marca-
confortos e até mesmo com a dor que ultrapassar seus limites
'.~[;:'..dos com uma "k e são chamados "Básicos" de I a VI). O programa
normais. Se seu trabalho de parto e seu parto ultrapassarem seus
-'.~ttodo leva cerca de uma hora e meia para ser completado, mas você
limites normais, o fato de você ter exercitado seu corpo a fazer
;·?~ P<>de fazer seu próprio programa, concentrando-se nos exercícios
isso fisicamente durante a gravidez prepara-a gradualmente para
jbisicos eacrescentando outros, de ac°'do com ap'<foência ou n::
66
cessidade.
TENHA CAUTELA!
Para melhores resultados durante a gravidez, inicie os exercícios
o mais cedo possível - logo depois da décima segunda semana, a Qualquer pessoa pode se beneficiar da yoga, mesmo que nunca a
menos que seu médico autorize começar ainda mais cedo. No entan- tenha feito antes. No entanto, se você sofrer de dor lombar crônica
to, nunca é tarde para poder aproveitar. ou tiver uma gravidez mais complicada, por exemplo com antece-
Inicie de uma maneira tranqüila, permanecendo nas posições ape- dente de abortamento ou cerclagem* discuta o assunto com seu mé-
nas enquanto não houver desconforto; aumente gradualmente a du- dico antes e siga com cuidado as recomendações sobre precaução.
ração, à medida que você se acostumar aos movimentos. Comece A Osteopatia** é um complemento ideal para esse tipo de exer-
com poucos exercícios e vá aumentando gradativamente até ser ca- cícios e é aconselhável consultar um osteopata especializado em ges-
paz de fazer o programa por inteiro. A ·primeira coisa que você vai tantes se você tem algum problema nas costas, dores nas articula-
perceber no início é sua própria rigidez; então, passe duas ou três ções sacroiliacas, cefaléias tensionais, sinusite ou uma dor articular
semanas travando conhecimento com os exercícios. À medida que qualquer.
você se soltar, os movimentos vão se tornar mais agradáveis. A prática desses exercícios vai ajudar a diminuir a ocorrência de
Provavelmente você vai concluir que alguns dos movimentos cãibras nas panturrilhas (barriga das pernas), dor lombar, varizes,
podem ser adaptados às suas atividades diárias, podendo ser pratica- hemorróidas, pressão alta, sonolência, cansaço, náuseas e outras per-
dos diante da televisão, lendo ou conversando com amigos, mas que turbações comuns da gravidez, mas leia as instruções cuidadosamente
outros necessitam de mais concentração. Nenhum dos exercícios é antes de começar cada exercício.
prejudicial à gravidez, e quando estiver habituada, poderá com segu- Algumas mulheres acham desconfortável deitar-se de costas du-
rança permancer períodos cada vez maiores em cada posição. Se al- rante a gravidez, particularmente no final. Isso ocorre devido ao
gum exercício for desconfortável após tê-lo realizado, deixe-o de peso do útero que comprime os grandes vasos abdominais, levando
lado e atenha-se aos outros. a uma diminuição da circulação que pode causar tontura. Se isso
Primeiramente você vai descobrir que, se fizer da maneira reco- acontecer alguma vez com você, fique de lado, depois ajoelhe-se de
mendada, o movimento pode ser realizado até certo ponto e que, a quatro no chão e não faça mais os exercícios que necessitarem do
partir daí, você vai sentir que não dá mais para avançar. Em cada decúbito dorsal. No entanto, para muitas de nós isso não é problema
posição-atinja esse ponto e permaneça nele, respirando profunda- e deitar-se de costas por um período curto, tendo os joelhos dobra-
mente, até que a sensação de tensão passe. Gradualmente sua ampli- dos ou as pernas levantadas, é muito relaxante.
tude de movimentos vai aumentar e seu corpo vai se tornar mais Da mesma maneira, algumas mulheres acham que as posições em
flexível e relaxado. pé ou dobrada para a frente não devem ser mantidas por muito tem-
po, enquanto outras gostam de permanecer nessas posições durante
"Os exercíáos que fiz durante a gravidez foram de inestimável valor e aca-
minutos. Deixe seu corpo ser sempre seu próprio guia e descanse
baram trazendo uma ajuda tanto para oparto como para a recuperafàO. Senti-me
quando achar que está começando a forçar.
mais segura e no controle do meu corpo e, mrevendo agora, percebo o quanto eles
foram importantes para retornar à forma. " *N.do T.: Uma "amarração" cirúrgica do colo do útero gravídico realizada quando o colo
começa a se abrir bem antes do tempo desejado (Incompetência Istmo-Cervical).
**N. do 1'.: Ciência de manipulação sutil da coluna e da cabeça.
68 69
CONSELHOS ÚTEIS Sinta o modo como os ossos das nádegas entram em contato
cotn 0 chão. A cada expiração, procure soltar sua pelve mais para
• É tão importante para o seu bem-estar e para o bem-estar do bebê baixo, no sentido da gravidade, relaxando e deixando que seus joe-
que você compareça regularmente às consultas de pré-natal com seu lhos, bacia e pernas fiquem pesados no chão. Solte o sacro para bai-
médico, obstetriz, clínica ou hospital, quanto realizar os exercícios. xo de modo que toda a parte inferior do seu corpo esteja bem "as-
• Durante a gravidez use sapatos sem salto e utilize uma banquetinha sentada"* e suas costas, relaxadas. Tome consciência de sua coluna
ou pilha de livros para ficar de cócoras, ou sente-se no chão com as vertebral, firmemente sustentada desde o cóccix até em cima, pas-
pernas cruzadas em vez de usar cadeiras, sempre que possível. sando pela região lombar, por entre os ombros e subindo até o pes-
E uma ótima idéia conviver com uma amiga grávida, ou talvez um coço.
grupinho, e se exercitarem juntas, já que alguns dos exercícios preci- Relaxe toda vez que colocar o ar para fora, libere qualquer tensão
sam de auxílio. São também indicados para os homens, no caso de o dos olhos, mandfüula, pescoço e ombros, ventre e períneo. Coloque
seu companheiro querer participar. a palmá das mãos suavemente no baixo ventre, logo acima da sínfise
• Pode ser muito agradável tomar uma ducha quente ou banho de ba- púbica.
nheira após as sessões de alongamento, ou até mesmo nadar.
2. .RESPIRAÇÃO (BÁSICO 1) U
Seqüência de exercícios I
Na posição sentada com as pernas cruzadas, prestando atenção
CONCENTRAÇÃO ainda na respiração, dispense atenção especial à expiração. Normal-
mente inspiramos e expiramos através das narinas mas, por uns mo-
1. 0 SENTAR BÁSICO
mentos, permita-se expirar bem lentamente através da boca. Após
toda a saída do ar, dê uma pausa por alguns momentos. Então inspi-
(A.té você se habituar ao exercício, seria muito bom se alguém pudesse ler as
instruções em voz alta, pausadamente.) re através do nariz par~ suavemente preencher o espaço criado pela
expiração.
Sente-se encostada em uma parede. Continue respirando assim por alguns momentos, procurando
Çoh:>que um pé na frente do seu corpo e depois com o outro, deixar o corpo completamente relaxado. Deixe a respiração simples-
confortavelmente virado para o primeiro, ou pode ficar com as per- mente fluir no seu próprio ritmo. O tempo da expiração deve ter
nas cruzadas. Certifique-se de que o sacro esteja encostando na pa- aproximadamente duas vezes o tempo de duração da inspiração.
rede.
Continuando a respirar profundamente, com o ar entrando pelas
Agora feche os olhos e relaxe a porção posterior do pescoço e narinas e sainda pela boca, dirija sua atenção para o baixo ventre.
ombros, deixando o queixo cair um pouco em direção ao tórax. Veja se você pode sentir o suave movimento do seu ventre com as
Concentre-se na respiração. Sem alterar o ritmo respiratório normal, respirações. Conforme você expira, a pressão no ventre diminui e se
simplesmente observe a respiração por alguns momentos.· Preste aten- afasta das suas mãos, aproximando-se da coluna. Pausa. Depois, con-
ção especial nas expirações.
*N. do T.: "Grounded", no original.

71
70
forme o ar entrar, a pressão no abdome aumenta e seu ventre deve se
aproximar das mãos.
Continue respirando dessa maneira, percebendo o ventre se afas-
tando das suas mãos em cada expiração e se aproximando suave-
mente durante as inspirações.
O resto do corpo deve permanecer relaxado e ainda com muito
pouca movimentação no tórax e nos ombros.
Q uando você respira profundamente, utiliza principalmente o
músculo diafragma que se move para cima com a expiração e para
baixo com a inspiração, criando uma pressão flutuante no ventre.
Quando estamos relaxados naturalmente fazemos a respiração ab-
dominal. No entanto, quando ficamos tensos ou ansiosos, nossa res-
piração geralmente aumenta de freqüência e se torna superficial, com
grande parte do movimento acontecendo no tórax, mais do que no
abdome, e a ênfase acontece mais na inspiração do que na expiração
(ver Capítulo 4, página 120).
Muitas de nós, sem ter consciência, utilizam mais a respiração
torácica do que a abdominal. Se for esse o caso, mantenha a atenção
na expiração e tente exagerar o movimento do ventre um pouco, na
verdade afastando os músculos abdominais das suas mãos enquanto
solta o ar, depois solte-os em direção às mãos quando inspirar. Com
um pouco de prática, ·esse movimento deve se tornar automático e
muito natural quando respirar profundamente.
Fazer ruídos ou emitir sons na respiração ajudará a prolongar e
ap rofundar sua expiração. Após certo tempo, a respiração
diafragmática não exigirá esforços e poderá ser usada quando você
praticar seus exercícios, ou durante as contrações do trabalho de
Seqüência de exercícios I: O sentar básico parto. Quando as contrações se intensificarem, soltar um som junto
com a expiração ajudará a aliviar a dor.
Experimente praticar suas respirações profundas com seu com-
panheiro. Ele pode ajudar sentando-se ao seu lado e colocando urna
mão no seu baixo ventre e a outra repousando suavemente na região
lombar. À medida que você expirar, uma suave pressão de suas mãos
72 73
Desde o início da gestação, e particularmente nos últimos meses,
na frente pode fazer você se lembrar de "esvaziar" seu ventre. Con-
·. seu bebê pode ouvir o som da sua voz e outros sons do mundo
forme inspirar, dirija o ar em direção às suas mãos.
exterior, como música ou vozes de outras pessoas da famlia. O bebê
Emita alguns sons durante a expiração. Começe com o som "uuu"
de ser sensível aos seus pensamentos, sonhos e sensações, como
(como o uivo de um lobo). Sinta o som vindo lá da parte inferior da Po .
também ao seu toque, quando você mexe ou massageia o ventre to-
pelve e continue até o fim da expiração. Dê um tempo e deixe o ar
dos os dias, permita-se tomar consciência da habilidade que você
entrar como vinha fazendo. Repita o som "uuu".
tem de se comunicar com seu bebê, e permaneçam mais alguns mo-
Então tente o som "oohh" (como em só), sentindo o "oohh"
mentos juntos, em silêncio, antes de lentamente abrir os olhos.
vindo do abdome e repita duas vezes.
Agora você está preparada para iniciar o programa de exercícios.
Agora tente o som "aah" (como em vá), vindo do coração ou
.,,
tórax.
Encerre fazendo uma expiração forçada.
Seqüência de exercícios II
Agora coloque as palmas das suas mãos sobre os joelhos e, com RELAXAMENTO PÉLVICO
os olhos fechados, mantenha a atenção na sua respiração, retornando
a respirar (inspiração e expiração) pelo nariz. J. POSTURA DA BORBOLETA (BÁSICO II) U
Emitir sons quando se solta o ar ajuda a prolongar e aprofundar a
expiração e também ajuda a superar inibições sobre fazer sons du- Sente-se encostada em uma parede, com a parte inferior da colu-
rante o trabalho de parto e durante o parto. na tocando a parede.
Dobre seus joelhos e coloque as plantas dos pés uma contra a

~t~
3. MEDITAÇÃO E CONSCIÊNCIA DO BEBÊ
outra, com a borda lateral tocando o chão e as plantas se abrindo
como as páginas de um livro.
~. ,
Segure seus pés por um momento com as mãos e espreguice-se

1
Sente-se tranqüilamente por alguns momentos; sua atenção
dirigida para o ritmo das respirações conduzirá você cada vez mais estirando sua coluna, Agora solte seus pés e relaxe os joelhos,
para perto do seu eu interior. Ocorrendo pensamentos ou distra- ':>:~±,;~- aproximando-os do chão.
ções, simplesmente tome conhecimento deles e depois traga sua
Sr Respire profunda e confortavelmente. Sinta como seus ossos de
concentração de volta à respiração. baixo entram em contato com o chão a cada expiração e solte sua
Dirija sua atenção para a presença do seu bebê, aninhado dentro região lombar e pélvica para baixo, em direção ao centro da Terra.
de você. Tente imaginar o que deve significar para seu filho estar Com a inspiração, sinta sua coluna se tornar maior e mais leve, não
dentro do seu útero. Imagine a sensação do líquido amniótico na . se esquecendo de manter os ombros, a cabeça e o pescoço relaxados
pele dele. Imagine os sons que ele pode ouvir - seu coração batendo e a pelve assentada.
noite e dia, os alimentos fluindo pelo sistema digestivo, o ar ressoan- Sinta o quadril relaxar, se soltar, com as tensões se dissipando em
do nos seus pulmões e o sangue pulsando através da placenta e do direção ao chão, permitindo que sua pelve esteja mais e mais assen-
il cordão umbilical. tada, enquanto a metade superior do corpo fica mais leve. Permane-

~
11:

li 75
11 74
1
11
ça assim por alguns momentos, soltando-se e relaxando dentro da Conhecida como "a postura da mulher", diz-se que sua prauca
postura através das respirações. ar promove a saúde ginecológica e o bom funcionamento dos
regul
órgãos pélvicos.

Postura da borboleta avançada

2. .RELAXAMENTO DO TORNOZELO (SEM ILUSTRAÇÃO)

Partindo da postura da borboleta, estique suas pernas para a fren-


te e alongue o calcanhar. Perceba o estiramento na parte posterior
Seqüência de exercícios II n.1: Postura de borboleta
da perna e a seguir levante os dedos dos pés. Repita vinte vezes,
Postura avançada alternando calcanhar e os dedos dos pés, encostando a parte poste-
Com as pernas encostando no chão, segure os pés e, sem dobrar rior do joelho no chão. Separe as pernas um pouco e gire os torno-
a coluna, flexione o tronco para a frente, mantendo sua pelve bem zelos, fazendo círculos, primeiro para dentro e depois para fora. Faça
assentada. Continue somente até quando puder manter sua coluna 20 vezes em cada direção.
sem dobrar. Se for tranqüilo realizar esse movimento, coloque as Esses exercícios lib~ram o tornozelo e melhoram os movimentos
palmas de suas mãos no chão à sua frente e siga para a frente o tanto das articulações.
que seu ventre confortavelmente permitir.
3. jOELHO DOBRADO

Beneficios
Agora dobre o joelho direito e coloque seu pé direito na coxa
Esse exercício relaxa tensões no quadril, virilha, joelhos e torno- esquerda, trazendo-o o mais perto possível da virilha, sem forçar,
zelos, e ajuda a alargar a pelve e corrigir a postura. Relaxa 0 assoalho
sem desconforto.
pélvico e melhora a circulação em toda essa região. Deve ser prati- Estique sua perna esquerda para a frente e flexione o pé, sentin-
cado todos os dias e pode ser usado por curtos períodos, como do a parte posterior da perna encostar no chão. Coloque a mão di-
uma opção para se sentar.
reita sobre o joelho direito e respire profundamente, soltando-se em

76 77
direção ao chão a cada expiração, percebendo os ossos que entram
em contato com o chão. Mantenha a posição por alguns momentos
e . a .seguir repita o exercício com a outra perna, estirando a perna
direita e dobrando a esquerda. Mantenha a posição por alguns ins-
tantes.

Seqüência de exercícios II,


n. 3: Joelho dobrado
Seqüência de exercçios II n.4: Pernas abertas

Postura avançada
Se você conseguir, dobre o corpo lentamente para a frente, tendo
como base a articulação coxofemoral, e mantenha sua coluna abso-
lutamente ereta, pelve assentada, pescoço e ombros relaxados. Con-
Depois solte a perna esquerda, dobre os joelhos e coloque um pé
tinue somente até quando não precisar forçar, sem dobrar as costas,
c~n~a .º ou~~ na posição da borboleta. Esse exercício vai ajudar a com as palmas das mãos ou mesmo os cotovelos (ou segure nos
diminmr a ngidez dos joelhos, quadril e bacia.
tornozelos) apoiados no chão.
Termine dobrando os joelhos e retornando à posição da borboleta.
4. P ERNAS ABERTAS

Certifique-se de que a região lombar ainda está em contato com a Beneficios


Esse exercício alarga a pelve, relaxando a tensão nos músculos
parede e abra as pernas o máximo que puder. Primeiramente deixe
tendinosos da porção posterior da perna. Relaxa os músculos períneos
suas pernas ficarem pesadas e relaxadas e respire fundo, direcionando
e assenta a metade inferior e o relaxamento da coluna, pescoço e
sua pelve para baixo, conforme expirar.
ombros . Também aumenta a mobilidade das articulações
Sentindo o peso das coxas no chão, flexione os pés para cima e
lentamente estenda seus calcanhares de modo que a parte de trás coxo femorais.
dos Joelhos se aproxime do chão.
Sentada com as pernas
Trabalhe com a respiração, expirando no sentido da gravidade e abertas - postura avançada
assentando a pelve e a parte posterior das pernas. Deixe que sua
coluna e parte superior do corpo cresçam e se aliviem com a inspira-
ção, mantendo o pescoço e os ombros relaxados.

78 79
5. E XER CÍ CIO CONJUNTO . de exercícios III
seqííêncJa
Sente-se na posição da borboleta, com sua colega atrás d pos1çõES AJOELHADAS
e Você
(ou seu companheiro), e deixe-a sustentar sua coluna apoi d
, ·- an o as M os JOE LHOS BEM SEPARADOS (BÁSI CO III) {;:?
plantas dos pes na regiao lombar ou, outra possibilidade um , . J. AJOELHADA co
' pe aci-
ma do outro na extensão da coluna. Isso vai evitar que sua p l a pelve descansando sobre os calcanhares, com os
. . , e ve se A).oelhe-se com .
rncline para tras e que sua coluna "se desmorone"! a. - · eparado possível e os dedos de um pe apontando em
joelhos o mais s
direção aos do outro. . ·-
atenção· na respiração expire e solte sua regiao lom-
Concentre sua '
aixo pesando em direção aos seus pés, de modo que sua
bar para b ,
pelve afunde sobre os calcanhares.

Seqüência de exercícios II, n.5: Postura de borboleta acompanhada


a b
Permaneça assim por algum tempo e depois sente-se com as per- Seqüência de exercícios III, n. l: ajoelhada com os joelhos bem separados
nas separadas, alternando como preferir. (1•er pá_~ina seg11i11te)

____..____
80 81
b. Mantendo a coluna, o pescoço e os ombros relaxados, a pelve assen- Respire profundamente e permaneça nessa posição por alguns instantes.
tada e a coluna ereta, mova-se para a frente articulando a coxofem oral Você vai perceber o estiramento na virilha. Direcione o ar inspirado
e coloque as palmas das mãos no chão, à sua frente. ara essa região e libere a rigidez e a tensão a cada expiração.
Mantenha sua atenção no relaxamento da região lombar e afunde 0
d. ie "c" foi possível, então estire-se ainda mais, mantendo a pelv~ bem
peso do corpo sobre o quadril. assentada sobre os calcanhares, a testa no chão e os braços esticados
c. Com a pelve sobre os calcanhares, abaixe-se até os cotovelos encos- para a frente. Permaneça assim por algum tempo, r~spirando profun-
tarem no chão, mantendo a coluna absolutamente reta. Se encontrar damente , e depois retorne à posição de partida, lentamente.
dificuldade siga somente até o passo "b".
2. EXERCÍCIO CONJUNTO
Seu companheiro(a) pode ajudar colocando uma mão sobre o
sacro e apoiando suavemente o peso do corpo para baixo para an-
corar sua pelve.

Benefícios
Esse exercício abre e relaxa a pelve e fortalece todos os órgãos
pélvicos, como também o assoalho pélvico. Libera tensões na por-
ção interior das coxas e das virilhas, e melhora a circulação do
útero e da região pélvica.

Seqüência de exercícios III,


n.2: Exercício conjunto

Também relaxa a região lombar, sendo particularmente confor-


tável no final da gravidez, tirando o peso extra de cima da coluna.
Aumenta a flexibilidade dos joelhos e pode ser usado durante o
d
trabalho de parto.

82 83
J. ROTAÇÃO DA COLUNA Beneficios
A rotação estimula a lubrificação das articulações vertebrais e fa-
Colocando os joelhos e tornozelos juntos, sente-se sobre os cal- vorece a flexibilidade e o fortalecimento da coluna. Melhora a irri-
canhares. Deposite o peso da região lombar sobre eles a cad a gação e nutrição da medula espinhal. Também libera tensões nos
expiração. rnúsculos oblíquos do tronco e assegura a tonificação dos ligamen-
Começando no quadril, gire sua coluna suavemente para o lado tos que sustentam o útero.
direito enquanto for soltando o ar. Direcione sua mão esquerda para
a coxa direita e deposite-a, sobre ela, enquanto realiza o giro. 4. LEVANTAMENTO PÉL VIGO

Sem se dobrar para trás, permaneça com o corpo ereto e conti-


Comece sentando sobre os calcanhares, com os joelhos e os tor-
nue a rotação da coluna, direcionando os olhos para o ombro direito
nozelos juntos. Aproxime o queixo do tórax e leve o corpo para trás,
para incluir as vértebras do pescoço. Relaxe os olhos.
apoiando-se nas mãos. Mantendo a cabeça firme e os joelhos juntos,
Permaneça assim por algum tempo, respirando profundamente e
inspire e arremeta o sacro para dentro do corpo, levantando sua pelve
direcionando o cóccix para baixo; depois, retorne ao "centro" por
para a frente de modo que você possa sentir o alongamento da mus-
alguns instantes e repita o movimento para o outro lado.
culatura anterior da coxa. Mantenha a posição por alguns segundos
Retorne ao centro.
e depois relaxe com a expiração, trazendo a pelve novamente sobre
os calcanhares.
Repita quatro ou cinco vezes, trabalhando com a respiração.

Seqüência de exercícios III, n.4:


Levantamento pélvico

Seqüência de exercícios III, n.3: Rotação da coluna


85
Benefícios a frente e para trás - expirando na direção dos calcanhares e ins-
Esse exercício fortalece sua região lombar e alonga os músculos pirando quando o peso do corpo vier sobre as mãos.
anteriores da coxa. Pode reduzir ou prevenir dor lombar ou dor nas b. Tente essa rotação de quadril ainda ajoelhada, mas com o tronco
articulações sacroiliacas. levantado.
c. Agora experimente, meio ajoelhada e meio acocorada, trazer um
5. BÁSCULA DA BACIA AJOELHADA joelho para cima e balance para a frente e para trás conforme
respirar.
Fique de quatro, com as mãos e os joelhos separados, tendo como
distância de separação aproximadamente 30 centímetros.
Contraia os músculos das nádegas, direcione o cóccix para os
calcanhares, afundando sua pelve por baixo, arqueando as costas como
um gato, e retorne suavemente à posição original. Repita várias ve-
zes.
Isso vai fortalecer a região lombar e aliviar a dor nessa região.

Seqüência de exercícios III, n.5: Báscula da bacia ajoelhada

6. MOVIMENTOS PARA O TRABALHO DE PARTO

a. Ainda de quatro, tente girar o quadril em grandes círculos,


respirando profundamente e concentrando-se na expiração. Sol-
te o ar deixando-se levar, continue por alguns momentos e então b e d
mude a rotação para o outro sentido. Tente balançar o corpo para Seqüência de exercícios III, n.6: Movimentos para o trabalho de parto

87
86
1/

d. Levante-se, disponha os pés mais ou menos na mesma dista' · enquanto expira sinta o peso se depositando sobre os calcanhares
. naa
que existe entre os ombros, mãos na cintura e joelhos levemente de modo que cada expiração (como as raízes de uma árvore indo
dobrados.
para baixo) conecte você com a gravidade e faça com que esteja
Tente balançar a pelve em ambas as direções alternadament cada vez mais "aterrada". Levante a parte interna dos pés de modo
. ~
co~centre-se na exptração e deixe-se levar. Faça a pelve rodar como que o peso esteja sustentado pelos calcanhares, pela borda lateral
a c~tura de uma bailarina, mantendo a metade superior do corpo dos pés e pelos artelhos.
relattvamente imóvel.
Agora, com o pé firmemente "aterrado", relaxe e solte os joelhos
Esse é um bom movimento para se fazer durante o trabalho de e direcione o sacro e o cóccix em direção aos calcanhares de modo
parto.
que a pelve bascule por baixo suavemente para sustentar a parte su-
perior do corpo. Relaxe e solte os ombros e o pescoço, e certifique-se
Seqüência de exercícios IV de que a cabeça está centrada igualmente no topo das vértebras do
pescoço.
POSIÇÕES ERETAS Essa é a posição ereta básica e traz as bases para uma boa postura
enquanto estiver grávida. Assegure-se de que seus pés estão parale-
J. POSIÇÃO ERETA BÁSICA
los, calcanhares bem pesados e o cóccix direcionado para os calca-
Fique em pé, com os pés separados aproximadamente 30 centí- nhares quando estiver em pé ou caminhando: assim você só vai ter
metros. Gire um pouco os calcanhares, de modo que as bordas late- lucros.
rais dos pés fiquem paralelas. Aviso: Algumas mulheres sentem-se estonteadas quando ficam em pé du-
rante a gravídev mesmo que s11ja por intervalos curtos. Se esse for o seu caso,
deixe essa seqiiênàa de lado ou faça-a bem suavemente, mantendo cada posição
somente por intervalos c11rtos e descansando entre os exercícios, ficando qjoelhada
de quatro.

2. ÀQUECI.MENTO
Antes de começar essas posições, permaneça na posição ereta
Següência de exercícios IV, n.1: Posição dos pés básica e experimente rodar a cabeça como se fosse uma bola gran-
Posição errada dos pés
de e pesada, para liberar as tensões do pescoço.
A seguir pressione o hálux no chão e esparrame os pés, estirando Respire pausada e tranqüilamente, movimentando somente a ca-
e separando os dedos dos pés. Perceba o modo como a planta do pé beça e o pescoço, para perfazer um círculo completo e relaxe a man-
entra em contato com o chão e distribua o peso igualmente nas duas díbula.
pernas. Faça várias voltas em um sentido e depois gire na outra direção.
Respire igualmente, inspirando e expirando através das narinas e Retorne ao centro.
'
88
89
cab eça e 0 pescoço caiam pesadamente. ·
Permaneça com 0 corpo dobrado para a frente por . mais uma
e. mspiraçao
. . - seguida de uma longa expiração, depositando o peso
sobre os calcanhares; preste atenção no alongamento da parte de
trás das pernas.
f. Inspire e comece a se levantar sem pressa nenhuma, "desenrolan-
do" sua coluna de baixo para cima.
g. L evante os braços como se você estivesse puxando um pedaço , ,
imaginário de barbante para cima desde o esp~ço entre os pes ate
0 topo do círculo, com os braços esticados ~Clilla da cabeça.

h. Aproxime as palmas das mãos. Olhe para c:mª·


1. Expire e abaixe os braços em um grande circulo.
Seqüência de exercícios rv, n.2: Rotação da cabeça
J· Retorne à posição original com as palmas uma contra a outra
durante uma inspiração. .
Agora tente movimentar apenas os ombros, primeiramente fazend o
Expire e solte suas costas e os calcanhares para ~~º· Depois, na
círculos para a frente e depois, alterando o sentido, para trás.
próxima inspiração, comece o círculo de novo, re~i~do-o mais ~u
menos quatro vezes, exercitando junto com a respiraçao; pare asslffi
3. SAUDAÇÃO DA GRÁVIDA AO SOL
que sentir que já fez o suficiente.
a. Assuma a posição ereta básica. Coloque a palma de uma mão
contra a outra na altura do peito, com os pulsos e os cotovelos no Beneficios
mesmo plano, mantendo uma distância de 2 a 5 cm do esterno. Esse exercício acalma e centra a pessoa, revigora o sistema por
Tranqüilize-se e concentre sua atenção na respiração, direcionando inteiro abrindo o tórax' e estimulando a respiração e a circulacão,
o peso da região lombar para os calcanhares. além de liberar as tensões dos músculos posteriores das pernas.
Inspire. É um ótimo exercício para começar o dia ou para ser feito duran-
b. Agora, expire e abaixe as mãos, como que tocando a parte inferior te os períodos em que você tiver de permanecer sentada por muito
de um círculo imaginário. tempo.
c. Inspire, levantando os braços lentamente como se você estivesse
desenhando um grande círculo, até que as mãos se aproximem, as
11 unhas tocando o limite superior do círculo. Olhe para suas mãos.
d. Expire, dobrando o corpo para a frente lenta e suavemente,
soltando completamente o tronco, permitindo que os braços, a

90
91
a-d

Següência de exercícios IV, n.3:

Saudação da grávida ao sol

e-j

93
92
4. DOBRAR PARA A FRENTE a

(Aviso: deixe este exercício de lado se sentir tonturas.)


a. Sobre uma superfície firme, fique em pé com os pés paralelos e
separados meio metro um do outro. Gire os calcanhares para fora
e deposite o peso do seu corpo sobre a borda lateral dos pés,
levantando o arco dos pés. Fixe-se bem com seus artelhos.
Se você está usando um colchonete de exercícios, pode preferir
colocar os pés um de cada lado dele.
Expire e deposite o peso do corpo sobre os calcanhares e depois
dobre o tronco para a frente lentamente, articulando ao nível do
quadril, soltando a coluna, a parte superior do corpo, os braços, a
cabeça e o pescoço em direção ao chão. Siga até o ponto em que
sentir a limitação atrás dos joelhos e depois solte-se suavemente
b
com a expiração.
Permanecer na posição por alguns momentos, respirando pro-
fundamente.
Mantenha seus pés totalmente em contato com o chão, alongue e
abra a parte posterior dos joelhos, direcionando o cóccix para
baixo e deposite seu peso sobre os dedos dos pés. Levante-se
lentamente durante uma inspiração, assim que sentir que já esti-
cou o bastante.
Você pode também repetir o movimento algumas vezes, perma-
necendo somente poucos segundos de cada vez. Seqüência de exercícios IV, n.4: Dobrar para a frente
b. Se º · passo "a" for difícil, particularmente no final da gravidez
(quando o peso do ventre aumenta), apóie suas mãos sobre uma
Seqüência de exercícios V
cadeira ou mesa, fazendo um retângulo entre o tronco e as pernas.

Beneficias LIBERAÇÃO DOS OMBROS


Esse exercício relaxa e alonga os músculos posteriores das pernas e
J. ÀLONGAMENTO DOS OMBROS
libera as tensões do assoalho pélvico. Ajuda a melhorar a circulação
do sangue, elimina cansaço e alivia a coluna. a. Inicie com a posição ereta básica, com os calcanhares e a região

95
94
lombar pesando para baixo. Respire profundamente algumas ve- cotovelos sem dobrar, se possível. A cada expiração,
ue pu d er e o S _
zes e, em cada expiração, permita que seus ombros caiam em di- q , m direção à terra sem mover as maos. Mantenha-se
solte o torax e .
reção ao chão. Mantenha os calcanhares e a pelve, pesadamente . 1 mas respirações e depois levante-se lentamente.
assun por a gu .
relaxados, levante os braços suavemente acima da cabeça, sem Você deve perceber esse estiramento nos ombros supenores e
tensionar ou levantar seus ombros. Sinta a parte posterior da cai- om b ro.S R
epita mais uma ou duas vezes.
xa torácica indo para baixo. Aperte dois dedos de uma mào com
a outra e respire calmamente, expirando em direção ao chão atra-
vés das costelas, sacro e calcanhares. Solte seus braços lentamente.
b. Agora, ainda na posição ereta básica, coloque seus braços suave-
mente para trás, mantendo os ombros, costelas, sacro e calcanha-
res direcionados para o chão com a respiração e segure uma mão
com a outra. Perceba suas escápulas se deslocando para trás, como
também a abertura e a expansão do tórax na parte anteri or.
Mantenha-se assim por algumas respirações e depois relaxe.
c. Na posição ereta básica, balance suavemente os ombros algumas
vezes para a frente e para trás para relaxá-los. Respire e relaxe os
ombros; depois, dobrando o cotovelo, leve sua mão esquerda até
o centro das costas e encaixe os dedos com a mão direita que virá
por cima. (No caso de não conseguir alcançar, utilize-se de uma
cinta não muito rígida, como mostra a figura "d".) b
Evite arquear suas costas e mantenha a posição por alguns instan-
tes, soltando as escápulas, sacro e calcanhares em direção ao chão
a cada expiração. O cotovelo de cima deve estar apontando para
o teto e o de baixo para o chão. Relaxe e repita do outro lado.
d. Ajoelhe-se com os joelhos separados e a pelve apoiada sobre os
calcanhares, de frente para uma parede. Respire profundamente
e, na expiração, solte a pelve e as coxas em direção ao chão e
depois estique os braços suavemente para cima de sua cabeça e
apóie as palmas das mãos na parede, separadas na largura dos
ombros, com os dedos separados. Bascule sua pelve para a frente
de modo que o sacro mergulhe em direção aos calcanhares e a
região lombar permaneça relaxada. Mantenha as mãos o mais alto d e
e Seqüência de exercícios V, n.1: Liberação dos ombros
97
96
Benefícios
Esse exercício relaxa e libera os ombros, a caixa torácica e au- ara a pared e· Flexione seu J. oelho esquerdo e mantenha o joelho
P. · sem dobrar , encaixe uma mão na outra e dobre o corpo para
direito
menta a capacidade da caixa torácica. Ajuda a aliviar dores que geral-
mente acometem as costelas no final da gravidez, alivia ou previne fren t e, apoiando cotovelos e antebraços na parede.
Leve sua perna direita para trás o máximo que puder sem levantar
cefaléias, e melhora a capacidade respiratória e a postura. Apesar de
calcanhar do chão. Respirando profundamente, afunde seu calca-
os exercícios para grávidas em geral enfatizarem a região pélvica, é º direito na direção do chão a cada expiração, relaxando. e ab nn- º
nhar
importante trabalhar regularmente os ombros para manter o relaxa-
mento equilibrado no corpo. d o a reaião
~
atrás do joelho direito. Você vai perceber o estiramento
. -
na barriga da perna e no tendão de Aquiles. Permaneça na pos1çao
por algum~s respirações e depois inverta a posição das pernas.
Seqüência de exercícios VI
Faça duas vezes com cada perna.
DE CÓCORAS
2. P OSTURA DO CACHORRO
1. ÀLONGAMENTO DA PANTURRILHA
a. Ajoelhe-se de quatro com as mãos e os joelhos separados uns
Fique em pé, de frente para uma parede, e coloque sua perna trinta centímetros, e as pontas dos dedos tocando a parede.
esquerda na frente da sua perna direita, com os dois pés direcionados b. Respire algumas vezes e relaxe o pescoço e os ombros. Coloque
a ponta dos pés no chão como apoio e levante a pelve, ficando na
ponta dos pés (ver página seguinte).
c. A seguir, durante uma expiração, arremeta a pelve para trás e
abaixe os calcanhares até o chão, se você conseguir. Tente abrir a
parte de trás dos joelhos o máximo que puder e tente manter os
ombros e braços r~laxados, com o peso do corpo passando atra-
vés da pelve e indo ao chão pela parte posterior das pernas e
calcanhares.
Respire algumas vezes, expirando em direção aos calcanhares, man-
tendo o cóccix direcionado para os calcanhares e soltando a par-
te posterior dos joelhos.
Retorne à posição de quatro, relaxe e depois repita mais duas
vezes, segurando a posição por curtos períodos, se assim o desejar.
No início esse exercício pode ser um pouco difícil e você vai
perceber essa dificuldade. Com a prática, a parte posterior das per-
Seqüência de exercício VI, n.1: Alongamento da panturrilha nas vai se tornar mais solta e se tornará mais fácil perceber o relaxa-

98
99
mento nos ombros quando os calcanhares retornam ao chão.

Beneficios
Essas posturas relaxam a tensão dos músculos posteriores da perna
e panturrilhas, reduzem o cansaço e melhoram a circulação nas pernas.

3. C óCORAS (BÁSICO IV)

a. No caso de ter hemorróidas, varizes vulvares ou cerclagem, ou


a
ter dificuldade para ficar na posição de cócoras, lance mão da
Seqüência de exercícios VI, n.2: Postura do cachorro (a, b e e)
ajuda de um banquinho o mais baixo possível ou de uma pilha de
- f aça "b" , " c" e "d" .
livros. N ao
Melhoram a flexão do tornozelo, ficando mais fácil ficar de có-
b. Comece ficando de cócoras com a ajuda de uma outra pessoa,
coras. Vão eliminar ou melhorar cãibras nas panturrilhas, particular-
mente se praticadas na hora de ir dormir. se for possível, ou apoiando-se em algum objeto firme, como
uma janela ou o braço de uma poltrona.
Assim que você conseguir fazer o exercício número 2 com facili-
Uma grávida pode segurar na outra pelos punhos, mantendo uma
dade, poderá utilizá-lo para relaxar o pescoço e os ombros.
distância de um braço entre as duas, mas sem dobrar os cotove-
los. A pessoa que está em pé deve colocar 'Um pé em frente ao
outro com os calcanhares firmemente apoiados, e jogar o corpo
um p~uco para trás para suportar você sem muito esforço e sem
dobrar as costas.
A distância entre os pés deve ser mais ou menos de meio metro,
com os pés levemente abertos lateralmente. Durante uma
expiração, assente os calcanhares, flexione os joelhos e coloque a
pelve entre os joelhos, apoiando-se na outra pessoa. Levan~e o
b arco plantar, depositando o peso do corpo na lateral dos pes e

100
101
e os J. oelhos o máximo que puder. A cada expiração relaxe e
separ
solte 05 ombros e a coluna vertebral, e afunde o cóccix em dire-
ção aos calcanhares. Permaneça assim algumas respirações e de-
ois levante-se lentamente.
p . . .
Repita 0 exeroc10 mais uma vez.
e.
Sua colega pode lhe ajudar agora ficando por trás de você, com
0
tronco dobrado para a frente (sem dobrar a coluna), colocando
as palmas das mãos nos seus joelhos e apoiando sua região lom-
bar com as pernas; o peso do corpo dela, que cai para a frente,
ajuda você a depositar seu peso em cima dos calcanhares e a sepa-
rar mais os joelhos. Fique assim por algumas respirações e depois
relaxe.
Esse exercício conjunto, quando realizado corretamente, é mais
fácil do que ficar de cócoras sozinha.
a
b d. Para ficar de cócoras sem ajuda, fique em pé com os pés sepa-
rados mais ou menos meio metro, levemente abertos lateralmen-
te. Com os calcanhares no chão, dobre os joelhos e coloque suas
mãos no chão; depois, arremeta sua pelve em direção ao chão por
entre as pernas e entrelace uma mão na outra. Separe os joelhos
com os cotovelos e levante os tornozelos. Mantenha os ombros e
a coluna relaxados e o cóccix basculado para a frente, afundando
o sacro em direção aos calcanhares.
Mantenha a posição por alguns minutos e depois abandone-a.
Uma outra possibilidade que você pode achar muito boa é ficar
de cócoras quase encostada em uma parede, apenas o sacro
tocando-a, como um tipo de apoio.

Beneficias
Essa posição abre sua pelve ao extremo e ajuda a posicionar o
bebê corretamente, determinando um grande aumento na flexibili-
e
dade e diminuição na tensão dos ligamentos pélvicos durante a gra-
Seqüência de exercícios VI, n.3: Cócoras videz. Determina um aumento na circulação em toda a região pélvica,

102
103
previne ou melhora a constipação intestinal e relaxa o assoalho
pélvico. A prática regular dessa posição faz com que seja mais fácil
lançar mão dela durante o trabalho de parto e durante o parto, quan-
do você poderá usar um banquinho ou ser amparada por trás.

4. EXERCÍCIO DO ASSOALHO PÉL VJCO (B ÁSICO l'] f:?

Assuma a posição de cócoras facilitada, na ponta do pé (ver pági-


na seguinte), a menos que você tenha hemorróida, varizes vulvares
ou cerclagem; nesses casos, a posição genupeitoral ou desacelerante
será de maior valia (ver página 163).
Feche os olhos e desvie a atenção para o seu assoalho pélvico - a
faixa de músculos que envolve a vagina e o ânus e que constitui a
base da sua pelve. É através dessa camada muscular que o bebê vai
passar quando for nascer.
Durante um~ inspiração, contraia esses músculos do assoalho Seqüência de exercícios VI, n.4: Exercício do assoalho pélvico
pélvico, levante-os em direção ao útero, segure por algum tempo e
depois expire e relaxe-os. Repita o exercício várias vezes. Beneficios
Agora inspire e contraia o assoalho pélvico. Mantenha os múscu- A manutenção de um bom tônus muscular no assoalho pélvico _é
los contraídos enquanto você expira; depois, inspire de novo, ainda essencial para a saúde e o bem-estar, especialmente durante a ~raVl­
mantendo os contraídos. Finalmente solte o ar e a contração muscu- dez e no puerpério. Esse exercício melhora a circulação, previne_ o
lar em quatro pequenos estágios, sendo o último uma liberação maior. prolapso das vísceras e varizes, e vai garantir uma boa ~ecuperaçao
Faça duas vezes mais. Vai ficar mais fácil com o tempo. dos tecidos vaginais e perineais após o parto. O aprendizado do re-
Agora experimente contrair e relaxar rapidamente cerca de 1O laxamento e soltura do assoalho pélvico será útil no momento do
vezes enquanto respira normalmente. (Se você tem algum dos pro- parto para diminuir a possibilidade de roturas*. .
blemas anteriormente citados, tente fazer cinqüenta desses exercíci- Os exercícios do assoalho pélvico devem ser praticados com re-
os todos os dias, pela manhã e ao entardecer, para melhorar o tônus gularidade.
muscular e reduzir as varizes.)
Vai ajudar bastante no parto se você visualizar a cabeça do bebê Seqüência de exercícios VII
descendo e saindo do corpo enquanto estiver relaxando a muscula-
tura pélvica na posição de cócoras. POSIÇÕES HORIZONTAIS
.. . - . dim t de rotina sendo realizada em
*N. do T.: Na Europa, a ep1s1otorrua nao e um proce en o ,
proporção bem menor do que no Brasil.
105
104
J.EXERCÍCIO ABDOMINAL Benefícios
a. Deite-se de costas no chão com os pés apoiados em uma parede Esse exercício fortalece suave e seguramente os músculos abdo-
e com os joelhos dobrados. Os pés devem estar paralelos e dis- minais que sustentam seu útero gravídico, deixando a região lombar
tantes cerca de 30 centímetros. Encaixe uma mão na outra por completamente protegida, e previne a diminuição do tônus muscu-
trás da cabeça e coloque os cotovelos no chão. Faça uma respira- lar depois do parto.
ção abdominal profunda, relaxando e soltando os ombros, a co-
luna e a região lombar na direção do centro da Terra. A cada 2. PERNAS ABERTAS NA PAREDE (BÁSICO VI) TI
expiração direcione a parte posterior da cintura para baixo. Sinta
(Aviso: desista deste exerdcio se você se sentir tonta 011 descoefortável deitada
o ventre vazio quando expirar e a expansão, quando o ar estiver
de costas, particularmente nas últimas quatro semanas da gravidev e concentre-se
entrando. Essa é a posição de descanso. 11a versão sentada na seqüência de exerdcios II).
b. Agora, junto com uma expiração, levante a cabeça, os ombros e
a. Sente-se de costas para uma parede, com o quadril encostado
os braços em direção aos seus pés. Segure um pouquinho, inspire
nela. Faça um giro de modo que suas pernas se direcionem para o
e depois expire e retorne. Faça uma respiração completa na posi-
teto e o tronco forme um ângulo de 90 graus com a parede, com
ção de descanso. Repita seis vezes. A seguir relaxe.
as nádegas encostadas nela.
Relaxe e respire profunda e agradavelmente com o ventre
"esvaziando-se" em direção à coluna a cada expiração e inflando-se
suavemente com a inspiração. Perceba a região lombar tocando o
solo, relaxe e solte os ombros, trazendo-os em direção à pelve,
esparramando-os pesadamente sobre o chão. Deixe o queixo cair,
aproximando-o do tórax, para que possa estirar e relaxar a nuca,
relaxe e solte qualquer tensão que tiver na mandtbula ou nos olhos.
Respire calmamente.
b. Com a atenção na parte posterior das pernas, estire a panturrilha*
e estique os calcanhares; depois, permita que suas pernas se abram
o máximo que for possível, durante uma expiração. Você vai per-
ceber o estiramento dos músculos na parte interna da coxa, entre
Seqüência de exercícios o joelho e a pelve. Não deixe de respirar profundamente, encos-
VII, n.1: Exercício ab- tando a região lombar pesadamente sobre o chão, sem dobrar os
dominal
joelhos. No começo permaneça pouco tempo, aumentando gra-
dualmente até atingir cinco minutos, conforme as tensões forem
diminuindo.
*N. do T.: Flexionando os pés.
107
106
Benefícios
Esse é um dos melhores exercícios, pois relaxa as tensões dos
adutores ou músculos da parte interna da coxa. Esses músculos pos-
suem grande influência na região genital. O relaxamento desses mús-
culos vai liberar a energia sexual bloqueada, ficando mais fácil atin-
gir 0 orgasmo ou dar à luz. Vai fazê-la sentir-se mais aberta, relaxa os
músculos perineais e ajuda a diminuir o medo e a inibição.
Esse exercício deve ser praticado diariamente durante a gravidez.
No princípio poderá parecer um pouco difícil, mas em uma ou duas
semanas de prática regular ele vai se tornar profundamente relaxante
e revigorante. Fazê-lo pouco antes de ir dormir e após um banho
quente ajuda a prevenir insônia e mal-estar.
a e

J. EXERCÍ CIO CONJUNTO

a. A outra pessoa pode se ajoelhar confortavelmente atrás de sua


cabeça, colocar as mãos nos seus ombros e pender o corpo para a
frente, pressionando seus ombros para baixo com o peso do cor-
po dela, e no sentido horizontal em direção à parede, a fim de
relaxá-los. Manter por alguns segundos e depois soltar.
b. Agora ela levanta sua cabeça, tracionando-a pela base do crâ-
nio. Você deve confiar nela, relaxar e deixar acontecer. Depois ela
sobe com as mãos massageando suave mas firmemente desde a
base do pescoço até em cima. Alternar uma mão com a outra até
sentir que o pescoço está relaxado e alongado. Depois abaixar
b
suavemente a cabeça, mantendo uma certa tração de modo que
Seqüência de exercícios VII, n.2: Pernas abertas na parede ela fique o mais longe possível do corpo.
c. Sua amiga agora deve colocar as mãos sobre sua testa, com as
c. Dobre os joelhos e encoste a planta de um pé na outra, trazeu- pontas dos dedos sobre as pálpebras. Ela deve respirar profunda-
~o-os para p~rto do seu corpo. Com as mãos, tente empurrar os mente algumas vezes, dando tempo para você relaxar e soltar os
Joelhos em direção à parede. olhos.
Você pode alternar "b" e "c" quantas vezes quiser. d. Agora ela vai segurar suavemente na parte inferior dos seus pu-

108
109

..
nhos e pender o corpo para trás, com o peso do corpo dela exercen-
do uma suave mas firme tração em seus ombros. Isso ajuda a "criar
mais espaço" para o bebê, relaxa e solta a parte superior das costas e
da caixa torácica.
Manterá a tração por um certo tempo e a seguir depositará seus
braços suavemente no chão.

d
Seqüência de exercícios VII, n.3: E xercício conjunto
b

111
110
Seqüência de Exercícios VIII

RELAXAMENTO DA COLUNA

Seqüência de exercícios VIII, n.1: Posição horizontal básica


1

J. POSIÇÃO HORIZONTAL BÁSICA

Deite-se de costas com os joelhos dobrados e os pés separados


em cerca de 30 centímetros, com os calcanhares próximos ao corpo.
Os pés devem ficar paralelos, levemente abertos lateralmente. Colo-
que as mãos no baixo ventre. Relaxe os olhos, a boca e os ombros, e
solte a nuca, aproximando o queixo do tórax.
Respire profundamente, encostando a região lombar o máximo
, . VIII 2· Levantamento pélvico
que puder no chão. Sinta o pequeno movimento que seu ventre faz Seqüência de exerc1c1os , n. ·

em direção à coluna enquanto você expira, e depois o suave aproxi-


mar das mãos com a inspiração. Continue respirando por um certo 2. LEVANTAMENTO PÉLVICO
tempo, liberando todas as tensões até ficar totalmente relaxada. . b. · 1 que os braços parale-
Partindo da posição horizontal as1ca, co o . .
Se houver algum mal-estar nessa posição, deixe essa seqüência de almas das mãos viradas para baixo.
lado. lamente ao seu corpo, com as P - . urante uma expiração,
"Mergulhe" os calcanhares no chao e depois, d dire ão ao
' s firmes e paralelos, levante a pelve em ç
manten d o o S Pe
11 3

112
teto, "alargando" o sacro e levantando a coluna ate'
· . que seu pe
esteja apoiado no pescoço e ombros de um 1 d , so
M ' a o, e nos seus pes d
outro. antenha pescoço e b ' e
. om ros completamente relaxados
E xpire e relaxe 1entame t , b , ·
n e, verte ra por vertebra partind d
pescoço como se estivesse desenrolando um rocambo1,e t , o 1 o
, a e a co u-

Seqüência de exercícios VIII, n.3: Relaxamento da região lombar

na toda estar em contato novamente com o chão. Faça uma respiração


diafragmática para relaxar e depois repita mais três vezes o exercício.

