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Patologia

Osteoarticular da
Anca RUI VAZ
(ASSISTENTE HOSPITALAR MFR DO CHAA - GUIMARÃES)
V.N.GAIA 28/02/2015
“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”
(Fernando Pessoa)
Articulação Coxofemoral

 Enartrose muito coaptada


 Suporte do peso corporal
 locomoção
 Mobilidade segundo 3 eixos
 Eixo transversal: situado no plano frontal, possibilita os
movimentos de flexão/extensão
 Eixo ântero-posterior: situado no plano sagital,
possibilita os movimentos de abdução/adução
 Eixo vertical: situado no plano frontal, possibilita
movimentos de rotação externa/interna
 Elevada estabilidade
 A articulação mais difícil de luxar
Articulação Coxofemoral

 Cabeça Femoral
 Situada na porção terminal do colo femoral
 Constituída por 2/3 de uma esfera de 40 a 50mm de diâmetro
 Orientada para cima, para a frente e medialmente

 Acetábulo
 Situa-se na face externa do osso ilíaco
 Forma de uma semi-esfera
 Porção articular – mais periférica; coberta por cartilagem
 Porção não-articular – mais profunda; sem cartilagem
 Orientado para fora, para a frente e para baixo
Articulação Coxofemoral
 Labrum acetabular
 Anel fibro-cartilaginoso
 Forma triangular
 Aumenta consideravelmente a profundidade do acetábulo
 Aumenta a coaptação articular

 Ligamento Redondo
 Extende-se desde a incisura ísquio-púbica até à cabeça femoral
 Não desempenha uma função mecânica importante, embora seja
extremamente resistente (carga de ruptura = 45Kg)
 Principal Limitador da adução.
 Tem função de nutrição (Artéria do ligamento) leva a osteonecrose
da cabeça femoral.
Articulação Coxofemoral

 Capsula Articular
 Estrutura cilíndrica, composta por 4 tipos de fibras:
longitudinais, oblíquas, arciformes, circulares
 Unida ao Labrum acetabular e ligamento transverso.
 Inserção na linha intertrocantérica anterior e na
união do 1/3 interno com os 2/3 externos do colo
posteriormente
 Ligamentos
 Lig. Iliofemoral (Forma triangular; feixes superior e
inferior)
 Lig Pubofemoral
 Lig Isquiofemoral
Fatores de Coaptação da
articulação
 Peso do corpo
 Labrum Acetabular
 Pressão atmosférica (efeito de vácuo)
 Ligamentos e músculos:
 Região anterior: predomínio dos ligamentos
 Região posterior: predomínio dos músculos
 Factores musculares:
 Se a direção é semelhante à do colo do fémur estabilizam a
articulação
 Se a direção longitudinal têm tendência a luxar a cabeça femoral
para cima do acetábulo (ex: adutores)
Luxação Congénita da Anca

 Ocorre quando:
 Aumento do angulo de Hilgenreiner (>30º)
 Linha horizontal que passa pelas cartilagens em Y e a linha tangente ao tecto
acetábulo
Fatores de coaptação da
articulação (Orientação do Colo do Fémur)
Plano Frontal Plano Horizontal
 Angulo de inclinação de 120-125º  Angulo de anteversão (20º)
 Se angulo aumenta (coxa valga) maior  Anteversão exagerada do colo, aumenta
instabilidade sobretudo na adução a probabilidade de luxação anterior,
 Luxação congénita da anca durante uma rotação externa.
 Inversamente, se houver retroversão do
 Tx: abdução a 90º
colo existe maior estabilidade.
Amplitudes articulares - Flexão

 Movimento que leva a face anterior da coxa em direção


ao tronco

 Amplitude

 Passiva (140º)> activa

 Joelho flexão(120º) > joelho flexão (90º)

