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CHAMADOS PARA ANDAR COM DEUS

Gênesis 5.21-24

Enoque certamente é um dos mais enigmáticos personagens encontrados


nas Sagradas Escrituras. Não sabemos muito a seu respeito. Contudo, o que
sabemos nos mostra que ele foi alguém que se destacou em meio à sociedade
corrupta de seus dias, sendo um pregador da verdade e da justiça, alertando seus
contemporâneos sobre seu pecaminoso modo de viver (cf. Judas 14-15). Assim,
não devemos pensar que Enoque foi diferente de qualquer um de nós, pois ele
trabalhou, casou e teve filhos como qualquer outra pessoa. O destaque de sua vida
se dá no fato de que ele andou com Deus (22-24). E andar indica progressão, ou
seja, alguém que está andando, sai de um determinado lugar para chegar a outro
e nesse processo, tal pessoa poderá encontrar obstáculos e dificuldades que
precisarão ser transpostos. Sem dúvidas, Enoque encontrou dificuldades na sua
caminhada com Deus, pois já em seus dias o pecado assumia proporções
catastróficas, ao ponto de enviar Deus seu juízo sobre a humanidade, mediante
um dilúvio que eliminou quase toda vida sobre a terra. Mas o que está implícito na
expressão “Andou Enoque com Deus”?

Quando as Escrituras afirmam que Enoque andou com Deus, ela aponta para
o fato incontestável de que a rebeldia e obstinação do coração humano foram
subjugadas e a comunhão com Deus restaurada por meio de Cristo, pois quando
o homem pecou, seu coração ficou endurecido, e ao invés de reconhecer sua
culpa, ele responsabilizou o Criador dizendo: “a mulher que me deste por esposa,
ela me deu da árvore, e eu comi” (3.12b). E essa dureza de coração passa a ser
inata a todos nós, a partir de então, de forma que Tiago afirma que aquele, “que
quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tiago 4.4b). Para que
Enoque andasse com Deus, sua rebeldia e obstinação precisaram ser subjugadas,
tendo em Cristo sua comunhão com o Criador restaurada. E talvez você esteja a
perguntar: Como a obra de Cristo foi aplicada na vida de Enoque, se Jesus
somente nasceu séculos depois? A resposta é que Enoque agiu pela fé, fé na

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promessa feita em Gênesis 3.15 e que foi demonstrada pela morte do cordeiro
morto no Éden e que apontava para o Cordeiro de Deus, Jesus Cristo (cf. 3.21;
Apocalipse 13.8). Devemos lembrar que no Antigo Testamento as pessoas eram
salvas pela fé no Cristo que viria e no Novo Testamento, no Cristo que já veio.
Destarte andar com Deus, é andar pela fé. Foi isso o que Enoque fez e por isso
tem seu nome no rol dos heróis da fé (cf. Hebreus 11.5-6). Como diz Warren
Wiersbe, “Ele creu em Deus, andou com Deus e foi para junto de Deus”.

“Andou Enoque com Deus”, implica ainda, em que ele se curvou em completa
submissão à vontade do Criador. Somente alguém que foi transformado pelo poder
de Deus, pode se submeter ao seu desejo. É o que ensina o apóstolo Paulo em
sua epístola aos Coríntios (I Coríntios 2.14). E essa submissão ocorre constante e
progressivamente, numa verdadeira caminhada de fé, pois, como diz o apóstolo
Paulo em II Coríntios 3.18, “somos transformados, de glória em glória, na sua
própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito”. Portanto, andar com Deus é aceitar
a sua vontade, ainda que seja contrária à nossa; foi isso o que Jesus fez no
Getsêmani, ao pedir que o Pai passasse dele aquele cálice, contudo, não se
fizesse a sua vontade, mas a do Pai (Marcos 14.32-36).

Enoque andou com Deus em meio a uma sociedade alienada da verdade,


que buscava apenas seus próprios interesses em detrimento da vontade do seu
Criador. Isto fica claro ao olharmos para os descendentes de Caim e suas obras,
nenhum deles buscava a Deus (cf. Gênesis 4.17-26). E nesse contexto, sem
dúvidas, Enoque enfrentou forte oposição e grandes desafios. Hoje, vivemos num
mundo semelhante ao que viveu Enoque e precisamos andar com Deus, mesmo
que nos custe a vida. Assim, concordo com Augustus Nicodemus quando diz que
“o grande desafio nosso é viver em obediência à Palavra de Deus, andando em
santidade todo dia e, às vezes, sem sentir absolutamente nada. Você ora, você
não sente que tem alguém do outro lado; você abre sua Bíblia e lê, o texto não
parece pular e falar ao seu coração; você obedece a Deus e só vem bomba em
cima de você. O grande desafio da espiritualidade é você continuar crente, sem
sentir, sem ver, sem experimentar e ainda dando tudo errado”.

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Conclusão e aplicação

Caminhando para o fim e frente ao exposto, precisamos ressaltar algumas


verdades para nossa edificação.

1. A primeira verdade a ser ressaltada é que a vida de Enoque nos mostra


que é possivel andar com Deus, mesmo em meio a uma sociedade
antropocêntrica e relativista, onde cada um tem sua própria verdade e
dessa forma a verdade de Deus é vista como mera especulação.

2. A segunda verdade a ser ressaltada é que para andarmos com Deus,


temos que aceitar o que foi dito pelo Senhor Jesus Cristo em Lucas
9.23. Ele “dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se
negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me”.

3. Uma terceira verdade a ser ressaltada é que ninguém pode andar com
Deus sem a obra mediadora de Jesus Cristo, pois somente somos
justificados diante de Deus, pela obra de Cristo (Romanos 5.1).
Somente nele somos reconciliados com o Criador.

4. Por fim, mesmo que as coisas não aconteçam como esperamos,


devemos manter-nos firmes em nossa fé, amando ao Senhor e
esperando nele, pois como Enoque foi levado aos céus, um dia
seremos nós também. Talvez não sejamos trasladados e tenhamos que
experimentar a morte, mas, devemos descansar nosso coração no que
diz I Tessalonicenses 4.15-17: “nós, os vivos, os que ficarmos até à
vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que dormem.
Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a
voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e
os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os
que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens,
para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre
com o Senhor”. A quem seja a honra e a glória para sempre. Amém!