J. .RELAXAMENTO DA REGIÃO LOMBAR

Levante os pés do chão e puxe os joelhos em direção aos ombros


sem levantar a região lombar do chão ou colocar qualquer tensão
nos ombros.
Respire e relaxe por alguns instantes dando tempo para que ocor-
ra o relaxamento da região lombar. Agora cruze os pés na altura do
tornozelo, apóie as mãos nas laterais e, deixando o quadril pender
para um dos lados, faça movimentos giratórios, desenhando peque-
nos círculos no chão com a região lombar. Retorne ao centro e repi-
ta do outro lado. Esse exercício libera tensões lombares e diminui o
cansaço.
Estique a perna esquerda para a frente e dobre a direita; segure o
joelho com a mão e tracione-o levemente em direção ao ombro.
Certifique-se de que a perna esticada está pesadamente relaxada e a
região lombar continua em contato com o chão.
O movimento deve ser suave, relaxando com a respiração, com as
articulações coxofemorais paralelas ao chão.
Mantenha-se nessa posição por um minuto ou dois e depois tro-
que de pernas.
Esse exercício relaxa e libera as articulações sacroiliacas e ajudará
114 aliviar a dor.
115
. JloTAÇÂO DA COLUNA
4
Coloque um pé ao lado do outro, deixando-os o mais próximo
ossível do corpo. Abra os braços como que fazendo uma cruz. Re-
iax:e e solte os ombros e a coluna sobre o chão e aumente a amplitu-

Seqüência de exercícios VIII, n.4: Rotação da coluna


Rotação da coluna com ajuda

de da nuca, trazendo o queixo para mais perto do tórax. Respire


profundamente e, durante uma expiração, gire o corpo para o lado
esquerdo, até o joelho encostar no chão* enquanto os braços e os

*N. do T.: Com os joelhos paralelos


117

116
ombros permanecem em contato com o solo. Vire o rosto para 0 - diri. a sua atenção para a presença do bebê dentro de você e
lado direito de modo que a coluna tenha uma rotação sobre seu çao, l al s minutos dessa paz relaxante com o seu filho. .
desfrute gun .- algum tempo para abrir os
eixo. Respire e relaxe por algum tempo e depois retorne ao centro. N hora de abandonar a pos1çao, 1eve
Relaxe com algumas respirações, solte a coluna a cada expiração a deixando a luminosidade entrar suavemente, sem pressa de
olhos, d . Mantenha contato com esse relaxamen-
e depois faça o exercício do outro lado - joelhos para a direita e r 0 mun o exterior.
erocerga · levanta no momento
cabeça para a esquerda. interiores enquanto se espreguiça e se
to e pa Z
·ulgar apropriado. · 1
Benefícios quei ós os exercícios tome um copo de suco de frutas, água ffil~~ra
A rotação da coluna fortalece, lubrifica e alonga a coluna verte-
P h' al Evite cair na roda da vida após os exerc1c1os.
algum c a natur · · h d
ou d d ou com uma camm a a
bral e libera tensões da região lombar. Alivia e previne cefaléias. O ideal seria despender um tempo na an o
a céu aberto.
Exercício conjunto
Sua amiga pode ajudar sentando-se do seu lado direito, no ini-
cio, e segurar seu ombro direito para baixo com a mão esquerda
antes de você girar o corp~: Depois que você tiver soltado o corpo
para a esquerda, ela pode colocar a mão direita no quadril e auxili-
ar suavemente a rotação lateral enquanto mantém os ombros em
contato com o chão. É importante auxiliar suavemente sem fazer
pressão, trabalhando com sua respiração, para liberar as tensões de
uma maneira tranqüila.
Permaneça assim por alguns instantes e depois faça do outro
lado, com a amiga no lado esquerdo.

5. RELAXAMENTO

Coloque um travesseiro na cabeça e outro sob os joelhos, de


Seqüência de exercícios VIII, n.5: Relaxamento
modo que você fique completamente relaxada.
Feche os olhos e deixe o peso do corpo se depositar completa-
mente sobre o solo. Respire profundamente, relaxando e soltando
cada parte do corpo durante cada expiração.
Mantenha sua atenção na respiração e chegue ao seu centro,
relaxando mais e mais.
Permaneça assim de 5 a 20 minutos. Antes de abandonar a posi-
119
118
, diminui nossa vitalidade com o passar do tempo.
bern . , · 'd
Dependemos do ar respirado para Vlver e para a propria sau e -
esse e, 0 ritmo básico do corpo. Cada vez que inspiramos, estamos
"Na hora do parto consegui me manter firme o tempo todo graras à ~;ndo uma parte do ar - elemento doador de vida - e cada vez
extr<ll-'•
combinação das posições verticais e mantive contato com meu eu interior ue expiramos, estamos nos livrando de algo que o corpo não apro-
com o auxílio das respirarões, entrando em sintonia com meus ritmos ~eita mais. Esse constante "tira e põe" aliado ao fluxo de energia, se
corporais. Sem isto, certamente a experiência não teria sido tão gratiji- inicia no momento em que nascemos e continua durante toda a vida,
cante."
ulsando dentro de nós uma corrente alternante. Qualquer ativida-
P . d . -
de do corpo está inerentemente relac10na a com a respl!açao.
Este livro não contém nenhuma técnica respiratória. Nosso ob-
jetivo maior é o de se certificar de que você está respirando de uma
O que acontece quando respiramos?
maneira saudável (ver Capítulo 3, seqüência de exercícios I). Da mes-
ma maneira que a rigidez muscular é uma epidemia subliminar na O portão de entrada para o ar é o nariz. Pequenos fios de cabelo
nossa cultura, a respiração limitada também o é. nas narinas evitam a entrada de partículas de pó para os pulmões. A
Dentro do ritmo civilizado de vida, as atividades do dia-a-dia ra- cavidade nasal, coberta por uma membrana mucosa, esquenta o ar e
ramente solicitam que usemos nossos corpos dentro de sua capaci- segura mais um pouco a poeira e germes. As glândulas se encarre-
dade total. A maioria de nós passa os dias sem nenhuma atividade gam de matar as bactérias, enquanto a percepção dos odores nos
física ou co~ atividades aquém do ponto que nossos corpos reque- protege de inalar gases nocivos.
rem para es~ular a respiração. O resultado é que a respiração pode Os músculos diretamente relacionados com a respiração são os
se tornar mats curta e mais acelerada do que deveria ser, limitando a intercostais, entre as costelas e o diafragma - um forte feixe muscu-
oferta de oxigênio e a eliminação de dióxido de carbono. lar que separa tórax e abdome. Os pulmões não contêm nenhum
Se você observar a respiração natural de um bebê ou de uma cri- músculo; eles se qxpandem dentro de um espaço vazio com o qual
ança, verá que o abdome se move como um fole a cada-respiração, estão em contato. São envolvidos por uma forte membrana conectada
enquai:ito o tórax permanece relativamente imóvel e os ombros rela- às paredes do tórax e cujos movimentos levam às alterações de volu-
xados. Essa é a respiração natural, relaxada e profunda. Quando nos me dos pulmões conforme o ar entre ou saia.
tornamos adultos, muitos de nós respiram de maneira superficial, Com a respiração curta, superficial, estamos utilizando somente
utilizando principalmente a parte superior do tórax em vez de usar 0 a musculatura intercostal. Apenas quando respiramos profundamente
abdo.me, lança~do mão de 1 /3 da nossa capacidade respiratória. o diafragma se move ritmicamente para cima e para baixo, permitin-
Respl!ando mats rapidamente do que deveríamos, acabamos inician- do que a cavidade torácica se amplie de uma maneira global.
do uma nova respiração antes que nossos pulmões estejam comple- A respiração eficiente depende da boa postura. Se você ficar com
tamente esvaziados do ar viciado; assim o ar oxigenado se mistura o tórax contraído e limitado e os ombros curvados, o espaço
com o viciado, levando a uma menor oferta de oxigênio. Isso tam- intratorácico será pequeno e sua respiração, limitada.

120
121
Com a forma de uma abóbada, o diafragma se achata quando se
sérios danos. Durante a gravidez e no parto você respira por dois:
contrai, comprimindo os órgãos abdominais para baixo e o abdoine
por você e pelo seu bebê.
se dilata com a inspiração. Com a expiração ele se relaxa e se m ove
para cima, em direção à cavidade torácica. Isso é o que acontece
quando você percebe o movimento respiratório no ventre quando Respiração durante o parto
respira profundamente, expandindo com a inspiração e se retraindo
Normalmente respiramos pelo nariz. No exercício de respiração
com a expiração. O diafragma se move para cima e para baixo a cada
rofunda (Capítulo 3, Seqüência de exercícios I), em alguns exercí-
respiração, o que determina uma leve pressão sobre o fígado, o estô- P
cios sugiro expelir o ar pela boca. A expli caçao
- e' que, d urante as
mago e outros órgãos internos. O ritmo dos pulmões se transforma
contrações mais fortes do trabalho de parto, muitas mulheres natu-
em uma suave massagem que favorece o funcionamento natural
ralmente tendem a expirar através da boca. É fundamental que você
Respiração profunda respire através do nariz durante o dia e a noite, e expire pela boca
· :-,..;-~\
,_/-{{: / ,,,~,;,-,,.,
1:41 1 . .
·'*'' \.~. .. ., -;.:.,. f" ""\ \.~ somente quando pratica os exercícios de respiração profunda, du-
A ação do diafragma
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;\\11' rante os outros exercícios, ou no trabalho de parto se você sentir
~'.;.'. l I , '_'\: ' \'J"-::.,,.Y .- '( necessidade.
( r~Ç\._) r-~~~il:>z" A prática regular desse exercício vai ampliar sua respiração, além
\ ( L:!'-
. /)-lP tJ) ( ' (tJLts_J( / de permitir que você respire com toda sua caixa torácica e use
} ;c: ~r1 i '/~ } corretamente o diafragma. Vai também ensiná-la a se concentrar no
. -
a. lnsp1raçao. _ \ (
! ~ V ~ i\
1
1
'
(/
I 1\ \
:
1
1) b Expiração. ritmo respiratório básico do seu corpo. Ao contrário do ritmo cardí-
O ar entra nos pulmoes, 1 )/ , O ar sai dos pul moes, aco e das contrações uterinas, que acontecem de uma maneira com-
o diafragma se desloca ( · fdiafragma se ele,·a
0
pletamente involuntária, o ritmo respiratório é o único que é volun-
para baixo e aumenta a prcs- 1
y 'y J e a pressão abdommal
são. / dllTlinw. tário e involuntário. É possível alterar nossa freqüência respiratória
conscientemente, o que tem efeito direto no nosso estado de cons-
dos órgãos internos. Cada respiração estimula a circulação de sangue
ciência.
para esses órgãos e aumenta o metabolismo. Não temos essa massa-
A respiração, como você vai poder constatar em breve, está relacio-
gem fisiológica quando respiramos somente com o tórax.
nada bem de perto com a mente. Na hatha yoga, os exercícios de
Nós podemos sobreviver semanas sem alimento sólido e alguns
respiração profunda são o prelúdio da meditação. Ao desviar a aten-
dias sem um pouco de água, mas não passamos minutos sem um
ção para dentro de si mesma, concentrando-se na respiração, você
pouco de ar. A respiração é uma das mais importantes funções bio-
terá uma possibilidade simples e natural de experimentar estados
lógicas. Cada célula vivente necessita de oxigênio, eliminando-o na
mais profundos de consciência. Isso vai ajudá-la a atingir um estado
forma de C0 2 (dióxido de carbono). Se as células do cérebro sofre-
de harmonia com seu eu interior e com os sentimentos profundos e
rem uma privação total de oxigênio, mesmo que seja por um período
intensos que irá vivenciar durante o trabalho de parto. Concentrar-se
bem pequeno (por exemplo, 10 segundos), o corpo poderá sofrer
na respiração inativa a mente, interrompe o diálogo interno que

122
123
normalmente ocupa nosso pensamento e aproxima você de você
mesma e do seu bebê. Cada trabalho de parto tem o seu próprio
ritmo. A concentração nos ritmos da sua respiração vai permitir que
você entre em ressonância com esse ritmo, que seja instintiva, e que · da a' inovimentação à posição e à respiração, a massagem
Associa ' .
se renda às forças vitais que atuam dentro do seu corpo. ode ser de grande valia tanto para a gravidez como para o parto.
Durante o parto não há técnica nenhuma para se lembrar. A res- p ·t s pessoas não há nada mais reconfortante e relaxante que
para mui a
piração pode ser espontânea. É agora, enquanto você está grávida to ue de outra pessoa. Você pode se surpreender com o poder
' o , q e curativo que suas mãos possuem. Com o toque expressa-
que a prática diária da respiração abdominal é importante. Quando
ma~co ,
estiver em trabalho de parto você pode usar sua capacidade de diri- amo r e 0 afeto entre as pessoas, e podemos tambem lançar
mos o d
gir a atenção para a respiração para poder se concentrar. Você pode- mao
- efetivamente da massagem para alívio de nós mesmos, ou e
, .
rá se concentrar nas expirações, ou ficar relaxada no pico da concen- soas de dores e tensões musculares desnecessartas.
outras Pes ' · d
tração, como também emitir sons durante a expiração. Tudo isso A massagem é uma arte que precisa ser cultivad~ e o ú~~o mo o
ocorrerá naturalmente se você assimilou a respiração profunda e ab- rendê-la é explorando e experimentando. Existem vartos tipos
d e~ .. l
dominal durante a gestação e tornou-a parte dos exercícios e da prá- de massagem, porém este livro vai explorar apenas a mais srmp es
tica de relaxamento. massagem "m·tut' ti'va" , sem usar nenhuma técnica . específica.
Comece em você mesma, descobrindo quais os toques que des-
"Estava plenamente consciente de onde o bebé estava e de como meu corpo
pertam boas sensações e quais . as partes d o corpo que prec,isam. ser
estava fimcionando; as pessoas observaram depois que, à exceção dos músculos
massageadas; depois, tente em uma outra pe,ssoa, de preferencia al-
contraídos, meu corpo estava totalmente relaxado. Lancei mão da respirarão
guém que vai estar presente no seu parto. E sempre bom lembrar
diafragmática a cada contrafão, sendo às vezes bem rápida efazendo ruídos, mas
sempre me concentrando e a cada momento consciente do pico da contrafãO e que algumas plulheres adoram ser massageadas du~ante o parto e
depois do alívio das dores. " acham que isso alivia suas dores, enquanto outras nao querem nem
que se chegue perto. No entanto, quase todas as mulheres poderão
Pode ser muito interessante e agradável exercitar a respiração pro- se beneficiar da massagem durante a gravidez ou depois do parto.
funda junto com alguém que vai estar com você no momento do Existem basicamente quatro maneiras de se massagear:
parto. No irúcio você vai se sentir mais calma e à vontade. Gradual-
mente isso vai se aprofundar em uma meditação calma e gratificante,
unindo mente e corpo, conduzindo-a para o seu centro interior e
Deslize suave
realçando a consciência da presença de outro ser dentro de você. Geralmente feito com a palma de sua mão. Em algumas situa-
ções como dor intensa ou contratura, ou em recém-nascidos ou cri-
' esse toque suave e' geralm ente a uruca
anças, ' · maneira possível de se

massagear.
nsão para cima com o máximo de firmeza possível, fazendo
Deslize profundo sua ex t e
movimentos circulares com o polegar. Se encontrar um ponto
pequeno S . . .
dolorido, permaneça um pouco mais nesse local e tente dissipar a sensa-
É feito da mesma maneira, mas com mais firmeza e pressão.
ção dolorosa. Você pode encontrar alguns nódulos bem duros no sub-
, que cedem com a massagem firme e parecem desaparecer. Tente
Toque profundo cutaneo, .
mesmo processo em torno da base do hálux, na planta do pé e depois
0
É uma pressão firme que pode ser feita com as pontas dos dedos, r no tendão de Aquiles no tornozelo e na panturrilha. Fi-
no cal canha ' '
com o polegar, com os nós dos dedos ou com os cotovelos, em uma nalrnente tente explorar o dorso dos pés e os dedos, um por vez,
pequena área de cada vez, atingindo nódulos musculares profundos dobrando-os primeiramente para trás e depois para a frente, levando
e depois fazendo pequenos movimentos circulares para desman- cada articulação ao seu limite. A seguir tracione-os e gire-os todos e
chá-los. A massagem trabalha mais com os tecidos musculares e com finalmente separe-os de lado a lado.
os ossos do que com a pele. Depois de descobrir o prazer de massagear o próprio pé, ofereça
essa massagem ao seu companheiro. Você vai observar que esse hábito
se torna cada vez mais agradável e que, com o acúmulo de experiência,
Massagem
sua criatividade natural vai acabar por conduzir sua massagem.
Nesse caso usa-se a mão inteira, alternando o movimento de aperto Experimentem, entre vocês, massagear outras partes do corpo, como
com o de relaxamento do músculo, sendo mais indicada para gran- 0
pescoço, os ombros, as costas e a parte da frente do corpo.
des áreas musculares como as nádegas ou as coxas. Nunca se esqueça de que ambos devem estar sem desconforto ne-
Uma boa sugestão para começar é você mesma massagear seus nhum.
pés e suas mãos. Se você tiver maior interesse nesse assunto há bons livros sobre mas-
sagem; existem cursos em algumas cidades para aqueles que desejarem
EXPERIMENTE FAZER O SEGUINTE: se aprofundar ainda mais (ver Leituras Recomendadas).

Usando uma das mãos explore a superfície de contato da Óutra e as


Massagem durante a gravidez
estrutu_ras ósseas que ficam por baixo. Explore todas as possibilidades
de movimentos de todas as articulações. Sinta cada dedo separadamen- AUTO MASSAGEM
te e pressione cada junta no seu limite. A seguir separe os dedos o máxi-
mo que puder. Agora explore profundamente os espaços entre os ossos Após um banho de imersão explore seu corpo inteiro. Uma boa
no dorso da mão e também os ossos do pulso. Por último, agite forte e sugestão é passar um óleo na pele, particularmente no ventre e nos
rapidamente as mãos, com o movimento se iniciando nos ombros dei- seios, podendo ser óleo de amêndoas, ou de germe de trigo. No
' último mês da gravidez algumas obstetrizes recomendam passar um
xando os braços relaxados e os pulsos totalmente soltos.
Agora tente fazer o mesmo com seus pés. Experimente diferentes óleo no períneo, que pode ser de oliva, todos os dias após o banho,
níveis de pressão, usando os polegares. Pressione o arco plantar em toda como preparação para o parto. É muito bom ter esse contato e se

127
126
familiarizar com a região pélvica, explorar os ossos da pelve e retirar _ para b a1X
· 0 e repita outras vezes, como se estivesse esttcan-
mao t:
por meio da massagem, toda a tensão que tiver na virilha. Se você' ze ao pescoço. uvo lte outra vez ao ponto de partida mas desta vez daça
d0
quiser pode se tocar internamente para localizar o colo do útero · ul ares de pequena amplitude com as pontas
. entos circ os
(experimente de maneira delicada após um banho, na posição de movun
cócoras). d dos enquan to estiver subindo bem lentamente.
e Agora
' tome a cabeça dela nas suas mãos e. desloque . suavemente .
Enquanto fizer os exercícios, aproveite para massagear as regiões .
ara cuna e para a frente , de modo que o queixo abaixe e se aproxi-
do corpo que estiverem se alongando. Isso é particularmente útil P ,
me do torax. M ante nha alguns segundos e depois abaixe. lentamente
para a parte interna da coxa.
ate, o ch-ao. Agora vire a cabeça para um lado
. e massageie o lado
. do
pescoço qu e ficou virado para cima; terrrune com firmes movimen-
. ·
SENDO MASSAGEADA
. ulares na base do cérebro. Espere um pouco, depois gire a
toS CltC
cabeça para 0 outro lado e repita. .
A massagem durante a gravidez pode ser de inestimável valia,
Agora explore a mandfüula, o maxilar e a boca, bochechas, nanz,
especialmente antes de ir dormir ou mesmo durante o parto. É um
têmporas e as bordas das cavidades onde se alo1am os olhos. Pode
ótimo treinamento para massagear o bebê depois do parto.
L zer movimentos deslizantes, partindo do centro para fora e dep01s
Como aquecimento, experimente o seguinte: ia .
voltar à mesma região e fazer movimentos circu1ares pequenos e
CABEÇA E PESCOÇO consistentes, e até exercer alguma pressão.
A seguir massageie a testa, partindo do centro para fora, e final-
(Aviso: esta massagem é para ser feita durante a gravideZ; mas a poszjiío mente coloque uma mão de cada lado da cabeça com os d~dos sua-
horizontal não é aconselhada para o trabalho de parto. Durante as contrações o vemente cobrindo os olhos. Permaneça sentado assim tranqüilamente
pescoço e os ombros poderão ser massageados enquanto você éstiver sentada 011 por um minuto, os dois respirando profundamente e depois, lenta e
qjoelhada.) suavemente, retire - "
. as maos.

Deite-se de costas no chão com os joelhos dobrados e ~s pernas


para cima, apoiadas em uma cadeira ou na cama. Coloque os braços COSTAS
confortavelmente dos lados. Seu companheiro pode se sentar ou
''Meu marido massageou minhas cadeiras de uma maneira delicada, e isso
ficar de joelhos atrás de sua cabeça, contando que também fique
foi de grande qjuda. "
confortável. (Outra possibilidade é você se deitar na cama e ele se
sentar em uma cadeira atrás de você.) Fique de joelhos com o tronco erguido e relaxe, dob~ando o cor-
Agora dirijo-me ao companheiro: "Faça uma pressão para baixo po para a frente, sobre uma pilha de almofadas, com os joelhos b~m
sobre os ombros dela com as mãos quando ela estiver expirando, separados e os pés apontando um para o outro. Seu companhe~o
para ajudar a relaxá-los. Agora deslize as mãos para a nuca e tracione-a deve ficar também de joelhos atrás de você, cuidando para que nao
firmemente para cima, partindo da base do pescoço em direção à arqueie a coluna. .
cabeça, com as duas mãos ao mesmo tempo (ver página 110). Desli- Outra possibilidade é você se sentar em uma cadeira, mas com o

128
129
ventre voltado para o encosto, e ele ficar ajoelhado no chão atrás de to estiver fazendo a massagem. Com as palmas das mãos, particular-
você ou sentado em outra cadeira. mente com a região carnosa antes dos punhos, faça círculos leves,
lentos e rítmicos sobre a região sacra!, aumentando a pressão de
acordo com a necessidade dela."
"Quando estava quase chegando a hora do bebê nascer fiquei nervosa e ai
meu marido, Brian, foi uma qj11da importante, pois me lembrou de manter a
respiração profimda e lenta. Durante todas as contrações ele massageou minhas
costas de uma maneira bem suave; isso para mim foi como uma mágica, pois
desviou minha atenção da dor."
Uma boa posição de
joelhos para massagem "Agora experimente usar as palmas das mãos e, começando do
das costas
centro, faça movimentos lentos em direção às laterais dessa região
ou mesmo para baixo, para as coxas. Depois levante as mãos e repita
o movimento.
"C omece na base da cabeça e sinta cada vértebra da coluna
a. Use uma mão para masagcar
m_assageando uma a uma com movimentos circulares, descendo at~ com movimentos circulares a
atingir o sacro. Depois massageie os músculos ao lado da coluna região lombar

vertebral com os polegares das duas mãos, fazendo uma pressão tal
que _seja suficientemente firme e agradável para ela; faça de novo
moVl!Ilentos _circul~es. Demore mais quando encontrar algum nó-
b. Use as duas mãos para fazer
dulo de tensao. Entao coloque as mãos sobre a região muscular dos movimentos deslizantes para os
ombros e massageie até sentir que ficou macia. lados, para baixo até as coxas ou
panturrilhas
Durante o trabalho de parto a maior parte das mulheres pede
massagem_ n~ região sacra! e lombar, pois é dali que partem os ner-
vos que vao inervar a pelve.
Agora coloque uma mão em forma de concha na porção terminal
A massagem do sacro pode ser um eficiente meio de diminuir as
da coluna, com a parte carnosa da mão cobrindo o cóccix dela. Sem
dores das contrações. Sugiro massagear somente durante a contra-
tirar a mão do lugar, exerça uma certa pressão de modo que o calor
ção e depois parar. O uso de talco pode evitar um contato rude.
da sua mão se espalhe nas costas dela. Algumas mulheres acham que
Al~as mulheres não gostam da pressão profunda durante a con-
isso ajuda durante as contrações. Sua mulher pode aumentar ou di-
traçao, preferindo um toque suave. Tente fazer movimentos rítmi-
minuir a pressão se empurrar o corpo mais para trás ou para a frente."
co~ que estejam em harmonia com a respiração dela. A melhor ma-
neira de exercitar isso é você fazer uma respiração profunda enquan- ''O calor da mão do LuiZJ que estava somente encostada no final da minha
espinha, foi muito tranqüiliZfidor e ele pôde sentir o movimento do cóccix. "
130 131
- de Aquiles atrás dos ossos do tornozelo, pois
do calca nh ar e t e nda 0 , , ,
1 aistas
os re flexo 0 0 - dizem que há uma ligação dessa area com o utero
a. :Massagem deslizante alternada
e corn a região genital. . .
para baixo na coluna
"Segure o pé com uma mão e com a outra faça movunentos cu-
culares de todos os lados do calcanhar, depo~s deslize pelos dois
lados d o ten d -ao de Aquiles · Faça uma exploraçao do osso do torno-
_
b. Com a parte carnuda da aí faça toques profundos para descobrir áreas de tensao e
mão aplicar uma pressão ze1o e, , d
suave sobre o cóccix nódulos. Para algumas pessoas a massagem profunda na, base o tor-
· dar a diminuir as dores do parto, se voce encontrar o
noze1o po d e aiu
ponto certo."
"Coloque a palma da sua mão esquerda na nuca e deslize de
VENTRE
uma maneira firme e contínua até o sacro. Depois faça o mesmo
com a mão direita e repita ritmicamente, alternando as mãos. Isso Durante 0 trabalho de parto, quando as contrações podem se
acalma bastante e pode ser usado para eliminar tremores." tornar mais doloridas, uma massagem com toque suave, com a ponta
dos dedos, pode ajudar a acalmar. Experimente você mesma na po-
COXA, PANTURRILHA E PÉ sição vertical. .
No baixo ventre, com a mão aberta, faça um movunento bem
Sente-se confortavelmente em urna cadeira, pendendo um pou- suave, amplo, como um meio círculo, de um lado até o o~tro~ Levan-
co o corpo para a frente, com as pernas abertas e os pés no chão. te a mão e repita outra vez no mesmo ritmo da sua respuaçao.
Seu companheiro deve se ajoelhar na sua frente em uma posição
Agora experimente isso com outra pessoa. .
que seja confortável.
Finalmente, seu companheiro deve se tornar consciente das par-
"Usando as duas mãos ao mesmo tempo, faça movimentos tes do seu corpo que ficam tensas quando você está sob estresse, e
deslizantes, firmes, partindo da virilha, ao longo da região interna se tornar capaz intuitivamente de retirar com as mãos q~alquer ten-
das coxas, até os joelhos. Levante as mãos e repita com movimen- são que você tenha durante o parto, seja uma testa franzida, ombros
tos rítmicos, sincronizados com a respiração dela."
tensos e contraídos, punhos cerrados ou outra qualquer.
Durante a gestação ou trabalho de parto você pode sentir cãi- Algumas mulheres gostam muito do efeito r~l~xante da ~assa­
bras na panturrilha. Sentada em uma cadeira, coloque uma perna gem durante 0 trabalho de parto. Porém para voce isso pode nao ser
no colo do seu companheiro. Ele deve dobrar seu pé/ artelhos para assim, preferindo que não encostem em você ou achando que a mas-
cima enquanto você segura a barriga da perna e a massageia suave- sagem a está distraindo. Você pode preferir um toque suave, um afa-
mente, de acordo com o movimento dele.
go, ou pode até querer uma massagem profu~d~. Deixe cl~ro para
Agora vamos passar para os pés. Essa massagem também pode
seu companheiro 0 que você gosta e o qu~ voce ~ao ~o~ta, nao. tenha
ser feita na posição ajoelhada. A massagem dos pés pode ser de ex-
receio de pedir aquilo que você quer pois esse e o uruco me10 que
trema ajuda durante o trabalho de parto, particularmente na região
essa pessoa tem de saber a melhor maneira de ajudar.

132 133
sinal com a eliminação de uma secre-
P d começar com um ' -
1. o e consistente com raias de sangue, que é o tampao
ça- o espessa, ,. f' . cervical durante a gestaçao.
- E s se
ue selava o otl 1c10
~u~o;:d: acontecer bem no começo do trabalho de _Pªr,to = m
slll mento do primeiro período. Se o tampao e e a-
ualquer mo ·, ·
Convencionalmente o parto pode ser dividido em três períodos: q sma hora que a bolsa se rompe, o líquido amruotico
do na me 1 t rnar
o primeiro é o de dilatação ou abertura do colo do útero até a dilata- . pouco manchado de sangue mas deve ogo se o
pode vir um
ção total; segue-se o período expulsivo ou segundo período, até o
claro.
nascimento do seu filho; o terceiro período se estende desde o pri- ~s contrafões fracas começaram mais ou menos doze horas após perder o
meiro contato que você tem com seu bebê até a eliminação da pla-
,.,, - sendo uma a cada cinco minutos. "
tamrao,
centa.
Al as vezes tudo começa com a ruptura das membranas ou
Nas últimas semanas que antecedem o parto, você vai começar a
2. gumdda "bolsa das águas". Ou seja, uma grande quantidade. de
sentir o útero contrair. Essas contrações que preparam para o parto per a · h de líqmdo
são geralmente indolores. Você poderá sentir o útero ficar teso e líquido escorre pelas pernas ou apenas um pouqum o
que estava entre as membranas e a cabeça do bebê. ~ perda do
duro, o que pode durar quinze minutos ou mais.
li .d amniótico só pode acontecer quando você estiver com a
''Nas últimas semanas da minha gravidez tive contrarões, algumas muito qm o d d h uma ruptura
dilatação em curso, ou, por outro la o, po e aver .
. fortes, mas passavam depoú de algumas horas. " vinte e quatro horas ou mais, antes de você entrar propria.m ente
Normalmente dentro das últimas seis semanas de gravidez seu em trabalho de parto. Em alguns casos a bolsa permanece mtacta
bebê vai se encaixar na abertura ou estreito superior da pelve e ficar até o momento do nascimento. A maioria das vezes a bolsa se
pronto para nascer, acarretando, às vezes, fortes contrações. Outras rompe um pouco antes de se alcançar a dilatação total. . .
vezes o bebê só se encaixa no momento do parto, especialmente a · · Acordei rapzdt-
'3'enti que algo jorrou, um líquido quente escoma em mim.
partir do segundo filho. Algumas gestantes têm contrações, freqüen-
nho e fiquei ligada. "
tes e fracas um dia ou dois antes de entrar em trabalho de parto, que
podem se manter durante horas e depois passar; esse efeito é conhe-
''Quando me levantei o lençol estava molhado, depois sen~i ~lgo escorrer de
cido como '~falso trabalho de parto". É importante saber que isso mim; nesse momento tomei consciência de que fogo ela chegana.
pode acontecer com você. Se você ficar em dúvida se as contrações 3. Pode ocorrer uma dor contínua e maçante na região lombar,
que você está sentindo são ou não as verdadeiras contrações de tra- que pode ser causada pelas contr~çõe~ uterinas. , . al
balho de parto, então não são! Pode acontecer uma diarréia, pois existe uma te~d,encia natur
A grande questão é - como ter certeza de que o trabalho de parto realmen- 4. de esvaziar o intestino no período que antecede o llllClO do traba-
te comerou? lho de parto.
O trabalho de parto propriamente dito começa quando o colo • fi uito frio e com tremores.
5 Pode acontecer de voce car com m - .
começa a dilatar. Porém esse início pode acontecer de diferentes
· limin tensoes e geral-
Esse é o jeito que seu corpo tem para e ar as
maneuas:
135

134
- pois disseram que eu parecia tão tranqüila que ainda não estavam
mente acontece no início do trabalho de parto ou em qualquer nar 011 nao,
momento do parto. O melhor a fazer é esperar que passe por si, Je que eu estava em trabalho de parto. "
seguraS ª' .
respirar profundamente ou mesmo que alguém faça uma massa- ''Fiquei caminhando, às vezes me acocoran~o, e q~an~o fui exam~nada trm-
gem nas costas ou nos pés. ta minutos depois ficaram atônitas, porque a dzlataç~o tinha progredido rapida-
6. O sinal mais concreto de que o trabalho de parto começou são mente. O intervalo entre as contrações era então de cznco minutos e elas estavam
as contrações, um pouco mais intensas do que as que acontecem bem mais fortes; daí descobri duas posições (dobrando o corp_o para a frent~
no final da gestação. Podem se assemelhar às dores episódicas contra uma parede e também ficando qjoelhada de quatro no chao) que me trazi-
que você tinha no baixo ventre ou também podem ser percebidas am um grande alívio. "
pelas dores na região lombar ou nas partes internas das coxas. Conforme 0 trabalho de parto progride, as contrações ficam mais
~os poucos fiti me acostumando com aquele endurecimento e aquela cólica próximas umas das outras e mais intensas, sendo menor o intervalo
na barriga. Como eu estava em sono profundo até aquele momento, levei algum entre elas.
tempo até perceber o que realmente estava acontecendo: mas como as dores conti- No momento em que você estiver com o trabalho de parto real-
nuaram mais ou menos a cada cinco minutos, ficou óbvio que o bebê estava mente estabelecido, as contrações vão se tornar bastante intensas e
tentando nos dizer algo. " exigir de você um bocado de energia.
As primeiras contrações podem ser bem incômodas ou tão fracas ~s contrações passaram a solicitar cada vez mais de mim. Eu preferi ficar
que você pode continuar dormindo ou nem mesmo percebê-las. As sentada na borda da cama com o corpo dobrado para a frente, apoiada em uma
contrações são percebidas de diversas maneiras por mulheres dife- cadeira, enquanto me concentrava na respiração profunda abdominal "
rentes, ou pela mesma mulher em diferentes partos. Podem ser fra- ~s dores não foram nada fáceis desde o início. Vinham a cada dez minutos,
cas ou fortes quando começam. Podem acontecer a cada meia hora mas descobri que respirando profundamente durante as contrações podia supor-
ou a cada dez minutos, ou, às vezes, em intervalos bem regulares. O tar melhor. Entre as dores permanecia ativa, Jazendo alguma coisa da casa, mas
útero vai começar a se contrair e a endurecer, afinando ou ~svaecen­ quando elas ficaram mais fortes precisei parar e descansar sobre uma pilha de
do o colo e fazendo com que este suba e se incorpore ao útero, e
almofadas no intervalo entre elas."
depois se dilatando na base. As contrações vêm como as ondas do
mar: começam mais amenas, crescem até um pico e depois vão de-
As sensações do parto
crescendo. Segue-se então um período de descanso até que a próxi-
ma comece. O parto é um fato muito especial na sua vida sexual como _mu-
Algumas mulheres descrevem as contrações como "ímpetos de lher. É um momento em que você sofre uma transformaçao -
energia''. De qualquer modo, a contração atinge seu ponto máximo torna-se mãe, está trazendo ao mundo um outro ser. Seu útero vai se
no que chamamos de "pico", e pode ser dolorosa nesse ponto. dilatar completamente e você vai passar por mudanças no estado de
~s contrações estavam bem fracas e a cada dez minutos quando cheguei ao consciência normal.
hospital As pessoas que me examinaram ficaram em dúvida se iriam me inter- Enquanto estiver em trabalho de parto você vai querer se afastar

137
136
ente vai passar por sensações intensas e de todos os
das atividades normais do dia-a-dia e vai desviar naturalmente sua Provavelm .. , d
. s desde agonia até o êxtase, do desespero e debili~ade a eter,-
atenção para dentro de si, como se o mundo inteiro pactuasse com 0
tipO ' - viºtalidade da exaustão a uma incrível energia e força. E
que está acontecendo dentro do seu corpo. Dentro de sua cabeça tp10açao e ' _
, que aconteçam algumas náuseas. Algumas nao sentem nada,
muda-se a dimensão de tempo. Horas podem parecer minutos. É passive1
as têm muito enJ· ôo. Não é nada para se preocupar; se
como estar em um outro mundo. enquanto ou tr . . .
• rru· tar e eliminar terá alivio imediato e isso pode aiudar a se
''Pensei que estivesse fora do tempo. JJ w~ ~ .
ensões e ansiedades. O parto é um grande esvaziar-se; por-
livrar de- t ' enhuma surpresa se seu estômago e mtestmo
. .
resolve-
"Internamente estava em contato com o meu corpo, sem saber o que se passa- tanto, nao e n
va ao meu redor. JJ esvaziar dos seus conteúdos nesse momento. Na verdade,
rern se . _ .,
esses acontecimentos podem ser um sinal de que a dilataçao ia pro-
Essa abertura total do útero acontece somente uma vez, ou pou-
cas, durante sua vida. É uma experiência emocional muito profunda grediu bastante.
que envolve uma regressão aos sentimentos mais básicos e primiti- 'No intervalo entre as primeiras contrafões, precisei ir bastante ao banheiro,
vos, como se tudo que você tivesse sido na sua vida estivesse presen- e bebê parecia que ia nascer no meio de um processo intens~ e natural de
0
te naquele momento. Provavelmente acontece um relembrar incons- evacuafãO. Alguns minutos depois vomitei e comecei a me sentir bem, pronta
ciente do que você viveu no útero de sua mãe, no seu nascimento e para agüentar as contrafões. "
na sua primeira infância, tudo isso misturado com a emoção de virar
mãe e uma comunicação muito íntima entre seu corpo e seu bebê. D or de dar à luz
O útero é o palco das suas mais profundas emoções. Da mesma
maneira que precisa ir a fundo nas suas sensações interiores quando A dor do parto é uma velha história da humanidade. Não há dú-
vivencia um orgasmo sexual pleno, precisa responder instintivamen- vida nenhuma sobre ela - qualquer mulher que já deu à luz pode
'. ,,,
te às necessidades e mensagens do corpo quando este está em traba- confirmar: "o parto... d 01 mesmo ..
lho de parto ou quase para dar à luz. o melhor é ser realista e esperar que vai doer, mesmo que ao final
De uma certa maneira você precisa perder o controle, acreditar e você acabe sendo uma daquelas bem-aventuradas que não sentem
se render ao processo inerente que acontece no seu interior, sem nenhuma dor _ e fique sabendo que isso é possível! A maioria das
você se dar conta, e que vai culminar com o parto. Precisa desligar mulheres sente dor nos ápices das contrações. As dores são de cará-
sua mente, deixar de lado tudo que já sabe e simplesmente deixar ter agudo e não-pulsantes ou persistentes; geralmente nã~ há dor
acontecer. É um momento de se voltar para dentro de si, abandonar-se entre as contrações. A contração seguinte a uma outra mmto forte
ao desconhecido, não pensar no que está para acontecer, mas viver freqüentemente é mais fraca. A dor não é do mesmo tip_o da d~~ de
somente o momento e deixar os ritmos involuntários do seu corpo um machucado. Muitas descrevem-na como algo positivo ou dor
tomarem o controle. de dar à luz" e sentem igual satisfação entre as contrações.
Uma das causas principais de dor desnecessária no parto é ficar
''Fica mais fácil quando a gente consegue não lutar contra aforfa interior que
deitada a maior parte do tempo. Mesmo usando vários travesseltos,
quer trazer o nenê para fora e daí ela toma conta da gente. Nesse barco se você
relaxar, pode flutuar; se lutar e tentar controlar, você afunda. JJ 139

138
-ao de ser observada pode deixá-la nervosa. Essa é uma
você
.
não deixa .
de parecer
.
uma tartaruga encalhada _ tot alm~~ A sensaÇ
·d ão vital em se tratando da escolha do local e das pessoas
indefesa_-_e ainda por orna as contrações vão doer muito mais. Ou- cons1 eraç , • . .
- fazer o seu parto. E importante voce acreditar e sentir con-
tras
f pos1çoes (tais como se ajoelhar com o corpo dobrado p ara a que vao s pessoas que vão lhe ajudar no processo, e ter o prazer e o
rente'. ficar em pé, de cócoras ou sentada) realmente-alivia~-s do.: fiança n a .
· da presença do seu marido ou de alguma outra pessoa quenda
res e aiudam a entrar em sintonia com o que está acontecendo d
d • ~
~~
do durante o trabalho de parto. Algumas mulheres tem uma
.
tro e voce. Você precisa da liberdade de fazer o que bem entende ao seu la
rande necessidade de ficar sozinhas nesse momento, com o pesso-
do seu corpo no sentido de descobrir o que é melhor para vo cê
~ médico ou com o companheiro não muito distantes, caso precise
mesma.
deles. Para algumas mulheres a privacidade total é muito importante,
"Sentia-me tão desconfortável deitada que tive que levantar e buscar alívio em enquanto outras precisam da presença tranqüilizadora de uma pes-
outras posições; essa foi a maneira que encontrei para me concentrar, tentar
soa querida por perto.
relaxar e não abandonar a respiração abdominal. "
"Com o apoio constante de meu marido e da obstetriz me senti encorqjada a
'Vescobri que pequenos movimentos ajudavam bastante _ em um determi- alcançar meu objetivo. Ismael depois confessou que se sentiu feliz por ter conse-
nado m~mento est~va quase dançando. Apoiar ou segurar em algo era impossível guido me qjudar - sempre que perdia o controle ele me trazia de volta para a
para mim mas deztar em uma cama era o pior de tudo. "
respiração abdominal. "
Geralmente o excesso de dor está relacionado com ambiente e Já citamos a mudança do estado de consciência que acontece no
atmosfera impróprios. período de dilatação. É interessante que isto aconteça em um ambi-
Durante a gestação e o parto seu corpo produz hormônios cha- ente com um mínimo de luminosidade, quase na penumbra, onde
mados endorfinas, que são analgésicos naturais que relaxam e alivi- exista a ocorrência de um mínimo de estímulos sensoriais possível.
am as ~or~s. Um outro hormônio secretado pelo corpo é a ocitocina, Um fundo musical suave pode ajudar você e os profissionais que lhe
cuia açao_e desencadear as contrações e o processo do parto. Porém, atendem. A possibilidade de cobrir o corpo com água é uma das
a produçao desses hormônios está profundamente relacionada com melhores maneiras de diminuir as dores do trabalho de parto. Ter à
suas emoções. Para que o corpo produza esses hormônios é necessá- mão uma piscina de parto com água quente seria o ideal, mas uma
no que você se sinta segura, relaxada, desinibida e livre para ser você banheira ou até mesmo um chuveiro podem ajudar. Se você se sentir
mesma. A presença de. uma pessoa desnecessária no quarto, ou al- confusa ou reprimida, experimente tomar um banho (ver Capítulo 7).
guém que não lhe deixe relaxada, pode inibir a secreção desses
''O banho, a água cobrindo meu corpo, foi incrível! E depois passei a girar o
hormônios.
quadril e a massagear a barriga. Imaginei que ao passar a mão no ventre estava
, ~s posições me fizeram sentir bem à vontade, t!ftnal eu estava na minha consolando o bebê no momento difícil que passava lá dentro de mim. Afinal,
própna casa; senti-me segura e tranqüila. Eu gemia, gritava e punha para fora
estávamos os dois no mesmo barco!"
uma
. .força
. interna daquela maneira - me sentia incrível.!· E.-" era
" um zns · trumento
Existe uma correlação definida entre ansiedade, medo e dor.
zntuztzvoJ de
,, mim mesma - meu corpo estava se abrindo e cab · ho estava
0 .L ·1 zn
Quando você fica com medo, com frio ou hiperexcitada, seu corpo
cheganuo.
141
140
secreta adrenalina, a qual pode inibir o processo do parto no primei- cas mulheres precisam ou vão pedir alguma forma de alívio
ro período (embora possa desempenhar um importante papel na medicamentoso da dor, mesmo que esteja à mão.
fase de expulsão). Seus músculos se contraem, a respiração se torna É sempre bom, ao se aproximar de uma aventura desconhecida,
mais superficial e geralmente você acaba se desconectando do que manter a mente aberta. Se você não puder agüentar a dor não precisa
está acontecendo dentro de você. Isto faz com que a dor aumente. sentir nenhum tipo de culpa por fazer uso de analgesia. No entanto,
Assim que você relaxar e deixar acontecer, a dor vai diminuir. é bom lembrar que as drogas vão entrar na corrente sangüínea do
Uma preparação mental e corporal durante a gravidez capacita-a bebê e ter algum tipo de efeito não desejado, que você precisa avaliar
a enfrentar o parto com segurança. A prática da yoga durante a ges- cuidadosamente (ver página 268). Alguns desses efeitos no bebê po-
tação vai garantir sua melhor forma física na época do nascimento, dem ser danosos; portanto, aprenda o máximo que puder sobre es-
capacitando-a a conviver com as dores e se livrar de algumas delas sas drogas, seus prós e contras, e como tirar o melhor proveito delas.
antes do dia do parto. Dirigir a atenção para a respiração e para seu Existem alguns medicamentos homeopáticos que ajudam um pouco
"eu interior" vai ensiná-la a fortalecer a mente e a se deixar levar e que não têm efeitos indesejáveis (ver Capítulo 11).
pelas poderosas forças que existem dentro de você. O tamanho e a Essa é uma frase que escuto com uma certa freqüência "Que foi
forma do bebê e a posição em que ele se encontra vão fazer diferen- dolorido, foi ... mas valeu a pena!" Algumas descrevem que no mo-
ça nas dores que você terá (ver página 254). mento do parto tiveram o maior orgasmo de toda sua vida. As mu-
Cada um de nós tem um limite de tolerância à dor. É um aspecto lheres falam de êxtase e grande júbilo, de profundos sentimentos de
muito subjetivo e não há dois partos sequer que sejam iguais. Algu- alegria e amor. É bom salientar que a dor em questão faz parte de
mas mulheres vão sentir uma dor muito forte durante o trabalho de uma grande variedade de intensas sensações e experiências. Se tira-
parto enquanto outras vão ficar em dúvida de chamar o que senti- mos a dor vamos tirar, de uma certa maneira, as outras sensações
ram de "dor". também.
"Fiquei preenchida por um senso de alívio, realização, gratidão efelicidade.
'.:4 dor foi pior do que eu imaginava - foi quase animalesca. Parecià que e11 Emoções muito parecidas foram compartilhadas por mett marido, lágrir,;as rola-
estava sendo tomada por uma mão gigante, que me apertava por dentro e que ia
ram dos seus olhos. "
me jogar sobre um oceano em tempestade. Quando pensei q11e ia naufragar fui
salva pelos olhos da minha amiga, q11e já tinha passado por uma experiencia A grande recompensa de poder aceitar e suportar a dor, e permi-
semelhante e captou alguma coisa do que estava acontecendo comigo. " tir que a natureza faça a parte que lhe cabe sem ser atrapalhada, é um
bebê atento, saudável, vigoroso e sem nenhum tipo de prejuízo ao
''Meu parto foi uma experiência incrível, não tive dor alguma, somente um
final das contas, e é um bom ponto de partida para o relacionamento
descoeforto. Foi maravilhoso poder ficar em movimento e não ter que deitar.
entre vocês dois.
Estive no controle de mim a maior parte do tempo. "
"Este parto foi muito diferente do primeiro que tive. Fui encorqjada a aceitar
Quando se permanece ativa durante o parto, quando 0 local coo-
Do/antina e achei que isso me deixou muito sonolenta, perdi o controle total.
pera e quando as pessoas são habilitadas, sensíveis e prestativas, a Desta ve::.:i sem nenhum medicamento, fiquei muito mais atenta e em contato com
dor se torna muito mais suportável. Nessas circunstâncias ideais, pou-

142 143
. linh d om o maior diâmetro do estreito
meu corpo, embora ache que a dor foi muito mais intensa. " ci wfrontal*' vai estar a a oc
oc P. d lve que vai de um lado ao outro.
superlor a pe '
O primeiro período do parto

Antes do início do parto, o bebê fica dentro do útero com a cabeça


dentro da pelve, esperando a hora de tudo começar. O colo, ou abertu-
ra, do útero fica bem fechado e tampado pelo tampão mucoso. A
bolsa que envolve o bebê fica íntegra e contém o líquido dentro do
qual o bebê flutua. Antes de o parto começar o colo pode ter até cinco
centímetros de comprimento (espessura) e cerca de uma semana antes
do evento, os hormônios que seu corpo secreta vão prepará-lo,
deixá-lo menos consistente, pronto para se abrir durante o parto.

