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FACULDADE DA AMAZÔNIA OCIDENTAL – FAAO

CURSO: DIREITO
TUMA: 4NA
DISCIPLINA: DIREITO CIVIL III
DISCENTE: LARA TORCHI ESTEVES
DOSCENTE: CLOVES AUGUSTO FERREIRA

O PODER DE TESTAR
Porque o brasileiro não tem costume de fazer testamento?

Rio Branco – Ac., novembro de 2017.


Quando eu morrer...

“Cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal


irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho
destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que
iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados,
porque tudo que é vivo, morre”.
Ariano Suassuna

Discutir sobre a morte, certeza irrefutável para todos os que vivem, ainda
causa uma certa estranheza para boa parte das pessoas, mas tal assunto deveria ser
visto com a mesma naturalidade que a vida. O ato de testar deveria ser tão natural
quanto obter o registro de nascimento.
O testamento pode ser conceituado como uma forma de planejamento
de distribuição patrimonial pós morte, um documento que contém a manifestação de
última vontade de um indivíduo a respeito da distribuição de seus bens.
No Brasil tal ferramenta jurídica ainda não é muito utilizada, talvez por
falta de informação sobre a forma de fazê-lo e seu baixo custo, ou ainda por questões
culturais: falar de morte e planejamento pós morte representa um tabu para muitas
pessoas. Há quem acredite que o ato de fazer um testamento possa atrair a própria
morte, mas de fato, o testamento pode facilitar sobremaneira a vida dos sobreviventes
evitando infindáveis processos judiciais acerca da distribuição dos bens.

1. Tipos de testamento e suas formas de utilização


Existem três tipos de testamento: a) Público: é escrito por um tabelião,
permanecendo registrado e arquivado em cartório; b) Particular: é escrito pelo testador,
sendo necessário ser lido na presença de testemunhas para ter validade, trata-se de um
documento particular que fica guardado com o próprio testador; c) Cerrado: é um
documento escrito pelo próprio testador, cuja existência é registrada em cartório – o
documento é selado e costurado pelo tabelião, mas fica em poder do testador – o
cartório somente possui o registro de que o documento foi feito.
O testamento público é uma escritura, lavrada em cartório. Quando há o
registro do óbito do testador, a família recebe a informação de que há testamento
registrado. Geralmente é utilizado quando não há dúvida no planejamento sucessório,
quando a distribuição é definitiva, contudo, nada impede que o testador o altere.
Para situações transitórias ou provisórias, antes do término do
planejamento sucessório é utilizado o testamento particular, que posteriormente pode
ser convertido em testamento público. O testamento é lido perante as testemunhas e
guardado pelo testador e seu advogado. Este documento é frágil pois pode ser perdido,
ao contrário do público.
Finalmente o testamento cerrado geralmente é utilizado quando o
testador tem um segredo que deseja revelar somente após a sua morte. Pode ser, por
exemplo, o reconhecimento de um filho tido fora do casamento. Este documento
também é frágil pois, a costura pode ser rompida ou o próprio testamente pode
desaparecer sem que a vontade do testador seja revelada. Dos três tipos, o mais seguro
é o testamento público, que garante que a última vontade do testador será conhecida.

2. Herança e legítima: como é feita a distribuição dos de bens


De maneira simplista, a metade dos bens que o indivíduo possui é
chamada de “legítima” e é necessariamente distribuída entre os herdeiros obrigatórios,
a outra metade é chamada de “disponível” e pode ser distribuída livremente por meio
do testamento. Salienta-se que se o indivíduo for casado, a depender do regime, o
patrimônio do casal poderá ser dividido em duas meações e o testador somente poderá
dispor sobre sua meação.
Os herdeiros necessários ou obrigatórios que receberão a legítima são,
em primeiro lugar o descendente e o cônjuge, quando não há filhos, os ascendentes ou
cônjuge podem dispor livremente da herança.
O testamento é uma ferramenta que pode ser utilizada quando alguém
deseja contemplar, por exemplo, um filho com uma “fatia” maior que a do outro pelo
fato de ter mais merecimento, bastando disponibilizar a este, além da legítima, um certo
percentual da parte disponível. Pode ser usado, ainda, para contemplar um afilhado,
amigo ou pessoa próxima que não teria direito à legítima, excetuando-se as restrições
previstas no artigo 1.801 do Código Civil.

3. Além do testamento, o codicilo


O codicilo, parecido com o testamento, é outra modalidade de disposição
de última vontade e tem o objetivo de estabelecer obrigações a serem cumpridas após
a morte que sejam relativas ao seu próprio funeral, além de doações de pequeno valor.
Esta modalidade de disposição de vontade está prevista no artigo 1.881
do Código Civil, e estabelece que as manifestações devem ser escritas em documento
particular datado e assinado, que trará, além de fazer prescrições sobre o enterro,
requisitos sobre esmolas de pouca, legação de bens móveis, roupas ou joias, de pouco
valor, de uso pessoal.

Conclusão
Este texto discutiu o que é um testamento, suas modalidades e formas
de utilização, explicando de maneira simplificada a diferença ente herança e legítima. O
testamento é um documento importante, pois tem a finalidade de evitar que os
herdeiros legais e possíveis legatários discutam judicialmente pelos bens do falecido,
criando rupturas familiares.
Havendo um testamento, reduz-se o risco de questionamentos acerca da
herança e o autor pode permanecer na posse dos bens até o fim de sua vida. O
testamento é um documento versátil, ainda que o autor tenha definido sobre a
disponibilidade dos bens quando falecer, pode ser alterado a qualquer momento,
bastando para isso reescrevê-lo, substituindo o anterior.