 Flexão das duas coxofemorais em simultâneo associa-se a


retroversão da bacia
Músculos Flexores
 Psoasiliaco (+++)
 Flexão + Adução + Rot. Externa
 Recto anterior
 Flexão da anca + extensão do joelho
 Sartório
 Flexão + Abdução + Rot. Externa
 Tensor da fáscia lata
 Flexão + Abdução + Rot. Interna

 Músculos acessórios: Pectíneo, Gracilis, adutor longo, feixes


anteriores do médio e pequeno nadegueiro
Amplitudes articulares - Extensão
 Limitada pelo ligamento ilio-femoral
 Passiva > activa
 Activa - Depende da posição do joelho:
 Extensão: 20º
 Flexão: 10º (perda da eficiência dos ISQT que se encontram a flectir o
joelho)

 Passiva – 20-30º
 Amplitude dos movimentos é aumentada pelos movimentos de
anteversão da pelve e hiperlordose lombar
Músculos Extensores
 Grande nadegueiro
 Extensão + Adução + Rot. Externa
 Médio e pequeno nadegueiros (feixes posteriores)
 Extensão + Abdução + Rot. Externa
 Bicípete femoral (longa porção)
 Extensão da anca + Flexão do joelho + Adução
 Semimembranoso
 Extensão da anca + Flexão do joelho + Adução
 Semitendinoso
 Extensão da anca + Flexão do joelho + Adução
 Adutor magno (feixes inferiores)
Amplitudes articulares - Abdução
 Na prática a abdução (30º) da coxofemoral é
acompanhada automaticamente de uma abdução
igual do lado oposto. Báscula lateral da bacia.

 Amplitude máxima 45º => Obriga a báscula da bacia e


flexão lateral da coluna

 Atletas: 180º =>Abdução passiva frontal das duas pernas:


há anteversão da pelve e lordose lombar.
Músculos abdutores

Limitada pelos músculos adutores, ligamentos ilio e pubo-


femorais
 Médio e pequeno nadegueiros
 Feixes mais superiores do grande nadegueiro
 Tensor da fáscia lata
 Piriforme
 Abdução + Rot. Externa + Flexão
Amplitudes articulares - Adução

 Aproxima o membro do plano sagital / Posição mais


instável

 Adução relativa

 Adução combinada com extensão da coxa

 Adução combinada com a flexão da coxa

 Adução combinada à abdução da outra coxa

 Amplitude máxima 30º

 Pernas cruzadas: adução + flexão + rot. externa.


Músculos adutores
 Adutor magno
 Adutor curto
 Adutor longo
 Gracilis
 Pectíneo
 Quadrado femoral
 Grande nadegueiro
 Bicípete femoral (longa porção)
 Semimembranoso
 Semitendinoso
 Obturador interno
 Obturador externo
Amplitudes articulares - Rotação
 Movimento segundo o eixo vertical
 Amplitudes
 Rotação interna: 30-40º
 Rotação externa: 60º

 Decúbito ventral/dorsal ou na posição sentada => a RE


pode ter maior amplitude por relaxamento dos
ligamentos anteriores da articulação

 Praticantes de Ioga => posição de Lotus


Músculos Rotadores Externos
 Os rotadores externos são numerosos e potentes.
 O seu trajeto cruza por trás do eixo vertical da articulação.
 Músculos principais:
 Piriforme,
 Obturadores ext. e int.,
 Gémeos sup. e inf.
 Acessórios (principalmente adutores):
 Pectíneo,
 Quadrado femoral,
 Adutor magno (feixes posteriores),
 Grande, médio e pequeno nadegueiros,
 Longa porção do Bicipete,
 Psoasiliaco
Músculos Rotadores Internos

 Os rotadores internos são menos numerosos e menos potentes que


os externos.
 O seu trajeto cruza pela frente do eixo vertical da articulação.
 Músculos Principais:
 Tensor da fáscia lata
 Pequeno nadegueiro
 Feixes anteriores do Médio nadegueiro
Exame Objectivo
Exame Objetivo da Anca
Considerações
 A anca pode suportar até 3 a 5x o peso corporal durante as
AVDs.
 De 10 a 24% das crianças que praticam desporto e 5-6% nos
adultos desportistas referem dor referida á anca
 Desporto: Ballet, atletismo, hóquei, futebol, rugby, artes marciais
 Importante uma avaliação sistemática:
1. Posição ortostática;
2. Sentado,
3. Decúbito Dorsal,
4. Decúbito ventral,
5. Decúbito lateral.
1) Exame Objetivo
 1) Posição Ortostática
Teste de Trendelenburg

 Avalia a estabilidade e os músculos abdutores da anca (médio e


pequeno nadegueiro)

Teste positivo quando a anca do lado oposto


baixar por fraqueza dos abdutores
Exame Objectivo

 2) Sentado
Exame Objetivo
 3) Decúbito Dorsal
Teste de Thomas
 Presença e o grau da contratura em flexão da anca

Se a coxa oposta não apoia sobre a mesa de exame,


significa que há deformidade na flexão da anca que pode
ser medida em graus (+10º)
Teste de Patrick ou Faber
 Doente em decúbito dorsal
 Avaliação da Sacroiliaca
 Teste positivo quando: o joelho do MI testado permanece acima
do MI oposto em extensão.
 Significa limitação articular da anca, lesão/contractura do iliopsoas ou
lesão das sacroilíacas.
Teste do músculo piriforme
 Doente em decúbito dorsal com o MI testado situado
superiormente.
 Flexão da coxofemoral (60º), com o joelho em flexão
 Com a anca estabilizada, o examinador aplica uma pressão
descendente sobre o joelho.
Exame Objetivo
 4) Decúbito Ventral

 Teste de Ely
 Avaliar encurtamento do recto femoral
 1) Doente em decúbito ventral, o examinador flexiona
passivamente o joelho do doente.
 2) Durante a flexão passiva do joelho, se ocorrer flexão
concomitante da coxofemoral ipsilateral o teste é
considerado positivo.
Exame Objetivo
 5) Decúbito Lateral
Teste de Ober
 Avalia a contractura do tensor da fáscia lata (trato iliotibial)
 1) Decúbito lateral com o MI direito (como na imagem) articulação
coxofemoral e joelho em flexão.
 2) Abdução e extensão passiva do MIE com joelho em extensão ou
em flexão (90º)
 3) adução do MIE e quando existe encurtamento do trato iliotibial,
o MIE permanece em abdução
Exame Objectivo
Patologia Osteoarticular da Anca
Patologia Osteoarticular da Anca
1. Coxartrose
2. Fraturas
3. Artroplastia Total da Anca
4. Osteonecrose da Cabeça do Fémur
5. Conflito Fémuro-Acetabular (CFA)
6. Patologia Labral
7. Síndrome do Piriforme
8. Síndrome da banda Iliotibial
9. Bursite Trocantérica
10. Artrites Infeciosas/inflamatórias
11. “Snapping hip”
12. Neoplasia
13. Condiçoes não musculo esqueléticas com queixas na anca
Patologia Osteoarticular da Anca
Condições Intra-articulares Condições Extra-articulares
1. Coxartrose 1. Síndrome do Piriforme
2. Fraturas 2. Síndrome da banda Iliotibial
3. Artroplastia Total da Anca 3. Bursite Trocantérica
4. Osteonecrose da Cabeça do Fémur 4. “Snapping hip”
5. Conflito Fémuro-Acetabular (CFA) 5. Estenose Lombar
6. Patologia Labral 6. Condições não musculo esqueléticas com
queixas na anca
7. Artrites Infeciosas/inflamatórias
7. Fraturas
8. Neoplasia
Coxartrose
 Principal patologia da anca no adulto
 Doença degenerativa articular (desgaste da cartilagem articular
originando dor marcada, limitação da mobilidade articular e
diminuição da capacidade de marcha.
 Coxartrose primária ou idiopática
 Mais prevalente na raça branca (66%) que nos asiáticos (28%)
 Mais prevalente que a secundária

 Coxartrose secundária
 Traumatismo
 Infecção
 Patologias congénitas
 Outras deformidades
Coxartrose
 Fatores de risco:
 História familiar,
 Obesidade,
 lesões da cartilagem articular ou alterações da morfologia da anca,
como sejam a displasia e o CFA.
 Sintomas:
 Dor na região antero-externa inguinal/coxa
 Dor na anca
 Rigidez
 Limitação funcional das AVDs (calçar, apertar cordões do calçado,…)
 Irradiação distal
 Dor: insidiosa / Piora com atividade / alivia com repouso (estadios
mais avançados também em repouso)
Coxartrose
 Exame Objectivo:
 Marcha antálgica (diminuição do tempo de apoio lado afetado /
encurtamento do comprimento passada lado oposto)
 Amplitudes Articulares (perda de rotação Interna – sinal precoce) /
cadeia cinética (coluna, joelhos e anca)
 Teste de Faber – Patologia intraarticular + dor anterior
 Força Muscular ( diminuição por dor / fraqueza dos abdutores –
marcha Trendelenburg)
 Palpação grande trocânter, banda iliotibial, articulações sacroilíacas,
tuberosidades isquiáticas.
Coxartrose
 EAD:
 Rx: primeira linha de diagnóstico / Classificação AO

 RMN: DD de lesões do labrum e necrose avascular


 Artrografia (esclarecer lesões Labrum)
 EMG: DD radiculopatias ou lesão do N. Periférico
Coxartrose: Tratamento
 Conservador
 Farmacológico
 Analgésicos
 Aines
 Opioides
 Infiltração intraarticular de Corticoesteroides / Viscosuplementação
 Não Farmacológico
 Educação para a saúde
 Perda de peso
 Fisioterapia e Incremento de atividade física

 Cirúrgico
 Osteotomias / Artrodeses / Artroplastias
Fracturas Bacia
 Mecanismo de acção
 Rotação externa (disjunção da sínfise pubica)
 Compressão lateral (fractura do acetabulo)
 Cisalhamento vertical (separação completa de uma pelve)
 Classificação
 Estáveis / Parcialmente estáveis / instáveis
Fracturas do 1/3 proximal do femur
Fracturas do Colo do Femur
 Mais frequente:
 Após os 70 anos
 sexo feminino
 Ossos osteoporóticos devido a pequenos traumatismos e mais
raramente em doentes jovens por traumatismos de alta
intensidade.
 Exame objetivo:
 Pequeno encurtamento do membro afetado
 Discreta rotação externa.
 hematoma na face lateral da coxa.
 Dor à mobilização e incapacidade funcional
Fracturas do Colo do Fémur

 Vascularização da cabeça do fêmur


 Um anel arterial extracapsular na base do colo
femoral.

 Ramos cervicais ascendentes do anel


arterial extracapsular

 As artérias do ligamento redondo.


Fracturas do Colo do Fémur

 Diagnóstico
 Radiografia das ancas (AP e Perfil) e AP
em Abdução e Adução

 TAC

 Cintilografia óssea

 RNM
Fracturas do Colo do Fémur

 Classificação de Garden
 Tipo I – incompleta ou impactada
 Tipo II – completa sem desvio
 Tipo III – completa com desvio parcial
 Tipo IV – completa com desvio total
Fracturas do Colo do Fémur
 Complicações

 Tromboembolismo

 Infecção

 Retardo de consolidação

 Pseudoartrose

 Necrose avascular

 Consolidação viciosa
Fracturas Trocantéricas

 Fraturas que ocorrem entre o trocânter maior e o trocânter


menor ao longo da linha intertrocantérica.
 Fraturas extra-capsulares que ocorrem em osso esponjoso
bem vascularizado (boa consolidação destas fraturas
sendo a pseudoartrose extremamente rara).
 Mais frequente:
 Após os 60 anos / sexo feminino
 3x mais frequentes que as fraturas de colo de fêmur.
 Exame objetivo e EAD sobreponíveis ás fraturas do Colo do
Fémur
 Tratamento: cirúrgico
Artroplastia da Anca
 Tratamento viável para doença articular degenerativa avançada
desde os anos 60 – Sir John Charnley
 Artroplastia total da anca de baixa fricção

 Objetivo principal:
 Melhoria funcional, redução das queixas álgicas, melhoria da
qualidade de vida

 As mais frequentemente realizadas são a artroplastia total da anca


e do joelho
 Nos EUA, em 1993, foram efetuadas cerca de 125000 artroplastias totais
da anca e 179000 artroplastias totais do joelho
Artroplastia da Anca
 Indicações
 Osteoartrose degenerativa ou traumática, com dor e/ou limitação
funcional
 Fratura do colo do fémur
 Tumores peri-articulares
 Artropatias inflamatórias
 Hemofilia
 Necrose condiliana fémur
 Deformidades/Limitação das amplitudes articulares
 Alterações imagiológicas compatíveis
Artroplastia da Anca

2º Relatório Anual 2010-2011 - Registo Português de Artroplastias. SPOT (2012)


Artroplastia da Anca
 Contra-Indicações
 Doentes muito jovens
 Infeção ativa da articulação
 Sépsis
 Lesão neurológica periférica ou central com ↓ da FM do MI
 Doença mental limitante
 Doença sistémica avançada (CV, Neoplasia metastática…)
 Obesidade extrema
 ↓ marcada dos tecidos moles peri-articulares (anca)
 Osteoporose severa
 Doença vascular periférica significativa
Artroplastia da Anca
 Total (PTA)
 Componente femoral e acetabular

 Hemiartroplastia
 Apenas componente femoral
 Sobretudo usada na # colo do fémur

 Hemiartroplastia bipolar
 Manutenção da cartilagem articular
 > mobilidade
 Estáveis
 Também cursam com alto grau de osteólise acetabular
Artroplastia da Anca
 Meios de Fixação
 Cimentada
 Polimetilmetacrilato
 Quando existe maior fragilidade óssea
 Híbrida
 Um componente cimentado
 Não Cimentada
 Revestimento poroso para osteointegração
 Indivíduos + jovens
Artroplastia da Anca

2º Relatório Anual 2010-2011 - Registo Português de Artroplastias. SPOT (2012)


Artroplastia da Anca
 Complicações
 Luxação
 Descolamento asséptico
 Tromboembolismo

 Infecção

 Ossificação heterotópica
 Lesão de nervo periférico
 Dismetria
Artroplastia da Anca
Luxação
50% ocorre nas 4-6 semanas de pós-operatório
Até 10% dos casos

Factores predisponentes
• Abordagem cirúrgica (posterior)
• Orientação e tamanho da prótese Anterior
• Fragilidade muscular ou ligamentar Extensão / RE
• Cirurgia de revisão
• Não aderência às restrições das
amplitudes articulares Posterior
• Factores individuais (estado cognitivo, Flexão/ Adução / RI
sexo feminino, idade)
Artroplastia da Anca
Luxação

• Abordagem Terapêutica
– Redução fechada
– Redução aberta
– Cirurgia de revisão

Prevenção é fundamental
Cuidados
Evitar:
Flexão > 90°
Adução além da linha média
Rotação interna > 0°
Artroplastia da Anca
Programa de Reabilitação

Adaptação individualizada perante expectativas e


objectivos do doente

Marcha sem auxiliares: 12 semanas


Condução: 6 semanas
Actividade desportiva: 3-6 meses
Actividade sexual: 6 semanas
Actividade laboral: variável
Artroplastia da Anca
Actividade desportiva?

3-6 meses pós-operatório (Klein, Levine et al. 2007)


Osteonecrose da cabeça do Femur

 Maioria dos doentes têm menos de 40 anos (8x + homens) e 30-50%


bilateral.
 Etiologia:
 Ingestão de alcool e uso de corticoesteroides (cerca de 80% dos
doentes). Elevação da pressão intra-óssea e lesão direta das células
 Transplante de rim, medula ou outros órgãos;
 Infecção por HIV;
 Radiação;
 Lupus eritematoso sistêmico;
 Anemia falciforme;
 Doença de Gaucher.
Osteonecrose da cabeça do Femur
 Exame Objetivo
 Dor (virilha / região glútea / coxa / joelho.
 Claudicação da marcha (estádios mais avançados)
 Piora com a atividade
 EAD
 Rx anca (áreas mais opacas na cabeça femoral / Nos estadios
mais avançados identifica-se a deformação da cabeça femoral
seguida pela perda da cartilagem.
 Cintilografia óssea
 RMN
Osteonecrose da cabeça do Femur
 Tratamento não cirúrgico
 Analgésicos
 Descarga da articulação (uso de produtos de apoio)
 Bifosfonados (não há evidência definitiva de que estas medicações alterem a evolução da
osteonecrose da cabeça femoral).

 Tratamento cirúrgico
 Descompressão da cabeça femoral
 Enxerto ósseo com abertura da articulação
 Enxerto osteocondral;
 Enxerto ósseo vascularizado;
 Osteotomia
Conflito Femuro acetabular (CFA)
 Conflito ou de um contacto anormal entre a cabeça-colo femoral e o rebordo
acetabular, o qual irá provocar alterações do tipo degenerativo tanto no complexo
“debrum/labrum” acetabular, como na cartilagem articular.

 Ocorre quando a anca é submetida a movimentos de flexão, adução e rotação


interna.
 Mais frequente em atletas que estejam sujeitos a movimentos de flexão da anca
repetitivos e forçados, rotação interna e adução
 Hoquéi no gelo
 Futebol
 Artes marciais
 Ballet
 O CFA está associado, frequentemente, com o desenvolvimento prematuro de
osteoartrose.
Conflito Femuro acetabular (CFA)
 Classificação do conflito femoro-
acetabular.

 Tipo “cam” (alterações patológicas


encontram-se a nível da junção cabeça-
colo femoral)

 Tipo “pinça” (alterações patológicas


encontram-se no acetábulo)

 Tipo “misto”.
Conflito Femuro acetabular (CFA)

CFA tipo “Cam” CFA tipo “Pinça”


Conflito Femuro acetabular (CFA)
 Tipo “cam”
 Mais comum em homens jovens ativos entre os 20 e 30
anos, devido à ocorrência de lesões subclínicas nas
epífises com o desenrolar de atividades agressivas

 Mais frequente, mas a maioria dos doentes irá


apresentar o componente “misto”

 Na flexão-adução-rotação interna, criação de forças


de cizalhamento que produzem:
 Uma abrasão de fora para dentro (em profundidade) da
cartilagem da margem acetabular ântero-superior
 Uma avulsão tanto do Labrum comodo osso subcondral
(lesão de delaminação).
Conflito Femuro acetabular (CFA)

 Tipo “cam”
 Esta abrasão da cartilagem vai ser responsável pelo
descolamento posterior do Labrum cotiloideu.

 A primeira estrutura a ser afetada é a cartilagem da


parede ântero-superior do acetábulo.

 Pior prognóstico porque a lesão da cartilagem é


precoce, mais grave e frequentemente indetectável
na imagiologia pré-operatória, apresentando uma
rápida evolução.
Conflito Femuro acetabular (CFA)
 Tipo “Pinça”
 Mais comum em mulheres entre os 30 e 40 anos.
 Caracterizado por anormalidades tanto na forma como na
orientação do acetábulo.
 Contacto linear entre a margem acetabular e cabeça-colo
femoral.
 O Labrum cotiloideu é a primeira estrutura a afectar-se,
encontrando-se atrofiado, degenerado e calcificado.
 Produção de alterações semelhantes na margem póstero-
inferior do acetábulo por um mecanismo de contragolpe,
devido a uma subluxação da cabeça femoral na direcção
póstero-inferior.
 Melhor prognóstico, tem uma evolução mais lenta e uma
clínica mais tolerável. A degradação da cartilagem começa
por ser ligeira e ocorre numa fase tardia, havendo uma lenta
degradação.
Conflito Femuro acetabular (CFA)
 Exame Objectivo
 Dor anterior na virilha, intensa, especialmente após estar
sentado por longos períodos de tempo ou durante a
actividade física, especialmente à flexão-adução-rotação
interna.
 Dor aguda sentida durante a actividade física é indicativa de
um destacamento do Labrum acetabular.
 Sintomas mecânicos, tais como, bloqueio articular, “catching”
e “giving away”.
 Exame neurológico normal, FM mantida
 Teste de Trendelenburg pode ser positivo
 Mobilização A/A passiva está limitada, e por vezes dolorosa,
na flexão, rotação interna e adução,
Conflito Femuro acetabular (CFA)
 Exame Objectivo
 Teste do conflito anterior
 Doente em decúbito dorsal, com os dois membros inicialmente
em extensão, é realizada a flexão da articulação afectada em
90º, rotação interna e adução.
 A reprodução de dor pelo doente sugere a existência de conflito
com possibilidade de destacamento do “debrum”.

 Teste de conflito póstero-inferior


 Doente em decúbito dorsal, com o membro respectivo em
extensão, ficando o joelho no fim da mesa, enquanto o
examinador, passivamente, provoca rotação externa na anca.
 Teste positivo quando sintomas dolorosos e é indicativa de
patologia a nível da área póstero-inferior.
Conflito Femuro acetabular (CFA)
Diagnóstico
 Radiografia ancas:
 AP ortostática simples de ambas as articulações
coxofemorais, Axial
 Falso perfil de Lequesne.
 RMN
 Método muito sensível e específico
 Permite a observação de quistos “para-debrum”,
sinais de ossificação do rebordo acetabular e de
patologia intra-articular, sobretudo em
projecções sagitais.
 ArtroRMN com gadolíneo: método mais fiável
para detectar uma lesão intra-articular, e permite
a observação de destacamentos do “debrum”,
quistos do “debrum”, degenerescência da
cartilagem, sinovite, e alterações ósseas.
Conflito Femuro acetabular (CFA)
Escala de Tonnis

 Achados radiológicos que traduzam os estádios degenerativos da articulação


coxofemoral, com o objectivo de detecção precoce de osteoartrose e planeamento
terapêutico.
Conflito Femuro acetabular (CFA)
Tratamento
 Cirúrgico:
 Artroscopia da anca permite a reparação das lesões do “debrum” e a regularização de
pequenas gibas femorais, estando reservada ao grau 0 e 1 de Tönnis.
 Osteoplastia femoro-acetabular, realizada por via transtocantérica ou pela via anterior de Hueter.
Permite também o tratamento das lesões do “debrum”, das gibas femorais e do excesso da
parede anterior acetabular. Está indicada nos graus 1 e 2 de Tönnis.
 Ostetomias correctoras femorais e acetabulares proporcionam uma articulação mais congruente,
melhorando o “offset” femoral. Estão reservadas aos graus 1 e 2 de Tönnis.
 PTA indicada nos graus 3 e 4 de Tönnis.
Conflito Femuro acetabular (CFA)
Tratamento de Reabilitação
 Principios
 Descarga da articulação e proteção de estruturas lesadas ou
de potencial vulnerabilidade

 Restabelecer normalidade dinâmica e controlo


neuromuscular

 Tratar outros factores com influencia no aparecimento de dor


na anca
Conflito Femuro acetabular (CFA)
Reabilitação
Restabelecer normalidade dinâmica e controlo neuromuscular

 Fase 1: Músculos rotadores externos


 Consciencialização do movimento
 RE em isometria
 RE contra resistência
 Ativação diferentes arcos e funcional
 Fase 2: Musculo grande Nadegueiro
 Decúbito ventral
 Isometria
 Diferentes ângulos arco de movimento
 CCA a evoluir CCF
 Biofeedback
Conflito Femuro acetabular (CFA)
Reabilitação
Restabelecer normalidade dinâmica e controlo neuromuscular

 Fase 3: Fortalecimento Geral


 Iniciar primeiro com estabilizadores chave
 Restabelecer força e endurance
 Baixo impacto
 Especificidade funcional
 Fase 4: Actividades funcionais e especificas desportivas
 Padrões de movimento específicos (parciais)
 Padrões de movimento específicos (completos)
 Exercitação com padrões exigentes de “carga” estruturas
Conflito Femuro acetabular (CFA)
Reabilitação Pós cirurgia artroscópica

 Mesmos princípios da abordagem conservadora

 Proteção em conformidade com estrutura lesada

 Carga conforme tolerada até normalização marcha sem dor


 Osteocondroplastias correctivas CFA e Microfracturas (lesões condrais)
 Proteção – período 6 semanas

 Reparaçao Labrum e desbridamento


 Proteção 4-6 semanas
Síndrome do Piriforme
 15% da população, o ciático (inteiro ou parcialmente) passa atrves
do musculo piriforme e não sob o mesmo.
 Dor ciática relacionada a uma condição de contratura ou
hipertrofia do músculo piriforme tendo em vista sua íntima relação
topográfica com o nervo ciático.
 Musculo Piriforme: Rotação externa da coxa
 Dor na nádega, em queimor e que normalmente desce até a
perna.
Bursite Trocantérica
 Sindrome doloroso a nível do espaço peritrocantérico (entre o grande trocânter e a
banda ílio-tibial).
 É muitas vezes referido como bursite trocantérica ou trocanterite, apesar da sua causa
não ser a inflamação da bursa trocantérica.
 Frequente em atletas (running) e em doente mais idosos.
 A dor localiza-se na face externa da anca. Pode ter origem nos tendões ou músculos
vizinhos (médio e pequeno glúteo, banda ílio-tibial) ou ter origem intra articular (anca)
ou na coluna lombar.
 Tratamento
 Alteração da actividade física (nos casos em que está associado a uma actividade repetitiva
e excessiva)
 AINEs, gelo local
 Injecção local de anestésico local e corticosteróide.
 Libertação cirúrgica da banda ílio-tibial.
Patologia do Labrum

 O labrum acetabular apresenta uma inervação importante pelo


que a sua lesão é, frequentemente, uma fonte de dor.
 Podem existir outros sintomas associados à lesão como ressalto ou
clique na parte anterior da anca, mas também bloqueio e
sensação da "anca presa".
 Após um traumatismo, embora estejam mais frequentemente
associadas a um CFA ou displasia da anca.
 Habitualmente associada a lesões da cartilagem articular.
 Diagnóstico: RMN com contraste
Patologia Osteoarticular da Anca
 Sindrome da Banda Iliotibial
 Presente em Jovens activos
 Atletas do atletismo (running)
 Dor na região distal do fémur ( região lateral do joelho)
 Irradiação para a anca

 Canal Estreito lombar


 Dor insidiosa que agrava com marcha ou extensão do ráquis
 Alivio com a flexão
 Parestesias
 Condições não musculo esqueléticas com queixas na anca
 Pielonefrites, quistos ovário, hérnias,…
Patologia Osteoarticular da Anca
 Tumores e metástases
 Raro como primeiro diagnóstico
 Lesões osseas (metastases)
 Tecidos moles (condral ou sinovial)
 Artrites Inflamatórias (AR, Psoriatica)
 Inflamação em mais de uma articulação
 Rigidez matinal
 Bilateral (++)
 Artrites Infecciosas
 Emergência
 Dor na marcha
 Febre,…
OBRIGADO