\
Final do primeiro período -
Dilatação do colo no início do colo sobe e se amolda à
0
primeiro período cabeça do bebê

O colo se esvaece A descida da cabeça


e se torna menos
Bebê a termo dentro espesso com as
do útero
À medida que o útero vai se dilatando a cabeça vai descendo gra-
contrações que
antecedem o parto dualmente no canal pélvico, rodando lentamente confo_rme desce:
O maior diâmetro do estreito inferior é o ântero-poste~or, que vai
O QUE ACONTECE COM O SEU BEBÊ da sínfise púbica até o cóccix: por isso, a cabeça do bebe roda con-
forme ela vai descendo.
Antes do início do trabalho de parto a cabeça do bebê se
*N. do T.: ,\ linha imaginária que controla a cabeça, passando pela resta e pda porção mais
encaixa dentro da pelve. O maior diâmetro da cabeça do bebê, o
proeminente atrás da cabeça.
145
144
ais b reve de aproximadamente meia hora e o m~s longo, de dois
Essa descida determina uma pressão maior da cabeca , sobre a 111 , dias às vezes com interrupção das contraçoes. No entanto a
cérvix que ajuda e vai se dilatando. O útero que se dilata vai subindo ou tres ' . . , d
édia de duração do período de dilatação para o primeiro filho e e
e se molda como uma luva na cabeça do bebê enquanto ela progride 111
dentro do canal pélvico. Ao alcançar a dilatação total o colo vai estar
8 a 16 horas. _
Q ualquer que seja 0 ritmo do seu trabal~o d~ ~arta as contraçoes
envolvendo a cabeça mais ou menos ao nível da orelha e aberto 0
vão se tornar mais fortes, duradouras e mais proximas umas das ,ou-
suficiente para a passagem do bebê inteiro.
tras à medida que o colo se dilate progressivamente, desde O ate 1.°
centímetros (dilatação total= 10 centímetros). Você ou sua obs:emz
O QUE ACONTECE COM VOCÊ dem perceber a dilatação do colo com o toque vaginal, e e por
Pº ·
isso que você escuta a expressão "quatro ou cinco dedos ~e. ata-
dil
Após o início do trabalho de parto as contrações 1ruwus vão
- " Se 0 parto está evoluindo bem, é melhor fazer o mirumo de
tracionar o colo para cima de modo que ele se afrouxe e se torne çao . . .. .
toques vaginais possível, pois eles aumentam a possibilidade de in-
pronto para dilatar. Algumas vezes esse afrouxamento acontece an- ' . 1
tes que o trabalho de parto realmente comece, particularmente de- fecção. Algumas vezes eles são totalmente desnecessanos. _ _
Quando você estiver perto da dilatação total as con~açoes vao
pois do segundo filho.
atingir máximo de intensidade e você estará se aproximando do
É possível que você tenha contrações de pré-parto (falso trab a- 0

lho de parto) nas vinte e quatro horas que precedem o parto, que são clímax do parto.
Os hospitais modernos são relutantes em permitir que um parto
contrações fracas e que começam e param periodicamente. Eventu-
se prolongue por mais de vinte e quatro horas e geralmente tomam
almente podem se tomar rítmicas.
Classicamente o trabalho de parto começa com contrações regu- uma atitude médica para acelerar o processo, como o uso de um
lares a cada 20 ou 30 minutos e com duração de 20 a 30 segundos. soro com syntocinon. Uma das vantagens do Parto Ativo é que as
Após um certo tempo, enquanto a cérvix se dilata, ocorrem a cada contrações tendem a ser mais regulares e eficientes e o parto mais
15 minutos (30-35 segundos de duração), depois a cada 10 minutos curto. Apesar de tudo, é normal para algumas mulheres que a dilata-
ção ocorra lentamente; se isso ocorrer com você, descanse bastante
(35-40 segundos de duração), 5 minutos (40-45 segundos de dura-
no intervalo entre as contrações e se a evolução, mesmo lenta for
ção), e 3 minutos (45-50 segundos de duração), até que finalmente,
progressiva, se você conseguir suportar e o bebê não mostrar ne-
no final do período de dilatação, quando o colo está quase que total-
nhum sinal de sofrimento, não há motivo para intervenções.
mente dilatado, as contrações duram de 60 a 90 segundos e ocorrem
O útero normalmente se inclina para a frente durante uma con-
em intervalos de um minuto e meio.
tração; portanto, o trabalho vai ser mais produtivo e oferecer menor
Porém, pouquíssimas mulheres têm essa evolução clássica do par-
to, podendo ocorrer uma grande variedade de padrões e ritmos. Al- resistência se você estiver na vertical e dobrada para a frente.
gu.-n<JS têm contrações que acontecem a cada 10 ou 5 minutos até o Permanecer em um quarto tranqüilo e na penumbra, com o míni-
mo de pessoas ou distrações possível, propicia uma dilatação mais
final.
O tempo de duração do primeiro período varia muito, sendo 0 rápida.

147
146
A contração uterina
RESPIRAÇÃO PARA O PERÍODO DE DILATAÇÃO

Entre em contato com seu eu interior, permitindo que a atenção


se concentre na respiração, mas sem interferir, o máximo de tempo
que você conseguir. Quando julgar necessário, use a respiração
diafragmática, concentrando-se na expiração. Tente manter o corpo
(principalmente os ombros) relaxado.
Quando as contrações se tomarem muito fortes, emita sons tais

\ \
como gemer, grunhir, sibilar, cantar e, porque não, até gritar. Não
tente coibir essa necessidade, que é perfeitamente natural e pode até
ajudar a diminuir as dores. Emitir sons ajuda a produzir hormônios
semelhantes às endorfinas, que agem como analgésicos internos na-
turais e ajudam na alteração do nível de consciência. Sabe-se que
2. Nas posições deitada ou semi-sen- várias formas de meditação e algumas religiões utilizam-se do canto
... tada o útero trabalha contra a força
da gravidade durante a contração
ou mantras para ajudar a esvaziar a mente e elevar o indivíduo a um
estado de consciência mais profundo e mais concentrado em si mesmo.
"Coriforme as co11f1"C1fÕes foram ficando mais fortes comecei a gemer e até a
gritar. Quando a dor aumentou e se tornou quase insuportável eu ainda sabia
interiormente que estava no controle de mim. "

POSIÇÕES E MOVIMENTOS PARA O PERÍODO D E DI-


LATAÇÃO

No início do trabalho de parto é uma boa idéia se soltar através


de alguns exercícios de yoga Qevante-se, mexa-se!).

~
Tome um banho de imersão quente e continue a fazer suas ativi-

u
dades de costume até que as contrações requeiram maior atenção. Se
começarem durante a noite, tente dormir um pouco mais. Isso faz
com que você economize energia para quando as contrações mais
{r 3. Virnodo cm pó (oo ,;oc
intensas chegarem. Se não conseguir dormir, então descanse em uma
\ e? lhada) e com o corpo do-
\. brado para a frente você fa- posição vertical na sua cama, apoiada em almofadas.
\ ! cilita o trabalho uterino e
Prepare seu quarto de modo que tenha um banquinho ou uma
\ / diminui a resistência
!
148
149
pilha de livros grossos para ficar de cócoras sobre eles, alguma coisa ocon ta
to físico direto
para proteger o joelho quando ficar de joelhos como um colchonete ode ajudar durant~. o
P A mãe se apoia no
ou um cobertor e almofadas por todos os lados, e uma ou duas des- parto.
anheiro em uma
comP
sas grandes almofadas ou "bean-bag" (um pufe maleável, fofo). Uma posição vertical
garrafa com água quente pode ser útil. As posições que vamos mos-
trar são os movimentos básicos que acontecem naturalmente duran-
te o primeiro período do parto. Use-os como guia e varie a posição
ocasionalmente. Tente ficar o mais confortável possível e, acima de
tudo, deixe seus próprios instintos guiarem você. Espere algumas
contrações para se acostumar com a nova posição. O movimento
Em pé durante o trabalho de parto
rítmico da pelve durante as contrações pode ajudar: você pode ba-
lançar a pelve para a frente e para trás, de um lado para outro, ou em
. _ rtical a descida do bebê é favorecida
pequenos círculos, pois isso vai facilitar a dilatação do colo do útero, Com seu corpo na pos1çao ve ' ,
a descida do bebê e ajudar a dissipar a dor. . . al Algumas mulheres gostam de ficar em pe
pela força gravitac1on · .
durante todo o trabalho de parto e outras, também durante o nasc1-
"As contrações estavam tão fortes que a única coisa que eu podia fa zer era:
, Algumas mulheres observaram que se pendurar em
andar, andar e andar... compassadamente. " menta d o b ebe · 1d '
d um a rede de dormir presa de um a o so ou
algo como uma cor a, . -
Caminhar, deambular ou ficar em pé durante o trabalho de parto . d diminuir a dor (existem mformaçoes de mu-
em uma barra aiu a a 1 d
são condições agora reconhecidas por especialistas, que fizeram es- lheres primitivas fazendo o mesmo). Colocar os braços em vo ta o
tudos sobre esse assunto, como meio para encurtar o parto e aumen-
tar a eficiência das contrações. Logo no início do primeiro período
experimente caminhar, dobrando o corpo para frente durante as
'
contrações.
"Durante o primeiro período procurei/ú:ar em pé o máximo que pude e
caminhar pela sala de parto: durante as contrações eu me dobrava e me apoiava
no leito enquanto meu marido fazia massagem nas minhas costas. Durante as
contrafÕes eu fazia movimentos circulares com o quadril. Não achava as contra-
fÕes doloridas de forma nenhuma, apenas desconfortáveis. "

. e al , til ara escutar o coração do bebê


A obstetriz usa um morutor ret porta P 1 51
150
pescoço de uma outra pessoa e se pendurar também pode ªJ. udar.
Essa pessoa deve tomar o cuidado de manter os ombros um pouco
abaixados, dobrar levemente os joelhos e retesar os músculos das
nádegas a fim de servir de apoio para você, sem ganhar uma dor
nas costas de presente. É bom treinar antes do parto.
Muitas mulheres acham agradável serem seguradas durante as
contrações e têm necessidade de um contato físico com outra pes-
soa - geralmente uma outra mulher. Outras preferem ficar sozinhas
durante o trabalho de parto com o companheiro e a parteira na sala
ao lado. Algumas gostam de ficar em pé, dobrar o corpo e se apoiar
em uma parede durante as contrações e ficar de cócoras sobre um
banquinho no intervalo entre elas. Cócoras com o corpo
Cócoras sustentada apoiado em uma cama
''No final da tarde meu homem e eu saímos para passear sozinhos. Durante durante o trabalho de parto

as contrações a única coisa que eu quen'a fazer era me agarrar a ele. 5 enti · - d , para o final do
Outras preferem reservar a posiçao e cocaras
. . · e são menos can-
uma grande transmissão de energia dele para mim. Quando voltamos para arto e usar outras posições verticais com apoio qu ,
p . 1 A ição de cocaras
casa as contrações estavam muito fortes e abracei Gilles em volta do pescoço e
Satl.vas ' tal como ajoelhar apoiada em a go. pos
-
, d
No peno o
me pendurei nele. Até quase na hora do parto não tinha prestado muita . um aumento na intensidade das contraçoes.
determma . · res diâme-
atenção ao meu homem, achando que precisava das qualidades suaves de entre duas contrações essa posição proporciona os maio
uma mulher; mas, no fina~ foi maravilhoso ter seu apoio tanto físico como tros da pelve e facilita a descida do bebê.
mental."
As posições sentadas
A posição de cócoras é a posição fisiológica para o trabalho de
parto e para o parto. Sua pelve atinge os maiores índices de abertu-
ra, a gravidade pode atuar e as contra~ões têm sua eficácia máxi-
ma. No entanto, é importante não se desgastar demais e descansar
totalmente entre as contrações. Lance mão da ajuda de uma outra
pessoa ou de um banquinho, uma pilha de livros ou uma almofada
firme para que você fique o mais confortável possível.
Você pode ficar de cócoras durante as contrações ou entre elas. É
uma posição que pode ser usada a qualquer momento do trabalho de
Com os cotovelos sobre as coxas.
parto, principalmente se você quer apressar as coisas. Algumas di- Pode ser feito em uma cadeira ou
zem que essa realmente é a melhor posição. Sentada, debruçada no no vaso sanitário
encosto de urna cadeira
153
152
((Fiquei de cócoras durante as contrafÕes, pois essa posição pareceu-me a
mais natural e coefortável, especialmente separando os joelhos o máximo que
podia e me contorcendo de um lado para o outro, todo o tempo, tentando manter
a respiração lenta e prefunda, concentrando-me na expiração. "
Nessas posições você tem quase as mesmas vantagens da posição
de cócoras, mas o tronco está apoiado. Assim dá para descansar
melhor entre as contrações.
'Yis contrações prendiam toda minha atenção. Senti dor mas não fiquei com
medo, confiava no que estava acontecendo. Tive necessidade de ficar sozinha.
Caminhei, fiquei de joelhos e de cócoras coeforme as contrações Ficavam mais
fortes. Descobri que o vaso sanitário era o lugar mais coefortável, pois nele eu
estava bem instalada enquanto deixava o perineo livre. "
Ficar de joelhos é uma posição que pode ser usada a qualquer
momento do trabalho de parto, e de fato muitas mulheres desco-
brem que, quando o parto se intensifica e evolui para a última parte
do período de dilatação (de 7 a 10 centímetros de dilatação), essa é a
posição mais confortável. Ela também pode ser propícia para a mo-
vimentação rítmica da pelve durante as contrações, e também para
outros movimentos, como o giratório ou de um lado para o outro.
((Fiquei de quatro no chão e descobri que o movimento de balançar para a
frente e para trás aliviava a dor. Meu namorado Jri_ccionou minhas cadeiras
quase o tempo todo. "
A posição ajoelhada é muito interessante se você tem uma dor . ·d d ajuda a descida do bebê
Na posição de joelhos com o corpo erguido a grav1 a e
lombar intensa durante o parto ou se o bebê está com uma apresen-
tação posterior (ver Capítulo 10). A rotação rítmica ou a movimenta-
ção espontânea da pelve podem ajudar na rotação do bebê para a
apresentação mais comum, a anterior. Você pode se ajoelhar tanto
com o corpo erguido como debruçada sobre almofadas ou um mó-
vel qualquer. Procure deixar o tronco o mais vertical possível para
permitir maior ajuda da gravidade.

155
154
. - da em várias religiões por ser propícia para a
E ssa Posiçao, usa um nível mais profundo de cons-
- a·uda a pessoa a entrar em
oraçao, J d der das contrações que acontecem no seu
ciência e a se ren er ao po

ventre. . - ei·o-cócoras e meio-ajoelhada (semi-ajoelhada) é uma


A posiçao m · f' ·1
. d om o ªJ. oelhar sendo mais aci que
ão para uso com b ma o c '
\ boa odpç ,
fi ar e cocor ·
as Alterne as pernas a cada contração e balance o cor-
d
~~,.~ ic frente e para trás durante as contrações, usan o com~
dil -
Po para
.
a . ·
. lh mais alto. Essa posição propicia uma ataçao mais
apo10 o 1oe o
fácil e pode aliviar a dor lombar.
Recobrando forças entre as contrações

"Quando as contrações ficaram mais fortes procurei o meu puje fofinho.


Recobrando forças entre as contrações debrucei-me sobre ele e girava meu
quadril. Foi incrível o tanto que ajudou, na verdade parecia a coisa mais natural
para ser feita!"
Se o trabalho de parto está progredindo rapidamente, é possível
lançar mão de um ajoelhar mais horizontal se você quiser diminuir
um pouco esse ritmo. Quanto mais horizontal e menos vertical seu
corpo ficar, mais vai desacelerar as contrações, pois diminui a força
de pressão que a gravidade exerce sobre o colo do útero. No caso de
Ajoelhada com a cabeça para baixo ajuda a suportar as contrações intensas
um parto muito rápido e repentino, a posição genupeitoral vai aju-
dar a tomar as contrações mais lentas e suportáveis.
'Tudo que eu sabia era que o parto estava evoluindo com uma rapidezfora "Achei ótima a posição semi-qjoelhada; na verdade, eu estava assim quando
do comum eprecisava brecar aquilo um pouco. Eu já estava de joelhos no chão, a bolsa se rompeu e achei que me qjudou a suportar legal. "
então encostei o rosto no chão e o bumbum ficou bem para cima. "
Se você preferir se deitar durante o período de ~atação, então é
Ao ficar de joelhos, você vai descobrir que pode relaxar comple- r 0 bem apoiado por traves-
p referível que fique de lad o, com o co P
tamente entre as contrações e que a dor é mais tolerável. Use uma · d s O descan-
seiros e pode até colocar um travesseiro no me10 as perna . -
almofada de espuma, travesseiro ou um cobertor dobrado embaixo , . t nto sei· a cuidadosa e nao
so entre as contrações e importante; por a '
dos joelhos. . a palavra "Ativo" , gastando todas as suas forças.
hiperva1onze

157
156
É preferível que você ache um jeito de se relaxar e se solta O p eríodo de transição - o fim do trabalho de parto
1 · d - r corn
a gum ttpo e açao durante as contrações e que descanse entre elas.
Certa vez escutei úma obstetriz explicar para uma mulher que
estava em trabalho de parto que o período de dilatação era seme-
lhante a escalar uma grande montanha: depois de subir bastante, no
final de uma porção íngreme, você se depara com uma parede ro-
chosa que tem que transpor para alcançar o topo. Embora você este-
ja mais perto do que nunca, pode perder a noção dessa relatividade
e se desesperar, consumindo-se na batalha contra essas últimas e
penosas contrações.
Essa é uma ótima descrição do período de transição. É a ponte
entre as últimas contrações do período de dilatação e o início das
contrações de "puxo" do período expulsivo. A transição pode durar
de alguns segundos até duas ou três horas, ou mais. O mais comum é
que o período de transição seja mais demorado no primeiro parto.
Esse momento é muito delicado - o final da dilatação está acon-
tecendo e você está prestes a dar à luz. Semelhante ao momento
antes do orgasmo, não pode haver nada que a atrapalhe ou que a
distraia, para deixar acontecer os impulsos involuntários que vão tra-
zer seu filho ao mundo.

O QUE ACONTECE COM VOCÊ

As contrações começam a acontecer uma logo atrás da outra, muito


mais intensas que antes e com pequeno intervalo entre elas. O colo
deve ter alcançado 8 ou 9 centímetros de dilatação, mas esse último
centímetro pode levar muito tempo para desaparecer. Nessa fase não
é raro acontecer o que é conhecido como rebordo anterior, isto é, a
A posição semi-ajoelhada durante o trabalho de parto borda do colo que está bem abaixo da sínfise púbica demora um
pouco mais para ser incorporada ao útero que a porção posterior, e
enquanto o caminho não estiver totalmente aberto para o bebê você
não deve fazer força de expulsão.

158
1 159
1

1
COMO VOCÊ SE SENTE heres parecem entrar em estado de transe nesse mo1nento -
rnas mul .
do de consciência profundo e desligado do mundo.
Isso não é nada fácil de ser descrito! um es ta
Muitas . mulheres
. ac h am que essa e, a parte mais confusa d 'Ficava de cócoras e de joelhos 110 mlcho11ete, apoiaria em 11111a amiga e 110
Tente se tmagmar nessa situação: totalmente dil t d o parto. e u ido, 11111 de cada lado, e até qm me11 pe1iodo de tra11sifiio foi bem mrto e
mente vulnerável. É muito tarde pa a a a e completa- 111 1111 11
- , ra se tomar alguma · ( tranqüilo. Acho qm cheguei a dorJ71ir um pouco."
nao e nada indicado!). Ainda não , h d f: coisa o que
e ora e azer forç
nascer, embora você J. á come . a para o bebê ''Essa fôi a parte mais difíúl do parto pois 11ào percebi que estava 110 petiodo
ce a sentir vontade de faz, l
pode se desesperar, ficar assustada, irritada e de um mo e- a. Você de 1ra11sm1o e se11ti vontade dejà:::._erfo1p:1. fiquei preompada, pois pareâa muito
outro ficar alegre e radiante. mento para o cedo para isso. Debmcei-me de joelhos 11as alm~/adas. O mntato olho a olho com
meti 111mido Jôi Jimdamm!al 11esse 11101J1enlo. .Q11a11do rH011tectJ11 de q11ase perder
Período de transição
o .-o11trole, meu matido respirou )1111/0 co111igo para diminuir um pouco o 1it1110
respiratório. Isso fez.-me recobrar imediatame11!e o controle."
É comum ficar assustada durante o período de transição - afinal
de contas você está prestes a dar à luz e ver seu filho pela primeira
.--:-" vez! Muitas mulheres sentem que não podem fazer isso ou mesmo
O colo está totalmente dilatado e:
0bebê já pode nascer que vão rachar ao meio e morrer. Esses medos são irracionais e às
vezes nem mesmo conscientes. l\.1ichel Odent chama isso de "medo
fisiológico" e acredita que esse medo que precede o nascimento tem
Nesse momento você pode achar qu e ia . , nao
- aguenta
.. .
mais ,, a função de aumentar os níveis de adrenalina. Esse aumento de
esquecer de que o seu b eb'e Jª . , esta, quase d - e se
. nasceu o nao acredit adrenalina durante o trabalho de parto poderia inibir a ação dos
mais nad a. "'r
voce' ain· d a está sentind úl . ' ar em
opiáceos endógenos, conquanto no segundo período eles teriam a
ção que estão abrind , o ~s. ttmas contrações de dilata-
rente de con -
º o utero ao maXlm .
o, enquanto um tl.po dife- função de desencadear o reflexo expulsivo involuntário, o qual l\lichel
.d traçao, que produz uma vontade de fazer uma fi denomina de "reflexo de ejeção do feto". Odent reforça a impor-
pareci a com a de evacua orça
r, começa a acontecer. Isso pode dei· , 1 tância de não superproteger ou perturbar a mãe nesse momento. Ele
con fu sa e sem s b , xa- a
a er o que esta acontecendo dentro de você obsen"ou que quando a parturiente é deixada mais ou menos sozi-
sa b er onde você está Em al . ou sem
nha para vivenciar seu medo segue-se um rápido e eficaz reflexo
expulsão se estabele~erem ~:sn fimussa~ontes, qu~ndo as contrações de
_ ' passara. expulsivo ( l-2).
As sensaçoes que vão acontecer são muito fi Você pode sentir sede e vontade de beber um copo ou dois de
enjôo ou tremores a cab d fi artes. Pode acontecer
' eça po e car quente , f: · água. Essa sede anorrnal associada à dilatação das pupilas, que é um
momento é importante se lemb d . e os pes, nos. Nesse
rar e que isso l acontecimento comum na fase de transição, são sinais de um au-
longo desafio do período de dilat - . , fi passa ogo e que o
açao ia cou quase para trás. Algu- mento adrenérgico.

160 161
Para algumas mulheres o estar completamente sozinha em
urna por travesseiras · Muitas mulheres acham
. _ interessante sentar no vaso
sala escura ?ode ajudar a atravessar essa fase, enquanto outras po- . , · durante 0 periodo de trans1çao.
samtan0
dem necessitar de uma ajuda sutil, algo que não as tire do contato
com o seu interior.
pOSIÇÃO GENUPEITORAL PARA O REBORDO
ANTERIOR
O QUE ACONTECE COM O BEBÊ
Embora geralmente não seja necessário, sua obstetriz pode que-
O bebê desce um pouco mais dentro da pelve. O útero se amol- rer fazer um toque vaginal para ver se você já atingiu a dilatação
dou à cabeça do bebê de modo que a criança está começando a sair
total . Se ela sentir que o colo já desaparece, você pode fazer força
de dentro do útero, quase nascendo. para trazer seu filho ao mundo. No entanto, pode h~ver um _resto de
colo a dilatar na porção da frente da cabeça do bebe, o que e conhe-
POSIÇÕES E MOVIMENTOS PARA O PERÍODO DE cido como rebordo anterior do colo. Pode ser que a vontade de
TRANSIÇÃO "empurrar" já esteja presente, mas é mais aconselhável esperar que
esse rebordo desapareça. Se a vontade de fazer força é muito grande,
Mais uma vez, siga seus instintos e fique na posição que você já
0 rebordo vai sair da frente com os seus esforços expulsivos.
experimentou e que lhe foi agradável.
Não é uma boa idéia lutar contra o desejo de fazer força; então
A mais usada é ficar de joelhos. Pode-se fazer uma pilha de almo-
experimente a posição genupeitoral durante algumas contrações, de
fadas que seja firme ou dobrar o corpo para a frente se apoiando em
modo que a cabeça fique mais baixa que o bumbum.
alguém; assim você pode descansar totalmente apoiada entre duas
contrações. Procure mergulhar em um profundo relaxamento interior.
Pode ser bom para você tomar uns goles de água, ou chupar uma
esponja natural - durante o parto, é comum as mulheres experimen-
tarem um primitivo reflexo de sucção. Você pode passar um pano
Posição genupeitural, boa para
molhado em água para refrescar o rosto entre as contrações. Outra diminuir a intensidade das
possibilidade é sentar-se agachada e esticar os braços para cima du- contrações muito fortes
rante as contrações.

'Minha sogra me deu 1111s galinhos de água com mel e passou um pouco de Essa posição traz o bebê mais para a frente e diminui a pressão
água no meu rosto e nas mãos. 011tra coisa que foi muito agradável e refrescante sobre o colo. Movimente um pouco os quadris durante as contra-
durante todo o trabalho de parto foi sugar uma espo'!la umedecida. " ções para ajudar a dilatar. O rebordo vai provavelmente desaparecer
Se o seu periodo de transição for muito longo, uma boa sugestão em poucas contrações. Se a vontade de "empurrar" é muito forte
é mudar de posição sempre que puder; sentar na borda da cama, então experimente soprar com força quando tiver a vontade, como
ficar em pé, caminhar vagarosamente, ou deitar de lado bem apoiada se você fosse apagar uma vela a um metro de distância. Geralmente

162
163
- ando então acontece o nascimento propna-
nao e necessário ficar nessa posição mais do que quatro ou cinco . al ou coroaçao, qu
perine '
contrações. [l).ente dito. o período exp ulsivo d o p arto
'~\1aria11epercebeu que eu tinha 71111 rebordo anterior e jiquei 11a posirào
ger111peitora/ para co11traba/cmfar o forte desejo de Ja:::_erforfª· "f:'eli:::.111e11te. após \

algumas contrafões e alg11mas sopradas, o des11Jo desapareceu e eu me le/ia11ki. ''

RESPIRAÇÃO PARA O PERÍODO DE TRANSIÇÃO

:t\Iantenha a respiração profunda de sempre, concentrando-se na


expiração. Se a sua respiração se tomar mais superficial, mais curra.
enrào siga seus próprios instintos. Pode ajudar a relaxar se Yocê se
concentrar mais na saída do ar. b. Bebê coroanJo
a. ltúcio Jo período expulsivo
Muitas mulheres acabam precisando gritar, gemer, xingar, ou fa-
zer bastante barulho nesse momento do parto e dizem que isso ab-
via a dor, enquanto outras precisam ficar com a boca bem fechada .
O mais importante é que você não venha a ser perturbada ou distraí
da desnecessariamente. Paz e tranqüilidade vão ajudar você a mergu-
lhar profundamente dentro de si mesma nessa hora.

"Dar 11171 tremendo e ji1rioso g1ito belll 110 pico das co11trafões IJ/e aj11do11
muito e trouxe 11111 grande alívio. Foi um jeito de ter controle tanto sobre minha
cabeF quanto sobre meu corpo. "
\ )
~./
'~scontrafÕes .ficaram tJJlfito fortes e comecei a me sentir extremame1111' e. Nascimento da cabeça d. Nascimento dos ombros
cansada entre elas. Jog11ei-me em à111a de duas grandes almq/adas e senti <Jlfl'
pode1ia dormir alg"11s segundos entre as co11trarões. Foi mcmn1i/hoso como IJJO
reabasteceu 11111 pouco 111i11has e11e1gias. Antes 1111 não estava nem mesmo conse-
guindo responder às perguntas que me fa':;_iam. "

O segundo período do parto

O segundo período, ou período de dilatação, começa após o colo


estar totalmente dilatado e a cabeça do bebê começar a sair do colo e. () bcbl: 1á nasceu
para dentro do canal de parto. Esse período termina com a fase
165
164
O QUE ACONTECE COM O BEBÊ
odem começar 5 a 1O minutos ' ou mais, após a
-o
taça - total ou leta. Se houver uma parada total .e -nada acontecer,
P .
Depois que o colo chegou à dilatação total, a cabeça do bebê está
dilataçao .comproveito
. di sso e descanse em pronttdao para o nasci-
fora do útero e as contrações a trazem para o centro do canal pélvico.
tire o maior P
É ossível que esse "breque" dure um bom tempo, mas o
A descida continua e a rotação da cabeça acontece concomitante-
rnento. p . ode acontecer a qualquer momento. ,
mente à descida, sob a sínfise púbica. Isso pode demorar mas nor-
malmente a cabeça roda o que tem para rodar antes de podermos ver
~
reflexo expulsivo d de transição mais ou menos longo o utero
um peno o , d ul ·
Se houver. de um certo repouso. A duração do peno o exp , sivo
.
o cabelo através da vulva, embora possa ainda estar rodando en- Pode precisar . . d d
. , 1 em cada parturiente, m o es de 2 ou 3 minutos ate mwtas
quanto está nascendo. Depois o bebê acaba coroando, dilatando sua é vanave
vulva com a cabeça. Com mais algumas contrações a cabeça vern
horas. p 1P do
para fora e já podemos ver o ros to. O corpo roda, primeiro aparece "At."nai a dilatação total mas meu corpo ainda não estava re dara -
um ombro, depois o outro, até que o resto do corpo é ejetado. .LJ- t '6 - Ele estava descansan do, reco bra ndo
" fiorras para o erra
Para a expu Lsao.
r
Ao passar através da pelve, a cabeça do bebê é submetida a uma de1ro
. o
e!Jorço.
r/; expulsivo durou mais de uma hora.
considerável pressão. Essa trajetória da cabeça pode acontecer sem
nenhuma lesão porque os ossos estão "macios" e ainda não estão
COMO VOCÊ SE SENTE
soldados, fundidos um no outro, possibilitando a sobreposição. A
cabeça do bebê pode se apresentar um pouco pontuda depois do - - ·to diferentes das anteriores. Os inter-
parto, mas logo recupera sua forma normal. Essas contraçoes sao mw . M que você tenha se
l - geralmente maiores. esmo
Durante o parto, e por algum tempo depois, o bebê ainda recebe valos entre e as sao d , d de dilatação um novo
sentido muito cansada no fmal o peno o .u~ar você a
oxigênio da placenta, através do cordão umbilical. Após o nascimento fluir de uma potente energia geralmente surge para ªJ tra-
da cabeça o bebê pode dar a primeira respirada, mas ainda leva um . d As mulheres descrevem essas con
tempo para que a respiração total se estabeleça. trazer sua cnança ao mun o. - lvem todo o cor-
das de sensaçoes que envo
ções como enormes on . , · de aparecer
O uso de posições verticais durante o período expulsivo ajudará . e, totalmente mvoluntano e po
po. O reflexo exp ul sivo
a garantir que o bebê receba a quantidade suficiente de oxigênio que rapidamente, ou pode demorar para aparecer.
necessita e vai minimizar a pressão sobre sua cabeça.
"Não tinha certeza do que estava sentm . do at,'e que, de. uma hora
d parad a
O QUE ACONTECE COM VOCÊ outra, surgiu um irresistível dese;o. de fiazer fiorçaJ ,bem
• o
diferente e tuperíodo
o que
, - N h erta o medzco apareceu.
já tinha sentido ate entao. a ora _c . h no ão do tempo. Para mim
Você atingiu a dilatação total e já pode dar à luz. Na primeira fase expulsivo levou meia hora mas eu nao tzn a ç
do período expulsivo o útero vai começar a se contrair intensamente parece que foi rápido. "
de cima para baixo para empurrar o bebê através do canal de parto,
Geralmente aparece uma vontad e m uito grande d demulheres.
fazer força,
Se
que é curvo, sob o arco pubiano até atingir o períneo. . não aconteça com to as as
b
de empurrar, em ora isso - mas deixar acon-
As contrações expulsivas podem começar antes de atingir a dila- - 1utar con tra ou não fugir· dessas sensaçoes,
voce• nao
166
167
tecer, elas podem até se tornar agradáveis. A vontade de fazer t .
. . otca Para ser possível um deslocamento sem restrições durante o
e_mwto gran~e e o esforço muscular é geralmente agradável. , \ prc~
sao gue voce sente, nessa fa se, aun1enta enormemente e gual parto, a Porção sacra! do assoalho pélvico, ou períneo, deve estar
. , . quLr
res1stenc1a aos esforços expulsivos pode causar dor e desconfono ern est ad o de relaxamento passivo. A posição do seu corpo nesse
Tente dei,~ar o ritmo natural conduzir você. Deixe 0 corpo St:r rnornen to é fundamental. Se você estiver deitada de costas, o sa-
seu gwa e o utero vai fazer o resto. cro ficará impedido de se deslocar para trás e o períneo não estará
ern estado de relaxamento passivo. Isso pressiona a cabeça do bebê
"1
..r 11a/11re::;_a /0111011 co11ta de ludo. 1'11!11 corpo inteiro qjttdava autot1iati«t- contra 0 arco subpúbico em vez de forçar para trás em direção ao
tllet1/e e nl1JJicame11te 110 gra11de es/Õt}{) de colocar o bebê no numdo. P11de sen1tr sacro e ao cóccix, que são móveis e passíveis de articulação. Por
a cabera, os ot11hros 11 o co1po sai11do. "
outro lado, se você estiver de cócoras, ajoelhada ou em pé a dispo-
sição da sua pelve é outra - tanto o sacro como o cóccix são passí-
O BEBÊ COROANDO
veis de movimentação. A porção posterior do períneo vai estar
relaxada quando a cabeça da criança exercer pressão sobre essa
Conforme o bebê desce no canal de parto ele faz uma flexão da
região, permitindo que a distenção aconteça.
cabeça para trás até gue, finalmente, seja possível ver 0 cabelo do
Depois que a cabeça coroou, acontece o nascimento. Pode acon-
bebê na vagina gue se abre. Esse é o momento oportuno para buscar
tecer uma contração quando a cabeça sai e depois uma pausa antes
uma posição para o nascimento da criança. Sinta a cabeça do bebê
da próxima contração, quando vai nascer o resto do corpo. Existe a
com sua mão quando ela estiver mais baixa. É uma sensação ines-
possibilidade de o bebê nascer em uma só contração. Após o nasci-
quecível e vai ajudar a saber exatamente o gue está acontecendo.
mento da cabeça temos a saída de um ombro, depois do outro e
"Co!oq11ei mi11/Ja mão de11tro de mirt1 por i11sli11to parei sentir o bebê e /cí finalmen te o corpo inteiro "escorrega" para fora.
estava ele, a cahera mmep:111do a sair. "
COMO VOCÊ SE SENTE
. Para o bebê_ nascer terá gue passar através do assoalho pélvico.
Em termos de influência no parto, o assoalho pélvico pode ser div:i- N esse momento as sensações são muito intensas - uma
~do em duas partes: a da frente - porção púbica, e a de trás _ por- amálgama incomum de dor e prazer.
çao sac_ral, a qual está ligada aos ossos do bumbum, ao cóccix e ao o máximo da coroação, quando a cabeça está prestes a sair e o
sacro. A medida que o bebê progride na descida, a porção púbica é períneo está distendido ao máximo, pode haver uma sensação aguda
propelida para a frente e a porção sacra! para trás, para abrir caminho de estiramento e queimação, semelhante ao que acontece quando
para a cabeça e para o corpo.
você empurra o canto da boca com os dedos, associada à sensação
. A_ porção púbica tem relativamente poucos músculos voluntários corporal total que as contrações provocam. Por outro lado, assim que
tn:endos nos ossos púbicos, enquanto a porção sacral tem guase nasce a cabeça, que é a maior parte do corpo do bebê, você experi-
90 1o de todos os músculos do assoalho pélvico co nectados a ela. menta uma tremenda sensação de alívio. Algumas vezes, quando o
Essa parte do assoalho pélvico é conhecida como peri'leo. bebê tem ombros largos, pode acontecer uma sensação de esti -
ramento com a passagem de cada um dos ombros, mas assim que
168
169
. d tração à medida que o útero pressionar o bebê
o corpo escorregar para o mundo, as sensações são geralmente agra- No ápice a con ' .
lm ente você vai sentir uma vontade mUlto grande
dáveis e muitas vezes descritas como orgásmicas. a fora, provave . ,
par e parecida com a vontade de evacuar, e um incontrolavel
d fazer rorça, . S.
((Precisei fazer somente uma força. O bebê acabou nascendo de uma maneira e . d "empurrar" para baixo, conhecido co1no puxo. 1ga .ªs
desejo e · - t
gradua/ e tranqüila, sem nenhum esforço voluntário de minha parte. Senti nma rurais de seu corpo. Não prenda a respiraçao por mm o
, 0 ntades na . , . , .
qmimafãO no períneo quando meu filho estava nascendo e na venjicaçào do pós \ . . - diminui o aporte de mugemo para voce e para o
parto. Não tive nenhuma rotura." te rnpo pois isso ,.
, m um momento critico para e1e.
beb e, e - f ·t força·
''.Senti uma estranha presença na sala e as emofÕes estavam à flor da pele. -'ls Quando a cabeça estiver coroando, tente nao azer mm a '
dores estavam quase insuportáveis e aquela vontade de faz.er força ainda estava . , menor a chance de alguma rotura perineal* . Algumas mulhe-
assim e ·d
presente. Foi uma das sensações corporais mais intensas que já experime11te1, e e é bom fazer uma respiração curta, conheci a como
~~ h ~~ . .
logo depois vi a cabecinha através de 11m espelho, e como era cabeluda! Com 11ma · - de cachorrinho" quando a cabeça estiver saindo, en-
"respiraçao ' .
extraordínária liberação de energia a cabeça saiu, mas afora de pôr para fora era quanto outras simplesmente preferem se deixar levar completamen-
tão grande que imediatamente após todo o corpo espirrou para fora. O que senti te pelo m omento.
foi um grande alívio, alegria, est11pefafàO e gratidão. Não há palavras para ex- "Fiquei de cócoras na cama, ajudada por meu marido epela ~bstetri~ epude.
pressar as emoções do momento de um parto. Eu queria gritar e chorar de ale- sentir meu bebê me abrindo. Coloquei as mãos por baixo e sentz a cabefa, soltei
gemido primitivo sobrenatural, e o bebê veio parar nas minhas. maõs. ~la
• J)
grza.
11171
estava quentinha, melecada, tão mofe e tão macia que parece que eu za quebra-la
RESPIRAÇÃO PARA O PERÍODO EXPULSIVO com o menor toque."
Geralmente não há necessidade de controlar sua respiração no Se 0 período expulsivo for difícil - por exemplo, se o bebê for
segundo período do parto se você estiver em uma das posições ver- muito grande, ou se houver uma apresentação não. usual, ou se o
ticais. Respire profundamente, como vinha fazendo, quando se apro- período expulsivo for demorado - pode ser mmto interessante so-
ximar uma contração, concentre-se na expiração e no abrir caminho mar forças com a contração, fazendo força durante a mesm~. Esp~re
para as fortes mensagens que emergem de dentro do corpo. Existe ate' a contraçao
- começar, encl1a b em os pulmões de ar ' e a medida

um grito diferente, peculiar ao segundo período, que é natural e ins- que for soltando esse ar direcione a energia para baix:o, forçando o
tintivo, particularmente no momento em que a cabeça está nascen- diafragma para baixo (o mesmo esforço que você faz pa,r~ evacuar).
do. Não é bom sufocar esse desejo natural de gritar, pois é uma ma- N ão é necessário prender a respiração. Algumas vezes va.nas peque-
neira que a natureza encontrou de facilitar o parto. nas forças valem mais que uma força muito longa. Pratique suave-
Tente não lutar contra as contrações uterinas, pois isso pode ser mente durante a gravidez quando estiver na posição de cócoras, no
muito doloroso. Simplesmente deixe acontecer e relaxe o assoalho caso de vir a precisar disso durante o parto.
pélvico. Deixe a respiração acontecer, deixe os sons saírem, deixe Acima de tudo, durante o período expulsivo, procure ficar ~m
seu filho nascer. As mulheres geralmente dizem que quando gritam harmonia com as sensações rítmicas que estão acontecendo. Deixe
no período expulsivo não sentem nenhuma dor. *N. do T.: Quando não for feita cpis1otomia.
171
170
, · d contração à medida que o útero pressionar o bebê
o corpo escorregar para o mundo, as sensações são geralmente agra- No~~e a ' .
velmente você vai sentir uma vontade muito grande
dáveis e muitas vezes descritas como orgásrnicas. a fora, prova . l' 1
pat e parecidá com a vontade de evacuar, e um mcontro ave
''Preciseifazer somente uma força. O bebê acabou nascendo de uma maneira
.le fazer iorça, . s·
u . d "empurrar" para baixo, conhecido como puxo. iga .ªs
gradual e tranqüila, sem nenhum eiforço voluntário de minha parte. Senti uma deseJO e · - t
turais de seu corpo. Não prenda a respiraçao por mui o
vonta d es na . , . , .
queimação no períneo quando meu filho estava nascendo e na verijicaçào do pós · · diminui 0 aporte de mugema para voce e para o
tempo pois isso
parto. Não tive nenhuma rotura. " , um momento crítico para ele.
beb e, em - . f .
''.Senti uma estranha presença na sala e as emoções estavam àflor da pele. As Quando a cabeça estiver coroando, tente. nao fazer muita orça,
dores estavam quase insuportáveis e aquela vontade de fazer força ainda estava . é menor a chance de alguma rotura penneal*. Algumas mulhe-
assim h .d mo
presente. Foi uma das sensarões corporais mais intensas que já experimentei, e é bom fazer uma respiracào curta, con ec1 a co
res ach aro que , . .
logo depois vi a cabecinha através de um espelho, e como era cabeluda! Com uma · - de cachorrinho" quando a cabeça esuver samdo, en-
"respiraçao ' .
extraordínária liberação de energia a cabera saiu, mas afora de pôr parafora era implesmente preferem se deixar levar completamen-
quanto outras S
tão grande que imediatamente após todo o corpo espirrou para fora. O que senti te pelo momento.
jói um grande alívio, alegria, estupefaf'àO e gratidão. Não há palavras para ex- "Fiquei de cócoras na cama, ajudada por meu marido epela ~bstetriZ; epude.
pressar as emoções do momento de um parto. Eu queria gritar e chorar de ale- sentir meu bebê me abrindo. Coloquei as mãos por baixo e senti a caber:_ soltei
. "
grza. um gemido primitivo sobrenatural, e o bebê veio parar nas minhas_ maos. ~la
estava quentinha, melecada, tão mole e tão macia que parece que eu za quebra-la
RESPIRAÇÃO PARA O PERÍODO EXPULSIVO
com o menor toque. "
Gerahnente não há necessidade de controlar sua respiração no Se 0
período expulsivo for difícil - por exemplo, se o bebê for
segundo período do parto se você estiver em uma das posições ver- muito grande, ou se houver uma apresentação não. usual, ou se o
ticais. Respire profundamente, como vinha fazendo, quando se apro- período expulsivo for demorado - pode ser muito mteressante so-
ximar uma contração, concentre-se na expiração e no abrir caminho mar forças com a contração, fazendo força durante a mesm~. Espere
para as fortes mensagens que emergem de dentro do corpo. Existe ate, a contracao
- começar, ench a b em os pulmões de ar ' e a medida
um grito_diferente, peculiar ao segundo período, que é natural e ins- que for solt~ndo esse ar direcione a energia para baixo, forçando 0
tintivo, particularmente no momento em que a cabeça está nascen- diafragma para baixo (o mesmo esforço que você faz pa~a evacuar).
do. Não é bom sufocar esse desejo natural de gritar, pois é uma ma- Não é necessário prender a respiração. Algumas vezes vanas peque-
neira que a natureza encontrou de facilitar o parto. nas forças valem mais que uma força muito longa. Pratique suave-
Tente não lutar contra as contrações uterinas, pois isso pode ser mente durante a gravidez quando estiver na posição de cócoras, no
muito doloroso. Simplesmente deixe acontecer e relaxe o assoalho caso de vir a precisar disso durante o parto.
pélvico. Deixe a respiração acontecer, deixe os sons saírem, deixe Acima de tudo, durante o período expulsivo, procure ficar em
seu filho nascer. As mulheres geralmente dizem que quando gritam harmonia com as sensações rítmicas que estão acontecendo. Deixe
no período expulsivo não sentem nenhuma dor. *N. do T: Quando não for feita episiotomia.
171
170
-,
no tamanho da pelve tem grande significância.
que elas conduzam você, deixe-se levar por aquilo que o corp o está queno aumen t o
tentando dizer.
ExPERIMENTE FAZER O SEGUINTE:
''O período expulsivo d11ro11 uma hora e meia; durem/e esse período Jiq11ei de
cócoras 110 chão a maior parte do tempo e algumas ve::;,esficava de pé. Se11tia-11Je -· , d o' coras no chão e separe bem os joelhos. Feche os olhos C-i e
fique e c . -
muito bem, melhor rio que podelia me imagi11ar durante oparto, e a posirâo, bem iência da abertura da sua peh-e. Na verdade, essa pos1çac~
rorne cons C , . . - de
escorada 11as pessoas, / e::;, com que pudesse controlar a respiraçâo e cooperar com · · tnaior abertura interna e torna poss1vel a mob1lizaçao lo
prop1Cla a '
as co11trafÕes e>.:pulsivas ao 111áxitJ10. Também tive 11ma visão muito boa da Co, cct':s: quando a cabeca estiver passando pela pelve.
sacro e do -' · .
cabera saindo de mim rejletida em 11m espelho bem posiàonado. Acabei da11do ú Agora experimente na posição deitada. Coloque a rn.ào ei:nban:o dc10
/11::;, nessa posirão de cócoras. " bum e perceba todo o peso do corpo, o útero e o bebe 111c1dindci 0
b um . - L' do
ro que fica limitado ao máximo nessa pos1çao. 1 ·,,tu !)S
so b re o 'Sac , · d
POSIÇÕES PARA O PERÍODO EXPULSIVO revelam que nessa posição há uma significante perda da capac1da 'lc
de aumento do diâmetro pélvico (mais de 1/3).
A posição é essencial para a duração e a eficácia do período
expulsivo . .r\ descida do bebê vai ficar mais fácil se você permanecer o eso do útero também pressiona os grandes vasos abdominaitis
p · d ·. ' . e V 2\ .
cm posições verticais, ativas, que permitem à força da gravidade par- osicào horizontal, o que reduz a quantidade e oxigcmo qu · <al
na P , . f l O , tero ,
ticipar no seguro nascimento do seu filho. Qualquer posição vertical para o bebê e aumenta a possibilidade de sofrimento .e~a . u nt' e
tracionado para a frente durante a contração. Na pos1çao honzo '-'al
(cm pé, de joelhos, sentada ou de cócoras) é boa até que a cabeça
chegue ao períneo. Nesse momento é indicada uma posição mais ele tem que se deslocar contra a força da gravidade. Isso torna 's
propícia para o parto. contrações mais dolorosas e menos eficientes.
Para entender por que é born assumir posições verticais ... · ) · · e úleli"
'Em outro momento tive que me dettar para ane me exam111a1 • .!' "'z-

