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SUMÁRIO

Língua Portuguesa ........................................................................................................................................ 09


Redação ..........................................................................................................................................................64
Economia e Demografia Paranaense ......................................................................................................... 76
Noções de Informática ................................................................................................................................. 88
Raciocínio Lógico ........................................................................................................................................ 140
Noções do Estatuto da Polícia Civil ............................................................................................................170
Noções de Direito Penal ............................................................................................................................. 203
Noções de Direito Constitucional ............................................................................................................. 315
Noções de Direito Administrativo ............................................................................................................. 414
Noções de Direito Processual Penal .......................................................................................................... 455
Noções de Legislação Específica ............................................................................................................... 499
CAPÍTULO 01 A questão sobre semântica exigiria que o candidato
percebesse a possibilidade de trocar a palavra “gela-
deira” por “refrigerador” – havendo, nesse caso, uma
Interpretação de Textos relação de sinonímia.
A questão de pragmática exigiria que o candidato
Ideias Preliminares sobre o Assunto percebesse a relação contextualmente estabelecida,
Independentemente de quem seja o professor de ou seja, a criação de uma figura de linguagem (um tipo

Língua Portuguesa
Língua Portuguesa, é muito comum ele ouvir alguns de metáfora) para veicular um sentido particular.
alunos falando que até gostam da matéria em questão,
mas que possuem muita dificuldade com a interpre- Questão de interpretação?
tação dos textos. Isso é algo totalmente normal, prin- Como se faz para saber que uma questão de inter-
cipalmente porque costumamos fazer algo terrível pretação é uma questão de interpretação? É uma mera
chamado de “leitura dinâmica” que poderia ser tradu- intuição que surge na hora da prova ou existe uma
zido da seguinte maneira: procedimento em que você “pista” a ser seguida para a identificação da natureza
olha as palavras, mas não entende o significado do que da questão?
está lá escrito.
Respondendo a essas perguntas, entende-se que
Para interpretar um texto, o indivíduo precisa de há pistas que identificam a questão como pertencente
muita atenção e de muito treino. Interpretar pode ser ao rol de questões para interpretação. Os indícios mais
comparado com disparar uma arma: apenas temos precisos que costumam aparecer nas questões são:
chance de acertar o alvo se treinarmos muito e souber-
mos combinar todos os elementos externos ao disparo: →→ Reconhecimento da intenção do autor.
velocidade do ar, direção, distância etc. →→ Ponto de vista defendido.
Quando o assunto é texto, o primordial é estabe- →→ Argumentação do autor.
lecer uma relação contextual com aquilo que estamos →→ Sentido da sentença.
lendo. Montar o contexto significa associar o que está
escrito no texto base com o que está disposto nas Apesar disso, não são apenas esses os indícios de
questões. Lembre-se de que há uma questão montada que uma questão é de intepretação. Dependendo da
com a intenção de testar você, ou seja, deve ficar atento banca, podemos ter a natureza interpretativa distinta,
para todas as palavras e para todas as possibilidades de principalmente porque o critério de intepretação é mais
mudança de sentido que possa haver nas questões. subjetivo que objetivo. Algumas bancas podem restrin-
gir o entendimento do texto; outras podem extrapolá-lo.
É preciso, para entender as questões de interpre-
tação de qualquer banca, buscar o raciocínio que o ela-
borador da questão emprega na redação da questão.
Tipos de Texto - o Texto e suas Partes
Usualmente, objetiva-se a depreensão dos sentidos do Um texto é um todo. Um todo é constituído de
texto. Para tanto, destaque os itens fundamentais (as diversas partes. A interpretação é, sobremaneira, uma
ideias principais contidas nos parágrafos) para poder tentativa de reconhecer as intenções de quem comunica
refletir sobre tais itens dentro das questões. recompondo as partes para uma visão global do todo.
Para podermos interpretar, é necessário termos o
Semântica ou Pragmática? conhecimento prévio a respeito dos tipos de texto que,
Existe uma discussão acadêmica sobre o que possa fortuitamente, podemos encontrar em um concurso.
ser considerado como semântica e como pragmática. Vejamos quais são as distinções fundamentais com
Em que pese o fato de os universitários divergirem a relação aos tipos de texto.
respeito do assunto, vamos estabelecer uma distinção
simples, apenas para clarear nossos estudos.
→→ Semântica: disciplina que estuda o significa-
do dos termos. Para as questões relacionadas a Ao longo do século XVII, a Holanda foi um dos
essa área, o comum é que se questione acerca da dois motores de um fenômeno que transformaria
troca de algum termo e a manutenção do sentido para sempre a natureza das relações internacionais:
original da sentença. a primeira onda da chamada globalização. O outro
→→ Pragmática: disciplina que estuda o sentido motor daquela era de florescimento extraordiná-
que um termo assume dentro de determina- rio das trocas comerciais e culturais era um império
do contexto. Isso quer dizer que a identificação do outro lado do planeta − a China. Só na década de
desse sentido depende do entorno linguístico e da 1650, 40 000 homens partiram dos portos holande-
intenção de quem exprime a sentença. ses rumo ao Oriente, em busca dos produtos cobiça-
Para exemplificar essa situação, vejamos o exemplo dos que se fabricavam por lá. Mas a derrota em uma
abaixo: guerra contra a França encerrou os dias da Holanda
Pedro está na geladeira. como força dominante no comércio mundial.
Nesse caso, é possível que uma questão avalie a ca- Se o século XVI havia sido marcado pelas grandes
pacidade de o leitor compreender que há, no mínimo, descobertas, o seguinte testemunhou a consequên-
dois sentidos possíveis para essa sentença: um deles diz
respeito ao fato de a expressão “na geladeira” poder cia maior delas: o estabelecimento de um poderoso
significar algo como “ele foi até a geladeira buscar algo”, cinturão de comércio que ia da Europa à Ásia. “O
o que – coloquialmente – significaria uma expressão in- sonho de chegar à China é o fio imaginário que
dicativa de lugar. O outro sentido diz respeito ao fato de percorre a história da luta da Europa para fugir do iso-
“na geladeira” significar que “foi apartado de alguma lamento”, diz o escritor canadense Timothy Brook, no
coisa para receber algum tipo de punição”. livro O chapéu de Vermeer. 11
Isso determinou mudanças de comportamento e Conceituar, polemizar, questionar a lógica de algum
de valores: “Mais gente aprendia novas línguas e se tema, explicar ou mesmo comentar uma notícia são
ajustava a costumes desconhecidos”. O estímulo a estratégias dissertativas. Vamos dividir essa tipologia
esse movimento era o desejo irreprimível dos ociden- textual em dois tipos essencialmente diferentes: o dis-
tais de consumir as riquezas produzidas no Oriente. sertativo-expositivo e o dissertativo-argumentativo.
A princípio refratários ao comércio com o exterior, Padrão Dissertativo-Expositivo
os governantes chineses acabaram rendendo-se à A característica fundamental do padrão expo-
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evidência de que o comércio significava a injeção de sitivo da dissertação é utilizar a estrutura da prosa
riqueza na economia local (em especial sob a forma de não para convencer alguém de alguma coisa, e sim
toneladas de prata). para apresentar uma ideia, apresentar um conceito.
Sob vários aspectos, a China e a Holanda do século O princípio do texto expositivo não é a persuasão, é
XVII eram a tradução de um mesmo espírito de liberda- a informação e, justamente por tal fato, ficou conhe-
de comercial. Mas deveu-se só à Holanda a invenção cido como informativo. Para garantir uma boa inter-
da pioneira engrenagem econômica transnacional. A pretação desse padrão textual, é importante buscar
Companhia das Índias Orientais - a primeira grande a ideia principal (que deve estar presente na intro-
companhia de ações do mundo, criada em 1602 − foi a dução do texto) e, depois, entender quais serão os
mãe das multinacionais contemporâneas. Benefician- aspectos que farão o texto progredir.
do-se dos baixos impostos e da flexibilidade adminis- →→ Onde posso encontrar esse tipo de texto? Jornais
trativa, ela tornou-se a grande potência empresarial revistas, sites sobre o mundo de economia e
do século XVII. finanças. Diz-se que esse tipo de texto focaliza a
(Adaptado de: Marcelo Marthe. Veja, p. 136-137, 29 ago. 2012) função referencial da linguagem.
01. De acordo com o texto: →→ Como costuma ser o tipo de questão relacionada
a) Durante os séculos XVI e XVII, os produtos orien- ao texto dissertativo-expositivo? Geralmente, os
tais, especialmente aqueles que eram negocia- elaboradores questionam sobre as informações
dos na China, constituíram a base do comércio veiculadas pelo texto. A tendência é que o elabora-
europeu, em que se destacou a Holanda. dor inverta as informações contidas no texto.
b) A eficiência administrativa de uma empresa co- →→ Como resolver mais facilmente? Toda frase que
mercial criada na Holanda, durante o século XVII, mencionar o conceito ou a quantidade de alguma
favoreceu o surgimento desse país como um dos coisa deve ser destacada para facilitar a consulta.
polos iniciais do fenômeno da globalização. Padrão Dissertativo-Argumentativo
c) A atração por produtos exóticos, de origem No texto do padrão dissertativo-argumentativo,
oriental, determinou a criação de empresas existe uma opinião sendo defendida e existe uma
transnacionais que, durante os séculos XVI e XVII, posição ideológica por detrás de quem escreve o texto.
dominaram o comércio entre Europa e Ásia. Se analisarmos a divisão dos parágrafos de um texto
d) A China, beneficiada pelo comércio desde o com características argumentativas, perceberemos que
século XVI, rivalizou com a Holanda no predomí- a introdução apresenta sempre uma tese (ou hipótese)
nio comercial, em razão da grande procura por que é defendida ao longo dos parágrafos.
seus produtos, bastante cobiçados na Europa. Uma vez feito isso, o candidato deve entender qual
e) Apesar do intenso fluxo de comércio com o é a estratégia utilizada pelo produtor do texto para
Oriente no século XVII, as mudanças de valores defender seu ponto de vista. Na verdade, agora é o
por influência de costumes diferentes aceleraram momento de colocar “a mão na massa” para valer, uma
o declínio da superioridade comercial holandesa. vez que aqueles enunciados que iniciam com “infere-se
da argumentação do texto”, “depreende-se dos argu-
RESPOSTA: B. É preciso verificar que a chave para a in- mentos do autor” serão vencidos caso se observem os
terpretação dessa questão repousa na identificação da fatores de interpretação corretos.
representação do século descrito no texto e a retomada
por sinonímia que o texto da questão apresenta. Quais são esses fatores?
˃˃ A conexão entre as ideias do texto (atenção para
Itens lexicais de ancoragem para compreender essa as conjunções).
interpretação:
˃˃ Articulação entre as ideias do texto (atenção para
→→ 1602 - Século XVII. a combinação de argumentos).
→→ Mas deveu-se só à Holanda a invenção da pioneira ˃˃ Progressão do texto.
engrenagem econômica transnacional. A Compa-
nhia das Índias Orientais - a primeira grande com- →→ Os Recursos Argumentativos:
panhia de ações do mundo, criada em 1602 – foi a Quando o leitor interage com uma fonte textual,
mãe das multinacionais contemporâneas. deve observar - tratando-se de um texto com o padrão
dissertativo-argumentativo - que o autor se vale de
O Texto Dissertativo recursos argumentativos para construir seu raciocínio
dentro do texto. Vejamos alguns recursos importantes:
Nas acepções mais comuns do dicionário, o verbo
“dissertar” significa “discorrer ou opinar sobre algum ˃˃ Argumento de autoridade: baseado na expo-
tema”. O texto dissertativo apresenta uma ideia básica sição do pensamento de algum especialista ou
que começa a ser desdobrada em subitens ou termos alguma autoridade no assunto. Citações, paráfra-
menores. Cabe ressaltar que não existe apenas um tipo ses e menções ao indivíduo podem ser tomadas
de dissertação, há mais de uma maneira de o autor ao longo do texto. Tome cuidado para não cair na
12 escrever um texto dessa natureza. armadilha: saiba diferenciar se a opinião colocada
em foco é a do autor ou se é a do indivíduo que Preso no trânsito, ele queria saber se o túnel estava
ele cita ao longo do texto. fechado. “Tentei, pelo celular, o site do CGE (Centro
˃˃ Argumento com base em consenso: parte de de Gerenciamento de Emergências), mas achei muito
uma ideia tomada como consensual, o que complicado.” Foi aí que teve a ideia de criar o Alaga SP,
“carrega” o leitor a entender apenas aquilo que aplicativo que mostra os alagamentos ativos em São
o elaborador mostra. Sentenças do tipo todo Paulo a partir de informações da prefeitura.
mundo sabe que é de conhecimento geral que Além do Waze e do Alaga SP, destacam-se o Moovit

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identificam esse tipo de argumentação. - que oferece informações sobre o transporte público
˃˃ Argumento com fundamentação concreta: basear (ônibus, trens etc.) -, o Maplink - que mostra rotas, con-
aquilo que se diz em algum tipo de pesquisa ou dições de trânsito e exibe imagens dos principais corre-
fato que ocorre com certa frequência. dores através de um sistema de coleta de informações
˃˃ Argumento silogístico (com base em um raciocí- próprio - e o Apontador Rodoviário, que traça rotas e
nio lógico): do tipo hipotético - Se...então. mostra a localização de pedágios com seus preços.
˃˃ Argumento de competência linguística: consiste (André Monteiro, Folha de S.Paulo, 10.03.2013. Adaptado)
em adequar o discurso ao panorama linguístico 02. (VUNESP) Os aplicativos mencionados no texto
de quem é tido como possível leitor do texto. têm, em comum, a finalidade de:
˃˃ Argumento de exemplificação: utilizar casos, ou a) Oferecer aos usuários opções para contornarem
pequenos relatos para ilustrar a argumentação os problemas no trânsito.
do texto. b) Substituir os órgãos públicos na fiscalização do
tráfego de veículos.
c) Auxiliar os pedestres e acabar com os atropela-
mentos nas grandes cidades.
Costumamos olhar pouco para fora do Brasil d) Orientar os motoristas que desconhecem as prin-
quando tentamos compreender o que estamos cipais leis de trânsito.
vivendo. Faz muito que a distância entre os países de-
sapareceu, no plano objetivo. Continuamos, porém, e) Reduzir o número de carros por habitante na
vivendo “isolados do mundo”, como diz uma canção, cidade de São Paulo.
ainda que apenas na subjetividade. 03. (VUNESP) Uri Levine e Noel Rocha idealizaram
Se pensarmos no que está à nossa volta, na América os aplicativos Waze e Alaga SP, respectivamen-
do Sul, então, mais ainda. Mesmo quando é bem infor- te, a partir:
mado, o brasileiro típico se mostra mais capaz de dar a) Da conversa com amigos que reclamavam do
notícia do que ocorre na Europa e nos Estados Unidos trânsito.
da América do que em qualquer de nossos vizinhos. b) De suas experiências concretas como motoristas.
É pena, pois estar mais informados sobre o que c) De situações em que se viram presos em engarra-
acontece além das fronteiras pode ajudar muito a que famentos.
nos entendamos como país. d) Da impossibilidade de viajar devido a alagamentos.
Marcos Coimbra. Olhando à nossa volta. In: Correio Braziliense, e) Da cópia de aplicativos idênticos que faziam
23/9/2007 (com adaptações). sucesso no mercado.
01. (CESPE) O autor do texto, em sua argumentação, “Quando paro com meu carro no semáforo, já olho se
opõe o desaparecimento da distância entre os o caminho que vou fazer está congestionado. Se estiver,
Estados Unidos da América e a Europa, no “plano pego uma alternativa e, se também estiver travada, uso
objetivo”, à preservação dessa distância entre os o aplicativo para avisar os outros motoristas.”
países da América do Sul, no plano subjetivo.
Certo ( ) Errado ( ) 04. (VUNESP) Considerando as descrições dos apli-
cativos apresentadas no texto, pode-se concluir
Celular Vira ‘Fura-trânsito’ em São Paulo que esse comentário se refere ao uso do:
Em uma cidade com tantos problemas no trânsito a) Waze.
como São Paulo, a indústria de apps - os aplicativos b) Alaga SP.
para celulares e tablets - encontrou terreno fértil para
se desenvolver. c) Moovit.
d) Maplink.
Aplicativos lançados recentemente ajudam o moto-
rista a escapar de alagamentos, a desviar de congestio- e) Apontador Rodoviário.
namentos e até a saber onde há vagas para estacionar. Leia o primeiro parágrafo:
Um dos mais famosos é o Waze. Criado em Israel, Em uma cidade com tantos problemas no trânsito
é uma mistura de rede social com GPS, em que moto- como São Paulo, a indústria de apps – os aplicativos
ristas compartilham as condições do trânsito e pontos para celulares e tablets - encontrou terreno fértil para
críticos de congestionamento. se desenvolver.
Uri Levine, fundador e presidente do Waze, diz que 05. (VUNESP) A expressão terreno fértil pode ser
a ideia surgiu em suas férias de 2007, ao viajar com substituída, sem alteração da mensagem, por:
amigos. Ele foi o último a sair, ligou para saber como a) Necessidade restrita.
estava o trânsito e evitou engarrafamentos. b) Cenário conturbado.
Situação semelhante ocorreu em São Paulo, na c) Condições propícias.
temporada de chuvas de 2010. Noel Rocha trabalhava d) Ferramentas exóticas.
no centro e precisava passar pelo túnel do Anhangabaú
e) Momento contraditório. 13
- famoso pelos alagamentos.
Observe a passagem do terceiro parágrafo: Criado digital. Como exemplo, podem ser destacadas as pro-
em Israel, é uma mistura de rede social com GPS, em postas de fortalecimento da competitividade inseridas
que motoristas compartilham as condições do trânsito no âmbito da Política de Desenvolvimento Produtivo do
e pontos críticos de congestionamento. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio,
06. (VUNESP) O termo críticos, em destaque, é em- que são imprescindíveis em face do panorama da crise
pregado com o sentido de: financeira internacional.
a) Distintos. Cristiane Vianna Rauen et al. Relatório de acompanhamento
Língua Portuguesa

setorial. In: Tecnologias de informação e comunicação, v. III.


b) Provisórios. UNICAMP e Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial,
c) Sugestivos. ago./2009, p. 10-1 (com adaptações).
d) Problemáticos. No que diz respeito aos argumentos e às estruturas lin-
e) Analíticos. guísticas do texto acima, julgue o próximo item:
O novo milênio - designado como era do conheci- 09. (CESPE) Da leitura do texto depreende-se que as
mento, da informação - é marcado por mudanças de re- TICs representam a nova base tecnoprodutiva em
levante importância e por impactos econômicos, políti- conhecimento e podem ser consideradas as prin-
cos e sociais. Em épocas de transformações tão radicais cipais difusoras de progresso técnico nos dias de
e abrangentes como essa, caracterizada pela transição hoje, além de constituírem elemento estratégico
de uma era industrial para uma baseada no conheci- das organizações e instituições.
mento, aumenta-se o grau de indefinições e incertezas. Certo ( ) Errado ( )
Há, portanto, que se fazer esforço redobrado para iden-
tificar e compreender esses novos processos - o que Crescimento da População é “Desafio do Século”, diz
exige o desenvolvimento de um novo quadro concei- Consultor da ONU
tual e analítico que permita captar, mensurar e avaliar O crescimento populacional é o “desafio do século”
os elementos que determinam essas mudanças - e para e não está sendo tratado de forma adequada na
distinguir, entre as características e tendências emer- Rio+20, segundo o consultor do Fundo de População
gentes, as que são mais duradouras das que são transi- das Nações Unidas, Michael Herrmann.
tórias, ou seja, lidar com a necessidade do que Milton
Santos resumiu como distinguir o modo da moda. “O desafio do século é promover bem-estar para
uma população grande e em crescimento, ao mesmo
No novo padrão técnico-econômico, notam-se a tempo em que se assegura o uso sustentável dos
crescente inovação, intensidade e complexidade dos
conhecimentos desenvolvidos e a acelerada incorpora- recursos naturais” [...] “As questões relacionadas à
ção desses nos bens e serviços produzidos e comercia- população estão sendo tratadas de forma adequada
lizados pelas organizações e pela sociedade. Destacam- nas negociações atuais? Eu acho que não. O assunto é
-se, sobretudo, a maior velocidade, a confiabilidade e o muito sensível e muitos preferem evitá-lo. Mas nós es-
baixo custo de transmissão, armazenamento e proces- taremos enganando a nós mesmos se acharmos que é
samento de enormes quantidades de conhecimentos possível falar de desenvolvimento sustentável sem falar
codificados e de outros tipos de informação. sobre quantas pessoas seremos no planeta, onde esta-
Helena Maria Martins Lastres et al. Desafios e oportunidades da remos vivendo e que estilo de vida teremos”, afirmou.
era do conhecimento. In: São Paulo em Perspectiva, 16(3), 2002, p. No fim do ano passado, a população mundial
60-1 (com adaptações).
atingiu a marca de sete bilhões de pessoas. As proje-
A partir das ideias e dos argumentos suscitados pelo ções indicam que, em 2050, serão 9 bilhões. O cresci-
texto, julgue os itens subsequentes. mento é mais intenso nos países pobres, mas Herrmann
07. (CESPE) Da leitura do texto infere-se que o novo defende que os esforços para o enfrentamento do
milênio engloba a era do conhecimento, em que problema precisam ser globais.
a vantagem competitiva decorrente da produção
e comercialização de bens e serviços ocorrerá por “Se todos quiserem ter os padrões de vida do
meio da geração do conhecimento, que permitirá cidadão americano médio, precisaremos ter cinco
a manutenção do potencial inovador das organi- planetas para dar conta. Isso não é possível. Mas
zações. também não é aceitável falar para os países em desen-
Certo ( ) Errado ( ) volvimento ‘desculpa, vocês não podem ser ricos, nós
08. (CESPE) No texto, é abordada a necessidade de se não temos recursos suficientes’. É um desafio global,
lidar com as tendências e mudanças derivadas das que exige soluções globais e assistência ao desenvolvi-
novas formas de conhecimento, objeto do que se mento”, afirmou.
denomina, hoje, por era do conhecimento. O consultor disse ainda que o Fundo de População
Certo ( ) Errado ( ) da ONU é contrário a políticas de controle compulsório
O setor de tecnologias da informação e comunica- do crescimento da população. Segundo ele, as políticas
ção (TICs) impulsiona um conjunto de inovações técni- mais adequadas são aquelas que permitem às mulheres
co-científicas, organizacionais, sociais e institucionais, fazerem escolhas sobre o número de filhos que querem
gerando novas possibilidades de retorno econômico e o momento certo para engravidar. Para isso, diz, é ne-
e social nas mais variadas atividades. Por contribuir cessário ampliar o acesso à educação e aos serviços de
para a elevação do valor agregado da produção, com saúde reprodutiva e planejamento familiar. [...]
reflexos positivos no emprego, na renda e na qualidade
MENCHEN, Denise. Crescimento da população é “desafio do século”,
de vida da população, esse ramo vem obtendo status diz consultor da ONU. Folha de São Paulo. São Paulo, 11 jun. 2012.
privilegiado em diversas políticas e programas nacio- Ambiente. Disponível em:<http://www1.folha.uol.com.br/ambien-
14 nais para a ampliação do acesso às telecomunicações, te.1103277-crescimento-da-populacao-e-desafio-do--seculo-diz-
aceleração da informatização e mitigação da exclusão consultor-da-onu.shtml>. Acesso em: 22 jun. 2012. Adaptado.
10. (CESGRANRIO) No Texto I, Michael Herrmann, ____________________________________________
consultor do Fundo de População das Nações ____________________________________________
Unidas, afirma que tratar o crescimento popula- ____________________________________________
cional de forma adequada significa: ____________________________________________
a) Enfrentar o problema de forma localizada e evitar ____________________________________________
soluções globalizantes. ____________________________________________
b) Permitir a proliferação dos padrões de vida do ____________________________________________
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Língua Portuguesa
cidadão americano e rechaçar a miséria.
c) Evitar o enriquecimento dos países emergentes e ____________________________________________
incentivar a preservação ambiental nos demais. ____________________________________________
____________________________________________
d) Implementar uma política de controle populacio- ____________________________________________
nal compulsório e garantir acesso à educação e ____________________________________________
aos serviços de saúde reprodutiva. ____________________________________________
e) Promover o bem-estar da população e assegurar ____________________________________________
o uso sustentável dos recursos naturais. ____________________________________________
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01 ERRADO 06 D ____________________________________________
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02 A 07 CERTO ____________________________________________
03 B 08 CERTO ____________________________________________
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04 A 09 CERTO ____________________________________________
05 C 10 E ____________________________________________
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CAPÍTULO 01 Por Exófora: o mais arriscado. Consiste em fazer
menção a algo que não está no texto, pressupondo que
o leitor/corretor partilhe do conhecimento em questão.
A Redação em Concurso Público Algumas Dicas para Estabelecer
Seja em concurso público, seja no vestibular, Coesão Remissiva
sempre há alguém dizendo que possui dificuldades →→ Pronomes
com a escrita.
Com esses termos, você consegue escapar da re-
A Ausência de Prática petição de palavras e expressões. Ficou difícil conectar

Redação
É o principal motivo para o desconforto em relação sentenças? Coloque um pronome que tudo se resolve.
à produção de textos. Não é preciso ser talentoso ou Ex.: A situação do pobre e do rico é bem dife-
um grande literato para se redigir um texto digno de rente. Tem o pobre lutando para sobreviver e
boa pontuação. Como qualquer outra coisa na vida, a tem o rico que luta para não se matar por não
escrita é uma simples soma de estudo e esforço. O bom ter nada o que fazer.
escritor (para o mundo dos concursos) não é o mais
criativo, nem o que detém o melhor vocabulário, mas Reescrevendo:
sim o que mais pratica a ordenação das ideias no papel. Ex.: O pobre e o rico possuem situações de
Há quem negligencie a importância da redação na vida bem diferentes: enquanto aquele luta
prova de concurso público. Deve-se entender a prova para sobreviver, este luta para não se matar
de redação, não como um aliado, um instrumento a em virtude do ócio.
mais para se conseguir o cargo desejado. Entenda que Os pronomes demonstrativos estabeleceram a
a redação pode ser o fator decisivo para a aprovação, relação de coesão.
portanto é preciso ter confiança e trabalhar o texto!
Ex.: A violência já se tornou uma característica
Vamos estudar os elementos necessários para o es- da sociedade contemporânea. A violência in-
tabelecimento de coesão e coerência, os operadores fluencia o comportamento das pessoas.
(elementos estruturais necessários) do texto disserta-
tivo, bem como os princípios da argumentação e com- Reescrevendo:
preensão das propostas. Ex.: A violência já se tornou uma característica
da sociedade contemporânea. Isso influencia o
Palavras-Chave em Concurso comportamento das pessoas.
Público - Coesão, →→ Sinônimos / perífrases:
Progressão e Coerência Quando estiver difícil parar de repetir um termo, use
um sinônimo, ou uma expressão que possa retomá-lo.
Coesão »» Ex.: Osama Bin Laden foi capturado e acusado
Basicamente, a coesão diz respeito aos elemen- de inúmeros crimes. Tem-se certeza de que o
tos de amarração de um texto. Há uma necessidade terrorista líder da Al-Qaeda foi o responsável
muito grande de se conectar aquilo que escrevemos. pela maioria dos eventos transgressores.
Para isso, os elementos de coesão são imprescindíveis. →→ Verbos vicários:
Exemplo de texto que não está coeso.
São os verbos que retomam um segmento sem
Ex.: 1 - O ser humano está no planeta há repeti-lo. O concursando mais escolado em Português
milênios e não aprende a cuidar do planeta. O sabe como o utilizar.
problema do ser humano é que é muito am-
bicioso, só quer ficar rico e não pensa que o Ex.: O governo brasileiro precisa providenciar
planeta pode sofrer com a ambição dele. uma reforma da previdência, só não providen-
Exemplo de texto coeso. cia essa reforma porque é muito trabalhoso.
Ex.: 2 - Parece que o ser humano não aprendeu a ˃˃ Reescrevendo:
cuidar do planeta, mesmo estando nele há muito Ex.: O governo brasileiro precisa providen-
tempo. A ambição do homem, que o dirige à ciar uma reforma da previdência, só não o faz
busca de sempre maior satisfação pessoal, pode porque é muito trabalhoso.
trazer prejuízos ao ambiente em que vive.
No exemplo 2 o texto ficou mais fluido para a Você teve uma ideia básica de como se pode esta-
leitura, mais agradável e, evidentemente, mais com- belecer coesão no texto. Agora precisa treinar.
preensível. Isso ocorreu porque foram utilizados os me-
canismos de coesão para “amarrar” o que estava sendo
Progressão - Como Realizar
escrito. Assim ficou fácil para ler e compreender o que A maneira como um texto está encadeado permite
se estava transmitindo. compreender qual foi a estratégia de progressão utiliza-
da pelo autor. Vamos demonstrar isso com um exemplo.
Há, basicamente, três maneiras de se estabelecer
conexão entre as ideias de um texto: Imagine que, ao ler o tema da redação, você veja a
seguinte temática.
Por Anáfora: a mais simples. Consiste em fazer
remissão a um termo ou ideia citada anteriormente ˃˃ Pena de morte no Brasil: uma solução ou apenas
no texto. Os pronomes desempenham muito bem essa mais um problema administrativo
função. Em primeiro lugar, posicione-se em relação ao
Por Catáfora: um recurso interessante. Consiste tema, portanto não pode ficar indeciso.
em apontar para algo que será dito posteriormente no Em segundo lugar, em uma folha de rascunho
texto. Também há pronomes próprios para isso (os de- escreva todos os argumentos que considera como
monstrativos “este”, “esta” e “isto”, por exemplo). cabíveis para a construção de seu texto. Assim , é 65
possível a seleção daquilo que fará o texto progredir. Para Começar o Desenvolvimento
Vamos construir o raciocínio: Inicialmente.
→→ Minha posição: Primeiramente.
˃˃ A pena de morte é um problema! Em primeiro lugar.
→→ Meus argumentos: A priori.
Viola a Declaração dos Direitos Humanos; Primariamente.
A Constituição Federal não permite; Em primeira análise.
“Só Deus pode tirar a vida de alguém”; Em primeiro plano.
Redação

É um retrocesso na evolução do homem; Antes de tudo.


Não há sistema judicial preparado o suficiente Desde já.
para não cometer erros;
O Estado não pode ser um assassino;
Para Amarrar o Parágrafo
Sequencialmente.
O processo de aplicação da pena seria muito
moroso e burocrático. Posteriormente.
Em segundo lugar.
Há muitas ideias, mas nem todas estão em
conexão. Não haveria tempo (linhas) para aprofundar A posteriori.
todos esses conhecimentos, portanto o texto ficaria Acresce que.
raso, além do fato de ser quase impossível encadear Em segunda análise.
todos esses argumentos em apenas uma linha de ra- Em segundo plano.
ciocínio. Em virtude disso, é necessário escolher os
argumentos que serão utilizados. Para tanto, basta ver Do mesmo modo.
quais possuem algum tipo de relação, depois escolher a Ainda por cima.
ordem que será empregada no texto. Vejamos: Para Finalizar o Texto
→→ Meus argumentos Finalmente.
Viola a Declaração dos Direitos Humanos. Em conclusão.
A Constituição Federal não permite. Assim.
“Só Deus pode tirar a vida de alguém”. Então.
É um retrocesso na evolução do homem. Portanto.
Não há sistema judicial preparado o suficiente Afinal.
para não cometer erros.
Logo.
O Estado não pode ser um assassino.
Em suma.
O processo de aplicação da pena seria muito
moroso e burocrático. Use as ferramentas acima para garantir a progres-
→→ Ordem sugerida: Crescente (+ fraco para + forte) são do seu texto.
O processo de aplicação da pena seria muito →→ Coerência
moroso e burocrático. Em poucas palavras: coerência é fazer sentido. É o
Não há sistema judicial preparado o suficiente texto ter noção. Ao redigir um texto, a incoerência fica
para não cometer erros. a cargo de se utilizar um argumento que contradiga suas
A Constituição Federal não permite. ideias principais subjacentes ao texto. Ou seja, “desdizer
Viola a Declaração dos Direitos Humanos. o que você estava dizendo”. Entre outros aspectos, ava-
lia-se a coerência segundo estes elementos:
→→ Ordem sugerida: Decrescente (+ forte para + fraco)
a) Adequação ao tema.
O processo de aplicação da pena seria muito
moroso e burocrático. b) Pertinência do argumento.
Não há sistema judicial preparado o suficiente c) Aprofundamento do texto.
para não cometer erros. d) Não-contradição.
A Constituição Federal não permite. e) Fuga do senso-comum.
Viola a Declaração dos Direitos Humanos.
As ideias que ficariam “voando” ao longo do texto
Dissertação
foram retiradas. Seria muito difícil ligar esses argumen- O conceito de dissertação é simples: informar algo
tos no corpo do texto; deixe-os, portanto, de lado. Com ou opinar sobre algo. Na verdade, quando alguém
aquilo que sobrou, preencha o seu texto encadeando disserta sobre um assunto, busca expor conceitos ou
os argumentos do mais forte para o mais fraco (escala argumentos com base em alguma fundamentação, isso
decrescente), ou do mais fraco para o mais forte (escala quer dizer que é possível defender ou atacar pontos
crescente). Assim, o texto progride e fica claro. de vista sobre algum assunto. Essa é apenas uma das
Alguns elementos (palavras/expressões-cha- possibilidades da dissertação, dentre as várias facetas
ve) que você pode utilizar para dar progressão e que esse tipo de texto (extremamente cobrado em
66 conectar o seu texto: concurso público) oferta a quem deseja escrever.
Seria descabido contar uma história ou fazer um acompanhamento continuado da política não se apresen-
relato se a proposta pede um texto que exige um “po- tam como restritivos da liberdade individual. Pelo contrá-
sicionamento”, ou seja, um texto dissertativo. Aliás, não rio, são obrigações auto-assumidas no esforço de cons-
é interesse do corretor saber se o candidato é “criativo”, trução e aprofundamento da democracia e de vigília na
mas sim saber se ele (candidato) tem condições de ar- defesa das liberdades individuais e públicas.
ticular ideias em uma sequência lógica. Não há estra- A ideia de que a democracia se constrói nas lutas
tégias milagrosas para escrever uma dissertação, basta do dia a dia se contrapõe, na essência, ao modelo
compreender a estrutura e exercitar. Abaixo, eis algumas liberal. O cidadão escolado na disputa política sabe
especificações acerca dos tipos de dissertação. que a liberdade de não ir votar é uma armadilha. Para

Redação
que o sufrágio continue universal, para que todo poder
Tipos de Texto Dissertativo emane do povo e não, dos donos do poder econômico,
Expositivo. o voto, além de ser um direito, deve conservar a sua
Argumentativo. condição de dever cívico.
Misto. Léo Lince. Em defesa do voto obrigatório. Internet: www.correioci-
→→ O texto Expositivo dadania.com.br (com adaptações)
Conceitual. Estrutura do Texto Dissertativo
Informacional. • Introdução (tema + argumentos)
Aspectos descritivos. • Desenvolvimento (defesa dos argumentos)
Não exige posicionamento. • Conclusão (aquilo que se entende a partir
»» Ex.: Texto expositivo (CESPE): dos argumentos)
Nas farmácias brasileiras, os comprimidos de →→ Introdução
extrato de ginkgo vendidos só com receita médica »» Tema (linhas inicias).
competem com cápsulas de pó moído e folhas, em em-
balagens expostas nas prateleiras ao alcance do consu- »» Argumentos (apresentando a estratégia).
midor. Muita gente relata efeitos benéficos advindos »» Prévia da conclusão.
dessas fórmulas alternativas. Mas seriam elas tão ˃˃ Proibições:
eficazes quanto os comprimidos vendidos com receita?
A resposta é não. »» Iniciar com a mesma sentença do tema.
Pesquisadores da UFSC fizeram testes para saber »» Iniciar com pronome demonstrativo.
quanto há de componentes do extrato EGb 761 nessas »» Iniciar com a palavra “atualmente”.
cápsulas e nas folhas da planta. Conclusão: para obter Seguem algumas dicas de como fazer a introdu-
a mesma quantidade de um único comprimido de 120 ção de seu texto dissertativo. Vamos utilizar um tema
mg, seriam necessárias 20 cápsulas de 200 mg de pó simples para introduzir todos os textos: sistema prisio-
moído. Quanto ao chá, a eficácia depende da qualida- nal brasileiro.
de da matéria-prima. “Mas seria preciso ingerir grande
quantidade, já que os teores das substâncias ativas no Sentença Declarativa
chá caseiro são baixos”, afirma a autora do trabalho e Trata-se de utilizar uma afirmação para introduzir o
pesquisadora da UFSC. Segundo ela, a proporção ideal texto. A partir da informação, desenvolvem-se as con-
só é obtida com os extratos secos padronizados.
siderações.
Internet: www.saude.abril.com.br (com adaptações)
Ex.: Não há como negar que o sistema prisional
»» Ex.: Texto argumentativo (CESPE): brasileiro precisa de uma séria revisão estrutural.
O voto, direito duramente conquistado, deve ser
considerado um dever cívico, sem o exercício do qual o Interrogação
direito se descaracteriza ou se perde, afinal liberdade e Nessa estratégia, basta introduzir o texto com uma
democracia são fins e não apenas meios. Quem vive em pergunta que servirá de substrato para o desenvolvi-
uma comunidade política não pode estar desobrigado mento do texto. Lembre-se de que a pergunta DEVE ser
de opinar sobre os rumos dela. Nada contra a desobe- respondida.
diência civil, recurso legítimo para o protesto cidadão,
que, no caso eleitoral, se pode expressar no voto nulo Ex.: Há uma questão que reverbera na socieda-
(cuja tecla deveria constar na máquina utilizada para de brasileira com relação à segurança pública:
votação). Com o voto facultativo, o direito de votar e deve haver uma revisão estrutural no sistema
o de não votar ficam inscritos, em pé de igualdade, no prisional do país?
corpo legal. Uma parte do eleitorado deixará voluntaria-
mente de opinar sobre a constituição do poder político.
Relação Adversativa
Nessa estratégia, é eficaz construir uma relação de
O desinteresse pela política e a descrença no voto oposição nas linhas iniciais para que sirva de motivação
são registrados como mera “escolha”, sequer como
desobediência civil ou protesto. A consagração da alie- à construção do texto.
nação política como um direito legal interessa aos con- Ex.: Se, por um lado, verificam-se estabele-
servadores, reduz o peso da soberania popular e des- cimentos prisionais com estrutura adequada
constitui o sufrágio como universal. em algumas regiões do país, por outro, é
Para o cidadão ativo, que, além de votar, se organiza visível a situação de decadência e descaso
para garantir os direitos civis, políticos e sociais, o enfoque com os presidiários. Esse fato aponta para
é inteiramente outro. O tempo e o trabalho dedicados ao uma necessidade de revisão estrutural do 67
sistema prisional brasileiro.
Referência Histórica Desenvolvimento:
Uma das técnicas mais eficazes está nesse item. 1º parágrafo: O descaso em questão pode ser evi-
Basta utilizar alguma alusão histórica para fundamen- denciado na falta de cuidado com a estrutura física de
tar o texto. alguns presídios do Brasil que, sem capacidade para
Ex.: Não é de hoje que o sistema prisional brasi- suportar o enorme contingente de presidiários, acaba
leiro apresenta problemas. No ano de (colocar sujeitando-os a um confinamento humilhante, com
a data e o dado histórico). baixíssimas condições de saúde e desenvolvimento in-
telectual. Não é de se estranhar que a violência acabe
Palavra - Chave por ser um atrativo para o indivíduo que se encontra
Redação

Partindo de um conceito simples, pode-se desen- nesse contexto.


volver todo o texto. 2º parágrafo: Como não bastasse a impossibilida-
Ex.: Revisão estrutural completa. Esse termo é de de haver vida digna dentro do presídio, a perspec-
cada vez mais merecedor de atenção e reflexão tiva do lado de fora da carceragem não é muito boa. A
das autoridades brasileiras quando se fala ausência de políticas de reinserção do apenado faz com
sobre o sistema prisional brasileiro. Seja por que ele seja, cada vez mais, impelido a voltar para a cri-
isso... seja por aquilo. minalidade, uma vez que ela parece ser a única forma
de “atuação” que o sistema social brasileiro da contem-
Relação Causal - Consecutiva poraneidade parece lhe oferecer.
Basta enunciar a relação de causa e consequência Você percebe que não é necessário de muito para
com a qual se trabalhará ao longo do texto.
construir todo o parágrafo? Isso aconteceu porque, na
Ex.: A causa principal para a necessidade de composição de cada parágrafo, utilizamos as estrutu-
uma revisão estrutural no sistema prisional bra- ras que já estavam separadas na seleção de argumen-
sileiro é o descaso com a pessoa humana que é tos, fato que facilitou extremamente a composição do
verificado nos presídios pelo país. texto. Se achar interessante, pode treinar essa tática.
→→ Estratégias para o desenvolvimento do texto
Para desenvolver o seu texto com qualidade e Enumeração de Fatos
solidez, é preciso que entenda o desenvolvimento do Na estratégia em questão, pode-se partir de uma
texto esteja intimamente atrelado à sua introdução, constatação simples (o que faz par com a introdução
pois, quando se parte das sentenças introdutórias, en- por meio da sentença declarativa), para que, posterior-
caminhar o desenvolvimento fica muito mais fácil. Para mente, os fatos selecionados sirvam para corroborar
tanto, siga as estratégias abaixo. com a sentença inicial.
Causa e Consequência Tema: Quais são as vantagens da utilização da
Na presente estratégia, a ideia central é selecionar a tecnologia na educação em um contexto no qual
temática pensando nos argumentos a serem desenvolvi- é grande o número de analfabetos?
dos. A partir disso, começa-se a identificar as causas do Argumento: há vantagens!
termo em questão, para que, ao longo dos parágrafos, Fatos:
sejam identificadas as consequências provenientes das
informações iniciais. Isso tudo parece muito abstrato, A tecnologia pode acelerar e facilitar o processo
por isso, vamos tentar simplificar com exemplos. de alfabetização.
Para o exemplo em questão, vamos partir da intro- A capacitação dos profissionais pode ser
dução proposta anteriormente, feita na relação causal- ampliada por meio dos avanços tecnológicos.
-consecutiva, só então partiremos ao desenvolvimento. →→ Desenvolvimento do texto:
Tema: Sistema prisional brasileiro. Introdução: Não há como negar que a tecnolo-
Argumentos: Precisa de uma reforma estru- gia, quando bem empregada, propicia avanços
tural porque existe descaso com a pessoa tremendos. A situação é ainda mais interessante
humana. quando a união dos avanços tecnológicos se dá
Causas: com a educação. Mesmo num contexto em que
O descaso se mostra na falta de cuidado com a o analfabetismo ainda é uma realidade, como é o
estrutura física de alguns presídios. caso do Brasil, vislumbram-se perspectivas tangí-
veis de melhora.
Há descaso também na ausência de políticas de
reinserção social do apenado. 1º parágrafo: A primeira vantagem do provável
binômio tecnologia-educação é a possibilidade
Consequências:
da redução do número de analfabetos efetivos
Humilhação, baixa condição de saúde e desen- em todo o território nacional. A utilização de soft-
volvimento intelectual. wares que otimizem o processo de aquisição da
Ausência de perspectiva de vida para o presi- escrita e realização da leitura pode surtir resulta-
diário após sua saída da penitenciária, o que o dos positivos. Quer dizer, essa contribuição está
impele a continuar com a criminalidade. relacionada ao emprego dos computadores no
Introdução: contexto educativo, o que pode, ainda, ser me-
A causa principal para a necessidade de uma lhorado, levando em consideração que o material
revisão estrutural no sistema prisional brasileiro é o audiovisual (retroprojetores, rádios, aparelhos
68 descaso com a pessoa humana que é verificado nos de blu-ray etc.) propicia um contato mais lúdico
presídios pelo país. do conteúdo para com os possíveis estudantes.
˃˃ 2º parágrafo: Como se sabe, a capacitação do sempre se dedica atenção suficiente à compreensão
profissional da educação é primordial para que da estrutura interna de todos esses elementos que
o desenvolvimento do trabalho docente seja compõem a materialidade do texto, o que acaba por
eficiente. Logo, com o emprego dos recursos permitir que uma lacuna se forme na compreensão que
tecnológicos disponíveis, a exemplo de aulas o concursando possui de dissertação - quer seja argu-
online, cursos de pós-graduação a distância, “au- mentativa, quer seja meramente expositiva.
diobooks” (livros narrados para reduzir o tempo Avaliando a construção dos parágrafos de um
de leitura de uma obra), acervos virtuais entre texto com nuanças dissertativas, percebe-se que um
outras ferramentas, a prática do profissional da elemento é primordial para o sucesso da argumentação

Redação
educação, além de ser facilitada, é aprimorada.
ou da exposição: o tópico frasal, sólido e bem definido.
Foram escritos apenas dois parágrafos. Claramente, O que significa dizer que se deve apresentar uma ideia
a intenção é mostrar que há possibilidade de se desen- ou conceito que será o alvo do parágrafo, sobre o que
volver um texto com tranquilidade. Você pode, como você irá escrever, expondo ou argumentando sobre.
recurso metodológico que vise ao aprimoramento de
sua redação, escrever mais parágrafos sequenciais, ou O tópico frasal deve ser claro, curto e objetivo. Nunca
mesmo reescrever os parágrafos que aí estão. A ideia é deixe seu parágrafo ficar confuso, ou apresentar mais
nunca desanimar e testar todas as possibilidades. ideias do que o conveniente, entendendo que o conve-
niente é inserir uma ideia de cada vez em cada possibi-
Nos próximos itens, vamos lançar a ideia para você lidade de desenvolvimento. A exceção é feita ao pará-
desenvolver.
grafo introdutório, no qual se pode fazer um pequeno
Alusão Histórica “resumo” do propósito do texto. Desse modo, o texto
No desenvolvimento por alusão histórica, parte-se fica organizado e fácil de ler.
da introdução em que se utiliza a mesma estratégia, Uma vez estabelecido o tópico frasal, além das pos-
para estabelecer um tipo de “genealogia” da temática sibilidades de quem já possui uma grande desenvoltura
em questão. Não se esqueça de que os argumentos his- na escrita, há três básicas estratégias: indicar a causa
tóricos servirão para comprovar o que se defende no do fato; dar uma explicação para o fato, ou realizar a
texto, por isso, devem-se alinhavar muito bem os epi- defesa daquilo que se disse. Portanto, após escolher a
sódios selecionados. sentença a ser trabalhada no parágrafo, adote um dos
Eis uma possibilidade de introdução para que você procedimentos mencionados anteriormente, assim,
pesquise e desenvolva seu texto. evita-se que o parágrafo fuja da temática proposta.
Tema: combate às drogas no território brasileiro. →→ Lembre-se de que o tópico frasal possui algumas
˃˃ Sugestão de introdução para ser desenvolvida: exigências:
Em retrospecto à situação do combate às drogas Concisão;
no território brasileiro, alguns dados históricos revelam Clareza;
uma estatística importante. Solidez;
˃˃ Discurso autorizado (fala de especialista) Coerência;
Utilizando o discurso autorizado, transmite-se a Objetividade;
impressão de maior consistência argumentativa. A
Bom espaço na margem;
dica aqui é a seguinte: não copie trechos da proposta,
tampouco invente informações, pensando que vá dar Pontuação precisa.
certo. O corretor sabe que, quando você escreve “pes-
quisas mostram”, “cientistas revelam”, está, na realidade,
tentando convencê-lo de algo que nem você tem certeza.
Agora, você pode resumir essas táticas em uma Se quiser utilizar um exemplo comprobatório em seu
tabela e buscar a mais fácil de desenvolver em sua parágrafo do desenvolvimento, fique à vontade, porém
prática de escrita. não se permita exagerar, inventar ou inserir itens que
não estejam relacionados à temática ou à proposta.
O Parágrafo Dissertativo
É o momento de analisarmos a estrutura do pará- A Justa Medida do Parágrafo
grafo dissertativo, ou seja, como compor um parágrafo Há uma consideração importante a ser feita com
claro e que possua qualidade. Primeiramente, é preciso relação à extensão do parágrafo num texto dissertati-
entender que há limites impostos pela propriedade da vo. A justa medida, a medida “áurea” para os parágra-
estrutura dissertativa, quer dizer que não se pode sim- fos de desenvolvimento é de sete linhas. Sim, se fizer
plesmente tentar inovar o que já tem sido um padrão o cálculo com relação ao número de linhas, perceberá
de escrita há tantos anos. Ninguém vai reinventar o que três parágrafos com essa numeração somados à
texto dissertativo, portanto fique atento às ideias prin- introdução e conclusão fecham, a distribuição perfeita
cipais relacionadas ao princípio de construção do pará-
grafo na dissertação. das ideias no texto.
Isso significa que, se um parágrafo do seu texto
O Tópico Frasal - um Conceito extrapolar o limite, como ocorre em algumas situa-
Importantíssimo ções, provavelmente, o peso de seus argumentos será
Cada texto possui uma temática específica, é claro, afetado, ou seja, haverá um problema de distribuição
das ideias do texto: algumas ficarão com menor apro-
com suas estratégias de desenvolvimento, seus argu-
fundamento; outras ficarão com aprofundamento 69
mentos, suas posições “ideológicas” etc. Porém, nem
demasiado. O velho mestre Aristóteles bem conhecia Outras possibilidades de textos na redação
que a “justa medida” - o equilíbrio entre um atributo Dentre as inúmeras possibilidades relacionadas a
em excesso ou em falta - é o essencial para se atingir gêneros textuais para as questões discursivas (prova
qualquer objetivo. de redação), destaco, agora, algumas que, a despeito
da força da dissertação, costumam receber alguma
Entendendo a Temática atenção. São elas:
Quando o concursando lê a prova discursiva e se →→ Narrativo:
depara com a temática proposta, acaba, em algumas
situações, por não conseguir entender como deve a) Foco em sequenciar ações.
Redação

proceder à escritura do texto. Bem, para que isso não b) Carta argumentativa.
ocorra, vamos antecipar como costumam ser as temá- c) Foco em persuadir um interlocutor determinado.
ticas apresentadas em concursos públicos.
d) Descrição.
˃˃ Padrão 1
e) Foco em apontar características.
Temática direta e objetiva:
f) Resumo.
Nesse padrão, deve-se observar a temática, sempre
buscando conceitos-chave que façam remissão ao Foco em extrair informações essenciais de um texto.
conteúdo proposto. Desse modo, é possível ficar preso Vamos buscar compreender as necessidades e ca-
ao tema. racterísticas especiais de cada item acima mencionado.
˃˃ Padrão 2
Temática direta e objetiva com posicionamento:
O Texto Narrativo
Sucintamente, narrar significa sequenciar ações,
Nesse padrão, além de focalizar diretamente a ou seja, encadeá-las de modo que progridam de forma
temática, quer dizer, possuir objetividade é necessário coerente e inteligível para o leitor. É claro que o texto
também deixar clara sua posição com relação ao tema. narrativo não é o mais simples de ser escrito, a despeito
Lembrete: o posicionamento não deve ser feito por
de utilizarmos estratégias narrativas em muitos
meio da 1ª pessoa do singular.
momentos do nosso dia. “Contar” uma “estória” carece
˃˃ Padrão 3 de uma série de aspectos e elementos, os quais, jus-
Temática direta e objetiva com posicionamen- tamente por serem inerentes à narração, não podem
to + subitens: ser esquecidos ou deixados de lado. Isto é, o texto nar-
Nesse padrão, a posição clara com relação à temática rativo possui elementos de progressão e operadores
deve ser acompanhada de uma focalização direta nos textuais que nos permitem compreender o princípio de
subitens. Separe um parágrafo para cada subitem pedido encadeamento das situações narradas. É o que passa-
no texto, uma vez que, dessa forma, o corretor percebe remos a estudar.
que houve distribuição equivalente dos argumentos →→ Elementos de progressão narrativa
com relações aos subitens.
Embora a teoria possa elencar outros elementos,
˃˃ Padrão 4 eis os mais relevantes para o concursando:
Temática direta e objetiva + subitens: a) Apresentação:
Nesse padrão, não é necessário mostrar posição, Também identificada como “situação inicial” é o
pois o texto é expositivo, então, não há com que se momento em que ocorre a introdução de personagens,
preocupar em relação à convencimento. Basta apostar preparação para a ação que será abordada. Há, nesse
em uma progressão clara do texto.
momento, a possibilidade de se fazer a descrição do
˃˃ Padrão 5 local da ação. Para uma redação de concurso, não é in-
Temática indireta (subjetiva): teressante fazer uma apresentação muito extensa.
Nesse padrão, a preocupação do concursando é b) Conflito:
conseguir abstrair o assunto da temática, ou seja, o É o “problema” da narrativa, ou seja, é aquilo que
histórico de leituras permite que o candidato consiga motiva a ação do texto.
interpretar a mensagem tratada e abordar com consis-
tência o tema da redação. c) Nó:
É a complicação do problema inicial da narrativa.
Conclusão do Texto Quer dizer, aquilo que motiva a tensão do texto a ficar
A conclusão do texto possui, basicamente, três ainda maior.
funções: d) Clímax:
a) Retomar a ideia inicial, asseverando a posição de- É o ponto alto da narrativa, o momento máximo da
fendida, para um fechamento coerente da estrutu- estória. Para ficar mais claro, o clímax é a ação final que
ra do texto. há de gerar o desfecho do texto.
b) Se a proposta pedir, a conclusão serve para propor e) Desfecho:
soluções para os problemas apresentados no texto. Também chamado de conclusão ou resolução,
c) Finalmente, criar um impacto no leitor. Um consiste no encerramento da ação da narrativa, apre-
cuidado, porém: não pense que usar chavões, sentando um final fechado (claro, sabe-se o que
frases de efeito ou citações que não foram traba- ocorre) ou aberto (obscuro, não se tem certeza do que
70 lhadas no texto anteriormente possa fazer o seu ocorreu). Para o concurso público, o candidato deve
texto brilhar. O efeito será contrário! preferir os finais fechados.
Operadores do Texto Narrativo b) Antagonista: não possui presença obrigatória. É
definido como quem se opõe ao protagonista da
São operadores (termos que compõem) do texto ação.
narrativo:
c) Adjuvantes: também não possuem presença
a) Narrador: Quem conta. obrigatória. São definidos como os secundários,
c) Tempo: Quando ocorre. aqueles que figuram ação que não são, necessaria-
e) Espaço: Onde ocorre. mente, as principais.
g) Personagens: Quem pratica as ações. É salutar, em uma prova de concurso, não utilizar-
mos personagens em demasia. Os diálogos serão indis-
Comentário Sobre cada Operador

Redação
pensáveis apenas quando a banca solicitar.
→→ Narrador:
˃˃ Para não nos delongarmos em um sem-número Exemplo de Texto Narrativo
de classificações, vamos explicar o narrador ˃˃ Tudo bem filho, todo mundo faz isso
partindo da ideia de foco narrativo. Johnny tinha seis anos de idade e estava em com-
a) Autodiegético: panhia do pai quando este foi flagrado ao dirigir em
É o foco em que o narrador conta algo de que parti- excesso de velocidade. O pai entregou ao guarda, junto
cipou como personagem principal, como protagonista. à sua carteira de motorista, uma nota de vinte dólares.
Conta a própria história. “Está tudo bem, filho”, disse ele quando voltaram à
b) Homodiegético: estrada. “Todo mundo faz isso!”
É o foco em que o narrador conta algo de que par- Quando Johnny tinha oito anos, deixaram que assis-
ticipou, mas não como personagem principal, e sim tisse a uma reunião de família, dirigida pelo tio George,
como um tipo de elemento secundário à ação. a respeito das maneiras mais seguras de sonegar o
c) Heterodiegético: imposto de renda. “Está tudo bem, garoto”, disse o tio.
É foco em que o narrador conta algo de que não “Todo mundo faz isso!”
participou, podendo conhecer todos os eventos ou Aos nove anos, a mãe levou-o, pela primeira vez, ao
mesmo uma parte deles (aquilo que conta). teatro. O bilheteiro não conseguia arranjar lugares até
→→ Tempo: que a mãe de Johnny lhe deu, por fora, cinco dólares.
“Tudo bem, filho”, disse ela. “Todo mundo faz isso!”
˃˃ Esse é o “quando” da narrativa.
Aos dezesseis anos, Johnny arranjou seu primeiro
a) Cronológico: emprego. Nas férias de verão, trabalhou em um su-
É o tempo marcado por uma sequência lógica permercado. Seu trabalho: pôr os morangos maduros
de datas (dias, meses, anos). O tempo cronológico demais no fundo das caixas e os bons em cima, para lu-
também pode ser dado em uma sequência de horas ou dibriar o freguês. “Tudo bem, garoto”, disse o gerente.
minutos. “Todo mundo faz isso!”
b) Psicológico: Quando Johnny tinha 19 anos, um dos colegas mais
É o tempo sem marcação lógica, ou seja, as frontei- adiantados lhe ofereceu, por cinquenta dólares, as
ras que são determinadas na cronologia, desaparecem questões que iam cair na prova. “ Tudo bem garoto”,
nessa estratégia narrativa. disse ele. “Todo mundo faz isso!”
c) Da narrativa: Flagrado colando, Johnny foi expulso da sala e
Apesar de não haver marcação temporal clara voltou para casa com o rabo entre as pernas. “Como
nessa estratégia de composição, o leitor conhece que a você pôde fazer isso com sua mãe e comigo?”, disse o
ação progride por meio da análise dos tempos verbais pai. “Você nunca aprendeu estas coisas em casa!”. Se
ou de palavras como: depois disso, de repente, então, há uma coisa que o mundo adulto não pode tolerar é
posteriormente, etc. um garoto que cola nos exames...
http://pcdec.sites.uol.com.br/tudobemfilho.htm
O concursando deve, sempre, optar pelo tempo
cronológico, pois é mais simples de ser inserido. A Carta Argumentativa
→→ Espaço: Vamos definir a carta como um texto que possui um
˃˃ Esse é o “onde” da narrativa. direcionamento especial - o destinatário ou interlocu-
a) Aberto: tor -, sendo que o tratamento utilizado no texto pode
ser impessoal ou pessoal, dependendo da finalidade
Não ocorre a ação em apenas um lugar, os perso- da carta. É certo que há várias estratégias de desenvol-
nagens podem circular em vários locais distintos. Isso vimento para a carta (dissertativa-argumentativa, dis-
é mais facilmente verificado em narrativas mais longas. sertativa-expositiva, narrativa, descritiva etc.), porém,
b) Fechado: para a nossa finalidade - o concurso público - vamos
A ação é narrada em apenas um cenário, não há estudar aquela que possui o princípio argumentativo.
troca de cenários ou ambientes. Isso é comum em nar- →→ Estruturando a carta
rativas mais breves. ˃˃ Os elementos essenciais para o gênero que
→→ Personagens: estamos estudando :
˃˃ São os envolvidos na ação do texto. Utilizando a) Local e Data: colocados na primeira linha do texto.
uma divisão simplista, temos: b) Vocativo: a interpelação do destinatário - seu nome.
a) Protagonista: o personagem principal da ação. c) Desenvolvimento: os parágrafos que compõem o
O herói ou com quem se passa a maior parte dos desenvolvimento são utilizados para persuadir o 71
eventos narrados. interlocutor da ideia defendida pelo remetente.
d) Fecho: a saudação final que encerra a carta. Mandem-me, por favor, um tênis. Pode ser tamanho
grande, embora eu tenha pé pequeno. Não me desa-
gradaria nada fingir que tenho pé grande. Dá à pessoa
uma certa importância. E depois, quanto maior o tênis,
Lembre-se de alguns itens muito importantes. mais visível ele é. E, como diz o meu vizinho aqui, visibi-
A menos que a Banca exija, você não deve assinar lidade é tudo na vida.
a carta; (Moacyr Scliar, cronista da Folha de S. Paulo, 14/8/2000)
jamais utilize linguagem coloquial ou de baixo Você notou a ausência de alguns elementos es-
calão. senciais à carta no texto acima. Isso ocorre porque o
Redação

jamais fazer abreviações nas datas ou vocativos. texto em questão é muito mais uma crônica disfarçada
Jamais utilize expressões cristalizadas como: de carta argumentativa. Ele foi utilizado, no entanto,
“estou te escrevendo”, “escrevo-te esta carta”, “venho para que você pudesse perceber como estabelecer a
por meio desta”, “rogo-lhe tal missiva” entre outras. argumentação em um texto que se pretende para um
leitor direto. Se você leu com atenção, concluiu que o
Busque um tratamento direto, ou seja, tente “con- escritor, por assim dizer, construiu uma argumentação
versar” com o seu interlocutor.
visando a convencer seu interlocutor da necessidade
Basicamente, a carta argumentativa é uma disser- de ele receber um tênis.
tação direcionada a um destinatário específico.
No processo argumentativo de Scliar, há três
Análise de uma carta argumentativa argumentos separados por introdução clara: “em
Veja esse exemplo, muito bem redigido, é claro, por primeiro lugar”; “em segundo lugar” e “uma última
Moacyr Scliar: ponderação”. Isso facilita a leitura. Dê atenção à es-
Uns amigos me falaram que os senhores estão para trutura e convença o leitor de que seu ponto de vista
destruir 45 mil pares de tênis falsificados com a marca é o correto. A interlocução - lembrar a todo instante
Nike e que, para esse fim, uma máquina especial já que está falando diretamente com a pessoa - é muito
teria até sido adquirida. A razão desta cartinha é um importante nesse processo.
pedido. Um pedido muito urgente. Resumo:
Antes de mais nada, devo dizer aos senhores que Resumir um texto nada mais é do que selecionar
nada tenho contra a destruição de tênis, ou de bonecas as principais ideias nele contidas e encadeá-las em
Barbie, ou de qualquer coisa que tenha sido piratea- uma ordem lógica, a fim de que se possa restabelecer
da. Afinal, a marca é dos senhores, e quem usa essa o conceito original do texto resumido. Para que um
marca indevidamente sabe que está correndo um risco. resumo seja feito a contento, é importante que as in-
Destruam, portanto. Com a máquina, sem a máquina, formações originais sejam preservadas, quer seja por
destruam. Destruir é um direito dos senhores. Mas, por meio de paráfrase, quer seja por meio de cópia de
favor, reservem um par, um único par desses tênis que alguns trechos.
serão destruídos para este que vos escreve. Este pedido Também não pode ser esquecido o nome do autor,
é motivado por duas razões: em primeiro lugar, sou um bem como o título do texto presentes no corpo do
grande admirador da marca Nike, mesmo falsificada. resumo. Depois de realizada a introdução, evidencian-
Aliás, estive olhando os tênis pirateados e devo confessar do os itens mencionados, deve-se observar o tópico
que não vi grande diferença deles para os verdadeiros. frasal de cada parágrafo, para que sejam resumidas as
Em segundo lugar, e isto é o mais importante, sou ideias presentes em CADA um deles.
pobre, pobre e ignorante. Quem está escrevendo esta Existem algumas técnicas interessantes na hora de
carta para mim é um vizinho, homem bondoso. Ele vai se fazer um resumo, vejamos:
inclusive colocá-la no correio, porque eu não tenho
dinheiro para o selo. Nem dinheiro para selo, nem para →→ Supressão de trecho:
qualquer outra coisa: sou pobre como um rato. Mas a Na técnica em questão, objetiva-se localizar o tópico
pobreza não impede de sonhar, e eu sempre sonhei com frasal (ideia mais relevante), mantê-lo e, posteriormen-
um tênis Nike. Os senhores não têm ideia de como isso te, retirar as demais sentenças que não compõem o prin-
será importante para mim. Meus amigos, por exemplo, cipal elemento do parágrafo ou da frase.
vão me olhar de outra maneira se eu aparecer de Nike. »» Ex.: Seu Luís era um caminhoneiro respeitável,
Eu direi, naturalmente, que foi presente (não quero que sempre cumpria suas obrigações com objetivi-
pensem que andei roubando), mas sei que a admiração dade e ética.
deles não diminuirá: afinal, quem pode receber um Nike ˃˃ Resumindo:
de presente pode receber muitas outras coisas. Verão
que não sou o coitado que pareço. »» Ex.: Seu Luís era um caminhoneiro respeitável,
sempre cumpria suas obrigações com objetivi-
Uma última ponderação: a mim não importa que o dade e ética.
tênis seja falsificado, que ele leve a marca Nike sem ser
Nike. Porque, vejam, tudo em minha vida é assim. Moro Síntese do trecho por meio de generalização:
num barraco que não pode ser chamado de casa, mas, consiste em utilizar um termo genérico para dispensar
para todos os efeitos, chamo-o de casa. Uso a camiseta termos que não são essenciais.
de uma universidade americana, com dizeres em inglês, »» Ex.: Mariana comprou uma calça, um colete,
que não entendo, mas nunca estive nem sequer perto meias, blusa de lã e um cachecol ontem.
da universidade - é uma camiseta que encontrei no lixo. ˃˃ Resumindo:
72 E assim por diante. »» Ex.: Mariana comprou roupas ontem.
Transformação do trecho: por meio de uma cons- Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva), em
trução que vise a abranger o significado de uma se- coletiva à imprensa no dia seguinte ao anúncio.
quência textual, constrói-se um segmento que ocupa o Atropelo - O número que circulava nos corredores do
lugar de uma expressão maior. governo nas semanas que antecederam o decreto era de
»» Ex.: O homem comprou a maminha, temperou que o acréscimo do IPI seria de 30% e não de 30 pontos
e reservou. Depois de cortar a lenha seca, porcentuais. A decisão de adotar uma saída ou outra traz
amontoou-a em uma pilha. Acendeu o fósforo, consequências muito díspares. Elevar uma alíquota em
queimou a madeira e colocou a carne tempera- 30% significa que o IPI de um carro popular flex passaria
da por sobre o fogo. de 7% para 9,1%. Contudo, ao lançar mão do ajuste de

