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GRUPO DE TRABALHO 1

Projeto de irrigação
por autopropelido
tracionado por
mangueira
Cultura do Algodão

Ariel M. Toso
Danilo S. Taba
Diego R. F. Araújo
Fernando Guerra
Guilherme D. Siviero
Marcela M. Pereira
Ricardo G. Braga
Rodrigo S. B. Magalhães
Irrigação e Drenagem – Prof. Dr. José Geanini Peres
Projeto de Irrigação do Algodão – Grupo 1
2º Semestre de 2008

26/11/2008

Conteúdo

1. Introdução................................................................................................................4
1.1 A cultura do algodão.......................................................................................4
1.1.1 História........................................................................................................4
1.1.2 Importância econômica............................................................................5
1.1.3 Botânica......................................................................................................7
1.1.4 Clima e solo...............................................................................................8
1.1.5 Variedades...............................................................................................10
1.1.6 Adubação da cultura...............................................................................11
1.2. Irrigação..............................................................................................................14
1.2.1 Água..............................................................................................................14
1.3 Irrigação...............................................................................................................15
1.3.1 Evapotranspiração......................................................................................16
1.3.2 Função de produção água-cultura...........................................................17
1.3.3 Quando irrigar.............................................................................................18
1.3.4 Métodos de irrigação..................................................................................19
1.3.5 Irrigação do algodoeiro..............................................................................24
2. Projeto....................................................................................................................26
2.1 Objetivo................................................................................................................26
2.2 Informações para a elaboração do projeto....................................................26
2.2.1 Coeficiente de cultura (Kc)........................................................................26
2.2.2 Fator de aproveitamento de água no solo (f).........................................27
2.2.3 Eficiência de irrigação................................................................................27
2.3 Necessidades de água à irrigação da cultura do algodoeiro (NAC)..........27
2.4 Evapotranspiração de referência padrão grama (ET 0)................................28
2.5 Evapotranspiração potencial da cultura do algodoeiro (ET c)......................28
2.6 Precipitação pluvial efetiva (Pef).......................................................................30
2.7 Necessidade de água de irrigação do algodoeiro (NAI)..............................34
2.8 Dimensionamento do projeto de irrigação.....................................................34
2.8.1 Cálculo da lâmina líquida de irrigação (LLI)...........................................36
2.8.2 Cálculo da freqüência de irrigação ou turno de rega (Tr)....................37
2.8.3 Cálculo da lâmina liquida de irrigação corrigida (LLIc).........................38
2.8.4 Cálculo da lâmina bruta de irrigação (LBI).............................................38
2.8.5 Cálculo da vazão de projeto necessária à irrigação do Algodoeiro (Q)
.................................................................................................................................39
2.8.6 Seleção do modelo de autopropelido e do aspersor para o projeto...39
2.8.7 Largura da faixa de irrigação (Lf).............................................................40
2.8.8 Comprimento da faixa de irrigação (Cf)..................................................42
2.8.9 Área irrigada por faixa de irrigação (Aif).................................................42
2.8.10 Velocidade de descolamento do aspersor (Vd)...................................43
2.8.11 Intensidade média da precipitação do aspersor (Ip)...........................44
2.8.12 Tempo gasto na irrigação de uniformização da lâmina de irrigação
no início da faixa (Tif)............................................................................................44

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2.8.13 Tempo de percurso gasto pelo aspersor para percorrer uma


distância equivalente ao dobro do comprimento da mangueira do
equipamento (Tp).................................................................................................45
2.8.14 Tempo de irrigação por posição do autopropelido tracionado pela
mangueira (TATPM)..................................................................................................46
2.8.15 Número de faixas irrigadas durante um turno de rega (Nif)..............47
2.8.16 Área dimensionada de irrigação no projeto (Ad).................................47
2.9 Leiaute do projeto..............................................................................................48
2.10 Dimensionamento hidráulico do projeto.......................................................48
2.10.1 Dimensionamento da tubulação principal.............................................48
2.11 Perda-de-carga na mangueira do autopropelido........................................50
2.13 Perda de carga na turbina do autopropelido (h ft)........................................52
2.14 Dimensionamento do conjunto de motobomba..........................................52
2.15 Lista de Material...............................................................................................55
3. Conclusão..................................................................................................................55
4. Bibliografia.................................................................................................................56
Anexos..............................................................................................................................60

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1. Introdução

1.1 A cultura do algodão

1.1.1 História

O algodoeiro é uma das fibras vegetais mais antigas do mundo. As


primeiras referências registram seu cultivo alguns séculos antes de Cristo
(RICHETTI; MELO FILHO, 2001). Atualmente existem mais de 50 espécies do
gênero Gossypium, mas apenas quatro são cultivadas, isto é, domesticadas.
Acredita-se que as principais espécies cultivadas, a G. hirsutum L. e a G.
barbadense L., descendem de um ancestral comum que se originou no
Continente Africano, classificado como Gossypium herbaceum africanum. A
domesticação ocorreu no sul da Arábia, onde a raça acerifolium surgiu
(BELTRÃO; ARAÚJO, 2004). No Brasil, pouco se sabe sobre a história dessa
malvácea (RICHETTI; MELO FILHO, 2001).

Segundo Richetti e Melo Filho (2001) o algodão é um dos produtos de


maior importância econômica do grupo das fibras, pelo volume e valor da
produção. Seu cultivo também é de grande importância social, pelo número de
empregos que gera direta ou indiretamente.

Do algodão quase tudo se é aproveitado, principalmente a semente e a


fibra. A semente (caroço) representa aproximadamente 65% do peso da
produção e a fibra, 35% (RICHETTI; MELO FILHO, 2001). O algodoeiro não é
somente uma planta fibrosa e oleaginosa, mas também, produtora de proteína
de qualidade, podendo funcionar como suplemento protéico na alimentação
animal e humana (EMBRAPA, 2003).

A fibra, principal produto do algodão, possui varias aplicações


industriais, dentre as quais pode se citar: confecção de tecidos para a
tecelagem de vários tipos de tecidos, preparação de algodão hidrófilo para
enfermagem, confecção de feltro, cobertores e estofamentos, obtenção de
celulose, películas fotográficas, chapas para radiografia e outros segundo
Corrêa (1989) citado por Richetti e Melo Filho (2001).

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1.1.2 Importância econômica

1.1.2.1 Panorama mundial

A cotonicultura está concentrada basicamente em sete países, por


ordem de importância: China, Estados Unidos, Índia, Paquistão, Usbequistão,
Brasil e Turquia, os quais responderam por 77%, em média, do volume mundial
de 19,2 milhões de toneladas, no período de 1996/97 a 2000/01. O Brasil só
recentemente retornou ao rol dos maiores produtores, já que sua participação
evoluiu de 1,4% para 4,5% entre os extremos do período. Os quatro países
maiores produtores também foram os principais consumidores, ao responder
por 59% das 19,4 milhões de toneladas demandadas ao longo desse tempo
(BARBOSA & NOGUEIRA Jr, 2001).

Dentre os principais países exportadores, destacam-se os Estados


Unidos com 1.470 mil toneladas, seguidos do Uzbequistão e África Zona
franca, com 893 mil toneladas e 792 mil toneladas respectivamente segundo
Richetti e Melo Filho (2001). Sendo que os principais países importadores são
pela ordem: Ásia S.E. com 1.046 mil toneladas, União Européia com 881 mil
toneladas e Turquia com 523 mil toneladas (RICHETTI & MELO FILHO, 2001).

Nos dias atuais os campos de cotonicultura dos Estados Unidos


apresentam produção superior a 770 kg/ha. No Mississipi a produção está em
aproximadamente 880 kg/ha, dependendo do clima. Já na Califórnia os valores
estão próximos de 1250 kg/ha (THOMPSON, 1999).

Muitas das técnicas desenvolvidas para o aumento de produção do


algodão foram desenvolvidas nos Estados Unidos. Nem todas são aplicáveis
no Brasil até o presente momento, mas poderão ser utilizadas no futuro
(THOMPSON, 1999).

1.1.2.2 Panorama nacional

No Brasil, a cultura do algodão vem apresentando uma redução de área


desde 1985. De 2,25 milhões de hectares e uma produção de 2,67 milhões de
toneladas em 1985, passou para 0,81 milhões de hectares e produção de 1,91
milhões de toneladas em 2000, isso segundo Richetti e Melo Filho (2001) e

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segundo Carvalho e Chiavegato (1999) as safras de 1997/98 e 1998/99 do


algodoeiro se verificou uma redução de 20,8% na área plantada, passando de
879,7 mil hectares para os atuais 696,7 mil hectares. Dentre os estados
produtores, apenas Mato Grosso, Paraíba e Ceará apresentam acréscimo de
área: 85%, 57% e 50%, respectivamente. Nos demais estados ocorreu redução
de área em níveis diferentes (CARVALHO; CHIAVEGATO, 1999).

Apesar da redução de área plantada, a produção brasileira de algodão


em pluma cresceu 27,9% e a de algodão em caroço 22,7%. Devido às
condições climáticas favoráveis em quase todas as regiões produtoras do país,
e às tecnologias adotadas pelos cotonicultores, verificou-se um significativo
ganho de produtividade de 61,5%, passando de 1.335 kg/ha para 2.156 kg/ha
(CARVALHO; CHIAVEGATO, 1999).

Até 1997, a produção de algodão concentrava-se Regiões Sul, Sudeste


e Nordeste. Mas, a partir de 1998, aumentou significativamente a participação
da Região Centro-Oeste principalmente os estados de Mato Grosso e Goiás.
Nos estados de São Paulo e Paraná, tradicionais produtores de algodão
herbáceo a produção teve uma queda acentuada durante o período de 1985 a
1997, mantendo-se estável nas safras subseqüentes Richetti e Melo Filho
(2001). Sendo dividida a cultura do algodoeiro em duas regiões distintas: região
meridional (Centro-Sul/Oeste) compreendendo os Estados de São Paulo, Mato
Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e Sul da Bahia,
predominando o algodão anual ou herbáceo, onde se obtém as maiores
produtividades; e região setentrional que engloba os Estados produtores do
Norte e do Nordeste, onde são cultivados tanto o algodoeiro herbáceo como o
arbóreo (CARVALHO; CHIAVEGATO, 1999).

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Fonte: IBGE.

O primeiro prognóstico da produção de algodão em caroço é da ordem


de 3,6 milhões de toneladas, contra 4,0 milhões de toneladas obtidas em 2008,
indicando uma redução de 10,7%. Este decréscimo de produção se deve,
basicamente, à retração da área cultivada, como conseqüência do desestímulo
dos produtores em cultivarem o produto em face dos altos preços dos insumos
e da queda das cotações da pluma. Todas as Unidades da Federação
registraram quedas sendo que o Mato Grosso, principal produtor, que participa
com 51,9% da produção nacional, registrou diminuições de 11,8% na área a
ser colhida e de 11,1% na produção esperada (IBGE; 2008).