EXPERIMENTE FAZER O SEGUINTE: } . Doe11 ta11!0 que eu disse que nessa posi~·âo ela uclo • ict
mente tive uma co11tracão.
mais me examwar.
• Fique de cócoras no chão. Inspire e contraia a região perineal, segure
~os~i­
O cóccix é passível de urna pequena t1exão, aumentando a
um pou_co e depois relaxe lentamente durante uma expiração. Repita
bilidade da passagem da cabeça - eis a grande razão para nao ~e
vanas vezes.
sentar sobre ele! Pode tarnbém acontecer algo que é muito doloro~o
Agora tente a mesma coisa estando deitada com a barriga para cima
- o cóccix ficar deslocado por m.eses depois do parto.
e com um travesseiro embaixo da cabeça. Provavelmente você vai
Pº~s­
Essas são algumas das razões por que as mulheres que têrn a
descobrir que nessa posição o movimento do seu períneo é muito
sibilidade de escolher a posição durante o parto raramente optac n•
menor e que é preciso mais força para relaxar o assoalho pélvico.
por uma posição horizontal, muito menos deitar-se de barriga Pªu:a
Tente novamente de cócoras e compare a diferença quando a gravi-
cima. (Por exemplo, durante o período de um ano cm P1tl11viqr s,
dade está ao seu lado para ajudar no relaxamento do assoalho pélvico.
O encaixe entre a cabeça e a pelve é tão exato, que mesmo um pe-
entre mil parturientes somente duas se deitaram.) ão da contração uterina.
corn a ·aç .
a contração passar pode se movimentar .
como qwser
Cada posição tem suas vantagens. Instintivamente é possível en- Assim que ' .
' · contração quando vai ser sustentada novamente.
contrar a melhor posição para aquele momento. Experimente todas aré a proxltnª '
elas nas semanas que precedem o parto junto com seu companheiro
e seu corpo já vai ter experimentado todas as possibilidades .• \lgu- [)icas para quem sustenta , ,
Deixe uma distância de cerca de 60 a 90 centlmetros entre os pes.
mas vezes o local e as circunstâncias em que você dá à luz vão ditar a
É melhor ficar descalço. Deixe os joelhos levemente fletidos e con-
posição em que você tem que ficar. O ideal seria que a sala tivesse 0
traia os músculos da coxa e das nádegas, jogando o corpo um pouco
~~ possível de mobília para maior liberdade na escolha da posi-
ara trás para depositar o peso dela na sua pelve. Nunca dobre as
çao m'.11s adequada. No entanto é possível lançar mão de posições
~ostas e resista à tentação de se inclinar para a frente, pois isso ,.ai
naturais para o parto também em uma mesa de parto ou no chão rYer
acabar forçando sua região lombar. Mantenha os braços e os om-
Capítulo 10). '
bros relaxados, assim a força de suporte virá das pernas, enquanto a
A menos que o período expulsivo seja muito rápido, é preferh·e]
parte superior do corpo permanece relativamente livre de tensões.
variar as posições - em pé/de cócoras, de cócoras/ajoelhada, de
Fique com os joelhos fletidos e mantenha sua relação com a terra
joelhos/ s.entada ,com o tronco ereto - enquanto o bebê progride no
respirando profundamente. Experimente soltar o ar "através da planta
seu caminho. E aconselhável ter duas pessoas por perto para
dos pés", liberando suas tensões na terra.
sustentá-la fisicamente.
Isso tudo fica mais fácil com um pouco de prática. Depois de
Sentar no vaso sanitário pode ajudar enquanto o bebê está des-
aprender o modo certo de fazer, mesmo uma pessoa pequena pode
cen~o', mas quando a cabeça atinge o períneo e você percebe que 0
sustentar uma parturiente gorda e pesada sem grandes esforços. Caso
bebe p vai nascer, é hora de ficar de cócoras sustentada.
você tenha algum problema de coluna ou alguma fragilidade nas
Muitas mulheres incidem no erro de ficar de cócoras antes do
costas então é melhor usar uma cadeira quando for ampará-la.
momento oportuno. As posições verticais cooperam para que 0 bebê ' posicionar bem os pés e a metade inferior do corpo que
É só
chegue ao períneo; só então é o momento de usar a posição de dar à
você está pronto para sustentar o peso da sua companheira.
luz. Se o períneo expulsivo for muito rápido e você estiver ajoelhada
Com os ombros e braços relaxados, passe as mãos por baixo dos
de quatro, não tem porque não ter seu bebê nessa posição.
braços dela e deixe a palma virada para cima. Ela pode colocar as
mãos dela por cima das suas, uma palma contra a outra com os dedos
1. CÓCORAS SUSTENTADA
entrelaçados. A seguir relaxe junto com ela e deixe-a se apoiar em
~
posição de cócoras sustentada, quase em pé, otimiza a ação da você e não o contrário. Mantenha as mãos e os braços com o máxi-
gravidade e é a posição que mais facilita a rápida descida do bebê. mo de relaxamento possível.
Não deixa de ser uma boa idéia colocar um pufe por trás de você,
Pode-se caminhar ou ficar em pé entre as contrações, mas quan-
do começar uma contração flexione os joelhos; você vai sentir ne- pois sua companheira pode se abaixar bastante na hora do parto e
cessidade de se apoiar em algo, ou alguém pode ampará-la por trás você poderia se sentar nele enquanto ela ficaria de cócoras entre
enquanto você solta o peso do corpo e deixa o corpo todo cooperar suas pernas.
175
174
1

1
1
Um de frente para o outro
a parturiente se apóia no '
pescoço do companheiro e
Cócoras sustentada-~
companheiro por trás
da parturiente d! 1 \ ......
't- "\
 ti\
costadas sem entrelaçar os dedos, ou também a mãe pode cerrar as
mãos deixando o polegar apontando para cima e a pessoa que está

1
praticamente se pendura nele.
~·} if:~ por trás pode apreender os polegares dela.
Essa posição favorece a
descida do bebê. -"'
}
'· '{
' '
I . ' Dicas p ara as mães
/' '

Assim que você conseguir a posição correta, relaxe totalmente o


1
(
/
........ ---1{). .......
\
corpo na direção do seu companheiro. Permita-se ficar pesada quando
1
1 .Jf se abaixar para ficar de cócoras e, se possível, mantenha os pés com
a planta toda no chão, pois assim eles ajudam a sustentar o seu peso.

Outrasposs10 'LLl
.:1.:d
ades para as mãos
Pode ser melh -
or uma mao segurar na outra
' com as palmas en-

O bebê nasceu com uma contração

O bebê está coroand A -


o. mae se afirma na posição de .
cocaras sustentada para ter seu filho
176

177
Solte todas as tensões do pescoço e solte a cabeça na direção do
corpo dele. Depois, com (IS pernas abertas e a pelve pesada, deixe-se
levar pela correnteza das contrações que desaguam no mar do nasci-
mento. Assim que o bebê nascer a obstetriz pode colocá-lo com
cuidado bem na sua frente, sobre um tecido absorvente, e você pode
se sentar para recepcionar seu filho!

0
bebê está saindo. o pai se senta na beira da cama e sustenta a mãe durante o
nascimento

179
178
. para a obstetriz
picas ·ção de parir deve ser assumida somente quando a cabeça
:\ poSl
. ,er coroando.
- u111 lençol limpo com algo absorvente por ctma,
e"º' · como uma f ra1-
ou toalhas de papel descartáveis, podem ser colocados na frente
da -e entre as pernas, para receber o bebê. Geralmente não há
da ma '
necessidade de proteger o períneo pois o bebê provavelmente não
,,ai demorar muito para nascer; mas, se o último período for muito
demorado, uma compressa quente sobre o períneo ajuda a prevenir
roturas, além de relaxar um pouco a mãe.
Geralmente a mãe consegue fazer o que é preciso sem absoluta-
mente nenhum tipo de instrução naquele momento; ela pode sim-
plesmente se deixar conduzir pelas necessidades do seu corpo e gri-
tar quando o bebê estiver nascendo. Algumas mulheres têrn necessi-
dade de uma certa condução sutil nesse momento. É muito impor-
tante esperar o ret1exo expulsi,To acontecer de maneira espontânea,
sem perturbar a m.ãe ou dar ordens desnecessárias. Quando a mãe
está cm uma posição vertical geralmente não é preciso falar para ela
fazer "força de cocô", mas simplesmente tornar possível que ela
dei."e o parto acontecer sem nenhum tipo de inibição.
É indicado ter um colchão de espuma consistente (ou colchonete
leve de fazer yoga, onde não se durma), com uma espessura aproxi-
mada de 5 centímetros, coberta com algum tecido lavável, para se
colocar no chão, onde o bebê poderá ser colocado de barriga para
bai." o sobre um tecido absorvente durante alguns minutos até que a
mãe esteja pronta para o primeiro contato. Dessa maneira os líqui-
dos vão ser eliminados naturalmente com a ajuda da gravidade, e
Os pais saúdam o novo ser. A placentae ainda
· está ligada ao útero e o cord-ao run
. d a nao
- raramente a aspiração é necessária. A mãe deve permanecer sentada
tOI cortado
com o tronco erguido no terceiro período para facilitar o primeiro
contato e a separação da placenta (dequitação). Não é necessário
Syntocinon e Methergin* para facilitar o terceiro período, a menos
que haja sangramento abundante.
+N do T.: Syntomctrinc 110 orif;inal, uma mistura injetável <lc ambm• as <lrogas.
181
180
Vantagens A simplicidade dessa posição permite à mãe grande liberdade
Nessa posição a bacia apresenta-se na sua forma mais ab -
. ali . . ena e a
ara atuar instintivamente - a se render às ordens naturais do seu
vertlc dade tlra ma10r proveito da força da gravidade · A torça que pcorpo- Apos , o parto, so' o f ato d e estar sentada com o tronco ergw-.
o corpo da. pessoa que suporta faz para cima contrabalança d e uma do facilita a interação ideal entre mãe e filho, pois é pouco provável
certa maneira a força para baixo das contrações. que uma mãe vá colocar seu bebê para mamar enquanto estiver deitada.
O segundo período tende a ser mais curto nessa posição e o bebê "Com as primeiras contrações que davam vontade de Jazer força de cocó,
nasce geralmente na primeira contração após ter coroado· Es, , sa e, procttrei uma posição que me ajudasse. A melhor maneira de todas foi com meu
~a grande vantagem se o período expulsivo for demorado ou difí-
arido me segurando por trás com os braços passando por baixo dos meus e as
c~, ~u nos casos de apresentações complicadas (posteriores ou 111
mãos presas no meu peito: eu simplesmente fiquei pendurada. Não foi so-
pelvica), de grandes bebês ou nos casos de suspeita de sofrimento mente uma posição agradável para mim, mas uma posição onde o contato
fetal (menos freqüente nos partos em que a mulher permaneceu ati- direto com a força física dele reanimou meu corpo que estava cansado, o que
va durante o trabalho de parto). produziu na gente uma sensação de grande proximidade. As contrações de
Na hora que a mãe achar mdhor expulsão aconteceram espontaneamente e com apenas quatro delas nosso bebê
O levantamento da parturiente da
levanta-se totalmente. \.esse mo'.
posição ajoelhada para a de có- já estava fora: uma menina lindinha, me/ceada e chorona."
mcnto o companhemi ioga 0 cor-
coras sustentada, quando 0 bebê
po um pouco para trás e firma-se
estiver coroando
para poder sustentá-la
Uma banheira pequena com água quente pode ser colocada no
chão, no meio das pernas da mãe, para que ela possa dar um banho
Ele segura no polegar dela. Ela no bebê antes da eliminação da placenta ou de se cortar ocordão
se levanta para ficar de joelhos,
com o tronco erguido umbilical.Outra possibilidade é mãe e bebê tomarem um banho jun-
tos dentro de uma banheira grande, um pouco depois da dequitação
O companheiro vem por cima e
por trás da mãe e coloca os bra- da placenta, ou nenhuma dessas opções. As emoções e o carinho da
ços embaixo dos braços dela no mãe nesse primeiro contato entre ela e seu filho - pele com pele,
período entre duas contrações
olhos nos olhos - facilitam a produção de hormônios naturais que
vão estimular a separação da placenta e a contração do útero durante
o terceiro período.
''Ele me olhou fixamente e depois começou a mamar. O cordão não foi corta-
do até que parasse de bater e estivesse branco. Não houve sensação de separação,
somente de continuidade, alegria e contentamento. Tudo estava legal e eu me
sentia incrivelmente bem, nem um pouco cansada. "

183
182
, elas costas. Entre duas contrações ela pode
'latamb emp
_,..Aelll abraça- d . lhos com o tronco erguido.
pv- ' ou e ioe · - ' da
ficar ern pe xiliares estejam em uma pos1çao como
tante que os au ,d
E irnpor 1 ruma almofada entre a perna e a na ega
. teressante co oca
ode ser in
eP . . dos joelhos.
ou ernbaixo -----

. s era ue o bebê acabe de nascer na


Cócoras sustentada por duas pessoas. A obsternz e_ p q
A mãe se senta sobre urna mesa hospitalar de parto após um parto ativo. Nessa posição é próxima contraçao
possível curtir o contato com o bebê. O bebê abre os olhos e pela primeira vez encontra
os de sua mãe
Vantagens _ - livres e e, poss1vel
, o lhar
2. CÓCORAS SUSTENTADA POR DUAS PESSOAS Nessa posição a mae fica com as maos .
. bebe' nascendo completamente relaxada e apoia-
para b aixo e ver o , .
Essa posição pode ser ideal para a grávida que pode ficar de có- da. Muitas mulheres acham bom usar as próprias mão~ para sentir.ª
coras com facilidade ou que se exercitou na posição de cócoras du- cabeça do bebê que aparece, para relatar melhor os tecidos p~rm_eais
rante toda a gestação. A bacia atinge seus maiores diâmetros e a for- e segurar o bebê depois que ele nascer. Algumas têm o forte instinto
ça da gravidade ajuda o bebê a descer. Durante a contração a mãe de fazer isso por si mesmas.
fica de cócoras no chão com uma pessoa de cada lado; essas pessoas Desta posição é fácil se levantar ou ficar de joelhos com o tronco
podem ficar de joelhos e colocar, cada uma, um joelho por baixo do erguido ou de quatro no chão.
bumbum dela. A parturiente pode abraçá-los, e eles, por sua vez,
185
184
Essa é a posição mais natural para o parto porque, ao se colocar ''No período expulsivo continuei a ficar de ~coras, aproveitando ?ara le~antar
de cócoras no chão, mesmo estando sozinha, a mãe tem condições · pernas entre as contrarões. No computo geral me sentz maravzlhosa-
e esttcar as r , .
de ver o bebê sair de dentro dela, deslizar no meio de suas pernas e , b m _ seoura e no controle da situação - nesse penodo que durou mazs ou
111en>e e b
ser depositado seguramente no chão à sua frente. Dessa maneira ela menos 45 minutos. O obstetra, que olhou para ~ lado por ~lgun~ momentos,
pode pegar o bebê sem nenhuma ajuda. Essa também é a melhor acabou não vendo a saída da minha filha. Lara lzteralmente foi espirrada,. o .que
posição para o escoamento dos líquidos maternos. se poderia chamar de ''parir por si mesma'~· e exercitou suas cordas vocais ime-
Após o parto é possível se sentar no chão. É muito mais fácil para diatamente!"
a mãe cuidar do bebê estando ativa, sentada com o corpo erguido;
para o bebê também é mais fácil pegar o peito nessa posição.

o banho do bebê logo após o parto

3. CÓCORAS SUSTENTADA COM A AJUDA DE UMA


CADEIRA
Nesse caso 0 auxiliar senta-se em uma cadeira ou na beira da cama
e a mãe fica de cócoras entre as pernas dele, apoiada em seus joe-
lhos. A maioria das mulheres acha essa posição mais agradável, con-
fortável e a posição que mais se ajusta ao parto.
·A pessoa que vai segurar a parturiente deve se sentarem uma ca-
deira estável e bem perto da borda anterior do assento, de modo que
a mãe possa se encaixar e soltar o corpo. Essa é a posição ideal para
os maridos que têm problemas nas costas.
''Beto se sentou em uma cadeira efiquei de cócoras entre suas pernas; apoiei
0
corpo nas coxas dele com os cotovelos e soltei o corpo para trás, no colo dele.
Ajoelhada, com o corpo erguido, a mãe segura o recém-nascido no colo "Olhamos no espelho e vimos a cabeça do nosso filho aparecendo, logo depois,

187
186
não dando tempo para a obstetn"z colocar as luvas. Ele nasceu de uma i•ez e Depois do nascimento o bebê é recepcionado pela obstetriz. Ela
tomei-o no colo para dar de mamar. pode passá-lo por baixo de suas pernas e colocá-lo na sua frente, de
barriga para baixo. Você pode então se sentar sobre os calcanhares
ou erguer o corpo para ver e pegar o bebê no colo.
4. AJOELHADA OU "DE QUATRO"

É simples, é só ficar de joelhos, dobrar o corpo para a frente e


colocar as duas mãos no chão, ou se apoiar em um monte de almofa-
das com os joelhos separados.
~ssa posição acontece de uma maneira intuitiva e foi muito usada
pelas mulheres na prática obstétrica tradicional. É indicada quando
o trabalho de parto e o segundo período estão acontecendo muito
rapidamente, pois nessa posição terá mais controle e o bebê vai pro-
gredir um pouco mais devagar. Pode ser muito útil se o bebê estiver
com uma apresentação posterior, pois diminui a pressão nas costas e
é possível a movimentação suave da bacia para ajudar na rotação da
cabeça à medida que o bebê estiver descendo. As mães dizem que
essa é uma maneira simples e fácil para dar à luz. Entre contrações, é Cócoras sustentada com o companheiro sentado em uma cadeira. A mãe grita sem
nenhuma inibição no momento do nascimento do bebê
possível erguer o corpo e esticar os braços se assim você o desejar.

Parto estando a mãe ajoelhada de quatro. A obstetriz tem de estar bem confortável

-. para que também possa estar ativa!


O bebê nasce estando a mãe ajoelhada, com o corpo levantado, em uma mesa de
parto hopitalar

188 189
ex ulsivo está sendo demorado. No entanto, nos casos em que o
Após o parto, algumas mulheres instintivamente mudam de
. - . po- be~ê está progredindo sem dificuldades, você pode dispor do con-
. e se aioelham. A obstetriz pode passar o bebê para a ma- ep~
siçao
baixo de uma per~a enq~anto ela se vira. Muitas vezes 0 parto forto que essa posição propicia.
. N
acontece
, tendo
_ a mae um ioelho no chão e 0 outro dobrad o, com 0 i~ ';>-:..O
pe no chao. Essa posição pode ser indicada quando a mãe quer
:/~ '/ .,l
1 1 L
\
Posição semi-ajoelhada,
' ~~ a mãe levanta para dar à
fazer o parto ela mesma. , ~ luz mais facilmente

~\ >r-;ft-
No. caso de seu parto acontecer muito rápido e entrar no período
expulsivo sem você estar esperando, lance mão da posição genupeitoral
para frear um pouco e retomar o controle (ver página 163).
-..~ ~rt:'2"-, .i~--
- k,~~· ~~
1J,-
''Quando senti que chegou a hora do nenê nascer, fiquei de joelhos, apoi-
ada na cabeceira da cama para fazer força. Não levei mais de meia hora O parto ~a.posição
deitada de
ou "decub1to lateral esquerdo , e
!~,do: .' ~~}'lf ~
e-
~~
j ' ,-
para trazer meu filho ao mundo. Tive o nenê qjoelhada de quatro e, com 0 preferível à posição deitada, mesmo 'A !\ . ~ J . '' _.;"'-:,
cordão ainda pulsando, me virei para trás passando a perna por cima do que seja com as costas levemente <.:::...."'i_~ /
nenê e o peguei ~o colo. Foi maravilhoso! Eu estava de joelhos e no perfeito levandadas ---....._
D eite-se de lado com o corpo bem apoiado por travesseuos e
controle da velocidade que quena que o nenê nascesse; como não tive roturas,
tracione a perna para cima com uma das mãos logo abaixo do joelho
consegui me levantar e dar umas voltinhas pouco tempo depois do parto. 11

no m omento do nascimento.
D epois do parto, sente-se para abraçar o bebê no colo e colocá-lo
ao se10.
''Para mim a melhor posição foi aquela que me fez sentir bem naquele mo-
Tão logo seja possível, a
mento. Senti-me bem deitada do lado esquerdo, com ojoelho quase encostado no
mãe pega o bebê e o colo-
ca no colo abraçando-o peito; com as mãos pude separar ainda mais as pernas e, ao mesmo tempo, era
capaz de tocar a cabeça que começava a aparecer. Nessa posição foi possível estar
ativa e propiciar a abertura que operíneo precisava, com seus delicados mtísczdos,
Depois do parto o bebê passa e dar uma pequena qjuda com as mãos. "
no meio das pernas da mãe e
é colocado de barriga para
baixo sobre uma fralda O BEBÊ LOGO DEPOIS DO PARTO

Assim que o bebê nasce, ele pode apresentar uma coloração leve-
5. DEITADA DE LADO
m ente azulada ou acinzentada, isso é perfeitamente normal; e tão
_ Essa pode ser uma posição interessante para 0 parto. O sacro logo comece a respirar, o corpo ganha sua coloração normal rosácea.
nao tem. nenhuma limitação, mas não se pode dispor da ajuda da força Ele vai estar muito escorregadio e úmido, talvez coberto com um
da gravidade; logo, essa posição não deve ser usada se o período

191
190
tipo de secreção cremosa e esbranquiçada que se parece com man- da emoção vai propiciar a secreção de hormônios que, depois de wn
teiga (chamada vérnix) e que também pode ter um pouco de sangue. tempinho, levam à contração uterina e, portanto, à separação da pla-
O vérnix é importante para o bebê e não de,'e ser removido, pois centa da parede do útero. A natureza programou esse processo para
contém substâncias nutritivas que são absorvidas pelo corpo e tam- acontecer de maneira totalmente automática. Assim que o bebê en-
bém proteje o bebê das mudanças de temperatura do meio ambien- costa no seu seio ou suga o mamilo, acontece a secreção de hormônios
te. Em poucas horas o vérnix é absorvido pela pele. que levam a uma contração uterina intensa.
O bebê também pode estar wn pouco enrugado, mas depois de Nesse interim o bebê começa a respirar por si mesmo com seus
algum tempo o corpo se torna macio e arredondado. Alguns bebês próprios pulmões e, depois de 10 ou 15 minutos (quando não antes),
também têm wna tina penugem nas orelhas ou em outra parte do a respiração vai estar completamente estabelecida e o cordão wnbi-
corpo após o parto, que cai nas primeiras semanas. A cabeça é bem lical terá parado de pulsar. A placenta e o cordão continuam em
maior em proporção ao resto do corpo e pode ficar um pouco pon- funcionamento até que a respiração esteja totahnente estabelecida,
tuda, por ter tido que se amoldar ao canal de parto. Os genitais geral- para garantir o aporte de oxigênio para o bebê e para propiciar a
mente estão um pouco aumentados também. eliminação de CO,. Particularmente no caso de sofrimento fetal ou
Os olhos do bebê vão se abrir logo após o parto - talvez mesmo de uma complicaÇão essa oferta de oxigênio é uma garantia natural
antes de nascer o corpo todo - e vão ficar ali brilhando, ligados em de que o bebê vai receber oxigênio suficiente até que seja capaz de
você! Todos os sentidos do bebê devem estar funcionando e tre- respirar independentemente.
mendamente sensfreis nesse momento. A pele, os om'idos, o olhos É extremamente perigoso para o recém-nascido ser privado de
e a boca estão passíveis de responder a qualquer estímulo. Depois do oxigênio, o que pode levar a um certo prejuízo cerebral. É igualmen-
parto, durante uma ou duas horas, o bebê ''ai estar extremamente te perigoso para o bebê não ter como eliminar o dióxido de carbono
atento, ligado - mais que nas horas ou dias que virão a seguir-, pois (CO,) acumulado. Caso o bebê ainda esteja recebendo oxigênio da
ele vai estar descobrindo o mundo, a atmosfera, vai respirar e suspi- pla~enta (se o cordão umbilical não foi cortado precocemente) é
rar pelas primeiras vezes. Os pulmões e o aparelho digestivo come- menor a possibilidade de isso acontecer.
çam a funcionar independentemente assim que o bebê respira 0 ar e Uma obstetriz contou-me certa vez uma história incomum que
mama o colostro dos seios. aconteceu em uma área rural onde não ha,'ia possibilidade de trans-
O bebê vai precisar ficar bem perto de você, perto do tão conhe- porte e o bebê ficou respirando irregularmente durante uma hora e
cido som que seu coração fazia quando ele estava dentro de você e meia. Ela não cortou o cordão e ofereceu-lhe oxigênio de vez em
do calor do seu corpo, nas primeiras hora-, dias e semanas depois do quando até a respiração se regularizar. O cordão continuou a bater
parto.
durante uma hora e meia e finalmente parou quando o bebê não
precisava mais respirar com a ajuda da placenta. Houve a separação e
O terceiro período do parto a eliminação da placenta e o bebê estava em perfeitas condições.
Depois que o cordão pára de bater ele se torna flácido e se obs-
Depois do pano você vai segurar o bebê no seu colo. O impacto trui espontaneamente. Esse é o momento de cortar o cordão e sepa-

192
193
rar o bebê da placenta. Militas pais querem eles mesmos cortar o
roente em mmtos hospitais. Pode ser interessante discutir esse as-
cordão - um ritual de separação que pode dar muito prazer. O cor-
sunto com a pessoa que vai fazer o parto. Há menor chance de he-
dão pode ser cortado depois de parar de bater ou depois da dequitaçào
morragia puerperal nos casos em que o parto é ativo. O Syntometrinc
da placenta, no final de tudo.
possui certos riscos que podem torná-lo desaconselhável como pro-
O terceiro período não deve ser apressado artificialmente. Estí
cedimento de rotina quando o parto foi normal e espontâneo (ver
mulas artificiais para a contração uterina (Syntocinon ou Methergin)
página 273).
geralmente não são necessários depois de um Parto Ativo se homT
A sucção do bebê ao mamar, depois do parto, acaba estimulando
a contração uterina e a dequitação. Isso geralmente acontece na pri-
meira hora depois do parto, mas algumas vezes pode levar mais tem-
po. Não há nenhuma necessidade de se apressar o processo, a menos
que haja hemorragia uterina.
Você vai perceber a chegada dessas contrações e poderia ficar de
cócoras para ajudar a eliminação da placenta depois do parto. A pla-
centa tem aproximadamente 1 /3 do tamanho do bebê e, ao contrá-
rio do bebê, não tem ossos e é muito mais fácil de sair. As sensações
que podem acontecer quando a placenta está saindo - é como ter-
minar uma sinfonia com um acorde afinado e revigorante.
'Y1 placenta saiu meia hora depois. Só tive que ficar de cócoras sobre uma
bacia e com uma iínica e suave forfa ela saltou para fora!"

Após a expulsão da placenta o cordão umbilical é clampeado e depois cortado pelo pai

condições propícias para o estabelecimento de uma boa ligação


mãe-filho e se o parto foi vertical. Esses medicamentos têm suas
indicações nos casos em que as parturientes permaneceram deitadas
durante o trabalho de parto, de peridural ou outro anestésico, ou
qualquer forma de intervenção que diminui a capacidade uterina de A dc::yuitaçàu da placenta
se contrair espontaneamente, nos raros casos de sangramento uterino
excessivo, ou quando a mãe e o bebê são separados no parto e a
produção hormonal normal é prejudicada. Se o terceiro período for espontâneo há menor chance de acon-
Na Inglaterra o Syntometrine* ainda é administrado rotineira- tecer alguma complicação. Essa é uma das principais razões por que
*N. do T.: Combinação de lethergin e Syntocinon.
não se deve fazer tração do cordão - geralmente os atendentes pu-

194
195
xam o cordão umbilical para "dar uma ajudazinha" à placenta. Em-
vão acelerar a recuperação das roturas ou da episiotomia (ver pági-
bora isso não doa nada, acaba tirando sua chance de ter um prazer
na 287).
orgásmico ao fazer com que a placenta saia espontaneamente e au- Seu bebê será examinado para ver se está em perfeita saúde, o
menta a chance de ficar um pedaço da placenta dentro do seu útero, ue também pode ser feito com o bebê no seu colo, se você assim
o que pode levar a uma infecção. q d . , d ,
0 desejar. Embora o parto tenha termina o, o terceiro peno o e
Não se esqueça de dar uma olhada na placenta, se você quiser, é muito importante para você, seu companheiro e seu bebê, que es-
claro. Os hospitais geralmente doam as placentas para fábricas de tará atento a tudo. De uma certa maneira vocês vão estar se encon-
produtos de beleza que usam os valiosos hormônios para fazer seus trando pela primeira vez, olhando-se pela primeira vez e passando
produtos.
suas primeiras horas juntos. Poucas horas depois o bebê vai cair no
Em algumas sociedades, demorados rituais se relacionavam com
sono, e nas primeiras semanas vai estar sonolento ou mamando a
o desfecho do parto porque cm geral considerava-se que a placenta,
maior parte do tempo.
tendo sido parte do bebê dentro do útero, possuía propriedades
Todos concordam que é necessário que a mãe fique com o bebê
mágicas. Vários animais comem a placenta - seus hormônios aju-
a maior parte do tempo, para se integrar e compartilhar emoções e
dam o útero a se contrair e a voltar ao tamanho normal. Em alguns
para celebrar a chegada do novo membro da família. ,Essa. ~t~ração
lugares as mulheres fazem a mesma coisa (algumas cozinham a pla- é parte essencial do novo relacionamento que esta se m1ciando.
centa em um tipo de guisado com vinho e cogumelos). Estudos re- Muitos dos procedimentos que precisam ser feitos, como a sutura
centes revelaram que a colocação de um pedaço de placenta crua do perineo e o exame detalhado do bebê, podem esperar uma hora
nos lábios da mãe depois do parto leva à contração uterina e pode
ou mais.
estancar hemorragias uterinas. Outras pessoas gostam de enterrar a Tente passar algumas horas somente você e seu bebê, logo de-
placenta sob uma árvore favorita (apesar de a equipe do hospital pois do parto, se você estiver no hospital; se estiverem casa, esse é
achar isso exótico), e alguns casais levam-na para casa em um saco o momento apropriado para uma interessante experiência familiar.
plástico para enterrar. Se alguma complicação do parto tornar isso impossível, então não
Depois do parto, o médico vai examinar a vagina e o perineo para perca a primeira oportunidade que tiver para estarem juntos, so-
ver se houve alguma rotura e se é preciso dar algum ponto. Em caso
mente vocês dois.
afirmativo ele fará uma anestesia local para que você não sinta nada
''Ele ficou em cima de mim uma hora e meia, enquanto conversávamos
enquanto sutura o pcríneo. Se ''ocê realmente precisar levar pontos,
tranqüilamente, eu e meu marido totalmente envolvidos em descobrir nosso
poderá continuar segurando seu filho no colo durante a sutura. É
pequenino. Passamos a noite inteira juntos. O nené deitado, calmamente olhan-
bom sempre usar anestésicos locais pois não fazem mal ao bebê e os
do ao seu redor com uma silenciosa atenção antes de adormecer. Nunca esque-
pontos podem ser dolorosos sem anestesia. Mesmo que seja neces-
sário apenas um ponto, vale a pena uma anestesia! Não é necessário
cerei essas horas."
o uso de perneiras se a anestesia foi bem feita, pois você não vai
estar sentindo nada. Os banhos de hervas anti-sépticas e cicatrizantes

196 197
importante durante toda a vida, nai:tfância e na maturidade, ~º1:1º
um meio de relaxar e liberar as tensõesA água tem seu uso terapeunco
na hidroterapia e também para purifi<ação ou santificação em rituais
religiosos no mundo inteiro.
Até aqui temos considerado a ação da gravidade na fisiologia Nas últimas décadas tem havido llffi interesse crescente no uso
normal do processo do parto, e como você pode posicionar seu cor- da água durante a gravidez, no parto e na infância. Combinada com
po em harmonia com seus próprios instintos e de acordo com a a yoga, a natação durante a gravidezéum ótimo meio de se exercitar.
força gravitacional terrestre. Ressaltamos as desvantagens de se de- Llvre dos efeitos da gravidade a mãe pode desfrutar de uma gostosa
safiar a gravidade quando se deita ou se permanece imóvel em algu- e aliviante sensação de leveza, asSllTl como maior possibilidade de
ma posição horizontal. movimentos, melhorando as condçêes cardiovasculares. As partei-
Ao entrar em uma banheira com água morna durante o trabalho ras já sabiam, há muito tempo, que um banho quente de imersão
de parto, a flutuabilidade ou força ascencional da água reduz a ação pode relaxar e encorajar a mãe no rrogresso do parto. No entanto a
da gravidade, permitindo que você flutue facilmente ou varie as po- idéia de uma mulher entrar em uina banheira profunda o bastante
sições, quase sem peso. Muitas mulheres sentem atração pela água para cobrir o corpo e a possibilidade de realmente dar à luz dentro
durante o trabalho de parto e acham que a imersão em água aquecida da água foi explorada pela primeira vez pelo pesquisador soviético
é um ótimo meio de relaxar e de se deixar levar pelas força s Igor Tiarkovsky na década de 196C. embora seu trabalho tenha sido
involuntárias que atuam no corpo e para aliviar a dor e o desconfor- precedido pelo trabalho de outrOI pesquisadores russos (1, 2, 3) ·
to das contrações fortes. Algumas mulheres optam deliberadamente Um pouco depois, na mesma década, o obstetra francês Frédérick
por continuar na água durante o período expulsivo e dar à luz dentro Leboyer criou a idéia de dar um bmho no recém-nascido imediata-
da água. A importância do uso de água morna durante o trabalho de mente após o nascimento, para ajudar na aclimatação gradual e
parto é cada vez mais reconhecida e vai se tornar uma opção mais bem-sucedida à vida extra-uterina.
popular nas próximas décadas, de modo que cada vez mais mulheres
terão acesso a uma banheira para uso no lugar onde escolherem dar
à luz.

A história do parto dentro da água

A água é nosso elemento de origem. Durante os nove meses de


gestação o feto se desenvolve em um meio aquático - o útero com 0
líquido amniótico. Como um pequeno mar, o fluido intra-uterino
provê as condições ideais para o crescimento do bebê, protegendo-o
de choques e acidentes. O banho continua a desempenhar um papel
Michel Odenc levanta um bebê nascido den:ro da água, do fundo de uma banheira de
parto em l'tthiviers 1 99
198
Dar à luz dentro da água parece para muitos pais um modo de zir uso de medicamentos e a taxa de intervenções obstétricas".
0
diminuir o trauma do parto para seus filhos e um meio de garantir a década de 1980 o uso das banheiras de parto se espalhou por
uma transição suave do protegido mundo aquático uterino para 0 muitos lugares do mundo e vários grupos têm tido semelhantes re-
campo da gravidade terrestre, durante a infância. Estima-se que cer- sultados encorajadores, notadamentc no Reino Unido, América do
ca de 3.000 bebês já nasceram dentro da água em todo o mundo. Norte, Bélgica, Escandinávia, Austrália e Nova Zelândia (6).
Outro pioneiro do parto subaquático foi Michel Odent que pela
primeira vez pensou em usar a água quente como um meio para ali- Uso da água durante o trabalho de parto e no parto
viar a dor durante o trabalho de parto. Ele instalou uma banheira
arredondada na sala contígua à sala de parto, por ele denominada de É de consenso que a melhor hora para se entrar na água é quando
"salle sauvage", que funcionava no Hospital Geral de Pithiviers, Fran- se atinge a metade do trabalho de parto, ou seja, com a dilatação por
ça, em 1977, sendo que até 1983 milhares de mulheres tinham usado volta dos 5 centímetros e quando as contrações começam a ficar
a banheira durante o parto e 100 delas tinham dado à luz dentro da mais intensas. (Observou-se que quando uma mulher entra na água
água (4). Odent ressalta que, sob seu ponto de vista, o objetivo não é no início do trabalho de parto, isso pode aumentar a duração do
dar à. luz dentro da água, mas oferecer essa possibilidade àquelas que mesmo e moderar a atividade das contrações.) Essa é uma regra ge-
desepm desfrutar da água durante o trabalho de parto. A água ral que pode não ser válida para todas as mulheres, não devendo ser
aquecida é uma ferramenta para facilitar o trabalho de parto; como encarada como uma lei. Se você sentir um irresistível desejo de en-
e~ste a possibilidade de o bebê nascer dentro da água, na experiên- trar na água, então entre. esse momento é bom din1inuir as luzes
aa de Odent a maioria das mulheres prefere sair da água no período da sala, manter o ambiente calmo e tranqüilo e reduzir os presentes
expulsivo. aos estritamente necessários. É interessante também escutar o
Odent descobriu que a banheira tinha uma validade especial para batimento cardíaco fetal (BCF) um pouco antes de você entrar na
as parturientes que apresentavam trabalho de parto lento e dolorido água, o que pode ser repetido quantas vezes forem necessárias com
(particularmente dor lombar) e para as que estavam tendo uma pro- um pequeno aparelho portátil de ultra-sorn, conhecido como
gressão difícil além dos 5 centímetros. Depois de entrar na água e "Doppler", ou com o tradicional estetoscópio obstétrico de Pinard.
com o ambiente na penumbra, geralmente a água morna ajuda a mãe (Vai ser preciso que você se sente na beira da banheira, pois o
a alcançar a dilatação completa cm poucas horas. transdutor do aparelho não pode ser molhado: algumas obstetrizes
~dent observou que o fato de a mulher estar dentro da água ao usam um pequeno envoltório plástico para cobri-lo e protegê-lo da
dar.ª luz parecia favorecer o primeiro contato mãe-filho e que não água, mas se entrar um pouco na água por acidente, o aparelho pode
havia nenhum risco adicional ao parto por estar dentro da água (5). ser danificado.)
No penód1co médico inglês Lance!, Odent escreveu: "Deveria ser Dentro de uma água quentinha você pode relaxar e se soltar, respi-
possível para todos os hospitais convencionais ter uma banheira si- rando cahna e profundamente durante as contrações, movendo-se e
tuada perto da sala de parto e do centro cirúrgico... a imersão em variando as posições para ficar mais confortável. É possível ficar de
água aquecida é um eficiente, prático e econômico meio de se edu- joelhos apoiada na borda da banheira, de cócoras, semi-sentada ou

200 201
flutuar, como você quiser, e de vez em quando pode afundar 0 cor- Quando o colo estiver com dilatação total você pode querer sair
po todo dentro da água, desfrutar desse momento, e até mesmo co- da água. o caso de a bolsa precisar ser rompida não é necessário
brir a cabeça por alguns momentos. Vai descobrir que a água permite sair da água ou trocá-la, pois o líquido amniótico e o sangue que
que você desfrute do prazer sensual que emana do seu corpo e que poderiam sair são estéreis. 1ichd Odent afirma, no Lancei: "1 ão
você mergulhe no já alterado ou aumentado estado de consciência tivemos nenhuma complicação infecciosa, mesmo nos casos de bol-
que naturalmente a envolve quando o útero se dilata a cada con- sa rota". Não há nenhuma evidência de aumento de infecções em
tração. Você nem vai perceber direito o que está acontecendo ao seu nenhum outro Serviço que faz parto aquático; na ,·crdadc,
redor e vai ficar mais capaz de se render profundamente às necessi- considera-se que o uso de uma banheira com água pode reduzir o
dades instintivas e primitivas do seu corpo. Geralmente, uma vez risco de infecção, especialmente cm um hospital onde infecções pro-
tida a oportunidade de se rela,'<ar na água, o parto progride rapida- venientes de bactérias exógenas do ar são mais freqüentes.
mente e a maioria das mulheres diz que a percepção das dores se Uma banheira grande para parto também pode aumentar seu senso
altera e se torna muito mais fácil aceitar a intensidade das contra- de privacidade em um ambiente hospitalar, possibilitando um lugar
ções. Algumas vezes as contrações diminuem a freqüência e a inten- só seu, onde você pode relaxar, se sentir segura e se isolar mais do
sidade; caso perdure é melhor sair da água para que a força da gravi- que está acontecendo ao seu redor. Ter o corpo todo coberto por
dade atue. Depois de caminhar um pouco e repousar em algumas água morna ajuda a baixar a pressão sangüínea decorrente da ansie-
posições verticais, as contrações devem recuperar seu ritmo e resta- dade e certamente alivia as dores (7 ). Esses fatos decorrem da dimi-
belecer o trabalho de parto. É importante que a temperatura da água nuição do efeito da graYidade e acredita-se também que sejam devi-
seja agradável, não muito quente. dos à diminuição na produção das catecolaminas (hormônios do
estresse, como a adrenalina) e ao aumento na secreção dos opiáceos
endógenos (hormônios naturais do corpo que são relaxantes e anal-
gésicos) provocado pela ação da água quente.
Vários hospitais e obstetrizes, que fazem restrições ao parto den-
tro da água, aceitam o uso da água durante o trabalho de parto. :\
possibilidade de um acesso à água na segunda metade do período de
dilatação é um meio totalmente seguro e inócuo de facilitar o parto
e é uma alternativa livre de riscos para a administração de medica-
mentos e de pcridurais.
Se uma banheira especial não for possível, qualquer contato com
a água poderá ajudar. É possível, por exemplo, ficar de joelhos cm
uma banheira comum com alguém jogando água quente suavemente
Ficar de joelhos ou _de. cócoras na banheira de parto durante as contrações fortes ajuda a nas suas costas. Tente encher a banheira com o máximo de água
dirrnnwr a dor e a tirar mais proveito das contrações possível. Outra possibilidade é ficar de cócoras ou de joelhos no

202 203
chuveiro com água quente caindo nas costas· até mesmo molh com os partos pélvicos é usar o primeiro período como um teste,
' ar rJ
corpo com a mão ou com uma esponja com água aquecida de uma antes de decidir por um parto vaginal ou uma cesariana: nesses
torneira pode ajudá-la. Algumas ' 'ezes só o som de uma torneira casos preferimos não intervir com medicamentos ou com um
pode desencadear contrações e ªJ"udá-la a ficar menos inibida e
· Otn- banho").
pressas com água quente ou fria, sprays de água industrializados, Nos casos de wn bebê muito grande. Isso pode ser significante se
garrafas com água quente, gelo ou esponJ·a natural embebida em áoL
0 segundo período não progredir muito bem dentro da água.
b 'ª
gelada são métodos que já foram testados e que comprovadamente Em situações onde a placenta não está funcionando na sua me-
facilitam o parto.
lhor forma e enquanto não há sinais de sofrimento fetal, existe a
possibilidade de se usar a água como facilitador do trabalho de
DAR À LUZ D ENTRO DA ÁGUA par to, mas o parto na posição de cócoras sustentada senu-erguida
é preferível.
Se o trabalho de parto progredir muito rápido, pode não haver
tempo de sair de dentro da água e o bebê acabar nascendo ali mes- É comum acontecer a eliminação de fezes no período expulsivo,
mo. Você pode também preferir ficar na banheira por querer fazer 0 na medida em que a cabeça desce antes do parto, comprimindo o
parto dentro da água, ou pode sentir que o melhor é sair da água. É reto e relaxando o esfíncter anal. Caso isso aconteça dentro da água.
impossível prever com antecedência se o bebê vai nascer dentro da os excrementos devem simplesmente ser removidos, o mais breve
água ou nào. Algumas vezes é melhor ou necessário sair da banheira possível, com algum ripo de peneira de plástico. Esse fato é comwn
e tirar proveito da força da gravidade ou de uma atmosfera mais tanto no parto dentro como também fora da água, e não há evidên-
fresca, para facilitar o período expulsivo. cia de que isso contamine a água o suficiente para aumentar risco de
infecção. Pelo contrário, há uma acentuada ausência de complica-
Razões possíveis para se sair da água:
ções infecciosas relacionadas com o parto aquático. i\lgumas partu-
A mãe sente que quer deixar a banheira.
rien tes optam por ter um enema (lavagem do intestino) no início do
• Um segundo período prolongado.
trabalho de parto para preve1i.ir essa ocorrência, mas mesmo assim
• Indícios de possibilidade de sofrimento fetal, como liberação
de mecônio dentro da água. isso pode acontecer.
• Parto pélvico (apesar de alguns afirmarem que a temperatura
POSIÇÕES PARA O PARTO AQUÁTICO
aquecida da água poderia reduzir o risco de o bebê "aspirar" e,
como resultado, ocorrer a separação da placenta antes da saída da São várias as posições para o parto dentro da água, e você pode se
cabeça, porque não haveria o estímulo da temperatura mais fria movimentar e variar as posições como quiser. Pode se ajoelhar de
doar atmosférico sobre a pele. Essa não tem sido uma opção lar- quatro apoiada na borda da banheira com o bebê nascendo por trás.
gamente praticada. Dados os altos riscos de um parto pélvico é Pode também ficar de cócoras segurando-se nos lados como apoio.
melhor tirar o maior proveito da gravidade na posiçào de cócoras É mais fácil ficar de cócoras sozinha dentro da água que fora dela.
sustentada. Michel Odent escreve, no La11cet: "Nossa estratégia Seu companheiro pode entrar na banheira para ajudar a segurá-la ou

20-1
205
pode fazê-lo
. do lado de fora e por trás de você ' sentado cm , um o TERCEIRO PERÍODO
banqwnho ou um pufe (8). Você pode ficar semi-sentada, olhando
Assim que a cabeça sair a obstetriz vai verificar se o cordão está
para a frente.. A parteira pode decidir entrar na água com voce' . ; \] gu-
enrolado no pescoço do bebê: se estiver, simplesmente vai
mas obstetrizes preferem. colocar um trai· e de banho e entrar n a agua;
,
desenrolá-lo ou afrouxá-lo para que o bebê possa nascer. Se o cor-
outras, acham que traiando calças de algodão e por cima uma blusa
dão for longo o suficiente o bebê vai subir à superfície por si mesmo
de centr~ cirúrgico é ~uficiente, se necessário. Muitas parteiras pre-
ou você mesma pode tirá-lo de dentro da água, ou seu companheiro
ferem nao entrar na agua se não for necessário e ficam tranqwla-
ou a obstetriz. Não deve haver pressa para se tirar o bebê de dentro
mente observando
. - o que está acontecendo do lado de fora . o p~~ .
da água, o que pode ser feito com tranqüilidade dentro do primeiro
go de contanunaçao com o vírus da AIDS ou da hepatite é um tema
ou segundo minutos. Temos notícias de bebês que permaneceram
que está sendo discutido e para o qual ainda não há solução. Fazer
em baixo da água de 10 a 15 minutos após o parto, mas geralmente é
um teste no início da gravidez pode trazer mais segurança. 1 \ tua 1-
melhor trazê-lo à superfície nos primeiros dois minutos.
mente, recomenda-se o uso de luvas de borracha.
Golfinhos, leões do mar e baleias - mamíferos que dão à luz den-
tro da água - geralmente empurram seus filhotinhos para a superfí-
NASCIMENTO DENTRO DA ÁGUA
cie para respirar dentro dos primeiros minutos. O estímulo para a
O bebê pode coroar rapidamente ou levar certo tempo para estar respiração do bebê vem da temperatura mais fria do ar sobre a pele e
pronto pa~a nascer'. Eventualrn.ente a cabeça vai aparecer e pode ser isso não acontece até que o bebê venha para fora da água. Portanto,
vista atraves da vagma. Pode ser que você ache mais fácil liberar sua::. é importante que a sala não seja muito aquecida até que mãe e filho
emoções dentro da água e 1nw·tas- gntam
: ·
com vigor nesse momento. deixem a água. Enquanto o bebê permanecer dentro da água, vai
O calo~ da á~a vai ajudar a amolecer o períneo, 0 que pode ser útil; continuar recebendo sangue e oxigênio através do cordão umbilical
se voce, sentir vontade, pode colocar as próprias mãos para sentir 0 da placenta. Você ou sua obstetriz podem apertar o cordão para con-
que esta acontecendo e ajudar o bebê a sair. É muito raro acontecer
uma rotura perineal importante dentro da água e normalmente a
obstetriz não tem muito a fazer, a não ser observar 0 bebê aparecer
suavemente dentro da água. Geralmente não há nenhuma rotura. Se
o corpo não nascer na contração que se segue à saída da cabeca a
obs:~triz p~de dar uma ajuda de leve para 0 término do parto. ' '
E provavel que a água da banheira fique bem vermelha após 0
nascunento
. do bebê. Não há perigo de 1·nciecçao,
- pois
· esse sangue
provemente da mãe é estéril.

