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INSTITUTO FILOSÓFICO E TEOLÓGICO DO SEMINÁRIO ARQUIDIOCESANO SÃO JOSÉ DE NITERÓI

GABRIEL BARRETO, RICARDO CÔRTES, RONNAN TEIXEIRA E THYELL DE MATTOS

HINDUÍSMO

NITERÓI

2018

1 INTRODUÇÃO E ORIGEM

O Hinduísmo é a terceira maior religião do mundo e provavelmente a mais complexa,

visto que faz uma síntese entre quase todas as tradições religiosas da Índia. Etimologicamente,

a palavra “hinduísmo” faz referência direta a todos os povos que viviam no subcontinente indi- ano e ao rio Indo, localizado no Paquistão. Sua história começou no período pré-clássico (1500-500 a.C.), quando os Vedas foram escritos, instituindo um conjunto uniforme de crenças e formando o Hinduísmo Védico. Diferentemente das outras religiões tidas como atuais, a hindu não possui um fundador ou um líder. O fato de surgir a partir da agregação de outras religiões, principalmente a do bramanismo, contribui para esse fator. Neste sentido, tendo em vista que as duas estão intimamente ligadas, o que marcará a diferença de uma para outra é justamente os Vedas, que são livros escritos em sânscrito, separados em versos, como se fossem mantras, que definem a doutrina hindu. Com o passar do tempo, entre o século II a. C e o século VI d. C, o hinduísmo consegue se espalhar por vários locais. Isto é consequência de dois fatores: o primeiro, era que os

brâmanes eram um povo de peregrinações, sendo assim, viajavam por vários lugares e conseguiram unificar, de alguma forma, religiosa e culturalmente, o subcontinente; não obstante disso, levando em consideração que o bramanismo e o hinduísmo após algum tempo se tornaram um, a expansão da primeira gera, por ação de causa e efeito, a expansão também da última. Ao passo que isto acontecia, mais adeptos da nova religião foram surgindo.

A virada do bramanismo para o hinduísmo não foi de uma hora para outra, ou seja, não

surgiu do dia para a noite. Ao contrário, isso é derivação de um grande processo de absorção de

cultura, religião, crenças etc. No sistema de crenças hinduístas, os dogmas não são rígidos, o que permite a incorporação de tradições variadas.

A religião hinduísta é a predominante na Índia, embora seja um país muito diversificado,

principalmente em relação à religião. É possível encontrar outras significantes procedências de

fé no país, como o Islamismo e o Cristianismo. Dentro deste contexto, o Hinduísmo ainda é a religião mais seguida no país, com cerca de 80% da população. Com diversas divindades, o número oficial de deuses na religião chega a cerca de 330 milhões, muitos desses deuses apa- recem de diversas formas, atuantes em diversas áreas. Outros países com populações consideráveis de hinduístas são Bangladesh, Sri Lanka, Paquistão, Malásia, Singapura, Ilhas Maurício, Fiji, Suriname, Guiana, Trindade e Tobago, Reino Unido, Canadá e Estados Unidos.

2 IDEIAS E CRENÇAS

O hinduísmo não possui um corpo doutrinário bem definido, mas sim, diversas

ramificações e compreensões diferentes. Isto se dá, pois, seus crentes entendem a mesma como uma religião que faz certa síntese entre todas as outras religiões existentes. Porém, existem alguns fatores bem característicos do hinduísmo. Dentre estes, alguns serão apresentados a seguir.

Um dos fatos popularmente conhecido é o que diz respeito a sua configuração social.

Neste sistema de crença existe uma divisão social, que se dá na questão das castas. Os indivíduos se diferenciam a partir dos seus “estágios de existência”. Há alguns mais evoluídos na roda do Dharma e outros nem tanto.

O Dharma por sua vez é a “natureza interior, sendo esta caracterizada pelo estágio

presente da evolução mais a lei de crescimento para estágio seguinte da evolução.” 1 É essa lei de evolução que se transformará nas obrigações morais da sociedade hindu.