1.1.3 Botânica

O algodoeiro é uma dicotiledônea, da família das malváceas. O gênero


Gossypium, ao qual pertence, é bastante variado e segundo Fryxell (1984)
citado por Fuzatto (1999) conta com 39 espécies. Esse germoplasma pode ser
dividido em duas categorias, pelo menos de três modos: a) espécies selvagens
e espécies cultivadas; b) espécies diplóides (2n=26) e espécies tetraplóides
(2n=52); espécies produtoras e espécies não produtoras de fibra fiável
(FUZATTO, 1999). O algodoeiro herbáceo (Gossypium hirsutum L. raça
latifolium Hutch.) é um dos fitossistemas de maior complexidade que a

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natureza criou tendo habito de crescimento indeterminado apresentando pelo


menos dois tipos de ramificação (monopodiais e simpodiais), dois tipos de
folhas verdadeiras (dos ramos e dos frutos) e pelo menos duas gemas (axilar e
extra-axilar) situadas na base de cada folha, o que, junto com outros apanágios
morfológicos e fisiológicos conferem a esta planta uma elevada plasticidade
fenotípica, ajustando-se aos mais diversos ambientes de clima e solo
(BELTRÃO; SOUZA, 1999).

As espécies tetraplóides cultivadas, ou algodoeiro do Novo Mundo, são


G. hirsutum e G. barbadense. Esta última, conhecida como algodoeiro Pima,
Egípcio, Tanguis, produtora de fibra longa e de alta qualidade, é cultivada
principalmente no Egito, Sudão, Peru, Estados Unidos e alguns países da
antiga União Soviética. Pouco mais de 5% da produção mundial é devida a
essa espécie. Por outro lado, com distribuição em praticamente todos os
países produtores, a espécie G. hirsutum, conhecida como algodão Upland, é
responsável por mais de 90% da produção mundial (FUZATTO, 1999).

O algodoeiro é considerado uma planta de autofecundação, embora a


taxa de cruzamento natural possa atingir 50% ou mais (FUZATTO, 1999).

1.1.4 Clima e solo

Segundo Abrahão, D’arce & Fonseca (1981) no estado de São Paulo, o


algodão pode ser cultivado em qualquer região, com exceção da “região não
algodoeira”, que compreende todo Vale do Paraíba, o litoral e sul do estado. As
restrições a essa faixa de terra dizem respeito apenas ao clima e ao relevo.
Basicamente existem duas regiões produtoras de algodão no Brasil, que se
diferenciam em especial pela quantidade de chuva recebida durante o período
de cultivo (SILVA, 1999). A região meridional, que abrange parte dos Estados
do Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso e
Goiás, caracteriza-se por apresentar precipitação média anual ao redor de
1.200 mm, com estação seca até certo ponto bem definida. A outra região, que
se estende desde o Ceará e proximidades, passando pelos Estados do
Nordeste, até o norte de Minas Gerais, possui precipitações mais irregulares e

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totalizam soma bem inferior, chegando a alcançar, nas áreas mais interioranas,
menos de 800 mm (SILVA, 1999).

Segundo Abrahão, D’arce e Fonseca (1981) o algodão é uma planta que


se desenvolve bem em condições de temperaturas entre 20 a 30ºC durante
todo o seu ciclo exceto na fase de maturação durante a qual a temperatura
ideal seria entre 20 a 25ºC, podendo a cultura ser conduzida em regiões de
precipitação pluvial anual entre 500 e 1500 mm, já em regiões com precipitação
menor que 200 mm durante a estação, impedem o cultivo sem irrigação.

O solo é apenas um dos componentes de um conjunto complexo de


fatores de produção, destacando-se pelo seu importante papel de fornecer às
plantas suporte físico, água e nutrientes. Portanto, o conhecimento das
características inerentes a cada solo, os chamados fatores edáficos, é
importante para julgar o potencial de produção agrícola (LEPSCH, 1987).

O solo é, depois do clima, o mais importante elemento formador do


ambiente. O algodão se desenvolve muitos tipos de solo, no entanto, melhores
resultados são obtidos naqueles que apresentam características de relevo de
terreno plano a ondulados, isso porque a cotonicultura é uma das culturas que
mais expõem o solo a erosão, portanto a declividade máxima deve ser de 12%,
apresentar grande profundidade mesmo que 96% do sistema radicular da
cultura estejam a uma profundidade de um metro (dos quais mais de 80%
estão distribuídos nos primeiros vinte centímetros), o solo deve ser profundo,
uma vez que a raiz principal pode atingir mais de dois metros. Solos que
apresentem camada impermeável próxima a superfície, não são indicados, pois
podem encharcar, condição não suportada pela planta, isso segundo Abrahão,
D’arce e Fonseca (1981).

Os solos brasileiros são pobres em fósforo, de um modo geral, e o


problema de deficiência se agrava em condições de acidez. A resposta do
algodoeiro, em tal situação, é tão grande que o fósforo se consagrou como o
elemento de produção. Demonstra, no entanto, destacado efeito residual no
solo e sua disponibilidade aumenta com a correção de acidez em certos casos
(SILVA, 2001).

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1.1.5 Variedades

Embora haja diferença devida a variedades e condições ambientais, o


algodoeiro anual inicia seu florescimento com cerca de 50 dias de idade,
mantendo-o até 120 dias. O pico da curva de florescimento ocorre ao redor de
70-80 dias. O pegamento das flores é maior até 30-40 dias de florescimento,
época ideal para os trabalhos de autofecundação e cruzamento (FUZATTO,
1999).

Segundo Fuzatto (1999), dependendo também da variedade e do


ambiente, o tempo médio para estágios fenológicos relativos à reprodução no
algodoeiro é o seguinte:

 Da emergência da plântula aos primeiros botões florais: 30-35 dias;

 Do aparecimento do botão à abertura da flor: 20-25 dias;

 De flor aberta a fruto com tamanho máximo: 25-30 dias;

 De fruto com tamanho máximo à deiscência: 30 dias.

O ciclo do algodoeiro é característica genética, porém, fortemente


influenciado pelo ambiente. Em condições normais, tendo como referência o
tempo necessário para que 90% dos frutos estejam abertos, as variedades
podem ser assim classificadas (FUZATTO, 1999):

 Precoces: cerca de 130 dias;

 Médias: cerca de 140-160 dias;

 Tardias: acima de 170 dias.

1.1.5.1 Cultivar plantado

Cultivar plantado: CNPA ITA 90. Cultivar mais plantada no cerrado


brasileiro e que possui excelente desempenho sob condições irrigadas no
Centro Oeste e Nordeste do Brasil. O rendimento de fibra está em torno de
38%-39%, além de apresentar excelentes características tecnológicas de fibra,
com resistência forte (30,0 gf/tex), comprimento no HVI-SL 2,5% de 30,2 mm,
finura de 4,2 mm a 4,5 mm, refletância de 72% e grau de amarelecimento de

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7,9 e fiabilidade (CSP) entre 2.200 a 2.500 (EMBRAPA, 2008). Possui


resistência moderada a ramulose, ramulariose, estemphilyum e alternaria. É
medianamente susceptível a bacteriose e altamente susceptível a viroses
(doença azul, vermelhão e mosaico comum), devendo-se usar o MIP,
considerando o pulgão como vetor de viroses, ou seja, nunca permitir que a
população de pulgões passe de 10% de plantas infestadas, até os 130 dias do
ciclo, após o qual será permitida a elevação dessa população para 30% de
plantas infestadas por pequenas colônias. Possui ciclo normal sob condições
irrigadas (150 dias). Exige a regulação do porte com reguladores de
crescimento, que devem ser aplicados a partir dos 25 a 30 dias, além de
adubação elevada. Essa cultivar é a mais indicada para produtores altamente
tecnificados e que dispõem de colheitadeiras mecanizadas (Freire; Farias,
2001).

Ciclo do cultivar: 150 dias (plantio em 15 de Outubro e colheita à partir de


13 de Março do ano seguinte).

Espaçamento da cultura: 0,7 a 0,9 m entre fileiras, de acordo com o a


colheitadeira, com seis a dez plantas por metro linear (Embrapa, 2000).

Profundidade efetiva das raízes: em algodoeiro irrigado se observa uma


concentração de 80% do sistema radicular numa profundidade de até 70 cm
(Rosolem et al., 2000).

Altura média das plantas: 1,20 m ( ALGODÃO..., 1985).

1.1.6 Adubação da cultura

1.1.6.1 Adubação de manutenção

O fósforo e potássio podem ser adequadamente recomendados em


função da análise de solo. As tabelas 1 e 2 indicam os níveis de interpretação e
as doses de fósforo e potássio usadas na adubação de manutenção,
respectivamente.

O nitrogênio deve participar em dose mínima (15 a 20 kg de N ha -1) na


adubação básica. Com relação ao enxofre, é conveniente uma aplicação em
dose mínima (20 a 30 kg de S ha -1), no plantio; para tanto, há necessidade de

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uso de adubos nitrogenados e/ou fosfatados que o contenham, na


impossibilidade de ser aplicado na base, o enxofre poderá ser aplicado em
cobertura, juntamente com o nitrogênio, através do uso de sulfato de amônio
(Staut; Kurihara, 2001).

A adubação de manutenção representa, no caso dos micronutrientes


boro e zinco, a forma mais eficiente de fornecimento. As doses de boro, usadas
na adubação do algodoeiro, encontram-se na tabela 3.

TABELA 1. Níveis de interpretação de fósforo (P) e potássio (K) na análise de solo


+
P (Mehlich 1) K trocável
a b
Níveis Argiloso* Arenoso** Argiloso Arenoso
-3 -3
mg dm cmolc dm
Baixo < 0,3 < 5,0 < 0,15 < 0,12
Médio 3,1 - 8,0 5,1 - 11,0 0,16 - 0,40 0,13 - 0,24
Alto > 8,0 > 11,0 > 0,40 > 0,24

Fonte: Costa; Oliveira (1998)


a -1
Para solo com teor de argila superior a 350 g kg
b -1
Para solo com teor de argila inferior a 350 g kg

Em solos arenosos, quando o teor de potássio for inferior a 0,24 cmol c


dm-3, sugere-se aplicar em cobertura 30 kg ha -1 de K2O aos 30-40 dias após a
emergência das plantas, juntamente com a adubação nitrogenada.

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1.1.6.2 Adubação de cobertura

Silva (1999), baseado em resultados experimentais, com aplicações


efetuadas em cobertura aos 30 – 40 dias de idade das plantas, fase de máxima
absorção do nutriente, definiu que uma pequena dose de N deve ser usada no
sulco de semeadura e o restante em cobertura, única ou parcelada,
dependendo da textura do solo, do histórico da gleba, intensidade do uso da
terra e a prática de rotação de culturas, na fase entre o aparecimento do botão
floral e o florescimento (Tabela 4).