Logo depois do parto denuo da água o pai suavemente uaz o bebê para a superficie e o
enuega àmàe
20G 207
ferir se ele realmente está pulsando e se a placenta ainda está gruda- algum vaso sangurneo que esteja aberto dentro do útero). Essa é
da em você. uma precaução sensata, embora nenhum caso tenha ainda sido des-
Você pode pegar o bebê, trazê-lo suavemente para cima, abraçá-lo crito. No caso de a dequitação ocorrer muito rapidamente, antes de
no colo perto dos seios, com o rosto fora da água, enquanto o resto você sair da água, simplesmente fique em pé sem pressa, assim que
do corpo permanece ainda dentro da água. Raramente acontece al- perceber o que está acontecendo. Não é necessário cortar o cordão
guma dificuldade para o bebê estabelecer a respiração, pois a tempe- depoi s do parto até que a placenta seja eliminada: isso pode ser feito
ratura mais fria no rosto é o bastante para desencadear o reflexo momentos antes de você sair da banheira.
respiratório. Muito raramente pode haver necessidade de desobstruir O s profissionais que atendem o parto podem ajudá-la a se levan-
as vias aéreas superiores, o que pode ser feito com 0 corpo ainda tar e a sair da água e já ter toalhas aquecidas prontas para a mãe e para
dentro da água . Não é indicado cortar o cordão enquanto o bebê 0 bebê; pode ser bom colocar uma saída de banho aquecida assim
estiver se beneficiando das duas fontes de oxigênio. Nas raras cir- que você deixar a água. Nesse momento deve-se aumentar a tempe-
cunstâncias cm que o bebê não respira é melhor tirá-lo suavemente ratura da sala e é importante ter à mão um eficiente aquecedor por-
da água para um ambiente mais frio. Isso ajuda a ativar o reflexo tátil de ambiente para poder elevar bastante a temperatura da sala.
respira tório. Assim que sair da água você pode ficar de cócoras ou em pé para
O primeiro contato dentro da água entre você e seu filho, 110 eliminar a placenta e depois se sentar um pouco. Certifique-se de
momento em que o pega nos braços e o fita nos olhos pela que tanto você como o bebê estejam confortáveis, enquanto conti-
primeiríssima vez, é maravilhoso. Não há problemas cm permanecer nua a dar as boas-vindas ao bebê e a se regozijar com a primeira
na água até que o útero comece a se contrair novamente para elimi- mamada depois do parto.
nar a placenta (geralmente entre 10 e 20 minutos). Nesse momento é É possível dar urn banho no bebê em uma banheira com água
melhor assmnir uma posição vertical, de joelhos ou sentada confor- quente se você deseja que ele continue dentro da água ou se o bebê
tavelmente com o bebê no colo. Você provavelmente \'ai descobri r ficar frio, se bem que o calor do seu corpo normalmente é suficien-
que o bebê tem um reflexo primitivo muito forte e vai logo estar te. Depois de a parteira verificar o períneo e dar uma boa olhada no
virando o rosto para procurar onde mamar. Coloque o bebê virad o bebê, você pode querer relaxar e se deitar confortavelmente em uma
para você, ventre no ventre, para facilitar a primeira mamada. cama com o seu bebê grudadinho em você, em contato com o já
Agora o cordão merece maior atenção. Se estiver pulsando, a pla- familiar calor do seu corpo.
centa ainda deve estar aderida. A diminuição da pulsação e as fortes
contrações que acontecem quando o bebê suga são indícios de que a DEPOIS DO PARTO
placenta está pronta para se separar. Então é hora de se levantar
tranqüilamente e deixar a água antes de a placenta ser eliminada. Nos primeiros dias que se seguem ao parto, bons momentos po-
Normalmente é considerado mais seguro ficar em pé e deixar a água dem ser passados dentro de uma banheira; esse prazer pode ser com-
antes da expulsão da placenta, para prevenir a possibilidade de partilhado com os outros membros da família também. Os outros
embolismo aquoso (a água entra na corrente sangüínea através de irmãos terão grande satisfação em segurar o bebezinho dentro da
água e o bebê \'ai curtir a liberdade de estar no familiar meio aquáti-
208 209
co enquanto ganha intimidade com você e com o resto da família e da mas é muito bom ter a possibilidade da ajuda de uma banheira
<lese.o bre o mundo exterior. É importante que a temperatura ~o com água, se (e quando) isso for apropriado.
ambiente esteja bem quente; pode ajudar deixar um mínimo de 1U7
nos primeiros dois dias. A água da banheira obviamente deve ser CONSELHOS PRÁTICOS
nova, ~pida e.estar em uma temperatura agradável, não muito quen
A banheira ou piscina para ser usada no parto deve ser grande e
te. Rec_em~nasc1dos não gostam de mudanças bruscas de temperatu-
ra; entao tire as roupinhas vagarosamente em um ambiente converu- profunda o suficiente para permitir que você varie as posições e a
entemente aquecido e mantenha-o em contato com 0 seu corp O, entrada de uma outra pessoa. A profundidade ideal é aquela onde a
coberto com uma toalha aquecida. mãe possa ficar sentada com o tronco erguido e com a água cobrin-
Entre na água bem devagar para que o bebê faça uma transicào do os seios. Existe atualmente uma grande variedade de piscinas
gra~ual, o ~esmo sendo válido para a saída da água. É possível, e disponíveis para compra ou aluguel, e algumas delas foram especifi-
mwto agradavel, dar de mamar enquanto você estiver dentro da ba- camente projetadas para serem portáteis, podendo ser instaladas em
nheira, deixando o corpo do bebê com a maior parte possível cober- seu próprio lar ou cm um hospital (9). É importante que a banheira
ta pela água. Nas primeiras vezes o bebê pode permanecer dentro da seja equipada com uma boa bomba, aquecedor e termostato. Um
água de 30 a 45 minutos ou mais, se estiver se sentindo bem, e com 0 termômetro de água e uma grande peneira de plástico para limpar a
tempo este período pode ser aumentado. água são acessórios indispensáveis. A borda da piscina deve ser acol-
choada, de modo que haja uma superfície macia onde se apoiar e
CON~ID ERANDO A POSSIBILIDADE DE U M PARTO alguns tipos de bóias e travesseiros flutuantes podem ser interessantes.
AQUATICO A temp-eratura ideal da água é por \"olta dos 37,5 graus centígra-
dos (ou 99 F), que é mais ou menos a temperatura do corpo humano,
Ao, considerar a possibilidade de lançar mão da água para seu agradavelmente morna. A água muito quente ou muito fria pode in-
parto .e unpor~antc manter a mcn~e aberta e evitar ter muitos pre- fluenciar o parto. Pode ser água da torneira mesmo, e não há neces-
conceitos ou ngidas expectativas. E impossível saber 0 que vai real- sidade de se acrescentar nada, embora algumas pessoas coloquem
mente acontecer no futuro. No momento você pode não sentir ne- um pouco de sal na água para criar um grau de salinidade semelhante
nh~ma vontade de entrar na água ou pode acontecer alguma compli- ao do líquido amniótico (1 colher de sopa cheia para cada 5 litros de
caçao inesperada que torne impróprio 0 uso de uma banheira. o água). A piscina precisa ser limpa antes com um desinfetante não
parto pode acontecer tão rápido que não dê tempo de usar a banhei- muito forte, a menos que se tenha uma capa plástica descartável para
ra. Por outro lado você pode ter planos de usar a banheira somente revestir a superfície interna.
para o _trabalho .de parto e acabar dando à luz dentro da água. J\lgu-
mas macs qu~ tinham planejado usar a banheira portátil para 0 parto PREPARAÇÃO PARA O PARTO AQUÁTICO
e acabaram nao usando, reconheceram que isso foi 0 melhor e curti-
ram assim mesmo os primeiros dias do pós-parto. Os exercícios baseados na yoga, aconselhados por este livro são
Não importa o que aconteça, o parto é uma aventura desconheci- ideais para o parto dentro ou fora da água. É muito bom praticar

210 211
natação durante a gravidez e passar algum tempo se relaxando den-
tro da água todos os dias, particularmente nos últimos três meses.
8. Depo1~ do Parto
Exercícios específicos para água não sào essenciais, mas você vai
descobrir que várias posições que você já conhece podem ser feitas
dentro da água também. O nado de peito e o de costas são os melho- Seu corpo depois do p arto
res estilos para você praticar.
Muitas mulheres gostam de se deleitar em um banho de banheira D epois do parto você pode ficar surpresa com a contração d..:
algumas vezes mais de uma vez por dia e pode ser relaxante acres- seu útero cada vez que o bebê mama, e essas contrações podem ser
centar uma ou duas gotas de óleos essenciais de lavanda, tangerina, doloridas no princípio. São conhecidas como "contrações puerperais"
rosa, jasmim ou bergamota. e se parecem com fortes cólicas menstruais. Essas contrações aju-
dam o útero a se contrair e assim voltar para dentro da pelve e para o
OBSTETRÍCIA PARA O PARTO AQUÁTICO tamanho e forma habituais. Depois de alguns dias essas dores vão
climinuindo gradualmente e serão substituídas por uma sensação de
As obstetrizes ainda não foram treinadas, durante seus períodos prazer e bem-estar quando você estiver dando de mamar ao seu filho.
de formação, a usar água durante o trabalho de parto e o parto e Pode ser que você seja agraciada com um períneo sem roturas
podem ter algumas dúvidas. Ainda bem que logo teremos no merca- depois do parto. Nesse caso podem acontecer pequeninas escoria-
do um monitor fetal manual à prova de água para se escutar o cora- ções ou sensação de machucadura que vão passar logo. Por outro
ção do bebê; enquanto isso não acontece, a mãe deve se sentar na lado, podem acontecer algumas roturas superficiais, a nível de mucosa,
borda da banheira para que a monitoração seja feita, quando for ne- que nào precisam de sutura ou uma rotura que precise de pontos. Os
cessário. Toques vaginais indispensáveis podem ser feitos facilmen- pontos geralmente são dados logo depois de você ter recepcionado
te dentro da água com a mãe ajoelhada de quatro. A progressão da seu bebê e depois do primeiro contato; usa-se anestesia local para
descida da cabeça pode ser aferida em qualquer posição por "feeling" que você não sinta dor. Uma rotura espontânea geralmente se cura
e o parto geralmente não necessita intervenção, embora a obstetriz rapidamente com alguns dias e causa um pouco de incómodo. Sugi-
deva estar pronta para agir, se necessário. Nos casos em que o perío- ro que você torne um banho de in1ersão cicatrizante e antiséptico
do expulsivo não progride bem, a mãe deve dei.xar a piscina. Depois (ver página 287) nos primeiros dois dias depois do parto, o que vai
do parto o bebê deve ser colocado de barriga para baixo antes de ser garantir uma boa recuperação e prevenir infecções. Se você sentir
entregue à mãe, para facilitar a eliminação das secreções. Quando o algumas pontadas ao urinar, derrame um pouco de água morna com
cordão umbilical parar de pulsar é hora de sair da água. É importan- uma jarra entre as pernas durante a micção. Enxugue com uma toa-
te aprender como se curvar e evitar dores lombares; o uso de um lha seca e depois passe na região afetada uma tintura homeopática
banquinho pode ajudar. ele calêndü.la (pura ou 10 gotas diluídas em um pouco de água previ-
amente fervida) . Espere secar antes de se vestir. Não use pomada~
ou cremes, pois a umidade pode dissolver os pontos precocemente.

212 213
Pode usar uma bóia de piscina de criança para colocar no local O início da amamentação
onde pretende sentar se estiver com dificuldades para tal. Mais
tarde, quando a cicatrizarão estiver mais adiantada (fase de fonn1- Geralmente, com a certeza do parto pela frente, damos pouca
gamento), aplique um óleo de vitamina E depois do banho para atenção à amamentação. Algumas vezes, em particular depois de w11
prevenir uma cicatriz feia e ajudar o término da cicatrização. parto fisiológico, a amamentação acontece facilmente com pouca
O sangramento uterino que continua por algum tempo (conhe ou nenhuma dificuldade. Entretanto, muitas vezes há muito para se
ciclo como lóquios) - pode ser até por um longo período - gradual aprender e a primeira semana pode ser um grande desafio.
mente vai diminuindo até que o útero esteja totalmente recupera- É bom que ,-ocê entenda corno o processo funciona antes de
do. Dê preferência para os absorventes higiênicos; os tampões in- você começar. Nos primeiros dois dias seus seios produzem uma
ternos podem favorecer infecções. substância que se chama co/oJtro. É um líquido espesso, amarelado,
Nas horas que se seguem ao parto é praticamente impossível dor- que já pode estar presente nas últimas semanas da gestação. Esse
mir, e você vai achar bom se recuperar do terremoto que aconteceu líquido maravilhoso é o alimento perfeito para seu bebê. É altamen-
e repassar mentalmente os acontecimentos antes que o cansaço tome te nutritivo e contém importantes anticorpos que ,·ão fortalecer o
conta e você caia em sono profundo. O bebê provavelmente vai fi- sistema imunológico do bebê para o futuro, ajudando a protegê-lo
car desperto nessas primeiras horas e depois também vai adormecer das bactérias do meio ambiente. Tem também uma propriedade
profundamente. E ótimo manter seu corpo em contato com o cor- laxativa e limpa o trato digestivo do bebê, preparando-o para absor-
po do seu filho nos primeiros dias e curtir esse "namoro" o máxi- ver o leite nos dias que se seguem..Ajudará eliminar o mecônio do
mo que puder, limitando as visitas no pós-parto e na primeira se- intestino do bebê, que é uma substância escura esverdeada que se
mana. Não há palavras para descrever a importância desses pri- acumula no intestino durante a gravidez. Depois do parto o bebê
meiros dias em que vocês vão estar se descobrindo um ao outro começa a defecar e não demora muito para que a primeira elimina-
como familia. ção de mecônio apareça! Gradualmente, com a ajuda do colostro, o
Seu companheiro vai precisar de tempo e tranqüilidade para en- mecônio fica mais claro e por volta do terceiro ou quarto dia é subs-
trar-em contato com o bebê, enquanto vocês descobrem quais são as tituído por fezes amareladas. 1\lgumas vezes o rnecônio pode levar
suas necessidades básicas. Vão descobrir que a atmosfera que se se- um ou dois dias para aparecer, o que é perfeitamente normal.
gue ao parto continua por um ou dois dias. Não é difícil que essa Uma boa razão para manter o bebê bem próximo a você nos pri-
atmosfera se desfaça, nos casos em que houver muita perturbação meiros dias é encorajá-lo a mamar o tanto de colostro que quiser.
ou intromissão insensível e vale a pena se preparar de antemão para Michel Odent, no livro P1imal J-Jeal!h, enfatiza a necessidade de o
esses primeiros dias. Muitos pais que tomaram essas precauções re- bebê consumir grandes quantidades de colostro. A sucção do bebê
ferem uma certa "euforia" depois do parto, que pode continuar por estimula a produção de leite; portanto, é importante não limitar esse
uma semana ou duas e certamente os ajuda a se acostumar à paterni- tempo. Raramente precisamos acrescentar água ou água glicosada
dade. para bebês que se alimentam dessa maneira, e a perda de peso é
geralmente insignificante. O jeito certo de sugar o colostro Yai esti-

214 215
mular a liberação do primeiro leite. Um pouco antes de o leite des- A quantidade que o bebê mamar vai determinar o quanto de leite
cer o bebê pode estar um pouco agitado ou impaciente. Algumas será produzido. O bebê pode aumentar a produção simplesmente
gotas de água mineral em uma colher de chá vão acalmar sua sede. O sugando mais (é o que acontece quando ele parece não querer largar
leite geralmente desce de 2 a 4 dias depois do parto e esse dia pode 0
peito por nada). O leite é produzido em pequenas cisternas que
ser um pouco complicado. As mamas provavelmente vão ficar quen- estão dispostas como cachos, dentro do seio, parecendo uma minia-
tes e aumentar de tamanho (diz-se que estão engurgitadas). Esse es- rura de um cacho de uvas. Quando o bebê suga, os estímulos são
tado pode incomodar um pouco, mas geralmente não dura mais do conduzidos por via nervosa até a glândula hipófise no cérebro; um
que 24 horas. Pode acontecer de você chorar sem motivo e ficar um hormônio, a ocitocina, é liberado e vai produzir uma contração das
pouco deprimida. Nessa fase em que o seio está aumentando pode células produtoras de leite, que vão liberar o leite Qeva a uma contra-
ser mais difícil para o bebê pegar o bico do peito. ção uterina ao mesmo tempo). O leite é ejetado dentro de pequenos
duetos que o conduzem até as ampolas ou seios mamários, reserva-
CONSELHOS PRÁTICOS tórios de leite logo abaixo do mamilo. Você pode senti-las como
pequenos nódulos na base da aréola (a região cm volta do mamilo).
Se tiver uma banheira em casa, deite-se de barriga para baixo an- O leite sai desse lugar e é ejetado através dos pequenos "furinhos"
tes de dar de mamar e massageie os seios suavemente em direção do bico do seio. No irúcio a produção parece ser muito grande, mas
ao mamilo, derramando um pouco de leite na água morna. com o tempo a quantidade vai ser determinada pelo tanto que o
• Fique embaixo do chuveiro com a água quente caindo sobre as
bebê m amar.
mamas.
É importante compreender duas questões:
• Aplique compressas quentes (uma fralda molhada com agua
quente). O reflexo de eliminação do leite pode demorar um minuto ou
dois. Pode ser percebido como uma sensação de formigamento
• Se o engurgitamento mamário for muito grande, experimente
no seio, que pode acontecer só de pensar cm dar de mamar, mas
tomar o medicamento homeopático Belladonna D6 de meia cm
meia hora, até que os sintomas desapareçam. geralmente o ciclo completo leva um certo tempo. Portanto é
fundamental não tirar o bebê do peito depois de poucos minutos
Em muitas sociedades antigas as parteiras "amarravam" os seios
(algumas mães são erradamente orientadas para no começo dar
com uma faixa comprida de pano de algodão. Pode ser mais con-
de mamar somente dois minutos em cada peito). Se você tirar o
fortável usar uma faixa do que um sutiã tradicional. Aplique-a de
bebê antes de o leite sair, a produção vai deixar de ser estimulada
maneira firme e que dê sustentação mas não muito apertada; amar-
e o leite pode secar.
re em volta do pescoço para maior firmeza. Alguns sutiãs especi-
ais para esportes podem ser interessantes. O bom relacionamento do bebê no seio ajuda a prevenir as
rachaduras do mamilo:
Como acontece a amamentação?
a. Sente-se com o tronco erguido, de maneira confortável, em
O primeiro princípio da amamentação é o da oferta e da procura. uma cadeira ou na cama. Logo você poderá dar de mamar deitada

216 21 7
na cama, com o bebê deitado ao seu lado. Se o parto foi cesário, 1

vai ter que ser na posição deitada desde o começo.


b. Certifique-se de que está segurando o bebê de uma maneira
confortável, o ventre do bebê encostado no seu, e o rosto dek
J
bem virado para o mamilo.
I' c. É fundamental que ele se encaixe corretamente. Espere que ck
abra bem a boca. Isso pode requerer um pouco de jogo de sedu
ção com o mamilo. Quando a boca estiver bem aberta, coloque o
mamilo dentro da boca do bebê, podendo usar a mão que esm er
Da maneira corrc:ta, o mami- J•'. ste bebê não está corrc:ramcntc adap·
livre para ajudar a segurar o peito e facilitar para o bebê. Verific1ue tado ao seio e está sugando somente
lo e uma porção da aréola en-
que tanto um bom pedaço da aréola como o mamilo por inteir i tram na boca e o lábio inferi- o mamilo
estão dentro da boca do bebê. A região logo abaixo do bico do or fica perfeitamente adapta-
do
seio é a mais importante e deve ficar, na sua maior parte, dentro
da boca do bebê, a menos que sua aréola seja muito grande. variável e o leite mais nutritivo está no final da mamada.
Lembre-se de que o bebê extrai o leite do seio e não do mamilo, e. Deixe que o bebê mame até ficar satisfeito. Geralmente ele vai
massageando as ampolas ou seios mamários com movimentos cair em um sono profundo ainda no seio quando não quiser mais
rítmicos da mandfüula. Uma vez que o bebê sugou a aréola e nada. Cada bebê tem seu. tempo próprio para ficar satisfeito, o
mamilo para dentro da boca, os movimentos massageantes da que é variável; com o tempo as mamadas ficam mais curtas e
aumenta-se o período entre elas. É bom não ficar cronometrando
mandfüula e da língua vão estimular a ejeção do leite. Se um bcbl
colocar o mamilo de maneira inadequada na boca, ele pode che- o tempo.
gar até a porção posterior da língua. Para se ter uma idéia de como
f. Se alguma dificuldade acontecer, contate um profissional que po-
derá dar a orientação precisa. Pode ser interessante contatar al-
é isso, coloque seu polegar na boca e sugue por uns instantes. Se
o bebê colocar o mamilo de maneira conveniente na boca a ma1 gum conselheiro de amamentação antes de o bebê nascer.
'
oria dos problemas poderá ser evitada. Algum desconforto e uma
sensibilidade dolorosa, como de uma machucadura, podem ser
normais, mas os mamilos vão se acostumar com a amamentação
Quando o bebê está corretamente adap -
contínua e esses sintomas desaparecerão.
tado ao ~eio o mamilo alcança o palato
d. Ofereça o peito quantas vezes o bebê solicitar. No início essa de- mole . Os movimentos rítmicos
manda pode ser contínua, pois o bebê tinha uma alimentação ondulatórios da língua drenam o leite
para sua garganta
contínua dentro do útero. Com o tempo se estabelece um padrão
de alimentação e de digestão. É importante que o bebê mame até
esvaziar o seio em cada mamada, pois o leite tem consistência

218 219
principal da dieta até os 12.meses ou mais. ~enhum ~utro alimento
Cuidados com o s eio é tão completo quanto o leite materno. As formulas lacteas feitas de
leite de vaca podem ser substitutos adequados, se necessário, e fo-
Aqui vão algumas sugestões:
ram preparadas para se parecer o máximo possível com o leite hu-
Massageie os seios e os mamilos nos útimos meses da gestação
mano. No entanto, não podem imitar totalmente as propriedades
com óleo de amêndoas. Leia um bom livro sobre amamentação
vitais e dinâmicas do leite materno.
(ver Leituras Recomendadas).
Se as circunstâncias o permitirem, é bom ter em mente o seguinte:
• Nunca use sabonete nas mamas, pois isso remove lubrificantes
naturais. • D ê de mamar para seu filho como uma cigana - sem olhar no
Não lave os seios entre as mamadas. O leite contem anti-sépticos relógio e de acordo com a vontade dele. É impossível
naturais e um banho por dia é suficiente para a limpeza. Depois superalimentar um bebê que mama no seio. É normal que os be-
de dar de mamar, dei..xe que o seio seque espontaneamente e de- b ês fiquem rechonchudos quando mamam no seio, essas
pois massageie os mamilos com um pouco de óleo de amêndoas. gordurinhas vão desaparecer assim que o bebê começar a andar!
Deixe o seio tomar um pouco de ar antes de colocar o sutiã espe- D eixe o bebê estabeler o ritmo da amamentação. Os padrões de
cial para amamentação. Prefira aqueles que têm uma abertura na amamentação são muito variáveis. E ele pode querer ficar pendu-
frente e, se necessário, consulte uma pessoa especializada. rado em você a tarde inteira e quase nada pela manhã, ou o con-
Use coberturas de seio descartáveis ou laváveis que não tenham trário.
superfície plástica na face superior, e troque-as freqüentemente. Se possível, deixe que ele desmame por si mesmo. J\ ama-
Se ocorrer alguma rachadura, use creme de calêndula depois mentação pode perdurar por 3 ou 4 anos, o que é perfeitamente
das mamadas. Isso não é prejudicial para o bebê. Deixe o seio ao normal para algumas mães e seus bebês. Não há regras, mas o
ar livre o máximo que puder. Luz solar amena por períodos não leite materno é muito importante para o bebê nos primeiros 6
muito exagerados pode ajudar. meses de vida. Se você puder continuar por um ano ou mais, o
• Na hora de tirar o bebê do seio, tome cuidado para não bebê só vai tirar proveito disso.
interromper a sucção; introduza seu dedo mindinho pelo canro
da boca do bebê antes de tirá-lo do seio.

A continuação da am amentação

Depois de uma semana ou duas, dar de mamar vai se tornar um


prazer para vocês dois. O leite materno é o alimento ideal para o
bebê e assegura o fornecimento dos nutrientes adequados ao pri-
meiro ano de vida.
Mesmo que você introduza alimentação sólida por volta dos 4 ou
6 meses, o leite materno, se possível, deveria continuar a ser o prato
221
220
Tonificar os músculos abdominais e restaurar a força e a elasticidade.
• Liberar tensões dos ombros e pescoço, regiões que estão sob
estresse de muitas horas carregando o bebê.
• Melhorar a circulação das mamas e manter a boa postura e o tônus
Nas primeiras semanas depois do parto sua atenção vai estar dos músculos que as sustentam.
dirigida para os cuidados e para a descoberta do bebê. Vai precisar Manter a mobilidade e a flexibilidade adicional das articulações,
de muito descanso e uma dieta nutritiva, e provavelmente não vai conseguidas durante a gestação, enquanto se promove o fortale-
sobrar muito tempo ou motivação para exercícios formais. Muitas cimento dos ligamentos.
horas serão gastas em amamentação e essa é uma boa oportunidade • Aliviar a região pélvica e ajudar e retorno à curvatura normal da
para descansar, relaxar e praticar a respiração profunda (ver Capítulo coluna.
3, Seqüência de exercícios 1, nº 2). • Diminuir o cansaço e estimular o bom fluxo de energia e a circu-
Entretanto, existem alguns exercícios importantes que você pode lação sangüínea.
fazer para ajudar a recobrar a velha forma nesses primeiros meses. • Relaxamento.
Você vai descobrir, em um pequeno programa de exercícios, uma Nadar e caminhar também são excelentes associados ao progra-
valiosa maneira de relaxar e combater o cansaço ou falta de energia, ma de exercícios, e são agradáveis para o bebê também! Não há
muito comuns entre as mulheres que se tornam mães. necessidade de fazer regime para recuperar a forma se você estiver
O programa de exercícios fundamentais que se segue foi prepa- se exercitando bem e amamentando o bebê. Uma dieta nutritiva e
rado para ser seguido na ordem apresentada, cada exercício estiran- que seja bem equilibrada é essencial. Muitos desses exercícios já
do um pouco mais o corpo e preparando para o próximo. Os exercí- são velhos conhecidos do programa de preparação para o parto.
cios começam no primeiro dia depois do parto e gradualmente che-
gam a um programa para os seis primeiros meses. Embora cada se- Semana 1
qüência tenha sido programada para uma semana, não tem impor-
tância se você precisar ficar mais tempo em cada uma delas, antes de 1. No primeiro ou segundo dia após o parto, experimente deitar-se
se sentir capacitada para prosseguir. É importante seguir o seu ritmo de ombros na cama e contrair e soltar os músculos do assoalho
pessoal e encaixar os exercícios nos períodos em que o bebê não pélvico aproximadamente 1Ovezes, várias vezes por dia. Pode ser
solicitar cuidados, que devem ser sua prioridade. um pouco desconfortável quando o leite descer e os seios fica-
Esse programa de exercícios pós-natais se concentra nas seguin- rem doloridos. Você pode colocar um travesseiro sob o ventre
tes regiões: ou fazer os exercícios de costas com os joelhos dobrados.
Tonificar e fortalecer os músculos do assoalho pélvico e ajudar 2. Deite-se no chão na posição horizontal básica (ver página 112,
o retorno do útero ao estado normal. seqüência de exercícios VIII, n.1), com as mãos sobre o ventre
• Fortalecer a região lombar que suportou um peso adicional du- e os joelhos dobrados. Respire fundo como antes, mas concentre-
rante a gravidez. se em contrair os músculos abdominais e na descida deles quan-

223
222
do você expira, relaxando-os na inspiração. Repita 1O vezes.
3. Na mesma posição, contraia, segure e solte os músculos do assoalho
pélvico 1O vezes.
4. Na mesma posição faça o exercício de tonificação abdominal (ver
página 106, Seqüência de exercícios VII, n 1). Seria bom iniciar
esse exercício no primeiro ou segundo dia depois do parto. Vá
aumentando até chegar a fazer 1O vezes.
5. Na mesma posição faça o levantamento pélvico (ver página 11 3
se qüência de exercícios VIII, n2) e o relaxamento da região pélvica
para alongar a coluna (ver página 114, Seqüência de exercícios
VIII, n.3a). O relaxamento total

6. O relaxamento total - conhecido na yoga como "postura corpse"


- é provavelmente o exercício pós-natal mais importante e ajuda
a recuperação do parto. Deve ser sempre feito no final da sessão
de exercícios ou durante a mesma. (Deite-se de costas: com as
extremidades confortavelmente separadas. Coloque um traves-
seiro debaixo dos joelhos se vbcê preferir. Aproxime o queixo do
Posição para os exercícios do assoalh o pélvico peito para relaxar a porção posterior do pescoço e feche os olhos.
Respire fundo, inspirando e expirando através do nariz, procu-
rando perceber a respiração no abdome. A cada expiração relaxe
e solte cada parte do corpo sucessivamente, não esquecendo de
manter a mandfüula e os olhos relaxados. Perceba as partes do
seu corpo que entram em contato com o chão e libere todas as
pequenas tensões a cada expiração, de modo que o corpo fique
mais pesado à medida que o relaxamento se aprofunda. Permane-
ça nessa posição pelo menos por 1O minutos, cobrindo-se com
um lençol se tiver frio. Deve ser praticado todos os dias, entre 1O
e 20 minutos, e pode ser tão relaxante como algumas horas de
Alternativa para o caso dos seios doloridos
sono.

224 225
E também o de pernas para cima com o apoio dos braços:

O relaxamento total

Semana2

Acrescente a postura da borboleta (ver página 76, Seqüência de


exercícios II, n.1 ).
E também o exercício de levantamento pélvico (ver página 85,
Seqüência de exercícios III, n.4).

Semana3

Acrescente o exercício de ajoelhar com os joelhos separados (ver


página 81, Seqüência de exercícios III, n.1).
Também a rotação da coluna (ver página 84, Seqüência de exercícios b e d
III, n. 3).

Semana 4

Acrescente a Seqüência de exercícios V inteira, a liberação dos


ombros. (ver página 97).

Semana 5
e
Acrescente o exercício com as pernas abertas na parede, (ver pá- Pernas para cima com o apoio dos braços
gina 108, Seqüência de exercícios VII, nº 2a, b, c).

226
227
a. Deite-se de costas no chão com o bumbum perto da parede, na vagar, e abrace os joelhos (e).
mesma posição de "pernas abertas na parede". Flexione os joe- d. Quando "c" se tornar fácil, o que pode levar semanas, tente
lhos e coloque os pés juntos. Relaxe os ombros, coloque os bra- esticar as pernas ao ficarem equilibradas. O peso do corpo deve
ços ao seu lado com as palmas para baixo e aproxime o queixo do ser sustentado pelos cotovelos e pelos braços enquanto o corpo
peito para relaxar e alongar a nuca. estiver perpendicular ao chão. Para abandonar a posição coloque
Respire fundo, direcionando o ar para o ventre, relaxe e solte os pés na parede e desça lentamente a coluna começando pelo
toda a coluna, particularmente a região lombar, pescoço e om- pescoço.
bros, em direção ao chão. (Aviso: durante esse exercício não olhe para e. Abrace os joelhos para relaxar a região lombar.
os lados. Se o bebê chamar abandone o exercício.)
b. Traga os cotovelos para perto da lateral do corpo e deixe que eles Beneficios
adentrem o chão com a sua respiração. Depois, tomando-os como Esse exercício traz leveza e alívio à região pélvica, e ajuda na re-
apoio no chão, empurre os pés contra a parede e levante o corpo, cuperação do assoalho pélvico e útero. Depois das semanas iniciais,
apoiando as costas com as mãos e colocando-as atrás de suas cos- os exercícios do assoalho pélvico deveriam ser sempre feitos nessa
telas. Mantenha o pescoço e os ombros relaxados e não passe do posição. Se praticados regularmente, podem curar um prolapso e
ponto que sentir que começa a forçar. Estique as pernas, manten- melhorar .as varizes das pernas e da vulva e as hemorróidas. Também
do os pés na parede e os cotovelos no chão. No início a bacia vai elinuna tensões da região dorsal, do pescoço e dos ombros, e melho-
parecer bem pesada e vai ser difícil colocar as mãos na parte su- ra o sistema endócrino, ajudando a recuperar o equilíbrio hormonal
perior das costas, mas com a prática regular o pescoço vai se rela- depois do parto. Você pode fazer a maior parte dos exercícios mais
xar e a bacia vai se tornar mais leve. Direcione a expiração ao importantes em apenas 1O minJtos. Se você achar que tem tempo
pressionar o chão com os cotovelos, fazendo isso lentamente. somente para uma seqüência de exercícios, então comece com a das
Segure um pouco e depois abai'Ce o corpo, tomando o tempo de pernas separadas, depois a postura da borboleta na parede, o exercí-
uma expiração. Quando conseguir fazer tranqüilamente 1O exer- cio abdon1inal e o suporte de ombros.
cíêios abdominais antes de abaixar o corpo, direcionando 0
assoalho pélvico para baixo em direção ao umbigo quando 0 con- D e 6 semanas a 6 meses
trai, mantenha a posição por um segundo e depois relaxe. Abrace
os joelhos antes de se levantar (e). Conforme o tempo e o interesse permitirem, acrescente os se-
e. Quando ficar fácil fazer "b'', flexione os joelhos e apóie-se na guintes exercícios ao seu programa:
parede com os pés para trazer a bacia para cima dos ombros, de Sentar com as pernas abertas (ver página 79, Seqüência de exercícios
modo que se forme um ângulo de 90 graus entre o tronco e 0 II, nº 4).
chão. Certifique-se de que os ombros estão bem apoiados. Colo- A seqüência de exercícios lV, "posições eretas", (página 88).
que as mãos nas costas e respire, levando os cotovelos para baixo A postura do cachorro (ver página 100, Seqüência de exercícios
quando expirar. Segure, depois relaxe e deixe a coluna descer com VI, nº 2) .

2211 229
A seqüência de exercícios VIII, relaxamento da coluna, mas não ;O. Parto At/vo em Ca!;a ou no
faça o n.5. (ver página 188).
Termine as sessões sempre com o relaxamento total, (ver página J-/o!;p1"ta/
225).
Nos meses seguintes você vai estar pronta para continuar com
exercícios de yoga mais avançados. (ver Leituras Recomendadas) É provável que, desde o início da gestação, você ouça a seguinte
pergunta: você já escolheu o lugar onde pretende fazer o seu parto?
Pode acontecer de você se sentir comprometida com essa opção
inicial (pense sempre que você pode mudar de opinião). Mas nem
sempre é fácil decidir nesse período, em que você ainda não tem
muitas informações sobre o assunto, nem conhece quais são as pos-
sibilidades disponíveis. Com certeza ainda não sabe como a gravidez
vai se desenrolar, o que pode influenciar sua decisão. As mulheres,
como outros mamíferos, têm um forte "instinto maternal"*, que ge-
ralmente se manifesta mais no final da gravidez. Assim como a gata
escolhe o lugar da casa onde pretende parir um pouco antes da épo-
ca em que os gatinhos forem nascer, você também pode não estar
certa de onde pretende dar à luz até que chegue perto do final, em-
bora possa ter algumas preferênc~s ou idéias.
Se for possível, é melhor se alistar para o pré-natal com sua
obstetriz, seu clínico geral ou hospital mais próximo, e mantenha a
cabeça aberta antes de tomar qualquer decisão; enquanto isso, ex-
plore as possibilidades. É possível que você mude de clínico geral
durante a gravidez, ou que você escolha um hospital particular que
pode não ser o mais próximo da sua casa, mas que você prefira pelo
tipo de atendimento. É aconselhável visitar o hospital que você está
cogitando antes de tomar qualquer decisão e perguntar sobre o tipo
de abordagem utilizada na sala de parto e se o Parto Ativo é permi-
tido.
Por outro lado, você pode preferir explorar outras opções dispo-
níveis.
N. do T.: "Nl'.sting instinct" no oriiónal
231
230
Em casa ou no hospital? regional das obstetrizes.
c. Uma "GP unit" (GP = "General Practioner"), ou Unidade do
Não há como eliminar rodos os nscos de um parto. Embora a Clínico Geral, é a possibilidade de você ter seu bebê em um hos-
grande maioria de crianças nasça sem problemas, o resultado final pital, mas sob os cuidados do seu GP, com as obstetrizes comuni-
de um parto é sempre uma interrogação. Complicações inesperadas tárias locais atendendo você. A equipe do hospital será chamada
podem acontecer, os aparelhos podem quebrar, as pessoas podem somente na ocorrência de alguma complicação e você pode vol-
cometer erros. Não há nenhuma evidência que prove que o parto tar para casa 6 horas depois do parto e com o bebê, se tudo correr
hospitalar seja mais seguro que o domiciliar, ou vice-versa. Evidên- bem. Muitas mulheres acham que esse é um bom meio de dar à
cias recentes indicam que um parto não é necessariamente mais se- luz ativamente em um hospital e desfrutar da atmosfera mais ca-
guro porque acontece no hospital - mesmo se for o primeiro filho, seira e da familiaridade do médico e da parteira que você já co-
vale a pena considerar cuidadosamente qual é a melhor opção para nhece bem.
você. Diversos fatores, tais como saúde, idade, surgimento de algum d. Por último, a escolha de um grande hospital. (Alguns deles têm
problerna durante a gravidez e quais as opções real.mente possíveis leitos reservados para os GPs). Hoje cm dia cada vez mais hospi-
para você, vão ajudar a determinar o lugar mais apropriado para você tais encorajam o Parto Ativo e alguns têm uma sala de parto espe-
dar à luz. cial funcionando.
O mais importante é você descobrir todas as possibilidades, con-
siderar suas prioridades e depois escolher o caminho que você sente
Se você tiver algum dos problemas descritos a seguir, então seu
ser o melhor. Seus sentimentos intuitivos são real.mente importantes
parto terá que ser no hospital.
e vão emergir com mais intensidade no final da gravidez. As possibi-
lidades são as seguintes:
TOXEMIA OU PRÉ-ECLÂMPSIA
a. O parto domiciliar.
b. O esquema dominó ("domiciliary midwife - In-Out"). Nesse Nesse caso a pressão arterial sobe e atinge níveis perigosos. Não
sistema a obstetriz comunitária que você já conhece, com quem tem nenhuma relação com a pequena elevação na pressão, bastante
você fez seu pré-natal, virá à sua casa quando entrar em trabalho comum no final da gravidez, que precisa de controle cuidadoso mas
de parto, levará você ao hospital, fará seu parto lá e a trará de que não apresenta maiores problemas, a menos que a pressão conti-
volta 6 horas depois do parto ou um pouco mais. No período que nue a se elevar ou suba de maneira rápida. A pressão sangüínea está
se segue ao parto vai cuidar de você na sua casa. A grande vanta- ligada às emoções e algumas vezes a excitação da aproximação do
gem é conhecer a obstetriz de antemão. parto pode ser a causa de um pequeno aumento da pressão (ver Ca-
Esse sisterna pode ser um intermediário entre parto domiciliar e pítulo 11 para prevenção e tratamento da pressão alta).
hospitalar e a parturiente desfruta da continuidade do cuidado.
Geral.mente não é fácil descobrir se essa opção é possível, mas
pergunte ao seu clínico geral, ao hospital regional ou à supervisora

23 ~
233
ção. As pessoas que vão cuidar de você virão como co1widados à sua
APRESENTAÇÃO PÉLVICA
casa. Você pode relaxar no conforto e segurança do ambiente fami-
Normalmente fala-se que o bebê está sentado. Envolve mais ris- liar, tendo ao seu redor pessoas que você ama. O parto é um aconte-
cos que na apresentação normal. (Ver .Apresentações Incomuns em cimento na vida de sua famlia, uma ocasião especial, um momento
Parto Ativo Hospitalar.) para celebrações. Para os outros filhos, particularmente se ainda são
pequenos, um parto domiciliar é bom pois eles podem participar da
COMPLICAÇÕES PRÉVIAS chegada do novo membro da familia sem ter que se separar ela mãe.
Se tudo está evoluindo bem, alguns pais permitem que as outras
Nem todas as complicações têm a mesma chance de se repetir crianças vejam como o irmãozin.bo nasce, participando totalmente
em ouu·as gestações. No entanto, se houve algum problema no últi- da experiência.
mo parto que poderia afetar o atual, então vai ser melhor estar em
"Depois que o nenê nasceu e estávamos esperando o cordão parar de batei; de
um hospital.
repente tomei co11sciêllcia do q11ão 111aravilhoso era para 11ós todos estarmos )1111-
tos 11aque/e momento. As garotas presenciaram o nascimento do irmão, o que
PLACENTA PRÉVIA
~erou entre eles 11ma grande proximidade."