Faz parte da doutrina a visão de que o homem está preso nessa realidade material, que gera, naturalmente, sofrimento, angústias etc. “Por outro lado, o homem não é o único que sofre; a dor é uma necessidade cósmica.” 2 Essas realidades, quando bem vividas e aceitas faz com que a alma se desprenda cada vez mais do material até chegar no estágio em que, plenamente evoluída, alcança a unidade com o cosmo, com a divindade, libertando-se do sofrimento, que é “a meta de todas filosofias e técnicas meditativas indianas” 3 . Pode-se entender, então, a espiritualidade do sofrimento como ferramenta de libertação corporal. É por isso que o hinduísmo é reconhecido como a religião da renúncia (RENOU, 1964), no entanto, “desde que saibamos como proceder para dele nos libertarmos, não é definitivo” 4

A prática da Ahimsa, não-violência, é uma outra característica bem marcante do

hinduísmo, o princípio da não violência, que chega em alguns casos ao extremo. Esse princípio

é causado pela compreensão de que o outro ser, seja de um homem à uma planta, é um ser

divino e conectado, assim, caminha para o âtman-Brahman, a unificação de todas as coisas, o Ser. A violência é o caminho contrário da roda do Dharma. Segundo o monge Satýanatha, para sairmos da embriaguez, que é a condição humana,

e alcançarmos o samâdhi junto com a libertação material, se faz necessário observar os Nyamas

1 BESANT, Annie. Dharma. São Paulo: Pensamento, 1918. 82 p. Tradução de: Hugo Mader. p. 29

2 ELIADE, Mircea. História das crenças e das ideias religiosas: De Gautama Buda ao Triunfo do Cristianismo. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1979. p. 59

3 Ibid. p. 59

4 Ibid. p. 59

preceitos que se deve buscar cumprir, como o yoga (que é toda técnica de ascese e todo método de meditação 5 ) e também os Yamas que são realidades que devem ser evitadas como a violência, já mencionada. Um dos pontos dessa jornada de libertação é o conhecimento de si. Os indivíduos são formados de invólucros o externo é o corpo físico, após, existe a camada dos sentimento e sensações, em seguida os das ideias, adiante o anandamaya Kosha que seria a alma e, por fim, o âtman que seria a partícula divina presente em toda a criação. O caminho de libertação é um caminho de interiorização para que, abrindo mão da influência dos outros invólucros, chegue ao seu eu interior e primordial. Um outro ponto, importante e bem conhecido da religião Hindu é o Karma, popularmente entendido como a filosofia de que toda ação possui uma consequência e, assim, toda energia liberada pela atitude do indivíduo irá voltar para ele de alguma forma. Apesar das diversas mitologias, o principal e, para alguns, único Deus é Brahman, o que tudo permeia. “O crente comum não é versado na noção de unidade divina, que pertence mais a esfera dos filósofos” 6 Porém, devido a incapacidade deste ele o divide, em Brahma, Xiva e Vixinu. Os três são aspecto de grande valor na história do universo; sendo:

Brama → Princípio da criação do universo, Vixinu → preservação; parte boa da vida e Xiva → da destruição; parte sombria, lutas com o demônio, ascetismo, a morte (RENOU 1964). As outras deidades, por sua vez, são emanações da figura de Vixinu e Xiva. No que diz respeito as manifestações de Vixinu existe certa importância dos Avataras, que são “descidas periódicas do deus à terra (que) destinam-se a salvar nosso mundo de algum grande perigo (…) (são) de número classicamente fixado em dez: peixe, crocodilo, javali, homem-leão, anão, Rama com machado, Rama (o herói épico de significado tremendo), Krishna, o Buda, e finalmente Kalkin, a encarnação vindoura. 7

5 Ibid. p. 59

6 RENOU, Louis. Hinduísmo. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1964.

7 RENOU, Louis. Hinduísmo. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1964.

3 DIVINDADES

O Hinduísmo conta com uma trindade (Trimúrti), formada pelos deuses Brahma, Shiva

e Vishnu. Brahma é o deus criador considerado o maior dos deuses porque colocava o universo em movimento, decresceu de importância com a ascensão de Shiva e Vishnu. Shiva é o destruidor, um dos dois deuses mais poderosos do hinduísmo. Vishnu é o conservador e para muitos hindus o deus universal. Cada um desses deuses tem a função de representar um aspecto do universo.

Além da trindade o hinduísmo possui vários outros deuses representativos. Portanto, como é muito amplo o conteúdo deste tema, pois há uma infinidade de divindades na religião, que são representadas, geralmente, com muitos braços e objetos que transportam consigo; os quais simbolizam os seus atributos divinos e os identificam, abordaremos os deuses mais relevantes e conhecidos.

