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O PECADO DO HOMEM E A GRAÇA DE DEUS

Gênesis 3.14-24

Se isto lhes fosse permitido, certamente algumas pessoas arrancariam e depois


queimariam o capítulo 3 de Gênesis de suas Bíblias, pois ele aponta de forma dura e
inflexível a rebeldia e consequente pecado do ser humano contra o seu Criador. Este
capítulo também deixa claro que embora Deus tenha manifestado seu amor ao ser
humano, ele abomina o seu pecado e, portanto, não pode tolerá-lo. Por essa razão,
trouxe seu justo juízo sobre aqueles que transgrediram sua maravilhosa lei. E como
já vimos, o fato de Deus agir com tamanho rigor com o homem, não faz dele nenhum
déspota ou tirano, pois ele tem o direito de fazer tudo quanto lhe aprouver, tudo quanto
desejar, porquanto Ele é o soberano Criador que domina sobre tudo e sobre todos.
Esta é conclusão a que chega o profeta Isaías ao anunciar os oráculos Divinos ao
povo escolhido (cf. Isaías 46.9-10).

E ao olharmos para a narrativa de Gênesis 3 e percebermos essa tão terrível


tragédia provocada pelo próprio ser humano, ao pecar contra Deus, talvez sejamos
assaltados pelo desespero. Não obstante, isto não se faz necessário, uma vez que
esse soberano Deus nos proveu a redenção. Note que no verso 15 é estabelecida
uma relação de inimizade entre duas raças. Isso é importante porque no
estabelecimento dessa inimizade está inserida uma maravilhosa promessa ao homem
decaído: a semente da mulher esmagaria a cabeça da serpente. Isso é o que tem sido
denominado de “protoevangelium” ou primeiro Evangelho, pois aqui, pela primeira
vez, as Boas-novas de salvação estão sendo anunciadas (cf. João 5.46).

As boas-novas se dão no fato de que ao manifestar sua justiça, Deus amaldiçoa


a serpente (14) e como consequência do pecado do homem, a terra também se vê
sob maldição (17). Contudo, o Criador não lança qualquer maldição sobre o homem
ou a mulher. Ainda que lhes puna o pecado, Ele lhes promete redenção. Em termos
mais simples, podemos dizer que aqui Deus está manifestando sua maravilhosa
graça. Graça é favor imerecido. E, neste contexto, fica claro que o homem nada fez e
nada podia fazer para merecer o favor Divino. E essa graça é manifestada livre e
soberanamente, mediante o perdão que Deus concede aos nossos primeiros pais.
Como bem observou Warren Wiersbe, “para o povo de Deus na antiga aliança, esse
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versículo era um raio de esperança; para Satanás, era a declaração de guerra da
parte de Deus, atingindo seu ápice na condenação do inimigo; para Eva, era a certeza
de que havia sido perdoada e de que Deus usaria a mulher para trazer ao mundo o
Redentor”. Isto foi rapidamente entendido por Adão, que num ato de fé, chama sua
esposa de Eva (vivente) e diz ele: “por ser a mãe de todos os seres humanos” (20b).

Mas Deus não apenas faz promessas vazias. Note que ainda no Éden, ele
demonstra sua disposição em cumprir o que havia prometido (cf. 21). É importante
percebermos que o sacrifício deste animal não foi simplesmente para cobrir o corpo
de Adão e Eva, mas para cobrir os seus pecados, visto que tal sacrifício apontava
para Jesus, o Cordeiro de Deus (cf. Apocalipse 13.8).

Da mesma forma que um animal inocente precisou morrer derramando seu


sangue para cobrir a vergonha do pecado humano, reaproximando-o do seu Criador,
assim também, o Senhor Jesus Cristo derramou, na cruz, seu precioso sangue para
que fossemos perdoados dos nossos pecados, manifestando em si mesmo a
soberana e incomparável graça de Deus. Diante disto o apóstolo Paulo pôde afirmar
convictamente em Efésios 2.8-9: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto
não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie”.

Ainda numa demonstração de sua maravilhosa graça, Deus expulsa o homem


do Jardim do Éden (cf. 22-24). Talvez, você esteja se perguntando: onde está a graça
de Deus nesse ato de justiça, expulsando o homem para que não comesse da árvore
da vida? Eu diria que está exatamente neste ato de justo juízo. Imaginemos como
seria se o homem comesse da árvore da vida na condição em que estava, ou seja,
caído e morto em seus delitos e pecados. Sua condição seria de eterno sofrimento,
de eterna condenação. Mas, Deus sendo rico em misericórdia, impede o acesso do
homem a esta árvore, de sorte que seus dias de sofrimento por causa do pecado são
limitados aos seus dias de vida. Em outras palavras, o mal não é eterno, seu fim já foi
determinado por Deus. E, embora o homem tenha sido por um momento impedido de
comer da árvore da vida, podemos exultar no fato de que um dia, pela maravilhosa
graça do Senhor, teremos acesso a ela e haveremos de usufruí-la sem qualquer
impedimento (cf. Apocalipse 22.1-5, 12-14).

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Um dos grandes problemas do homem é que só consegue ver algo como bom
se houver um retorno positivo e imediato para si mesmo. Não obstante, iluminados os
olhos do nosso entendimento, mediante a Santa Escritura, podemos enxergar, mesmo
no juízo Divino, sua maravilhosa graça sendo dispensada.

Conclusão e Aplicação

Caminhando para o fim e frente ao exposto, algumas verdades precisam ser


ressaltadas para nossa edificação.

 Precisamos parar de olhar para as Escrituras com os óculos corrompidos


do humanismo contemporâneo, que busca sempre ver o homem como um
ser bom e não é tão mal assim. O fato é que somos piores do que
pensamos, pois, o pecado afetou todas as áreas da nossa vida.

 Devemos levar em conta que a justiça Divina requer a punição do infrator.


Deus não tem por inocente os que praticam o mal. Neste sentido o profeta
Naum afirma que “o SENHOR é tardio em irar-se, mas grande em poder
e jamais inocenta o culpado” (Naum 1.3).

 Devemos atentar para o fato de que enquanto estivermos vivos, sempre


haverá uma oportunidade de arrependimento e salvação, pois desde o
início, isso nos foi provido pelo Cordeiro de Deus que tira o pecado do
mundo, Jesus Cristo (João 1.29).

 O que Deus prometeu ele irá cumprir, pois não é Deus de promessas
vazias. Como afirmou o apóstolo Pedro, “não retarda o Senhor a sua
promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é
longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que
todos cheguem ao arrependimento” (II Pedro 3.9).

 Chegará o glorioso dia em que todos os que cremos em Cristo Jesus,


poderemos participar livremente da árvore da vida e mais que isso,
teremos acesso direto Àquele que deu a sua vida por nós. A quem seja a
honra e a glória para sempre. Amém!