Às vezes a placenta se insere na porção inferior do útero, cobrin- Existe a vantagem de ser atendida por pessoas que você já co-
do parcial ou totalmente o orifício do colo uterino. Nesse caso exis- nhece. Durante a gravidez há tempo suficiente para conhecer a
te a possibilidade de a placenta se separar e nascer antes do bebê, obstetriz ou obstetrizes que vão atender você e conversar sobre corno
implicando na interrupção da nutrição vital do bebê. você gostaria que tudo acontecesse. Em casa também é possíYel ter
Embora geralmente os casos de placenta de inserção baixa termi- a presença reconfortante do seu médico da família no momento do
nem em parto normal, pode ser interessante não estar muito longe parto. Tire o máximo de proveito elas várias oportunidades de discu-
de um auxilio caso haja a necessidade de uma cesariana. (Nos casos tir com seu médico ou com a obstetriz o que Yocê pretende fazer. Se
de placenta prévia verdadeira ou total a cesariana é sempre necessária.) ,·ocê sente que pode contar com as pessoas que vão fazer seu parto
e que vão lhe dar apoio e encorajamento para dar à luz ativamente,
Parto Ativo em casa isto ajudará a chegar ao final da gestação sentindo-se confiante. Caso
esta seja a primeira experiência deles com o Parto í\ti,·o, empreste-
"Pairava uma se11SafàO de muita calma, pa:;, e relaxamento 110 alllhiente, e lhes este livro!
todos dormimos juntos 110 leito familia1; a noite inteira. Foi mlfito bom não J!mr
"Comecei a ficar com medo da possibilidade ele e1!/iwtar uma d!fimldade,
m11h11m i11sta11/e longe de Kurl e de David"
por me11or que fosse, de uma hora para 011/ra; mas e.rlar em casa, amparada por
brafos carinhosos tomou 11Jais fácil m.frenlar esse medo. No hospital.f11i encora-
Existem muitas vantagens no parto domiciliar. No seu lar você é iada a lutar contra as i11terjêrê11cias a lutar contra mi11ha próp1ia .fraqne:;,a; em
1

o centro em torno do qual todas as outras coisas giram, e não wna casa senti-me mais segura para 11iio qnerer desistir de tudo. "
paciente que tem c1ue se adaptar às rotinas de uma grande institui-

23S
23-1
Se você está almejando um parto totalmente natural, você pode ellorme e maâo puje também com um lenfol e11costado nos pés da cama e um
evitar as rotinas hospitalares; além disso, em casa é menor a tentação banqHinho para sentar e11tre as co11ltY1fÕes. "
de recorrer às drogas ou intervenções nos seus momentos de fra - Providencie urn ambiente agradável, onde Yocê possa ter várias
queza. Você é a única pessoa em trabalho de parto, o parto pode se alternativas para variar a posição. Não é preciso nenhum equipamen-
desenrolar naturalmente, você tem todo o tempo do mundo e não to especial, a maioria das casas tem tudo que é necessário. Não es-
tem a inconveniência de ter que se deslocar até o hospital. Ir de um queça de arranjar um bom número de almofadas e um banquinho ou
lugar ao outro durante o trabalho de parto geralmente perturba o uma pilha de livros para ajudar a ficar de cócoras.
ritmo das contrações, que se tornam menos freqüentes. Você pode 1\ sala deve ter uma temperatura levemente aquecida, com a pos-
criar o ambiente que quiser, usar o banheiro todas as vezes que qui- sibilidade de aquecimento extra para o momento do parto, pois o
ser, fazer o tanto de barulho que quiser, ouvir música e se servir da bebê precisa ser mantido bem aquecido imediatamente depois do
bebida ou comida preferidas. Existe a possibilidade de completa li- parto. r\ luminosidade não dc\•e incomodar. Baixa luminosidade pro-
berdade de movimentos e privacidade, e de <lar à luz na própria cama picia maior relaxamento durante o parto, não se esquecendo de um
ou no chão. Você pode preferir ficar sozinha ou compartilhar a ex- abajur ou dessas lâmpadas portáteis que se fixam, caso a obstetriz
periência com as pessoas que escolher. Depois do parto pode come- precise. Sua obstetriz ou hospital mais próximo vão providenciar
morar, com a farrúlia toda, a alegria do evento. Pode dormir quando uma "cesta maternal" para o parto. l'vfesmo tendo tudo esquematizado,
o bebê dormir e tê-lo na cama de dia ou de noite. Geralmente é mais é bom dizer que o bebê pode nascer em um local que você nem
fácil estabelecer uma rotina de amamentação e aprender a cuidar do imaginava que fosse possível. Não é raro que o parto aconteça no
bebê nessas condições. chão do banheiro!
Em termos médicos, é essencial que você esteja na categoria de Durante o trabalho de parto, tire o máximo proveito da banheira
gravidez de "baixo risco", com saúde perfeita e sem problemas du- ou do chuveiro. É improvável que o bebê nasça dentro da água; no
rante a gestação ou lústória de doenças ou complicações obstétricas entanto, se isso acontecer não há nenhum problema. Geralmente é
que possam influenciar o parto. Algumas vezes, no entanto, uma melhor esperar que você esteja pelo menos na metade do caminho
mulher com gravidez considerada de "alto risco" poderá ficar me- (cerca de 5 centímetros de dilatação) antes de passar longos perío-
lhor em casa se puder contar com o atendimento de pessoas experi- dos dentro da água ou você pode desperdiçar essa excelente opção
entes. antes de realmente precisar dela (ver Capítulo 7) .
Como sempre existe a possibilidade de \'ocê ter de ser removida
"Deâdi relaxar 11a banheira. Q11a11do percebi uma co11ít'CtfàO, saí logo da
para o hospital, dei.'\e as coisas estruturadas de antemão.
banheira para me debmrar na pia e fa;;._er movimentos rotatórios lmtos com a
batia, girando como se tivesse um bambolê. Crmti1111ei assim, esperando q11e a
O LOCAL DO PARTO
banheira se enchesse com água quente e11q11a11to tive três co11tntfÕes, cada 11tJJa
''P11i para o q11arto, 110 af/dar supeiiot~ que havia preparado para o parto. durando mais 011 menos 11m mi1111to. "
Lá eu ti11ha um colchão de espuma perto da lareira, coberto com 11111 lellfO/, 11111 Um monitor portátil de batimentos cardíacos fetais tipo doppler,

236
caso a pessoa que faça seu parto tenha um, aumenta sua segurança. estabelecidos pelos hospitais as visitas podem chegar sem parar de-
Caso você decida tomar um banho com o bebê na banheira ou
pois de um parto domiciliar. ....
dar wn banho nele em uma banheirinha apropriada a água deve estar Você vai precisar de um bom tempo e de tranqwlidade para co-
morna, e jamais muito quente, pois ele está acostumado à tempera- nhecer o seu bebê.
tura do seu corpo.
Depois do parto não é necessário vestir o bebê por alguns dias.
Parto Ativo em hospital
É bom ter à mão muitas fraldas ou toalhas macias, de confecção
flanelada para envolver o bebê, pois ele deve ficar sempre aquecido. Não há nenhwna razão para que o Parto Ativo não possa aconte-
Por um ou dois dias (ou mais) depois do parto o melhor para o bebê cer dentro de qualquer ambiente onde aconteçam partos. Reahnente
é estar perto do calor do seu corpo e do conhecido som do seu existem muitos hospitais em Londres e em outros locais do país
coração batendo. Não há problemas em dormir junto com o bebê (e onde grávidas se prepararam para um Parto Ativo e conseguiram
1
tomar banho junto) nessa época. Isso vai garantir que o bebê obte- atingir suas metas. Se você decidir ter seu bebê no hospital, procure
nha o máximo do valioso colostro, que contém anticorpos para for- antes saber se vão permitir que você se movimente como quiser e se
tificar as defesas contra bactérias. O colostro também tem um efeito
1 1

pode lançar mão de posições naturais durante o parto. É aconselhá-


laxativo no trato digestivo, preparando-o para absorver o leite quan- vel, para você e seu companheiro, fazer uma consulta e conhecer o
do ele "descer" no segundo ou terceiro dia depois do parto. chefe do serviço do local onde vai parir, e ter suas preferências escri-
Nas horas que se seguem ao parto a obstetriz vai ajudar a arrumar tas no cartão de pré-natal com a assinatura dele. Pergunte tudo o que
e limpar a casa e depois vai embora. Vale a pena pensar com antece- você quiser saber, já que muitos hospitais terão interesse em você.
dência no que vai ser necessário nessa hora e providenciar para que Conversar com a enfermeira supervisora da maternidade pode ser
tudo esteja ao seu alcance, do lado da cama. Vai precisar principal- muito útil pois ela estará mais familiarizada com o modo como fun-
mente de recipientes para água quente e algodão para limpar o bebê, ciona a sala de parto. Dúvidas que você pode ter:
quando o intestino funcionar pela primeira vez. O que sai é uma • É possível dar à luz no chão em vez de utilizar uma cama ou
subs~ância pegajosa, de coloração negra ou verde-escura, chamada mesa de parto?
m.ecônio. Em pouco tempo as fezes vão se tornar amareladas. Vai O serviço tem monitores fetais portáteis que permitem escutar
ser necessário algum tipo de fralda. As fraldas descartáveis, tamanho o coração do bebê em uma posição vertical sem perturbar a evo-
pequeno, são práticas e evitam que você passe muito tempo lavando-as lução do trabalho de parto?
nesse começo. É preciso muitas delas! É uma boa idéia também ter O servico usa medicacões rotineiramente no terceiro período
' '
óleo de amêndoa ou creme de calêndula para passar no bico do seio (como Syntocinon e Methergin) ou é a favor de uma recuperação
depois das mamadas. Ajuda a prevenir as rachaduras (ver Capítulo 8). fisiológica? É flexível nesse aspecto?
Você pode estar se sentindo radiante depois do parto, rnas tome Muitos hospitais estão reconhecendo as vantagens do Parto Ati-
cuidado para não d eixar de descansar e dormir o suficiente e vo, embora existam rnuitos que se baseiam na intervenção e no uso
direcionar suas forças para o seu filho. Sem a proteção dos horários da tecnologia. Em alguns hospitais a equipe encoraja o Parto Ativo;

238 239
já em outros, essa idéia pode não ser apoiada. É importante que você cos enquanto você estiver de joelhos ou de cócoras na cama; se hou-
descubra o melhor lugar reservando-se antecipadamente, o direito ver espaço atrás da mesma, seu companheiro pode se acomodar lá
de mudar para um hospital que satisfaça as suas necessidades. Como para servir de apoio para você.
foi mencionado, o esquema "dominó" ou o sistema da Unidade do Em geral as mesas de parto são reguláveis: podem ser abaixadas,
Clínico Geral são geralmente os caminhos mais fáceis para se conse- a parte onde se apóiam as costas pode se elevar e às vezes a parte
guir um Parto Ativo dentro de um hospital, tendo a vantagem de ser mais anterior e o encosto podern ser removidos. Explore essas pos-
a mesma pessoa que vai se ocupar de você e possibilitam a oportuni- sibilidades antecipadamente. (Temos muitas histórias de con10 as
dade de você discutir suas vontades com a obstetriz ou com o médico. pessoas deram um jeitinho com o que tinham à disposição no mo-
'Já tinha dito com antecedência que não ia querer lavagem do i11testi110, mento.) Se os seus atendentes assim o permitirem, seu companheiro
mo11itoreJ; medicamentos e que corlasst!m meus pêlos, a menos qm fosse abso/11- pode se sentar na cama com você para apoiá-la ou massageá-la. O
tamente necessário,· uma vez que a obstetii::;, corifirmou minhas vo11tades, nada ideal é que você possa se movimentar como quiser durante o traba-
mais foi discutido a esse respeito. " lho de parto e possa ter a escolha de estar no chão ou no leito. Em-
bora as mesas de parto geralmente sejam um pouco altas, o que de
Independente de ter seu filho em casa ou em um hospital, você
certa forma pode limitar seus movimentos, elas tornam possível que
vai precisar de um bom cuidado pré-natal e de se preparar para o
você seja amparada e que a pessoa que atende o parto possa ver e ter
parto durante a gravidez.
acesso facilmente. Muitos hospitais se propõem a colocar colchonetes
no chão para as mulheres que querem ficar de cócoras, ou mesmo
O QUE LEVAR COM VOCÊ
um banquinho ou cadeirinha de parto. Isso é muito bom!

Leve uma almofada ou duas que sejam firmes e grandes (no má- Faça um giro pela enfermaria obstétrica antecipadamente, locali-
ximo 1 metro quadrado) ou um pufe, desses que se amoldam ao ze os banheiros e chuveiros de modo que possa se utilizar deles du-
rante o parto.
corpo, para se debruçar sobre ele, pois as almofadas pequenas que
os hospitais têm não oferecem segurança suficiente. A almofada deve Também é bom levar algo onde possa se ajoelhar. Um pedaço de
1 1
ser firme, bem larga e, é claro, muito limpa. Provavelmente você vai espuma ou emborrachado com cerca de 5 centímetros de altura sob
usar também os travesseiros do hospital. Pode solicitar mais traves- uma ah11ofada limpa é o ideal. Assirn você pode se ajoelhar no chão
seiros quando você estiver lá. ou usar na cama, para proteger os joelhos.
Muitos hospitais têm banquinhos, ou escadinhas, que são usados Muitos casais gostam de levar um toca-fitas com músicas
previamente escolhidas, o que pode ser muito relaxante até para os
para se subir nas camas. São ótimos para se ficar de cócoras. Coloque
atendentes.
um travesseiro nele ou solicite um pouco de papel descartável para
Leve seu próprio traje de dormir - assim você vai se sentir me-
forrá-lo. A mesa de parto geralmente é muito estreita, não sendo o
lhor. Sugiro um de algodão, curto e abotoado na frente (ou um pija-
lugar ideal; mas é larga o suficiente para se ajoelhar ou ficar de cóco-
rna masculino, ou blusa de pijama). Pode ser que você queira uma
ras de uma maneira razoavelmente confortável* . _,'.-\s barras na parte
posterior da mesa de parto se tornam pontos de apoio muito práti-
*N · d0 T.: As mesas de parto n:i Jnglatcrra sao
- mais
· largas do LJU C
·
as usadas no Brasil.

240 241
esponja únúda (natural, se possível) e uma toalhinha de rosto para debruçar nela.
umedecer o rosto entre as contrações, e um ventilador, se estiYer Pode usar o banquinho para ficar de cócoras, ou ficar assim no
quente. Se a sala estiver superaquecida (freqüente nos hospitais). chão segurando em alguma parte da cama. Quando o trabalho de
experimente desligar os aquecedores. parto ficar mais intenso você pode subir na mesa de parto, se você
Se você quiser, leve seus próprios chás naturais (camomila ou quiser e se for possível. Peça para que levantem o encosto e colo-
framboesa), além de um pouco de mel puro. Uma colher de vez em quem suas almofadas como apoio, de modo que possa se debruçar
quando com algwn chá aromático garante que a glicenúa não abaixe nelas e descansar, totalmente amparada, na posição de joelhos, entre
e afasta a necessidade de soro glicosado. Suco de maçã natural ou de as contrações.
uva terá o mesmo efeito, como também pastilhas de glicose (não É possível ficar de cócoras segurando na cabeceira da cama. Ou-
tome suco de limão, é muito ácido). Seu companheiro, é claro, vai tra possibilidade é se apoiar no seu companheiro, que deverá ficar ao
precisar de conúda e fichas telefônicas. lado da cama para servir de apoio, ou atrás da cama. Experimente
ficar de cócoras nas laterais da mesa de parto, colocando as mãos em
MOVIMENTOS PARA O PARTO volta do pescoço do companheiro como apoio.

Provavelmente ''ão aconselhar você a permanecer em casa na pri-


meira parte do período de dilatação; assim quando chegar no hospi-
tal e já estiver com algwna dilatação, você vai ficar mais animada.
Quando chegar, vão fazer um exame para ver sua dilatação e você
será internada. Vão avaliar a posição e se está tudo bem com o bebê.
normalmente vão prescrever um enema (lavagem do intestino) e um
banho, se quiser. Você pode recusar o enema se preferir, pois não é
essencial. Quando chegar no hospital não se surpreenda se as coisa ~
não se desenrolarem como antes - tão logo você relaxe e se assente,
o ritmo do trabalho de parto volta a ser como antes.
Um banho de banheira ou de chuveiro é muito relaxante - não
tenha pressa, curta-o! Muitas enfermeiras obstétricas têm um ba-
nheiro com chuveiro e, se seu período de dilatação for muito longo,
pode desfrutar deste previlégio de vez em quando. Pode canúnhar
pela sala de parto ou até pelo corredor. Quando as contrações fica-
rem mais fortes pode ser que você queira ficar de pé ao lado da mesa
de parto; coloque então sua almofada grande à sua frente e se debru-
ce nela durante as contrações, usando o banquinho para colocar um
Em pé durante o trabalho de parto apoiando-se na mesa de parto do hospital
pé. Outra boa idéia é se sentar com a cadeira virada para a cama e se
243
242
Pode também colocar-se de costas para ele e ficar de cócoras ficar de cócoras, amparada, sobre uma mesa de parto.
para a frente. Siga seus instintos para adaptar o ambiente às suas
necessidades. Cócoras com duas p essoas amp arand o

">:~
';4.ssim que chegmi comecei a sentir vo11!ade de fazer força, fui exami11ada e
,\ màt: senta em uma cadeira :;:._~ "'e disseram que estava com dilata.rãa total. As co11trafÕes estavam agora vindo
se debruça na mesa de parto \ uma atrás da oNtra e e11 ficava de cócoras o tempo todo, apoiada em meu marido
e em 11/l'J médico qm tinha vi11do ver o qm estava aco11tece11do. "
D e cócoras na cama. Coloque um travesseiro por baixo do
De 1oclhos Jurante o trabalho Jc bumbum, o que vai tornar mais fácil ficar de cócoras. As pessoas que
parto, sobre a mesa de parto

~
vão servir de apoio devem ficar uma de cada lado da mesa de parto.
Se tiverem aproximadamente o mesmo peso, você poderá se apoiar
colocando confortavelmente os braços em torno de cada pescoço.
Elas podem colocar wn braço por trás como apoio e o outro segu-
rando uma perna, se você se sentir bem assim. Se o período expulsivo
estiver demorando muito, então espere até que a cabeça do bebê
esteja aparecendo para ficar de cócoras, assim você evita um cansaço
desnecessário.
Como variação e para descansar, pode vir com o corpo para a
frente e ficar de joelhos. É possível também se levantar durante a~
contrações, apoiando-se nos ornbros das duas pessoas que lhe am-
param.
Cócoras amparada durante o
trabalho Jc parto
"O médico e Jl/eu marido me qj!!daram a ficar de cócoras. Z.:.oi maravilhoso!
Pude fazer forfa muito mais jàcilmente e foi reconfortante sentir a forfa deles
qj11da11do a me .regurar. Pm11c111eá de cócoras pois isso fez a cabera dela descer
O PERÍODO EXPULSIVO EM UM HOSPITAL bem rápido!"
Outra possibilidade de apoio é alguém ficar por trás. Isso funcio-
A posição de joelhos não apresenta nenhum problema na cama
na bem quando é possível abaixar o encosto. Seu companheiro pode
de parto; simplesmente debruce-se em um monte de almofadas e
ficar por trás da cama e amparar você como na posição de "cócoras
travesseiros. Se for possível permanecer no chão, pode seguir as su-
susten tada" descrita no Capítulo 6.
gestões do Capítulo 6 para o período expulsivo. Alguns hospitai~
Outra opção (e provavelmente a mais confortável) é a mãe ficar
ainda insistem que o período expulsivo deve acontecer sobre uma
mesa de parto. Se for esse o caso, aqui vão as sugestões para poder

244 2-15
ficar Esses exemplos foram tirados de situações onde as pessoas
conseguiram encontrar maneiras de dar um jeito com º.que era per-
.tido e com o que tinham de possibilidades no local. E importante
~
visitar a sala de parto com antecedência para se ter uma 1"d'"eia d as
possibilidades e para discuti-las com o corpo de profissionais que lá
trabalha.

Monitoração do bebê p ara um Parto Ativo

Os ajudantes se colocam ao lado da mesa de parto e amparam a mãe na posição de cócoras


Isso quer dizer checar os batimentos do coração do bebê, o que
precisa ser feito com regularidade durante o parto. É possível ouvir
de cócoras na lateral da mesa de parto, se a obstetriz se permitir os batimentos cardíacos do bebê apenas colocando-se o ouvido no
ajudá-la pelo lado. ventre. O estetoscópio de Pinard, que foi usado até a descoberta dos
Outra variação é o companheiro sentado em um monte de almo- meios eletrônicos, é suficiente e a obstetriz pode solicitar que você
fadas ou um pufe colocado sobre a cama, por trás da mãe. Desse se sente mais verticalmente ou que se deite um pouco enqua11to ela
modo ela pode ficar de cócoras no meio das pernas dele, usando o escuta. Algumas parteiras, com um pouco de boa vontade, chegam a
corpo como apoio. Se nenhuma posição vertical for possível ou con- escutar os batimentos mesmo com a mãe ajoelhada durante as con-
fortável, então experimente ficar deitada de lado, preferindo essa u-ações, por baixo. O estetoscópio é talvez mais fácil de se usar nessa
posição a ficarem decúbito dorsal mesmo que seja um pouco incli- posição. O melhor tipo de rnonitor é o detector de batimentos fetais
nada. portátil, conhecido como Doppler. Não são muito caros, em geral, e
P arto na posição de cócoras sustentada em uma mesa de parto hospitalar a maioria dos hospitais e médicos possui um. Podem ser usados com
a mãe em qualquer posição e não causam nenhum desconforto para
A mãe fica de cócoras, entre as
pernas do seu companheiro, que a mãe ou para o bebê. Não há nenhuma evidência de que as ondas de
está sentado em um pufe, por ultra-som utilizadas causem qualquer efeito prejudicial ao bebê, mas
trás dela, na mesa de parto
isso ainda está sendo pesquisado. Há detectores portáteis que po-
dem ser usados no domicilio. É reconfortante escutar o som ampli-
ado do batimento do coração do bebê.
Os monitores fetais maiores, abdorninais, mais comumente usa-
dos até o momento da publicação deste livro, apresentam certos pro-
blemas. A mãe fica com duas cintas em torno do ventre, uma para
captar as contrações uterinas e outra para os batimentos cardíacos
O companheiro fica por trás da cama e da mãe do bebê, o que geralmente implica a mãe ficar deitada em uma cama.

246
Muitas mulheres reclamam que isso é desconfortável. As contrações oder inserir o monitor, e isso implica certos riscos: pode acelerar o
são mais doloridas e também há uma contradição aqtú: os monitore:;
p . d . e
parto, algumas vezes de forma violenta, e aumentar o nsco e in1ec-
são utilizados para detectar algum sofrimento fetal e confinam a mãe cão. A ruptura de membranas também implica uma pressão desne-
em uma posição onde esse sofrimento é mais provável de acontecer' ~essária do útero, que se contrai, sobre a cabeça da criança (ver Capí-
É sabido também que as máquinas podem quebrar e não funcionar tulo 11, Ruptura Artificial da Bolsa).
adequadamente, e quando as obstetrizes se fiam somente nas máqui- Seus efeitos no bebê, por ser a primeira coisa que o toca vindo do
nas, seus instintos para captar sofrimentos se atrofiam. Corno solu- mundo exterior, também são questionáveis. Alguns bebês ficam com
ção de meio-termo para a monitoração contínua, alguns hospitais uma pequenina feri.da e ocasionalmente com urna pequena área sem
pedem que você agüente o monitor por vinte minutos para obter um cabelo no local onde o eletrodo foi inserido.
gráfico contínuo. Isso não é necessário e pode perturbá-la, caso ache Na ocorrência de uma complicação natural na evolução do parto,
a~ cintas desconfortáveis, embora algumas mulheres não façam ob- por exemplo um sofrin1ento fetal, essa forma de monitoração é bas-
jeções. tante indicada, pois sabe-se que ela oferece um traçado mais fiel do
Algumas grávidas que freqüentaram nossas aulas têm feito a que a captação abdominal e, nesses casos, a segurança do bebê vem
monitoração com a cinta abdominal na posição de joelhos, o que em primeiro lugar. Caso o médico insista nessa forma de monitoração,
ajuda a eliminar alguns problemas. cite um artigo do Lancei (ver referência [1]) sobre monitoração com
'Tiveram qm me colocar 11a mesa de parto para uma mo11itorayâo, pois o eletrodo de escalpo.
médico estava preocupado, achando qm me11 bebê era peqne110. /l ssim que me Existe uma nO\'a forma de monitoração por ondas de rádio
deitei as contrações foram mais doloridas e tão logo os fios do monitor foram (telemetria), que já está à venda e que permite completa liberdade de
ligadoJ~ levantei-me efiquei de joelhos na cama, com o tronco erguido. Imediata- movimentação da mãe, mas também necessita que a bolsa seja rota
mente as dores desapareceram e o trabalho de parto jico11 maú tra11qiiilo para para se inserir o eletrodo no escalpo.
mim." O mais importante é que a forma de monitoração não venha a
perturbar ou interromper o desenrolar fisiológico normal do parto.
Existe uma outra forma de monitoração, geralmente como conti-
Se isso acontecer, o próprio monitor poderá se tornar a causa de um
nuação da forma abdominal, que se utiliza de um eletrodo no couro
problema que ele se propõe a prevenir.
cabeludo do bebê. Foi originalmente utilizada cm bebês de gestação
As obstetrizes avaliam os batimentos cardíacos fetais de hora em
de risco, nunca se tendo pretendido utilizar essa forma d e
hora, ou em intervalos mais curtos. Quando o trabalho de parto se
monitoração como rotina em trabalhos de parto não-patológicos. O
desenvolve sem a menor sombra de complicação, a parteira pode
eletrodo fica conectado a um fio com um pequeno araminho cm
não necessitar avaliar os batimentos do coração do bebê com tanta
forma de mola, que é inserido no couro cabeludo do bebê através
freqüência e pode se fiar na intuição. No período expulsivo os
do colo do útero. Essa forma de monitoração confere à mãe grande
batimentos cardíacos fetais podem ser avaliados com maior freqüên-
mobilidade, dependendo do comprimento do fio e da flexibilidade
cia mas, repetindo, isso pode não ser necessário.
das pessoas que vão prestar auxílio obstétrico. Porém aqui existe
uma desvantagem, pois deve-se romper a bolsa artificialmente pa· a

~48 249
Toque vaginal te, isso não vai ser prejudicial para você e assim que o exame termi-
nar pode voltar à posição em que estava. Para ajudar, respire fundo e
É a maneira que a obstetriz tem para avaliar o progresso do traba-
relaxe o máximo que conseguir durante o exame.
lho de parto. Ela introduz dois dedos dentro da vagina da parturien-
A posição de joelhos propicia a quem estiver fazendo seu parto
te para sentir o colo do útero e a cabeça do bebê, a fim de obter
uma excelente visão do que está acontecendo no mon1ento do par-
informações sobre a dilatação e a apresentação do bebê.
to. Na verdade, no que tange ao acesso e à visão, essa é a melhor
Quando o parto é ativo e o trabalho de parto progride natural-
posição. 1\ dificuldade aqui reside no fato de que a visão obstétrica
mente bem não é necessário fazer esses toques corn muita freqüên -
está literalmente de cabeça para baixo, o que não é tão complicado
cia, e algumas vezes nenhum toque é necessário. A maioria das
assim. Quando wna obstetriz acompanha um parto espontâneo, onde
obstetrizes gosta de avaliar a dilatação no final do primeiro período
a parturiente segue seus instintos, ela também estará, por conseguin-
para ver se a dilatação já está total. Por outro lado pode ser que você
te, mais espontânea e instintiva. Nos poucos lugares no mundo oci-
queira ser examinada para saber a velocidade da dilatação.
den tal onde o parto é conduzido dessa maneira, as estatísticas são
Algumas mulheres não se importam em ser examinadas, mas ou-
bem melhores que aquelas dos nossos hospitais com alta tecnologia,
tras freqüentemente se queixam de que é desconfortável ser tocada
e dão fundamentos para a justificação do argumento de que a "obs-
numa região extremamente sensível durante o parto. Os toques vagi-
tetrícia espontânea" é mais segura, melhor e mais satisfatória para
nais podem ser feitos delicadamente e de preferência entre, e não
todos os envolvidos.
durante, as contrações, na posição que for mais confortável para você.
N a posição de cócoras a obstetriz vai ter que se basear nas suas
Pode ser feito com você em pé (com um pé sobre a cadeira), sentada
mãos para avaliar o progresso do bebê, ou terá de se abaixar e olhar.
na beira de uma cadeira ou ajoelhada de quatro.
Como a bacia está mais aberta e o períneo mais relaxado nessa posi-
"Os médicos co11sentiram e co11seg11iram fazer os toques estando c11 sentada ção, não há tanta necessidade para toques e raramente é preciso pro-
na horda de 11ma cadeira. Esmtaram o cotVftlo do bebê com regularidade com 11111 teger o períneo.
monitor portátil, o qual 11ão me pert11rbo11 em nada. " D epois que a cabeça do bebê sair, a parteira vai passar o dedo no
Isso deve ser bem menos desconfortável do que se deitar para ser pescoço para ver se o cordão está enrolado no pescoço do bebê.
examinada. Isso não é muito raro de acontecer, e tudo o que se precisa fazer é
Normalmente os obstetras e obstetrizes fizeram todo o período afrouxar o cordão, tão somente puxando-o um pouco, e assim desfa-
de treinamento examinando as mulheres na posição deitada e em zer a volta, permitindo que a cabeça e o corpo passem, ou pode ser
geral não gostam de alterar seus métodos, o que é compreensíw:l. feito imediatamente depois que o bebê nascer.
Mesmo assim, não custa nada pedir para que eles tentem examinar Obstetrizes com experiência em parto na posição de cócoras di-
em outra posição, concordando em se deitar caso surja alguma dúvi- zem que uma circular não implica grandes problemas e que essa situ-
da; provavelmente eles vão descobrir que isso não aumenta as difi- ação pode ser resolvida da mesma maneira que seria se a mãe estives-
culdades. Caso, por qualquer razão, eles peçam para que você se dei- se deitada.
Se o cordão estiver enrolado duas ou mais vezes no pescoço, o

250 251
melhor para a mãe é estar na pos1çao de cócoras nesse momento e a posição semi-ajoelhada pode acelerar a dilatação do colo do úte-
(preferencialmente de cócoras sustentada), pois a bacia atinge seus ro. É comum o progresso ser lento e, de um momento para o outro,
maiores diâmetros e o bebê vai nascer mais rápido do que se a mãe começar a evoluir rapidamente. A. mulher pode levar 12 horas ou
estivesse em alguma posição horizontal. A mãe deve se sentar logo mais para atingir 6 centímetros e levar 10 minutos para atingir de 6 a
depois de o bebê nascer, tornando mais fácil para a obstetriz desen - 10 centímetros (dilatação total) . .Algumas vezes a fome pode retar-
rolar o cordão. Cortar o cordão não é o melhor nessa situação, a dar o trabalho de parto. Pode acontecer que a mãe esteja com medo
menos que esteja impedindo o bebê de nascer; nesse caso as posi- de algo que não pode expressar, ou com uma batalha interior com
ções ele cócoras sustentada ou de joelhos são imprescindíveis. Nor- suas iriibições inconscientes. Se ela receber compreensão e espaço,
maluH 11 1c, assim que a criança nascer, o cordão é desenrolado rapi- poderá encontrar por si própria o modo de superar suas dificulda-
damente e espera-se que pare de bater; o bebê deve ser colocado no des.
meio das pernas da mãe, de barriga para baixo, que é a "melhor" Caso aconteça de um trabalho de parto se interromper e depois
posição para ele. recomeçar, durante o primeiro período, isso é perfeitamente nor-
mal. Se um trabalho de parto não progride depois de ter-se passado
Apressando o p arto um bom tempo e se não parece haver wna razão óbvia para isso,
deve-se começar a pensar na possibilidade de algum problema físi -
Se um trabalho de parto se desenrola lentamente, não há por que co, como uma apresentação problemática ou a forma interior da ba-
se preocupar, contanto que o batimento do coração do bebê esteja cia da mãe, e pode ser necessário uma intervenção.
normal, a mãe estiver suportando bem as contrações e o trabalho de
parto estiver progredindo. Muitas mulheres precisam de um bom Reduzindo a velocidade do p arto
tempo para se aprofundar mais no período de dilatação e outras
precisam de tempo para o bebê descer no segundo período e daí Se o parto está evoluindo muito rapidamente, a pos1çao
nascer. Nos partos mais arrastados, a imersão em água depois dos 5 genupeitoral pode ajudá-la a não perder o controle. Essa posição
centímetros de dilatação geralmente é muito útil. Caminhar (paran- pode ajudar a reduzir avclocidade das contrações (ver página 163).
do para dobrar o corpo para a frente durante as contrações), ou mc.:s- Respirações lentas e profundas também. podem ajudar.
mo andar pelas ruas se o clima estiver bom, pode ajudar.
Normalmente o melhor meio de ajudar um trabalho de parto Apresentações incomuns
demorado é apagar as luzes da sala e deixar a mãe sozinha por algum
Normalmente antes de nascer, a cabeça do bebê dentro da bacia
tempo, com privacidade. Algumas vezes estimular o mamilo ajuda a
materna se apresenta na posição que é conhecida como anterior. As
intensificar as contrações.
cos tas do bebê vão estar viradas para sua parede abdominal e os
Em relação ao posicionamento e aos movimentos, as posições
membros vão estar dobrados, virados para sua coluna vertebral. O
verticais vão ajudar a descida do bebê e também awnentar a pressão
bebê estará com o queL\'.O praticamente encostado no peito, com a
sobre o colo do útero. A. posição de cócoras determina contrações
cabeça pronta para o parto. Essa é a melhor maneira de descer o
mais fortes. A movimentação geralmente acelera o trabalho de parto

252 251
blema; entretanto, a cabeça do bebê exerce maior pressão sobre o
canal de parto. Entretanto, algumas vezes há variações na maneira
sacro, o que geralmente resulta em dores lombares durante o traba-
como o bebê se apresenta.
lho de parto. A adaptação entre a cabeça e a sua bacia não é tão
A utilização de posições naturais verticais permite normalmente
perfeita, então o parto tende a ser mais demorado. O modo instinti-
que a condução dessas variações seja feita sem intervenções. Nos
vo de trabalhar com as apresentações posteriores é ficar de joelhos
casos em que a mãe varia as posições durante o trabalho de parto, a
com o corpo dobrado para a frente, para aliviar a pressão do bebê
possibilidade de o bebê se mover para a posição correta é maior.
nas suas costas, o que diminui a dor. Nessa posicão ' , a coluna e a
parte posterior da cabeça, que são a parte mais pesada do bebê, ten-
Apresentação posterior derão a rodar para baixo, seguindo a lei da gravidade, o que torna
Essa apresentação é razoavelmente comum e pode ser causada mais fácil o bebê rodar para uma apresentação anterior. Movimentos
pela posição que a placenta ocupa. Os bebês preferem ficar virados giratórios com o quadril também podem ajudar. Ficar em pé e com o
para a placenta dentro do útero; então, se a placenta estiver na pare- corpo dobrado para a frente também pode ser interessante.
de anterior do útero, o bebê estará com a parte de trás da sua cabeça Para o período expulsivo a posição de cócoras ou de cócoras qua-
virada para as suas costas. se-em-pé são as melhores, pois temos a bacia com a máxin1a abertu-
ra e a participação da força da gravidade. Algumas vezes a posição de
joelhos é mais confortável e mais prática para o parto propriamente
dito.

APRESENTAÇÃO PÉLVICA

N ormahnente ouvimos dizer que o "bebê está sentado", ou seja,


a cabeça está para cima e o bumbum é que encosta no colo do útero.
Um parto normal nessas condições é perfeitamente possível, mas
existem maneiras de favorecer o bebê a virar a cabeça para baixo
O bebê cm uma apresentação () bt:bê cm uma aprcsc:ntaçào an~es de entrar em trabalho de parto. É preferível que isso aconteça,
anterior posterior po1.s um parto pélvico pode ser problemático já que a cabeça é a
maior parte do corpo do bebê e vai nascer por último. Se levar muito
Na apresentação posterior o bebê se apresenta com as costas vi-
tempo para nascer, poderão existir alguns problemas. Se a mãe tiver
radas para a sua coluna vertebral e os membros virados para sua
condições de ter um Parto Ativo os riscos são minimizados e con-
quanto o período de dilatação transcorra normalmente e a p~sição
parede abdominal. Geralmente o bebê vira para a posição anterior
um pouco antes do parto ou mesmo durante o nascimento, mas às
de cócoras amparada seja usada, a maior parte dos partos pélvicos
vezes permanece na apresentação posterior. Com a utilização de acontece sem nenhuma complicação. Entretanto, pode ser difícil en-
posições verticais isso geralmente não representa um grande pro- contrar um obstetra que tenha experiência em partos pélvicos na

255
254
posição vertical, e em alguns Serviços, as intervenções como fór- obstetriz para ,-er o que eles pensam e para que eles a ajudem a per-
ceps ou cesarianas são realizadas de maneira rotineira nas apresenta- ceber em que posição o bebê está antes de começar. Descubra o
ções pélvicas. Muitos bebês que estão sentados viram por conta pró- local exato da cabeça, dos braços, das pernas, das costas do bebê e
pria antes do parto. Isso pode acontecer poucos dias antes do parto. da placenta, se for possível.
Andar ao ar livre uma hora por dia estimula o bebê a virar. A cabeça,
que é a parte mais pesada do bebê, tende a se direcionar para baixo TENTE FAZER O SEGUINTE:
segundo a lei da gravidade, impulsionada pelo movimento d e
deambulação. Coloque uma ou duas almofadas grandes no chào e deite-se por
Se descobrir que seu filho está sentado por volta da 35ª semana, cima, de costas para baixo, com a bacia por cima das almofadas e a
eYite ficar de cócoras e só volte a essa posição depois de ter discuti - cabeça no chào, de modo que a bacia fique mais alta que a cabeça. Um
do esse assunto com seu obstetra ou obstetriz. Uma nota de precau- travesseiro sob a cabeça pode proteger sua cabeça.
ção: muitas crianças que estão sentadas 6 semanas antes do termo
acabam virando espontaneamente; portanto, não faça nada até a 35·' J..: xcrcício lJU<.: favor<.:Cl' o bebê virar
semana. 1.k cabeça para baixo

Apresentação pélvica

Nessa posição ele vai desencaixar um pouco da bacia e pode come-


çar a se mover. Permaneça nessa posição por 10 minutos, várias vezes
por dia. Relaxe e respire fundo. Massageie o ventre com suas mãos e
tente suavemente incentivar o bebê a virar. Pergunte ao seu médico ou
obstetriz qual seria a melhor direção da rotação que o bebê poderia
Exercícios que favorecem o bebê a virar fazer e massageie nessa direção somente, assim suas mãos estarão trans-

(/1.te11fàO: se você ficar tonta ao se deitar evite Jà:;_er estes exerdáos e experi- mitindo a mensagem ao bebê. Use um óleo vegetal na pele para que a
mente passar mais tempo na posifàO ge11upei!ora/,· ver página 163) massagem fique mais fácil. Não é preciso fazer muita força, mas os mo-
vimentos e a pressão devem ser firmes e consistentes. Sob vários aspec-
O importante é não forçar, mas tentar certos movimentos que,
tos essa é uma questão de comunicação entre vocês dois e pode levar
por si mesmos, podem levar o bebê a virar de cabeça para baixo. Se o
uma ou duas semanas para c.1ue algo aconteça. Quando acontecer, pro-
bebê persistir nessa posição, então deixe a natureza se encarregar do
vavelmente você vai perceber que algo mudou. Deixe mais ou menos
caso. Antes de tentar estes exercícios, converse com seu médico ou
combinado com seu médico ou obstetriz um exame de confirrnaçào

256
quando você sentir que algo diferente aconteceu. Se a confirmação for
positiva, então pare esses exercícios e comece a ficar de cócoras para .APRESENTAÇÃO TRANSVERSA
ajudar o bebê a encaixar na pelve.
Se 0 bebê estiver disposto transversalmente ao maior eixo do
Tanto a homeopatia quanto a acupuntura podem ajudar um bcbl· útero até um mês antes da data provável do parto, faça o mesmo
a virar. Uma dose única do medicamento homeopático Pulsatilla C exercício para a apresentação pélvica. Ficar de joelhos e girar o qua-
10.000 pode fazer o bebê mudar de apresentação, assim como apli - dril durante o período de dilatação pode ajudar o bebê a mudar de
cações de um tratamento de acupuntura chamado "moxa" sobre um osição. Se o bebê permanecer transverso, a saída é uma cesariana,
ponto no dedinho do pé. O calor da moxa é preferível às agulhas, c ~as ele pode virar a cabeça para baixo até o último minuto. Vale a
o acupuntor pode fazer isso enquanto você e -tiver praticando o exer- pena tentar! Caminhar durante uma hora por dia também pode aju-
cício que favorece a virada do bebê. dar o bebê a ficar na posição correta, com a cabeça para baixo.
Se seu companheiro estiver presente na sessão de acupuntura, o Existe uma situação muito rara onde o bebê fica de uma maneira
acupuntor pode ensiná-los a fazer o mesmo tratamento em casa. incomum com o pescoço hiperestendido, ou seja, hiperfletido para
Faça a acupuntura e o tratamento homeopático associados ao exer- trás, pois geralmente é fletido para a frente. Dessa maneira a cabeça
cício e a caminhadas diárias. não desce e não dá para acontecer um parto normal. Mas isso é
É difícil o bebê não virar depois de tudo isso. Porém se ele per- menos provável de acontecer se você estiver se movimentando de
sistir na posição pélvica até o dia do parto, então, se o obstetra con - uma maneira instintiva durante o trabalho de parto.
cordar, fique o máximo possível cm posições verticais e agachadas
para abrir mais espaço para a passagem do bebê e para tirar o máxi-
mo de proveito da gravidade.
Michel Odent adverte que nos ca os de partos pélvicos a posição
de cócoras sustentada é imperativa para o nascimento, pois ela per-
mite a rápida descida do bebê através da pelve. Odent acredita qu e
esse método de permitir que um bebê sentado nasça é mais seguro
que o uso de fórceps, onde sempre existe a possibilidade de danos à
criança com as colheres do fórceps. Muito raramente, a fim de acel e-
rar o nascimento da cabeça, uma cpisiotomia pode ser feita (enquan-
to você permanece vertical) um pouco antes de a cabeça começar a
sair (ver Episiotomia, página 262). Se o período de dilatação não
progredir de maneira satisfatória, será indicada uma cesariana. En-
tretanto, ela não deve ser indicada até que se tenha feito uma tcnrn -
,i,,a de trabalho de parto. Se cm um. parto vaginal de um bebê pélvico
a cabeça encontrar alguma dificuldade para ai.r, há um fórceps espc ;\ presentação peh 1ca
ci.al para essa situação. A posição de cúcoras sustentada, t\U'.lse-em ·pê. e fundamental para otimizar o auxilio da
força da graYt<lade para gue ..im bebe na:ça de maneira '.ltl\a, mesmo e~tando sentado
258 259
período expulsivo. Deixe o Útero fazer o trabalho da expulsão,
É muito importante ter sua bacia avaliada no início da gestação,
deixe ele ser seu guia, siga seus ditames interiores para trazer seu
pois você já ficará sabendo que o tamanho e a forma da bacia não
filho ao mundo. Se você não tentar apressar o processo, em gera]
trarão nenhuma dificuldade para o parto. Normalmente isso faz par-
0 períneo terá tempo para se acomodar, relaxar e se abrir.
te da rotina do irúcio do pré-natal, mas é um pouco deixado de lado
Peça para quem for fazer seu parto para não usar substâncias
nas nossas clinicas superlotadas de hoje.
esterilizantes, pois elas simplesmente removem sua lubrificação
natural e tornam mais provável a ocorrência de roturas.
Roturas perineais Nas posições naturais geralmente não é necessário que a obstetriz
proteja o períneo*. Porém, se o períneo estiver muito tenso, com-
No segundo período do parto, quando a cabeça do bebê alcança
pressas quentes no local podem ajudar bastante. Uma toalha de
a parte mais inferior da pelve e começa a coroar, o períneo, entre o
rosto, uma toalha pequena ou uma fralda podem ser usadas. Sepa-
ânus e a vagina, se abre e se estira. Na posição de cócoras e na posi-
re várias delas e coloque em uma bacia, depois derrame água qua-
ção de joelhos, a bacia atinge sua maior possibilidade de abertura
se fervendo por cima. Assim que for possível colocar a mão, reti-
dos diâmetros e a porção posterior ou sacraJ do assoalho péhrico é
re uma e abra-a até que esfrie um pouco (teste a temperatura com
empurrada para trás, ficando em estado de relaxamento passivo, pos-
seu pulso), e coloque-a no períneo. Troque de compressa a cada
sibilitando a máxima abertura da vagina. A probabilidade de roturas
contração. É muito relaxante, ajuda a levar mais sangue à região e
nessa posição é menor do que se você estiver deitada. No entanto, as
relaxa os tecidos. Uma maneira fácil de preparar compressas cm
roturas, de uma certa maneira, fazem parte do parto. Geralmente
um hospital é usar uma toalha de rosto com água quente da tor-
cicatrizam facilmente e os pontos podem ser feitos com o uso <lc
anestesia local. neira, caso tenha água aquecida. Depois é só torcer para retirar o
excesso de água e colocar no devido lugar. Seu companheiro, uma
COMO EVITAR AS ROTURAS enfermeira, ou a obstetriz podem preparar as compressas. Eles
devem testar a temperatura para que você não se queime.
Durante a gravidez, faça com regularidade os exercícios baseados Quando a cabeça começar a forçar o períneo, coloque sua mão
em yoga e os exercícios para o assoalho pélvico. lá para sentir o que está acontecendo, para separar um pouco os
Nas últimas seis semanas, você pode massagear o períneo e toda tecidos, ou mesmo para massagear a região com um pouco de
a região vaginal com óleo de oliva depois do banho. Algumas óleo. É interessante observar que mães que usam suas mãos para
obstetrizes recomendam distender o períneo com os dedos. Mui- ajudar o bebê a nascer raramente têm roturas!
tas culturas têm essa prática como tradição, mas seu períneo vai Se você sentir vontade de gritar quando o bebê estiver nascen-
ficar mais macio mesmo que você não faça nada. do não se iniba e grite - quando sua garganta se relaxa, o períneo
1\ posição de cócoras quase-em-pé e a posição de joelhos são também se relaxa!
indicadas para o momento do nascin1ento do bebê. Quanto menor a luminosidade e o número de pessoas na sala,
Não tente apressar ou fazer força para o bebê nascer durante o ~N. do ·r: Colocar uma mão ou compre~~ª no pc1ínco ljUC se abre para rernrd::ir a vdoc1da-
dc de saída da cabeça com a mio.

260 261
r\ necessidade de realizar tal procedimento é certamente a excessào
mais propício o ambiente para você dar à luz, pois será mais fácil
e não a regra, mas com a evolução da obstetrícia moderna a
deixar as coisas acontecerem sem a sensação de estar sendo "ob-
episiotomia se tornou wn procedimento de rotina, sendo feito atu-
servada"- essa é a melhor maneira de se evitar roturas no perínco.
almente na Inglaterra na maioria das mães que tem um bebê pela
1 primeira vez, e entre 30% e 70% de todos os partos. .
SUTU RA DAS ROTURAS
1

Em 1981 o Nacional Childbirth Trust publicou um livreto sobre


ormalmente pequenas roturas não precisam ser suturadas. Mas episiotomia escrito por Sheila Kitzinger, leitura obrigatória para to-
se for necessário, uma anestesia local pode ser usada para eliminar das as futuras mamães e para os profissionais envolvidos com o aten-
qualquer dor e não vai afetar seu bebê. Fique certa de que realmente dimento obstétrico. Os resultados dos estudos realizados revelam
não está sentindo nada e solicite mais anestesia se estiver sentindo dor que a episiotomia geralmente é um procedimento desnecessário, e
mesmo que seja um só ponto a ser feito, ele pode ser dolorido sem que uma rotura espontânea cicatriza melhor e traz menos conseqüên-
anestesia. Na medida do possível, tente se certificar de que a pessoa cias físicas e psicológicas que um corte. Nossas observações confir-
que está dando os pontos tem experiência suficiente para fazer um mam exatam ente o mesmo.
bom trabalho (ver Capítulo 11, um maravilhoso remédio de ervas A necessidade de uma episiotom.ia diminui enormemente nas
para harmonizar e favorecer a recuperação nos primeiros dias). seguintes condições: quando um parto é ativo e natural, quando o
Não é necessário colocar as pernas nas perneiras para o reparo bebê nasce com a mãe em uma posição \'ertical, quando a mãe não é
do perineo; na verdade, você estará mais bem posicionada com os dirigida durante o parto e seu ritmo é respeitado, quando t' encoraja-
joelhos bem fletidos e as pernas abertas. da a seguir seus próprios instintos, cm vez de fazer força para o bebê
nascer. Em alguns poucos casos a "episio" é realmente nececessária:
Episiotomia quando um perineo está muito tenso ou se wna episiotomia \Tai sal-
var a vida do bebê fazendo-o nascer mais rápido. No Parto Ativo a
É uma incisão ou um corte cirúrgico feito no períneo com uma
cpisiotomia é colocada no seu devido lugar: um procedin1ento de
tesoura, para aumentar a abertura vaginal. A injeção prévia de anes-
emergência.
tésico local na região torna esse procedimento indolor. Você não
Combinada com o Parto , \tivo, a posição ajoelhada de c1uatro é a
vai sentir dor quando a episiotomia* estiver sendo feita, mas pro
melhor para se realizar uma episiotomia. essa posição o bebê ccm-
vavelmente vai sentir um desconforto na recuperação quando a
tinua recebendo uma boa quantidade de oxigênio, pois o útero nà n
cicatrização estiver acontecendo. O tamanho do corte varia, em
comp1ime os grandes vasos abdominais, a mãe está mais conford
média, de 2 a 4 centímetros de comprimento, atingindo a pele e os
vel, o períneo mais acessível e mais relaxado, é menor o perigo d.,
músculos mais profundos, podendo ser na linha média (chamada de
episiotomia "correr" (ou seja, se prolongar depois de realizada) e é
episiotomia media.na) ou direcionado para um dos lados, precisando
menor a pressão sobre o períneo quando o bebê está nascendo. Se n
ser "costurado" depois do parto, ao contrário da rotura espontânea,
bebê está em sofrimento, o aumento <l::t abertura do estreito inferior
que é mais superficial e não atinge a camada muscular.
que ocorre nessa posição torna.ria o parto mais rápido. Vale a pena
"' ~ . do T.: "ºBrasil é popularmente conhecida como "pique"ou "corte''.