Redação
˃˃ Resumindo: 30 p.p., esse mesmo IPI vai a 37%. A alta absurda da
»» Ex.: O homem fez um churrasco. carga tributária faz com que veículos que não cumprem
as regras de nacionalização fixadas pelo governo fiquem
No resumo de texto narrativo, discurso direto e até 28% mais caros para o consumidor final. “Chegaram
indireto. a esse número na etapa final de negociação”, afirmou
→→ Discurso direto: uma fonte ligada à Anfavea. Os ministros Mercadante
José diz: e Pimentel foram avisados em cima da hora, de acordo
com uma fonte ligada ao ministério de Desenvolvimen-
»» Ex.: Penso em comprar um carro.
to. “Ele atropelou todo mundo. O que ele sempre quis é
Tião fala: que a Fazenda fizesse política industrial”, afirma.
»» Ex.: Morri por amor. Também na Anfavea, as discussões foram pouco
→→ Discurso Indireto: transparentes - tanto que executivos de montadoras
»» Ex.: José disse que pensava em comprar um ligadas à associação afirmaram à VEJA que não foram
carro. sequer consultados. A associação nega, argumentando
que, desde o início do ano, há discussões com o governo
»» Ex.: Tião falou que morrera por amor. para tentar melhorar a competitividade da indústria
→→ Exercício de resumo de um texto dissertativo automobilística nacional. Em coletiva, o presidente da
O monstrengo do IPI tem pai: Guido Mantega Anfavea, Cledorvino Belini, que também preside a Fiat,
Há exatamente uma semana, economistas, em- negou que tenha havido lobby das grandes empresas
presários e consumidores têm tentado, sem sucesso, do setor. Segundo ele, a decisão foi motivada pelo
entender o decreto anunciado pelo governo que impacto negativo que a importação de veículos tem
aumenta em 428% a cobrança do Imposto sobre causado na balança comercial.
Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis impor- Fosse essa a razão, o aumento do IPI nem assim
tados. A decisão provém, oficialmente, de um grupo se justificaria. O déficit provocado pela importação de
de estudo interministerial - composto pelas pastas do peças e veículos, que chegou a 20 bilhões de dólares
Desenvolvimento, da Fazenda e de Ciência e Tecnologia no acumulado de janeiro a agosto, está bem próximo
- que tentava, junto à Associação Nacional dos Fabri- do saldo negativo da balança comercial da indústria
cantes de Veículos Automotores (Anfavea), encontrar química, que chegou a 18 bilhões de dólares no mesmo
uma maneira de tornar os automóveis nacionais mais período. Já no caso dos eletroeletrônicos, esse número
competitivos. No entanto, por trás de um trabalho que é de 14 bilhões de dólares até agosto, segundo dados
deveria ser técnico, está a mão protecionista do eco- do Ministério do Desenvolvimento. Neste último caso,
nomista Guido Mantega, cujo ministério nada tem a inclusive, em vez de colocar barreiras aos importados, o
ver com a política industrial do Brasil. Se seus sonhos governo dá até incentivos. Tanto que o Banco Nacional
de se tornar o homem-forte do governo - e interferir de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES) irá
em todas as esferas - não foram realizados durante a ajudar a financiar a nova fábrica da taiwanesa Foxconn
gestão anterior, o ministro agora consegue avanços ao no Brasil, a qual produzirá os tablets da Apple apenas
ser o principal autor do novo IPI. com componentes importados. Por fim, a balança co-
O site de VEJA ouviu mais de uma dezena de fontes mercial - que é administrada pelo Ministério de De-
ministeriais e do setor automotivo que não quiseram senvolvimento - está fora da área de competência da
ter seus nomes revelados devido à complexidade do Fazenda. Já a inflação que beira ao descontrole, apesar
assunto - e a um possível temor de retaliação. Todas de ser da alçada do Banco Central, está bem mais
proferiram uma informação em comum: o ministro próxima de Mantega. Passam ao largo de seus projetos,
Mantega - que deveria se ocupar inteiramente da no entanto, medidas para baixar a elevada carga tri-
função de cuidar do superávit fiscal e ajudar o Banco butária, que penaliza o empresário que quer expandir
Central a combater a inflação - articulou praticamente oferta no país, ou mudar o perfil gastador do estado,
sozinho com as montadoras ditas nacionais a descabi- que tanto pressiona os preços.
da medida da última semana. Nem mesmo os ministros Plano interrompido - Desde que as montadoras
Aloizio Mercadante e Fernando Pimentel, da Ciência e asiáticas, como Hyundai, Kia e JAC, começaram a ganhar
Tecnologia e do Desenvolvimento, respectivamente, corpo no mercado nacional, o governo tem buscado
tinham total conhecimento do assunto. Eles foram in- saídas para melhorar a competitividade daquelas já ins-
timados de última hora a participar do anúncio e nem taladas no país. Os debates entre a indústria e o Planalto
imaginavam que a elevação do IPI chegaria a tanto. “O resultaram em um plano de estímulo à competitividade
Fernando Pimentel havia dito que, se viesse, o aumento anunciado em 2010, que já previa, inclusive, um corte no
seria de um número razoável. E ele pareceu muito redutor de 40% do imposto de importação de autope-
sincero quando disse isso. Já no momento do anúncio, ças - beneficiando, assim, os fornecedores nacionais. Tal
ele estava “branco””, afirmou José Luiz Gandini, plano foi anunciado pelo então ministro, Miguel Jorge, e 73
presidente da Associação Brasileira das Empresas por Guido Mantega. Neste ano, veio a Medida Provisória
nº 540, que previa a redução do IPI para montadoras na- seria de um número razoável. E ele pareceu muito
cionais. “É preciso entender que o país necessita de um sincero quando disse isso. Já no momento do anúncio,
aumento de competitividade. Medidas protecionistas ele estava “branco””, afirmou José Luiz Gandini, presi-
geram resultados de curto prazo e não aumentam a efi- dente da Associação Brasileira das Empresas Importa-
ciência do setor”, afirma o consultor e ex-secretário de doras de Veículos Automotores (Abeiva), em coletiva à
Comércio Exterior, Welber Barral. imprensa no dia seguinte ao anúncio.
Ocorre que o governo não quis abrir mão dos Atropelo - O número que circulava nos corredores
tributos e utilizou o decreto da semana passada para do governo nas semanas que antecederam o decreto
faturar em cima do contribuinte: limitou a concorrên- era de que o acréscimo do IPI seria de 30% e não de
Redação

cia; reduziu as opções do consumidor, sobretudo da 30 pontos porcentuais. A decisão de adotar uma saída
classe média; e deteriorou a imagem do país junto a ou outra traz consequências muito díspares. Elevar
investidores estrangeiros, mostrando sinais de ingerên- uma alíquota em 30% significa que o IPI de um carro
cia política e insegurança jurídica. popular flex passaria de 7% para 9,1%. Contudo, ao
http://veja.abril.com.br/noticia/economia/o-monstrengo-do-ipi- lançar mão do ajuste de 30 p.p., esse mesmo IPI vai
-tem-pai-guido-mantega (com adaptações). a 37%. A alta absurda da carga tributária faz com que
Essa introdução serve para você perceber como veículos que não cumprem as regras de nacionaliza-
fazer o início de um resumo. ção fixadas pelo governo fiquem até 28% mais caros
para o consumidor final. “Chegaram a esse número na
Agora, após ver os pontos em vermelho, os quais etapa final de negociação”, afirmou uma fonte ligada
foram marcados como itens a serem resumidos no à Anfavea. Os ministros Mercadante e Pimentel foram
corpo do texto, você pode exercitar a técnica para re- avisados em cima da hora, de acordo com uma fonte
sumi-lo. ligada ao ministério de Desenvolvimento. “Ele atrope-
→→ Introdução: lou todo mundo. O que ele sempre quis é que a Fazenda
O texto publicado na revista Veja (versão online), in- fizesse política industrial”, afirma.
titulado “o monstrengo do IPI tem pai: Guido Mantega” Também na Anfavea, as discussões foram pouco
veicula uma matéria acerca do aumento do Imposto sobre transparentes - tanto que executivos de montadoras
Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis importa- ligadas à associação afirmaram à VEJA que não foram
dos, associando a figura de Guido Mantega à medida que sequer consultados. A associação nega, argumentan-
encarece alguns itens de grande consumo no país. do que, desde o início do ano, há discussões com o
01. Agora é com você! Leia e faça o seu resumo! governo para tentar melhorar a competitividade da
O monstrengo do IPI tem pai: Guido Mantega indústria automobilística nacional. Em coletiva, o pre-
sidente da Anfavea, Cledorvino Belini, que também
Há exatamente uma semana, economistas, em- preside a Fiat, negou que tenha havido lobby das
presários e consumidores têm tentado, sem sucesso, grandes empresas do setor. Segundo ele, a decisão foi
entender o decreto anunciado pelo governo que motivada pelo impacto negativo que a importação de
aumenta em 428% a cobrança do Imposto sobre veículos tem causado na balança comercial.
Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis impor-
tados. A decisão provém, oficialmente, de um grupo Fosse essa a razão, o aumento do IPI nem assim se
de estudo interministerial - composto pelas pastas do justificaria. O déficit provocado pela importação de
Desenvolvimento, da Fazenda e de Ciência e Tecnologia peças e veículos, que chegou a 20 bilhões de dólares
- que tentava, junto à Associação Nacional dos Fabri- no acumulado de janeiro a agosto, está bem próximo
cantes de Veículos Automotores (Anfavea), encontrar do saldo negativo da balança comercial da indús-
uma maneira de tornar os automóveis nacionais mais tria química, que chegou a 18 bilhões de dólares no
competitivos. No entanto, por trás de um trabalho que mesmo período. Já no caso dos eletroeletrônicos,
deveria ser técnico, está a mão protecionista do eco- esse número é de 14 bilhões de dólares até agosto,
nomista Guido Mantega, cujo ministério nada tem a segundo dados do Ministério do Desenvolvimento.
ver com a política industrial do Brasil. Se seus sonhos Neste último caso, inclusive, em vez de colocar barrei-
de se tornar o homem-forte do governo - e interferir ras aos importados, o governo dá até incentivos. Tanto
em todas as esferas - não foram realizados durante a que o Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Eco-
gestão anterior, o ministro agora consegue avanços ao nômico (BNDES) irá ajudar a financiar a nova fábrica
ser o principal autor do novo IPI. da taiwanesa Foxconn no Brasil, a qual produzirá os
O site de VEJA ouviu mais de uma dezena de fontes tablets da Apple apenas com componentes importa-
ministeriais e do setor automotivo que não quiseram dos. Por fim, a balança comercial - que é administrada
ter seus nomes revelados devido à complexidade do pelo Ministério de Desenvolvimento - está fora da área
assunto - e a um possível temor de retaliação. Todas de competência da Fazenda. Já a inflação que beira ao
proferiram uma informação em comum: o ministro descontrole, apesar de ser da alçada do Banco Central,
Mantega - que deveria se ocupar inteiramente da está bem mais próxima de Mantega. Passam ao largo
função de cuidar do superávit fiscal e ajudar o Banco de seus projetos, no entanto, medidas para baixar a
Central a combater a inflação - articulou praticamente elevada carga tributária, que penaliza o empresário
sozinho com as montadoras ditas nacionais a descabi- que quer expandir oferta no país, ou mudar o perfil
da medida da última semana. Nem mesmo os ministros gastador do estado, que tanto pressiona os preços.
Aloizio Mercadante e Fernando Pimentel, da Ciência e Plano interrompido - Desde que as montado-
Tecnologia e do Desenvolvimento, respectivamente, ras asiáticas, como Hyundai, Kia e JAC, começaram
tinham total conhecimento do assunto. Eles foram in- a ganhar corpo no mercado nacional, o governo
timados de última hora a participar do anúncio e nem tem buscado saídas para melhorar a competitivida-
74 imaginavam que a elevação do IPI chegaria a tanto. “O de daquelas já instaladas no país. Os debates entre
Fernando Pimentel havia dito que, se viesse, o aumento a indústria e o Planalto resultaram em um plano de
estímulo à competitividade anunciado em 2010, que
já previa, inclusive, um corte no redutor de 40% do
imposto de importação de autopeças - beneficiando,
assim, os fornecedores nacionais. Tal plano foi anun-
ciado pelo então ministro, Miguel Jorge, e por Guido ____________________________________________
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Mantega. Neste ano, veio a Medida Provisória nº 540,
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que previa a redução do IPI para montadoras nacio-
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nais. “É preciso entender que o país necessita de um
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aumento de competitividade. Medidas protecionistas

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geram resultados de curto prazo e não aumentam a efi- ____________________________________________
ciência do setor”, afirma o consultor e ex-secretário de ____________________________________________
Comércio Exterior, Welber Barral. ____________________________________________
Ocorre que o governo não quis abrir mão dos ____________________________________________
tributos e utilizou o decreto da semana passada para ____________________________________________
faturar em cima do contribuinte: limitou a concorrên- ____________________________________________
cia; reduziu as opções do consumidor, sobretudo da ____________________________________________
classe média; e deteriorou a imagem do país junto a ____________________________________________
investidores estrangeiros, mostrando sinais de inge- ____________________________________________
rência política e insegurança jurídica. ____________________________________________
http://veja.abril.com.br/noticia/economia/o-monstrengo-do-ipi- ____________________________________________
-tem-pai-guido-mantega (com adaptações).
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____________________________________________
O Texto Descritivo ____________________________________________
Por meio da focalização momentânea em algum ____________________________________________
ser ou objeto (ou ainda em um lapso temporal), é ____________________________________________
possível registrar características externas ou internas ____________________________________________
daquilo que se objetiva descrever. Essa é uma definição ____________________________________________
bem chique de descrição. Na verdade, quero explicar ____________________________________________
o seguinte: se você precisa dizer como alguma coisa ____________________________________________
é, use o texto descritivo. Não vá pensando que não ____________________________________________
pode haver descrição em outras sequências textuais ____________________________________________
(narração, dissertação etc.), mas não podemos confun- ____________________________________________
dir os conceitos. ____________________________________________
Ao passo que o texto narrativo busca sequenciar ____________________________________________
____________________________________________
ações, o texto descritivo pode evidenciar particulari-
____________________________________________
dades de momentos, bem como particularidades de
____________________________________________
objetos seres etc., sem esquecer que o que vale para
____________________________________________
o julgamento do gênero textual é o critério da predo- ____________________________________________
minância, ou seja, o seu texto deve possuir, predomi- ____________________________________________
nantemente, as características descritivas, para ser um ____________________________________________
texto descritivo. ____________________________________________
→→ Tipos de descrição: ____________________________________________
a) Descrição de lugar, espaço ou ambiente; ____________________________________________
˃ Interna ou externa; ____________________________________________
____________________________________________
b) Descrição de pessoa; ____________________________________________
˃ Física ou psicológica ____________________________________________
c) Descrição de objeto ____________________________________________
____________________________________________
˃ Aspectos estruturais
____________________________________________
01. Descrição objetiva (O que se vê) ___________________________________________
A focalização, aqui, objetiva uma descrição impassí- ___________________________________________
vel, ou seja, sem mencionar os sentidos que se podem ___________________________________________
despertar no autor quando observa aquilo que está es- ___________________________________________
crevendo. ___________________________________________
02. Descrição subjetiva (O que se sente) ___________________________________________
___________________________________________
A focalização, aqui, objetiva uma descrição repleta ___________________________________________
de sentimento, ou seja, quando o autor do texto ___________________________________________
observa o que está descrevendo, emoções surgem e ___________________________________________ 75
passam a ser complemento dessa descrição.
CAPÍTULO 01 Bandeira
É formada por um quadrilátero verde cortado, do
Aspectos Geográficos e canto superior esquerdo ao inferior direito por uma
larga faixa branca. Nesta faixa está inserida uma esfera

Economia e Demografia Paranaense


Históricos do Paraná azul, que simboliza o céu e as cinco estrelas do Cruzeiro
do Sul ordenadas pela posição em que se encontravam
É impossível estudarmos a História do Paraná sem no dia 29 de agosto de 1853, data em que o impera-
entendermos aspectos da sua geografia, uma vez que a dor D. Pedro II assinou a Lei de criação da Província do
sua povoação e até mesmo a construção da sua identi- Paraná. Cada uma das estrelas recebeu um nome na
dade histórica estão intimamente ligadas aos aspectos constelação: Alfa (Magalhães), Beta (Mimosa), Gama
do seu território. (Rubídea), Delta (Pálida) e Epsilon (Intrometida).
Os concursos cobram relações bem específi- Cortando a esfera, abaixo da estrela superior, há uma
cas entre povoamento, região povoada, época da faixa branca com a inscrição “Paraná” em letras verdes.
povoação e ciclo econômico responsável por estimular Ao redor da esfera cruzam-se dois ramos verdes, um de
a ocupação do território. Assim o estudo da História pinheiro do Paraná (Araucária) à direita e um de erva-
do Paraná voltado para concursos se torna mais fácil e -mate (ILEX paraguariensis) à esquerda.
prático.
Brasão de Armas
Aspectos Geográficos para Formam o Brasão de Armas paranaense um escudo
Entender a História do Paraná português apresentando um campo em que a figura de
um lavrador cultiva o solo. Acima deste um sol nascente
A palavra “paranã” tem sua origem no guarani, que (amarelo ouro) e três picos (montanhas) simbolizan-
significa “pa’ra” mar e “nã”, semelhante, ou seja, a des- do a grandeza, a sabedoria e a nobreza do povo, bem
crição do mar na visão dos índios como um rio grande. como, os três planaltos paranaenses: 1º de Curitiba; 2º
Também utilizavam o termo para descrever o lugar de dos Campos Gerais; 3º de Guarapuava. Servindo como
onde se avista o mar. A palavra sofreu influência portu- suporte para o brasão, estão dois ramos verdes, assim
guesa e passou a ser utilizada a grafia Paraná. O nome como na bandeira: à direita o pinheiro do Paraná e à
do nosso atual estado é consequência do nome do rio esquerda erva mate, isto observando-se o escudo à
que a partir de 1750 (Tratado de Madrid) passou a re- frente. O desenho do brasão do Estado do Paraná foi
presentar oficialmente os limites portugueses a oeste. realizado pelo artista Alfredo Emílio Andersen. Apesar
Em 19 de dezembro de 1853, o Paraná teve sua da ave símbolo do estado ser a gralha azul, no brasão
independência de São Paulo assinada pelo Imperador aparece como timbre a figura de uma águia (HARPIA
Dom Pedro II e passou a ser uma das unidades políti- harpyja) que encontrou no estado condições para se
cas do Brasil. Seu período provincial durou de 1853, reproduzir naturalmente, estando hoje em extinção.
ano da sua emancipação, até 1889, ano da proclama- Localização Geográfica
ção da República.
O Estado do Paraná está localizado entre 22º30’58”
Atualmente estima-se uma população de 11,1 e 26o43’00” de latitude Sul e 48o05’37” e 54o37’08” de
milhões de habitantes que vivem numa área com cerca longitude Oeste, encontra-se no Planalto Meridional
de 199.727.274 km², aproximadamente 2,34% do terri- e na Região Sul do Brasil, na transição entre os climas
tório nacional, distribuídos em 399 municípios, sendo tropical e subtropical. Cerca de 25% do seu território
sua Capital a cidade de Curitiba. A superfície territorial fica na Zona Equatorial (ao norte do Trópico de Capri-
do Paraná é pouco superior a do Uruguai e o dobro do córnio) e 75% na Zona Temperada do Sul. Sua localiza-
tamanho de Portugal. ção demonstra ser uma área de contatos e transição em
Árvore Símbolo - Araucária (ARAUCA- termos físicos e naturais, com diversas ocorrências de
RIA angustifolia) clima, solo e cobertura vegetal, bem como uma variada
Também conhecida como Pinheiro do Paraná, é a geologia e formas de relevo.
árvore símbolo dos paranaenses. Resta menos de 1% Limites do Estado
da cobertura natural de Araucária nos limites do Estado Faz divisa ao norte e nordeste com o Estado de São
do Paraná. Na língua Tupi, esta árvore recebe o nome Paulo (940 km), quase todos demarcados pelo curso
de curi, daí o nome da Capital do Estado do Paraná, dos rios Paranapanema, Ribeira do Iguape e Ararapi-
Curitiba, isto é, terra de muito pinhão. É uma árvore ra. A oeste limita-se com a República do Paraguai (208
que pode medir até trinta metros de altura. km), e o Estado do Mato Grosso do Sul (219 km), fron-
Ave símbolo - Gralha Azul (CYANACO- teira essa banhada pelo Rio Paraná.
RAX caeruleus) Ao sul, faz divisa com o Estado de Santa Catarina
Ave símbolo do Paraná, seu principal alimento (754 km), desde a foz do Rio SaíGuaçu, no litoral, até as
no inverno é o pinhão, semente da Araucária, que é a nascentes do Rio Jangada, no Morro do Capão Doce, na
árvore símbolo do Paraná. Como a ave – de quase 40 região sudoeste do Estado. A sudoeste, com a República
centímetros, do bico à cauda – tem por hábito espalhar da Argentina (239 km), desde as nascentes do Rio Santo
as sementes que não come, ela vai “plantando” novos Antônio até a foz do Rio lguaçu no Rio Paraná. A leste,
pinheiros por onde passa. após a formação da Serra do Mar, o limite com o Oceano
Atlântico (98 km). A costa real, todavia, supera 150 quilô-
A Lei Estadual nº 7957, de 12 de novembro de 1984 metros, se computados aqueles de reentrâncias e baías.
prevê que a Secretaria de Educação deve promover, Entre estas, destaca-se a baía de Paranaguá que avança
na semana do meio ambiente, campanha que mostre 40 quilômetros dentro do continente, com área de 667
como a Gralha Azul tem importância para preservar a
floresta e garantir seu equilíbrio ecológico.
km². É a segunda maior do Brasil, e forma três baías se- 77
cundárias: Antonina, Laranjeiras e Pinheiros.
População e Cascavel, com uma extensão até Guaíra e Foz do
Iguaçu. Uma outra estrada de ferro faz as ligações de
O Paraná contabilizou 11.163.018 habitantes, 12,39%
maior que em 2000. Curitiba tem 1.879.355, sendo a Paranaguá com Curitiba e Guarapuava. No sentido nor-
oitava cidade mais populosa do país. Há dez anos, Curitiba te-sul, encontram-se as linhas da ferrovia Sul Atlântico,
Economia e Demografia Paranaense

era a sétima. A capital paranaense perdeu espaço para correspondente à malha sul da antiga Rede Ferroviá-
Manaus, que passou de 1.405 mi para 2.057.711. ria Federal, privatizada na década de 1990, que faz a
ligação do Paraná com os estados de Santa Catarina e
Relevo Rio Grande do Sul.
O Estado do Paraná apresenta uma grande varieda- Hidrovias
de nas formas de relevo. No conjunto, apresenta uma
sucessão mais ou menos harmoniosa de planaltos, O Estado do Paraná liga-se ao Brasil e ao exterior
cada qual com características bem típicas. Tais diferen- pelos portos de Paranaguá e Antonina. Serviços de
ciações são de ordem topográfica, climática e geológi- barcos servem os habitantes das vilas e povoados que se
ca. De leste para oeste, logo após a Planície Litorânea, encontram nas ilhas e às margens da baía de Paranaguá.
temos a Serra do Mar, onde temos a área ambiental Uns partem para a Ilha do Mel, outros para Guaraque-
mais preservada do território estadual, com a exube- çaba, outros ainda para Cananeia e Iguape no estado de
rante flora subtropical, dominante nos estados sulinos. São Paulo, utilizando-se do canal do Varadouro.
O ponto mais elevado não só do estado, mas de toda a Serviços de ferryboat são feitos na baía de Guaratu-
porção meridional do Brasil, é o pico Paraná com 1.962 ba, ligando a cidade do mesmo nome (Porto Damião de
metros de altitude. Souza) à Caiobá (Porto da Passagem).
A partir das encostas ocidentais da Serra do Mar, O transporte fluvial é feito em maior escala no rio
começa o Primeiro Planalto ou Planalto de Curitiba, Paraná, ligando a cidade de Guaíra com o Estado de São
cuja altitude varia entre 850 e 950 metros, Estende-se Paulo e, por meio de ferryboat, com o Estado do Mato
até a Serra de São Luís do Purunã. Surge aí o Segundo Grosso do Sul. A navegação fluvial também existe em
Planalto ou Planalto de Ponta Grossa, formando a Foz do Iguaçu, na ligação Brasil e Argentina.
região dos Campos Gerais. Em sua porção oriental,
vento e chuva esculpiram por milhões de anos as Rodovias
famosas formações de arenito de Vila Velha. A altitude A rede de rodovias pavimentadas compreende
média deste planalto, 1.188 metros, baixa em seu duas estradas no sentido leste-oeste: as BRs 369 e 376
extremo, às margens do Rio lvaí, para 484 metros. ligam as cidades de Ourinho/SP, Londrina, Apucarana,
Na faixa mais oeste do Estado, aproximadamente Maringá e Paranavaí; e a BR 277 liga as cidades de Para-
dois terços do território, situa-se o Terceiro Planalto, ou naguá, Cascavel e Foz do Iguaçu.
de Guarapuava, que vai terminar nas margens do Rio Outro trecho importante da BR 376 é o que liga
Paraná, onde sua altitude média se reduz a 170 metros. Sorocaba, Curitiba e São Paulo e Curitiba a Rio Negro.
Todo ele é percorrido por extensos rios, o Ivaí, o Piquiri, Este último prolonga-se até o extremo sul do Rio grande
o Iguaçu, constituídos por diversas cachoeiras, desta- do Sul, incluindo parte da BR 116.
cando-se as famosas Cataratas do Iguaçu.
Regiões Turísticas
Sistema Viário O Estado é dividido em cinco zonas de paisa-
O sistema viário do Estado do Paraná encontra- gens naturais: a Planície Litorânea, a Serra do Mar, o
-se bem integrado nos seus diferentes meios de Primeiro Planalto ou Planalto de Curitiba, o Segundo
transporte. A facilidade de deslocamento, através de Planalto ou Planalto de Ponta Grossa e o Terceiro
ligação entre aeroportos, ferrovias, hidrovias, portos Planalto ou Planalto de Guarapuava. O território para-
e rodovias aumenta a competitividade do Paraná na naense possui uma diversidade de atrações turísticas,
região do Mercosul e torna-o bem competitivo e de onde destacamos alguns pontos interessantes para
fácil acesso, facilitando o fluxo de mercadorias e o des- compreendermos uma pequena parte do conjunto de
locamento das pessoas. paisagens que formam o Paraná. A Planície Litorânea
Aeroportos é formada por cinco municípios: Antonina, Guaraque-
O estado tem dois aeroportos internacionais, o çaba, Guaratuba, Morretes e Paranaguá. Possui 98 qui-
Afonso Pena, localizado no município de São José dos lômetros de costa, banhada pelo Oceano Atlântico. A
Pinhais na Região Metropolitana de Curitiba (RMC) e o região é histórica, foi a partir do litoral no século 16 que
de Foz do Iguaçu Cataratas, ambos realizam importante os portugueses iniciaram a ocupação do Paraná. No
ligação com os países do Mercosul. Possui também três litoral encontra-se o Porto de Paranaguá, um dos mais
aeroportos domésticos, nos municípios de Londrina, importantes e modernos do país.
Maringá e Cascavel, além de Curitiba contar com o Ae- Serra do Mar
roporto do Bacacheri.
No sentido leste-oeste temos a Serra do Mar, um
Portos grande sistema montanhoso que ocorre ao longo da
O porto de Paranaguá é um dos mais importan- costa brasileira, desde o Estado do Espírito Santo até o
tes e modernos do país. Além do porto de Paranaguá, sul do Estado de Santa Catarina. No Estado do Paraná
merece destaque o porto de Antonina. a Serra do Mar divide a Planície Litorânea do Primeiro
Ferrovias Planalto. Apresenta belas paisagens naturais, formadas
pela área florestal mais preservada do estado. O
O Sistema Ferroviário Paranaense tem impor- passeio pela Estrada da Graciosa e a estrada de ferro
tante participação na vida econômica do estado. Na entre Curitiba e Paranaguá construídas no século 19,
porção sul, o estado é servido pelas linhas da Ferroes-
78 te, a ferrovia da soja, no trecho entre Guarapuava
mostram toda a riqueza natural, formada por uma das
regiões de maior biodiversidade do planeta.
A Rota dos Tropeiros, no período colonial, ocorreu Estrada da Graciosa
no sul com expedições dos bandeirantes para escravi- Ligando Curitiba a Paranaguá, a Estrada da Graciosa
zação de índios e à busca pelo ouro. foi aberta em 1873, durante o ciclo do tropeirismo.
A partir do século XVIII, para a exploração das minas Ela é, hoje, uma das principais atrações turísticas do

Economia e Demografia Paranaense


gerais de ouro no centro do país precisava-se de mulas Paraná, por cortar a Serra do Mar, apresentando uma
e gado, que eram abundantes nos campos gaúchos. paisagem belíssima. Viajar por ela é fazer um verdadei-
O comércio intenso de animais no sentido sul-norte ro passeio pelo tempo.
por duzentos anos, veio assegurar ao Brasil esse imenso
espaço, onde o caminho das tropas possibilitou esse Estrada de Ferro
avanço, além de assegurar a unidade dos Estados do Viajar de Trem pela estrada de ferro que liga
Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Curitiba a Paranaguá é um passeio quase que obriga-
Os tropeiros saiam dos pampas, passavam pelos tório para quem vai à capital do Estado. A ferrovia foi
campos catarinenses e entravam no território para- construída na época do Império, em 1880. Seu percurso
naense pelo município de Rio Negro, passando por é através da Serra do Mar, atravessando vários túneis e
Campo do Tenente, Lapa, Palmeira, Porto Amazonas, paisagens pitorescas.
Campo Largo, Balsa Nova, Ponta Grossa, Carambeí, A Usina Hidrelétrica de Itaipu é uma binacional
Castro, Tibagi, Telêmaco Borba, Piraí do Sul, Jaguariaí- localizada no Rio Paraná, na fronteira entre Brasil e
va, Arapoti, entrando no Estado de São Paulo, por meio Paraguai. Construída por ambos os países no período
de Sengés, até atingir a feira de Sorocaba. de 1975 e 1982. Itaipu é hoje a maior usina geradora
O Parque Estadual de Vila Velha possui uma área de energia do mundo. Seu nome, que na língua guarani
de 18 km² e está situado há cerca de 80 quilômetros significa “a pedra que canta”, faz referência à pequena
a oeste de Curitiba. O governo estadual criou um ilha que havia ali, antes da obra.
parque para proteger formações rochosas de arenito, Com seu lago perfazendo uma área de 1350 km²,
que levaram mais de 300 milhões de anos para serem indo de Foz do Iguaçu, no Brasil, e Ciudad del Este, no
esculpidas pela natureza. Observando-se sob diversos Paraguai, até Guaíra e Salto del Guairá, 150 km ao norte,
pontos de vista, facilmente se identificam na paisagem além de suas 20 unidades geradoras de 700 MW cada,
as diversas figuras, sendo mais conhecidas a “Taça”, a Itaipu tem uma potência de geração de 14.000 MW. No
“Cabeça de camelo” e a “Esfinge”. O Museu de Geologia ano de 2008, a usina atingiu seu recorde de produção,
e Paleontologia promove um turismo científico para a com 94,68 bilhões de quilowatts/hora (kWh), forne-
compreensão da evolução geológica do território pa- cendo 90% da energia consumida pelo Paraguai e 19%
ranaense. O Parque Estadual do Guartelá pertence ao da energia consumida pelo Brasil.
Segundo Planalto, região também conhecida como dos
Campos Gerais, primitivamente chamado Campos de O Parque Nacional do Iguaçu, criado em 1939 com
São João ou Passagem de São João. Situado entre os uma área de 185 mil hectares, é constituído pela maior
rios Iapó e Tibagi até alcançar a região do Rio Pitangui. e mais importante formação de floresta tropical da
Região Sul do país, como também as mais belas quedas
Está encravada na escarpa que separa o Primeiro do
Segundo Planalto paranaense, na região denominada d’água do mundo, as Cataratas do Iguaçu, Patrimônio
“escarpa devoniana”. O Canyon do Guartelá tem apro- Natural da Humanidade. A maior usina para geração
ximadamente 30 Km de extensão, abertura máxima de energia elétrica com o uso da força das águas do
de um quilômetro e as escarpas tem entre 100 e 130 planeta é a Usina Hidrelétrica de Itaipu, construída no
metros de abertura, sendo considerado o sexto maior curso do Rio Paraná, com capacidade para gerar 20%
canyon do mundo em extensão e o maior do Brasil. da energia consumida pelo Brasil, apresenta uma ação
estratégica no crescimento do país, além de promover
O Roteiro dos Imigrantes destaca a colonização projetos de preservação do meio ambiente e receber
europeia ocorrida no Estado do Paraná, inicialmente mais de 500 mil visitantes por ano.
com a promoção de dois roteiros no Segundo Planalto,
região dos Campos Gerais. A rota eslavo-germânica Contando a História do Paraná
abrange a Colônia Entre Rios (alemães), a Colônia Wit- Quando falamos em História do Paraná, devemos
marsum (alemães-russos), e o município de Pruden- considerar que nossos primeiros moradores sequer
tópolis (ucranianos), onde ocorrem mais de 100 ca- registraram aspectos da sua história da maneira que
choeiras catalogadas, com destaque para o Salto São estamos acostumados. Os nativos, ameríndios ou
Francisco (196 metros de altura). índios, como são chamados, estavam aqui muito antes
O Roteiro das Missões compreende regiões argen- dos portugueses ou espanhóis, mas por pertencerem a
tinas, brasileiras e paraguaias é apontado como espaço um tipo de sociedade mais simples, ainda não haviam
de integração do Mercosul. Além de contar com as Ca- aprendido ou desenvolvido uma técnica de registro
taratas do Iguaçu, um dos principais pontos do turismo histórico, estando, como chamamos, ainda no período
para os mercados nacional e internacional, as Missões pré-histórico por não conhecerem a escrita.
dos Jesuítas, construídas nos séculos 17 e 18, formam
uma imensa riqueza cultural da região, que abrange um Os primeiros e mais autênticos paranaenses então
conjunto de atrativos reunindo nove locais tombados são os índios, dos quais ainda restam algumas reservas
como Patrimônio Mundial da Humanidade. Da Argentina em algumas regiões do Estado.
são: o Parque Nacional Iguazú, Redução de San Ignácio A povoação europeia no atual estado do Paraná
Mini, Redução de Santa Ana, Santa Maria La Mayor e a começou no século XVI por espanhóis, no interior do
Redução de Nuestra Señora de Loreto. Do Brasil: Parque território, área que pertencia oficialmente a Espanha
Nacional do Iguaçu e Sítio Arqueológico São Miguel das de acordo com o Tratado de Tordesilhas (1494). Pelo
Missões, no Rio Grande do Sul. E do Paraguai: Redução mesmo Tratado, somente o Litoral e o 1º Planalto per- 79
la Santísima Trinidad del Paraná e Jesus de Tavarangüe. tenciam aos domínios portugueses.
A povoação sistemática de origem portuguesa das províncias que constituíam a Monarquia. Depois
(partindo de dois núcleos: Rio de Janeiro e São Paulo) adquiriu um caráter separatista, ou seja, propunha a
começou no Litoral e 1º Planalto no século XVII e, separação do território gaúcho do resto do Brasil. O
assim, até o Século XIX, a população paranaense era segundo movimento rebelde estourou em São Paulo
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indígena, portuguesa e africana, devido a presença dos em 1842. Era a Revolução Liberal, que pretendia a volta
negros trazidos como escravos. do Partido Liberal ao poder central.
Tratado de Madrid, assinado na capital espanhola a 13 O governo temia que os paranaenses, apoiando os
de janeiro de 1750, entre os reis de Portugal e da Espanha. revolucionários gaúchos, que já atingiam Santa Catarina,
Este tratado tornou-se responsável por determi- ocasionassem a união dos dois movimentos e, conse-
nar os limites entre as duas colônias sul-americanas, quentemente, a soma das duas forças. Foi prometido a
acabando definitivamente com as contendas. emancipação da comarca de Curitiba e Paranaguá, em
O Tratado de Madrid foi preparado cuidadosamen- troca de sua neutralidade. A proposta foi aceita.
te a partir do Mapa das Cortes, favorecendo as colônias Finalmente a história oficial do Paraná começa em
portuguesas em prejuízo aos direitos dos espanhóis. 29 de agosto de 1853 com a lei assinada pelo Impera-
Os diplomatas portugueses eram muito espertos e dor Dom Pedro II, que desmembrou a região da Pro-
basearam-se no princípio do Uti Possidetis – direito de
posse – para definir como se daria a divisão territorial, víncia de São Paulo. Logo após ser conquistada sua au-
trabalhando também para a vitória portuguesa. Pelo Uti tonomia, teve início um programa oficial de imigração
Possidetis a terra deveria ser ocupada por aqueles já se européia para a região, principalmente de poloneses,
encontravam estabelecidos nela, com residência fixa e alemães e italianos que vieram em busca de riquezas.
trabalho nas redondezas. Desta forma os portugueses se O progresso, elevação de nível econômico, cultural e
firmaram no grande território que hoje forma o Brasil. social do povo do Paraná foram os principais motivos
O Tratado de Madrid estabeleceu que o limite da para a transformação da região em província.
fronteira entre os domínios espanhóis e portugueses Separada de São Paulo em 19 de Dezembro de
se daria a partir do ponto mediano entre a emboca- 1853, criou-se a Província do Paraná com o estabele-
dura do Rio Madeira e a foz do Rio Mamoré, sempre cimento de aproximadamente 40 núcleos coloniais,
seguindo em linha reta até visualizar a margem do Rio núcleos estes originados por imigrantes italianos,
Javari. Surgia uma linha imaginária que futuramente alemães, poloneses, franceses, ingleses e suíços que,
geraria muitas discórdias. dedicaram-se às culturas de erva-mate, café e explo-
Por este tratado, Portugal foi obrigado a ceder a ração de madeira impulsionando a economia local na
Colônia do Sacramento ao estuário da Prata, mas em época. O primeiro presidente da província foi Zacarias
compensação recebeu os atuais estados de Santa de Góes e Vasconscelos.
Catarina e Rio Grande do Sul, o atual Mato Grosso do
Sul, a gigantesca área que ficava no alto Paraguai e mais A Evolução da Província
algumas extensões de terras abandonadas, também Entre a instalação da província do Paraná e a pro-
adquiridas por meio de negociações. clamação da República (1889), vários presidentes se su-
O Paraná e a Independência do Brasil cederam no governo do Paraná. Dentre eles podemos
destacar:
Nesta época, as terras do Paraná faziam parte da
capitania de São Paulo, a qual devido a sua extensão, ˃˃ Francisco Liberato de Matos (1857 ± 59), que in-
foi dividida em duas comarcas. A comarca do sul teve centivou a imigração europeia e criou uma linha
sede em Paranaguá até 1812, quando esta foi transferi- de navegação entre Antonina e Paranaguá.
da para Curitiba. ˃˃ André de Pádua Fleury (1864-66), que forneceu
Em 1811, desejando um governo próprio, o água potável à população de Curitiba e fez
governo de Paranaguá enviou uma representação a estudos para uma ligação fluvial entre o Paraná e
D. João. O líder desse movimento emancipacionista a província de Mato Grosso.
foi Pedro Joaquim Correia de Sá. Foram feitas várias ˃˃ João José Pedrosa (1880-81), que ordenou a cons-
tentativas junto à Corte, no Rio de Janeiro, mas o mo- trução do Teatro São Teodoro, depois chamado
vimento fracassou. Em 1821, houve uma nova tentati- de Teatro Guaira, e incentivou a cultura de trigo,
va de obter a emancipação da comarca, que então se café e algodão.
chamava comarca de Curitiba e Paranaguá. Os defenso-
res da emancipação iniciaram um movimento que ficou Em 1880 houve a abertura de estradas e rodovias,
conhecido como Conjura Separatista. Mais uma vez, o o que acelerou a ocupação. Daí em diante aconteceu o
movimento não trouxe resultado positivo, embora o grande fluxo de migrantes mineiros e de outros estados
ideal da emancipação não tivesse desaparecido. Nessa pelo baixo valor das terras e sua grande fertilidade. O
luta destacaram-se o tropeiro Francisco de Paula e Silva Paraná, se torna Estado em 1889 com a Proclamação
Gomes e o Coronel Manuel Francisco Correia Júnior. da República que transformou as antigas províncias em
Como pode-se observar, o 7 de setembro não Unidades Federativas da República.
alterou a situação política do Paraná. No século XX, a história do Paraná foi marcada pela
Emancipação Política opulência das moradas e do viver dos “barões da erva-
No período regencial, duas rebeliões que ocorre- -mate”, donos de engenhos. A madeira farta atraía os
ram no sul do Brasil tiveram influências na história do ingleses, que povoaram os vazios das florestas derru-
Paraná. Uma delas foi a Revolução Farroupilha, que badas. Nesse mesmo século, chegaram os imigrantes
se estendeu de 1835 a 1845, no Rio Grande do Sul. não europeus, como os japoneses na segunda década.
80 Esse movimento inicialmente defendia a autonomia O Paraná viveu o ciclo do ouro, da madeira, da erva-ma-
te e do café, até finalmente diversificar sua economia.
O Estado é conhecido como o maior e mais ativo ˃˃ enfrentamentos com os colonizadores, tanto es-
celeiro do País. Seu parque industrial não para de panhóis como portugueses, que nos Séculos XVI
crescer e diversificar-se. O aproveitamento do extraor- (1501-1600) e XVII (1601- 1700) organizaram
dinário potencial energético de uma privilegiada bacia inúmeras expedições de caça aos índios para serem

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hidrográfica, formada principalmente pelos rios Paraná vendidos como escravos nas fazendas e nas cidades;
e Iguaçu, é um dos responsáveis por esse grande cres- ˃˃ expansão das fazendas de criação de gado, nos
cimento. Os últimos anos foram marcados por grandes Séculos XVIII e XIX, utilizadas pelos tropeiros curi-
transformações e pela sua consolidação como um dos tibanos para o descanso e a engorda (invernada)
mais importantes estados brasileiros, ocupando o seu ˃˃ do gado trazido do Rio Grande do Sul para o
lugar em importância econômica. mercado de Sorocaba, no atual Estado de São
A capital, Curitiba, foi fundada em 1693, como Vila Paulo;
de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. Curitiba se tornou ˃˃ grande interesse dos fazendeiros de café e das
a capital do Estado em 1853. A ocupação do seu territó- companhias de colonização, no Século XX, nas
rio foi lenta até 1870, quando foi iniciado o processo de terras férteis e extensas habitadas pelos Xetá.
colonização por imigrantes europeus. Os imigrantes se O extermínio do povo Xetá, ao longo de cinco
estabeleceram nos arredores da cidade, se dedicando Séculos, pelos fatores acima mencionados, de-
a atividades agrícolas e artesanais. Além desses grupos monstra que de certa forma eles resistiram como
majoritários, também vieram para a região imigrantes puderam à dominação e à invasão de suas terras.
japoneses, franceses, ingleses e suíços. A cidade de Influência do Povo Indígena
Curitiba tem sido modelo de planejamento urbano e
qualidade de vida para seus habitantes. É imensa a influência que o paranaense recebeu
do indígena, quer em sua diária ou em seus usos e
Paraná Pré-Colombiano – Paraná costumes:
Indígena ˃˃ Influência étnica: os milhares de índios que habi-
No Paraná, habitavam inúmeros povos indígenas tavam o Paraná foram em sua maior parte elimi-
que falavam línguas e tinham costumes diferentes entre nados definitivamente ou incorporados à socie-
si: Xetá e os Guarani, que pertenciam ao grupo lingüísti- dade pela miscigenação.
co Tupi, e os Kaingang, ao grupo Jê. ˃˃ Vocabulário: os termos de origem tupi-guarani
Cabe ressaltar que entre os Jê destacaram-se, ou gêno linguajar diário são muitos, como por
também, os Xokleng ( botocudos), que constituem o exemplo: Paraná, Curitiba, Paranapanema, Para-
ramo meridional da família Jê. A história do nome dos naguá, Iguaçu, Tibagi, Marumbi, canjica, butiá,
Xokleng tem provocado muitos debates. Alguns etnógra- vossoroca, guri, etc. Sua contribuição lingüística
fos afirmam que os Xokleng se originaram dos Kaingang ocorre, sobretudo, nos nomes de acidentes geo-
e tal separação se deu a fissões de suas patri-metades. gráficos, como rios, serras, picos, etc.
Existe uma proximidade linguístico-cultural entre ˃˃ Alimentação: a farinha de mandioca é de uso
os Xokleng e os Kaingang. Atualmente, a localização muito difundido entre a população.
dos Xokleng, em maior número, encontra-se em Santa ˃˃ A importância desta farinha para o índio era
Catarina. como a da farinha de trigo para o homem branco.
A eliminação do ácido venenoso que a mandioca
No Paraná, existem hoje, aproximadamente, brava possui proporcionou uma grande fonte de
30 índios Xokleng. Os Xetá habitavam a Serra dos alimento para os índios.
Dourados, entre os rios Paraná e Ivaí, no noroeste do
Estado e, segundo os estudiosos, foram os únicos povos ˃˃ Seu uso é hoje conhecido em todas as camadas
encontrados somente no Estado do Paraná. sociais.
Os Kaingang espalhavam-se do Estado do Rio Grande ˃˃ Também o uso do mingau, canjica, paçoca, ali-
do Sul à região de São Paulo. Aqui no Paraná, habitavam mentos feitos do milho ou aipim, como cuscuz, as
pamonhas e os bijus, tem origem entre os índios.
as regiões de Palmas e Guarapuava, próximo aos rios
Tibagi e Ivaí. Viviam nas áreas centrais do Estado. ˃˃ O uso da eni (rede), hoje generalizado: os índios
a usavam para dormir em suas ocas, porque não
Os Guarani povoavam o litoral sul do Brasil, entre conheciam a cama.
Cananéia em São Paulo e o Rio Grande do Sul, ao
longo das margens do Rio Paraná, espalhando-se pelo ˃˃ A erva mate: foram os índios da família tupi-gua-
Paraguai, Argentina, Uruguai e Bolívia. rani que ensinaram ao homem europeu a utili-
zação desta erva: o chá feito do mate e o tererê.
Hoje, existem no Paraná, aproximadamente 9 mil Hoje seu uso é definitivo nas tradições sulinas,
índios, predominando os Kaingang sobre os Guarani. sob a forma de chá quente, gelado ou do tradicio-
Os Xetá foram vitimados pelo processo de coloniza- nal chimarrão.
ção branca, ao longo dos Séculos XVI ao XX. Atualmen- ˃˃ O uso de raízes medicinais.
te, existem apenas sete índios sobreviventes e parentes ˃˃ O costume de se alimentar de carne de moqueca-
entre si, o que levará à completa extinção dessa cultura da e assada em buracos aquecidos no chão.
indígena. É o genocídio de um povo!
˃˃ O fumo: Os europeus não conheciam o fumo.
→→ Fatores que contribuíram para o extermínio: Vieram conhecê-lo na América. Os índios utili-
˃˃ doenças adquiridas dos brancos, como gripe, tifo, zavam-se desse vegetal, fumando cachimbos de
sarampo, para as quais os indígenas não tinham barro. Hoje é usado universalmente sob a forma 81
resistência porque nunca tinham contraído; de cigarro ou charuto.
˃˃ O costume do banho diário e do cabelo cheio de tartarugas, por exemplo) e coletassem frutos silvestres,
loção: são elementos aprendidos com os índios. esses povos comiam principalmente peixes e moluscos
˃˃ As cestarias, redes e armadilhas indígenas foram (ostras, mexilhões, berbigões etc.). Como essa fonte de
de extrema utilidade para a sobrevivência dos co- alimentos nunca se esgotava, permaneciam durante
Economia e Demografia Paranaense

lonizadores brancos nas matas do Paraná. milênios no mesmo lugar, perto da praia e, de preferên-
˃˃ Produção artesanal: os Guarani desenvolveram cia, próximo de algum rio.
uma adiantada técnica em cerâmica, fabricando Os Europeus no Paraná
inúmeros recipientes e vasilhas de barro cozido. A presença espanhola no Paraná
Do algodão que cultivavam, produziam fios com
os quais faziam trabalhos de tecelagem, como Como já foi dito, pelo Tratado de Tordesilhas (1494),
rede e tecidos. somente o Litoral e o 1° Planalto do atual estado do
Paraná pertenciam aos domínios portugueses estando
˃˃ Caminho do Peabiru: uma “estrada” milenar,
transcontinental que ligava o oceano Atlânti- submetidos as Capitanias de Martim Afonso de Sousa
co ao Pacífico, atravessando a América do Sul, e Pero Lopes de Sousa. A porção portuguesa do atual
unindo quatro países. No Brasil, passava por estado estava submetida a Capitania de São Vicente,
Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso transformada depois em Capitania de São Paulo, e após
do Sul e depois seguia para Paraguai, Bolívia e a Independência do Brasil, Província de São Paulo.
Peru, cortando mata, rios, cataratas, pântanos e A maior parte do território então era, por direito,
cordilheiras. um domínio espanhol.
Os Guarani – Povo das Águas, foram um povo de ca- Embora os espanhóis se mostrassem muito mais
noeiros, navegadores de rios e mares, que habitavam interessados nas jazidas de ouro e prata do México
o litoral paranaense e a região ao longo do rio Paraná. e Peru, ocorreram também inúmeros exemplos de
Com a chegada dos colonizadores portugueses, na atual presença espanhola no território paranaense, uma vez
região de Guaraqueçaba e Paranaguá, a partir de 1540, que o interesse na exploração de riquezas alimentava a
mais ou menos, Século XVI, eles foram aos poucos obri- imaginação do colonizador.
gados a se refugiarem cada vez mais para o interior, mas Ainda no século XVI os espanhóis fundaram no
buscaram sempre se instalar próximos a rios e riachos. interior do atual estado do Paraná vilas, Missões e
Assim foram desenvolvendo técnicas de constru- Reduções Jesuíticas.
ção de canoas e transformaram-se em habilidosos Em 1541, o “adelantado” Dom Álvãrez Nuñez
pescadores, muitos mais que outros povos como os Cabeza de Vaca, governador da província do Paraguay,
Kaingang e os Xetá. Até hoje, pescadores descendentes partiu do litoral catarinense e cortou o território do
dos Guarani, como na região entre Cananéia e Supera- Paraná até alcançar Assunção. Seu objetivo era tomar
güí, próximo à Paranaguá, constroem suas canoas num posse da porção sul da América Espanhola.
só tronco de árvore, demonstrando uma magnífica
técnica de trabalho artesanal. Um dos principais objetivos dos espanhóis em
terras paranaenses era tomar posse do caminho de
Os Kaingang– viviam da caça, da pesca e da coleta Peabiru (Caminho de Grama Amassada), uma impor-
da agricultura, de raízes e frutos. Fixavam-se na terra. tante via que ligava o oceano Atlântico ao Oceano
No que se refere a usos e costumes, gostavam de usar Pacífico, partindo de São Vicente, passando por todo o
colares de sementes pretas com presas de animais. interior do estado do Paraná, Paraguai, Cordilheira dos
Produziam e utilizavam objetos de cerâmica feitos de Andes, etc.
argila, tanto de uso doméstico como religioso, como
por exemplo, urnas funerárias. Eram grandes artesãos Utilizando-se do Peabiru, os Espanhóis atingem a
da cerâmica e desenvolveram técnicas inteligentes de região de Guaíra e fundam a Ciudad Real de Guayrá,
resistência do material produzido. que tinha como função diminuir o ímpeto colonizador
dos portugueses na região.
Fonte arqueológica para estudo: SAMBA- Além de Guayrá, os espanhóis fundam também, às
QUIS margens do Rio Paraná, Vila Rica do Espírito Santo, após
Os vestígios arqueológicos encontrados em várias a União Ibérica em 1580, Vila Rica é transferida para a
regiões do Brasil - sambaquis ou concheiros, objetos margem do Rio Ivaí, atualmente município de Fênix.
de barro e de pedra, pinturas em cavernas etc. - cons- Com o surgimento da União Ibérica, Portugal e
tituem ricas fontes de informação sobre a vida dos Espanha passam a ter um só monarca, e o tratado de
grupos humanos que aqui viveram antes da chegada Tordesilhas perde sua função, possibilitando assim
dos portugueses, em 1500. novas incursões de Bandeirantes em busca de riquezas
Durante muito tempo se pensou que os casquei- e índios no território do atual Paraná.
ros do litoral eram apenas um amontoado de conchas
trazidas à costa pelas marés. Com a destruição de Destruição das Missões
alguns deles para fins industriais e até para construção A 18 de setembro de 1628 deixou São, Paulo a
de estradas, descobriu-se que eram lugares arqueoló- maior de todas as bandeiras que já haviam atacado
gicos, onde habitavam povos nômades que ali viveram o Guairá: 2 000 índios e novecentos mamelucos, diri-
em várias épocas. gidos por 69 paulistas. No comando estava o mestre-
Com a elevação do nível do mar, ao nível que co- -de-campo Manuel Preto; seu imediato era Antônio
nhecemos hoje, há cerca de 6 mil anos, o litoral que Raposo Taváres.
se estende do atual estado do Espírito Santo ao Rio Atingindo a região pelo sudeste, os sertanistas
Grande do Sul passou a ser ocupado por povos que atacaram sucessivamente as reduções de San Miguel,
82 se alimentavam de frutos do mar. Embora também Santo Antônio, Jesus María, Encamación, San Xavier e
caçassem pequenos animais (macacos, antas, gambás, San José.
Diante do massacre, os padres reuniram em Santo O tropeiro era a pessoa que comercializava o gado,
Inácio e Loreto os índios sobreviventes e refugiaram- conduzindo-o através do caminho das tropas do Rio
-se nas missões estabelecidas entre os rios Paraná Grande do Sul à feira anual em Sorocaba /SP. Esse era
e Uruguai; os paulistas aproveitaram-se da retirada conduzido às regiões auríferas.

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para destruir as povoações de Vila Rica e Ciudad Real, Com o percurso longo e cansativo, os tropeiros
situadas respectivamente na margem esquerda do rio faziam várias paradas e muitas transformaram-se em
Ivaí e junto à foz do rio Piquiri; permitindo entretan- locais de “pouso tropeiro” e abrindo-se um armazém,
to que seus habitantes fossem para o Paraguai, onde uma ferraria, uma selaria, comércio de roupas, etc e
fundaram nova povoação às margens do rio Jejuí. Em assim se formaram pequenos povoados e vilas, que
1632, não existia mais a província jesuítica do Guairá. hoje se constituem em cidades, como Ponta Grossa,
Foi uma destruição sem intenção de povoar, o que Lapa, Palmeira, Castro, Rio Negro, Campo do Tenente,
gerou um vazio demográfico no interior, e posteriores Porto Amazonas, Piraí do Sul, Jaguariaíva e Sengés.
disputas de territórios entre Espanha e Portugal. Essas cidades, somadas com as do litoral, constituem
o grupo populacional mais antigo do Paraná, denomi-
O Paraná Português Migrante e nado por alguns historiadores de “Paraná Tradicional”.
Imigrante Esse período do tropeirismo na região sul brasileira
PARANÁ DO GARIMPO (Séc. XVII – Povoação do pode ser considerado em três etapas:
Litoral e 1° Planalto) ˃˃ Começa em 1632, quando padre Cristóbal de
Quando espanhóis e portugueses invadiram o con- Mendoza Orelhano e os índios guarani, levaram
tinente americano, logo foram informados da existência a primeira tropa para a região dos Sete Povos das
de regiões com muito ouro e prata. Os portugueses pro- Missões, no Rio Grande do Sul;
curavam riquezas nas costas do Brasil e descobriram que ˃˃ Quase cem anos depois, teve início o ciclo do tro-
na região, onde hoje é Paranaguá, Morretes e Antonina, peirismo dos campos de Curitiba;
na serra do Mar, e nos campos de Curitiba, havia ouro. ˃˃ Com a grande tropa de Cristóvão Pereira de
Abreu, em 1732, esse ciclo do tropeirismo se con-
A primeira riqueza que os portugueses encontra- solidou em toda a região sul e também na região
ram no Paraná foi ouro e os povos indígenas que eles sudeste, e durou mais de 200 anos. O caminho
aprisionavam afim de trabalhar para eles ou para ven- de Graciosa é mais importante caminho de
dê-los como escravos. tropas, no Paraná. Passando pelos municípios de
Foram os garimpeiros portugueses que fundaram Curitiba, Piraquara, Quatro Barras e Morretes, fez
Paranaguá, o núcleo de povoação mais antig do Paraná. por muitos e muitos anos a ligação entre portos
Aos poucos, os garimpeiros de ouro do litoral foram de Paranaguá, Antonina e o resto do Estado. O
sendo informados de que, nos rios Atuba, Belém, caminho de Palmas a Palmira fez a integração, no
Barigui, Passaúna, Iraí, etc, todos na região que hoje é a Paraná, entre o caminho das missões e o caminho
de via mão. Por mais de cem anos, passaram
grande Curitiba, havia bastante ouro. Então solicitaram por esse caminho tropas de mulas vindas do sul
autorização das autoridades portuguesas para subir e muitas tropas de bois criados nos campos de
a serra e garimpar ouro nessa região que constitui o Palmas. Essa atividade se tornou o mais impor-
primeiro planalto paranaense. tante fator para o desenvolvimento econômico e
A vila de Paranaguá criada por uma carta régia de social da região sul.
1648 formou com o seu sertão - os chamados campos de Destaca-se, também, o tropeirismo na suinocul-
Curitiba, a quase mil metros de altitude - uma só comu- tura. A prática da suinocultura ocorria nas antigas
nidade. E, assim começou a surgir um novo povoado que colônias de imigrantes ou em áreas desmatadas, espe-
receberia, mais tarde, o nome de Nossa Senhora da Luz cialmente, para fazer safras.
dos Campos dos Pinhais, e que depois se chamou Curitiba. Memória Histórica das Cidades
Pouco a pouco, Curitiba, elevada a vila em 1693 Com o crescimento das cidades surgidas em função
transformou-se no principal núcleo da comunidade pa- do tropeirismo, ainda hoje elas mantêm característi-
ranaense Podemos afirmar que a garimpagem de ouro cas arquitetônicas próprias daquele período. Como
foi o primeiro período de riqueza do Paraná. exemplo, o casario encontrado na Lapa.
Nas cidades de Ponta Grossa, Lapa e Castro também
é mantida a antiga denominação RUA DAS TROPAS,
como forma de preservar a história local.
A presença portuguesa, devido à mineração, já “(...)Castro é composta de centenas de casas que
havia ocorrido no século XVI no litoral paranaense se enfileiravam ao longo de três ruas compridas. A po-
(Guaraqueçaba – 1545). A COLONIZAÇÃO portuguesa pulação era constituída por alguns comerciantes,(...)
é que ocorre no século XVII. e alguns artesãos. Dentre os últimos, os mais numero-
sos eram seleiros, o que não é de admirar numa região
Paraná Tropeiro (Séc. XVIII-XIX – onde os homens passam a maior parte do tempo em
Povoação dos Campos Gerais) cima de um cavalo... os habitantes de terras vizinhas se
O tropeirismo foi uma atividade econômica desen- dedicavam... à criação de bois e cavalos”
volvida no sul do Brasil. Com a descoberta de grandes (Saint Hilaire, 73 – 1820).
jazidas de ouro nas regiões de Minas Gerais, no Século Oeste e Sudoeste
XVIII, o gado muar, encontrado nos campos sulinos, As regiões Oeste e Sudoeste do Estado do Paraná 83
passou a suprir a necessidade de meio de transporte. passaram por dois ciclos de povoamento. O primeiro
é Século XIX e XX e foi marcado pela erva-mate e pela Durante o Século XX, aconteceram os grandes des-
madeira. As industrias ervateiras e as madeireiras foram matamentos e o comércio da madeira no Paraná.
presenças constantes na região. Depois, temos nos anos Muito dinheiro veio para o Paraná, proveniente
30 e 40 a importância da agricultura na região, contando da venda de madeiras, e nessas regiões de onde saia a
Economia e Demografia Paranaense

com a presença de migrantes gaúchos e imigrantes madeira, surgiram e cresceram rapidamente muitas
europeus, que para cá vieram, atraídos pela possibilida- cidades que servem até hoje de modelo de crescimento.
de de trabalhar num pedaço de terra de onde poderiam
tirar o sustento seu e também da família. O período da madeira ajudou o Paraná a se desen-
volver economicamente em população, mas deixou
Paraná Ervateiro como consequência a destruição quase total de um
Os primeiros a fazer uso da erva-mate foram os tesouro que a natureza criou em milhares de anos.
índios Guarani, que habitavam a região definida pelas Esse período da madeira ocorreu quase parale-
bacias dos rios Paraná, Paraguai e Uruguai, na época lamente a outra atividade econômica que foi a mais
da chegada dos colonizadores espanhóis. Da metade importante de todas para o crescimento e desenvolvi-
do Século XVI até 1632, a extração de erva mate era a mento do Paraná: o período do Café.
atividade econômica mais importante da província Del
Guairá, território que abrangia praticamente o Paraná, Norte Velho, Norte Novo e Norte Novíssimo: O Paraná
e no qual foram fundado três cidades espanholas e 15 Cafeeiro
reduções jesuíticas. Norte Velho (Nordeste do estado) – Século XIX
O consumo da erva-mate se faz de duas maneiras extensão da lavoura cafeeira do oeste paulista. Área
distintas: sob forma de chimarrão ou chá. Para entre os rios Paranapanema e Tibagi.
consumo do chimarrão, utiliza-se cuia (purungo), Norte Novo (Norte do estado) – Século XX (anos
bomba e chaleira com água quente. O chá é a bebida 30 e 40) – Companhias Colonizadoras e o auge da
feita da infusão da folha do mate e pode ser consumido produção cafeeira. Área entre os Rios Tibagi e Ivaí.
quente ou frio. Norte Novíssimo (Noroeste do estado) - Século XX
A erva-mate manteve-se como principal produto (pós década de 50) – Companhias Colonizadoras, café,
paranaense durante o período entre a emancipação cana-de-açúcar e polo da moda. Entre os rios Ivaí e Piquiri.
política do Paraná (1853) e a Grande Crise (1929), O período do café foi o que mais riquezas propor-
chegando a representar 85% da economia paranaense. cionou ao Paraná, e assim surgiram cidades importan-
As mudanças que ocorreram nos meios de transporte tes como Londrina, Maringá, Paranavaí, Mandaguari,
se intensificaram com o desenvolvimento da economia Cianorte, Bandeirantes, Apucarana e outras.
ervateria, a partir do Século XIX. É preciso lembrar que a maior parte dessa região
Em 1885, com a inauguração da ferrovia, ligando era coberta por matas densas, com muitas árvores que
Curitiba a Paranaguá, esta tornou-se a principal via para o produzem madeiras de lei como peroba, cedro, imbuía,
escoamento da erva-mate que se destinava à exportação. cambará, e sendo que, para formar as lavouras de café
Os trens substituíram os carroções puxados por e outros produtos agrícolas era preciso cortar árvores e
animais e, posteriormente, os caminhões tornaram-se até arrancar as raízes.
o principal meio de transporte do produto. Em Curitiba, O povoamento organizado: o norte do Paraná
os bondes de tração animal e as charretes conduziam a
erva-mate do engenho à estação ferroviária. O café aparece timidamente no norte do Paraná
por volta de 1860, em algumas grandes fazendas e
O Paraná foi, é, e continua sendo um Estado erva- constitui uma primeira frente pioneira que se estende
teiro: as regiões oeste, sudeste e centro sul, contam lentamente. Este tipo de povoamento é diferente
com muitas indústrias ervateiras, modernas, atualiza- daquele do Sudoeste e do Oeste, estendendo-se de
das, produzindo erva mate de excelente qualidade. maneira regular e uniforme durante as duas primeiras
Paraná Madeireiro décadas do século XX. A proximidade com São Paulo
cria condições de mercado propícias a quebrar o iso-
Toda a região sul do Brasil se caracterizava por lamento, a despeito das dificuldades de transporte; a
grandes áreas de campos ,ou seja, de pastagens, e ação colonizadora do governo do Paraná e sobretudo
outras regiões grandes povoadas de mata densa, com das companhias privadas cria, entretanto, uma infra-
árvores de grande e médio porte. -estrutura favorável à instalação de pequenos e médios
A região norte, noroeste, oeste, sudoeste e parte proprietários.
da região sul, eram cobertas por matas densas, que As concessões mais importantes feitas pelo
passaram a ser chamadas de Sertões Desconhecidos. governo a companhias privadas são: “Primeiro de
Nesses sertões, haviam muitas árvores que pro- Maio”, fundada por Corain e Cia., dotada de 50.000 há,
duziam várias madeiras, como a imbuía, a peroba cujos primeiros habitantes chegam em 1923; “Serta-
e a mais bela e rica floresta do mundo, as matas de nópolis”, criada por Leopoldo de Paula Vieira em 1924,
Pinheiro do Paraná. também com uma superfície de 50.000 há.
Durante o Século XIX vieram para o Brasil muitas Estas duas companhias fundam os centros dinâmicos
famílias de imigrantes europeus, vieram alemães, ita- do povoamento da região antes da crise de 1929. Outras
lianos, poloneses, ucranianos, holandeses, etc. concessões criam núcleos coloniais, sem alcançar, en-
Eles foram entrando nas matas e precisavam tretanto, uma ocupação imediata. Mas esta colonização
derrubar, cortar as árvores para poderem fazer suas dirigida nunca exclui a ocupação precária das terras.
casas e plantar suas roças. Aos poucos foram surgindo A companhia privada que teve o papel mais im-
colônias de imigrantes, que transformavam os troncos portante para a ocupação do território foi a “Paraná
84 em tábuas, esteios, caibros, forros e serrarias, para a fa- Plantations Ltda.”, que comprara do governo do Estado
bricação de casas e móveis. 515.000 ha. É estabelecido um plano de colonização
muito detalhado, o qual comporta a realização de uma grande produtividade através da tecnologia do café
infra-estrutura organizada para o comércio e o trans- adensado. A Região Oeste, uma vez concluída sua
porte, e prevê também uma estrada de ferro que acom- ocupação, acabou emergindo como região especializa-
panharia o avanço do povoamento. da em culturas de exportação, particularmente a soja.