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1.2. Irrigação

1.2.1 Água

1.2.1.1 A importância da água na produção vegetal

A água é fator fundamental na produção vegetal. Sua falta ou seu


excesso afetam de maneira decisiva o desenvolvimento das plantas e, devido a
isto, seu manejo racional é um imperativo fundamental na maximização da
produção agrícola (REICHARDT, 1978).

O reservatório desta água é o solo que temporariamente armazena


água, podendo fornecê-la às plantas à medida de suas necessidades. Como a
recarga natural deste reservatório (chuva) é descontínua, o volume disponível
às plantas é variável. Quando as chuvas são excessivas sua capacidade de
armazenamento é superada e grandes perdas podem ocorrer. Estas perdas
podem ser por escorrimento superficial, provocando ainda a erosão do solo ou
por percolação profunda, alcançando assim o lençol freático. Esta água
percolada é perdida do ponto de vista da planta, mas é ganha do ponto de vista
dos aqüíferos subterrâneos (REICHARDT, 1978).

Quando a chuva é esparsa, o solo funciona como um reservatório de


água imprescindível ao desenvolvimento vegetal. O esgotamento deste
reservatório por uma cultura exige sua recarga artificial que é o caso da
irrigação. Devido a estes fatores, o manejo correto da água é ponto
fundamental em uma agricultura racional (REICHARDT, 1978).

Atualmente a disponibilidade de água do solo às plantas é vista de


maneira dinâmica, podendo variar de situação para situação mesmo para o
mesmo solo e a mesma cultura. O conceito baseia-se na mobilidade da água.
Toda vez que o fluxo de água do solo para a raiz é de uma intensidade tal que
supre a demanda de água da planta e da atmosfera, a água é disponível. A
planta entra em déficit de água ou murcha, quando o fluxo deixa de suprir esta
demanda (REICHARDT, 1978).

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1.2.1.2 Fonte de água

A demanda crescente pelos recursos hídricos acentua cada vez mais a


necessidade de manejo criterioso e racional, de modo a assegurar a
integridade, a produtividade, a diversidade e a vitalidade dos sistemas
aquáticos e de suas bacias hidrográficas (BUCKS, 1995; citado por SANTOS et
al., 2005).

As principais fontes de água para irrigação são rios, lagos ou


reservatórios, canais ou tubulações comunitárias e poços profundos.

Vários fatores devem ser considerados na análise da adaptabilidade da


fonte para irrigação, entre os quais a distância da fonte ao campo, a altura em
que a água deve ser bombeada, o volume de água disponível (no caso de lago
ou reservatório), a vazão da fonte no período de demanda de pico da cultura e
a qualidade da água.

1.3 Irrigação

Por irrigação subentende-se a aplicação de água ao solo no qual se


desenvolve agricultura com o objetivo de suplementar a precipitação pluvial,
aumentando, assim o crescimento das plantas, a qualidade do produto e a
produtividade (REICHARDT, 1978).

A irrigação é praticada principalmente em regiões áridas e semi-áridas


porque nesta região a chuva é geralmente insuficiente para o desenvolvimento
do ciclo completo de uma cultura, de tal forma que a produção agrícola ou é
impossível ou é severamente prejudicada sem a aplicação artificial de água. É
comum também em regiões úmidas, a presença de períodos de déficit de água
que limitam drasticamente a produtividade do solo, e, nestes casos a irrigação
suplementar garante a agricultura produtiva (REICHARDT, 1978).

A produtividade e a qualidade das culturas agrícolas aumentaram


sensivelmente nas ultimas décadas, principalmente devido a um preparo
melhor do solo, uso de fertilizantes, melhores variedades, controle de pragas e
moléstias e melhores praticas agrícolas. Como um resultado de todas estas

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melhorias, a água no solo tem se tornado freqüentemente o fator limitante da


produtividade, mesmo em climas considerados úmidos (REICHARDT, 1978).

Apesar das relações água-solo-planta variarem bastante de situação


para situação, todas as culturas apresentam algumas relações comuns
(REICHARDT, 1978):

 Todas as culturas são mais sensíveis ao potencial da água do que


à quantidade de água presente (umidade do solo). Isto acontece
porque para um mesmo potencial diferentes solos possuem
diferentes umidades. Devido a isto, critérios de quando irrigar,
baseia-se em potenciais e não em umidades.

 Nenhuma cultura necessita de irrigação quando o fluxo de água


no solo supre a demanda da evapotranspiração;

 Todas as culturas são mais sensíveis a potenciais baixos (mais


negativos) de água em determinados estágios de crescimento do
que em outros.

Os dois principais parâmetros para estimar a quantidade de irrigação


necessária são a evapotranspiração e a precipitação efetiva. Porém, em áreas
irrigadas de regiões áridas e semi-áridas, faz-se irrigação total, porque nestas a
intensidade da precipitação efetiva é pouco significativa. Já nas regiões úmidas
ou semi-úmidas, quando o cultivo é realizado fora da época das chuvas ou em
“veranicos”, a quantidade de irrigação necessária é baseada exclusivamente na
evapotranspiração (BERNARDO, 1995).

1.3.1 Evapotranspiração

A evapotranspiração é definida como o volume de água evaporada e


transpirada por uma superfície com vegetal, durante um determinado período,
incluindo a evaporação da água do solo, a evaporação da água depositada por
irrigação, chuva ou orvalho na superfície das folhas e a transpiração vegetal.
Este processo necessita de energia para a evaporação da água, portanto,
depende da quantidade de energia solar recebida, da planta, do solo e do
clima; sendo que o clima predominante sobre os demais, de modo que a

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quantidade de água, requerida por uma cultura, varia com a extensão da área
coberta pelo vegetal e com as estações do ano (BERNARDO, 1995).

1.3.2 Função de produção água-cultura

Para quantificar os benefícios econômicos da irrigação, é necessário


saber quantificar o esperado aumento na produtividade em função do aumento
de água aplicada.

A representação gráfica ou matemática desta relação é denominada


função de produção “água-cultura”.

Na Figura 1, tem- se um exemplo clássico de uma função de produção


“água-cultura” (BERNARDO,1995).

Figura 1. Exemplo Típico de Função de Produção “Água – Cultura”.

O objetivo de um bom sistema de irrigação é aplicar a água ao solo de


tal forma que o solo, em todas as partes do campo, seja uniformemente
molhado até a mesma profundidade (REICHARDT, 1978).

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 Vantagens da Irrigação:

 Garantia de produção - com a instalação de um sistema de irrigação


adequado, você não ficará mais na dependência das chuvas.

 Diminuição dos riscos - após todos os investimentos na preparação do


solo, na compra de sementes, na aplicação de corretivos e adubos, você
não correrá o risco de ver tudo perdido por falta de água.

 Colheita na entressafra - a irrigação possibilita obter colheitas fora de


época de safra, o que resulta em remuneração extra e abastecimento
regular do mercado consumidor.

 Aumento de Produtividade - com todos os fatores do processo produtivo,


devidamente equilibrados, o uso da irrigação, além de garantir a
produção, possibilitará, também um aumento dos rendimentos.

 Fertirrigação - possibilita a aplicação de adubo por meio da água de


irrigação, substituindo a adubação convencional por meio de tratores,
reduzindo o consumo de óleo, desgaste de máquina e o emprego de
mão de obra (IRRIGAÇÃO..., 2008).

 Limitação da Irrigação:

 Alto custo inicial

 Falta de mão de obra especializada, o agricultor deve ser orientado para


saber a diferença entre irrigar e molhar (IRRIGAÇÃO..., 2008).

1.3.3 Quando irrigar

A água deve ser aplicada ao solo quando o potencial de sua água ainda
está suficientemente alto, sem expor a planta a uma carência de água que
afeta seu desenvolvimento e quando a condutividade hidráulica do solo ainda é
suficientemente grande para, através da equação de Darcy, atender a
demanda evaporativa da atmosfera. Ela deve ser fornecida em quantidades
certas, evitando perdas, tanto por escoamento superficial como por drenagem

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profunda. Na prática, este critério é geralmente simplificado, atendendo às


condições de cada caso particular (REICHARDT, 1978).

Um excesso de água pode, em determinadas condições, elevar o nível


do lençol freático introduzindo no solo condições de salinidade, forçar as
necessidades de praticas de drenagem ou provocar o processo de erosão pelo
escoamento superficial da água. Estes fatos tornam importante aplicar ao solo
a quantidade exata de água em cada situação (REICHARDT, 1978).

1.3.4 Métodos de irrigação

Método de irrigação é a forma pela qual a água pode ser aplicada às


culturas. Basicamente, são quatro os métodos de irrigação: superfície,
aspersão, localizada e subirrigação. Para cada método, há dois ou mais
sistemas de irrigação que podem ser empregados. A razão pela qual há muitos
tipos de sistemas de irrigação é devido à grande variação de solo, clima,
culturas, disponibilidade de energia e condições socioeconômicas para as
quais o sistema de irrigação deve ser adaptado (REICHARDT, 1978).

A escolha do método de irrigação a ser usado em cada área deve ser


baseada na viabilidade técnica e econômica do projeto e nos seus benefícios
sociais. Em geral, os sistemas de irrigação por superfície são os de menor
custo por unidade de área, os de aspersão de custo médio e os de gotejamento
de maior custo (BERNARDO, 1995).

Na escolha do método de irrigação a ser usado, devem-se considerar os


seguintes pontos:

a) Uniformidade da superfície do solo

A irrigação por superfície requer superfícies uniformes e com declividade


não muito acentuada. Assim, terrenos com declividade acentuada limitam o uso
de irrigação por superfície, permitindo somente irrigação por aspersão e
gotejamento. Para colocar a superfície do terreno em condições de poder
praticar uma eficiente irrigação por superfície, há, em geral, necessidade de
sistematizar o terreno. E quanto maior for à desuniformidade natural do terreno,

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maior será o custo e maiores serão os problemas com a sistematização


(BERNARDO, 1995).

b) Tipo de solo

Deve-se considerar também o tipo de solo da área a ser irrigada. Solos


com baixa capacidade de retenção d’água exigem irrigações leves e
freqüentes, as quais são de difícil manejo na irrigação por superfície e de fácil
manejo na irrigação por aspersão e por gotejamento (BERNARDO, 1995).

Solos com alta capacidade de infiltração facilitam o uso de irrigação por


aspersão e gotejamento, por permitirem irrigações com maior intensidade de
aplicação, diminuindo assim o tempo de irrigação por posição, e dificultam o
uso de irrigação por superfície, por causa das grandes perdas por percolação,
a menos que os sulcos ou as faixas sejam muito curtos (BERNARDO, 1995).

c) Quantidade e qualidade da água

Na prática da irrigação, à longo prazo, a qualidade da água é um dos


fatores mais importantes. Pequenas quantidades de soluto podem, em projetos
de irrigação mal elaborados, transformar lentamente uma área fértil em um solo
salino de baixa produtividade (REICHARDT, 1978).

