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FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL.

CPAN – CÂMPUS DO PANTANAL – Teoria da Contabilidade – Prof. Edison.

Apostila 01

1. A Contabilidade e o Contador.

Tomada de decisão na empresa – com frequência os responsáveis pela


administração da empresa estão tomando decisões, quase todas importantes, vitais para
o sucesso do negócio.
Por isso, há necessidade de dados, de informações corretas, de subsídios que
contribuam para uma boa tomada de decisão. Decisões tais como comprar ou alugar
uma máquina, preço de um produto, contrair uma dívida a longo prazo ou curto prazo,
quanto de dívida contraímos, que quantidade de material para estoque deveremos
comprar, reduzir custos, produzir mais.
A Contabilidade é o grande instrumento que auxilia a administração a tomar
decisões. Na verdade, ela coleta todos os dados econômicos, mensurando-os
monetariamente, registrando-os e sumarizando-os em forma de relatórios ou de
comunicados, que contribuem sobremaneira para a tomada de decisões.

1.1 A Má Gerencia – Conforme menciona os autores, tem-se observado com


certa frequência que várias empresas, principalmente as pequenas, têm falido ou
enfrentam sérios problemas de sobrevivência. Ouvimos empresários que criticam a
carga tributária, os encargos sociais, a falta de recursos, os juros altos, etc. fatores estes
que, sem dúvida, contribuem para debilitar a empresa. Entretanto, descendo a fundo nas
investigações, constatamos que, muitas vezes, a “célula venenosa” não repousa naquelas
críticas, mas na má gerencia, nas decisões tomadas sem respaldo, sem dados confiáveis.
Por fim observamos, nesses casos, uma contabilidade irreal, distorcida, em
consequência de ter sido elaborada única e exclusivamente para atender as exigências
fiscais.
1.2 Tomada de decisão fora dos limites da empresa – o processo decisório
decorrente das informações apuradas pela contabilidade não se restringe apenas aos
limites da empresa, aos administradores e gerentes, mas também a outros segmentos,
quais sejam, usuários externos.
1.2.1 Investidores – é através dos relatórios contábeis que se identifica a
situação econômico financeira da empresa, dessa forma, o investidor tem as mãos os
elementos necessários para decidir sobre as melhores alternativas de investimentos. Os
relatórios evidenciam a capacidade da empresa em gerar lucros e outras informações.
1.2.2 Fornecedores de bens e serviços a prazo – usam relatórios para analisar a
capacidade de pagamento da empresa compradora.
1.2.3 Bancos – utilizam os relatórios para aprovar empréstimos, limite de
crédito.
1.2.4 Governo – não só usa relatórios com a finalidade de arrecadação de
impostos como também para dados estatísticos, no sentido de melhor redimensionar a
economia.
1.2.5 Sindicatos – utilizam os relatórios para determinar a produtividade do
setor, fator preponderante para reajuste de salários.
1.2.6 Outros interessados – funcionários, órgãos de classes, pessoas e diversos
institutos como a CVM e o CRC.

1.3 A Função do Contador

Em face de um leque diversificado de atividades, podemos dizer que a tarefa


básica do Contador é produzir e ou gerenciar informações úteis aos usuários da
Contabilidade para a tomada de decisões. Ressalte-se, entretanto, que, em nosso país,
em alguns segmentos da nossa economia, principalmente na pequena empresa, a função
do contador foi distorcida, estando voltada quase que exclusivamente para satisfazer as
exigências do fisco.

1.3.1 A Contabilidade como profissão

É uma das áreas que mais proporcionam oportunidades para o profissional. O


estudante que optou por um curso superior de Contabilidade terá inúmeras alternativas,
entre as quais será citada algumas conforme disposto pelos autores.

Contador – é o profissional que exerce as funções contábeis, com formação


superior de ensino Contábil.
Contabilidade Financeira – é a contabilidade geral, necessária a todas as
empresas. Fornece informações básicas aos seus usuários e é obrigatória conforme a
legislação comercial.
Contabilidade de Custos – está voltada para o cálculo, interpretação e controle
dos custos dos bens fabricados ou comercializados, ou dos serviços prestados pela
empresa.
Contabilidade Gerencial – voltada para fins internos, procura suprir os gerentes
de um elenco maior de informações, exclusivamente para a tomada de decisões.
Diferencia-se das contabilidades anteriores, pois não se prende aos princípios
fundamentais de contabilidade. O profissional que exerce a contabilidade gerencial
também é conhecido como Controller.