É necessário mencionar que as representações dos deuses hindus, através das imagens,

para seus seguidores e adeptos, são apenas e, não mais, do que símbolos e não a realidade em si mesmo. Ou seja, compreendem que as suas divindades feitas de pedra, barro, ferro ou madeira, são apenas símbolos das forças cósmicas que criaram, sustentam e renovam perpetuamente todo o cosmos e toda a vida que nele existe. Assim como entendem que a soberania destes deuses sobre todos os mortais é total.

Brahma o Criador

É o supremo deus, a origem de todos os outros que são as suas manifestações. O primeiro

dos três grandes deuses hindus, o Criador.

O nascimento de Brahma é cercado por diversas lendas dentre as quais se destacam a

do “Ovo Cósmico”, no qual permaneceu durante um ano, no final do qual, pelo esforço do seu pensamento, dividiu-o em dois. E outra em que ele teria nascido de uma flor de lótus que teria brotado do umbigo de Vishnu. Foi somente depois de ter brotado que ele começou o seu traba- lho de criação do universo. Nessa versão podemos observar certa subordinação a Vishnu. O deus Brahma é uma emanação de Brahman.

Vishnu o Conservador Um dos três deuses que formam a trindade hindu. É o conservador da criação. Algumas versões dizem que ele é antes de Brahma, como um menino que flutua sobre as águas. Vishnu

tem a lista maior de adoradores, sendo mais notável nele as sucessivas encarnações. Ele se en- contra presente em todos os átomos da criação assim como no coração de todos os seres.

É representado com uma cor azulada ao lado da sua mulher Laksmi. Às vezes também

é representado cavalgando um cisne (garuda) ou um gavião. Tem vários sobrenomes que ex-

pressam a grande complexidade deste deus.

Shiva o Destruidor Shiva é a terceira pessoa da trindade hindu. Brahma é o criador, Vishnu é o conservador

e Shiva é o destruidor (destrói para renovar), e por isso retratado dançando num círculo de fogo. Shiva tem uma esposa que é Parvati, que é por sua vez sua irmã e sua mãe. Costuma ser representado montado num touro Nandi, ostentando em suas mãos o lótus

e a serpente com cinco cabeças. No alto da sua cabeça está adornado com uma lua crescente e dali flui água celestial. Shiva ordenava e conduzia o Universo: ditava leis, exercia justiça e vingança divina. Também é conhecido como o Radiante ou o Bem - Aventurado.

Agni O deus do fogo é uma das divindades mais relevantes dos Vedas. Agni é filho do céu e da terra. Quem o adora gozará de riquezas prosperidade e viverá muitos anos. É guia das viagens, o obreiro divino, a esperança do homem. E o intermediário entre os deuses e os homens e protege todos aqueles que o invocam. Costuma ser representado como um homem roxo, de três pernas e sete braços. De cabelos e olhos pretos, de mandíbulas afiadas e saindo-lhe chamas pela boca.

Indra

É o rei dos deuses, deus dos guerreiros. Também é deus da Natureza e um dos guardiões

do mundo. Domina as tempestades e domina o raio. A sua principal tarefa é a de triunfar per- petuamente sobre o demônio Vala e o demônio Vritra, para conquistar a luz, a força, o paraíso

e a iluminação. Indra é representado com braços armados, um de um raio e outro de um arco. A sua montada é um elefante Airavata, nascido num mar de leite. Indra é considerado como o deus das tempestades e das chuvas.

Surya Surya é o iluminado sol, considerado por alguns como o maior dos deuses. Liberta o homem da consciência limitada do ego permitindo-lhe um movimento mais amplo. Desloca-se num carro puxado por sete cavalos verdes, conduzidos por Arjuna.

É representado como um homem de cor roxa, com três olhos e quatro braços. Em duas

das suas mãos tem uns nenúfares, na terceira oferece bênçãos e com a quarta anima os seus

adoradores.

LaksmiI Deusa do amor, da beleza, da fortuna e da prosperidade. Esposa de Vishnu, nascida de um lago de leite. É representada como uma mulher muito bela e sedutora, com uma flor de lótus numas das mãos e na outra, distribuindo riquezas para os seus adoradores.