Águas com muitas partículas sólidas em suspensão têm uso limitado em


microaspersão e gotejamento, a menos que se usem filtros com melhores
características, o que encarece o sistema. Este tipo de água dificilmente causa
problemas na irrigação por superfície, exceto a sedimentação nos canais
(BERNARDO, 1995).

Quando a quantidade de água for limitante ou seu custo for muito


elevado, ela devera ser usada com a máxima eficiência possível (BERNARDO,
1995).

Portanto, a quantidade, a qualidade e o custo da água também influem


na escolha do método de irrigação.

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d) Clima

Em regiões em que a velocidade média dos ventos exceda a 5 m/s, não


deve ser recomendada a irrigação por aspersão, pois haverá muita perda
d’água por arrastamento pelo vento e alteração do perfil de distribuição dos
aspersores, causando baixa uniformidade de distribuição. Em regiões com
baixa umidade relativa do ar e alta temperatura, deve-se, sempre que possível,
evitar o uso irrigação por aspersão, em virtude de grande perda por
evaporação, exceto em regiões onde o resfriamento da cultura também é
objetivo da irrigação (BERNARDO, 1995).

e) Cultura

É muito importante que fique bem claro que não há propriamente um


método de irrigação mais eficiente que outro para quaisquer condições, mas
sim que, para determinada condição, há métodos que se adaptam melhor.
Deve-se, primeiro, estudar bem as características da cultura e da área que se
quer irrigar e depois escolher o método que melhor se adapte a essas
características (BERNARDO, 1995).

Dependendo das condições locais de solo e da cultura a ser irrigada, um


método de irrigação pode ser de mais fácil manejo que outro. Nos métodos por
aspersão e gotejamento, há melhor controle da lâmina aplicada por irrigação
(BERNARDO, 1995).

Os métodos usados para aplicar a água ao solo podem ser divididos em


três grupos, dependendo da forma pela qual a água é distribuída na superfície.
Métodos de aspersão simulam a chuva, pois a água é distribuída às varias
partes do campo por meio de tubulações e depois é pulverizada no ar caindo
no solo na forma de precipitação. Métodos de superfície são aqueles nos quais
a água é distribuída às diferentes partes do campo escorrendo sobre a
superfície do solo. São aplicáveis apenas em casos onde existe uma camada
menos permeável abaixo da zona radicular, que não permita uma drenagem

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profunda excessiva e que estimule o movimento horizontal da água


(REICHARDT, 1978).

1.3.4.1 Métodos de irrigação por aspersão

Analisando especificamente os métodos por aspersão, estes requerem


uma análise detalhada do solo, cultura, topografia e condições climáticas.
Estes métodos se adaptam adequadamente a solos com alta taxa de infiltração
(condutividades hidráulicas) e a solos de topografia ondulada, que dificilmente
possam ser nivelados. A aplicação de água nunca deve ser feita em taxa
superior à taxa de infiltração da água no solo. Para solos arenosos a taxa de
infiltração se torna constante logo depois do inicio da irrigação, tendendo para
Ko. Desta forma, a taxa de aplicação nunca deve ser superior a K o
(REICHARDT, 1978).

Os sistemas de aspersão podem ser permanentes ou móveis. Os


permanentes são fixos, muitas vezes com tubulações subterrâneas para
facilitar o tráfego de máquinas. Os sistemas móveis são os mais comuns,
constituídos de tubulações leves, alumínio ou PVC, de fácil conexão, que
podem ser transportadas com relativa facilidade. Estes sistemas são levados
de uma área para outra, de acordo com um esquema planejado para atender
às necessidades de irrigação da propriedade (REICHARDT, 1978).

1.3.4.2 Autopropelido

No caso de sistema de aspersão por autopropelido, este constitui-se de


um único canhão ou mini canhão que é montado num carrinho, que se desloca
longitudinalmente ao longo da área a ser irrigada. A conexão do carrinho aos
hidrantes da linha principal é feita por mangueira flexível. A propulsão do
carrinho é proporcionada pela própria água. É o sistema que mais consome
energia e apresentava no passado, problemas com a durabilidade da
mangueira. É bastante afetado por vento e produz gotas de água grandes, que
podem prejudicar algumas culturas (BERNARDO, 1995).

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O autopropelido pode possuir dois tipos de agente movimentador,


movimentação por cabo-de-aço e movimentação por carretel enrolador. No
caso do autopropelido com movimentação por carretel enrolador, o
equipamento movimenta-se através do recolhimento da própria mangueira de
condução da água de irrigação, por um carretel enrolador. É o mais utilizado
atualmente, possuindo uma vida útil maior que o outro tipo, pois, a mangueira
já vai sendo enrolada e não se arrasta pelo chão (SISTEMA...,2008).

Na prática, qualquer sistema de irrigação apresenta certo grau de


desuniformidade, resultando em áreas irrigadas com excesso ou com déficit.
No sistema de irrigação autopropelido esta uniformidade de distribuição de
água é influenciada pelo tipo de perfil de distribuição do aspersor, pela
velocidade e direção do vento, pressão de serviço, uniformidade de rotação do
aspersor, altura de elevação do aspersor, diâmetro e tipo de bocal dos
aspersores (ROSA, 1986; citado por Rocha et al., 2005).

De acordo com Addink et al. (1983) citado por Rocha et al. (2005), o
coeficiente de uniformidade de aplicação de água de um equipamento de
irrigação decresce caso a velocidade de deslocamento do carro aspersor ao
longo do carreador não seja constante. Estes autores relatam que na literatura
encontram-se valores extremos de até 60% de variação de velocidade de
deslocamento de autopropelidos. A causa desta variação é atribuída a
variações no diâmetro do carretel enrolador de mangueira e a variações na
velocidade de rotação do mecanismo propulsor.

1.3.4.2.1 Tipos de autopropelido

a) Com movimentação por cabo-de-aço

O equipamento movimenta-se pelo recolhimento de um cabo-de-aço. É


o mais antigo, de menor custo de aquisição, sua principal limitação é a baixa
durabilidade da mangueira. Geralmente necessita de maquinário para
enrolamento da mangueira após a irrigação no local (CIENTEC..., 2008).

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b) Com movimentação por carretel enrolador

O equipamento movimenta-se através do recolhimento da própria


mangueira de condução da água de irrigação, por um carretel enrolador. É o
mais utilizado atualmente, possuindo uma vida útil maior que o outro tipo, pois,
a mangueira já vai sendo enrolada e não se arrasta pelo chão (CIENTEC...,
2008).

1.3.4.2.2 Princípio de funcionamento do autopropelido

A água que é bombeada para a irrigação, movimenta uma turbina, que


aciona um sistema de engrenagens promovendo a movimentação da
plataforma por recolhimento do cabo-de-aço ou da mangueira pelo carretel
enrolador (CIENTEC..., 2008).

É utilizado principalmente para irrigação de pastagens, cana-de-açúcar,


pomares e cafezais.

A principal vantagem do sistema é permitir irrigar várias áreas com


apenas um equipamento e a facilidade de projetar o sistema. As desvantagens
são o excessivo consumo de energia em função de (CIENTEC..., 2008):

 Grande perda de carga para promover a movimentação (acionar a


turbina)

 Alta pressão de serviço do canhão hidráulico.

 Perda de carga promovida pelo grande comprimento da mangueira.

 O maior inconveniente desse tipo de equipamento é a alta intensidade


de aplicação de água (Ia);

 É o campeão nacional de consumo de energia;

 Seu uso tem diminuído no Brasil.

1.3.5 Irrigação do algodoeiro

Na cotonicultura irrigada, o inter-relacionamento do manejo do solo e da


água e a demanda da cultura por uma adequada população de plantas,

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certamente são fatores determinantes para o sucesso na expansão da área


(AL-KHAFAT et al., 1978; FOWLER, 1979; citado por OLIVEIRA et al, 1999). O
manejo inadequado das irrigações é um dos fatores que mais tem limitado o
rendimento do algodoeiro, cujo déficit de umidade no solo (MILLAR, 1976;
GUINN et al., 1981; citado por OLIVEIRA et al, 1999) ou o excesso (LEVIN;
SHMUELI, 1964; BRUCE; ROMKENS, 1965; citado por OLIVEIRA et al, 1999)
pode causar redução significativa no rendimento da cultura.

Procurando minimizar os efeitos nocivos das secas periódicas e da


irregularidade das chuvas sobre o rendimento da cultura, agricultores começam
a mostrar interesse pela exploração da cotonicultura em regime de irrigação.
Uma das vantagens desse cultivo é o curto período de ocupação da área (110
a 150 dias), baixo consumo de água (cerca de 4500 a 6000 m 3 ha-1) e boa
produtividade, variando em função do ciclo da cultivar e das condições
edafoclimáticas da região produtora (ALMEIDA et al., 1990; BELTRÃO, 1999;
citado por CORDÃO SOBRINHO et al., 2007), sendo os períodos de maior
exigência de água para a cultura do algodoeiro: floração e formação do capulho
(IRRIGAÇÃO..., 2008).

O sistema de aspersão convencional mais usado no Brasil para irrigar o


algodoeiro é o sistema semiportátil, em que a linha principal é fixa e as laterais
são móveis. Em relação aos demais sistemas por aspersão (fixo, canhão
hidráulico, autopropelido e pivô central), este sistema requer menor
investimento de capital; contudo, exige mais mão-de-obra, devido à maior
necessidade de mudanças nas tubulações laterais. Dependendo do
comprimento da linha lateral, a sua movimentação de uma posição a outra
requer um tempo de mudança, que varia de 20 a 60 minutos. Para minimizar o
seu custo, o sistema deve ser projetado para uma jornada de trabalho entre 18
e 24 horas por dia, porque o funcionamento contínuo do sistema reverte em
menor custo por unidade de área. O tempo de funcionamento da lateral por
posição é determinado em função da lâmina a ser aplicada em cada evento de
irrigação e da intensidade de precipitação dos aspersores (ARAÚJO et al.,
2006).

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2. Projeto

2.1 Objetivo

O objetivo do trabalho foi elaborar e implantar um projeto de irrigação


por aspersão, através do uso de autopropelido, em uma área onde atualmente
é cultivada a cultura do algodoeiro sob condições de sequeiro.

2.2 Informações para a elaboração do projeto

A área da propriedade é de 170 hectares, dos quais 135 hectares serão


ocupados com a cultura do algodoeiro.

A propriedade Sítio do Exercício conta com um levantamento


planialtimétrico na escala 1:7.500, com curvas de níveis espaçadas de 1m.

O abastecimento de energia elétrica à propriedade é feito em altas e


baixas tensões.

O projeto será instalado no município de Bonito, no Estado de Mato


Grosso do Sul, situado a uma altitude entre 350 a 450 metros.