Economia e Demografia Paranaense


A sede social desta companhia, de origem inglesa Já o Sudoeste de ocupação mais antiga, mantém-se
(nacionalizada na Segunda Guerra), é instalada em como região produtora de alimentos.
Londrina, cidade que propaga seu dinamismo para Também considerado o maior produtor de trigo do
a ocupação do território. A divisão das terras é feita Brasil pois ocupa 74% da área estimada com as culturas
em loteamentos de pequena e média extensão, cuja de inverno. É o segundo maior Estado produtor de soja
compra podia ser financiada em 4 anos.
no País, sendo responsável por 21,3% da produção
O governo regional retoma também sua ativida- nacional. Também, o Paraná costuma plantar três safras
de colonizadora a fim de evitar os conflitos agrários de feijão, sendo responsável por 23% da produção
sempre prestes a explodir nas zonas pioneiras. Os nacional, o que lhe confere a liderança na produção.
projetos de colonização pública preveem então o po-
voamento de 300.000 há na região Norte/Nordeste, É apontado como o terceiro colocado no ranking de
sobre lotes de menos de 100 há. maior produtor nacional de cana-de-açúcar, atrás de
O processo de colonização organizada irá influen- São Paulo e Alagoas, entretanto, é o segundo colocado
ciar diretamente a expansão das atividades econômi- na produção de álcool.
cas, criando condições favoráveis para o pequeno cam- A formação do Mercado Comum do Sul
pesinato. Como resultado deste processo, as pequenas (MERCOSUL), bloco econômico com países do cone sul,
e médias propriedades de menos de 100 há consti- inseriu o Paraná no sistema de globalização econômica.
tuem, em 1940,84% do total das explorações agrícolas O Paraná ficou numa posição privilegiada: é um porto
do Paraná. na rota de passagem das mercadorias que vem da Ar-
Geada de 1975 gentina, Chile, Paraguai e Uruguai, para o restante do
Foi no amanhecer de 18 de junho de 1975 que uma país. O inverso também é verdadeiro, gerando receitas
das geadas mais intensas do século passado reduziu a e atraindo grandes negócios em decorrência de sua lo-
zero a área cultivada com café no Estado do Paraná. Em calização estratégica.
escala maior, o próprio Paraná nunca mais foi o mesmo. O Paraná reúne todas as condições para ser um
Aquela manhã fria, aliada a outros fatos ocorridos na Estado eco-turístico-cultural por excelência: tem
mesma época, disparou uma série de transformações lugares históricos, belezas naturais, culinária diversi-
econômicas e demográficas que fizeram do Estado o
que ele é hoje. ficada clima bom e variado, gente culta e hospitaleira,
espaços culturais e culturas de todo mundo. Os para-
As estatísticas dão uma dimensão grandiosa dos naenses só têm a se orgulhar do seu território, da sua
eventos daquele dia. Na safra de 1975, cuja colheita gente e da sua história.
já havia sido encerrada antes da geada, o Paraná havia
colhido 10,2 milhões de sacas de café, 48% da produção Economia Paranaense
brasileira. Era o maior centro mundial nessa cultura e (Fonte: IPARDES – Instituto Paranaense de Desenvolvimento Eco-
tinha uma produtividade superior à média nacional. No nômico e Social)
ano seguinte, a produção foi de 3,8 mil sacas. Nenhum “O Paraná passou por diversos ciclos econômicos
grão de café chegou a ser exportado e a participação durante seu processo de formação. No século XVII o ouro
paranaense na produção brasileira caiu para 0,1%. foi responsável pela colonização do litoral e primeiro
Nos dias seguintes já começava a consolidar-se planalto. Nos séculos XVIII e XIX o tropeirismo influen-
uma idéia de que o estrago seria duradouro. O gover- ciou na colonização da região conhecida como Campos
nador Jayme Canet Júnior anunciava que o orçamento Gerais, ou então o segundo planalto paranaense. Ainda
do Estado seria reduzido em 20% no ano seguinte. no século XIX até meados do século XX o café foi o prin-
O prognóstico dos especialistas era de que o prejuízo cipal produto cultivado responsável pela colonização do
chegaria a Cr$ 600 milhões (o equivalente, pela cotação norte. A região oeste e sudoeste foi colonizada em dois
da época, a US$ 75 milhões), apenas nas lavouras de momentos: Primeiramente no final do século XIX e início
café. Outras culturas, como o trigo, também sofreram do século XX com a madeira e a erva-mate e depois nos
perdas importantes, de mais de 50%. Mas era o café que anos 30 e 40 do século XX com a agricultura.
sustentava a economia do Paraná naquela época – uma Atualmente, a economia do Paraná ocupa o quinto
situação que mudaria logo em seguida, já que os cafei- lugar em desenvolvimento no país, ficando atrás dos
cultores nunca mais se recuperariam desse impacto. estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Rio
A partir de então a produção de soja, trigo, milho e Grande do Sul, além de participar com cerca de 6% do
amendoim se tornou uma boa opção. PIB nacional e basear-se principalmente na agricultura
e na indústria. Embora ainda tenha uma economia emi-
Paraná em Desenvolvimento nentemente agrícola, o estado continua atraindo inves-
O Paraná atual é resultado de tudo o que aconteceu timentos externos que alavancam cada vez mais o setor
em seu território e com sua gente, desde os primeiros industrial, principalmente no polo automotivo.
indígenas, passando pelos períodos do ouro, da criação Outras fontes que também são geradoras de
de gado e do tropeirismo, da cultura da erva mate, da renda no estado são os setores de transporte, as
madeira, do aproveitamento do pinheiro, da produção hidrelétricas, o turismo, a área mineradora, e a
de café e soja, assim como da industrialização. extração da madeira, que contribui de forma signifi-
E ainda hoje é um grande produtor agrícola. A cativa na economia paranaense. 85
produção do café voltou a ser incentivada, prometendo O setor de serviços exerce grande influência na
economia do Paraná. Ele é responsável por 62,7% do a) A cidade de Curitiba desenvolveu-se a partir de
PIB do Estado. Logo depois, aparecem o setor indus- um núcleo inicial formado por uma colônia de
trial, com 29,1%, e o setor de agropecuária, respon- imigrantes alemães e imigrantes poloneses.
sável por 8,2%. Embora tenha menor importância, b) A colônia de Superagüi, formada por imigrantes
Economia e Demografia Paranaense

quando relacionada com outros ramos de atividade, a


suíços com auxílio do Governo Provincial, deu
agropecuária paranaense é representativa em termos
econômicos, atingindo participação superior a registra- origem à cidade de Paranaguá.
da pelo setor primário em nível nacional. c) O estabelecimento de colônias em regiões afasta-
Comparando-se aos municípios do estado, a região das dos maiores centros urbanos foi um dos prin-
metropolitana de Curitiba ganha destaque. Curitiba, cipais motivos do relativo fracasso das primeiras
Araucária e São José dos Pinhais respondem por, respec- experiências de ocupação do território paranaen-
tivamente, 23,5%, 6,2% e 5,1% do PIB estadual, seguidas se com imigrantes europeus na primeira metade
por Londrina, Foz do Iguaçu, Maringá, Ponta Grossa, Pa- do século XIX.
ranaguá, Cascavel e Guarapuava. Juntos, todos os outros d) A cidade de Londrina originou-se de uma colônia
municípios do estado somam um PIB de 42,5%. de imigrantes ingleses, fundada logo após a
As exportações paranaenses também apresentam- Guerra da Criméia.
-se em expansão. As maiores vendas externas são de e) A imigração japonesa foi subsidiada pelo governo
soja, material de transportes e carne, entretanto, imperial para desenvolver a policultura no Norte
os principais produtos estrangeiros adquiridos pelo
Estado também são os materiais de transporte, os do Paraná.
produtos químicos e derivados de petróleo. Argenti- 03. Anteriormente à instalação da Província, esta-
na e China, com cerca de 10% das exportações cada, e beleceram-se no Paraná apenas três colônias
Alemanha, com 8,5%, são os países que mais adquirem de imigrantes: a de alemães, em Rio Negro; a
produtos paranaenses. Já os países que mais exportam de franceses, em Teresa Cristina no Rio Ivaí; a
para o Paraná são a Nigéria, com 19,7% de participa- de suíços, franceses e alemães em Superaguí. A
ção, a China, com 9,7%, e a Argentina, com 9,5%. fundação desses núcleos atendia à preocupação
Os principais indicadores econômicos e sociais do do Império com o povoamento.
Estado mostram um grau de urbanização de 81,4%, Certo ( ) Errado ( )
uma taxa de crescimento populacional de 1,4% ao ano,
PIB per capita de 10.724, e balança comercial de 77.127 04. O Governo Provincial paranaense, seguindo as
milhões de dólares em 2009. A população economica- novas tendências da política imigratória brasilei-
mente ativa do Paraná (PEA) é de 5,8 milhões, e o índice ra, ou seja, o fornecimento de mão-de-obra para
de desenvolvimento humano apresenta uma evolução agricultura e a substituição do trabalho escravo,
positiva, com 0,711, ocupando a 6° posição nacional.” colocou em prática um projeto de colonização
destinado a criar, no Paraná, uma agricultura de
abastecimento.
Certo ( ) Errado ( )
01. A respeito da História do Paraná, assinale o que
for correto: 05. Os imigrantes alemães logo se dedicaram às ativi-
a) Nos últimos anos, o estado do Paraná incremen- dades comerciais e industriais urbanas, principal-
tou e diversificou suas atividades econômicas, mente em Curitiba e seus arredores.
passando, inclusive, a contar com um parque in- Certo ( ) Errado ( )
dustrial automobilístico. 06. Os primeiros imigrantes ucranianos localizaram-
b) O estado do Paraná teve sua emancipação -se nos arredores de Curitiba. As grandes levas
política formalmente reconhecida no século XIX, dirigiram-se para as colônias de Prudentópolis
mas continua, até hoje, dependente da Província e Marechal Mallet. Num segundo momento,
de São Paulo em vários aspectos administrativos. muitos foram empregados nas obras de constru-
c) O estado do Paraná sedia o Porto de Paranaguá, o ção da Estrada de Ferro São Paulo – Rio Grande.
maior porto do Brasil em volume de exportações Após a 1º Guerra Mundial, por motivos de ordem
e importações.
política, os ucranianos continuaram a procurar o
d) Durante o governo de Jaime Lerner, foi criado o
Anel de Integração, com várias praças de pedágios Paraná.
estatais, com o objetivo de arrecadar fundos para Certo ( ) Errado ( )
construir novas rodovias pavimentadas. 07. Os japoneses começaram a chegar no início do
e) Em função dos problemas gerados pela globali- século XX e se concentraram principalmente nas
zação, a região metropolitana de Curitiba sofreu regiões de Londrina, Maringá, Cornélio Procópio,
um grande êxodo populacional nas duas últimas Apucarana, Paranavaí, Jacarezinho, Tomazina e
décadas do século XX. Curitiba.
02. No início do século XIX, o território que hoje Certo ( ) Errado ( )
pertence ao estado do Paraná era escassamen-
te povoado. Uma das formas de ocupação do 08. “Os primeiros povoados que surgiram, na área que
território paranaense foi o estabelecimento de hoje é o estado do Paraná, foram fundados por es-
colônias de imigrantes europeus. Sobre a expe- panhóis, Ciudad Real del Guayra em 1557 e Villa
86 riência paranaense com a imigração europeia no Rica Del Espiritu Santu em 1576” (BONINI, A. et al.
século XIX, assinale a alternativa correta. História: ensino médio. Curitiba: Seed, 2006).
Sobre a colonização espanhola da área onde hoje está __________________________________________
localizada parte do estado do Paraná, assinale a alter-
___________________________________________
nativa correta.
a) A presença dos espanhóis na região limitou-se a ___________________________________________

Economia e Demografia Paranaense


Ciudad Real del Guayra e Villa Rica Del Espiritu ___________________________________________
Santu. Em razão disso, já na última década do ____________________________________________
século XVI, os portugueses ocupavam o território ___________________________________________
paranaense.
___________________________________________
b) Os espanhóis avançaram sobre o território para-
naense em razão da União Ibérica, que unificou as ___________________________________________
Coroas de Portugal e de Espanha entre 1580 e 1640. ___________________________________________
c) A presença espanhola nessa região foi resultado ___________________________________________
do Tratado de Santo Idelfonso (1777), assinado ___________________________________________
entre Portugal e Espanha, que estabeleceu as ___________________________________________
fronteiras entre os dois países na América.
___________________________________________
d) Ao atacar as missões dos jesuítas, os bandeiran-
tes provocaram uma reação da Coroa da Espanha, ___________________________________________
que decidiu fundar Ciudad Real del Guayra e Villa ___________________________________________
Rica Del Espiritu Santu. ___________________________________________
e) Com a destruição da maioria dos povoados espa- ___________________________________________
nhóis e das reduções jesuítas pelos bandeirantes,
___________________________________________
os principais focos de povoamento espanhol foram
abandonados tanto pelos portugueses quanto ___________________________________________
pelos espanhóis no decorrer do século XVII. __________________________________________
Assinale o que for correto sobre o processo de coloniza- ___________________________________________
ção da região Norte do estado do Paraná. ___________________________________________
09. Após a destruição das reduções jesuíticas ali exis- ___________________________________________
tentes no século XVII, a região Norte do Paraná
ficou praticamente abandonada durante séculos. ____________________________________________
Certo ( ) Errado ( ) ___________________________________________
10. A fundação da colônia militar de Jataí, às margens ___________________________________________
do rio Tibagi, em meados do século XIX, é con- ___________________________________________
siderada um dos marcos iniciais da ocupação __________________________________________
efetiva do Norte paranaense. ___________________________________________
Certo ( ) Errado ( )
___________________________________________
___________________________________________
01 A 06 CERTO ___________________________________________
___________________________________________
02 C 07 CERTO
___________________________________________
03 CERTO 08 E
___________________________________________
04 CERTO 09 CERTO
___________________________________________
05 CERTO 10 CERTO __________________________________________
___________________________________________
___________________________________________
__________________________________________ ___________________________________________
__________________________________________ ___________________________________________
__________________________________________ ___________________________________________
__________________________________________
__________________________________________ ___________________________________________
__________________________________________ ___________________________________________
__________________________________________ ___________________________________________
_________________________________________
_________________________________________ ___________________________________________
__________________________________________ ___________________________________________
__________________________________________ ___________________________________________
__________________________________________
___________________________________________
__________________________________________ 87
_________________________________________ ___________________________________________
CAPÍTULO 01 → → Liberdade 1: a liberdade de estudar como o
programa funciona e adaptá-lo às suas neces-
sidades;
Software →→ Liberdade 2: a liberdade de redistribuir cópias do
Cerca de 90% das questões de Informática abordam programa de modo que você possa ajudar ao seu
conceitos relacionados aos softwares, na forma de de- próximo;
Noções de Informática

finições e de modos de operação, tanto em provas de


nível médio como de nível superior. Por esse motivo, →→ Liberdade 3: a liberdade de modificar o programa
ele será abordado em nosso primeiro tópico. e distribuir essas modificações, de modo que toda
a comunidade se beneficie.
O software é a parte abstrata de um computa-
dor, também conhecido como a parte lógica. É um A GPL (CopyLeft) é um reforço a essas quatro liber-
programa instalado em um dispositivo, que pode ser dades, garantindo que o código fonte de um programa
um computador ou mesmo um celular. software livre não possa ser apropriado por outra
Os Programas são a aplicação de regras de pessoa ou empresa, principalmente para que não seja
maneira digital, para que, dada uma situação, ocorra transformado em software proprietário.
uma reação pré-programada. Assim, temos que um A GPL só possui versão em inglês devido a possíveis
programa é uma representação de tarefas manuais; erros de tradução que possam vir a ser inseridos em
com eles podemos automatizar processos, o que torna sua descrição.
as tarefas mais dinâmicas. O Linux é um dos principais projetos desenvolvidos
Licenças de Software sob a licença de software livre, assim como o BrOffice,
mas o principal responsável por alavancar o software
Uma licença de software define o que um usuário livre, assim como o próprio Linux, foi o projeto Apache2
pode ou não fazer com ele, ela se baseia essencialmen- que no início só rodava em servidores Linux e hoje é
te no direito autoral. Existem vários tipos de licenças multiplataforma.
de software, mas, no que tange ao concurso público,
apenas duas são de valor significativo: a licença de
software livre e a licença de software proprietário.
Software Proprietário São exemplos de softwares livres: Apache, Linux,
A licença de software proprietário procura reservar BrOffice, LibreOffice, Mozilla Firefox, Mozilla Thun-
o direito de autor do programa. derbird, entre outros.
Um software proprietário é também conhecido como Shareware
software não livre, pois uma de suas principais caracterís- A Licença do tipo Shareware é comumente usada
ticas é manter o Código Fonte1 fechado. quando se deseja permitir ao usuário uma degustação
Há vários softwares proprietários gratuitos. Por do programa, é uma licença que oferece funcionalidades
outro lado, existem aqueles que, para o usuário adquirir reduzidas ou mesmo em sua totalidade, porém, com um
o direito de uso, exigem a compra de uma licença de prazo para esse uso que, depois de encerrado, o programa
uso, a qual não lhe dá direito de propriedade sobre o limita as funcionalidades ou pode deixar de funcionar.
programa, apenas concede a ele o direito de utilizá-lo, Um exemplo de software popular que utiliza essa
além de impor algumas regras quanto ao seu uso. licença é o WinRAR, que, após os 40 dias, começa a
São exemplos de softwares proprietários: Windows, exibir uma mensagem toda vez que é aberto, contudo,
Microsoft Office, Mac OS, aplicativos da Adobe, Corel continua funcionando mesmo que o usuário não
Draw, WinRAR, WinZip, MSN entre outros tantos. adquira a licença.
Software Livre Esta permite a cópia e redistribuição do software,
Em contrapartida ao software proprietário, um porém, não permite a alteração, pois o código fonte
grupo criou o software livre. Como princípio atribuem- não é público.
-se às leis que regem a definição de liberdades como
forma de protesto em relação ao software proprietário.
O software livre tem como primordial característica 01. (CESPE) Com relação a softwares livres, suas
o Código Fonte Aberto. licenças de uso, distribuição e modificação,
assinale a opção correta, tendo como referência
A principal organização que mantém e promove o as definições e os conceitos atualmente empre-
software livre é a Free Software Foundation (FSF). gados pela Free Software Foundation.
Para que um software seja classificado como Software a) Todo software livre deve ser desenvolvido para
Livre, ele deve obedecer a quatro liberdades de software uso por pessoa física em ambiente com sistema
do projeto GNU - General Public License (Licença Pública operacional da família Linux, devendo haver
Geral) - idealizado por Richard M. Stallman: restrições de uso a serem impostas por fornece-
→→ Liberdade 0: a liberdade para executar o programa, dor, no caso de outros sistemas operacionais.
para qualquer propósito; 2  Apache: servidor responsável pelo processamento da maior parte das
páginas disponibilizadas atualmente na Internet, cerca de 51%. (http://
90 1  Código Fonte: conjunto de instruções feitas em uma linguagem de pro- news.netcraft.com/archives/category/web-server-survey) acessado em
gramação, que definem o funcionamento e o comportamento do programa. 08/2013.
b) O código fonte de um software livre pode ser Tipos de Software
adaptado ou aperfeiçoado pelo usuário, para ne- Existem diversos tipos de software, mas somente
cessidades próprias, e o resultado de aperfeiçoa- alguns nos interessam durante a prova. Dessa forma,
mentos desse software pode ser liberado e redis- iremos focar o estudo no que nos é pertinente.
tribuído para outros usuários, sem necessidade
de permissão do fornecedor do código original. Podemos classificar os softwares de acordo com os
c) Toda licença de software livre deve estabelecer a itens a seguir:

Noções de Informática
liberdade de que esse software seja, a qualquer ˃˃ Firmwares;
momento, convertido em software proprietário ˃˃ Sistemas Operacionais;
e, a partir desse momento, passem a ser respei-
tados os direitos de propriedade intelectual do ˃˃ Escritório;
código fonte do software convertido. ˃˃ Utilitários;
d) Quando a licença de um software livre contém ˃˃ Entretenimento;
cláusula denominada copyleft, significa que ˃˃ Malwares.
esse software, além de livre, é também de
domínio público e, dessa forma, empresas inte- Firmwares
ressadas em comercializar versões não gratuitas Um firmware é normalmente um software em-
do referido software poderão fazê-lo, desde que barcado, ou seja, ele é um software desenvolvido
não haja alterações nas funcionalidades origi- para operar sobre um hardware específico. De forma
nais do software. geral, um firmware é incorporado ao hardware já no
e) Um software livre é considerado software de momento de sua fabricação, mas, dependendo do tipo
código aberto, quando o seu código fonte está de memória em que é armazenado, ele pode ser atuali-
disponível em sítio da Internet com designação
.org, podendo, assim, ser continuamente atua- zado ou não. O software do tipo firmware que interessa
lizado, aperfeiçoado e estendido às necessida- ao nosso estudo é o BIOS.
des dos usuários, que, para executá-lo, devem BIOS (Basic Input/Output System)
compilá-lo em seus computadores pessoais. O Sistema Básico de Entrada e Saída é um software
Essa característica garante a superioridade do embarcado em uma memória do tipo ROM, nos com-
software livre em face dos seus concorrentes co- putadores atuais é mais comum em memórias do tipo
merciais proprietários. Flash ROM.
RESPOSTA: A. Um software, por ser livre, não significa
que tenha de ser para um tipo de pessoa apenas, pelo O BIOS é o primeiro programa que roda quando
contrário, a ideia do software livre é a democratiza- ligamos o computador. Ele é composto pelo SETUP, que
ção, tanto que temos no Brasil um grande incentivo são suas configurações, e pelo POST, responsável por
por parte do governo ao software livre, por isso, in- realizar os testes de hardware.
clusive, é que ele aparece na sua prova do concurso. Durante o processo de boot3, o BIOS aciona a
Como usuário doméstico (pessoa física), você também memória CMOS4, onde ficam armazenadas as últimas
pode fazer uso desse ambiente mais seguro que é o informações sobre o hardware do computador e sobre
Linux. O software livre também emprega as 4 liberda- a posição de início do sistema operacional no disco. Em
des, ou seja, o termo “restrição” não soa muito bem posse dessas informações, o BIOS executa o POST, a
associado ao software livre. etapa que verifica se todos os dispositivos necessários
Alternativa B. A alternativa descreve bem as 4 liberda- estão conectados e operantes.
des da licença livre bem como a característica “código
fonte ser aberto”, ou seja, disponível a todos. Após as verificações de compatibilidade, o BIOS
inicia o processo de leitura do disco indicado como
Alternativa C. Um software Livre não pode ser con- primário a partir do ponto onde se encontra o sistema
vertido em software proprietário, contudo, existem operacional, que é carregado para a memória principal
licenças derivadas do software livre ditas licenças per-
missivas, que são utilizadas quando o desenvolvedor do computador.
de um sistema apenas o cria sem intenção de mantê-lo Quando há apenas um sistema operacional insta-
ou melhorá-lo, deixando livre para que, caso alguém lado no computador, este é iniciado diretamente pelo
se interesse, possa tornar o fruto do seu trabalho em BIOS, porém, se houver dois ou mais se faz necessário
um produto e comercializar por conta. optar por qual dos sistemas se deseja utilizar.
Alternativa D. Software de Domínio Público pode ser Em uma situação em que existem dois sistemas
transformado em software proprietário. A denomi- operacionais atribui-se a caracterização de Dual boot.
nação CopyLeft faz uma alusão ao CopyRight (direitos
autorais), dando ênfase à liberdade de software. Ela é
um complemento ao conceito de software livre, pois
o reforça, impondo a necessidade de que as atualiza-
ções, mudanças ou mesmo uso de partes de um deste Em um mesmo computador podem ser instala-
sejam mantidas sob a licença de software livre, o qual dos dois ou mais sistemas operacionais diferentes, ou
é diferente de domínio público devido às condições mesmo versões diferentes do mesmo sistema.
citadas.
Um computador que possua uma distribuição Linux
Alternativa E. O código fonte não precisa estar dispo- instalada e uma versão Windows, por exemplo, ao ser
nibilizado necessariamente em um site, porém, deve concluído o processo do BIOS, inicia um gerenciador de
ser acessível a quem precisar; o código pode ser dispo- boot. Em geral é citado nas provas ou o GRUB ou o LILO,
nibilizado por meio de mídias como CDs e DVDs. Além que são associados ao Linux.
disso, um software livre já possui versões compila-
das disponíveis para usuários, ou seja, o usuário não 3  boot: processo de inicialização do sistema operacional. 91
precisa compilá-lo previamente para executar. 4  CMOS: uma pequena memória RAM alimentada por uma pilha de 9V.
drivers são identificados automaticamente pelo SO, mas
o sistema nem sempre possui as informações sobre hard-
wares recém-lançados. Nesse caso, o sistema, ao não con-
01. (IF-SE) Um programa (software), quando arma- seguir o driver específico, solicita ao usuário que informe
zenado na memória ROM, recebe o nome de o local onde ele possa encontrar o driver necessário.
firmware.
Aplicativos
CERTO. Um exemplo disso é o Sistema Básico de
Noções de Informática

Entrada/Saída (BIOS), que é um software do tipo Gerenciamento de Entrada/Saída


Firmware que fica armazenado em uma memória Gerenciamento de Drivers de dispositivos
do tipo ROM, nos computadores atuais do tipo Flash Hardware
Gerenciamento de Memória
ROM (que é dita do tipo ROM, pela característica de
manter uma informação mesmo sem alimentação de Gerenciamento de CPU
energia). Os chips de memória ROM são peças nor- Hardware
malmente já acopladas ao hardware final.
Dentre os sistemas operacionais modernos, o
02. Diferentemente dos computadores pessoais ou PCs Windows ainda é o que mais se destaca em termos de
tradicionais, que são operados por meio de teclado número de usuários em computadores pessoais. Por
e mouse, os tablets e computadores pessoais por- outro lado, quando se questiona em relação ao universo
táteis dispõem de recurso touch-screen. Outra di- de servidores na Internet, nos deparamos com o Linux
ferença entre esses dois tipos de computadores diz como mais utilizado; o principal motivo relaciona-se à
respeito ao fato de o tablet possuir firmwares, em
vez de processadores, como o PC. segurança mais robusta oferecida pelo Linux.
Os exemplos de SO para computadores pessoais
ERRADO. A questão compara um software do tipo (PC) que podem ser citados em provas são:
firmware a um processador, uma peça de hardware.
Tablets, assim como outros dispositivos (celulares, ˃˃ Windows;
smartphones, etc.), também possuem processador; ˃˃ Linux;
muitas vezes mais de um, como o primeiro Iphone, ˃˃ Mac OS;
que portava 8 processadores, cada um com uma fina-
lidade. Esses dispositivos, assim como o computador, ˃˃ Chrome OS;
também possuem firmwares. ˃˃ Solaris.
Porém, esses sistemas derivaram de duas vertentes
Sistemas Operacionais (SO) principais o DOS e o UNIX. É de interesse da prova saber
O conteúdo de sistemas operacionais é cobrado de que o DOS foi o precursor do Windows e que a platafor-
duas formas nas provas: prática e conceitual. Questões ma UNIX foi a base do Linux e também do Mac OS.
de caráter conceitual são colocadas de forma compara- Contudo, não encontramos SO apenas em PCs. Celu-
tiva entre os sistemas, enquanto que as práticas estão lares, smartphones e tablets também utilizam sistemas
associadas às ferramentas e modos de operação de operacionais. Atualmente, fala-se muito no sistema do
cada sistema. O conteúdo referente à parte prática é Google para esses dispositivos, o Google Android, no
abordado em específico nos tópicos Windows e Linux. entanto, a Microsoft lançou em 2012 o Windows 8, in-
O sistema operacional é o principal programa do clusive para o mercado de dispositivos móveis.
computador. Ele é o responsável por facilitar a inte- Os Sistemas Operacionais podem ser divididos em
ração do usuário com a máquina, além de ter sido duas partes principais: Núcleo e Interface.
criado para realizar as tarefas de controle do hardware, O Núcleo de um Sistema Operacional é chamado
livrando assim os aplicativos de conhecer o funciona- de Kernel. Ele é a parte responsável pelo gerenciamen-
mento de cada peça existente no mundo. to do hardware, como já explanado, enquanto que a
As tarefas de responsabilidade do SO são, princi- interface é parte de interação com o usuário, seja ela
palmente, de níveis gerenciais. O sistema operacional uma interface apenas textual ou uma interface com
é o responsável por administrar a Entrada e a Saída recursos gráficos.
de dados de forma que, quando um usuário selecio-
na uma janela, ele está trazendo-a para o primeiro
plano de execução. Assim, sempre que o usuário digita
um texto, por exemplo, o SO tem de gerenciar qual a O Kernel é a principal parte do Sistema Operacional.
janela, ou seja, qual aplicativo irá receber as informa-
ções entradas pelo teclado, mas ao mesmo tempo o SO A interface com recursos gráficos é comumente
irá receber uma solicitação do aplicativo para que exiba chamada de GUI (Graphic User Interface), Interface
na tela as informações recebidas. Gráfica do Usuário, também citada como gerenciador
É de responsabilidade do SO gerenciar o uso da de interface gráfica. O nome Windows foi baseado, jus-
memória RAM e do processador. O controle estabe- tamente, nessa característica de trabalhar com janelas
lecido pelo sistema operacional dita que programa gráficas como forma de comunicação com o usuário.
será executado naquele instante e quais espaços de
memória estão sendo usados por ele e pelos demais Sistema Operacional Kernel
aplicativos em execução. Windows XP NT 5.2
Para que o sistema operacional consiga se comu- Windows Vista NT 6.0
nicar com cada dispositivo, aquele precisa saber antes Windows 7 NT 6.1
como estes funcionam, para tanto, é necessário instalar
o driver5 do dispositivo. Atualmente, a maioria dos Windows 8 NT 6.2

92 5  Driver: Conjunto de informações sobre como funciona um dispositivo de


Linux Linux 3.10
hardware.
Em relação às GUIs, cada versão do Windows utiliza →→ Monousuário
e trabalha com apenas uma única interface gráfica, Em um sistema monousuário, para que outro
que só passou a ter um nome específico a partir do usuário inicie sessão, é necessário finalizar a do usuário
Windows Vista. ativo, também conhecido como efetuar Logoff.
Windows GUI Softwares de Escritório
XP Sem nomenclatura São aplicativos com utilização mais genérica, de

Noções de Informática
Vista Aero forma a possibilitarem as diversas demandas de um es-
critório como também suprirem muitas necessidades
7 Aero acadêmicas em relação à criação de trabalhos.
8 Metro Nesta seção apenas é apresentado um comparativo
entre as suítes de escritório que são cobradas na prova.
Editor Microsoft Office BrOffice
Texto Word Writer
Ao contrário do Windows, o Linux tem suporte a Planilha Excel Calc
várias Interfaces Gráficas.
Apresentação de Slides PowerPoint Impress
Por outro lado, existem diversas GUIs para o Linux, Desenho Publisher Draw
algumas Distribuições Linux6 trabalham com apenas um
Banco de Dados Access Base
gerenciador de interface gráfica, enquanto que outras tra-
balham com múltiplas. As principais GUIs do Linux são: Fórmula Equation Math

˃˃ Gnome; Os editores de Texto, Planilha e Apresentação são


os mais cobrados em provas de concursos. Sobre esses
˃˃ KDE; programas podem aparecer perguntas a respeito do
˃˃ Unity; seu funcionamento, ainda que sobre editores de apre-
sentação sejam bem menos frequentes.
˃˃ XFCE;
Outro ponto importante a se ressaltar é que o Mi-
˃˃ FluxBox; crosoft Outlook é componente da suíte de aplicativos
˃˃ BlackBox; Microsoft Office. Não foi destacado na tabela acima
por não existir programa equivalente no BrOffice.
˃˃ Mate;
Por vezes o concursando pode se deparar na prova
˃˃ Cinnamon. com o nome LibreOffice, o que está correto, pois o
Características de um Sistema Operacional BrOffice é utilizado no Brasil apenas, mas ele é baseado
Os sistemas operacionais podem ser classificados no Libre Office. Até a versão 3.2, o BrOffice era funda-
mentado no OpenOffice e, após a compra da Sun pela
de acordo com suas características comportamentais. Oracle a comunidade decidiu mudar para o Libre por
→→ Multitarefa questões burocráticas.
Um sistema operacional é dito multitarefa quando
consegue executar mais de uma tarefa simultânea, Softwares Utilitários
como: tocar uma música enquanto o usuário navega na Alguns programas ganharam tamanho espaço no
Internet e escreve um texto no Word. dia a dia do usuário que, sem eles, podemos por vezes
Contudo, há duas formas de multitarefa emprega- ficar sem acesso às informações contidas em arquivo,
por exemplo.
das pelos SO modernos: Multitarefa Preemptiva e Mul-
titarefa Real. São classificados como utilitários os programas
compactadores de arquivos e leitores de PDF. Esses pro-
»» Ex.: Windows, Linux e Mac OS. gramas assumiram tal patamar por consolidarem seus
→→ Monotarefa formatos de arquivos. Entre os compactadores temos
Sistema Monotarefa é o sistema que, para executar os responsáveis pelo formato de arquivos ZIP, apesar
uma tarefa, deve aguardar a que está em execução de que, desde sua versão XP, o Windows já dispunha
terminar ou mesmo forçar o seu término para que de recurso nativo para compactar e descompactar
possa executar. Trabalha com um item de cada vez. arquivos nesse formato, muitos aplicativos se desta-
cavam por oferecer o serviço de forma mais eficiente
»» Ex.: DOS e algumas versões UNIX. ou prática. Os compactadores mais conhecidos são:
→→ Multiusuário WinZip, BraZip e 7-Zip. Outro compactador que ganhou
É quando o Sistema Operacional permite mais de espaço no mercado foi o WinRar com o formato .RAR,
uma sessão de usuário ativa simultaneamente. que permite uma maior compactação do que o ZIP.
Se dois ou mais usuários estiverem com sessões Softwares de Entretenimento
iniciadas, elas são de certa maneira tratadas indepen- Nesta categoria, entram os aplicativos multimídias
dentemente, ou seja, um usuário não vê o que o outro como players de áudio e vídeo, como o Windows Media
estava fazendo, como também, em um uso normal, não Player, o Winamp, o iTunes, VLC player e BS player,
interfere nas atividades que estavam sendo executadas dentre inúmeros outros, assim como também os jogos
pelo outro usuário. como Campo Minado, Paciência, Pinball e outros tantos
O sistema multiusuário geralmente possui a opção de mais alto nível.
trocar de usuário, que permite bloquear a sessão ativa
e iniciar outra sessão simultânea. Malwares (Malicious Softwares)
6  Distribuição Linux: uma cópia do Linux desenvolvida, geralmente, com Os malwares são programas que têm finalidade 93
base em outra cópia, mas com algumas adaptações. mal intencionada, na maioria das vezes ilícita. Grande
parte das bancas cita-os como pragas cibernéticas que controlado à distância. Os indivíduos que criam um
infectam o computador do usuário e trazem algum Worm fazem-no com a finalidade de infectar o maior
prejuízo; por outro lado, há bancas que especulam número possível de computadores, para que possam
sobre os diferentes tipos de malwares. A seguir são utilizá-los em um ataque de DDoS9, ou como forma de
destacados os principais tipos de malwares. elevar a estatística de acessos a determinados sites.
Também pode ser utilizado para realizar um ataque a
algum computador ou servidor na Internet a partir do
Noções de Informática

computador infectado.
Para ser um malware tem que ser um software, do Trojan Horse (Cavalo de Troia)
contrário pode ser uma prática maliciosa, mas não um O Cavalo de Troia foi batizado com esse nome, pois
malware. suas características se assemelham muito às da guerra
Vírus da Grécia com Troia. Na História, os gregos deram aos
O vírus é apenas um dos tipos de malware, ou seja, troianos um grande cavalo feito de madeira e coberto de
ao contrário do que a maioria das pessoas fala, nem palha para disfarçar que era oco, dentro do cavalo foram
tudo que ataca o computador é um vírus. As questões colocados vários soldados gregos que deveriam abrir os
que tangem ao que é um vírus, em geral, são cobradas gigantes e fortes portões da cidade de Troia para que o
em prova como forma de saber se o concursando exército grego pudesse invadir a fortaleza.
conhece as diferenças entre os malwares. Um Cavalo de Troia é recebido pelo usuário como
Um vírus tem por características: um presente, “presente de grego”, de forma a levar
˃˃ Infectar os arquivos do computador do usuário, o usuário a abri-lo, ou seja, ele depende de ação do
principalmente arquivos do sistema. usuário. Os “presentes” geralmente podem parecer
˃˃ Depender de ação do usuário, como executar o um cartão virtual, uma mensagem, álbuns de fotos,
arquivo ou programa que está contaminado com e-mails com indicações de prêmios, falsas respostas
o vírus. de orçamentos, folhas de pagamento, sempre alguma
˃˃ Ter finalidades diversas, dentre as quais danifi- forma de chamar a atenção do usuário para que ele
car tanto arquivos e o sistema operacional, como abra o Trojan.
também as peças. Podemos tratá-lo em essência como um meio
Vírus mutante para que outro malware seja instalado no computa-
É um vírus mais evoluído, que tem a capacidade de dor. Da mesma forma como o cavalo da história serviu
alterar algumas de suas características a fim de burlar o como meio para infiltrar soldados e como os soldados
antivírus. abriram os portões da cidade, o malware também
pode abrir as portas do computador para que outros
Vírus de Macro 7 malwares o infectem, o que acontece na maioria dos
O Vírus de Macro explora falhas de segurança das casos, portanto, pode trazer em seu interior qualquer
suítes de escritório, principalmente da Microsoft. Uma tipo de malware.
macro, ao ser criada de certa forma, anexa ao docu-
mento uma programação (comandos geralmente em Esse malware executa as ações para as quais, apa-
Visual Basic8), ele pode inserir seu código dentro deste rentemente, fora criado; como exibir uma mensagem,
código em VB. ou crackear10 um programa. Essa tarefa é realizada
O vírus de macro geralmente danifica a suíte de com o intuito de distrair o usuário enquanto que os
escritório, inutilizando-a, além de poder apagar docu- malwares são instalados.
mentos do computador. Spyware
Para que seja executado esse vírus, é necessário Também conhecido como software espião, o
que o usuário execute o arquivo contaminado. spyware tem por finalidade capturar dados do usuário
Worm e enviá-los para terceiros: nº de cartões de crédito, CPF,
O Worm é por vezes citado nas provas em portu- RG, nomes, data de nascimento e tudo mais que for
guês, “verme”, como forma de confundir o concursan- pertinente para que transações eletrônicas possam ser
do. Ao contrário do vírus, ele não depende de ação do feitas utilizando seus dados.
usuário para executar; ele executa automaticamente: Existem dois tipos de spywares: os KeyLoggers e os
no momento em que um pendrive é conectado a um ScreenLoggers.
computador, ele é contaminado ou contamina este. →→ KeyLogger
Um Worm tem como finalidade se replicar, porém, ˃˃ Key = chave, Log = registro de ações.
não infecta outros arquivos, apenas cria cópias de si em O KeyLogger é um spyware cuja característica é
vários locais, o que pode encher o HD do usuário. Outra capturar os dados digitados pelo usuário. Na maioria
forma utilizada de se replicar é através da exploração das situações o KeyLogger não captura o que é digitado
de falhas dos programas, principalmente os clientes de a todo instante, mas o que é teclado após alguma ação
e-mail, enviando por correio eletrônico cópias de si para prévia do usuário, como por exemplo abrir uma página
os contatos do usuário armazenados no cliente de e-mail. de um banco ou de uma mídia social - alguns keyloggers
Um Worm, muitas vezes, instala no computador são desenvolvidos para capturar conversas em progra-
do usuário um bot, transformando aquele em um robô mas de messenger.
7 Macro: é um conjunto de regras criadas para automatizar tarefas repe- 9 DDoS: Ataque de negação de serviço distribuído, veja mais no tópico se-
titivas gurança desse material.
94 8  Visual Basic (VB): é uma linguagem de programação criada pela Micro- 10  Crackear: é uma quebra de licença de um software para que não seja
soft. necessário adquirir a licença de uso, caracterizando pirataria.
→→ ScreenLogger aparecem marcadas esperando que o usuário clique in-
˃˃ Screen = Tela discriminadamente na opção “avançar”.
O ScreenLogger é uma evolução do KeyLogger na Muitos Adwares monitoram o comportamento do
tentativa de capturar, principalmente, as senhas de usuário durante a navegação na Internet e vendem
bancos, pois o ScreenLogger captura fotos avançadas da essas informações para as empresas interessadas.
tela do computador a cada clique do mouse. Essa foto Backdoors
avançada, na verdade, é uma foto de uma pequena área

Noções de Informática
que circunda o mouse, mas grande o suficiente para que Backdoor, basicamente, é uma porta dos fundos
seja possível ver em que número o usuário clicou. para um ataque futuro ao computador do usuário.
Muitos serviços de Internet Banking11 utilizam um Um Backdoor pode ser inserido no computador
teclado virtual, no qual o usuário clica nos dígitos de por meio de Trojan Horse, como também pode ser um
sua senha ao invés de digitar. Assim, ao forçar que o programa adulterado recebido de fonte pouco confiável.
usuário não utilize o teclado, essa ferramenta de segu- Por exemplo, um usuário baixa em um site qualquer, dife-
rança ajuda a evitar roubos de senhas por KeyLoggers. rente do oficial, o BrOffice, nada impede que o programa
Por outro lado, foi criado o ScreenLogger, que captura tenha sido ligeiramente alterado com a inserção de
imagens; então, como forma de oferecer segurança brechas para ataques futuros.
maior, alguns bancos utilizam um dispositivo chamado Rootkits
de Token.
O Token é um dispositivo que gera uma chave de se- RootKit vem de Root = administrador do ambiente
gurança aleatória, a qual uma vez utilizada para acessar Linux. Kit = conjunto de ferramentas e ações.
a conta, se torna inválida para novos acessos. Assim, Um Rootkit altera aplicativos do Sistema, como
mesmo sendo capturada, ela se torna inútil ao invasor. gerenciadores de arquivos, com o intuito de esconder
arquivos maliciosos que estejam presentes no com-
putador. Por meio dele também o invasor pode criar
Backdoors no computador, para que possa voltar a
atacar o micro sem se preocupar em ter de contaminá-
Cuidado para não confundir: Teclado Virtual em -lo novamente.
uma página de Internet Banking é um recurso de se-
gurança, enquanto o teclado virtual que faz parte do
Windows é um recurso de acessibilidade.
Hijacker Com relação à instalação, à configuração e ao suporte
O Hijacker é um malware que tem por finalida- de aplicativos, julgue o item a seguir.
de capturar o navegador do usuário, principalmente 01. O BrOffice.org possui código fechado, assim
o Internet Explorer. Esse programa fixa uma página como o Microsoft Office, embora seja considera-
inicial no navegador, que pode ser uma página de pro- do software livre.
paganda ou um site de venda de produtos, ou mesmo Certo ( ) Errado ( )
um site de pornografia, como os mais perigosos que 02. (FCC) De acordo com a Free Software Founda-
fixam páginas falsas de bancos (veja mais na seção Se- tion, um programa de computador que se quali-
gurança no tópico ataques). fica como software livre NÃO fornece a liberdade
As alterações realizadas por ele no navegador difi- para:
cilmente são reversíveis. Na maioria dos casos, é neces- a) revogar ou adicionar restrições retroativas às
sário reinstalar o navegador várias vezes até formatar o regras de uso do programa.
computador. Existem, no mercado, alguns programas
que tentam restaurar as configurações padrões dos na- b) executar o programa para qualquer propósito.
vegadores, são conhecidos por Hijacker This, porém, c) estudar como o programa funciona e adaptá-lo às
esses programas não são ferramentas de segurança, mas suas necessidades.
apenas uma tentativa de consertar o estrago feito. d) redistribuir cópias do programa.
Adware e) distribuir cópias de versões modificadas do
Adware (Advertising Software) é um software es- programa.
pecializado em apresentar propagandas. 03. (FCC) Para que um programa de computador seja
O Adware é tratado como malware, quando apre- considerado software livre, esse programa:
senta algumas características de spywares, além de, na a) pode ser utilizado para fins lucrativos, mas não
maioria dos casos, se instalar no computador exploran- pode ser, ele próprio, comercializado.
do falhas do usuário, por exemplo, durante a instalação b) deve ter seu código fonte colocado em domínio
de um programa em que o indivíduo não nota que em público.
uma das etapas estava instalando outro programa dife- c) não pode ser utilizado para fins lucrativos.
rente do desejado. d) deve ter seu código fonte disponível para seus
Um exemplo clássico é o Nero gratuito, que é pa- usuários.
trocinado pelo ASK12. Durante a instalação, uma das e) não pode ter seu código fonte modificado.
telas apresenta algumas opções: deseja instalar a barra 04. (CONSULPLAN) Em relação ao Linux, pode-se
de ferramenta do ASK; deseja tornar o motor de busca afirmar que ele é um software livre:
do ASK como seu buscador padrão; deseja tornar a I. Somente por ele ser um software gratuito.
página do ASK como sua página inicial, que, por padrão, II. Porque seu código fonte está disponível para
11  Internet Banking: acesso à conta bancária pela Internet, para realizar qualquer usuário e pode-se alterá-lo para adequá-lo
algumas movimentações e consultas. às suas necessidades específicas, sem ter de pagar. 95
12 Ask: Motor de buscas na Internet.
III. Porque ele é freeware, embora seu código fonte c) apesar de gerenciar a leitura e a gravação de
não esteja disponível para alterações. arquivos, delega a função de localização de pro-
Assinale a alternativa correta: gramas nas unidades de discos a softwares utili-
a) Somente a afirmativa I está correta. tários de terceiros.
b) Somente a afirmativa II está correta. d) Linux é um software proprietário, já o Windows é
c) Somente a afirmativa III está correta. o software livre mais utilizado nos computadores
pessoais atualmente.
Noções de Informática

d) Todas as afirmativas estão incorretas. e) não está relacionado à evolução das CPUs, pois
e) Todas as afirmativas estão corretas. independem de componentes de hardware, já
05. (FGV) A respeito das características do software que são executados em um computador virtual
livre, analise as afirmativas a seguir. (virtual machine).
I. É disponibilizado com a permissão para qualquer 10. (FCC) O sistema operacional de um computador
um usá-lo, copiá-lo e distribuí-lo, seja na sua consiste em um:
forma original ou com modificações, seja gratui- a) conjunto de procedimentos programados, arma-
tamente ou com custo. zenados na CMOS, que é ativado tão logo o com-
II. É gratuito com a permissão para qualquer um putador seja ligado.
usá-lo ou copiá-lo, exclusivamente na sua forma b) conjunto de procedimentos programados, arma-
original, não podendo ser modificado. zenados na BIOS, que é ativado tão logo o compu-
III. É freeware disponível com a permissão para tador seja ligado.
qualquer pessoa usá-lo e modificá-lo, não c) conjunto de dispositivos de hardware para prover
podendo ser copiado ou distribuído. gerenciamento e controle de uso dos componen-
Assinale: tes de hardware, software e firmware.
a) se somente a afirmativa I estiver correta. d) hardware de gerenciamento que serve de inter-
b) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas. face entre os recursos disponíveis para uso do
c) se somente as afirmativas I e III estiverem computador e o usuário, sem que este tenha que
corretas. se preocupar com aspectos técnicos do software.
d) se somente as afirmativas II e III estiverem e) software de gerenciamento, que serve de interfa-
corretas. ce entre os recursos disponíveis para uso do com-
putador e o usuário, sem que este tenha que se
e) se todas as afirmativas estiverem corretas. preocupar com aspectos técnicos do hardware.
06. (CESGRANRIO) Os sistemas operacionais Linux, 11. (FCC) Sobre sistemas operacionais é INCORRETO
com suas interfaces gráficas cada vez mais afirmar:
estáveis e amigáveis para os usuários, utilizam,
entre outros, a suíte de aplicativos para escritó- a) O sistema operacional é uma camada de
rio: hardware que separa as aplicações do software
que elas acessam e fornece serviços que
a) Borland Office. permitem que cada aplicação seja executada com
b) SecurityOffice. segurança e efetividade.
c) LibreOffice. b) Na maioria dos sistemas operacionais, um
d) Avira Premium for Office. usuário requisita ao computador que execute
e) Labo Solutions for Office. uma ação (por exemplo, imprimir um documen-
07. (CESGRANRIO) O Math é um aplicativo que pode to); o sistema operacional gerencia o software e
ser usado como um(a): o hardware para produzir o resultado esperado.
a) apresentador de objetos multimídia em 3D. c) Um usuário interage com o sistema operacional
b) digital reader de textos e imagens gráficas. via uma ou mais aplicações de usuário e, muitas
vezes, por meio de uma aplicação especial deno-
c) editor de equações para documentos de texto. minada shell ou interpretador de comandos.
d) manipulador de bancos de dados descomplicados. d) Primordialmente, são gerenciadores de recursos
e) ferramenta de comunicação por meio de gráficos – gerenciam hardware como processadores,
e diagramas. memória, dispositivos de entrada/saída e dispo-
08. (CESPE) Considere que um computador já está sitivos de comunicação.
em sua operação diária e que já tem instalados os e) O software que contém os componentes centrais
programas e periféricos necessários à execução do sistema operacional chama-se núcleo (kernel).
dessas tarefas. Julgue o item subsequente, a 12. (AOCP) O sistema operacional é uma interface entre
respeito do uso dos periféricos e dos programas a máquina e o usuário que proporciona uma forma
necessários ao bom uso do computador. amigável de comunicação entre eles. Assinale a al-
O sistema operacional do computador estará ternativa INCORRETA sobre sistema operacional.
em funcionamento mesmo quando se estiver a) Uma das funções do sistema operacional é con-
editando uma planilha eletrônica. trolar os dispositivos de entrada e saída.
Certo ( ) Errado ( ) b) Fornece recursos de comunicação, conexão e
09. (FCC) O Sistema Operacional: controle a redes de computadores.
a) é o software responsável pelo gerenciamento, fun- c) Monitora o estado de cada parte da memória.
cionamento e execução de todos os programas. d) Controla todos os recursos de hardware, porém,
b) é um software da categoria dos aplicativos, uti- recursos de software, como o gerenciamento do
lizado para a criação de textos, planilhas de processo de um programa, não é de sua respon-
96 cálculo, desenhos, etc. sabilidade.
e) O sistema operacional tem a função de manipu- 16. (CESPE) A fim de se proteger do ataque de um
lação de arquivos e também faz o gerenciamento spyware — um tipo de vírus (malware) que se
do tempo gasto da CPU pelos usuários multiplica de forma independente nos progra-
13. (FCC) Para proteger o computador conectado mas instalados em um computador infectado e
à Internet de ataques, invasões, instrusões, in- recolhe informações pessoais dos usuários —,
fecções e mantê-lo automaticamente atualiza- o usuário deve instalar softwares antivírus e an-
tispywares mais eficientes que os firewalls no

Noções de Informática
do com as novas versões (Windows Update).
Deve-se ativar todos os Dados Básicos de Segu- combate a esse tipo de ataque.
rança na Central de Segurança (Windows XP). Certo ( ) Errado ( )
A recomendação feita é para ativar: 17. (UEG) Sobre fundamentos de segurança da in-
formação e programas maliciosos, é CORRETO
a) firewall e Proteção contra vírus, apenas. afirmar:
b) backup automático, Proteção contra vírus e a) Deve-se dar preferência ao uso de programas de
Firewall, apenas. troca de mensagens como o MSN para substi-
c) atualizações automáticas, Proteção contra vírus e tuir o e-mail, dado que o risco de contaminação
Firewall, apenas. nesses programas é praticamente nulo.
d) atualizações automáticas, Proteção contra vírus, b) Mesmo um inocente e-mail de uma fonte conhe-
Firewall e Backup automático, apenas. cida e contendo apenas uma imagem ou uma
proteção de tela pode se tornar fonte de conta-
e) proteção contra vírus, Firewall, Backup automáti- minação.
co e Opções da Internet.
c) Programas maliciosos denominados trojans não
14. Com relação aos Vírus de computadores, é podem ser detectados por antivírus, necessitan-
correto afirmar que: do, portanto, de programas específicos.
a) é um programa ou parte de um programa de d) Spywares são programas que têm como finalida-
computador, normalmente malicioso, que se de vigiar o computador para evitar contaminação
propaga infectando, isto é, inserindo cópias de si por adwares.
mesmo e se tornando parte de outros programas 18. (FCC) Quando o cliente de um banco acessa sua
e arquivos de um computador. conta corrente através da internet, é comum que
b) é um tipo de software especificamente proje- tenha que digitar a senha em um teclado virtual,
cujas teclas mudam de lugar a cada caractere
tado para apresentar propagandas através do fornecido. Esse procedimento de segurança visa
browser ou algum outro programa instalado evitar ataques de:
em um computador. a) spywares e adwares.
c) é o termo utilizado para se referir a uma grande b) keyloggers e adwares.
categoria de software que tem o objetivo de mo- c) screenloggers e adwares.
nitorar atividades de um sistema e enviar as infor- d) phishing e pharming.
mações coletadas para terceiros. e) keyloggers e screenloggers.
d) são programas que permitem o retorno de um 19. (FUMARC) Analise as seguintes afirmativas sobre
invasor a um computador comprometido, utilizan- os tipos conhecidos de vírus.
do serviços criados ou modificados para esse fim. I. Vírus de script: infectam documentos com
e) normalmente, consistem em um único arquivo macros instaladas. O pacote Office da Microsoft
que precisa ser explicitamente executado, não é uma das principais vítimas desse tipo de vírus.
infectam outros arquivos, nem propagam cópias II. Vírus de boot: infectam a área de boot dos discos
de si mesmo automaticamente. rígidos dos computadores.
15. (FCC) Existem vários tipos de vírus de computa- III. Vírus de arquivo: infectam arquivos executáveis
dores, dentre eles, um dos mais comuns são vírus Assinale a alternativa CORRETA:
de macros, que: a) A afirmativa III está errada e as afirmativas I, II
estão corretas.
a) são programas binários executáveis que são b) A afirmativa II está errada e as afirmativas I, III
baixados de sites infectados na Internet. estão corretas.
b) podem infectar qualquer programa executável do c) A afirmativa I está errada e as afirmativas II, III
computador, permitindo que eles possam apagar estão corretas.
arquivos e outras ações nocivas. d) As afirmativas I, II e III estão corretas.
c) são programas interpretados embutidos em 20. No âmbito da segurança da informação, é um
documentos do MS Office que podem infectar programa capaz de se propagar automaticamen-
outros documentos, apagar arquivos e outras te enviando cópias de si mesmo para outros com-
ações nocivas. putadores da rede. Estamos falando de:
d) são propagados apenas pela Internet, normal- a) Hiperlink
mente em sites com software pirata. b) Antivírus
e) podem ser evitados pelo uso exclusivo de c) Worm
software legal, em um computador com acesso d) Engenharia Social
apenas a sites da Internet com boa reputação. e) Phishing scan 97
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01 ERRADO 11 A ____________________________________________
02 A 12 D ____________________________________________
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03 D 13 C
Noções de Informática

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04 B 14 A ____________________________________________
05 A 15 C ____________________________________________
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06 C 16 ERRADO ____________________________________________
07 C 17 B ____________________________________________
08 CERTO 18 E ____________________________________________
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09 A 19 C ____________________________________________
10 E 20 C ____________________________________________
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CAPÍTULO 01 Veja agora como fica no exemplo:
˃˃ x + 2 = 5 (sentença aberta - não é proposição)
˃˃ p: x, x + 2 = 5 (Lê-se: existe x tal que, x + 2 =5).
Proposições Agora é proposição, uma vez que agora é possível
A matéria é fácil e, com um pouco de concentração, classificar a proposição como verdadeira, já que
consegue-se aprendê-la e principalmente dominar a sabemos que tem um valor de “x” que somado a
matéria e garantir sua aprovação. dois é igual a cinco.

Raciocínio Lógico
Definições
Proposição é uma declaração (sentença declarativa,
com sujeito “definido”, verbo e sentido completo) que 01. Entre as frases apresentadas a seguir, identificadas
pode ser classificada em valores como verdadeiro e falso. por letras de A a E, apenas duas são proposições.
São exemplos de proposições: A. Pedro é marceneiro e Francisco, pedreiro.
˃˃ p: Daniel é enfermeiro. B. Adriana, você vai para o exterior nessas férias?
˃˃ Q: Leo foi à Argentina. C. Que jogador fenomenal!
˃˃ a: Luiza adora brincar. D. Todos os presidentes foram homens honrados.
˃˃ B: Rosário comprou um carro. E. Não deixe de resolver a prova com a devida
atenção.
CERTO. Nessa questão temos as frases B (pergunta),
C (exclamação) e E (ordem) que não são proposições,
Essas letras “p”, “Q”, “a”, “B”, servem para representar já as frases A e D são, uma vez que tem sujeito, verbo e
(simbolizar) as proposições. sentido e podem ser classificadas.
Valores Lógicos das Proposições Negação de Proposição - Modificador
Uma proposição só pode ser classificada em dois Lógico
valores lógicos, que são o Verdadeiro (V) ou o Falso (F), Negar uma proposição significa modificar o seu
não admitindo outro valor. valor lógico, ou seja, se uma proposição é verdadeira, a
As proposições têm três princípios básicos, sendo sua negação será falsa, e se uma proposição for falsa, a
um deles o princípio fundamental que é: sua negação será verdadeira.
→→ Princípio da não contradição: diz que uma propo-
sição não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo
tempo.
Os outros dois são: Os símbolos da negação são (~) ou (¬) antes da letra
→→ Princípio da identidade: diz que uma proposição que representa a proposição.
verdadeira sempre será verdadeira e uma falsa
sempre será falsa. Exemplo:
→→ Princípio do terceiro excluído: diz que uma proposi- ˃˃ p: 3 é ímpar;
ção só pode ter dois valores lógicos, ou o de verda- ˃˃ ~p: 3 não é ímpar;
deiro ou o de falso, não existindo um terceiro valor. ˃˃ ¬p: 3 é par (outra forma de negar a proposição).
→→ Lei da dupla negação:
~(~p) = p, negar uma proposição duas vezes signifi-
ca voltar para própria proposição; vejamos:
Perguntas, exclamações e ordens não são proposi-
ções. Exemplos: ˃˃ q: 2 é par;
˃˃ Que dia é hoje? ˃˃ ~q: 2 não é par;
˃˃ Que maravilha! ˃˃ ~(~q): 2 não é ímpar; portanto;
˃˃ Estudem muito. ˃˃ q: 2 é par.
Sentenças Abertas e Quantificadores Tipos de Proposição
Lógicos As proposições são de apenas dois tipos, simples
Existem algumas “sentenças abertas” que ou compostas.
aparecem com incógnitas (termo desconhecido), como A principal diferença entre as proposições simples e
por exemplo: “x + 2 = 5”, não sendo consideradas pro- as compostas é a presença do conectivo lógico nas pro-
posições, já que não se pode classificá-las sem saber posições compostas; além disso, tem-se também que as
o valor de “x”, porém, com o uso dos quantificadores proposições compostas podem ser divididas, enquanto
lógicos, elas tornam-se proposições, uma vez que esses as proposições simples não. Outro detalhe é que as pro-
quantificadores passam a dar valor ao “x”. posições simples têm apenas 1 verbo enquanto as com-
postas têm mais de 1 verbo. Observe o quadro para dife-
renciar mais fácil os dois tipos de proposição.
Simples (atômicas) Compostas (moleculares)
Os quantificadores lógicos são:
Não têm conectivo lógico Têm conectivo lógico
˃˃ : para todo; qualquer que seja; todo;
Não podem ser divididas Podem ser divididas
˃˃ : existe; existe pelo menos um; algum;
˃˃ : não existe; nenhum. 1 verbo + de 1 verbo 141
→→ Conectivo lógico: Observe que temos todas as relações entre os
Serve para unir as proposições simples, formando valores lógicos das proposições, que sejam: as 3 verda-
proposições compostas. São eles: deiras (1ª linha), as 3 falsas (última linha), duas verda-
˃˃ e: conjunção (^) deiras e uma falsa (2ª, 3ª e 5ª linhas), e duas falsas e
uma verdadeira (4ª, 6ª e 7ª linhas). Nessa demonstra-
˃˃ ou: disjunção (v) ção, temos uma forma prática de como se pode orga-
˃˃ ou..., ou: disjunção exclusiva (v) nizar a tabela, sem se preocupar se foram feitas todas
˃˃ se..., então: condicional (→) relações entres as proposições.
Raciocínio Lógico

˃˃ se..., e somente se: bicondicional (↔) Para o correto preenchimento da tabela, devemos
seguir algumas regras, que são:
I. Comece sempre pelas proposições simples e suas
negações, se houver;
Alguns autores consideram a negação (~) como II. Resolva os parênteses, colchetes e chaves, respec-
um conectivo, porém aqui não faremos isso, pois os tivamente (igual à expressão numérica), se houver;
conectivos servem para formar proposição composta, III. Faça primeiro as conjunções e disjunções, depois
e a negação faz apenas a mudança do valor das pro-
posições. os condicionais e por último os bicondicionais;
O “e” possui alguns sinônimos, que são: “mas”, IV. A última coluna da tabela deverá ser sempre a da pro-
“porém”, “nem” (nem = e não) e a própria vírgula. O posição toda, conforme as demonstrações adiante.
condicional também tem alguns sinônimos que são:
“portanto”, “quando”, “como” e “pois” (pois = condi-
cional invertido. Ex.: A, pois B = B → A).
Vejamos alguns exemplos para melhor entender: O valor lógico de uma proposição composta
depende dos valores lógicos das proposições simples
˃˃ a: Danilo foi à praia (simples). que a compõem assim como do conectivo utilizado, e é
˃˃ b: Giovanna está brincando (simples). o que veremos a partir de agora.
˃˃ p: Danilo foi a praia se, e somente se Giovanna
estava brincando (composta). →→ Valor lógico de uma proposição composta por
conjunção (e) = tabela verdade da conjunção (^).
˃˃ q: se 2 é par, então 3 é ímpar (composta).
Uma proposição composta por conjunção só será
verdadeira se todas as suas proposições simples que a
compõem forem verdadeiras, caso contrário, a conjun-
01. (CESPE) Se P e Q representam as proposições “Eu ção será falsa.
estudo bastante” e “Eu serei aprovado”, respec- »» Ex.: P ^ Q
tivamente, então, a proposição P → Q represen-
ta a afirmação “Se eu estudar bastante, então P Q P^Q
serei aprovado”.
CERTO. A questão está pedindo se a proposição re-
V V V
presentada está escrita corretamente. Simboliza “→” V F F
condicional (se, então). F V F
Tabela Verdade e Conectivos Lógi- F F F
cos Representando por meio de conjuntos, temos: P ^ Q
A tabela verdade nada mais é do que um meca-
nismo usado para dar valor às proposições compostas
(que também serão ou verdadeiras ou falsas), por meio
de seus respectivos conectivos. P Q
A primeira coisa que precisamos saber numa tabela
verdade é o seu número de linhas, e que esse depende
do número de proposições simples que compõem a
proposição composta. →→ Valor lógico de uma proposição composta por dis-
Número de linhas = 2n, em que “n” é o número junção (ou) = tabela verdade da disjunção (v).
de proposições simples que compõem a proposição Uma proposição composta por disjunção só
composta. Portanto se houver 3 proposições simples será falsa se todas as suas proposições simples que a
formando a proposição composta então a tabela dessa compõem forem falsas, caso contrário, a disjunção será
proposição terá 8 linhas (23 = 8). Esse número de linhas
da tabela serve para que tenhamos todas as relações verdadeira.
possíveis entre “V” e ”F” das proposições simples. Veja: »» Ex.: P v Q
P Q R P Q PvQ
V V V
V V F V V V
V F V
V F F
V F V
F V V F V V
F V F
F F F
142 F F V
F F F Representando por meio de conjuntos, temos: P v Q
Q
P
P Q

→→ Valor lógico de uma proposição composta por bi-

Raciocínio Lógico
→→ Valor lógico de uma proposição composta por dis- condicional (se e somente se) = tabela verdade do
junção exclusiva (ou, ou) = tabela verdade da dis- bicondicional (↔).
junção exclusiva (v). Uma proposição composta por bicondicional é ver-
Uma proposição composta por disjunção exclusiva dadeira sempre que suas proposições simples que a
só será verdadeira se as suas proposições simples que a compõem têm valores iguais, caso contrário, ela será falsa.
compõem tiverem valores diferentes, caso contrário, a No bicondicional, “P” e “Q” são ambos suficientes e
disjunção exclusiva será falsa. necessários ao mesmo tempo.
»» Ex.: P v Q »» Ex.: P ↔ Q

P Q PvQ P Q P↔Q
V V V
V V F
V F F
V F V F V F
F V V F F V
F F F Representando por meio de conjuntos, temos: P ↔ Q
P=Q
Representando por meio de conjuntos, temos: P v Q

P Q
Em Resumo:
Proposição
Verdadeira quando... Falsa quando...
→→ Valor lógico de uma proposição composta por composta
condicional (se, então) = tabela verdade do con- P^Q P e Q são verdadeiras Pelo menos uma falsa
dicional (→). Pelo menos uma
PvQ P e Q são falsas
Uma proposição composta por condicional só será verdadeira
falsa se a primeira proposição (também conhecida como PvQ
P e Q têm valores
P e Q têm valores iguais
antecedente ou condição suficiente) for verdadeira e a diferentes
segunda proposição (também conhecida como conse- P→Q
P = verdadeiro, q = ver-
P = verdadeiro e Q = falso
quente ou condição necessária) for falsa; nos demais dadeiro ou P = falso
casos, o condicional será sempre verdadeiro. P↔Q P e Q têm valores iguais
P e Q têm valores
diferentes

Atente bem para esse tipo de proposição, pois é um Considerando que os símbolos “v, ~, →, ↔, ^” repre-
dos mais cobrados em concursos. sentem as operações lógicas “ou”, “não”, “condicio-
Dicas: nal”, “bicondicional” e “e”, respectivamente, julgue o
˃˃ P é antecedente e Q é consequente = P → Q item a seguir
˃˃ P é consequente e Q é antecedente = Q →P 01. (CESPE) Acerca da proposição composta P: (p v
˃˃ P é suficiente e Q é necessário = P → Q ~q)↔(~p ^ r), em que p, q e r são proposições
distintas. O número de linhas da tabela verdade
˃˃ P é necessário e Q é suficiente = Q → P de P é igual a 16.
»» Ex.: P → Q ERRADO. Para o cálculo do número de linhas de uma pro-
posição composta, utilizamos a fórmula 2n, em que “n” re-
P Q P→Q presenta o número de proposições simples que compõem
V V V a proposição composta. Como na questão n = 3, então 2³
= 8. Portanto, o número de linhas da tabela é 8.
V F F
F V V
Equivalências Lógicas
Duas ou mais proposições compostas são ditas
F F V equivalentes quando são formadas pelas mesmas pro-
posições simples e suas tabelas-verdades (resultado) 143
Representando por meio de conjuntos, temos: P → Q são iguais.
Seguem algumas demonstrações das mais importantes: XII. P → Q = ~P v Q (Negam-se o antecedente ou
mantém o consequente).
P Q ~P ~Q P→Q ~Q→~P ~P v Q
V V F F V V V
Atente-se para o princípio da equivalência. A tabela
verdade está aí só para demonstrar a igualdade. V F F V F F F
I. P ^ Q = Q ^ P (Basta trocar as proposições simples F V V F V V V
Raciocínio Lógico

de lugar - também chamada de recíproca). F F V V V V V


P Q P^Q Q^P
V V V V
V F F F Equivalências mais importantes e mais cobradas em
F V F F concursos.
F F F F Negação de Proposição Composta
II. P v Q = Q v P (Basta trocar as proposições simples São também equivalências lógicas; vejamos
de lugar - também chamada de recíproca). algumas delas:
1) ~(P ^ Q) = ~P v ~Q (Leis de Morgan).
P Q PvQ QvP
Para negar a conjunção, troca-se o conectivo e (^)
V V V V por ou (v) e negam-se as proposições simples que a
V F V V compõem.
F V V V P Q ~P ~Q P ^ Q ~ (P ^ Q) ~P v ~Q
F F F F V V F F V F F
III. P v Q = Q v P (Basta trocar as proposições simples V F F V F V V
de lugar - também chamada de recíproca).
F V V F F V V
IV. P v Q = ~P v ~Q (Basta negar as proposições simples
- também chamada de contrária). F F V V F V V
V. P v Q = ~Q v ~P (Troca as proposições simples de 2) ~(P v Q) = ~P ^ ~Q (Leis de Morgan).
lugar e negam-se - também chamada de contra – Para negar a disjunção, troca-se o conectivo ou
positiva). (v) por e (^) e negam-se as proposições simples que a
VI. P v Q = (P ^ ~Q) v (~P ^ Q) (observe aqui a exclusivi- compõem.
dade dessa disjunção).
P Q ~P ~Q P v Q ~ (P v Q) ~P ^ ~Q
P Q ~P ~Q P ^ ~Q ~P ^ Q P v Q Q v P ~P v ~Q ~Q v ~P (P ^ ~Q) v (~P ^ Q)
V V F F F F F F F F F
V V F F V F F
V F F V V F V V V V V V F F V V F F
F V V F F V V V V V V F V V F V F F
F F V V F F F F F F F
F F V V F V V
VII. P ↔ Q = Q ↔ P (Basta trocar as proposições
simples de lugar - também chamada de recíproca). 3) ~(P → Q) = P ^ ~Q (Leis de Morgan).
VIII. P ↔ Q = ~P ↔ ~Q (Basta negar as proposições Para negar o condicional, mantém-se o anteceden-
simples - também chamada de contrária). te e nega-se o consequente.
IX. P ↔ Q = ~Q ↔ ~P (Troca as proposições simples P Q ~Q P→Q ~(P→Q) P ^ ~Q
de lugar e negam-se - também chamada de contra-
positiva). V V F V F F
X. P ↔ Q = (P → Q) ^ (Q → P) (observe que é condi- V F V F V V
cional para os dois lados, por isso bicondicional). F V F V F F
P Q ~P ~Q P→Q Q→P P↔Q Q↔P ~P↔~Q ~Q↔~P (P→Q) ^ (Q→P) F F V V F F
V V F F V V V V V V V 4) ~(P v Q) = P ↔ Q.
V F F V F V F F F F F Para negar a disjunção exclusiva, faz-se o bicondi-
F V V F V F F F F F F cional.
F F V V V V V V V V V
P Q PvQ ~( P v Q) P↔Q
V V F V V
V F V F F
F V V F F
A disjunção exclusiva e o bicondicional são as proposi-
ções com o maior número de equivalências. F F F V V

XI. P → Q = ~Q → ~P (Troca as proposições simples 5) ~(P ↔ Q) = (P v Q).


de lugar e nega-se - também chamada de contra- Para negar a bicondicional, faz-se a disjunção exclu-
144 positiva). siva.
P Q P↔Q ~( P ↔ Q) PvQ Relação entre Todo, Algum e Ne-
V V V F F nhum
V F F V V Também conhecidos como quantificadores uni-
F V F V V versais (quantificadores lógicos), eles têm entre si
F F V F F algumas relações que devemos saber, são elas:
I. “Todo A é B” equivale a “nenhum A não é B”, e