Ganesha Considerado como o filho maior de Shiva e Parvati, o deus da sabedoria e que afasta todos os obstáculos do caminho. É também o deus da prudência e da política. Protetor do ma- trimônio.

Sarashwati

É a esposa de Brahma, a deusa da sabedoria e da ciência, a mãe dos Vedas e do alfabeto

"devanagari". É também deusa da música. É representada como uma bela mulher dotada de

quatro braços, tocando Sitar.

Yama Juiz dos homens e rei do mundo oculto. Yama foi o primeiro homem a morrer e, conhe-

cendo o caminho para o outro mundo, tornou-se guia de todos aqueles que abandonam este mundo depois da morte, levando-os a um lugar no qual estarão a salvo para sempre. É, portanto, o deus da noite e o juiz e árbitro dos mortos. Costuma ser representado cavalgando um búfalo. Rama

O grande herói do "Ramaiana". Rama representa também um rei bondoso, marido ideal,

chefe corajoso sempre pronto a lutar contra os exércitos que oprimam o seu povo. Avatar de Vishnu é considerado como o senhor do autocontrolo e das virtudes. Sua mulher é Sita, a qual

os indianos consideram ser um avatar de Laksmi. Rama é representado como um homem de cor roxa, com um arco numa das suas mãos e uma flecha na outra.

Krishna Um dos mais importantes avatares de Vishnu. Krisna é uma das divindades mais popular e amada pelos seus adoradores. Costuma ser representado como um pastor, tocador de flauta, ou ainda como um sábio que concede os ensinamentos a Arjuna no campo de batalha. Muitas vezes, também, como um menino brincalhão ou um adolescente amoroso.

4 CULTOS E RITOS

Todo o sistema de cultos e ritos do hinduísmo são baseados na busca do contato com o divino, no qual está centrado a espiritualidade hinduísta. Existem alguns aspectos que compõem

o cenário das práticas religiosas e do conjunto litúrgico e que favorecem a compreensão de como as crenças hinduístas se desenvolvem dentro do culto.

4.1. Templo

Segundo Louis Renou, “o ritual perdeu sua importância depois do período védico” 8 . Justamente por conta disso, é compreensível que, com o passar dos anos, as cerimônias litúrgicas hinduístas praticadas na antiguidade tenham progressivamente perdido espaço. O esquecimento ritualístico ocasionou, também, a redução da importância do templo dentro do culto hinduísta. Ora, se não há rito, então não há necessidade de templo, uma vez que as duas realidades estão intimamente ligadas. No entanto, na medida em que os ritos não estão extintos, apenas reduzidos, ainda é possível encontrar templos hinduístas. São geralmente dedicados a uma divindade específica,

escolhida pela relação com o povo local. Por ter perdido a figura central do culto, o templo não

é um local obrigatório para os fiéis, de modo que muitos deles acabam aderindo ao culto em

seus próprios lares e altares. Ao templo, peregrinam apenas em dias festivos para a comunidade local, ou para templos em cidades sagradas, como em Allahabad, onde a cada doze anos acontece o maior festival religioso do mundo, o Khumba Mela, nas margens do rio Ganges.

Entre as celebrações coletivas realizadas no templo ou sem suas proximidades, podemos mencionar as festas ou festivais (utsava), como a adoração da deusa Durga, que dura nove dias no mês de outubro, o Festival das Luzes (Divali) que ocorre mais ou menos na mesma época, Holi, o Festival Primaveril em honra a Krishna. 9

8 RENOU, Louis. Hinduísmo. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1964, p. 21.

9 RENOU, Louis. Hinduísmo. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1964, p. 24.

4.2. Puja

As práticas modernas hinduístas abarcam uma variedade de manifestações religiosas, obviamente relacionadas umas com as outras e fundamentadas em resquícios dos rituais antigos, mas a maioria acaba ficando a cargo de cada indivíduo, na medida em que todos fazem parte da mesma religião, mas usam diferentes métodos para alcançar o divino. Uma prática comum entre os hinduístas é a puja, ou adoração.

A

adoração, ou puja, é o ponto central da atividade religiosa e

o

rito consiste em receber o deus como um hóspede distinto.

Dar banho no deus, vesti-lo, adorná-lo e aplicar-lhe perfumes, alimentá-lo, por flores nele e adorá-lo com fogo móvel

acompanhado de música e canções, eis alguns dos traços essenciais do rito. 10

Alguns elementos pré-puja são fundamentais para introduzir o indivíduo num espirito de meditação e adoração, a fim de favorecer o objetivo de alcançar o transcendental. A iconografia, por exemplo, é um recurso frequente dentro do hinduísmo, usada de maneiras diferentes tanto nos templos quanto nos lares. Para alguns, os ícones representam a forma escolhida para que o deus seja adorado, um mero símbolo para introduzir a adoração. Para outros, os ícones podem ser os próprios deuses, visto que são imanentes e podem literalmente estar presentes no ícone, como uma manifestação. Geralmente, os ícones fazem parte da composição do altar que cada indivíduo possui em seu lar, para os momentos de adoração. Um outro elemento em preparação para a puja é o processo de purificação. A pureza é uma virtude estimada pelo hinduísmo e condição necessária para o culto. A purificação se dá tanto no campo espiritual, através de meditações, quando no campo material, onde o indivíduo se prepara com jejuns e água. A adoração, propriamente dita, é usualmente acompanhada por orações silenciosas, as chamadas japas, ou por sílabas sagradas, popularmente conhecidas como mantras, até mesmo no Ocidente. Há ainda a leitura dos livros sagrados e a prática do yoga, a meditação capaz de levar o indivíduo ao estado de união com o Absoluto.

10 RENOU, Louis. Hinduísmo. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1964, p. 21.

Essas práticas religiosas no lar são as únicas relativamente obrigatórias. A oração três vezes por dia (de manhã, ao meio- dia e à noite) é acompanhada por oferenda aos deuses, aos sábios e aos ancestrais. Na prática, tais atividades religiosas são apreciavelmente encurtadas. 11

4.3. Outros ritos

Por fim, os ritos hinduístas também incluem uma série de práticas pessoais. São chamados de samskara, uma palavra que se aproxima do significado de sacramento. Eis alguns exemplos de samskaras:

- Garbhadharana: rito da concepção;

- Pumsavana: rito da consagração de um filho no útero;

- Simantonnayana: rito de fazer a risca no cabelo da mulher grávida;

- Jatakarma: cerimônia do nascimento;

- Namakarana: cerimônia do batismo e escolha do nome;

- Nishkarmana: primeiros passos;

- Annaprasana: primeira alimentação sólida;

- Chudakarana: primeira tonsura;

- Karnavedha: perfuração dos lóbulos da orelha; - Vidhyarambha: início da educação;

- Upanayana: cerimônia do fiar;

- Vedarambha: início dos estudos dos Vedas;

- Keshanta: primeiro barbear;

- Samaavartana: fim da escolaridade; - Vivaha: casamento; - Anthyesthi: funeral;

11 RENOU, Louis. Hinduísmo. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1964, p. 23.

5 CONCLUSÃO

Atualmente, o hinduísmo possui uma grande quantidade de adeptos, para ser mais exato, segundo uma pesquisa feita pela BBC, em 2003, são 750 milhões de seguidores. Estes números nos mostram como a religião está muito ligada não com a conversão de pessoas, mas sim com

a transmissão dessa crença de geração para geração. Em tempos onde a religião sempre é posta

em xeque, vemos, aqui, o quanto ela é importante para salvaguardar costumes e tradições que fazem parte da história de um povo. Todos estes adeptos trazem consigo a marca da sua história

gravada em suas vidas. Quando voltamos nossos olhos para analisarmos a sociedade, vemos que, assim como

a terra gira em torno do sol, a sociedade indiana gira em torno da religião hinduísta. Tal fato pode ser aferido, como visto, pela separação da sociedade por castas. Tomando como base, enfim, tudo aquilo que foi pesquisado e estudado por nós, podemos afirmar que a religião hindu foi determinante para a construção de uma sociedade, principalmente, no que tange a cultura, costumes e religiosidade.

6 BIBLIOGRAFIA

BESANT, Annie. Dharma. São Paulo: Pensamento, 1918. 82 p. Tradução de: Hugo Mader.

CHATUVERDI, B.K. e MATHUR, Suresh Narain. Deuses e Deusas Hindus: sua hierarquia e

outros assuntos sagrados. 2008. Editora Mandras.

ELIADE, Mircea. História das crenças e das ideias religiosas: De Gautama Buda ao Triunfo do Cristianismo. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1979.

RENOU, Louis. Hinduísmo. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1964.