2.2.1 Coeficiente de cultura (Kc)

A duração em dias de cada estádio foi adaptado segundo Doorembos e


Pruitt (1977) e, os valores de Kc foram obtidos segundo Doorenbos e Kassam
(1979). Os valores são apresentados na tabela a seguir:

Estádios de
Coeficiente–de–cultura
desenvolvimento do Duração (dias)
(Kc)
algodoeiro
Estádio I 10 0,4
Estádio II 20 0,7
Estádio III 50 1,05
Estádio IV 45 0,8
Estádio V 25 0,65

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2.2.2 Fator de aproveitamento de água no solo (f)

O valor 0,50 é obtido pela ETc (mm/dia) máximá do ciclo, no caso mês
de Novembro (6,75 mm/dia), analisando a fração de depleção de água do solo
por Doorenbos e Kassam (1979).

2.2.3 Eficiência de irrigação

(Ei) 85%. Paz (1990 – Avaliação de sistemas de irrigação), diz que para
sistemas de irrigação por aspersão convencional bem dimensionado a
eficiência de aplicação aproxima-se a 85%, podendo ultrapassar esse limite se
o sistema funcionar à noite e com ventos moderados. Segundo Bernardo et al.
(2005), considera-se 80% de área adequadamente irrigada por aspersão para
culturas de menor valor comercial e 90% de área adequadamente irrigada para
culturas de maior valor comercial.

2.3 Necessidades de água à irrigação da cultura do algodoeiro


(NAC)

A necessidade de água das culturas (NAC) corresponde ao seguinte


balanço hidrológico bastante simplificado:

NAC = ETc + Llix – Pef

Onde:

- NAC: Necessidade de água das culturas;

- ETc: Evapotranspiração da cultura;

- Llix: Lâmina de água aplicada para lixiviação dos sais presentes em


excesso na zona radicular das plantas;

- Pef: Precipitação efetiva.

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Como se observa pela relação anterior, a principal função de um projeto


de irrigação é disponibilizar água suficiente para atender as perdas devido à
evapotranspiração da cultura. É por esta razão que a evapotranspiração da
cultura (ETc) é considerada como um sinônimo das necessidades de água das
culturas – NAC (PERES, 2006a).

Destaca-se que a lâmina de lixiviação dos sais presentes em excesso na


zona radicular das plantas (Llix), não será computada no cálculo da NAC, sendo
este obtido somente pela diferença entre a sua evapotranspiração potencial
(ETc) e a profundidade efetiva do seu sistema radicular em consideração (P ef).

2.4 Evapotranspiração de referência padrão grama (ET 0)

Os dados médios mensais da evapotranspiração de referência padrão


grama (ET0) da propriedade agrícola Sítio do Exercício foram obtidos através
da aplicação do método do tanque Classe A – FAO24, sendo expressos a
seguir, em milímetros (mm):

ET0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Anual
mm 198 166 173 160 129 109 90 121 155 178 193 192 1.864

A tabela a seguir contém os valores da evapotranspiração de referência


padrão grama (ET0) em mm/dia, de acordo com o número de dias referente a
cada mês:

ET0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
mm/di
6,39 5,93 5,58 5,33 4,16 3,63 2,90 3,90 5,17 5,74 6,43 6,19
a

2.5 Evapotranspiração potencial da cultura do algodoeiro (ET c)

A evapotranspiração potencial de uma determinada cultura é obtida


através do produto da evapotranspiração de referência padrão grama (ET o)
pelo coeficiente de cultura (Kc), sendo este variável conforme o tipo de cultivo e
o estádio de desenvolvimento, conforme apresentado abaixo:

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ETc = ETo . Kc

Onde:

- ETc: Evapotranspiração da cultura, em milímetros (mm);

- ET0: Evapotranspiração de referência padrão grama, em milímetros (mm);

- Kc: Coeficiente–da–cultura; valor específico para cada cultura, podendo variar


de acordo com os diferentes estádios de desenvolvimento.

Conforme indicado no item 5.3.7, a cultura do algodoeiro pode ser


dividida em 5 estádios de desenvolvimento durante todo o ciclo de produção
(Doorenbos; Pruitt ,1977), onde a duração de cada estádio e o seu respectivo
Kc varia conforme o estádio fenológico da planta (Doorenbos; Kassam,1979).

Normalmente, o ciclo do cultivar a ser plantado é de 180 dias, porém,


segundo Freire e Farias (2001), o cultivar CNPA ITA 90 possui ciclo normal (150
dias) quando irrigado. Como o plantio será realizado no dia 15/10/2008, a data
prevista para a colheita será no dia 13/03/2009. A tabela a seguir apresenta de
maneira detalhada todo o ciclo da cultura.

ETC
Duração ET0
Estádio Período Kc
(dias) (mm/dia)
mm/dia mm
I 15 a 24 out. 10 5,74 0,40 2,30 23
25 a 31 out. 7 5,74 0,70 4,02 28
II
1 a 13 nov. 13 6,43 0,70 4,50 58,50
14 a 30 nov. 17 6,43 1,05 6,75 114,75
III 1 a 31 dez. 31 6,19 1,05 6,50 201,50
1 a 2 jan. 2 6,39 1,05 6,71 13,42
3 a 31 jan. 29 6,39 0,80 5,11 148,20
IV
1 a 16 fev. 16 5,93 0,80 4,74 75,84
17 a 28 fev. 12 5,93 0,65 3,85 46,20
V
1 a 13 mar. 13 5,58 0,65 3,63 47,19
Total 150 - - - 756,6

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Com base na tabela anterior, é possível agrupar os valores aproximados


da evapotranspiração potencial da cultura do algodoeiro (ET c) para cada mês
do ciclo da cultura, como se pode observar logo abaixo. Os meses que não
aparecem na tabela em questão são os meses em que a cultura não se
encontra instalada no campo.

Mês ETc (mm/mês)


Outubro 51
Novembro 173,25
Dezembro 201,5
Janeiro 161,62
Fevereiro 122
Março 47,19
Ano 756,6

2.6 Precipitação pluvial efetiva (Pef)

Para o cálculo da precipitação pluvial efetiva (P ef) algumas informações


climáticas específicas do local são fundamentais. Dessa maneira, foram
coletados dados das precipitações mensais e anuais na área em questão,
durante um período de 32 anos (1976 – 2007), que serão apresentadas a
seguir. Estes dados são de suma importância para a elaboração do projeto.

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Ano Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Total

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1976 225 137 203 100 55 2 6 20 91 70 132 233 1.274


1977 292 287 141 19 46 22 8 21 125 168 127 194 1.450
1978 223 137 200 108 47 1 7 20 91 67 135 238 1.274
1979 163 112 85 86 74 41 9 5 57 58 139 147 976
1980 122 114 85 64 97 0 18 71 119 101 103 106 1.000
1981 148 163 165 42 33 16 0 13 73 53 145 185 1.036
1982 200 161 66 75 75 29 3 4 6 265 210 215 1.309
1983 260 132 72 126 63 63 15 35 58 255 220 225 1.524
1984 208 184 126 90 135 74 2 24 97 129 188 212 1.469
1985 192 159 97 52 46 0 9 62 140 127 201 196 1.281
1986 132 119 203 135 43 23 2 22 76 11 134 72 972
1987 193 146 221 48 89 0 11 37 133 53 110 282 1.323
1988 343 203 156 171 100 23 11 8 73 97 123 201 1.509
1989 185 328 194 140 104 27 0 0 4 197 86 200 1.465
1990 371 298 169 104 33 30 15 22 46 46 117 195 1.446
1991 271 196 140 87 47 13 10 41 61 125 124 186 1.301
1992 267 218 232 130 42 35 5 15 69 171 157 195 1.536
1993 199 122 133 80 74 1 11 37 88 192 182 192 1.311
1994 180 232 156 58 120 47 14 52 73 154 92 146 1.324
1995 135 154 223 115 56 37 0 0 25 127 249 261 1.382
1996 297 316 195 86 64 24 1 59 38 190 156 222 1.648
1997 315 258 147 12 36 23 2 24 135 239 212 188 1.591
1998 252 187 73 22 125 55 15 16 95 63 265 187 1.355
1999 221 262 128 98 67 27 22 22 89 27 183 293 1.439
2000 383 198 211 89 51 69 3 0 29 85 52 270 1.440
2001 252 280 170 78 75 48 12 11 87 106 40 281 1.440
2002 194 145 211 58 89 0 11 30 140 53 110 282 1.323
2003 214 238 145 66 64 41 10 9 74 90 34 239 1.224
2004 260 219 238 130 42 35 5 15 69 161 147 185 1.506
2005 202 159 107 52 46 10 9 62 140 137 201 196 1.321
2006 271 196 140 87 47 13 10 41 61 125 124 186 1.301
2007 191 158 96 51 45 0 9 60 138 127 201 194 1.270
Média 230,0 194,3 154,0 83,1 66,6 25,9 8,3 26,8 81,3 120,9 146,8 206,4 1344,4
% 17,1 14,5 11,5 6,2 5,0 1,9 0,6 2,0 6,0 9,0 10,9 15,4 100,0
S 65,8 62,1 51,3 37,4 27,8 21,2 5,6 20,3 38,7 65,4 56,6 48,8 169,0

Segundo as orientações do proprietário, a precipitação pluviométrica


dependente deverá ter uma probabilidade de ocorrência de 65%. Este valor
indica um período de retorno (Tr) de 1,54 anos, calculado da seguinte forma:

Tr = 1 / P (X≥x)

Tr = 1 / 0,65  Tr = 1,54 anos

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O significado deste período de retorno é que a cada 1,54 anos, em


média, determinada precipitação (mm), de um mês referencial, será igualada
ou superada. A precipitação efetiva (P ef) será calculada através do método do
Soil Conservation Service – USDA, sendo uma estimativa da precipitação
efetiva em bases mensais, não sendo recomendado para períodos de durações
mais curtos. Estudos de retenção de água no solo mostraram que os solos da
propriedade apresentam uma capacidade potencial de armazenamento de
água no solo (CAS) de 25,5 mm, ou seja, podem receber até um máximo de
25,5 mm de água antes de atingir a sua umidade na capacidade de campo
(Ucc). Precipitações acima deste valor acarretarão em perdas, nas suas mais
diferentes formas.

Para o cálculo das precipitações mensais com período de recorrência de


1,54 anos (PTr, mm/mês), são necessárias as precipitações médias referentes a
cada mês em consideração, bem como os desvios padrões (s) da amostra e o
fator de freqüência (KTr), devido à uma análise através de uma função de
probabilidade.

PTr = P + KTr . s

Onde:

- PTr: precipitação com período de recorrência de Tr anos (mm)

- P: precipitação média (mm)

- s: desvio padrão da amostra;

- KTr: fator de freqüência.