2. Os objetivos da Contabilidade

Pode ser estabelecido como sendo o de fornecer informação estruturada de


natureza econômica, financeira e, subsidiariamente, física, de produtividade e social,
aos usuários internos e externos à entidade objeto da Contabilidade.

Informação estruturada significa que a Contabilidade não fornece dados e


informações de forma dispersa e apenas seguindo as solicitações imediatas dos
interessados, mas sim que o faz de maneira estruturada dentro de um esquema de
planejamento contábil em que um sistema de informação é desenhado, colocado em
funcionamento e periodicamente revisto, tendo em vista parâmetros próprios.
Desta forma os registros dos atos e fatos contábeis da entidade a qual se está
aplicando a Contabilidade são estudados minuciosamente, sendo então elaborado o
Plano e Manual de Contas para a contabilização sistemática das operações rotineiras da
entidade, ao mesmo tempo em que são delineados os principais tipos de relatórios que
devem sair do processo contábil.
Esses relatórios devem atender as necessidades dos usuários externos e usuários
internos da entidade.

2.1 Utilizações da informação contábil e campo de atuação da contabilidade – a


informação contábil é utilizada por uma vasta gama de pessoas e entidades com as mais
variadas finalidades.
Assim, os eventuais compradores de ações ou debêntures da entidade procuram
extrair informações para sua decisão sobre se vale a pena ou não investir na empresa,
bancos e emprestadores de dinheiro estão interessados em avaliar se a entidade oferece
boas perspectivas de retorno para seus empréstimos e financiamentos, o governo, em
seus vários níveis, está interessado na informação contábil como base de imposição
fiscal e para estudos macroeconômicos, os empregados da entidade procuram extrair
informações sobre a capacidade da entidade de pagar maiores salários e benefícios, mas
ninguém estará tão interessado quanto o tomador de decisão interno a entidade.

Para ele, a informação contábil estruturada, fidedigna, tempestiva e completa


pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso.

O campo de atuação da contabilidade, na verdade seu objeto, é o patrimônio de


toda e qualquer entidade, ela acompanha a evolução qualitativa e quantitativa desse
patrimônio.

É importante salientar que entidade, para a contabilidade, pode ser pessoa


jurídica ou pessoa física. O acompanhamento das variações do patrimônio de uma
grande sociedade por ações de capital aberto merece interesse por parte da
contabilidade, da mesma forma que o patrimônio individual de um de seus sócios. A
entidade pode ser privada ou publica, de finalidades lucrativas ou não, em algumas
circunstâncias a entidade pode ser a junção de patrimônio de várias entidades
individuais, bem como uma divisão de uma ou outra entidade multidivisional, deste
modo podemos afirmar:

Campo de atuação da contabilidade – toda entidade que exerça atividade


econômica como meio ou fim.
Objeto da contabilidade – o patrimônio de tais entidades, sejam elas pessoas
físicas ou jurídicas, seja esse patrimônio resultante da consolidação de patrimônios de
outras entidades distintas ou a subdivisão do patrimônio de uma entidade em parcelas
menores que mereçam ser acompanhadas em suas mutações e variações.

3. Qualidade e característica da informação contábil.


A informação contábil, como todo bem econômico, tem um custo e esse custo
deve ser sempre comparado com os benefícios esperados da informação. Em uma
ultima análise, o benefício esperado de um sistema de informação é o valor presente dos
lucros adicionais (ou dos fluxos de caixa) que não seriam obtidos caso aquele particular
sistema de informação não tivesse sido adotado ou não estivesse disponível.

Uma das formas de se avaliar a qualidade da informação contábil e, portanto, sua


utilização (benefício), quando comparada ao custo, é analisar algumas qualidades ou
características que deve possuir, tais como> compreensão, relevância, confiança e
comparação.

3.1 Compreensão – a informação contábil necessita ser compreendida, isto é,


completa e retratar todos os aspectos contábeis de determinada operação ou conjunto de
eventos ou operações. Não se deve compensar créditos com débitos, ou direitos e
obrigações. Todos os aspectos de uma operação que afeta o patrimônio precisam ser
levados em conta. É o caso da elaboração da demonstração de origem e aplicação de
recursos que deveria evidenciar recursos e aplicações sem compensações e por
levantamento direto das operações e não por diferenças de saldos de balanço, em
princípio.

3,2 Relevância – A fim de ser considerada útil a informação deve ser relevante
para as necessidades de tomada de decisões dos usuários. A informação possui a
qualidade da relevância quando ela influencia as decisões econômicas dos usuários
ajudando-os a avaliar eventos passados, presentes ou futuros ou confirmando ou
corrigindo suas avaliações passadas.