263
262
·dade de indução do parto artificial com o Parto
I Iá menor necess i . ,
salientar que quando uma episiotomia é realizada, deve ser suturada e, apresenta uma pré-cclâmpsia ou se o seu bebe
. Mas se voe '
logo depois do parto para evitar perdas sangüíneas, infecção e fa_ .At1,·o. demoras - ou seja se a inducão está medicamen-
·sa nascer sen1 • · . , .
vorecer a cicatrização. É importante a anestesia local*. preci . d - damos preferência para os supositonos de
. dica a, en tao .
Muitos especialistas reconheceram recentemente que as re in di para o Syntocinon oral* que não restringem seus
Prostaglan na ou , . . , .
episiotomias são realizadas desnecessariamente. No entanto, por . N almente quando um parto e induzido, e preciso
roovunentos. orm ' , . , . . . - .
toda a parte esse procedimento é realizado de uma maneira roti- ·d d monitoracão. Se os supos1tonos vagmais nao derem
urna cui a osa , . . .
neira. É a cirurgia mais freqüente de toda a obstetrícia e geralmen- oro pode ser colocado com voce verticalmente ªJOe-
rcsulta d o, o s -
te é realizada sem o consentimento de uma parturiente e vai ªJ.udar a suportar melhor as contraçoes. Essas con-
Jha d a, o qu . . -
não-patológica, que não teria nenhuma necessidade desse procedi- rrações, por serem artificiais, são multo mais, dolorosas que as na tu-
mento. Como os efeitos imediatos podem ser muito dolorosos e a . Alguns hospitais possuem suportes moveis de soros, que
rais. . _ lhe
operação propriamente dita, embora não leve muito tempo, pode - liberdade de caminhar ou de ficar cm pé. A monnoraçao tam-
dao a , · 1
perturbar e interromper uma das experiências mais íntimas e mais bém poderá ser feita com você nessa posição (ver tambem Capttu o
pessoais de toda a sua vida, então vale a pena discutir o assunto
11 Parto Induzido).
com as pessoas que vão fazer seu parto antes de ele acontecer e ter '
",A.pesar de mel! parto ter sido i11dH::;,ido, tive mui/as oport1111i~ades de .ficar
suas preferências escritas em seu cartão de pré-natal.
ajoelhada ele quatro, balanfa11 do 0 c01po parei a frente e para Iras cÍl11."t111Íl' clJ~
"Nós, obstetras, ensinamos que a episiotomia previne roturas e
contrafões, e me sentar sobre os calcanhares entre duas delas, co11seg11wdo ate
diminui a possibilidade de futuros prolapsos, mas temos pouca ou
nenhuma evidência dessas afirmações. Não somente não há evi- meditar quando relaxava."
dências de que a episiotomia previna roturas, mas há algumas evi- Você vai precisar de uma pilha de almofadas ou um pufe para se
dências do contrário ... " apoiar quando ajoelhada, para que você possa descansar entre duas
M J House, MRCOG, Consultant Obstetrician, contrações.
Episiotonry - Pf?ysical and Emotional Aspects,
acional Childbirth Trust, 1981 .
PERIDURAL

Parto Ativo e Obstetrícia Nesse caso a posição deitada é imperativa: dê preferência para o
decúbito lateral e evite ficar em decúbito dorsal, podendo alternar 0
Normalmente as mulheres conseguem combinar bem o Parto Ativo lado de quando em vez. Você pode se sentar com o tronco erguido,
com o atendimento obstétrico oferecido. Aqui vão alguns exemplos. dobrar 0 corpo um pouco para a frente ou se sentar na belfa da .mesa
de parto e pender o corpo para a frente com o auxílio da partelfa . .\
INDUÇÃO DO PARTO variação das posições ajuda bastante, pois a peridural geralmente
implica uma diminuição da força contrátil e faz com que as contra-
* N. do T.: A ênfase nesse aspecto se deve ao fato de que na Inglaterra algumas obstetrizes .
ções se tornem menos eficientes. O d ecu'b.ito d orsa
· l po d e também
não anestesiam quando as roturas são pequenas.
'N. do T.: 0 Brasil temos a forma "spray"nasal.
265
264
·d d ue 0 obstetra pode colocar nos dois lados
da na extreml a e, q ,
reduzir o fluxo de sangue que chega ao útero; assim, a mudanca de vaia ' · da' -lo a "sair· A ventosa
do be b e' para aiu · ' ou vacuo extrator,
lado ajuda a prevenir um sofrimento fetal. Para o momento do nas- da cabeça . ressão negativa no couro cabeludo do bebê para,
cimento a posição de lado* é preferivel a ficar deitada de costas: se
é grudada por P - .. , ,
0 ~ , , de uma tração, facilitar sua sa.tda. .
efeito da peridural já tiver passado, pod e ser possível ficar de cóco- atrª' cs tili. -o de meios analgésicos, como uma pendurai,
G eralmente a u zaça , . - , ..
ras amparada ou de joelhos.
fra uece a capac1.d a d e de contração do utero, .
sendo nccessana
.
Temos conhecimento de inúmeros casos de mulheres que opta- en q . r 1cào (fórceps ou 'entosa) para aiudar o bebe a na~-
alguma 111 ten c1 , , . . .
ram por uma peridural depois de um longo e difícil trabalho de par- . \ ventosa é prcfcri<la nos paises do continente europeu, ( n,
to, conseguiram dar à luz na posição de cócoras e curtiram todas as ct:r- • fórceps é mais popular no Reino C nido. , \lgumas ,-ezes e
sensações de um período expulsivo espontâneo. Entretanto é preci- quanto o d · , ·
ossível escolher, embora seja difícil saber qual dos ois e men~s
so que você seja ajudada para ficar na posição de cócoras pelas pes- PreJU. di aa
. 1 . o bebê .A ventosa é certamente melhor para a mae,
para . . .
soas que estão na sala de parto. Um caso recente, onde o coração do P - precisa necessariamente ser anestesiada nem se submeter a
bebê estava diminuindo os batimentos, voltou a bater normalmente que nao , . . f, .
uma episiotornia, como são necessanos quando s~ .usa o orceps ..
depois que a mãe assumiu uma posição vertical e deu à luz de manei- ,\ sua chance de precisar de medicações analgesicas. com o _Parto
ra totalmente natural. r\ obstetriz disse que nesse caso, a posição de .Ativo é pequena. Da mesma maneira a necessidade de _m<licaçoes de
cócoras evitou o uso de um fórceps. Se você tem intenção de dar à fórceps ou ventosa é bastante reduzida quando a rnac permanece
luz na posição de cócoras, é melhor que Yocê tenha uma peridural cm pé, de cócoras ou de joelhos. 1'1uitas vezes, depois de um Part~
com baixa dosagem de anestésico (que pode sempre ser aumentada, Ativo as parteiras comentam que se a parturiente tivesse ficado de1-
se necessário), de modo que o efeito passe no final do período de ' · <l o d a aiu
· d a d e um fórceps· · '\ lgumas
tada teria provavelmente precisa , _·
dilatação . .Ao :i.tingir a dilatação total, as pessoas que atendem seu vezes uma apresentação incomum, uma súbita deva-~ào da prcssao
parto vão ter que ajudá-la a sair da mesa de parto e ir para o chão, e sangüínea ou um sofrimento fetal têm indicação de torceps ou '\'Cn-
apoiá-la na posição vertical que você preferir. lsso vai aumentar cm .
tosa. Embora isso nunca tenha sido . .-
expeumenta d o, ate' 0 presente
.
muito su:i.s chances de um parto vaginal espontâneo e tornar m:i.is · - aioe
· ,li1a d a de quatro seria
momento, parece que a pos1çao ' . _ n1mto mc-.
fácil ficar agachada. . ,.J;. entos que a 1osicao usual dei-
_ d esses proccuun
lhor para a realizaçao 1 · ,
f\ melhor maneira de evirar a necessidade de uma pcridural ainda
tada, pelos seguintes motivos: . . ,
é entrar na água no momento cm que o parto estiver muito dolorido 1. Os grandes \·asos abdominais não são .compmmdo~, portanto, e
(ver Capítulo 7).
maior a quantidade de oxigênio c1ue \'ai para o beb.e .
- · e ma10r aiu d a da força
2. Maiores diâmetros no estreito intenor
FÓRCEPS OU VEN TOSA
da gravidade.
Os dois instrumentos são usados na ocorrência de uma emergên - 3. Relaxa.tnento máximo do pcríneo.
cia durante o parto, para ajudar o bebê a sair. 4. Contrações mais eficazes.
O fórceps se parece com uma longa colher de metal par:i. salada, 5. Maior conforto para a mãe.
6. Fácil acesso.
'N. do T: Posição Jc Suns.

266
Parto Ativo e medicamentos . a a; .... da é confinada ao leito durante o trabalho de parto,
na Ing1aterr ...... . . . ,
dro as e é presa, pelo ventre, a um morutor fetal. O parto e
recebe g · · d' · d
Todas as drogas que você usar durante o parto ou gravidez vão . · d zido artificialmente e conduzido* ao menor 10 ic10 e
ainda in u . - . " , .
atravessar a placenta e entrar na corrente circulatória do bebê. Ne- - d média. Essa "condiçao atlva do parto geralmente e feita
desvio a - . .
nhuma delas vai fazer bem para ele. Opositores do parto natura]
com a melhor das intencões , para a mae e para a criança, ein norne da
dizem que eles não estão preparados para "deixar" a natureza atuar
segurança. . . _ . , .
de uma maneira desimpedida, até que seja provado que isso é mais Sem dúvida nenhuma existem siruaçoes onde os medicamentos
seguro que o uso de alta tecnologia. Apesar disso, a maioria dos me- melhoram essa experiência e aumentam sua seguran_ça. o, entanto,
dicamentos usados na obstetrícia nunca foi submetida a uma avalia- cabe a pergunta: quando usados de maneira rotrneira, sera c1ue os
ção científica conYenientemente controlada, e não há provas de c.iue efeitos danosos compensam os benefícios? Partindo da preffilssa de
esses medicamentos sejam seguros no c.1ue tange aos efeitos no de- que a maior parte dos partos de,-e transcorrer sem complicação, ~1ão
senvolvimento da criança (tanto no parto como a longo prazo). , \s há seguramente evidências suficientes a favor do uso de medica-
pesquisas realizadas indicam claramente que quando os medicamen- mentos para justificar uma política de uso indiscriminado.
tos são usados de maneira rotineira para partos normais, em vez de Res tringir uma parturiente na cama aumenta a necessidade de
usados cm casos realmente necessários, podem ocasionalmente tra- medicações analgésicas e estímulo artificial das contrações uterinas.
zer algum efeito prejudicial para a mãe e para o bebê, ou sobre o Quase todas as parturientes que tiveram a liberdade de se movimen-
estabelecimento da ligação que acontece entre mãe-filho depois do tar durante 0 trabalho de parto reportaram depois que, quando se
parto (ver Capítulo 1). deitavam, ficavam espantadas do quanto a dor das contrações au-
mentava.
NO PARTO ATIVO
'/1s tÍnicas vezes em que {/ dorfoi inslfportável aconteceram qua11do tive q11e
• é menor a necessidade de anestesia me deitar para ser examinada. Ncio creio qm co11seguiria s11portar tudo .rem
a dor e o desconforto são menores nenhuma droga como suportei, se tivesse Jicado deitada, como tive que Jicar bem
• o útero se contrai melhor, normalmente não havendo necessi - 110 comeâ11ho, e foi quase ins11portáve! "
dade de auxilio medicamentoso Existem poucas mulheres que poderiam passar pelo parto na po-
• os partos são mais rápidos sição horizontal sem auxilio medicamentoso. Impedir que uma par-
é maior a quantidade de sangue que vai para o bebê turiente consulte seus instintos profundos para encontrar as posi-
é menor a necessidade de fórceps e de ventosa ções mas agradáveis implica um aumento de medicamentos e inter-
• a secreção dos hormônios que regulam o processo como um venções. A possibilidade de posições verticais e de entrar na água
todo não é perturbada durante o parto abrem novas perspectivas para a condução de uma
Apesar de os resultados de pesquisas que confirmam essas afir- velha prática.
mações estarem prontos e à disposição, a maior parte das mulheres
~ . do T.: Estímulo nH.:nos intenso l]U<.: o da indução.

268 269
CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES
ara 0 período expulsivo e mais ainda para o bebê, pois
rasador p , . . d . d
ar . no corpo dele por vanos dias ep01s o parto,
l~ importante
. estar capacitada a fazer uma opcão
, consci
. , cn~
f~ vai permanecer . . _ . . . .
a necessidade de algum medicamento. As indicacúe . J . nte - tiver mais a a1uda do corpo da mae para filtrar e eli-
, , s os niecL.c uando nao •
mentas estão amplamente descritas na literatura obstétric ( a- q . toxinas do corpo do bebe.
minar as , . . . ..
, . a Yer Ca- -e e filho estJ.verem entor1)eodos, o pnn1cuo contado
pitulo 11, Leituras Recomendadas) mas freqüentemente ai . • Se am os, ma
b ' . .
. ' guns 111 • ão mãe-filho vão ser preiudicados.
converuentes bem conhecidos não são mencionados. li
e a g ,' ªc
Valium Bipivacaína .
.
[e d icam en to usado
' nas
' peridurais ' tem um excelente efeito,
Produz amnésia (perda da memória) cm 70º·<> das- pa nurientes
que fazem uso dele, e passa rapidamente para o bebê. removendo a dor da cintura para baixo
, na maioria dos, .casos e
não leva à perda da consciência. E particularmente valido nas
D olantina (ver Capítulo 1) cesarianas onde não se precisa de efeito analgésico por períodos
Deprime a capacidade respiratória do bebê. Um bebê que rece- muito longos e tem menos efeitos no bebê. Nesses cas~s propi-
beu uma boa dose de Dolantina pode ter dificuldade em estabelecer cia 0 estab elecimento de wna boa relação entre os dois, p01s a
a respiração e pode sofrer privação de oxigênio (particularmente se mãe continua consciente.
o cordão umbilical foi cortado imediatamente após o nascimento). r\ peridural leva a uma dirn.inuição do tônus muscular do Útero
Pode ser necessária a administração de uma medicação antidepressora e da bexiga, que perdem um pouco de :ma eficácia. ormalmemc
no bebê, para contrabalançar os efeitos da Dolantina. O bebê: pode é colocada uma sonda n:sical para ajudar o es,·aziamento da un-
precisar ser reanimado (administração de oxigênio e ventilação arti- na. A diminuicão da força de contração uterina aumenta a neces-
ficial). 1\ Dolantina também apresenta as seguintes reações: sidade de fór~eps cm 20<Yo dos casos (a permanência da parturi-
Pode prejudicar o reflexo de sucção, por deixar 0 bebê sonolen- ente em posições verticais no segundo período, depois que o efeito
to, e atrapalhar o início do estabelecimento da amamentação, per- da peridural já diminuiu bastante ao final do primeiro período,
turbação que pode durar muitas semanas ou mesmo impedir o levaria à diminuição desse percentual).
processo. A mãe perde a capacidade de desfrutar das sensações agradá,·ei~
O efeito analgésico não é muito bom a menos que seja admims- e também da dor, podendo não ser capaz de empurrar o bebe
trada em grandes quantidades, o que geralmente deixa a mãe para fora por si mesma, espontaneamente.
"a· " , .
0rogue , com nauseas e menos capaz de lidar com a situação • Nem todas as peridurais funcionam bem, algumas vezes so
(particularmente se associada com náuseas intensas, o que geral- anestesiam um lado e outras ,-ezes são tecnicamente difíceis.
incnte acontece). • Existem alguns efeitos que se seguem à aplicação, tais como
É um bom relaxante muscular, e pode ajudar na dilatação se ccfaléias, que podem durar por uma semana após o parto.
administrada em pequenas doses (25-50 mg). Muito raramente uma peridural pode resultar cm paralisia.
• Se administrada após 7 centúnetros de dilatação, 0 efeito pode ser Toda peridural determina uma queda na pressão arterial, o que
pode levar à diminuição da oferta de oxigênio para o bebê, e os
270
longos períodos em posição deitada, requeridos pelas . Bloqueio paracervical
reduzem al.nda mais o aporte d e oxigeruo.
,· • . Se ha, um pendurais, .Afeta bebê imediatamente e leva a bradicardia, o que pode re::;ul-
0
queda da pressão a mãe pode fi . . . a acentuada rar em morte para o bebê em casos extremos. Por essas razões
. , ca1 meto entorpecida e t,
matar. a e des-
não é muito usado na Inglaterra.
• Adi.·-
mmruçao da pressão arterial pode ser vantaJ· osa
- nos e
O n d e seu aumento for comp ron1ere
. d or. asos
Infusão de Syntocinon (ver Capítulo 1)
Possui a propriedade de desencadear contrações uterinas. É usa-
.As. pesquisas
d mostram
. que ' embora a, condi çao
- d e um beb. d
do para acelerar ou induzir o parto. As contrações artificiais são
pois e runa pendural seja muito melhor que d . d . e e-
de Dolantina · . epots ª aplicação geralmente mais fortes e mais próximas umas das outras do que
.t d ' a anestesia pode denvar tanto
, um b e b e. nen-oso as contrações espontâneas. Se as contrações forem muito inten-
ª ª
g:t 0 _como um bebê entorpecido e deprimido. e
sas, podem interromper o ílu.,'{O de sangue normal à placenta, o
• Os efeitos desse anestésico sobre o bebê são aind d . .
dos mas sabe-s . a esconhec1- que aumenta a possibilidade de sofrimento fetal.
, e que alcançam a corrente circulatória do beb " Há maior possibilidade de o bebê nascer antes do tempo e pre-
suas cclulas cerebrais em minutos. Um estud . . . ee
d . . . o recente 111d1ca g , cisar de cuidados especiais, prejudicando o estabelecimento da
po ena mterfenr com o desenvolviment o d o ce1e , . bro e do c1c . te
uc
manervo-od bb' -'v
relação mãe-filho. Um bebê prematuro corre mais riscos e tem
s o e e, o que acontece durante o periodo q .-
o trabalho d . ue marge1a maior chance de desenvolver icterícia patológica.
e parto e o parto (ver Referências do Capítulo 1).
As contrações são mais violentas, geralmente com dois picos, e
Gás e Oxigênio (Entenox)* mais difíceis de serem suportadas.
• Atravessa a placenta e alcan a b b. . Uma "falha de indução" pode acabar em uma cesariana.
send . d , ç, o e e, e seus efeitos estão ainda
o pesqwsa os.
• Grandes
Syntometrin e
d 1 quantidades
. podem fazer , , a r.-.iae
- .
se sentir como cn1 um Usado como injeção intramuscular logo depois da saída da cri-
pesa e o, desligada ou "fora do corp "
A o . ança. Isso in1plica o clampeamento imediato do cordão e a tração
• lgumas aspiradas podem ajudar certas mães a supo ·t .
traç - - · · · · 1 ar as con- dirigida do cordão, aumentando a possibilidade de deixar restos
, oes- mais mtensas. l'vfas ' ger alinente. o gas
, e o ar levam a u1n~
placentários dentro do útero, que podem causar uma infecção.
sensaçao d e con fu sao
- e podem retardar o reflexo expulsi\-o. ' "
• Interrompe a troca final de sangue através da placenta, que acon-
Triiene tece antes de a respiração estar totalmente estabelecida, reduzin-
Possui efeito cumu1ativo
· e pode deixar a rna-e do a oferta de oxigênio.
e o bebê bem
entorpecidos e perturbados. Contrações uterinas intensas, seguidas do clampeamento do cor-
dão, poderia levar a uma supertransfusão para o bebê.
N · d 0 T.: •s·1stcma de aspiração de "ás )lO _. cJ e uma 1w1s
• · · f: · 1
d urante as conrraçôes· esse si ·r .
~' r mc.:10
d" . . . . . · ·crua acia que a parruri en tc.: faz • Aumenta o risco de icterícia patológica e perturba a seqüência
. ' · · · ' ema 1m111u1 a sc.:ns1b1lidadc.: ii Jor . -. .
a Europa. e.: e multo usa<lo em rod a natural do terceiro período.
Pode deixar a mãe meio nauseada e, muito raramente, pode le-

273
. . de satzsfarao . . -
q11a1wo J
a1wgt· . lodo o potencial que meu corpo.
var a uma complicação mais grave como a inversão utenna.
• . meses e tive gra11 ite na pnmezm au. o behêjidue11 antes de nascer, llJ(/j,
. . . . .J,'as
A melhor aplicação seria endovenosa depois do pano e sornen. 'ftJ . /.'
J; oferecer. Jnje t::;fllet .., . que adquiri nas aulas, tentei e
te nos casos onde uma grande perda de sangue indigue a po{Jl" ~· r todos os elementos po.11 zvos .. . . . ,~ '
rência de uma hemorragia uterina. 0 COt- /l conljada a usa . . / t'"'ll qm a sil11ariío pertmtm. 7 mho Wle.,fl de qm
"/ O tnalJ //ti I '•• . . -
o11se.g11i t11n ~ª' o demente ClrCI C1111nenlar minha cC1patidade de acettay~o e
D til..a /11~'- ao meu seumulo
Quando há complicação ou risco de \'ida, a intervenção obstétri-
. co11trib11z11 grat1
/SJO . •
p da perua.
a dor .1
º
mne me
ca e as drogas adeguadas trazem a segurança necessária. Muitas ve-
po-'··rihilidade de vl!ler iom
. t uma alegria morme, JJlllJ o pmm11
. .· , · .0 parto do jeito que ele aco11Le-
.
zes isso pode acontecer conjuntamente como Pano Ativo, trazendo
ropomo1101 . "
mais vantagens para a mãe e para a criança. Quando usados de ma- p
cm, també1t1 contribuiu para zsso.
neira rotineira, as medicações podem leYar a problemas e efeitos
danosos, tanto físicos como psicológicos.
Umap al.avra aos p arteiros
Óbito intra-útero . . d me11 o/Jrtetra "ª j1s101ogza
- · 1 •
non·na/ do parto em 11m
'51 cOt!ftallfª wata o . . t,. . o h m1 a calma e a seg11rc111ft1 q11e tive
corpo sa11dávelfoi
· . 11177 ponto t7nporta11 tJSl//1 rt
O Parto Ativo também pode acontecer na ocorrência do óbito tanto na geslafàO como "º
parto. " , s-
do bebé estando ainda dentro do útero materno. Permite gue a mãe . to deste livro atraves de alguma ge
entre em trabalho de parto espontaneamente, sem a necessidade do Se você tomou conhecunen , . . entos nele contidos,
. d ôr em pratica os ensmam
uso de drogas, o gue algumas Yezes se constatou ser de grande \'alia, tante gue gostaria e P . d' 1 É de se esperar que a
• la JJrazer em aJU a- a.
pois a mãe sente que tirou algum pro,·eito da experiência e poderá espero que voce ten 1 , ·f . ais caseira e informal
1 \ti .0 traga urna atmos era rn
usar o conhecimento adguirido em um futuro parto. Pode não ter pránca do Parto ' t- . ou por indicacàes
. . uelas famílias que pre enrem, ,
um bebé vivo, mas ao menos teve um trabalho de parto. Esse pode ao hospital para aq ' · . ', f · ·nte possível com-
, . . bebês no hospital. l ~ per eitame
ser o lado positivo da experiência. Se a mãe conseguir dar à luz na medicas, ter seus . , . d lar à seauranca de um
) ·lColoaicas o ' o ,
binar algumas das vantagens f" 0 b' · O mais i.m-
posição ele joelhos, tanto a mãe como a atendente terão tempo sufi- . . - de algumas mudanças asicas. .
hospital com a realizaçao . . ulhercs
ciente para preparar tudo de modo que a mãe possa ver e pegar o . ad equa d a de tratar ' de lidar com a~ m •.
portante é a maneira
bebé nos braços, no caso de a mãe assim o desejar.•-\ mãe terá urna
''F . t d' .1' por 1111w ohstetri:::_ 111alds1C1 . ;1z111to
., sullr
· •ndtica e rhor 11111a ·zest11-
·
recuperação mais rápida e se sentirá fisicamente bem, o gue vai a1u- 11z a e11 zat . , · d· ·en111r -<a((]
. ·c1. ) F /ar fõram 111111!0 amavezs, tsJ . .
dar a suportar a dor emocional, que é inevitável depois de tal experi- dante (q11o/d tmha co11hm o a11te.1 . , . . . t . ·o""' ti e11ferllleira-chejé
ência. . ·.
da maneira que voce se se11t11 me 101.
// . " omesmo awn ete11 t "'
. .J
'.1'
p . eiro parto (11aq11ela
- u;·á co11hecta ao meu rtm '
Adicionalmente, se o pai de criança estiver junto com a mulher, a respomável pelo plantao, qne e , / _ ·onhecell e 110.r d1111 as
. - -· de posparto) - eia nos m
experiência provavelmente vai aprimorar a relação, o gue só pode época ela estava 11a etúeimana ·' _ . . quiresse colocar tt1i11hC1
ajudar. · , a P01
hoasvi11das e se dzspos ' - lltl1 cobertorno u.1ao, m.1o e11 ·
almefadona 110 chiio. " .. ,
'1'c1:-;_mdo 11ma retrospediva de mi11has duas gestarões, a impressão maior i _ . ·dera da uma paciente.
de pa:-;, e hem-estar. Em ambas comecei a me e.\.ucitar co111 reg11!aridarle desde os E, esscnc1a
. l que a' jJarturiente
' nao se1a cons1 ' '

27.J
Os_ atendentes do parto deveriam se considerar e .
a bolsa de água quente.
tunente, que estão lá para ªJ.udá-Ia
.
. - onVJ.dados da
na rrussao de dar , 1 Par. • urn .
onde se possa esquentar agua, . uma eh a1eira.
tipo .
aconternnento muito especial na sua ,-ida sexual - a. uz, o que é um 1
• l1tn 0
A g colchonete 1avave
, 1 d e g111asnca
. ' . e' o 1ugar 1.d ea1 para a mae
-
Observando cmdadosamente o progresso d , s~ctal e ernocionaJ
• ficar em pé ou de cócoras no momento do parto.
atendentes deveriam tentar não per·t -b . a mae e do bebê o.
ur ar o proce , s
to. .r\s intervenções devem ser red .d sso natural do par A água é algo tão bom para as parturientes que as salas de parto
u21 as a um núni . -
garanta seguranca. Isso sigm· fie mo acc1távcI gu dos hospitais deveriam ter uma banheira ou um chuveiro, ou ao me-
- , a que tanto a mãe com . e
vao se fundamentar mais nos seus i·t - . . . o os parreira. nos permitir livre acesso aos já existentes. O ideal seria ter uma pis-
lstlntos e 1ntu -
mostraram gue tanto em casa como no. h ·. . içoes. Estudos cina pequena ou uma banheira do tamanho de uma de hidromassagem
s osp1tais q d
encarado como um ac t . , uan o o pano ~ (o mais profunda possível), pois seriam extremamente úteis.
, . , , . on ec1mcnto natural e instintivo . e
renc1a e miruma as estatí tl. d e a lnterfe- ;\s mesas de parto não devem ser nem muito altas nem muito
, s cas e segurança são im . ..
melhores (i.e. na Holanda e etn P "thi . . F press1onantemente estreitas. Um estrado bai.xo (20 cm do chão) com um colchão duro é
1 VIers ranca) C
vo a arte obstétrica volta às sua . ' , . om o Parto 1\ti- mais confortável. É bom lembrar que a mobilia da sala de parto dita
s origens e os P t · . .
tornar mais espontâneos e mai f1 .· . ar e11os podem se as regras de comportamento desse lugar. Se a primeira coisa que
s exive1s no seu modo d .
'1-' . . e agir. uma mulher vir ao entrar em uma sala de parto for uma mesa de
111 levada d1retame11te para a sala de "/, .
evitar qm sujasse a minha prótir. S , ' ~at o e me deram 11/Jlct al111ojàda para parto, imediatamente ela vai querer subir nela, passando a ser uma
r w. 0 oav1a 111J1t1 ohstet ·..,p 1 •
permissão para Ja..,er 0 qu . . n;_ or 'ª e ela 111e deu "paciente".
'- e eu qmseJ:Ce, cy11do11-me a}-. . d , Encorajar a mãe a dispor livremente do seu corpo durante o tra-
e até fl:::_ alg11mas massagem. " uai e i-ocoras, a respirar
balho de parto e durante o parto faz com que ela se sinta mais à
vontade, e permite que ela dê à luz no chão, se assim o quiser. Um
A SALA DE PARTO
lençol limpo com a habitual almofada de papel esterilizado podem
J\gui vão algumas sugestões: ser colocados entre as pernas da mãe quando o bebê for nascer, ou
também um colchão duro pode ser colocado no chão ou mesmo um
Cortinas que possam ser abaix d
Possibilid d . . . . . a as para escurecer a sala. colchonete firme de ginástica.
a e de dirrunUir a ll1tensidade da luz. Durante o trabalho de parto intenso e no período de transição a
Um pufe ou uma boa quantidade de .
atraentes. grandes almofadas de cores mãe precisa de privacidade para permitir o processo interior aconte-
cer e se abrir, e deve-se minimizar tudo que distraia a atenção da
• Um b~nquinho confortável para poder ficar de
que nao d · cocaras, e por mãe, particularmente no início do período expulsivo. Toques vagi-
' uma ca eirinha de parto de madeira? nais de rotina para avaliar a dilatação são geralmente desnecessários.
Uma poltrona confortável.
Raramente uma parturiente precisa que lhe digam o que deve ser
• Um toca-fitas e algumas fita~ (ou sugira gue
• ·
J
as pessoas tragatn feito ou como deve fazer no período expulsivo, mas deve ser enco-
·Sll as propnas fitas) .
rajada a deixar acontecer e fazer força quando sentir que está na hora
Monitor cardiofetal pequeno e portátil.
de fazer. Não é necessário ficar na posição de parto até que a cabeça
276
realmente esteja coroando (\Tr página 172). . rir que ela está no centro do que
. -\ ulher precisa sen . . -
.-\,·aliações da dilatação e do batimento carc.líaco fetal pode:tn .. na y1da. , m 1 , ·eu dia. Sua privacidade e a natute
"'1-es d que aque e e o s . d
feitas durante o trabalho de parto quando necessárias com un er .-19 aco otecen o, fu d do que ela . . deve1n ser respeita as o
VJvenc1a
' 1 llÚni. P-- pro na
mo de desconforto e interrupcão para a mãe, e cm uma posic' íntÍ111ª e
, ' · .ao CJue
lhe agrade. E bom não perder de mira que o colo que se lli.lata é tetnP 0 todo. , . d ma certa maneira,
,- . , ma profissão social. Quan-
eu
parte mais delicada e '-ulnerável do corpo da mulher e o centro doª A obstetrtcia, e u . lidando com uma familia ou com um
seus sentimentos mais profundos. Para alguns casais, tr:11.cr algurna .J.o se faz um
Parto' estatnos
d família Para a parturiente a pessoa q
ue
u , tornan o ·
amiga próxima ou parente para a hora do parto pode ser muito boi casal que esta, se . im ortante. Se ela percebe a pessoa como uma
n.
O apoio emocional é maior assim, o que também é intcre;;santc para faz seu parto e muito P l de confiar totalmente e ficar relaxada
, m quem e a po ·• ·
o pessoal obstétrico. Se a mãe tiver outras crianças é aconselhável amiga, alguem e b lh de parto Yai e,·oluir melhor e a expenencia
esença o tra a o
tê-las por perto logo depois do parto (na primeira hora) para facili- na pr 'd . . ' mais gratificante para todos.
tar o estabelecimento de uma relação entre eles. o um to o sera . , .
com . . /Jeoo11 bem depressa, assit11 como uma aJntga ml1-
Uma boa ligação mãe-filho pode ser favorecida se o exame que {: ''S11sa11, nossa parleua,. l ".' I 1las 11os trcmqiii/i::;,aram e nos deixaram
feito logo depois do parto for feito com o beb~ no colo e.la mãe. ma. O calor h11ma110 e a J11av1da~e ~e

Depois a familia deve ser deixada sozinha, com a obsterriz cfücreta- co11Jia11tes. " .·
mente por perto pelo menos por meia hora, e em seguida a mãe . - d . l ,mcntos a serem cons·iderados ' são de naturezaf pst-
.
~IU!to;; os e e -- maior de quem az o
pode tomar uma boa xícara de chá. O bebê deve ficar pcladinho, , . ·ai N turalmentc a prcocupaçao
cologica e socl . a - , ambém esteja bem . .\e •
coberto com algo macio e que o esquente e permita que a mãe o b' a bem e que a mae t,
parto é que o be e nasç ' . T • estará ajudando-as
"descubra". Um exame mais detalhado do bebê e a sutura podem . -. darem à luz a ovamente,' oce
estunular as maes a ' . e·ia satisfatória e segura.
ser feitos a seguir, se tudo estiver correndo bem. . . 1' de uma m.ane1ra que s . -
a atmgir esse a' o e -. este livro sao tam-
Uma separação depois de tão sublime ocasião pode ser traun táti- , . . mendo para as macs n ,
O s exercic10s que reco . _ ativos assim ficara
ca para um casal. Portanto, se for possível o pai ficar com a mãe a n , -ai fazer os partos ' '
bém interessantes para quet d , . 11a hora do IJarto
primeira noite ou os primeiros dias, isso ajudaria muitas famílias a . _ d · lh 0 s ou e cocaras
mais fácil ficar na posiçao e ioe , u1 l l)
desfrutarem suas primeiras horas juntos como família, e traria mui- , . . R comendadas, Cap1t o .
(Yer tam bem Leituras e f P rto r\ tivo, é melhor
tas vantagens psicológicas. . e pretenda azer um a
Para uma obsteti1z qu h as roupas hospitala-
. alca Algumas ac am que .
"Depois q11e lodos se.fóm111 ejá tinha /0111ado mm ba11ho, já e.rlr111a rlátada pensar em vestir uma c , · . . , ·ito Tome cuidado
. , . - 1.deus [Jara esse propos .
em le11róis limpos COtll 111m 111mido dormindo de 11m lado e o pequenino do 011/ro, rcs de centro c1rurgico sao ' • • • dobra-
. .Ct. :.ig,acl1ada
to eStl\ ' ' ou cotn as costas
p11de se11lir 1117/tt 11itida .rensarc7o de Pª':\. e de estar totalme11/e de acordo m111 11J ki.r com suas costas enquan banc uinho peque·
da 11at11re':\.a e com o 1111111do." . . . . ll os ou sentar-se cm um 1
das, prefira dobrar os JOC 1 . . d, . dar a encontrar as
no. Os fisioterapeutas d 0 seu - hos1Jital po cm ªJU
Para quem trabalha cm um hospital, um parto é um acontecimen-
posições mais adequadas.
to que faz parte da rotina diária, mas não podemos esquecer ljlll'
para a familia que vai ter o bebê acontece uma vez, ou talYez pou cas

278
11. ReferênCJa~ de A-Z des,·an tag
ern é que isso implica - você ficar imobilizada no leito e deita-
. .
da por cima continuar com fome! ,\ ac1dose pode ser evitac..la
.
da. e aJO ' .
g
uin tes mane1ras:
das se
• · ]'Jo jnÍcio do trabalho de parto faça uma refeição leve. Sugestão: algu-
ABORTAMENTO
rnas torradas , ovo, iogurte com germe de trigo e mel, ou uma sopa.
- Caso, você ten ha sangramento repentino, d or. a bd ommal. o Se tiver um trabalho de parto demorado e tiver fome, coma outra
çoes, va para a cama, telefone para seu , d. . . u contra-
me tco uned1atament refeição leve; algumas colheres de caldo ou uma sopa leve também
um pouco de conhaque ou whiskvr Na· o e, t-ao raro assim
. a e•e totne
. podem ser indicadas.
a b ortamentos. Porém leva algum tempo pa b ocorrenc1a de
fi ra o a ortamen t Coma alguma coisa doce de vez em quando, como uma colher de mel
e tear preocupada não vai ajudar cm nada É a li . o acontecer
· conse 1avel fa· em água quente ou chá natural, suco de uva ou de maçã. Se aconte-
antes d e fitear grávida outra vez e procurar 1 . 'zer yoga cer de ficar em acidose então coloque um pouco de açúcar na boca e
. 1, . . a gum tlpo de ori, -
ps1co ogica, se senur que isso vai ajudar. entaçao
tome alguns goles de suco de fruta (evite frutas ácidas) entre as con-
trações. U ma vez em franco trabalho de parto, uns goles de água é
ACJDOSE , ver ;:\ lunentaçao
. - c..I urante o parto. tudo o que você vai precisar ou querer.
• Verifique se seu marido ou companheiro tem acesso a algum tipo de
ALCOOL
alin1en to no hospital, pois é pouco provável que tenham tempo para
N - Quando
1, ingerido em excesso o álcool pod e causar d anos ao bebê oferecer algo em um hospital muito movimentado.
ao 1a problemas com um copo de vez em quand D .
d . '! . ' o. urante o trabalho
e parto At-.1A.MENTAÇAO
· ob a coo! interrompe as contracões
, - e, usa d o para
. a1udar
. a
preve111r a ortamentos evitáveis. ' ' É importante aprender um pouco sobre amamentação e como cui-
dar de um bebê antes do final da gestação. Um Parto Ativo, seguido por
ALJMENTAÇAO DURANTE O PARTO um bom estabelecimento de relação mãe-filho nas primeiras horas de-

Quando se está em trabalho de parto a' ten d'enc1a . d o orga111smo e, pois do parto, são os fundamentos de uma boa aniamentaçào. Quando
·
esvaziar seus conteúdos Não é b . ,. ' , a fisiologia natural não é perturbada, então um acontecimento se segue
. · uma ºª tdeta fazer grandes refeicõcs ou
ao outro naturalmente (ver Capítulo 8). Entretanto, podem haver pro-
comer. d comida pesada . '· Por ou tro l ª d o, se você tiver
. , o de
um trabalh
parto emorado va1 precisar de ai uma blemas com o estabelecimento da amamentação nos primeiros dias e às
fi . g comida para a sustentar ou ,·a1.
.
tear exausta. Se tsso acontecer você d . . . . . , ' vezes pode-se precisar de uma orientação correta com rapidez. Entre
v 1 po e se senur mfenonzada e sem
ª,ºr., e o trabalho de parto pode parar de jJrogredir be111 Em termos em contato com profissionais ou instituições especializados ou que po-
_
me dtcos, voce · entrará em um estado ' de " aci.d ose ,, ·* Se .for feito um dem oferecer informações adequadas durante a gestação. Na Inglaterra
exame de urma e forem encontrados . • . temos "La Leche League" ou alguma conselheira do "Nacional Childbirth
t11a d .d ' . corpos ceto111cos, esse é um sinto-
ª cetoac1 ose. Trust" .
A maioria dos hospitais não fJermite . . . Leitura recomendada:
h · d . ª uma partunente mgenr nc-
The Mother!J Art of Breastfeeding, La Leche League (nova versão em
n um tlpo e alimento ÚJela possibilidade de se precisar d .
ana) . e l e uma ccsan- inglês); The E:x.perience of Breas(/êeding, de Sheila Kitzinger; Touchil\~· c..lc
, , e pre1erem co ocar um soro g li cosa d 0 para evitar . a cctoacidose. , \
Ashley Montague.
•N. J o T.: Cctost:, no original; no Bra:ül. também cunhcc1Jo con1cJ C'"t
..... oac1t1osc.

280 281
~l\1NIOTO~ - RUPTURA ,\RTIFICTAL DA BOLSA (R.\B)
R uptura prematura da bolsa
E a perfuraçao das membranas que envolvem o bebê pela inrr d
- . o li- Caso aconteça de sua bolsa romper antes de você entrar em trabalho
ça~ de um instrumento perfurante, parecido com uma agulha de cro-
de parto há u~ certo aumento da possibilidade de infecções, pois não
chc, ~través do colo do útero. Conseqüentemente o líquido amn1<íttco
há mais a barreira mecânica de proteção ao bebê. Geralmente não acon-
vai sair e as contrações vão ficar mais intensas. Em algumas situações se
tecem infecções e você entra espontaneamente em trabalho ele parto
rompe a bolsa como opção para indução ou condução do trabalho de
em poucas horas, mas algumas ,·czcs pode lc,·ar certo tempo para que
parto, mas em alguns hospitais é wn procedimento de rotina na admis-
isso aconteça. Se não entrar em trabalho de parto em 12 horas, o risco
são. Geralmente a bolsa se rompe espontaneamente, seja antes, duranre
de infecção é maior, embora muitas mulheres levem muitos dias para
ou na hora do parto. a maioria dos casos ela se rompe peno do final
entrar em trabalho de parto, sem apresentar mfecção.
do período de dilatação. Não há necessidade de rompê-la artificialmen-
Para prevenir infecções você de,·c se manter bem asseada e lavar os
te; na verdade, tal conduta traz algumas desvantagens:
genitais cada vez que for ao banheiro. Evite banhos de banheira, prefe-
Existe_ um veio de líquido entre a cabeça do bebê e o útero que se
rindo o chuveiro; no caso de entrar cm urna banheira, fique de joelhos.
contrai que é perdido ao se romper a bolsa, determinando um au-
(Não há problemas de se deitar cm uma banheira quando estiver com
mento da pressão sobre a cabeça e no cordão, e ainda por cima as
contrações uterinas ficam mais fortes. Isso pode levar à diminuicào contrações).
Pílulas de alho e vitamina C vão agir como antibióticos naturais e
da oferta de sangue que vai e volta para o bebê, e há algumas cúcl~·n­
ajudar a prevenir infecções sem nenhum efeito danoso sobre o bebê.
cias que indicam que o ritmo cardíaco fetal desacelera um pouco.
Tome 7-8 pílulas de alho por dia e l grama de vitamina C a cada 2-3
Aumenta a possibilidade de infecções, pois as membranas int'lctas e 0
horas até entrar cm trabalho de parto.
líquido amniótico protcjem o bebê.
A acupuntura pode ser um eficiente meio para desencadear o traba-
As contrações podem ficar mais fortes de um momento para 0 outro
lho de parto. Certifique-se de que o acupuntor tem experiência com
e mais doloridas depois da ruptura da bolsa, e esse aumento súbito
gestantes e parto. Se as contrações não começarem cm 24 horas, a
na intensidade das contrações pode ser muito difícil de ser suporta-
obstetriz pode ajudar fazendo uma massagem do colo para estimular a
do pela mãe.
liberação de prostaglandinas ou administrar uma dose de algum laxativo
É provável que seja mais confortável para o bebê ter uma camada de
ou um enema (enteroclisma). É melhor evitar os toques ''agmais pois
líquido entre sua cabeça e as fortes contrações uterinas.
eles aumentam o risco ele infcccão.
Entretanto algumas vezes se realiza a amniotomia quando há sinais
Os sintomas de 111fccção podem ser um cornmcnro vagin~ 1 com cheiro
de sofrimento fetal (como variação do batimento cardíaco do bcbêi.
desagradánl ou febre.
pois ajudará a avaliar a condição do bebê pela avaliação da cor do líqui-
do amniótico. Caso o bebê tenha eliminado mecônio (a primeira elimi ANEMIA
nação intestinal do bebê), o líquido mudará de cor e ficará esverdeado Se você tiver anemia seu bebê poderá sofrer, pois menos oxigênto
ou amarronz,ado. Essa é uma indicação de c.1ue o bebê pode estar cm será transportado para a placenta. Também ha,•erá maior chance de
so_frm1cnto. E possível avaliar o líc1uido amniótico sem romper a boba. sangramento depois do parto e maior chance de infecção.
~tilizando-se de um aparelho chamado amnioscópio. Caso seja nccessá Coma mais al.i.mcntos ricos cm proteínas (fígado é nco cm ferro),
no fazer uma monitoração do coração do bebê com o eletrodo no escalpo. folhas 'crdes, damasco desidratado e tome vi tammas B, B 1, e C:. Quanto
a ruptura da bolsa é condição básica.

282
. Suplementação de cálcio pode ser útil (verifique se ele vem
aos medicamentos com ferro absorvíveis pelo trato gastrointestinal . va.1 passar.
médico poderá indicar os nomes. Existem alguns preparados n 'se_u combinado com magnésio e sem chumbo).
' - aturais
que podem ser encontrados cm lojas de produtos naturais para anemia. CEFALÉIAS
Pode ser 111teressante consultar um médico homeopata ou natLira lista Podem acontecer com maior freqüência durante a gravidez.
que têm alguns medicamentos que podem ªJ.udar no tratamento da ' Alimente-se bem, durma satisfatoriamente e não faça nada em excesso.
. ' ane-
mia. Quando sentir que uma dor de cabeça está por ac~n.tecer, faça os ~x_er­
cícios de cabeça e pescoço (ver Seqüência de exerc1c1os IV, nº 2.' pagma
APRESENTAÇ.AO PÉLVICA, ver Capítulo 7, Apresenta çõ es
0). Faça alguns exerc1c1os para alongar os ombros (ver Capitulo 3).
111comuns. 9
faça a respiração abdominal e relaxe em um quarto escuro por alg~ms
A'.RESENTAÇÕES POSTERIORES, ver Capítulo 10, 1\prescnta- momentos. Você deve informar seu médico se esuvcr ten<lo cefalerns
ções incomuns. importantes ou com muita freqüência. A osteopatia pode ser ele multa

AZI.t\ ajuda.

É um acontecimento muito comum nas gestações e ocorre de,·ido a CONSTIPAÇÃO INTESTIN1\L


uma diminuição no tônus da válvula que fica entre o esôfago e o estô- O melhor remédio é ficar na posição de cócoras e quanto mais vezes
mago, causada pelos hormônios (os mesmos que deixaram suas articu- você Gear melhor. Também é bom comer farelo e frutas secas, tais corno
lações mais frouxas); portanto, a comida tem a tendência de voltar para ameixa, no café da manhã. Existem medicamentos homeopáticos e
cima. Dê preferência para alimentações mais freqüentes e com menor fitoterápicos também. 1\ssegure-sc de que está consumindo líquidos em
quantidade de comida e evite frutas ácidas. Experimente alguns exercí- quantidade suficiente e que na dieta estão incluídas boas porções de
cios de alongamento (ver página 97). Faça um suco de umeboshi: junte vegetais, frutas cruas e saladas. Todos os cereais devem ser c_onsum1dos
3 ameixas umcboshi (de uma loja de produtos naturais confiável), cozi- na sua forma integral, pois os refinados têm tendência obsupantc. An-
nhe em meio litro de água e mantenha o suco na geladeira. Tome uns tes de mais nada reflita se está indo ao banheiro todas as vezes que tem
goles quando tiver azia. O medicamento homeopático Nux vomica C30 vontade, pois não seguir o desejo pode ajudar a prender o intestino.
pode ajudar quando a azia for muito intensa, mas não o tome rotineira- Caminhar e se exercitar Lodos os dias também é importante.
mente. Evite comer nas três horas que antecedem o horário que ,-0 cê
vai dormir. DATA PROY ÁVEL DO P.AKrO (DPP)
Assim como algumas mulheres têm ciclo menstrual mais longo e
BOLSA ROTA, ver r\mniotomia. outras mais curto, também têm diferentes durações do período
gestacional. A data provável do parto é uma média estimada, podendo
CÃIBRAS
variar de duas ou até três semanas para mais ou para menos. O farn
Ocorrem nas pernas e não se sabe ao certo a causa, mas é sabido que isolado de a gestação passar da data provável (sem nenhum outro indí:
exercícios (ver Seqüência de exercícios VI, n° 1, página 98) geralmente cio de complicação) não é razão plausível para a indução do parto. E
ajudam a eliminá-las. Quando tiver alguma, estique o calcanhar, trazen- razão sim para uma observação mais cuidadosa e para testes de avalia-
do os dedos do pé mais próximos do corpo, e aperte com força os ção do funcionamento placentário (ver Insuficiência Placentária). En-
músculos. Quando se inicia o alongamento, algumas vezes são comuns tretanto isso não é necessário até 14 dias depois da data provável. Da
cãibras nos pés na posição de joelhos. Normalmente, com a prática, isso
285
284
as perineais, lacerações ou episiotomias.
mesma maneira, se \'ocê entrar em trabalho de parto e.luas ou tr· rorur
' Ingredientes: Bolsa d e pastor, uva-ursrna,
· con f rei,· 6 ca b eças · ·
mteiras de
nas antes da data provável, isso não significa que o b ·b. . es serna.
. . e e vai ser :Jbo (porção para dois banhos)
turo (ver Amniotonua, página 282). · prema-
Preparo: Tome três cabeças de alho e, sem descascar, fure-as com um
DOR Ni\S COSTAS garfo· Coloque em uma panela grande com uma generosa medida de
A.o contrário uma das ervas. Complete com água até encher e ponha no fogo.
. , da crença .popular, as dores nas' • costa, s- nao
· d cvenain
.
ca da'
um mal mevtta\·el da gravidez. Com o ;n•anco da , . -- . ser FerYa em fogo baixo por 30--1-5 minutos. Esprema o alho com um garfo
- . - , ' ges taça o as arttcula
çoes vao sofrer a açao dos hormônios liberados e 0 c . . '- ou com um espremedor e depois espere esfriar. Despeje o líquido em
· orpo 'ª' ter que
adaptar ao aumento do peso. , \s dores lombare . se uma jarra grande. Coloque metade cm uma banheira não muito cheia e
h ., . · , s acontecem porque deve
aver um desequilíbrio estrutural latente do qual \'Ocê não tJ. 1111a consc1-. sente-se lá por algum tempo. Faça uma ou duas vezes por dia. (Use
• · '
encia antes de se tornar grávida. também tintura de calêndula e coloque um pouco dela na água que você
Os exercícios deste livro
. . vão a1udar a prevenir ou ali.-
'tar. essas
. . dores usar para se lavar depois de urinar.)
n1as se Adquira ervas de boa procedência.
. • as . mesmas pcrsistrrcm é essencial consultar um o·t,
' copa ta com'
expenencta
. _ com . gestantes.
, , ' 1orn 1)ar, na
1\ dor pode acontecer na rcgta'o
ENJÔOS
artJ.culaçao sacroiliaca ou na coxofemoral, ou coluna torácica ou cervical. Inicie seus exercícios todos os dias e procure um médico homeopata.
Outra.s dores que também são comuns acometem a sínfise púbica. a
Alguns medicamentos homeopáticos com Petroleum ou Sepia podem
parte mtcrna da cox~ perto da virilha, a caixa torácica, a cabeça. 0 pes- ajud<tr bastante, mas você precisa de um medicamento adequado à sua
coço,
. . os seios frontais e também os pulsos· Todas ' do.res. po d cm ser
, essas constituição. Faça várias refeições pequenas durante o dia e tome um
alivrndas com os exercícios recomendados· e tambén
' · J a de um
1 co m a ;qu pouco de leite e bolacha água e sal logo depois de despertar, pela ma-
osteopata
nhã. Esses enjôos geralmente passam depois do terceiro mês de gesta-
EDEMr\, \'er Retenção de Líquidos. ção. Chá com um pedacinho de gengibre é bom. Os enjôos* também
podem acontecer em outros mom.entos do dia. Alguns chás podem aju-
ERVAS dar, como boldo ou uma gota de essência de menta em um cubinho de
Chás herbácios
açúcar.
Particularmente bons para a graYidcz. Voce· pod e nustura-
·. .' 1º'. p:-ira
cnar um sabor mais agradá,·cl ou tomá-los separadamente. ESPORTES
Folhas de framboesa (bom para o útero) Se você estiver fazendo algum tipo de esporte, continue se senur que
Camonula (calmante) nào há nenhum problema.
Chá de rosas (vitamina C) É melhor evitar "squash", pois a bolinha dura pode afetar seu bebê.
u.rtiga (excelente fonte de ferro, tônico para 0 sangue) É saudável pensar em caminhar, dançar, correr (com moderação, e so-
Erva-doce (digestivo) mente se você estiver acostumada) e ciclismo também, sendo preferí-
Cidro (delicioso) veis caminhar e nadar. Esse último esporte é especialmente benéfico -
Tília (calmanteI experimente a respiração diafragmática enquanto estiver fazendo o nado
do peito.
Banho de ervaspara o pós-pafto
. do T: l '.m tnglê> "" mornmg sickncss". lm:ralmcnte Jocnça d.1 manhã
l·m anti-sépttco cicatrizante, dcscongestio 11 ant",
~ nuracu 1oso p:-ira :1s
287
286
ESTRIAS
exerc1c1os. Algumas vezes o parto de gêmeos é prematuro,
Serão mrus raras se você se exercitar d . ·es dos
' uran te a gravide ç<> é importante dar à luz em um hospital com Unidade de Cuida-
o corpo regularmente com bons óleos vegetais. z e massagear n0rtanto , . - . -
r· Intensivos para recem-nasc1dos. Se nao houver cornplicaçoes e os
FATOR RHESUS (RH) do~ês forem de bom tamanho, há urna boa chance de um Parto Ativo.
O fator Rh se encontra nas hemácias ou glól 1 . be arto de gêmeos tende a ser mais fácil pois geralmente os bebês são
A . . )U os vermell O p
menores que os bebes• d e gestaçao
- un1ca.
' . A pos1çao
. - que os b e b.es assu-
maiona das pessoas é Rh positivo (Rh +) e 15º!. . - RJ los.
(Rh -) . se voce· wre Rl '
1- e seu companheiro Rh+ existe a
o sao 1 neg .
. . ativos mem dentro do útero é fundamental em relação ao desenrolar dos aconte-
seu filho ser Rh + e se o sangue d 1 .' . possibilidade de cimentos. O melhor é que os dois estejam de cabeça para baixo. Porém
' e e se nusturar com o se (
normalmente não acontece) você desenvol . . . u o que geralmente o segundo bebê se apresenta sentado. Nesse caso o Parto
d ' vera anticorpos contr
gue ele. Podem ser feitos alguns exames durante a . .d a o san- Ativo é possível com a vigilância cuidadosa do pessoal obstétrico. Se
• . grav1 e;: para v• .fi houver wn problema, a intervenção obstétrica será imediata. Algumas
car se voce produzm anticorpos S - 1. en 1-
.· . . • .. e nao rn nenhum anticor o .
pnmeua vez tjue voce fica grávida . l . . p e ea vezes o segundo bebê se apresenta de lado (transverso) e pode ser feita
.b. . ' nao 1a motivos para preocu .
poss1 ilidade de você entrar em paçao. r\ a versão externa, direcionando a cabeça para baixe. antes do parto.
' contato com 0 sangue d b b.
ce durante o parto (mesm o assim só acontece raramente ~ ~ª:;conte~ D epois do nascimento da primeira criança, a relação mãe-filho pode
desenvolver os anticorpos b b. . . , ) q ' o voce acontecer da maneira usual, pois o primeiro contato entre mãe e filho
p . - . ' o e e provavelmente ia estará no mundo.
ortanto isso nao afetana seu primeiro bebê. vai es timular contrações que ajudarão no nascimento do outro bebê.
Um pouco do sangue do cordão é colh .d Não é necessário cortar ou ligar o cordão logo depois do parto. O se-
se o bebê fi . RI + . . 1 o no momento do parto e gundo bebê nasce provavelmente logo depois do primeiro e ambas as
or 1 ' entao dentro das pnmeiras 7? ho. . •d
mar a vacina (Rho am) fi . . . _ - ras vocc eve to- placentas serão eliminadas ao final, da maneira usual.
. d . g , em orma de 111Jeçao, que ' 'ai prevenir a forma-
çao e anticorpos para não afetar um futuro bebê E.. . . . A posição de cócoras sustentada (ver página 174) é a melhor para
medi · ssa vacma e um um par to gemelar. Corno a área <le inserção placentária é maior com a
camento extremamente útil para a medicina. Antes de ter sido des-
co b erta, as mulheres RJ1 · . gravidez gemelar, haverá mais sangrarnento comparando-se com urna
• negativas podenam ter grandes dificuldades e
I' a1gumas vezes 0 bebê pod .·
d . d
. .
ena precisar de uma troca de sangue total
epo1s o pano, para fazer a depuração dos anticor '
' · gestação simples.
É uma boa idéia entrar em contato com um "orientador de
se voce· nao - tiver
. anticorpos no s pos.
- amamentação" antes de o parto acontecer, para se conseguir boas su-
. angue, a gestaçao e o parto podem
acontecer sem nenhum motivo de preocupaca· S . gestões quanto à amamentação dos futuros gêmeos. Outra coisa interes-
anti - , o. e voce tiver os sante é entrar em contato com outros pais de gêmeos. Procure conse-
corpos, entao seu parto terá de acontecer em um hospital.
guir o máximo de ajuda possível para os primeiros dias em casa.
FERRO, ver Anemia.
GRAVIDEZ GEMELAR, ver Gêmeos.

GÊMEOS HEMORRÓIDAS
Se você tem duas criancas dentro de v . , . São varizes que se localizam no ânus. Faça 50 exercícios <le fortaleci-
sào mais 'lid . . d , oce, os exercic1os deste livru
' va os am a. No final da gr 'd ' · · mento anal (corno o exercício do assoalho pélvico, mas concentrando-se
. . avi ez e muito unportante repou -
sar mais que o normal , e 1eia
. con1 atencao
• as notas de . . . nos músculos do ânus) pela manhã antes de se levantar, e 50 à noite,
, ' aviso nas 1nsti·u-

288
'.!89
antes de dormir. É preferível fazer os exercícios na posição g rn trabalho de parto e que podem ser tomados sem mesmo con-
p 'di h enupc:itora] Jher e ' . _ .
rocure um me co omeopata e veia se você não está . · · m homeopata. Eles nao mterferem com outros medicamentos
d .. ,. cons tlpada an ·u1car U
e ma.is nada. Se as hemorroidas estiverem saindo evite . . tes
, . ' a pos1cao de ou drogas e também fazem bem para o bebê.
cocaras; use um banquinho. Experimente um ungu·· ento nat 1
, ura ou com .·lrnict1 D30
pressas de calendula ou de hamamélis Procure a opinião d - Esse medicamento é muito bom para diminuir a dor. Também ajuda
. ' o seu médico.
HOMEOPATIA a aliviar a sensação de machucadura, choque, medos e sangramentos.
Os homeopatas aconselham alguns medicamentos para a gra' . . te
· :1 ez e Vai ajudar a amaciar os tecidos internos e prevenir o edema. Tome 1
para o parto. Apresento algumas recomendacàes mas u 111 'd· comprimido ou 5 glóbulos ou 5 gotas aproximadamente a cada meta
1 , · ·' ' me 1co hora assim que as contraçàes começarem a ficar mais doloridas ou guan<lo
10meopata
. . devera ser consultado para maiores informaço' e.s ou casos
especiais. precisar. Continue tomando depois do parto 3 vezes por cita se sentir
O. Programa para Gravidez ' idealizado por John D ainon te:, um co- incômodo por baL'i:O.
nh,ecido homeopata, pode ser ~eito por qualquer muiller que esteja grá- Aconit11m D30
vida e que deseje garantlr saudc e bem-estar para ela e para 0 bebê Esse medicamento deve ser tomado cm caso de se sentir com medo
durante a gravidez, parto e amamentação. São sais orgânicos que favo- ou ansiosa. Cada meia hora durante o parto ou c1uando necessário.
recem o me_tabolismo do organismo. Você nào preci sa de Kali ph0Jphonàm1 DJO
No final do trabalho de parto, caso se sentir cansada ou exausta, esse
compkmcntaçao de ferro se seguir esse programa, a menos que tenha
anemia. remédio yai aiudar. Cada meia hora ou c1uando necessário.
Tome diaria.incntc cada um destes medicamentos: Resme Rermcf)'
:º?º e 6ºº meses: Cale fluor 06 + Magn phos D6 + Ferr phos D6 É um floral <le Bach com cinco essências de flores e é multo eficaz
quando a dor ou o pânico tomam conta do parto. Da solução prepara-
.) e 7 meses: Cale fluor D6 + Magn phos 06 + Nat mur 06
4º e 8º meses: Cale flúor D6 + Nat mur 06 + Silicea D6 da, 10 gotas direto na boca; se ti,·er a solução concentrada pode colocar
Sº e 9º meses: Cale fluor D6 + 1;crr phos 06 + Silicea D6 10 gotas cm um copo com água ou meio conta-gotas <l1reto na boca.
Entre outras coisas a Calcaria.fluorica promove a elasticidade dos \'a- Esse medicamento é parti.culanncnte bom para o período de trans1çao.
so~ _e teci.dos, diminuindo a possibilidade de roturas e a chance de Algumas gotas podem ser colocadas no seu copo de água durante o
episio~onua; a Magnesia p0Jph01ica ajuda a melhorar a azia e a dificuldade parto. Se seu companheiro se sentir meio perturbado, esse tambc'.·m é
dtgestlva; o Fem11J1 ph0Jph01ico estimula o processo de absorção de ferro, um bom remédio para de.
pre\'~ntndo_ ª anemia; Na!mm mmialimm ajuda no equilíbrio adequado e Ca/ê11d11/t1 - li11!11m mlie
na dis tribuicão de líquidos , enquanto a S t·;.·tcea wnalece
e É um anti-séptico cicatrizante - para ser usado no lugar dos artifici-
, os ossos e os
tendàcs do bebê e da mãe. ais. Coloque 10 gotas cm uma xícara de café com água c1uente, CJUt'
1\ homeopatia pode melhorar muita s das pequenas queixas e <lesar-
tenha sido fervida, para limpar o cordão umbilical, e 10 gotas em uma
ranios da gravidez, tais bacia com água pre,·rnmente frn·ida, para um banho de assento (faca
, como. enJ·ôo, retcncão
, , de líqui eJos, azia
. · , pressa- o
alta etc., como tambem condicàes crônicas m"s e' isso depois de urinar, nos dias c1uc se seguem ao parto) . . \plique-o direto
, · '., " 11 cessano consu1tar
e .. ' .·
um médico an tes de tomar os medicamentos. sobre os pontos, nos pnmciros dias depois do parto, uulizando-se de
uma csponp natural quente e esterilizada. O creme de calên<lula (não :1
Existem poucos medicamentos c1ue são bons para qualquer mu-

290
pomada) ajuda nas rachaduras de mamilo.
, dormir mais tarde quando estiver mais cansada.
Sempre que seu filho. durante a infância, se conar, tiver algurn . c:o•··sa eva
fecçào, se machucar ou bater, pode usar a calêndula, que també ª in.
SUFICIÊNCIA PLACENTÁRIA . .
ser encontrada na forma de talco, bom para o cordào umbilicalm Pode IN . e isso aconteça alimente-se adequadamente durante

secar a pele do bebe. e Para Para evitar qu . d f.. ·d de solicite ao médi-
a gravidez. Se houver suspeita essa en crm1 a '
Be//adona D6 wdª' eça os exames necessanos.
, .
É indicado para o dia da descida do leite, quando os seios fica.rn Para que P . . d
co de estriol avalia a quantidade de estrogeruo o seu sangue e
O exame 1 -
engurgitados. Tome a cada meia hora quando os sintomas são intenso . Se 0 estrogeruo • . es ti.ver. elevado
' então pode ser que a p acenta nao
s.
Os problemas da dentição podem ser tratados com Chamomzlla (na unna. fu . do bem. Se você passou da data provável do parto sem
tepi nc10nan . . fi ·
potência que seu médico indicar). A homeopatia pode ajudar tambérn es tro sintoma
nenhum ou ' é pouco provável que esteja ocorrendo msu 1c1-
nos casos de cólicas e afecções de pele. Existem algumas pomadas ência placentária. .
cicatrizantes e contra a inflamação e outras para queimadura que deve- Se seu bebê não está crescendo adequadamente~ zmco suplementar
riam fazer parte de todas as boticas homeopáticas caseiras. deve ser ingerido em diferentes momentos do dia, 1unto com ferro.
ICTERÍCIA
ISOIMUNIZAÇÀO, ver Fator Rhcsus.
Metade dos recém-nascidos tem icterícia leve na primeira semana de
vida. As crianças ficam como se tivessem se bronzeado. Isso ocorre 1-IAMAS
porque o fígado do bebê ainda é um pouco imaturo e incapaz de realizar Para preparar suas mamas d urante a gra',idez ' simplesmente faca ,
por completo a quebra da bilirrubina. Bebês prematuros têm maior ten- massagens com o eo 'l de amêndoa
' • (ou outro óleo vegetal
. qualquer) de-
dência para icterícia. Deve-se oferecer o seio com freqüência para o pois do banho. Nào use sabonete nos mamilos porn eles nori:nalmentc
bebê, pois ele precisa de líquidos. A luz do sol ajuda a melhorar esses .
retiram a lubnficaçao _ natura l. U se um su tiã. que .seia confortavcl,
. bem
.
casos. Alguns especialistas acreditam que o clampeamento do cordão adaptado e que sustente os seios, de preferência que seia de algodao.
somente depois que a placenta for eliminada pode diminuir a incidência Algumas lojas possuem sutiãs especiais para gestantes. Nos dias .qu~ se
de icterícia. Os estudos mostram que a oferta de água ou água com seguem ao parto, quando os seios aumentarem de tamanho e estiverem
1 repletos de leite, você vai ver como eles são importantes.
glicose não traz nenhuma vantagem. Leite materno sem restrições e
banhos de sol são os melhores remédios. Em casos extremos a fototerapia
MICÇÃO
1 é indicada.
Durante 0 trabalho de parto: uma vez por hora. .
INSÔNIA Depois do parto: você pode sentir algumas pontadas caso tenha udo
. . . E sta, 111
roturas ou ep1s1oton11a. · d.1ca d o o u so de banho de. assento
. , cm
Será que alguma preocupação não está impedindo que você durma?
Tome um banho quente, de banheira de preferência, e depois faça seus ,
agua morna co111 t11n pouco de tintura de calêndula , ou. deixar cair agua
1 exercícios antes de ir para a cama. Tome chá de camomila à noite. Con - do chuveirinh o no meio das pernas enquanto voce ur111a.
sulte um médico homeopata. Suplementos de cálcio às vezes ajudam. Ver Banho de Ervas.
Não é raro ocorrer insônia no final da gcstaçào. Um banho quente e um MONILÍASE , . .
copo de leite podem ajudá-la a dormir, ou então levante-se, faça alguma .
Pode-se colocar 10gurte natura, 1 que alivia
· b as·ta nte e pode .ate cl11111-
. 1oca 1) . Se com o iogurte você não uver bons
nar o fungo (ap li caçao

292
cobrir a mãe e o bebê, e também uma toalha para cobrir o bebê.
resultados, experimente uma ducha vaginal interna com uma soluçao dl'
bicarbonato de sódio. Consulte um médico homeopata. Feche todas as janelas e tente aquecer a sala, pois tanto a mãe como a
criança não podem passar frio .
.MONITORAÇr\O, ver Capítulo 10. Se houver tempo, coloque água para ferver e desligue enquanto você
lava bem suas mãos. Consiga um copo de água, uma bacia e um rolo
Nr\USEJ\S, ver Enjôo.
de papel higiênico ou algodão. Volte para a mãe, massageie sua re-
OBSTIPAÇAO, ver Constipação Intestinal. gião dorsal calma e suavemente. Alguns goles de água e muita aten-
ção. Coloque um lençol limpo, ou uma toalha ou jornal, por baixo
ORGASMO
dela e deixe outro à mão. Tenha algo ao alcance para embrulhar o
O ato de amor e o orgasmo são tão bons para você durante a gr:wi-
bebê. Coloque peno do aquecedor para aquecê-lo.
dez quanto o são fora dela. 1\lgumas mulheres não querem fazer am or
Até que você possa dispensar toda a atençào à mãe, ela deve permane-
quando estão grávidas e outras o querem mais do que antes. O am or,
cer na posição sugerida ou pode ficar de cócoras apoiada em uma
sem excessos, não pode ser prejudicial para seu filho. Você pode expcn-
almofada ou em um pufe. Qualquer posição que ela escolher será
men tar outras posições como ajoelhada de quatro, na pos1çá o
boa. Se não houver tempo para pensar em uma posiçào espontânea,
genupeitoral, de lado, penetração por trás, etc., para evitar o peso sobre
então coloque-a ajoelhada de quatro.
seu abdome. No final da gravidez pode ser que você ache melhor ª"
• Tudo que você tem a fazer é se concentrar e observar cuidadosamente
penetrações não tão profundas ou a masturbação. Os mamilos se tor-
quando a cabeça começar a aparecer - seus instintos vào fazer o
nam mais sensíveis durante a gravidez e fazer amor é o melhor meto Jc
resto.
prepará-los para a amamentação.
Dei.\:e tudo acontecer o mais naturalmente possível. Estimule-a a dei-
Esse é um ótimo momento para tentar e experimentar algumas idc'-i -
xar as coisas acontecerem no ritmo dela e a "se abrir", dar saída para
as novas!
o que está acontecendo dentro dcc.la. Se ela perder o controle, então
PARTO DE EMERGÊNCL\ respire junto com ela, concentrando-se na EXPIRAÇJ\O. Sugira que
Se você estiver sozinha e uma grávida estiver tendo seu filho e nào ela expire o bebê para fora em vez de empurrá-lo para fora. Relembre-a
tiver ninguém mais por perto que possa ajudar, então: de se relaxar e ir devagc11:
Procure ficar calma e relaxada. Respire fundo ,·árias vezes, sendo que a Nào se preocupe se ela ficar com náuseas ou vomitar. Isso é natural e
expiração de,-e ser mais longa que a inspiração: O.r pm1o.r i11espenulo.1 faz parte do reflexo expulsivo.
cos/11mt1m acontecer complet11me11/e ''/i.ros e reios''. Você só precisa se con Se a mãe eliminar algumas fezes, limpe-as com papel higiênico e nào
centrar realmente no gue está acontecendo. deixe c1ue encostem na Yagina.
Leve algum consolo para a mãe e, se houver tempo, faça-a senur con- Quando a cabeça sair, segure-a suavemente com uma das màos.
fiança segurando-a por um minuto ou dois. Sugira que ela fique na O bebê pode nascer cm uma só contraçào ou em várias. Receba o
posição ajoelhada de quatro ou genupeitornl, enc1uanto você prepara bebê sem puxá-lo. Permita que o útero faça o trabalho: simplesmen-
todas as coisas. Dê-lhe uma almofa<la grande se houver alguma. Is so te deixe o bebê vir para as suas mãos. Deixe a cabeça ficar um pouco
ajuda a duninuir um pouco as contrações, perm1tmdo que ela se sinta pendurada, o que vai ajudar a saída dos ombros.
mais no controle da situação, ficando mais calma. É muito comum e perfeitamente normal se o cordão estiver enrolado
Consig:i algumas toalhas, lençóis e um acolchoado, se p ossh-cl, para
295
'..9~
no pescoço do bebê; coloque o bebê suavemente' com o ventre p ara
baixo, sobre uma toalha macia no chão ou na cama. Enta-o, caln1a- PARTO DOMICILIAR
mente, libere o cordão do pescoço ou desenrole-o antes, se \'ocê
Como encontrar quem ofara
Primeiramente pergunte ao seu clínico geral se ele faz partos domici-
puder.
liares. Caso ele não faça, peça para indicar um outro médico que faça. Se
Se a mãe estiver de cócoras, mantenha o bebê de barriga para baixo
não existir nenhum na região, entre em contato com o Escritório Regi-
entre os pés da mãe por mais ou menos meio minuto, para eliminar
onal de Enfermagem (da cidade ou do município) para conseguir uma
as secreções, e depois deL"\:e a mãe pegá-lo.
lista dos médicos que fazem o parto fora do hospital. Você pode tam-
Se ela estiver ajoelhada de quatro então você deve recepcionar o bebê.
bém contatar o Escritório Comunitário de Enfermagem, dizer que você
Segure-o um pouco de barriga para baixo e depois entregue-o para a
está interessada em um parto na sua casa e pedir todas as informações
mãe por entre suas pernas. Ela deve se sentar com o corpo erguido e
com o bebê no colo. Se ela eliminar muito líquido, poderá qu erer disponíveis.
Se nada disso der certo então escreva às instâncias superiores de
passar para um lençol mais limpo ou uma toalha.
saúde, estaduais ou federais. Segundo a lei inglesa, se você chama uma
Mantenha os dois bem aquecidos com acolchoado, toalha, casaco, ou
obstetriz estando em trabalho de parto, ela é obrigada a fazer seu parto
o que tiver nas mãos. Deve-se cobrir a cabeça do bebê também.
Sente-se e curta uns momentos com os dois. Incentive a mãe a colocar na sua casa.
o bebê no seio, pois isso vai ajudar o útero a se contrair. Não deixe a PARTO INDUZIDO
mãe sozinha na casa. Ver Capítulo 7. Normalmente o parto acontece quando chega a hora
Peça ajuda, por telefone, a uma obstetriz ou um médico. certa. Os meios mais naturais de se induzir um parto são: (a) Fazer amor
Se a placenta sair e ficar nomeio das pernas dela, coloque-a em uma - existe uma prostaglandina natural no sêmen que vai amolecer o colo
bacia. Não corte o cordão, pois ele vai parar de bater espontanea- do útero, e o relaxamento e o orgasmo podem ajudar a desencadeá-lo.
mente e se clampear por si mesmo. (b) Exercícios. (c) Lavagem intestinal. (d) Laxantes (devem ser prescri-
Depois que a placenta for eliminada, o útero deve se contrair e vo cê tos pelo médico) - vão desencadear uma diarréia que pode estimular o
vai percebê-lo como um mamão. Se não estiver assim , então você, trabalho de parto. (e) Sair e se divertir, podendo tomar um copo ou dois
ou a própria mulher, terá de massagear o útero até que ele se con- (não mais) de vinho. (f) Uma sessão de acupuntura. (g) Uma massagem
traia. delicada do colo do útero para estimular a produção de prostaglandinas
Se você tiver à mão, dê-lhe um pouco de arnica ou Rescue Remecjy, ou naturais pelas glândulas internas do colo uterino. Se você já tiver a bolsa
então uma xícara de chá com açúcar ou mel. rota então é melhor evitar LOques vaginais, pois aumentam a chance de
• Use a água que você ferveu e que agora já deve estar morna para lavar infecção.
os genitais da mãe, embora o melhor seja que ela mesma fique de
PONTOS DE SUTURA, ver Ervas - banho de ervas; Homeopatia
cócoras sobre uma bacia com água quente e se lave sozinha. Ofereça
tintura de calêndula; Rotura Perineal ou Episiotomia - Capítulo 10.
então um absorvente externo ou uma toalha para ela colocar por
baixo e uma calcinha grande para segurar. PRESSÃO .ARTERIAL
Se o parto acontecer cm um táxi ou qualquer outro lugar incomum, O termo é usado para significar a pressão exercida pelo sangue nas
as prioridades são: manter a calma, tranqüilizar a mãe, segurar o bebê e paredes dos vasos sangüíneos. A pressão sistólica refere-se à força com
mantê-los aquecidos.
'.!.97
296
que a contracão cardíaca impulsiona o sangue para o corpo e a pre , - O DE VENTRE ' ver Constipacào
p RISA ' Intestinal.
' ' ssao
diastólica é a pressão nas artérias quando o coração está relaxado entre
dois batimentos. A mais alta é a sistólica e a mais baixa é a diastólica RETENÇÃO DE LÍQUIDOS (EDEIYLt\)
, ercebido como um leve inc lnço nos torno,zelos ou, nos . , dedos,
.
como por exemplo 110 por 70. A pressão sistólica é considerada nonna; ~o~omum no final da gestação. Um tratamento homeopatlco ~ ~1.u~to
entre 100 e 125, com algumas variações; a diastólica, entre Cíü e 80. mu1t . os edemas.. N-ao lla, m ativos para se preocupar
ara reduzJ.r • . se. sua.
efíca7~
r

Uma boa alimentação, com proteína suficiente, e exercícios durante P . e de urina estiverem normais, mas voce deve mformar
essao e o exam . d
a gravidez vão ajudar a manter a pressão nas faixas de normalidade. Sua pr · . • . . . . filho 0 edema ya1 esaparecer.
u médico. Assun gue voce tiver seu , .
pressão arterial vai ser medida durante roda a gravidez e durante 0 par- se . l liqu1ºdos da dieta · pelo contrar10, coma adequadamen-
Nào ru:e o sa e os ' ' . . ·
to. Uma pequena eleYação é comum no final da gravidez, mas se a pres- ita roteína frutas frescas, vegetais e grãos mtcgra1s. s.e o mchaço
são diastólica aumentar cm 15 ou mais, você passa a ter pressão alta, ou te: mu . , p d 'ntào pode ser um sintorna de pré-eclâmps1a (ver Pres-
for muito gran e e '
hipertensão. Não implica necessariamente, mas pode ser um sintoma de
são .Arterial). . . d. · ·.
pré eclâmpsia ou toxemia, gue é uma complicação possível da gravidez. .. • . d . . , . . Il nº4· isso vai ajudar a unmutr o
Faca a Sequencia e exernc1os ' ' . . l
Os sintomas da pré-eclâmpsia, na sua forma leve, são: aumento da
edema., Pode fazer várias vezes ao d.rn e pon 1la os• pés• para
'
cima quanc o
pressão sangüínea, edema (inchaço) e perda de proteína pela urina. Se
estiver descansando (ver Capítulo 3).
você tiver toxcmia então é mais seguro ter seu bebê no hospital. 1\lgu-
mas \'ezes com repouso e dieta adequada as formas leves apresentam Sr\NGRAMENTO ,, • .
melhora. Estudos recentes revelam que não é indicada a retirada do sal, Podem ocorrer pequenos sangramentos_ ou "manchas , nos tres pn-•
mas sim acrescentar mais proteína na alimentação. A particularidade . ses de gravidez que podem acontecer na época em que voce
metros me. ' , . . blema. No
agui é que você pode não sentir nada diferente, mas estar precisando de . ·íodos menstruais. Isso nao chega a ser um pro
atenção médica. teria seus per . adem indicar a possibilidade de
entanto, con-10 sangramentos sempre p . . odo
Nos dias de hoje é muito raro uma pré-eclâmpsia evoluir para .
um problema na gravt ,, ·dez é melhor fazer repouso na cama,
. parar
· t
eclâmpsia. Os sintomas são cefaléia, tontura, irritabilidade, náuseas, al- .
ti o de exercício e entrar em con a t to com seu
. tTtédico imediatamente.
- - . .
terações visuais e dor na parte superior do ventre. P "
Um sangrarnento pequeno ou mane la. l s" geralmente
,
nao sao
, .·
n1011vo
, -

A perda de proteína pela urina .pode ser um sinal de insuficiência - . S você tiver um sangramento seno, e inc
P ara grandes preocupaçoes. e . d 1 d
· t - e se dettar e a o.
placentária e pode resultar em um parto prematuro ou alguma deprivação lhor não realizar nenhum tipo de mov1men ·açao
para o bebê, motivo pelo c1ual os especialistas preferem indu:úr o parto Existem .
' medicamentos llomeop,áticos e remédios à base de ervas que
guando a pré-eclâmpsia é persistente. podem ajudar- nessas situações.
Algumas vezes a hipertensão está relacionada com estresse emocio-
SEXO DURANTE A GRAVIDEZ, ver Orgasmo.
nal, mas não necessariamente. Existem alguns medicamentos homeo-
páticos e fitoterápicos guc podem trazer alguma melhora nos quadros SOFRIMENTO FETAL . • . . . a a . 1-
de hipertensão. Significa que o bebê nào está recebendo oxigent~ suficiente e gera
Se você estiver de repouso no leito é bom se levantar algumas vezes .
mente llllp lica, na' ocorrência dos segumtes smtomas . .
por dia e fazer alguns exercícios baseados em yoga por meia hora e . f 1 oracào
bebê entra em sofrimento eta seu c , , bate mais
,
depois voltar para a cama. Isso ajuda a exercitar o corpo e a manter a 1. Q uan d o um . ·d d antem
lentamente ou mais rápido que a faDrn de normali a e e se m, .
moral alta, enquanto possivelmente reduz sua pressão arterial.
'.!99
298
nesse
. patamar, sendo o limite de normalidade entre l?O
- e 1 60 SUTURA, ver Pontos.
batunentos por minuto.
2. Quando há privação de oxigênio para o bebê durante o trabalho d TOQUES VAGINAIS, ver Capítulo 10.
parto há ,uma tendência de, relaxar
. o esfíncter anal , com a' pa ssageine
VARIZES
do conteudo do reto (meco1110) para o líquido amniótico, deixando-o
O n. 4 da seqüência de exercícios 11, "pernas abertas na parede",
de coloração marrom ou esverdeada. Um líquido meconial não é
ajuda o retorno do sangue para a parte superior do corpo. Exercite-s e
sempre indicativo de sofrimento fetal, mas, conjuntamente com a
duas vezes por dia durante 10 minutos cada vez. Quando for ficar de
variação do batimento cardíaco, é grande a possibilidade de estar
cócoras, use um banquinho. Sempre que puder coloque seus pés para
acontec~ndo algum tipo de perturbação para o bebê. Se 0 bebê aspi-
cima. Todos os exercícios recomendados neste livro são bons e ajudam
rar mecomo para os pulmões, isso pode causar uma congestão pul-
a melhorar a circulação. Pomada de confrei ajuda a melhorar quando
monar e conseqüentemente algum problema respiratório.
aplicada localmente. Evite ficar em pé por períodos prolongados e
Não é necessário romper a bolsa para ver se o liquido está tingido de
sente-se em um banquinho sempre que puder quando estiver desenvol-
mecônio ou não.
vendo atividades de cuidados da casa. Meias elásticas costumam ajudar.
Algumas causas de sqfrimento fetal Evite os exercícios que causam alguma dor.
• Compressão dos grandes vasos abdominais (que ocorre na p osição
deitada) .
• Trabalho de parto prolongado.
• Indução de trabalho de parto prematura.
• Excesso de analgésicos como Dolantina, que deprime o sistema nervo-
so da mãe, diminuindo a quantidade de sangue que chega e sai do
bebê.
• Patologia placentária.
• Prolapso, estrangulamento ou compressão do cordão.
• Diabetes ou toxemia da mãe.
Maneiras de evitar ou aliviar o Sf!/Íimento f etal
a. Manter a mãe ativa e em pé durante o trabalho de parto.
b. Se o coração do bebê estiver variando, experimente mudar para uma
posição vertical ou ficar de joelhos.
e. Se o sofrimento fetal acontecer no período expulsivo, a melhor e mais
r~pida maneira de a criança nascer é com a mãe ficando na posição de
cocoras sustenta da.
d. Se o seu bebê entrar em sofrimento fetal, pode ser necessário lancar
mão de fórceps, ventosa, ou de uma episiotomia e até mesmo de u~a
operação cesariana.
30 1
300
Manifesto do Parto Ativo articulação coxofemoral, ou seja, o ângulo agudo que se forma quan-
1. Todos os partos que acontecem com liberdade são acompanha- do o joelho se aproxima da caixa torácica (de cócoras) e que abre a
dos de uma importante movimentação da mulher: ela caminha, fica em pelve, sendo a posição onde os diâmetros da pelve alcançam sua aber-
pé, de cócoras, de joelhos, deitada, e se movimenta livremente para en- tura máxima. Na posição horizontal o peso do corpo repousando so-
contrar as posições mais apropriadas e confortáveis. Não existe a me- bre o sacro acaba limitando-o ao máximo, perdendo aproximadamen-
lhor posição para um parto natural quando a gestante segue seus própn- te 30% da mobilidade possível, comparando-se com a posição de có-
os instintos, pois o parto sendo ativo implica uma sucessão de \·ánas coras.
posições, e não um estado passivo de imobilidade como é habitual. • Ficar deitada de costas sem nenhuma flexão do tronco implica que a
2. As estatísticas revelam que, nos dias de hoje, em todas as partes do disposição do Útero desafie a força da gravidade. É claramente mais
mundo, a maioria das mulheres tem seus filhos em alguma posição ver- fácil para qualquer objeto cair em direção à Terra do que deslizar em
tical ou agachada, geralmente com outra pessoa segurando-a. Não im- uma superfície paralela à mesma (Lei da Gravidade de Newton). É
porta a raça ou a tribo: africanas, americanas, asiáticas, e assim por dian- mais vantajoso fazer um bebê nascer descendo em direção à Terra do
te, em todas predominam sempre as posições verticais. As mulhcn:s que empurrá-lo na linha horizontal, o que desperdiça energia e esfor-
primitivas são espontâneas e naturais. Historiadores confirmam total- cas
.. '
orio-inando
o-
uma dor desnecessária e aumentan<lo a duracào..
do
mente a evidência dos etnologistas, que afirmam que as posições verri- trabalho de parto.
cais sempre prevaleceram desde as mais remotas épocas. • Na posição deitada o parto acontece com uma distensão desigual do
3. A maioria das mulheres ocidentais é confinada em hospitais na tecido perineal às custas da porção posterior, o que determina um
posição recumbente. Essa prática é desnecessária e ilógica. Em decor- aumento do risco de rotura perineal e de uma episiotomia, e certa-
rência dessa venda nos olhos, o parto nos hospitais modernos se torna mente aumenta o sofrimento e a dor.
cada vez mais caro e complicado, transformando um processo total- 5. As mudanças de posição são mais importantes que ficar em uma
mente natural em um ato médico, uma parturiente em uma paciente. única, considerada a melhor, posição durante o trabalho de parto. En-
Nenhuma outra espécie adota essa posição desvantajosa em um mo- tretanto, a posição de cócoras é a que mais se aproxima das leis da natu-
mento tão crucial. reza e é conhecida como a posição fisiológica . Uma posição de parto é
4. Estudos revelam desvantagens no uso da posição recumbente no fisiologicamente eficiente:
momento do parto: • quando não há compressão dos vasos abdominais;
• A única posição que determina a compressão dos grandes vasos abdo- • quando a pelve tem total possibilidade de movimento; e
minais contra a coluna vertical é o decúbito dorsal (de costas); a com- • quando o corpo trabalha de acordo com a lei da gravidade .
pressão da grande artéria do coração (aorta descendente) pode le\'ar .A posição de cócoras sustentada é especialmente eficaz nos momen-
ao sofrimento fetal por impedir o sangue de chegar à placenta e ao tos finais do parto.
útero. A compressão da grande veia que traz o sangue de volta ao Essa posição determina:
coração (cava inferior) bloqueia o retorno venoso e contribui para a • o aumento máximo da pressão intrapélvica;
hipotensão e outros problemas circulatórios. • um mínimo esforço muscular;
• r\ posição recumbente não tira nenhum proveito da mobilidade da • um relaxamento ótimo do períneo; e
musculatura pélvica. Ignora a vantagem da flexão dos joelhos e da • ótima oxigenação fetal.

302 303
Na posição de cócoras a entrada da cabeça do bebê ou d nal, como um "cabo de guerra": de um lado, instinto; do outro, habilida-
' a pane gu
se apresenta, dentro da pelve materna é mais fácil há u f ·li _ e de. Existe um jeito para fazer a maioria das coisas e o parto não é uma
- , ma aci tac;ao da
pressao gue a cabeça exerce sobre o colo uterino e a desci.d d exceção. Acreditamos que esse equilíbrio entre habilidade e força deve
, . , . · a entro d0
canal pelv1co e mais tranqüila devido ao estreito superior ter s b ser recuperado, aumentando-se a habilidade e a força de quem dá à luz
. . . ua a ertu-
ra direcionada para a frente e o estreito inferior, para baixo. _a mãe.
6. r\creditamos, conforme sugestão de inúmeros estudos n . . 9. Baseando-se nos resultados das pesquisas, em diversos estudos
- os u1a-
mos 50 anos, gue quando o parto é ativo temos as seguintes "a atualizados e no instinto ancestral é possível prever que certas mudan-
• _ , . •' n tagens:
nao ha quebra do ritmo natural e da continuidade do parto; ças relacionadas ao trabalho de parto e às posições de parto são inevitá-
• as contrações uterinas são mais fortes regulares e mais fr· ·· veis na condução do parto e na preparação das gestantes. A futura mãe
. _ ' ' · eguentes·
• a dilataçao, ou abertura, da cérvix (colo do útero) é mais fácil· ' precisa não somente de conhecimento sobre gravidez e parto, sobre
• é possível um relaxamento mais completo entre as contraco'e · ' · crescimento e desenvolvimento dos bebês, mas também de preparação
. . ' , s, pois
a pressao intrauterina é significativamente mais elevada: e fisica adequada. Precisa conhecer o que acontece com o corpo quando
• os períodos de dilatação e de expulsão são mais curtos. se explora as várias posições verticais e a se acostumar com a tranqüili-
Alguns estudos comparativos revelaram ser 40% menor 0 tempo do dade e o conforto que elas proporcionam para ficar capaz de, ativa e
grupo que permanecia na vertical: eficientemente, ajudar-se quando for dar à luz ao seu filho. Pode tam-
• o conforto da mãe é maior, e a dor e o estresse são menores· bém tirar grande proveito do treinamento de aprender a aquietar a men-
• portanto, a necessidade de analgesia é menor; ' te, a ir mais a fundo no contato com o seu eu interior e como potencial
• melhores condições dos recém-nascidos; e profundo instintivo de dar à luz.
• as mulheres que dão à luz se sentem mais participantes no contro- 10. Finalmente, não há dúvidas, para todas as mulheres que tiveram
le dos seus partos e com maior freqüência vivenciam 0 parto como um Parto 1\tivo ou para quem assistiu muitos partos ativos e passivos, de
uma experiência maravilhosa e gratificante. que o Parto Ativo é mais fácil, mais seguro e mais recompensador tanto
7. Depois de um Parto Ativo a màe sente que ela deu à luz em vez de para a màe como para o bebê. O modo como uma criança vem ao
sentir que o bebê foi extraído dela. Mãe e filho sentem-se totalmente mundo influência sua vida e qualquer melhora na experiência do parto
participantes e estão ambos alertas, saudáveis e sem nenhum meclica- contribui para um mundo melhor. Geralmente entendemos um parto
mento guando se encontram face a face. Isso inevitavelmente resulta natural como aquele onde não se usa drogas ou medicamentos; assim
em um ótimo estabelecin1ento da relação mãe-filho: sendo, um Parto AtiYo, no sentido pleno do termo, é um verdadeiro
8. Assim como uma celebração familiar, o parto de uma crianca é um parto natural.
acontecimento crucial e incerto, envolvendo um suspense qu;nto ao
que vai acontecer. A capacidade de dar à luz e de guem faz 0 parto é
valorizada em todas as sociedades. Acreditamos que no mundo moder-
no oCJdental a habilidade de quem faz o parto por meio da tecnologia
sob.repujou totalmente a habilidade de parir das mulheres, de modo que
muitas mulheres perderam a "manha" de dar à luz.
O parto, na vida de qualquer mulher, é um acontecimento excepcw-

30-1 30')
O Parto At/vo no Braú/
O Movimento Parto Ativo Brasil nasceu a partir da primeira visita
Em nosso País é pouca a mobilização das pessoas no sentido de se unir e
discutir sobre o parto e fazer reivindicações. Na Europa isso acontece com maior de Janet Balaskas ao nosso país, em 2011, apesar do seu livro e t.rabalho
freqüência; lá, as pessoas reivindicam mais seus direitos, exigem explicaçôes e não internacional pela causa do PARTO ATIVO serem conhecidos no
aceitam as coisas somente porque "são assim". Isso não quer dizer que, em Terras Brasil há mais de 20 anos.
Tupiniquins, há menos interesse no parto que dê mais liberdade à mulher que dá Quando da sua visita, além das palestras (em Curitiba e São Paulo),
à luz. Ele acontece, um pouco pela solicitação de alguns casais e outro tanto pela
ousadia de alguns médicos, mas não como um fenômeno social.
workshops para casais grávidos e contatos com a imprensa, aconteceu
Se você está realmente interessada em um PARTO ATIVO, comece com apre- a primeira edição do 1ódulo 1 da formação em Parto ~.tivo. Pessoas
paração. Existem várias opções: na maioria das cidades brasileiras há profissionais de todo o Brasil se encontraram em cada uma destas atividades, reno-
que desenvolvem grupos de "preparação para o parto", onde geralmente se faz vando a vontade de transformar o nascimento e o parto.
ginástica e acontecem discussões sobre as questões da gravidez, treino de respiraçôes,
A importância dos eventos com Janet Balaskas no Brasil é total-
etc. Algumas escolas de natação possuem grupos especiais para gestantes e algumas
escolas de yoga oferecem grupos para grávidas. Alguns colegas médicos oferecem mente relevante. Sua presença ajuda a disseminar com maturidade
palestras para suas pacientes. Este livro oferece também a possibilidade de você se um conhecimento ancestral feminino, reconhecido nos resultados de
preparar, sozinha ou em grupo, para um PARTO ATIVO. pesquisas científicas e no corpo de cada mulher.
Infelizmente não são muitos o hospitais onde a prática de uma obstetrícia O Parto Ativo é simples e natural; é a tradução de um lindo pro-
menos ortodoxa é permitida, e onde haja maior liberdade para a mulher que dá
à luz assumir outras posições que não a tradicional. Talvez você tenha que se
cesso fisiológico feito para funcionar. Por outro lado, é um conceito
informar sobre quais os lugares mais convenientes, ou, quem sabe, tenha que revolucionário, que inevitavelmente conduz a reflexões e questiona-
"batalhar" um pouquinho para conseguir. Outra questão importante é discutir mentos acerca de tudo o que diz respeito à experiência parir/ nascer.
com seu médico como seu parto poderia ser. Estudar o nascimento, através de seus inúmeros aspectos, não deixa de
Nos últimos anos alguns obstetras iniciaram trabalhos em suas localidades, que,
ser filosófico, e uma trilha no autoconhecimento e no conhecimento
além de conscientizar as pessoas, também abriram espaço para a nova geração de
médicos que está ampliando esse trabalho. Não podemos deLxar de lembrar o nome sobre o ser humano.
do Dr. Galba Araújo, que oferecia a possibilidade do parto vertical no SerYiço Precisamos nos ocupar deste tema. Cuidar e respeitar tudo o que
de Obstetrícia da Maternidade da Universidade Federal do Ceará, assim como o envolve o nascer. Todos nós temos este registro profundamente mar-
trabalho pioneiro dos drs. 1Ioysés e Cláudio Paciornik que, na década de 19...,0, cado em nosso ser - mesmo que a memória pareça ter se esquecido
no Paraná, difundiram a posição de cócoras para o parto tanto no Brasil como no
Exterior, escrevendo livros e apresentando o assunto em inúmeros congressos. daquele evento tão longínquo. . .
a década de 1980 começaram a acontecer alguns partos domiciliares, corno Os resultados das pesquisas recentes só reforçam ainda mais os
opção viáYel para um parto mais natural e participativo, mas restritos às grandes conceitos do Parto Ativo. o entanto, sabemos como é difícil alterar
cidades. Vale a pena obserYar que em muitos lugares onde não há uma atenção as condições de atendimento às gestantes e suas familias. Assistimos
médica especializada, nos recônditos deste Brasil, o parto ainda acontece em am-
serviços que tentam perpetuar práticas já comprovadamente obsoletas
biente domiciliar. Mas mesmo nas grandes cidades alguns casais preferem o parto
não-hospitalar porque os hospitais normalmente não permitem a concretização do e prejudiciais e mulheres que se. sentem num beco ~em s,aída: vivencian-
parto nos moldes das expectativas desses casais. do experiências de parto descritas por elas como hornve1s , e presas a
Adailton S. Meira uma assistência que - sem que elas saibam - contribui enormemente
,\Iédico homeopata, ginecologista e obstetra,
para esta percepção.
com expen"éncia em medicina chinesa e amp11nt11m
www.salvatoremeira.com.br
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l\fesmo assim, é com alegria que constatamos uma virada. El Quando morei em Londres, estudei e trabalhei com Janet e sua
ainda é quase imperceptível - considerando-se o quadro geral m ª equipe, formada pelas excelentes profission~is Alice Ch~rlwood e
é real! Bem real! ' as Lynn Murphy, e tive a chance de aprender muito. N~~~ela epoca, en-
i\IulheAres que desbravam caminhos, apropriando-se de sua gravidez tre os anos 2000 a 2004, já vislumbrávamos a possibilidade de Janet
e. seu bebe e exercem o seu poder de escolha olhando para o interior de vir ao Brasil. Afinal, tal sonho se realizou. Ela veio, adorou o Brasil e
si mesmas; profissionais que se apaixonam pelo assunto, despertando as pessoas, sentiu-se acolhida e à vontade. Sentiu também ur;n~ força
sua atenção e consciência para o milagre que se desenrola ante seus entre os profissionais, e disse que este é um momento propicio par.a
olhos. Como ficar imune diante de uma mulher livre, empoderada, mudanças. Janet está disposta a investir seu tempo e seu amor ao nasci-
sensual, na 'dança' de seu trabalho de parto, com os cântigos fones mento em prol do nosso país. A partir daí, idéias para nossos projetos
vindo de seu ventre e materializados em sons selvagens, que preparam foram brotando. Uma delas se transformou no ciclo de módulos para
o corpo para liberar o bebê para o mundo? Como não perceber a be- profissionais. ão apenas um módulo, mas agora três.
leza divina da chegada de um bebê, descendo pela pélvis de sua mãe
conduzido por ela mesma, sem pressa, críticas ou imposições? Vê-lc~ Sendo assim, Parto Ativo Brasil tem por objetivo criar uma rede
emergir, no milagre da existência, de dentro do corpo da mulher que de profissionais de todo o país, formados em Parto Ativo. .
o acolheu por nove meses? Buscamos conectar profissionais e familias através de nosso site -
E depois, quando o tempo parece parar, o primeiro encontro. Sem www.partoativobrasil.com.br; promover cursos e palestras e.divulgar
intermediários, mãe e bebê se encontram. A pele, o colo, a força do o documento" Ianifesto pelo Parto Ativo", entre outros projetos que
bebê e a transformação da mãe. Agora juntos em um novo formato, serão anunciados gradualmente no site.
e em paz e respeito, se apai.xonam e se descobrem, pouco a pouco.
Desejamos que esta iniciativa seja uma base sólida para todas as
Cada um atravessou um portal para uma nova dimensão, totalmente
pessoas que trabalham com PARTO ATIVO, e uma opção cada vez
diferente da anterior. Eles se olham nos olhos, choram, sorriem, e
mais real e concreta para as mulheres de todo o país.
formam um dnculo que não se rompe mais. A mulher dá a vida a seu
filho, se doa por ele, pois agora estão num círculo mágico.

Com muito carinho,

Vin:nciar o nascimento dentro da lógica do Parto Ativo Talia Gevaerd de Souza


ii~iológICo, sagrado e line - mesmo que ele não ocorr; Diretora do Parto Ativo Brasil
e.·atamente como planejado, e mesmo que inten-enções Psicóloga (CRP08 / 153 71) para gravide:zi parto epós parto
se;am nt.:cec;sárias - significa mudar o mundo! Significa Instrutora de 1óga e Pa1to A tivopré ep ós natal
contribull" para bebês e crianças calmas, lines, saud~\·eis e Do11la
fdizes; adultos fortes e bem resoh·i<los emocionalmente.
::iigrn ti ca paz.

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