O fator de freqüência KTr pode ser obtido através da tabela abaixo


(PERES, 2006a), em função da probabilidade de ocorrência de determinada
precipitação – P (X≥x) = 65% e de seu período de retorno – T r = 1,54 anos.

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p(P≥PTr)
95 90 85 80 75 70 65 60 55
> 50%

Tr (ano) 1,05 1,11 1,18 1,25 1,33 1,43 1,54 1,67 1,82
- - - - - - - - -
KTr
1,645 1,282 1,036 0,841 0,674 0,524 0,385 0,253 0,125

Como podemos verificar, com um período de recorrência de 1,54 anos,


ou seja, com uma probabilidade de 65%, o valor de K Tr a ser empregado na
expressão para o cálculo da precipitação média mensal (P Tr) será de -0,385.

Os valores encontrados da Precipitação dentro de um período de retorno


de 1,54 anos são apresentados na tabela a seguir, porém somente aqueles
referentes ao ciclo da cultura:

Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
PTr 205 170 134 69 56 18 6 19 66 96 125 188 1279

O passo seguinte é o cálculo da precipitação pluvial efetiva (P ef) para


cada período específico. Este parâmetro pode ser estimado em função da
precipitação média mensal obtida (dentro do período de recorrência de 1,54
anos), da evapotranspiração da cultura (ET c, mm/mês) e de um fator de
correção do armazenamento (f), quando a capacidade potencial de
armazenamento de água no solo (CAS) for diferente de 75 mm (no caso 25,5
mm) (PERES, 2006a). A equação a seguir evidencia o exposto.

Pef = f (1,25. PTr 0,824 – 2,93). 10 0,000955ETc

O fator de correção do armazenamento (f) é uma função da capacidade


potencial de armazenamento de água no solo (CAS), podendo ser calculado
pela seguinte fórmula:

f = 0,53 + 0,0116 CAS – 8,94. 10-5 CAS2 + 2,32. 10-7 CAS3

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Conforme a fórmula apresentada acima e o CAS de 25,5 mm dos solos


da propriedade, o valor do fator de correção do armazenamento (f) obtido é
0,7715. Sendo assim, são apresentados a seguir os dados da precipitação
efetiva (Pef) de cada mês, porém somente aqueles referentes ao ciclo da
cultura, ou seja, de Outubro a Março. Para facilitar cálculos posteriores, serão
apresentadas também as precipitações no período de recorrência dentro do
mesmo período, salientando que em Outubro considera-se um período de 17
dias, e de Março apenas 13 dias.

Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
PTr 205 170 56,2 - - - - - - 52,6 125 188 796,8
Pef 107,1 83,7 27,0 - - - - - - 25,7 72 108,6 424,1

2.7 Necessidade de água de irrigação do algodoeiro (NAI)

Com a diferença entre a evapotranspiração potencial da cultura (ET c;


mm) e a precipitação efetiva (P ef; mm) obtem-se a necessidade de irrigação do
algodoeiro (NAI, mm), suprindo assim, suas necessidades hídricas.

Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
ETc 162 122 47,19 - - - - - - 51 173 201,5 756,6
Pef 107,1 83,7 27,0 - - - - - - 25,7 72 108,6 424,1
NAI 54,5 38,3 20,19 - - - - - - 25,3 101,3 92,9 332,5

Verificamos que as maiores necessidades de água ocorrem nos meses


de novembro (101,3 mm) e dezembro (92,9 mm). Para o dimensionamento do
projeto de irrigação será utilizado o valor da necessidade de irrigação do mês
de novembro, equivalente a 3,4 mm/dia, ou seja, 3,4 L/m 2/dia.

2.8 Dimensionamento do projeto de irrigação

Segue abaixo o resumo das informações disponíveis sobre o projeto:



Área do projeto: 170 ha, dos quais 135 ha serão ocupados com a cultura do
algodoeiro. Descontando as ruas para o trânsito de caminhões, maquinários
e entre outras inúmeras finalidades absolutamente necessárias

35
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(carreadores e tomadas d`água), o projeto consta com aproximadamente


133,8 ha com a cultura do algodoeiro.

Textura do solo: Barro arenosa

Massa especifica do solo: 1,35 g/cm3

Umidade na capacidade de campo à base de massa seca (U CC): 16%

Umidade no ponto de murchamento permanente à base de massa seca
(UPMP): 6%

Velocidade básica de infiltração de água (VIB): 25 mm/h

Profundidade efetiva das raízes: (Pef): 0,70 m

Fator de aproveitamento da água no solo (f): 0,50

Necessidade de água para irrigação (NAI): 3,4 mm/dia

Eficiência de irrigação (Ei): 85%

Horas de trabalho na propriedade: 20 h/dia

Segundo Doorenbos e Kassam (1994), para a obtenção do fator de


aproveitamento ou de esgotamento da água do solo (f), as culturas devem ser
divididas em quatro grandes grupos, conforme tabela abaixo:

Grupo de Culturas Culturas


1 Cebola, Pimentão e Batata.
2 Banana, Repolho, Uva e Tomate.
Alfafa, Feijão, Citros, Amendoim,
3
Abacaxi, Girassol, Melancia e Trigo.
Algodão, Milho, Oliveira, Cártamo,
4 Sorgo, Soja, Beterraba Açucareira,
Cana-de-Açúcar e Tabaco.

Em seguida deve-se conhecer a Evapotranspiração máxima da cultura


(mm/dia), sendo que esta ocorre em área de cultivo extensa vegetada por uma
cultura agronômica, desenvolvendo-se livre de doenças e pragas, sob
condições ótimas de solo, incluindo água e fertilizante. A evapotranspiração da

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cultura também é denominada de evapotranspiração máxima da cultura, sendo


designada nesse caso por ETm (PERES, 2006a).

ETc máxima Grupo de Culturas


(mm/dia) 1 2 3 4
2 0,500 0,675 0,800 0,875
3 0,425 0,575 0,700 0,800
4 0,350 0,475 0,600 0,700
5 0,300 0,400 0,500 0,600
6 0,250 0,350 0,450 0,550
7 0,225 0,325 0,425 0,500
8 0,200 0,275 0,375 0,450
9 0,200 0,250 0,350 0,425
10 0,175 0,225 0,300 0,400

O algodão se enquadra no grupo 4 das culturas agrícolas, e com uma


evapotranspiração potencial máxima (ET c máxima) de aproximadamente 7,0
mm/dia (6,75 mm/dia), referente ao mês de novembro (conforme verifica-se no
quadro do item 5.6), obtem-se um valor de 0,500 para o fator de
aproveitamento ou esgotamento da água do solo (f) neste projeto de irrigação.

Todas as fórmulas que serão apresentadas a seguir foram extraídas de


Peres (2006a).

2.8.1 Cálculo da lâmina líquida de irrigação (LLI)

O cálculo da lâmina líquida de irrigação é conforme a fórmula


apresentada a seguir:

 Ucc - Upmp 
LLI       Pef  f
 10 

Onde:

LLI: lâmina líquida de irrigação (mm)

UCC: umidade do solo à base de massa seca na capacidade de campo


(%)

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UPMP: umidade do solo à base de massa seca no ponto de murchamento


permanente (%)

: massa específica do solo (g/cm3)

Pef: profundidade efetiva das raízes (cm)

f: fator de aproveitamento da água no solo pelas plantas (decimal)

 16 - 6 
LLI     1,35  70  0,5  47,25 mm
 10 

2.8.2 Cálculo da freqüência de irrigação ou turno de rega (Tr)

Para obtenção do turno de rega divide-se a lâmina líquida de irrigação


(LLI) pela necessidade de água para irrigação da cana-de-açúcar (NAI). Assim
temos:

LLI
Tr 
NAI

Onde:

Tr: turno de rega (dia)

LLI: lâmina líquida de irrigação (mm)

NAI: necessidade de água de irrigação (mm/dia)

47,25
Tr   13,89dias
3,4

O turno de rega adotado será de 12 dias, correspondendo a 6 dias de


trabalho e 1 dia de folga do operador, sendo este tempo também importante
para eventual manutenção dos equipamentos.

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2.8.3 Cálculo da lâmina liquida de irrigação corrigida (LLIc)

Há a necessidade de correção da lâmina líquida de irrigação, pois o


turno de rega adotado foi menor do que o calculado. Deste modo:

LLIc = Tr x NAI

Onde:

LLIc: lâmina líquida de irrigação corrigida (mm)

Tr: turno de rega (dia)

NAI: necessidade de água de irrigação (mm/dia)

LLIc = 12 x 3,4 = 40,8 mm

2.8.4 Cálculo da lâmina bruta de irrigação (LBI)

A lâmina bruta de irrigação (LBI) foi determinada dividindo-se a lâmina


líquida de irrigação (LLI) pela eficiência de irrigação (Ei).

LLIc
LBI 
Ei

Onde:

LBI: lâmina bruta de irrigação (mm)

LLIc: lâmina líquida de irrigação corrigida (mm)

Ei: eficiência de irrigação (%)

40,8
LBI   48mm
0,85

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2.8.5 Cálculo da vazão de projeto necessária à irrigação do


Algodoeiro (Q)

A vazão necessária ao atendimento das necessidades de água de


irrigação do algodoeiro foi obtida pela expressão seguinte:

A  LBI
Q  10
Tfd  Tr

Onde:

Q: vazão do sistema de irrigação (m3/h)

A: área irrigada (ha)

LBI: lâmina bruta de irrigação (mm)

Tfd: tempo de funcionamento diário do sistema (h/dia)

Tr: turno de rega (dia)

135  48
Q  10  270m 3 /h
20  12

A área efetiva ocupada pela cultura será de aproximadamente 130


hectares (ha) (detalhamento este observado no anexo do leiaute). Para irrigar
uma área de 130 hectares (ha), serão necessários dois equipamentos de
autopropelido. A vazão total do projeto referente à área total é de 270 m 3/hora,
sendo 135 m3/hora destinados para cada equipamento.

2.8.6 Seleção do modelo de autopropelido e do aspersor para o


projeto

O autopropelido escolhido para o projeto foi o carretel enrolador KREBS


125 da empresa KREBSFER – INDUSTRIAL LTDA. A seguir serão
apresentadas as características técnicas do modelo:

 Comprimento da mangueira: 330 m


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 Diâmetro externo da mangueira: 125 mm

 Diâmetro interno da mangueira PN 8:106,4 mm (Informação Verbal) 1.

 Material da mangueira: PEMD

O aspersor utilizado pelo KREBS 125 será o aspersor canhão SIME


4” modelo GEMINI (fabricação italiana). Deve ser operado segundo algumas
características apresentadas abaixo:

 Diâmetro do bocal: 38 mm

 Vazão: 144 m3/h

 Pressão de serviço: 60 mca

 Diâmetro molhado: 132 m

 Ângulo da trajetória do jato: 21º

 Ângulo de giro: 360º

 Setor molhado: 270º

2.8.7 Largura da faixa de irrigação (Lf)

A largura da faixa irrigada por um autopropelido é função do diâmetro


molhado do aspersor e da velocidade do vento, sendo estimada pela seguinte
expressão:

Lf: Dm x Kv

Onde:

Lf: largura da faixa de irrigação (m)

Dm: diâmetro molhado (m)

Kv: coeficiente que depende da velocidade do vento (adimensional)


1
Informação obtida através de Patrick Wiens da Krebsfer – Industrial LTDA.

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De acordo com Lopez (1975), o vento é o que produz maiores variações


na uniformidade de distribuição de água. A sua velocidade tem um papel
importante na eficiência do sistema. Conforme analisa Fry e Gray (1969), o
vento é um fator que não pode ser controlado, embora se possa minimizar os
seus efeitos na uniformidade de distribuição de água com o emprego correto de
alguns parâmetros calculados no projeto. De acordo com Rocha et al. (2005),
pode-se estabelecer a seguinte relação entre a largura da faixa de irrigação ou
molhada (Lf) e o diâmetro molhado (Dm) pelo aspersor do canhão hidráulico:

Velocidade do vento – Vv (m/s) Largura da faixa de irrigação – Lf


(m)
Sem vento 80% do diâmetro molhado pelo
aspersor
Até 2,2 70 a 80% do diâmetro molhado
2,2 a 4,7 60 a 70% do diâmetro molhado
Acima de 4,7 50 a 60% do diâmetro molhado

Keller e Bliesner (1990) dizem que o sistema de aspersão tipo canhão


apresenta bom desempenho em condições de baixa a média velocidade de
vento. Considerando que na propriedade agrícola Sítio do Exercício existam
ventos leves de até 2,2 m/s (ou seja, ventos menores do que 8 km/h), será
adotado o valor de 75% do diâmetro molhado pelo aspersor (D m) para o cálculo
da largura da faixa de irrigação (L f), de modo que ocorra uma superposição dos
jatos do aspersor de 25% (BERNARDO,2006).

Lf: 132 x ,075 = 99 m

Com o valor obtido acima teríamos 12,12 faixas irrigadas. Para obter um
número igual de faixas nos talhões será utilizado 100m de largura da faixa.

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2.8.8 Comprimento da faixa de irrigação (Cf)

2 
Cf   2  Cm     Dm 
 3 

Onde:

Cf: comprimento da faixa de irrigação (m)

Cm: comprimento da mangueira do autopropelido que será


desenrolada(m)

Dm: diâmetro molhado pelo aspersor (m)

2 
Cf   2  236    132   560m
3 

O comprimento da mangueira (Cm) do equipamento de autopropelido é,


conforme indicações dos fabricantes, de 330 m. Este valor representa o valor
real da mangueira, mas, de acordo com as dimensões da propriedade agrícola,
que estão demonstradas no leiaute deste projeto, apenas 236 m de mangueira
(equivalente a 1/3 do diâmetro molhado) deverão ser desenroladas para a
irrigação de cada faixa, de um total de 370 m disponíveis, provenientes de cada
equipamento.

2.8.9 Área irrigada por faixa de irrigação (Aif)

Lf  Cf
Aif 
10.000

Onde:

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Aif: área irrigada por faixa de irrigação (ha)

Lf: largura da faixa (m)

Cf: comprimento da faixa de irrigação (m)

100  560
Aif   5,6ha
10000

Essa área irrigada por cada faixa de irrigação é correspondente a cada


equipamento autopropelido que efetua suas operações na propriedade
agrícola. Como no projeto serão usados dois equipamentos, a área equivalente
é de 11,2 ha.

2.8.10 Velocidade de descolamento do aspersor (Vd)

Q
Vd  1000
Lf  LBI

Onde:

Vd: velocidade de deslocamento (m/h)

Q: vazão do aspersor (m3/h)

Lf: largura da faixa (m)

LBI: lâmina bruta de irrigação (mm)

144
Vd  1000  30m/h
100  48

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2.8.11 Intensidade média da precipitação do aspersor (Ip)

 Q   360 
Ip  1000    
 Dm  Lf    

Onde:

Ip: intensidade média de precipitação do aspersor (mm/h)

Q: vazão do aspersor (m3/h)

Dm: diâmetro molhado pelo canhão hidráulico (m)

Lf: largura da faixa irrigada (m)

α: setor molhado pelo aspersor (grau)

 144   360 
Ip  1000      14,54mm/h
 132  100   270 

Uma vez que a intensidade média do aspersor (14,54 mm/h) é inferior a


velocidade básica de infiltração (25 mm/h) do solo da área a ser irrigada, não
haverá riscos de ocorrência de escoamento superficial durante a realização das
irrigações. Dessa maneira, o aspersor selecionado está adequado para as
condições físico-hídricas do solo da área do projeto.

2.8.12 Tempo gasto na irrigação de uniformização da lâmina de


irrigação no início da faixa (Tif)

Antes do início da irrigação com um ATPM, a carreta do canhão


hidráulico é posicionada a uma distância equivalente a 1/3 do diâmetro
molhado do aspersor do início da faixa. Neta posição, ele é posto para irrigar
sem se movimentar durante um período de tempo estimado pela seguinte
expressão:

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1     Dm 
Tif    
3  360   Vd 

Onde:

Tif: tempo que o equipamento irriga sem se deslocar no início da faixa


de irrigação (h)

α: setor molhado pelo aspersor (grau)

Dm: diâmetro molhado (m)

Vd: velocidade de deslocamento do aspersor (m/h)

1  270   132 
Tif      1,1h
3  360   30 

2.8.13 Tempo de percurso gasto pelo aspersor para percorrer


uma distância equivalente ao dobro do comprimento da
mangueira do equipamento (Tp)

2  Lm
Tp 
Vd

Onde:

Tp: tempo de percurso gasto pelo aspersor para percorrer uma distância
equivalente ao dobro do comprimento da mangueira do equipamento (h)

Lm: comprimento da mangueira (m)

Vd: velocidade de deslocamento do aspersor (m/h)

2  236
Tp   15,73h
30

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2.8.14 Tempo de irrigação por posição do autopropelido


tracionado pela mangueira (TATPM)

O tempo gasto por um autopropelido tracionado pela mangueira para


irrigar uma faixa de irrigação é calculado pela expressão abaixo:

TATPM = 2Tif + Tp + Tm + Tg

Onde:

TATPM: tempo de irrigação por posição do autopropelido tracionado pela


mangueira (h),

Tif: tempo que o equipamento irriga sem se deslocar no início da faixa


de irrigação (h),

Tp: tempo de percurso gasto pelo aspersor para percorrer uma distância
equivalente ao dobro do comprimento da mangueira do equipamento (h)

Tm: tempo gasto para mudar o autopropelido para uma nova faixa de
irrigação (h),

Tg: tempo gasto para girar o carretel (h).

Considera-se que o tempo médio gasto para dar um giro de 180º no


equipamento, mantendo-o na mesma posição, são 30 minutos (Tg = 0,5 h),
enquanto que o tempo médio gasto para mudar o equipamento de posição,
passando o mesmo a operar em uma outra faixa de irrigação, são 60 minutos
(Tm = 1,0 h). Dessa maneira, o tempo de irrigação por posição do
autopropelido tracionado pela mangueira (T ATPM) é de:

TATPM = (2x1,1) + 15,73 + 1+ 0,5 = 19,43 h

O valor obtido equivale aproximadamente ao tempo de serviço da


propriedade, que é de 20 h/dia. Dessa maneira será possível concluir a

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irrigação de uma faixa de irrigação em um dia de trabalho, restando ainda


quatro horas para eventuais reparos no equipamento.

2.8.15 Número de faixas irrigadas durante um turno de rega


(Nif)
Nhd
Nif 
Tip

Onde:

Nif: Número de faixas irrigadas durante um turno de rega (faixa)

Nhd: número de horas disponíveis para irrigação durante um turno de


rega (h)

Tip: Tempo de irrigação por posição do autopropelido tracionado pela


mangueira (h/faixa)

O número de horas disponíveis para irrigação durante um turno de rega


é de 240 horas (20 horas/dia x 12 dias). Como são necessárias 19,43 horas
para irrigar uma faixa completa de irrigação:

240
Nif   12,35faixas
19,43

12,35 faixas x 2 equipamentos  24,7 faixas

2.8.16 Área dimensionada de irrigação no projeto (Ad)

Ad  Nif  Aif

Onde:

Ad: área dimensionada de irrigação (ha)

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Nif: Número de faixas irrigadas durante um turno de rega (faixa)

Aif: área irrigada por faixa de irrigação (ha)

Ad  12  5,6  67,2ha

Como os dois autopropelidos estão operando simultaneamente,


possuem a capacidade para irrigar até aproximadamente 25 faixas de irrigação.
Porém, na prática, serão irrigadas somente 24 faixas, de acordo com o
dimensionamento das áreas referentes. Dessa maneira, a área equivalente
irrigada é de 134,4 hectares (24 faixas x 5,60 ha = 134,4 ha), exatamente toda
a área do projeto a ser irrigada (100%).

2.9 Leiaute do projeto

Segue anexo o leiaute do projeto em escala 1:4.000

2.10 Dimensionamento hidráulico do projeto

As seguintes informações estão disponíveis para o dimensionamento


hidráulico do projeto de irrigação do algodoeiro:

 Vazão do projeto (Q): 135 m3/h (para cada autopropelido)

 Pressão de serviço do aspersor: 60 mca

 Altura do aspersor: 2,5 m

2.10.1 Dimensionamento da tubulação principal

 Material: PVC revestido com fibra de vidro (PVC+PRFV) 16 kgf/cm 2


AD fibra

 Vazão: 135 m3/h (0,0375 m3/s)

 Comprimento da tubulação a partir da bomba:

o Autopropelido 1: 1.742m (291 tubos/6m)

o Autopropelido 2: 1.187m (198 tubos/6m)

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 Serão utilizados ao todo 522 tubos de 6m, desde a captação de água


até a última tomada de água (considerando as duas derivações).

 As tubulações principais necessárias ao abastecimento dos


equipamentos estarão enterradas na área (a 1,20 m de
profundidade), de forma a não atrapalhar as atividades corriqueiras.

2.10.1.1 Diâmetro interno da tubulação principal (Dt)

Q
Dt  1129
V

Onde:

Dt: diâmetro interno da tubulação (mm)

Q: vazão do projeto (m3/s)

V: velocidade média de escoamento da água na tubulação (m/s)

0,0375
Dt  1129  154,6mm
2

A velocidade média econômica para dimensionamento das tubulações


de recalque é da ordem de 2,0m/s (Peres, 2006b). Portanto, a tubulação
principal referente a cada equipamento de autopropelido deve ter um diâmetro
interno (DT) em torno de 152,4 mm (comercial).