Segundo o International Accounting Standards Committee (IASC) a relevância é


uma das características ou qualidades mais importantes da informação contábil.

3.3 Confiança – Para ser útil a informação contábil também precisa ser
confiável. A informação adquire a qualidade de confiança quando está livre de erros
materiais e pode ser aceita pelos usuários como representando fielmente o que está
destinada a representar ou que poderia ser razoável de se esperar que representasse.
3.4 Comparação – os usuários necessitam ter condições de comparar as
demonstração contábeis de uma entidade através dos anos a fim de identificar
tendências em sua situação patrimonial e financeira e em seu desempenho.
Os usuários também necessitam ter condições de poder comparar as
demonstrações contábeis de diferentes entidades a fim de avaliar sua situação
patrimonial e financeira em termos comparativos, seu desempenho e as mudanças na
situação financeira.
Um importante ponto a ser considerado na comparação é que os usuários devem
ser informados sobre as políticas contábeis utilizadas na preparação das demonstrações
contábeis, sobre quaisquer variações nas políticas e os efeitos de tais mudanças.

3.4.1 Políticas Contábeis – os usuários devem ter condições de identificar


diferenças entre as políticas contábeis para transações semelhantes utilizadas pela
mesma entidade de um período para outro e também por diferentes entidades ao mesmo
tempo. As adequações aos padrões contábeis nacionais e internacionais, incluindo a
evidenciação das políticas contábeis utilizadas pela entidade, ajudam a conseguir a
comparação.

4. Princípios de Contabilidade. (Res. CFC 1.282/2010)


Entidade – é da natureza dos negócios e das operações que os sócios, proprietários ou
quotistas de uma entidade seja também entidade distinta. O importante é caracterizar
bem o princípio que, para todos os efeitos, o patrimônio de uma entidade não se
confunde com o de outra, o patrimônio dos sócios não se confunde com o da empresa.
Res. CFC 750/1993 art. 4° diz:
O princípio de Entidade reconhece o patrimônio como objeto da contabilidade e afirma
a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um patrimônio particular no
universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um
conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade,
com ou sem fins lucrativos. Por consequência nesta acepção, o patrimônio não se
confunde com aqueles dos seus sócios, ou proprietário, no caso de sociedade ou
instituição.
Continuidade – De acordo com o princípio da continuidade, pressupõe-se que a
entidade continuará em operação no futuro e que, portanto, a mensuração e a
apresentação dos componentes do patrimônio levam em conta esta circunstância.

Oportunidade – Refere-se ao processo de mensuração e apresentação dos componentes


patrimoniais para produzir informações integras e tempestivas.
A falta de integridade e tempestividade na produção e na divulgação da informação
contábil pode ocasionar a perda de sua relevância, por isso, é necessário ponderar a
relação entre a oportunidade e a confiabilidade da informação.
Integridade e tempestividade – o princípio da oportunidade abarca 2 aspectos distintos,
mas complementares: a integridade e a tempestividade. Por isso, muitos autores
preferem denomina-lo de ‘princípio da universalidade’.
Em linhas gerais, a integridade diz respeito a necessidade de as variações serem
reconhecida na sua totalidade, isto é, sem qualquer falta ou excesso.
Refere-se, pois, a completeza da apreensão, que não admite a exclusão de quaisquer
variações monetariamente quantificáveis.
Como as variações incluem elementos quantitativos e qualitativos, bem como os
aspectos físicos pertinentes, e levando-se em conta, ainda, que a avaliação é regida por
princípios próprios, a integridade diz respeito, fundamentalmente, as variações em si.
Isso todavia, não elimina a necessidade do reconhecimento, das variações nos casos em
que não há certeza definitiva da sua ocorrência, mas somente alto grau de possibilidade.
Já a tempestividade obriga a que as variações sejam registradas no momento em que
ocorrerem, mesmo na hipótese de alguma incerteza.
Caso não seja seguido esse preceito, ficarão:
a. Incompletos os registros sobre o patrimônio
b. Insuficientes quaisquer demonstrações ou relatos
c. Falseadas as conclusões, diagnósticos e prognósticos.
Princípio do registro pelo valor original – esse princípio sofreu alterações, a res.
1282/2010 incorporou a ele o princípio da atualização monetária.
Os componentes do patrimônio devem ser inicialmente registrados pelos valores
originais das transações, expressos em moeda nacional.
Percebe-se que o referido princípio passou a contemplar as seguintes bases de
mensuração: