Você está na página 1de 6

1

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ


PROGRAMA UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL
CURSO DE PEDAGOGIA- MODALIDADE A DISTÂNCIA

Disciplina: GESTÃO EDUCACIONAL - DP


Acadêmica: Edivania de Cássia Santos
R.A: 86531
Polo: Engenheiro Beltrão
Turma: 2014

2ª ATIVIDADE AVALIATIVA

A partir das leituras realizadas responda as seguintes questões:

1) De acordo com o capítulo 4 do livro “Gestão Educacional”, o termo “gestão”


aparece no campo educacional brasileiro pela primeira vez na Constituição Federal de
1988, juntamente com o adjetivo “democrático”, no Art. 206, item VII. Explique quais
os objetivos dessa forma de gestão para administração escolar tendo como ponto de
partida o contexto de redemocratização do país.

R: De acordo com CHILANTE 2010, pode-se observar que a luta por uma gestão
democrática na educação pública no Brasil remonta aos anos 1970 e 1980, encampada
pelos trabalhadores da educação que reivindicavam também melhoria nas condições de
trabalho e remuneração. A chamada „gestão democrática da educação‟ emergiu com
objetivo de assegurar os mecanismos coletivos e participativos de planejamento e
administração escolar. Posteriormente, em um clima de redemocratização ao final dos
anos 1980, o termo „administração escolar‟ caiu em desuso em favor da chamada
„gestão democrática da educação‟ (FREITAS, 1998).
Arelaro (2000) aponta a ‘gestão democrática’ da educação como o marco divisório das
reformas educacionais da década de 1990... (CHILANTE 2010 p.86)
No quinquênio 1995-1999 verificamos uma resinificação da gestão democrática da
educação, em que a participação passa a ser um recurso gerencial, posto que os
problemas da educação não eram mais considerados como decorrentes da insuficiência
de recursos, mas dos problemas em sua gestão. Para corrigir tais problemas,
2

argumentava-se, era necessária a modernização da gestão da educação no Brasil, tanto


no que se refere ao sistema educacional quanto ao interior das escolas.
A modernização da gestão educacional dos anos 1990 orientou-se por um padrão de
gestão no qual a qualidade referia-se ao „eficiente‟ e tal eficiência, era construída
mediante a racionalização administrativa, a privatização, a corresponsabilização da
sociedade, a abertura institucional para os clientes, além de uma concentração do poder
decisório e controle centralizado dos resultados com as avaliações externas.
O modelo de organização e gestão da educação, define -se pela descentralização em três
dimensões: descentralização entre as diferentes instâncias de governo
(municipalização); descentralização para a escola (autonomia escolar); e
descentralização para o mercado.
A descentralização entre as diferentes instâncias do governo constitui-se na
transferência do financiamento e da administração das escolas de Ensino Fundamental
para os estados e para os municípios. Esse caráter descentralizado da educação formal
tem origem na omissão do poder público e no embate dos diferentes projetos societários
das elites locais do que propriamente na organização federativa do país.
A descentralização para a escola, chamada de autonomia escolar, segundo aspecto da
descentralização da educação, tem sido implementada por uma série de medidas, as
quais, por sua vez, focalizam sua atenção na gestão da escola como resultado da
preocupação dos órgãos centrais em redefinir quem deve assumir a responsabilidade
pela definição de conteúdos, financiamento e resultados. A escola passou a ser o espaço
privilegiado para a introdução dos princípios de flexibilidade, liberdade, diversidade,
competitividade e participação.
A segunda via é identificada pela transferência de funções e responsabilidades para a
comunidade, por meio de envolvimento privado e voluntário no funcionamento e gestão
da escola. Assim, o Estado deixa de ser o único fornecedor de serviços educacionais e a
qualidade do processo educacional passa a ser medida pela capacidade de produzir,
obter e gerir recursos e, também, pelos atos de filantropia a ela ligados (KRAWCZYK,
2002, p. 69-70).
Essas mudanças institucionais trouxeram uma reconfiguração das relações entre o
Estado, à escola e a comunidade. A Lei NO 9.424, de 24 de dezembro de 1996, que
criou o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Magistério (Fundef), alterou
significativamente os padrões de oferta e de atendimento dos estados e municípios no
tocante ao conjunto da educação básica ao priorizar os recursos para o Ensino
3

Fundamental. Em 2006, ano em que terminou a vigência do Fundef, foi aprovada nova
lei de distribuição dos recursos para educação, o Fundo de Manutenção e
Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) com o objetivo corrigir as falhas do
Fundef no que tange à desigualdade de recursos destinados à Educação Infantil, à
Educação de Jovens e Adultos e ao Ensino Médio.
O MEC lançou o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), que juntamente com o
Decreto n. 6.094 dispõem sobre o Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação.
O Plano de Metas Compromisso de Todos pela Educação, por meio de um termo de
adesão dos estados e municípios, prevê a transferência voluntária de recursos
financeiros e assistência técnica do governo federal diretamente aos estados e
municípios que fizerem adesão ao programa.
Considera-se que o PDE constitui-se como uma nova engenharia de gestão educacional
ao vincular os recursos financeiros a um termo de adesão e a apresentação de um plano
de atividades articuladas municipal e/ou estadual. Esse Plano adjudica ao governo
federal como regulador das desigualdades existentes, oferecendo assistência técnica e
financeira, instrumentos de avaliação e condições e possibilidades de equalização das
oportunidades de acesso à educação de qualidade (KRAWCZYK, 2008).
Com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases no 9.394/96, elaborada no contexto da
Reforma da Educação orientada a partir dos imperativos da globalização, buscou
adequar os sistemas públicos de ensino às demandas do capital e às exigências quanto
ao papel do Estado sob a perspectiva do neoliberalismo.
Oliveira (2004) identifica nessa reforma uma nova regulação das políticas educacionais,
dentre as quais destaca a centralidade atribuída à administração escolar nos programas
de reforma com a eleição da escola, o núcleo de planejamento e de gestão; o
financiamento a partir da demanda com o Fundef e agora com o Fundeb; a regularidade
e ampliação das avaliações por meio dos exames nacionais; as avaliações institucionais
e os mecanismos de gestão com a incorporação da comunidade. Tais mudanças
assentam-se sobre os conceitos de produtividade, eficiência, eficácia e excelência,
conceitos esses importados do campo empresarial, incorporando-se ao campo
pedagógico. São reformas que atuaram não só no nível da escola, mas em todo o
sistema e repercutiram mudanças significativas na natureza do trabalho escolar.
Quanto aos professores, além das atividades ligadas à docência, devem responder às
exigências que vão além de sua formação, desempenhando funções nas quais o ensinar
não é o mais importante.
4

Discutir a gestão dos sistemas públicos de ensino é uma tarefa que demanda o
entendimento de outros campos de conhecimento, como procuramos fazer neste texto.
(CHILANTE 2010, p.86-91)
Podemos observar que no inicio a Gestão da Educação tinha com principio assegurar
mecanismos do planejamento e administração escolar. Com o passar dos anos essa
pratica caiu em desuso passando a ser um recurso gerencial visto que os problemas na
educação não eram mais decorrentes da falta de recursos e sim da gestão escolar, assim
surgiu uma modernização que se referia a eficiência.
Esse modelo teve como base, três instancias: municipalização, autonomia escolar e
comunidade, trazendo assim uma reconfiguração na gestão.
Em 1996 surgiu o Fundef alterando o atendimento dos estados e municípios priorizando
recursos para o Ensino Fundamental. Em 2006 ao termino do Fundef foi lançado o
Fundeb que corrigiu suas falhas destinando recursos para a Educação Infantil, Educação
de Jovens e Adultos e Ensino Médio.

2) No capítulo 1 do mesmo livro em estudo, encontramos o seguinte excerto:

[...] planejamento educacional constitui uma forma específica de intervenção do Estado


em educação, que se relaciona, de diferentes maneiras, historicamente condicionadas,
com outras formas de intervenção do Estado em educação (legislação e educação
pública) visando à implantação de uma determinada política educacional do Estado,
estabelecida com a finalidade de levar o sistema educacional a cumprir as funções que
lhes são atribuídas enquanto instrumento deste mesmo Estado (HORTA, 1991, p. 195).

Considerando as questões pontuadas no excerto acima, identifique e explique as


formas de planejamento da educação no Brasil a partir da década de 1990.

R: De acordo com as autoras NOMA e KOEPSEL (2010), no ano de 1992, a FCO


introduziu o gerenciamento da qualidade total na área educacional em atendimento à
solicitação da Secretaria de Educação do Estado de Minas Gerais. É importante frisar
que essa forma de planejamento, ao ser aplicado à educação, conduz à concepção de
alunos como clientes e da escola como prestadora de serviço. Isto é explicado por se
fundamentar na estratégia de estabelecer a similaridade entre a ação planejadora na
escola e no ambiente empresarial. Em decorrência, parâmetros econômicos e comerciais
5

passam a ser referências para a gestão da educação e da escola. Reforça-se a ideia de


que as condições são modificadas a partir do empreendimento individual. As autoras
assinalam que essa proposta imprime um sentimento de que „[...] a vontade de
(estudantes professores, supervisores) é fundamental para criar, instalar e reproduzir
condições institucionais da qualidade em sua escola, ignorando qualquer tipo de
referência ao contexto político‟ (VIEIRA; ALBUQUERQUE, 2001, p. 39).
No Brasil, na década de 1990, a defesa por um tipo de planejamento que elegia a
participação como elemento-chave e o entendia como um processo de conquista e de
construção organizada da emancipação concretamente não resultou em prática
efetivamente democrática. As ideias do planejamento participativo foram, em parte,
incorporadas pela política no final do período militar, ocasião em que houve uma
euforia em ampliar os mecanismos de participação. Os governos que se estabeleceram
no contexto da transição democrática da sociedade brasileira tiveram que responder às
demandas sociais do período em seus planos administrativos. A histórica luta que se
desenrolou nos anos 1980 e 1990, pela democratização, sobretudo da educação básica,
incluía a exigência de qualidade dos serviços, de acesso, de permanência dos alunos e
de conclusão da escolaridade como um direito social. A essa demanda social o Estado
procurou atender de modo ambivalente. Por um lado, tomou medidas que visavam a dar
respostas imediatas às manifestações sociais mais contundentes e por outro, buscou
compatibilizar o atendimento das demandas com uma política de contenção dos gastos
públicos sem abrir mão da direção do processo de mudanças.
O sucesso de planejamento depende da coordenação de suas atividades produtivas e
distributivas livremente consentidas por aqueles que executam os objetivos
conscientemente divisados. Portanto, o planejamento genuíno é inconcebível sem a
tomada de decisão democrática desde baixo [...] pois, sem o exercício conscientemente
planejado e amplamente coordenado das suas energias e habilidades criativas, todo
discurso sobre a tomada de decisão democrática dos indivíduos não possui qualquer
substância (MÉSZÁROS, 2002, p. 980).
Vale ressaltar que esta proposta de planejamento social a é radicalmente incompatível
com a lógica capitalista. Se aplicada ao campo educativo, a proposta nos conscientiza de
que,
[...] assim como os diferentes aparelhos que constituem o Estado
capitalista, [a educação] não sofrerá transformações isoladas em
sua lógica de funcionamento, mas se constitui espaço de luta e
6

de resistência no qual é possível a construção de relações mais


democráticas [...]‟ (SCAFF, 2007, p. 341).
Se o planejamento é instrumento usado pelo Estado e pelos governos para a implantação
de políticas públicas voltadas ao atendimento dos interesses dos setores hegemônicos
em cada contexto histórico, seria ingenuidade esperar que o planejamento participativo,
tal como concebe Mészáros, possa ser construído apenas porque é previsto na
legislação, por ações isoladas no setor educacional ou por ação da boa vontade dos
sujeitos individuais que compõem a comunidade escolar. Como se trata de um processo
socialmente construído é preciso que existam determinadas condições materiais e
sociais para tal. (NOMA e KOEPSEL, 2010 p.22-24).

As formas de planejamento engloba uma serie de conceitos, caracterizado, por exemplo,


mudança ou inovação. A reforma dos anos 90 surgiu em um ambiente de instabilidade
educacional, onde inúmeros fatores são impostos. A educação passa a ser motivo de
debate e reformulação surgindo como meio capaz de mudar a situação atual inserindo o
país no contexto econômico mundial.

REFERENCIA
LARA, B. M. A., KOEPSEL, N. C. E. Gestão Educacional. Maringá: Eduem, 2010.
(Coleção Formação de Professores - EAD)