2.10.1.2 Perda-de-carga contínua na tubulação principal (h ftp)

Cm  V 1,852
Hftp= 6,807 1,852 (PERES, 2006b)
C  D 1,167

Onde:

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Hftp: perda de carga continua na tubulação (mca)

Cm: comprimento da tubulação (m)

Vm: velocidade média de escoamento da água (m/s)

D: diâmetro interno da tubulação (m)

C: Coeficiente de rugosidade de Hazen - Williams (PVC → C: 150)

Substituindo o valor do coeficiente de rugosidade, a fórmula pode ser


escrita da seguinte maneira (onde as unidades da fórmula a seguir são as
mesmas da anterior):

Cm  V 1,852
Hftp= 6,35.10-4
D 1,167

Tubulação principal 1:

1742  21,852
Hftp= 6,35. 10 -4
 35,87 mca
0,15241,167

Tubulação principal 2:

1187  21,852
Hftp= 6,35. 10-4  24,44mca
0,15241,167

2.11 Perda-de-carga na mangueira do autopropelido

Cm  V 1,852
Hfm= 6,35.10-4 1,167
DN

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Onde:

Hfm: perda de carga continua na mangueira (mca)

Cm: comprimento total da mangueira do autopropelido (m)

Vm: velocidade média de escoamento da água na mangueira (m/s)

DN: diâmetro nominal interno da mangueira (m)

A velocidade média de escoamento da água na mangueira será


calculada pela equação da continuidade, sendo uma função do diâmetro
interno do material e da vazão correspondente:

Q
Vm 
0,7854 D 2

Onde:

Vm: velocidade econômica (m/s)

Q: vazão do projeto (m3/s)

D: diâmetro interno nominal (m)

0,0375
Vm   4,21m/s
0,7854 x(0,1064) 2

330  4,211,852
Assim: Hfm= 6,35.10 -4  41mca
0,1064 1,167

2.13 Perda de carga na turbina do autopropelido (h ft)

A perda-de-carga na turbina de um equipamento de autopropelido está


entre 5,0 e 10,0 mca (J/N), dependendo do equipamento, de acordo com as

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especificações da turbina e entre outros. O valor adotado será a média entre


estes números, ou seja, 7,5 mca, embora o procedimento mais adequado seja
consultar os fabricantes sobre este valor. A perda-de-carga localizada é
considerada como 10% da perda-de-carga da tubulação principal.

2.14 Dimensionamento do conjunto de motobomba

A altura do aspersor é representada pela altura do carrinho irrigador


mais a altura do aspersor nele conectado (Informação Verbal). 2 A altura
manométrica de bombeamento (Hman) deste projeto é composta das seguintes
cargas:

Conjunto Motobomba 1 Conjunto Motobomba 2


Altura de sucção: 5 mca Altura de sucção: 5 mca
Altura de recalque: 10 mca Altura de recalque: 10 mca
Perda-de-carga na tubulação principal: Perda-de-carga na tubulação principal:
35,87 mca 24,44 mca
Perda-de-carga mangueira: 41 mca Perda-de-carga mangueira: 41 mca
Perda-de-carga na turbina: 7,5 mca Perda-de-carga na turbina: 7,5 mca
Pressão de serviço do aspersor: Pressão de serviço do aspersor:
60 mca 60 mca
Altura do aspersor: 2,5 mca Altura do aspersor: 2,5 mca
Perda-de-carga localizada: 3,59 mca Perda-de-carga localizada: 2,44 mca
Altura manométrica (Hman): Altura manométrica (Hman):
165,46 mca 152,88 mca

Para a seleção do conjunto motobomba será considerado a maior altura


manométrica, ou seja, os parâmetros utilizados serão aqueles referentes ao
autopropelido 1. Serão utilizados dois conjuntos motobomba idênticos, porém
um terceiro será adquirido para eventuais problemas de operação do conjunto,
evitando assim a falta de água das plantas.

Consultando o catálogo eletrônico de bombas hidráulicas disponibilizado


pela empresa Hidrovector (Distribuidor autorizado IMBIL®), para uma vazão
de 135 m3/h e altura manométrica de 165,46 mca, o conjunto motobomba
selecionado foi:

2
Informação obtida através de Patrick Wiens da Krebsfer – Industrial LTDA.

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 Linha: BEW

 Modelo: 80/2

 Velocidade: 3500 rpm

 Estágio: 2

 Freqüência: 2 pólos de 60 Hz

 Diâmetro do rotor: 217,7 mm

 Potência consumida no eixo: 111,73 CV

 Rendimento: 74%

 NPSH requerido: 7,9 mca

Este modelo de bomba hidráulica (BEW) é recomendado para indústrias


têxteis, irrigação, abastecimento de água, alimentação de caldeiras e combate
a incêndios. O catálogo referente a este modelo da IMBIL® segue anexo a este
documento, apresentando maiores informações.

Com todos os dados referentes à bomba hidráulica escolhida, é possível


efetuar o cálculo da potência com que este equipamento irá operar.

 . Q p . H man
PBH 
75.

Onde:

- PBH: Potência requerida pela bomba hidráulica (CV);

- γ: Peso específico da água (1.000 kgf/m 3);

- Qp: Vazão necessária a cada equipamento de autopropelido (m 3/s);

- Hman: Altura manométrica de bombeamento (mca);

- 75: Fator de conversão kg m/s em CV;

- η: Rendimento da bomba hidráulica (decimal).

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1000. 0,0375.165,46
PBH   111,8CV
75.0,74

Com o dado da potência necessária ao funcionamento adequado das


bombas hidráulicas, é possível realizar o cálculo da potência dos motores pela
seguinte expressão:

PMO  1,15.PBH

Onde:

- PMO: Potência requerida pelo motor (CV);

- PBH: Potência requerida pela bomba hidráulica (CV).

PMO  1,15.111,73  128,49CV

Consultando o catálogo comercial, o motor elétrico a ser selecionado


deverá apresentar uma potência de 150 CV. Foram selecionados motores
elétricos da marca SIEMENS Ltda, sendo que a escolha recai sobre um motor
elétrico com as seguintes características técnicas:

Parâmetros Especificações
Marca do motor elétrico SIEMENS
Modelo do motor elétrico
280M
(Carcaça ABNT)
Tipo do motor elétrico 1LG4 288-2EB-9
Características do motor elétrico Motor trifásico - 2 pólos - 60 Hz
Velocidade de rotação 3.575 rpm
Voltagem 380 V
Potência do motor elétrico no eixo 150 CV
Rendimento do motor elétrico (η) 94,5%
Será adquirido 2 conjuntos soft starters modelo 3RW40 73-6BB_4 da
siemens, pois apresenta vantagens como partida e parada suave, redução de
picos de corrente, flutuações de correntes são evitados durante as partidas, a
rede de alimentação é aliviada as tenções mecânicas são aliviadas redução

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significativa de volumes e cabos, quando comparado às partidas


convencionais, redução de manutenções e extremamente simples de operar.

O projeto foi dimensionado para a maior necessidade de água da cultura, que


corresponde ao mês de novembro. Porém na pratica, a lâmina bruta de irrigação será
alterada conforme necessidade da cultura a cada mês.

Out Nov Dez Jan Fev Mar

LBI (mm) 11,6 48 42,4 24,8 19,3 9,2

2.15 Lista de Material

Item Quantidade Especificação do Material


1 2 Autopropelido Krebs 125/330
2 2 Bomba hidráulica – Imbil BEW 80/2
3 2 Motor SIEMENS® 150CV
4 2 Válvula de pé com crivo - Ø200mm - Metal
5 2 Redução Excêntrica
6 2 Redução Concêntrica
7 2 Registro de gaveta c/ flange – Ø 200mm - FoFo
8 2 Válvula de retenção c/ flange – Ø 200mm - FoFo
9 2 Válvula anti-golpe de Aríete
10 4 Manômetro
11 6 Curva c/ flange de 90º x Ø 200mm
12 24 Válvula de redução linha de Ø 200 x 100mm
13 2 Válvula de Derivação
14 24 Engate rápido x Ø 100mm
Tubo Ponta e Bolsa – Ø 200mm – compr. 6,0m –
15 522
PVC+PRFV – 16kgf/cm2
16 2 Válvula de alívio c/ flange – Ø 100mm - FoFo
17 24 Tubo c/ flange - compr. 1,20m – Ø 100mm
18 2 Soft Starters modelo 3RW40 73-6BB_4
19 1 Painel de controle

3. Conclusão
Concluímos que para a elaboração de um projeto de irrigação faz-se
necessário o conhecimento técnico dos atributos físicos do solo e da
necessidade de água da cultura. Além desses dados, é importante o
conhecimento do clima da região, para assim verificar as precipitações efetivas.
Porém lidar com esses dados é de suma importância e é um fator essencial
para o sucesso ou fracasso de um empreendimento. O projetista deve estar

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atento a todos os detalhes que compõem o trabalho em si, de forma a garantir


o bom funcionamento do sistema. Para que isso ocorra, são necessárias
competência e seriedade profissional.

4. Bibliografia

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Irrigação e Drenagem – Prof. Dr. José Geanini Peres
Projeto de Irrigação do Algodão – Grupo 1
2º Semestre de 2008

THOMPSON, W. R. Cotton production for high yields and quality. In: CIA, E.;
FREIRE, E. C.; SANTOS, W. J. (Ed.). Cultura do algodoeiro. Piracicaba:
Associação Brasileira para Pesquisa da Potassa e do Fosfota, 1999. p.9-14.

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Irrigação e Drenagem – Prof. Dr. José Geanini Peres
Projeto de Irrigação do Algodão – Grupo 1
2º Semestre de 2008

Anexos

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2º Semestre de 2008

Anexo 01

LEIAUTE DO PROJETO DE
IRRIGAÇÃO

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Projeto de Irrigação do Algodão – Grupo 1
2º Semestre de 2008

Anexo 02

CATÁLOGO DO EQUIPAMENTO
AUTOPROPELIDO
(KREBS 125/330 –
CANHÃO HIDRÁULICO GEMINI)

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Projeto de Irrigação do Algodão – Grupo 1
2º Semestre de 2008

Anexo 03

CATÁLOGO DE TUBULAÇÕES E
CONEXÕES
(EMPRESA EDRA)

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Projeto de Irrigação do Algodão – Grupo 1
2º Semestre de 2008

Anexo 04

CATÁLOGO DE BOMBAS
HIDRÁULICAS - IMBIL®
(EMPRESA HIDROVECTOR)

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Projeto de Irrigação do Algodão – Grupo 1
2º Semestre de 2008

Anexo 05

CATÁLOGO DE MOTORES
ELÉTRICOS - SIEMENS
(EMPRESA SIEMENS®)

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2º Semestre de 2008

Anexo 06

CATÁLOGO DE SOFT STARTER


SIEMENS
(EMPRESA SIEMENS®)

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