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09/11/2015

Morfologia das Bactérias

Características Morfológicas dos As células bacterianas são caracterizadas morfologicamente pelo seu
Microrganismos Procarióticos tamanho, forma e arranjo.

 Tamanho

 Variam de 0,5 a 1,0 μm de diâmetro ou largura;

Profa. Raquel Martino Bemfeito  As células de algumas espécies bacterianas possuem de 0,5 a 2,0 μm

de diâmetro e mais de 100 μm de comprimento;


 Bactéria de 1 μm diâmetro  10000 bactérias  1cm.

Bambuí - 2015

Tamanho das bactérias


Como é determinada a forma de uma bactéria?
 Alta relação entre superfície e volume celular das bactérias.

 A forma de uma bactéria é determinada por hereditariedade.

 Geneticamente, a maioria das bactérias são monomórficas; isto é, elas


 Grande superfície para entrada de nutrientes em relação ao pequeno volume
mantêm uma única forma.
celular a ser alimentado.
 Entretanto, uma série de condições ambientais pode modificar sua
forma, que, quando alterada, dificulta sua identificação.

 Característica responsável, em parte, pela alta taxa de metabolismo e  Além disso, algumas bactérias, como o Rhizobium e Corynebacterium,

crescimento da bactéria. são geneticamente pleomórficas, o que significa que elas podem mudar
de forma.

Forma Arranjo
 Nem todas as bactérias são iguais. Os cocos normalmente são redondos, mas podem ser ovais, alongados ou
achatados em uma das extremidades. Os cocos tomam denominações diferentes de
 3 formas básicas: acordo com o seu arranjo:

 Esféricas  cocos  Diplococos: cocos agrupados aos pares. Ex: Neisseria meningitides.
 Cilíndricas  bacilos
 Estreptococos: cocos agrupados em cadeias. Ex: Streptococcus pneumoniae.
 Espiraladas  espirilos
 Tétrades: agrupamentos de quatro cocos.

 Sarcina: agrupamentos de oito cocos em forma cúbica. Ex: espécie Sarcina.

 Estafilococos: cocos em grupos irregulares, lembrando cachos de uva. Ex:

Staphylococcus aureus.

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Arranjo
Arranjo

Cada um desses arranjos é típico para uma


espécie particular e pode ser utilizado na
identificação das espécies.

Raramente todas as células de uma dada espécie


estão arranjadas exatamente no mesmo padrão 
predominante.

Microscopia eletrônica

Os bacilos são células cilíndricas, em forma de bastonetes


que apresentam grande variação na forma e tamanho entre
gêneros e espécies.Quanto ao arranjo podem variar em:

 Bacilo: Isolado

 Diplobacilo: bastonetes agrupados aos pares.

 Estreptobacilos: bastonetes agrupados em cadeias.

Forma e arranjo

Microscopia eletrônica

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As formas helicoidais ou espiraladas constituem o terceiro


grupo morfológico sendo caracterizada por células de forma
espiral que se dividem em:

 Espirilos: possuem corpo rígido e se movem às custas de flagelos

externos, dando uma ou mais voltas espirais em torno do próprio eixo.


Ex: Aquaspirillium.

 Espiroquetas: são flexíveis e locomovem-se provavelmente às custas de

contrações do citoplasma, podendo dar várias voltas completas em torno


do próprio eixo. Ex: Treponema pallidum,Treponema denticol.

Além desses três tipos morfológicos, existem algumas


formas de transição.

 Quando os bacilos são muito curtos, podem se assemelhar aos cocos,

sendo então chamados de cocobacilos (Ex: Brucella melitensis).

 Quando as formas espiraladas são muito curtas, assumindo a forma de

vírgula, eles são chamados de vibrião (Ex: V. cholerae).

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Estrutura Bacteriana e Suas Funções Ultraestrutura dos microrganismos


procarióticos

1. Estruturas externas à parede celular.

2. Parede celular.

3. Estruturas internas à parede celular.

Flagelos
 Filamentos finos, helicoidais, se estendem a partir da membrana

citoplasmática e atravessam a parede celular.

 São organelas especiais de locomoção.

 Um flagelo tem três partes:

 Um longo filamento helicoidal;

 Uma estrutura curta em forma de gancho;

 O corpo basal.
Figura: Desenho de um flagelo ilustrando sua estrutura e a fixação a
 Constituídas por uma estrutura proteica denominada flagelina. bactérias gram-negativas.

Flagelo As bactérias recebem denominações especiais de


acordo com a distribuição dos flagelos:
 O comprimento de um flagelo é geralmente maior que o da célula,
 Atríquias  sem flagelo;
mas seu diâmetro é uma pequena fração do diâmetro celular.
 Monotríquias  um flagelo em uma das extremidades;

 Anfitríquias  um flagelo ou um feixe de flagelo em cada


 Nem todas as bactérias possuem flagelos.
extremidade;
 Os cocos raramente têm estas organelas.
 Lofotríquias  agrupamento de flagelos em uma das extremidades;
 Muito comuns em bacilos e espirilos:

 Padrão de fixação e o número  classificá-los em grupos taxonômicos.  Peritríquias  flagelos em toda a superfície.

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A = Monotríquio

B = Lofotríquio

C = Anfitríquio

D = Peritríquio

Flagelo
Flagelo

 As bactérias móveis locomovem-se por diversas razões:

 Ao acaso;

 Geralmente elas se movem em direção ou se afastam de algo presente

no seu meio.
 Taxia (movimento da bactéria para perto ou longe de um estímulo).

 Fototaxia  movimento em resposta à luz;

 Quimiotaxia  movimento em resposta às substâncias químicas.

Figura – Bactéria correndo e se desviando. Setas azuis – direção da rotação flagelar. Setas
cinzas – direção do movimento do microrganismo.

Pêlos ou Fímbrias Fímbrias


Funções:
 As fímbrias ou "Pili" são organelas filamentosas mais curtas, retas e
 A fímbria F (ou fímbria sexual) serve como condutor de material
finas que os flagelos, constituídas por uma proteína chamada pilina
genético durante a conjugação bacteriana (reprodução sexual).
presentes em muitas bactérias.

 Originam-se na membrana citoplasmática.


 Funcionam como estruturas de aderência (doenças  ajudam as

células aderirem as superfícies).


 Só podem ser observadas ao microscópio eletrônico.

 Não estão relacionados com mobilidade.

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Glicocálice
Pêlos ou Fímbrias
 Camada de material viscoso que circunda algumas bactérias.

 Composto por polímeros – a composição química varia entre as espécies;

 Produzido dentro da célula e excretado para a superfície celular;

 Se estiver organizado de forma definida e estiver aderido firmemente à

parede celular, chama-se cápsula;

 Se desorganizado e fracamente aderido à parede celular: camada

limosa;

 A camada limosa é viscosa, solúvel em água.

Glicocálice Glicocálice

 Função principal: aderência (pedras, raízes, dentes);

 São responsáveis pelo acúmulo de lodo em equipamentos,

entupimento de canos, filtros, etc.

 Cápsulas protegem as bactérias patogênicas da fagocitose por

células sanguíneas que defendem o corpo dos mamíferos, Figura:Microscopia eletrônica

aumentando a chance de infecção.

Ultraestrutura dos microrganismos Parede celular


procarióticos É uma estrutura rígida que:
 Mantém a forma bacteriana;

 Previne a expansão e rompimento da célula;


1. Estruturas externas à parede celular.
 Possui barreira a compostos indesejáveis para a célula;
2. Parede celular.  Desempenha um papel importante no crescimento e divisão celular;

3. Estruturas internas à parede celular.  Circunda a membrana citoplasmática protegendo-a e ao interior da célula
de alterações adversas no ambiente externo;
 Pode corresponder de 10 a 40% do peso seco da célula.

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Propriedades e composição química da parede celular Propriedades e composição química da parede


bacteriana celular bacteriana
 Nas eubactérias – peptideoglicano determina em grande parte a sua
 Paredes celulares diferem em espessura e na composição –
forma.
diferenças que ajudam a identificar e classificar bactérias.
 Peptidioglicano – é uma molécula gigante, simples, que circunda a
 A parede celular deve a sua rigidez a uma camada composta por célula como uma rede.
uma substância somente encontrada em procariotos e que recebe
 O peptidioglicano representa a maior parte da parede das bactérias
diferentes denominações como mureína, mucopeptídio ou
Gram-positivas, atingindo de 15 a 50% da massa seca da célula, ao
peptidioglicano.
passo que nas Gram-negativas não ultrapassa 10%.

Propriedades e composição química da parede


celular bacteriana Paredes Celulares de Eubactérias Gram-positivas

 Arqueobactérias – paredes celulares diferem das eubactérias em  Parede celular consiste em muitas camadas de peptidioglicano 

relação à composição química e estrutura. Contêm proteínas, parede mais espessa e rígida.

glicoproteínas ou polissacarídeos complexos, mas não contêm


 Além desta macromolécula, encontramos proteínas e ácidos
peptidioglicanos.
teicóicos  transporte de íons positivos e armazenamento de fósforo.

 Existem 2 classes de ácidos teicóicos: ácido lipoteicoico e o ácido

teicóico da parede.

Gram-positivas Gram-positivas

Figura: Esquema parede celular de bactérias gram-positivas.

Figura: Esquema parede celular de bactérias gram-positivas.

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Paredes Celulares de Eubactérias Gram-negativas Paredes Celulares de Bactérias Gram-negativas

 A parede das bactérias Gram-negativas é mais complexa.

 É a membrana externa, não a camada de peptidioglicano, que


 É formada por uma ou poucas camadas de peptidioglicano e por uma
distingue as bactérias gram-negativas das gram-positivas.
membrana externa e por um espaço periplasmático.

 Membrana externa – barreira seletiva que controla a passagem


 Espaço periplasmático – entre a membrana citoplasmática e a
de algumas substâncias para dentro e para fora da célula.
membrana externa.

 Os ácidos teicóicos não estão presentes.

Paredes Celulares de Bactérias Gram-negativas Paredes Celulares de Bactérias Gram-negativas

 Estrutura da membrana externa:  Os lipopolissacarídeos são compostos por 3 seguimentos:


 Bicamada contendo fosfolipídeos, ancorada ao peptidioglicano por uma
 Lipídeo A – firmemente embebido na membrana.
lipoproteína;
 Cerne do polissacarídeo – localizado na superfície da membrana.
 Proteínas e lipopolissacarídeos – localizados na camada externa da
 Antígenos O – polissacarídeos que se estendem como pelos, a
membrana.

• Paredes celulares de bactérias gram-positivas não contém


partir da superfície da membrana em direção ao meio

lipopolissacarídeos. circundante.

Paredes Celulares de Bactérias Gram-negativas Gram-negativas

 O Espaço Periplasmático além do peptidioglicano contém uma série

de enzimas e proteínas, tais como:


 Enzimas hidrolíticas (proteases, nucleases, lipases), responsáveis pela

quebra de macromoléculas, às quais a membrana citoplasmática é


impermeável.

 Enzimas capazes de inativar drogas, tornando a célula resistente a elas.


Figura: Esquema parede celular de bactérias gram-negativas

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Gram-positivas

Gram- positivas
x
Gram-negativas

Gram-negativas Gram- positivas x Gram-negativas