Raciocínio Lógico
vice-versa.
01. (CESGRANRIO) A negação da proposição »» Ex.: todo amigo é bom = nenhum amigo não é
“Alberto é alto e Bruna é baixa” é: bom.
a) Alberto é baixo e Bruna é alta. II. “Nenhum A é B” equivale a “todo A não é B”, e
b) Alberto é baixo e Bruna não é alta.
vice-versa.
c) Alberto é alto ou Bruna é baixa.
d) Alberto não é alto e Bruna não é baixa. »» Ex.: nenhum aluno é burro = todo aluno não é
e) Alberto não é alto ou Bruna não é baixa. burro.
RESPOSTA. E. A negação de (P ^ Q) é (~P v ~Q). Consi-
derando: P = Alberto é alto; e Q = Bruna é baixa; temos:
~P = Alberto não é alto, e ~Q = Bruna não é baixa.
Tautologias, Contradições e Con- Essas são as duas relações de equivalência mais
comuns, porém há uma em que utilizamos o ALGUM.
tingências ˃˃ “Todo A é B” equivale a “algum B é A”.
→→ Tautologia: proposição composta que é sempre »» Ex.: todo professor é aluno = algum aluno é
verdadeira independente dos valores lógicos das
proposições simples que a compõem. Vejamos: professor.
(P ^ Q) → (P v Q) III. “Todo A é B” tem como negação “algum A não é
P Q P^Q PvQ (P ^ Q) → (P v Q) B” e vice-versa.
V V V V V »» Ex.: ~(todo estudante tem insônia) = algum es-
V F F V V tudante não tem insônia.
F V F V V IV. “Algum A é B” tem como negação “nenhum A é B”
F F F F V e vice-versa.
→→ Contradição: proposição composta que é sempre »» Ex.: ~(algum sonho é impossível) = nenhum
falsa, independente dos valores lógicos das pro- sonho é impossível.
posições simples que a compõem. Vejamos:
~(P v Q) ^ P Temos também a representação em forma de con-
juntos, que é:
P Q PvQ ~(P v Q) ~(P v Q) ^ P
˃˃ TODO A é B:
V V V F F
V F V F F
F V V F F
F F F V F
B A
→→ Contingência: ocorre quando não é tautologia
nem contradição. Vejamos: ~(P v Q) ↔ P
P Q PvQ ~(P v Q) ~(P v Q) ↔ P
V V F V V
˃˃ ALGUM A é B:
V F V F F
F V V F V
F F F V F
A B

01. (CESPE) A proposição (A v B) ^ [(~A) ^ (~B)] é


sempre falsa.
CERTO. A questão está pedindo, em outras palavras, ˃˃ NENHUM A é B:
se a proposição é uma contradição. Para saber isso
basta desenhar a tabela verdade dessa proposição e
ver se isso acontece.
A B ~A ~B AvB ~A ^ ~B (AvB) ^ [(~A) ^ (~B)]
V V F F V F F A B
V F F V V F F
F V V F V F F
F F V V F V F
Observe que a proposição realmente é toda falsa (veja Por fim e de modo geral podemos representar 145
a última coluna da tabela). (resumir) as relações da seguinte forma:
06. (CESPE) A negação da proposição “O presidente é
Equivalência o membro mais antigo do tribunal e o corregedor
é o vice-presidente” é “O presidente é o membro
mais novo do tribunal e o corregedor não é o vi-
ce-presidente”.
Negação Certo ( ) Errado ( )
AéB A não é B A não é B
TODO ALGUM NENHUM 07. (CESPE) A negação da proposição “estes papéis
Raciocínio Lógico

A não é B AéB AéB são rascunhos ou não têm mais serventia para o
Negação desenvolvimento dos trabalhos” é equivalente a
“estes papéis não são rascunhos e têm serventia
para o desenvolvimento dos trabalhos”.
Certo ( ) Errado ( )
Equivalência 08. (FEPESE) A afirmação condicional equivalente a
“Todos os cangurus usam bolsa” é:
a) Se algo usa bolsa, então é um canguru.
b) Se algo não usa bolsa então não é um canguru.
01. (FUMARC) Considere a seguinte proposição:
Todos os alunos assistiram ao filme. A negação c) Se algo é uma bolsa, então é usada por um
da proposição é: canguru.
a) Nenhum aluno assistiu ao filme. d) Se algo não é um canguru, então não usa bolsa.
b) Algum aluno não assistiu ao filme. e) Se algo não é um canguru, também não é uma
c) Alguns alunos assistiram ao filme. bolsa.
d) Todos os alunos não assistiram ao filme. 09. (FGV) A negação da sentença “Se tenho dinheiro,
RESPOSTA. B. A negação de “todo A é B” é “algum A então sou feliz” é:
não é B”. a) Se não tenho dinheiro, então não sou feliz.
b) Se não sou feliz, então não tenho dinheiro.
c) Não tenho dinheiro e sou feliz.
d) Não tenho dinheiro ou sou feliz.
01. (CONSULPLAN) Qual das proposições abaixo é e) Tenho dinheiro, e não sou feliz.
verdadeira? 10. (CESPE) A negação da proposição “se Paulo está
a) O ar é necessário à vida e a água do mar é doce. entre os 40% dos homens com mais de 30 anos,
b) O avião é um meio de transporte ou o aço é mole. então Luísa tem mais de 30 anos” é “se Paulo não
c) 6 é ímpar ou 2 + 3 ≠ 5. está entre os 40% dos homens com mais de 30
d) O Brasil é um país e Sergipe é uma cidade. anos, então Luísa não tem mais de 30 anos”.
e) O papagaio fala e o porco voa. Certo ( ) Errado ( )
02. (CESGRANRIO) Analise as afirmativas abaixo. 11. (FCC) Considere a seguinte proposição: “Se uma
I. A parte sempre cabe no todo; pessoa não faz cursos de aperfeiçoamento na sua
II. O inimigo do meu inimigo é meu amigo; área de trabalho, então ela não melhora o seu de-
III. Um professor de matemática afirma que todos os sempenho profissional.” Uma proposição logica-
professores de matemática são mentirosos. mente equivalente à proposição dada é:
Do ponto de vista da lógica, é(são) sempre verdadeira(s) a) É falso que, uma pessoa não melhora o seu de-
somente a(s) afirmativa(s): sempenho profissional ou faz cursos de aperfei-
a) I. çoamento na sua área de trabalho.
b) I e II. b) Não é verdade que, uma pessoa não faz cursos
c) I e III. de aperfeiçoamento profissional e não melhora o
d) II. seu desempenho profissional.
e) III. c) Se uma pessoa não melhora seu desempenho
03. (CESPE) A sentença “Maria é mais bonita que profissional, então ela não faz cursos de aperfei-
Sílvia, pois Maria é Miss Universo e Sílvia é Miss çoamento na sua área de trabalho.
Brasil” é representada corretamente pela expres- d) Uma pessoa melhora o seu desempenho profis-
são simbólica (P ^ Q) → R. sional ou não faz cursos de aperfeiçoamento na
Certo ( ) Errado ( ) sua área de trabalho.
04. (ESAF) Assinale a opção verdadeira. e) Uma pessoa não melhora seu desempenho pro-
a) 3 = 4 ou 3 + 4 = 9 fissional ou faz cursos de aperfeiçoamento na sua
b) Se 3 = 3, então 3 + 4 = 9 área de trabalho.
c) 3 = 4 e 3 + 4 = 9 12. (CESPE) Caso a proposição “Se a EMBASA
d) Se 3 = 4, então 3 + 4 = 9 promover ações de educação ambiental, então a
e) 3 = 3 se e somente se 3 + 4 = 9 população colaborará para a redução da poluição
05. (CESPE) Para todos os possíveis valores lógicos das águas” seja V, a proposição “Se a EMBASA
atribuídos às proposições simples A e B, a propo- não promover ações de educação ambiental,
sição composta {[A ^ (~B)] v B} tem exatamente 3 então a população não colaborará para a redução
valores lógicos V e um F. da poluição das águas” também será V.
146 Certo ( ) Errado ( ) Certo ( ) Errado ( )
13. (CESGRANRIO) Considere a proposição composta 17. (FCC) Considere a afirmação: Pelo menos um
“Se o mês tem 31 dias, então não é setembro”. A ministro participará da reunião ou nenhuma
proposição composta equivalente é decisão será tomada. Para que essa afirmação
a) “O mês tem 31 dias e não é setembro”. seja FALSA:
b) “O mês tem 30 dias e é setembro”. a) É suficiente que nenhum ministro tenha parti-
c) “Se é setembro, então o mês não tem 31 dias”. cipado da reunião e duas decisões tenham sido
d) “Se o mês não tem 31 dias, então é setembro”. tomadas.
b) É suficiente que dois ministros tenham partici-

Raciocínio Lógico
e) “Se o mês não tem 31 dias, então não é setembro”.
14. Considere como verdadeira a declaração: pado da reunião e alguma decisão tenha sido
“Ontem, nas cidades litorâneas do Brasil, as tem- tomada.
peraturas aumentaram em até 10º C”. É correto c) É necessário e suficiente que alguma decisão
concluir que ontem: tenha sido tomada, independentemente da par-
a) As temperaturas nas cidades do interior do Brasil ticipação de ministros na reunião.
não aumentaram. d) É necessário que nenhum ministro tenha parti-
b) As temperaturas nas cidades do interior do Brasil cipado da reunião e duas decisões tenham sido
aumentaram mais do que 10º C. tomadas.
c) Em alguma cidade litorânea brasileira, a tempera- e) É necessário que dois ministros tenham partici-
tura aumentou atingindo a temperatura de 10º C. pado da reunião e nenhuma decisão tenha sido
d) Em alguma cidade litorânea brasileira, o aumento tomada.
da temperatura não foi suficiente para atingir os 18. (CESPE) A proposição Se x é um número par,
10º C. então y é um número primo é equivalente à pro-
e) Em algumas cidades litorâneas brasileiras, a posição Se y não é um número primo, então x não
variação da temperatura foi menor do que 10º C. é um número par.
15. (CESPE) Proposições são sentenças que podem Certo ( ) Errado ( )
ser julgadas somente como verdadeiras ou falsas. 19. (CESPE) A negação da proposição “O juiz deter-
A esse respeito, considere que p represente a pro- minou a libertação de um estelionatário e de um
posição simples “É dever do servidor promover ladrão” é expressa na forma “O juiz não determi-
o atendimento cordial a clientes internos e nou a libertação de um estelionatário nem de um
externos”, que q represente a proposição simples ladrão”.
“O servidor deverá instruir procedimentos admi- Certo ( ) Errado ( )
nistrativos de suporte gerencial” e que r repre-
sente a proposição simples “É tarefa do servidor 20. (ESAF) X e Y são números tais que: Se X ≤ 4, então
propor alternativas e promover ações para o Y > 7. Sendo assim:
alcance dos objetivos da organização”. Acerca a) Se Y ≤ 7, então X > 4.
dessas proposições p, q e r e das regras inerentes b) Se Y > 7, então X ≥ 4.
ao raciocínio lógico, assinale a opção correta. c) Se X ≥ 4, então Y < 7.
a) ~(p v q v r) é equivalente a ~p ^ ~q ^ ~r. d) Se Y < 7, então X ≥ 4.
b) p → q é equivalente a ~p → ~q. e) Se X < 4, então Y ≥ 7.
c) p ^ (q v r) é equivalente a p ^ q ^ r.
d) ~(~(~r)) ↔ r.
e) A tabela verdade completa das proposições
simples p, q e r tem 24 linhas. 01 B 11 E
16. (FCC) Uma empresa mantém a seguinte regra em 02 A 12 ERRADO
relação a seus funcionários: Se um funcionário
tem mais de 45 anos de idade, então ele deverá, 03 CERTO 13 C
todo ano, realizar pelo menos um exame médico 04 D 14 E
e tomar a vacina contra a gripe.
05 CERTO 15 A
Considerando que essa regra seja sempre cumprida, é
correto concluir que, necessariamente, se um funcio- 06 ERRADO 16 C
nário dessa empresa: 07 CERTO 17 A
a) Anualmente realiza um exame médico e toma a
vacina contra a gripe, então ele tem mais de 45 08 B 18 CERTO
anos de idade. 09 E 19 ERRADO
b) Tem 40 anos de idade, então ele não realiza
exames médicos anualmente ou não toma a 10 ERRADO 20 A
vacina contra a gripe.
c) Não realizou nenhum exame médico nos últimos
dois anos, então ele não tem 50 ou mais anos de
idade.
d) Tem entre 55 e 60 anos de idade, então ele realiza ____________________________________________
um único exame médico por ano, além de tomar ___________________________________________
a vacina contra a gripe. ___________________________________________
e) Tomou a vacina contra a gripe ou realizou exames ____________________________________________
médicos nos últimos dois anos, então ele tem ___________________________________________
pelo menos 47 anos de idade. ___________________________________________ 147
CAPÍTULO 01
f) Subdivisões Policiais; (Renumerado pela
Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
g) Delegacias Regionais; (Incluído pela Lei
Estatuto da Polícia Complementar 89 de 25/07/2001)

Civil do Paraná h) Delegacias de Polícia; (Renumerado pela

Noções do Estatuto da Polícia Civil


Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
Título I - Da Organização da Polícia i) Outras unidades policiais civis auxiliares.
(Redação dada pela Lei Complementar 89
Civil de 25/07/2001)
Capítulo I - Disposições Preliminares Art. 6º. O Conselho da Polícia Civil, nos termos do
artigo 47, § 2º, da Constituição do Estado do Paraná,
Art. 1º. A Polícia Civil é a unidade de execução pro- é órgão consultivo, normativo e deliberativo, para fins
gramática da Secretaria de Estado da Segurança de controle do ingresso, ascensão funcional, hierar-
Pública - SESP, com vínculo de subordinação hierár- quia e regime disciplinar das carreiras policiais civis,
quica ao respectivo Secretário de Estado. sendo integrado pelos seguintes membros: (Redação
Art. 2º. São incumbências da Polícia Civil, em todo dada pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
território estadual, a preservação da ordem pública I. o delegado geral da Polícia Civil, como pre-
e o exercício da Polícia Judiciária, Administrativa e de sidente e membro nato; (Redação dada
Segurança, com a prevenção, repressão e apuração pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
das infrações penais e atos antissociais, na forma es-
II. o delegado geral adjunto da Polícia Civil,
tabelecida pela legislação em vigor. como vice-presidente e membro nato;
Art. 3º. A função policial, por suas características e (Redação dada pela Lei Complementar 89
finalidades, fundamenta-se nos princípios da hierar- de 25/07/2001)
quia e da disciplina. III. pelo corregedor-geral da Polícia Civil;
Art. 4º. São servidores policiais civis os integran- (Redação dada pela Lei Complementar 98
tes das carreiras previstas no Quadro de Pessoal da de 12/05/2003)
Polícia Civil. IV. por dois representantes do Ministério
Capítulo II - Das Unidades da Polícia Civil Público, indicados pelo Procurador-Geral
Art. 5º. São unidades da Polícia Civil: de Justiça; (Redação dada pela Lei Comple-
mentar 98 de 12/05/2003)
I. Ao nível de Direção: (Redação dada pela Lei
Complementar 89 de 25/07/2001) V. por dois Delegados de Polícia estáveis,
indicados pelo Governador do Estado do
a) Departamento da Polícia Civil; (Redação Paraná; (Redação dada pela Lei Comple-
dada pela Lei Complementar 89 de mentar 98 de 12/05/2003)
25/07/2001)
VI. por um representante da Secretaria de
b) Conselho da Polícia Civil. Estado da Segurança Pública, de reconhe-
c) Corregedoria Geral da Polícia Civil. cido saber jurídico e experiência adminis-
(Incluído pela Lei Complementar 89 de trativa, indicado pelo respectivo Secretá-
25/07/2001) rio; (Redação dada pela Lei Complementar
II. Ao nível de assessoramento: (Redação 98 de 12/05/2003)
dada pela Lei Complementar 89 de VII. por um representante da Procuradoria-Ge-
25/07/2001) ral do Estado, indicado pelo Procurador-
a) Secretaria Executiva; -Geral do Estado; (Redação dada pela Lei
Complementar 98 de 12/05/2003)
b) Assessoria Técnica. (Redação dada pela Lei
Complementar 89 de 25/07/2001) Parágrafo único. Ao Conselho da Polícia Civil do
Estado do Paraná compete: (Redação dada pela Lei
III. A nível instrumental: (Redação dada pela Complementar 89 de 25/07/2001)
Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
a) deliberar sobre as questões que lhe forem
a) Divisão de Infraestrutura; (Redação dada submetidas pelo delegado geral de Polícia
pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001) Civil; (Renumerado pela Lei Complementar
b) Coordenação de Informática; (Incluído 98 de 12/05/2003)
pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001) b) zelar pela observância dos princípios
c) Escola Superior de Polícia Civil; (Incluído e funções da Polícia Civil do Estado do
pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001) Paraná; (Renumerado pela Lei Comple-
d) Grupos Auxiliares. (Renumerado pela Lei mentar 98 de 12/05/2003)
Complementar 89 de 25/07/2001) c) provar regimentos internos das unidades
IV. Ao nível de execução: (Redação dada pela policiais civis e outros atos normativos
Lei Complementar 89 de 25/07/2001) que definam a atuação da Instituição; (Re-
a) Divisões Policiais; numerado pela Lei Complementar 98 de
12/05/2003)
b) Centro de Operações Policiais Especiais;
(Renumerado pela Lei Complementar 19 de d) propor medidas de aprimoramento técni-
29/12/1983) co-profissional, visando ao desenvolvimen-
to e a eficiência da organização policial
c) Instituto Médico Legal; (Renumerado pela civil; (Renumerado pela Lei Complementar
Lei Complementar 89 de 25/07/2001) 98 de 12/05/2003)
d) Instituto de Criminalística; (Renumerado e) pronunciar-se sobre matéria relevan-
pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001) te, concernente a funções, princípios e
e) Instituto de Identificação; (Renumerado condutas funcionais ou particulares do 171
pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001) policial civil que resultem em reflexos à
Instituição; (Renumerado pela Lei Comple- Art. 11. Os agentes e auxiliares são subordinados di-
mentar 98 de 12/05/2003) retamente às autoridades policiais perante as quais
f) examinar e avaliar as propostas das servirem, observado o disposto no § 3º., do art. 209.
unidades administrativas da Polícia Civil do Art. 12. Os servidores policiais civis especializados,
Estado do Paraná, em função dos planos técnicos, científicos e administrativos, quando do de-
Noções do Estatuto da Polícia Civil

e programas de trabalhos previstos para sempenho de serviços policiais em equipe, serão diri-
cada exercício financeiro; (Renumerado gidos pela autoridade policial competente.
pela Lei Complementar 98 de 12/05/2003)
g) analisar e avaliar programas e projetos ati- Título II - Das Carreiras e do
nentes à expansão de recursos humanos; Provimento
(Renumerado pela Lei Complementar 98 de
12/05/2003) Capítulo I - Das Carreiras Policiais
h) proceder ao julgamento, como instância Art. 13. São Carreiras Policiais: (Redação dada pela
originária, dos processos disciplinares ins- Lei Complementar 69 de 14/07/1993)
taurados contra autoridades policiais civis; I. Delegado de Polícia;
(Renumerado pela Lei Complementar 98 de II. Comissário de Polícia (em extinção);
12/05/2003) III. Investigador de Polícia; (Redação dada
i) deliberar sobre a remoção de delegados pela Lei Complementar 69 de 14/07/1993)
de polícia, no interesse do serviço policial, IV. Escrivão de Polícia; (Redação dada pela Lei
observadas as disposições desta lei; (Re- Complementar 96 de 12/09/2002)
numerado pela Lei Complementar 98 de
12/05/2003) V. Papiloscopista; (Redação dada pela Lei
Complementar 96 de 12/09/2002)
j) deliberar sobre proposta de criação e
extinção de cargos e de unidades admi- VI. Agente em Operações Policiais. (Redação
nistrativas no âmbito da Polícia Civil do dada pela Lei Complementar 96 de
Estado do Paraná; (Renumerado pela Lei 12/09/2002)
Complementar 98 de 12/05/2003) Capítulo II - Do Concurso
l) deliberar sobre a promoção por mereci- Art. 14. As classes iniciais das carreiras policiais civis
mento do policial, por ato de bravura e post serão providas mediante concurso público regio-
mortem e para proposição de comendas nalizado, de provas, ou de provas e títulos, para o
previstas em lei, conforme dispuser o re- provimento de cargos que exijam formação de nível
gulamento; (Renumerado pela Lei Comple- superior, realizada através das seguintes fases, todas
mentar 98 de 12/05/2003) eliminatórias: (Redação dada pela Lei Complementar
m) deliberar, conclusivamente, sobre a in- 84 de 03/08/1998)
denização, promoção ou pensão especial I. Prova preambular de conhecimentos
decorrente de enfermidade ou morte gerais; (Redação dada pela Lei Comple-
em virtude de serviço ou do exercício da mentar 84 de 03/08/1998)
função; (Renumerado pela Lei Complemen- II. Prova de conhecimento específicos;
tar 98 de 12/05/2003) (Redação dada pela Lei Complementar 84
n) exercer outras atribuições previstas em lei. de 03/08/1998)
(Renumerado pela Lei Complementar 98 de III. Exame de Investigação de conduta;
12/05/2003) (Incluído pela Lei Complementar 84 de
Art. 7º. O Regulamento da Polícia Civil estabelecerá 03/08/1998)
a estrutura e o funcionamento das unidades, bem IV. Exame de Higidez Física; (Incluído pela Lei
como, as atribuições dos respectivos servidores poli- Complementar 84 de 03/08/1998)
ciais civis, observado o disposto nesta lei.
V. Exame de Aptidão Física. (Incluído pela Lei
Capítulo III - Das Autoridades Poli- Complementar 84 de 03/08/1998)
ciais, seus Agentes E Auxiliares § 1º. O provimento de cargo na carreira de Delegado
Art. 8º. São autoridades policiais: de Policia é privativo de bacharel em Direito. (Incluído
pela Lei Complementar 84 de 03/08/1998)
I. o Delegado Geral da Polícia Civil;
§ 2º. Para os cargos da carreira de Perito Criminal
II. os Delegados de Polícia. (Redação dada será exigida formação de nível superior nos cursos de
pela Lei Complementar 96 de 12/09/2002) Química, Física, Engenharia e Arquitetura, Ciências
Art. 9º. São agentes da autoridade policial: (Redação Contábeis, Geologia, Farmácia e Bioquímica, Ciências
dada pela Lei Complementar 96 de 12/09/2002) da Computação e Informática, e Direito, observada
I. os Comissários de Polícia (em extinção); sempre a correspondência da função policial com a
(Redação dada pela Lei Complementar 69 respectiva área de habilitação profissional. (Incluído
de 14/07/1993) pela Lei Complementar 84 de 03/08/1998)
II. os Investigadores de Polícia. (Redação dada § 3º. O exercício pleno da atividade policial civil de-
pela Lei Complementar 96 de 12/09/2002) penderá da conclusão e aprovação nos cursos de
formação técnico-profissional específicos. (Incluído
III. os Agentes em Operações Policiais. pela Lei Complementar 84 de 03/08/1998)
(Incluído pela Lei Complementar 96 de
12/09/2002) § 4º. O número de cargos a serem preenchidos será
fixado de acordo com o dimensionamento previsto
Art. 10. São Auxiliares da autoridade policial: no Orçamento Discriminado de Recursos Humanos,
(Redação dada pela Lei Complementar 96 de aprovado pela Secretaria de Estado da Administra-
12/09/2002) ção e Secretaria de Estado da Segurança Pública,
172 I. os Escrivães de Polícia; (Redação dada pela e, uma vez providos, os seus titulares deverão nele
Lei Complementar 96 de 12/09/2002) se manterem até que se cumpram as exigências do
estágio probatório. (Incluído pela Lei Complementar Art. 19. Os candidatos aprovados na prova preambu-
84 de 03/08/1998) lar de conhecimentos gerais, serão convocados para
Art. 15. Os concursos públicos serão planejados e submeterem-se à prova de conhecimentos específi-
organizados pelo Conselho da Polícia Civil e executa- cos, exame de investigação de conduta e aos exames
dos pela Escola da Polícia Civil, sob a supervisão da de higidez e de aptidão física, todos de caráter

Noções do Estatuto da Polícia Civil


Secretaria de Estado da Segurança Pública, e terão também eliminatório, bem como para apresentar
validade máxima de dois anos, prorrogáveis por comprovante de escolaridade. (Redação dada pela
igual período, contados da homologação da Clas- Lei Complementar 84 de 03/08/1998)
sificação final, e reger-se-ão por instruções espe- § 1º. A apuração da conduta ilibada na vida pública
ciais que estabelecerão, em função da natureza do e privada será constante em todas as etapas do
cargo: (Redação dada pela Lei Complementar 84 de concurso e se estenderá até a data da nomeação dos
03/08/1998) candidatos aprovados, sendo excluídos do ato de
I. tipo e conteúdo das provas e categorias nomeação o candidato que tiver demonstrada a sua
dos títulos; (Redação dada pela Lei Com- inidoneidade. (Incluído pela Lei Complementar 84 de
plementar 84 de 03/08/1998) 03/08/1998)
II. forma de julgamento e a valoração das § 2º. O exame de higidez física será realizado pelo
provas; (Redação dada pela Lei Comple- Instituto Médico Legal do Paraná, que avaliará no
mentar 84 de 03/08/1998) conjunto, as condições do candidato, para fins de
verificação de deformidades estruturais e anoma-
III. os critérios de habilitação e classificação lias morfológicas incompatíveis com o exercício da
para fins de nomeação; (Redação dada função policial civil. (Incluído pela Lei Complementar
pela Lei Complementar 84 de 03/08/1998) 84 de 03/08/1998)
IV. as condições para provimento de cargo § 3º. O exame de aptidão física, destinado a avaliar
referente a: (Renumerado pela Lei Comple- as condições de agilidade e destreza nos movimentos
mentar 84 de 03/08/1998) deambulares, constituir-se-á de testes de impulsão
a) capacidade física; (Redação dada pela Lei vertical, salto em extensão, flexão abdominal,
Complementar 84 de 03/08/1998) escalada, corrida de segmento e corrida aeróbica,
b) boa conduta na via pública e privada, e a observadas as tabelas de desempenho mínimo, a
forma de sua apuração; (Redação dada serem fixadas por professores de educação física,
pela Lei Complementar 84 de 03/08/1998) de acordo com o sexo e faixa etária dos candidatos.
(Incluído pela Lei Complementar 84 de 03/08/1998)
c) Escolaridade.
Art. 20. Encerradas as fases do concurso, exigidas
Art. 16. O Conselho da Policia Civil, na existência para a investidura no cargo correspondente, pro-
das vagas a serem providas em qualquer das car- ceder-se-á à classificação final, a qual será encami-
reiras policiais civis iniciais, solicitará à Secretaria nhada ao Secretário de Estado de Segurança Pública,
de Estado da Segurança Pública a necessária auto- para fins de homologação. (Redação dada pela Lei
rização governamental para abertura de concurso Complementar 84 de 03/08/1998)
público. (Redação dada pela Lei Complementar 84 de
03/08/1998) Art. 21. A nomeação obedecerá rigorosamente a
ordem de classificação no concurso. (Redação dada
Parágrafo único. Das instruções para o concurso pela Lei Complementar 84 de 03/08/1998)
público constarão limite mínimo de idade, número
de vagas, requisitos de ordem moral e física, e exi- Art. 22. Completada a investidura no cargo, os em-
gência de provas de conhecimentos ou de provas e possados serão matriculados, compulsória e obriga-
títulos. (Redação dada pela Lei Complementar 84 de toriamente, no Curso de Formação Técnico Profissio-
03/08/1998) nal específico, a ser ministrado pela Escola da Polícia
Civil, ficando extintos, com esta Lei, o benefício da
Art. 17. O pedido de inscrição além de outros que bolsa de estudos. (Redação dada pela Lei Comple-
atestem a satisfação dos requisitos específicos das mentar 84 de 03/08/1998)
respectivas carreiras, será instruído com os seguintes
documentos: (Redação dada pela Lei Complementar Capítulo III - Do Provimento
84 de 03/08/1998) Art. 23. Os cargos de carreira previstos no Quadro
I. prova de ser o candidato brasileiro nato ou de Pessoal da Polícia Civil são providos por: (Redação
naturalizado; (Redação dada pela Lei Com- dada pela Lei Complementar 19 de 29/12/1983)
plementar 84 de 03/08/1998) I. Nomeação;
II. prova de haver completado vinte e um II. promoção;
anos de idade; (Redação dada pela Lei III. acesso;
Complementar 84 de 03/08/1998)
IV. reintegração;
III. prova de estar o candidato habilitado a
dirigir veículos automotores, feita através V. reversão;
da apresentação de cópia da Carteira VI. aproveitamento;
Nacional de Habilitação (CNH), expedida VII. readmissão;
por órgão competente, em categoria a ser
VIII. readaptação.
definida pelo Edital do concurso. (Incluído
pela Lei Complementar 84 de 03/08/1998) Art. 24. Fica vedada a acumulação de cargos a ser-
vidores policiais civis, ressalvados os casos de acu-
Art. 18. Após conhecido o resultado da prova de que mulação já existentes, na forma prevista nesta
trata o item II do artigo 14, será iniciado o procedi- Lei. (Redação dada pela Lei Complementar 19 de
mento do exame de investigação de conduta, sendo 29/12/1983)
eliminado do certame o candidato que representar
desvios comportamentais que não o recomendem Art. 25. Pode ser provido em cargo efetivo previsto
para o desempenho da função policial civil, ou em nesta Lei, somente quem satisfizer, além de outros re-
caso de falsificação de dados pessoais. (Redação quisitos legais, os seguintes: 173
dada pela Lei Complementar 84 de 03/08/1998) I. ser brasileiro;
II. haver cumprido as obrigações e encargos § 1º. A requerimento do interessado ou de seu repre-
militares previstos em lei; sentante legal, o prazo para posse poderá ser pror-
III. estar em pleno gozo dos direitos políticos; rogado ou revalidado pela autoridade competente,
até o máximo de trinta dias, a contar do término do
IV. ter boa conduta; prazo de que trata este artigo.
Noções do Estatuto da Polícia Civil

V. gozar de boa saúde, comprovada em


inspeção médica; § 2º. O prazo inicial para o funcionário em férias ou
em licença, exceto no caso de licença para tratar de
VI. possuir aptidão para o exercício do cargo; e interesses particulares, será contado da data em que
VII. ter satisfeito as condições especiais previs- o funcionário voltar ao serviço.
tas para o cargo. § 3º. Se a posse não se der dentro do prazo inicial e da
Parágrafo único. A inspeção médica a que se refere prorrogação ou da revalidação, desde que concedi-
ao inciso V deste artigo, será realizada pela Divisão da, será a nomeação tornada sem efeito.
de Medicina e Saúde Ocupacional da Secretaria de
Estado da Administração. (Incluído pela Lei Comple- Capítulo V - Do Exercício
mentar 84 de 03/08/1998) Art. 31. O início, a interrupção e o reinício do exercí-
Art. 26. Sob pena de responsabilidade da autorida- cio serão registrados, no assentamento individual do
de que der posse, o ato de provimento deverá conter servidor.
a indicação da existência da vaga, com os elemen- Parágrafo único. O início do exercício e as alterações
tos capazes de identificá-la. (Redação dada pela Lei que neste ocorrerem serão comunicados pelo Chefe
Complementar 19 de 29/12/1983) da repartição ou serviço em que estiver lotado o
Parágrafo único. Se, dentro do prazo de dois (2) anos servidor ao órgão competente.
for constatado o descumprimento de qualquer requi- Art. 32. Ao chefe da unidade para a qual for designa-
sito legal para a posse, esta será anulada e revogado do o servidor compete dar-lhe exercício.
Decreto de nomeação. (Incluído pela Lei Complemen- Art. 33. O exercício do cargo ou da função terá início
tar 19 de 29/12/1983) no prazo de trinta dias contados da data:
Capítulo IV - Da Posse I. da publicação oficial do ato, no caso de re-
Art. 27. Posse é o ato que completa a investidura no integração e remoção; ou
cargo. II. da posse, nos demais casos.
Parágrafo único. Independem de posse os casos de Parágrafo único. Os prazos previstos neste artigo
promoção, acesso e reintegração. poderão ser prorrogados, por solicitação do interes-
Art. 28. São requisitos para a posse, além dos sado e a juízo da autoridade competente, desde que
exigidos pelo art. 25: a prorrogação não exceda de trinta dias.
I. habilitação prévia em concurso público, Art. 34. A promoção e o acesso não interrompem o
nos casos de provimento efetivo em cargo exercício, que é contado na nova classe a partir da
inicial; e data da publicação do respectivo ato. (Redação dada
II. cumprimento das condições especiais pre- pela Lei Complementar 19 de 29/12/1983)
vistas em lei ou regulamento para o exercí- Art. 35. Será demitido o servidor que não entrar em
cio do cargo. exercício no prazo de trinta dias e aquele que inter-
Parágrafo único. Ninguém poderá ser empossado romper o exercício por igual prazo, ressalvados os
em cargo efetivo, sem declarar que não exerce outro casos que encontrem amparo em outras disposições
cargo ou função pública da União, dos Estados, Mu- deste Estatuto.
nicípios, de autarquias, empresas públicas, socieda- Art. 36. O número de dias que o servidor gastar em
des de economia mista ou fundações instituídas pelo viagem para entrar em exercício, será considerado,
Poder Público, ou sem provar que solicitou exonera- para todos os efeitos, como de efetivo exercício.
ção ou dispensa do cargo ou função que ocupava em
qualquer dessas entidades. (Redação dada pela Lei Capítulo VI - Do Estágio Probatório
Complementar 19 de 29/12/1983) Art. 37. Estágio probatório é o período de três anos de
Art. 29. A posse será solene, compreendendo, na efetivo exercício no cargo, a contar da data do início
primeira investidura, o compromisso policial, a assi- deste, durante o qual são apurados os requisitos ne-
natura do respectivo termo e a entrega da insígnia e cessários à confirmação ou não do servidor policial
identidade funcionais. no cargo efetivo para o qual foi nomeado. (Redação
dada pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
§ 1º. O termo de posse será assinado pelo nomeado,
perante a autoridade competente que presidir à for- § 1º. Os requisitos de que trata este artigo são os se-
malidade, após prestado o seguinte compromisso guintes:
policial: I. aprovação em curso de formação técnico
“PROMETO OBSERVAR E FAZER RIGOROSA OBE- - profissional específico ministrado pela
DIÊNCIA À CONSTITUIÇÃO, ÀS LEIS E REGULAMEN- Escola Superior de Polícia Civil; (Redação
dada pela Lei Complementar 89 de
TOS DO PAÍS, DESEMPENHAR MINHAS FUNÇÕES COM 25/07/2001)
LEALDADE E EXAÇÃO, COM DESPRENDIMENTO E
CORREÇÃO, COM DIGNIDADE E HONESTIDADE E CON- II. idoneidade moral; (Redação dada pela Lei
SIDERAR COMO INERENTE À MINHA PESSOA A REPUTA- Complementar 84 de 03/08/1998)
ÇÃO E A HONORABILIDADE DO ORGANISMO POLICIAL III. assiduidade; (Redação dada pela Lei Com-
QUE PASSO AGORA A SERVIR.” plementar 84 de 03/08/1998)
§ 2º. No ato da posse será apresentada declaração pelo IV. disciplina; (Redação dada pela Lei Comple-
servidor policial civil empossado, dos bens e valores que mentar 84 de 03/08/1998)
constituem o patrimônio individual ou conjugal. V. eficiência e produtividade; e (Redação dada
Art. 30. A posse terá lugar no prazo de trinta dias da pela Lei Complementar 84 de 03/08/1998)
174 publicação, no órgão oficial de divulgação, do ato de VI. dedicação às atividades policiais. (Incluído
provimento. pela Lei Complementar 84 de 03/08/1998)
§ 2º. O boletim de avaliação sobre a conduta do § 2º. Constará obrigatoriamente da lista tríplice o
servidor policial civil durante o estágio probatório servidor policial civil que tiver figurado por três vezes
deve ser elaborado, periodicamente, a contar do consecutivas, ou cinco alternadas, na lista de mereci-
início do exercício, pelos delegados chefes de Divisões mento, condicionado ao número de vagas existentes,
e Corregedoria, na Capital, e, no interior do Estado, obedecida a regulamentação específica. (Incluído

Noções do Estatuto da Polícia Civil


pelos delegados subdivisionais e corregedores de pela Lei Complementar 84 de 03/08/1998)
área, na forma do regulamento. (Redação dada pela § 3º. Para efeito de promoção, entende-se por an-
Lei Complementar 89 de 25/07/2001) tiguidade o tempo de efetivo exercício na classe e,
§ 3º. Quando o servidor policial civil em estágio pro- em havendo empate na contagem para concorrer
batório não preencher quaisquer dos requisitos enu- à mesma vaga, a precedência é sucessivamente do:
merados no § 1º deste artigo, caberá à autoridade (Incluído pela Lei Complementar 84 de 03/08/1998)
avaliadora, sob pena de responsabilidade funcional, a) mais antigo na carreira; (Incluído pela Lei
provocar, perante o corregedor de assuntos internos, Complementar 84 de 03/08/1998)
a instauração de sindicância para sua confirmação b) mais antigo no serviço público; (Incluído
ou não no cargo. (Redação dada pela Lei Comple- pela Lei Complementar 84 de 03/08/1998)
mentar 89 de 25/07/2001)
c) mais idoso. (Incluído pela Lei Complemen-
§ 4º. Para os fins previstos no parágrafo anterior, tar 84 de 03/08/1998)
será especialmente designada Comissão de Sindi- § 4º. O Conselho da Polícia Civil publicará, no mês de
cância pela Corregedoria Geral da Polícia Civil, para janeiro de cada ano, o Almanaque do Policial Civil,
apurar o descumprimento dos requisitos do estágio que conterá o tempo de serviço e a pontuação alcan-
probatório, observando-se o rito estabelecido no çada durante o tempo apurado, conforme a regula-
artigo 241 e seguintes desta lei. (Redação dada pela mentação. (Incluído pela Lei Complementar 84 de
Lei Complementar 89 de 25/07/2001) 03/08/1998)
Capítulo VII - Da Remoção Art. 41. A promoção por merecimento depende
Art. 38. Remoção é o deslocamento do servidor de: (Redação dada pela Lei Complementar 84 de
policial civil de uma para outra unidade policial, ob- 03/08/1998)
servado o contido nesta lei. I. preenchimento de pré-requisitos objeti-
Art. 39. A remoção somente ocorrerá mediante: vos, tais como, a eficiência revelada no
desempenho de funções, a capacidade de
I. pedido escrito ou permuta, a critério do liderança, iniciativa e presteza de decisão,
Delegado Geral da Polícia Civil, ou os resultados dos cursos de formação e de
II. de ofício, em circunstâncias reconhecida- aperfeiçoamento funcional, o comporta-
mente urgenciadas e na solução de pro- mento ético irrepreensível nas atividades
blemas emergenciais das áreas policial e referentes à função, o comportamento
administrativa, e de iniciativa indistinta- social e familiar ilibados, e, principalmen-
mente do secretário de Segurança Pública te, a ausência de antecedentes criminais e
e Conselho da Polícia Civil, com prevalência transgressionais; (Redação dada pela Lei
do primeiro. (Redação dada pela Lei Com- Complementar 89 de 25/07/2001)
plementar 89 de 25/07/2001) II. ato de bravura, comprovado e homolo-
§ 1º. O disposto neste artigo, não compreende a gado pelo Conselho da Polícia Civil, de
remoção do servidor policial civil para outra unidade ofício ou a requerimento do interessado;
sediada na mesma área de Inspetoria, atendido o in- (Redação dada pela Lei Complementar 89
teresse do serviço. de 25/07/2001)
§ 2º. O servidor policial civil removido, deve entrar III. observância do contido no artigo 126,
em exercício do cargo ou função na nova sede, nos alínea III desta lei. (Incluído pela Lei Com-
seguintes prazos: (Redação dada pela Lei Comple- plementar 89 de 25/07/2001)
mentar 19 de 29/12/1983) Parágrafo único. São pré - requisitos complementa-
a) 8 (oito) dias, se for para outro município, res para avaliação de merecimento: (Incluído pela Lei
e (Incluído pela Lei Complementar 19 de Complementar 89 de 25/07/2001)
29/12/1983) I. interstício de 3 (três) anos na classe;
b) 3 (três) dias, no mesmo município. (Incluído (Incluído pela Lei Complementar 89 de
pela Lei Complementar 19 de 29/12/1983) 25/07/2001)
§ 3º. Os prazos constantes do parágrafo anterior, II. estar em efetivo exercício na Secretaria de
poderão ser prorrogados por igual período, a critério Estado da Segurança Pública nos doze (12)
do Delegado Geral da Polícia Civil. (Incluído pela Lei meses anteriores; (Incluído pela Lei Com-
Complementar 19 de 29/12/1983) plementar 89 de 25/07/2001)
III. ter frequentado com aproveitamento,
Capítulo VIII - Da Promoção E Acesso dentre outros cursos definidos em regu-
Art. 40. A promoção é a elevação seletiva e gradual lamentação própria, através de atos do
e sucessiva do servidor policial civil estável à vaga de Poder Executivo, na Escola Superior de
classe imediatamente superior àquela que pertença, Polícia Civil, (Incluído pela Lei Complemen-
pelos critérios de merecimento e antiguidade, na tar 89 de 25/07/2001)
proporção de 3/5 (três quintos) e 2/5 (dois quintos), a) o Curso de Formação Técnico - Profissional
respectivamente, na forma de regulamentação espe- e satisfeitos os requisitos do estágio proba-
cifica; (Redação dada pela Lei Complementar 89 de tório para as classes iniciais das carreiras
25/07/2001) policiais civis; (Incluído pela Lei Comple-
§ 1º. A promoção deverá ocorrer dentro do prazo mentar 89 de 25/07/2001)
de 45 (quarenta e cinco) dias da abertura da vaga; b) o Curso de Processo Administrativo para 3ª
(Redação dada pela Lei Complementar 84 de Classe da Carreira de Polícia; (Incluído pela 175
03/08/1998) Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
c) o Curso de Gerenciamento Policial para 2ª I. a eficiência revelada no desempenho fun-
Classe da Carreira de Delegado de Polícia, cional e não na natureza intrínseca das
e; (Incluído pela Lei Complementar 89 de funções ou missões, e nem o tempo de
25/07/2001) exercício nas mesmas;
d) o Curso Superior de Polícia para a 1ª II. a potencialidade para o desempenho de
Noções do Estatuto da Polícia Civil

Classe da Carreira de Delegado de Polícia. funções mais elevadas;


(Incluído pela Lei Complementar 89 de III. a capacidade de liderança, iniciativa e
25/07/2001) presteza de decisão;
IV. ter prestado serviço em unidades policias IV. os resultados dos cursos de formação e de
no interior do Estado, excluídas as da aperfeiçoamento funcional; e
Região Metropolitana de Curitiba, por V. o realce do servidor policial civil entre
período não inferior a 3 (três) anos para seus pares.
a Classe nicial da carreira de Delegado de
Polícia. (Incluído pela Lei Complementar 89 § 1º. Não pode ser promovido, por merecimento, o
de 25/07/2001) servidor policial civil:
V. ter frequentado, com aproveitamento, I. em exercício de mandato eletivo;
dentre outros cursos definidos em regula- II. em licença para tratar de interesses parti-
mentação própria, através de ato do Poder culares, ou
Executivo, o curso de aperfeiçoamento III. à disposição de órgãos não integrantes da
policial para promoção à 1ª classe para as estrutura orgânica da SESP.
demais carreiras. (Incluído pela Lei Com- § 2º. O servidor policial civil que tiver figurado em
plementar 89 de 25/07/2001) lista anterior de promoção por merecimento, só
§ 2º. Os pré-requisitos serão estabelecidos por deli- poderá ser excluído se, em votação preliminar, o
beração do Conselho da Polícia Civil. (Redação dada Conselho da Polícia Civil assim o decidir, por maioria
pela Lei Complementar 84 de 03/08/1998) (vide Lei absoluta. Em caso contrário, a votação será feita
Complementar 89 de 25/07/2001) apenas para completar a lista tríplice, que deverá ser
Art. 42. Somente após dois anos de efetivo exercício organizada obrigatoriamente para cada vaga a ser
na respectiva classe, poderá o servidor policial civil preenchida. (Redação dada pela Lei Complementar
ser promovido. 19 de 29/12/1983)
§ 1º. Havendo vagas em número superior ao de can- Art. 45. O servidor policial civil só poderá ser promovi-
do, por merecimento, da classe inicial da carreira a que
didatos com interstício completo, poderão concorrer pertencer para a classe imediatamente superior, se tiver
ao preenchimento das vagas remanescentes, os que prestado serviços em unidades policiais do interior, por
houverem completado na classe anterior, um mínimo um período não inferior a 03 (três) anos. (Redação dada
de 365 (trezentos e sessenta e cinco) dias, desde que pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
sejam servidores policiais civis estáveis.
Art. 46. As listas de indicação de policiais civis para
§ 2º. O servidor policial civil, promovido na forma do a promoção serão organizadas pelo Conselho da
parágrafo anterior, deverá completar a contagem Polícia Civil, ouvindo-se, previamente, a Corregedo-
dos interstícios anteriores, sem o que não poderá ria Geral da Polícia Civil e, na forma do regulamento
concorrer à nova promoção. específico. (Redação dada pela Lei Complementar 89
Art. 43. O servidor policial civil, observado o previsto de 25/07/2001)
no § 1º do artigo 216 desta lei, não poderá concorrer Parágrafo único. Constitui transgressão disciplinar
à promoção e acesso, quando: grave cometida por membro do Conselho da Polícia
I. Estiver respondendo à sindicância ou Civil e de Câmara Disciplinar, punida com suspensão
processo disciplinar. (Redação dada pela de 90 (noventa) dias, qualquer ato destinado à modi-
Lei Complementar 19 de 29/12/1983) ficação ou ocultação da verdade, com vistas a favore-
II. estiver respondendo a processo criminal, cer ou prejudicar servidor da classe policial civil, seja
enquanto a sentença final não houver tran- modificando, alterando ou fraudando por qualquer
sitado em julgado; outro meio as disposições deste capítulo. (Incluído
pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
III. for preso preventivamente ou em flagrante
delito; Art. 47. O andamento de papéis relativos à promoção
e acesso terá caráter urgente.
IV. for condenado, enquanto durar o cumpri-
mento da pena, inclusive no caso de sus- Capítulo IX - A Reintegração E Reversão
pensão condicional da pena, não se com- Art. 48. A reintegração, que decorrerá de decisão
putando o tempo acrescido à pena original administrativa, ou judicial passada em julgado, é o
para fins de sua suspensão condicional. reingresso do servidor policial civil no serviço público,
Parágrafo único. Por um período de três (3) anos, com ressarcimento dos vencimentos e vantagens.
a contar da data da punição, na esfera criminal ou Parágrafo único. A decisão administrativa que de-
administrativa, não haverá promoção de servidor terminar a reintegração será proferida em pedido de
policial civil, independente da natureza da falta. revisão de processo disciplinar.
(Redação dada pela Lei Complementar 89 de Art. 49. A reintegração será feita no cargo anterior-
25/07/2001) mente ocupado; se este houver sido transformado,
Art. 44. A promoção por merecimento, proposta no resultante da transformação, e, se extinto, em
pelo Conselho da Polícia Civil através de lista tríplice, cargo de nível de vencimento equivalente, comprova-
baseia-se no conjunto de qualidades e atributos que da pelo órgão competente a habilitação do servidor
distinguem e realçam o valor do servidor policial policial civil.
civil, avaliado no decurso da carreira e no desempe- Parágrafo único. Não sendo possível ou convenien-
nho de funções ou missões, ao ser cogitado para a te à administração policial, fazer a reintegração pela
176 promoção, e ainda: (Redação dada pela Lei Comple- forma prescrita neste artigo, será o ex-servidor policial
mentar 19 de 29/12/1983) civil colocado em disponibilidade remunerada.
Art. 50. O servidor policial civil reintegrado deve I. tenha sofrido punição disciplinar;
ser submetido à inspeção médica especializada, na II. haja completado cincoenta e cinco anos de
forma desta Lei e, se os peritos o julgarem incapaz idade; ou,
ou inválido, será aposentado no cargo em que houver
sido reintegrado. III. conte menos de dez anos de serviço público

Noções do Estatuto da Polícia Civil


anteriormente prestado.
Art. 51. Reversão é o ingresso no serviço público, do
servidor policial civil aposentado, quando insubsis- Art. 62. A readmissão dependerá de prova de capaci-
tentes os motivos da aposentadoria. dade física, mediante inspeção médica especializada e
da existência de vaga a ser provida pelo critério de me-
Art. 52. A reversão far-se-á ex-officio ou a pedido, recimento, atendido sempre o interesse policial civil.
de preferência no mesmo cargo ou naquele em que
se tenha transformado, ou em cargo de vencimento Art. 63. A readmissão efetivar-se-á em cargo de ven-
ou remuneração equivalente ao do anteriormente cimento ou remuneração equivalente ao anterior-
ocupado, atendido o requisito de habilitação profis- mente ocupado, mediante proposta do Conselho da
sional. Polícia Civil.
Art. 53. Para que a reversão possa efetivar-se é ne- Art. 64. O tempo de serviço público estadual do read-
cessário que o aposentado: mitido, anterior à sua exoneração, será contado para
I. não haja completado cinquenta e cinco todos os efeitos legais.
anos de idade; Capítulo XII - Da Readaptação
II. não conte mais de vinte e cinco anos de Art. 65. Readaptação é o provimento do servidor
tempo de serviço e de inatividade, compu- policial civil em cargo a que melhor se adapte a sua
tados em conjunto; capacidade física, intelectual ou vocacional, podendo
III. seja julgado apto em inspeção de saúde; e ser realizada motivadamente de ofício ou a pedido
IV. tenha o seu retorno à atividade policial con- do interessado.
siderada de interesse do serviço público, a § 1º. Após deliberação da maioria absoluta dos seus
juízo do Conselho da Polícia Civil. membros, o Conselho da Polícia Civil encaminhará a
Art. 54. Na reversão, o servidor policial civil aposen- proposta da readaptação prevista neste Capítulo.
tado, terá direito, em caso de nova aposentadoria, à § 2º. O servidor policial civil, enquanto perdurar o
contagem do tempo em que esteve aposentado. processo de readaptação, poderá ser afastado do
Art. 55. O servidor policial civil que reverter, não será exercício de suas funções.
aposentado novamente, sem que hajam decorridos Art. 66. O servidor policial civil, que revelar inaptidão
cinco anos de efetivo exercício, salvo se a aposenta- ou desajustamento para o serviço policial, sem causa
doria for por motivo de saúde. que justifique a sua demissão ou aposentadoria, será
Art. 56. Será tornada sem efeito a reversão do readaptado compulsoriamente em outro cargo a que
servidor policial civil que não tomar posse e não melhor se adapte à sua capacidade, sem descenso
entrar em exercício dentro dos prazos legais. nem aumento de vencimento, na forma deste artigo,
Capítulo X - Do Aproveitamento quando:
Art. 57. Aproveitamento é o retorno do servidor I. ficar comprovada a modificação do estado
policial civil em disponibilidade ao exercício de outro físico ou mental do servidor policial civil,
cargo, mediante proposta do Conselho da Polícia que lhe diminua a eficiência ou o incapacite
Civil. para a função policial;
Art. 58. O aproveitamento far-se-á a pedido ou ex- II. a função policial não corresponder aos
-officio, respeitada sempre a habilitação profissional. pendores vocacionais do servidor policial
civil; ou
Parágrafo único. Se o aproveitamento se der em cargo
de vencimento inferior ao provento da disponibilidade, III. isolada ou cumulativamente o servidor
terá o servidor policial civil direito a diferença. policial civil tenha sido punido com pena de
Art. 59. Será obrigatório o aproveitamento do suspensão igual ou superior a noventa dias
servidor policial civil em cargo de natureza e venci- dentro do período de três anos, a contar
mento ou remuneração compatíveis com os do ante- da primeira punição, ressalvadas as trans-
riormente ocupado. gressões disciplinares decorrentes do exer-
cício da função.
Parágrafo único. O aproveitamento dependerá de
vaga e de prova de capacidade, mediante inspeção Parágrafo único. Serão excluídos das disposições
médica. deste artigo, os servidores policiais civis que tenham
recebido ferimentos em serviço que os incapacitem
Art. 60. Será tornado sem efeito o aproveitamento e para o exercício da atividade policial plena.
cassada a disponibilidade do servidor policial civil se
este cientificado expressamente do ato de aproveita- Art. 67. Havendo dúvidas sobre as condições físicas
mento não tomar posse no prazo legal, com perda de ou mentais do servidor policial civil para o exercício
todos os direitos de sua anterior situação, salvo caso do cargo, poderá, independentemente da instaura-
de doença comprovada em inspeção médica. ção de procedimento administrativo, ser determina-
Parágrafo único. Provada em inspeção médica a in- do que o mesmo seja submetido a exame por junta
capacidade definitiva, será procedida a aposentado- médica designada pela direção do Instituto Médico
ria e para o cálculo do tempo deste será levado em Legal, para os fins previstos nesta Lei. (Redação dada
conta o período de disponibilidade. pela Lei Complementar 29 de 04/04/1986)
Art. 68. O procedimento de readaptação será instau-
Capítulo XI - Da Readmissão rado por decisão do Conselho da Polícia Civil, através
Art. 61. Readmissão é o reingresso no serviço público de comissão especialmente designada, instruído, se
estadual, sem ressarcimento de vencimentos e van- necessário, com o laudo da junta médica previsto no
tagens, do servidor policial civil exonerado a pedido. artigo anterior, que deverá, entre outros elementos,
Parágrafo único. Não será admitida readmissão do mencionar o seguinte: (Redação dada pela Lei Com- 177
servidor policial civil que: plementar 29 de 04/04/1986)
I. da capacidade e do estado físico do Art. 76. O vencimento será devido a partir do efetivo
servidor policial civil para as atividades do exercício do cargo, quando se tratar de nomeação,
cargo; ou readmissão, reintegração, reversão, e, no caso de
II. diminuição da capacidade mental ou ace- promoção ou acesso, da data destes.
leração de manifestações violentas ou Art. 77. Perderá o vencimento ou remuneração do
Noções do Estatuto da Polícia Civil

agressivas. cargo efetivo o servidor policial civil:


Art. 69. A readaptação não acarretará redução de I. nomeado para cargo em comissão, ressal-
vencimento, assegurando-se sempre a diferença a vado o direito de opção. (Redação dada
que o servidor policial civil fizer jus, quando for o caso pela Lei Complementar 19 de 29/12/1983)
de readaptação em cargo de nível inferior, perdendo, II. quando no exercício de mandato eletivo da
no entanto, as vantagens percebidas pelo exercício União, dos Estados e dos Municípios, res-
do cargo de carreira policial. salvados os casos de opção;
Capítulo XIII - Da Substituição III. à disposição de outro Poder ou de órgão
público da administração direta ou
Art. 70. Haverá substituição remunerada durante indireta, inclusive sociedade de economia
o impedimento legal e temporário do ocupante de mista da União ou de qualquer outra
cargo em comissão ou função de chefia ou direção. unidade da Federação, designado para
§ 1º. O substituto, durante o tempo em que exercer a servir em qualquer desses órgãos ou enti-
substituição, terá direito a perceber o vencimento e dades, salvo quando se tratar de requisição
as vantagens pecuniárias inerentes ao cargo do subs- de órgãos diretamente ligados à Presidên-
tituído, mais as vantagens pessoais a que fizer jus. cia da República ou quando de interesse
§ 2º. O substituto perderá, durante o tempo da subs- do Estado do Paraná, a juízo do Chefe do
tituição, o vencimento e demais vantagens pecuniá- Poder Executivo; e
rias inerentes ao seu cargo, se não optar por estes. IV. em missão, estudo ou estágio no exterior
ou em qualquer parte do território
§ 3º. A substituição dar-se-á, sempre que possível, nacional, quando não autorizado pelo
dentro da própria unidade. Chefe do Poder Executivo.
Art. 71. Também será remunerado, na forma prevista Parágrafo único. Ao servidor policial civil titular de
para substituição, o exercício do servidor policial civil, cargo técnico ou científico, quando à disposição do
quando designado para responder pelo expediente Governo Federal, será lícito optar pelo vencimento
da chefia ou direção, durante a vacância do cargo ou ou remuneração do cargo estadual, sem prejuízo de
função. vantagens atribuídas pela administração federal.
Art. 72. A acumulação de jurisdição não constitui Art. 78. Ao servidor policial civil nomeado para o exer-
substituição remunerada. cício de cargo em comissão é facultado optar pelo ven-
cimento desse cargo ou pela percepção do vencimento
Título III - Dos Direitos, Prerrogati- e demais vantagens do seu cargo efetivo, acrescido da
vas e Vantagens gratificação fixa correspondente a vinte por cento do
símbolo do respectivo cargo em comissão.
Capítulo I - Dos Direitos e Prerrogativas Art. 79. O servidor policial civil perderá:
Art. 73. São direitos e prerrogativas dos servidores I. um terço do vencimento ou remunera-
policiais civis, entre outros: ção, durante o afastamento por motivo de
I. exercício de função correspondente à prisão preventiva ou flagrante, pronúncia
classe a que pertence; por crime comum, denúncia por crime fun-
II. designação para missões compatíveis com cional ou que pela natureza e configuração
sejam consideradas infamantes, de modo
a hierarquia; a incompatibilizar o servidor policial civil
III. assistência médico-hospitalar, de doença para o exercício funcional, com direito à di-
e judiciária pelo Estado, quando ferido ou ferença, se absolvido;
acidentado em objeto de serviço ou subme- II. dois terços do vencimento ou remunera-
tido a processo, em razão do exercício do ção durante o período de afastamento em
cargo ou função; virtude de condenação por sentença defini-
IV. assistência médica ao servidor e à sua tiva de que não resulte demissão;
família pelo órgão previdenciário do III. o vencimento ou remuneração do dia,
Estado; se não comparecer ao serviço, salvo por
V. acesso a locais fiscalizados pela Polícia motivo previsto em lei; e
Civil; IV. um terço do vencimento ou remuneração
VI. uso da insígnia e identificação funcionais; e do dia, quando comparecer ao serviço com
VII. portar armas, mesmo quando em inativi- atraso de uma hora ou quando se retirar
dade. antes de findar o período de trabalho ou
missão para que haja sido designado.
Capítulo II - Do Vencimento e das § 1º. Nos casos em que o servidor policial civil se
Vantagens mantiver no exercício de suas funções, o corte do
vencimento não poderá ser por período superior a 60
Seção I - Do Vencimento e da Remuneração (sessenta) dias.
Art. 74. Vencimento é a retribuição pelo efetivo exer- § 2º. No caso de faltas sucessivas, são computados,
cício do cargo, correspondente ao valor do padrão, para efeito de descontos, os sábados, os domingos e
classe, símbolo ou nível, fixado em lei. feriados intercalados.
Art. 75. Remuneração é a retribuição pelo efetivo § 3º. O servidor policial civil que, por doença não puder
exercício do cargo, correspondente ao vencimento, comparecer ao serviço ou missão, fica obrigado a fazer
178 mais as vantagens e benefícios financeiros assegura- pronta comunicação do seu estado de saúde ao chefe
dos por lei. imediato, para o necessário exame médico.
§ 4º. O atestado médico deverá ser, em qualquer cir- V. pela execução de trabalho de natureza
cunstâncias, apresentado no dia imediato, se ocorre- especial, com risco de vida ou saúde.
rem ausências ao serviço até 3 (três) dias. (Redação dada pela Lei Complementar 41
§ 5º. Na hipótese de designação para serviços de de 21/12/1987)
plantão ou ronda, a falta abrangerá, para todos os VI. pelo serviço ou estudo fora do Estado ou no

Noções do Estatuto da Polícia Civil


efeitos legais, o período destinado ao descanso. exterior;
Art. 80. Serão relevadas até três faltas durante o VII. pelo exercício de encargos especiais; e
mês, motivadas por doença comprovada mediante VIII. Pelo Regime Especial de Trabalho Policial
apresentação de atestado médico oficial. (RETP). (Redação dada pela Lei Comple-
Art. 81. O vencimento, remuneração e proventos não mentar 35 de 24/12/1986)
sofrerão descontos além dos previstos em lei, nem Parágrafo único. É vedada a percepção cumulativa
serão objeto de arresto, sequestro ou penhora, salvo de gratificação da mesma natureza, salvo quanto a
quando se tratar de: de magistério policial, na forma do que dispuser o re-
I. prestação de alimentos, determinada judi- gulamento.
cialmente; e Subseção I - Da Gratificação de Função
II. reposição ou indenização devida à Fazenda Art. 85. A gratificação de função destina-se a atender
Estadual, o que será feito em parcelas encargos de chefia, assessoramento, secretariado
mensais não excedentes à quinta parte do e outros determinados no Regulamento da Polícia
vencimento ou remuneração. Civil, se não estabelecidos nesta lei.
§ 1º. Nos casos de comprovada má-fé, a reposição Parágrafo único. O servidor policial civil que se
será feita de uma só vez, sem prejuízo das penalida- ausentar em virtude de férias, licença especial, luto,
des cabíveis. casamento, doença comprovada ou serviço obrigató-
§ 2º. A exoneração ou demissão do servidor policial rio por lei, não perderá a gratificação de função.
civil, implicará na inscrição em Dívida Ativa da Subseção II - Da Gratificação de Represen-
quantia devida.
tação
Seção II - Das Vantagens Art. 86. A Gratificação de Representação, inciden-
Art. 82. Além do vencimento poderá o servidor te sobre os vencimentos, destina-se a indenizar as
policial civil perceber as seguintes vantagens pecu- despesas extraordinárias decorrentes de ordem pro-
niárias: fissional ou social, inerentes à representação policial
I. adicionais; civil na comunidade e de representatividade da insti-
tuição policial civil. (Redação dada pela Lei Comple-
II. gratificações; mentar 29 de 04/04/1986)
III. ajuda de custo; § 1º. A Gratificação de Representação fica atribuí-
IV. diárias; da aos integrantes das carreiras policiais previstas
V. salário-família; no artigo 13, desta Lei, assim fixada: (Redação dada
VI. auxílio médico-hospitalar e de doença. pela Lei Complementar 29 de 04/04/1986)
I. 60% (sessenta por cento), para o Delegado
Seção III - Dos Adicionais de Polícia; (Incluído pela Lei Complementar
Art. 83. O servidor policial civil terá acréscimo aos 29 de 04/04/1986)
vencimentos: II. 45% (quarenta e cinco por cento), para o
I. de cinco em cinco anos de exercício, cinco Médico Legista, Períto Criminal, Químico
por cento, até completar cinco quinquê- Legal e Toxicologista; (Incluído pela Lei
nios; e Complementar 29 de 04/04/1986)
II. ao completar trinta anos de exercício, cinco III. 35% (trinta e cinco por cento), para as
por cento por ano excedente, até o máximo demais carreiras. (Incluído pela Lei Com-
de vinte e cinco por cento. plementar 29 de 04/04/1986)
§ 1º. A incorporação dos acréscimos será imediata, § 2º. A gratificação de representação terá vigência a
inclusive para efeito de aposentadoria e disponibili- partir do mês em que o servidor policial civil entrar
dade e será computada, igualmente, sobre as alte- em exercício do cargo. (Redação dada pela Lei Com-
rações dos vencimentos do cargo efetivo, somados plementar 19 de 29/12/1983)
ao anteriormente deferido. (Redação dada pela Lei § 3º. Será mantida a percepção da gratificação de
Complementar 29 de 04/04/1986) representação, nos afastamentos por motivo de
§ 2º. A base de cálculo para os adicionais é o somató- férias, dispensa ao serviço, licença para tratamen-
rio dos vencimentos e da Gratificação de Representa- to de saúde, até 60 (sessenta) dias, falecimento
ção, observado o disposto nesta Lei. (Incluído pela Lei de ente familiar e gala, até 8 (oito) dias e licença
Complementar 29 de 04/04/1986) especial. (Redação dada pela Lei Complementar 19
de 29/12/1983)
Seção IV - Das Gratificações § 4º. A gratificação de representação será paga,
Art. 84. Conceder-se-á gratificações: somente ao servidor policial civil que esteja no
I. de função; efetivo exercício de suas funções, em unidade policial
civil do Departamento de Polícia Civil, em unidade
II. de representação; administrativa da organização básica da Secretaria
III. de magistério policial; de Estado da Segurança Pública, ou quando a critério
IV. pela participação como membro de do Chefe do Poder Executivo, se encontre prestando
comissão de concurso, de seleção a cursos serviços a qualquer órgão dos Poderes do Estado.
de formação e permanentes de disciplina (Incluído pela Lei Complementar 19 de 29/12/1983)
ou em órgão de Deliberação Coletiva da § 5º. Será suspenso o pagamento da gratificação
Polícia Civil; (Redação dada pela Lei Com- de representação do servidor policial civil indiciado 179
plementar 41 de 21/12/1987) em sindicância ou processo disciplinar, cujo valor
receberá, se absolvido. No caso de punição, o resta- III. exercício de outras atividades de interesse
belecimento ocorrerá após o cumprimento da pena. da administração policial civil.
(Incluído pela Lei Complementar 19 de 29/12/1983) § 1º. A gratificação será arbitrada pelo Chefe do
§ 6º. Fica vedada a percepção da gratificação de repre- Poder Executivo, levando em conta o vencimento do
sentação, pelo servidor policial civil que estiver acumu- servidor policial civil, a natureza e duração certa ou
Noções do Estatuto da Polícia Civil

lando cargos, funções ou perceber qualquer vantagem presumível do encargo e as condições locais, salvo se
financeira proveniente de atividade estranha ao lei ou regulamento já dispuser a respeito.
serviço policial, com exceção do magistério. (Incluído § 2º. Quando se tratar de afastamento por iniciativa
pela Lei Complementar 19 de 29/12/1983) da administração policial civil, poderão ser concedi-
Subseção III - Da Gratificação de Magisté- das ao servidor policial civil, segundo as peculiarida-
des de cada caso, ajuda de custo e outras vantagens
rio Policial previstas na legislação em vigor, além do vencimento
Art. 87. A gratificação de magistério policial será e remuneração.
devida, por aula efetivamente dada, aos professores
da Escola de Polícia Civil, na forma do regulamento Subseção VII - Da Gratificação pelo Exercí-
nos seguintes cursos: cio de Encargos Especiais
I. de formação, aperfeiçoamento e integra- Art. 91. A gratificação pelo exercício de encargos es-
ção funcional de carreiras de nível superior; peciais destina-se aos servidores policiais civis desig-
II. de formação, aperfeiçoamento e integra- nados para atendimento de assessoramento direto
ção funcional de carreiras de nível de 2º. ou especial ao Chefe do Poder Executivo e outros defi-
grau; e nidos em lei ou regulamento.
III. de formação, aperfeiçoamento e integra- Parágrafo único. O valor correspondente será fixado
ção funcional de carreira de nível de 1º. em decreto baixado pelo Poder Executivo.
grau. Subseção VIII - Da Gratificação pelo
Subseção IV - Da Gratificação pela Par- Regime Especial de Trabalho Policial
ticipação como Membro das Comissões (RETP) (Redação dada pela Lei Comple-
de Concurso, de Seleção a Cursos de mentar 35 de 24/12/1986)
Formação e Permanentes de Disciplina ou Art. 92. Pela sujeição ao regime a que se refere o
Órgão de Deliberação Coletiva da Polícia Artigo 274, desta Lei, os Titulares de cargos policiais
civis, fazem juz a uma gratificação, incorporável para
Civil. (Redação dada Pela Lei Complemen- todos os efeitos legais, de 17% (dezessete por cento),
tar 41 de 21/12/1987) calculada sobre o vencimento acrescido da gratifica-
Art. 88. Os integrantes das comissões de concurso, ção de representação. (Redação dada pela Lei Com-
de seleção a cursos de formação e permanentes de plementar 35 de 24/12/1986)
disciplina ou de órgão de Deliberação Coletiva, per- Seção V - Da Ajuda de Custo
ceberão a gratificação que for fixada em regula-
mento. (Redação dada pela Lei Complementar 41 de Art. 93. Será concedida ajuda de custo ao servidor
21/12/1987) policial civil que passe a ter exercício em nova sede,
em virtude de remoção, nomeação para cargo em
Subseção V - Da Gratificação pela Execução comissão ou designação para função gratificada,
de Trabalho de Natureza Especial, dom serviço ou estudo e destina-se à compensação das
Risco de Vida ou Saúde. (Redação dada despesas de viagem e instalação própria e de sua
família e as de transporte de bens.
pela Lei Complementar 41 de 21/12/1987) Art. 94. A ajuda de custo compreende a concessão
Art. 89. Pela execução de trabalho de natureza de até dois meses e não inferior a um mês de ven-
especial, com risco de vida ou saúde, os titulares de cimento, levando-se em conta as condições de vida
cargos policiais civis, em efetivo exercício dos referi- na nova sede, a distância, o tempo de viagem e os
dos cargos, perceberão uma gratificação de 1/3 (um recursos orçamentários disponíveis, arbitrada pelo
terço) dos respectivos vencimentos básicos, acresci- Delegado Geral da Polícia Civil, incluídas as despesas
dos dos adicionais por tempo de serviço. (Redação de mudança, ressarcidas mediante a apresentação
dada pela Lei Complementar 41 de 21/12/1987) de comprovante dos gastos.
Parágrafo único. A gratificação pelo exercício com Parágrafo único. A concessão de um (1) mês de ven-
risco de vida ou saúde não será paga ao servidor cimento como ajuda de custo, dispensa a apresen-
policial civil que estiver afastado de suas funções tação de comprovante de gastos (Incluído pela Lei
ou acumulando cargos, funções, ou perceber Complementar 19 de 29/12/1983)
qualquer vantagem financeira proveniente de ati-
vidade estranha ao serviço policial com exceção do Art. 95. Não se concederá ajuda de custo ao servidor
magistério. (Incluído pela Lei Complementar 41 de policial civil:
21/12/1987) I. que, em virtude de mandato eletivo, deixar
de reassumir o exercício do cargo;
Subseção VI - Da Gratificação por Serviço II. posto à disposição de qualquer entidade de
ou Estudo Fora do Estado ou no Exterior direito público; ou
Art. 90. O pedido e proposta de afastamento e desig- III. quando removido por permuta, a pedido,
nação de servidor policial civil para fora do Estado ou por motivo de ordem disciplinar.
ou no exterior, a serviço, estudo ou estágio, somente
será encaminhado à decisão do Chefe do Poder Exe- Art. 96. O servidor policial civil obrigado a perma-
cutivo, quando relativo a: necer fora da sede, em objeto de serviço, por mais
de trinta dias consecutivos, ou quando matriculado
I. missão oficial do governo; compulsoriamente em curso mantido pela Escola
II. bolsa de estudo ou estágio sobre assunto de Polícia Civil sem percepção de diárias, perceberá
180 de interesse da administração policial civil ajuda de custo a ser arbitrada pelo Delegado Geral
e segurança; ou da Polícia Civil.
Art. 97. O servidor policial civil restituirá a ajuda de Seção VIII - Do Auxílio-Médico Hospitalar
custo:
E Doença
I. quando não se transportar para a nova
sede nos prazos determinados; ou Art. 107. O auxílio médico-hospitalar compreenderá
a assistência médica contínua, normal e especializa-
II. quando, antes de terminada a incumbên-

Noções do Estatuto da Polícia Civil


da, ao servidor policial civil acidentado ou ferido em
cia, regressar, pedir exoneração ou aban- serviço ou acometido de doença profissional.
donar o serviço.
Art. 108. O auxílio da assistência médico-hospi-
§ 1º. A restituição é de exclusiva responsabilidade talar consiste no pagamento integral de todas
pessoal e poderá ser feita parceladamente. as despesas, à conta de recursos orçamentários
§ 2º. Não haverá obrigação de restituir: próprios da SESP, em complementação ao aten-
a) quando o regresso do servidor policial civil for dimento prestado pelo Instituto de Previdência e
determinado ex-officio, decorrer de doença Assistência aos Servidores do Estado, quando se
comprovada ou motivo de força maior; ou constatar as circunstâncias do artigo anterior.
b) quando o pedido de exoneração for apre- Art. 109. Após o período de doze meses consecutivos
sentado noventa dias após a designação de licença para tratamento de saúde, concedida em
da missão. decorrência de doença profissional ou acidente em
Art. 98. A ajuda de custo poderá ser paga ao serviço, o servidor policial civil terá direito a um mês
servidor policial civil, metade, adiantadamente, no de vencimento, a título de auxílio doença.
local da repartição de que foi desligado e o restante, Parágrafo único. Sob este mesmo título, terá ainda o
após haver entrado em exercício na nova reparti- servidor policial civil direito a um mês de vencimento,
ção, unidade ou serviço. após cada período de vinte e quatro meses consecuti-
§ 1º. O servidor policial civil, sempre que preferir, vos de licença para tratamento de saúde.
poderá receber, integralmente, a ajuda de custo, já
na sede da nova repartição, unidade ou serviço. (Re- Seção IX - Do Auxílio-Funeral
numerado pela Lei Complementar 19 de 29/12/1983) Art. 110. Ao cônjuge, ou na falta deste, à pessoa que
§ 2º. O valor do vencimento a ser pago como ajuda provar ter feito despesas em virtude do falecimento
de custo, é o que vigora na data em que o servidor do servidor policial civil, será concedida, a título de
policial civil promover a mudança para a nova sede, auxílio-funeral, a importância correspondente a um
dentro do prazo estabelecido nos §§ 2º. e 3º., do art. mês de remuneração ou provento.
39, desta Lei. (Incluído pela Lei Complementar 19 de Parágrafo único. O pagamento será feito à vista
29/12/1983) da apresentação do atestado de óbito pelo cônjuge
ou pessoa a cujas expensas se houver efetuado o
Seção VII - Do Salário Família funeral, ou procurador legalmente habilitado.
Art. 103. Salário família é o auxílio pecuniário
especial, concedido pelo Estado, ao servidor policial Art. 111. Em caso de acumulação legal de cargos do
civil ativo, inativo ou em disponibilidade, como con- Estado, o auxílio-funeral correspondente será pago
tribuição ao custeio das despesas de manutenção de na base da maior remuneração ou provento.
sua família. Art. 112. Será concedido transporte ou meios de
Parágrafo único. A cada dependente corresponderá mudança, à família do servidor policial civil, quando
uma quota de salário-família. este falecer no desempenho do cargo ou em serviço
de natureza policial, à conta de recursos orçamentá-
Art. 104. Conceder-se-á salário-família ao servidor rios da SESP.
policial civil pelos dependentes:
I. esposa que não exerça atividade remune- Capítulo III - Das Recompensas
rada; Art. 113. Recompensa é o reconhecimento do Estado
II. filho menor de vinte e um anos e filha pelos bons serviços prestados pelo servidor policial
enquanto solteira, sem renda própria; civil.
III. filho inválido, de qualquer idade, compro- Art. 114. Além de outras previstas em leis ou regula-
vadamente incapaz para exercer qualquer mentos especiais, são recompensas:
atividade remunerada; I. o elogio;
IV. filho estudante, que frequente curso se- II. a dispensa do serviço;
cundário ou superior, em estabelecimento
de ensino oficial ou particular e que não III. a medalha do Mérito Policial; e
exerça atividade lucrativa, até a idade de IV. a medalha do Serviço Policial.
vinte e quatro anos; e § 1º. A recompensa constante do inciso I, deste
V. outros dependentes assim previstos em lei. artigo, será conferida pela prática de ato que mereça
Parágrafo único. Compreende-se neste artigo, o registro especial ou ultrapasse o cumprimento
filho de qualquer condição, o enteado, o adotivo, o normal de atribuições ou se revista de relevância.
legítimo e o que, mediante autorização judicial, viva § 2º. A recompensa constante do inciso II, deste
sob a guarda e o sustento do servidor policial civil, in- artigo, terá o limite máximo de 8 (oito) dias corridos e
clusive outros dependentes sem qualquer rendimen- será concedida pelo titular da unidade, somente em
to e que vivam às suas expensas. circunstâncias excepcionais, quando se imponha ao
Art. 105. Quando o pai e a mãe forem funcionários servidor policial civil em período de descanso neces-
do Estado e viverem em comum, o salário-família sário após o desempenho de tarefas árduas, executa-
será concedido ao pai; se não viverem em comum, de das independentemente de horário.
acordo com a distribuição dos dependentes. Art. 115. Os elogios e as dispensas do serviço deverão
Art. 106. Equiparam-se ao pai e à mãe, os represen- ser fundamentadamente propostos e homologados
tantes legais dos incapazes e as pessoas cuja guarda pelo Conselho da Polícia Civil, ouvindo-se, previamen-
e manutenção estiverem confiados, por autorização te, a Corregedoria Geral da Polícia Civil. (Redação 181
judicial, os beneficiários. dada pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
Art. 116. A Medalha de Mérito Policial destina-se a Art. 119. Computar-se-á, para todos os efeitos legais:
premiar o policial civil que praticar ato de bravura I. o tempo de serviço prestado ao Estado do
ou de excepcional relevância para a organização Paraná, desde que remunerado;
policial.
II. o período de férias e licença especial
Art. 117. A Medalha do Serviço Policial destina-se não gozadas na administração estadual
Noções do Estatuto da Polícia Civil

a premiar os servidores policiais civis, pelos bons contado em dobro.


serviços prestados à causa da Ordem Pública, ao Or-
ganismo Policial e à Coletividade Policial. Art. 120. Para os efeitos de aposentadoria e disponi-
bilidade será computado integralmente:
Parágrafo único. As características heráldicas e a
forma da concessão de medalhas serão regulamen- I. o tempo de serviço público federal, mu-
tadas por Decreto do Poder Executivo. nicipal e estadual, prestado aos demais
Estados da Federação;
Capítulo IV - Do Tempo de Serviço II. o período de serviço ativo nas Forças
Art. 118. Será considerado de efetivo exercício o afas- Armadas, prestado durante a paz, compu-
tamento em virtude de: tado pelo dobro o tempo em operação de
I. férias; guerra;
II. afastamento, até oito dias; III. o tempo de serviço prestado em empresa
pública, sociedade de economia mista ou
III. luto por falecimento do cônjuge, filho, pai, fundação instituída pelo Poder Público
mãe e irmão, até oito dias; Estadual;
IV. trânsito; IV. o período de trabalho prestado a institui-
V. convocação para serviço militar; ção de caráter privado, que tiver sido trans-
VI. júri e outros serviços obrigatórios por lei; formada em estabelecimento de serviço
VII. exercício de função do governo ou admi- público;
nistração em qualquer parte do território V. o tempo em que o servidor esteve em dis-
estadual, por nomeação do Chefe do Poder ponibilidade ou aposentado.
Executivo; Parágrafo único. O tempo de serviço a que alude este
VIII. exercício de cargo ou função do governo artigo será computado à vista de certidões passadas
ou administração, por designação do Pre- pelo órgão competente e na forma da regulamenta-
sidente da República; ção própria.
IX. missão ou estudo no exterior ou em Art. 121. Durante o exercício de mandato eletivo
qualquer parte do território nacional, federal, estadual, ou de executivo municipal, o
quando o afastamento houver sido autori- servidor policial civil fica afastado do exercício do
zado pelo Chefe do Poder Executivo; cargo, e somente por antiguidade pode ser promo-
X. licença especial; vido ou provido por acesso, contando-se-lhe o tempo
de serviço apenas para essa promoção, acesso ou
XI. licença para tratamento de saúde; aposentadoria.
XII. licença a servidor que sofrer acidente em Art. 122. A apuração do tempo de serviço será feita
serviço ou for atacado de doença profissio- em dias.
nal, na forma desta lei;
§ 1º. O número de dias será convertido em anos con-
XIII. licença à servidora gestante; siderado o ano como de trezentos e sessenta e cinco
XIV. altas até o máximo de três durante o mês, dias.
por motivo de doença comprovada na § 2º. Feita a conversão, os dias restantes até cento e
forma do art. 80; oitenta e dois não serão computados, arredondando-
XV. licença por motivo de doença em pessoas -se para um ano quando excederem esse número,
da família: cônjuge, filhos, pai, mãe ou nos casos de cálculo para efeito de aposentadoria e
irmão, até noventa dias num quinquênio; disponibilidade.
XVI. licença compulsória; e Art. 123. É vedada a acumulação de tempo de serviço
XVII. exercício de cargo eletivo. prestado, concorrente ou simultaneamente, em dois
ou mais cargos ou funções da União, dos Estados,
§ 1º. Para os efeitos desta lei, entende-se por acidente Distrito Federal, Territórios, Municípios, Autarquias,
em serviço o evento que cause dano físico ou mental Empresas Públicas, Sociedade de Economia Mista,
ao servidor policial civil, durante o exercício das atri- Fundações instituídas pelo Poder Público e Institui-
buições inerentes ao cargo. ções de caráter privado que hajam sido convertidas
§ 2º. Equipara-se ao acidente em serviço, quando em estabelecimentos de serviço público.
não provocada, a agressão sofrida pelo servidor
policial civil no serviço ou em razão dele. Capítulo V - Da Estabilidade
§ 3º. Por doença profissional, para efeitos desta lei, Art. 124. Estabilidade é a situação adquirida pelo
entende-se aquela que decorrer das condições do servidor policial civil, após o transcurso do período de
serviço ou de fatos nele ocorridos. estágio probatório, que lhe garante a permanência
no cargo, dele só podendo ser demitido em virtude de
§ 4º. Nos casos previstos nos parágrafos 1º., 2º., 3º., sentença judicial ou decisão em processo disciplinar,
deste artigo, o laudo resultante da inspeção médica em que se lhe tenha assegurado ampla defesa.
deverá estabelecer rigorosamente a caracterização
do acidente em serviço e da doença profissional. Parágrafo único. A estabilidade diz respeito ao
serviço público e não ao cargo ou função.
§ 5º. É considerado como de efetivo exercício, para
todos os efeitos legais, o período compreendido Art. 125. São estáveis, após três anos de exercício, os
entre a data do laudo que determinar o afastamento servidores nomeados por concurso. (Redação dada
definitivo do servidor e da decretação da respectiva pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
182 aposentadoria, desde que esse período não ultrapas- Art. 126. O servidor policial civil somente perderá o
se de noventa dias. cargo:
I. quando estável, em virtude de sentença benefício deste artigo, poderá gozar as férias em
judiciária ou processo disciplinar que haja outra época, num limite de dois períodos por ano.
concluído pela sua demissão depois de lhe § 2º. Os direitos assegurados por este artigo, inclu-
haver sido assegurada ampla defesa; sive por seu parágrafo anterior, prescrevem em 2
II. em estágio probatório, quando nele não (dois) anos, a contar do primeiro dia do ano seguinte

Noções do Estatuto da Polícia Civil


confirmado, em decorrência do procedi- em que as férias normais forem deixadas de gozar.
mento administrativo de que trata o artigo Art. 129. Durante as férias, o servidor policial civil
37, §§ 3º e 4º, desta lei; (Redação dada terá direito a todas as vantagens, como se estivesse
pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001) em exercício.
III. mediante procedimento de avaliação pe- Art. 130. O chefe da unidade organizará, no mês de
riódica de desempenho, na forma da lei dezembro, a escala de férias para o ano seguinte,
complementar federal, assegurada ampla que poderá alterar de acordo com as conveniências
defesa. (Incluído pela Lei Complementar 89 do serviço, avisados os servidores policiais civis in-
de 25/07/2001) teressados, sempre que possível, com antecedência
§ 1º. Invalidada por sentença judicial a demissão do mínima de dez dias.
servidor estável, será ele reintegrado, e o eventual Parágrafo único. Os servidores policiais civis que
ocupante da vaga, se estável, reconduzido ao cargo exerçam função de chefia ou direção, não serão com-
de origem, sem direito a indenização, aproveitado preendidos na escala.
em outro cargo ou posto em disponibilidade com
remuneração proporcional ao tempo de serviço. Art. 131. A família do servidor policial civil que falecer
(Incluído pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001) em gozo de férias, será pago o vencimento ou remu-
neração relativo à todo o período, sem prejuízo do
§ 2º. Extinto o cargo ou declarada a sua desneces- disposto no artigo 110.
sidade, o servidor estável ficará em disponibilidade,
com remuneração proporcional ao tempo de serviço, Art. 132. O servidor policial civil promovido, removido
até seu adequado aproveitamento em outro cargo. ou transferido, quando em gozo de férias, não será
(Incluído pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001) obrigado a interrompê-las.
§ 3º. Como condição para a aquisição da estabili- Art. 133. Ao entrar em férias o servidor policial
dade, é obrigatória a avaliação especial de desem- civil, comunicará ao chefe imediato, o seu endereço
penho por comissão constituída pelo Conselho da eventual, sendo-lhe facultado gozá-las onde lhe
Polícia Civil para essa finalidade. (Incluído pela Lei aprouver.
Complementar 89 de 25/07/2001) Capítulo VII - Das Licenças
§ 4º. Será eliminado do curso de formação e exone-
rado do cargo, o servidor policial civil que esteja em Seção I - Disposições Preliminares
estágio probatório que for reprovado em qualquer Art. 134. Conceder-se-á licença ao servidor policial
disciplina constante da grade curricular, ou não regis- civil efetivo ou em comissão:
trar frequência mínima de 90% (noventa por cento) I. para tratamento de saúde;
às atividades escolares. (Incluído pela Lei Comple- II. quando acometido de doença das especifi-
mentar 89 de 25/07/2001) cadas no art. 156;
§ 5º. Também será eliminado do curso e exonera- III. quando acidentado no exercício de suas
do do cargo, o servidor policial civil que esteja em atribuições;
estágio probatório e que não atingir percentual igual
a 90% (noventa por cento) dos trabalhos relativos IV. para repouso à gestante;
às aulas e atividades escolares, em cursos de trei- V. por motivo de doença em pessoa da
namento, aperfeiçoamento e especialização minis- família;
trados pela Escola Superior de Polícia Civil, para os VI. quando convocado para o serviço militar;
quais tenham sido matriculados compulsoriamente.
(Incluído pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001) VII. para trato de interesses particulares;
§ 6º. A falta a dia-aula nos Cursos a que esteja matri- VIII. à servidora policial civil casada, por motivo
culado o Servidor, equivalerá, para todos os efeitos, à de afastamento do cônjuge servidor civil ou
ausência ao serviço. (Incluído pela Lei Complementar militar ou servidor de autarquia, empresa
89 de 25/07/2001) pública, de sociedade de economia mista
ou fundação instituída pelo Poder Público;
Capítulo VI - Das Férias IX. em caráter especial;
Art. 127. O servidor policial civil gozará trinta dias X. para frequência a curso de aperfeiçoamen-
consecutivos de férias por ano, de acordo com a to ou especialização.
escala para esse fim organizada, pelo chefe da
unidade a que estiver subordinado e comunicada ao Art. 135. A competência para a concessão das
órgão competente. licenças de que trata este capítulo será definida em
regulamento.
§ 1º. É vedado levar à conta das férias qualquer falta
ao trabalho. Art. 136. A licença dependente de inspeção médica
é concedida pelo prazo indicado no respectivo laudo
§ 2º. Somente depois do primeiro ano de exercício ou atestado.
adquirirá o servidor policial civil direito à férias.
Parágrafo único. Findo o prazo, o servidor poderá
§ 3º. As férias não poderão ser fracionadas, salvo nos submeter-se a nova inspeção e o laudo médico con-
casos em que as mesmas devem ser suspensas por cluirá pela sua volta ao serviço, pela prorrogação da
urgente exigência do serviço mediante convocação licença pela aposentadoria, ou pela readaptação na
da autoridade competente. forma do artigo seguinte.
Art. 128. O servidor policial civil que, por imperiosa Art. 137. Verificando-se, como resultado da inspeção
necessidade do serviço, deixar de gozar férias, a re- médica feita pela junta especialmente designada,
querimento seu terá computado o respectivo período redução da capacidade física do servidor policial civil
em dobro para todos os efeitos legais. ou estado de saúde que impossibilite ou desaconselhe 183
§ 1º. O servidor policial civil que não desejar o o exercício das funções inerentes a seu cargo, e desde
que não se configure a necessidade de aposentadoria superior a vinte e quatro meses, exceto nos casos
nem de licença para tratamento de saúde, poderá o considerados recuperáveis, em que, a critério da
servidor ser readaptado em funções diferentes das Junta Médica, esse prazo poderá ser prorrogado.
que lhe cabem, na forma do disposto nesta lei, sem Parágrafo único. Expirado o prazo do presente
que esta readaptação lhe acarrete qualquer prejuízo. artigo, o servidor policial civil será submetido a nova
Noções do Estatuto da Polícia Civil

Art. 138. O tempo necessário à inspeção médica será inspeção médica e aposentado se julgado definitiva-
sempre considerado como de licença. mente inválido para o serviço público em geral.
Art. 139. Terminada a licença, o servidor policial civil Art. 148. Em casos de doenças graves, contagio-
reassumirá imediatamente o exercício, ressalvado o sas ou não, que imponham cuidados permanentes,
caso do § 1º., do art. 140. poderá a Junta Médica, se considerar o doente irre-
Art. 140. A licença para tratamento de saúde pode cuperável, determinar, como resultado da inspeção,
ser prorrogada a pedido do “ex-officio”. a imediata aposentadoria.
§ 1º. O pedido deve ser apresentado antes de findo Parágrafo único. Na hipótese de que trata este
o prazo da licença; se indeferido, conta-se como de artigo, a inspeção será feita por uma junta de, pelo
licença o período compreendido entre a data do menos, três médicos.
término e a do conhecimento oficial do despacho de- Art. 149. No processamento das licenças para trata-
negatório. mento de saúde, será observado o devido sigilo sobre
§ 2º. Quando o pedido de prorrogação for apresen- os laudos e atestados médicos.
tado depois de findo o prazo da licença, não se conta Art. 150. No curso de licença para tratamento de
como de licença o período compreendido entre o saúde, o servidor policial civil abster-se-á de ativida-
dia de seu término e o do conhecimento oficial do des remuneradas, sob pena de interrupção da licença
despacho. com perda total do vencimento ou remuneração, até
Art. 141. O servidor policial civil não pode perma- que reassuma o cargo.
necer em licença por prazo superior a vinte e quatro Parágrafo único. Os dias correspondentes à perda
meses, ressalvados os casos previstos no art. 147 e de vencimentos ou remuneração de que trata este
nos incisos VI e VIII, do art. 134. artigo serão considerados como de licença sem ven-
Art. 142. Decorrido o prazo estabelecido no artigo cimento, na forma do inciso VII, do art. 134.
anterior, o servidor policial civil é submetido à Art. 151. Licenciado para tratamento de saúde,
inspeção médica e aposentado, se for considerado acidente no exercício de suas atribuições ou doença
definitivamente inválido para o serviço público. profissional, o servidor policial civil recebe integral-
Art. 143. O servidor policial civil que se encontrar fora mente o vencimento ou a remuneração e demais
do Estado, deve, para fins de prorrogação ou conces- vantagens inerentes ao cargo.
são de licença, dirigir-se à autoridade competente Art. 152. O servidor policial civil acidentado no exercí-
a que esteja diretamente subordinado, juntando o cio de suas atribuições, ou acometido de doença pro-
laudo médico do serviço oficial do lugar onde se en- fissional, definidas nos § § 1º., 2º. e 3º. do art. 118,
contrar, indicando ainda sua residência. tem direito, ex-officio ou a requerimento, a licença
Art. 144. O servidor policial civil em gozo de licença para o respectivo tratamento.
comunicará ao seu chefe imediato o local onde Parágrafo único. A comprovação do acidente, indis-
poderá ser encontrado. pensável para a concessão da licença, deve ser feita
Seção II - Da Licença para Tratamento de em processamento sumário, no prazo de oito dias,
prorrogáveis por igual prazo.
Saúde
Art. 153. O servidor policial civil não poderá recusar
Art. 145. A licença para tratamento de saúde é con- a inspeção médica, sob pena de suspensão de paga-
cedida ex-offício ou a pedido do servidor policial mento de vencimento ou remuneração, até que se
civil ou de seu representante, quando não possa ele
realize a inspeção.
fazê-lo, na forma que dispuser o regulamento.
§ 1º. Em ambos os casos é indispensável a inspeção Art. 154. Considerado apto, em inspeção médica,
médica, que será realizada, sempre que possível, no o servidor policial civil reassumirá o exercício, sob
local onde se encontrar o servidor policial civil. pena de serem computados como faltas os dias de
ausência.
§ 2º. A inspeção deve ser feita por médico oficial, ad-
mitindo-se quando assim não seja possível atestado Art. 155. No curso de licença, poderá o servidor
passado por médico particular, com firma reconhecida. policial civil requerer inspeção médica, caso se julgue
em condições de reassumir o exercício ou com direito
§ 3º. Na hipótese do parágrafo anterior, o laudo só à aposentadoria.
produzirá efeito depois de homologado pelo órgão
médico estadual competente. Seção III - Da Licença Compulsória
§ 4º. Quando não for homologado o laudo, o servidor Art. 156. O servidor policial civil atacado de tuber-
policial civil será obrigado a reassumir o exercício do culose ativa, alienação mental, neoplasia maligna,
cargo, sendo considerado como de licença sem ven- lepra, paralisia, cardiopatia grave, doença de Parkin-
cimento, nos termos do inciso VII, do art. 134, os dias son incompatíveis com o trabalho, e outras moléstias
em que deixou de comparecer ao serviço, por haver que a lei indicar na base da medicina especializada,
alegado doença. conforme apurado em inspeção médica será com-
Art. 146. Verificando-se, em qualquer tempo, ter pulsoriamente licenciado com direito à percepção
sido gracioso o atestado médico ou o laudo da Junta do vencimento ou remuneração e demais vantagens
Médica, a autoridade competente promoverá a inerentes ao cargo.
punição dos responsáveis, incorrendo o servidor Art. 157. Há também licença compulsória por interdi-
policial civil a que aproveitar a fraude na pena de sus- ção declarada pela autoridade sanitária competente,
pensão e, na reincidência na demissão, sem prejuízo por motivo de doença em pessoa co-habitante da re-
da ação penal que couber. sidência do servidor policial civil.
184 Art. 147. O servidor policial civil não poderá perma- Art. 158. Para verificação das moléstias indicadas no
necer em licença para tratamento de saúde por prazo art. 156, a inspeção médica é feita obrigatoriamente
por Junta Oficial de três membros, podendo o servidor Seção VII - Da Licença para Trato de Inte-
policial civil pedir outra junta e novos exames de la-
boratório, caso não se conforme com o laudo.
resses Particulares
Art. 164. Depois de estável, o servidor policial civil
Art. 159. A licença é convertida em aposentadoria, poderá obter licença sem vencimento, para o trato de
na forma do art. 142, antes do prazo estabelecido,

Noções do Estatuto da Polícia Civil


interesses particulares.
quando assim opinar a Junta Médica, por considerar
definitiva, para o serviço público em geral, a invalidez § 1º. O servidor policial civil aguardará em exercício a
do servidor policial civil. concessão da licença.
§ 2º. A licença não perdurará por tempo superior a
Seção IV - Da Licença para Gestante dois anos contínuos e só poderá ser concedida nova-
Art. 160. A gestante policial civil é concedida mente, depois de decorridos cinco anos do término
mediante inspeção médica, licença por três meses, da anterior.
com percepção do vencimento ou remuneração e Art. 165. Não será concedida licença para trato de
demais vantagens legais. interesses particulares quando inconvenientes para
§ 1º. Salvo prescrição médica em contrário, a licença o serviço, nem a servidor policial civil, nomeado,
será concedida a partir do início do oitavo mês de removido ou transferido, antes de assumir o exercício.
gestação. Art. 166. O servidor policial civil poderá, a qualquer
§ 2º. Quando houver necessidade de preservar a tempo, desistir da licença para o trato de interesses
saúde do recém-nascido, a licença poderá ser prorro- particulares.
gada por até três meses. Art. 167. Em caso de comprovado interesse público,
Seção V - Da Licença por Motivo de Doença a licença de que trata esta seção poderá ser cassada
pela autoridade competente, devendo o servidor ser
em Pessoa da Família expressamente notificado do fato.
Art. 161. O servidor policial civil pode obter licença, Parágrafo único. Na hipótese de que trata este
por motivo de doença na pessoa de ascendente, artigo, o servidor policial civil deverá apresentar-se
descendente e colateral, consanguíneo ou afim até ao serviço no prazo de trinta dias, a partir da notifica-
o terceiro grau civil, do cônjuge, do qual não esteja ção, findos os quais, a sua ausência será computada
legalmente separado, desde que prove: como falta ao serviço.
I. ser indispensável a sua assistência pessoal, Art. 168. Ao servidor policial civil em exercício de
incompatível com o exercício do cargo; cargo em comissão, não se concederá, nessa quali-
II. viver às suas expensas a pessoa enferma; dade, licença para o trato de interesses particulares.
§ 1º. Nos casos de doença de pai, mãe, filho ou Parágrafo único. Não se concederá, igualmente,
cônjuge, do qual não esteja legalmente separado, licença para o trato de interesses particulares, ao
será dispensada a prova do inciso II. servidor policial civil que a qualquer título, esteja
§ 2º. Prova-se a doença mediante inspeção médica ainda obrigado a indenização ou devolução aos
cofres públicos.
na forma prevista no art. 136.
§ 3º. A licença de que trata este artigo é concedida Seção VIII - Da Licença à Servidora Policial
com vencimento ou remuneração até seis meses, daí Civil Casada com Servidor Público
em diante, com os seguintes descontos: Art. 169. A servidora policial civil casada com servidor
I. um terço, quando exceder de seis meses público, civil ou militar, no caso de não ser possível a
até doze meses; remoção na forma desta lei, terá direito à licença sem
II. dois terços, quando exceder de doze meses vencimento, quando o marido for mandado servir, in-
até dezoito meses; dependentemente de solicitação, em outro ponto do
Estado, do território nacional ou no exterior.
III. sem vencimento, do décimo-nono mês até
o vigésimo-quarto mês, limite da licença. Parágrafo único. A licença é concedida mediante
pedido devidamente instruído, que deverá ser
Seção VI - Da Licença para o Serviço Militar renovado de dois em dois anos.
Obrigatório Art. 170. Independentemente do regresso do marido,
Art. 162. Ao servidor policial civil que for convocado a servidora policial civil poderá reassumir o exercício
para o serviço militar ou aos outros encargos de se- a qualquer tempo.
gurança nacional, será concedida licença com venci- Seção IX - Da Licença Especial
mento ou remuneração, descontada mensalmente a
importância que receber na qualidade de incorpora- Art. 171. Ao servidor policial civil que, durante o
do, salvo se optar pelas vantagens do serviço militar. período de dez anos consecutivos, não se afastar do
exercício de suas funções, é assegurado o direito à
§ 1º. A licença será concedida à vista do documento licença especial de seis meses, por decênio, com ven-
oficial que prove a incorporação. cimento ou remuneração e demais vantagens.
§ 2º. Ao servidor policial civil desincorporado conce- Parágrafo único. Após cada quinquênio de efetivo
der-se-á prazo não excedente de trinta dias, para que exercício, ao servidor policial civil que requerer,
reassuma o exercício sem perda de vencimento ou re- conceder-se-á licença especial de três meses, com
muneração e se a ausência exceder esse prazo, será todos os direitos e vantagens inerentes ao seu cargo
demitido por abandono de cargo, na forma da lei. efetivo.
Art. 163. Ao servidor policial civil oficial da reserva Art. 172. O servidor policial civil que não quiser gozar
das Forças Armadas será concedida licença, com do benefício da licença especial, ficará para todos
vencimento ou remuneração integral, durante os os efeitos legais, com seu acervo de serviço público
estágios não remunerados previstos pelos regula- acrescido do dobro do tempo da licença que deixar
mentos militares. de usufruir.
Parágrafo único. No caso de estágio remunerado, Art. 173. Para os fins previstos no art. 171 não são 185
assegurar-se-lhe-á direito de opção. considerados como afastamento no exercício:
I. férias e trânsito; Art. 177. O servidor policial civil será considerado
II. afasamento, até oito dias; inválido nos seguintes casos:
III. luto por falecimento de cônjuge, filho, pai, I. após permanecer em licença para tra-
mãe, irmão, até oito dias; tamento de saúde por dois anos conse-
cutivos, se persistir a incapacidade por
Noções do Estatuto da Polícia Civil

IV. convocação para serviço militar; tempo indeterminado, verificada por Junta
V. júri e outros serviços obrigatórios por lei; Médica integrada, pelo menos por um
VI. licença para tratamento de saúde, até o médico legista;
máximo de seis meses por quinquênio; II. a qualquer tempo, quando apresentar
VII. licença por acidente em serviço ou moléstia defeito físico ou moléstia, comprovada por
profissional; laudo médico, que o impossibilite para o
VIII. licença à servidora policial civil gestante; exercício da função policial.
IX. licença por motivo de doença em pessoa da Art. 178. O servidor policial civil será aposentado, a
família, até três meses por quinquênio; pedido:
X. moléstia devidamente comprovada, até I. com provento correspondente à remunera-
três dias por mês; ção integral do cargo efetivo; e
XI. missão ou estudo no país ou no exterior, II. com as vantagens do cargo em comissão
quando designado ou autorizado pelo ou função gratificada do nível mais
Chefe do Poder Executivo; elevado, se o servidor policial civil houver
exercido, na área do Poder Executivo, por
XII. exercício de outro cargo estadual, de provi- um período não inferior a cinco anos inin-
mento em comissão. terruptos ou não, um ou mais cargos em
Parágrafo único. Não se inclui no prazo de licença comissão ou funções gratificadas, desde
especial o período de férias regulamentares. que esse cargo ou função haja sido exercido
Art. 174. Não podem gozar licença especial, simul- por um mínimo de doze meses, ainda que
taneamente, o servidor policial civil e seu substitu- o cargo em comissão ou função gratifica-
to legal. Neste caso, tem preferência para gozo da da, tenha passado, por força de legislação
licença quem requerer em primeiro lugar, ou quando nova, a ter outra denominação e valor.
requerido ao mesmo tempo, aquele que tenha mais Parágrafo único. No caso do servidor policial civil
tempo de serviço. ter optado pelo vencimento do cargo efetivo acres-
Parágrafo único. Na mesma repartição não poderão cido da gratificação prevista no art. 78, entende-se
gozar licença especial, simultaneamente, servido- por vantagem do cargo em comissão, para os efeitos
res policiais civis em número superior à sexta parte deste artigo, a percepção dessa gratificação.
do total do respectivo quadro de lotação; quando o Art. 179. Os proventos de inatividade dos servidores
número de servidores policiais civis for inferior a seis, policiais civis serão revistos sempre que houver alte-
somente um deles poderá entrar no gozo da licença. ração de vencimentos, vantagens, bem como modi-
Em ambos os casos, a preferência será estabelecida ficações na estrutura dos cargos efetivos do pessoal
na forma prevista neste artigo. ativo, de categoria equivalente e nas mesmas con-
Art. 175. Perderá o direito à licença especial o dições. (Redação dada pela Lei Complementar 24 de
servidor policial civil punido com a pena de suspen- 06/12/1984)
são, tiver falta injustificada ou tiver sido afastado § 1º. Observado o contido neste artigo, nenhum
do exercício por motivo disciplinar, no respectivo policial civil inativo poderá ter os seus proventos de
período, na forma desta lei. inatividade inferior ao vencimento e vantagens da
Capítulo VIII - Da Aposentadoria classe correlata àquela em que foi aposentado, res-
salvados os casos de aposentadoria proporcional ao
Art. 176. O servidor policial civil será aposentado: tempo de serviço, cuja proporcionalidade deverá ser
(vide ADIN2904) mantida. (Redação dada pela Lei Complementar 24
I. voluntariamente, com proventos integrais, de 06/12/1984)
independentemente da idade: (Redação § 2º. Nos casos em que as denominações das car-
dada pela Lei Complementar 93 de reiras tiverem sofrido modificações, a correlação
15/07/2002) será apurada em face aos requisitos exigidos pelas
a) pós 30 (trinta) anos de contribuição, desde respectivas Leis que estabeleceram tais modifica-
que conte, pelo menos 20 (vinte) anos de ções. (Redação dada pela Lei Complementar 24 de
exercício, em cargos de natureza estrita- 06/12/1984)
mente policial, se homem; (Incluído pela § 3º. O disposto neste artigo aplica-se aos servidores
Lei Complementar 93 de 15/07/2002) já aposentados, ficando-lhes assegurada a melhor
b) pós 25 (vinte e cinco) anos de contribuição, retribuição entre a decorrente desta Lei ou a até
desde que conte pelo menos 15 (quinze) então vigente. (Incluído pela Lei Complementar 24 de
anos de exercício em cargo de natureza 06/12/1984)
estritamente policial, se mulher; (Incluído § 4º. Os servidores policiais civis inativados por
pela Lei Complementar 93 de 15/07/2002) força do previsto no artigo 2º, inciso IV, da Lei Com-
II. por invalidez; (Redação dada pela Lei Com- plementar nº 19, de 29 de dezembro de 1983, serão
plementar 93 de 15/07/2002) beneficiados pelo disposto neste artigo desde que
III. compulsoriamente com proventos propor- não tenham ingressado no Quadro Suplementar da
cionais ao tempo de contribuição, aos 65 Polícia Civil à época da inativação. (Incluído pela Lei
(sessenta e cinco) anos de idade, qualquer Complementar 24 de 06/12/1984)
que seja a natureza dos serviços prestados. Art. 180. Aplicam-se aos servidores policiais civis
186 (Redação dada pela Lei Complementar 93 aposentados, os preceitos do art. 210, inciso XVIII,
de 15/07/2002) (vide ADIN2904) desta lei.
Capítulo IX - Da Disponibilidade Capítulo XI - Da Consignação
Art. 181. Disponibilidade é o afastamento do serviço Art. 185. É permitida a consignação em folha de ven-
do servidor policial civil efetivo em virtude de extinção cimento, remuneração ou proventos, a entidades
do cargo, da declaração de sua desnecessidade ou beneficentes ou de direito público, podendo servir a
conveniência da administração policial. (Redação

Noções do Estatuto da Polícia Civil


garantia de:
dada pela Lei Complementar 19 de 29/12/1983) I. juros e amortização de empréstimos ou fi-
Art. 182. O servidor policial civil ficará em disponibili- nanciamentos imobiliários;
dade remunerada: II. pagamento de contribuições e despesas fi-
I. quando, dispondo de estabilidade no nanciadas ou afiançadas por entidades as-
serviço, houver sido extinto o cargo de que sociativas e beneficentes ou de previdência
era titular; social.
II. quando, tendo sido reintegrado, não for Art. 186. Além da consignação em folha, para fins do
possível, na forma deste Estatuto, sua re- artigo anterior, poderão ser admitidos os seguintes
condução no cargo de que era detentor. descontos:
§ 1º. O servidor policial civil em disponibilidade será I. quantias devidas ou contribuições fixadas
obrigatoriamente aproveitado na primeira vaga que em lei a favor da Fazenda Estadual ou
ocorrer, que não se destine a promoção por antiguida- Nacional;
de, atendidas as condições de habilitação profissional
e equivalência de vencimento ou remuneração. II. contribuições para montepio, ou pensão,
desde que de instituições oficiais;
§ 2º. Restabelecido o cargo, ainda que modificada a
sua denominação, será obrigatoriamente aproveitado III. prêmio de seguro de vida;
nele, se já não o tiver sido em outro, o servidor policial IV. pensão alimentícia, em cumprimento de
civil posto em disponibilidade quando de sua extinção. decisão judicial;
§ 3º. A disponibilidade no cargo efetivo não exclui a V. aluguel para residência do consignante e
nomeação para cargo em comissão, com direito a sua família, comprovado com o contrato
opção. de locação.
§ 4º. Enquanto não vagar cargo nas condições pre- Art. 187. Nenhum desconto deverá ser efetuado em
vistas para o aproveitamento do servidor policial folha, sem prévia averbação na ficha financeira indi-
civil em disponibilidade, nem se verificar a hipótese vidual.
a que alude o parágrafo anterior, poderá o Chefe do Parágrafo único. O pagamento ao consignatário
Poder Executivo, atribuir-lhe, em caráter temporário, será realizado no decorrer do mês subsequente ao do
funções compatíveis com o cargo que ocupava. desconto.
§ 5º. O servidor policial civil colocado em disponibili- Art. 188. A soma das consignações não deverá
dade poderá ser aposentado, a pedido. exceder a quarenta por cento do vencimento, remu-
Art. 183. O período relativo à disponibilidade é con- neração ou provento.
siderado como de exercício somente para efeito de Parágrafo único. Este limite poderá ser elevado
aposentadoria e gratificação adicional. até setenta por cento, para prestação alimentícia,
Capítulo X - Da Pensão Especial educação, aluguel de casa ou aquisição de imóvel des-
Art. 184. Fica assegurado à viúva e aos filhos de inte- tinado a moradia própria e despesas hospitalares.
grante da Polícia Civil, sem prejuízo da pensão devida
normalmente pelo órgão previdenciário o direito de Título IV
perceberem, mensalmente, uma pensão especial: Capítulo Único - Da Vacância dos
I. correspondente à diferença entre a pensão Cargos
concedida pelo Instituto de Previdência
do Estado e a 60% (sessenta por cento) da Art. 189. A vacância do cargo decorrerá de:
remuneração do mês anterior ao do faleci- I. exoneração;
mento, quando este ocorrer com o servidor II. demissão;
policial civil em atividade; ou III. promoção e acesso;
II. correspondente a 50% (cinquenta por IV. readaptação;
cento) da remuneração do mês anterior
ao do falecimento do servidor policial civil, V. aposentadoria;
quando este ocorrer em consequência de VI. nomeação para outro cargo, observado
acidente em serviço, não devendo, a soma disposto nesta lei e ressalvados os seguin-
desta pensão com a deferida pelo órgão tes casos:
previdenciário, ultrapassar a 100% (cem a) substituição;
por cento) da remuneração.
b) cargo de governo ou direção;
§ 1º. A pensão que acompanhará os aumentos gerais
de vencimentos, será paga: c) cargo em comissão.
a) metade à viúva do servidor policial civil; VII. falecimento.
b) metade aos filhos varões, até atingirem VIII. classificação definitiva no Quadro Suple-
a maioridade e sem limite de idade desde mentar. (Incluído pela Lei Complementar
que sofram de moléstia que os impossibi- 19 de 29/12/1983)
lite de trabalhar e às filhas solteiras ainda Art. 190. Dar-se-á a exoneração:
que maiores. I. apedido; ou
§ 2º. Perderão o direito à pensão prevista neste artigo II. ex-officio:
a viúva do servidor policial civil que contrair novas
núpcias, os filhos e filhas que se casarem e os filhos a) quando se tratar de cargo em comissão;
que atingirem a maioridade ou possuam recursos b) quando não satisfeitas as condições de 187
próprios para a sua subsistência. estágio probatório.
Art. 191. A vaga ocorrerá na data: § 1º. O recurso é dirigido à autoridade imediatamente
I. da publicação do ato de promoção, acesso, superior à que tenha expedido o ato ou tenha proferido
readaptação, aposentadoria, exonera- a decisão, observados o prazo e condições estabelecidos
ção, demissão ou classificação definitiva para a decisão final de requerimento ou representação,
no Quadro Suplementar do ocupante do constantes dos § § 1º. e 2º. , do artigo anterior.
Noções do Estatuto da Polícia Civil

cargo. (Redação dada pela Lei Comple- § 2º. O encaminhamento do recurso é sempre feito
mentar 19 de 29/12/1983) por intermédio da autoridade a que esteja imediata-
II. da posse em outro cargo, observado o mente subordinado o recorrente.
disposto no inciso VI, do art. 189; Art. 197. O pedido de reconsideração e o recurso não
III. do o falecimento do ocupante do cargo; tem efeito suspensivo; o que for provido retroagirá,
nos seus efeitos, à data do ato impugnado.
IV. da vigência do ato que criar o cargo e
conceder dotação para o seu provimento Art. 198. O direito de pleitear na esfera administrati-
ou de que determinar esta última medida, va prescreverá:
se o cargo estiver criado; I. em cinco anos, quanto aos atos que
V. da vigência do ato que extinguir cargo, decorram demissão, aposentadoria ou sua
cuja dotação permita o preenchimento de cassação, e disponibilidade, ressalvado o
cargo vago. direito de requerer a revisão do processo
Parágrafo único. Ocorrendo o preenchimento da disciplinar;
vaga, serão consideradas abertas, na mesma data, II. em cento e vinte dias, nos demais casos.
todas as vagas que decorrerem desse preenchimento. Art. 199. Os prazos de prescrição, contar-se-ão da
Art. 192. Tratando-se de função gratificada, dar-se-á data da publicação, no órgão oficial, do ato impug-
a vacância por dispensa, a pedido ou ex officio, ou nado ou, quando este for de natureza reservada, da
por substituição. data da ciência do interessado, a qual deverá constar
Art. 193. A demissão é aplicada como penalidade. do processo respectivo.
Art. 200. O pedido de reconsideração e o recurso,
Título V quando cabíveis, interrompem a prescrição até duas
vezes, recomeçando-se a contagem do prazo a partir
Capítulo Único - Do Direito de Petição da data da publicação oficial do despacho denegató-
Art. 194. É assegurado a qualquer pessoa, física rio ou restritivo do pedido.
ou jurídica, independentemente de pagamento, o Art. 201. São improrrogáveis os prazos estabelecidos
direito de petição contra ilegalidade ou abuso de neste Capítulo.
poder, para defesa de direitos e para reclamar sobre
abuso, erro, omissão ou conduta incompatível no Art. 202. A instância administrativa poderá ser
serviço policial. (Redação dada pela Lei Complemen- renovada:
tar 98 de 12/05/2003) I. quando se tratar de ato manifestamente
Parágrafo único. Em nenhuma hipótese, a Adminis- ilegal;
tração poderá recusar-se a protocolar, encaminhar II. quando o ato impugnado tenha tido como
ou apreciar a petição, sob pena de responsabilidade pressuposto depoimento ou documento
do agente. (Incluído pela Lei Complementar 98 de cuja falsidade venha a ser comprovada;
12/05/2003) III. se, após a expedição do ato, surgir
Art. 195. Ao policial civil é assegurado o direito de elemento novo de prova que autorize a
requerer ou representar, bem como, nos termos revisão do processo.
desta lei complementar, pedir reconsideração, ob- Art. 203. As certidões sobre matéria de pessoal
servadas as seguintes regras: (Redação dada pela Lei serão fornecidas pelo órgão competente, de acordo
Complementar 98 de 12/05/2003) com elementos e registros existentes, obedecidas as
I. o requerimento ou representação é dirigido normas constitucionais.
à autoridade competente para decidi-lo e Art. 204. O disposto neste Capítulo, não se aplica aos
encaminhado por intermédio daquela a recursos de que trata o art. 263 e seguintes, desta lei.
que esteja imediatamente subordinado o
requerente; Título VI - Do Impedimento, Sus-
II. o pedido de reconsideração é dirigido à au-
toridade que haja expedido o ato ou pro- peição e Hierarquia Funcional
ferido a primeira decisão e não pode ser Capítulo I - Do Impedimento e
renovado. Suspeição
§ 1º. A decisão final do requerimento ou represen- Art. 205. Os Delegados de Polícia e Comissários de
tação deve ser dada no prazo máximo de sessenta Polícia não poderão servir nas sedes de Comarcas, nas
dias, e o pedido de reconsideração no de trinta dias,
quais o Juiz ou o Agente do Ministério Público seja seu
ambos os prazos contados da data do recebimento
cônjuge, ascendente, descendente ou colateral até o
das petições, na repartição em que tenha sede a au-
terceiro grau, por consanguinidade ou afinidade.
toridade competente para a decisão.
Parágrafo único. Excetuam-se as unidades ou
§ 2º. Proferida a decisão, é ela imediatamente publi-
cada no órgão oficial, sob pena de responsabilidade serviços na Comarca da Capital do Estado ou em
do servidor policial civil ou funcionário incumbido da Comarcas onde haja mais de uma Vara Criminal.
publicação. Art. 206. O Delegado de Polícia e o Comissário de
Art. 196. Cabe recurso: Polícia, este quando designado para aquela função,
dar-se-ão por impedidos de funcionar em procedimen-
I. do indeferimento do pedido de reconside- to onde qualquer das partes seja parente consanguí-
ração; neo ou afim até o terceiro grau; por suspeitos, se forem
188 II. das decisões sobre recursos sucessivamen- amigos íntimos ou inimigos de qualquer das partes, ou
te interpostos. tiverem interesses direto ou indireto na causa.
Capítulo II - Da Hierarquia Policial XII. tender prontamente:
Art. 207. A hierarquia policial civil alicerça-se na or- a) as requisições das autoridades judiciárias e
denação da autoridade, nos diferentes níveis que do Ministério Público;
compõem o organismo da Polícia Civil. b) as determinações superiores, no tocante
a trabalhos policiais desenvolvidos em

Noções do Estatuto da Polícia Civil


Art. 208. A disciplina policial fundamenta-se na su-
bordinação hierárquica e funcional, no cumprimento horário fora do normal, e
das leis, regulamentos e normas de serviço. c) expedição das certidões requeridas para
Parágrafo único. A hierarquia da função prevalece defesa de direitos.
sobre a hierarquia do cargo, nos casos disciplinados XIII. observar o princípio da hierarquia funcio-
neste Estatuto. nal;
Art. 209. Os servidores policiais civis de classe mais XIV. estar em dia com as normas de interesse
elevada tem precedência hierárquica sobre os de policial;
classe inferior de mesma carreira, quando em exer- XV. divulgar para conhecimento dos subor-
cício na mesma unidade ou prestarem serviço em dinados, as normas referentes ao inciso
equipe. anterior;
§ 1º. Havendo igualdade na classe, terá preferência: XVI. frequentar, com assiduidade, cursos ins-
I. o mais antigo na série de classe, ou quando tituídos periodicamente pela Escola de
a antiguidade for a mesma, o que registrar Polícia Civil, quando esteja matriculado;
mais tempo de serviço na carreira policial, XVII. guardar sigilo sobre documentação ou
e assim sucessivamente até o mais idoso, e investigação de qualquer natureza, que
II. o servidor policial civil do serviço ativo possa mediata ou imediatamente, causar
sobre o inativo. prejuízos à administração da justiça, às
§ 2º. Os servidores policiais civis integrantes das car- pessoas, entidades ou proporcionar emba-
reiras do Quadro de Pessoal da Polícia Civil e demais raços à administração em geral;
servidores em exercício em unidades policiais civis, XVIII. zelar pelo bom nome e conceito da Institui-
sediados no interior do Estado, ficam subordinados à ção Policial Civil, observando procedimen-
autoridade policial competente. to irrepreensível, tanto na vida pública,
§ 3º. Os servidores da Polícia Científica, no interior como na particular, e correlação nos seus
do Estado, subordinam-se administrativamente à deveres com a sociedade;
autoridade policial competente, exceto os dos Institu- XIX. manter-se preparado física e intelectual-
tos Médico Legal e de Criminalística, quando houver mente para o cabal desempenho de sua
Secção Técnica em funcionamento, com a respectiva função;
chefia preenchida. XX. concorrer, na esfera de suas atribuições
Título VII - Do Regime Disciplinar para a manutenção da ordem e segurança
pública;
Capítulo I - Dos Deveres e das Trans- XXI. comparecer à unidade ou serviço policial,
gressões Disciplinares independentemente de convocação ,
quando tiver conhecimento de iminente
Art. 210. São deveres do servidor policial civil:
perturbação da ordem, ou em caso de cala-
I. assiduidade e pontualidade; midade pública;
II. discreção; XXII. apresentar-se decentemente trajado
III. urbanidade; em serviço, e expressar-se com linguajar
IV. lealdade às instituições; condigno à função e cargo desempenha-
dos;
V. cumprimento das normas legais e regula-
mentares; XXIII. submeter-se a inspeção médica sempre
que for determinado pela autoridade com-
VI. obediência às ordens superiores, exceto petente;
quando manifestamente ilegais;
XXIV. tomar providências preliminares em torno
VII. portar a insígnia e a cédula de identidade de ocorrência policial de que tenha conhe-
funcionais; cimento, independentemente de horário
VIII. providenciar para que esteja sempre em de serviço;
ordem, no assentamento individual, a sua XXV. aceitar encargos inerentes à classe para
declaração de família e a declaração de os quais for designado, salvo os cargos de
bens, junto ao setor competente, atualiza- confiança ou as exceções previstas em Lei;
das anualmente; (Redação dada pela Lei
Complementar 89 de 25/07/2001) XXVI. participar das comemorações do “Dia da
Polícia”, exaltando o vulto de Joaquim José
IX. levar ao conhecimento da autoridade da Silva Xavier, o “Tiradentes”, Patrono da
policial superior, reservadamente, quando Polícia; e
necessário, mas sempre por escrito, irregu-
laridade de que tiver ciência em razão do XXVII. residir na sede do município onde exerce o
cargo ou função; cargo ou função, ou onde autorizado.
X. zelar pela economia e conservação do Art. 211. É vedado ao servidor policial civil:
material que lhe for confiado ou sobre o I. quebrar o sigilo de assunto policial e de se-
qual exerça diretamente fiscalização; gurança, de modo a prejudicar o andamen-
XI. não utilizar para fins particulares, sob to de investigações ou outros trabalhos po-
qualquer pretexto, instalações, veículos, liciais ou de segurança;
material ou equipamento destinado a uso II. retirar, modificar ou substituir, sem prévia
oficial. (Redação dada pela Lei Comple- autorização da autoridade competente, 189
mentar 19 de 29/12/1983) qualquer documento de unidade policial,
com o fim de criar direitos ou obrigações ou investigações ou outros trabalhos policiais,
de alterar a verdade dos fatos; e quebrar o sigilo sobre planos, dispositivos
III. valer-se de sua qualidade de servidor de segurança ou recursos disponíveis, sem
policial civil, para melhor desempenhar prévia autorização superior;
atividades estranhas ou incompatíveis às Penalidade: demissão; (Redação dada pela Lei Com-
Noções do Estatuto da Polícia Civil

funções, ou para lograr proveito direta plementar 89 de 25/07/2001)


ou indiretamente, por si ou por interposta IV. dar, ceder ou entregar insígnia, cédula de
pessoa, em detrimento da dignidade do identidade funcional ou porta documento
cargo ou função; oficial, a quem não exerça cargo policial;
IV. exigir, receber propinas, comissões, presen- Penalidade: demissão; (Redação dada pela Lei Com-
tes ou vantagens de qualquer espécie, em plementar 89 de 25/07/2001)
razão do cargo ou função; (Redação dada
pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001) V. divulgar boatos ou notícias tendenciosas;
Penalidade: suspensão de dez a trinta dias; (Redação
V. cometer a pessoa estranha ao serviço
dada pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
policial civil, o desempenho de encargos
que lhe competirem ou a seus subordina- VI. deixar de ostentar, quando exigido para
dos; (Redação dada pela Lei Complemen- o serviço, ou exibir desnecessariamente
tar 89 de 25/07/2001) arma, distintivo ou algema;
VI. expedir credenciais para terceiros desem- Penalidade: suspensão de dez a trinta dias; (Redação
penharem funções privativas da Polícia dada pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
Civil; (Redação dada pela Lei Complemen- VII. deixar de identificar-se quando solicitado
tar 89 de 25/07/2001) ou quando as circunstâncias o exigirem;
VII. coagir ou aliciar subordinados no sentido Penalidade: suspensão de trinta a sessenta dias;
de filiarem-se à associação profissional (Redação dada pela Lei Complementar 89 de
ou sindical, ou a partido político; (Incluído 25/07/2001)
pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001) VIII. indispor funcionários contra seus supe-
VIII. manter sob sua chefia imediata, em cargo riores hierárquicos ou provocar velada ou
ou função de confiança, cônjuge, com- ostensiva animosidade entre os servidores
panheiro ou parente até o segundo grau. policiais civis;
(Incluído pela Lei Complementar 89 de Penalidade: suspensão de trinta e sessenta dias;
25/07/2001) (Redação dada pela Lei Complementar 89 de
IX. colaborar, trabalhar ou participar, direta 25/07/2001)
ou indiretamente de entidades associati- IX. deixar de exercer a autoridade compatível
vas, empresas ou atividades de entreteni- à sua classe, cargo ou função;
mento e em locais que proporcionem jogos
a qualquer título, salvo os que estejam Penalidade: suspensão de dois a dez dias; (Redação
compreendidos no âmbito do esporte e, dada pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
nesse sentido, oficialmente reconhecidas. X. usar vestuário incompatível com o decoro
(Incluído pela Lei Complementar 89 de da função ou descuidar de sua aparência
25/07/2001) física ou de asseio;
Art. 212. São transgressões disciplinares todas as Penalidade: suspensão de dois a dez dias; (Redação
ações ou omissões contrárias ao dever funcional ou dada pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
expressamente proibidas, cometidas pelo servidor XI. manter relações de amizade, exibir-se em
policial civil, não especificadas nesta lei. público habitualmente, com pessoas de má
Penalidade: advertência, repreensão ou suspensão reputação, salvo em razão do serviço.
de dois a dez dias. (Redação dada pela Lei Comple- Penalidade: demissão; (Redação dada pela Lei Com-
mentar 89 de 25/07/2001) plementar 89 de 25/07/2001)
Art. 213. São, especificamente, transgressões disci- XII. praticar ato que importe em escândalo,
plinares: (Redação dada pela Lei Complementar 89 comoção social ou que concorra para com-
de 25/07/2001) prometer a instituição ou função policial;
I. referir-se de modo depreciativo às autori- Penalidade: suspensão de trinta a sessenta; (Redação
dades e a atos da administração pública, dada pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
qualquer que seja o meio empregado XIII. portar-se sem compostura em lugar
para esse fim, salvo quando em trabalho público;
assinado apreciando atos dessas autorida-
des, sob o ponto de vista doutrinário com Penalidade: suspensão de dez a trinta dias; (Redação
ânimo construtivo;Penalidade: suspensão dada pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
de trinta a sessenta dias; (Redação dada XIV. exigir ou receber propinas, comissões,
pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001) presentes ou auferir vantagens e provei-
II. divulgar fatos ocorridos na repartição ou tos pessoais de qualquer espécie e sob
qualquer pretexto, em razão das atribui-
propiciar-lhes a divulgação, bem como,
ções do cargo que exerce;
referir-se, desrespeitosamente e deprecia-
tivamente às autoridades e atos da admi- Penalidade: demissão; (Redação dada pela Lei Com-
nistração, salvo a hipótese da parte final do plementar 89 de 25/07/2001)
inciso anterior; XV. retirar, sem prévia autorização da autori-
Penalidade: suspensão de trinta a sessenta dias; dade competente, qualquer documento
(Redação dada pela Lei Complementar 89 de oficial ou bem patrimonial.
25/07/2001) Penalidade - demissão; (Redação dada pela Lei Com-
190 III. divulgar os assuntos policiais e de seguran- plementar 89 de 25/07/2001)
ça, de modo a prejudicar o andamento de XVI. cometer a pessoa estranha à repartição, o
desempenho de encargos que lhe competi- ordem pública ou da boa marcha de serviço,
rem ou a seus subordinados; tão logo disso tenha conhecimento;
Penalidade: demissão; (Redação dada pela Lei Com- Penalidade: suspensão de trinta a noventa dias;
plementar 89 de 25/07/2001) (Redação dada pela Lei Complementar 89 de
XVII. valer-se do cargo com fim ostensivo ou 25/07/2001)

Noções do Estatuto da Polícia Civil


velado, de obter proveito de natureza polí- XXIX. dificultar ou deixar de levar ao conheci-
tico-partidária, para si ou terceiros; mento da autoridade competente, por
Penalidade: suspensão de trinta a sessenta dias; via hierárquica e em vinte e quatro horas,
(Redação dada pela Lei Complementar 89 de queixa, representação, petição, recurso ou
25/07/2001) documento que houver recebido, se não
estiver na sua alçada resolvê-los;
XVIII. participar da gerência ou administração de
empresa, qualquer que seja a sua finalida- Penalidade: suspensão de trinta a noventa dias;
de; (Redação dada pela Lei Complementar 89 de
25/07/2001)
Penalidade: demissão; (Redação dada pela Lei Com-
plementar 89 de 25/07/2001) XXX. negligenciar parte, queixa, representação
ou procedimentos administrativos ou cri-
XIX. exercer comércio ou participar de socieda- minais;
de comercial, salvo como acionista, cotista
ou comanditário; Penalidade: suspensão de trinta a sessenta dias;
(Redação dada pela Lei Complementar 89 de
Penalidade: demissão; (Redação dada pela Lei Com- 25/07/2001)
plementar 89 de 25/07/2001)
XXXI. anunciar, falsa ou tendenciosamente,
XX. praticar usura, em qualquer de suas parte, queixa ou representação;
formas;
Penalidade: suspensão de trinta a noventa dias;
Penalidade: demissão; (Redação dada pela Lei Com- (Redação dada pela Lei Complementar 89 de
plementar 89 de 25/07/2001) 25/07/2001)
XXI. pleitear, como procurador, ou interme- XXXII. conselhar ou concorrer para não ser
diário, junto a repartições públicas, salvo cumprida ordem legal de autoridade com-
quando se tratar de vencimentos, vanta- petente, ou para que seja retardada a sua
gens e proventos de parentes até segundo execução.
grau;
Penalidade: demissão (Redação dada pela Lei Com-
Penalidade: suspensão de dez a trinta dias; (Redação plementar 89 de 25/07/2001)
dada pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
XXXIII. provocar a paralisação, total ou parcial do
XXII. faltar com a verdade no exercício de suas serviço policial, ou dela participar;
funções;
Penalidade: demissão; (Redação dada pela Lei Com-
Penalidade: suspensão de trinta a sessenta dias; plementar 89 de 25/07/2001)
(Redação dada pela Lei Complementar 89 de XXXIV. trabalhar mal, com negligência, em detri-
25/07/2001) mento do serviço;
XXIII. utilizar-se do anonimato para fins ilícitos. Penalidade: suspensão de trinta a sessenta dias;
Penalidade - demissão; (Redação dada pela Lei Com- (Redação dada pela Lei Complementar 89 de
plementar 89 de 25/07/2001) 25/07/2001)
XXIV. tomar parte em jogos proibidos, ou jogar XXXV. permutar o serviço, sem expressa permis-
os permitidos, em recinto policial, de modo são da autoridade competente;
a comprometer a dignidade funcional; Penalidade: suspensão de dois a dez dias; (Redação
Penalidade: suspensão de trinta a sessenta dias; dada pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
(Redação dada pela Lei Complementar 89 de XXXVI. não comparecer ou abandonar o serviço
25/07/2001) para o qual haja sido especialmente desig-
XXV. deixar de comunicar, imediatamente, à nado;
autoridade competente, faltas ou irregu- Penalidade: suspensão de trinta a noventa dias;
laridades que haja presenciado ou de que (Redação dada pela Lei Complementar 89 de
tenha tido ciência; 25/07/2001)
Penalidade: suspensão de dois a dez dias; (Redação XXXVII. faltar ou chegar atrasado ao serviço, ou
dada pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001) deixar de participar, com antecedência, à
XXVI. deixar, por indulgência, de levar ao conhe- autoridade a que estiver subordinado, a
cimento da autoridade competente, tão impossibilidade de comparecer à reparti-
logo tenha ciência do fato, a ocorrência de ção, salvo motivo plenamente justificável;
falta funcional praticada por servidor que Penalidade: suspensão de dez a trinta dias; (Redação
lhe seja subordinado; dada pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
Penalidade: suspensão de trinta a sessenta dias; XXXVIII. não se apresentar, sem justo motivo, ao fim
(Redação dada pela Lei Complementar 89 de de licença de qualquer natureza, férias ou
25/07/2001) dispensa de serviço, ou ainda, depois de
XXVII. deixar de assumir no prazo legal, a função qualquer delas ter sido interrompida por
para a qual foi designado; ordem legal e superior,
Penalidade: suspensão de trinta a sessenta dias; Penalidade: suspensão de dez a trinta dias; (Redação
(Redação dada pela Lei Complementar 89 de dada pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
25/07/2001) XXXIX. atribuir-se a qualidade de representante
XXVIII. deixar de comunicar à autoridade compe- de qualquer repartição da Secretaria de Se-
tente, ou a que esteja substituindo, informa- gurança Pública ou de seus dirigentes, sem 191
ção que tiver de iminente perturbação da estar expressamente autorizado;
Penalidade: suspensão de dois a dez dias; (Redação Penalidade: suspensão de trinta e sessenta dias;
dada pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001) (Redação dada pela Lei Complementar 89 de
XL. deixar de portar sua credencial oficial; 25/07/2001)
Penalidade: suspensão de dois a dez dias; (Redação LIII. deixar de concluir, nos prazos legais, sem
dada pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001) justo motivo, procedimentos investiga-
Noções do Estatuto da Polícia Civil

XLI. fazer uso indevido da arma; tórios ou disciplinares ou quanto a estes


Penalidade: demissão; (Redação dada pela Lei Com- últimos, negligenciar no cumprimento das
plementar 89 de 25/07/2001) obrigações que lhe são inerentes, apre-
sentando conclusão não compatível com a
XLII. praticar violência desnecessária e despro-
porcional no exercício da função policial. prova dos autos;
Penalidade – demissão (Redação dada pela Lei Com- Penalidade: suspensão de sessenta a noventa
plementar 89 de 25/07/2001) dias; (Redação dada pela Lei Complementar 89 de
25/07/2001)
XLIII. permitir, por ação ou omissão, que presos
conservem em seu poder objetos que LIV. prevalecer-se da condição de servidor
possam causar danos nas dependências a policial civil;
que estejam recolhidos, ou produzir lesões Penalidade: suspensão de dez a trinta dias; (Redação
em terceiros; dada pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
Penalidade: suspensão de trinta a noventa dias; LV. negligenciar a utilização e guarda de
(Redação dada pela Lei Complementar 89 de objetos pertencentes à repartição policial
25/07/2001) ou que em decorrência da função ou para
XLIV. omitir-se no zelo da integridade física ou o seu exercício lhe hajam sido confiados,
moral dos presos, ou na sua guarda; possibilitando que os danifiquem ou extra-
Penalidade: suspensão de trinta a noventa dias; viem;
(Redação dada pela Lei Complementar 89 de Penalidade: suspensão de trinta a sessenta dias;
25/07/2001) (Redação dada pela Lei Complementar 89 de
XLV. concorrer de qualquer forma para defesa 25/07/2001)
de interesse de pessoa custodiada ou
presa, fora dos casos previstos em lei; LVI. omitir ou declarar falsamente conceito
sobre servidor policial civil em regime de
Penalidade: demissão; (Redação dada pela Lei Com- estágio probatório;
plementar 89 de 25/07/2001)
Penalidade: demissão; (Redação dada pela Lei Com-
XLVI. desrespeitar ou procrastinar o cumprimen- plementar 89 de 25/07/2001)
to de ordem de autoridade superior;
Penalidade: demissão; (Redação dada pela Lei Com- LVII. dar causa, intencionalmente, ao extravio
plementar 89 de 25/07/2001) ou danificação de objetos, livros, material
de expediente, pertencentes à reparti-
XLVII. dirigir-se, referir-se, portar-se ou apresen-
tar-se perante seus superior, de modo des- ção policial e que estejam confiados à sua
respeitoso ou sem a observância do princí- guarda ou não;
pio hierárquico; Penalidade: demissão; (Redação dada pela Lei Com-
Penalidade: suspensão de trinta a noventa dias; plementar 89 de 25/07/2001)
(Redação dada pela Lei Complementar 89 de LVIII. deixar de comunicar imediatamente ao
25/07/2001) juiz competente, a prisão em flagrante de
XLVIII. ensejar a divulgação de documentos ou qualquer pessoa;
peças oficiais, sem autorização expressa da Penalidade: suspensão de trinta a sessenta dias;
autoridade competente; (Redação dada pela Lei Complementar 89 de
Penalidade: demissão; (Redação dada pela Lei Com- 25/07/2001)
plementar 89 de 25/07/2001) LIX. levar à prisão e nela conservar quem quer
XLIX. dar-se ao vicio de embriaguez contumaz ou que se proponha a prestar fiança permitida
de substâncias que provoquem dependên- em lei;
cia física ou psíquica ou negar-se à submis-
são ao exame clínico para comprovação e Penalidade: demissão; (Redação dada pela Lei Com-
tratamento. plementar 89 de 25/07/2001)
Penalidade - demissão; (Redação dada pela Lei Com- LX. cobrar carceragem, custas, emolumentos
plementar 89 de 25/07/2001) ou qualquer outra despesa, não autorizada
em lei;
L. comparecer a qualquer ato de serviço, em
Penalidade: demissão; (Redação dada pela Lei Com-
visível estado de embriaguez, ou ingerir plementar 89 de 25/07/2001)
bebidas alcoólicas durante o mesmo;
LXI. praticar ato lesivo a honra ou ao patri-
Penalidade: suspensão de trinta a noventa dias;
(Redação dada pela Lei Complementar 89 de mônio de pessoa natural ou jurídica, com
25/07/2001) abuso ou desvio de poder;
LI. acumular cargos públicos, ressalvadas as Penalidade: demissão; (Redação dada pela Lei Com-
exceções previstas nesta lei; plementar 89 de 25/07/2001)
Penalidade: demissão; (Redação dada pela Lei Com- LXII. atentar, com abuso de autoridade ou pre-
plementar 89 de 25/07/2001) valecendo-se dela, contra a inviolabilidade
LII. deixar, sem justa causa, de submeter-se a de domicílio;
192 inspeção médica determinada pela lei ou Penalidade: demissão; (Redação dada pela Lei Com-
pela autoridade competente; plementar 89 de 25/07/2001)
LXIII. favorecer ou prejudicar alguém por função.
evidente má fé, no preenchimento de § 1º. O servidor policial civil, indiciado em processo
boletins de merecimento, ou retardar o disciplinar, poderá ser afastado do exercício, a critério
andamento de papéis de promoção; do Corregedor-Geral da Polícia Civil. (Redação dada
Penalidade: suspensão de trinta a sessenta dias; pela Lei Complementar 98 de 12/05/2003)

Noções do Estatuto da Polícia Civil


(Redação dada pela Lei Complementar 89 de § 2º. Idêntica medida deverá ser tomada com relação
25/07/2001) ao servidor policial civil indiciado em Sindicância,
LXIV. deixar de acatar ou de cumprir ordens quando a transgressão disciplinar for de natureza
grave. (Incluído pela Lei Complementar 19 de
emanadas de autoridade competente; 29/12/1983)
Penalidade: demissão; (Redação dada pela Lei Com-
plementar 89 de 25/07/2001) § 3º. O restabelecimento do vencimento ou remu-
neração do servidor policial civil punido, só ocorrerá
LXV. recusar-se ilegitimamente, a aceitar após o cumprimento da pena. (Incluído pela Lei Com-
encargos inerentes ao cargo ou à classe, plementar 19 de 29/12/1983)
para os quais foi designado, salvo as
funções de confiança ou as exceções previs- Art. 218. As cominações civis, penais e disciplinares
tas em lei; cumular-se-ão, sendo umas e outras independentes
entre si, bem assim, as instâncias civil, penal e admi-
Penalidade: suspensão de sessenta a noventa nistrativa.
dias; (Redação dada pela Lei Complementar 89 de
25/07/2001) Art. 219. O policial militar ou de órgão em execução
de policiamento posto à disposição das Delegacias,
LXVI. recorrer pessoalmente ou por pessoas in- ficará funcionalmente subordinado à autoridade
terpostas a terceiros com o propósito de policial competente, obrigado a cumprir as ordens e
auferir vantagens ou postular designações, sujeitando-se às disposições regulamentares concer-
remoções, licenças e promoções em desa- nentes à execução dos serviços policiais respectivos.
cordo com as normas regulamentares ou
regimentais, ou ainda, superpondo-se às Art. 220. Cabe à autoridade policial responsável pelo
autoridades diretamente responsáveis e ao serviço comunicar, desde logo, à unidade competen-
interesse administrativo. te as faltas disciplinares cometidas por policiais mi-
litares postos à sua disposição em função do serviço
Penalidade: suspensão de dois a dez dias. (Redação executado, sem prejuízo das medidas penais aplicá-
dada pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001) veis. (Redação dada pela Lei Complementar 89 de
Parágrafo único. A reincidência no cometimento das 25/07/2001)
infrações previstas nos incisos VIII, XII, XVII, XXII, XLIII Parágrafo único. A configuração e graduação da
e XLVII, importará na pena de demissão. (Redação pena disciplinar, de acordo com os regulamentos
dada pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001) específicos de cada unidade, caberão ao chefe hie-
Capítulo II - Da Responsabilidade rárquico do transgressor que sobre este tenha com-
Art. 214. Pelo exercício irregular de suas atribuições, petência disciplinar. (Redação dada pela Lei Comple-
o servidor policial civil responde civil, penal e admi- mentar 89 de 25/07/2001)
nistrativamente. Art. 221. Cometerá falta de natureza grave o superior
Art. 215. A responsabilidade civil decorre de procedi- hierárquico que dificultar, impedir ou de alguma
mento doloso ou culposo que importe em prejuízo da forma frustrar a aplicação de penalidade disciplinar.
Fazenda Pública Estadual ou de terceiros. Capítulo III - Das Penas Disciplinares
§ 1º. A indenização de prejuízos causados à Fazenda Art. 222. São penas disciplinares:
Pública será liquidada mediante desconto em presta- I. advertência;
ções mensais não excedentes a 20% (vinte por cento)
do vencimento, à míngua de outros bens que por ela II. repreensão;
respondam, a ser cobrada após o término do procedi- III. suspensão ou multa;
mento disciplinar, independente de qualquer pronun- IV. destituição de função e ou remoção com-
ciamento judicial. pulsória;
§ 2º. Tratando-se de dano causado a terceiros, res- V. demissão, e
ponderá o servidor policial civil perante a Fazenda
Pública Estadual, em ação regressiva proposta depois VII. Cassação da disponibilidade. (Incluído pela
de transitar em julgado a decisão que condenar o Lei Complementar 98 de 12/05/2003)
Estado a indenizar o terceiro prejudicado. Art. 223. Constitui circunstância que exclui sempre a
Art. 216. A responsabilidade penal abrange as infra- pena disciplinar, a não exigibilidade de outra conduta
ções penais imputadas ao servidor policial civil nessa do servidor policial civil.
qualidade. Parágrafo único. São causas que excluem ou isentam
§ 1º. O Corregedor-Geral da Polícia Civil decidirá fun- o servidor policial civil de pena disciplinar, as previs-
damentadamente pelo afastamento temporário, ou tas no Código Penal Brasileiro.
não, do exercício do cargo ou das funções, com su- Art. 224. São circunstâncias que atenuarão a pena,
pressão das vantagens previstas nesta lei, do servidor salvo nos casos de demissão: (Redação dada pela Lei
Policial Civil processado criminalmente. (Redação Complementar 89 de 25/07/2001)
dada pela Lei Complementar 98 de 12/05/2003) I. haver o transgressor procurado diminuir
§ 2º. No caso de condenação, não sendo esta de as consequências da falta, ou haver, antes
natureza a determinar a demissão, passará o da aplicação desta, reparado o dano;
servidor policial civil a prestar serviços em unidade (Redação dada pela Lei Complementar 89
policial onde o exercício do cargo ou função seja com- de 25/07/2001)
patível com as condições da suspensão condicional II. haver o transgressor confessado esponta-
da pena cominada na sentença condenatória. neamente a falta perante a autoridade sin-
Art. 217. A responsabilidade administrativa resulta dicante ou processante, de modo a facilitar 193
de ação ou omissão no desempenho do cargo ou a apuração daquela.
Art. 225. São circunstâncias que agravam a pena, justa causa, por trinta dias consecutivos;
quando não constituem ou qualificam outra trans- (Redação dada pela Lei Complementar 89
gressão disciplinar: de 25/07/2001)
I. reincidência; IX. ausência comprovada ao serviço, sem
II. prática de transgressão disciplinar durante causa justificada, por mais de quarenta e
Noções do Estatuto da Polícia Civil

a execução de serviço policial. (Redação cinco dias, não consecutivos, no período de


dada pela Lei Complementar 19 de um ano; (Redação dada pela Lei Comple-
29/12/1983) mentar 89 de 25/07/2001)
III. coação, instigação ou determinação para X. propiciar ou possibilitar intencionalmente
que outro servidor policial civil, subordina- a fuga de preso sob sua guarda ou respon-
do ou não, pratique a transgressão ou dela sabilidade; (Redação dada pela Lei Com-
participe; plementar 89 de 25/07/2001)
IV. impedir ou dificultar, de qualquer maneira, XI. infringência as proibições previstas nos
a apuração da falta funcional cometida; e incisos I a VIII, do artigo 211, desta lei;
(Redação dada pela Lei Complementar 89
V. concurso de dois ou mais agentes na de 25/07/2001)
prática da transgressão.
XII. transgressão dos incisos do artigo 213
Art. 226. As penas de advertência e de repreensão, desta lei, a que se comina a penalidade de
que serão sempre aplicadas por escrito e deverão demissão. (Redação dada pela Lei Comple-
constar do assentamento individual do servidor mentar 89 de 25/07/2001)
policial civil, destinam-se às faltas que, não cons-
tituindo expressamente objeto de qualquer outra Parágrafo único. Poderá ser ainda aplicada a pena
sanção, sejam a critério da administração policial, de demissão, ocorrendo contumácia na prática de
consideradas de natureza leve. transgressões disciplinares, de qualquer natureza,
desde que o servidor policial civil tenha sido punido
Art. 227. A pena de suspensão, que acarreta a com pena de suspensão, por mais de duas vezes, no
perda de cinquenta por cento da remuneração, não período de cinco anos. (Redação dada pela Lei Com-
excederá de 90 (noventa dias). (Redação dada pela plementar 89 de 25/07/2001)
Lei Complementar 98 de 12/05/2003)
Art. 231. O ato originador da demissão do servidor
§ 3º. A pena de suspensão implica na retirada da policial civil, mencionará sempre, a causa da pena-
arma e da insígnia do policial durante o respectivo lidade.
período. (Redação dada pela Lei Complementar 98
de 12/05/2003) Art. 232. A aplicação de penalidades pelas trans-
gressões disciplinares constantes deste Estatuto, não
Art. 228. Além do procedimento judicial que couber, exime o servidor policial civil da obrigação de indeni-
serão considerados como de suspensão os dias em zar o Estado pelos prejuízos causados.
que o servidor policial civil deixar de atender às inti-
mações judiciais, sem motivo justificado. Art. 233. Consoante a gravidade da falta, a demissão
será aplicada com a nota “a bem do serviço público”, a
Art. 229. A destituição de função ou a remoção com- qual constará sempre dos atos de demissão, fundada
pulsória, terão por fundamento a falta de exação no nos incisos I, II, III, IV, V e X do artigo 230 e nos incisos
cumprimento do dever, ou a inconveniência de per- III, XIV, LX e LXI do artigo 213, desta lei. (Redação
manecer o servidor policial civil no exercício de suas dada pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
atividades em determinada a unidade ou localidade.
Art. 234. Serão cassadas, por determinação da auto-
Art. 230. A pena de demissão será aplicada, mediante ridade policial processante, a identificação oficial e a
prévio processo disciplinar, quando ainda se caracte- arma oficial de uso pessoal, do servidor policial civil a
rizar: (Redação dada pela Lei Complementar 89 de que for atribuída transgressão, cuja pena cominada
25/07/2001) seja a de demissão.
I. crime contra os costumes ou contra o patri- Parágrafo único. O não atendimento à determinação
mônio e que, por sua natureza e configura- deste artigo, implica em suspensão do vencimento do
ção sejam considerados como infamantes, acusado, sem prejuízo das sanções disciplinares.
tráfico ilícito e uso indevido de substâncias
entorpecentes ou que determinem depen- Art. 235. Será cassada a aposentadoria ou disponibi-
dência física ou psíquica de modo a incom- lidade se ficar provado que o inativo:
patibilizar o servidor policial civil, para o I. praticou falta grave no exercício do cargo
exercício da função ou cargo, ou que sejam ou função;
considerados hediondos; (Redação dada II. aceitou representação de Estado estran-
pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001) geiro, sem prévia autorização do Presiden-
II. crime contra a administração pública; te da República; e
III. lesão aos cofres públicos e dilapidação ao III. praticou usura em qualquer de suas
patrimônio estadual; formas.
IV. ameaça ou ofensa física contra superior Parágrafo único. Será igualmente cassada a disponi-
hierárquico, funcionário ou particular; bilidade do servidor policial civil, que não assumir o
V. insubordinação grave em serviço; exercício do cargo ou função em que for aproveitado.
VI. ineficiência ou desídia no serviço; (Redação Capítulo IV - Da Custódia Preventiva
dada pela Lei Complementar 89 de Art. 236. Sem constituir um ato de prisão, a autori-
25/07/2001) dade policial imediata, poderá determinar, até três
VII. revelação do segredo que o servidor dias, elevada ao dobro, a critério do Delegado Geral
policial civil conhece em razão do cargo ou da Polícia Civil, a custódia preventiva de qualquer
função; (Redação dada pela Lei Comple- servidor policial civil, na unidade em que presta
mentar 89 de 25/07/2001) serviços ou em dependência especial da Polícia Civil:
194 VIII. abandono de cargo, como tal entendida I. para assegurar as condições de não in-
a ausência comprovada ao serviço, sem terferência do servidor policial civil na
elucidação de fatos havidos como trans- § 1º. A investigação preliminar, de caráter informal
gressões que lhe sejam imputados; e sumaríssimo, será instaurada de ofício pelo
II. quando a ação do servidor policial civil Corregedor-Geral da Polícia Civil, ou mediante re-
constituir-se em comportamento funcional presentação das demais autoridades referidas no
iníquo ou degradante, incompatível com artigo 238. (Redação dada pela Lei Complementar

Noções do Estatuto da Polícia Civil


as normas vigorantes e provoque intenso 98 de 12/05/2003)
clamor na opinião pública; e § 2º. O início da apuração deverá ser comunicado
III. para evitar evasão que provoque dilação ou pela autoridade designada para presidi-la ao Corre-
dificulte os procedimentos elucidatórios. gedor-Geral da Polícia Civil, devendo ser concluída
em trinta (30) dias. (Redação dada pela Lei Comple-
§ 1º. O período de custódia preventiva será computa- mentar 98 de 12/05/2003)
do como de serviço normal prestado à unidade policial. § 3º. Não concluída no prazo a apuração, a autori-
§ 2º. O servidor policial civil não sofrerá durante o dade deverá imediatamente encaminhar ao Correge-
período de custódia preventiva, qualquer redução na dor-Geral da Polícia Civil relatório das diligências rea-
remuneração percebida. lizadas e prosseguir nas investigações por mais dez
§ 3º. A custódia preventiva deverá ser entendida (10) dias, ao término dos quais relatará circunstan-
como de contínua e incessante permanência em de- ciadamente os fatos apurados. (Redação dada pela
pendência da unidade policial em que serve ou que Lei Complementar 98 de 12/05/2003)
lhe for determinada pela autoridade imediata. § 4º. Ao concluir a apuração preliminar, a autori-
§ 4º. A custódia preventiva implicará, por sua vez, no dade deverá opinar fundamentadamente pelo ar-
decurso do período, de isolamento limitado a depen- quivamento ou pela instauração de sindicância ou
dência da unidade, sendo vedado ao servidor policial processo administrativo. (Incluído pela Lei Comple-
civil qualquer contato não autorizado pela autorida- mentar 98 de 12/05/2003)
de policial que a determinou. § 5º. Determinada a instauração de sindicância
§ 5º. A autoridade policial que determinar a custódia ou processo administrativo, ou havendo durante
preventiva, dará ao Delegado Geral da Polícia Civil, seu curso conveniência para a instrução ou para o
conhecimento imediato e circunstanciado, por ato serviço policial, poderá o Corregedor-Geral da Polícia
escrito, das razões que a levaram a optar pela medida. Civil, por despacho fundamentado, ordenar, isolada
ou cumulativamente, as seguintes providências:
Art. 237. A competência para determinação de (Incluído pela Lei Complementar 98 de 12/05/2003)
medida de resguardo administrativo, previsto no I. afastamento preventivo do policial civil, até
artigo precedente, desde que não seja aplicada pela noventa (90) dias, prorrogáveis uma única
autoridade imediata, poderá sê-lo pelo Delegado vez por até sessenta (60) dias, quando o
Chefe da Divisão ou Subdivisão Policial respectiva, ou recomendar a moralidade administrati-
pelo Delegado Geral da Polícia Civil. va ou a repercussão do fato, observado o
Capítulo V - Da Competência para Im- disposto no artigo 217; (Incluído pela Lei
Complementar 98 de 12/05/2003)
posição de Penalidade II. designação do policial civil para o exercí-
Art. 238. Para imposição de pena disciplinar são cio de atividades exclusivamente burocrá-
competentes: ticas, até decisão final do procedimento;
I. O Governador do Estado, nos casos de (Incluído pela Lei Complementar 98 de
demissão e cassação de aposentadoria ou 12/05/2003)
disponibilidade de servidor policial civil, e III. recolhimento de carteira funcional, distin-
em quaisquer penas, havendo conexão ou tivo, armas e algemas; (Incluído pela Lei
continência; Complementar 98 de 12/05/2003)
II. O Secretário de Estado da Segurança IV. proibição do porte de armas; (Incluído pela
Pública, em qualquer pena, ex-ofício ou Lei Complementar 98 de 12/05/2003)
em grau recursal, excetuadas as de compe- V. comparecimento obrigatório, em perio-
tência privativa do Governador do Estado; dicidade a ser estabelecida, para tomar
(Redação dada pela Lei Complementar 19 ciência dos atos do procedimento. (Incluído
de 29/12/1983) pela Lei Complementar 98 de 12/05/2003)
III. O Conselho da Polícia Civil, em casos de § 6º. Qualquer autoridade que determinar a instaura-
advertência, repreensão e suspensão; ção ou presidir sindicância ou processo administrati-
(Redação dada pela Lei Complementar 98 vo, poderá representar ao Corregedor-Geral da Polícia
de 12/05/2003) Civil para propor a aplicação das medidas previstas
IV. O Delegado Geral da Polícia Civil, no caso neste artigo, bem como sua cessação ou alteração.
de destituição de função e remoção com- (Incluído pela Lei Complementar 98 de 12/05/2003)
pulsória. (Redação dada pela Lei Comple- § 7º. O Corregedor-Geral da Polícia Civil poderá,
mentar 19 de 29/12/1983) a qualquer momento, por despacho fundamen-
Art. 239. Da pena aplicada será dado conhecimento tado, fazer cessar ou alterar as medidas previstas
aos setores de pessoal da Secretaria da Segurança neste artigo. (Incluído pela Lei Complementar 98 de
Pública, para as devidas anotações. 12/05/2003)
Capítulo VI - Da Investigação § 8º. O período de afastamento preventivo computa-
-se como de efetivo exercício, não sendo desconta-
Preliminar do da pena de suspensão eventualmente aplicada.
Art. 240. A autoridade corregedora realizará (Incluído pela Lei Complementar 98 de 12/05/2003)
apuração preliminar, de natureza simplesmente in- § 9º. A decisão pelo afastamento levará em conta
vestigativa, quando a infração não estiver suficien- a vida funcional pregressa do indiciado, sendo que
temente caracterizada ou for incerta sua autoria. não havendo fatos desabonadores de conduta, será
(Redação dada pela Lei Complementar 98 de tomada a medida indicada no § 5º, II deste artigo. 195
12/05/2003) (Incluído pela Lei Complementar 98 de 12/05/2003)
Capítulo VII - Da Sindicância § 11. A citação, que após recebida dará início ao prazo
de trinta (30) dias para a conclusão do feito, prorro-
Art. 241. A sindicância será instaurada de ofício pelo gáveis por igual período mediante despacho do Cor-
Corregedor-Geral da Polícia Civil, ou por determina- regedor-Geral à vista de requerimento fundamenta-
ção das autoridades referidas no artigo 238 desta do da autoridade sindicante, conterá: (Redação dada
lei, somente para apuração de responsabilidade
Noções do Estatuto da Polícia Civil

pela Lei Complementar 98 de 12/05/2003)


pela prática de fato constitutivo de transgressão
disciplinar a que se cominem as penas de advertên- I. nome da autoridade sindicante; (Incluído
cia, repreensão, suspensão, destituição de função e pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
remoção compulsória, observados o rito do contra- II. nome do sindicado e local onde possa ser
ditório e ampla defesa, conhecidas a autoria e ma- encontrado; (Incluído pela Lei Complemen-
terialidade, esta se houver. (Redação dada pela Lei tar 89 de 25/07/2001)
Complementar 98 de 12/05/2003)
III. descrição do fato imputado ao sindicado;
§ 1º. A sindicância destina-se, ainda, a apurar a respon- (Incluído pela Lei Complementar 89 de
sabilidade do servidor policial civil por danos de origem 25/07/2001)
culposa causados à Fazenda Estadual. (Redação dada
pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001) IV. individualização da conduta; (Incluído pela
Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
§ 2º. O mesmo procedimento será adotado com
relação aos servidores policiais civis em estágio pro- V. previsão legal da sanção aplicável;
batório, para apuração dos requisitos previstos no (Incluído pela Lei Complementar 89 de
artigo 37 desta Lei, com vistas à sua confirmação ou 25/07/2001)
não no cargo policial civil. (Incluído pela Lei Comple- VI. data do interrogatório, com prazo mínimo
mentar 89 de 25/07/2001) de três dias; (Incluído pela Lei Complemen-
§ 3º. Durante o curso de formação profissional, o tar 89 de 25/07/2001)
servidor policial civil em estágio probatório respon- VII. menção à revelia em consequência do não
derá o procedimento na forma dos parágrafos 3º e comparecimento à audiência; (Incluído
4º do artigo 37 desta lei, através de Comissão de Sin- pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
dicância presidida pelo diretor da Escola Superior de
Polícia Civil ou do seu substituto legal. (Incluído pela VIII. local e data da expedição. (Incluído pela Lei
Lei Complementar 89 de 25/07/2001) Complementar 89 de 25/07/2001)
§ 5º. Aplica-se à sindicância, no que couber, as dispo- Art. 242. Após o interrogatório do sindicado, que
sições previstas para o processo disciplinar. (Incluído se restringirá ao fato e às suas circunstâncias, este,
pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001) através de seu defensor, poderá oferecer defesa
prévia, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas,
§ 6º. A sindicância terá início mediante portaria ou juntando documentos e arrolando até duas testemu-
despacho da autoridade incumbida de presidi-la, nhas. (Redação dada pela Lei Complementar 89 de
devendo constar do mesmo: (Incluído pela Lei Com- 25/07/2001)
plementar 89 de 25/07/2001)
I. nomeação do secretário; (Incluído pela Lei § 1º. Ao sindicado revel, ou, se presente, não cons-
Complementar 89 de 25/07/2001) tituir advogado para defendê-lo, ser-lhe-á nomeado
defensor dativo. (Redação dada pela Lei Complemen-
II. determinação de juntada de documentos; tar 89 de 25/07/2001)
(Incluído pela Lei Complementar 89 de
25/07/2001) § 2º. Será sempre facultada vista dos autos ao
defensor do sindicado, por cópia autêntica do
III. comunicação da instauração ao Conselho feito. (Redação dada pela Lei Complementar 89 de
da Polícia Civil e ao setor de pessoal; 25/07/2001)
(Redação dada pela Lei Complementar 98
de 12/05/2003) § 3º. As testemunhas de instrução e defesa, em igual
IV. a citação do sindicado com data para com- número, serão ouvidas de forma que uma não possa
parecimento e a necessidade de apresenta- ouvir o depoimento de outra, na presença do sindi-
ção de defensor; (Incluído pela Lei Comple- cado, se quiser, e de seu defensor, devendo o termo
mentar 89 de 25/07/2001) restringir-se aos fatos em apuração. (Redação dada
pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
V. local e data da instauração. (Incluído pela
Lei Complementar 89 de 25/07/2001) § 4º. O defensor do sindicado poderá reperguntar
as testemunhas, por intermédio da autoridade sin-
§ 7º. A autoridade disciplinar responsável pela sindi- dicante, sobre fato de interesse da defesa, que será
cância expedirá a citação ao sindicado dentro de três indeferida pelo presidente se impertinente ou já res-
dias após o ato do Corregedor Geral. (Incluído pela
Lei Complementar 89 de 25/07/2001) pondida. (Redação dada pela Lei Complementar 89
de 25/07/2001)
§ 8º. O sindicado será citado pessoal e individual-
mente para o interrogatório, com prazo de 3 (três) § 5º. As testemunhas serão notificadas da data e
dias, tempo em que poderá ter vista dos autos em local em que deverão depor, sendo dado conheci-
cartório, iniciando-se a relação processual à partir mento da realização da audiência ao sindicado e seu
da data do recebimento da mesma. (Incluído pela Lei defensor. (Redação dada pela Lei Complementar 89
Complementar 89 de 25/07/2001) de 25/07/2001)
§ 9º. Negando-se o sindicado a assinar a contrafé, su- § 6º. Não serão consideradas como testemunhas
prir-se-á tal circunstância com a assinatura de duas as pessoas que nada souberem sobre os fatos em
testemunhas, devidamente qualificadas e certificada apuração. (Redação dada pela Lei Complementar 89
pelo secretário. (Incluído pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
de 25/07/2001) § 7º. A autoridade responsável pela sindicância, de
§ 10. Não sendo encontrado o sindicado, será ele ofício, ou a requerimento da defesa, no prazo de 24
citado por edital publicado no diário oficial ou infor- (vinte e quatro) horas após inquirida a última tes-
mativo oficial da Polícia Civil, por uma única vez, com temunha, promoverá diligências de interesse para
196 prazo de 10 (dez) dias, a contar da data da publicação. instrução. (Incluído pela Lei Complementar 89 de
(Incluído pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001) 25/07/2001)
§ 8º. A autoridade sindicante poderá indeferir, em § 1º. Regulamento baixado pelo Poder Executivo dis-
despacho fundamentado, as diligências considera- ciplinará os mecanismos para escolha dos presiden-
das procrastinatórias ou desnecessárias à apuração tes de processos disciplinares. (Redação dada pela
do fato. (Incluído pela Lei Complementar 89 de Lei Complementar 98 de 12/05/2003)
25/07/2001) § 2º. O Delegado de Polícia que presidir o processo

Noções do Estatuto da Polícia Civil


§ 9º. A juntada de documentos poderá ocorrer disciplinar designará como secretário um servidor
a qualquer momento da instrução até as alega- civil estável, dando conhecimento ao setor de
ções finais. (Incluído pela Lei Complementar 89 de pessoal, para efeito de anotações. (Redação dada
25/07/2001) pela Lei Complementar 98 de 12/05/2003)
§ 10. Cumpridas as diligências, serão os autos conclu- § 3º. Não poderá ser encarregado da apuração, nem
sos à Autoridade Sindicante, que saneará onde neces- atuar como secretário, amigo íntimo ou inimigo,
sário e notificará o defensor do sindicado a apresen- parente consanguíneo ou afim, em linha reta ou co-
tar alegações finais no prazo de três dias. (Redação lateral, até o terceiro grau, inclusive, cônjuge, com-
dada pela Lei Complementar 98 de 12/05/2003) panheiro ou qualquer integrante do núcleo familiar
§ 11. O prazo de que trata o caput deste artigo será do denunciante ou do acusado, bem assim o subor-
individual, se houver mais de um sindicado e com de- dinado deste, devendo a autoridade ou o funcionário
fensores diferentes. (Incluído pela Lei Complementar designado comunicar, desde logo, à autoridade com-
89 de 25/07/2001) petente, o impedimento que houver. (Redação dada
pela Lei Complementar 98 de 12/05/2003)
§ 12. Quando não for apresentada no prazo as alega-
ções finais, será nomeado defensor dativo para o ato. § 5º. As autoridade disciplinares ficarão vinculadas
(Incluído pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001) aos procedimentos iniciados sob a sua responsabi-
lidade, até a conclusão respectiva. (Redação dada
§ 13. Apresentadas as alegações finais, a autorida- pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
de concluirá a sindicância em três dias, indicando
no relatório a descrição do ato infracional apurado, § 6º. Por motivo relevante, a corregedoria geral da
os dispositivos legais violados, o enquadramento da polícia civil poderá substituir qualquer autoridade
conduta à norma específica e, opinará pela absolvi- disciplinar, caso em que o substituto completará o
ção do sindicado, instauração de processo disciplinar tempo do substituído. (Redação dada pela Lei Com-
ou imposição da penalidade aplicável. (Incluído pela plementar 89 de 25/07/2001)
Lei Complementar 89 de 25/07/2001) § 7º. Os secretários designados pelas autoridades
§ 14. Se no decorrer da instrução ficar caracterizado disciplinares a elas se dedicarão preferentemente,
ter o servidor cometido outras transgressões além sem prejuízo de suas atribuições normais. (Redação
das constantes da citação, serão extraídas as peças dada pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
necessárias e remetidas ao Corregedor-Geral, que Art. 245. O ato que instaurar o processo disciplinar,
instaurará novo procedimento. (Redação dada pela deverá conter: (Redação dada pela Lei Complemen-
Lei Complementar 98 de 12/05/2003) tar 89 de 25/07/2001)
§ 15. Com o relatório, a sindicância será enviada ao I. descrição do fato a ser apurado; (Incluído
Corregedor-Geral, que o remeterá à autoridade com- pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
petente para a decisão. (Incluído pela Lei Comple- II. identificação do servidor a ser processa-
mentar 98 de 12/05/2003) do; (Incluído pela Lei Complementar 89 de
Capítulo VIII - Do Processo Disciplinar 25/07/2001)
Art. 243. O processo disciplinar, obedecidos os prin- III. enquadramento da conduta do agente ao
cípios do contraditório e a ampla defesa, será ins- dispositivo infringido, com o enunciado da
taurado por determinação das autoridades referidas norma; (Incluído pela Lei Complementar 89
no artigo 238 e precederá a aplicação das penas de de 25/07/2001)
demissão, cassação de aposentadoria e de disponibi- IV. previsão da sanção aplicável; (Incluído pela
lidade. (Redação dada pela Lei Complementar 98 de Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
12/05/2003) V. ...Vetado... (Incluído pela Lei Complemen-
§ 1º. Aplicam-se ao processo disciplinar, no que tar 89 de 25/07/2001)
couber, as disposições previstas para a sindicância e, VI. designação do Delegado de Polícia que
subsidiariamente, as normas do Código de Processo presidirá o processo. (Incluído pela Lei
Penal. (Redação dada pela Lei Complementar 98 de Complementar 98 de 12/05/2003)
12/05/2003)
Art. 246. A autoridade que presidir o processo, por
§ 2º. O processo disciplinar destina-se, ainda, a despacho ou portaria, dará início ao procedimento
apurar a responsabilidade do servidor policial civil no prazo máximo de 10 (dez) dias do recebimento
por danos de origem dolosa causados à Fazenda do ato instaurador, com a lavratura do mandado de
Estadual. (Incluído pela Lei Complementar 89 de citação. (Redação dada pela Lei Complementar 89 de
25/07/2001) 25/07/2001)
§ 3º. O processo disciplinar deverá ainda ser instau- Art. 247. O acusado será citado com os requisitos do
rado por provocação da autoridade policial, observa- artigo 241, parágrafo 11, pessoal e individualmente,
do o previsto no art. 257. (Incluído pela Lei Comple- para ser interrogado sobre as imputações contra si
mentar 98 de 12/05/2003) existentes, em data e local previamente designados,
§ 4º. Compete ao Corregedor-Geral da Polícia Civil com antecedência mínima de cinco dias, prazo este
expedir o ato instaurador do processo disciplinar. durante o qual os autos poderão ser examinados pelo
(Incluído pela Lei Complementar 98 de 12/05/2003) defensor, junto à presidência do processo. (Redação
Art. 244. O processo disciplinar será presidido por dada pela Lei Complementar 98 de 12/05/2003)
Delegado de Polícia designado pelo Corregedor- § 1º. Será considerado regularmente citado o
-Geral da Polícia Civil, escolhido dentre Delegados acusado que se recusar em apor o ciente na cópia
de Polícia estáveis, preferencialmente da classe mais da citação, mediante termo próprio lavrado pelo
elevada. (Redação dada pela Lei Complementar 98 servidor encarregado da diligência, e assinado por 197
de 12/05/2003) duas testemunhas. (Incluído pela Lei Complementar
89 de 25/07/2001) § 6º. Se o parentesco das pessoas referidas for com o
§ 2º. Nos casos de revelia ou quando o acusado não denunciante, ficam elas proibidas de depor, observa-
apresentar advogado, ser-lhe-á nomeado defensor da a exceção do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei
dativo. (Incluído pela Lei Complementar 89 de Complementar 98 de 12/05/2003)
25/07/2001) Art. 250. A testemunha que não puder compare-
Noções do Estatuto da Polícia Civil

Art. 248. É assegurado ao policial civil o direito de cer perante a autoridade disciplinar ou autoridade
acompanhar o processo pessoalmente, e por intermé- sindicante, por se encontrar em localidade diversa
dio de procurador, arrolar testemunhas, reinquiri-las, daquela onde se processam as diligências, será
produzir provas e contra-provas, formular quesitos ouvida através de carta precatória, dando-se ciência
quando tratar - se de prova pericial. (Redação dada ao acusado, com antecedência mínima de quarenta e
pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001) oito horas, do local e horário da audiência. (Redação
dada pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
§ 1º. A autoridade disciplinar poderá denegar, funda-
mentadamente, pedidos considerados impertinen- § 1º. Se o acusado ou seu defensor não comparecer,
ser-lhe-á designado, pela autoridade deprecada,
tes, meramente protelatórios, ou de nenhum interes-
defensor dativo para a audiência. (Incluído pela Lei
se para o esclarecimento dos fatos. (Redação dada Complementar 89 de 25/07/2001)
pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
§ 2º. Para efeito do disposto neste artigo, serão pre-
§ 2º. Será indeferido o pedido de prova pericial, sentes à autoridade policial deprecada a síntese da
quando a comprovação do fato independer de co- imputação, os esclarecimentos pretendidos e pedido
nhecimento especial de perito. (Redação dada pela de comunicação da data, local e horário da audiên-
Lei Complementar 89 de 25/07/2001) cia ao acusado, dando-se ciência também ao seu
§ 3º. O procurador ou defensor constituído poderá defensor. (Incluído pela Lei Complementar 89 de
assistir ao interrogatório, bem como a inquirição de 25/07/2001)
testemunhas, sendo-lhe vedado interferir nas per- Art. 251. Durante a instrução, os autos do procedi-
guntas e respostas, facultando-se-lhe, porém, rein- mento administrativo permanecerão na repartição
quiri-las, por intermédio da autoridade que presidir o competente. (Redação dada pela Lei Complementar
processo disciplinar. (Redação dada pela Lei Comple- 98 de 12/05/2003)
mentar 89 de 25/07/2001)
§ 1º. Será concedida vista dos autos ao acusado,
§ 4º. O acusado poderá oferecer defesa prévia e mediante simples solicitação, sempre que não preju-
arrolar até cinco testemunhas dentro de três dias dicar o curso do procedimento. (Redação dada pela
após o interrogatório e juntar documentos até as ale- Lei Complementar 98 de 12/05/2003)
gações finais. (Incluído pela Lei Complementar 89 de § 2º. A concessão de vista será obrigatória, no prazo
25/07/2001) para manifestação do acusado ou para apresentação
§ 5º. Até a data do interrogatório, será designada de recursos, mediante intimação por AR. (Redação
a audiência de instrução. (Incluído pela Lei Comple- dada pela Lei Complementar 98 de 12/05/2003)
mentar 98 de 12/05/2003) § 3º. Ao advogado é assegurado o direito de retirar
§ 6º. Em qualquer fase do processo poderá o presi- os autos da repartição, mediante recibo, durante o
dente, de ofício ou a requerimento da defesa, ordenar prazo para manifestação de seu representado, salvo
diligências que entenda convenientes. (Incluído pela na hipótese de prazo comum, de processo sob regime
Lei Complementar 98 de 12/05/2003) de segredo de justiça, da existência nos autos de do-
Art. 249. Na audiência de instrução serão ouvidas, cumentos originais de difícil restauração, ou ocorrer
pela ordem, as testemunhas arroladas pelo presi- circunstância relevante que justifique a permanência
dente e pelo acusado, que em ambos os casos não dos autos na repartição, reconhecida pela autorida-
poderão exceder de cinco (5). (Redação dada pela Lei de em despacho motivado. (Incluído pela Lei Comple-
Complementar 98 de 12/05/2003) mentar 98 de 12/05/2003)
§ 1º. Tratando-se de servidor público, seu compare- Art. 252. O prazo para a conclusão da instrução do
cimento deverá ser solicitado ao respectivo superior processo administrativo, incluído o relatório da
imediato, com as indicações necessárias. (Redação autoridade disciplinar, será de sessenta (60) dias,
dada pela Lei Complementar 98 de 12/05/2003) contado da citação do acusado, prorrogável pela
Corregedoria-Geral da Polícia Civil por igual período,
§ 2º. As testemunhas arroladas pelo acusado compa- no máximo, mediante solicitação fundamentada da
recerão à audiência designada independentemente autoridade que presidir o processo. (Redação dada
de notificação. (Redação dada pela Lei Complemen- pela Lei Complementar 98 de 12/05/2003)
tar 98 de 12/05/2003)
Art. 253. Nenhum servidor policial civil poderá
§ 3º. Deverá ser notificada a testemunha cujo depoi- recusar-se a prestar depoimento, ser acareado ou
mento for relevante e que não comparecer esponta- executar trabalho de sua competência, se requisita-
neamente; (Redação dada pela Lei Complementar 98 do por autoridade disciplinar, salvo impossibilidade
de 12/05/2003) comprovada. (Redação dada pela Lei Complementar
§ 4º. Se a testemunha não for localizada, a defesa 89 de 25/07/2001)
poderá substituí-la levando na mesma data desig- Parágrafo único. O policial civil que tiver de depor
nada para a audiência outra, independente de no- como testemunha fora da sede de seu exercício, terá
tificação. (Incluído pela Lei Complementar 98 de direito a transporte e diárias na forma da legislação
12/05/2003) em vigor, podendo ainda expedir-se precatória para
§ 5º. A testemunha não poderá eximir-se de depor, esse efeito à autoridade do domicílio do depoente.
salvo se for ascendente, descendente, cônjuge, (Incluído pela Lei Complementar 98 de 12/05/2003)
ainda que legalmente separado, companheiro, Art. 254. Se houver dúvidas sobre a integridade
irmão, sogro e cunhado, pai, mãe ou filho adotivo do mental do acusado, em qualquer fase do processo
acusado, exceto quando não for possível, por outro disciplinar, será ele submetido a exame por junta
modo, obter-se ou integrar-se a prova do fato e de médica especialmente designada, observado o
198 suas circunstâncias. (Incluído pela Lei Complementar previsto no artigo 177, desta lei. (Redação dada pela
98 de 12/05/2003) Lei Complementar 89 de 25/07/2001)
Parágrafo único. Se reconhecida a inimputabilidade I. à contagem de tempo de serviço relativo
do acusado, servirá o procedimento disciplinar para ao período em que haja estado preso ou
instruir processo de aposentadoria por invalidez. afastado do exercício, quando de processo
(Incluído pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001) disciplinar resultar absolvição ou pena de
Art. 255. A autoridade que presidir o processo disci- advertência ou repreensão; (Redação dada

Noções do Estatuto da Polícia Civil


plinar poderá, ainda, sugerir quaisquer providências pela Lei Complementar 19 de 29/12/1983)
que se apresentem adequadas ou de interesse para o II. à contagem de período de afastamento
serviço, bem como apontar fatos que hajam chegado que exceder do prazo de suspensão discipli-
ao seu conhecimento no curso da instrução e devam nar aplicada; e (Revogado pela Lei Comple-
ser apurados em procedimento distinto. (Redação mentar 19 de 29/12/1983)
dada pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001) III. à contagem do período de prisão admi-
§ 1º. Concluída a instrução, o acusado terá cinco nistrativa e ao pagamento do vencimen-
dias para as alegações finais, a partir da data da to e de todas as vantagens do exercício,
notificação. (Incluído pela Lei Complementar 89 de desde que reconhecida a sua inocência.
25/07/2001) (Redação dada pela Lei Complementar 19
§ 2º. Havendo mais de um acusado, o prazo contar- de 29/12/1983)
-se-á em dobro. (Incluído pela Lei Complementar 89 Capítulo IX - Da Prisão Administrativa
de 25/07/2001) Art. 261. Cabe ao Delegado Geral da Polícia Civil,
§ 3º. Findo os prazos dos parágrafos anteriores, a aos Diretores e em casos urgentes, aos Delegados
autoridade que presidir o processo disciplinar, dentro de Polícia em geral, ordenarem mediante despacho
de cinco dias, remeterá os autos do processo discipli- fundamentado, a prisão administrativa de servidores
nar ao Conselho da Polícia Civil, através da Correge- policiais civis responsáveis por dinheiro ou valores
doria Geral da Polícia Civil, com relatório minucioso pertencentes à Fazenda Estadual ou que se acharem
e fundamentado, opinando pela imposição da pena sob a guarda destes, no caso de alcance, desvio ou
aplicável, absolvição do acusado ou arquivamento omissão no recolhimento, devolução ou prestação de
do procedimento. (Incluído pela Lei Complementar contas, no prazo devido.
89 de 25/07/2001) § 1º. A prisão será comunicada imediatamente à au-
§ 4º. Verificando a autoridade disciplinar configurar- toridade judiciária e ao Corregedor-Geral da Polícia
-se fato que tipifique ilícito penal, encaminhará obri- Civil, que instaurará o processo disciplinar. (Redação
gatoriamente as peças necessárias ao Ministério dada pela Lei Complementar 98 de 12/05/2003)
Público. (Redação dada pela Lei Complementar 98 de § 2º. A prisão administrativa não excederá de
12/05/2003) noventa dias, e, enquanto durar, o servidor policial
Art. 256. O processo disciplinar será formalizado em civil perderá um terço dos vencimentos.
duas vias, ficando a primeira arquivada no Conselho
da Polícia Civil, contendo, obrigatoriamente, índice Capítulo X - Da Prisão Especial
descritivo dos elementos probatórios, sempre que Art. 262. Preso preventivamente, em flagrante ou em
não seja possível juntá-los. (Redação dada pela Lei virtude de pronúncia, o servidor policial civil perma-
Complementar 89 de 25/07/2001) necerá em prisão especial, durante o curso da ação
§ 1º. Decorridos cinco anos após o encerramento penal e até que a sentença transite em julgado.
do processo disciplinar, a via referida no parágrafo § 1º. O servidor policial civil nas condições deste
anterior será remetida ao Departamento de Arquivo artigo, ficará recolhido em sala especial, sendo-lhe
Público, para os devidos fins. (Redação dada pela Lei defeso exercer qualquer atividade funcional ou sair
Complementar 89 de 25/07/2001) da unidade, sem expressa autorização do Juízo de
§ 2º. A Corregedoria Geral da Polícia Civil, por sua Direito a cuja disposição se encontre. (Redação dada
vez e para controle, fará prontuário da segunda via pela Lei Complementar 19 de 29/12/1983)
em poder da Corregedoria de Assuntos internos. § 2º. Publicado no “Diário Oficial”, o ato de demissão,
(Incluído pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001) será o ex-servidor policial civil encaminhado, desde
Art. 257. Quando o servidor policial civil for indiciado logo, ao estabelecimento penal que for determi-
em inquérito policial pela prática de crime previsto nado, onde permanecerá em sala especial, sem
nos incisos do artigo 230, desta lei, a autoridade qualquer contato com os demais presos não sujeitos
policial remeterá cópia das respectivas peças, de ao mesmo regime e, uma vez condenado, cumprirá
imediato, ao Corregedor Geral da Polícia Civil, para a pena que lhe haja sido imposta, nas condições do
a instauração de processo disciplinar. (Redação dada parágrafo seguinte.
pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001) § 3º. Transitado em julgado a sentença condenatória,
Art. 258. O servidor policial civil só poderá ser exone- será o servidor policial civil encaminhado a estabeleci-
rado a pedido, após absolvição em processo discipli- mento prisional onde cumprirá a pena em dependên-
nar a que estiver respondendo. (Redação dada pela cia isolada dos demais presos não abrangidos por esse
Lei Complementar 89 de 25/07/2001) regime, mas sujeito a um sistema disciplinar próprio.
Art. 259. O julgamento será realizado no prazo Capítulo XI - Do Recurso
máximo de 30 (trinta) dias, contado da data da dis- Art. 263. Caberá recurso, por uma única vez, da
tribuição ao Conselheiro relator para tanto sorteado. decisão que aplicar penalidade. (Redação dada pela
(Redação dada pela Lei Complementar 89 de Lei Complementar 98 de 12/05/2003)
25/07/2001) § 1º. O prazo para recorrer é de trinta (30) dias,
§ 1º. Verificada a ocorrência da prescrição ou des- contados da publicação da decisão impugnada no
cumprimento de formalidade essencial, o Corre- Diário Oficial do Estado. (Incluído pela Lei Comple-
gedor-Geral da Polícia Civil provocará a apuração mentar 98 de 12/05/2003)
das responsabilidades legais de quem lhe deu § 2º. Do recurso deverá constar, além do nome e qua-
causa. (Redação dada pela Lei Complementar 98 de lificação do recorrente, a exposição das razões de in-
12/05/2003) conformismo. (Incluído pela Lei Complementar 98 de 199
Art. 260. O servidor policial civil terá direito: 12/05/2003)
§ 3º. O recurso será apresentado à autoridade que § 2º. Decorrido o prazo do parágrafo anterior, a au-
aplicou a pena, que terá o prazo de dez (10) dias para, toridade revisora dentro de cinco dias, encaminhará
motivadamente, manter sua decisão ou reformá-la. o processo, com relatório conclusivo, ao Conselho da
(Incluído pela Lei Complementar 98 de 12/05/2003) Polícia Civil. (Redação dada pela Lei Complementar
§ 4º. Mantida a decisão, ou reformada parcialmente, 89 de 25/07/2001)
Noções do Estatuto da Polícia Civil

será imediatamente encaminhada a reexame pelo § 3º. O Conselho da Polícia Civil deliberará em dez
superior hierárquico. (Incluído pela Lei Complemen- dias e, se não lhe couber a decisão, o encaminhará à
tar 98 de 12/05/2003) autoridade competente.
§ 5º. O recurso será apreciado pela autoridade com- Art. 270. A decisão de julgar procedente a revisão
petente ainda que incorretamente denominado ou poderá alterar a classificação da infração, absolver o
endereçado. (Incluído pela Lei Complementar 98 de punido, modificar a pena ou anular o processo, res-
12/05/2003) tabelecendo os direitos atingidos pela decisão refor-
Art. 264. Caberá pedido de reconsideração, que não mada. (Redação dada pela Lei Complementar 98 de
poderá ser renovado, de decisão tomada pelo Go- 12/05/2003)
vernador do Estado em única instância, no prazo de
trinta (30) dias. (Redação dada pela Lei Complemen-
Capítulo XIII - Da Prescrição
tar 98 de 12/05/2003) Art. 271. Prescreverá:
Art. 265. Os recursos de que trata esta lei complemen- I. em dois anos, a transgressão punível com
tar não têm efeito suspensivo; os que forem providos a pena de advertência, repreensão ou sus-
darão lugar às retificações necessárias, retroagindo pensão; e
seus efeitos à data do ato punitivo. (Redação dada II. em cinco anos, a transgressão punível com
pela Lei Complementar 98 de 12/05/2003) a cassação de aposentadoria, disponibili-
Art. 266. A decisão final não se fundamentará em dade e de demissão.
manifestações técnico-jurídicas não compreendi- Art. 272. O prazo de prescrição contar-se-á do dia em
das no âmbito da relação processual, ressalvadas as que a transgressão se consumou.
oriundas da Procuradoria-Geral do Estado. (Redação § 1º. Nos casos de transgressões permanentes ou
dada pela Lei Complementar 98 de 12/05/2003) continuadas, o prazo de prescrição contar-se á do dia
Capítulo XII - Da Revisão do Processo em que cessou a permanência ou continuação.
Disciplinar § 2º. Quando ocorrerem circunstâncias que impeçam
Art. 267. Admitir-se-á, a qualquer tempo, a revisão o imediato conhecimento de existência de transgres-
de punição disciplinar, se surgirem fatos ou circuns- são, o tempo inicial da prescrição será o dia em que
tâncias ainda não apreciados, ou vícios insanáveis a autoridade competente dela tomar conhecimento.
de procedimento, que possam justificar redução ou § 3º. A transgressão também prevista como crime,
anulação da pena aplicada. (Redação dada pela Lei prescreverá nos mesmos prazos estipulados pela lei
Complementar 98 de 12/05/2003) penal.
§ 1º. Não constitui fundamento para revisão a § 4º. A citação do sindicado ou acusado interrompe o
simples alegação de injustiça da penalidade. curso do prazo prescricional.
§ 2º. Será indeferido “in limine” o pedido, se não for
devidamente fundamentado. Título VIII - Das Disposições Gerais
§ 3º. A revisão poderá ser requerida pelo cônjuge, Art. 273. Os funcionários não pertencentes às carrei-
descendente, ascendente, ou irmão do servidor ras policiais, quando em exercício em qualquer das
policial civil, se este houver falecido ou tiver sido de- unidades enumeradas no artigo 5º., ficarão, igual-
clarado ausente ou incapaz. mente, sujeitos ao regime disciplinar estabelecido
nesta lei.
§ 4º. Não será admitida reiteração de pedido pelo
mesmo fundamento. (Incluído pela Lei Complemen- Art. 274. Os integrantes das carreiras policiais civis
tar 98 de 12/05/2003) terão regime especial de trabalho, em base de ven-
cimentos fixados e atualizados por lei, levando-se
§ 5º. O ônus da prova cabe ao requerente. (Incluído em conta a natureza especifica das funções e as con-
pela Lei Complementar 98 de 12/05/2003) dições para seu exercício, o risco de vida a elas ine-
§ 6º. Os pedidos formulados em desacordo com este rentes, a irregularidades dos horários de trabalho,
artigo serão indeferidos. (Incluído pela Lei Comple- sujeitos a plantões noturnos e chamados a qualquer
mentar 98 de 12/05/2003) hora, bem como, a proibição legal do exercício legal
§ 7º. A pena imposta não poderá ser agravada pela de outras atividades remuneradas, ressalvado o ma-
revisão. (Incluído pela Lei Complementar 98 de gistério. (Redação dada pela Lei Complementar 35 de
12/05/2003) 24/12/1986)
Art. 268. O pedido será dirigido ao presidente do § 2º. Para os serviços realizados em forma de rodízio
Conselho da Polícia Civil que se o deferir, designa- ou dependente de escala, o horário de trabalho,
rá autoridade revisora para proceder a revisão. bem como, os períodos de descanso, serão fixados
(Redação dada pela Lei Complementar 89 de na medida das necessidades do serviço policial e da
25/07/2001) natureza das funções.
Parágrafo único. Não poderá ser revisor a autorida- Art. 275. As Delegacias de Polícia instaladas nas
de que tiver presidido o procedimento administrativo sedes de Comarcas, serão obrigatoriamente chefia-
em revisão. (Redação dada pela Lei Complementar das por Delegado de Polícia de Carreira.
89 de 25/07/2001) § 1º. O servidor policial civil poderá ser designado
Art. 269. Apensado o pedido ao processo disciplinar a para qualquer município, observada, sempre que
ser revisto, terá início, dentro de dez dias, a produção possível, a correspondência da classe funcional com
das provas indicadas pelo requerente, em prazo não a classificação da unidade policial.
superior a trinta dias. § 2º. Na existência de servidor policial civil, é vedado
200 § 1º. Concluída a instrução, será aberta vista ao re- o preenchimento de funções policiais por pessoal
querente, pelo prazo de cinco dias, para as alegações. estranho ao Quadro de Pessoal da Polícia Civil.
Art. 276. Toda atividade vinculada à função policial no inciso II, do art. 84, combinado com o art. 86 e pa-
ou dela decorrente, inclusive os cursos ministra- rágrafos, desta Lei, desde que a esteja percebendo ao
dos pela Escola de Polícia Civil, serão avaliados pelo formular o pedido de inativação. (Redação dada pela
Conselho da Polícia Civil. Lei Complementar 19 de 29/12/1983)
§ 1º. Os cursos de formação e de aperfeiçoamen- Art. 286. Os funcionários estranhos ao Quadro de

Noções do Estatuto da Polícia Civil


to ministrados pela Escola da Polícia Civil, são de Pessoal da Polícia Civil, a disposição de unidades poli-
caráter obrigatório e complementares ao exercício e ciais, serão obrigatoriamente recolhidos à repartição
progressão funcionais. de origem, se sofrerem punições apuradas em proce-
§ 2º. A autoridade policial ou Chefe de unidade que dimentos administrativos, disciplinares ou criminais.
omitir ou declarar falsamente sobre a conduta do Art. 287. É vedado ao servidor policial civil, trabalhar
aluno estagiário, será responsabilizada funcional- sob as ordens do cônjuge ou parente até o segundo
mente, sem prejuízo de medidas penais. grau, salvo quando não houver na localidade outra
Art. 277. O servidor policial civil notificado de sua unidade policial.
matrícula “ex offício” em determinado curso, terá de Art. 288. O servidor policial civil invalidado ou morto,
comparecer à Escola de Polícia Civil na data prevista em consequência de lesões, acidentes ou moléstias
para a apresentação, vedada a concessão de férias contraídas no exercício da função policial, será pro-
ou licença, a não ser por motivo de saúde, no período movido à classe imediatamente superior, indepen-
respectivo. dente da existência de vaga, que motivará o reajuste
Art. 278. Durante os cursos, os servidores policiais da pensão especial prevista no art. 184, desta lei.
civis neles matriculados, poderão ser designados Parágrafo único. Quando for impossível a promoção
para unidades policiais que tornem possível a sua do servidor policial civil, por ser ocupante de cargo
frequência às aulas, exceto nos casos de matrícula final de carreira, ser-lhe-á atribuído o benefício cor-
em cursos intensivos, quando o servidor policial civil respondente à porcentagem fixada entre a penúlti-
passará à disposição da Escola de Polícia Civil. ma e a última classe da carreira a que pertencer.
Art. 279. Nenhum servidor policial civil poderá de- Art. 290. O quadro de pessoal da Polícia Civil é o cons-
sempenhar atribuições diversas das pertinentes à tante do anexo I desta lei, com os cargos dos quadros
classe a que pertence, salvo quando se tratar de femininos incorporados aos quadros únicos, a cujas
cargo em comissão, de serviço relevante ou de segu- vagas oferecidas poderão concorrer candidatos de
rança, a critério do Conselho Policial Civil, respeitado ambos os sexos, desde que preencham os requisitos
ainda o contido nesta lei. exigidos, não havendo distinção também nas promo-
Art. 280. Será instituída a Medalha Tiradentes, ções. (Redação dada pela Lei Complementar 53 de
conferida a policiais nacionais ou estrangeiros que 02/01/1991) (vide Lei 9015 de 13/06/1989)
houverem prestado serviços notáveis à organiza- Art. 291. O vencimento dos ocupantes de cargos das
ção policial ou que se hajam distinguido no exercício séries de classes das carreiras policiais civis, reajus-
da profissão e a Medalha de Serviços Relevantes à tável sempre que forem alterados os vencimentos do
Polícia Civil, destinada, também a agraciar perso- funcionalismo público em geral, nos mesmos percen-
nalidades nacionais ou estrangeiras que, no campo tuais e época de vigência, será calculado de acordo
de suas atividades relacionadas com a segurança com os índices percentuais estabelecidos na Tabela
pública, tiverem destacada atuação. de Escalonamento Vertical, contida no Anexo II desta
Parágrafo único. As características e a concessão das Lei, tomando-se por base o vencimento mensal per-
Medalhas de que trata este artigo, serão regulamen- cebido pelo Delegado de Polícia de 1ª Classe, fixado
tadas por decreto governamental. da seguinte forma: (Redação dada pela Lei Comple-
Art. 281. O período máximo de permanência do mentar 35 de 24/12/1986)
Delegado de Polícia em uma unidade policial, mesmo I. em Cz$ 8.200,54 (oito mil, duzentos
como titular, é de três anos, podendo, em casos ex- cruzados e cinquenta e quatro centavos),
cepcionais, atendido o interesse do serviço, ser pror- para os que se sujeitarem ao regime de
rogado por mais doze meses, ouvido o Conselho da tempo integral e dedicação exclusiva,
Polícia Civil. com um mínimo de 40 (quarenta) horas
Parágrafo único. O Delegado de Polícia que tenha semanais de trabalho; (Incluído pela Lei
exercido a função de Delegado Adjunto em uma Complementar 35 de 24/12/1986)
unidade policial, no período previsto neste artigo, Art. 292. Os funcionários, ou servidores policiais
poderá nela permanecer ou retornar, como Titular, civis, que em 1º. de dezembro de 1980 estavam
por mais 2 (dois) anos improrrogáveis, havendo lotados ou à disposição da Central de Apoio ou em
manifestação favorável do Conselho de Polícia outras Unidades Policiais Civis, não abrangidos
Civil. (Redação dada pela Lei Complementar 54 de pelo disposto no art. 13 da Lei nº. 7.424, de 18 de
08/01/1991) dezembro de 1980, poderão participar de processo
Art. 282. O Conselho da Polícia Civil fará publicar no seletivo interno para ingresso nos cargos previstos
mês de janeiro de cada ano, o “Almanaque Policial pelo Anexo III, desta Lei, observado o seguinte: (vide
Civil”, que conterá o tempo de serviço, elogios e Lei Complementar 69 de 14/07/1993)
punições de cada integrante do efetivo policial civil. I. que estejam exercendo comprovadamen-
Art. 283. Os termos e demais atos firmados pelos te as atribuições dos cargos constantes do
Delegados de Polícia, Peritos Oficiais e Escrivães de Anexo III, por mais de dois anos, na data
Polícia, em razão do cargo, tem fé pública. desta lei; e
Art. 284. As autoridades policiais, seus agentes e au- II. que sejam aprovados em curso específico
xiliares ficam obrigados a residir no município-sede realizado pela Escola de Polícia Civil.
da unidade policial em que prestam serviço ou onde Parágrafo único. Concluído o processo seletivo, o
lhes tenha sido permitido, não podendo afastar-se Conselho da Polícia Civil procederá a sua avaliação e
sem prévia autorização superior, salvo para atos e di- posterior encaminhamento ao Secretário de Estado
ligências de seus encargos. da Segurança Pública, para homologação.
Art. 285. É incorporável aos proventos de aposenta- Art. 293. As carreiras de Radiotécnico e de Radio- 201
doria do servidor policial civil a gratificação prevista comunicador, passarão a denominar-se Técnico em
Telecomunicações Policiais e Operador em Telecomu-
nicações Policiais, respectivamente.
Art. 294. A carreira de Investigador Criminal fica
extinta, passando seus ocupantes à classe inicial de
Detetive. ____________________________________________
Noções do Estatuto da Polícia Civil

Art. 295. O cargo de provimento em comissão de ____________________________________________


delegado geral da Polícia Civil, símbolo DAS-1, será ___________________________________________
exercido por delegado de polícia, preferencialmente ___________________________________________
da classe mais elevada da carreira. (Redação dada ___________________________________________
pela Lei Complementar 89 de 25/07/2001) ____________________________________________
§ 1º. Os titulares dos cargos de Delegado-Geral ___________________________________________
Adjunto, Corregedor-Geral, Corregedor de Assuntos ____________________________________________
Internos, Corregedor de Área, Assessor Civil da Se- ___________________________________________
cretaria de Estado da Segurança Pública, Diretor de
Escola Superior de Polícia Civil e Diretor do Instituto ___________________________________________
de Identificação serão escolhidos dentre os integran- ___________________________________________
tes da carreira de delegado de polícia, preferencial- ___________________________________________
mente da classe mais elevada. (Redação dada pela ___________________________________________
Lei Complementar 98 de 12/05/2003) ____________________________________________
§ 2º. Os titulares do Instituto Médico Legal e do Ins- ____________________________________________
tituto de Criminalística serão escolhidos dentre os ____________________________________________
ocupantes das classes mais elevadas das carreiras de ____________________________________________
Médico Legista e Perito Criminal, respectivamente. ____________________________________________
§ 3º. Os titulares das assessorias técnicas serão es- ____________________________________________
colhidos, dentre ocupantes das carreiras policiais de ____________________________________________
nível universitário. (Redação dada pela Lei Comple- ____________________________________________
mentar 89 de 25/07/2001) ____________________________________________
Art. 296. Os vencimentos, vantagens e anexos ____________________________________________
previstos nesta Lei, são alteráveis por Lei ordiná- ____________________________________________
ria. (Redação dada pela Lei Complementar 29 de
04/04/1986) ____________________________________________
____________________________________________
Art. 297. São entidades representativas das carrei-
ras policiais, aquelas que tenham sido declaradas de ____________________________________________
utilidade pública pelo Poder Executivo Estadual, não ____________________________________________
podendo manter nomenclatura que contenha nome ____________________________________________
da instituição: “Polícia Civil”. ____________________________________________
Art. 298. Nas ações policiais cabe ao superior a res- ____________________________________________
ponsabilidade integral das decisões que tomar ou de ____________________________________________
atos que praticar, inclusive de missões e ordens por ____________________________________________
ele expressamente determinadas. ____________________________________________
Parágrafo único. No cumprimento da ordem ____________________________________________
emanada de autoridade superior, o agente execu- ____________________________________________
tante não fica exonerado da responsabilidade pelos ____________________________________________
excessos que cometer. ____________________________________________
Art. 299. Os cargos de Comissário de Polícia, inte- ____________________________________________
grantes da respectiva classe única, serão extintos na ____________________________________________
medida em que vagarem.
____________________________________________
Art. 300. O Instituto de Polícia Técnica passa a deno- ____________________________________________
minar-se Instituto de Criminalística. (Redação dada ___________________________________________
pela Lei Complementar 19 de 29/12/1983)
___________________________________________
Art. 301. Fica criado no Departamento da Polícia ___________________________________________
Civil, um cargo de provimento em Comissão, símbolo
1-C, de Diretor da Escola de Polícia Civil. ___________________________________________
___________________________________________
Art. 302. A data de 21 de abril, dedicada a Tiradentes,
Proto-Mártir da Independência do Brasil, Patrono da ___________________________________________
Polícia Civil, será assinalada com solenidades que ___________________________________________
proporcionem a confraternização do funcionalis- ___________________________________________
mo da Secretaria de Estado da Segurança Pública, ___________________________________________
sempre que possível, através de entidades de classe. ___________________________________________
Art. 304. O Poder Executivo expedirá, em cento ___________________________________________
e oitenta dias, os atos complementares à plena ___________________________________________
execução das disposições do presente Estatuto. ___________________________________________
Art. 305. Esta Lei Complementar denominar-se-á ___________________________________________
“ESTATUTO DA POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ”. ___________________________________________
Art. 307. Esta Lei entrará em vigor na data de sua pu- ___________________________________________
blicação, revogadas a Lei Complementar nº. 3, de 14 ___________________________________________
202 de maio de 1974, e demais disposições em contrário. ___________________________________________
___________________________________________
CAPÍTULO 01 ˃˃ Deve ser uma ação consciente, possível de ser
prevista pelo agente, quando esse é descuidado
responderá de forma culposa, entretanto se real-
Introdução ao Direito Penal mente houver intenção, o desejo do indivíduo, sua
conduta com um propósito específico será dolosa.
e Aplicação da Lei Penal ˃˃ Necessita ser voluntária, por exemplo, caso o
agente venha agredir alguém por conta de um
Introdução ao Estudo do Direito

Noções de Direito Penal


espasmo muscular, essa conduta é tida como in-
Penal voluntária.
→→ A infração penal sempre gera um resultado que
A Infração Penal é gênero que se divide em duas pode ser:
espécies: crimes (conduta mais gravosa) e contraven- ˃˃ Naturalístico: quando ocorre efetivamente a
ções penais (conduta de menor gravidade). Essa divisão lesão de um bem jurídico tutelado - protegido -
é chamada de dicotômica. A diferença básica incide da vítima. Por exemplo, no crime de homicídio,
sobre as penas aplicáveis aos infratores, enquanto o quando a vida de alguém é interrompida, causa
crime é punível com pena de reclusão e detenção, as um resultado naturalístico, pois modificou o
contravenções penais implicam prisão simples e multa, mundo exterior, não somente do de cujus como
podendo ser aplicada de forma cumulativa ou não. de sua família.
Para que a conduta seja definida como crime, tem ˃˃ Jurídico: quando a lesão não se consuma, utili-
que estar tipificada (escrita) em alguma norma penal. zando o mesmo exemplo acima, caso o agressor
Não somente o próprio Código Penal as descreve não tivesse êxito na sua conduta, ele responderia
como também as Leis Complementares Penais ou Leis pela tentativa de homicídio, desde que não cause
lesão corporal. Convém ressaltar que, embora o
Especiais, por exemplo: Estatuto do Desarmamento agente não obteve êxito no resultado pretendido,
10.826/03, Lei de Tortura 9.455/97, entre outras. Por o Código Penal sempre irá punir por aquilo que
conseguinte, as Contravenções Penais estão previstas ele queria fazer (elemento subjetivo), contudo
em Lei específica, 3.688/41, esta também é conhe- nesse caso gerou apenas um resultado jurídico.
cida como Crime Anão, visto seu reduzido potencial
ofensivo. Como essa conduta não é o cerne do estudo
não convém aprofundar o assunto, basta apenas res-
saltar que as Contravenções Penais não admitem ten- Todo crime gera um resultado, porém, nem todo
tativas, enquanto o Crime é punível, mas, somente se crime gera um resultado naturalístico (lesão).
existir previsão legal (Código Penal).

Reclusão Crime Infração Penal Contravenção Prisão


Detenção (delito) Penal simples
(Divisão Dicotômica)
(crime Anão) Multa 01. As infrações penais se dividem em crimes e con-
travenções. Os crimes estão descritos:
+ Grave - Grave Não Admite
Tentativa
a) Na parte especial do Código Penal e na Lei de
Conduta Humana Contravenção Penal.
Propositada = Dolo b) Na parte geral do Código Penal.
Consciente Descuidada = Culpa
Voluntária c) Nas normas penais em branco.
Classificação d) Na Lei de Contravenção Penal.
Tipificadas dos Crimes:
(escritas)
Comissivo e) No Código Penal e em Leis Extravagantes.
CP
LCP Omissivo RESPOSTA: E. Os crimes encontram-se no Código Penal
Leis Especiais Material (parte especial) e nas Leis Extravagantes (especiais).
Formal
Mera Conduta 02. Em relação à infração penal, assinale a opção
Lesão
Especial ou própria correta.
Resultado Mão Própria
(Resultado Naturalístico) a) Considera-se crime a infração penal a que a lei
Preterintencional
Permanente comina pena de reclusão, de detenção ou prisão
Putativo simples, quer isoladamente, quer alternativa ou
Fere Bens cumulativamente com a pena de multa.
Jurídicos Ameaça a Lesão b) Considera-se contravenção penal a infração
Fundamentais (Resultado Jurídico) penal a que a lei comina pena máxima não
superior a dois anos de reclusão.
c) No ordenamento jurídico brasileiro, a diferença
entre crime e delito está na gravidade do fato e
O Direito Penal é chamado de Direito das Condutas na pena cominada à infração penal.
Ilícitas. d) A infração penal é gênero que abrange como
→→ Para configurar em Infração Penal, são necessá- espécies as contravenções penais e os crimes,
rios alguns pressupostos: sendo estes últimos também identificados como
˃˃ Deve ser uma conduta humana, ou seja, o simples delitos.
ataque de um animal não configura em crime, e) Crimes apenados com reclusão se submetem
porém, caso esse seja instigado por outra pessoa, aos regimes fechado e semi-aberto, enquanto
passa a ser um mero objeto utilizado na prática os apenados com detenção se submetem aos
da conduta do agressor. regimes aberto e prisão simples. 205
RESPOSTA: D. O direito penal brasileiro adotou como pois incidirá nas excludentes de culpabilidade. A
definição de infração penal, a teoria dualista ou dico- mais conhecida é o menor em conflito com a lei,
tômica, na qual infração penal é gênero que comporta ele pode cometer uma infração penal (crime), mas
duas espécies: Crime (delito) e Contravenção Penal. não poderá ir preso. É quando, no momento da
ação ou da omissão, o agente é totalmente incapaz
03. Na legislação brasileira, o conceito de contra- de entender o caráter ilícito do fato, ou de deter-
venção penal é fixado pela(o) minar-se de acordo com esse entendimento. Ainda
Noções de Direito Penal

a) gravidade da conduta dentro dessa espécie, haverá três desdobramen-


b) resultado tos que são a imputabilidade, a potencial consciên-
c) pena cominada cia da ilicitude e a exigibilidade de conduta diversa.
d) conduta Para que o crime ocorra, é necessário preencher
e) pena aplicada todos os requisitos, caso exclua alguns dos elementos
RESPOSTA: E. De acordo com o direito pátrio, uma do fato típico ou se não for ilícito/antijurídico, dizemos
das principais diferenças entre crime (delito) e con- que excluiu o crime; caso não possa ser culpável, o
travenção penal está nas penas, aquele está sujeito à agente será isento de pena.
pena de detenção ou reclusão e este à pena de prisão
simples ou multa.
Teoria do Crime Pode ocorrer de o agente cometer um fato
Sendo o crime (delito) espécie da infração penal, descrito como crime (Matar alguém) e esse fato não
possui uma nova divisão. Nesse caso, existem diversas ser considerado crime. Exemplo: quem mata em
correntes doutrinárias para este conceito, entretan- legítima defesa comete um fato típico, ou seja, escrito
to, adotaremos a majoritária, a qual vigora no Direito e definido como crime. Contudo, esse fato não é ilícito,
Penal Brasileiro, classificada como Teoria Finalista Tri- pois a própria lei autoriza o sujeito a matar em certos
partida ou Tripartite. casos pré-definidos.
Pode ocorrer também, de o agente cometer um
Fato Típico (Está escrito, definido como crime) fato definido como crime, ou seja, fato típico (escrito
+ e definido no CP) e ilícito, o ordenamento jurídico não
Crime Ilícito (Antijurídica) - (Contra a Lei) autoriza aquela conduta, e mesmo assim ficar isento
Delito de PENA. Assim, pode o sujeito cometer um crime e
+ não ter pena. Exemplo: quem é obrigado a cometer
Culpável (Culpabilidade) um crime. Uma pessoa encosta a arma carregada
Crime se Divide em: na cabeça de outra e diz que, se ela não cometer tal
→→ Fato Típico: para ser considerado fato típico, é fun- crime, irá morrer.
damental que a conduta esteja tipificada, ou seja,
escrita, em alguma norma penal. Não obstante, é
necessário que exista:
01. O direito pátrio faz distinção clara entre as
˃˃ Conduta: é a ação do agente, seja ela culposa – figuras do crime, contravenção penal e delitos.
descuidada – ou dolosa, intencional; comissiva
(ação) ou omissiva (deixar de fazer). ERRADO. O direito pátrio adotou a teoria dualista/
dicotômica, em que infração penal é gênero que se
˃˃ Resultado: que seja naturalístico ou jurídico. divide em duas espécies: crime (delito) e contraven-
˃˃ Nexo Causal: é o elo entre a ação e o resultado, ção penal.
ou seja, se o resultado foi provocado diretamente 02. A infração penal divide-se em três espécies:
pela ação do agente, houve nexo causal. delito, crime e contravenção penal. No código
˃˃ Tipicidade: tem que ser considerado crime, estar penal, somente estão previstos os delitos e os
tipificado, escrito. crimes. Na Lei especial, estão previstas as con-
travenções.
ERRADO. De acordo com a teoria dualista/dicotômica,
adotada pelo direito penal brasileiro, infração penal é
Caso não existam alguns destes elementos na gênero que se divide em duas espécies, crime (delito)
conduta, podemos dizer que o fato é atípico. e contravenção penal, aquele se encontra no código
penal e nas leis extravagantes (especiais) e este está
→→ Ilícito (antijurídico): neste quesito a ação do na lei de contravenções penais.
agente tem que ser ilícita, pois, nosso ordenamen-
to jurídico prevê legalidade em determinadas si- 03. Segundo a corrente majoritária do direito
tuações em que, mesmo sendo antijurídicas, serão pátrio, o crime se completa com o fato típico,
permissivas. São as chamadas de excludentes de antijurídico e culpável.
ilicitude ou de antijuridicidade, sendo: Legítima CERTO. O direito pátrio adotou a Teoria Finalista Tri-
Defesa, Estado de Necessidade, Estrito Cumpri- partida, em que o crime é um Fato Típico, Antijurídico
mento do Dever Legal ou no Exercício Regular de (Ilícito) e Culpável.
um Direito.
→→ Culpável (culpabilidade): é a capacidade de o Princípio da Legalidade (Anteriori-
agente receber pena. Em alguns casos, mesmo o dade - Reserva Legal)
agente cometendo um fato típico e ilícito, ele não
206 poderá ser culpável, ou seja, não pode ser “preso”,
Art. 1 - Não há crime sem lei anterior que o defina.
Não há pena sem prévia cominação legal.
Somente haverá crime quando existir perfeita cor- III. com emprego de veneno, fogo, explosivo,
respondência entre a conduta praticada e a previsão asfixia, tortura ou outro meio insidioso
legal (reserva legal), que não pode ser vaga, deve ou cruel, ou de que possa resultar perigo
ser específica. Exige-se que a lei esteja em vigor no comum;
momento da prática da infração penal (anterioridade). Pena - reclusão, de doze a trinta anos.
Fundamento Constitucional: Art. 5º, XXXIX. Nessa situação, caso o agente tenha cometido o
homicídio utilizando-se de alguma das formas expostas

Noções de Direito Penal


→→ Princípio: Nullum crimem, nulla poena sine praevia
lege. no inciso III, ocorrerá a aplicação de uma pena mais
As normas penais incriminadoras não são proibiti- gravosa, é o exemplo de interpretação analógica.
vas e sim descritivas. Por exemplo, o Art. 121 - Matar
alguém, no Código Penal, ele não proíbe, ou seja, não
Interpretação da Lei Penal
matar. Ele descreve uma conduta, que, se cometida A matéria “Interpretação da Lei Penal” passou a
possuirá uma sanção (punição). ser abordada recentemente pelos editais de concurso
público. No entanto, quando cobrada, não costuma
Não são
proibitivas Quem pratica um crime gerar muita dificuldade. Isso porque, geralmente a
Normas Penais
não age contra a lei, banca examinadora traz na questão uma espécie de in-
Incriminadoras São mas de acordo com ela terpretação e questiona quanto ao seu significado.
descritivas
A Interpretação da Lei Penal consiste em buscar o
significado e extensão da letra da lei em relação à reali-
dade e à vontade do legislador.
Assim, a Interpretação da Lei Penal divide-se em:
Medida Provisória não pode dispor sobre matéria
penal (criar crimes e cominar penas – Art. 62 § 1º I, b Quanto ao Sujeito
CF/88) - (Somente Lei Ordinária). →→ Autêntica ou Legislativa
A analogia no direito penal só é aceita para bene- ˃˃ É aquela realizada pelo mesmo órgão da qual
ficiar o agente. Por exemplo, no antigo ordenamen- emana, podendo vir no próprio texto legislativo
to jurídico, só era permitido realizar o aborto em de- ou em lei posterior.
corrência do estupro (pênis x vagina), entretanto, a
norma penal não abrangia o caso do violento atentado »» Ex.: conceito de funcionário público previsto no
ao pudor (pênis x ânus). Caso a mulher viesse engra- Art. 327, CP.
vidar em decorrência disso, realizava-se a “analogia →→ Doutrina
in bonam partem”, permitindo também neste caso, o ˃˃ É aquela realizada pelos doutrinadores (estudio-
aborto. Ressaltamos que, não existe mais o crime de sos do direito penal) normalmente encontrada
violento atentado ao pudor, atualmente no código em livros, artigos e documentos.
penal é tido como estupro.
»» Ex.: Código Penal comentado.
In malam partem (prejudicar) NÃO aceita
Analogia no →→ Jurisprudencial ou judicial
Direito Penal ˃˃ É aquela realizada pelo Poder Judiciário na apli-
In bonam partem (beneficar) aceita cação do caso concreto, na busca pela vontade
da lei. É a análise das decisões reiteradas sobre
determinado assunto legal.
»» Ex.: Súmulas do Tribunais Superiores e Súmula
O princípio da reserva legal admite o uso de Vinculante.
normas penais em branco.
Quanto ao Modo
Normas Penais em branco são aquelas que →→ Literal ou Gramatical
precisam ser complementadas para que analisemos o
caso concreto. Por exemplo, a vigente Lei de Drogas ˃˃ É aquela que busca o sentido literal das palavras.
11.343/06 dispõe sobre diversas condutas ilícitas, en- Teleológica
tretanto, o que é droga? Para analisar se determinada ˃˃ É aquela que busca compreender a intenção ou
substância é droga ou não, o direito penal analisa uma vontade da lei.
portaria da Anvisa - Agência Nacional de Vigilância Sa- →→ Histórica
nitária - 344/98, em que todas as substâncias que esti-
verem descritas serão consideradas como droga. ˃˃ É aquela que busca compreender o sentido da lei
A Analogia Penal é diferente de interpretação ana- por meio da análise do momento e contexto his-
lógica, nessa situação, a conduta do agente é analisada tórico em que foi editada.
dentro da própria norma penal, ou seja, é observado a →→ Sistemática
forma como a conduta foi praticada, quais os meios uti- ˃˃ É aquela que analisa o sentido da lei em conjunto
lizados. Sendo assim, a interpretação analógica sempre com todo o ordenamento jurídico (as legisla-
será possível, ainda que mais gravosa para o agente. ções em vigor, os princípios gerais de Direito, a
Exemplo: doutrina e a jurisprudencial).
Art 121. Matar alguém:
→→ Progressiva
Pena - reclusão, de seis a vinte anos.
§ 2º - Se o homicídio é cometido:
˃˃ É aquela que busca adaptar a lei aos progressos 207
obtidos pela sociedade.
Quanto ao Resultado A Subsidiariedade Tácita ocorre quando não há
→→ Declarativa expressa referência na lei, mas, se um fato mais grave
ocorrer, a norma subsidiária ficará afastada. Isso
˃˃ É aquela em que se encontra a perfeita corres-
pondência entre a letra da lei e a intenção do le- ocorre, por exemplo, no crime do Art. 311 do CTB.
gislador. Existe, expressa nesse artigo, a proibição da conduta de
trafegar em velocidade incompatível com a segurança
→→ Restritiva
Noções de Direito Penal

nas proximidades de escolas, hospitais, estações de


˃˃ É aquela em que se restringe o alcance da letra da embarques e desembarques de passageiros, logradou-
lei para que corresponda à real intenção do legis- ros estreitos, ou onde houver grande movimentação
lador. A lei diz mais do que deveria dizer. ou concentração de pessoas, gerando perigo de dano.
→→ Extensiva
Contudo, se o agente estiver conduzindo nessas con-
˃˃ É aquela em que se amplia o alcance da letra da dições e acabar por atropelar e matar alguém, respon-
lei para que corresponda à real intenção do legis- derá ele, pelo crime do Art. 302 do CTB, que é homicídio
lador. A lei diz menos do que deveria dizer. culposo na direção de veículo automotor. Assim, esse
→→ Analógica crime – mais grave – afastará aquele crime de perigo.
˃˃ É aquela em que a lei penal permite a ampliação Princípio da Consunção
de seu conteúdo por meio da utilização de uma
expressão genérica ou aberta pelo legislador. Esse princípio pode ocorrer quando um crime
“meio” é necessário ou fase normal de preparação
»» Ex.: Art. 121, § 2º, inciso III, CP. Homicídio qua-
lificado por “emprego de veneno, fogo, explo- para outro crime. Como, por exemplo, o crime de
sivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou lesão corporal fica absorvido pelo crime de homicídio,
cruel, ou de que possa resultar perigo comum”. ou mesmo, o crime de invasão de domicílio que fica
absorvido pelo crime de furto.
Conflito Aparente de Normas Penais Não estamos falando em norma especial ou geral,
Fala-se em conflito aparente de normas penais mas sim do crime mais grave que absorveu o crime
quando duas ou mais normas aparentemente parecem menos grave que simplesmente foi um “meio” neces-
reger o mesmo tema. Na prática, uma conduta pode sário para a execução do crime mais grave.
se enquadrar em mais de um tipo penal, mas isso é tão
somente aparente, pois os princípios do direito penal Ocorre também o princípio da consunção quando,
resolvem esse fato. São eles os princípios: a) Princípio da por exemplo, o agente falsifica um documento com
Especialidade; b) Princípio da Subsidiariedade; c) Princí- o intuito de cometer o crime de estelionato. Como o
pio da Consunção; d) Princípio da Alternatividade. crime de falso é meio necessário para o crime de es-
telionato, funcionando como a elementar fraude, fica
Princípio da Especialidade por esse absorvido.
A regra, aqui, é que a norma especial prevalece- →→ Nesse sentido o STJ editou a Súmula 17 que diz o
rá sobre a norma geral. Dessa forma, a norma no tipo seguinte:
penal incriminador é mais completa que a prevista na
norma geral. ˃˃ “Quando o falso se exaure no estelionato, sem
mais potencialidade lesiva, é por este absorvido”.
Isso ocorre por exemplo no crime de homicídio e
Outro ponto importante é quando falamos acerca
infanticídio. O crime de infanticídio possui em sua ele-
do assunto crime progressivo e progressão criminosa.
mentar dados complementares que o tornam mais
Podemos afirmar o seguinte:
especial - completo – que a norma geral.
No crime progressivo o agente tem um fim específi-
Repare as elementares matar o próprio filho, logo co mais grave, contudo, necessariamente deve passar
após o parto, sobre o estado puerperal. Esses são dados por fases anteriores menos graves. No final das contas, o
que tornam a supressão de uma vida humana em um crime progressivo é um meio para um fim. Isso ocorre no
crime “especial”, um “plus” em relação ao homicídio, caso do dolo de matar, em que o agente obrigatoriamente
pois naquele caso a conduta humana se amoldou per- tem que ferir a vítima antes – causando lesões corporais.
feitamente ao caso concreto.
Aqui, temos o Princípio da Consunção Imperan-
Princípio da Subsidiariedade do. Por outro lado, a progressão criminosa acontece
Usa-se esse princípio sempre que a norma principal quando o dolo inicial é menos grave e no meio da
mais grave não puder ser utilizada. Nesse caso, usamos conduta o agente muda sua intenção para uma mais
a norma menos grave subsidiária. grave (repare que temos dois dolos).
A Subsidiariedade pode ser expressa ou tácita. Será Temos o exemplo do agente que inicia um ação
expressa sempre que o próprio artigo de lei assim deter- com dolo de lesionar desferindo socos na vítima e no
minar. Um bom exemplo é o Art. 239 que trata da simu-
meio da ação muda de intenção, vindo a esfaqueá-la,
lação de casamento. Ele prevê a pena de detenção, de
causando sua morte.
um a três anos, se o fato não constitui elemento de crime
mais grave. Assim, caso não tenha ocorrido crime mais Veja que, temos duas intenções, contudo, o código
grave será aplicada a pena expressa em lei. Por outro penal punirá o agente somente pelo crime mais grave.
208 lado, se ocorrer crime mais grave, deve ser aplicado Aqui também usaremos o Princípio da Consunção no
somente esse, ficando atípico o fato menos grave. exemplo em tela.
No entanto, pode ocorrer progressão criminosa Sendo assim, podemos dizer que temos três prin-
com efeito concurso material, ou seja, aplicação de cípios intrínsecos no Art. 1º do Código Penal, quais
mais de um crime. Isso ocorre, por exemplo, no crime sejam, da legalidade, da anterioridade e da reserva
de roubo em que o agente no meio da conduta resolve legal. É importante ressaltar que apenas a Lei Ordiná-
estuprar a vítima, ou seja, aqui temos uma progressão ria pode versar sobre matéria penal, tanto para criá-las
criminosa com dois dolos, em que o agente responderá quanto para extingui-las.

Noções de Direito Penal


por dois crimes diversos. Não obstante, convém ressaltar os preceitos exis-
tentes nos tipos penais, por exemplo: Art. 121 - CP -
Princípio da Alternatividade Matar alguém. Pena: 6 a 20 anos. O preceito primário
Temos esse princípio quando tivermos os chamados seria a conduta do agente - matar alguém - e o preceito
crimes de ação múltipla ou de conteúdo variado. Aqui, secundário seria a cominação da pena - 6 a 20 anos.
os tipos penais descrevem várias condutas para um Para ser considerado crime, é fundamental que existam
único crime. Temos como exemplo o Art. 33 da lei os dois preceitos.
11.343/2006, que passamos a redigir:
Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar,
produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, 01. No vigente ordenamento jurídico brasileiro é
oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, possível a tipificação legal de uma conduta dita
guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo como crime por meio de um decreto presidencial.
ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem ERRADO. Dispor sobre normas incriminadoras consti-
autorização ou em desacordo com determinação tui função exclusiva de lei (Princípio da Legalidade).
legal ou regulamentar:
02. Indique, nas opções abaixo, dois princípios
Pena - reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pa- contidos no Art. 1º do Código Penal:
gamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e quinhen- a) Da Legalidade e da Anterioridade.
tos) dias-multa. b) Da Reserva Legal e da Culpabilidade.
Assim, podemos afirmar que, se o agente tiver em c) Da Proporcionalidade e da Legalidade.
depósito e vender a droga, não responderá ele por dois d) Do Duplo Grau de Jurisdição e da Reserva Legal.
crimes, mas somente por um único. Isso se dá, pois e) Da Culpabilidade e do Devido Processo Legal.
qualquer ação nuclear do tipo representa o mesmo
crime. Na prática, não há concurso material, respon- RESPOSTA. A São princípios do Art. 1º do CP: Legalida-
dendo o agente por uma pena somente. de, Anterioridade e Reserva Legal.
03. (FCC) Dispõe o artigo 1º do Código Penal: “Não
há crime sem lei anterior que o defina. Não há
pena sem prévia cominação Legal”. Tal disposi-
tivo legal consagra o princípio da:
Costume não revoga nem altera lei. a) Ampla defesa
b) Legalidade
c) Presunção de inocência
d) Dignidade
01. (CESPE) A exposição de motivos do CP é típico e) Isonomia
exemplo de interpretação autêntica contextual. RESPOSTA. A. Um dos princípios do art. 1 do CP, Le-
ERRADO. A exposição de motivos seria uma interpre- galidade ”Não há crime sem lei anterior que o defina.
tação doutrinária, uma vez que é feita pelo autor do Não há pena sem prévia cominação legal”.
projeto de lei e não é emanada pelo Poder Legislativo. 04. Segundo o princípio da legalidade, a elaboração
02. (CESPE) Se o presidente do STF, em palestra pro- das normas incriminadoras e das respectivas
ferida em seminário para magistrados de todo o sanções constitui função exclusiva da lei.
Brasil, interpreta uma lei penal recém-publica- CERTO. Somente lei pode dispor sobre a elaboração
da, essa interpretação é considerada interpreta- de normas incriminadoras.
ção judicial. 05. Força de lei, não viola o princípio da legalidade
ERRADO. Seria o caso de interpretação doutrinária, a medida provisória que define crimes e comina
pois a interpretação da lei foi realizada por um co- sanções penais.
nhecedor do direito, em uma exposição doutrinária. ERRADO. A elaboração de normas incriminadoras cons-
Neste caso, o presidente do STF não está atuando titui função exclusiva de lei (Princípio da Legalidade).
como órgão julgador trazendo decisões reiteradas 06. A medida provisória, por ter força de lei, mesmo
sobre o assunto. antes de sua aprovação pelo congresso nacional
03. (CESPE) Conflitos aparentes de normas penais pode instituir crime ou pena criminal.
podem ser solucionados com base no Princípio ERRADO. Segundo o Princípio da Legalidade, a elabo-
da Consunção, ou Absorção. ração de normas incriminadoras constitui função ex-
CERTO. De acordo com esse princípio, quando um clusiva de lei.
crime constitui meio necessário ou fase normal de 07. Segundo o Princípio da Legalidade, a definição de
preparação ou execução de outro crime, aplica-se crime só é possível por meio de lei. Isso deve ser
a norma mais abrangente. Por exemplo, no caso de respeitado também ao se estabelecer (cominar) a
cometimento do crime de falsificação de documento pena aplicável a tal fato criminoso. Assim, o Prin-
para a prática do crime de estelionato, sem mais po- cípio da Legalidade se dirige tanto à definição do
tencialidade lesiva, este absorve aquele. crime como, também, à respectiva pena. 209
CERTO. O Princípio da Legalidade refere-se tanto ao Retroatividade da Lei
preceito primário (verbos do tipo), quanto ao preceito 2000 2005 2008
secundário (pena), ambos somente podem ser defini-
dos por meio de lei. Lei retroage
08. A expressão lei deve ser interpretada da forma Julgado
mais estrita possível. Primeiramente, a lei que Lei “A” (mais gravosa) Lei “B” (mais benéfica)
Noções de Direito Penal

trata de direito penal deve ter origem no legisla- Pena 6 a 10 anos Pena 4 a 8 anos
tivo da União. Portanto, no congresso Nacional. (revogada por lei “B”)
É o que preleciona o Art. 22 da Carta Política. Aplica-se a Lei “B”
CERTO. De acordo com o Art. 22 CF: “Compete privati- (mais favorável ao réu)
vamente à União legislar sobre: I- direito civil, comer-
cial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo,
aeronáutico, espacial e do trabalho”. Em regra, o código penal sempre adota a Lei vigente,
“A”, no momento da ação ou omissão do agente, sendo
09. O enunciado segundo o qual “não há crime sem assim, se nesta época é cometido um crime, aquele irá
lei anterior que o defina, nem pena sem prévia responder sobre o fato descrito no tipo penal. Contudo,
cominação legal” traz insculpidos os princípios da por vezes, o processo se estende no tempo, e o jul-
reserva legal ou legalidade e da anterioridade. gamento do agente demora a acontecer, nesse lapso
CERTO. São princípios do Art. 1º do CP: Legalidade, temporal, caso surgir uma nova lei, “B”, que torne mais
Anterioridade e Reserva Legal. branda a sanção aplicada sobre o agente, esta irá retroa-
10. É correto afirmar que não existe a figura da gir ao tempo do fato, beneficiando o réu.
analogia no direito penal. Ultra - Atividade da Lei
ERRADO. O direito penal brasileiro permite somente a 2000 2005 2008
analogia in bonam partem.
11. Analogia em direito penal somente poderá ser
usada em favor do indivíduo, de toda sorte, a Lei “A” (mais benéfica) Lei “B” Aplica-se
doutrina majoritária assim admite-a, sendo Pena 4 a 8 anos (mais gravosa) a lei “A”
classificada como analogia in bonam partem. Lei revogada Pena 6 a 10 anos mesmo revogada
CERTO. A única forma de analogia admitida no direito
pátrio é a in bonam partem. Não obstante, a regra da irretroatividade, pode
12. Em relação ao Direito Penal e levando-se em ocorrer a chamada ultra-atividade de lei mais benéfica.
consideração as normas constitucionais, analise Seria o caso em que, no momento da ação vigorava a
as afirmativas a seguir: lei “A”, entretanto, no decorrer do processo, entrou
I. É correto afirmar que medidas provisórias, por ter em vigência nova lei “B”, revogando a lei “A”, tornando
força de lei, podem dispor sobre matéria penal. mais gravosa a conduta anteriormente praticada pelo
agente.
II. No direito penal só se fala em analogia in bonan
partem, ou seja, só utiliza-se a analogia para be- Sendo assim, no momento do julgamento, ocorrerá
neficiar o acusado. a ultra-atividade da lei, ou seja, a lei “A”, mesmo não
estando mais em vigor, irá ultra-agir ao momento
III. Pode-se afirmar que, no direto penal a regra do julgamento para beneficiar o réu, por ser menos
geral é irretroatividade de lei. gravosa a punição que o agente irá receber.
São verdadeiras somente as afirmativas: Abolitio Criminis (abolição do crime)
a) I e II;
b) I e III; Retroage
c) II e III;
d) I, II e III; 2005 2007
e) III Lei “B” deixa de
Lei “A”
RESPOSTA. C. De acordo com o direito pátrio, só é considerar como
Pena 6 a 20 anos
adotada a analogia in bonam partem, ou seja, a favor crime o fato
do agente. Em regra, no direito penal, a lei nunca re- descrito na Lei “A”
troagirá, salvo para beneficiar o acusado.
→→ Consequências:
Lei Penal no Tempo ˃˃ Tranca e extingue o inquérito policial e a ação
Art. 2º Ninguém pode ser punido por fato que lei pos- penal;
terior deixa de considerar crime, cessando em virtude ˃˃ Cassam imediatamente a execução de todos os
dela a execução e os efeitos penais da sentença con-
denatória. efeitos penais.
Parágrafo único: A Lei posterior, que de qualquer →→ Abolitio Criminis:
forma modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos ˃˃ Não alcança os efeitos Civis da condenação.
anteriores, ainda que decididos por sentença transi-
tada em julgado. Em relação ao Abolitio Criminis, ocorre o seguinte
Conflito Temporal fato: quando uma conduta que antes era tipifica como
crime pelo código penal, deixa de existir, ou seja,
→→ Regra: Irretroatividade da Lei; passa a não ser mais considerada crime, dizemos que
210 →→ Exceção: Retroatividade para beneficiar o réu. ocorreu a “abolição do crime”. Diante disso, cessam
imediatamente todos os efeitos penais que incidiam 05. Em relação a normas penais no tempo, é correto
sobre o agente: tranca e extingue o inquérito policial, afirmar que:
caso o acusado esteja preso deve ser posto em liber- a) Lei antiga mais benéfica retroage para benefi-
dade. Entretanto, não extingue os efeitos civis, ou seja, ciar o réu.
caso o agente tenha sido impelido em ressarcir a vítima b) Lei mais gravosa deve retroagir, pois ninguém
da sua conduta mediante o pagamento de multa, essa, pode escusar o seu conhecimento.

Noções de Direito Penal


ainda assim, deverá ser paga. c) Lei nova mais benéfica de ultra-agir para benefi-
Importante ressaltar que, a lei que beneficia o ciar o acusado
réu, não é uma faculdade do Juiz, é um dever, sempre d) Não existe extratividade de lei no ordenamento
adotada em benefício do acusado. jurídico pátrio.
e) Lei anterior mais benéfica deve ter ultra-ativida-
de para que assim possa beneficiar o acusado.
RESPOSTA: E. No Direito Penal brasileiro, a lei nunca
01. (ESAF) Quando uma lei penal nova torna atípico deve retroagir ou ultra-agir, salvo para beneficiar o
fato anterior definido como crime (incrimina- acusado.
dor), pode-se dizer que ocorreu:
a) Abolitio criminis Lei Excepcional ou Temporária
b) Novatio legis incriminadora Art. 3º A Lei excepcional ou temporária, embora de-
c) Novatio legis in pejus corrido o período de sua duração ou cessada as cir-
d) Novatio legis in mellius cunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato
praticado durante sua vigência.
e) Ofensa ao princípio da legalidade
→→ Lei Excepcional: utilizada em períodos de anorma-
RESPOSTA. A. De acordo com o Art. 2º do CP “ninguém lidade social.
pode ser punido por fato que lei posterior deixa de »» Ex.: Guerra, calamidades públicas, enchentes,
considerar crime” Abolitio Criminis (Abolição do grandes eventos, etc.
Crime). →→ Lei Temporária: período de tempo previamente
02. (FCC) Considerando os princípios que regulam a fixado pelo legislador.
aplicação da lei penal no tempo, julgue o item. »» Ex.: lei que configura o crime de pescar em
Pela abolitio criminis se fazem desaparecer o certa época do ano - piracema -, após lapso de
delito e todos seus reflexos penais, permanecen- tempo previamente determinado, a Lei deixa
do apenas os civis. de considerar tal conduta como crime.
CERTO. De acordo com o Art. 2 do Código Penal, pela 2005 2006
abolitio criminis, são extintos todos os efeitos penais.
Como o texto não trata dos efeitos civis, consequente- Período de surto Ultra-atividade
endêmico da lei
mente os mesmos permanece. Fato “A” não
03. (PGE) Em matéria de eficácia da lei penal no Fato “A” é Crime é mais crime
tempo, adotada a regra geral da prevalência da (notificação de epidemia)
lei do tempo do fato, a lei aplicável aos casos de →→ De 2005 a 2006, o fato “A” era considerado crime.
crimes permanentes será a Lei. Aqueles que infringiram a Lei responderam poste-
a) Vigente quando se iniciou a conduta ilícita do riormente, mesmo o fato não sendo considerado
agente. mais crime.
b) Mais benéfica, independente de quando se →→ Só ocorre retroatividade se a Lei posterior expres-
iniciou ou cessou a conduta. samente determinar.
c) Vigente quando cessou a conduta ilícita do É importante ressaltar que são leis excepcionais e
agente. temporárias, ou seja, a lei irá vigorar por determina-
d) Mais severa, independente de quando se iniciou do tempo, após isso, tal conduta não mais será con-
ou cessou a conduta do agente. siderada crime. Entretanto, durante a sua vigência,
RESPOSTA. C. De acordo com a Súmula 711 – STF, apli- todos aqueles que cometerem o fato tipificado em tais
ca-se ao crime permanente e ao crime continuado, a normas, mesmo encerrada sua vigência, serão punidos.
lei vigente quando cessou a conduta ilícita do agente,
mesmo que mais grave.
04. Considere a seguinte situação hipotética. Célio,
penalmente imputável, praticou um crime para Não existe “abolitio criminis” de Lei Temporária ou
o qual a lei comina pena de detenção de 6 meses Excepcional.
a 2 anos e multa e, após a sentença penal conde-
natória recorrível, nova lei foi editada, impondo
para a mesma conduta pena de reclusão de 1 a 4
anos e multa. Nessa situação, a nova legislação 01. A lei excepcional ou temporária, embora decor-
não poderá ser aplicada em decorrência do prin-
cípio da irretroatividade da lei mais severa. rido o período de sua duração ou cessadas as cir-
cunstâncias que a determinaram, não se aplica
CERTO. A lei não retroagirá, salvo para beneficiar o
ao fato praticado durante sua vigência.
agente. De acordo com o Art. 2º do CP parágrafo único
– A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o ERRADO. De acordo com o Art. 3º do CP “a lei excepcio-
agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decidi- nal ou temporária, embora decorrido o período de sua
dos por sentença condenatória transitada em julgado. duração ou cessadas as circunstâncias que a determina- 211
ram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência”.
02. As Leis excepcionais ou temporárias sempre se Sabe-se que, no crime de homicídio doloso, a
aplicarão aos fatos ocorridos sob seu império. pena é aumentada caso a vítima seja menor
Assim, de regra, são ultra-ativas, isto é, mesmo de 14 anos de idade, mas nessa situação, o
que revogadas serão aplicadas. aumento da pena não é aplicável, pois o homi-
CERTO. De acordo com o Art. 3º do CP: “a lei excepcio- cídio só se consumou quando a vítima já havia
nal ou temporária, embora decorrido o período de sua completado 14 anos de idade.
Noções de Direito Penal

duração ou cessadas as circunstâncias que a determina- ERRADO. De acordo com o Art. 4 do CP: considera-
ram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência”. -se praticado o crime no momento da ação ou
omissão, ainda que outro seja o momento do resul-
Tempo do Crime tado (Teoria da Atividade).
Art. 4º Considera-se praticado o crime no momento 02. De acordo com a Teoria da Atividade, insculpida
da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento no art. 4º do CP, considera-se praticado o crime
do resultado. no momento em que foi praticada a conduta
(ação ou omissão), independentemente de
→→ Teoria da Atividade: O crime reputa-se praticado quando ocorrerá o resultado.
no momento da conduta (momento da execução).
CERTO. É o que diz o Art. 4º do CP: Considera-se prati-
cado o crime no momento da ação ou omissão, ainda
que outro seja o momento do resultado.
A imputabilidade do agente deve ser aferida no Lugar do Crime
momento em que o crime é praticado. Art. 6º Considera-se praticado o crime no lugar
em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em
3 meses depois parte, bem como onde se produziu ou deveria pro-
“A” com 17 anos e 11 meses “B” Morre duzir-se o resultado.
Atira em “B” “A” com + de →→ Teoria da Ubiquidade: utilizada no caso de um crime
18 anos ser praticado em território nacional e o resultado ser
produzido no estrangeiro. O foro competente será
Este princípio traz o momento da ação do crime, ou
seja, independente do resultado, para aplicação da lei tanto o do lugar da ação ou omissão quanto o do local
penal, é considerado o momento exato da prática deli- em que produziu ou deveria produzir-se o resultado.
tuosa, seja ela comissiva - ação - ou, omissiva - omissão. Ambos os lugares são competentes para julgar o processo
»» Ex.: caso um menor “A”, cometa disparos de
arma de fogo contra “B”, vindo a feri-lo, entre- “A”, manda uma A carta explode
tanto, devido às lesões causadas pelos disparos, carta bomba pelo efetivamente em
três meses depois do fato, “B” vem a falecer. correio para LONDRES LONDRES
Nessa época, mesmo “A” tendo completado Local da ação Local que produziu ou
sua maioridade penal - 18 anos - ainda assim ou Omissão deveria produzir o resultado
não poderá ser punido, pois, no momento em
que praticou a conduta (disparos contra “B”), »» Ex.: nesse caso “A”, residente do Brasil, enviou
era inimputável. uma carta bomba pelo correio para Londres,
Devemos, contudo, ficar atentos aos crimes per- sendo assim, a carta efetivamente explode,
manentes e continuados, no caso do sequestro, por assim, tanto o Brasil, quanto a Inglaterra serão
exemplo, em que o crime se consuma a todo instante competentes para julgá-lo.
em que houver a privação de liberdade da vítima.

3 meses depois
“A” com 17 anos e 11 meses
˃˃ Não existe a teoria do “resultado”.
sequestra “B” Preso com
˃˃ São considerados para os crimes à distância,
18 anos países diferentes.
Crime de sequestro ˃˃ Não confundir os artigos
L ugar Art. 6º
Nesta situação em questão, “A” não será mais U biquidade
inimputável, pois no momento de sua prisão já havia
completado 18 anos, não considerado neste caso, o T empo Art. 4º
momento em que se iniciou a ação, mas sim, quando A tividade
cessou.

01. (CESPE) Apresentada a situação hipotética a 01. O nosso Código Penal adotou a Teoria do Re-
seguir, julgue o item: Manoel, com 22 anos de sultado como se observa no artigo 6º deste
idade, efetuou um disparo contra um adoles- Diploma Legal.
cente que completaria 14 anos no dia seguinte. ERRADO. De acordo com o Art. 6º do CP “Considera-se pra-
Em razão das lesões provocadas pelo disparo, o ticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão,
adolescente faleceu, já tendo completado os 14 no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou
212 anos de idade. deveria produzir-se o resultado”. Teoria da Ubiquidade.
Da Lei Penal no Espaço c) praticados em aeronaves ou embarcações
brasileiras, mercantes ou de propriedade
Da Aplicação da Lei Penal no Espaço privada, quando em território estrangeiro
e aí não venham a ser julgados.
Da Territorialidade § 1º Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo
Antes de iniciar o estudo do tópico, temos que ter a lei brasileira, ainda que absolvido ou condenado no
em mente que iremos estudar a Lei Penal e não a Lei estrangeiro.

Noções de Direito Penal


Processual Penal, que segue outra regra específica. § 2º Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasilei-
ra depende do concurso das seguintes condições:
Aqui trataremos de como se comporta a Lei Penal a) entra o agente no território nacional;
Brasileira quando ocorrerem crimes no exterior, ou b) ser o fato punível também no país em que
seja, Extraterritorialidade de lei. Portanto, quando foi praticado;
falamos em extraterritorialidade estamos tratando c) estar o crime incluído entre aqueles pelos
somente da Lei Penal e não da Lei Processual Penal. quais a lei brasileira autoriza a extradição;
d) não ter sido o agente absolvido no estran-
Territorialidade (Art. 5º) geiro ou aí não ter cumprido pena;
Lei Penal e) não ter sido o agente perdoado no estran-
geiro, ou, por outro motivo não estar extinta
Lei Penal Extraterritorialidade (Art. 7º) a punibilidade, segundo a lei mais favorável.
no espaço § 3º A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido
por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se
Lei Processual reunidas as condições previstas no parágrafo anterior:
Penal Regras específicas
a) não pedida ou negada sua extradição;
Falamos em Territorialidade quando se faz a aplica- b) houve requisição do Ministro da Justiça.
ção da lei penal dentro do próprio Estado que a editou. O que é Território Nacional?
Dessa forma, quando aplicamos a lei brasileira em nosso Podemos conceituar território nacional como sendo
solo, estamos usando o conceito de Territorialidade. o espaço onde certo Estado possui sua soberania.
A Territorialidade é tratada no Art. 5º, CP: aplica-se →→ Elementos que constituem um determinado
a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e Estado soberano:
regras de direito internacional, ao crime cometido no
território nacional. ˃˃ Território;
Território Nacional Próprio ˃˃ Povo;
→→ Art. 5º ˃˃ Organização jurídica.
Consideramos como território nacional as limita-
˃˃ Lei Brasileira: ções que temos no mapa do país e mais o mar terri-
»» Sem prejuízo torial, que representa a extensão de 12 milhas do mar
˃˃ Convenções, tratados e regras internacionais: a contar da costa e sempre na baixa maré. O código
»» Imunidades considera, também, território nacional o espaço aéreo
respectivo e o espaço aéreo correspondente ao terri-
§1º Território por extensão ou assimilação
tório nacional. Esse sempre devemos considerar como
→→ Embarcação ou aeronave brasileira pública (em território próprio.
qualquer lugar). Temos que considerar, também, como território
→→ Embarcação ou aeronave brasileira privada a nacional, o chamado território por extensão, assimila-
serviço do Estado brasileiro (em qualquer lugar). ção ou impróprio descrito no §1º do Art. 5º do Código
→→ Embarcação ou aeronave brasileira mercante ou Penal.
privada, desde que não esteja em território alheio. § 1º Para os efeitos penais, consideram-se como
A Extraterritorialidade é tratada no Art. 7º Ficam extensão do território nacional as embarcações
sujeitos à Lei Brasileira, embora cometidos no estrangeiro: e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a
serviço do governo brasileiro, onde quer que se en-
I. Os crimes: contrem, bem como as aeronaves e as embarcações
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente brasileiras, mercantes ou de natureza privada, que se
de República; achem, respectivamente no espaço aéreo correspon-
b) contra o patrimônio ou a fé pública da dente ou em alto mar.
União, do Distrito Federal, de Estado, § 2º É também aplicável a lei brasileira aos crimes
de Território, de Município, de empresa praticados a bordo de aeronaves ou embarcações
pública, sociedade de economia mista, au- estrangeiras, de propriedade privada, achando-se
tarquia ou fundação instituída pelo Poder aquelas em pouso no território nacional ou em voo
Público; no espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou
c) contra a administração pública, por quem mar territorial do Brasil.
está a seu serviço; Como mencionado, a lei penal aplica-se em todo
d) de genocídio, quando o agente for brasilei- o território nacional próprio ou por assimilação. Por
ro ou domiciliado no Brasil; esse princípio aplica-se aos nacionais ou estrangeiros
II. Os crimes: (mesmo que irregular) a lei penal brasileira.
a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se Contudo, em alguns casos, mesmo o fato sendo
obrigou a reprimir; praticado no Brasil, não será aplicada a lei penal a 213
b) praticados por brasileiros; esse fato, isso se deve quando ocorrer por meio de
convenções, tratados e regras de direito internacional, ˃˃ Territorialidade absoluta: impossibilidade para
aqui o Brasil abre mão de punir, ou seja, nesses casos aplicação de convenções, tratados e regras de
não se aplicará a Lei Brasileira. direito internacional, ao crime cometido no ter-
ritório nacional.
Dessa forma, o Princípio da Territorialidade da
Lei Penal é mitigado, ou seja, não é adotado de forma ˃˃ Territorialidade temperada: adota como regra
a aplicação da lei penal brasileira no território
absoluta e sim temperada, por esse motivo falamos em nacional. Entretanto, com determinadas hipóte-
Noções de Direito Penal

Princípio da Territorialidade temperada. ses, permite a aplicação de lei penal estrangeira a


Podemos dar como exemplo as imunidades di- fatos cometidos no Brasil (Art. 5º do CP).
plomáticas e consulares concedidas por meio de ˃˃ Imunidade: exclusão da aplicação da lei penal.
adesão do Brasil às convenções de Viena (1961 e ˃˃ Imunidade diplomática e consular: são imuni-
1963), aos diplomatas e aos cônsules que exercem dades previstas em convenções internacionais
suas atividades no Brasil. chancelados pelo Brasil.
Quando falamos em “território nacional”, obri- ˃˃ Imunidade parlamentar: previstas na Constitui-
gatoriamente temos que pensar em algumas regras: ção Federal aos membros do Poder Legislativo.
→→ Território Nacional
Todas as embarcações ou aeronaves brasileiras
de natureza pública, onde quer que se encontrem ˃˃ Próprio.
são consideradas parte do território nacional. ˃˃ Por assimilação ou extensão.
Para as embarcações e aeronaves de natureza »» Embarcação e aeronaves brasileiras: públicas
ou a serviço do Estado (em qualquer parte do
privada, serão estas consideradas extensão do terri- planeta) e privadas ou marcantes em águas ou
tório nacional quando se acharem, respectivamente, terras de ninguém.
no mar territorial brasileiro ou no espaço aéreo cor- Passaremos a tratar agora dos princípios que
respondente. Preste bem atenção, as de natureza regulam a aplicação da Lei Penal no espaço.
privada, sem estar a serviço do Brasil, somente res- ˃˃ Princípio da Territorialidade:
ponderão pela lei brasileira se estiverem dentro do
»» A lei penal de um país terá aplicação aos crimes
Brasil. cometidos dentro de seu território. Aqui, o Estado
Ex.: um navio brasileiro privado pelo mar da Ar- soberano tem o dever de exercer jurisdição sobre
gentina deverá responder pelas leis penais Argenti- as pessoas que estejam sem seu território.
nas, ou seja, caso um brasileiro mate o outro, a lei a ˃˃ Princípio da Nacionalidade
ser aplicada é a lei penal Argentina, pois o navio não »» Classificado também como “Princípio da Persona-
estava a serviço do Brasil. lidade”. Aqui os cidadãos de um determinado país
Por outro lado, se o navio estiver em alto mar devem obediência às suas leis, onde quer que se
(terra de ninguém - aplica-se o princípio do pavilhão ou encontrem. Podemos dividir esse princípio em:
da bandeira) e ostentar a bandeira brasileira e lá um ˃˃ Princípio da Nacionalidade Ativa:
marujo matar o outro, a competência é da lei brasileira. »» Aplica-se a lei nacional ao cidadão que comete
crime no estrangeiro, independentemente da
A mesma regra utilizamos para aeronaves. Uma nacionalidade do sujeito passivo ou do bem
questão interessante é por exemplo, se uma aeronave jurídico lesado.
pousar em um país distinto e o piloto cometer um crime ˃˃ Princípio da Nacionalidade Passiva:
e essa aeronave estiver a serviço do Brasil, aplica-se a
»» O fato praticado pelo nacional deve atingir um
lei brasileira. Caso a aeronave for particular aplica-se a bem jurídico de seu próprio estado ou de um
lei do país em que a aeronave estiver pousada. concidadão.
Questão interessante é se o piloto sair do aeroporto e ˃˃ Princípio da Defesa, Real ou de Proteção:
lá fora cometer um crime. Nesse caso temos que pergun- »» Aqui se leva em consideração a nacionalidade
tar se o piloto estava em serviço oficial ou não, se estiver do bem jurídico lesado (sujeito passivo), inde-
em serviço oficial aplicamos a lei penal brasileira, do con- pendentemente da nacionalidade do sujeito
trário, aplica-se a lei do país onde cometeu o crime. ativo ou do local da prática do crime.
→→ Resumo dos conceitos ˃˃ Princípio da Justiça Penal Universal ou da Uni-
versalidade:
˃˃ Território nacional: é o espaço onde determinado
estado exerce com exclusividade sua soberania. »» Aqui, todo Estado tem o direito de punir todo
e qualquer crime, independentemente da na-
˃˃ Território próprio: toda a base territorial por nós cionalidade do criminoso ou do bem jurídico
conhecida (o mapa), acrescida do mar territo- lesado, ou do local em que o crime foi prati-
rial, que é extensão de 12 milhas mar à dentro, a cado, bastando que o criminoso se encontre
contar da baixa maré. dentro do seu território. Assim, quem quer
que seja que cometa crime dentro do território
˃˃ Território por extensão: embarcações e aerona- nacional será processado e julgado aqui.
ves brasileiras: públicas ou a serviço do estado ˃˃ Princípio da Representação
(qualquer lugar do globo) e privadas em águas ou
terras de ninguém. »» A lei penal brasileira também será aplicada aos
delitos cometidos em aeronaves e embarcações
214 ˃˃ Territorialidade: aplicação da lei penal no territó- privadas brasileiras quando se encontrarem no
rio nacional. estrangeiro e aí não venham a ser julgadas.
§ 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasi-
leira depende do concurso das seguintes condições:
a) entrar o agente no território nacional;
O Código Penal brasileiro adota o princípio da ter- b) ser o fato punível também no país em que
ritorialidade como regra e os outros como exceção, foi praticado;
Assim, os outros princípios visam disciplinar a aplica- c) estar o crime incluído entre aqueles pelos

Noções de Direito Penal


ção “extraterritorial” da lei penal brasileira. quais a lei brasileira autoriza a extradição;
d) não ter sido o agente absolvido no estran-
geiro ou não ter aí cumprido a pena;
e) não ter sido o agente perdoado no es-
01. (FCC) É certo que se aplica a lei brasileira aos trangeiro ou, por outro motivo, não estar
crimes praticados à bordo de: extinta a punibilidade, segundo a lei mais
a) Embarcações brasileiras que estejam em mar favorável.
territorial estrangeiro. § 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime
b) Embarcações mercantes brasileiras que estejam cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do
em porto estrangeiro. Brasil, se, reunidas as condições previstas no pará-
grafo anterior:
c) Aeronaves mercantes brasileiras que estejam
em espaço estrangeiro. a) não foi pedida ou foi negada a extradição;
d) Aeronaves mercantes brasileiras que estejam b) houve requisição do Ministro da Justiça.
em pouso em aeroporto estrangeiro. A regra é de que a lei penal brasileira apenas aplica-
e) Embarcações estrangeiras de propriedade -se aos crimes praticados no Brasil (conforme estudado
privada que esteja em mar territorial brasileiro. no Art. 5º do Código Penal). No entanto, há situações
RESPOSTA. E. A questão pede a aplicação da lei bra- que, por força do Art. 7º, permitem o Estado aplicar sua
sileira, assim vamos explicar objetivamente cada legislação penal no estrangeiro. Nesta norma, encon-
item e ver os erros e a alternativa correta: A alter- tram-se diversos princípios, são eles:
nativa “A” está errada, pois as embarcações brasi- Defesa (também chamado de Real) amplia a aplica-
leiras (salvo se a serviço do Brasil) privadas devem ção da lei penal em decorrência da gravidade da lesão. É
ser julgadas pela lei do território que estejam de o aplicável no Art. 7º nas alíneas do inciso I, são elas:
passagem. A alternativa “B” segue a mesma linha, a) contra a vida ou a liberdade do Presidente
repare que a embarcação é mercante e não está a da República - Atenção: caso seja a prática
serviço do Brasil. As alternativas “C” e “D” mostram de latrocínio, não há a extensão da lei bra-
que as embarcações NÃO estavam a serviço do sileira, visto que o latrocínio é considerado
Brasil, assim, aplica-se à lei do país a que estiverem. crime contra o patrimônio.
O gabarito é a alternativa “E”, pois o princípio da ter- b) contra o patrimônio ou a fé pública da
ritorialidade está sendo utilizado, ou seja, dentro do União, do Distrito Federal, de Estado, de Ter-
território nacional aplica-se a lei pátria. ritório, de Município, de empresa pública,
sociedade de economia mista, autarquia ou
fundação instituída pelo Poder Público;
Extraterritorialidade c) contra a administração pública, por quem
Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora come- está a seu serviço;
tidos no estrangeiro:
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro
I. os crimes: ou domiciliado no Brasil - Há discussão qual
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente o princípio aplicável neste caso, havendo
da República; quem sustende ser da defesa, outros dizem
b) contra o patrimônio ou a fé pública da ser da nacionalidade ativa e outra corrente,
União, do Distrito Federal, de Estado, ainda, afirmando ser relacionado ao princí-
de Território, de Município,de empresa pio da Justiça Penal Universal.
pública, sociedade de economia mista, au- Justiça Penal Universal (também chamada de
tarquia ou fundação instituída pelo Poder Justiça Cosmopolita) - amplia a aplicação da legislação
Público; penal brasileira em decorrência da de tratado ou con-
c) contra a administração pública, por quem venção que o Brasil é signatário. Vem normatizada pelo
está a seu serviço; Art. 7º, inciso II, alínea “a”:
d) de genocídio, quando o agente for brasilei- a) Que, por tratado ou convenção, o Brasil se
ro ou domiciliado no Brasil; obrigou a reprimir.
II. os crimes:
Nacionalidade Ativa - amplia a aplicação da le-
a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se gislação penal brasileira ao exterior caso o crime
obrigou a reprimir;
seja praticado por brasileiro. Está prevista no Art. 7º,
b) praticados por brasileiro; inciso II, alínea “b”:
c) praticados em aeronaves ou embarcações b) Praticados por brasileiro;
brasileiras, mercantes ou de propriedade
privada, quando em território estrangeiro Representação (também chamado de Pavilhão ou
e aí não sejam julgados. da Bandeira ou da Substituição) - amplia a aplicação
§ 1º - Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo da legislação penal brasileira em decorrência do local
a lei brasileira, ainda que absolvido ou condenado no
estrangeiro.
em que o crime é praticado. Vem normatizada pelo Art. 215
7º, inciso II, alínea “c”:
c) Praticados em aeronaves ou embarcações restritiva de liberdade e, no Brasil, foi condena-
brasileiras, mercantes ou de propriedade do e teve sua pena substituída pela prestação
privada, quando em território estrangeiro
e aí não sejam julgados.
de serviços comunitários. Neste caso, deverá se
atenuar a pena no Brasil.
Nacionalidade Passiva - amplia a aplicação da legis-
lação penal brasileira em decorrência da nacionalidade Eficácia de Sentença Estrangeira
da vítima do crime. Vem normatizada pelo Art. 7º, §3º:
Noções de Direito Penal

Art. 9º - A sentença estrangeira, quando a aplicação


§3º: A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido da lei brasileira produz na espécie as mesmas conse-
por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil. quências, pode ser homologada no Brasil para:
Tais regras, de que a legislação penal brasileira I. obrigar o condenado à reparação do dano,
será aplicada no exterior, valem apenas para os crimes a restituições e a outros efeitos civis;
e nunca para as contravenções penais. Apesar da Lei II. sujeitá-lo a medida de segurança.
prever, no Art. 7º, que a lei brasileira também será Parágrafo único - A homologação depende:
aplicada no anterior, há determinadas regras para esta a) para os efeitos previstos no inciso I, de
aplicação, também normatizadas pelos parágrafos do pedido da parte interessada;
artigo em questão, vejamos: b) para os outros efeitos, da existência de
→→ Incondicionada - é a prevista para os casos nor- tratado de extradição com o país de cuja
matizados no Art. 7º, inciso I, alíneas “a” até “d”. autoridade judiciária emanou a sentença,
Segundo o Código Penal, o agente será processado ou, na falta de tratado, de requisição do
de acordo com a lei brasileira, mesmo que for ab- Ministro da Justiça.
solvido ou condenado no exterior (conforme nor- A regra geral é de que a sentença penal estrangeira
matizado pelo §1º do Art. 7º). Não exige qualquer não precisa ser homologada para produzir efeitos no
condição. Brasil. No entanto, o Art. 9º traz duas situações que ne-
→→ Condicionada - é a prevista para os casos norma- cessitam da homologação para que a sentença produza
tizados no Art. 7º, inciso II, alíneas “a” até “c”. São efeitos no Brasil, são elas:
as condições: →→ Para a produção de efeitos civis (por exemplo: re-
a) Entrar o agente no território nacional. paração de danos, restituições, entre outros). Neste
b) Ser o fato punível também no país em que caso, depende do pedido da parte interessada.
foi praticado.
c) Estar o crime incluído entre aqueles pelos →→ Para a aplicação de medida de segurança ao agente
quais a lei brasileira autoriza a extradição. da infração penal: caso exista tratado de extradição
d) Não ter sido o agente absolvido no estran- - necessita de requisição do Procurador-Geral da
geiro ou cumprido a pena. República. Caso inexista tratado de extradição - ne-
e) Não ter sido o agente perdoado no estran- cessita de requisição do Ministro da Justiça.
geiro.
Não estará extinta a punibilidade do agente, seja
Contagem de Prazo
Art. 10 - O dia do começo inclui-se no cômputo do
pela brasileira, seja pela lei estrangeira. prazo. Contam-se os dias, os meses e os anos pelo ca-
→→ Hipercondicionada - é a prevista para os casos lendário comum.
normatizados no Art. 7º, §3º. Chama-se pela A regra, aqui, é diversa da processual, visto que o
doutrina de hipercondicionada porque exige, além dia do começo do prazo penal inclui-se no cômputo do
das condições da condicionada, outras duas. São prazo. Por exemplo, determinado agente pratica uma
as condições: infração penal em 10 de agosto de 2012. Supondo que
˃˃ Não ser pedida ou, se pleiteada, negada a extra- esta infração penal possui um prazo prescricional de 08
dição. (oito) anos, a pretensão punitiva irá prescrever em 09
˃˃ Requisição do Ministro da Justiça. de agosto de 2020.
Pena Cumprida no Estrangeiro Frações Não Computáveis da Pena
Art. 8º - A pena cumprida no estrangeiro atenua a Art. 11 - Desprezam-se, nas penas privativas de liber-
pena imposta no Brasil pelo mesmo crime, quando dade e nas restritivas de direitos, as frações de dia,
diversas, ou nela é computada, quando idênticas. e, na pena de multa, as frações de cruzeiro. Ou seja,
Caso o agente seja processado no exterior e lá, caso após o cálculo da pena, remanescer frações de
condenado e cumprido pena, estipula-se neste artigo dia (por exemplo: o agente é condenado a pena de
que caso venha no Brasil a ser condenado pelo mesmo 15 (quinze) meses de detenção, com uma causa de
fato (no caso da extraterritorialidade incondicionada) , aumento de 1/2, a pena torna-se em 22,5 dias. Com a
norma deste artigo, despreza-se a fração de metade
deverá se verificar:
e a pena final é de 22 dias.
˃˃ Se as penas são idênticas, ou seja, da mesma qua- Do mesmo modo, aplica-se a regra à pena de multa,
lidade, deverá ser computada como cumprida no não sendo condenado o agente a pagar os centavos.
Brasil. Por exemplo: as duas são privativas de li-
berdade. Legislação Especial
˃˃ Se as penas são diversas, ou seja, de qualida- Art. 12 - As regras gerais deste Código aplicam-se
216 de diferente, deverá haver uma atenuação. Por aos fatos incriminados por lei especial, se esta não
exemplo: no exterior o agente cumpriu pena dispuser de modo diverso.
As infrações penais não estão apenas descritas 09. ‘’Taxatividade’’, em Direito Penal, significa que:
no Código Penal, mas também em outras leis, que se a) Os fatos descritos na lei penal admitem amplia-
denominam de leis especiais. Nestes casos, aplica-se, ções de entendimento.
desde que a lei especial não dispuser de modo diverso, b) O fato é típico ou atípico.
as regras gerais do Código Penal. c) O conjunto de normas incriminadoras admitem
pena de multa.

Noções de Direito Penal


d) As regras de direito penal decorrem do princípio
da reserva legal.
01. A analogia em direito penal é amplamente aceita 10. (CESPE) Sujeito ativo do crime é o que pratica
pela doutrina e jurisprudência pátria, inclusive a conduta delituosa descrita na lei e o que, de
para melhorar e piorar a situação do réu. qualquer forma, com ele colabora, ao passo que o
Certo ( ) Errado ( ) sujeito passivo do delito é o titular do bem jurídico
lesado ou posto em risco pela conduta criminosa.
02. As regras gerais deste Código aplicam-se aos
fatos incriminados por lei especial, se esta não Certo ( ) Errado ( )
dispuser de modo diverso.
Certo ( ) Errado ( )
03. No Direito Penal brasileiro, em regra, a pessoa 01 ERRADO 06 CERTO
jurídica não pode ser sujeito ativo. Por outro lado,
sempre poderá ser sujeito passivo de delitos. 02 CERTO 07 A
Certo ( ) Errado ( ) 03 ERRADO 08 D
04. (FCC) Adotada a Teoria Finalista, é possível se a 04 E 09 B
firmar que o dolo e a culpa integram:
a) Tipicidade e culpabilidade, respectivamente. 05 B 10 CERTO
b) Culpabilidade.
c) Antijuridicidade.
d) Culpabilidade e tipicidade, respectivamente.
e) Tipicidade. ____________________________________________
05. (FCC) Adotada a teoria finalista da ação, o dolo e a ____________________________________________
culpa integram a: ___________________________________________
a) Punibilidade; ___________________________________________
b) Tipicidade; ___________________________________________
c) Culpabilidade; ____________________________________________
___________________________________________
d) Imputabilidade; ____________________________________________
e) Antijuridicidade. ___________________________________________
06. De acordo com a doutrina naturalista da ação, o ___________________________________________
dolo tem caráter normativo, sendo necessário ___________________________________________
que o agente, além de ter consciência e vontade, ___________________________________________
saiba que a conduta praticada é ilícita. ___________________________________________
Certo ( ) Errado ( ) ____________________________________________
07. Assinale a alternativa falsa: ____________________________________________
____________________________________________
a) Pode-se definir ilicitude como a relação de anta- ____________________________________________
gonismo que se estabelece entre uma conduta ____________________________________________
humana voluntária e o ordenamento jurídico; ____________________________________________
b) O roubo de veículo automotor acarreta necessa- ____________________________________________
riamente um aumento de pena, se o veículo for ____________________________________________
transportado para o exterior; ____________________________________________
c) A difamação, em regra, não admite a exceção da ____________________________________________
verdade, enquanto a calúnia, em regra, a admite; ____________________________________________
____________________________________________
d) Pode-se afirmar que a analogia no direito penal ____________________________________________
só pode ser utilizada para beneficiar o réu. ____________________________________________
08. A chamada abolitio criminis faz cessar, em virtude ____________________________________________
dela: ____________________________________________
a) A execução da sentença condenatória, mas não ____________________________________________
os seus demais efeitos penais. ____________________________________________
b) A execução da pena em relação ao autor do ____________________________________________
crime, mas este benefício não se estende aos ____________________________________________
eventuais coautores ou partícipes. ____________________________________________
____________________________________________
c) Os efeitos penais da sentença condenatória, mas ____________________________________________
não a sua execução. ___________________________________________
d) A execução e os efeitos penais da sentença con- ___________________________________________ 217
denatória.
CAPÍTULO 01 Além de Guardião da Constituição, o STF possui
outra atribuição Constitucional, qual seja, a de Intérpre-
te do texto fundamental. É o Supremo quem define a
Introdução ao Direito melhor interpretação para esta ou aquela norma Cons-
titucional. Quando um Tribunal manifesta sua interpre-
Constitucional

Noções de Direito Constitucional


tação, dizemos que ele revelou sua Jurisprudência. A
Jurisprudência é o pensamento dos tribunais, sendo a
Noções Gerais jurisprudência do STF a que mais interessa para o estudo
Para iniciarmos o estudo do Direito Constitucional, do Direito Constitucional. E é exatamente neste ponto
alguns conceitos precisam ser esclarecidos, principalmen- que se encontra a maior importância do STF para o
te para aqueles que nunca tiveram contato com a matéria. objetivo que aqui se tem em vista: é essencial conhecer
Primeiramente, faz-se necessário conhecer qual sua jurisprudência, pois costuma cair em prova. Só para
será o objeto de estudo desta disciplina jurídica: Cons- se ter ideia da importância dessa matéria, é possível que
alguma jurisprudência do STF seja contrária ao próprio
tituição Federal. texto constitucional. Dessa forma, o aluno precisa ter
A Constituição Federal é simplesmente a norma uma dupla percepção: conhecer o texto da Constituição
mais importante de todo o ordenamento jurídico bra- e conhecer a Jurisprudência do STF.
sileiro. Ela é a norma principal, a norma fundamental. Contudo, ainda existe outra fonte de conhecimen-
Se pudéssemos posicionar as espécies normativas to essencial para o aprendizado em Direito Constitucio-
na forma de uma pirâmide hierárquica, a Constituição nal: a Doutrina.
Federal apareceria no topo desta pirâmide, ao passo A Doutrina é o pensamento produzido pelos estu-
que as outras espécies normativas estariam todas diosos do Direito Constitucional. Conhecer a Doutrina
abaixo dela, como na ilustração: também faz parte de sua preparação.
Em suma, para estudar Direito Constitucional é neces-
sário estudar:
→→ A Constituição Federal;
→→ A Jurisprudência do STF;
→→ Doutrina de Direito Constitucional.
Aqui será apresentado o conteúdo de Direito Cons-
titucional atualizado, objetivo e necessário para prova
de forma que se tenha à mão um material suficiente ao
estudo para concurso público.
Metodologia de Estudo
Para que sua preparação seja adequada, é necessá- Aproveitam-se essas considerações iniciais para
rio que se tenha em vista uma Constituição atualizada. passar uma dica de estudo que pode ser útil na prepa-
Isso porque a Constituição Federal foi promulgada em ração para concurso público. A preparação em Direito
1988, mas já foi alterada várias vezes. Significa dizer, Constitucional precisa observar 3 passos:
numa linguagem mais jurídica, que ela foi emendada.
→→ leitura da Constituição Federal;
As Emendas Constitucionais são a única forma de
alteração do Texto Constitucional. Portanto, jamais →→ leitura deste material didático;
uma lei, ou outra espécie normativa hierarquicamente →→ resolução de exercícios.
inferior à Constituição, poderá alterar o seu texto. O aluno que seguir esses passos certamen-
Neste ponto caberia a pergunta: o que torna a te chegará à aprovação em concurso público. Essa
Constituição Federal a norma mais importante do é a melhor orientação para quem está iniciando os
Direito Brasileiro? A resposta é muito simples: a Cons- estudos. Com a conjugação desses três passos, certa-
tituição possui alguns elementos que a distinguem das mente você atingirá seu objetivo.
outras espécies normativas, por exemplo: Classificações
→→ Os Princípios Constitucionais; A partir de algumas características que possuem
→→ Os Direitos Fundamentais; as Constituições, é possível classificá-las, agrupá-las.
→→ A Organização do Estado; As classificações abaixo não são as únicas possíveis,
→→ A Organização dos Poderes. realçando apenas aqueles elementos mais comumente
cobrados nos concursos públicos.
De nada adiantaria possuir uma Constituição
Federal com tantos elementos essenciais ao Estado se Quanto à origem, a Constituição pode ser Pro-
não existisse alguém para protegê-la. O próprio texto mulgada ou Outorgada. A Constituição Promulgada é
aquela decorrente de um verdadeiro processo demo-
constitucional previu um Guardião para a Constituição, crático para a sua elaboração, fruto de uma Assembleia
o Supremo Tribunal Federal (STF). Nacional Constituinte. A Outorgada é aquela imposta,
O STF é o órgão de cúpula do Poder Judiciário e unilateralmente, por um governante ou por um grupo
possui como atribuição principal a guarda da Consti- de pessoas, ao povo.
tuição. Ele é tão poderoso que se alguém editar uma Quanto à possibilidade de alteração, mutação,
norma que contrarie o disposto no texto constitu- podem ser Flexíveis, Rígidas ou Semirrígidas. As Cons-
cional, o Supremo a declarará inconstitucional. Uma tituições Flexíveis não exigem, para a sua alteração,
norma declarada inconstitucional pelo STF não produ- qualquer processo legislativo especial. As Rígidas, 317
zirá efeitos na sociedade.
contudo, dependem de um processo legislativo de ____________________________________________
alteração mais difícil do que aquele utilizado para as ____________________________________________
normas ordinárias. As Constituições Semirrígidas são ____________________________________________
aquelas cuja parte de seu texto só pode ser alterada ____________________________________________
por um processo mais difícil, sendo que outra parte ____________________________________________
Noções de Direito Constitucional

pode ser mudada sem qualquer processo especial. ____________________________________________


Quanto à forma adotada, as Constituições podem ____________________________________________
ser: Escritas ou Dogmáticas e Costumeiras. A Cons- ____________________________________________
tituição Dogmática é aquela que apresenta um único ____________________________________________
texto, no qual encontramos sistematizadas e organiza- ____________________________________________
das todas as disposições essenciais do Estado. A Cons- ____________________________________________
tituição Costumeira é aquela formada pela reunião ____________________________________________
de diversos textos esparsos, reconhecidos pelo povo ____________________________________________
como fundantes, essenciais. ____________________________________________
____________________________________________
Quanto à extensão, podem ser: Sintéticas ou Analí- ____________________________________________
ticas. A Constituição Sintética é aquela concisa, enxuta e ____________________________________________
que só traz as disposições políticas essenciais a respeito ____________________________________________
da forma, organização, fundamentos e objetivos do ____________________________________________
Estado. A Constituição Analítica é aquela que aborda ____________________________________________
diversos assuntos, não necessariamente relacionados ____________________________________________
com a organização do Estado e dos poderes. Ela desce ____________________________________________
a minúcias que poderiam figurar em uma lei ordinária, ___________________________________________
não precisando constar do texto constitucional. ___________________________________________
A partir das classificações apresentadas, a Constitui- ____________________________________________
ção Federal de 1988 pode ser considerada por Promul- ____________________________________________
gada, Rígida, Escrita e Analítica. ____________________________________________
____________________________________________
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318 ____________________________________________ ____________________________________________
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CAPÍTULO 01
Introdução ao Direito Os dois princípios norteadores do Direito Admi-
nistrativo são: supremacia do interesse público (gera
Administrativo
Noções de Direito Administrativo

os poderes) e indisponibilidade do interesse público


Neste capítulo vamos conhecer algumas caracte- (gera os deveres da administração).
rísticas do Direito Administrativo, seu conceito, sua fi-
nalidade, seu regime jurídico peculiar que orienta toda Conceito de Direito Administrativo
a sua atividade administrativa, seja ela exercida pelo Vários são os conceitos que podem ser encontrados
próprio Estado-administrador, ou por particular. Para na doutrina para o Direito Administrativo. Descrevere-
entendermos melhor tudo isso, é preciso dar início ao mos dois trazidos pela doutrina contemporânea. Veja:
nosso estudo pela compreensão adequada do papel do “O Direito Administrativo é ramo do direito público
direito na vida social. que tem por objeto órgãos, agentes e pessoas jurídicas
O direito é um conjunto de normas (regras e prin- administrativas que integram a Administração Pública.
cípios) impostas coativamente pelo Estado que regula- A atividade jurídica não contenciosa que exerce e os
rão a vida em sociedade, possibilitando a coexistência bens que se utiliza para a consecução de seus fins de
pacífica das pessoas. natureza pública1.”
“O Direito Administrativo é o conjunto harmônico
Ramos do Direito de princípios jurídicos que regem órgãos, agentes e ati-
O Direito é historicamente dividido em dois vidades públicas que tendem a realizar concreta, direta
grandes ramos: o Direito Público e o Direito Privado. e imediatamente os fins desejados pelo Estado2.”
Nesse, vale o princípio da igualdade (isonomia) entre
as partes; aqui não há que se falar em superioridade de Objeto do Direito Administrativo
uma parte sobre a outra. Por esse motivo, dizemos que Os conceitos de Direito Administrativo foram desen-
estamos em uma relação jurídica horizontal ou uma ho- volvidos de forma que se desdobram em uma sequên-
rizontalidade nas relações jurídicas. cia natural de tópicos que devem ser estudados ponto a
O Direito Privado é regulado pelo princípio da auto- ponto para que a matéria seja corretamente entendida.
nomia da vontade, o que traduz a regra a qual diz que Por meio desses conceitos, podemos constatar que
o particular pode fazer tudo que não é proibido (Art. 5º o objeto do Direito Administrativo são as relações da
inc. II da Constituição Federal). administração pública, sejam elas de natureza interna
No Direito Público, temos o Estado em um dos entre as entidades que a compõe, seus órgãos e
polos, representando os interesses da coletividade, agentes; sejam elas de natureza externa entre a admi-
e um particular desempenhando seus próprios inte- nistração e os administrados.
resses. Sendo assim, o ele é tratado com superiorida- Além de ter por objeto a atuação da administração
de ante ao particular, pois o Estado é o procurador da pública, também é foco do Direito Administrativo o de-
vontade da coletividade e, essa, representada pelo sempenho das atividades públicas quando exercidas
Estado, deve ser tratada de forma prevalente ante a por algum particular, como no caso das concessões,
vontade do particular. permissões e autorizações de serviços públicos.
O fundamento dessa relação jurídica vertical é Resumidamente, podemos dizer que o Direito Ad-
encontrado no princípio da supremacia do interesse ministrativo tem por objeto a administração pública e
público, que estudaremos com mais detalhes no tópico também as atividades administrativas, independente-
referente aos princípios. Mas já podemos adiantar mente de quem as exerçam.
que, como o próprio nome do princípio diz, o interes-
se público é supremo. Desse modo, são disponibiliza- Fontes do Direito Administrativo
das ao Estado prerrogativas especiais para que possa É o lugar donde provém algo, no nosso caso, donde
atingir os seus objetivos. Essas prerrogativas são os emanam as regras do Direito Administrativo. Esse não
poderes da administração pública. está codificado em um único livro. Dessa forma, para o
Esquema da Divisão do Direito estudarmos de maneira completa, temos que recorrer
às fontes, ou seja, a institutos esparsos. Por esse motivo,
Direito
Administrativo
dizemos que o Direito Administrativo está tipificado
(escrito), mas não está codificado em um único instituto.
˃˃ Lei: fonte principal do Direito Administrativo. A
Público Desigualdade lei deve ser compreendida em seu sentido amplo,
- Supremacia do Interesse
Estado Público Prerrogativas de o que inclui a Constituição Federal, as Normas
Divisão
Direito Público; Supra-legais, as leis e também os atos normativos
- Indisponibilidade do
do Direito Interesse Público Deveres
da própria administração pública. Temos como
da Administração; exemplo os Art. 37 ao 41 da Constituição Federal,
Indivíduo - Verticalidade nas relações a Lei 8666/93, a Lei 8112/90, a Lei de Improbida-
Privado Jurídicas. de Administrativa (Lei 8429/92), Processo Admi-
Igualdade nistrativo Federal (Lei 9784/99), etc.
Isonomia ˃˃ Jurisprudência: gênero que se divide entre: ju-
risprudência, que são decisões reiteradas judi-
Indivíduo Indivíduo
ciais em mesmo sentido e súmulas, as quais são
416 Horizontalidade nas relações jurídicas 1 Direito Administrativo, Maria Sylvia Zanella di Pietro, 23ª edição.
2 Conceito de Direito Administrativo do professor Hely Lopes Meirelles.
editadas pelos tribunais e não possuem efeito
vinculante; são resumos numerados que servem
de fonte de pesquisa do direito materializados em
livros, artigos e pareceres. Doutrina, que tem a fi- A Constituição Federal de 1988 adotou o sistema
nalidade de tentar sistematizar e melhor explicar inglês ou o do não contencioso administrativo.

Noções de Direito Administrativo


o conteúdo das normas de Direito Administrati-
vo; doutrina pode ser utilizada como critério de Via Administrativa de Curso Forçado
interpretação de normas, bem como auxiliar a São situações em que o particular é obrigado a seguir
produção normativa. todas as vias administrativas até o fim, antes de socorrer
˃˃ Costumes: conjunto de regras não escritas, ao poder judiciário. Isso é exceção, pois a regra é que, ao
porém, observadas de maneira uniforme, as particular, é facultado socorrer ao poder judiciário, por
quais suprem a omissão legislativa acerca de força do Art. 5º, inc. XXXV, da Constituição Federal.
regras internas da Administração Pública XXXV. A lei não excluirá da apreciação do Poder
Segundo Hely Lopes Meirelles, em razão da de- Judiciário lesão ou ameaça a direito.
ficiência da legislação, a prática administrativa vem (ver CF/88)
suprindo o texto escrito e, sedimentada na consciên- Exemplos de via administrativa de curso forçado:
cia dos administradores e administrados, a praxe bu- Aqui, o indivíduo deve esgotar as esferas adminis-
rocrática passa a saciar a lei e atuar como elemento trativas obrigatoriamente antes de ingressar com ação
informativo da doutrina. no poder judiciário.
˃˃ Justiça Desportiva: só são admitidas pelo poder
judiciário ações relativas à disciplina e as compe-
tições desportivas depois de esgotadas as instân-
Lei e Súmula Vinculante são consideradas fontes cias da Justiça Desportiva. CF, Art. 217, §1º.
principais do Direito Administrativo. Jurisprudência, ˃˃ Ato administrativo ou a omissão da administra-
súmulas, doutrina e costumes são considerados fontes ção pública que contrarie súmula vinculante: só
secundárias. pode ser alvo de reclamação ao STF depois de es-
→→ Esquema das Fontes do Direito gotadas as vias administrativas. Lei 11.417-2006,
Art. 7º , §1º.
Principais Fontes ˃˃ Habeas data: é indispensável para caracterizar o
Art. 37 ao 41 CF – 88
Lei 8.666 – 93 interesse de agir no habeas data a prova anterior
Lei Lei 8.112 – 90 do indeferimento do pedido de informação de
Lei 8.429 - 92 dados pessoais ou da omissão em atendê-lo sem
Lei 9.784 - 99 que se confirme situação prévia de pretensão.
Jurisprudência STF, HD, 22-DF Min. Celso de Mello.
Jurisprudência
Regime Jurídico Administrativo
Doutrina É o conjunto de normas e princípios de direito
Súmulas
público que regulam a atuação da administração
Súmulas
pública. Tais regras se fundamentam nos princípios da
Costumes supremacia e da indisponibilidade do interesse público,
Vinculantes (STF)
conforme estudaremos adiante.
Sistemas Administrativos O princípio da supremacia do interesse público é
É o regime que o Estado adota para o controle o fundamento dos poderes da Administração Pública,
dos atos administrativos ilegais praticados pelo poder afinal de contas, qualquer pessoa que tenha como fim
público nas diversas esferas e em todos os poderes. máximo da sua atuação o interesse da coletividade,
Existem dois sistemas que são globalmente utilizados. somente conseguirá atingir esses objetivos se dotadas
O sistema francês (do contencioso administrati- de poderes especiais.
vo), não utilizado no Brasil, determina que as lides ad- O princípio da indisponibilidade do interesse
ministrativas podem transitar em julgado, ou seja, as público é o fundamento dos deveres da Administração
decisões administrativas têm força de definibilidade. Pública, pois essa tem o dever de nunca abandonar o
Nesse sentido, falamos em dualidade de jurisdição, já interesse público e de usar os seus poderes com a fina-
que existem tribunais administrativos e judiciais, cada lidade de satisfazê-lo.
qual com suas competências. Desses dois princípios decorrem todos os outros
O sistema inglês, também chamado de jurisdicio- princípios e regras que se desdobram no regime
nal único ou unicidade da jurisdição, é o sistema que jurídico administrativo.
atribui somente ao poder judiciário a capacidade de
tomar decisões sobre a legalidade administrativa com Noções de Estado
caráter de coisa julgada ou definitividade. Conceito de Estado
O Direito Administrativo, no nosso sistema, não Estado é a pessoa jurídica territorial soberana.
pode fazer coisa julgada e todas as decisões adminis- ˃˃ Pessoa: capacidade para contrair direitos e obri-
trativas podem ser revistas pelo poder judiciário, pois gações.
somente ele pode dar resolução em caráter definitivo.
Ou seja, não cabem mais recursos, por isso, falamos em ˃˃ Jurídica: é constituída por meio de uma forma-
trânsito em julgado das decisões judiciais e nunca das lidade documental e não por uma mulher, tal
decisões administrativas. como a pessoa física. 417
˃˃ Territorial soberana: quer dizer que, dentro do ter-
ritório do Estado, esse detém a soberania, ou seja,
Noções de Governo
sua vontade prevalece ante a das demais pessoas O governo é atividade política e discricionária,
(sejam elas físicas ou jurídicas). Podemos definir tendo conduta independente. Governar está relacio-
soberania da seguinte forma: soberania é a inde- nado com a função política do Estado, a de comandar,
Noções de Direito Administrativo

pendência na ordem internacional (lá fora ninguém de coordenar, de direcionar e de fixar planos e diretri-
manda no Estado) e supremacia na ordem interna zes de atuação do Estado. O governo é o conjunto de
(aqui dentro quem manda é o Estado). Poderes e órgãos constitucionais responsáveis pela
função política do Estado.
Elementos do Estado O governo está diretamente ligado com as decisões
˃˃ Território: é a base fixa do Estado (solo, subsolo, tomadas pelo Estado. Exerce a direção suprema e
mar, espaço aéreo). geral uma analogia, podemos dizer que o governo é o
˃˃ Povo: é o componente humano do Estado. cérebro do Estado.
˃˃ Governo Soberano: é o responsável pela Função de Governo e Função Administrativa
condução do Estado. Por ser tal governo É comum aparecer em provas de concursos públicos
soberano, ele não se submete a nenhuma questões que confundem as ideias de governo e de ad-
vontade externa, pois, relembrando, lá fora ministração pública. Para evitar esse tipo de pegadinha,
o Estado é independente e aqui dentro sua analisaremos as diferenças entre as expressões:
vontade é suprema, afinal, a vontade do Estado é O governo é uma atividade política e discricionária
a vontade do povo. e tem conduta independente3.
Formas de Estado A administração é uma atividade neutra, normal-
Temos duas formas de Estado: mente vinculada à lei ou à norma técnica, e exercida
˃˃ Estado Unitário: é caracterizado pela centra- mediante conduta hierarquizada4.
lização política; não existe divisão em estados Não podemos confundir Governo com Adminis-
membros ou municípios, há somente uma esfera tração Pública, pois governo se encarrega de definir
política central que emana sua vontade para todo os objetivos do Estado e definir as políticas para o
o país. É o caso do Uruguai. alcance desses objetivos; a Administração Pública
˃˃ Estado Federado: caracteriza-se pela descentrali- se encarrega simplesmente em atingir os objetivos
zação política; existem diferentes entidades políti- traçados pelo governo.
cas autônomas que são distribuídas regionalmen- O governo atua mediante atos de soberania ou,
te e cada uma exerce o poder político dentro de pelo menos, de autonomia política na condução dos
sua área de competência. É o caso do Brasil. negócios públicos. A Administração é atividade neutra,
Poderes do Estado normalmente vinculada à lei ou à norma técnica.
Governo é conduta independente, enquanto a Admi-
Os poderes do Estado estão previstos no texto nistração é hierarquizada.
Constitucional.
O Governo deve comandar com responsabilidade
Art. 2º São Poderes da União, independentes e har- constitucional e política, mas sem responsabilidade
mônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judi-
ciário. (ver CF/88) técnica e legal pela execução. A Administração age sem
responsabilidade política, mas com responsabilidade
Os poderes podem exercer as funções para que técnica e legal pela execução dos serviços públicos.
foram investidos pela Constituição Federal (funções
típicas) ou executar cargos diversas das suas competên-
Sistemas de Governo
cias constitucionais (funções atípicas). Por esse motivo, Sistema de governo se refere ao grau de dependên-
não há uma divisão absoluta entre os poderes, e sim cia entre o poder legislativo e executivo. Diz respeito
aos seguintes:
relativa, pois o Poder Executivo pode executar suas
funções típicas (administrar) e pode também iniciar o →→ Parlamentarismo
processo legislativo em alguns casos (pedido de vagas ˃˃ É caracterizado por uma grande relação de de-
para novos cargos). Além disso, é possível até mesmo pendência entre o poder legislativo e o executivo.
legislar no caso de medidas provisórias com força de lei. ˃˃ A chefia do Estado e a do Governo são desempe-
Esquema Didático nhadas por pessoas distintas.
»» Chefe de Estado: responsável pelas relações in-
Poderes Funções Típicas Funções Atípicas ternacionais.
Legislativo
Criar Leis Administrar »» Chefe de Governo: responsável pelas relações
Fiscalizar (tribunal de contas) Julgar Conflitos internas, o chefe de governo é o da Administra-
Executivo Administrar
Criar Leis ção pública.
Julgar Conflitos
→→ Presidencialismo
Administrar
Judiciário Julgar Conflitos ˃˃ É caracterizado por não existir dependência, ou
Criar Leis
quase nenhuma, entre o poder legislativo e o
É importante notar que a atividade administrati- executivo.
va está presente nos três poderes, por isso, o Direito ˃˃ A chefia do Estado e a do Governo são represen-
Administrativo, por ser um dos ramos do Direito tadas pela mesma pessoa.
Público, disciplina não somente a atividade adminis- ˃˃ O Brasil adota o presidencialismo.
trativa do Poder Executivo, mas também a do Poder
418 Legislativo e do Judiciário.
3 Conceito de Governo do professor Hely Lopes Meirelles.
4 Conceito de Administração Pública do professor Hely Lopes Meirelles.
Formas de Governo Administração Pública Brasileira, que, conforme
veremos a seguir, adota o modelo formal de classi-
Forma de governo se refere à relação entre gover- ficação.
nantes e governados5.
→→ Monarquia
Sentido Formal / Subjetivo

Noções de Direito Administrativo


Em sentido formal ou subjetivo, a Administração
˃˃ Hereditariedade: o poder é passado de pai para Pública compreende o conjunto de órgãos e pessoas ju-
filho. rídicas encarregadas, por determinação legal, do exer-
˃˃ Vitaliciedade: o detentor do poder fica no cargo cício da função administrativa do Estado.
até a morte. Pelo modelo formal, a Administração Pública é o
Ausência de prestação de contas. conjunto de entidades (pessoas jurídicas, seus órgãos
→→ República e agentes) que o nosso ordenamento jurídico iden-
˃˃ Eletividade: o governante precisa ser eleito para tifica como Administração Pública6, pouco interessa
chegar ao poder. a sua área de atuação, ou seja, pouco importa a ativi-
dade mas, sim, quem a desempenha. A Administração
˃˃ Temporalidade: ao chegar ao poder, o governan- Pública Brasileira que adota o modelo formal é classifi-
te ficará no cargo por tempo determinado. cada em administração direta e indireta.
Dever de prestar contas. Organização da Administração
O Brasil adota a república como forma de governo. A Administração Pública foi definida pela Constitui-
Administração Pública ção Federal no Art. 37.
Art. 37. A Administração Pública direta e indireta
Antes de fazermos qualquer conceituação doutri- de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
nária sobre Administração Pública, podemos entendê- Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princí-
-la como a ferramenta utilizada pelo Estado para atingir pios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publi-
os seus objetivos. O Estado possui objetivos, e quem cidade e eficiência e, também, ao seguinte: (ver CF/88)
escolhe quais são eles é o seu governo, pois a esse é que O Decreto 200/67 determina quem é Administra-
cabe a função política (atividade eminentemente discri- ção Pública Direta e Indireta.
cionária) do Estado e que determina as suas vontades,
Art. 4º A Administração Federal compreende:
ou seja, o Governo é o cérebro do Estado. Para poder
atingir esses objetivos, o Estado precisa fazer algo, e I. A Administração Direta, que se constitui
o faz por meio de sua Administração Pública. Sendo dos serviços integrados na estrutura ad-
ministrativa da Presidência da República e
assim, essa é a responsável pelo exercício das atividades dos Ministérios.
públicas do Estado.
II. A Administração Indireta, que compreen-
Administração de as seguintes categorias de entidades,
Estado Objetivo dotadas de personalidade jurídica própria:
Pública
a) Autarquias;
b) Empresas Públicas;
Meio c) Sociedades de Economia Mista.
Classificação de Administração Pú- d) Fundações públicas.
Dessa forma, temos somente quatro pessoas que
blica representam a Administração Direta e nenhuma outra.
Sentido Material / Objetivo São consideradas pessoas jurídicas de direito público e
Em sentido material ou objetivo, a Administração possuem várias características (ver esquema didático
Pública compreende o exercício de atividades pelas abaixo). As pessoas da Administração Direta recebem
quais se manifesta a função administrativa do Estado. o nome de pessoas políticas do estado.
Compõe a Administração Pública material qualquer A Administração Indireta também representa um
pessoa jurídica, seus órgãos e agentes que exercem as rol taxativo e não cabe ampliação. Nessa também
ATIVIDADES administrativas do Estado. Como exemplo só existem 4 pessoas da Administração Indireta e
de tais atividades, há a prestação de serviços públicos, nenhuma outra; elas possuem características marcan-
o exercício do poder de polícia, o fomento, a interven- tes; contudo, não possuem a mais importante e que
ção e as atividades da Administração Pública. diferencia das pessoas políticas do Estado, ou seja, a
capacidade de legislar (capacidade política).
Essas são as chamadas atividades típicas do Estado
e, pelo critério formal, qualquer pessoa que exerce Administração Direta
alguma dessas é Administração Pública, não importa A Administração Direta é representada pelas entida-
quem seja. Por esse critério, teríamos, por exemplo, as des políticas. São elas: União, Estados, DF e os municípios.
seguintes pessoas na Administração Pública:
A definição no Brasil foi feita pelo Decreto-Lei
˃˃ União, Estados, Municípios, DF, Autarquias, Fun- 200/67, que dispõe sobre a organização da Adminis-
dações Públicas prestadoras de serviços públicos, tração Federal e estabelece diretrizes para a Reforma
Empresa Pública prestadora de serviço público, Administrativa.
Sociedade de Economia Mista prestadora de
serviços públicos e, ainda, as concessionárias, au- É importante observar que esse decreto dispõe
torizatárias e permissionárias de serviço público. somente sobre a Administração Pública Federal,
todavia, pela aplicação do princípio da simetria, tal
Esse critério não é o adotado pelo Brasil. Assim regra é aplicada uniformemente por todo o território
sendo, a classificação feita acima não descreve a 419
5 Conceito de Governo do professor Hely Lopes Meirelles. 6 Conceito de Administração pública do professor Hely Lopes Meirelles.
nacional. Assim sendo, tal classificação utilizada nesse »» Descentralização por delegação (também
decreto define expressamente a Administração Pública chamada de descentralização por colaboração):
Federal e também, implicitamente, a Administração é feita em regra por um contrato administrativo
Pública dos demais entes da federação. e, nesses casos, depende de licitação; também
Os Entes Políticos possuem autonomia política (ca- pode acontecer descentralização por delegação
Noções de Direito Administrativo

pacidade de legislar), administrativa (capacidade de por meio de um ato administrativo. Transfere


auto - organizar-se) e capacidade financeira (capaci- somente a execução da atividade administrativa,
dade de julgar as próprias contas). Não podemos falar e não a sua titularidade, por prazo determinado
aqui em hierarquia entre os entes, mas sim em coope- para um particular, pessoa física ou jurídica.
ração, pois um não dá ordens aos outros, visto que eles Administração
são autônomos. Direta
Características
˃˃ São pessoas jurídicas de direito público interno =
tem autonomia. Outorga Legal Delegação

˃˃ Unidas formam a república federativa do Brasil:


pessoa jurídica de direito público externo = tem Entes da Administração
Particulares que vão
executar o serviço público
soberania (independência na ordem externa e Indireta
por sua conta e risco.

supremacia na interna).
˃˃ Regime jurídico de direito público.  Autarquias
 Fundações  Concessões
˃˃ Autonomia: Públicas
 Empresas Públicas
 Permissões
 Autorizações
»» Política;  Sociedades de
Economia Mista

»» Administrativa; Outorga Legal:


»» Financeira. »» Feita por lei;
Os Entes Políticos possuem autonomia política (ca- »» Transfere a titularidade e a execução do
pacidade de legislar), administrativa (capacidade de serviço público;
auto - organizar-se) e capacidade financeira (capacida- »» Não tem prazo.
de de julgar as próprias contas).
Delegação:
˃˃ Sem subordinação: atuam por cooperação.
»» Feita por contrato, exceto as autorizações;
˃˃ Competências: hauridas da CF.
»» Os contratos dependem de licitação;
˃˃ Responsabilidade civil - regra - objetiva.
»» Transfere somente a execução do serviço
˃˃ Bens: públicos, não pode ser objeto de seques- público e não a titularidade;
tro, arresto, penhora, etc.
»» Há fiscalização do Poder Público. Tal fiscaliza-
˃˃ Débitos judiciais: são pagos por precatórios. ção decorre do exercício do poder disciplinar;
˃˃ Regime de pessoal: regime jurídico único. »» Tem prazo.
˃˃ Competência para julgamento de ações judiciais. ˃˃ Desconcentração administrativa: técnica de
»» União = Justiça Federal. subdivisão de órgãos públicos para que melhor
»» Demais entes políticos = Justiça Estadual. desempenhem o serviço público ou atividade ad-
ministrativa. Em outras palavras, na desconcen-
Noção de Centralização, Descen- tração, a Pessoa Jurídica distribui competências
tralização e Desconcentração no âmbito de sua própria estrutura. É a distribui-
ção de competências entre os diversos órgãos in-
˃˃ Centralização Administrativa: órgãos e agentes tegrantes da estrutura de uma pessoa jurídica da
trabalhando para a Administração Direta. Administração Pública. Somente ocorre na Admi-
˃˃ Descentralização Administrativa: técnica admi- nistração Direta ou Indireta, jamais para particu-
nistrativa em que a Administração direta passa a lares, uma vez que não existem órgãos públicos
atividade administrativa, serviço ou obra pública entre particulares.
para outras pessoas jurídicas ou físicas (para
pessoa física somente por delegação por cola-
Administração Indireta
˃˃ Pessoas / Entes / Entidades Administrativas
boração). A descentralização pode ser feita por
outorga legal (titularidade + execução) ou diante »» Fundações públicas;
delegação por colaboração (somente execução). »» Autarquias;
A outorga legal cria as pessoas da Administração »» Sociedades de Economia Mista;
Indireta (FASE). A Delegação por colaboração »» Empresas Públicas.
gera os concessionários, permissionários e Auto-
rizatários de serviços públicos: Características
˃˃ Tem personalidade jurídica própria;
»» Descentralização por outorga legal (também
chamada de descentralização técnica, por ˃˃ Tem patrimônio e receita próprios;
serviços, ou funcional): é feita por lei e transfere ˃˃ Tem autonomia
a titularidade e a execução da atividade adminis- »» administrativa;
trativa por prazo indeterminado para uma pessoa »» técnica;
420 jurídica integrante da administração indireta. »» financeira.
Obs.: não tem autonomia política.
˃ Finalidade definida em lei; Descentralização por
˃ Controle do estado. Outorga Legal (lei)
Não há subordinação nem hierarquia entre os

Noções de Direito Administrativo


entes da administração direta e indireta, mas sim,
vinculação que se manifesta por meio da supervisão Lei AUTORIZA a
ministerial realizada pelo ministério ou secretaria da Lei CRIA
Criação
pessoa política responsável pela área de atuação da
entidade administrativa. Tal supervisão tem por fina-
lidade o exercício do denominado controle finalístico Pessoa Jurídica de Pessoa Jurídica de
ou poder de tutela. Direito Público direito Privado
Em alguns casos, a entidade administrativa pode
estar diretamente vinculada à chefia do poder execu-
tivo e, nesse contexto, caberá a essa chefia o exercício Fundação Pública
do controle finalístico de tal entidade: Autarquia Empresa Pública
˃ São frutos da descentralização por outorga legal: Soc. de Econ. Mista
˃ Nomeação de Dirigentes:
˃ Extinção dos entes da administração indireta:
Os dirigentes das entidades administrativas são » Só lei revoga lei.
nomeados pelo chefe do poder a que está vinculada a
respectiva entidade, ou seja, as entidades administra- » Se a lei cria, a lei extingue.
tivas ligadas ao poder executivo federal têm seus diri- » Se a lei autoriza a criação, autoriza também a
gentes nomeados pelo chefe de tal poder, que, nesse extinção.
caso, é o(a) Presidente(a) da República. Relação da Administração Pública
É válido lembrar que, em todos os poderes, existe Direta com a Indireta
a função administrativa: no Executivo, de forma típica, As entidades compreendidas na Administração
e nos demais poderes, de forma atípica. Além disso, a Indireta vinculam-se ao Ministério em cuja área de
função administrativa de todos os poderes é exercida competência estiver enquadrada sua principal ativida-
pela sua Administração Pública (Administração Direta de. Dessa forma, não há que se falar em hierarquia ou
e Indireta), assim sendo, existe Administração Pública subordinação, mas, sim “vinculação”.
direta e indireta nos três poderes e, caso uma entidade
administrativa seja vinculada ao Poder Legislativo A vinculação entre a Administração direta e a Ad-
ou Judiciário, caberá ao chefe do respectivo poder a ministração Indireta gera o chamado controle finalís-
nomeação de tal dirigente. tico ou supervisão ministerial. Assim, a Administração
Direta não pode intervir nas decisões da Indireta, salvo
Excepcionalmente, a nomeação de um dirigen- se ocorrer a chamada fuga de finalidade.
te pode depender ainda de aprovação do poder le-
gislativo. Na esfera federal, temos como exemplo a
nomeação dos dirigentes das agências reguladoras. SSubordinação
ubordinação e
Tais nomeações são feitas pelo Presidente da Repú- Hierarquia
blica e, para terem efeito, dependem de aprovação do
Senado Federal. Administração Vínculo Administração
Via de regra, lembraremos que a nomeação do Direta Indireta
dirigente de uma entidade administrativa é feita pelo
chefe do Poder Executivo, sendo que, em alguns casos, Controle Supervisão
é necessária a prévia aprovação de outro Poder. Ex- Finalístico Ministerial
cepcionalmente, o Judiciário e o Legislativo poderão
nomear dirigentes para essas entidades, desde que
vinculadas ao respectivo poder.
˃ Criação dos entes da Administração Indireta.
Julgue o item abaixo acerca do controle e da respon-
A instituição das entidades administrativas depende sabilização da administração.
sempre de uma lei ordinária específica. Essa lei pode
criar a entidade administrativa. Nesse caso, nasce uma 01. (CESPE) A hierarquia é o escalonamento em plano
pessoa jurídica de direito público, as autarquias. A lei vertical dos órgãos e agentes da Administração.
também pode autorizar a criação das entidades admi- Desse modo, se, de um lado, os agentes de grau
superior têm poderes de fiscalização e de revisão
nistrativas. Nessa circunstância, nascem as demais en- sobre os agentes de grau menor, os órgãos supe-
tidades da administração indireta: fundações públicas, riores, como os ministérios, exercem o controle
empresas públicas e sociedades de economia mista. sobre os demais órgãos de sua estrutura adminis-
Pelo fato dessas entidades serem autorizadas por lei, trativa e sobre os entes a eles vinculados.
elas são pessoas jurídicas de Direito Privado.
ERRADO. A questão trata da relação da Administra-
A lei que cria ou que autoriza a criação de uma ção Direta (ministério é um órgão autônomo da Admi-
entidade administrativa é uma lei ordinária específica. nistração Direta) com a Indireta. O controle realmen-
Quando a lei autoriza a criação de uma entidade da te existe, mas não na modalidade hierarquia como
administração indireta, a sua construção será consu- afirma a questão. O nome é controle finalístico ou su-
mada após o registro na serventia registral pertinente pervisão ministerial.
(cartório ou junta comercial, conforme o caso).
421
Autarquias administração direta e são Autarquias territoriais, pois
são criados por lei e assumem personalidade jurídica
Autarquia é a pessoa jurídica de direito público, de direito público.
criada por lei, com capacidade de autoadministração,
para o desempenho de serviço público descentralizado ˃˃ Associações Públicas (Autarquias Inter federati-
vas ou Multifederativas):
Noções de Direito Administrativo

(atividade típica do Estado). É o próprio serviço público


personificado.
Vejamos a seguir as suas características:
˃˃ Personalidade Jurídica: Direito Público: Consórcio público de direito público.
»» Recebem todas as prerrogativas do Direito O consórcio público: pessoa jurídica formada ex-
Público. clusivamente por entes da Federação, na forma da Lei
˃˃ Finalidade: atividade típica do Estado. nº 11.107, de 2005, para estabelecer relações de coo-
˃˃ Regime Jurídico: público. peração federativa, inclusive a realização de objeti-
vos de interesse comum, constituída como associação
˃˃ Responsabilidade Civil: objetiva. pública, com personalidade jurídica de direito público
˃˃ Bens: Públicos (não podem ser objeto de e natureza autárquica, ou como pessoa jurídica de
penhora, arresto, sequestro). direito privado, sem fins econômicos.
»» Ao serem constituídas, recebem patrimônio Sendo assim, não é todo consórcio público que
do Ente Instituidor e, a partir desse momento, representa uma Autarquia Interfederativa, mas
seguem com sua autonomia. somente os públicos de direito público.
˃˃ Débitos Judiciais: pagamento por precatórios. ˃˃ Autarquia fundacional ou Fundação Autárquica:
˃˃ Regime de Pessoal: Regime Jurídico Único. As Fundações públicas de Direito Público
˃˃ Competência para o julgamento de suas ações (exceção) são consideradas, na verdade, uma espécie
judiciais: de “autarquia”.
»» Autarquia Federal = Justiça Federal.
»» Outras Esferas = Justiça Estadual.
˃˃ Exemplos: INSS, Banco Central do Brasil. I. Agências executivas: as agências executivas não
Espécies de Autarquias se configuram como pessoas jurídicas, menos
→→ Comum ou Ordinária (de Acordo com Decreto ainda outra classificação qualquer. Representam,
200-67). na prática, um “título” que é dado às autarquias
e fundações públicas que assinam contrato de
São as autarquias que recebem as características gestão com a Administração Pública. Art. 37 §8º.
principais, ou seja, criadas diretamente por lei, pessoas
jurídicas de direito público e que desempenham um II. Conselhos fiscalizadores de profissões são consi-
serviço público especializado; seu ato constitutivo é a derados autarquias. Contudo, comportam uma
própria lei. exceção muito importante.
→→ Sob regime especial Exceção: ADI 3.026-DF Min. Eros Graus. 08-06-2006.
OAB: considerada entidade “sui generis”, um serviço
As autarquias em regime especial são submetidas independente não sujeita ao controle finalístico da
a um regime jurídico peculiar, diferente do jurídico Administração Direta.
relativo as autarquias comuns.
Por autarquia comum deve-se entender as ordi- Fundação Pública
nárias, aquelas que se submetem a regime jurídico Fundação Pública - entidade dotada de persona-
comum das autarquias. Na esfera federal, o regime
jurídico comum das autarquias é o Decreto-Lei 200/67. lidade jurídica de Direito Privado, sem fins lucrativos,
criada em virtude de autorização legislativa, para o de-
Se a autarquia além das regras do regime jurídico senvolvimento de atividades que não exijam execução
comum ainda é alcançada por alguma regra especial,
peculiar às suas atividades, será considerada uma au- por órgãos ou entidades de direito público, com au-
tarquia em regime especial. tonomia administrativa, patrimônio próprio gerido
pelos respectivos órgãos de direção e funcionamento
˃˃ Agências reguladoras:
custeado por recursos da União e de outras fontes.
São responsáveis por regular, normatizar e fiscali-
zar determinados serviços públicos que foram delega- Regra
dos ao particular. Em razão dessa característica, elas ˃˃ Autorizada por lei.
têm mais liberdade e maior autonomia, se comparadas ˃˃ Pessoa jurídica de Direito Privado.
com as Autarquias comuns. ˃˃ Depende de registro dos atos constitutivos na
»» Ex.: ANCINE, ANA, ANAC, ANTAQ, ANATEL, junta comercial.
ANEEL, ANP, ANTT. ˃˃ Depende de lei complementar que especifique o
˃˃ Autarquia Territorial: campo de atuação.
É classificado como Autarquia territorial, o espaço Exceção
que faça parte do território da União, mas que não ˃˃ Criada diretamente por lei.
se enquadre na definição de Estado membro, DF ou
município. No Brasil atual, não existem exemplos ˃˃ Pessoa jurídica de direito público.
de Autarquias territoriais, mas elas podem vir a ser ˃˃ Possui um capital personalizado (diferença mera-
422 criadas. Nesse caso, esses territórios fazem parte da mente conceitual).
˃˃ Considerada pela doutrina como autarquia fun- § 2º - As empresas públicas e as sociedades de
dacional. economia mista não poderão gozar de privilégios
fiscais não extensivos às do setor privado.
§ 3º - A lei regulamentará as relações da Empresa
Pública com o Estado e a sociedade.

Noções de Direito Administrativo


As fundações públicas de direito público, na § 4º - A lei reprimirá o abuso do poder econômico
verdade, são espécie de autarquia, sendo chamadas que vise à dominação dos mercados, à eliminação da
pela doutrina como autarquias fundacionais. concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros.
Características § 5º - A lei, sem prejuízo da responsabilidade indivi-
dual dos dirigentes da pessoa jurídica, estabelecerá
˃˃ Personalidade Jurídica: Direito Privado. a responsabilidade desta, sujeitando-a as punições
˃˃ Finalidade: lei complementar definirá – sem fins compatíveis com sua natureza, nos atos praticados
lucrativos. contra a ordem econômica e financeira e contra a
economia popular.
˃˃ Regime Jurídico: híbrido (regras de direito
público + Direito Privado) incontroverso. Empresas públicas e sociedades de economia
˃˃ Responsabilidade Civil: se for prestadora de serviço mista prestadoras de serviço público
público é objetiva, caso contrário é subjetiva. Essas entidades são criadas para a exploração da
˃˃ Bens: privados, com exceção: bens diretamente atividade econômica em sentido amplo, o que inclui
ligados à prestação de serviço público são bens o exercício delas em sentido estrito e também a pres-
públicos. tação de serviços públicos que podem ser explorados
˃˃ Débitos Judiciais: são pagos por meio do seu pa- com o intuito de lucro.
trimônio, com exceção dos bens diretamente Segundo o Art. 175 da Constituição Federal:
ligados à prestação de serviços públicos, que são Art. 175 - Incumbe ao Poder Público, na forma da
bens públicos e não se submetem a pagamento lei, diretamente ou sob regime de concessão ou per-
de débitos judiciais. missão, sempre através de licitação, a prestação de
˃˃ Regime de Pessoal: Regime Jurídico Único. serviços públicos.
˃˃ Competência para o julgamento de suas ações Parágrafo único. A lei disporá sobre:
judiciais: I. o regime das empresas concessionárias
e permissionárias de serviços públicos, o
»» Justiça Federal. caráter especial de seu contrato e de sua
»» Outras esferas = Justiça Estadual. prorrogação, bem como as condições de
˃˃ Exemplos: IBGE, Biblioteca Nacional, FUNAI. caducidade, fiscalização e rescisão da con-
cessão ou permissão;
Empresas Públicas e Sociedades de II. os direitos dos usuários;
Economia Mista (Empresas Estatais) III.
IV.
política tarifária;
a obrigação de manter serviço adequado.
São pessoas jurídicas de Direito Privado, criadas pela
administração direta por meio de autorização da lei, Não se inclui nessa categoria os serviços públicos
relativos aos direitos sociais, pois esses não podem
com o respectivo registro, para a prestação de serviços ser prestados com o intuito de lucro pelo Estado e,
públicos ou a exploração da atividade econômica. também, não são de titularidade exclusiva do Estado,
Empresas públicas e sociedades de economia podendo ser livremente explorados por particulares.
mista exploradoras da atividade econômica: Características Comuns das Empresas
Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Cons-
tituição, a exploração direta de atividade econômica
Públicas e Sociedades de Economia
pelo Estado só será permitida quando necessária aos Mista
imperativos da segurança nacional ou a relevante in- ˃˃ Personalidade Jurídica: Direito Privado.
teresse coletivo, conforme definidos em lei.
˃˃ Finalidade: prestação de serviço público ou a ex-
§ 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da Empresa ploração da atividade econômica.
Pública, da sociedade de economia mista e de suas
subsidiárias que explorem atividade econômica de ˃˃ Regime Jurídico Híbrido: se for prestadora de
produção ou comercialização de bens ou de presta- serviço público, o regime jurídico é mais público;
ção de serviços, dispondo sobre: se for exploradora da atividade econômica, o
I. sua função social e formas de fiscalização regime jurídico é mais privado.
pelo Estado e pela sociedade; ˃˃ Responsabilidade Civil: se for prestadora de
II. a sujeição ao regime jurídico próprio das serviço público, a responsabilidade civil é
empresas privadas, inclusive quanto aos objetiva, se for exploradora da atividade econô-
direitos e obrigações civis, comerciais, tra- mica, a civil é subjetiva.
balhistas e tributários;
˃˃ Bens: privados, com exceção: bens diretamente
III. licitação e contratação de obras, serviços, ligados à prestação de serviço público são bens
compras e alienações, observados os prin- públicos.
cípios da Administração Pública;
IV. a constituição e o funcionamento dos con- ˃˃ Débitos Judiciais: são pagos por meio do seu pa-
selhos de administração e fiscal, com a par- trimônio, com exceção dos bens diretamente
ticipação de acionistas minoritários; ligados à prestação de serviços públicos, que são
V. os mandatos, a avaliação de desempenho bens públicos e não se submetem a pagamento
e a responsabilidade dos administradores. de débitos judiciais. 423
˃˃ Regime de Pessoal: CLT – Emprego Público.
˃˃ Exemplo de Empresa Pública: Caixa Econômica
Federal, Correios.
01. (CESPE) Julgue o seguinte item, referente à or-
˃˃ Exemplo de Sociedade de Economia Mista: Banco ganização da Administração Pública: na esfera
Noções de Direito Administrativo

do Brasil e Petrobras. federal, a empresa pública pode ser constituída


Sociedade de Economia Mista sob a forma de sociedade unipessoal, que tem
Sociedade de Economia Mista - entidade dotada de por órgão necessário a assembleia geral, por
personalidade jurídica de Direito Privado, autorizada meio da qual se manifesta a vontade do Estado.
por lei para a exploração de atividade econômica, sob a CERTO. A questão é bem fácil. A empresa pública
forma de sociedade anônima, cujas ações com direito a pode ser constituída sob qualquer forma admitida em
voto pertençam em sua maioria à União ou a entidade direito. A banca disse “sociedade unipessoal”, como
da Administração Indireta: poderia dizer algum outro nome de sociedade e, ainda
assim, estaria correto. O restante foi somente para
˃˃ Autorizada por lei; completar a questão.
˃˃ Pessoa jurídica de Direito Privado; 02. (CESPE) O Estado, como ente tanto no âmbito in-
˃˃ Capital 50% + 1 ação no controle da Administra- ternacional, como internamente, manifesta sua
ção Pública; vontade por meio de seus agentes, ou seja, as
˃˃ Constituição obrigatória por sociedade pessoas jurídicas que pertencem a seus quadros.
anônima (S.A); ERRADO. O Estado é ente “personalizado”, ou seja,
as pessoas do Estado (Administração Pública Direta e
˃˃ Competência da justiça estadual. Indireta) possuem personalidade Jurídica Própria. Os
Empresa Pública agentes são pessoas “físicas” e não Jurídicas.
Entidade dotada de personalidade jurídica de 03. (CESPE) Como pessoas jurídicas de direito público,
Direito Privado, com patrimônio próprio e capital ex- as autarquias têm personalidade jurídica, patri-
clusivo da União, autorizado por lei para a exploração mônio e receita próprios e são criadas com a fi-
de atividade econômica que o Governo seja levado a nalidade de desempenhar atividades próprias e
exercer por força de contingência ou de conveniência típicas da Administração Pública.
administrativa, podendo revestir-se de qualquer das CERTO. Todas as características marcantes das Autar-
formas admitidas em Direito. quias estão presentes nessa questão.
˃˃ Autorizado por lei.
˃˃ Pessoa jurídica de Direito Privado.
˃˃ 100% na constituição de capital público.
˃˃ Constituído de qualquer forma admitido em 01. (CESPE) Em sentido subjetivo, a administração
direito. pública compreende o conjunto de órgãos e de
˃˃ Competência da justiça federal. pessoas jurídicas ao qual a lei confere o exercício
da função administrativa do Estado.
Esse quadro foi desenvolvido para memorização
Certo ( ) Errado ( )
das características mais importantes das pessoas da
Administração Pública indireta. 02. (CESPE ) A administração direta compreende os
órgãos e as pessoas jurídicas de direito público
Tabela Comparativa das Características dos Entes da que prestam serviços típicos do Estado; no
Administração Pública âmbito federal, integram a administração direta
EAE: Exploração da atividade econômica; os ministérios e as autarquias.
PSP: Prestação de serviço público. Certo ( ) Errado ( )
SOCIEDADE DE ECONOMIA
CARACTERÍSTICA ENTIDADES POLÍTICAS AUTARQUIA FUNDAÇÃO PÚBLICA EMPRESA PÚBLICA
MISTA

PERSONALIDADE JURÍDICA Direito Público Direito Público Direito Privado Direito Privado Direito Privado

Exploração da atividade Exploração da atividade


Competências
FINALIDADE Ativ. Típica do Estado Lei Complementar definirá econômica OU prestação de econômica OU prestação de
constitucionais
serviço público serviço público
Híbrido: Se PSP + público. Caso desenvolva Híbrido: se EAE + privado; Se Híbrido: se EAE + privado; Se
REGIME JURÍDICO Direito Público Direito Público
outra atividade, mais privado PSP + público PSP + público
Objetiva: ação
RESPONSABILIDADE CIVIL Objetiva: ação; Subjetiva: omissão PSP = Objetiva, nos demais casos, Subjetiva PSP = Objetiva, EAE = Subjetiva PSP = Objetiva, EAE = Subjetiva
Subjetiva: omissão
Privados, exceção: bens Privados, exceção: bens
Privados, exceção: bens diretamente ligados à
diretamente ligados à prestação diretamente ligados à prestação
BENS Públicos Públicos prestação de serviços públicos são bens
de serviços públicos são bens de serviços públicos são bens
públicos
públicos públicos
DÉBITOS JUDICIAIS Precatórios Precatórios Patrimônio Patrimônio Patrimônio
REGIME DE PESSOAL Regime Jurídico Único Regime Jurídico Único Regime Jurídico Único CLT CLT
União: Justiça Federal;
COMPETÊNCIA PARA Federal: Justiça Federal; demais: Federal: Justiça Federal; Federal: Justiça Federal;
demais: justiça Todas: Justiça Estadual
JULGAMENTO justiça estadual demais: justiça estadual demais: justiça estadual

424
estadual
03. (CESPE) A desconcentração administrativa 13. (CESPE) Não se admite a criação de fundações
consiste na distribuição interna de competên- públicas para a exploração de atividade econômica.
cias, no âmbito de uma mesma pessoa jurídica; Certo ( ) Errado ( )
a descentralização administrativa pressupõe a 14. (CESPE) Empresas públicas são pessoas jurídicas

Noções de Direito Administrativo


distribuição de competência para outra pessoa, de Direito Privado integrantes da administração
física ou jurídica indireta criadas por lei, sob a forma de sociedades
Certo ( ) Errado ( ) anônimas, com o objetivo de explorar atividade
04. (CESPE) A delegação ocorre quando a entidade da econômica ou prestar determinado serviço público.
administração, encarregada de executar um ou Certo ( ) Errado ( )
mais serviços, distribui competências no âmbito 15. (CESPE) As autarquias e as empresas públicas são
da própria estrutura, a fim de tornar mais ágil e pessoas jurídicas de direito público e integram a
eficiente a prestação dos serviços. administração indireta.
Certo ( ) Errado ( ) Certo ( ) Errado ( )
05. (CESPE) A administração direta é o conjunto de 16. (CESPE) O regime jurídico a que se sujeitam as
órgãos que integram a União e exercem seus empresas públicas e as sociedades de economia
poderes e competências de modo centralizado, mista é de natureza híbrida.
ao passo que a administração indireta é formada Certo ( ) Errado ( )
pelo conjunto de pessoas administrativas, como
autarquias e empresas públicas, que exercem
suas atividades de forma descentralizada.
Certo ( ) Errado ( ) 01 CERTO 09 CERTO
06. (CESPE) As entidades compreendidas na adminis- 02 ERRADO 10 ERRADO
tração indireta subordinam-se ao ministério em 03 CERTO 11 ERRADO
cuja área de competência estiver enquadrada 04 ERRADO 12 ERRADO
sua principal atividade, mantendo com esse uma
relação hierárquica de índole político-adminis- 05 CERTO 13 CERTO
trativa, mas não funcional. 06 ERRADO 14 ERRADO
Certo ( ) Errado ( ) 07 CERTO 15 ERRADO
07. (CESPE) As pessoas integrantes da administra- 08 CERTO 16 CERTO
ção indireta podem ser autorizadas e instituídas
somente por lei, cujo teor deverá abordar a ativi-
dade descentralizada a ser exercida, e serão sub-
metidas ao controle da administração direta da
pessoa política a que são vinculadas. ____________________________________________
Certo ( ) Errado ( ) ___________________________________________
08. (CESPE) A autarquia é uma pessoa jurídica criada ___________________________________________
somente por lei específica para executar funções ____________________________________________
descentralizadas típicas do Estado. ___________________________________________
___________________________________________
Certo ( ) Errado ( )
___________________________________________
09. (CESPE) Como pessoas jurídicas de direito público, ___________________________________________
as autarquias têm personalidade jurídica, patri- ___________________________________________
mônio e receita próprios e são criadas com a fi- ___________________________________________
nalidade de desempenhar atividades próprias e ___________________________________________
típicas da administração pública. ___________________________________________
Certo ( ) Errado ( ) ___________________________________________
10. (CESPE) A autarquia age por delegação: ___________________________________________
___________________________________________
Certo ( ) Errado ( ) ___________________________________________
11. (CESPE) As agências reguladoras são entidades ___________________________________________
que compõem a administração indireta e, por isso, ___________________________________________
são classificadas como entidades do terceiro setor. ___________________________________________
Certo ( ) Errado ( ) ___________________________________________
____________________________________________
12. (CESPE) As fundações públicas são entidades in-
____________________________________________
tegrantes da administração direta, e suas respec-
____________________________________________
tivas áreas de atuação devem enquadrar-se nas
____________________________________________
áreas previstas em lei ordinária. ____________________________________________
Certo ( ) Errado ( ) ____________________________________________ 425
CAPÍTULO 01 II. Administrativo
O inquérito policial é um procedimento adminis-
trativo, porque é realizado pela polícia judiciária, que
Inquérito Policial é um órgão do poder executivo, a qual tem a função

Noções de Direito Processual Penal


Vamos partir da ideia de que a persecução penal de administrar a coisa pública. Apesar do nome polícia
é ferramenta utilizada pelo Estado para materializar a judiciária, ela não é subordinada ao poder judiciário e
aplicação da pena ao autor de um crime. Ela se compõe sim ao poder executivo, haja vista o delegado de polícia
de duas fases distintas: uma administrativa e outra ser subordinado ao secretário de segurança pública e
judicial. Vamos agora estudar essa fase administrativa, este ser submisso ao governador do Estado, responsá-
chamada de inquérito policial. vel pela administração pública.
Quanto à sua natureza inquisitiva, em breve estu-
Polícia Administrativa X Polícia Ju- daremos o tópico específico.
diciária Atribuição
Polícia Administrativa É a delimitação legal do poder conferido à autorida-
É a polícia de Prevenção, que atua visando prevenir a de policial para investigar crimes. Por essas regras, sa-
prática de crimes. É chamada também de polícia osten- beremos se a investigação é de competência da polícia
siva, pois manifesta a sua atuação por meio do uso de federal ou estadual e de qual delegacia ou comarca. As
fardas e viaturas caracterizadas, para que, dessa forma, regras são as seguintes:
mostre à sociedade que está presente. A polícia admi- →→ Territorial
nistrativa não é responsável pela produção do inquérito
policial, pois ela atua visando prevenir ao crime. ˃˃ Regra Geral: teoria do resultado.
»» Ex.: Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal, A atribuição é definida pela circunscrição (delimita-
Polícia Ferroviária Federal, Polícia Marítima ção territorial da atuação daquela delegacia) da Consu-
(desempenhada pela PF). mação do crime.
Polícia Judiciária ˃˃ Exceção: teoria da atividade.
É polícia de Repressão, que atua após a prática A atribuição é definida pela circunscrição da Prática
do crime, pois é utopia acreditar que a existência da dos Atos Executórios.
polícia administrativa (PM, por exemplo) é suficiente Essa regra é aplicada nos seguintes casos:
para impedir a criminalidade. Sua atuação é marcada I. Crimes tentados
pela realização de diligências que objetivam descobrir II. Homicídio doloso (STJ)
a autoria e a existência de um crime.
Apesar de o homicídio doloso ser um crime que
˃˃ Características da Polícia Judiciária tem resultado, o STJ decidiu que as investigações refe-
»» Direção: delegado de polícia de carreira (bacharel rentes a tal fato devem ser realizadas pela polícia com
em direito aprovado em concurso público). circunscrição no local da prática dos atos executórios,
»» Espécies: a polícia judiciária é dividida em pois assim se garante uma colheita de provas mais efi-
Polícia Judiciária Estadual e Federal. ciente e também pode ser dada uma resposta mais sa-
tisfatória à sociedade lesada.
Nível Estadual Polícia Civil
Polícia »» Ex.: uma pessoa dispara uma arma de fogo com
Judiciária a intenção de matar outra em uma pequena
Nível Federal Polícia Federal cidade do interior do país e o disparo não mata
imediatamente a vítima, que é levada para o
→→ Conceito de Inquérito Policial pronto socorro de uma cidade vizinha maior e
Inquérito policial é um procedimento administrativo lá ocorre o óbito. Se fosse adotada a teoria do
inquisitivo, anterior ao processo, presidido pela autori- resultado, toda a investigação ficaria por conta
dade policial (delegado de polícia) que conduz diligên- da polícia do local onde a vítima morreu, mas
cias, as quais objetivam apurar a autoria (responsável adota-se a teoria da atividade e a investigação
pelo crime) e a materialidade (existência) da infração é realizada pela polícia do local da prática dos
penal. Essas informações colhidas no inquérito policial atos executórios.
(indícios de autoria e materialidade do crime) serão →→ Material
disponibilizadas ao titular da ação penal para que este A atribuição é definida pela natureza do crime, com
possa promover o processo judicial, que é a 2ª fase da a atuação de uma delegacia especializada em determi-
persecução penal. Mas fiquemos ainda com o inquérito. nado tipo de delito.
˃˃ Finalidade Essa regra é subsidiária à territorial, pois, em regra,
»» Informar o titular da ação penal sobre o resulta- temos que descobrir a atribuição territorial e, se no
do da investigação, colaborando na formação local do crime tiver uma delegacia especializada, ela
da sua opinião quanto à existência e à autoria assumirá a investigação.
de determinado crime.
»» Ex.: delegacias especializadas: Delegacia Antis-
˃˃ Natureza sequestro, Delegacia de Repressão a Roubos
»» Procedimento administrativo inquisitivo e Assaltos, Delegacia da Mulher, Delegacia de
I. Procedimento Homicídios e Proteção à Pessoa, dentre outras.
Não pode ser confundido com processo, pois as Por meio da aplicação das normas de atribuição
regras são outras (em breve as veremos); é comum as material, nós teremos a definição da investigação reali-
provas de concursos falarem que o inquérito policial é zada pela polícia civil (âmbito estadual) e policia federal 457
um processo, o que está errado. (âmbito federal).
Características do Inquérito Policial Explica essa regra o fato de que cada crime é um
acontecimento único no mundo e, sendo assim, a
→→ Inquisitivo solução deles não tem uma receita certa, devendo a
Assunto comum de ser cobrado em concurso autoridade policial saber utilizar, dentre os meios dis-
público. No inquérito policial não há partes, acusação poníveis, aqueles adequados à solução do caso.
Noções de Direito Processual Penal

e defesa; temos somente o delegado de polícia inves- →→ Sigiloso


tigando um crime e, consequentemente, um suspeito.
Nele não há contraditório nem ampla-defesa. Não aplicamos o princípio da publicidade ao in-
quérito policial, pois as investigações são sigilosas.
Realmente, a investigação não observa o contra- Se a polícia anuncia em veículo de informação oficial,
ditório, pois a polícia não tem a obrigação de avisar e ainda na mídia convencional, que tenciona iniciar
um suspeito que o está investigando; e não há ampla- uma investigação a determinado contrabandista (que
-defesa, porque o inquérito não pode, em regra, funda- deveria se preparar para isso), este poderia prejudicar
mentar uma sentença condenatória, tendo o suspeito todo o sucesso da averiguação.
possibilidade de se defender durante o processo. Compete ao delegado zelar pelo sigilo do inqué-
Preste atenção à redação do Art. 5º inc. LV da CF: rito policial, pois ele é a autoridade responsável pela
Aos litigantes, em processo judicial ou administrati- condução.
vo, e aos acusados em geral são assegurados o con-
traditório e ampla defesa, com os meios e recursos a I. Finalidade do sigilo
ela inerentes. O sigilo do inquérito policial tem a finalidade de
Como na fase da investigação não existe nenhuma preservar a imagem do suspeito e, ainda, garantir a
acusação e nem partes, não há que se falar em con- eficiência das investigações.
traditório e ampla defesa, pois o direito constitucio- II. Classificação do sigilo
nal previsto no Art. 5º inc. LV da CF é válido para as ˃˃ Sigilo Externo
partes de um processo. Além do inquérito policial não Destinado aos terceiros desinteressados e à im-
ter partes, é um procedimento e não um processo, prensa.
conforme descrito na Constituição Federal. ˃˃ Sigilo Interno
→→ Escrito Destinado aos interessados no processo.
Todas as diligências realizadas no curso de um in-
O sigilo do inquérito policial não atinge o Juiz, o Mi-
quérito policial devem ser passadas a termo (escritas), nistério Público e o Advogado do suspeito.
para que seja facilitada a troca de informações entre os
órgãos responsáveis pela persecução penal. Não Atinge o acesso aos
O delegado de polícia tem a faculdade de filmar ou Promotor
autos da investigação
gravar diligências realizadas, mas isso não afasta a obri-
gação de transcrever todas por escrito. Juiz
Art. 405 § 1º do CPP: Sempre que possível, o registro
dos depoimentos do investigado, indiciado, ofendido Advogado
e testemunhas será feito pelos meios ou recursos de
gravação magnética, estenotipia, digital ou técnica
similar, inclusive audiovisual, destinada a obter Ferramentas para combater
maior fidelidade das informações. *Art. 7º inc. XIV da lei nº
o arbítrio 8.906/94 - Estatuto OAB
Sendo assim, é possível que o delegado, havendo * Mandado de segurança *Súmula Vinculante nº 14
meios, documente os atos do IP através das formas de tec- *Reclamação ao supremo
nologia existentes, inclusive captação de som e imagem.
→→ Discricionário Art. 7º inc. XIV do Estatuto da OAB: São direitos do
advogado: examinar em qualquer repartição policial,
Discricionariedade é a liberdade dentro da lei mesmo sem procuração, autos de flagrante e de in-
(esta determina ou autoriza a atuação do Estado). quérito, findos ou em andamento, ainda que con-
Assim sendo, o delegado tem liberdade na adoção e clusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar
condução das diligências adotadas no curso de um in- apontamentos.
quérito policial. Súmula Vinculante nº 14: É direito do defensor, no
O Art. 6º do CPP traz um rol de possíveis proce- interesse do representado, ter acesso amplo aos
dimentos que podem ser adotados pela polícia na elementos de prova que, já documentados em pro-
cedimento investigatório realizado por órgão com
condução de um inquérito; ele não é taxativo, pois a competência de polícia judiciária, digam respeito ao
polícia pode adotar qualquer uma daquelas diligências exercício do direito de defesa.
na ordem que entender melhor, ou seja, o rol é exem-
plificativo. É comum, em questões de concurso público, per-
guntar sobre esse tema, e as questões geralmente
Não podemos entender discricionariedade como falam que o sigilo do inquérito se estende ao advogado,
uma faculdade do delegado de iniciar ou não uma in- podendo o delegado negar a ele o acesso aos autos do
vestigação, porque, conforme veremos adiante, em inquérito policial. É evidente que se trata de questão
alguns casos a investigação é obrigatória. A discri- errada, uma vez que ao advogado e, para acabar de
cionariedade se refere ao fato de o delegado, sendo vez com a dúvida, o STF editou a Súmula Vinculante
obrigado ou não a investigar, poder adotar as diligên- nº 14. Sendo assim, o advogado pode se valer de duas
cias que considere convenientes para a solução do ferramentas, caso algum delegado viole o seu direito
458 crime, desde que esteja prevista tal diligência na lei. de acesso aos autos de inquérito: um mandado de
segurança ou uma reclamação ao supremo, que é a III. Inquéritos presididos pelo promotor (MP)
ferramenta eficaz para combater o desrespeito a uma Não é possível a presidência do IP por membro do
súmula vinculante. MP, haja vista este ter o poder de requisitar a abertura
de inquérito, a realização de diligências, bem como fis-

Noções de Direito Processual Penal


calizar a atuação da polícia judiciária.
O STF trouxe, em recente decisão, a possibilidade
É importante saber que o advogado somente tem do promotor presidir investigação criminal, porém,
acesso aos autos do inquérito policial referente às in- esta não deve ser confundida com a realizada a cargo
vestigações já concluídas e passadas a termo, ele não da polícia. A investigação realizada sob a presidência
deve e não pode ter acesso às investigações em anda- do membro do MP conviverá harmonicamente com a
mento, sendo tal acesso disponibilizado ao advogado realizada pela polícia, assim como as demais formas de
após o término da diligência. inquérito.
Exemplo: Devemos observar também o teor da Súmula 234
Se um advogado, ao ter acesso aos autos do inqué- do STJ:
rito policial, ficar sabendo que a polícia está fazendo A participação de membro do Ministério Público na
uma interceptação telefônica das conversas de seu fase investigatória criminal não acarreta seu impedi-
cliente e estiver mal intencionado, irá informar o seu mento ou suspeição para o oferecimento da denúncia.
cliente e prejudicar todo o sucesso das investigações. Ressaltamos mais uma vez que o promotor não
Apesar do inquérito policial ser sigiloso, o pode presidir um inquérito policial. É questão comum
delegado, quando achar conveniente, pode quebrar o no mundo do concurso público e a resposta é negativa,
sigilo, prestando informações à imprensa, tais como: pois somente o delegado de polícia, e mais ninguém,
diligências que serão realizadas, divulgar o retrato de preside o inquérito policial. Além disso, aquele
um suspeito, etc. pode presidir a sua própria investigação, que não se
˃˃ Decretação do segredo de justiça (preservar a confunde com a policial.
imagem da vítima) →→ Oficialidade
Como acabamos de ver, o delegado pode, em A realização do inquérito policial é atribuição de
alguns casos, quando achar conveniente, divulgar in- um órgão oficial do Estado (Polícia Judiciária).
formações à imprensa. Para evitar tal conduta, visando
especificamente a proteger a imagem da Vítima ou do →→ Oficiosidade
acusado, o juiz pode decretar o segredo de justiça da Na maioria dos casos (crimes de ação penal pública
investigação; então as informações não poderão vazar. incondicionada), a polícia judiciária é obrigada a inves-
Mas, nesse caso, é mantido o acesso aos autos pelo tigar, independente de provocação de terceiros. Para
Juiz, MP e Advogados. isso, basta que aconteça o crime e que, de alguma
→→ Indisponível forma, a polícia tome conhecimento para que ela atue
Toda investigação iniciada deve ser concluída e en- de ofício, ou seja, sem provocação.
caminhada ao juízo competente, ou seja, o delegado →→ Autoritariedade
não pode desistir de uma investigação iniciada. O presidente do inquérito policial (delegado de
˃˃ O delegado não pode arquivar o inquérito policial polícia) é a Autoridade oficial do Estado.
Questões de prova envolvendo esse tema também Valor Probatório do Inquérito Po-
são frequentes e a dica é a seguinte: o delegado nunca
pode arquivar o inquérito, independente do motivo
licial
trazido; essa regra é absoluta. Quanto ao arquivamen- O Inquérito Policial tem valor probatório relativo, pois
to do inquérito, estudaremos logo adiante, mas é bom ele serve para embasar o início do processo, mas não tem
saber: “o delegado não pode, nunca, arquivar um in- a força de, sozinho, sustentar uma sentença condenató-
quérito policial”. Vale a pena ser redundante aqui. ria, porque as provas colhidas durante o IP não se sub-
→→ Dispensável meteram ao contraditório e à ampla defesa. Enfatizamos
que o valor probatório é relativo, uma vez que não funda-
O inquérito visa coletar indícios de autoria e ma- menta uma decisão judicial, porém pode dar margem à
terialidade do crime para que o titular da ação penal abertura de um processo criminal contra alguém.
possa ingressar em juízo. Assim sendo, se ele tiver
esses indícios colhidos por outros meios, como por um Art. 155 do CPP: O juiz formará sua convicção pela
livre apreciação da prova produzida em contraditó-
inquérito não policial, o inquérito policial se torna dis- rio judicial, não podendo fundamentar sua decisão
pensável. exclusivamente nos elementos informativos colhidos
Assim, pode ser promovido um processo sem que na investigação, ressalvadas as provas cautelares,
seja realizado um inquérito policial. Aproveitando o não repetíveis e antecipadas.
tópico, vamos falar de outras espécies de inquérito. →→ Provas cautelares, não repetíveis e antecipadas
˃˃ Inquéritos extra-policiais ou não policiais São as provas extraídas do IP e que têm a força de,
São aqueles presididos por outras autoridades e eventualmente, sustentar uma sentença condenató-
não pelo do delegado de polícia (Art. 4º do CPP). ria, conforme orienta o Art. 155 do CPP.
I. Inquéritos parlamentares - CPI a) Provas Cautelares:
Presidido por parlamentares. São aquelas em que existe um risco de desapareci-
II. Inquéritos policiais militares mento do objeto pelo decurso do tempo. Justificam-se
Presididos por oficiais de carreira, visa à apuração pela necessidade, pela urgência. 459
das infrações militares. » Ex.: Interceptação telefônica, busca e apreensão.
b) Provas Não Renováveis ou Irrepetíveis: Incomunicabilidade
São colhidas na fase investigatória, porque não A incomunicabilidade visava a impedir a comunicação
podem ser produzidas novamente na fase processual do suspeito preso com terceiros, durante um prazo de
devido ao seu fácil perecimento. tempo, para que assim não viesse a interferir nas inves-
Noções de Direito Processual Penal

» Ex.: Perícia nos vestígios do crime. tigações. Tal regra é considerada não recepcionada pela
Para que essas provas tenham valor probatório de Constituição Federal, ou seja, ela não tem mais aplicação
justificar uma sentença na fase processual, é neces- prática, pois a CF em seu Art. 136, que trata do Estado
sário que elas sejam submetidas à ampla defesa e ao de Defesa, veda a adoção dessa medida em tal ocasião.
contraditório diferido ou postergado, ou seja, durante Então, o entendimento é que se eu não posso utilizar da
a fase processual. incomunicabilidade em uma situação de anormalidade,
c) Prova Antecipada: não posso fazer uso dela em caso de normalidade.
Aqui nos referimos às provas que, em regra, É importante saber que a incomunicabilidade
deveriam ser colhidas durante o curso do processo e não foi recepcionada pela CF e está tacitamente sem
não durante o inquérito policial. Em alguns casos, é efeitos, mas suas regras são cobradas em questão de
possível que o juiz antecipe a oitiva de uma testemunha concurso público e vamos estudá-las, a fim de que
para a fase das investigações, quando houver receio possamos enfrentá-las com facilidade.
de que ela morra (idade avançada ou doença grave), I. Regras:
ou então que a vítima se mude definitivamente para a) Cabimento:
outro lugar, inviabilizando a sua audição. Nesse caso, » Interesse da sociedade.
não tem o que se falar em contraditório e ampla-defe-
sa diferido, pois o exercício desses direitos acontece- » Conveniência da investigação o exigir.
rá durante a realização da prova, que será antecipada b) Prazo:
para o inquérito policial. Esse é o contraditório real. » 3 dias.
Exemplo: c) Forma:
»» Art. 225 do CPP: Se qualquer testemunha » Decreto fundamentado do juiz a requerimento
houver de ausentar-se, ou, por enfermidade ou do delegado ou do MP.
por velhice, inspirar receio de que ao tempo da II. A incomunicabilidade não atinge o JUIZ, o MP e
instrução criminal já não exista, o juiz poderá, de os advogados.
ofício ou a requerimento de qualquer das partes,
tomar-lhe antecipadamente o depoimento. Notícia Crime
Notícia crime (notitia criminis) é a forma como é
Vícios denominado o conhecimento espontâneo ou provo-
Os vícios do inquérito policial são seus defeitos ou cado por parte da autoridade policial de um fato apa-
nulidades e a dúvida é se aqueles podem ou não causar rentemente criminoso. Por meio dela, a autoridade
nulidades ao processo futuro. A resposta é negativa, policial dará início às investigações.
pois o inquérito policial não tem a força de condenar →→ Destinatários da notícia crime
ninguém, sendo assim, os seus defeitos serão apurados Um fato aparentemente criminoso pode ser comu-
pelos órgãos competentes (corregedoria, MP). Dessa nicado ao JUIZ, ao MP ou ao DELEGADO.
forma, podemos concluir que o delegado não pode Quando quem recebe a notícia crime é o juiz ou o
ser considerado impedido ou suspeito de presidir o IP MP, eles requisitarão ao delegado o início das investi-
pelas futuras partes. gações.
→→ Classificação da notícia crime
Prazos para a Conclusão dos In- Ela é classificada em direta ou indireta, conforme
quéritos Policiais veremos a seguir:
I. Notícia crime direta (cognição imediata ou es-
Autoridade Indiciado Preso Indiciado Solto pontânea):
30 dias prorrogá- A autoridade policial toma conhecimento de um fato
Delegado Estadual veis pelo juiz por supostamente criminoso por meio da atuação da própria
10 dias improrrogáveis
Art. 10 do CPP quantas vezes
forem necessárias. polícia, q