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Laboratório de Pr át ic a 8 | C a r ga e Des c ar g a d e

Física Geral III Pontifícia Universidade


um Ca p ac i t or Católica de Minas Gerais
Profª: Kelly Faêda
1 – Introdução

O capacitor, dispositivo usado para armazenar energia elétrica, é constituído por dois
condutores isolados entre si. Seja qual for a forma dos condutores (plana, esférica, cilíndrica...),
eles recebem o nome de placas.
Quando um capacitor está carregado, as placas contêm cargas de mesmo valor absoluto e
sinais opostos, +𝑞 e – 𝑞. Entretanto, por convenção, dizemos que a carga de um capacitor é q, o
valor absoluto da carga de uma das placas. Como as placas são feitas de material condutor, são
superfícies equipotenciais: todos os pontos da placa de um capacitor estão no mesmo potencial
elétrico. Além disso, existe uma diferença de potencial entre as duas placas. A carga 𝑞 e a
diferença de potencial 𝑉 de um capacitor são proporcionais:
𝑞 = 𝐶𝑉. (1)
A constante de proporcionalidade C, chamada de capacitância do capacitor, depende da geometria
das placas, mas não depende da carga nem da diferença de potencial. A unidade de capacitância
no Si é o coulomb por volt, cujo nome especial é farad (F).

Figura 1: Circuito constituído de uma fonte de tensão 𝑽, um resistor 𝑹, um capacitor 𝑪 e um amperímetro A.

Na figura 1, temos um circuito RC (capacitor e resistor ligados à fonte). Para este tipo de
circuito,

𝑉 = 𝑉𝑅 + 𝑉𝐶 , (2)

em que V é a tensão total da fonte e 𝑉𝑅 e 𝑉𝐶 são as tensões no resistor e no capacitor,


respectivamente. A equação (2) pode ser escrita em função da corrente elétrica i como
𝑞
𝑉 = 𝑅𝑖 +
𝐶

ou

𝑑𝑞 𝑞
𝑅 + =𝑉 (3)
𝑑𝑡 𝐶

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A solução da equação diferencial (3) para o processo de carregamento do capacitor é:
𝑡
𝑞 = 𝐶𝑉 (1 − 𝑒 −𝑅𝐶 ) (4)

Como 𝑖 = 𝑑𝑞/𝑑𝑡, temos que:

𝑉 −𝑡/𝑅𝐶
𝑖= 𝑒 (5)
𝑅

A partir das equações (4) e (5) podemos concluir que no instante 𝑡 = 0, quando a fonte é ligada, a
carga do capacitor é zero e a corrente no circuito é máxima (𝑖 = 𝑉/𝑅). Para 𝑡 > 0, a carga do
capacitor aumenta e a corrente no circuito diminui. Para 𝑡 → ∞, a carga do capacitor tende ao valor
máximo (𝑞 = 𝐶𝑉) e a corrente no circuito tende a zero.

Quando a fonte é desligada, 𝑉 = 0, a equação diferencial (3) deve ser escrita como

𝑑𝑞 𝑞
𝑅 + =0 (6)
𝑑𝑡 𝐶

A solução desta nova equação diferencial é

𝑞 = 𝐶𝑉𝑒 −𝑡/𝑅𝐶 (7)

E como 𝑖 = 𝑑𝑞/𝑑𝑡, obtemos

𝑉 −𝑡/𝑅𝐶
𝑖=− 𝑒 (8)
𝑅

A partir das equações (7) e (8) podemos concluir que no instante 𝑡 = 0, quando a fonte é desligada,
a carga do capacitor é máxima (𝑞 = 𝐶𝑉) e a corrente no circuito também é máxima (𝑖 = 𝑉/𝑅), mas,
no sentido oposto. Para 𝑡 > 0, a carga do capacitor e a corrente no circuito diminuem, tendendo a
zero.

Como a carga de um capacitor durante sua descarga varia exponencialmente no tempo, este
dispositivo pode fornecer energia elétrica com uma rapidez muito maior que uma pilha ou uma
fonte de tensão convencional. As pilhas de uma máquina fotográfica, por exemplo, armazenam a
energia necessária para disparar o flash carregando um capacitor. Como as pilhas só podem
fornecer energia aos poucos, não seria possível produzir uma luz muito forte usando diretamente a
energia das pilhas. Um capacitor carregado pode fornecer energia, em um curto intervalo de
tempo, o suficiente para produzir o clarão quando a lâmpada de flash é acionada.

2 – Parte Experimental

Objetivos: Analisar o comportamento da corrente em função do tempo, durante o processo de


carga e descarga de um capacitor.

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Material Utilizado: Fonte de corrente contínua, resistor 22 kΩ, capacitor eletrolítico de
1000μF, micro amperímetro, cronômetro, cabos.

Procedimentos:

 Ajuste uma tensão na fonte igual a 1,5 V.


 Monte o circuito ilustrado na Figura 1, sem fechá-lo. Antes de fechar o circuito certifique-se
que o capacitor está descarregado. Para isto basta ligar uma placa na outra. Uma vez feito,
feche o circuito e observe que a corrente elétrica dá um salto para um valor acima de 50 μA.
Anote, na Tabela 1, o valor máximo da corrente elétrica. Se necessário, repita este
procedimento (inclusive descarregando o capacitor) para obter o valor mais provável da
corrente máxima.
 Meça a corrente i em função do tempo t. Anote os resultados na Tabela 1. O cronômetro
possui a função lap, que interrompe a leitura sem interromper a contagem do tempo.

𝑖 (𝜇A) 50 40 30 20 10 5

𝑡 (s) ± 3% 0

𝑙𝑛 𝑖

Tabela 1: Corrente em um circuito RC em função do tempo, durante o processo de carga do capacitor.

 Quando o micro amperímetro indicar o valor zero para a corrente elétrica, dê início ao
descarregamento. Para isto, basta desligar a fonte. Anote, na Tabela 2, o valor da corrente
máxima e os subsequentes valores da corrente em função do tempo. Observe que as
correntes elétricas durante o processo de descarga são negativas, pois o sentido de
circulação é invertido.

𝑖 (𝜇A) -50 -40 -30 -20 -10 -5

𝑡 (s) ± 3% 0

𝑙𝑛 𝑖

Tabela 2: Corrente em um circuito RC em função do tempo, durante o processo de descarga do


capacitor.

 Com auxílio do programa Scidavis, construa os gráficos 𝑖 𝑥 𝑡 para os processos de carga e


descarga e ajuste uma função com decaimento exponencial.
 A área sob a curva do gráfico 𝑖 𝑥 𝑡 dá o valor da carga elétrica armazenada no capacitor
durante o processo de carregamento ou da carga elétrica perdida pelo capacitor durante o
descarregamento. A área é obtida por integração. Para integrar o gráfico, selecione a opção

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“INTEGRATE”. Compare as cargas elétricas do carregamento e do descarregamento.
Explique as causas da diferença, se houver alguma.
 Faça o gráfico 𝑙𝑛 𝑖 𝑥 𝑡 para os processos de carga e descarga do capacitor e ajuste uma
função linear. Comparando a equação empírica obtida do ajuste com a equação (5)
linearizada, calcule a capacitância C do capacitor utilizado no circuito RC. Compare o valor
obtido com o valor nominal fornecido pelo fabricante.
 A partir dos resultados das áreas para carga e descarga e do conhecimento de que a carga
elétrica é quantizada, calcule o número de elétrons envolvidos nos processos de carga e
descarga.